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Numero do processo: 19515.722073/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008
GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP. COMPETÊNCIA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. DESCABIMENTO.
É competente a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para proceder a revisão de ofício da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de valores compensados indevidamente.
Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para a exigência dos valores compensados indevidamente, em vez da adoção do procedimento de auditoria interna, por não acarretar efetivo prejuízo ao sujeito passivo, permitindo-lhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos da legislação em vigor.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Na sistemática do lançamento por homologação, a lei prevê que o sujeito passivo determine e quantifique a obrigação tributária, antecipando o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. A regra de contagem do prazo decadencial, a partir da data da ocorrência do fato gerador, é inaplicável quando não comprovado pagamento antecipado contemporâneo a data de vencimento da obrigação tributária.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
Correta a glosa dos valores indevidamente compensados em GFIP, acrescida de juros e multa de mora, quando o sujeito passivo não comprova a existência do direito creditório.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE.
Cabível a imposição de multa isolada de 150% - prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 - quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO 11%. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS.
A compensação de valores de retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra poderá ser efetuada em GFIP somente com débitos de contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, que deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo.
LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e a decadência, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP. COMPETÊNCIA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. DESCABIMENTO. É competente a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para proceder a revisão de ofício da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de valores compensados indevidamente. Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para a exigência dos valores compensados indevidamente, em vez da adoção do procedimento de auditoria interna, por não acarretar efetivo prejuízo ao sujeito passivo, permitindo-lhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos da legislação em vigor. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. Na sistemática do lançamento por homologação, a lei prevê que o sujeito passivo determine e quantifique a obrigação tributária, antecipando o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. A regra de contagem do prazo decadencial, a partir da data da ocorrência do fato gerador, é inaplicável quando não comprovado pagamento antecipado contemporâneo a data de vencimento da obrigação tributária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Correta a glosa dos valores indevidamente compensados em GFIP, acrescida de juros e multa de mora, quando o sujeito passivo não comprova a existência do direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE. Cabível a imposição de multa isolada de 150% - prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 - quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO 11%. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. A compensação de valores de retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra poderá ser efetuada em GFIP somente com débitos de contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, que deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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GLOSA E MULTA ISOLADA. Recorrente VIP VIAÇÃO ITAIM PAULISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP. COMPETÊNCIA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. DESCABIMENTO. É competente a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para proceder a revisão de ofício da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de valores compensados indevidamente. Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para a exigência dos valores compensados indevidamente, em vez da adoção do procedimento de auditoria interna, por não acarretar efetivo prejuízo ao sujeito passivo, permitindolhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos da legislação em vigor. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. Na sistemática do lançamento por homologação, a lei prevê que o sujeito passivo determine e quantifique a obrigação tributária, antecipando o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. A regra de contagem do prazo decadencial, a partir da data da ocorrência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 73 /2 01 3- 15 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 726 2 fato gerador, é inaplicável quando não comprovado pagamento antecipado contemporâneo a data de vencimento da obrigação tributária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Correta a glosa dos valores indevidamente compensados em GFIP, acrescida de juros e multa de mora, quando o sujeito passivo não comprova a existência do direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE. Cabível a imposição de multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO 11%. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. A compensação de valores de retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra poderá ser efetuada em GFIP somente com débitos de contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, que deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 727 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e a decadência, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 727DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 728 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0436.016 (fls. 641/658): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO E RESPECTIVO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. Quando no curso da ação fiscal, em revisão de ofício, for constatada a ocorrência de informação em Gfip de valores a título de compensação sem o devido respaldo, procedese à glosa e ao conseqüente lançamento dos valores indevidamente compensados. Tais procedimentos são de competência da Delegacia Especial de Fiscalização de São Paulo Defis no âmbito da sua jurisdição. DECADÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO. Constatada a ocorrência fraude, não se aplica a regra fixado pelo § 4° do artigo 150 do CTN, restando aplicável a norma contida no artigo 173, I, do CTN. Assim, contase o prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há nulidade quando não ocorre violação aos requisitos dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracterizam o bis in idem os lançamentos efetuados em relação ao mesmo fato gerador, quando parcial o primeiro e os respectivos valores lançados são deduzidos do segundo. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). COMPENSAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece da contestação relativa a compensação de contribuições destinadas a terceiros por não estarem estas incluídas na glosa de compensação indevida realizada. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 729 5 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação. MULTA ISOLADA.COMPENSAÇÃO INDEVIDA.FALSIDADE Informação falsa prestada em GFIP acerca de compensação indevida de débitos previdenciários é causa para o lançamento de multa isolada prevista na legislação tributária. CONFISCATORIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO Não é possível a análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta de competência exclusiva do Poder Judiciário. Ainda, por determinação do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de Perícia ou Diligência, quando não revestido das formalidades exigidas pelo Decreto 70.235/72, artigo 16, IV, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 110/118, que o processo administrativo é composto por 3 (três) autos de infração (AI), a saber: (i) AI nº 37.406.9239, relativo à glosa de compensações de contribuições previdenciárias efetuadas pelo sujeito passivo nas competências 04 a 13/2008, acrescida de juros e multa de mora (fls. 12/19); (ii) AI nº 37.406.9247, referente à multa isolada pela compensação indevida, no percentual 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada na competência 12/2008, eis que comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (fls. 20/26); e (iii) AI nº 37.406.9255, relativo às contribuições devidas a terceiros, não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 04 a 13/2008 (fls. 27/37). 2.1 Segundo a fiscalização, após devidamente intimado para justificar as compensações efetuadas no período: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 730 6 (i) o sujeito passivo não apresentou notas fiscais, recibos, faturas com o respectivo destaque das retenções de 11% (onze por cento) pela prestação de serviços à Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo; e (ii) tampouco foi constatado o registro em seus livros fiscais de lançamentos contábeis que evidenciassem as retenções por parte do tomador de serviço. 2.2 A falta de comprovação da origem do direito creditório impossibilitou a verificação pelo Fisco da certeza e liquidez dos créditos utilizados nas compensações declaradas em GFIP. 2.3 Sobre o valor indevidamente compensado na GFIP entregue em dez/2008, foi aplicada a multa isolada de 150%, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008. 2.4 Além disso, também está sendo exigido crédito tributário relativo às contribuições devidas a terceiros, uma vez que a empresa preencheu o campo "Terceiros" da GFIP com o código "0000", em vez de 3139, deixando de declarar e recolher as respectivas contribuições no percentual total de 5,8% (cinco vírgula oito décimos por cento), incidentes sobre o montante das remunerações dos segurados empregados. 3. Esclarece o agente fiscal que a auditoria tributária abrangeu o período de 04/2008 a 13/2010, em que foram identificados os mesmos fatos nas diversas competências fiscalizadas, a partir do exame das GFIPs apresentadas pelo contribuinte relativamente aos serviços prestados à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. 3.1 No que tange ao crédito tributário relacionado ao período de 01/2009 a 13/2010, a fiscalização emitiu autos de infração específicos que compõem o Processo nº 19515.722077/201395. 4. Cientificado por via postal da autuação, em 13/11/2013, às fls. 120, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 123/165). 5. Intimada por via postal, em 27/8/2014, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 660/662, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 22/9/2014 (fls. 664/714): 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito em face da decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) há nulidade no lançamento fiscal, dada a incompetência da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para a realização do procedimento de glosa de compensação. De acordo com a previsão regimental, a competência de fiscalização relacionada à não homologação de compensações declaradas é da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat); Fl. 730DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 731 7 (ii) além da incompetência da autoridade lançadora, há conflito entre o relatório fiscal e a fundamentação legal do débito; (iii) houve decadência parcial quanto aos fatos geradores até a competência 11/2008, inclusive; (iv) os valores compensados estão lastreados em créditos de retenção de 11% (onze por cento) sobre o faturamento da empresa, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, decorrentes da lavratura de autos de infração em nome da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, nos quais a recorrente foi incluída como responsável solidária pelos débitos, por integrar os consórcios que prestaram serviços de transporte coletivo público municipal; (v) conforme planilha anexa à defesa, o auditor fiscal não alocou corretamente os créditos oriundos do autos de infração lançados em face do Município de São Paulo, relativos ao período de 01/2006 a 03/2008; (vi) um novo auto de infração contra o prestador de serviços, como ora se cuida, caracteriza "bis in idem", pois representa um segundo lançamento relativamente aos mesmos fatos geradores; (vii) é necessária a realização de diligência fiscal para verificar se as empresas participantes dos consórcios procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível; (viii) é descabida a incidência de multa isolada, dado que o direito creditório é suficiente para elidir a glosa de compensação. O percentual da multa aplicada tem caráter confiscatório; (ix) na hipótese de manutenção da glosa de compensação, devem ser revistos os percentuais aplicados para os encargos moratórios; e (x) é permitida a utilização de créditos do sujeito passivo oriundos de contribuições previdenciárias, quando não integralmente absorvidos pelas retenções de 11%, para fins de compensação de débitos relacionados às contribuições devidas a terceiros. 6. Em 5/8/2016, os autos foram juntados por apensação ao Processo nº 19515.722077/201395, tendo em conta o pedido de distribuição por conexão, posto que demonstrada a prejudicialidade do julgamento em separado dos processos decorrentes da mesma ação fiscal (fls. 724). É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 732 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Exame de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 8. Dada a prejudicialidade do julgamento em separado dos Processos nº 19515.722073/201315 e 19515.722077/201295, lavrados em face do contribuinte, a apreciação dos respectivos recursos voluntários acontece na mesma sessão deste colegiado, a fim de manter a congruência decisória. Preliminares a) Nulidade do lançamento: incompetência da Defis 9. Pelo que consta dos autos, o procedimento fiscal realizado no contribuinte foi determinado e executado pela Defis de São Paulo (fls. 2/3). Alega a recorrente, entretanto, que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento pela incompetência dessa unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a quem não foi delegada atribuição em matéria de compensação. 10. Pois bem. Por força do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, é inaplicável, em relação às contribuições previdenciárias, a regulamentação geral estabelecida no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata da compensação tributária efetuada mediante apresentação da Declaração de Compensação (DComp) gerada a partir do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 10.1 No caso do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as declarações de compensação são apreciadas, via de regra, em procedimentos internos da RFB, facultando ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (§ 9º). 11. Já no que tange às contribuições previdenciárias, a compensação encontra previsão no art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, o qual transcrevo abaixo na redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas Fl. 732DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 733 9 a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) (GRIFOUSE) 11.1 Desde a publicação da MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, as contribuições previdenciárias apenas poderão ser restituídas ou compensadas nos termos e condições estabelecidos pela RFB. 11.2 Consoante regulamentação da RFB, a compensação de contribuição previdenciária é realizada por intermédio da GFIP. Nesse sentido, os arts. 44 a 48 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogados pelos arts. 56 a 60 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2002. 12. A GFIP constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, caracterizando confissão de dívida pelo sujeito passivo, podendose proceder a sua imediata inscrição em Dívida Ativa, na hipótese de não recolhimento ou parcelamento do crédito tributário (art. 32, inciso IV, § 2º, art. 39, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 225, inciso IV, § 1º, art. 242, § 1º, do Regulamento da Previdência Social (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999). 13. Tendo em vista à natureza da GFIP, a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição do crédito tributário é procedimento fiscal dispensável (art. 37, caput, da Lei nº 8.212, de 1991). 13.1 De fato, a sistemática criada pela legislação tributária tem por finalidade reduzir os esforços da Administração Tributária para cumprir de forma eficiente as suas atribuições legais, pois determina a prescindibilidade da figura do lançamento quando o crédito tributário já se encontra constituído pelo próprio sujeito passivo. 14. Vale dizer que, a exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no caso de compensação indevida em GFIP, pode a autoridade fiscal, mediante procedimento de auditoria interna dos valores informados nos campos próprios do documento, glosálos, total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 734 10 15. Nada obstante, a despeito da possibilidade de revisão de créditos tributários declarados em GFIP mediante simples procedimento de auditoria interna, sem emissão de auto de infração, não há óbice que a RFB, avaliando o caso concreto, faça a opção pela lavratura de auto de infração para a exigência de valores indevidamente compensados. 15.1 Tal hipótese não configura nulidade do ato administrativo, até porque, embora dispensável a lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, não há expressa proibição em lei de se efetuar a cobrança dos valores indevidamente compensados utilizando se desse procedimento. 15.2 Além do que a cobrança dos valores compensados indevidamente via a expedição de um auto de infração não tem o condão de acarretar prejuízo efetivo ao contribuinte, permitindolhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15.3 Inclusive, cabe realçar, os acréscimos moratórios incidentes sobre o valor das contribuições previdenciárias glosadas pela fiscalização são idênticos, quer na adoção do procedimento de auditoria interna, quer na hipótese de lavratura de auto de infração, correspondendo sempre a multa e aos juros de mora (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991). 16. Adicionalmente, verifico que auditoria fiscal no contribuinte não se limitou à glosa de compensações informadas em GFIP, porquanto deflagrada pela unidade da RFB com um escopo mais abrangente. 16.1 No caso, além da aplicação de penalidade isolada, com fundamento no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, procedeuse à constituição de crédito tributário relativo às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não declaradas em GFIP. 16.2 Nessas hipóteses, era imprescindível o lançamento tributário mediante a lavratura de auto de infração, com prévia emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), considerando a normatização vigente quando da instauração do procedimento fiscal. 17. Logo, ausente o descompasso regimental apontado pela recorrente no que diz respeito às competências da Defis localizada na cidade de São Paulo. As atividades de fiscalização desenvolvidas pela unidade descentralizada, as quais envolveram a revisão de ofício dos dados contidos nas declarações apresentadas pelo sujeito passivo, estão em perfeita harmonia com as competências estabelecidas nos incisos I e III do art. 227 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 14 de maio de 2012. 17.1 Para melhor compreensão da disciplina incluída no Regimento Interno, transcrevo a redação vigente à època do início do procedimento fiscal, em 8/3/2013, esclarecendo, desde já, que não houve modificações das competências daqueles incisos até o encerramento da auditoria: Art. 227. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização Defis, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuados os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de Fl. 734DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 735 11 programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: I processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, bem como as correspondentes representações fiscais; (...) III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; (...) (GRIFEI) 18. Diversamente do que patrocina a recorrente, não há incompatibilidade entre revisão de ofício de declaração e glosa de compensação. Com o propósito de verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias relativas à compensação de valores informados em GFIP, é legítima e permitida, em procedimento de fiscalização externo ou interno, a revisão da declaração entregue pelo sujeito passivo. 19. Sem razão, portanto, a recorrente na preliminar. b) Nulidade do lançamento: incongruência entre documentos 20. A recorrente contesta a decisão de piso que refutou a sua alegação de incongruência entre o Termo de Verificação Fiscal e o Relatório "Fundamento Legal do Débito (FLD)". 20.1 Em seu ponto de vista, enquanto o relatório fiscal sugere que a autuação tem fundamento na falta de recolhimento das contribuições patronais devidas pela empresa, previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o Relatório FLD dispõe que o lançamento foi motivado pela glosa de compensação, com fulcro no art. 89 da mesma Lei. 21. Não há reparo a fazer na decisão de piso. A leitura do Termo de Verificação Fiscal não indica menção alguma aos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, para fundamentar a exigência do crédito lançado. 22. O arcabouço acusatório é claro e unívoco a respeito do conteúdo dos autos de infração. A exigência fiscal compreende as glosas de compensação de contribuições previdenciárias, acompanhadas da aplicação de multa isolada, bem como a constituição de crédito tributário relacionado às contribuições devidas a terceiros, as quais não foram declaradas em GFIP. 23. Por sinal, a leitura da impugnação e do recurso voluntário apresentados pelo contribuinte demonstra, sem qualquer sombra de dúvida, a perfeita compreensão da acusação fiscal, com pleno exercício do direito de defesa, o que revela o caráter meramente protelatório das suas alegações. 24. Sem razão, mais uma vez, a recorrente. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 736 12 c) Diligência Fiscal 25. A recorrente solicita a realização de diligência fiscal para verificar se as empresas participantes do consórcio procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível. 26. Segundo o inciso IV do art. 16 c/c art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, o pedido de diligência deve ser motivado pelo interessado, cabendo à autoridade julgadora determinála quando necessária para o esclarecimento de ponto controvertido específico ao deslinde do julgamento, com vistas a permitir uma melhor apuração da verdade material. A realização da diligência não configura um direito subjetivo do interessado. 27. Nesse contexto, não verifico a necessidade da diligência pleiteada pela recorrente, porque a comprovação do direito creditório a seu favor prescinde de procedimento junto aos demais consorciados. 28. Compete à recorrente tão somente colacionar aos autos os elementos de prova da existência do crédito informado em GFIP, demonstrando que sofreu retenção no ato de quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, proporcionalmente a sua participação no consórcio de acordo com o respectivo ato constitutivo. A diligência fiscal não tem a função de suprir o ônus probatório que incumbe às partes. 29. Logo, cabe manter o indeferimento do pedido de diligência. Decadência 30. Requer o sujeito passivo o reconhecimento da decadência parcial relativa aos fatos geradores até a competência 11/2008, com fundamento na aplicação da regra decadencial de 5 (cinco) anos prevista no § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 31. Pois bem. Na sistemática do lançamento por homologação, aplicável às contribuições previdenciárias, o legislador adotou a data da ocorrência do fato gerador como termo inicial para a contagem do prazo decadencial relacionado ao eventual lançamento de ofício de diferenças devidas pelo sujeito passivo. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 737 13 32. É cabível a regra do § 4º do art. 150 do CTN desde que tenha havido antecipação de pagamento, resultado da atividade exercida pelo sujeito passivo em determinar e quantificar a obrigação tributária. Com a antecipação parcial ou não de pagamento, a forma de cômputo do prazo decadencial é afastada quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. 33. Porém, o início da contagem do prazo decadencial a partir da data do fato gerador só tem sentido nas hipóteses de antecipação de pagamento contemporânea ao vencimento do tributo, que justifica a fixação do termo inicial para aferir a inércia da administração tributária a contar do nascimento da obrigação tributária. 33.1 O pagamento pelo particular, no vencimento da obrigação tributária, é ato que sinaliza a ocorrência do fato jurídico previsto em abstrato na norma de incidência tributária que dá ensejo à instauração da relação tributária. 33.2 Mantendose coerência com a linha do tempo, o conhecimento da atividade realizada pelo sujeito passivo permite ao Fisco implementar, a partir de então, as medidas necessárias para contraporse à apuração realizada pelo particular e exigir de ofício as eventuais diferenças não recolhidas do tributo. Por mera opção legislativa, que atende ao critério de razoabilidade, entendeuse como adequado à realidade jurídica fixar o termo inicial da contagem do lapso quinquenal à data do fato gerador do tributo. 34. Ao revés, quando o sujeito passivo não realiza pagamento algum até o vencimento da obrigação tributária, a contagem do prazo decadencial é direcionada para a regra geral do inciso I do art. 173 do CTN, isto é, o termo inicial se dá a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 34.1 Uma vez iniciada a contagem segundo a disciplina estabelecida pelo art. 173 do CTN, os eventuais atos posteriores de pagamento vinculados à extinção da obrigação tributária não têm o condão de influir nos termos inicial ou final do prazo decadencial que dispõe a Administração Tributária para o lançamento de ofício. 35. Delineados os contornos gerais da matéria, passase ao exame da situação carreada nos autos. 36. Tanto em relação às contribuições previdenciárias, quanto às contribuições devidas a terceiros, não há nos autos quaisquer documentos, nem mesmo uma única Guia da Previdência Social (GPS), que sinalizem o pagamento parcial antecipado para fins da contagem da decadência. 37. Narra a autoridade lançadora que, em procedimento fiscal anterior, foram constituídos créditos tributários referentes a retenções de 11% vinculadas aos contratos de prestação de serviços executados por consórcios integrados pela empresa recorrente: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 738 14 Consórcios Plus (CNPJ 04.928.806/000103), Unisul (CNPJ 05.943.230/000108) e Sete (CNPJ 04.901.413/000106). 1 37.1 O crédito tributário foi constituído naqueles processos em nome do tomador dos serviços, no caso a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, com lavratura de termo de sujeição passiva solidária em relação às empresas consorciadas prestadoras dos serviços de transporte coletivo. 37.2 Diante desses fatos, decidiu a fiscalização apurar a base de cálculo relacionada aos valores indevidamente compensados em GFIP, nas competências de 04 a 11/2008, deduzindo as importâncias já constituídas naqueles autos de infração, cujo abatimento levou em consideração o percentual de participação da empresa fiscalizada nos consórcios supracitados (fls. 114/115). 38. Ocorre que a dedução de valores pela autoridade fiscal nas competências 04 a 11/2008 não equivale a reconhecer que tenha havido antecipação do pagamento das contribuições devidas pelo sujeito passivo. 38.1 De fato, as importâncias exigidas nos Processos nº 19311.720393/201157, 19311.720396/201191 e 19311.720397/201135 dizem respeito simplesmente a valores não retidos nem recolhidos pelo contratante dos serviços mediante cessão de mão de obra, tampouco foram destacados pelos contratados nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços (Relatório Fiscal, item 6.18, fls. 376, 463 e 557, e item 6.50, fls. 383, 470 e 564). 39. Outrossim, também não implica pagamento antecipado as compensações não homologadas efetuadas pelo sujeito passivo nas competências 04 a 11/2008. 39.1 Como se percebe da planilha juntada pela autoridade lançadora, as compensações relacionadas a essas competências foram declaradas nas GFIPs enviadas em 17/6/2009, portanto em momento posterior ao prazo de vencimento para pagamento das contribuições previdenciárias (fls. 96). 39.2 Diante da falta de antecipação de pagamento para os fatos geradores referentes às competências 04 a 11/2008, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de ofício teve início em 1º de janeiro de 2009, segundo a regra insculpida no inciso I do art. 173 do CTN, não restando alterado o termo inicial pelos atos posteriores do sujeito passivo. 40. Em que pese a análise acima, pareceme que, a rigor, seria até inapropriado cogitar a incidência do instituto da decadência para o crédito tributário correspondente à glosa de compensação efetuada pela autoridade fiscal, na medida em que os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram previamente declarados em GFIP como devidos pelo sujeito passivo. 40.1 Realmente, a exigência dos valores indevidamente compensados por meio de auto de infração não modifica o fato de que o sujeito passivo confessou antes os débitos em GFIP. 1 Nos autos sob exame, constam cópias parciais dos Processos nº 19311.720393/201157, às fls. 336/427; 19311.720396/201191, às fls. 428/516, e 19311.720397/201135, às fls. 517/580. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 739 15 40.2 A compensação declarada em GFIP extingue o crédito tributário, ficando pendente de homologação pelo Fisco, que só tomou conhecimento do encontro de débitos e créditos a partir da entrega do instrumento de declaração. 40.3 Segundo os documentos que instruem os autos, as GFIPs examinadas pela fiscalização, vinculadas a fatos geradores pertencentes às competências 04/2008 a 13/2010, foram enviadas à RFB pelo contribuinte no período entre 20/12/2008 a 05/01/2011 (fls. 96 e 110/111). 40.4 Em 13/11/2013, data da ciência do auto de infração, não havia ainda transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data de entrega de qualquer um dos documentos de confissão de dívida. 41. Dessa feita, sob qualquer ótica de exame jurídico, concluo não evidenciada a decadência no período objeto da autuação fiscal. Mérito a) Glosa de compensação 42. Declara a recorrente que tem por objeto social o transporte municipal de passageiros unicamente ao Município de São Paulo, por meio de contratos de concessão pública. 43. Relativamente ao transporte público municipal, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo foi fiscalizada pela RFB, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2010. O entendimento do órgão fiscalizador foi que o serviço realizado pelas consorciadas operavase mediante cessão de mão de obra, atraindo a aplicação do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei. § 1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (...) Fl. 739DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 740 16 § 6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. 44. Como resultado do procedimento fiscal, foram lavrados diversos autos de infração em nome do Município de São Paulo, segregados em relação aos vários consórcios. No que tange à recorrente, integrante dos consórcios Plus, Unisul e Sete, foi arrolada pela fiscalização como solidária quanto aos seguintes créditos tributários: Processo Auto de Infração Consórcio Período 19311.720393/201157 37.323.3396 Plus 01/2006 a 12/2008 19311.720409/201121 51.000.4407 Plus 01/2009 a 12/2010 19311.720396/201191 37.323.3426 Unisul 01/2006 a 12/2008 19.311.720412/201145 51.000.4431 Unisul 01/2009 a 12/2010 19311.720397/201135 37.323.3434 Sete 01/2006 a 12/2008 19311.720413/201190 51.000.4440 Sete 01/2009 a 12/2010 45. Pondera a empresa recorrente que os valores declarados em GFIP a título de compensação, os quais acabaram glosados pela fiscalização, são oriundos exatamente de créditos decorrentes dos autos de infração lançados contra o Município de São Paulo, acima discriminados. Em todas as GFIPs entregues, no código 150, a recorrente informou a prestação de serviços à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. 45.1 Em conformidade com a planilha acostada às fls. 167, a recorrente apurou créditos oriundos de retenções nas competências 01/2006 a 03/2008, não utilizados para abatimento dos valores relacionados às contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. 45.2 De modo que, a partir da competência 04/2008, deduziu em GFIP os créditos existentes, os quais são suficientes para respaldar as compensações efetuadas e elidir qualquer tentativa de glosa por parte da autoridade lançadora. 46. Pois bem. É, no mínimo, falaciosa a explicação da recorrente para fins de comprovar o direito creditório informado nas GFIPs. 47. Em primeiro lugar, a alegada retenção pela prestação de serviços mediante cessão de mão de obra não foi destacada em nota fiscal, fatura ou recibo emitido pelo contratado, nem houve retenção ou mesmo recolhimento de qualquer valor a esse título pelo tomador dos serviços. 47.1 Tal constatação já foi antes mencionada, tendo em vista o conteúdo dos relatórios fiscais dos Processos nº 19311.720393/201157, 19311.720396/201191 e Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 741 17 19311.720397/201135, os quais estão juntados em cópias aos autos (itens 6.18 e 6.50 do Relatório Fiscal, às fls. 376, 383, 463, 470, 557 e 564). 47.2 Para melhor compreensão dos fatos, copio o texto dos itens 6.18 e 6.50 do Relatório Fiscal daqueles processos que tratam da fiscalização efetuada na Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo: (...) 6.18. Outrossim, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem DEIXADO DE DESTACAR os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra será, ainda assim, responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal, senão vejamos: (...) 6.50. Em vista do exposto, a Secretaria Municipal de Transportes, na condição de tomadora de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, deixou de cumprir sua obrigação previdenciária, abstendose de efetuar a retenção dos 11% sobre as notas fiscais/faturas ou recibos emitidos pelas prestadoras, as quais presumemse feitas segundo a legislação apontada, bem como deixou de recolher os valores devidos, fato que ensejou o levantamento do crédito previdenciário, constituído pelo presente autodeinfração. (...) (DESTAQUES DO ORIGINAL) 48. Em segundo lugar, as compensações indevidas identificadas pela autoridade fiscal foram verificadas em GFIP enviadas pelo contribuinte no período de 20/12/2008 a 05/01/2011, relativamente às competências 04/2008 a 13/2010 (fls. 96 e 110/111). 48.1 Todavia, a ação fiscal no Município de São Paulo, que resultou na lavratura dos autos de infração, só foi iniciada em 11/4/2011, em cumprimento ao MPF nº 08.1.90.002011 1204, e encerrouse, em 4/12/2011, com a consolidação do crédito tributário apurado pela fiscalização (item 3.1 do Relatório Fiscal, às fls. 362, 428 e 517, e fls. 336, 449 e 543, respectivamente) 48.2 A toda a evidência, não é razoável cogitar que o sujeito passivo anteviu os fatos e realizou a compensação em GFIP utilizandose de um crédito que supostamente iria nascer no futuro em decorrência de um procedimento fiscal. 48.3 Não só é óbvia a ausência de liquidez e certeza do direito creditório no momento do encontro entre créditos e débitos, como também não havia um direito incorporado ao patrimônio do contribuinte quando da realização das compensações. 49. Prossegue a recorrente dizendo que a Fazenda Nacional, por meio da Procuradoria Geral Federal e da RFB, manifestouse pelo enquadramento da prestação de serviços de transporte coletivo municipal de passageiros na hipótese do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, cabendo à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, por consequência, a Fl. 741DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 742 18 retenção e o recolhimento do percentual de 11% incidente sobre o faturamento das prestadoras contratadas. 49.1 Com a devida vênia, tal circunstância em nada assegura o direito creditório da recorrente, uma vez que é necessário, segundo a lei, comprovar o destaque da retenção na nota fiscal, fatura ou no recibo de prestação de serviços, a retenção do valor pelo contratante ou mesmo o recolhimento do montante pleiteado. Como demonstrado relativamente às competências de 01/2006 a 12/2010, nenhuma das hipóteses elencadas aconteceu no caso sob exame. 50. Da mesma maneira, é irrelevante para o deslinde do julgamento as ações judiciais que discutem a exigência de crédito tributário que esteja vinculado a outros períodos fiscalizados, por não dizer respeito aos fatos geradores e as compensações deste processo administrativo. 51. Também avalia a recorrente que uma nova exigência tributária, como ora se cuida, configuraria um indesejável "bis in idem", dada a exigibilidade dos autos de infração lavrados em nome da municipalidade de São Paulo, em que os prestadores de serviços foram considerados responsáveis solidários pelos débitos. 52. A aparente lucidez do raciocínio não resiste ao desfecho dos fatos do mundo real, porquanto as autuações em face da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, sem exceção, foram decididas de maneira desfavorável a Fazenda Nacional quando do julgamento realizado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), inclusive em grau de recurso especial. 52.1 De fato, afastouse a sujeição passiva das empresas consorciadas e, ao final, declarouse também a insubsistência do crédito tributário apurado pela fiscalização em nome do tomador dos serviços, por não ficar comprovada pela acusação fiscal a ocorrência da cessão de mão de obra. 52.2 Os acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que representam o entendimento da última instância administrativa sobre a matéria, estão nominados na tabela a seguir: 2 Processo Acórdão CSRF 19311.720393/201157 9202004.394 19311.720409/201121 9202004.395 19311.720396/201191 9202004.400 19.311.720412/201145 9202004.401 19311.720397/201135 9202004.402 19311.720413/201190 9202004.403 2 Consulta pública à jurisprudência do Carf, por meio da pesquisa de Acórdãos, disponível em www.carf.fazenda.gov.br Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 743 19 52.3 Interessante observar que ao mesmo tempo que a recorrente defende a ocorrência de um "bis in idem", como linha de defesa, nos processos antes discriminados desenvolveu a tese da responsabilidade exclusiva do tomador dos serviços pelos débitos e a consequente insubsistência da autuação em relação à sujeição passiva solidária (por exemplo, fls. 395/425 e 486/515). 53. Notase ainda, como mais um indício sério e contundente apontado pela fiscalização acerca da inexistência do direito creditório pleiteado, a ausência de identificação de registros na contabilidade da recorrente a respeito de quaisquer dados sobre retenções de 11% sofridas. 53.1 O princípio da entidade determina que cada pessoa jurídica consorciada deverá efetuar a escrituração contábil segregada das operações relativas à sua participação no consórcio, independentemente da existência de registros contábeis próprios das operações por parte da empresa líder do consórcio. 54. Dessa feita, segundo o que consta de provas dos autos, é nítida a inexistência do direito creditório do sujeito passivo, ora recorrente, devendo ser mantida a glosa de compensação. 55. Os valores compensados indevidamente são exigidos com juros e multa de mora, conforme previsto no § 9º do art. 89 c/c art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. 56. Cabe ressaltar, uma vez que matéria ventilada no recurso voluntário, que a transmissão à RFB das GFIPs contendo os valores indevidamente compensados ocorreu posteriormente à vigência da MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. A novel legislação revogou o § 4º do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia a redução de 50% (cinquenta por cento) para a multa de mora, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em GFIP. 57. Logo, concluo que a decisão de piso andou bem quando considerou legítima a glosa realizada pela fiscalização. b) Multa isolada 58. Foi imposta pela fiscalização à recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Para maior clareza, novamente transcrevo este dispositivo de lei: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) (GRIFEI) Fl. 743DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 744 20 59. Percebese do texto copiado que o § 10 não cuida de uma falsidade material, relacionada à autenticidade do documento, mas sim de uma falsidade intrínseca a esse documento, em que se faz presente a mentira no seu conteúdo. 60. A multa está condicionada a comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por isso, tenho como premissa que essa sanção fiscal pecuniária exige o elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença de um especial fim de agir, visto que a leitura do preceptivo revela que o legislador não elegeu qualquer elemento específico como requisito para a imposição da penalidade. 61. De sorte que não se poderá cogitar de falsidade, em razão do próprio significado da sua acepção, sem que haja consciência do agente em esconder, alterar ou suprimir a verdade. 62. Pois bem. A meu ver, a atitude da recorrente se coaduna perfeitamente com a aplicação de multa isolada, escorreitamente lançada pela fiscalização. 63. Mesmo diante da realidade contrária à compensação em GFIP, o sujeito passivo optou em praticar uma conduta consciente e voluntária oferecendo crédito sabidamente inexistente para tal fim. Não se trata de equívocos ou incorreções, mas conduta intencional com o fim de não recolher o valor da contribuição previdenciária confessada em GFIP na competência do fato gerador. 64. Como visto alhures, não houve destaque de retenção nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, tampouco o tomador de serviços efetuou a retenção de valor ou recolheu a importância correspondente em nome do contratado. 65. A alegação de que o direito creditório estaria lastreado nos autos de infração lançados em face da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo não afasta a circunstância de que o contribuinte utilizou de forma consciente quantias a título de direito creditório sabidamente inexistentes à época da compensação, o que revela a mentira no preenchimento dos campos próprios atrelados à compensação na GFIP enviada em 20/12/2008 (fls. 22 e 96). 66. Pela sua importância, reforço o fato de que as compensações foram informadas pelo sujeito passivo em GFIP anteriormente a data de início do procedimento fiscal na Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. O que se falar em relação aos autos de infração correlatos, que foram lavrados apenas no mês de dezembro de 2011. 67. Quanto à avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 68. Como sabido, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 745 21 69. Ao contrário do que parece sustentar a recorrente, o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, não concluiu pela abusividade de multas punitivas que superem o percentual de 100% (cem por cento) do tributo devido quando destinadas a penalizar as hipóteses de dolo ou fraude na conduta do sujeito passivo, como ora se verifica. 70. Destarte, a multa isolada deve ser mantida, pois evidenciada e comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo quanto à falsidade nas compensações em GFIP, tal como exige o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. c) Contribuições devidas a Terceiros 71. Por fim, defende a recorrente que as contribuições destinadas a terceiros observam as mesmas condições relativas às contribuições previdenciárias, ou seja, a compensação em GFIP, segundo a lei, poderá absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. 72. Equivocase a recorrente. A uma, pois não foi detectado crédito algum a favor do contribuinte, nem ficou comprovado qualquer direito creditório nos autos. 73. A duas, porque o § 1ª do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, é bastante claro no sentido de que o valor retido pelo contratante dos serviços na cessão de mão de obra ou empreitada somente poderá ser compensado com contribuições previdenciárias, devendo as contribuições destinadas a outras entidades e fundos ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo: Art. 31 (...) § 1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (...) (GRIFEI) 73.1 Não é demais lembrar que as contribuições devidas a terceiros não são destinadas a seguridade social, mas sim classificadas como contribuições sociais gerais, de intervenção no domínio econômico ou de interesses das categorias econômicas, conforme o caso. 74. Além do mais, o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, com respaldo no art. 170 do CTN, estabelece que a disciplina da compensação será regulada nos termos e condições estabelecida pela RFB. E, como se sabe, a formulação infralegal veda a compensação pelo sujeito passivo das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (art. 47 da IN RFB nº 900, de 2008, e art. 59 da IN RFB nº 1.300, de 2002). Fl. 745DF CARF MF Processo nº 19515.722073/201315 Acórdão n.º 2401004.675 S2C4T1 Fl. 746 22 75. De qualquer sorte, ainda que admitida a possibilidade de compensação de contribuições destinadas a terceiros, por força da jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o encontro de contas seria possível apenas com débito e crédito de mesma espécie e destinação constitucional. 3 76. Portanto, não tendo sido declaradas em GFIP as contribuições devidas a terceiros, nem comprovada a sua quitação mediante pagamento ou parcelamento, resta inconteste o lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e a decadência e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess 3 Agravo Interno no Resp nº 1.536.294/SC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, 1ª Turma, julgado em 18/10/2016. Agravo Interno no Resp nº 1.591.475/SC, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, julgado em 22/11/2016. Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721717/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO.
Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede respectivamente na fase impugnatória e recursal, ampla oportunidade para apresentação de documentos e razões de fato e de direito. O fato de o Recorrente não ter sido cientificado do resultado da diligência requerida pela DRJ, não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou nulidade processual, eis que poderia ter se manifestado sobre tal fato em sede de Recurso Voluntário. (não há nulidade sem prejuízo).
PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
O art. 40 da Lei nº 9.430/96 autorizou a presunção relativa de omissão de receita com base na manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Neste caso, o ônus é compartilhado entre fiscalização e contribuinte, devendo o segundo comprovar, por meio de documentos, que a infração não procede.
MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo.
DESPESAS COM MULTAS. INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis as multas de infração às normas de natureza não tributária, tais como, por exemplo, multas de trânsito, quando não se enquadrem na condição de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua respectiva fonte produtora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL.
A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Ademais, a diligência e a perícia pode ser determinada caso o julgador entenda ser necessária para fundamentar e concluir seu entendimento, conforme preconiza o artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1402-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos rejeitar as arguições de nulidade suscitadas pela recorrente. Por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. suscitada de ofício pelo relator e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento parcial para restabelecer na base de cálculo da CSLL os valores correspondente à dedução das multas tributárias e de trânsito. Designado o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede respectivamente na fase impugnatória e recursal, ampla oportunidade para apresentação de documentos e razões de fato e de direito. O fato de o Recorrente não ter sido cientificado do resultado da diligência requerida pela DRJ, não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou nulidade processual, eis que poderia ter se manifestado sobre tal fato em sede de Recurso Voluntário. (não há nulidade sem prejuízo). PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. O art. 40 da Lei nº 9.430/96 autorizou a presunção relativa de omissão de receita com base na manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Neste caso, o ônus é compartilhado entre fiscalização e contribuinte, devendo o segundo comprovar, por meio de documentos, que a infração não procede. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. DESPESAS COM MULTAS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as multas de infração às normas de natureza não tributária, tais como, por exemplo, multas de trânsito, quando não se enquadrem na condição de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua respectiva fonte produtora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Ademais, a diligência e a perícia pode ser determinada caso o julgador entenda ser necessária para fundamentar e concluir seu entendimento, conforme preconiza o artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2179; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 507 1 506 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.721717/201374 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.389 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente VANGUARDA MATO GROSSO LOGISTICA DE TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede respectivamente na fase impugnatória e recursal, ampla oportunidade para apresentação de documentos e razões de fato e de direito. O fato de o Recorrente não ter sido cientificado do resultado da diligência requerida pela DRJ, não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou nulidade processual, eis que poderia ter se manifestado sobre tal fato em sede de Recurso Voluntário. (não há nulidade sem prejuízo). PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. O art. 40 da Lei nº 9.430/96 autorizou a presunção relativa de omissão de receita com base na manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Neste caso, o ônus é compartilhado entre fiscalização e contribuinte, devendo o segundo comprovar, por meio de documentos, que a infração não procede. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 17 /2 01 3- 74 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 508 2 São indedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. DESPESAS COM MULTAS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as multas de infração às normas de natureza não tributária, tais como, por exemplo, multas de trânsito, quando não se enquadrem na condição de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua respectiva fonte produtora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Ademais, a diligência e a perícia pode ser determinada caso o julgador entenda ser necessária para fundamentar e concluir seu entendimento, conforme preconiza o artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos rejeitar as arguições de nulidade suscitadas pela recorrente. Por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. suscitada de ofício pelo relator e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento parcial para restabelecer na base de cálculo da CSLL os valores correspondente à dedução das multas tributárias e de trânsito. Designado o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 509 3 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 510 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela DRJ de São Paulo que decidiu manter integralmente os créditos exigidos no Auto de Infração em epígrafe. O Auto de Infração exige IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário de 2009, com multa de 75% e juros calculados até 09.2013. O Auto de Infração imputou as seguintes infrações: 1) Omissão de receita, devido a manutenção de passivo fictício, tendo em vista a falta de comprovação dos valores escriturados na "Conta Fornecedor de Materiais" e por tal motivo foi recomposta a Demonstração do Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, exigindo a diferença de IRPJ, da CSLL e reflexos PIS/COFINS neste Auto de Infração. (Intimações docs. 04, 22 e 23 e demonstrativo de conta fornecedores de materiais doc. 25). A Recorrente não apresentou nenhum documento solicitado pela Fiscalização para comprovar os valores escriturados na conta fornecedor. 2) Ajustes do lucro líquido ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, devido a não inclusão de supostas receitas decorrentes da baixa de cotas do ativo e passivo nas bases de cálculos do IRPJ e da CSLL. (Termo de Intimação docs. 004, 14 e 23, Relação doc. 15, LALUR doc. 16 e Razão Ajuste doc. 24). Vejamos a parte da acusação fiscal que tratou deste tópico. Em Atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (DOC 014) o contribuinte apresentou as relações dos valores contabilizados como "RECEBIMENTO INDEVIDO" (DOC 015), que na verdade referem se a recebimento por serviços de transportes de mercadorias que deveriam ser contabilizadas como receita de Serviços, e caso já tivesse sido contabilizada a receita, efetuar baixa da contas a receber e não recebimento indevido no passivo circulante como foi registrado pelo contribuinte. Investigando a contabilidade do contribuinte, foi detectado que esse procedimento de baixar contabilmente as contas do passivo em contrapartida das contas intituladas "Ajustes de Exercícios Anteriores e "Transitória" ambas no Patrimônio Liquido, também foi efetuada em relação as contas do ativo. Desse confronto de baixa das contas do ativo e do passivo(DOC 024), originouse em saldo credor de R$ 1.523.419,38, valor este que será lançado na "INFRAÇÃO ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", que deveria ser contabilizada como "RECEITA" e não Patrimônio Líquido, conforme "REGIME DE COMPETÊNCIA" abaixo transcrito, cuja informação já foi levada ao conhecimento do contribuinte conforme Termo de Intimação (DOC 004 e 023). Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 511 5 ....................................................... Conforme relato acima, o contribuinte não adicionou ao lucro líquido o valor resultante da baixa de ativos e passivos (DOC 024), conforme demonstra o Livro de Apuração do Lucro Real (DOC 016). Em razão disso, a Demonstração do Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, serão recompostos, e caso haja diferença de IRPJ e de CSLL, os mesmos serão exigidos de ofício através da lavratura de auto de infração. 3) Dedução indevida das cotas de depreciação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (doc. 16 e 19). Vejamos a parte da acusação relativo a este tópico. Inspecionando a escrituração contábil do contribuinte, especificamente o grupo intitulado "CUSTOS" e na conta "Depreciação/Amortização" (DOC 019) verificase que no mês de Janeiro foi efetuado lançamento em dobro da despesa de depreciação. Inspecionando o Livro de Apuração do Lucro Real do Contribuinte (DOC 016) fica evidenciado que o contribuinte não efetuou nenhum ajuste referente a despesa de depreciação contabilizada em dobro no mês de Janeiro/2009. ... com base nas evidencias constantes nos documentos (DOC 016 e 019) os respectivos valores proporcionaram recomposição do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição social sobre o lucro líquido do período, devido a Depreciação ser indedutível, e caso haja diferença de IRPJ e da CSLL, serão exigidos de ofícios através da lavratura de auto de infração. 4) Dedução de multas não dedutíveis de natureza tributária e não tributárias (natureza administrativa). O contribuinte escriturou em sua contabilidade," Multas Tributárias" conforme razão (DOC 021) e não adicionou os mesmos na Demonstração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, conforme demonstra o "LALUR/DOC 016), em decorrência de serem indedutíveis, conforme relatório a seguir. O art. 344, §5°, RIR/99, diz" Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo ( Lei n° 8.981, de 1995, art. 41 § 5o). Como se verifica nos lançamentos contábeis do contribuinte (DOC 021) tratase de multas por infrações fiscais conforme identifica Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 512 6 historio do lançamento NAI(n° do auto de infração) 8076001500029200914 Dif. de Alíquota. Conforme relato acima, a Demonstração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido será recomposto, e caso haja diferença de IRPJ e CSLL, os mesmos serão constituídos de ofícios através da lavratura de auto de infração. 2.4 MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS. MULTAS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA – MULTAS ADMINISTRATIVAS O contribuinte escriturou em sua contabilidade, "Multas Administrativas e Multas Tributárias" conforme razão (DOC 018) e não adicionou os mesmos na Demonstração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, conforme demonstra o "LALUR/DOC 016), em decorrência de serem indedutíveis, conforme relatório a seguir. MULTAS ADMINISTRATIVAS As multas impostas por infração às normas administrativas, penal e trabalhista, ou seja, de natureza não tributária (multas de trânsito, pesos e medidas, FGTS, INSS, CLT, Código de Proteção e Defesa do Consumidor. etc) são indedutíveis para fins de Demonstração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, devido a mesma não ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, conforme o Art. 299 do RIR/99 "não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas administrativas (SUNAB, DETRAN, CLT) por não se revestirem das características de natureza compensatória e nem preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade (Ac. 1o CC 10226.138/ 91 DO 311291)." MULTAS POR INFRAÇÕES FISCAIS: O art. 344, §5°, RIR/99, diz " Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamentos de tributo ( Lei n° 8.981, de 1995, art. 41 § 5o). Como se verifica nos lançamentos contábeis do contribuinte (DOC 018) tratase de multas por infrações fiscais conforme identifica historio do lançamento NAI (n° do auto de infração) 8076001500029200914 Dif. de Alíquota. Conforme relato acima, a Demonstração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido será recomposto, e caso haja diferença de IRPJ e CSLL, os mesmos serão constituídos de ofícios através da lavratura de auto de infração. Em 23/10/2013 a empresa apresentou impugnação alegando o seguinte: Preliminarmente: 1 a insubsistência do lançamento fiscal por fundarse em presunção. 2 a ilegal inversão do ônus da prova. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 513 7 3 da preterição do direito de defesa acarretada pela insubsistência do auto de infração. No mérito, alega o seguinte: (utilizo a parte do relatório do v. acórdão recorrido para melhor descrever os fatos). 3.3 – DA OMISSÃO DE RECEITAS/DA RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A D. Autoridade Fiscal alegou que durante o exercício de 2009 a Impugnante efetuou a baixa contábil de valores contabilizados em diversas contas do ativo e do passivo em contrapartida às contas intituladas "Ajustes de Exercícios Anteriores" e "Transitória", ambas do Patrimônio Líquido. Do confronto da baixa das contas do ativo e do passivo, a D. Autoridade Fiscal entendeu haver um suposto saldo credor de R$1.523.419,38, valor este que no seu entender deveria ter sido contabilizado como "Receita",...... ......................ao contrário do que entendeu a D. Autoridade Fiscal, o saldo de R$1.523.419,38 foi efetivamente pago pela Impugnante em exercícios anteriores, sem que esta tenha realizado a baixa dos lançamentos nas contas "FORNECEDORES DE MATERIAIS", "DESPESAS DE ALUGUÉIS DE VEÍCULOS" e "RECEBIMENTO INDEVIDO". Em outras palavras, referidas contas só foram baixadas porque a Impugnante, ao longo do tempo, já havia realizado o efetivo pagamento aos seus fornecedores e aos locadores de veículos, sem, no entanto, efetuar a baixa das obrigações já cumpridas nas respectivas contas contábeis. ........................ Desta forma, em respeito ao Principio da Verdade Material, a Impugnante pugna pela realização de perícia documental/contábil, cujos quesitos serão elencados ao final da defesa, a fim de demonstrar de forma clara e indubitável que o saldo de R$1.523.419,38 foi efetivamente pago pela Impugnante e que, por isso, as contas do passivo foram baixadas em contrapartida à conta "AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES", do Patrimônio Líquido.(grifamos) ........................ Por fim, a D. Autoridade Fiscal entendeu que o saldo credor de R$15.947.128,88, verificado na conta "FORNECEDORES DE MATERIAIS" ao final do exercício de 2009, deve ser caracterizado como omissão de receita, uma vez que a Impugnante não teria logrado êxito em apresentar a origem da composição deste saldo. ........................... Ora, com a devida vênia, referido entendimento vai de encontro com a premissa adotada pela própria D. Autoridade Fiscal, que quando do confronto das baixas realizadas durante o exercício de 2009 considerou idôneas todas as contas do passivo da Impugnante, inclusive a conta "FORNECEDORES DE MATERIAIS", entendendo por bem recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL "apenas" Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 514 8 com os valores remanescentes encontrados após o referido encontro de contas entre as baixas realizadas no ativo e no passivo. Com efeito, se no item "AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", que resultou no lançamento de R$1.523.419,38 na conta "INFRAÇÃO ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", a D. Autoridade Administrativa não questionou a origem da composição da conta "FORNECEDORES DE MATERIAIS", outro não pode ser o entendimento/critério jurídico adotado no decorrer da fiscalização. No entanto, caso se entenda que o procedimento adotado pela D. Fiscalização esteja correto e se admita a adoção de critérios jurídicos distintos em uma mesma fiscalização, o que só se admite para argumentar, a Impugnante, em observância ao Princípio da Verdade Material, pugna pela realização de perícia documental/contábil a fim de demonstrar a idoneidade dos seus lançamentos contábeis através da apresentação da origem da composição do saldo da conta "FORNECEDORES DE MATERIAIS".(grifamos) Isso porque, o levantamento de informações de todos os fornecedores da Impugnante é tarefa que exige um trabalho minucioso, o qual não é possível realizar dentro dos 30 dias previstos em lei para apresentação da presente defesa. ....................................... Com efeito, por conta (i) das supostas infrações decorrentes da "Omissão de Receitas", que somadas resultam em um valor supostamente tributável de R$17.470.548,26, e (ii) das demais supostas infrações incorridas pela Impugnante, que somadas resultam em um valor supostamente tributável de R$ 1.020.948,24, a D. Autoridade Fiscal entendeu por bem recompor as bases de cálculo d o IRPJ e da CSLL no montante de R$18.491.496,50, conforme demonstrado nas planilhas abaixo: Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 515 9 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 516 10 Da análise das referidas planilhas, verificase que a Impugnante, no exercício de 2009, apurou prejuízo de R$4.447.913,91 e que, em consequência do Auto de Infração ora combatido e da adição indevida do valor de R$18.491.496,50 para fins de recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, após compensados os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas de períodos anteriores, apurou IRPJ a pagar no valor de R$2.433.626,95 e CSLL a pagar no valor de R$884.745,70. .......................................... Logo, ainda que a Impugnante tenha incorrido nas demais infrações apontadas pela D. Autoridade Fiscal, o que só se admite para argumentar, o presente Auto de Infração deve ser cancelado, uma vez que a recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com o valor remanescente de R$1.020.948,24 (soma do valor supostamente tributável por conta das demais infrações apontadas pela D. Fiscalização), não resultará em tributo a pagar tendo em vista que este valor deverá ser compensado com o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa apurados pela Impugnante no exercício de 2009, no valor de 4.447.913,91. 3.4 – DA CORRETA DEPRECIAÇÃO EM DOBRO DO ATIVO IMOBILIZADO. Da análise do Auto de Infração ora Impugnado verificase que a D. Autoridade Administrativa entendeu por bem recompor o Lucro Real e a Base de Calculo da Contribuição Social Sobre o Lucro por entender que a Impugnante teria deduzido, de forma indevida, em janeiro de Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 517 11 2009, cotas em dobro de depreciação, no valor de R$569.853,48........................................................................................... No entanto, com a devida vênia, referido entendimento não merece prosperar na medida em que a depreciação em dobro é expressamente prevista no artigo 312 do RIR, nos casos de utilização dos bens imóveis em 03 turnos...... "Art. 312. Em relação aos bens móveis, poderão ser adotados, em função do número de horas diárias de operação, os seguintes coeficientes de depreciação acelerada (Lei n e 3.470, de 1958, art. 69): I um turno de oito horas 1,0; II dois turnos de oito horas. 1,5; III três turnos de oito horas 2,0. Parágrafo único. O encargo de que trata este artigo será registrado na escrituração comercial." Verificase, portanto, que a própria Lei prevê a possibilidade de depreciação em dobro nos casos de utilização de determinado bem em três turnos de 8 horas. E este foi exatamente o motivo que levou a Impugnante a utilizar a taxa de depreciação em dobro no mês de janeiro de 2009. ................................ 3.5 – DA DEDUTIBILIDADE DAS MULTAS DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. .......fica claro que a D. Autoridade Fiscal fundamentou a indedutibilidade das referidas multas da base de cálculo com base em normas próprias do IRPJ, inaplicáveis à CSLL. No entanto, conforme restará demonstrado a seguir, referido procedimento, conhecido como tributação reflexa, não merece prosperar, uma vez que não obstante o IRPJ e a CSLL tributem grandezas similares, cada um dos tributos possui a sua base de cálculo própria. Com efeito, até a vigência da Lei n° 9.249/95, os custos e despesas não dedutíveis na determinação do lucro real não eram adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL. ...................................... Neste sentido, concluímos que as demais despesas e os demais custos incorridos pelo contribuinte que não sejam dedutíveis na determinação do Lucro Real, por força de determinação legal expressa, não deverão ser adicionados na apuração da base de calculo da contribuição Social sobre o lucro pela simples falta de previsão legal pára tanto. (grifo original) .......................................... Verificase, portanto, que a inclusão das multas tributárias e de trânsito na base de cálculo da CSLL é inconstitucional e ilegal, uma vez que diante da inexistência de previsão legal para tanto, representa flagrante violação ao Princípio da Legalidade, previsto no artigo 150, Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 518 12 inciso I da Constituição Federal1 e no artigo 97, inciso II do Código Tributário Nacional .(grifamos) Diante do exposto, resta demonstrado que as multas tributárias e de trânsito, objeto de discussão, podem ser deduzidas da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, razão pela qual não merece prosperar este item da autuação fiscal. 3.5 – DA DEDUTIBILIDADE DAS MULTAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A D. Autoridade Administrativa entendeu por bem efetuar a recomposição de R$12.311,77 na base de cálculo do IRPJ por entender que a Impugnante não faz jus a dedução dos valores pagos a título de multas de trânsito,...... Verificase, portanto, que nos termos do art. 299 do RIR/1999, as despesas operacionais, dedutíveis na determinação do lucro real, são aquelas usuais e normais às atividades desenvolvidas pela contribuinte. Ora, tendo em vista que a Impugnante é prestadora de serviços de transporte, não se pode negar que os custos com multas de trânsito são normais e usuais às suas atividades, se caracterizando, portanto, como despesas operacionais dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. Por fim, a Impugnante requer a realização de perícias e diligências, apontando os quesitos e indica o Sr. Agrício Kubiak, CORECON nº 28923, como Perito. – A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas. Cumpre ressaltar, que a Recorrente não apresenta razões de defesa em relação ao PIS/COFINS, restringindo sua contestação apenas em relação ao IRPJ e CSLL. Após a apresentação da impugnação, o julgamento foi convertido em diligência pela DRJ de Belém, nos seguinte termos: III – DA FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO Ao analisarmos a descrição dos fatos da Infração Omissão de Receitas por Presunção Legal – Passivo Fictício (ÍTEM 2.1 acima), verificamos que a Autoridade Fiscal mencionou os Documentos de nºs 04, 022, e 023( DOC. 004, DOC 022, e DOC. 023). No entanto, ao compulsarmos os autos não constatamos estes documentos anexos ao Processo. IV – DAS PROVIDÊNCIAS De se ver, os autos carecem de instrução processual. Assim, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 e artigos 6º e 10 da Portaria MF nº 341/2011, devolvese os autos à unidade de origem para que: Sejam anexados os Documentos de nºs 04, 022, e 023( DOC. 004, DOC 022, e DOC. 023), mencionados na descrição dos fatos. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 519 13 Em seguida os documentos 04, 22 e 23 foram acostados aos autos pela Fiscalização às fls. 420/427 e os autos foram encaminhados para DRJ de Belém para julgamento do processo. Cumpre ressaltar, que a Recorrente não foi notificada da resposta da diligência e da juntada dos documentos aos autos. A DRJ, por sua vez, decidiu por manter integralmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa do v. acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. O art. 40 da Lei nº 9.430/96 autorizou a presunção relativa de omissão de receita com base na manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. DESPESAS COM MULTAS. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 520 14 São indedutíveis as multas de infração às normas de natureza não tributária, tais como, por exemplo, multas de trânsito, quando não se enquadrem na condição de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua respectiva fonte produtora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente, devidamente intimada, interpões Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. A D. Procuradoria não se manifesta nos autos. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 521 15 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo ser admitido. Antes do julgamento das preliminares e do mérito, entendo ser necessário a análise da diligência requerida pela DRJ de Belém, que juntou documentos aos autos após a apresentação da impugnação e que deixou de intimar a Recorrente para se manifestar. Apesar do v. acórdão em nada mencionar a ocorrência da diligência; compulsando os autos, verifiquei que os documentos 04, 22 e 23 relativos a omissão de receita pela manutenção do passivo fictício não foram acostados ao Auto de Infração desde o início do processo. Tais documentos, apenas foram juntados aos autos, após o oferecimento da impugnação e a analise da DRJ de Belém, que decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade local se manifestasse e anexasse os Termos de Intimação Fiscal de fls. 420/427 (são os doc. 04, 22 e 23). Em resposta a diligência determinada, a Fiscalização juntou aos autos os documentos 04, 22 e 23. Ato contínuo, sem intimar a Recorrente para se manifestar sobre a diligência, bem como dos documentos acostados, os autos foram encaminhados para a DRJ, que proferiu o v. acórdão recorrido sem descrever tal fato no relatório ou no voto condutor. Assim, entendo que tal fato acarretou nulidade processual que deve ser sanada de imediato, sob pena de cerceamento do direito de defesa, contrariar o princípio do devido processo legal e a ampla defesa. Ora, foram juntados aos autos, após o oferecimento da impugnação, documentos que fundamentaram a acusação de omissão de receita devido a manutenção de passivo fictício e a Recorrente não foi intimada à se manifestar sobre tais fatos. Tais documentos deveriam ter instruído o Auto de Infração desde o início do processo e não foi o que ocorreu. Nesta esteira, para que se evite prolações futuras de nulidades processuais, fundamentadas em cerceamento do direito de defesa, desrespeito ao princípio do devido processo legal e ampla defesa, entendo que todos os atos praticados após a ocorrência da nulidade processual são nulos; inclusive o v. acórdão recorrido. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 522 16 Desta forma, voto no sentido de declarar a nulidade do v. acórdão para que o processo retorne a fase de resposta da diligência de fls. , onde devem ser tomadas as seguintes medidas: 1 intimar a Recorrente da resposta da diligência e da juntada dos documentos 04, 22 e 23 no prazo de 10 dias. 2 após remeter os autos a DRJ, para que profira novo v. acórdão. 3 em seguida intima a Recorrente sobre a decisão, abrindo novamente prazo para interposição do Recurso Voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de anular o v. acórdão "a quo", para que depois de sanado o vício processual constante nos autos, seja proferido outro em seu lugar. Caso vencido em meu voto de nulidade processual, passo a julgar o Recurso Voluntário. Nulidade do Auto de Infração: A Recorrente alega nulidade do Auto de Infração devido a ausência de motivação e fundamentação legal no lançamento ora em análise, acarretando em cerceamento do direito de defesa. Ocorre que, a Recorrente alega nulidade no lançamento, mas não indica com precisão quais os pontos que levariam a nulidade do Auto de Infração. Mesmo que os Termos de Intimação Fiscal (docs. 04, 22 e 23) não tenham sido juntados desde o início do processo, a acusação esta muito clara e fundamentada no corpo do Auto de Infração; tanto foi assim, que a Recorrente apresentou razões de defesa na impugnação e recurso, juntando todas as provas que entendeu ser necessária, demonstrando que compreendeu perfeitamente as acusação que lhe foram impostas. Ademais, a Recorrente deixou de alegar qualquer nulidade processual em seu recurso, quedandose inerte sobre tal fato. De resto, o Auto de Infração foi lavrado por servidor competente para tal ato, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto 70.235/1972 e sendo assim, entendo que não existe qualquer nulidade no Auto de Infração que possa ter acarretado cerceamento do direito de defesa ou prejuízo ao devido processo legal com exceção da acima apontada. Quanto a inversão do ônus da prova, irei analisar junto com o tópico de omissão de receita. De resto, colaciono a parte relativa as nulidades, descritas no voto vencedor do v. acórdão para fundamentar meu voto. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 523 17 MÉRITO: Importante ressaltar, que a Recorrente não apresentou nenhuma alagação específica em relação ao PIS/COFINS, quedandose inerte. Tanto na impugnação, como no Recurso Voluntário, as razões de defesa são relativas ao IRPJ e a CSLL. Omissão de receita: Em relação ao mérito, a Recorrente alega que ocorreu a inversão do ônus da prova na infração de omissão de receita, devido a manutenção do passivo fictício. Esta alegação não merece ser provida, eis que o dispositivo legal determina que a Recorrente deve elidir a presunção de omissão de receita, por meio de documentos idôneos, o que não ocorreu nos autos. O artigo 281 do RIR/99 que fundamentou a infração tem em seu texto a possibilidade de presunção de omissão de receita, que deve ser contraposta por meio de provas idôneas apresentadas pelo contribuinte. Vejamos o texto do dispositivo supracitado. Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (grifo nosso) [...] III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Desta forma, neste caso quem deveria provar que não tinha praticado a infração constatada era a Recorrente. Obrigação que se desincumbiu de fazer nos autos, devendo ser afastada a alegação de inversão do ônus da prova. Em relação a infração de omissão de receita, pela manutenção de passivo fictício, vejamos o relato da infração: O contribuinte foi intimado(DOC 022) para apresentar a origem da composição deste saldo, tais como, os fornecedores, o cnpj dos fornecedores, data do fato gerador, n° das notas fiscais e o valor da transação, sendo que o contribuinte não se manifestou. Em 26/02/2013 a contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal (DOC 023), para manifestar novamente a cerca das baixas de obrigações em contrapartida das contas de Ajustes de Exercícios Anteriores e Transitória, bem como da composição da manutenção do Passivo Circulante de obrigações junto a Fornecedores. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 524 18 Nesse Termo de Intimação Fiscal (DOC 023) o contribuinte também foi informado dos fatos que são caracterizados como "OMISSÃO DE RECEITA", dentre eles, "FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PASSIVO". Tendo em vista que o contribuinte não se manifestou acerca dos fatos constantes nos Termos de Intimação Fiscal (DOC 004, DOC 022 e DOC 023) o valor escriturados na conta "FORNECEDOR DE MATERIAIS"(DOC 025) será considerado como presunção de omissão de receita por caracterizar manutenção de obrigação não comprovada (PASSIVO FICTÍCIO). Em decorrência disso, a Demonstração do Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, serão recompostos, e caso haja diferença de IRPJ e de CSLL, os mesmos serão exigidos de ofício através da lavratura de auto de infração. A Recorrente não apresentou as provas solicitadas pela Fiscalização, nem quando notificada para tanto e nem durante o processo em epígrafe, deixando de afastar a presunção de omissão de receita devido a manutenção de passivo fictício. De resto, adoto as razões de decidir do v. acórdão recorrido, conforme abaixo colacionado. Imaginamos como comprovar um saldo existente de uma conta do Passivo Circulante – Conta FORNECEDORES DE MATERIAIS NACIONAIS. Esta conta do passivo exigível, é uma conta que representa as obrigações provenientes das aquisições de mercadorias a prazo, mediante aceite de duplicatas. Em substituição à conta duplicatas a Pagar, algumas empresas utilizam a conta Fornecedores, como é o caso específico. Para Demonstrar a composição do saldo da conta, em 31/12/2009, o Contribuinte deveria relacionar os Fornecedores(CNPJ), e as NFs e/ou Duplicatas a ela relacionadas, indicando os valores, e as datas de vencimentos das referidas obrigações. Ficou demonstrado, nos autos, que o Contribuinte não comprovou à composição da Conta Fornecedores Nacionais, pois foi intimado a fazêla e não atendeu a Fiscalização. Logo, correta a presunção de omissão de receitas conforme descrito nos autos. A Impugnante alega ainda, que no prazo de 30 (trinta) dias seria impossível de fazer tal comprovação. Ora, o Contribuinte, como já mencionado acima, foi intimado e reintimado a comprovar o saldo da conta e não o fez. Ademais, o mesmo teve mais 30 (trinta) dias para Impugnar o Auto de Infração e não apresentou nenhum documento na sua defesa que comprovasse o PASSIVO EXIGÍVEL, ora solicitado. Ora a Recorrente foi intimada duas vezes e não apresentou a documentação solicitada, alegando que seria impossível apresentar toda a documentação solicitada no prazo de 30 dias. Durante todo o processo, tanto na defesa, como no recurso, não apresentou nenhum documento, reiterando apenas pedido de perícia. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 525 19 Assim, face os fatos acima narrados, entendo que não é possível afastar a presunção de omissão de receita, devido a manutenção do passivo fictício, devendo ser mantida esta infração. Do ajuste do lucro liquido do exercício adições não computadas na apuração do lucro real – recebimento indevido. A Recorrente foi autuada pela seguinte infração. Em Atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (DOC 014) o contribuinte apresentou as relações dos valores contabilizados como "RECEBIMENTO INDEVIDO" (DOC 015), que na verdade referemse a recebimento por serviços de transportes de mercadorias que deveriam ser contabilizadas como receita de Serviços, e caso já tivesse sido contabilizada a receita, efetuar baixa da contas a receber e não recebimento indevido no passivo circulante como foi registrado pelo contribuinte. Investigando a contabilidade do contribuinte, foi detectado que esse procedimento de baixar contabilmente as contas do passivo em contrapartida das contas intituladas "Ajustes de Exercícios Anteriores e "Transitória" ambas no Patrimônio Liquido, também foi efetuada em relação as contas do ativo. Desse confronto de baixa das contas do ativo e do passivo(DOC 024), originouse em saldo credor de R$ 1.523.419,38, valor este que será lançado na "INFRAÇÃO ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", que deveria ser contabilizada como "RECEITA" e não Patrimônio Líquido, conforme "REGIME DE COMPETÊNCIA" abaixo transcrito, cuja informação já foi levada ao conhecimento do contribuinte conforme Termo de Intimação (DOC 004 e 023). ........................................................................................................... Conforme relato acima, o contribuinte não adicionou ao lucro líquido o valor resultante da baixa de ativos e passivos (DOC 024), conforme demonstra o Livro de Apuração do Lucro Real (DOC 016). Em razão disso, a Demonstração do Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, serão recompostos, e caso haja diferença de IRPJ e de CSLL, os mesmos serão exigidos de ofício através da lavratura de auto de infração. A Recorrente se restringe apenas em requerer a conversão do julgamento em diligência para que se produza perícia. Não apresentou nenhuma prova durante o processo, nem por amostragem, para elidir a acusação. Desta forma, entendo que deve ser mantida esta infração. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 526 20 Do pedido de perícia: Em relação ao pedido de perícia, entendo que não assiste razão a Recorrente ao alegar que seu indeferimento cerceou seu direito de defesa. A perícia pode ser concedida pela Julgador Administrativo quando este entender necessária para sua motivação e conclusão. Sendo assim, entendo que para o julgamento da lide não é necessário a produção de perícia. A matéria dos autos cingese na comprovação documental, que não foi feita pela Recorrente em nenhum momento do processo. Desta forma, rejeito o pedido de perícia, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Depreciação em dobro: A Recorrente foi autuada devido ao fato de ter lançado em dobro a despesa de depreciação do mês de janeiro de 2009. Ocorre que a Recorrente deixou de apresentar razões recursais em relação a esta infração, impedindo que este C. CARF/MF analise a matéria. Desta forma, em relação a esta infração, deve prevalecer o decidido no v. acórdão recorrido. 2 – DA DEPRECIAÇÃO EM DOBRO(item III – 3.4 – DO RELATÓRIO). Esta infração foi originada do lançamento em dobro da despesa de depreciação no mês de janeiro de 2009. Para rebater está exação a Recorrente alega: Da análise do Auto de Infração ora Impugnado verificase que a D. Autoridade Administrativa entendeu por bem recompor o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro por entender que a Impugnante teria deduzido, de forma indevida, em janeiro de 2009, cotas em dobro de depreciação, no valor de R$569.853,48................................................... No entanto, com a devida vênia, referido entendimento não merece prosperar na medida em que a depreciação em dobro é expressamente Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 527 21 prevista no artigo 312 do RIR, nos casos de utilização dos bens imóveis em 03 turnos...... "Art. 312. Em relação aos bens móveis, poderão ser adotados, em função do número de horas diárias de operação, os seguintes coeficientes de depreciação acelerada (Lei n e 3.470, de 1958, art. 69): I um turno de oito horas 1,0; II dois turnos de oito horas. 1,5; III três turnos de oito horas 2,0. Parágrafo único. O encargo de que trata este artigo será registrado na escrituração comercial."(grifamos) Verifica se, portanto, que a própria Lei prevê a possibilidade de depreciação em dobro nos casos de utilização de determinado bem em três turnos de 8 horas. E este foi exatamente o motivo que levou a Impugnante a utilizar a taxa de depreciação em dobro no mês de janeiro de 2009. Na defesa foi mencionado a possibilidade de considerar a depreciação em dobro, nos casos de utilização dos bens em três turnos, mas, as argumentações não foram acompanhadas de provas demonstrassem que estes bens foram utilizados 24(vinte e quatro) horas, em todos os dias, do mês de janeiro/2009. Logo, não assiste razão à Impugnante. Da dedutibilidade das multas tributárias e de trânsito da base de cálculo da CSLL. A Recorrente alega que a base de cálculo da CSLL é diferente da do IRPJ. Alega que custos e despesas incorridos pelo contribuinte que não sejam previstos em lei, podem ser deduzidos da base de cálculo da CSLL, diferenciandose da sistemática do lucro liquido. Neste caso, entendo que a razão encontrase ao lado da Recorrente. Afinal, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido, razão pela qual a dedutibilidade de despesas não se sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR/99. Sobre o tema, dispõe expressamente o art. 57 da Lei nº 8.981/95, verbis: Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 528 22 Consequentemente, se a despesa afetou o resultado (lucro líquido), ela pode ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso. Neste sentido, segue ementa do v. acórdão 1401000.962 da C. 1 Turma Ordinária, da 4 Câmara que julgou a matéria aplicando o mesmo entendimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA POR INFRAÇÃO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA.DESPESA DESNECESSÁRIA. É indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Desta forma, em relação a esta infração, entendo que a Recorrente tem razão, devendo seu pleito produzido no Recurso Voluntário ser provido. Da indedutibilidade das multas tributárias e não tributárias da base de cálculo do IRPJ: Em relação a indedutibilidade das multas de trânsito, entendo que não assiste razão a Recorrente. Alega que por ser empresa prestadora de serviço de transporte tais despesas seriam usuais e normais a atividade, nos termos do artigo 299 do RIR/00. Entretanto, com tal entendimento não posso concordar. Não me parece jurídico que multas de trânsito sejam despesas consideradas usuais e normais em uma empresa, não se enquadrando nas condicionantes previstas no artigo 299 do RIR/99. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 529 23 Em relação as multas por infrações fiscais, a Recorrente não apresentou razões de defesa específicas, quedandose inerte. Quanto as alegações de inconstitucionalidade das legislação aplicada no Auto de Infração, devido ao disposto na Súmula Carf 02, fica este Colegiado impedido de afastar sua aplicação da lei por entender inconstitucional. Por tal motivo, em relação a indedutiblidade das multas da base de calculo do IRPJ, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Para fundamentar meu voto, colaciono abaixo a parte pertinente do v. acórdão recorrido. DA DEDUTIBILIDADE DAS MULTAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A D. Autoridade Administrativa entendeu por bem efetuar a recomposição de R$12.311,77 na base de cálculo do IRPJ por entender que a Impugnante não faz jus a dedução dos valores pagos a título de multas de trânsito,...... Verificase, portanto, que nos termos do art. 299 do RIR/1999, as despesas operacionais, dedutíveis na determinação do lucro real, são aquelas usuais e normais às atividades desenvolvidas pela contribuinte. Ora, tendo em vista que a Impugnante é prestadora de serviços de transporte, não se pode negar que os custos com multas de trânsito são normais e usuais às suas atividades, se caracterizando, portanto, como despesas operacionais dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. Com relação as multas de transito(fls. 155/158), deve a glosa da mesma ser mantida, porque, segundo o Parecer Normativo CST nº 61, de 1979, item 6, as multas decorrentes de infração às normas de natureza não tributária, tais como as decorrentes de leis administrativas, penais, trabalhistas etc. (como por exemplo: multas de trânsito, pesos e medidas, FGTS, INSS, CLT etc.), embora não se caracterizem como fiscais, são indedutíveis na determinação do lucro real por não se enquadrarem no conceito de despesa operacional dedutível para fins do imposto de renda e não atenderem ao disposto no art. 299 do RIR/1999, que condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Ocorre que, o art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, que embasa o art. 299 do RIR/1999, assim determina: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. A autoridade glosou despesas a titulo de multa por Ação Fiscal, no anocalendário de 2009, no valor de R$ 438.782,99. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 530 24 Inobstante a impugnante não tenha apresentado razões específicas de defesa contra a glosa de despesas com multas por infrações fiscais, cabe destacar que são indedutíveis na apuração do lucro real, conforme disposto no art. 344, § 5º, do RIR de 1999, in verbis: “Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). (...) § 5º. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º).” (Grifouse) Dessa forma, é de se manter a exigência correspondente. Conclusão: Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das despesas consideradas indedutíveis da base da cálculo da CSLL, mantendo o restante da exigência em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 531 25 Voto Vencedor Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Declamo aqui minhas homenagens ao I. Relator, mas peço vênia para dele divergir quanto à regularidade do processo administrativo fiscal e, no mérito, quanto à (in)dedutibilidade de multas de trânsito e fiscais na apuração do lucro líquido na CSLL. Em sede preliminar, oportuno registrar que os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede respectivamente na fase impugnatória e recursal, ampla oportunidade para apresentação de documentos e razões de fato e de direito. Ademais, vigora no âmbito do processo administrativo a máxima de que não há nulidade sem prejuízo. No caso ora em exame não houve qualquer nulidade processual de cerceamento de defesa, pois o Recorrente poderia se manifestar em sede de Recurso Voluntário sobre a diligência. (momento processual adequado principio da eventualidade). Portanto, o fato de o Recorrente não ter sido cientificado do resultado da diligência requerida pela DRJ, não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou nulidade processual, eis que poderia ter se manifestado sobre tal fato em sede de Recurso Voluntário. Quanto a divergência de mérito, com toda a vênia, temse que no que respeita à dedutibilidade das despesas na apuração da base de cálculo da CSLL não merecem prosperar as alegações da contribuinte acolhidas pelo i. relator pela dedutibilidade das multas tributárias e de trânsito na medida em que ausente vedação legal inobservandose os parâmetros do art.299 do RIR. De acordo com entendimento assente nesta T.O. se aplicam a CSLL as mesmas regras de dedutibilidade de despesas que disciplinam o IRPJ (299, RIR) ao que com toda a vênia ao entendimento do I. relator não merece prosperar seu voto neste particular devendo, assim, ser mantido o crédito tributário lançado. É entendimento assente neste CARF que multas de trânsito não são dedutíveis na medida em que não consubstanciam despesas consideradas usuais e normais em uma empresa não se enquadrando, assim, nas condicionantes previstas no artigo 299 do RIR/99, logo, também não dedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10183.721717/201374 Acórdão n.º 1402002.389 S1C4T2 Fl. 532 26 Com relação às multas fiscais aplicase a mesma ratio decidendum adotadas pelo I. relator para afastar a dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ na medida em que a Recorrente não apresentou razões de defesa específicas, quedandose inerte, logo, também indedutíveis para fins de CSLL. Do exposto, data venia, somos pela negativa de provimento ao Recurso Voluntário interposto e manutenção integral do crédito tributário lançado. assinado digitalmente Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Redator designado Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002648/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO.
Nos termos do art. 44 da IN RFB nº 15/01, consideram-se despesas médicas ou de hospitalização as despesas de instrução com portador de deficiência física ou mental, condicionadas à existência de laudo médico, atestando o estado de deficiência, e comprovação de que a despesa foi efetuada em entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. Nos termos do art. 44 da IN RFB nº 15/01, consideram-se despesas médicas ou de hospitalização as despesas de instrução com portador de deficiência física ou mental, condicionadas à existência de laudo médico, atestando o estado de deficiência, e comprovação de que a despesa foi efetuada em entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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DESPESAS DE INSTRUÇÃO COM PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. Nos termos do art. 44 da IN RFB nº 15/01, consideramse despesas médicas ou de hospitalização as despesas de instrução com portador de deficiência física ou mental, condicionadas à existência de laudo médico, atestando o estado de deficiência, e comprovação de que a despesa foi efetuada em entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 26 48 /2 01 0- 67 Fl. 192DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13807.002648/201067 Acórdão n.º 2402005.706 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/ SP1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao exercício 2007 (fls. 4/10). O lançamento decorreu da glosa de despesas médicas no valor de R$ 69.826,03 e da inclusão indevida de dependentes e dedução de despesas com previdência privada no valor de R$ 632,16. Após impugnação (fl. 2), a exigência foi restou mantida pela instância de primeiro grau (fls. 90/94) apenas no que tange às despesas médicas com a entidade beneficiária Associação de Convivência Novo Tempo, CNPJ nº 01.781.612/000121 e filial, no total de R$ 50.080,19. Nessa toada, foi interposto recurso voluntário em 23/10/2015 (fl. 99), no qual foi alegado, em apertada síntese, que a despesa glosada se refere à educação de deficiente e é destinada a entidade especializada. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de instrução na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (....) Por sua vez, o art. 44 da IN RFB nº 15/01, vigente à época dos fatos, assim regrava: Art. 44.Consideramse despesas médicas ou de hospitalização as despesas de instrução com portador de deficiência física ou mental, condicionadas, cumulativamente à: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13807.002648/201067 Acórdão n.º 2402005.706 S2C4T2 Fl. 103 5 I existência de laudo médico, atestando o estado de deficiência; II comprovação de que a despesa foi efetuada em entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. No caso em comento, temse que a DRJ/SPO não acatou as despesas incorridas com a entidade beneficiária Associação de Convivência Novo Tempo, de CNPJ 01.781.612/000121e filial, que totalizam R$ 50.080,19 (fls. 45/56), dado não se enquadrar ela como entidade hospitalar na forma da legislação, não ter tal atividade descrita em seus registros na Receita Federal, e além disso, não constar tal estabelecimento no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. Não obstante, pode ser verificado nos autos que a dependente é deficiente mental conforme atestado por laudo médico (fls. 137/139 e 149/150), e que o pagamento foi efetuado a entidade destinada a deficientes mentais (fls. 140/148 e 151/187), podendo ser as informações relativas à natureza da entidade corroboradas por pesquisa sobre a instituição no respectivo sítio da internet1. Atendidos os requisitos da IN RFB nº 15/01, a qual, frisese, não requer que os pagamentos sejam destinados a entidade hospitalar, como equivocadamente exigiu a decisão guerreada, mas sim a "entidades destinadas a deficientes físicos e mentais", cumpre cancelar a exigência. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 1 www.residencianovotempo.org.br, pesquisa realizada em 27/12/2016. Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720185/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação parcial anterior a 01/01/2004.
Numero da decisão: 9202-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP - Área de Preservação Permanente e da parcela da ARL - Área de Reserva Legal, no que ultrapassa o total averbado, de 6.296,346 ha, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora), Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação parcial anterior a 01/01/2004.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP - Área de Preservação Permanente e da parcela da ARL - Área de Reserva Legal, no que ultrapassa o total averbado, de 6.296,346 ha, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora), Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação parcial anterior a 01/01/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 85 /2 00 8- 91 Fl. 218DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente e da parcela da ARL Área de Reserva Legal, no que ultrapassa o total averbado, de 6.296,346 ha, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora), Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 210201.772, proferido pela 2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/ 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Notificação de Lançamento NL de fls. 01 a 04, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 02 e 04, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2004, no montante de R$ 1.150.269,38, incluído multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2006, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Santa Tereza”, com área total de 13.059,1 ha, com Número na Receita Federal – NIRF 1.090.8706, localizado no Município de Poconé MT. Adotando excertos das informações contidas no relatório do acórdão do julgamento da DRJ, fls. 94/105, temse que, inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2003, 2004 e 2005, especialmente a Área de Preservação Permanente – APP; de Utilização Limitada – AUL/Área de Reserva Legal – ARL e o Valor da Terra Nua – VTN, o declarante foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 05 e 06. O Contribuinte, às fls. 10/51, encaminhou a seguinte documentação: cópia do ADA, recebido pelo IBAMA; cópia da intimação; cópia de certidões das matrículas do imóvel, contendo, como último registro, averbações de ARL não datadas; cópia de declarações de VTN; Guia de Controle de Animais; ART; laudo técnico e; mapa com memorial descritivo; entre outros. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 219 3 Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal explicou que, após regularmente intimado, o contribuinte ano comprovou a isenção das APP e ARL. No complemento da descrição observou que o ADA havia sido protocolado no IBAMA em 26/09/2007, quando o prazo limite era 30/03/2005. Relativamente ao VTN, não foi comprovado com laudo elaborado conforme estabelecido nas normas técnicas da ABNT. Com base nessas constatações, foi procedida a glosa das áreas em pauta e modificado o VTN com a utilização das informações do SIPT, bem como alterados demais dados conseqüentes. Apurado o crédito tributário foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 15/12/2008, fl. 52. A impugnação foi apresentada às fls. 54 a 71, na qual o interessado apresentou suas razões de discordância argumentando, em resumo, o seguinte: preliminarmente – Usurpação de Instância de Julgamento sob alegação de que houve cerceamento de defesa, sob a alegação que, ao préjulgar seu próprio ato preparatório, o Agente Lançador usurpou competência legalmente reservada ao Órgão Julgador. No mérito, a respeito da APP afirmou estar devidamente comprovada, identificada e constatada pelo laudo técnico apresentado e, também, mesmo sem necessidade legal, no requerimento do ADA e, ainda, fisicamente demonstrada na imagem satélite, sendo cumpridas as exigências legais. Com relação às AUL/ARL, observou estar devidamente averbada nas matrículas do imóvel e repetiu que, embora sem a necessidade legal, consta de ADA protocolado no IBAMA. Em Sobre a apresentação intempestiva do ADA afirmou não existir determinação legal para exigir este Ato para obter isenção das APP e ARL. Em O Laudo Técnico de constatação do VTN afirmou que atende as disposições das normas técnicas. Requereu que fosse acolhido o VTN apurado no laudo técnico ou aquele declarado, por não possuir a Receita Federal tabela de preço elaborada com atendimento da legislação reguladora que lhe autorize impugnar o valor declarado pelo contribuinte, conforme comprovado pelo recorrente. O órgão julgador de primeiro grau, fls. 54/71, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares arguidas e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, pela falta de ADA tempestivo com relação ao pedido de isenção das áreas e ausência de Laudo Técnico competente para alteração do VTN Tributado. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 112/136, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 147/154, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, resultando sua decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a Fl. 220DF CARF MF 4 preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/há apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel. Recurso Voluntário Provido Da Decisão da Turma, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados. Em seguida, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 165/189, arguindo a exigência da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente – APPs, assim como a apresentação de laudo técnico de acordo com as regras da ABNT para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização. Em sede de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 192/195, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao Recurso Especial, admitindo a divergência apenas em relação à necessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. Sem contrarrazões, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Notificação de Lançamento NL de fls. 01 a 04, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 02 e 04, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2004, no montante de R$ 1.150.269,38, incluído multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2006, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Santa Tereza”, com área total de 13.059,1 ha, com Número na Receita Federal – NIRF 1.090.8706, localizado no Município de Poconé MT. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 220 5 O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à necessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. A questão controvertida diz respeito à exigência de ADA para comprovar a área de reserva legal e de preservação permanente para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 222DF CARF MF 6 Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região CentroOeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. E ainda a existência de ADA para comprovação da existência de área de preservação permanente. O acórdão recorrido assim dispôs: Da explanação supra, concluise ser fundamental para que se possa conceder a isenção do ITR, a apresentação do ADA, contudo, sem a necessidade de ser entregue no prazo de 6 meses na data de entrega da DITR. Diante disso, considerando que o contribuinte apresentou ADA para as áreas declaradas, fls. 10/11 e que a razão da glosa das áreas isentas devese exclusivamente a sua intempestividade, com o afastamento da única motivação do lançamento, a glosa deve ser cancelada e restabelecidas as áreas isentas declaradas de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, devidamente averbada nas matrículas dos imóveis como mostram os documentos de fls. 14 a 22. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 221 7 da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte trouxe aos autos provas suficientes para gozar da isenção de ITR prevista em Lei. Possui ADA as fls. 10, este intempestivo de 2007 e também a averbação tempestiva no registro de imóveis as fls. 14 e 18. O laudo fls 40 confirma a área que conferida com as averbações resulta com a concessão integral do pedido do contribuinte. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, por pois a averbação da área de reserva legal feita após a data de ocorrência do fato gerador não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR, bem como o ADA não é o único documento válido para comprovação da área de preservação permanente, uma vez que a comunicação pode ser realizada por outros meios. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 224DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator Designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento, tanto quanto aos requisitos para exclusão das áreas de preservação permanente como das áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada da base de cálculo do ITR. a) Quanto às áreas de preservação permanente Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 222 9 Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 26/09/07 (e fl. 11), assim, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em julho de 2007 (vide efls. 06 a 08). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente, mas antes do início da ação fiscal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR do exercício 2004. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. Fl. 226DF CARF MF 10 No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 223 11 A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do Fl. 228DF CARF MF 12 âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA contendo a área de preservação permanente glosada, somente foi entregue em 26/09/07 (efl. 11), assim posteriormente ao início da ação fiscal, é de se manter a glosa da base de cálculo do ITR perpretada pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, restabelecendose a glosa de 2.612,0 ha. de área de preservação permanente declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2004. b) Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal: Alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento, muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, fundamentando meu entendimento acerca do tema, ressalvando que as menções ao art. 16 §8o. do Código Florestal, quanto à obrigatoriedade de averbação, são plenamente aplicáveis aqui, uma vez que o §2o. do mesmo artigo, em sua redação anterior, dada pela Lei no. 7.803, de 1989, estabelecida idêntica obrigatoriedade, verbis: (...) Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 224 13 Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de Reserva Legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de Reserva Legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de Reserva Legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à Reserva Legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se Fl. 230DF CARF MF 14 adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da Reserva Legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à Reserva Legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A Reserva Legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 9202005.122 CSRFT2 Fl. 225 15 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a Reserva Legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de Reserva Legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" No caso em questão, conforme se depreende dos documentos de efls. 14 a 32, em 01/01/2004, já se encontrava averbado, na respectiva matrícula, o montante total de 6.296,346 ha. (9 matrículas, cada uma com 699,594 ha., sempre averbados antes do fato gerador), valor, notese, inferior aos 6.529,0 ha. declarados a título de Reserva Legal em DITR. Assim, de se admitir a exclusão da base de cálculo do tributo somente destes 6.296,346 ha. Quanto à necessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão da Reserva Legal, entendo aqui que a averbação pública, agora de natureza constitutiva, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação, em linha com o já aqui esposado quando da análise das áreas de preservação permanente. Ressaltese, que, aqui, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da indicação supra através da mencionada averbação, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. Despicienda, assim, qualquer análise a respeito da apresentação ou protocolização do ADA para fins de exclusão da Reserva Legal, uma vez tendo sido cumprido o requisito de averbação tempestiva de parte desta. Assim, quanto a esta matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, permitindose a exclusão tão somente de 6.296,346 ha. como de utilização limitada. Fl. 232DF CARF MF 16 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente e da parcela da ARL Área de Reserva Legal, no que ultrapassa o total averbado, de 6.296,346 ha. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000241/2008-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DE MAODEOBRA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 02 41 /2 00 8- 75 Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 15983.000241/200875 Acórdão n.º 9202004.984 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723043/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 30 43 /2 01 2- 46 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10711.723043/201246 Acórdão n.º 3201002.526 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizado pela DRJ: Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.098. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10711.723043/201246 Acórdão n.º 3201002.526 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10711.723043/201246 Acórdão n.º 3201002.526 S3C2T1 Fl. 5 4 Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001336/00-27
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTOS E DECISÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO.
Identificada contradição entre os fundamentos e da decisão, abre-se oportunidade de oposição de embargos declaratórios, cujo acolhimento pode acarretar a alteração do decisum.
O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo decadencial/prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo.
O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005.
No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciando-se na ocorrência do fato gerador.
Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão seria pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 07/1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 31/08/2000.
Numero da decisão: 9900-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTOS E DECISÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Identificada contradição entre os fundamentos e da decisão, abre-se oportunidade de oposição de embargos declaratórios, cujo acolhimento pode acarretar a alteração do decisum. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo decadencial/prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciando-se na ocorrência do fato gerador. Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão seria pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 07/1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 31/08/2000.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTOS E DECISÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Identificada contradição entre os fundamentos e da decisão, abrese oportunidade de oposição de embargos declaratórios, cujo acolhimento pode acarretar a alteração do decisum. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo decadencial/prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciandose na ocorrência do fato gerador. Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão seria pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 07/1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 31/08/2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 13 36 /0 0- 27 Fl. 504DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício. Gerson Macedo Guerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela União em face do Acórdão nº 9100000.376, proferido pelo Pleno da CSRF, em sessão de 28/08/2012, onde, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela União, reconhecendo que o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de indébito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, continua observando a tese dos “cinco mais cinco”, conforme decisão abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9900000.986 CSRFPL Fl. 505 3 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62ª do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. O caso analisado foi a realização pedido de restituição da contribuição para o PIS, dos períodos de apuração 07/1990 a 10/1995 (ver DARF’s às fls. 04 a 39 e planilhas às fls. 40 a 42), protocolado em 31/08/2000. O fundamento do pedido foi a declaração da inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88. Importante destacar que o pagamento da contribuição relativa ao período de apuração 07/1990 ocorreu no mês seguinte, ou seja, 08/2000. No entendimento da Turma provedora da decisão embargada, a tese comumente denominada “cinco mais cinco”, que vigorou no âmbito do STJ anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de observância obrigatória deste Tribunal, em decorrência do julgamento do RESP 1.002.932/SP pelo referido Tribunal, o qual foi submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no artigo 543C, do antigo CPC. Nesse contexto, foi negado provimento ao Recurso Extraordinário da União, nos seguintes termos: "Na presente situação, resta claro, que a requerente protocolou Pedido de Restituição, datado de 31/08/2000, onde declarou os possíveis indébitos tributários de PIS, relativo ao período de 01/08/1990 a 31/08/1995." Em sede de Embargos de Declaração a União alega haver contradição na decisão na medida em que sendo o pedido de restituição protocolado em 31/08/2000, o crédito relativo ao fato gerador 07/1990 foi atingido pela prescrição, que foi afastada pelo colegiado para todo o período, inclusive para a competência 07/1990. Fl. 506DF CARF MF 4 Alega a União que os julgadores não aplicaram corretamente o entendimento pacificado pelos Tribunais Superiores, quando reconheceram não haver prescrição do direito à restituição do Contribuinte para todo o período, inclusive para a competência 07/1990. Diante disso a União pede o recebimento e o provimento dos Embargos, para sanar o vício apontado. Na análise de admissibilidade dos embargos, o Presidente da 1ª Câmara e da 1ª Sessão do CARF asseverou que: “No julgamento do Recurso Extraordinário Voluntário que resultou no Acórdão n.º 910000.376, de 28 de agosto de 2012, o Colegiado do Pleno caminhou, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso. A decisão aplicou o art. 62A do regimento então vigente, que impõe a aplicação, nos termos do artigo referido, a jurisprudência do STF e STJ. Ocorre que a jurisprudência alegada é no sentido de que o prazo se conta do fato gerador e não do pagamento. Assim, há contradição entre a decisão e seu fundamento, já que deverseia contar o prazo do fato gerador e não do pagamento.” É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Os Embargos de Declaração opostos são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Conforme entendimento do Poder Judiciário, em relação à comumente chamada tese dos "cinco mais cinco", nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a Fazenda possui prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo (prazo decadencial). No silêncio da Fazenda, ocorre a homologação tácita do lançamento e consequente extinção do crédito tributário em referido período. Já o prazo para o contribuinte exercer seu direito de pleitear a restituição dos tributos indevidamente pagos é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, de acordo com o artigo 168, I, do CTN. Portanto, no caso de tributos cujo lançamento ocorre pela modalidade homologação, no silencio do fisco no prazo de 05 anos contados do fato gerador, operase a extinção do crédito, fazendo nascer para o contribuinte o direito à pleitear a restituição de eventual valor pago indevidamente. Isso anteriormente à Lei Complementar 118/05. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10820.001336/0027 Acórdão n.º 9900000.986 CSRFPL Fl. 506 5 partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do novo prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciandose na ocorrência do fato gerador. Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão deveria ser pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 07/1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 31/08/2000. Assim sendo, voto por DAR provimento aos Embargos, com efeito infringente, para reconhecer haver contradição na decisão embargada, cujo saneamento leva à conclusão de que houve a prescrição do direito à restituição para o período de apuração 07/1990, mantendose a determinação de retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37045.000319/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2005, 2006
RESTITUIÇÃO. TETO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
Comprovada a contribuição ao Regime Geral da Previdência Social em valor que excede ao teto do salário de contribuição, é devida a restituição do valor pago a maior.
Numero da decisão: 2201-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2005, 2006 RESTITUIÇÃO. TETO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Comprovada a contribuição ao Regime Geral da Previdência Social em valor que excede ao teto do salário de contribuição, é devida a restituição do valor pago a maior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 23/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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TETO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Comprovada a contribuição ao Regime Geral da Previdência Social em valor que excede ao teto do salário de contribuição, é devida a restituição do valor pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 23/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 04 5. 00 03 19 /2 00 7- 11 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de pedido de restituição de contribuições previdenciárias que teriam sido recolhidas acima do limite máximo do saláriodecontribuição. No Requerimento de Restituição de fl. 8/11, são pleiteados valores relacionados às competências de janeiro de 2005 a abril de 2006, período no qual foram recolhidos, a título de contribuição individual, código 1007, o valor mensal de R$ 98,00. Em 21 de fevereiro de 2008, fl. 39, foi juntado ao presente, por anexação, o processo 37045.000319/200711, cujo objeto são Requerimentos de Restituição de fl. 40/44, em que são pleiteados valores relacionados às competências de janeiro de 2005 a junho de 2006, período no qual teriam sido retidos contribuição do empregado pela Prefeitura Municipal de Caetité/BA, o valor mensal de R$ 198,00. No Parecer de fl. 97/101, a unidade com jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte indeferiu o pleito, por entender que, no período da restituição pleiteada, existia vínculo do requerente a Regime Próprio de Previdência Social RPPS instituído pela Prefeitura Municipal de Guanambi, o que foi considerado para constatar que, em nenhuma das competências, restou configurado o excesso de contribuição em relação ao limite máximo do salário de contribuição definido para o Regime Geral da Previdência Social RGPS. Ciente do Parecer em 14 de março de 2008, AR de fl. 103, inconformado, o contribuinte formalizou a manifestação de inconformidade de fl. 104/105, afirmando que, ao contrário do que concluiu o Parecer recorrido, seu vínculo com a Prefeitura Municipal de Guanambi seria regido pelo RPPS. Em fl. 116, consta despacho da DRF Vitória da Conquista encaminhando o processo ao 2º Conselho de Contribuintes. Em 29 de outubro de 2009, o Colegiado de 2ª Instância exara a Resolução de fl. 117, que converte o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator, contudo, não consta dos autos o conteúdo de tal voto. Em fl. 118, os autos são distribuídos a um AuditorFiscal da DRF Vitória da Conquista para atendimento da diligência, apontando que a mesma teria sido requerida em fl. 110v (numeração do processo em papel, equivalente´à fl. 117 citada no parágrafo precedente). Em fl. 119, conta resposta à diligência requerida, cujo conteúdo foi levado à ciência do contribuinte nos termos de fl. 123/123, que se manifestou nos termos de fl. 124/125 e juntou os documentos de fl. 126/136. Submetido mais uma vez ao crivo do Colegiado de 2ª Instância, o julgamento novamente foi convertido em diligência, nos termos da Resolução de fl. 138/139, tendo a unidade responsável pela administração do tributo emitido o Relatório de Diligência de fl. 167/170, cuja ciência ao contribuinte foi efetivada em 04 de abril de 2014, conforme fl. 172. É o relatório necessário. Voto Fl. 179DF CARF MF Processo nº 37045.000319/200711 Acórdão n.º 2201003.566 S2C2T1 Fl. 179 3 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Em síntese, o recorrente insurgese contra a Decisão da DRF Vitória da Conquista que negou a restituição de valores recolhidos na condição de contribuinte individual nas competências de janeiro de 2005 a abril de 2006, bem assim dos valores retidos a título de contribuição do empregado pela Prefeitura Municipal de Caetité/BA, nas competências de janeiro de 2005 a junho de 2006. Pelo teor da Informação Fiscal de fl. 167/170, notase que a Autoridade Fiscal, a vista das novas informações trazidas aos autos, em particular a que atesta que o vínculo do requerente com a Prefeitura Municipal de Guanambi é relativo Regime Geral da Previdência Social, fl. 109, entende necessário rever, pelo menos parte, a decisão recorrida. Tudo porque, com bem claro na planilha de fl. 171, a remuneração do contribuinte recebida da Prefeitura de Guanambi excede o teto de contribuição definido para o RGPS, o que faz com que todos os demais valores recolhidos para tal Regime devem ser considerados créditos passiveis de restituição para o contribuinte. Ocorre que, por ter o contribuinte comprovado a retenção da prefeitura de Guanambi apenas a partir do período de janeiro de 2006, o AuditorFiscal não considerou como passíveis de restituição os valores supostamente recolhidos indevidamente durante o anos de 2005, reconhecendo como crédito apenas os relativos ao ano de 2006. Contudo, entendo desnecessária tal comprovação, já que constam nos sistemas da RFB que a citada Prefeitura, durante todo o ano de 2005, efetuou pagamentos regulares ao recorrente, a título de rendimentos do trabalho assalariado, valores estes que foram devidamente levados ao ajusta anual do exercício de 2006, conforme telas abaixo: Fl. 180DF CARF MF 4 Conclusão Por tudo que conta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima, dou provimento ao recurso para que sejam restituídos ao recorrente todos os valores recolhidos na condição de contribuinte individual no período de 01/2005 a 04/2006 e os valores retidos pela Prefeitura Municipal de Caetité/BA no período de 01/2005 a 06/2006. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004104/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano calendário:2004
OMISSÃO NA ENTREGA DA DCTF. OPÇÃO SIMPLES FEDERAL.
Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeita se o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO.
Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 1803-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano calendário:2004 OMISSÃO NA ENTREGA DA DCTF. OPÇÃO SIMPLES FEDERAL. Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeita se o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO. Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo.
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OPÇÃO SIMPLES FEDERAL. Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeitase o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO. Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004104/200811 Acórdão n.º 18031.003 S1TE03 Fl. 42 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004104/200811 Acórdão n.º 18031.003 S1TE03 Fl. 43 3 Relatório VIBROMAQ EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Versa o presente processo sobre notificação de lançamento (fl. 15), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo A multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 3° trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/10) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que não apresentou a referida declaração porque se encontrava devidamente inscrita no Simples, razão pela qual não fica obrigada a apresentação da referida declaração. Defendeu a legalidade de sua inclusão no Simples. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1426.472, de 15 de outubro de 2009 (fls. 19/20), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 25/11/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 22v), apresentou o recurso voluntário em 17/12/2009 fls. 23/37, onde reitera os argumentos da inicial de que tem direito à inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) em virtude da atividade exercida, sendo inconstitucional a cobrança por ferir o princípio da irretroatividade da lei tributária. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004104/200811 Acórdão n.º 18031.003 S1TE03 Fl. 44 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração emitido eletronicamente por atraso na entrega da DCTF do 3º Trimestre de 2004. Alega a recorrente em síntese: a) Que tem direito à inclusão retroativa, pois sua atividade não se assemelha à de engenheiro conforme equivocadamente foi considerada pela Receita Federal, sendo inconstitucional a cobrança por ferir o princípio da irretroatividade da lei tributária; b) Que se encontra pendente de decisão administrativa definitiva o processo que analisa o pedido de inclusão retroativa no qual demonstra que não realiza atividade vedada. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos nos autos, a empresa foi objeto de intimação para apresentação de DCTF’s de diversos períodos, ocasião em que formulou pedido para inclusão retroativa (fl. 39) desde a data de início de suas atividades – 18/05/2001. O pedido de inclusão retroativa foi formalizado no processo administrativo nº 10840.001896/200367 tendo sido rejeitado em todas as instâncias administrativas com fundamento no exercício de atividade vedada (assemelhada a engenheiro). No âmbito do então Terceiro Conselhos de Contribuintes, foi exarado o Acórdão 30238.460, de 28/02/2007 da 2ª Câmara, com o seguinte teor: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2001 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. É vedada a opção pelo Simples para as pessoas jurídicas que prestam serviços de assistência técnica nas áreas de caldeiraria e mecânica industriais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Conforme extrato do sistema COMPROT constante à fl. 18 deste processo, verificase que o processo administrativo contendo o pedido de inclusão retroativa já se encontra arquivado desde 18/04/2009, sendo, portanto definitiva a decisão. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004104/200811 Acórdão n.º 18031.003 S1TE03 Fl. 45 5 Destarte, sendo definitiva a decisão de não inclusão retroativa e sendo defeso nova apreciação por parte deste colegiado julgador, quanto ao mérito da negativa de ingresso no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), não há como acolher as alegações da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 51DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001598/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO.
Contendo o processo e a decisão embargada informações suficientes para a correção dos vícios alegados em sede de embargos de declaração, são estes saneados sem modificação do decidido.
Numero da decisão: 2201-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanando a decisão prolatada por meio do Acórdão 102-49.231 de 10 de setembro de 2008, retificar seu dispositivo para: "rejeitar a preliminar de nulidade e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo utilizada para o lançamento, o valor de R$ 750.000,00, bem como desqualificar a multa de ofício aplicada, nos termos do voto da Redatora designada".
assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
assinado digitalmente
DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relatora.
EDITADO EM: 27/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Contendo o processo e a decisão embargada informações suficientes para a correção dos vícios alegados em sede de embargos de declaração, são estes saneados sem modificação do decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanando a decisão prolatada por meio do Acórdão 10249.231 de 10 de setembro de 2008, retificar seu dispositivo para: "rejeitar a preliminar de nulidade e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo utilizada para o lançamento, o valor de R$ 750.000,00, bem como desqualificar a multa de ofício aplicada, nos termos do voto da Redatora designada". assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. assinado digitalmente DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora. EDITADO EM: 27/03/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 15 98 /2 00 6- 15 Fl. 160DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 10240.231 da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls 121), que deu parcial provimento ao recurso voluntário, ao entender que a recorrente tinha demonstrado a origem de R$ 750.000,00 depositados em conta bancária de sua titularidade no exterior, afastando também a qualificação da multa de ofício por ausência de comprovação de fraude. Originalmente, a contribuinte foi intimada (fls 1 e 10) a comprovar a origem dos recursos de depósito bancário realizado em conta de sua titularidade no exterior, realizado em 13/09/2001, no valor de U$ 400.000,00 (convertidos pela fiscalização para R$ 1.079.000,00), que foram identificados no âmbito das investigações relativas ao caso BanestadoBeacon Hill. A contribuinte alegou (fls 5 e 11) que os recursos tinham origem na venda de um imóvel realizada pelo seu companheiro Edmundo Lemanski, com quem viveria em união estável há mais de trinta anos e com quem teria gerado quatro filhos. A venda teria se aperfeiçoado em 12/09/2001, e o valor teria sido pago através de depósito no exterior. A fiscalização intimou a compradora do imóvel (fls 18) a prestar esclarecimentos e esta (fls 20) alegou ter entregue a quantia de R$ 750.000,00 em dinheiro, tendo comprovado o saque desse valor em 11/09/2001. Em face disso, foi lavrado o auto de infração (fls 30) totalizando R$ 941.672,48, o que inclui multa de ofício de 150%. Houve impugnação (fls 39) julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento (fls 100). O recurso voluntário (fls 109), por outro lado, foi julgado parcialmente procedente pelo acórdão acima identificado, de cuja ementa se destaca: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Comprovações ainda que parciais, acompanhadas de documentos idôneos devem ser consideradas na redução do lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A qualificação da multa de ofício reportase a situações, em que é evidente a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais. Entretanto, a mera constatação de omissão de rendimentos não autoriza a conclusão de presença de fraude. Aplicação sa Súmula 21 do 1º CC. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10980.001598/200615 Acórdão n.º 2201003.516 S2C2T1 Fl. 161 3 A União apresentou embargos de declaração (fls 137) alegando a existência de duas omissões/contradições: a primeira consistiria na falta de indicação das provas que sustentariam a vinculação entre a venda do apartamento e o depósito em conta no exterior; a segunda, questiona sobre a operacionalidade de excluir o valor de R$ 750.000,00 referente à venda do imóvel, se o valor principal da autuação é de apenas R$ 296.758,00. Em relação à primeira matéria, a embargante alega que a contribuinte teria levantado como matéria de defesa três fatos: que a conta corrente alvo de depósito é de titularidade conjunta com seu companheiro, Sr. Edmundo Lemanski; que a origem do dinheiro seria a venda de um apartamento de propriedade dele; que o depósito foi feito por terceiro, em nome do adquirente do imóvel, sediado no exterior. Com base nisso, conclui que, para acatar a tese da autuada e exonerála do crédito tributário, seria necessária a demonstração desses três fatos através de prova hábil e idônea, o que não teria ocorrido pelas seguintes razões: · A própria Relatora do voto vencedor afirma categoricamente que não há comprovação, nos autos, acerca da titularidade em comum da conta corrente alvo do depósito (fls. 133); · Conforme consta do relatório fiscal de fls. 31/33, a adquirente do bem, Sra. Renata Barbieri Coutinho não confirma a tese de que o pagamento da venda do apartamento teria sido feita por terceiro sediado no exterior. Em sentido totalmente contrário, afirma e comprova que o pagamento fora feito em dinheiro, conforme extrato de saque de sua conta corrente e mencionado na própria escritura; · Não há, nos autos, sequer a comprovação de convivência em união estável entre a autuada e o proprietário do bem imóvel, já que na escritura de compra e venda (fls. 12/15) ele se qualifica apenas como divorciado. Ademais, na própria declaração de IR da autuada consta em branco o campo referente a cônjuge e a declaração é feita isoladamente. Segundo a Fazenda Nacional, o único indício considerado pelo voto condutor foi a proximidade de data entre os fatos. Além disso, a Relatora teria feito menção a "documentos que reforçam a tese defendida da autuada", mas teria se omitido em esclarecer que documentos seriam esses. O segundo ponto diz respeito à determinação para exclusão de R$ 750.000,00 da "exigência" quando, em face dos valores envolvidos, o correto seria da base de cálculo. É o relatório. Voto Fl. 162DF CARF MF 4 Conselheira Relatora Dione Jesabel Wasilewski O juízo de admissibilidade dos embargos foram realizados através do Despacho s/n de 12 de agosto de 2015, de lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior e aprovado pela Sra. Presidente da 2ª Câmara 2ª Seção do CARF Maria Helena Cotta Cardozo (fls. 155147), a cujo entendimento me curvo. Omissão quanto à indicação de documentos que teriam reforçado a tese da autuada Afirma inicialmente a embargante que a autuada manejou três argumentos de defesa e que o acatamento de seu pedido estaria subordinado à comprovação dos três fatos alegados. Não concordo com essa afirmação. À defesa é autorizado utilizar quantos argumentos achar necessário, não ficando o convencimento do julgador vinculado a essa correspondência numérica. Por isso, temos de um lado a "ampla" defesa e de outro o "livre" e motivado convencimento do julgador. Por outro lado, a experiência tem demonstrado que tanto a comprovação da ocorrência do fato gerador, como a da sua não ocorrência, raramente se faz através de provas cabais, o que obriga o julgador a realizar um juízo de verossimilhança a partir de um conjunto de indícios. Nesse sentido, extraio do voto do Conselheiro Antonio Bezerra Neto comentário bastante pertinente ao que ora se afirma (Acórdão nº 1401001.726): Prova Indiciária É sabido que a evidência que se infere a partir de um único ou poucos indícios deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o aprofundamento das investigações. Os indícios assim como as presunções são também considerados como provas no Direito tanto se vistos de forma objetiva, constituindose no conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados, quanto subjetivamente falando, meio pelo qual o julgado normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. Os indícios para ter força probante precisam possuir 2(duas) características importantes: Precisão ou economia (conduzem a poucas hipóteses ou apontam para poucas causas) e convergência (quando se encaixa com outro indício, conduzindo a uma mesma conclusão). Partindo dessa premissa, temse que o voto condutor do acórdão ora embargado teve fundamento em um conjunto de indícios que entendeu corroborarem a tese defendida pela recorrente. Nesse aspecto, destaco o trecho que é diretamente questionado em sede de embargos: Pareceme relevante, o confronto entre a data da escritura (12.09.2001), a data do saque em dinheiro realizado pela compradora do imóvel (11.09.2001) e a data da transferência do valor questionado (13.09.2001), para se estabelecer a pretendida Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10980.001598/200615 Acórdão n.º 2201003.516 S2C2T1 Fl. 162 5 correlação entre a venda de bem e a remessa dos valores questionados, ao exterior. A ordem cronológica das datas permite com extrema razoabilidade, admitir que o valor de R$ 750.000,00, comprovadamente recebido pelo marido da interessada, corresponde a, pelo menos, parte do montante transferido para o exterior. E não é só. A conta bancária no exterior, beneficiária da transferência, embora não comprovadamente conjunta com o sr. Edmundo, proprietário formal do imóvel vendido, conta com documentos que reforçam a tese defendida pela autuada. O próprio voto vencido faz referência ao documento apontado pelo voto vencedor: A dialética do processo revela que os julgadores valoraram esse documento correspondência bancária juntada à fl. 50 de modo diferente. Para um, voto vencido, o documento em questão "não é prova hábil para provar a cotitularidade na conta bancária", para outro, voto vencedor, embora não comprove a cotitularidade serve como reforço à tese defendida pela autuada. Ademais disso, resta evidenciado que a redatora considerou comprovado o vínculo entre a Sra. Maria Elisa de Almeida Passos e o Sr. Edmundo Lemanski, uma vez que os identifica reiteradamente como cônjuges. E há elementos no processo que justificam essa conclusão: cópia da carteira de identidade de um filho comum (fls. 47), correspondência do banco dirigida para ambos, indicação do mesmo endereço nas DIRPF e o próprio fato de o Sr. Edmundo Lemanski ter se dado ao trabalho de recolher o IR sobre a diferença entre o valor declarado de venda e o valor apontado pela fiscalização como de depósito no exterior. Há também um fator que não está explicitado no processo, mas que me parece justificar a correspondência feita pelo voto vencedor entre a venda do imóvel e o depósito realizado. A própria fiscalização justifica a obtenção das informações bancárias da autuada na quebra de sigilo decretada no âmbito das investigações que envolviam o caso Banestado/Beacon Hill. Ora, é de conhecimento público que nessa investigação foram identificados doleiros que recebiam valores no Brasil e faziam com que esses valores chegassem às contas bancárias no exterior sem passar pelos rígidos controles da autoridade monetária. Ao valorar as provas ou indícios de prova apresentados, não se pode esquecer o contexto em que os fatos estão inseridos, e o contexto, nesse caso, é de transferência de recursos para o exterior sem o devido registro e controle das autoridades competentes. Entendo, portanto, que não é correto afirmar que o único elemento considerado para julgar procedente o recurso voluntário foi a contemporaneidade dos fatos, pois julgouse também haver prova suficiente do vínculo com o Sr. Edmundo Lemanski e indícios da cotitularidade da conta no exterior, sendo que, em relação a esses dois últimos argumentos, o acatamento de um deles já tornaria dispensável o outro. Fl. 164DF CARF MF 6 Com esses esclarecimentos, julgo sanada a primeira omissão apontada. Omissão/contradição quanto à necessidade de exclusão da exigência de R$ 750.000,00 O voto vencedor foi concluído da seguinte forma: Feitas estas considerações, e afasta qualquer nulidade quanto ao lançamento perfeitamente constituído, entendo que o montante de R$ 750.000,00 deve ser afastado da autuação, e a multa desqualificada de 150% para 75%, dandose assim, parcial provimento ao recurso. Por outro lado, no dispositivo do acórdão, ficou consignado que "acordam os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir da exigência o valor de R$ 750.000,00..." O cerne da discussão desse processo consistia em estabelecer se a venda do imóvel do suposto companheiro da autuada supria a necessária comprovação da origem dos recursos depositados no exterior. A conclusão do julgamento foi pelo acatamento dessa comprovação limitado ao valor de R$ 750.000,00 constante da escritura. Logo, a correta compreensão do que decidido nesse processo é de que o valor de R$ 750.000,00 deve ser excluído da base de cálculo utilizada para o lançamento. Conclusão: Com esses esclarecimentos, voto por acolher os embargos de declaração para, sanando a decisão prolatada por meio do Acórdão 10249.231, de 10 de setembro de 2008, retificar seu dispositivo para: "rejeitar a preliminar de nulidade e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo utilizada para o lançamento, o valor de R$ 750.000,00, bem como desqualificar a multa de ofício aplicada, nos termos do voto da Redatora designada" . Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 165DF CARF MF
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