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Numero do processo: 11516.721766/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PREJUDICIAL. JULGAMENTO POSTERIOR. REGULARIDADE. MANIFESTAÇÃO. PROCESSO PRÓPRIO.
Não há que se falar em irregularidade no julgamento do processo de lançamento de contribuições previdenciárias decorrente de exclusão do SIMPLES, quando o julgamento da questão prejudicial já ocorreu em processo autônomo. Todas as manifestações defensivas de irregularidade do procedimento de exclusão deverão ser formuladas naquele processo.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento de defesa quando se encontra devidamente discriminados, no auto de infração e seus anexos, os fatos geradores, as contribuições apuradas, as multas aplicadas e os juros de mora, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e quais os dispositivos legais que amparam o lançamento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO COM VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE PARA O SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de contribuição previdenciária patronal com o vedor recolhido indevidamente para o Simples Nacional.
GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES.
Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições.
MULTA DE OFÍCIO
Contribuições previdenciárias e as devidas a terceiras entidades e fundos, não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à multa de ofício conforme determina a legislação em vigor.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Numero da decisão: 2201-005.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário em razão de tratar de matéria preclusa. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento parcial para determinar o aproveitamento dos recolhimentos de mesma natureza efetuado pela sistemática simplificada.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PREJUDICIAL. JULGAMENTO POSTERIOR. REGULARIDADE. MANIFESTAÇÃO. PROCESSO PRÓPRIO. Não há que se falar em irregularidade no julgamento do processo de lançamento de contribuições previdenciárias decorrente de exclusão do SIMPLES, quando o julgamento da questão prejudicial já ocorreu em processo autônomo. Todas as manifestações defensivas de irregularidade do procedimento de exclusão deverão ser formuladas naquele processo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando se encontra devidamente discriminados, no auto de infração e seus anexos, os fatos geradores, as contribuições apuradas, as multas aplicadas e os juros de mora, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e quais os dispositivos legais que amparam o lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO COM VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE PARA O SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuição previdenciária patronal com o vedor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. MULTA DE OFÍCIO Contribuições previdenciárias e as devidas a terceiras entidades e fundos, não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à multa de ofício conforme determina a legislação em vigor. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
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PREJUDICIAL. JULGAMENTO POSTERIOR. REGULARIDADE. MANIFESTAÇÃO. PROCESSO PRÓPRIO. Não há que se falar em irregularidade no julgamento do processo de lançamento de contribuições previdenciárias decorrente de exclusão do SIMPLES, quando o julgamento da questão prejudicial já ocorreu em processo autônomo. Todas as manifestações defensivas de irregularidade do procedimento de exclusão deverão ser formuladas naquele processo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando se encontra devidamente discriminados, no auto de infração e seus anexos, os fatos geradores, as contribuições apuradas, as multas aplicadas e os juros de mora, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e quais os dispositivos legais que amparam o lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO COM VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE PARA O SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuição previdenciária patronal com o vedor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. MULTA DE OFÍCIO Contribuições previdenciárias e as devidas a terceiras entidades e fundos, não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à multa de ofício conforme determina a legislação em vigor. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 17 66 /2 01 1- 07 Fl. 403DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 As decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário em razão de tratar de matéria preclusa. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento parcial para determinar o aproveitamento dos recolhimentos de mesma natureza efetuado pela sistemática simplificada. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 07-34.257 - 6a Turma da DRJ/FNS, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Da análise dos autos depreende-se que o presente processo trata dos seguintes lançamentos: Auto de Infração, DEBCAD nº 51.004.246-5, no valor de R$ 767.489,58, já acrescido da multa de oficio de 75%, da multa e dos juros de mora, referente às contribuições devidas à previdência social, correspondentes à parte da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho - RAT, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada. Auto de Infração, DEBCAD nº 51.004.248-1, no valor de R$ 211.374,52, já acrescido da multa de oficio de 75%, da multa e dos juros de mora, referente às contribuições devidas às terceiras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada. Auto de Infração, DEBCAD n° 51.004.249-0 (CFL 78) , no valor de R$ 1.000,00, decorre do fato da empresa ter apresentado GFIP como optante do SIMPLES Federal no Fl. 404DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 período fiscalizado, deixando, assim, de confessar como devidas exações existentes para as empresas não optantes, referente às competências 02/2008 e 11/2008. A despeito das competências aqui tratadas se referirem a período anterior a vigência da Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, a entrega das GFIPs, de ambas as competências, se deram em 22/04/2009 e 05/12/2008, respectivamente, sob a égide da nova regra, portanto. Conforme Relatório Fiscal de fls. 38 a 44, durante a auditoria fiscal foram identificadas diversas práticas, por parte da fiscalizada, ensej adoras de exclusão de ofício do regime diferenciado SIMPLES. Em razão disso, foi apresentada Representação Fiscal direcionada ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, expondo as razões de fato e de direito incorridas pelo contribuinte. Como resultado, a empresa foi excluída do SIMPLES Nacional a partir de julho de 2007, estando proibida de voltar a optar pelo regime até dezembro de 2012. Tais informações constam do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 194, de 15 de setembro de 2011 (anexo, Doe. 04), cuja ciência foi dada em conjunto com a do presente lançamento. A autuada, por sua vez, a fim de impugnar os autos de infração acima identificados, apresentou impugnação de fls. 257 a 294, por meio da qual, inicialmente, faz um relato sobre os fatos apurados pela fiscalização no decorrer do procedimento fiscal, alegando, em breve síntese, que: conforme se depreende do relatório fiscal, os três autos de infração decorrem da exclusão da impugnante do SIMPLES a partir de julho de 2007, assim, a lavratura do auto de infração BEBCAD n° 51.004.249-0 (obrigação acessória), configura verdadeiro bis in idem, vedado em nosso ordenamento jurídico, vez que nos outros dois lançamentos também foi aplicado a penalidade aplicável à espécie; os autos de infração DEBCADs n° 51.004.246-5 e n° 51.004.248-1 são nulos, eis que o auditor fiscal, ao deixar de encaminhar para a empresa planilha discriminando mês a mês o valor do salário - de - contribuição, a contribuição apurada, o montante das multas e dos juros, cerceou o direito de defesa da requerente; é crível que para aferir o valor das contribuições devidas, juros é multa os documentos faltantes, ora relacionados, são de suma importância; diante da ausência dos documentos citados anteriormente, a empresa também não teve como verificar se a autoridade fiscal, quando da lavratura dos autos de infração em comento, considerou ou não as contribuições recolhidas pelo sistema SIMPLES; como se vê, tanto a cártula impugnada como o Relatório Fiscal que a acompanha foram omissas em pontos relevantes, limitando-se a mera soma do valor principal, juros e multa, sem apontar os fatos e os elementos concretos que deram causa à importância, supostamente, devida; como é assente na doutrina que trata acerca da matéria, o lançamento constitutivo do crédito tributário e os documentos que o instruem devem descrever o fato gerador com todos os detalhes, fundamentação fática e legal; bem como, a posição da jurisprudência é pacífica e remansosa no sentido de determinar que o auto de infração deve, sob pena de nulidade, descrever circunstanciada e materialmente a ocorrência do fato gerador; assim, diante ausência dos requisitos de legalidade, tal como preconiza a melhor doutrina, nem de longe pode se considerar o título líquido e certo, logo, também não é exigível; - tendo em vista que a autoridade fiscal não descontou do montante apurado, no decorrer do procedimento fiscal, os valores já recolhidos pela autuada pelo sistema SIMPLES, o auto de infração, ao exigir do mesmo sujeito passivo tributos decorrentes do mesmo fato gerador, por configurar o bis in idem, toma-se flagrantemente inconstitucional, vez que afronta o inciso I, art. 154, da Constituição Federal de 1988; - as multas impostas nos autos de infração em comento, consubstanciam-se em verdadeiro confisco, o que é vedado pela Carta Magna; Fl. 405DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 neste diapasão vale citar que os lançamentos ora combatidos são incoerentes e desarrazoados, vez que a auditoria fiscal não observou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; caso não se entenda pela nulidade dos autos de infração em discussão requer a adequação da multa de oficio e dos juros de mora a patamares legais e aceitáveis. Por fim, requer a improcedência dos autos de infração ora combatidos. É o relatório. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 346/353): CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando se encontra devidamente discriminados, no auto de infração e seus anexos, os fatos geradores, as contribuições apuradas, as multas aplicadas e os juros de mora, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e quais os dispositivos legais que amparam o lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO COM VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE PARA O SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuição previdenciária patronal com o vedor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. MULTA DE OFÍCIO Contribuições previdenciárias e as devidas a terceiras entidades e fundos, não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à multa de ofício conforme determina a legislação em vigor. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Em face da referida decisão, da qual foi cientificado em 24/03/2019, a contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls. 357/366) em 22/04/2014, alegando, em síntese, que: 1) Cerceamento de defesa. Pois não se encontra devidamente discriminado nos autos de infração e seus anexos os fatos geradores, as contribuições apuradas, as multas aplicadas e os juros de mora, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e quais os dispositivos legais que amparam o lançamento; 2) Da ocorrência de duplicidade na imposição de multas. Porque as multas aplicadas pela autoridade lançadora em decorrência do não cumprimento de obrigação acessória e a multa de ofício de 75% acabam por punir pelo mesmo fato a ora recorrente, ensejando violação ao chamado Princípio do "bis in idem", deste fato foi pedido que a penalidade acessória fosse afastada de plano pela Delegacia de Julgamento; Fl. 406DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 3) Apropriação dos valores efetivamente recolhidos pela ora recorrente na qualidade de optante pelo SIMPLES; 4) Alegação em benefício da recorrente de decisões proferidas pelos tribunais pátrios. 5) Irregularidade procedimental de exclusão da recorrente do Simples Nacional. É o relato do necessário. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Prejudicial - Exclusão do SIMPLES Sustenta a recorrente que o presente lançamento não pode prosperar, tendo em vista que não houve o julgamento do processo de exclusão do SIMPLES. De acordo com a sua tese, se a referida exclusão não se confirmar, seria improcedente o presente lançamento. Argumenta que não recebeu nenhuma intimação do julgamento da Manifestação de Inconformidade, em que discute a sua permanência na sistemática do SIMPLES. Pois bem. É certo que as contribuições ora lançadas advêm da exlusão da empresa da sistemática do SIMPLES. Assim, o julgamento procedente da Manifestação de Incoformidade apresentada, nos autos do processo nº 11516.721725/2011-11, é questão prejudicial ao deslinde do presente feito. Ocorre que, o julgamento do supra referido processo, o qual tratou da exclusão da recorrente do SIMPLES, já foi julgado através do acórdão nº 1001-000.700, de 07/08/2018, da 1ª Turma Extraordinária da 1ª Seção, tendo a exlusão do SIMPLES se mantido, nos termos da seguinte ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A evidência da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica implica exclusão de ofício do Simples Nacional com efeitos retroativos ao mês da ocorrência, inclusive, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TRABALHADORES. SERVIÇOS CONTÍNUOS. SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A cessão de mão-de-obra caracteriza-se pela disponibilização de trabalhadores nas dependências do contratante, ou de terceiros, para a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A falta de escrituração de pequena movimentação bancária no Livro Caixa, sem intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos, é insuficiente para justificar a Fl. 407DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional com fundamento no art. 29, inciso II, da Lei Complementar ° 123, de 2006. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/07/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, não merecem prosperar as alegações recursais no sentido de que não houve julgamento prévio do processo que tratou da exclusão do SIMPLES. Da irregularidade da exclusão do SIMPLES Não devem ser conhecidas as alegações de irregularidade no procedimento que excluiu a recorrente do SIMPLES, uma vez que todas as manifestações defensivas de irregularidade do procedimento de exclusão deverão ser formuladas naquele processo. Do aproveitamento dos recolhimentos na sistemática do SIMPLES Os recolhimentos efetuados na sistemática do SIMPLES devem ser deduzidos no presente lançamento, inteligência da Súmula CARF nº 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Assim, a unidade preparadora deverá observar tais recolhimentos e abater do presente crédito tributário. Da demais questões abordadas no recurso No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, acrescentando que há um erro procedimental no processo de exclusão do SIMPLES e que o presente processo não pode ser julgado, uma vez que não recebeu nenhuma intimação do resultado do julgamento do processo relacionado à referida exclusão do SIMPLES. Assim, trata-se, substancialmente, de uma repetição dos argumentos utilizados na manifestação de inconformidade, que foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Neste sentido, com base no disposto no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/1999 c/c o §3° do art. 57 do RICARF, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado a quo, cujos excertos do voto transcrevo a seguir: Das nulidades Fl. 408DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 Inicialmente, a respeito das nulidades que podem afetar o processo administrativo fiscal, importa registrar que assim dispõe o Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I -os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, do texto legal acima citado depreende-se que as únicas situações que afetam o processo de lançamento tributário de forma absoluta são os atos e termos lavrados por pessoa incompetente. Irregularidades, incorreções ou omissões diferentes destas poderão ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Deste modo, considerando-se que todos os atos e termos constantes dos autos foram praticados por pessoas no pleno gozo de sua competência funcional, nenhuma das questões aduzidas pelas manifestantes macularia o processo administrativo de forma absoluta, posto que todas seriam passíveis de saneamento. Cerceamento do direito de defesa Argumenta a impugnante que, ao deixar de encaminhar para a empresa planilha discriminando mês a mês o valor do salário - de - contribuição, a contribuição apurada, o montante das multas e dos juros, a autoridade fiscal, cerceou o direito de defesa da requerente. Inicialmente, quanto aos requisitos específicos dos autos de infração, destaque-se que houve o regular lançamento do feito, vez que, por meio do procedimento administrativo ora combatido, o servidor competente qualificou o sujeito passivo, descreveu os fatos geradores, apontou as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável, bem como determinou a exigência com a respectiva intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo. O Relatório Fiscal, itens 2.1, 2.2 e 2.3, não deixa qualquer dúvida quanto à identificação das contribuições apuradas no decorrer do procedimento fiscal, bem como relaciona o auto de infração aplicado em virtude do descumprimento da obrigação acessória. Das multas (alegação de bis in idem) A impugnante argumenta que as multas aplicadas pela autoridade lançadora em decorrência do não cumprimento de obrigação acessória e a multa de oficio de 75% acabam por puni-la pelo mesmo fato, encerrando violação ao chamado princípio do bis in idem, pelo que a respectiva penalidade acessória deve ser afastadas de plano pela Delegacia de Julgamento. Nesse passo, cumpre esclarecer que a penalidade incidente sobre o tributo lançado em auto de infração por descumprimento de obrigação principal não possui a mesma natureza da multa lançada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. No auto de infração n° 51.004.249-0 (CFL 78), se discute o não cumprimento de obrigação acessória, a qual, a teor do que disciplina o art. 113, § 2 o , do CTN, decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, não se perquirindo a existência de dolo ou culpa, nem se confundindo com a obrigação principal de recolher o tributo. Enquanto que, por meio dos autos de infração n° 51.004.246-5 e n° 51.004.248-1, está sendo exigido as contribuições devidas à previdência social e as terceiras entidades e fundos não recolhidas à época própria. relatório fiscal (itens 12 ao 30, e subitens) demonstra à exaustão, como se aplicaram as multas nos referidos lançamentos, bem como traz consignado qual o fundamento legal Fl. 409DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 que deu supedâneo aos respectivos autos de infração, inexistindo qualquer reparo a ser feito também neste particular. Outrossim, o auditor fiscal agiu rigorosamente de acordo com a lei, ao proceder à lavratura dos autos de infração ora em debate, como estabelece o art. 293 do Decreto n° 3048, de 1999, in verbis: Art. 293 - Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado Auto de Infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A multa de ofício de 75%, por sua vez, aplicada sobre o montante das contribuições cobradas por meio dos autos de infração n° 51.004.246-5 e n° 51.004.248-1, tem como fundamento legal o art. 35-A, da Lei n° 8.212, de 1991, abaixo transcrito. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). § 1 º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). Assim, não há que se falar em ocorrência de duplicidade na imposição de multas, vez que a lavratura dos autos de infração acima mencionados se deu em virtude do descumprimento de diversas obrigações da empresa. Ademais, por se tratarem de leis em pleno vigor e produzindo eficácia, de forma vinculada a elas deve a autoridade lançadora proceder ao lançamento, conforme previsto no § único do art. 142 do CTN. Tampouco, este órgão julgador possui competência legal para declarar indevidos valores moratórios e penalidades com exigência determinada pela legislação como aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social e quando da ocorrência de infração a dispositivo de lei e/ou regulamentos. Contudo, cumpre-nos informar que, as alegações arguidas pela empresa quando objetivam o reconhecimento ou a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que amparam o procedimento de constituição do crédito tributário, não podem ser acolhidas. Isso porque frente ao sistema normativo brasileiro, este órgão julgador, como órgão vinculado ao Poder Executivo, com atribuições de cunho administrativo, não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei. O agente público, no exercício de suas funções, fica inteiramente preso ao enunciado de lei, em todas as suas especificações, visto que, o controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário, pela via de exceção ou controle concreto e pela via da ação direta - conforme expresso no art. 102, I, "a" da Constituição Federal, é da competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal processar e julgar, originariamente, ação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. Desta forma, é que se repelem as alegações de inconstitucionalidade da defesa, pois os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições contidas no auto de infração em epígrafe, todos devidamente discriminados no relatório Fundamentos Legais do Débito, encontram-se em plena vigência, não havendo, até a presente data, qualquer manifestação do STF sobre a inaplicabilidade dos mesmos. Dos recolhimentos promovidos pela empresa como optante pelo SIMPLES Federal Fl. 410DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 Quanto ao pedido de apropriação dos valores efetivamente recolhidos pela empresas na qualidade de optante pelo SIMPLES, importa ressaltar que não encontra amparo na legislação à pretensa compensação de valores recolhidos indevidamente para o SIMPLES com as contribuições previdenciárias apuradas por meio de lançamento fiscal. Tal impossibilidade esta prevista no art. 89 e seus parágrafos, da Lei n°. 8.212, de 1991, e no § 6 o , do art. 56 da Instrução Normativa n° 1.300, de 2012, a seguir transcrito: Art.56. (...) § 6o É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Assim sendo, não obstante os pagamentos efetuados em razão da opção pelo Simples, verificada por ora como indevida, há expressa previsão normativa que proíbe tal compensação, logo, tal circunstância não poderia ter sido praticada pela fiscalização, tampouco pode ser modificada nesta instância julgadora. Decisões dos Tribunais Pátrios Também não merecem credibilidade as alegações da defesa quando invoca em seu benefício decisões proferidas pelos tribunais pátrios, vez que, nos termos dos artigos 468 e 472 do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, os efeitos de eventuais decisões judiciais, em caso concreto, favoráveis a outros contribuintes não tem força para alcançar terceiros estranhos à lide, ficando limitada somente aos integrantes da lide: Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. (...) Art. 472. A sentença foz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Já em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, como é o caso do princípio do não confisco, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF n° 02: Súmula CARF n°. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015 e o mesmo se verifica quanto às doutrinas citadas. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Pelo exposto, não merece provimento o recurso voluntário. Conclusão Fl. 411DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.109 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721766/2011-07 Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento, devendo ser deduzido do crédito tributário os valores recolhidos na sistemática do SIMPLES. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001496/2001-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. DECADÊNCIA. Não se conhece de recurso especial se os acórdãos apresentados para demonstrar a divergência acerca da legislação aplicável à contagem do prazo decadencial, diversamente do acórdão recorrido, não tiveram por referência exigências na forma da Lei nº 8.541, de 1992, bem como os efeitos de pedido de retificação da DIRPJ no período fiscalizado. RETROATIVIDADE BENIGNA DA REVOGAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI Nº 8.541, DE 1992. Se o paradigma indicado analisou, apenas, os efeitos da revogação do art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, não resta caracterizada divergência jurisprudencial acerca das exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, lançadas em razão do disposto no art. 43 da Lei nº 8.541, de 1992.
OMISSÃO DE RECEITAS. LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, prevista no art. 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratam-se de hipótese de incidência de tributos, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador.
Numero da decisão: 9101-004.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à decadência. Por voto de qualidade, acordam em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas (ii) quanto à retroatividade benigna da revogação promovida pela Lei nº 9.249/95 do art. 44 da Lei nº 8.541/92, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), que conheceram também no que se refere à revogação do art. 43 da Lei nº 8.541/92. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. DECADÊNCIA. Não se conhece de recurso especial se os acórdãos apresentados para demonstrar a divergência acerca da legislação aplicável à contagem do prazo decadencial, diversamente do acórdão recorrido, não tiveram por referência exigências na forma da Lei nº 8.541, de 1992, bem como os efeitos de pedido de retificação da DIRPJ no período fiscalizado. RETROATIVIDADE BENIGNA DA REVOGAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI Nº 8.541, DE 1992. Se o paradigma indicado analisou, apenas, os efeitos da revogação do art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, não resta caracterizada divergência jurisprudencial acerca das exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, lançadas em razão do disposto no art. 43 da Lei nº 8.541, de 1992. OMISSÃO DE RECEITAS. LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, prevista no art. 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratam-se de hipótese de incidência de tributos, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador.
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CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. DECADÊNCIA. Não se conhece de recurso especial se os acórdãos apresentados para demonstrar a divergência acerca da legislação aplicável à contagem do prazo decadencial, diversamente do acórdão recorrido, não tiveram por referência exigências na forma da Lei nº 8.541, de 1992, bem como os efeitos de pedido de retificação da DIRPJ no período fiscalizado. RETROATIVIDADE BENIGNA DA REVOGAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI Nº 8.541, DE 1992. Se o paradigma indicado analisou, apenas, os efeitos da revogação do art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, não resta caracterizada divergência jurisprudencial acerca das exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, lançadas em razão do disposto no art. 43 da Lei nº 8.541, de 1992. OMISSÃO DE RECEITAS. LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, prevista no art. 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratamse de hipótese de incidência de tributos, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à decadência. Por voto de qualidade, acordam em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas (ii) quanto à retroatividade benigna da revogação promovida pela Lei nº 9.249/95 do art. 44 da Lei nº 8.541/92, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), que conheceram também no que se refere à revogação do art. 43 da Lei nº 8.541/92. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 14 96 /2 00 1- 40 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso especial interposto por CLINICA DE ORTOPEDIA E FISIOTERAPIA PADRE ANCHIETA LTDA ("Contribuinte", efls. 258/275) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10196.037 (efls. 209/221), na sessão de 02 de março de 2007, no qual o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso para afastar a imposição da multa de ofício. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 0 prazo de cinco anos para o fisco efetuar a revisão das informações originalmente prestadas pelo contribuinte tern inicio na data que o fisco torna conhecimento dos novos fatos. IRPJ, CSLL e IRRF LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RECEITA ARTS. 43 e 44 DA LEI 8.541/92. A lei aplicável ao lançamento é aquela vigente na data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria, mesmo que venha a ser revogada posteriormente, nos termos do artigo 144 do CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA EM MATÉRIA TRIBUTARIA. A lei tributária somente poderá retroagir para se aplicar a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando se tratar de aplicação de penalidade menos severa, nos exatos termos do art. 106, II, "c" do CTN. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA MULTA DE OFÍCIO Considerandose que houve a retificação da DIPJ antes do inicio de qualquer procedimento Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 4 3 administrativo ou medida de fiscalização, com a declaração das receitas omitidas, há de se afastar a multa de oficio. O litígio decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre receitas omitidas no anocalendário 1995 (IRPJ, CSLL, IRRF, Contribuição ao PIS e Cofins) a partir da rejeição da retificação de declaração pretendida pela Contribuinte, sob o fundamento de que as diferenças apontadas não representariam erro de fato, mas sim omissão de receitas. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou improcedente a impugnação (efls. 132/148). O Colegiado a quo, por sua vez: i) rejeitou a arguição de decadência, fixando como termo inicial da contagem a apresentação da declaração retificadora; ii) manteve os tributos principais exigidos afirmando a aplicabilidade dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 no anocalendário 1995; e iii) afastou a penalidade aplicada porque a declaração retificadora foi apresentada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização (efls. 209/221). Os autos do processo foram recebidos na PGFN em 28/08/2008 (efl. 224), mas há registro de sua ciência em 08/09/2008 no termo anexo à decisão, seguindose a remessa dos autos ao CARF em 09/09/2008, veiculando embargos de declaração de efls. 225/226, os quais foram rejeitados em exame de admissibilidade conforme efls. 228. Cientificada desta decisão em 08/10/2008, a PGFN não interpôs recurso especial (efls. 228/231). Cientificada em 19/10/2009 (efls. 256), a Contribuinte interpôs recurso especial em 03/11/2009 (efls. 258/272) no qual arguiu divergências admitidas no despacho de exame de admissibilidade de efls. 286/287, do qual se extrai: Passo seguinte, cientificada em 19/10/2009 (AR de fls. 237 e despacho de fls. 266), a Recorrente interpôs recurso especial em 03/11/2009 (fls. 239/253), defendendo que tanto o IRPJ como a CSLL, o PIS, a COFINS e o IRRF sujeitamse às regras do lançamento por homologação, cujo prazo de decadência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; ou, na falta de pagamento, do art. 173, I, do CTN. Salienta que efetuou nos prazo legais o pagamento dos tributos objeto da autuação. E mesmo que se considere a regra do art. 173, I, do CTN, que transfere o termo inicial do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte, ainda assim teria ocorrido a decadência (termo inicial 01/01/1996 e final em 01/01/2001). Também alega que os arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, nos quais se assentam a autuação do IRPJ, CSLL e IRRF, não teriam aplicação no caso da Recorrente, pois a sua revogação pela Lei n° 9.249/95 tem aplicação retroativa, à vista do disposto no art. 106, II, c, do CTN. A Recorrente apontou contrariedade das normas mencionadas com relação à jurisprudência administrativa e indicou no processo decisões proferidas por outra câmara, turma de Camara, turma especial ou pela própria CSRF, que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou que integram a estrutura deste CARF, com vistas a demonstrar as divergências. [...] Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 5 4 Por sua vez, como paradigmas, a Recorrente cita no recurso as seguintes ementas: "ACÓRDÃO N° 10807.883/04 (RECURSO N°136.567): "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — IRPJ — ANO DE 1995/1996 — Por ser tributo cuja legislação atribuiu ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ), amoldase a sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial encontra respaldo no §40 do artigo 150 do CTN." ACÓRDÃOS N°10514.271/03 (RECURSO N° 136.131) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — HOMOLOGAÇÃO — ART. 45 DA LEI N° 8.212/91 —INAPLICABILIDADE — PREVALÊNCIA DO ART. 150, §4° DO CT1V, COM RESPALDO NO ART. 146, III, b, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. (.)". Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA — INCLUSÃO DO VALOR NA APURAÇÃO DO LCURO REAL —REVOGAÇÃO D LEI 8.541/92 QUE DETERMINAVA A TRIBUTAÇÃO DO VALOR OMITIDO SEPRADA MENTE — PENALIDADE —INTELIGÊNCIA DO ART. 106, II, "c", DO CTN — A Lei 9.249/95, que revogou a Lei 8.541/92, deve ter aplicação retroativa, a rigor do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, vez que referido dispositivo impunha penalidade ao contribuinte que tivesse omitido receita, no sentido de não levar tal valor para apuração do lucro tributável. Considerando que, com a omissão, a empresa apenas diminuiu o prejuízo fiscal, o auto há de ser cancelado nessa parte. ART. 44 DA LEI 8.541 — PENALIDADE — REVOGAÇÃ 0 — APLICAÇÃO RETROATIVA — PREVALÊNCIA DO RT. 2° DA LEI 8.849/92 — Considerando que o IRRFonte sobre omissão de receita de acordo com o art. 44 da Lei 8.541 tinha o caráter penal, tanto que abaixo do capitulo IV — Das Penalidades, considerando também que esse dispositivo foi revogado pelo art. 36, IV, da Lei 9.249, o caráter penal do lançamento deve ser cancelado por força do disposto no art. 106, II, "c", do CT1V, prevalecendo a aliquota par a distribuição de lucros aos sócios previsto no art. 2° da Lei 8.849/92, de 15%. Embargos de declaração acolhidos." As divergências suscitadas circunscrevemse: (i) decadência: adotada no acórdão recorrido a tese da contagem do prazo a partir da entrega da declaração retificadora; e no paradigma, a partir da data do fato gerador aplicandose a regra do art. 150, §4°, do CTN, ou do art. 173, I, do mesmo CTN, dependendo da existência ou não de pagamento, ainda que parcial; e (ii) no mérito, aplicação da retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN) em relação aos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, que Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 6 5 embasam o lançamento cujos fatos geradores apurados referem se ao anocalendário de 1995, tendo em vista que foram revogados a partir do ano 1996 pelo art. 36, IV, da Lei 9.249/95: adotada, no acordo recorrido, a tese da não aplicação da retroatividade benigna, uma vez que não se trata de penalidade, mas de obrigação principal e na data de ocorrência dos fatos geradores (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF) os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 ainda vigoravam; e no paradigma, pela aplicação da retroatividade benigna, na medida em que tais normas impunham penalidades aos contribuintes que tivessem omitido receitas. Em ambos os casos, verificase entre as teses postas nos aludidos acórdãos, recorrido e paradigmas, a existência de contrariedade na aplicação das referidas normas ao caso concreto. A titulo de observação, esclareçase que, no que toca ao item (i) acima especificado, fica afastada a possibilidade de considerar se a decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, pois o auto de infração formalizado em 24/05/2001 o foi em tempo hábil, na medida em que os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 1995, exercício de 1996, iniciandose a contagem em 01/01/1997 e findandose em 31/12/2001. Desse modo, a divergência posta neste item reside apenas na contrariedade entre a tese contida no paradigma (contagem a partir da retificação da declaração) quando comparada com a regra prevista no art. 150, §4°, do CTN (contagem a partir do fato gerador), que para prevalecer depende da existência de pagamento, ainda que parcial do tributo lançado. Nesse sentido, compulsando os autos, observase que, notadamente em relação ao IRPJ, a Fiscalização nos anexos do auto de infração (fls. 07/08) decotou do imposto apurado imposto pago, compensado ou IRRF. [...] O presente recurso especial atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade, tendo ainda a recorrente apontado e demonstrado divergência entre a decisão recorrida com outras decisões proferidas no âmbito dos extintos Conselhos de Contribuintes ou do CARF, atendendo o "caput" e os parágrafos 4º a 9º do art. 67 do RICARF. Assim, tendo sido apontada e demonstrada a divergência, o presente recurso pode ter seguimento. Por todo o exposto, opino no sentido de se DAR SEGUIMENTO ao recurso especial. Aduz a Contribuinte, em seu recurso especial, que: · Com referência à arguição de decadência, os arts. 898 e 899 do RIR/99 afirmariam que o IRPJ e a CSLL apurados com base no lucro presumido são tributos lançados por homologação, sujeitandose à Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 7 6 regra do art. 150, §4º do CTN ou, na falta de pagamento, à contagem prevista no art. 173, I do CTN. Citando doutrina e diversos julgados administrativos em favor de os tributos lançados se amoldarem à sistemática de lançamento por homologação, a interessada afirma a decadência dos valores pertinentes aos fatos geradores de 28/02/1995 a 30/10/1995 em face do lançamento formalizado em 25/05/2001, qualquer que seja a forma de contagem adotada. Manifesta seu estranhamento em face do argumento que admite a interrupção do prazo decadencial, diversamente a hipótese prevista no art. 173, II do CTN, e aponta divergência em face dos paradigmas nº 10804.393 e 10514.271; · Com referência à fundamentação do lançamento nos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, que entende tratarem de penalidade, invoca a revogação promovida pela Lei nº 9.249/95 para defender a aplicação do art. 106, II, c do CTN, consoante interpretado no paradigma nº 10805.902, inclusive no que se refere à exigência de IRRF. Pleiteou, ao final, que fosse dado provimento ao recurso especial para o fim de, alterando o acórdão recorrido, cancelar o lançamento tributário efetuado. Cientificada em 24/06/2013 (efl. 294), a PGFN não apresentou contrarrazões (efl. 295). Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Recurso especial da Contribuinte Admissibilidade O recurso da Contribuinte é tempestivo. Com referência à primeira divergência arguida, tratase da definição quanto ao prazo decadencial para lançamento de tributo sujeito a pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Observando que o lançamento se reporta a fatos geradores ocorridos de fevereiro/95 a outubro/95, mas somente lhe foi notificado em 25/05/2001, a recorrente pretende a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, transcrito no art. 899 do RIR/99, reportandose aos Acórdãos nº 10804.393, 10807.883 e 10514.271 (este referente a CSLL), além de observar que os demais tributos lançados (IRRF, Contribuição ao PIS e COFINS) também se caracterizam como tributos cuja legislação atribuiu ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, citando neste sentido o Acórdão nº 10806.027. Mais à frente, porém, afirma indicar como paradigmas os Acórdãos nº 10804.393 e 10514.271. Nestes autos, frente à exigência de tributos incidentes sobre receitas omitidas no anocalendário 1995 (IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins), mediante tributação em Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 8 7 separado na forma do art. 43 da Lei nº 8.541/92, com a redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.064/95, e também com exigência reflexa de IRRF na forma do art. 44 da Lei nº 8.541/92, o Colegiado a quo rejeitou a arguição de decadência, fixando como termo inicial da contagem a apresentação da declaração retificadora por meio da qual a Contribuinte pretendeu ajustar sua tributação com o acréscimo das receitas omitidas (efls. 209/221). No paradigma nº 10804.393, analisando lançamento motivado por irregularidades na apuração do IRPJ e da CSLL no anocalendário 1989, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes decidiu, de ofício, declarar a decadência do lançamento formalizado em 26/04/95, sob a premissa de que o IRPJ, desde o advento do Decretolei nº 1.967/82, sujeitase à sistemática de lançamento por homologação, sendo que o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado". Na mesma sistemática estariam incluídos a Contribuição Social sobre o Lucro, o Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL), a contribuição do PISFaturamento, o exFINSOCIAL e a sua sucessora, a Contribuição de Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Já no paradigma nº 10514.271, a 5ª Câmara do 1º Conselho afastou o prazo de 10 (dez) anos estipulado na Lei nº 8.212/91 e, considerando que a Contribuição Social é um tributo lançado por homologação e que por se tratar de pagamento antecipado, a decadência está regida pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, declarou a decadência do lançamento referente aos fatos geradores encerrados em 31.12.1994 e 31.12.1995, enquanto o auto de infração foi levado à ciência do contribuinte em 04.12.2002. Como se vê, nenhum dos paradigmas tratou de circunstâncias específicas presentes neste caso: o pedido de retificação da DIPJ e a aplicação das disposições dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 para tributação das receitas omitidas. Logo, há substancial dessemelhança entre os acórdãos comparados. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso especial somente tem cabimento se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste Conselho. Por sua vez, para comparação de interpretações e constatação de divergência é indispensável que situações fáticas semelhantes tenham sido decididas nos acórdãos confrontados. Se inexiste tal semelhança, a pretendida decisão se prestaria, apenas, a definir, no caso concreto, o alcance das normas tributárias, extrapolando a competência da CSRF, que não representa terceira instância administrativa, mas apenas órgão destinado a solucionar divergências jurisprudenciais. Neste sentido, aliás, é o entendimento firmado por todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como são exemplos os recentes Acórdãos nº 9101002.239, 9202003.903 e 9303.004.148, reproduzindo entendimento há muito consolidado administrativamente, consoante Acórdão CSRF nº 01 0.956, de 27/11/1989: Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1º vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 9 8 núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da Contribuinte relativamente à matéria "decadência". No segundo ponto do recurso especial, a Contribuinte suscita divergência quanto à revogação dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 pela Lei nº 9.249/95, dado que esta revogação teria eficácia retroativa por força do art. 106, II, "c" do CTN, e assim tais dispositivos legais não teriam mais aplicação no momento do lançamento. Neste sentido seria o paradigma nº 10805.902. Nestes autos, o Colegiado a quo afastou esta alegação sob o fundamento de que a Lei nº 9.249/95, ao revogar aqueles dispositivos, somente produziu efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996, devendo ser aplicada a lei vigente na data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributário, na forma do art. 144 do CTN. Já no paradigma nº 10805.902, a retroatividade benigna da revogação somente foi reconhecida em relação à exigência de IRRF, vez que os lançamentos de IRPJ, CSLL e PISRepique foram cancelados mediante compensação de prejuízos fiscais, e a exigência de COFINS não fez parte do contraditório por falta de argumentação na peça recursal, prestandose tal retroatividade benigna apenas a reduzir a exigência de IRRF, e não excluíla integralmente. Vejase, neste sentido, os excertos do relatório e voto do referido paradigma: [...] Pelo Acórdão 10805.688 formalizouse a decisão desta 8ª Câmara no sentido de cancelar os lançamentos de IRPJ, CSSL e PISREPIQUE pelo fato de que a receita omitida deveria ser compensada com prejuízo fiscal que a empresa detinha à época. O lançamento de COFINS não fez parte do contraditório em nível de recurso voluntário, por falta de argumentação na peça recursal. Contudo, no Acórdão não se tratou das razões relativas ao lançamento de IRFonte, como apontado no Despacho Presi 100.096/99 de fls. 202/3. É o Relatório. [...] Pois bem, o argumento da recorrente no mencionado recurso voluntário é de que a Lei 9.249/95 revogou a penalidade expressa no art. 44 da Lei 8.541/92, que capitulou a exigência do IRFonte, e, que por ser uma penalidade, a revogação teria efeito retroativo nos termos do art. 106, II, "c", do CTN. [...] Principalmente pelo fato de que o cancelamento do IRPJ não se deu em razão da falha da apuração da omissão de receita, mas sim em razão de ter sido promovida a compensação dessa Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 10 9 receita com prejuízo fiscal existente à época nos registros extra contábeis da empresa. Portanto, o lançamento do IRFonte deve ser analisado independentemente do lançamento matriz do IRPJ. Já ficou decidido nesta Câmara, em outros julgados, que o dispositivo do art. 44 da Lei 8.541/92 era efetivamente uma penalidade para o contribuinte que omitia receitas, com um percentual além do tributo normalmente exigido na distribuição de lucros da pessoa jurídica a seus sócios. Rezava o dispositivo: [...] Ora, tendo sido esse comando revogado em 1995 (Lei 9.249/95, art. 36, IV), por força do art. 106, II, "c", do Código Tributado Nacional, deve ser excluído o acréscimo penal do lançamento, de forma que permanecesse a tributação vigente para a regular distribuição de lucro, prevista no art. 2° da Lei 8.849/94, da ordem de 15%: [...] Assim, e com o intuito de não premiar aqueles que omitiram receitas com a isenção na transferência de recursos para a pessoa do sócio inferência lógica que se chega diante do fato de o recurso não estar registrado na contabilidade — em comparação com a transferência do numerário registrado sob a rubrica de lucro que era tributada (Lei 8.849/94, art. 2°), considero a receita omitida como distribuída ao sócio da recorrente porém o lançamento deve ser calculado com a aliquota de 15%. Destarte, acolho os embargos para, retificando o Acórdão 108 05.688, dar parcial provimento ao recurso voluntário para o fim de (1) cancelar os lançamentos de IRPJ, CSL e PISREPIQUE, e (2) reduzir o lançamento do IRFonte para que seja aplicada aliquota de 15% no cálculo de sua apuração, cuja ementa passa a ser a do presente acórdão. Logo, a divergência suscitada neste segundo ponto resta demonstrada, apenas, em relação à exigência de IRRF. Assim, o recurso especial deve ser CONHECIDO PARCIALMENTE relativamente à retroatividade benigna da revogação promovida pela Lei nº 9.249/95, somente quanto à revogação do art. 44 da Lei nº 8.541/92. Recurso especial da Contribuinte Mérito No que se refere à retroatividade benigna da revogação promovida pela Lei nº 9.249/95, esta Turma já possui posicionamento firme contra tal entendimento, como são exemplos os seguintes julgados: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 11 10 IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas. IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, previstas nos arts. 43 e 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratamse de hipótese de incidência de imposto, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador. (Acórdão nº 9101002.401 Sessão de 16 de agosto de 2016). NATUREZA DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do principio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso. (Acórdão nº 9101002.410 Sessão de 16 de agosto de 2016). GLOSA DE DESPESA REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA/PRESUMIDA DE RENDIMENTOS AOS SÓCIOS DA EMPRESA — ART. 44 DA LEI 8.541/1992 1 No contexto do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implicasse redução indevida do lucro líquido era considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, e tributada exclusivamente na fonte, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. 2 Em 1994 (ano do fato gerador), a distribuição de lucros/rendimentos era tributada, e, nesse contexto, a lei estabelecia uma presunção de distribuição de lucros/rendimentos aos sócios, que, no presente caso, foram considerados equivalentes às despesas glosadas, conforme determinava a lei. 3 A exigência que remanesceu para o IR/Fonte (e também para o IRPJ tributo principal) não está relacionada à omissão de receitas, mas sim à glosa de despesas. Na autuação por glosa de despesa, o que está sendo tributado tanto pelo IRPJ quanto pelo IR/Fonte é mesmo a renda, o lucro, e não a "totalidade da receita" (que é o que condena o paradigma e a jurisprudência citada pela contribuinte). 4 A exigência do IR/Fonte se deve à renda que presumidamente foi auferida pelos sócios da empresa. A entidade é chamada a pagar o IR/Fonte na qualidade de responsável, nos termos do Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 12 11 art. 121, II, do Código Tributário Nacional. A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 não tem natureza de penalidade, inexistindo previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 9101002.988 Sessão de 7 de agosto de 2017). Deste último julgado extraise o voto condutor de lavra do exConselheiro Rafael Vidal de Araújo que contrapõe integralmente os argumentos da recorrente: A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial em relação à aplicação do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, que previa a incidência de IR/FONTE sobre valores que eram considerados automaticamente recebidos pelos sócios da pessoa jurídica. Em síntese, a contribuinte (recorrente) alega que esse dispositivo exigia pagamento de tributo como forma de penalidade; que ele foi expressamente revogado pelo art. 36, inciso IV, da Lei n° 9.249/95; e que, por se tratar de penalidade, cabe a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, conforme orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça. O acórdão recorrido decidiu essa matéria com os seguintes fundamentos: Com referência à exigência de IRRF incidente sobre as demais despesas não comprovadas, seu fundamento é o art. 44 da Lei nº 8.541/92, que apresentava a seguinte redação à época dos fatos geradores, antes de sua revogação pela Lei nº 9.249, publicada em 27/12/95: [...] A interpretação deste dispositivo legal pela Câmara Superior de Recursos Fiscais oscilou, em vários momentos: [...] É certo que, em sessão de 23 de fevereiro de 2010, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento em favor da retroatividade da norma revogadora, no acórdão proferido no AgRg no Recurso Especial nº 1.106.260 PR (2008/02622086): [...] Todavia, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reafirmou seu posicionamento contrário à retroatividade da norma revogadora em sessão de 17 de maio de 2010, no Acórdão nº 910100.574, assim ementado: IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ART. 43 DA LEI N. 8.541/92. LUCRO PRESUMIDO. CARÁTER PENAL. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O art. 43 da Lei n. 8.541/92, com a redação dada pela Medida Provisória n. 492/94, quando prevê a tributação em separado e definitiva das receitas omitidas pelo contribuinte, não tem natureza de penalidade, Tratase de norma que Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 13 12 define a base de cálculo do imposto e da contribuição social, no caso específico da omissão de receita. Inexiste, pois, previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna ao caso. Com base neste entendimento mais recente, aqui adotado, não deve ser aplicada a pretendida retroatividade benigna no presente caso. O lucro evidenciado pela glosa de despesas não comprovadas era, com base na lei, presumidamente distribuído aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sujeitandose à incidência do IRRF. Assim, excluídas as glosas revertidas na decisão de 1ª instância, a exigência remanescente de IRRF subsiste tendo por referência as despesas que restaram incomprovadas. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência de IRRF sobre a redução do lucro decorrente das despesas que, glosadas, subsistiram incomprovadas. O art. 44 da Lei nº 8.541/1992, que embasou o lançamento de IR/Fonte no anocalendário de 1994, estabelecia o seguinte: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) §1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida.(Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995)(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) No contexto do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implicasse redução indevida do lucro líquido era considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, e tributada exclusivamente na fonte, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Numa época em que a distribuição de lucros/rendimentos era tributada, a lei estabelecia uma presunção de distribuição de lucros/rendimentos aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual. Não procede o entendimento de que essa regra teria natureza de penalidade, e que como o referido dispositivo foi revogado pela Lei 9.249/1995, seria caso de aplicar a retroatividade benigna. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 14 13 Pelo referido dispositivo, a contribuinte não está sendo punida via exigência de IR/Fonte por ter omitido receita ou reduzido indevidamente o seu lucro líquido. Com efeito, a exigência do IR/Fonte se deve à renda que presumidamente foi auferida pelos sócios da empresa. A entidade é chamada a pagar o IR/Fonte na qualidade de responsável, nos termos do art. 121, II, do Código Tributário Nacional. Novamente vale registrar que em 1994 (ano do fato gerador), a distribuição de lucros/rendimentos era tributada, e, nesse contexto, a lei estabelecia uma presunção de distribuição de lucros/rendimentos aos sócios, que, no presente caso, foram considerados equivalentes às despesas glosadas, conforme determinava a lei. Aliás, em relação estes autos, é importante destacar que a questionada aplicação do art. 44 da Lei nº 8.541/92 sobre os fatos geradores do anocalendário de 1994 não se deu em razão da presumida distribuição para os sócios de receitas omitidas pela sociedade. A incidência do referido dispositivo, neste caso, tem em conta a redução indevida do lucro por apropriação de despesas financeiras sem a devida comprovação. Ou seja, a exigência que remanesceu para o IR/Fonte (e também para o IRPJ tributo principal) não está relacionada à omissão de receitas, mas sim à glosa de despesas, o que fragiliza ainda mais a alegação de que a norma em questão tem caráter de penalidade. É que, conforme se observa pelo próprio paradigma, toda a argumentação sobre essa característica de penalidade é desenvolvida no contexto de autuação por omissão de receita, em que se condena a tributação da totalidade da receita omitida, sem a consideração dos demais valores que compõem a base de cálculo, ou seja, custos e despesas. Entretanto, na autuação por glosa de despesa não há essa alegada distorção na base de cálculo, porque a despesa glosada corresponde exatamente ao lucro que foi reduzido indevidamente. Neste tipo de situação, o que está sendo tributado tanto pelo IRPJ quanto pelo IR/Fonte é mesmo a renda, o lucro, e não a "totalidade da receita" (que é o que condena o paradigma e a jurisprudência citada pela contribuinte). Finalmente, registro que, embora o referido artigo 44 da Lei nº 8.541/1992 tenha sido revogado (porque a lei deixou de tributar a distribuição de lucros/ rendimentos), a Lei nº 8.981/1995, em seu art. 61, introduziu uma outra regra semelhante de tributação de IR/Fonte, inclusive com alíquota mais elevada (35%), e que também pode incidir juntamente com o IRPJ em casos de glosa de despesa (como ocorreu aqui). Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10845.001496/200140 Acórdão n.º 9101004.264 CSRFT1 Fl. 15 14 Tratase do hoje conhecido IR/FONTE sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. O que se tributa nessa nova hipótese de incidência também é uma renda presumida de outrem (o destinatário do pagamento), e não se cogita que essa nova norma tenha caráter de penalidade. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso da Contribuinte na parte conhecida. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.721359/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil verifique se a signatária do recurso voluntário, Maria Perpétua Lanje Zanetti, é inventariante do espólio de Gil José Simon Zanetti, carreando aos autos o respectivo documento comprobatório. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que rejeitaram a diligência e votaram por anular o lançamento por vício material.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil verifique se a signatária do recurso voluntário, Maria Perpétua Lanje Zanetti, é inventariante do espólio de Gil José Simon Zanetti, carreando aos autos o respectivo documento comprobatório. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que rejeitaram a diligência e votaram por anular o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 83/87) em face do Acórdão n. 1145.871 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC (efls. 74/79), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/07), apresentada em 18/09/2012, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 27/08/2012 (efl. 71) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .7 21 35 9/ 20 12 -0 8 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10940.721359/201208 Resolução nº 2402000.760 S2C4T2 Fl. 97 2 n. 2010/542563105846835425 no total de R$ 8.776,34 (efls. 54/59) com fulcro em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal. Cientificada do teor da decisão de piso em 20/05/2014 (efl. 82), a cônjuge supérstite Sra. Marília Perpétua Lange Zanetti interpôs recurso voluntário na data de 17/06/2014, alegando, em apertada síntese, que não ocorreu a omissão de rendimentos tipificada no lançamento em lide e corroborada pela instância de piso. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator Em sede de juízo de admissibilidade do recurso voluntário, é de se observar que o lançamento em apreço foi constituído em face do sujeito passivo Gil José Simon Zanetti, falecido em 25/01/2011, conforme informado na certidão de óbito (efl. 11). Não obstante, verificase que o recurso voluntário foi interposto pelo Espólio do Sr. Gil José Simon Zanetti e assinado pela Sra. Marília Perpétua Lange Zanetti, cônjuge supérstite meeira do sujeito passivo, com o qual foi casada em regime de comunhão universal de bens, conforme certidão de casamento (efl. 10). Entretanto, não há registro nos autos de decisão judicial ou escritura pública nomeandoa representante legal (inventariante) do espólio (conjunto de bens, direitos, dívidas e responsabilidades do falecido), conforme previsto no art. 610 e ss. do Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), condição essa que habilitarlheia a recorrer contra a obrigação tributária ora exigida. Afora o incidente processual acima relatado, merece destaque que o crédito tributário em apreço foi constituído em 27/08/2012, portanto, após a morte do sujeito passivo (ocorrida em 25/01/2011), recaindo assim sobre o espólio a condição de contribuinte da obrigação tributária e aos sucessores e cônjuge meeiro a responsabilidade pessoal, até o montante do quinhão ou legado ou da meação, respectivamente e ao inventariante a responsabilidade solidária (arts. 131, II e 134, IV, do CTN). Assim, após a morte do de cujus, o contribuinte do tributo, em qualquer situação (antes ou depois da sentença de partilha) é sempre o espólio (arts. 131, II e 134, IV do CTN). De se observar que não há notícia nos autos que durante os procedimentos fiscais efetuados no curso do trabalho de Malha Fiscal, a autoridade lançadora já tivesse conhecimento do falecimento do sujeito passivo Sr. Gil José Simon Zanetti, evento que sequer é citado na descrição dos fatos consignada no corpo da autuação. Também não se pode inferir a partir dos autos, que tal informação constasse nos sistemas da RFB, mediante Declaração de Ajuste Anual relativa ao Exercício 2012 AC 2011, que se reporta ao anocalendário do falecimento do sujeito passivo Sr. Gil José Simon Zanetti. Nessa perspectiva, ausente nos autos decisão judicial ou escritura pública nomeando a signatária Marília Perpétua Lange Zanetti inventariante do espólio do Sr. Gil José Simon Zanetti, impõese averiguação nesse sentido, trazendose aos autos o respectivo Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10940.721359/201208 Resolução nº 2402000.760 S2C4T2 Fl. 98 3 documento comprobatório, inclusive para fins de juízo de admissibilidade do recurso voluntário. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para averiguar se a signatária Marília Perpétua Lange Zanetti é a inventariante do espólio do Sr. Gil José Simon Zanetti, carreando aos autos o respectivo documento comprobatório. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002207/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. RENDIMENTOS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA (PETROS).
São tributáveis os rendimentos cuja isenção não for comprovada pelo contribuinte. A teor do art. 43 do CTN são tributáveis as importâncias recebidas de participantes e assistidos de plano de previdência privada da Petros como incentivo à mudança de plano.
Numero da decisão: 2201-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. RENDIMENTOS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA (PETROS). São tributáveis os rendimentos cuja isenção não for comprovada pelo contribuinte. A teor do art. 43 do CTN são tributáveis as importâncias recebidas de participantes e assistidos de plano de previdência privada da Petros como incentivo à mudança de plano.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. RENDIMENTOS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA (PETROS). São tributáveis os rendimentos cuja isenção não for comprovada pelo contribuinte. A teor do art. 43 do CTN são tributáveis as importâncias recebidas de participantes e assistidos de plano de previdência privada da Petros como incentivo à mudança de plano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 80/81) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 22 07 /2 00 6- 16 Fl. 99DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 O interessado impugna o auto de infração do imposto de renda do exercício 2002, lavrado para incluir rendimentos omitidos. Argumenta, em síntese, que os rendimentos em questão foram recebidos a titulo de incentivo para mudança de plano de previdência privada, e por isso são isentos, pois foram pagos a titulo de indenização. Argumenta ainda que foi desconsiderado o imposto já declarado e pago em 2002, no mesmo valor do imposto lançado. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte de acordo com decisão da DRJ abaixo ementada: Assunto: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001 ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. São tributáveis os rendimentos cuja isenção não for comprovada. PAGAMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. O imposto pago antes de iniciado qualquer procedimento fiscal não está sujeito à multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte 03 – No caso a DRJ entendeu apenas que dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte às fls. 12/34 do processo físico (e- fls. 14 a 36) antes da ação fiscal e excluiu portanto a aplicação da multa punitiva de 75% e votaram pelo saldo nulo de imposto a pagar ou a restituir no presente caso. 04 - Há a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls. 91/93 sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 05 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. Fl. 100DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 06 – O lançamento do crédito tributário tem por motivação o seguinte, de acordo com o e-fls 8/9 identificado abaixo: 07 – A DRJ fundamentou sua decisão em síntese pela falta de comprovação da natureza isentiva pelo contribuinte da parcela de R$ 14.896,70 indicado às fls. 65 do demonstrativo de pagamento da Petros a título de incentivo migração-plano Petrobras Vida, alegando o caráter indenizatório do mesmo. 08 – O contribuinte alega o seguinte em suas razões recursais: Após análise das justificativas apresentadas por este contribuinte, os técnicos da Receita Federal, concluíram dando procedente em parte, sendo que o contribuinte não concorda com esta decisão, motivo pelo qual volta a contestar mais uma vez a decisão, porque, com relação a parte em que o contribuinte sucumbiu não existe guarida a favor do órgão tributante, pois o valor correspondente a R$ 14.896,70 (quatorze mil, oitocentos e noventa e seis reais e setenta centavos), o qual foi tributado indevidamente, e o valor aqui pleiteado é oriundo de uma Retenção de Imposto de Renda feita indevidamente na Fonte, já que o capital que sofreu tributação correspondeu a uma indenização de incentivo para mudança de plano de previdência, no entanto, a Secretaria da Receita Federal teima em alegar que é tributável, portanto se alguém cometeu algum equivoco em fazer a tributação, este alguém foi a Fundação Petrobrás de Seguridade Social - PETROS, porque ao invés de colocar o valor na rubrica "rendimentos isentos e não tributáveis", uma vez que foi oriundo de uma indenização, apropriou equivocadamente na rubrica "rendimentos tributáveis". Desse modo, por ser este órgão tributário o depositário final do valor referente à retenção feita indevidamente, existe a obrigação deste órgão em devolver o valor retido indevidamente. A decisão emanada deste órgão arrecadador não contempla a declaração retificadora que o contribuinte elaborou, solicitando o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte Indevidamente, restando, desse modo, a obrigação deste órgão devolver ao contribuinte a quantia correspondente à retenção indevida mais os juros e correção monetária. Portanto, está claro, que a falta da devolução desta quantia provocará prejuízos ao patrimônio do contribuinte, o qual está buscando ver o seu direito e o seu patrimônio corrigidos com a devolução do correspondente valor retido indevidamente. Fl. 101DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 09 – Pela análise dos autos, contudo, entendo que não merece prosperar a irresignação do contribuinte. 10 – Houve intimações às fls. 60 para o contribuinte esclarecer com cópias dos comprovantes de rendimentos tributáveis e isentos e não tributáveis, sendo que foi apresentado os documentos de fls. 64/66. 11 – O documento de fls. 65 que trata de um demonstrativo de novembro de 2001 da Petros relativo ao Plano Petrobras Vida constam como proventos Petros os seguintes valores: 12 – Foi o valor relativo a verba discriminada como Incentivo Migração-Plano Petrobras Vida no importe de R$ 14.896,70 que a fiscalização entendeu como omissão de receita e efetuou o lançamento, após revisão da declaração do contribuinte lançando o crédito tributário. 13 – Contudo, apesar das alegações do contribuinte, não há nos autos comprovação da natureza indenizatória de referido valor, pois poderia o contribuinte ter entregue à fiscalização documentos relativos ao Plano de Previdência da Petros a fim de analisar os termos do Incentivo de Migração de Plano para melhor análise de sua natureza jurídica, contudo, tal ônus cabe ao contribuinte. 14 – A regra geral é a tributação de tais valores, a teor do art. 43 do CTN que diz, sem grifos no original: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 102DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) 15 – Contudo, a isenção, é a exceção e portanto, de acordo com o que foi decidido pela instância a quo, cabe ao contribuinte comprovar que o rendimento de fls. 65, é, de acordo com a Lei, isento ou não tributável, pois na forma do art. 111 do CTN. 1 16 – Portanto, ao contrário do alegado pelo contribuinte, quando no lançamento é informado que não há base legal significa que não há na lei de forma expressa a indicação de que os valores de fls. 65 relacionados a Incentivos de Migração de planos de Previdência Privada, são isentos ou tenham caráter indenizatório. 17 – Apesar da não comprovação, havendo falta de maiores provas e esclarecimentos quanto ao assunto, vale esclarecer que o assunto se não for o mesmo, é muito próximo com o que a Justiça vem decidindo a respeito acerca da natureza da parcela paga pela Petrobrás em virtude de repactuação do Plano Petros, bem como a eventual direito a restituição do montante descontado a título de imposto de renda sobre tal parcela. 18 – A título ilustrativo existem julgados do E. STJ e do E. TRF da 3ª Região no seguinte sentido: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE AS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS POR PARTICIPANTES E ASSISTIDOS DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA DA FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL (PETROS) COMO INCENTIVO À ADESÃO AO PROCESSO DE REPACTUAÇÃO DO REGULAMENTO DO PLANO DE BENEFÍCIOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O Tribunal a quo, ao concluir pela natureza remuneratória dos valores recebidos por ocasião da repactuação do plano de previdência complementar da Fundação Petrobras de Seguridade Social - Petros, em decorrência de repactuação do Regulamento do Plano de Benefícios, decidiu de acordo com jurisprudência desta Corte no sentido de que "se as verbas pagas aos inativos que não migraram de plano submetem-se ao imposto de renda e as verbas pagas aos ativos também sofrem a mesma incidência, não há motivos para crer que as verbas pagas aos inativos que migraram de plano devam escapar da incidência do tributo. Tais novas verbas herdam a mesma natureza daquelas que foram suprimidas sendo assim remuneratórias e sujeitas ao imposto de renda." (REsp 1 Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 103DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 1.173.279/AM, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/5/2012, DJe 23/5/2012.). "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE AS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS POR PARTICIPANTES E ASSISTIDOS DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA DA FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL (PETROS) COMO INCENTIVO À ADESÃO AO PROCESSO DE REPACTUAÇÃO DO REGULAMENTO DO PLANO DE BENEFÍCIOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O Tribunal a quo, ao concluir pela natureza remuneratória dos valores recebidos por ocasião da repactuação do plano de previdência complementar da Fundação Petrobras de Seguridade Social - Petros, em decorrência de repactuação do Regulamento do Plano de Benefícios, decidiu de acordo com jurisprudência desta Corte no sentido de que "se as verbas pagas aos inativos que não migraram de plano submetem-se ao imposto de renda e as verbas pagas aos ativos também sofrem a mesma incidência, não há motivos para crer que as verbas pagas aos inativos que migraram de plano devam escapar da incidência do tributo. Tais novas verbas herdam a mesma natureza daquelas que foram suprimidas sendo assim remuneratórias e sujeitas ao imposto de renda." (REsp 1.173.279/AM, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/5/2012, DJe 23/5/2012). Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1439516/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2014, DJe 13/05/2014) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. MULTA. SÚMULA N. 98/STJ. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE AS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS POR PARTICIPANTES E ASSISTIDOS DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA DA FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL (PETROS) COMO INCENTIVO A ADESÃO AO PROCESSO DE REPACTUAÇÃO DO REGULAMENTO DO PLANO DE BENEFÍCIOS. 1. Afasta-se a alegada violação dos arts. 458 e 535, II, do CPC, pois o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado, muito embora o Tribunal de origem tenha decidido de modo contrário aos interesses da embargante. Isso, contudo, não significa omissão, mormente por terem sido abordados todos os pontos necessários para a integral resolução da controvérsia. 2. Consoante enuncia a Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 3. Constatada a mudança no regulamento do plano previdenciário, se a verba "valor monetário - repactuação", paga como incentivo à migração para o novo regime, tem por objetivo compensar uma eventual paridade com os ativos que foi perdida pelos inativos com a adesão às mudanças do regulamento do Fundo, bem como compensar uma eventual paridade com os inativos que permaneceram no regime original, à toda evidência que se submete ao mesmo regime das verbas a que visa substituir. 4. Nessa linha, se as verbas pagas aos inativos que não migraram de plano submetem-se ao imposto de renda e as verbas pagas aos ativos também sofrem a mesma incidência, não há motivos para crer que as verbas pagas aos inativos que migraram de plano devam escapar da incidência do tributo. Tais novas verbas herdam a mesma natureza daquelas que foram suprimidas sendo assim remuneratórias e sujeitas ao imposto de renda. Precedentes: REsp 1.060.923/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 18.9.2008; REsp 960.029/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 19.11.2007, p. 224; REsp 908.914/MG, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 6.9.2007, p. 215; REsp. Nº 1.111.177 - MG, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 23.9.2009; REsp. n. 957.350, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 18.12.2007. 5. Recurso especial parcialmente provido." Fl. 104DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 (REsp 1173279/AM, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 23/05/2012) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VERBAS DECORRENTES DE INCENTIVO PARA MIGRAÇÃO. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PLANO PETROS. REPACTUAÇÃO. NATUREZA DA VERBA. REMUNERATÓRIA. NÃO INDENIZATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1. Caso em que o autor pretende obter a declaração da natureza indenizatória da parcela paga a título de repactuação do Plano Petros, bem como a restituição do montante descontado a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre referida parcela. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é assente no sentido de que, ao optar pela repactuação, os participantes do plano concordaram com as alterações promovidas e foram contemplados com o depósito do montante em suas contas correntes. Desse modo, referidas verbas têm natureza remuneratória, e não indenizatória, submetendo-se à incidência do imposto de renda. 3. Apelação desprovida.(Ap - APELAÇÃO CÍVEL - 1900809 0001074-20.2012.4.03.6121, DESEMBARGADOR FEDERAL NELTON DOS SANTOS, TRF3 - TERCEIRA TURMA, e-DJF3 Judicial 1 DATA:20/03/2019 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. REPACTUAÇÃO. "PLANO PETROS". VERBA RECEBIDA COMO INCENTIVO À MIGRAÇÃO PARA NOVO PLANO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. APELAÇÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A parte autora, por conta do vínculo empregatício com a empresa Petrobrás, aderiu à repactuação do regulamento do Plano PETROS, pelo qual, dentre outras alterações, foi introduzido o reajuste dos benefícios pelo IPCA, desvinculando-os do reajuste da tabela salarial da ativa e dos benefícios do INSS. 2. Como incentivo à migração para o novo plano de previdência privada, foi oferecido aos participantes que aderissem à repactuação o recebimento imediato do valor mínimo de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). A adesão à repactuação, portanto, não foi coercitiva. 3. No caso, embora facultada a opção pela manutenção dos critérios de reajustes então vigentes, a parte autora livremente optou pela repactuação do plano de previdência privada, recebendo a verba prevista no respectivo contrato. Desta forma, a verba recebida tem natureza remuneratória, configurando acréscimo patrimonial passível de incidência do imposto de renda, nos termos do artigo 43, do Código Tributário Nacional. 4. Apelação a que se nega provimento." (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AC - APELAÇÃO CÍVEL - 2013107 - 0001807-40.2012.4.03.6103, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO CEDENHO, julgado em 04/08/2016, e- DJF3 Judicial 1 DATA:15/08/2016) "TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS PERCEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE REPACTUAÇÃO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SENTENÇA IMPROCEDENTE. APELAÇÃO DO AUTOR DESPROVIDA. - O artigo 153, inciso III, da CF prevê a competência da União para instituir imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. O artigo 43 do Código Tributário Nacional define como fato gerador da exação a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (inciso I) e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior (inciso II). É possível afirmar, portanto, que o pagamento de montante que não seja Fl. 105DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 produto do capital ou do trabalho ou que não implique acréscimo patrimonial afasta a incidência do imposto de renda e, por esse fundamento, não deve ser cobrado o tributo sobre as indenizações que visam a recompor a perda patrimonial. Devem ser consideradas, ainda, as hipóteses de isenção ou não incidência legalmente previstas. - No que toca ao caso dos autos, tem-se que o autor recebeu um determinado montante em razão de ter aderido a alterações ao regulamento de seu plano de previdência privada (PETROS), o que se comprova por meio do documento de fl. 16 (termo individual de adesão de assistido às alterações do regulamento do plano PETROS do Sistema Petrobrás). - A questão relativa aos artigos 4º, 5º, 17, 18, 41 e 42, do Regulamento da PETROS, suscitados pelo autor em sua apelação, não tem o condão de alterar esse entendimento pelas razões já expostas. - Honorários advocatícios. À míngua de recurso da União a esse respeito, mantenho a verba honorária nos termos em que fixada pela instância a qua. - Apelação do autor desprovida." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap - APELAÇÃO CÍVEL - 1940882 - 0000599-26.2009.4.03.6103, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRE NABARRETE, julgado em 06/09/2017, e- DJF3 Judicial 1 DATA:17/10/2017) "TRIBUTÁRIO. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. REPACTUAÇÃO. VERBA RECEBIDA COMO INCENTIVO À MIGRAÇÃO PARA NOVO PLANO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1. A questão central cinge-se em saber a natureza jurídica da verba recebida pelo autor em razão de migração para novo plano de previdência privada da Fundação PETROS, para fins de incidência de Imposto de Renda - Pessoa Física (IRPF). 2. No presente caso, como incentivo à migração para novo plano de previdência privada, foi facultado aos participantes que aderissem à repactuação o recebimento imediato do valor mínimo de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). 3. Os valores percebidos pelo autor no momento em que livremente optou pela repactuação do plano de previdência privada têm, claramente, natureza remuneratória, configurando acréscimo patrimonial passível de incidência do Imposto de Renda, a teor do disposto no art. 43, do CTN. 4. A natureza indenizatória apenas restaria configurada nas hipóteses de imposição de novo plano de modo irrestrito a todos os participantes, situação diversa dos presentes autos, porquanto restou facultado aos participantes optarem pela manutenção dos critérios de reajustes então vigentes. 5. Apelação improvida." (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, Ap - APELAÇÃO CÍVEL - 2119760 - 0001830-83.2012.4.03.6103, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, julgado em 07/04/2016, e-DJF3 Judicial 1 DATA:19/04/2016) Conclusão 19 - Diante do exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 106DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.256 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.002207/2006-16 Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000939/2002-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 09 39 /2 00 2- 17 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10875.000939/200217 Acórdão n.º 3301006.054 S3C3T1 Fl. 375 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de piso, por bem descrever os fatos: Trata o presente processo de auto de infração relativo à Contribuição para o PIS, lavrado em 02/11/2001 (fls. 21), cientificado ao contribuinte por via postal em 13/12/2001 (fls. 278), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 58.074,86, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de janeiro a dezembro de 1997. Em oposição ao lançamento, foi protocolizada em 11/01/2002 a impugnação de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/56, em que o interessado alega, em síntese, ter procedido a compensação com créditos de PIS em decorrência de sentença proferida em Mandado de Segurança 94.00157703 (decisões e certidão juntadas às fls. 30/40). Discorda da cobrança e incidência de multa e juros, sob alegação de ter efetuado a compensação. Ao final, requer a anulação do presente Auto de Infração, não havendo que se falar no momento em cobrança de qualquer quantia, uma vez que o contribuinte em tela efetuou a compensação dos valores pagos indevidamente a título de PIS, com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88, respaldado por decisão judicial, da qual ainda não houve o trânsito em julgado. Em 30/05/2006, por ter sido cientificado de “Termo de Comunicação”, no qual lhe eram exigidos saldos devedores decorrentes do presente (fls. 96), o contribuinte apresentou a petição de fl. 66/70, acompanhada dos documentos de fls. 71/277, alegando já ter impugnado a exigência e reportandose à existência do processo judicial. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/CPS, no acórdão n° 0533.567, deu parcial provimento à impugnação, com decisão assim ementada: DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10875.000939/200217 Acórdão n.º 3301006.054 S3C3T1 Fl. 376 3 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. MULTA DE MORA. A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributárias submetese à gradação definida no art. 61 da Lei n° 9.430/96, e sujeita o contribuinte, concomitantemente, à multa e aos juros de mora. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. Impugnação Procedente em Parte Os fundamentos do acórdão da DRJ podem ser sintetizados dessa forma: 1 Quando do vencimento dos débitos vinculados ao processo judicial, em datas entre 14/02/1997 e 15/01/1998, o contribuinte não detinha amparo para proceder à compensação. E, somente em 07/01/2005, após a ciência do presente lançamento, é que foi publicado acórdão do TRF confirmando a sentença de primeiro grau na parte em que admitiu compensação de PIS com PIS, vindo a ocorrer em 16/10/2007 o trânsito em julgado de decisão final do STJ em sede de Recurso Especial, após acolhimento de Embargos de Declaração. Concomitância: o reconhecimento do direito creditório e a admissibilidade da compensação foram objeto de discussão na ação judicial, pelo que incabível apreciação das razões de mérito da exigência de débitos para os quais se alega a compensação com referido processo judicial. Ainda que restasse comprovada a existência de decisão judicial autorizando a compensação de crédito de PIS com débitos de PIS, o lançamento dos débitos não seria inválido, pois, nos termos do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevista no art. 151 do mesmo diploma legal. Em recurso voluntário, a empresa reitera os termos de sua impugnação, argumentando sobre: Nulidade do auto de infração, por estar transitada em julgado a decisão que outorgou a compensação; O tributo já foi declarado inconstitucional pelo STF, logo, é inviável o óbice à compensação intentada pelo contribuinte; No momento da compensação estava amparada por liminar; Não se vislumbra a pretensa concomitância entre processo judicial e administrativo, em razão do trânsito em julgado ocorrido em 16/10/2007; Não pode haver cobrança de tributos declarados inconstitucionais. Não se manifestou quanto à liquidez e certeza dos créditos. E, ao final, pleiteia o reconhecimento do direito da empresa ao aproveitamento/compensação dos créditos Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10875.000939/200217 Acórdão n.º 3301006.054 S3C3T1 Fl. 377 4 tributários, com origem em recolhimento indevido de tributo, calcado na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n° 2.445/88 e 2.449/88. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Ainda que haja o direito material à compensação, por forca da Resolução do Senado Federal nº 49/95, que expurgou os DecretosLei n° 2.445/88 e 2.449/88 do ordenamento jurídico, cabia ao contribuinte a comprovação da liquidez e certeza dos créditos. Todavia, não trouxe elementos probatórios do indébito. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração do PIS na forma dos DecretosLei, para a verificação de que os recolhimentos foram, de fato, indevidos. Como os débitos foram constituídos com base em sua DCTF, cabialhe comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento, por meio de: a) Planilha de apuração do PIS, com base nos DecretosLei n° 2.445/88 e 2.449/88; b) Planilha de apuração do PIS devido, objeto de compensação na DCTF; c) Relação de débitos (tributo, período de apuração, valor compensado) compensados com o crédito oriundo da ação judicial, com especificação dos índices de correção aplicados; d) Apontamento nos livros razão/balancete dos valores indicados; e) Exibição de guias de recolhimento; f) Apresentação de outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar seu direito creditório. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10875.000939/200217 Acórdão n.º 3301006.054 S3C3T1 Fl. 378 5 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Logo, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. A interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, a compensação não pode ser reconhecida. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.002395/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e ausentes as causas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Simples Nacional não impede a constituição do crédito tributário.
SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO.
A empresa excluída do Simples Nacional está obrigada a atender as normas de tributação do novo sistema ao qual pertence, efetuando os pagamentos e declarações pertinentes.
EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. RETROATIVIDADE
A decisão que excluiu a empresa do Programa Simples Nacional, apenas formalizou uma situação que já ocorrera de fato, tendo, assim, efeitos meramente declaratórios.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO.
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no ano-calendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.
LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA
Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos descritos nos relatórios do Auto de Infração permitem a exata compreensão dos elementos que o compõem e dos valores apurados no cômputo da multa.
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS.
Quando o Auto de Infração encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei.
SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA.
É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS
A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR.
Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110.
Numero da decisão: 2401-006.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e ausentes as causas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Simples Nacional não impede a constituição do crédito tributário. SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO. A empresa excluída do Simples Nacional está obrigada a atender as normas de tributação do novo sistema ao qual pertence, efetuando os pagamentos e declarações pertinentes. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. RETROATIVIDADE A decisão que excluiu a empresa do Programa Simples Nacional, apenas formalizou uma situação que já ocorrera de fato, tendo, assim, efeitos meramente declaratórios. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no anocalendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 23 95 /2 01 0- 20 Fl. 409DF CARF MF 2 Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos descritos nos relatórios do Auto de Infração permitem a exata compreensão dos elementos que o compõem e dos valores apurados no cômputo da multa. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. Quando o Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Fl. 410DF CARF MF Processo nº 13971.002395/201020 Acórdão n.º 2401006.648 S2C4T1 Fl. 3 3 Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.276.2514, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a outras entidades e fundos, a saber, FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, cujos fatos geradores houveramse por apurados nas Folhas de Pagamento da empresa autuada, não declaradas em GFIP, devido a informação incorreta no campo referente à opção do SIMPLES, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 70/72. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, os seguintes fatos geradores: a) Levantamento SE: Remuneração de Segurados Empregados da empresa autuada, cujos valores constam discriminados em folhas de pagamentos, nas competências 07/2005 e 13/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, os lançamentos são resultantes da EXCLUSÃO da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com efeito retroativo a 01/01/1997, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 062, de 07/05/2009, a fl. 73, lavrado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649. Consta dos autos que a Autuado ofereceu Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009, nos autos do PAF nº 13971.000454/200649, o qual foi julgado improcedente pela 6ª Turma da DRJ/FNS, nos termos do Acórdão nº 0718.157– 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 170/180, sendo mantida a exclusão da empresa CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA da sistemática do SIMPLES. Consta, também, que em face do Acórdão nº 0718.157– 6ª Turma da DRJ/FNS, suso citado, que a CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA interpôs Recurso Voluntário, cópia a fls. 184/210, cujo julgamento em grau de 2ª Instância Administrativa não consta dos autos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa, a fls. 108/130. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0730.787 6 ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 317/338, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi intimado da Decisão de 1ª Instância no dia 04/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 340. Fl. 411DF CARF MF 4 Inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo principal interpôs Recurso Voluntário a fls. 358/378, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o processo relativo à exclusão do SIMPLES ainda se encontrava em trâmite por ocasião da lavratura do Auto de Infração que deu origem ao presente processo; · Que a fiscalização anteriormente efetuada na empresa Cativa Têxtil Indústria e Comércio Ltda concluiu, equivocadamente, que os empregados da ora Recorrente seriam empregados de fato daquela Empresa. Aduz que a conclusão trazida no Auto de Infração e decisão da DRJ combatida neste recurso é diversa, já que deles se infere que a Recorrente teria sido constituída por interpostas pessoas, e nada se fala a respeito de quem seria o empregador de fato dos empregados registrados na Recorrente, presumindose, consequentemente, que tais empregados sejam de fato contratados diretamente pela Recorrente, o que conflita com o processo administrativo anteriormente apreciado, envolvendo a empresa Cativa Têxtil. · Que é nula a decisão proferida nos presentes autos, já que o órgão julgador deixou de se manifestar sobre os argumentos tecidos pela ora Recorrente na Impugnação apresentada, relativos à exclusão do SIMPLES; · Que é indevida a aplicação da multa em face do Recorrente; · Que “Quanto ao indeferimento de provas, verificase mais uma incoerência na decisão proferida, já que não houve requerimento expresso de realização de perícia pela ora Recorrente, conforme se verifica da leitura da alínea “d” de sua Impugnação”; · Que as intimações sejam encaminhadas aos advogados da Recorrente; Ao final, requer que o procedimento fiscal seja julgado nulo. Em julgamento perante este E. CARF, este Colegiado, proferiu a Resolução nº 2401.000.487, às fls. 385/389, convertendo o julgamento em diligência ,com o objetivo de se aguardar a conclusão, no âmbito administrativo, do julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, referente à exclusão da Recorrente do SIMPLES NACIONAL, mediante o Ato Declaratório executivo nº 62, de 07/05/2009. Em cumprimento à Diligência acima mencionada, foi elaborado Relatório às fls. 393/394, informando que foi proferido o Acórdão nº1301001.074 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF/MF (fls. 395/407), em 03/10/2012, que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a exclusão da empresa do Simples Federal pelo Ato Declaratório Executivo nº 62/2009. O Contribuinte tomou ciência da decisão de exclusão do Simples, acima mencionada, em 03/04/2013, conforme AR juntado aos autos e não se manifestou. Assim foram realizados os registros necessários no sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB e, em 21/08/2013, o processo foi encaminhado ao arquivo da Delegacia de Origem. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 13971.002395/201020 Acórdão n.º 2401006.648 S2C4T1 Fl. 4 5 O Recorrente foi intimado a se manifestar sobre o Relatório de Diligência às fls. 420/432, alegando em síntese que: è inadmissível a tramitação paralela do processo administrativo relativo a exclusão do SIMPLES e os processos relativos aos lançamentos de crédito tributário resultante de tal exclusão, a teor do que dispõe a Solução de Consulta Interna nº 18 (COSIT) lavrada pela Coordenação Geral de Tributação da Secretaria de Receita Federal do Brasil em 30+07+2014; que a decisão tomada no processo relativo a exclusão do Simples não vincula os julgadores do CARF, devendo prevalecer os argumentos articulados pela Recorrente nos presentes autos , por serem mais embasados e corresponderem à realidade dos fatos e não em meras presunções utilizadas pela fiscalização; que não é possível a combinação da denominada “cesta de multas” mediante a conjugação dos artigos 32, 32A, 35e 35A da Lei nº 8.212/91; requer a aplicação retroativa do artigo 61 da Lei nº 9.430/96; ao final requer a anulação de todos os atos praticados nos presentes autos desde a intimação acerca da constituição do crédito combatid com a devolução do prazo para apresentação de Impugnação, ou a apreciação in totum dos argumentos aqui apresentados, bem como os já efetuados em sede de recurso voluntário, com nulidade do lançamento e, em sendo mantido, requer o afastamento da multa aplicada. Reitera ainda todos os argumentos e requerimentos já efetuados em sede de recurso voluntário. Após a manifestação, os autos foram encaminhados para este Colegiado em face do retorno de cumprimento dos termos da Resolução. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 04/04/2013, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 03/05/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Fl. 413DF CARF MF 6 a) Exclusão do Simples pendência de julgamento nos autos do Processo nº13971.000454/200649, quando do lançamento e da apreciação deste processo pela DRJ O presente crédito foi apurado por ter sido a empresa excluída do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 1º/1/1997. Após a exclusão, passaram a ser devidas as contribuições da parte patronal (empresa e terceiros), não substituídas pelo recolhimento simplificado. A fundamentação legal do débito encontrase evidenciada nos relatórios fiscais constante dos autos. Em sua defesa, a empresa defende a insubsistência das autuações sob o argumento único de que ainda não há decisão definitiva sobre a sua exclusão do Simples No entanto, conforme diligência realizada neste autos, verificouse que nos autos do processo de nº 13971.000454/200649 foi proferido o Acórdão nº1301001.074 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF/MF, em 03/10/2012, que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a exclusão da empresa do Simples Federal pelo Ato Declaratório Executivo nº 62/2009. Ademais, salientase, como já acertadamente referiu a DRJ de origem, a existência de manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ ou de eventual recurso endereçado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, relativa a exclusão de um contribuinte do regime de tributação Simples Nacional, não obsta o lançamento, sendo desnecessário que o fisco aguarde o julgamento em todas as instâncias administrativas de tal manifestação ou recurso para só então, com a decisão definitiva final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de ofício das contribuições devidas. Tal procedimento é legítimo e visa a evitar a ocorrência da decadência tributária. A autoridade administrativa competente, por exercer atividade vinculada, com fulcro no disposto no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional – CTN, tem o dever de proceder ao lançamento das contribuições caso a empresa não efetue o seu recolhimento. No presente caso, o Ato Declaratório excluiu a empresa do Simples Nacional, com efeitos retroativos a partir de 01/01/1997. A partir desta data, portanto, a empresa fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas não optantes pelo regime simplificado de tributação. A então pendência de julgamento nos autos do Processo nº13971.000454/200649, quando do lançamento e da apreciação deste processo pela DRJ de origem, ao contrário do entendimento da autuada, não tem o condão de impedir a constituição do crédito tributário, ficando obstado, tão somente, a sua cobrança. Ademais, estando já julgado em definitivo o processo nº13971.000454/2006 49, de forma desfavorável à contribuinte, ratificase que carece de razão a contribuinte, estando correto o lançamento tributário realizado. b) Constituição – interposta pessoa Como bem esclarecido pela instância a quo, razão pela qual passo a reproduzir, e com base ns documentos juntados no presente processo administrativo, que é o que está em julgamento, verificase que o auditor carreou aos autos cópia dos seguintes documentos: (1) Contratos Sociais e alterações das empresas envolvidas, (2) impressões da página da internet da Cativa ; (3) Manual Cativa; (4) Termos de Verificação Físical ; (5) nota Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13971.002395/201020 Acórdão n.º 2401006.648 S2C4T1 Fl. 5 7 de agradecimento ao preenchimento do questionário sobre a cesta básica; (6) mensagens eletrônicas entre colaboradores da Cativa e entre estes e os das empresas representadas ;(7) Fichas de Registro de Empregado e Propostas de Trabalho; (8) jornal interno da Cativa ; e (9) Termos de Audiência na Justiça do Trabalho. Dos contratos sociais e alterações, verificouse que os sócios da Cativa, do início de sua atividade até a data de encerramento da fiscalização, são: Gilmar Rogério Sprung e Valci Márcia Sprung Kreutzfeld, os quais são irmãos. Já quanto à Carisma, constam como únicas sócias durante o período fiscalizado: Cátia Maria Sprung e Harien Hansen Sprung. Verificouse ainda que ambas são irmãs do sócio da Cativa (Gilmar),sendo que a primeira trabalha na Cativa na função de Gerente de Produção e Marketing desde 17/04/2001 e é sócia de outra empresa do grupo (Conquista). Portanto, é notório o forte vínculo familiar existente entre os sócios da Cativa e os da Carisma. Observouse também que uma das irmãs que é sócia de uma das empresas, chega a faturar mais de R$ 1.000.000,00 no ano, e ao mesmo tempo é empregada da tomadora de serviços de sua empresa, a qual pertence a familiares próximos, abrindo mão de se dedicar, de forma exclusiva, à sociedade da qual é proprietária. Nas páginas da internet da Cativa, consta a relação de seus diretores. Dentre eles está Catia Sprung, que, conforme já qualificada, é sócia da Carisma e da Conquista. Também nelas estava anotado que a Cativa possui cinco parques fabris, contando com mais de 1.200 colaboradores. Notese que a Cativa possui cerca de 500 funcionários, não condizendo com as informações retiradas da internet e do regulamento interno da Cativa. Isso remete à conclusão de que os estabelecimentos referenciados são os localizados em Pomerode (Cativa), Carisma (Rio dos Cedros), Rio dos Cedros (Capture), Mafra (Conduta) e Ascurra (Conquista), cujos números de colaboradores somados alcançam a quantidade indicada pela Cativa em sua página eletrônica e em seu regulamento interno. Esta informação é confirmada pelo próprio Manual Cativa (fl. 116), que se constitui no regulamento interno da sociedade, que destaca: “...e hoje, com mais 1.100 colaboradores diretos distribuídos em cinco parques fabris, a Cativa é destaque em modernização...”. Dos Termos de Verificação Físcal nas unidades representadas, consta que alguns entrevistados fazem referência ao Sr. Gilmar e à Srª Valci (sócios da Cativa) como donos destas. Portanto, por mais uma vez, há um forte indício de que os proprietários da Cativa são, na verdade, também proprietários das sociedades excluídas do Simples. Está também anexada aos autos a nota de agradecimento às pessoas que participaram da pesquisa sobre a qualidade da cesta básica fornecida pela Cativa aos seus colaboradores, emitida pelo setor de recursos humanos da Cativa. Nesta menção está registrado que “...participaram da pesquisa: Pomerode, Rio dos Cedros, Ascurra, Apiúna e Mafra”. Por o acima demonstrado, podese inferir que a Cativa forneceu cestas básicas aos colaboradores de todas as sociedades envolvidas, levando a fiscalização a concluir, que existe uma forte vinculação, que vai além do simples relacionamento comercial entre a Cativa e as demais empresas, consoante afirma a interessada, haja vista a injustificada benesse oferecida aos colaboradores das prestadoras de serviço. Em mensagens eletrônicas trocadas entre o RH da Cativa e outros setores, bem como da própria sócia Valci destinada ao RH de sua empresa, encontramos a tomada de decisões por parte da Cativa, sobretudo no que diz respeito à contratação de empregados das empresas representadas. Isto se evidencia na medida em que empregados das representadas, Fl. 415DF CARF MF 8 mormente aqueles que exercem funções de direção e supervisão, são escolhidos e contratados pela Cativa, que define a necessidade da admissão, seleciona os trabalhadores a serem inseridos nas folhas de pagamentos e estipula os salários a serem pagos. No caso da Carisma, foi selecionada uma mensagem de Arlindo Maus (gerente de confecção da Cativa), em 21/06/2005, para Luis RH Comce (?), com cópia para Valci Márcia (sócia da Cativa), informando as condições para contratação de nova Supervisora da Carisma. Notese pelo email em comento que, além de selecionar os empregados, a Cativa ainda estipula as condições contratuais, fazendose valer de seu poder de decisão sobre a representada. Outra situação constatada pela fiscalização foi o fato de que nas propostas de trabalho preenchidas por candidatos ao preenchimento de vagas no quadro de empregados das representadas consta o logotipo da Cativa, sugerindo, mais uma vez, que quem faz a seleção do pessoal das empresas envolvida é a Cativa Têxtil, que centraliza essas atividades na cidade de Pomerode (sede da Cativa). Não bastasse todos esses documentos e evidências trazidos, também foi conduzido aos autos cópia do jornal interno da Cativa “ComuniCativa”. No exemplar nº 6, de fevereiro de 2000, há destaque para o início das atividades da Conquista, cujo título da notícia é “Conquista – A Quarta Unidade” . No jornal interno verificouse que a própria Cativa revela que a Conquista é uma unidade sua, ou seja, um pólo de produção por si instituído com fim de ampliar sua produção. Noticia a Srª Márcia (sócia da Cativa) a quantidade de colaboradores que serão contratados, bem como o percentual de produção pelo qual será responsável a Conquista. Além disso, indica o nome da pessoa que supervisionará a unidade, a qual tem seu trabalho reconhecido em outra representada: A Carisma, Unidade 2. Isso tudo evidencia o poder de administração da Cativa sobre as representadas e de condução dos negócios. E mais, quando trata a Conquista como a quarta unidade denuncia que existem mais três, como é o caso da Carisma, que é chamada no texto de “Unidade 2”. Constam ainda do processo termos de audiências relativos a ações judiciais de trabalhadores em desfavor das representadas, em que estas foram assistidas por empregados da Cativa. Além disso, ficou evidenciado nesses processos que as contratações e o gerenciamento dos recursos humanos são realizados pela Cativa, que tem sede na cidade de Pomerode. É de ressaltar também que a Cativa não constava do pólo passivo das demandas, como sustenta a recorrente. Além das provas apresentadas, o Auditor ainda fez uma análise da relação dos faturamentos das empresas envolvidas na representação e dos os gastos com folha de pagamentos, a partir do que verifica que as receitas dessas sociedades mal são suficientes para cobrir suas despesas de pessoal, denotandose que somente com o aporte de recursos da Cativa, revestido na forma de adiantamento a faccionistas, conforme constatado na contabilidade da repassadora desses recursos (fl. 10), chegando no caso da Carisma em 31/05/2005 a um saldo de R$ 1.420.005,62, é que as empresas subsistiriam. Pelo exposto, concluise que restou devidamente demonstrado que a Carisma Indústria e Comércio de Malhas Ltda. foi constituída por interpostas pessoas, incorrendo, desse modo, em hipótese impeditiva de ingresso no regime simplificado e beneficiado Simples. c) Aplicação da Multa Em relação à multa aplicada, cabe esclarecer que em virtude do advento da Lei n° 11.941/2009 (de conversão da MP n° 449/ 2008), que instituiu novas sanções para as Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13971.002395/201020 Acórdão n.º 2401006.648 S2C4T1 Fl. 6 9 omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias e novos procedimentos para o lançamento de ofício do crédito tributário previdenciário, foi aplicado o instituto da retroatividade benéfica, estampado no artigo 106, II, “c”, do CTN, resultando para as competências em questão, na aplicação de multa de 75%. Portanto, assim, em decorrência da análise efetuada, foi aplicada a multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, na redação trazida pela Lei nº 11.941/2009, a qual determina a aplicação do disposto no art. 44 da Lei 9.430/96. Desta forma, correto está o lançamento, uma vez que já foi devidamente observado a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do CTN. Somase ainda que o contribuinte foi devidamente informado dos procedimentos adotados em decorrência da citada legislação. d) Intimação ao Procurador/Advogado Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110, a seguir transcrita: "Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo." 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER DO RECURSO e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720021/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011, 2012
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. APLICABILIDADE.
A fonte pagadora é responsável pelo imposto de renda incidente na fonte quando promove pagamentos a beneficiários não identificados ou relativamente aos quais não prova a operação ou causa que os motiva. A dedução da autoridade fiscal de que os pagamentos se destinem ao financiamento de atos ilícitos, não deve ser tida como comprovação da operação que deu causa aos pagamentos, até porque foi a ausência completa de documentação comprobatória que a levou a essa ilação.
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE.
Quando estão comprovados o beneficiário e a operação que deu causa ao pagamento, não se estabelece a hipótese de incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte de que trata o art. 674, § 1º, do Decreto nº 3000/99, ainda que o pagamento não se relacione ao objeto social da empresa, ou seja feito em benefício de sócio de fato.
CONFUSÃO PATRIMONIAL. INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSABILIDADE. ART. 124, I, CTN.
As empresas contribuinte e responsáveis revelaram confusão patrimonial em razão de um controle único exercido pelo proprietário do grupo econômico de fato, acompanhado de utilização dos mesmos recursos e atuando de forma conjunta na prática da fraude, o que configura o interesse comum e justifica a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. Além disso, foram constatadas interpostas pessoas no quadro societário das empresas, com intuito de frustrar eventual cobrança de créditos tributários.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, CTN. INFRAÇÃO DE LEI. ADMINISTRADOR DE PRODUÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Os administradores da empresa são responsáveis solidários pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, em face da prática de infrações de lei. Todavia, não podem ser responsabilizados os administradores que são profissionais da área técnica de produção que, embora cuidem de bens de terceiros, não têm qualquer relação com a administração tributária da empresa.
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE.
É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
A prestação de informações solicitadas pela Secretaria da Receita Federal, com o objetivo de instruir processo fiscal regularmente instaurado, na forma autorizada pela legislação específica, não implica a quebra do sigilo bancário, uma vez que tais informações encontram-se protegidas pelo sigilo fiscal.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
Numero da decisão: 1301-003.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; (ii) por maioria de votos, negar provimento aos recursos dos coobrigados MHV Imóveis, Modullus Empreendimentos e Ieda Matuoka, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto (Relator) que votou por lhes dar provimento, e os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar provimento somente ao recurso de Ieda Matuoka; e, (iii) por voto de qualidade, negar provimento aos recursos de Mol Administração e Tryograf, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhes dar provimento. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. APLICABILIDADE. A fonte pagadora é responsável pelo imposto de renda incidente na fonte quando promove pagamentos a beneficiários não identificados ou relativamente aos quais não prova a operação ou causa que os motiva. A dedução da autoridade fiscal de que os pagamentos se destinem ao financiamento de atos ilícitos, não deve ser tida como comprovação da operação que deu causa aos pagamentos, até porque foi a ausência completa de documentação comprobatória que a levou a essa ilação. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Quando estão comprovados o beneficiário e a operação que deu causa ao pagamento, não se estabelece a hipótese de incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte de que trata o art. 674, § 1º, do Decreto nº 3000/99, ainda que o pagamento não se relacione ao objeto social da empresa, ou seja feito em benefício de sócio de fato. CONFUSÃO PATRIMONIAL. INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSABILIDADE. ART. 124, I, CTN. As empresas contribuinte e responsáveis revelaram confusão patrimonial em razão de um controle único exercido pelo proprietário do grupo econômico de fato, acompanhado de utilização dos mesmos recursos e atuando de forma conjunta na prática da fraude, o que configura o interesse comum e justifica a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. Além disso, foram constatadas interpostas pessoas no quadro societário das empresas, com intuito de frustrar eventual cobrança de créditos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 21 /2 01 4- 67 Fl. 22457DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.458 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, CTN. INFRAÇÃO DE LEI. ADMINISTRADOR DE PRODUÇÃO. INAPLICABILIDADE. Os administradores da empresa são responsáveis solidários pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, em face da prática de infrações de lei. Todavia, não podem ser responsabilizados os administradores que são profissionais da área técnica de produção que, embora cuidem de bens de terceiros, não têm qualquer relação com a administração tributária da empresa. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações solicitadas pela Secretaria da Receita Federal, com o objetivo de instruir processo fiscal regularmente instaurado, na forma autorizada pela legislação específica, não implica a quebra do sigilo bancário, uma vez que tais informações encontramse protegidas pelo sigilo fiscal. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; (ii) por maioria de votos, negar provimento aos recursos dos coobrigados MHV Imóveis, Modullus Empreendimentos e Ieda Matuoka, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto (Relator) que votou por lhes dar provimento, e os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar provimento somente ao recurso de Ieda Matuoka; e, (iii) por voto de qualidade, negar provimento aos recursos de Mol Administração e Tryograf, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhes dar provimento. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. Fl. 22458DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.459 3 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Redator Designado. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, às folhas 3 a 385, por meio do qual se exige, da Interessada acima qualificada, a importância de R$ 142.490.493,76 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, acrescida de multa de ofício de 225% e de juros de mora. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 386 a 615) é bastante extenso e minucioso, razão pela qual seria despiciendo renovar todas as suas considerações aqui. Para o que interessa a esse relatório, é preciso apresentar um contexto geral da fraude que foi verificada, bem como a indicação dos partícipes. A fraude se destinava a importar papel imune, utilizandose de laranjas, para dar saídas internas para outras finalidades que não aquelas que justificam a imunidade, utilizandose para tanto de importadoras, destinatárias, distribuidoras e empresas para movimentação financeira e suprimento da operação. Descreve o auditor: A engenhosa fraude se vale de farto uso de interpostas pessoas (“laranjas”), falsidade ideológica, conluio entre empresários do segmento, descaminho, etc. Podemos resumir o “esquema” de desvio da seguinte forma: Uma empresa com função de importadora, portadora de regime especial para trabalhar com papel imune, realiza a importação com simulação de regularidade e destina maior parte do papel importado a empresas de fachada, com quadro societário composto por interpostas pessoas (laranjas). O primeiro nível de interposição é construído, no qual uma “noteira de primeiro nível” obtém registro especial para trabalhar com papel imune e recebe milhões de reais em notas fiscais oriundas das empresas importadoras. Fl. 22459DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.460 4 Esta empresa noteira não possuí saída de mercadorias e sua movimentação financeira é insignificante quando comparada ao volume de mercadorias adquiridas, serve apenas como um receptáculo de documentos fiscais. Um segundo nível de interposição é constituído, no qual uma “noteira de segundo nível” emite notas fiscais de saída para todo o mercado consumidor, sendo que essa empresa não possui notas fiscais de ENTRADA e sua movimentação financeira é insignificante face ao volume comercializado. Em nome dessa “noteira” é distribuído o papel imune desviado para grandes atacadistas e empresas que não possuem autorização para trabalhar com esse tipo de produto, tampouco darão a finalidade constitucional a esse papel. Vale destacar que esta fiscalização autuou os cinco maiores clientes deste esquema, perfazendo um total de cerca de R$ 34 milhões de crédito tributário constituído. Dessa forma o esquema fraudulento garante vantagens indevidas a esses clientes, uma vez que, devido aos altos lucros da sonegação desses tributos, os preços praticados são mais baixos e, de quebra, geram milhões de reais em créditos indevidos de PIS, COFINS e ICMS. Os clientes aproveitamse da situação supostamente vantajosa, dos créditos indevidos auferidos nesses documentos fiscais e dos preços diferenciados do papel proveniente desse esquema fraudulento e acabam se sujeitando a receber as notas fiscais eletrônicas das chamadas “noteiras de segundo nível”. Foi identificado que esses clientes finais efetuam o pagamento das mercadorias diretamente à empresa importadora TBLV COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA, CNPJ 04.155.947/000122 ou à empresa de cobrança COMARK COBRANÇAS LTDA, CNPJ 12.527.758/000161, protagonistas desta fraude, fechando a cadeia fraudulenta de quebra da imunidade incidente sobre o papel destinado às finalidades constitucionais. Estas duas empresas, bem como outras que descreveremos mais adiante, fazem parte do que intitulamos GRUPO VINOCUR, controlado pelo Sr. MAURO VINOCUR, CPF 165.795.10811, mentor e maior beneficiário da fraude que beneficiou a si próprio e a centenas de clientes. A principal importadora usada na fraude, a TBLV, representa as iniciais dos nomes dos filhos de Mauro Vinocur (THEO, BRENO E LARA VINOCUR). A fiscalização apresenta um gráfico que ilustra bem a operação: Fl. 22460DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.461 5 Fl. 22461DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.462 6 Além da TBLV, o GRUPO VINOCUR conta com as importadoras: IPSL COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PAPEIS LTDA – CNPJ 09.603.926/000146 (IPSL), COPAP LATIN AMERICA IMP. EXP. DE PAPEIS – CNPJ CNPJ: 10.238.560/000132 (COPAP), GILEADE COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA ME – CNPJ 10.416.712/000140 (GILEADE) e INTERPAPER INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE PAPEL LTDA – CNPJ 11.159.305/000167 (INTERPAPER), além de uma indústria gráfica com parque industrial nas cidades de Osasco/SP e Araras/SP, a TRYOGRAF EDITORA LTDA – CNPJ: 06.183.924/000157 (TRYOGRAF), e uma empresa de cobranças, que é a COMARK, contribuinte ora autuada. Além das importadoras, o esquema contava também com as "noteiras de primeiro nível", que eram empresas que podiam importar papel imune, mas não davam saída de mercadoria nenhuma, e com "noteiras de segundo nível", que funcionavam como distribuidorasm vendendo os bens que estava no estoque das "noteiras de primeiro nível" para os clientes finais, que pagavam os valores para a TBLV e para a COMARK. Foram indicados como responsáveis os seguintes sujeitos: Além da atuação de Mauro Vinocur à frente do grupo econômico, a Fiscalização destacou também a participação de Ieda Maria Mitiko Matuoka, representante legal de várias empresas do grupo econômico, e responsável pelo departamento financeiro do Fl. 22462DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.463 7 grupo, atuando como seu longa manus em diversas oportunidades, e tomando decisões administrativas em relação às diversas empresas administradas. Pois bem, por razões de otimização, os argumentos dos responsáveis solidários, bem como os fundamentos da parcela afastada do auto de infração, serão analisados diretamente no voto. Após o detalhamento dos fatos apurados e da participação de cada um dos arrolados no polo passivo, a Fiscalização delimitou o alcance da autuação, neste processo, à exigência de IRRF sobre pagamentos praticados pela COMARK COBRANÇAS LTDA. a beneficiários não identificados, ou sobre recursos entregues a terceiros ou sócios, quando não ficaram comprovadas as operações ou as suas causas, conforme previsto no art. 674, § 1º, do RIR/99: Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). A Fiscalização dividiu os pagamentos apurados em três categorias: (i) pagamentos sem causa comprovada, (ii) pagamentos sem causa e sem beneficiário comprovados, (iii) pagamentos que tiveram suas causas e beneficiários identificados pela Fiscalização, mas que foram feitos fora do objeto social e em benefício de sócio oculto. No Termo de Verificação Fiscal, consta ainda que a multa de ofício básica de 75% foi qualificada para 150% e agravada em mais 50%, pelo não atendimento à fiscalização, resultando em multa de ofício de 225%. A Fiscalização alega que a contribuinte beneficiouse de fraude fiscal de desvio de finalidade de papel imune e embaraçou a ação fiscal. Apresentaram Impugnação à autuação fiscal: I) Comark II) Mauro Vinocur III) Ieda Maria Mitiko Matuoka IV) Fernando Vinocur V) Alexandre Silva Costa, Armando Antonio Nazzato, Misael Martins De Souza, Maria Helena Rodrigues Vinocur, Vera Lúcia Marino Vinocur, Marcos Vinocur, Adriana Duarte Carneiro Vinocur, Maria Carolina Ribeiro Rodrigues, Roberto Yoshimitsu Matuoka, Tatiana Storniolo Chioramital Canedo, e Carlos Eduardo Ferreira Tanese; Fl. 22463DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.464 8 VI) TBLV VII) GILEADE VIII) COPAP IX) INTERPAPER X) TRYOGRAF XI) MOL Administração e Cobrança de Títulos LTDA XII) IPSL XIII) MHV Imóveis e Participações XIV) Advalorem Fomento XV) MODULLUS Empreendimentos Imobiliários Ltda. XVI) CPJ EDITORA LTDA. E KADAR REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA. – EPP. A DRJ julgou parcialmente procedentes, no seguinte sentido: (a) procedentes em parte as impugnações das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, para exonerar o montante de R$ 1.590.044,00 a título de IRRF, acrescido da multa de ofício e juros de mora. COMARK COBRANÇAS LTDA MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS LTDA; (b) improcedentes as impugnações das pessoas físicas e jurídicas abaixo relacionadas, para mantêlas no polo passivo. MAURO VINOCUR IEDA MARIA MITIKO MATUOKA TRYOGRAF EDITORA LTDA MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA MHV IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES S.A. ADVALOREM FOMENTO LTDA. IPSL COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA INTERPAPER INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE PAPEL LTDA COPAP LATIN AMÉRICA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA GILEADE COMERCIO DE PAPÉIS LTDA ME TBLV COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA; Fl. 22464DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.465 9 (c) procedentes as impugnações das pessoas físicas e jurídicas abaixo relacionadas, para excluílas do polo passivo. MARIA HELENA RODRIGUES VINOCUR VERA LUCIA MARINO VINOCUR MARCOS VINOCUR ADRIANA DUARTE CARNEIRO VINOCUR MARIA CAROLINA RIBEIRO RODRIGUES ROBERTO YOSHIMITSU MATUOKA ALEXANDRE SILVA COSTA CARLOS EDUARDO FERREIRA TANESE TATIANA STORNIOLO CHIORAMITAL CANEDO FERNANDO VINOCUR MISAEL MARTINS DE SOUZA ARMANDO ANTONIO NAZZATO KADAR REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA EPP C.P.J EDITORA LTDA. A impugnação da empresa IPSA PARTICIPAÇÕES LTDA ME não foi conhecida em razão de sua apresentação intempestiva. Irresignados, os seguintes sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário, aduzindo os seguintes pontos. a) Tryograf Editora Ltda. (fl. 21911) O endereço da Tryograf não é o mesmo da TBLV, pois no local há um condomínio com múltiplos galpões e armazéns, com várias empresas do ramo gráfico; Mauro Vinocur não é proprietário da Tryograf, mas foi seu diretor no passado, apenas. Ao contrário, a Tryograf apenas comprava papel de empresas que estariam envolvidas na fraude, mas mediante conferência do SINTEGRA e do CNPJ das mesmas. Misael Martins de Souza, proprietário da Tryograf, não seria laranja, e o fato dele ter sido sócio da MOL até 26/04/2011, junto com a cunhada de Mauro Vinocur, não seria prova disso; A empresa apenas comprou o papel não imune, para prestação de serviços gráficos e aproveitou os créditos, na forma legal; Apresenta notas fiscais e livros contábeis para comprovar que adquire papel comercial de diversos fornecedores, e presta serviços editoriais a diversos tomadores. Aduz a existência da operação e a causa dos pagamentos feitos à COMARK, razão pela qual não pode ser responsabilizada pelas infrações. Fl. 22465DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.466 10 Não tem qualquer interesse comum no fato gerador, visto que a sonegação é anterior à compra de papel pela Tryograf. b) Modullus Empreendimentos Imobiliários (fl. 21940) Inconstitucionalidade da multa de 225%; a Recorrente é uma SCP criada para a construção de galpões, nada tendo a ver com a fraude perpetrada pelas empresas indicadas no auto de infração, não fazendo parte do grupo econômico; Ausência de interesse comum, pois não realizou os fatos geradores do tributo; Inexistência de confusão patrimonial da Recorrente com a COMARK e MHV, e que a SCP prescinde de formalidades específicas, só lhe sendo exigido CNPJ a partir de 2014. c) TBLV (fl 22014) nulidade da sujeição passiva por ausência de provas da relação com o fato gerador; não há interesse comum na realização do fato gerador, inaplicabilidade do art. 124, I do CTN; a existência de grupo econômico não justifica o interesse comum no fato gerador; d) Mauro Vinocur (fl. 22052) nulidade da responsabilidade, por falta de provas da participação nos fatos geradores; Não haveria prova que o Recorrente é o beneficiário e a Recorrente nunca deteve poder de administração sobre a COMARK, para fins de enquadramento do art. 135, III do CTN. e) Comark Cobranças (fl. 22065) a Recorrente trabalha com atividade de cobrança, não podendo ser compelida a pagar o IRRF sobre valores que transitam em suas contas bancárias a título de pagamentos por conta e ordem de terceiros e sobre mútuos realizados; nulidade do auto de infração, por vício de motivação, por não ter comprovado as condições de aplicação da IRRF sobre pagamentos sem causa ou com beneficiário não identificado; inocorrência do fato gerador do imposto de renda, pois o dinheiro apenas transitou em suas contas, por conta e ordem de terceiros; ofensa à súmula CARF nº 12 e ao Parecer Normativo COSIT nº 01/2002; Fl. 22466DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.467 11 afirma que os beneficiários e a causa dos pagamentos foram identificados, não cabendo a aplicação da presunção dos arts. 674 e 675 do RIR/99; Ofensa à razoabilidade, proporcionalidade e não confisco na aplicação da multa de 225%. Não incidência de juros sobre multa de ofício. f) Mol Administração e Cobrança de Títulos Ltda. (não paginável; anexação em fl. 22127) Nulidade por quebra indireta de sigilo bancário; Os beneficiários dos pagamentos feitos pela Comark são conhecidos, assim como a sua causa, razão pela qual não há razão para cobrança do IRRF; incompatibilidade de responsabilidade da fonte pagadora quanto ao IRRF e a responsabilização de terceiro por interesse comum no fato gerador; ausência de interesse comum na realização do fato gerador; A remessa de R$ 2 milhões para a Comark não justifica o interesse comum e correspondem a empréstimos de curto prazo; O fato da cunhada de Mauro Vinocur ser sócia da empresa não torna a empresa parte do Grupo Vinocur; A alegação de que a empresa movimentou R$ 82 milhões é desprovida de prova nos autos, e a capacidade financeira da sócia não permite inferir a capacidade financeira da empresa, por serem pessoas distintas; necessidade de limitação da responsabilidade solidária à montante relativo aos R$ 2 milhões remetidos à Comark; Quanto aos saques efetuados pelo exsócio Misal, não há prova que os mesmos foram utilizados pela Comark para efetuar pagamentos; impossibilidade de aplicação da multa de ofício qualificada por ausência de dolo e intuito de fraude; afastamento da multa agravada por ter sempre prestado esclarecimentos à fiscalização; Indevido reajustamento da base de cálculo do IRRF, pois não houve qualquer retenção, de modo que o valor pago foi o bruto, não o líquido. g) Ieda Maria Mitiko Matuoka (fl. 22143) A recorrente nunca se beneficiou dos pagamentos feitos pela Comark, e que o beneficiário era apenas Mauro Vinocur; Fl. 22467DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.468 12 Nunca deteve poder de administração de fato da sociedade; sendo uma mera funcionário. Cita trecho de fls. 1824 dos autos. Nulidade do auto de infração por vício de motivação, por não comprovar o exercício de função de administradora pela Recorrente; Ausência de interesse comum no fato gerador; Não há auferimento de renda pela recorrente, e quem realizou os pagamentos objeto da cobrança do IRRF foi a Comark. h) Ad Valorem Fomento Ltda (fl. 22159) nulidade da sujeição passiva por ausência de provas da relação com o fato gerador; não há interesse comum na realização do fato gerador, inaplicabilidade do art. 124, I do CTN; a existência de grupo econômico não justifica o interesse comum no fato gerador; i) MHV Imóveis e Participações S/A (fl. 22191) nulidade da sujeição passiva por ausência de provas da relação com o fato gerador; não há interesse comum na realização do fato gerador, inaplicabilidade do art. 124, I do CTN; a existência de grupo econômico não justifica o interesse comum no fato gerador; j) Copap Latin America (não paginável) Nulidade da autuação, pois a COPAP nunca teve relação societária coma Comark, nem esteve sob o comando dela; As importadoras não se beneficiaram do esquema; A Recorrente não reconhece ter recebido a quantia de R$ 79 milhões advindos da Comark; Ausência de interesse comum no fato gerador; A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários de fls. 22309 e ss., reiterando os fundamentos da autuação. É o relatório. Fl. 22468DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.469 13 Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Inicialmente, verificamos que o processo abrange tanto Recurso de Ofício quanto Recursos Voluntários, razão pela qual estes serão analisados primeiramente. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Tempestividade Sujeito Passivo Data de intimação Data do Recurso Voluntário Tryograf 15/07/2016 12/08/2016 Modullus 14/09/2016 17/08/2016 (ciência por cópia do processo) TBLV 21/09/2016 03/10/2016 Mauro Vinocur 04/10/2016 (edital) 03/10/2016 Comark 01/09/2016 03/10/2016 Mol 02/09/2016 04/10/2016 Ieda Matuoka 01/09/2016 03/10/2016 MHV 16/09/2016 13/10/2016 COPAP 02/09/2016 04/10/2016 Ad Valorem 13/09/2016 13/10/2016 A INTERPAPER INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE PAPEL LTDA e a GILEADE COMERCIO DE PAPÉIS LTDA ME foram intimadas por edital, por se tratarem de empresas consideradas inaptas, não apresentando Recurso Voluntário, razão pela qual se sujeitam à definitividade da decisão proferida pela DRJ. Todos os Recursos Voluntários apresentados são tempestivos e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos pelo Colegiado. I) Preliminar de nulidade do auto de infração Todos os recursos voluntários aduzem que o auto de infração é nulo pela ausência de apresentação dos elementos de comprovação dos ilícitos apontados, ou de elementos que comprovem as condições de imputação de responsabilidade. Sobre isto, aprecio os argumentos conjuntamente, e entendo não haver nos autos a carência probatória geral mencionada pelos Recorrentes. Pelo contrário, há que se Fl. 22469DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.470 14 aplaudir o analítico levantamento probatório realizado pela fiscalização e sumariada ao longo do TVF, com análise individualiza dos fatos imputados a cada um dos responsáveis e ao contribuinte. Não há, aí, qualquer subversão dos princípios probatórios do processo administrativo, pois a autuação atende expressamente ao art. 9º do Decreto 70.235/72: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Há que se distinguir, naturalmente, duas situações diferentes: o juízo preliminar, acercar do atendimento aos requisitos de lavratura do auto de infração, incluindo aí as exigências probatórias, através do qual se pode concluir pela nulidade da autuação; e o juízo meritório, no qual se efetuará a valoração das provas existentes, para verificar o atendimento integral de todos os ônus probatórios envolvidos e a verificação da procedência ou não das alegações fiscais. Neste momento, cabe fazer apenas o juízo preliminar, cabendo a análise das provas a momento posterior. Sob este prisma, há que se reconhecer que há diversos indícios probatórios nos autos que corroboram a narrativa fiscal, estando atendido a exigência mínima para manutenção formal da autuação. Eventual erro da fiscalização na aplicação da regra tributária já adentra no âmbito do mérito da questão, e será analisado adiante. Ademais, repito aqui voto do I. Conselheiro Jorge Lock Freire, nos acórdão 3402003.010, ao analisar a preliminar de nulidade em casos desses mesmos sujeitos passivos: De início é de ser rechaçada a pugnada nulidade. Chega ser risível, para dizer pouco, o argumento de que a exação em análise não se encontra lastreada em provas conclusivas da prática de fatos que constituem infração à legislação tributária. Alega a empresa que o lançamento foi baseado "em pressuposições e presunções" e não teria provado que os papeis por ela importados não seriam alcançados pela imunidade. Ora, mera tergiversação, pois a imputação fiscal não foi que os papeis não poderiam ser usados para a impressão de livros, jornais e periódicos, mas sim que, sob o abrigo de um esquema fraudulento, foram desviados do fim previsto na norma constitucional e vendidas para empresas sem o Registro Especial a que alude a Lei 11.945/2009. As provas coligidas aos autos, e devidamente articuladas pela agente fiscal, são robustas e diversas, como diligências, verificação de valores, depoimento de variadas pessoas, quebra de sigilo bancário, etc. Tão robusta que a recorrente sequer as contesta, restando a ela citações doutrinárias sem vinculação ao caso concreto. O fato é que a recorrente furtouse a participar do procedimento fiscal, maculando a boafé que deve orientar as relações Fiscocontribuinte. O auto de infração baseouse em um conjunto de informações que indicam a existência de um grupo econômico composto por inúmeras empresas que tinha a autuada na operação e planejamento das ações, e em sua órbita um conjunto de empresas sem capacidade econômica e operacional, destinadas somente a simular a compra e venda de papel imune. Fl. 22470DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.471 15 Portanto, rejeito todas as preliminares de nulidade do auto de infração, por vício de motivação. As preliminares específicas de determinados sujeitos passivos serão analisadas oportunamente, juntamente com as demais alegações. a) COMARK Inicialmente, cumpre observar que os bancos Safra e Modal, atendendo ordem judicial, no bojo dos Autos No. 001493031.2013.403.6181, de quebra de sigilo bancário contra a empresa COMARK e TBLV, entregaram material que continha declarações que comprovam cabalmente que MAURO VINOCUR era o único controlador e beneficiários das empresas offshores SUN INVEST LLC, ATLANTIS BUSINESS LLC e LA INVESTMENTS (Anexo 01 do TVF). Conforme explicitado em declaração assinada pelo próprio MAURO VINOCUR (fl. 4082), ele é o controlador e beneficiário final da LA INVESTMENTS, que por sua vez controla diretamente a ATLANTIS e a SUN INVEST, que detêm 50% cada uma da COMARK. Quanto à TBLV, a offshore ATLANTIS possui 99% do seu capital social, tendo como beneficiário final e controlador, também, o Sr. MAURO VINOCUR (fl. 4081). Portanto, é fora de dúvida que MAURO VINOCUR controlava conjuntamente a COMARK e a TBLV, conforme cabalmente comprovado nos autos. Pois bem, o fundamento da autuação fiscal foi o art. 61 da Lei nº 8981/1995, que dispõe, verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Tal norma se justifica uma vez que, em razão do anonimato do beneficiário, o Fisco se vê impedido de alcançar de forma direta o beneficiário do rendimento. Igualmente, o seu § 1º aplica a mesma tributação quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Neste caso, embora se conheça o beneficiário do rendimento, persiste a dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento. Fl. 22471DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.472 16 Sem a certeza sobre o fato ocorrido, não há segurança para a aplicação da norma geral de tributação. Portanto, o referido artigo traz uma regra de tributação que supre a insegurança sobre o fato passível de tributação, presumindo que os pagamentos sem identificação do beneficiário e sem comprovação de operação ou da sua causa estão sujeitos ao IRRF. A fiscalização apurou, por meio do TVF, que os pagamentos feitos pela COMARK foram feitos no interesse de empresas pertencentes ao grupo econômico de fato, denominado GRUPO VINOCUR, e tinham como beneficiado final a pessoa de MAURO VINOCUR. A fiscalização apurou que a COMARK transferia diversas vezes valores para o próprio MAURO e para seus parentes, conforme planilhas de fls. 40854087, como forma de repassar a ele os recursos de sua atividade empresarial. Tal fato foi corroborado pelo depoimento do Sr. ADALBERTO THOMAZINI, que atuava na empresa TBLV (Anexo 09): Disse que Mauro distribui muito dinheiro na conta dos familiares. Certa vez lembrase que uma das cunhadas de Mauro reclamou pra ele que, de uma hora para outra, apareceu um crédito em sua conta bancária inesperado de R$ 1 milhão.....” Nesse contexto, a COMARK realizada diversos pagamentos para a TBLV e outras importadoras de papel imune, como forma de suprir os recursos necessários para as operações de comércio exterior, os quais contabilizavam os ingressos como mútuos da COMARK, para alegar que os recursos seriam de terceiros, e não da própria empresa. A Recorrente sustenta que jamais efetuou qualquer pagamento a título de rendimentos a qualquer beneficiário, de modo que não caberia a presente tributação, e alega que os pagamentos que efetuou foram sempre feitos por conta e ordem de terceiros em razão da consecução da sua atividade empresarial de cobrança, de modo que não poderia ser considerada fonte pagadora. Por outro lado, alega que a exigência não poderia ser feita à fonte pagadora, mas sim à pessoa beneficiária do pagamento, conforme Súmula nº 12 do CARF e Parecer Normativo Cosit nº 1, de 2002. Acerca do arguido, é de se esclarecer inicialmente que a Súmula nº 12 do CARF referese à tributação aplicável a omissão de rendimentos da pessoa física, hipótese distinta da discutida nestes autos de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. A teor do art. 674 do RIR/99 estes pagamentos sujeitamse a imposto de renda incidente exclusivamente na fonte. Neste caso, o próprio Parecer Normativo Cosit nº 1, de 2002, citado pela Recorrente, esclarece que é a fonte pagadora a responsável pelo imposto de renda incidente exclusivamente na fonte. Quanto à alegação da Recorrente de que realiza pagamentos por conta e ordem de terceiros, inclusive com trânsito de valores pelas suas contas bancárias, constatase que está desacompanhada dos devidos comprovantes. Mesmo o contrato firmado com a TBLV nada comprova, sem outros documentos que amparem as operações que foram alegadamente realizadas, mormente em razão do fato apurado de que se tratam de empresas sob controle comum, e pela ausência de estrutura da COMARK para operar como empresa de cobrança, contando apenas com uma única funcionária (IEDA) e operando em escritório virtual. Tais fatos estão esclarecidos com minúcias no TVF, às fls. 445 e 446. Fl. 22472DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.473 17 A COMARK, conforme fatos levantados pela fiscalização, somente existia para receber o dinheiro da venda dos papéis imunes importados como tal, mas vendidos como comerciais, e utilizálo para repasses ao beneficiário (MAURO VINOCUR) e às importadoras, para realizar a compra de papel no exterior. Era, portanto, o elemento central de suprimento de recursos financeiros da operação, travestida de empresa de cobrança. Não há, portanto, documentação hábil e idônea nos autos para comprovar a causa jurídica dos pagamentos realizados pela COMARK, apesar da alegação de que se tratavam de operações de mútuo e de cobranças em nome das importadoras. A maioria dos pagamentos tem o beneficiário está perfeitamente identificado, mas sua causa não foi comprovada pela empresa por meio de documentação idônea, e nem a fiscalização conseguiu desvendála, por meio de diligências. Entre 01/2011 a 12/2012 constam os seguintes repasses feitos a elas originados das contas da COMARK: de R$ 40.182.900,95 à TBLV, R$ 78.556.043,41 à COPAP, R$ 81.546.537,22 à INTERPAPER, R$ 1.758.952,61 à IPSL e R$ 28.063.599,30 à GILEADE ou seja, há repasses volumosos de recursos às empresas importadoras (sob controle direto ou indireto de Mauro Vinocur) do papel imune, para concretização das operações com terceiros, no exterior. As importadoras mencionadas eram meros instrumentos para a introdução do papel no país, e remessa para as "noteiras de primeiro nível", pois ostentavam saldo bancário negativo, conta caixa credora e outras aberrações contábeis e econômicas incompatíveis com uma empresa operante normalmente. Frisese que este relator teve a oportunidade de participar do julgamento das sanções de natureza aduaneira sobre essas empresas, em razão da interposição fraudulenta de pessoas na importação, decorrentes da mesma operação, a exemplo dos acórdãos 3401 003.158, 3402003.010 e 3402003.063. Da mesma forma, diversos outros casos foram julgados para a cobrança de contribuições socais, a exemplo do acórdão 3302006.578. Em todos os acórdãos, reconheceuse a ocorrência de fraude grotesca, e considerouse plenamente comprovada a operação descrita pela fiscalização: Fartamente provado que após o desembaraço aduaneiro, as mercadorias eram encaminhadas para um armazém, com a emissão de notas fiscais de remessa para depósito. A importadora, por sua vez, emitida Nota Fiscal de Venda do papel imune para sociedade de fachada, possuidora do Registro Especial e denominada no trabalho fiscal de “Noteira W”. Todavia, a mercadoria objeto da suposta venda permanecia armazenada no depósito, sem nenhuma movimentação física concreta. Essas noteiras W não apresentavam nenhuma movimentação financeira ou, quando muito, movimentação irrisória insuficiente para cobertura sequer de suas compras. De outro turno, havia as sociedades denominadas de “Noteiras X” que emitiam Nota Fiscal simulando negócio de venda de papel comercial com o cliente final do papel, originalmente importado como imune. Essas noteiras X se prestavam para romper a cadeia de imunidade dos papéis importados, pois promoviam as vendas já sem a imunidade tributária para clientes finais que não faziam jus à imunidade, seja porque não possuíam Registro Especial, seja porque para estes papéis adquiridos iriam dar uma destinação diferente da constitucional. Demais disso, as notas fiscais eram emitidas como se os tributos tivessem sido recolhidos, gerando créditos fiscais indevidos para ICMS, PIS e COFINS. Fl. 22473DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.474 18 Provado, igualmente, que a venda simulada para as Noteiras W, detentoras de registro especial, visava realizar o acerto contábil e justificar a baixa no estoque do papel. Essas Noteiras W apresentavam somente o registro de compras dos papéis, mas nunca de venda ou revenda destes, ou em algumas hipóteses registravam vendas em valores muito inferiores ao próprio valor de compra. Em verdade, não possuíam movimentação financeira e capacidade econômica para entabular os alegados negócios. Também, extraise do gráfico colado no relatório que elas se sucediam tempo, com o fim claro de dissimular o crime perpetrado. O mesmo se dava com as "noteiras X". Sendo que seus quadros societários eram compostos por interpostas pessoas. Nada disso foi infirmado no recurso. Os recursos para manutenção do fluxo de papel imune eram carreados pela COMARK, que também recebia o dinheiro pago pelos clientes que compravam o papel da Noteira X (ou "noteira de segunda nível"). Há também diversos pagamentos da COMARK que foram realizados através de cheque, cuja causa ou beneficiário não puderam ser identificados. A fiscalização aponta que diversos cheques indicavam como beneficiário o sr. Orlando Fernandes Martins, que era motoboy da MODULLUS sequer trabalhava para a COMARK demonstrando o grau de proximidade entre as empresas. Todos os cheques eram assinados e vistados pela Sra. Ieda, na qualidade de procuradora da COMARK, a qual autorizava e tinha ciência de cada pagamento feito pela empresa autuada. Em algumas operações de pagamentos esta fiscalização conseguiu demonstrar, com absoluta certeza, o beneficiário e a causa dos pagamentos, como nos casos dos dispêndios com a construção do galpão em Araçariguama e a compra do apartamento onde reside o Sr. Mauro Vinocur e família (Anexos 57 a 62). O IRRF sobre estes pagamentos foi revertido pela DRJ, e são objeto de recurso de ofício. Portanto, na condição de fonte pagadora, entendo que a COMARK deve arcar com o IRRF, nos termos do art. 61 e §1º da Lei nº 8981/95. Quanto à arguição de "bis in idem" e de ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco, a Recorrente sustenta que os arts. 674 e 675 do RIR/99 prevêem hipótese de penalidade à pessoa jurídica que realiza os supostos pagamentos cuja causa não tenha sido comprovada ou cujos beneficiários não tenham sido identificados, de modo que a aplicação concomitante de multa configuraria “bis in idem”, o que é amplamente rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio. O IRRF não é penalidade, mas presunção para cobrança do tributo devido, conforme determinação legal. Também alega não caberia a aplicação da multa qualificada de 225% pois sua conduta teria sido omissiva, ao passo que a multa aplicada exigiria a prática de conduta comissiva dolosa. O percentual de 225% seria excessivo e desproporcional à suposta infração, pelo que afrontaria diretamente o princípio constitucional da capacidade econômica do contribuinte e violaria o princípio de proteção ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, da CF/88), conforme prescrevem o art. 145, § 1º e o art. 150, IV, da CF/88. Fl. 22474DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.475 19 Acerca do arguido, é de se esclarecer que o agravamento de 50% incidente sobre a multa básica de 75%, previsto no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi sim decorrente da conduta omissiva reconhecida pela própria Impugnante. Tal conduta omissiva não ocorreu somente em relação ao esclarecimento da natureza dos questionados pagamentos, mas em relação ao esclarecimento de toda atividade que praticava, inclusive quanto aos reais administradores e proprietários da empresa, relevante para determinação da sujeição passiva. A qualificação da multa, por sua vez, devese ao fato de a empresa Impugnante movimentar recursos destinados ao funcionamento de um esquema de fraude fiscal de desvio de finalidade de papel imune, prestandose à lavagem desse dinheiro, conforme sistemática descrita neste voto. Além disso, não caberia ao CARF se manifestar sobre a constitucionalidade ou confiscatoriedade da multa, conforme sua Súmula nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Assim definida tal limitação, cumpre referendar o feito fiscal no que se relaciona à aplicação da multa de ofício. Quanto a incidência de juros sobre multa de ofício, a matéria é objeto da súmula nº 108 do CARF: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.". Portanto, ante o que foi exposto acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário da COMARK. B) MAURO VINOCUR O Recorrente nega a existência de qualquer vínculo societário, empregatício ou gerencial com as empresas apontadas nos trabalhos de fiscalização, ou com a própria COMARK. Deste modo, não se explicaria de forma alguma em que medida poderia ele ter contribuído para a realização dos pagamentos tidos como sem causa, que é o verdadeiro objeto da autuação ora comentada. Como já foi apontado acima, há plena comprovação de que ele é o controlador da TBLV e da COMARK, por meio de empresas offshores e utilizando, como laranja, a Sra. IEDA MATUOKA: Alguns bancos notaram esta fragilidade e, devido às rígidas normas de compliance antilavagem impostas pela lei 9.613/98 (Política KYC – Know Your Client ), acabaram por obter documentos que provavam que MAURO era o único e absoluto controlador e beneficiários das três empresas offshores que controlavam a TBLV e a COMARK (ANEXO 01). Além disso, MAURO VINOCUR recebeu procurações de vários laranjas que instalou como sócios das empresas utilizadas na fraude, a exemplo da IPSL, cuja sócia é sua esposa, MARIA HELENA. Conforme depoimento do Sr. DEVANILSON PARADAS, sócio da ATN, empresa de armazenagem (Anexo 5): Fl. 22475DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.476 20 as milhares de toneladas de papel que foram armazenadas na ATN, sejam em nome da TBLV ou das distribuidoras de fachada UNIÃO, AIEV, MIXPEL, entre outras, eram de propriedade do Sr. Mauro Vinocur e que Mauro dizia que as distribuidoras de fachada pertenciam ao seu grupo econômico. Também afirmou que as empresas "destinatárias" do papel imune (noteiras de primeiro nível) eram controladas também por Mauro Vinocur, em depoimento prestado à RFB: 1.1 Quem negociou a proposta por parte da União? Respondeu que ninguém da União negociou a proposta. Quem negociou ambas as propostas (da União e da TBLV) foram os Srs. Adalberto e o Mauro Vinocur. Adalberto recebia as propostas e encaminhava para Mauro decidir e oferecer contrapropostas, ou seja, quem dava as contraofertas e batia o martelo era sempre e exclusivamente Mauro Vinocur. (...) 2.4 Quem afinal dava as últimas palavras, quem decidia as questões mais relevantes no grupo? Isto ocorreu em quais casos que o Sr. se lembra? Reitera que era o Sr. Mauro Vinocur quem dava a última palavra em questões importantes. Lembrase de, quando da época dos pagamentos das faturas, que normalmente venciam no dia 25 de cada mês, que, quando os recursos não eram transferidos pela TBLV à ATN, os funcionários da ATN ligavam para Dona Ieda, financeira da TBLV, cobrando a transferência dos recursos e, muitas vezes, Dona Ieda respondia que o pagamento ainda não havia sido liberado pelo Sr. Mauro Vinocur. Como se vê, nessa parte final, o pagamento da armazenagem era feito por ordem de Mauro Vinocur, com recursos que eram oriundos da COMARK, para manutenção do esquema fraudulento. O depoimento do Sr. Adalberto Thomazini, que seria o "número 2" de Mauro Vinocur, também é absolutamente contundente e confirmam o modus operandi da fraude: O DECLARANTE disse que a margem de lucro de Mauro na operação era de pelo menos 20%. Mauro vendia por um preço imbatível, cerca de 15% mais baixo do que os concorrentes mais baratos. (...) O DECLARANTE disse que, durante seu trabalho no depósito de Cajamar, começou a estranhar o fato das cargas entrarem com notas fiscais da TBLV e saírem com notas fiscais de terceiras empresas, as quais Mauro alegava se tratarem de suas “distribuidoras” e de pertencerem ao mesmo grupo econômico. Dentre estas empresas ditas distribuidoras, pode citar as empresas IZIPAPER COM. DE PAPÉIS e UNIÃO COM. DE PAPÉIS como as principais distribuidoras usadas em 2009 e 2010. Ratificando, as mercadorias (papel imune importado) Fl. 22476DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.477 21 entravam no depósito de Cajamar com notas fiscais da TBLV e saíam com notas fiscais da IZIPAPER e UNIÃO. (...) O DECLARANTE disse que essas trocas de notas fiscais eram todas feitas dentro dos armazéns, antes das mercadorias serem coletadas pela transportadora. O DECLARANTE disse que apenas 25% das saídas tinham de fato finalidade imune, ou seja, essa fiscalização conclui que em torno de 75% de todo o volume de entradas em nome da TBLV nos armazéns tinham sua respectiva nota fiscal de saída trocada no armazém por nota de alguma distribuidora do grupo econômico de Mauro, o que foi confirmado pelo declarante. O DECLARANTE disse que nunca presenciou a existência de alguma nota fiscal de venda da TBLV para a IZIPAPER, em 2009, ainda quando as notas fiscais eram em papel. Posteriormente acabou por descobrir que estas empresas (IZIPAPER e UNIÃO) não existiram ou não compravam de fato nenhuma mercadoria, pois ambas foram fechadas/cassadas pela Secretaria de Fazenda, devido a graves irregularidades. Eram empresas utilizadas apenas para darem saída da mercadoria do armazém. Ambas foram fechadas/desabilitadas pela SEFAZ durante procedimentos fiscais instaurados. Mauro Vinocur também tinha controle sobre as importadoras, por meio de laranjas alocados exatamente para esse fim, que se sucediam na realização das operações de importação: A INTERPAPER, por exemplo, estava em nome de Adalberto e da empresa SOKOLKA, que era de Mauro Vinocur. Sokolka é o nome da cidade onde a mãe de Mauro teria nascido. A IPSL estava em nome da esposa de Mauro, a Sra. Maria Helena Rodrigues Vinocur e de uma pessoa do mercado, o Sr. Paulo Roberto Furtado Farias. A COPAP LATIN AMERICA estava em nome de sua controladora no Canadá (sua principal fornecedora, a COPAP INC) e do Sr. Francisco Canedo (vulgo KIKO), marido da funcionária da TBLV que trabalhava no setor comercial, a Sra. Tatiana. Apenas a GILEADE estava em nome de uma pessoa com laços mais distante, e que tinha um sócio chamado Ricardo. Deste modo, fica caracterizada a condição de principal administrador de fato da empresa autuada, justificandose a atribuição de responsabilidade tributária com base no art. 135, III, do CTN. Estando enquadrado neste artigo a responsabilidade do contribuinte, resta prejudicado o enquadramento no art. 124, I do CTN. Apesar disso, restou demonstrado que a empresa autuada tem como o seu verdadeiro proprietário e administrador de fato, o Sr. Mauro Vinocur, mas isso foi acobertado pela utilização de empresas offshore em nome de interposta pessoa (laranja), com o fim de dificultar a cobrança dos tributos devidos. Nesta situação, não há dúvidas quanto ao seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da Fl. 22477DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.478 22 obrigação tributária, em razão da evidente confusão patrimonial do sócio Mauro Vinocur em relação às empresas que utilizava para perpetrar a fraude. Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário de Mauro Vinocur. c) IEDA MATUOKA A Recorrente sustenta a inaplicabilidade dos artigos 124, I, e 135, III, e 137, I, do CTN. Ela alega que sua atuação não pode ser enquadrada em qualquer dos dispositivos normativos acima mencionados para justificar uma coresponsabilidade tributária e que, além disso não teria poder decisórioestratégico, sendo mera assistente financeira de Mauro Vinocur. A despeito da participação da Sra. IEDA MATUOKA na fraude estar plenamente comprovada, com a assinatura de cheques, realização de pagamentos e pela atuação como administradora de diversas empresas do Grupo Vinocur, tenho para mim que a ela sempre faltou o elemento decisório típico do administrador de fato, como os depoimentos comprovaram: O DECLARANTE disse que a parte financeira era feita pela Dona Ieda, irmã de Roberto Matuoka, ambos da extrema confiança de Mauro. Dona Ieda não passava de uma financeira do grupo, responsável pelo dinheiro, pelos pagamentos, usava vários tokens e movimentava as contas das empresas TBLV e COMARK COBRANÇAS. Não tinha nenhum poder decisório na organização, ela obedecia fielmente às ordens de Mauro Vinocur. Disse que Dona Ieda trabalhava no endereço de Osasco, mas acompanhava o Sr. Mauro para onde ele fosse, pois ela era a chefe do escritório (adm e financeira). Ela detinha procurações em nome das controladoras estrangeiras da TBLV e da COMARK e, como aduziu a fiscalização: Isto ilustra a confiança depositada em Mauro na Sra. Ieda que, além de formalmente representar as principais empresas envolvidas na fraude, manipulava as contas das empresas, sendo a chefe do departamento financeiro do grupo, função comumente designada como “controller”, mas sem poderes decisórios estratégicos, os quais cabia a Mauro Vinocur apenas, na condição de proprietário. Corrobora isto também o depoimento de DEVANILSON PARADAS: Para o declarante, o Sr. Mauro Vinocur era a pessoa com maior autonomia do grupo TBLV, era quem respondia pela estrutura toda e tinha maior poder decisório nas questões relevantes. Dona Ieda Maria Mitiko Matuoka não tinha nenhum poder de ingerência, nenhum poder decisório em questões comerciais, era apenas uma funcionária do financeiro da TBLV, cuidando apenas dos pagamentos e recebimentos. Ela nunca participou do processo de contratação junto à ATN. A ATN entrava em contato com Dona Ieda apenas para cobrar os pagamentos dos serviços de armazenagem e nada mais... Fl. 22478DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.479 23 Todos os elementos probatórios indicam no mesmo sentido: IEDA MATUOKA era uma laranja de MAURO VINOCUR em diversas empresas, atuando como uma representante legal pro forma, e, materialmente, não passava de uma funcionária do financeiro, faltando o poder decisório essencial para a qualificação da conduta dolosa com infração da lei, estatutos e contrato social, que justificaria a responsabilização tributária. Sua situação é absolutamente análoga ao de outros laranjas utilizados por MAURO VINOCUR, com a diferença que além de ser "testa de ferro", tinha outras funções legítimas, ligadas à realização de pagamentos, sempre por ordem do real proprietário. Não há, nos autos, qualquer prova de interesse jurídico comum no fato gerador, visto não haver confusão patrimonial entre ela e o Grupo Vinocur. Tampouco há prova de benefício econômico percebido, tanto que a fiscalização sequer adentra nesse ponto, mas apenas pressupõe que ela foi remunerada. Quanto aos requisitos para responsabilização pelo art. 135, já mencionei anteriormente que entendo não estarem presentes. Isso não quer dizer que ela não tenha tomado parte nas fraudes perpetradas, podendo inclusive responder criminalmente, em outro juízo, mas apenas que ela não se enquadra nas hipóteses de responsabilidade tributária do CTN. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário de IEDA MATUOKA, para excluíla do pólo passivo. d) TBLV A alegação de que não pertence ao grupo Vinocur não procede. Como demonstrado acima, ao tratarmos da COMARK, verificamos que a TBLV também está sob controle de Mauro Vinocur, por meio de empresas offshores Como verificado pela fiscalização, ambas TBVL e COMARL atuavam no esquema fraudulento, fornecendo recursos para a operação de importadoras e noteiras sob o controle de Mauro Vinocur. Havendo confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, pode ser identificado o interesse comum entre as empresas de um grupo, mesmo que não tenham realizado formalmente o fato jurídico tributário. Dado o conluio ou a fraude, a realização conjunta do fato gerador estaria presente, afinal o que se teria era uma única pessoa jurídica englobando todas as demais. Necessário para isto, porém, que o fisco prove de forma contundente os atos ilícitos praticados. No caso concreto, essa unidade de atuação ficou comprovada, visto que os recursos eram todos geridos pela TBVL e COMARK. Senão vejamos: A própria Comark Cobranças Ltda, em resposta à intimação fiscal (TIF Comark 11/03/2014– Anexo 43), assinada pela Sra. Ieda em 02/04/2014 e dirigida a esta fiscalização na mesma data (AR SF405122497BR), assumiu que ambas empresas (Comark e TBLV) são coirmãs, que a Comark realizava cobranças e pagamentos à TBLV, que ambas possuem mesmos sócios, mesma administradora (Sra. Ieda); disse que a operação de Fl. 22479DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.480 24 ambas era exercida em conjunto, no mesmo estabelecimento (endereço da TBLV, em Osasco ou no escritório comercial no bairro do Brooklin, mas que no momento não estão mais operando). Como era de se esperar a TBLV não possui patrimônio relevante no Brasil. Embora declare patrimônio na DIPJ em valor de R$ 50 milhões, uma análise mais acurada demonstra que ela possuía até pouco tempo atrás apenas dois veículos em seu nome, uma GM/MONTANA ano 2008 e uma Veracruz, também ano 2008. Embora excluída formalmente da função de principal importadora do grupo, a partir de janeiro/2012, a TBLV continuou existindo no cenário comercial deste segmento e operando qualidade de real adquirente oculto, financiando as importações das novas importadoras. A partir de janeiro/2012 ela passou a atuar de modo oculto, escondida por detrás de outras importadoras de fachada, por ela totalmente manipuladas. Ela também continuou recebendo os pedidos dos clientes tradicionais, fazendo as negociações comerciais, os faturamentos feitos com notas das distribuidoras de fachada, os câmbios de importação, a cobrança das duplicatas dos clientes e financiando as novas importadoras. Ou seja, embora oficialmente ausente das relações, na prática nada mudou. A fiscalização comprovou que a TBLV continuava a praticar atos diretamente ligados ao fato gerador de tributos incidentes sobre o faturamento ou a receita e sobre o lucro, como o IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Nesse contexto, a COMARK servia como um caixadois da TBLV, para que ela pudesse pagar as importadoras interpostas para a realização das importações, o que foi esclarecido que a transferência do sigilo bancário do contribuinte, por meio de autorização judicial. A transferência dos recursos se deu na forma minuciosamente descrita pela fiscalização: Como se vê acima e tratase de modus operandi recorrente entre a Comark e as demais importadoras de fachada usadas pela TBLV para continuar importando papel imune, os repasses da Comark ocorriam sob a forma de “empréstimos”, nunca comprovados, que eram enviados em épocas oportunas, sempre para cobrir o saldo da conta das importadoras. Ou seja, estes fortes e contundentes elementos mostram cabalmente que não há atividade de cobrança entre COMARK e IMPORTADORAS; não há contratos, não há garantias, não há devoluções das quantias emprestadas. COMARK, INTERPAPER, GILEADE e TBLV se fundem numa única empresa, num único objetivo, um amálgama único, onde não é necessário fazer contratos ou prestar garantias, pois é como se a mão esquerda de um organismo transferisse dinheiro para a mão direita do mesmo organismo. O dono do dinheiro continua a ser o mesmo, não há risco no negócio. Fl. 22480DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.481 25 A Comark é a “longa manus” da TBLV. Ela recebe a receita não declarada das importações da TBLV (ver Anexo 101 – Entradas do Itaú) e boa parte de seus repasses financeiros (operações de débito) tem como destinatárias empresas importadoras de papel imune do grupo. Tais operações não foram justificadas, nem comprovadas pela COMARK, sendo que esta fiscalização as considera como pagamentos sem causa por não comprovação das operações. Mesmo que contratos diversos sejam apresentados pela COMARK a destempo em instâncias de julgamento, devido às graves constatações levantadas contra a COMARK, opinamos que ela não é apta para ser sujeito de direitos, com externalização própria da vontade e capacidade operacional e humana para honrar contratos que envolvam seu objeto social. Ademais, as importadoras de fachada e seus sócios laranjas parecem não terem se beneficiado com este comércio. Seus sócios não receberam dividendos de lucros auferidos e a situação das importadoras GILEADE, INTERPAPER, IPSL e COPAP é sempre deficitária, como se vê da análise da evolução do fluxos de caixa destas empresas, com recorrente saldo bancário negativo, conta caixa credora, aberrações contábeis que demostram fraturas expostas de insuficiência de fundos para gerir a atividade, dependendo de um recurso alienígena para honrar seus compromissos. Como se verifica da exposição, e das provas dos autos, a TBLV atuava conjuntamente à COMARK para a manutenção e operação do esquema fraudulento, em clara confusão patrimonial com mesmos administradores, sede e compartilhando os mesmos recursos, sob o controle comum de Mauro Vinocur. As importadoras, com exceção da TBLV, não existiam de per si, pois eram todas financiadas exclusivamente com recursos da TBLV/COMARK, ocultas à Receita Federal. Eram meras marionetes da TBLV. Isso fica bastante claro analisando os acórdãos do CARF que julgaram as multas aduaneiras sobre as importadoras, debruçandose com mais vagar sobre o procedimento fiscalizatório aduaneiro. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário da TBLV. e) COPAP A COPAP apresentou as mesmas razões da TBLV, e acrescenta o fato de não reconhecer o pagamento de quase R$ 80 milhões da COMARK, afirmado pela fiscalização. Acerca do arguido, constatase que, em verdade, o montante repassado pela COMARK à Impugnante é de R$ 78.556.043,41, conforme aduz a Fiscalização no "Demonstrativo de Responsáveis Solidários": Fl. 22481DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.482 26 Essa mesma informação consta no item "9.1.1 DA NÃO COMPROVAÇÃO SOMENTE DAS CAUSAS DOS PAGAMENTOS" do Termo de Verificação Fiscal. Referidos pagamentos foram verificados a partir da conta bancária mantida pela COMARK junto ao Banco Itaú, conta nº 224870, agência 4807 (anexos 101 e 102). Em consulta ao anexo 101, por exemplo, podia a Recorrente consultar movimentações como a de R$ 276.579,11 no seguinte extrato: Como se vê, os pagamentos questionados encontramse, sim, devidamente documentados nos autos. A fiscalização aduziu que: COPAP LATIN AMERICA estava em nome de sua controladora no Canadá (sua principal fornecedora, a COPAP INC) e do Sr. Francisco Canedo (vulgo KIKO), marido da funcionária da TBLV que trabalhava no setor comercial, a Sra. Tatiana. Além disso, verificou vultosos repasses para a COPAP, por meio da COMARK, já apontados anteriormente. Fl. 22482DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.483 27 Por fim, verificouse também que a maior parte das importações da COPAP foram destinados à TBLV, a alguns armazéns gerais (lembrando que nesses armazéns é que se dava a troca de notas fiscais) e as noteiras de primeiro nível, sob o controle de Mauro Vinocur: As saídas para as empresas ARM, ATN e A.G.I. representam simples remessas (não vendas) para armazéns gerais. Portanto, seus principais clientes são as empresas TBLV, EDITORA ROMA, POINT EDITORA, EDITORA MAKOVSKI, D.B.R., PEG. EDIPRESS e assim por diante. Veremos logo a seguir que esta fiscalização conseguiu comprovar que parte destas empresas não existem de fato e são controladas pelo grupo VINOCUR, conforme apuramos em termo de declarações prestados pelo Sr. Helder Fazilari (Anexo 31). A COMARK, mesmo após intimada, não comprovou a causa dos pagamentos feitos à COPAP, e a própria COPAP negou o recebimento dos valores, apesar dos extratos bancários contradizerem ambas. Fica claro que ambas atuavam conjuntamente na operação de fraude, justificando assim o interesse comum no fato gerador do IRRF, pois estavam sob controle comum, envidando um mesmo patrimônio na atividade criminosa. Desse modo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário da COPAP. f) TRYOGRAF A fiscalização aduziu inicialmente que: No exercício das funções de servidores da RFB, comparecemos no endereço da empresa TBLV na cidade de Osasco na data de 16/10/2013. Neste local também opera a TRYOGRAF, empresa gráfica do grupo VINOCUR. Cumprindo diligências fiscais de praxe, no âmbitos dos procedimentos fiscais de Nos. 07.1.03.00 2013013369, 08.1.13.002013001841 e 08.1.13.00 2013 002910, esta fiscalização coletou materiais que deixam claro que Mauro era, de fato, o controlador da TBLV, da COMARK, da indústria gráfica TRYOGRAF, das demais importadoras e das distribuidoras de fachada usadas na fraude do desvio de papel imune(Termo de Constatação Fiscal e Termo de Retenção, ANEXO 06 deste TVF). O contribuinte retrucou que o endereço da Tryograf não é o mesmo da TBLV, pois no local há um condomínio com múltiplos galpões e armazéns, com várias empresas do ramo gráfico. Entretanto, conforme diligência acostada às fls. 1290 e ss., dois funcionários da TRYOGRAF informaram que o proprietário da empresa seria MAURO VINOCUR e que o imóvel abriga as duas empresas em um mesmo espaço físico. MAURO VINOCUR foi diretor da TRYOGRAF, no passado, e atualmente o seu quadro societário é formado por MISAEL MARTINS, um laranja habitual de MAURO, e outros sujeitos, desconhecidos dos funcionários da própria empresa: Desde o ano de 2006 a TRYOGRAF está em nome de MISAEL e GEDEILDO TEIXEIRA DOS SANTOS, CPF 290.897.00404. Fl. 22483DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.484 28 Antes, em nome de JARIO RIBEIRO DA ROCHA e SERGIO AFONSO PAREDES. No dia da diligência, no interior das empresas TRYOGRAF/TBLV, perguntamos a dois funcionários (ANEXO 08) quem era o dono daquela empresa e ambos responderam prontamente que era Mauro Vinocur. O documento de fls. 987 comprova que a TRYOGRAF adquiriu papel da TBLV, conforme solicitação das NFs correspondentes à operação. Da mesma forma, o documento de fls. 988 e ss. mostra notas fiscais de saída da UNIÃO uma das noteiras de segundo nível de MAURO VINOCUR , tendo como destinatário a TRYOGRAF. Inclusive, a fiscalização verificou na sede da TRYOGRAF que eles trabalham na impressão de folders e panfletos, conforme foto de fl. 1175. Por fim, localizou também na sede da TRYOGRAF uma série de documentos de cessão de créditos (das noteiras de segundo nível, como UNIÃO, IZIPAPER, NEWPEL etc.), em favor da COMARK e TBLV (fls. 1202 e ss.). Pois bem. A TRYOGRAF não se enquadra em nenhuma das posições da fraude perpetrada (importador, noteira de primeiro ou segundo nível, ou fornecedora de recursos). Em rigor, ela se beneficiava dos insumos adquiridos por um valor mais baixo, para produzir produtos gráficos que seriam comercializados no mercado. A conclusão da fiscalização não foi outra: A empresa TRYOGRAF, como veremos mais adiante em tópico próprio, vem a ser uma gráfica do grupo VINOCUR, uma das maiores clientes do esquema de desvio do papel imune. Ela também foi recentemente autuada por esta fiscalização por terse aproveitado de milhões em aquisições de papel por meio de notas fiscais tributadas emitidas dentro da TBLV (mesmo endereço da TRYOGRAF), mas em nome de empresas de fachada. A TRYOGRAF demonstra que Mauro verticalizou sua produção: ele importava, revendia, estocava e também usava os insumos para produzir panfletos publicitários. Não havia produção de jornais e periódicos na TRYOGRAF (destinação imune), conforme constatamos no dia da diligência (ANEXO 06). Com a devida vênia, conquanto a empresa tenha se beneficiado economicamente da fraude assim como outras empresas que, de boa ou má fé tenham adquirido insumos das noteiras de segundo nível do grupo VINOCUR , ela não possui interesse comum no fato gerador do IRRF. Apesar de pertencer ao grupo econômico, não se encontra dentro do esquema fraudulento, mas se põe do lado de fora, como empresa que adquire os insumos e produz produtos publicitários e gráficos para comercialização. O que caberia, nesse caso, seria a glosa de créditos de IPI, PIS, COFINS e ICMS dos produtos adquiridos pela TRYOGRAF, introduzidos pelo esquema fraudulento de VINOCUR, mas não incluíla como parte do mesmo. Inclusive, a fiscalização constatou que a Fl. 22484DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.485 29 TRYOGRAF adquire papel também de outros fornecedores, além daqueles do GRUPO VINOCUR, como a AHLSTROM: encontramos na diligência da TRYOGRAF rolos de papel importados pela IPSL (importadora de Mauro Vinocur), fornecidos pela própria AHLSTROM (Anexo 76). Desse modo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário da TRYOGRAF para afastar a sua responsabilidade solidária. g) MOL ADMINISTRAÇÃO A Recorrente sustenta a nulidade da autuação por quebra indireta de seu sigilo bancário, ocasionado pela quebra do sigilo bancário da COMARK, esta autorizada judicialmente. Acerca do arguido, constatase que não lhe assiste razão. No dia 24 de fevereiro do corrente ano, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 9 votos a 2, ser constitucional a Lei complementar 105/2001, que permite aos órgãos da administração tributária quebrar o sigilo fiscal de contribuintes sem autorização judicial. Prevaleceu o entendimento de que a norma não configura quebra de sigilo bancário, mas sim transferência de informações entre bancos e o Fisco, ambos protegidos contra o acesso de terceiros. De acordo com o STF, como bancos e Fisco devem de preservar o sigilo dos dados, não há ofensa à Constituição Federal. Na decisão também foi destacado que estados e municípios devem regulamentar, assim como fez a União no Decreto 3.724/2001, a necessidade de haver processo administrativo para obter as informações bancárias dos contribuintes. O debate foi fomentado por cinco ações um recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida e quatro ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs). Os processos discutiam o artigo 6º da Lei Complementar, que trata do acesso pelo Fisco a informações bancárias sem a necessidade de pedir para um juiz. Deste modo, a preliminar de nulidade não pode ser acatada. A Fiscalização dividiu os pagamentos apurados em três categorias: (i) pagamentos sem causa comprovada, (ii) pagamentos sem causa e sem beneficiário comprovados, (iii) pagamentos que tiveram suas causas e beneficiários identificados pela Fiscalização, mas que foram feitos fora do objeto social e em benefício de sócios ocultos. Quanto à cobrança do IRRF nos casos em que as operações foram conhecidas e a causa dos pagamentos determinada, essas questões já foram tratadas. Foi esclarecido que os pagamentos referentes às categorias (i) e (ii) não tiveram comprovadas as operações que lhes deram causa. Embora a Fiscalização tenha deduzido o funcionamento geral do esquema de desvio de papel imune, isso ocorreu sem que fossem apresentados comprovantes das operações que deram causa aos pagamentos. Aliás, a inexistência de esclarecimentos a propósito das operações que deram causa aos pagamentos é uma das circunstâncias que levaram a Fiscalização a crer que os pagamentos, de uma forma geral, destinavamse a Fl. 22485DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.486 30 financiar o comércio ilícito de papel. Todavia, não se pode dizer que as operações que deram causa aos pagamentos tenham sido devidamente comprovadas, pois a COMARK não apresentou a documentação pertinente. Quanto aos pagamentos enquadrados na categoria (iii), os mesmos foram excluídos do auto de infração pela DRJ. A Recorrente alega também que a Fiscalização não apontou, precisamente, quais pagamentos efetuados pela COMARK e pela Impugnante estariam sujeitos à regra de tributação. Acerca do arguido, esclareçase que no TVF (f. 593 a 597) a Fiscalização informa que os pagamentos estão relacionados nos anexos 101 e 102, e no anexo 103, os pagamentos levados à base de cálculo do IRRF estão relacionados em tabela no formato excell. Além disso, o fato do IRRF ser cobrado exclusivamente na fonte não impede a imputação de responsabilidade tributária, da forma como dispõe o art. 128 e seguintes do CTN bastando que se enquadre nas prescrições legais de responsabilização. Sobre isso, aduziu as fiscalização que: A empresa MOL remeteu cerca de R$ 2 milhões em recursos para a COMARK, conforme tabela abaixo, construída sobre informações dos extratos com origem e destino da conta da COMARKBradesco: Oficialmente a empresa MOL é da cunhada de Mauro Vinocur, a Sra. MARIA CAROLINA RIBEIRO RODRIGUES, que possui 90% de suas cotas. Maria Carolina tem cerca de 30 anos, sendo que até o ano de 2007 constava na declaração de seu pai como dependente. Não entregou DIRPF (declaração de imposto de renda) dos anos de 2008 a 2011, voltando a entregar DIRPF apenas nos anos 2012 e 2013, na modalidade simplificada. Fl. 22486DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.487 31 Outro testadeferro bastante utilizado por Mauro Vinocur, o Sr. Misael Martins de Souza, que consta como sócio da TRYOGRAF EDITORA, autuada por esta fiscalização, foi sócio da MOL até 26/04/2011. Após sua saída formal da sociedade Misael protagonizou operações bancárias suspeitas de lavagem de dinheiro, envolvendo a MOL. Segundo o RIF 11423 (Anexo 71), de 16/12/2013, Misael sacou em espécie ou descontou cheques administrativos no valor de R$ 1.323.725,00, das contas da MOL, em oito operações distintas efetuadas todas no mesmo dia, 29/12/2011. Da mesma forma que realizou saques em espécie, Misael também realizou depósitos em espécie nas contas da MOL, também após sua saída formal da empresa. Estas operações totalizaram um valor de R$ 813.475,00, e ingressaram na conta da MOL em cinco operações distintas efetuadas todas no mesmo dia, 29/12/2011. Pois bem. Novamente não há dúvidas de que a MOL pertence ao âmbito de controle de MAURO VINOCUR ao chamado grupo econômico. Entretanto, não há como enquadrála dentro do esquema fraudulento arquitetado envolvendo importadoras e noteiras. A responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN pressupõe um interesse comum de natureza jurídica, na realização do fato gerador. O fato gerador do IRRF é o pagamento feito pela COMARK, sem causa, a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação. No caso em tela, a COMARK é que recebeu recursos da MOL, no montante de R$ 2 milhões. Não comprovada a causa desse pagamento, a fiscalização deveria cobrar da MOL o IRRF sobre esse pagamento, e não enquadrála como responsável pelo imposto devido pela COMARK pelos pagamentos que ela efetuou. Desse modo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário da MOL. h) MHV Imóveis e MODULLUS Sobre a MHV, a fiscalização apurou que: Empresa patrimonial de Mauro Vinocur (Presidente) e Marcos Vinocur (Diretor), proprietária de bens imóveis na cidade de Araras/SP (relação abaixo). A empresa MHV tem por objeto social a gestão e administração da propriedade imobiliária. Suas iniciais lembram o da esposa de Mauro, Maria Helena Vinocur. (...) A MHV tem como sócia a empresa VBENS PARTICIPACOES S.A., CNPJ: 11.254.842/000196, de propriedade de Marcos Vinocur e ADRIANA DUARTE CARNEIRO VINOCUR , cunhada de Mauro. Marcos e Adriana, bem como a própria MHV, foram beneficiários de remessas da COMARK. Fl. 22487DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.488 32 MHV foi criada para proteger os bens de Mauro Vinocur, adquiridos com o fruto das vendas da distribuição ilegal de papel imune. A MHV, como vimos pouco atrás, foi uma das “sociedades investidoras”, componente da “SCP informal”, na construção do galpão industrial na cidade de Araçariguama/SP. A outra investidora era a COMARK. De acordo com os extratos bancários da COMARK, esta efetuou uma série de transferências para a MHV (...) Quanto à MODULLUS: MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Falaremos melhor dela em tópico específico mais adiante, devido à sua impoortância no esquema de lavagem de dinheiro de Mauro Vinocur. Ela serviu para ocultar parte significativa dos recursos provenientes de descaminho e sonegação fiscal do desvio de papel imune protagonizado pelo grupo VINOCUR. Por enquanto podemos dizer que se trata de empresa componente do grupo VINOCUR e que foi aberta exclusivamente para realizar a incorporação e construção de um empreendimento de grande monta (exatamente o galpão industrial sito à Estrada do Zilo, S/N, Araçariguama/SP, altura do KM 53,5 da Rodovia Castelo Branco). A MHV foi criada para blindar os bens de Mauro Vinocur, tendo recebido vultosos recursos financeiros da empresa autuada, cuja causa não foi esclarecida. Por isso, obteve recursos para investir na empresa MODULLUS. Nesse caso, entretanto, verificase claramente que a empresa nada tem a ver com a operação fraudulenta e com o suprimento de recursos para a importação de papel imune. Pelo contrário, ela já se encontra em uma fase posterior, voltada à lavagem do dinheiro, através da construção e aquisição de bens imóveis, os quais gerarão recursos "limpos" para MAURO VINOCUR. Conquanto tal conduta seja ilícita, ela não representa fato gerador do tributo, razão pela qual não há como se reconhecer, in caso, interesse comum na realização do fato gerador, devendo a empresa ser excluída do pólo passivo da autuação. A mesma lógica pode ser aplicada à MODULLUS: ela não participa da fraude, mas lida com o benefício econômico do crime realizado. O interesse que essas empresas tem em relação ao fato gerador é exclusivamente econômico, e não jurídico, não se subsumindo à hipótese do art. 124, I do CTN. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário da MHV e da MODULLUS. i) AD VALOREM Fl. 22488DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.489 33 A empresa Recorrente funcionava no mesmo escritório da TBLV e COMARK. Recebeu vultosos recursos financeiros da COMARK, e sua clientela é formada principalmente por empresas do grupo econômico de Mauro Vinocur, que era formalmente o administrador e representante legal da empresa. Tratase, como veremos, de uma factoring de Mauro Vinocur, usada para cobrar títulos do grupo ou de terceiros, geralmente ligados ao mercado de venda de papel. A sua função era realizar contratos de factoring com empresas que adquiriam mercadorias de noteiras do grupo VINOCUR, estipulando que o pagamento da operação deveria ser feito em conta da COMARK: As maiores “clientes” da ADVALOREM são empresas do esquema de desvio de papel imune: as importadoras TBLV, INTERPAPER, do grupo VINOCUR e a distribuidora MMJ PAPER COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE PAPEL LTDA, CNPJ 13.506.750/000181. A MMJ já havia sido denunciada ao Ministério Público por fazer parte do esquema, comprando boa parte do estoque dos produtos desviados por Mauro Vinocur (ANEXO 02) Após as diligências da RFB em Osasco, a COMARK e a TBLV passaram a operar nas dependências da AD VALOREM, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Parecenos que a AD VALOREM também foi utilizada com parte do esquema fraudulento para movimentar recursos e manter a operação de importação, possuindo interesse comum no fato gerador, em razão da confusão patrimonial existente. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário da AD VALOREM. Conclusão Recurso Voluntário Ante o exposto, voto por dar provimento aos Recursos Voluntários de MHV IMÓVEIS, MODULLUS EMPREENDIMENTOS, IEDA MATUOKA, MOL ADMINISTRAÇÂO e TRYOGRAF. Quanto aos demais, nego provimento aos Recursos Voluntários. Recurso de Ofício No que se refere à exoneração de R$ 1.590.044,00 a título de IRRF, entendo que o RO não deve ser conhecido, por estar o valor abaixo do limite de alçada estabelecido por Portaria do Ministério da Fazenda. Quanto à exclusão dos sujeitos passivos, conheço do Recurso de Ofício, e passo a analisar os casos: Fernando Vinocur Irmão de Mauro Vinocur, engenheiro civil de profissão, Fernando é presidente das empresas VINOCUR S/A CONSTRUTORA E INCORPORADORA, CNPJ Fl. 22489DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.490 34 46.067.740/000146 e da MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA, CNPJ 12.850.688/000188. Aduziu a fiscalização que: Embora não esteja diretamente ligado à atividade de importação e distribuição fraudulenta de papel aqui mencionada, há fortíssimos indícios de que Fernando vem se beneficiando indiretamente de investimentos feitos pelo seu irmão Mauro, conforme veremos mais adiante no item específico que trata da empresa MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA (ANEXO 19 e Tópico 3.1.2.5 deste TVF). A atividade do Impugnante estava ligada ao setor de construção civil, ou seja, não tinha relação direta com a atividade de revenda de papel, objeto principal do grupo econômico. Poderia até ser considerado um administrador do setor de infraestrutura, mas isso não acarretaria a sua responsabilização pelo crédito tributário, por não se relacionar com a administração financeira/tributária da empresa. Deste modo, não se lhe aplica a hipótese do art. 135, III, do CTN. Também não há vínculo de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. Não se pode dizer que ele tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Alexandre Silva Costa O auditorfiscal responsável pela fiscalização da empresa INTERPAPER elaborou o Relatório Fiscal (Anexo 33), relatou que “....Quanto ao Sr. Alexandre Costa, conforme veremos adiante, ficou comprovado que este não possui experiência empresarial nem conhecimento específico da empresa e sua área de atuação, além de apresentar uma baixa capacidade econômica...”. Tratase de um laranja introduzido por MAURO VINOCUR para suprir o papel de Adalberto Thomazini, não tendo qualquer interesse comum no fato gerador do tributo, ou autonomia para tomar decisões que se qualificassem como infrações, agindo sempre por mando de Mauro. Não há como se lhe imputar a responsabilidade tributária com base no art. 124 e no art. 137 do CTN. Armando Antonio Nazzato Aduziu o fiscal: Apuramos fortes evidências que apontam no sentido da participação do contabilista acima (Armando Antonio Nassato, CPF 010.858.41863), na criação e uso de empresas de fachada que serviram para perpetração de crimes de sonegação fiscal, descaminho, entre outros, os quais beneficiaram a organização de Mauro Vinocur. O contabilista, além de servir de canal para fornecer empresas de fachada para o grupo empresarial em tela, utilizou seu próprio nome e de seus filhos para compor o quadro social de uma destas empresas que teria servido de empresa de fachada Fl. 22490DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.491 35 para facilitar o desvio de finalidade de papel importado com imunidade constitucional em quantidades gigantescas. Como se vê, ele era apenas um funcionário do grupo econômico, e também servia de "laranja" de Mauro Vinocur no quadro societário de empresas. Isso não é suficiente para incluílo no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. O art. 137, I, do CTN, também não é suficiente para sustentar a pretensão da Fiscalização, porque agiu a mando de Mauro Vinocur. Ressalvase, no entanto, as repercussões dessa atitude ao exercício da profissão de contador, em face de representação formulada pela Fiscalização. Misael Martins de Souza A fiscalização apurou que: Mauro Vinocur, conforme ele mesmo declarou verbalmente a esta fiscalização na nossa diligência na empresa ADVALOREM, em dezembro de 2013, tem muitos negócios mas não pode constar como sócio formal de nenhuma de suas empresas devido a problemas trabalhistas antigos. Diante desta confissão prestada pelo próprio Mauro diante deste auditores que esta subscrevem, inevitavelmente ele necessita dos serviços de laranjas ou testasdeferro. Destacandose nesta função, junto com a Sra. Ieda, Misael desponta como um dos mais importantes e fiéis colaboradores do grupo VINOCUR, emprestando seu nome para compor o quadro societário de várias empresas de Mauro. Abaixo as empresas em cujos quadros Misael surge como sócio: Tratase de um caso semelhante à Sra. IEDA MATUOKA. Como se vê, era apenas um funcionário do grupo econômico, e também servia de "laranja" de Mauro Vinocur no quadro societário de empresas. Isso não é suficiente para incluílo no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. O art. 137, I, do CTN, também não é suficiente para sustentar a pretensão da Fiscalização, porque agiu sempre a mando de Mauro Vinocur. Fl. 22491DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.492 36 Maria Helena Vinocur Era a esposa de Mauro VInocur e emprestou seu nome para ocupar a posição de laranja nas empresas, nunca atuando efetivamente, e apenas gozando dos benefícios econômicos da fraude. Como se vê, era sócia de empresas do grupo econômico e servia como “laranja” de Mauro Vinocur no quadro societário destas empresas. Isso não é suficiente para incluíla no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Vera Lúcia Marino Vinocur A Sra. Vera Lucia Marino Vinocur, na qualidade de mãe de Mauro Vinocur, Fernando Vinocur e Marcos Vinocur, foi beneficiária de depósitos provenientes da COMARK. Tais depósitos não foram explicados pela COMARK, empresa que de fato é de seu filho. Além disto, o endereço de sua residência coincide com o da empresa MODULLUS, empreendimento criado para receber a construção de galpão exclusivamente construído com recursos da fraude do papel imune. Como se vê, ela foi beneficiária de depósitos feitos pela empresa autuada e colaborou na atuação do grupo econômico. Isso não é suficiente para incluíla no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Mesmo considerando a hipótese dela atuar em conluio com a empresa autuada para a consecução de alguns dos pagamentos, isso não poderia tornála responsável solidária por todo o crédito tributário. Além disso, não se pode dizer que tinha “interesse comum” em relação aos pagamentos efetuados pela COMARK. É que a condição de fonte pagadora é contraposta a de beneficiário do pagamento, de forma que não poderia haver “interesse comum” de que trata o inciso I, do art. 124, do CTN. Marcos Vinocur Conforme relatado no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, Marcos Vinocur é irmão de Mauro Vinocur e foi beneficiário de depósitos da COMARK e participava do quadro societário de empresa do grupo econômico: 3.1.2.6 MHV IMOVEIS E PARTICIPACOES S.A., CNPJ: 11.241.301/000123 Empresa patrimonial de Mauro Vinocur (Presidente) e Marcos Vinocur (Diretor), proprietária de bens imóveis na cidade de Araras/SP (relação abaixo). A empresa MHV tem por objeto social a gestão e administração da propriedade imobiliária. Suas iniciais lembram o da esposa de Mauro, Maria Helena Vinocur. Fl. 22492DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.493 37 [...]A MHV tem como sócia a empresa VBENS PARTICIPACOES S.A., CNPJ: 11.254.842/000196, de propriedade de Marcos Vinocur e ADRIANA DUARTE CARNEIRO VINOCUR, cunhada de Mauro. Marcos e Adriana, bem como a própria MHV, foram beneficiários de remessas da COMARK. Como se vê, ele foi beneficiário de depósitos feitos pela empresa autuada e colaborou na atuação do grupo econômico. Isso não é suficiente para incluílo no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Mesmo considerando a hipótese dele atuar em conluio com a empresa autuada para a consecução de alguns dos pagamentos, isso não poderia tornála responsável solidária por todo o crédito tributário. Além disso, não se pode dizer que tinha “interesse comum” em relação aos pagamentos efetuados pela COMARK. É que a condição de fonte pagadora é contraposta a de beneficiário do pagamento, de forma que não poderia haver “interesse comum” de que trata o inciso I, do art. 124, do CTN. Adriana Duarte Carneiro Vinocur A Sra. Adriana Duarte Carneiro Vinocur, na qualidade de cunhada de Mauro Vinocur, casada com Marcos Vinocur, foi beneficiária de depósitos provenientes da COMARK. Tais depósitos não foram explicados pela COMARK, empresa que de fato é de Mauro Vinocur. Todavia, isso não é suficiente para incluíla no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Mesmo considerando a hipótese dela atuar em conluio com a empresa autuada para a consecução de alguns dos pagamentos, isso não poderia tornála responsável solidária por todo o crédito tributário. Além disso, não se pode dizer que tinha “interesse comum” em relação aos pagamentos efetuados pela COMARK. É que a condição de fonte pagadora é contraposta a de beneficiário do pagamento, de forma que não poderia haver “interesse comum” de que trata o inciso I, do art. 124, do CTN. Maria Carolina Ribeiro Rodrigues É cunhada de Mauro Vinocur. Embora não possua capacidade financeira e patrimonial (até 2007 ela constava como dependente de seus pais das declarações de IR) ela é dona de diversas empresas, conforme relação abaixo, que incluem academias e empresas de cobrança: Fl. 22493DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.494 38 Aduziu a fiscalização: Uma destas empresas, a MOL ADMINISTRACAO E COBRANCA DE TITULOS LTDA, CNPJ:11.756.762/000139, movimentou dezenas de milhões de reais, incluindo R$ 2 milhões para a COMARK, que não logrou êxito em comprovar tais operações. O outro sócio da MOL vem a ser Misael Martins de Souza, conhecido laranja de Mauro Vinocur. Misael, Maria Carolina e a MOL protagonizaram operações bancárias atípicas informadas ao COAF por se tratarem de operações suspeitas de lavagem de dinheiro. Tópico 3.1.1.7, página 44 do TVF: Outra importante ingerência de MISAEL no sentido de acobertar o Sr. Mauro referese à empresa MOL ADMINISTRACAO E COBRANCA DE TITULOS LTDA, CNPJ: 11.756.762/000139. A MOL movimentou cerca de R$ 82 milhões em contas bancárias entre os anos de 2010 a 2012. Entre setembro e novembro de 2012 a MOL transferiu à COMARK quase R$ 2 milhões. A COMARK até hoje não justificou tais operações. (...) Maria Carolina tem cerca de 30 anos. Até o ano de 2007 constava na declaração de seu pai como dependente. Não entregou DIRPF (declaração de imposto de renda) dos anos de 2008 a 2011, voltando a entregar DIRPF apenas nos anos 2012 e 2013, na modalidade simplificada. Sua principal fonte de renda declarada é um salário irrisório de R$ 1 mil/mês que recebe da empreiteira de seu pai, além de um empréstimo junto à sua mãe de R$ 63 mil. Ela foi beneficiária de depósitos provenientes da COMARK e participação do quadro societária de empresas do grupo.Todavia, isso não é suficiente para incluíla no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Mesmo considerando a hipótese dela atuar em conluio com a empresa autuada para a consecução de alguns dos pagamentos, isso não poderia tornála responsável solidária por todo o crédito tributário. Fl. 22494DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.495 39 Além disso, não se pode dizer que tinha “interesse comum” em relação aos pagamentos efetuados pela COMARK. É que a condição de fonte pagadora é contraposta a de beneficiário do pagamento, de forma que não poderia haver “interesse comum” de que trata o inciso I, do art. 124, do CTN. Roberto Matuoka Roberto ocupava uma posição equivalente a um gerente operacional logístico do grupo, pessoa que se relacionava com a clientela e resolvia problemas gerais de coleta, entregas e armazenagens de produtos. Conforme a fiscalização: Roberto foi sócio das empresas IPSL COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PAPEIS LTDA, CNPJ 09.603.926/000146 e EDITORA PAR DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.685.445/000140, sendo que a primeira tem como sócia a esposa de Mauro Vinocur e a segunda tem o próprio Mauro Vinocur como sócio. Roberto e Marcos Vinocur, irmão de Mauro Vinocur, são sócios da empresa VLOG IMPORTAÇÃO DE PAPÉIS E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 09.117.926/000136. Encontramos na diligência na TBLV documentos da empresa VLOG, conforme “Anexo 06 – VLOG.pdf” Como se vê, ele atuava como um gerente operacional logístico no grupo econômico, além de participar do quadro societário de empresas do grupo econômico. Todavia, isso não é suficiente para incluíla no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Tatiana Storniolo Chioramital Canedo Aduziu a fiscalização: Pessoa de fundamental importância no grupo VINOCUR, a Sra. Tatiana é a chefe do departamento comercial da TBLV, responsável pelas vendas da empresa. Não importava se o papel imune fosse importado em nome da TBLV, IPSL, COPAP, INTERPAPER ou GILEADE, tudo ia para os mesmos armazéns gerais e os pedidos eram sempre colhidos pela equipe de vendas da Sra. Tatiana. Sua equipe, sob o controle e acompanhamento de Mauro Vinocur, é que produzia os fatos gerados das receitas do grupo todo! A emissão das notas ficava a cargo de Alexandre. Tatiana é esposa de Francisco Roberto Franco Canedo Neto, CPF 218.397.61873, vulgo “KIKO”, pessoa do mercado de papéis ligado à multinacional canadense COPAP INC. A multinacional é uma das maiores fornecedoras de papel para o grupo VINOCUR. Francisco era sócioadministrador da Fl. 22495DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.496 40 ADVALOREM FOMENTO, antes de sua aquisição por Mauro Vinocur. Como se vê, ela atuava como chefe do departamento comercial da TBLV, empresa do grupo econômico. Todavia, isso não é suficiente para incluíla no polo passivo da exigência tributário, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. Carlos Eduardo Ferreira Tanese No Demonstrativo de Responsáveis Tributários constam as seguintes informações sobre este responsável: A Comark efetuou também várias outras transferências em favor de pessoas físicas que merecem destaque, como por exemplo CARLOS EDUARDO F TANESE e HELDER FAZILARI (Anexo 101 – arquivo “COMARK ITAU TEDS DOCS.ods”, aba “Alguma PFs”). TANESE é importante funcionário do setor comercial da importadora TBLV, pessoa estratégica na revenda de papel desviado pela fraude, agente ativo na realização de fatos geradores de receitas para o grupo VINOCUR. Já o Sr. Helder Fazilari foi a pessoa que vendeu três editoras (Anexo 31) que possuíam registro especial de papel imune para o Sr. Mauro, em final de 2010. Estas três editoras, como veremos mais adiante, foram cruciais para a consecução da fraude fiscal, pois Mauro precisava produzir faturas ideologicamente falsas de venda do papel imune para editoras com registro especial afim de disfarçar o desvio da finalidade. Como se vê, ele atuava como importante funcionário do setor comercial da importadora TBLV, empresa do grupo econômico. Todavia, isso não é suficiente para incluílo no polo passivo da exigência tributária, com base no art. 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que tivesse "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ponto de igualar sua condição à de Mauro Vinocur, este sim proprietário e administrador do grupo econômico. CPJ Editora LTDA Aduz a fiscalização: Tratase de empresafantasma, mas que consta como proprietária de seis veículos de carga abaixo (utilitários). Um destes veículos foi encontrado prestando serviços para a TBLV e TRYOGRAF, no dia de nossa diligência fiscal (16/10/2013) na cidade de Osasco. Fl. 22496DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.497 41 A CPJ está em nome dos laranjas MARIVALDO MARTINS DE SOUZA, CPF 239.700.81904 e EVANDRO APARECIDO FARIA, CPF 142.466.80850, ambos suspeitos de serem laranjas de Mauro Vinocur. Marivaldo é irmão de Misael Martins de Souza, fiel testadeferro de Mauro Vinocur. Suspeitase que, além de ocultar patrimônio do grupo, a CPJ prestouse a emitir notas fiscais frias para o esquema, ora simulando adquirir, ora simulando revender papel, cumprindo cumulativamente a função de noteira no esquema de fraude de importação/distribuição de papel imune. Frisamos aqui que a advogada dos sócios da CPJ e de seus sócios é a mesma que representa a Tryograf Editora Ltda, empresa gráfica de Mauro Vinocur, beneficiária do esquema fraudulento do papel desviado. A TRYOGRAF está em nome do laranja MISAEL MARTINS DE SOUZA, irmão de Marivaldo (sócio da CPJ). Marivaldo, em verdade, parece laborar como auxiliar administrativo na empreiteira do sogro de Mauro Vinocur, sito à Rua Latif Fakhouri, 65, Vila Mascote – São Paulo/SP. (SULPLAN CONSTRUTORA LTDA, ADAL ADM E COMÉRCIO DE IMÓVEIS LTDAME, BIOBEBAS EMPREENDIMENTOS LTDA). Como aduzido na decisão recorrida, não há elementos seguros que caracterizem a confusão patrimonial com o grupo econômico de fato. A circunstância de um dos veículos da Impugnante estar a prestar serviço para a TBLV e TRYOGRAF, no dia da diligência, é insuficiente para tal caracterização. Além disso, não são apontadas as provas de que a Impugnante tenha atuado na fraude como noteira do grupo econômico, pois a própria Fiscalização diz tratarse de “suspeita”. Da mesma forma, os sócios também são “suspeitos” de serem laranjas de Mauro Vinocur. O fato de a advogada dos sócios representar também a empresa TRYOGRAF não melhora este quadro de muita incerteza. Kadar Representação Comercial Aduz o TVF: Os clientes, quando queriam comprar papel de VINOCUR, ligavam preferencialmente para a linha telefônica 113601 1370 (ou nas linhas telefônicas da KADAR, indicadas na imagem logo abaixo), e conversavam diretamente com Tatiana, Tanese ou com o Sr. Denival, sócio da empresa KADAR, uma representação comercial que funcionava dentro da TBLV. Todas estas linhas telefônicas estavam instaladas nas dependências da TBLV, na cidade de Osasco/SP. Em nossa diligência fiscal na TBLV, em 16/10/2013, notamos que a linha telefônica ainda estava ativa no dia 16/10/2013 e havia resíduos na cesta de lixo na sala onde a TBLV e a KADAR operavam. Tratavamse de clientes querendo falar com a KADAR ou com a TATIANA da TBLV (Anexo 6). Fl. 22497DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.498 42 [...]O Sr. Adalberto Thomazini, que foi durante alguns anos o braço direito de Mauro Vinocur, em declarações aqui prestadas nesta fiscalização (Anexo 9) confirmou que a KADAR era acionada para desovar o material da importadora TBLV. Segue trecho de sua declaração: “....Era Mauro quem negociava diretamente como os fornecedores estrangeiros e era ele quem negociava pessoalmente com os maiores clientes aqui no Brasil, como a Passalacqua de Ribeirão Preto/SP, por exemplo. Quando alguém queria comprar pequenas quantidades de papel, ligava ou fazia uma encomenda por email para alguma representação comercial da TBLV, como era o caso da KADAR, que era de propriedade de Denival e que possuia uma sala dentro da TBLV, na Rua Américo Vespúcio, 89. Estes pequenos clientes não viam nada de errado na operação, eles ligavam, perguntavam se a empresa emitia nota fiscal e mandavam entregar as mercadorias no local desejado. O diferencial era o preço, de 15 a 20% mais baixo que o dos concorrentes....” É inegável que a KADAR funcionava dentro da estrutura da TBLV e que era, portanto, uma empresa do grupo VINOCUR. Ela ajudava a praticar o fato gerador das receitas de venda do papel desviado e se aproveitou diretamente deste mercado negro. A Kadar também recebeu recursos da Comark: A partir do relato acima, é possível inferir que a empresa funcionava no mesmo local da TBLV, mas isso não prova que era uma empresa do mesmo grupo econômico, porque no depoimento de Adalberto Thomazini se diz que a KADAR é uma representação comercial "de propriedade de Denival". Não há prova de que Denival fosse interposta pessoa de Mauro Vinocur. Apesar de haver prova de que a Impugnante tinha relacionamento com as empresas do grupo econômico de Mauro Vinocur, não há prova inequívoca de que pertencesse a este grupo. Os pagamentos feitos pela COMARK, indicados acima, poderiam ser, sim, a título de comissão de representação. Conclusão sobre o Recurso de Ofício Fl. 22498DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.499 43 Em todos os casos relatados acima, as hipóteses de responsabilização não se enquadravam com a descrição fática, ou não haviam elementos fáticos suficientes para o enquadramento. Desse modo, voto por conhecer parcialmente o Recurso de Ofício para, na parcela conhecida, negar provimento. Conclusão Ante o exposto: a) Voto por dar provimento aos Recursos Voluntários de MHV IMÓVEIS, MODULLUS EMPREENDIMENTOS, IEDA MATUOKA, MOL ADMINISTRAÇÂO e TRYOGRAF. Quanto aos demais, nego provimento aos Recursos Voluntários. b) Conheço parcialmente do Recurso de Ofício, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 22499DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.500 44 Voto Vencedor Conselheiro Nelso Kichel Redator Designado. Peço vênia ao nobre Relator para divergir do seu entendimento apenas quanto à sujeição passiva solidária. No caso, devese manter, também, a sujeição passiva solidária pelo crédito tributário dos seguintes imputados: MHV IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES S/A; MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOB. LTDA; IEDA MARIA MITIKO MATUOKA; MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS LTDA; e TRYOGRAF EDITORA LTDA. Passo demonstrar a responsabilidade tributária sujeição passiva solidária dos citados pelo crédito tributário objeto dos autos. 1 MHV IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES S/A A MHV Imóveis é uma das empresas patrimoniais do Grupo Vinocur controlado pelo Sr. Mauro Vinocur. A empresa MHV Imóveis tem por objeto social a gestão e administração da propriedade imobiliária. A empresa MHV Imóveis seria uma das destinatárias finais de parte dos recursos da TBLV e da importadora COPAP, como forma de ocultação e blindagem patrimonial dos beneficiários finais (Mauro VINOCUR e família). A Fiscalização da Receita Federal imputou responsabilidade solidária por infração à legislação tributária à empresa MHV Imóveis, conforme Auto de Infração (fls. 09/41, efls. 1104/1136 e fls. 53/58 efls. 1148/1153, fls. 81/93, efls. 1176/1188, fls. 168/175 e Fl. 22500DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.501 45 efls. 1263/1270, fls. 177/1183 e efls. 1272/1278), cuja narrativa dos fatos transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) 3. BENEFICIÁRIOS DA FRAUDE 3.1 GRUPO VINOCUR (...) O GRUPO VINOCUR possui como controlador o Sr. MAURO VINOCUR, CPF: 165.795.10811, sócio oculto de diversas pessoas jurídicas cruciais para a montagem e realização desta fraude, tais como a importadora de papel imune TBLV COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA, CNPJ: 04.11.947/000122 e a empresa de “cobrança” COMARK COBRANÇAS LTDA, CNPJ: 12.527.758/000161. Servese Mauro da colaboração fiel e irrestrita de inúmeros colaboradores, destacandose a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka, CPF : 134.852.94829. (...) Em apertada síntese, o Sr. MAURO VINOCUR, mentor do esquema fraudulento, utilizase de um conjunto de empresas, sendo a TBLV a principal delas, para importar mercadorias do Capítulo 48 da NCM (Papel e suas obras) com imunidade de impostos referentes a papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, nos termos do art. 150, VI, “d” da Carta Magna. (...) O esquema consiste, então, em: a) Desviar a finalidade declarada da importação, fornecendo o papel nacionalizado a empresas que efetivamente não o aplicarão em livros, jornais e periódicos; b) Utilizar empresas de fachada na importação e na revenda em mercado interno para dificultar a fiscalização referente ao desvio de finalidade do papel importado, criando uma intrincada rede de pseudointervenientes na operação. Durante a fase de fiscalização empreendida por esta Divisão de Fiscalização da Receita Federal nos deparamos, em várias oportunidades, com elementos que apontavam que o Sr. Mauro Vinocur seria o maior beneficiário e único controlador do grupo. (...) Investimento Galpão sito à Estrada do Zilo, 1.823, Araçariguama/SP, altura do KM 53 da Rodovia Castelo Branco (imóvel matriculado sob o No. 30.797). Fl. 22501DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.502 46 Mauro, por meio das suas empresas patrimoniais MHV e COMARK, financiou integralmente a construção de um galpão logístico (imagem abaixo) que está avaliado atualmente em cerca de R$ 40 milhões, que rende cerca de R$ 250 mil mensais em aluguéis. Ficou com cerca de 75% do empreendimento final, sendo que 10% ficou para o proprietário original do terreno e 15% para a empresa que construiu a obra, a empreiteira/incorporadora que está em nome de seu irmão, o Sr. Fernando Vinocur, a empresa MODULLUS EMP. IMOB LTDA (ANEXO 12). (...) Como já dito, salientamos que a Comark realizou o financiamento desta obra, na sua integralidade. Tais recursos, como podemos constatar da análise dos extratos bancários, são provenientes das receitas do GRUPO VINOCUR (Anexo 101 – Entradas ou Receitas da Comark Banco Itaú), das vendas faturadas pela equipe de vendas de Mauro (Departamento Comercial da TBLV) oriundas das revendas de papel importado com imunidade, papel que teve sua finalidade constitucional desviada, de modo fraudulento. Fruto de descaminho e sonegação fiscal em larga escala. (...) Comark efetuou transferências em favor de pessoas jurídicas de natureza patrimonial ou de participação (holdings familiares) que estão em nome de pessoas ou empresas da família, inclusive do próprio Mauro Vinocur. É uma forma mais dissimulada de Mauro receber os recursos ilícitos da fraude fiscal, blindandose em outras empresas. Tais artifícios facilitam a ocultação dos recursos e dificultam a detecção e o rastreamento pelas autoridades fiscais da variação patrimonial a descoberto (VPD), infração que detecta quando uma pessoa física acumula patrimônio incompatível com sua renda declarada. A própria COMARK destacase nesta função de ocultação patrimonial, mas também podemos citar outras, tais como a MODULLUS EMP. IMOB. LTDA, a MHV IMOVEIS E PARTICIPACOES SA, a ADVALOREM FOMENTO, a MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS e a EDITORA IPSA ME (atual IPSA PARTICIPACOES LTDA ME ). (...) 3.1.2.6 MHV IMOVEIS E PARTICIPACOES S.A., CNPJ: 11.241.301/000123 Empresa patrimonial de Mauro Vinocur (Presidente) e Marcos Vinocur (Diretor), proprietária de bens imóveis na cidade de Araras/SP (relação abaixo). A empresa MHV tem por objeto social a gestão e administração da propriedade imobiliária. Fl. 22502DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.503 47 Suas iniciais lembram o da esposa de Mauro, Maria Helena Vinocur. (...) A MHV tem como sócia a empresa VBENS PARTICIPACOES S.A., CNPJ: 11.254.842/000196, de propriedade de Marcos Vinocur e ADRIANA DUARTE CARNEIRO VINOCUR , cunhada de Mauro. Marcos e Adriana, bem como a própria MHV, foram beneficiários de remessas da COMARK. Encontramos na diligência feita na cidade de Osasco, na sala da Diretoria da TBLV, o manuscrito abaixo que sugere que a VBENS e a MHV seriam destinatárias finais de parte dos recursos da TBLV e da importadora COPAP, como forma de ocultação e blindagem patrimonial dos beneficiários finais (membro da família VINOCUR Anexo 06 Planejamento tributário de MV e da TBLV.pdf). (...) A MHV, como vimos pouco atrás, foi uma das “sociedades investidoras”, componente da “SCP informal”, na construção do galpão industrial na cidade de Araçariguama/SP. A outra investidora era a COMARK. (...) Cremos que foi desta forma que a MHV tenha conseguido investir recursos na obra, com recursos da COMARK, logo, com recursos da venda de papel fraudulento da TBLV. A MHV não tinha receita própria para tanto. O verdadeiro investidor do galpão foi o dinheiro público que deixou de ser pago na forma de tributos quando do desvio do papel imune. Mauro sempre atua em nome de pessoas interpostas e empresas patrimoniais, como já dissemos. Desta forma ele cria vários níveis de proteção ao seu patrimônio, dificultando a sua apreensão. (...) No caso, como visto, existe e está comprovada, sobejamente, a confusão patrimonial da MHV com as empresas citadas do "esquema fraudulento". A MHV não tinha receitas ou recursos próprios para fazer investimentos. O capital (patrimônio da empresa MHV), na verdade, é oriundo da aplicação de recursos da fraude contra o Fisco (importação de papel imune, esquema fraudulento montado pelo Mauro Vinocur, utilizando empresas já citadas, conforme transcrição acima). E a MHV, portanto, é uma empresa utilizada para ocultação e blindagem patrimonial. Fl. 22503DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.504 48 O Mauro sempre atuou, utilizando interpostas pessoas e empresas patrimoniais. Dessa forma, ele criou vários níveis de proteção ao seu patrimônio, na tentativa de dificultar o rastreamento pelo Fisco. Na verdade, isto tudo serve para mostrar a grande confusão patrimonial que impera entre as empresas do grupo VINOCUR. Uma supre o caixa da outra, depois aparece um contrato inusitado para tentar justificar transferências. Em suma, o dinheiro passa de uma mão do Sr. Mauro para sua outra mão. Não há alteração de titularidade destes recursos, na prática. Portanto, deve ser mantida a sujeição passiva da empresa MHV IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES S/A. 2 MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOB. LTDA A MODULLUS é uma empresa que está relacionada com o Grupo VINOCUR controlado pelo Sr. Mauro Vinocur. A empresa em tela MODULLUS, titulada em nome de parentes do Mauro Vinocur, foi utilizada como empreiteira/incorporadora, responsável pela construção de um galpão logístico. Tratase de aplicação de recursos oriundos da fraude contra o fisco federal. A MODULLUS também tem a função de ocultação patrimonial dos recursos da fraude contra o fisco federal. Como visto anteriormente, mas reproduzo, novamente, a descrição constante do auto de infração (fls. 19/38, efls. 1114/1133, fls. 40/41 e efls. 1135/1136, fls. 50/53 e efls. 1146/1148, fls. 110/111 e efls. 1205/1206, fls. 113/119 , efls. 1208/1214 e fls. 160/168 e e fls. 1255/1263, fls. 175/177e efls. 1270/1272) quanto à empresa Modullus: (...) Investimento Galpão sito à Estrada do Zilo, 1.823, Araçariguama/SP, altura do KM 53 da Rodovia Castelo Branco (imóvel matriculado sob o No. 30.797). Mauro, por meio das suas empresas patrimoniais MHV e COMARK, financiou integralmente a construção de um galpão logístico (imagem abaixo) que está avaliado atualmente em cerca de R$ 40 milhões, que rende cerca de R$ 250 mil mensais em aluguéis. Ficou com cerca de 75% do empreendimento final, sendo que 10% ficou para o proprietário original do terreno e 15% para a empresa que construiu a obra, a empreiteira/incorporadora que está em nome de seu irmão, o Sr. Fernando Vinocur, a empresa MODULLUS EMP IMOB LTDA (ANEXO 12). (...) Fl. 22504DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.505 49 Como já dito, salientamos que a Comark realizou o financiamento desta obra, na sua integralidade. Tais recursos, como podemos constatar da análise dos extratos bancários, são provenientes das receitas do GRUPO VINOCUR (Anexo 101 – Entradas ou Receitas da Comark Banco Itaú), das vendas faturadas pela equipe de vendas de Mauro (Departamento Comercial da TBLV) oriundas das revendas de papel importado com imunidade, papel que teve sua finalidade constitucional desviada, de modo fraudulento. Fruto de descaminho e sonegação fiscal em larga escala. (...) A Comark efetuou transferências em favor de pessoas jurídicas de natureza patrimonial ou de participação (holdings familiares) que estão em nome de pessoas ou empresas da família, inclusive do próprio Mauro Vinocur. É uma forma mais dissimulada de Mauro receber os recursos ilícitos da fraude fiscal, blindandose em outras empresas. Tais artifícios facilitam a ocultação dos recursos e dificultam a detecção e o rastreamento pelas autoridades fiscais da variação patrimonial a descoberto (VPD), infração que detecta quando uma pessoa física acumula patrimônio incompatível com sua renda declarada. A própria COMARK destacase nesta função de ocultação patrimonial, mas também podemos citar outras, tais como a MODULLUS EMP. IMOB. LTDA, a MHV IMOVEIS E PARTICIPACOES SA, a ADVALOREM FOMENTO, a MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS e a EDITORA IPSA ME (atual IPSA PARTICIPACOES LTDA ME ). (...) 3.1.2.5 MODULLUS EMP. IMOBILIÁRIOS LTDA (...) de propriedade formal do engenheiro civil Fernando Vinocur, irmão de Mauro Vinocur. Esta fiscalização demonstrou anteriormente que a empresa MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 12.850.688/000188, serviu como meio para que Mauro Vinocur conseguisse incorporar e construir um pujante galpão industrial no município de Araçariguama (matrícula 30.979). Tal empreendimento foi construído com recursos oriundos da fraude fiscal do desvio de papel imune. Este galpão industrial está locado para a transportadora JSL S/A, CNPJ 52.548.435/021095 (Transportadora Júlio Simões), desde 01/2013, e rende cerca de R$ 250 mil de aluguel mensal aos envolvidos na construção (Anexo 68). (...) A MODULLUS tem como sócios FERNANDO VINOCUR, CPF 160.016.69899 e FERNANDA LAUER VINOCUR, CPF Fl. 22505DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.506 50 164.372.28830, casados entre si. A sede da Modullus, no bairro de Santo Amaro (Rua Marechal Deodoro, 135, sala 11), encontrase numa residência onde vive a Sra. Vera Lucia Marino Vinocur, mãe de Mauro Vinocur. (...) Na audiência que tivemos, o Dr. Rodrigo confirmou que Mauro Vinocur, por intermédio das empresas COMARK COBRANÇAS LTDA e MHV IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES S/A, foi o único investidor responsável pelo aporte de capitais para alavancar a incorporação e construção do galpão. Isto veio confirmar nossas suspeitas de que o galpão fosse de Mauro Vinocur. Segundo relatou o Dr. Rodrigo, a MODULLUS realizou uma sociedade em conta de participação com as duas sociedades investidoras, para que tais empresas aportassem todos os recursos necessários à implantação do empreendimento em troca de 7 (sete) dos 10 (dez) módulos que seriam construídos. (...) Esta sociedade em conta de participação (SCP), conforme resposta da própria MODULLUS, é informal, ou seja, não foi levada a registro nem foi constituído seu CNPJ na RFB para concretizar esta parceria. (...) De qualquer forma, Fernando assumiu o risco de utilizar em seu proveito recursos de Mauro que deveria saber serem fruto de um comércio ilegal de papéis. Aproveitouse sim dos recursos do irmão e cerrou os olhos para a eventualidade de serem ilegais, tanto é que faria jus a 1,5 módulos do condomínio erigido exclusivamente às custas de recursos do irmão, o que lhe renderia uma renda mensal de cerca de R$ 37 mil. O fato de terlhe cabido a incorporação do empreendimento e de ter aplicado seu trabalho e consultoria no empreendimento, não afasta a mácula da origem dos recursos. (...) Após o bloqueio judicial do bem e da intimação feita por esta fiscalização, a Modullus apresentou balanços patrimoniais extemporâneos dos anos 2011, 2012 e 2013, emitidos em 29/01/2014 (após ser intimada) no qual declara no seu ativo imobilizado as construções em andamento, em contrapartida do capital social de uma SCP (Sociedade por Conta de Participação) que teria celebrado com as empresas investidoras COMARK e MHV. (...) Fl. 22506DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.507 51 Outra tentativa de criar a SCP seria a de tentar dar lastro financeiro à sua construção, pois a MODULLUS e seu sócio presidente não apresentavam condições: Vejamos a situação fiscal dos sócios da MODULLUS no ano de 2012, ano em que a construção atingiu seu apogeu. O capital social da MODULLUS é de irrisórios R$ 50 mil. Fernando declara de forma contumaz rendimento baixos, incompatíveis com tamanho investimento e com os empréstimos feitos à sua empresa. Ele declarou, em 2013 (anobase 2012) receber da empresa VINOCUR S.A. CONSTRUTORA E INCORPORADORA, CNPJ 46.067.740/000146, o valor de apenas R$ 15.680,00, mais R$ 22.800,00 de pessoas físicas, sem comprovar a origem. Seu patrimônio líquido (Bens e Direitos menos Dívidas), em 31/12/2012, foi de apenas R$ 620.000,00, incompatível para justificar a construção do galpão. Fernando teria pego empréstimos junto à VINOCUR S.A.CONSTRUTORA E INCORPORADORA, empresa da qual é presidente e detém 90% das cotas. Fernando possui várias participações em empresas, mas nenhuma delas distribuiu lucros/dividendos para ele em 2012. Já a situação fiscal e econômica da outra sócia da MODULLUS (Sra. Fernanda L. Vinocur) é mais modesta ainda do que a de Fernando. A suposta mutuante dos recursos, a empresa VINOCUR S.A. CONSTRUTORA E INCORPORADORA, por sua vez, na DIPJ 2013 (anobase 2012), não apresentou nenhuma informação de atividade econômica. Declarou faturamento zero, nenhum recolhimento de tributos, nenhum funcionário registrado, nenhum valor nas contas Caixa, Bancos, Contas a Receber, ou quaisquer outras contas do ATIVO. (...) De todo o acima exposto, havia fortes indícios de que o investimento no galpão, que vale hoje algo em torno de R$ 50 milhões, fosse mesmo de Mauro Vinocur, o que de fato se comprovou pelas últimas informações trazidas pela MODULLUS. (...) O RIF 11423 do COAF, de 16/12/2013 (Anexo 71), aponta que a empresa MODULLUS protagonizou algumas operações suspeitas de lavagem. Tratamse de seis operações de saques em espécie na boca do caixa. Os saques foram realizados pela funcionária do administrativofinanceiro da VINOCUR S/A, a Sra. MEIRE COSTA RAMOS COELHO, pessoa que costuma assinar todos os contratos e atas de assembléias da VINOCUR S/A como testemunha. Fl. 22507DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.508 52 Os saques na boca do caixa perfazem um total de cerca de R$ 992.000,00 e compreendem o período entre 04/04/2011 e 08/06/2011. Dos seis saques, quatro foram feitos pela Dona Meire, um por Fernando Vinocur e um por Fernanda Lauer Vinocur, esposa de Fernando. Este período antecede ao início das obras do galpão no KM 53 da Rodovia Castelo Branco. Meire e Fernando Vinocur também fizeram saques e /ou depósitos em espécie na conta da VINOCUR S/A em valores acima de R$ 100 mil, totalizando R$ 463.500,00 nos anos de 2012 e 2013 As empresas VINOCUR S/A e MODULLUS não são as únicas nesta situação. A empresa COMARK também foi flagrada em operações bancárias junto à sua conta do Bradesco onde constou como beneficiária de 39 depósitos em espécie, os quais totalizaram cerca de R$ 2,7 milhões, no último trimestre de 2012. (...) Notamos elevada incidência de cheques de elevados valores pagos ou liquidados na “boca do caixa”, como se diz no jargão bancário. Como a lei obriga que se indique um beneficiário no momento da liquidação dos títulos, devido à proibição de circulação e uso de títulos ao portador, tais cheques acabam por consignar como beneficiários da transação a própria COMARK, a instituição financeira ou a pessoa que levou os cheques até o banco. Este último caso ocorreu com o Sr. Orlando Fernandes Martins, que constava como beneficiário de dezenas de cheques de elevado valores emitidos e pagos pela Comark (Anexo 65). Descobriuse, em diligência, que o Sr. Orlando era o motoboy da empresa MODULLUS (note que ele nem era funcionário da COMARK!!), o que mostra mais uma vez a confusão patrimonial existente entre empresas que possuem interesses comuns cujos sócios possuem laços sanguíneos bastante próximos. Pelo sistema DIRF da RFB constatase que Orlando também prestou serviços à VINOCUR S/A, empresa controlada pelo Sr. Fernando Vinocur. (...) Na verdade isto tudo serve para mostrar a grande confusão patrimonial que impera entre as empresas do grupo VINOCUR. Uma supre o caixa da outra, depois aparece um contrato inusitado para tentar justificar transferências. Em suma, o dinheiro passa de uma mão do Sr. Mauro para sua outra mão. Não há alteração de titularidade destes recursos, na prática. Por isso, deve ser mantida a sujeição passiva da empresa MODULLUS EMP. IMOBILIÁRIOS LTDA. Fl. 22508DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.509 53 3 TRYOGRAF EDITORA LTDA A empresa TRYOGRAF é uma gráfica do grupo VINOCUR e parte significativa do papel imune importado (desvio de papel imune) era destinado a essa empresa que abastecia o mercado nacional. Empresa muito importante dentro da fraude fiscal do Grupo Vinocur controlado pelo Sr. Mauro Vinocur. Como dito, tratase de empresa do Grupo Vinocur, titulada em nome de "laranjas", que se beneficiou em larga escala da fraude fiscal em tela. Nesse sentido, consta da narrativa dos fatos no Auto de Infração (fls. 122/124 e efls. 1217/1219, fls. 145/151 e efls. 1240/1246, fls. 277/279 e efls. 1372/1374, fls. 119/124 e efls. 1215/1219), in verbis: (...) Tópico 3.1.2.4 TRYOGRAF EDITORA LTDA, CNPJ 06.183.924/000157 A CONCORRÊNCIA DESLEAL (Anexos 06, 07, 27, 28, 29, etc) Em 16/10/2013 empreendemos diligência fiscal no endereço sede das empresas TBLV e TRYOGRAF, coincidentes no cadastro da RFB, na cidade de Osasco/SP, a fim de colher elementos que tivessem relevância fiscal. Buscavase saber se as duas empresas existiam de fato, apurar sobre sua real atividade e capacidade operacional, além de servir como meio para tentar identificar o real beneficiário das empresas, haja vista esta fiscalização ter fundadas suspeitas de que ambas estariam em nome de laranjas. (...) Ademais vale apontar que estávamos diante da maior fraude fiscal no segmento de papel imune e que as empresas estavam embaraçando a fiscalização. A TBLV intentou uma alteração de domicílio fraudulenta para não atender ao Fisco, enquanto a TRYOGRAF dava mostras de que não iria atender a fiscalização a contento. No dia anterior à diligência fiscal, o contador da TRYOGRAF, Sr. Célio, trouxe apenas parte dos documentos solicitados por esta fiscalização com três assinaturas claramente divergentes atribuídas ao sócio Misael. Aliás, cabe aos auditores identificar o verdadeiro sujeito passivo, quando o mesmo encontrase oculto, protegido por cortinas de fumaça. Por vezes, dada a intenção clara do contribuinte em não atender à fiscalização, a identificação do sujeito passivo demanda trabalhos de campo (diligências) no Fl. 22509DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.510 54 próprio estabelecimento do contribuinte para a busca desta importante informação: (...). Conforme fartamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (Anexos 6 e 67), tratase de empresa do grupo Vinocur que se beneficiou em larga escala da fraude fiscal em tela. Por isto esta fiscalização a autuou em quase R$ 11 milhões por aproveitarse de créditos podres de PIS e de COFINS, promovendo a entrada de notas fiscais inidôneas em sua contabilidade e na sua declaração DACON. A TRYOGRAF, conforme Termo de Constatação Fiscal (Anexo 6), demonstra que Mauro Vinocur verticalizou sua produção de panfletos publicitários, controlando desde a importação dos insumos, produção e distribuição de material comercial (tributado) elaborado com insumos importados ao amparo da imunidade tributária. Ao controlar todas as etapas de sua cadeia produtiva, aplicando sua margem de ganho de escala de cerca de 20% em relação ao fornecedor nacional de insumos, promoveu uma concorrência desleal neste segmento o que lhe propiciava altos lucros e certeza das vendas. Tal prática nociva distorce a concorrência leal, promove o fechamento de empresas idôneas e postos de trabalho no país e estimulam a sonegação nos concorrentes prejudicados. A Gráfica de Mauro Vinocur, a TRYOGRAF, foi uma das empresas que mais se beneficiou da fraude fiscal em comento. (...) Como se vê, foram mais de 500 (quinhentas) operações de importação entre elas, desde 2008, sendo que todas foram declaradas como papel imune, destinado à impressão de livros jornais e periódicos. Porém, encontramos parte deste papel na TRYOGRAF, que dava tratamento exclusivamente comercial (não imune) aos insumos, conforme Termo de Constatação e imagens produzidas no local (Anexo 6 e 76). (...) A empresa TRYOGRAF, (...), vem a ser uma gráfica do grupo VINOCUR, uma das maiores clientes do esquema de desvio do papel imune. Ela também foi recentemente autuada por esta fiscalização por terse aproveitado de milhões em aquisições de papel por meio de notas fiscais tributadas emitidas dentro da TBLV (mesmo endereço da TRYOGRAF), mas em nome de empresas de fachada. A TRYOGRAF demonstra que Mauro verticalizou sua produção: ele importava, revendia, estocava e também usava os insumos para produzir panfletos publicitários. Não havia produção de Fl. 22510DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.511 55 jornais e periódicos na TRYOGRAF (destinação imune), conforme constatamos no dia da diligência (ANEXO 06). Desde o ano de 2006 a TRYOGRAF está em nome de MISAEL e GEDEILDO TEIXEIRA DOS SANTOS, CPF 290.897.00404. Antes, em nome de JARIO RIBEIRO DA ROCHA e SERGIO AFONSO PAREDES. No dia da diligência, no interior das empresas TRYOGRAF/TBLV, perguntamos a dois funcionários (ANEXO 08) quem era o dono daquela empresa e ambos responderam prontamente que era Mauro Vinocur. Os funcionários da produção simplesmente não conheciam MISAEL ou GEDEILDO. Apenas alguns poucos funcionários do escritório sustentavam que MISAEL era o dono, inclusive a advogada e o contador da empresa que estavam presentes no dia da diligência, aguardando o Sr. Misael para uma reunião. Mantivemos, naquele mesmo dia, contato telefônico com o suposto MISAEL e dissemos que o estávamos aguardando na empresa, sendo que o mesmo acabou por não comparecer ao local. Esta fiscalização intimou o Sr. Misael comparecer pessoalmente nesta fiscalização para prestar declarações, mas ele nunca compareceu. Mas não foi só em relação aos negócios da TRYOGRAF que MISAEL ocultou Mauro. Vejamos o caso da empresa GABIGRAF PARTICIPACOES LTDA – ME, empresa que tem NOME FANTASIA: “V M”, CNPJ: 8.150.325/000194 (mais detalhes adiante em tópico específico). Revendo seu histórico, antes de ter esta razão social ela se chamava VM EDITORA PROPAGANDA E PUBLICIDADE LTDA, depois VINOCUR & MATUOKA LTDA, depois VINOCUR GRAFICA E EDITORA LTDA, depois GABIGRAF GRAFICA E EDITORA LTDA. A empresa agora está em nome de dois laranjas, mas ela era de Mauro Vinocur e Rubens Matuoka. Desde esta época se nota o estreito relacionamento entre a família VINOCUR e MATUOKA. A gráfica passou por dificuldades e acabou falindo. Provavelmente é devido a débitos trabalhistas desta empresa que Mauro preferiu não assumir mais quaisquer empresas. (...) Segundo o RIF 11423, de 16/12/2013 (Anexo 71), Misael sacou em espécie ou descontou cheques administrativos no valor de R$ 1.323.725,00, das contas da MOL, em oito operações distintas efetuadas todas no mesmo dia, 29/12/2011. Da mesma forma que realizou saques em espécie, Misael também realizou depósitos em espécie nas contas da MOL, também após sua saída formal da empresa. Estas operações totalizaram um valor de R$ 813.475,00 e ingressaram na conta da MOL em cinco operações distintas efetuadas todas no mesmo dia, 29/12/2011. Fl. 22511DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.512 56 Misael, representando a MOL, depositou recursos em espécie suspeitos nas contas das empresas INTERFIBRA INDUSTRIAL S/A (R$ 320.000,00 em 03/02/2012) e TRYOGRAF EDITORA LTDA (R$ 109.032,00 em 12/06/2012). Frisamos que o Sr. Misael foi cientificado várias vezes a comparecer pessoalmente nesta fiscalização para prestar declarações e justificar suas participações societárias, mas até hoje não compareceu, configurando grave embaraço e desrespeito à autoridade. Outro parente de MISAEL, o Sr. Marivaldo Martins de Souza, CPF 239.700.81904 também se prestou a servir de laranja de Mauro. Marivaldo foi sócio até 31/03/2014 da empresa C.P.J EDITORA LTDA, CNPJ: 11.718.870/0001 17, empresa inexistente de fato (ANEXO 22) e que era usada para blindar parte do patrimônio (veículos de carga) usado pela TRYOGRAF para entregas de pedidos (ANEXO 06). (...) Quando intimamos os sócios da TRYOGRAF (Gedeildo e Sergio), as correspondências foram encaminhadas para o endereço Rua Latif Fakhouri, 65, Vila Mascote – São Paulo/SP e foram recebidas, no dia 05/12/2013, exatamente pelo Sr. Marivaldo Martins de Souza. Este endereço é o da empresa SULPLAN CONSTRUTORA LTDA, do sogro de Mauro Vinocur, o Sr. Ademir José Rodrigues, CPF 220.646.21849. Ao que tudo indica Marivaldo é auxiliar de escritório na empreiteira do sogro de Mauro Vinocur. (...) Mauro Vinocur declarou à Fiscalização que utiliza "laranjas" e/ou "testasde ferro" (fls. 145 ou efls. 1240), in verbis: (...) 3.1.1.7 MISAEL MARTINS DE SOUZA, CPF 397.054.98920 Mauro Vinocur, conforme ele mesmo declarou verbalmente a esta fiscalização na nossa diligência na empresa ADVALOREM, em dezembro de 2013, tem muitos negócios mas não pode constar como sócio formal de nenhuma de suas empresas devido a problemas trabalhistas antigos. (...) O testadeferro bastante utilizado por Mauro Vinocur, o Sr. Misael Martins de Souza, consta como sócio da TRYOGRAF EDITORA. O Sr. GEDEILDO TEIXEIRA DOS SANTOS é o outro sócio ("laranja"). Fl. 22512DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.513 57 Na verdade, isto tudo serve para mostrar a grande confusão patrimonial que impera entre as empresas do grupo VINOCUR. Em suma, o dinheiro do "esquema fraudulento" contra o fisco federal passa de uma mão do Sr. Mauro para sua outra mão. Não há alteração de titularidade destes recursos, na prática. Como visto, a TRYOFRAF como sendo uma das empresas do Mauro Vinocur que mais se beneficiou da fraude fiscal deve ser mantida como responsável solidária pela infração e pelo respectivo crédito tributário, lançado de ofício, objeto dos autos Por isso, deve ser mantida a sujeição passiva solidária da TRYOGRAF EDITORA LTDA. 4 MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS LTDA Empresa do Grupo Vinocur, utilizada para ocultar Mauro Vinocur, bem como ocultar os recursos oriundos da fraude na importação e venda de papel importado (desvio da finalidade do papel importado imune). Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos no auto de infração (fls. 198/ 201 e efls. 1293/1296, fls. 59/62 e e fls.1154/1157, fls. 124/126 e efls. 1219/1221), in verbis: (...) 3.1.2.10 MOL ADMINISTRACAO E COBRANCA DE TITULOS LTDA, CNPJ 11.756.762/000139 A empresa MOL remeteu cerca de R$ 2 milhões em recursos para a COMARK, conforme tabela abaixo, construída sobre informações dos extratos com origem e destino da conta da COMARKBradesco: Oficialmente a empresa MOL é da cunhada de Mauro Vinocur, a Sra. MARIA CAROLINA RIBEIRO RODRIGUES, que possui 90% de suas cotas. Maria Carolina tem cerca de 30 anos, sendo que até o ano de 2007 constava na declaração de seu pai como dependente. Não entregou DIRPF (declaração de imposto de renda) dos anos de 2008 a 2011, voltando a entregar DIRPF apenas nos anos 2012 e 2013, na modalidade simplificada. Sua principal fonte de renda declarada é um salário irrisório de R$ 1 mil/mês que recebe da Sulplan Construtora, empreiteira de seu pai e um empréstimo junto à sua mãe de R$ 63 mil. A empresa MOL ADMINISTRACAO E COBRANCA DE TITULOS LTDA movimentou cerca de R$ 82 milhões em contas Fl. 22513DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.514 58 bancárias de 2010 a 2012 e, obviamente, a cunhada de Mauro não possui nenhuma capacidade financeira para ser a dona da MOL. Portanto, há fortes evidências de que ela, assim como tantos outros parentes e funcionários das empresas do grupo, estejam servindo para ocultar Mauro Vinocur, bem como ocultar os recursos oriundos da fraude na venda do papel importado. Outro testadeferro bastante utilizado por Mauro Vinocur, o Sr. Misael Martins de Souza, que consta como sócio da TRYOGRAF EDITORA, autuada por esta fiscalização, foi sócio da MOL até 26/04/2011. Após sua saída formal da sociedade Misael protagonizou operações bancárias suspeitas de lavagem de dinheiro, envolvendo a MOL. Segundo o RIF 11423 (Anexo 71), de 16/12/2013, Misael sacou em espécie ou descontou cheques administrativos no valor de R$ 1.323.725,00, das contas da MOL, em oito operações distintas efetuadas todas no mesmo dia, 29/12/2011. Da mesma forma que realizou saques em espécie, Misael também realizou depósitos em espécie nas contas da MOL, também após sua saída formal da empresa. Estas operações totalizaram um valor de R$ 813.475,00, e ingressaram na conta da MOL em cinco operações distintas efetuadas todas no mesmo dia, 29/12/2011. Ainda segundo o RIF o Sr. Misael, representando a MOL, depositou recursos em espécie suspeitos nas contas das empresas INTERFIBRA INDUSTRIAL S/A (R$ 320.000,00 em 03/02/2012) e TRYOGRAF EDITORA LTDA (R$ 109.032,00 em 12/06/2012). (...) Já a sócia majoritária da MOL, a cunhada de Mauro Vinocur, Maria Carolina Ribeiro Rodrigues depositou R$ 500.000,00 na conta da MOL em 23/07/2013. A operação foi comunicada pelo banco como emissão de instrumento de transferência de fundos contra pagamento em espécie, de valor igual ou superior a R$ 100 mil. Maria Helena não é sócia apenas da MOL. Ela também tem participação (10%) na ECOB ADMINISTRACAO E COBRANCA DE TITULOS LTDA, que tem como sócia majoritária a avó da esposa de Mauro, dona Alzira, que possui 92 anos de idade. A ECOB, com capital social de apenas R$ 10 mil, movimentou cerca de R$ 22 milhões de 2011 a 2012. Suspeitamos que a totalidade dos recursos que ingressaram nas contas das empresas MOL e ECOB também tenham natureza de receitas das atividades ilícitas de Mauro Vinocur como revendedor de papel imune desviado de sua finalidade (descaminho). Fl. 22514DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.515 59 (...) Na verdade, isto tudo serve para mostrar a grande confusão patrimonial que impera entre as empresas do grupo VINOCUR. Em suma, o dinheiro do "esquema fraudulento" contra o Fisco passa de uma mão do Sr. Mauro para sua outra mão. Não há alteração de titularidade destes recursos, na prática. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a sujeição passiva da empresa MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS LTDA. 5 IEDA MARIA MITIKO MATUOKA A Sra. IEDA MARIA MITIKO MATUOKA é administradora da COMARK COBRANÇAS LTDA, por procuração legal; é uma das beneficiárias da fraude contra o fisco federal. A Sra. IEDA MARIA MITIKO MATUOKA é também representante legal de outras empresa do Grupo Vinocur. Diversamente do alegado, a Sra. Ieda não seria mera "Testa de ferro" ou "Laranja", pelo contrário, tinha poder de decisão, sim, quanto às questões ordinárias do dia a dia na defesa dos interesses das empresas que configuraram o "esquema fraudulento" (representante legal e administradora financeira) e, apenas, as questões estratégicas ficavam sob o controle do dono de fato, o Sr. Mauro Vinocur. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos constante do auto de infração (fls. 204 e efls. 1299, fls. 253/256 e efls. 1348/1351, fls. 62/77 e efls. 1157/1172), in verbis: (...) 3.1.1.2 IEDA MARIA MITIKO MATUOKA, CPF: 134.852.94829 A Sra. Ieda é pessoa da extrema confiança de Mauro Vinocur, pois já fora agraciada anteriormente por outras procurações outorgadas por Mauro Vincour, como foi o caso das procurações passadas pelas empresas INTERPAPER e ADVALOREM, respectivamente em 02/03/2012 e 27/06/2013, no 13º cartório de notas da Capital (ANEXO 04). Mauro Vinocur, na condição de administrador de ambas, outorgou poderes ilimitados para Ieda assinar pelas empresas de forma isolada. Fl. 22515DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.516 60 (...) As contas da TBLV e da COMARK, (...), foram usadas para receber as receitas do desvio de centenas de milhões em papel imune. O sócios formais estrangeiros da TBLV e COMARK, as empresas ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC (com sede em Delaware/EUA), e da sócia indireta LA INVESTMENTS (com sede no Panamá), como já vimos, por meio de sua suposta única controladora, a Sra. Marta de Saavedra, passou procurações de todas estas empresas a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka. Isto ilustra a confiança depositada de Mauro na Sra. Ieda que, além de formalmente representar as principais empresas envolvidas na fraude, manipulava as contas das empresas, sendo a chefe do departamento financeiro do grupo, função comumente designada como “controller”, mas sem poderes decisórios estratégicos, os quais cabia a Mauro Vinocur apenas, na condição de proprietário. De fato, a Sra. Ieda é quem assina todos os cheques das empresas COMARK e TBLV. E foram muitos, centenas certamente. O mesmo Sr. Devanilson Sanchez Paradas, sóciodiretor da ATN LOGÍSTICA LTDA ME, um dos principais parceiros comerciais do GRUPO VINOCUR, aqui esteve nesta fiscalização e nos prestou relevantes informações sobre as funções de Dona Ieda em relação a Mauro: (...) Para o declarante, o Sr. Mauro Vinocur era a pessoa com maior autonomia do grupo TBLV, era quem respondia pela estrutura toda e tinha maior poder decisório nas questões relevantes. Dona Ieda Maria Mitiko Matuoka não tinha nenhum poder de ingerência, nenhum poder decisório em questões comerciais, era apenas uma funcionária do financeiro da TBLV, cuidando apenas dos pagamentos e recebimentos. Ela nunca participou do processo de contratação junto à ATN. A ATN entrava em contato com Dona Ieda apenas para cobrar os pagamentos dos serviços de armazenagem e nada mais...... 2.4 Quem afinal dava as últimas palavras, quem decidia as questões mais relevantes no grupo? Isto ocorreu em quais casos que o Sr. se lembra? Reitera que era o Sr. Mauro Vinocur quem dava a última palavra em questões importantes. Lembrase de, quando da época dos pagamentos das faturas, que normalmente venciam no dia 25 de cada mês, que, quando os recursos não eram transferidos pela TBLV à ATN, os funcionários da ATN ligavam para Dona Ieda, financeira da TBLV, cobrando a transferência dos recursos e, muitas vezes, Dona Ieda Fl. 22516DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.517 61 respondia que o pagamento ainda não havia sido liberado pelo Sr. Mauro Vinocur......” Mas não restam dúvidas de que a Sra. Ieda foi paga/recompensada regiamente por prestarse a ocultar o Sr. Mauro Vinocur, servindo como sua testadeferro, sendo também uma das beneficiárias, em menor grau, dos rendimentos ilícitos deste comércio fraudulento. (...) Ainda consta dos autos, agora efls.11/25 Auto de Infração: (...) 3. BENEFICIÁRIOS DA FRAUDE 3.1 GRUPO VINOCUR 3.1.1 PESSOAS FÍSICAS BENEFICIADAS 3.1.1.1 MAURO VINOCUR, CPF 165.795.10811 O GRUPO VINOCUR possui como controlador o Sr. MAURO VINOCUR, CPF: 165.795.10811, sócio oculto de diversas pessoas jurídicas cruciais para a montagem e realização desta fraude, tais como a importadora de papel imune TBLV COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA, CNPJ: 04.11.947/000122 e a empresa de “cobrança” COMARK COBRANÇAS LTDA, CNPJ: 12.527.758/000161. Servese Mauro da colaboração fiel e irrestrita de inúmeros colaboradores, destacandose a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka, CPF : 134.852.94829. Oficialmente as empresas TBLV e COMARK estão em nome de empresas estrangeiras sediadas em localidades offshore, como veremos adiante. Mauro Vinocur não consta oficialmente nem nos quadros das empresas como funcionário sequer. A representante legal no Brasil das sócias estrangeiras vem a ser sua fiel escudeira, a Sra. IEDA M. M. Matuoka. (...) Portanto o Sr. Mauro Vinocur era o único e absoluto controlador da COMARK e da TBLV, sendo estas duas empresas, com prevalência da TBLV, os verdadeiros sujeitos passivos das obrigações tributárias ora suprimidas. A Comark entregou a esta fiscalização documentos de constituição da empresa, bem como de seus sócios estrangeiro, além de procurações destas últimas à Sra. Ieda Matuoka. Quem assina as procurações pelas empresas estrangeiras é a Sra. MARTA DE SAAVEDRA, na qualidade de administradora e única acionista das três empresas alienígenas. Fl. 22517DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.518 62 Descobrimos, por meio de pesquisas na internet e noticiário da TV GLOBO, que a Sra. Marta nada mais é do que uma secretária de uma empresa de advocacia no Panamá (MORGAN & MORGAN), não passando de uma mera laranja. Ela e mais dois outros laranjas panamenhos flagrados pela reportagem da TV GLOBO, transmitida em 03/12/2013 no Jornal Nacional e reprisado no Bom Dia Brasil do dia 04/12/2013, são responsáveis por cerca de 1.000 empresas supostamente de fachada no Panamá dedicadas a investimentos estrangeiros (Anexo 93). (...) O sócios formais estrangeiros da TBLV e COMARK, as empresas ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC (com sede em Delaware/EUA), e da sócia indireta LA INVESTMENTS (com sede no Panamá), como já vimos, por meio de sua suposta única controladora, a Sra. Marta de Saavedra, passou procurações de todas estas empresas a Sra. Ieda Maria Mitiko Matuoka. Isto ilustra a confiança depositada de Mauro na Sra. Ieda que, além de formalmente representar as principais empresas envolvidas na fraude, manipulava as contas das empresas, sendo a chefe do departamento financeiro do grupo, função comumente designada como “controller”, mas sem poderes decisórios estratégicos, os quais cabia a Mauro Vinocur apenas, na condição de proprietário. De fato, a Sra. Ieda é quem assina todos os cheques das empresas COMARK e TBLV. (...) É óbvio que a Sra. Ieda tinha ciência, consciência, discernimento do que fazia e com qual propósito ou escopo atuava profissionalmente, ou seja, atuava na defesa dos interesses do "esquema fraudulento"e também se beneficiava dessa fraude. Consta também dos autos (efls. 73/80), in verbis: (...) Em 06/12/2013 realizamos diligência na sede da empresa, sendo que foi produzido o Termo de Constatação Fiscal (Anexo 40). Descobrimos que o domicílio fiscal da empresa Comark encontravase num escritório virtual chamado VIRTUAL OFFICE (FULL SERVICE), empresa que alberga e presta serviços a centenas de clientes, sendo a Comark uma destas empresas. Os tais serviços englobam desde atender a recados a receber e redirecionar a chegada de correspondências. Os contatos telefônicos do escritório virtual com a Comark dáse por Fl. 22518DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.519 63 intermédio do escritório de advocacia FAGUNDES PAGLIARO (...), cujos patronos defendem os interesses do Sr. Mauro Vinocur. Os funcionários do escritório virtual não conseguiram contatar a representante da COMARK, a Sra. Ieda. (...) Página 80 TVF Tentando responder alguns itens do TIF de 11/03/2014 (Anexo 43), a empresa, por meio de carta assinada pela Sra. Ieda e dirigida a esta fiscalização na mesma data (AR SF405122497BR), assumiu que ambas empresas (Comark e TBLV) são coirmãs, que a Comark realizava cobranças e pagamentos à TBLV, que ambas possuem mesmos sócios, mesma administradora (Sra. Ieda); disse que a operação de ambas era exercida em conjunto, no mesmo estabelecimento (endereço da TBLV, em Osasco ou no escritório comercial no bairro do Brooklin, mas que no momento não estão mais operando). (...) Em 21/03/2014 esta fiscalização enviou nova bateria de intimações dirigidas sempre à COMARK, à Sra. Ieda e ao Sr. Mauro Vinocur, a esta altura já comprovadamente envolvidos como beneficiários e mentores da fraude. Página 110 – Tópico 3.1.2.7 TVF Na empresa ADVALOREM o Sr. MAURO VINOCUR consta como administrador e representante legal. Consta procuração passada no 13º cartório de notas da capital paulista em que Mauro, na condição de procurador da ADVALOREM, nomeia IEDA MARIA MITIKO MATUOKA e FRANCISCO ROBERTO FRANCO CANEDO NETO como outorgados, garantindo à primeira poderes absolutos para atuar isoladamente e ao segundo, os mesmo poderes, mas sempre em conjunto com IEDA ou MAURO. A procuração tem início de vigência em 27/06/2013 e término dia 27/06/2014. IEDA MARIA MITIKO MATUOKA, como vimos, é a principal testadeferro de Mauro, servindo como representante legal da COMARK e TBLV. (...) O relacionamento de Vinocur com a família Matuoka é antigo. Em 1995, outro irmão de Ieda e Roberto, o Sr.Rubens Matuoka fundou, junto com o Sr. Mauro Vinocur, a empresa Vinocur & Matuoka, empresa do segmento de publicidade e propaganda, que tinha sede na cidade de Barueri/SP. (...) Fl. 22519DF CARF MF Processo nº 10803.720021/201467 Acórdão n.º 1301003.938 S1C3T1 Fl. 22.520 64 Como visto, a Sra. Ieda não seria mera "Testa de ferro" ou "Laranja", pelo contrário, tinha poder de decisão, sim, quanto às questões ordinárias do dia a dia na defesa dos interesses das empresas que configuraram o "esquema fraudulento" (representante legal e administradora financeira) e, apenas, as questões estratégicas ficavam sob o controle do dono de fato, o Sr. Mauro Vinocur. Assim, deve ser mantida a sujeição passiva solidária da Sra. IEDA MARIA MITIKO MATUOKA, pela sua atuação como administradora financeira e representante legal da autuada, cuja atuação deuse de forma livre, consciente, no esquema fraudulento contra o fisco federal. Por fim, em face de tudo que foi exposto, voto para manter a sujeição passiva solidária de: MHV IMÓVEIS E PARTICIPAÇÕES S/A; MODULLUS EMPREENDIMENTOS IMOB. LTDA; IEDA MARIA MITIKO MATUOKA; MOL ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DE TÍTULOS LTDA; e, TRYOGRAF EDITORA LTDA. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 22520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.723054/2015-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE DE DECISÃO. OMISSÃO DE JULGAMENTO. MATÉRIA DA DEFESA. DECADÊNCIA DA AUTUAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
É nula a decisão que não se pronunciou sobre matéria apresentada na defesa acerca da decadência do lançamento, acarretando preterição ao direito de defesa.
Numero da decisão: 1302-003.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010, 2011 NULIDADE DE DECISÃO. OMISSÃO DE JULGAMENTO. MATÉRIA DA DEFESA. DECADÊNCIA DA AUTUAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. É nula a decisão que não se pronunciou sobre matéria apresentada na defesa acerca da decadência do lançamento, acarretando preterição ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto face ao acórdão nº 09-61.960, de 16/02/207, da 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora (MG) que, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação, registrando-se a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 30 54 /2 01 5- 40 Fl. 1889DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 Ano-calendário: 2010, 2011 LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO INDEVIDA. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. A opção pela tributação com base no lucro presumido está condicionada às regras estabelecidas em lei. O descumprimento dessas normas autoriza o Fisco a efetuar o reenquadramento da apuração com base na regra geral, Lucro Real, quando disponíveis os documentos contábeis e fiscais necessários a tal apuração. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DOLO A conduta planejada de formalização de sociedades em conta de participação com o único objetivo de se aproveitar dos benefícios da tribulação decorrentes de opção pelo lucro presumido consubstancia-se em prática utilizada para lesar o Erário Público, devendo a autuação ser realizada com multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 CSLL. APURAÇÃO IRPJ. A apuração da CSLL deve seguir a mesma sistemática adotada na apuração do IRPJ. Quando a apuração do IRPJ for reenquadrada para o lucro real, sistemática equivalente deve ser adotada para a apuração da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DOLO A conduta planejada de formalização de sociedades em conta de participação com o único objetivo de se aproveitar dos benefícios da tribulação decorrentes de opção pelo lucro presumido, no caso, apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, consubstancia-se em prática utilizada para lesar o Erário Público, devendo a autuação ser realizada com multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010, 2011 PEDIDO DE PERÍCIA É de se indeferir o pedido de perícia quando considerada prescindível à solução do litígio. A parte que invoca o direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1890DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 Inicio com os seguintes trechos do acórdão recorrido e do Termo de Verificação Fiscal (TVF), por retratar objetivamente os fatos e fundamentos em questão: Trata o processo de autos de infração lavrados pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro, Demac/RJ, em que se exige da Interessada acima identificada o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL). Os tributos lançados foram acrescidos de multa de ofício qualificada de 150%, e juros de mora. A descrição dos fatos nos autos de infração informa que houve opção indevida pelo lucro presumido, para o IRPJ, e insuficiência de recolhimento da CSLL sobre receitas. Tributo Período de Apuração . Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ Anos-calendário 2010 e 2011 . Contribuição Sócia! Sobre o Lucro Líquido - CSLL Anos-calendário 2010 e 2011 . Programa de Integração Social - PIS 12/2010 e AC 2011 . Contribuição p/Financiamento da Seguridade Social - COFINS 12/2010 e AC 2011 A impugnante é pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de Sociedade Anônima de capital fechado e seu objeto social, conforme definido no art. 3° de seu Estatuto Social, é: Art. 3°. O objeto social da Companhia é a comercialização de veículos novos e usados, suas poças o acessórios; exploração de oficinas mecânicas para reparos manutenções de veículos em geral/serviços de lanternagem, funilaria e pintura de veículos automotores; serviços de manutenção o reparação elétrica de veículos automotores; serviços de alinhamento e balanceamento de veículos automotores; serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; revenda de aditivos e lubrificantes, de pneus e câmaras e mediações de negócios. Segundo a autoridade autuante, o procedimento de auditoria fiscal foi programado em virtude de, em procedimentos fiscais anteriores, ter havido a constatação de prática planejamento tributário indevido ou abusivo, por meio da utilização de Sociedades em Conta de Participação (SCP), constituídas especificamente para cada um dos seguintes objetos: - mediação para Clientes Referenciados; e intermediação de Vendas de Captação de Financiamentos - mediação e intermediação de Vendas a Frotistas; - mediação e intermediação de Vendas Diretas Internet (VDI). Em cada um de seus contratos, as SCP foram constituídas pela empresa RECREIO VEÍCULOS SA, sócio ostensivo, e pelo Sr. ELOY JOSÉ MENDONÇA BRAZ, sócio oculto e diretor da empresa RECREIO VEÍCULOS SA, e seus fundos sociais conformados como segue: Fl. 1891DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 Todas as atividades das SCP mencionadas anteriormente, são executadas pelo sócio ostensivo RECREIO VEÍCULOS SA, conforme se pode verificar nas respectivas cláusulas segunda dos contratos de constituição das sociedades. Das Autuações O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de folhas 808 a 868, anexado aos autos de infração lavrados, complementam e esclarecem os procedimentos adotados pela autoridade autuante. Transcreve-se no presente relatório as considerações iniciais da autoridade tributária que intencionam justificar a autuação: Faz-se oportuno aludir às colocações efetuadas já desde a primeira auditoria, demonstrando a total vinculação, inter-relação e dependência mútua entre a venda dos veículos e os respectivos financiamentos (ver 15° parágrafo, págs. 07 e 08), evidenciando a total incorreção da conduta adotada pela fiscalizada. Dessa forma, resta claro que a remuneração pela intermediação não pode ser tributada por outra sociedade que não seja aquela realizadora da venda. Este é o sujeito passivo titular da ação, do serviço, e assim sendo, o que gera o nascimento do fato gerador da obrigação tributária (aquisição de receita de serviços de intermediação). Não há, portanto, a possibilidade de se dissociar uma coisa da outra, uma vez que todo o operacional do processo que faz nascer o contrato de financiamento ocorre quase que concomitantemente à realização da venda do veículo, conforme também esclarecido já desde a primeira auditoria (16° parágrafo, pág. 09). Importante repisar que, antes da criação das SCP, a intermediação de financiamentos para as vendas de veículos era feita pela própria fiscalizada e os valores auferidos a título de comissões eram registrados nas contas contábeis mencionadas no subitem 16.5. (...) Por tudo o que foi até aqui exposto, não restam dúvidas de que os valores das comissões apropriados às SCP se referem a receitas oriundas/vinculadas às operações comerciais praticadas pela fiscalizada, em seus estabelecimentos, sob a total dependência de seus custos e despesas operacionais/vendas, portanto, subtraídas indevidamente do cômputo da sua Receita Bruta. Oportuno, mais uma vez, recorrer às considerações efetuadas no TVF da primeira auditoria, sobre o "Bem me quer/Mal me quer Tributário" (em detalhes no 22° parágrafo e subitens; pág. 13): Fl. 1892DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 "... a partir de uma mesma flor (Venda de Veículo Financiada), definiam quais as pétalas deveriam ser mantidas agregadas ao núcleo (benéficas ao regime do Lucro Real) e quais deveriam ser "arrancadas" (receitas desprovidas de custos/despesas proporcionais relevantes - intermediação de vendas) e levadas à outra sociedade sob regime tributário mais apropriado/favorável para este tipo de receita (Lucro Presumido)". 59. Dessa forma, tendo em vista as todas considerações até aqui efetuadas e a manutenção da transferência de todo o lucro mercantil sobre as vendas financiadas para as SCP através das receitas de comissões de intermediação financeira, subsistiu, nos anos-calendário em questão, a inadequação dos regimes tributários adotados pelas empresas envolvidas, acarretando lesão ao fisco federal na forma a seguir: Construção de prejuízos fiscais fictícios para benefícios em anos- calendário futuros. . Redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre a receita transferida, considerando que as SCP eram optantes pelo regime do Lucro Presumido. . Redução da tributação do PIS e COFINS, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo, permitido às empresas sob o regime do Lucro Presumido). 60. Toda a situação descrita justifica cabalmente a desconsideração da existência de fato das SCP. Como consequência, esta fiscalização trouxe de volta as receitas de comissões por vendas diretas e intermediação financeira para a receita bruta da fiscalizada, procedendo ao lançamento dos créditos tributários relativos ao IRPJ; CSLL; PIS e COFINS, conforme esclarecimentos prestados pela própria fiscalizada e respectivos registros contábeis, na forma a ser detalhada nos próximos tópicos deste TVF. Das autuações referentes ao IRPJ e à CSLL, transcrevem-se os trechos constantes no TVF: 76. Os artigos 218 e seguintes do RIR/99 tratam da base de cálculo do IRPJ. Para a sua determinação, faz-se necessário conhecer o valor da Receita Bruta das vendas e serviços que, conforme o artigo 224, compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (transcrições no 116° parágrafo, pág. 54). 77. No caso em tela, a venda de um veículo financiado enseja a ocorrência do fato gerador do IRPJ, representando um único evento/negócio econômico que contempla aspectos entrelaçados e indissociáveis entre si, quais sejam: Fl. 1893DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 77.1. Sem a ocorrência de venda do veículo financiado, não há objeto a ser financiado, portanto, inexiste o contrato de financiamento. 77.2. A inexistência de financiamento, por outro lado, frustra a concretização da venda financiada, considerando- se a insuficiência de recursos do adquirente do veículo (cliente). 77.3. A venda financiada diferencia-se da venda à vista por agregar um valor econômico adicional relativo à comissão de intermediação de contrato de financiamento (bônus/prêmios comerciais, balizados em acordos/campanhas comerciais patrocinados pelas instituições financeiras), como forma compensatória e estimuladora às concessionárias em mantê-las como agente financiador de suas vendas. 78. No ato da negociação do preço de venda do veículo com seu cliente, as concessionárias sempre consideram agregado à sua margem de lucro este valor relativo à comissão de intermediação, sendo muitas vezes este preponderante, senão decisivo, para concretização da venda do veículo. 79. No presente caso, todos os custos operacionais para a realização da operação de venda (manutenção predial; energia; água; seguro predial; etc.) são apropriados pelo sócio ostensivo, como também a maior parte das despesas (comercialização; marketing; propaganda; etc.). 80. Desta forma, fez-se necessário recompor o Lucro Líquido da fiscalizada nos anos calendário de 2010 e 2011, acrescentando todas as receitas indevidamente atribuídas às SCP, diminuídas, se for o caso, das deduções admitidas pela Legislação: vendas canceladas; descontos incondicionais e impostos sobre vendas (PIS, COFINS e ISS). 81. As despesas operacionais atribuídas às SCP também foram consideradas na apuração, conforme cálculo demonstrado no quadro a seguir: Fl. 1894DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 82. Feitos os ajustes, chegou-se ao valor líquido da receita a ser tributada pelo Lucro Real, utilizando os valores declarados nas respectivas DIPJ, conforme demonstrado a seguir: IRPJ 01 a 09/2010 Situação Especial - Cisão Parcial VALOR (R$) IRPJ 10 a 12/2010 Situação Normal VALOR (R$) Lucro Real Antes Competis. Prej. Declarado (2.981266,26) Lucro Real Antes Competis. Prej. Declarado (4.177.025,45) Compensação úe Prejuízos Fiscais 0,00 Compensação de Prejuízos Fiscais 0.00 Lucro Real Após Como. Prej. Declarado (A) (2.981.266,26) Lucro Real Após Comp. Prej. Declarado (A) (4.177.025,45) Resultado SCP Recreie Veículos (B) 9.124.626,76 Resultado SCP Recreio Veículos (B) 3849.640,33 Base Tributável Ajustada = (A) + (B): 6.143.360,52 Base Tributável Ajustada = (A) * (B): (327.185,12) IRPJ AC 2010 Consolidado VALOR (R$) IRPJ AC 2011 VALOR (R$) Lucro Real Antes Compens. Prej. Declarado (7.158.291,71) Lucro Real Antes Compens. Prej. Declarado (4.341.369,78) Compensação de Prejuízos Fiscais 0,00 Compensação de Prejuízos Fiscais 0,00 Lucro Real Após Comp. Prej. Declarado (A) (7.156.291,71) Lucro Real Após Comp. Prej. Declarado (A) (4.341.369,78) Resultado SCP Recreio Veículos (Bi 12.974.467.11 Resultado SCP Recreio Veículos (B) 10.122.149.01 Base Tributável Ajustada = (A) * (B): 5.316.175,40 Base Tributável Ajustada = (A) * (B): 5.780.779,23 83. O IRPJ e a CSLL devidos pelas SCP foram apurados e declarados trimestralmente nas respectivas DCTF, sendo que, no caso do IRPJ, os débitos declarados correspondem ao imposto total apurado pela empresa diminuído do IRRF também relativo às SCP. Dessa forma, tanto o IRPJ (DCTF + IRRF) quanto a CSLL apurados como devidos à época devem ser abatidos no cálculo Fl. 1895DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 dos respectivos créditos tributários levantados por esta fiscalização. Obs: Os valores relativos ao IRRF das SCP constam das planilhas "CALCULO SCP 2010 IRPJ CSL PIS COFINS.xls" e "CÁLCULO SCP 2011 IRPJ CSL PIS COFINS.xls ", fornecidas pelo contribuinte. IRPJ e CSLL SCP -AC 2010 Período de Apuração IRPJ CSLL Decl./Pago Cod. 2089-08 IRRF IRPJ Total DecI./Pago Cód. 2372-08 1º Trim/2010 207.261,29 10.979,90 215.261,19 91.751,13 2° Trim/2010 193 831,93 54.621,31 243.653,24 100.376,09 3º Trim/2010 166.863,19 50.961,74 217.649,93 100.105,71 4º Trim/2010 257222,71 63.172,63 325.395,34 127.948,04 Totais: 825.224,12 184,935,58 1,010.159,70 420.180,97 IRPJ e CSLL SCP -AC 2011 Período de Apuração IRPJ CSLL Decl./Pago Cód. 2089-08 IRRF IRPJ Total Decl./Pago Cód. 2372-08 1-TRIW2Q11 206.606,46 52.417,34 259.023,80 103.597,50 3TTRIW2011 139.461,79 36.540,31 176.002,10 72.786,53 173.204,58 38.624,36 216.828,96 86.246,81 4-TRIW2011 160.763,39 59.073,90 219.837,29 87.719,79 Totais: 685.036,22 186.655,93 871.692,15 350.354,71 84. Verificou-se, entretanto, que os totais relativos ao IRRF informados pela empresa nas planilhas mencionadas no parágrafo anterior divergem dos valores declarados pela mesma nas respectivas DIPJ. O quadro abaixo apresenta tanto os totais de IRRF declarados quanto os valores utilizados para cálculo do IRPJ a pagar da própria Recreio Veículos: Discriminação D1 a 09/2010 (R$) 10 a 12/2010 (RS) AC 2011 (RS) DIPJ Ficha 57 - Total de Retenções do IR na Fonte (exceto Órgãos Públicos) 22.182,34 8.729,95 30.401,08 DIPJ Ficha 12A - Cálculo do IRPJ s/ o Lucro Real Linhas 14 ou 15. Imposto de Renda Retido na Fonte 22.182,34 8.729,95 30.401,03 Saldo Disponível para Utilização pelas SCP: 0,00 0,00 0,00 85. Como se pode ver, todo o IRRF declarado pelo contribuinte foi utilizado na apuração do IRPJ a pagar da própria fiscalizada, não havendo que se falar, portanto, em saldo de IRRF que pudesse ter sido aproveitado para utilização na apuração do IRPJ devido pelas SCP. Dessa forma, elaborou-se o quadro a seguir, Fl. 1896DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 com os valores de IRPJ e CSLL considerados por esta fiscalização e que serão deduzidos para lançamento dos créditos tributários ora apurados: IRPJ e CSLL Compensados no Auto de infração - AC 2010 Período de Apuração IRPJ Compensado no Al CSLL. Compensada no Al Cód. 2372-08 Decl./Pago Cód. 2089-08 IRRF Considerado IRPJ Compensado no Al Mar-10 207.231,29 0,00 207.231,29 91.751,13 Jun-10 193.031,93 0,00 193.631,93 100 376,09 Set-10 166.688,19 0,00 166.638,19 100 105,71 Dez-10 257.222,71 0,00 257.222,71 127.943,04 Totais: 825.224,12 0,00 825.224,12 420.180,97 IRPJ e CSLL Compensados no Auto de Infração - AC 011 Período de Apuração IRPJ Compensado no Al CSLL. Compensada no Al Cód. 2372- 08 Decl./Pago Cód. 2089-08 IRRF Considerado IRPJ Compensado no Al Mar-11 206.606,4$ 0,00 206.606,48 103.597,53 Jun-11 139.461.79 0,00 139.461.79 72.763,53 Set-11 173.204.58 0.00 173.204.58 86 243,61 Dez-11 160.763.39 0.00 160.763.39 87.719,79 Totais: €35.036,22 0,00 685.036,22 350.354,71 VII - Da Ausência de Compensações Relativas aos Anos- calendário 2010 e 2011 86. Os procedimentos fiscais anteriormente encerrados geraram autos de infração para lançamentos dos respectivos créditos tributários apurados à época. Oportuno relembrar a evolução da utilização dos saldos de prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas da CSLL, levantados pelas auditorias mencionadas: 86.1. Com relação à fiscalização relativa aos anos- calendário 2007 e 2008: - Para o AC 2007: Após a apuração da Base Tributável Ajustada, efetuou-se a compensação dos prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores que constavam nas DIPJ correspondentes. - Para o AC 2008: Após as compensações de prejuízos realizadas relativamente ao AC 2007, restou um saldo de prejuízos fiscais que foi totalmente utilizado para compensação no auto de infração lavrado para esse período, Fl. 1897DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 tendo sido o contribuinte intimado a retificar o LALUR em decorrência do aproveitamento de todo o seu prejuízo fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL, sendo também entregues ao mesmo, à época, os demonstrativos de saldos de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, os quais indicavam não mais haver saldos a serem compensados. 86.2. Fiscalização relativa ao ano-calendário 2009: Conforme acima relatado, não restou qualquer saldo de prejuízos fiscais e/ou base negativa acumulada que pudesse ser aproveitado. 87. Como se vê, o saldo de prejuízos fiscais e/ou base negativa acumulada que o contribuinte havia registrado em seu LALUR foi integralmente aproveitado quando da lavratura dos autos de infração já desde a primeira auditoria. Dessa forma, não há quaisquer saldos acumulados a serem considerados para a lavratura do presente auto de infração. 88. Observe-se que o contribuinte apresentou DIPJ informando prejuízos fiscais tanto no AC de 2010 quanto no de 2011, razão pela qual não promoveu quaisquer compensações relativas ao período ora analisado, não havendo que se falar, portanto, em glosas de compensações indevidas. As diferenças apuradas a título de IRPJ e a título de CSLL foram objeto dos lançamentos realizados por meio do auto de infração do IRPJ, de folhas 1150 a 1163, e do auto de infração da CSLL, de folhas 1164 a 1175. Da Qualificação da Multa de Ofício A autoridade tributária agravou a multa de ofício baseada na alegação de que a impugnante se utilizou de simulação com o intuito de pagar menos tributos. Para ilustrar, transcreve-se parte TVF referente ao caso: Ao praticar as operações descritas nos tópicos anteriores, a fiscalizada tinha a clara intenção de fugir da oneração tributária, caminhando para a evasão tributária. Este "planejamento tributário", tal como concebido, buscou gozar de tributação mais benéfica através da criação das SCP (Lucro Presumido), em detrimento da real tributação (Lucro Real) sobre as receitas auferidas pela empresa. Tal como arquitetado, este planejamento tributário indevido intentou o máximo lucro em detrimento da legalidade dos atos. Isto porque parte da receita da empresa foi artificial e abusivamente transferida para as SCP, sofrendo tributação bem mais favorecida. Desta forma, as SCP funcionaram como meros instrumentos para transferência de renda oriunda da atividade mercantil da fiscalizada. Ressalte-se, mais uma vez, que essas sociedades não desempenham qualquer outra função na estrutura da empresa, inexistindo razões econômicas Fl. 1898DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 que justificassem sua constituição senão a clara intenção de contornar parte de suas obrigações para com o fisco. Portanto, através do esquema desenhado, com a transferência abusiva de receitas da fiscalizada para empresas existentes apenas formalmente, parcela substancial da receita foi oferecida à tributação sob um regime de apuração bem mais favorecido. Tal prática tem como pano de fundo a obtenção da redução do ônus tributário e, também, o que é de suma importância: o aumento substancial, e por princípio injusto, da vantagem competitiva neste mercado, onde a competição comercial é muito acirrada. Com esta estratégia contábil/tributária, a fiscalizada, que tem custos e despesas elevados e condições mais onerosas de tributação, minimiza artificialmente suas receitas de tal modo a gerar prejuízos fiscais sucessivos. De modo inverso, as SCP, que não possuem custos e despesas de vulto e dispõem de condições bem mais vantajosas de opção tributária, maximizam suas receitas, que sofrerão tributação sob um regime de apuração bem mais favorável. Com esta simulação dos fatos, o contribuinte, de forma ardilosa, buscou contornar parte dos encargos tributários incidentes sobre os negócios jurídicos praticados. Toda essa engenharia foi desenhada, apenas, para a criação de instrumentos dos quais as partes envolvidas se utilizaram para encobrir (dissimular) os negócios efetivamente realizados, permitindo que se esquivassem de pagar integralmente os tributos incidentes sobre tais operações. A recorrente recebeu os autos de infração e termo de encerramento da ação fiscal, em 28/12/2015. Apresentou impugnação, em 27/01/2016. Como visto, a DRJ ratificou a conclusão da autoridade fiscal. A recorrente foi intimada do acórdão, em 14/03/2017 (fl. 1821) e interpôs recurso voluntário, em 12/04/2017 (fls. 1824/1879), cujas razões apresento, resumidamente, como segue. Recurso Voluntário Preliminares Decadência Alega decadência parcial (art. 150, § 4º, CTN). Ressalta que a DRJ não teria apreciado tal pedido. Em seu entendimento, como a empresa foi autuada em relação ao IRPJ, CSLL (este processo), PIS e COFINS (os outros autos, também em julgamento nesta sessão), a decadência de cinco anos deveria ser contada mês a mês. Assim, como a recorrente foi cientificada dos autos de infração, em 28/12/2015, todos os créditos tributários lançados antes de 28/12/2010 não mais seriam exigíveis, pois teria decaído o direito da RFB de lançar de ofício o tributo pago a menor. Nulidades formais dos autos de infração Autos apartados para Multa Qualificada Fl. 1899DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 Alega que os autos seriam nulos por não respeitarem o art. 9º do Dec. nº 70.235/72 que, segundo seu entendimento, exigiria autos apartados para a penalidade relativa à fraude. Defende que deveria haver auto de infração específico para a multa qualificada. Falta de fundamentação dos autos de infração Alega que a DRJ não teria apreciado suas razões relativas à falta de fundamentação dos autos de infração. Defende que teria havido infração ao art. 5º, inc. LV, CF/88. Alega que fiscalização teria feito uma manobra para constituir o crédito tributário. Em seu entendimento, a fiscalização não teria fundamentado sua conclusão de que as Sociedades por Conta de Participação (SCP) só teriam sido criadas para que a recorrente pudesse reduzir sua carga tributária. Diz que, a abertura das SCP na mesma data e com os mesmos sócios não seria fundamento para conclusão quanto à ocorrência de fraude. Os autos de infração seriam nulos pelo fato de não terem descrito com clareza, acompanhada de critérios legais, a infração que teria sido cometida pela recorrente (art. 12, Dec. 70.235/72). Alega a nulidade dos autos de infração, pois, em seu entendimento, não haveria clareza, nem mesmo os critérios legais sobre a infração que teria sido cometida pela Impugnante. Resume as seguintes razões da autoridade fiscal: (a) que as SCP foram criadas na mesma data; (b) perante a existência de ligação de tais sociedades com uma prática lícita, qual seja, o planejamento tributário; (c) que as SCP possuíam os mesmos sócios e que eram, de fato e de direito, as pessoas efetivamente interessadas no resultado da empresa; e, ainda (d) as SCP foram constituídas com o mesmo valor de capital social, e que este correspondia ao montante suficiente para o efetivo início de suas operações. Cerceamento de defesa. Indeferimento da Prova Pericial Alega que, se a DRJ entendeu que os documentos e informações nos autos não seriam suficientes para se considerar que teria havido propósito negocial na criação das SCP, então seria o caso de se deferir a produção de prova pericial. Como foi-lhe negada, a DRJ teria incorrido em cerceamento de defesa. Alega que os documentos juntados não teriam sido analisados pela DRJ. Alega que haveria erros nos cálculos da fiscalização, o que justificaria a realização de perícia. Não há indicação do que seria considerado erro. Indicou rol de quesitos: 1) Queira o Sr. Perito confirmar e demonstrar, através de revisão de cálculos e devidas apurações, se o i. fiscal ao apurar a nova tributação de IRPJ e CSLL quando da pretensa desconsideração das SCP, considerou nos mesmos todas as despesas atribuídas à SCP? 2) Queira o Sr. Perito confirmar e demonstrar, se pelo motivo da pretensa desconsideração da SCP, as diferenças apontadas de PIS e Cofins foram consideradas pelo i. fiscal na nova apuração do IRPJ e CSLL? 3) Queira o Sr. Perito confirmar e demonstrar se na nova apuração do IRPJ o i. fiscal considerou de forma correta o abatimento de créditos desse imposto, realizados a título de IRRF? Fl. 1900DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 4) Queira o Sr. Perito informar e demonstrar, levando em conta os quesitos anteriores, se ao final dos exercícios autuados, 2010 e 2011, foi apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL e se os mesmo foram devidamente utilizados? 5) Queira o Sr. Perito demonstrar, ao final, qual seria o valor da pretensa autuação, caso se desconsidere a SCP's, levando-se em conta as respostas aos quesitos acima? Mérito Constituição das Sociedades por Conta de Participação (SCP) Com o intuito de demonstrar a legalidade da constituição das SCP, a recorrente ressalta as seguintes características das SCP: exercem atividades distintas e secundárias, em relação ao objeto social da recorrente; atuam na intermediação de vendas (internet, vendas diretas, frotistas, captação de financiamentos). Indica as SCP vinculadas à recorrente, à época dos procedimentos de fiscalização. Alega que as SCP são juridicamente válidas e importantes para as atividades exercidas pela recorrente. De acordo com o que prevê o art. 991 do Código Civil de 2002, figuram no contrato de constituição dessas empresas como sócio ostensivo a empresa Recreio Vitória Veículos S.A. (matriz e filiais) e o Sr. Eloy José Mendonça Braz como sócio participante, contribuindo ambos com a formação do patrimônio especial da sociedade conforme o art. 994 Código Civil de 2002. Atividades Exercidas Sustenta que as SCP exercem essencialmente a atividade de mediação e/ou intermediação de negócios (atividade fim), nas modalidades de venda a descritas à frente. Vendas Diretas e Vendas a frotistas Alega que as SCP prestavam serviços de intermediação entre o consumidor e a fábrica de veículos; e entre frotistas e a fábrica. Por esse serviço receberia remuneração (comissão). Informa que a comissão era paga pela financeira, pois tinha relação com o financiamento. A comissão não advinha do valor do veículo. Asssim, as SCP trabalhavam com financeiras. Captação Financiamento de Clientes Referenciados Alega que o recebimento de comissões nessa modalidade é o mais comum existente no ramo de concessionárias, pois nesse caso, a remuneração é recebida pela atividade de mediação e intermediação de vendas que captem financiamentos para clientes referenciados. Isso significa que, em virtude do interesse de clientes da concessionária em realizar financiamento para compra do veículo, a SCP realiza o encaminhamento desses clientes às instituições financeiras que prestam tal serviço. Sendo assim, pelo serviço prestado de encaminhamento desses clientes a tais instituições financeiras, cujo produto de venda é o "financiamento" do veículo, e realizado o negócio pelo consumidor, ou seja, a compra do "financiamento" como produto oferecido por Fl. 1901DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 essas instituições, a SCP recebe uma comissão que é variável de acordo com o financiamento vendido. Estratégia Operacional e Societária Sustenta que há exercício de atividade de Intermediário de Negócios pelas SCP, na medida que intercedem, seja o encaminhamento do consumidor para negociação de financiamento, seja pela venda direta a Frotistas ou por VDI. Seria por esses serviços prestados que as SCP seriam remuneradas com percentual dos financiamentos (comissão). Diz que a constituição de sociedades autônomas para o desenvolvimento de todas as atividades retro mencionadas, teria ocorrido por razões operacionais da empresa, que ao mesmo tempo em que viu no mercado uma possibilidade de empreender em uma atividade diversa/secundária da sua atividade preponderante, viu a necessidade de montar uma estrutura operacional/contábil/financeira, diversa daquela que já possuía, a fim da consecução dessa nova atividade. Frisa que o contrato de concessão montadora x concessionária proíbe que a atividade seja exercida por outra pessoa jurídica autônoma, sendo esta a única forma legal que a Recorrente teria conseguido para viabilizar os novos negócios com a montadora. Ao final desse tópico ressalta que, a ausência de contato das SCP com o mundo exterior, já que a apresentação dos consumidores para as financeiras se dava pela recorrente, não poderia ser considerado pela fiscalização e pela DRJ, que as SCP não teriam função alguma na estrutura societária da Recreio Veículos. Pediu a reforma do Acórdão e anulação dos autos de infração. Desconsideração das SCP A recorrente diz que não haveria fundamento para a fiscalização desconsiderar as SCP. Também não concorda com a conclusão de que a recorrente, em vez de criar departamentos, criou SCP para atribuir-lhe a função de intermediadoras. Quanto ao entendimento da fiscalização de que as SCP não poderiam ter sido constituídas por tempo indeterminado, alega que a própia IN SRF nº 31/2001 autorizaria tal constituição. Defende que a desconsideração da existência de tais SCP foi realizada de modo precário. Teriam sido ignoradas se não apenas a presunção de regularidade de constituição de tais sociedades por cota de participação, mas também como a evidente função econômica desempenhada pelas SCP ao intermediarem os negócios. Alega que era necessário para a realização de seu negócio principal: a venda de carros, a existência de empresas intermediadoras das vendas. Afirmou que, não é a contribuinte que tem o dever de manifestar a função econômica das SCPs, ao contrário, cabe à fiscalização o dever de comprovar de forma minuciosa a ausência desta função. Incorreta vinculação da receita por comissão às vendas de carros Fl. 1902DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 Alega que não é correta a afirmação da fiscalização e da DRJ de que a recorrente receberia, em consignação, os veículos novos da montadora Vokswagen. Diz que o os carros eram adquiridos pela recorrente. Em relação ao modus operandi das operações de venda, informa que, a partir da escolha pelo consumidor da forma de pagamento (à vista ou financiado), entrariam em cena as SPC, na hipótese de escolha por financiamento. Diz que cabe ao consumidor e à financeira a negociação e efetivação. No caso, intermediada pelas SCP. Não concorda com a conclusão da fiscalização e da DRJ de que a comissão pela intermediação está vinculada à venda dos veículos e por isso tal receita deve ser tributada na recorrente e não nas SCP. Para a fiscalização e DRJ, é a recorrente o sujeito passivo titular da ação, do serviço, o que geraria o nascimento da obrigação tributária (aquisição de receita de serviços de intermediação. De seu lado, a recorrente diz que a comissão não é pela venda e sim pela intermediação na aprovação de financiamento. O que seria realizado pela SCP e não pela recorrente. Salienta que, a intermediação independente da venda. A recorrente teria a obrigação de dar, enquanto que as SCP teriam a obrigação de fazer. Finaliza sustentando que, ocorreriam duas operações diferentes efetivadas por sujeitos diferentes, com fatos geradores tributários diferentes. Para demonstrar essas afirmações, a recorrente ressalta que o pagamento de funcionários e pagamento de despesas operacionais realizados pelas SCP, para a consecução de suas atividades, seria segregado na contabilidade da recorrente. Reporta-se às folhas de pagamentos, balancetes, balanço patrimonial etc. Configuração de Propósito Negocial Além de concluir que as SCP seriam destituídas de personalidade, a fiscalização e a DRJ entendem que tais empresas teriam sido criadas apenas no intuito de economizar tributos e que sua existência estaria limitada apenas ao papel. Registram que as SCP funcionariam como forma de transferência de renda da atividade da recorrente, não desempenhando qualquer outra função na estrutura da empresa. Destacou-se, ainda, que pelo exame dos registros contábeis das despesas operacionais apropriadas nas SCP, essas restringem-se basicamente a despesas com funcionários, o que resultaria na discrepância entre a receita recebida por essas e suas despesas. A recorrente defende-se alegando que as SCP funcionam dentro do estabelecimento da sócia ostensiva (recorrente), utilizando apenas um pequeno espaço que se limita na maioria das vezes a uma mesa onde o funcionário, realiza suas atividades de intermediação de negócios. Assim, diz que, não haveria porque ter despesas com manutenção de prédios, energia, água etc. Frisa que, um dos propósitos da criação das SCP é a redução de custos operacionais o que poderia ser verificado caso. Em seu entendimento, estaria amparado no ordenamento jurídico e não haveria razão para a caracterização de evasão fiscal, nem mesmo para ser considerado com simulação. Conclui esse tópico sustentando que o propósito negocial das SCP estaria patenteado no fato de que, em 2011, tornaram-se correspondentes bancários para a realização de Fl. 1903DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 financiamentos bancários diretamente com clientes da recorrente. Reposta-se ao documento 8, anexo ao recurso voluntário. Pagamento de tributos de todas as SCP no CNPJ da recorrente A recorrente colaciona ementa de acórdão do TRF5 com o intuito de sustentar o entendimento de que haveria legalidade na forma que adotou para o recolhimento de tributos. Defende que, como sócia ostensiva, a ela competetira a responsabilidade pela apuração e recolhimento dos impostos devidos pelas SCP. Efetua os pagamentos devidos pelas SCP juntamente com seus próprios tributos. Fundamenta esse procedimento nas disposições da Instrução Normativa SRF n° 31/01. Entende que, dessa forma, a determinação do lucro mercantil sobre vendas financiadas para as SCP, por meio de comissões de intermediação financeiras e outras não lesaria o Fisco em momento algum, pois, tais valores seriam concernentes às próprias atividades efetivamente prestadas pelas SCP e os tributos sobre tais atividades seriam devidamente recolhidos sobre a receita decorrente de suas atividades. Alega que esse procedimento estaria em conformidade com a legislação que regula a tributação pelo lucro presumido. Diz que não devem prevalecer, portanto, as assertivas acerca desse tema levantadas pelo Fisco, no auto de infração impugnado. A recorrente ainda defende que a SCP é sujeito passivo tributário e todos os tributos por ela devidos são apurados e recolhidos pelo Sócio Ostensivo -Recreio Veículos (recorrente). Todavia, a apuração dos tributos devidos pela SCP é feita independentemente da apuração dos tributos devidos pelo sócio ostensivo, sendo aquela feita pelo Lucro Presumido e essa pelo Lucro Real. Dessa forma, o lucro apurado na SCP (já efetivadas as deduções e incidência de impostos) é distribuído aos sócios, como dividendos e nos moldes da legislação fiscal, não estão sujeitas novamente à tributação. Com isso, diz que não estaria correto dizer que a recorrente transfere receitas obtidas em sua atividade mercantil (vendas de veículos) à Sociedade em Conta de Participação, já que, as receitas recebidas por essas sociedades são apenas quanto às comissões recebidas pela atividade de intermediação de negócios, que também é tributada conforme rege a lei. Ressalta ainda, que referidas receitas decorrem de uma atividade diversa da venda de veículos, não caracterizada como a atividade-fim da recorrente. Assim, finalizando esse tópico, a recorrente diz que, a desconsideração das SCP pela Autoridade Fiscal, ainda que funcionem como forma de planejamento tributário, não tem qualquer amparo legal. Ao contrário, seria forma abusiva e arbitrária de utilização de poder. Multa de ofício. Efeito confiscatório Em sua defesa, invoca a declaração de voto do Conselheiro divergente do acórdão recorrido, quanto ao não cabimento da multa qualificada de 150% (art. 44, inc. I, § 1º, Lei nº 9.430/96) e da representação para fins penais. Destaca os seguintes termos do TVF (fl. 45): Fl. 1904DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 “ao praticar as operações descritas nos tópicos anteriores, a fiscalizada tinha a clara intenção de fugir da oneração tributária, caminhando para a evasão tributária. Este "planejamento tributário", tal como concebido, buscou gozar de tributação mais benéfica através da criação das SCP (Lucro Presumido), em detrimento da real tributação (Lucro Real) sobre as receitas auferidas pela empresa. Com esta simulação dos fatos, o contribuinte, de forma ardilosa, buscou contornar parte dos encargos tributários incidentes sobre os negócios jurídicos praticados. Toda essa engenharia foi desenhada, apenas, para a criação de instrumentos dos quais as partes envolvidas se utilizaram para encobrir (dissimular) os negócios efetivamente realizados, permitindo que se esquivassem de pagar integralmente os tributos incidentes sobre tais operações." Ressalta que esses fundamentos da fiscalização seriam precários e não se prestariam a fundamentar a multa qualificada. Alega que não há no Termo de Verificação Fiscal a qualificação da conduta autuada. Diz que inexistiria indicação precisa da suposta conduta antijurídica da Recorrente que justificaria a aplicação da multa qualificada. Tampouco haveria indicação do dispositivo do CTN em que se enquadraria a conduta em questão. Nos autos de infração haveria somente acusação genérica, sem qualquer fundamentação fática ou legal capaz de atender o princípio da motivação dos atos administrativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil - Relator O recurso voluntário é tempestivo, a recorrente está regularmente representada e a matéria a ser apreciada é de competência desta Turma. Conheço do recurso. Preliminares Decadência A recorrente alega decadência parcial (art. 150, § 4º, CTN). Ressalta que a DRJ não teria apreciado tal pedido. Em seu entendimento, como a empresa foi autuada em relação ao IRPJ, CSLL (este processo), PIS e COFINS (os outros autos, também em julgamento nesta sessão), a decadência de cinco anos deveria ser contada mês a mês. Assim, como a recorrente foi cientificada dos autos de infração, em 28/12/2015, todos os créditos tributários lançados antes de 28/12/2010 não mais seriam exigíveis, pois teria decaído o direito da RFB de lançar de ofício o tributo pago a menor. Fl. 1905DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-003.618 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.723054/2015-40 Analisando o acórdão recorrido, verifica-se que constou somente do relatório as respectivas arguições sobre decadência parcial. Todavia, realmente não consta do voto condutor, nem mesmo do acórdão, o entendimento da DRJ a respeito. A DRJ deve examinar as razões de defesa suscitadas pela impugnante contra todas as exigências, em conformidade com as disposições do art. 31 do Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93, a saber: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Sendo assim, o prosseguimento desse julgamento caracterizaria supressão da primeira instância e, por consequência, cerceamento de direito de defesa, caso se concluísse, nesta segunda instância, por não acolher a alegação de decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1906DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729659/2016-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea e relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-001.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea e relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 96 59 /2 01 6- 47 Fl. 80DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 05/14) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2015 (efls. 47/54), onde se apurou a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente Tributação Exclusiva no montante de R$ 5.757,00. A Impugnação apresentada pelo contribuinte (efls. 02/03) foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/JFA (efls. 55/58). Cientificado do acórdão de primeira instância em 11/07/2018 (efls. 63), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 02/08/2018 (efls. 67/69) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta breve descrição dos fatos processuais. Expõe que, conforme explicitado na Impugnação, o Alvará nº 0975/2014 referese ao pagamento da indenização trabalhista no Processo Judicial nº 0146900 47.2008.5.01.0024 RTOrd (resgate em 22/10/2014 R$ 19.254,48) e o Alvará nº 0580/2016 referese ao Imposto de Renda de R$ 5.757,07, com acréscimos legais, retido e não recolhido na época do pagamento ao reclamante. Ressalta que, em petição feita pelo seu advogado em 24 de julho de 2015, já se cobrava daquele Juízo a liberação para a Fazenda Nacional dos valores referentes ao pagamento de Imposto de Renda Retido, conforme destacado nos cálculos de fls.768/771 e homologados às fls.788 do Processo Judicial. Indica a juntada de cópia da Planilha de Cálculos, onde constam o período abrangente (74 meses) e a retenção do valor de R$ 5.757,07, e a Homologação dos Cálculos desta planilha. Informa que nessa mesma petição fezse referência ao Alvará de nº 0975/2014 e à pendência do Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 5.757,07. Explica que, como não havia sido atendida a petição de 24 de julho de 2015, reiterouse a petição em 05 de setembro de 2016 com a cobrança do alvará de pagamento à Fazenda Nacional de R$ 5.757,07 descontado na Homologação dos Cálculos. Afirma que em 08 de novembro de 2016 foi emitido o Alvará Judicial nº 0580/2016 determinando o pagamento à Fazenda Nacional da importância de R$ 5.757,07, com os devidos acréscimos legais, e que em 01 de dezembro de 2016 foi recolhido o Imposto de Renda Retido na Fonte em atraso, conforme se comprova através da comunicação feita pelo Gerente Geral da Agência Justiça do Trabalho à 24ª Vara do Trabalho acompanhada de cópia do DARF correspondente. Relaciona os documentos anexados ao Recurso. Voto Fl. 81DF CARF MF Processo nº 12448.729659/201647 Acórdão n.º 2002001.103 S2C0T2 Fl. 81 3 Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No caso em tela a autoridade lançadora glosou o IRRF de R$ 5.757,00 declarado pelo contribuinte para a Petros por falta de comprovação (efls. 07, 10, 51). A decisão de piso manteve a infração apurada por entender que os documentos juntados à Impugnação não comprovam efetivamente que houve o desconto do imposto na fonte sobre os rendimentos recebidos no ano calendário 2014 em decorrência da ação judicial nº 0146900 47.2008.5.01.0024 (efls. 56/58). Em seu Recurso Voluntário o interessado traz novos elementos de prova a fim de contrapor as razões expostas pelo Colegiado a quo (efls. 71/74). Da análise dos autos verificase que o recorrente recebeu o valor líquido de R$ 20.802,15 em 2014 em decorrência da Reclamação Trabalhista nº 0146900 47.2008.5.01.0024, conforme Alvará Judicial nº 0975/2014 (efls. 19), e que foi pago o Imposto de Renda correspondente de R$ 5.707,07 em 2016, conforme Alvará Judicial nº 0580/2016 (efls. 15). As petições acostadas indicam a demora na expedição do Alvará para pagamento à Fazenda Nacional, tal como alega o contribuinte (efls. 16/17). Podese constatar, ainda, que os cálculos referentes à demanda, constantes das fls. 768/771 do processo judicial, foram homologados pelo juiz da 24ª Vara do Trabalho do TRT da 1º Região em 2013, conforme disposto no canto superior direito da petição juntada pelo recorrente (efls. 73). De acordo com esta petição o reclamante concordou com o valor bruto de R$ 30.106,85, o qual pode ser extraído da totalização da planilha de cálculos acostada ao Recurso, ainda que ela esteja parcialmente ilegível (efls. 71). Além do valor bruto, podese identificar nessa totalização, com algum esforço visual, os descontos de previdência R$ 3.547,64 e de Imposto de Renda R$ 5.757,07 mencionados nos autos (efls. 17, 19). Verifica se, por fim, que a referida planilha encontrase às fls. 770 do processo judicial, fazendo parte, portanto, dos cálculos homologados pelo juiz. Com base no acima exposto, concluise que o valor bruto da ação, deduzido do Imposto de Renda e da contribuição previdenciária, corresponde exatamente ao valor líquido pago ao reclamante, restando confirmada a retenção por ele alegada. Assim, considerando que o valor do IRRF foi incluído nos rendimentos informados na declaração em exame, haja vista que o contribuinte informou o valor bruto da demanda deduzido apenas da contribuição previdenciária (efls. 51), deve ser restabelecida a dedução de R$ 5.707,00 glosada no lançamento. Isso posto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 82DF CARF MF 4 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000397/00-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1998
RECURSO NÃO CONHECIDO. INEXISTÊNCIA DE LIDE TRIBUTÁRIA.
Não se conhece de recurso cujo objeto envolve ato de execução de decisões judiciais. No caso dos autos, os critérios para o cálculo de atualizações monetárias do indébito foram estabelecidos por decisão judicial, não cabendo ao Colegiado se pronunciar sobre os atos de execução de tal decisão.
Numero da decisão: 2301-006.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Wilderson Botto que dele conheceram.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1998 RECURSO NÃO CONHECIDO. INEXISTÊNCIA DE LIDE TRIBUTÁRIA. Não se conhece de recurso cujo objeto envolve ato de execução de decisões judiciais. No caso dos autos, os critérios para o cálculo de atualizações monetárias do indébito foram estabelecidos por decisão judicial, não cabendo ao Colegiado se pronunciar sobre os atos de execução de tal decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Wilderson Botto que dele conheceram. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-27T22:41:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-27T22:41:56Z; Last-Modified: 2019-06-27T22:41:56Z; dcterms:modified: 2019-06-27T22:41:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-27T22:41:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-27T22:41:56Z; meta:save-date: 2019-06-27T22:41:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-27T22:41:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-27T22:41:56Z; created: 2019-06-27T22:41:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-27T22:41:56Z; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-27T22:41:56Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10920.000397/00-76 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.063 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2019 Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1998 RECURSO NÃO CONHECIDO. INEXISTÊNCIA DE LIDE TRIBUTÁRIA. Não se conhece de recurso cujo objeto envolve ato de execução de decisões judiciais. No caso dos autos, os critérios para o cálculo de atualizações monetárias do indébito foram estabelecidos por decisão judicial, não cabendo ao Colegiado se pronunciar sobre os atos de execução de tal decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Wilderson Botto que dele conheceram. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 261/276) interposto em face do Acórdão nº 16-20.938 (e-fls 253/258) prolatado pela DRJ São Paulo I em sessão de julgamento realizada em 01 de abril de 2009. 2. Para a compreensão da exigência fiscal, faz-se a transcrição do relatório contido na decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 03 97 /0 0- 76 Fl. 289DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.063 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000397/00-76 Início da transcrição do relatório inserto no acórdão nº 16-20.938 EMPRESA BRASILEIRA DOS COMPRESSORES S/A., manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT (fls. 133 a 139), que efetuou os cálculos do valor do crédito a restituir de Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL . 2. O direito ao crédito foi concedido por decisão proferida pela 4ª Vara da Justiça Federal de Santa Catarina no Mandado de Segurança nº 2000.72.01.001391-5, com atualização monetária de valores recolhidos conforme descrito às fls 63. 3. A DERAT efetuou os cálculos do crédito concedido, que totalizou R$ 1.317.401,77, e procedeu às compensações declaradas pela contribuinte, através de DCOMP eletrônicas que foram baixadas para o processo administrativo 16.306.000060/2007-11, em 07/08/2007, que foi analisado em conjunto com o presente processo. 4. Cientificada do Despacho Decisório em 03/12/2007, a contribuinte apresentou , em 02/01/2008, Manifestação de Inconformidade de fls. 149 a 157, na qual apresenta suas razões, a seguir, em síntese: 4.1 Alega que não foi aplicado o índice de IPC referente ao mês de fevereiro de 1991 ao cálculo do crédito tributário e que o procedimento contraria o que foi decidido pela Justiça Federal da 4ª Região. 4.2 Alega que deve ser anulado o Aviso de Cobrança recebido pela empresa por conta da diferença apurada entre o calculo efetuado pela DERAT e o feito pela contribuinte. 4.3 Requer por fim, a reforma parcial do Despacho Decisório, a fim que seja aplicado o índice IPC referente ao mês de fevereiro de 1991, no percentual de 20,54%. 5. Ao serem examinados, os autos do processo, pela 5º Turma de Julgamento da DRJ/SPO1, foi constatado que, embora a decisão de primeira instância do Mandado de Segurança nº 200.72.01.001391-5, às fls. 63, fizesse referência apenas à correção pelo IPC nos meses de março, abril e maio de 1991, no fundamento da decisão, o Juiz havia reconhecido a pertinência da correção integral do crédito, pelas súmulas 32 e 37 do TRF da 4ª Região (fls. 62), Reforçando esse fato, a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na apelação do Mandado de Segurança nº 2000.72.01.001391-5 SC, cuja cópia se encontra as fls 76 a 81, manteve a decisão proferida pela 1ª instância, dispondo explicitamente sobre a correção do crédito tanto no voto como na ementa do acórdão. 6. Foi observado também que o Auditor Fiscal não anexou o demonstrativo dos cálculos efetuados que permitisse comprovar ser o índice do IPC relativo a fevereiro de 1991, foi ou não considerado para apuração do crédito tributário, limitando-se a dizer, às fls. 134, no parágrafo 6, “..Completando o cálculo conforme determinação judicial, o crédito em 31/12/1995 correspondia a R$ 1.607.998,16...”. Assim, o processo foi encaminhado a Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT (fls. 205 e 206) para que fosse apresentado o demonstrativo dos cálculos Fl. 290DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.063 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000397/00-76 efetuados por essa Divisão e, se fosse o caso, incluísse no cálculo do crédito da contribuinte, o índice do IPC , relativo a fevereiro de 1991, conforme a determinação judicial. 7. Ao verificar os cálculos efetuados, o Auditor Fiscal, que proferiu o Despacho Decisório, constatou que havia aplicado duas vezes o índice de atualização de maio de 1990, aumentando indevidamente o crédito da contribuinte (fls. 208 e 209). Foram feitas as correções devidas, diminuindo o crédito reconhecido para 1.218.655,21. Demonstrou também que o índice do IPC de fevereiro de 1991 havia sido computado no cálculo, conforme demonstrativo de fls.207. 8. Por haver sido alterado o direito creditório , em 09/01/2009, conforme AR de fls. 211/verso, foi dada ciência da nova decisão à contribuinte que, inconformada apresentou, em 05/02/2009, nova Manifestação de Inconformidade (fls. 221 a 228) alegando, em síntese , o que segue: 8.1 Alega que atualizou os valores a serem compensados e, com base nos cálculos, efetuou o Pedido de Restituição/compensação alegando que o valor correto a ser restituído em Reais, totalizaria R$ 5.771.812,86, conforme quadro abaixo: PERIODO PAGAMENTO INDEVIDO VALOR MOEDA Cr$ BTNF VALOR BTNF UFIR JAN/96 VALOR MOEDA R$ EXPURGO INFLACIONARIO MAI/90 E FEV/91 30,54% VALOR MOEDA R$ COM EXPURGOS SELIC JAN/96 A JUL/06 207,75% TOTAL ATUALIZADO 30.04.1999 72.354.116,44 41,7340 1.733.697,14 0,8287 1.436.714,82 438.772,71 1.875.487,53 3896.325,34 5.771.812,86 8.2 Alega que o cálculo da empresa partiu do valor de ILL pago indevidamente na moeda da época. 8.3 Alega que primeiramente converteu o valor em cruzeiros para BTNF, utilizando a BTNF de março de 1990, nos termos da Lei nº 7.799/1989. 8.4 Alega que aplicou, sobre o valor em BTNF de 1.733.697,14, os demais índices da correção monetária: o FAP, atualizado pelo INPC, a UFIR e a taxa SELIC, chegando no valor de R$ 1.436.714,82. Somou a esse valor o seu calculo dos expurgos inflacionários, chegando ao valor de R$ 1.875.487,32 que, então, a reclamante atualizou para julho de 2006. 8.5 Alega que a Receita Federal deve reconhecer o crédito tributário em sua integralidade sob pena de descumprimento de ordem judicial. 8.6 Alega que a Receita Federal não apresentou qualquer explicação de como foram feitos os cálculos dessa atualização monetária caracterizando cerceamento de defesa. 8.7 Alega que deve ser ressaltado que os auditores aplicaram os índices determinados pela decisão judicial , sem converter a moeda em BTNF. 8.8 Alega que os índices nominais tais como a BTNF foram utilizados como se percentuais fossem, multiplicando-se o valor inicial pelo índice, para realizar a atualização monetária, erroneamente. 8.9 Alega que o Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, indica que o valor deve ser convertido primeiramente em valor Fl. 291DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.063 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000397/00-76 nominal em moeda da época, como por exemplo UFIR< BTN, OTN, ORTN e que a própria Fazenda Nacional, através da Procuradoria Seccional em Joinville, em sede de apelação no Mandado de Segurança nº 2000.72.01.001391-5 tratou da questão, confirmando os cálculos da reclamante no sentido da atualização monetária dever ser feita em ração dos índices oficiais, convertendo-se os valores em OTN, BTN e após para o índice atual UFIR e finalmente para reais. 8.10 Alega que, desse modo não há como recusar o valor do crédito apresentado pela peticionaria, e que deverá ser reconhecido pela autoridade julgadora. 8.11 Por fim, requer que seja dado total provimento para que o crédito tributário pleiteado seja deferido em sua integralidade, homologando-se as compensações efetuadas. Final da transcrição do relatório inserto no acórdão nº 16-20.938 2.1. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado, o acórdão tem a ementa que se segue: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1998 Ementa: CÁLCULO DE ATUALIZAÇÕES MONETÁRIAS DE INDÉBITOS Na atualização monetária de valores deve ser utilizado apenas um índice de correção para cada mês, seja ele IPC, BTNF, INPC ou UFIR, não podendo ser utilizado dois índices ao mesmo tempo pois se estaria corrigindo duas vezes o valor. 3. Interposto recurso voluntário (e-fls 261/262), inicia as razões com breve síntese dos fatos (e-fls 263/267) para em seguida, no tópico intitulado "DO CORRETO VALOR A COMPENSAR DE ACORDO COM DETERMINAÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO" (e-fls 267/276), deduzir as alegações para asseverar a correção do valor do crédito apurado nas planilhas apresentadas pela Recorrente. 3.1. Faz-se a transcrição de trechos pinçados da peça recursal, bem como do pedido formulado ao final: 24. Como se observa, a ora Recorrente efetuou a atualização do indébito tributário nos estritos termos do que determinou a decisão judicial transitada em julgado , cumprindo-a. 25. É importante notar que em tendo os cálculos sido efetuados pela Peticionária nos estritos termos da decisão judicial transitada em julgado, norma individual e concreta que obriga a Receita Federal do Brasil, e submete o contribuinte, não há -que se questionar a sua correção, muito menos dispor de forma diversa. (...) 34. Ora, D. Julgadores, não se está em julgamento se o índice a ser aplicado para a correção do indébito deveria ser o BTNF ou o IPC, se um corrigia os valores a maior, enquanto o BTNF era inferior ao IPC. Até mesmo porque a própria • sentença judicial determinou qual o índice a ser utilizado, em cada um dos períodos! Fl. 292DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.063 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000397/00-76 (...) 42. Não é demais reafirmar que o Fiscal aplicou os índices determinados pela decisão judicial sobre o valor indevidamente recolhido pela Peticionária e que se encontrava em Cruzeiros, à época, sem Proceder à conversão da moeda Para o valor BTNF . (...) 46. Apenas para frisar, o procedimento adotado pela ora Recorrente seguiu o entendimento da Receita Federal do Brasil quanto à atualização monetária, ou seja, utilizou os índices determinados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997. 47. No entanto, no que se refere aos expurgos inflacionários, a Recorrente seguiu o quanto determinou a sentença no Mandado de Segurança. 48. Ou seja, nada há de equivocado nos cálculos da Recorrente que além de seguir a orientação da própria Receita, acatou os índices determinados em decisão judicial, aplicando, tão-somente, a diferença de um para outro, no período. (...) 52. Ainda, caso se julgue que o procedimento adotado pela ora Recorrente para atualização dos cálculos não está correto, se requer sejam os autos do processo baixados em diligência para que a Fiscalização justifique a não aplicação da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, incluindo-se os expurgos inflacionários nela não contidos. III — DO PEDIDO 53. Diante de todo o exposto, a ora Recorrente requer (i) seja conhecido o presente Recurso Voluntário, (ii) dando-lhe total provimento, para que (iii) o crédito tributário pleiteado seja deferido em sua integralidade, (iv) homologando-se, por fim, as declarações de compensação efetuadas. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. DDOO CCOONNHHEECCIIMMEENNTTOO 5. Trata-se de restituição/compensação por meio de ação judicial, em que o Contribuinte está questionando a execução da decisão judicial, ou seja, os índices aplicados pela unidade da RFB quando da execução da sentença judicial. 6. O RICARF1 estabelece, logo no primeiro artigo, § 1º, do Anexo II, que o CARF não tem competência para pronunciar-se sobre ato de execução de seus próprios acórdãos: 1 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 293DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.063 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000397/00-76 Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A competência de que trata o caput não se aplica a recurso contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. 7. Ora, se a norma regimental afasta a competência para o Colegiado se pronunciar sobre atos de execução dos próprios acórdãos, não parece razoável admitir a competência das Turmas Ordinárias do CARF para se pronunciar sobre ato de execução de decisões judiciais. 8. No caso, entendo que não há lide em matéria tributária a ser dirimida por esta turma. 9. Com isso, voto por não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 294DF CARF MF
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