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Numero do processo: 10425.900017/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO
O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ.
No caso, formalizada a solicitação em 30/01/2004, aplicase
o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011).
Recurso Voluntário Provido em Parte..
Numero da decisão: 1302-000.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar tempestivas PER/DCOMP e dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para prosseguimento da análise do pretenso crédito pleiteado (origem e disponibilidade) e da DCOMP, na qual o contribuinte informou a utilização desse crédito, restabelecendo-se o trâmite processual a partir daí.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 30/01/2004, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Recurso Voluntário Provido em Parte..
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PRAZO. PRESCRIÇÃO O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 30/01/2004, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Recurso Voluntário Provido em Parte.. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar tempestivas PER/DCOMP e dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para prosseguimento da análise do pretenso crédito pleiteado (origem e disponibilidade) e da DCOMP, na qual o contribuinte informou a utilização desse crédito, restabelecendose o trâmite processual a partir daí. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10425900017/200897 Acórdão n.º 1302000.893 S1C3T2 Fl. 80 2 Relatório A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 01/06, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 5.026,38, seria decorrente do saldo negativo do imposto apurado no 1º trimestre de 1998. A Delegacia da Receita Federal DRF em Campina Grande, através de Despacho Decisório eletrônico, não homologou as compensações, por entender extinto, em virtude do decurso do prazo, o direito de utilização do crédito. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o prazo de cinco anos contase a partir da homologação expressa ou tácita do pagamento, bem assim que a Lei Complementar n° 118/2005 não é interpretativa, pelo que não alcançaria os casos em andamento nem os fatos geradores ocorridos antes da sua edição (com base em decisões administrativas e judiciais). Requereu a anulação do despacho decisório, para que a autoridade a quo aprecie o mérito do pedido. A 3ª Turma da DRJ/Recife, através da ementa abaixo, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por ter sido o pedido de compensação feito a destempo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA REQUERER. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Cientificado da decisão em 17/03/2011 o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, em 31/03/2011, reprisando os argumentos apresentados na impugnação e requerendo a inaplicabilidade dos argumentos da DRJ, para que sejam aceitas as compensações, considerando o prazo decadencial de 10 anos. É o Relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10425900017/200897 Acórdão n.º 1302000.893 S1C3T2 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Considerando que a DCOMP não foi analisada, o cerne da querela cingese à definição da contagem do prazo prescricional para solicitar a restituição de valores do tributo indevidamente recolhidos. Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a questão teria ficado decidida pelo texto do art. 3º da referida norma ao estabelecer que, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Dirimido o tema quanto à contagem do prazo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu recentemente (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (Destaques acrescidos): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10425900017/200897 Acórdão n.º 1302000.893 S1C3T2 Fl. 82 4 aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo. Se o pleito foi formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. Na presente situação o pedido foi formalizado em 30/01/2004, data anterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ. Sob esse prisma, considerando que o crédito referese a saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1998, o termo inicial a ser considerado é 31/12/1998 (data do fato gerador) e o termo final seria 31/12/2008. Como o pedido foi formalizado em data anterior, não se caracterizou a prescrição. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso , para considerar tempestivas PER/DCOMP, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para prosseguimento da análise do pretenso crédito pleiteado (origem e disponibilidade) e da DCOMP, na qual o contribuinte informou a utilização desse crédito, restabelecendose o trâmite processual a partir daí. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10425900017/200897 Acórdão n.º 1302000.893 S1C3T2 Fl. 83 5 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000868/2004-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES - DEPENDENTES - A opção do casal pela declaração em separado implica na impossibilidade de que se considere o cônjuge como dependente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.874
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES - DEPENDENTES - A opção do casal pela declaração em separado implica na impossibilidade de que se considere o cônjuge como dependente. Recurso negado.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, PAULO ROBERTO MIRANDA DE SIQUEIRA , foi lavrada Notificação de Lançamento de fls. 02/04, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2003, anocalendário de 2002. O procedimento de revisão alterou o resultado apurado na Declaração de Ajuste Anual de saldo de imposto a pagar no valor de R$21,92 para saldo de imposto a pagar após revisão de R$1.142,97. Foram glosada integralmente as deduções de dependentes de as despesas de instrução, respectivamente declaradas no valor de R$ 3.816,00 e R$ 3.657,66. Cientificado do lançamento, o(a) interessado(a) apresentou impugnação contestando o fato de não terem sido levados em consideração, no cálculo do imposto de renda, as deduções com seus dependentes, bem como os valores declarados a título de despesas com instrução. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 GLOSA DE DEPENDENTES. Restabelecemse as deduções com dependentes na declaração de rendimentos somente quando comprovadas as relações de dependência. GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Uma vez não comprovado o efetivo pagamento da totalidade das despesas com instrução informadas na declaração de rendimentos, há que ser mantida em parte a glosa efetuada pelo Fisco. Lançamento Procedente em Parte A DRJ da análise da documentação entendeu que restou confirmada as relações de dependência de seus filhos, Paula Helena Pinheiro Andrade de Souza Miranda de Siqueira e Fellipe Luiz Pinheiro Andrade de Souza Miranda de Siqueira. A esposa do contribuinte não pode constar como dependente na declaração do interessado, pois entregou declaração de rendimentos, em separado, no modelo simplificado. No que toca a dedução de despesas de instrução, os documentos trazidos aos autos, reconheceuse como despesas de instrução o montante de R$ 2.433,25. Insatisfeito com o acórdão, o recorrente interpões recurso voluntário solicitando que seja considerado a sua esposa como dependente, indicando que esta nunca trabalhou e que a declaração da mesma foi feita apenas para manutenção do CPF. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.000868/200446 Acórdão n.º 220201.874 S2C2T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O fato de a cônjuge do contribuinte não auferir rendimentos não autoriza a dedução, uma vez que ela apresentou declaração em separado. Ressaltese que, no caso em apreço, o próprio contribuinte optou pela declaração em separado, tanto assim que não assinalou a quadrícula correspondente a declaração em conjunto (fls. 24). A opção do casal pela declaração em separado implica na impossibilidade de que se considere o cônjuge como dependente. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10480.722392/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.266
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722392/201040 Resolução n.º 220200.266 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, SUAPE COMPLEXO INDUSTRIAL PORTUÁRIO, lavrado o Auto de Infração de fls. 01/04, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2006, relativo ao imóvel denominado "Grupo Engenho Massangana e Outros", localizado no município de Ipojuca PE, com área total de 7.741,9 ha, cadastrado na RFB sob o n° 1.950.8972, no valor de R$ 9.012.014,38 (nove milhões doze mil catorze reais e trinta e oito centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora perfazendo um crédito tributário total de R$ 19.613.748,09 (dezenove milhões seiscentos e treze mil setecentos e quarenta e oito reais e nove centavos). A contribuinte foi intimada a comprovar as áreas declaradas como ocupadas com benfeitorias e o valor da terra nua declarado, conforme Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 04101/00029/2010, fls. 07/08, com ciência em 30/06/2010 Aviso de Recebimento — AR RF867727707BR, fl. 10. Não havendo resposta ao TIF foi reenviado o referido termo tendo a Intimada tomado ciência em 05/08/2010 pelo AR SK 47992750 3 BR, fl. 13. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2006 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03, a fiscalização: a) glosou a Area declarada como ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural; b) alterou o Valor Total do Imóvel; c) alterou o valor das benfeitorias; d) alterou o Valor da Terra Nua. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo a contribuinte tomado ciência em 30/09/2010, conforme Aviso de Recebimento 880866059 RF, fl. 22. Não concordando com a exigência a contribuinte apresentou impugnação de fls. 23/24, em 29/10/2010, fl. 23, alegando em síntese: • I Preliminarmente requer a devolução integral do prazo em face de obstáculo processual criado pela unidade do Cabo de Santo Agostinho que obstruiu a vista dos autos ao funcionário da Impugnante, Sr. Moacir Carneiro Leão, o que fez de forma sistemática e por diversas vezes, ora exigindo agendamento prévio pela intemet quando esta encontravase bloqueada para tal fim, ora se recusando a fazelo pessoalmente. Tal faro causou prejuízo a sua defesa, a qual e realizada sem que se tenha tido, destaquese, vista dos autos e do respectivo laudo ou critério que norteou afixação dos valores do ITR; II Consoante se verifica do lançamento do ITR relativo ao ano de 2005 o valor total do imóvel encontrado por esta Secretaria foi de R$ 13.487.890,27, havendo sido fixado para fins de incidência do ITR, após as deduções legais, o valor final de R$ 5.300.051,73, valores significativamente inferiores ao apontado para o exercício subseqüente de 2006, de exatos R$ 98.388.716,25 como valor total do imóvel e de Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722392/201040 Resolução n.º 220200.266 S2C2T2 Fl. 3 3 R$ 75.336.063,84 para fins de incidência do ITR sobre o mesmo imóvel, frisese (sic); III essa gritante discrepancia não se justifica sob nenhum cenário que se possa imaginar, razão pela qual protesta, de logo, pela produção de prova pericial conjunta com vista a encontrar o valor justo e adequado, fazendo juntada, outrossim, do laudo apresentado ao processo do ITR 2005; IV essa gritante reavaliação de valores foi realizada sem a ouvida da Impugnante, o que leva a sua nulidade de pleno direito; V protesta juntada posterior de documentos. A DRJRecife a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente. Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722392/201040 Resolução n.º 220200.266 S2C2T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No que toca ao Valor da Terra Nua, na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de lançamento de oficio do ITR, do prego médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município. Sendo assim, os valores instituídos pela RFB para o SIPT, conforme Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, com valores evidenciados em extrato do SIPT devem se encontrados no processo de autuação. Entretanto após análise cuidadosa do processo não foi possível identificar os referidos extratos do SIPT, ainda que expressamente na fls. 03, indicase que os mesmos encontramse em folha anexa. Diante dos fatos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo os extratos de SIPT a que faz referência na Notificação de Lançamento, fls 01 e 04, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11020.002079/2004-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES FEDERAL. EMPRESA QUE COMERCIALIZA BEBIDAS DO CAPÍTULO 22 DA TIPI. EXCLUSÃO. EFEITOS Nos termos do artigo 15, inciso II da Lei n º 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão de ofício do Simples Federal de empresa que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, se verificam a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente.
Numero da decisão: 1801-001.121
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES FEDERAL. EMPRESA QUE COMERCIALIZA BEBIDAS DO CAPÍTULO 22 DA TIPI. EXCLUSÃO. EFEITOS Nos termos do artigo 15, inciso II da Lei n º 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão de ofício do Simples Federal de empresa que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, se verificam a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES FEDERAL. EMPRESA QUE COMERCIALIZA BEBIDAS DO CAPÍTULO 22 DA TIPI. EXCLUSÃO. EFEITOS Nos termos do artigo 15, inciso II da Lei n º 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão de ofício do Simples Federal de empresa que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, se verificam a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra Ato Declaratório Executivo da DRF em Caxias do Sul/RS que excluiu a empresa da sistemática do Simples Federal a partir de 01/01/2002. Histórico. O SACAT da DRF em Caxias do Sul/RS verificou que a empresa acima interessada teria sido excluída do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2001, pelo Ato Declaratório Executivo n º 454.059, de 07/08/2003 (fl. 05), pela ocorrência do evento 325: “pessoa jurídica industrializa bebida classificada no capítulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)”. Contra essa exclusão teria apresentado SRS (fl. 03/04) argumentando que industrializava e comercializava a produção exclusivamente à granel, anexando notas fiscais que teriam comprovado tal fato (fls. 09/15). Como resultado da análise da SRS a empresa teria sido mantida na sistemática do Simples Federal porque não teria industrializado, até dezembro de 2001, bebidas classificadas no capitulo 22 da TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989 (fls. 24/27). Todavia, teria declarado, também, que iniciou a venda em vasilhames garrafa e garrafão partir de janeiro de 2002, decorrentes da industrialização de bebidas classificadas no capitulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), atividade vedada conforme legislação de regência, o que impediria sua permanência no sistema, fato que teria sido confirmado pelas licenças de engarrafamento concedidas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, anexadas à SRS (fls. 16/19). Diante da constatação foi formalizada representação fiscal para fins de exclusão da empresa do Simples Federal (fls. 01/02), tendo sido emitido o ADE n º 38/2004, da DRF/CXL que excluiu a empresa do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (fl. 28). Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a interessada opôsse contra os efeitos retroativos do ato de exclusão e pediu, ao final, para que a exclusão somente surtisse efeitos a partir de 01/01/2005, anocalendário subseqüente ao que fora emitido o ADE ou, alternativamente, para que os efeitos retroagissem a 01/11/2004, mês subseqüente à ciência do ato de exclusão (fls. 33/41). A 4a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a inconformidade ao argumento de que a IN SRF n º 608/2006 delimitou os efeitos da exclusão, no caso da contribuinte, a 01/01/2002, conforme artigo 24. (fls. 92/94). Cientificada da decisão, em 03/03/2008, como demonstra a cópia do AR de fl. 66, apresentou a interessada, em 25/03/2008, o recurso voluntário de fls. 99 e ss, no qual, em Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002079/200423 Acórdão n.º 180101.121 S1TE01 Fl. 122 3 preliminares, afirma que o STF julgou inconstitucional a exigência de prévio arrolamento de bens para interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, e que teria havido cerceamento do direito de defesa pois não teriam sido apreciadas, pela turma julgadora de 1a. instância, todas as razões de inconformidade. No mérito reproduziu as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade a respeito da ilegalidade e inconstitucionalidade dos efeitos retroativos do ato de exclusão, reiterando os pedidos finais para que a exclusão somente surta efeitos a partir de 01/01/2005, anocalendário subseqüente ao que fora emitido o ADE ou, alternativamente, para que os efeitos retroajam a 01/11/2004, mês subseqüente à ciência do ato de exclusão É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Primeiramente, como bem lembrou a recorrente, o arrolamento de bens ou depósito prévio para garantia de estância foi considerado inconstitucional pelo STF e não mais é exigido, razão pela qual não houve cerceamento do direito de defesa sendo necessário discorrer a respeito do tema. No mérito, é fato que a contribuinte, na vigência da Lei nº 9.317, de 1996, descumpriu as exigências estabelecidas nesse comando normativo, para usufruir do benefício da apuração e pagamento simplificado de impostos e contribuições. E com base nesse mesmo comando normativo foi excluída da sistemática pela qual optou de forma indevida. A recorrente, contudo, não se opõe ao ato de exclusão do Simples, admitindo, assim, praticar atividade vedada para permanência na sistemática do Simples Federal, qual seja, a venda em vasilhames garrafa e garrafão partir de janeiro de 2002, de produtos decorrentes da industrialização de bebidas classificadas no capitulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). Sua contestação é dirigida aos efeitos da exclusão, retroativos a 01/01/2002. Resta, então, analisar os comandos legais vigentes a respeito dos efeitos da exclusão do Simples. Nesse sentido a Lei n º 9.317, de 1996, dispõe: Com a redação dada pelo artigo 14 da MP 218949 de 23.08.2001 Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: ... Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas.(*) (*)Com a redação dada pelo artigo 14 da MP 218949 de 23.08.2001 Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: ... II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; ... Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ... II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei; A redação deste inciso II foi dada pelo artigo 33 da Lei n º 11.196, de 21/11/2005. Não existia, portanto, à época em que foi proferido o Ato Declaratório 38/2004, mas permanece em vigor até a presente data sem que tenha sido introduzida, no dispositivo mencionado, qualquer alteração. E a IN SRF n º 608/2006, mencionada pela Turma de Julgadora de 1a. instância, não regulamentou de forma diferente o quanto estabelecido pela Lei n º 9.317, de 1996. Vejamos: IN SRF n º 608, de 2006: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: ... XVIII que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, de bebidas, cigarros e demais produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), sujeitos ao regime de tributação de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002079/200423 Acórdão n.º 180101.121 S1TE01 Fl. 123 5 que trata a Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989; mantidas até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. ... Art. 21. A exclusão do Simples será feita mediante comunicação da pessoa jurídica ou de ofício Art. 22. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: ... II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 20; ... Art. 23. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do art. 22, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; ... Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: ... II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIII e XVI a XVIII do art. 20; A interpretação dada pelo dispositivo acima pela Turma Julgadora de 1a. instância foi além do que dispõe o próprio comando normativo. Aquela autoridade consignou, ainda, que seriam aplicáveis, ao caso, o quanto disposto nos IX e parágrafo 1o., inciso II do artigo 24: Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: ... IX a partir da data dos efeitos da opção quando nesta data incorrer nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIII e XVI a XVIII do art. 20. Os efeitos da opção, como menciona o inciso IX acima, restaram implementados em 01/01/2001, como decidiu a DRF em Caxias do Sul/RS ao julgar a SRS (fls. 03/04) apresentada contra o Ato Declaratório Executivo n º 454.059, de 07/08/2003 (fl. 05), que havia excluído a empresa do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2001. Pela decisão a empresa foi mantida no Simples Federal com efeitos a partir de 01/01/2001, data de Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 sua opção. Mas nessa data, ao contrário do que prevê o inciso IX acima, ela não havia incorrido na hipótese excludente prevista no inciso XVIII do artigo 20. A situação excludente somente ocorreu em janeiro de 2002, quando a empresa passou a comercializar em vasilhames as bebidas alcoólicas classificadas no capitulo 22 da TIPI. Portanto, o inciso IX do artigo 24 acima não é aplicável ao presente caso. Os efeitos da exclusão do Simples, no presente caso, são aqueles determinados pelo inciso II do artigo 15 da Lei n º 9.317, de 1996, reproduzido pelo inciso II do artigo 24 da IN SRF n º 608, de 2006 e se verificam a partir do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação excludente, portanto, em fevereiro de 2002, já que a situação excludente, como fartamente consignado, ocorreu a partir de janeiro de 2002. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que os efeitos da exclusão do Simples Federal sejam aplicados a partir de 01/02/2002. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13401.000667/2006-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2003 PROCESSO FISCAL. NULIDADE – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Tem-se como nulos os autos de infração (IRPJ e CSLL) que não descrevem os fatos que fundamentam a exigência fiscal (artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72), pois, não demonstram a base de cálculo que importa no recolhimento a menor do tributo devido, restando impedida a autuada de elaborar plenamente sua defesa o que caracteriza ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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NULIDADE – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Temse como nulos os autos de infração (IRPJ e CSLL) que não descrevem os fatos que fundamentam a exigência fiscal (artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72), pois, não demonstram a base de cálculo que importa no recolhimento a menor do tributo devido, restando impedida a autuada de elaborar plenamente sua defesa o que caracteriza ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gilberto Baptista. Relatório Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e bem resumir a lide adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.469/470) que transcrevo a seguir: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL: Tributo Fls. Imposto!Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional Total R$ IRPJ 04 531,64 255,15 398,73 1.185,52 CSLL 234 1.467,09 660,17 1.100,31 3.227,57 Total 4.413,09 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 05, foram constatadas divergências entre os valores declarados e/ou pagos e os valores escriturados. Diferenças que foram apuradas pelo cotejo entre os valores de receitas escriturados no Registro de Apuração do IPI e os constantes do Registro de Apuração do ICMS e do Razão, tudo relativamente ao anocalendário de 2003. Fato que originou a tributação do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores com respectivos enquadramentos legais listados às fls.05 e 235. Devidamente intimada, a autuada apresentou impugnações às fls. 210 a 218 e fls. 441 a 449, de igual teor, fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Afirma que a empresa é sociedade empresarial limitada que atua no comércio varejista e atacadista de pneumáticos e câmara de ar e que de acordo com o parágrafo único do art. 5° da Lei 10.485/2002, que transcreve à fl. 211, a empresa tem alíquota reduzida a zero para as contribuições do PIS e COFINS. DA PRELIMINAR Considera que a descrição dos fatos deveria conter o completo relato da infração supostamente praticada com especificação das irregularidades encontradas e, no caso, o autuante se limitou a se reportar às planilhas anexadas, sem descrever com precisão a infração detectada o que macula o princípio da ampla defesa e do devido processo legal. A defesa tece diversos comentários, fls. 212 a 218, sobre aspectos inconstitucionais da taxa SELIC e da multa considerada confiscatória. Pede, ao final, caso haja indeferimento das questões preliminares seja julgado improcedente o lançamento, em caso de entendimento diverso, seja determinada a exclusão dos juros SELIC e redução da multa pelas razões elencadas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo os lançamentos do IRPJ e CSLL, mediante o Acórdão nº 1121.310, de 20/12/2007, da 3ª Turma da DRJ/Recife/PE (fls.468/472), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13401.000667/200635 Acórdão n.º 1802001.253 S1TE02 Fl. 514 3 Anocalendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. O sujeito passivo foi cientificado da mencionada decisão em 24/07/2008 e, protocolizou o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 20/08/2008, fls.479/499, no qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: que, no seu julgamento, a autoridade de 1ª. Instância não levou em consideração nenhum dos argumentos expendidos na peça impugnatória, desprezandoos por completo e ignorando o pedido de diligência efetuado; que, reafirma todos os termos da inicial, reforçando especificamente a decadência do direito de lançar e o erro na apuração das bases de cálculo do lançamento. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO que, o agente fiscal autuante, na pressa em concluir a fiscalização, não indicou, como era indispensável, a descrição minuciosa da infração objeto da exigência fiscal, optando por uma descrição simplória e confusa dos fatos, alguns deles sem qualquer relação direta com a pretensa irregularidade fiscal objeto, ao final, do lançamento, o que fere frontalmente o art. 10, no seu inciso III, do Decreto n° 70.235/72, incidindo, assim, na nulidade prevista no art. 59, do citado instrumento normativo. que, a descrição do fato é, portanto, essencial, pois a tipicidade é inerente à tributação. O fato é a situação existente é que autoriza o lançamento fiscal. que, foram objeto de lançamento em cada auto de infração acusações vagas, principalmente no que tange à apuração das bases de cálculo, remetendose a descrição dos fatos para um confuso e genérico relatório fiscal; que, os procedimentos fiscais de ofício (AUTOS DE INFRAÇÃO)restaram impostos injusta e arbitrariamente à empresa uma vez que formalmente lavrados contra expressa disposição do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal Federal. Desta forma, argumentos insuficientes e uma metodologia confusa e extremamente imprecisa, adotados neste caso pelo agente fiscal da SRF, não podem nem devem ser considerados como pressupostos válidos para fundamentar uma exação fiscal. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Como reforço de suas acusações transcreve doutrina e jurisprudência das fls.482/486. DA IMPRECISÃO DAS BASES DE CÁLCULO que, as exigências fiscais fundamentamse numa presumida FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO e/ou DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO, entretanto as bases de cálculo sobre as quais se assenta a ilegítima pretensão do fisco não constam devidamente explicitadas no questionado auto de infração. Há valores que realmente não foram recolhidos ao fisco, entretanto não atingem o montante exigido no lançamento formalizado contra este contribuinte. Por mais que goze da presunção de legitimidade não tem a autoridade fiscal o poder de determinar base de cálculo de tributo baseada em suas próprias considerações. Ao contrário, deve investigar, averiguar, apurar as bases de cálculo do tributo, para tanto compulsando todos os elementos da escrita fiscal e contábil do contribuinte. O ônus da prova dos elementos constitutivos do seu direito (inclusive a base de cálculo) é exclusivo do fisco, que tem a obrigação de deixar cabalmente demonstrada a pertinência dos valores que leva a lançamento. Agir de maneira diferente ocasiona evidente cerceamento ao direito defensório do autuado; que, a maioria (senão a totalidade) das bases de cálculo apontadas pela fiscalização e carreadas para os autos de infração encontramse eivadas de absoluta imprecisão. Assim é que o fiscalizado, dentro do prazo concedido para defesa (30 dias), efetuou um minucioso e acurado levantamento das bases de cálculo com base nos livros fiscais e contábeis apurando os valores que constam das planilhas anexas que são a expressão da Verdade Material e que divergem dos levantados pela fiscalização. que, a empresa é tributada pelo Lucro Presumido, tendo a obrigação contábil, de manter o Livro Caixa, entretanto optou por escriturar e manter Livro Razão, o qual, por uma falha do profissional encarregado da contabilidade, registra valores de receitas completamente dissociados da realidade fiscal e fática do contribuinte. Devem portanto ser levados em consideração os valores, constantes nos Livros fiscais e notas fiscais emitidas, e, não aqueles incorretos valores escriturados no Livro Razão. que, as planilhas anexas levantadas pelo defendente são bastante esclarecedoras da situação fiscal que se pleiteia. Entretanto,, caso alguma dúvida persista, desde já roga que seja o processo baixado em diligência para que a própria Autoridade preparadora possa comprovar o equívoco cometido no levantamento das bases de cálculo, e assim, confirmar os valores que constam nas mencionadas planilhas. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR que, além dos vícios e imprecisões acima referidas, ocorre que há nítida decadência do direito de lançar em relação a algumas competências sobre as quais foram arbitrariamente efetuados lançamentos contra a Autora: períodos anteriores a Dezembro/2000; que, em se tratando de tributos sujeitos à ulterior homologação pela Administração, é sabido que o pagamento realizado pelo contribuinte somente se toma definitivo e imodificável com a homologação expressa da autoridade administrativa competente ou com o transcorrer dos cinco anos previstos no artigo 150, Parágrafo 4º do CTN, sem qualquer manifestação da Fazenda Pública. Sobre a decadência discorre das fls.487/493, e, sobre o POSICIONAMENTO DEFINITIVO DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, com relação ao PIS e a COFINS, das fls.493/497. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13401.000667/200635 Acórdão n.º 1802001.253 S1TE02 Fl. 515 5 Finalmente requer, o reconhecimento da absoluta nulidade/improcedência da exigência fiscal em questão, em todos os seus termos. Requerse para tanto, inclusive, a adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o completo afastamento das suspeitas fiscais em questão, se ainda persistirem, principalmente a realização de diligência fiscal para comprovar a exatidão dos valores constantes nas planilhas anexas, valores estes que, por si sós, são suficientes para determinar a improcedência de parte substancial da lançamento. Por fim, o recorrente requer seja dado total provimento ao recurso e cancelados os autos de infração. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado e da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 05 e 235 (auto de infração do IRPJ e auto de infração da CSLL), no procedimento de verificações obrigatórias pela fiscalização foram constatadas divergências entre os valores declarados e/ou pagos e os valores escriturados. Consta que, as diferenças foram apuradas pelo cotejo entre os valores de receitas escrituradas no Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e o Livro Razão, relativamente ao ano calendário de 2003. O autuante afirma que, de acordo com o RAIPI o total de receitas do mencionado ano de 2003 foi superior àquele calculado com base nos livros: Registro de Apuração do ICMS (RAICMS) e Razão do mesmo ano. Fato que originou o auto de infração do IRPJ: 1º e 3º trimestres (31/03/2003 e 30/09/2003) e da CSLL para os fatos geradores, 1º, 3º e 4º trimestres (31/03/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003) com respectivos enquadramentos legais. A recorrente, dentre outros argumentos, alega que as bases de cálculo sobre as quais se assenta a pretensão do fisco não constam devidamente explicitadas no questionado auto de infração. Há valores que realmente não foram recolhidos ao fisco, entretanto não atingem o montante exigido no lançamento formalizado contra este contribuinte. Por mais que goze da presunção de legitimidade não tem a autoridade fiscal o poder de determinar base de cálculo de tributo baseada em suas próprias considerações. Ao contrário, deve investigar, averiguar, apurar as bases de cálculo do tributo, para tanto compulsando todos os elementos da escrita fiscal e contábil do contribuinte. O ônus da prova dos elementos constitutivos do seu direito (inclusive a base de cálculo) é exclusivo do fisco, que tem a obrigação de deixar cabalmente demonstrada a pertinência dos valores que leva a lançamento. Agir de maneira diferente ocasiona evidente cerceamento ao direito defensório do autuado. De fato em relação ao IRPJ, à fl.06, consta um demonstrativo intitulado COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (APURAÇÃO SINTÉTICA), no qual contém apenas os valores mensais das receitas de venda e receitas de serviços do ano de 2003, e, à fl.07, a planilha intitulada: DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA na qual contém “Base de Cálculo”, “Alíquota” e “Principal”. Consta a observação: Fonte: Planilha de Base de Cálculo, Apuração de Débitos e Planilha de Pagamentos. Ocorre que, a planilha dita como fonte (Planilha de Base de Cálculo, Apuração de Débitos e Planilha de Pagamentos.) não consta dos autos. Assim, o autuante não demonstra a apuração da base de cálculo utilizada para a aplicação da alíquota do tributo devido indicado no auto de infração. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13401.000667/200635 Acórdão n.º 1802001.253 S1TE02 Fl. 516 7 Insistese, das planilhas (fls.06/07) bem como da Descrição dos Fatos (fl.05) não restam demonstrados os valores declarados e/ou pagos e os valores escriturados, a esclarecer as diferenças entre os valores de receitas escrituradas no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), as dita apuradas pela fiscalização, e, os valores já declarados/pagos com base no Registro de Apuração do ICMS e Livro Razão, de modo a evidenciar a apuração da base de cálculo e o débito. O mesmo se observa em relação à CSLL (auto de infração e planilhas, fls.235/238). Sequer consta dos autos, cópia da DIPJ/2004 para o confronto das receitas declaradas x apuradas pela fiscalização. Não se sabe quais das receitas constantes da planilha fl.06 (IRPJ) e fl.237 (CSLL) não foram declaradas ao fisco. O autuante não demonstra quais receitas mensais declaradas são inferiores ao apurado pelo Registro de Apuração do IPI (RAIPI), com notas fiscais emitidas. Não há planilha que faça o Comparativo Receita Bruta Apurada X Receita Bruta Declarada, Ano Base 2003. Apesar de, a fiscalização descrever a divergência como motivo da autuação, conforme explicado acima, constatase que o lançamento tributário foi realizado sem os demonstrativos dos valores adotados, considerados como elementos necessários, à quantificação do fato gerador da obrigação tributária. Além da descrição dos fatos de maneira clara, é preciso apresentar ao processo os elementos que levaram àquela conclusão. Conforme determinação expressa no artigo 142 do CTN, na atividade do lançamento, compete à autoridade administrativa determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. O autuante não se desincumbiu do seu mister, nos termos do artigo 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72, pois, não demonstrou as diferenças entre os valores das receitas escrituradas no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), e, os valores já declarados/pagos com base no Registro de Apuração do ICMS e Livro Razão, de modo a evidenciar a apuração do débito. É preciso que os fatos conhecidos pelo autuante que fundamentam a exigência sejam apresentados no processo de forma clara. O autuante não demonstrou a base tributável (lucro presumido), base de cálculo do IRPJ e CSLL, ou seja, não restou demonstrada a apuração resultante da aplicação dos percentuais fixados em lei sobre as receitas não declaradas, de modo a explicitar a falta de recolhimento do IRPJ e CSLL a justificar o lançamento de ofício. Deveria o autuante ter informado o Valor Declarado (R$), Valor Alterado (R$), Base de Calculo (R$) e Diferença Apurada (R$). Como se vê, a insuficiência de informações cerceia a defesa do contribuinte. Desse modo, temse como nulos os autos de infração (IRPJ e CSLL) que não descrevem os fatos que fundamentam a exigência fiscal (artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72), pois, não demonstram a base de cálculo que importa no recolhimento a menor do tributo devido, restando impedida a autuada de elaborar plenamente sua defesa o que caracteriza ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa (artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988). LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 520DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13987.000148/2002-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de análise de recurso especial contra decisão unânime interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão nº 20181352. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 NORMAS PROCESSUAIS. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento desbordando de sua competência. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo sido comprovada a existência e regularidade da medida judicial, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado. Recurso voluntário provido.” A Fazenda Nacional, com fundamento no inc. II do art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte c/c no inc. II do art. 7" do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, apresentou Recurso Especial solicitando a reforma da decisão proferida. Por meio do Despacho nº 2101043, fls. 204 e 205, deuse seguimento ao recurso na forma a seguir exposta: Consta do exame de admissibilidade (fls. 204 e 205) o seguinte: Quanto à divergência, a Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a decisão que motivou o cancelamento do lançamento fundamentado na falta de comprovação de existência de processo judicial informado em DCTF não teria fulcro na melhor análise da prova dos autos e da legislação pertinente. Alega que os fundamentos da autuação teriam sido a falta de recolhimento ou pagamento do principal ou a declaração inexata e que não houve cerceamento ao direito de defesa. Argumenta pela manutenção do lançamento para prevenir a decadência e discorda de que a fundamentação do lançamento tenha sido a falta de comprovação de processo judicial. Ademais, entende que como os créditos vinculados nas compensações apresentaram saldo a pagar igual a zero, devese, por força de lei, manter a autuação nessa parte. Para se contrapor à decisão recorrida, a Procuradoria apresentou como paradigmas os acórdãos 10194.649, 20310.006, 10247.809 e 20311.781. 8. Passemos à análise da divergência. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13987.000148/200218 Acórdão n.º 930301.696 CSRFT3 Fl. 215 3 8.1 Quando ao argumento de que o lançamento deve ser mantido para prevenir a decadência, os acórdãos 10194.649 e 203 10.006 estabelecem a divergência, uma vez que enfrentando situação idêntica decidiram que a existência de ação judicial não impede a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, com a finalidade de prevenir a decadência. 8.2 No que diz respeito ao entendimento de que os créditos vinculados nas compensações apresentaram saldo a pagar igual a zero, restando tributo a ser recolhido, devese, por força de lei, manter a autuação nessa parte, a recorrente apresentou como paradigmas os acórdãos 10247.809 e 20311.781. Em ambos foi decidido que os saldos a pagar de valores declarados em DCTF como pagos devem ser lançados de oficio. 8.2.1 Assim, verificase que os acórdãos estabeleceram a divergência quanto à questão. 8.3 No que diz respeito à inexistência de cerceamento ao direito de defesa de modo a ensejar a nulidade da decisão e à argumentação de que a motivação do lançamento não foi a falta de existência de processo judicial, a recorrente não apresentou acórdão paradigma. 9. Pelo exposto e sendo tempestivo o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: I — NEGO seguimento ao Recurso Especial, por falta de comprovação de divergência, quanto às questões mencionadas no item 8.4. II — RECEBO o recurso, por terem os acórdãos divergentes indicado suporte fático comum com o acórdão recorrido quanto à alegação de que deve ser mantido o lançamento para prevenir a decadência e de que tendo os créditos, vinculados nas compensações, apresentado saldo a pagar igual a zero devese, por força de lei, manter a autuação nessa parte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. ADMISSIBILIDADE Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Consta do recurso da d. Procuradora o que a seguir peço vênia para transcrever: II DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Para a perfeita caracterização da divergência jurisprudencial, é importante assentar algumas premissas a partir das quais se definirá em que aspectos o r. acórdão recorrido contraria os precedentes do Conselho de Contribuintes. Vejase: a) a razão subjacente ao lançamento, qual seja, a falta de recolhimento do tributo foi devidamente consignada no auto de infração; b) à época da autuação, faziase necessária a constituição do crédito tributário nas hipóteses em que o saldo a pagar declarado nas DCTFs fosse zero, haja vista que, nesses casos, não se tinha nenhum valor confessado; c) o Fisco tem o direito de constituir crédito tributário para prevenir decadência, independentemente de estar vigendo hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito; Todos os pontos acima detalhados convergem para que se conclua pela manutenção do lançamento, na esteira da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Urge reconhecer, por outro lado, que, em diversas oportunidades, este Eg. Conselho de Contribuintes reconhece o direito do Fisco de constituir o crédito tributário quando os saldos a pagar em DCTF são iguais a zero, para efeito de prevenir decadência do crédito tributário, mesmo que estes efeitos perseguidos não estejam expressos no auto de infração. Resta patente que a causa do lançamento e a sua fundamentação é a falta de recolhimento, o que não se confunde com os efeitos acessórios perseguidos. Descabe, por afronta aos princípios da eficiência e razoabilidade, exigir que o Fisco troque um lançamento por outro com o mesmo motivo "FALTA DE RECOLHIMENTO". Ao dispensar o lançamento, a r. decisão vergastada infringiu a orientação dos precedentes deste tribunal administrativo, afinal, independentemente da existência de causa de suspensão da exigibilidade do crédito, é possível que o Fisco proceda ao lançamento, ou mesmo que o preserve, para prevenir decadência. Esta é uma determinação da lei e da jurisprudência do Eg. Conselho de Contribuintes tão cristalina que se mostra desarrazoado o cancelamento da autuação para que outra idêntica seja efetuada em seu lugar. Confirase, inclusive, a perfeição com que o próximo paradigma colacionado se amolda ao caso concreto. Tratase de hipótese em que a causa primária do lançamento estava acobertada pela Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13987.000148/200218 Acórdão n.º 930301.696 CSRFT3 Fl. 216 5 ação judicial, mas entendeuse por bem mantêlo para efeito de evitar a decadência, verbis: "Acórdão 10194649 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA MULTA DE OFÍCIO Se no momento do lançamento o procedimento do sujeito passivo que lhe daria causa estiver ao abrigo de medida liminar ou de tutela antecipada concedida em ação judicial, a constituição do crédito tributário se destina a prevenir a decadência, não cabendo a exigência da multa de ofício." Percebese, ainda, que o r. acórdão recorrido não aplicou o escólio da jurisprudência do Conselho de Contribuintes, segundo o qual devese proceder à constituição do crédito tributário, quando as DCTFs apresentem saldo igual a zero. Calha transcrever mais estes paradigmas: "Acórdão nº 20310006 DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS. SALDOS NULOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO.PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de divida. Nos termos das IN SRF nº 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio." "Acórdão 10247809 DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA SALDO A PAGAR Somente o saldo a pagar informado na DCTF configurase em confissão de dívida, que não comporta lançamento de ofício e sim a cobrança desse saldo. Na hipótese de o contribuinte informar que o débito declarado teria sido integralmente extinto mediante pagamento, que em realidade não foi realizado, correta a lavratura de auto de infração para constituição do crédito tributário. Recurso negado." "Acórdão nº. 20311781 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS DECLARADA EM DCTF. INDEFERIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. Compensação com créditos de terceiros cujo direito não foi reconhecido ao cedente resta impossibilidade, pelo que cabe o lançamento do crédito tributário contra o cessionário, no valor correspondente ao débito compensado. PIS FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 01/1997 E 02/1997. VALORES DECLARADOS EM DCTF COM Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI Nº 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo a multa de ofício respectiva exonerada em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei nº 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso negado." Por óbvio, estes paradigmas também se enquadram na problemática discutida no presente processo, considerando que os créditos vinculados nas compensações apresentaram saldo a pagar zero, devendose, por força de lei, manter a autuação nesta parte. Quanto a estes períodos de ausência de pagamento, não houve a confissão da divida necessária para evitar o perecimento do crédito tributário. Com isso, demonstrouse, à exaustão, que a r. decisão guerreada afrontou a jurisprudência deste Eg. Conselho de Contribuintes, cancelando um auto de infração que, à luz dos precedentes transcrito, seria mantido, razão pela qual deve ser conhecido o presente recurso. (...) IV PEDIDO Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, em razão das divergências apontadas, e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido, restaurandose o lançamento promovido. Passo às considerações: Entendase por divergência a interpretação de maneira diversa a mesma norma a fatos iguais. Nos termos do então Regimento Interno (Portaria n.º 147/2007) e de acordo com o parágrafo 6º do art. 67, Anexo II, do atual RICARF, a divergência deve ser “demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Neste sentido, ao recurso especial de divergência cabe destacar especificamente os aspectos abordados pelo Acórdão recorrido e cotejálos com os enfrentados no Acórdão apontado como paradigma. Isto é, deve ser demonstrada, analiticamente, a divergência entre as razões de decidir do Acórdão recorrido com as razões de decidir do Acórdão dito paradigma. No caso em questão, a decisão recorrida cancelou o lançamento por entender que (SIC): “O presente lançamento decorre da declaração registrada em DCTF de compensação efetuada com supedâneo no Processo Judicial n2 96.60013272, sendo que a autoridade fiscal entende tratarse de "falta de recolhimento ou pagamento do principal, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13987.000148/200218 Acórdão n.º 930301.696 CSRFT3 Fl. 217 7 declaração inexata", sob a ocorrência de processo judicial não comprovado. A decisão recorrida, com base na Informação Fiscal de fls. 39/40, considerou que a contribuinte não fez parte da indigitada ação judicial. Por outro lado, a ora recorrente, conforme relatado, apresentou o extrato de consulta junto à internet, de modo a demonstrar sua participação na demanda judicial. (...) Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81). Assim, tendo em vista que o lançamento não teve como motivação a ausência de crédito tributário para a compensação pretendida, originandose, tãosomente, de processo judicial não comprovado, até porque o processo não foi objeto de análise prévia, e tendo sido, posteriormente, demonstrada a regular existência de medida judicial correspondente, repisese, não pode a autoridade julgadora suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora; agravando a exigência, modificando os argumentos, fundamentos e motivação do auto, nem tampouco aprimorar o lançamento. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para acolher o cancelamento do auto de infração, e seus consectários. Mantêmse os débitos existentes em DCTF, na forma declarada pela contribuinte. Com efeito, carece o recurso especial em tela do requisito básico de admissibilidade, como sendo, a demonstração de similitude fática entre o Acórdão recorrido e os apontados como divergentes. Sem haver similitude fática não há como contestar que a solução aplicada de forma diversa em um e em outro Acórdão, uma vez que para fatos diferentes, aos dispositivos legais emprestase outra interpretação, conforme o Direito aplicado. Não há como contrapor Acórdãos em que as causae petendi apresentamse distintas. De fato, é isso o que ocorre no Recurso ora em julgamento. Deveria, com a máxima vênia, ter trazido aos autos, como paradigma, Acórdão em que tivesse ocorrido mudança na fundamentação legal e ainda assim, mantido o lançamento. Este é o fulcro da decisão recorrida. Não foi a questão “da prevenção da decadência”, e nem sequer a questão de “ vinculação de créditos, vinculados nas compensações, apresentado saldo a pagar igual a zero”. Além do mais, contém do Despacho de admissibilidade, contradição/erro, ao se referir ao item 8.4, omisso no referido documento, conforme transcrição no relatório, a seguir Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 transcrito novamente (SIC): I NEGO seguimento ao Recurso Especial, por falta de comprovação de divergência, quanto às questões mencionadas no item 8.4. Inexiste no caso, a demonstração de similitude fática entre o acórdão recorrido e os apontados como divergentes. CONCLUSÃO: Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos com o pedido pela recorrente, não há como se conhecer do recurso especial. Maria Teresa Martínez López Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000114/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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score : 1.0
Numero do processo: 15165.002600/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Tratando-se de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e a aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindo-lhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.015
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral Dr. Adriano Digiácomo, OAB/SC 14.097.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratando-se de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e a aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindo-lhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratandose de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e a aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindolhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral Dr. Adriano Digiácomo, OAB/SC 14.097. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 26 00 /2 01 0- 87 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 659 3 Relatório Tratam os autos de auto de infração aduaneiro, relativo a Imposto de Importação, IPI, PISImportação e COFINSImportação no valor consolidado de R$26.950.705,93 (vinte e seis milhões, novecentos e noventa mil, setecentos e cinco reais e noventa e três centavos), incluindo principal, multa (proporcional e regulamentar) e juros, calculados até 30/07/2010, referente à reclassificação fiscal de várias Declarações de Importação registradas entre 01/2006 a 03/2010. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 482 (numeração eletrônica), em procedimento de fiscalização foram apuradas incorreções na informação do número de classificação fiscal de diversos tipos de processadores importados pelo sujeito passivo, havendo divergência no fato de serem os mesmos considerados placas de microprocessamento montadas com diversos componentes, dentre os quais um microprocessador (Classificação NCM 8473.30.43 – com cooler e 8473.30.49 – sem cooler) ou circuitos integrados híbridos (cujos diversos componentes não formam um todo indissociável – classificação NCM 8542.31.20). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 03/05/2010, através do Termo de Ciência de fls. 505 (numeração eletrônica), o contribuinte apresentou em 14/10/2010, as fls. 516 (numeração eletrônica), sua Impugnação Administrativa, alegando, em resumo, os seguintes fundamentos: Que o intuito do Auditor Fiscal era puramente autuar a empresa e não levantar a verdade material dos autos, pois que o mesmo questionou o contribuinte se as mercadorias “formavam um todo indissociável”, enquanto que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) classifica o item importado pela Impugnante como “praticamente indissociável”, induzindo a mesma a uma resposta tendenciosa, uma vez que não se pode afirmar que “todo indissociável” seja o mesmo que “praticamente indissociável”; Que pode ser confirmado por perícia o fato de que o componente por ela importado é praticamente indissociável, seguindo a NESH; Que há contradição nos argumentos motivadores do lançamento, uma vez que a Autoridade Administrativa afirma não ter observado na documentação apresentada pelo contribuinte, em sede de fiscalização, se os produtos por ela importados são compostos de componentes passivos ou ativos, ao mesmo tempo em que afirma que os “capacitores são componentes passivos que compõe o produto”; Que a fiscalização deveria ter citado a íntegra da NESH, na qual constam as exceções das exclusões da posição 8542, pois que nela se pode verificar que as combinações “praticamente indissociáveis”, como é o caso de seu produto, estão excetuadas das exclusões da mencionada posição; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Que os próprios fabricantes dos produtos cuja classificação está sendo questionada nos autos já mencionaram ter inicialmente utilizado a classificação 8542.31.90, contudo, tendo a DRF Campinas imposto que o mesmo readequasse sua classificação para a posição 8542.31.20, alteraramna conforme orientado, o que demonstra que nem mesmo os Auditores Fiscais possuem um entendimento único acerca da correta classificação a ser exigida dos contribuintes; Que foram alterados os critérios jurídicos da classificação discutida, não se impondo ao mesmo retroativamente sua obediência; Que em sites de outros fabricantes de computadores, através da lista de insumos lá relacionada, podese verificar que os processadores por estes utilizados possuíam a mesma classificação utilizada pela Impugnante, qual seja, 8542.31.20; Que o Auditor Fiscal, apesar de defender que a classificação fiscal é regida pelo artigo que lhe confere a característica essencial, reconhece que o produto importado pela impugnante é um “processador” e que este é o “cérebro do microcomputador”, não aplicando sua própria máxima ao caso em tela; Que a classificação fiscal correta para o produto é a de nº. 8542.31.20, tendo a mesma sido efetuada conforme dispõem as regras gerais para Interpretação de Sistemas Harmonizados e amparadas pela NESH; Solicitou ao final perícia técnica, formulando os quesitos entendidos como pertinentes. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (DRJ/FNS), houve por bem em considerar procedente a Impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0726.981, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 FALTA DE PROVAS. E ônus do Fisco instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Em apertada síntese a DRJ julgadora houve por bem em cancelar a autuação discutida, por entender que para a formação da convicção quanto ao correto e adequado enquadramento do código NCM de um produto, é indispensável conhecer, com detalhes, todas as suas características, sendo que a fiscalização lastreou sua convicção apenas em seus próprios argumentos, sem a devida comprovação documental, não sendo possível dispensar a apresentação de documentos comerciais, técnicos, laudos e pareceres – emitidos por profissionais qualificados/habilitados, hábeis a fazer o pronunciamento sobre os aspectos Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 660 5 técnicos necessários à correta identificação das mercadorias, tendo sido falha a fiscalização neste tocante. DO RECURSO DE OFÍCIO Por ter sido atingida a alçada prevista na Portaria Ministerial da Fazenda nº. 03/2008 houve recurso de ofício pela DRJ/FNS. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 volumes, numerado até a folha 657 (seiscentos e cinqüenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Considerando que os valores exonerados superam a alçada, atualmente fixada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conheço do Recurso do Ofício. Trata este processo administrativo de Auto de Infração em que se exige os tributos aduaneiros (II, IPI, Pis e CofinsImportação e multas), em função de revisão aduaneira na qual a Administração reclassificou os produtos importados pela Recorrente para as Posições NCM´s 8473.30.43 (Placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, inclusive em cartuchos) e 8473.30.49 (Outros), divergindo da classificação que vinha sendo empregada pelo contribuinte, na Posição NCM 8542.31.20 (Processadores e controladores , mesmo combinados com memórias, conversores, circuitos lógicos, amplificadores, circuitos temporizadores e de sincronização, ou outros circuitos – Montados ou próprios para montagem em superfícies). Em apertada síntese, entendeu a autoridade autuante, que os produtos importados pelo contribuinte não formariam um “todo indissociável”, eis que poderia ser considerado como uma parte ou componente, ainda que seja o principal (processador), mas que na verdade deveria acoplarse a outros componentes elétricos ou eletrônicos. Logo, por entender que não formaria um todo indissociável, entendendo tratarse de um parte, ainda que seja a principal do processador, houve por bem em reclassificar o produto importado. Por sua vez, o sujeito passivo, também em apertada síntese e naquilo que respeita ao mérito, sustenta que seu produto, por sua própria natureza, é definido como sendo “praticamente indissociável”, e, como tal, preenche o requisito da NESH de ser classificado como um “todo indissociável”, trazendo elementos comprobatórios de suas afirmações e requerendo a produção da prova pericial com a indicação de quesitos. A matéria, à obviedade, e preponderantemente técnica, no sentido de se identificar se os produtos importados pelo sujeito passivo formam mesmo um todo indissociável, sua aplicabilidade e atributos, ou se, ao contrário, não preenchem esses requisitos técnicos e portanto, deve prevalecer a reclassificação fiscal atribuída pela Fiscalização. Em assim sendo, verificase que a decisão unânime proferida pela DRJ/FNS, acabou por entender que a Administração Tributária não comprovou os aspectos técnicos que permitiriam efetivar a reclassificação fiscal das mercadorias importadas pelo contribuinte, tendo apenas lastreado o lançamento nos argumentos contidos no Termo de Verificação Fiscal, confeccionado pelo próprio fiscal autuante. Vejamos o que de essencial se colhe da decisão objeto de reexame de ofício: “A fiscalização lastreou o seu lançamento nos argumentos apresentados no ´Termo de Verificação Fiscal´ (fls. 479 a 488), documento lavrado pela própria fiscalização. As informações técnicas e descritivas das mercadorias que estão consignadas neste documento carecem da devida comprovação documental. Dada a natureza das mercadorias em apreço, e todos os aspectos inerentes à classificação fiscal da mesma, não e ́ possível ser dispensada a apresentação dos documentos comerciais, técnicos, laudos ou pareceres, estes últimos emitidos Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 661 7 por profissional qualificado e habilitado a fazer o pronunciamento sobre os aspectos tećnicos necessários à correta identificação das mercadorias. A fiscalização não juntou aos autos cópia dos documentos relacionados aos despachos de importação que deram origem ao lançamento lavrado. Portanto, com base nos documentos existentes nos autos sequer é possível aferir qual a descrição das mercadorias efetivamente utilizada, pela interessada, nas operações de importação. Por outro lado, considerando a hipótese de a listagem contida no ´Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação n° 2´ (fls. 489 a 495verso) apresentar descrição das mercadorias contidas nas declarações de importação, a situação se agrava, pois o que se vislumbra é que se tratam de dezenas (ou centenas) de mercadorias com descrições divergentes (´microprocessadores´ e ´processadores´ de diversos modelos), dado que haveria de se levar em conta as especificidades da tecnologia aplicada nos diversos modelos.” – Grifei. Assim sendo, entendeu a DRJ que não cumpriu a Fiscalização com o ônus que lhe incumbia de lastrear o lançamento com a prova de que a classificação que pretendia empregar estava tecnicamente correta, em detrimento daquela empregada pelo contribuinte. Vejamos mais uma passagem da decisão: “O caso dos autos é daqueles em que não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a natureza das mercadorias, o caso não se limita interpretação da descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, mas à própria natureza da mercadoria importada: sua composição e constituição. Assim, não basta apenas que a Descrição do Fato, requisito obrigatório do auto de infração nos termos do inciso III, do artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, contenha a necessária concatenação de idéias que permitam fazer a ligação entre todos os elementos que compõem a autuação. E imprescindível que os elementos de prova sejam apresentados e atestem que os fatos atribuídos ao contribuinte se alinham com os dispositivos legais relacionados ao caso.” Entendo ter agido corretamente a decisão sob reexame de ofício. Isso porque, como bem se sabe, é ônus de quem alega a prova do direito de que se diz titular. Assim o estabelece o art. 333 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo tributário: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Assim, assiste razão a decisão proferida pela DRJ/FNS, pois que em sede de Auto de Infração, em que a Administração impinge ao sujeito passivo a prática do fato gerador ou de uma infração, exigindolhe o tributo e aplicandolhe a penalidade correspondente, é ônus dela comprovar o fato constitutivo do direito ao crédito tributário correspondente. Discorrendo sobre o ônus da prova em sede fiscal, PAULO CELSO BERGSTROM BONILHA, em sua obra “Da Prova no Processo Administrativo Tributário” (Ed. LTR, 1992, p. 93), assim explicita: “De fato, com a obra de Gian Antonio Micheli, os efeitos processuais da presunção de legitimidade dos atos administrativos foram devidamente equacionados, evidenciando se a imprestabilidade dos argumentos que o invocaram para justificar a exoneração da prova da administração. Eis a lição do grande mestre peninsular: Não pode ser, ao reverso, invocada a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de dúvida’. Como bem salientou o saudoso e ilustre professor que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma ‘relevatio ab onere agendi’ e não uma ‘relevatio ab onere probandi’, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas este atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” – grifei. Assim sendo, considerando que não bastava a articulação de argumentos no Termo de Verificação Fiscal, sem que estivesse corroborados por prova técnica hábil e capaz para demonstrar trataremse os produtos importados, de produtos dissociáveis uns dos outros, como afirmado pela Administração, realmente padece de higidez o lançamento, por contrariar ao disposto no art. 9º, do Decreto nº 70.235/1972, assim vazado: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” (grifamos) Inclusive em caso perfeitamente análogo ao ora sob exame, o qual versava sobre auto de infração lavrado em face de NOVA SOLUÇÕES DE INFORMATICA AS, empresa esta incorporada pela ora recorrente e que sofreu procedimento fiscal similar, a 1ª turma ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção do CARF proferiu julgamento assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 17/04/2006 a 03/04/2008 FALTA DE PROVAS. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 662 9 É ônus do Fisco instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Em se tratando de um auto de infração relativo à classificação de mercadorias, fazse imperiosa a instrução do lançamento com as declarações de importação e outras provas que corroborem a nova classificação imposta pela fiscalização. CIRCUITOS INTEGRADOS HÍBRIDOS. Restando demonstrado que as mercadorias importadas pela Interessada atendem aos requisitos previstos no texto da NESH referente à posição NCM 8542, é de se concluir que as premissas aduzidas pela fiscalização não devem prosperar, quer no plano formal, quer no plano material. (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão 3201001.170. Sessão de 27 de novembro de 2012). Do trecho do acórdão do relator conselheiro Daniel Mariz Gudiño constatase que o mesmo inclusive adentrou um pouco mais na analise do produto em si,como se vê pelos trechos abaixo transcritos: Mesmo que fosse possível superar essa deficiência do lançamento, convém ressaltar que a NESH da posição NCM 8473 estabelece textualmente que “Excluemse também desta posição [...] e) Os circuitos integrados (posição 85.42).” Logo, para que pudesse prevalecer a classificação fiscal proposta pela fiscalização, seria necessário descaracterizar as mercadorias importadas pela Interessada como circuito integrado. Porém, o motivo pelo qual a fiscalização entendeu que as mercadorias importadas pela Interessada não poderiam ser enquadradas como circuito integrado híbrido – existência de um dissipador de calor – decorre de uma interpretação também equivocada acerca da NESH da posição NCM 8542, [...] Segundo a fiscalização, o fato de as mercadorias importadas pela Interessada possuírem um dissipador de calor caracterizariam um conjunto obtido pela adição de um dispositivo a uma microestrutura eletrônica, e, por essa razão, não poderiam ser classificadas na posição NCM 8542. Ocorre que esse mesmo texto exclui dessa exceção os circuitos integrados híbridos, ou seja, é possível classificar na posição NCM 8542 os circuitos integrados híbridos obtidos pela adição de um dispositivo a uma microestrutura eletrônica, inclusive quando esse dispositivo é um dissipador de calor. Para afastar a classificação das mercadorias importadas pela Interessada na posição NCM 8542, a fiscalização deveria ter descaracterizado a própria natureza de circuito integrado híbrido, o que foi tentado também. De acordo com o “Termo de Verificação Fiscal”, a fiscalização entendeu que os componentes ativos e passivos das mercadorias em questão estavam dispostos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 de forma que poderiam ser removidos, o que contraria a conceituação de circuito integrado híbrido nos termos da NESH da posição NCM 8542, que, por sua vez, exige que tais componentes sejam “praticamente indissociáveis”. [...] Ora, afirmar que não é rentável o investimento em ferramentas para montar e testar o circuito integrado híbrido é o mesmo que afirmar que a retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam rentáveis. Em termos mais objetivos, é dizer que as mercadorias importadas pela Interessada são praticamente indissociáveis, e, portanto, são, sim, circuitos integrados híbridos. Resta demonstrado, pois, que as premissas que levaram à fiscalização a reclassificar as mercadorias importadas pela Interessada não se sustentam, quer no plano formal, quer no plano material. Em face do que se viu, embora, se para Administração não é possível refazer a classificação atribuída pelo sujeito passivo sem se verificar o produto, e também não seja possível para o órgão julgador firmar categoricamente que o produto correspondeu a descrição aposta nas DI’s (já que se trata de revisão aduaneira de importações de produtos já internalizados), resta claro que realmente a matéria prescindiria de avaliação técnica dos produtos. Assim sendo, entendo ter agido com correição a DRJ de Florianópolis, pelo que deve ser mantida a decisão pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001808/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Quando a impugnação não apresenta argumentos contrários ao lançamento, esta não pode ser conhecida. O recurso que insiste em não combater o lançamento deve ter igual destino. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 49 1 48 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001808/200934 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.579 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AI Recorrente MUNICÍPIO DE VARGEM GRANDE DO SUL PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Quando a impugnação não apresenta argumentos contrários ao lançamento, esta não pode ser conhecida. O recurso que insiste em não combater o lançamento deve ter igual destino. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.223.7746, lavrado em 18/08/2009, por ter o órgão público acima identificado, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 07, deixado de apresentar a GFIP conforme as determinações da legislação, no período de 01/2004 a 11/2008, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.329,18, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 21/08/2009, fls. 01 a recorrente apresentou impugnação, fls. 27/29, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 36/38, não conheceu da impugnação, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 07/04/2010, fls. 41. O recurso voluntário, apresentado em 05/05/2010, fls. 44/46, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Não apresenta qualquer argumento de mérito, limitandose a requerer a compensação com eventual recolhimento a maior do SAT. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.001808/200934 Acórdão n.º 230102.579 S2C3T1 Fl. 50 3 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator A recorrente reconhece que não pretende contestar o crédito tributário lançado, fls. 46, e pede apenas a compensação com valores que entende foram recolhidos indevidamente. Assim, tem razão a decisão a quo ao não conhecer da impugnação, uma vez que nenhuma matéria foi contestada. A compensação pretendida deverá ser requerida no órgão arrecadador, tendo em vista que este Colegiado não tem competência para homologar ou autorizar compensações. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO . (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13884.003382/2005-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR.
MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos
casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos.
Numero da decisão: 9101-001.393
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, recurso provido em parte, para restabelecer a multa qualificada em relação às receitas oriundas de aplicações financeiras de renda fixa e variável e sobre o ganho de capital (TDA).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR. MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, recurso provido em parte, para restabelecer a multa qualificada em relação às receitas oriundas de aplicações financeiras de renda fixa e variável e sobre o ganho de capital (TDA). (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente), Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Em face do contribuinte IPCAIsmael Pulga Consultores Associados Ltda. foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, para tributação de receitas operacionais apuradas com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/96, receitas de rendimentos em aplicações financeiras não oferecidas à tributação, bem como de ganhos de capital em operações de cessão de direitos creditórios de títulos da dívida agrária. Foi lançada multa qualificada no percentual de 150% para todas as infrações, ao argumento de que o contribuinte teria agido com evidente intuito de fraude, incidindo no tipo do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Instaurado o litígio com a impugnação tempestivamente apresentada, os lançamentos foram integralmente mantidos na primeira instância. O recurso voluntário interposto foi incluído em pauta de julgamento na sessão de 24 de janeiro de 2007, não tendo sido conhecido pela Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por perempto (Ac.10516.231). Os embargos de declaração interpostos foram acolhidos e, em sessão de 05 de dezembro de 2007, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão nº 10516.793, integrado pelo Acórdão 10517.121. de 13/08/2008, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, no mérito: (a) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a tributação em relação ao PIS e COFINS, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Waldir Veiga Rocha; (b) reduziu a multa de oficio para 75% em relação aos itens 1, 2 e 3 da autuação, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães que só reduzia em relação ao item 1. É a seguinte a ementa da decisão: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ERRO MATERIAL Demonstrada a tempestividade do recurso voluntário, é de se conhecer e retificar o acórdão embargado para declararlhe a tempestividade e conhecêlo. DECADÊNCIA TERMO INICIAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, comprovado que o contribuinte agiu com dolo, a contagem do prazo decadencial para constituição de crédito tributário dáse na forma do art 173, I do CTN. Solução aplicável para todo o crédito lançado, dada a impossibilidade lógica de se segregar, para fins de contagem do prazo decadencial, uma infração das demais, quando todas se referem aos mesmos períodos de apuração. PIS E COFINS TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENÁRIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS APLICAÇÃO DO ART. 1°, DECRETO 2.346/97 – A Lei nº. 9.718/98, ao determinar a tributação de receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que, à Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 4 época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. lrrelevância da Emenda Constitucional n. 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vício insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional ingressou com recurso especial alegando que o Acórdão: (a) quanto ao afastamento da tributação relativa ao PIS e à Cofins, afrontou o art. 1°, §§ 2° e 3° e art. 4°, caput e parágrafo único, todos do Decreto nº 2.346/97, bem assim o art. 195, inciso I, "b", da Constituição Federal e art. 30 , § 10, da Lei n.° 9.718/98; (b) quanto à desqualificação da multa de ofício lançada, afrontou o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Pondera a Fazenda que a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi pronunciada em controle difuso, não se tendo conhecimento da edição de Resolução do Senado Federal que suspendesse a execução da referida norma do Ordenamento Jurídico, nos termos do que lhe permite o art. 52, X da Constituição de 1988. Quanto à qualificação da multa diz que, no presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da multa pelo fato de terem sido comprovadas diversas práticas que evidenciam o claro objetivo de se furtar ao recolhimento dos tributos devidos, citando as práticas de (i) omissão na escrituração contábil de vultosa movimentação bancária, só levada ao conhecimento do fisco pelas Instituições Financeiras; (ii) não inclusão na base de cálculo do IRPJ do rendimento oriundo de aplicações financeiras de renda fixa e variável; (iii) omissão de ganho de capital referente a operações de cessão de direitos creditórios; (iv) omissão de ganhos com CDC. O recurso especial foi admitido. O contribuinte novamente opôs embargos declaratórios que não foram acolhidos, vez que repisavam alegações esposadas no recurso voluntário e devidamente apreciadas no voto de fls. 698/718, além de aduzir razões e anexar documentos não oferecidos por ocasião da interposição da peça recursal. O contribuinte, em seguida, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda, e apresentou recurso especial de divergência não admitido. É o relatório. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Como visto do relatório, duas são as questões que a Fazenda Nacional pretende sejam revistas, sob alegação de que a decisão recorrida contraria a lei e/ou às provas dos autos. A primeira dela se refere aos lançamentos de PIS e COFINS. A Câmara cancelouos nos termos do voto do Relator, cuja motivação se traduz na ementa: “A Lei nº 9.718/98, ao determinar a tributação de receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional nº 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vício insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97. A Procuradoria da Fazenda Nacional alega que o § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, continua vigorando com presunção de sua conformidade com a ordem constitucional vigente, pelo que deve a norma em apreço continuar sendo aplicada pelo intérprete, já que inexiste dispositivo legal que autorize a sua não aplicação, estando os órgãos integrantes da Administração Pública Federal Direta obrigados a cumprila. Argumenta que a norma proclamada inconstitucional em controle difuso, ainda que pelo STF, apenas atinge os participantes da demanda judicial, não sendo capaz de estender seus efeitos aos demais outros sujeitos. Aduz que o parágrafo único do art. 4º do Decreto n o 2.346/97 não autoriza o Conselho de Contribuintes a acolher alegação de inconstitucionalidade fora dos casos previstos no art. 1º e 4º, caput, do mesmo Decreto. Afirma que os conceitos de receita bruta e faturamento estão sendo rediscutidos pelo Supremo Tribunal Federal, razão pela qual uma decisão em sede de controle difuso de constitucionalidade não pode espraiar seus efeitos indiscriminadamente, em afronta ao Decreto nº 2.346/97 e ao inc. X, do art. 52 da Constituição Federal. Com todo o respeito aos judiciosos argumentos da Fazenda Nacional, é preciso ter em conta que o Regimento Interno do CARF admite que as decisões do STF em controle difuso sejam estendidas aos julgados administrativos. É o que preceitua o art. 62, inciso I, do Anexo II do regimento aprovado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Disposição de igual teor constava do artigo 49 do regimento anterior. Por outro lado, a jurisprudência do STF quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS foi mantida pela Corte em julgamento submetido ao regime do art. 543B do CPC, conforme noticia o Informativo STF n° 519, de 8 a 12 de setembro de 2008. O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. RE 585235 QO/MG, rel. Min. Cezar Peluso, 10.9.2008. (RE 585235) Esse fato afasta qualquer discussão sobre a matéria, à luz do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à multa, três foram as infrações para as quais a Câmara entendeu inaplicável sua exacerbação, quais sejam: (a) Omissão de receitas caracterizada por depósitos cujos recursos não tiveram sua origem comprovada: Fato Gerador Valor (R$) 30/06/2000 244,00 30/09/2000 100,00 30/09/2000 450,00 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 4 7 (b) Omissão de receitas referentes a rendimentos decorrentes de aplicações de financeiras de renda fixa Data do resgate Rendimento tributável IRRF 06/01/00 25.700,61 5.140,12 11/02/00 24.857,44 4.971,48 20/06/00 26.410,19 5.282,03 25/08/00 186.636,61 37.327,32 (c) Omissão de receitas referentes a rendimentos decorrentes de aplicações de financeiras de renda variável Data do resgate Resultado da operação IRRF 06/01/00 6.596,77 1.319,35 11/02/00 6.107,49 1.221,49 20/06/00 4.929,00 985,80 25/08/00 31.113,79 6.222,75 Como assinala a Fazenda Nacional em sua peça recursal. “a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou de uma ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública. Traduzse, portanto, em um propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária.” (negritos acrescentados). A análise das circunstâncias justificadoras da imposição da multa qualificada é casuística, e a intenção dolosa deve ser inequívoca. Essa análise foi feita pelo ilustre Conselheiro Relator do voto condutor do acórdão guerreado, que assim expôs suas razões: “A multa qualificada foi lançada para todas as infrações acima, estando fundamentada, em relação às três primeiras, com base nas disposições do art. 71 da Lei 4.502/64, basicamente ao argumento de que a contribuinte teria omitido em sua escrituração contábil toda sua vultosa movimentação bancária (créditos em contacorrente no valor total de R$ 4.532.099,28, conforme planilhas de folhas 114 e 155), movimentação essa da qual o Fisco tomou conhecimento apenas devido às informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas respectivas instituições financeiras”. Segundo a autoridade lançadora, este conjunto fático denotaria que a contribuinte teria demonstrado "evidente intuito de fraude, definido no art. 71 da Lei 4.502”. A suposta omissão desta movimentação financeira, além da omissão dos próprios rendimentos, é utilizada para justificar a aplicação da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento) Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 8 nas três primeiras infrações objeto das autuações, acima referidas. A contribuinte, relativamente a essa movimentação bancária, sustenta no apelo voluntário que "os depósitos bancários de mais de quatro milhões de reais, insistentemente citados pelo autor do feito no relatório fiscal, como justificativa para o agravamento da multa, foram praticamente todos comprovados, restando incomprovados apenas R$ 794,50 (setecentos e noventa e quatro reais)”. Tenho que assiste razão à contribuinte neste particular. De fato, a simples constatação de omissão de receita, quase que totalmente referentes a rendimentos tributados na fonte, de per si não autoriza se presuma tenha agido dolosamente, não servindo de comprovação de alegada conduta dolosa o fato de se atribuir à contribuinte omissão de movimentações bancárias em valor superior a quatro milhões de reais, quando, desse total, restar sem comprovação depósitos bancários correspondentes a menos de mil reais. Tenho, pois, por improcedente o lançamento da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) relativamente às seguintes infrações: (i) omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada; (ii) omissão de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa; e (iii) omissão de rendimentos de aplicações financeiras de renda variável. É inegável que a insignificância dos depósitos bancários de origem não comprovada (numa movimentação bancária total de R$ 4.532.099,28, não logrou comprovar a origem de menos de R$ 800,00) não é suficiente para indicar intuito doloso de omitir receitas operacionais, especialmente por se tratar de omissão apurada por presunção. Não obstante, a meu juízo, essa assertiva não respalda a conclusão do voto condutor, de que “a simples constatação de omissão de receita, quase que totalmente referentes a rendimentos tributados na fonte, de per se não autoriza se presuma tenha agido dolosamente, não servindo de comprovação de alegada conduta dolosa o fato de se atribuir à contribuinte omissão de movimentações bancárias em valor superior a quatro milhões de reais, quando, desse total, restar sem comprovação depósitos bancários correspondentes a menos de mil reais”. A constatação de que a totalidade (praticamente) dos depósitos tem origem comprovada não é suficiente para afastar o dolo, se essa origem indica rendimentos (embora não oriundos de receitas da atividade operacional) omitidos. O conjunto dos fatos, a meu ver, demonstra a intenção dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Com efeito, toda a movimentação bancária do contribuinte, que compreendeu créditos em contacorrente no valor total de R$ 4.352.099,28, não era contabilizada, e dela o fisco só tomou conhecimento em razão das declarações das instituições financeiras relativas à CPMF. Essa vultosa movimentação financeira abrigava operações financeiras de renda fixa e de renda variável e operações de contratos de cessão de direitos creditórios de títulos da dívida agrária (TDA), responsáveis por rendimentos que não foram declarados à Receita Federal nem contabilizados. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 5 9 Considerandose apenas os rendimentos omitidos que estão contidos na movimentação financeira não contabilizada, a situação é assim retratada: 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre Base de cálculo declarada 30.144,00 29.376,00 41.664,00 Receitas aplicações. financeiras omitida 63.262,31 31.339,19 217.113,79 Ganho de capital (CDC) omitido 1.491.290,80 71.435,90 152.075,30 Omissão total 1.554.553,11 102.775,09 369.198,09 IRRF s/ aplicações financeiras 12.652,44 6.267,83 43.550,07 Sobre os rendimentos omitidos incidiria uma carga tributária de 33% (15% de IRPJ alíquota normal, 10% de adicional e 8% de CSLL). Não vejo nenhuma razoabilidade em concluir que o contribuinte não agiu com dolo ao omitir os rendimentos de aplicação financeira e teve intenção dolosa ao omitir os ganhos de capital com a cessão de direitos creditórios. As situações são idênticas. Nos dois casos os ganhos não declarados (e não contabilizados) só puderam ser conhecidos a partir da movimentação bancária que não estava contabilizada. Pelo acima exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional, para restaurar a multa de 150 % sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e variável e sobre o ganho de capital (TDA). É como voto. Sala das Sessões, em 17 17 de julho de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI
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