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Numero do processo: 10680.910365/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 65 /2 00 9- 32 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida, referente ao mês de outubro de 2005. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 08 a Per/Dcomp foi sumariamente considerada improcedente e não homologada a compensação, por tratarse de inexistência de pagamento indevido ou a maior. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório argumentando que cometeu o equívoco de solicitar restituição de estimativas mensais de tributos, quando deveria ter solicitado saldo negativo de IRPJ apurado ao final do ano calendário. Critica o Despacho Eletrônico por extremamente sucinto e por não ter tido oportunidade de, antes de emitido, consertar o erro material de preenchimento, em apertada síntese. A manifestante juntou diversos documentos, tais como a Per/Dcomp, folhas do Razão, DCTF, DIPJ e outros para corroborar o que sustenta. Saliento que a autoridade preparadora não trouxe quaisquer informações a respeito das DCTF entregues originalmente pela manifestante. De igual forma, antes da emissão do Despacho Decisório não consta do processo que a declarante foi intimada a apresentar a contabilidade completa para analisarse a procedência do pedido. A empresa argumenta veemente que os balancetes de suspensão/redução mensais escriturados à época comprovam haver recolhido as estimativas indevidamente/a maior. No Termo de Ciência e Notificação do acórdão proferido, há informação que várias Per/Dcomp estão sob litígio, supostamente com pedidos de restituição/compensação da mesma natureza (estimativas mensais de tributos). A saber: PROCESSO (S): 10680.910369/200911 10680.910366/200987 10680.940875/200934 10680.933955/200933 10680.910371/200990 10680.910372/200934 10680.910370/200945 10680.910368/200976 10680.910367/200921 10680.910365/200932 10680.910364/200998 10680.940876/200989 O mesmo termo informa, ainda, que está sendo dada a ciência dos seguintes acórdãos respectivos aos processos supra citados: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 3 3 0235.478, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.475, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.485, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.483, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.480, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.481, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.479, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.477, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.476, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.474, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE Às fls. 205 a 210, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG exarou o Acórdão nº 0235.474/11 mantendo o indeferimento da Per/Dcomp por tratarse de pedidos de restituição de estimativa mensal e por inadmitir a alteração do pedido de estimativa para saldo negativo de IRPJ, após a expedição do despacho decisório. Transcrevo a ementa do julgado: Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de de cisão administrativa na data da sua apresentação. Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mens ais somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do respectivo p eríodo de apuração ou para compor o saldo negativo. Tempestivamente (AR – 19/11/11, fls. 215; Recurso – 21/12/11, fls. 217), a empresa interpôs o Recurso de fls. 217 a 273 reprisando os termos da defesa inicial, em apertada síntese, requerendo a nulidade do despacho decisório, a reforma do acórdão, o deferimento para adaptar a Per/Dcomp a saldo negativo de IRPJ e conseqüente restituição e homologação das compensações. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 4 5 de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 5 7 apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 6 9 Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 7 11 específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 8 13 necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp cujo crédito são as estimativas mensais pagas durante o anocalendário, ressaltese que o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp que o sistema rejeita tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sitemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Tomou medidas também para reunir todas as Per/Dcomp que veiculam o mesmo crédito em um só processo pela edição da Portaria RFB nº 666/08, sem, no entanto, atentar para as Per/Dcomp que tem como objeto as estimativas [ainda mais porque à época a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou, equivocadamente, normas infra legais vedando a restituição/compensação de estimativas, erro reconhecido e corrigido com a edição da Portaria RFB nº 900/08]. Concluindo, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que esta seja devidamente intimada a exibir a sua contabilidade, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, pelo que Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 sugiro à autoridade a quo reunilos e adaptar as Per/Dcomp para restituição de saldo negativo de IRPJ/CSLL e reunilas em um só processo, por conexão. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10665.902600/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Carmen Ferreira Saraiva Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
______________________________________
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva Presidente em exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 26 00 /2 00 9- 91 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 10/15), transmitido em 28/07/2006, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de CSLL de novembro/2005, no valor de R$ 24,80, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, apurada no mês de abril de 2005 (recolhimento em maio/2005), baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 09 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ/CSLL devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. Na manifestação de inconformidade apresentada (fl. 01) a interessada alegou: ...Como se observa os impostos IRPJ e CSLL, referentes ao ano de 2005, foram pagos tempestivamente, não restando saldo a recolher. Com a edição dos atos decisórios acima a Secretaria da Receita Federal do Brasil está instituindo um compulsório sem amparo legal e sem previsão para devolução ou compensação dos mesmos. Em exame das declarações de compensação, verificase que as multas ora requeridas já foram cobradas e deduzidas dos impostos recolhidos a maior, acrescidas dos respectivos juros de mora. ... Apreciando o litígio a DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado e que o art. 30 do mesmo diploma estabelece que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Cientificada, em 24/08/2011, do acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG, a interessada apresentou, em 23/09/2011, o recurso voluntário de fls., apontando que a vedação contida no artigo 10 da IN SRF n º 600/2005 teria deixado de existir com a edição da IN SRF n º 900, de 2008. Alega que a compensação teria sido realizada sobre um pagamento indevido ou Fl. 35DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 3 3 a maior que não causaria prejuízo ao Fisco. Além disso, haveria dificuldades para apresentação de declaração retificadora para composição de saldo negativo de IRPJ e de CSLL para posterior compensação. Acrescenta que haveria previsão de retroatividade de lei mais benigna. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 180100.486, de relatoria da Ilustre Conselheira Maria de Lourdes Ramirez: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 36DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 37DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 4 5 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 6 (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 5 7 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 8 Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 6 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 7 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. E existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro no cálculo e pagamento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ/CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 12 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000647/2008-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95.
Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$ 13.000,00 (treze mil reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso Voluntário Provido em Parte
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RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$ 13.000,00 (treze mil reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 28/02/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 06 47 /2 00 8- 86 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2003, exercício 2004, de fls. 12/19, lavrado em decorrência da glosa das deduções indevidas com dependentes no valor de R$ 1.272,00; despesas médicas no valor de R$ 20.837,24; de previdência privada e FAPI, no valor de R$ 877,31 e; despesas com instrução no valor de R$ 1.998,00. Apreciada a Impugnação (fls. 1/7), a ação fiscal foi julgada procedente em parte para restabelecer a glosa de valores de despesas médicas no valor de R$ 737,08 e, por conseguinte, apurar imposto suplementar no valor de R$ 6.182,15, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Mantidas as glosas das despesas com a dependente Luiza Handere Lorencine, pois esta já havia sido apontada como dependente na declaração do pai, Rogério Lorencine. Foram mantidas as glosas em relação às demais despesas médicas, pelas seguintes razões: “Quanto aos documentos fornecidos pelos prestadores de serviço Marina Azevedo Tavares (fls. 20 e 21), Selem de Figueiredo Handere (fls. 22 a 25) e Nádia Aguilar Leme Pimentel (fls. 26 a 28), estes não são aceitos para fins fiscais pelo fato de não cumprirem os requisitos do inciso III do art. 80 do RIR/99. Destacadamente, não informam quem foi o efetivo usuário dos serviços, mas apenas quem foi o responsável pelo pagamento. Ainda, os recibos apresentados por Selem de Figueiredo Handere e Nádia Aguilar Leme Pimentel não contêm o endereço do prestador do serviço”. Nas razões de Voluntário, a Recorrente se insurge quanto à mantença da glosa de despesas médicas e apresenta novos recibos emitidos pelas profissionais Selem de Figueiredo Handere e Marina Azevedo Tavares. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito. Em sede recursal, a Recorrente apresenta recibos emitidos pela profissional Selem de Figueiredo Handere, no valor total de R$ 5.000,00 (fls. 59 a 63), com a indicação do endereço do estabelecimento profissional, inscrição no respectivo Conselho profissional (CRO), CPF do profissional e beneficiário do tratamento (a própria Recorrente), de acordo com as exigências do inciso III, do art. 80 do RIR/99. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000647/200886 Acórdão n.º 2802002.109 S2TE02 Fl. 70 3 De igual modo, apresenta recibos emitidos pela profissional Marina Azevedo Tavares, no valor total de R$ 8.000,00 (fls. 64 a 66), com a indicação do endereço do estabelecimento profissional, inscrição no respectivo Conselho (CRO), CPF do profissional e beneficiário do tratamento (a própria Recorrente), de acordo com as exigências do inciso III, do art. 80 do RIR/99. A Recorrente não apresenta novos documentos com a finalidade de comprovar os dispêndios com a profissional Nádia Aguilar Leme Pimentel, não reconhecidos como dedutíveis pela decisão a quo. Apenas se limita a reforçar o valor probante dos recibos apresentados com a Impugnação. Quanto a estes, entretanto, não lhes reconheço a dedutibilidade, por carecerem da indicação do endereço do estabelecimento profissional, em desacordo com o exigido pelo inciso III, do art. 80 do RIR/99. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier: “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer a dedutibilidade das despesas médicas com as profissionais Selem de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Figueiredo Handere, no valor total de R$ 5.000,00 (fls. 59 a 63) e Marina Azevedo Tavares, no valor total de R$ 8.000,00 (fls. 64 a 66). É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11065.002979/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Nacional Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. MULTA. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção dc prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
Numero da decisão: 1301-000.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Simples Nacional Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. MULTA. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção dc prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
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OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. MULTA. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção dc prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto De Andrade Jenier Relator. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 EDITADO EM: 03/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Tratase o presente Recurso Administrativo de insurgência do contribuinte em face da decisão da 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Recita Federal em Porto Alegre que indeferiu a impugnação na oportunidade apresentada. O contribuinte optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES foi autuado pelos agentes da fiscalização por meio dos autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/Simples; da Contribuição para o PIS/PASEP – PIS/Simples; da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL/Simples; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins/Simples; do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI/Simples e da Contribuição para a Seguridade Social – INSS/Simples. Sobre os valores cobrados e não recolhidos, acrescemse a multa de ofício e os juros de mora calculados até 31/07/2008, totalizando o crédito tributário do processo em R$ 67.321,48 (sessenta e sete mil trezentos e vinte e um reais e quarenta e oito centavos). Verificase do histórico do processo que foram constatadas diferenças entre os valores declarados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DIPJ/Simples relativas ao anocalendário de 2005 e os valores constantes na sua escrituração (Livro de Registro Fiscal Simplificado – ICMS). A par dessa constatação de diferenças apuradas e não recolhidas referentes ao anocalendário de 2005, foram lançados nos Autos de Infração as receitas escrituradas, mas não oferecidas à tributação, vez que assim, incursa em flagrante omissão de receitas. A ciência do Auto de infração ocorreu em 14 de agosto de 2008, conforme Termo de Encerramento de fls. 161. O recorrente apresentou impugnação aos autos de infração às fls. 163169, que foi, posteriormente indeferida pela 6ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre. Irresignado com tal decisão, interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário, alegando em síntese: I que as diferenças que deveriam ser recolhidas não o foram por máfé do sujeito passivo da obrigação tributária, mas por erros operacionais da empresa terceirizada que cuida da sua contabilidade; II – que já possui um parcelamento federal especial, nos moldes e previsões da Lei nº 11.941/2009, no qual optou por pagar o débito fiscal em 180 meses e que está devidamente em dias com as parcelas exigíveis, estando cumprindo com os prazos estabelecidos com o cronograma aplicado pelo órgão competente; III – que entende possível, por estar no período inicial de Consolidação do referido parcelamento, incluir os débitos decorrentes do processo fiscal objeto do presente Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.002979/200888 Acórdão n.º 1301000.779 S1C3T1 Fl. 2 3 recurso, de tal forma que seja possível o pagamento dos mesmos, evitando o comprometimento dos recursos da empresa, e, por conseguinte, o andamento dos negócios e obrigações da empresa. IV – e por fim, que não é possível admitir que mais do que o lucro por completo da empresa no ano em questão, seja pago em multas extras, por uma questão de erro operacional, e não má fé (sic). Ao final, o contribuinte requer o recebimento do presente recurso, para o fim de lhe dar provimento para: a) “análise e recálculo da aplicação dos percentuais devidos de tributos, sobre as diferenças apuradas; b) a exclusão da multa de 75%; c) a cobrança de juros e multa sobre os percentuais de normais para débitos não pagos; d) e a inclusão dos débitos no parcelamento já optado pelo sujeito passivo, conforme a Lei nº 11.941/2009. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. O recurso é tempestivo, não havendo óbices para o seu conhecimento. Insurgese o recorrente contra a decisão da 6º Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre que indeferiu impugnação por ele apresentada. Contudo, razão não lhe assiste para a irresignação suscitada. Senão, vejamos. Inicialmente, cumpre destacar, que o recorrente não aponta na sua peça recursal qualquer violação a direito próprio, irregularidades nos procedimento fiscal ou nulidade dos autos de infração que ensejassem o possível cancelamento dos referidos autos com a posterior exclusão do crédito tributário. Muito pelo contrário, assume e reconhece a existência da dívida com o Fisco, não a contesta pelos seus termos, e, simplesmente tece argumentos desarrozoados quanto a forma como está sendo cobrado. Assim, como incontroverso está, o contribuinte declarou valores de receita bruta bem inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, correta é a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário, não bastando, no caso, o mero argumento de que não agiu de máfé, posto ter havido sim, como alega, inépcia do responsável pela sua contabilidade. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Tais argumentos, é bem verdade, não se mostram, per se, suficientes para afastar a aplicação da multa imputada. Dessa sorte, a verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição do crédito tributário. Por fim, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de ofício. A alegação de que a multa é muito “pesada” e que seria muito superior ao seu lucro anual, assim como apontado pelo relatora do acórdão recorrido, deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. Ademais, a previsão legal das multas de ofício encontrase disciplinada no art. 44 da Lei n° 9.430/1996, nos seguintes termos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes trutas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.002979/200888 Acórdão n.º 1301000.779 S1C3T1 Fl. 3 5 § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; No caso presente, não logrou o contribuinte comprovar a origem das diferenças apontadas pela autoridade fiscal, tendo, desta forma, sido submetido às normas de tributação previstas na legislação vigente à época em que auferidas ou recebidas. Se fala tão somente de aplicação da lei, no lançamento que se refere somente ao anocalendário 2005. O lançamento foi feito, como mencionado, nos termos e de acordo com a legislação vigente à época, sendo deduzidos os valores já pagos, os valores dos insumos que apenas transitaram pela fábrica, tributandose somente o valor que consta da Nota Fiscal como o “valor total do produto”. Isto pode ser facilmente constatado nos Demonstrativos mensais do ICMS, onde o valor total das saídas (menos deduções do Decreto nº 36. 160/94), corresponde aos valores das receitas apuradas pelo próprio recorrente, mas não declarados em sua totalidade à Receita Federal. Quanto ao pedido de inclusão do débito em parcelamento do contribuinte já existente, nada a prover, eis que estranho à competência desse Conselho, devendo o contribuinte, se for o caso, dirigir o seu requerimento nos termos previstos nas disposições normativas de regência. Por essas razões, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendose, assim, na íntegra, a r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903789/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 89 /2 00 9- 82 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903789/200982 Acórdão n.º 3803003.989 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015586/2007-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.064
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Solicitando a conexão com o processo 10380.015583/2007-84.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.015586/200718 Recurso nº 000.000 Resolução nº 2403000.064 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 19 de junho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência. Auto de Infração Obrigação Acessória (AIOA). Conexão com Obrigação Principal (AIOP) Recorrente IMOBILIÁRIA MANHATTAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Solicitando a conexão com o processo 10380.015583/200784. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10380.015586/200718 Resolução n.º 2403000.064 S2C4T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (DEBCAD n. 35.043.1103), consolidado em 13/12/2007, cuja notificação ocorreu em 21/12/2007 (fl. 32), por ter apresentado o documento a que se refere o art. 32, IV e § 3° da Lei 8.212/91 (GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 12/19, a Recorrente não declarou os fatos geradores relativos a valores atribuídos pela empresa a seus sócios, lançados em conta de ADIANTAMENTO A DIRETOR, e caracterizados como prólabore pela fiscalização, tendo em vista a inexistência de contrapartida dos mesmos nos exercícios financeiros a que se referem. Em decorrência, da supracitada infração, foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5o da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97, cumulado com o art. 284, II do Decreto n. 3.048/99, atualizada com base na Portaria MPS/GM n. 142 de 11 de abril de 2007 no valor de R$ 8.963,40 (oito mil, novecentos e sessenta e três reais e quarenta centavos). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Fortaleza/CE – por meio do Acórdão 0813582 da 6a Turma da DRJ/FOR (fls. 62/74) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP MENSAL COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração ao art. 32, IV e § 5o da Lei n.° 8.212/91, o preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Incorre em descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias a empresa que atribui remunerações a seus sócios em conta de ADIANTAMENTO A DIRETOR, sob a alegação de têlo feito à conta de redução de capital. A redução de capital, com assento no art. 1.082, I e II do NCC, deve seguir o trâmite legal, bem como deve restar demonstrada contabilmente a sua ocorrência, através de lançamentos e documentos probantes. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ACIMA DO VALOR MÁXIMO. EXCLUSÃO. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10380.015586/200718 Resolução n.º 2403000.064 S2C4T3 Fl. 3 3 Contribuintes individuais que já sofrem desconto da contribuição previdenciária, pelo teto máximo da Previdência Social, estão desobrigados de sofrer novos descontos incidentes sobre as remunerações auferidas. Inobstante isso, tal fato não terá repercussão no valor da multa aplicada se, na competência em que ocorreu, mesmo após a exclusão da contribuição, ainda restar saldo superior ao valor máximo da multa a ser observado em razão do número de segurados — art. 284, II do RPS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DA PROVA. O momento para apresentação de provas é quando da impugnação, sob pena de assim não procedendo a Impugnante consumarse a preclusào temporal. PERÍCIA. REQUISITOS E MOMENTO PROCESSUAL. O momento processual para o pleito de perícia é o da impugnação, devendo o mesmo vir acompanhado da respectiva quesitação e das informações relativas ao perito. Lançamento Procedente” A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 81/97), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10380.015586/200718 Resolução n.º 2403000.064 S2C4T3 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator Conforme registro de fl. 125, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verificase que se trata de lançamento reflexo, cujo resultado depende diretamente do julgamento da NFLD n. 37.043.1111, Processo Administrativo Fiscal n. 10380.015583/200784, que é o Processo Principal. O vínculo ao Processo Principal pode ser constatado na fl. 66, onde assim inicia o voto da DRJ, verbis: “Como o auto de infração foi lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP as remunerações atribuídas a sócios da empresa, farseá, com freqüência, alusão aos autos da NFLD n° 37.043.1111, cujo crédito tributário constituído teve por fato gerador as mencionadas remunerações.” A própria Recorrente, na fl. 87 admite que “concentrará suas razões” no lançamento principal, verbis: “Por ser o presente auto de infração reflexo da NFLD no 37.043.111 1, a Recorrente esclarece que concentrará suas razões naquele lançamento principal, pois, em sendo improcedente, este lançamento reflexo também o será.” Ocorre que o Processo Principal n. 10380.015583/200784 não fora distribuído para este Relator. Consultandoo no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/index.jsf), verificase que o mesmo está na “Recepção”, desde o dia 28/02/2011. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para baixar em diligência o processo, para que aguarde o trânsito em julgado do Processo Principal nº 10380.015583/200784. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
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Numero do processo: 10920.720684/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização.Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
ÁGIO INTERNO.MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1402-001.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância; e, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos quanto à decadência os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que a acolhiam para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2005. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator .
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Mosés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 Ementa:DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização.Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. ÁGIO INTERNO.MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 06 84 /2 01 0- 11 Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância; e, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos quanto à decadência os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que a acolhiam para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2005. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Mosés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Por meio do Auto de Infração, às folhas 555 a 584, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 3.064.815,87, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, acrescida de multa de ofício de 150% e/ou de 75% e juros de mora à época de seu pagamento, relativamente a fatos geradores trimestrais ocorridos nos anos calendário de 2005 a 2009, sob o regime de tributação com base no Lucro Real Trimestral. No Auto de Infração do IRPJ incluemse valores declarados pela Contribuinte, relativamente aos trimestres encerrados em 30/09/2007 e 30/09/2009, nas importâncias devidas de R$ 94.633,94 e R$ 337.024,37, respectivamente, que não foram pagos, sendo, agora, objeto de lançamento de ofício, com multa de ofício de 75%. Como lançamento decorrente do IRPJ, naquilo que aplicável, por meio do Auto de Infração, às folhas 585 a 603, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 966.090,45, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora à época de seu pagamento. Ainda com relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, também houve falta de recolhimento desta contribuição, de valores declarados relativamente aos trimestres encerrados em 30/09/2007 e 30/09/2009, sendo objeto, entretanto, de outro Auto de Infração, às fls.607 a 612, onde se exige a importância de R$ 159.716,95, acrescida de multa de ofício de 75%. Do Relatório da Atividade Fiscal (peça integrante do Auto de Infração), extraemse os detalhes da autuação, que a seguir se reproduz, de forma resumida, mas com as palavras dos autuantes: 2. DAS INFRAÇÕES RELATIVAS AO IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS (IRPJ) E À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) A ação fiscal levada a efeito sobre a Agricopel revelou infração à legislação tributária que diz respeito à computação de despesas inexistentes e, por isso, indedutíveis na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse procedimento contábil do sujeito passivo provém do seu entendimento de que teria incorrido em ágio na incorporação de uma empresa do grupo e, por isso, poderia amortizalo ao longo dos exercícios seguintes. Conforme será demonstrado ao longo deste capítulo não houve razão para reconhecer o direito do sujeito passivo de deduzir as amortizações correspondentes das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. [...] 2.1. ASPECTOS GERAIS E PRÁTICA CONTÁBILTRIBUTÁRIA DO SUJEITO PASSIVO Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Conforme mencionado anteriormente, o que está sob debate é, em primeiro lugar, o procedimento contábil de constituir ágio na incorporação reversa de empresa do mesmo grupo e, em segundo lugar, o procedimento tributário de deduzir da base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro as amortizações desse ágio. Para compreender como esses procedimentos ocorreram no caso específico da empresa ora fiscalizada é preciso mencionar alguns detalhes sobre as três empresas envolvidas na reestruturação societária. [...] As três empresas envolvidas são MIME PARTICIPAÇÕES LTDA. (Mime), MAP CHIODINI PARTICIPAÇÕES LTDA. (Map) e a própria AGRICOPEL COMÉRCIO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA. (Agricopel). Cada uma das três empresas tem um papel nesse contexto. A Mime é a empresa controladora do grupo. A Map era uma empresa inexpressiva adquirida pela Mime com o fim de efetuar a subscrição e integralização de seu capital com base em reavaliação patrimonial econômica da controlada Agricopel e posteriormente ser usada como empresa veículo da transação. Quadro 1: Map Chiodini Participações Ltda. (Controlada Veículo) Nome Empresarial Original: Bonilha & Cunha Assistência Técnica e Manutenção de Equipamentos Médicos Odontológicos Ltda. [...] Relação da Empresa com a Fiscalizada [...] Em 24/12/2004, na 1ª Alteração Contratual, esta empresa é adquirida pela Mime Participações Ltda., quando é alterado a razão social para Map Chiodini Participações Ltda. e o objeto. Na mesma alteração a controladora Mime Participações Ltda. subscreve e integraliza o Capital na Map Chiodini Participações Ltda., utilizando a sua participação na Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. A partir de então a Map Chiodini tornase controladora direta da Agricopel (fls.106/111). A subscrição e integralização de capital na Map Chiodini Participações Ltda. levou em conta não o valor contábil da participação da Mime Participações na Agricopel, mas o seu valor econômico. Isto é, o valor do capital subscrito e integralizado embutia um ágio cujo fundamento era a avaliação da participação com base em perspectiva de rendimentos futuros. Em 31/12/2004, na 2ª Alteração Contratual a empresa é extinta, conforme registro na JUCESC de 30/03/2005 (fls.119/122). Quadro 2: Mime Participações Ltda. (Controladora) Nome Empresarial Atual: CIMPAR Participações Ltda. [...] Relação da Empresa com a Fiscalizada [...] Até 24/12/2004 a Mime Participações Ltda. era controladora direta da Agricopel. Até essa data ela possuía 3.000.000 das 3.000.001 quotas que compunham o capital social da Agricopel. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 4 5 A outra quota era possuída por Paulo César Chiodini que era também sócio administrador da Mime Participações Ltda. Na 15ª Alteração Contratual da Agricopel, realizada em 24/12/2004, a Mime Participações Ltda. cede e transfere a título de subscrição e integralização de capital, a titularidade de suas cotas à Map Chiodini Participações Ltda. Entre 24/12/2004 e 29/12/2004 a Mime Participações foi controladora indireta da Agricopel (fls.47/49). Na 16ª Alteração Contratual da Agricopel, realizada em 29/12/2004, aprovam a absorção pela Mime Participações Ltda. da parcela cindenta da Map Chiodini Participações Ltda., determinando inclusive que o Ágio contabilizado na Map Chiodini no valor de R$ 28.155.664,00 seja destinado à composição de seu patrimônio líquido a título de Reserva de Capital. A Mime Participações volta ser a controladora direta da Agricopel (fls.51/55). Quadro 3: Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. [...] Na 16ª Alteração Contratual da AGRICOPEL, realizada em 29/12/2004, é aprovado a absorção pela própria AGRICOPEL da parcela cindenda da Map Chiodini Participações Ltda., determinando inclusive que o Ágio contabilizado na Map Chiodini no valor de R$ 28.155.664,00 seja destinado à composição de seu patrimônio líquido a título de Reserva de Capital. A Mime Participações volta ser a controladora direta da Agricopel (fls.51/55). A situação que gerou a infração é resumida num procedimento em que podem ser destacados três momentos. A passagem do primeiro ao último momento ocorreu num período de 5 dias. Esses momentos são: o primeiro, anterior à aquisição da Map; o segundo, em 24/12/2004, quando ocorreu a aquisição da Map pela Mime com aumento do capital baseado em laudo de avaliação, conforme descrito na ‘1ª Alteração Contratual da Bonilha & Cunha Assistência Técnica e Manutenção de Equipamentos Médicos Odontológicos Ltda.” (fls.107/111); e o terceiro, a partir de 29/12/2004, quando é assinado o “Protocolo e Justificativa de Cisão Total Seguida de Absorção das Parcelas Cindentas da Sociedade Map Chiodini Participações Ltda. para as Sociedades Posto Mime Ltda. e Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda.” (fls.212/220). [...] O terceiro momento é o crítico, para efeitos da tributação, pois são realizados procedimentos contábeis sem fundamento nas práticas contábeis nem na legislação tributária. Sobre estes procedimentos contábeis deve ser ressaltado que a sua realização opera imediatamente, aumento no Ativo Consolidado do grupo [...], assim como em seu Patrimônio Líquido [...], originando, ainda, segundo entendimento do sujeito passivo, a possibilidade de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL na Agricopel, na medida em geram para esta empresa despesas amortizáveis. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 [...] o valor de R$ 28.153.664,00 milhões (sic) levantado em avaliação econômica do patrimônio da Agricopel, alterou tanto o Balanço Patrimonial Consolidado da controladora Mime, quanto o Ativo e o Patrimônio Líquido da própria Agricopel, conforme pode ser visto na Ficha 36 e 37A da DIPJ 2005 (fls.317/318). Em decorrência do registro do Ágio no valor acima referido, a empresa passou a amortizar o valor registrado no seu ativo, conforme ANEXO III considerando um período de amortização de 10 anos. 2.2 DO ENTENDIMENTO DO SUJEITO PASSIVO E DA SUA FUNDAMENTAÇÃO O procedimento contábil adotado pelo sujeito passivo foi questionado na ação fiscal em intimação formulada no TIF nº 2010/01274002. [...] Em resposta, o sujeito passivo trouxe o termo de esclarecimento, que apresenta basicamente as seguintes informações: “Os valores amortizados nas contas ‘4796Amortização de Ágio’ e ‘57110103Despesas com Ágio’ tratase de valor do ágio decorrente da incorporação da empresa MAP Chiodini Participações Ltda. Na empresa MAP Chiodini Participações Ltda., o ágio referese nos seus investimentos contabilizados por equivalência patrimonial conforme laudo de expectativa de rentabilidade futura elaborado por empresa devidamente habilitada [...]. A contabilização do ágio na empresa Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. foi o débito na conta do grupo Ativo Diferido ‘[...] Ágio na Aquisição de Investimentos, em contrapartida no grupo do Patrimônio Líquido na conta [...] Reservas de Capital’. Em 2008, com a edição da Lei 11.638/2007, a conta contábil do grupo Ativo Diferido foi reclassificada para o grupo Ativo Não Circulante ainda com nome de ‘Ágio na Aquisição de Investimentos’. Amortização deste ágio, foi efetuada de forma constante, mensalmente pelo prazo de 120 meses a partir de janeiro de 2005. [...] O ágio decorrente desta avaliação possui dedutibilidade permitida conforme artigo 36 da Lei 10.637/2002, vigente na época dos fatos, in verbis: “Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º. O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 5 7 § 2º. Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições o § 1º.” (Grifouse) 2.3. DISCUSSÃO DAS RAZÕES ELENCADAS PELO SUJEITO PASSIVO E DEMONSTRAÇÃO DE SUA IMPROCEDÊNCIA [...] De acordo com o que foi mencionado anteriormente, até o segundo momento a situação esteve de acordo com o que determinava a legislação. Somente no terceiro momento, quando pela incorporação da empresa veículo a Agricopel registra no seu ativo ágio em contrapartida à conta de patrimônio líquido “Reserva de Capital”, ocorre a infração. O sujeito passivo [...] alega estar o seu procedimento contábil amparado à sombra do art.36 da Lei 10.637/2002. Estes auditores discordam, como mencionado no parágrafo anterior, afirmando que o seu procedimento esteve amparado pelos ditames da Lei 10.637/02 até o segundo momento. De outro modo, é dizer, o diferimento que o art. 10.637/02 (sic) concede é à controladora que subscreve e integraliza capital numa empresa com lastro em participação em outra empresa. Assim, protege da tributação imediata a diferença entre o valor integralizado a preço de mercado e o valor contábil das participações oferecidas em subscrição de outra empresa. [...]. Este dispositivo simplesmente não trata do diferimento de tributos para tal situação, ou seja, não protege a incorporadora Limitase a dizer que em tal situação o tributo não será exigido imediatamente da controladora (no caso, a empresa Mime). [...]. Se o procedimento contábiltributário do sujeito passivo de um lado não está amparado pelo dispositivo legal acima referido, de outro, infringe flagrantemente a legislação societária no art.179 da Lei nº 6.404/76, assim como, a legislação do IRPJ no art.324 do Decreto nº 3000/99 e, por extensão, infringe também a legislação da CSLL. [...] Logo, ao tempo em que o ágio foi informado no ativo diferido (29/12/2004), sua classificação foi efetuada com inobservância dos ditames do inciso V do art.179 da Lei nº 6.404/76, posto que apenas as aplicações de recursos em despesas que contribuíssem para a formação do resultado em mais de um exercício social poderiam ser classificadas como ativos diferidos. [...] Por isso, considerado o dispositivo legal da lei societária, o que se pode afirmar é que a contabilização do ágio na forma procedida pelo sujeito passivo configurou verdadeira formação de ativo fictício. Do ponto de vista tributário a infração ocorre na mesma linha. Isto é, o art.324 do Decreto 3.000/99, reproduzindo o dito no art.58 da Lei nº 4.506/64, dispõe que “poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração.” De sorte que, também do ponto de vista tributário para que haja a amortização dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, deve haver, previamente, a aplicação de capital ou de recursos em despesas. Como vimos, o Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 agio que o sujeito passivo amortizava não tinha fundamento em despesa prévia. Portanto, é considerado do ponto de vista tributário, como redução indevida da base de cálculo dos tributos incidentes sobre o resultado. [...]. Na apuração dessa infração foram identificados outras duas. A primeira relacionada a compensação indevida de prejuízos fiscais e, a segunda, referente ao não recolhimento de IRPJ e CSLL apurado na contabilidade da empresa. [...] 2.4. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS E DOS RESULTADOS DA AÇÃO FISCAL [...] à partir da detecção dessa infração e da realização dos procedimentos de apuração das bases de cálculo dos tributos duas outras infrações foram detectadas. Uma primeira concernente à compensação indevida de prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas e, uma outra, relacionada ao não recolhimento de IRPJ/CSLL apurados na contabilidade da empresa. [...] 2.5. DA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL [...] a apuração das bases de cálculo efetuada pelo fisco, ao incluir valores indevidamente deduzidos, fez aparecerem compensações incorretas de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL. E, por fim, foram encontradas também diferenças entre os tributos computados na contabilidade da empresa e os efetivamente recolhidos. [...] O resumo das infrações verificadas no tocante à falta de recolhimento dos tributos é apresentado nas Tabelas 5 e 6. A falta de recolhimento de tributos foi apurada pelo cotejo entre as informações obtidas do sistema DCTFger e as informações trazidas pelo sujeito passivo nas DIPJ (fls.239/495) e nos LALUR (fls.225/280). [...] 2.7. DAS PENALIDADES [...] Para efeito das sanções administrativas, as infrações relativas à dedutibilidade indevida das amortizações procedidas pelo sujeito passivo, assim como à compensação indevida de prejuízos fiscais / bases de cálculo negativa foram compreendidas como geradoras da modalidade qualificada de multa por lançamento de ofício (percentual de 150% para as multas proporcionais) prevista no § 1º do art.44 da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pela Lei nº 11.488/07, transcrito abaixo. [...] A adoção do percentual qualificado se justifica pela constatação de que as infrações foram cometidas com base em artifícios fraudulentos. A aquisição de uma empresa veículo e sua extinção no mesmo dia após a subscrição e integralização de capital demonstram muito claramente a intenção de utilizala com abuso de personalidade jurídica como um artifício para que fossem operadas as reduções e supressões de tributos desejadas. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 6 9 [...] Na análise efetuada dos procedimentos da empresa concluise que o contribuinte de forma clara e ostensiva elaborou e criou a situação fática apresentada, única e exclusivamente com o objetivo de gerar uma situação em que tornase “justificável” a contabilização de ágio gerado na incorporação da empresa controladora, para num momento seguinte beneficiarse das despesas geradas pela amortização do ágio construído para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e, consequentemente, reduzir ou suprimir o tributo devido. Isto está comprovado pelo curto período de vida da empresa, apenas um dia (alíneas ‘d’ e ‘f’ acima) suficiente para formalmente gerar as condições pretendidas pelo sujeito passivo. [...] Outro elemento característico do uso abusivo da personalidade jurídica de Map Chiodini Participações Ltda. na perpetração da infração está presente no fato de que, na contabilidade dessa empresa veículo, após a sua aquisição, não consta outros lançamentos senão os relativos à transferência de titularidade, subscrição e integralização de capital e, posteriormente, os lançamentos de extinção dessa sociedade. Portanto a empresa não chegou a operar. São provas disso o Livro Diário apresentado às fls.128/129. A Contribuinte apresentou sua impugnação, que a seguir se resume: após discorrer sobre os fatos apontados pela Fiscalização, entende, preliminarmente, que teria ocorrido a decadência dos lançamentos efetuados; apesar de se referirem à constituição de crédito tributário de IRPJ e de CSLL dos períodos de apuração de janeiro/2005 a dezembro/2009, entende que deve ser considerado que as despesas com ágio, glosadas no período em questão, “decorrem de negócios jurídicos realizados em período anterior”; no presente caso, os negócios jurídicos foram realizados no mês de dezembro de 2004, já não pode ser alcançado pela Fiscalização, pois o prazo de cinco anos, contados retroativamente a partir da cientificação do auto de infração (27/12/2010), permite que a Fiscalização tenha acesso aos fatos ocorridos somente a partir de dezembro de 2005; que todos os atos praticados até o mês de dezembro/2004, inclusive, foram levados ao conhecimento da Receita Federal, nas épocas próprias, por meio das declarações apresentadas pelas sociedades envolvidas (DIPJ de encerramento por incorporação, dentre outros); que o Termo Fiscal é claro quanto ao fato gerador em questão, pois a “[...] Fiscalização não reconhece como válidos os fatos ocorridos entre no período de dezembro de 2004, principalmente no que diz respeito a incorporação da empresa MAP pela empresa Agricopel”, onde afirma que “justamente a incorporação mencionada é o fato gerador do ágio objeto de glosa neste processo administrativo.”; após transcrever o art.142 do CTN, afirma que “Portanto, ao instaurar o obrigatório procedimento administrativo, a Impugnada procedeu a verificação do fato gerador e, repitase, declarou como sendo fato gerador os atos praticados entre 14 e 28 de dezembro de 2004, principalmente a incorporação da MAP pela Agricopel, que deu origem ao ágio.”; Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 transcreve artigos da CF/88 e do CTN (art.150) acerca da decadência, ementas de julgados do CARF e excerto de decisão do STF; e conclui que “[...] mesmo que a decadência não tivesse ocorrido nos termos acima explicitado, não poderia a fiscalização ter deixado de observar o disposto no artigo 150, §4º do CTN, que trata dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e da CSLL. Em relação aos valores de IRPJ e CSLL constituídos em razão da glosa de despesas com ágio no período de janeiro a novembro/2005, inclusive, bem como multa e juros no mesmo período, já ocorreu a homologação tácita dos atos praticados pela Impugnante e, portanto, decaído o direito do Fisco Federal de lançar quaisquer valores referentes ao período em questão, sequer para cobrar eventuais diferenças, muito menos multas e juros, pelo caráter acessório, havendo, para tal período, motivo em dobro para o reconhecimento da decadência no caso concreto.” no mérito: transcreve excertos de doutrina no sentido de que os contribuintes tem o direito constitucional assegurado de organizar sua vida da maneira que julgar melhor; discorre acerca do histórico da Agricopel, que, devido a sua extensa gama de atividades, seria necessária a constituição de uma outra sociedade, que esta nova sociedade deveria ter lastro e, uma vez que as cotas da Agricopel estavam subavaliadas, deveriam ser reavaliadas e transferidas para a nova empresa; que o laudo de avaliação foi feito com empresa habilitada, sem qualquer questionamento quanto ao seu conteúdo; com a avaliação concluída, a Mime Participações, atualmente Cimpar, aumentou o capital social da MAP Chiodini, através da integralização de cotas da impugnante, registrando em sua contabilidade o ganho de capital respectivo decorrente da valorização das referidas ações (sic); a MAP, por sua vez, em razão de ter adquirido investimento, desdobrou o custo da aquisição nos moldes da legislação em valor do patrimônio líquido da época da aquisição e ágio, conforme preceitua o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77; que a capitalização da MAP teve por objetivo tornala uma empresa atuante no mercado, mas tudo que fora pensado e discutido se mostrou inviável, que não se mostrava de fato o melhor caminho a ser adotado pela Impugnante; que a montagem de duas estruturas iria redundar em gastos extras, etc etc, de forma que “Pelas razões elencadas, em especial pela inviabilidade financeira do objetivo inicial de segregar as operações da Impugnante com a nova empresa MAP, à Impugnante restou a opção de incorporar sua controladora, o que foi efetuado com base nas disposições contidas no ‘Protocolo e Justificativa de Cisão Total Seguida de Absorção das Parcelas Cindendas da Sociedade’; que, mesmo não tendo sido possível levar adiante a segregação das atividades, haja vista terse verificado a inviabilidade econômica de tal atitude, a reavaliação das cotas da empresa impugnante acabou por gerar benefícios à empresa (novos sócios, empréstimos obtidos, etc); efeitos das operações realizadas e dedutibilidade do ágio: que a empresa MAP não teve finalidade única de servir como empresa de passagem como denominou o fisco, pois “A deliberação por sua extinção, que se deu no momento oportuno, através de sua cisão e conseqüente incorporação da parcela cindenda pela ora Impugnante, além de resolver a questão Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 7 11 operacional, apresentou concomitantemente um resultado desejado, qual seja, a redução de custos, sem qualquer ofensa à legislação vigente na época ou qualquer patologia que justificasse a sua desconsideração, nem se cogitando na figura do abuso de direito.”; que a Fiscalização, alheia a todos os detalhes e fundamentos jurídicos e econômicos que envolveram as tomadas de decisão pela administração da sociedade, baseou a ação fiscal na desconsideração de todos os atos societários realizados; que a fiscalização os desconsiderou, bem como o ágio deles resultante, apenas para fins tributários, sob a alegação de que não existiria fundamento econômico para a operação; que não procede tal afirmação, haja vista que os negócios praticados tem sim, fundamento econômico; que os reflexos tributários podem ter sido um dos seus efeitos, mas não foram os únicos, como se demonstrou, através da juntada dos relatórios que claramente demonstraram a inviabilidade de agregar as atividades; apresenta tabela na impugnação com o dados de faturamento e lucro brutos, previstos e realizados, para reiterar “[...] que a reavaliação das cotas da empresa Agricopel foi feita de forma adequada, respeitando a técnica contábil escolhida para a reavaliação, dando fundamento econômico para o ágio respectivo.”; adiante, afirma que a Fiscalização equivocase quando diz que a Agricopel não teria adquirido participação societária com a integralização no capital da MAP; que, no momento em que a sociedade MIME entrega suas cotas reavaliadas para a MAP, ocorre a alienação das referidas cotas, na medida em que saem do patrimônio da primeira para passar a integrar o patrimônio da segunda, com ganho de capital, haja vista que o investimento inicial que a primeira tinha na Agricopel passou a ser muito maior com o investimento realizado na MAP Chiodini em função da reavaliação das ações a valor justo, ganho que recebeu o devido tratamento legal; se há suporte legal para a realização da operação de reavaliação e incorporação das ações reavaliadas em outras sociedades, bem como há disciplina legal dos efeitos dessa subscrição, notadamente em relação à determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL para a receita auferida pela Mime Participações, não há que se falar em fraude ou simulação, que de fato não ocorreram, nem em inexistência de “aquisição de participação societária”, haja vista que a MAP, ao incorporar em seu patrimônio as quotas da Agricopel, adquiriu a respectiva participação societária; quanto à inexistência de desembolso, alegada pelo fisco para descaracterizar a figura do ágio, também, não merece guarida (neste sentido menciona decisão do CARF e arts. 22 e 23 da Lei 9.249/95); conclui que “[...] se a legislação e as decisões reiteradas do Conselho de Contribuintes são claras no sentido de que há a alienação e por conseqüência o eventual ganho ou perda de capital na transferência de bens ou direitos a título de integralização de capital em uma pessoa jurídica, a contrário senso, haverá a apuração do ágio ou deságio por parte do adquirente, no caso a pessoa jurídica que Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 está recebendo a integralização em troca da emissão de novas ações ou quotas. Exatamente como ocorrido no caso concreto.”; que a Mime Participações transferiu para o patrimônio da MAP, a participação que detinha na Agricopel, apurando ganho de capital tributável; em contrapartida, a MAP Chiodini adquiriu tal participação, dando em troca quotas de sua propriedade, devendo registrar a participação societária adquirida de acordo com as normas contábeis e fiscais, desdobrando a aquisição em investimentos e ágio; da inaplicabilidade do disposto no artigo 179, V e VI da Lei nº 6.404/76: transcreve tal artigo, onde arremata que não é uma sociedade anônima de capital aberto; que tal artigo já foi revogado pela Lei 11.941/09, lei esta que “[...] previa que nenhum efeito tributário seria acarretado para as empresas que aplicassem tal critério nas limitadas.”; que, no seu caso, deve ser observado o disposto em norma própria, o art.7º da Lei 9.532/97, o art.36 da Lei nº 10.637/2002 e art.20 do DL 1.598/77, que transcreve; que, além de possuir normas tributárias próprias que validam a operação, há que se ter em mente que não é o critério contábil que invalida o efeito tributário, como quer fazer crer o Auditor Fiscal; da contabilização do ágio: que na MAP foi devidamente contabilizado um capital social integralizado de R$ 51.628.267,00, dividido em investimento na Agricopel no importe de R$ 33.944.440,00 e em ágio no importe de R$ 30.944.440,00, em obediência ao disposto no art.385 do RIR/99, que transcreve; da incorporação da MAP Chiodini pela Agricopel: que o resultado dessa incorporação tem suas conseqüências legais nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que transcreve; que a subsunção destas normas à operação realizada pela Impugnante resultou no aproveitamento legal e lícito de despesas com amortização de ágio; que consultou profissionais capacitados e que suas ações estão baseadas também em reiteradas decisões do atual CARF, que transcreve suas ementas; que importa ressaltar que se de um lado existe um benefício fiscal concernente à amortização do ágio, de outro, existe um ganho de capital que será necessariamente tributado; não se justifica, dessa forma, afastar o aproveitamento de despesas com ágio, desconsiderando a inafastável incidência do IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital registrado; dos aspectos do parágrafo único do art. 116 do CTN – inaplicabilidade: transcreve o artigo, onde conclui que a desconsideração de atos válidos praticados pelo contribuinte, da forma como realizada pela fiscalização, depende de lei ordinária que lhe estabeleça os procedimentos; princípios da liberdade econômica e da liberdade de contratar, principio da segurança jurídica e princípio da estrita legalidade: nestes tópicos faz alegações variada ordem, com o intuito de mostrar a existência de violações aos direitos e garantias constitucionais da Impugnante; da multa agravada: que nenhuma das situações elencadas nos arts.71 a 73 da Lei 4.502/64 (artigos citados no art.44 da Lei 9.430/96) foi verificada; que toda a operação realizada foi devidamente contabilizada e levada ao conhecimento da tributação; que os atos foram transparentes e que Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 8 13 o Conselho de Contribuintes rechaça a aplicação de tal multa (transcreve ementas de julgados neste sentido); 4. dos lançamentos a título de falta de recolhimento que, além dos lançamentos a título de suposto aproveitamento indevido do ágio, foram lançados valores pela suposta falta de recolhimento a título de CSLL relativos ao terceiro de 2007 e 2009 (sic); no que se refere ao período de set/2007, houve uma falha, haja vista não ter a Impugnante procedido a informação dos valores na DCTF respectiva; porém, houve o pagamento do valor devido de R$ 36.228,22, foi regularmente efetuado na data de seu vencimento; assim, apresenta neste ato, a DCTF retificadora; no que se refere ao período de 09/2009, houve a informação de valores de R$ 123.488,77, porém tal valor é indevido, sendo que igualmente neste ato apresenta a DIPJ retificadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, prolatou o Acórdão 0726.419 (sessão de 21/10/2011) dando provimento parcial à impugnação exclusivamente para cancelar a exigência da suposta diferença de CSLL apurada em 30/09/20007, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Fatos Passados. Repercussão em Exercícios Futuros. Fiscalização. Possibilidade. Escrituração. Documentos. Guarda. Prazo. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Ágio. Reorganização Societária. Formalidade. Falta de Propósito Negocial. Ineficácia. A formalização de reorganização societária em que não exista motivação outra que não a criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidas as condições para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição das apuração dos tributos devidos. Ágio de Si Mesmo. Uso de Empresa Veículo. Amortização. Impossibilidade. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (com criação de ágio) e, ato contínuo, ocorreu o evento da incorporação. Nesse caso, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera “empresa veículo” para transferência do ágio à incorporadora, com a subseqüente amortização de ágio de si mesma. Ativo Diferido. Despesa. Ágio. Inexistente. No ativo diferido são contabilizadas despesas incorridas que contribuirão para a formação de resultados de exercícios futuros. Despesas, pela legislação tributária, são dispêndios necessários às atividades e à manutenção da empresa. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Estas despesas devem ser usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou atividades da empresa. A posterior transferência desse valor denominado de ágio para conta de resultado configura uma despesa indedutível, por faltarlhe os pressupostos de ágio e despesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Ágio. Atos Societários sem propósito negocial. Artifícios Fraudulentos Multa Qualificada. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 9 15 Provada a existência de constituição de empresa veículo e transferência do ágio para a própria empresa antes adquirida, por meio de atos societário sem propósito negocial, a despesa com a amortização do ágio é indedutível, mantendose a multa qualificada, em vista da conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade Fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, configurando o evidente intuito de fraude à lei tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2007, 30/09/2009 Matéria Não Impugnada. IRPJ Declarado. Considerase como não impugnado os valores exigíveis de ofício que não foram explicitamente contestados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Lançamento Reflexo. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. CSLL Declarada. 30.09.2007. Pagamento Efetivado Constatada que a CSLL declarada foi efetivamente paga na data de seu vencimento, de se cancelar a exigência lançada de ofício, relativa ao 3º trimestre de 2007. CSLL Declarada. 30.09.2009. Exigível de Ofício. Cabível a exigência, de ofício, de CSLL declarada, mas não paga ou sem a devida comprovação do pagamento, assim como não cabe apresentação de DIPJ retificadora após iniciada a ação fiscal. Se a CSLL não é aquela que foi apurada pelo sujeito passivo em sua DIPJ, deve o mesmo fazer a prova do equívoco cometido, algo que não consta nos autos. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória e suscitando a nulidade da decisão de primeira instância, que nas razões de decidir teria alterado a fundamentação do lançamento. É o Relatório. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização . Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Assim, o prazo decadencial deve ter como referência o período de apuração onde tenha ocorrido a dedução. No caso sob exame, a amortização iniciouse no primeiro trimestre de 2005. O prazo decadencial foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação. Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Hodiernamente, a grande maioria dos tributos submetese ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e da CSLL. Assim, circunstancialmente, aquilo que representava uma regra específica tornouse norma geral para efeitos de contagem do prazo decadencial. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 10 17 Sob essa ótica, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deveria ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Entretanto, este julgador não pode ser alheio às decisões prolatadas pelas Cortes Superiores, principalmente quando em caráter de definitividade. A 1º Seção do STJ, em sessão de 12/08/2009, manifestouse no sentido de que, para os tributos em questão, na ausência de pagamento devese proceder à contagem do prazo decadencial sob a regra do inciso I, do art. 173, do CTN (destaques acrescidos). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. O Regimento Interno do CARF foi recentemente modificado com acréscimo do art. 62A, abarcando essa situação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Independentemente da manutenção da multa qualificada, constatase pela DIPJ referente ao anocalendário de 2005 que o sujeito passivo não apurou IRPJ ou CSLL a pagar nos trimestres nem teve retenção de imposto. Assim, a contagem do prazo deve seguir as regras do inciso I, do art. 173, do CTN. Para os três primeiros trimestres de 2005 o termo inicial da decadência seria 02/01/2006, com termo final em 03/01/2011. Como a autuação foi formalizada em 27/12/2010, não ocorreu a caducidade. E sede recursal a interessada suscita a nulidade da decisão de primeira instância que teria alterado a fundamentação do lançamento. Pelo exame dos autos penso que não assite razão à reclamante. O lançamento deixa claro que a indedutibilidade do ágio decorre da circunstância de que as operações societárias que lhe deram origem não envolverem uma despesa prévia, tornandoo sem lastro. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 11 19 A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando palavras distintas: (.......) Substancialmente, como se vê do Relatório da Atividade Fiscal, o ágio em questão nasceu de reorganizações societárias que envolveram o contribuinte e empresas a ele ligadas, acontecidas entre 24 e 29 de dezembro 2004, tendo sido gerado internamente, de modo artificial, conforme conclusão exarada no referido Relatório. Entretanto, o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, como no presente caso. A ausência de referência expressa no Termo de Verificação a uma palavra ou expresão usada pela decisão recorrida não implica em novação ou alteração de fundamento. A autoridade lançadora e a decisão recorrida entenderam que o ágio registrado pelo contribuinte não existe por não haver a correspondente despesa a justificar a sua origem. Ambos destacaram que o ágio registrado pelo contribuinte não é aceito contabilmente, assim como pelas normas que regem as relações societárias. Sendo assim, não vislumbro a nulidade suscitada. No mérito, a interessada apresentou extensa peça de defesa historiando a questão do ágio nos aspectos contábeis e, principalmente, fiscais inclusive no que se refere aos requisotos para a dedutibilidade que, sustenta, foram todos por ele cumpridos. A argumentação do sujeito passivo, em sua grande parte, mostrarseia plenamente aceitável se não houvesse, no caso, a circunstância de se tratar de ágio gerado entre empresas do mesmo grupo econômico. Para caracterização da aquisição da participação societária que gerou o ágio deve ficar claramente identificada a ocorrência do pagamento. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. Não se trata, como ocorre no presente caso, do estabelecimento do valor patrimonial do investimento pelos próprios sócios. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. Todas as empresas participantes das operações sob exame pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária mas não a formação do ágio. Assim, entendo que as razões de defesa não são hábeis a contestar o lançamento, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido manter a glosa da dedução das amortizações. No que se refere à CSLL, a dedutibilidade do ágio têm regra específica no art. 386, inc. III, do RIR/99 — art. 7°, inc. III, da Lei 9.532, de 1997, nas situações em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Ocorre que, de acordo com a análise dos autos, o reconhecimento dessa dedução de despesa de amortização de ágio para fins tributários somente é possível, caso a maisvalia tenha sido efetivamente paga por terceiros independentes. Assim, a norma específica deixa de ser aplicável e a dedução passa a ser analisada sob as regras gerais de dedutibilidade previstas no art. 299, do RIR/99 e também aplicáveis à CSLL. Quanto às diferenças na apuração das bases de cálculo a recorrente não trouxe aos autos novos elementos além daqueles apresentados quando da impugnação e já considerados pela decisão recorrida. O lançamento também deve ser mantido nessa parte. No que se refere à qualificação da multa de ofício, entendo que a análise das operações deve ocorrer separadamente do ágio por elas gerado e indevidamente deduzido Explico melhor: No entendimento deste Relator, é incontestável o fato de que operações societárias realizadas entre empresas do mesmo grupo não podem gerar ágio amorizável. Sob esse prisma, como já exposto neste voto, concordo com a decisão recorrida pela indedutibilidade do ágio em questão. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 12 21 Por outro lado, todas as operações societárias sob exame cumpriram os requisitos formais de registro, seja contábil ou nos órgãos competentes, não havendo nenhum questionamento no que tange à existência das empresas envolvidas. Assim, se as operações foram realizadas exatamente nos moldes informados pelo sujeito passivo, ou seja, não foram simuladas, a fraude suscitada pela autoridade lançadora não está demonstrada. Nesses termos, voto por reduzir a multa de ofício ao percentual da 75%. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida junto com o tributo é tema que adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 13 23 CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 14 25 ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 15 27 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 28 outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 16 29 Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 30 artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720684/201011 Acórdão n.º 1402001.337 S1C4T2 Fl. 17 31 DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 32 Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Em resumo do voto, manifestome pela rejeição da preliminar de nulidade da decisão de primneira instância e da argüição de decadência e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10675.903265/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário-2004
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.266
Decisão: Por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 32 65 /2 00 9- 29 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu a DCOMP nº 06025.50819.210206.1.3.040740, em 21/02/2006, de débito de IRPJ, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$1.666,55, referente a recolhimento de IRPJ efetuado por meio do DARF recolhido em 31/03/2005, relativo ao período de apuração de 31/08/2004, no valor de R$2.174,51. O despacho decisório eletrônico não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou, em síntese, que o direito creditório afirmado teria como origem erro na declaração, que qualificou o crédito como sendo de “pagamento indevido ou a maior”, quando deveria ser declarado como “saldo negativo de IRPJ” no ano calendário 2004, no valor de R$3.689,22 (DIPJ). A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, através do Acórdão 0938.158 julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 PER/DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. A análise de pedido de retificação de PER/DCOMP não se inclui entre as competências das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, estabelecidas no Regimento Interno da RFB. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida, entendeuse que sob a égide da Instrução Normativa nº 600, de 2005, vigente à época da transmissão da DCOMP “A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903265/200929 Acórdão n.º 1801001.266 S1TE01 Fl. 3 3 do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período”. Finalmente, entendeu que a pretensão da Recorrente era a de retificar o PER/DCOMP, o que seria vedado pelo art. 229 da Portaria MF 587/2010 , o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, acrescentando que a retificação da DCOMP apenas poderia ser efetuada antes de qualquer decisão administrativa, com fulcro nos arts. 77 e 78 da IN SRF 900/2008, em vigor, quando da emissão do Despacho Decisório, Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente limitouse a reafirmar os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo pago a maior ou indevidamente, conforme constante do despacho decisório. A decisão da Delegacia de Julgamento, por sua vez, ratificou o despacho decisório, com fulcro na vedação constante na INSRF 600/2005, de compensação/restituição de valores recolhidos indevidamente a título de estimativas, antes do término do período de apuração. Ademais, entendeu que não poderia reconhecer o erro formal no preenchimento das declarações de compensação, uma vez que não seria da sua competência regimental. Nesse contexto, inferese que o cerne da questão, e motivo da não homologação do direito creditório, foi se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Observese que o fato de a declaração consignar “pagamento indevido” seria secundária no caso concreto, pois em se tratando de erro meramente formal, a jurisprudência dessa Corte é torrencial no sentido de sua superação, em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Portanto, a questão relevante a ser abordada, é sobre a existência ou não do direito creditório afirmado, pois esta não chegou a ser analisada, em virtude da prejudicial de impossibilidade de compensação, pelas razões apontadas. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Contudo, em relação à referida prejudicial, esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903265/200929 Acórdão n.º 1801001.266 S1TE01 Fl. 4 5 sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903265/200929 Acórdão n.º 1801001.266 S1TE01 Fl. 5 7 Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2008, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903265/200929 Acórdão n.º 1801001.266 S1TE01 Fl. 6 9 crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903265/200929 Acórdão n.º 1801001.266 S1TE01 Fl. 7 11 § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assim, superada a questão da possibilidade da compensação de pagamento a maior ou indevida das estimativas, a autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte, deve confirmar a existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e, por conseguinte, a existência do erro cometido, na apuração da estimativa e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Portanto, impõese o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903265/200929 Acórdão n.º 1801001.266 S1TE01 Fl. 8 13 Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010424/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.334
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 10 42 4/ 20 07 -4 8 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.010424/200748 Resolução nº 2402000.334 S2C4T2 Fl. 43 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 3), a autuada deixou de informar em GFIP os seguintes fatos geradores: Valores pagos a contribuintes individuais em retribuição a serviços prestados sem relação de emprego. Bolsas de estudos fornecidas a filhos de empregados. Valores pagos a professores por prestação de serviços em substituição a professores titulares. Valores fornecidos a um grupo de segurados empregados referentes a ganhos habituais sob a forma de utilidades. Valores pagos a carreteiros autônomos em retribuição aos serviços de transporte. Valores pagos a segurados empregados antes da formalização do contrato de trabalho. Verbas de natureza salarial devidas por sentença ou acordo homologado em reclamatórias trabalhistas. A autuada teve ciência do lançamento em 03/12/2007 e apresentou defesa (fls. 13/18), onde alega que parte do lançamento estaria abrangido pela decadência. Que a autuação em tela possui conexão com as NFLD nº 37.074.818 e 37.074.816, onde a recorrente está questionando a ocorrência dos fatos geradores. Entende que se não prosperar o lançamento relativo às obrigações principais, não poderá subsistir o acessório. Pelo Acórdão nº 0521.485 (fls. 29/30), a 7ª Turma da DRJ/Campinas considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 34/39), onde efetua repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.010424/200748 Resolução nº 2402000.334 S2C4T2 Fl. 44 3 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O presente processo tem origem em autuação pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Da análise do Relatório Fiscal da Infração, verificase que houve constituição de créditos correspondentes aos fatos geradores omitidos e que resultaram em processos separados. Entretanto, há conexão entre os documentos de constituição de crédito relativos aos mesmos fatos geradores omitidos em GFIP, os quais, para possibilitar o julgamento conjunto deveriam tramitar apensados juntamente com o presente Auto de Infração, porém, não foi o que ocorreu. Assim, o auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória deve ser julgado junto ou após o julgamento dos processos relativos à obrigação principal. Observase que o contribuinte faz menção a duas notificações que seriam conexas, mas não há menção dos números de processos correspondentes para que pudessem ser localizadas no âmbito do CARF, se aqui estivessem, uma vez que o número de DEBCAD não é parâmetro para localização de processos neste Conselho. Assim, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e solicito as seguintes providências: a) Que seja informado se todos os fatos geradores omitidos em GFIP foram objeto de lançamento e quais os processos correspondentes (esclarecer que alguns dos fatos geradores foram reconhecidos pela empresa por meio de pagamento ou parcelamento das contribuições devidas) a) Nos casos que em que houve lançamento das contribuições, se ainda pendentes de julgamento os processos principais, que este presente processo fique sobrestado no órgão onde aqueles tramitam; b) Em já havendo decisão definitiva, informese sobre o resultado do julgamento Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Ana Maria Bandeira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10783.723739/2011-48
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - PRECLUSÃO PROCESSUAL
Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário. A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade
Numero da decisão: 2403-001.782
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - PRECLUSÃO PROCESSUAL Considera-se intimado o contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário. A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 37 39 /2 01 1- 48 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723739/201148 Acórdão n.º 2403001.782 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de janeiro I , Acórdão 1242.382 da 14ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A impugnação foi apresentada intempestivamente e a preliminar de tempestividade foi argüida e analisada. Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – I, em considerar improcedente a impugnação apresentada quanto à preliminar de tempestividade arguida pelo interessado e não conhecer do mérito da impugnação ao lançamento de contribuições sociais A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: 1. Trata o presente processo COMPROT 10783.723739/201148, lavrado em 10/08/2011 contra Município de Linhares/ Prefeitura Municipal, composto por: 1.1. Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 50.000.6385, no valor de R$ 1.727.634,64, com os acréscimos de lei, relativo à glosa de compensações sem respaldo de lei (período de 01, 02, 04 a 12/2009 e 13/2009). 1.2. AIOA DEBCAD 50.000.6342 (CFL 78), referente ao período de 12 e 13/2006; 01 a 12 e 13/2007; 01 a 12 e 13/2008 e 01,05,07 e 13/2009, no valor de R$ 16.000,00, decorrente da constatação de falta de informação ou informação incorreta em GFIP, nos termos do art. 32, IV da Lei 8.212/1991, na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Neste AIOA não foram incluídas as competências em que foi aplicada a multa isolada, que foram objeto do AIOP DEBCAD 50.000.636 9, COMPROT 10783.723604/201182 (o qual se refere ao período em que as correspondentes GFIP foram entregues, a saber: 02/2009, 03/2009, 04/2009, 06/2009, 08/2009, 09/2009, 10/2009, 11/2009, 12/2009 e 03/2010). 2. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 03 a 15 do eprocesso), os valores lançados no AIOP DEBCAD 50.000.6385 correspondem à glosa de compensações efetuadas pela empresa, as quais foram objeto de ação ajuizada em 20/10/2006 pelo Fl. 586DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Município de Linhares contra o Instituto Nacional do Seguro social – INSS. Tal ação teve por fim autorizar o Município a compensar os valores recolhidos a título de contribuição social incidente sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo municipal no período de 01/1998 a 06/2004, com parcelas vincendas de contribuição social previdenciária, sem a limitação prevista nas leis 9.032/1995 e 9.129/1995. As referidas compensações foram consideradas indevidas pela Fiscalização, pelos fatos a seguir: 2.1. O primeiro erro observado pela Fiscalização foi que a competência 01/1998 não poderia ter sido compensada, uma vez que a contribuição incidente sobre os subsídios em questão só teve início em 02/1998, conforme o diploma legal que a criou, Lei 9.506/1997, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 26, de 21/06/2005. 2.1.1. Complementou o Auditor Fiscal que a Lei 10.887, de 18/06/2004, com vigência em 19/09/2004, passou a dispor sobre a contribuição incidente sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo municipal, estadual e federal, desde que não vinculados a Regime Próprio de Previdência Social. 2.2. O segundo erro apontado pela Fiscalização foi o contribuinte ter efetuado a compensação sem ter esperado a decisão judicial, a qual foi proferida em 01/06/2007. 2.2.1. Os cálculos de que se originaram os valores que o contribuinte compensou foram efetuados pela empresa URBIS – Instituto de Gestão Pública, CNPJ 05.417.517/000102, por conta de contrato com a Prefeitura de Linhares. 2.2.2. Além de autorizar o pagamento do valor contratado pelos serviços da URBIS (20% do total apurado a compensar), a Procuradoria Administrativa da Prefeitura de Linhares, em 31/01/2007, data em que ainda não existia a sentença da 1ª Vara Federal (só proferida em 01/06/2007), recomendou ao Município efetuar a compensação do valor calculado pela URBIS, adotando a cautela de respeitar o limite de 30% estabelecido nas leis 9.032/1995 e 9.129/1995. 2.3. Como efeito de a compensação anteciparse à sentença, o período compensado (de 01/1998 a 10/2001) entrou em conflito com os termos da decisão judicial, que julgou o mérito e declarou a extinção do processo no período anterior a 09/11/2001, em razão da prescrição. 2.3.1. No mais, foi julgado o mérito para dar procedência à petição inicial, autorizandose a compensação no período de 11/2001 a 06/2004, com parcelas vincendas de contribuição patronal, sem a limitação prevista nas leis 9.032/1995 e 9.129/1995 e atualizandose os valores compensáveis pela taxa referencial SELIC. 2.4. O terceiro erro apontado pelo Auditor Fiscal foi ter o contribuinte utilizado como crédito da referida compensação valores que não havia recolhido, por conta de lhe ter sido concedida Liminar no Mandado de Segurança n° Fl. 587DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723739/201148 Acórdão n.º 2403001.782 S2C4T3 Fl. 4 5 2002.50.01.0048381 (vide subitens 2.6 e 2.7 adiante no presente relatório). 2.5. A Fiscalização informa, ainda, que, desatendendo ao determinado pela Instrução Normativa SRP n° 15, de 12/09/2006, o contribuinte não efetuou a retificação das GFIP correspondentes ao período em que foram compensados os recolhimentos à Previdência Social baseados na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.506/1997. 2.5.1. O Auditor destaca que, segundo o art. 3° da referida IN, o direito à compensação ou restituição desses valores prescreve no prazo de cinco anos, contado a partir de seu recolhimento. 2.6. Observa o Auditor Fiscal que, anteriormente à concessão de Liminar no Mandado de Segurança n° 2002.50.01.0048381, já existiam créditos constituídos com referência a contribuições da parte patronal e de segurados incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandatos eletivos do município. São eles: NFLD 35.432.9928, de 15/04/2002: período de 11/2000 a 06/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito e do VicePrefeito. NFLD 35.432.9936, de 15/04/2002: período de 07/2001 a 12/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito e do VicePrefeito. NFLD 35.432.9979, de 15/04/2002: período de 03/2001 a 06/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela Câmara aos Vereadores. NFLD 35.432.9987, de 15/04/2002: período de 07/2001 a 12/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela Câmara aos Vereadores. NFLD 35.432.6899, de 15/04/2002: período de 04/1998 a 11/1998. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. NFLD 35.432.6902, de 15/04/2002: período de 03/1999 a 06/2001. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 NFLD 35.432.9910, de 15/04/2002: período de 07/2001 a 12/2001. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. 2.7. O Auditor Fiscal relata ainda que, após a concessão de Liminar no Mandado de Segurança n° 2002.50.01.0048381, com o fim de prevenir a decadência (ou seja, com sua exigibilidade suspensa), foram constituídos créditos referentes a contribuições da parte patronal e de segurados incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandatos eletivos do município. São eles: NFLD 35.702.6322, de 23/04/2004: período de 01/2002 a 09/2003. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito e do VicePrefeito. NFLD 35.631.4693, de 23/04/2004: período de 01/2002 a 01/2003. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela Câmara aos Vereadores. NFLD 35.631.4715, de 23/04/2004: período de 02/2002 a 07/2003. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. 2.8. O Auditor Fiscal informa que os valores lançados nas NFLD citadas em 2.6 acima foram parcelados indevidamente, razão por que pediu à Agência da Receita Federal do Brasil em Linhares que informasse tal fato ao setor responsável pelo parcelamento, com o fim de proceder aos devidos acertos, levando em conta os procedimentos também necessários quanto à situação das NFLD citadas em e 2.7. 2.9. À fl. 10 do eprocesso, o Auditor informa que, embora em todas as NFLD referidas em 2.6 e 2.7 acima tenham sido lançadas não só contribuições patronais, mas também da parte dos segurados, não foi constatada a ocorrência de apropriação indébita. 3. Informa também que, nos cálculos de que decorreu este lançamento, foi levada em consideração, quando aplicável, a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, após a comparação entre o determinado na legislação anterior e posterior à edição da Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Por tal razão, não foi emitido Auto de Infração com fundamentação legal 68. 4. À fl. 12 do eprocesso, consta a informação de que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que constituem Crime de Sonegação Previdenciária, previsto no art. 337A, incisos I e III do Código Penal, com a redação da Lei 9.983/2000, as condutas de omitir em GFIP remuneração a Fl. 589DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723739/201148 Acórdão n.º 2403001.782 S2C4T3 Fl. 5 7 Contribuintes Individuais e efetuar compensação de valores não recolhidos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Tempestividade do recurso. Tempestividade da impugnação. A ação fiscal foi encerrada em 15/08/2011. A impugnação efetuada em 14/09/2011 é tempestiva. A data do encerramento formal do procedimento fiscal deve coincidir, obrigatoriamente, com a data do recebimento da exigência fiscal. Ausência de efeito material na revelia da fazenda Pública. Necessidade de fundamentação para não apreciar o mérito. Insegurança processual. Verdade material. Enriquecimento sem causa. Decisão judicial (compensação) transitada em julgado em 15/12/2011 – Fato superveniente. É o relatório Fl. 590DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O julgamento de Primeira Instância decidiu por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada quanto à preliminar de tempestividade argüida pelo interessado e não conhecer do mérito da impugnação ao lançamento de contribuições sociais. No julgamento, em razão da argüição da tempestividade da impugnação, esta foi apreciada, conforme ementa abaixo transcrita. TEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO. CONHECIMENTO. Expirado o prazo de trinta dias para impugnação, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Quanto à matéria, a autoridade julgadora encontrase impedida de apreciar a impugnação, por ser a intempestividade prejudicial à análise do mérito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Novamente em recurso, a tese da tempestividade da impugnação é apresentada e, novamente, será apreciada. Os fatos apresentados são incontroversos: · Ciência da autuação em 10/08/2011. · Encerramento da ação fiscal em 15/08/2011. · Apresentação da impugnação em 14/09/2011. O Decreto 70,235/72 estabelece prazo de 30 dias, contados da data em que foi feita a intimação, para a interposição da impugnação. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723739/201148 Acórdão n.º 2403001.782 S2C4T3 Fl. 6 9 Art.15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Pelas datas apresentadas acima, constatase que transcorreram mais de 30 dias da intimação da exigência à apresentação da impugnação. Entendo correta a decisão de primeira ionstância. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 592DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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