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Numero do processo: 12179.001875/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Se o próprio contribuinte declara que o seu filho atingiu as condições de liberação da pensão alimentícia no ano-calendário de 2003, descabe deduções a esse título no ano-calendário de 2004.
DEPENDENTE. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. REQUISITO PARA DEDUÇÃO.
No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor total de R$ 17.470,00, que corresponde a R$ 8.000,00 de pensão alimentícia paga à ex-cônjuge do Recorrente somado a R$ 9.470,00 de pensão alimentícia paga à sua filha, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Se o próprio contribuinte declara que o seu filho atingiu as condições de liberação da pensão alimentícia no ano-calendário de 2003, descabe deduções a esse título no ano-calendário de 2004. DEPENDENTE. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. REQUISITO PARA DEDUÇÃO. No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Se o próprio contribuinte declara que o seu filho atingiu as condições de liberação da pensão alimentícia no anocalendário de 2003, descabe deduções a esse título no anocalendário de 2004. DEPENDENTE. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. REQUISITO PARA DEDUÇÃO. No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor total de R$ 17.470,00, que corresponde a R$ 8.000,00 de pensão alimentícia paga à ex cônjuge do Recorrente somado a R$ 9.470,00 de pensão alimentícia paga à sua filha, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 17 9. 00 18 75 /2 00 8- 31 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 12179.001875/200831 Acórdão n.º 2801003.597 S2TE01 Fl. 156 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 17.076,17, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 6/7 deste processo digital, que foi constatada, na declaração de ajuste anual do contribuinte, dedução indevida de dependente e dedução indevida de pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 56/60, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Não atendidos os pressupostos legais para as deduções pleiteadas mantémse a glosa fiscal. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/05/2011 (fl. 63), o Interessado interpôs, em 03/06/2011, o recurso de fls. 64/69. Na peça recursal alega, em síntese, que: Dedução com dependentes O art. 77, § 2º, citado no acórdão recorrido, autoriza a manutenção da dependência dos filhos até 24 anos ou mais, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei n. 9.250/1995, art. 35, § 1º). O Recorrente encaminhou prova documental do diploma da filha, demonstrando, portanto, que ela se encaixava no dispositivo legal que permitia a dedução. Não há lei que proíba que o alimentante pague os alimentos, deduzaos em seu imposto de renda e declare os alimentados como dependentes para fins de dedução. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 12179.001875/200831 Acórdão n.º 2801003.597 S2TE01 Fl. 157 3 Embora a guarda tenha ficado com a mãe, o pai mantinha os filhos consigo em fins de semana, metade das férias, logo, ele tinha despesas com a manutenção dos filhos além dos alimentos que pagava, tudo conforme cópia integral do processo que anexa. A mãe dos alimentados mudouse de cidade e os dois filhos passaram a residir com ele no fim de julho de 2002, até se formarem. José Roberto formouse em dezembro de 2003 e mudouse para Brasília no início de 2004. Ana Paula continuou estudando e residindo em sua na residência durante o ano de 2004. Dedução com pensão alimentícia judicial Não houve acordo para fixação de alimentos, que foram fixados judicialmente. Como não haveria mais desconto em folha, pois já não era empregado, passou a pagar diretamente aos beneficiários. Jamais deduziu pensão alimentícia acima do valor que estava obrigado, tanto que nas declarações dos anos sucessivos não teve nenhum problema, apesar de continuar fazendo as deduções a que tinha direito, principalmente em relação à exmulher, pois só agora em janeiro de 2011 deixou de pagar os alimentos a ela, conforme acordo anexado. Combinou com os alimentados, a partir de fevereiro de 2000, que faria o pagamento mensal de R$ 800,00, diretamente a eles. Pagavase o que era devido por decisão judicial. Os alimentos a que estava obrigado já estavam estabelecidos judicialmente, e não tem que ser renovado periodicamente, pois tem vigência enquanto não forem alterados, revogados ou cancelados judicialmente. Conforme faz prova a cópia integral do processo de separação e fixação de alimentos, em anexo, só agora, em 19.01.2011, o Recorrente e sua exmulher assinaram um "Termo de Transação para Exoneração de Alimentos Decorrentes de Separação Judicial", ainda não homologado até a presente data. Portanto, até janeiro de 2011 ainda estava obrigado ao pagamento dos alimentos à exesposa e os alimentos dos filhos foram pagos até atingir as condições de liberação, o que ocorreu, no caso do filho, em 2003, e da filha, depois de 2004, pois neste ano ela estudava e estava com apenas 22 anos de idade. Ao final, requer seja admitido o recurso e, no mérito, seja o mesmo provido para o fim de reformar a decisão e acolher as deduções feitas na declaração de ajuste anual, por estarem em conformidade com a legislação da época. Pleiteia, também, que todas as intimações sejam feitas em nome do advogado IRANY GONÇALVES DA COSTA, OAB MG 30.325, rua Felisberto Carrijo nº 1.134, CEP 38.400.204, email Irany@rochagoncalves.com.br, sob pena de nulidade da intimação. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 12179.001875/200831 Acórdão n.º 2801003.597 S2TE01 Fl. 158 4 As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Analiso, por primeiro, a dedução de pensão alimentícia. Em 09/12/2013 foi aprovada a Súmula CARF nº 98, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Assim, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF está condicionada à comprovação de dois requisitos: a) o efetivo pagamento; e b) a obrigação decorrer de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que especifique o valor da obrigação, neste último caso, a partir de 28/03/2008. Está escrito na petição inicial do acordo de separação homologado judicialmente pelo Juiz de Direito da Sexta Vara Cível da Comarca de Uberlândia, Minas Gerais (fls. 12/13): O cônjuge varão contribuirá para a manutenção dos filhos com o percentual de 30% (trinta por cento) de seu salário líquido, incluindo 13° (décimo terceiro) e 1/3 de férias, restando excluído expressamente os valores relativos ao FGTS, PIS e participação nos lucros da empresa. O cônjuge virago perceberá a pensão de 15% (quinze por cento) do salário líquido, observandose as mesmas regras acima transcritas, até a data em que consiga colocação profissional, ocasião em que deixará de receber a mencionada pensão. O excerto transcrito evidencia que o termo final da pensão alimentícia do cônjuge virago é a data em que a mesma começasse a exercer atividade profissional. Assim, caberia à Fiscalização, ao glosar a dedução, demonstrar que a destinatária da pensão trabalhava no anocalendário de 2004, o que, à vista dos elementos carreados aos autos, não ocorreu. O Recorrente comprovou 10 (dez) transferências bancárias para conta de sua exesposa em 2004, no valor de R$ 800,00 cada, totalizando R$ 8.000,00 neste anocalendário (fl. 17, transferência em 05/02/2004, fl. 18, transferência em 06/04/2004, fl. 20, transferência em 04/03/2004, fl. 21, transferência em 06/05/2004, fl. 23, transferência em 07/06/2004, fl. 25, transferência em 05/07/2004, fl. 26, transferência em 30/11/2004, fl. 27, transferência em 09/08/2004, fl. 29, transferência em 06/09/2004 e fl. 30, transferência em 08/10/2004). Nesse contexto, sou pelo restabelecimento de R$ 8.000,00 de pensão alimentícia paga à excônjuge do contribuinte. No que se refere à pensão dos filhos, o Interessado assim se manifestou na peça recursal: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 12179.001875/200831 Acórdão n.º 2801003.597 S2TE01 Fl. 159 5 “Portanto até janeiro de 2011, o Recorrente ainda estava obrigado ao pagamento dos alimentos à exesposa e os alimentos dos filhos foram pagos até atingir as condições de liberação, o que ocorreu no caso do filho em 2003 e da filha depois de 2004, pois neste ano ela estudava e estava com apenas, 22 anos de idade”. Assim, se o próprio Interessado declara que o seu filho atingiu as condições de liberação da pensão alimentícia no anocalendário de 2003, descabe deduções a esse título no anocalendário de 2004, ainda que o filho tenha recebido aportes financeiros do pai. É que os recursos recebidos nessa condição não revestem a natureza de pensão alimentícia, senão de mera liberalidade de um pai zeloso para com seu filho. O Recorrente comprovou 14 (quatorze) transferências bancárias para conta de sua filha em 2004, totalizando R$ 9.470,00 no referido anocalendário (fl. 17, transferência em 05/02/2004, valor R$ 700,00, fl. 18, transferência em 02/04/2004, valor R$ 600,00, fl. 18, transferência em 03/05/2004, valor R$ 750,00, fl. 19, transferência em 04/03/2004, valor R$ 870,00, fl. 23, transferência em 07/06/2004, valor R$ 700,00, fl. 23, transferência em 29/06/2004, valor R$ 500,00, fl. 25, transferência em 05/07/2004, valor R$ 600,00, fl. 25, transferência em 03/08/2004, valor R$ 800,00, fl. 26, transferência em 30/11/2004, valor R$ 800,00, fl. 27, transferência em 01/09/2004, valor R$ 1.000,00, fl. 28, transferência em 21/10/2004, valor R$ 300,00, fl. 28, transferência em 03/11/2004, valor R$ 800,00, fl. 29, transferência em 14/09/2004, valor R$ 250,00 e fl. 30, transferência em 04/10/2004, valor R$ 800,00). Nesse contexto, sou pelo restabelecimento de R$ 9.470,00 de pensão alimentícia paga à filha do contribuinte. Em relação à glosa da dedução com dependente penso que se aplica, ao caso concreto, o disposto no § 3º do art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 35. (...) § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Na espécie, o item 2 da petição inicial do acordo de separação homologado judicialmente estabelece que “os filhos ficarão sob a guarda do cônjuge virago”, de modo que deve ser mantida a glosa efetuada pela Autoridade lançadora. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor total de R$ 17.470,00, que corresponde a R$ 8.000,00 de pensão alimentícia paga à excônjuge do Recorrente somado a R$ 9.470,00 de pensão alimentícia paga à sua filha. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 12179.001875/200831 Acórdão n.º 2801003.597 S2TE01 Fl. 160 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962373/2008-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 73 /2 00 8- 27 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962373/200827 Acórdão n.º 3802002.257 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962373/200827 Acórdão n.º 3802002.257 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000530/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITU-CIONALIDADE.
As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins cumulativa, em razão da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de questão de ordem no RE nº 585.235/RG, em regime de repercussão geral.
Numero da decisão: 1801-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITU-CIONALIDADE. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins cumulativa, em razão da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de questão de ordem no RE nº 585.235/RG, em regime de repercussão geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITU CIONALIDADE. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS cumulativa, em razão da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de questão de ordem no RE nº 585.235/RG, em regime de repercussão geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITU CIONALIDADE. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins cumulativa, em razão da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de questão de ordem no RE nº 585.235/RG, em regime de repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 05 30 /2 00 9- 64 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.000530/200964 Acórdão n.º 1801002.107 S1TE01 Fl. 391 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório SIANO & REGO CONSULTORIA DE GESTAO, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1238.341 (fl. 278), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2006, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 204.649,86 74.063,52 153.487,38 432.200,76 5 PIS 6.596,74 2.371,56 4.947,52 13.915,82 57 CSLL 103.461,97 36.157,93 77.596,45 217.216,35 66 COFINS 30.446,73 10.945,99 22.835,00 64.227,72 75 Conforme a narrativa contida no Termo de Constatação Fiscal (fl. 11), os autos de infração foram lavrados em razão da constatação de quatro irregularidades, assim descritas (fl. 12): 6.1. Receita de serviços — Ao demonstrar a receita total e a receita advinda da Sonangol (item 1 e subitem 2.1 da intimação) e ao apresentar o relatório de prestação de contas à sonangol, anexo exposição de motivos de 22/03/2007 (item 2.4), o contribuinte apresentou informações discrepantes. Pelo demonstrativo anexo à exposição de motivos constatamos que o contribuinte teve receitas não oferecidas à tributação em todos os meses do anocalendário de 2006, num total de R$1.697.978,17. Tal receita foi lançada na Nota Fiscal de prestação de serviços número 201, de 05/06/2007. As receitas omitidas, discriminadas mês a mês no anexo à exposição de motivos, serão objeto de lançamento de oficio, tendo em vista a opção do contribuinte pelo regime de competência. 6.2. Receitas financeiras — O contribuinte contabilizou na conta 32010400 — Outras receitas financeiras, os rendimentos decorrentes das aplicações dos recursos recebidos da Sonangol e creditados em suas contascorrente. Intimado (subitem 2.2), Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.000530/200964 Acórdão n.º 1801002.107 S1TE01 Fl. 392 3 esclareceu que o contrato com a Sonangol é omisso quanto aos rendimentos de aplicações financeiras. Assim, reconheceu contabilmente as receitas financeiras mas deixou de incluilas na DIPJ para apuração da base de cálculo do lucro presumido. A omissão será objeto de lançamento de oficio, conforme valores contabilizados na conta 32010400. 6.3. Ativação de bens 0 contribuinte incorporou ao seu ativo permanente (contas 1.2.02.01.00 — Móveis, utensílios e instalações e 1.2.02.07.00 — Máquinas e equipamentos) diversos itens adquiridos com recursos da Sonangol. Intimado a indicar o artigo do contrato com a Sonangol que disciplina a aquisição de bens do ativo (item 3) e a indicar as contas de debito e crédito (subitem 3.1) o contribuinte informou que o contrato é omisso quanto aos bens adquiridos e que os lançamentos contábeis eram feitos a débito das duas contas citadas acima e a crédito da conta 2.1.04.02.00 — Adiantamentos de clientes. Entretanto, a despeito de ter incorporado os bens ao ativo permanente, o contribuinte deixou de oferecer à tributação os valores correspondentes. Assim, os valores dos bens lançados nas duas citadas contas do permanente com contrapartida na conta 2.1.04.02.00, valores também constantes do subitem 3.1 da resposta do contribuinte, serão objeto de lançamento de oficio. 7 A despeito de ter ultrapassado o limite de R$120.000,00 de receita bruta o contribuinte utilizou o coeficiente de 16% até este limite para apuração do lucro presumido no primeiro trimestre e em parte do segundo trimestre. Será efetuado lançamento de oficio para exigência da diferença entre o coeficiente de 16% adotado e o coeficiente de 32%. O autuado apresentou impugnação, cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 281): Cientificado das autuações em 06.10.2009 (fls. 04, 54, 63 e 72), o autuado apresentou, em 05.11.2009, a impugnação parcial de fls. 199/203, na qual contestou apenas a 3ª infração (só no que concerne a PIS e Cofins) e a 4ª infração (para os 4 tributos), com as seguintes alegações, em síntese: a) As receitas financeiras não podem integrar a base de cálculo do Pis e Cofins, pois o Pleno do STF considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, prevista no §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no julgamento de dois recursos extraordinários, em 09.11.2005; e b) Conforme contrato juntado, presta serviços à Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), concernentes a gestão e apoio a bolsistas vindos daquele pais, e, para tal, recebe recursos e os aplica em seu ativo, mas eles pertencem à Sonangol e têm que ser devolvidos ao final do contrato, motivo pelo qual não podem ser reconhecidos como receitas. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.000530/200964 Acórdão n.º 1801002.107 S1TE01 Fl. 393 4 A DRJ considerou não impugnada parte da matéria lançada e, quanto à matéria impugnada, consideroua procedente em parte, exonerando a exigência relativa à ativação de bens. Ementou assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Considerase não impugnada a matéria que não foi contestada na defesa. ATIVAÇÃO DE BENS. MOTIVAÇÃO. Para a constituição do crédito tributário, é necessário que a fiscalização explique o porque da tributação dos valores apontados e refute os esclarecimentos dados pelo contribuinte durante o procedimento. Se ausentes essas providências, deve ser cancelada a imputação. CSLL. PIS. Cofins. DECORRÊNCIA. Estendese aos lançamentos decorrentes a conclusão da decisão prolatada no lançamento principal. PIS. Cofins. RECEITA FINANCEIRA. Incluemse na base de calculo das contribuições os rendimentos de aplicação financeira de renda fixa. Cientificado dessa decisão em 09/12/2011, por via postal (fl. 292), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 361), em 28/12/2011, em que alega, em síntese, que: i) o julgamento de primeira instância contrariou a Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, e o art. 175, I, do Código Tributário Nacional, que limita a 5 anos o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS e COFINS; ii) as receitas financeiras devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme já foi decidido pelo Pleno da Suprema Corte de Justiça, quando julgou a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Dentre as matérias que foram objeto de lançamento, restam controversas apenas as exigências de PIS e Cofins, seja pela alegação de decadência, seja pela alegação de inexistência da obrigação tributária. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.000530/200964 Acórdão n.º 1801002.107 S1TE01 Fl. 394 5 Conforme consta dos autos de infração (fls. 57 e 75) as obrigações tributárias de PIS e Cofins exigidas têm seus fatos geradores ocorridos entre janeiro e outubro de 2006. A ciência dos lançamentos ocorreu em 06/10/2009 (fls. 58 e 76), portanto, com um intervalo inferior ao prazo decadencial. Assim, não deve ser acolhida a arguição de decadência. Por outro lado, assiste razão ao recorrente quando afirma que as receitas financeiras em tela não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da Cofins, em razão da declarada inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. O Supremo Tribunal Federal já pacificou seu entendimento nesse sentido, quando julgou questão de ordem no RE no 585.235/RG, atribuindolhe repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, deve ser aplicado o que foi disposto no art. 62A do Regimento Interno desta casa, para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de exonerar as exigências de PIS e Cofins relativas às receitas financeiras. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.721111/2010-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010
CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CRITÉRIO PREVISTO POR LEI E ESPECIFICADO EM ATO NORMATIVO. SITUAÇÃO ADMITIDA PELA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PADRÕES E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA ABNT E APLICADOS POR INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. CUB DESONERADO, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LEI DA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CRITÉRIO PREVISTO POR LEI E ESPECIFICADO EM ATO NORMATIVO. SITUAÇÃO ADMITIDA PELA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PADRÕES E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA ABNT E APLICADOS POR INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. CUB DESONERADO, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LEI DA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente SHOPPING SÃO JOSÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CRITÉRIO PREVISTO POR LEI E ESPECIFICADO EM ATO NORMATIVO. SITUAÇÃO ADMITIDA PELA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PADRÕES E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA ABNT E APLICADOS POR INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. CUB DESONERADO, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LEI DA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 11 11 /2 01 0- 09 Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.126 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.254.2956, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da utilização de mão de obra para a realização de empreendimento de construção civil – parte do segurado, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 246 a 259, com período de apuração de 01/2006 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 17 e 18. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 22/10/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 264 a 289, estando acompanhada dos documentos, de fls. 290 a 984. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 985. Os autos foram baixados em diligência pela 8ª Turma da DRJ/BHE, em 16/12/2011, fls. 986 a 989. A diligência foi atendida, conforme documentos, de fls. 1.000 a 1.004, o contribuinte tomou conhecimento desta e de seu resultado, em 18/05/2012, AR, de fls. 1.006. O contribuinte apresentou aditamento a impugnação, fls. 1.108 a 1.035. O órgão julgador a quo baixou os autos em diligência novamente, despacho, de fls. 1.037 e 1.038. A DRF origem atendeu a diligência pelos documentos, de fls. 1.042 a 1.043, o despacho, de fls. 1.041, informa que o contribuinte foi cientificado da diligência. O contribuinte apresentou um segundo aditamento a impugnação, fls. 1.045 a 1.069. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0243.620 8ª, Turma DRJ/BHE, em 27/03/2013, fls. 1.071 a 1.079. A impugnação foi considerada procedente em parte e o salário de contribuição foi reduzido, Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 1.088. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/04/2013, conforme AR, de fls. 1.090. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.092 a 1.122, recebida, em 10/05/2013, desacompanhado de qualquer documento, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.127 3 Preliminar. · que o recurso é tempestivo, tendo em decorrência disso efeito suspensivo; · que em razão da SV 21 – STF, não cabe arrolamento de bens para a utilização da via recursal, pois o STF afastou o depósito prévio; Mérito · que a decisão da DRJ sustenta ter a recorrente descumprido sua obrigação de exigir das prestadoras de serviços as GFIP’s e seu recibo de entrega, o que não é verdade, pois a recorrente exigiu de todos os prestadores tal documento, cumprindo, assim, sua obrigação, porém alguns prestadores no término da obra deixaram de apresentar o documento, sendo isso informado espontaneamente pela recorrente; · que considerando a primazia da realidade jamais uma obra de construção, em especial de grande porte terá todas as GFIP’s, ainda, que se exija isso dos prestadores, pois se estará sujeito aos maus prestadores e a informalidade do setor de construção civil, não sendo apresentadas apenas vinte e quatro GFIP’s dos onze prestadores que listou, totalizando aproximadamente R$ 470.000,00 do faturamento, ou seja, 2,6% do valor constante do DISO total, o que implica em dizer que há 97,39% de eficiência, sendo que isso ocorre de forma idêntica com o salário de contribuição, tendo sido apresentadas 167 GFIP’s, bem como a prestadora DIANDRO Pisos Ltda é isenta de apresentação de GFIP, artigo 135, da IN RFB 971/2009; · que estando regular a contabilidade da recorrente não se pode utilizar a aferição indireta, devendo acaso mantido o lançamento ser o acórdão a quo reformado para reduzir o vultoso salário de contribuição, devido ao inexpressivo percentual de ausência de GFIP; · que a aferição indireta é medida excepcional, artigo 148, do CTN c/c o artigo 33, parágrafos 3º e 4º, da Lei 8.212/91, bem como do artigo 381 c/c 447, ambos, da IN/RFB 971/2009, devendo ser aplicada apenas e tão somente se houver irregularidade, omissões e/ou sonegações nas informações declaradas e escrituradas pelo contribuinte, neste mesmo sentido são as decisões judiciais citadas pela recorrente TRF4 e TRF1, cita, ainda, decisão do antigo 2º CC, não ocorrendo tal hipótese nesse caso, uma vez que a recorrente apresentou todos os documentos solicitados e o próprio agente lançador reconheceu a inexistência de irregularidades em sua escrituração, conforme citação no REFISC do DEBCAD 37.254.295 6, transcrita; · que desta forma a aferição indireta é inaplicável, tendo em vista a regularidade da escrituração contábil e a apresentação de todas as informações e documentos solicitados, bem como o fisco confirmou a Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.128 4 veracidade da escrituração da recorrente junto aos prestadores de serviço, não encontrando inconsistências, conforme consta de relatório anexo ao lançamento, o que reflete a regularidade das demonstrações contábeis, que foram atestadas pelos pareceres de auditoria anexos; · que todas as 167 GFIP’s apresentadas estão relacionadas a obra e ainda que não estivessem não poderia o fisco afastálas sob pena de enriquecimento ilícito, não podendo a simples diferença de valores entre o custo da obra e o praticado no mercado, levar a exigência de diferenças tributáveis, vez que a vultuosidade da obra permite a utilização de técnicas que minimizam seu custo, devendo o auto ser declarado insubsistente em razão da inexistência dos pressupostos da aferição indireta, bem como em razão da escrituração apresentar a real movimentação do custo da mão de obra aplicada na construção; · que de modo equivocado o acórdão recorrido reconheceu a legalidade da aplicação do CUB para a aferição da mão de obra, conforme IN/RFB 971/2009, bem como afastou a aplicação de outras modalidade/critérios de aferição e redução da área, sob a alegação de falta de previsão normativa, mas nos termos do artigo 33, § 4º, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 381, da IN/RFB 971/2009 este é o dispositivo a ser aplicado e não o artigo 344 aplicado pelo acórdão, não determinado estes dispositivos que a indicador seja o CUB, sendo este apenas um orientador do setor, mas apenas pela avaliação do projeto e suas especificações se pode apurar o valor real da obra, servindo o CUB como mera estimativa, não se confundindo este com os custos reais; · que não cabe ao SINDUSCON legislar e criar base de cálculo da contribuição, no lugar, violando o estabelecido no artigo 146, III, e no artigo 150, I, ambos, da CF/88 e artigo 97, do CTN, pois criação ou modificação de tributo, só pode ser feito por lei é o que diz a doutrina e cita ES, não sendo o que se dá com o CUB, pois a base de cálculo é elemento constitutivo do tributo é o que diz a jurisprudência do STJ, que transcreve, não sendo CUB “mero método de apuração, mas da própria base de cálculo para incidência tributária” (sic), o que deve ser previsto em lei, tornandose necessária a reforma do acórdão guerreado, para afastar a aferição e o CUB; · que o acórdão recorrido não considerou o padrão da obra e a forma de execução desta, que se realizou de forma diferenciada em relação à obras convencionais, pois sua obra é singular e não se enquadra nas obras padrão das empresas que fornecem dados ao SINDUSCON para elaboração do CUB, dividindoa por especialidade das prestadoras, favorecendo a excelência e eficácia a cada etapa da execução e com a aplicação de métodos específicos, sendo obra comercial com grandes vãos, que implica em menor custo com utilização maior de concreto, o qual não é produzido na obra, o qual é empregado por meio de bombeamento, reduzindo a mão de obra utilizada, no transporte deste Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.129 5 por carrinhos de mão, bem como a utilização de quarto gruas que eliminam setenta trabalhadores e demais equipamentos como: retroescavadeiras; empilhadeiras e paleteiros, os quais substituíam os profissionais de distribuição dos materiais empregados na obra, utilizandose, ainda, de estrutura metálica nas áreas de cinema e praça de alimentação, as quais são feitas fora do canteiro de obras, o que dispensa a contratação da mão de obra e diferencia esta obra das convencionais; · que a obra usava andaimes e escoramentos metálicos elétricos, o que a tornava mais célere e racionaliza a utilização da mão de obra, diferenciandoa das convencionais, sendo, ainda, utilizada argamassa prémisturada; placas plastificadas de acabamento; placas pré moldadas para piso, o que reduz a mão de obra, sendo que o próprio fisco reconheceu as peculiaridades da construção, no REFISC do DEBCAD 37.254.2956 e que transcreve, não apresentando esta obra parâmetros equivalentes as convencionais e com o CUB; · que as lojas do empreendimento foram entregues de forma bruta, sem instalações elétricas; hidráulicas, revestimento de pisos, teto ou parede, o que modifica e de forma substancial o custo da obra, bem assim altera o padrão atribuído a ela pelo fisco, pois conta do ARO “padrão normal”, não podendo ser este o padrão a ser utilizado, pois as lojas são entregues em bruto, além do que a utilização dos mecanismos e técnicas utilizados reduz e racionaliza a utilização da mão de obra, diferenciandoa das obras convencionais que são artesanais, o que implica em maior custo; · que os matérias empregados são adquiridos em grande quantidade, obtendose junto ao fornecedor melhor preço, reduzindo os custos, sendo que o próprio SINDUSCON – PR já admitiu que o CUB não se aplica as obras de Shopping Centers, pois essas são distintas das convencionais, não existindo no Paraná construtoras especializadas neste tipo de obras e que possam repassar ao SINDUSCON informações precisas sobre tais obras; · que o acórdão não considerou essas particularidades, bem como considerou que não se comprovou a entrega de obra inacabada, por falta de apresentação de art, mas todas as especificidades foram comprovadas por documentos, contratos de locação que deixam claro que as benfeitorias são de responsabilidade dos locatários e que as instalações foram entregues até a testada da loja, não se enquadrando a obra nos padrões definidos pelo CUB, não sendo a ART o único meio de prova da entrega das lojas em estado bruto, devendo, acaso, mantido o lançamento esse órgão arbitrar custo apropriado ao empreendimento, pelo aspectos esposados, diminuindo, ainda, o espaço interno das lojas entregues inacabadas 16.259,03 M², pois utilizava menos mão de obra; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.130 6 · que o cálculo do ARO mantido parcialmente pelo acórdão a quo não é adequado a obra, pois apesar de aplicar o redutor de 50% 28.105,83 M² de área de estacionamento esta não se encontra acabado ou pintado, não sendo de padrão normal, como consta do ARO, ocorrendo o mesmo com a área das lojas entregues em bruto 16.259,03 M², devendo ser aplicado o percentual de redução do artigo 357, §1º, da IN/RFB 971/2009, devendo ser feita adequação da área tributável, pois G1 e G2 e a área das lojas, não podem ser consideradas padrão normal, pois não têm acabamento, tendo o acórdão fixado área tributável superior a devida, por não levar em consideração as características da obra; · que o CUB deve ser adequado ao caso em tela, tendo em vista que o cálculo da mão de obra é proporcional a área e ao padrão de execução, balizandose pelo que divulgado pelo SINDUSCON, mostrando o histórico de instruções as inúmeras tentativas de aperfeiçoamento de apuração do CUB por introdução de novos aspectos técnicos, contudo a NBR 12.271/2006 substituiu a NBR 12.271/1999, considerando a variação nas despesas administrativas, do custo com material e mão de obra, o que implicou em uma redução de 30% do CUB, considerando que a nova norma é de 28/08/2006 e adentrou no período da obra, nos termos do artigo 144, do CTN deve ser essa aplicada em todo o período de execução da obra, pois esta nova NBR aprimorou os critérios de apuração do CUB, devido aos novos padrões arquitetônicos e avanços tecnológicos e etc; · que o fisco utilizou critério ultrapassado para apuração do CUB, pois não observou os novos padrões da NBR 12.271/2006, conforme item 4.1 e 4.2 do REFISC, não se valendo a fiscalização do novos critérios determinados pela ABNT para aplicação do CUB, implicando isso em redução de pelo menos 30% dos valores exigidos no lançamento, devendo ser reformado o acórdão para determinar o recálculo do CUB; · Dos requerimentos: a) reforma integral do acórdão de primeiro grau e do DADR; b) que seja reconhecido que não houve irregularidade, omissões e/ou sonegações na contabilidade da recorrente, que justifiquem a aferição indireta e a apuração de diferenças, nos termos do artigo 33, §4º,da Lei 8.212/91, com o provimento do recurso, declarandose a insubsistência/anulação do auto de infração; c) reconhecimento da ilegalidade da aplicação do CUB, uma vez que inexiste previsão legal para sua utilização; d) reconhecida a validade do CUB, que seja reconhecida a impossibilidade de aplicação do CUB de obras convencionais, a obras de Shopping Centres, realizando o enquadramento adequado aos padrões e características da obra e revisando o cálculo do ARO e o DADR; e) que o CUB seja adequado aos critérios estabelecidos pelo NBR 12.271/2006 ABNT; f) que seja reduzida do cálculo a área de 16.259,03 M² referente as lojas entregue em estado bruto; g) que seja declarada a inexistência de qualquer inadimplemento por obrigação acessória do recorrente em relação as Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.131 7 informações declaradas pelas suas prestadoras de serviço, pois essas informações podem ser corrigidas e não se pode atribuir tal controle a tomadora dos serviços. A autoridade preparadora não se manifestou a respeito da tempestividade do recurso. Não há despacho de remessa ao CARF/MF. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 23/01/2014, juntamente com o auto principal Proc: 10980.721110/201056, no Lote 03/2014. É o Relatório. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.132 8 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminares. A questão relativa a tempestividade, efeito suspensivo, bem como da exigência de arrolamento de bens para a impetração do recurso são irrelevantes. A primeira, porquê a tempestividade do recurso foi reconhecida pelo fisco. A segunda, porquê o efeito suspensivo é automático como decorrência da legislação e deve ser implementado nos sistemas de controle e cobrança pela autoridade local e não concedido ou declarado por este colegiado. A terceira, porquê não foi exigido arrolamento de bens como condição para a via recursal, pois o artigo 126, parágrafo 1º, da Lei 8.213/91 foi revogado pelo MP 413/2008. Mérito. Nos termos do artigo 31, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 219, §6º, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 a empresa contratante é obrigada a exigir, guardar e apresentar a fiscalização os documentos das prestadoras relativos à obra, pois determinado pela legislação. O motivo do não cumprimento da obrigação fiscal por parte do sujeito passivo é irrelevante para o fisco. Caso a contratante tenha escolhido mal seus prestadores, como alega, incorre ela em culpa in eligendo, artigo 932, III, da Lei 10.406/2002. A informalidade do mercado, acaso, ainda, existente, não pode servir de escusa para que a empresa responsável pela obra deixe de cumprir a lei, novamente, aqui opera com culpa in eligendo, pois ela tem a obrigação de afastar a contração de pseudos empresas e contratar apenas as que se encontram regular e formalizadas para poder exigir dessas o cumprimento das obrigações fiscais, trabalhistas, comerciais e outras, ressalvando, assim, de ficar a mercê de responsabilização por sua má escolha. De mais a mais, a alegação é irrelevante, pois quando a contratante exige que a prestadora lhe forneça os documentos elencados na legislação, esses são aqueles produzidos e transmitidos no mês do cumprimento da obrigação legal, ou seja, qualquer alteração posterior é irrelevante, uma vez que a tomadora deve ter consigo o documento inicial transmitido para o cumprimento da obrigação no mês de sua ocorrência. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.133 9 No que tange a não demonstração da real movimentação do salário de contribuição, a situação não se limita, exclusivamente, a não apresentação de GFIP’s das doze empresas listadas no item 5.5 do REFISC, de fls. 246 a 259, pois o agente fiscal, também, listou no item 5.7 as empresas que declararam as GFIP’s com valores abaixo dos quarenta por cento de mão de obra, totalizando 22 empresas com GFIP’s com valores a quem do que o agente considerou normal, não havendo de forma alguma a repercussão do quantitativo de GFIP apresentadas com o valor das bases de cálculo declaradas ou mesmo do valor de contribuição recolhido, uma vez que o quantitativo pode não representar o valor real das remunerações. Nesta linha de raciocínio o agente fiscal deixou consignado que o custo da mão de obra própria da tomadora de serviços foi de R$ 288.035,95 planilha, de fls. 261, mão de obra decorrente da utilização de concreto usinado R$ 221.600,00, planilha, de fls. 261; 264 a 273 e mão de obra de empreiteiras/terceiros/prestadores de serviço foi de R$ 3.762.995,75, planilha, de fls. 261 a 263, totalizando a mão de obra própria e de terceiros R$ 4.051.031,70, dados extraídos do processo principal. De igual modo o valor da prestação de serviços constante da planilha, de fls. 262 e 263, totaliza R$ 13.827.236,98 que aplicando quarenta por cento da IN 971/2009 resultaria em R$ 5.530.894,79, o que por si só demonstra a insuficiência do valor da mão de obra retida, pois entre o que efetivamente retido é o estimado pela legislação verificouse a existência de diferença, como consta R$ 5.530.894,79 – R$ 3.762.995,75 = R$ 1.479.863,09 a menor, dados extraídos do processo principal. A base de cálculo da contribuição social previdenciária não é determinada pela quantidade de GFIP’s declaradas, mas sim pelo valor dos salários auferidos ou pagos aos trabalhadores e declarados na GFIP a declaração de 167 GFIP necessariamente não precisa representar que o valor correto da contribuição foi declarado. Aliás, as planilhas, estudos e levantamentos realizados pelo agente lançador demonstram o contrário como ficou consignado no parágrafo anterior onde observouse uma diferença significativa entre os valores constantes da GFIP e o valor da mão de obra em razão do custo desta. As irregularidades não precisam ser constatadas nas informações e registros contábeis, pois é possível registrar valores compatíveis com os documentos apresentados e que dão suportes a tais registros, mas que quando comparados com o valor global da obra não reflitam a realidade dos custos da obra e da movimentação da remuneração em função dos custos, aliás o TRF3, assim já entendeu observese a ementa abaixo. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGITIMIDADE ANTE AO RECOLHIMENTO INSUFICIENTE E A IRREGULARIDADE NOS LIVROS CONTÁBEIS APRESENTADOS. LEGALIDADE DA TAXA SELIC 1. É legítimo o procedimento de lançamento por arbitramento (aferição indireta) de contribuições previdenciárias incidentes sobre mãodeobra de construção civil, realizado ante a falta de apresentação pelo responsável de documentação hábil a demonstrar a mãodeobra utilizada na construção, autorizando a utilização de critério técnico razoável para o cálculo dos custos da mãodeobra. 2. No entanto, os §§ 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 possibilitam ao Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.134 10 contribuinte a prova em contrário. Se o contribuinte apresentar outro critério que se mostre mais fidedigno e próximo da verdade material, ele deve ser considerado válido. 3. A Recorrente visando à expedição de certidão negativa de débito para regularizar a obra que havia concluído apresentou ao Serviço de Arrecadação da Previdência Social as guias que havia recolhido e notas fiscais; entretanto, o Auditor Fiscal apurou que os documentos apresentados não correspondiam às dimensões da obra realizada e que havia necessidade de se complementar o recolhimento das contribuições em montante expressivo (fls. 36/49). 4. Os livros contábeis apresentados também não se prestaram para apurar os valores das contribuições devidas, razão pela qual foi efetuado o lançamento por aferição indireta. 5. Restava à Autora demonstrar, nestes autos, a alegada regularidade de seus registros contábeis, entretanto, deste ônus não se desincumbiu, pois sequer juntou à presente ação as cópias das guias de recolhimento e os livros contábeis objeto da autuação, razão pela qual a sentença deve ser mantida tal e qual lançada. 6. A incidência da taxa SELIC, como juros moratórios, encontra respaldo legal, não ofendendo qualquer preceito constitucional: precedentes. 7. Apelação a que se nega provimento. (AC 00035502820024036106, JUIZ CONVOCADO LEONEL FERREIRA, TRF3 PRIMEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:28/03/2012 FONTE_REPUBLICACAO:.) (o grifo é meu). Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 04/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. CONSTRUÇÃO CIVIL. Devidamente comprovados os fatos que constituem parâmetro ao lançamento, deve ser mantida a autuação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/199. Acórdão 2301002.950 PROC 37322.004038/20054, Cons. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Data 12/07/201. (este realce, também, é meu). Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.135 11 Fica afastada as jurisprudências alegadas pela recorrente, uma vez que a aferição indireta é admitida quando não se verifica a movimentação real da remuneração, ainda, que não haja irregularidade formal na escrituração, situação admitida no parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei 8.212/91. A ausência de irregularidade formal na escrituração contábil, não implica em dizer de forma automática e absoluta que a mão de obra para a realização do empreendimento imobiliário está adequada ao empreendimento como um todo, pois a comparação do custo da obra, porte, padrão, finalidade, tempo de construção e etc, com o valor da mão de obra utilizada no empreendimento pode demonstrar o contrário como foi o caso. A utilização das técnicas modernas para a construção, bem como a redução das despesas administrativas, com material e mão de obra foram levadas em conta quando a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT elaborou a Nota Técnica 12.271/2006 e que foi a base para a elaboração do capítulo da IN 971/2009 que orientou o enquadramento da obra para a elaboração do ARO, de fls. 280 a 283, documento integrante do processo principal, e, certamente pelo SINDUSCON ao fixar o CUB em cumprimento a determinação legal, bem como foram considerados pelo agente lançador as reduções e deduções determinadas na legislação. O artigo 381, da IN/RFB 971/2009 só esclarece as situações em que se justifica a aferição indireta e no caso em análise foi esta a justificativa utilizada pelo agente fiscal lançador, já o artigo 344 citado no acórdão a quo e contestado pela recorrente determina a forma de apuração da mão de obra, utilizando o CUB e a NT 12.271/2006 da ABNT, conforme determina a Lei 4.591/64. O SINDUSCON não está legislando e muito menos criando a base de cálculo da contribuição, pois está foi autorizada pela CRFB e criada por lei, o SIDUSCON apenas está cumprindo a determinação do artigo 54, da Lei 4.591/64 e nada mais. O Superior Tribunal de Justiça – STJ entende ser plenamente possível que Ordem de Serviço, ou seja, atos administrativos estabeleçam os critérios da aferição indireta sem que isso ofenda o princípio da legalidade tributária estrita, pois autorizado por lei, veja a ementa, o que afasta a violação ao artigo 150, I, da CRFB/88 c/c o artigo 97, da Lei 5.172/66. EMEN: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO INEXISTENTE. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. LANÇAMENTO FISCAL. REVISÃO. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES. PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ERRO DE LANÇAMENTO. ARTS. 33 DA LEI N. 8.212/91 E 124 DO CTN. CONSTITUIÇÃO VÁLIDA DO CRÉDITO ANTE A PRÉVIA FISCALIZAÇÃO NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. O Tribunal de origem deixa delineado, levando em conta o relatório fiscal, que ocorrera equívoco na aplicação da alíquota, pois aplicou o percentual de 20% (vinte por cento) referente a Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.136 12 "reformas em imóveis da empresa", quando o correto seria 40% (quarenta por cento), ante a "cessão de mão de obra". 3. A suplementação do lançamento, ante a falta funcional da autoridade, é mecanismo previsto no art. 149, inciso IX, do CTN, pois, apurado erro no lançamento fiscal que aumente ou diminua o montante do tributo, é devida a revisão do lançamento fiscal. 4. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a procedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. 5. Contudo, no caso em apreço, o acórdão esclarece que o lançamento indireto ocorreu após verificação de contas fiscais do "prestador de serviço subempreiteira", o que legitima a empresa contratante a responder solidariamente pelo crédito tributário, visto que "a dívida tributária, quando há solidariedade passiva, pode ser cobrada de qualquer dos sujeitos passivos, não comportando benefício de ordem." (REsp 761.246/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 12.6.2007, DJ 29.6.2007, p. 538). 6. O STJ reconhece, ainda que de modo excepcional, a legalidade da aferição indireta prevista, no caso dos autos, nos art. 148 do CTN e 33, § 6º, da Lei n. 8.212/91. E consignado pela Corte a quo que não havia qualquer ilegalidade no lançamento, visto que devidamente constituído após análise das notas e livros fiscais dos prestadores de serviço, a modificação da conclusão encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 7. "A expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita" (REsp 719.350/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 21/02/2011). Recurso especial improvido. ..EMEN: (RESP 201101962151, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:19/12/2011 ..DTPB:.) (promovi o destaque no texto). De outro lado, tão pouco isso importa em violação ao artigo 146, III, da CRFB/88, haja vista que este veda o estabelecimento de normas gerais em matéria tributária por outro veículo que não seja lei complementar, porém a aferição indireta não está discriminada no citado artigo e tão pouco é está situação geral, ao contrário a aferição indireta é procedimento específico e determinado, a ser utilizado dentro das previsões legais. O padrão da obra e a forma de execução foram levados em consideração quando da apuração das regras estabelecida na NT 12.271/2006 ABNT e que foi considerada para a elaboração da IN/RFB 971/2009, pois os critérios constantes do ARO, de fls. 280, documento integrante do processo principal, a seguir elencados estão estabelecidos pela citada NT 12.271/2006, quais sejam: a) comercial salas e lojas; b) normal; c) enquadramento CSL (08), basta observar e comparar. Podese verificar que a norma da ABNT leva em consideração as diversas características das obras e estabelece padrões e critérios distintos para cada uma delas. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.137 13 Ademais, a utilização de concreto usinado foi considerado quando da redução da base de cálculo, pois pela planilha, de fls. 264 a 273 e 261, folhas integrantes do processo principal, a utilização desse insumo foi convertida e mão de obra de concreto. O agente fiscal lançador no item 5.10 de seu REFISC, a seguir transcrito diz que levou em consideração todas as especificidades da obra. 5.10. Em que pese, considerarse todas as peculiaridades inerentes à execução da Obra Shopping São Jose, ou seja, estrutura préfabricada e cobertura de estrutura metálica, os serviços com fornecimento de material e/ ou equipamentos, conforme discriminado em Nota Fiscal, percentuais de remuneração de mão de obra das Prestadoras de Serviço que declararam GFIP compatível com o valor previsto pela IN RFB nº 971, de 13/11/2009, em muitas delas inferior a 40% (consideramos que foram executados com tecnologia de construção otimizadas), ainda assim o valor recolhido como contribuição previdenciária não regularizou o total da área construída. Todos os padrões e critérios de enquadramento são estabelecidos pela ABNT e só se pode usar aqueles que estão normatizados e assim foi feito pela aplicação da IN/RFB 971/2009. O custo da obra para apuração do valor da mão de obra foi estabelecido pelo que consta da NFPS que estão discriminadas nas planilhas, de fls. 262 e 263, folhas integrantes do processo principal, e descritos no item 5.8 do REFISC que transcrevo e que leva em consideração os descontos obtidos, pois só o custo efetivo é contabilizado. 5.8. Na “Planilha Demonstrativa dos Valores da Prestação de Serviços e da Mão de Obra dos Subempreiteiros”, o valor da prestação de serviços é de R$ 13.829.936,98 que somado à MO própria e considerandose uma correção estimada em 25% (SELIC), chegamos a um valor de aproximadamente R$ 17.000.000,00, que se constitui exatamente no valor da parcela da prestação de serviço, que compõe o CUB, fornecido pelo SINDUSCON/PR. Assim, fica evidente que todas as especificidades que a recorrente diz existir foram consideradas na elaboração do CUB tanto pela ABNT na NT 12.271/2006, como pela RFB na elaboração do capítulo da IN/RFB 971/2009 que utiliza o CUB como critério de apuração do base de cálculo da contribuição. O artigo 357, § 1º, da IN/RFB não estabelece nenhum percentual de redução, pois este é estabelecido pelo caput do artigo e diz que cabe a RFB averiguar a aplicação da redução e essa foi aplicada, veja a transcrição do artigo, bem como já ficou consignado que o padrão está na NT 12.271/2006 da ABNT sendo reproduzido na norma em questão, devendo essa a ser aplicada, pois é o que determina a lei. Art. 357. Será aplicado redutor de 50% (cinquenta por cento) para áreas cobertas e de 75% (setenta e cinco por cento) para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da edificação, definida no inciso XVII do art. 322, nas obras listadas a seguir: Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.138 14 I quintal; II playground; III quadra esportiva ou poliesportiva; IV garagem, abrigo para veículos e pilotis; V quiosque; VI área aberta destinada à churrasqueira; VII jardim; VIII piscinas; IX telheiro; X estacionamento térreo; XI terraços ou área descoberta sobre lajes; XII varanda ou sacada; XIII área coberta sobre as bombas e área descoberta destinada à circulação ou ao estacionamento de veículos nos postos de gasolina; XIV caixa d’água; XV casa de máquinas. § 1º Compete exclusivamente à RFB, a aplicação de percentuais de redução e a verificação das áreas reais de construção, as quais serão apuradas com base nas informações prestadas na DISO, confrontadas com as áreas discriminadas: I no projeto arquitetônico aprovado pelo órgão municipal; ou II no projeto arquitetônico acompanhado da ART registrada no Crea, caso o órgão municipal não exija a apresentação do projeto para fins de expedição de alvará/habitese. A aplicação do CUB desonerado só é possível a partir da Lei 12.844/2013 e assim não se aplica ao presente caso, pois o cálculo deste lançamento foi efetuado, em 01/04/2010, e a lei não criou novos critérios de fiscalização, mas sim um novo valor diferenciado para base de cálculo com a redução dos encargos sociais com a política de desoneração da folha de pagamento para determinados setores que vem sendo implementada pelo Governo Federal. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721111/201009 Acórdão n.º 2803003.443 S2TE03 Fl. 1.139 15 A base de cálculo do tributo a ser aplicada é aquela que estava em vigor no momento da ocorrência do fato gerador artigo 144, da Lei 5.172/66. Os novos padrões e critérios de apuração do CUB foram aplicados pela utilização da NT 12.271/2006 pela IN/RFB 971/2009 como exaustivamente demonstrado linhas atrás. Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15956.000249/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. IRPJ. CSLL. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇAS APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF nº 82).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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IRPJ. CSLL. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇAS APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF nº 82). Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 49 /2 00 9- 40 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Relatório O Presidente da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, em razão do duplo grau de jurisdição, recorre de ofício, em conformidade com o artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão prolatada de fls. 271/274, que julgou procedente a impugnação, interposta pelo contribuinte, declarando a exoneração do credito constituído pelo Auto de Infração de fls. 02/21. Contra a contribuinte ANDRADE AÇÚCAR E ALCOOL S/A, inscrita no CNPJ/MF sob nº 54.929.021/000115, com domicílio fiscal na cidade de Pitangueiras, Estado de São Paulo, na Rua Faz Piratininga, Bairro Zona Rural, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, em 26/08/2009, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL com ciência pessoal, em 26/08/2009 (fl. 03), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 4.921.680,53 a título de imposto e contribuição, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e da contribuição, referente ao exercício de 2008, correspondente ao anocalendário de 2007. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2008 onde a autoridade lançadora entendeu haver diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado e pago. O valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica referente aos períodos de apuração dos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Agosto do ano calendário de 2007, que deixou de ser declarado e recolhido, apurado pelo confronto entre os valores escriturados e considerados declarados pela contribuinte, conforme demonstrativo de fls. 11/12. Cabe ressaltar que somente no curso da ação fiscal iniciada em 05/07/2007 a empresa procedeu à retificação, via internet, em 02/02/2009, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) alterando, inclusive, os valores do IRPJ devido relativo aos períodos de apuração acima referidos. Assim sendo, tendo em vista que a contribuinte não estava sob os efeitos da espontaneidade no momento da entrega da referida declaração retificadora, o Fisco, nos termos da legislação vigente, desconsiderou os valores dos tributos e contribuições cujos valores foram alterados (inclusive do IRPJ) informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Retificadora apresentada após o início da presente ação fiscal e procedeu à apuração dos valores das diferenças do IRPJ devido, não declarado e nem recolhido pela contribuinte (demonstrativo de fls. 11/12). Infração capitulada arts. 247 e 841 do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração, entre outros, os seguintes aspectos: que, em 05/07/2007, foi iniciada, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal de n° 0810900 2007 00444 0 (fls.24), conforme Termo de Início de Fiscalização (fls.25/26), ação fiscal junto ao estabelecimento da contribuinte acima qualificada. Já na data de 22/08/2008 a contribuinte foi cientificada da substituição do mencionado MPF n° 0810 900 2008 00689 7 (doc. fls. 35/36); Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15956.000249/200940 Acórdão n.º 1402001.624 S1C4T2 Fl. 3 3 que em decorrência da citada ação fiscal foram realizadas as Verificações Obrigatórias, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas neste Demonstrativo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que culminaram com a lavratura do presente Auto de Infração; que mediante o Termo de Início de Fiscalização datado de 05/07/2007, item "3. Quanto às Verificações Obrigatórias..." (fls. 25/26), a contribuinte supra, foi intimada a apresentar, entre outros documentos, o Livro Diário, Livro Razão, Balancetes Mensais e o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), relativos aos períodos de apuração de 07/2002 a 05/2007; que nos autos dos Termos Intimação e Reintimação Fiscal lavrados nas datas: 30/09/2008, 19/11/2008, 23/12/2008, 24/12/2008, 08/05/2009 e 20/05/2009, a empresa foi intimada e reintimada a apresentar, entre outros elementos, o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), os Balancetes Mensais e o Demonstrativo da Base de Cálculo do IRPJ, relativos aos períodos de apuração de Janeiro/2004 a Dezembro/2007 (docs. de fls.37/38, 41/47 e 57/60); que nos autos do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal lavrado em 25/06/2009 (fls. 63/65), restou constatado que a fiscalizada, apesar de exaustivamente intimada e reintimada, e depois de concedidos todos os prazos solicitados, até a presente data, não apresentou entre outros elementos, o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) dos períodos de apuração de Janeiro/2005 a Dezembro/2007 e o Demonstrativo da Base de Cálculo do IRPJ relativo aos períodos de apuração de Janeiro/2004 a Dezembro/2007, solicitados nos termos de intimações fiscais acima citados; que o Fisco constatou, também, que somente no curso da ação fiscal, isto é ao desamparo dos efeitos do instituto da espontaneidade, a contribuinte efetuou a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Retificadora contendo alterações dos valores dos tributos e contribuições relativos aos períodos de apuração do ano calendário de 2007, inclusive do IRPJ (doc. fls. 100/118); que a fiscalização cumprindo a legislação vigente, em razão dos fatos acima descritos, desconsiderou, relativamente aos períodos de apuração de Janeiro, Fevereiro, Março e Agosto do ano calendário de 2004, os valores dos tributos e contribuições cujos valores foram alterados (inclusive do IRPJ) informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Retificadora, apresentada depois do início da presente ação fiscal e procedeu à apuração dos valores das diferenças do IRPJ devido, não declarado e nem recolhido pela empresa fiscalizada (demonstrativo de fls. 11/12); que, assim sendo, a fiscalização constituiu os respectivos créditos tributários através da lavratura do presente auto de infração, utilizandose os valores das diferenças do IRPJ apurado pelo fisco e considerado declarado pela empresa (demonstrativo fls. 11/12); que as fls. 11/12, foram anexados demonstrativos que apresentam o valor da Base de Cálculo e da diferença do Imposto (IRPJ) a ser lançado através deste Auto de Infração; que foram juntados às fls. 111/114, o extrato da DCTF, entregue pela empresa, via internet, depois do início da ação fiscal; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que, as fls. 115/118, foi juntado o extrato da DCTF, entregue pela empresa, via internet, antes do início da ação fiscal; que foi juntado, às fls. 119, extrato do "SINAL08" que confirma os valores do imposto (IRPJ) recolhidos pela empresa no ano calendário de 2004, antes do início da presente ação fiscal; que foi inserido às fls.121/134, cópia da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (parcial) relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008, apresentada pela contribuinte, via internet, depois de iniciada a ação fiscal; que encontrase anexada às fls. 135/173, cópia dos Balancetes Mensais de janeiro, fevereiro, março e agosto de 2004, apresentados pela empresa. Em sua peça impugnatória de fls. 197/223, instruída pelos documentos de fls. 224/278, apresentada, tempestivamente, em 24/09/2009, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que da impossibilidade do lançamento de estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do anocalendário, sendo assim, conforme ressaltado, o Sr. Auditor Fiscal efetuou por meio dos Autos de Infração ora impugnados o lançamento de supostas diferenças de estimativa de IRPJ e CSLL apurados pela fiscalização no anocalendário de 2007; que dessa forma, e inegável que as diferenças de estimativa de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007 são indevidas, surgindo dai a impossibilidade de cobrança do débito aqui discutido; que da impossibilidade da cobrança da estimativa de IRPJ e CSLL em virtude do pagamento. Portanto, ainda que pudesse ser admitida a cobrança das diferenças de estimativa de IRPJ e CSLL supostamente não recolhidas pela Impugnante no anocalendário de 2007, o que se admite apenas a título de argumentação, cumpre esclarecer que os valores lançados e cobrados pela Sr. Auditor Fiscal foram devidamente recolhidos antes da lavratura dos autos de infração ora impugnados; que os créditos constituídos por meio dos AIIM combatidos não podem ser exigidos, uma vez que já liquidados, devendo ser julgados improcedentes os lançamentos; que da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, neste sentido, na remota hipótese de serem mantidas, ainda que parcialmente, as exigências fiscais ora combatidas, a Impugnante insurgese contra eventual exigência de juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício proporcional (75%); que, dessa forma, como o caso concreto versa sobre a cobrança de multa de ofício, lançada em conjunto com o tributo supostamente devido, é certo que sobre a multa não devem ser exigidos juros, ante a inexistência de autorização legal neste sentido. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, através do Acórdão nº 1431.673, de 25/11/2010, concluíram pela procedência da impugnação e pela exclusão do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15956.000249/200940 Acórdão n.º 1402001.624 S1C4T2 Fl. 4 5 que tratase de analisar lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL do ano calendário de 2007, em que se apurou diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. A impugnante alegou a impossibilidade de lançamento de estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do anocalendário e em virtude de seu pagamento, bem como questionou a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio; que de fato, verificase que no anocalendário de 2007 a contribuinte optou pela tributação com base no lucro real anual, com recolhimentos mensais por estimativa, como se denota de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), às fls. 121/134, e dos recolhimentos por ela efetuados, a título de IRPJ e CSLL (fls. 119/120); que no caso, a falta de recolhimento das estimativas mensais enseja o lançamento da multa isolada (inciso I). A exigência do imposto só deve se dar em relação àquele apurado ao final do ano com base no lucro real, após o ajuste (inciso II); que tal procedimento não foi observado quando da lavratura do auto de infração, que exigiu o imposto devido por estimativa acrescido de multa proporcional e juros de mora, após o término do anocalendário. Desta forma, ao apreciar a peça impugnatória, a turma de julgamento da primeira instância decidiu pelo provimento integral ao pleito da contribuinte, nos termo do acórdão mencionado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. Após o encerramento do anocalendário é incabível o lançamento do imposto não recolhido com base na estimativa mensal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Deste ato, por força do recurso necessário, a Presidência da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como se depreende do relatório, o presente processo trata de exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2008 onde a autoridade lançadora entendeu haver diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado e pago. O valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica referente aos períodos de apuração dos meses de janeiro, fevereiro, março e agosto do anocalendário de 2004, que deixou de ser declarado e recolhido, apurado pelo confronto entre os valores escriturados e considerados declarados pela contribuinte, conforme demonstrativo de fls. 11/12. É de se observar, ainda, que no curso da ação fiscal iniciada em 05/07/2007 a empresa procedeu à retificação, via internet, em 02/02/2009, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) alterando, inclusive, os valores do IRPJ devido relativo aos períodos de apuração acima referidos. De fato, tratase de analisar lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL do ano calendário de 2007, em que se apurou diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. A impugnante alegou a impossibilidade de lançamento de estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do anocalendário e em virtude de seu pagamento, bem como questionou a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente a impugnação apresentada pela contribuinte ao argumento de que após o encerramento do anocalendário é incabível o lançamento do imposto não recolhido com base na estimativa mensal. Do reexame necessário, verifico que deve ser confirmada a exoneração processada pelos membros da decisão recorrida, não merecendo reparos a sua decisão, visto que assentada em interpretação da legislação tributária perfeitamente aplicável à hipótese submetida à sua apreciação. Existe o princípio genérico da legalidade segundo o qual somente a lei é fonte de direito. Há, ainda, um princípio específico de legalidade que supõe a existência de lei específica para qualquer tributo possa ser cobrado do contribuinte. Não basta, portanto, existência de lei anterior, mas fazse necessário que esta especifique em que circunstâncias se há de cobrar o tributo. É o que certos tributaristas denominam de princípio da reserva da lei. O poder Público está impedido, de instituir ou aumentar tributo sem lei específica a respeito. Se ninguém é obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei, é obvio que o Estado não poderá impelir alguém a pagar tributo, a não ser que exista lei anterior prevendo a hipótese. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não se houver previsão legal para tal. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15956.000249/200940 Acórdão n.º 1402001.624 S1C4T2 Fl. 5 7 vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Resta claro que a decisão recorrida assim se manifestou: Cumpre, assim, observar o que dispõe o art. 16 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de oficio abrangerá: I — a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II — o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Portanto, no caso, a falta de recolhimento das estimativas mensais enseja o lançamento da multa isolada (inciso I). A exigência do imposto só deve se dar em relação àquele apurado ao final do ano com base no lucro real, após o ajuste (inciso II). Tal procedimento não foi observado quando da lavratura do auto de infração, que exigiu o imposto devido por estimativa acrescido de multa proporcional e juros de mora, após o término do anocalendário. Ora, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, confirmado em mansa e pacífica jurisprudência administrativa, quando se verifica a insuficiência ou falta de recolhimentos de estimativas, sem se fazer menção a qualquer diferença apurada ao final do anocalendário, sujeitase o contribuinte apenas à multa de ofício isolada, se for o caso, sobre os valores devidos e que deixaram de ser recolhidos nos respectivos meses. Nesse sentido, tendo em vista que o lançamento ocorreu no ano de 2009, basta citar a Súmula CARF nº 82, que dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”, com base nos seguintes acórdãos precedentes: 10196353, de 17/10/2007; 10516808, de 05/12/2007; 10808933, de 27/07/2006; 10709125, de 12/09/2007; 10322842, de 24/01/2007; 10196683, de 17/04/2008; 10517057, de 30/05/2008. Como visto, encerrado o período de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter o seu efeito, prevalecendo a exigência do imposto e da contribuição efetivamente devidos, apurados com base no lucro real anual. Assim sendo e considerando que todos os elementos de prova que compõe a presente lide foram objeto de cuidadoso exame por parte da autoridade julgadora de Primeira Instância e que a mesma deu correta solução à demanda, aplicando a legislação de regência à Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 época da ocorrência do fato gerador, fazendo prevalecer à justiça tributária, VOTO pelo conhecimento do presente recurso de ofício, e, no mérito, NEGO provimento. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13907.000163/2008-96
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: 1. Trata o processo de Notificação da Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, de fls. 06/08, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, exigindose o crédito tributário de R$ 117.545,10, incluídos juros e multa, em virtude de omissão de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 07 .0 00 16 3/ 20 08 -9 6 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13907.000163/200896 Resolução nº 2801000.147 S2TE01 Fl. 103 2 rendimentos decorrentes de ação trabalhista de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. 2. Cientificado do lançamento em 07/04/2008 (fls.40), o interessado apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01/04 em 02/05/2008 (fl.01), acompanhada dos documentos de fls. 05/39, alegando, em síntese: a) Por decisão do Exmº Juiz do Trabalho de Vara de Arapongas, Estado do Paraná, determinouse em sentença que o cálculo da retenção de imposto de renda seria efetuado mês a mês, baseandose na sentença, diferenciou entre rendimentos tributáveis (R$ 127.262,08), rendimentos isentos e tributáveis exclusivamente na fonte R$ (277.300,96), bem como retenção na fonte de R$ 34.377,73. b) O notificado não teve intuito de sonegar ou fraudar, pois elaborou a DAA com base no informe de rendimentos (não tendo acesso à elaboração do mesmo), devendo a fonte pagadora e não o contribuinte responder por eventuais irregularidades. c) O "informe de rendimentos está fundamentado em decisão judicial e de acordo perante as parte", não havendo como a DAA estar errada. Por outro lado, os cálculos da receita estão fundamentados no processo e não na decisão judicial. d) Em anexo, apresentase planilha demonstrando os cálculos do imposto retido e o informe emitido pela fonte pagadora. e) Por fim, requer o cancelamento do lançamento. A DRJ, analisando os argumentos do contribuinte, proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuine o condão de afastar o pressuposto de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante daquela decisão, foi interposto Recurso Voluntário reiterando os argumentos da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. "Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2009, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2006." Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13907.000163/200896 Resolução nº 2801000.147 S2TE01 Fl. 104 3 Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13907.000163/200896 Resolução nº 2801000.147 S2TE01 Fl. 105 4 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
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Numero do processo: 10805.906629/2009-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 66 29 /2 00 9- 08 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF em Campinas não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 7ª Turma da DRJ Campinas, na sessão de julgamento de 24 de abril de 2012, por meio do acórdão 0537.743 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09//2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser objeto de restituição créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 19 3 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringese a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 21/03/2013 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/04/2013, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 1605 2008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 20 5 Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 21 7 como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 22 9 STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 23 11 XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 24 13 § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 25 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906629/200908 Acórdão n.º 3803006.406 S3TE03 Fl. 26 17 do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 18184.000759/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA.
Não ocorre a nulidade haja vista que a decisão recorrida ao entender que o seguro de vida em grupo e a participação nos lucros e resultados constituem remuneração paga aos segurados empregados, por decorrência lógica e por força do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, deveriam tais valores ter sido informados em GFIP.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Tratando-se de descumprimento de dever instrumental incide do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO
O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastando-se, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com Lei nº 10.101/00 não integra o salário-de-contribuição.
Não sendo fato gerador da contribuição previdenciária, inocorre o descumprimento ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-004.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação os fatos ensejadores da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, apurados até a competência 11/2001, anteriores a 12/20001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em excluir do lançamento os valores referentes a seguro de vida em grupo, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão do pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Sustentação: Marcelo Horácio. OAB: 21.301/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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DECISÃO RECORRIDA. Não ocorre a nulidade haja vista que a decisão recorrida ao entender que o seguro de vida em grupo e a participação nos lucros e resultados constituem remuneração paga aos segurados empregados, por decorrência lógica e por força do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, deveriam tais valores ter sido informados em GFIP. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de descumprimento de dever instrumental incide do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” SEGURO DE VIDA EM GRUPO O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 07 59 /2 00 7- 21 Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com Lei nº 10.101/00 não integra o saláriode contribuição. Não sendo fato gerador da contribuição previdenciária, inocorre o descumprimento ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação os fatos ensejadores da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, apurados até a competência 11/2001, anteriores a 12/20001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em excluir do lançamento os valores referentes a seguro de vida em grupo, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão do pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Sustentação: Marcelo Horácio. OAB: 21.301/SP. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18184.000759/200721 Acórdão n.º 2301004.058 S2C3T1 Fl. 97 3 Tratase de Auto de Infração nº 37.109.0180, cientificado ao contribuinte em 05/10/2007, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo não ter informado em GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores. De acordo com o relatório fiscal as GFIPs referentes às competências 01/1999 a 04/2000, 06/2000 a 04/2001, 07/2001 a 07/2002, 09/2002 a 01/2004, 04/2004 a 07/2005 e 09/2005 a 12/2006, do estabelecimento sede — CNPJ n° 46.399.127/000126, foram apresentadas com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, pois os pagamentos efetuados aos segurados empregados, a titulo de Seguro de Vida em Grupo Participação nos Lucros não foram informados na época própria. A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, o seguinte: i) natureza nãosalarial do "Premio Seguro Vida em Grupo"; ii) que os acordos de PLR atenderam aos ditames legais; iii) decadência parcial do crédito tributário; e iv) impossibilidade de se configurar a responsabilidades dos dirigentes por meio do relatório de corresponsáveis. A DRJ de São Paulo manteve a autuação o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário renovando os argumentos acima citados, adicionando preliminar de nulidade da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminarmente De início destaco a impossibilidade de reunião do presente processo com aqueles nos quais foram apuradas as obrigações principais relativas ao seguro de vida em grupo e à participação nos lucros, haja vista que as NFLDs 37.041.9081 (PA 18184.000762/2007 45) e 37.109.0164 (PA 18184.000761/200709) estão, respectivamente, arquivada e com recurso especial interposto pelo contribuinte, conforme se pode verificar pelas informações contidas no sítio do CARF e do Comprot (Ministério da Fazenda). Nulidade da decisão recorrida Sustente a recorrente a nulidade da decisão recorrida, pois “a obrigação de informar em GFIP os fatos supostamente incidentes de contribuições previdenciárias, não ;decorre da simples desconfiguração de um determinado pagamento realizado pelo empregador aos seus empregados.” Não ocorre a meu ver a citada nulidade haja vista que a decisão recorrida ao entender que o seguro de vida em grupo e a participação nos lucros e resultados constituem Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 remuneração paga aos segurados empregados, por decorrência lógica e por força do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, deveria ter sido informada em GFIP. Decadência De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18184.000759/200721 Acórdão n.º 2301004.058 S2C3T1 Fl. 98 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18184.000759/200721 Acórdão n.º 2301004.058 S2C3T1 Fl. 99 7 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos não há que se falar em pagamento antecipado, pois houve o descumprimento de dever instrumental, o que atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1999 a dezembro de 2006 e que a ora recorrente foi intimada do AI em 05 de outubro de 2007, verificase que está decaído o período de janeiro de 1999 a novembro de 2001. Inclusão dos sócios como corresponsáveis pelo crédito tributário Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de cor responsáveis, procede o argumento da recorrente. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Aplicase ao caso, portanto, a Súmula CARF nº 88, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos apenas como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, não atribuindo a responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas Mérito Seguro de vida em grupo Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 A matéria foi analisada nos autos do PAF 18184.000762/200745 (NFLD 37.041.9081), cujo acórdão 240201.396 da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, assim se posicionou: Como se verifica no RF, esses valores foram integrados ao SC por não constar previsão de seu pagamento em acordo ou convenção coletiva de trabalho. A legislação vigente determina a questão. (...) Como se pode facilmente notar, a legislação determina que para que esses valores não integrem o SC sua previsão deve constar em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Admitir ao contrário, seria ir de encontro à legislação em vigor, atitude proibida para órgãos julgadores administrativos. Portanto, não há razão no argumento da recorrente, pois o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo que não estão previstos em acordo ou convenção coletiva de trabalho devem integrar o SC. Ademais, também nos autos do Processo Administrativo Fiscal 18184.000761/200709 (NFLD 37.109.0164) essa 1ª Turma, fixou posição no sentido de o seguro de vida não foi previsto em acordo coletivo, tal como exigido pelo Decreto nº 3.048/99, razão pela qual recairia a obrigação de recolher a contribuição previdenciária. Contudo, a questão relativa a previsão do seguro de vida em acordo ou convenção coletiva já foi superada pelo Superior Tribunal de Justiça que assim vem decidindo a questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO INCIDÊNCIA. ART. 28, I, § 9º, DA LEI 8.212/91. REDAÇÃO ANTES DA ALTERAÇÃO ENGENDRADA PELA LEI 9.528/97. NÃO CARACTERIZADA A NATUREZA SALARIAL. ACÓRDÃO A QUO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor de um grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim, a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. 2. Não obstante ulterior mudança da redação do art. 28 da Lei 8.212/91, que após a edição da Lei 9.528/97, estabeleceu de forma explicita que o seguro em grupo não se reveste de natureza salarial, o que afastaria a incidência da Contribuição Social, esta Corte já firmara entendimento em sentido contrário, Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18184.000759/200721 Acórdão n.º 2301004.058 S2C3T1 Fl. 100 9 haja vista que o empregado não usufrui do valor pago de forma individualizada. 3. Recurso especial não provido. (REsp 759.266/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 13/11/2009) A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional acolheu as reiteradas manifestações do Poder Judiciário e editou o Parecer PGFN/CRJ/Nº2119 /2011, cuja a ementa é a seguinte: Contribuição Previdenciária. Seguro de Vida em Grupo. O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda O citado Parecer foi aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda o que culminou com o Ato Declaratório nº 12/2011. No caso dos autos o único óbice ao seguro de vida fornecido pela recorrente é de que este não estaria previsto em acordo ou convenção coletivo, sendo fato incontroverso que o seguro de vida é em grupo, sem a citada individualização, coerente, portanto, com o entendimento jurisprudencial. Logo, merece ser provido o recurso nesse ponto tendo em vista as razões supras. Participação nos Lucros e Resultados Acerca da participação nos lucros e resultados essa 1ª Turma, analisando o 18184.000761/200709 (NFLD 37.109.0164) na sessão de 08/07/2010, entendeu por unanimidade que a Lei nº 10.101/00 foi devidamente cumprida. Transcrevo o voto condutor da Conselheira Bernadete de Oliveira Barros: Observase que o PLR da empresa foi objeto de negociação entre a empresa e empregados, mediante comissão escolhidas pelas partes e com a participação de representante do sindicato representante da categoria, tendo sido o acordo celebrado Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 arquivado na entidade sindical, o que não foi negado pela fiscalização. Portanto, é incontroverso que o PLR atendeu os requisitos contidos no caput e no § 2º, do art. 2º da lei 10.101/00. Com relação ao § 1º, do mesmo artigo, a fiscalização entendeu que não foram estabelecidas regras claras e objetivas na fixação dos valores substantivos da participação, além de ter sido verificada grande diferença de valores pagos entre o pessoal da área administrativa e o pessoal da área de negócios, que foram claramente bem mais beneficiados. Porém, a equivalência de valores pagos a título de PLR entre o pessoal dos vários setores de uma empresa não é um requisito legal. Desde que acordado entre as partes, as diferenças de valores pagos a esse título em decorrência das diversas funções, responsabilidade e participação diferenciada dos empregados na formação do resultado da empresa não implica descumprimento das regras contidas na Lei 10.101/00. Da mesma forma, o fato de o montante pago a alguns empregados a título de PLR serem equivalentes ou superarem os seus salários anuais não caracteriza inobservância aos mandamentos inseridos na lei 10.101/00. Observase, dos documentos acostados aos autos tanto pela fiscalização quanto pela recorrente, que os PLRs da empresa, acordados entre as partes e com a participação do sindicato representante dos trabalhadores, estabelecem metas e regras claras e objetivas, com critérios de aferição detalhados que permitem ao empregado o prévio conhecimento das metas a serem atingidas para fazerem jus ao benefício e dos critérios de avaliação individual e global. As comissões que participaram dos acordos atestaram que as regras neles contidas são suficientemente claras, conforme consta do item 12 do Acordo de fl. 297, por exemplo. Em que pese a afirmação constante do acórdão recorrido de que não existe vinculação do pagamento desses valores com a ocorrência de lucros, verificase que o PLR traz os percentuais sobre a receita a serem distribuídos. Consta, do item REGRAS BÁSICAS (fl. 167), o percentual mínimo incidente sobre a receita liquida, vinculado ao cumprimento de metas. O acordo também estabelece fundo para o programa, destinado no mínimo 4% do lucro líquido contábil a título de Participação nos Lucros ou Resultados (fl. 331), e discrimina os fatores que influenciam o percentual a distribuir. Entendo que, dessa forma, restou caracterizada a vinculação do pagamento do PLR à ocorrência de lucros, pois, se não houver lucro, não há fundo para pagamento de PLR, já que 4% de zero é zero. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18184.000759/200721 Acórdão n.º 2301004.058 S2C3T1 Fl. 101 11 O item 3, do Aditamento ao Acordo de Participação dos Empregados nos resultados referente ao período de 2004/2005, fl. 1999, expõe, de forma detalhada, os critérios para cálculo e pagamento da participação nos resultados. Assim, não restou demonstrado o descumprimento da Lei 10.101/2000, motivo pelo qual entendo que os valores pagos pela recorrente a esse título não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Como o acórdão proferido naqueles autos examinou com profundidade todas as questões suscitadas acerca do cumprimento das regras do programa de PLR aos ditames da Lei 10.101/00, concluindo pela inexigibilidade das contribuições, a teor do que dispõe o artigo 28, § 9º da Lei 8.212/91. Não se caracterizando o pagamento do PLR como salário não há que se falar em descumprimento do artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. Multa No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13530.000087/98-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/12/1998
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3202-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
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OCORRÊNCIA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por JOSÉ ALUÍSIO NASCIMENTO E CIA LTDA contra Acórdão nº 06.517, de 11 de fevereiro de 2005, proferido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 53 0. 00 00 87 /9 8- 74 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 371 2 pela 4ª Turma da DRJ/BA, que, por unanimidade de votos, não tomaram conhecimento da presente impugnação, tendo em vista a opção do contribuinte pela via judicial para fins de reconhecimento do direito creditório, encontrandose sua utilização administrativa adstrita aos termos da decisão judicial transitado em julgado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: 0 presente processo trata de pedido de compensação de créditos de Finsocial (fls.84/89 e 130/137) no valor de R$47.072,77 recolhido nas alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento), nos períodos de dezembro/1989 e março/1992, com débitos de PIS, Cofins, Finsocial e CSLL. 2. Na petição de fls.01/03 consta esclarecimento A intimação recebida, informando que vem efetuando compensação de créditos de Finsocial com débitos da Cofins, na forma do decidido pelo Supremo Tribunal Federal, que no julgamento RE 150.7641/92 declarou inconstitucionais as majorações das alíquotas acima de 0,5% da referida contribuição, razão pela qual, a par deste direito, ingressou com ação ordinária junto A 4a Vara Federal do Distrito Federal (processo no 9834000029647). 3. As fls. 16/31 consta a cópia da sentença na qual o juízo condena a Unido a restituir As autoras da ação judicial, inclusive a interessada, mediante compensação com o PIS, Cofins, Finsocial e a CSLL, a importância recolhida a maior, corrigida monetariamente, impor penalidades, executálas judicialmente, negarlhes CND quando requeridas, com relação à compensação pleiteada, até o trânsito em julgado da ação. 4. Através do Despacho SASIT n° 598/2001 (fl.93/94), a Delegacia da Receita Federal de Feira de Santana — DRF/Feisan intimou a interessada a apresentar a documentação pertinente ao pedido de restituição e o inteiro teor do processo judicial contendo a certidão de transito em julgado, tendo a empresa apresentado a documentação de fls.97/273. 5. O órgão de origem, a Seção de Orientação e Análise Tributária SAORT da DRF/Feisan através do Despacho Decisório de fl.127, com base no Parecer de fls.274/276,indeferiu o pedido de restituição e não homologou a declaração de compensação, amparado no disposto no artigo 37 da IN SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, tendo em vista que o pedido da interessada não se encontra fundamentado em decisão judicial transitada em julgado, conforme consulta processual de fls.271/273. 6. Tendo sido cientificada do resultado do pedido de restituição/compensação em 21/09/2004 (fl.282), a interessada As fls.284/291 apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando, em síntese que: • Foi surpreendida pela não homologação das compensações devidamente autorizadas por decisão judicial, tendo por único fundamento a não apresentação da certidão de trânsito em julgado da ação n° 1998.34.00.0029647 que tramitou perante a 4a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, com base no disposto no artigo 21 da IN SRF n°210/02; • A vedação veiculada pela referida instrução normativa é decorrente do novo art.170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar n° 104/2001, que é norma posterior As compensações realizadas pela recorrente, que ocorreram entre 04/1998 e 04/1999; • A Lei n° 5.172/66 (CTN) recepcionada pela ordem jurídica atual traz em seu artigo 106 as únicas hipóteses em que a lei tributária pode ser aplicada a ato ou fato Fl. 895DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 372 3 pretérito, não sendo acolhida a presente situação, sendo regra geral do Direito que os fatos regulamse pela lei do tempo em que se verificam, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes e do STJ, cujas ementas transcreve; • A IN SRF no 31/97, publicada em 10/04/1997, reconheceu a inconstitucionalidade das majorações das alíquotas acima de 0,5%, razão pela qual ajuizou a ação de conhecimento sob rito ordinário n° 1998.34.00.0029647, por ser empresa mercantil, contribuinte do Finsocial, já extinto; • A sentença autorizou as compensações dos valores recolhidos indevidamente a titulo de Finsocial, que foi integralmente confirmada pelo acórdão proferido pela 4a Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, tendo sido negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, em 17/08/2004, foi negado provimento pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao agravo interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que havia negado seguimento ao seu Recurso Especial, tendo havido o transito em julgado da ação em 29/09/2004, conforme decisão anexa e correspondente extrato de andamento do STJ; • A compensação já foi legitimada pela Secretaria da Receita Federal quando da edição da IN SRF no 32, de 09 de abril de 1997, que transcreve, razão pela qual requer a homologação das compensações efetuadas.” A DRJ não tomou conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 09/12/1998 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção pela via judicial importa renúncia às instancias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não dando conhecimento ao recurso voluntário.” Cientificado do referido acórdão em 12 de abril de 2006, a interessada apresentou recurso voluntário em 9 de maio de 2006, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 896DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 373 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 12 de abril de 2006, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 9 de maio de 2006. Depreendendose da análise do processo, constatase que o cerne da questão envolve a homologação do pedido de compensação do Finsocial, realizadas no período de 04/1998 a 05/1999, objeto do presente auto de infração. No entanto, importante verificar primeiramente a suposta renúncia à instância administrativa considerada pela DRJ que, por conseqüência, não tomou conhecimento da presente manifestação de inconformidade, ressaltando a opção do contribuinte pela via judicial para fins de reconhecimento do direito creditório, conforme ementa: 1998.34.00.0029647 “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção pela via judicial importa renúncia às instancias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não dando conhecimento ao recurso voluntário.” Em relação a essa questão, lembra a recorrente que o único fundamento da DRJ para a não homologação das compensações foi a ausência de apresentação de certidão de trânsito em julgado da ação 1998.34.00.0029647, que tramitou perante a 4 Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, afirmando que foi proposto o indeferimento do pedido de restituição e Fl. 897DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 374 5 a não homologação da declaração de compensação em razão do disposto no art. 21, da INSRF 210/02 e "tendo em vista que o pedido do contribuinte não se encontra fundado em decisão judicial transitada em julgado." O que entende a recorrente ser incabível, conforme fundamentos apresentados, em síntese, a seguir: · não há correlação entre o pedido na ação ordinária e a exigência fiscal de apresentação de certidão de trânsito em julgado, que impossibilite a Secretaria da Receita Federal em apreciar os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade; · Pela leitura do pedido, em momento algum se requereu na ação judicial a homologação de pedido de compensação, mas, tão somente, a declaração de direito de restituição do indébito, por meio da compensação; · ad argumentadum tantum, o sistema jurídico pátrio admite que o contribuinte trilhe, exclusiva, sucessiva ou simultaneamente os dois caminhos , processuais que lhe são abertos pela Lei Suprema; · vedação veiculada pela INSRF 210 de 30 de setembro de 2002, é decorrente do novo art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar 104/2001, sendo, portanto, norma muito posterior as compensações realizadas pelo recorrente, que ocorreram entre 04/1998 e 04/1999. Quanto a essa questão, depreendendose da análise do processo, entendo que assiste razão a autoridade fazendária – o que observo o entendimento manifestado pela DRJ – transcrevendo parte do voto constante daquele acórdão: “[..] 14. Ressaltese que em 21/10/1998, o juiz de l a instância julgou procedente em parte a ação para condenar a Unido a restituir o pagamento indevido correspondente ao Finsocial recolhido pela empresa em aliquotas que excederam a 0,5% (meio por cento), e acompensálo com o PIS, a Cofms, o Finsocial e o CSLL, tendo a interessada protocolado o pedido administrativo de restituição/compensação em 09/12/1998 (fls.16/31). Fl. 898DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 375 6 15. Posteriormente foram apresentados recursos de apelação pelas autoras e embargos de declaração pela União. 0 TRF considerou as apelações e a remessa oficial improvidas (fls.261/267), tendo sido proposto Agravo de Instrumento pela Fazenda Nacional,contra o acórdão do eg. Tribunal regional federal da la Região, este foi improvido (fls.292/293), tendo o acórdão transitado em julgado em 29/09/2004 (fl.294), cujo acórdão relativo ao Agravo de Instrumento tratou apenas do prazo da extinção do direito de pleitear restituição ou compensação. 16. Conforme se verifica, o objeto da ação judicial em questão é também a compensação, utilizandose o direito credit6rio que ora a requerente pleiteia administrativamente, decorrente de recolhimentos de Finsocial alegadamente efetuados em valores maiores que os devidos. 17. Desta forma, concluise, portanto, que o mesmo direito creditório está sendo pleiteado pelo contribuinte em duas esferas distintas, judicial e administrativa,concomitantemente. [..] Frisese ainda tal entendimento, a súmula CARF º 1: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Na questão em tela, tratase de aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Corolário do referido princípio, decorre que o monopólio do exercício da jurisdição é exercido somente pelo Poder Judiciário, logo, embora os órgãos de julgamento administrativo tenham competência para dirimir os conflitos no âmbito de sua atuação, o pronunciamento definitivo acerca do litígio cabe, exclusivamente, aos órgãos do Poder Judiciário. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 376 7 Ora, tendo em vista que a matéria litigiosa foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, careceria de sentido e de efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Dessa forma, é de se concluir que houve renúncia à instância administrativa no caso vertente o que não tomo conhecimento do recurso voluntário. Não obstante à apreciação da questão posta que, por sua vez, deixo de tomar conhecimento, importante apenas verificar também o andamento que se deu a esse processo quando do encaminhamento a esse Conselho. O que passo a descrever que, por meio do Ofício SEORT nº 65/07, recepcionado pelo Conselho de Contribuintes em 15.10.2007 antes de eventual julgamento, foi solicitado o retorno do r. processo para a repartição de origem para fins de revisão dos débitos inscritos em Divida Ativa da União, que constam no referido processo de compensação, com o seu posterior retorno ao conselho.O que, por conseguinte, após acatada tal solicitação pelo Conselho e, posteriormente à análise daquela repartição, seguiu o processo novamente a esse Conselho com o Despacho Decisório DRF/FSA nº 3208/2007. Para melhor transparecer a análise feita pela Seção de Orientação e Análise Tributária SEORT, transcrevo o constante do Despacho: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Débito Inscrito em Divida Ativa relativo a débito de COFINS, referente ao período de apuração 04/98 a 06/98, em que o contribuinte alega extinção do crédito tributário mediante compensação. 0 contribuinte em 09/12/98, após a inscrição dos referidos débitos em divida ativa (fl.10), apresentou pedido de compensação, vinculado a um pedido de restituição através do processo n° 13530.000087/9874, apenas dos débitos referentes ao período de apuração 05/98 e 06/98 ( vide extrato processo fls. 177 e 181 ) . Considerando que no momento do pedido de compensação os débitos já estavam na divida ativa da Unido, e que conforme a Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal SRF n°21, vigente de 10 de março de 1997 a 30 de setembro 2002, que normatizava os procedimentos para restituição e/ou compensação, estabelecia no seu art. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 377 8 5° que só poderiam ser utilizados para compensação, débitos relativos a tributos e contribuições sob administração da SRF. "Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. " Face ao exposto, proponho: a. Manutenção da cobrança e inscrição em divida ativa, com o prosseguimento da execução; TRIBUTO PA/EX VENCIMENTO MOEDA SALDO DEVEDOR INSCRITO NOVO SALDO DEVEDOR A SER COBRADO 2172 04/98 R$ 3.260,22 3.260,22 2172 05/98 R$ 2.555,24 2.555,24 2172 06/98 R$ 3.212,06 3.212,06 b. Baixa dos referidos débitos (PA 05/98 e 06/98) no registro no sistema PROFISC relativamente ao processo n° 13530.000087/9874; c. Encaminhamento ao Terceiro Conselho de Contribuintes cópia deste despacho, para ser anexado ao processo citado no item anterior.” Em atenção ao despacho supra mencionado, vêse que a SEORT constatou que o contribuinte apresentou pedido de compensação de débitos que já tinham sido inscritos em dívida ativa à época. Não obstante à essa constatação, a meu sentir, apenas houve previsão legal vedando esse procedimento somente com o advento da Lei 10.833/03 que, através de seu art. 17 alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluindo novo inciso III no §3º daquela lei, passando vedar expressamente a compensação de débitos que já tenham sido encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União. Com efeito, não haverseia que aplicar tal dispositivo às compensações efetuadas anteriormente à Lei 10.833/03, em respeito aos princípios do direito adquirido e da irretroatividade das leis, do que decorre incerteza jurídica no concernente a eficácia da vedação imposta pela r. Lei. O que tenho que tal dispositivo apenas passou a produzir efeitos em relação a obrigações tributárias ocorridas após 30 de dezembro de 2003, pois não há que se aplicar Fl. 901DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13530.000087/9874 Acórdão n.º 3202001.251 S3C2T2 Fl. 378 9 retroativamente uma legislação sob pena de malferir ao princípio constitucional da irretroatividade. Eis que a norma jurídica em regra se projeta para o futuro (artigo 6º, LICC). Além disso, em matéria tributária, a Constituição impõe preceito específico ao vedar a cobrança de tributos “em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado”. Aliás, este é o posicionamento adotado por nossos Tribunais Regionais Federais. Faço tais considerações apenas em respeito a análise feita pela SEORT e que consta desse processo. Sendo assim, não obstante entender não haver vedação legal em se ter procedido à época a compensação com débitos já inscritos em dívida ativa e em vista de todo o exposto, considerando a matéria ora discutida trazida também em recurso voluntário, voto por não conhecer do recurso, pois, no caso vertente, houve renúncia à instância administrativa. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 902DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 10940.900520/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2006
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 20 /2 01 1- 19 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900520/201119 Acórdão n.º 3801004.017 S3TE01 Fl. 77 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900520/201119 Acórdão n.º 3801004.017 S3TE01 Fl. 78 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916016816 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 31664.70358.200607.1.3.046871. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$3.388,61, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/12/2006. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, tece considerações acerca da inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS, fazendo referência à legislação pertinente, à jurisprudência do Judiciário e a entendimentos doutrinários que tratam do assunto em pauta, para concluir que as “receitas” provenientes do ICMS não podem integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ante ao fato de não representarem receita ou faturamento do contribuinte, mas sim do ente tributante. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de Cofins, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900520/201119 Acórdão n.º 3801004.017 S3TE01 Fl. 79 4 como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica o valor do ICMS e o valor de Cofins correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900520/201119 Acórdão n.º 3801004.017 S3TE01 Fl. 80 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900520/201119 Acórdão n.º 3801004.017 S3TE01 Fl. 81 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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