Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.940112/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.940112/2011-51
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788384
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-000.464
nome_arquivo_s : Decisao_10880940112201151.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10880940112201151_5788384.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6984456
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466894811136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 113 1 112 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.940112/201151 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.464 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de agosto de 2017 Assunto PIS/COFINS Recorrente SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 40 11 2/ 20 11 -5 1 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 114 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, de fls. 40 e seguintes dos autos: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (Rastreamento nº 941465771), emitido em 05/07/011, pela Derat São Paulo, que indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado por meio do Per/Dcomp nº 23240.22541.200704.1.2.046522, no valor de R$ 11.223,04, correspondente a parte do pagamento de R$ 116.969,00 de COFINS (código 2172), efetuado em 15/01/2000, do período de 31/12/1999, uma vez que o Darf não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando haver cometido equívoco ao confeccionar seu pedido de restituição, uma vez que no campo relativo ao DARF informou a soma de dois e/ou três pagamentos realizados em vez de um único pagamento, por se referirem a um mesmo tributo e um mesmo período de apuração. Ressalta, todavia, que esse erro em nada prejudica seu direito creditório pleiteado. Na seqüência, após citar a legislação atinente à matéria e jurisprudências, salienta o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal de que a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins somente devem incluir os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2000 COFINS. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A concessão de restituição vinculada a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionada à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição e do pagamento dito indevido, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea e da escrituração contábil/fiscal da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 24/05/2014 (fl. 48) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 11/06/2014 Recurso Voluntário (fls. 50/62), através do qual pleiteou a reforma da decisão recorrida. Alegou, resumidamente, que a lei excetua a impossibilidade de afastamento da aplicação de lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, como é o caso do afastamento da aplicação do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 (RE 390.840). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 115 3 É o breve relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 116 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Esclarecimentos fáticos De início, é importante que sejam feitos alguns esclarecimentos fáticos relativos ao caso vertente. Consoante se constata do despacho decisório, a motivação para o indeferimento do pedido de restituição decorreu da não localização do pagamento informado como indevido ou a maior que o devido nos sistemas da Receita Federal. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte esclareceu que cometeu equívoco no preenchimento do seu pedido, tendo informado o total do pagamento de COFINS no período ao invés dos pagamentos individualmente efetuados. Nesta oportunidade, anexou aos autos cópias dos DARFs que comprovam a alegada falha, a qual restou confirmada pela DRJ (vide fl. 41). Ocorre que, apesar da comprovação atinente à falha no preenchimento do pedido de restituição, entendeu a DRJ que não poderia acolher o pleito do contribuinte. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída do voto que compõe a decisão recorrida: Entretanto, apesar da comprovação dos recolhimentos assim efetuados, o pedido de restituição não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente a esses recolhimentos. Em sua manifestação, a contribuinte argumenta tão somente a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal em relação à inclusão no faturamento das pessoas jurídicas de outras receitas que não a de vendas de mercadorias e de serviços. Ora, para a análise do direito creditório alegado, devese verificar a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior. E, para isso, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem que o pagamento foi efetuado considerando receitas não operacionais e/ou receitas financeiras, que não correspondam à atividade operacional da empresa. E essa comprovação deve ser feita, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à incidência da contribuição, situação não demonstrada. É de se observar, por precaução, que os recolhimentos foram realizados em nome da empresa incorporada Sadive Automóveis Ltda., CNPJ nº 02.992.628/000146, cabendo a apresentação da escrituração fiscal, se porventura houvesse feito, em nome desta. Vejase que a legislação é clara no sentido de que a restituição/compensação de débitos tributários somente pode ser deferida mediante a existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública (art. 170 do CTN). No caso, como dito, nada foi apresentado para comprovar essa liquidez e certeza e, como se sabe, segundo o art. 333 do CPC, o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 117 5 Seguiu dispondo a decisão recorrida que, nos termos do parágrafo 11 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, cumulado com o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, a prova deveria ter sido apresentada pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação, razão pela qual teria precluído o seu direito de fazêlo em outro momento processual. Sendo assim, concluiu pela manutenção do indeferimento da restituição pleiteada, face à inexistência de prova hábil que demonstrasse o pagamento indevido do tributo. Face a tal decisão, o contribuinte interpôs Recursos Voluntário, através da qual apresentou os argumentos que serão devidamente enfrentados a seguir. 2. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, alegou o contribuinte em seu recurso a nulidade da decisão recorrida, pois a DRJ teria inovado no feito, tendo adotado argumento diverso do inserto no despacho decisório para indeferir o pleito da recorrente. Ressalta que o despacho decisório indeferiu o pedido de ressarcimento sob a alegação de inexistência do recolhimento declarado como indevido pela Recorrente (não localização do DARF), o que levou à comprovação realizada pelo contribuinte em sua Manifestação de inconformidade (DARFs apresentados). Segue dispondo que "qualquer autuação, para que seja juridicamente válida, deve conter em si todos os elementos de fato e de direito que justificam a respectiva exigência fiscal, não podendo sofrer modificação ao longo do processo, sob pena de se desvirtuar a ordem regular do processo e se prejudicar o direito à ampla defesa e ao contraditório". Discordo do contribuinte neste ponto. O despacho decisório concluiu que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado". E esta mesma conclusão foi a que constou da decisão recorrida. Não há que se falar, portanto, em inovação no feito. Até porque, ainda que os fundamentos em um e outro caso tenham sido diversos, tal fato não levaria à nulidade da decisão recorrida, pois embora o equívoco relativo aos DARFs tenha sido esclarecido pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, é inconteste que a DRJ não poderia ter deferido pedido de restituição sem que o caráter de certeza e liquidez do crédito pleiteado tivesse sido confirmado. A análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado é simplesmente imprescindível ao deferimento de pleito compensatório. Destaquese, inclusive, que, em razão do ônus probatório que lhe persegue no presente caso, o contribuinte deveria ter trazido aos autos os elementos comprobatórios desta certeza e liquidez na primeira oportunidade em que teve para se manifestar nos autos. Não o tendo feito, não possui razões para discordar da decisão da DRJ que concluiu pela impossibilidade de homologação da compensação realizada, face à ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Há de ser afastada, portanto, a alegação de nulidade da decisão recorrida. 3. Mérito Consoante acima narrado, o crédito objeto do pedido de restituição referese a suposto "pagamento indevido ou a maior" realizado pelo contribuinte, tendo em vista que teriam sido incluídas receitas estranhas ao conceito de faturamento. Destaca a recorrente que esta discussão já se encontra superada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no RE 390.840/MG. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 118 6 Ou seja, a questão de mérito posta em discussão cingese à análise do direito da recorrente à COFINS pago com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, dispositivo este que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por negar provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que "a concessão de restituição vinculada a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionada à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição e do pagamento dito indevido, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea e da escrituração contábil/fiscal da empresa". No caso concreto, portanto, entendeu que o contribuinte não havia trazido aos autos dita comprovação. Ou seja, restringiuse aquela instância de julgamento a negar o direito à restituição em razão da ausência de comprovação quanto à certeza e liquidez do montante apontado, nada tendo disposto acerca do mérito da contenda. Quanto ao mérito, é cediço que tal dispositivo legal (parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998), além de já ter sido declarado inconstitucional em decisões sem efeito erga omnes (RE 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG), também já o foi em processo com repercussão geral reconhecida (RE 585.235, cuja decisão foi publicada no Diário da Justiça nº 227 do dia 28 de novembro de 2008). Como se não bastasse, destaquese que a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, em consonância com o que decidira o STF, revogou expressamente o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. De outro norte, mencionese ainda que, nos termos do art. 62, inciso II, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343 de 2015, os Conselheiros têm que reproduzir tanto as decisões definitivas proferidas pelo Plenário do STF que tenha declarado inconstitucional determinado dispositivo legal, quanto decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. É o que se extrai dos incisos I e II, b, do referido art. 62, a seguir transcritos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 119 7 Quanto ao direito pleiteado, portanto, é pacífico o entendimento favoravelmente aos interesses do contribuinte. 4. Necessidade de diligência Embora a matéria de direito já se encontre pacificada, tendo em vista que a presente demanda versa sobre pedido de restituição, é essencial que se perquira, ainda, se o montante apontado pelo contribuinte se reveste de certeza e liquidez. Ou seja, há de se verificar se os valores indicados a título de crédito correspondem, de fato, ao alargamento da base de cálculo disposta no parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, declarado inconstitucional. Ocorre que tal análise não chegou a ser realizada nos presentes autos, visto que a documentação tendente a comprovar o direito alegado apenas foi anexada aos autos juntamente com o Recurso Voluntário interposto. Defende o contribuinte em seu recurso que não teria precluído o seu direito à comprovação do valor que pretende ter restituído. Neste particular, entendo que assiste razão ao contribuinte. Embora haja respaldo legal para a não admissão da juntada posterior de documentos, nos moldes enunciados pela decisão recorrida (parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), é cediço que este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material, tem admitido, em determinadas situações, a juntada de documentos a posteriori pelo sujeito passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da lide. No caso específico aqui analisado, entendo que o contribuinte não se manteve inerte no intuito de comprovar o seu direito. Em princípio, ao ter denegado o seu pleito sob o fundamento de não localização do DARF indicado, apresentou manifestação de inconformidade através da qual apontou a falha identificada, tendo juntado naquela oportunidade cópia dos DARFs cuja soma corresponde ao valor apontado em seu pedido de restituição. Em um segundo momento, quando teve indeferido o seu pleito pela DRJ em razão da ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito apontado, anexou aos autos através do seu Recurso Voluntário, no intuito de comprovar o alegado, planilha com a indicação dos valores que teriam sido incluídos indevidamente na base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que correspondiam a receitas financeiras da empresa (fl. 70 dos autos), bem como cópia do seu livro razão. Verificase que tais documentos não foram até o momento analisados pela fiscalização. Entendo, portanto, que a sua análise pela fiscalização se apresenta imprescindível à correta solução desta lide. Nesse contexto, há de se concluir que a presente demanda não se encontra satisfatoriamente instruída para fins de julgamento, fazendose necessária a realização de diligência para que se analise a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. A necessidade de diligência para fins de apuração do crédito do contribuinte, inclusive, já foi reconhecida em outros julgados deste Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 120 8 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 3402004.261 de 27/06/2017). Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a autoridade fiscal competente analise os documentos anexados aos autos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, pronunciandose expressamente sobre a aptidão de tais documentos a comprovar o pagamento a maior objeto do pedido de restituição apresentado, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, bem como indicando os valores a serem admitidos. É importante que se diga que não se está aqui invertendo o ônus da prova. Este ônus, conforme já anteriormente mencionado, é do contribuinte. Pretendese, em verdade, em atenção ao princípio da verdade material, identificar se o recolhimento realizado pelo contribuinte fora de fato indevido, ainda que a documentação correspondente a tal comprovação apenas tenha sido realizada quando da interposição de Recurso Voluntário. Até porque, negarse o direito à restituição quando haja tal comprovação nos autos seria admitir conscientemente verdadeiro enriquecimento indevido por parte da União, o que não se deve admitir. Até porque, como é cediço, a matéria de direito já se encontra pacificada tanto no Judiciário quanto neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante analisado no tópico imediatamente anterior. 5. Conclusão Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.940112/201151 Resolução nº 3301000.464 S3C3T1 Fl. 121 9 a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001807/2005-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS.
Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 18471.001807/2005-00
conteudo_id_s : 5778273
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.442
nome_arquivo_s : Decisao_18471001807200500.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 18471001807200500_5778273.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
dt_sessao_tdt : Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
id : 6950516
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466902151168
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-17T21:42:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2302664_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-17T21:42:31Z; Last-Modified: 2010-12-17T21:42:31Z; dcterms:modified: 2010-12-17T21:42:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2302664_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:1ae4fc5c-570d-46f7-b1e7-fc3635434aac; Last-Save-Date: 2010-12-17T21:42:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-17T21:42:31Z; meta:save-date: 2010-12-17T21:42:31Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2302664_0.doc; modified: 2010-12-17T21:42:31Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-17T21:42:31Z; created: 2010-12-17T21:42:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-17T21:42:31Z; pdf:charsPerPage: 1504; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-17T21:42:31Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 181 1 180 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001807/2005-00 Recurso nº 168.202 Voluntário Acórdão nº 1801-00.442 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ e tributação reflexa - Omissão de Receitas / Empréstimo de Sócio Recorrente NOBRE GRÁFICA EDITORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco , Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em procedimento fiscal desenvolvido na empresa em epígrafe, constatou-se o ingresso de numerários, em valores relevantes, em várias datas advindos de sócios da empresa, sob o título de empréstimos. Intimada a empresa a comprovar o efetivo ingresso destes valores na contabilidade, bem como a origem, comprovando vir de fonte diversa das operações da própria empresa, com fulcro no artigo 282 do Regulamento de Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) a fiscalização procedeu à lavratura dos Autos de Infração de fls. 54 a 74 para a exigência do IRPJ e tributação reflexa, CSLL, PIS e Cofins. A matéria tributável, consistente na presunção da receita omitida evidenciada pelos ingressos de numerários advindos de pessoas ligadas à empresa, entre os meses de maio a dezembro, somam a quantia de R$ 650.000,00, e foram discriminados mês a mês nos referidos Autos de Infração, assim como as fls. do Diário nas quais foram registrados contabilmente, cujas cópias foram anexadas ao presente, em seguida (fls. 75 a 84). Inconformada com a autuação, a empresa apresentou a impugnação de fls. 113 a 119, argumentando, em suma, que: (i) os diversos empréstimos estão comprovados pelos registros contábeis, ora na conta Caixa, ora na conta Bancos, entendendo que estes registros fazem prova a favor da empresa; (ii) a origem foi esclarecida à fiscalização, pelo fato de os sócios envolvidos haverem informado em suas respectivas DIRPF os empréstimos e nenhuma delas haver demonstrado patrimônio a descoberto, portanto, possuíam capacidade financeira para suportar os empréstimos, advinda de empréstimos que contraíram junto à sua mãe; (iii) não há lei no país que proíba contribuintes de efetuar pagamentos e recebimentos em espécie; (iv) o principal objetivo da norma relativa ao suprimento de caixa, como evidência da omissão de receita, é o saldo credor de caixa; a empresa demonstra os saldos anteriores do Caixa, antes dos empréstimos efetuados e mostra que somente alguns meses houve saldo credor de caixa, em valor bem inferior aos empréstimos contraídos; entende que o saldo credor de caixa é que representa pagamentos com recursos à margem da escrituração, não os referidos suprimentos; (v) requer que os Autos de Infração sejam refeitos para os aportes somente dos saldos credores, se desconsiderados os empréstimos; (vi) discorre amplamente sobre a inconstitucionalidade da cobrança dos juros moratórios à taxa Selic. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001807/2005-00 Acórdão n.º 1801-00.442 S1-TE01 Fl. 182 3 A Oitava Turma de Julgamento da DRJ no Rio de janeiro/RJ exarou o Acórdão nº 12-16.719/07, que, por maioria, exonerou em parte a contribuinte, entendendo que os ingressos na conta Bancos não faz parte da autuação. Assim restou fundamentado o voto-condutor, em síntese: “O art.282 do R1R199 é claro ao afirmar que se caracteriza uma omissão de receita a não comprovação da origem e a efetividade da entrega dos recursos supridos por sócios, bem como a efetividade de sua entrega.Trata-se de uma disposição literal da norma, sendo uma verdadeira autorização legal para se presumir a ocorrência da omissão de receitas. Se o fiscal tem indícios de omissão de receita através da análise da documentação do contribuinte, cabe a ele solicitar a comprovação da origem dos recursos supridos pelos sócios, bem como a efetividade de sua entrega, posto que, o dispositivo legal exige que a interessada faça tal comprovação. [...] Esta presunção legal tem como efeito prático inverter o ônus da prova, ou seja, estabelecem como verdade os fatos presumidos, até prova em contrário (“juris tantum") e, em conseqüência, transferem ao contribuinte o ônus de elidir a imputação. No caso em tela, a interessada não o fez. Na fl. 51, consta a solicitação feita a interessada para que fosse comprovada a efetividade da entrega de numerário proveniente dos empréstimos declarados junto aos sócios. Cabe observar que não importa se o sócio tem ou não condições financeiras para fazer o suprimento de numerário, o que importa é a comprovação da efetiva entrega dos recursos e isto não foi feito. A interessada alega que a escrituração comercial faz prova a favor do comerciante e que o próprio auditor relaciona as folhas do Diário em que tais entradas foram escrituradas. Contudo, isto ocorre somente se for acompanhada dos documentos que comprovem o escriturado, conforme dispõe o art. 923 do RIR/99 in verbis: Art. 923 - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. [...]” Da parte exonerada da tributação realizada ex officio : “Os suprimentos especificados no Auto de Infração (fl. 56) retratam a suposta entrega de numerário contabilizado como empréstimos junto aos sócios, tendo como débito a conta caixa, se enquadrando perfeitamente no art. 282 do RIR/99. Tal fato pode ser verificado na análise dos Livros Diário (fl 75 a 84) e Razão-cta caixa geral fl. 120 a 130, para quase todos os suprimentos, exceto para os suprimentos de RS 50.000,00 —01/08/2002 e de R$ 100.000,00 —24/09/2002. O lançamento relativo ao suprimento de R$ 50.000,00, datado de 01/08/2002, se refere a um depósito na conta Bancos (Bradesco S/A- transferência p/ crédito c/c). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Não consta nenhum lançamento contábil relativo ao valor de R$ 50.000,00 no Razão-conta caixa (fl. 123), relativamente ao dia em análise. Na fl. 81, consta o lançamento no Diário, no dia 24/09/2002, onde está registrado o valor de R$ 100.000,00. Ocorre que o lançamento a débito não é relativo a conta caixa, mas a conta bancos (Bradesco S/A- transferência de depósito), ou seja, retrata um lançamento relativo a um deposito do bancário No Razão-conta caixa (fl. 126), relativamente ao dia em análise,não consta nenhum lançamento relativo a R$ 100.000,00. Tais lançamentos não se enquadram no art. 282 do RIR/99 que prevê débito na conta caixa. No caso sob análise, a autuação deveria ser relativa a depósitos bancários prevista no art. 42 da Lei 9430/97, portanto, outra autuação.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 162 a 168, alegando que o artigo 282 do RIR/99, dispositivo no qual se fundamenta a exação fiscal, exige que a fiscalização comprove “...a omissão de receitas, seja por intermédio de indícios na escrituração do contribuinte ou por meio de qualquer outro elemento de prova.” À sua interpretação, o referido artigo 282 não cuida de presunção legal, mas de meio de arbitramento dos valores que consistiram em recursos de caixa fornecidos à empresa por sócios, após a fiscalização comprovar a omissão de receitas, por indícios ou outro elemento. Somente a partir daí é que poderia buscar explicações sobre a origem e efetiva entrega de valores. Diz ainda que a fiscalização não apurou os saldos credores da conta Caixa, nem se estes se tratavam de meros erros contábeis. Insiste nas alegações iniciais que: a autuação somente é devida se os saldos da conta Caixa se tornam credores, extraídos os empréstimos; na origem dos valores como sendo comprovada pelo fato de os sócios haverem informado em suas DIRPF e possuírem capacidade financeira; os registros contábeis comprovam a efetiva entrada dos valores, consoante artigo 923 do RIR/99, sendo que os recursos não vieram por instituições financeiras e que não poderia obrigar aos sócios a transferirem os recursos por esta via, aliás o que “terceiros” não tem obrigações de fazer provas para a empresa. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. Divirjo frontalmente da exegese dada pela recorrente ao artigo 282 do RIR/99, alicerce da presente autuação. Trata o referido dispositivo legal da definição e uma presunção legal de omissão de receitas evidenciada pelos ingressos de numerários no caixa das empresas, sem que a empresa comprove efetivamente o seu recebimento e a sua origem como diversa da receita que obtém e, a norma supõe, estaria à margem da contabilidade, em controle paralelo. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001807/2005-00 Acórdão n.º 1801-00.442 S1-TE01 Fl. 183 5 Os indícios tratados pela recorrente que devem ser provados pela fiscalização, certamente, para que a presunção de solidifique, são os registros contábeis de valores no caixa da empresa advindos de sócios ou quaisquer pessoas ligadas á empresa (física ou jurídica). Estes aportes que restringem-se a registros contábeis e servem para insuflar o caixa da empresa, o legislador estabelece como presunção de omissão de receitas, juris tantum, ou seja, relativa, cabendo à empresa comprovar a efetividade da entrada do numerário e a origem deste. Daí que, nas presunções legais, o ônus da prova se inverte e passa a ser do contribuinte e não mais do fisco. Para a autuação tributária basta comprovar-se os indícios : registros contábeis de ingressos de numerários na empresa, sem o devido respaldo em documentação hábil e idônea; para a empresa sob fiscalização, sendo intimada, exibir documentos que comprovem as transferências de numerários e, ainda, concomitantemente, a origem destes numerários para afastar a presunção de que são receitas mantidas em “caixa dois” 1 Portanto, o preceito ora discutido deixa claro que estes – os registros de ingressos de numerários advindos de pessoas ligadas à empresa - são os indícios e a matéria a ser tributada, só deixando de ser, no caso, de comprovadamente vir de outra fonte de recursos e (destaquei) cuja entrada no caixa da empresa seja também concreta e não fique só no papel. Abrindo um parênteses, equivocou-se a turma julgadora a quo ao excluir da tributação os valores advindos de sócios e ingressados na conta Banco da empresa. A norma, data venia, não usa o termo caixa como conta contábil Caixa, mas sim genericamente como recursos da empresa. Por isso utiliza a expressão “recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, [...]”, e não recursos do Caixa, ou ainda aportes financeiros no Caixa. Todavia, é defeso a esta turma julgadora a reformatio in pejus, pelo que superada está a questão. Esta é a inteligência do referido artigo, aliás que em nada se deva confundir com a hipótese de incidência, também de presunção de omissão de receitas, tipificada no artigo 281, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda vigente. Este é o outro ponto crucial de equívoco da recorrente. Confunde-se com a infração lá preceituada – “Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência (...) I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa;”(destaquei novamente). Ora, as presunções de omissão de receitas podem até se aproximar quanto aos indícios, mas não se confundem de forma alguma. Um dispositivo estabelece a constatação pura e simples do saldo credor de caixa, como indício que autoriza a presunção legal de omissão de receitas Enquanto o outro dispositivo, aqui analisado por ser fulcro das autuações objetos deste processo, reporta-se, como indício suficiente à presunção de omissão de receitas, aos ingressos registrados contabilmente como advindos de pessoas ligadas à empresa sem o respectivo respaldo documental necessário. 1 Caixa dois. 1. Com. Ind. Controle de recursos desviados da escrituração legal, com o objetivo de sonegá-los à tributação fiscal. [Cf. economia invisível e contabilidade paralela.] Dicionário Aurélio Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Portanto, descabida a pretensão da recorrente em modificar a autuação realizada para eventuais saldos credores de caixa, se subtraídos os empréstimos. Não há qualquer imposição legal para que haja a recomposição da conta Caixa. No que respeita às argumentações da recorrente de que os registros contábeis, per si, fazem prova das operações que espelham, é princípio comezinho contábil que a cada histórico contábil deve corresponder um documento relativo à operação registrada, sob pena de ser totalmente inócuo em seus efeitos. Assim já esclareceu a turma julgadora de primeira instância quanto à redação completa do artigo 923 do RIR/99. Da mesma forma em relação às informações inseridas nas declarações de rendimentos das pessoas físicas. São meras informações suscetíveis de exames e exigência de documentação comprobatória. Se os sócios não comprovam que os valores advieram de seus patrimônios, efetivamente, de nada vale a informação inserida na DIRPF. Aliás, sócios e pessoas ligadas à empresa, aquelas mencionadas no artigo 282, esclareça-se, por oportuno, não são juridicamente consideradas “terceiros”, dada a íntima relação que possuem com a empresa. “Terceiros” tecnicamente tratando são pessoas que não se vinculam ao fato/ato jurídico diretamente. Com certeza, não são estas as pessoas elencadas pelo legislador ao redigir o preceito legal – art. 282 do RIR/99. Nada mais provável do que o interesse dos sócios em trazer à fiscalização da empresa os documentos que possuem para afastar eventual tributação, ente com quem possuem vínculos e interesses mútuos. Prosseguindo no raciocínio, se não há provas de que os recursos efetivamente entraram no Caixa ou na conta Bancos, por documentos de terceiros (bancos ou similares), e tratamos aqui não de módicas quantias, mas de quantias da ordem de R$70.000,00, R$ 50.000,00, R$ 60.000,00, R$ 80.000,00, R$ 90.000,00, ou até R$100.000,00, é porque esta operação – os supostos empréstimos-, na verdade material dos fatos, não existiu, mas sim, presume-se que são receitas geradas pela própria empresa e até então à margem da escrituração contábil. Quanto à capacidade financeira das pessoas discriminadas no artigo 282, sequer comprovada nos autos, não tem o condão de afastar a tributação imposta. Por derradeiro, registro neste voto a jurisprudência administrativa no que concerne à matéria ora exposta, que corroboram a tese esposada que adoto: “IRPJ – SUPRIMENTO DE CAIXA – OMISSÃO DE RECEITA – Legítima a tributação do valor dos suprimentos de caixa efetuados por sócios da pessoa jurídica como sendo proveniente de recursos gerados à margem da escrituração se a origem e a efetiva entrega dos recursos utilizados nas operações não forem comprovadas.” (Ac. 101-93125, de 15 de agosto de 2000)” “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – SUPRIMENTO DE CAIXA – EMPRÉSTIMOS – Se, devidamente intimada, a contribuinte não logra comprovar com documentação hábil, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações de empréstimos, é de se manter a tributação do valor da receita omitida, tendo em vista o disposto no art. 181 do RIR/80” (Ac. 103-19322, de 14 de abril de 1998)” “SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS – A prova da origem e efetiva entrega dos recursos, tanto para suprimentos de caixa, como para integralização de capital, deve ser comprovada por documentação hábil, idônea e coincidente, em datas e valores, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001807/2005-00 Acórdão n.º 1801-00.442 S1-TE01 Fl. 184 7 por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador da companhia. Recurso Negado” (Ac. 105-13204, de 06 de junho de 2000)” Por todo o exposto, e verificando que os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins –, fls. 54 a 74, se pautaram pelas normas tributárias vigentes, em observância estrita ao princípio da legalidade, concluo pela sua manutenção. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900311/2006-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:2001
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ.
APROVEITAMENTO NA APURAÇÃO FINAL ANUAL
Somente são passíveis de restituição ou de utilização em compensações os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas mensais de IRPJ que não foram utilizados como dedução do imposto calculado ao final do período de apuração para compor o saldo negativo apurado.
RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E
LIQUIDEZ.
Somente podem ser objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse contexto, o crédito pleiteado pelo sujeito passivo somente será líquido e certo se, quanto à certeza, não houver controvérsia sobre sua existência e, quanto à liquidez, quando restar indubitavelmente determinada a
sua importância. Provada nos autos a inexistência do crédito, deve ser indeferida a restituição e não homologada a compensação.
Numero da decisão: 1801-000.617
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário:2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ. APROVEITAMENTO NA APURAÇÃO FINAL ANUAL Somente são passíveis de restituição ou de utilização em compensações os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas mensais de IRPJ que não foram utilizados como dedução do imposto calculado ao final do período de apuração para compor o saldo negativo apurado. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente podem ser objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse contexto, o crédito pleiteado pelo sujeito passivo somente será líquido e certo se, quanto à certeza, não houver controvérsia sobre sua existência e, quanto à liquidez, quando restar indubitavelmente determinada a sua importância. Provada nos autos a inexistência do crédito, deve ser indeferida a restituição e não homologada a compensação.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10825.900311/2006-24
conteudo_id_s : 5782921
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.617
nome_arquivo_s : Decisao_10825900311200624.pdf
nome_relator_s : Maria de Lourdes Ramirez
nome_arquivo_pdf_s : 10825900311200624_5782921.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
id : 6968396
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466910539776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 57 1 56 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900311/200624 Recurso nº 210.428 Voluntário Acórdão nº 180100.617 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria Compensação Recorrente VERA CRUZ AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ. APROVEITAMENTO NA APURAÇÃO FINAL ANUAL Somente são passíveis de restituição ou de utilização em compensações os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas mensais de IRPJ que não foram utilizados como dedução do imposto calculado ao final do período de apuração para compor o saldo negativo apurado. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente podem ser objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse contexto, o crédito pleiteado pelo sujeito passivo somente será líquido e certo se, quanto à certeza, não houver controvérsia sobre sua existência e, quanto à liquidez, quando restar indubitavelmente determinada a sua importância. Provada nos autos a inexistência do crédito, deve ser indeferida a restituição e não homologada a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 65DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01/06), transmitida eletronicamente em 30/10/2003, pela qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de CSLL apurada em abril de 2003, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de fevereiro de 2001 (recolhimento em março/2001), no valor de R$ 21.417,61. Pelo Despacho Decisório Eletrônico emitido pela DRF em Bauru/SP em 16/06/2008 (fl. 06) a compensação foi não homologada, sob o seguinte fundamento: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 2.424,01. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificados, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Da referida decisão constou que o valor original do crédito pleiteado, de R$ 21.417,61, havia sido integralmente utilizado nas seguintes compensações: No. do Processo ou PerDcomp Valor original utilizado PD 36413.19564.301003.1.3.049150 14.022,04 PD 02559.012224.301003.1.3.042655 5.227,13 Db. Cód. 2362 PA 30/06/2001 1.868,44 Total 21.417,61 Cientificada do DDE a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 15, na qual alegou, em síntese que a autoridade fiscal entende que referido indébito já teria sido utilizado para compensação de outros débitos, mas que o documento de fl. 17 (doc. 01) informa que a contribuinte teria compensado débito no montante Fl. 66DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10825.900311/200624 Acórdão n.º 180100.617 S1TE01 Fl. 58 3 de R$ 1.250,40 e não R$ 14.022,04, conforme constou do despacho decisório e que o valor de R$ 14.022,04, seria, na realidade, o crédito original na data da transmissão da PER/Dcomp. Da mesma forma, o documento de fl. 19 (doc. 03) referirseia à PER/Dcomp n° 02559.01224.301003.l.3.042655, na qual teria compensada a cifra de R$ 2.697,75 e não R$ 5.527,13, como informa o despacho decisório. Além disso, o documento de fl. 20 (doc. 04) confirmaria o valor compensado de R$ 2.697,75. Assim, o crédito original de R$ 21.417,61 teria sido utilizado para compensar débitos nos valores respectivos de R$ 1.250,40 e R$ 2.697,75, e restaria, ainda, um saldo de R$ 17.469,46 para ser utilizado. Observou que o histórico processual indicaria que o indeferimento da compensação decorreu de um erro na elaboração do demonstrativo do valor original efetivamente compensado e que o trabalho fiscal calcouse em fundamentos discordantes dos elementos constitutivos do processo em confronto com a verdade material. Apreciando o litígio a 5a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1424.925 (fls. 42/47) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que a interessada não declarou, na DCTF do 1o. trimestre de 2001, qualquer valor devido a título de estimativa de IRPJ e na DIPJ teria optado por apuração com base em balanços e balancetes mensais. Verificou, ainda, que nas PER/Dcomp juntadas às fls. 17/18 e 19/20, especificamente no que diria respeito aos itens "b" e "c", a contribuinte teria efetuado a compensação de débitos de IRRJ, nos valores de R$ 1.250,40 e R$ 2.697,75, que corresponderiam, em realidade, a utilização de crédito original nos montantes de R$ 844,06 e R$ 1.822.80 e não R$ 14.022.04 e R$ 5.527.13, como constou do despacho decisório, o que indicaria que a contribuinte teria crédito suficiente para compensar o débito indicado nos autos. Em face de ausência de declaração (DCTF) de qualquer débito de IRPJ do mês de apuração fevereiro/2001 e a apuração do IRPJ mensal na DIPJ com base em balanço/balancete de suspensão/redução que, no mesmo período, resultou em pagamento efetuado a maior de R$ 1.198,55 que o tributo devido apurado (fl. 38), e a existência do pagamento efetuado pela contribuinte, no valor de R$ 21.417,61 (fl. 39), concluiu que, “a grosso modo”, haveria indícios de recolhimento indevido de IRPJ passível de compensação. Contudo, ao analisar as informações que constam na DIPJ/2002, verificou que a interessada utilizouse do pagamento recolhido a maior, no valor de R$ 21.417.61 para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, conforme indicariam as fls. 39/40 dos autos e, nessas condições, não poderia ser objeto de restituição como pagamento indevido ou a maior. Ressaltou que até outubro de 2002 o saldo negativo de IRPJ apurado ao final do período de apuração poderia ser utilizado em compensações subseqüentes sem autorização da administração, desde que para pagamento de mesma espécie de tributos. Nesse caso seria imprescindível a prova da lisura do procedimento assim efetuado mediante a apresentação dos registros contábeis pertinentes, o que não teria ocorrido neste caso. Consignou que ônus de provar a liquidez e certeza do indébito pleiteado é do sujeito passivo que o alega, razão pela qual, diante da ausência de tais elementos, não poderia ser reconhecido o direito creditório em litígio. Intimada da decisão a interessada apresentou, em 19/10/2009, o Recurso Voluntário de fls. 50 a 54. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Inicialmente, entende que a decisão prolatada não se referiria à manifestação de inconformidade impetrada, porquanto o mérito da discussão teria sido unicamente o erro cometido pela autoridade fiscal na alocação do valor original utilizado em cada PER/DCOMP. Assim, aquela decisão deveria se ater a tais limites sem qualquer analise ou investigação sobre aspectos relativos à contabilidade ou à prova do direito creditório. Assim, toda discussão giraria em torno da importância de R$ 21.417,61, recolhida em 30/03/2001, sob o código de receita 2362 e, quanto a isso, nenhuma dúvida persistiria, pois a própria autoridade lançadora teria indicado esse recolhimento no despacho decisório. Dessa forma, reproduz todo o mérito da defesa deduzido na manifestação de inconformidade, no sentido de apontar, novamente, o erro cometido no Despacho Decisório em relação aos valores originais dos débitos alocados ao direito creditório invocado. Ao final pede pela reforma daquele decisum. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Cumpre inicialmente reconhecer que o direito creditório em litígio corresponde ao valor integral do indébito apontado na Dcomp de fls. 01/06, relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, de R$ 21.417,61, não reconhecido pela autoridade da DRF em Bauru, tampouco pela autoridade julgadora da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Mérito Contraditando a defesa relevante distinguir as especificidades inerentes ao poder/dever da autoridade administrativa em aferir a liquidez e certeza do crédito tributário pretendido junto à Fazenda Pública. Vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, a este incumbe demonstrar a certeza e a liquidez do credito invocado. De fato, nos termos da legislação em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, a prova do indébito, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10825.900311/200624 Acórdão n.º 180100.617 S1TE01 Fl. 59 5 Ressaltese que o indébito tributário não se constitui, automaticamente, do saldo negativo apontado nas declarações entregues à RFB, pelo que restaria homologado depois de decorridos cinco anos do fato gerador. Tampouco é gerado, automaticamente, pelo pagamento de documento de arrecadação – DARF, tendo em conta que o resultado declarado pelos contribuintes deve, obrigatoriamente, refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitandose, assim, à comprovação da sua certeza e liquidez. Assim, não é somente um direito, mas, sobretudo, um dever da Administração analisar a correta composição e procedência do direito creditório invocado pelo sujeito passivo em Declarações de Compensação. Por outro lado, cabe a este provar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Nesse sentido dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Cumpre consignar, por relevante, que o crédito pleiteado pelo sujeito passivo somente será líquido e certo se, quanto à certeza, não houver controvérsia sobre sua existência e, quanto à liquidez, quando restar indubitavelmente determinada a sua importância. No presente caso a autoridade julgadora da DRJ em Ribeirão Preto, contrariamente ao que consignou a defesa, reconheceu o erro cometido pela autoridade administrativa que analisou as vinculações de débitos ao direito creditório pleiteado. Nesse sentido apontou que nas DCOMP juntadas às fls. 17/18 e 19/20, a compensação de débitos de IRPJ, nos valores de R$ 1.250,40 e R$ 2.697,75, corresponderiam, em realidade, a utilização de crédito original nos montantes de R$ 844,06 e R$ 1.822.80, respectivamente, e não R$ 14.022.04 e R$ 5.527.13, conforme constou do despacho decisório e que, por essa razão, tudo indicaria que a contribuinte teria crédito suficiente para compensar o débito dos autos. Entretanto, honrando o seu dever, aquela autoridade julgadora analisou a liquidez e certeza do indébito pleiteado e constatou que o valor reivindicado já fora utilizado na composição de um novo indébito, o saldo negativo de IRPJ apurado ao final do anocalendário 2001. De fato, ao analisar a DIPJ do anocalendário 2001, verificase que no mês de fevereiro, houve a apuração de IRPJ no valor negativo de R$ 1.198,55 (fl. 38) enquanto que houve o recolhimento no valor de R$ 21.417,61 a título de IRPJ devido no mesmo mês de fevereiro de 2001. Entretanto, na mesma DIPJ (fls. 39/40), restou consignada a apuração de um imposto devido, em 31/12/2001, de R$ 14.422,99, mas reduzido pela dedução de R$ 37.657,66, a título de imposto mensal total pago por estimativa, o que gerou um saldo negativo de R$ 24.557,48. Ao analisar a composição do valor de R$ 37.657,66, utilizado como dedução na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 de R$ 24.557,48, a autoridade da DRJ em Ribeirão Preto constatou que, conforme a DIPJ do exercício 2002, ano calendário 2001, foram indicados os seguintes valores a título de estimativas mensais apuradas: Fl. 69DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Mês IRPJ a Pagar Janeiro 2.999,23 Fevereiro Março Abril Maio 4.185,63 Junho 3.032,88 Julho Agosto Setembro Outubro Novembro 0,11 Dezembro 3.585,21 Total 13.803,06 Entretanto, aquela autoridade também verificou a existência dos seguintes recolhimentos a título de estimativas do anocalendário 2001: Data Arrecadação Data Vencimento Código Receita Valor Recolhido 23/02/2001 23/02/2001 2362 3.850,83 30/03/2001 30/03/2001 2362 21.417,61 30/03/2001 28/02/2001 2362 15,92 30/04/2001 30/04/2001 2362 11.314,81 31/05/2001 31/05/2001 2362 1.058,49 Total 37.657,66 Verificase, pois, que o total de R$ 37.657,66, apontado no demonstrativo, foi utilizado como dedução do imposto devido ao final do anocalendário 2001 e compôs o saldo negativo apurado de R$ 24.557,48. E do total acima e recolhido a título de estimativas do anocalendário 2001, se encontra computado o valor de R$ 21.417,61, recolhido em março de 2001. Cumpre reconhecer que, se o contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados. Entretanto, e, em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10825.900311/200624 Acórdão n.º 180100.617 S1TE01 Fl. 60 7 Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. No presente caso, a contribuinte demonstrou que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de março de 2001, em valor maior que o devido. Entretanto, também está comprovado, nos autos, que a recorrente já se utilizou desse valor como dedução do imposto devido ao final do anocalendário 2001, compondo o saldo negativo apurado de R$ 24.557,48. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 71DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912066/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.780
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.912066/2012-77
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758026
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.780
nome_arquivo_s : Decisao_10830912066201277.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830912066201277_5758026.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6894040
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466989182976
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T19:30:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T19:30:02Z; Last-Modified: 2017-08-11T19:30:02Z; dcterms:modified: 2017-08-11T19:30:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T19:30:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T19:30:02Z; meta:save-date: 2017-08-11T19:30:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T19:30:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T19:30:02Z; created: 2017-08-11T19:30:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T19:30:02Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T19:30:02Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912066/201277 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.780 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 66 /2 01 2- 77 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.807, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912066/201277 Acórdão n.º 3301003.780 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007080/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/08/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A mercadoria LANETTE O, em sendo álcool graxo industrial com características de cera, e não se identificando com as mercadorias das posições 3823.70.10 a 38.23.70.30, é classificada no Ex tarifário 01 da posição 3823.70.90.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/08/2003
MULTA DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO.
A multa de ofício proporcional prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 é imperativa, quando houver falta de recolhimento do Imposto. O ADI 13/2002 não alberga a multa de ofício proporcional.
UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC.
A taxa Selic é índice adequado para atualização dos débitos tributários. Súmula Carf. Nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/08/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A mercadoria LANETTE O, em sendo álcool graxo industrial com características de cera, e não se identificando com as mercadorias das posições 3823.70.10 a 38.23.70.30, é classificada no Ex tarifário 01 da posição 3823.70.90. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/08/2003 MULTA DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A multa de ofício proporcional prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 é imperativa, quando houver falta de recolhimento do Imposto. O ADI 13/2002 não alberga a multa de ofício proporcional. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. A taxa Selic é índice adequado para atualização dos débitos tributários. Súmula Carf. Nº 4. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.007080/2007-99
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761939
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.016
nome_arquivo_s : Decisao_11128007080200799.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11128007080200799_5761939.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6904155
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466995474432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 322 1 321 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007080/200799 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.016 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente COGNIS BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/08/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A mercadoria LANETTE O, em sendo álcool graxo industrial com características de cera, e não se identificando com as mercadorias das posições 3823.70.10 a 38.23.70.30, é classificada no Ex tarifário 01 da posição 3823.70.90. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/08/2003 MULTA DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A multa de ofício proporcional prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 é imperativa, quando houver falta de recolhimento do Imposto. O ADI 13/2002 não alberga a multa de ofício proporcional. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. A taxa Selic é índice adequado para atualização dos débitos tributários. Súmula Carf. Nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 70 80 /2 00 7- 99 Fl. 322DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: O importador, por meio da declaração de importação DI n° 03/0701776/001, de 19/08/2003, fl. 13, importou na adição 001, a mercadoria descrita como "LANETTE O MISTURA DE ÁLCOOIS CETÍLICO E ESTEARÍLICO, ESTADO SÓLIDO", classificando na NCM 3823.70.90, com alíquotas de 3,5% de imposto de importação e 0% do imposto sobre produtos industrializados. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal adotada está correta, mas a impugnante deixou de informar o correto "EX" tarifário correspondente à natureza da mercadoria, que elevaria a alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 0% para 15%. Baseouse a autuação no laudo FUNCAMP, de 23/09/2003, fls. 18 a 20, que identificou a mercadoria como álcool cetoestearílico, mistura de álcoois graxos estearílico e cetílico, um álcool graxo industrial, com características de cera artificial. Através do Auto de Infração de fls. 01 a 20, cobraramse as diferenças de imposto sobre produtos industrializados, juros e multa de mora. Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação (fls. 48 a 71), alegando em síntese: o produto por ela importado tem natureza de álcool ceto estearílico, apresentando perfeita classificação como um outro álcool graxo. segundo sua interpretação, o laudo afirma que não existem álcoois estearílicos industriais sem características de ceras artificiais, sendo, portanto inaplicável o "EX" 01, existindo jurisprudência administrativa sobre o tema. a cobrança da multa de mora só é cabível ao final do processo administrativo. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11128.007080/200799 Acórdão n.º 3201003.016 S3C2T1 Fl. 323 3 a ilegalidade e a inconstitucionalidade da cobrança dos juros de acordo com a taxa SELIC. Cita jurisprudência administrativa sobre a multa de ofício. Requer a produção de prova pericial e apresenta quesitos. Requer, por fim, que o auto seja julgado improcedente. Retifico que a multa lançada não foi a de mora, como relatado, mas a de ofício, cf. art. 80 da Lei 4.502/64. Acrescento que, na impugnação, o sujeito passivo pede pela nulidade do Auto de Infração, por cerceamento do direito de defesa, porque não teria tido oportunidade de formular quesitos, quanto da análise laboratorial, nem fora intimada das conclusões do Laudo. A DRJ/São Paulo II/SP, por meio do acórdão 1750.066, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Transcrevo a ementa: CERA LANETTE0 Mercadoria identificada como mistura de ácidos graxos, formada aproximadamente por parte iguais de álcool cetílico e álcool estearílico apresenta correta classificação no código 3823.70.90, especificamente na EX 001 por se tratar de cera. O sujeito passivo interpõe o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. Requer, adicionalmente, a nulidade da decisão recorrida, porque, segundo entende, não teria motivado a negativa de perícia solicitada. Entende também que a DRJ não poderia negar a perícia solictada porque os aspectos técnicos não estariam no rol de sua competência. Aponta também erro na ementa da decisão recorrida, por grafar “Ácidos graxos”, ao invés de “Álcoois graxos”, pretendendo sua nulidade por este motivo. Em 23/07/2013, o processo foi a julgamento na 2ª turma Ordinária da 2ª Câmara. Nessa ocasião decidiuse pela nulidade da decisão recorrida, por não ter apreciado as alegações da recorrente quanto à nulidade do Auto de Infração. Copio a respectiva ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É defeso ao julgador de segunda instância decidir sobre matéria que, trazida na impugnação, deixou de ser apreciada pelo julgador de primeira instância, sob pena de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição, e, com isso, o devido processo legal. Recurso Voluntário provido Fl. 324DF CARF MF 4 Em 25/06/2014 prolatase novo acórdão de impugnação, com a mesma ementa do anterior. No voto condutor, acrescentase o seguinte parágrafo, como apreciação das suscitações de nulidade do Auto de Infração: Quanto à alegação de que não teve oportunidade de formular quesitos e de se manifestar sobre o laudo técnico elaborado anteriormente ao auto de infração, considerando o despacho aduaneiro como o início do procedimento fiscal, não cabe razão à interessada. Houve a comunicação de que seria feito laudo, inclusive com concordância no despacho aduaneiro, podendo a interessada acompanhar a diligência se assim o quisesse, inclusive apresentando quesitos. Sobreveio então o novo Recurso Voluntário, com os mesmos argumentos já relatados. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria afeta a esta turma e, não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Preliminar de nulidade do Auto de Infração Alega a recorrente cerceamento do direito de defesa, porque não teria tido oportunidade de formular quesitos à análise laboratorial levada a efeito na FUNCAMP, que resultou nos Laudos 2402.01 e 2401.02 (fls. 20/23). Reproduzo trecho de seu Recurso Voluntário (fl. 287): 2.7 Portanto, se o começo do despacho aduaneiro (registro da D.I. no SISCOMEX) caracteriza o início do Procedimento Fiscal, nos termos do artigo 7º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis nºs. 8.748/93 e 9.532/97, jamais poderia ser assegurado somente aos Agentes Fiscais vinculados a AlfândegaSantos, o direito de formalizar quesitos ao LABANA/8ª R.R. INSTITUTITO FALCÃO BAUER, que resultou na posterior emissão dos laudos Técnicos que embasaram a lavratura do Auto de Infração de que trata o processo administrativo em tela. 2.8 Tal procedimento, enfatizese, é manifestamente ilegal, vez que, nas situações da espécie, a Alfândega do Porto de Santos, é parte integrante do Processo, não lhe podendo ser concedido quaisquer privilégios ou facilidades quando da formulação de quesitos a respeito de produtos importados do exterior, e que sejam selecionados para análise laboratorial por parte do LABANA/8ª RF – Instituto Falcão Bauer, Laboratório Oficial credenciado pela Receita Federal. Feriuse, aqui, o princípio da isonomia previsto na Constituição Federal vigente. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11128.007080/200799 Acórdão n.º 3201003.016 S3C2T1 Fl. 324 5 2.9. Com efeito, estabelecem os artigos 150 e 173, parágrafo 1º, do texto constitucional, abaixo reproduzidos: Art. 150 – Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao Contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... II – Instituir tratamento desigual entre Contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional, ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica, dos rendimentos, títulos ou direitos. .... Artigo 173 ... Parágrafo 1º .... Parágrafo 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos as dos setor privado. A invocação dos artigos 150 e 173 da Constituição Federal é absolutamente impertinente. Tratase aqui da relação Fisco/Contribuinte, e não da equidade entre contribuintes, ou empresas públicas. O amplo direito de defesa é garantido, no PAF – Decreto 70.235/72, pela dupla instância administrativa de julgamento, onde, a partir da ciência do lançamento e dentro dos prazos legais, o contribuinte tem acesso ao processo com todas as acusações e documentos utilizados, e onde deve apresentar suas provas e eventuais quesitos de perícia, tal como fez. Não há necessidade de ciência ao contribuinte das provas coligidas pelo Fisco no âmbito da investigação, uma vez que serão devidamente cientificadas quando do lançamento. Não havendo notícia de vulneração ao trâmite regular do processo administrativo fiscal, não há como sustentar o cerceamento ao direito de defesa, neste caso. Precedente: Acórdão 3301002.541. Importa ainda observar a Súmula Carf nº 46: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Desse modo, afasto a preliminar suscitada. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente suscita ainda a nulidade da decisão recorrida, porque não teria motivado a negativa de solicitação de diligência ou perícia, e porque não teria competência para negar a perícia que solicitasse esclarecimentos técnicos. Fl. 326DF CARF MF 6 Não tem razão a recorrente. A necessidade de diligência ou perícia é matéria de apreciação do colegiado, nos termos dos arts. 18 e 29 do PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (ressaltei) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. O entendimento pela necessidade ou desnecessidade de novas diligências ou perícias depende da avaliação das provas e laudos já juntadas aos autos. As conclusões dos laudos técnicos podem ser tomadas pelo colegiado como suficientes, e esta decisão evidentemente não se confunde os aspectos técnicos do laudo. A decisão de primeira instância entendeu pela desnecessidade de diligência ou perícia, fundamentando assim (fl. 271) Todavia, em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo tornase prescindível a realização de diligência ou perícia. Não determinar diligências ou perícias desnecessárias em nada ofende o princípio do devido processo legal, antes pelo contrário, obedece exatamente o preceito expresso da lei que rege o processo administrativo. Nesse sentido já se manifestou o Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS – CAPITULAÇÃO DO LANÇAMENTO Porque o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, nos termos da processualística fiscal, o seu indeferimento não implica em nulidade da decisão, sobretudo quando os autos estão a demonstrar a sua prescindibilidade. (1.º Conselho de Contribuintes/Acórdão n.º 1071.975, publicado no DOU de 07/01/1997) Parte dos quesitos formulados à fl. 70, já foram respondidos pelo laudo técnico oficial, notadamente o de letra “c”, enquanto o de letra “b” é totalmente irrelevante para o correto enquadramento tarifário. Ressaltese que, a impugnante, ao apresentar o quesito de letra “a”, desconhece o fato de ser incabível questionamento ao perito sobre a correta classificação fiscal, matéria de competência da fiscalização e não do perito técnico, nos termos do § 1º do art. 30 do PAF (Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972). Portanto, não há falta de motivação. O que há é a divergência da recorrente com a motivação, o que é matéria de mérito e será tratada na seção própria. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11128.007080/200799 Acórdão n.º 3201003.016 S3C2T1 Fl. 325 7 Quanto ao lapso manifesto de se colocar na ementa “Ácidos graxos” ao invés de “Álcoois graxos”, não tem o condão de inquinar a decisão recorrida como nula, primeiro porque toda a argumentação é dada sobre os álcoois graxos, restando evidente o erro como lapso manifesto a ser corrigido meramente de ofício, sem outros efeitos. Depois, porque no segundo acórdão tal erro foi corrigido, prescindindo então de qualquer atitude por parte desta turma. Desse modo, afasto a preliminar argüida. Mérito 1 – Classificação fiscal da mercadoria No mérito, a controvérsia se resume a enquadrar ou não a mercadoria em foco, descrita como “LANETTE O Mistura de álcoois cetílico e Estearílico, no estado sólido, para uso industrial como matéria prima para o preparo de cosméticos”, no Ex tarifário 01 da posição 3823.70.90. Transcrevo a parte pertinente da TEC/NCM: "Capitulo 38 Produtos diversos das indústrias químicas (...) 38.23 Ácidos graxos monocarboxilicos industriais; óleos ácidos de refinação; álcoois graxos industriais. (...) 3823.70 Álcoois graxos industriais 3823.70.10 Esteárico 3823.70.20 Láurico 3823.70.30 Outras misturas de álcoois primários alifáticos 3823.70.90 Outros Ex 01 Com características de ceras artificiais A posição 3823.70.90, defendida pela recorrente, tem alíquota de IPI zero, enquanto o Ex 01 tem alíquota de 15%. A solução é singela, prescindindo de outras diligências ou perícias. Não se controverte quanto à caracterização da mercadoria como Outros álcoois graxos industriais, da posição 3823.70.90. Ora, nem mesmo se controverte quanto à caracterização da mercadoria como ceras artificiais, o que a recorrente diversas vezes concorda. Confirase: Fl. 69 “Devemos ressaltar que a característica de cera é inerente tanto aos álcoois (cetílico e estearílico) isolados como as suas misturas mais comuns (30:70; 50:50; 70:30).” Fl. 71 –“ademais disso ... o próprio Laboratório de Análises da 8ª Região Fiscal – LABANA, ao emitir a Informação Técnica nº 82/95 (xerox anexa – Doc. 03), Fl. 328DF CARF MF 8 esclareceu que não existem álcoois estearílicos industriais sem características de ceras aritificais. De fato, nem poderia controverter, dada a farta bibliografia colacionada (fls. 31 a 41) apontando tais mercadorias como ceras. A recorrente aponta para o fato de que todos os álcoois cetoestarílicos tem características de cera, o que ensejaria considerar o critério de distinção do Ex 01 como inconsistente. Mas tal argumento não pode ser aceito, a uma, porque a existência do Ex 01 decorre de Lei ou Decreto, que não podem ser afastados em colegiado do Carf, nos termos da do art. 26A do PAF. Segundo, porque não importa se todos os álcoois cetoestearílicos tenham características de ceras, porque nem todos os álcoois graxos industriais, da posição 3823.70.90, o tem. A recorrente argumenta, nessa matéria: 3.12. Com efeito, em razão do produto importado pela Impugnante ser um álcool cetílico industrial, que é uma mistura dos álcoois cetílico e estearílico, e está descrito corretamente, com todos os elementos necessários e suficientes para o entendimento da Fiscalização quanto à sua classificação na TEC/NESH, e sendo as características de cera inerentes a esses tipos de álcoois graxos, não pode ser enquadrado no "Ex 01 Com características de ceras artificiais" do item Outros Álcoois Graxos (Gordos*) Industriais, na posição NCM/NBM 3823.70.90. (...) 3.14. De fato, analisandose os resultados dos próprios Laboratórios de Análises, verificase que o produto despachado satisfaz as exigências químicas de álcoois graxos, já que foi identificado como sendo uma mistura dos álcoois cetílico e estearílico. Assim, é indiscutível, portanto, que o produto LANETTE O (ÁLCOOL CETOESTEARÍLICO), despachado pela Declaração de Importação n° 03/07017766, registrada no SISCOMEX em 19.08.2003, classificase corretamente no Código TEC/NCM 3823.70.90 (outros, com exclusão do "extarifário"), apenas como um outro álcool graxo, tal como declarado quando submetido a despacho aduaneiro. Ora, todo esse arrazoado não esclarece qualquer ponto, senão o que importa: a mercadoria é um álcool graxo industrial, e tem característica de cera, o que, expressamente, enquadrao no Ex tarifário da posição 3823.70.90. Outro argumento utilizado foi considerar que a classificação da mercadoria em foco no Ex 01 seria por analogia, a ser rechaçada por aplicação do art. 108, I, §1º do CTN1. 1 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; (...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11128.007080/200799 Acórdão n.º 3201003.016 S3C2T1 Fl. 326 9 Tal argumento deve ser afastado de plano, posto que a classificação se deu por aplicação da literalidade da descrição, nos termos das regras gerais de interpretação. Por todo o exposto, a mercadoria em foco deve ser classificada no Ex tarifário 01 da posição 3823.70.90, como Outros álcoois graxos industriais, com características de ceras artificiais. Precedente no mesmo sentido, para o mesmo produto e mesma empresa, acórdão 310200.665. 2 – Multa de ofício A recorrente alega que a multa de oficio seria incabível porque a descrição da mercadoria estaria correta e não houve qualquer dolo, e portanto, amparada pelo Parecer Cosit 477/88 e ADI 13/2002, abaixo transcritos na parte de interesse: Parecer Cosit 477/88: “8. Na hipótese de o importador, tendo assim descrito corretamente o produto, vir a classificalo erroneamente, caberá, na forma da IN/SRF 040/74, e em decorrência da classificação tarifária correta, ou o recolhimento do crédito tributário pago a menor, ou a restituição do que houver sido pago a maior, ou, ainda, a simples correção do Código TAB, por meio de Declaração Complementar de ImportaçãoDCI. Não há pena a ser aplicada, vez que o enquadramento incorreto na TAB, por si só, não se acha tipificado como infração.” ADI 13/2002: “Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim, a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua correta identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.” Não assiste razão à recorrente. O Parecer Cosit 477/88 é anacrônico, porque o mesmo entendimento, esposado no ADI 10/97, foi revogado pelo ADI 13/2002. Ora, o ADI 13/2002, ao contrário do que pretende a recorrente, não afasta a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, ou a multa prevista no art. 80 da Lei 4.502/64, ainda que a descrição da mercadoria seja correta. Trata este ADI de situações em que o erro de classificação fiscal não importa em qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, tais como a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional”. Em todos esses casos, haverá um procedimento de análise do pedido do contribuinte, sem qualquer prévia falta Fl. 330DF CARF MF 10 de pagamento de imposto. Portanto, o ADI 13/2002 corrigiu interpretação errônea dos normativos anteriores que autorizavam o afastamento da multa de ofício. Ora, tal afastamento seria mesmo indevido. O erro do contribuinte acarretou falta de pagamento de IPI, com prejuízo financeiro para a Fazenda Nacional. E a responsabilidade por infrações independe independe de dolo, nos termos do art. 136 do CTN2. E nem o dispositivo legal que estabelece a multa de ofício excepciona qualquer circunstância relativa à intencionalidade do sujeito passivo. Vejase a clara expressão legal: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória Precedente no mesmo sentido, para o mesmo produto e a mesma empresa no acórdão 310200.665. Portanto, não acato as alegações nesta matéria. 3 – Utilização da taxa Selic para autalização do crédito tributário A utilização da taxa Selic como índice de correção dos débitos tributários já se encontra sumulada no Carf, dispensando outras considerações: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 20153, as Súmulas do Carf são vinculantes para os seus colegiados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator 2 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11128.007080/200799 Acórdão n.º 3201003.016 S3C2T1 Fl. 327 11 Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728617/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA.
Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos.
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO EMPREGADO.
A autoridade fiscal ao aplicar a norma previdenciária, ao caso em concreto, e observando o princípio da primazia da realidade, tem autonomia para, no cumprimento de seu dever funcional, reconhecer a condição de segurado empregado, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias efetivamente devidas.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI 11.196/05. POSSIBILIDADE.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei 11.196/05, é possível ao fisco, comprovada a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 2401-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO EMPREGADO. A autoridade fiscal ao aplicar a norma previdenciária, ao caso em concreto, e observando o princípio da primazia da realidade, tem autonomia para, no cumprimento de seu dever funcional, reconhecer a condição de segurado empregado, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI 11.196/05. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei 11.196/05, é possível ao fisco, comprovada a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.728617/2011-15
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5764963
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.989
nome_arquivo_s : Decisao_10166728617201115.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10166728617201115_5764963.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6916790
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467054194688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.766 1 1.765 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.728617/201115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.989 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO. Recorrente POLIEDRO INFORMATICA CONSULTORIA E SERVICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 86 17 /2 01 1- 15 Fl. 1766DF CARF MF 2 CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO EMPREGADO. A autoridade fiscal ao aplicar a norma previdenciária, ao caso em concreto, e observando o princípio da primazia da realidade, tem autonomia para, no cumprimento de seu dever funcional, reconhecer a condição de segurado empregado, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI 11.196/05. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei 11.196/05, é possível ao fisco, comprovada a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.767 3 Relatório Tratase de Autos de Infração AIs lavrados contra a empresa em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: Obrigação Principal: · DEBCAD 37.208.6888 referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declarados em GFIP. · DEBCAD 37.283.6623 referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição dos segurados empregados, não declarada em GFIP. · DEBCAD 37.348.2310 referente a contribuição social destinada a terceiros Salário Educação, Incra, Sesc, Senac e Sebrae, incidente sobre valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP. Obrigação Acessória: · DEBCAD 37.208.6870 (Código de Fundamentação Legal – CFL 68) – no valor de R$ 640.260,60, nas competências 01/07 a 12/07, por infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV e §5o, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 225, inciso IV, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa cabível está prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, §5º c/c o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, inciso II, e o valor da multa é calculado em 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na Lei 8.212/91, artigo 32, §4º. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 103/126), a fiscalização constatou o pagamento de remuneração a segurados empregados, mediante a utilização de empresas interpostas. Verificouse que a autuada contratou pessoas jurídicas para prestar serviços relacionados com sua atividadefim (área de tecnologia da informação): da análise das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIPs das contratadas, verificouse que elas eram Fl. 1768DF CARF MF 4 empresas unipessoais (não possuíam empregados) e que os serviços foram prestados pessoalmente por seus sócios; conforme folhas de pagamento e GFIPs apresentadas, alguns dos sócios das contratadas eram empregados da autuada em 2007, já haviam sido empregados antes da contratação ou tornaramse empregados em períodos posteriores à contratação dos serviços; em muitos casos a contratação das empresas cujos sócios eram ex empregados da autuada ocorreu logo após a suposta quebra do vínculo empregatício entre eles; as empresas contratadas prestavam serviços mensais e emitiram notas fiscais sequenciais à autuada, indicando a exclusividade da prestação de serviços; todos os contratos de prestação de serviços firmados pela autuada com as empresas interpostas foram confeccionados de forma padronizada e contêm cláusulas que impõem características inerentes à relação de emprego (subordinação, pessoalidade, onerosidade e nãoeventualidade); a autuada coordenava os trabalhos, controlava as horas trabalhadas, detinha o controle dos trabalhadores e dos valores pagos a eles; algumas empresas foram contratadas para assumir determinados cargos (gerente de projeto, analista de sistemas, analista de negócios) e para prestação de serviços de gestão de atividadefim da autuada; em alguns contratos apresentados as empresas contratadas informam como sede da pessoa jurídica, um endereço residencial; da análise das cláusulas dos contratos verificase que a jornada diária de trabalho (nãoeventual) equivale a oito horas diárias de segunda a sexta mais quatro horas aos sábados, correspondente a 44 horas semanais, que multiplicado por 4 semanas e por 12 meses, totalizam 2.112 horas no ano, que é o prazo de vigência do contrato; os contratos estabelecem que o pagamento dos valores deverá ser realizado até o 10º dia útil do mês subsequente ao da prestação dos serviços, ou seja, procedimento similar com o prazo de pagamento dos seus funcionários; O pagamento está condicionado à apresentação do "Relatório de Acompanhamento e Controle RAC" que de fato substitui a folha de ponto assinada pelos empregados formais da empresa; no decorrer de todo o contrato verificase a subordinação: controle da produção, obediência aos controles administrativos e cronogramas, submissão às orientações, acompanhamento, controle e fiscalização e as recomendações deles decorrentes, apresentação do RAC e avaliação de desempenho periódica; não havia distinção entre os serviços prestados por empregados da Poliedro e os executados pelas empresas de trabalhadores subcontratados por intermédio de "pessoas jurídicas"; portanto, empresas de trabalhadores não foram contratados para prestar serviços ao sujeito passivo, mas sim pessoas físicas, sócias dessas empresas, invocando o pressuposto da pessoalidade na prestação do serviços. Assim, ficou constatado que a autuada buscou mascarar relações de emprego, mediante a contratação de pessoas jurídicas unipessoais interpostas, se eximindo do correto Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.768 5 cumprimento de suas obrigações, cerceando direitos trabalhistas e previdenciários e se esquivando do recolhimento dos tributos devidos. Tal prática configurase como fraude e simulação, havendo o afastamento do ato real (utilização de segurados empregados) com a imposição de uma roupagem diversa (contratação de pessoa jurídica). Assim, a fiscalização caracterizou os trabalhadores como segurados empregados da empresa autuada e os pagamentos efetuados foram considerados como salário de contribuição. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, que a fiscalização não conseguiu demonstrar a subsunção dos fatos à norma, que a descaracterização dos contratos de prestação de serviços não encontra arrimo jurídico e que não houve simulação. Foi proferido o Acórdão 0254.019 8ª Turma da DRJ/BHE, fls. 1.359/1.380, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a cobrança e recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Fl. 1770DF CARF MF 6 CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO EMPREGADO. A autoridade fiscal ao aplicar a norma previdenciária, ao caso em concreto, e observando o princípio da primazia da realidade, tem autonomia para, no cumprimento de seu dever funcional, reconhecer a condição de segurado empregado, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONEXÃO. Devem ser analisados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 31/3/14 (Aviso de Recebimento AR de fl. 1.383), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/4/14, fls. 1.385/1.447, que contém os mesmos argumentos da defesa, em síntese: Preliminarmente, alega nulidade por cerceamento do direito de defesa e inobservâncias dos Princípios Constitucionais do Devido Processo Legal, do Contraditório e da Ampla defesa, pois a fiscalização não apontou com clareza e detalhes as disposições legais infringidas que apóiam a exigência. Cita o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto 70.235/72, doutrina e jurisprudência. Afirma que a fiscalização caracterizou o vínculo empregatício de 32 pessoas jurídicas e indicou apenas genericamente alguns contratos tidos como caracterizadores do vínculo empregatício. Disserta sobre o Princípio da Verdade Material e entende que a simples cominação de infrações com base em indícios fundamentados em amostragem sem a real comprovação dos fatos jurídicos tidos como violados fere a verdade real. Cita a Lei 9.876/99 e afirma que a fiscalização não buscou se valer de todos os documentos necessários à averiguação da ocorrência do fato gerador e nem possibilitou à recorrente fazêlo. Cita doutrina e decisões do antigo Conselho de Contribuintes. No mérito, contra os autos de infração, afirma que: a) o fisco não pode determinar a forma de contratação dos prestadores de serviços em virtude do princípio constitucional da livre iniciativa; b) o fato do empresário ter prestado serviços na condição de pessoa física em período anterior ao fiscalizado não autoriza a consideração de vínculo de emprego; e c) devem ser explorados os elementos norteadores da relação de emprego (subordinação jurídica, pessoa física, pessoalidade, nãoeventualidade e onerosidade). Diz que o MPAS emitiu parecer MPAS/CJ 1.747/99 que desautoriza a fiscalização a desconsiderar a personalidade jurídica das empresas e que tal parecer vincula os Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.769 7 julgadores, nos termos da Lei 11.457/07. Acrescenta que a fiscalização não observou os pareceres 1.800/99, 1.172/98 e 1.045/97. Afirma que: a) a fiscalização não verificou se cada pessoa jurídica relacionada efetuou o recolhimento de seus encargos tributários, sociais e previdenciários; b) a fiscalização não evidenciou os requisitos da relação de emprego; c) é falaciosa a afirmação de que as cláusulas do contrato de prestação de serviços são de objetivo padrão; d) que os contratos estão de acordo com a CLT; e e) o arbitramento da base de cálculo é nulo, pois a autuada não foi intimada para se manifestar sobre o arbitramento. Cita jurisprudência. Argumenta que a Lei 11.196/05, art. 129, possibilita a constituição de empresas para a prestação de serviços intelectuais em caráter personalíssimo ou não. Quanto à cobrança de contribuições dos segurados, diz que a fiscalização despreza a legislação previdenciária e desconsidera a condição de segurado obrigatório conforme Lei 8.212/91, art. 12, V, 'f'. Afirma que tais valores foram recolhidos pelos segurados. Sobre o AI por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68), diz ser indevido, pois os valores pagos não são remuneração. Afirma se incorreta a caracterização do dolo, fraude e simulação e disserta sobre a matéria. Conclui ser incabível a cobrança de multa qualificada. Requer a nulidade e o cancelamento dos lançamentos e o julgamento conjunto com o processo 10166.728618/201160. É o relatório. Fl. 1772DF CARF MF 8 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE O argumento do contribuinte de cerceamento do direito de defesa não tem como prosperar. Ao contrário do que alega a recorrente, o lançamento foi constituído conforme determina o CTN, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Toda a situação fática que determinou a ocorrência do fato gerador foi detalhadamente descrita no Relatório Fiscal e a base de cálculo apontada no anexo 1 Planilha com a relação das notas fiscais e Relatórios de Lançamentos RL, o montante devido foi calculado conforme Relatórios Discriminativo do Débito DD (fls. 8/9, 24/25, 40/41), o sujeito passivo foi identificado e regularmente intimado da autuação. A fundamentação legal do crédito tributário lançado está descrita no Relatório Fiscal e nos Relatórios Fundamentos Legais do Débito (fls. 20/21, 36/37, 52/53). Foram cumpridos os requisitos do Decreto 70.235/72, art. 10, não havendo que se falar em nulidade ou cerceamento do direito de defesa. A fiscalização não indicou apenas genericamente alguns contratos, como alega a recorrente, mas sim analisou os 32 contratos (que foram juntados aos autos, fls. 609/1.183) e caracterizou as pessoas contratadas como segurados empregados da empresa, para fins de apuração das contribuições sociais ora apuradas. Acrescentese que foi devidamente concedido à autuada a oportunidade de apresentar documentos durante a ação fiscal, prazo para apresentar impugnação e produzir provas. Sobre a verdade material, vêse que a fiscalização ao apurar os fatos, sempre intimou a empresa a esclarecêlos. Somente após a análise de todos os documentos, esclarecimentos e provas apresentados, é que a fiscalização efetuou os lançamentos e lavrou as autuações. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.770 9 Ao contrário do que alega o recorrente, a fiscalização não se baseou em indícios ou amostragem. Exatamente para buscar a verdade material, anexou aos autos informações sobre as "empresas" prestadoras e verificou que elas não possuíam empregados. Apesar de não terem sido transcritos no relatório fiscal todos os contratos citados, todos eles foram anexados aos autos (anexo IV, fls. 609/1.183) e possuem cláusulas semelhantes àquelas transcritas, refutando a alegação da empresa de que os contratos não possuíam cláusulas padrão. E exatamente primando pela realidade, nos termos do CTN, art. 118 (citado pela recorrente), para os fins de definição do fato gerador, devese abstrair a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes. Ou seja, ocorrendo o ato jurídico que a lei tributária define como fato gerador, nasce a obrigação tributária, prevalecendo a materialidade e a verdade real, em detrimento das formalidades praticadas. Desta forma, cumpriuse o que determina a Lei 8.212/91, artigo 33: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Nesse sentido, a autoridade administrativa fiscal possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos que não reflitam a realidade, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Assim, uma vez verificado que o sujeito passivo utilizase de simulação ou de fraude para se esquivar do pagamento de tributo, o auditor fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos, por ele constatados, em detrimento da verdade jurídica aparente (formal). Ou seja, uma vez evidenciada a simulação, não resta outra opção à fiscalização a não ser descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento tributário, a relação real entre o contribuinte e seus prestadores. Nesse mesmo sentido, dispõe o CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Sendo assim, resta evidente a possibilidade de o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil desconsiderar os atos e fatos simulados e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. MÉRITO Fl. 1774DF CARF MF 10 A Lei 8.212/91, que estabelece as regras que regem a filiação obrigatória de trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, dispõe que: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Assim, uma vez constatado que há a vinculação obrigatória de um trabalhador ao RGPS, cabe à autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, desconsiderar a forma sob a qual a prestação se deu para, com base na realidade emergente, apurar contribuições devidas e condutas incompatíveis com a legislação aplicável. Da mesma forma, o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação dada antes da criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, determina: Art.229. [...] §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Do exposto, percebese que não podem prosperar as alegações da recorrente de que os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil não poderiam determinar a forma de contratação dos prestadores de serviços ou ter desconsiderado um contrato ou ato jurídico praticado entre duas pessoas jurídicas. Acrescentese que a fiscalização deixou claro no relatório fiscal (item 12.24) que os trabalhadores foram considerados segurados empregados da autuada, o que não significa que as pessoas jurídicas foram desconstituídas. Houve apenas o reconhecimento de que, no que se refere aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a relação se deu, diretamente, entre os trabalhadores (sócios das empresas) e o sujeito passivo. Apenas concluiu a fiscalização que os serviços por elas faturados não foram prestados numa relação entre pessoas jurídicas autônomas mas entre o tomador (sujeito passivo) e os trabalhadores (sócios das pessoas jurídicas). Diante da realidade fática, a fiscalização verificou que nas prestações de serviços estavam presentes todos os requisitos necessários à caracterização dos segurados na qualidade de empregados (pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade e subordinação), nos termos da Lei 8.212/91: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.771 11 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Pessoalidade A prestação dos serviços era feita pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas. Por meio de consultas efetuadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, principalmente mediante as informações prestadas nas GFIPs das prestadoras, a fiscalização constatou que, durante o período objeto da ação fiscal, as pessoas jurídicas contratadas não tinham empregados e que, portanto, os serviços foram executados pessoalmente por seus sócios, os quais, via de regra, eram, haviam sido ou vieram a ser empregados da autuada. Da análise dos contratos (fls. 609/1.183) observase cláusulas determinando que a cada trabalhador deveria ser atribuída função compatível com a sua remuneração e proibindo o desvio de função. Ou seja, cada trabalhador era contratado para exercer determinada função pessoalmente. Onerosidade Os segurados que executavam os serviços recebiam remuneração mensal pelos serviços prestados. Os serviços eram pagos com periodicidade mensal (10º dia útil do mês subsequente ao da prestação dos serviços), procedimento similar ou coincidente com o prazo de pagamento dos empregados da autuada. Não eventualidade As atividades desenvolvidas pelos segurados estão relacionadas com as atividades normais da autuada. As "empresas" foram contratadas para prestar serviços de gestão da atividade fim da autuada. O RPS, no art. 9º, § 4º estabelece que serviço prestado em caráter não eventual é aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Os contratos juntados ao processo comprovam que tais contratações referem se à mãodeobra de profissionais especializados nas áreas organizacionais e institucionais da contratante, os quais ocupam funções como as de diretor executivo, gerente de projeto, gerente de infraestrutura, analista de sistemas/negócios, técnico de suporte hardware/software, administrador de banco de dados, engenheiro de rede. O faturamento com periodicidade mensal corrobora a conclusão de que as atividades prestadas representam uma demanda contínua e permanente com relação direta a realização de seu objeto social e que, portanto, a prestação de serviços não tinha o caráter eventual. Subordinação A subordinação é jurídica e encontra seu fundamento no contrato de trabalho, significando uma limitação à autonomia do empregado, em decorrência de sua própria vontade ao se propor a prestar serviços sob o poder de direção de outrem. Fl. 1776DF CARF MF 12 Conforme relatado pela fiscalização e da análise dos contratos, vêse claramente que a direção dos serviços prestados era realizada pela autuada (contratante), que estabelecia os prazos e cronogramas, determinava os padrões de qualidade dos serviços, indicava servidor para acompanhar e supervisionar a execução dos serviços e avaliar a qualidade dos serviços prestados, controlava a frequência do pessoal que prestava serviço em suas dependências, fiscalizava e avaliava o desempenho dos profissionais. Vêse também que todos os contratos foram firmados em papel com o logotipo da Poliedro e que as cláusulas que integram os 32 contratos firmados são essencialmente as mesmas, levando à conclusão de que o sujeito passivo é quem estipulava unilateralmente o conteúdo contratual e denota a existência de um padrão contratual imposto pela contratante (Poliedro) aos contratados. Tais relações, na qual a vontade de uma parte é determinante caracterizam relações em que há subordinação e não uma contratação entre pessoas jurídicas autônomas. Da análise dos contratos observase, ainda, cláusulas que demonstram o controle da contratante, com previsão designação de representante para acompanhar a prestação dos serviços e aprovar os relatórios apresentados. O controle/mensuração da produção e produtividade por parte da contratante, o dever de obediência da contratada aos controles administrativos e cronogramas estipulados, submissão às orientações, acompanhamento, controle, avaliação, fiscalização e recomendações da contratante demonstram claramente a presença da subordinação. Acrescentese a isso outros elementos que constam em parte dos contratos, que reforçam a conclusão de que na realidade a prestação de serviços se deu entre pessoa jurídica (contribuinte) e pessoas físicas (sócios das pessoas jurídicas contratadas): parte das empresas prestadoras de serviços não tinham sede própria e seus endereços coincidem com endereços residenciais; muitas contratações ocorreram logo após a suposta quebra do vínculo empregatício entre a autuada e os sócios das prestadoras; nos contratos de prestação de serviço podese inferir que é imposta à maioria das empresas/sócios uma carga horária de prestação de serviços de 44 horas de trabalho semanais. Quanto aos pareceres citados no recurso, cumpre esclarecer que nos termos da Portaria RFB nº 10.875/07, artigo 36 (citado pela recorrente), somente os pareceres emitidos pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social MPS que foram aprovados pelo Ministro de Estado vinculam a fiscalização, bem como os julgadores da RFB, o que não é o caso. Os eventuais recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas contratadas não podem ser aproveitados pela autuada. Não há como abater do crédito tributário ora apurado, tributos porventura recolhidos por terceiros pessoas jurídicas contratadas. Acrescentese que, conforme informado no relatório fiscal (item 12.27), para o cálculo da contribuição dos segurados, como alguns trabalhadores, além de receberem salários na qualidade de segurados empregados, também recebiam remunerações complementares, não declaradas em GFIP, por intermédio de suas próprias empresas, a fiscalização considerou o limite máximo do salário de contribuição e lançou a diferença de contribuições no levantamento "L2 CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO CS". Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.772 13 Também não há que se falar que o arbitramento é nulo, pois foi realizado nos termos da Lei 8.212/91, art. 33, § 3º e § 6º: Art. 33 [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Conforme se verifica nos autos, está claro que a base de cálculo apurada corresponde com os valores das notas fiscais emitidas pelas "empresas" contratadas. Caberia à recorrente apresentar provas concretas que houve erro na apuração da base de cálculo e não somente alegações genéricas. Vêse que durante a ação fiscal, ou juntamente com a defesa, ou ainda com o recurso, nenhuma prova foi apresentada no sentido de demonstrar que a base de cálculo está equivocada, para que se promovesse qualquer retificação no lançamento. Sem razão a recorrente ao alegar que se aplica ao presente caso o disposto na Lei 11.196/05, art. 129. Tal lei não alterou a legislação previdenciária e, além disso, ela se refere a serviços que, de fato, sejam prestados por pessoa jurídica, o que não é o caso. Sobre a matéria, citese recente decisão da câmara superior, Acórdão 9202 004.640, de 25/11/16, conforme trecho do voto da relatora: Quanto a impossibilidade de formação de vínculo por força do disposto na lei 11.196/05, entendo que razão não assiste ao recorrente. A suposta incompatibilidade entre o § 2.º do art. 229 do RPS e o art. 129 da Lei n.º 11.196/2005 pode ser resolvida mediante interpretação sistemática das normas aplicáveis à espécie. Eis o dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dos termos legais acima, percebese que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço deva ser obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e Fl. 1778DF CARF MF 14 independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas do art. 9.º da CLT, in verbis: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca desvirtuar uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. Vejamos trecho do relatório fiscal: Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Um argumento que nos parece muito válido para chancelar a caracterização de segurado empregado nesses casos, diz respeito às considerações lançadas para vetar o parágrafo único do mencionado artigo, que fora assim redigido: Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. São ponderações, conforme veremos, que chamam atenção para a necessidade de se preservar a competência da fiscalização para lançar os tributos correspondentes, sempre que verificada a existência de trabalho prestado mediante relação de emprego desvirtuada pela mera pactuação entre empresas. Eis os termos lançados nas razões do veto do parágrafo único do art. 129 da Lei n. 11.196/2005: “Razões do veto O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade.” (grifamos) A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho corrobora o entendimento de que o artigo 129 da Lei 11.196/2005 não teve Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.773 15 o condão de legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, ficando a salvo a relação de emprego. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. VÍNCULO DE EMPREGO CONFIGURADO. PROFISSIONAL CONTRATADO MEDIANTE PEJOTIZAÇÃO(LEI Nº 11.196/2005, ART. 129). ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADOS. PREVALÊNCIA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. A relação empregatícia é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que incontroversa a prestação de serviços (Súmula 212, TST). A Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia, ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em consequência, possuem caráter manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas, além da fórmula apelidada de pejotização. Em qualquer desses casos além de outros , estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõese e deve ser cumprida. No caso da fórmula do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, somente prevalecerá se o profissional pejotizado tratarse de efetivo trabalhador autônomo ou eventual, não prevalecendo a figura jurídica como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando a Obreira cotidianamente no estabelecimento empresarial e em viagens a serviço, com todos os elementos fáticojurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2º, caput, e 3º, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. Notese que o TRT deixa claro, a propósito, a presença da subordinação jurídica em todas as suas três dimensões (uma só já bastaria, como se sabe), ou seja, a tradicional, a objetiva e a estrutural. 2. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. FÉRIAS EM DOBRO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. É devido o pagamento em dobro das férias vencidas, ainda que o vínculo de emprego somente tenha sido reconhecido em Juízo (exegese do art. 137 da CLT). Precedentes. Sendo assim, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 63935.2010.5.02.0083, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 19/06/2013, 3ª Turma, Data de Publicação: 21/06/2013)(grifamos) Há um outro precedente também do TST que não poderíamos deixar de citar, posto que vem bem nessa linha de entendimento de que a norma do art. 129 da Lei 11.196/05 não autoriza a Fl. 1780DF CARF MF 16 prestação de serviços com as típicas características da relação de emprego por meio da interposição de pessoas jurídicas. Vejamos: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1) NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 2) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. MULTA. 3) VERBAS RESCISÓRIAS. 4) RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. TRABALHO EMPREGATÍCIO DISSIMULADO EM PESSOA JURÍDICA. FENÔMENO DA PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7º, CF/88). MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. 1º, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1º, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. 170, caput e VIII; art. 193), da subordinação da propriedade à sua função social (art. 5º, XXIII) e da busca do bemestar e da justiça sociais (Preâmbulo; art. 3º, I, III e IV, ab initio; art. 170, caput; art. 193). Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socio econômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7º, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da República Brasileira. Sejam criativas ou toscas, tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação de emprego (caput dos artigos 2º e 3º da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária nº 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Por tais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida. Agravo de instrumento desprovido (AIRR 98161.2010.5.10.0006, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 29/10/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 31/10/2012)(destacamos) Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10166.728617/201115 Acórdão n.º 2401004.989 S2C4T1 Fl. 1.774 17 Assim, mesmo após a edição da Lei n.º 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.º do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária, uma vez que a norma citada não pode ser utilizada como escudo para proteger situações de clara afronta aos princípios dos Direitos Previdenciário e Trabalhista. Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições sociais previdenciárias e para outras entidades e fundos. Logo, também correta a lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68), por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Quanto à caracterização do dolo, fraude e simulação, ao contrário do que alega a impugnante, a fiscalização demonstrou que a prática empresarial realizada caracteriza se como fraude e simulação. Contudo, no presente caso, tal fato somente é relevante para justificar a representação fiscal para fins penais, pois não foi aplicada multa qualificada como alega a recorrente. Ao contrário, foi apurada a multa mais benéfica, nos termos do CTN, art. 106, II, 'c'. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 1782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002355/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11070.002355/2009-72
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753530
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.329
nome_arquivo_s : Decisao_11070002355200972.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 11070002355200972_5753530.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6877962
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467062583296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 504 1 503 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.002355/200972 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.329 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 55 /2 00 9- 72 Fl. 504DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.980, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402004.329 S3C4T2 Fl. 505 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido omissão no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Assim, a glosa dos créditos do PIS nãocumulativo do processo sob exame se deu, basicamente por três motivos: 1 A utilização indevida das alíquotas da nãocumulatividade, quando a legislação determina a utilização das alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a COFINS, respectivamente; 2 Os créditos foram calculados sobre bens adquiridos para revenda, bens e serviços utilizados como insumo, crédito presumido e estoque de abertura, e não sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; e 3 Foram incluídas as receitas de atos cooperados no cálculo dos créditos. Contudo, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, foi possível constatar que a ilustre relatora não tratou de nenhuma dessas questões em seu voto. Vejamos: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a omissão do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS nãocumulativo pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, na seguinte forma: 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 506DF CARF MF 4 (...) Compulsando a decisão embargadA, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos admitidos pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402004.329 S3C4T2 Fl. 506 5 (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Fl. 508DF CARF MF 6 Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402004.329 S3C4T2 Fl. 507 7 I) no caso do Regime NãoCumulativo: a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio Fl. 510DF CARF MF 8 proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§ 8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 I) no caso do Regime NãoCumulativo > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402004.329 S3C4T2 Fl. 508 9 Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme assentado na jurisprudência, a omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Assim, entendo que não restou caracterizada a omissão apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904840/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.955
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10530.904840/2011-70
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756565
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.955
nome_arquivo_s : Decisao_10530904840201170.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10530904840201170_5756565.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6884738
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467090894848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.904840/201170 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.955 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto RESTITUIÇÃO Recorrente RODOBENS CAMINHÕES BAHIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 84 0/ 20 11 -7 0 Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10530.904840/201170 Resolução nº 3201000.955 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10530.904840/201170 Resolução nº 3201000.955 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10530.904840/201170 Resolução nº 3201000.955 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10530.904840/201170 Resolução nº 3201000.955 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723057/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE ALÇADA.
Nos termos da Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.".
REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E NÃO INCLUSAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER DE REEMBOLSO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PATRIMONIAL
Identificado nos registros contábeis, valores pagos a segurados empregados, não inclusos nas folhas de pagamento, e sem comprovação de que se tratavam de reembolso, sobre eles incide contribuição previdenciária.
MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXISTÊNCIA DE LUCROS. DESCONSIDERAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE ABERTURA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ-LABORE.
A empresa optante pela tributação com base no lucro presumido que muda para o regime do lucro real deve demonstrar a efetiva existência dos lucros apurados e distribuídos.
A ausência da comprovação da efetiva existência das reservas de lucros escrituradas no Balanço Patrimonial de Abertura, enseja a sua desconsideração deste, e a caracterização dos lucros distribuídos como pró-labore.
SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ-LABORE.
A prestação de serviços de consultoria, por empresa de sócios da autuada e seus parentes de primeiro grau, exige a comprovação da efetiva prestação deles pela pessoa jurídica, e se induvidosa a realização dos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram percebidos a título de pró-labore.
SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE EX-DIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO.
Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, os pagamentos realizados a ela devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, sobre a qual há incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos.
PAGAMENTO SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO CABIMENTO
Não existe previsão legal para lançamento fiscal de contribuições previdenciárias que tem por motivação o pagamento sem causa.
MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE.
Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação e simulação, e o contribuinte não apresenta livros e documentos de suporte a sua escrituração contábil.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I e 135, III, DO CTN. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO
Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois é solidária a pessoa que realiza em conjunto com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que tenha relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação.
Cabe a responsabilização solidária de sócio-administrador nos termos do art. 135, III do CTN, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei.
Verificada a confusão patrimonial entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal.
Numero da decisão: 2202-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica" e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, em um total de R$ 417.091,28, conforme tabela que consta da conclusão do voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE ALÇADA. Nos termos da Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.". REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E NÃO INCLUSAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER DE REEMBOLSO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PATRIMONIAL Identificado nos registros contábeis, valores pagos a segurados empregados, não inclusos nas folhas de pagamento, e sem comprovação de que se tratavam de reembolso, sobre eles incide contribuição previdenciária. MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXISTÊNCIA DE LUCROS. DESCONSIDERAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE ABERTURA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ-LABORE. A empresa optante pela tributação com base no lucro presumido que muda para o regime do lucro real deve demonstrar a efetiva existência dos lucros apurados e distribuídos. A ausência da comprovação da efetiva existência das reservas de lucros escrituradas no Balanço Patrimonial de Abertura, enseja a sua desconsideração deste, e a caracterização dos lucros distribuídos como pró-labore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ-LABORE. A prestação de serviços de consultoria, por empresa de sócios da autuada e seus parentes de primeiro grau, exige a comprovação da efetiva prestação deles pela pessoa jurídica, e se induvidosa a realização dos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram percebidos a título de pró-labore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE EX-DIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, os pagamentos realizados a ela devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, sobre a qual há incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos. PAGAMENTO SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO CABIMENTO Não existe previsão legal para lançamento fiscal de contribuições previdenciárias que tem por motivação o pagamento sem causa. MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação e simulação, e o contribuinte não apresenta livros e documentos de suporte a sua escrituração contábil. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I e 135, III, DO CTN. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois é solidária a pessoa que realiza em conjunto com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que tenha relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Cabe a responsabilização solidária de sócio-administrador nos termos do art. 135, III do CTN, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Verificada a confusão patrimonial entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.723057/2013-31
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5785386
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.131
nome_arquivo_s : Decisao_19515723057201331.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 19515723057201331_5785386.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica" e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, em um total de R$ 417.091,28, conforme tabela que consta da conclusão do voto. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6973240
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467109769216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 8.914 1 8.913 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.723057/201331 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202004.131 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Recorrentes VIP INDUSTRIA E COMERCIO DE CAIXAS E PAPELAO ONDULADO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE ALÇADA. Nos termos da Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.". REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E NÃO INCLUSAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER DE REEMBOLSO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PATRIMONIAL Identificado nos registros contábeis, valores pagos a segurados empregados, não inclusos nas folhas de pagamento, e sem comprovação de que se tratavam de reembolso, sobre eles incide contribuição previdenciária. MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXISTÊNCIA DE LUCROS. DESCONSIDERAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE ABERTURA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓLABORE. A empresa optante pela tributação com base no lucro presumido que muda para o regime do lucro real deve demonstrar a efetiva existência dos lucros apurados e distribuídos. A ausência da comprovação da efetiva existência das reservas de lucros escrituradas no Balanço Patrimonial de Abertura, enseja a sua desconsideração deste, e a caracterização dos lucros distribuídos como pró labore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 57 /2 01 3- 31 Fl. 8914DF CARF MF 2 PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ LABORE. A prestação de serviços de consultoria, por empresa de sócios da autuada e seus parentes de primeiro grau, exige a comprovação da efetiva prestação deles pela pessoa jurídica, e se induvidosa a realização dos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram percebidos a título de pró labore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE EX DIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, os pagamentos realizados a ela devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, sobre a qual há incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos. PAGAMENTO SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO CABIMENTO Não existe previsão legal para lançamento fiscal de contribuições previdenciárias que tem por motivação o pagamento sem causa. MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação e simulação, e o contribuinte não apresenta livros e documentos de suporte a sua escrituração contábil. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I e 135, III, DO CTN. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois é solidária a pessoa que realiza em conjunto com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que tenha relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Cabe a responsabilização solidária de sócioadministrador nos termos do art. 135, III do CTN, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Verificada a confusão patrimonial entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica" e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, em um total de R$ 417.091,28, conforme tabela que consta da conclusão do voto. Fl. 8915DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.915 3 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício interpostos contra o acórdão nº 1669.283, proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário, e integralmente a imputação de responsabilidade tributária. No procedimento fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração: · Debcad nº 51.056.2124: contribuições devidas à Previdência Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, no montante de R$ 6.919.971,41 (seis milhões novecentos e dezenove mil novecentos e setenta e um reais e quarenta e um centavos), que abrange os seguintes levantamentos: FP REMUNERAÇÃO DE ADMIN E FUNC, SC PAGTO SEM CAUSA, TA PAGTO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. · Debcad nº 51.056.2132: contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros), abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, no montante de R$ 1.561.509,72 (um milhão quinhentos e sessenta e um mil quinhentos e nove reais e setenta e dois centavos), que abrange o seguinte levantamento: FP REMUNERAÇÃO DE ADMIN E FUNC. As infrações foram apuradas nas seguintes contas contábeis: Conta contábil Descrição Fl. 8916DF CARF MF 4 3.30.10.10.01 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS Despesa operacional no valor de R$ 141,70, relativo ao conserto de veículo BMW DFC 0108, utilizado pelo sócio Francisco Esteves de Araújo, sem incluir tal remuneração indireta no cômputo do prólabore, com a aplicação da multa qualificada. 3.30.10.30.05 TELEFONE Pagamentos no importe de R$ 34.840,74, referentes a contas de celulares dos sócios administradores e seus parentes de 1º grau e/ou gerentes. Tais valores foram adicionados , aplicandose a multa qualificada. Diversos pagamentos, totalizando R$ 2.166,00, relativos a despesas com contas de celular de terceiros (Antônio Sérgio Bortolin) pagas pelo contribuinte, em relação às quais não foi identificada a causa do pagamento. 3.30.10.40.11 VIAGENS E ESTADIAS Pagamento de diversas despesas registradas nesta conta contábil (IPTU, boletos, DARF, cartões de crédito etc), e depósitos bancários aos sócios administradores e seus parentes em 1º grau e/ou gerentes e assessores. Pagamento de remuneração indireta de alguns filhos dos sócios, que exerciam funções de gerência. Pagamento de diversas despesas da empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME, cujo proprietário é o sócio Valdir Soares de Mello e seus parentes (cônjuge: Rosemari Marquetti de Mello; filha: Paula Renata Marquetti de Mello; filho: Felipe Alberto Marquetti de Mello; e filha: Carla Roberta Marquetti de Mello). Depósitos bancários efetuados em nome de empregados da empresa, no importe total de R$ 117.949,80, não registrados nas folhas de pagamento. 3.30.10.40.19 MANUTENÇÕES DIVERSAS Pagamento de boletos e depósitos bancários que, de fato, referiamse a remunerações indiretas de administradores, diretores, gerentes e seus assessores (contribuintes individuais), não registradas em folhas de pagamento, que totalizaram R$ 13.604,28. Depósito bancário de R$ 80,00, em nome de um empregado (Cláudio Vinite Lucca), que não foi incluído na folha de pagamento. 3.30.10.50.01 ADMINISTRAÇÃO Despesas de administração dos sócios administradores e seus parentes em 1º grau e/ou gerentes e assessores, não registrada nas competentes folhas de pagamento, no valor de R$ 12.347,78. Depósito bancário em nome de um empregado identificado (Maiku Kozonoi), no importe de RS 151,90 (cento e cinquenta e um Reais e noventa centavos), não foi incluído em folha de pagamento. 3.30.10.50.06 CONSULTORIA Pagamentos à empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME, de propriedade do sócio Valdir Soares de Mello e de seus parentes de 1º grau, não justificados, pois, não foram apresentados documentos, contratos, relatórios de horas gastas e/ou materiais utilizados, hábeis a comprovar a efetiva prestação dos serviço constantes nas notas fiscais apresentadas, no valor de R$ 318.232.19. Pagamentos à empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda. — ME, cujas notas fiscais apresentadas referiamse à "consultoria empresarial no mês". A autuada, intimada, não apresentou outros documentos que embasassem os pagamentos. As notas fiscais emitidas tinham numeração sequencial, de mesmo valor (exceto no mês de outubro, quando houve o acréscimo do montante exato de 1/3 férias, e nos meses de novembro e dezembro, quando há o 13º salário), e passaram a ser emitidas no mesmo mês em que o diretor industrial Waldir Gulineli Paladino, sócio da empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda. — ME, foi supostamente demitido. O montante total dessas remunerações foi de R$ 345.928,08, já incluídos os valores dos respectivos DARF de retenção IRFONTE (código de receita 1708) e das Contribuições Sociais (código de receita 5952). 3.30.10.50.10 ASSISTÊNCIA TÉCNICA Pagamentos a José Antônio Batista, no montante de R$ 414.925,28, em relação aos quais a autuada não logrou comprovar a causa do pagamento. 3.30.10.50.12 CARRETOS Pagamento a transportadores autônomos (contribuinte individuais), sem as respectivas retenções. O lançamento de ofício da contribuição previdenciária patronal foi efetuado considerando a base de cálculo como 20% do valor pago de R$ 43.214,00, nos termos do art. 201, §4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS (Decreto n°. 3.048, de 1999), com redação dada pelo art. 1° do Decreto n°. 4.032, de 2011. Depósito bancário ao sócio José Domingos Ferreira, no valor de R$ 10.000,00. 3.30.10.30.01 FRETES Pagamento a transportadores autônomos (contribuinte individuais), sem as respectivas retenções. O lançamento de ofício da contribuição previdenciária patronal foi efetuado considerando a base de cálculo como 20% do valor pago de R$ 5.530.493,50, nos termos do art. 201, §4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS (Decreto n°. Fl. 8917DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.916 5 3.048, de 1999), com redação dada pelo art. 1° do Decreto n°. 4.032, de 2011. Depósito bancário ao empregado Cláudio Vinite Lucca, no valor de R$ 724,29, não incluído em folha de pagamento. 3.30.20.10.01 COMISSÕES DE VENDAS Pagamentos de manutenções referentes a boletos e depósitos bancários em benefício dos administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes e assessores, no valor de R$ 2.743.774,00. Depósitos bancários a empregados, no valor de R$ 3.168.738,00, não incluídos em folha de pagamento. 3.30.10.50.05JURÍDICO Depósito bancário ao sócio José Domingos Ferreira,no valor de RS 10.000,00. 2.30.60.10.03 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Em análise a essa conta contábil, para verificação da efetiva apuração dos lucros distribuídos, a fiscalização constatou, por meio de uma revisão das DIPJ desde o ano calendário de 1998, que a empresa sempre recolheu o imposto sobre a renda com base na sistemática do lucro presumido e distribuiu lucros isentos aos seus sócios administradores no limite total da isenção (valor do lucro presumido, subtraído dos impostos incidentes sobre o faturamento PIS/COFINS e o lucro IRPJ/CSLL). Intimada a apresentar documentação hábil e idônea, para embasar os saldos iniciais registrados no balanço de abertura do anocalendário de 2009, especialmente na conta contábil 2.30.40.10 Reserva de Lucros, a empresa não comprovou a existência de saldo de lucros a distribuir no curso do anocalendário de 2009. O total debitado nesta conta foi de RS 10.109.510,13, do qual, o montante de R$ 1.292.646,84 referese a pagamentos de diversas contas (IPTU, boletos, cartões de crédito etc), e depósitos bancários realizados em benefício dos sócios administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes. Pagamento ao Escritório Vitória Serviços Contábeis S/C Ltda, no valor de importância de R$ 7.500,00, sem a justificativa da causa de tal pagamento. A multa foi agravada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), para os levantamentos FP REMUNERAÇÃO DE ADMIN E FUNC, SC PAGTO SEM CAUSA, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em complementação ao relatório, pela riqueza de detalhes, reproduzo partes do relatório do acórdão recorrido: A fiscalização ressalta, por fim, que teria restado evidenciado o intuito de fraude / sonegação, vez que os administradores (Valdir Soares de Mello, Francisco Esteves de Araújo e José Domingos Ferreira) utilizaram diversos expedientes para retirar valores da empresa sem incluílos nos prólabore, como acima demonstrado. Tal proceder evidenciaria o intuito de fraude e sonegação, destacandose que esta prática restou implementada com o pagamento de despesas dos sócios e seus parentes de 1º grau, com depósitos nas contascorrentes dos mesmos, com a criação de irreais reservas de lucros e com a suposta contratação de serviços incomprovados. Ademais, também evidenciaria o intuito fraudulento a efetivação de diversos pagamentos a funcionários (alguns deles filhos dos sócios da empresa) sem incluílos nas folhas de pagamento, o registro de despesas pessoais dos sócios como se fossem despesas da empresa e os pagamentos dissimulados de salário do diretor Waldir Gulineli Paladino, travestidos como se fossem pagamentos relativos a serviços prestados pela empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda. — ME. Destarte, em decorrência da demonstração das fraudes perpetradas pelos administradores da autuada (Valdir Soares de Fl. 8918DF CARF MF 6 Mello, Francisco Esteves de Araújo e José Domingos Ferreira), a fiscalização lavrou o competente Termo de Responsabilidade Tributária com fulcro nas normas ventiladas nos arts. 124, inciso 1 e 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional CTN (fls. 4.146 / 4.153). IMPUGNAÇÕES Em 6 de fevereiro de 2014, a autuada acostou aos autos petição indicando que o CD entregue pela fiscalização, validado pelo SVA, não conteria os dados que deveriam ser gravados no mesmo (fls. 4.158 / 4.159). Na mesma data, a fiscalização, atendendo à solicitação mencionada no parágrafo anterior, entregou novas mídias eletrônicas ao contribuinte, nas quais constariam as planilhas mencionadas no Termo de Constatação Fiscal (fls. 4.161). Em 20 de fevereiro de 2014, o sócio Valdir Soares de Mello apresentou sua impugnação à autuação (fls. 4.165 / 4.247), requerendo (i) a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, (ii) a improcedência da lavratura e/ou (iii) a exclusão da responsabilidade tributária atribuída ao impugnante, e aduzindo, em breve síntese, que: * o exercício do direito de defesa teria sido cerceado, pois nenhum dos autos de infração lavrado estaria disponíveis eletronicamente (eCAC), conforme se depreenderia de documentação juntada ao Anexo V. Com isto, a autuada, bem como seus sócios, apenas teriam o auto de infração e as planilhas de cálculo, entregue posteriormente pela fiscalização em decorrência de petição expressa da autuada. Além disso, em decorrência da total falta de informações, o próprio número do processo teve que ser obtido pelo Sistema COMPROT; * a fiscalização não teria explicado, em momento algum, de forma pormenorizada, o raciocínio desenvolvido. Como exemplo, o impugnante cita a conta "Assistência Técnica", que, caso a despesa fosse aceita, teríamos as seguintes conseqüências: (i) dedução para o IRPJ/CSLL, (ii) crédito de PIS/COF1NS, (iii) não integração à base de cálculo do INSS e (iv) descabimento da multa de IRRF. A fiscalização, ao desconsiderar diversas despesas registradas nesta conta contábil, deveria ter desenvolvido detidamente seu raciocínio e, como foram lavrados três autos de infração distintos, é possível cogitarse do prejuízo ao contribuinte pelo julgamento por pessoas diversas, com potencial conflito de decisões; * a estrutura e o conteúdo do Termo de Constatação Fiscal dificultariam a compreensão da autuação, pois em nenhum momento a fiscalização teria explicado como chegou nos números mencionados em cada conta contábil e sequer explicitado o reflexo da autuação de um tributo em outro. Destacase que a falta de clareza teriam obrigado o contribuinte a contratar uma empresa para fazer a chamada "conta inversa" e, com isso, reapurar números apontados pela fiscalização; * ilustrandose as dificuldades mencionadas acima, o impugnante cita a conta Telefone 3.30.10.30.05, na qual a Fl. 8919DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.917 7 fiscalização mencionara "Já, o total de R$ 2.166,00 referese a despesas com conta de celular de terceiro, que foi identificado, pagas pelo contribuinte, mas que não foi justificada a causa de seu pagamento. Isso ensejará lançamentode oficio de Contribuições Previdenciárias relativas à cota Patronal". Tal descrição da infração inviabilizaria a defesa de tal valor, pois sequer se saberia o nome do funcionário para alegar qual a sua função na empresa e que, portanto, necessitaria do telefone para exercêla; * a mesma situação ocorreria na conta "Custo dos Produtos Vendidos — 3.30.10.10.01", em relação à qual se menciona que "o total de RS 117.949,80 referese a depósitos bancários em nome de empregados, que foram identificados, e que deveriam ter sido incluídos nas folhas de pagamento". Ao não descrever quais seriam estes empregados, a impugnante não teria como se defender da acusação. Ademais, não se conheceria a composição do valor de R$ 117.949,80; * destarte, seria fácil perceber que a motivação, ou seja, a demonstração por escrito dos pressupostos autorizadores do ato administrativo só fazem caracterizar a falta de clareza do auto de infração e sua conseqüente iliquidez. Logo, por existir evidente vício de motivação, haveria absoluta precariedade da acusação fiscal, razão pela qual o auto de infração deveria ser declarado nulo; * em decorrência da autuação fundarse na escrituração contábil da empresa, bem como em diversos documentos entregues à fiscalização, não restaria dúvida de que a fiscalização deveria compor e demonstrar pormenorizadamente as razões da autuação. Contudo, no caso vertente, isto não teria ocorrido, acarretando o dever da impugnante produzir provas sobre fato negativo, o que é rechaçado inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no Ag 1.022.208/GO). Ademais, o descabimento da autuação seria evidente, pois, adotandose os lançamentos confeccionados, chegase a um lucro equivalente a 60% (sessenta por cento) do faturamento da autuada; * a fiscalização teria sido empreendida por AuditorFiscal lotado na cidade de São Paulo, que em nenhum momento teria comparecido às instalações fabris da autuada, situadas em Vinhedo. Assim, este estranho e descabido procedimento tomado pelo Agente Fiscal teria gerado, como conseqüência direta do desconhecimento do aludido processo produtivo, a glosa de praticamente todas as despesas. Citase, como exemplo, o frete, que fora glosado em sua totalidade, o que ocasionou reflexo direto na presente autuação. Ao não aceitar as despesas de frete, a fiscalização teria desconsiderado uma verdade absoluta: a autuada precisa transportar suas mercadorias; * o Agente Fiscal subscritor do presente auto de infração não detinha competência para executar fiscalizações além dos limites da cidade de São Paulo, vez que lotado na DEFIS/SPO e não expressamente autorizado a empreender fiscalizações fora do Fl. 8920DF CARF MF 8 limite territorial de sua delegacia, vez que ausente dos autos qualquer menção à autorização expressa veiculada no art. 6o, §5°, da Portaria RFB n°. 3.014, de 29 de junho de 2011; * o lançamento relativo ao mês de janeiro de 2009 encontrarse ia fulminado pela decadência, vez que regido pela norma veiculada no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional; * no tocante aos valores distribuídos como lucro, inexistiria nos autos qualquer prova de que o valor de RS 1.292.972,29 (um milhão, duzentos mil, novecentos e setenta e dois Reais e vinte e nove centavos) referirseia a prólabore. Não haveria sequer justificativas plausíveis para o enquadramento de tais valores como prólabore, sendo importante relembrarse que a própria fiscalização, na autuação relativa ao IRRF, reconhece o registro regular, nas folhas de pagamento, de prólabore aos sócios da empresa. Assim, não haveria razão para considerar os valores pagos a título de distribuição de lucros, devidamente contabilizados, como pagamento de prólabore; * ainda em relação aos valores distribuídos como lucro, cuja fiscalização entendeu que materializavam verdadeiros pagamentos de prólabore, o impugnante aduz que haveria perfeita discriminação contábil entre os prólabores e a distribuição de lucros. Ademais, a fiscalização não teria evidenciado quais seriam as irregularidades determinantes para se considerarem insatisfatórios os esclarecimentos prestados em relação aos saldos iniciais das contas 1.10.40.10 Estoque de MatériasPrimas, 1.20.70.10 Bens em Operação, 1.20.70.20 Depreciação Acumulada, 2.20.60.10 Provisão para Contingências, 2.30.10.10 Capital Social e 2.30.40.10 — Reservas de Lucros, o que teria cerceado o direito de defesa do contribuinte; * a fiscalização, ao considerar os valores dos lucros distribuídos como pagamento de prólabore, acabou por fazer incidir o Risco de Acidente do Trabalho RAT e as Contribuições para o Terceiro Setor. Isto ocorreu em decorrência dos pagamentos de remunerações de administradores e funcionários estarem somados na mesma rubrica, impossibilitando a discriminação do que o Fisco considera remuneração dos sócios e dos empregados, cerceando o exercício do direito de defesa; * muitos dos profissionais considerados pela fiscalização como transportadores autônomos são, na verdade, donos de pessoas jurídicas e que assinaram o recibo em nome próprio, como representantes de suas empresas que são. Para comprovar esta alegação, o impugnante anexa documentos no Anexo X; * no tocante ao item "assistência técnica", a asserção de que foram efetuados pagamentos a terceiros sem causa não merece prosperar, pois o beneficiário de tais pagamentos seria o sr. José Antônio Batista, sócio da empresa Art Brasil Composição e Assistência Técnica em Clichês e Matrizes Ltda ME. Logo, o pagamento teria sido efetuado a pessoa jurídica, não ensejando o lançamento de qualquer contribuição previdenciária; * em relação aos gastos com "Telefone / Viagens e Estadias", a fiscalização limitouse a mencionar que os dispêndios são Fl. 8921DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.918 9 efetivados por colaboradores. Contudo, em momento algum teria sido realizada a comprovação de que estes gastos não seriam necessários, destacandose que tais pagamentos não foram direcionados a terceiros estranhos à empresa. Logo, inexistindo prova de que tais dispêndios foram pagos em retribuição aos serviços prestados pelos empregados, não haveria como se manter o lançamento; * seria descabida a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios da autuada, inclusivo do sr. Valdir Soares de Mello, vez que incomprovada a ocorrência de excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Frisase, neste ponto, que nenhum dos valores apurados teve como ponto de partida a presunção e, por conseqüência, o arbitramento, mesmo se considerada a asserção da fiscalização de que a empresa não teria apresentado os documentos cabíveis. Na realidade, a autuação resta calcada na própria escrituração contábil da empresa, o que demonstraria a ausência de intuito fraudulento; * a fiscalização pautouse em despesas devidamente contabilizadas pela empresa e não em sua receita, o que seria bastante para afastar a asserção de que os sócios da autuada teriam agido fraudulentamente, uma vez que a fraude e a simulação seriam institutos que se caracterizariam na omissão de receita; * o Agente Fiscal acreditara que os sócios da autuada teriam cometido fraude, simulação e sonegação por terem contabilizado determinados valores como lucro, ao passo que os mesmos deveriam ter sido contabilizados como prólabore, e sobre esta convicção impôs a responsabilidade tributária aos sócios. Contudo, sobre o tema retirada dos sócios, valeira mencionar que a lei não faria distinção ou mesmo limitaria o valor da retirada dos sócios de uma empresa e sequer fixaria períodos para esta retirada, possibilitando ao sócio que a retirada de recurso financeiros da empresa seja feita como distribuição de lucros ou prólabore. A única exigência legal seria a adequada contabilização; * no tocante ao pagamento de despesas pessoais dos sócios aos seus filhos (funcionários da empresa), destacase que tais dispêndios teriam sido alocados pelo Agente Fiscal como pró labore. Ou seja, seriam valores contabilizados, que deveriam ter sido alocados no campo prólabore para sofrerem a incidência de IRRF e contribuições previdenciárias e não distribuídos como lucro. Logo, tratarseiam de valores contabilizados, o que novamente afastaria qualquer ilação acerca do cometimento de fraude, vez que o máximo passível de conclusão seria a inadequação das contas contábeis nas quais os lançamentos teriam sido registrados; * do mesmo modo, não haveria que se falar em simulação com a criação de valores na conta Reserva de Lucro, pois justamente Fl. 8922DF CARF MF 10 por não retirar prólabore é que a conta Reserva de Lucro acabou tomando vulto; * a multa de ofício qualificada não seria cabível ao caso vertente, pois não teria sido demonstrada a intenção da empresa em sonegar ou fraudar o Fisco. Ademais, a aplicação de penalidade em patamar tão elevado (150% cento e cinqüenta por cento) certamente feriria os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, revelando nítido caráter confiscatório. Em 20 de fevereiro de 2014, os sócios José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo apresentaram suas impugnações à autuação (fls. 4.549 / 4.635 e 4.939 / 4.982), requerendo (i) a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, (ii) a improcedência da lavratura e/ou (iii) a exclusão da responsabilidade tributária atribuída ao impugnante, e aduzindo, em breve síntese, que: * Seria descabida a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo, vez que ambos não dispunham de poderes de gestão e sequer detinham a maioria do capital social da empresa (eram sócios minoritários). Destacase, neste sentido, que a fiscalização não teria empreendido a real apuração da conduta culposa ou dolosa por parte dos sócios na prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto social, que seria a única possibilidade a ensejar a responsabilidade solidária ao sócio administrador ou representante legal; * Em relação à inexistência de fraude ou simulação, bem como no tocante ao aventado cerceamento do direito de defesa e aos suscitados equívocos na autuação, os sócios José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo repisam os argumentos expendidos na impugnação apresentada pelo sócio administrador Valdir Soares de Mello. Ainda em 20 de fevereiro de 2014, a autuada (VIP Indústria e Comércio de Caixas de Papelão Ondulado Ltda.) apresentou sua impugnação (fls. 5.135 / 5.177), requerendo (i) a nulidade da autuação, (ii) a exclusão da responsabilidade tributária atribuídas aos seus três sócios e a improcedência da autuação. As razões de defesa acostadas à impugnação em foco repisam os argumentos já trazidos nas impugnações apresentadas pelos sócios da autuada. MEDIDA CAUTELAR FISCAL_ Às fls. 5.336, consta dos autos manifestação elaborada pelo dr. Eduardo Rodrigues da Costa Procurador da Fazenda Nacional, na qual se noticia a concessão de medida liminar na Medida Cautelar Fiscal nº. 003972212.2014.403.6182, devidamente confirmada no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 5.339). REABERTURA DO PRAZO DE DEFESA E APRESENTAÇÃO DE NOVAS IMPUGNAÇÕES Em decorrência da alegação dos impugnantes de que "a Empresa Autuada tem em mãos somente o Auto de Infração Fl. 8923DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.919 11 encaminhado pelo Sr. Auditor Fiscal à Empresa e aos seus sócios. Até mesmo o CD encaminhado junto com o AIIM e que contém planilhas de cálculo e de documentos não tinha conteúdo algum, estava vazio. Isso é facilmente demonstrado pela petição protocolizada no dia 06 de fevereiro de 2014, aos cuidados do Sr. Fiscal, informando acerca da falta de conteúdo do respectivo CD, sendo que somente nesta data a Empresa Autuada e o Impugnante tiveram acesso a referidas informações constantes no CD, conforme documentação de validação. (Anexo VI)", a presidente substituta da 14a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo determinou a reabertura do prazo para a apresentação de defesa (fls. 5.341 / 5.343). Todos os impugnantes foram regularmente citados pela DERAT/SP, a autuada e os sócios Valdir Soares de Mello e José Domingos Ferreira e Francisco em 27 de outubro de 2014 (fls. 5.351 / 5.353) e o sócio Francisco Esteves de Araújo em 28 de outubro de 2014 (fls. 5.354). Em 7 de novembro de 2014, a empresa VIP Indústria e Comércio de Caixas de Papelão Ondulado Ltda. apresentou nova impugnação, por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (correção do valor dos seus bens no "Termo de Arrolamento", com a conseqüente desoneração dos bens dos sócios) e acrescentou, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 5.356 / 5.435): * o cerceamento do direito de defesa, reconhecido no despacho que determinou a reabertura do prazo de impugnação, permaneceu até 30 de outubro de 2014, vez que somente nesta data o impugnante conseguiu ter acesso ao inteiro teor dos autos; * a autuação seria viciada, pois a fiscalização não teria demonstrado a composição dos valores autuados e a planilha elaborada não traria todas as informações necessárias à caracterização da infração, em especial no que pertine às Contribuições do Terceiro Setor e do SAT/RAT; * não haveria qualquer menção ao procedimento utilizado. Muitas vezes a fiscalização teria se limitado a mencionar que um determinado montante é pertinente a depósito de terceiro, mas a causa não foi identificada, o que ensejaria a incidência da cota patronal de contribuição previdenciária. Citase, como exemplo, a apuração realizada na conta 3.30.10.50.01 Administração; * a fiscalização não teria explicado adequadamente o raciocínio utilizado nos itens "2.2 DAS INFRAÇÕES POR CONTAS CONTÁBEIS" e "2.3 DOS VALORES CONSOLIDADOS POR INFRAÇÃO", ou mesmo a razão de tal divisão, já que se pode notar facilmente que se tratam das mesmas contas contábeis, isso sem contar que também não foi explicado o reflexo da autuação de um tributo em outro; * a ausência de explicação do procedimento fiscalizatório é demonstrada pela própria asserção da fiscalização de que o único documento utilizado para a lavratura dos autos de infração foi o Razão Contábil. Isso seria inadmissível, pois a Fl. 8924DF CARF MF 12 fiscalização, apesar de ter emitido mais de 30 (trinta) termos de intimação e colhido inúmeros documentos, não demonstrou como tais elementos de prova foram utilizados, simplesmente mencionando que se utilizou apenas de arquivos magnéticos; * ao serem analisados os três autos de infração lavrados na ação fiscal, perceberseia a repetição de valores idênticos ou aproximados, o que faria crer que a fiscalização reconheceu a repercussão dos lançamentos entre si. Destacase que a falta de certeza em relação ao afirmado já demonstraria a precariedade da autuação; * a fiscalização não teria indicado, no "Termo de Constatação e Verificação Fiscal", o motivo da incidência de SAT/RAT, bem como das Contribuições do Terceiro Setor. Todas as contas contábeis somente fazem menção à incidência de "Contribuições Previdenciárias relativas à Cota Patronal". Do mesmo modo, não haveria qualquer justificativa para a alíquota do SAT/Rat ter sido dimensionada no patamar de 3% (três por cento) em todos os meses; * ademais, se uma planilha fundamental à caracterização das infrações é entregue ao contribuinte de forma incompleta, o próprio fato gerador da obrigação tributária não restaria caracterizado, estando ausente, ainda, a motivação destes dois AI, o que, sem sombra de dúvida, além de gerar sua nulidade, também ocasionaria o cerceamento do direito de defesa; * a fiscalização teria extrapolado os limites determinados pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, pois (i) teria obtido informações de bens de terceiros (veículos de filhos dos sócios e que também são funcionários da empresa) e (ii) teria analisado, para fins de análise da distribuição dos lucros isentos aos sócios, DIPJ relativas a período não acobertado pelo MPF; * a autuação estaria maculada por vício material, em decorrência da autoridade fiscal não ter demonstrado de forma clara e precisa os fatos / motivos que levaram à confecção da autuação. Destacase que o autuado somente teve conhecimento integral da autuação em 30 de outubro de 2014, em decorrência de diligência determinada pela DRJ, o que demonstraria o evidente vício material da autuação; * em decorrência da ciência completa da autuação somente ter ocorrido em 30 de outubro de 2014, o lançamento estaria fulminado pela decadência; * no tocante ao lançamento relativo aos valores pagos a título "diárias para viagens e estadias", a fiscalização teria desconsiderado que tais importâncias somente integram o saláriodecontribuição quando excedentes a cinqüenta por cento da remuneração mensal do beneficiário. No caso vertente, a autuada demonstraria que os valores pagos a título de diárias para viagem e estadias totalizaram RS 239.859,07 (duzentos e trinta e nove mil, oitocentos e cinqüenta e nove Reais e sete centavos) e, individualmente, não teriam superado o montante do valor pago a título de remuneração, conforme comprovariam as cópias das folhas de pagamento anexadas; Fl. 8925DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.920 13 * já em relação ao valores registrados a título de "ajuda de custo", a fiscalização desconsiderou que os pagamentos visariam ressarcir o trabalhador dos gastos efetuados para o bom desempenho de seu trabalho, ou seja, não seria suficiente a nomenclatura para a delimitação da tributação. Destacase que o mesmo ocorreu com os lançamentos registrados nas contas "telefone", "manutenções diversas", "administração" e "frete"; * a distribuição de lucros ao (sic) sócios, caracterizada pela fiscalização como pagamento de prólabore, referirseia a valores contabilizados, inexistindo qualquer comprovação nos autos de que tais valores seriam decorrentes de serviços prestados pelos sócios, ou seja, prólabore. Frisase que a empresa pode livremente definir a qual título distribui os resultados aos sócios, seja como distribuição de distribuição de lucros, seja como prólabore, desde que não esteja em débito com a União; * no tocante à conta de consultoria, é possível concluirse que o lançamento foi realizado em decorrência da fiscalização entender insuficiente a apresentação das notas fiscais relativas à prestação de tais serviços. Esta postura da fiscalização seria inadequada, pois as notas fiscais são documento idôneos e suficientes para comprovar a prestação de serviços, especialmente em relações comerciais realizadas entre empresas desvinculadas; * em relação aos pagamentos efetuado (sic) em benefício da empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda., a fiscalização considerou que tais dispêndios mascaravam o pagamento de prólabore ao sócio administrador. Sobre tal assunto, instaria esclarecer que não há nada na legislação brasileira que proíba uma pessoa de ser sócia de diversas empresas ao mesmo tempo e sequer qualquer vedação de que tais empresas prestem serviços entre si. Ademais, não constaria dos autos nenhum documento apto a demonstrar que a prestação de serviço não teria sido como ser realizada dentro da autuada, situação em que restaria evidente a ausência de prestação do serviço, sendo pertinente destacarse que os valores praticados coadunarseiam com o mercado, ainda mais se levado em conta que o montante do lucro distribuído ao sócio administrador é comprovada e declaradamente superior; * a consideração de que os pagamentos à empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda ME foram efetuados em decorrência de seu sócio (Waldir Gulineli Paladino) ser verdadeiro empregado da autuada seria descabida, pois o autuante não teria competência para avaliar a existência de vínculo empregatício. Ademais, caso se entenda que o autuante tem tal competência, seria imperiosa a comprovação dos requisitos do vínculo empregatício (habitualidade, subordinação e pessoalidade); Fl. 8926DF CARF MF 14 * no que tange à empresa Art Brasil, apesar da multa ser majorada ao patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento), não há absolutamente nada descrito nos autos, onde a conta contábil "assistência técnica" é abordada acerca da eventual conduta de fraude / dolo / simulação por parte do impugnante; * em relação às empresas WalPal e São Jorge, a fiscalização fundou o lançamento em pretensa simulação, o que tornaria descabida a qualificação da multa, por ausência de previsão legal; * ademais, a fiscalização, ao aplicar a multa qualificada, não teria indicado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, no Termo de Responsabilidade Solidária e no Fundamentos Legais do Débito, em qual artigo (71 ou 72 da Lei n°. 4.502/64) teriam sido enquadradas as condutas apuradas; * os valores registrados nas contas contábeis "Carretos" e "Fretes" nunca deveriam ensejar o lançamento de contribuições previdenciárias, pois, seguindo o raciocínio do Parecer Normativo n°. 1, de 24 de setembro de 2002, seria forçoso concluirse que o encerramento do período de apuração acarretaria a extinção de qualquer responsabilidade da autuada sobre tais pagamentos. Ademais, destacase que muitos dos profissionais considerados autônomos pelo Fisco são, na verdade, sócios de empresas que possuem como objeto social o transporte de cargas e que assinaram o recibo em nome próprio, como representantes de suas empresas. A comprovação disto constaria do Anexo X (cartão do CNPJ e ficha cadastral da JUCESP); * no tocante aos saldos iniciais do balanço de abertura, o impugnante acosta aos autos um laudo de avaliação, realizado por empresa autônoma (Anexo XV), que demonstraria a composição dos bens de seu ativo, tudo para que não pairem dúvidas sobre o patrimônio da autuada, que nunca teria criado montantes de reservas de lucros e de capital social não correspondentes à sua realidade fática; * o impugnante não conseguiria compreender os valores indicados pela fiscalização na conta contábil "distribuição de lucros" (R$ 160.000,00 pagamentos a beneficiarios não identificados; R$ 698.391,00 — pagamentos a beneficiários não identificados; R$ 1.292.646,84 remuneração indireta dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores; R$ 7.500,00 — Escritório Vitória de Contabilidade; R$ 7.950.972,29 — dividendos a pagar), haja vista que todos estariam descritos nesta conta contábil de forma agrupada e nem mesmo a planilha que embasa a lavratura conteria a descrição analítica de tais valores. Na realidade, muito pelo contrário, o total indicado na planilha (IRPJ) é de RS 15.901.944,58, valor este que não se correlaciona com os valores aqui mencionados; * em relação ao valor de RS 1.292.646,84, o mesmo é descrito tanto no auto de infração IRPJ como na presente autuação. Por sua vez, o impugnante não pode deixar de observar que exatamente os mesmos dizeres mencionados pela fiscalização nesta conta contábil "distribuição de lucros" também são Fl. 8927DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.921 15 descritos na conta contábil "viagens e estadias", sendo certo, ainda, que os valores são aproximados. Isso faz o impugnante crer na duplicidade de valores / glosas; * o lançamento de RS 7.500,00 (sete mil e quinhentos Reais), referente a um pagamento efetuado ao Escritório de contabilidade Vitória, sujeitouse ao lançamento da contribuição previdenciária patronal sem qualquer explicitação do motivo, impossibilitando sua compreensão por parte da autuada; * a fiscalização teria incorrido em contradição ao apurar o pagamento de supostos prólabores na conta "Dividendos a Pagar", pois, no decorrer de todo o "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", a fiscalização menciona a intenção dos sócios da autuada em distribuir como lucro valores que, na verdade, deveriam ser distribuídos como prólabore. Ao utilizar tal premissa, a fiscalização enquadrou diversos valores em tal situação, mencionandoos em diversas contas contábeis (consultoria, viagens e estadias, administração etc) e, inclusive, impôs responsabilidade tributária aos sócios. Ademais, justamente quando se vê diante da conta contábil "Distribuição de Lucros", a fiscalização novamente menciona que os valores registrados foram erroneamente distribuídos sob esta égide, quando deveriam ser distribuídos a título de prólabore e que tais lucros sequer existiram. Por fim, assevera que tais lucros são em verdade pagamentos realizados a beneficiários desconhecidos; * em decorrência do exposto no parágrafo anterior, o impugnante formaliza diversas questões: o valor de R$ 7.950.972,29 (sete milhões, novecentos e cinqüenta mil, novecentos e setenta e dois Reais e vinte e nove centavos) foi ou não distribuído aos sócios? Em caso positivo, sob qual égide (remuneração indireta, que deveria ser paga como pró labore?)? Se os lucros não existiam, como foram distribuídos? Como os sócios declararam tais valores? Se o montante R$ 7.950.972,29 (sete milhões, novecentos e cinqüenta mil, novecentos e setenta e dois Reais e vinte e nove centavos) foi distribuídos aos sócios, porque os beneficiários são desconhecidos? Ademais, se os beneficiários são conhecidos, qual o motivo da aplicação da alíquota de 35% do IRRF? * ainda em relação à conta contábil "Distribuição de Lucros", asseverase que a fiscalização não teria descrito nenhuma situação fática, nem tampouco provas, de que os montantes registrados não se referiam a lucros, sendo certo que tal valor poderia sim ser distribuído aos sócios, não havendo que se falar em remuneração indireta, prólabore, pagamento a beneficiários desconhecidos, nem tampouco em incidência de IRRF e de Contribuições Previdenciárias / Terceiro Setor; * ademais, a aplicação da multa qualificada sobre os valores apurados na conta contábil "Distribuição de Lucros" seria descabida, pois a fiscalização teria indicado a ocorrência de Fl. 8928DF CARF MF 16 simulação, figura jurídica não prevista nos arts. 71 e 72 da Lei n°. 4.502/64; * no tocante à aventada ocorrência de fraude, dolo ou simulação, entende o impugnante que a simples leitura dos itens pertinentes às infrações glosadas permite concluir que a fiscalização não descreve de forma clara qual é a conduta dolosa da autuada que caracterizaria tal intuito. Do mesmo modo, não a comprovaria, sempre partindo de uma simples presunção. Em adição, citase que a fiscalização trata os institutos jurídicos da simulação, da fraude e da sonegação como se fossem um único instituto jurídico, sendo descabido cogitarse de qualquer intuito fraudulento quando a fiscalização realiza o lançamento com base nos registros contábeis da empresa (ninguém faz coisa errada e contabiliza); * em se tratando da qualificação criminal realizada pela fiscalização, o impugnante aduz que a configuração do delito depende da comprovação do vínculo entre a conduta do contribuinte e o ilícito, não sendo suficiente a simples prestação de informação considerada inverídica pela fiscalização, vez que se pode tratar de um mero erro de fato. Ademais, não se poderia esquecer que o lançamento pautouse na própria escrituração da empresa, não sendo necessário procederse ao arbitramento, restaria provado que os documentos apresentados continham as informações necessárias e confiáveis para a constituição do crédito tributário; * o arrolamento de bens imposto sobre a autuada e seus sócios seria descabido, pois o patrimônio da empresa seria bastante para arcar com os valores lançados (Laudo de Avaliação anexado aos autos — Anexo XV) e a responsabilidade dos sócios somente poderia ser cogitada quando impossibilitado o cumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte e desde que comprovada a prática de ilícito pelo sócio; Em 7 de novembro de 2014, o sócio Valdir Soares de Mello apresentou nova impugnação, por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (cancelamento do "Termo de Arrolamento de Bens e Direitos" do impugnante) e acrescentou, além dos argumentos já apresentados pela empresa, em síntese, que (fls. 6.160/6.242): * a análise do item "3. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA E SOLIDARIEDADE" do Termo de Responsabilidade Tributária permite concluirse que a responsabilização dos sócios decorreu do suposto excesso de poderes de gestão dos sócios administradores. Logo, como o único sócio com poderes de gestão é o Sr. Valdir Soares de Mello, seria descabido incluir todos os sócios como responsáveis tributários, o que acabaria por macular o Termo de Responsabilidade Tributária, que deveria ser cancelado; * a fiscalização não teria comprovado, em nenhum momento, o cometimento de excesso de poderes pelo sócio Valdir Soares de Mello. Além disso, apesar dos auto de infração terem sido lavrados em função dos sócios da autuada, seria mister observar que o "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", no campo Fl. 8929DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.922 17 "Identificação", não inclui a expressão "Outros", deixando de fazer alusão aos sócios. Em 7 de novembro de 2014, o sócio José Domingos Ferreira apresentou sua nova impugnação à autuação (fls. 7.021 / 7.103), por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (cancelamento do "Termo de Arrolamento de Bens e Direitos" do impugnante) e acrescentou, além dos argumentos já apresentados pela empresa e pelo sócio Valdir Soares de Mello, em síntese, que: * o sócio José Domingos Ferreira não seria sócio administrador, não seria gerente, não seria diretor, nem tampouco representante legal, sendo simplesmente um sócio minoritário que possui apenas 5% (cinco por cento) das cotas sociais. Tal fato, por si só, já seria suficiente para excluir o impugnante do pólo passivo da presente autuação, vez que seria evidente sua ilegitimidade. Por sua vez, ainda em 7 de novembro de 2014, o sócio Francisco Esteves de Araújo apresentou sua nova impugnação à autuação (fls. 7.827 / 7.909), por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (cancelamento do "Termo de Arrolamento de Bens e Direitos" do impugnante) e acrescentou, basicamente, os argumentos já apresentados pela empresa e pelo sócio José Domingos Ferreira. A decisão de primeira instância deu provimento parcial à impugnação dos recorrentes, mantendo parcialmente a exigência tributária em face da pessoa jurídica e mantendo integralmente a imputação de solidariedade tributárias aos sócios elencados pela fiscalização, e recorreu de ofício a este Conselho, em função de a exoneração do crédito tributário exceder a R$ 1.000.000,00, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O Acórdão recorrido teve a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direi to Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O detalhamento específico e individualizado de todos os fatos geradores encartados na autuação, inclusive mediante arquivo eletrônico anexo ao termo de constatação e verificação fiscal, afasta qualquer cerceamento ao exercício do direito de defesa, ainda mais se, justamente para sanar qualquer dúvida a tal respeito, tenhase, antes do julgamento, por devolvido o prazo integral de defesa ao Interessados. DECADÊNCIA. FRAUDE. TERMOS INICIAL E FINAL. Tendo a fiscalização apurado robustas evidências de que o contribuinte agiu com fraude em relação ao suporte fático da Fl. 8930DF CARF MF 18 autuação, o prazo decadencia! para a constituição dos respectivos créditos tributários tem por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido confeccionado e por termo final o transcurso do lapso de cinco anos. ATO ILÍCITO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Evidenciado que o sócioadministrador concorreu diretamente na prática das condutas dolosas apuradas pela fiscalização, resta caracterizada a ocorrência de reiterada infração à lei (ilícito prestigiado no art. 135, inciso 111, do CTN) bastante para a extensão da responsabilidade tributário ao próprio sócio administrador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DESTITUÍDOS DE PODERES DE GESTÃO. IRREGULARIDADES PRATICADAS EM BENEFÍCIO DIRETO DOS SÓCIOS. INTERESSE COMUM. Sócios que, profusamente, em várias contas contábeis de despesa e durante todo o ano, recebem pagamentos da pessoa jurídica que não atribuído à sua normal remuneração e/ou retirada de lucros, concorrem em interesse comum (remuneração indireta) na situação que constitui/modifica os fatos geradores de obrigação tributaria relativos as remunerações pagas a pessoas físicas, não anotadas em folhas de pagamento e registradas em diversas contas contábeis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO AGENTE. LIMITES. O quadro funcional de Auditores da Delegacia Especial da Receita Federal de Fiscalização DEFIS/SP tem jurisdição sobre contribuintes sediados na cidade de São Paulo. Certo ainda que, não obstante a existência de filiais (planta industrial) em outras cercanias municipais, o fato é que o auto de infração pode ser lavrado no local de verificação da falta (repartição pública), quando mais se verifica a suficiência de elemento documental papelburocrático e/ou arquivo magnético para efeito de formação de convicção da Autoridade Lançadora. FATOS PASSADOS. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 8931DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.923 19 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E REGISTRADAS EM DIVERSAS CONTAS CONTÁBEIS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. FALTA DE PROVA DO CARÁTER RESSARCITÓRIO DO PAGAMENTO. TRIBUTAÇÃO. Quando a fiscalização identifica, em variadas contas contábeis, que a empresa despendeu recursos financeiros a seus empregados e não incluiu tais importâncias nas competentes folhas de pagamento, é imperiosa a confecção da autuação, mormente quando incomprovada a alegação de que tais dispêndios seriam verdadeiros reembolsos de despesas. PRÓLABORES PAGOS DISSIMULADAMENTE COMO DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. TRIBUTAÇÃO. Nos casos em que a empresa optou pela tributação na sistemática do lucro presumido em todos os anoscalendário anteriores ao período fiscalizado e distribuiu lucros aos sócios no limite da isenção (valor do lucro presumido, subtraído dos impostos incidentes sobre o faturamento P1S/COFINS e o lucro IRPJ/CSLL), é induvidoso que a distribuição de valores excedentes a tal título condicionase à demonstração contábil da apuração efetiva destes lucros. Destarte, a distribuição de lucros aos sócios somente pode ser aceita quando comprovada a efetiva apuração de tais lucros, sob pena destes valores distribuídos serem qualificados como pagamento de prólabore. REGISTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A PESSOA JURÍDICA QUE NÃO OSTENTA A QUALIDADE DE SÓCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO. O registro contábil relativo á distribuição de lucros em benefício de pessoa jurídica que não ostenta a qualidade de sócio, ainda que não comprovada a causa do pagamento, não foi erigida pela legislação previdenciária como hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. SERVIÇOS DE CONSULTORIA SUPOSTAMENTE PRESTADOS POR EMPRESA DE UM SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO DE PRÓLABORE. A emissão de notas fiscais não é bastante para comprovar a efetiva prestação de serviços de consultoria, notadamente nos casos em que um sócio da autuada e seus parentes de primeiro grau são os proprietários da empresa que supostamente prestou os serviços. Fl. 8932DF CARF MF 20 Ausente a comprovação da suposta prestação dos serviços por pessoa jurídica e sendo induvidosa a realização dos respectivos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram realizados em benefício do sócio da autuada, ou seja, foram percebidos a título de prólabore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA SUPOSTAMENTE PRESTADOS POR EMPRESA DE UM EXDIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, é induvidoso que os pagamentos realizado a esta empresa devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, com a conseqüente incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos. FRETES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS CONTRATOS OU CONHECIMENTO DE TRANSPORTE. PAGAMENTOS REALIZADOS EM BENEFÍCIO DE PESSOAS FÍSICAS. TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA QUALIDADE DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. Há regular incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a pessoas físicas em decorrência da prestação de serviços de transporte (contribuintes individuais). A ausência de apresentação dos respectivos contratos ou conhecimentos de transporte impede o reconhecimento de que os serviços teriam sido prestados por pessoas jurídicas transportadoras, vez que os cheques e recibos foram assinados por pessoas físicas. VALORES PAGOS A PESSOA FÍSICA E REGISTRADOS EM CONTA CONTÁBIL DENOMINADA "DIÁRIAS E ESTADIAS". AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESLOCAMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Não se sujeitam â tributação previdenciária os valores das diárias para viagem, desde que comprovada a ocorrência dos efetivos deslocamentos. Inexistindo esta comprovação, tais valores integramse regularmente á base de incidência das contribuições previdenciárias. GILRAT E TERCEIROS. INCIDÊNCIA NOS PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. IMPOSSIBILIDADE, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. RETIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO. A legislação não prevê que as remunerações pagas a contribuintes individuais sofram a incidência da contribuição para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (antigo SAT, atualmente denominada GILRAT), e das contribuições destinadas ao FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Impugnação Procedente em Parte Fl. 8933DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.924 21 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformados com a decisão da DRJ, cuja ciência se deu em 14/09/2015, a empresa e os responsáveis solidários apresentaram Recurso voluntário, em 09/10/2015, com razões assim resumidas: Arrazoa que a atividade fiscal apresenta irregularidades, atecnias e erros procedimentais, pedindo que as defesas apresentadas aos demais autos de infração lavrados na ação fiscal sejam verificados por este órgão recursal. Preliminar. Nulidades a auditoria foi executada sem que o auditor fiscal tivesse visitado o estabelecimento da empresa fiscalizada; a atuação fiscal extrapolou os limites, sendo desenvolvida internamente, e obrigando a recorrente a apresentar na repartição fiscal os documentos de todos os fatos contabilizados do ano. Diz que, pelo art. 164 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 estaria obrigada a exibir os documentos em seu estabelecimento, sendo um abuso, a fiscalização ter pedido que a recorrente apresentasse na repartição fiscal todos os seus livros fiscais e documentação de todos os fatos nela registrados, dia a dia, mês a mês; o autuante lavrou infrações por contas contábeis, de quase totalidade dos valores impugnados, com a justificativa de falta de comprovação; foi glosada a totalidade do crédito apropriado com base nas quotas de depreciação, com a justificativa de não comprovação da existência dos bens de uso (imobilizado); e questiona se o Fisco poderia ter glosado tais valores, sem ao menos comparecer ao estabelecimento industrial da fiscalizada, vez que uma simples visita daria possibilidade de a autoridade fiscal constatar a existência de estoque ou ativo imobilizado, o que exigiria a conversão do julgamento em diligência fiscal para a apuração das matérias tributadas. o acórdão recorrido refutou a crítica de que não seria possível determinar a efetiva natureza dos pagamentos por meio de simples cotejo das contas e respectivos lançamentos contábeis; questiona se em função da desorganização da contabilidade, tudo que foi pago a sócios, empregados e terceiros seria remuneração indireta. Cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e interpreta que há necessidade de prova de que os pagamentos efetuados compõem o salário de contribuição; argumenta que a fiscalização entendeu ser remuneração indireta ou pró labore todo pagamento, cuja comprovação foi considerada insuficiente pelo auditor fiscal. afirma que nenhuma atividade empresarial está isenta de reembolso de despesas de funcionários, e é comum que boa parte dos benefícios pagos a estes não se enquadra no conceito de salário de contribuição. Transcreve julgados do CARF sobre verbas em que não há incidência de contribuição previdenciária. Fl. 8934DF CARF MF 22 a desconsideração das despesas lançadas nas contas contábeis ensejaria, no máximo, a glosa que refletiria sobre outras espécies tributárias, e não base para apuração de contribuições previdenciárias. a decisão recorrida deu amparo ao lançamento fiscal, ao desconsiderar que as notas fiscais seriam provas suficientes para comprovar a efetiva prestação de serviço, o que prova que a atividade fiscal se baseou em suposições; e que a determinação das hipóteses de incidência, o agravamento de multa e a responsabilização dos sócios foram feitos por generalização. Mérito Das remuneração indiretas: viagens, estadias, telefone, custo dos produtos vendidos e manutenções diversas ajuda de custo e reembolso de despesas Alega que essas despesas são imprescindíveis em qualquer empresa, principalmente com o aumento da atividade empresarial, e que em 2009 efetuou transferências a seus funcionários, por reembolso de despesas necessárias. Cita doutrina e jurisprudência sobre verbas em que não incide contribuição previdenciária, como vale transporte, ajuda de custo, diárias de viagem inferiores a 50% da remuneração, transporte. Assevera que o acórdão recorrido não se aprofundou na análise dessas verbas, apenas se apegando à suposta falta de comprovação. E que não houve pagamento a título de ajuda de custo, mas transferências para reembolso de despesas. Considera que o Auditor Fiscal deveria verificar se os valores pagos a título de viagens e estadias superavam o limite de 50% do valor da remuneração. Diz ser desarrazoada a afirmação do autuante de que os filhos dos sócios são bancados pela empresa, como se fossem um grupo de desocupados, o que contaminou o julgamento de primeira instância. Afirma que eles são legítimos empregados e, é normal que suportem despesas na execução de seus serviços. Argumenta ser ilegal, o autuante ter atribuído o pagamento da despesa de R$ 2.047,00 referente a "FAAP Marquetti de Mello, ao gerente Valdir Soares de Mello, mesmo conhecendo o beneficiário. E ainda ter questionado reparos nos carros da autuada, disponibilizados a seus colaboradores, simplesmente porque eram veículos de luxo. E o fato de o carro ser ou não de luxo não é suficiente para descaracterizar o reembolso da despesa com manutenção, e considerála remuneração indireta. Afirma que os celulares de seus sócios administradores foram custeados pela recorrente. Transcreve acórdão do CARF a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre essa despesa, quando utilizado e fornecido para o trabalho. E que os celulares dos administradores eram necessários as suas atividades. Das supostas infrações referentes às contas seguros, jurídico, administração e comissões de vendas Alerta sobre o cerceamento de defesa, em função de o Auditor Fiscal mencionar em seu Termo de Verificação Fiscal que parte dos lançamentos foram efetuados na conta contábil de "seguros" (3.30.10.30.08) item 2.2.3, mas esse item não existe, por isso, a autuação referente a ela deve ser afastada, por ser desprovida de fundamentação. Fl. 8935DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.925 23 Em relação às demais despesas, diz se referirem a custeio de despesas pela Recorrente, que poderiam ter uma infinidade de natureza, que não configuraria incidência de contribuição previdenciária. Consultoria serviços prestados por pessoas jurídicas Afirma que o relator do acórdão recorrido foi contraditório ao afirmar que em princípio a comprovação se inicia com a apresentação das notas fiscais, e concluir que a mera apresentação de notas fiscais não é bastante para comprovação desses serviços, aceitando o argumento de que os pagamentos feitos a pessoas jurídicas em relação aos serviços contábeis não sofrem incidência de contribuição previdenciária, mesmo que sem causa, mas não aceitou os pagamentos relativos à consultoria, pelo fato de no quadro social dessas prestadoras haver pessoas com alguma relação com a Recorrente, aliado à afirmativa de falta de comprovação. Em relação à empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME, apesar de terem sido apresentadas as notas fiscais, efetuadas a retenção e quitação dos tributos incidentes, o autuante e os julgadores de primeira instância insistem na falta de comprovação, pelo simples fato de Valdir Soares Mello ser sócio da Recorrente e da empresa de consultoria. No que se refere à WalPal Consultoria Empresarial LtdaME, o acórdão recorrido manteve a autuação, por considerar que o autuante comprovou a existência de relação de emprego. Nesse aspecto diz que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não têm competência para definir relação de emprego, cuja competência cabe à Justiça do Trabalho, e não foram apresentadas provas de que a pessoa física cumpria horário fixo, assinava ponto, agia com mero subordinado. Acrescenta que não há lei que impeça um antigo trabalhador de constituir empresa e lhe prestar consultoria, sendo aceitável que a remuneração guarde semelhança com a que recebia o antigo empregado. Distribuição de lucros desconsideração do saldo contido no Balanço Patrimonial de Abertura Assevera que a auditoria desconsiderou os saldos escriturados no Balanço Patrimonial de Abertura, por suposta falta de comprovação dos valores escriturados, e a decisão recorrida apenas repisou o Termo de Verificação Fiscal. Argumenta que a legislação tributária autoriza as empresas sujeitas à apuração pelo Lucro Presumido a adotarem Livro Caixa, em substituição à escrituração contábil. Em vista disso, ao fazer a alteração para o Lucro Real, teve que escriturar o Balanço Patrimonial de Abertura, e dada a escrituração contábil precária da empresa em períodos anteriores, é inevitável que os dados destoem da apuração fiscal. Alega que registrou como lucros a distribuir, o valor resultante da diferença entre Ativo e Passivo mais Capital, e essa diferença decorreu da infinidade de fatos, bens, direitos e obrigações que eram inexistentes nos registros da empresa. Apresenta Laudo de Avaliação elaborado por empresa independente e diz que os valores são muito próximos dos escriturados pela Recorrente, cujo resultado foi registrado como lucros a distribuir aos sócios, por isso que custeou as despesas deles com créditos disponíveis nessa conta, porque eram créditos disponíveis a eles. Colaciona jurisprudência da CSRF, sobre a falta de motivação da não aceitação do Balanço Patrimonial de Abertura. E reitera que a desconsideração dos saldos contidos nesse Balanço não teve fundamentação fática. Fl. 8936DF CARF MF 24 Dos supostos pagamento a transportadores autônomos Diz que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas, apesar de os cheques e recibos fazerem menção a pessoas físicas, conforme comprovantes de inscrição no CNPJ e ficha cadastral da Jucesp. Dos supostos pagamentos sem causa Arrazoa que o art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 não autoriza que um pagamento sem causa seja convertido em remuneração tributada pela contribuição previdenciária, como fez a fiscalização. E ao contrário do afirmado pela auditoria, os pagamentos tem causa definida e provada, pois apesar de terem sido feitos à pessoa física, eram remuneração à pessoa jurídica Art Brasil Composição e Assistência Técnica em Clichês e Matrizes ME (Art Brasil), controlada pelo seu sócio, sendo inverossímil que ele tenha prestado serviço como autônomo em concorrência com sua própria empresa. E a decisão recorrida foi contraditória ao aceitar que a nota fiscal é prova de prestação de serviços por pessoa jurídica, e em outra matéria não aceita tais provas. Da inexistência de habitualidade Assevera que os pagamentos sem causa, lançados pela fiscalização, apresentam valores irregulares e esporádicos, não havendo habitualidade, que poderia enquadrálos no conceito de saláriodecontribuição. Das multas e atribuições de responsabilidade Alega ser cabível a multa qualificada somente se houver prova inequívoca de dolo, fraude ou simulação, o que não foi demonstrado pelo autuante e julgadores de primeira instância, uma vez que a autuação tem uma única sustentação, que é a falta de comprovação dos registros contábeis, que a autuada ficou impossibilitada de fazer, dada a intimação para que a recorrente comprovasse absolutamente tudo que havia escriturado, e nessa impossibilidade, os pagamentos foram considerados, por presunção remuneração indireta ou pagamento de pró labore. Colaciona jurisprudência da CSRF. Afirma ter apresentado as legítimas folhas de pagamento e declarações, e efetuado os recolhimentos, sendo que a fiscalização lançou verbas, que na sua visão distorcida, deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Apesar de a fiscalização ter qualificado os pagamentos em relação à empresa Art Brasil, não há qualquer descrição sobre fraude, dolo ou simulação por parte da recorrente. Em relação à WalPal e São Jorge, mesmo o enquadramento ter se dado pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a acusação é de prática de simulação, que não está tipificada nesses artigos. Além disso a fiscalização não comprovou o vínculo empregatício de Waldir Gulineli com a recorrente. Também não há provas de que houve a intenção do sócio administrador da recorrente em criar a empresa São Jorge com o intuito de receber remunerações indiretas. Argumenta que a despeito da decisão de primeira instância, a autoridade fiscal tem a obrigação de tipificar corretamente a conduta do contribuinte autuado, principalmente quando der ensejo à multa qualificada, representação pessoal dos administradores e representação para fins penais. Fl. 8937DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.926 25 Da decadência Nesse tópico traz as mesmas argumentações apresentadas na impugnação, ao dizer que a apresentação completa da autuação só ocorreu em 30/10/2014. E, no caso dos autos, por ausência de dolo, fraude e simulação, aplicase o art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), estando fulminados pela decadência, os créditos de 01/01/2009 a 30/10/2009. Responsabilidade tributária Infirma que a fiscalização tenta responsabilizar o sócio Valdir Soares de Mello por infrações apontadas em outras autuações. Apresenta um resumo das infrações que integram o auto de infração do Imposto de Renda, que indicou a responsabilização pelos artigos 124, 135, 136, 137 do CTN, e diz que o art. 137 não tem relação com a matéria. Acrescenta que, ao contrário do que indica o autuante e do entendimento da decisão recorrida, nem todos os sócios detinham poderes de administração. Afirma que o Termo de Responsabilidade é confuso, e o acórdão recorrido tenta dar crédito à atividade fiscal por meio de manobras interpretativas. Acrescenta que: A Autoridade Fiscal: (i) fez afirmativas incorretas quanto aos poderes de cada sócio responsabilizado; (ii) não efetuou a correta descrição dos supostos atos ensejadores da responsabilidade; (üi) não efetuou a necessária tipificação das condutas; e, (iv) não singularizou a base legal para imputação da responsabilidade. Esses fatos, que são inquestionáveis, por si só seriam suficientes para determinar a nulidade das questionadas atribuições de responsabilidade. Diz que foi atribuída responsabilidade aos sócios até para os lançamentos punidos com a multa de 75%. E que a decisão de primeira instância se esforça para corrigir as graves imperfeições do lançamento de ofício, inovando ao afirmar que todas as infrações apuradas foram praticadas em um contexto fraudulento, com a integração entre as autuações procedentes da fiscalização em questão. Apresenta quadro com os percentuais de multa dos lançamentos referentes a IRPJ, CSLL, IRRF, e Multa isolada. E apresenta razões apontadas na avaliação do IRPJ e CSLL. Afirma ter apresentado provas da existência dos itens indicados no seu Balanço Patrimonial de Abertura, no laudo que foi juntado à impugnação. Reafirma que a prova da existência da fraude, da simulação deve ser produzida pelo Fisco, e que uma simples visita ao Cartório de Imóveis provaria a cifra de R$ 29.154.835,84 de EDIFÍCIOS, entre os seus elementos do ativo. Da tributação do irfonte do art. 61 da Lei nº 8.981/95: da ausência de justa causa para a aplicação da multa qualificada Argumenta que o art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 janeiro de 1995 instituiu uma tributação por presunção legal, que é o único meio possível de se atingir um beneficiário não identificado. E em se tratando de norma de presunção, a aplicação da multa de 150% se revela indevida, porque dolo ou fraude não se presumem. Fl. 8938DF CARF MF 26 Questiona sobre a existência de fraude ou dolo no tocante à distribuição de lucro ou dividendos a pagar, decorrente de valores de exercícios anteriores, que o autuante diz não existir, sem apresentar qualquer prova, não havendo justa causa para a cominação da multa de 150%, nem atribuição de responsabilidade ao sócio da autuada. Afirma que não há evidência nos autos de que os sócios sem poderes de gerência tiveram participação no fato gerador da contribuição previdenciária exigida, que configuraria o interesse comum, devendo ser afastada a responsabilidade solidária dos três sócios. Nos pedidos, requer a admissão do recurso, para reformar a decisão recorrida e afastar os autos de infração e a responsabilidade solidária. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Do recurso de oficio Pela decisão de primeira instância, fls. 8796/8801, verificase que o valor exonerado representou R$ 1.316.342,99, e levou o Julgador, naquela época, a recorrer de ofício à instância superior. Entretanto, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, estabeleceu o seguinte: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais).(grifei) § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. A Súmula CARF nº 103 dispõe sobre a forma de aplicação desse limite de alçada nos seguinte termos: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância."(grifei) Portanto, diante do limite de alçada, vigente da data deste julgamento, não conheço o recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Foi apresentado um único Recurso Voluntário para a empresa autuada e os três responsáveis solidários. O presente processo decorre de procedimento fiscal, onde foram lavrados outros dois processos administrativos fiscais, relativos a IRPJ/COFINS/IRRF/Multa Isolada Fl. 8939DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.927 27 (19515.723055/201342) e PIS/PASEP/COFINS (19515.723056/201397), que foram objeto das decisões exaradas nos acórdãos 1201001.508 (1ªTO/2ªC/1ªSEJUL) e 3401003.895 (1ªTO/4ªC/3ªSEJUL), respectivamente. Ao requerimento dos recorrentes de que as defesas apresentadas aos demais autos de infração sejam verificadas por este colegiado, assevero que esta turma não dispõe de competência para analisar as matérias debatidas nos outros processos referidos, nos termos do art. 3º do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), razão pela qual serão analisadas as alegações do Recurso Voluntário apresentado a este processo. Preliminares Os recorrentes, em preliminar, pugnam pela nulidade do lançamento fiscal, em vista de o Auditor Fiscal ter extrapolado os limites da fiscalização, agindo com abuso e exação, ao solicitar a comprovação de quase totalidade dos registros contábeis, mês a mês, dia a dia, e ainda ter glosado a totalidade dos créditos apropriados com base nas quotas de depreciação, sem ao menos comparecer ao estabelecimento da autuada, que ainda foi obrigada a apresentar na repartição fiscal todos os fatos contabilizados no ano, apesar de uma simples visita do Auditor Fiscal ao estabelecimento da autuada, ser capaz de comprovar a existência de estoque ou ativo imobilizado. Não vislumbro nos argumentos dos recorrentes qualquer das razões listadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/99 para a nulidade do lançamento fiscal, visto que foi lavrado por autoridade competente, e não houve preterição de seu direito de defesa, pois na fase litigiosa, iniciada com a apresentação de sua impugnação, foilhe reaberto o prazo para apresentar razões em vista de sua alegação de que quando já iniciada a fase litigiosa não dispunha de todos os elementos para sua defesa, pois o CD com os arquivos que compunham o auto de infração estava vazio, não havendo razão para acolher a tese de cerceamento do direito de defesa. Quanto ao aspecto de que o CD entregue pela fiscalização estava vazio, aproveito a oportunidade para analisar os argumentos dos recorrentes quanto à decadência dos créditos de 01/01/2009 a 30/10/2009, por ter a autuação se completado apenas em 30/10/2014, quando receberam os arquivos anexos ao auto de infração. Entendo não ter razão a recorrente, porque a ciência do lançamento fiscal se deu em 27/01/2014, por via postal (AR fls. 4154/4157), e o período de apuração cingese a 01/01/2009 a 31/12/2009. Nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, pela existência de dolo e fraude, não há que se falar em decadência, pois a autoridade fiscal teria até 31/12/2014 para constituir o crédito tributário relativo às competências indicadas pela recorrente como decadentes. Em complemento, filiome às razões de decidir exaradas no acórdão 3401 003.895, de 26 de julho de 2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF: O fato de um dos arquivos magnéticos, com planilhas explicativas da autuação, apresentar problemas não invalida a ciência realizada, mas apenas implica a interrupção do prazo recursal, com a reabertura da oportunidade de apresentação do Fl. 8940DF CARF MF 28 recurso, para evitar o cerceamento de defesa, o que efetivamente ocorreu. Com efeito, a DRJ São Paulo/SP, em homenagem ao princípio do contraditório, uma vez constatado o defeito nos arquivos magnéticos, reabriu o prazo para vista dos autos e apresentação de impugnação, o que não significa, a meu ver, vício de ciência a justificar declaração de nulidade ou decadência do lançamento, como pretende o recorrente, mas uma deficiência na instrução do lançamento que deve ser, e foi, saneada pela reabertura dos prazos. Assim, mesmo que se observasse o prazo decadencial, disposto no art. 150, § §4º, do art. 150 do CTN, alegado pelos recorrentes, o argumento decadencial não se sustentaria, visto que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/01/2014. Portanto, não merece acolhida tal alegação. Ao argumento de que a fiscalização extrapolou os limites, compartilho do mesmo entendimento também exarado no acórdão 3401003.895, de 26 de julho de 2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, adotando as mesmas razões de decidir: Outro ponto merecedor de realce diz respeito à inovação defensiva, com a colação de temas não argüidos no recurso inaugural, acarretando a sua preclusão consumativa, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto n° 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)." Essa situação se verifica especialmente em relação à alegação de nulidade por "abusos na condução do procedimento fiscal" espraiandose por outras matérias que, a despeito do vício processual, serão conhecidas e enfrentadas por obediência ao princípio da verdade material, visto tratarse de lançamento para exigência de crédito tributário. Contudo, por apreço ao debate, ainda que não fosse o óbice assinalado, não se vislumbraria qualquer abuso no desenvolvimento da fiscalização, não configurando qualquer vício a inquinar o lançamento a realização do exame dos livros e documentos fora do estabelecimento do contribuinte, por contar com amparo no art. 35 da Lei n° 9.430/96. De outra banda, o citado art. 264 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) em momento algum determina que o exame de escrituração se realize, obrigatoriamente, nas dependências do sujeito passivo. Não há, aí, aproximação de excesso de exação, extravagância ou surrealismo, como afirmou o recorrente, mas simples exercício de uma prerrogativa legal. Fl. 8941DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.928 29 Os demais argumentos esposados na preliminar, por se relacionarem a razões de mérito, serão analisados em sequência. Do Mérito Os recorrentes infirmam que os lançamentos efetuados relativos a viagens, estadias, telefone, custo dos produtos vendidos e manutenções diversas ajuda de custo e reembolso de despesas, tratamse de despesas imprescindíveis da atividade da empresa, tendo ainda, efetuado transferências a funcionários por reembolso de despesas. É certo que verbas como vale transporte, ajuda de custo, diárias de viagem inferiores a 50% da remuneração, como citadas pelos contribuintes não se enquadram como verbas de incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 9º, letras f, g, h, e nos termos da Súmula CARF nº 89, em relação ao vale transporte. Ocorre que, analisando os lançamentos fiscais, e as respectivas planilhas de infrações por conta contábil, de que trata o Termo de Anexação de arquivo não paginável (fls. 4122), não foram lançadas as verbas apontadas pelos contribuintes. O que se tem de concreto são lançamentos referentes a despesas de sócios e funcionários, escrituradas em contas contábeis que não condizem com a natureza delas. Apesar de os recorrentes alegarem que o Auditor Fiscal deveria ter verificado se as despesas com diárias ultrapassavam o limite de 50% da remuneração, as despesas escrituradas na conta "pagto de viagens e hospedagem" não guardam relação com "diárias" de que trata a letra "h", do § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212/91. Nessa conta estão registradas as mais variadas despesas, tais como pagamentos de cartões de crédito, contas de telefone, energia elétrica, faculdade, condomínio, IPTU, água, gás, dentre outras, além de vários depósitos bancários em nome de sócios e funcionários. O que corrobora o afirmado pela auditoria ao longo do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 4105/4109). Em relação a essas despesas, os recorrentes afirmam que foram efetuadas transferências para os funcionários, em decorrência de reembolso, entretanto, não apresenta os documentos relativos às despesas que geraram o reembolso, ou seja, alega sem trazer provas. Para que tenha efetuado os reembolsos, é previsível que tenha solicitado aos funcionários a apresentação das notas e recibos que comprovassem as despesas realizadas, então, da mesma forma, que tenha solicitado tais comprovantes, é razoável a solicitação deles pela fiscalização, como fez em vários termos de intimação, fls. 102, 3684/3689, 3693/3695, 3743/3744. Embora os recorrentes tenham afirmado que o Auditor Fiscal extrapolou os limites da fiscalização, ao solicitar documentos de todos os fatos geradores, mês a mês, dia a dia, entendo que as várias intimações fiscais foram oportunidades para que a autuada fizesse prova a seu favor, de que as despesas lançadas pela fiscalização eram da própria empresa. Entretanto, apesar dos vários meses de desenvolvimento da ação fiscal, a empresa não apresentou referidas provas. Dessa forma, não era esperada outra conduta da Autoridade Fiscal, pelo dever instituído no art. 142 do CTN, de considerar como remuneração indireta as despesas escrituradas, cujos documentos apresentados comprovam serem despesas de sócios e pagamentos a empregados, como no caso dos documentos às fls. 143/733. Os recorrentes colacionam jurisprudência do CARF, sobre a não incidência de contribuição previdência sobre despesas de telefone por ser utilizado para o trabalho. Ocorre Fl. 8942DF CARF MF 30 que muitas das faturas de telefone apresentadas pela autuada referemse a telefones residenciais, e as linhas de celulares são de titularidade das pessoas físicas (fls. 252/324). Assim, considero que a fiscalização agiu com correção ao ter lançado como remuneração, nos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91, os pagamentos de despesas de sócios e afins, e pagamento a funcionários, efetuados pela autuada. Nesse aspecto, o acórdão recorrido não merece reparo. Da mesma forma que no item anterior, as infrações relativas às contas seguros, jurídico, administração e comissões de vendas, também registram despesas de sócios, como pagamento de IPTU, manutenção de veículos, e ainda pagamento a funcionários. Com relação à conta seguros, os recorrentes afirmam que não existe, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVF), o item a que se refere o Auditor Fiscal. Entretanto, analisando a planilha "Infrações Apuradas por Conta Contábil", verificase que as despesas se tratam de seguro de veículos, acompanhado da devida identificação do beneficiário, e do motivo da autuação. Além disso, às fls. 4114, o Auditor Fiscal indica quais contas foram consideradas no lançamento, dentre elas a conta "seguros", indicando que foram lançadas por se referirem a remunerações indiretas. Segue trecho: 2.3.1.1 DAS REMUNERAÇÕES INDIRETAS DOS ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E SEUS ASSESSORES, E DOS FUNCIONÁRIOS Os custos e/ou despesas referentes aos pagamentos de diversas contas, IPTU, boletos, DARF, cartões de crédito, etc., bem como depósitos bancários dos sócios administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes e assessores (que foram identificados) pagas pelo contribuinte, que por se tratar de remunerações indiretas dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores deveriam ter sido somadas aos rendimentos mensais (prólabores e/ou folhas de pagamento) na apuração das bases de incidência das contribuías previdenciárias devidas à Previdência Social e a outras entidades e fundos (e que também não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), foram apuradas nas contas 2.2.1 3.20.10.10.01 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS, 2.2.3 3.30.10.30.08 SEGUROS, 2.2.4 3.30.10.30.05 TELEFONE, 2.2.7 3.30.10.40.11 VIAGENS E ESTADIAS, 2.2.11 3.30.10.40.19 MANUTENÇÕES DIVERSAS, 2.2.12 3.30.10.50.01 ADMINISTRAÇÃO, 2.2.13 3.30.10.50.06 CONSULTORIA, 2.2.16 3.30.10.50.12 CARRETOS, 2.2.18 3.30.20.10.01 COMISSÕES DE VENDAS, 2.2.19 3.30.10.50.05 JURÍDICO e 2.2.22 2.30.60.10.03 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. (sombreado meu). Assim, não vejo razão para excluir referida conta do lançamento, considerando que está perfeitamente identificada, tanto no TVF quanto na planilha de infrações que o acompanha. Em relação aos serviços prestados por pessoas jurídicas, notase que o acórdão recorrido exonerou o lançamento relativo ao pagamento feito à pessoa jurídica Escritório Victória Serviços Contábeis Ltda (Escritório Victória), por erro na motivação efetuada pelo Auditor Fiscal: Fl. 8943DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.929 31 Em relação a este tópico, a empresa aduz que a fiscalização não teria motivado adequadamente a autuação, vez que não explicitado o motivo do importe em foco ter sido qualificado como fato gerador das contribuições previdenciárias. Neste ponto, entendo que realmente assiste razão aos impugnantes, pois a legislação previdenciária não estabelece que o pagamento, ainda que sem causa, a uma sociedade não cooperativa acarrete a incidência das contribuições previdenciárias, conforme se deflui dos arts. 51, inciso III, e 52, III, ambos da Instrução Normativa RFB n°. 971, de 13 de novembro de 2009, in verbis: [...] Portanto, em decorrência da fiscalização não ter comprovado ou sequer apontado que o pagamento de R$ 7.500.00 (sete mil e quinhentos Reais), registrado a débito na conta contábil 2.30.40.10 RESERVA DE LUCROS, em benefício da empresa Escritório Vitória Serviços Contábeis S/C Ltda.. materializaria verdadeiro pagamento de remuneração à pessoa física, é imperiosa a exclusão de tal importância dos fatos geradores encartados na autuação. Assim, as razões da exoneração, pela DRJ, dos lançamentos relativos aos pagamentos feitos ao Escritório Victória são diferentes das razões que mantiveram os lançamentos relativos aos pagamentos à São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME (São Jorge), e à WalPal Consultoria Empresarial LtdaME (WalPal). Enquanto no lançamento dos pagamentos ao Escritório Victória, a motivação é o pagamento sem causa (razão que levou a DRJ a exonerálo, por falta de previsão legal), no caso do lançamento dos pagamentos à empresa São Jorge, a motivação é que, além de essa empresa ser de propriedade do sócio Valdir Soares de Mello e seus parentes de 1º Grau, as contas de ISS, Taxa de Licença, Taxa de Fiscalização daquela empresa foram pagas pela autuada. Ora, dadas essas circunstâncias, de as despesas de empresa pertencente à sócio serem pagas pela autuada, foi prudente que a fiscalização tenha exigido da autuada que comprovasse a efetiva realização dos serviços constantes nas notas fiscais apresentadas, com outros elementos que respaldassem essas notas, mas a autuada se omitiu de apresentar, embora intimada, razão que levou a DRJ a manter o lançamento nessa parte. O lançamento referente aos pagamentos à empresa WalPal, seguiu a mesma linha, diante da evidência que os pagamentos se tratavam de rendimentos de trabalho assalariado, pois as notas fiscais foram emitidas sequencialmente, iniciando com a 001 em março/2009, mesmo mês que o diretor industrial, Waldir Gulineli, sócio dessa empresa, foi demitido. Além disso, os valores constantes nas notas fiscais de outubro/09, novembro/09 e dezembro/09 contemplavam verbas, que por sua natureza, são pagas apenas a segurados empregados, como 1/3 de férias e 13º salário. Entendo que essas ocorrências comprovam os elementos do vínculo empregatício, pois as notas emitidas sequencialmente por mês denotam a exclusividade com que os serviços eram prestados à autuada, inclusive com pagamento de direitos trabalhistas, como 13º Salário, que não é verba que se paga à pessoa jurídica. Em relação à alegação de que o Auditor Fiscal não tem competência para definir o vínculo empregatício, assevero que tal competência decorre do art. 142 do CTN, pois é ele que verifica a ocorrência do fato gerador, e do inciso I do art. 6º da Lei n° 11.457/07, Fl. 8944DF CARF MF 32 decorrente de sua atribuição de fiscalizar. Assim, ao constatar a existência de prestadores de serviço, que se amoldam à condição de segurados empregados, nos termos do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, deve efetuar esse enquadramento, no texto do § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: [...] §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Portanto, os lançamentos referentes aos pagamentos supostamente efetuados a essas pessoas jurídicas devem ser mantidos, porque efetivamente comprovado pela auditoria fiscal que se tratavam de valores destinados a sócio, e remuneração a empregado. Os recorrentes alegam que a fiscalização desconsiderou o Balanço Patrimonial de Abertura, sem fundamentação fática, além ser normal que ao fazer a escrituração contábil para o lucro real, os dados destoem da apuração fiscal. Não assiste razão à autuada, como já asseverado no acórdão recorrido, o Auditor Fiscal fundamentou, especificamente, porque desconsiderou o Balanço Patrimonial de Abertura: Analisando o Balanço de Patrimonial de Abertura apresentado, assinado pelo sóciogerente Valdir Soares de Mello, CPF nº 921.341.14800 e pelo contador Antônio Sérgio Bortolin, CRC/SP n° 1 SP 115.800/O7, que deveria servir de base para os saldos iniciais das contas do ATIVO e do PASSIVO, apresenta algumas incongruências, a saber: a) Na conta 1.10.60.20 Estoque de MatériaPrima o montante inicial indicado é de R$ 9.847.897,12. A empresa não apresentou sequer o Livro de Inventário (apesar de regularmente intimada Termos n° 22 e n° 25), quanto mais a documentação que embasa tais lançamentos; b) Do mesmo modo, a conta 1.20.70.10 Bens em Operação (do Imobilizado) apresenta um saldo inicial de R$ 215.391.765,64, para a qual também não houve apresentação de qualquer comprovante; c) Por conseguinte, o valor de R$ 85.059.486,57 da conta 1.20.79.20 Depreciação Acumulada, também não foi comprovado; d) Na conta 2.20.60.10 Provisão Para Contingências o valor inicial é de R$ 12.500.00,00, más (sic) não está registrado no LALUR; e) Já conta 2.30.10.10 Capital Social o montante inicial indicado é de R$ 2.000.000,00, valor esse dez vezes maior que o Fl. 8945DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.930 33 informado na D1PJ/2009 e vinte vezes superior ao registrado na Junta Comercial de São Paulo JUCESP, na última alteração contratual de 23/10/06, sob n° 260.657/062, que é de R$ 100.000,00. Tanto é verdade, que a fiscalizada apresentou, em 02/10/13, cópia do "Requerimento de Alteração do Valor do Capital Social junto à JUCESP" protocolizado em 01/10/13, bem como cópia da "Alteração e Consolidação N° 12 (Doze)" do Contrato Social da empresa (sem assinaturas), que elevou o Capital Social de R$ 100.000,00 para R$ 2.000.000,00; f) E a conta 2.30.40.10 Reserva de Lucros são contabilizadas reservas de:Lucros de 2005, 2006, 2007 e 2008, além de Lucros Acumulados num total de R$ 156.115.940,40. Efetuando uma verificação nas DIPJ desde o ano calendário de 1998, constatamos que a empresa sempre recolheu pelo Lucro Presumido, e distribuiu lucros isentos aos seus sócios no total da isenção (base de cálculo deduzido os impostos e contribuições). Isso está demonstrado na planilha anexa "Análise dos Lucros Distribuídos 1998 a 2008", que é parte integrante e indissociável deste termo. Como a empresa não possuía escrituração contábil nesse período (apenas LivrosCaixa), não há documentação que dê suporte a essa informação. Diante das alegações dos recorrentes de que o lançamento se baseou apenas em falta de comprovação, oportuno observar que o art. 527 do Decreto nº 3.000/99 estabelece que, além da escrituração contábil, as empresas tributadas com base no lucro presumido, devem manter o Livro de Registro de Inventário, e todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal. Essa também é disposição contida no art. 195, parágrafo único, do CTN, e no art. 18 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Ocorre que, a autuada, diante de todas as inconsistências apresentadas no relato fiscal, e apesar das várias oportunidades conferidas pela fiscalização, não apresentou os documentos a que se refere esse Decreto e Leis citdas, a fim de que a Auditoria Fiscal pudesse comprovar se o Balanço Patrimonial de Abertura espelhava a realidade. Assim, o Auditor Fiscal não poderia ser omisso, ao deixar de lançar como remuneração sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias as despesas que foram pagas aos sócios administradores e parentes de 1º grau, provenientes da conta distribuição de lucros, cujo saldo não foi comprovado pela autuada. Com relação ao Laudo de Avaliação apresentado pelos Recorrentes, para demonstrar que os valores nele apurados são próximos dos escriturados pela autuada, tenho o mesmo entendimento exarado no acórdão 3401003.895 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, quando tratou dos mesmos fatos relativos à autuada: Posteriormente, em impugnação, o recorrente fez juntar um laudo de avaliação, não aceito pela turma julgadora a quo, em função de sua pretensa incompletude, o que foi rechaçado pela defesa. Fl. 8946DF CARF MF 34 Nesse ponto, entendo que o laudo de avaliação (fls. 6.820 e ss.), em si, não é incompleto, tampouco inválido, eis que respeita o art. 8o da Lei n° 6.404/76, contudo, há algumas especificidades que o tornam inapropriado a fazer a prova desejada pelo recorrente, uma vez que a avaliação dos edifícios e instalações não alcançou todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, mas tãosomente aquele localizado na Av. Fernando Piccini, 220 — Distrito Industrial —Vinhedo/SP. Por outro lado, se esse é o único estabelecimento da pessoa jurídica, outro obstáculo se erige, ao passo que o valor do laudo é cerca de 30% (trinta por cento) inferior àquele constante do balanço de 2009 (efls. 6.818/6.819). A diferença de valores também se verifica em relação às contas "Móveis e Utensílios", "Máquinas e Equipamentos" e "Computadores e Periféricos" sujeitas à depreciação e integrantes da rubrica "Depreciação Acumulada". Portanto, o laudo de avaliação não sustenta os valores registrados no balanço. Além do que, referida avaliação foi elaborada em outubro/2014, refletindo os valores atuais dos bens naquela data, motivo pelo qual não atende à exigência do art. 19, parágrafo único, da Lei n° 8.541/92, que prevê, ao contribuinte que não mantiver escrituração comercial completa, a realização, no dia 1o de janeiro do anocalendário seguinte, levantamento patrimonial visando a elaboração do balanço de abertura e permitir o início da escrituração contábil. Tendo em conta a mudança do regime de tributação ocorrida entre 2008/2009, deveria o contribuinte ter providenciado dito levantamento patrimonial em 01/01/2009. Como não bastasse, também não apresentou a documentação que permitiria identificar os bens componentes do seu patrimônio, o que impediu, do ponto de vista fiscal, o reconhecimento do direito às quotas de depreciação a partir da conta "depreciação acumulada". As inconsistências do Laudo de Avaliação, apontadas nos trechos do acórdão acima transcrito, são corroboradas pela própria recorrente, em seu Recurso Voluntário, quando afirma que na conta Edifícios mantinha a cifra de R$ 29.154.835,84 (fls. 8874), mas, como transcrito acima, o Laudo de Avaliação só contemplou 01 (um) estabelecimento da autuada, cujo valor é inferior ao constante no Balanço de 2009. Aliás, os recorrentes afirmam que uma simples visita ao Cartório de Imóveis comprovaria o alegado, entretanto, não se incumbiu de trazer tal prova, pugnando, agora, por diligência para que a fiscalização faça provas a seu fazer, quando, no caso, as provas caberiam aos próprios Recorrentes. Portanto, referido laudo não se mostrou capaz de sustentar os valores constantes no Balanço Patrimonial de Abertura apresentado pelos Recorrentes. Assim, nenhum reparo a ser feito no Acórdão recorrido, nesse ponto. Com relação aos pagamentos a transportadores autônomos, que os recorrentes dizem terem sido prestados por pessoas jurídicas, considero que a simples apresentação dos CNPJ e ficha cadastral da Jucesp não são suficientes para provar o alegado, pois, como já asseverado na decisão da DRJ, a prova das partes envolvidas na operação de Fl. 8947DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.931 35 transporte segue o disposto no art. 6º da Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007: "O transporte rodoviário de cargas será efetuado sob contrato ou conhecimento de transporte, que deverá conter informações para a completa identificação das partes e dos serviços e de natureza fiscal". Assim, os únicos documentos apresentados pela autuada foram recibos de pagamento a pessoas físicas. Portanto, o acórdão recolhido não merece reforma, nesse ponto. Alegam os recorrentes não ser possível converter pagamentos sem causa em remuneração, passível de incidência de contribuição previdenciária. Nesse aspecto, têm razão os recorrentes. A fundamentação do lançamento fiscal foi o pagamento sem causa, entretanto, não há dispositivo na Lei nº 8.212/91, ou qualquer outro texto legal, que diga que pagamento sem causa é fato gerador da obrigação previdenciária principal. Dessa forma, a motivação da autuação não está adequada ao lançamento de contribuições sociais previdenciárias. No próprio Termo de Intimação (fls. 3693) e Reintimação (fls. 3743), o Auditor Fiscal assevera que a falta de identificação do beneficiário e/ou causa dos pagamentos efetuados pela autuada ensejará a tributação do IRRF com base majorada. Vêse que ele aplicou ao presente lançamento motivação que ensejaria a tributação do IRRF, nos termos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Assim, entendo que devem ser excluídos do lançamento os pagamentos referentes à conta contábil "assistência técnica", e o pagamento de despesa de telefone de Antonio Sérgio Bortolin (CPF: 007.440.28892), constantes na planilha "Infrações Apuradas por conta contábil", uma vez que o Auditor Fiscal motivou inadequadamente a autuação. Da qualificação da multa e da responsabilidade solidária Os recorrentes alegam que a fiscalização não conseguiu provar a existência de dolo, fraude e simulação, sustentandose unicamente na falta de comprovação dos registros contábeis. Insurgese contra a qualificação da multa em relação aos lançamentos referentes às empresas Art Brasil (o auditor fiscal não descreveu sobre a fraude, dolo e simulação), WalPal (a prática de simulação que foi enquadrada não está tipificada nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64) e São Jorge (não foi mostrada a intenção do sócio da autuada em criar a empresa para receber remunerações indiretas). Não assiste razão aos recorrentes, os fatos que deram ensejo à qualificação da multa e da responsabilidade solidária estão especificamente descritos no Termo de Verificação Fiscal: Assim sendo, constatamos que o contribuinte, ao proceder à elaboração do Balanço Patrimonial de Abertura, criou um montante de Reservas de Lucros, Capital Social e Provisão Para Contingências que não era real, com o intuito de distribuir rendimentos isentos aos sócios, e, como contrapartida, aumentou o valor do Imobilizado e dos Estoques para aumentar os custos e as despesas de depreciação, inserindo informações e/ou elementos inexatos na sua contabilidade, caracterizando Crime Contra a Ordem Tributária conforme art. 1º da Lei n° 8.137/90. [Fls. 4104] [...] Fl. 8948DF CARF MF 36 Analisando os documentos apresentados verificamos que o sujeito passivo usou de simulação com a criação de valores de Reservas de Lucros (juntamente com os do Ativo Imobilizado não comprovados) para Distribuição de Lucros isentos. Cabe salientar que os sócios administradores da empresa, Valdir Soares de Mello, CPF n° 921.341.14800, Francisco Esteves de Araújo, CPF 057.103.24868 e Jose Domingos Ferreira, CPF n° 892.637.07804, utilizaram vários expedientes para retirar valores da empresa sem incluílos nos prólabores, ou seja, sem oferecer à tributação os valores pagos a título de remuneração dos sócios administradores e, consequentemente, sem pagar as Cotas Patronais das Contribuições Previdenciárias com verdadeiro intuito de fraude e sonegação. Essa prática se deu com o pagamento de despesas dos sócios e seus parentes de 1o grau, com depósitos nas contascorrentes dos mesmos, com a criação de valores de RESERVAS DE LUCROS (juntamente com os do Imobilizado não comprovados) para Distribuição de Lucros isentos e com a suposta contratação de serviços que também não foram comprovados. Também efetuaram vários pagamentos a funcionários (alguns deles filhos dos sócios da empresa) sem incluílos nas folhas de pagamento, novamente com intuito de fraude e sonegação (para não reter e pagar os tributos pertinentes), bem como a pessoas físicas e jurídicas sem apresentar a causa de tais pagamentos. No caso das despesas com veículos devemos ressaltar que mesmo a fiscalizada não tendo apresentado a composição de seus Ativos Imobilizados, verificamos que os sócios administradores e seus parentes de 1º grau, bem como alguns funcionários (filhos desses sócios administradores) utilizavam veículos luxuosos (Mercedes, BMW, Volvo, Chrysler, etc.), que deveriam fazer parte dos respectivos salários e prólabores, enquanto que os carros realmente utilizados nas atividades da empresa eram simples (Uno e Montana). Os extratos do RENAVAM indicam os veículos que eram da empresa (inclusive os utilizados como "fringe benefits") e os que eram dos demais. E ainda temos o caso peculiar do Diretor Industrial Waldir Gulineli Paladino, CPF n° 154.164.70097, que foi demitido em 19/03/200, e que passou a receber pela empresa de consultoria WALPAL CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDAME, CNPJ nº 10.526.325/000100, conforme detalhado no item 2.2.13 abaixo. É importante ressaltar que tais expedientes foram recorrentes durante todo o período, se repetindo de forma sistemática em várias contas contábeis, sendo que ficou caracterizada a intenção da empresa em reduzir o montante dos tributos a pagar com verdadeiro intuito de fraude e sonegação. Dessa forma as multas aplicadas serão majoradas nos termos do art. 44 da Lei nº 11.488/07.[fls. 4105/4106] [...] E também que empresa SAO JORGE CONSULTORIA, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ME, CNPJ Fl. 8949DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.932 37 Nº 09.618.144/000180, de propriedade do sócio Valdir Soares de Mello, CPF nº 921.341.14800, e seus parentes de 1º grau (Cônjuge Rosemari Marquetti de Mello, CPF nº 033.988.578 50, filha Paula Renata Marquetti de Mello, CPF nº 289.021.12829, filho Felipe Alberto Marquetti de Mello, CPF nº 333.353.17807 e filha Carla Roberta Marquetti de Mello, CPF nº 305.323.71801), teve ISS, Taxa de Licençca, Taxa de Fiscalização, etc, pagas pela fiscalizada, e também serão consideradas como remunerações indiretas dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, deveriam ser somadas aos rendimentos mensais (salários ou prólabores) para cobrança dos tributos pertinentes. Tudo isso lançamento de ofício de Contribuições Previdenciárias relativas à Cota Patronal, sendo que as multas aplicadas serão majoradas nos termos do parágrafo 1o do art. 44 da Lei n° 9.430/96 com redação dada pela Lei nº 11.488/07. [fls. 4108] [...] Mesmo tendo sido intimada em 11/04/13 (Termos nº 23, n° 24 e n° 25) a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse os valores dos Saldos Inicias da conta 2.30.40.10 Reservas de Lucros, que compôs o Balanço de Abertura da empresa (função da mudança de regime do Lucro Presumido Livro Caixa para Lucro Real Diário Geral), a fiscalizada não o fez. Isto corrobora a intenção dos sócios administradores da empresa, Valdir Soares de Mello, CPF nº 921.341.1480, Francisco Esteves de Araújo, CPF n° 057.103.24868 e Jose Domingos Ferreira, CPF n° 892.637.07804, de fraudar o Fisco, para retirar valores da empresa sem incluílos nos pró labores, ou seja. sem oferecer à tributação os valores pagos a título de remuneração dos sócios administradores e, consequentemente, sonegar os tributos pertinentes. O total debitado nesta conta foi de R$10.109.510,13 Desse montante, o total de R$ 1.292.646,84 referese a despesas referentes aos pagamentos de diversas contas, IPTU, boletos, cartões de crédito, etc, bem como depósitos bancários dos sócios administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes e assessores, pagas pelo contribuinte, que foram identificados, e que por se tratar de remunerações indiretas dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, deveriam ser somadas aos rendimentos mensais (salários ou prólabores) para cobrança dos tributos pertinentes. Tudo isso ensejará lançamento de ofício de Contribuições Previdenciárias relativas à Cota Patronal, sendo que as multas aplicadas serão majoradas nos termos do parágrafo 1º do art. 9.430/96 com redação dada pela Lei n° 11.488/07. [fls. 4114] Diante dos fatos narrados acima, não dá como aceitar a tese dos Recorrentes de que não houve intenção, dolo e fraude em sua conduta. A empresa se recusou a apresentar documentos que atestassem o real valor do saldo inicial de suas reservas de lucros, mesmo Fl. 8950DF CARF MF 38 sabedora que estava obrigada a realizar, no dia 1º de janeiro do anocalendário seguinte ao que passou ao regime de tributação no lucro real, levantamento patrimonial, a fim de elaborar balanço de abertura e iniciar escrituração contábil, nos termos do parágrafo único do art. 19 da Lei nº 8.541/92. Entretanto, esse levantamento não foi efetuado, o que fez foi apresentar Laudo de Avaliação, elaborado em 2014, que, como apontado pela fiscalização, apresentava inconsistências. Corretos estivessem os valores dessas reservas, a empresa não se eximiria de levar os documentos ao conhecimento da fiscalização e aos órgãos julgadores, e, agora tenta desconstituir o lançamento, sob alegação de que a auditoria fiscal motivou o lançamento apenas na falta de comprovação. Ora, depois de todas as oportunidades que a fiscalização deu para que os documentos fossem apresentados, e mesmo decorridos mais de 3 (três) anos do encerramento da fiscalização, a empresa não se incumbiu de apresentar documentos que pudessem atestar a veracidade dos valores registrados no Balanço Patrimonial de Abertura. Por tais razões, o lançamento não está motivado somente pela falta de comprovação, como quer fazer parecer os recorrentes, mas pela inconsistência desse Balanço, que não se mostra verídico, diante das comparações que o Auditor Fiscal fez com outros elementos e declarações entregues pela autuada, como as DIPJ, o LALUR, e as alterações contratuais. Não bastasse isso, as contas contábeis da autuada continham registros que não tinham qualquer relação com a natureza das contas. Uma simples observação à planilha "infrações apuradas por conta contábil" corrobora o apontado pela fiscalização. Na conta viagens e estadias, estavam registradas despesas de condomínio, celular, telefone fixo, faculdade, pagamento de funcionários, cartão de crédito, multas de trânsito, DARF, GPS, dentre outras. Ora, tal ocorrência, que se repetiu em todos os meses do ano de 2009, não pode ser considerado como erro, mas, a meu ver, como intenção se mascarar a verdadeira origem das despesas, muitas delas pertencentes aos sócios administradores e seus parentes. Portanto, correta a aplicação da multa majorada, e da responsabilidade solidária, por isso, adoto as mesmas razões de decidir exaradas no voto vencedor do acórdão 1201001.508, de 11 de agosto de 2016, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF: Os fatos citados evidenciam que a contabilidade examinada estava eivada de registros que não correspondiam aos fatos reais, caracterizandose a intenção dolosa de sonegar os tributos devidos; a simulação é evidente, caracterizandose o art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que resulta na manutenção da multa de ofício qualificada de 150%: Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 8951DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.933 39 Relembro que, conforme consta às fls. 4116 e 4125/4129, não houve majoração da multa para o levantamento "TA Pagto Transportador Autônomo". E, sendo exonerados excluídos do lançamento os pagamentos referentes à conta "assistência técnica", deixo de analisar a questão da multa qualificada em relação a esses tópicos. Com relação à responsabilidade solidária, diante de todos os fatos apontados anteriormente, não se pode negar a existência de atuação com excesso de poderes, infração à lei, e interesse comum, aspectos mais do que suficientes para arrolar os sócios administradores como responsáveis solidários pelo crédito constituído. Em relação aos atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, compartilho do mesmo entendimento exarado no acórdão 3401 003.895, de 26 de julho de 2017, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF: A situação relatada, em minha visão, configura clara confusão patrimonial entre a pessoa jurídica e seus sócios, o que caracteriza excesso de poderes, a atrair a responsabilidade do art. 135, III do CTN. Essa confusão patrimonial fere o princípio contábil da "entidade", previsto no art. 4o da Resolução CFC n° 750, de 29/12/1993, publicado no DOU de 31/12/1993, verbis: "SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4°. O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único — O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil." Nesse passo, os sócios como detentores de cotas do capital social da pessoa jurídica não dispõem de seu patrimônio para lançar mão e arcar com despesas pessoais a seu livre talante, como ocorrido, sem qualquer conseqüência jurídica. Aliás, não sem razão, dispõe o art. 50 do Código Civil que, "em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens Fl. 8952DF CARF MF 40 particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." (destacado) É exatamente esse o caso dos autos, tanto assim que, segundo consta da declaração de voto proferida no julgamento de primeiro grau, há referência a deferimento de medida cautelar fiscal de bloqueio de bens de todos os sócios da pessoa jurídica para evitar o esvaziamento patrimonial da sociedade e garantir os créditos da Fazenda Nacional. Tal entendimento também demonstra que o excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, dispostos no art. 135 do CTN não estão condicionados à demonstração de dolo, pelo que, nenhuma referência ele faz aos artigos 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502/64, da forma que faz o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por isso, entendo que, a crítica da recorrente de que a responsabilidade dos sócios foi atribuída aos lançamentos com multa de 75% não tem fundamento, pois não há que se provar a intenção do dolo. Nesse aspecto, continuo a transcrição do trecho do acórdão anteriormente citado, por adotar as mesmas razões de decidir: A esse respeito, filiome à tese exposta na declaração de voto já mencionada eis que, diversamente do que prega o recorrente, indigitado art. 135 não exige o dolo ou fraude para atribuição de responsabilidade, mas tãosomente a constatação de infração à lei ou o excesso de poderes, não se exigindo sempre que esta "infração à lei", no âmbito tributário corresponda ao dolo, fraude ou sonegação, a exigir a qualificação da multa, conforme estatuído nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. No que se referese ao interesse comum, os fatos relatados pela auditoria fiscal e os documentos trazidos aos autos demonstram que as despesas pessoais de todos os sócios eram pagas pela autuada, e todos eles se beneficiaram do saldo de reserva de lucro, cuja existência não restou comprovada pela autuada. Dessa forma, perfeitamente aplicável a responsabilidade solidária do art. 124, inciso I, do CTN. Ademais, o Termo de Responsabilidade Solidária (fls. 4146/4153) descreve as disposições legais infringidas, fazendo referência aos demais processos administrativos fiscais, aos fatos apurados que estariam tipificados como crimes contra a ordem tributária, e aos artigos do CTN que tratam da responsabilidade solidária. Portanto, não vejo qualquer confusão nesse Termo, como apontado pela recorrente, nem tentativa de atribuição de responsabilidade ao sócio Valdir Soares de Mello, por infrações apontadas em outras autuações. O que vejo é que, os fatos relatados nele, originaram a constituição de crédito referente a outros tributos como IRPJ/CSLL/IRRF/Multa isolada, PIS/PASEP/COFINS, e todos eles deram ensejo à responsabilidade solidária, da mesma forma que o relativo às contribuições previdenciárias, porque originados dos mesmos fatos. Quanto ao tópico sobre ausência de justa causa para aplicação da multa qualificada, considero que a alegação da inexistência de provas para a aplicação dessa majoração, e do interesse comum dos sócios para fins de responsabilidade solidária já foram abordadas ao longo desde voto, entendendo por manter a responsabilidade solidária integral de todos os sócios arrolados pela fiscalização, e a qualificação da multa aplicada. Conclusão Diante do exposto, voto por: Fl. 8953DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.934 41 não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada, vigente na data deste julgamento. conhecer do recurso voluntário para, rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e, no mérito, darlhe parcial provimento, para excluir da base de cálculo do tributo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica", e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, conforme tabela abaixo: Conta Competência Valor Levantamento Assist. Téc. abr/09 125.087,24 SC PAGTO SEM CAUSA Assist. Téc. mai/09 192.412,22 SC PAGTO SEM CAUSA Assist. Téc. jun/09 97.425,82 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone jan/09 443,71 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone fev/09 411,83 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone mar/09 365,65 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone mai/09 488,05 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone jun/09 456,76 SC PAGTO SEM CAUSA TOTAL 417.091,28 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 8954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900019/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/04/2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 15/04/2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15374.900019/2009-23
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5755311
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.643
nome_arquivo_s : Decisao_15374900019200923.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 15374900019200923_5755311.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6883992
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467145420800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.900019/200923 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.643 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2017 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente GLOBEX UTILIDADES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/04/2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 19 /2 00 9- 23 Fl. 73DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 3539: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 31627.27243.140904.1.3.049500, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/04/2004, a título de Cofins, com débito de Cofins relativo a agosto de 2004, no valor original de R$ 156.043,06. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 8 não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar o débito de Cofins do PA 31/03/2004. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, na qual alega que: Efetuou o pagamento do COFINS, referente ao período de apuração de 31/03/2004, através de DARF, no valor de R$ 951.892,49, reduzindo significativamente o saldo credor original de R$ 1.531.631,00. Acontece que ao conferir, a base de cálculo do tributo, a recorrente constatou a existência de um saldo credor a seu favor no valor de R$ 718.207,54. Ademais, restou configurado que o valor atualizado do saldo credor do contribuinte era na verdade de R$ 1.315.282,47, configurado pagamento a maior, ou seja, um saldo a favor do contribuinte correspondente ao valor de R$ 355.602,04, o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma à época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita, transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Ao proceder desta forma a recorrente nada mais fez do que exercer o seu direito regulado nas normas editadas pela SRF, e previstas na legislação federal. Porém, a autoridade fiscal sem um motivo justo qualquer não homologou a compensação solicitada pela recorrente, formalizando a sua decisão através do despacho decisório ora combatido. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15374.900019/200923 Acórdão n.º 3302004.643 S3C3T2 Fl. 3 3 Portanto, a decisão da autoridade fiscal em não homologar a compensação efetuada sem considerar outros elementos atinentes ao caso e que eram de fácil é totalmente desprovida de razoabilidade e fere o direito da recorrente. Já é de conhecimento da maioria que no âmbito federal as empresas de grande porte são obrigadas a declarar as suas informações por meio eletrônico e com certificação digital. Contudo, a recorrente vem sendo prejudicada, pois não consegue retificar a sua DCTF, em decorrência dos problemas mencionados. Por fim requer a revisão do lançamento e, via de conseqüência, reconhecida a existência do crédito para fins de homologar a compensação declarada. Em 07.03.2013, a Turma de piso julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito crédito apurado pela Recorrente, conforme se verifica na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Intimada da decisão em 23.05.2013 (fls.41), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.05.2013 (fls.4350), reiterando, em síntese, os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Walker Araujo I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 23.05.2013 (fls.41) e protocolou Recurso Voluntário em 23.05.2013 (fls. 4350), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 75DF CARF MF 4 Conforme exposto anteriormente, o crédito utilizado pela Recorrente declarado no PER/DCOMP nº nº 31627.27243.140904.1.3.049500, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/04/2004, a título de Cofins, no montante de R$ 355.602,04. Segundo a Recorrente, o crédito tem origem no erro cometido na apuração da base de cálculo da referida, o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma a época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Juntou inicialmente apenas o PER/DCOMP 31627.27243.140904.1.3.049500 para comprovar suas alegações. Por sua vez, a Turma "a quo" afastou o direito da Recorrente por total ausência de provas capaz de comprovar/demonstrar a origem do crédito pleiteado, conforme trecho destacado da decisão: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em março de 2004, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. Em sede recursal, a Recorrente reproduziu os argumentos explicitados em sede de manifestação de inconformidade e não apresentou outros documentos/planilhas para comprovar seu direito. Pois bem. O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 76DF CARF MF Processo nº 15374.900019/200923 Acórdão n.º 3302004.643 S3C3T2 Fl. 4 5 deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7.574/20114. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP nº 31627.27243.140904.1.3.049500, justificando, assim, a manutenção do despacho decisório que não homologou referido pedido de compensação. Em resumo, não há como validar o crédito da Recorrente com base em meras suposições e alegações genericamente apresentadas. III Conclusão 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 77DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
