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Numero do processo: 10384.720039/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS.
Demonstrada a ocorrência de omissão de receitas de serviços de propaganda não oferecidas à tributação, não descaracterizada pela defesa, cabível a lavratura do Auto de Infração.
CUSTOS/DESPESAS NÃO SUPORTADOS PELO AUTUADO.
Indedutíveis os custos/despesas informados na contabilidade da empresa, que não tiverem sido suportados pelo autuado nem lhe forem atribuíveis.
AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR.
Será lavrado Auto de Infração Complementar quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, em exames posteriores, realizados no curso do processo de que resultem agravamento da Exigência Inicial, devolvendo-se ao Sujeito Passivo prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial quinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo quinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
LANÇAMENTOS REFLEXOS
Quanto aos autos de infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS, uma vez que são decorrentes da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplica-se mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ.
Numero da decisão: 1301-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães em relação aos juros sobre a multa de oficio.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Demonstrada a ocorrência de omissão de receitas de serviços de propaganda não oferecidas à tributação, não descaracterizada pela defesa, cabível a lavratura do Auto de Infração. CUSTOS/DESPESAS NÃO SUPORTADOS PELO AUTUADO. Indedutíveis os custos/despesas informados na contabilidade da empresa, que não tiverem sido suportados pelo autuado nem lhe forem atribuíveis. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. Será lavrado Auto de Infração Complementar quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, em exames posteriores, realizados no curso do processo de que resultem agravamento da Exigência Inicial, devolvendose ao Sujeito Passivo prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial quinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo quinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 00 39 /2 01 1- 02 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto aos autos de infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS, uma vez que são decorrentes da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães em relação aos juros sobre a multa de oficio. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 23 3 Relatório AUTUAÇÃO INICIAL: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados inicialmente Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (R$ 685.439,09) e reflexos da Contribuição para o Programa de Integração Social/PIS (R$ 15.434,49), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/COFINS (R$ 71.236,54) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL (R$ 246.758,07), Multa Isolada do IRPJ (R$ 22.214,02) e, Multa Isolada da CSLL (R$ 6.197,04), fls. 3/42, além do Termo de Encerramento, fls. 337/338, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, totalizando R$ 1.047.279,25, incluindo encargos legais, relativos ao ano calendário de 2008, regime de tributação pelo lucro real, apuração anual. As infrações apuradas, relatadas e capituladas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que constaram dos citados Autos, achamse expostas, em síntese, conforme indicado a seguir: INFRAÇÕES APURADAS RELATADAS NOS AUTOS: 001 OMISSÃO DE RECEITAS: RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Omissão de Receitas caracterizada pela não contabilização dos valores auferidos em decorrência da veiculação de publicidade e propaganda do Governo do Estado do Piauí, conforme informado pela Coordenadoria de Comunicação Social no Ofício 001/11, fls. 251. Enquadramento Legal: arts. 249, 251, 278, 279, 280 e 288 do RIR/1999. 002 CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS INDEVIDOS: Dedução indevida de custos e/ou despesas na apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica/IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL do ano calendário 2008, detectada na escrituração do Sujeito Passivo. Enquadramento Legal: arts. 249, 299 e 300 do RIR/1999. 003 – MULTAS ISOLADAS DE FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA (art: 44, par. 1o., IV da 9430/96). Falta de pagamento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, em razão das infrações tributárias de Omissão de Receitas e Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários, descritas no Auto de Infração. Impugnado os lançamentos a DRJ/FORTALEZA (CE) converteu o julgamento em diligência conforme relato a seguir: Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 1ª DILIGÊNCIA SOLICITADA – RESOLUÇÃO DRJ/FOR 2.193, 09/11/2011: Após sintetizar os dados do Lançamento e da Impugnação, a 3ª Turma da DRJ/FOR propôs o RETORNO dos Autos à Unidade de Origem, por meio da Resolução DRJ/FOR 2.193, de 09/11/2011, fls. 743/757 a fim de que fossem adotadas as providências relacionadas a seguir: a) Estado do Piauí Coordenadoria de Comunicação do Piauí (CCOM): que a CCOM se manifestasse, adicionando mais informações e/ou documentos mantidos em seu poder, sobre a informação fornecida, às fls. 273, por meio do Ofício 001/11, tendo em vista que a Empresa Sistema Timon de Radiodifusão Ltda. insistia em negar a veiculação da publicidade pela TV Meio Norte de Comunicação [fosse encaminhada na Intimação cópia dos seguintes documentos: Ofício 108/10 e anexos (fls. 254/265) e Ofício 001/11 (fls. 273)]; fosse observada a cláusula nona (fls. 262) do Contrato firmado entre a CCOM e a Agência de Publicidade (News Propaganda & Publicidade Ltda): “O pagamento será efetuado à Contratada, no prazo de até 30 (trinta) dias após cada veiculação, mediante apresentação dos documentos de cobrança, notas fiscais e correspondentes comprovantes de veiculação, a qual será conferida e atestada a sua realização [...]” b) Autoridade Autuante: tendo em vista a repercussão da temática sobre os dois Contribuintes, fosse solicitada a oitiva da Autoridade Autuante, diante do argumento da Defesa, às fls. 361, de que a receita considerada omitida nos presentes autos teria sido integralmente tributada na Empresa NEWS PROPAGANDA & PUBLICIDADE LTDA, inclusive por meio de Auto de Infração lavrado pela própria Fiscalização, nos autos do processo administrativo nº 10384.720021/2011 01 (cópia às fls. 401 e ss.), nos seguintes termos: “No caso em comento, a fiscalização também lavrou auto de infração na empresa News Propaganda (vide cópia do auto de infração que segue em anexo, doc.[processo nº 10384.720021/201101, fls. 401 e ss.]), objetivando cobrar diferenças entre os valores escriturados/declarados, considerando ao final que toda a receita auferida pela empresa News Propaganda em decorrência do contrato firmado com a CCOM (R$ 1.502.341,47) deveria ser tributada nessa empresa. Assim, jamais poderia a fiscalização considerar como Omissão de Receitas valores que já foram tributados na empresa News Propaganda, pois a própria fiscalização considerou que a News Propaganda prestou os serviços junto a CCOM, não havendo nenhum repasse ao recorrente para ser considerado como omissão de receita por ele praticado.” Ao final, fosse elaborado Relatório circunstanciado e conclusivo, acrescentando quaisquer outras informações que de interesse para o deslinde da questão, cientificandose o Impugnante sobre o inteiro teor da Diligência realizada, e facultandolhe o prazo de trinta dias para se manifestar sobre as conclusões nela contidas. ATENDIMENTO AO SOLICITADO PELA DILIGÊNCIA: Em atendimento ao solicitado pela descrita Resolução DRJ/FOR 2.193, de 09/11/2011, fls. 743/757, foi lavrado o Termo de Informação Fiscal com as informações a seguir discriminadas: Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 24 5 Foram obtidas junto à Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí, após solicitação mediante Ofício 259/2011 SAFIS/DRF/TSA, documentação anexa, compreendendo notas fiscais, recibos, mapas de mídia e certificados de veiculação, que, no entendimento do Relator da Diligência, comprovam inequivocamente que o Sistema Timon de Radiodifusão Ltda (TV Meio Norte) veiculou publicidade do Governo do Estado do Piauí no exercício fiscal de 2009, relativo ao ano calendário de 2008, de que trata o Contrato firmado entre este Ente Federativo e a Agência de Publicidade News Propaganda & Publicidade Ltda; A Autoridade Autuante dos Autos de Infração lavrados em desfavor de News Propaganda & Publicidade Ltda, juntado ao processo administrativo tributário 10384.720021/201101, apresentou os seguintes esclarecimentos: "No procedimento fiscal executado contra o Contribuinte News Propaganda & Publicidade Ltda, verifiquei que o Contribuinte contabilizou e declarou, como receitas no ano calendário de 2008, valores constantes em notas fiscais emitidas em decorrência de prestação de serviços de publicidade à Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí. Entretanto, no Lançamento Tributário que constituí, constante dos Autos de Infração acima referidos, incluí infração titularizada como RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS, consistente de valores referentes a diferenças verificadas nos meses de setembro e dezembro de 2008, apuradas em decorrência do batimento efetuado entre o valor registrado em cada nota fiscal emitida e valores declarados pelo Contribuinte. Assim sendo, entendo incorreta a afirmação feita na Impugnação apresentada por Sistema Timon de Radiodifusão Ltda de que, ao efetuar o Lançamento das diferenças acima referidas, confirmei, pois não fiz nenhum juízo de valor a respeito, que as receitas referentes à prestação de serviços de publicidade à Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí deveriam ser tributadas pelo Contribuinte News Publicidade & Propaganda Ltda. Além da infração acima, lancei, nos Autos de Infração lavrados em desfavor de News Propaganda & Publicidade Ltda, infração de DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, referente a valores creditados nas contas correntes bancárias titularizadas pelo Contribuinte, para os quais este, a despeito de regularmente intimado, não apresentara documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, comprovando a origem dos referidos créditos, nos termos, expressos no art. 42 da Lei 9.430/1996. Acrescento que o Contribuinte tributou seus lucros no ano calendário de 2008 com base na sistemática do Lucro Presumido." Deuse ciência ao Interessado do inteiro teor do Termo descrito, bem como de todos os documentos citados, ficandolhe facultado, manifestarse a respeito das conclusões expostas, no prazo de 30 (trinta dias), nos termos dos arts. 5o, 15, 16 e 17 do Decreto 70.235/1972, com as alterações introduzidas pelas Leis 8.748/1993, 9.532/1997 e 11.196/2005. Transcorrido o prazo citado sem que fossem oferecidas novas razões de defesa, os Autos foram devolvidos à DRJ/FOR 2ª DILIGÊNCIA SOLICITADA – RESOLUÇÃO DRJ/FOR 2.359, 27/04/2012 tendo em vista a existência de fatos novos, observouse a obrigatoriedade de ser adotado o regime de competência para reconhecimento das receitas em virtude do descompasso entre a data de pagamento e o período de apuração conforme demonstrado pela fiscalização às fls. 43/46. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Retornou os autos à Unidade de Origem, por meio da citada Nova Resolução DRJ/FOR 2.359 de 27/04/2012, fls. 1233/1255, a fim de que a Autoridade Lançadora se manifestasse a respeito das considerações expendidas, particularmente no que concerne ao seu convencimento sobre a repercussão que deveriam ter os fatos novos sobre o crédito tributário constituído nos Autos, à luz do art. 41 do Decreto 7.574, de 29.09.2011. ATENDIMENTO AO PROPOSTO PELA 2ª DILIGÊNCIA: AUTOS DE INFRAÇÃO COMPLEMENTARES: Em atendimento ao proposto pela DRJ/FOR, de acordo com dispositivos legais pertinentes, fls. 1346/1348, foram exarados os Lançamentos a seguir discriminados, os quais complementaram/substituíram a cobrança do crédito tributário integralmente exigido. A complementação/substituição da Exigência Inicial decorreu da exclusão de receitas auferidas nos anos de 2006 e 2007, e inclusão de receitas auferidas no ano de 2008, cujo pagamento ocorreu no ano de 2009, conforme documentos apresentados pela Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí, OFÍCIO 039/2013, relacionados no “DEMONSTRATIVO DE RECEITAS OMITIDAS – 2008”, integrante deste Auto Complementar, conforme Solicitação citada da DRJ/FOR. Em consequência desse fato, foi alterada a infração de OMISSÃO DE RECEITAS e excluída a infração MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA, que haviam sido exigidas na AUTUAÇÃO INICIAL, fls. 2/49. Foi reaberto o prazo de trinta dias para Pagamento ou Impugnação do crédito tributário, fundamentado no art. 20 de Decreto 70.235, de 06/03/1972. Deste modo, contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados os Autos de Infração Complementares do Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ (R$ 681.883,17) e reflexos da Contribuição para o Programa de Integração Social/PIS (R$ 14.917,70), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/COFINS (R$ 68.850,90) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL (R$ 245.477,95), fls. 1349/1381, aos quais foi acrescido o Demonstrativo de Receitas Omitidas, fls. 1382/1386, além do Termo de Encerramento, fls. 1387, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, totalizando R$ 1.011.129,72, incluindo encargos legais, relativos ao ano calendário de 2008, regime de tributação pelo lucro real. Impugnado o Lançamento Complementar a DRJ/FORTALEZA (CE), decidiu a matéria por meio do Acórdão 0825.782, de 20/06/2013 (fls. 1468/1488), julgando a impugnação procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. Demonstrada a ocorrência de omissão de receitas de serviços de propaganda não oferecidas à tributação, não descaracterizada pela Defesa, cabível a lavratura do Auto de Infração. CUSTOS/DESPESAS NÃO SUPORTADOS PELO AUTUADO. Indedutíveis os custos/despesas informados na Contabilidade da Empresa, que não tiverem sido suportados pelo Autuado nem lhe forem atribuíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 25 7 Ano calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. Será lavrado Auto de Infração Complementar quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, em exames posteriores, realizados no curso do processo de que resultem agravamento da Exigência Inicial, devolvendose ao Sujeito Passivo prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2008 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do artigo (art.) 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do artigo (art.) 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade da Autuação formalizada através de Lançamento de Ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 DECADÊNCIA. IRPJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. Nas Exações cujo Lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, conforme o artigo (art.) 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN; todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto pelo art. 173, I, do CTN. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não tendo a exigência de acréscimos moratórios sobre multa de ofício sido abrangida pelo Lançamento em litígio, do qual consta indicação de juros apenas sobre o valor do principal, embora a incidência de juros sobre a multa de ofício esteja amparada pela legislação de regência, tornase sem objeto a alegação do Defendente sobre o item descrito. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal, “mutatis mutandis”, é aplicável aos Lançamentos Decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 26 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as argumentações iniciais (impugnação) colacionadas nos tópicos que a seguir analisaremos na mesma ordem apresentada: 1 – DA INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO APÓS APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. INFRINGÊNCIA AOS ARTIGOS 146 E 149 DO CTN. Aduz a recorrente: Quanto ao particular, assim consignou a decisão de conversão do julgamento em diligência pela segunda vez (fls. 1.253/1.254): “[...]Consultando os mapas e certificados de veiculação de mídia inseridos na primeira diligência , chegase á conclusão de que a empresa fiscalizada pretendeu encobrir a informação ao fisco, pois naqueles documentos está certificado pela própria TV MEIO NORTE que os serviços foram prestados, constando inclusive o nome de cada campanha de interesse governamental, com as respectivas datas de exibição das peças publicitárias. Nesse aspecto, não foi anunciada nenhuma novidade, apenas se reforçou a notícia, já contida nos autos – anteriormente fornecida pelo Estado do Piauí – que serviu de prova para o lançamento tributário. Todavia, a diligência revelou que os pagamentos relacionados no demonstrativo receitas omitidas (fls.43/46) foram efetuadas pelo Estado do Piauí nas datas de emissão das notas fiscais, mas os serviços correspondentes já haviam sido prestados em veiculação de mídia correlatos (fls. 762/1227). Notese que os certificados de veiculação, juntamente com os mapas de mídia, contêm datas de expedição contemporâneas aos períodos em que executados os serviços, porém, a emissão das notas fiscais davase em momento posterior, normalmente nos dias dos pagamentos constatados pela fiscalização. Nos mapas de mídia também se encontram discriminadamente os valores de cada campanha, a parcela referente à “agência” e o valor líquido a ser faturado. Desse modo, verificouse a existência de fatos novos, pois só agora se pode saber que os serviços não foram realizados no meses em que efetuados os pagamentos por parte do Estado do Piauí. Considerando a obrigatoriedade de adoção do regime de competência, já mencionado neste voto, há, pareceme, um descompasso entre a data do pagamento e o período de apuração a que se refere à receita omitida, conforme demonstrado pela fiscalização as fls. 43/46, tendo em vista, por exemplo que alguns pagamentos efetuados nos primeiros meses de 2008 correspondem a serviços prestados em anos anteriores (v.g notas fiscais 256, 260, 261, 262, 264, 238, 275, 272, 271, 273, 274, 268, 278). Por outro lado, os serviços prestados durante o ano calendário de 2008, freqüentemente, são pagos em meses subseqüentes, o que altera sobremodo tanto o lançamento das contribuições Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 submetidas a períodos de apuração mensais, quanto o valor das multas isoladas lançadas por falta de pagamentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL.” Assim, uma vez que a DRJ ressaltou o descompasso entre a data do pagamento e o período de apuração a que se refere à receita omitida depois da realização da 1a. diligência, a auditoria fiscal procedeu à lavratura do auto de infração complementar n. 01. Tratase, no entanto, de hipótese que não poderia ser simplesmente remediada por meio de diligência após a lavratura do auto de infração. Houve, após a diligência fiscal, verdadeira revisão do lançamento tributário em sua substância, mediante a alteração da base de cálculo dos tributos aqui discutidos e do fundamento que ensejou a apuração da omissão de receitas aqui debatida, alterando se o critério jurídico sobre o mesmo fato, hipótese expressamente vedada pelo artigo 146 do CTN. A alteração da base de cálculo dos tributos aqui discutidos e do fundamento que ensejou a apuração da omissão de receita aqui debatida não constitui mera correção procedimental, mas antes, instase, clara alteração material do lançamento tributário. [...] Cita doutrina e jurisprudência favorável a sua tese. Neste primeiro tópico a decisão de primeira instância assim restou fundamentada: Ao se apreciarem os autos, constatouse que não houve qualquer ofensa aos artigos transcritos, quer do CTN, quer do Decreto 7.574 de 29/09/2011 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal – Regulamento do PAF), pois o Auto de Infração Complementar apenas sanou a irregularidade do Auto de Infração original, ao substituir o Lançamento primitivo nos termos dos dispositivos reproduzidos, sendo que o Interessado teve reaberto o prazo de Impugnação de trinta dias para apresentar novas razões de defesa em relação à matéria modificada. Pela leitura do artigo do citado Decreto, depreendese que a Autoridade Julgadora de primeira instância, quando em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, detectar qualquer alteração de que resulte agravamento da Exigência Inicial, deverá propor a lavratura do Auto de Infração Complementar, com a devolução ao Sujeito Passivo do prazo para Impugnação no que se refere à alteração efetuada. Assim, os Autuantes agiram rigorosamente de conformidade com os Atos Legais de regência do assunto apreciado ao lavrarem o Auto de Infração Complementar, na forma em que foi efetuado, atendendo ao disposto pela legislação pertinente, não tendo havido qualquer agressão ao princípio da segurança jurídica alegado pelo Interessado, pelo que descabem os argumentos em contrário apresentados pela Defesa, e procede a feitura da Autuação Complementar. Pois bem. A DRJ, no meu entender, fundamentou com propriedade o motivo pelo qual foi lançado a diferença complementar. Por óbvio o que ocorreu foi mero erro de fato na utilização da base de cálculo (receita omitida), tendenciosamente ocultada pela fiscalizada e somente conhecida em diligência. Como assentado na decisão recorrida não houve qualquer violação das disposições contidas no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nem dos artigos. 10, 59 e 60 do Decreto 70.235/1972, dispositivos de previsão da pretendida anulação, motivo pelo qual adoto os seus fundamentos como razões complementares do que aqui decido. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 27 11 O instituto do lançamento complementar está previsto no artigo 18, parágrafo 3o., a seguir reproduzido, do Decreto n° 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, para as hipóteses em que a autoridade fiscal, por ocasião de exame posterior de determinado lançamento, constata a existência de incorreção, omissão ou inexatidão que .implique agravamento da exigência lançada. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748. de 1993) (...) § 3o. Quando, em exames posteriores, diligencias ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei n° 8.748. de 1993). De fato, existe o debate doutrinário e jurisprudencial sobre a possibilidade de revisão de lançamento, considerandose a natureza do erro: se de fato ou de direito. Enquanto a possibilidade de revisão em caso de erro de fato é largamente aceita, no caso de erro de direito, algumas posições são divergentes. Assim, poderia ser questionada a aplicação do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 tendo como parâmetro a regra do art.146 do CTN. Contudo, no presente caso, não se faz necessária adentrar nessa discussão, visto que a solução decorre diretamente do ordenamento jurídico, sem maiores conjecturas. O Decreto nº 7.574, de 2011, ao regulamentar, dentre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, definiu quais os parâmetros de correção do lançamento por meio de auto de infração complementar, tendo em conta os mesmos artigos do CTN e do Decreto nº 70.235/72, já referidos. Naquele decreto foram delimitadas expressamente as hipóteses de lançamento complementar, conforme abaixo: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. § 4º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. § 5º O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4º será objeto de um único acórdão. Ao positivar as hipóteses de cabimento de lançamento complementar, o referido decreto apenas fez esclarecer aos operadores do direito como deve ser aplicado o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e, no caso em exame, a situação verificada encontrase prevista expressamente no § 1º do art. 41 do Decreto nº 7.574, de 2011. Neste sentido, dúvidas não há que o presente lançamento complementar é legítimo. 2 DA DECADÊNCIA DO CREDITO TRIBUTÁRIO REFERENTE AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DE IRPJ E CSLL EXIGIDOS NO PERÍODO DE JANEIRO E FEVEREIRO DE 2008. Alega a ora recorrente: De acordo com a decisão recorrida apenas o período de janeiro e fevereiro de 2008 no que se refere ao PIS e a COFINS encontramse fulminadas pela decadência, enquanto o mesmo período para o IRPJ e a CSLL não são alcançados pela decadência haja vista que o prazo aplicado é o do art. 173, I, do CTN e não o do art. 150, parágrafo 4o. Contudo, errônea a interpretação adotada pelo decisium, haja vista que existe comprovação nos autos de recolhimento de estimativa da CSLL e do IRPJ dos meses de janeiro e fevereiro de 2008, transmudando o prazo decadencial do art. 173, I, do Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 28 13 CTN, para o art. 150, § 4°, estando abarcado pela decadência o período de 01 e 02/2008. Com relação a decadência, curvome à jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, § 4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, ou no caso de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Mesmo porque o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 29 15 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. De se ver, portanto, de que forma essa jurisprudência deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das nóveis disposições regimentais. De acordo com o acórdão supra transcrito do STJ, a contagem do prazo decadencial, como regra geral, é a contida no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). No entanto, deslocase para a regra do § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal (da data do fato gerador), nos casos em que houver pagamento antecipado do tributo ou declaração prévia do débito, porem sem a constatação de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Compulsando os autos constato que o contribuinte optou pela tributação do Lucro Real Anual, consta prova de recolhimentos a título de pagamento por estimativa de IRPJ, CSLL e PIS, COFINS (fls. 252/253 e 263) e, foi cientificada em 08/03/2013 (fls.1347). E, como o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e havendo pagamentos antecipados, em função de recolhimentos mensais pelo regime de estimativa, o prazo para o Fisco promover o lançamento tributário é de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, que no caso em exame se aperfeiçoa em 31/12/2008 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN). Desse modo, não tenho dúvida que o prazo para a Receita Federal proceder a cobrança se encerraria em 31/12/2013, como a ciência deuse em 08/03/2013 não há o que se falar em decadência. Com relação ao PIS e a COFINS, fatos geradores mensais e verificados pagamentos com relação ao ano de 2008, agiu bem a DRJ em acatar a decadência para os meses de janeiro e fevereiro de 2008, tendo em vista a ciência dos autos em 08/03/2013. Portanto, sem reparos a fazer neste tópico. 3 – DO MÉRITO PROPRIAMENTE DITO. DA IMPOSSIBILIDADE DA TRIBUTAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM MEROS INDÍCIOS LEVANTADOS PELA FISCALIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA TIPICIDADE CERRADA, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E SEGURANÇA JURÍDICA. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 Neste tópico aduz a recorrente, em suma que: É fato notório que a fiscalização analisou apenas as receitas auferidas pela empresa News Propaganda e Publicidade Ltda., decorrentes do contrato assinado com a Coordenadoria de Comunicação Social do Estado do Piauí, estabelecendo por meio de uma mera presunção, que a recorrente auferiu receitas no ano de 2008 no percentual de 80% dos valores pagos a News Propaganda pela CCOM. Os Fiscais teriam presumido uma receita mantida à margem da tributação, em decorrência da resposta ao Ofício 001/11 e 39/2013 pela Coordenadoria de Comunicação Social, fls. 251, a qual informara que os pagamentos realizados à News Propaganda se deram a título de serviços de veiculações de publicidade e propaganda do Estado do Piauí pela TV Meio Norte, sem demonstrar cabalmente que tais serviços foram efetivamente prestados pelo Reclamante. Da análise da documentação constatouse que inexiste contrato da CCOM com o Reclamante, fls. 236, bem como qualquer pagamento feito pela CCOM ao Reclamante ou da News para o Reclamante. A Exigência Tributária deve ser suportada por efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido nos moldes legais, sob pena de nulidade, conforme art. 142 do CTN. Teriam sido afrontados os princípios da legalidade, capacidade contributiva, tipicidade cerrada e segurança jurídica, aplicados à tributação. O Reclamante apresentou à Fiscalização todas as receitas auferidas no ano calendário 2008, com toda a movimentação financeira, incluindo a movimentação bancária, pelo que os valores escriturados fariam prova a favor do Impugnante, nos termos dos arts. 923 e 924 do RIR/99. Pugnou o Reclamante pelo cancelamento da omissão de receitas argumentando estar sendo tributada integralmente na Empresa NEWS PROPAGANDA & PUBLICIDADE LTDA., fls. 1434. Pois bem. Conforme se extrai do relatório e voto condutor a omissão de receitas em litígio foi caracterizada pela não contabilização dos valores auferidos em decorrência da veiculação de publicidade e propaganda do Governo do Estado do Piauí, informados pela Coordenadoria de Comunicação Social (CCOM) e, pagos à Agência de Publicidade News Propaganda & Publicidade Ltda, CNPJ 07.579.882/000130, contratada para veiculação de material publicitário do Governo do Estado do Piauí. Para fins de identificar qual parcela dos valores pagos fora auferida pela autuada foram utilizadas as regras estabelecidas nas Normas Padrão da Atividade Publicitária, de 16/12/1998, publicadas pela Associação Brasileira das Agências de Publicidade ABAP, mais especificamente os itens 2.4 e 2.5, fls. 1351/1352 (transcritos no voto) e discriminados no Demonstrativo de Receitas Omitidas que integra o auto de infração. Deste modo, não há qualquer vedação ao uso de presunções no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim é que, apreciando o conjunto probatório licitamente construído, a Autoridade Julgadora formará livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do Decreto 70.235 de 1972. Não há, portanto, como afastar a tributação com base nos argumentos apregoados pela Defesa, no sentido de não se admitir prova obtida por meio de presunção. Aliás, neste caso, devese registrar que as provas foram obtidas diretamente do Prestador do Serviço, que assegurou ter a Autuada executado a veiculação de mídia. Quanto ao desconto de 20%, a título de comissão da Agência, verificase que o Fisco observou as Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 30 17 Normas Padrão da Atividade Publicitária. Portanto, estando devidamente comprovado que o Autuado prestou serviços de propaganda ao Governo do Estado do Piauí, e diante da negativa do Contribuinte em fornecer qual seria o desconto padrão para a Agência Publicitária, é razoável admitir que esse percentual foi no mínimo de 20% conforme prevê a referida norma, relativo à citada Agência, e conseqüentemente de 80% aplicável ao mencionado Veículo. Assim, diante de tal situação caberia à interessada ter demonstrado, com elementos hábeis e idôneos, qual fora o percentual utilizado nas relações em comento, o que não ficou demonstrado na peça de defesa, que se limitou a questionar a validade da prova utilizada pela Fiscalização, argumentando que a autuação fora efetuada com base em meros indícios, violando os princípios da legalidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva e segurança jurídica e, ainda, que teria havido dupla incidência tributária sobre o mesmo fato jurídico, impossibilidade, bis in idem, alegando que o valor pago pelo Estado do Piauí estaria sendo tributado na Empresa NEWS PROPAGANDA & PUBLICIDADE LTDA, tendo a Fiscalização lavrado Auto de Infração sobre a referida Empresa, considerando toda a receita auferida (R$ 1.502.341,47) em decorrência do Contrato firmado com a CCOM. Nessa linha vejamos as disposições do próximo tópico. 4 – DA DUPLA INCIDÊNCIA SOBRE O MESMO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. “BIS IN IDEM”. Aqui a defesa se resume na alegação de que a legislação tributária permite que seja deduzido da base de calculo dos tributos federais os valores pagos diretamente ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas (cita decisões de DRJs e solução de Consultas). Aduz que, “jamais poderia a fiscalização considerar como Omissão de Receitas valores que já foram tributados na empresa News Propaganda, pois a própria fiscalização considerou que a News Propaganda prestou os serviços junto a CCOM, não havendo nenhum repasse ao recorrente para ser considerado como omissão de receita por ele praticado.” Consta do relatório fiscal e diligência: “A Autoridade Autuante dos Autos de Infração lavrados em desfavor de News Propaganda & Publicidade Ltda, juntado ao processo administrativo tributário 10384.720021/201101, apresentou os seguintes esclarecimentos: No procedimento fiscal executado contra o Contribuinte News Propaganda & Publicidade Ltda, verifiquei que o Contribuinte contabilizou e declarou, como receitas no ano calendário de 2008, valores constantes em notas fiscais emitidas em decorrência de prestação de serviços de publicidade à Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí. Entretanto, no Lançamento Tributário que constituí, constante dos Autos de Infração acima referidos, incluí infração titularizada como RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS, consistente de valores referentes a diferenças verificadas nos meses de setembro e dezembro de 2008, apuradas em decorrência do batimento efetuado entre o valor registrado em cada nota fiscal emitida e valores declarados pelo Contribuinte. Assim sendo, entendo incorreta a afirmação feita na Impugnação apresentada por Sistema Timon de Radiodifusão Ltda de que, ao efetuar o Lançamento das diferenças acima referidas, confirmei, pois não fiz nenhum juízo de valor a respeito, que as receitas referentes à prestação de Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 serviços de publicidade à Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí deveriam ser tributadas pelo Contribuinte News Publicidade & Propaganda Ltda.” É bem verdade que nas condições previstas pela legislação, as Agências de Publicidade podem excluir da base de cálculo do imposto de renda e das contribuições os valores comprovadamente pagos ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas. É desnecessário enfatizar que esse direito – vinculado à comprovação do pagamento direto ou repasse do dinheiro – há de ser exercido pela Empresa nos procedimentos espontâneos de apuração dos tributos, ou perquirido no âmbito do processo administrativo, em cujo contexto a Agência de Publicidade estiver ocupando o pólo passivo da relação jurídico tributária própria. Contudo, não há qualquer razão legal tendente a afastar a tributação das receitas correspondentes aos serviços efetivamente prestados pelas empresas de televisão, ainda que a outra empresa (Agência de Publicidade) haja, eventualmente, negligenciado o direito de excluir essas verbas da incidência tributária, ou mesmo que não tenha ocorrido o efetivo repasse dos valores relativos à prestação de serviços de veiculação da publicidade televisiva. Em outras palavras, podese dizer que o ato de receber os valores referentes aos serviços executados é irrelevante para o reconhecimento das receitas pela empresa prestadora dos serviços, ou seja, as receitas devem ser apropriadas na contabilidade da empresa, pelo regime de competência, no momento em que os serviços forem prestados, ainda que não recebido o respectivo pagamento. Digo isto, como fundamento para afastar o argumento da defesa, pois, desde que os serviços de veiculação hajam sido efetivamente prestados pela recorrente, deverão ser submetidos à tributação os valores relativos às receitas omitidas, independente do recebimento dos recursos financeiros correspondentes, tendo em vista que as receitas devem ser apropriadas segundo o regime de competência, não interferindo o fato de eventualmente ter ocorrido errônea apuração da base de cálculo pela Agência de Publicidade. Desse modo, a alegação de bis in idem não pode prosperar, pois esse fenômeno ocorre quando há a exigência, em Leis Ordinárias, de impostos iguais pelo mesmo Poder Tributante, sobre o mesmo contribuinte e em razão do mesmo fato gerador, hipótese que não corresponde ao presente caso, que trata de contribuintes diferentes, com hipóteses de incidência tributária própria. Destarte, rejeitamse tais argumentos, pelo que procede a autuação quanto aos dois tópicos precedentes. 5 – DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DO RECORRENTE. Alegações da defesa, em resumo: Pela simples leitura do Lançamento, não estariam presentes os elementos e pressupostos indispensáveis, pois a Fiscalização entendeu que o fato de o Reclamante compartilhar o mesmo imóvel com outras Empresas não poderia suportar por inteiro as suas despesas, sem definir devidamente quais gastos deveriam ser suportados pelo Reclamante, sem juntar prova que demonstrasse o contrário fato insuficiente para justificar a glosa efetuada pelo Fisco, o que importa sua nulidade de pleno direito, por força da patente usurpação das prerrogativas da Administração em detrimento dos direitos dos Administrados, pois o Ato estaria maculado na motivação. Aduz no recurso voluntário: Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 31 19 De acordo com o relatório de fiscalização houve a glosa de custos e despesas tendo em vista à ofensa da violação ao princípio da entidade, por se tratar de gastos incorridos por outras Empresas do Grupo, que compartilham o mesmo espaço em imóvel onde está localizada a Filial do Sujeito Passivo. A dedução indevida de custos e despesas que caracterizou a infração apreciada foi detectada no documentário comprobatório dos lançamentos efetuados na escrituração da ora recorrente como bem demonstrado no relatório e voto recorrido. Nos Demonstrativos de "GLOSAS EFETUADAS", (fls. 49, 121 e 128), partes integrantes dos Autos de Infração, foram relacionados os custos e/ou despesas considerados inadmissíveis, acompanhados de fotocópias autenticadas dos documentos fiscais comprobatórios e outros documentos a eles pertinentes, cujas anotações ali apostas permitiram identificar os valores relacionados, bem como a conclusão exposta, o que de modo algum foi descaracterizado pela autuada, pelo que se verifica que a autuação foi inteiramente motivada, e não houve qualquer usurpação das prerrogativas da Administração em detrimento dos direitos do Administrado, como indevidamente alegado pela defesa, pelo que descabem os argumentos apresentados e procede de todo a Autuação relativa ao item apreciado. Ademais, diante das provas apuradas pela Fiscalização (notas fiscais de despesas emitidas em nome de terceiros), caberia à defesa, para refutálas, ter apresentado elementos que comprovassem que esses valores não foram escriturados ou, alternativamente, que os dispêndios foram suportados pela autuada em gastos necessários para a manutenção de suas atividades. No entanto, na peça de defesa, esquivase totalmente de enfrentar essa situação, preferindo questionar genericamente o instrumento de prova utilizado para embasar o Lançamento. Verifico, por exemplo, no Termo de Constatação Fiscal (fls. 206), que na Conta 42203.0049/DESPESAS ADMINISTRATIVAS/MATERIAL DE CONSUMO consta a escrituração da aquisição de sacos para a embalagem de jornais, conforme NF nr. 014329, 014527, 014627, dentre outras, emitidas por Jeraplastic Tecnologia em Plásticos Ind. e Com. Ltda, que não representam despesas de sua atividade, e sim, de uma outra empresa do Grupo, no caso, o Jornal Meio Norte. Dessa forma, mantémse a tributação. 6 – DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Neste ultimo tópico argumenta a ora recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de Ofício face a ausência de base legal para essa exigência. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10384.720039/201102 Acórdão n.º 1301001.577 S1C3T1 Fl. 32 21 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 22 No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto aos autos de infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS, uma vez que são decorrentes da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo na íntegra a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 15504.019402/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/12/2009
INDICAÇÃO DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO E DO FORMATO DOS ARQUIVOS REQUERIDOS PELO FISCO. NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não deve ser acatada a nulidade da lavratura por cerceamento ao direito de defesa, posto que o fisco, ao contrário do que se afirmou no recurso, indicou o prazo e as especificações técnicas para apresentação dos arquivos digitais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO
A não exibição de arquivos digitais no prazo fixado pelo fisco caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória.
APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS EM MEIO PAPEL. DESCUMPRIMENTO DO DEVER DE ENTREGAR OS ARQUIVOS DIGITAIS.
A falta de apresentação dos arquivos digitais não é suprida pela entrega dos documentos/livros em meio papel.
AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91.
A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo a presentação de documentos.. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatada a nulidade da lavratura por cerceamento ao direito de defesa, posto que o fisco, ao contrário do que se afirmou no recurso, indicou o prazo e as especificações técnicas para apresentação dos arquivos digitais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO A não exibição de arquivos digitais no prazo fixado pelo fisco caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS EM MEIO PAPEL. DESCUMPRIMENTO DO DEVER DE ENTREGAR OS ARQUIVOS DIGITAIS. A falta de apresentação dos arquivos digitais não é suprida pela entrega dos documentos/livros em meio papel. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91. A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 94 02 /2 00 9- 21 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo a presentação de documentos.. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.019402/200921 Acórdão n.º 2401003.530 S2C4T1 Fl. 76 3 Relatório Tratase de recurso apresentado pela empresa autuada contra o Acórdão n. 02.42.804 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente em parte a impugnação para desconstituir o Auto de Infração – AI n. 37.254.6226. O AI foi lavrado para imposição de multa em razão de infringência artigo 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218/1991, por ter deixado a contribuinte de apresentar arquivos em meio digital dos exercícios de 2005 e 2006, mesmo intimada por meio do Termo de Intimação de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 8/9), datado de 31/08/2009. Apresentada a impugnação, o órgão de primeira instância concluiu pela procedência do lançamento, todavia, entendeu que o fisco incorrera em erro ao calcular o valor da penalidade. Esta foi reduzida de R$274.294,30 para R$185.333,81. Em seu recurso a empresa alegou, em síntese, que o fisco não poderia desconsiderar os livros contábeis relativos ao período solicitado, os quais foram apresentados em meio papel. Assevera que o sistema contábil por ela utilizado não gera os arquivos digitais, portanto, a apresentação dos livros encadernados supre qualquer falta relativa à exibição da contabilidade digital. O AI é nulo, posto que houve cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o fisco não esclareceu qual o prazo e a forma em que os arquivos digitais deveriam ser disponibilizados. Também não foi apresentada pela Autoridade Lançadora as normas regulamentadoras do § 3. do art. 11 da Lei n. 8.218/1991. Argumenta que a lavratura com base nesta Lei somente poderia ser efetivada a partir do anocalendário de 2008, posto que as prescrições nela contidas somente foram estendidas às contribuições previdenciárias a partir da edição da Lei n. 11.457/2007. A multa aplicada relativa a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 2005 e 2006 fere o princípio da irretroatividade da lei tributária. Ao final, requereu a reforma da decisão atacada com consequente cancelamento da multa. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do AI A recorrente suscita a nulidade do AI, posto que o fisco não teria deixado claro qual o prazo e qual a forma de apresentação dos arquivos digitais, cerceando, portanto, o seu direito de defesa. A meu ver a alegação é infundada. Quando se analisa o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, fls. 8/9, verificase que a autoridade fiscal indicou sim o prazo e o formato dos arquivos a serem apresentados: Ali se menciona o período de apuração (2005 e 2006) e o prazo para apresentação dos elementos, qual seja, 20 (vinte) dias. Quanto ao leiaute estabelecido para apresentação dos arquivos, consta do TIPF que as informações em meio digital deveriam ser fornecidas conforme as especificações previstas no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP, fosse o atual ou aquele em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores. Vale ressaltar que a Portaria MPS/SRP nº 58, de 28/01/2005 e a Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20/06/2006 são os atos normativos que trataram do leiaute do Manual Normativo de Arquivos Digitais (Manad) referente ao período fiscalizado. Devese observar que no período fiscalizado os atos que regulavam as obrigações acessórias relativas às contribuições previdenciárias eram editados pela Secretaria da Receita Previdenciária SRP, que detinha competência para normatizar a fiscalização e arrecadação desses tributos, portanto, o fisco indicou corretamente o Manad da SRP como normativo que disciplinava a matéria. Portanto, não merece acolhida a alegada nulidade em razão de cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Ocorrência da Infração Inicialmente cabe destacar que a apresentação dos arquivos digitais à fiscalização previdenciária passou a ser obrigatória com a edição da MP n. 83/2002, posteriormente convertida na Lei n. 10.666/2003, conforme o art. 8. da Lei: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.019402/200921 Acórdão n.º 2401003.530 S2C4T1 Fl. 77 5 respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. O formato da apresentação dos arquivos era definido em atos da SRP, sendo que no período fiscalizado estavam em vigor a Portaria MPS/SRP nº 58, de 28/01/2005 e a Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20/06/2006, atos normativos que trataram do leiaute do Manual Normativo de Arquivos Digitais (Manad). Assim, na época da ocorrência dos fatos geradores a empresa autuada tinha a obrigação de preparar esses arquivos, posto que, conforme afirmado na decisão recorrida, ela se utilizava de processamento eletrônico de dados para preparar sua escrituração digital. Eis os termos constantes no voto condutor do acórdão recorrido: “Por meio de pesquisa aos sistemas informatizados da RFB constatouse que a empresa informou em suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica possuir escrituração em meio magnético, conforme telas “Consulta Declarações IRPJ”, relativas aos exercícios 2005 e 2006 (DIPJ/2006, AC 2005 e DIPJ/2007, AC 2006), juntadas às fls. 52/53.” De se concluir que descabe o argumento recursal de que o sistema contábil da empresa não gerava os arquivos digitais solicitados, mas apenas os documentos e livros em meio papel. Por outro lado, a apresentação dos livros em meio papel não supre a necessidade de apresentação dos arquivos magnéticos, uma vez que estes são de interesse do fisco, na medida em que agilizam o processo de verificação da regularidade fiscal do contribuinte, a qual agora é feita principalmente mediante a utilização de técnicas de informática. Vêse, portanto, que, hodiernamente, para as empresas que preparam a sua documentação por processamento eletrônico de dados, é imprescindível, para agilização dos trabalhos fiscais, o fornecimento dos arquivos digitais. Essa foi a razão que levou o legislador a criar a obrigação acessória de apresentar esses elementos. A norma tida pela fiscalização como descumprida foi o art. 11, §§ 3. e 4. da Lei n. 8.218/1991. Essas prescrições que eram aplicadas aos tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal. Com a edição da Lei n. 11.457/2007, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, passaram a ser aplicadas também nas auditorias direcionadas às contribuições previdenciárias. Vejamos os dispositivos: Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. . §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. E não venha se dizer que o fato do art. 8. da Lei n. 10.666/2003 não ter sido revogado impediria a aplicação do dispositivo acima nas ações fiscais relativas às contribuições previdenciárias. Com a criação da RFB não mais existe separação entre “fiscalização fazendária” e “fiscalização previdenciária” e o dever instrumental de apresentação de arquivos digitais é uma obrigação instituída no interesse, tanto das auditorias das contribuições previstas na Lei n.º 8.212/1991, como daquelas relativas aos demais tributos administrados pela RFB. Assim, não tem sentido que se apliquem numa mesma fiscalização multas distintas para o mesmo tipo de infração. Por uma questão de racionalidade do sistema tributário é recomendável que os procedimentos relativos a todos os tributos da competência da RFB sejam unificados. Portanto, entendo que a aplicação dos dispositivos da Lei nº 8.218/1991 à fiscalização das contribuições previdenciárias favorece esta padronização procedimental. Essa questão foi inclusive tratada no âmbito da RFB em Solução de Consulta Interna exarada pela COSIT, que carrega a seguinte ementa: Solução de Consulta Interna Cosit nº 5 Data da publicação: 27 de junho de 2012 Assunto: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A apresentação de arquivos digitais relativos a contribuições previdenciárias com inconsistências ou fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) configura descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Tratandose de órgãos públicos, ao se verificar este tipo de infração, por impossibilidade de aplicação dos artigos da Lei nº 8.218, de 1991, deverá ser aplicado o inciso III, do art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, com capitulação da multa fundamentada nos arts. 92 e 102 da mesma lei. Outra questão que me convence da aplicação dos arts. 11 e 12 da Lei n.º 8.218/1991 em detrimento do inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 é que este não traz norma específica para arquivos digitais e, de acordo com o Princípio Hermenêutico da Especificidade, a norma especial afasta a norma geral. No caso, os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, são mais específicos do que o dispositivo da Lei 8.212/1991. De outra banda, por força do art. 48, I, da Lei n. 11.457/2007, as normas emanadas da SRP continuam em vigência até que sejam modificadas pela RFB, o que nos leva a concluir que a especificação dos arquivos digitais constante no ManadSRP continua válida em relação aos fatos geradores ocorridos na sua vigência. Interessante notar que para esse tipo de obrigação acessória, qual seja a apresentação dos arquivos digitais, pode ocorrer a infração de não apresentar os arquivos no prazo estipulado pelo fisco ou a de apresentar os arquivos no formato que não atenda às especificações normativas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.019402/200921 Acórdão n.º 2401003.530 S2C4T1 Fl. 78 7 No primeiro caso, dáse o descumprimento da obrigação acessória ao final do prazo assinado pelo fisco para apresentação dos arquivos. Para a segunda situação, devese averiguar a conformidade dos arquivos com a norma vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Na situação sob enfoque, verificase que a empresa, malgrado tenha declarado à Administração Tributária que preparava a sua escrituração contábil em meio magnético, deixou de apresentar os arquivos correspondentes no prazo determinado no TIPF. Verificase assim que a infração ocorreu na data da lavratura (03/12/2009), momento em que a Autoridade Fiscal relatou a não entrega dos arquivos digitais. Portanto, o descumprimento do dever legal deuse quando já havia possibilidade jurídica de se aplicar a Lei n. 8.218/1991 às contribuições previdenciárias, não havendo razão para o inconformismo da autuada quando suscita uma possível aplicação retroativa da norma tributária. Notase que a contribuinte foi intimada em 31/08/2009 para apresentar, no prazo de vinte dias, as informações em meio digital com leiaute previsto no Manad SRP atual ou em vigor à época de ocorrência dos fatos geradores (2005/2006). O não atendimento da intimação citada representa violação da norma que instituiu a obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais da contabilidade e das folhas de pagamento, portanto, devese manter a lavratura, respeitandose, todavia, a modificação promovida pela DRJ para retificar o valor da multa fixado incorretamente pelo fisco. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade da lavratura e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Analisando a Lei nº 8.212/91, não há dúvidas de que o fundamento legal da referida Multa e da própria Portaria indicada pela Lei 8.218/91, pode ser encontrado no art. 33, § 2o, da aludida Lei, que assim especifica: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Como é cediço, nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Nesse sentido, assim prevê o art. 283, inc. II, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;” Constatase, portanto, que no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas. Entretanto, a multa imposta tomou como base o art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, tendo sido calculada com base no art. 12, inc. I e parágrafo único da Lei nº 8.218/91, que assim prescrevem: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; Ocorre que tais fundamentos legais originamse da edição da Medida Provisória nº 2.15835/01, que dispõe, essencialmente, sobre a “legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.019402/200921 Acórdão n.º 2401003.530 S2C4T1 Fl. 79 9 No meu entender, tal dispositivo é nitidamente voltado para fins de regulamentação do PIS e da COFINS (e seus deveres instrumentais), haja vista que leva em consideração, para fins de apuração da penalidade, a receita bruta da empresa, bem como “o anocalendário em que as operações foram realizadas”. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação quando se está tratando sobre contribuição previdenciária (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que esta possui regra de incidência totalmente dissociada do PIS e da COFINS, além do fato de que, como dito acima, possui legislação específica a penalizar a conduta descrita no Auto de Infração. Logo, também há de se considerar no presente caso, o disposto no art. 112 do CTN, na medida em que a presente demanda gira em torno da aplicação de penalidades na seara do direito tributário, a seguir: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Em razão do exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de anular o lançamento por vício material. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.721834/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIFERIDOS. LUCRO REAL. MUDANÇA PARA O REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. TRIBUTAÇÃO.
Sendo uma opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação, isso configura o exercício de uma opção, sujeitando-se a empresa a atenção integral a lei, inclusive no concernente a tributação de valores controlados na parte B do LALUR.
RESULTADOS
Numero da decisão: 1102-001.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIFERIDOS. LUCRO REAL. MUDANÇA PARA O REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. TRIBUTAÇÃO. Sendo uma opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação, isso configura o exercício de uma opção, sujeitandose a empresa a atenção integral a lei, inclusive no concernente a tributação de valores controlados na parte B do LALUR. RESULTADOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 18 34 /2 01 3- 72 Fl. 911DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10120.721834/201372 Acórdão n.º 1102001.083 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração no qual foi lançado de ofício crédito tributário relativo à IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2008, incluindo juros de mora e multa proporcional. De acordo com a descrição dos fatos trazidos pelos Relatórios de Fiscalização anexados aos autos, os lançamentos de ofício se fundamentaram: Insuficiências de Recolhimento de IRPJ / CSLL Até o anocalendário de 2007, a empresa optou pela tributação pelo regime do lucro real, e, para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, adotou o procedimento de diferir os resultados gerados pelas receitas de contratos de empreitada, na forma admitida pelos arts. 407 e 409 do RIR/99, oferecendo à tributação esses valores quando de sua efetiva realização financeira, mantendo o controle desse diferimento na parte B do LALUR, compreendendo as seguintes parcelas: 1) Diferimento de Atualização Monetária de Obras Públicas R$ 6.934.934,65 2) Diferimento de Obras Públicas de Longo Prazo 2006 R$ 539.648,89 3) Diferimento de Obras Públicas de Longo Prazo 2007 R$ 8.236.058,13 4) Diferimento de Obras Públicas de Curto Prazo 2007 R$ 9.631.394,69 No anocalendário de 2008, a contribuinte migrou para a tributação com base no lucro presumido, e não ofereceu à tributação as receitas auferidas até 31/12/2007 mantidas na parte B do LALUR, contrariando o disposto nos arts. 451 e 520 do RIR/99 ((total de R$ 25.342.036,40). Defendese a empresa autuada: Da Mudança de Regime de Tributação Alega a ilegalidade e a inadequação do entendimento adotado pela autoridade tributária vez que as receitas diferidas decorrem de contratos de longo prazo celebrados com entes públicos, pois a simples mudança de regime tributário (do lucro real para o lucro presumido) não constitui hipótese de incidência ou fato gerador das exações em foco, à luz do disposto no art. 43 do CTN; em consonância com a Carta Constitucional de 1988, que determina como fato gerador do imposto de renda apenas “a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza,” uma vez que referidos valores representam mera expectativa de receita. Assim, no ano calendário subseqüente (2008), na condição de optante ao REFIS e com amparo no art. 9º do Dec. nº. 3.431, de 2000, adotou o regime de tributação pelo lucro presumido mantendo a tributação das receitas diferidas pelo regime de caixa com base no art. 13, § 2º, da Lei nº. 9.718, de 1998. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10120.721834/201372 Acórdão n.º 1102001.083 S1C1T2 Fl. 4 3 Ainda, cita, por analogia, julgado deste Tribunal, em caso de desembaraço aduaneiro, como forma de amparar a legalidade de tal ato, citando, inclusive, estar na posse de competente parecer jurídico de uma banca de advogados de notória especialização na matéria. Das Receitas Oferecidas à Tributação em Momento Posterior Também em caráter eventual, a impugnante argumenta que, no cálculo das exigências, o autor do procedimento adicionou no 1º trimestre de 2008 a totalidade dos resultados diferidos existente em 31/12/2007. Entretanto, segundo afirma, a autoridade lançadora acabou por ignorar ou desconsiderar que os valores que deram origem à autuação chegaram a ser oferecidos à tributação pela EMSA nos trimestres subseqüentes, configurando enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. Logo, houve o desrespeito ao disposto no art. 273 do RIR/99. Conforme Relatório de Fiscalização, para a realização do recálculo dos valores devidos pela Recorrente no primeiro trimestre do anocalendário 2008, foi adicionado também o montante total de R$ 6.934.934,65 referente a provisões de receitas de juros e/ou correção monetária contratuais (exigíveis no caso de inadimplência de seus órgãos contratantes), receitas estas cuja escrituração foi realizada pela decorrente exclusivamente para fins de propiciar suporte contábil no caso de êxito da empresa em eventual demanda judicial movida face àqueles órgãos contratantes. Referidos valores não chegaram a ser auferidos pela Recorrente, configurando excesso de exação vez que tal situação se amolda às hipóteses de perda no recebimento de créditos, conforme determinação constante do art. 9° da Lei n° 9.430/96. A 2a Turma da DRJ/BSB, em sessão de 14/06/2013, proferiu sua decisão através do Acórdão no. 3352.658 (fls. 675 e segs.), tendo como ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 RESULTADOS DIFERIDOS. LUCRO REAL. MUDANÇA PARA O REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. TRIBUTAÇÃO. Tendo o sujeito passivo optado pela tributação pelo lucro real, e, no ano calendário subsequente, migrado para o regime do lucro presumido, deve incluir na base tributável do primeiro período de apuração sob o novo regime o saldo dos resultados cuja tributação vinha sendo diferida no regime anterior, por força do disposto no art. 54 da Lei n°. 9.430, de 1996. RECEITAS NÃO RECEBIDAS. RECONHECIMENTO. A disponibilidade econômica e jurídica da receita auferida deve ser reconhecida pela pessoa jurídica no momento em que se consuma a situação fática necessária e suficiente para gerar o direito de exigila, independentemente de sua realização em moeda. PAGAMENTOS EFETUADOS EM PERÍODO POSTERIOR. PROVA. A possibilidade de refazimento do cálculo da exigência, com a dedução dos recolhimentos efetuados em período de apuração posterior, nos quais estariam incluídos os valores exigidos, fica prejudicada quando o sujeito passivo não comprova na impugnação a realização desses recolhimentos. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10120.721834/201372 Acórdão n.º 1102001.083 S1C1T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS. Aplicase ao lançamento da CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento do IRPJ, formalizado a partir dos mesmos elementos fáticos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada a Recorrente via AR em data de 04/07/2013 (fls. 695), apresentou Recurso Voluntário em data de 31/07/2013 (fls. 698 e segs.) mantendo as razões apresentadas em sede de impugnação. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Conheço do recurso interposto pela Recorrente por ser tempestivo. A preliminar de nulidade dos Autos de Infração deve ser rejeitada, uma vez que não configurada qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pela não ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, tampouco se discute a competência para prática dos atos administrativos relacionados com a constituição dos créditos tributários. O fato resumese na questão do momento da tributação de receitas ainda não tributadas, e controladas na parte B do LALUR, tendo em vista a Recorrente ter optado alterar o regime de tributação para o lucro presumido. Em relação a essa linha de argumentação, oportunizase ressalvar que no processo administrativo tributário o julgador tem atuação vinculada à lei, não podendo deixar observar sua aplicação em face de argüições de ilegalidade ou inconstitucionalidade suscitadas pelo sujeito passivo, diante do mandamento legal contido no art. 26A e § 6° do Dec. n°. 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n°. 11.941, de 2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10120.721834/201372 Acórdão n.º 1102001.083 S1C1T2 Fl. 6 5 Novo inconformismo que norteia o tema devese ao fato de que, por permissivo legal, a receita de operações com órgãos públicos vinha sendo tributada pelo regime de caixa mesmo estando a Recorrente sujeita a tributação pelo lucro real. Ora, se a Recorrente tivesse gerado mesma receita estando sujeita a apuração pelo Lucro Presumido, também poderia estar contemplada pelo mesmo sistema da tributação pelo regime de caixa. Aduz a Recorrente que no regime do lucro presumido perduraria a faculdade de diferir as receitas auferidas, tendo em vista que o regime de caixa foi contemplado pelo art. 13, § 2°., da Lei n°. 9.718, de 1998, que tem a seguinte redação: Art. 13 (...) § 2° Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido. Ledo engano interpretativo por parte da Recorrente pois, na verdade, é certo que na tributação pelo lucro presumido, a pessoa jurídica pode optar pelo regime de caixa no reconhecimento da receita bruta, mas há que se ter em mente que o dispositivo legal em comento, inserido na legislação de regência do lucro presumido, é aplicável às receitas auferidas sob este regime. Ou seja, para as receitas que foram auferidas anteriormente, sob o regime do lucro real, vale o mandamento específico expresso no art. 54 da Lei n°. 9.430/1996, anteriormente enfocado. Em síntese, se a empresa atende aos preceitos legais, ela está apta a decidir, por sua conta e risco, o sistema de tributação que deseja empregar, seja pelo Lucro Real, seja pelo Lucro Presumido. Sendo uma opção, não há o que se discutir quanto a ser mais favorável ou desfavorável à tributação, muito embora haja uma lógica nessa escolha. Sendo de livre iniciativa do contribuinte a opção pelo regime tributário do lucro presumido, assume a empresa os riscos inerentes a tal regime. Assim, sujeitase as regras estabelecidas em lei, ou seja, momento em que pode ser feita esta opção, forma, e atenção aos procedimentos (artigo 516 e segs. RIR; Lei 9.430/96) A alteração de regime produz efeitos bem mais amplos do que a simples forma de apuração, provocando revisão de valores de crédito aproveitado e, consequentemente, de tributos recolhidos. A opção é deixada à escolha do contribuinte, mas há regras de forma e de tempo para seu exercício, cabendolhe certificarse de que a opção que vem a fazer é a mais benéfica. A opção por regime menos vantajoso não lhe confere direito à revisão, nem mesmo no exercício a que se refere, e menos ainda com efeitos retroativos. Neste sentido e especificamente ao caso, correto afirmar que não comporta outro entendimento o fato de que as receitas controladas na parte B do LALUR deveriam ter sido oferecidas á tributação dentro do prazo legal quando a Recorrente decidiu pelo novo sistema de tributação. A norma, aqui, é expressa, não comportando outro entendimento. Argumenta ainda a Recorrente que a especificidade da norma que admite o diferimento prevaleceria sobre as demais, incorre novamente a impugnante em uma interpretação equivocada, pois, para o caso concreto, o dispositivo específico aplicável que prevalece sobre qualquer outro, na ocorrência da hipótese nele expressamente prevista, é o art. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10120.721834/201372 Acórdão n.º 1102001.083 S1C1T2 Fl. 7 6 54 da Lei n°. 9.430, de 1996, que define a regra a ser seguida na situação singular de mudança do regime de tributação. Aliás, não se trata tãosomente do aspecto de especificidade, mas de aplicação intertemporal da norma mais recente, haja vista que o diferimento da tributação em discussão foi previsto pelos DecretosLei n°. 1.598, de 1977 e 1.648, de 1978, que são a fonte legal do art. 409 do RIR/99, e, por sua vez, a tributação dos valores diferidos, quando da migração do regime do lucro real para o presumido foi determinado pela Lei n°. 9.430, de 1996, cujo art. 54 constitui a matriz legal dos arts. 451 e 520 do mesmo Regulamento. Entendimento desta Corte, bem como do Superior Tribunal de Justiça, firma se no sentido de repelir a alteração de regimes tributários perpetrada ao livre anseio do em descompasso com a legislação de regência, pois não se pode conceber que somente o seja beneficiado na relação jurídicotributária sem que também se preserve os interesse do Fisco, especialmente quando já considerada a livre manifestação de vontade do optante. Neste sentido, citamos como referência: · Acórdão no. 1401001.052 – 1a. Seção – 4a Câmara / 1a. Turma Ordinária CARF · Acórdão no. 10514.666 – Decisão 1º Conselho de Contribuintes / 5a. Câmara / Publicado no DOU em: 13/06/2005 · Acórdão n.° 10176.273 1º Conselho de Contribuintes – 1a. Câmara Decisão · Recurso Especial Nº 1.266.367 PE (2011/01664184) Relator: Ministro Humberto Martins (1130) – STJ – Segunda Turma 26/11/2013 Das Receitas Tributadas em Momento Posterior Resta analisar a argumentação de que subsistindo as exigências, seria necessário os cálculos serem refeitos, pois a tributação deveria ter sido procedida com observância do disposto no art. 273 do RIR/99, que disciplina o seguinte: Justifica seu pleito afirmando que teria efetuado recolhimentos em períodos de apuração posteriores ao 1°. Trimestre/2008 que foram ignorados pelo autor do feito, conforme faria prova a documentação que informa anexar, e, nesta circunstância, o procedimento adequado seria calcular e exigir apenas as insuficiências de recolhimento. O que se constata é que, apesar da prova documental noticiada no texto impugnativo, a impugnante não a trouxe à colação, haja vista que os apêndices da petição que contém material probatório dizem respeito aos documentos colacionados com o escopo de comprovar o não recebimento dos encargos contratuais de inadimplemento, cuja análise não se fez necessário, conforme esclarecido em tópico anterior. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10120.721834/201372 Acórdão n.º 1102001.083 S1C1T2 Fl. 8 7 Assim, na ausência de sustentáculo probatório que permita ao julgador examinar o questionamento invocado pela impugnante, com o escopo de formar convicção sobre a matéria de fato objeto da contestação, o argumento resta prejudicado Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 917DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO
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Numero do processo: 16682.720486/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.238
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 48 6/ 20 11 -7 5 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720486/201175 Resolução nº 1402000.238 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação nº. 24810.40230.290607.1.3.026302 (fls. 03/31), transmitido em 29/06/2007, com o objetivo de ver reconhecido e compensado o direito creditório de R$ 336.805.243,86, correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006. O saldo negativo pleiteado confere com o apresentado na Linha 18 da Ficha 12A da DIPJ 2007 (R$ 336.805.243,64 fl. 37) e é formado por pagamentos de estimativas mensais e retenções na fonte. Em 12/06/2012, a DEMAC/DIORT/RJ emitiu o Parecer/Despacho Decisório (fl. 415/424 e 427), que só reconheceu o direito creditório no valor de R$ 137.653.629,46, fato que a levou a concluir pela homologação parcial das compensações declaradas pela Contribuinte. Referida decisão informou, em síntese, que: 1) Os pagamentos vinculados a débito de estimativa correspondem a R$ 6.402.843.823,22 e não R$ 6.942.708.191,91, como foi informado no PER/DCOMP (tabela 02) – a diferença (R$ 539.864.368,69) foi paga a maior que os débitos declarados em DCTF e foi objeto de pedido de restituição (não reconhecida), por meio de 9 PER/DCOMP’s (tabela 03), que estão em discussão administrativa, motivo pelo qual não pode ser requerida no presente PER/DCOMP, conforme art. 26, §3º, inc. XI, da IN SRF 600/05; 2) Após intimações ao interessado e às fontes pagadoras de rendimentos para que apresentassem comprovantes de retenção do imposto, bem como consulta à DIRF, foram confirmadas retenções no montante de R$ 100.446.463,76 e não R$ 110.961.534,83, como informado no PER/DCOMP (tabela 06); 3) Foi lavrado auto de infração relativo ao ano base 2006 para cobrar o IRPJ no valor de R$ 188.636.543,13, ainda não quitados, que devem ser acrescidos ao imposto a pagar, já que a impugnação da Contribuinte foi julgada improcedente, em agosto/2010, pela DRJ/RJ1, nos autos do processo administrativo 12897.000193/201011; 4) Segundo ponderações acima, o saldo negativo passível de aproveitamento seria de apenas R$ 137.653.629,46 (e não R$ 336.805.243,86 como declarado no PER/DCOMP e na DIPJ). Cientificado do Despacho Decisório e do Parecer em 19/06/2012 (fl. 463), a Contribuinte apresentou, em 18/07/2012 (fl. 464), a manifestação de inconformidade de fls. 727/743, com as alegações aqui resumidas: a) Quanto aos créditos provenientes de recolhimento a maior de IRPJ apurado por estimativa: (i) valendose das normas até então dispostas no §3° do art. 74 da Lei 9.430/96, entendia a Contribuinte (como ainda entende) que, não obstante regra contrária prevista no art. 10 da IN SRF n° 600/05, estava ela autorizada à compensação imediata dos valores recolhidos a maior por estimativa, posto que além de inexistir, à época em que os pedidos de compensação Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720486/201175 Resolução nº 1402000.238 S1C4T2 Fl. 4 3 apontados na tabela 03 foram realizados, o inc. IX do art. 74 da Lei 9430/96 (posteriormente incluído pela MP 449/08), a compensação imediata mostravase condizente com os princípios da legalidade e capacidade contributiva, considerados princípios fundamentais e, portanto, de aplicação imediata, conforme regras dispostas nos artigos 5º, II §1° e 145, §1° da CF; (ii) antes da apreciação daqueles PER/DCOMP’s, entrara em vigor o art. 11 da IN SRF 900/08 (aplicável às compensações pendentes de apreciação, por ser norma procedimental), que dá direito à compensação imediata dos valores recolhidos a maior a título de estimativa de IRPJ, conforme jurisprudência do CARF; (iii) o inc. XI do §3° do art. 26 da IN SRF 600/05 extrapola as hipóteses de vedação eleitas no §3° do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, que devem ser interpretadas restritivamente; e (iv) a decisão recorrida apegouse unicamente à formalidade posta no inc. XI do §3° do art. 26 da IN SRF 600/05, quando os fatos possibilitavam uma análise conjunta (com os PER/DCOMP’s apontados na tabela 03), que não prejudicaria o controle dos créditos pleiteados; b) Quanto aos créditos provenientes de IRRF: (i) os documentos anexados (informes de rendimentos, razões contábeis, darf) são capazes de atestar o saldo não validado na tabela 06 do Parecer/Despacho Decisório que amparou a decisão recorrida; (ii) uma pequeníssima parte do valor referese a rendimentos retidos no ano anterior e nele não foram utilizados; e (iii) aliás, esses documentos, em particular os relativos ao Citibank, indicam que o crédito existente supera em R$ 600.000,00 o que se ostenta; c) Quanto à certeza e liquidez do crédito: (i) ainda que julgado procedente, o auto de infração citado no Parecer/Despacho Decisório seria incapaz de comprometer a compensação, por ser de valor bem inferior; (ii) assim, por valor ilíquido e incerto, há de ser considerado apenas o montante em discussão no auto de infração; d) Por fim, pede que o presente PER/DCOMP seja apreciado em conjunto com aqueles relacionados na tabela 03 do Parecer/Despacho Decisório ou que o presente julgamento seja suspenso até que aqueles processos (inclusive o que trata do auto de infração) sejam decididos definitivamente, posto que a matéria neles abordada tem influência no resultado do presente. Diante dos fatos, a 1ª Turma da DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente em parte (fls. 1356/1364), para reconhecer, além do direito creditório inicialmente reconhecido, o valor de R$ 3.941.754,13, referentes a imposto retido por fontes pagadores anteriormente não reconhecidos e comprovados através dos documentos acostados pela Contribuinte. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720486/201175 Resolução nº 1402000.238 S1C4T2 Fl. 5 4 Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 1372/1393), aduzindo, em resumo, que: (i) o valor de R$ 188.636.543,13 em discussão nos autos do processo administrativo nº. 12897.000193/201011, jamais poderia reduzir o saldo negativo do IRPJ, já que tem sua exigibilidade suspensa e não ostentam liquidez e certeza; (ii) a análise da questão discutida nos autos do processo administrativo nº. 12897.000193/201011 foi sobrestada, nos termos do art. 62A do RICARF, por força da repercussão geral declarada no RE 611.586. Ou seja, o processo em referência trata da suposta ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior, através de controladas e coligadas da Contribuinte domiciliadas no exterior. Dessa forma, cobrar tais valores implica condenar a Contribuinte ao pagamento de valores que ainda estão em discussão, em nítida violação ao caput do art. 37 da CF, caput do art. 2º da Lei nº. 9.784/99 e inciso III do art. 151 do CTN; (iii) tais questões deveriam ter sido reconhecidas de ofício pela administração fiscal e não se pode dizer, como fez a decisão recorrida, que a Contribuinte não as teria impugnado; (iv) o comprovante de retenção do imposto de renda na fonte emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, não é o único documento hábil a comprovar o IRRF. A autoridade julgadora de primeira instância se limitou a analisar superficialmente os documentos acostados pela Contribuinte que demonstram o IRRF e exigir o comentado comprovante, cerceando seu direito de defesa. (v) a Contribuinte foi diligente na produção do material necessário à demonstração do IRRF, ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, conforme planilhas que anexou indicando: CNPJ da fonte pagadora, código de receita, situação de origem do crédito e número dos anexos, onde poderiam ser encontrados os documentos probatórios. (vi) a decisão recorrida incorreu em equívoco material, posto que reconheceu o valor de R$ 3.941.754,13, referente a IRRF e, no entanto, não considerou tais valores quando, ao final, calculou o saldo negativo. (vii) na remota hipótese de serem superados os argumentos expostos, é de convir que falta certeza e liquidez aos créditos anotados nos DARF’s opostos em favor da Contribuinte. É o Relatório. Voto A Recorrente sustenta que os documentos anexados à peça impugnatória comprovam os valores recolhidos a título de IRRF e que tais documentos não foram analisados de forma cuidadosa pela DRJ. Merece razão o apelo da Recorrente. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720486/201175 Resolução nº 1402000.238 S1C4T2 Fl. 6 5 Analisando parte da documentação acostada aos autos, foi possível perceber que existem valores de IRRF comprovados pelos documentos anexados, inclusive por anexação dos informes de rendimentos, que não foram tidos em conta pela decisão recorrida. Assim sendo, e tendo em vista a vasta gama de documentos apresentados, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que essa: (i) manifestese sobre os documentos apresentados às fls. 465/688 e fls. 744/1349, determinando se os mesmos estão aptos a comprovar a totalidade do IRRF informado na DIPJ 2007 e no PER/DCOMP nº. 24810.40230.290607.1.3.026302, deixando claro quais documentos/esclarecimentos foram tidos em conta na análise fiscal e quais documentos/esclarecimentos apresentados pela Contribuinte foram considerados insuficientes para confirmar a retenção do imposto; e (ii) manifestese sobre o conteúdo das planilhas anexadas pela Contribuinte, em especial àquela anexada às fls. 995/997, que apresenta esclarecimentos e indica o anexo onde podem ser encontrados os documentos comprobatórios das retenções listadas pela fiscalização nas Tabelas 05 e 06 do Parecer DEMAC/DIORT nº 98, de 11/06/2012 (fls. 418/421); (iii) Elabore planilhas totalizadas, por CNPJ da fonte pagadora, com os valores que forem aceitos como comprovados, os que não forem, a diferença entre eles (se houver), com as respectivas informações sobre os documentos apresentados pela Recorrente para comproválos e a justificativa acerca dos documentos rejeitados na análise (se for o caso); (iv) Reabra o prazo de 30 (trinta) dias para que a Contribuinte, querendo, adite suas razões de defesa relativamente à matéria objeto do relatório de diligência fiscal. Após isso, o resultado da diligência deve ser encaminhado a esse Colegiado pelo Chefe da Repartição Preparadora. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13873.000043/2011-29
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído. Inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88 em sede de repetitivo.
Impossibilidade de aplicação retroativa condicional de novo critério jurídico ao lançamento introduzido por força de decisão judicial. Inteligência do artigo 146 do CTN à luz da Segurança Jurídica e da Irretroatividade.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído. Inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88 em sede de repetitivo. Impossibilidade de aplicação retroativa condicional de novo critério jurídico ao lançamento introduzido por força de decisão judicial. Inteligência do artigo 146 do CTN à luz da Segurança Jurídica e da Irretroatividade. Recurso voluntário provido.
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INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído. Inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88 em sede de repetitivo. Impossibilidade de aplicação retroativa condicional de novo critério jurídico ao lançamento introduzido por força de decisão judicial. Inteligência do artigo 146 do CTN à luz da Segurança Jurídica e da Irretroatividade. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator), que dava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 00 43 /2 01 1- 29 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 2 provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 43), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 04/06, em 20/12/2010, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2007, em decorrência da apuração da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 23.002,52. Fonte pagadora: Caixa Econômica Federal Cientificado do lançamento em 28/12/2010 (fl. 16), o contribuinte apresentou, em 21/01/2011, a impugnação de fl. 02, alegando que: não concorda com a notificação de lançamento, pois se o valor da ação fosse pago mensalmente a tributação do imposto seria muito menor. Com um lançamento único do valor foi tributado pela alíquota máxima, sendo esta injusta para a renda de um aposentado. Solicita prioridade na análise de sua impugnação, com base no Estatuto do Idoso. Posteriormente, em atendimento à intimação regular, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 31 a 40, incluindo a cópia da sentença proferida pela Justiça Federal que determinou a revisão dos benefícios previdenciários (fls. 35 a 38).” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em São Paulo/II julgou a impugnação improcedente (fls. 42 a 48), nos termos da ementa do reproduzida a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 13873.000043/201129 Acórdão n.º 2802002.872 S2TE02 Fl. 70 3 Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento e devem ser submetidos ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 31/10/2011 (fls. 54), o interessado interpôs, em 23/11/2011, o recurso de fls. 58, juntamente com os documentos de fls. 59 a 60, alegando, em suma, que foi penalizado com a tributação máxima e que, se os rendimentos em discussão fossem pagos mensalmente, a tributação do imposto de renda seria menor. Diante do exposto acima requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 18 de abril de 2013, tendo a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2201000.152, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 65 a 68. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Por corresponder a benefícios previdenciários recebidas de forma acumulada, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 4 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Em procedimento de diligência fiscal, fls. 25 a 40, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros, a comprovação do rendimento original e sua atualização monetária. Em resposta, contudo, apresentou somente a sentença proferida em face da ação de revisão de benefícios. Por outro lado, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto que deveria ter sido aplicada sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Diante dessas circunstâncias, entendo que se aplica ao caso as disposições expressas no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, cabendo o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 13873.000043/201129 Acórdão n.º 2802002.872 S2TE02 Fl. 71 5 V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure hipótese de mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário1, uma das hipóteses de mudança de critério jurídico acontece “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. Outra hipótese mencionada pelo renomado autor está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a revisão de ofício prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, não importa em prejuízo ao contribuinte, haja vista que a existência de determinação expressa no sentido de que a alteração do crédito 1 Machado, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 12ª /edução, Malheiros, 1997, p 123 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 6 tributário deverá ser procedida “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque, entendo que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte. Identificada essas tabelas, o próximo passo deve ser dado em direção à verificação da alíquota aplicável em função do resultado obtido a partir do somatório desses rendimentos com aqueles efetivamente auferidos nessa mesma época. Cumprida essa etapa, basta aplicar o percentual correspondente sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Fica evidente que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco, haja vista que a operação de apuração do somatório dos rendimentos efetivamente auferidos com os rendimentos omitidos se presta apenas para a identificação da faixa de rendimentos prevista na tabela progressiva e, por via de consequência, da alíquota a ser aplicada tão somente sobre a base de cálculo representada pelo rendimento considerado omitido. Em outras palavras, não se exigirá na revisão de ofício o tributo por ventura apurado em função da alteração da alíquota que deveria ter sido aplicada sobre os rendimentos originalmente declarados. Daí a razão pela qual a revisão de ofício comentada não interfere na base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta, em procedimento de revisão de ofício, aplique sobre a matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que os valores dos rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, redator designado. Em que pese o bem fundamentado voto do i. Conselheiro Jaci de Assis, ouso dele divergir, nos seguintes termos. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 13873.000043/201129 Acórdão n.º 2802002.872 S2TE02 Fl. 72 7 Versam os presentes autos sobre cuja matéria de fundo trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. É de se ver que a tributação desses valores, conforme demonstrativo juntado aos autos, se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja o objeto da lide. A 1ª Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à Capacidade Contributiva e Isonomia Tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 8 SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). É de se ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob Repercussão Geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. Ainda que de acordo com o entendimento exposto pelo d. Relator, a mudança de critério jurídico do lançamento tenha se dado em benefício do contribuinte, é de se reconhecer que tal premissa se funda em presunção quanto à ausência (ou insuficiência) de despesas dedutíveis na base de cálculo do imposto do contribuinte ou de outros rendimentos igualmente tributáveis, que eventualmente não resultem em redução da base de cálculo do imposto a pagar no respectivo anocalendário. A sistemática de apuração do imposto de renda pessoa física adotada pela nossa legislação permite ao contribuinte, por ocasião da constituição do crédito tributário via autolançamento, lançar despesas legalmente dedutíveis e reduzir a base de cálculo do imposto. Ressalto, permite deduzir, mas não o obriga a lançar tais despesas, mormente quando estas em nada alteram o quantum debeatur do imposto ou a apuração do valor sujeito a restituição, e.g., insuficiência/ausência de retenções na fonte ou ausência de rendimentos tributáveis. Logo, ao contrário do afirmado pelo d. Relator, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal ou a baixa dos autos para a cálculo do imposto com base nas alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores se pagos tempestivamente pelo réu na ação judicial, com vistas a impor mudança superveniente de critério jurídico do lançamento supostamente mais benéfico para o contribuinte. Para que a premissa adotada possa ser de fato sustentada, necessário se faz permitir ao contribuinte retificar todas as suas declarações referentes aos períodos aquisitivos dos rendimentos originários e lançar, junto aos rendimentos tributáveis, todas as despesas legalmente dedutíveis por anocalendário, para aí sim, verificar in concreto se o refazimento do lançamento realizado Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 13873.000043/201129 Acórdão n.º 2802002.872 S2TE02 Fl. 73 9 por mudança de critério jurídico do lançamento em decorrência da superveniência de julgado repetitivo do STJ e por força do artigo 62A do RICARF, de fato é mais favorável. Somente nessa hipótese, a aplicação retroativa se submeteria às exceções apontadas pela doutrina invocada à vedação constante do artigo 146 do CTN. Por fim, não só os fundamentos de ordem pragmática acima expostos é que me levam à conclusão pela necessidade de anulação do lançamento ora sob julgamento. A LGPAF (Lei n. 9.784/99), aplicável subsidiariamente ao Decreto n. 70.235/72 2, ao dispor sobre os princípios da atividade administrativa julgadora, elenca, no rol de garantias dos administrados/deveres do administrador/julgador (inciso XII, do artigo 2 da LGPAF), o seguinte enunciado: “a interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada a aplicação retroativa de nova interpretação”. A inserção no RICARF do artigo 62A (norma administrativa) e o dever do julgador administrativo em seguir a orientação firmada pelo STJ em sede de repetitivo, somente pode servir ao interesse público envolvido, qual seja, ao reconhecimento da unicidade da jurisdição (monopólio jurisdicional do Poder Judiciário em nosso Sistema) e à redução da litigiosidade judicial de lançamentos realizados com base em interpretação da legislação tributária diversa da adotada pelo Poder Judiciário em caráter definitivo. A nova interpretação adotada pelo STJ ao artigo 12 da lei n. 7.713, e a obrigatoriedade da obediência às suas disposições pelo CARF, criam, de fato, novo critério jurídico para o lançamento. Entretanto, não autorizam a aplicação retroativa e o “refazimento” do lançamento na fase litigiosa de controle de legalidade, ainda mais quando há sérias dúvidas quanto ao efeito retroativo benéfico ao contribuinte, conforme apontado. Interpretação em sentido contrário iria de encontro à Segurança Jurídica e à sua função principiológica de vetor interpretativo na solução de controvérsias3, mormente ao criar hipótese de retroatividade condicional a novos critérios jurídicos ao lançamento introduzidos por decisão judicial, apenas em hipótese na qual, em tese, a aplicação possa trazer situação menos gravosa ao contribuinte. Em conclusão, inviável o refazimento de lançamento cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota e na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade e legalidade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração. É como voto. 2 Nesse sentido, James Marins, Direito Processual Tributário Brasileiro, 7 ed., pp. 261 e seguintes. 3 Roque Carrazza, Direito Constitucional Tributário, 27 ed., p. 1.090. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 10 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR
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Numero do processo: 10680.721353/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. CADUCIDADE
Tomando-se por base o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, de adoção obrigatória por esta instância julgadora haja vista as disposições do art. 62 A do ANEXO II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, só se aplica aos pedidos de restituição protocolizados a partir de 09 de junho de 2005.
Numero da decisão: 1301-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a alegação de ausência de caducidade do direito de pleitear a restituição do indébito, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que seja apreciado o mérito, devendo ser apensado ao presente o processo administrativo nº 10680.012762/2008-66, para fins de julgamento conjunto.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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CADUCIDADE Tomandose por base o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, de adoção obrigatória por esta instância julgadora haja vista as disposições do art. 62 A do ANEXO II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, só se aplica aos pedidos de restituição protocolizados a partir de 09 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a alegação de ausência de caducidade do direito de pleitear a restituição do indébito, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que seja apreciado o mérito, devendo ser apensado ao presente o processo administrativo nº 10680.012762/200866, para fins de julgamento conjunto. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 13 53 /2 00 6- 92 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 480 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 481 3 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a saldo negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurados em anoscalendário diversos. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, unidade administrativa que primeiro apreciou os pedidos formulados pela contribuinte, reconheceu parte dos direitos creditórios, homologando até o limite desse reconhecimento as compensações requeridas (Despacho Decisório nº 1.126, de 14/12/2006). Descrevo, a seguir, os fundamentos utilizados pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte para promover o referido reconhecimento parcial. a) em virtude de caducidade do direito, em 30 de dezembro de 2004 a contribuinte não poderia mais pleitear o reconhecimento do direito creditório relativo aos saldos negativos apurados em anoscalendário anteriores a 1999; b) saldo negativo do anocalendário de 1999: o montante apurado de R$ 399.029,94 teria sido insuficiente para extinguir os débitos indicados para compensação; c) saldo negativo do anocalendário de 2000: o montante apurado pela contribuinte foi reduzido para R$ 254.749,61, vez que em sua formação havia sido considerado valor correspondente a estimativa (R$ 962.927,18) objeto de depósito judicial; d) saldo negativo do anocalendário de 2001: o montante apurado de R$ 522.901,81 teria sido insuficiente para extinguir os débitos indicados para compensação. Inconformada, a contribuinte interpôs, em 24 de janeiro de 2007, Manifestação de Inconformidade (fls. 121/131). Contudo, em 29 de janeiro de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte prolatou novo Despacho Decisório, momento em que considerou NÃO DECLARADA a parte da compensação que teve por suporte o valor depositado judicialmente. Em 14 de fevereiro de 2007, a contribuinte apresentou PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO (fls. 190/192), que foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte por meio do Despacho datado de 05 de junho de 2007 (fls. 207). Em 09 de julho de 2007, cientificada do pronunciamento da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, a contribuinte interpôs o pedido de fls. 213/216, em que reiterou as considerações trazidas no PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO anteriormente apresentado. O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO em referência, que havia sido submetido ao Superintendente da Receita Federal, não foi conhecido, conforme registro feito no Despacho DISIT/SRRF nº 163/2007, fls. 231/233. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 482 4 Em atendimento a pedido de Diligência formalizado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte expediu em 31 de agosto de 2009 o Despacho nº 3.328, em que, retificando o de número 1.126, decidiu: i) transformar a homologação parcial das compensações relativas aos saldos negativos dos anoscalendário de 1999 e 2000 em NÃO HOMOLOGAÇÃO, em virtude de caducidade; e ii) alterar a decisão de homologação parcial da compensação relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 para HOMOLOGAÇÃO TOTAL. Cientificada, a contribuinte apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 08 de outubro de 2009 (fls. 277/296), momento em que argumentou: que a pessoa jurídica USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM S.A. sofreu cisão, sendo seu capital social inteiramente vertido para ARCELORMITTAL BRASIL S.A. (CNPJ n° 17.469.701/000177) e SAMARCO MINERAÇÃO S.A. (CNPJ n° 16.628.231/000161), motivo pelo qual requereu que estas duas últimas empresas fossem incluídas no pólo passivo do litígio; que, nos termos do artigo 50, inciso I e §1°, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, deveria ser "reconhecida a nulidade do despacho decisório retificador", pois é imperioso que a Administração tributária demonstre, de forma ordenada e lógica, sua motivação, de forma a não tolher ao contribuinte o eficaz manejo de seus direitos ao contraditório e à ampla defesa; que "o último despacho retificador determina que sejam mantidas as partes do primeiro despacho que não fossem afetadas pela retificação", sem explicitar, contudo, quais trechos permaneceram incólumes, não havendo ainda menção ao despacho nº 81, de 2007; que o último despacho retificador nada mencionou sobre terem sido julgadas não declaradas as compensações referentes aos créditos constituídos até 1998, mas, por outro lado, relativamente aos créditos de 1999 e 2000 os julgou não homologados exatamente com base nesse mesmo fundamento; que o despacho retificador em questão conteria duas decisões distintas e absolutamente incongruentes, visto que suposta prescrição não poderia ao mesmo tempo tornar não declarada uma parte do crédito e não homologada a restante; que seria incorreto considerar não homologados os créditos decorrentes de saldo negativo de 1999 e 2000; que a DCOMP retificada conservaria a data de apresentação original, em que tais créditos eram plenamente passíveis de aproveitamento; que teria ocorrido restrição ao direito de defesa, visto que essa parte do Despacho seria baseada em premissa fática distinta daquilo que a própria Administração já havia decidido; que cumpriria apenas chamar a atenção para o fato de que o despacho decisório retificador conclui em HOMOLOGAR as DCOMP's n° 01429.78575.131106.1.1.02 3643 e n° 18444.37135.220605.1.3.025692, assim, considerandose que estas duas declarações eram o único objeto de análise do processo, indagava: “Como é possível o Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 483 5 despacho considerar as compensações TOTALMENTE HOMOLOGADAS e NÃO HOMOLOGADAS ao mesmo tempo”? . que um despacho decisório que considera uma mesma PER/DComp como totalmente homologada e, simultaneamente, não homologada, deveria ser declarado nulo por absoluta impropriedade de seu comando; que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos para se pleitear a restituição apenas tem início quando da extinção do crédito tributário, o que somente ocorre após cinco anos da prática do fato gerador, através da homologação tácita; que a Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, seria inconstitucional; que o referido ato legal não se aplicaria ao caso vertente, uma vez que as DCOMP em questão foram apresentadas antes de sua edição; que, ainda que assim não fosse, o imposto de renda não é apurado no último dia do exercício e sim no exercício subseqüente, inclusive quando é entregue a DIPJ; que, mesmo seguindo o raciocínio da decisão, a apuração do exercício de 1998 se deu em 1999, assim, a contagem do prazo se inicia em 2000 e a prescrição mantida a interpretação dada pela SRF ao art. 168 do CTN somente se consumaria em 2005; que, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, qualquer que seja a decisão judicial no caso específico não trará nenhum reflexo sobre o valor declarado no campo 16 da ficha 12 A, pois, se apurado lucro naquele exercício, obtido êxito na demanda, nenhum valor deveria recolher a empresa, pois compensaria com o saldo de prejuízos fiscais acumulados e o depósito retornaria aos seus cofres; se não obtido êxito na demanda, o valor estaria correto (se a estimativa se concretizasse como real) e o valor seria convertido em renda da União; que, porém, conforme consta claro na DIPJ do exercício, não foi apurado lucro suficiente sequer para compensar o IRRF, portanto, a estimativa estava equivocada. que, seguindo esse raciocínio, poderseia até dizer que o depósito não deveria ter sido realizado, mas efetivamente a decisão que será proferida naqueles autos não interferirá (pelo menos não haverá interferência maior do que R$ 79.198,55) no montante depositado, uma vez que não houve lucro suficiente no exercício. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pelas defesas, decidiu, por meio do acórdão nº 0224.832, de 11 de dezembro de 2019, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE Não se cogita de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a manifestação do contribuinte demonstra perfeito entendimento dos trabalhos fiscais. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 484 6 PRAZO PARA REQUERER COMPENSAÇÃO O direito de pleitear a compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o que ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado. LEGISLAÇÃO Os entendimentos jurisprudenciais não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Federal. CONSTITUCIONALIDADE 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DEPÓSITOS JUDICIAIS Os valores mantidos em depósito judicial não podem ser considerados como pagamento de antecipações de imposto em bases estimadas mensais. Irresignada, a contribuinte, ARCELORMITTAL BRASIL S/A e SAMARCO MINERAÇÃO S/A, apresentaram o recurso voluntário de fls. 346/371, por meio do qual renovaram a argumentação expendida na Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada. Por meio de despacho desta 1ª Turma Ordinária, o presente processo foi encaminhado à unidade administrativa de origem para que a contribuinte fosse intimada a apresentar o instrumento de procuração pelo qual a ARCELORMITTAL BRASIL S/A e a SAMARCO MINERAÇÃO S/A outorgaram poderes de representação aos atuais patronos da empresa sucedida USINA HIDRELÉTRICA GILMANAMORIN S/A (fls. 427). A documentação requisitada encontrase anexada às fls. 432/476. É o Relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 485 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. As controvérsias que integram a lide a ser dirimida dizem respeito a Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a saldo negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurados em anoscalendário diversos. Colhese dos autos que a contribuinte apresentou as seguintes DCOMPs: 21831.98829.300904.1.3.023207 (fls. 02/11): transmitida em 30 de setembro de 2004 (fls. 02), na qual indicou crédito relativo a SALDO NEGATIVO do ano calendário de 2001 (R$ 2.899.466,90); 18444.37735.220605.1.3.025692 (fls. 12/15): transmitida em 22 de junho de 2005, na qual indicou crédito relativo a SALDO NEGATIVO do anocalendário de 2001 (R$ 2.899.466,90). Depreendese do documento de fls. 16/17 que, apesar de a contribuinte ter indicado que o crédito apontado para compensação decorria de saldo negativo apurado no ano calendário de 2001, o referido direito creditório diz respeito a saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1995 a 2001. Analisando o pleito da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu o Despacho Decisório nº 1.126, em 14 de dezembro de 2006, fls. 113/120, no qual: i) esclareceu que o saldo negativo relativo ao anocalendário de 2001, conforme registro feito na DIPJ correspondente, foi de R$ 625.343,94; ii) informou que, intimada a prestar esclarecimentos acerca da divergência, a contribuinte alegou que o montante de R$ 2.899.466,90 era referente ao saldo negativo de exercícios anteriores, acumulado e atualizado, desde o exercício de 1997; iii) esclareceu que o preenchimento de DCOMP com a indicação de créditos relativos a saldos negativos de períodos de apuração distintos inviabilizava o processamento eletrônico do referido documento, razão pela qual as declarações apresentadas seriam trabalhadas de forma manual; iv) informou que, decidido pelo tratamento manual das declarações de compensação, a contribuinte teria que fornecer dados relativos a cada um dos anoscalendário Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 486 8 envolvidos na compensação, o que foi feito por meio da apresentação dos documentos de fls. 21/321; v) analisando a tempestividade dos pedidos, informou que, em razão de caducidade, somente os saldo negativos apurados a partir de 1999 seriam passíveis de apreciação; vi) considerou como não declaradas as compensações que tiveram por suporte saldos negativos apurados até o anocalendário de 1998; vii) tomando por base informação apresentada pela contribuinte quanto à utilização do crédito (fls. 29), considerou procedente o saldo negativo apurado no ano calendário de 1999 (R$ 399.029,94), mas insuficiente para extinguir os débitos apontados; viii) relativamente ao saldo negativo do anocalendário de 2000, reduziu o montante apurado de R$ 1.217.676,79 para R$ 254.749,61, eis que não considerou o recolhimento antecipado (estimativa) de R$ 962.927,18, objeto de depósito judicial (de igual forma, registrou que o crédito revelouse insuficiente para extinguir os débitos indicados para compensação); ix) relativamente ao saldo negativo do anocalendário de 2001, reconheceu o montante apurado de R$ 522.901,82, consignando mais uma vez que referido valor não foi suficiente para extinguir os débitos indicados para compensação; x) diante da desconsideração dos créditos apurados nos anoscalendário de 1995 a 1998, promoveu a glosa de estimativas relativas ao anocalendário de 2003, reduzindo as de R$ 16.524.598,62 para R$ 15.724.052,88, o que fez com que o resultado final do referido ano passasse a ser de R$ 800.545,74 de IMPOSTO A PAGAR2; xi) esclareceu que, relativamente às estimativas do anocalendário de 2003 que haviam sido compensadas com saldos negativos dos períodos de apuração de 1999 a 2001, em virtude da homologação parcial, o não pagamento dos saldos remanescentes implicaria em encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição em dívida ativa, haja vista que os valores correspondentes haviam sido objeto de confissão de dívida por meio da DCOMP. Apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 121/131), a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, fundada em argüição de apuração de “erro em parte da interpretação relativa ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000” emitiu o DESPACHO DECISÓRIO RETIFICADOR nº 0081, de 29 de janeiro de 2007, fls. 188/189, 1 Os documentos juntados às fls. 21/32 dos autos estão representados por DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO (MANUAIS), nas quais a contribuinte indica direitos creditórios relativos a saldos negativos do período de 1995 a 2000, para fins de compensação com débitos de estimativa de IRPJ do período de janeiro a maio de 2003. Embora o despacho decisório leve ao entendimento de que referidas declarações de compensação (manuais) deveriam abranger todo o direito creditório pleiteado (saldos negativos do período de 1995 a 2001) e todos os débitos indicados para compensação (janeiro a julho de 2003 e setembro de 2004), depreendese da análise nele retratada que o saldo negativo do anocalendário de 2001 e os débitos do período de maio a julho de 2003 e de setembro de 2004, os quais não foram referenciados nas citadas declarações manuais, foram analisados a partir dos PER/DCOMP de fls. 02/11 e 12/14. 2 O lançamento tributário correspondente a este montante foi efetuado por meio do processo administrativo nº 10680.012762/200866. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 487 9 em que, revendo o despacho decisório nº 1.126, considerou “NÃO DECLARADA a parte da compensação que fez uso indevido de depósito do montante integral para compor o saldo negativo do ano calendário de 2000”, ratificando os demais pronunciamentos feitos no despacho objeto de retificação. Cientificada do despacho retificador, a contribuinte apresentou o documento de fls. 190/192, por meio do qual solicitou que fosse RECONSIDERADO o referido pronunciamento (despacho retificador). Recepcionado o documento de fls. 190/192 como PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte dispensou a ele o tratamento previsto na Lei nº 9.784, de 1999, motivo pelo qual o encaminhou à Superintendência Regional para fins de apreciação (fls. 206). O citado encaminhamento foi acompanhado de pronunciamento da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte acerca da contestação apresentada pela contribuinte (fls. 207/211). A Superintendência Regional da Receita Federal, por meio do despacho de fls. 231/233, pronunciouse no sentido de que não detinha competência para apreciar a contestação apresentada pela contribuinte, ocasião em que declinou entendimento de que tal atribuição seria da Delegacia da Receita Federal do Brasil. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, que emitiu o despacho de fls. 256/260, do qual reproduzo os seguintes fragmentos: Trata o presente processo do exame das Declarações de Compensação – DComp nºs 21831.98829.300904.1.3.023207, fls. 02/11, 18444.37735.220605.1.3.025692, fls. 12/15 e fls. 21/32, referentes aos saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, a saber: Ano Calendário do Saldo Negativo de IRPJ Utilizado Data da DCOMP R$ Valor do Saldo Negativo de IRPJ Utilizado na DCOMP R$ Fls. Nº da DIPJ Valor do Saldo Negativo Informado na DIPJ R$ Fls. 1995 30/10/2006 35.850,30 21/22 8629160 0,00 237/238 1996 30/10/2006 194.502,44 23/24 8026313 0,00 230/240 1997 30/10/2006 75.321,93 25/26 3278591 0,00 241/243 1998 30/10/2006 709.952,85 27/28 0047111 0,00 248/250 1999 30/10/2006 781.231,25 29/30 1229045 399.029,94 244/245 2000 30/10/2006 584.276,43 31/32 1239323 1.217.676,79 246/247 2001 30/09/2004 2.899.466,90 02/15 1254230 522.901,82 251/253 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 488 10 e 22/06/2005 [...] Em relação ao saldo negativo de IRPJ, o direito de a requerente utilizar este crédito para fins de compensação se extingue com o decurso de prazo superior a 5 anos contados a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Verificase o decurso do prazo de cinco anos entre a apuração dos saldos negativos em 01/01/2000 e 01/01/2001 referentes respectivamente aos anos calendário de 1999 e 2000 e a apresentação em 2006 das Declarações de Compensação com utilização desses créditos. A diligência é um meio de produção de prova previsto no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, para os casos em o procedimento fiscal está desacompanhado de um conjunto probatório robusto em relação ao litígio. Dessa forma, nos termos da legislação de regência, com observância do disposto no art. 10, combinado com o § 8° do art. 15 e § 2° do art. 22, todos da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, encaminho o presente processo à unidade de origem para que a autoridade fiscal se manifeste conclusivamente sobre a homologação das compensações referentes aos saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ dos anos calendário de 1999 e 2000, uma vez que constam nos autos que as Declarações de Compensação foram entregues em 30/10/2006, fls. 29/32. Cabe notar que, em tal manifestação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, de forma monocrática, antecipa decisão no sentido de que também em relação aos saldos negativos relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000 a contribuinte já não mais dispunha de prazo para repetir o indébito. Tal entendimento consubstanciase na consideração de que, para os referidos saldos negativos, a compensação foi pleiteada em 30 de outubro de 2006, por meio dos documentos de fls. 21/32. O entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte contrariou o esposado no despacho decisório nº 1.126, que considerou que as declarações de compensações de fls. 21/32 representaram mero desmembramento do PER/DCOMP transmitido em 30 de setembro de 2004. Em decorrência do pedido de pronunciamento formalizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu o despacho decisório nº 3.228, de 31 de agosto de 2009, também retificador em relação aos anteriormente editados. No referido despacho nº 3.228, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte assinalou: a) ter decorrido o prazo de cinco anos entre a apuração dos saldos negativos em 01/01/2000 e 01/01/2001 referentes respectivamente aos anoscalendário de 1999 e de 2000 e a apresentação, em 30 de outubro de 2006, das declarações de compensação de fls. 29/32; b) que a contribuinte apresentou, anteriormente ao despacho nº 1.126, declaração de compensação retificadora em relação à DCOMP nº 21831.98829.300904.1.3.02 3207 (fls. 02/11), não havendo motivos legais capazes de impedir a sua aceitação; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 489 11 c) que a declaração retificadora recebeu o nº 01429.78575.131106.1.7.02 36433, e, por meio dela, foram promovidas as seguintes alterações nos débitos indicados para compensação: Período Débitos – Declaração Original Débitos – Declaração Retificadora Saldo Devedor 05/2003 53.217,71 0,01 0,00 06/2003 488.710,82 330.855,29 0,00 07/2003 345.671,08 0,00 08/2003 263.729,77 263.729,77 0,00 d) que, em conclusão, a decisão contida no despacho decisório nº 1.126, de 14 de dezembro de 2006, deveria ser RETIFICADA para TRANSFORMAR A HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS COMPENSAÇÕES RELATIVAS AOS SALDOS NEGATIVOS DOS ANOSCALENDÁRIO DE 1999 E 2000 EM NÃO HOMOLOGAÇÃO, em virtude do decurso do prazo prescricional; e e) que, relativamente ao saldo negativo do anocalendário de 2001, a decisão de homologação parcial deveria ser retificada para HOMOLOGAÇÃO TOTAL, “haja vista a extinção de todos os débitos indicados à compensação nas DCOMP’s de nºs 01429.78575.131106.1.7.023643 e 18444.37735.220605.1.3.025692.” Tomando por base o decidido por meio do despacho decisório nº 1.126/2006 e posteriores retificações (despachos nºs 81/2007 e 3.228/09), o resultado final foi o seguinte: aceitação da retificação da DCOMP nº 21831.98829.300904.1.3.023207 pela de nº 01429.78575.131106.1.7.023643; cancelamento da homologação parcial das compensações relativas aos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1999 e de 2000, tornandoas não homologadas, em virtude de prescrição do direito creditório; e homologação das DCOMP’s de nºs 01429.78575.131106.1.7.023643 e 18444.37735.220605.1.3.025692; determinação para a cobrança dos débitos abaixo indicados, em razão de compensação indevida. Período de Apuração Saldo Devedor 03/2003 287.601,30 04/2003 344.532,98 04/2003 97.962,30 05/2003 384.082,21 3 Referida declaração encontrase juntada ao processo às fls. 263/267 e foi transmitida em 13 de novembro de 2006. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 490 12 Resumidamente, temos o seguinte: 1. a contribuinte apresentou duas DCOMPs em que, na primeira (21831.98829.300904.1.3.023207 fls. 02/11), transmitida em 30 de setembro de 2004, indicou montante de crédito acumulado do período de 1995 a 2001 para compensar com débitos do período de janeiro a julho de 2003, e, na segunda (18444.37735.220605.1.3.02 5692, fls. 12/15), transmitida em 22 de junho de 2005, apontou o mesmo crédito registrado DCOMP de 30 de setembro de 2004 para compensar com débito de setembro de 2004; 2. esclarecida acerca da impossibilidade de pleitear a compensação de débitos com créditos de períodos de apuração diversos, a contribuinte juntou aos autos os formulários de fls. 21/32 (declarações de compensação), por meio dos quais discriminou os créditos relativos ao período de 1995 a 2000; 3. em uma primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte recepcionou os formulários de fls. 21/32 como representativos de mero desmembramento do crédito apontado no PER/DCOMP nº 21831.98829.300904.1.3.023207 que se referia ao período de 1995 a 2000, motivo pelo qual tratou referidos documentos como apresentados em 30 de setembro de 2004 e decaídos os direitos creditórios relativos aos anos calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998; 4. após pronunciamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, entretanto, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte passou a entender que os formulários de fls. 21/32 seriam retificadores do PER/DCOMP nº 21831.98829.300904.1.3.02 3207, o que a levou a considerar como data de apresentação dos referidos documentos o dia 30 de outubro de 2006 e decaídos os direitos creditórios relativos aos anoscalendário de 1999 e de 2000; 5. diante da aceitação da retificação do PER/DCOMP nº 21831.98829.300904.1.3.023207 pelo de nº 01429.78575.131106.1.7.023643 e da decretação da caducidade do direito da contribuinte pleitear o reconhecimento do direito creditório dos saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1995 a 2000, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte considerou que o crédito apurado no anocalendário de 2001 era suficiente para extinguir os débitos apontados nos PER/DCOMP nºs 01429.78575.131106.1.7.023643 e 18444.37735.220605.1.3.025692, razão pela qual promoveu a homologação das compensações. Apresentada Manifestação de Inconformidade, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte a julgou improcedente. No que diz respeito à caducidade do direito de a contribuinte pleitear o reconhecimento dos créditos apurados nos anoscalendário de 1995 a 2000, penso que o entendimento esposado nas instâncias precedentes deve ser objeto de revisão, haja vista os pronunciamentos do Supremo Tribunal Federal acerca dessa matéria. A questão em referência, inclusive, foi brilhantemente enfrentada pelo ilustre Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas nos autos do processo administrativo nº 10530.900015/200809. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 491 13 Acolhendo, em virtude das disposições regimentais vigentes, as razões de decidir apresentada no acórdão nº 1301001.046, de 12 de setembro de 2012, reproduzo fragmentos do voto ali estampado. [...] Do relato, constatase que a presente lide diz respeito a Declaração de Compensação, transmitida em 30/01/2004, cujo crédito é oriundo da apuração de saldo negativo da CSLL no ano calendário de 1998, informado na DIPJ de 1999, referente aos valores recolhidos através de regime de estimativa, no valor originário correspondente a R$ 503,17. Não homologado pelas autoridades que me precederam sob o argumento de que havia decaído o direito de pleitear a referida compensação com base nos arts. 165 e 168 do CTN (fato gerador: 31/12/1998), início da contagem 01/01/1999 e término 1° janeiro de 2004. [...] Necessário, portanto, definir a forma de contagem do prazo para que a contribuinte fizesse uso do indébito formado com a apuração de saldo negativo da CSLL, ano calendário de 1998. Dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ/CSLL, pela data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. Vejase que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, também as Instruções Normativas/SRF nºs 600/2005 e 900/2008, a Receita Federal normatizando dispositivos da Lei 9.430/1996, admite a utilização do indébito correspondente a saldos negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 492 14 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento é possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. Portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, deflagrandose, neste momento, o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. Importante observar ainda o que dispõe o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Nos termos da lei, o pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação, expressa ou tácita, como condição resolutiva confirma a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. Observese que esta interpretação está corroborada pelo art. 3º Lei Complementar nº 118/2005, nos seguintes termos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 493 15 tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por sua vez, aos órgãos administrativos de julgamento cumpre, apenas, apreciar a validade dos atos administrativos, mas não das normas gerais e abstratas, que lhes conferem fundamento de validade, editadas pelo Poder Legislativo, no exercício de sua competência precípua. Apenas o Poder Judiciário tem a competência de apreciação da validade formal e material dos preceitos normativos veiculados em normas jurídicas editadas pelo Poder Legislativo. É certo que o Regimento Interno do CARF determina a observância de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Todavia, a tese dos dez anos (5 + 5), foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 o acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 494 16 como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Declarado o trânsito em julgado desta decisão, impõese a sua reprodução nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispõe o art. 62A do RICARF, antes citado. Embora a decisão reportese a prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal nada mais fez do que definir o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial, e portanto, no meu entender, aplicase ao caso em análise. Em suma, contrariamente ao que vinha decidindo o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado em 30/01/2004, direito creditório apurado em 31/12/1998. Ou seja, avaliase conduta da contribuinte em data anterior à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do novo prazo. Assim, observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, concluise que em 30/01/2004 data anterior à entrada em vigor do novo prazo (cinco anos) estipulado na LC 118/2005, contase, no caso em apreço, o prazo de 10 (dez) anos, iniciado em 01/01/1999 e encerrando se em 31/12/2008, para a contribuinte valerse, em compensação, de créditos Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.721353/200692 Acórdão n.º 1301001.370 S1C3T1 Fl. 495 17 decorrentes de saldo negativo de CSLL relativo ao período de apuração anual, encerrado em 31/12/1998. [...] Assim, não obstantes o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância acerca da natureza dos formulários de fls. 21/32 e as demais questões suscitadas no presente processo, conduzo meu voto no sentido de determinar: i) a reforma da decisão de primeiro grau para que seja apreciado o mérito dos direitos creditórios relativos aos anoscalendário de 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000; e ii) que seja apensado ao presente, para fins de julgamento conjunto, o processo administrativo nº 10680.012762/200866. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 13746.000243/98-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1990 a 30/09/1995
PIS. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
Como o processo administrativo foi protocolado anteriormente a 09/06/2005, mais precisamente 20/07/98, aplica-se o RE 566.621/RS sendo que o indébito alcança os fatos geradores ocorridos há 10 (dez) anos do protocolo do processo.
Numero da decisão: 3401-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Sustentou pela Recorrente Dr Leandro Daumas, OAB/RJ 93571
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Como o processo administrativo foi protocolado anteriormente a 09/06/2005, mais precisamente 20/07/98, aplicase o RE 566.621/RS sendo que o indébito alcança os fatos geradores ocorridos há 10 (dez) anos do protocolo do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Sustentou pela Recorrente Dr Leandro Daumas, OAB/RJ 93571 ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 02 43 /9 8- 26 Fl. 2876DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório O contencioso configurado pela Manifestação de Inconformidade, às fls.2623/2639, contra o Despacho Decisório, à fl. 1452/1463, tem um longo histórico já relatado no Acórdão da 5ª Turma da DRJ/Rio II nº 1318.055, de 29 de novembro de 2007 (fls.1282/1288), retomado no Acórdão da 5ª Turma da DRJ/RioII nº 1328.703, de 30 de março de 2010 (fls. 1384/1389). A fim de proporcionar uma visão geral do processo, o relatório deste último acórdão é aqui, ipsis litteris, recuperado: “A contribuinte ingressou com pedido de reconhecimento de direito creditório(fl. 02/03), registrado no protocolo do MF em 20/07/98, no valor de R$ 30.783.330,07 (trinta milhões, setecentos e oitenta e três mil, trezentos e trinta reais, e sete centavos), oriundo de recolhimento de tributo a título de PIS/PASEP, no período de fevereiro de 1990 a março de 1992, para fins de restituição e/ou compensação, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos leis nº 2.445 e 2.449 de 1988, promovida pelo STF na via incidental mas estendida pelo Senado Federal mediante Resolução (R. 49/95). Em 13/01/00, a DRF/Nova Iguaçu, por meio do Despacho Decisório nº 004/2000 (fls. 325/332), reconheceu direito creditório no valor de R$ 34.235.982,14 (trinta e quatro milhões, duzentos e trinta e cinco mil, novecentos e oitenta e dois reais, e quatorze centavos), atualizado até 30/09/99, com fundamento na diligência efetuada pelo Sefis da Unidade (fls. 167/172) . Ciência da decisão à fl. 333. O Delegado da DRF/NIG embora tenha assinado o aludido Despacho Decisório encaminhou, por meio do Memo/DRF/NIG/Gabinete/Nº 08/00 (fl. 331), dossiê do processo, solicitando a análise da Superintendência da Receita Federal 7ª RF do caso, quer em relação à base legal, quer em relação ao valor apurado. Em 24/01/00, a Superintendência da Receita Federal manifestouse, à fl. 340, por meio da Informação nº 006/2000, e considerou ser o Despacho Decisório nº 004/2000 merecedor de reparos no que se refere à contagem do prazo decadencial, que deveria obedecer à forma prevista no Ato Declaratório SRF nº 96/99, e não aquela adotada na Decisão, conhecida como tese dos “cinco + cinco”. Todavia, a DRF/NIG resistiu, por meio da Informação Técnica nº 01/00 do Chefe da Tributação(fls. 343/347), homologada pelo Despacho do Delegado, à orientação dada pela SRRF/7ª RF. Solicitou então que o caso fosse encaminhado a Cosit a fim de dirimir a controvérsia. Contudo, a SRRF/7ª RF denegou o requerido, conforme a Informação nº 32/00, pois considerou que a Administração já se posicionara sobre a matéria por meio do AD 96/99. Fl. 2877DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13746.000243/9826 Acórdão n.º 3401002.758 S3C4T1 Fl. 6 3 Em 21/03/00, a DRF/NIG, com base no Parecer Sesit/DRF/NIG nº 001/2000, por meio do Despacho Anulatório nº 001/00 (fls. 353/356), anulou o Despacho Decisório nº 004/00, tendo dado ciência da decisão ao contribuinte em 28/03/00, conforme fl. 358. Ingressou o contribuinte com o MS nº 2000.51.01.0063077, 16ª VF/RJ, solicitando o reconhecimento da invalidade e revogação dos atos da Superintendência da Receita Federal consubstanciados na Informação nº 006/2000 e Informação nº 32/00 e, ainda, do Despacho Anulatório nº 001/00 da DRF/NIG. Impetrou outro Mandado de Segurança, MS nº 2000.51.10.0023500, 5ª VF/São João de Meriti, solicitando a restauração do Despacho Decisório nº 004/2000. Todavia, o MS nº 2000.51.10.0023500, fora julgado extinto sem julgamento do mérito, com fulcro no art. 267, inciso V, do Código de Processo Civil. Pois não escapara ao entendimento da Magistrada, titular da 5ª VF/São João de Meriti, que “a despeito de o impetrante ter tentado por meio de um simples jogo semântico descaracterizar a existência da identidade entre os pedidos requeridos nos mandados de segurança 2000.51.10.0023500 e 2000.51.01.0063077 esta é evidente.” (fls. 462/465). Quanto ao primeiro mandado de segurança, MS nº 2000.51.01.0063077, 16ª VF/RJ, não houve concessão de liminar e, na seqüência, fora extinto o feito sem juízo de mérito, em razão de homologação judicial do pedido de desistência do impetrante, conforme relato à fl. 487 do Despacho Decisório nº 569/00. O Despacho Decisório nº 569/00 (fls. 484/494), que substituiu o anterior anulado, adotou o entendimento da SRF quanto ao prazo decadencial, e acolheu os cálculos efetuados pela DISAR/SRRF “utilizandose os critérios oficiais (legais) adotados pela Secretaria da Receita Federal”, produzindo valores que “são totalmente diferentes” dos apurados originalmente na diligência fiscal, conforme admitido à fl. 491. Deste modo, o reconhecimento de direito creditório reduziuse para R$ 740.552,41 (setecentos e quarenta mil, quinhentos e cinqüenta e dois reais, e quarenta e um centavos), valor atualizado até 30/09/99. Cientificada da decisão em 09/06/00 (fl. 495), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/07/00 (fls. 508/520), informa que já dera baixa na distribuição, sem julgamento de mérito, nas duas ações mandamentais citadas 2000.51.10.0023500 e 2000.51.01.0063077, e pede principalmente cancelamento do Despacho Decisório nº 569/00 e manutenção dos efeitos do Despacho Decisório nº 004/00. Em 04/09/00, por meio do Memorando Sesit/DRF/NIG nº 249/00 (fls. 529/530), a DRJ é informada que a impugnante omitira na Manifestação de Inconformidade a existência de duas novas ações mandamentais: MS nº 2000.51.0116586, 9ª VF/RJ, e 2000.51.10.0044930, 3ª VF/ São João de Meriti. Em 21/11/00, a DRJ/RJ, ainda no regime monocrático, decidiu não conhecer da impugnação porque entendeu “que o tema abordado nos processos, mandados de segurança e procedimento administrativo, versa acerca do mesmo objeto”, conforme fls. 708/709. Fl. 2878DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Na verdade, o impetrante no MS nº 2000.51.10.0044930, 3ª VF/ São João de Meriti, pede primeiro para sustar a vigência (pedido liminar) e depois anular o Despacho Anulatório nº 001/00 (segurança requerida) (fl. 561). A liminar foi indeferida (fl. 534), o pedido julgado improcedente e, assim, a segurança fora denegada (fls. 897/906). Houve apelação, da qual a impetrante posteriormente desistira (fl. 990). Por meio do MS nº 2000.51.0116586 visa o impetrante à garantia da aplicação dos critérios legais próprios, na aferição da restituição a que faz jus dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS e PASEP, quando da apreciação dos pedidos de restituição e compensação pela Receita Federal (fl. 649), inclusive quanto a decadência. A liminar requerida foi indeferida, fl. 602, e, na seqüência, o processo fora julgado extinto sem julgamento do mérito, com fulcro no art. 267, inciso VI, do Código de Processo Civil (fls. 1008/1010). A apelação fora improvida (fls. 1001/1006). Frisese que há notícia de mais um processo judicial – cópia da Inicial às fls. 1124/1162 – o de nº 2006.51.01.0238657, de procedimento ordinário, com pedido de antecipação de tutela, autuado em 12/2006, onde o autor, ora contribuinte pleiteia suspensão da exigibilidade dos créditos tributários compensados e reconhecimento de que não há óbice à emissão de certidão de regularidade fiscal, quanto aos referidos débitos Cientificada da decisão da DRJ em 15/12/00 (fl. 710), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/01/01 (fls. 728/743), onde pede a nulidade da decisão recorrida, alegando que não desistira da via administrativa; pede também a nulidade do despacho anulatório nº 001/00; e, alternativamente, pede para conhecer do mérito do pedido de restituição. Em 14/05/03, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu (fls. 1012/1023), por unanimidade de votos, prover parcialmente o recurso, nos termos do voto do Relator, que assim votava: “ Forte em todo exposto, dou provimento parcial ao recurso para declarar que, no caso, não ocorreu a decadência do direito da empresa postular repetição/compensação de eventuais pagamentos feitos com base nas normas declaradas inconstitucionais. Vencida a preliminar, deve o processo retornar à repartição local (DRF em Nova Iguaçu) para que continue o julgamento quanto ao mérito do pedido, e, se for o caso, liquidando o valor que entenda correto considerando as transferências e valores já aproveitados em função do presente pedido. O Seort/DRF/Nova Iguaçu proferiu o Despacho Decisório, à fl. 1079, onde decidiu não conhecer do pedido de restituição, nos termos do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e ADN Cosit nº 03/96, com base no Parecer Seort/DRF/NIU 323/05, argumentando que a interessada renunciou à discussão administrativa do feito, por ter submetido ao Judiciário no âmbito do processo nº 2004.51.01.0009209 6ª VF/RJ (fls. 1054/1073) (ainda não citado neste relatório) a questão da aplicação da taxa Selic sobre o seu alegado crédito. Cientificada do mencionado Despacho Decisório (fl. 1079) em 11/11/05 (fl. 1085), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/12/05 Fl. 2879DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13746.000243/9826 Acórdão n.º 3401002.758 S3C4T1 Fl. 7 5 (fls.1095/1102), onde, basicamente, alega que não é aplicável ao caso o ADN Cosit nº 03/96. Pede, então, invocando o princípio da economia processual, o exame do mérito de seu pleito de restituição, reconhecendose encerrado o litígio quanto à decadência, aplicação da tese da semestralidade e de correção monetária, inclusive relativa aos expurgos, e juros pela Taxa Selic. No Acórdão da 5ª Turma da DRJ/RioII nº 1318.055, de 29 de novembro de 2007, o colegiado determinou o retorno dos autos à origem para que conheça do pedido e proceda à análise de todos os aspectos e circunstâncias do pleito, nos termos do voto do relator, que assim dispunha: “ Do exposto, VOTO por determinar o retorno dos autos à origem a fim de que o órgão a quo, cumprindo sua atribuição regimental, analise o pedido, em todos os seus aspectos e circunstâncias, dando prosseguimento regular ao feito, na forma já determinada pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (gn), definindo o valor do crédito, utilizandose de parâmetros de atualização adotados oficialmente pela RFB, sem, no entanto, operar qualquer restituição ou extinção de crédito tributário antes do trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do processo judicial nº 2004.51.01.0009209, 6ª VF/RJ.” A DRF Nova Iguaçu/RJ por meio do Despacho Decisório de fl. 1206, com base no Parecer da EQMACO nº 029/2009 reconheceu parcialmente o direito creditório requerido e homologou parcialmente a compensação declarada. Cientificada em 10/11/2009 (fl. 1208), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 10/12/2009, às fls. 1210/1229, contra o Despacho Decisório, à fl. 1206, argumentando, em resumo, que: 1. a tempestividade do pedido de restituição já havia sido reconhecida pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, assim a matéria não poderia ser mais discutida; 2. cumpria a Delegacia da Receita em Nova Iguaçu respeitar o limite traçado pela decisão, abandonando as preliminares e se pronunciando sobre o mérito do pleito administrativo; 3. pugna pelo cálculo do indébito a partir da diferença entre o montante efetivamente recolhido e aquele devido nos termos da LC 7/70, 4. sejam adotados os faturamentos informados pela impugnante no ato do pedido administrativo; 5. sejam adotados os índices constantes da tabela da Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar 08/97, mas também sejam levados em conta os expurgos inflacionários; 6. sejam computados os juros de mora na forma do § 4º, do art. 39, da Lei nº 9.250/95; Fl. 2880DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 7. na forma de pedido sucessivo, seja corrigido erro aritmético no sentido de incluir todos os meses correspondentes ao prazo de cinco anos deferido pelo despacho decisório.” A 5ª Turma da DRJ/RioII proferiu o Acórdão de nº 1328.703, de 30 de março de 2010 (fls. 1384/1389), acolhendo o voto do relator que assim o concluía: “(...) Ora, uma vez decidida a questão preliminar no âmbito do Conselho de Contribuintes – atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – descabe qualquer apreciação adicional tanto das Delegacias de Julgamento (DRJ), quanto das Delegacias da Receita Federal (DRF), porque ocioso, supérfluo e, portanto, inútil, uma vez que deverá prevalecer a decisão daquela instância (CARF) em relação ao entendimento destas (DRF e DRJ) quando em confronto, que é o caso. Adotar uma linha diferente, em que a prevalência da decisão da segunda instância de julgamento, no âmbito administrativo, passa a depender de juízo que adotar as instâncias inferiores, inutilizará completamente a estrutura do julgamento em duplo grau, o que, por sua vez, representará flagrante violação ao devido processo legal, prestigiado no Decreto nº 70.235/72 (PAF) – “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão” e na própria Carta de 88 – “CF/art. 5 LV ao litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Do exposto, VOTO por determinar o retorno dos autos à origem a fim de que o órgão a quo, cumpra a decisão exarada na Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e complemente a análise de mérito, observando ainda o que fora definido no Acórdão da 5ª Turma da DRJ/RioII nº 1318.055, de 29 de novembro de 2007.” A Delegacia de origem, então, proferiu novo Parecer/Despacho Decisório acatando a decisão do Conselho e a executando segundo sua interpretação (fls. 1.452 e seguintes): 23. Dessa forma, concluise que o sujeito passivo está dentro do prazo para pleitear a repetição do indébito, conforme entendimento exarado pelo Conselho de Contribuintes, tendo direito aos últimos 5 (cinco) anos a contar da data do pedido, tendo em vista a prescrição dos demais crédito tributários. E, ainda na Decisão, procedeu a nova apuração do crédito considerando a Súmula do CARF nº 15: “A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da lei Complementar nº Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13746.000243/9826 Acórdão n.º 3401002.758 S3C4T1 Fl. 8 7 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”, resultando em deferimento de direito creditório no valor de R$10.223.455,50 (fls. 1.461 e 1.463). Intimada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls 2623 e seguintes) em 15/07/11, aduzindo, em síntese, que: 1. formulou pedido de cópias de elementos dos autos, mas os dados não foram disponibilizados, nem foi assegurada a reabertura do prazo de defesa a partir da disponibilização, caracterizando nulidade a ser proclamada; 2. o descumprimento do acórdão do Conselho voltou a ocorrer e a determinação desta DRJ foi desobedecida, contornada, desprezada; 3. a autoridade recorrida usa do expediente de “interpretar” o julgado do Conselho, distorcendoo, desconsiderando todas as razões de decidir nele claramente expostas, desconsiderando o acórdão citado como paradigma e adotado como fundamento, caracterizando a nulidade novamente; 4. o Parecer Eqmaco nº 124/2010 relata os argumentos e as teses de Direito apresentados pelo Recorrente, mas escolhe um ou outro, ignorando os que não lhe convém, revestindo o ato de vício de nulidade mais uma vez; 5. pelos seus cálculos a Impugnante estima crédito superior a 20 milhões, no mesmo período considerado pela Receita Federal, mas reservase o direito de contestar o ponto futuramente, pois não teve acesso aos cálculos do aresto combatido. Pede a nulidade da Decisão recorrida pelas razões apontadas, requer reiteração à Autoridade a quo quanto à obrigação de se abster de adentrar no exame da preliminar da decadência, requer, ainda, se dê cobro à mora da repartição pelo andamento moroso ao processo. A DRJ decidiu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1990 a 30/09/1995 Nulidade. Pressupostos. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Matéria não Impugnada. Efeitos Preclusivos. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. A semestralidade do valor devido à luz da LC 07/70 já foi admitido pela unidade preparadora, que aplicou, na apuração do indébito, a alíquota de 0,75% e os índices da tabela da NE COSIT/COSAR nº 08/97, o que, em princípio, não é contestado pelo contribuinte. Entretanto, a unidade preparadora, tocante à decadência e dando cumprimento ao acórdão 20176.942, de 14/05/2003, da extinta 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, interpretou aludido aresto no sentido que reconhecer a tempestividade do pedido, contudo, não definira o período a ser repetido, de modo que limitou a restituição dos 05 (cinco) últimos anos anteriores ao protocolo, ou seja, como o pedido foi efetivado em 20/07/1998, reconheceu o período de julho/1993 a setembro/1995, aparentemente acompanhando a inteligência da Súmula STJ nº 85, consoante a qual “nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do qüinqüênio anterior à propositura da ação.” O pedido original envolvia o período de apuração julho/1988 a setembro/1995. O Recorrente insiste que o acórdão 20176.942 reconheceu a integralidade dos valores requeridos e não o dies a quo do prazo decadencial de requerimento do indébito, como entendeu a unidade preparadora (DRF Nova Iguaçu/RJ) e que a decisão recorrida, imiscuiuse de julgar se a exegese perpetrada neste despacho decisório seria a correta ou não, limitandose a dizer que aludido ato administrativo não era nulo e que a unidade preparadora poderia interpretar o acórdão do 2º CC da forma como bem entendesse. Pois bem, revendo o acórdão 20176.942, depreendese que seus termos, de fato, não são suficientemente claros para permitir sua correta execução, haja vista que admite Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13746.000243/9826 Acórdão n.º 3401002.758 S3C4T1 Fl. 9 9 as duas interpretações, tanto a do contribuinte, como da unidade preparadora, de modo que o adequado seria, naquela ocasião, manobrar o competente embargo de declaração, entretanto, como isto não foi feito, a meu juízo, caberá agora fixar as balizas da decadência do direito. No entanto, por força do art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72 (Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta), podemos ultrapassar este debate e rejulgar o mérito a favor do contribuinte, aplicando a jurisprudência atual do CARF sobre a questão, pois entendo que até a presente data o contencioso não se encerrou. Hodiernamente, vigora o art. 62A que determina a aplicação do entendimento firmado pelo STJ e STJ em recurso repetitivo e repercussão geral, respectivamente, de modo que deve ser aplicado o teor do RE 566.621/RS, julgado na sistemática da repercussão geral: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 2884DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (destacado) No caso vertente, como o processo administrativo foi protocolado anteriormente a 09/06/2005, mais precisamente 20/07/98, aplicase referido julgado, sendo que o indébito alcança os fatos geradores ocorridos há 10 (dez) anos do protocolo do processo, ou seja, todo o período requerido, de julho/1988 a setembro/1995. Por conveniente, não se deve confundir o fato gerador com a periodicidade da base de cálculo, de modo que, no presente processo, o fato gerador mais remoto é julho/1988, cuja base de cálculo é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, segundo a súmula CARF nº 15 (A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.). Quanto à atualização do indébito, entendo que deva ser aplicada a tabela anexa à NE COSIT/COSAR nº 08/97, não prejudicando em nada a existência do MS 2004.51.01.0009209 6ª VF/RJ (fls. 1054/1073), que discute a aplicação da SELIC, como indexador de correção, para períodos anteriores a 1996, porquanto o crédito requerido não foi apurado utilizando exclusivamente este índice, até porque a ação judicial é posterior ao pedido administrativo, além de não possuir qualquer provimento favorável ao contribuinte, como não bastasse, o sucesso na esfera judicial obrigaria o contribuinte a formular um novo pedido de restituição do diferencial de cálculo, isto é, um pedido de restituição complementar, não sendo possível a alteração do valor original neste processo sem tal providência. Em suma, nada estaria decaído, o PIS deve ser calculado nos termos da LC 07/70, com alíquota de 0,75% (LC 17/73), tomando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (Súmula CARF nº 15), sendo o indébito corrigido pela tabela da NE COSIT/COSAR nº 08/97. Em relação aos expurgos inflacionários reconheço para o período de 1989 a 1991, na medida em que os índices de correção monetária encontramse definidos no RESP 1.112.524 DF em obediencia ao 62A do Regimento interno do CARF e Acórdão 9303 002.842 de janeiro de 2014 da Camara Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto dou provimento parcial ao recurso voluntário pq não se está definindo o valor exato, observado os parametros do voto acima.. Angela Sartori Fl. 2885DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13746.000243/9826 Acórdão n.º 3401002.758 S3C4T1 Fl. 10 11 Angela Sartori Relator Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10580.720843/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
As verbas percebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Inteligência do artigo do § 1º do artigo 43 do CTN.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR/99 E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE (ART. 62 DO REGIMENTO DO CARF). AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte em decorrência de rendimentos recebidos a destempo, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes ao CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2201-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA votaram pela conclusão.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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ABONO PERCEBIDO PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA As verbas percebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Inteligência do artigo do § 1º do artigo 43 do CTN. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 43 /2 00 9- 42 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 DO RIR/99 E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE (ART. 62 DO REGIMENTO DO CARF). AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte em decorrência de rendimentos recebidos a destempo, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes ao CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA votaram pela conclusão. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do acórdão da 3 ª Turma da DRJ/SDR que deu parcial provimento à impugnação ao Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 156.926,42, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, tão somente para adequação da alíquota aplicável, mantendo o imposto no valor R$ 71.184,10, e exonerando o valor de R$ 3.400,71. Conforme descrição constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720843/200942 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 120 3 Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual nº 20, de 08 de setembro de 2003. O contribuinte sustentou em sua impugnação, em apertada síntese que: a) classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A DRJ/BSB manteve o crédito tributário sob o argumento de que: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; e) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN Em recurso voluntário o contribuinte reitera os argumentos apresentados na Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Antes de apreciar o mérito das razões expostas em sede de recurso voluntário, cumpre analisar as questões prévias apresentadas pela recorrente em relação à nulidade da decisão de 1ª instância, por ausência de fundamentação quanto à alegada ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda cujo produto da arrecadação cabe ao Estado e por não enfrentar argumento relevante relativo “à quebra da capacidade contributiva” . Não é de se acolher a argüição de nulidade por ausência de fundamentação suficiente. A decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta. Além de ser pacífico o entendimento do C. STJ no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide. Logo, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. Para evitar qualquer argüição quanto a não apreciação do pleito de ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda retido na fonte, é de ressaltar que a prerrogativa dada pelo artigo 157, I, da Constituição Federal, aos Estados (e DF), em Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720843/200942 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 121 5 arrecadar em definitivo o IRRF sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem, apenas implica em dispositivo relativo a repartição constitucional de receitas tributárias, sem qualquer implicação quanto à legitimidade ativa da União para exigir o IRPF por meio de Auto de Infração. Nesse sentido, Leandro Paulsen: "O art. 157, I e o art. 158, I, são dispositivos que tratam da repartição de receitas tributárias. Não cuidam, de modo algum, de distribuição de competência tributária. A competência para instituição do IR é da União (art. 153, III), que o faz por lei federal. O sujeito ativo é, também, a União, sendo tal tributo administrado pela SRF. Os Estados, o DF e os Municípios são simples destinatários do produto da arrecadação do imposto que incide na fonte sobre a renda e proventos pagos por eles. Nesses casos, aliás, os Estados, DF e Municípios figuram enquanto substitutos tributários (obrigados à retenção e ao recolhimento do IR na qualidade de empregadores como qualquer outra pessoa jurídica), mas, em seguida à retenção, em vez de recolherem em favor da União, farão o recolhimento em seu próprio favor em face de serem destinatários constitucionais da respectiva receita." (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, 12ª edição, 2010, pág. 419). No mesmo sentido, TRF da 3ª Região (processo n. 0012157 87.2003.4.03.6108, j. em 30/03/2011.O mesmo raciocínio se aplica à alegação de não enfrentamento sobre o alegado desrespeito à capacidade contributiva, com a ressalva de se tratar de matéria de ordem constitucional, cujo pretensão para fins de afastar preceito legal expresso, ainda que a descontento deste julgador, encontra vedação na lei processual administrativa (artigo 26A do Decreto n. 70.235/72). O mesmo raciocínio se aplica à alegação de não enfrentamento sobre o alegado desrespeito à capacidade contributiva, com a ressalva de se tratar de matéria de ordem constitucional, cujo pretensão para fins de afastar preceito legal expresso, é vedado pela lei processual administrativa (artigo 26A do Decreto n. 70.235/72 e Súmula CARF n. 2). Por fim, nada há de se falar a respeito de violação ao princípio da isonomia. Isso porque, não vislumbro identidade nas verbas de que trata a Resolução STF n. 245, de 2002 e o que veicula a lei baiana. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Rejeitadas as preliminares arguidas, passo ao mérito. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos pela lei baiana, o C. Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido, em casos análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza remuneratória, constituindo, assim, fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007; RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 30/05/2005; RMS 27.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 01/07/2010; ). Esse posicionamento foi reafirmado em recente julgado da Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 2. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1235069/MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00175830. j. em 24/05/2011 . DJe 30/05/2011. Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir: “8. Inferese dos autos que as quantias foram pagas em razão das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo IGPMFGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) decorrentes da implantação da URV. 9. Ora, vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. 10. Evidente, pois, que tais verbas são derivadas de benefício nitidamente salarial. 11. A incidência da tributação deve obediência estrita ao princípio da legalidade, e, conforme bem esposado pelo Exmo. Des. Relator do acórdão recorrido, a definição prevista no inciso I, do artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações. 12. Ademais, o conceito de acréscimos patrimoniais abarca salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720843/200942 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 122 7 Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pela Lei Estadual Complementar da Bahia nº 20/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN e inciso I do § 2º do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Entretanto, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos: 10616801, 10616360 e 196 00065, a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão n. 1960006). O C. Superior Tribunal de Justiça, de igual modo, ao admitir a exigência do imposto do contribuinte, exclui a multa em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Quanto aos juros moratórios, é de se manter a exigência do IR, por força do decidido pelo STJ, nos autos Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, para excluir a multa de ofício. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 18471.003848/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/11/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - - SEGURADOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
Nos termos do § 5º do art. 33: O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
A UERJ não efetuou os descontos das contribuições dos segurados contribuintes individuais - médicos residentes, conforme preceitua a lei 10.666/2003, face a existência de medida liminar que a impedia de efetuar o referido desconto. Dessa forma, não se trata de ausência de desconto por decisão da contratante, mas essa na verdade não poderia fazer o desconto por força de medida judicial de autoria do sindicado dos médicos. Não pode o fisco imputar à Universidade Estadual do Rio de Janeiro a contribuição devida pelos médicos residentes, se a empresa não é a contribuinte, nem muito menos negligenciou o desconto previsto em lei.
Não se deve confundir a contribuição patronal, lançado em outro AI durante essa mesma fiscalização, com a obrigação do segurado. Dessa forma, entendo que existindo liminar que impedia a UERJ de efetuar o desconto da contribuição do segurado contribuinte individual na competência objeto do lançamento, não há como prosperar o lançamento em questão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Nos termos do § 5º do art. 33: “O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” A UERJ não efetuou os descontos das contribuições dos segurados contribuintes individuais médicos residentes, conforme preceitua a lei 10.666/2003, face a existência de medida liminar que a impedia de efetuar o referido desconto. Dessa forma, não se trata de ausência de desconto por decisão da contratante, mas essa na verdade não poderia fazer o desconto por força de medida judicial de autoria do sindicado dos médicos. Não pode o fisco imputar à Universidade Estadual do Rio de Janeiro a contribuição devida pelos médicos residentes, se a empresa não é a contribuinte, nem muito menos negligenciou o desconto previsto em lei. Não se deve confundir a contribuição patronal, lançado em outro AI durante essa mesma fiscalização, com a obrigação do segurado. Dessa forma, entendo que existindo liminar que impedia a UERJ de efetuar o desconto da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 38 48 /2 00 8- 75 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 contribuição do segurado contribuinte individual na competência objeto do lançamento, não há como prosperar o lançamento em questão. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18471.003848/200875 Acórdão n.º 2401003.625 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal,, lavrado sob o n. 37.189.2465, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada na época própria, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais, MÉDICOS RESIDENTES – AÇÃO JUDICIAL, na competência 12/2003. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 130: 6. Fato Gerador das Contribuições Lançadas Os valores pagos a Contribuintes Individuais autônomos (Médicos Residentes) conforme folha de pagamento de contribuintes individuais e que não foram declarados nas Guias de recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social GFIP. 6.1 A empresa não efetuou o desconto da contribuição devido pelo contribuinte individual, deste forma estes valores foram calculados por esta auditoria 6.2 O contribuinte não efetuou o pagamento da contribuição previdenciária em questão, pois considerou a decisão proferida no Mandado de Segurança N° 2003.51.01.026361 da 7a Vara Federal do Rio de Janeiro em 13 de fevereiro de 2004 (cópia em anexo). Esta Ação foi ajuizada pelo SINMED Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro em face do Superintendente Regional do Instituto Nacional da Seguridade Nacional. A UERJ foi intimada pelo Juiz da 7a Vara para ciência e cumprimento da decisão (cópia em anexo). O processo encontrase no TRF2 aguardando decisão desde de 09/03/2006 conforme consulta em anexo. 6.3 O levantamento do presente crédito previdenciário tem como objetivo prevenir a decadência, aguardando até decisão definitiva da sentença judicial. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/11/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 240 a 244. Foi anexado sentença em Mandado de Segurança Coletivo, proposto pelo Sindicato dos Médicos, fl. 176, determinando o não desconto da remuneração concedida aos médicos residentes na forma definida na lei 10.666/2003, por entender tratarse de pós graduação. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 259 e seguintes. Assunto : Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA . I A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente; II Na presença de sentença judicial suspensiva da exigibilidade das contribuições não recolhidas, o lançamento tributário superveniente, preventivo da decadência, dá origem a crédito inexigível até a decisão judicial definitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 242, reiterando os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam, acrescentando, neste momento, o entendimento do Tribunal Regional Federal da Segunda Região que, em caso idêntico ao presente apenas se referindo a outra autuação do INSS à UERJ entendeu não serem devidas as referidas contribuições (Apelação 1997.51.01.1013469, Rei. Juiz Convocado José Antônio Lisboa Neiva). 1. Entendeu a autoridade fiscal que o ato de lançamento seria necessário para prevenir a decadência, haja vista entender que a exigibilidade, no caso, está suspensa (art. 151 do CTN). 2. Ocorre que há um erro nesse raciocínio. 3. Como se sabe, a UERJ não é a contribuinte de fato do tributo, já que n ã o é ela q u e m s u p o r t a seu ônus financeiro. 4. Contribuintes de fato, portanto, são os residentesmédicos que teriam que ter seus recursos reduzidos por ato de desconto em folha desses valores. 5. A UERJ, portanto, ostenta a qualidade de contribuinte de direito, já que é obrigada, por lei, a efetuar apenas as retenções. 6. Ocorre que por força da decisão judicial, a UERJ ficou impedida de reter as contribuições dos bolsistas. 7. Ato contínuo, a autoridade fiscal efetuou o lançamento contra a UERJ, constituindo, assim, um crédito contra a Universidade que não deveria suportar o ônus financeiro. 8. Esse, portanto, o ponto do inconformismo, já que o auto de infração transformou a UERJ, de contribuinte de direito em contribuinte de fato, uma vez que é ela que terá que pagar e suportar o ônus tributário caso a ação dos residentes seja julgada improcedente. 9. Os residentes, como se sabe, cumprem seu curso de residência na UERJ, recebem suas bolsas de estudo e depois vão embora. A UERJ, embora possua a listagem dos residentes, não terá como regredir contra cada um deles para se ressarcir de eventual valor que tenha que pagar à União. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18471.003848/200875 Acórdão n.º 2401003.625 S2C4T1 Fl. 4 5 10. A lógica, portanto, conduz ao raciocínio de que os lançamentos fiscais deveriam ter sido efetuados contra os residentes, com base na listagem obtida pelo fisco na UERJ, porque deles é o ônus de pagar pelo tributo exigido. 11. Há, no caso concreto, uma enorme confusão que coloca a UERJ como devedora de uma exação que nunca lhe poderia ser cobrada. Eis porque a UERJ requer a revisão do lançamento, decretandose sua nulidade, como de direito. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos, fl. 284. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, convém ressaltar, assim, como bem trazido pelo julgador de primeira instância, que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991,equiparandose, em relação aos segurados contribuintes individuais que contrata, às empresas privadas, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, a UERJ é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, sempre que presentes fatos geradores de contribuições previdenciárias, independente de ter instituído em relação aos servidores efetivos RPPS (Regime Próprio de Previdência). DA FUNDAMENTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos da Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: “Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.” Uma vez que a recorrente remunerou segurados, entendeu a fiscalização que deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18471.003848/200875 Acórdão n.º 2401003.625 S2C4T1 Fl. 5 7 normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, ao efetivar a contratação de pessoas físicas – médicos residentes, deveria o ente público, equiparado a empresa, efetivar o recolhimento da contribuição previdenciária correspondente, considerando a condição de segurados obrigatórios da previdência social. Quanto a existência de liminar em ação judicial, assim manifestouse a autoridade fiscal em seu relatório: 6. Fato Gerador das Contribuições Lançadas Os valores pagos a Contribuintes Individuais autônomos (Médicos Residentes) conforme folha de pagamento de contribuintes individuais e que não foram declarados nas Guias de recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social GFIP. 6.1 A empresa não efetuou o desconto da contribuição devido pelo contribuinte individual, deste forma estes valores foram calculados por esta auditoria 6.2 O contribuinte não efetuou o pagamento da contribuição previdenciária em questão, pois considerou a decisão proferida no Mandado de Segurança N° 2003.51.01.026361 da 7a Vara Federal do Rio de Janeiro em 13 de fevereiro de 2004 (cópia em anexo). Esta Ação foi ajuizada pelo SINMED Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro em face do Superintendente Regional do Instituto Nacional da Seguridade Nacional. A UERJ foi intimada pelo Juiz da 7a Vara para ciência e cumprimento da decisão (cópia em anexo). O processo encontrase no TRF2 aguardando decisão desde de 09/03/2006 conforme consulta em anexo. 6.3 O levantamento do presente crédito previdenciário tem como objetivo prevenir a decadência, aguardando até decisão definitiva da sentença judicial. Por outro lado, entendeu o julgar que a existência de liminar não impediria o procedimento do lançamento, nem tampouco a apreciação do recurso, tendo em vista que o mesmo trata também de matéria diversa, qual seja a incidência de juros. Nesse sentido, transcrevo parte da decisão: 8.1. A rigor, a existência de ação judicial não impede o desenvolvimento regular da seqüência lógica de atos que perfazem o contencioso fiscal. A renúncia total ao contencioso só ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual versa o processo administrativo (art. 126, § 3 o da Lei 8.213/91). Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 9.1. Por outro lado, em relação às multas, aplicase o comando legal do art. 63 da Lei 9.430/96 que prevê, para os casos de lançamento preventivo da decadência, a interrupção da incidência da multa de mora desde a concessão da medida judicial. Assim, considerando que o lançamento foi efetivado após a concessão da liminar, não há valor devido a título de multa moratória neste lançamento, motivo pelo qual os campos correspondentes à multa moratória da folha de rostro e do relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD (fls.5), estão preenchidos com o valor zero. 9.2. Deve ser salientado que o crédito não será objeto de cobrança se ainda estiver com a sua exigibilidade suspensa após o curso do contencioso administrativo. Entretanto, uma vez reformada a decisão favorável à empresa, a devedora terá o prazo previsto no parágrafo 2o do art. 63 da Lei 9430/96 para efetuar o recolhimento sem a incidência de multa. Deixando, porém, de fazêlo, estará sujeita à execução do crédito, e a multa moratória passará a incidir desde o vencimento da obrigação. Quanto ao argumento de que incorreto o procedimento para evitar a decadência, entendo que razão assiste ao recorrente. Devemos distinguir a contribuição do segurado a que a empresa, por expressa determinação legal, tem a obrigação de efetuar o desconto e recolher em nome do próprio segurado e a contribuição patronal. Concordo com o entendimento da autoridade fiscal, de que existindo liminar que impede o recolhimento de contribuição (impetrada pelo notificado), devese lançar a contribuição devida, evitando, por conseguinte, os efeitos da decadência sobre referidos fatos geradores, caso a liminar seja posteriormente cassada. Contudo, entendo que não é esse raciocínio que se amolda ao caso em questão. A UERJ não efetuou os descontos das contribuições dos segurados contribuintes individuais – médicos residentes, conforme preceitua a lei 10.666/2003, face a existência de medida liminar que a impedia de efetuar o referido desconto. A ação que impediu o desconto não foi promovida pela UERJ (autuada), mas pelo sindicato dos médicos. Dessa forma, não se trata de ausência de desconto por decisão da contratante, mas essa na verdade não poderia fazer o desconto por força de medida judicial. Como pode o fisco imputar ao autuado a contribuição devida pelos médicos residentes, se a empresa não é a contribuinte, nem muito menos negligenciou o desconto previsto em lei, nem tampouco foi a autora da ação judicial. A contribuição lançada no presente AI é do próprio médico residente (a qual normalmente seria descontada pelo contratante e repassada aos cofres da previdência social, caso não existisse liminar), e entendo que poderá ser sim exigida (do médico), caso não lhe seja favorável a decisão final do processo em que pleiteia a inexigência da contribuição previdenciária, mas não poderá ser imputada retroativamente ao contratante (UERJ). Não se deve confundir a contribuição patronal, lançado em outro AI durante essa mesma fiscalização, com a obrigação do segurado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18471.003848/200875 Acórdão n.º 2401003.625 S2C4T1 Fl. 6 9 Dessa forma, entendo que existindo liminar que impedia a UERJ de efetuar o desconto da contribuição do segurado contribuinte individual na competência objeto do lançamento, não há como prosperar o lançamento em questão. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10768.010966/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997
MULTA ISOLADA. REVISÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não mantida a multa isolada de débitos que não foram confirmados na revisão de ofício do lançamento. Caso dos autos.
RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. Conforme alínea c, inciso II do art. 106 da lei 5172/66 (CTN), aplica-se retroativamente a lei superveniente mais benigna, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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REVISÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não mantida a multa isolada de débitos que não foram confirmados na revisão de ofício do lançamento. Caso dos autos. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. Conforme alínea c, inciso II do art. 106 da lei 5172/66 (CTN), aplicase retroativamente a lei superveniente mais benigna, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 09 66 /2 00 2- 15 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Recurso de ofício contra o acórdão 1237.676 da 8a. Turma da DRJ/RJ1 que deu provimento parcial à impugnação da interessada para reduzir o crédito tributário lançado de R$ 1.138.838,76 para R$ 14.204,65. A DRJ entendeu que a multa isolada decorrente do art. 44 da lei 9.430/96 não se sustenta à luz do art. 106 do CTN, tendo em vista lei mais nova mais benéfica ao contribuinte, no caso, a lei 11.488/2007. Isso porque foi revogada a previsão de multa de oficio isolada para o caso de pagamento de tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O Recurso de Ofício é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O lançamento da multa isolada estava baseada no art. 44 da Lei 9.430/96, que foi alterado pela Lei 11.488/2007. Não merece reparos a decisão a quo relativamente à aplicação retroativa da lei mais benéfica no caso de ato não definitivamente julgado que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente no tempo da sua prática (art. 106, II, c do Código Tributário Nacional) . Passo à análise das informações constantes do processo sobre os motivos para a aplicação da multa de ofício. A planilha de fl. 86 do vol. I dos autos, cujo título "ANEXO IV DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR", contém a especificação dos valores relativos ao código de receita 6380, correspondente a multa isolada constante do auto de infração, para o tributo 0561, com vencimento em 05, 12, 19 e 26 de novembro de 1997, originalmente parte do auto de infração e posteriormente revistos de ofício pela autoridade lançadora. O doc. 109 do vol. II dos autos informa que todos os créditos lançados na fl. 86 foram considerados improcedentes, tendo em vista o erro material informado pelo contribuinte ao fazer o pagamento dos tributos sem discriminar, nos DARF´s, os valores pagos. No extrato do processo à pg. 112115 do vol. 2 dos autos, constatase que os valores lançados referentes aos tributos devidos no auto de infração, possuem saldo zero, tendo em vista a realocação dos pagamentos efetuada na revisão de ofício do lançamento. Assim, não bastasse o argumento da decisão a quo relativamente à modificação na legislação sobre multas isoladas, entendo que, em decorrência da revisão de ofício do lançamento, que decidiu pela redução do auto de infração para R$ 14.204,65, inexistem os motivos para a aplicação da multa isolada, pois ficou constatado que os débitos lançados já haviam sido quitados pelo contribuinte antes da abertura do procedimento fiscal. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.010966/200215 Acórdão n.º 2101002.579 S2C1T1 Fl. 3 3 Desta forma, voto pelo não provimento do recurso de ofício. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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