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Numero do processo: 13869.000030/2003-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IPI. RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO.
A compensação é realizada com a apresentação da Declaração de Compensação e os débitos e créditos a serem compensados são os existentes nesta data, sendo os débitos vencidos do sujeito passivo acrescidos eventualmente de multa e de juros de mora.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 201-81448
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. A compensação é realizada com a apresentação da Declaração de Compensação e os débitos e créditos a serem compensados são os existentes nesta data, sendo os débitos vencidos do sujeito passivo acrescidos eventualmente de multa e de juros de mora. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI. Recurso voluntário negado.
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LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. A compensação é realizada com a apresentação da Declaração de Compensação e os débitos e créditos a serem compensados são os existentes nesta data, sendo os débitos vencidos do sujeito passivo acrescidos eventualmente de multa e de juros de mora. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de TI. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. f • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13869.000030/2003-17 Brasítia, é CCO2/C01 Acórdão n.°201-81.448 d‘• Fls. 157 Sitv :. rb°" Mat: Stape 91745 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. âottiotka, • SE MARIA COELHO • QU Presidente JO •• TONIO FRANCISCO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassino Keramidas e Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo 4 D'Eça e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. 2 MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13869.000030/2003-17 25 /1 2,007 CCO2/C01Brasília, ( I Acórdão n.° 201-81.448 Fls. 158 Mat: Sopa 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 135 a 148) apresentado em 29 de novembro de 2006 contra o Acórdão n2 14-13.799, de 27 de setembro de 2006, da DRJ em Ribeirão Preto - SP (fls. 124 a 130), do qual tomou ciência a interessada em 10 de novembro de 2006 e que, relativamente a pedido de ressarcimento de IPI do 3 2 trimestre de 2001, indeferiu a solicitação da interessada. A ementa do Acórdão de primeira instância foi a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001 DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI, sendo hipótese distinta de restituição de imposto pago indevidamente ou a maior. Solicitação Indeferida". O pedido, apresentado em 28 de janeiro de 2003, foi deferido pelo despacho de fls. 59 e 60, de 9 de setembro de 2005, mas a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a data de valoração adotada pela DRF. Segundo a interessada, deteria créditos desde o protocolo do pedido e, embora somente houvesse dado entrada à Declaração de Compensação em 30 de julho de 2004, já teria realizado a compensação via DCTF anteriormente apresentada. Conforme já exposto, a DRJ não acatou as alegações e indeferiu a solicitação, tendo a interessada renovado as razões da impugnação no recurso e ainda alegado que as disposições das Instruções Normativas SRF n2s 21, de 1997, art. 32, b, com a redação da IN SRF n2 73, de 1997; e 210, de 2002, art. 28, II, seriam-lhe favoráveis. É o Relatório. 3 n•••••n•nn•n MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL• ° Processo n° 13869.000030/2003-17 a-ODP a CCO2/C01 • Acórdão n.° 201-81.448 Fls. 159jfearposa Mal: Siai* 91745 Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Trata-se de saber se a data de valoração em relação aos débitos do sujeito passivo constantes de Declaração de Compensação apresentada em data posterior ao da apresentação do pedido inicial de ressarcimento de créditos de IPI deve ser a data deste pedido ou a da declaração. Inicialmente, deve-se esclarecer que ressarcimento e compensação são figuras jurídicas distintas. Pelo pedido de ressarcimento, o contribuinte requer o pagamento em espécie dos valores de saldos credores de IPI apurados na sua escrituração fiscal. Pela compensação, o contribuinte provoca a extinção dos seus débitos em face de seu direito de crédito. Portanto, o pedido de ressarcimento de créditos de TPI nada tem a ver com os débitos eventualmente vencidos do sujeito passivo e sobre eles não provoca efeito algum. Conforme definido no art. 74 da Lei n2 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória nst 66, de 2002, convertida na Lei n2 10.637, de 2002, a compensação somente pode ser realizada por meio da apresentação da Declaração de Compensação. Portanto, a Declaração de Compensação não expressa apenas a realização formal do encontro de contas, pois representa o encontro de contas em si. Vale dizer, é um ato jurídico pelo qual se realizada a compensação e, dessa forma, a extinção do crédito tributário ocorre na data de sua apresentação e não em outro momento qualquer. Ademais, as disposições do art. 74 da Lei n 2 9.430, de 1996, em sua atual redação, são coerentes, pois a entrega da Declaração de Compensação é que extingue o crédito sob condição resolutória, correndo o prazo a partir daí (§ 5 2). Não faria sentido fazer o prazo correr a partir da data do fato gerador, quando a homologação versa sobre ato jurídico (compensação) praticado posteriormente. Dessa forma, adoto os demais fundamentos do Acórdão de primeira instância em relação à matéria, em face do disposto no art. 50, § 1 2, da Lei n2 9.784, de 1999. Deve-se esclarecer ainda que as disposições das Instruções Normativos SRF n2s 21, de 1997, e 210, de 2002, não se aplicam ao caso da Declaração de Compensação, por dizerem respeito ao pedido relativo à modalidade de compensação existente anteriormente à alteração do art. 74 da Lei n2 9.430, de 1996, anteriormente mencionada, que era realizada pela autoridade fiscal e não pelo sujeito passivo. Os pressupostos das duas modalidades de compensação são totalmente diversos. Em relação à Selic, não há previsão legal que permita a incidência de juros, no caso de ressarcimento de IPI. r 4 MF - SEGUNDO CONFERE C4S °r(..E. 01 ,,H1 00 DoERCIGLNTRIBUIPITES . • Processo n° 13869.000030/2003-17 _; / CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.448 Fls. 160" • sht Mat.: Soace 91°745 Esclareça-se que não se está falando de correção monetária, mas de juros compensatórios. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4 2), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei n2 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. A data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Como a incidência de juros depende de expressa previsão legal, não cabe a sua incidência no presente caso. Por fim, é preciso ater-se ao texto da IN SRF n2 23, de 1997, art. 92, que fala em "utilização do crédito presumido" e não em "reconhecimento", o que não tem absolutamente nada a ver com a incidência de juros. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2008. JO AN NIO FRANCISCO • 5 Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13936.000136/95-54
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 1997
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Caracteriza preterição do direito de defesa a não apreciação, na decisão singular, de matéria impugnada. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 201-70931
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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O. U. 2.2 C 4r-k:Q/U.elt;(-Áa:- D. 1.3.- is.g.± - C „ • bi MINISTÉRIO DA FAZENDA Rubrica COgl- n SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13936.000136/95-54 Acórdão : 201-70.931 •Sessão 26 de agosto de 1997 Recurso : 100.458 Recorrente : TEOLFELO LITKA Recorrida : DRJ em Curitiba - PR PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Caracteriza preterição do direito de defesa a não apreciação, na decisão singular, de matéria impugnada. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: TEOLFILO LITKA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 1997 Luiza • ele a alante d , Moraes President Rogério GustaEr_He er Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Geber Moreira, Valdemar Ludvig, Expedito Terceiro Jorge Filho, Jorge Freire, Sérgio Gomes Velloso e Henrique Pinheiro Torres (Suplente). /OVR.S/OVRS/ 1 II MINISTÉRIO DA FAZENDA pfi SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13936.000136/95-54 Acórdão : 201-70.931 Recurso : 100.458 Recorrente : TEÓLFILO LITKA RELATÓRIO O contribuinte impugna o ITR194 sob a alegação de erro no preenchimento da declaração do tributo, quanto ao Valor da Terra Nua - VTN. Impugna ainda, a contribuição à CNA dizendo explorar a terra em regime de economia familiar, sem empregados. Mexa cópia de declaração da Prefeitura Municipal de Cruz Machado - PR, Município de localização do imóvel, dizendo ser equivalente a 908 UFIR, o valor do hectare para fins de lançamento de tributos municipais. De fls. 13 a 16, Laudo de Avaliação de Responsabilidade da mencionada Prefeitura, firmado pelo senhor Prefeito Municipal e por Técnico Agropecuário. De fls. 25 e 27, a Decisão Recorrida, julgando improcedente. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes, reiterando os argumentos da impugnação e referindo a não obrigatoriedade da contribuição à CNA, em vista de liminar da Justiça. Devidamente intimada, a Douta Procuradora da Fazenda Nacional pede a manutenção do lançamento, aduzindo a preclusão da matéria não alegada na impugnação. É o relatório. 2 &fiNI4 MINISTÉRIO DA FAZENDA OSA' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13936.000136/95-54 Acórdão : 201-70.931 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Caso idêntico ao presente foi objeto de julgamento na sessão de 11 de junho de 1997. Naquele julgamento, à unanimidade, com base no voto do eminente relator, Conselheiro Expedito Terceiro Jorge Filho, o Colegiado anulou a decisão de primeiro grau, visto não ter apreciado matéria relativa a exigência da Contribuição à CNA, contestada desde o inicio do procedimento. • Em face da propriedade do voto, peço vênia para o ilustre Relator do processo paradigma para dele transcrever os excertos aplicáveis ao entendimento que já manifestei quando do referido julgamento. Disse o Conselheiro, em parte do seu voto. "A autoridade recorrida deixou de apreciar a matéria relativa a contribuição para a CNA por entender que a impugnação apresentada, em decorrência da intimação recebida pela decisão do SRL, não abordava a matéria." Foi descumprido o preceito constante do art. 31 do Decreto n° 70.235/72. Equivocada está a decisão monocrática. No ordenamento administrativo processual fiscal não há previsão, para após a interposição de impugnação, para o instrumento denominado SRL. Não há de se dizer que a Portaria SRF n° 4.980194 respalda a conduta da autoridade recorrida, pois falece competência ao Secretário da Receita Federal para legislar sobre matéria processual fiscal. Prossegue, adiante, o nobre Conselheiro: "O não acolhimento da impugnação apresentada pelo ora Recorrente, que resultou da "decisão" do SRL, não descaracteriza a impugnação então apresentada, e muito menos ensejaria o direito de interposição de nova impugnação. A impugnação é única e no caso dos autos foi apresentada em 02.06.95, conforme documento de fls. 01." Configurado está o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois a decisão monocrática deixou de apreciar parte da lide, qual seja, a relativa à contribuição para a CNA. Em face do exposto, voto por anular a decisão recorrida e os atos processuais decorrentes da mesma e determinar que nova decisão seja prolatada, em que seja apreciada, também, a matéria referente à contribuição para a CNA. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'P441'r.... • Processo : 13936.000136/95-54 Acórdão : 201-70.931 Plenamente de acordo com o voto prolatado, voto igualmente por anular a decisão para que nova seja prolatada incluindo a apreciação da matéria referente à Contribuição à CNA É como voto Sala das Sessões, em 26 de agosto de 1997 A ROGÉRIO GUST) t.EYER 4
score : 1.0
Numero do processo: 10880.029663/94-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/10/1993
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL.
A teor do art. 23, II, § 4º, I, do Decreto nº 70.235/72, a correspondência oficial deve ser encaminhada ao domicílio eleito pelo sujeito passivo e não ao escritório dos patronos.
DEPÓSITOS EM JUÍZO. INSUFICIÊNCIA.
A aferição da suficiência de depósitos judiciais extemporâneos deve ser feita pelo método da imputação proporcional de pagamentos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇAS APURADAS EM DEPÓSITOS JUDICIAIS.
As diferenças a menor apuradas mediante imputação proporcional dos depósitos judiciais, quando não declaradas ao fisco, rendem ensejo ao lançamento de ofício com os consectários do lançamento de ofício.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL. A teor do art. 23, II, § 4º, I, do Decreto nº 70.235/72, a correspondência oficial deve ser encaminhada ao domicílio eleito pelo sujeito passivo e não ao escritório dos patronos. DEPÓSITOS EM JUÍZO. INSUFICIÊNCIA. A aferição da suficiência de depósitos judiciais extemporâneos deve ser feita pelo método da imputação proporcional de pagamentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇAS APURADAS EM DEPÓSITOS JUDICIAIS. As diferenças a menor apuradas mediante imputação proporcional dos depósitos judiciais, quando não declaradas ao fisco, rendem ensejo ao lançamento de ofício com os consectários do lançamento de ofício. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 96 63 /9 4- 64 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 01/08/1994, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de declaração e de recolhimento da contribuição em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 30/04/1992 e 31/10/1993. Segundo a descrição dos fatos de fls. 63 a 66, foi detectado que o contribuinte questionou a exigência da contribuição e efetuou depósitos judiciais no período abarcado pelo lançamento nos autos dos processos nº 92.681425 (ordinária) nº 92.578616 (cautelar). Entretanto, o contribuinte não declarou em DCTF os débitos depositados em juízo e efetuou depósitos em montante menor do que o devido nos meses de 04/92 a 08/92, 10/92 a 12/92, 03/93 a 07/93 e 10/93. Em sede de impugnação o contribuinte insurgiuse contra as diferenças apuradas nos depósitos judiciais. Alegou que o valor correto das diferenças é de 39.849,71 UFIR e não 47.731,98 UFIR, como apurado pela fiscalização. Acrescentou que se dedica à atividade de incorporação imobiliária e que a receita proveniente dessa atividade não constitui faturamento. Não constituindo faturamento, tais receitas não podem sofrer a incidência da contribuição. Questionou os consectários do lançamento de ofício, requereu a produção de provas e que as intimações fossem feitas diretamente aos advogados. Por meio do Acórdão 23.348, de 29/10/2009, a 9ª Turma da DRJSão Paulo1 julgou a impugnação procedente em parte. Foram rejeitados os pedidos formulados quanto às intimações e produção de provas (preclusão). No mérito, ficou decidido que existe coisa julgada formada em sentido desfavorável à pretensão do contribuinte. Tendo o Judiciário decidido que a contribuição incide sobre as receitas da atividade imobiliária, não há mais o que discutir a respeito neste processo administrativo. No que tange ao erro na apuração, foi decidido que a empresa não logrou demonstrar qual foi o engano cometido pela fiscalização. A multa de ofício foi excluída em relação às competências em que o depósito foi integral e mantida em relação às diferenças. Em relação à multa mantida, foi aplicado o princípio da retroatividade benígna ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, para reduzila ao patamar de 75%. Os juros de mora foram mantidos. Por meio do despacho de fls. 282 a autoridade administrativa transferiu os débitos com exigibilidade suspensa para um novo processo (16151.003902/201337, fl. 298), a fim de que aguardassem a conversão em renda dos depósitos e manteve, nestes autos, o débito relativo à parcela insuficiente dos depósitos. Regularmente notificado daquele Acórdão em 12/08/2013 (fl. 300), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 303/329, em 11/09/2013. Alegou, em síntese, o seguinte: 1) ocorrência da prescrição intercorrente, pois o processo foi impugnado em 30/08/1994 e ficou parado por cerca de 15 anos sem nenhuma justificativa, só tendo tomado ciência da decisão de primeira instância em 12/08/2013; 2) ausência de apreciação regular de Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.029663/9464 Acórdão n.º 3403002.901 S3C4T3 Fl. 5 3 suas alegações de impugnação, pois a autoridade julgadora de primeira instância deixou de efetuar o cotejamento numérico entre os valores apresentados pela fiscalização (47.731,98 UFIR) e os apresentados pela recorrente na planilha anexa à impugnação (39.849,71 UFIR). As bases de cálculo utilizadas pela fiscalização e pelo contribuinte são as mesmas. A diferença entre os valores apurados é decorrente da incorreta apuração por parte do fisco da correção, multa e juros incidentes, conforme detalhado na planilha existente nos autos; 3) existe necessidade de realização de diligência, em razão dos depósitos judiciais terem sido convertidos em renda 14/09/2010. Tratandose de exigência de valores relativos às supostas diferenças entre o valor depositado e o montante supostamente devido, a conversão em renda dos depósitos certamente pode ter afetado os valores ora exigidos da recorrente. Requereu o acolhimento de suas razões a fim de que seja cancelada a exigência e que as notificações sejam encaminhadas ao escritório dos patronos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Relativamente à alegação de prescrição intercorrente, a Súmula CARF nº 11 estabelece o seguinte: "Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal." E isto é assim em razão do disposto no art. 5º da Lei nº 9.873/99, que exclui a aplicabilidade da prescrição intercorrente aos processos fiscais. Relativamente ao pedido para que as notificações e intimações sejam endereçadas aos patronos da causa, o pleito deve ser indeferido por falta de amparo legal, pois a regra no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, quanto às intimações por via postal, é no sentido de que a correspondência seja endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a teor do disposto no art. 23, II, § 4º, I, do Decreto nº 70.235/72. No mérito, é incontroverso nos autos que a recorrente sucumbiu na ação ordinária proposta com o objetivo de não recolher a contribuição sobre as receitas da atividade imobiliária. Existindo coisa julgada no sentido de que o contribuinte está sujeito à incidência da COFINS, não cabe mais nenhuma discussão a respeito, pois incide a regra do art. 468 do CPC. A insurgência do contribuinte se dá também quanto à magnitude dos números apurados pela fiscalização. O contribuinte apurou um valor de 39.849,71 UFIR, conforme Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 planilha anexada com a impugnação, enquanto a fiscalização apurou 47.731,98 UFIR. A defesa alega, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância não analisou a referida planilha e que as diferenças não se referem à base de cálculo, mas sim a erros cometidos pela fiscalização na apuração dos encargos da mora. A planilha mencionada pela defesa consta à fl. 167 dos autos e sua análise revela que em quase todos os meses os recolhimentos foram efetuados fora do prazo de vencimento legal. Há que se concordar com o fundamento invocado pela decisão de primeira instância, qual seja: a defesa não comprovou qual foi o erro cometido pela fiscalização. Isto porque a planilha juntada com a impugnação não esclarece como foram calculados os juros e a multa de mora em relação aos depósitos extemporâneos, não havendo como se fazer o cotejo numérico almejado pelo contribuinte. Os demonstrativos juntados pelo fisco, especialmente os de fls. 49 a 52, revelam que foi utilizado o algoritmo de cálculo oficial da Receita Federal, que adota o método da imputação proporcional de pagamentos, em respeito ao art. 167 do CTN. O programa adotado pela fiscalização foi homologado pela Receita Federal, faz o cálculo utilizando as datas de vencimento legal e os índices oficiais de correção e juros de mora, sendo isento de erros. Considerando que os valores registrados nas guias de depósito coincidem com os valores dos pagamentos registrados pela fiscalização nos demonstrativos de imputação, a conclusão é no sentido de que a apuração da fiscalização está correta. Ao contrário do alegado, não existe a necessidade de converter este julgamento em diligência. Isto porque o fato de os depósitos judiciais terem sido convertidos em renda em data posterior à apuração das diferenças, em nada influencia os valores exigidos neste processo, uma vez que o valor do débito coberto por aqueles depósitos já foi transferido para o processo nº 16151.003902/201337, conforme informação de fl. 298. Assim, os valores depositados em juízo foram integralmente absorvidos na extinção do crédito tributário que foi transferido para o processo 16151.003902/201337, permanecendo em aberto as diferenças contestadas pelo contribuinte neste processo. A conversão dos depósitos em renda da União em nada influencia o valor das diferenças aqui discutidas. Relativamente aos consectários do lançamento de ofício, verificase que a DRJ São Paulo1 já adequou o lançamento às disposições dos arts. 44 e 63 da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, está correta a manutenção da presente exigência com os juros de mora e multa de ofício de 75%, uma vez que as diferenças apuradas não estavam com a exigibilidade suspensa (art. 151, II, do CTN) e nem foram declaradas ao fisco pelo contribuinte. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.029663/9464 Acórdão n.º 3403002.901 S3C4T3 Fl. 6 5 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19740.000633/2003-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 31/10/1999, 01/02/2000 a 28/02/2000, 01/02/2001 a 28/02/2001
COOPERATIVAS DE CRÉDITO.
Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição à Cofins relativa às instituições financeiras.
BASE DE CÁLCULO. RETIFICAÇÃO.
Constado erro na apuração da base de cálculo, faz-se necessário a devida retificação.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Aplicase à cooperativa de crédito a legislação da contribuição à Cofins relativa às instituições financeiras. BASE DE CÁLCULO. RETIFICAÇÃO. Constado erro na apuração da base de cálculo, fazse necessário a devida retificação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Mandado de Segurança Coletivo, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 33 /2 00 3- 33 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19740.000633/200333 Acórdão n.º 3302002.553 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Contra a COOPERATIVA DE CRÉDITO SULSERRANA DO ESPÍRITO SANTO – SICOOB SULSERRANA (atual denominação da COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE – SICOOB VENDA NOVA) foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2002, e multa de ofício isolada, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de recolhimento da exação e a realização de depósitos judiciais adestempo e sem a multa de mora. Inconformada com a autuação a cooperativa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou o lançamento procedente em parte para excluir a multa de ofício isolada, nos termos do Acórdão nº 1212.838, de 21/12/2006 – fls. 249/258. Ciente desta decisão em 11/01/2007 (fl. 266), a interessada ingressou, no dia 08/02/2007, com o recurso voluntário de fls. 267/291, no qual alega, em síntese, que: 1 – preliminarmente, não houve renúncia à esfera administrativa; que o auto de infração é nulo por ter descaracterizado a recorrente como sociedade cooperativa; e que é nulo o lançamento relativo à competência de fevereiro a outubro de 1999, por inobservância da anterioridade nonagesimal; 2 – no mérito, não incide a Cofins sobre o ato cooperativo e, mesmo que incidisse, há necessidade de ajustar a base de cálculo considerada pela Fiscalização para apurar a receita efetiva da cooperativa sujeita à tributação da Cofins, à luz das alterações sofridas no art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativamente às deduções da base de cálculo das cooperativas de crédito. Distribuído e incluído na Pauta de 13/08/2009, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 330200.006, para a DRF de origem adotar as seguintes providências: 1 demonstrar a apuração da base de cálculo da Cofins, detalhando as receitas tributadas e as exclusões permitidas pela legislação de regência; Fl. 941DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19740.000633/200333 Acórdão n.º 3302002.553 S3C3T2 Fl. 4 3 2 prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante ao deslinde; 3 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Intimada, a Recorrente apresentou “Planilhas Descritivas das Bases de Cálculo” (fls. 460, 461, 486 a 493 e 514), que a Fiscalização considerou corretas, exceto quanto à dedução das “sobras líquidas antes da destinação para a constituição do FATES e Fundo de Reserva” para o período de 02/99 a 06/99, considerado indevida por força do art. 1º da Lei nº 10.676/2003, que autorizou a dedução a partir da vigência da MP nº 1.85810, de 26/10/1999. A Fiscalização confirmou a revogação da isenção prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 70/91 (MP 1.8586/1999). Ciente, a Recorrente se manifesta para separar, para os períodos de apuração de 07/99 a 10/99, 02/00 e 02/01, as receitas de atos cooperativos das receitas de atos não cooperativos, reforçando seus argumentos a respeito da incidência da Cofins sobre as receitas de atos não cooperativos, apenas. Cita Acórdão nº 3201001.140, de 25/10/12 (Processo nº 11060.002303/200672). É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário foi conhecido na sessão de 13/08/2009, quando o seu julgamento foi convertido em diligência para que fosse demonstrada a apuração da base de cálculo da Cofins, com o detalhamento das receitas tributadas e das exclusões permitidas pela legislação de regência. A Recorrente foi intimada a demonstrar a base de cálculo da exação e o valor informado foi aceito pela Fiscalização, exceto quanto às deduções das “sobras líquidas antes da destinação para a constituição do FATES e Fundo de Reserva”, para o período de 02/99 a 06/99. Intimada, a Recorrente se manifestou para concordar com o resultado da diligência, exceto quanto à tributação dos atos cooperados a partir de julho de 1999. No seu Recurso, a empresa interessa alega três preliminares: 1 Da renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa em razão de uma suposta concomitância (preclusão administrativa) com o Mandado de Segurança nº 2000.51.01.014349; Fl. 942DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19740.000633/200333 Acórdão n.º 3302002.553 S3C3T2 Fl. 5 4 2 Da nulidade do Auto de Infração – Da ilegalidade da descaracterização da Recorrente como Sociedade Cooperativa; 3 Da nulidade do lançamento fiscal em relação às competências de fevereiro a outubro de 1999 – Inobservância da anterioridade nonagesimal. Quanto à concomitância com o Mandado de Segurança nº 2000.51.01.01434 9, o Acórdão nº 20313.783, de 04/02/2009, da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, relativo ao processo nº 19740.000632/200399 (lançamento de PIS dos mesmos períodos de apuração), tratou a matéria nos seguintes termos: Alega a recorrente que a matéria tratada no Mandado de Segurança não é o mesmo trazido ao Recurso Voluntário. Veja se a transcrição do pedido efetuado pela recorrente no Mandado de Segurança no 2000.51.01.0141349/14 (fls. 40/41), contido no Processo Judicial no 10.768.013072/200198, in verbis: “1 A concessão de medida liminar inaudita altera parts, com base no art. 151, IV do Código Tributário Nacional, a fim de que a autoridade Coatora se abstenha de cobrar a COFINS; 2 Que, em caso de indeferimento do pedido de medida liminar, seja concedido o direito às Impetrantes de depositar em conta corrente, à disposição deste Juízo, os valores do tributo em questão, até a decisão definitiva, nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional; 3Que seja notificada a Autoridade Coatora para, querendo, informar sobre ato impugnado. 4 – Que seja concedida segurança, ao final da ação, impedindo, definitivamente, que a Autoridade Coatora exija o pagamento dos tributos em questão, ou, sendo o caso, determinando a diminuição da alíquota e da base de cálculo do tributo, alterados ilegalmente pela Lei no 9.718/98”. (grifo nosso) Pelos pedidos transcritos acima, notase que a contribuinte busca na ação judicial que a Receita Federal não cobre o PIS e a Cofins. No presente processo, a recorrente busca inexistência da cobrança do PIS. Portanto, forçoso concluir que, apesar de argumentos diversos, o processo judicial e o administrativo cuidam da mesma matéria, qual seja, a incidência do PIS sobre as cooperativas. Estando a matéria submetida ao Judiciário pela contribuinte fica prejudicado a discussão dentro da seara administrativa, em face da evidente sujeição das partes às eventuais determinações emanadas do Poder Judiciário, independente de o resultado ser favorável ou contrário às pretensões da recorrente. Ademais, o CARF pacificou o entendimento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida. Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 943DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19740.000633/200333 Acórdão n.º 3302002.553 S3C3T2 Fl. 6 5 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto à preliminar de nulidade por ter a Fiscalização descaracterizado a Recorrente como sociedade cooperativa, entendo que houve engano por parte da Recorrente porque não consta no Relatório Fiscal a alegada descaracterização. O fato de a Constituição e leis ordinárias dispensarem às cooperativas de crédito tratamento dispensado às instituições financeiras não implica em descaracterização das mesmas como cooperativas, especialmente por parte da Fiscalização. Relativamente à preliminar de nulidade do lançamento, no período de fevereiro a outubro de 1999, a decisão recorrida foi clara ao informar que o lançamento fundouse na Lei nº 9.718/98, não havendo que se falar em descumprimento do prazo nonagesimal, como entendeu a Recorrente. Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas pela Recorrente. Sobre o tratamento dado às cooperativas de crédito, a decisão recorrida foi didática, logrando provar que as mesmas, em matéria de tributação da Cofins, têm o mesmo tratamento das instituições financeiras. Nesta parte, não vejo reformas a fazer na decisão recorrida. Relativamente à base de cálculo da exação, as divergências existentes foram devidamente resolvidas pela diligência, onde a Fiscalização ratificou os valores apurados pela própria Recorrente, exceto quanto às deduções das “sobras líquidas antes da destinação para a constituição do FATES e Fundo de Reserva”, para o período de 02/99 a 06/99, que entendo com razão a Fiscalização em face da Lei nº 10.676/2003 autorizar a dedução a partir da vigência da MP nº 1.85810/99, ou seja, a partir de julho de 1999. Deve, portanto, ser retificado a base de cálculo da Cofins para os valores apurados na diligência fiscal. Em conseqüência, os valores devidos a título de principal, multa de ofício e juros de mora, também serão retificados. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a base de cálculo da Cofins, nos termos acima citado. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 944DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19740.000633/200333 Acórdão n.º 3302002.553 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 945DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724228/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2010
DIVIDENDOS. ISENÇÃO.
Rendimentos pagos a sócio com base em lucros apurados caracterizam-se como dividendos isentos de tributação.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO.
O custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital deve ser comprovado por documentação hábil e idônea.
MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO.
Deve ser mantida a qualificadora da multa quando restar comprovado que o contribuinte praticou atos com a intenção de suprimir ou reduzir o pagamento de imposto devido.
Numero da decisão: 2201-002.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2010 DIVIDENDOS. ISENÇÃO. Rendimentos pagos a sócio com base em lucros apurados caracterizam-se como dividendos isentos de tributação. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. O custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital deve ser comprovado por documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Deve ser mantida a qualificadora da multa quando restar comprovado que o contribuinte praticou atos com a intenção de suprimir ou reduzir o pagamento de imposto devido.
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ISENÇÃO. Rendimentos pagos a sócio com base em lucros apurados caracterizamse como dividendos isentos de tributação. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. O custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital deve ser comprovado por documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Deve ser mantida a qualificadora da multa quando restar comprovado que o contribuinte praticou atos com a intenção de suprimir ou reduzir o pagamento de imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 42 28 /2 01 1- 52 Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 1049 a 1063, lavrado em 20/03/2012, exigese do contribuinte Alberto Zuzzi, o montante de R$ 5.388.889,85 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 1.470.706,21 de juros de mora e R$ 8.083.334,78 de multa de ofício qualificada (150%), totalizando R$ 14.942.930,84 (atualizados até a data da autuação) referente aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. O lançamento fundamentase na omissão de rendimentos tributáveis oriundos da operação de venda da totalidade das quotas de capital de titularidade do Contribuinte na empresa BIG FOODS INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA (“BIG FOODS”), para a empresa SADIA S/A. De acordo com o Relatório de Ação Fiscalização (fls. 1021 a 1042), o Contribuinte alienou suas quotas (99,9%) da sociedade BIG FOODS para a SADIA S/A por R$ 53.500.000,00 em 03/12/2007. O pagamento pela venda ocorreu da seguinte forma: (i) R$ 16.750.000,00 em moeda corrente e no ato, (ii) R$ 10.500.000,00 em cento e oitenta dias e (iii) R$ 26.250.000,00 no dia 31/10/2010. As parcelas a prazo são reajustadas pelos índices aplicáveis à caderneta de poupança, verificados entre a data da operação (03/12/2007) e a data do efetivo pagamento. Além do preço de venda, o Contribuinte também faria jus ao valor positivo da diferença do Patrimônio Líquido verificado entre 30/06/2007 e 30/11/2007 a título de pagamento de dividendos. A SADIA S/A foi intimada e apresentou as seguintes informações referentes ao pagamento da compra da BIG FOOD: Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.724228/201152 Acórdão n.º 2201002.326 S2C2T1 Fl. 3 3 Recibo de Pagamento da Primeira Parcela 06/12/2007 R$ 16.750.000,00 Recibo de Adiantamento de Dividendos 04/03/2008 R$ 1.782.890,00 Recibo de Pagamento da Segunda Parcela 05/06/2008 R$ 10.678.233,38 Recibo de Depósito na conta do Contribuinte 01/11/2010 R$ 15.000.000,00 Recibo de Depósito na conta do Contribuinte 01/11/2010 R$ 16.000.000,00 Em 31/12/2004, o capital social da BIG FOOD era de R$ 16.286.475,84, correspondentes a 33.930.158 quotas, no valor de R$ 0,48 cada, conforme Instrumento Particular da 28ª Alteração de Contrato Social (fls. 591 a 597), registrado na JUCESP, pertencentes aos seguintes sócios: ALBERTO ZUZZI, com R$ 0,96, correspondentes a 0,01%, e, BIGPAR S/A, com R$ 16.286.474,88, correspondentes a 99%. Em 31/07/2007, pelo Instrumento Particular da 33ª Alteração de Contrato Social, registrado na JUCESP (fls. 612 a 618), o capital social da BIG FOOD foi aumentado de R$ 16.286.475,84 para R$ 22.907.601,12, correspondentes a 47.724.169 quotas, no valor de R$ 1,00 cada. Nesta data, o Contribuinte transferiu para si 33.926.119 quotas que a BIGPAR S/A detinha na BIG FOODS, pelo valor de R$ 16.284.537,12, houve alteração do valor nominal das quotas, passando de R$ 0,48 para R$ 1,00 cada, com redução da quantidade, passando de 47.724.169 para 22.907.601 quotas, avaliadas em R$ 22.907.601,12. A composição societária passou, então, a ser a seguinte: ALBERTO ZUZZI, com R$ 22.905.310,08, correspondentes a 99,99%, e, BIGPAR S/A, com R$ 2.291,04, correspondentes a 0,01%. Ainda na mesma data, 31/07/2007, o Contribuinte teria adquirido da BIGPAR, por instrumento particular e com ágio, a mesma quantidade 33.926.119 quotas do capital social da BIG FOODS, pelo preço total, certo e ajustado de R$ 26.000.000, sendo que R$ 9.500.000,00 seriam pagos mediante a dação em pagamento de ações e quotas de sua titularidade, nas seguintes empresas (BIGPAR; BIG STAR; BIG VILLAGE; BVA S/A SCP; LINA e KLIMAQUIP) e R$ 16.500.000,00 seriam pagos em moeda corrente do país, nas formas contratadas, em quotas e ações. Conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, o Contribuinte é sócio majoritário das empresas, cujas quotas foram dadas em pagamento pela aquisição por parte do Contribuinte das quotas da BIG FOOD. A fiscalização solicitou que o Contribuinte apresentasse a apuração do ganho de capital, bem como eventual imposto de renda devido em face da alienação da BIG FOOD. O Contribuinte alega que não houve ganho de capital na venda das quotas da BIG FOOD, tendo Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 em vista que o custo de aquisição das quotas da BIG FOOD é de R$ 53.569.793,94 e o valor de venda de R$ 53.500.000,00. A fiscalização entende que o Contribuinte acabou por aumentar artificialmente o custo de aquisição da BIG FOOD, com vistas a evitar a apuração do ganho de capital e, por consequência, o pagamento de IRPF. Para tanto, adquiriu as quotas da BIG FOOD de empresa da qual também era sócio majoritário (BIGPAR). O preço foi pago por meio de dação de pagamento com quotas de outras sociedades que o Contribuinte detém o controle direto ou indireto, bem como pagou o restante do preço por conta e ordem da BIGPAR a outras empresas que o Contribuinte também detém o controle. Por fim, em face da conduta dolosa do Contribuinte em promover reestruturação que acabou por suprimir o pagamento de tributo, qualificou a multa. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 29/03/2012 (fls. 1066) e apresentou Impugnação (fls. 1073 a 1085) tempestiva em 30/04/2012, alegando, os seguintes argumentos, conforme extraído do Relatório da decisão da DRJ: 1. no item 1 equivocase a Autoridade Fiscal ao mencionar que no Instrumento da 34º Alteração Contratual da Big Foods não foi informado o real valor da operação de transferência, R$ 53.500.000,00, pois nos instrumentos da alteração contratual deve ser informado apenas o valor nominal do capital social, independente de qualquer avaliação patrimonial da empresa, tendo sido informado o valor de R$ 22.905.310,00 conforme o valor do capital social registrado na Jucesp; 2. no item 2 equivocase a Autoridade Fiscal ao mencionar que no dia 04/08/2009 o fiscalizado informou que o aporte de R$ 16.500.000,00 destinado a aumentar o capital social da Big Foods, seria efetivamente pago até 31/10/2010, porque o valor mencionado não se refere a aporte de capital na Big Foods e sim a valor efetivamente devido à empresa Bigpar S/A, como parte do pagamento do preço de aquisição das quotas da Big Foods, posteriormente alienadas à Sadia S/A – conforme documentação o referido valor foi efetivamente pago à empresa Bigpar S/A, diretamente às empresas Big Village e Big Star, por conta e ordem da credora, que utilizará os respectivos créditos para integralização de capital nas referidas empresas; 3. a Autoridade Fiscal solicitou os balanços patrimoniais da Big Foods levantados em 30/06/2007 e 30/11/2007 e do demonstrativo de cálculo dos dividendos recebidos da Sadia, contudo, passados quase quatro anos da data da alienação da empresa Big Foods, o impugnante não teria qualquer acesso à documentação da referida empresa, demonstrando cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, já que a Autoridade Fiscal poderia ter solicitado os referidos balanços diretamente à empresa Big Foods, deixando de proceder a uma correta apuração da infração; No mérito argumenta que o valor de R$ 1.782.890,00 identificado como omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, se refere a dividendos recebidos referente aos lucros apurados nos períodos base de 30/06/2007 e 30/11/2007, estabelecidos contratualmente no item 5.1 do contrato de alienação da Big Foods e assim informados pela fonte pagadora, portanto, se tratam de rendimentos totalmente isentos de tributação. Em relação ao valor de R$ 482.557,84 identificado como omissão de rendimentos de pessoas jurídicas, se refere a juros remuneratórios tributados exclusivamente na fonte conforme mencionado pela própria Autoridade Fiscal à fl. 1029, que certificou o recolhimento do imposto no valor de R$ 120.324,46. No entanto, inadvertidamente, a Autoridade Fiscal submeteu o referido valor novamente à tributação. Ainda foi tributado como omissão de rendimentos o valor de R$ 668.300,45, que a Autoridade Fiscal limitase a informar tratarse de diferença entre o valor demonstrado pela Sadia e o valor declarado. No entanto o valor tributado pela Sadia de R$ 7.912.065,45 é maior que o valor declarado de R$ Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.724228/201152 Acórdão n.º 2201002.326 S2C2T1 Fl. 4 5 7.243.765,00 e, se tratando de imposto de renda exclusivo de fonte, eventual diferença não declarada não acarretou qualquer recolhimento a menor, tendo sido tributado o valor de R$ 7.912.065,45 e o imposto integralmente recolhido como exclusivo de fonte. Quanto ao ganho de capital, o impugnante contesta todas as afirmações da Autoridade Fiscal de que teria ficado comprovada a prática de ato típico e antijurídico, mediante simulação de atos contratuais, tendentes a impedir o conhecimento da autoridade fazendária dos atos reais praticados, com o intuito de suprimir totalmente o Imposto de Renda da Pessoa Física devido sobre o ganho de capital na operação da venda das quotas de capital da empresa Big Foods para a Sadia. Alega que todos os atos praticados foram registrados em contratos particulares e na Junta Comercial, bem como lançados nos registros contábeis e apresentados à fiscalização, o que demonstra que não houve qualquer intuito de ocultar ou omitir qualquer ato praticado pelo impugnante. Afirma que tratarse de simples operação de compra das quotas do capital social da Big Foods, que eram de titularidade da Bigpar S/A, pelo valor de mercado, aproximadamente o valor negociado com a Sadia. O principal objetivo da aquisição das quotas da Big Foods visava atender uma necessidade de planejamento societário em transformar a Bigpar S/A numa holding do grupo, sendo ela atualmente a controladora de todas as empresas do grupo. Aliado ao planejamento societário surgiu o interesse da Sadia na aquisição da Big Foods diretamente da pessoa física do impugnante e, por esta razão, todas as participações que o impugnante possuía em outras empresas foram dadas em pagamento para a aquisição da totalidade das quotas da Big Foods. O impugnante argumenta que o procedimento fiscal baseouse exclusivamente na presunção de suposto intuito de suprimir o imposto de renda tendo sido desconsiderado totalmente os custos efetivamente incorridos na aquisição das quotas da Big Foods pelo impugnante, apesar da exaustiva comprovação das transferências societárias e dos efetivos pagamentos em moeda corrente efetuados pelo impugnante, correspondentes à diferença entre o valor da aquisição das quotas da Big Foods e os valores das participações societárias transferidas para a Bigpar, em pagamento pelas quotas da Big Foods, baseandose o Auditor Fiscal para apuração do ganho de capital, somente no valor do capital social da Big Foods. Alega que o ônus da prova é da autoridade fiscal, que nenhum aporte poderia ter sido feito na Big Foods, uma vez que esta pertencia a Bigpar, tendo sido feitos para a Bigpar em contrapartida das transferências das quotas da Big Foods para o impugnante que o contrato firmado entre o impugnante e a Bigpar estabelece as condições de transferências de participações e, no devido tempo, todas as transferências foram registradas na JUCESP, válidas para oposição às partes e a terceiros e que o simples fato do impugnante também ser acionista da Bigpar, conforme afirma a Autoridade Fiscal, não teria o condão de caracterizar o fato gerador do imposto de renda. Por fim, insurgese contra a aplicação da multa qualificada de 150%, argumentando que não ficou comprovado nos autos qualquer intuito de fraude, pois registrou e apresentou à Autoridade Fiscal, cópia de todos os documentos de alterações contratuais das negociações, bem como lançou regularmente nas declarações de ajuste anuais todos os dividendos recebidos, juros remuneratórios recebidos e as alterações das participações societárias entre as partes, além de ter atendido de acordo com suas possibilidades todas as solicitações da Autoridade Fiscal. Solicita a redução da multa para 75%. A 15ª Turma da DRJ/SP1, em 26/02/2013, em decisão de fls. 1094 a 1110 manteve o lançamento em parte afastando a tributação sobre os rendimentos pagos a título de dividendos por considerálos isentos, bem como conceder o crédito do valor do imposto de Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 renda retido na fonte, de R$ 120.324,46, sobre o valor dos juros de R$ 482.557,84, recebidos em junho de 2008. Conforme ementa do referido acórdão: DIVIDENDOS. RECEBIMENTO. Os dividendos distribuídos por pessoa jurídica a sócio, não sofrem incidência do imposto de renda das pessoas físicas, na forma da legislação tributária. PAGAMENTO PARCELADO. CLÁUSULAS DE CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Os valores recebidos a título de correção, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório, quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. O imposto de renda retido na fonte sobre os juros deve ser compensado na Declaração de Ajuste Anual. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com alienação de participação societária, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. O custo de aquisição para ser aceito tem que estar comprovado nos autos cabendo o ônus da prova ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto, evidenciado na omissão de ganho de capital e na declaração a menor de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O Contribuinte foi notificado da decisão em 07/03/2013 (fls. 1115), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 08/04/2013 (fls. 1117 a 1136) argumentando: · Em relação à tributação dos juros remuneratórios, entende que houve insuficiência de pagamento de tributo e recolhe os valores devidos, juntando DARF (fls. 1122 e 1123). Porém, pondera que o recolhimento foi efetuado considerando multa de ofício no percentual de 75% por entender incabível a qualificadora. · Quanto à tributação do ganho de capital, assevera que o valor de R$ 53.574.562,05 é o custo de aquisição das quotas da BIG FOOD. Isso porque há a compra das quotas da BIG FOOD pelo valor de R$ 46.953.789,08, onde R$ 30.453.789,08 representa a dação em pagamento com quotas de outras empresas das quais o Contribuinte detém o controle e R$ 16.500.000,00 pagos em espécie. Há aumento de capital da BIG FOOD com lucros acumulados no montante de R$ 2.964.635,04 e a capitalização de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) na BIG FOOD de R$ 3.656.136,96. Logo, como o valor da venda é de R$ 53.500.000,00 e o custo de aquisição de R$ 53.574.562,05 não há apuração de ganho de capital. · Não há ocorrência do fato gerador do IRPF, pois não restou apurado ganho de capital. Pondera que não seria necessária a demonstração na Declaração de Ajuste Anual (DAA) da respectiva transação, pois a mesma se iniciou e encerrou no anocalendário de 2007. Assevera que provou as movimentações societárias por meio da DAA (dação em pagamento) e o pagamento em espécie por meio de documentação hábil. · Que não houve intuito doloso em omitir fatos com a finalidade de suprimir ou reduzir pagamento de tributo. Afirma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada e formalizou juridicamente as aludidas operações, configurando transparência e boafé na apresentação dos fatos. Assim, requer a desqualificação da multa. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.724228/201152 Acórdão n.º 2201002.326 S2C2T1 Fl. 5 7 A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 1145 a 1162) com os seguintes argumentos: · O recolhimento realizado pelo Contribuinte em relação aos juros recebidos não é integral, pois o Contribuinte efetuou o recolhimento considerando multa de ofício de 75% quando a decisão da DRJ manteve a qualificação da multa. · O custo de aquisição a ser considerado para fins de apuração de ganho de capital é aquele utilizado pela fiscalização no montante de R$ 22.905.310,00, não só porque apresenta respaldo em contrato social arquivado na Junta Comercial, mas também pelo fato de o Contribuinte não conseguir provar o propósito negocial de ter adquirido as quotas da BIG FOOD, de uma empresa da qual detém o controle (BIGPAR), não desembolsar recursos pela aquisição, manter se no controle de ambas as sociedades e ainda não provar a equivalência do custo alegado nas intimações e aqueles constantes nos instrumentos jurídicos firmados. · Manutenção da qualificação da multa de ofício por entender que os atos praticados pelo contribuinte tiveram como propósito impedir a tributação do ganho de capital quando da venda da empresa Big Foods para Sadia, não se confundindo com uma mera omissão de rendimentos. Em razão da parcela de crédito tributário exonerada, há encaminhamento de recurso necessário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A Contrarrazão da PGFN é tempestiva na forma do art. 48, §3º do RICARF reunindo os demais requisitos de admissibilidade. O Contribuinte na sua peça recursal apresenta o recolhimento do imposto devido no tocante à atualização monetária (juros) das parcelas recebidas a prazo pela venda das quotas da BIG FOOD à SADIA S/A. Apresenta DARF pagos (fls. 1122 e 1123). Porém, pondera que o recolhimento foi efetuado considerando multa de ofício no percentual de 75%, por entender incabível a qualificadora. Tendo em vista o reconhecimento pelo Contribuinte do crédito tributário referente ao lançamento da atualização monetária (juros), tal matéria não será objeto de apreciação desse Colegiado. Entretanto, no tocante à qualificação da multa, como a decisão da DRJ foi pela sua manutenção e o Contribuinte não a reconheceu como devida, sendo, inclusive, objeto do Recurso Voluntário, a qualificação da multa será apreciada por esse Colegiado. I. Do Mérito I.1. Dividendos Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 A decisão da DRJ entendeu que a documentação apresentada comprova que o valor de R$ 1.782.890,00, pagos pela SADIA S/A, ao Contribuinte, em 29/02/2008, referemse a dividendos distribuídos pela BIG FOODS INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, dos lucros apurados nos meses de julho a novembro de 2007, período em que o Contribuinte era detentor das quotas da BIG FOOD. Logo, por se tratar distribuição de dividendos à pessoa física, o referido rendimento é isento. Em face do valor do crédito tributário exonerado há recurso necessário no tocante a esta matéria. O pagamento efetuado ao Contribuinte pela SADIA S/A, com base no disposto na cláusula 5.1. do instrumento de compra e venda das quotas da BIG FOOD, tem como base na diferença apurada entre o patrimônio líquido inicial (30/06/2007) e o de fechamento (30/11/2007) da BIG FOOD. Verificase que no período ao qual se refere a base do pagamento, o Contribuinte ainda era sócio da BIGFOOD. Logo, por se tratar de distribuição da diferença positiva do patrimônio líquido da BIGFOOD, entendese como pagamento lucro. E, o pagamento de lucro a sócio tem natureza de dividendos. Em face do disposto no art. 39, XXIX do Decreto nº 3.000/99, o recebimento de dividendos por pessoa física é isento. Portanto, o valor de R$ 1.782.890,00 corresponde a dividendos pagos ao sócio (Contribuinte) e, portanto, isentos de tributação. I.2. Ganho de Capital O Contribuinte alega não há ocorrência do fato gerador do IRPF, pois não restou apurado ganho de capital. Pondera que não seria necessária a demonstração na Declaração de Ajuste Anual (DAA) da respectiva transação, pois a mesma se iniciou e encerrou no anocalendário de 2007. Assevera que provou as movimentações societárias por meio da DAA (dação em pagamento) e o pagamento em espécie por meio de documentação hábil. Quanto ao custo de aquisição das quotas da BIGFOOD, o Contribuinte assevera que o valor é de R$ 53.574.562,05. Isso porque a compra das quotas da BIG FOOD foi realizada pelo valor de R$ 46.953.789,08, onde R$ 30.453.789,08 representa a dação em pagamento com quotas de outras empresas das quais o Contribuinte detém o controle e R$ 16.500.000,00 pagos em espécie. Há aumento de capital da BIG FOOD com lucros acumulados no montante de R$ 2.964.635,04 e a capitalização de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) na BIG FOOD de R$ 3.656.136,96. Logo, como o valor da venda é de R$ 53.500.000,00 e o custo de aquisição de R$ 53.574.562,05 não há apuração de ganho de capital. Por seu turno, a Fazenda Nacional defende que o custo de aquisição a ser considerado para fins de apuração de ganho de capital é aquele utilizado pela fiscalização no montante de R$ 22.905.310,00, não só porque apresenta respaldo em contrato social arquivado na Junta Comercial, mas também pelo fato de o Contribuinte não conseguir provar o propósito negocial de ter adquirido as quotas da BIG FOOD, de uma empresa da qual detém o controle Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.724228/201152 Acórdão n.º 2201002.326 S2C2T1 Fl. 6 9 (BIGPAR), não desembolsar recursos pela aquisição, manterse no controle de ambas as sociedades e ainda não provar a equivalência do custo alegado nas intimações e aqueles constantes nos instrumentos jurídicos firmados. A Fazenda Nacional também argumenta que o referido Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças, o qual regulamenta a alienação das quotas da BIGFOOD, não deve ser considerado válido para fins de prova, pois não foi levado a registro na JUCESP. Apesar de entender que o registro garante sobremaneira a capacidade probante do documento, bem como assegura que seus efeitos se operem contra terceiros, entendo que se houver prova fática de que o alegado no referido instrumento jurídico ocorreu, a ausência de registro resta mitigada, em prol do princípio da verdade material. Logo, a discussão reside no valor do custo de aquisição das quotas da BIGFOOD para fins de determinação do ganho de capital. Enquanto a Fazenda Nacional defende que o custo de aquisição é aquele determinado na 33ª Alteração Contratual da BIGFOOD arquivada na JUCESP (R$ 22.905.310,00), o Contribuinte defende que o custo de aquisição é aquele que consta do demonstrativo de fls. 141, elaborado pelo próprio, alegadamente com base no Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças de 31/07/2007 entre BIGPAR e Alberto Zuzzi, não averbado na JUCESP (R$ 53.574.562,05). Ao se cotejar a planilha de fls. 141 apresentada pelo Contribuinte e o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças se verifica que não há correspondência entre os valores. Os valores apresentados na planilha são muito superiores aos valores constantes no Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças. A planilha aponta o valor de compra das quotas da BIG FOOD de R$ 46.953.790,04 e o Instrumento Particular, que teria dado origem ao demonstrativo, aponta um custo de aquisição de R$ 26.000.000,00. As informações prestadas pelo Contribuinte não apresentam correlação. O Contribuinte alega que na sua DAA (anocalendário 2007), fls. 03 a 22, resta comprovada a transferência das quotas das empresas dadas em pagamento pela compra das quotas da BIGFOOD. Entretanto, analisando as informações reportadas pelo Contribuinte na DAA, percebese que não corresponde ao valor de R$ 9.500.000,00 constante do Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças. Na DAA há reporte de R$ 14.380.323,39 em quotas dadas em pagamento (LATINA, BIG VILLAGE, LINA e BIG STAR). Em complemento, o Contribuinte não apresentou outros elementos de prova, tais como: balanço da BIGPAR com registro dos investimentos dados em pagamentos, alterações dos contratos sociais das empresas que receberam a BIGPAR como sócia, dentre outros. Não há nos autos retificação do Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças de 31/07/2007 que respalde os valores apresentados na Declaração de Ajuste Anual pelo Contribuinte. Por fim, o Contribuinte também não logrou êxito em comprovar que o valor de R$ 16.500.000,00 a ser pago a BIGPAR (em espécie) em razão da aquisição das quotas da Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 BIGFOOD foi pago. O Contribuinte junta comprovantes de pagamentos efetuados a outras empresas, da qual mantém o controle, alegando que foram pagos por conta e ordem da BIGPAR, mas não há documento probatório que demonstre a determinação do pagamento por conta e ordem e tão pouco resta comprovado a efetividade da quitação integral da quantia de R$ 16.500.000,00. Desta feita, considerando a inconsistência dos valores apresentados pelo Contribuinte, bem como a ausência de suporte probatório dos mesmos, tendo em vista que o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Quotas e outras Avenças de 31/07/2007 que o Contribuinte assevera ser válido e legítimo, não condiz com a planilha de fls. 141 apresentada pelo Contribuinte, entendo que para fins de apuração de ganho de capital deve ser mantido o custo de aquisição incontroverso apresentado na 33ª Alteração Contratual, registrada na JUCESP, no montante de R$ 22.905.310,00. I.3. Multa Qualificada O Contribuinte se insurge quanto à multa qualificada alegando que não houve intuito doloso em omitir fatos com a finalidade de suprimir ou reduzir pagamento de tributo. Afirma que apresentou toda a documentação solicitada e formalizou juridicamente as aludidas operações, configurando transparência e boafé na apresentação dos fatos. A Fazenda Nacional, em sede de Contrarrazões, defende a manutenção da qualificação da multa por entender que os atos praticados pelo Contribuinte tiveram como propósito impedir a tributação do ganho de capital quando da venda da empresa BIG FOOD para SADIA S/A, não se confundindo com uma mera omissão de rendimentos. Pois bem. A legislação tributária brasileira autoriza a qualificação da multa quando restar caracterizada fraude, conluio ou sonegação (art. 44 da Lei nº 9.430/96). Ainda de acordo com a legislação (art. 72 da Lei nº 4.502/64), fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Ou seja, a qualificação da multa requer a caracterização de uma ação dolosa do contribuinte com o intuito de suprimir ou reduzir o imposto devido. O Contribuinte alega que todos os atos praticados foram registrados em contratos particulares e na Junta Comercial, bem como lançados nos registros contábeis e apresentados à fiscalização, o que demonstra que não houve qualquer intuito de ocultar ou omitir qualquer ato praticado pelo impugnante. Porém, não obstante a argumentação do Contribuinte, não se deve analisar os fatos isoladamente para se perquirir o intuito doloso. Os fatos devem ser entendidos no conjunto, como um filme. O conjunto dos fatos que demonstra a real intenção do contribuinte. Assim, o registro dos contratos particulares na Junta Comercial, os registros contábeis e demais documentos, por si só não afastam a qualificação da multa. Devese analisar a real intenção do Contribuinte na prática de tais atos dentro do contexto da operação de venda. Para tanto, é importante aferir se os atos praticados seguem uma lógica negocial, nas quais as condições são comumente aceitas e praticadas no mercado. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.724228/201152 Acórdão n.º 2201002.326 S2C2T1 Fl. 7 11 I.3.1. Propósito Negocial O primeiro aspecto que deve ser analisado é se a conduta do contribuinte atende a um propósito negocial ou se foi realizada com único fim de economia tributária. O Contribuinte afirma que se trata de simples operação de compra das quotas do capital social da Big Foods, que eram de titularidade da Bigpar S/A, pelo valor de mercado, aproximadamente o valor negociado com a Sadia. O principal objetivo da aquisição das quotas da Big Foods visava atender uma necessidade de planejamento societário em transformar a Bigpar S/A numa holding do grupo, sendo ela atualmente a controladora de todas as empresas do grupo. A reestruturação societária em grupo de empresas é um procedimento comumente utilizado no mercado, especialmente para aprimorar a gestão e otimização de resultados. Assim, em geral, as reestruturações societárias intragrupo devem manter a neutralidade, ou seja, não apurar ganhos ou perdas. E, assim ocorreu no caso sob análise, a aquisição das quotas da BIG FOOD não gerou ganho ou perda no grupo e ainda manteve o Contribuinte na mesma posição de controle de antes da reestruturação. Logo, a reestruturação societária por si só encontra fundamento e respaldo nas práticas de mercado. Porém, para fins de atestar se a reestruturação societária apresenta um propósito negocial, é importante também aferir em quais condições essa se realizou. Para isso, é necessário perquirir como se deu a prática dos atos e o momento de sua realização. I.3.2. Elemento Temporal Outro aspecto que deve ser considerado é o momento em que os atos foram praticados, bem como o lapso temporal entre os mesmos. Conforme se atesta, a alienação das quotas da BIG FOOD para a SADIA S/A ocorreu em 03/12/2007, sendo que a reestruturação societária, na qual se aperfeiçoou não só o aumento de capital social da BIGFOOD (lucros acumulados e AFAC), mas também a aquisição das quotas da BIGFOOD pelo Contribuinte ocorreu em 31/07/2007. Ou seja, 04 meses antes da venda. Pois bem. Operações de compra e venda de quotas de sociedade operacionais, como é o caso da aquisição da BIGFOOD pela SADIA S/A, não se concretizam rapidamente. Mesmo porque além de toda a negociação que envolve definição do preço, são necessárias outras medidas, tais como: ajustes para a transferência de controle e atividades (take over), auditorias para levantamento de contingências e ateste da saúde financeira da empresa (due dilligence), dentre outras que demandam tempo. Desta forma, considerando a prática de mercado, o prazo de 04 meses para o início das negociações e conclusão da operação de venda desse porte é muito exíguo. Sendo assim, é muito provável que quando da reestruturação societária em 31/07/2007, o Contribuinte já pretendia alienar a BIGFOOD à SADIA S/A. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Juntese a isso, o fato de a SADIA S/A pagar ao Contribuinte dividendos referentes ao período de 30/06/2007 a 30/11/2007. Para a SADIA S/A pagar dividendos a partir de 30/06/2007 é indício de que desde junho de 2007 já havia tratativas para a alienação da BIGFOOD, logo antes da reestruturação societária. Ademais, outro aspecto que deve ser considerado é o fato de o aumento de capital social da BIG FOOD (lucros acumulados e AFAC) ter ocorrido no mesmo momento (31/07/2007) que a compra da BIG FOOD pelo Contribuinte. Ambas operações (aumento de capital e compra das quotas da BIGFOOD) representam o aumento do custo de aquisição das quotas de uma sociedade que ao que tudo indica já se pretendia alienar. Assim, o momento no qual a reestruturação foi feita, bem como a prática dos atos societários (aumento de capital e compra das quotas da BIGFOOD) na mesma data (31/07/2007) acaba por macular o propósito negocial alegado pelo Contribuinte. Isso porque se percebe que a intenção da reestruturação societária não visava um mero ajuste na estrutura societária do grupo, mas sim acrescer o custo de aquisição das quotas da BIG FOOD para alienação à SADIA S/A, com vistas a evitar a apuração de ganho de capital. Portanto, entendo que o Contribuinte efetuou a compra das quotas da BIG FOOD, meses antes da operação de venda, com o intuito de aumentar o custo de aquisição da referida empresa, visando evitar a apuração de ganho de capital tributável quando da alienação da BIG FOOD para a SADIA S/A. Assim, cabível a qualificação da multa. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10920.911352/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 52 /2 01 2- 14 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 275,26, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/05/2003. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório.. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911352/201214 Acórdão n.º 3803005.301 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro · Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911352/201214 Acórdão n.º 3803005.301 S3TE03 Fl. 50 5 Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911352/201214 Acórdão n.º 3803005.301 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.721461/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE 30 DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece do Recurso Voluntário quando a Impugnação primitiva foi protocolizada após o prazo de trinta dias a contar da ciência do lançamento, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/72. A apresentação da Impugnação de forma intempestiva não instaura o litígio administrativo e, consequentemente, não enseja a apresentação de Recurso Voluntário ao CARF.
Numero da decisão: 2102-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente
Assinado digitalmente.
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator
EDITADO EM: 04/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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PRAZO DE 30 DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece do Recurso Voluntário quando a Impugnação primitiva foi protocolizada após o prazo de trinta dias a contar da ciência do lançamento, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/72. A apresentação da Impugnação de forma intempestiva não instaura o litígio administrativo e, consequentemente, não enseja a apresentação de Recurso Voluntário ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente Assinado digitalmente. CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 61 /2 00 9- 36 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.721461/200936 Acórdão n.º 2102002.872 S2‐C1T2 Fl. 300 2 EDITADO EM: 04/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 132 a 223, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 127 a 129, que não conheceu da impugnação do RECORRENTE, ante a sua intempestividade. Assim, manteve o lançamento de IRPF de fls. 02 a 11 dos autos, lavrado em 06/05/2009, relativo aos anoscalendário 2004, 2005, 2006, com ciência da RECORRENTE em 12/05/2009 (fl. 30). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 225.301,39, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 112,50%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05 e 06, o presente lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a titulo de ‘URV’. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. (...) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.721461/200936 Acórdão n.º 2102002.872 S2‐C1T2 Fl. 301 3 Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se (sic) lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei complementar aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual, tão somente. Considerar que uma lei estadual possa afastar a incidência do Imposto de Renda de determinadas verbas, denominandoas de indenizatórias, seria descuido crasso, porquanto demonstraria desconhecimento básico acerca dos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988, particularmente nos artigos 153 e 154. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Verificase que a legislação tributária não contempla isenção a diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de ‘indenização’ ou ‘valores indenizatórios’ e que os valores recebidos pelo autuado referentes às diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a URV em 1994 são tributáveis pelo imposto de renda. Aplicase multa de ofício pelo inciso I, artigo 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aumentada de metade, pelo não atendimento das intimações fiscais para esclarecimentos, nos termos do § 2º, art. 44, do mesmo diploma legal. Fato Gerador Valor Tributável ou imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 110.306,20 112,50 31/12/2005 R$ 107.743,00 112,50 31/12/2006 R$ 110.011,48 112,50 Enquadramento Legal Arts. 1° a 3° e §§, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; Arts. 39 e 43 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002; Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei nº 11.311/06.” Fl. 303DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.721461/200936 Acórdão n.º 2102002.872 S2‐C1T2 Fl. 302 4 DA IMPUGNAÇÃO Em 19/06/2009, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 37 a 111. São os argumentos centrais de sua defesa: a) o RECORRENTE foi intimado do auto de infração somente em 16/06/2009, momento em que requereu a concessão de prazo de 5 (cinco) dias para a apresentação de defesa (conforme fls. 32 a 36); b) que as diferenças de remuneração ocorridas da conversão de Cruzeiro Real para URV, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, recebidas pelo RECORRENTE em 36 parcelas iguais e consecutivas no período de 2004 a 2006, seriam de natureza indenizatória, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia; c) a União seria parte ilegítima para cobrar o imposto de renda sobre tais rendimentos, tendo em vista que tais valores pertencem aos Estados que descontaram na fonte de pagamento de seus servidores o valor do tributo; d) o RECORRENTE não tem responsabilidade sobre o valor do imposto de renda não retido pela fonte pagadora, vez que agiu de boafé ao declarar os valores recebidos a título de diferença da URV exatamente da forma como foram classificados pela fonte pagadora, ou seja, de que tais rendimentos não eram tributáveis; e) o STF editou a resolução nº 245 reconhecendo aos magistrados federais o caráter indenizatório da verba recebida a titulo de diferenças de URV, por este motivo estariam isentas do imposto de renda. Assim, referido tratamento também deveria ser aplicado aos membros do Ministério Público dos Estados; f) uma vez que o RECORRENTE declarou as informações acerca dos rendimentos exatamente de acordo como prestadas pela fonte pagadora, não deverá incidir o imposto de renda sobre a multa e os juros, em razão do principio da boafé; g) devem ser excluídas da tributação as parcelas referentes ao 13º salário e férias indenizatórias, visto trataremse de parcelas com tributação exclusiva e isentas, respectivamente. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 127 a 129 dos autos, não conheceu da impugnação do RECORRENTE, declarandoa como intempestiva, e manteve o crédito tributários, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 304DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.721461/200936 Acórdão n.º 2102002.872 S2‐C1T2 Fl. 303 5 Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. O prazo de impugnação é de trinta dias da ciência do lançamento fiscal. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Apontou que o auto de infração foi regularmente entregue via postal, no endereço cadastral do contribuinte, em 09/05/2009, conforme AR de fl. 30. Assim, concluiu pela intempestividade da impugnação entregue em 19/06/2009, após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 10, inciso V, do Decreto nº 70.235/72. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 17/10/2011 (fl. 296), apresentou o recurso voluntário de fls. 132 a 223, em 08/11/2011. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou os termos de sua impugnação. Inovou apenas ao alegar, em preliminar, que não foi devidamente intimado para se defender, visto que somente teve conhecimento do auto de infração em 16/06/2009, oportunidade em que requereu a concessão de prazo de 05 dias para apresentação de defesa. Assim, requereu fosse reaberta a via de primeira instância, onde deveria ser analisada a sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima De acordo com os arts. 5º e 15 do Decreto n° 70.325/72, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.721461/200936 Acórdão n.º 2102002.872 S2‐C1T2 Fl. 304 6 “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” No caso concreto, o RECORRENTE teve ciência do lançamento no dia 12/05/2009 (terçafeira), conforme “Aviso de Recebimento” da empresa CORREIOS, acostado à fl. 30 dos autos. Ocorre que, de acordo com o registro de protocolo, de fl. 37 dos autos, a impugnação em primeira instância somente foi apresentada em 19/06/2009 (sextafeira), depois de já transcorridos mais de 30 dias contados da intimação do contribuinte, sendo, portanto, manifestamente intempestiva a defesa. Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, a fase do contencioso administrativo é condicionada à apresentação da impugnação tempestivamente pelo contribuinte. A decisão transcrita a seguir serve como exemplo desse entendimento: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1999 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento. Recurso Voluntário Negado.” “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 IMPUGNAÇÃO, PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Impugnação apresentada após trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo tornou ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva e dela não se toma conhecimento, uma vez não instaurado o litígio. Recurso não conhecido” O RECORRENTE alega em preliminar de seu recurso que não teria havido a sua devida notificação para se defender, e que somente teve conhecimento do auto de infração Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.721461/200936 Acórdão n.º 2102002.872 S2‐C1T2 Fl. 305 7 em 16/06/2009. Assim, por meio de solicitação manuscrita à DRF em Salvador/BA (fl. 36), requereu a concessão de prazo de 05 dias para a apresentação de defesa sob o argumento de que “o Auto de Infração respectivo não chegou tempestivamente às mãos do requerente”. Nesta mesma oportunidade, requereu a concessão de prazo de 05 dias para apresentação de defesa. No entanto, o AR acostado aos autos é prova cabal e suficiente de que o contribuinte foi realmente intimado no dia 12/05/2009 (fl. 30). A pessoa que assinou o AR referente ao auto de infração (fl. 30) é a mesma pessoa que recebeu os ARs referentes ao termo de início de fiscalização e o Termo de Reintimação Fiscal (fls. 15 e 17, respectivamente). Ademais, o endereço constante nos ARs é o mesmo indicado pelo contribuinte em sua DIRPF (fl. 26) e em sua própria impugnação (fl. 37), não havendo, nos autos, a prova de que este não é o domicilio fiscal do RECORRENTE. Por fim, importante ressaltar uma contradição na defesa do RECORRENTE quando afirma que somente tomou conhecimento do auto de infração em 16/06/2009. É que o DARF referente à solicitação da cópia dos autos do processo administrativo foi pago pelo contribuinte em 15/06/2009, o que demonstra que o RECORRENTE já tinha conhecimento do auto de infração antes de 16/06/2009. Esse fato, por si só, demonstra uma postura processual contraditória, que deve ser combatida. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em razão da intempestividade da impugnação e, consequentemente, da ausência de instauração da fase litigiosa. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905212/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.360
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 06/07/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta., Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Júnior, Helder Masaaki Kanamaru (SUPLENTE).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 06/07/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta., Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Júnior, Helder Masaaki Kanamaru (SUPLENTE).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905212/200816 Recurso nº 913.148Voluntário Resolução nº 3402000.360 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2012 Assunto Solicitação de diligência Recorrente GRAN PARK VEÍCULOS LTDA Recorrida DRJ CURITIBA PR Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 06/07/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta., Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Júnior, Helder Masaaki Kanamaru (SUPLENTE). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 21 2/ 20 08 -1 6 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/CPS nº 0630.762 de 16/03/11 constante de fls. 61/62 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por unanimidade de votos, houve por bem “não acolher” a manifestação de inconformidade” de fls. 10/12, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Curitiba PR (fls. 33), que indeferiu e deixou de homologar a Declaração de Compensação de créditos de PIS, cuja restituição foi pleiteada em razão de suposto erro em DCTF, com débitos vencidos de tributos administrados pela SRF. Por seu turno a r. decisão de fls. 61/62 da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR, houve por bem “não acolher” a manifestação de inconformidade” de fls. 10/12, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Curitiba PR (fls. 33), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 0 t/12/2003 a 31/12/2003 PAGAMENTO INDEVIDO. RETIFICAÇÃO DE DÉBITO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF, para alterar valores informados na declaração original, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar despacho decisório, cuja ciência pelo interessado deuse antes da transmissão da declaração retificadora. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) que em homenagem ao princípio da verdade material a d. Fiscalização estaria obrigada a certificar a ocorrência do suposto erro cometido na DCTF e homologar a compensação do suposto crédito com os débitos objeto do pedido de compensação, vez que o suposto crédito contra a Fazenda prenderseia a erro na apuração do PIS. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator No presente recurso sob exame oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a origem e legitimidade do crédito restituendo líquido contra a Fazenda disponível para compensação nos seguintes termos: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.905212/200816 Resolução nº 3402000.360 S3C4T2 Fl. 4 3 “Embora, inicialmente, a DCTF não indicasse crédito suficiente para a compensação, o fato é que a retificação procedida pela empresa suprimiu tal equívoco, com a informação correta do PIS apurada para o período (cf. DCTFRetificadora juntada com a Manifestação de Inconformidade – doc 06). Com a retificação da declaração, para ajustar o valor da contribuição efetivamente devida no mês de 12/2003, a Recorrente formalizou a existência do crédito por si aproveitado. Consoante já destacado, a Recorrente informou na PER/DCOMP em questão que o crédito seria oriundo de pagamento em DARF no valor de R$ 11.894,43, referente ao código de receita 6912, vencimento 15/01/2004. Tal recolhimento, na realidade, representava o montante do PIS, do período de apuração 12/2003, calculado para a matriz, exatamente o valor então apurado em DCTF (doc. 05 que acompanha a Manifestação de Inconformidade). No entanto, após recalcular o tributo devido a redução a 0% da alíquota do PIS incidente sobre as comissões sobre as vendas diretas do fabricante/montadora (cf. art. 2°, § 2°, da Lei n° 10.485/02), a Recorrente constatou que o valor efetivamente por si devido era de R$ 9.699,53, consoante se verifica da DCTFRetificadora já acostada ao presente processo administrativo (doc 06 da Manifestação de Inconfatinidade). Frisese que, a fim de corroborar a demonstração do seu direito creditório, a Recorrente também providenciou a retificação da DIPJ e da DACON, cujas cópias das respectivas fichas já foram juntadas aos autos (does. 07/08 da Manifestação de Inconformidade). Houve, assim, um excesso de pagamento da ordem de R$ 2.194,90 (originário), o qual foi integralmente utilizado para a quitação de parte do PIS devido no período de apuração de 06/2004 (valor atualizado do crédito, na data da transmissão do PER/DCOMP: R$ 2.350,74). Configurado o excesso de pagamento e tendo em vista a retificação das DCTF, DACON e DIPJ respectivas, não há como se afastar o direito creditório da Recorrente, tampouco como ser mantida a não homologação da compensação pretendida. Nada obstante isso, o acórdão recorrido entendeu não haver a demonstração precisa das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora ou comprovação de que as mesmas teriam sido objeto de incidência do PIS em alíquota diferente de 0%. Oportuno destacar que, para que não restassem dúvidas quanto à existência do crédito em comento, a Recorrente já havia instruído o processo com cópia do livro "Razão Contábil", o qual demonstra os valores recebidos a título de comissões sobre vendas diretas – conta 74203.1.1.3.0001 (doc. 09 da Manifestação de Inconformidade). Ou seja, a efetiva demonstração da origem do crédito já fora levada a efeito pela Recorrente, seja através das retificações da DCFT, da DACON e da DIPJ respectivas, seja pela apresentação da documentação contábil de suporte. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.905212/200816 Resolução nº 3402000.360 S3C4T2 Fl. 5 4 Contudo, tendo o acórdão recorrido se olvidado dessa demonstração, e para corroborar a efetiva existência do direito creditório pleiteado, a Recorrente apresenta a planilha, o balancete e o "Razão Contábil" anexos, que bem demonstram a apuração do PIS de 12/2003, inclusive, a composição das receitas auferidas com comissões sobre vendas diretas. Tendo em vista tais premissas fálicas motivadoras da compensação ora em debate, bem como comprovada a existência do crédito, temse configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento em procedimentos de restituição/compensação (cf. artigo 74 da Lei 9.430/1996, com a redação da pela Lei n° 10.637/2002).” Embora não se ignore que o artigo 170 do CTN somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, cuja demonstração da liquidez fica a cargo de quem pleiteia o crédito, também não se pode ignorar que a Lei nº 9784/99, que se aplica subsidiariamente ao PAF (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ no MS nº 7045DF, Reg. nº 2000/00568074, em sessão de 22/11/2000, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, pub. In DJU de DJ 05/03/01 p. 119; no mesmo sentido cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 764.111RS, REg. nº 2005/01091363, em sessão de 15/05/07, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 12/11/07 p. 160) estabelece expressamente que: “Art. 37. “Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”. (...) “Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. “Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.” Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que, depois de confrontar os registros fiscais da SRFB de recolhimentos e respectivas bases de cálculo efetuados pela Recorrente no período excogitado, com os recolhimentos e bases de cálculo registrados nos livros e documentos fiscais da Recorrente, a d. Fiscalização informe conclusivamente (com demonstrativos) sobre a existência (ou não), a exatidão (ou não), bem como a origem do suposto crédito restituendo líquido contra a Fazenda invocado pela Recorrente, e a sua disponibilidade para a compensação pleiteada no presente processo. É como voto. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.905212/200816 Resolução nº 3402000.360 S3C4T2 Fl. 6 5 Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000844/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA ILEGAL DE RECURSOS AO EXTERIOR. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO BENEFICIÁRIO FINAL EM DOCUMENTO ANEXO A LAUDO DE EXAME ECONÔMICO-FINANCEIRO.
O Recorrente não foi identificado como remetente ou ordenante dos recursos, mas como seu beneficiário no exterior.
A única presunção que poderia eventualmente ter sido utilizada, quando muito, é a de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o que não foi feito pela fiscalização.
Ainda que a acusação fosse de depósitos bancários de origem não comprovada, caberia à fiscalização demonstrar de forma inequívoca a ligação do Recorrente com os remetentes dos recursos, tanto do Brasil como do exterior, o que também não foi feito.
Precedentes.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA ILEGAL DE RECURSOS AO EXTERIOR. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO BENEFICIÁRIO FINAL EM DOCUMENTO ANEXO A LAUDO DE EXAME ECONÔMICO-FINANCEIRO. O Recorrente não foi identificado como remetente ou ordenante dos recursos, mas como seu beneficiário no exterior. A única presunção que poderia eventualmente ter sido utilizada, quando muito, é a de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o que não foi feito pela fiscalização. Ainda que a acusação fosse de depósitos bancários de origem não comprovada, caberia à fiscalização demonstrar de forma inequívoca a ligação do Recorrente com os remetentes dos recursos, tanto do Brasil como do exterior, o que também não foi feito. Precedentes. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 488 1 487 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000844/200763 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.371 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente NAM HYUN KIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA ILEGAL DE RECURSOS AO EXTERIOR. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO BENEFICIÁRIO FINAL EM DOCUMENTO ANEXO A LAUDO DE EXAME ECONÔMICOFINANCEIRO. O Recorrente não foi identificado como remetente ou ordenante dos recursos, mas como seu beneficiário no exterior. A única presunção que poderia eventualmente ter sido utilizada, quando muito, é a de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o que não foi feito pela fiscalização. Ainda que a acusação fosse de depósitos bancários de origem não comprovada, caberia à fiscalização demonstrar de forma inequívoca a ligação do Recorrente com os remetentes dos recursos, tanto do Brasil como do exterior, o que também não foi feito. Precedentes. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 44 /2 00 7- 63 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 2101002.371 S2C1T1 Fl. 489 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 333/365) interposto em 02 de março de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 316/329), do qual o Recorrente teve ciência em 11 de fevereiro de 2010 (fl. 330, verso), que, por maioria dos votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 219/221, lavrado em 23 de abril de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos, verificada nos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUSTENTAÇÃO ORAL. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para sustentação oral do autuado em sessão de julgamento de primeira instância. A legislação de regência do processo administrativo fiscal não prevê a sustentação oral como meio de prova, ao contrário, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. Havendo a previsão legal de vistas ao processo durante a fase de impugnação, oportunidade em que o contribuinte poderia ter obtido cópia dos documentos que serviram de base para a exigência e, tendo o mesmo optado por se manter inerte, descabe a alegação de que teve seu direito de defesa cerceado. TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIO POR MEIO ELETRÔNICO. IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE HOMÔNIMOS. Existindo comprovação inequívoca de que existiram transferências de numerário para o exterior por meio da agência em Nova Iorque do banco Fl. 489DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 2101002.371 S2C1T1 Fl. 490 3 Banestado em nome do contribuinte, e tendo sido constatada, também, a inexistência de homônimos na base de CPF, impõese a conclusão de tratarse do próprio, mormente tendo em vista que seu nome é flagrantemente incomum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fls. 316/317). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 333/365, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que tange à omissão de rendimentos, o Recorrente foi identificado como beneficiário de transferências realizadas por meio das contas no exterior. A matéria foi objeto de julgamento que ocorreu na reunião de dezembro de 2008, no Recurso 159.609, ocasião em que fui designado Redator para acórdão, tendo prolatado o seguinte voto vencedor: “... Feita a apresentação genérica do caso, cumpre mover ao presente recurso. Neste, o Recorrente figura como beneficiário de um pagamento feito a uma determinada conta, supostamente sua, situada no exterior, mais precisamente em Genebra, no banco Crédit Lyonnais, no valor de US$ 150.000,00, intermediado pela subconta MIDLER S.A., número 530765055, abarcada pela contaônibus “BHSC”. A partir de um exame pormenorizado dos autos, vêse que a conta MIDLER referiase à sociedade MIDLER CORP S.A., pessoa jurídica constituída em Montevidéu, na qual o Sr. GABRIEL LEWI e a Sra. CLEMENTE DANA constam como únicos diretores, sociedade esta que intermediava a transferência ilegal de recursos por meio das ditas ordens de pagamento. Portanto, à luz do que a fiscalização houve por bem inferir, o ora Recorrente teria se beneficiado de remessa ilegal de valores para o exterior, através do malfadado mecanismo do “dólarcabo”, em operação intermediada pela conta MIDLER, conta esta aberta por doleiros nacionais em nome de sociedade constituída de acordo com a legislação uruguaia. No que concerne à legislação uruguaia, importa referir que este país, muito embora não tenha sido incluído na lista negra de estudo da OCDE, é conhecido por ser destino comum de sociedades offshore constituídas para acumular riquezas com tributação reduzida. Uma das principais vantagens, e talvez por isso tenha sido designado por muitos como a “Suíça da América do Sul”, é a existência de sigilo nas informações e escasso controle sobre o câmbio. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 2101002.371 S2C1T1 Fl. 491 4 A constituição de tipos societários em jurisdição deste tipo é especialmente vantajosa para acobertar o nome dos sócios, no caso brasileiros, que se escondem por detrás do véu da sociedade, que é utilizada para intermediar as ordens de pagamento para beneficiários no exterior. É exatamente por isso, portanto, que muitos doleiros valemse deste tipo de sociedade para operarem verdadeiras casas de câmbio clandestinas, nas quais a principal forma de remessa de quantias ao exterior deriva de ilícitos aduaneiros, em especial aqueles relacionados a exportações ou importações em quantidade diferente do declarado ou em falsa declaração de conteúdo, desembaraços subfaturados ou superfaturados, ou ainda, exportações fictícias. Apresentados os subsídios acima, passaremos, agora, à análise dos pontos suscitados pelo Recorrente, especialmente o item (iii) das razões recursais, notadamente no que tange à alegação de que as provas produzidas no presente caso não teriam sido suficientes para induzir ao entendimento de que o Recorrente tenha sido o real beneficiário dos recursos. Analisando este específico argumento ventilado pelo Recorrente, a r. decisão recorrida houve por bem rechaçar sua pretensão sob o seguinte fundamento, ora reproduzido em sua íntegra: “Uma vez comprovada a existência da ordem de pagamento em que o contribuinte figurava como beneficiário, não se pode acolher a alegação de que era impossível atender a intimação fiscal, às fls. 17. Na referida intimação, foi requerido que o contribuinte comprovasse a origem dos recursos envolvidos na operação financeira, portanto, não se tratava de produção de provas negativas, e em razão de não ter sido comprovada a origem dos recursos restou configurada hipótese de presunção da omissão de rendimentos apontada na autuação.” (f. 149) Há que se destacar, a priori, que uma simples análise da decisão proferida em primeira instância demonstra, cabalmente, que partiu o douto relator de falsa premissa, qual seja, a de que a conta em referência, apontada como destino final dos recursos, fosse comprovadamente de propriedade do Recorrente. É dizer, para que fosse possível a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96, deveria a fiscalização ter demonstrado, cabalmente e de maneira direta, que a conta apontada à fl. 18, no Banco Crédit Lyonnais, em Genebra/SUI, era efetivamente do Recorrente. Não basta, para este mister, a simples existência de documento contendo o nome do Recorrente como eventual beneficiário das divisas transferidas para o exterior. Nesse sentido, vale aduzir que a presunção constitui meio de prova em que a partir da constatação de um determinado fato indiciário, comprovado de maneira direta, chegase a um fato presumido, cuja prova jurídica se dá a partir da cabal demonstração daquele. Por outro giro, comprovada a existência do indício, a lei autoriza presumir um outro fato, este sim passível de subsunção ao critério material da norma tributária. Assim é que, por se tratar a presunção do chamado meio de prova indireto, deve a fiscalização comprovar de maneira inconteste a existência dos indícios utilizados para se chegar ao fato jurídico tributário, sob pena de, não o fazendo, violar o princípio da tipicidade cerrada, aplicável ao direito tributário por força do art. 97 do CTN. Nesse passo, sendo certo que o fato jurídico tributário é auferir renda, fato este alcançado pela técnica probatória fundada em depósitos de origem não comprovada, fazse mister que se comprove, ao mínimo, que (i) a conta a partir da Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 2101002.371 S2C1T1 Fl. 492 5 qual gerouse a presunção de omissão é do Recorrente; e (ii) que efetivamente tenham ingressado valores nesta conta não declarados à Receita Federal. Assim, não havendo prova robusta de que a conta referida à fl. 18 é da titularidade do Recorrente, já se pode depreender uma primeira irregularidade da fiscalização, qual seja, utilizar a norma legal estatuída pelo art. 42 para permitir a presunção em situação que não se subsume à hipótese de incidência do dispositivo, o que fere frontalmente o princípio da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva e do nãoconfisco. Isso sem mencionar o princípio da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, de observância obrigatória nos processos administrativos. Ressaltese, uma vez mais, que o único e solitário documento apresentado pela fiscalização para comprovar a titularidade da conta compõese de uma “tira” (fl. 18), em que o Recorrente tem seu nome veiculado como beneficiário da remessa, por meio da conta referida alhures em um banco na Suíça. Mais nada. Nada que comprove a entrega do numerário aos doleiros, ou mesmo que demonstre a ligação do Recorrente com a sociedade titular da subconta MIDLER, ou mesmo com seus mandatários. Nada, absolutamente nada, que relacione o Recorrente aos ilícitos perpetrados pela quadrilha do escândalo do BANESTADO. Vale mencionar, porque elucidativo, que nesse tipo de negociação envolvendo doleiros é corriqueiro que se indiquem nomes de “laranjas” para figurarem como ordenantes e até mesmo beneficiários das remessas, de modo que o simples fato de constar o nome do Recorrente no documento apresentado não exime a fiscalização de comprovar, de forma mais consistente, que o Recorrente era, efetivamente, o titular da referida conta. Assim, deveria a fiscalização comprovar que a conta referida era movimentada pelo Recorrente no exterior, ou mesmo apresentar documentos que demonstrassem, de forma patente, que a aludida conta havia sido aberta pelo Recorrente, por meio de cartão de autógrafos, ou qualquer outro documento que vinculasse o nome do Recorrente à conta. Não o tendo feito, não há como querer ver aplicada ao caso a presunção constante do art. 42 da Lei 9.430/96, por faltarlhe um pressuposto essencial, qual seja, a comprovação direta a cabal da titularidade da conta situada no exterior. Há que se ressaltar, por oportuno, que no presente caso sequer foi utilizado como fundamento legal da autuação a presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96, o que demonstra que nem mesmo a fiscalização tributária entendeu tratarse o caso em tela de uma hipótese subsumível àquela norma. Ora, se nem a fiscalização entendeu cabível a presunção da renda com base no referido dispositivo, por não haver prova suficiente acerca do fato indiciário, com maior razão não se pode aviltar de qualquer comprovação específica de acréscimo patrimonial do Recorrente. Por todas estas razões, em especial por entender que a ausência completa de prova no presente caso, insuficiente sequer a apontar para um indício de que o Recorrente teria, efetivamente, expatriado divisas de maneira ilícita ao exterior, acobertando, dessa forma, a aquisição de renda apta à tributação pelo IRPF, entendo que não deve subsistir o presente auto de infração, em especial por violar princípios básicos estabelecidos tanto pelo Decreto 70.235/72, como também pela Lei Federal n. 9.784/99, em especial no que atine aos princípios da ampla defesa, contraditório, legalidade e segurança jurídica, elencados pelo art. 2º, caput, deste último diploma legal. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 2101002.371 S2C1T1 Fl. 493 6 É preciso mencionar, nesse passo, que este Primeiro Conselho de Contribuintes, a partir de acórdãos proferidos por outras câmaras julgadoras, analisando casos absolutamente idênticos, já se posicionou no sentido de que são nulos os autos de infração produzidos sem suporte em evidências suficientes a comprovar a efetiva existência de renda tributável, a teor do que determina o art. 43 do CTN. Confirase, a seguir, o seguinte excerto de ementa, ora trazido à baila: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR ILEGITIMIDADE PASSIVA PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n. 155.522, Relatora Conselheira Heloisa Guarita Souza, sessão de 25/06/2008) Tal conclusão fica ainda mais evidente quando se sabe que, no direito tributário, vige o princípio segundo o qual, em se tratando de infrações, deve ser adotada a interpretação mais favorável ao contribuinte, nos exatos termos do artigo 112 do CTN, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Esses são os motivos pelos quais ouso discordar do voto proferido pelo eminente Conselheiro Relator, para DAR provimento ao recurso e julgar improcedente o lançamento.” Considerandose que a hipótese dos autos é a mesma daquela analisada no voto que proferi por ocasião do julgamento do Recurso 159.609, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 2101002.371 S2C1T1 Fl. 494 7 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10925.720206/2010-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. REVISÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTRAPÕE ÓBICES APONTADOS EM RELAÇÃO AO LAUDO DE AVALIAÇÃO. NEGATIVA DE PROVIMENTO.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal com base no SIPT. Se a impugnação com base em Laudo de Avaliação foi indeferida com apontamento de fragilidades do Laudo e essa fundamentação não é enfrentada pelo recorrente, deve-se negar provimento ao recurso para manter o valor indicado no SIPT.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento parcial para admitir a área de preservação permanente informada no laudo técnico.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. REVISÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTRAPÕE ÓBICES APONTADOS EM RELAÇÃO AO LAUDO DE AVALIAÇÃO. NEGATIVA DE PROVIMENTO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal com base no SIPT. Se a impugnação com base em Laudo de Avaliação foi indeferida com apontamento de fragilidades do Laudo e essa fundamentação não é enfrentada pelo recorrente, deve-se negar provimento ao recurso para manter o valor indicado no SIPT. Recurso voluntário negado.
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. REVISÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTRAPÕE ÓBICES APONTADOS EM RELAÇÃO AO LAUDO DE AVALIAÇÃO. NEGATIVA DE PROVIMENTO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal com base no SIPT. Se a impugnação com base em Laudo de Avaliação foi indeferida com apontamento de fragilidades do Laudo e essa fundamentação não é enfrentada pelo recorrente, devese negar provimento ao recurso para manter o valor indicado no SIPT. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento parcial para admitir a área de preservação permanente informada no laudo técnico. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 06 /2 01 0- 61 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de processo de notificação de lançamento referente a Imposto Territorial Rural, exercício 2007, relativo ao imóvel inscrito na Receita Federal sob o nº 0.446.6438 situado no Município de CalmonSC, decorrente da glosa parcial de área declarada como de preservação permanente e alteração do valor da terra nua com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT. A impugnação baseouse em Laudo Técnico e Planta Topográfica, apresentados à autoridade fiscalizadora, e requereu a exclusão da área declarada como de preservação permanente, da área tributável do imóvel, e que o VTN é reduzido porque o imóvel é composto de áreas de uso restrito e de baixo valor comercial. A impugnação foi indeferida, sob fundamento de que a Áreas de Preservação Permanente informada no ADA (131ha; fls. 14) foi admitida pela fiscalização, que a glosa é legítima porque para exclusão de Áreas de Preservação Permanente a legislação (Leis 4.771/65 e 10.165/2000) exige o ADA apresentado tempestivamente e a averbação; o VTN arbitrado com base no SIPT encontra amparo na legislação supramencionada e o Laudo apresentado não é hábil a afastar o valor do SIPT pois não atende exigência da NBR 146533, notadamente, o requisito de constar “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados, e que se refiram a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador (1º de janeiro de 2007). Em 07/02/2012 ocorreu a ciência da decisão e o recurso voluntário foi interposto em 28/02/2012 com as seguintes alegações: 1. a Áreas de Preservação Permanente de 297,9 há foi comprovada com o laudo técnico (fl.s 38), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, e planta topográfica, o que também pode ser comprovado por vistoria ao imóvel, e já foi reconhecida pelo Fisco em exercícios anteriores, sua exclusão da área tributável tem amparo na alínea “a”, inciso II, do art. 10 da Lei 9.393/1996; 2. o VTN declarado refle preço de mercado, como cerca de 90% do imóvel é coberto por florestas nativas, cuja utilização limitada reduz o valor comercial do imóvel, diversamente da áreas contempladas no SIPT, que tem uso alternativos do solo; 3. excluída a totalidade da Áreas de Preservação Permanente declarada, o VTN adotado pela fiscalização recairá unicamente sobre a área tributável do imóvel, não mais sobre área coberta por florestas nativas. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10925.720206/201061 Acórdão n.º 2802002.704 S2TE02 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Registrase que não houve qualquer glosa na área declarada como de Reserva Legal nem de Florestas Nativas, a autuação referese a redução da área de Áreas de Preservação Permanente, para adequála ao quanto fora informado no ADA, e arbitramento do do VTN com base no SIPT. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para os exercícios a partir de 2001, exigese a apresentação do ADA ou a comprovação do protocolo de requerimento desse Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil (até seis meses após a entrega da DITR, conforme art. 10, § 4º da Instrução Normativa SRF nº 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67, de 01/09/1997), para exclusão das áreas de preservação permanente, com fundamento no art. 17O da Lei nº 6.938/1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. Precedentes da CSRF: Acórdãos nº 920200.891, de 11 de maio de 2010, e nº 920200.987, de 17/08/2010. Vejamos o dispositivo legal mencionado. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...)” Não obstante apresentação de laudo técnico, e pelas razões expostas, a Área de Preservação Permanente passível de ser excluída da área tributável é aquela informada no ADA (fls. 14/15) e admitida pela autoridade fiscalizadora, razão suficiente para que seja mantida a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. DO VTN Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A alegação genérica de que o SIPT baseiase em terras que tem potencial de uso melhores que as do recorrente é genérica e insuficiente. É para tanto que se prestam os laudos de avaliação. Não obstante, o recorrente limitase a relatar inconformismo com a tributação do VTN sobre áreas que entende deveriam ser excluídas da área tributável, não confronta o fundamento do acórdão recorrido, que fez ressalvas ao laudo técnico para fins de substituição do valor constante do SIPT. Desta forma, ultrapassado o item do litígio relativo à exclusão de Áreas de Preservação Permanente, não resta argumento suficiente para maiores discussões acerca do VTN adotado no lançamento com base no SIPT, o qual deve ser mantido com amparo no art. 14 da Lei 9.393/1996. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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