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Numero do processo: 16682.906148/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.052
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 61 48 /2 01 2- 18 Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14059.014. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de PIS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de PIS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de PIS; (v) tendo havido a redução do débito de PIS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de PIS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16682.906148/201218 Acórdão n.º 3201005.052 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905179/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.741
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 79 /2 01 2- 56 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10675.905179/201256 Acórdão n.º 3201004.741 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09052.653, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.653. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10675.905179/201256 Acórdão n.º 3201004.741 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10675.905179/201256 Acórdão n.º 3201004.741 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10675.905179/201256 Acórdão n.º 3201004.741 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.173) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002938/2001-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. "PROC JUD NÃO COMPROVAD". MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO NÃO SUBSISTE.
Na hipótese de a autuação fiscal ter como único pressuposto a inexistência da comprovação de processo judicial e o Sujeito Passivo provar existir a ação judicial e integrar o seu pólo ativo, há de ser declarada a improcedência do lançamento por falta de motivação, o que configura vício material e enseja a nulidade do auto de infração
Numero da decisão: 9303-008.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. "PROC JUD NÃO COMPROVAD". MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO NÃO SUBSISTE. Na hipótese de a autuação fiscal ter como único pressuposto a inexistência da comprovação de processo judicial e o Sujeito Passivo provar existir a ação judicial e integrar o seu pólo ativo, há de ser declarada a improcedência do lançamento por falta de motivação, o que configura vício material e enseja a nulidade do auto de infração
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-25T14:38:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-25T14:38:28Z; Last-Modified: 2019-03-25T14:38:28Z; dcterms:modified: 2019-03-25T14:38:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-25T14:38:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-25T14:38:28Z; meta:save-date: 2019-03-25T14:38:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-25T14:38:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-25T14:38:28Z; created: 2019-03-25T14:38:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-03-25T14:38:28Z; pdf:charsPerPage: 1266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-25T14:38:28Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 460 1 459 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002938/200119 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.040 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO CIDADE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. "PROC JUD NÃO COMPROVAD". MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO NÃO SUBSISTE. Na hipótese de a autuação fiscal ter como único pressuposto a inexistência da comprovação de processo judicial e o Sujeito Passivo provar existir a ação judicial e integrar o seu pólo ativo, há de ser declarada a improcedência do lançamento por falta de motivação, o que configura vício material e enseja a nulidade do auto de infração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 29 38 /2 00 1- 19 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16327.002938/200119 Acórdão n.º 9303008.040 CSRFT3 Fl. 461 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 396 a 404), com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340300.424 (efls. 390 a 393) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 01 de julho de 2010, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade do auto de infração motivado na ausência de comprovação da existência de processo judicial para suspensão do crédito tributário declarado em DCTF. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto n° 70.235/72. Não resignada com a decisão, a Fazenda Nacional suscita divergência jurisprudencial quanto à (in)existência do pressuposto de fato que lastreia auto de infração eletrônico lavrado com base na constatação de que o processo judicial não foi comprovado, quando o contribuinte comprova a existência do processo judicial. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão n.º 20312.427. O recurso especial da Fazenda Nacional teve seguimento, nos termos do despacho n.º 34001275, de 16/11/2010 (efl. 417), por se entender como existente a divergência jurisprudencial e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. De outro lado, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (efls. 431 a 439) postulando a sua negativa de provimento. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16327.002938/200119 Acórdão n.º 9303008.040 CSRFT3 Fl. 462 3 O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Fazenda Nacional gravita em torno da manutenção do auto de infração mediante inovação na motivação do lançamento pela DRJ quando o mesmo é efetuado com base em processo judicial não comprovado, cuja existência é demonstrada posteriormente pela Contribuinte. Tratase de auto de infração eletrônico lavrado para cobrança de crédito tributário de PIS, referente ao primeiro trimestre de 1997, acrescido de juros de mora e multa de ofício, com fundamento na ausência de comprovação da existência de processo judicial que teria o efeito de suspender a exigibilidade dos valores em referência. No auto de infração e respectivos anexos (efls. 48 a 54) a motivação da autuação pela Receita Federal foi a não comprovação do processo judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário de PIS do período de apuração de 01/1997 a 03/1997 "Proc jud não comprovad" (Anexo I efl. 50). A Fiscalização atevese a esse fundamento para prosseguir com a cobrança do débito, abstendose de outras motivações no lançamento. Devidamente cientificada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (efls. 02 a 08), e oportunamente comprovou a existência dos processos judiciais que Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16327.002938/200119 Acórdão n.º 9303008.040 CSRFT3 Fl. 463 4 suspendiam a exigibilidade do crédito tributário do PIS (documentos às efls. 55 a 287): mandado de segurança n.º 2001.61.00.0037223; agravo de instrumento n.º 2001.03.00.0067273 e medida cautelar n.º 2001.03.00.0253834, nesta última, deferida medida liminar que suspendia a exigibilidade do PIS à época do lavratura do auto de infração. No julgamento da impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), embora tenha reconhecido a comprovação da existência dos processos judiciais, manteve indevidamente a autuação com base na análise de mérito do conteúdo das demandas judiciais e do mérito do crédito tributário, inovando a motivação do lançamento com relação ao auto de infração (efls. 318 a 322), aperfeiçoandoo, procedimento que não é previsto em lei. Nessa esteira, comprovada a ação judicial pela Contribuinte, é incabível a manutenção do lançamento tributário por quaisquer outros argumentos, sob pena de inovação dos fundamentos da autuação, gerando a sua nulidade por vício material. Por isso, não merece reforma o acórdão recorrido. No mesmo sentido, decidiu este Colegiado em sessão de 23/03/2017, cujas razões de decidir estão consubstanciadas no Acórdão nº 9303004.906, de relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, e que foram sintetizadas na seguinte ementa: ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/07/1997a31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO MOTIVAÇÃO DOS FATOS INSUBSISTENTE Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD NÃO COMPROVADO", e o sujeito passivo demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a improcedência do lançamento por absoluta falta de amparo fático configurando vício material. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 463DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.004416/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO CALCULADO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. UTILIZAÇÃO APÓS DOZE MESES DO INGRESSO NA NÃO CUMULATIVIDADE.
Não é possível o aproveitamento do crédito calculado sobre o estoque de abertura em parcela única, quando do ingresso na não cumulatividade por disposição expressa dos arts. 11, § 2, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 2, da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3401-005.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, sanando a omissão, com a manutenção da glosa do estoque existente no início da não-cumulatividade (junho de 2004), mas utilizado numa parcela única em dezembro de 2006, por expressa disposição legal - arts. 11, § 2º, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 (COFINS).
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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UTILIZAÇÃO APÓS DOZE MESES DO INGRESSO NA NÃO CUMULATIVIDADE. Não é possível o aproveitamento do crédito calculado sobre o estoque de abertura em parcela única, quando do ingresso na não cumulatividade por disposição expressa dos arts. 11, § 2, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 2, da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, sanando a omissão, com a manutenção da glosa do estoque existente no início da nãocumulatividade (junho de 2004), mas utilizado numa parcela única em dezembro de 2006, por expressa disposição legal arts. 11, § 2º, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 44 16 /2 00 7- 55 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 740 2 Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela FAZENDA NACIONAL, sobre o Acórdão nº 340101.147, de 10 de dezembro de 2010, fls. 252 a 263, que invocou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 246, de 22 de junho de 2009, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANFERIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. NÃOCUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL.CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins, a manutenção de software e a aquisição de equipamentos de proteção individual não dão direito a créditos, por constituírem dispêndios não associados a determinado serviço ou bem produzido pela empresa. RESSARCIMENTO. REGIME NÃOCUMULATIVO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS nãocumulativos os arts. 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003 vedam expressamente tal aplicação. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 741 3 PARTE ABAIXO A CARGO DE GILSON, DESIGNADO RELATOR CRÉDITO CALCULADO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. UTILIZAÇÃO APÓS DOZE MESES DO INGRESSO NA NÃOCUMULATIVIDADE. Consta que a decisão do colegiado foi assim prolatada: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à cessão onerosa de crédito de ICMS, e vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator) quanto ao aproveitamento sobre o estoque de abertura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. A FAZENDA NACIONAL apresentou embargos de declaração por ter identificado omissão de redação do voto vencedor, já que o Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, designado para redação do voto vencedor, não o apresentou. Consta no processo o acórdão com apenas o voto do relator, que foi parcialmente acatado pela turma. Em 13/03/2017 os embargos foram admitidos pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, para que uma nova decisão seja prolatada. Anteriormente a essa data, em 13/03/2014, o processo foi distribuído para o Conselheiro Jean Cleuter de Simões Mendonça para apreciação dos embargos, por os conselheiros anteriores não serem mais membros da turma, conforme despacho fls. 274. Após o processo foi redistribuído ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge de Oliveira, e finalmente a mim sorteado em face da renúncia ao mandato pelo Conselheiro anteriormente designado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Admitidos os embargos de declaração passo a sua análise quanto a omissão identificada conforme artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato, verificando os autos, não consta a manifestação do redator designado expressando a posição da turma em relação à parte vencedora do voto. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 742 4 Na parte dispositiva do acórdão temos que assim ficou decidido: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à cessão onerosa de crédito de ICMS, e vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator) quanto ao aproveitamento sobre o estoque de abertura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Vemos então que a manifestação do redator designado deveria se ater ao aproveitamento sobre o estoque de abertura, único item em que ficou vencido o relator. O relator assim se manifestou quanto a esse ponto específico: CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA UTILIZADO APÓS DOZE MESES DO INÍCIO DA NÃOCUMULATIVIDADE A DRJ referendou a glosa correspondente ao estoque levantado em junho de 2004 (quando houve o ingresso no regime da não cumulatividade), mas aproveitado pela contribuinte no Dacon de dezembro de 2006, por entender que o estoque de abertura deve ser utilizado, necessariamente, em 12 parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data de início da incidência não cumulativa. Segundo o acórdão recorrido, o aproveitamento teria que se dar mês a mês, em doze parcelas iguais, e não numa parcela única, integral, apenas em dezembro de 2006. Entendo haver razão à Recorrente, quando defende que as disposições previstas nos arts. 11, § 2, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 2, da Lei nº 10.833/2003, foram criadas para que o contribuinte não se creditasse, no próprio mês, do montante de crédito presumido em função de estoque acumulado no período anterior, quando a empresa estava submetida ao regime cumulativo. Inexistindo vedação a que esse crédito seja utilizado em período posterior aos doze meses seguintes àquele do ingresso na nãocumulatividade, cabe admitir o aproveitamento. A única limitação é o prazo decadencial de cinco anos contados do mês de entrada na nãocumulatividade, que na situação dos autos não constituí óbice porque o interregno entre a aquisição do direito (1/12 avos em junho de 2004 e assim por diante, nos doze meses seguintes) e o seu gozo (dezembro de 2006) é inferior. Dessarte, comprovado que o crédito calculado sobre o estoque existente no início da nãocumulatividade (estoque levantado em maio de 2004, já que em junho daquele ano a Recorrente ingressou na nãocumulatividade) não foi utilizado antes de dezembro de 2006, a glosa apresentase descabida. E assim concluiu o relator em seu voto: Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 743 5 Pelo exposto, dou provimento parcial para reconhecer o crédito a ressarcir, sem as glosas por conta das transferências de ICMS a terceiros e do estoque comprovadamente existente no início da nãocumulatividade (junho de 2004), mas utilizado numa parcela única em dezembro de 2006. Existe a posição do colegiado à época, exposta na parte dispositiva do acórdão, que discordou do voto do relator. Entretanto, não é possível desvendar as razões que levaram a tal posicionamento. Por isso, devido ao vício insanável consubstanciado no acórdão, temos que a solução plausível é resubmeter o ponto específico a novo julgamento. Passo a análise então. A Lei 10.637/2002 trazia a seguinte redação: Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1o de dezembro de 2002. § 1oO montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2oO crédito presumido calculado segundo o § 1oserá utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. § 2oO crédito presumido calculado segundo os §§ 1oe 7oserá utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3oA pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido, passar a adotar o regime de tributação com base no lucro real, terá, na hipótese de, em decorrência dessa opção, sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens e ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo. §4oO disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração.(Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 5oO disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7oa 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000,10.147, 21 de dezembro de 2000,10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 744 6 quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 6oAs disposições do § 5o não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição.(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 7oO montante de crédito presumido de que trata o § 5odeste artigo será igual ao resultado da aplicação do percentual de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque, inclusive para as pessoas jurídicas fabricantes dos produtos referidos no parágrafo único do art. 56 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003.(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 7oO montante do crédito presumido de que trata o § 5odeste artigo será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque, inclusive para as pessoas jurídicas fabricantes dos produtos referidos no art. 51 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003.(Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)(Vide Lei nº 10.925, de 2004) E o art. 12, § 2, da Lei nº 10.833/2003 expressava posição semelhante, por isso deixo de reproduzir. A fiscalização analisou a utilização do crédito presumido da seguinte forma, fls. 118 e sgs.: 2.3 — Inclusão incorreta de créditos referentes à Estoque de Abertura na Dacon de Dezembro de 2006 Ficha 06A Linha 19 (fls. 71). 26. A interessada apurou créditos presumidos sobre Estoque de Abertura em desacordo com o que determina a legislação, ocorre que a interessada passou a ser tributada dentro da sistemática da não cumulatividade no mês de junho de 2004 27. O crédito presumido no âmbito da não cumulatividade do Pis e da Cofins foi tratado nas Leis 10.637/2002 (art. 11) e Lei 10.833/2003 (art. 12), respectivamente para o Pis/Pasep e a Cofins. 28. Transcrição do Art. 11 da Lei 10.637/2002 que regula o aproveitamento de Crédito Presumido sobre estoque de abertura no âmbito do PIS/Pasep ... 29. Transcrição do Art. 12 da Lei 10.833/2003 que regula o aproveitamento de Crédito Presumido sobre estoque de abertura no âmbito da Cofins. ... Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 745 7 30. Ocorre que apesar da expressa determinação legal a interessada não apurou os créditos presumidos do PIS/Pasep e da Cofins relativamente ao Estoque de Abertura tendo optado por lançar todo o valor em uma única parcela no mês de Dezembro de 2006, o que é vedado pela norma jurídica, pois tais valores deveriam ter sido apurados no mês que a interessada passou a sujeitarse às regras da não cumulatividade e a partir • desta data ir apropriando nas Dacons parcelas sucessivas de 1/12 do valor do crédito. 31. Não obstante isso os demonstrativos apresentados pela interessada não fazem qualquer referencia ao crédito presumido referente à estoque de abertura, não tendo conseguido comprovar a legitimidade de tais créditos nem tão pouco informar sua base de cálculo e como foram calculados. E esse foi o posicionamento da DRJ no acórdão de piso: Também foi correta a glosa relativa aos créditos referentes ao estoque de 41, abertura na Dacon de dezembro de 2006, que foram incluídos indevidamente pelo interessado. Sua própria alegação, de que tais créditos seriam referentes ao estoque existente em junho de 2004, apenas confirma a exatidão da glosa efetuada, uma vez que a legislação, transcrita no relatório fiscal, expressamente autoriza que tais créditos devem ser utilizados em 12 parcelas mensais, iguais e sucessivas a partir da data de início da incidência da contribuição não cumulativa. Assim, como tais créditos são referentes ao estoque de abertura existente junho de 2004, data em que começou a ser tributado dentro da sistemática da não cumulatividade, deveriam ter sido aproveitados a partir da referida data, mês a mês, em 12 parcelas iguais, e não em uma única parcela integral, apenas em dezembro de 2006. Desta forma, como tal procedimento não atende à autorização legal expressa, resta correta a glosa efetuada pela fiscalização. Por isso não restam dúvidas sobre a conclusão a que chegou a DRJ, que manteve a glosa do estoque e a utilização dos créditos referentes ao estoque de abertura existente em junho de 2004 em 12 parcelas iguais. Com essas considerações, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, e pela manutenção da glosa do estoque existente no início da não cumulatividade (junho de 2004), mas utilizado numa parcela única em dezembro de 2006, por expressa disposição legal, a teor dos arts. 11, § 2, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 2, da Lei nº 10.833/2003. Mara Cristina Sifuentes, Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11080.004416/200755 Acórdão n.º 3401005.769 S3C4T1 Fl. 746 8 Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721262/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DEVOLUÇÕES DE VENDAS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Mesmo após as diligências efetivadas, do confronto entre livros fiscais, notas fiscais eletrônicas e contabilidade, ainda assim restou parte de devoluções de vendas que não compuseram a base de cálculo do IRPJ/CSLL.
GLOSA DE DESPESAS. ALUGUÉIS.
Somente são dedutíveis ou dão direito a crédito no regime de não cumulatividade as despesas de aluguel quando comprovadas com documentação hábil, conforme prescrito na legislação de regência.
GLOSA DE DESPESAS. FRETES.
A dedutibilidade dos custos e das despesas operacionais requer não somente que estejam registrados na escrituração do sujeito passivo, mas também que os fatos nela evidenciados sejam comprovados mediante a apresentação de documento fiscal (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga e/ ou Nota Fiscal). A simples apresentação de pagamento à empresa transportadora não tem o condão de satisfazer a exigência.
GLOSA DE DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA.
Só é permitido ao contribuinte deduzir os custos cuja efetiva realização e necessidade comprovar por meio de documentação hábil e idônea, sendo cabível a respectiva glosa se o sujeito passivo, depois de intimado, não comprovar a ocorrência ou o pagamento.
GLOSA DE CUSTOS. BENS PARA REVENDA.
Mesmo após as diligências efetivadas, com a apresentação das Notas Fiscais de Entrada, ainda assim restou parte de custos que não foram devidamente comprovados.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO EM DCTF APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Matéria não impugnada não comporta enfrentamento, pois não instaurado o litígio.
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE TELEFONIA.
Despesas incorridas com serviços de telefonia por não serem utilizados no processo produtivo da Contribuinte, não geram créditos de COFINS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. GASTOS COM EMBALAGENS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
De se reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO EM DCTF APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Matéria não impugnada não comporta enfrentamento, pois não instaurado o litígio.
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE TELEFONIA.
Despesas incorridas com serviços de telefonia por não serem utilizados no processo produtivo da Contribuinte, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. GASTOS COM EMBALAGENS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
De se reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.
Numero da decisão: 1401-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar, tão somente, a glosa de créditos de PIS e COFINS efetivada em gastos com embalagens. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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CUSTOS/DESPESAS. SEM COMPROVAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS.PIS.COFINS Recorrentes ALO KIDS COMÉRCIO DE ARTIGOS INFANTIS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DEVOLUÇÕES DE VENDAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Mesmo após as diligências efetivadas, do confronto entre livros fiscais, notas fiscais eletrônicas e contabilidade, ainda assim restou parte de devoluções de vendas que não compuseram a base de cálculo do IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS. ALUGUÉIS. Somente são dedutíveis ou dão direito a crédito no regime de não cumulatividade as despesas de aluguel quando comprovadas com documentação hábil, conforme prescrito na legislação de regência. GLOSA DE DESPESAS. FRETES. A dedutibilidade dos custos e das despesas operacionais requer não somente que estejam registrados na escrituração do sujeito passivo, mas também que os fatos nela evidenciados sejam comprovados mediante a apresentação de documento fiscal (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga e/ ou Nota Fiscal). A simples apresentação de pagamento à empresa transportadora não tem o condão de satisfazer a exigência. GLOSA DE DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. Só é permitido ao contribuinte deduzir os custos cuja efetiva realização e necessidade comprovar por meio de documentação hábil e idônea, sendo cabível a respectiva glosa se o sujeito passivo, depois de intimado, não comprovar a ocorrência ou o pagamento. GLOSA DE CUSTOS. BENS PARA REVENDA. Mesmo após as diligências efetivadas, com a apresentação das Notas Fiscais de Entrada, ainda assim restou parte de custos que não foram devidamente comprovados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 62 /2 01 5- 24 Fl. 9300DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO EM DCTF APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Matéria não impugnada não comporta enfrentamento, pois não instaurado o litígio. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE TELEFONIA. Despesas incorridas com serviços de telefonia por não serem utilizados no processo produtivo da Contribuinte, não geram créditos de COFINS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. GASTOS COM EMBALAGENS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. De se reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO EM DCTF APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Matéria não impugnada não comporta enfrentamento, pois não instaurado o litígio. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE TELEFONIA. Despesas incorridas com serviços de telefonia por não serem utilizados no processo produtivo da Contribuinte, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. GASTOS COM EMBALAGENS. Fl. 9301DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.301 3 O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. De se reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar, tão somente, a glosa de créditos de PIS e COFINS efetivada em gastos com embalagens. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Breno do Carmo Moreira Vieira. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados, em 11/01/2016, contra o contribuinte acima identificado relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 9.739.764,74 (fl. 8.433), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 3.506.929,47 (fl. 8.452), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 7.238.883,81 (fl. 8.407), à Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 1.571.599,57 (fl. 8.394), acrescidos de juros de mora à taxa SELIC calculados até janeiro/2016 e multa de ofício de 75%, sobre todas as infrações, formalizando o crédito tributário de R$ 37.936.970,76. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 8.376 a 8.392) a autuação decorreu de omissão de receitas, glosa de custos/despesas não comprovados e glosa de créditos de PIS/Cofins. Todas as autuações são relativas ao anocalendário 2011. Seguindo a ordem que consta no Auto de Infração IRPJ: Fl. 9302DF CARF MF 4 DO AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS INFRAÇÃO: DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE VENDAS Omissão de receita operacional caracterizada pela não comprovação de Devoluções de Vendas, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 02 em anexo (Infração VI). CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas de Aluguéis de Prédios sem apresentação dos comprovantes e/ou em desacordo com a legislação, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 02 em anexo (Infração VIIIc). Despesas de Fretes sem apresentação dos comprovantes, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 02 em anexo (Infração VIIIb). Despesas de Energia Elétrica sem apresentação dos comprovantes, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 02 em anexo (Infração VIIIa). Custos não comprovados, relativos a Bens para Revenda sem apresentação das Notas Fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 02 em anexo (Infração VII). O Auto de Infração de CSLL contempla o reflexo destas infrações apuradas no âmbito do IRPJ. DO AUTO DE INFRAÇÃO PIS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE INFRAÇÃO: CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO O sujeito passivo, acima identificado, constituiu os créditos do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP, relativos a Bens para Revenda sem justificativas das diferenças constatadas do confronto entre os Livros Fiscais e a DACON, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIb). [...] O sujeito passivo descontou, na apuração da contribuição, os créditos da nãocumulatividade, relativos a Serviços Utilizados como Insumos Gastos com Telefonia, em desacordo com a legislação, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIIb). Fl. 9303DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.302 5 [...] O sujeito passivo descontou, na apuração da contribuição, os créditos da nãocumulatividade, relativos às Despesas de Alugueis de Prédios sem apresentação dos comprovantes e também em desacordo com a legislação, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIIe). [...] O sujeito passivo, acima identificado, constituiu os créditos do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP, relativos a Bens para Revenda sem apresentação das Notas Fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIa). [...] O sujeito passivo descontou, na apuração da contribuição, os créditos da nãocumulatividade, relativos às Compras de Bens Utilizados como Insumos Embalagens, em desacordo com a legislação, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIIa). [...] O sujeito passivo descontou, na apuração da contribuição, os créditos da nãocumulatividade, relativos às Despesas de Fretes sem apresentação dos comprovantes e também em desacordo com a legislação, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIId). [...] O sujeito passivo descontou, na apuração da contribuição, os créditos da nãocumulatividade, relativos às Despesas de Energia Elétrica sem apresentação dos comprovantes, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo (Infração IIIc). INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo, relativo a débito declarado em DCTF Retificadora fora da espontaneidade (Infração IV). Contribuição: R$ 9.113,02 INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo, relativamente à Glosa de Devoluções de Vendas (Infração I). [...] Fl. 9304DF CARF MF 6 DO AUTO DE INFRAÇÃO COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo, relativo a débito declarado em DCTF Retificadora fora da espontaneidade (Infração V). Contribuição: R$ 41.975,11 As demais infrações, a título de Omissão de Receitas (Glosa de Devoluções de vendas) e por Créditos Descontados Indevidamente (despesas com fretes, alugueis de prédios, Embalagens, gastos com Telefonia, Bens para Revenda sem apresentação de notas fiscais e diferenças entre Livros Fiscais e DACON e Energia Elétrica) consideradas no Auto de Contribuição para o PIS, também o foram para a COFINS. DETALHES DAS INFRAÇÕES APONTADAS NO TVF 02 IRPJ/CSLL / IMPUGNAÇÃO / DILIGÊNCIAS / DECISÃO DRJ e RECURSO VOLUNTÁRIO Omissão de Receitas Devoluções de Vendas Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO VI – REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DE IRPJ/CSLL (DEVOLUÇÕES DE VENDAS), do Termo de Verificação Fiscal nº 02 IRPJ/CSLL, onde foi apurada devido à diferenças entre os valores das Devoluções de Vendas originários dos Livros de Registro de Entradas e os valores obtidos das Notas Fiscais Eletrônicas através do Sped. Intimado a esclarecer a diferença apurada pela Fiscalização, o Contribuinte não respondeu ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 09, de forma que a Fiscalização agrupou as diferenças por mês, conforme Tabela 13B. DA IMPUGNAÇÃO Relativamente a esta matéria, a Contribuinte trouxe os seguintes argumentos em sua Impugnação: Fl. 9305DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.303 7 DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS Por meio da Resolução 143.940, a 1ª Turma da DRJ/RPO converteu o julgamento em diligências, a saber: A autuada insurgiuse quanto ao lançamento, alegando que no curso do procedimento fiscal, embora regularmente intimada, deixou de apresentar notas fiscais de entrada registradas no Livro de Entradas, relativas à filial de CNPJ 11.928.659/0009 86, porém na presente impugnação junta, ainda que parcialmente, as referidas notas fiscais que comprovariam parte dos custos glosados, identificados como compras de bens para revenda. Segundo argumenta, as notas apresentadas são aquelas elencadas na Tabela 2A do Termo de Intimação nº 05, lavrado em 22/09/2015, com exceção das quarenta e três notas já Fl. 9306DF CARF MF 8 apresentadas no curso do procedimento fiscal, e das seguintes notas não localizadas: 62.895, 62.917, 121.348, 62.937, 121.460, 62.993, 121.493, 63.030, 63.062, 63.054 e 63.065. A autuada anexou em sua impugnação documentos com o propósito de comprovar suas alegações. Compulsando tais documentos, constatase que a autuada juntou à impugnação um conjunto extenso de notas fiscais de entrada relativas à filial de CNPJ 11.928.659/000986. Por amostragem, verificouse que as notas fiscais apresentadas são as elencadas na Tabela 2A citada anteriormente. Cabe observar que vários documentos anexados não estão totalmente legíveis. Diante das evidências acima mencionadas, e do número elevado de notas fiscais apresentadas, proponho a conversão do julgamento deste processo em diligência para que os autos sejam devolvidos a DRF de origem, a fim de que sejam adotadas as seguintes providências : intimar o contribuinte a apresentar os documentos legíveis pertinentes, analisar se as alegações são procedentes, e caso assista de fato razão, ainda que parcial da impugnante, elaborar relatório conclusivo acompanhado de demonstrativo no qual conste, para cada fato gerador e para cada tributo lançado, as seguintes informações: a) base de cálculo constante do auto de infração; b) base de cálculo remanescente; c) tributo remanescente; d) multa remanescente. Ressaltese que a elaboração desse demonstrativo, tal como indicado, é de fundamental importância para alimentar os sistemas da RFB de controle do crédito tributário. Ao final intimar o contribuinte acerca das conclusões da diligência, ofertandolhe 30 (trinta) dias de prazo para manifestação quanto a elas. A autoridade diligenciadora em seu Relatório de Diligência Fiscal (fls. 9114 a 9189) ITEM D, informou que a Contribuinte foi também intimada a esclarecer a diferença apontada na Tabela 13B (supra, no relatório deste voto) e não respondeu. Apesar de não haver resposta a esta solicitação, o fato é que, além do exame de outras demandas da DRJ, a autoridade diligenciadora acaba por constatar que aquela diferença, em vista das averiguações efetuadas (análise de batimento entre as DIPJ/DACON e as notas fiscais eletrônicas Sped Devoluções), se reduziria para R$ 599.927,14. Assim, informa que a Tabela 13B (supra) do TVF 02, deve ser reformada e substituída pela Tabela 13B1: Fl. 9307DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.304 9 E conclui: RESUMINDO: a) Base de cálculo constante do auto de infração, para esta infração: R$ 1.189.256,17, b) Base de cálculo remanescente, para esta infração: R$ 599.927,14 DA DECISÃO DA DRJ Quanto à infração de omissão de receitas, o contribuinte argumenta que as divergências apuradas entre o SPED e o Livro de Registro de Entrada relativas à devolução de vendas não podem ser consideradas como omissão de receita, uma vez que o valor declarado em DIPJ e DACON é o mesmo que o informado no SPED, e este é menor que o escriturado nos livros fiscais. De fato, a princípio a fiscalização apurou o montante de R$ 1.189.256,17 a título de omissão de receitas decorrente de devolução de vendas, confrontando as devoluções de vendas escrituradas no Livro de Registro de Entrada e os valores obtidos das Notas Fiscais Eletrônicas de devolução através do SPED. Porém, em fase de diligência, analisando a DIPJ e DACON do anocalendário 2011, a fiscalização verificou que o contribuinte, embora não tenha apresentado as notas fiscais que lastrearam a escrituração no livro fiscal, e não tenha esclarecido a divergência encontrada, não informou, nas declarações mencionadas, o valor integral das devoluções escrituradas. Fl. 9308DF CARF MF 10 Sendo assim, a fiscalização apurou a omissão de receitas de vendas mediante o confronto do valor declarado em DACON e o valor das receitas de vendas escrituradas no Livro de Registro de Saída, subtraído dos descontos comerciais e dos valores da Notas Fiscais de devoluções de vendas obtidos no SPED. Desse novo cálculo verificouse que a autuada omitiu receitas de vendas no montante de R$ 742.113,25. Nota deste Relator: Esta importância (que aparece em outra tabela no relatório da diligência), referese à matéria a ser considerada na redução da glosa de créditos de PIS/COFINS. Aqui, para fins de IRPJ, a redução considerada na diligência foi de R$ 599.927,14 apurada pela autoridade diligenciadora e que consta na decisão recorrida (vide tabela Base de Cálculo IRPJ e CSLL, fl.12). Após descrever e transcrever os autos de infração, a Recorrente apresentou, em seu recurso voluntário, relativamente a este item da autuação, os mesmos argumentos trazidos na Impugnação, conforme se depreende do item 4.6 DA AUSÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA NO CONFRONTO DAS DEVOLUÇÕES DE VENDA NO SPED E NO LIVRO DE REGISTRO DE ENTRADA, em seu recurso. Despesas de Alugueis de Prédios: Glosa Os detalhes da infração constam no item INFRAÇÃO VIIIc – GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (ALUGUEIS DE PRÉDIOS), do Termo de Verificação Fiscal nº 02 IRPJ/CSLL, onde foi apurado que os pagamentos de alugueis deduzidos pela Recorrente em várias de suas lojas (i) ou eram feitos por outra empresa, no caso a Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda. ou a Baby & Kids Com. de Fraldas e Art. Inf. Ltda , ou (ii) pagamentos efetuados à pessoas físicas/jurídicas sem comprovação. Consolidando os valores apurados, a Fiscalização elaborou a Tabela 21A. DA IMPUGNAÇÃO No Item 3.3 Da Comprovação das Despesas Com Aluguel. Da Impossibilidade da Glosa Dessas Despesas, apresentou os seguintes argumentos: que já apresentou os comprovantes de pagamento dos alugueis de suas lojas, bem como os contratos de locação; destaca que os apesar de os contratos de locação, em alguns casos, terem sido firmados com pessoas físicas e não com pessoas jurídicas, o que se admite desde já permitiria a glosa dos créditos de PIS e COFINS não daria guarida nunca à glosa de tais despesas, quando da apuração do lucro do IRPJ e CSLL; dessa forma, conforme aceito pelo auditor fiscal, todas as despesas com aluguel correspondem às lojas da IMPUGNANTE, o seu ponto de divergência, segundo o relato da infração, residiria em alguns pagamentos realizados pela empresa do mesmo grupo Baby Kids Comércio de Brinquedos Ltda.; que aparentemente, o auditor fiscal não aceitou a nossa explicação que os contratos de locação principalmente de janeiro a março de 2011 ainda estavam em nome da Baby Kids, em razão da Alo Kids ser uma empresa recentemente à época constituída e que tais Fl. 9309DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.305 11 contratos estavam sendo cedidos à novel empresa; porém, conforme destaca, as despesas eram apenas e exclusivamente da Alo Kids, sendo que a conta corrente da Baby Kids recebia os valores apenas para repasse aos locadores; DA DECISÃO DA DRJ Não procede a alegação da impugnante de que embora os contratos de locação estivessem em nome da pessoa jurídica Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda, as despesas eram efetivamente suportadas pela contribuinte. A fiscalização apurou, conforme recibos, boletos bancários para pagamento e comprovantes bancários do pagamento efetuado, que de fato quem suportava o ônus financeiro era a Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda. Ressaltese que o montante das despesas glosadas não é idêntico ao valor dos créditos de PIS e COFINS glosados, uma vez que, conforme o disposto nas Leis nº10.637/2002 e 10.833/2003, art. 3º, § 3º, inciso II, abaixo transcrito, é vedado o aproveitamento de créditos sobre o valor dos aluguéis pagos a pessoas físicas domiciliadas ou residentes no País, porém não há essa vedação para efeitos de apuração de IRPJ e CSLL. "§ 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País;" (grifei) Portanto, agiu de forma acertada a autoridade fiscal ao glosar as despesas de aluguel para efeito de tributação de IRPJ e CSLL, e ao glosar os créditos de PIS e CONFINS decorrentes dessas despesas. Após descrever e transcrever os autos de infração, a Recorrente apresentou, em seu recurso voluntário, relativamente a este item da autuação, os mesmos argumentos trazidos na Impugnação, conforme se depreende do item 4.2 DA COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM ALUGUEL. DA IMPOSSIBILIDADE DA GLOSA DESSAS DESPESAS, em seu recurso. Despesas de Fretes: Glosa Os detalhes da infração constam no item INFRAÇÃO VIIIb – GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (FRETES), do Termo de Verificação Fiscal nº 02, onde foi apurado que a Recorrente apresentou somente comprovantes de operação/pagamento bancários e boletos, faltando apresentar os documentos fiscais, notas fiscais e faturas que comprovassem que as despesas se referiam a despesas com fretes (geram créditos para o PIS e COFINS) , com indicação do serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo e valor. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 9310DF CARF MF 12 No Item 3.4 Da Comprovação das Despesas Com Frete. Da Impossibilidade da Glosa Dessas Despesas (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL), apresentou os seguintes argumentos: que quando do relatório fiscalizatório, já apresentou os comprovantes de pagamento para empresas de transporte; os conhecimentos de frete requeridos como elementos essenciais pelo auditor fiscal não foram localizados, em razão do já mencionado infortúnio com o encerrado escritório de contabilidade que lhe prestava serviço; informa que estão diligenciando para obtenção desta documentação, porém entendem que a glosa é indevida de qualquer forma e a ausência do conhecimento do frete não pode validar a glosa realizada; DA DECISÃO DA DRJ Em relação às despesas de fretes, a impugnante não apresentou documentos fiscais que pudessem comprovar que as referidas despesas eram relativas a fretes. As despesas poderiam ser comprovadas mediante a apresentação de notas fiscais de serviço de transporte, conhecimentos de transporte ou faturas, desde que tais documentos indicassem discriminadamente o serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo, transportador e valor, todavia, somente o pagamento, boleto ou a fatura sem discriminação dos clientes beneficiários não tem o condão de comprovar as despesas. Sendo assim, está correta a glosa das despesas de fretes não comprovadas, bem como a glosa dos créditos de PIS e COFINS oriundos dessas despesas. A Recorrente apresentou, em seu recurso voluntário, relativamente a este item da autuação, basicamente, os mesmos argumentos trazidos na Impugnação, conforme se depreende do item 4.3 DA COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM FRETE. DA IMPOSSIBILIDADE DA GLOSA DESSAS DESPESAS (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL), em seu recurso, onde arremata que há os comprovantes nos autos e que, assim, os "serviços de frete foram prestados e seus custos não podem ser glosados, como fez a fiscalização com reflexos para todos os tributos federais. Não se está diante de falta de prova, como afirma o acórdão recorrido, mas de negação de um fato provado documentalmente pela Recorrente, e que merece integral reforma." Despesas com Energia Elétrica: Glosa Os detalhes da infração constam no item INFRAÇÃO VIIIa – GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (ENERGIA ELÉTRICA), do Termo de Verificação Fiscal nº 02, onde foi apurado que a Recorrente faltou apresentar alguns documentos que comprovassem certos dispêndios a título de despesa com energia elétrica, nos meses de agosto, outubro e novembro de 2011, nos valores de R$ 5.387,08, R$ 5.768,26 e R$ 8.266,34, respectivamente. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 9311DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.306 13 No item 3.5 Da Comprovação das Despesas com Energia Elétrica. Da Impossibilidade da Glosa Dessas Despesas (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL), a Recorrente informou: que quando do período fiscalizatório, já havia apresentado os comprovantes de pagamentos das contas de energia, à exceção de tres apontamentos glosados para fins de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, cujas contas de energia elétrica não foram localizadas e foram autuadas; pelos motivos já explicitados, estamos diligenciando para obtenção de tais documentos; DA DECISÃO DA DRJ No tocante à glosa de despesas com energia elétrica, a impugnante alega que tem diligenciado para obtenção dos documentos comprobatórios, mas como já apontado acima, a juntada posterior de documentos somente pode ocorrer em situações elencadas no art.16, §4º, do Decreto n° 70.235, de 1972. Portanto, não havendo documentação comprovando as despesas de energia elétrica, mantémse a glosa das despesas e dos respectivos créditos. No recurso voluntário não há manifestação quanto a esta glosa de despesas de energia elétrica. Custos Não Comprovados: Bens para Revenda sem apresentação de notas fiscais Os detalhes da infração constam no item INFRAÇÃO VII – GLOSA DE CUSTOS NA BASE DE CÁLCULO DE IRPJ/CSLL (COMPRAS DE BENS PARA REVENDA) NÃO APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS, do Termo de Verificação Fiscal nº 02, onde foi apurado que a Recorrente, após intimada a apresentar cópias de Notas Fiscais de Entrada de certas filiais, ficou faltando a apresentação de algumas, ocasião em que foram agrupadas, mensalmente, a relação das notas fiscais não apresentadas, conforme mostrada na Tabela 12B. Do que consta no TVF 02: Consolidandose mensalmente as Notas Fiscais não apresentadas das duas Filiais (Tabela 01C e Tabela 02C) ficamos com a Tabela 12B, mostrada abaixo, que totaliza o montante dos valores, relativo aos Bens para Revenda, que serão glosados como custos na apuração do lucro para efeito do IRPJ/CSLL. O total anual chegou a R$ 34.212.845,88: Fl. 9312DF CARF MF 14 DA IMPUGNAÇÃO Fl. 9313DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.307 15 DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS Por meio da Resolução 143.940, a 1ª Turma da DRJ/RPO converteu o julgamento em diligências, a saber: A autuada insurgiuse quanto ao lançamento, alegando que no curso do procedimento fiscal, embora regularmente intimada, deixou de apresentar notas fiscais de entrada registradas no Livro de Entradas, relativas à filial de CNPJ 11.928.659/0009 86, porém na presente impugnação junta, ainda que parcialmente, as referidas notas fiscais que comprovariam parte dos custos glosados, identificados como compras de bens para revenda. Segundo argumenta, as notas apresentadas são aquelas elencadas na Tabela 2A do Termo de Intimação nº 05, lavrado em 22/09/2015, com exceção das quarenta e três notas já apresentadas no curso do procedimento fiscal, e das seguintes notas não localizadas: 62.895, 62.917, 121.348, 62.937, 121.460, 62.993, 121.493, 63.030, 63.062, 63.054 e 63.065. A autuada anexou em sua impugnação documentos com o propósito de comprovar suas alegações. Compulsando tais documentos, constatase que a autuada juntou à impugnação um conjunto extenso de notas fiscais de entrada relativas à filial de CNPJ 11.928.659/000986. Por amostragem, verificouse que as notas fiscais apresentadas são as elencadas na Tabela 2A citada anteriormente. Cabe observar que vários documentos anexados não estão totalmente legíveis. Diante das evidências acima mencionadas, e do número elevado de notas fiscais apresentadas, proponho a conversão do julgamento deste processo em diligência para que os autos sejam devolvidos a DRF de origem, a fim de que sejam adotadas as seguintes providências : intimar o contribuinte a apresentar os documentos legíveis pertinentes, analisar se as alegações são procedentes, e caso assista de fato razão, ainda que parcial da impugnante, elaborar relatório conclusivo acompanhado de demonstrativo no qual conste, para cada fato gerador e para cada tributo lançado, as seguintes informações: a) base de cálculo constante do auto de infração; b) base de cálculo remanescente; c) tributo remanescente; d) multa remanescente. Ressaltese que a elaboração desse demonstrativo, tal como indicado, é de fundamental importância para alimentar os sistemas da RFB de controle do crédito tributário. Ao final intimar o contribuinte acerca das conclusões da diligência, ofertandolhe 30 (trinta) dias de prazo para manifestação quanto a elas. Relativamente a esta matéria, a autoridade diligenciadora em seu Relatório de Diligência Fiscal (fls. 9114 a 9189), após exame das notas fiscais apresentadas na Impugnação, refaz a Tabela 12B que constava no TVF 02, reduzindo a glosa. Fl. 9314DF CARF MF 16 Em seus termos: PARA OS TRIBUTOS IRPJ E CSLL Consolidandose mensalmente as Notas Fiscais não apresentadas das duas Filiais (Tabela 01C e Tabela 02C) ficamos com a Tabela 12B1, mostrada abaixo, que totaliza o montante dos valores, relativo aos Bens para Revenda, que serão glosados como custos na apuração do lucro para efeito do IRPJ/CSLL. O total anual chegou a R$ 24.839.098,21. Assim, a Tabela 12B constante do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Nº 02, que faz parte do Auto de Infração do IRPJ com reflexo na CSLL, referente à: INFRAÇÃO VII – GLOSA DE CUSTOS NA BASE DE CÁLCULO DE IRPJ/CSLL (COMPRAS DE BENS PARA REVENDA) NÃO APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS Será reformada e substituída pela Tabela 12B1 abaixo, devido à apresentação posterior das Notas Fiscais que não foram apresentadas no decurso da ação fiscal: E conclui: RESUMINDO: Fl. 9315DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.308 17 a) Base de cálculo constante do auto de infração, para esta infração: R$ 34.212.845,88 b) Base de cálculo remanescente, para esta infração: R$ 24.839.098,21 DA DECISÃO DA DRJ Quanto à glosa de custos relativos aos bens para revenda apurada pela falta de apresentação de notas fiscais, a autuada apresentou, em sede de impugnação, notas fiscais de entrada que comprovaram parcialmente os referidos custos. Posto isto, a fiscalização glosou o valor de R$ 24.839.098,21 relativo aos custos dos bens de revenda para fins de tributação de IRPJ e CSLL, e glosou o mesmo valor em créditos de PIS e COFINS procedente dos bens para revenda. O montante anteriormente glosado importava em R$ 34.212.845,88. No recurso voluntário não há manifestação quanto a este item. DETALHES DAS INFRAÇÕES APONTADAS NO TVF 01 PIS/COFINS / IMPUGNAÇÃO / DILIGÊNCIAS / DECISÃO DRJ e RECURSO VOLUNTÁRIO Créditos Descontados Indevidamente: Bens para Revenda Diferenças entre os Livros Fiscais e DACON Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIb – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (COMPRA DE BENS PARA REVENDA) CONFRONTO LIVROS FISCAIS X DACON, do Termo de Verificação Fiscal nº 01: Conforme constatado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 09 lavrado em 30/11/15, o contribuinte foi intimado através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 05 lavrado em 22/09/15, no ITEM B), a esclarecer as diferenças apontadas na Tabela 4 que seguiu anexo ao mencionado termo, do confronto entre a escrituração dos Livros de Registro de Entradas e de Saídas do anocalendário 2011, especificamente dos valores consolidados das Compras de Mercadorias [CFOP: 1102, 1403, 2102 e 2403], subtraído das Devoluções de Compras [CFOP: 5202, 5410, 6202 e 6411], e dos valores informados nas DACON’s apresentadas de janeiro a dezembro de 2011. O montante anual alcançou R$ 672.492,67, conforme mostrado na Tabela 4xA abaixo, cujos créditos na apuração do PIS/COFINS, conforme informado nas DACON’s apresentadas de janeiro a dezembro de 2011, relativo aos Bens para Revenda, serão glosados: [...] Fl. 9316DF CARF MF 18 Na Impugnação apresentada, em seu item 3.2. Da Impossibilidade de Glosa do Crédito de Bens para Revenda, por Mero Equívoco no preenchimento da DACON, temse: DA DECISÃO DA DRJ Ainda quanto à glosa de custos relativos aos bens para revenda, a fiscalização autuou a contribuinte pelas divergências entre os valores informados nos Livros de Registro de Entradas e Saídas e os Dacon´s referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2011. Não merece prosperar a alegação da autuada sobre a incidência de bitributação, argumentando que a fiscalização já havia glosado os mencionados custos pela análise individual das notas fiscais. Os livros fiscais, assim como os valores informados em DACON devem refletir a correta escrituração contábil dos fatos. Ademais, o DACON possui caráter informativo, de sorte que as diferenças detectadas nos registros contábeis e nas informações contidas em DACON devem ser constituídas por intermédio do lançamento de ofício, tal como foi verificado no caso em análise. No RECURSO VOLUNTÁRIO, as alegações são as mesmas. Créditos Descontados Indevidamente: Gastos com Telefonia Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIIb – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS GASTOS COM TELEFONIA), do Termo de Verificação Fiscal nº 01: [...] O contribuinte retoma o entendimento supracitado do STJ e do CARF sobre o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/COFINS, no sentido de que o insumo é o elemento essencial para a realização da atividade fim da empresa. Isto é, o insumo deve ser utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviço), ser indispensável para a prestação do serviço; e relacionado ao objeto social do contribuinte para gerar o direito ao crédito de PIS/COFINS. Fl. 9317DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.309 19 Como as decisões do STJ não balizam as atividades administrativas no âmbito tributário, sem estarem consolidadas nas Soluções de Consulta desta RFB, e as decisões e acórdãos do CARF dizem respeito exclusivamente ao contribuinte que pleiteou a defesa administrativa, consideramos que não dá direito ao creditamento de PIS/COFINS os serviços utilizados como insumos – Gastos com Telefonia para o contribuinte em epígrafe, Alo Kids Comércio de Artigos Infantis Ltda. Na Tabela 11A que segue abaixo, são apresentados mês a mês os valores referentes aos créditos de Serviços Utilizados como Insumos – Gastos com Telefonia, conforme informado nas DACON’s entregues de Janeiro a Dezembro de 2011, que serão glosados, cujo montante anual chegou a R$ 529.915,27: No Recurso Voluntário, as alegações são basicamente as mesmas. Créditos Descontados Indevidamente: Despesas de Alugueis de Prédios Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIIe – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (DESPESAS DE ALUGUEIS DE PRÉDIOS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de despesas de alugueis). No Recurso Voluntário, as alegações são basicamente as mesmas. Créditos Descontados Indevidamente: Bens para Revendas sem apresentação de Notas Fiscais Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIa – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (COMPRA DE BENS PARA REVENDA) NÃO APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS, do Termo de Verificação Fiscal nº 01 cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de custos). Conforme relatoriado, esta autuação (glosa de créditos) decorreu da glosa de custos apontada no lançamento de IRPJ, de forma que a alteração lá efetuada (redução da glosa) por meio da realização de diligências, também foi observada nesta, conforme Relatório de Diligências: E conclui: RESUMINDO: a) Base de cálculo constante do auto de infração, para esta infração: R$ 34.212.845,88 b) Base de cálculo remanescente, para esta infração: R$ 24.839.098,21 Fl. 9318DF CARF MF 20 Tributo (PIS) remanescente: R$ 409.845,06 Tributo (COFINS) remanescente: R$ 1.887.771,41 Créditos Descontados Indevidamente: Gastos com Embalagens Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIIa – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (COMPRAS DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS EMBALAGENS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01: Conforme constatado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 09 lavrado em 30/11/15, e de acordo com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 05 lavrado em 22/09/15, no ITEM G), não há previsão legal que gere crédito para as despesas de Embalagens por não se tratar de Insumo como previsto na legislação, art. 3º, item II das Leis Federais nº 10.637/02 e 10.833/03, e art. 8º, §4º, item I, alínea a, da IN nº 404, de 12/03/04 da RFB; inclusive este assunto já foi discutido na Solução de Consulta Nº 98 de 29/09/2010 da RFB. [...] Na Tabela 10A que segue abaixo, são apresentados mês a mês os valores referentes aos créditos de Bens Utilizados como Insumos – Embalagens, conforme informado nas DACON’s entregues de Janeiro a Dezembro de 2011, que serão glosados, cujo montante anual chegou a R$ 1.648.542,94: [...] Tanto na Impugnação, quanto no recurso voluntários, as alegações convergem no mesmo sentido: despesas com embalagens seriam vitais a sua atividade, havendo decisão do STJ e decisões do CARF favoráveis a sua tese. Créditos Descontados Indevidamente: Despesas com Fretes Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIId – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (DESPESAS DE FRETES), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de despesas de fretes). Créditos Descontados Indevidamente: Despesas de Energia Elétrica Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIIc – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de despesas de energia). Débito Declarado em DCTF após/durante ação fiscal: PIS/PASEP Fl. 9319DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.310 21 Valor Lançado: R$ 9.113,02 Relativamente ao PIS, os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IV – DÉBITO DECLARADO EM DCTF FORA DA ESPONTANEIDADE (PIS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, onde foi apurado o seguinte: Conforme constatado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 09 lavrado em 30/11/15, e de acordo com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 05 lavrado em 22/09/15, no ITEM I) foi relatado que na DACON entregue de Janeiro de 2011, a contribuição devida para o PIS NãoCumulativo (cód. rec.6912) é de R$ 21.939,30. Identificamos um pagamento realizado através de DARF no valor de R$ 12.826.28. Em 26/03/15 o contribuinte retificou a DCTF declarando um débito de R$ 21.939,30, restando saldo a pagar de R$ 9.113,02. Porém antes, em 10/02/15, iniciouse o Procedimento Fiscalizatório no contribuinte, momento na qual ele perdeu a espontaneidade; sendo devido, portanto a diferença de R$ 9.113,02 com os acréscimos legais. Débito Declarado em DCTF após/durante ação fiscal: COFINS Valor Lançado: R$ 41.975,11 Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO V – DÉBITO DECLARADO EM DCTF FORA DA ESPONTANEIDADE (COFINS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, onde foi apurado o seguinte: Conforme constatado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 09 lavrado em 30/11/15, e de acordo com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 05 lavrado em 22/09/15, no ITEM J) foi relatado que na DACON entregue de Janeiro de 2011, a contribuição devida para o COFINS NãoCumulativo (cód. rec.5856) é de R$ 101.053,74. Identificamos um pagamento realizado através de DARF no valor de R$ 59.078,63. Em 26/03/15 o contribuinte retificou a DCTF declarando um débito de R$ 101.053,74, restando saldo a pagar de R$ 41.975,11. Porém antes, em 10/02/15, iniciouse o Procedimento Fiscalizatório no contribuinte, momento na qual ele perdeu a espontaneidade; sendo devido, portanto a diferença de R$ 41.975,11 com os acréscimos legais. Na Impugnação apresentada, estes itens da autuação não foram impugnados. Omissão de Receitas: Devolução de Vendas Fl. 9320DF CARF MF 22 Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO I – REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DE PIS/COFINS (DEVOLUÇÕES DE VENDAS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (omissão de receitas). Conforme relatoriado, esta autuação (glosa de créditos) decorreu da omissão de receitas apontada no lançamento de IRPJ, de forma que a alteração lá efetuada (redução da omissão devolução de vendas) por meio da realização de diligências, também foi observada nesta, conforme Relatório de Diligências, que concluiu: RESUMINDO: a) Base de cálculo constante do auto de infração, para esta infração: R$ 1.189.256,17 b) Base de cálculo remanescente, para esta infração: R$ 742.113,05 Tributo (PIS) remanescente: R$ 12.244,81 Tributo (COFINS) remanescente: R$ 56.400,55 Por fim, no item 4. PEDIDO, na Impugnação, consta: Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele conheço OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS INFRAÇÃO: DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE VENDAS Conforme relatoriado, da Infração VI Redução da Base de Cálculo de IRPJ/CSLL (Devoluções de Vendas) TVF 02, vimos que a autuação foi reexaminada por ocasião de diligências demandadas pela DRJ, resultando na redução da base de cálculo do IRPJ/CSLL. Vimos também que tanto na fase de fiscalização quanto na fase de diligências, a Recorrente fora intimada para esclarecimentos e não tendo respondeu em ambas as situações. Tendo em vista, também, que os argumentos trazidos no recurso voluntário são os mesmos trazidos na impugnação e já devidamente apreciados pela DRJ, uso do que dispõe a faculdade prevista ao Conselheiro Relator nos termos do parágrafo 3 do art.57 do Regimento Interno do CARF: Fl. 9321DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.311 23 Art.57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] Parágrafo 1º. A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] 2 A exigência do Parágrafo 1º. pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF n. 329, 2017). Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrouse sólido em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado, tendo acatado, acertadamente, o resultado das diligências. Portanto, adoto como minhas razões de decidir, neste item em questão, a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos. A seguir o voto condutor do Acórdão, que transcrevo: Quanto à infração de omissão de receitas, o contribuinte argumenta que as divergências apuradas entre o SPED e o Livro de Registro de Entrada relativas à devolução de vendas não podem ser consideradas como omissão de receita, uma vez que o valor declarado em DIPJ e DACON é o mesmo que o informado no SPED, e este é menor que o escriturado nos livros fiscais. De fato, a princípio a fiscalização apurou o montante de R$ 1.189.256,17 a título de omissão de receitas decorrente de devolução de vendas, confrontando as devoluções de vendas escrituradas no Livro de Registro de Entrada e os valores obtidos das Notas Fiscais Eletrônicas de devolução através do SPED. Porém, em fase de diligência, analisando a DIPJ e DACON do anocalendário 2011, a fiscalização verificou que o contribuinte, embora não tenha apresentado as notas fiscais que lastrearam a escrituração no livro fiscal, e não tenha esclarecido a divergência encontrada, não informou, nas declarações mencionadas, o valor integral das devoluções escrituradas. Sendo assim, a fiscalização apurou a omissão de receitas de vendas mediante o confronto do valor declarado em DACON e o valor das receitas de vendas escrituradas no Livro de Registro de Saída, subtraído dos descontos comerciais e dos valores da Notas Fiscais de devoluções de vendas obtidos no SPED. Desse novo cálculo verificouse que a autuada omitiu receitas de vendas no montante de R$ 742.113,25. Fl. 9322DF CARF MF 24 Reiterando o que esclareci no relatório deste voto, apesar de a DRJ citar esta importância (que aparece em outra tabela no relatório da diligência, relativo ao PIS e COFINS), o fato é que a redução considerada na diligência (R$ 599.927,14) apurada pela autoridade diligenciadora foi a que consta na decisão recorrida (vide tabela Base de Cálculo IRPJ e CSLL, fl.12). DESPESAS NÃO COMPROVADAS DESPESAS DE ALUGUEIS SEM COMPROVAÇÃO Da infração VIIIc GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (ALUGUEIS DE PRÉDIOS), no TVF 02, a Contribuinte foi intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 04, de 10/09/2015) a apresentar os contratos de locação de suas lojas com várias pessoas jurídicas e pessoas físicas, conforme detalhadamente indicados na Relação nº 03: Despesas de Alugueis, anexo ao referido Termo. Conforme informa o TVF 02, não houve resposta ao demandado na intimação, ocasião em que foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 06, de 28/09/2015 (ITEM J), indicando os lançamentos contábeis, valores pagos e os documentos (se foram ou não apresentados), consolidados na Relação nº 3B, anexo ao Termo, ocasião em que foi dado novamente oportunidade ao Contribuinte para "examinar as informações apresentadas, especificamente para cada um dos ITENS relatados e apresentar as justificativas que julgar necessárias ou demais esclarecimentos." Assim como visto na infração anterior, não houve novos argumentos na manifestação da Recorrente. É o que já basta para decidir, mas entendo oportuno e necessário destacar o trabalho fiscal, no sentido de mostrar o esforço realizado, identificando e apontando a situação verificada relativa a pagamento/contrato de aluguel de cada loja (cerca de 18 lojas) e tendo sido solenemente ignorado pela fiscalizada, seja durante a ação fiscal, durante a impugnação e o recurso voluntário. Evidentemente que a Contribuinte tem todo o direito de não se manifestar, entretanto, estamos diante de uma situação de ordem material, onde se bastava apenas apresentar os documentos/comprovantes solicitados e que dessem amparo à dedutibilidade fiscal, mas nada foi apresentado, ficando somente no campo das alegações. A mencionada Relação nº 3B, anexa ao Termo, indica todas as informações necessárias à fiscalizada e nem assim foi apresentado qualquer documento ou manifestação por parte da Recorrente acerca de seus dados. De se reproduzir a conclusão, que consta no TVF 02: Para que a despesa seja válida na apuração do lucro para efeito do IRPJ/CSLL os pagamentos deverão ter sido pagos pelo contribuinte Alo Kids Comércio de Artigos Infantis Ltda., o que implica que a conta bancária onde ocorreu o débito, o remetente da TED (Transferência Eletrônica Disponível), o recibo dos aluguéis, e o nome do “sacado” dos boletos bancários, devem ser de Alo Kids Comércio de Artigos Infantis Ltda. Assim, temos que para cada uma das Lojas e seus respectivos Contratos e Recibos de Pagamento apresentados, as seguintes observações: Fl. 9323DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.312 25 • Loja 0034: Pagamentos realizados a BENITO BARTOLETTI e CELIA REGINA BARTOLETTI (Pessoas Físicas). E feitos por Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda., conforme recibos, conta bancária debitada e remetente de TED. Não dá direito à apuração do lucro do IRPJ/CSLL. • Loja 0040: Pagamentos realizados a JOSÉ GASPAR (Pessoa Física). Porém os comprovantes não foram apresentados. Estas despesas não dão direito à apuração do lucro do IRPJ/CSLL. • Loja 0120: Não foram apresentados a totalidade dos comprovantes que deram suporte à contabilização. • Loja 0188: Não foram apresentados a totalidade dos comprovantes que deram suporte à contabilização. Os pagamentos de janeiro a março foram realizados por Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda., conforme nome do “sacado” dos boletos bancários e da conta bancária onde ocorreu o débito. Estes pagamentos não dão direito à apuração do lucro do IRPJ/CSLL. • Loja 0414: Não foram apresentados a totalidade dos comprovantes que deram suporte à contabilização. Os pagamentos apresentados foram realizados por Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda., conforme nome do “sacado” dos boletos bancários e da conta bancária onde ocorreu o débito. Estes pagamentos não dão direito à apuração do lucro do IRPJ/CSLL. • Loja 0479: Com exceção dos meses de junho e julho, todos os outros pagamentos foram realizados por Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda., conforme nome do “sacado” dos boletos bancários e da conta bancária onde ocorreu o débito. Estes pagamentos não dão direito à apuração do lucro do IRPJ/CSLL. • Loja 0500: Pagamentos realizados a ADOLFO BIRMAN e CLARA BIRMAN (Pessoas Físicas). Não foram apresentados a totalidade dos comprovantes que deram suporte à contabilização. Os pagamentos de janeiro a março foram realizados por Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda., conforme conta bancária debitada e remetente de TED. Estes pagamentos não dão direito à apuração do lucro do IRPJ/CSLL. [...] E assim, sucessivamente, para as demais lojas, que aqui deixo de reproduzir. Continuando com o TVF 02: Na Tabela 21A, mostrada abaixo, estão consolidados os valores da Tabela 19, mês a mês, dos valores referentes às Despesas de Aluguéis, que serão glosados como despesas na apuração do lucro para efeito do IRPJ/CSLL, na Conta nº4.2.1.03.001 Fl. 9324DF CARF MF 26 ALUGUEL, no qual o montante anual chegou a R$ 3.294.661,71:[...] A Tabela citada encontrase reproduzida neste Relatório. Tendo em vista, também, que os argumentos trazidos no recurso voluntário são os mesmos trazidos na impugnação e já devidamente apreciados pela DRJ, uso do que dispõe a faculdade prevista ao Conselheiro Relator nos termos do parágrafo 3 do art.57 do Regimento Interno do CARF, já mencionado e transcrito neste Voto, para adotar o decidido pela DRJ: DA DECISÃO DA DRJ Não procede a alegação da impugnante de que embora os contratos de locação estivessem em nome da pessoa jurídica Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda, as despesas eram efetivamente suportadas pela contribuinte. A fiscalização apurou, conforme recibos, boletos bancários para pagamento e comprovantes bancários do pagamento efetuado, que de fato quem suportava o ônus financeiro era a Baby & Kids Com. de Brinquedos e Art. Inf. Ltda. DESPESAS DE FRETES SEM COMPROVAÇÃO Da infração VIIIB GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (FRETES), a Contribuinte foi intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 04, de 10/09/2015) a apresentar os documentos (notas fiscais e recibos) relacionados às despesas com fretes, não tendo sido apresentado nenhum documento fiscal. Conforme o TVF 02: Conforme mencionado no ITEM A) do Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 06, constatamos de acordo com o mostrado na Relação nº 2D, que seguiu anexo ao mencionado termo, que não foram apresentados nenhum documento fiscal, Notas Fiscais ou Faturas que comprove que estas despesas se referem a fretes, e que indiquem discriminadamente qual foi o serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo, transportador e valor. Conforme mencionado no ITEM B) do Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 06, constatamos de acordo com o mostrado na Relação nº 2E, que seguiu anexo ao mencionado termo, que foram apresentados somente comprovantes de operação/pagamento bancários e boletos. Faltou apresentar os documentos fiscais, Notas Fiscais e Faturas que comprovem que as despesas se referem a fretes, e que indiquem discriminadamente qual foi o serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo, transportador e valor. Anexo, ainda, ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 06, encontramse as seguintes relações, assim denominadas pela Fiscalização: Fl. 9325DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.313 27 Relação nº 2F: Despesas de Frete Transportadora Plimor Ltda. Foram apresentados somente comprovantes de operação/pagamento bancários e boletos. Faltou apresentar a relação de clientes beneficiários dos fretes, incluindo o nº do conhecimento de carga e do nº da Nota Fiscal correspondente. [...] Relação nº 2G: Despesas de Frete VHR Passagens Aérea e Cargas Ltda. e VHR Apoio Administrativo Ltda. Foram apresentados somente comprovantes de operação/pagamento bancários e boletos. Faltou apresentar os documentos fiscais, Notas Fiscais e Faturas que comprovem que as despesas se referem a fretes, e que indiquem discriminadamente qual foi o serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo, transportador e valor. [...] Relação nº 2H: Despesas de Frete TNT Araçatuba Transp. e Logist. Ltda. Foram apresentados somente comprovantes de operação/pagamento bancários e boletos. Faltou apresentar a relação dos conhecimento de carga, do nº da Nota Fiscal correspondente e a praça para onde foram enviadas as mercadorias. [...] Relação nº 2I: Despesas de Frete Via Expressa Transp. Urgentes e Logística Ltda. Foram apresentados somente comprovantes de operação/pagamento bancários e boletos. Faltou apresentar a relação de clientes beneficiários dos fretes, o nº dos conhecimentos de carga, o nº da Nota Fiscal correspondente e a cidade de destino para onde foram enviadas as mercadorias [...]. Relação nº 2J: Despesas de Frete Patrus Transportes Urgentes Ltda. Foram apresentadas Faturas onde consta que o Destinatário é Alo Kids Com. de Art. Infantis Ltda., e também não é mencionada a relação dos clientes beneficiários dos fretes. [...] Relação nº 2K: Despesas de Frete Patrus Transportes Urgentes Ltda. Fl. 9326DF CARF MF 28 Foram apresentados comprovantes de operação/pagamento bancários, boletos e Faturas. Faltou apresentar a relação de clientes beneficiários dos fretes. [...] Como o contribuinte não respondeu ao termo, e fazendose a compilação das despesas mostradas nas Relações nº 2D, 2E, 2F, 2G, 2H, 2I, 2J e 2K, chegamos à Tabela 16, que seguiu anexo ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 09. Na Tabela 17B que segue abaixo, estão consolidados os valores da Tabela 16, mês a mês, dos valores referentes às Despesas de Fretes, que serão glosados como despesas na apuração do lucro para efeito do IRPJ/CSLL, na Conta nº 5.2.4.01.001 – FRETE, no qual o montante anual chegou a R$ 249.697,86: [..] Anteriormente ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal Nº 06, a Contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal de n 01, de 12/05/2015, foi intimada a apresentar, dentre outros, as cópias de notas fiscais, recibos e efetivo pagamento das despesas de fretes (Relação nº 2, anexa), que geraram créditos para o PIS e COFINS. Em atendimento, a empresa apresentou cópias de boletos bancários. Pelo Termo de Intimação Fiscal de n 04, de 10/09/2015, esclareceuse à Recorrente que foram apresentados somente comprovantes de operação/pagamento bancários, faltando apresentar "os documentos fiscais (Notas Fiscais) e Faturas que comprovem que estas despesas se referem a fretes, e que indiquem discriminadamente qual foi o serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo, transportador e valor." Nova reintimação, portanto, conforme Relação nº 2A, anexa ao Termo, não havendo apresentado o solicitado. Assim, não tendo sido apresentado os documentos fiscais que atestassem a natureza das despesas, conforme solicitado desde o Termo Fiscal 01, de se concordar com a decisão da DRJ: DA DECISÃO DA DRJ Em relação às despesas de fretes, a impugnante não apresentou documentos fiscais que pudessem comprovar que as referidas despesas eram relativas a fretes. As despesas poderiam ser comprovadas mediante a apresentação de notas fiscais de serviço de transporte, conhecimentos de transporte ou faturas, desde que tais documentos indicassem discriminadamente o serviço executado, remetente e destinatário das mercadorias, veículo, transportador e valor, todavia, somente o pagamento, boleto ou a fatura sem discriminação dos clientes beneficiários não tem o condão de comprovar as despesas. Sendo assim, está correta a glosa das despesas de fretes não comprovadas, bem como a glosa dos créditos de PIS e COFINS oriundos dessas despesas. Fl. 9327DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.314 29 DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA SEM COMPROVAÇÃO Conforme relatoriado, tal glosa de despesas não foi objeto de manifestação no recurso voluntário, mantida, portanto, a decisão da DRJ: No tocante à glosa de despesas com energia elétrica, a impugnante alega que tem diligenciado para obtenção dos documentos comprobatórios, mas como já apontado acima, a juntada posterior de documentos somente pode ocorrer em situações elencadas no art.16, §4º, do Decreto n° 70.235, de 1972. Portanto, não havendo documentação comprovando as despesas de energia elétrica, mantémse a glosa das despesas e dos respectivos créditos. GLOSA DE CUSTOS: BENS PARA REVENDA No TVF 02, os detalhes da autuação no item INFRAÇÃO VII GLOSA DE CUSTOS NA BASE DE CÁLCULO DE IRPJ/CSLL (COMPRA DE BENS PARA REVENDA) NÃO APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS e, conforme relatoriado, o valor glosado inicialmente foi revisto por ocasião das diligências, sendo reduzido e acatado pela DRJ, uma vez que houve a devida comprovação, com a apresentação das notas fiscais, entretanto, tratouse de uma comprovação parcial do total glosado e considerado no Auto. Assim como visto em infrações anteriores, não houve qualquer manifestação da Contribuinte relativamente a este item em seu recurso. De se acatar a conclusão da DRJ, já relatoriada: Quanto à glosa de custos relativos aos bens para revenda apurada pela falta de apresentação de notas fiscais, a autuada apresentou, em sede de impugnação, notas fiscais de entrada que comprovaram parcialmente os referidos custos. Posto isto, a fiscalização glosou o valor de R$ 24.839.098,21 relativo aos custos dos bens de revenda para fins de tributação de IRPJ e CSLL, e glosou o mesmo valor em créditos de PIS e COFINS procedente dos bens para revenda. O montante anteriormente glosado importava em R$ 34.212.845,88. COFINS/PIS DÉBITOS DECLARADOS DE PIS e COFINS Realtivamente aos itens INFRAÇÃO IV e V – DÉBITO DECLARADO EM DCTF FORA DA ESPONTANEIDADE (COFINS/PIS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, conforme foi relatoriado, os lançamentos não foram impugnados. Fl. 9328DF CARF MF 30 DEVOLUÇÕES DE VENDAS Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO I – REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DE PIS/COFINS (DEVOLUÇÕES DE VENDAS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (omissão de receitas). Mantido o lançamento, acatada pela DRJ a redução efetivada em diligências, mantida, portanto, a glosa dos créditos por mera decorrência, alterada em diligências. Conforme relatoriado, esta autuação (glosa de créditos) decorreu da omissão de receitas apontada no lançamento de IRPJ, de forma que a alteração lá efetuada (redução da omissão devolução de vendas) em face da realização de diligências e acertadamente acatada pela instância de piso, também foi observada nesta, conforme Relatório de Diligências. Em não havendo argumentação específica, mantido o lançamento de IRPJ glosa de despesas mantida, portanto, a glosa dos créditos por mera decorrência. DESPESAS COM FRETES: GLOSA DE CRÉDITOS Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIId – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (DESPESAS DE FRETES), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de despesas de fretes). Em não havendo argumentação específica, mantido o lançamento de IRPJ glosa de despesas mantida, portanto, a glosa dos créditos por mera decorrência. DESPESAS COM ALUGUEIS DE PRÉDIOS: GLOSA DE CRÉDITOS Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIIe – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (DESPESAS DE ALUGUEIS DE PRÉDIOS), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de despesas de alugueis). Em não havendo argumentação específica, mantido o lançamento de IRPJ glosa de despesas mantida, portanto, a glosa dos créditos por mera decorrência. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: GLOSA DE CRÉDITOS Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIIc – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA), do Termo de Verificação Fiscal nº 01, cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de despesas de energia elétrica). Em não havendo argumentação específica, mantido o lançamento de IRPJ glosa de despesas mantida, portanto, a glosa dos créditos por mera decorrência. DESPESAS COM EMBALAGENS: GLOSA DE CRÉDITOS Neste item, tratouse de uma autuação sem vinculação com glosa de despesa de IRPJ. Fl. 9329DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.315 31 Tendo em vista maciça decisão por parte da 3ª Seção deste Colegiado em favor do creditamento de PIS e COFINS nas aquisições de embalagens, por economia processual, entendo deva ser dado aqui o mesmo tratamento, até porque dele também não discordo. Exemplos de alguns julgados: Acórdão CARF nº 3201004.389, publicado em 19/11/2018 (Recorrente: Ri Happy Brinquedos S/A) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para tão somente reverter as glosas de créditos apurados nas aquisições de materiais de embalagens destinados a revenda. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Acórdão CARF nº 3003000.058, publicado em 15/01/2019 (Recorrente: RBR TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Acórdão CARF nº 9303007.118, publicado em 15/08/2018 (Recorrente: SINCOL S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO) Fl. 9330DF CARF MF 32 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Acórdão 3402004.879, sessão de 31/01/2018. Recorrente RENAR MOVEIS LTDA. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Assim, neste item específico, de se dar provimento ao recurso da Recorrente. DESPESAS COM TELEFONIA: GLOSA DE CRÉDITOS Neste item, tratouse de uma autuação sem vinculação com glosa de despesa de IRPJ. No voto condutor da DRJ, temse: Quanto às despesas com telefonia, embora a impugnante argumente que são vitais à atividade fim, não há previsão legal que ampare o creditamento, pois não se tratam de insumos como previsto na legislação. [...] Fl. 9331DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.316 33 Ressaltese que somente a partir da 11ª Alteração do Contrato Social, ocorrida em 15/12/11 (fls. 106/115), foi inserida no objeto social da autuada a atividade de televendas. Sendo assim, considerando que a publicação da Solução de Consulta ocorreu antes da alteração contratual, e considerando que a Solução de Consulta tem efeito vinculante no âmbito da RFB, a partir da data de sua publicação, é de se concluir que, por falta de previsão legal, os valores referentes à despesas com telefonia, não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativas. Quanto às decisões judiciais trazidas aos autos, cumpre esclarecer que seus efeitos alcançam apenas às partes que integraram o processo judicial, não vinculando as decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Secretaria da Receita Federal. Cito, também recente decisão deste Colegiado: Processo 10976.000158/200871, em sessão de 11/12/2018, Acórdão n 9303 07.783: PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO E TELEFONIA. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e telefonia por não serem utilizados no processo produtivo da Contribuinte, não geram créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. Como se vê, independe do teor da solução de consulta mencionada na decisão da DRJ, a que alude a Recorrente, pois não foi a razão de decidir da decisão de piso. BENS PARA REVENDA: GLOSA DE CRÉDITOS Os detalhes desta infração constam no item INFRAÇÃO IIa – GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS (COMPRA DE BENS PARA REVENDA) NÃO APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS, do Termo de Verificação Fiscal nº 01 cujo histórico é o mesmo da apuração feita no lançamento de IRPJ (glosa de custos). Conforme relatoriado, esta autuação (glosa de créditos) decorreu da glosa de custos apontada no lançamento de IRPJ, de forma que a alteração lá efetuada (redução da glosa) por meio da realização de diligências, também foi observada nesta, conforme Relatório de Diligências, que assim concluiu: RESUMINDO: a) Base de cálculo constante do auto de infração, para esta infração: R$ 34.212.845,88 b) Base de cálculo remanescente, para esta infração: R$ 24.839.098,21 Fl. 9332DF CARF MF 34 Tributo (PIS) remanescente: R$ 409.845,06 Tributo (COFINS) remanescente: R$ 1.887.771,41 Em não havendo argumentação específica, mantido o lançamento de IRPJ glosa de despesas mantida, portanto, a glosa dos créditos por mera decorrência. BENS PARA REVENDA: CONFRONTO LIVROS FISCAIS X DACON A glosa de custos considerada no lançamento de IRPJ envolveu apenas duas filiais (lojas 157 e 160) e foi por falta de apresentação das notas fiscais, diferentemente do ora apurado que envolveu batimento entre os Livros de Registro de Entrada e Saídas e os valores informados na DACON, conforme explicitado na Tabela 4xA Confronto entre DACON's x Livros Fiscais. A DACON é uma declaração que serve/pode servir para a Recorrente apurar seus eventuais créditos de PIS e COFINS, desde que seja compatível com a documentação fiscal, assim foi feito em outros itens desta autuação, privilegiando os livros e documentos fiscais. Tendo em vista que os valores dos livros de Registro de Entradas e Saídas é que devem prevalecer, eventuais valores superiores a estes registros, então informados na DACON, devem ser objeto de glosa os créditos fiscais pertinentes às diferenças encontradas. DA EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DE PIS e COFINS Neste tópico, de se entender que tal alegação trazida pela recorrente devese à infração apurada a título de omissão de receitas, por falta de comprovação de devolução de vendas. A Decisão da DRJ assim se manifestou: Quanto à alegada sentença favorável de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, discutida no processo nº 001340762.2015.4.03.6100, em trâmite perante a 25ª Vara de Justiça Federal de São Paulo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu no âmbito daquele processo judicial que se incluem na base de cálculo da COFINS e do PIS os valores relativos ao ICMS. No Recurso Voluntário, temse: 4.7. DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS 4.7.1. Por fim, no que diz respeito a exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, temos que, ao contrário do disposto na decisão recorrida, o TRF da 3ª Região em 27 de setembro de 2017, em sede de incidente retratação, adotou o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o que elimina quaisquer dúvidas quanto a sua aplicabilidade ao caso em debate. Notório que o STF já se manifestou acerca do tema, entretanto, apesar de alguns tribunais estarem finalizando os processos e beneficiando empresas, o fato é que ainda Fl. 9333DF CARF MF Processo nº 19515.721262/201524 Acórdão n.º 1401003.133 S1C4T1 Fl. 9.317 35 não há uma definitividade acerca do tema, pois ainda pendente de apreciação um recurso da Fazenda Nacional (embargos de Declaração, com efeitos infringentes) que pode vir a limitar o alcance da decisão do STF. Assim, relativamente a esta discussão, não há que se fazer reparos na base de cálculo do PIS e da COFINS, na infração a título de omissão de receitas ou de outra qualquer nos autos. CONCLUSÃO É o Voto, para negar provimento ao recurso de ofício e, dar provimento parcial ao recurso voluntário para, tão somente, cancelar a glosa de créditos de PIS e COFINS efetivada em gastos com embalagens. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 9334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000348/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 48 /2 01 0- 91 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 225 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 225DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 226 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 40342.86576.301006.1.1.085506, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep não cumulativo, referente ao 3º trimestre de 2006; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 024 2011, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 227 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.990, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 228 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 229 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 229DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 230 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 231 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 231DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 232 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas O processo produtivo, inclusive com a indicação de bens e serviços que a contribuinte entende trataremse de insumos, foi descrito às folhas 13/14. A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 233 10 A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fls. 21/22) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente Fl. 233DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 234 11 quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Por um lado, a contribuinte descreveu as etapas de plantio à fabricação de seus produtos, indicando os dispêndios com bens e serviços; de outro, a fiscalização não suscitou qualquer insuficiência probatória, vez que fundamentou seu despacho decisório de glosas na impossibilidade de conceder crédito quando bem ou serviço não integrar o processo de fabricação. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); Fl. 234DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 235 12 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 12571.000348/201091 Acórdão n.º 3201005.014 S3C2T1 Fl. 236 13 a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902902/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.861
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 02 90 2/ 20 14 -0 9 Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13896.902902/201409 Resolução nº 3201001.861 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13896.902902/201409 Resolução nº 3201001.861 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13896.902902/201409 Resolução nº 3201001.861 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13896.902902/201409 Resolução nº 3201001.861 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13896.902902/201409 Resolução nº 3201001.861 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13896.902902/201409 Resolução nº 3201001.861 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721387/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
O cerceamento de defesa não ocorre quando o argumento não enfrentado a contento, sob olhar da recorrente, pela instância de piso, não serviu de fundamento para o lançamento fiscal. Premissas adotadas pela defesa e atribuídas à fiscalização, sem que a fiscalização tenha se servido de tal fundamento, não merecem enfrentamento pela delegacia de piso, e por isso não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA. IRPJ. SIMULAÇÃO.
Comprovada a ocorrência de simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
A simulação sem fraude não tem o condão de afastar a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual o prazo para lançamento tributário deve ser contado a partir do fato gerador do tributo que se quer lançar.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS.
A análise dos elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização permite concluir que os contratos denominados de afretamento e de prestação de serviços foram bipartidos de maneira artificial, (i) aparentando conferir ou transmitir direitos e obrigações a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, e (ii) incorporando cláusulas notoriamente não verdadeiras, que fazem transparecer a realização de atividades operacionais por parte de pessoas jurídicas offshore, que são de fato inoperantes e convenientemente estabelecidas em paraíso fiscal.
Nesse contexto, é correto o procedimento fiscal que, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública.
MULTA QUALIFICADA.
A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%.
A simulação relativa não necessariamente é fraudulenta. Ainda mais quando os contratos denominados de afretamento e de prestação de serviços foram firmados, ao menos na aparência, nos termos de normas infralegais vigentes à época dos fatos e, também, não havia objeção legal à forma de bipartição. O fisco pode aplicar tal instituto como forma de inibir planejamentos tributários abusivos, entretanto, deve prevalecer o benefício da dúvida quanto à fraude supostamente perpetrada pela recorrente, razão pela qual a multa qualificada não se perdura.
AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. NÃO CABIMENTO
O fato de o contribuinte não fornecer, nos prazos definidos, os esclarecimentos exigidos na intimação, por si só não podem fundamentar o agravamento da multa.
O agravamento da multa de ofício não tem amparo quando a fiscalização consegue, por outros meios, firmar sua convicção acerca do lançamento tributário.
Necessário demonstrar, de forma inequívoca, a atuação dolosa na intenção de atrapalhar o processo de fiscalização.
ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do 1º CC).
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N. 108.
Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresenta-se regular a incidência dos juros de mora sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 1401-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso tão somente para afastar o agravamento do multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso tão somente para afastar o agravamento do multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. O cerceamento de defesa não ocorre quando o argumento não enfrentado a contento, sob olhar da recorrente, pela instância de piso, não serviu de fundamento para o lançamento fiscal. Premissas adotadas pela defesa e atribuídas à fiscalização, sem que a fiscalização tenha se servido de tal fundamento, não merecem enfrentamento pela delegacia de piso, e por isso não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. IRPJ. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A simulação sem fraude não tem o condão de afastar a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual o prazo para lançamento tributário deve ser contado a partir do fato gerador do tributo que se quer lançar. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A análise dos elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização permite concluir que os contratos denominados de afretamento e de prestação de serviços foram bipartidos de maneira artificial, (i) aparentando conferir ou transmitir direitos e obrigações a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, e (ii) incorporando cláusulas notoriamente não verdadeiras, que fazem transparecer a realização de atividades operacionais por parte de pessoas jurídicas offshore, que são de fato inoperantes e convenientemente estabelecidas em paraíso fiscal. Nesse contexto, é correto o procedimento fiscal que, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. MULTA QUALIFICADA. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. A simulação relativa não necessariamente é fraudulenta. Ainda mais quando os contratos denominados de afretamento e de prestação de serviços foram firmados, ao menos na aparência, nos termos de normas infralegais vigentes à época dos fatos e, também, não havia objeção legal à forma de bipartição. O fisco pode aplicar tal instituto como forma de inibir planejamentos tributários abusivos, entretanto, deve prevalecer o benefício da dúvida quanto à fraude supostamente perpetrada pela recorrente, razão pela qual a multa qualificada não se perdura. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. NÃO CABIMENTO O fato de o contribuinte não fornecer, nos prazos definidos, os esclarecimentos exigidos na intimação, por si só não podem fundamentar o agravamento da multa. O agravamento da multa de ofício não tem amparo quando a fiscalização consegue, por outros meios, firmar sua convicção acerca do lançamento tributário. Necessário demonstrar, de forma inequívoca, a atuação dolosa na intenção de atrapalhar o processo de fiscalização. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do 1º CC). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N. 108. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresenta-se regular a incidência dos juros de mora sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. O cerceamento de defesa não ocorre quando o argumento não enfrentado a contento, sob olhar da recorrente, pela instância de piso, não serviu de fundamento para o lançamento fiscal. Premissas adotadas pela defesa e atribuídas à fiscalização, sem que a fiscalização tenha se servido de tal fundamento, não merecem enfrentamento pela delegacia de piso, e por isso não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. IRPJ. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A simulação sem fraude não tem o condão de afastar a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual o prazo para lançamento tributário deve ser contado a partir do fato gerador do tributo que se quer lançar. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A análise dos elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização permite concluir que os contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços” foram bipartidos de maneira artificial, (i) aparentando conferir ou transmitir direitos e obrigações a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, e (ii) incorporando cláusulas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 13 87 /2 01 4- 73 Fl. 9630DF CARF MF 2 notoriamente não verdadeiras, que fazem transparecer a realização de atividades operacionais por parte de pessoas jurídicas offshore, que são de fato inoperantes e convenientemente estabelecidas em paraíso fiscal. Nesse contexto, é correto o procedimento fiscal que, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. MULTA QUALIFICADA. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. A simulação relativa não necessariamente é fraudulenta. Ainda mais quando os contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços” foram firmados, ao menos na aparência, nos termos de normas infralegais vigentes à época dos fatos e, também, não havia objeção legal à forma de bipartição. O fisco pode aplicar tal instituto como forma de inibir planejamentos tributários abusivos, entretanto, deve prevalecer o benefício da dúvida quanto à fraude supostamente perpetrada pela recorrente, razão pela qual a multa qualificada não se perdura. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. NÃO CABIMENTO O fato de o contribuinte não fornecer, nos prazos definidos, os esclarecimentos exigidos na intimação, por si só não podem fundamentar o agravamento da multa. O agravamento da multa de ofício não tem amparo quando a fiscalização consegue, por outros meios, firmar sua convicção acerca do lançamento tributário. Necessário demonstrar, de forma inequívoca, a atuação dolosa na intenção de atrapalhar o processo de fiscalização. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do 1º CC). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N. 108. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Fl. 9631DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.631 3 Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso tão somente para afastar o agravamento do multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Carlos André Soares Nogueira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que, por meio do Acórdão 1055.428, de 10 de julho de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a autuação fiscal. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), devidos no anocalendário 2009, decorrentes de constatação de omissão de receitas que advêm de contratos de afretamento e de prestação de serviços (ou de operação) de unidades de exploração e produção de petróleo celebrados entre a Petrobrás (contratante) e empresas deste ramo de atividade, dentre as quais se destaca a recorrente. A partir da análise dos contratos, a fiscalização constatou que a recorrente simulou propositadamente operação para segregar o afretamento do serviço, reduzindo a carga tributária em razão da maior parte do contrato ser "prestado" por empresa localizada no exterior. Observese que o procedimento que ensejou o lançamento do auto de infração aqui discutido decorreu de outro procedimento de diligência fiscal, cujos documentos, que foram levantados durante a referida diligência, fazem parte do processo administrativo fiscal nº 19515.721167/201440, apensado a este processo nº 19515.721387/201473. Fl. 9632DF CARF MF 4 Entretanto, os documentos levantados durante a diligência fiscal, que constam no processo administrativo fiscal nº 19515.721167/201440 foram convalidados e também servem de prova para o auto de infração em discussão. Por bem delineado, reproduzo o relatório constante no Acórdão da DRJ/POA: (início da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/POA) 1. Dados gerais Este acórdão tem por objeto julgar a impugnação (fls. 1042/1188) apresentada pela fiscalizada SCHAHIN ENGENHARIA S/A (SCHAHIN) e pelos sócios administradores MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN contra os lançamentos de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, consubstanciados nos autos de infração de fls. 02/91, que estão complementados no “Relatório Fiscal” – juntado por meio de arquivo não paginável ao presente eprocesso – aludido no termo de fl. 983, doravante referido por “RF”. O montante do crédito tributário lançado a título de IRPJ e reflexos é de R$ 225.458.639,30 (ver fl. 06), já incluídos os acréscimos legais, calculados até dezembro de 2014. Em que pese o termo de início de fiscalização (fls. 339/341) ter sido lavrado em 01/12/2014, a autuação decorreu de ação fiscal iniciada em 23/11/2012, por meio da diligência fiscal 08.1.90.002012051445, realizada no curso de procedimento fiscal formalizado junto ao processo 19515.721167/201440, que encontrase apensado aos presentes autos. Assim, e conforme registrado à fl. 344, foram devidamente ratificados pela fiscalizada todos os termos, documentos e declarações formalizados no curso daquele procedimento, que encontramse juntados no processo 19515.721167/201440. Cumpre registrar que o processo 19515.721387/201473 contém 2.339 folhas e o processo 19515.721167/201440 contém 55.604 folhas. 2. Da autuação A ação fiscal teve por escopo a análise dos contratos apresentados à fiscalização no curso de diligência realizada junto às pessoas jurídicas SCHAHIN ENGENHARIA S/A e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A, bem como as respectivas gênese e execução dessas avenças. Tratamse de contratos coligados de “afretamento” e de “prestação de serviços” ou “operação” 1 de unidades de exploração e produção de petróleo, realizados ao abrigo do procedimento licitatório simplificado de que trata o Decreto nº 2.745/1998, capitaneados pela pessoa jurídica Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), conforme quadro apresentado à fl. 69 do relatório fiscal, que reproduzo a seguir: 1 Os contratos bipartidos que foram objeto da ação fiscal são denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços”, como se vê por exemplo às fls. 5351 e 1587, respectivamente. No relatório de fiscalização, o contrato de “prestação de serviços” é também referido por contrato “de operação”. No presente voto, as duas expressões serão utilizadas indistintamente. Fl. 9633DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.632 5 Em face da aproximação do lapso decadencial, a fiscalização promoveu junto ao presente processo a constituição do crédito tributário tãosomente em relação aos fatos geradores atinentes ao anocalendário de 2009. Isso corresponde, no âmbito da fiscalização, aos fatos vinculados aos contratos de 2070.0031358.07.2 (fl. 5351 do processo 19515.721167/201440) e 187.2.122.018 (fl. 957 do processo 19515.721167/201440) pertinentes à unidade autoelevatória NORTH STAR I e ao naviosonda SC LANCER, respectivamente. Todavia, o raciocínio empreendido pela autoridade fazendária para entender caracterizada a hipótese de incidência que repercutiu nos lançamentos de ofício levou em consideração a análise dos fatos que circunscreveram todos os contratos relacionados na tabela acima, cujos elementos de prova foram coligidos junto ao autos do processo 19515.721167/201440, que se encontra em apenso ao processo matriz. O cenário em que inseridos esses contratos, em apertada síntese, é o seguinte: uma empresa nacional (no caso concreto, a Petrobras) contrata, por meio de procedimento licitatório simplificado, o afretamento de unidade operacional (NORTH STAR I e SC LANCER) a uma empresa residente no exterior (MS DRILLING LLC e TURASORIA S/A LLC) e, simultaneamente, contrata a prestação de serviços de operação dessa mesma unidade a empresa brasileira (Schahin Engenharia S/A). Sob o aspecto formal, esses contratos são independentes, de acordo com a figura juntada aos autos pela fiscalização à fl. 50 do relatório fiscal, que reproduzo a seguir: Fl. 9634DF CARF MF 6 A alocação do preço global dos dois contratos é realizada na ordem de 90% para a atividade de “afretamento” e 10% para a atividade de “prestação de serviços”. Tal diretriz é fixada pela Petrobras, já na formalização do edital de contratação. De vez que as empresas afretadoras são domiciliadas no exterior (no caso específico dos autos, no estado americano de Delaware2), não houve tributação a título de IRPJ e reflexos quanto às receitas vinculadas à atividade de afretamento, que representaram a maior parte dos pagamentos realizados no contexto dos contratos analisados. Tampouco houve retenção de imposto de renda na fonte quanto a esses pagamentos, em face do disposto no art. 691, I, do RIR/99, que atribui alíquota zero em relação aos rendimentos derivados do afretamento de embarcações marítimas. Segundo a fiscalização, a estrutura bipartida adotada no caso concreto é artificial, de vez que a execução material de todo o projeto – em todos os contratos analisados no curso da auditoria – foi sempre levada a efeito pela Schahin Engenharia S/A (SCHAHIN), inexistindo atuação efetiva por parte das afretadoras offshore. Nesse contexto, por entender caracterizada a “unicidade societária, volitiva, negocial, operacional, a fiscalização considerou para todos os fins, como sendo RECEITA OPERACIONAL DA SCHAHIN ENGENHARIA S.A. a RECEITA AUFERIDA pelas FRETADORAS OFFSHORE em contratos de FRETAMENTO de embarcações e plataformas para a PETROBRAS envolvendo o GRUPO SCHAHIN em contrato coligado para a OPERAÇÃO (SCHAHIN ENGENHARIA S.A.)”. [Grifos do original, fl. 708 do RF] Além da exigência fiscal dos tributos decorrentes da caracterização de omissão de receitas, a fiscalização entendeu caracterizada a hipótese (a) de aplicação de multa qualificada, de que trata o art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430/1996, face à ocorrência de sonegação, fraude e conluio, e (b) de multa agravada, de que trata o art. 44, I e §2º da Lei nº 9.430/1996, em face da recusa de apresentação, pela fiscalizada, dos atos constitutivos, documentos comprobatórios da designação de administradores e procurações a representantes legais das fretadoras offshore. 2 As fretadoras MS DRILLING LLC e TURASORIA S/A LLC foram constituídas sob a forma de LLC (Limited Liability Company) no estado de Delaware, situado na costa leste dos Estados Unidos. A partir da publicação da IN RFB nº 1.037/2010 (ver art. 2º, VII), havida em 07/06/2010, o regime aplicável a LLCs situadas nos EUA restou associado ao conceito de regime fiscal privilegiado. Fl. 9635DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.633 7 A fiscalização entendeu, ainda, que os sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN mantinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, de maneira que foram arrolados como responsáveis solidários, com forte no art. 124 do CTN. A fiscalização apresentou extensa argumentação, lastrada em amplo manancial probatório, na defesa da tese de simulação. O RF, como referido acima, é composto por 740 páginas, com enfrentamento detalhado da matéria de fato. À vista do índice do RF, é possível distinguir que as razões da autoridade fazendária estão organizadas em nove capítulos centrais (consistindo o décimo capítulo em resumo dos anteriores), conforme discriminado a seguir. Capítulo 1 – Contratos Coligados O capítulo 1 tem por objeto a análise, sob o aspecto formal, dos contratos celebrados entre (i) Petrobras e afretadoras offshore e (ii) Petrobras e operadora SCHAHIN, que, segundo a fiscalização, indicam confusão entre as partes, sócios, domicílio das afretadoras, objeto, obrigações e responsabilidades, como se vê nos excertos seguintes: “ (...) a análise meramente formal dos contratos celebrados entre PETROBRAS e FRETADORAS OFFSHORE e PETROBRAS e OPERADORA SCHAHIN, (...), já indica confusão entre partes, sócios, domicilio, objeto, obrigações e responsabilidades”. “(...) todos os contratos apresentados apresentam uma característica em comum, qual seja um padrão de formatação, um modelo que se repete a todos os casos, seja em afretamentos, seja em operação”. “Na qualificação das FRETADORAS, uma característica marcante é a presença de uma pessoa jurídica FRETADORA sempre sediada em zona de tributação favorecida”. “chama a atenção o fato de que praticamente todas as pessoas jurídicas sediadas no exterior (FRETADORAS) possuírem o mesmo domicilio contratual e legal (...): Corporation Trust Center, 1209, Orange Street, Wilmington, Delaware, 19801, USA”. “Também os representantes legais das FRETADORAS são na maioria das vezes as mesmas pessoas: Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin”. “(...) eventualmente os representantes legais da FRETADORA são prepostos dos sócios da SCHAHIN ou da SCHAHIN”. Ou seja: “os representantes legais das FRETADORAS que firmam tais contratos são rigorosamente os mesmos sócios administradores e representantes legais das pessoas jurídicas SCHAHIN ENGENHARIA S.A. e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S.A, pertencentes ao grupo SCHAHIN (OPERADORES)”. “há a cláusula de solidariedade através da qual o OPERADOR se solidariza com o AFRETADOR nos contratos desses últimos com a PETROBRAS e, correspondentemente, o FRETADOR se solidariza com o OPERADOR nos contratos desses últimos, conforme amostragem. “Todos os solidários (...) são responsáveis perante a PETROBRAS, pelo todo, independente de ordem de preferência”. Fl. 9636DF CARF MF 8 “A cláusula de responsabilidade solidária possui o seguinte teor: ‘...como empresa juridicamente solidária quanto às obrigações dele decorrentes, independentemente de causa, origem, ou natureza jurídica...’. Ou seja, a solidariedade contratual é total e irrestrita”. “Chama a atenção a total desproporcionalidade em desfavor da OPERADORA SCHAHIN, já que as FRETADORAS OFFSHORE (...) não possuem patrimônio a responder contratualmente”. “No caso das FRETADORAS, a garantia nunca se dá sobre patrimônio algum (já que elas não detêm patrimônio), mas sempre se resume à cessão condicionada de contratos de AFRETAMENTO, cessão fiduciária destes e conta bancária de recebíveis dos referidos contratos vinculada em poder de agentes administrativos representantes dos credores”. “Naturalmente, em caso de inadimplemento contratual, a PETROBRAS acionaria a parte solidária SCHAHIN para reivindicação da pretensão ressarcitória e indenizatória ou da própria execução contratual”. “(...) a SCHAHIN assume a questão obrigacional nos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO e também a responsabilidade, já que a solidariedade com quem não tem capacidade operacional nem patrimonial significa o mesmo que contrato único com a SCHAHIN. É nesta configuração em que se verifica a confusão entre os responsáveis pelo contrato de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO”. “(...) a SCHAHIN é a contratante originária do seguro global das embarcações/plataformas (FRETADORAS inertes como de costume) para posteriores endossos às FRETADORAS OFFSHORE no que se refere ao afretamento. Tal cronologia é incomum, já que as FRETADORAS são as responsáveis por colocar a embarcação/plataforma em posição e em condições de operação (SCHAHIN), ou seja, as FRETADORAS deveriam contratar o seguro originariamente para posterior endosso da parte que cabe à SCHAHIN correspondente ao rateio para a fase de OPERAÇÃO”. “(...) a questão da formalidade dos documentos comprobatórios do adimplemento contratual como faturas, notas fiscais, pagamentos e transferências também contém características que denunciam uma unidade administrativa concentrada na figura da SCHAHIN ENGENHARIA S.A. em detrimento das FRETADORAS OFFSHORE”. “No caso em destaque, a PETROBRAS apresentou as FATURAS emitidas, em tese, pelas FRETADORAS OFFSHORE em contrapartida dos pagamentos realizados pelo CONTRATO DE AFRETAMENTO. Como as FRETADORAS não tem representação no Brasil, em tese, deveriam emitir suas FATURAS na língua inglesa, o que não ocorre já que se apresentam em português. Mas não é esta a principal observação, mas sim o carimbo da SCHAHIN (diretores da SCHAHIN) atestando ou aprovando a FATURA. Ora, como pode ser possível, conforme a alegação da SCHAHIN de mera interveniência nos contratos de AFRETAMENTO, ter acesso na figura de um diretor da SCHAHIN para aprovar a emissão de FATURAS da FRETADORA OFFSHORE?” “Há registro (ver página 126 do RF) de deliberação societária, em assembléia de acionistas, por parte da SCHAHIN, relativamente a aditivo em contrato de afretamento [contrato 2050.0062667.10.2].” Capítulo 2 – Confusão patrimonial Fl. 9637DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.634 9 No capitulo 2, a fiscalização aborda “a sistemática da unidade PATRIMONIAL entre SCHAHIN e FRETADORAS OFFSHORE, na qual o patrimônio da SCHAHIN é o único a responder perante as garantias dos credores financiadores do projeto, construção das embarcações/plataformas, os contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO e suas execuções”, como se vê nas transcrições seguir: “A SCHAHIN (...) é responsável pela integral concepção do projeto de forma global, quer seja, desde o financiamento como fonte de recursos para a construção das embarcações/plataformas, passando pela consultoria licitatória do afretamento e operação, gestão de construção, transporte, homologação, comissionamento e operação das embarcações”. “Pois bem, a SCHAHIN ou o grupo SCHAHIN (mormente SCHAHIN HOLDING, SCHAHIN ENGENHARIA e ENGENHARIA PETRÓLEO E GÁS dentre outros do GRUPO) é a responsável por garantir o funcionamento de todo o sistema através de um sistema interligado de garantias das mais variadas ordens, desde cessão fiduciária de créditos, alienação fiduciária de créditos, garantias reais, fianças, etc. Tal medida se faz necessária, pois as OFFSHORES não têm patrimônio relevante para obter por si, os recursos no mercado para empreendimentos de tamanha envergadura”. “Conforme cláusula uniforme e padrão tanto nos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO, há responsabilização solidária total e irrestrita correspectiva da SCHAHIN nos contratos de AFRETAMENTO e da FRETADORA OFFSHORE em contratos de OPERAÇÃO da SCHAHIN”. “Chama a atenção a total desproporcionalidade em desfavor da OPERADORA SCHAHIN, já que as FRETADORAS OFFSHORE cujas atas constitutivas foram obtidas possuem capital social de US$5.000,00 (SORATU DRILLING LLC) e US$10.000,00 (AIROSARU DRILLING LLC), ou seja, não possuem lastro patrimonial para se responsabilizar perante a PETROBRAS em contratos milionários ou bilionários”. “Incisivamente: é o patrimônio da SCHAHIN a responder pelo contrato alheio PETROBRAS FRETADORA (execução e possível responsabilização por inadimplemento). Essa a interpretação direta da cláusula contratual de SOLIDARIEDADE”. “E mais grave, não há nenhum indício ou comprovação de expertise das FRETADORAS na específica tarefa de afretamento marítimo. A PETROBRAS se recusa a apresentar documentos licitatórios, dentre os quais a qualificação técnica dos vencedores das licitações de AFRETAMENTO. Os sócios das OFFSHORES e também seus representantes também não se manifestaram a respeito”. “Não há registro nenhum de atividade material das OFFSHORES em território nacional. Aquelas que possuem CNPJ foram objeto de pesquisa nos sistemas internos e não há indícios de nenhuma movimentação em contratação de trabalhadores, recolhimento tributário, remuneração a pessoa jurídica, movimentação financeira em território nacional, absolutamente nada”. “A fiscalização constatou inúmeras ATAS DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA realizadas pelo menos desde 2007 arquivadas na JUCESP comprovando de forma expressa, literal e inequívoca a deliberação por unanimidade de 100% do Capital Social de SCHAHIN ENGENHARIA e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS (sócios e administradores Milton Taufic Schahin e Salim Fl. 9638DF CARF MF 10 Taufic Schahin) de inúmeras garantias das mais variadas ordens de grandeza e modalidades às pessoas Jurídicas OFFSHORE, também conhecidas por FRETADORAS nos contratos com a PETROBRAS”. “Figura IX56 A SCHAHIN outorga GARANTIAS à CASABLANCA e reconhece suas AFILIADAS: DEEP BLACK DRILLING LLC. BAERFIELD, SORATU e TURASORIA”. “Figura IX58 SCHAHIN HOLDING S.A. outorga GARANTIAS à MS DRILLING LLC (FRETADORA DA NORTH STAR I)”. “A fiscalização também constatou que em Balanços Patrimoniais em Relatórios da Administração publicados pela própria SCHAHIN, constam NOTAS EXPLICATIVAS com expressa e explicita referência às garantias prestadas”. “Há de se enfatizar que as declarações de SCHAHIN ENGENHARIA S.A. e SCHAHIN PETRÓLEO S.A. em resposta aos Termos de Diligência Fiscal sempre foram no sentido de afirmar a sua mera interveniência nos contratos de AFRETAMENTO, inclusive tratandoos como contrato da PETROBRAS com "TERCEIROS" dos quais não dispunham qualquer tipo de informações das "entidades" FRETADORAS, embora essas sejam conhecidas de longa data pela SCHAHIN, inclusive para caucionamentos bilionários em dólares americanos expressos nos atos arquivados em junta comercial, diário oficial e relatórios da administração”. “Antes mesmo da análise das garantias nos processos do REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA prestadas pela SCHAHIN em beneficio das FRETADORAS, merece destaque o ADITIVO CONTRATUAL que estabelece tal procedimento. (...) Aditivo contratual do CONTRATO 2050.0042743.08.2 (AFRETAMENTO PETROBRAS E AIROSARU) no qual a SCHAHIN (OPERAÇÃO) se responsabiliza pelo cadastramento no Regime Aduaneiro especial e importação de bens relacionados ao contrato de AFRETAMENTO, no qual não é, em tese, parte executora”. Capítulo 3 – Confusão na execução dos contratos de afretamento e operação No presente capítulo a fiscalização cuida da análise do que denomina “unidade operacional” ou “exclusividade executória” dos contratos de afretamento e operação pela SCHAHIN, conforme excertos a seguir: “Foi a SCHAHIN a executora dos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO indistintamente, realidade que só foi reconhecida cerca de 12 meses após o inicio da diligência fiscal pelo contribuinte SCHAHIN após as intimações enumerarem provas irrefutáveis de tal procedimento”. “Este o contexto [executora dos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO] no qual o GRUPO SCHAHIN (mormente SCHAHIN ENGENHARIA S.A. e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S.A.) assume o papel de beneficiário do regime de admissão temporária para usufruir dos benefícios fiscais, atuando diretamente na operacionalização do empreendimento que envolve AFRETAMENTO e OPERAÇÃO conjuntamente de plataformas de perfuração, navios sonda e assemelhados”. “Notese que em diversas consultas a processos de requerimento de concessão do regime de admissão temporária relacionadas a embarcações envolvidas nos procedimentos de exploração de petróleo pela PETROBRAS, notadamente: Navio Sonda SC LANCER, (...), não há referência alguma aos FRETADORES (seus Fl. 9639DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.635 11 propostos ou terceiros contratados pelos mesmos) na identificação do interessado nos requerimentos e assunção de obrigações, responsabilidades ou garantias”. “Ou seja, quem efetua, firma o requerimento e assume as obrigações e responsabilidades, inclusive garantias decorrentes do regime especial é sempre o GRUPO SCHAHIN, inclusive, na listagem de materiais com ingresso submetidos ao regime especial é expressa a referência de material destinado ao cumprimento do contrato de AFRETAMENTO (PETROBRAS e FRETADORAS OFFSHORE)”. “Há de se enfatizar a severa contradição já que, contemporâneo aos fatos, na época dos requerimentos do RAT, as declarações da SCHAHIN são de que importará bens, peças e equipamentos para o contrato de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO, indistintamente. Já nas declarações durante o procedimento de diligência fiscal, a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. e SCHAHIN PETRÓLEO S.A. sempre foram enfáticas até a resposta ao TIF04 (Termo de Intimação 04 emitido em 25/02/2014 e respondido em 20/06/2014) no sentido de afirmar a sua mera interveniência nos contratos de AFRETAMENTO, jamais assumindo o papel de participação ativa nesses contratos”. “A operacionalização de tudo [REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA NA PLATAFORMA SC LANCER (Processo 10730.727258/201127)] é promovida pela SCHAHIN conforme amostragem do processo nas figuras: Figura IX77, Figura IX78, Figura IX79, Figura IX80 e Figura IX 81. “O TERMO DE RESPONSABILIDADE do Regime Especial de Admissão Temporária é sempre firmado por procuradores do GRUPO SCHAHIN ou pelo próprio representante legal. A declaração do GARANTIDOR é firmada pelos sócios e representantes legais do GRUPO SCHAHIN (Srs. Milton ou Salim Taufic Schahin). Inclusive como modalidade de garantia, normalmente em fiança idônea, é sempre prestado por pessoas jurídicas do GRUPO SCHAHIN”. “(...) a SCHAHIN realiza efetivamente a contratação de estrangeiros, a sua regularização em solo pátrio, desembolsam a remuneração que é paga no exterior, assumem total e irrestrita responsabilidade pelos estrangeiros e que trabalham nos contratos de AFRETAMENTO das OFFSHORES. Contrato este estranho à SCHAHIN, pelo menos formalmente, mas não na prática como podemos perceber com evidencia”. Exemplos de elementos de prova estão juntados junto às figuras IX 97 e IX98, cujos títulos estão transcritos a seguir: · “Figura IX97 – (...) a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. estabelece como JUSTIFICATIVA para a contratação do estrangeiro, o CONTRATO DE AFRETAMENTO, do qual não é parte, mas o são PETROBRAS e TURASORIA S.A. LLC”. · “Figura 1X98 EXEMPLO DE ESPECIALIDADE E DESCRIÇÃO DE ATIVIDADES RECORRENTES NOS PROCESSOS NO MTE DE TRABALHADORES ESTRANGEIROS. FUNÇÕES DE MONTAGEM, INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE RESPONSABILIDADE DO FRETADOR OFFSHORE DONO DA PLATAFORMA OU EMBARCAÇÃO. “Outrossim, a filial de MACAÉ RJ da SCHAHIN é a base de operações ONSHORE que propicia o suporte para todas as plataformas e embarcações no seu raio de alcance. Curiosa é a classificação CBO de empregados alocados nesta filial: há funções típicas de operação (responsabilidade da SCHAHIN ENGENHARIA Fl. 9640DF CARF MF 12 S.A.), mas também funções CBO típicas de atividades de docagem e manutenção (responsabilidade das FRETADORAS OFFSHORE)”. Capítulo 4 – Organização global do projeto As considerações pertinentes ao capítulo 4 estão reunidas em 160 páginas e organizadas em 22 itens. As conclusões da fiscalização e os elementos de prova relativos ao presente capítulo foram obtidos, fundamentalmente, mediante diligências a (a) instituições financeiras (mormente o Deutsche Bank S.A.), (b) a GUSTAVO AKIO SHINOHARA (executivo da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A), (c) a KENJI OTSUKI (representante legal de fretadoras offshore), a (d) sócios e administradores da SCHAHIN e a (e) pessoas físicas que atuaram em postos relevantes na construção das embarcações. A fiscalização objetiva aqui evidenciar “a estrutura global do projeto” levado a efeito pelo grupo SCHAHIN, apresentandoo como uma “ORGANIZAÇÃO AMPLA que inclui a criação de um COMPLEXO SISTEMA FINANCEIRO que embasa a organização do projeto como um todo, participações e conquista de LICITAÇÕES na modalidade convite internacional junto à PETROBRAS, a busca por FINANCIADORES MÚLTIPLOS, inclusive do próprio construtor da embarcação/plataforma em alguns casos, prestação de GARANTIAS para caucionar tais credores, gerenciamento da CONSTRUÇÃO em estaleiros no exterior (China e Coréia do Sul, por exemplo), transporte, comissionamento, aceitação e homologação em águas brasileiras e finalmente o AFRETAMENTO e OPERAÇÃO e MANUTENÇÃO”. Em síntese, as conclusões do capítulo são as seguintes: “Logicamente que a SCHAHIN não atua tão somente na prestação de serviços de OPERAÇÃO conforme reiteradas alegações nesse sentido em diversas respostas aos Termos de Intimação, mas também na direção de todo o empreendimento desde a aprovação de garantias aos credores múltiplos, da organização societária das FRETADORAS OFFSHORE, da construção das embarcações/plataformas, das licitações, dos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO, manutenção, recebimentos, pagamentos dos credores, dos custos e despesas no exterior”. “Neste contexto, as empresas OFFSHORE possuem existência meramente formal a fim de possibilitar o recebimento dos numerários do CONTRATO DE AFRETAMENTO em solo livre de tributação ou com tributação favorecida, objetivo final não de planejamento tributário, mas de simulações sucessivas e encadeadas. Mas a bem da verdade, toda esta complexa estrutura foi delineada tendo somente os dois personagens: GRUPO SCHAHIN e PETROBRAS”. Os tópicos de maior relevo que embasam as conclusões da fiscalização são os seguintes: Do financiamento do projeto global “Dado que o DEUTSCHE BANK S.A. BANCO ALEMÃO consta em várias publicações de Atas de Assembléia Geral Extraordinária (JUCESP, DIÁRIO OFICIAL EMPRESARIAL, RELATÓRIOS DA ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO SCHAHIN) como agente financiador (CREDOR) de inúmeras operações financeiras estruturadas em benefício do GRUPO SCHAHIN e FRETADORAS "OFFSHORES” e suas HOLDINGS, a instituição financeira foi intimada no âmbito Fl. 9641DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.636 13 de diligência fiscal a prestar esclarecimentos e apresentar documentos comprobatórios de tais operações”. “Com base nas informações obtidas em sede de diligência, observouse que “a SCHAHIN presta GARANTIAS nas operações financeiras estruturadas junto ao DEUTSCHE BANK e outros financiadores ou investidores para levantar recursos não só para viabilizar a construção das embarcações/plataformas, testes, comissionamento, transporte, aceitação, operação e manutenção, mas também rolagem de dívidas, refinanciamento de projetos em situação de "default", ou seja, inadimplidos ou com deficiência de caixa e emissão de títulos lastreados nas embarcações já em operação para fomentar outros empreendimentos. Ou seja, a SCHAHIN é sempre garantidora em contratos das FRETADORAS OFFSHORE e o DEUTSCHE BANK tem presença constante na maioria dos contratos identificados seja como agente administrativo (representante dos credores), agende fiduciário ou agente de garantias e também como financiador”. Junto à tabela IX12, a descrição de operação financeira estruturada para financiar a construção do navio sonda SC LANCER: Do fluxo financeiro das operações A fiscalização teve notícia de que empresas vinculadas ao grupo SCHAHIN sofreram execução de sentença arbitral junto à Corte Distrital de Nova Iorque. Tal informação, assim como todas as peças processuais pertinentes ao procedimento, são Fl. 9642DF CARF MF 14 de domínio público3. Com forte na análise dessa execução, em particular as declarações prestadas junto à Corte Distrital pelo diretor financeiro da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A – AKIO SHINOHARA (que foi posteriormente diligenciado pela fiscalização), o agente fiscal concluiu o que segue: “(...) a SCHAHIN, em sede de execução de sentença arbitral em território norte americano, foi obrigada a se defender de medidas constritivas patrimoniais que lhe atingiam e também às OFFSHORES e holdings dessas últimas, revelando alguns aspectos do funcionamento do financiamento e fluxo financeiro das operações”. “Em síntese, agentes financiadores múltiplos disponibilizavam os recursos financeiros mediante garantias das mais variadas ordens da SCHAHIN, inclusive seus próprios contratos de OPERAÇÃO com a PETROBRAS em alienação fiduciária (...)”. “Mas para empreendimentos de tamanha envergadura, garantias nunca se bastam aos credores e também se estendiam às próprias contas bancárias dos mutuários e subsidiárias dos mutuários ("HOLDINGS OFFSHORE" como CASABLANCA, SEA BISCUIT, BLACK GOLD e suas subsidiárias FRETADORAS OFFSHORES como AIROSARU, SORATU, BAERFIELD, DLEIF) de tal sorte que, contratualmente estabelecido, as receitas ingressas não poderiam ser sacadas, transferidas, nem estavam à disposição dos mutuários contratantes com a PETROBRAS, mas em virtude de acordo prévio com credores seniores (originários e principais), deveriam ser direcionadas ao pagamento de principal e juros precipuamente para, "a posteriori", obedecerem a uma seqüência ordenada e prioritária de destinações, as chamadas "waterfalls" ou cachoeiras da conta principal. Ou seja, tudo deveria funcionar em sincronismo total: empréstimos deveriam ser saldados com receitas dos contratos com a PETROBRAS (AFRETAMENTO e OPERAÇÃO) e qualquer atraso no início ou desenvolvimento de qualquer fase poderia ocasionar um efeito cascata e paralisar recebimentos e pagamentos se os credores executassem as garantias”. Particularmente em relação ao navio sonda SC LANCER e à fretadora TURASORIA, as conclusões estão evidenciadas junto ao item 4.6 do RF: “Ou seja, a SCHAHIN constitui uma pessoa jurídica de propósito específico em Paraíso Fiscal (Ilhas Virgens Britânicas): LANCER FINANCE COMPANY com a justificativa na matéria de que isso possibilitaria a companhia acessar o mercado internacional de títulos ao invés de levantar fundos no Brasil, como se uma empresa brasileira não pudesse fazêlo sediada em território nacional. A LANCER FINANCE COMPANY é responsável pela emissão dos títulos garantidos pela: SCHAHIN ENGENHARIA S.A., TURASORIA S.A. (sediada no Panamá) e pela TURASORIA S.A. LCC (sediada em Delaware). Os objetos de garantia são: o contrato de AFRETAMENTO entre TURASORIA S.A. LCC e PETROBRAS, apólices de seguro da embarcação e contas bancárias. Não há dúvidas de que a SCHAHIN orquestra toda a estrutura de financiamento do PROJETO GLOBAL, constituindo empresas em Paraíso Fiscal, garantindo financiadores inclusive com ativos próprios”. “O relato da agência MOODY´s4 é categórico: a RECEITA da SCHAHIN ENGENHARIA S.A. pela operação da SC LANCER não consegue cobrir 40% dos custos operacionais, ou seja, a SCHAHIN tem prejuízo na operação brasileira, é deficitária para fins de tributação. O restante para cobrir tais despesas operacionais é resultado do saldo das contas "waterfall" no exterior, controlada pelos agentes 3 Ver http://www.plainsite.org/dockets/sn3rsnuw/newyorksoutherndistrictcourt/cimcrafflesoffshoresingapore pteltdetalvschahinholdingsaetal/ 4 Ver https://www.moodys.com/research/MoodysassignsfirsttimeBaa3ratingtotheLancerFinance PR_205588 Fl. 9643DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.637 15 representantes dos credores, após o direcionamento do principal, juros e demais encargos contratuais aos CREDORES (inclusive de portadores de títulos emitidos para captação de recursos). Este é o motivo da desproporcionalidade entre receitas de contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO (9 para 1 aproximadamente): tornar a operação doméstica deficitária e a operação OFFSHORE altamente lucrativa e domiciliada em Paraíso Fiscal”. “É notória a unicidade do real beneficiário. Ora, os sócios da SCHAHIN são concomitantemente administradores das pessoas jurídicas TURASORIA S.A. e TURASORIA S.A LLC, além de sócios das mesmas indiretamente, através de suas holdings, ou seja, também proprietários do navio sonda (SC LANCER é de propriedade da TURASORIA S.A. que freta à TURASORIA S.A. LLC que por sua vez a freta à PETROBRAS). A SCHAHIN ENGENHARIA S.A, como agente garantidor, oferece um contrato de AFRETAMENTO da TURASORIA S.A. LLC (que, em tese e formalmente em nada se relaciona com a sua pessoa no que se refere às receitas decorrentes) em garantia, dispondo também das contas bancárias de recebimento do referido contrato e outras de titularidade da própria SCHAHIN”. A fiscalização esmiúça, ainda, as operações estruturadas vinculadas ao financiamento das embarcações PLATAFORMAS SS PANTANAL e SS AMAZÔNIA (item 4.7 do RF), VITÓRIA 10000 (item 4.8 do RF), CERRADO (item 4.9 do RF), SERTÃO (item 4.10 do RF), bem como as operações de “SBLC” (standby letter of credit”) e “trade finance” realizadas para fins de prover fundos para “contas reservas” e “compras e aquisições de equipamentos e spare parts”, respectivamente, em benefício das embarcações SC LANCER, CERRADO e SERTÃO (item 4.11 do RF). Para todas essas situações, minudentemente detalhadas, a conclusão foi de que “(...) toda a estrutura financeira e o fluxo financeiro foi planejado e executado pela SCHAHIN na figura de seus sócios e administradores MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN e FERNANDO TAUFIC SCHAHIN”. Diligência ao representante legal de fretadoras offshore Junto ao item 4.13, a fiscalização evidencia o resultado de diligência realizada junto a KENJI OTSUKI, de vez que este “consta em diversos contratos de financiamento declarando e assinando como representante legal ou administrador de algumas FRETADORAS "OFFSHORES" tais como BAERFIELD, SORATU, MS DRILLING, TURASORIA”. KENJI OTSUKI também consta em diversas procurações outorgadas pelos administradores da grande maioria das FRETADORAS OFFSHORE, os "managers" MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN. Relativamente às respostas providas pelo intimado, a fiscalização evidencia a negativa por parte do intimado em apresentar documentos requeridos pela fiscalização e classifica tal conduta como dolosa, como se vê a seguir: “o Sr. KENJI OTSUKI afirma que já foi empregado do GRUPO SCHAHIN como contador e atualmente presta serviços como pessoa jurídica à SCHAHIN ENGENHARIA S.A, SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS SA. e SCHAHIN HOLDING S.A. e TAMBÉM atuou de forma concomitante, ora como ADMINISTRADOR, ora como REPRESENTANTE, das FRETADORAS OFFSHORE MS DRILLING LLC., TURASORIA, Fl. 9644DF CARF MF 16 BAERFIELD e SORATU, mas que não dispõe de nenhum documento comprovando tais representações”. “Portanto é nítida a manobra dolosa omissiva do diligenciado, impossível pois, que alguém represente sem que saiba quem representa, presente sem ter o poder de comando, pratique negócios jurídicos ou mesmo atos jurídicos sem que saiba quais poderes detém, quais os seus limites e qual a finalidade da sua declaração qualificada de vontade.” “Também resta caracterizado o conluio com a SCHAHIN, tanto que efetuou a entrega do documento de resposta ao Termo de Intimação de diligência fiscal à pessoa física KENJI OTSUKI por meio de portador da SCHAHIN, com rotulagem de envelope do Departamento Jurídico da SCHAHIN (...)”. Diligência nos sócios e administradores da Schahin A exemplo do tópico anterior, a fiscalização evidencia a conduta do intimado – MILTON TAUFIC SCHAHIN, administradorpresentante da SCHAHIN ENGENHARIA S/A e sócio indireto das fretadoras – de deliberadamente não apresentar os documentos requeridos. Se não, vejamos: “Diante do robusto conteúdo probatório documental e material em destaque nos CAPÍTULOS anteriores, com o propósito de oferecer aos sócios administradores da SCHAHIN o contraditório e a ampla defesa, houve instauração de procedimento de diligência fiscal nos sócios: MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN”. “Em resposta à diligência fiscal, MILTON TAUFIC SCHAHIN respondeu de forma evasiva e pouco enfática aos questionamentos e afirmações (...)”. “MILTON TAUFIC SCHAHIN reconhece que é administrador das FRETADORAS OFFSHORE, as quais celebram contratos da ordem de bilhões de dólares americanos embora "não possua documentação comprobatória". “Questionado sobre o fato do GRUPO SCHAHIN caucionar financiamentos nacionais e internacionais da ordem de bilhões de dólares americanos para o PROJETO GLOBAL das FRETADORAS OFFSHORE (que envolve inclusive a construção de plataformas e embarcações), MILTON TAUFIC SCHAHIN afirma desconhecer informações e documentos das fretadoras”. Consultoria nas licitações “A justificativa para a PETROBRAS fazer constar em seus cadastros para convite internacional empresas como AIROSARU, BAERFIELD, DLEIF, SORATU, TURASSORIA com capital social de 10 e 5 mil dólares americanos, sem nenhuma experiência no ramo de embarcações de petróleo, sem patrimônio, corpo de funcionários, nem representação no Brasil ainda é fato obscuro, já que a PETROBRAS não revela a documentação do procedimento administrativo licitatório mesmo após 15 meses de insistentes intimações”. Fl. 9645DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.638 17 “Também é inexplicável que contratos juridicamente e materialmente independentes sob o ponto de vista dos licitantes (já que as licitações não são conjuntas para FRETAMENTO e OPERAÇÃO conforme cartas convite apresentadas pela PETROBRAS, ou seja, não há qualquer tipo de consórcio entre as FRETADORAS e SCHAHIN) tenham sido conquistados justamente aos pares que tanto interessam aos partícipes das licitações: sempre FRETADORA OFFSHORE do GRUPO SCHAHIN (como restará cabalmente demonstrado no CAPITULO 9) e OPERADORA SCHAHIN”. Participação decisiva da Schahin no projeto de construção das embarcações e plataformas “Conclusões na diligência na LA CONSULTORIA: A SCHAHIN efetivamente contrata pessoas, bens e serviços para aplicar na construção de embarcações da atividade de exploração de petróleo junto aos fabricantes no exterior. A participação não é de mera interveniência para prévio conhecimento de quem somente intenta executar isoladamente a fase de OPERAÇÃO no Brasil conforme as alegações da SCHAHIN em resposta aos Termos de Intimação iniciais”. “A SCHAHIN gerencia a construção em paralelismo com o estaleiro chinês, com voz decisória de dono. “A participação é efetiva na gestão e direção do projeto, com rigor de dono desde o nascedouro da plataforma, objeto de contratos formais com a PETROBRAS de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO. A SCHAHIN participa efetivamente da finalização da fabricação e liberação para o transporte para águas nacionais”. “A SCHAHIN também é responsável pela atividade de COMISSIONAMENTO, quer seja, testes e homologação de todas as especificações técnicas e operacionais, além de testes de aceitação pela PETROBRAS antes de ser colocada em funcionamento. “É também de suma importância a declaração de que a PETROBRAS realizava auditorias na obra no estaleiro asiático, ou seja, tinha perfeito conhecimento de tudo o que se passava cm termos de reais atribuições dos personagens do esquema contratual: PETROBRAS, FRETADORAS e OPERADORAS, estas duas últimas se FUNDINDO na figura exclusiva da SCHAHIN”. “Sintetizando: • A PETROBRAS não explica como as FRETADORAS OFFSHORE, vencedoras das licitações por convite internacional demonstraram suas aptidões jurídicas, técnicas, operacionais. • A PETROBRAS estipulou contratos coligados com FRETADORAS e SCHAHIN, ambas com mesmos sócios, representantes legais, responsabilidade solidária total e irrestrita. Fl. 9646DF CARF MF 18 • A PETROBRAS tem conhecimento que a SCHAHIN é a gestora da construção em solo estrangeiro. • A PETROBRAS conhece os termos do projeto global orquestrado pela SCHAHIN e se alinha aos desígnios dos autores c criadores. “Por fim, nada impede que a SCHAHIN e a PETROBRAS contratem o que bem entendam (dentro do juridicamente permitido) para a fiel realização de suas necessidades negociais, mas se a SCHAHIN é mentora da estrutura financiadora, organiza as propostas vencedoras das licitações das FRETADORAS, gerencia a construção dos navios, testes e configurações, providencia o transporte da embarcação/plataforma, acompanha a homologação pela PETROBRAS no Brasil e promove também a OPERAÇÃO, qual a função da FRETADORA OFFSHORE? Mais uma comprovação de que as FRETADORAS somente emprestam a existência formal para receber a receita majoritária do projeto global em Paraíso Fiscal, livre de tributação”. Gestão de mão de obra da Schahin no exterior Com vistas a comprovar a relação diretiva da SCHAHIN na construção de embarcações/plataformas em estaleiros asiáticos, a fiscalização promoveu diligências junto a trabalhadores que atuaram nessa fase de construção como empregados ou prestadores de serviços diretos da SCHAHIN junto aos estaleiros no exterior. Abaixo, estão transcritos excertos das principais conclusões apuradas no tópico: “Para comprovar a relação diretiva da SCHAHIN na construção de embarcações/plataformas em estaleiros asiáticos foram coletados em diligência fiscal depoimentos dos trabalhadores que trabalharam nesta fase de construção como empregados ou prestadores de serviços diretos da SCHAHIN junto aos estaleiros no exterior. Como o período de trabalho foi prolongado e se deu recentemente, muitos diligenciados relataram com riqueza de detalhes e documentação idônea que comprovaram inequivocamente a exclusividade de execução da SCHAHIN também nesta fase de Construção e a "ausência" de ação das FRETADORAS OFFSHORE em qualquer manifestação”. “O TRANSPORTE da plataforma até o Brasil (em tese, responsabilidade da FRETADORA (SORATU ou BAERFIELD), que durou 40 dias, foi contratado pela SCHAHIN diretamente com a proprietária de um navio DOCA que efetuou o serviço”. “Ainda após a fase de COMISSIONAMENTO, a SCHAHIN se encarregou da fase de ACEITAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO (em tese, tarefa do AFRETADOR e da PETROBRAS), já que tal fase antecede também a OPERAÇÃO. A responsabilidade era da SCHAHIN em apresentar a plataforma 100% operacional”. “Segundo o depoimento [de funcionário da SCHAHIN que exercia a função de “coordenador da construção naval “, conforme item 4.17.1 do RF], a embarcação SC LANCER pertence à SCHAHIN ENGENHARIA S.A. O funcionário da SCHAHIN afirma que desempenhou serviços de manutenção, reparo e docagem, o que, em tese, deveriam ser desempenhadas pela FRETADORA da SC LANCER, a OFFSHORE TURASORIA”. Fl. 9647DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.639 19 “A SCHAHIN fornecia a mão de obra especializada e toda a infra estrutura para seus colaboradores e a PETROBRAS acompanhava trimestralmente o desenvolvimento da construção, ou seja, possuía conhecimento de tudo o que se passava”. “Rigorosamente todos os trabalhadores diligenciados afirmam o corpo diretivo e gerencial da SCHAHIN desempenhando funções de direção e fiscalização com rigor de dono”. “A SCHAHIN era responsável por toda a infraestrutura que suporta o trabalhador em solo estrangeiro”. “Os contratos de fornecimentos de materiais, equipamentos utilizados na construção das plataformas tinham como parte contratante as FRETADORAS OFFSHORE, mas eram elaboradas pelo departamento jurídico da SCHAHIN e gerenciados pela equipe comercial da mesma no Brasil. Ou seja, demonstra mais uma vez a total inoperabilidade da FRETADORA OFFSHORE. “A SCHAHIN controlava a parte técnica e financeira, em uma fase que, em tese, seria tarefa única e exclusiva da FRETADORA OFFSHORE”. “A PETROBRAS efetivamente tinha não só conhecimento dos papéis exatos desempenhados pela SCHAHIN como da inoperabilidade das FRETADORAS OFFSHORE, pois acompanhava de perto a fase de construção no exterior e demandava informações diretamente da SCHAHIN no Brasil”. “(...) o subordinado da SCHAHIN gerenciou CONTRATOS DE FRETAMENTO DAS OFFSHORE com a PETROBRAS, atestando óbvia confusão entre execução de contratos, inclusive com a confirmação de que a FRETADORA sequer zelou pelo adimplemento de suas obrigações contratuais”. “A SCHAHIN foi responsável pela abertura de uma empresa de apoio logístico para compras de material e equipamentos em HOUSTON TEXAS, EUA (região notabilizada pela indústria do petróleo), para atender exclusivamente os projetos de construção de embarcações e plataformas. Com tantas FRETADORAS em solo americano (DELAWARE), a SCHAHIN teve que se mobilizar para tal tarefa porque as OFFSHORE são inoperantes”. “A SCHAHIN participava ativamente da fase de ACEITAÇÃO da plataforma/embarcação, zelando pelas correções necessárias. Tarefa do FRETADOR e não do OPERADOR”. Gestão de fornecedores da Schahin aos estaleiros no exterior “Uma pessoa jurídica foi constituída no TEXASEUA especialmente para concentrar as compras de bens, produtos e equipamentos necessário às FRETADORAS (que tem sede em DelawareEUA). Esta empresa no TEXAS somente atendia aos contratos de FRETAMENTO da PETROBRAS coligados com a SCHAHIN”. Fl. 9648DF CARF MF 20 “A SCHAHIN provia, ainda, suporte préoperacional junto aos fabricantes de equipamentos, especificações, encomendas e entregas nos estaleiros estrangeiros. Suporte técnico remoto para a fase préoperacional”. Na Figura IX203, a fiscalização descreve “os escritórios mantidos pela SCHAHIN e as funções nas diferentes fases PROJETO GLOBAL, inclusive construção, transporte e comissionamento, fases de responsabilidade das FRETADORAS ‘OFFSHORE’”. Comissionamento “(...) o COMISSIONAMENTO é atividade PRÉOPERACIONAL por definição, então deveria ser responsabilidade contratual da FRETADORA OFFSHORE, já que é dona e contratante direta do contrato de construção, mas, assim como todo o restante de todas as fases do projeto global, a SCHAHIN é a responsável pela execução também do COMISSIONAMENTO, o que pode ser incontestavelmente comprovado pelas conclusões de diligência fiscal na pessoa jurídica MODU SPEC, prestadora de serviços de comissionamento”. Da expertise das fretadoras No presente tópico, a fiscalização evidencia a total ausência de documentos comprobatórios a respeito da qualificação jurídica e capacidade técnica e operacional das fretadoras offshore, como se vê a seguir: “Os sócios da SCHAHIN, uma vez intimados, nada responderam. Os principais interessados permaneceram silentes diante da indagação: Qual a expertise das FRETADORAS? As FRETADORAS participaram de mais alguma licitação EXCETO as que geravam contratos coligados com a SCHAHIN, cujos sócios são comuns? Como as FRETADORAS comprovaram a capacidade técnica para vencer a licitação na modalidade convite internacional proposto pela PETROBRAS?” “(...) qual o papel das FRETADORAS além da existência meramente formal para receber a RECEITA DE AFRETAMENTOS em Paraísos Fiscais na proporção de 1/9 em relação à OPERAÇÃO (SCHAHIN)? Sendo que a SCHAHIN também executou todas as fases a cargo do FRETADOR tais como consultoria em licitação da PETROBRAS, construção, comissionamento, transporte, aceitação e homologação no Brasil e operação, além de somar seu contrato de OPERAÇÃO às garantias aos CREDORES dos financiamentos”. Diligência na Petrobras “Muito embora a Empresa Estatal (Sociedade de Economia Mista) esteja obrigada legalmente e constitucionalmente a proceder a procedimento licitatório, simplificado que seja, a PETROBRAS não apresentou os documentos obrigatórios e mínimos dos referidos procedimentos conforme o descrito e após as insistentes intimações. De outra forma, não apresentou a qualificação jurídica, que conteria obrigatoriamente os atos constitutivos, presentantes e representantes das pessoas jurídicas sediadas em Paraíso Fiscal (FRETADORAS "OFFSHORES"), não apresentou a habilitação técnica que atestaria a capacidade técnica das Fl. 9649DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.640 21 FRETADORAS "OFFSHORES" em desempenhar com eficiência seu desiderato em um contrato de interesse nacional e estratégico. Tanto é certo que a PETROBRAS tem a posse de tais documentos que, no início da Diligencia Fiscal (respostas ao TIDF emitido em 04/07/2013 e recebido em 08/07/2013 e resposta ao TIDF01 emitido em 27/08/2013 e recebido em 30/08/2013), a Empresa Estatal apresentou os atos constitutivos das seguintes FRETADORAS OFFSHORE: AIROSARU DRILLING LLC e SORATU DRILLING LLC, revelando seus sócios exclusivos os mesmos sócios da SCHAHIN. As seqüências de Termos emitidos com a mesma solicitação não foram mais atendidas em relação aos atos constitutivos das demais FRETADORAS OFFSHORE contratantes com a PETROBRAS. Também houve relato não escrito, por parte de funcionário da PETROBRAS por telefone de que os documentos eram submetidos de antemão à SCHAHIN para posterior aprovação para entrega”. Capítulo 5 – Das alegações contraditórias da Schahin “Teoria geral” No presente capítulo, a fiscalização colige elementos de prova no intuito de demonstrar a atuação direta da SCHAHIN em todas as fases dos processos licitatórios sob análise. Salienta que, na fase inicial da fiscalização, a contribuinte negava envolvimento direto e contratual com as fretadoras offshore, admitindo apenas a atuação como interveniente nos contratos, o que restou desmentido com o aprofundamento da auditoria: “(...) ao se verificar a resposta ao TIF01 (Termo de Intimação de Diligência Fiscal n"01 emitido em 28/05/2013 e respondido em 18/06/2013), o contribuinte declara que é mero interveniente no contrato de AFRETAMENTO 2050.0042743.08.2. “Tendo em vista as contradições diametrais verificadas e comprovadas durante o trabalho de fiscalização entre as alegações do contribuinte e os FATOS JURÍDICOS e MATERIAIS apurados, o próprio contribuinte SCHAHIN se incumbe de RECONHECER as declarações falsas emitidas até então, desmentindo a sua linha de argumentos e reconhecendo a existência de uma relação muito maior que simples interveniência (o que foi insistentemente sustentado desde o inicio dos trabalhos de diligência fiscal)”. “Temse aqui uma mudança no comportamento do contribuinte SCHAHIN. agora assumindo que o papel da SCHAHIN se estende muito além da simples interveniência no AFRETAMENTO, mas de efetivação de todo o processo, desde a consultoria em licitações da PETROBRAS, passando pela gestão da construção de embarcações/plataformas na China e Coréia do Sul, transporte, comissionamento e, finalmente a operação em águas brasileiras como se demonstrará adiante”. “A SCHAHIN também opera por meio de CONTRATOS DE GESTÃO E REEMBOLSO a tarefa de manutenção a cargo das FRETADORAS durante o contrato de OPERAÇÃO, sendo que a SCHAHIN assume a inteira obrigação e responsabilidade pela execução material da manutenção, recebem os reembolsos por isso e não receita de prestação de serviços”. Fl. 9650DF CARF MF 22 “Em suma, as FRETADORAS operam formalmente suas funções através dos contratos e a SCHAHIN opera materialmente a execução de todas as fases do projeto de exploração da PETROBRAS de forma exclusiva e completa”. “Às FRETADORAS OFFSHORE cabem somente o papel de existência formal para possibilitar o recebimento da receita em Paraísos Fiscais, ou seja, com tributação claramente favorecida, simulando e alardeando as contratações e execuções de obrigações que lhe cabem em contratos de licitações, dissimulando a subcontratação da SCHAHIN que executa efetiva e materialmente todas as fases do projeto”. “Questão Casablanca” Aqui, a fiscalização colige elementos de prova no intuito de demonstrar a atuação da SCHAHIN já na fase que antecede a abertura de processo licitatório pela Petrobras: “É fato comprovado que a SCHAHIN ENGENHARIA executa as seguintes fases do projeto com a PETROBRAS: a) A SCHAHIN ENGENHARIA presta consultoria para EMPRESAS OFFSHORE (CASABLANCA e AIROSARU, por exemplo) participarem e vencerem licitações da PETROBRAS para contratar FRETADORES de embarcações/plataformas de exploração de petróleo. b) AIROSARU DRILLING LLC é subsidiária da holding CASABLANCA INTERNATIONAL HOLDINGS LTD conforme resposta de SCHAHIN. c) A CASABLANCA INTERNATIONAL HOLDING LTD. tem relação de CONTROLE COMUM com a SCHAHIN (controladora). d) AIROSARU tem com únicos sócios e acionistas os Srs. Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin conforme demonstrado nos ITENS 1.3.6 ao 1.3.8. “Contratos de gestão de construção” Na sequência, a fiscalização evidencia o mecanismo contratual que circunscreve os contratos de gestão de construção. Em que pese tome como exemplo contratos posteriores ao ano de 2009, salienta que o modus operandi é verificável em todas as negociações da espécie: “CONTRATO DE GESTÃO DE CONSTRUÇÃO No contrato de Gestão de Construção (de embarcação/plataforma) firmado em 04/01/2010 com a empresa estrangeira AIROSARU DRILLING LLC, a sociedade SCHAHIN ENGENHARIA S.A. simplesmente assume todo o gerenciamento técnico, financeiro, orçamentário da construção de um navio de perfuração em águas profundas junto ao fabricante SAMSUNG HEAVY INDUSTRIES Co. Ltd. E a SCHAHIN procede assim para todos os demais contratos desta natureza”. Fl. 9651DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.641 23 “Entretanto, o contrato apresentado pelo contribuinte SCHAHIN ENGENHARIA S.A. em resposta ao TIF07 em 12/06/2014 fere a lógica do razoável e a máxima da proporcionalidade. Neste contrato, a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. assume a obrigação contratual de promover a gestão de construção de uma embarcação na Coréia do Sul (Figura IX229 e Figura IX230) com o reembolso dos custos e despesas e remuneração por uma taxa de administração pelos serviços prestados de USS 1.000.00 por mês (Figura IX231, Figura IX232). “Repetindo o disparate: USS 1.000,00 mensais; essa é a receita auferida pela SCHAHIN para promover toda a complexa gestão da construção de uma embarcação de exploração de petróleo apesar de todas as obrigações e responsabilidades assumidas pela SCHAHIN no contrato com a OFFSHORE (Figura IX231 e Figura IX232)”. “Dado de que a AIROSARU e a SCHAHIN possuem sócios rigorosamente em comum, não há o menor interesse em retirar recursos da AIROSARU em Delaware (sejam eles anteriores ou provenientes dos contratos de AFRETAMENTO com a PETROBRAS) e repassála para a SCHAHIN ("prestadora do serviço" de gestão de construção) como receita tributável no Brasil. Esta é a lógica perversa da receita pífia assumida pela SCHAHIN nos contratos diretos de GESTÃO DE CONSTRUÇÃO com as FRETADORAS ‘OFFSHORE’”. “Contratos de operação e reembolso” “(...) a OPERAÇÃO de uma embarcação/plataforma de exploração de petróleo, há despesas que são inerentes à OPERAÇÃO (assumidas pela SCHAHIN, como por exemplo bens consumíveis) e há despesas que são de responsabilidade da FRETADORA OFFSHORE, como por exemplo certas manutenções (benfeitorias necessárias)”. “Como a FRETADORA OFFSHORE não possui capacidade operacional, suas responsabilidades nesta fase também são assumidas pela SCHAHIN (OPERADORA) mediante contrato com o reembolso e pagamento da módica taxa de administração de 1% sobre os reembolsos”. “No CONTRATO DE GESTÃO E REEMBOLSO, a SCHAHIN desembolsa todos e quaisquer bens e serviços necessários para a manutenção da embarcação/plataforma. Aqueles de responsabilidade da FRETADORA OFFSHORE são reembolsados integralmente. A taxa cobrada pelo ‘serviço’ é de 1% sobre o total movimentado. Novamente a mesma lógica dos contratos de GESTÃO DE CONSTRUÇÃO: preços ínfimos para não internalizar receitas auferidas na sediada no exterior em Paraíso Fiscal e para restar o mínimo a ser tributado no Brasil como receita da SCHAHIN nos contratos de gestão e reembolso assim como os de gestão de construção”. “Manutenção e docagem” Fl. 9652DF CARF MF 24 “(...) o PROJETO DE DOCAGEM é complexo e exige um trabalho intenso de planejamento e acompanhamento de riscos, o que uma empresa desprovida de capacidade operacional como as FRETADORAS OFFSHORE não teriam condições de executar. Por isso a SCHAHIN promove toda GESTÃO DO PROJETO DE DOCAGEM e as FRETADORAS OFFSHORE sequer são mencionadas na contratação ou gestão envolvendo as prestadoras de serviços de docagem. “Convém ressaltar que o PROJETO de DOCAGEM está sempre atrelado a questões de manutenção e reparos na plataforma/embarcação, mas tudo, em tese, tarefa do FRETADOR ou ‘dono do equipamento”. “Entretanto, foi confirmado que a SCHAHIN é a responsável pela contratação dos serviços de MANUTENÇÃO, DOCAGEM e REPAROS EM GERAL, além de comandar diretamente as atividades junto às empresas contratadas e também efetua os pagamentos conforme os extratos bancários apresentados em diligência fiscal nas referidas prestadoras de serviço”. “Ou seja, mais uma constatação de que as FRETADORAS OFFSHORE não emanam qualquer ato de vontade, decisão ou execução propriamente dita”. “CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA ENAVI REPAROS NAVAIS LTDA A SCHAHIN não só determina as condições, forma e procedimentos dos serviços a serem executados nas instalações da CONTRATADA ENAVI como também coordena e supervisiona a mão de obra própria da SCHAHIN e da CONTRATADA. Ademais, em relação aos pagamentos, efetua a movimentação financeira através de outras empresas do GRUPO SCHAHIN: HHS PARTICIPAÇÕES LTDA e CONSTRUTORA MOGNO LTDA atestando a confusão patrimonial entre empresas reconhecidamente do GRUPO c outras que a SCHAHIN não reconhece, mas pertencem aos sócios e administradores da SCHAHIN FRETADORAS OFFSHORE que, em tese deveriam arcar com estas despesas”. “Conclusão do capítulo 5” “Em apertada síntese, as FRETADORAS ‘OFFSHORES’ não dispõem de competência operacional (porque somente existem formalmente) em nenhuma fase do projeto, seja na fase précontratual (licitação), seja na gestão da construção junto aos estaleiros asiáticos, seja no transporte, comissionamento, operação no que se refere aos custos/despesas da FRETADORA nesta fase. Também é o caso o procedimento de DOCAGEM vista no ITEM 5.5”. “Na participação na licitação na modalidade convite internacional lançado pela PETROBRAS, a título de exemplo, a CASABLANCA contrata a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. para prestar consultoria, ou seja, elaborar a proposta técnica e demais detalhes”. “Na fase de construção das embarcações/plataformas, as FRETADORAS OFFSHORE contratam a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. para gerir a construção, assumindo a contratação de pessoas (empregados da SCHAHIN), fornecedores de materiais c equipamentos, abertura de escritórios internacionais na Ásia, alem de promover acompanhamento gerencial juntamente com pessoas designadas da PETROBRAS do andamento do projeto. A receita da SCHAHIN neste complexo trabalho é de US$ 1.000,00 mensais”. Fl. 9653DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.642 25 “Na OPERAÇÃO, as responsabilidades materiais das FRETADORAS são assumidas pela SCHAHIN mediante reembolso integral e uma módica taxa de administração de 1% sobre o total reembolsado”. “Nestas operações com FRETADORAS três são características marcantes: · Desde a proposta da licitação a FRETADORA terceirizou o trabalho. · Receita mínima a ser tributada no Brasil (US$ 1.000.00 mensais como taxa de administração da SCHAHIN) nos CONTRATOS DE GESTÃO E CONSTRUÇÃO diante da sistemática de reembolso e não de receita de prestação de serviços sobre tudo (reembolso + taxa). · Receita mínima a ser tributada no Brasil (1% de taxa de administração da SCHAHIN sobre os reembolsos) nos CONTRATOS DE GESTÃO E REEMBOLSO diante da sistemática de reembolso e não de receita de prestação de serviços sobre tudo (reembolso + taxa). · Atividade de DOCAGEM. de elevada complexidade, praticamente um PROJETO PARALELO, é de planejamento, execução e controle de riscos da SCHAHIN. · Ausência COMPLETA de atividade operacional das FRETADORAS OFFSHORE mais uma vez constatada”. “Também nas tarefas de DOCAGEM, MANUTENÇÃO E REPAROS, a SCHAHIN assume a condição de CONTRATANTE das prestadoras de serviços, determina a coordenação e subordinação das pessoas da própria SCHAHIN ou das PRESTADORAS, pode decidir acerca da contratação de TERCEIROS nas instalações da PRESTADORA e realiza os pagamentos de forma a utilizarse de outras empresas do GRUPO SCHAHIN para o desembolso do recurso (CONSTRUTORA MOGNO LTDA, HHS PARTICIPAÇÕES LTDA) ou mesmo terceiros estranhos a relação contratual (OPINIÃO S/A)”. Capítulo 6 – Aspectos contábeis e os contratos No capítulo 6, a fiscalização procura demonstrar, fundamentalmente a partir da análise de contratos de “gestão e reembolso” (ver tabela abaixo, extraída do item 6.3.1 do RF) e sua respectiva contabilização, que “SCHAHIN e FRETADORAS se fundem na mesma pessoa no contexto do projeto global”. “De acordo com os contratos apresentados pela SCHAHIN (...), conforme exaustivamente abordado no ITEM 5.4 CONTRATOS DE OPERAÇÃO E REEMBOLSO, durante a OPERAÇÃO, a totalidade de custos e despesas a cargo da Fl. 9654DF CARF MF 26 FRETADORA são desembolsados pela SCHAHIN, com posterior reembolso e incidência do percentual de 1% dos reembolsos corresponde à receita pela ‘prestação de serviços’ da SCHAHIN”. “Os contratos de gestão e reembolso apresentados foram celebrados com a BAERFIELD DRILLING LLC, SORATU DRILLING LLC e AIROSARU DRILLING LLC, curiosamente todos na mesma data: 17/01/2013 e durante o procedimento de diligência fiscal. Não foram apresentados CONTRATOS DE OPERAÇÃO E REEMBOLSO para as demais FRETADORAS, como por exemplo: MS DRILLING LLC, DEEP BLACK DRILLING LLC, DLEIF DRILLING LLC.” “O contribuinte SCHAHIN não contabiliza a receita de taxa de administração de 1% sobre os reembolsos dos contratos de gestão e reembolso conforme resposta abaixo da própria SCHAHIN”. “Uma vez que a RECEITA deveria ser contabilizada no momento da PRESTAÇÃO DO SERVIÇO (PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE), foi constatado que mesmo após prestado o serviço e realizado o reembolso, ainda há omissão no lançamento da receita incorrida (receita de 1% sobre os reembolsos). “A SCHAHIN não tem o menor interesse em receber a sua receita de 1%, o que não é razoável dentro da normalidade negocial empresarial”. “INTEMPESTIVIDADE DO CONTRATO Considerando que a plataforma SS PANTANAL (FRETADORA SORATU), por exemplo, iniciou sua operação em meados do 2º semestre de 2011 e o contrato de GESTÃO E REEMBOLSO somente foi celebrado em 17/01/2013 (durante a diligência fiscal), a SCHAHIN permaneceu 3,5 anos assumindo custos e despesas da SORATU. Custos e despesas de uma plataforma de petróleo”. “O contribuinte SCHAHIN além de não se interessar em receber sua receita de taxa de administração de 1% sobre os reembolsos (o que já denotaria uma anormalidade), muito mais impressionante do que isso, não se prontifica a receber o reembolso, ou seja, assume o custo/despesa de terceiros (FRETADORAS) em montantes elevadíssimos sem exigir o reembolso contratualmente pactuado”. “REEMBOLSOS DAS FRETADORAS PARA A SCHAHIN SEM CONTRATO Ademais, existem lançamentos contábeis cujo histórico remete a INVOICES da SORATU (PAGAMENTO DA "OFFSHORES" a titulo de reembolsos) muito antes do referido CONTRATO DE GESTÃO E REEMBOLSO (17/01/2013) e posteriores à entrada em funcionamento da SS PANTANAL AFRETADA pela SORATU (2º semestre de 2011), ou seja, durante a OPERAÇÃO da SCHAHIN. “Para contratos do valores tão expressivos, a SCHAHIN contratava verbalmente com uma FRETADORA OFFSHORE de capital social de 10 mil dólares? Não há a menor razoabilidade neste tipo de comportamento demonstrado pela SCHAHIN. Só há uma explicação para tanta displicência: a única a realmente operar e afretar é a SCHAHIN”. “IMPROPRIEDADE TÉCNICA NOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS O contribuinte SCHAHIN ressalta em resposta ao TIF07 em 19/08/2014 que lança todos os custos e despesas indiscriminadamente, sejam referentes à AFRETAMENTO, seja à OPERAÇÃO. Novamente tornando confuso e impróprio tecnicamente o lançamento contábil”. “Ora, se são custos e despesas da FRETADORA OFFSHORE desembolsados por questão contratual pela SCHAHIN e portanto reembolsáveis, jamais deveriam integrar lançamento de natureza de custos e despesas na Fl. 9655DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.643 27 SCHAHIN. O lançamento deveria envolver créditos de ATIVO CIRCULANTE da SCHAHIN (saída de bancos por exemplo) contra débito de uma conta do próprio ATIVO (valores a receber a título de reembolso, por exemplo), sem envolver contas de resultado”. “CONFUSOS CONTROLES INTERNOS DA SCHAHIN A SCHAHIN revela ainda que, para o devido REEMBOLSO, credita o custo/despesa (em espécie de estorno) e debita uma conta do ATIVO CONTAS A RECEBER. Não fosse apenas a impropriedade técnica já que não são custos ou despesas da SCHAHIN, ainda há nova confusão nos centros de custos ao não discernir exatamente qual o FRETADOR, misturando diversos em centros de custo iguais conforme se nota nas figuras abaixo para SORATU e BAERFIELD conforme tabela de reembolsos anexada em resposta da SCHAHIN na Figura IX281 c Figura IX282”. “A SCHAHIN afirma que, para obter os reembolsos das FRETADORAS OFFSHORE, basta a comunicação de um totalizador de valores a serem pagos, pois os detalhamentos foram enviados de antemão, mas não apresenta tais detalhamentos e comprovantes”. “Intimada por meio do TIF09 a promover esclarecimentos acerca da sistemática de REEMBOLSOS nos lançamentos contábeis, a SCHAHIN não logrou êxito e demonstrou promover a organização contábil e da documentação que suporta os lançamentos durante o procedimento de fiscalização, o que é no mínimo incoerente, já que os custos e despesas a cargo das FRETADORAS OFFSHORE já foram desembolsados, reembolsados, contabilizados e a SCHAHIN ainda não sabe explicar como tudo se deu.” Em resumo: “A SCHAHIN não sabe discriminar CUSTOS e DESPESAS a cargo das FRETADORAS OFFSHORE dos seus custos e despesas”. “A SCHAHIN tem dificuldades em organizar algo que seria muito simples. Ora, se há o regime de REEMBOLSOS estabelecido, todos os custos e despesas já deveriam estar organizados no momento do desembolso pela SCHAHIN porque são pressupostos para a justificar e receber junto à FRETADORA OFFSHORE que contratou os serviços da SCHAHIN. Se a SCHAHIN não os organizou em época própria é porque não recebeu os reembolsos ou os recebeu de forma aleatória. Em ambos os casos demonstra que SCHAHIN e FRETADORAS se fundem na mesma pessoa no contexto do projeto global”. Adiante, sob o título “Companhia MS de Participações”, a fiscalização intenta demonstrar, subsidiariamente, a existência de confusão societária entre as partes “com o tratamento contábil de créditos a receber das FRETADORAS OFFSHORE no caso dos reembolsos”. “Surpreendente a contabilização na CIA MS DE PARTICIPAÇÕES que incorpora tais valores INVESTIDOS PELA SCHAHIN (contabilizados como recebimentos em ATIVO CIRCULANTE na SCHAHIN ENGENHARIA S.A.) como RECURSOS DISPONIBILIZADOS PELOS SÓCIOS para elevar investimentos da CIA MS DE PARTICIPAÇÕES em sua investida (ATIVO PERMANENTE INVESTIMENTOS): SCHAHIN INTERNATIONAL S.A. Ora, são recursos disponibilizados de sócios ou títulos de DÍVIDAS DAS FRETADORAS OFFSHORE? Fl. 9656DF CARF MF 28 “Ou seja, em última instância a SCHAHIN INTERNATIONAL S/A passa a ser CREDORA das FRETADORAS OFFSHORE. Como as FRETADORAS OFFSHORE estão sediadas principalmente em Delaware e a SCHAHIN INTERNATIONAL S/A em TORTOLA, ILHAS VIRGENS BRITÂNC1AS, torna se impossível verificar a consolidação do pagamento deste TÍTULO DE DÍVIDA DAS FRETADORAS”. “Também não foi localizado no sítio da JUCESP nenhum ato que indique alteração do capital social da CIA MS DE PARTICIPAÇÕES registrado, fato que nos leva a conclusão de que os lançamentos efetuados, pela SCHAHIN ENGENHARIA S.A., em 30/12/2009, não se referem a aumento de sua participação societária na CIA MS DE PARTICIPAÇÕES”. “A integralização de capital em investidas por meio de TÍTULOS deve observar as formalidades legais na transmissão de tais títulos. Ou seja, desde a emissão, com dados indeclináveis como emitente, data de emissão, valor, vencimento, o registro do titulo, a cessão do título, as garantias de existência e pagamento, o laudo de avaliação, enfim, nada disso foi apresentado apesar de intimada a CIA MS DE PARTICIPAÇÕES em diligência fiscal”. Capítulo 7 – Confusão na responsabilidade civil extracontratual No presente capítulo, a fiscalização apresenta análise realizada quanto aos contratos de seguro das embarcações e plataformas, de maneira a evidenciar a atuação direta da Schahin (e nunca das fretadoras offshore) na contratação das apólices, desde a fase préoperacional do projeto. “Foram diligenciadas as seguradoras das embarcações e plataformas com a finalidade de se apurar informações sobre o objeto segurado, condições do contrato e a relação entre FRETADORAS OFFSHORE e OPERADOR (SCHAHIN)”. “A SCHAHIN ENGENHARIA S.A. no contexto da contratação da Tabela IX1 acima, efetiva a contratação ORIGINÁRIA perante TOKIO MARINE SEGURADORA de praticamente todas as embarcações/plataformas objeto dos contratos com a PETROBRAS conforme a Coluna Objeto segurado da tabela da apólice 20.34.100032. Seqüencialmente são promovidos os ENDOSSOS às FRETADORAS OFFSHORE pela parte que lhes cabe. supostamente a parte do AFRETAMENTO no rateio durante a OPERAÇÃO”. “Não há motivos para a SCHAHIN constar como cossegurada antes da OPERAÇÃO. Durante a CONSTRUÇÃO, COMISSIONAMENTO, TRANSPORTE, ACEITAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO da embarcação/plataforma, medidas préoperacionais. O PRÊMIO do seguro deveria ser obrigação tão somente da FRETADORA OFFSHORE, formalmente dona das plataformas (...)”. “Em suma, o ordinário seria o seguro originariamente proposto pelo dono "formal” do navio (FRETADORA OFFSHORE) para que posteriormente sejam feitos os devidos endossos para rateio da parte que cabe ao OPERADOR SCHAHIN em função da própria ordem natural, cronológica do projeto globalmente analisado”. Fl. 9657DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.644 29 “Nem isso a FRETADORA é capaz de promover, comprovando a total iniciativa por parte da SCHAHIN na condução de tudo, até mesmo do seguro da embarcação/plataforma”. As figuras apresentadas no tópico 7.4 ajudam na compreensão dos fatos: Capítulo 8 – Confusão na responsabilidade civil extracontratual O capítulo 8 tem por objeto a apresentação de um litígio decorrente da execução na Corte Distrital de Nova Iorque de sentença arbitral formada e decidida contra os executados, mas não cumprida pela SCHAHIN e FRETADORAS OFFSHORE. Os executados são: SCHAHIN HOLDING S.A., SCHAHIN ENGENHARIA S.A., SEA BISCUIT INTERNATIONAL INC., BLACK GOLD DRILLING LLC, BAERFIELD DRILLING LLC E SORATU DRILLING LLC. O exequente é o estaleiro chinês CIMC RAFFLES OFFSHORE LIMITED c YANTAI CIMC RAFFLES OFFSHORE LIMITED. Segundo a fiscalização, as declarações da SCHAHIN no processo jurisdicional na Corte Distrital de Nova Iorque ocorreram independentemente de intimação em diligência fiscal. Assim, “revelam muita informação narrativa dos reais procedimentos adotados e do verdadeiro papel desempenhado pela SCHAHIN, os quais foram omitidos e até dissimulados em respostas às diligências fiscais instauradas para apuração tributária”, como se vê a seguir: “Especificamente, na Corte Distrital de Nova Iorque, a SCHAHIN revela detalhes do funcionamento do fluxo financeiro e interligação de contas bancárias que jamais revelaria no âmbito de intimação de diligência fiscal”. “São duas as principais revelações que podem ser extraídas do processo litigíoso entre a parte exequenda CIMC RAFFLES (estaleiro construtor da SS PANTANAL e SS AMAZÔNIA) e a parte executada: SCHAHIN HOLDING S.A., SCHAHIN ENGENHARIA S.A., SEA BISCUIT INTERNATIONAL INC (HOLDING das FRETADORAS BAERFIELD e SORATU), BLACK GOLD DRILLING LLC (subsidiária integral da SEA BISCUIT), BAERFIELD DRILLING LLC e SORATU DRILLING LLC (FRETADORAS "OFFSHORE')”: · Os fluxos financeiros para as contas do PROJETO GLOBAL são compostos de receitas ONSHORE e OFFSHORE, ou seja, receitas provenientes dos contratos com a PETROBRAS de Fl. 9658DF CARF MF 30 AFRETAMENTO e OPERAÇÃO. Ou seja. há DECLARADA confusão entre os contratos agora quanto ao resultado, a destinação das receitas. Percebese então que os contratos confundemse na questão meramente formal, na questão patrimonial das garantias, na execução, na destinação do resultado e, posteriormente (CAPITULO 9), encerraremos com a confusão societária. · As contas bancárias que recebem os fluxos financeiros de vários projetos de diferentes plataformas/embarcações também são INDISSOCIÁVEIS, tanto é verídica a informação, que o banco DEUTSCHE BANK acabou por bloquear todas as contas bancárias relacionadas ao GRUPO SCHAHIN, tendo por conseqüência a inviabilização da utilização de outros projetos relacionados a outras embarcações, principalmente SC LANCER, CERRADO, SERTÃO e VITÓRIA 10.000 que também utilizam a mesma sistemática, a da confusão financeira e bancária de mistura de recebimentos e pagamentos provenientes de contratos de FRETADORAS e OPERADORAS das plataformas com a PETROBRAS. Capítulo 9 – Comprovação da unidade societária da SCHAHIN e fretadoras offshore Nesse capítulo, a fiscalização esmiúça os atos constitutivos de todas as empresas vinculadas ao grupo SCHAHIN, de maneira a demonstrar que “só há um agente a movimentar as engrenagens do projeto global: a SCHAHIN na figura de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN e as FRETADORAS OFFSHORE e suas HOLDINGS pertencentes aos sócios da SCHAHIN, sempre administradas pelos mesmos, com procuradores com vinculo de subordinação a eles sócios, que se desdobram em inúmeras contas correntes no exterior para auferirem os resultados livres de muitas obrigações tributárias acessórias e principais. As conclusões estão sintetizadas no quadro juntado ao item 9.23.4 do RF, que reproduzo a seguir: Fl. 9659DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.645 31 Especificamente em relação às fretadoras offshore MS DRILLING LLC (fretadora da embarcação NORTH STAR I) e TURASORIA S/A LLC (fretadora da embarcação SC LANCER), as considerações do relatório fiscal foram as seguintes: “A MS DRILLING LLC é subsidiaria integral da QUIBDO CORPORATION. Os administradores managers da QUIBDO são: MILTON TAUFIC SCHAHIN, SALIM TAUFIC SCHAHIN E KENJI OTSUKI”. “Em 19/05/2005, os administradores managers da TURASORIA S.A. LLC são: MILTON TAUFIC SCHAHIN, SALIM TAUFIC SCHAHIN e KENJI OTSUKI”. “Em aprovação da administração em 02/04/2007, A CARLYLE'S INTERNATIONAL HOLDINGS LTD passa a ser a holding da TURASORIA SA. LLC”. “Alteração de composição societária em 02/04/2009, A TURASORIA S.A. LLC tornase subsidiária integral da CARLYLE'S INTERNATIONAL HOLDINGS LTD de Tortola, Ilhas Virgens Britânicas”. “Assinam como administradores da CARLYLE'S INTERNATIONAL HOLDINGS LTD de Tortola, Ilhas Virgens Britânicas: MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN”. “Em 03/07/2009, são procuradores da TURASORIA S.A. LLC: FERNANDO SCHAHIN E CARLOS EDUARDO SCHAHIN”. “A própria SCHAHIN reconhece o seu relacionamento societário (vínculo societário indireto) com a TURASORIA S.A. LLC conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 23/09/2009”. “Se na sua formação originária as FRETADORAS OFFSHORE eram pessoas jurídicas constituídas única e exclusivamente na figura dos sócios pessoas físicas da SCHAHIN (MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN), a exemplo da AIROSARU e SORATU; seqüencialmente foram criadas HOLDINGS e SUBSIDIÁRIAS INTEGRAIS intermediárias que "distanciaram" as pessoas físicas das FRETADORAS. Um claro estratagema para dificultar o acesso aos verdadeiros beneficiários do lucro auferido em Paraísos Fiscais uma vez que o Brasil não possui tratados ou parcerias internacionais com tais países que permitam o acesso direto à composição societária das pessoas jurídicas sediadas em solo com tributação favorecida. “O CAPITULO 9 é decisivo na comprovação de que todas as conclusões dos CAPÍTULOS anteriores só podem ser plenamente justificadas com a unidade societária. O destino comum dos recursos expatriados na forma de receita auferida pelas FRETADORAS OFFSHORE de forma desproporcional em relação à OPERAÇÃO é o GRUPO SCHAHIN na figura última de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN”. 3. Da impugnação Fl. 9660DF CARF MF 32 SCHAHIN ENGENHARIA S/A, MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN apresentaram, tempestivamente, impugnação aos autos de infração em 13/01/2015, por meio do documento de fls. 1042/1169. Os argumentos centrais da impugnação são os seguintes: Os fatos “O modelo da estrutura contratual [adotada nos contratos de que se trata] é praticado pela indústria de óleo e gás no País, de acordo com as exigências do edital/convite internacional impostas pela Petrobras e se encontra em consonância com as normas legais de regência e, ainda, com a própria legislação do REPETRO, que exige para fins da admissão temporária da embarcação, que esta seja de propriedade estrangeira, bem como também prevê a possibilidade e mesmo a necessidade de o contrato de afretamento estar vinculado a outro contrato de serviço”. “Válido desde logo esclarecer que muitas das 742 laudas do Termo de Fiscalização Fiscal tratam de fatos e operações que em nada se relacionam ou mesmo interferem no período autuado, de maneira que os Impugnantes apenas refutarão nesta defesa, os fatos pertinentes ao período autuado: ano calendário de 2009”. A decadência “Assim, como todos os tributos autuados são sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para o lançamento é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, nos ternos do artigo 150, § 4º, do CTN”. “Como o alegado fato gerador autuado teria ocorrido em cada um dos meses do anocalendário de 2009, e como os Autos de Infração foram lavrados em 11/12/2014, com a ciência dos impugnantes em 15/12/2014, resta evidente que os valores compreendidos no período de janeiro a novembro de 2009 já se encontram extintos pela decadência”. “Afastese desde logo eventual argumento de que diante da alegada conduta artificiosa, dolosa ou de máfé praticada pelos Impugnantes, a contagem do prazo decadencial estaria postergada para o exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (art. 173, 1 do CTN), pois, como se verá nesta defesa, o deslocamento do prazo decadencial no caso concreto não se conforma à situação fática presenciada”. A legalidade de se planejar “(...) nada de errado ou anômalo há no fato de o Grupo Schahin ter estruturado seus negócios para valerse, dentre outros propósitos, como se verá, dos benefícios fiscais previstos na legislação do REPETRO que permite a importação de bens com suspensão total dos tributos federais”. “Não é por outra razão que a jurisprudência administrativa vem reconhecendo a licitude do planejamento tributário, quando presente a legitimidade e coerência entre o negócio praticado e o desejo externado”. Fl. 9661DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.646 33 “E de igual forma, nada há de errado no fato de o Grupo Schahin ter optado por construir embarcações no estrangeiro e posteriormente têlas afretado no Brasil, valendose da alíquota 0% do Imposto de Renda Retido na Fonte, conforme previsto na Lei n° 9.481/97 e dos benefícios do REPETRO. Portanto, já se vê motivo, propósito e razão para o Grupo Schahin, ao invés de construir embarcação no Pais, ter optado por construíla no estrangeiro para valerse do REPETRO e da alíquota 0% do IRRF, pois, do contrário, ficaria em manifesta desvantagem concorrencial com os conglomerados estrangeiros que, na qualidade de possuidores de embarcações estrangeiras, poderiam afretálas com a fruição dos benefícios do REPETRO e, ainda, com a alíquota de 0% do imposto de renda na fonte”. “Fosse o Grupo Schahin uma multinacional estrangeira, digase, a criativa tese acusatória do autuante nem sequer existiria”. “Com efeito, apenas para ilustrar outras tantas razões que confirmam a licitude e o propósito de toda a organização e estruturação dos negócios do Grupo Schahin, citese o quanto segue: • optouse pela construção das embarcações no estrangeiro, pois, inexistia como de fato ainda é muito aquém do desejado capacidade instalada dos estaleiros nacionais em atender, no prazo e com a tecnologia necessária, as elevadas necessidades impostas para se operar com embarcações em severas condições de águas profundas ou ultraprofundas; • há carência de mãodeobra especializada e de tecnologia de ponta disponíveis no mercado nacional para atender às exigências técnicas para a construção dessas embarcações; • maior facilidade de acesso a financiamentos com taxas de juros menos extorsivas daquelas praticadas no Brasil; etc”. Tais circunstâncias configuram a “justificação da conduta”, configurando a validade dos negócios jurídicos praticados, à exemplo do que ensina Marco Aurélio Greco, no que tange ao estudo dos planejamentos tributários”. “A manifestação de vontade firmada pela 1ª Impugnante reflete fielmente sua participação em toda a estrutura comentada na presente defesa. Firmou contrato de serviços com a Petrobras para a perfuração de poços de petróleo e gás no País e firmou com as empresas estrangeiras (sendo estes fatos incontroversos, eis que postos pelo autuante), contratos para assessoramento durante a fase préoperacional do projeto para a construção das embarcações, bem como de auxílio administrativo às referidas empresas em suas necessidades domésticas para o bom e perfeito atendimento do afretamento pelas empresas estrangeiras”. “Digase, em reforço, que a congruência entre a vontade manifestada no contrato de afretamento de embarcação por outras empresas do Grupo Schahin encontrase igualmente presente, pois, efetivamente houve o afretamento de embarcações à Petrobras, que geraram receitas ao Grupo Schahin e que, ainda, possibilitaram a própria 1ª Impugnante a auferir receitas com a prestação de serviços abordo das referidas embarcações”. Fl. 9662DF CARF MF 34 “Portanto, com base no acima exposto, afastada está qualquer alegação de que se estaria diante de planejamento fiscal ilícito e artificioso, pois, como se demonstrou, há clara substância e propósito negocial na estrutura em questão”. A ausência de dolo, fraude, simulação ou abuso “No entanto, é válido lembrar que tanto o afretamento quanto os serviços prestados à Petrobras são amparados por contratos próprios e validados, não apenas pela legislação, como também pela própria jurisprudência administrativa, cujos escopos contratuais delineados em cada uma das avenças não se confundem e não contém qualquer ato simulado ou abusivo, eis que todos os seus termos e condições são previamente concebidos em editais e nos convites internacionais divulgados pela Petrobras”. “Olvidouse o autuante de analisar que embora as empresas fretadoras pertençam ao mesmo Grupo econômico, tratamse de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, com contratos, obrigações, receitas e contabilidade próprias e distintas da 1ª Impugnante”. “É certo ainda que o simples fato de pertencerem ao mesmo Grupo econômico não é, por si, capaz de desencadear uma suposta conduta ilícita por parte dos Impugnantes”. “Com efeito, sendo necessária a contratação de suporte gerencial e administrativo no País, eis que domiciliadas no exterior, as fretadoras estrangeiras poderiam ter contratado terceiros para as mais diversas funções, tais como a assessoria nos processos de licitação, como também para administrar as suas embarcações enquanto estivessem afretadas. Contudo, por questões comerciais e operacionais e, ainda, para manter a completude das atividades dentro do Grupo, optou por se utilizar dos serviços administrativos e de suporte da 1ª Impugnante, nas mesmas bases e condições que seriam contratados de terceiros”. “Lembrese, por oportuno, que a inclusão do parágrafo único no artigo 116 do CTN, ao mesmo tempo em que ampliou a possibilidade de se comprovar a existência dos "elementos constitutivos da obrigação tributária", dentre eles, o fato gerador do tributo, trouxe também rígidos critérios para a atuação subjetiva da autoridade administrativa. Realmente, por se tratar de norma geral antielisiva, cuja aplicação é excepcionalíssima, olvidouse o autuante de observar os rígidos critérios exigidos pela legislação de regência que autorizariam a extrema via da desconsideração dos negócios e atos jurídicos realizados pela 1ª Impugnante, tornando descabida a exigência do tributo”. Relativamente ao conceito de simulação previsto no art. 167 do Código Civil, (...) “vêse que a 1ª Impugnante não aparentou conferir ou transmitir e de fato não conferiu ou transmitiu direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferiu ou transmitiu. Os documentos acostados aos autos bem refletem a mais pura realidade dos fatos e dos atos jurídicos praticados, o que significa afirmar que o que neles foi escrito representou a efetiva vontade das partes e de fato ocorreu”. “De igual forma os contratos de afretamento não aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas. Do contrário, o próprio autuante em seu longo TVF assente que as embarcações foram construídas no estrangeiro; são de propriedade de empresas estrangeiras; foram assinados pelas próprias empresas estrangeiras; tudo a confirmar a inexistência de negócio simulado”. “Em segundo, e pela mesma razão, porque os documentos produzidos pela 1ª Impugnante ou pelas demais empresas e pessoas físicas relacionadas na autuação Fl. 9663DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.647 35 não contêm declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. O que neles foi declarado, repitase, é verdadeiro e ocorreu”. “Em terceiro e último lugar, porque também não há, no presente caso, instrumentos particulares antedatados ou pósdatados”. “Digase, ainda, que através da análise dos respectivos editais e convites internacionais emitidos pela Petrobras para contratação de serviços de perfuração e do afretamento de embarcações, percebese que as contratações são realizadas através de licitações públicas, cuja obrigatoriedade de duas contratações distintas uma para o afretamento e outra para a prestação de serviços de perfuração encontrase expressamente prevista, tanto nos editais das concorrências públicas, quanto nos convites internacionais, não cabendo qualquer ingerência das empresas participantes nos termos e condições préestabelecidos nestes contratos. A propósito, destaquese um dos Convites das concorrências em que o Grupo Schahin se sagrou vencedor, do qual se constata a previsão expressa de duas avenças, cujas receitas já estavam previamente balizadas pela licitante: (...)” “É válido dizer que nem mesmo os percentuais fixados à título de remuneração dos contratos afretamento e de prestação de serviços de perfuração são negociáveis pelas partes interessadas, encontrandose já prédefinidos nos anexos dos convites internacionais”. “Ora, no presente caso os Impugnantes jamais se utilizaram de artifícios para ocultar a real situação fática e nem muito menos para evadir o recolhimento de tributos. Ao contrário, a 1ª Impugnante apresentou regularmente suas declarações com inclusão de receitas, atendeu às intimações para apresentação de documentos solicitados pelo autuante, registrou as referidas prestações de serviço à Petrobras em suas notas fiscais (doc. 04), livros (Razão Contábil) e nas DIPJs, além de ter computado na base de cálculo do IRPJ e da CSSL, do período essas mesmas receitas”. A Validade Legal da Estrutura Bipartida: Afretamento X Serviços “O modelo de contratação adotado há anos não apenas pela Petrobras, como também pelas demais concessionárias no País é o da contratação bipartida, que consiste na celebração de dois contratos: negócios jurídicos distintos, com pessoas jurídicas diversas; cada qual responsável por atender diferentes obrigações, como de rigor”. “Note que a mesma legislação de regência do REPETRO permite que as próprias prestadoras de serviços contratadas no Pais pelas concessionárias habilitem se ao REPETRO para promover diretamente a importação temporária das embarcações estrangeiras, em nome das contratantes detentoras da concessão: (...)”. “Não obstante a expressa previsão na legislação do REPETRO desde seu nascedouro da estrutura que ora se comenta, da leitura do TVF elaborado pelo autuante fica claro e evidente seu total desconhecimento das indispensáveis regras em questão”. “Embora seja claramente desconhecida pelo autuante, a sistemática implementada pela própria legislação de regência do REPETRO, estabelece como requisito a coexistência de dois contratos distintos contrato de serviço e contrato de afretamento com empresa estrangeira – e a simultaneidade em suas execuções, para Fl. 9664DF CARF MF 36 que a embarcação estrangeira possa ser importada pela prestadora de serviços designada pela ‘pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º’ sob o regime aduaneiro de admissão temporária com suspensão dos tributos aduaneiros”. “A validade do modelo [de bipartição entre afretamento e serviços] foi positivada recentemente através da Lei n° 13.043/2014 que, em seu artigo 106, veio ratificar a possibilidade de haver a contratação simultânea de afretamento e serviços de exploração e produção de petróleo e gás (...)”. “Não é por outra razão que a própria Receita Federal do Brasil editou, pouco antes da edição da acima citada Lei n° 13.043/2014, Solução de Consulta COSIT em que textualmente reconhece validade à estrutura bipartida utilizada pela indústria de petróleo e gás do País (...)”. “(...) a estrutura utilizada pelo Grupo Schahin, encontrase devidamente normatizada e validada pelo próprio Governo Federal, em que pese tal relevante e indispensável fato ser desconhecido pelo autuante”. A Validade Material e Formal da Estrutura Bipartida: Afretamento X Serviços “Ao contrário do que tenta impor o autuante, não há a alegada confusão entre os contratos de prestação de serviços e os contratos de afretamento firmados com a Petrobras”. “Ainda que se pudesse admitir a existência de dependência entre o contrato de serviço e o contrato de afretamento, nada de errado haveria nisso. Ao que parece, o autuante desconhece a figura dos contratos mistos ou coligados”. “Ademais, não pode o autuante desconsiderar a estanqueidade dos referidos contratos e suas validades e licitudes, pois, ambos foram fruto de certame licitatório público”. “Por se tratar de serviço complexo realizado em águas jurisdicionais brasileiras, os serviços prestados no período autuado (2009) foram executados a bordo das plataformas/naviossonda ("embarcações") NORTH STAR I e SC LANCER que são de propriedade das fretadoras domiciliadas no exterior; em que pese pertencentes ao mesmo Grupo econômico da 1ª Impugnante. Referidas embarcações foram afretadas à Petrobras, através de contratos de afretamento a casco nú celebrados diretamente com as empresas fretadoras domiciliadas no exterior, a MS DRILLING LLC e a TURASORIA S.A. LLC.”. “Hugo de Brito Machado participa desse entendimento, quando destaca que "Não se pode, porém, ver no mesmo no contrato de afretamento um contrato de prestação de serviços, até porque o mais importante nele não é o trabalho das pessoas e sim a coisa, vale dizer, a embarcação.” (Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 173, fl. 92 grifamos) “Ou seja, a obrigação de afretamento, mormente na modalidade casco nú, consistente na entrega da embarcação pelo proprietário/fretador ao tomador/afretador, não se confundindo com as obrigações assessórias de suporte, manutenção e suprimento da embarcação para as quais a 1ª Impugnante é contratada paralelamente pelas fretadoras estrangeiras”. “É válido novamente destacar que por se tratar de empresa de economia mista, as contratações da Petrobras são realizadas através de processo licitatório público, reguladas e submetidas à concorrência internacional ou carta convite, com Fl. 9665DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.648 37 regras rígidas e próprias previstas na legislação (Lei n° 8.666/93 e Decreto nº 2.745/98), o que, por si só, já afasta qualquer possibilidade de ingerência muito menos conluio entre as empresas participantes do certame”. “Olvidase o autuante, embora tal fato não fosse do seu desconhecimento, que a fretadora estrangeira é Sociedade de Propósito Específico ("SPE"), cujo objetivo é justamente possuir embarcações no exterior para que possa afretar, valendose dos benefícios do REPETRO e da alíquota zero do IRRF; mantendose, assim, em pé de igualdade com seus concorrentes internacionais”. “Vale lembrar que os afretamentos celebrados são do tipo casco nú, onde a fretadora no exterior tem como obrigação precípua a entrega da embarcação afretada ao tomador (afretador) do afretamento, que será posteriormente armada/tripulada e operada pelo prestador de serviço contratado no País, no caso, a 1ª Impugnante”. “Digase em adição e para refutar outra grave e infundada acusação do autuante que, como as fretadoras das embarcações localizadas no exterior não possuem representação no País, dependem de contratações paralelas de empresas brasileiras que tenham expertise no competitivo mercado de petróleo e gás brasileiro, para que se organizem para: a construção da embarcação; para a participação nos certames vindouros; como também para o atendimento dos constantes afazeres para o suprimento e manutenção das embarcações já afretadas no País”. “Estas demandas das fretadoras estrangeiras, digase, envolvem desde serviços de gestão do processo de construção das embarcações de acordo com as especificidade técnicas, até a administração do próprio afretamento no curso da vigência do contrato”. “Novamente sem razão o autuante quando insinua, açodada e infundadamente, que "não há nenhum indício ou comprovação de expertise das FRETADORAS na especifica tarefa de afretamento marítimo". Ora, por se tratarem de empresas do mesmo Grupo econômico que assumiram responsabilidades distintas com a Petrobras uma para afretar embarcação e outra para prestar serviços , é inequívoco que a 1ª Impugnante tem todo o interesse no assessoramento e no suporte necessário às fretadoras estrangeiras; desde a construção das embarcações até a efetiva prestação dos serviços de gerenciamento do suporte e da manutenção da embarcação no País para garantir sua operacionalidade e, por conseqüência, a efetividade dos serviços a serem prestados pela 1ª Impugnante à Petrobras”. “Em relação a essas graves acusações de alegado desequilíbrio contratual por ter a 1ª Impugnante criado artificialmente e em conluio com a Petrobras, a bipartição dos contratos e os percentuais para a remuneração do afretamento e dos serviços, bastaria a análise detida das cláusulas e condições constantes dos Editais das concorrências públicas e dos convites internacionais, para perceber que deles já constava, não apenas a obrigatoriedade de duas contratações distintas, como também os percentuais de remuneração a serem observados (...)”. “Com efeito, tratandose de concorrência pública, certo é que não houve campo para negociações em relação às condições e aos preços impostos previamente pela concessionária em seus certames, não cabendo à 1ª Impugnante qualquer alternativa, senão aceitálos, caso quisesse participar do certame”. Fl. 9666DF CARF MF 38 “Ademais, antecipese que a correlação de 90% e 10% entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração se dá, por óbvio, em decorrência da evidente disparidade entre o valor agregado existente em cada tipo de contrato”. “Com efeito, tendo o proprietário da embarcação investido tamanha monta na construção deste tipo de embarcação, decerto que os valores de remuneração pelo afretamento delas devem ser igualmente elevados, de modo a compensar, ao longo da vida útil da embarcação, o enorme investimento realizado, bem como todo o risco e o desgaste a que estão expostas nas atividades de perfuração, que invariavelmente são desempenhadas em condições climáticas que aceleram sua depreciação”. “Por outro lado, para a prestação dos serviços desempenhada pela 1ª Impugnante, temse como fator determinante para a fixação do percentual do preço a ser praticado, a comparação entre a mais valia do trabalho (mãodeobra). É válido ainda destacar que nessas prestações de serviços, parcela expressiva dos insumos utilizados na atividade de perfuração pela 1ª Impugnante (v.g. lama de perfuração, combustíveis, partes e peças, alimentação, etc) são fornecidos, custeados e/ou reembolsados pelas próprias concessionárias, restando como valor agregado a este tipo de contrato (serviço de perfuração), em essência, o fornecimento da mãode obra técnica adequada para o desenvolvimento da atividade. Por óbvio que ao se comparar a mais valia presente nos contratos de serviço com o valor da embarcação afretada, decerto que, em termos percentuais, a remuneração entre os contratos não poderá jamais ser equânime e nem muito menos próximas”. “Afastese igualmente o argumento do autuante de que "o motivo da desproporcionalidade entre receitas de contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO (9 para 1 aproximadamente): tornar a operação doméstica deficitária e a operação OFFSHORE altamente lucrativa". Isso porque, tal como faz prova o espelho da Ficha 09A da DIPJ do ano calendário dc 2009, a 1ª Impugnante apurou lucro em suas atividades, diversamente do que levianamente sustenta o autuante (...)”. “Esclareçase, igualmente, que o fato de serem constituídas empresas contemporaneamente à concorrência pública também não é nada que mereça qualquer estranhamento, pois, se tratam de empresas de propósito específico, a exemplo do que fazem as empreiteiras que, para cada novo empreendimento imobiliário, constituem empresa específica para esse mister”. “Inexiste, de igual forma, confusão patrimonial, societária, bancária, contábil, processual e nem mesmo contratual entre as empresas do Grupo Schahin. É fato que por se tratar de Grupo econômico, é comum que haja sinergia entre as empresas. Contudo, tal fato não representa qualquer confusão, pois, como de rigor, cada uma das empresas possui seus próprios direitos e obrigações”. “O fato de uma empresa servir de garantidora da outra, digase, é universalmente corriqueiro, pois, em geral, há consolidação dos resultados em uma ou poucas empresas de um dado Grupo econômico. Assim, em geral, são as consolidadoras ou empresasmãe ou Corporation que costumam servir de garantidoras, inclusive, de obrigações assumidas por suas subsidiárias”. “De igual forma não é estranho o fato de uma empresa do Grupo fomentar financeiramente outra que se encontre com momentânea dificuldade de caixa. Desde que, é claro, que tal operação esteja devidamente contabilizada e registrada nos livros e controles legais; tal como se dá na espécie”. “Ou seja, da descrição fática acima narrada já se pode perceber às escancaras que, o que se tem na hipótese, é o seguinte antagonismo: Fl. 9667DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.649 39 • de um lado o Governo Federal, representado pelo Presidente da República, concebe um regime aduaneiro especial para o fomento e incremento da indústria de óleo e gás no País.(...) • de outro lado, o mesmo Governo Federal, agora representado pelos agentes fiscais, desconsidera todo o regime especial criado para o incremento e o fomento da indústria de óleo e gás no País com base em autuações lavradas em bases meramente argumentativas sustentando que, em realidade, a estrutura bipartida entre serviço e afretamento teria sido engendrada de forma ardilosa e com o fito exclusivo de evadir tributos”. “Igualmente descabido o argumento do autuante de que a vinculação existente entre os contratos de serviço e de afretamento geraria confusão das obrigações”. “O E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, enfrentando esta mesma questão, reconheceu a necessidade e a forma com que as diferentes atividades se complementam, conforme se destaca do voto condutor proferido pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva no Acórdão nº 1402001.439, em caso bastante similar ao presente (...)”. “Portanto, ainda que se entendesse, do que se cogita apenas para argumentar, que os contratos se confundiriam, ainda assim não haveria qualquer vedação legal nesse aspecto, tal como insinua o autuante”. A Jurisprudência do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais “(...) a jurisprudência administrativa já se ocupou do tema ora em discussão e vem, com todo acerto e propriedade, julgando insubsistente as autuações que desafiam a validade da estrutura utilizada pela indústria de petróleo e gás, tal como tenta fazêlo o autuante”. Cita acórdãos em sua defesa. A Inexistência de confusão “(...) o autuante sustenta a existência de alegada confusão patrimonial, bancária, societária, financeira, processual entre as diversas empresas do Grupo Schahin”. “(...) tratase de verdadeira construção fantasiosa, decorrente do desconhecimento da estrutura contratual e organizacional típica da indústria de petróleo e gás, devidamente amparada e validada pela legislação”. “Refutese, desde logo, mais essa infundada e grave alegação do autuante de que as fretadoras das embarcações NORTH STAR I e SC LANCER estariam localizadas em paraísos fiscais ou em países com regimes privilegiados. Em relação a esta despropositada acusação, os Impugnantes desde já comprovam com base em normativos emitidos pela própria administração que durante o período autuado, como também durante toda a fase de construção das embarcações empregadas nos afretamentos vigentes no anocalendário de 2009, o Estado americano de Delaware não era classificado pela Secretaria da Receita Federal como paraíso fiscal ou com tributação favorecida. A sua inclusão na chamada "blacklist" ocorrera apenas em Fl. 9668DF CARF MF 40 junho de 2010, com a edição da Instrução Normativa nº 1.037/10, após os alegados fatos geradores autuados”. “Em complemento à esta insinuação de que, na verdade, a 1ª Impugnante executaria "cada fase com rigor e cuidado de dono da coisa (embarcações/plataformas) e único contratante da PETROBRAS" (TVF fls. 178), o autuante destaca a cláusula de solidariedade prevista nos contratos de afretamento e de serviços firmados com a Petrobras para tentar justificar uma suposta inoperância do fretador estrangeiro, para reforçar o seu argumento de ser a 1ª Impugnante a verdadeira fretadora nos contratos. Para rebater estas superficiais alegações, todas elas fantasiosas, é preciso tecer breves linhas acerca da estanqueidade também verificada nas atividades administrativas e de suporte prestadas pela 1ª Impugnante às fretadoras estrangeiras tanto na fase préoperacional do afretamento, quanto durante a efetiva vigência do afretamento, que em nada se confundem com as suas atribuições firmadas nos contratos de prestação de serviços com a Petrobras, muito menos com as atribuições inerentes às fretadorasproprietárias das embarcações nos contratos de afretamento que firmaram”. “É importante também esclarecer desde já que estas receitas em nada se relacionam às receitas auferidas pelas fretadoras estrangeiras ao longo do ano calendário de 2009 (período autuado), decorrentes do afretamento das embarcações NORTHI STAR I e SC LANCER e que o autuante deliberadamente tenta imputar à 1ª Impugnante como se fossem receitas operacionais suas devidas pela atividade de afretamento”. “Como já esclarecido ao longo desta defesa, por não possuírem representação no País, as fretadoras cujo propósito negocial, como já exaustivamente abordado, reside na propriedade de embarcação estrangeira para que possa disponibilizála em afretamento a terceiros , dependem de contratações paralelas de empresas brasileiras que detenham a expertise necessária para que possam assessorálas no cumprimento de todas as demandas decorrentes da participação nos certames internacionais, antes mesmo da entrega de suas propostas”. “Estes serviços administrativos contratados de empresas brasileiras envolvem desde a gestão do contrato de construção da embarcação no exterior, passando pelo assessoramento na participação de certames divulgados pelas concessionárias locais, até a atuação na fase operacional do projeto, como administradora e gerenciadora dos serviços de apoio e suporte das embarcações afretadas”. “Em realidade, as fretadoras estrangeiras por não estarem fisicamente no Pais precisam de um longa manus, papel este executado pela 1ª Impugnante, já que são empresas do mesmo Grupo econômico”. “Com efeito, de forma a participar do mercado de petróleo e gás no Brasil, por se tratar de empresa estrangeira, é natural a contratação de um representante no País para prestar assessoramento no processo de contratação e, em especial, no tão concorrido processo licitatório divulgado pelas concessionárias locais”. “Mais natural ainda é que havendo empresa do mesmo Grupo econômico no País com expertise neste seguimento, esta seja a contratada”. “Dessa maneira, para formalizar essa contratação e para definir os escopos de atuação de cada empresa foi firmado entre a Casablanca e a 1ª Impugnante, "Contrato de Prestação de Serviços em Procedimento Licitatório" (doc. 07)”. (...) “Como contrapartida pelos serviços prestados, cabia à 1ª Impugnante o recebimento de honorários em percentuais devidos sobre o contrato de afretamento que viesse a ser eventualmente firmado”. Fl. 9669DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.650 41 “Neste aspecto, o autuante faz mais uma investida para tentar desconsiderar a regularidade e a validade das contratações firmadas entre a 1ª Impugnante e as fretadoras estrangeiras. Diz o autuante que haveria uma suposta "confusão societária entre Participações Societárias de empresas do GRUPO SCHAHIN (ATIVO INVESTIMENTOS da SCHAHIN) e VALORES A RECEBER A TITULO DE REEMBOLSO DAS FRETADORAS (PASSIVO em títulos a pagar das FRETADORAS), respectivamente bens e obrigações de pessoas jurídicas distintas." (fls. 461 do TVF grifamos) Para justificar a alegada confusão societária entre as participações cm empresas do grupo e os valores recebíveis das fretadoras, o autuante destaca que alguns pagamentos realizados pelas fretadoras tinham como objetivo aumentar "investidas do GRUPO SCHAHIN (ATIVO da SCHAHIN) a titulo de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital, ou seja, em teoria, unia conversão em participação da FRETADORA no CAPITAL do GRUPO SCHAHIN." (fls. 461 do TVF). “Para que não pairem as dúvidas levantadas pelo autuante acerca da substância e efetividade destas contratações e dos correspondentes movimentos de numerário, sugerindo que os recebimentos aconteceriam de forma dissimulada, os Impugnantes demonstram o motivo da realização do referido "AFAC" Adiantamento para Futuro Aumento de Capital , bem como o seu posterior cancelamento e o efetivo ingresso dos valores pelos serviços de assessoramento prestados à Casablanca”. A descrição do fluxo financeiro e documentos correspondentes está apresentada às fls. 59/63 da impugnação. “Desta maneira, em que pese, repitase, esta operação não guarde qualquer relação com o objeto das autuações ora combatidas, é importante comprovar a sua regularidade para demonstrar os erros de premissa cometidos pelo autuante para açodadamente desconsiderar a estanqueidade das obrigações dos serviços de perfuração e do afretamento este no sentido de disponibilizar a embarcação afretada firmados pelas partes envolvidas com a Petrobras, com o único objetivo de respaldar a ilegal exigência de tributos dos Impugnantes”. Quanto aos contratos de gestão da construção naval das embarcações, “(...) por se tratar de empresas do mesmo Grupo econômico, é natural que tais atividades como o assessoramento e a gestão da construção das embarcações sejam prestadas pela lª Impugnante, com base em sua expertise adquirida ao longo de mais de 20 anos de atuação nesta indústria”. “Ate porque, por não haver e nem possuir embarcações no Pais disponíveis para serem afretadas às concessionárias, a 1ª Impugnante tem todo o interesse no assessoramento das fretadoras estrangeiras, desde a participação nos certames até a construção das embarcações e a conseqüente prestação de serviços de gestão das embarcações afretadas, de forma a garantir a plena operacionalidade do afretamento que, por conseqüência, garantirá a efetividade dos serviços de perfuração prestados pela 1ª Impugnante a bordo das citadas embarcações”. “(...) embora as fretadoras pertençam ao mesmo Grupo econômico da 1ª Impugnante, são elas as próprias fretadoras que suportam todos os custos de construção, assessoramento e gestão da construção, cabendo a elas o reembolso à 1ª Impugnante de todas as despesas eventualmente incorridas durante o projeto, inclusive, aquelas incorridas com o recrutamento dos profissionais qualificados para a execução do contrato no exterior, conforme ilustram as anexas invoices (doc. 09), regularmente emitidas pela 1ª Impugnante às fretadorascontratantes”. “Neste sentido, em relação à premissa do atuante de que "não há nenhum indício ou comprovação de expertise dos FRETADORAS na específica tarefa de Fl. 9670DF CARF MF 42 afretamento marítimo"; temse que o próprio controle e acompanhamento dos serviços de construção e gestão é, portanto, a principal função das fretadoras nesta fase préoperacional de construção das embarcações, não havendo, dessa forma, que se falar em ausência de comprovação de atividade das fretadoras”. Quanto à atividade de manutenção das embarcações ou plataformas, “os Impugnantes destacam como contraponto, as próprias Cláusulas de vinculação, interveniência e solidariedade existentes nos contratos de afretamento”. “Obviamente que dentre as obrigações assumidas pela 1ª Impugnante como interveniente nos contratos de afretamento, descartase aquela que é atividade exclusiva da fretadora, qual seja, colocar à disposição do tomador/contratante (Petrobras), a embarcação de sua propriedade e que é objeto do afretamento”. “Como se não bastasse sua obrigação secundária assumida através da interveniência expressa e textual nos contratos de afretamento a 1ª Impugnante ainda celebra contratos com as fretadoras estrangeiras para reger e formalizar as atividades de manutenção e suprimento da embarcação, comumente denominados "Contratos de Gestão e Reembolso", enquanto referidas embarcações estiverem afretadas à Petrobras”. “Dentre as obrigações ali assumidas pela 1ª Impugnante, destacamse a de manutenção relacionadas à embarcação para garantir a continuidade do contrato de afretamento, cujos reembolsos de todas as despesas geradas com estes serviços são regularmente cobrados das fretadorascontratantes no exterior, como comprovam, à título ilustrativo, as anexas invoices (doc. 11)”. “De fato, a contratação de uma empresa doméstica para cuidar da gestão, dos suprimentos e demais afazeres e necessidades demandadas pelas embarcações enquanto vigentes os correspondentes contratos de afretamento, confere dinamismo tanto (i) ao afretamento, pois, ao manter a operacionalidade da embarcação, permite ao fretador cumprir com a sua principal obrigação nos contratos firmados, qual seja, manter a embarcação disponível e operacional ao contratante (Petrobras) por todo o tempo do contrato; quanto ao (ii) serviço de perfuração, que por ser prestado a bordo das embarcações, depende da constante e diligente gestão, manutenção e suprimentos variados para manter as embarcações em plenas condições de segurança e operacionalidade”. “Dessa maneira, não há, insistase, qualquer possibilidade de se considerar a 1ª Impugnante como fretadora das embarcações pelo simples fato de realizar atividades periféricas necessárias à gestão e ao suprimento das necessidades das embarcações afretadas à Petrobras pelas fretadoras estrangeiras”. “Registrese que não apenas o comando dos serviços de manutenção está a cargo das fretadoras, como é delas também a obrigatoriedade de aquisição e exportação ao País, das partes e peças necessárias à manutenção de suas unidades, cabendo à 1ª Impugnante, na condição de executora destes serviços auxiliares e de apoio local, importar referidas partes e peças e empregálas nas embarcações. As Declarações de Importação de partes e peças analisadas e destacadas pelo autuante (anexadas ao processo em referência) e que acobertaram as exportações/importações temporárias de partes e peças necessárias aos serviços de manutenção e reparo das embarcações NORTH STAR I e SC LANCER comprovam, sem maiores dúvidas, a clara e efetiva existência de atividades por parte das fretadoras no exterior, tendo em vista serem elas as responsáveis pela identificação da parte, peça e equipamento necessários às embarcações, aquisição e exportação e embarque destes mesmos equipamentos para o Brasil figurando a prestadora de serviços (1a Impugnante) como importadora temporária pelo REPETRO para serem empregados em suas embarcações”. Fl. 9671DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.651 43 “Segundo o autuante, soa estranho que a importação das embarcações afretadas e suas partes e peças tenha sido realizada pela 1ª Impugnante, sob Regime Aduaneiro de Admissão Temporária”. (...) “Com efeito, a mesma legislação de regência do REPETRO permite que a empresa contratada pela concessionária para a prestação dos serviços de perfuração tal como a 1ª Impugnante , habilitese ao referido Regime Especial, de modo que também possa promover a importação temporária sem cobertura cambial de "máquinas, aparelhos, instrumentos, ferramentas, equipamentos e a outras partes ou peças, incluídos os sobressalentes, destinados a garantir a operacionalidade dos bens admitidos no Repetro". “Dessa maneira, é mister destacar que ao assinar o Requerimento de Admissão Temporária (RAT) mencionado pelo autuante, a 1ª Impugnante agia apenas de acordo com a própria legislação do REPETRO: sendo certo que tal agir não representa dizer que aquela determinada importação estaria sendo feita em beneficio da própria 1ª Impugnante”. Quanto à contratação do seguro global das embarcações/plataformas, a impugnante defende que “ (...) o autuante incorre em flagrante contradição ao reconhecer que ‘a SCHAHIN é a contratante originária do seguro global das embarcações/plataformas’, quando, na verdade, a contratação dos seguros é ‘para posteriores endossos às FRETADORAS OFFSHORE no que se refere ao afretamento’". “Esta contradição do autuante, acaba por confirmar que através do endosso dos referidos seguros, todos os custos eventualmente contratados pela 1ª Impugnante, em nome das fretadoras estrangeiras, na qualidade de administradora/gestora, desde a fase préoperacional até mesmo durante a vigência dos afretamentos, são integralmente repassados às fretadoras, que assumem o custo final dos seguros de suas embarcações, o que reforça e comprova novamente a participação ativa das fretadoras nas avenças. Ademais, consta cláusula específica nos contratos de afretamento referentes ao período autuado dos quais a 1ª Impugnante é interveniente que caberá à interveniente apenas providenciar a contratação do seguro de responsabilidade civil para cobrir danos causados às/pelas embarcações, prevendo, também, que todos os custos desta contratação serão às expensas da fretadoracontratada (...)”. “(...) o autuante embora não concorde confessa a regularidade e a estanqueidade das operações envolvendo o afretamento de embarcação e os serviços de perfuração ao confirmar que a contratante dos serviços de afretamento, a Petrobras, de fato, ‘apresentou as FATURAS emitidas’, pelas fretadoras pelos pagamentos decorrentes dos contratos de afretamento, sem qualquer contestação a respeito. Esta afirmação também comprova que a real beneficiária dos valores pagos pela Petrobras pelo afretamento contratado eram e sempre foram, exclusivamente, as próprias fretadoras no exterior; como de rigor. “Segue o autuante em seu TVF a divagar acerca do fato de as respectivas faturas emitidas pelas fretadoras estarem com o carimbo da interveniente (a 1ª Impugnante). Ora, o fato de constar um simples carimbo da 1ª Impugnante na qualidade de Interveniente dos contratos de afretamento não invalida a operação, a natureza e as partes constantes da obrigação (de afretamento), mas tãosomente demonstra a efetiva atividade de suporte e auxílio, como administradora dos afretamentos, dos quais tanto dependem as fretadoras estrangeiras em solo brasileiro”. “Digase, ainda, em reforço, que a ligação estreita entre o serviço de perfuração e o afretamento decorre, inclusive, de cláusula expressa nos contratos, as Fl. 9672DF CARF MF 44 quais, determinam a vinculação das avenças (afretamento e de serviços), qualificando a 1ª Impugnante como interveniente das obrigações pactuadas entre as empresas contratantes do afretamento, conforme abaixo se destaca: • No Contrato de Afretamento n° 187.2.122.018 (doe. 06) firmado entre a Petrobras (contratante) e a Turasoria S/A LLC (fretadora) para o afretamento da embarcação SC LANCER, a Cláusula 16.1 prevê expressamente a vinculação entre os contratos de afretamento e de serviços, enquanto a Cláusula 17.1 prevê a expressa participação da 1ª Impugnante como interveniente na referida avenca (...)”. “Por esta razão, não é verdadeira a alegação do autuante de que, pelo fato de as fretadoras não atuarem nos mínimos detalhes do afretamento, elas seriam inoperantes e incapazes”. “Para que não pairem dúvidas acerca da individualidade das obrigações assumidas pelas fretadoras estrangeiras, na qualidade de contratadas pela concessionáriaafretadora, merecem destaque algumas outras Cláusulas dos citados Contratos de Afretamento que prevêem a obrigação da empresa estrangeira responsável pelo afretamento de fornecer/obter às suas expensas todas as licenças, seguros, registros, manutenção e substituição de partes, peças e equipamentos necessários (...)”. “Ora Srs. Julgadores, a fantasiosa tese sustentada pelo autuante de que as receitas de afretamento remetidas pela Petrobras às fretadoras estrangeiras seriam, na verdade, pertencentes à 1ª Impugnante, por ser ela a verdadeira fretadora das embarcações, é tão distante da realidade que o autuante se olvida de uma indispensável questão antecedente a qualquer fretador: que este possua embarcação para afretar; o que decerto não é o caso da 1ª Impugnante”. “Portanto, digase desde logo que sob a premissa de confusão, não poderia o autuante desconsiderar a estanqueidade dos referidos Contratos e a validade e licitude nas contratações, entendendo que as atividades de assessoramento na fase préoperacional e de gerenciamento e administração das embarcações, esta, decorrentes da própria interveniência da 1ª Impugnante nos Contratos de Afretamento, seriam, na verdade, a própria atividade de afretamento que estaria sendo prestada pela 1ª Impugnante, pois como demonstrado, é exclusiva das proprietárias das embarcações”. A Impossibilidade de Desconsideração Jurídica das Distintas Empresas e dos Sócios do Grupo Schahin “Portanto, as tentativas do autuante para dizer que teria havido abuso, ausência de substância e propósito e, ainda, desvio de finalidade na estrutura utilizada pelo Grupo Schahin não se sustenta, pois, a referida estrutura encontra claro abrigo na legislação pátria e, como tal, igualmente descabida a desconsideração da personalidade jurídica das empresas do Grupo Schahin e de seus sócios indiretos. In casu, não se tem fraude à lei, pois, como se demonstrou, a legislação do REPETRO, a Lei n° 13.043/2014 e a própria Solução de Consulta recentemente exarada pela COSIT confirmam e ratificam a validade da estrutura bipartida (afretamento x serviços) utilizada pelo Grupo Schahin”. “Também não se pode argüir eventual desvio de finalidade, pois, o Grupo Schahin possui, dentre suas áreas de competência, empresas que se dedicam à prestação de serviços de exploração e produção de petróleo e gás, e, como tal, é notório que possui máximo interesse em auxiliar outras empresas do Grupo a obter financiamentos, garantias, fornecedores etc necessários para a construção de embarcações e plataformas no exterior que serão utilizadas nos serviços de exploração e produção a serem prestados aqui no País”. Fl. 9673DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.652 45 “Neste sentido, não ocorrendo quaisquer das hipóteses previstas no permissivo legal (art. 50 do Código Civil), deve prevalecer a regra [do art. 596 do CC] quanto à distinção dos direitos e deveres dos sócios, dos direitos e deveres próprios dos Impugnantes” (...). “Nesta esteira, o Superior Tribunal de Justiça apenas vem validando a desconsideração da personalidade jurídica quando comprovadamente preenchidas as hipóteses elencadas no artigo 50 do Código Civil (...)”. “Por assim ser, impertinente e inaplicável à espécie a forçosa tentativa do autuante em considerar todas as empresas do Grupo Schahin e, inclusive seus sócios, como uma única entidade”. A Inaplicabilidade da Regra de Responsabilização de Terceiros Prevista nos Artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional “(...) sustenta o autuante que os artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional validariam a responsabilização do 2º e 3º Impugnantes”. “No entender do autuante, os 2º e 3° Impugnantes teriam "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nada mais desacertado e assimétrico ao conteúdo da regra de solidariedade trazida pelo artigo 124 do Código Tributário Nacional. Ao que tudo indica, o autuante confunde as regras de responsabilização tributária com as regras de atribuição de mera solidariedade tributária”. “Srs. Julgadores, o 2° e 3° Impugnantes são apenas sócios indiretos da 1ª Impugnante empresa contra a qual o autuante lavrou Autos de Infração do IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, sendo certo que não participaram nem do afretamento das embarcações e nem muito menos dos serviços, pois, digase, suas participações se restringiram na representação das empresas do Grupo envolvidas”. “O fato de serem sócios de outras empresas do Grupo, tampouco legitima a açodada acusação do autuante, pois, tal como já se demonstrou ao longo desta defesa, inexiste qualquer fraude, abuso ou ilegalidade sendo cometido por quaisquer das empresas do Grupo Schahin e nem por seus sócios”. A subsunção aos fatos ao disposto artigo 135 do CTN também inexiste, “pois, o autuante em nenhum momento comprovou ou sequer ventilou que o 2° e 3° Impugnantes teriam agido com "excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", tal como impõe o Código Tributário Nacional para validar a extrema desconsideração das empresas e para arrolar seus sócios ou terceiros como pessoas com ‘Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social u Estatuto’". “Digase, por fim, em reforço, para afastar de vez a responsabilização do 2° e 3° Impugnantes que, dentre as pessoas obrigadas por lei a apresentar as informações que possuam sobre terceiros, não estão arrolados os sócios indiretos, conforme se lê do artigo 197 do Código Tributário Nacional”. Da multa qualificada Fl. 9674DF CARF MF 46 “É de tal ordem descabido pretender impor às condutas dos Impugnantes a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, pois, tal como já se explanou ao longo da presente defesa: · os Impugnantes em nenhum momento pretenderam "ostentar formalmente situação jurídica completamente diferente da situação real". Pelo contrário, restou demonstrado que os contratos de serviços e de afretamento foram criados de acordo com a legislação do REPETRO, sendo incontroverso que houve a efetiva prestação de serviços e o afretamento de embarcações; · os Impugnantes não tiveram qualquer ingerência sobre os termos e condições dos certames que participaram; · os Impugnantes sempre prestaram os esclarecimentos solicitados pela fiscalização ao longo dos 26 meses em que perdurou o procedimento fiscalizatório; · os Impugnantes apresentaram vasta documentação hábil a elucidar os fatos que deram origem às autuações ora combatidas, tanto que o autuante pode discorrer em quase 800 laudas de seu TVF e de lavrar regularmente as autuações ora impugnadas; · os Impugnantes demonstraram a ausência de fraude nas avenças pactuadas, seja através da própria legislação de regência que autoriza a forma de contratação imposta pela concessionária em seus certames, seja pelo reconhecimento da validade dos contratos, inclusive, como já reconhecido pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; · os Impugnantes sempre agiram dentro da legalidade prevista na legislação específica, que não apenas prevê, como estimula a possibilidade de as concessionárias contratarem diretamente no exterior, as embarcações com a capacidade técnica e operacional necessárias à exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas no País; etc”. “Em reforço, saliente que as autuações ora combatidas não foram sequer lavradas cm bases arbitradas, tal como legitima o artigo 148 do Código Tributário Nacional, em situações em que a documentação fiscal do contribuinte não mereça fé por ser inidônea ou inexista”. “Logo, não restam dúvidas de que os Impugnantes não pretenderam ocultar ou disfarçar a ocorrência de fato gerador”. “Tratandose de atos lícitos, públicos e devidamente formalizados em contratos firmados com a própria administração pública, não há que se falar em dolo ou fraude”. “Assim, é inconcebível acusar os Impugnantes de terem agido dolosamente para ocultar a ocorrência do fato gerador (art. 72 da Lei n° 4.502/64) quando se verifica que tanto a 1ª Impugnante, quanto as fretadoras estrangeiras emitiram notas fiscais pelos serviços e afretamentos, tendo a 1ª Impugnante recolhido os tributos incidentes sobre os serviços que prestou, tanto que nem sequer foram objeto de autuação”. Fl. 9675DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.653 47 Da multa agravada e da lavratura do auto de embaraço “(...) as hipóteses descritas nos incisos II e III do § 2°, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 não se prestam ao caso concreto, pois: · não houve e não há qualquer operação praticada pela 1ª Impugnante que não estivesse escriturada em seus livros e registros fiscais e contábeis (...). · não deixou a 1ª Impugnante de apresentar ao autuante quaisquer das informações constantes de seus ‘'sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal’ (...). · (...) a 1ª Impugnante não deixou de responder e de atender a nem um sequer dos Termos de Intimação exarados pelo autuante durante seu trabalho investigatório; o que afasta por completo qualquer chance de se pretender argüir a aplicação do inciso I, do § 2º, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 ao caso em apreço”. · “(...) os Impugnantes não apresentaram respostas às Intimações com atraso, manifestandose sempre tempestivamente, ainda que para solicitar dilação de prazo, plenamente justificável diante das dificuldades para localização de documentos e diante da multiplicidade dc informações, documentos e esclarecimentos solicitados pelo autuante cm cada uma de suas Intimações. “É fato, que alguns itens da Intimação Fiscal do autuante foram respondidos de maneira distinta daquela que o autuante gostaria. Contudo, tal fato não justifica e nem muito menos autoriza a extrema aplicação das multas majoradas e agravadas”. “Neste sentido, não há no suporte fático que justifique no caso concreto a incidência da norma que prevê a aplicação da multa majorada (...)”. “(...) o motivador da majoração da multa aplicada pelo autuante foi a alegada não apresentação dos "ATOS CONSTITUTIVOS, ELEIÇÃO DE ADMINISTRADORES, PROCURAÇÃO A REPRESENTANTES LEGAIS (...) das FRETADORAS OFFSHORE. No entanto, percebese da leitura deste trecho do TVF a clara e impertinente insistência do autuante em forçar os Impugnantes a apresentar documentos e informações relacionadas a empresas distintas da própria a 1ª Impugnante, única empresa envolvida no MPF”. “Insistase que não houve qualquer dificuldade para o autuante lavrar os autos ora impugnados, tanto que nem sequer arbitrou a base de cálculo autuada, o que confirma possuir em mãos todos os elementos necessários à apuração dos tributos e à verificação da ocorrência dos fatos geradores respectivos”. A impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício “(...) não há margem para qualquer interpretação acerca da possibilidade da incidência de juros sobre as multas de oficio aplicadas pelas autoridades fiscais”. Fl. 9676DF CARF MF 48 Acréscimos moratórios “Ainda no que tange à aplicação dos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência vem reconhecendo a inaplicabilidade da taxa referencial SELIC aos créditos tributários, uma vez que esta taxa não foi criada por lei para fins tributários”. Solicita a impugnante, pois, que seja reconhecida a improcedência do lançamento de ofício. Requer que as defesas apresentadas aos Autos de Embaraço objeto dos MPFs nºs 08.1.90.002012051445 e 08.1.90.00201403109 sejam apreciadas conjuntamente com a presente impugnação, “em virtude do inequívoco caráter decorrente das autuações ora impugnadas”. (término da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/POA) No julgamento da impugnação, a DRJ/POA, por meio do Acórdão 1055.428, de 10 de julho de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. IRPJ. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A análise dos elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização permite concluir que os contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços” foram bipartidos de maneira artificial, (i) aparentando conferir ou transmitir direitos e obrigações a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, e (ii) incorporando cláusulas notoriamente não verdadeiras, que fazem transparecer a realização de atividades operacionais por parte de pessoas jurídicas offshore, que são de fato inoperantes e convenientemente estabelecidas em paraíso fiscal. Nesse contexto, é correto o procedimento fiscal que, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. MULTA QUALIFICADA. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do Fl. 9677DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.654 49 fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Justificase a aplicação da multa de ofício agravada quando o contribuinte não fornece, nos prazos definidos, os esclarecimentos exigidos na intimação. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do 1º CC). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após julgamento na instância a quo, a outrora impugnante foi cientificada da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 2.414/2015 na data de 21/07/2015, conforme ciência eletrônica de efl. 2441. Outrossim, o responsável solidário pelo crédito tributário MILTON TAUFIC SCHAHIN foi cientificado da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 2.415/2015 na data de 22/07/2015 (AR de efl. 2443) e o responsável solidário pelo crédito tributário SALIM TAUFIC SCHAHIN foi cientificado da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 2.416/2015 também na data de 22/07/2015 (AR de efl. 2442). Insatisfeitos com a decisão da DRJ/RJ 1, a empresa e os responsáveis solidários apresentaram tempestivamente (todos em 20/08/2015) Recurso Voluntário (efls. 2628, 2818 e 3009 EMPRESA, MILTON e SALIM, respectivamente), em que apresentaram basicamente os mesmos argumentos trazidos na impugnação, alterados parcialmente para combater razões de decidir da delegacia de julgamento, que trarei com mais detalhes no próprio voto: A PGFN apresentou contrarrazões de efls. 3019 a 3059, pugnando pela manutenção in totum da autuação fiscal. Em 09/03/2017, a recorrente juntou parecer de efls. 3071 a 3099, que intenta demonstrar o custo operacional das empresas fretadoras no exterior, que, segundo a recorrente, deveria ser considerado pela fiscalização. Não houve juntada de outros documentos. Fl. 9678DF CARF MF 50 Em 19/09/2017 o presente processo foi convertido em diligência através da Resolução 1401000.478, cujo objetivo, em sumo, foi o de confirmar a forma de apuração anual e a existência ou não de recolhimentos. O relatório de diligência confirmou a existência de recolhimentos esporádicos de PIS/COFINS no período, bem como a forma de apuração anual do IRPJ. Ao se manifestar sobre a diligência a recorrente sustenta não ter havido simulação, bem como reafirma a aplicação do art. 150 §4. do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, razão pela qual restariam parcialmente decaídos o lançamento. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O cerne da questão, que será determinante para o julgamento da lide, resume se em verificar se o contrato bipartido de afretamento, entre Petrobrás e as empresas fretadoras estrangeiras MS DRILLING LLC E TURASORIA S/A LLC, referente às unidades operacionais North Star I e SC Lancer; e de operação, entre Petrobrás e Schahin Engenharia SA (recorrente), decorreu apenas de uma formalidade ou se realmente correspondeu, na essência, a uma divisão clara de tarefas, tudo isso visto sob a luz das operações desencadeadas pela recorrente, descritas pela fiscalização como simulatórias. Sendo assim, passarei a tratar dos argumentos da recorrente tentando respeitar a ordem cronológica descrita no recurso voluntário. NULIDADE A recorrente alega que a delegacia de piso não enfrentou todos os fundamentos de sua defesa, incorrendo assim em preterição do seu direito de defesa; lançou mão de presunção sem apresentação de prova; e utilizouse de veículos de internet para manter a autuação sem apresentar provas contundentes do ilícito indicado pela fiscalização, pelo que pede a nulidade do lançamento fiscal. Da desconsideração da personalidade jurídica das empresas e dos sócios Alega que teceu argumentos a fim de ter afastada a desconsideração da personalidade jurídica das distintas empresas e dos sócios do grupo Schahin. Não obstante, a DRJ limitouse a dizer que "A fiscalização tampouco subsidiouse dos conceitos de desconsideração da personalidade jurídica das empresas do grupo SCHAHIN (...) como ventila a impugnante". Fl. 9679DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.655 51 Afirma que todos os argumentos precisam ser enfrentados pelas delegacias de julgamento, sob pena de nulidade do lançamento, colacionando jurisprudência do CARF favorável a seu pleito. Entendo que não tem razão a recorrente. Inicialmente, cabe esclarecer que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pela empresa autuada, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto tratava do assunto com propriedade: Cabe ainda esclarecer, por relevante, que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto, como de fato foi feito. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Observese, a propósito, a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Ministro do STF Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: (...) 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. (...) Resp nº 394.768/DF, DJ 01/07/2002, pág. 247) 1. Inexiste violação ao art. 535, I e II do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. (...) AG Resp nº 109.122/PR, DJ 08/09/2003, p. 263.” Agora, é necessário avaliar se a falta de acordo com a recorrente de enfrentamento da suposta desconsideração da personalidade jurídica efetivamente trouxe prejuízo à recorrente a ponto de cercear seu direito de defesa e, por conseguinte, ensejar a nulidade do lançamento fiscal, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo: Art. 59. São nulos: Fl. 9680DF CARF MF 52 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pois bem. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização realmente não se pautou na desconsideração da personalidade jurídica para atribuir a responsabilidade solidária pelos atos sob a ótica do fisco simulatórios praticados pelas empresas envolvidas e pelos sócios da recorrente. A meu ver, a responsabilidade solidária conferida pela fiscalização não perpassou pela desconsideração da personalidade jurídica da recorrente. Bastou simplesmente a constatação de prática de conduta com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto que a responsabilidade pela obrigação tributária foi atribuída a quem praticou tal conduta. A recorrente é quem parte de premissa de que a atribuição de responsabilidade solidária necessariamente advém da desconsideração da personalidade jurídica, o que a fiscalização e a DRJ entenderam não ser necessário. Por isso, a Delegacia de piso fundamentou sua decisão somente com base na justificativa de que a fiscalização não se utilizou dos conceitos de desconsideração da personalidade jurídica para efetuar o lançamento. A PGFN elucidou tal celeuma nas contrarrazões do recurso voluntário (efl. 3037): Ressaltese ainda que a fiscalização não realizou a desconstituição de atos ou negócios jurídicos da recorrente, da Petrobras ou mesmo das afretadoras offshore com fulcro no parágrafo único no artigo 116 do CTN. Tampouco valeuse de institutos como a desconsideração da personalidade jurídica, desvio de finalidade ou abuso de direito para fundamentar o trabalho fiscal. Promoveu, isso sim, os efeitos tributários decorrentes da legislação para promoção da exigência fiscal, ora debatida, com base na simulação de negócio jurídico consoante o art. 167 do Código Civil. Desta forma, não vejo presente a alegada preterição do direito de defesa e suposta nulidade do lançamento, pelo que proponho o afastamento desta preliminar de nulidade. Presunção utilizada pela decisão recorrida Questiona a recorrente que a decisão recorrida baseiase na presunção de que houve simulação e artificialidade, porém, a contrario sensu, conclui (a DRJ) pela impossibilidade de ingerência por parte da recorrente justamente nas avenças em contratações distintas: uma para afretamento e outra para os serviços a serem prestados. Assim, alega incoerência entre a constatação dos fatos e conclusão do acórdão com base em equivocadas premissas. A DRJ afirma que, dos elementos verificados, não há comprovação de que houve efetiva ingerência nos contratos com a Petrobrás, para formação do preço de 9/1 afretamento/serviço , uma vez que a própria Petrobrás celebrou contratos com outras empresas, com base na mesma proporção do contrato pactuado com a recorrente. Por outro lado, tendo em vista as autuações da RFB e dos desdobramentos da operação LavaJato, a DRJ formou sua convicção que as regras adotadas pela Petrobrás criou ambiente favorável à manipulação dos negócios, com fins de proporcionar vantagens exorbitante aos agentes, com a redução dos tributos devidos. Fl. 9681DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.656 53 Alega ainda que nenhum fundamento da DRJ tem base legal para aplicar a presunção. Pois bem. Não se está aqui pregando que a formulação do contrato foi simulatória, mas sim em dizer que a operação como um todo o foi. A recorrente e a fretadora, sim, agiram em conluio para minimizar a carga tributária a que a recorrente se sujeitaria, caso a essência permanecesse sobre a forma. Independentemente da proporção contratual, não é este o questionamento principal da fiscalização, mas sim a de que a recorrente é quem efetivamente afretou as embarcações e prestou os serviços. Não vejo que a decisão de piso tenha se pautado em presunção. A recorrente mais uma vez impõe à RFB algo que não aconteceu, nem no auto de infração, tampouco na decisão da DRJ. Como se verá adiante, por todos os documentos e elementos levantados durante a ação fiscal, a autuação não se pautou pela presunção de omissão de receitas, ou qualquer outra presunção à margem da lei, mas sim da simulação que teve como objetivo a omissão de receitas da recorrente. Real cenário do litígio e a utilização de ficção para manutenção da autuação A DRJ se baseou em notícias veiculadas na internet para formar sua convicção, sem provas, eis que estaria eivado de nulidade o lançamento. A recorrente alega que não há nos autos prova de ser a recorrente parte em qualquer processo investigativo, tal como deliberadamente sustenta a decisão recorrida. Entendo que as notícias trazidas não têm o condão de fundamentar a manutenção autuação; apenas reforçaram a tese de que houve simulação na operação da recorrente, que controlava as afretadoras. Mas não têm o intento de provar o que já está comprovado, de acordo com a fiscalização. A autuação se pautou na bipartição fraudulenta dos contratos firmados com a Petrobrás, e não na operação LavaJato. Entretanto, não se pode desprezar fatos que são de conhecimento público e geral. O que fez a DRJ foi, tão somente, reafirmar os seus fundamentos que acataram a tese demonstrada no TVF, e afastar, com base na impugnação da Recorrente, que o fato de os contratos terem sido realizados com a PETROBRAS validariam a operação. Assim, face ao exposto, nego provimento às preliminares de nulidade. PRELIMINAR DE MÉRITO Decadência A empresa pugna pela decadência do período de 01 a 11/2009. Alega que o fato gerador dos tributos é mensal; sendo assim, baseiase no prazo decadencial contido no § 4º Fl. 9682DF CARF MF 54 do art. 150 do CTN. Como a ciência do lançamento se deu em 15/12/2014, o período de 01 a 11/2009 estaria alcançado pela decadência do direito do fisco de efetuar o lançamento. Não obstante o pedido de decadência do lançamento, o que se percebe é que a fiscalização efetuou o lançamento com base no art. 173, I, do CTN. Se esse prazo for o correto, a ciência do lançamento fiscal poderia ter sido efetuado na data em que efetivamente ocorreu. Desta forma, o que se está a discutir aqui é, caso a autuação deva prosperar, com fundamento em qual prazo decadencial o lançamento tributário deve ser mantido? Para tanto, devo efetuar uma introdução a respeito da aplicação do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para posteriormente emitir meu parecer. Como se demonstrará mais à frente, a conduta efetuada pela recorrente evidenciou nítido intento de fraudar o fisco em relação ao pagamento de suas obrigações. Tudo que foi trazido pela fiscalização aos autos deste processo e do processo de coleta de dados decorrente de diligência fiscal na recorrente comprovam de fato a prática simulatória de fraudar o fisco. Assim sendo, tal conduta subsumese à parte final do § 4º do art. 150 do CTN, "... salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". É cediço que o IRPJ, tributo objeto do auto de infração está sujeito ao lançamento por homologação, conforme dita o caput art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Exsurge da interpretação do caput do artigo a 1ª condição mas não a única para que o lançamento por homologação ocorra: o efetivo pagamento do tributo, pelo sujeito passivo, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Posteriormente, para que o lançamento seja homologado, a autoridade administrativa deve validar o pagamento antecipadamente efetuado pelo contribuinte. Mesmo que a autoridade administrativa não homologue expressamente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, o §4º do mesmo dispositivo legal constituiu um prazo (decadencial) para que o pagamento seja homologado tacitamente: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destaquei) Ou seja, na hipótese de lançamento por homologação, a data inicial da contagem do prazo decadencial está condicionada ao pagamento antecipado do tributo e à constatação (mesmo que tácita) da antecipação deste pagamento, pela autoridade Fl. 9683DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.657 55 administrativa. Logo, em havendo pagamento antecipado, aplicase a contagem do prazo decadencial conforme disposto no artigo 150, §4º, do CTN. Por outro lado, não existindo o pagamento, a contagem do prazo decadencial deslocase para o prazo contido no artigo 173, I do mesmo diploma: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O próprio STJ já se manifestou quanto à necessidade de pagamento antecipado do tributo para que o prazo decadencial seja contado com base no art. 150, §4º, proferindo o Acórdão no REsp 973.733/SC, que foi submetido à sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 9684DF CARF MF 56 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Mas não é só! Mesmo que haja pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, há outra possibilidade de aplicação do art. 173, I, do CTN, na contagem do prazo decadencial: quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se depreende da leitura da parte final do §4º, do art. 150 do CTN. Quer dizer, o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN é deslocado para o art. 173, I do mesmo diploma legal em duas situações distintas, as quais não são condicionadas: 1) não há pagamento antecipado do tributo por parte do sujeito passivo; e/ou 2) independentemente de pagamento, constatase a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso concreto, a exigência do tributo foi fundamentada com base no art. 173, I, do CTN, a partir de suposta prática de "dolo, fraude ou simulação". Primeiramente, a fiscalização aplicou o art. 173, I, do CTN, para fins de apuração da contagem do prazo decadencial, visto que a Recorrente deixou de apresentar comprovação de pagamento antecipado do tributo aqui lançado, não cabendo fundamentar o alcance da decadência com a justificativa de que o lançamento havia se concretizado em cada período de apuração do tributo, quais sejam 1º, 2º e 3º Trimestres de 2007. Além disso, mesmo que vencida tal proposição, a fiscalização caracterizou a conduta da recorrente como fraudulenta, a partir de constatação de uma sucessão de atos simulatórios que a permitiram se beneficiar da redução do pagamento do IRPJ, ao trazer do exterior um ágio que era atribuído a uma empresa domiciliada na França, aplicando a parte final do 150, §4º, "... salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação", para o deslocamento do início da contagem do prazo decadencial para o "primeiro dia do exercício seguinte ..." Quanto ao pedido pelo reconhecimento de "pagamento antecipado", e, por conseguinte, contagem do prazo decadencial nos termos do §4º do art. 150 CTN, baseado no IRRF recolhido pelas fontes pagadoras, entendo que o mesmo restará prejudicado diante da constatação da prática de simulação. O dispositivo legal acima (§4º, do art. 150 do CTN) tem como propósito atribuir tratamento diferenciado aos contribuintes que, ao menos, recolhem parte dos tributos, a que tem obrigação, ao fisco. Temse como premissa, assim por dizer, conceder um benefício àqueles que espontaneamente demonstram interesse em regularizar seus deveres fiscais. Fl. 9685DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.658 57 O recolhimento do IRRF, por sua vez, independe da espontaneidade do contribuinte, pois ele decorre de uma imposição a um terceiro (sujeito passivo responsável), que carrega o ônus de reter e repassar aos cofres públicos uma parte do que o contribuinte (sujeito passivo principal) fará posteriormente, ao apurar seus tributos com base em seus livros. Como bem descrito no acórdão da DRJ, "O recolhimento efetuado por terceiro, em virtude de responsabilidade tributária, com fulcro no parágrafo único do art. 45, do CTN, ainda que realizado em proveito do contribuinte, desloca a condição de sujeito passivo da obrigação principal do imposto de renda retido na fonte para a fonte pagadora, razão pela qual a relação jurídicotributária mantida entre o fisco e o responsável tributário, nesta situação, é diversa da mantida entre o Fisco e o contribuinte do IRPJ, de modo que o pagamento efetuado a título de IRRF não pode influir na fluição do prazo decadencial daquele tributo." (posição do Rodrigo sobre retenções não concordo). Como se demonstrará mais à frente, a conduta efetuada pela recorrente evidenciou nítido intento de fraudar o fisco em relação ao pagamento de suas obrigações. Tudo que foi trazido pela fiscalização aos autos deste processo e do processo de coleta de dados decorrente de diligência fiscal na recorrente comprovam de fato a prática simulatória de fraudar o fisco. Assim sendo, tal conduta subsumese à parte final do § 4º do art. 150 do CTN, "... salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Em razão de tudo o quanto exposto, nego provimento à preliminar de decadência. MÉRITO A não ocorrência de Simulação Relativa De acordo com a recorrente, a delegacia de julgamento reconhece em seu voto a possibilidade de bipartição dos contratos de afretamento e de operação, por meio de atos legais e infralegais, como a Lei 13.043/2014 e a Solução de Consulta COSIT nº 225/2014, mas (a DRJ) apresenta ressalva de que se deve analisar se a bipartição foi real, lícita ou simulada, ilícita. Como a decisão recorrida aduz que "a solução de cada caso deve ser norteada pela livre convicção do julgador quanto ao conjunto de provas", a recorrente alega que se abriu margem a presunções que, no caso em referência, se concretiza no momento em que a DRJ mantém o lançamento fiscal alegando que "A bipartição dos contratos foi realizada de maneira artificial, caracterizando o cometimento de simulação relativa". Assegura que não se pode aceitar a afirmação de simulação, uma vez que há expressa previsão legal acerca da coexistência de contrato de afretamento firmado com empresa estrangeira em paralelo ao contrato de serviço de perfuração firmado com empresa brasileira; e que contratos foram preparados por sociedade de economia mista por meio de processos licitatórios, o que não permitiria qualquer participação da recorrente em sua elaboração. Que o aproveitamento da sinergia intragrupo é qualidade de extrema relevância para a correta e perfeita consecução das atividades conexas demandadas pela Fl. 9686DF CARF MF 58 concessionária contratante, pois, como o serviço de perfuração a bordo é atividade específica, nada melhor que uma empresa, do próprio grupo da empresa contratada para o afretamento, prestar o serviço. A recorrente apresenta acórdão da DRJ/Belém, no processo nº 16682.720406/201424, em que foi julgada procedente a impugnação da recorrente, e que trata de lançamento do IRRF sobre remessas ao exterior decorrente de afretamento de embarcações. A decisão da DRJ/Belém aduz que "Não há nos autos um único interrogatório de alguns dos signatários (ou representantes), não há um único parecer de algum órgão oficial, ou laudo de uma instituição com reconhecida experiência e conhecimento no ramo em análise, no caso o petróleo, assegurando a "inusualidade" da forma contratual." A decisão conclui que não se pode entender como simulação em um contrato sem que a mesma seja comprovada, com os meios de provas hábeis. Pois bem. Antes de adentrar na verificação da existência ou não de simulação, convém argumentar os demais pontos trazidos pela recorrente. Quanto ao processo mencionado pela recorrente, que trata do IRRF decorrente da remessa de valores ao exterior, entendo que tal o objeto daquele processo difere do aqui discutido. Não se está discutindo lá a unicidade dos contratos caracterizada pela fiscalização, tampouco versa sobre a omissão de receitas da empresa rsidente no brasil, pois, no caso deste processo, a fiscalização entendeu que a empresa fretadora/offshore não possuía estrutura correspondente a uma empresa, para que legitimasse materialmente as formalidades previstas no contrato. Além disso, as justificativas da DRJ/Belém para julgar procedente a impugnação não se encaixam ao presente processo, pois a auditoria deste processo fiscal foi desenvolvida com larga abrangência, como se verá adiante. Logo, não serve como bússola para orientação de nosso posicionamento. Quanto aos dispositivos legais e infralegais trazidos pela recorrente para afastar a autuação suportada, cabe trazer a redação inaugurada pela Lei nº 13.043/2014, que alterou a Lei nº 9.481/1997: a qual "Dispõe sobre a incidência de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, e dá outras providências." : Lei nº 9.481/1997 "Dispõe sobre a incidência de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, e dá outras providências." Redação anterior à vigência da Lei nº 13.043/2014 Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; § 2º O prazo referido no inciso IX poderá ser alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Fl. 9687DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.659 59 Redação posterior à vigência da nº 13.043/2014 Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; § 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. Como visto, a previsão legal de possibilidade de fracionamento de contratos de afretamento e de prestação de serviços foi trazida apenas no ano de 2014, hipótese em que não se aplica ao caso concreto, pois o lançamento fiscal decorreu de fatos apurados em 2009. Tampouco cabe alegação de que a norma em referência é interpretativa, com fins de ter seus efeitos retroagidos no tempo, pois em momento algum citada Lei se referiu expressamente à tão almejada forma interpretativa. Desta forma, incabível a aplicação do art. 106, I, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (sublinhei) E, mesmo após o ano de vigência da citada reformulação legal, entendo que esta redação não tem o condão de recomendar vigência absoluta em relação aos casos de bipartição de contratos de afretamento e prestação de serviços. É isto que concluiu a Solução de Consulta Cosit nº 225/2014, reverenciada pela recorrente, ao aduzir que tal regra permite exceções, vejase: Fl. 9688DF CARF MF 60 (...) 17. No caso ora analisado, a consulente afirma que será responsável por fornecer o equipamento afretado enquanto uma outra empresa brasileira será a operadora do equipamento, sendo que as duas empresas são independentes e não pertencem ao mesmo grupo econômico. 18. Esse aspecto é importante porque a vinculação entre as empresas responsáveis pelo afretamento do equipamento e pela sua operação poderia configurar, quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente descaracterização do negócio por parte do Fisco. 19. Sendo assim, respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda pode ser enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estando sujeito a alíquota zero do IRRF. 20. Por fim, é importante destacar que a presente consulta também não se presta para verificar se as remunerações pactuadas nos contratos de afretamento e operação dos navios sonda são compatíveis com as atividades e responsabilidades assumidas por cada contratada, de forma a não configurar hipótese de manipulação de contratos. (...) Como visto, a solução de consulta permite a aplicação de alíquota zero de IRRF decorrente de remessas ao exterior de contratos bipartidos de afretamento e prestação de serviços, mas faz ressalva de que, nos casos de empresas vinculadas, esta segregação poderia configurar, quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente descaracterização do negócio por parte do Fisco. E foi isto que a fiscalização provou, não obstante se tratar de forma de tributação diversa daquela enfrentada pela Solução de Consulta destacada. É que, no caso deste processo, a fiscalização lavrou o auto de infração por omissão de receitas da empresa domiciliada no Brasil, que tinha por competência a prestação de serviços em embarcações de exploração de petróleo. Aproveitando o ensejo, cabe rebater os argumentos da recorrente de que a fiscalização desconhecia as normas definidas pelo Repetro, no caso a IN RFB nº 844/2008, conforme bem destacado pela decisão de piso: Ao analisar a documentação pertinente ao exercício do regime aduaneiro especial no caso concreto, a fiscalização assim concluiu (ver itens 2.6.7 do RF): 2.6.7 Como restará mais uma vez comprovado, neste CAPÍTUL02, com ênfase na questão da admissão ao regime aduaneiro especial (REPETRO), a questão operacional dos contratos tanto de AFRETAMENTO quanto de OPERAÇÃO foi desempenhada única e exclusivamente pelo GRUPO SCHAHIN. [Grifos do original] Fl. 9689DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.660 61 Vejase ainda a transcrição do título da figura IX80 do RF: Figura IX80 No PROCESSO 10711.728223/201303, o interessado SCHAHIN ENGENHARIA S.A. admite expressamente que os materiais submetidos ao REPETRO (REGIME ADUANEIRO ESPECIAL) referemse aos contratos de AFRETAMENTO (187.2.122.0108 cujas parte são PETROBRAS e TURASORIA S.A. LLC) e OPERAÇÃO: PETROBRAS E SCHAHIN (confusão na execução dos contratos). À vista da documentação pertinente ao REPETRO, a conclusão da autoridade fazendária é de que houve unicidade na execução dos contratos, a exemplo do que aponta todo o restante do conjunto probatório dos autos. Nada mais. Não há, pois, como reconhecer o eventual “desconhecimento” da fiscalização quanto ao regime do REPETRO, nos termos em que alegado na impugnação, e tampouco é possível concluir que as normas que dão conformidade ao REPETRO, de alguma forma, conferem idoneidade à estrutura de negócios dissimulada pela SCHAHIN. Assim, o que se deve avaliar agora é se a operação desencadeada pelas contratantes foram dissimuladas com objetivo de mitigar a tributação que supostamente deveria(m) enfrentar. Pois bem. A simulação relativa ou dissimulação , imputada pela fiscalização às operações desenvolvidas pela recorrente, encontra amparo legal no caput e § 1º do art. 167 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002): Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Marco Aurélio Greco muito bem definiu a simulação absoluta e relativa (dissimulação) e demonstrou que a comprovação da simulação perpassa pela dicotomia entre causa real e causa aparente. A recorrente faz digressões de que houve não simulação na segregação dos contratos de afretamento e serviços, alegando que não se sustenta a subsunção de sua conduta com aquelas dispostas no art. 167 do CC: Fl. 9690DF CARF MF 62 Alega que a própria fiscalização, em seu TVF, assente que as embarcações foram construídas no estrangeiro, são de propriedade de empresas estrangeiras e foram assinadas por empresas estrangeiras, tudo a confirmar a inexistência de negócio simulado. Os documentos produzidos pela recorrente e demais empresas envolvidas não contêm declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. Por último, não há documento antedatado ou pósdatado e que os contratos de afretamento e de serviços possuem obrigações distintas. Não obstante os argumentos da recorrente em sua extensa peça recursal, entendo que merecem ser repelidos pelas razões que passo a expor: Pelo que me parece, o questionamento da recorrente indica que a fiscalização deveria provar a infortunada simulação relativa. Marco Aurélio Greco5, ao tratar da questão probatória nos planejamentos tributários, traça três aspectos fundamentais da prova: i) O foco da prova no planejamento tributário não é a simulação, a fraude à lei ou o abuso em si mesmos considerados. O reconhecimento da exixtência de um caso de simulação, fraude ou abuso será decorrência de uma prova anteriormente produzida que estará focada no caso em si, naquilo que ocorreu e, em função da conclusão que se extrair a partir disto, então, será possível afirmar ter ou não ocorrido a patologia do negócio jurídico. E conclui que pouco ajuda iniciar o debate sobre a prova pensando numa das patologias (simulação, fraude ou abuso). ii) A mudança ocorrida nos últimos anos no tema do planejamento tributário se deu no paradigma que informa a interpretação das normas tributárias e no modo pelo qual se dá a valoração dos fatos e a respectiva prova. iii) O último aspecto é a relação entre prova e verdade. A busca da verdade material, como inerente ao processo de aplicação da lei tributária, é um misto de verdade descoberta e construída, pois não há como construir de maneira totalmente distanciada de elementos concretos objetivamente aferíveis, mas o mero levantamento destes não basta para chegar à afirmação de que algo ocorreu. A prova no planejamento tributário não está a rigor centrada na demonstração da ocorrência do fato gerador, mas na ocorrrência de um determinado negócio ou operação cuja existência é considerada fato gerador do tributo. No caso concreto, a fiscalização efetuou trabalho aprofundado da análise dos contratos firmados entre a Petrobrás e as fretadoras das embarcações e entre a Petrobrás e a recorrente, e concluiu pela unicidade de ambos os contratos, por interpretar que as empresas fretadoras, existentes no exterior, não tinham qualquer feição de empresas constituídas de fato. Após efetuar várias diligências, analisar inúmeros documentos, a fiscalização extraiu as seguintes conclusões, que passo a expor sinteticamente neste voto: CAPITULO 1 CONTRATOS COLIGADOS (...) 1.10 CONCLUSÃO DO CAPITULO 1 (pág. 124 do TVF) 5 Marco Aurélio Greco, Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2011, pp. 524 e segs. Fl. 9691DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.661 63 1.10.1 Foram demonstradas, como ponto de partida, ainda restrito ao aspecto formal dos negócios jurídicos materializados nos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO as seguintes inconsistências: A confusão estabelecida em relação às PARTES CONTRATANTES na medida da confusão SOCIETÁRIA e de REPRESENTANTES LEGAIS em contratos coligados da PETROBRÁS (FRETADORAS "OFFSHORE" e OPERADORES SCHAHIN com rigorosamente os mesmos sócios e representantes legais da SCHAHIN, eventualmente os representantes legais da FRETADORA são prepostos dos sócios da SCHAHIN ou da SCHAHIN. A confusão estabelecida em relação ao OBJETO (embarcações de propriedade das FRETADORAS, que por sua vez, possuem como sócios os sócios da SCHAHINOPERADORA, os quais declaram a propriedade das embarcacoes). A confusão em relação à INDEPENDÊNCIA DE CONTRATOS que na verdade são umbilicais pela responsabilidade solidária total e irrestrita, mesmos mandatários judiciais e negociais, mesmo endereço para correspondência, mesmo endereço para demandas em geral. A confusão de RESPONSABILIDADE CIVIL, já que os seguros das embarcações são efetuados tendo como segurado e cossegurado FRETADORAS e OPERADORAS sem separação, em contrato único, sem especificação de divisão de prêmios, indenizações ou coberturas, sendo que a contratação originária é patrocinada pela SCHAHIN e não pelas FRETADORAS, mas a SCHAHIN, pelas alegações iniciais insistentemente repetidas em respostas a Termos de Intimação, alega somente ter contrato de OPERAÇÃO. 1.10.2 Confusao pronunciada tambem na emissão das FATURAS por parte das FRETADORAS "OFFSHORE" para subsidiar os pagamentos da PETROBRAS pelo adimplemento do CONTRATO DE AFRETAMENTO. Há sempre o CARIMBO da diretoria da SCHAHIN autorizando ou confirmando a FATURA, o que é inconcebível na alardeada alegação da SCHAHIN de independencia contratual entre SCHAHIN – OPERADORA e FRETADORA "OFFSHORE". 1.10.3 Mas, confusão maior é a expressa na figura abaixo, na qual a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. delibera em AGE alterações (aditivos) em contratos de AFRETAMENTO que, em tese, lhe seriam totalmente estranhos. 1.10.4 Serão demonstradas ainda no decorrer deste relatório: a confusão em relação à EXECUÇÃO DOS CONTRATOS, já que a SCHAHIN participa desde o processo de financiamento, construcao das embarcacoes, comissionamento (validacao das especificacoes tecnicas), aceitacao pela PETROBRAS, operacao e manutencao; confusao PATRIMONIAL ja que o GRUPO SCHAHIN estabelece garantias das mais variadas ordens (reais, alienacao fiduciaria e fidejussorias) para caucionar emprestimos com multiplos financiadores nacionais e internacionais e tambem com os proprios fabricantes para levantar fundos para as construcoes das embarcacoes formalmente contratadas pelas FRETADORAS "OFFSHORE"; confusão PROCESSUAL já que a SCHAHIN comparece sendo citada, intimada, respondendo e praticando atos processuais em processos jurisdicionais de execucao de sentencas arbitrais em cortes estrangeiras cujos AUTORES EXEQUENTES sao os construtores de embarcacoes e os EXECUTADOS sao as empresas "OFFSHORE" FRETADORAS das embarcacoes encomendadas, suas HOLDINGS e empresas do grupo SCHAHIN como litisconsortes passivos e confusao FINANCEIRA na medida em que contas no exterior sao utilizadas simultaneamente para garantir o fluxo de pagamento de financiamentos de construcao de plataformas, Fl. 9692DF CARF MF 64 custos de construcao, despesas de operacao, garantias diversas, fundindo recursos de varias fases do projeto global, de varios FRETADORES e do GRUPO SCHAHIN. CAPITULO 2 CONFUSÃO PATRIMONIAL (...) 2.7 CONCLUSÃO DO CAPITULO 2 (pág. 174 do TVF) 2.7.1 Uma embarcação/plataforma destinada à exploracao de petróleo esteja ela em transporte, em docagem (parada para manutencao) ou em efetiva operação, possui demanda constante de peças e equipamentos importados, razão pela qual a adesão ao RAT (Regime de Admissao Temporaria) se faz essencial. 2.7.2 Mas tambem é notório que a SCHAHIN, além de promover as necessidades administrativas (constando em requerimentos, protocolos e termos de responsabilidade com assinatura de seus administradores), também promove obrigações de cunho material ao assumir as garantias na modalidade fiança idônea por meio de empresas do GRUPO SCHAHIN. 2.7.3 Ou seja, tratase de uma constante: a SCHAHIN é a única e exclusiva a assumir as obrigações, responsabilidades, garantias de toda monta, assinar, constar, sempre na figura dos sóciosadministradores Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin. CAPITULO 3 CONFUSÃO NA EXECUÇÃO DOS CONTRATOS DE AFRETAMENTO E OPERAÇÃO (...) 3.9 CONCLUSÃO DO CAPITULO 3 (pág. 219 do TVF) 3.9.1 Baseado somente em documentação produzida e arquivada em época própria na esfera administrativa, portanto obtida sem necessidade de intimação do contribuinte, mas por consulta interna ou ofícios a órgãos públicos, constatouse que há verdadeira confusão na execução contratual na medida em que a SCHAHIN realiza efetivamente a contratação de estrangeiros, a sua regularização em solo pátrio, desembolsam a remuneração que é paga no exterior, assumem total e irrestrita responsabilidade pelos estrangeiros e que trabalham nos contratos de AFRETAMENTO das "OFFSHORES". Contrato este estranho à SCHAHIN, pelo menos formalmente, mas não na prática como podemos perceber com evidência. 3.9.2 Ademais, em relação ao REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA, a SCHAHIN também executa todas as medidas legais e regulamentares para garantir que bens e equipamentos importados sejam correntemente fornecidos sem maiores percalços aos contratos de AFRETAMENTO das "OFFSHORES". 3.9.3 Outrossim, a filial de MACAERJ da SCHAHIN é a base de operações "ONSHORE" que propicia o suporte para todas as plataformas e embarcações no seu raio de alcance. Curiosa é a classificação CBO de empregados alocados nesta filial: há funções típicas de operação (responsabilidade da SCHAHIN ENGENHARIA S.A.), mas também funções CBO típicas de atividades de docagem e manutenção (responsabilidade das FRETADORAS "OFFSHORE"). Fl. 9693DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.662 65 CAPITULO 4 ORGANIZAÇÃO GLOBAL DO PROJETO (...) 4.22 CONCLUSÃO DO CAPITULO 4 (pág. 382 do TVF) 4.22.1 Em conclusão a este CAPÍTULO 4 conjugado com os CAPÍTULOS anteriores é que ficam demonstrados os seguintes aspectos do projeto: • O GRUPO SCHAHIN (mormente SCHAHIN ENGENHARIA S.A. e SCHAHIN PETROLEO E GAS S.A. e sua HOLDING SCHAHIN HOLDING S.A.) estabeleceu um complexo sistema que inclui a criacao de um sistema financeiro de captacao e distribuicao que embasa a organizacao do projeto como um todo. Este sistema inclui a criacao formal de "OFFSHORES" que fazem o papel de contratadas FRETADORAS para receber a receita em paises de zona de tributacao favorecida, ou seja, simplesmente para auferir a vantagem tributaria e pagar os financiadores multiplos, alem de despesas ordinarias do projeto. • O proximo passo é a participações e conquista de licitações em convite internacional junto à PETROBRAS (cuja dirigente participacao da SCHAHIN sera exaustivamente comprovada no CAPITULO 5.2), Sociedade de Economia Mista, que se recusa a apresentar documentos obrigatorios em procedimentos licitatorios que deveriam atestar, por exemplo a qualificacao juridica, tecnica e operacional das FRETADORAS. • Importante destacar a busca por financiadores multiplos, inclusive o proprio construtor da embarcacao/plataforma em alguns casos, e a prestacao de garantias pelo GRUPO SCHAHIN para caucionar tais credores. • O proximo passo é o gerenciamento da construcao em estaleiros no exterior (China e Coreia do Sul), com mobilização de empregados da SCHAHIN, criação de escritórios no exterior, contratação de fornecedores nacionais e internacionais para bens e serviços. • Ficam tambem a cargo da SCHAHIN: o acompanhamento dos testes finais, comissionamento, o transporte, aceitacao e homologacao em aguas brasileiras, ou seja, atividades préoperacionais por natureza e que seriam, em tese, funcao e responsabilidade das FRETADORAS. • Tambem na fase OPERACIONAL, despesas atribuídas contratualmente às FRETADORAS "OFFSHORE" são realizadas pela SCHAHIN a titulo de Contrato de Gestao e Reembolso, ou seja, a SCHAHIN abre mao da receita sobre o todo, para somente receber um percentual infimo de 1% sobre os reembolsos. Mas este sera tema arduamente desenvolvido no CAPITULO 5.4 com inequivoca comprovacao de contratos francamente desproporcionais em desfavor da SCHAHIN (o que é um contrassenso para uma atividade economica organizada, que por conseguinte objetiva o lucro). • Em absolutamente nenhuma etapa estudada e compreendida ate entao as FRETADORAS "OFFSHORES" demonstraram efetiva participacao material, seja contratando pessoas fisicas, juridicas, recolhendo tributos, remunerando qualquer ente terceiro, exceto a SCHAHIN. Os socios e representantes legais das FRETADORAS "OFFSHORE" também não se manifestaram a respeito de seus atos constitutivos, administracao, representacao legal, comprovacao da operacao das mesmas e consequentemente a sua capacidade tecnica para vencer as licitacoes. Fl. 9694DF CARF MF 66 CAPITULO 5 DAS ALEGAÇÕES CONTRADITÓRIAS DA SCHAHIN (...) 5.9 CONCLUSÃO DO CAPITULO 5 (pág. 455 do TVF) 5.9.1 Em apertada sintese, as FRETADORAS “OFFSHORES” nao dispoe de competencia operacional (porque somente existem formalmente) em nenhuma fase do projeto, seja na fase precontratual (licitacao), seja na gestao da construcao junto aos estaleiros asiaticos, seja no transporte, comissionamento, operacao no que se refere aos custos/despesas da FRETADORA nesta fase. Tambem e o caso o procedimento de DOCAGEM vista no ITEM 5.5. 5.9.2 Na participacao na licitacao na modalidade convite internacional lancado pela PETROBRAS, a titulo de exemplo, a CASABLANCA contrata a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. para prestar consultoria, ou seja, elaborar a proposta tecnica e demais detalhes. 5.9.3 Na fase de construcao das embarcacoes/plataformas, as FRETADORAS "OFFSHORE" contratam a SCHAHIN ENGENHARIA S.A. para gerir a construcao, assumindo a contratacao de pessoas (empregados da SCHAHIN), fornecedores de materiais e equipamentos, abertura de escritorios internacionais na Asia, alem de promover acompanhamento gerencial juntamente com pessoas designadas da PETROBRAS do andamento do projeto. A receita da SCHAHIN neste complexo trabalho é de US$ 1.000,00 mensais. 5.9.4 Na OPERACAO, as responsabilidades materiais das FRETADORAS sao assumidas pela SCHAHIN mediante reembolso integral e uma módica taxa de administracao de 1% sobre o total reembolsado. 5.9.5 Nestas operações com FRETADORAS três são características marcantes: • Desde a proposta da licitacao a FRETADORA terceirizou o trabalho. • Receita minima a ser tributada no Brasil (US$ 1.000,00 mensais como taxa de administracao da SCHAHIN) nos CONTRATOS DE GESTAO E CONSTRUCAO diante da sistematica de reembolso e nao de receita de prestacao de servicos sobre tudo (reembolso + taxa). • Receita minima a ser tributada no Brasil (1% de taxa de administracao da SCHAHIN sobre os reembolsos) nos CONTRATOS DE GESTAO E REEMBOLSO diante da sistematica de reembolso e nao de receita de prestacao de servicos sobre tudo (reembolso + taxa). • Atividade de DOCAGEM, de elevada complexidade, praticamente um PROJETO PARALELO, e de planejamento, execucao e controle de riscos da SCHAHIN. • Ausencia COMPLETA de atividade operacional das FRETADORAS "OFFSHORE" mais uma vez constatada. 5.9.6 Também nas tarefas de DOCAGEM, MANUTENCAO E REPAROS, a SCHAHIN assume a condição de CONTRATANTE das prestadoras de serviços, determina a coordenação e subordinação das pessoas da própria SCHAHIN ou das PRESTADORAS, pode decidir acerca da contratação de TERCEIROS nas instalações da PRESTADORA e realiza os pagamentos de forma a utilizarse de outras empresas do GRUPO SCHAHIN para o desembolso do recurso (CONSTRUTORA MOGNO LTDA, HHS PARTICIPACOES LTDA) ou mesmo terceiros estranhos à relação contratual (OPINIAO S/A). Fl. 9695DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.663 67 CAPITULO 6 ASPECTOS CONTÁBEIS E OS CONTRATOS (...) 6.6 CONCLUSÃO DO CAPITULO 6 (pág. 507 do TVF) 6.6.1 Alguns lançamentos contábeis contrariam a interpretação formal dos contratos que a SCHAHIN pretende induzir em suas respostas aos Termos de Intimacao. A materialidade que se extrai dos lancamentos é confirmadora de tudo o que vem sendo constatado nos exames dos CAPITULOS anteriores: a SCHAHIN é a única a executar materialmente de forma exclusiva todas das fases do projeto global. 6.6.2 Algumas considerações sobre o tema de REEMBOLSOS são salutares antes das conclusões6: “O reembolso de despesas é prática costumeira nas relações comerciais e ocorre em diversas oportunidades. Em alguns casos, buscase desclassificar os recebimentos de receita para reembolso de despesas a fim diminuir a base de cálculo os tributos. Já em outros, o reembolso é legítimo, considerando que as despesas pagas inicialmente pelo prestador de serviços são, na essência, de responsabilidade da empresa tomadora de serviços (contratante). A Receita Federal do Brasil considera os valores recebidos a título de reembolso como receitas tributáveis, fazendo incidir sobre eles o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido, buscando evitar que o pagamento a esse título, fique alheio à tributação. Contudo, nos casos em que o reembolso for legítimo, assim caracterizado aquele ressarcimento ao prestador de serviços de despesas antecipadas por este mas de responsabilidade do contratante, a tributação como receita será afastada. Para tanto, as empresas deverão observar que: a) o contrato de prestação de serviços deve estipular que as despesas de responsabilidade da contratante serão por ela suportadas, inclusive com os documentos fiscais emitidos em seu nome. Exemplo: No contrato de serviços advocatícios deve ser destacado que as custas judiciais devem ser suportadas pela contratante. Neste caso, as guias das custas devem estar em nome do contratante e não em nome do escritório de advocacia; 6 20 FONTE: http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?home=federal&secao=2&optcase=&page=/index. php?PID=255419&flag_mf=&flag_mt= Fl. 9696DF CARF MF 68 b) na contabilidade do contratado (prestador de serviços) a despesa do contratante por ele paga devem constar em conta do ativo circulante e não como despesa; c) os gastos que por sua natureza fazem parte do custo do serviço a ser prestado (salário dos empregados, benefícios, material de escritório etc) devem ser lançados pela contratada como despesa e o valor recebido da contratante será lançado como receita, ainda que seja intitulado "reembolso de despesa".” 6.6.3 REEMBOLSOS dos CONTRATOS DE GESTAO E CONSTRUCAO sao contabilizados como RECEITAS da SCHAHIN em contrapartida dos CUSTOS/DESPESAS correspondentes, ou seja, assumidos pela SCHAHIN na sistematica da alinea "c", mas infringem a alinea "a" na medida em que todos os documentos fiscais são emitidos em nome da SCHAHIN. 6.6.4 REEMBOLSOS dos CONTRATOS DE OPERACAO E REEMBOLSO ou GESTAO E REEMBOLSO sao inicialmente contabilizados como CUSTOS /DESPESAS da SCHAHIN para que posteriormente sejam estornados com contrapartida de conta do ATIVO com valores a receber, confundindo novamente CONTAS DE RESULTADO da SCHAHIN com a das FRETADORAS "OFFSHORE", fulminando regramentos basicos como a alinea "b" acima. 6.6.5 Em outros casos, e possivel identificar centros de custos que confundem movimentacao financeira de varios projetos de varias embarcacoes. 6.6.6 CIA MS DE PARTICIPACOES Tambem há a constatacao de que recursos provenientes das FRETADORAS "OFFSHORE" são, tratados e nominados como recursos disponibilizados pelos socios em comum (Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin) destinados a elevar investimento em coligadas e controladas da SCHAHIN ENGENHARIA S.A. para posteriormente "retornar" a contas bancárias como devolucao de AFAC (Aportes para futuro aumento de capital). Neste tipo de operacao, os creditos da SCHAHIN com as FRETADORAS "OFFSHORE" simplesmente são "convertidos" em recursos proprios do GRUPO SCHAHIN e AFAC em lançamentos de investidas. 6.6.7 Em suma, as FRETADORAS ostentam uma presenca meramente formal de seu papel atraves dos contratos e a SCHAHIN opera materialmente a execucao de todas as fases do projeto de exploracao da PETROBRAS de forma exclusiva e completa. 6.6.8 Às FRETADORAS "OFFSHORE" cabe somente o papel de existencia formal para possibilitar a movimentacao financeira: o recebimento da receita em Paraisos Fiscais, ou seja, com tributacao favorecida, o pagamento dos credores dos financiamentos multiplos, livrando assim as garantias fornecidas pela SCHAHIN, pagamento da construcao das embarcacoes/plataformas e o lucro liquido depositado em Paraiso Fiscal. Fl. 9697DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.664 69 CAPITULO 7 CONFUSÃO NA RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRA CONTRATUAL (...) 7.4 CONCLUSÃO DO CAPITULO 7 (pág. 520 do TVF) 7.4.1 A conclusão mais uma vez é mordaz. Nenhuma atividade operacional das FRETADORAS "OFFSHORE", sequer para contratar seguros, algo que exige muito pouco perto da construção, operação, manutenção, mas, mesmo assim, é SCHAHIN a encarregada do CONTRATO ORIGINARIO e posteriores ENDOSSOS para as FRETADORAS. CAPITULO 8 UNIDADE DE INTERESSES DE ORDEM PROCESSUAL (...) 8.3 CONCLUSÃO DO CAPITULO 8 (pág. 555 do TVF) 8.3.1 As declarações da SCHAHIN no processo jurisdicional na Corte Distrital de Nova Iorque, assim como os processos tributários na Receita Federal do Brasil (RAT Regime de Admissão Temporãria), os processos de contratação temporária de estrangeiros nos contratos de AFRETAMENTO (Ministério do Trabalho e Emprego) e os processos AIT (Atestado de Inscrição Temporária) na MARINHA DO BRASIL possuem em comum o fato de terem sido declarados oportunamente, independente de intimação em diligência fiscal. De tal sorte que revelam muita informação narrativa dos reais procedimentos adotados e do verdadeiro papel desempenhado pela SCHAHIN, os quais foram omitidos e ate dissimulados em respostas as diligências fiscais instauradas para apuração tributária. 8.3.2 Especificamente, na Corte Distrital de Nova Iorque, a SCHAHIN revela detalhes do funcionamento do fluxo financeiro e interligação de contas bancárias que jamais revelaria no âmbito de intimação de diligência fiscal. 8.3.3 São duas as principais revelações que podem ser extraídas do processo litigioso entre a parte exequenda CIMC RAFFLES (estaleiro construtor da SS PANTANAL e SS AMAZONIA) e a parte executada: SCHAHIN HOLDING S.A., SCHAHIN ENGENHARIA S.A., SEA BISCUIT INTERNATIONAL INC (HOLDING das FRETADORAS BAERFIELD e SORATU), BLACK GOLD DRILLING LLC (subsidiaria integral da SEA BISCUIT), BAERFIELD DRILLING LLC e SORATU DRILLING LLC (FRETADPRAS "OFFSHORE"). • Os fluxos financeiros para as contas do PROJETO GLOBAL sao compostos de receitas "ONSHORE" e "OFFSHORE", ou seja, receitas provenientes dos contratos com a PETROBRAS de AFRETAMENTO e OPERACAO. Ou seja, há DECLARADA confusao entre os contratos agora quanto ao resultado, a destinacao das receitas. Percebese entao que os contratos confundemse na questao meramente formal, na questao patrimonial das garantias, na execucao, na destinacao do resultado e, posteriormente (CAPITULO 9), encerraremos com a confusao societaria. • As contas bancarias que recebem os fluxos financeiros de varios projetos de diferentes plataformas/embarcacoes tambem sao INDISSOCIAVEIS, tanto é Fl. 9698DF CARF MF 70 veridica a informacao, que o banco DEUTSCHE BANK acabou por bloquear todas as contas bancarias relacionadas ao GRUPO SCHAHIN, tendo por consequencia a inviabilizacao da utilizacao de outros projetos relacionados a outras embarcacoes, principalmente SC LANCER, CERRADO, SERTAO e VITORIA 10.000 que tambem utilizam a mesma sistematica, a da confusao financeira e bancaria de mistura de recebimentos e pagamentos provenientes de contratos de FRETADORAS e OPERADORAS das plataformas com a PETROBRAS. CAPITULO 9 COMPROVAÇÃO DA UNIDADE SOCIETÁRIA DA SCHAHIN E FRETADORAS“OFFSHORE" (...) 9.23 CONCLUSÃO DO CAPÍTULO 9 (pág. 689 do TVF) 9.23.1 Os CAPÍTULOS anteriores sempre buscaram as conclusões relacionadas aspectos extrínsecos às pessoas juridicas envolvidas. De outra forma, nas manifestações das FRETADORAS e da SCHAHIN na execução dos contratos e nas atividades acessórias junto aos organismos administrativos fiscalizadores, regulatórios e ordenadores. 9.23.2 Ficou comprovado com segurança e certeza que a realidade de execução exclusiva é total da SCHAHIN em cada fase do projeto global desde a organização financeira dos credores, garantidores e construtores, dos aspectos formais dos contratos, da questao patrimonial das garantias e solidariedade no adimplemento, na execução material principalmente da construção, comissionamento, transporte, aceitação e operação e manutenção, nos lançamentos contábeis, nas atividades processuais em que a cooperação dos negócios jurídicos ganha a versão litigiosa, enfim nas relações jurídicas protagonistas ou que orbitavam em torno do projeto global. 9.23.3 Mas no CAPÍTULO 9 finalmente foram confrontadas as questões intrínsecas às pessoas juridicas, sua composição societária, suas mutações societárias ao longo do tempo. Se na sua formação originária as FRETADORAS "OFFSHORE" eram pessoas jurídicas constituidas única e exclusivamente na figura dos sócios pessoas físicas da SCHAHIN (MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN), a exemplo da AIROSARU e SORATU; sequencialmente foram criadas HOLDINGS e SUBSIDIÁRIAS INTEGRAIS intermediárias que "distanciaram" as pessoas físicas das FRETADORAS. Um claro estratagema para dificultar o acesso aos verdadeiros beneficiários do lucro auferido em Paraísos Fiscais uma vez que o Brasil não possui tratados ou parcerias internacionais com tais países que permitam o acesso direto à composição societária das pessoas jurídicas sediadas em solo com tributação favorecida. 9.23.4 O CAPÍTULO 9 é decisivo na comprovação de que todas as conclusões dos CAPÍTULOS anteriores só podem ser plenamente justificadas com a unidade societária. O destino comum dos recursos expatriados na forma de receita auferida pelas FRETADORAS "OFFSHORE" de forma desproporcional em relação à OPERACAO é o GRUPO SCHAHIN na figura última de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN. Fl. 9699DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.665 71 O que se percebe pelo conjunto probatório, em conjugação com as lições de Marco Aurélio Greco destacadas acima, é que a manifestação da vontade das contratantes diferia da forma adotada nos contratos, que, por sua vez (forma), já apresentava sinais da verdadeira vontade das contratantes. Ainda em lições de Marco Aurélio Greco7, cabe trazer à luz discussão sobre o tão defendido binômio lei e fato. Segundo o jurista, nos casos de planejamento tributário, temos que lidar com três elementos, e não apenas dois. Além da lei e do fato, temos que examinar a qualificação jurídica do fato, pois a lei e o fato são conhecidos, de fácil identificação. O que se deve perquirir é a qualificação jurídica deste, que é resultante de um processo de qualificação da realidade, promovida pelo processo de interpretação/aplicação. Exemplificadamente, para o fisco, uma operação de aumento de capital seguida de cisão seletiva pode significar uma venda e compra com ganho de capital. É neste ponto que a recorrente, com a devida venia, se equivoca, pois traça apenas como premissa a subsunção do fato à lei. Quanto ao elemento "lei", agarrouse das duas conclusões interpretativas possíveis para praticar tal conduta: i) mesmo que não existisse lei, à época dos fatos, serviuse a recorrente, mesmo que de maneira tangencial em sua peça, do brocardo "tudo que não é proibido é permitido"; e/ou ii) existia tal norma legal à época dos fatos quando alega que havia norma do REPETRO permissiva da forma de contratação . Entretanto, esqueceuse a recorrente de que havia um elemento a mais a ser verificado. E é, em relação à qualificação jurídica do fato, que a fiscalização se apoiou para desqualificar a suposta operação de bipartição dos contratos de afretamento e de serviços de operação. Pois, por tudo o que foi juntado e argumentado pelo fisco, comprovase que efetivamente se tratava de apenas uma empresa contratada, qual seja, in casu, a recorrente. A recorrente assume a inteira responsabilidade pelos contratos pela execução material desde a manutenção até todas as fases do projeto de exploração da Petrobrás, a cargo da fretadoras, e é reembolsada pelas fretadoras. Desta forma, vêse que as fretadoras operam apenas formalmente, pois a Schahin é quem executa o contrato. Diante de tudo que foi exposto e demonstrado pela fiscalização, concluo que a bipartição dos contratos foi simulatória, em razão da existência, de fato, somente da empresa Schahin Engenharia. Como visto, entendo que a conduta da recorrente demonstra nítido interesse em mitigar sua carga tributária, por meio de planejamento tributário abusivo, eivado de conduta simulatória, tendo por correta a interpretação dada pela fiscalização. A inexistência de dolo, fraude ou abuso de forma ou de direito A recorrente alega que tanto o afretamento quanto os serviços são amparados por contratos próprios e validados, não apenas pela legislação, como também pela própria jurisprudência administrativa. Supõe em sua defesa que a fiscalização tenha considerado ambas as empresas (fretadora e prestadora de serviços) pertencentes a um mesmo grupo econômico. Pois bem. 7 Marco Aurélio Greco, Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2011, pp. 607 e segs. Fl. 9700DF CARF MF 72 Repiso que a fiscalização afirmou, diante de todo o exposto no TVF, que a empresa offshore não possuía estrutura alguma para ser considerada como uma empresa do mesmo grupo econômico, pois não se revestia dos atributos de uma empresa de fato (pág. 698 do TVF): 10.9.2 Neste contexto fartamente comprovado, não se pode sequer cogitar a existência de GRUPO ECONÔMICO, o qual pressupõe um conjunto de sociedades empresariás que atuam em sincronia, com o intuito de lograr maior eficiência em suas atividades. Ora somente há o conjunto meramente formal, pois as FRETADORAS "OFFSHORE" estão constituídas nos Paraísos Fiscais, ou seja, em tese, possuem personalidade jurídica formal. Não desenvolvem tampouco atividade econômica organizada para a circulação de bens ou serviços (artigo 966 do Codigo Civil) já que não coordenam os meios de produção: capital, mão de obra, tecnologia etc. Outrossim, não se pode cogitar em sincronia já que FRETADORAS "OFFSHORE"e SCHAHIN possuem rigorosamente e, sem comportar exceções, os mesmos administradores e representantes legais, quando muito, os procuradores são pessoas físicas subordinadas à SCHAHIN. Ademais a isso, não há como não concluir pela conduta dolosa e fraudulenta cometida pela recorrente. Com exceção da contratante (Petrobrás), todas as empresas envolvidas, mesmo que indiretamente, pertenciam às mesmas pessoas que comandavam a recorrente. Os contratos foram firmados em prol de uma excessiva evasão fiscal perpetrada pela recorrente. E mais, a contratante esteve envolvida em escândalos de corrupção em que parte deles têm como objeto tais operações de afretamento e serviços de operação. Tanto é que a contratante e diligenciada Petrobrás sequer se interessou em responder à fiscalização sobre as intimações lavradas contra ela, conforme se observa de trecho do TVF (pág. 375): 4.20.4 Já a PETROBRÁS, se esquiva a todo momento a apresentar documentação licitatória de obrigatoriedade constitucional, legal e regulamentar conforme veremos no ITEM 4.204.21. Foram mais de 15 meses de insistentes intimações para apresentação deste quesito: documentos comprobatórios da qualificação jurídica e capacidade técnica e operacional das FRETADORAS “OFFSHORE”. Por fim, nada impede que a SCHAHIN e a PETROBRAS contratem o que bem entendam (dentro do juridicamente permitido) para a fiel realização de suas necessidades negociais, mas se a SCHAHIN é mentora da estrutura financiadora, organiza as propostas vencedoras das licitações das FRETADORAS, gerencia a construção dos navios, testes e configurações, providencia o transporte da embarcação/plataforma, acompanha a homologação pela PETROBRAS no Brasil e promove também a OPERAÇÃO, qual a função da FRETADORA OFFSHORE? Mais uma comprovação de que as FRETADORAS somente emprestam a existência formal para receber a receita majoritária do projeto global em Paraíso Fiscal, livre de tributação. Legalidade da operação Não obstante o argumento de que o modelo por ela adotado é praticado pela indústria de óleo e gás, de acordo com exigências da Petrobrás e do REPETRO, que exigem para fins de admissão temporária da embarcação que esta seja de propriedade estrangeira, bem Fl. 9701DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.666 73 como prevê a possibilidade e mesmo a necessidade de o contrato de afretamento estar vinculado a outro contrato de serviço, entendo que não tem razão a recorrente. O fundamento da autuação é baseado na simulação de toda a operação. Conforme demonstrado pela fiscalização, a recorrente criou operação para se beneficiar de forma de tributação mais benéfica a ela. São muitos indícios de que somente a empresa nacional é quem afretou e prestou os serviços. Não há segregação de receita. Toda receita deve ser imputada à empresa Nacional. A segregação somente serve quando efetivamente ambas as empresas existem de fato. No caso, somente a Schahin existia de fato. Do Parecer Técnico A recorrente juntou parecer técnico contábil na data de 09/03/2017, a partir do qual solicita que os custos apurados pelas empresas fretadoras no exterior deveriam ser aproveitados no lançamento fiscal, para reduzir a base de autuação. Entretanto, além de ter apresentado intempestivamente o referido parecer, não concedendo à 1ª instância a merecida e legal apreciação em respeito ao duplo grau de jurisdiçõa, o parecer apenas aponta valores que supostamente decorreram dos custos das empresas offshores, mas não trouxe nenhum documento adicional que pudesse fazer prova a favor das alegações da recorrente. Por esta razão, indefiro o pedido de aproveitamento de tais custos. Multa Agravada A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional também pugna pela manutenção de referida multa (efl. 3054): E a razão principal e subjacente para a presente multa agravada, conforme descrito no item 11.6.4 do RF, decorre da negativa da contribuinte em apresentar “esclarecimentos e os próprios documentos” relativamente aos “ATOS CONSTITUTIVOS, ELEIÇÃO DE ADMINISTRADORES, PROCURAÇÃO A REPRESENTANTES LEGAIS (...) DAS FRETADORAS OFFSHORE (...)”. [Grifos do original]. Por exemplo, vejase a resposta apresentada à fiscalização: 4. Apresentar planilha com todas as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior nas quais qualquer dos sócios acionistas ou quotistas de pessoas jurídicas do GRUPO SCHAHIN possua participação societária, direta ou indireta. Na mesma planilha, indicar as receitas totais auferidas em contratos com parte sediada no Brasil nos anos de 2008 a 2013. A Declarante não possui a relação indicada. Fl. 9702DF CARF MF 74 Ora, como se viu no trabalho fiscal, a fiscalizada e as afretadoras são partes relacionadas5, condição esta que se mostrou fundamental para a elucidação e formação do convencimento do lançamento, todavia, referida condição foi estrategicamente omitida pela autuada. Assim, a análise dos atos constitutivos e de representação das offshore é essencial para o deslinde da questão quanto aos negócios firmados entre as partes, bem como para a verificação da regularidade dos registros contábeis, razão pela qual depreendese a obrigatoriedade da apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização. Nesse ponto entendo não assistir razão à Fazenda. Já manifestei minha posição em diversos votos no sentido de que para a aplicação do agravamento não pode ser fundamentado tão somente na não apresentação de documentos. É lógico que o cumprimento das intimações daria à autoridade fiscal maior campo de trabalho, bem como maior agilidade no lançamento. Por outro lado, a falta de entrega de documentos fiscais e contábeis possui consequências jurídicas bem definidas, a exemplo do arbitramento. Outrossim, pedidos de dilação de prazo, por si só, também não podem ser usados como fundamento do agravamento, ainda mais diante de um lançamento tão complexo que gerou um TVF de mais de 700 páginas. Assim, voto por dar provimento ao Recurso para afastar o agravamento da multa. Multa Qualificada A fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada por entender que a conduta da recorrente encaixavase no conceito de sonegação e conluio, constantes nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/1964. Alega o fisco que o fato de que as afretadoras offshore que são pessoas jurídicas totalmente inoperantes , nada mais são do que interpostas pessoas dos administradores da SCHAHIN, convenientemente instaladas em paraíso fiscal, tratandose, pois, de hipótese de simulação, prevista no art. 167, §1º, I, do Código Civil de 20028. Quanto a este ponto, a PGFN afirma em suas contrarrazões (efl. 3051): Depreendese dos autos, que o conjunto de atos e negócios jurídicos praticados em conluio, com comando e gerência única, demonstram a intenção em esconder a realidade dos fatos utilizandose de atos e negócios jurídicos, que consideramos inexistentes, para descaracterizar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, restou caracterizado o evidente intuito de fraude definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. 8 Art 167 E nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1 Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (...) Fl. 9703DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.667 75 Ficou suficientemente comprovado que a recorrente simulou e tentou retardar e impedir o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fazendária federal (sonegação). Logo, não há a menor dúvida da caracterização da fraude, tendo em vista a simulação dos negócios pactuados, visando à redução da carga tributária da fiscalizada. Nos dizeres muito elucidativos da fiscalização (fls. 719 a 721): SONEGAÇÃO pelo fato do contribuinte omitir dolosamente com o franco intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte tal qual a composição societária das FRETADORAS “OFFSHORE” e a relação societária entre o GRUPO SCHAHIN e as FRETADORAS “OFFSHORE” e suas HOLDINGS, fato negado até o último instante pelo GRUPO SCHAHIN (mormente SCHAHIN ENGENHARIA S.A.) embora demonstrado com raciocínio pausado e sequencial baseado em dedução lógica “aristotélica” pela fiscalização. FRAUDE pelo fato do contribuinte, em virtude de atitude comissiva, intentando excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal (tal como pretendendo fazer crer que o sujeito passivo a realizar a receita de AFRETAMENTO com a PETROBRAS são as FRETADORAS “OFFSHORE” completamente independentes e dissociados do GRUPO SCHAHIN) de modo a omitir por completo o montante do tributo devido. CONLUIO pelo fato do contribuinte contratado SCHAHIN ENGENHARIA S.A. e a contratante PETROBRAS conforme demonstrado no ITEM 4.21, agirem conjuntamente na execução dos contratos licitados já que os pares FRETADORES e OPERADORES são sempre “OFFSHORE” do GRUPO SCHAHIN ou dos sócios do GRUPO SCHAHIN e SCHAHIN ENGENHARIA S.A. ou SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S.A. A PETROBRAS se recusa a detalhar os resultados da licitação na modalidade CONVITE INTERNACIONAL que geraram tais contratos “casados”, mas que deveriam ser juridicamente e faticamente independentes (como alegam a PETROBRAS e a SCHAHIN). Ademais, a PETROBRAS se recusa de modo categórico a apresentar documentos obrigatórios em procedimento licitatório relacionado às FRETADORAS, tais como habilitação jurídica, técnica, operacional, tributária, etc (...) CONLUIO também do GRUPO SCHAHIN no Brasil com o preposto KENJI OTSUKI, ADMINISTRADOR de algumas FRETADORAS “OFFSHORE” e REPRESENTANTE de outras nos contratos de AFRETAMENTO com a PETROBRAS conforme as demonstrações do ITEM 4.13. Não obstante ser representante de algumas sociedades (administrador, ou seja, a própria pessoa jurídica em ação), com poderes diretivos portanto, KENJI OTSUKI afirma em resposta à diligência fiscal não deter nenhum documento ou detalhes das funções exercidas. Fl. 9704DF CARF MF 76 PRÁTICA REITERADA já que o “modus operandi” se protrai no tempo de forma longeva através dos diferentes PROJETOS conforme a linha do tempo do próprio sitio da SCHAHIN: Quanto à caracterização do dolo, necessário, inicialmente, trazer o seu conceito. No ponto, será utilizada a lição de Rogério Greco, da obra Curso de Direito Penal, Parte Geral (4ª edição, editora Impetus, Rio de Janeiro, 2004): O dolo é a vontade livre e consciente dirigida a realizar a conduta prevista no tipo penal incriminador. Conforme preleciona Welzel, “toda ação consciente é conduzida pela decisão da ação, quer dizer, pela consciência do que se quer – o momento intelectual – e pela decisão a respeito de querer realizálo – o momento volitivo. Ambos os momentos, conjuntamente, como fatores configuradores de uma ação típica real, formam o dolo (= dolo do tipo)”, ou, ainda, na lição de Zaffaroni, “dolo é uma vontade determinada que, como qualquer vontade, pressupõe um conhecimento determinado”. Assim, podemos perceber que o dolo é formado por um elemento intelectual e um elemento volitivo. Para que exista o dolo, imprescindível que o agente tenha consciência do que está fazendo e tenha vontade de praticar a conduta, para atingir determinada finalidade. As provas colhidas no processo bem demonstram a existência desses dois requisitos. Os responsáveis autuados agiram de forma livre e consciente, com a finalidade de reduzir a carga tributária. Neste ponto socorrome a trecho do Acórdão recorrido que muito bem analisou a questão, e com o qual concordo inteiramente: No caso concreto, é inequívoca a unicidade dos contratos, cuja execução coube exclusivamente à SCHAHIN. A bipartição dos instrumentos foi realizada de maneira artificial, caracterizando o cometimento de simulação relativa. O dolo específico da autuada é evidente e está particularmente revelado na resposta dirigida à fiscalização, quando do atendimento ao TIF nº 03 (ver fl. 145 do processo em apenso). Intimada a apresentar “planilha com todas as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior nas quais qualquer dos sócios acionistas ou quotistas de pessoas jurídicas do GRUPO SCHAHIN possua participação societária, direta ou indireta (...)”, a fiscalizada respondeu: “A Declarante não possui a relação indicada”, evidenciando claramente o intuito de ocultar a verdade à fiscalização. De outro lado, não é razoável admitir que todo o conjunto de ações perpetradas pelos agentes tenha sido realizado sem a exata consciência da ilicitude dos fatos. Pois como se viu à exaustão, as afretadoras offshore são simplesmente inoperantes. É insubsistente, portanto, a alegação da interessada de que os “os Impugnantes jamais se utilizaram de artifícios para ocultar a real situação fática e nem muito menos para evadir o recolhimento de tributos”. Tais artifícios foram utilizados de Fl. 9705DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.668 77 maneira contínua, ao longo de toda a execução dos contratos e até mesmo nas etapas que precederam à sua formalização. Ao contrário do que alega a interessada, as DIPJ, livros fiscais e documentos comerciais foram registrados sem a inclusão das receitas pertinentes aos atos simulados, além de ter havido – sim – omissão quanto à apresentação determinadas informações requeridas pela fiscalização. Destaco, nesse particular, a sequência de intimações desatendidas que repercutiram na lavratura do auto de embaraço de fls. 2052 e seguintes. Como corolário do entendimento de que houve simulação no caso concreto, resta acertada a aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96. O contribuinte, de maneira inequivocamente dolosa, praticou atos jurídicos de maneira a dissimular que as receitas derivadas dos contratos de afretamento formalizados junto à Petrobras foram de fato auferidas pela SCHAHIN. É nítido, pois, o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de IRPJ, CSLL e PIS/COFINS, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal. De outro lado, o fato de a contratante Petrobras “conhecer e aquiescer a sistemática da simulação” [tal qual caracterizado pela fiscalização junto ao item 11.6.3 do RF], combinado à negativa da estatal de apresentar à fiscalização documentos licitatórios pertinentes aos contratos de afretamento [conforme evidenciado no item 2.2.6 do RF], faz incidir a hipótese normativa de conluio, prevista no art. 73 da Lei nº 4.502/1964. Por estas e pelas demais razões já expostas no presente voto, entendo que deva ser mantida a qualificação da multa. Solidariedade Ora, tendo a distribuidorafiscalizada gerado vantagens ilícitas a terceiros por meio de operações fraudulentas, não é crível que os seus sócios administradores tenham ignorado esse fato; ao contrário, o natural é que os sócios administradores tenham o controle gerencial sobre as operações comerciais realizadas supervisionando sua execução. O volume dos contratos e operações, o modus operandi e a prática reiterada tornam inafastável a conclusão de que os sócios administradores aquiesceram com as práticas dolosas. O que se quer concluir aqui, portanto, é que não se trata de presunção de solidariedade, como quer fazer crer a parte recorrente. Isso porque estamos diante de hipótese de uma imputação de responsabilidade solidária ex lege. Os sócios administradores Fl. 9706DF CARF MF 78 concorreram, diretamente para a prática de infrações à legislação tributária, razão pela qual não é possível deixar de lhes imputar tal responsabilidade por força dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, conforme veremos no presente capítulo. A SCHAHIN, na figura de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN, juntamente com as suas FRETADORAS “OFFSHORE” e suas HOLDINGS pertencentes a estes sócios da SCHAHIN, ou, quando muito, por meio de procuradores com vínculo de subordinação a fiscalizada e tais sócios, que se desdobram em inúmeras contas correntes no exterior para auferirem os resultados livres de muitas obrigações tributárias acessórias e principais. No intuito de caracterizar o interesse comum, a fiscalização envidou considerável esforço, desvelando inúmeros negócios jurídicos contaminados por simulação em que foram protagonistas os sócios administradores Milton e Salim Schahin, conforme analisado nos tópicos precedentes, em especial junto ao item “II.7 Do dolo, fraude, simulação ou abuso”. Não há o que reparar, portanto, em relação ao enquadramento dos fatos ao tipo normativo do art. 124, I, do CTN. Igualmente acertada a responsabilização pessoal dos agentes, perpetrada em face do artigo 135 do CTN. A execução sistemática de atos simulados subsumese inequivocamente ao tipo legal de “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei”, de que trata o caput do artigo. Assim, mantenho a responsabilização solidária. Da não incidência de juros sobre as multas. A contribuinte questiona a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Cumpre esclarecer, inicialmente, que a exigência de juros moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Registrese que a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, transcrito abaixo: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento Fl. 9707DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.669 79 do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (ressaltei). Dessa forma e levandose em consideração que, de acordo com o CTN, arts. 113, §1° e art. 139, a multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Nesse sentido o acórdão do Carf: JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO TAXA SELIC A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. (Acórdão 10515211 Data da Sessão: 07/07/2005). Assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, uma vez que compõe o crédito tributário. A respeito de ser inconstitucional, como anteriormente esclarecido, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, não deve emitir qualquer juízo de valor acerca da constitucionalidade das leis. Da aplicação da Selic No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase pacificada no âmbito do Carf, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 9708DF CARF MF 80 Ademais, a falta de pagamento do tributo devido no prazo legal caracteriza a mora e sobre ele incidem os acréscimos legais (art. 61 e §§ da Lei nº 9.430, de 1996), independentemente dos motivos que levaram ao atraso (art. 161 do CTN). A lei não prevê hipóteses de exclusão dos acréscimos moratórios.: CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais, a falta de pagamento do tributo devido no prazo legal caracteriza a mora e sobre ele incidem os acréscimos legais (art. 61 e §§ da Lei nº 9.430, de 1996), independentemente dos motivos que levaram ao atraso (art. 161 do CTN). A lei não prevê hipóteses de exclusão dos acréscimos moratórios. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos não recolhidos. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, pelas razões Fl. 9709DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Acórdão n.º 1401003.139 S1C4T1 Fl. 9.670 81 acima aduzidas, tão somente para afastar a multa agravada em razão do suposto embaraço à fiscalização. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 9710DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.901129/2008-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2000
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2000
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2000 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2000 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2000 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 11 29 /2 00 8- 20 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 415 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1049.563, de 10/04/2014 (efls. 373 a 375). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] A contribuinte apresentou PER/Dcomp em 12/03/2004, com vistas a compensar os débitos nela discriminados com crédito no valor original de R$28.433,93, oriundo de pagamento indevido ou a maior. Em 09/05/2008, a autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório eletrônico, não reconheceu o direito creditório, afirmando que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 07). A ciência da decisão acima referida ocorreu em 20/05/2008 (fl. 10). Em 12/06/2008, a contribuinte apresentou petição (fls. 1117), na qual afirmou, em síntese, ter cometido erro no preenchimento da declaração de compensação, na qual constou o valor originário recolhido sem qualquer atualização respeitante aos juros, adiantamentos e compensações posteriores; refere que possuiu crédito suficiente para abarcar as compensações realizadas e que há erro tão somente na obrigação acessória da entrega da declaração. Solicitou que seja acolhida a Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 416 3 manifestação de inconformidade, reconhecido seu crédito e homologada a compensação. [...] A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, argumentando que o art. 57 da IN SRF n.º 600/2005 não permitia retificação da DCOMP após a ciência do Despacho Decisório, pelo contribuinte, que a atualização monetária do pagamento dito indevido ou a maior fora feita através do programa gerador do PER/DCOMP, e que havia débito declarado em DCTF vinculado ao referido pagamento, o que motivou o contribuinte pleiteante a interpor recurso voluntário, em 15/09/2015 (efls. 380 a 389), no qual alega, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCOMP com valor do pagamento indevido/a maior de R$ 28.433,93 sem proceder à atualização monetária na forma dos demonstrativos que traz anexados; b) Tinha saldo a seu favor maior que o valor R$ 28.433,93, apurado nos anos calendário 2000 a 2004, conforme consta nos documentos que juntou aos autos; c) A DRJ/POA não teria conhecido da manifestação de inconformidade, deixando de analisar as alegações ali apostas. Por fim, pede pela nulidade da decisão recorrida, por nova análise das decisões que não homologaram a compensação, e pela suspensão da exigibilidade do débito correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. 1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida. Possibilidade de correção do erro formal ocorrido. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 417 4 O recorrente pugna pela nulidade do Acórdão n.º 1049.563, da DRJ/POA, de 10/04/2014, porque no seu entender haveria a possibilidade da correção do erro formal ocorrido, e teria então a Turma Julgadora da DRJ deixado de analisar as razões da manifestação de inconformidade. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure ou se impulsione o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As decisões das DRJs e do CARF, como atos administrativos, devem estar revestidas dos atributos que lhes conferem validade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado, o ato administrativo deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As autoridades tributárias responsáveis pelo julgamento de 1.ª instância agiram em cumprimento com o dever de ofício, e com zelo e dedicação as atribuições afetas ao cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o ato decisório, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.3 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional4. Ao contrário do que aponta o recurso voluntário, a manifestação de inconformidade foi, sim, conhecida, tendo sido objeto de julgamento, como denotam a ementa e o texto do voto, no corpo do acórdão recorrido. O desenvolvimento das razões de decidir não deixa dúvida relativamente aos fundamentos daquela decisão: 1) O art. 57 da IN SRF n.º 600/2005 não permite retificação da DCOMP após a ciência, pelo contribuinte, do Despacho Decisório; 2) Que, ao contrário do que afirma o contribuinte na manifestação de inconformidade, o valor informado como crédito foi atualizado de R$ 40.351,12 para R$ 48.360,43 (efl. 3); e 3) Houve débito declarado em DCTF vinculado ao referido pagamento, e que isso difere bastante da hipótese de erro no preenchimento da declaração. Logo, é de se 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 418 5 concluir que as alegações contidas na manifestação de inconformidade foram, sim, analisadas pela 1.ª Turma Julgadora da DRJ/POA. Assim, o Acórdão da 1.ª TURMA/DRJ/POA n.º 1049.563, de 10/04/2014 contém todos os requisitos legais, o que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que está instruído com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. Não obstante, a maneira como foram enfrentadas as questões na peça de defesa denota compreensão da fundamentação e da base legal correlata que ensejaram a não homologação expressa na decisão recorrida, não havendo qualquer indicativo de lesão aos princípios da ampla defesa e do contraditório. 2. Mérito. Ônus probatório. Liquidez e certeza do crédito nos procedimentos de compensação de tributos. De início, faz bastante sentido reproduzir alguns trechos do recurso voluntário, abaixo, para que seja confirmado que o núcleo da contestação ali exposta é que teria havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois não teriam sido considerados na composição de seu crédito atualizações de juros, adiantamentos e compensações posteriores, e que este erro deveria ser objeto de nova análise: [...] 3. Em 12/06/2008, a Recorrente apresentou petição em sede de Manifestação de Inconformidade, no qual afirmou, em síntese, ter cometido erro no preenchimento da declaração de compensação, eis que teria constado o valor originário recolhido sem qualquer atualização quanto aos juros, adiantamentos e compensações posteriores, mas que havia crédito suficiente para abarcar as compensações realizadas, e que havia apenas erro na obrigação acessória da entrega da declaração, razão pela qual o pleito deveria ser acolhido, com o reconhecimento do crédito e homologada a compensação. (grifo no original). 4. Todavia, não foi esse o entendimento da 1ª Turma da DRJ/POA, [...] [...] 7. Ora Srs. Julgadores, [...] a Recorrente possuía sim crédito em seu favor de valor mais do que suficiente para efetuar o pagamento do débito indicado na PER/DCOMP, via compensação, na forma prevista no artigo 170, do Código Tributário Nacional, como se verifica da planilha que instruiu a manifestação de inconformidade, apta a comprovar de modo inequívoco a existência de crédito líquido e certo em favor da Contribuinte. (grifei aqui). 8. Ocorre que, quando do preenchimento da Declaração de compensação, via PER/DCOMP, por lapso, a Impugnante acabou por informar que tinha saldo a seu favor de valor equivocado. Pois bem, naquela oportunidade, isto é, em 12.03.2004, a Impugnante informou que possuía crédito em seu favor no valor de de R$ 28.433,93, quando em verdade possuía saldo favorável total à época de valor mais do que suficiente para suportar o pagamento da compensação. Referido saldo favorável foi apurado nos períodos compreendidos entre 2000 a 2004, como se verifica da acostadas aos Autos (sic). (grifos no original). Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 419 6 [...] 13. Embora, num primeiro momento, tenha ocorrido erro no preenchimento de declaração de compensação, buscou a contribuinte retificálos na interposição das manifestações de inconformidade apresentadas. 14. Por conseguinte, sendo indiscutível que a não homologação da compensação decorreu exclusivamente do erro no preenchimento do documento eletrônico, merecem ser anuladas as decisões que não homologaram as compensações em exame, devendo ser devolvidas às declarações de compensação à autoridade fiscal para nova análise, com a devida correção do erro formal relativo ao valor dos créditos compensáveis. (grifei aqui). [...] 16. Nesse sentido, vale ressaltar, a jurisprudência pátria vem entendendo ser perfeitamente possível admitir a hipótese de que as decisões que não homologaram as compensações em exame devem ser à autoridade fiscal para nova análise (sic), com a devida correção do erro formal relativo ao valor dos créditos compensáveis quando buscou a contribuinte retificálos na interposição das manifestações de inconformidade, como se depreende da seguinte ementa, em situação absolutamente idêntica à presente: (grifei). TRIBUTÁRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. APRECIAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. ANULAÇÃO DOS DESPACHOS. CABIMENTO. 1. A análise dos documentos demonstra que os pedidos de compensação (...) (grifei). [...] Antes de mais nada, é bom que se diga que o caráter inequívoco da confirmação do seu crédito, que o recorrente entende estabelecido pela planilha que foi acostada aos autos acompanhando o recurso voluntário — e que entende justificar a devolução do processo para que a autoridade fiscal proceda a nova análise do erro formal —, não se faz amparar por qualquer documento probatório que dê base aos dados contidos na planilha elaborada pelo próprio recorrente. Outra observação inicial importante é a de que o julgado colacionado ao corpo do recurso voluntário já traz no início de sua ementa o elemento condicionante que é o contexto probatório, particular para cada caso concreto, o que não caracteriza, de jeito algum, "(...) situação absolutamente idêntica à presente", como afirma o recorrente. Aliás, pelo contrário, é o que diferencia os casos. Deve restar consignado ainda que o julgado colacionado no recurso voluntário indiscutivelmente não traz qualquer semelhança com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF n.º 343/2015 (RICARF). O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 2 a 6, e data de 12/03/2004. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 420 7 O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior5. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois essas provas do direito creditório são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente oportunidades para tal, visto que não foram juntadas às peças de defesa administrativa impetradas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações6. Cabe no processo administrativo a aplicação dos arts. 333, do CPC, e 373 do NCPC. Não há oposição deste relator à razoabilidade da busca da verdade material no processo administrativo. Isso não afasta, porém, a observação obrigatória da minúcia adstrita aos pedidos de compensação de tributos: o ônus da prova do direito creditório alegado é do contribuinte: Lei n.º 5.869/73 (CPC): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Lei n.º 13.105/2015 (NCPC): (...) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) A necessidade de se apurar a liquidez e certeza do crédito alegado em pedido de compensação decorre do texto legal do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 421 8 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei). Dado que a questão da nulidade pugnada pelo recorrente já fora analisada no item "1" deste voto, será dada atenção à pretensão do recurso quanto à devolução dos autos para que seja providenciada nova análise dos créditos compensáveis sob a influência do erro de preenchimento apontado. A propósito, a leitura do recurso voluntário permite concluir que ali se noticia erro de preenchimento do PER/DCOMP, conquanto o recorrente ora se refira a erro no PER/DCOMP, ora erro na DCTF. Diante dos elementos contidos no processo, não há razão para que se examine a possibilidade de remessa para que a autoridade fiscal refaça análise do PER/DCOMP em face do erro de preenchimento alegado em recurso voluntário. Embora o CARF não faça mais juízo absoluto a respeito da impossibilidade de retificação ou avaliação de noticiado erro de preenchimento da DCOMP após a ciência, pelo contribuinte, do Despacho Decisório (art. 57 da IN SRF n.º 600/2005), é preciso que nos autos sejam juntadas provas robustas na direção da verossimilhança que justifique tal retificação/reavaliação. Vale bastante a leitura dos artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n.º 70.235/72. A leitura associada permite concluir pela realização de diligências somente quando houver dúvida razoável que possa ser sanada pela medida, e quando se demonstrar necessária sua providência, não para sanar ausência de produção de prova de responsabilidade do contribuinte que pretende compensar tributos, provas das quais já tinha a posse ou acesso, e para as quais o termo limite para apresentação seria o momento da interposição da manifestação de inconformidade. Sequer foi juntado ao recurso voluntário material probante nessa linha, que pudesse suscitar dúvida capaz de contextualizar a circunstância processual sob a necessidade de busca de uma verdade material. Decreto n.º 70.235/72: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 422 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) (grifei). Registro que falase aqui em diligência que possa ser solicitada por esta Turma Julgadora, tão somente, uma vez que não consta dos pedidos inseridos no recurso voluntário. O que o recorrente traz como material probante se resume a uma planilha elaborada por ele próprio e cópias das páginas do PER/DCOMP. O conjunto probatório referente às argumentações de defesa deveria conter cópias de sua escrita contábil/fiscal com os lançamentos que compuseram os valores de IRPJ apurados, pagos, compensados etc., registros das receitas e das apurações de resultado, cópias das DIPJs, DCTFs e DARFs correspondentes aos períodos de interesse (anos calendário 200 a 2004), documentos bancários (extratos, comprovantes de pagamento) e/ou outros que pudessem contribuir para evidenciar o erro alegado e, consequentemente, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tudo isso já se encontrava em posse do recorrente ao tempo da manifestação de inconformidade, ou a seu alcance. Em que pese tudo acima, ainda que expirado o prazo legal para apresentação das provas (§ 4.º do art. 16 do Dec. n.º 70.235/72), a conjuntura de eventuais novas provas trazidas com substancial verossimilhança que apontassem com muita solidez para a Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 423 10 racionalidade dos argumentos contidos no recurso voluntário, ou seja, para que se confirmasse o erro de preenchimento do PER/DCOMP, poderia talvez ensejar diligência na busca de uma verdade material. Em favor do conhecimento e valoração dos elementos probatórios segundo estas circunstâncias descritas, alinhamse diversos julgados do CARF, como ilustra um deles: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão n.º 1803000.765, 3.ª Turma Especial, 02/04/2011). Todavia, dado que o retorno dos autos para a Unidade Preparadora (DRF ou equivalente) teria tão somente o propósito de permitir àquela unidade solicitar ao recorrente as informações que este já poderia e deveria ter juntado aos autos, ultrapasso a medida da diligência por entendêla, neste caso, desnecessária. Aos órgãos julgadores não é dada competência para proceder auditoria, direta ou indiretamente. O certo é que o crédito pretendido pelo recorrente na forma como indicado na PER/DCOMP fora utilizado integralmente para quitar débito do mesmo período, informado em DCTF, deixando o recurso voluntário de demonstrar a existência do alegado crédito excedente que supriria o valor do débito que foi, segundo o recorrente, compensado com crédito cujo valor teria sido erroneamente declarado. É de se registrar que a cobrança do referido débito indicado no PER/DCOMP já se encontra sob o que dispõe o art. 151, III, do CTN, e assim perdurará desde que haja recurso pendente. Pelas razões expostas, não há contexto de provas capaz de retificar o Despacho Decisório de efl. 7, que vincula o pretenso crédito a débito confessado pelo próprio contribuinte recorrente. Por fim, no que ser refere a atualização por juros do valor do crédito pleiteado pelo recorrente, tão alardeada no seu recurso voluntário, é preciso consignar concordância com as conclusões da decisão recorrida a respeito: está mais do que claro que a atualização do crédito indicado no PER/DCOMP foi realizada, conforme demonstra a página 2 do referido PER/DCOMP, n.º 31383.07359.120304.1.3.040873, efl. 3 deste processo. Nada foi apresentado no recurso voluntário em termos de contestação das normas que regem os cálculos e parâmetros utilizados pelo programa PER/DCOMP na atualização dos créditos, tampouco, como já dito, em termos de comprovação dos valores constantes da planilha anexa ao referido recurso. Por tudo analisado, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13819.901129/200820 Acórdão n.º 1002000.618 S1C0T2 Fl. 424 11 É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.729292/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PROVISÕES POR CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. ADIÇÃO DAS DESPESAS CONTABILIZADAS DE FORMA DIVERSA DA PREVISTA EM LEI. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO.
A adição ao lucro real da diferença entre as despesas com provisões de PCLD e as receitas devidas por suas reversões produz o mesmo impacto que sucederia se o sujeito passivo tivesse adicionado a totalidade das despesas com as provisões e excluído a totalidade das receitas com as reversões, como previsto em lei.
REVERSÃO DE PROVISÃO.
A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL.
As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas.
Numero da decisão: 1402-003.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PROVISÕES POR CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. ADIÇÃO DAS DESPESAS CONTABILIZADAS DE FORMA DIVERSA DA PREVISTA EM LEI. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A adição ao lucro real da diferença entre as despesas com provisões de PCLD e as receitas devidas por suas reversões produz o mesmo impacto que sucederia se o sujeito passivo tivesse adicionado a totalidade das despesas com as provisões e excluído a totalidade das receitas com as reversões, como previsto em lei. REVERSÃO DE PROVISÃO. A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL. As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 92 92 /2 01 4- 90 Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.528 2 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.529 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário face v. acórdão proferido pela DRJ que cancelou parcialmente a autuação para afastar os efeitos da infração por adições não computadas na apuração do lucro real, no valor de R$ 32.968.353,08, do que resulta a inexigibilidade de IRPJ e CSLL e o ajuste dos valores de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, conforme tabela de fls. 8 do v. acórdão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior e Indústria, de São Paulo (SP), lavrou autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), constituindo crédito tributário total de R$ 8.734.597,54, considerando consectários legais calculados até dezembro de 2014. Segundo a fiscalização da unidade fiscal, a contribuinte cometeu duas irregularidades que deram ensejo às autuações: A) adição ao lucro real inferior à devida: ponderandose a indedutibilidade das despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD), a contribuinte adicionou apenas R$ 6.540.044,61 de um total de R$ 39.508.397,69, deixando de considerar a diferença de R$ 32.968.353,08 na apuração do IRPJ e da CSLL; e B) exclusão indevida ou não autorizada de R$ 39.611.686,08 na determinação do lucro real – falta de comprovação de que a exclusão por “reversão dos saldos das provisões não dedutíveis” (linha 40 da ficha 09A da DIPJ/2010) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/09. A autuada foi cientificada dos lançamentos em 22/12/14 e apresentou impugnação em 19/1/15. A interessada requer a procedência da impugnação e o cancelamento dos autos de infração, tendo em vista o cometimento de irregularidades na autuação, conforme a seguir resumido: a) a fiscalização equivocouse em relação aos procedimentos contábeis adotados pela defendente e analisou a legislação de forma superficial; b) o auditor adotou indevidamente os saldos das contas do ativo ao final de 2009 como constituição de “Provisão para Devedores Duvidosos” (PDD) quando deveria considerar a diferença entre as constituições e reversões que ocorreram durante o ano calendário; c) os saldos de PDD obtiveram um acréscimo em 2009 de R$ 8.508.241,32, pois somavam R$ 31.000.156,37 em 31/12/08 e alcançaram R$ 39.508.397,69 ao final de 2009; Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.530 4 d) o valor adicionado ao saldo de PDD no decorrer do ano calendário 2009 era composto de uma parte indedutível de R$ 6.540.044,61 e outra dedutível de R$ 1.968.196,71; e) o valor de PDD de 2008 não poderia ser somado à movimentação ocorrida no ano de 2009, sob pena de bitributação, pois aquela quantia já fora tributada em momento oportuno; f) os valores adicionados ao lucro real podem não ser necessariamente os mesmos registrados nas linhas 30 das fichas 6A e 7A; g) a reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, no montante de R$ 39.611.686,08, foi devidamente contabilizada, assim como considerada na apuração do lucro real e lançada na linha 40 da ficha 09A da DIPJ; h) o saldo de R$ 39.611.686,08 foi composto de reversões de provisões destinadas a comissão sobre vendas, ajuste a preço de mercado ou materiais obsoletos, compra de opções, ICMS, demais reversões de ajustes para valor presente, riscos de fiança (Cooperlucas), despesas de importação e contingências de PIS/COFINS; i) a reversão da provisão para comissão sobre vendas, considerada por R$ 3.699.152,09, resulta de provisões adicionadas no anocalendário imediatamente anterior, que, se não excluídas, acarretariam bitributação; a reversão não foi escriturada como receita em 2009 porque se constituía de valores contabilizados até 31/12/08; j) a reversão da provisão para ajuste a preço de mercado ou materiais obsoletos, considerada por R$ 2.895.759,05, consiste em exclusão registrada no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), cujo valor não será encontrado em receitas em 2009, uma vez que é composto de valores históricos, contabilizados até 31/12/08; k) a reversão da provisão para compra de opções, considerada por R$ 22.214.840,69, exclui valores de provisões que foram adicionadas no ano imediatamente anterior e que igualmente não serão encontrados em conta de receitas de 2009; l) a reversão da provisão para ICMS, considerada por R$ 3.151.960,16, compõese em valores adicionados e excluídos mensalmente no lucro real, de acordo com a variação dos saldos e expectativa de recuperação dos créditos de ICMS, sendo decorrente da compensação entre despesas e receitas no preenchimento da DIPJ, porém demonstrado de maneira analítica no Lalur: adição de R$ 10.174.180,25 e exclusão de R$ 3.151.960,16; m) as demais reversões de ajustes para valor presente, consideradas por R$ 4.522.740,65, compõemse de valores adicionados e excluídos mensalmente no lucro real nas contas Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.531 5 dessa natureza, cuja movimentação total de R$ 4.522.740,65 foi deduzida das provisões de R$ 2.079.647,49, resultando no saldo de R$ 2.443.093,16, lançado na linha 34 da ficha 06A da DIPJ (“o montante de R$ 4.522.740,65 foi excluído na apuração do lucro real e lançado na DIPJ como receita pelo valor líquido de R$ 2.443.083,16”) ; n) a reversão da provisão para riscos de fiança, considerada por R$ 2.500.000,00, decorre da quitação dos débitos em outubro de 2009, comprovada por registros na parte A e B do Lalur; o) a reversão da provisão para despesas de importação, considerada por R$ 471.145,64, não exigiu registro em contas de receitas no anocalendário 2009, tendo sido excluída do lucro real em decorrência de adições realizadas até 31/12/08, com objetivo de evitar a adição em duplicidade; p) a reversão da provisão para contingências de PIS/COFINS, considerada por R$ 156.087,80, também resultou de valores adicionados em períodos anteriores, não exigindo a contabilização em receitas em 2009; q) a jurisprudência administrativa citada no auto de infração é favorável à impugnante, uma vez que preconiza serem não tributáveis as reversões de provisões indedutíveis. A contribuinte cita e transcreve dispositivos do RIR/99, assim como comenta jurisprudência e anexos à impugnação. É o relatório. Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.532 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Do Recurso de Ofício: A matéria a ser analisada no julgamento do Recurso de Ofício é relativa a primeira infração abaixo descrita: A) adição ao lucro real inferior à devida: ponderandose a indedutibilidade das despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD), a contribuinte adicionou apenas R$ 6.540.044,61 de um total de R$ 39.508.397,69, deixando de considerar a diferença de R$ 32.968.353,08 na apuração do IRPJ e da CSLL; Em relação a está infração que foi cancelada pelo v. acórdão recorrido relativa a adição insuficiente de Provisões de Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) não computadas na apuração do lucro real, no importe de R$ 32.968.353,08, resultando na falta de inclusão na base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre este valor acima indicado, entendo que a decisão 'a quo' deve ser mantido nesta parte. Sendo assim, para evitar repetições, utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto e para ajudar o entendimento dos meus pares colaciono abaixo as tabelas que foram utilizadas pelo I. Relator para decidir pela improcedência da primeira infração. (Os principais documentos utilizados pelo Relator em relação a matéria analisada no Recurso de Ofício estão nas fls.472/493 dos autos paginas 3 e 4 do arquivo eletrônico, junto com as tabelas da paginas 8 e 9 do arquivo eletrônico). Adição insuficiente de provisão com PCLD indedutível Ao esclarecer à fiscalização sobre a composição da adição ao lucro real de R$ 46.193.807,84, a título de despesas operacionais não dedutíveis (linha 5 da ficha 9A da DIPJ/10), a interessada informou que a parcela de R$ 6.540.044,61 desse montante corresponderia ao contabilizado na rubrica “3230100101 – Provisão para devedores duvidosos, IN RF 80/93”, cujo saldo de R$ 46.798.090,54 (fls. 324/337 página 17 do arquivo eletrônico ou 14 do Razão Contábil e página 54 do arquivo eletrônico ou 37 do Razão Contábil), adicionado ao da rubrica “3230200101 – Perda de recuperação de crédito – Lei 9.430/96, art. 9º” (R$ 1.534.517,66), representaria o total do débito com perdas em operações de crédito de R$ 48.332.608,20, informado na linha 22 da ficha 5A da DIPJ/10. Uma planilha apresentada pela fiscalizada, informando as movimentações envolvendo a rubrica contábil 3230100101 (PDD) em 2009, revela a constituição de provisão de contas patrimoniais passivas no montante de R$ 47.203.417,64 (fls. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.533 7 324/337). Contudo, um resumo da movimentação dessas contas, também trazido pela contribuinte, identifica um total das provisões pelo valor de R$ 39.508.397,69, sendo R$ 21.354.033,68 qualificado como indedutível e R$ 18.154.364,01, como dedutível (fl. 479). O autuante entende que o valor adicionado de R$ 6.540.044,61 pelas provisões de devedores duvidosos seria insuficiente, pois faltariam R$ 32.968.353,08 para que fosse alcançado o montante de despesas com provisão por créditos de liquidação duvidosa (PCLD), cujo valor que considerou indedutível era de R$ 39.508.397,69. Por outro lado, a impugnante defende que a quantia adicionada de R$ 6.540.044,61 corresponderia à movimentação da conta no anocalendário 2009, em resultado que comporia a diferença entre as constituições e reversões do período, como demonstrado em tabelas da fl. 479. Contudo, o procedimento da contribuinte não acompanhou a legislação, que determina adição das provisões (despesas) indedutíveis ao lucro líquido do período de apuração. As mesmas tabelas apresentadas revelam um crédito total de R$ 47.130.496,79 nas contas retificadoras de ativo de PCLD, o que pressupõe contrapartida com conta de resultado (despesa). A interessada detalhou que o valor de R$ 40.639.849,22, informado como reversão dos saldos das provisões operacionais (linha 30 das fichas 6A1 e 7A da DIPJ/10), constituiuse da soma de duas rubricas: “4510100101 – Reversão Devedores Inc. 9.430, art. 9º”, por R$ 38.289.849,22, e “3230300101 – Recuperação de crédito Lei 9.430/96, art. 12”, por R$ 2.350.000,00 (fl. 474). A parcela vinculada à reversão de provisões indedutíveis guarda proximidade com o débito total de R$ 38.622.255,48, informado nas contas retificadoras de ativo de PCLD (fl. 479), o que se pressupõe ter contrapartida com a conta de resultado (crédito). Por outro lado, observase que a contribuinte não exerceu o direito de excluir a reversão das provisões com os créditos de liquidação duvidosa não dedutíveis e o montante do crédito deduzido que foi recuperado2, como faculta a legislação (reportese à fl. 475). Assim, a diferença entre os valores informados na DIPJ/10 das provisões e das reversões de PCLD não dedutíveis e recuperações de créditos pertinentes é de R$ 6.158.241,32 (R$ 46.798.090,54 – R$ 40.639.849,22) – quantia ligeiramente inferior à adição de R$ 6.540.044,61, informada pela contribuinte. [...] tabela de fls. 6 do v. acórdão Assim, apesar do erro técnico cometido pelo sujeito passivo em relação à falta de adição de parte das despesas com PCLD, a não exclusão das receitas de reversão produz resultado compensatório em relação o cálculo do lucro real. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.534 8 Fl. 478 Anexo 1: Fl. 479 Anexo 2: Assim, como muito bem apontou o v. acórdão recorrido, apesar do erro técnico cometido pelo sujeito passivo em relação à falta de adição de parte das despesas com PCLD, a não exclusão das receitas de reversão produz resultado compensatório em relação ao cálculo do lucro real, não restando prejuízo ao Erário, devendo ser mantida a decisão do v.acórdão que cancelou a primeira infração. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.535 9 Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. A matéria a ser analisada no julgamento do Recuso Voluntário é relativa a segunda infração de exclusão indevida ou não autorizada de R$ 39.611.686,08 na determinação do lucro real do anocalendário de 2009. Nas palavras do Auditor Fiscal autuante a infração é a seguinte: B) exclusão indevida ou não autorizada de R$ 39.611.686,08 na determinação do lucro real – falta de comprovação de que a exclusão por “reversão dos saldos das provisões não dedutíveis” (linha 40 da ficha 09A da DIPJ/2010) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/09. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente insiste nas mesmas alegações de sua impugnação e também pretende igualar esta infração de exclusão indevida na determinação do Lucro Real, com a primeira de glosa de reversão de provisão relativa ao PCLD que fora afastada pela DRJ, por não ter sido constatado prejuízo ao Erário. A Recorrente alega que a exclusão na determinação ao Lucro Real do ano calendário de 2009, considerada indevida pela Fiscalização, também se refere a reversões de várias provisões, indicadas na Linha 40, da Ficha 9A, da DIPJ/2010, conforme quadro abaixo colacionado: Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.536 10 Tais alegações da Recorrente não merecem ser providas, eis que como muito bem fundamentado no v. acórdão recorrido, o motivo da manutenção desta segunda infração foi devido a impossibilidade de se encontrar nos documentos acostados aos autos pela contribuinte (LALUR e tabelas elaboradas pela própria contribuinte), a existência, no mesmo período, de registros contábeis envolvendo contas de resultado. Ou seja, a Recorrente não consegui comprovar pelos documentos acostados aos autos por ela que a exclusão na determinação do Lucro Real feita por reversão de saldos de provisões não dedutíveis (Linha 40, da Ficha 9A, da DIPJ/2010 abaixo indicadas) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/2009. O ponto crucial aqui, é que não se verificou correlação em conta de resultado do período das exclusões (da receita) do Lucro Real feitas no ano de 2009, com os saldos de provisões excluídas no ano anterior de 2008. Ou seja, não se questiona a reversão das provisões alegadas pela Recorrente, mas sim a correlação de tal exclusão da receita do Lucro Real com a conta de resultado do mesmo período, impossibilitando se confirmar que tais exclusões se referem realmente as provisões feitas no período anterior. O fato de a Recorrente ter contabilizado despesa de provisão em ano anterior (2008) e ter adicionado ao lucro real para neutralizar o seu impacto no mesmo período, por entender serem indedutíveis, não permite a exclusão de seu valor sem a devida contabilização da receita devida por reversão. O fundamento exposto pela contribuinte em seu recurso não demonstra a neutralidade fiscal exigida às constituições e reversões de provisões indedutíveis. Sendo assim, em relação a matéria do Recurso Voluntário relativa a exclusão de provisões não contabilizadas como receita, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido. E novamente, para evitar repetições, colaciono os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. A fiscalização identificou como infração a exclusão de R$ 39.611.686,08, consignada nas linhas 40 da ficha 9A e 33 da ficha 17 da DIPJ/10, uma vez que não teria havido reconhecimento em conta de resultado (receita) no período. A impugnante argumenta que o valor questionado seria composto por reversões de diversas provisões realizadas. A maior parte das provisões teria ocorrido em anocalendário anterior, quando as respectivas receitas já teriam sido contabilizadas. Segundo alega, a exclusão evitaria a bitributação. As reversões das provisões de ICMS e ajustes a valor presente teriam justificativas específicas, comentadas logo a seguir. A contribuinte novamente não respeitou a legislação, pois as exclusões devem ser vinculadas a receitas lançadas no mesmo Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.537 11 período de apuração. A documentação agregada pela defesa é escassa, consistindo basicamente em registros do Lalur e tabelas. Apesar de guardarem relação próxima com os números questionados, não justificam a inexistência, no período, de registros contábeis envolvendo contas de resultado. O fato de a interessada haver contabilizado despesa de provisão em ano anterior e têla adicionado ao lucro real para neutralizar o seu impacto no mesmo período, por ser indedutível, não autoriza a exclusão de seu valor sem a devida contabilização da receita devida por reversão. A lógica do argumento da defesa não efetiva a neutralidade fiscal exigida às constituições e reversões de provisões indedutíveis. No caso do ICMS, a contribuinte diz que o total das constituições de provisão em 2009 foi de R$ 10.174.180,25 e da reversão, R$ 3.151.960,16. O valor da reversão apareceria incluído entre as exclusões ao lucro líquido (linha 40 da ficha 9A da DIPJ/2010). A diferença de R$ 7.022.220,09 em relação às reversões comporia as demais provisões (linha 25 da ficha 5A da DIPJ/2010), tendo sido informada também como adição por despesasoperacionais não dedutíveis (linha 5 da ficha 9A da DIPJ/2010). Há que se considerar ainda, neste item, a adição de R$ 3.151.960,16, realizada em “outras adições” (linhas 38 da ficha 9A e 31 da ficha 17 da DIPJ/2010 e fl. 458). Assim, as adições de R$ 7.022.220,09 e R$ 3.151.960,16 estariam compondo a totalidade das provisões do período. Por outro lado, a exclusão não se fez acompanhada da contabilização da respectiva receita, como deveria. A impugnante afirma que o valor de R$ 4.522.740,65 – integrante das reversões das provisões não dedutíveis (ficha 9A, linha 40, e ficha 17, linha 33 – fl. 473) – referese ao saldo da conta de reversão de ajuste a valor presente (4210100116), contendo valores adicionados e excluídos mensalmente ao lucro real da empresa. Comenta que, após as deduções da 4150100101, no total de R$ 2.079.647,49, restou o saldo de R$ 2.443.093,16, que teria sido informado como receita na linha 34 da ficha 6A da DIPJ3. Conclui dizendo que, ao realizar adição e exclusão do mesmo valor de R$ 4.522.740,65, o efeito seria nulo, mas o valor líquido das receitas, por R$ 2.443.093,16, teria sido oferecido à tributação. A justificativa e os números trazidos pela defesa são confusos e inconsistentes. Ao fundamentar o valor informado na DIPJ/10 como “outras adições” (ficha 9A, linha 38, e ficha 17, linha 31), a contribuinte incluiu uma parcela de R$ 4.522.740,65 a título de ajuste a valor presente, referindoa ao registrado nas constas 41501 e 3290100108/9, chamada de “Demais Provisões Indedutíveis – ajuste vr. Presente (Valores adicionados e baixados durante o ano Calendário de 2009)” (fl. 458). Curiosamente o mesmo valor também foi informado como exclusão, em decorrência de registros da conta 4210100116, Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.538 12 designada “Demais Reversões/Valor Presente” (fl. 473). Isso significaria que todos os ajustes a valor presente realizados em 2009 teriam sido revertidos até o último dia desse ano, o que constituiria comportamento estranho a uma natureza que se assenta sobre operações de longo prazo (art. 183, VIII, da Lei 6.404/76, com redação da Lei 11.638/07). A documentação trazida aos autos não permite guarida aos valores e operações defendidos, tanto em relação a adições e exclusões mensais entre contas diversas, como em relação ao cálculo de que teria resultado oferecimento à tributação de R$ 2.443.093,16. Acrescentese que ajuste a valor presente4 não é provisão5, ainda que devesse observar o princípio da neutralidade fisca.. As autuações deste item devem ser mantidas. Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão "a quo". Ademais, também entendo importante ressaltar que as considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas. Por fim, como neguei provimento ao Recurso de Ofício, afasto a primeira infração de adições não computadas na apuração ao lucro real, no valor de R$ 32.968.353,08, que resulta na inexigibilidade de IRPJ e CSLL e os ajuste dos valores de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, que devem ser calculados no sistema SAPLI pela Unidade Fiscal que executará o v. acórdão. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1538DF CARF MF
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