Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13896.000026/2001-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS
Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal:
1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG-1, RG-6 e RGC TIPI-1, Decreto n° 2.092, de 1996.
2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 -Outros, com tributação a 15%. RG-1, RG-6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal: 1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG-1, RG-6 e RGC TIPI-1, Decreto n° 2.092, de 1996. 2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 -Outros, com tributação a 15%. RG-1, RG-6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13896.000026/2001-51
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440788
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.939
nome_arquivo_s : Decisao_13896000026200151.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 13896000026200151_5440788.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5855204
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705604849664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000026/200151 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.939 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria RESSARCIMENTOIPI Recorrente TECNOFORMAS INDUSTRIA GRAFICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, conforme Súmula CARF nº 20. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO O direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal: 1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG1, RG6 e RGC TIPI1, Decreto n° 2.092, de 1996. 2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 Outros, com tributação a 15%. RG1, RG6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 26 /2 00 1- 51 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, à fl. 3, no montante de R$182.261,36, relativamente ao 4º trimestre de 2000, formalizado em 12/01/2001, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e IN SRF Nº 33, de 1999. Vinculado ao ressarcimento foram apresentadas diversas Declarações de Compensação, conforme quadro a seguir, totalizando as compensações R$182.261,36: DCOMP Papel (P)/Eletrônica (E) Data Apres./Trans. Tributo Valor Período de Apuração Vencimento 8109 7.515,40 dez/2000 15/01/2001 P (fl. 5) 12/01/2001 2172 34.686,47 dez/2000 15/01/2001 8109 6.953,12 fev/2001 15/03/2001 P (fl. 216) 15/03/2001 2172 32.091,34 fev/2001 15/03/2001 8109 7.477,52 mar/2001 12/04/2001 P (fl. 217) 12/04/2001 2172 34.511,62 abr/2001 12/04/2001 P (fl. 223) 14/09/2001 8109 4.953,49 ago/2001 14/09/2001 P (fl. 224) 17/10/2001 8109 5.308,41 set/2001 15/10/2001 8109 6.392,46 abr/2001 15/05/2001 P (fl. 232) 15/05/2001 2172 29.503,65 abr/2001 15/05/2001 P (fl. 233) 16/08/2001 8109 5.246,79 jul/2001 15/08/2001 E (fls. 453/456) 39258.90299.111104.1.3.010676 11/11/2004 5856 6.000,00 out/2004 12/11/2004 E (fls. 457/460) 25754.29067.151204.1.3.010105 15/12/2004 5856 1.621,09 nov/2004 15/12/2004 A análise da petição se deu mediante o Despacho Decisório de fls. 400/407, de que resultou o indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações declaradas. O ato decisório foi emitido nos seguintes termos: Com efeito, conforme formulário de ressarcimento de IPI acostado a fls. 01, o contribuinte traz baila, como fundamentação legal para o pedido em tela, o artigo 11 da lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com o artigo 4° da IN 33 SRF, de 04 de março de 1999, [...]: Ocorre que, conforme dispõe o 2° da IN 33, de 04 de março de 1999 devem ser estornados os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados ã fabricação de produtos não tributados. Destarte, sendo a saída de apara de papel comum classificada como nãotributável, e tendo o contribuinte a elencado na relação de saídas do período, incabível o ressarcimento em Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 5 4 relação à proporção que esta operação representa em relação ao total de saídas do período. Em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos tributados à alíquota zero ou positiva, não restam dúvidas quanto ã permissão legal para o aproveitamento dos créditos. Nada obstante, uma análise mais profunda sobre as saídas efetuadas pelo estabelecimento, no 4° trimestre de 2000, permite identificar algumas impropriedades cometidas na classificação fiscal dos produtos, o que reflete diretamente no direito creditório pleiteado. Conforme se depreende de fls. 362, o contribuinte classificou os papéis para impressão apresentados em bobinas e personalizados ou não como pertencentes ao capitulo 49. Contudo, a impressão constante em vários destes artigos (logomarca da empresa etc.) possui caráter acessório em relação à sua utilização inicial papel para impressão, devendo ser classificada no capitulo 48 da TIPI, conforme já explicitado no acórdão n° 1957, exarado pela 3a turma da DRJ/POA, em16 de janeiro de 2003. Vejase: ''Papel para imprimir, apresentado em bobinas, personalizado ou não, classificase no código 4823.51.0000 da TIPI/88 e no código 4823.51.00 da T1P1/96. "(Grifouse.) O mesmo equivoco foi observado na classificação dos formulários contínuos expedidos. Tais produtos tiveram tratamento similar expresso na solução de consulta da SRRF/ 7a Regido RF/DIANA/ N° 174, de 07 de maio de 2004. Apenas com o fito de corroborar as decisões préfaladas, merece destaque o texto das notas explicativas do sistema harmonizado (base de interpretação das normas concernentes ã classificação de mercadorias), que determina a análise do texto ou da figura inserida no papel para a correta definição do código fiscal: "Estes artigos podem apresentarse revestidos com impressões ou ilustrações, mesmo de importância, desde que a utilização principal continue a ser de papéis para escrever... Outros artigos podem apresentarse revestidos com impressões ou ilustrações com caráter acessório relativamente sua utilização principal." (Nota do Capitulo 48.) "... este Capitulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham." (Nota do Capitulo 49.) Diante do acima exposto, resta claro, a partir da análise das amostras apresentadas, notadamente as acostadas a fls. 362 (bobinas) e 354, 356, 364, 368, 376 e 377 (formulários contínuos), tratarse tão somente de papel para impressão, ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 6 5 pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. [...] Feitas as referidas modificações, desaparece o saldo credor pleiteado neste processo, tornando descabido o presente pedido, conforme demonstrado no quadro apresentado a seguir: Alíquota Valor das operações (R$) Valor de IPI a ser apurado 12 % 1.883.170,80 225.980,50 15 % 307.824,58 46.173,69 Por todo o acima exposto, entendese que o contribuinte não faz jus ao ressarcimento. Ciente do Despacho Decisório em 24/04/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 409, o contribuinte, representado por procurador (fls. 432/433), apresentou, em 18/05/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 410/431, para alegar: Em que pese a lisura do procedimento adotado pela Impugnante, vale dizer, diversas vezes reconhecido pela Delegacia da Receita Federal, foi surpreendida, em 20/04/2007, com a denegação do presente pleito e compelida, indevidamente, a pagar os valores compensados a titulo de IPI referentes às saídas do 4° trimestre de 2000 de produtos não tributados e tributados à alíquota zero. A Impugnante adquire, mensalmente, inúmeros itens que compõem seu estoque de matériaprima, materiais intermediários e embalagens, os quais são devidamente registrados nos Livros Fiscais de entradas mantidos em seu estabelecimento. A atividade de transformação destes materiais se desenvolve numa fábrica, composta por máquinas de alta tecnologia que, utilizandose dos insumos principais e secundários, dão origem a produtos novos. Portanto, inconteste, "in casu", o processo de industrialização realizado pela Impugnante. A classificação das atividades registradas em nome da empresa Impugnante perante o CNPJ do Ministério da Fazenda (doc. 01), assim como a definição de suas atividades pela Comissão Nacional de Classificação, comprovam o alegado. Reconhecida a atividade exercida pela Impugnante como, tipicamente, "industrialização", convém aterse ao comando legal regulamentador do IPI e à sua sistemática dada pela Constituição Federal, precipuamente no que tange não cumulatividade, ou seja, o art. 153, inc. IV, §3°, da CR/1988, é normaprincípio que informa todo o sistema jurídico desse imposto, devendo, face à sua relevância jurídica, ser observada pelas demais normas criadas pelo legislador ordinário. Qualquer medida tendente a restringir ou negar vigência a tal aplicação, seja pela criação e aplicação de normas Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 7 6 infraconstitucionais, seja por mero labor exegético, implicaria no malfadado manto da inconstitucionalidade. No que diz respeito ao alcance do termo "produto industrializado", o artigo 46 do C6digo Tributário Nacional CTN o define com precisão, para fins de incidência do IPI, com o qual se coadunam os tribunais pátrios. Demonstrada a natureza jurídica da atividade desempenhada pela empresa, qual seja, de industrialização, bem como restando cristalino que o Pedido de Ressarcimento formulado pela Impugnante encontrase plenamente adequado à legislação vigente, pugnase pelo reconhecimento dos créditos de IPI, sob pena de violação ao Principio Constitucional da Não cumulatividade. Outrossim, não merece prosperar o argumento constante no Parecer SEORT/DRF/OSA n° 397/2007, no sentido de que "o contribuinte classificou papéis para impressão apresentados em bobinas, personalizados ou não, como pertencentes ao capitulo 49 da TIPI, quando deveria têlos classificado no capitulo 48". Não agiu com o esperado acerto o Sr. Agente Fiscal, na medida em que não apenas valeuse de inverídica "presunção" no seu entendimento, como ignorou a classificação apresentada ao Fisco pela Impugnante desde o inicio de suas atividades, a qual sempre lhe conferiu o direito ao crédito pleiteado. Tendo em vista o caso concreto, a presunção do Sr. Agente Fiscal deveria ter sido comprovada, eis que se trata de uma presunção honinis, não apenas porque o instituto da presunção assim o exige, mas porque a motivação e um dos atributos de qualquer ato administrativo. Todo ato administrativo deve ser motivado, cabendo ao Fisco fazer prova contundente do que ocorreu, não podendo, mediante presunção, realizar o enquadramento legal do contribuinte. Os materiais declarados pela Impugnante são e sempre foram sujeitos a. alíquota zero ou a nãotributação, não havendo que se falar em "caráter acessório" das impressões nestes presentes. Ao contrário, os papeis para impressão em destaque fazem parte dos produtos personalizados que a Impugnante industrializa, logo, classificados no capitulo 48 da TIPI. 36. Neste sentido, imperioso destacar o quanto dispõe a Nota n°11 do Capitulo 48 da TIPI, "in verbis": 11. Com exclusão dos artefatos das posições 4814 e 4821, o papel, o cartão, a pasta de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente sua utilização original, incluemse no Capitulo 49." (destacou se). Fl. 734DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 8 7 Os materiais declarados pela Impugnante não podem, sob forma alguma, serem apontados como "acessórios", cumprindo classificálos, destarte, no Capitulo 49 da TIPI. As impressões realizadas nos produtos sob comento (contas telefônicas, etc.) não possuem qualquer caráter acessório, mas constituem o próprio objetofim do material industrializado. Inegável que os produtos (bobinas, formulários contínuos e formulários tamanho próprio) industrializados pela Tecnoformas Indústria Gráfica Ltda constituemse plenamente, independentemente da destinação que lhes é dada por seus adquirentes. Ou seja, quando a empresa entrega seus produtos aos adquirentes, todas as informações fins referentes s suas destinações encontramse inseridas. Eventualmente, não obstante finalizados, determinados produtos são utilizados pelos adquirentes para inclusão de informações, tal como ocorre nos casos de formulários contínuos e tamanho padrão . Referida utilização não implica, sob hipótese alguma, na descaracterização do produto oferecido, umavez ter por função se valer das variadas matérias primas sua disposição para dar origem, por meio do competente processo, a um produto completamente novo e acabado. É o que ocorre, por exemplo, com a "Nota Fiscal", ou com o denominado "Papel de Carta", comumente encontrados no comercio, e cujas alíquotas para incidência do IPI são de 0% (zero por cento). Tais produtos, assim como aqueles criados pela Tecnoformas Indústria Gráfica Ltda, bastamse por si, independentemente do uso que terão por seus adquirentes, no havendo que se falar em acessoriedade. Tamanha é a importância da impressão presente neste produtos que, uma • ez retirada, não mais subsistir qualquer característica sua. É PRINCIPAL e ÚNICO. Assim, em respeito as reiteradas decisões proferidas no âmbito administrativo a favor da homologação dos créditos requeridos, merece ser aplicado o comando previsto no artigo 100, inciso III, do Código Tributário Nacional. Finalizou o contribuinte a manifestação de inconformidade com pedidos de reforma da decisão constante do Parecer n° 397/2007 e do reconhecimento da procedência do pedido de ressarcimento/compensação formulado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI SALDO CREDOR. INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. ESTORNO. Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Tendo em vista que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, devem ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Alternativamente, tais créditos poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, se o montante das entradas de MP, PI e ME, for empregada indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. Tendo em vista que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa competente se converterem em declaração de compensação, por força do disposto no art. 74, §4°, da Lei n° 9.430, de 1996, hão de se considerar os pedidos de compensação apresentados no ano calendário de 2001 como declarações de compensação. Nesse sentido, aplicarselhesão o disposto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, declarandoas tacitamente homologadas, em face de que apresentadas no anocalendário de 2001 só foram devidamente apreciadas pela autoridade administrativa competente em 24/04/2007, considerada a data da ciência do contribuinte do despacho decisório que indeferiu seu pleito. PRÁTICAS REITERADAS. CONCEITUAÇÃO Segundo o art. 100, inc. III, do CTN as práticas reiteradas devem ser entendidas como um posicionamento da Administração Tributária que acata determinado proceder dos contribuintes de forma generalizada. A decisão sobre ressarcimento de IPI a um certo contribuinte não determina o seu direito irrestrito de obter o ressarcimento, independentemente de análise da autoridade administrativa, sob o pretexto de teriamlhe sido sempre deferidas quantias que solicitou anteriormente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CLASSIFICAÇÃO MERCADORIAS Fl. 736DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 10 9 Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, classificamse: 1) as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG1, RG6 e RGC TIPI1, Decreto n° 2.092, de 1996. 2) os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 Outros, com tributação a 15%. RG1, RG6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese: · A ocorrência de homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados em 2001; · Da omissão do v. acórdão aquo quanto aos créditos relacionados aos produtos que tiveram suas classificações fiscais inalteradas; · Da impossibilidade de alteração da tributação das saídas em pedido de ressarcimento e após o prazo decadencial para lançamento; · Das corretas classificações fiscais adotadas pela recorrente. É o Relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente não há em se falar em erro formal na decisão recorrida pois, independentemente de manifestação do interessado, a autoridade julgadora reconheceu, por considerar como matéria de ordem pública, a homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte no anocalendário de 2001 em face do transcurso do prazo de 5(cinco) anos, previsto no §5º do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, permanecendo em litígio apenas as declarações de compensação transmitidas em 11/11/2004 e 15/12/2004, quais sejam, as DCOMP nos 39258.90299.111104.1.3.010676 e 25754.29067.151204.1.3.010105, ficando consignado na ementa e no voto do acórdão recorrido. Quanto a alegação de omissão quanto aos créditos relacionados aos produtos que tiveram suas classificações fiscais inalteradas, esta não é pertinente pois, conforme consignado no Despacho Decisório, aplicandose as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos discordantes, restou absorvido totalmente pelos débitos, o saldo credor requerido pelo contribuinte. Quanto a alegação de impossibilidade de alteração da tributação das saídas em pedido de ressarcimento e após o prazo decadencial para lançamento entendo que não assiste razão à recorrente. Nos termos do artigo 170 do CTN, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. Entendo, portanto, correto o procedimento da autoridade administrativa quando da análise da petição que se deu mediante o despacho decisório pois este é justamente para se apurar o valor devido e verificar o credito pleiteado, podendo o contribuinte discordar dos cálculos, o que o fez com a apresentação do recurso. Quanto a glosa no aproveitamento dos os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados ã fabricação de produtos não tributados, tal questão se encontra sumulada no âmbito do CARF devendo ser observada pelos membros desse conselho, conforme abaixo: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 12 11 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em relação as saídas de produtos tributados à aliquota zero ou positiva a fiscalização discordou da classificação fiscal adotada pelo contribuinte para diversos produtos o que refletiu diretamente no direito creditório pleiteado. O contribuinte classificou os papéis para impressão apresentados em bobinas e personalizados ou não como pertencentes ao capitulo 49. Contudo a fiscalização considerou que a impressão constante em vários destes artigos (logomarca da empresa etc.) possui o caráter acessório em relação a. sua utilização inicial — papel para impressão, devendo ser classificada no capitulo 48 da TIPI. O mesmo foi observado na classificação dos formulários contínuos expedidos. A fiscalização chegou a conclusão de que, a partir da análise das amostras apresentadas, notadamente as acostadas a fls. 362 (bobinas) e 354, 356, 364, 368, 376 e 377 (formulários continuos), tratarse tão somente de papel para impressão,ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. Os produtos que tiveram a sua classificação alterada e as suas respectivas alíquotas de IPI são os seguintes: Código DESCRIÇÃO PRODUTO Classificação Fiscal Tipo VALOR Aliq. IPI (%) Página que contém a amostra 30250001300006 BOBINA DE CONTA TELEFÔNICA 4823.51.00 Bobina 984.370,00 12 373 30250001300007 TELEFONICA BOBINA P/ACARTA WELLCOME 4823.51.00 Bobina 47.575,00 12 373 30250001300008 BOBINA TELESP CELULAR 4823.51.00 Bobina 17.300,00 12 373 30250001300009 BOBINA BRANCA PARA RELATÓRIO 4823.51.00 Bobina 77.850,00 12 373 30250001300010 BOBINA TELEFÔNICA EMPRESA 4823.51.00 Bobina 865,00 12 373 30250004630001 BANESTADO LISTAGEM 4820.90.00 Formulário Contínuo 16.966,68 15 373 30250023260001 UNIPROPI PAPEL CARTA 4820.90.00 Formulário Contínuo 790,00 15 377 30250041660001 DEMONSTRATIVO EMBRATEL RESIDENCIAL 4823.51.00 Bobina 573.918,2 1 12 373 30250041660002 DEMONSTRATIVO EMBRATEL EMPRES'RIAL 4823.51.00 Bobina 181.292,5 9 12 373 30270057460001 INTERGRAF FORMULÁRIO CONTINUO 4820.10.00 Formulário Contínuo 3.660,00 15 382 30280011490002 EXT. LASER 347/240036BCO SUDAMERIS 4820.90.00 Formulário Contínuo 73.228,00 15 393 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 13 12 30280011490003 BCO SUDAMERIS EXT.LS.A4 347/240034 4820.90.00 Formulário Contínuo 72.940,00 15 393 30280011490004 EXT. LASER 347/240041BCO SUDAMERIS 4820.90.00 Formulário Contínuo 2.422,60 15 393 30280018500001 BCO REAL ABN AMROX337C 4820.90.00 Formulário Contínuo 10.936,80 15 394 30280018500002 BCO REAL ABN AMROX326C 4820.90.00 Formulário Contínuo 71.424,00 15 394 30280018500004 BCO REAL ABN AMROX209C 4820.90.00 Formulário Contínuo 3.288,00 15 394 30280041660002 PRE IMPRESSO MEDIAL SAUDE 4820.90.00 Formulário Contínuo 7.722,00 15 363 20 SERV.PERSONAL. CEF 4820.90.00 Formulário Contínuo 36.346,50 15 365 30 SERV. PERSONAL. FARMASA 4820.90.00 Formulário Contínuo 8.100,00 15 365 Foram listados os produtos cuja alteração de classificação fiscal resultaram na alteração do montante pleiteado, sendo incontroversos a classificação dos demais produtos. A recorrente alega que o código NCM 4911.99.00, adotado pela Recorrente, incluído no Capítulo 49 da TIPI, foi o correto para classificar os produtos elencados, uma vez que os códigos adotados pela fiscalização e pela DRJ são mais genéricos do que o utilizado pela Recorrente, sendo, no caso em análise, estes produtos personalizados para um banco específico e que estão prontas para uso pelo banco, com o logo do próprio banco. Conclui que “Os códigos NCM 4823.51.00 e 4820.90.00, utilizados no v. Acórdão recorrido mostramse, portanto, totalmente inadequados para abranger as "bobinas" bem como os "formulários contínuos" elencados às fls. 10/11 da decisão recorrida, cabendo ser considerado o código NCM 4911.99.00 para ambos, na medida em que se tratam de impressos reproduzidos mediante duplicador, obtido por processo comandado por computador, nos exatos termos em que define o Capítulo 49 da TIPI.” A questão cingese então a correta classificação fiscal dos produtos listados acima. Das amostras acostadas aos autos verificase que se tratam de bobinas (fls. 373) e formulários contínuos ( fls. 377, 382, 393, 394, 363 e 365) , que se apresentam basicamente com as logomarcas dos bancos, ou com endereço dos adquirentes, ou com impressões “Para Uso do Correio”ou ilustrações de fundo. De acordo com as Regras Gerais Para Interpretação Do Sistema Harmonizado: 1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes. 2. a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 14 13 características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. a classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na regra 3. 3. quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) nos casos em que as regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. as mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. (...) 6. a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de suposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Regra Geral Complementar (RGC) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 15 14 1. (RGC1) as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) fornecem esclarecimentos e interpretam o Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura, auxiliando no correto enquadramento do produto. O Capítulo 49, sustentado pela Contribuinte trata de “livros, jornais, gravuras e outros produtos das indústrias gráficas; textos manuscritos ou datilografados, planos e plantas”. A posição 49.11 é aplicada aos “Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias” e o código 4911.99.00 é relativo a “Outros”. Nas Notas de Capítulo consta: 2. Na acepção do Capítulo 49, o termo "impresso" significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por computador, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do cap 49 dispõe: Ressalvadas as raras exceções adiante mencionadas, este Capítulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham. Pelo contrário, além dos produtos das posições 48.14 e 48.21, o papel, cartão, pasta (ouate) de celulose e respectivas obras, que apresentem impressões cuja função seja meramente secundária em relação à sua utilização (por exemplo, papéis para embalagem, artigos de papelaria), incluemse no Capítulo 48. Da mesma forma, os artefatos de matérias têxteis, tais como lenços e echarpes que apresentem impressões decorativas ou de fantasia que não lhes afete o caráter essencial, os tecidos próprios para bordar e as talagarças próprias para tapeçarias à agulha, revestidos de desenhos impressos, incluemse na Seção XI. Os artefatos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 também estão excluídos deste Capítulo, mesmo quando revestidos de impressões ou ilustrações que não tenham um caráter acessório relativamente à sua utilização inicial. Quanto à posição 4911, as NESH dispõem o seguinte: Esta posição compreende todos os artigos impressos (incluídas as fotografias tiradas diretamente), do presente Capítulo (ver as Considerações Gerais), que não se encontrem incluídos nas posições precedentes deste mesmo Capítulo. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 16 15 Certos impressos destinados a ser completados com indicações manuscritas ou datilográficas no momento da sua utilização, estão incluídos aqui, desde que apresentem o caráter essencial de artigos impressos (ver a Nota 11 do Capítulo 48). Por conseguinte, os formulários (formulários de aquisição de uma revista, por exemplo), os bilhetes de passagens virgens contendo vários cupons (bilhetes de avião, de trem e ônibus, por exemplo), as cartas circulares, os documentos e carteiras de identidade e outros impressos contendo um texto, uma notícia, etc. sobre os quais as informações devem ser indicadas (data e nome, por exemplo) incluemse na presente posição. Todavia, os certificados de valores mobiliários, os certificados documentários análogos e os talonários de cheques, que devem igualmente ser completados e validados, incluemse na posição 49.07. Pelo contrário, certos artigos de papelaria revestidos de impressões que apresentam um caráter acessório em vista da sua utilização inicial e que são destinados a escrita ou a datilografia classificamse no Capítulo 48 (ver nota 11 do Capítulo 48 e especialmente as Notas Explicativas das posições 48.17 e 48.20). Os formulários contínuos e bobinas, relacionados pela fiscalização, foram por ela classificados em códigos, segundo a TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 1996: 4823.51.00 (BOBINAS): 48.23 Outros papéis, cartões, pasta (ouate) de celulose e mantas de fibras de celulose, cortados em forma própria; outras obras de pasta de papel, papel, cartão, pasta (ouate) de celulose ou de mantas de fibras de celulose. Alíquota % 48.23.1 Papel gomado ou adesivo, em tiras ou em rolos 48.23.11.00 Auto adesivos 15 48.23.19.00 Outros 12 48.23.20.00 Papelfiltro e cartãofiltro 15 48.23.40.00 Papéisdiagrama para aparelhos registradores, em bobinas, em folhas ou em discos 15 48.23.5 Outros papéis e cartões do tipo utilizado para escrita, impressão ou outras finalidades 48.23.51.00 Impressos, estampados ou perfurados 12 Ex 01 Papel de carta em folha solta, com dizeres impressos 0 Ex 02 Papel para imprimir ou escrever 10 Ex 03 Papel de carta em folha solta, exceto com dizeres impressos 15 4820.10.00, 4820.90.00 (FORMULÁRIOS CONTÍNUOS): 48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluindo os formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. Alíquota % 4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 15 Ex 01 Blocos de papéis para cartas, com dizeres impressos 0 4820.20.00 Cadernos 15 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 17 16 Ex o E scolares 0 4820.30.00 Classificadores, capas para encadernação (exceto as capas para livros) e capas de processos 15 4820.40.00 Formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono (papel químico) 15 Ex 01 Formulários contínuos, com dizeres impressos 0 Ex 02 Formulários contínuos, exceto com dizeres impressos 12 4820.50.00 Álbuns para amostras ou para coleções 15 4820.90.00 Outros 15 Nas Notas de Capítulo consta: 11. Com exclusão dos artefatos das posições 4814 e 4821, o papel, o cartão, a pasta (ouate) de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente à sua utilização original, incluemse no Capítulo 49. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do cap 48 dispõe: Papéis e cartões coloridos ou impressos Incluemse neste grupo os papéis revestidos de uma ou mais cores, aplicadas por qualquer processo, incluídos os papéis que comportem riscos, motivos decorativos, desenhos, etc. Entre estes, devem distinguirse, especialmente, os papéis indianos e os papéis marmorizados ou jaspeados à superfície. Estes papéis utilizamse em diversos usos, tais como revestimento de caixas, encadernações, etc. Os papéis podem encontrarse impressos com tinta de qualquer cor, formando linhas dispostas paralelamente ou não, ou então cruzadas. Estes papéis utilizamse, especialmente, para a fabricação de livros de contabilidade, cadernos escolares ou de desenhos, papel ou cadernos de música, papel para esquemas de tecidos ou para diagramas, papel de carta, agendas, etc. Incluemse neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificarlhes o destino inicial nem os faça serem considerados artefatos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 11 deste Capítulo). Quanto à posição 4820, as NESH dispõem o seguinte: Esta posição abrange os diversos artigos de papelaria, com exclusão dos artigos para correspondência da posição 48.17 e dos artigos referidos na Nota 9 do presente Capítulo. Compreende especialmente: 1) Os livros de registro e de contabilidade; os blocos de notas de qualquer natureza; os blocos de encomendas, os blocos de recibos, os blocos de papel de cartas, os blocos de apontamentos, agendas, os índices telefônicos, etc. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 18 17 2) Os cadernos. Os cadernos podem simplesmente conter folhas de papel pautado, mas podem, também, comportar modelos de escrita para serem reproduzidos a mão. Todavia, os cadernos destinados a trabalhos educativos, às vezes chamados cadernos de escrita, com ou sem textos narrativos, que contenham questões ou exercícios baseados nos textos que se reveste de um caráter acessório em razão de sua utilização inicial como caderno de exercícios e que contenham espaços a serem completados manualmente, estão excluídos da presente posição (posição 49.01). Os cadernos de exercícios para crianças compreendendo essencialmente ilustrações acompanhadas de textos de caráter complementar e servindo de exercícios de escrita ou outros estão igualmente excluídos (posição 49.03). 3) Os classificadores (exceto as caixas classificadoras), as capas para encadernação concebidas para agrupar folhas soltas, revistas e artigos semelhantes, tais como as capas para encadernação de pressão, de molas, de hastes ou de argolas, bem como as capas e coberturas de processos ou dossiês. 4) Formulários em blocos tipo manifold: são constituídos por vários jogos de formulários de escritório impressos em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono (papel químico*). Estes impressos são utilizados para obter múltiplas cópias e podem apresentarse em forma contínua ou descontínua. Eles possuem campos impressos a serem preenchidos com informações adicionais. 5) Os blocos que contêm folhas de papelcarbono (papel químico*): são semelhantes aos formulários em bloco tipo manifold mas distinguemse destes por não possuirem texto impresso ou só apresentarem impressas marcas de identificação tais como timbres. São muito utilizados para obter várias cópias e, tal como a maior parte dos formulários em blocos tipo manifold, as folhas que os compõem estão reunidas num canhoto (cepo*) colado e perfurado. 6) Os álbuns para amostras ou para coleções (selos, fotografias, por exemplo). 7) Outros artigos de papelaria, tais como pastas para escrivaninha (secretária), dobráveis ou não. 8) As capas de livros (incluídos os protetores e as sobre capas), mesmo com impressões (títulos, etc.) ou ilustrações. Alguns artigos da presente posição podem, freqüentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na presente posição (e não no Capítulo 49) desde que as impressões e as ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários (destinados essencialmente a serem completados à Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 19 18 mão ou à máquina) e nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). Estas obras podem, além disso, apresentarse encadernadas de couro, tecido ou outras matérias e providas de dispositivos ou reforçadas de metal, plásticos, etc. Conforme as regras precedentes foram reclassificados apenas os produtos, sejam no formato de bobinas ou formulários, que se caracterizavam como papel para impressão, ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. Para os demais produtos descritos, por exemplo, como “TALÃO DE CHEQUE BANDEPE 20 FLS”, “A C BRASIL NOTA FISCAL FATURA”ou “DATACOMPY TIQUETE ALIMENTAÇÃO foi mantida a classificação adotada pelo contribuinte no capitulo 49, pois, conforme considerou a fiscalização e em vista das amostras acostadas aos autos, estes apresentam impressos com dizeres ou ilustrações que não tem um caráter acessório relativamente à sua utilização original, o que em obediência as regras precedentes os incluem no Capítulo 49. Para os produtos descritos como BOBINAS classificase no código 4823.51.00, na exceção 02, com tributação a 10%: Papel para imprimir ou escrever, aplicando se as precedentes Regrais Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1 e 6 e a REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI): REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1. (RGC/TIPI1)As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Para os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS aplicandose as precedentes Regrais Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1 e 6 e a REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC), a classificação em que melhor se enquadra o produto é o código 4820.90.00, cuja tributação também é de 15% (quinze por cento). Assim, com as observações feitas no acórdão recorrido, mantémse a classificação dos formulários contínuos no código 4820.90.00, cuja tributação vigente à época era de 15%, segundo o Decreto n° 2.092, de 11/12/1996 e dos produtos descritos como BOBINAS no código 4823.51.00, mormente se entender no presente voto que se encaixam na sua exceção 02, com tributação a 10%: Papel para imprimir ou escrever. Conforme o demonstrativo utilizado para denegação do pleito do contribuinte no Despacho Decisório, aplicandose as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos acima, restou absorvido totalmente pelos débitos, o saldo credor requerido pelo contribuinte. No entanto, conforme já reconhecido pela decisão recorrida, operouse o instituto da homologação tácita sobre as compensações declaradas pelo contribuinte no ano calendário de 2001 em face do transcurso do prazo de 5(cinco) anos, previsto no §5º do art. 74, Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 20 19 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não se homologando apenas as declarações de compensação transmitidas em 11/11/2004 e 15/12/2004, quais sejam, as DCOMP nºs 39258.90299.111104.1.3.010676 e 25754.29067.151204.1.3.010105. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011212/2005-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/03/2000 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 1103-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado não conhecer do recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/03/2000 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.011212/2005-17
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454273
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1103-001.189
nome_arquivo_s : Decisao_11080011212200517.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 11080011212200517_5454273.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado não conhecer do recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5891316
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705626869760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1.399 1 1.398 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.011212/200517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.189 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 4 de março de 2015 Matéria Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins. Glosa de despesas. Omissão de receitas Recorrente CFL CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2000 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado não conhecer do recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 12 12 /2 00 5- 17 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.011212/200517 Acórdão n.º 1103001.189 S1C1T3 Fl. 1.400 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fatos geradores: 31/3/00 a 31/12/02), com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.7/47). Relativamente a determinados períodos, houve compensação a título de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL apurados em anoscalendário anteriores. A ciência do contribuinte ocorreu em 23/12/05 (fls.7, 25, 29 e 44). No “Relatório de Ação Fiscal” (fls.48/53), discorreu a fiscalização, em resumo: considerando a condição de sócio ostensivo de Sociedade em Conta de Participação, o contribuinte, no anocalendário 2000, indevidamente optou pela tributação com base no lucro presumido, em vez do arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida; do cotejo entre as notas fiscais emitidas em 2000 e os registros contábeis, constatouse que alguns valores não foram contabilizados nos livros Diário e Razão, o que justifica a autuação a título de omissão de receitas; quanto às despesas escrituradas na conta “Cartão de Crédito” em 2001 e 2002, cujos históricos referemse aos Srs. Péricles Pretto Corrêa, Fabiano Bocorny Corrêa e Luciano Bocorny Corrêa, sócios da CFL, o contribuinte não apresentou as respectivas notas/cupons fiscais que pudessem atestar a necessidade das operações e a relação com a atividade empresarial. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.645/653): DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do §4° do art.150 do CTN. Para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE. O julgador administrativo está vinculado à legislação em vigor, da qual não pode se afastar, mormente em virtude de ilações relativas a sua ilegalidade ou inconstitucionalidade, discussão que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em 2000, o sócio ostensivo de sociedade em conta de participação era obrigado ao lucro real. No caso de utilização obrigatória da sistemática do lucro real e Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.011212/200517 Acórdão n.º 1103001.189 S1C1T3 Fl. 1.401 3 não tendo sido utilizada tal sistemática, resta mandatório o arbitramento. GLOSA DE DESPESAS. Para serem dedutíveis, as despesas contabilizadas devem ser caracterizadas (mediante documentação hábil e idônea) como relativas ao sujeito passivo e necessárias à manutenção de sua atividade. PIS/PASEP E COFINS. Tendo sido comprovado recolhimento de PIS/Pasep e de Cofins, aplicase ao caso o art. 150, §4° do CTN. Na oportunidade, reconheceuse a decadência quanto aos créditos tributários de PIS e Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos em 2000. Devidamente cientificado em 14/10/08 (fl.656), o contribuinte protocolizou recurso voluntário em 20/11/08 (fls.657/680), em que alegou, em síntese: decadência quanto aos créditos de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2000, pois realizara recolhimentos naquele ano, conforme demonstram as respectivas DIPJ e DCTF, não tendo a fiscalização apontado conduta dolosa, fraudulenta ou simulada; seria indevido arbitrar o lucro em 2000, pois a qualificação de sócio ostensivo não se sustentaria. Mesmo se confirmada, “...ainda assim o arbitramento pretendido pelo Fisco não poderia prosperar, pois a legislação que impõe a tributação pelo Lucro Real a um determinado grupo de empresas (art.246, do RIR/99, fundamentado no art.14 da Lei nº 9.718/98) não faz qualquer referência à empresa que atuasse, em 2000, como sócio ostensivo de SCP.”; seriam equivocadas as glosas de despesas, pois as faturas dos cartões de crédito bastariam para comproválas, tendo o contribuinte assumido os referidos gastos. A fiscalização deixara de questionar se seriam “...necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora”, além de não ter realizado uma análise individual das despesas. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Para que as alegações de defesa possam ser conhecidas, importa inicialmente verificar se o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. Ao contribuinte a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil encaminhou a Intimação nº 907/2008 (fl5.654/655) acompanhada de cópia do acórdão recorrido. A ciência concretizouse em 14/10/08 (terçafeira), conforme Aviso de Recebimento acostado à fl.656. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, que regula o processo administrativo tributário federal: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.011212/200517 Acórdão n.º 1103001.189 S1C1T3 Fl. 1.402 4 “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ..... Art. 23. Farseá a intimação: ..... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... § 2° Considerase feita a intimação: ..... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” (destaquei) Assim, conforme art.5º do Decreto nº 70.235/72, a contagem do prazo recursal, com a exclusão do dia da intimação, iniciouse em 15/10/08 (quartafeira). O vencimento, por sua vez, ocorreu em 13/11/08 (quintafeira). Por sua vez, o recurso voluntário, assinado em 18/11/08, foi protocolizado apenas em 20/11/08 (fl.657), sendo, portanto, intempestivo. Acrescentese que o Recorrente não formulou preliminar quanto ao prazo de interposição. Pelo exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723995/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
ISENÇÃO DO ART. 15 da LEI 9.532/97.
Gozando a recorrente da isenção do art. 15 da Lei 9.532/97, fica sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35
Numero da decisão: 1302-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo, Waldir Rocha e Márcio Frizzo.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 ISENÇÃO DO ART. 15 da LEI 9.532/97. Gozando a recorrente da isenção do art. 15 da Lei 9.532/97, fica sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10980.723995/2012-90
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5439367
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.676
nome_arquivo_s : Decisao_10980723995201290.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Alberto Pinto Souza Junior
nome_arquivo_pdf_s : 10980723995201290_5439367.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo, Waldir Rocha e Márcio Frizzo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5850042
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705631064064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 378 1 377 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723995/201290 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302001.676 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de março de 2015 Matéria Cofins e PIS Recorrente Paraná Clube Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 ISENÇÃO DO ART. 15 da LEI 9.532/97. Gozando a recorrente da isenção do art. 15 da Lei 9.532/97, fica sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo, Waldir Rocha e Márcio Frizzo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício, interposto em face do Acórdão nº 0640.690 da 3ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 95 /2 01 2- 90 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CLUBES RECREATIVOS. ISENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO. EFEITOS. É descabido o lançamento de PIS e Cofins com base na não cumulatividade em face das receitas relativas às atividades próprias dos clubes recreativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídos e que sejam considerados isentos do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Vale a transcrição do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: “Diante da determinação constitucional (art. 217, III) de tratamento diferenciado entre desporto profissional e nãoprofissional, o art. 18, IV, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, revogou a isenção do imposto de renda para as entidades que se dediquem à prática desportiva de caráter profissional. (…) Entretanto, tendo em vista a exigida literalidade na interpretação da legislação que trata sobre outorga de isenção (art. 111, II, do Código Tributário Nacional – CTN), devese atentar que os clubes de futebol profissional não se enquadram entre as entidades listadas no artigo transcrito. De plano, descartase o enquadramento como instituição de caráter filantrópico ou científico, sendo desnecessário tecer maiores comentários. O caráter cultural também não está presente em associações futebolísticas, pois o conceito de cultura está ligado a artes, crenças, costumes e hábitos de uma sociedade. Prova disso é a ligação dos clubes de futebol com a legislação do Ministério do Esporte, e não com a do Ministério da Cultura. O sujeito passivo não está voltado exclusivamente a projetos culturais, mas sim a atividades esportivas. A condição de instituição de caráter recreativo também não se aplica integralmente, pois, em função da interpretação restrita do CTN, não há como aceitar tal enquadramento através da interpretação extensiva ou de integração analógica. A isenção do IRPJ para instituições recreativas tem por finalidade estimular atividades de lazer, recreação e prática de esporte amador. Entidades desportivas dedicadas ao futebol profissional não são estritamente recreativas. Importante ressaltar que estão sendo tributadas apenas as receitas ligadas ao futebol profissional, permanecendo isentas as receitas ligadas inequivocamente às atividades recreativas e sociais do sujeito passivo. Poderseia argumentar que o sujeito passivo enquadrase nas “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.723995/201290 Acórdão n.º 1302001.676 S1C3T2 Fl. 379 3 sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, mas ficaria difícil sustentar tal argumentação, uma vez que o sujeito passivo não presta nenhum tipo de serviço. É importante perceber que a isenção do IRPJ é para as receitas das atividades listadas no art. 15, em interpretação literal. O sujeito passivo obtém receitas da exploração do futebol profissional (publicidade, marketing, bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc.), com o principal objetivo de vencer campeonatos de futebol. Não há filantropia, cultura, recreação e pesquisa científica com o fruto dessas receitas obtidas. Quase a totalidade das receitas destinase ao pagamento dos atletas, funcionários e manutenção da estrutura necessária para a participação em competições profissionais. Não se vislumbra nenhuma fundamentação legal nem razão para isenção tributária no caso. (…) A citada Medida Provisória acabou rejeitada pelo Plenário da Câmara dos Deputados, vindo em seguida a Medida Provisória nº 79, publicada no DOU de 28/11/2002 e convertida na Lei nº 10.672, de 15 de maio de 2003. Considerando então o texto alterado por esta última, a Lei Pelé passou a separar as entidades desportivas profissionais, segundo sua forma de constituição, em sociedades empresárias (arts. 1039 a 1092 do Código Civil) e sociedades em comum (arts. 986 a 990 do Código Civil): (…) Caso fosse outro entendimento, não haveria a necessidade do art. 13 da Lei nº 11.345, de 14 de setembro de 2006, criada especificamente para as entidades desportivas da modalidade futebol: Art. 13. Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e os arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Como as atividades profissionais do sujeito passivo continuam sendo administradas pelo Presidente de seu Conselho Diretor, conforme arts. 89 e 90 de seu Estatuto, também não possui direito à isenção temporária, com base no art. 15 da Lei nº 9.532, outorgada pelo dispositivo transcrito. Recentemente, a Lei nº 12.395, de 16 de março de 2011, revisou profundamente a Lei Pelé. Contudo, mantémse a redação do art. 2º, parágrafo único, não havendo alteração no entendimento sobre a tributação dos clubes de futebol profissional. Vale a pena citar a nova redação do art. 27, § 13: Art. 27. As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem, Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 independentemente da forma jurídica adotada, sujeitam os bens particulares de seus dirigentes ao disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, além das sanções e responsabilidades previstas no caput do art. 1.017 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, na hipótese de aplicarem créditos ou bens sociais da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros. (...) § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias. Mesmo ciente de que não é considerado entidade isenta de IRPJ e CSLL, o sujeito passivo insiste nesse enquadramento equivocado, recusando qualquer opção pela tributação.” O voto condutor da decisão recorrida está assim exarado: Do julgamento relativo ao lançamento de IRPJ e seus efeitos Ao analisar o lançamento de IRPJ efetuado em face do presente clube de futebol – objeto do processo administrativo nº 10980.723994/201245 – a 1ª Turma desta DRJ em Curitiba, exarou, em sessão realizada em 23/08/2012, acórdão unânime (nº 0637.819) acolhendo os argumentos e cancelando integralmente a exigência pertinente. Aludido acórdão assim foi ementado: EXPLORAÇÃO DE PRÁTICA DESPORTIVA, DE CARÁTER PROFISSIONAL, POR CLUBES RECREATIVOS E ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS QUE PRESTEM OS SERVIÇOS PARA OS QUAIS FORAM CONSTITUÍDAS E OS COLOQUEM À DISPOSIÇÃO DO GRUPO DE PESSOAS A QUE SE DESTINAM. ISENÇÃO. O artigo 18 da Lei nº 9.532, de 1997, revogou a isenção das entidades em geral que exploram a prática desportiva, de caráter profissional. Contudo, seu parágrafo único assegurou a fruição do benefício para as entidades constituídas como clubes recreativos, e também como associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Pois bem, uma vez considerado, pela Turma regimentalmente competente para tanto, que aludido clube, dada sua condição de clube recreativo, nos termos do contido no art. 18 da Lei nº 9.532, de 1997, tem assegurada sua isenção em face do IRPJ e CSLL, vêse que, em relação aos presentes lançamentos, emerge questão prejudicial (esclareçase que apesar de o julgamento de IRPJ referirse aos fatos geradores havidos em 31/03/2007, 30/09/2007 e 30/06/2008, e os Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.723995/201290 Acórdão n.º 1302001.676 S1C3T2 Fl. 380 5 presentes lançamentos referiremse aos períodos de apuração 01/2007 a 12/2010, razão alguma há para se adotar entendimento diverso do contido no referido acórdão para os períodos de 2009 e 2010). Com efeito, analisandose a legislação de regência (Lei nº 10.833, de 2003 e Lei nº 10.637, de 2002, bem como o regulamento do PIS/Pasep instituído pelo Decreto nº 4.524, de 2002), vêse que, configurada a condição de entidade isenta de imposto de renda, o PIS a ser exigido deve ter como base a folha de salários. Já a Cofins (não cumulativa), vêse que somente pode ser exigida em relação às receitas que não derivam das atividades próprias da contribuinte (quanto às demais, restam isentas, desde que atendidos todos os requisitos da legislação). No presente caso, portanto, em que não houve qualquer detalhamento fiscal nesse sentido, constatase que não há espaço para a exigência de PIS ou de Cofins com base unicamente na regra de incidência não cumulativa. Em assim sendo, uma vez que os lançamentos foram efetuados em descompasso com a condição da contribuinte, já considerada no julgamento mencionado, e acatada no presente voto, não se vislumbra outro caminho senão o de propor o cancelamento integral da presente exigência, ressalvandose contudo, o direito do fisco de, respeitados os prazos legais, e se for o caso, efetuar novo lançamento. Quanto às razões de impugnação, tendo em vista o direcionamento dado no presente voto, ou seja, de cancelamento integral da exigência, sentido algum há em analisálas. Conclusão Posto isso, voto para que os lançamentos sejam julgados improcedentes É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A decisão recorrida exonerou a recorrente de crédito tributário superior ao limite de alçada, razão pela qual conheço do recurso de ofício. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Inicialmente, afasto a prejudicialidade sustentada pela decisão recorrida, pois sustento que embora devessem estes autos terem sido juntandos ao PAF nº 10980.723994/201245, para julgamento em conjunto, nada obsta que, em sendo julgado em separado, um Colegiado entenda que, à recorrente, se aplica o art. 15 da Lei 9.532/97 e outro sustente em sentido oposto, hipótese, para a qual a Lei, já previu o remédio processual – recurso de divergência. Vale registrar que com relação ao recurso de ofício em face da decisão que cancelou os lançamentos do IRPJ e da CSLL, objeto do PAF nº 10980.723994/201245, a 2ªTO/4ªCâmara/1ªSejul negou provimento ao recurso, vencido apenas o Conselheiro Leonardo Couto, estando, hoje, pendente de julgamento os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Há que se reconhecer que o TVF é bem articulado e fundamentado, porém verifico alguns pontos de fragilidade na tese ali sustentada, se não vejamos o que se segue. O § 13 do art. 27 da Lei 9.615 apenas equipara as atividades profissionais de entidades desportivas de que trata o caput do artigo às atividades das sociedades empresarias e, mesmo assim, unicamente para os fins de fiscalização e controle previstos nessa Lei. Ora, primeiro, tal dispositivo não torna a recorrente uma sociedade empresária, segundo, ainda que assim fosse, seria unicamente para os fins de fiscalização e controle da Lei Pelé. Segundo ponto, a interpretação dada pelo autuante ao art. 13 da Lei nº 11.345/06 não é a melhor exegese. Ora, não se pode deduzir que, por não se aplicar à recorrente o art. 13 em tela, não se aplicaria o art. 15 da Lei 9.532/97. Em verdade, o art. 13 em tela apenas garantiu uma isenção temporária para as entidades que se constituíssem sobre a forma de sociedades empresárias. Terceiro ponto, é indiscutível que a recorrente é uma associação, logo, à luz do Código Civil Brasileiro, uma pessoa jurídica sem fins lucrativos. Todavia, o autuante não a enquadra no art. 15 c/c o parágrafo único do art.18 da Lei 9.532/97, por entender que ela não presta serviço. Ora, parte, então, o autuante de um conceito de serviço que não encontra qualquer respaldo no ordenamento jurídico, aliás, ele não define o conceito de serviço. Ora, a Lei Complementar nº 116/03 inclui, na sua lista de serviços, para fins de incidência do ISS, o item 12.11 – Competições esportivas ou de destreza física ou intelectual, com ou sem a participação do espectador. Além disso, não só as competições, mas até treinamentos que são abertos aos associados (vulgarmente chamados de “sócios” do Clube) são serviços que são colocados a disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Por essas breves razões, entendo que a recorrente estava sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35. Por sua vez, perfeita a observação da decisão recorrida quando sustenta: “Já a Cofins (não cumulativa), vêse que somente pode ser exigida em relação às receitas que não derivam das atividades próprias da contribuinte (quanto às demais, restam isentas, desde que atendidos todos os requisitos da legislação). No presente caso, portanto, em que não houve qualquer detalhamento fiscal nesse sentido, constatase que não há espaço para a exigência de PIS ou de Cofins com base unicamente na regra de incidência não cumulativa”. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.723995/201290 Acórdão n.º 1302001.676 S1C3T2 Fl. 381 7 Em face do exposto, voto por negar proviemento ao recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730521/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
Numero da decisão: 1301-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor Valmir Sandri.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
(assinado digitalmente)
Valmir Sandri Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.730521/2010-45
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445953
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.595
nome_arquivo_s : Decisao_10580730521201045.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 10580730521201045_5445953.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5874313
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705634209792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.730521/201045 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.595 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria IRPJ/ESTIMATIVAS/MULTA ISOLADA Recorrente BOA VIAGEM TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 05 21 /2 01 0- 45 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase do auto de infração de fls. 3/6, datado de 06/10/2010, relativo a Multa Exigida Isoladamente por Falta de Recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) incidente sobre base de cálculo estimada, referente aos meses janeiro a maio de 2007, no valor de R$149.631,60. O Auditor Fiscal informa que os valores devidos foram confrontados com os valores efetivamente declarados em DCTF e recolhidos pelo contribuinte. Cientificado em 19/10/2010, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 51/54) em 17/11/2010, alegando, em síntese, que: o auto de infração é inservível, pois contém erros insanáveis, pois não considerou que o impugnante fez compensação com valores advindos de anos anteriores; a nulidade do presente auto de infração decorre do fato de que um outro auto de infração lavrado pela mesma autoridade fiscal efetuou a cobrança das estimativas não pagas que totalizou R$ 299.263,18 e sobre elas aplicou multa de ofício de 75%, e agora, no presente auto de infração torna a levantar os mesmos valores, só que em parcelas mensais e volta a aplicar multa de ofício; o duplo lançamento é ilegal e macula a ambos, assim, a anulação de um não resolve o outro, pois o Estado não pode ensaiar qual dos autos de infração vai dar certo, sendo ambos os autos de infração nulos; os valores das estimativas consignadas como não recolhidas foram, em verdade, objeto de compensação, conforme atestam os assentamentos e registros na contabilidade, com créditos que decorrem de saldo negativo ou de recolhimento a maior nas DIPJ de anos anteriores ao de 2007. Ao final, pede o impugnante que o presente auto de infração seja cancelado em razão de não haver previsão legal de cobrança de estimativas em auto de infração em duplicidade e a diferença apontada no lançamento de ofício inexiste. A DRJ/SALVADOR (BA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 15 030.272, de 30/03/2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Comprovado que houve falta de recolhimento do IRPJ devido, incidente sobre base de cálculo estimada, efetuase o lançamento de multa isolada, prevista na legislação que rege a matéria. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A autoridade julgadora a quo fundamentou, assim, a decisão recorrida: Notese que o art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, determina que somente são nulos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dessa forma, verificase que dentre as hipóteses de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, o referido dispositivo legal, limitou à hipótese de nulidade aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente, o que não se aplica à presente situação, eis que a legislação em vigor conferiu ao Auditor Fiscal da Receita Federal competência exclusiva para a realização do lançamento, o que foi aqui efetivado com a lavratura do auto de infração. Encontrase claramente descrita a infração cometida pelo contribuinte, a Falta de Recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) incidente sobre base de cálculo estimada, referente aos meses janeiro a maio de 2007. Notese também, que conforme preceitua o art. 15 do PAF (Decreto nº 70.235, de 1972) foi dado ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias, da data da ciência das exigências tributárias, para apresentar a sua impugnação, não tendo havido em qualquer momento cerceamento do seu direito de defesa. Portanto, no presente caso não há qualquer vício que eive de nulidade o auto de infração. Verificase também que não ocorreu duplicidade de lançamento. O outro auto de infração ao qual o contribuinte se reporta (cópia às fls. 64/70), o qual é objeto do processo nº 10580.730522/201090, cujo acórdão foi exarado por esta Delegacia de Julgamento (cópia de fls. 82/86), não se refere a cobrança de estimativas, mas sim lançamento do IRPJ devido, apurado na declaração de ajuste (código de receita 2917), e não pago, referente ao ano calendário de 2007. Pesquisa efetuada no sistema SINAL05 da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (fls. 71/79), que registra os pagamentos efetuados pelo contribuinte, não encontrou qualquer recolhimento referente ao IRPJ apurado na declaração de ajuste, DIPJ 2008, nem os pagamentos do IRPJ por estimativa referentes aos meses de janeiro a maio de 2007. Foram encontrados apenas os pagamentos do IRPJ por Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 estimativa dos meses de junho a dezembro de 2007, cujos valores já se encontravam declarados nas DCTF do período. Notese também, que a alegação do contribuinte de que efetuou compensação das estimativas do ano calendário de 2007 não se sustenta. Embora conste da DIPJ 2008 valores devidos de IRPJ por estimativa para os meses de janeiro a maio, estes valores não foram declarados nas DCTF apresentadas. Pesquisa realizada no sistema SIEF da RFB também não encontrou nenhum pedido de compensação, PER/DCOMP, apresentado desde janeiro de 2007 até a data da autuação (fls. 80/81), referente aos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de janeiro a maio. Desta forma, agiu corretamente a autoridade fiscal ao efetuar o lançamento da Multa Isolada, prevista na legislação que rege a matéria (arts. 222 e 843 do RIR, combinado com art. 44,§ 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), para o caso de não recolhimento do IRPJ incidente sobre base de cálculo estimada. No recurso apresentado a contribuinte, em síntese, repete as argumentações trazidas na impugnação: primeiro a nulidade do auto e segundo quanto ao mérito alega: “o fisco aplicou multa sobre a mesma base de cálculo, as estimativas não recolhidas, duas multas. No presente auto a multa incidiu sobre a estimativa em cada mês considerado e no outro (processo administrativo 10580.730522/201090) sobre o somatório e considerado como estimativa de fato gerador em dezembro de 2007”. Aduz, ainda, “que a diferença apontada no auto de infração inexiste, uma vez que a Recorrente usou o instituto da compensação”. Pois bem. Na ausência da compensação alegada as argumentações da recorrente não se sustentam, vejamos: A legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do ano calendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, aplicase o disposto na Lei nº 9.430/96, art. 44, § 1º, com a modificação dada pela Lei 11.488, de 2007 (inciso II, 50%), in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 14 7 Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano calendário. Ausente tal demonstração, ou apurando a Fiscalização que estes balancetes revelam resultado inferior ao devido, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deve a contribuinte apurar e recolher os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceria devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, mesmo verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano calendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, (com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007) a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Inadmissível, assim, a interpretação de que as multas isoladas (50%) e a multa de ofício (75%) pela falta de recolhimento do devido no ajuste do final do exercício é caso de duplicidade de lançamento. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Por todo o exposto voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 15 9 Voto Vencedor Valmir Sandri, Redator Designado. Com a devida vênia ao bem fundamentado voto proferido pelo Ilustre Relator, ouso dele discordar quanto ao entendimento por ele esposado para manter a Multa de Ofício aplicada Isoladamente, eis que, entendo, após o encerramento do anocalendário, inexiste base de cálculo para a incidência da referida multa, bem como, a impossibilidade da coexistência de duas penalidades sobre um mesmo tributo que deixou de ser recolhido. Explico o porque: Os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o ano calendário em curso, pelo fato de que, com a apuração do tributo efetivamente devido ao final do anocalendário (31.12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Portanto, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Assim, a despeito da contribuinte não ter antecipado ou ter antecipado a menor o suposto tributo que poderia ser devido ao final do anocalendário, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o término do ano calendário, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto efetivamente devido, porquanto, impossível no meu entendimento, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação. Não fossem os argumentos acima, que no meu entendimento são suficientes para afastar a presente exigência, é de se verificar que se exige também nos presentes autos, em concomitância, a multa de ofício, não devendo também por esse motivo prosperar a exigência ora guerreada. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Isto porque, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico tributo, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. De se registrar que está matéria já se encontra pacificada na Câmara Superior, conforme se constata dos julgados a seguir transcritos por suas ementas: Acórdão 91010.375, de 01/10/2009: IRPJ. MULTA ISOLADA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento do tributo apurado no balanço Acórdão 910100.430, de 03/11/2009, de idêntico teor aos Acórdãos nºs, 910100.500 de 25/01/2010; 910100.501 de 25/01/2010; 910100.502 de 25/01/2010; 9101 01.193, de 17/10/2011; 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 9101 01.455 de 15 de agosto de 2012: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. 9101 000.844, de 22/02/2011 (de idêntico teor: Acórdãos 910101.237, de 21/11/2011; 910101.246, de 22/11/ 2011). FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Portanto, ante a jurisprudência acima citada, e por me filiar ao entendimento por ela firmado, DOU provimento ao recurso do contribuinte para excluir tal penalidade. É como voto. (assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 16 11 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.721845/2013-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo.
A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
Numero da decisão: 3403-003.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11070.721845/2013-58
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436559
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.549
nome_arquivo_s : Decisao_11070721845201358.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11070721845201358_5436559.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5844335
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705639452672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 852 1 851 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.721845/201358 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.549 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria AIPISCOFINS Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS FUCHS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 18 45 /2 01 3- 58 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 19/08/2013 (fls. 415 a 474 e 475 a 5341) contra a recorrente, para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP (de 31/08/2008 a 31/12/2011) e da COFINS (no mesmo período), na sistemática da não cumulatividade, acrescidas de juros de mora e multa de ofício (em alguns casos qualificada), 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 853 3 nos valores consolidados de R$ 618.175,53 (Contribuição para o PIS/PASEP) e de R$ 3.641.648,98 (COFINS). As infrações descritas na autuação são insuficiência de recolhimento (30/11/2008 e 31/12/2008) e descontos indevidos de crédito (31/08/2008 a 31/12/2011), e são detalhadas em Termo de Constatação Fiscal (TCF). No TCF (fls. 403 a 413), narrase que: (a) em procedimentos fiscal, verificou se que a empresa utilizouse indevida e sistematicamente de créditos intitulados “outras deduções”, informados em DACON, nas fichas 15B, linhas 26 e 28, e 25B, linha 28; (b) ao atender intimações para prestar esclarecimentos, a empresa informa que o saldo credor das contribuições se encontrava “zerado” em 30/06/2008, justificando as “outras deduções” como “créditos extemporâneos compensados e sujeitos à (sic) posterior homologação do fisco, referente aos valores do ICMS que estavam embutidos nas bases de cálculo das exações PIS e COFINS pagas em exercícios anteriores, e compensados em todo o período requerido e apropriados e compensados também créditos decorrentes de majoração da alíquota da COFINS, de 2% para 3%, matéria discutida no âmbito judicial pelos contribuintes brasileiros”, com apoio no art. 66 da Lei no 8.383/1991 e legislação superveniente (visto que optou por não demandar judicialmente, nem apresentar declarações de compensação, “por não se constituírem créditos tributários”, nem hipóteses de ressarcimento ou restituição), e que a opção por este modelo de compensação “não teve o condão de extinguir o crédito tributário”, e “deuse pela necessidade de a empresa estruturarse financeiramente para enfrentar dificuldades”; (c) a compensação em decorrência da majoração de alíquota (de 2% para 3%) é descabida por inexistência de crédito, visto não ter sido o art. 8o da Lei no 9.718/1998 declarado inconstitucional; (d) no que se refere à exclusão do ICMS sobre as vendas, também não encontra amparo na legislação vigente, sendo inexistente o crédito; (e) com o advento da Lei no 9.430/1996, art. 74, a compensação passou a demandar a entrega de declaração específica; (f) “diante da falta de critérios na operacionalização das compensações pela fiscalizada, nos (sic) permite afirmar que a contribuinte fez uma aposta na não análise dessas compensações e, por consequência, veria a homologação tácita das irregularidades por decurso de prazo”, evitando a cobrança e o posterior envio dos débitos para inscrição em Dívida Ativa, amoldandose a situação, em tese, à conduta tipificada como fraude no art. 72 da Lei no 4.502/1964; (g) não foi apresentado memorial de cálculo das contribuições para comprovar a origem dos efetivos créditos e sua relação com as alegações da empresa, e, analisandose a escrituração da empresa, percebese que as contas que controlaram/escrituraram os referidos créditos não possuem qualquer relação com a apuração com a apuração de créditos de tributos por pagamento a maior ou indevido, nem com compensação de tributos; (h) verificouse ainda que a empresa busca créditos em itens de despesas que não possuem respaldo legal, detalhados na “planilha de glosas de créditos por falta de previsão legal” (fls. 333/334); e (i) as multas forma aplicadas nos patamares de 75 % (em relação a créditos sem respaldo legal) e 150% (nas hipóteses de créditos fictícios, utilizados indevidamente para diminuir o montante das contribuições devidas, no evidente intuito de fraude), tendo sido ainda efetuada a representação fiscal para fins penais. Cientificada das autuações em 28/08/2013 (fls. 415 e 475), a empresa apresenta impugnação (em relação a ambas as contribuições) em 26/09/2013 (fls. 550 a 595), alegando que: (a) a autuação é nula porque em momento algum indica quais créditos entende por ilegítimos, relacionando sua natureza/identificação, não tendo sido possível localizar as planilhas de fls. 333/334 e outros documentos nos autos, o que resulta em trabalho fiscal às avessas, ferindo o art. 142 do CTN, no qual se apura a procedência de determinados créditos, glosandose os demais; (b) há ainda nulidade no fato de a autoridade administrativa, ferindo princípios constitucionais (contraditório, ampla defesa e publicidade), cientificar o sujeito Fl. 854DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 passivo da autuação, informando que se assim esse desejasse, poderia tomar ciência dos processos na repartição, em face do disposto no art. 9o do Decreto no 70.235/1972 (e arts. 25 e 39 do Decreto no 7.574/2011); (c) é ilegal e inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, havendo razões sólidas para o procedimento adotado pela empresa; (d) é apto a gerar créditos das contribuições, na qualidade de “insumo”, todo e qualquer custo necessário para a formação de receita (faturamento) e que tenha sido objeto de tributação pelas contribuições (ou todos os dispêndios necessários ao seu processo produtivo, como vem decidindo o CARF), sendo ilegais as restrições efetuadas ao conceito de insumos pelas IN SRF no 247/2002 e no 404/2004, inspiradas na legislação do IPI; (e) assim, constituem insumos aptos a gerar créditos as despesas com “água e esgoto, seguros, despesas com viagens, custos com pesquisas, comunicação, gastos com marcas e patentes, despesas exposições, publicações legais, livros, propaganda e publicidade, assistência social, alimentação empregados, custos vários suprimentos etc., impostos e taxas, despesas com causas judiciais, representação social etc.”; (f) a água é necessária para banhos em partes e peças do maquinário, e como forma de reter os resíduos vaporosos da tinta, servindo como filtro para purificação do ar; (g) as despesas para financiar feiras e exposições são inerentes à atividade da impugnante, assim como outras relacionadas na planilha de glosas (seguros, viagens ...); (h) o auto de infração não logrou demonstrar qualquer indício de fraude ou sonegação cometida pela empresa, tendo ocorrido no máximo mero inadimplemento do tributo, sendo indevida a qualificação da multa, invocando ainda a Súmula CARF no 14 e precedente administrativo (Acórdão no 3403002.256), e devendo ser sobrestada a representação fiscal para fins penais; (i) as multas aplicadas são confiscatórias e ferem a capacidade contributiva; e (j) é ilegal e inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC. Em 21/03/2014 (fls. 760 a 793), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela procedência parcial da autuação, afastando a qualificação da multa, no caso de créditos intitulados “outras deduções”, reduzindoa ao patamar de 75% (havendo declaração de voto em sentido contrário). Decidese ainda que: (a) não houve impugnação em relação à falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008, restando definitiva nesse ponto a exigência; (b) não houve nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/1972; (c) a defesa em relação aos créditos intitulados “outras deduções” é restrita à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições (que encontra expressa previsão legal), silenciando sobre a majoração de alíquota de COFINS inicialmente alegada pela empresa; (d) ainda que existisse legitimidade aos créditos intitulados “outras deduções”, o caminho adotado pela empresa não observou as disposições legais sobre a matéria (art. 74 da Lei no 9.430/1996); (e) o termo “insumo” se refere a bens e serviços que sejam, em razão de ação direta sobre o produto em elaboração, consumidos, desgastados, ou percam propriedades físicas ou químicas; (f) a forma incorreta de compensação não pode ser a motivação preponderante para a qualificação da multa de ofício, pois a empresa correu o risco de sofrer a glosa de tais deduções; (g) não cabe ao julgador administrativo a análise de constitucionalidade de lei tributária; e (h) a Taxa SELIC é aplicável ao caso. Não menciona o julgador de piso a existência de recurso de ofício em relação à quantia exonerada. Cientificada da decisão em 16/04/2014 (AR à fl. 802), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/05/2014 (fls. 804 a 849), reiterando a argumentação no sentido de que o lançamento padece de nulidade (pelo não detalhamento das glosas em espécie), de que o ICMS não faz parte da base de cálculo das contribuições, de que o conceito de insumos é mais amplo que adotado pela fiscalização, abarcando os itens glosados, e de que a aplicação da Taxa SELIC é incabível. Acrescenta ainda que é nula (por afronta ao art. 151, III do CTN) a decisão de piso ao considerar não impugnada e determinar a cobrança imediata da a parcela referente à falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008, e restringe a argumentação sobre confisco à multa de 75% (tendo em vista o afastamento da multa de 150% pelo julgador de piso). Fl. 855DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 854 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. De início, cabe destacar dúvida que brotou da análise dos montantes afastados pela DRJ, com a redução da multa (de 150% para 75%). Verificando o demonstrativo consolidado do crédito tributário constante no processo (fl. 414), percebese que o montante exigido a título de multas (seja de 75% ou de 150%) totaliza originariamente R$ 2.203.858,04. Ao restringir a análise à multa de 150%, por período, obtémse: Período COFINS Contribuição para o PIS/PASEP nov/09 R$ 109.660,26 R$ 23.807,81 dez/09 R$ 35.420,75 R$ 7.690,04 jan/10 R$ 67.308,79 R$ 5.944,45 fev/10 R$ 18,76 R$ 162,58 mar/10 R$ 15.809,04 R$ 3.433,47 abr/10 R$ 43.020,08 R$ 9.339,88 mai/10 R$ 14.553,75 R$ 3.159,41 jun/10 R$ 27.814,66 R$ 6.038,70 jul/10 R$ 26.615,28 R$ 5.778,30 ago/10 R$ 16.160,91 R$ 3.508,59 set/10 R$ 106.176,54 R$ 3.523,83 out/10 R$ 111.000,00 R$ 24.096,46 nov/10 R$ 98.761,29 R$ 21.439,71 dez/10 R$ 69.350,50 R$ 15.054,66 jan/11 R$ 1.820,46 R$ 395,23 abr/11 R$ 1.823,75 R$ 395,95 mai/11 R$ 64.938,84 R$ 14.748,30 jun/11 R$ 16.651,64 R$ 3.615,16 Período (continuação) COFINS Contribuição para o PIS/PASEP jul/11 R$ 26.795,24 R$ 5.817,40 ago/11 R$ 2.511,72 R$ 774,35 set/11 R$ 30.284,20 R$ 6.574,51 out/11 R$ 80.412,93 R$ 17.457,65 nov/11 R$ 81.816,32 R$ 17.762,24 dez/11 R$ 37.491,31 R$ 8.138,97 TOTAL R$ 1.086.217,02 R$ 208.657,65 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Multa de 75% R$ 814.662,77 R$ 156.493,24 TOTAL GERAL R$ 971.156,00 Assim, chegase a um valor afastado pela DRJ de R$ 971.156,00, em tese inferior ao limite para interposição de recurso de ofício constante do art. 1o da Portaria MF no 3/2008 (isso se considerados os valores originais de multa, sem acréscimo de juros de mora, na linha que vem sendo adotada em alguns julgados deste CARF). Crêse, assim, que andou nesse sentido o presidente de turma da DRJ, ao não recorrer de ofício da decisão da turma. Não consta nenhum demonstrativo de valor exonerado na decisão de piso, nem atualização de valores das multas no processo. A intimação ao contribuinte sobre a decisão da DRJ (fls. 795 a 801) inclui ao final a seguinte nota: “Os valores acima correspondem a valores originais. O pagamento deverá ser efetuado com os acréscimos legais cabíveis”. Assumese, assim, que não houve a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 1o da Portaria MF no 3/2008, seguindose aqui tão somente na análise do recurso voluntário interposto pela empresa. Das preliminares de nulidade Insurgese a empresa em relação à ausência de identificação individualizada da natureza das glosas em relação a bens não considerados como insumos. Alega que não lhe foi dada ciência da “planilha de glosas de créditos por falta de previsão legal” (fls. 333/334), sendo apenas informado que o processo estava à sua disposição na unidade da RFB. Pelos documentos de fls. 415 e 475, percebese que responsável pela empresa declara expressamente estar ciente do “Auto de Infração e seus anexos”, dos quais recebeu cópia (em 28/08/2013). E a planilha de fls. 333/334, ao que consta, é um anexo da autuação. Sem embargo, ainda que não tivesse recebido a planilha, há documento nos autos de que atesta que a empresa solicitou cópia digital do processo em 05/09/2013 (fl. 542), não havendo registro de retardo no atendimento do pleito. Não há, assim, desconformidade do procedimento adotado pela fiscalização em relação ao previsto no art. 9o do Decreto no 70.235/1972, ou nos arts. 25 e 39 do Decreto no 7.574/2011. As glosas efetuadas pelo fisco em relação a créditos de bens/despesas pleiteados na qualidade de insumos, por falta de previsão legal, estão detalhados na referida planilha de fls. 333/334, tendo informado o fisco na autuação que reconheceu os créditos em relação a combustíveis, lubrificantes, consertos e reparos, despesas de veículos. Segundo a recorrente, isso caracteriza trabalho fiscal às avessas, ferindo o art. 142 do CTN, no qual se apura a procedência de determinados créditos, glosandose os demais. Não compartilhamos do entendimento da recorrente, tendo em vista que restam, conta a conta, detalhadas as glosas na planilha de fls. 333/334, anexa à autuação. As planilhas serão aqui integralmente reproduzidas no tópico referente à análise dos itens glosados, atestando não só o detalhamento, como a compreensão das glosas pela recorrente. Ademais, as glosas derivam da própria escrita fiscal da recorrente, que deve reunir a documentação de amparo necessária a seus controles. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 855 7 Ausentes, assim, quaisquer das nulidades alegadas em relação à autuação. No recurso voluntário a empresa acrescenta que é também nula a decisão de piso, por afronta ao art. 151, III do CTN, ao considerar não impugnada e determinar a cobrança imediata da a parcela referente à falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008. Transcrevase o excerto questionado do julgamento de piso (fl. 775): “Da delimitação do contencioso administrativo Inicialmente, deve ser destacado que a impugnante não apresentou qualquer questionamento em relação a infração decorrente da falta de pagamento e de declaração em DCTF dos valores a pagar de PIS e Cofins apurados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativos aos meses de novembro e dezembro de 2008, doc. de fls. 335/390. Nesse sentido, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/72 (PAF), a matéria que não for expressamente contestada pelo contribuinte não deve ser considerada como impugnada, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nesse sentido, não se instaura o contencioso administrativo no tocante à citada infração, caracterizandose, portanto, como matéria preclusa, passível de exigência imediata, nos termos de demonstração a ser realizada na conclusão desse Voto.” (grifo nosso) De fato, a matéria referida pela DRJ não foi objeto de impugnação específica pela empresa, operandose a preclusão, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972, sendo possível efetivamente apartar o procedimento, de modo a prosseguirse na cobrança da parcela correspondente (o que não ofende, de modo algum, o art. 151, III do CTN, porque se opera a definitividade da decisão em relação àquela parcela (do mesmo modo que se opera a definitividade dos valores afastados pela DRJ, se inferiores ao limite de alçada). E a motivação que a recorrente apresenta para afirmar que questionou expressamente o tema na sua impugnação, nos termos do citado art. 17, fala por si só (fl. 811): Por óbvio, questionou a empresa nulidades, juros de mora e a multa de ofício, mas não expressamente a falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008 (item I da autuação). Fl. 858DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 Pelo exposto, novamente ausente qualquer vestígio de nulidade. Dos créditos decorrentes de “outras deduções” Como narra o fisco no TCF a empresa justificou os créditos intitulados de “outras deduções” como “créditos extemporâneos compensados e sujeitos à (sic) posterior homologação do fisco, referente aos valores do ICMS que estavam embutidos nas bases de cálculo das exações PIS e COFINS pagas em exercícios anteriores, e compensados em todo o período requerido e apropriados e compensados também créditos decorrentes de majoração da alíquota da COFINS, de 2% para 3%, matéria discutida no âmbito judicial pelos contribuintes brasileiros”, com apoio no art. 66 da Lei no 8.383/1991 e legislação superveniente (visto que optou por não demandar judicialmente, nem apresentar declarações de compensação, “por não se constituírem créditos tributários”, nem hipóteses de ressarcimento ou restituição), e que a opção por este modelo de compensação “não teve o condão de extinguir o crédito tributário”, e “deuse pela necessidade de a empresa estruturarse financeiramente para enfrentar dificuldades”. Em relação à majoração de alíquota (de 2% para 3%) o fisco informa que é descabida por inexistência de crédito, visto não ter sido o art. 8o da Lei no 9.718/1998 declarado inconstitucional, e a empresa sequer discute o tema em suas peças de defesa. No que se refere à base de cálculo das contribuições, sustenta a recorrente que o valor do ICMS não compõe a receita, tampouco o faturamento, e por isso deve ser excluído. Sobre o tema, é de se destacar que as leis que regulam a matéria (no regime não cumulativo, que é o tratado nos autos) são as de no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que dispunham, à época dos fatos, em seus arts. 1o: “Art. 1o A contribuição (...) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição (...) é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Fl. 859DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 856 9 Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (grifo nosso) O texto normativo apresenta a base de cálculo no § 2o de seu art. 1o, a partir do conceito de faturamento do caput, detalhado no § 1o. E no § 3o são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão à transferência onerosa a terceiros de ICMS originado de operações de exportação). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Entender de forma diversa da expressa na lei, acrescentando a hipótese de exclusão, em face de princípios de ordem constitucional, implicaria análise administrativa de constitucionalidade, o que é vedado a esta corte administrativa, conforme assenta a Súmula CARF no 2. Nesse sentido decidiu de forma unânime esta turma (inclusive com a atual formação): “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep.” (Acórdão n. 3403001.774. Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2012) “EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Até que o Supremo Tribunal Federal venha a decidir definitivamente em Repercussão Geral o Recurso Extraordinário nº 574.706 e a Ação Direta de Constitucionalidade nº 18, em que há medida liminar deferida pelo plenário do STF, quando, a partir de então, a decisão será oponível contra todos e à própria administração, sendo ela positiva ou negativa aos contribuintes, não há como dar guarida ao pedido da Recorrente.” (Acórdão n. 3403003.045. Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, unânime, sessão de 29.mai.2014) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. EXCLUSÃO PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Contudo, não integra a base de cálculo o valor das próprias contribuições. (Acórdão n. 3403003.449. Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 10.dez.2014) O simples motivo de não haver supedâneo normativo algum para os créditos da recorrente intitulados “outras deduções” já é suficiente para manutenção do lançamento neste tópico. Mas é de se registrar ainda que a forma adotada, de se creditar imediatamente das contribuições na escrita, sem apresentação declaração de compensação, mesmo após o advento da Lei no 9.430/1996, sob a justificativa assumida de que a opção “deuse pela necessidade de a Fl. 860DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 empresa estruturarse financeiramente para enfrentar dificuldades” merece veemente rechaço. Isso sem recordar que não restou comprovado a contento qualquer vínculo entre os valores tomados como “outras deduções” e as justificativas apresentadas. Inegável, assim, a procedência do lançamento referente a “outras deduções”. Das glosas de “créditos sem previsão legal” No TCF a fiscalização narra que a empresa busca ainda créditos em itens de despesas que não possuem respaldo legal, detalhados na “planilha de glosas de créditos por falta de previsão legal” (fls. 333/334), informando que acolheu os créditos em relação a combustíveis, lubrificantes, consertos e reparos, despesas de veículos. A empresa, por sua vez, defendese alegando nulidade por não detalhamento das glosas em espécie (matéria já tratada neste voto em sede de preliminares), e sustentando que é apto a gerar créditos das contribuições, na qualidade de “insumo”, todo e qualquer custo necessário para a formação de receita (faturamento) e que tenha sido objeto de tributação pelas contribuições (ou todos os dispêndios necessários ao seu processo produtivo, como vem decidindo o CARF), sendo ilegais as restrições efetuadas ao conceito de insumos pelas IN SRF no 247/2002 e no 404/2004, inspiradas na legislação do IPI. Entende a recorrente, assim, que constituem insumos aptos a gerar créditos as despesas com “água e esgoto, seguros, despesas com viagens, custos com pesquisas, comunicação, gastos com marcas e patentes, despesas exposições, publicações legais, livros, propaganda e publicidade, assistência social, alimentação empregados, custos vários suprimentos etc., impostos e taxas, despesas com causas judiciais, representação social etc.”. Ao explicar a utilidade dos itens no processo produtivo, informa que a água é necessária para banhos em partes e peças do maquinário, e como forma de reter os resíduos vaporosos da tinta, servindo como filtro para purificação do ar, e que as despesas para financiar feiras e exposições são inerentes à atividade da impugnante, assim como outras relacionadas na planilha de glosas (seguros, viagens ...). Sobre a amplitude do conceito de insumos na legislação que rege as contribuições, cabe destacar que esta Terceira Turma já tem posicionamento assentado. O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI Fl. 861DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 857 11 é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas efetuadas estão detalhadas na planilha de fls. 333/334, reproduzida a seguir (e fundada na escrituração da recorrente): Fl. 862DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 858 13 Verificando as rubricas glosadas, diante do conceito de insumos assentado no bojo desta Terceira Turma, descartase de plano que despesas como comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social e despesas com marcas e patentes possam ser ensejadoras de créditos segundo a legislação de regência das contribuições. Não há conexão de tais despesas com processo produtivo (e a recorrente, em sua peça de defesa, destaca a importância de alguns itens, mas não sua vinculação ao processo produtivo). Analisando detalhadamente as tabelas, somente pairaria dúvidas em relação a dois itens: água e esgoto (para o qual se esboça uma justificativa na peça recursal, mas sem qualquer amparo documental), e “custo pesquisas”. Mas tais itens, ao lado de outros descritos genericamente (v.g., “custos vários”), não permitem a certeza necessária ao reconhecimento do direito creditório, afastando as razões da autuação. Poderia a empresa, que tem exato domínio das rubricas sobre as quais pleiteia créditos, ter apresentado documentação hábil, seja durante o curso da fiscalização, ou do contencioso, de modo a atestar a certeza de seu direito. Mas o que se vê é que a empresa sequer se preocupa em detalhar documentadamente seu processo produtivo, ou permitir a convicção deste julgador sobre a aplicação efetiva dos itens glosados em sua produção. Persistem, assim, sem fundamento os créditos descontados em relação a tais operações, devendo ser, nesse tema, mantido o lançamento. Considerações finais No que se refere às alegações de que a multa de ofício (já em seu patamar de 75%, reduzido pela DRJ) é confiscatória, cabe destacar que a penalidade aplicada é expressamente a prevista na legislação (art. 44 da Lei no 9.430/1996), e sua dosagem não está ao alvitre do julgador. Ademais, eventual alegação de inconstitucionalidade não pode encontrar guarida neste tribunal, que já sumulou a matéria: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Também já se encontra sumulada neste tribunal a questão referente à possibilidade de aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Assim, também essas alegações finais da empresa são improcedentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 859 15 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008899/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE.
O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial quanto à interpretação da legislação tributária.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE. O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial quanto à interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.008899/2007-63
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430495
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.557
nome_arquivo_s : Decisao_10580008899200763.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10580008899200763_5430495.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5825760
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705654132736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 303 1 302 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.008899/200763 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.557 – 2ª Turma Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria Contribuições sociais previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERAMUS BAHIA S/A PRODUTOS CERÂMICOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE. O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial quanto à interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 17/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 88 99 /2 00 7- 63 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.008899/200763 Acórdão n.º 9202003.557 CSRFT2 Fl. 304 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 269/277), em face do Acórdão n° 240300.614 (efls. 252/264), que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993 PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE. NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR SOLIDÁRIO. VERDADE MATERIAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A solidariedade não se presume, a caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra é um dos pressupostos para configuração da solidariedade que, portanto, deve constar do relatório fiscal. A responsabilidade solidária ocorre nos casos em que há o envolvimento da cessão de mãodeobra, conforme redação do art. 31 da Lei n ° 8.212/1991. O devedor solidário deve ser notificado de modo a preservar o direito de regresso do contratante contra o executor solidário na forma do previsto no artigo 46 , § 1° do Decreto n° 612, de 21 de junho de 1992 então vigente: “§ 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações.” É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade quando se constatar preterição do direito de defesa. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido.” (efl. 252). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma os Acórdãos 240100.018 e 20217.752, que restaram assim ementados: “(..) RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.008899/200763 Acórdão n.º 9202003.557 CSRFT2 Fl. 305 3 Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO. " (AC 240100.018) "NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. O ato administrativo de lançamento deve revestirse de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e art. 142 do CTN. Processo anulado." (AC 20217.752).” O recurso foi admitido quanto ao segundo paradigma por meio da decisão de efls. 287/289, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de efls. 294/297. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso não deve ser conhecido. O Regimento Interno do CARF traz, em seu artigo 67, a hipótese de cabimento e os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos seguintes termos: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.008899/200763 Acórdão n.º 9202003.557 CSRFT2 Fl. 306 4 § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.” Nos termos do caput do artigo 67 do atual Regimento Interno, o recurso especial é cabível em virtude de divergência jurisprudencial. No presente caso, os acórdãos recorrido e paradigma não são divergentes, pois analisaram questões fáticas diferentes à luz de diferentes dispositivos legais. Na hipótese dos autos, decidiuse que deveria a fiscalização ter demonstrado a hipótese que daria ensejo à solidariedade, qual seja, a cessão de mãodeobra. Como não foi demonstrada, declarouse a nulidade da NFLD, quando na realidade deveria julgar improcedente o lançamento. Relativamente ao acórdão paradigma, “constatase que faltou ao Auto de Infração requisito essencial, qual seja, a descrição do fato que ensejou a autuação (inciso III do art. 10 do Decreto n. 70.235/72), bem como especificação da matéria tributável (art. 142, caput, do CTN), uma vez que entidade sem fins lucrativos foi tributada sem a devida justificação e sem a devida indicação de quais receitas da associação desportiva foram equiparadas a faturamento, para efeito de incidência da Cofins.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.008899/200763 Acórdão n.º 9202003.557 CSRFT2 Fl. 307 5 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904340/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.642
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.904340/2012-16
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440151
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.642
nome_arquivo_s : Decisao_10280904340201216.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10280904340201216_5440151.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5854955
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705668812800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 515 1 514 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904340/201216 Recurso nº 10.280.904340201216 Voluntário Acórdão nº 3402002.642 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria PIS PEDIDO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 RECURSO. CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 40 /2 01 2- 16 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 09399.31236.190110.1.1.087469, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 1° trimestre de 2010, no valor de R$ 7229971,96. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 4955790,5999999996. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 709 (fls. 11 a 39), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 2274181,3600000003, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e Fl. 516DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 516 3 serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.187, de 9/30/2014 (fls. 315 a 340), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 517 5 insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 345 a 390, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 345 a 390 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.187, de 9/30/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 518 7 tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 519 9 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 520 11 b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 521 13 processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade do ácido sulfúrico e do produto denominado AL200Carbomil para com o processo produtivo da Alumina, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Quanto ao inibidor de corrosão, compulsando o Parecer nº 709, fls. 30, contatei que não houve glosa de créditos tomados sobre este item. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 709 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 522 15 edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 3402002.642 S3C4T2 Fl. 523 17 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723314/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10980.723314/2010-21
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455089
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-000.256
nome_arquivo_s : Decisao_10980723314201021.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10980723314201021_5455089.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 5895074
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705675104256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723314/201021 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.256 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2012 Assunto Conversão em diligência Recorrente GARJA COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Trata se de Auto de Infração lavrado em face de GARJA COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA., no valor de R$ 102.035,40 (cento e dois mil e trinta e cinco reais e quarenta centavos), decorrente do não recolhimento das contribuições previdenciárias relativas a contribuição patronal e SAT/RAT, previsto no art. 22, I, II e III, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à aludida empresa, correspondente ao período de 07/2007 a 12/2008, incluindo o 13º salário dos respectivos anos, tudo conforme o Relatório Fiscal. O Auditor Fiscal, considerando a edição da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em consonância com o art. 106, II, c, cuja redação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 31 4/ 20 10 -2 1 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723314/201021 Resolução nº 2301000.256 S2C3T1 Fl. 3 2 dispõe que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, trouxe no referido Relatório Fiscal planilha comparativa das multas lançadas, contendo as seguintes informações: Ao se examinar a coluna "MULTA MENOS SEVERA", poderemos encontrar quatro diferentes situações, que são: "ANTERIOR" o débito da competência foi lavrado considerandose a multa de mora de 24% ou 12% calculada sobre o montante da contribuição previdenciária devida, inclusive compensação indevida, somada com os Autos de Infração com códigos de fundamentação legal 67, 68 e 69, quando existentes; "ATUAL" o débito da competência foi lavrado considerandose a multa de ofício de 75% e ou a multa de mora por compensação indevida, calculada com a alíquota de 0,33% ao dia, limitada a 20%, somada com os Autos de Infração com códigos de fundamentação legal 77 e 78, quando existentes; "AI 78 E MULTA ANTERIOR" houve entrega de GFIP após 03/12/2008 e o débito da competência foi lavrado, considerandose a multa de mora de 24% ou 12% e mais o AI 78, porém desprezandose os valores dos AI 68 ou 69, mesmo que listados; "AI 78 E MULTA ATUAL" houve entrega de GFIP após 03/12/2008 e o débito da competência foi lavrado, considerandose a multa de ofício de 75% e ou a multa de mora por compensação indevida, calculada com a alíquota de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e mais o AI 78. Em 13/10/2010 empresa tomou ciência do AI contra ela lavrado e, em 10/11/2010, apresentou defesa administrativa tempestiva. Diante dos termos pleiteados na impugnação, o lançamento foi julgado procedente, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AI Nº 37.298.4622 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. Tratando o processo de crédito relativo a contribuições previdenciárias, exigíveis por decorrência da exclusão da empresa do sistema SIMPLES, o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o reexame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A multa pelo recolhimento em atraso da contribuição administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil tem caráter irrelevável, incide de forma automática Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723314/201021 Resolução nº 2301000.256 S2C3T1 Fl. 4 3 sobre o débito e, conforme o mês de ocorrência do fato gerador, obedece aos percentuais previstos na legislação aplicável. MULTA. APLICAÇÃO DE NOVA SISTEMÁTICA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A Medida Provisória 449, de 2008, alterou o cálculo da multa aplicada por entrega de GFIP com omissão de fatos geradores. Tal alteração atrai para o caso a aplicação do art. 106, II, “c” do CTN. Considerando que os percentuais da multa na nova modalidade sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito, temse que a comparação entre uma e outra forma de cálculo, para se estabelecer à multa mais benigna, só pode ser feita por ocasião desse pagamento. PEDIDO GENÉRICO. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Indeferese o pedido genérico de produção de provas em razão da preclusão e do seu evidente caráter protelatório Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário, sob exame, onde reiterou alguns dos argumentos apresentados na defesa, quais sejam: Afirma que se encontra enquadrada no Simples Nacional desde 01/07/2007, de acordo com as informações fornecidas pelo site da RFB, divergindo da informação contida no AI, de que a exclusão deuse na mesma data, qual seja, 01/07/2007; Alega que ficou caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que confessou o pagamento a menor e recolheu o tributo com juros e multa, antes da lavratura do Auto de Infração, sendo, portanto, indevida a autuação fiscal, bem como a multa de caráter punitivo imposta; Afirma que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que foi penalizada com a exclusão do regime de tributação e a aplicação de pesadas multas antes de ter a oportunidade de oferecer impugnação administrativa; Diz que o Auditor Fiscal penalizou a empresa com a multa disposta no art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, levando em consideração sua exclusão do sistema unificado de tributação – Simples Nacional. Entretanto, isto não poderia ocorrer, vez que o contribuinte não violou qualquer dispositivo para ser excluída do regime mais benéfico; Requer que o cálculo da multa seja feito com fulcro no inciso I, do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o Auditor fiscal calculoua de forma equivocada ao que determina a legislação, pois considerou inicialmente que o valor mínimo seria de R$ 1.431,79, enquanto que pela nova regra, o valor mínimo é de R$ 20,00; Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723314/201021 Resolução nº 2301000.256 S2C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Da simples análise dos documentos acostados ao presente auto de infração nº 37.298.4622, percebese facilmente que o lançamento decorreu da exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL, através do processo nº 10980.721918/201033, o que ensejou a apuração das contribuições previdenciárias e de multa por descumprimento de obrigações tributárias ocorridas nos períodos posteriores aos efeitos da sua exclusão. Diante desse cenário, verificase que o julgamento por este Conselho depende necessariamente do resultado do julgamento do processo administrativo que analisa a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL pois, caso o recurso voluntário nele interposto pelo contribuinte seja provido, prejudicado estará o lançamento realizado nos autos do processo em exame. Ocorre que o processo nº 10980.721918/201033, em que pesa tenha sido designado à minha relatoria, foi redistribuído, por decisão desta Turma, à 1ª Seção, órgão competente para apreciar e julgar os recursos relativos à exclusão de empresas dos SIMPLES, nos moldes do art. 2, V do Regimento Interno do CARF: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...); V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Constatada, portanto, a conexão entre este processo e o 10980.721918/201033, que é de competência da 1ª Seção, bem como a prejudicialidade do segundo em relação ao primeiro, deve ser sobestado os processos dependentes, para que sejam julgados somente após a decisão final. O Código de Processo Civil determina no seu art. 265 a suspensão do processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente”. Entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual previsto expressamente no artigo 265 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Portanto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que sejam os presentes autos remetidos à Delegacia da Receita Federal de origem, onde deverão Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723314/201021 Resolução nº 2301000.256 S2C3T1 Fl. 6 5 aguardar o julgamento do processo 10980.721918/201033 pela 1ª Seção deste Conselho, após o que retornarão a esta Turma para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001461/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005
Autos de Infração sob N° 37.265.7753
Consolidados em 30/12/2009
AUXÍLIO CRECHE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Trata-se de matéria sumulada pela Corte onde não incide contribuição previdenciária ao pagamento de verbas aos empregados, referente a auxílio creche.
SÚMULA CARF. CONSELHEIROS. OBRIGATORIEDADE.
Nesta Casa os membros são obrigados a seguirem o entendimento de súmulas. matéria sumulada. Súmula 72.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, por não incidir contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 Autos de Infração sob N° 37.265.7753 Consolidados em 30/12/2009 AUXÍLIO CRECHE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INOCORRÊNCIA. Trata-se de matéria sumulada pela Corte onde não incide contribuição previdenciária ao pagamento de verbas aos empregados, referente a auxílio creche. SÚMULA CARF. CONSELHEIROS. OBRIGATORIEDADE. Nesta Casa os membros são obrigados a seguirem o entendimento de súmulas. matéria sumulada. Súmula 72. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.001461/2009-01
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454827
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-004.328
nome_arquivo_s : Decisao_16327001461200901.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 16327001461200901_5454827.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, por não incidir contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5892919
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705683492864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001461/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.328 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 Autos de Infração sob N° 37.265.7753 Consolidados em 30/12/2009 AUXÍLIO CRECHE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INOCORRÊNCIA. Tratase de matéria sumulada pela Corte onde não incide contribuição previdenciária ao pagamento de verbas aos empregados, referente a auxílio creche. SÚMULA CARF. CONSELHEIROS. OBRIGATORIEDADE. Nesta Casa os membros são obrigados a seguirem o entendimento de súmulas. matéria sumulada. Súmula 72. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, por não incidir contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 61 /2 00 9- 01 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.001461/200901 Acórdão n.º 2301004.328 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário, por meio do Auto de Infração(AI) DEBCAT nº 37.265.7753, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos(terceiros) SALÁRIO EDUCAÇÃO (FNDE Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), incidentes sobre valores pagos, pelo incorporado BANCO SANTANDER BRASIL, aos empregados, a título de auxílio creche, não declarados em GFIP. Alega o Relatório Fiscal que: (i) a Recorrente não considerou como verba incidentes de contribuições para a previdência social a remuneração para aos segurados empregados referente ao auxílio creche, levantamento AC1, (ii) os conceitos de remuneração e salário estão previstos nos artigos 457 e 458 da CLT, e do salário de contribuição para o empregado, está estabelecido no artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212/1991 e no artigo 214, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 03 de junho de 2013 tomou ciência eletrônica da decisão de piso e no dia 02 de julho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando:PRELIMINARES: a) decadência relativo ao período anterior a novembro de 2004; b) da nulidade do acórdão recorrido: da inovação no fundamento do lançamento por parte da DRJ/SP1; MÉRITO: i) não incidência das contribuições ao FNDE sobre auxílio creche. Súmula nº 310 do STJ e Súmula nº 64 do CARF É a síntese do necessário. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. PRELIMINARES a) DECADÊNCIA DO PERÍODO ANTERIOR A NOVEMBRO DE 2004 Em sua peça recursiva alega a Recorrente que o lançamento efetuado no período anterior a novembro de 2004 está abarcado pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Defende que as contribuições previdenciárias lançadas são tributos que, por sua natureza, estão sujeitos ao lançamento por homologação. Requer a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, estando decadente o período anterior a novembro de 2004. A decisão de piso alega que o crédito previdenciário poderia ser constituído até 01/01/2005, ou seja, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte –sendo que a decadência para lançar esta competência somente ocorreria em 01/01/2010. Tenho que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, de uma forma ou de outra ela contribui com a Previdência Social, ainda que seja de recolhimentos de exações de outras naturezas, e de outros fatos geradores, e, diferentemente da decisão de piso e da Fazenda Nacional, penso que não há necessidade de ser ter recolhimento parcial de exações da mesma natureza ou do mesmo fato gerador para considerar o recolhimento em parte e aplicar o artigo 150, § 4º do CTN. Para este Julgador, tenho a plena convicção de que não houve recolhimento para a Previdência Social, por parte da Recorrente. Nestas razões, vejo que não há decadência a ser declarada. b) DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO: DA INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO POR PARTE DA DRJ/SP1 Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte em sede de preliminar, bem como outras questões periféricas, as quais, inclusive, compartilho em parte, deixaremos de aborda las nesta oportunidade, com esteio no artigo 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, em razão de entendermos que o mérito é favorável ao contribuinte, sendo despiciendo contemplar aludidas matérias, como passaremos a demonstrar. QUESTÃO DE MÉRITO i) NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE O AUXÍLIO CRECHE A não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas creditadas aos empregados a título de auxílio creche é entendimento sumulado por este Conselho. Não há necessidade de o valor ser reembolsado aos funcionários, mediante a apresentação de recibo, podendo ser antecipado pelo empregador. “Súmula CARF nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio creche, na forma do artigo 7°, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória.” Fl. 390DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.001461/200901 Acórdão n.º 2301004.328 S2C3T1 Fl. 4 5 Por sua vez, o comando do Artigo 72 do RICARF determina que os membros que compõem a Corte deverão submeterem à vontade dela, quando expressado em súmulas. 'In verbis': Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Sendo assim, excluo da autuação as contribuições incidentes sobre essas verbas CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 391DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722325/2012-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÃO NA FONTE.
A retenção de imposto de renda na fonte se traduz em antecipação de pagamento apta a atrair a incidência do § 4º do art. 150 do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial.
DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Ao contribuinte compete comprovar as despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, mediante a apresentação de documentos formalmente aptos para esse fim, podendo ser exigida, se devidamente fundamentada, a comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços.
DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. EXISTÊNCIA. DEVER DA FISCALIZAÇÃO.
Cabe ao Fisco comprovar a existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz vinculada ao profissional emitente do recibo de despesas médicas, mediante a colação nos autos do respectivo Ato Declaratório da unidade da Receita Federal, ou, ao menos, de informações precisas acerca da publicação desse ato no Diário Oficial da União.
DESPESAS COM CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA DE DEPENDENTE. NECESSIDADE DE CONTRIBUIÇÃO CONCOMITANTE EM NOME DO DEPENDENTE AO RGPS, SOB PENA DE INDEDUTIBILIDADE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL
O contribuinte pode deduzir as contribuições para a previdência privada realizadas em nome de seus dependentes, desde que elas estejam complementando, correspondentemente, contribuições ao regime geral vertidas em nome daqueles.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e excluir do lançamento as infrações relativas ao ano-calendário 2006; afastar a exigência de multa qualificada quanto às deduções de despesas médicas vinculadas à Sandra Rosa Vasconcellos Costa; e restabelecer R$ 3.615,59 (três mil seiscentos e quinze reais e cinquenta e nove centavos) a título de dedução da contribuição à previdência privada realizada no ano-calendário de 2010, mantendo-se quanto aos demais aspectos do lançamento o disposto na decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÃO NA FONTE. A retenção de imposto de renda na fonte se traduz em antecipação de pagamento apta a atrair a incidência do § 4º do art. 150 do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Ao contribuinte compete comprovar as despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, mediante a apresentação de documentos formalmente aptos para esse fim, podendo ser exigida, se devidamente fundamentada, a comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços. DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. EXISTÊNCIA. DEVER DA FISCALIZAÇÃO. Cabe ao Fisco comprovar a existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz vinculada ao profissional emitente do recibo de despesas médicas, mediante a colação nos autos do respectivo Ato Declaratório da unidade da Receita Federal, ou, ao menos, de informações precisas acerca da publicação desse ato no Diário Oficial da União. DESPESAS COM CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA DE DEPENDENTE. NECESSIDADE DE CONTRIBUIÇÃO CONCOMITANTE EM NOME DO DEPENDENTE AO RGPS, SOB PENA DE INDEDUTIBILIDADE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL O contribuinte pode deduzir as contribuições para a previdência privada realizadas em nome de seus dependentes, desde que elas estejam complementando, correspondentemente, contribuições ao regime geral vertidas em nome daqueles. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10980.722325/2012-56
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435108
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.268
nome_arquivo_s : Decisao_10980722325201256.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10980722325201256_5435108.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e excluir do lançamento as infrações relativas ao ano-calendário 2006; afastar a exigência de multa qualificada quanto às deduções de despesas médicas vinculadas à Sandra Rosa Vasconcellos Costa; e restabelecer R$ 3.615,59 (três mil seiscentos e quinze reais e cinquenta e nove centavos) a título de dedução da contribuição à previdência privada realizada no ano-calendário de 2010, mantendo-se quanto aos demais aspectos do lançamento o disposto na decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5838514
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705719144448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 291 1 290 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.722325/201256 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.268 – 2ª Turma Especial Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ANDRÉ EDUARDO BONA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÃO NA FONTE. A retenção de imposto de renda na fonte se traduz em antecipação de pagamento apta a atrair a incidência do § 4º do art. 150 do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Ao contribuinte compete comprovar as despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, mediante a apresentação de documentos formalmente aptos para esse fim, podendo ser exigida, se devidamente fundamentada, a comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços. DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. EXISTÊNCIA. DEVER DA FISCALIZAÇÃO. Cabe ao Fisco comprovar a existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz vinculada ao profissional emitente do recibo de despesas médicas, mediante a colação nos autos do respectivo Ato Declaratório da unidade da Receita Federal, ou, ao menos, de informações precisas acerca da publicação desse ato no Diário Oficial da União. DESPESAS COM CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA DE DEPENDENTE. NECESSIDADE DE CONTRIBUIÇÃO CONCOMITANTE EM NOME DO DEPENDENTE AO RGPS, SOB PENA DE INDEDUTIBILIDADE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL O contribuinte pode deduzir as contribuições para a previdência privada realizadas em nome de seus dependentes, desde que elas estejam complementando, correspondentemente, contribuições ao regime geral vertidas em nome daqueles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 23 25 /2 01 2- 56 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e excluir do lançamento as infrações relativas ao anocalendário 2006; afastar a exigência de multa qualificada quanto às deduções de despesas médicas vinculadas à Sandra Rosa Vasconcellos Costa; e restabelecer R$ 3.615,59 (três mil seiscentos e quinze reais e cinquenta e nove centavos) a título de dedução da contribuição à previdência privada realizada no anocalendário de 2010, mantendose quanto aos demais aspectos do lançamento o disposto na decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA que julgou procedente em parte Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 47.887,89 relativo aos anoscalendário 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. O lançamento se deu em virtude da constatação da dedução indevida de dependentes, despesas médicas, com instrução, e com contribuição à previdência privada/Fapi. As despesas médicas vinculadas à recibos emitidos por Sandra Rosa de Vasconcellos Costa Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.722325/201256 Acórdão n.º 2802003.268 S2TE02 Fl. 292 3 foram objeto de imposição de multa qualificada, face à alegada existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz da DRF/CuritibaParaná. Por bem descrever os fatos sob exame, passo a reproduzir, com a devida vênia, o relatório da decisão recorrida: Cientificado, via postal, em 25/04/2012 (fl. 154), o interessado apresentou, em 24/05/2012, a impugnação de fls. 157/167, instruída com os documentos de fls. 168/244, onde, em preliminar, alega decadência do direito de lançamento referente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, impossibilitando a realização de qualquer ato de lançamento complementar no procedimento ora atacado, visto que iniciado tão somente em 17/03/2012, devendo o auto de infração ser cancelado em sua totalidade. No mérito, em relação aos anoscalendário de 2007 a 2010, argumenta que todas as deduções são perfeitamente compatíveis com os rendimentos declarados, sugerindo capacidade de pagamento, sendo totalmente cabíveis, já que ao longo dos períodos foi acometido por doenças que exigiram acompanhamento médico intenso e elevados gastos, com destaque à cardiologia e psicologia. Quanto à glosa de dependente, a dedução pleiteada no anocalendário de 2008 referese ao seu pai – Sr. Samir Bona , CPF 163.934.14987, estando a dedução amparada nas disposições do art. 77 do RIR/1999, e o vínculo de parentesco comprovado pela Certidão de Nascimento e cópia de seu documento de identidade. No que concerne às despesas médicas, relaciona as despesas sobre as quais incidiu a multa de ofício de 75%, referentes aos anoscalendário de 2007 a 2010, para argumentar que os comprovantes de efetivo pagamento teriam sido apresentados, no entanto, restaram ignorados pela autoridade fazendária. Assevera que os efetivos pagamentos estariam respaldados por recibos e notas fiscais, não havendo razão para o afastamento das deduções. Relativamente às supostas despesas havidas com a psicóloga Sandra Rosa de Vasconcellos Costa, nos anoscalendário de 2007 a 2010, nos montantes de R$ 10.000,00, R$ 16.000,00, R$ 17.580,00 e R$ 20.000,00, respectivamente, argumenta que todos os gastos estariam lastreados em recibos, os quais comprovariam de modo eficaz o efetivo pagamento. Além disso, rechaça a situação de fraude indicada pela autoridade fazendária de que a referida profissional, de acordo com informações do Conselho Regional de Psicologia do Paraná – CRP/PR, estaria desprovida de habilitação para atuação na citada área profissional, em face do cancelamento de sua inscrição pela não entrega do diploma de graduação. Pergunta como poderia estar a mesma inscrita no referido Conselho no período de 23/06/1997 a 27/09/2002, sem a prévia apresentação do seu diploma. Afirma que a profissional é graduada em psicologia e, assim, possui habilitação para o exercício da profissão, e que o cancelamento da sua inscrição se deu em razão de débitos de anuidades junto ao Conselho e não pela alegada falta de diplomação, conforme carta expedida pelo CRP/PR à fl. 187. Para corroborar anexa declaração fornecida pelo psiquiatra Antonio Candido Carneiro da Cunha (Clínica Hebri Ey) comprovando a prescrição para que realizasse acompanhamento regular com psicólogo, a fim de complementar o tratamento médico, bem assim, declaração da profissional confirmando a efetiva prestação dos serviços, o recebimento dos valores conforme recibos apresentados e a ratificação de sua habilitação para o exercício da profissão; assim, se todos os elementos de prova não forem suficientes, hipótese admitida a título de argumentação, há que prevalecer a presunção da sua boafé, pois acreditava ser a profissional habilitada para tanto. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Relativamente às contribuições à previdência privada, esclarece que observou as informações contidas nos informe de rendimentos fornecidos pelo KSBC BANK BRASIL S/A, razão pela qual devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas. Insurgese contra a exigência das multas aplicadas nos percentuais de 75% e 150%, por nítido caráter de confisco expressamente vedado pelo art. 150, IV da CF/1988, aplicado também às infrações., além de extrapolar limites razoáveis e a capacidade contributiva, sendo correto, para o caso, observar o limite de 20% previsto no art. 59 da Lei 8.383, de 1991. Impugna, ainda, a representação fiscal para fins penais, posto que nenhuma conduta delituosa restou devidamente comprovada, sendo as alegações totalmente infundadas e descabidas. A instância de primeiro grau considerou o lançamento parcialmente procedente, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No lançamento de ofício a contagem do prazo decadencial obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo tratamento e pagamento. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. Cabe restabelecer a dedução de dependente cuja relação de dependência restou comprovada. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovado o direito a parte das deduções glosadas no lançamento fiscal, cabe ajustálo aos parâmetros correspondentes MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA. A dedução de despesas médicas, para as quais há declaração de ineficácia dos recibos para fins de dedução de pagamento a título de despesas médicas, decorrente da Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz da DRF/CTAPR, associada a não apresentação de elementos probantes inequívocos dos efetivos pagamentos e prestação dos serviços pelo contribuinte, denota comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, justificando a aplicação da multa qualificada prevista na legislação. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.722325/201256 Acórdão n.º 2802003.268 S2TE02 Fl. 293 5 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Tratandose de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa de ofício de 75%, a qual é devida em face de infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. O autuado interpôs recurso voluntário em 26/10/2012, reiterando os termos da impugnação, mas acrescentando, no que tange especificamente às despesas com contribuição à previdência privada, que não há exigência legal de que o dependente seja contribuinte do regime geral de previdência social para que possa fazer jus às deduções realizadas à previdência privada em nome daquele. Também diz que no anocalendário 2010 a dependente recolheu contribuições ao regime geral de previdência social por meio de retenções sobre prolabore recebidos, juntando documentos nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da decadência. Cumpre inicialmente referir que a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/8/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos do original) No que diz respeito aos casos em que há o referido pagamento antecipado, ainda que em montante menor que o devido, a fundamentação do acórdão supra reportase aos precedentes sobre os quais ele se assenta, citandose naquele, por exemplo, o REsp nº 766.050/PR (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28/11/2007, DJe 25/2/2008): Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170) (grifei) Bem esclarecidas as teses jurídicas de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), cabe passar à análise do caso concreto. O contribuinte defende ter ocorrido a decadência quanto ao crédito tributário atinente ao Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) do anocalendário 2006, tributo sujeito Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.722325/201256 Acórdão n.º 2802003.268 S2TE02 Fl. 294 7 ao lançamento por homologação. No que diz respeito aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, temse que o respectivo fato gerador se perfectibilizou em 31/12/1996. Por sua vez, reza o § 1º do art. 150 do CTN que a extinção do crédito tributário dáse pelo pagamento, sob condição resolutória de posterior verificação, pela fiscalização fazendária, da exatidão do valor recolhido. Na espécie, temse que o contribuinte sofreu retenções de imposto de renda na fonte no decorrer do anocalendário de 2006, sobre rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica HSBC Bank Brasil S/A., CNPJ nº 01.701.201/000189, no valor de R$ 7.537,50, de acordo com as informações constantes na Declaração de Ajuste do exercício 2007, não contestadas pela administração tributária (fls. 4/9). Como cediço, a retenção do imposto de renda na fonte é técnica de arrecadação pela qual se transfere a terceiro vinculado ao fato gerador da obrigação tributária a responsabilidade de arrecadar, antecipadamente, o referido tributo em nome do contribuinte. Não obstante a retenção ter sido efetuada por terceiro, ela se traduz para fins legais em pagamento realizado pelo próprio sujeito passivo, tanto que a ele aproveita, podendo ser compensado na declaração de ajuste. Por conseguinte, temse que nos casos em que se verifica a retenção do imposto de renda na fonte também ocorre o pagamento antecipado do tributo sujeito à sistemática de lançamento por homologação, traduzindose, à míngua da existência de dolo, fraude ou simulação, em hipótese na qual a contagem do prazo decadencial se dá nos termos preconizados pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, interpretado sob o lume do precedente estabelecido no mencionado julgamento do REsp nº 973.733/SC. No dia em que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, 25/4/2012 (fl. 154), já haviam se passado mais de cinco anos desde 31/12/2006, data em que se completou o fato gerador do imposto de renda incidente sobre os rendimentos auferidos no decorrer do anocalendário 2006, e sobre os quais já havia sido parcialmente antecipado o pagamento do tributo via retenção na fonte. Constatase, assim, que à ocasião dessa ciência já havia se extinguido o direito do Fisco de constituir crédito tributário de imposto de renda pessoa física por meio de lançamento de ofício, no tocante ao fato gerador do anocalendário 2006, motivo pelo qual devem ser canceladas as exigências relativas a esse ano. Das despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) O autuado não apresentou alegações de fato ou de direito novas, relativamente às trazidas quando da impugnação, com relação às glosas das despesas médicas vinculadas a Cleverson Mauri Zanchi, à Clínica Henry Ltda e a Charles Murilo Bona, para as quais aduz, em síntese, que têm supedâneo em recibos ou notas fiscais que comprovam o pagamento dos respectivos valores, e que as pessoas físicas mencionadas têm habilitação profissional para o exercício de seus respectivos ofícios. Em que pese não constar no Termo de Verificação Fiscal arcabouço argumentativo mais elaborado para fins de justificar a exigência de comprovação do efetivo pagamento dessas despesas requerendose cópias de cheques, transferências bancárias, fatura de cartão de crédito é fato que o contribuinte sequer trouxe recibos ou comprovantes de qualquer espécie acerca de boa parte desses dispêndios. Ademais, vários dos recibos trazidos não se traduzem em prova do pagamento nos termos do inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, pois padecem de sérios vícios formais. Tragase à baila excertos da decisão atacada, nos quais esses aspectos da questão foram adequadamente esmiuçados: Salientese que, mesmo sob o aspecto formal, os recibos trazidos às fls. 211/214 e 216/220 supostamente emitidos por Cleverson Mauri Zanchi, nos montantes de R$ 9.997,00 e R$ 10.000,00, nos anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente, não cumpririam os requisitos mínimos, porquanto limitamse a informações genéricas e inespecíficas, não indicam o paciente e o tipo de procedimento, não consta o endereço do suposto prestador dos serviços, além de ser notório os indícios de que, pela similaridade de grafia e caneta utilizada, foram Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.722325/201256 Acórdão n.º 2802003.268 S2TE02 Fl. 295 9 emitidos em série, como se o instrumento “recibo” não se prestasse justamente ao fim de retratar a correspondente entrega de numerário. É de se notar, ainda, que os referidos recibos sequer preenchem o requisito mais básico que é a identificação adequada do profissional, não constando o número de inscrição no órgão fiscalizador da profissão. (...) No que concerne às despesas havidas com a Clinica Henri Ey Ltda., verifica se que o interessado pleiteou despesas de R$ 1.300,00 (fl. 13), R$ 450,00 (fl. 19) e R$ 850,00 (fl. 26), das quais, comprovou R$ 130,00 (fl. 38), R$ 150,00 (fls. 54 e 215) e R$ 340,00 (fl. 56 e 221), já acolhidas pelo lançamento, conforme Termo de Verificação Fiscal à fl. 127. Assim, por falta de comprovação, há que se manter as glosas de R$ 1.170,00, R$ 300,00 e R$ 510,00, relativas aos anoscalendário de 2007 a 2009, respectivamente, sendo de se salientar que, relativamente ao anocalendário de 2007, embora a diferença não comprovada fora de R$ 1.170,00, o lançamento tributou apenas R$ 170,00, conforme fls. 127, 137 e 148). Do mesmo modo, em relação às despesas supostamente havidas com Charles Murilo Bona, constatase que o contribuinte pleiteou R$ 584,00 (2 x R$ 292,00) de despesas no anocalendário de 2010, entretanto, apresentou apenas o recibo de fl. 70 (reapresentado à fl. 222), cujo valor (R$ 292,00) já foi considerado pela fiscalização, conforme Termo de Verificação Fiscal à fl. 127, assim, por falta de comprovação, há que se manter a dedução indevida no valor de R$ 292,00, referente ao ano calendário de 2010. Não há portanto reparos a fazer na decisão recorrida, no particular. Quanto à dedução dos pagamentos efetuados à Sandra Rosa Vasconcellos Costa nos anoscalendário de 2007 a 2010, nos valores de R$ 10.000,00, R$ 16.000,00, R$ 17.580,00 e R$ 20.000,00, deve ser destacado, inicialmente, que a referida não estava inscrita, a época dos fatos examinados, no Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região, consoante assevera declaração deste órgão, datada de 10/5/2012 (fl.187). O exercício da profissão de psicólogo é regrado pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de1971, a qual estabelece: Art. 10. Todo profissional de Psicologia, para exercício da profissão, deverá inscreverse no Conselho Regional de sua área de ação. Parágrafo único. Para a inscrição é necessário que o candidato: a) satisfaça às exigências da Lei nº 4.119, de 27 de agôsto de 1962; b) não seja ou esteja impedido de exercer a profissão; c) goze de boa reputação por sua conduta pública. (...) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 Art. 14. Aceita a inscrição, serlheá expedida pelo Conselho Regional a Carteira de Identidade Profissional, onde serão feitas anotações relativas à atividade do portador. Art. 15. A exibição da Carteira referida no artigo anterior poderá ser exigida por qualquer interessado para verificar a habilitação profissional. Por sua vez, o Decreto nº 79.822, de 17 de junho de 1977, ao regulamentar a Lei nº 5.766/71, dispôs: Art. 1º O exercício da profissão de Psicólogo, nas suas diferentes categorias, em todo o território nacional, somente será permitido ao portador de Carteira de Identidade Profissional expedida pelo Conselho Regional de Psicologia da respectiva jurisdição. (grifei) Conforme ponderado pela instância a quo, cabia ao contribuinte verificar se a profissional de saúde que estava lhe prestando serviços tinha a devida habilitação para tanto, sendo irrelevante, para fins das normas tributárias, a eventual boafé que pautou sua conduta no sentido de não exigir tal comprovação, bem como o motivo pelo qual a inscrição da profissional foi cancelada. Noutro giro, temse que a autoridade lançadora consignou no Termo de Verificação Fiscal as seguintes considerações a respeito dos recibos emitidos por Sandra Rosa Vasconcellos Costa: Os recibos emitidos por SANDRA ROSA DE VASCONSELOS COSTA, CPF nº 418.205.92049, foram considerados ineficaz [sic] para fins de dedução de pagamento a título de despesas médicas, conforme consta do Processo Administrativo nº 10980.721.677/201294, decorrente de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz da DRF/CTAPR. O processo decorrente da referida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz permanecerá arquivado na EQCOI –Equipe de Controle Interno do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Curitiba – PR, no original, e sempre para vista espontânea, pelos contribuintes alcançados por lançamentos de ofício fundados no consignado na súmula, desde que autorizados expressamente pela contribuinte SANDRA ROSA DE VASCONCELLOS COSTA – CPF 418.205.92049. Muito embora tais afirmações, não se encontra nos autos o necessário documento que ateste a existência da indigitada Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz da DRF/CTAPR, a saber, o Ato Declaratório Executivo dessa unidade da Receita Federal do Brasil. À míngua de documento desse jaez, sequer é possível identificar os períodos a que se refere tal Súmula. A mera alusão à existência de processo acessível ao contribuinte, tratando da matéria, não supre a carência de colação do Ato Declaratório por parte da fiscalização, prejudicando o direito de defesa do contribuinte na espécie, pois teria de ser obtido acesso junto a terceiro, não integrante deste litígio, para ter o devido conhecimento do conteúdo daqueles autos e em especial do mencionado ato administrativo. Por um dever de transparência, deveriam ter sido informados, ao menos os dados referentes à publicação de tal ato no Diário Oficial da União, o que não ocorreu no caso analisado. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.722325/201256 Acórdão n.º 2802003.268 S2TE02 Fl. 296 11 Por outro lado, com acerto a fiscalização ao reputar como insuficientes os extratos bancários apresentados às fls. 85/122 para fins de comprovar os pagamentos de despesas médicas, ainda mais quando estão envolvidos valores elevados como no caso em tela, pois o mero apontamento de saques em extratos bancários, sem coincidência nem sequer proximidade, seja em data, seja em valores, com os registros constantes nos recibos, não se consubstancia sequer em indício da existência dos aventados pagamentos. Nesse diapasão, diante da falta de habilitação profissional e da insuficiência na prova produzida acerca dos pagamentos alegadamente efetuados, deve ser mantida a glosa das respectivas deduções. Não obstante, a qualificação da multa de ofício imputada a essa infração não merece prosperar, por ter sido amparada, preponderantemente, em documento não constante nos presentes autos, não bastando a mera alusão à sua existência para respaldar a majoração da sanção em questão. Em suma, devem ser mantidas as glosas de despesas médicas levadas a efeito pela fiscalização relativas aos anoscalendário 2007 a 2010, cancelandose, contudo, a exigência de multa qualificada relativa aos pagamentos efetuados à Sandra Rosa Vasconcellos Costa. Das despesas com contribuição à previdência privada/Fapi. No mencionado Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora, como justificativa das glosas das deduções pleiteadas a título de despesas com contribuição à previdência privada/Fapi, disse apenas que dedução do gênero somente é admitida nas condições previstas no art. 74, inciso II, do Decreto nº 3.000/99, transcrevendo, na sequência, dito dispositivo (fls. 131/132). Já no corpo do Auto de Infração, estão assim referenciadas as normas jurídicas em que se baseou o lançamento: art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43 e art. 4º, inciso V, da Lei nº 9.250/95; art. 11 da Lei nº 9.532/97; arts. 73, 82 e § 1º do RIR/99; e art. 61 da Medida Provisória nº 2.15835. De sua parte, a DRJ/CTA reconheceu como comprovados os valores constantes dos documentos de fls. 238, 234, 223, 227 e 230, realizando o respectivo recálculo da autuação. Sem embargo, rejeitou os documentos de fls. 244, 242 e 243, por serem atinentes a contribuições à previdência privada vertidas em prol de Catiane Eny Koprowski Bona, CPF nº 003.504.39974, nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, respectivamente R$ 250,00, R$ 3.512,75 e R$ 3.615,59. A razão para sua não aceitação devese ao fato de que não restara comprovado nos autos que Catiane Eny Koprowski Bona, nascida em 12/8/1981 conforme informado pelo próprio autuado, tenha contribuído para o regime geral de previdência social ou para regime próprio de previdência social de servidores públicos. Vale anotar que tais documentos foram apresentados somente quando da interposição da impugnação. Ao contrário do que aduz o recorrente, tal exigência não decorre apenas do art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 588, de 21 de dezembro de 2005, o qual apenas regulamenta os termos da legislação (conforme regra o art. 100 do Código Tributário Nacional): Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Impende esclarecer que de acordo com o art. 195 da Constituição Federal, a seguridade social será financiada por toda a sociedade, sendo que nos termos do art. 1º da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio 2001 o regime de previdência privada possui caráter complementar ao regime geral de previdência social. Essa complementaridade é condicionante para fins tributários, em especial para a dedutibilidade das contribuições efetuadas à planos de previdência privada, como se depreende da leitura dos arts. 4ª, V e parágrafo único, e 8º, II, 'e' da Lei 9.250/95: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (...) Parágrafo único. A dedução permitida pelo inciso V aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário, conforme disposto na alínea e do inciso II do art. 8º desta Lei. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.722325/201256 Acórdão n.º 2802003.268 S2TE02 Fl. 297 13 De sua parte, o caput do art. 11 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, condiciona a dedutibilidade dessas contribuições ao recolhimento concomitante para o regime geral de previdência social: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8oda Lei no9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos.(Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) (...) Em consonância com essa quadro normativo, assim regrou o art. 61 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art.61. A partir do anocalendário de 2001, poderão ser deduzidas, observadas as condições e o limite global estabelecidos no art. 11 da Lei no 9.532, de 1997, as contribuições para planos de previdência privada e para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI, cujo titular ou quotista seja dependente do declarante. Ora, a interpretação sistemática das normas de regência conduz à inequívoca conclusão de que, para que seja possibilitada a dedução da contribuição efetuada a planos de previdência privada em nome de dependente do declarante, é imprescindível que tenham sido vertidas contribuições também em nome desse dependente, voltadas ao financiamento dos benefícios do regime geral de previdência social. Sem isso, não há falar em complementaridade do plano de previdência privada para essa pessoa física, condicionante legal para tal dedutibilidade. Em outras palavras, o contribuinte pode deduzir as contribuições para a previdência privada realizadas em nome de seus dependentes, desde que elas estejam complementando, correspondentemente, contribuições ao regime geral vertidas em nome daqueles. Se estas últimas não se verificam, por decorrência lógica, inexiste relação de complementaridade entre elas. Sem razão, assim, o contribuinte nesse aspecto. Cabe notar, entretanto, que o contribuinte comprovou que a dependente Catiane Eny Koprowski Bona realizou contribuições para o regime geral de previdência social no anocalendário 2010, conforme demonstra o documento juntado ao recurso voluntário, à folha 286. Consequentemente, deve ser restabelecida a dedução da contribuição à previdência privada realizada nesse ano específico, no valor de R$ 3.615,59. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 Da multa de ofício O autuado contesta a multa de ofício aplicada no valor de 75%, percentual que considera violar o princípio constitucional do não confisco. A alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe explicar, ainda, que art. 59 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, referido no recurso interposto, é preceito pertinente à multa de mora, não à multa de ofício contra a qual é levantada a inconformidade. Da representação fiscal para fins penais. A apreciação de pleito relativo à representação fiscal para fins penais é obstada pelo teor da Súmula CARF nº 28, c/c o art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de: reconhecer a decadência e excluir do lançamento as infrações relativas ao anocalendário 2006; afastar a exigência de multa qualificada quanto às deduções de despesas médicas vinculadas à Sandra Rosa Vasconcellos Costa; e restabelecer R$ 3.615,59 (três mil seiscentos e quinze reais e cinquenta e nove centavos) a título de dedução da contribuição à previdência privada realizada no anocalendário de 2010, mantendose quanto aos demais aspectos do lançamento o disposto na decisão de primeira instância, nos termos explanados neste voto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
