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Numero do processo: 13896.722310/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE.
Constatado que o acórdão embargado contém obscuridade, prolata-se nova decisão para sanar o vício apontado, inclusive com efeitos infringentes ao se constatar a ocorrência de decadência parcial do lançamento.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ausente comprovação de dolo, fraude ou simulação, em relação aos tributos em que houve comprovação de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial se dá a partir da data de ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1301-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, , em acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes, e retificar o decidido no Acórdão 1301-002.748 para dar provimento parcial ao recurso voluntário em maior extensão, acolhendo a arguição de decadência dos créditos tributários de PIS e Cofins dos períodos de apuração de dezembro de 2008, e janeiro, março, maio e junho de 2009. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto pelas conclusões por entender que os embargos deveriam ser rejeitados pela inexistência de obscuridade, devendo ser declarada a decadência de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. Constatado que o acórdão embargado contém obscuridade, prolatase nova decisão para sanar o vício apontado, inclusive com efeitos infringentes ao se constatar a ocorrência de decadência parcial do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ausente comprovação de dolo, fraude ou simulação, em relação aos tributos em que houve comprovação de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial se dá a partir da data de ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, , em acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes, e retificar o decidido no Acórdão 1301002.748 para dar provimento parcial ao recurso voluntário em maior extensão, acolhendo a arguição de decadência dos créditos tributários de PIS e Cofins dos períodos de apuração de dezembro de 2008, e janeiro, março, maio e junho de 2009. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto pelas conclusões por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 23 10 /2 01 4- 05 Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.571 2 entender que os embargos deveriam ser rejeitados pela inexistência de obscuridade, devendo ser declarada a decadência de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.572 3 Relatório Tratandose de embargos de declaração, transcrevo o excerto do despacho de sua admissibilidade parcial no que se refere à matéria devolvida ao colegiado: Afirma a embargante que a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1301002.748, incorreu em omissão e em contradição, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos (efl. 2230 e ss.): [...] No recurso voluntário foi demonstrada a ocorrência de decadência, com fulcro no artigo 150 do CTN, dos débitos de PIS e COFINS em virtude da existência de pagamento antecipado. Todavia, a r. decisão embargada, ao confrontar o argumento trazido pela Embargante afirmou à fl. 1.982 que: "Em relação ao PIS e à COFINS não há provas do recolhimento antecipado, logo, a contagem do prazo decadencial há de ser feita com base no art. 173,1, do CTN." Ocorre que, diferentemente do aduzido na decisão embargada, a Embargante anexou aos autos desde a sua impugnação diversos recolhimentos realizados no período autuado (fls. 1.290/1.327), que deveriam ser considerados como pagamento antecipado e, portanto, atrair a incidência do artigo 150 do CTN. É possível verificar que dentre os referidos documentos constam pagamentos de PIS (código de receita: 8109) e COFINS (código de receita: 2172) dos meses de outubro de 2008 a novembro de 2009. Dessa forma, resta evidenciada a contradição cometida pela decisão embargada, uma vez que, embora haja nos autos comprovantes de pagamento de PIS e COFINS dos meses de outubro de 2008 a novembro de 2009, foi afirmado que "em relação ao PIS e à COFINS não há prova do recolhimento antecipado". (g.n.) [...] Feito o relato, passo, a seguir, ao exame da presença dos pressupostos para admissibilidade dos embargos declaratórios, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim estabelece: Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.573 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular; (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) VI pelo Presidente da Turma encarregada pelo cumprimento do acórdão de recurso especial. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. §3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Os embargos foram opostos antes de decorrido o prazo regimental de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão embargado, logo, são tempestivos. Ademais, foram opostos por parte legítima, qual seja, o próprio sujeito passivo, por meio de representante regularmente constituído. [...] No tocante à questão da decadência dos créditos tributários de PIS e Cofins, de fato, a decisão recorrida deixou de se pronunciar sobre os documentos anexados às fls. 1.2901327 que se refeririam a comprovantes de pagamentos antecipados de PIS e de Cofins, o que, ao menos em tese, poderia alterar a conclusão quanto à rejeição da arguição de decadência relativa a Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.574 5 essas contribuições, razão pela qual o colegiado deverá se pronunciar a esse respeito. Tendo em vista o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1º e 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ADMITO PARCIALMENTE os embargos somente para que a turma se pronuncie a respeito dos documentos de fls. 1.2901327 para fins de contagem do prazo decadencial relativo aos lançamentos de PIS e de Cofins, salientando que, em relação à parte não admitida dos embargos, essa se deu em caráter definitivo. É o relatório. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.575 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS E DA MATÉRIA DEVOLVIDA AO COLEGIADO Os embargos de declaração já foram admitidos parcialmente pelo Presidente do colegiado, devolvendose a essa turma somente o ponto em que se reconheceu existir algum vício que deu ensejo a prolação de novo acórdão, nos termos do § 3º do art. 65 do Anexo II do RICARF, qual seja, decadência de PIS e de Cofins. 2 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA – EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS ANTECIPADOS DE PIS E DE COFINS No voto condutor do aresto embargado, assim consta: Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC/1973) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.576 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, caso o colegiado acompanhe meu voto no sentido de reduzir a multa de ofício para 75%, afastase a ocorrência dolo, fraude ou simulação. E considerandose que no próprio relatório fiscal constam menções a pagamentos antecipados de IRPJ e CSLL, a contagem do prazo decadencial deve se reger pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contado a partir da ocorrência do fato gerador. Em relação ao PIS e a Cofins não há prova do recolhimento antecipado, logo, a contagem do prazo decadencial há de ser feita com base no art. 173, I, do CTN. Portanto, considerandose que o crédito referente ao mês de novembro de 2008 já foi exonerado a partir da confirmação da decisão de primeira instância, o período de apuração mais longínquo é dezembro de 2008. Nesse caso, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2009, iniciando o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.577 8 01/01/2010. Desse modo, o lançamento poderia ter sido realizado até 31/12/2014, mas foi constituído em setembro de 2014. Assim sendo, não há que se falar em decadência em relação ao crédito tributário remanescente de PIS e de Cofins. Com efeito, tendo sido o lançamento constituído no mês de setembro de 2014, e o IRPJ e a CSLL foram lançados com base em apuração trimestral (lucro arbitrado), o crédito tributário referente ao 4º trimestre de 2008, e aos 1º e 2º trimestres de 2009 também deve ser cancelado. Ocorre, contudo, que há comprovantes de pagamentos antecipados de PIS e de Cofins que foram anexados à impugnação apresentada pelo contribuinte que não foram considerados no acórdão embargado. Embora não se trate de contradição entre a decisão e seus fundamentos, ao se afirmar que não havia comprovantes de recolhimentos antecipados de PIS e Cofins quando, em realidade, há documentação nos autos que demonstra o contrário, incorreu a decisão em obscuridade que demanda a prolação de nova decisão que deve passar a integrar o aresto embargado. Passo a analisar o tema. Os lançamentos de PIS e de Cofins referemse aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2008, e janeiro, fevereiro, março, maio, junho, setembro, novembro e dezembro de 2009, e fevereiro e março de 2010, conforme excertos dos autos de infração reproduzidos a seguir (fls. 973 e 986, respectivamente em relação à Cofins e ao PIS): Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.578 9 Considerandose que os lançamentos foram cientificados ao contribuinte em setembro de 2014, para fins de contagem do prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN – cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador em tese, poderia haver decadência dos fatos geradores ocorridos até agosto de 2009, a depender da existência de recolhimentos antecipados, uma vez que a conduta dolosa por parte do contribuinte foi afastada pelo acórdão recorrido1. A tabela a seguir reproduzida demonstra os períodos sujeitos à decadência a depender da existência de recolhimentos antecipados de PIS e de Cofins: 1 Em relação ao mês de novembro de 2008, o crédito tributário de PIS e de Cofins já foi extinto por decadência no exame do recurso de ofício. No que atine ao meses de julho e agosto de 2009, não houve constituição de crédito tributário dessas contribuições. Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301003.647 S1C3T1 Fl. 2.579 10 PERÍODO DE APURAÇÃO Recolhimento fls. Decadência Recolhimento fls. Decadência dez/08 1294 SIM 1295 SIM jan/09 1298 SIM 1299 SIM fev/09 NÃO NÃO mar/09 1300 SIM 1301 SIM mai/09 1306 SIM 1307 SIM jun/09 1309 SIM 1308 SIM COFINS PIS Desse modo, impõese também a extinção dos créditos tributários de PIS e Cofins dos períodos de apuração de dezembro de 2008, e janeiro, março, maio e junho de 2009. 3 CONCLUSÃO Isso posto, na parte devolvida ao colegiado, voto por acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes e retificar o decidido no Acórdão 1301002.748 para dar provimento parcial ao recurso voluntário em maior extensão, acolhendo a arguição de decadência dos créditos tributários de PIS e Cofins dos períodos de apuração de dezembro de 2008, e janeiro, março, maio e junho de 2009. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917076/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.588
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Trata o presente processo de DCOMP lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido de PIS, segundo informações do contribuinte. Através de despacho decisório emitido pela DERAT/São Paulo a compensação resultou não homologada. Fundamentou a unidade de origem que, apesar de o DARF discriminado no PER/DCOMP ter sido localizado, fora integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 17 07 6/ 20 13 -9 4 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10880.917076/201394 Resolução nº 3201001.588 S3C2T1 Fl. 431 2 Cientificada do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito baseouse em mero equívoco no preenchimento da DCTF apresentada pela manifestante. Tal equívoco consistiria em ter declarado, em DCTF (original), valor da contribuição maior que o devido, do que resultou o recolhimento indevido. Informou que no DACON retificador consta o débito da contribuição igual a zero, ou seja, não que não havia valor da contribuição a ser recolhido no período em tela, e que apresentou a DCTF retificadora respectiva, para corrigir o equívoco, após a ciência do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. CRÉDITO ALEGADO SEM LIQUIDEZ E CERTEZA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Inexistindo certeza e liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação. DACON. RETIFICAÇÂO.PROVA. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do despacho decisório, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento indevido da Contribuição decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, entretanto, com a correspondente retificação da DCTF efetuada somente após a ciência do indeferimento do pleito. No Recurso Voluntário alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão e Memória de Cálculo da contribuição. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10880.917076/201394 Resolução nº 3201001.588 S3C2T1 Fl. 432 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.587, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10880.917075/201340, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.587): (...) "Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. A decisão considerou a DCTF originalmente transmitida e não a sua retificadora, transmitida somente após a ciência no despacho decisório. Contudo, conforme aduz a contribuinte o pagamento indevido é decorrente de apuração incorreta informada em seu Dacon, quanto ao valor devido da Contribuição para PIS/Cofins. A retificação foi realizada e por conseguinte transmitiu o pedido de restituição cumulado com compensação. Ocorre que os valor do débito da Contribuição informado em Dacon não corresponde àquele lançado em DCTF (original, não retificada) e não prevalece sobre este (na DCTF) pois a Declaração1 tem efeito jurídico de confissão de dívida e o Demonstrativo2 apenas de informação. Assim, o encontro de contas (crédito x débitos), no que concerne ao pretenso crédito, foi realizado com base em valores divergentes de débitos de PIS/Cofins consignados no Dacon (retificador) e a DCTF (original). A decisão recorrida denegou o pedido sob o fundamento de que a DCTF não fora retificada a contribuinte não carreou aos autos provas do pagamento indevido. 1 IN SRF nº 14/2000 Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União 2 Solução de Consulta Interna nº 48 DIPJ e DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Dipj e o Dacon tem caráter informativo. Estes documentos não estão enumerados como típicos de confissão de dívida, para efeito de inscrição do saldo a pagar em Dívida Ativa, pelos art. 1° da IN SRF n° 77, de 1998 e § 4°, art, 1°, da IN RFB n° 767, de 2007, nem por outro ato normativo. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.917076/201394 Resolução nº 3201001.588 S3C2T1 Fl. 433 4 A recorrente alega, ainda em manifestação de inconformidade, que o pagamento indevido de PIS/Cofins decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, contudo, com a correspondente retificação da DCTF somente após a ciência do indeferimento do pleito. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à exigibilidade de retificação da DCTF para comprovação do direito creditório antes da prolação do despacho decisório, nas situações em o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que haja na instauração do contencioso (manifestação de inconformidade) elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tomase como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. In casu, há indício de provas nos argumentos da recorrente e maior probabilidade de sua veracidade exsurge no recurso voluntário e os documentos anexos. Na defesa, a interessada apresenta suas "notas explicativas" para demonstrar que o Dacon original foi preenchido com erro no tocante a apuração do PIS a pagar. O ponto que importa à solução da lide é que, retificado ou não, o valor do saldo credor disponível era suficiente para liquidar o débito e ainda manter saldo credor para o período de apuração seguinte. O quadro demonstrativo de apuração de PIS extraídos das informações do Dacon confirmam o provável erro de apuração da Contribuição devida: Constatase que o saldo credor disponível (item 4) ainda no Dacon original era suficiente para liquidar o débito de PIS (item 3) e restar saldo remanescente. Nada obstante, a contribuinte consignou em sua DCTF original o valor apurado tendoo recolhido por intermédio de DARF. Entendo que de fato é plausível o cometimento de erro material na apuração do PIS pois evidenciouse, com os valores informados pela recorrente, a existência de saldo credor no período suficiente para liquidar o débito apurado. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10880.917076/201394 Resolução nº 3201001.588 S3C2T1 Fl. 434 5 A constatação de erro de fato na apuração de tributos que se transfere para a DCTF implica reconhecer o lapso e reapurar o efetivo valor devido. Mas não se pode tomar por verdadeiro o valor do crédito informado no Dacon retificado, pois há de ser confirmado pela Fiscalização quanto à composição tanto do saldo credor (item 4) como o Pis devido (item 3), por meio do confronto das informações e os documentos da contribuinte. Assim, para se fazer prevalecer o princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência e o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco, quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento." Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou documentos fiscais e memórias de cálculo que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF, em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 435DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720235/2017-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL..
É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (Relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL.. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigá-lo a sucessivas tentativas de intimação postal. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (Relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente).
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTIMAÇÃO POSTAL INFRUTÍFERA. INTIMAÇÃO POR EDITAL.. É autorizada a intimação editalícia quando resultar infrutífera a intimação postal. Basta a comprovação de uma tentativa infecunda, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, para permitir a intimação por edital. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigálo a sucessivas tentativas de intimação postal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (Relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 02 35 /2 01 7- 30 Fl. 158DF CARF MF 2 João Maurício Vital Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 62/67) lavrado em desfavor de CELSO BOCK, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2013, exercício 2014, no qual é exigido o valor do referido imposto na quantia no total de R$ 49.919,27. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual(DAA)/2014 (entregue em 28/04/2014), em que se apurou, à fl. 64, a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 35.211,45, vinculado a rendimentos pagos por pessoa jurídica da qual o contribuinte é sóciodirigente, no caso a GVD Importação e Exportação Ltda, CNPJ 87.524.609/000148, que tem débitos declarados em Dirf e DCTF, porém inadimplente. A DRJ de origem não conheceu da impugnação apresentada (acórdão de impugnação de efls. 06 e seguintes), tendo em vista sua intempestividade, uma vez que teria sido expedido para o domicilio fiscal da contribuinte a intimação da notificação de Lançamento, e retornado com o motivo de "ausência", sendo expedido edital de intimação para suprir o ato administrativo de intimação. A impugnação teria sido apresentado mais de 90 (noventa) dias depois do prazo legal. Em seu Recurso Voluntário o recorrente pede a reconsideração da decisão de primeira instância, uma vez que a intimação retornou por motivo de "ausência", e foi enviada somente uma vez ao seu domicílio, ferindo assim princípios da ampla defesa e contraditório. Diante dos fatos narrados, esse é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo, seguindo a regra do art. 33 do Decreto Lei 70.235/72. O recorrente alega que não teria sido respeitado o devido processo legal, ferindo assim a ampla defesa e contraditório, pois a notificação fiscal, teria em verdade, evianda ao seu domicilio fiscal e retornado com aviso de "ausente". A DRJ de origem assim decidiu: "Cabe esclarecer ao impugnante que a Notificação em apreço foi enviada em 29/02/2016 (extrato de fl. 68) para o endereço constante dos sistemas da Receita Federal à época – Rua Independência, 559/501, Centro, Campo Bom, RS; esse endereço é inclusive o citado na impugnação. A Notificação foi Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.720235/201730 Acórdão n.º 2301005.697 S2C3T1 Fl. 159 3 devolvida ao remetente (RFB) por ausente o destinatário (contribuinte). Como a correspondência retornou em 07/03/2016 à RFB, obrigou a que o referido chamamento ocorresse por Edital, o que foi feito (fls. 69/74) nos termos do art. 23, §§ 1º e 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, alterado pelo art. 113 da Lei nº 11.196/2005. No citado Edital de nº 00002/2016, fixado a partir de 08/09/2016, considerase a data de ciência em 23/09/2016. Dessa forma, o trintídio legal se encerrou em 25/10/2016; apresentada a impugnação somente em 13/02/2017, não resta dúvida que o procedimento do notificado foi intempestivo Não se vislumbra, no presente processo, qualquer irregularidade que permitisse adotar outra data para o início da contagem do prazo para impugnar, que não aquela a partir do Edital de fls. 69/74, conforme já esclarecido. A oportunidade de o contribuinte discutir administrativamente o crédito tributário regularmente constituído está condicionada, nesta instância de julgamento, à apresentação de impugnação tempestiva, pois somente ela instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. ". Diante dos fatos ocorridos, de forma excepcional, vejo que o pleito do contribuinte possui elementos para o seu deferimento. Senão vejamos. Foi realizada tentativa de intimação fiscal para o contribuinte em seu domicilio, sendo que a carta com o AR retornou com o motivo de "ausente". Posteriormente, sem nenhuma nova tentativa para localizar ou intimar o contribuinte foi emitido edital de intimação. Cabe mencionar que, o contribuinte recebeu e tomou ciência do termo de intimação fiscal, sem maiores problemas, sendo válida a intimação primeira que deu conta do procedimento fiscal (conforme se constata da efl. 31). A procuração ao patrono juntada com sua impugnação apresenta o mesmo endereço que foi enviada a notificação e que retornou como ausente. Esse Conselho já decidiu em outras oportunidades que, para que haja a citação por edital deve haver a frustração de meios hábeis para intimação do contribuinte, conforme se constata do Acórdão de Julgamento n.º 1401001.643, de 07/06/2016, de relatoria do Conselheiro Luiz Antonio de Paula, assim ementado: "EMENTA. INTIMAÇÃO POSTAL E EDITALÍCIA NULIDADE A intimação editalícia só é válida no caso de ter sido infrutífera a intimação postal; para tal, porém, não basta a postagem da intimação, nem a juntada do aviso de recebimento. É necessário que este aviso de recebimento contenha elementos capazes de comprovar a tentativa frustrada". Cabe mencionar que, a notificação do lançamento tem o condão de dar eficácia ao lançamento, ou seja, o procedimento de envio da notificação perfectibiliza todos esses atos anteriores préconstituídos pelo agente fiscal (auditor). Nesse sentido, Leandro Paulsen explica que: Fl. 160DF CARF MF 4 “A notificação do lançamento ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Tratase de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a notificação, o contribuinte é instado a pagar e, se não o fizer nem apresentar impugnação, poderá sujeitarse à execução compulsória através de execução fiscal. Ademais, após a notificação, o contribuinte não mais terá direito a certidão negativa de débitos. A notificação está para o lançamento como a publicação está para a Lei, sendo que para esta o Min. Ilmar Galvão, no RE 222.241/CE, ressalta que “Com a publicação fixase a existência da lei e identifica a sua vigência...” (In Direito Tributário e Código tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 11ª Ed. Livraria do Advogado, notas ao artigo 142 do CTN). Assim, com a notificação formalmente entregue ao domicílio do contribuinte, ainda que não seja de forma pessoal, é que permite a eficácia ao Lançamento fiscal. No presente caso, a autoridade fiscal não tornou perfeito o ato que torna eficaz o Lançamento, uma vez que em uma única tentativa de intimação no domicílio fiscal, como retorno de "ausente", não tem o condão de tornar frustrada a localização do contribuinte, já que em outro momento ele teria sido intimado no mesmo endereço. Nesse sentido, pelo princípio da ampla defesa e contraditório, dentro do devido processo legal, deve ser deferido o pedido do recorrente para que acolhida sua impugnação, e analisada o mérito de sua defesa pela primeira instância. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para anular a decisão de primeira instância, a fim de que seja proferida nova decisão com análise de mérito da impugnação do recorrente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Voto Vencedor Respeitosamente, divirjo da conclusão do relator quanto à necessidade de mais de uma tentativa de notificação pela via postal. A regra processual é muito clara ao autorizar a intimação por edital quando resultar improfícua a tentativa postal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11065.720235/201730 Acórdão n.º 2301005.697 S2C3T1 Fl. 160 5 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. No caso presente, a intimação foi encaminhada, por intermédio dos Correios, ao domicílio fiscal do sujeito passivo e retornou com a informação ausente. Ora, percebo que a tentativa de intimar pela via postal aconteceu, mas resultou infrutífera, autorizando a intimação editalícia. Se o contribuinte estava de férias e não havia ninguém em casa, ou se teria ido à padaria, ou seja lá qual for o motivo não implica que a Administração Tributária deva, indefinidamente, tentar intimálo em seu endereço. A ausência do morador no momento da entrega da correspondência não pode ser oposta ao Fisco para obrigálo a sucessivas tentativas de intimação postal. Entendo, pois, que basta a comprovação de uma tentativa infecunda no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte para permitir a intimação por edital Ao se considerar a intimação feita por edital hígida, a impugnação restará intempestiva; portanto, concordo com a conclusão do acórdão recorrido e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator designado. Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720383/2016-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/11/2012
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO DE 11%.
A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n° 9.711/99.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO.
No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-004.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RETENÇÃO DE 11%. A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n° 9.711/99. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 83 /2 01 6- 69 Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 817 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0658.659 5a Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: O presente processo tem por objeto Auto de Infração lavrado para apuração de contribuições sociais previdenciárias devidas pelo sujeito passivo BV FINANCEIRA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (CNPJ n° 01.149.953/000189) na condição de sucessora da empresa CP PROMOTORA DE VENDAS S/A (CNPJ sob n° 06.864.377/000175). Os valores totais apurados no Auto de Infração foram os seguintes (fls. 620 a 626): CONTRIBUIÇÃO SUJEITA RETENÇÃO PREVID LANÇ OF R$ 203.055,47 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 86.469,46 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 152.291,54 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (TOTAL) R$ 441.816,47 Segundo consta Relatório Fiscal de fls. 628 a 641, o Auto de Infração tem por objeto diferenças devidas pelo sujeito passivo, na condição de contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, referentes à retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas contratadas, conforme previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 818 3 O conteúdo do Relatório Fiscal pode ser resumido da seguinte forma: O procedimento fiscal teve início em 23/11/2015, para auditoria da pessoa jurídica CP Promotora de Vendas S/A (CNPJ sob n° 06.864.377/000175), a qual foi incorporada pela empresa BV Financeira S.A. Crédito Financiamento e Investimento (CNPJ 01.149.953/000189), conforme consta na Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31/07/2013 e na informação prestada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue em 29/08/2013. Nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional e do art. 496 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, a empresa BV Financeira S.A. Crédito Financiamento e Investimento é responsável pelos créditos tributários apurados na auditoria efetuada na empresa incorporada. A retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, a ser efetuada pela contratante, foi introduzida na legislação previdenciária por meio da Lei n° 9.711/98, que deu nova redação ao art. 31 da Lei n° 8.212/91, o qual sofreu algumas alterações posteriormente, sendo que desde 2009 vigora a redação dada pelas Leis n° 11.933/2009 e 11.941/2009. Ainda que a empresa tomadora não efetue a retenção, tal fato não a exime do dever de recolher a contribuição, nos termos do art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91. Com o objetivo de estabelecer critérios e rotinas para a fiscalização de empresas e não deixar dúvidas quanto à aplicabilidade da Lei, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n° 971/2009, cujo Capítulo VIII disciplina a referida retenção, estabelecendo inclusive a base de cálculo e as deduções eventualmente permitidas. No contrato celebrado entre a empresa fiscalizada e a empresa Magno Serviços Gerais Ltda CNPJ: 03.987.717/000167, verificouse que se trata de contratação de serviços de limpeza que deveriam ser prestados na dependência da contratante ou em locais por ela indicados, sem previsão de fornecimento de material e/ou equipamento. Verificouse também que na notas fiscais de serviço apresentadas não há discriminação de valores relativos a mão de obra e material, sendo que no campo destinado à discriminação de serviços prestados, consta sempre a seguinte frase “Prestação de serviços conforme contrato em vigor”. Todas as notas fiscais continham destaque de valor correspondente à retenção de 11% relativo a uma base de cálculo que nunca é o valor bruto da nota fiscal, o que está incorreto, pois a legislação é clara ao estabelecer que se não há discriminação de valores de mão de obra e material na nota fiscal a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota. Desta feita, foi apurada a diferença de retenção dos 11% não realizada e não recolhida pela empresa contratante, conforme indicado em demonstrativo anexo ao lançamento. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 819 4 No contrato celebrado entre a empresa fiscalizada e a empresa RV Segurança Patrimonial Ltda CNPJ: 66.841.552/000130, verificouse que se trata de contratação de serviços de vigilância que deveriam ser prestados na dependência da contratante ou em locais por ela indicados, sem discriminação de valores referentes a mão de obra e material. Verificouse também que na notas fiscais de serviço apresentadas não há discriminação de valores relativos a mão de obra e material, sendo que no campo destinado à discriminação de serviços prestados, consta sempre a seguinte frase “Prestação de serviços conforme contrato em vigor”. Todas as notas fiscais continham destaque de valor correspondente à retenção de 11% relativo a uma base de cálculo que nunca é o valor bruto da nota fiscal, o que está incorreto, pois a legislação é clara ao estabelecer que se não há discriminação de valores de mão de obra e material na nota fiscal a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota. Desta feita, foi apurada a diferença de retenção dos 11% não realizada e não recolhida pela empresa contratante, conforme indicado em demonstrativo anexo ao lançamento. Em relação aos serviços prestados pela empresa Wechsel Ltda CNPJ: 04.940.977/000140, a empresa fiscalizada apresentou apenas dois aditivos contratuais (5° e 6°). O 6° Aditivo, datado de 01/10/2014, não contém previsão de fornecimento de material/equipamentos e, além disso, não tinha validade para a empresa fiscalizada, pois esta não era parte do mesmo e porque o documento foi celebrado em data posterior ao período fiscalizado. No outro Aditivo apresentado (Quinto Termo Aditivo), datado de 29/10/2012, consta que a empresa fiscalizada (CP Promotora de Vendas S/A) “adere, sem ressalvas, às cláusulas e condições do Contrato, figurando também como CONTRATANTE a partir de 04 de Dezembro de 2007”. Em relação a esses documentos, a fiscalização considerou que a empresa fiscalizada (CP Promotora de Vendas S/A) só pode ser considerada parte do contrato a partir de 29/10/2012. Destacou se também que da leitura do aditivo não é possível sequer identificar a natureza dos serviços contratados, o que só foi possível por meio das notas fiscais apresentadas. Destarte, considerouse que não há discriminação contratual de valores destinados a mão de obra e material, o mesmo ocorrendo nas notas fiscais de serviços, em cujo campo destinado à discriminação de serviços prestados, consta sempre a frase “Serviços de Manutenção Predial” e no campo Código do Serviço consta “01406 Limpeza, manutenção e conservação de imóveis, chaminés, piscinas e congêneres, inclusive fossas”. Todas as notas fiscais continham destaque de valor correspondente à retenção de 11% relativo a uma base de cálculo que nunca é o valor bruto da nota fiscal, o que está incorreto, pois a legislação é clara ao estabelecer que se não há discriminação de valores de mão de obra e material na nota fiscal a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota. Desta feita, foi apurada a diferença de retenção dos 11% não realizada e não recolhida pela empresa contratante, conforme indicado em demonstrativo anexo ao lançamento. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 820 5 O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração no dia 27/06/2016 (fls. 644) e apresentou impugnação tempestiva no dia 27/07/2016 (fls. 648 a 664), com as alegações a seguir sintetizadas: Afirma que art. 195, I, “a”, da Constituição Federal e o art. 22, I, da Lei n° 8.212/91 estabelecem que o contribuinte das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salário é o empregador, pois este tem relação pessoal e direta com o fato gerador, enquanto o art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98, a fim de garantir a arrecadação e facilitar a fiscalização dessa contribuição, estabeleceu que no caso de serviços executados mediante cessão de mão de obra a empresa deve reter 11% do valor bruto da notas fiscal ou fatura de prestação de serviços. Aduz que embora o legislador tenha pretendido consagrar uma hipótese de substituição tributária para as contribuições previdenciárias, o tomador de serviços executados mediante cessão de mão de obra não se enquadra na definição de sujeito passivo por substituição constante do artigo 128 do Código Tributário Nacional, pelo que não lhe são aplicáveis as normas relativas a tal instituto. Menciona os artigos 121, II, e 128 do Código Tributário Nacional, concluindo que a responsabilidade tributária pressupõe que a terceira pessoa esteja ao menos vinculada à ocorrência do fato gerador, o que não ocorre no caso da retenção previdenciária, onde não há qualquer vinculação entre o substituto tributário e o fato gerador, pois o tomador do serviço não é o contribuinte originário da contribuição e não tem qualquer controle sobre a elaboração e pagamento da folha de salário do cedente da mão de obra. Entende que assim a retenção não constitui hipótese de substituição tributária, mas de mera obrigação de fazer, de modo que o descumprimento de tal obrigação acessória ensejaria apenas a aplicação de penalidade (multa) ao agente da retenção. Alega ainda, para a hipótese de seu entendimento não ser acatado pela DRJ, que a retenção de 11% constitui mera antecipação das contribuições devidas pelo contribuinte do tributo (prestador de serviços), ao qual cabe realizar o ajuste dos valores antecipados pela fonte pagadora, de maneira semelhante ao que ocorre, mutatis mutandis, com a retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), sendo que em ambas as situações a retenção configura antecipação do tributo devido pelo contribuinte. Menciona o Parecer Normativo RFB n° 1/2002, segundo o qual a responsabilidade da fonte pagadora em relação ao recolhimento do tributo extinguese na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. Conclui que a fonte pagadora apenas cumpre uma obrigação acessória e sua responsabilidade pelo recolhimento das contribuições é de natureza subsidiária, de modo que a imposição tributária à tomadora dos serviços somente se justificaria mediante a comprovação do não recolhimento das contribuições pela empresa prestadora dos serviços, o que não foi observado pela autoridade fiscal, que em momento algum verificou se as prestadoras efetuaram o Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 821 6 recolhimento das contribuições previdenciárias a seu cargo. Finaliza ressaltando que autoridade fiscal detém inúmeros instrumentos para detectar o recolhimento das contribuições previdenciárias pelas prestadoras de serviços, sendo que no caso de manutenção da exigência estarseá permitindo a cobrança de um crédito tributário que possivelmente foi recolhido aos cofres públicos, acarretando enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, em ofensa ao princípio da moralidade administrativa insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Contesta o entendimento da fiscalização de que não poderia ter havido exclusão de materiais e equipamentos da base de cálculo da retenção em virtude da falta de discriminação dos respectivos valores nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços. Alega que utilização de materiais e equipamentos, no presente caso, é inerente à prestação dos serviços contratados, concernentes a vigilância, limpeza e manutenção, o que justifica de per se a sua exclusão da base de cálculo. Invoca os artigos 121 e 122 da IN RFB n° 971/2009 e afirma que as notas fiscais emitidas pelas prestadoras consignam a dedução dos valores correspondentes aos materiais. Considera ser inviável trazer aos autos cópias de todas as notas fiscais do período autuado, motivo pelo qual elegeu uma nota fiscal de cada prestador para perfazer uma amostragem que comprova sua afirmação. Assevera ser óbvio que para os serviços de limpeza a quantia deduzida apenas pode se referir aos valores dos materiais e equipamentos utilizados, pois são inerentes a essa atividade (produtos químicos, vassouras, luvas, toucas, entre outros). Afirma que o mesmo raciocínio é aplicável aos serviços de vigilância e aos serviços de manutenção, os quais necessariamente demandam a utilização de materiais e equipamentos específicos à execução dos serviços. Por fim, entende que é fato notório que o uso de materiais e equipamentos é inerente aos serviços de limpeza, vigilância e manutenção predial, motivo pelo qual deve ser admitida a dedução da base de cálculo da retenção, conforme art. 122, § 1°, da IN RFB n° 971/2009. Contesta a aplicação da multa de ofício, tendo em vista que as infrações foram praticadas pela empresa CP Promotora de Vendas S/A, a qual foi incorporada pela autuada em 07/2013. Salienta que o lançamento foi efetuado após a incorporação, motivo pelo qual a incorporadora não pode ser responsabilizada pela sanção, pois nos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade do sucessor compreende apenas os tributos devidos até a data da incorporação, e não eventuais penalidades ainda não aplicadas. Explica que isso ocorre porque o tributo advém da obrigação tributária nascida com a ocorrência do fato gerador (préexistente à incorporação), o que não ocorre com a penalidade, a qual advém exclusiva e necessariamente do lançamento de ofício (posterior à incorporação) e não se inclui no patrimônio do sucedido a ser transferido para o sucessor. Nesse sentido, cita textos doutrinários de Pedro Martins Fernandes e Sacha Calmon Navarro Coelho, bem como decisão do Supremo Tribunal Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 822 7 Federal e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Destaca a Súmula n° 47 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual é cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico”, ressalvando, porém, que no presente caso inexiste alegação fiscal nem comprovação de que a CP Promotora e a impugnante estavam sob controle comum e/ou pertenciam a mesmo grupo econômico no período autuado. Afirma que a RFB tem por praxe aplicar juros de mora também sobre a parcela da multa, o que não se afigura correto à luz da legislação tributária, pois sob a ótica dos artigos 113, 139 e 161 do Código Tributário Nacional, não há previsão para cobrança de juros de mora sobre multa. Alega que da interpretação sistemática desses preceitos concluise que com a ocorrência do fato gerador de um tributo ou de uma multa, surge uma obrigação cujo inadimplemento acarreta a incidência de juros de mora, os quais incidem sobre o tributo ou sobre a multa mas não sobre ambos. Destaca que a incidência de juros de mora sobre a multa seria cabível tãosomente na hipótese de multa cobrada isoladamente, conforme previsto no art. 43, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96. Invoca também o art. 61, § 3°, da referida lei, que prevê a incidência de juros sobre os tributos e contribuições que não forem pagos no vencimento, os quais não podem ser confundidos com eventuais multas. Em relação a esse tema, cita o Acórdão n° 910100.722 da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final, com base nesses argumentos, a empresa autuada requereu o conhecimento e a procedência de sua impugnação, com o consequente cancelamento integral da autuação. Subsidiariamente, requereu a extinção da multa de ofício cominada e, ainda, o afastamento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 738/754): PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos da legislação previdenciária. O recolhimento sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não sendo lícito alegar omissão para se eximir desta responsabilidade, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de arrecadar. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 823 8 FORNECIMENTO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA RETENÇÃO. NECESSIDADE DE DISCRIMINAÇÃO NA NOTA FISCAL. Quando se trata de serviço prestado com fornecimento de materiais ou utilização de equipamentos, exceto os manuais, a cargo da empresa contratada, é cabível a redução da base de cálculo da retenção, desde que haja discriminação desses valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, observados os demais requisitos e critérios previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A responsabilidade tributária da empresa que sucede outra por incorporação abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é parte integrante do crédito tributário e, nessa condição, está sujeita à incidência dos juros de mora, conforme previsto nos artigos 113, § 1°, 139, e 161 do Código Tributário Nacional. Em face da referida decisão, a contribuinte manejou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da impugnação. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. DDoo mméérriittoo O crédito tributário lançado referese ao descumprimento de obrigação principal, mais precisamente as contribuições previdenciárias, atinentes à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mão de obra, constantes de nota fiscal, fatura ou recibo, previstos no art. 31, da Lei n.° 8.212/91, para a competências de 09/2011 a 11/2012. A recorrente sucedeu a empresa CP Promotora de Eventos S/A. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 824 9 Em se tratando de contratação de serviços mediante cessão de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nos seguintes termos: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5°do art. 33. (Redação dada pela MP n° 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei n° 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei n° 9.711/98 Cumpre registrar que o presente lançamento não se refere à responsabilidade solidária e sim ao dever de retenção de 11% que o sujeito passivo deveria ter efetuado em razão da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme legislação encimada. Pelas informações trazidas no relatório fiscal, foram efetuados os destaques nas notas, entretanto o recolhimento foi efetuado tendo por base valor inferior bruto das notas fiscais, sendo lançado crédito tributário em relação a respectiva diferença. No entanto, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5° da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...). §5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Cumpre ressaltar que, conforme bem pontuado pela decisão de piso, a possibilidade de redução da base de cálculo da retenção nos casos em que a contratada se obriga a fornecer materiais ou dispor de equipamentos, prevista nos §§ 7° e 8° acima transcritos, encontrase disciplinada, pelos artigos 121 a 123 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, a seguir sintetizadas: •Quando os valores dos materiais e dos equipamentos fornecidos pela contratada estiverem discriminados no contrato e na nota Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 825 10 fiscal, fatura ou recibo, não integrarão a base de cálculo da retenção (art. 121, caput). •Quando o contrato contiver previsão de fornecimento de materiais/equipamentos, mas sem discriminação de valores, e houver discriminação desses valores apenas na nota fiscal/fatura ou recibo, poderá haver redução da base de cálculo da retenção, observandose percentuais mínimos (art. 122, caput). •Quando a utilização de equipamentos for inerente à execução dos serviços, e não houver discriminação de valores no contrato, independentemente da previsão contratual do fornecimento de equipamentos, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, fatura ou recibo, poderá haver redução da base de cálculo observandose percentuais mínimos (art. 122, § 1°). •Se o contrato não prevê fornecimento de material ou equipamento, cuja utilização não seja inerente ao serviço, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, mesmo que haja discriminação de valores nesses documentos (art. 123, caput). • Se houver previsão contratual de fornecimentos demateriais/equipamentos, com ou sem discriminação de valores no contrato, mas sem discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o respectivo valor bruto (art. 123, parágrafo único). Além da presença das circunstâncias acima, é de imperiosa necessidade a discriminação dos valores dos materiais fornecidos e dos equipamentos utilizados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Depreendemse das notas fiscais analisadas que não constam valores de materiais e equipamentos. Sem essa discriminação, não há que se falar em redução de base de cálculo da retenção. O núcleo do recurso voluntário consiste na afirmação de que o recorrente não é o contribuinte e que a Fiscalização deveria, em primeiro lugar, ter verificado o cumprimento das obrigações tributárias nas empresas prestadoras se serviço. Com todo respeito à tese da recorrente, o que a mesma pretende é um desvirtuamento do instituto da substituição tributária a seu favor. Se fosse necessário fiscalizar as empresas prestadoras de serviço, não haveria razão de existir a retenção de 11%, que foi criada justamente para facilitar a fiscalização e arrecadação do tributo em tela. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. O tema em questão já foi objeto de inúmeras controvérsias judiciais, já tendo o Supremo Tribunal Federal em duas oportunidade infirmado a constitucionalidade da retenção de 11%. Vejamos o que constou no Informativo nº 368 do STF acerca do tema: Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 826 11 Contribuição Previdenciária e Retenção sobre Nota Fiscal ou Fatura de Prestação de Serviços – 2 O Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão da 3ª Turma do TRF da 1ª Região que decidira pela legitimidade da retenção, pela empresa contratante de serviços executados mediante mãode obra, de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, para fins de contribuição previdenciária, nos termos previstos no art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98 v. Informativo 355. Entendeuse que a alteração introduzida pela Lei 9.711/98 não implicou criação de nova contribuição ou contribuição decorrente de outras fontes com ofensa ao art. 195, §4º, da CF, porquanto apenas objetivou simplificar a arrecadação do tributo e facilitar a fiscalização no seu recolhimento, não ocorrendo, por conseguinte, violação à regra da competência residual da União (CF, art. 154, I). Salientouse ser improcedente a assertiva de que o fato gerador estaria ocorrendo posteriormente ao recolhimento, uma vez que o sujeito passivo estaria obrigado a reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 2 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mãodeobra, observadas as disposições inscritas nos parágrafos no art. 31 e no §5º do art. 33 da Lei 8.212/91. Afirmouse que a CF autoriza a lei a atribuir ao sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido (CF, art. 150, §7º), sendo que o CTN ainda prescreve em seu art. 128 que "sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". Concluiu se, afastando a tese de que a mencionada retenção constituiria empréstimo compulsório (CF, art. 148), que os valores retidos em montante superior ao devido pela empresa contratada deverão ser restituídos nos termos do art. 31, §2º, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98, razão por que também não estaria havendo utilização do tributo com efeito de confisco (CF, art. 150, IV). Vencido o Min. Marco Aurélio que dava provimento ao recurso por considerar que a legislação ordinária acabou por aditar a CF, introduzindo, em termos de adiantamento, uma nova base de incidência da contribuição social, ou seja, o valor da nota fiscal relativa à prestação de serviço, a qual abrangeria outros fatores estranhos à folha de salários, inclusive o lucro. Leia o inteiro teor do voto do relator na seção de Transcrições deste Informativo. RE 393946/MG, rel. Min. Carlos Velloso, 3.11.2004. (RE 393946) Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 827 12 Mais recentemente, nos autos do RE nº 603.191/MT, com repercussão geral reconhecida, de relataria da Ministra Ellen Gracie, o Pleno do Tribunal ratificou o entendimento pela constitucionalidade da retenção em discussão. O julgado restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO DE 11% ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Na substituição tributária, sempre teremos duas normas: a) a norma tributária impositiva, que estabelece a relação contributiva entre o contribuinte e o fisco; b) a norma de substituição tributária, que estabelece a relação de colaboração entre outra pessoa e o fisco, atribuindolhe o dever de recolher o tributo em lugar do contribuinte. 2. A validade do regime de substituição tributária depende da atenção a certos limites no que diz respeito a cada uma dessas relações jurídicas. Não se pode admitir que a substituição tributária resulte em transgressão às normas de competência tributária e ao princípio da capacidade contributiva, ofendendo os direitos do contribuinte, porquanto o contribuinte não é substituído no seu dever fundamental de pagar tributos. A par disso, há os limites à própria instituição do dever de colaboração que asseguram o terceiro substituto contra o arbítrio do legislador. A colaboração dele exigida deve guardar respeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não se lhe podendo impor deveres inviáveis, excessivamente onerosos, desnecessários ou ineficazes. 3. Não há qualquer impedimento a que o legislador se valha de presunções para viabilizar a substituição tributária, desde que não lhes atribua caráter absoluto. 4. A retenção e recolhimento de 11% sobre o valor da nota fiscal é feita por conta do montante devido, não descaracterizando a contribuição sobre a folha de salários na medida em que a antecipação é em seguida compensada pelo contribuinte com os valores por ele apurados como efetivamente devidos forte na base de cálculo real. Ademais, resta assegurada a restituição de eventuais recolhimentos feitos a maior. 5. Inexistência de extrapolação da base econômica do art. 195, I, a , da Constituição, e de violação ao princípio da capacidade contributiva e à vedação do confisco, estampados nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição. Prejudicados os argumentos relativos à necessidade de lei complementar, esgrimidos com base no art. 195, § 4º, com a remissão que faz ao art. 154, I, da Constituição, porquanto não se trata de nova contribuição. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 7. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC.” (Dje 5/9/11). Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 828 13 Destarte, entendo que agiu com acerto a autoridade fiscal ao lançar o presente crédito tributário. DDaa iimmppuuttaaççããoo ddee mmuullttaa ddee ooffíícciioo àà ssuucceessssoorraa A questão da exigência da multa de ofício na empresa sucessora encontrase pacificada no âmbito do Carf, tendo sido objeto da súmula n° 113, a seguir transcrita: Súmula CARF n° 113 A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de oficio, antes ou depois do evento sucessório. Acórdãos Precedentes: 2401004.795, de 10/05/2017; 3401003.096, de 23/02/2016; 9101002.212, de 03/02/2016; 9101002.262, de 03/03/2016; 9101002.325, de 04/05/2016; 9202006.516, de 27/02/2018. Tal entendimento encontrase também consolidado no STJ, que por ocasião do julgamento do REsp n° 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543C do CPC/1973, já transitado em julgado desde 04/06/2013, firmou a seguinte tese, consolidada na Súmula 554 do mesmo tribunal superior: "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem divida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão." Ainda assim, adiro integralmente à decisão da DRJ por absoluta concordância com os seus fundamentos. Cumprenos ainda analisar a questão relativa à aplicabilidade da multa de ofício à autuada, eis que as contribuições apuradas referemse a fatos geradores praticados por pessoa jurídica que foi por ela incorporada em 31/07/2013. Nesse ponto, a impugnante alega que não poderia ser responsabilizada pela multa porque o art. 132 do Código Tributário Nacional dispõe que a responsabilidade da incorporadora abrange apenas os “tributos” devidos até a data do ato de incorporação, e não pelas “penalidades” O mencionado artigo 132 do CTN, assim dispõe: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 829 14 Impende, neste ponto, mencionar que, dentro do Código Tributário Nacional, o artigo 132 está inserido na Seção II Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V Responsabilidade Tributária, do Título II Obrigação Tributária, do Livro Segundo Normas Gerais de Direito Tributário. A referida Seção II iniciase com o artigo 129 que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas à “Responsabilidade dos Sucessores” (art. 130 a 133) e assim prescreve: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Desta maneira, dentro de uma interpretação sistemática, a sucessora é responsável pelos créditos tributários constituídos posteriormente à data do evento da sucessão, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Consoante artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e a obrigação tributária, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Ressaltese que no artigo 132 não foi excluída expressamente a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Assim, não há autorização legal para afastar a exigência da multa de ofício, nos casos de sucessão, como pretende a interessada. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça respalda esse entendimento, conforme podemos observar: Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015 Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Temas Repetitivos: Tema 382 Processo REsp 923.012/MG Questão submetida a julgamento: Questão referente à possibilidade ou não de extensão da responsabilidade tributária da empresa sucessora às multas, moratórias ou de outra espécie, aplicadas à empresa sucedida, e não apenas aos tributos por esta devidos. Tese Firmada: A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 830 15 REsp 923.012/MG TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.° 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) ”(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional”. Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9a ed., p. 701) (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 923.012/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) EDcl no REsp 923.012/MG EMBARGOS DECLARA TÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 831 16 EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. (..) Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Embargos Declaratórios rejeitados. (EDcl no REsp 923.012/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/04/2013, DJe 24/04/2013) Portanto, não prospera a alegação de impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por incorporação. Destarte, entendo que não assiste razão à recorrente. CCoonncclluussããoo Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.720383/201669 Acórdão n.º 2201004.831 S2C2T1 Fl. 832 17 Fl. 832DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.002865/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/05/1995
COMPENSAÇÃO.VERIFICAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em DCOMP para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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CERTEZA E LIQUIDEZ. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em DCOMP para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 28 65 /2 00 4- 21 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 267 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 261 a 268) interposto pelo Contribuinte, em 29 de setembro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1289.583 (fls. 246 a 252), de 25 de julho de 2017, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 236 a 243). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de declaração de compensação de fls. 02/03, relativa a valores que teriam sido recolhidos indevidamente pela interessada a título da Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, referentes aos períodos de apuração (PA) 06/1995 a 08/1995, no montante de R$ 226.455,17. Inicialmente, a DRFVitória/SEORT exarou Parecer nº 1129/2004 e Despacho Decisório (fls. 41/42), deixando de homologar a compensação declarada pela interessada, ao argumento de que, com fundamento nos artigos 165, I e 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), e considerando o disposto no Ato Declaratório n° 96/99, já se encontrava extinto, na data de protocolização da declaração acostada à inicial (13/08/2004), o prazo de 5 (cinco) anos para que a contribuinte pudesse pleitear o reconhecimento do direito ao crédito a ser utilizado na compensação por ela pretendida. A pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade questionando a contagem de prazo prescricional de cinco anos, seguindo entendimento do STJ e do então Conselho de Contribuintes. Mediante Acórdão nº 1316.878, de 24/08/2007, a 5ª Turma da DRJ/RJO II – Fls.97 e ss., seguiu o entendimento da DRFVitória. No entanto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 3201001.166 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária (fl.127 e ss.), proveu o recurso voluntário para afastar a decadência “e devolver os autos ao órgão de origem para analisar o pleito.”: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1995 a 30/06/1995, 01/08/1995 a 31/08/1995 PRAZO. RESTITUIÇÃO. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 268 3 Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.” Em nova análise do pleito, face os comandos postulados pelo CARF, a autoridade administrativa proferiu o Despacho Decisório de fls.230, decidiu não reconhecer o direito creditório pleiteado referente a pagamentos realizados a título de PASEP, nos períodos de apuração 06/1995 e 08/1995, com base no Parecer Nº 1770/2016/SEORT/DRFVitória (fl.225/229), de onde podemos extrair: “.... 15. Segundo alegações do contribuinte, o crédito pleiteado na presente declaração de compensação se refere à diferença paga a maior nos recolhimentos de Pasep, tendo em vista que no cálculo do valor devido à época do pagamento não foi utilizado o regime da semestralidade na apuração da base de cálculo. O Município alega que efetuou os pagamentos com base na receita do próprio mês de ocorrência do fato gerador. 16. Assim, para instrução processual tanto quanto para subsidiar a análise do direito creditório pleiteado, o sujeito passivo foi intimado, por meio dos Termos de Intimação Fiscal n°s: 37/2016, de 18/02/2016, ciência do AR em 29/02/2016, fls. 145/146; 94/2016, de 06/04/2016, ciência do AR em 13/04/2016, fls. 147/148, e 139/2016, de 05/05/2016, ciência do AR em 10/05/2016, fls. 150/151, a apresentar cópias autenticadas (ou originais e cópias comuns) Orçamentários (com especificação das contas), nos quais constassem as bases de cálculo dos lançamentos contábeis dos anos calendário 1993 a 1996, efetuados em Balancetes Mensais do Pasep (Receitas correntes próprias e transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios do período de fevereiro/1993 a fevereiro/1996) e demonstrativos de apuração dessas bases. 17. O contribuinte não atendeu a primeira intimação (nº 37/2016) e após ciência da segunda intimação (nº 94/2016), foi apresentada a documentação acostada às fls. 152/218. Contudo, tendo em vista que estes documentos não atenderam ao solicitado, o contribuinte foi novamente Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 269 4 intimado (nº 139/2016), porém, até a presente data, não foram apresentados quaisquer documentos ou tampouco qualquer esclarecimento ou informação. 18. Cabe salientar que a Lei nº 4.320/64 estabelece normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Portanto, os entes públicos estão obrigados a elaborar e manter registros e demonstrações contábeis de todas as suas operações financeiras, incluindo receitas e despesas. 19. Os documentos solicitados são imprescindíveis à análise, tendo em vista que deverão conter os registros contábeis das receitas correntes próprias e transferências recebidas pelo Município por meio do Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios, valores que compõem a base de cálculo do Pasep. 20. Dessa forma, sem a apresentação dos documentos imprescindíveis à aferição do direito creditório, restou prejudicada a análise acerca do pleito do sujeito passivo, uma vez que não foi possível a comprovação da importância requerida. A falta de apresentação dos citados documentos conduz a impossibilidade de realização dos cálculos para apuração dos valores devidos a título da contribuição ao Pasep e, por conseguinte, o levantamento dos valores alegados indevidos. 21. Assim, a alegação de que houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, conforme dispõe o artigo 165,1, da Lei n° 5.172/66 (CTN), não foi comprovada pelo sujeito passivo, portanto, não há que se falar em valores passíveis de restituição. ....” Cientificada do Parecer e Despacho Decisório em 06/10/2016 – AR de fl.234, a contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade em 03/11/2016 – fl.236/243, alegando em síntese que: 1. Os documentos solicitados ao Município não são imprescindíveis para análise do pedido feito por esta municipalidade; 2. O município de Vitória é legítimo detentor de direitos em relação ao crédito do PASEP, decorrentes de pagamentos indevidos nos meses de agosto/1994 a dezembro/1994, janeiro/1995 a julho/1995 e novembro/1995 a fevereiro/1996; 3. A contribuição em comento foi apurada com base na receita do próprio mês de ocorrência do fato gerador, quando deveria, segundo a legislação de regência, ter observado a receita do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; 4. Não restam dúvidas de que durante o período de aplicação do regime disciplinado pela Lei Complementar nº 8/70 e o decreto regulamentar nº 71.618/72, a base de cálculo da contribuição ao PISPASEP era a receita do sexto mês anterior ao mês da ocorrência do fato gerador: 5. O prazo para recuperação dos pagamentos indevidos em razão de erro de cálculo na apuração da base de cálculo do PIS/PASEP – semestralidade, se esgotará Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 270 5 definitivamente em 31 de março de 2006, quando poderão ser recuperados os indébitos relativos à competência 02/1996; 6. As cobranças da contribuição são completamente indevidas, razão pela qual a documentação exigida não é imprescindível para análise do pedido formulado, de modo que deve ser reformada a decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1289.583 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1995 a 31/05/1995 COMPENSAÇÃO.VERIFICAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1995 a 30/06/1995, 01/08/1995 a 31/08/1995 PASEP. VIGÊNCIA. Suspensa a aplicação de medida provisória durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional, aplica se o disposto na legislação então vigente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 271 6 O Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, requer a reforma do ora analisado Acórdão para que seja homologada a compensação declarada. Inicialmente o Contribuinte aduz que os documentos citados pelo Acórdão ora recorrido não são imprescindíveis para a análise do presente processo, uma vez que considera que o Município de Vitória é o legítimo detentor dos direitos relacionados aos créditos do PASEP, decorrentes de pagamentos indevidos e que são objeto do pedido de restituição, indeferidos pela decisão analisada. Segundo o Contribuinte os valores do PASEP foram apurados com base na receita do próprio mês de ocorrência do fato gerador, e não, segundo ele, como deveria ser feito, observando a receita do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Sob estes argumentos o Contribuinte traz um julgado do STF acerca deste tema, além de citar as normas que regulam tal matéria e conclui o seu Recurso com o seguinte (fls. 267 e 268): Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 272 7 Nesse sentido, já observados os argumentos trazidos aos autos pelo Contribuinte, entendo correto o entendimento exposto na decisão ora recorrida. Cito trechos como razões para decidir (fls. 250 a 252): Afastada pelo CARF a preliminar de decadência do pedido de restituição do PASEP, restringese o presente contencioso à manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte contra o indeferimento do pleito formulado no parecer e despacho decisório de fl.225/230, motivado pela falta de comprovação da base de cálculo que poderia caracterizar o pagamento a maior ou indevido da contribuição. A interessada firma seu entendimento de que todo o recolhimento efetuado no período é passível de repetição e a documentação solicitada não é imprescindível para análise do pleito. De pronto, é mister esclarecer que não pode prosperar a pretensão da contribuinte. Como esclarecido no Parecer que foi supedâneo do despacho decisório ora guerreado, com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, o PASEP retornou a ter como norma a Lei Complementar nº 8/70, sendo regulado pelo Decreto nº 71.618/72. Desta forma, reza o artigo 2º, inciso II, da Lei Complementar nº 8/70, que a base de cálculo do PASEP para os Estados, Municípios e Distrito Federal, será o total das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, bem como o total das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Em sua exordial, alega a contribuinte que o crédito pleiteado se refere à diferença paga a maior de PASEP, pois não foi utilizado na época do recolhimento o regime da semestralidade na apuração da base de cálculo, conforme estipulado pelo artigo 14 do Decreto nº 71.618/72 – “a contribuição ao Pasep será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior”. Com efeito, matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, pois da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do Fl. 277DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 273 8 artigo 16 do mesmo Decreto n.º 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito ou nos créditos apontados nas Declarações de Compensação, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa RFB n.o 1.717, de 17/07/2017, que rege os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, expressa em vários de seus dispositivos comandos exarados desde às instruções regimentais da época do pedido, a saber:: Art. 7º A restituição poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo por meio do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), ou na impossibilidade de sua utilização, por meio do formulário Pedido de Restituição ou de Ressarcimento, constante no Anexo I desta Instrução Normativa.. .... Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nas Seções VII e VIII deste Capítulo, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. .... Art.161. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório: I – à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos; e Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 274 9 II – à verificação da exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do interessado.” Com efeito, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito, por óbvio, são os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. No caso presente, o contribuinte, após intimações da autoridade fiscal, não apresentou a documentação que comprovasse a base de cálculo do PASEP recolhido no período em comento, limitandose em sua manifestação a alegar que caberia ser restituída a totalidade da contribuição. Como já elencado alhures, afastandose a aplicação dos DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88, cabe a apuração da contribuição na sistemática da Lei Complementar nº 8/70 com vistas a apurar o eventual recolhimento a maior ou indevido, após o confronto com o que fora recolhido pela sistemática considerada inconstitucional. No entanto, compulsando a presente manifestação de inconformidade, concluímos que a interessada não se desincumbiu de sua parte no presente contencioso, ou seja, comprovação efetiva e pontual dos pagamentos a maior ou indevidos que possibilitassem o reconhecimento do indébito e a homologação das declarações de compensação. Por todo o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Acerca do Parecer citado no voto do Acórdão ora recorrido, considero importante trazer seu conteúdo ao presente voto como forma de elucidação processual (fls. 226 a 228): Fundamentos 8. Preliminarmente, cabe informar que a Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), em seu artigo 165, I, ressalva ao sujeito passivo o direito a repetição de indébito, independentemente de prévio protesto, nos casos em que ficar evidenciada a cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior do que o devido em face da legislação aplicável. 9. Ainda, segundo o que estabelece o CTN, em seu artigo 156, II, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário. 10. Nesse sentido, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e suas alterações posteriores estabelecem que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributos sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, passível de restituição, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 275 10 quaisquer tributos, sendo tal procedimento efetuado mediante a entrega de declaração de compensação. 11. A mencionada lei também dispõe que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Sendo de 5 (cinco) anos, contados da entrega da declaração, o prazo para a Fazenda Nacional se pronunciar acerca da compensação. 12. No caso em questão, o contribuinte pleiteia o reconhecimento do direito creditório referente aos valores pagos a título de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep, nos moldes estabelecidos pelos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, nos períodos de apuração: junho/1995 e agosto/1995, com base na declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 148.7542/210RJ e na Resolução do Senado Federal nº 49, de 9/10/1995. 13. Em face da declaração de inconstitucionalidade dos citados decretos, no período pleiteado o Pasep voltou a ser exigido em conformidade com a Lei Complementar nº 8/70 e o Decreto nº 71.618/72. 14. O artigo 2º, inciso II, da citada lei estabeleceu como base de cálculo do Pasep para os Estados, Municípios e Distrito Federal, o total das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, bem como o total das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Já o artigo 14 do Decreto nº 71.618/72 estabeleceu o regime da semestralidade como forma de apuração da base de cálculo, in verbis, “a contribuição ao Pasep será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior”. 15. Segundo alegações do contribuinte, o crédito pleiteado na presente declaração de compensação se refere à diferença paga a maior nos recolhimentos de Pasep, tendo em vista que no cálculo do valor devido à época do pagamento não foi utilizado o regime da semestralidade na apuração da base de cálculo. O Município alega que efetuou os pagamentos com base na receita do próprio mês de ocorrência do fato gerador. 16. Assim, para instrução processual tanto quanto para subsidiar a análise do direito creditório pleiteado, o sujeito passivo foi intimado, por meio dos Termos de Intimação Fiscal nºs: 37/2016, de 18/02/2016, ciência do AR em 29/02/2016, fls. 145/146; 94/2016, de 06/04/2016, ciência do AR em 13/04/2016, fls. 147/148, e 139/2016, de 05/05/2016, ciência do AR em 10/05/2016, fls. 150/151, a apresentar cópias autenticadas (ou originais e cópias comuns) dos lançamentos contábeis dos anoscalendário 1993 a 1996, efetuados em Balancetes Mensais Orçamentários (com especificação das contas), nos quais constassem as bases de cálculo do Pasep (Receitas correntes próprias e transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios do período de fevereiro/1993 a fevereiro/1996) e demonstrativos de apuração dessas bases. 17. O contribuinte não atendeu a primeira intimação (nº 37/2016) e após ciência da segunda intimação (nº 94/2016), foi apresentada a documentação acostada às fls. 152/218. Contudo, tendo em vista que estes documentos não atenderam ao solicitado, o contribuinte foi novamente intimado (nº 139/2016), porém, até a Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 276 11 presente data, não foram apresentados quaisquer documentos ou tampouco qualquer esclarecimento ou informação. 18. Cabe salientar que a Lei nº 4.320/64 estabelece normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Portanto, os entes públicos estão obrigados a elaborar e manter registros e demonstrações contábeis de todas as suas operações financeiras, incluindo receitas e despesas. 19. Os documentos solicitados são imprescindíveis à análise, tendo em vista que deverão conter os registros contábeis das receitas correntes próprias e transferências recebidas pelo Município por meio do Fundo de Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios, valores que compõem a base de cálculo do Pasep. 20. Dessa forma, sem a apresentação dos documentos imprescindíveis à aferição do direito creditório, restou prejudicada a análise acerca do pleito do sujeito passivo, uma vez que não foi possível a comprovação da importância requerida. A falta de apresentação dos citados documentos conduz a impossibilidade de realização dos cálculos para apuração dos valores devidos a título da contribuição ao Pasep e, por conseguinte, o levantamento dos valores alegados indevidos. 21. Assim, a alegação de que houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, conforme dispõe o artigo 165, I, da Lei nº 5.172/66 (CTN), não foi comprovada pelo sujeito passivo, portanto, não há que se falar em valores passíveis de restituição. Conclusão 22. Em face do exposto acima, concluise pelo indeferimento do direito creditório pleiteado, referente a pagamentos alegados indevidos a título de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep, nos períodos de apuração: junho/1995 e agosto/1995 e, em consequência, pela não homologação da compensação declarada em formulário papel, fls. 2/3 e da compensação apresentada por meio do programa PER/DCOMP, cadastrada sob o nº 39904.46571.150904.1.3.049595, fls. 90/93, bem como a cobrança imediata dos débitos indevidamente compensados. Observase, com tudo isto posto, que a questão primeira da presente lide está na análise da prescindibilidade ou não dos documentos que comprovariam a certeza e a liquidez do crédito requerido pelo Contribuinte. Entendo que cabe a quem alega a existência de um crédito tributário comprovar a liquidez e a certeza do direito. Neste processo o Contribuinte não apresenta, nas oportunidades processuais que teve, nenhuma comprovação de tal certeza e liquidez. Sob este aspecto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, mantendo o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11543.002865/200421 Acórdão n.º 3301005.580 S3C3T1 Fl. 277 12 Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 36266.006142/2005-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/03/2005
COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
A compensação é um procedimento realizado pelo contribuinte nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal.
No caso concreto, ficou comprovado que o contribuinte compensou valores indevidamente.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 2.
Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
retificar o lançamento, de acordo com a informação fiscal prestada nas folhas 0608 a 0611, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
Nome do relator: Damiao Cordeiro de Moraes
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APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. A compensação é um procedimento realizado pelo contribuinte nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal. No caso concreto, ficou comprovado que o contribuinte compensou valores indevidamente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 2. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em retificar o lançamento, de acordo com a informação fiscal prestada nas folhas 0608 a 0611, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 61 42 /2 00 5- 20 Fl. 634DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Aproveito o relatório produzido na assentada anterior, considerando que os autos retornam de diligência realizada pela autoridade de primeira instância: “Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa DIMAS DE MELO PIMENTA SISTEMAS DE PONTO E ACESSO LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente à glosa de compensação sobre verbas indenizatórias e valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras importâncias arrecadadas destinadas às entidades e terceiros, relativas ao período de 08/2001 a 03/2005. 2. O julgamento de primeira instância que deu origem ao decisum contraposto deu origem à seguinte ementa: “PREVIDENCIÁRIO. RELATÓRIO FISCAL. CORESPONSÁVEIS. COMPENSAÇÃO DE VERBAS INDENIZATÓRIAS E SAT. MULTA. JUROS. A NFLD foi lavrada em conformidade com a legislação previdenciária, Lei n.º 8.212/91. O Relatório Fiscal atendeu aos dispositivos pertinentes para constituição do presente crédito previdenciário. Fl. 635DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36266.006142/200520 Acórdão n.º 2301003.804 S2C3T1 Fl. 635 3 A NFLD foi lavrada em nome da empresa impugnante conforme Lei n.º 8.212/91. As verbas indenizatórias foram devidas na vigência da Medida Provisória n.º 1.523/97. A falta de apresentação de memorial descritivo da compensação efetuada enseja sua glosa. Os acréscimos legais, juros e multa aplicados atendem à legislação pertinente e têm caráter irrelevável. Lançamento Procedente.” 3. Em sede recursal, buscando a improcedência do lançamento, o contribuinte aduziu, em síntese: a) preliminarmente, a inconstitucionalidade de condicionar o recebimento do recurso ao depósito de 30% do valor do débito; b) afirma que os órgãos do contencioso administrativo possuem competência para examinar a incompatibilidade de determinada lei com a Carta Magna, sob pena de fazer observar norma manifestamente inconstitucional; c) a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência do SAT; d) impossibilidade da cobrança, tendo em vista que no caso concreto houve a extinção do crédito tributário com a compensação realizada; e) por fim, a utilização indevida da taxa SELIC. 4. Devidamente cientificado da apresentação de recurso por parte do contribuinte, o fisco limitouse a encaminhar os autos à apreciação deste Conselho sem a juntada de contrarrazões. É o relatório.” 2. Na sessão de 08 de junho de 2011 este colegiado resolveu converter o julgamento em diligência (acórdão 230100.132) para que a fiscalização trouxesse aos autos as seguintes informações: “5. E como a empresa trouxe aos autos, juntamente com a peça recursal,“MEMORIAL DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO” (fls. 403/414), entendo que, no que diz respeito às verbas compensadas relacionadas ao SAT, o pleito da recorrente deve ser analisado pela autoridade lançadora, em obediência ao princípio da verdade material.” 3. Em resposta a diligência solicitada o auditor fiscal emitiu Relatório com as seguintes conclusões: “3 CONCLUSÃO Fl. 636DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 No período de 08/2001 a 03/2005, houve glosas de compensações efetuadas pela empresa, glosas que foram objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.634.8296. As compensações tiveram como origem recolhimentos a maior de contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT (Código de Levantamento GST) e recolhimentos indevidos de contribuições sobre verbas indenizatórias (Código de Levantamento GVI). Com relação a estas, a decisão da 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária, não determinou esclarecimentos. Portanto, o período a ser analisado restringiuse a 08/2001 a 04/2003, haja vista que no período de 05/2003 a 03/2005 as compensações referemse a contribuições sobre verbas indenizatórias.” (f. 607). 4. De acordo com a fiscalização o contribuinte não apresentou contrarrazões do resultado da diligência dentro do prazo previsto. 5. Posteriormente, o recorrente juntou aos autos Memoriais (ff. 620 a 629) alegando em síntese que o lançamento deve ser cancelado, em razão da legalidade das compensações realizadas e a consequente extinção do crédito tributário ora impugnado. 6. Após o cumprimento da diligência, os autos retornaram a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade do Recurso Voluntário foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, não sendo mais exigível o depósito recursal para seguimento do Recurso. Dessa forma, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. 2. Sobre as questões de inconstitucionalidade arguidas pelo contribuinte, cumpre esclarecer, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. 3. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas Fl. 637DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36266.006142/200520 Acórdão n.º 2301003.804 S2C3T1 Fl. 636 5 vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. 4. O CARF Sumulou entendimento no seguinte sentido, Súmula CARF nº 02,: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 5. E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. 6. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DA DECADÊNCIA 7. Compulsando os autos depreendese do relatório fiscal que a autuação foi lavrada contra o contribuinte e recebida em 29/05/2005, referente às contribuições do período de 01/08/2001 a 31/03/2005. Assim, constatase que independentemente da regra a ser aplicada, artigos 173, inciso I ou 150, § 4º, do CTN, o crédito tributário não foi atingido pelo instituto da decadência. DA COMPENSAÇÃO 8. Os autos foram baixados em diligência para que o Fisco analisasse o “MEMORIAL DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO” (fls. 403/414), no que diz respeito às verbas compensadas relacionadas ao SAT/RAT. 9. Em resposta a diligência a fiscalização analisou a documentação juntada pelo contribuinte apresentando Relatório Fiscal conclusivo (ff. 588 a 611). 10. No que se refere ao SAT/RAT, o relatório apresentado pelo auditor concluiu que: “Houve, efetivamente, recolhimento a maior de contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (alíquota SAT/RAT), nas competências (mês de recolhimento) a seguir elencadas com seus respectivos valores.” (ff. 588/589). 11. Entretanto, a empresa compensou valores maiores a que teria direito. Portanto, sujeitos à glosa. 12. No que se refere às diferenças a título das contribuições destinadas ao SAT/RAT, a auditoria fiscal comparou às planilhas: “Valores Originários”, “Valores Compensados” e “Cálculo das Compensações”, chegando às planilhas “Valores a Glosar”. Com base nesse procedimento, a auditoria logrou êxito ao afirmar que foram compensados valores a maior referente às verbas destinadas ao SAT/RAT, o que originou o presente lançamento fiscal. 13. Ainda, de acordo com a diligência: “os índices utilizados para atualização dos valores a compensar não guardam relação com os critérios para atualização Fl. 638DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 nos casos de restituição e compensação especificados na legislação aplicável à época, qual seja: a partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação é acrescida de juros correspondentes a 1% (um por cento) no mês de recolhimento indevido ou a maior, e o equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), a partir dos meses subsequentes, até o mês anterior ao da compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (OS/CONJUNTA/INSS/DAF/DSS/DFI 51 DE 28/06/96, INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 67 – DE 10 DE MAIO DE 2002)”. (ff. 598/599). 14. Dessa forma, após examinar a documentação, o relatório fiscal produzido após a diligência, em que pesem os esforços empreendidos pela recorrente em seu arrazoado, razão não lhe assiste no sentido de ainda ter algum direito à compensação. Ao contrário, verifico que verdadeiramente restou crédito tributário em favor da Fazenda. 15. Importante registrar, que a compensação é um procedimento realizado pelo contribuinte nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal. E, caso haja descumprimento das normas tributárias vigentes, cabe ao fisco lavrar auto de infração ou notificação de lançamento, notificando o contribuinte nos termos do art. 37 da Lei 8.212/91. 16. Diante do acima exposto, dou provimento parcial ao recurso do contribuinte quanto à compensação, para que o crédito tributário seja constituído nos moldes do Relatório da diligência constante nas folhas 608 a 611. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 17. A recorrente, sem razão, aduz ser indevida a utilização da taxa SELIC na apuração do crédito tributário, por diversos motivos. 18. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 19. A propósito do tema convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 639DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36266.006142/200520 Acórdão n.º 2301003.804 S2C3T1 Fl. 637 7 19. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro na Súmula nº 4 do CARF. DA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA 20. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 21. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 22. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 23. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 24. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 640DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 25. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) no que se refere ao SAT/RAT, confirmar a retificação dos valores do crédito tributário, nos termos do Relatório Fiscal da Diligência constante nas folhas 608 a 611; e b) aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinada com o art. 61, §2º da Lei n.º 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte; (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 641DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15075.SSQ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 11/12/2013 15:37:00. Documento autenticado digitalmente por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 11/12/2013. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 13/12/2013 e DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 11/12/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 24/01/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0119.15075.SSQ5 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4BF738BBB212F2BEC5B677E00D08CBB659199485 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 36266.006142/2005-20. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10680.902599/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 25 99 /2 01 5- 54 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902599/201554 Acórdão n.º 1301003.562 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902599/201554 Acórdão n.º 1301003.562 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13732.000510/2007-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a fonte pagadora a:
1 - Informar o valor das retenções de imposto de renda sobre o 13º salário efetuadas nos anos calendário 2003 a 2006;
2 - Apresentar a documentação comprobatória correspondente;
3 - Esclarecer a divergência entre os valores constantes das fichas financeiras trazidas pelo contribuinte e as DIRF juntadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ, as quais não indicam qualquer retenção referente ao 13º salário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a fonte pagadora a: 1 - Informar o valor das retenções de imposto de renda sobre o 13º salário efetuadas nos anos calendário 2003 a 2006; 2 - Apresentar a documentação comprobatória correspondente; 3 - Esclarecer a divergência entre os valores constantes das fichas financeiras trazidas pelo contribuinte e as DIRF juntadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ, as quais não indicam qualquer retenção referente ao 13º salário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a fonte pagadora a: 1 Informar o valor das retenções de imposto de renda sobre o 13º salário efetuadas nos anos calendário 2003 a 2006; 2 Apresentar a documentação comprobatória correspondente; 3 Esclarecer a divergência entre os valores constantes das fichas financeiras trazidas pelo contribuinte e as DIRF juntadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ, as quais não indicam qualquer retenção referente ao 13º salário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 32 .0 00 51 0/ 20 07 -4 9 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13732.000510/200749 Resolução nº 2002000.055 S2C0T2 Fl. 109 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição (efls. 02/03) apresentado em 20/08/2007 pelo contribuinte acima identificado, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre o 13º salário dos anos calendário 2003 a 2006, por ser portador de moléstia grave. O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ indeferiu o Pedido de Restituição com base no art. 9° e §1º da IN 600/2005 (efls. 32/33). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando o deferimento definitivo de seu pedido por ser portador da Doença de Parkinson, moléstia isentiva do imposto de renda (efls. 35/36). A 2ª Turma da DRJ/RJOII proferiu Despacho conforme trecho abaixo reproduzido (efls. 43): Tendo em vista que o Despacho Decisório Parecer SAORT/DRF/CGZ n° 142/2008, de fl. 30, não faz menção a pedido de restituição sobre décimosalário, cuja tributação é exclusiva, não sujeita a ajuste na tabela progressiva anual, encaminhemse os autos à SAORT/DRF/CGZ para adoção das providências cabíveis no sentido de reratificar o despacho decisório mencionado, considerandose que tal pedido não foi analisado, suprimindo uma instância de julgamento. Em resposta, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ emitiu Despacho Decisório mantendo o indeferimento do pedido de restituição nos seguintes termos (efls. 48/49): Para comprovar seu pleito, juntou laudos médicos, documentos de fls. 04/07, bem como outros “comprovantes financeiros” correspondentes ao 13° salário referente àqueles períodos, fls.08/16. Após pesquisas nos sistemas da RFB, às fls.41/44 constatamse as DIRF's relacionadas aos períodos mencionados. Devese ressaltar que tais comprovantes, s.m.j, são insuficientes para comprovação do seu pleito; há ainda a divergência de valores constantes da tabela de fls.03 com os que se encontram nas DIRF`s. O interessado apresentou contestação reiterando sua solicitação e alegando que o Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil, em seu despacho, indeferiu o pedido por considerar os documentos insuficientes para a comprovação, mas não esclareceu quanto à forma correta para alcançar o sucesso desejado (efls. 54/56). Após o retorno dos autos, a 2ª Turma da DRJ/RJOII indeferiu a solicitação do contribuinte (efls. 68/70). Cientificado do acórdão de primeira instância em 23/03/2009 (efls. 73), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 22/04/2009 (efls. 74/79) com os argumentos a seguir sintetizados: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13732.000510/200749 Resolução nº 2002000.055 S2C0T2 Fl. 110 3 Informa tratarse da devolução da importância original de R$ 16.152,53 paga a título de IRRF devidamente descontado nos seus pagamentos do 13º salário nas datas e valores constantes da tabela por ele elaborada, que requereu através do Pedido de Restituição protocolizado em 20/08/2007. Relaciona a documentação apresentada para a comprovação de seu pleito. Expõe que está pleiteando a devolução dos valores retidos como fonte sobre os 13º salários, mas que, com base nos documentos acostados, o seu direito foi reconhecido pela Receita Federal e as importâncias retidas normalmente sobre os valores tributáveis já foram devidamente restituídas. Insurgese contra o Parecer SAORT/DRF/CGZL n° 142/2008 uma vez que, em se tratando de imposto retido na fonte sobre parcela do 13° salário, não há como se pleitear restituição somente através da retificação da DIRPF. Alega que nas informações de rendimentos pagos pelas fontes pagadoras os valores não são separados, mas identificados pelo valor liquido do beneficio pago. Contesta o Parecer SAORT/DRF/CGZL n° 505/2008 tendo em vista que indeferiu o pedido por considerar os comprovantes anexados insuficientes para a comprovação do pleito, mas não indicou o que estaria faltando para a finalidade pretendida. Assevera que na decisão de piso a relatora expôs em seu voto “No caso em tela, cumpre observar que não consta nenhuma prova de que houve retenção do imposto de renda sobre os proventos de décimoterceiro salário, nos anos calendário 2003 a 2006.”, o que equivale dizer que os documentos emitidos pelo órgão estadual são uma farsa e que nada valem como prova. Ressalta que não cabe ao contribuinte fiscalizar os atos do governo estadual sobre o que faz com as retenções de imposto de renda. Se a data da emissão das fichas financeiras foram anteriores à retificação das DIRF, a omissão foi do Estado do Rio de Janeiro e não do contribuinte. Portanto não pode ser ele penalizado sob qualquer forma por esta omissão. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos verificase que o recorrente solicitou a restituição do IRRF sobre o 13º salário referente aos anos calendário 2003 a 2006 por ser portador de moléstia grave (efls. 02/03), juntando aos autos, dentre outros documentos, fichas financeiras fornecidas por sua fonte pagadora indicando os valores pleiteados (efls. 10/18). O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ (efls. 48/49) em resposta ao Despacho proferido pela 2ª Turma da DRJ/RJOII (e fls. 43) indicou a juntada das DIRF relacionadas ao período em exame (efls. 44/47) e ratificou o indeferimento do pedido de restituição por entender que as fichas financeiras acostadas pelo Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13732.000510/200749 Resolução nº 2002000.055 S2C0T2 Fl. 111 4 contribuinte eram insuficientes para a comprovação de seu pleito. Contudo, deixou de mencionar em sua decisão quais documentos deveriam ser apresentados para a finalidade pretendida. A 2ª Turma da DRJ/RJOII manteve o entendimento exarado no referido Despacho Decisório e considerou indevida a solicitação do contribuinte com base nas razões de decidir abaixo reproduzidas (efls. 68/70): No caso em tela, cumpre observar que não consta nenhuma prova de que houve retenção de imposto de renda sobre os proventos de décimo terceiro salário, nos anoscalendário 2003 a 2006. Cabe ressaltar, inclusive, que as DIRF, de fls. 41/44, não apontam qualquer retenção do imposto sobre tais rendimentos no período de que trata a presente lide. Ademais, as fichas financeiras, de fls. 08/16, trazidas aos autos pelo interessado, apresentam datas de emissão anteriores (01/08/2007) àquelas de entrega das DIRF retificadoras, de fls. 41/44 (28/12/2007). Em conseqüência, cumpre se frisar que não assiste razão ao interessado quanto ao direito à restituição do imposto sobre o décimo terceiro salário para os anoscalendário 2003 a 2006, tendo em vista a insuficiência de documentos comprobatórios. Considerando o exposto na decisão recorrida e no Recurso Voluntário, e tendo em vista a divergência entre os valores constantes das fichas financeiras trazidas pelo contribuinte (efls. 10/18) e as DIRF emitidas pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (efls. 44/47), as quais não indicam qualquer retenção referente ao 13º salário dos anos calendário 2003 a 2006, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem intime a fonte pagadora a: 1 Informar o valor das retenções de imposto de renda sobre o 13º salário efetuadas nos anos calendário 2003 a 2006; 2 Apresentar a documentação comprobatória correspondente; 3 Esclarecer a divergência entre os valores constantes das fichas financeiras trazidas pelo contribuinte e as DIRF juntadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos/RJ, as quais não indicam qualquer retenção referente ao 13º salário. Posteriormente, o contribuinte deverá ser cientificado da diligência realizada e de seu resultado, com abertura de prazo para manifestação. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930909/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 09 /2 01 1- 29 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11080.930909/201129 Acórdão n.º 3302006.462 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER), em razão do fato de que o pagamento informado já se encontrava alocado a outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, com a anulação do despacho decisório, arguindo o seguinte: a) trata o pedido de restituição de créditos da contribuição (PIS/Cofins) incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota havia sido reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/2001; b) tem direito à restituição com base no art. 165 do CTN e na Lei nº 10.312/2001, tratandose de incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do País em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico; c) diante do contido no art. 13 da Lei nº 10.438/2002, que criou em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, os valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção, não podem ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições (PIS/Cofins), pois, no conceito de receita, incluise apenas o ingresso de recursos constitutivos do patrimônio da empresa; d) a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10043.377, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a aplicação da redução de alíquota da contribuição prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, ainda não efetivada, tratandose, portanto, de norma de eficácia limitada ou condicionada, não aplicável de imediato por depender de regulamentação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações concernentes à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001, e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.930909/201129 Acórdão n.º 3302006.462 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.454, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11080.930902/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.454): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.930909/201129 Acórdão n.º 3302006.462 S3C3T2 Fl. 5 4 o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. Ressaltese que, também no presente processo, o motivo do indeferimento do pedido de restituição foi a alocação anterior do crédito pleiteado, conforme tela(s) de consulta ao sistema de Arrecadação presente(s) à(s) efl.(s) 33. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000112/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1988 a 31/12/1995
PIS. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO.
Não há que se falar em decadência ou prescrição do PIS se a empresa anteriormente lançou e liquidou o PIS nos moldes dos decretos-leis nº2445 e 2449/88. Afastados os referidos decretos por decisão judicial transitada em julgado, não há necessidade de novo lançamento para exigência do PIS nos termos da LC nº7/70.
PIS. BASE DE CÁLCULO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. SEMESTRALIDADE. APLICAÇÃO SÚMULA 15 DO CARF.
Os Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, sendo que ficou reconhecida a base de cálculo prevista na Lei Complementar 07/70, ou seja, com base no faturamento do sexto mês anterior e sem correção monetária.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe a Recorrente explicar a sua metodologia de cálculo e indicar os pontos de divergência quanto aos cálculos efetuados pela Autoridade Tributária, nos termos do inciso III, Art.16 do Dec. 70.235/70.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLO GRAU DE COGNIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A dupla cognição é regra no processo administrativo fiscal, que não pode ser afastada em nome da celeridade processual. Se a decisão de primeira instância deixa de apreciar questões de mérito da matéria em razão de inexistência de crédito a ressarcir, afastada essa premissa pela instância superior, os autos devem retornar à primeira instância para apreciação dessas matérias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-006.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido a fim de reconhecer a existência de crédito nos termos indicados da diligência. Diante dessa constatação, determinar o retorno dos autos à primeira instância para decidir sobre as demais matérias de mérito não apreciadas. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em decadência ou prescrição do PIS se a empresa anteriormente lançou e liquidou o PIS nos moldes dos decretosleis nº2445 e 2449/88. Afastados os referidos decretos por decisão judicial transitada em julgado, não há necessidade de novo lançamento para exigência do PIS nos termos da LC nº7/70. PIS. BASE DE CÁLCULO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. SEMESTRALIDADE. APLICAÇÃO SÚMULA 15 DO CARF. Os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, sendo que ficou reconhecida a base de cálculo prevista na Lei Complementar 07/70, ou seja, com base no faturamento do sexto mês anterior e sem correção monetária. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Cabe a Recorrente explicar a sua metodologia de cálculo e indicar os pontos de divergência quanto aos cálculos efetuados pela Autoridade Tributária, nos termos do inciso III, Art.16 do Dec. 70.235/70. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLO GRAU DE COGNIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A dupla cognição é regra no processo administrativo fiscal, que não pode ser afastada em nome da celeridade processual. Se a decisão de primeira instância deixa de apreciar questões de mérito da matéria em razão de inexistência de crédito a ressarcir, afastada essa premissa pela instância superior, os autos devem retornar à primeira instância para apreciação dessas matérias. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 01 12 /2 00 6- 29 Fl. 855DF CARF MF 2 Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido a fim de reconhecer a existência de crédito nos termos indicados da diligência. Diante dessa constatação, determinar o retorno dos autos à primeira instância para decidir sobre as demais matérias de mérito não apreciadas. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de contestação à não homologação de compensação, via DCTF – Declaração de Créditos e Tributos Federais, cujos créditos pleiteados decorrem de provimento judicial, em que a contribuinte acima identificada obteve, via Mandado de Segurança nº 98.20060826 (PAJ n° 13971.001026/9890), o afastamento dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, bem como o direito a compensação de eventual crédito resultante com débitos do próprio PIS. No citado Mandado de Segurança, com pedido de liminar, as impetrantes pretendiam ver declarada a inexigibilidade da Contribuição para o PIS, nos moldes, dos DecretosLei n°s 2.445/88 e 2.449/88, em decorrência da inconstitucionalidade desses DecretosLei, bem como o direito à compensação de valores pagos a maior, com débitos apurados da mesma contribuição e de outros impostos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em 17 de novembro de 1998, o pedido de liminar foi indeferido. Em 25 de fevereiro de 1999, foi proferida sentença que, preliminarmente, declarou prescrito o direito de compensação relativo aos valores recolhidos a título de Contribuição para o PIS anteriores a 16 de novembro de 1988, e, no mérito, concedeu parcialmente a segurança para reconhecer a inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88; declarar a existência de crédito das impetrantes em relação a União/Fazenda Nacional, referente aos valores recolhidos a maior a titulo de Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Acórdão n.º 3402006.038 S3C4T2 Fl. 856 3 Contribuição para o PIS nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88; e reconhecer o direito das impetrantes de compensarem o que recolheram indevidamente a título de Contribuição para o PIS com parcelas do próprio PIS e/ ou outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não foi interposto recurso pelas partes. Os autos subiram ao TRF4ª Região para reexame necessário. A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, deu parcial provimento à remessa oficial declarando o direito à utilização de tais créditos na compensação de débitos da mesma espécie, isto é, que possuam a mesma destinação orçamentária, acrescentando que para a compensação alcançar outros tributos, seria necessária a autorização da Secretaria da Receita Federal, nos termos da Lei n° 9.430/96. O Acórdão transitou em julgado em 03 de dezembro de 1999. A interessada apresentou planilha discriminando os pagamentos referentes aos períodos de apuração 07/88 a 09/95 acompanhada das cópias dos Darf correspondentes a esses pagamentos, com informação das bases de calculo do citado período. Em 27 de setembro de 2004, a SACAT/EQPAJ efetuou, no sistema CTSJ, os cálculos de compensação dos valores da Contribuição para o PIS devidos nos moldes da LC nº 07/70 (utilizando o critério da semestralidade, ou seja, base de cálculo equivalente ao sexto mês anterior) com os valores da Contribuição para o PIS recolhidos de acordo com os DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88. Com base nesses cálculos, essa Equipe concluiu pela inexistência de crédito. O processo foi encaminhado à SAORT/DRF/Blumenau para que fosse dada ciência à impetrante sobre a inexistência de crédito a ser utilizado na compensação. E, com base nas informações fornecidas pela SACAT/EQPAJ, em 10 de maio de 2006, a Chefe da SAORT/DRF/Blumenau proferiu o Despacho Decisório, nos seguintes termos: Sendo assim, fazendo uso das competências definidas nos artigos 140, inciso III e 250, inciso XXI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25/02/2005 (DOU 04/03/2005), esta última delegada pela Portaria DRF/Blumenau n° 27, de 01/06/2005, DECLARO que o provimento judicial decorrente dos pedidos contidos no MS 98.20060826 não resultou em direito creditório em benefício da interessada que possa ser utilizado para compensação de PIS. i) Intimese o contribuinte para ciência. ii) Em face desta decisão é facultado ao contribuinte apresentar Manifestação de Inconformidade dirigida à Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da mesma, conforme o disposto no art. 35 da Instrução Normativa SRF n° 460/05. Cientificada em 07 de fevereiro de 2006 a contribuinte, inconformada, ingressou, em 21 de fevereiro de 2006, com manifestação de inconformidade na qual expõem suas razões de contestação. Inicialmente, a contribuinte alega que a base de cálculo adotada pela autoridade fiscal está equivocada porque não foi utilizado o faturamento do sexto mês anterior. Explica que em seus cálculos, a autoridade fiscal considerou como base de cálculo da Contribuição os valores informados nos Darf apresentados pelo próprio contribuinte correspondentes à receita operacional bruta do mesmo mês da Fl. 857DF CARF MF 4 competência quando deveria ter considerado os valores do faturamento do sexto mês anterior. Afirma, em síntese, que os valores recolhidos em vista de normas inconstitucionais, devem ser devolvidos ao contribuinte, uma vez que não envolvem valores estranhos, cabendo ao fisco proceder ao cálculo correto, nos moldes da LC nº 07/70 e alterações posteriores, lançando os valores, se não atingidos pela decadência, e não os cobrando de forma direta, utilizandose indevidamente dos créditos da manifestante. Defende a interessada que as alterações posteriores válidas da LC nº 07/70 apenas modificaram o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS, e não a sua base de cálculo, sendo que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de não haver correção da base de cálculo. A contribuinte argumenta, ainda, que de acordo com o artigo 74, §§ 7° a 11º, da Lei nº 9.430/96, deverá ser determinada a suspensão do crédito tributário, diante da presente manifestação de inconformidade apresentada, em relação a todos os débitos. No tópico – Da Compensação, a contribuinte afirma que procedeu à compensação com base nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, norma legal autorizadora; nos artigos 1° e 2° do Decreto n° 2.138/97, e nos artigos 12, §§ 1° e 14, § 7°, da Instrução Normativa/SRF n° 21/97, normas procedimentais, já que a compensação do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 não lhe trazia perspectivas de saldar o seu débito com demais tributos administrados pela RFB. Argumenta a interessada que, além dos dispositivos legais, conta ainda a seu favor o fato de ter declarado a compensação na DCTF, encerrando todo o procedimento de reconhecimento do crédito (via sentença) utilização e informação à Receita Federal (via DCTF). Por fim, relata que foram proferidos acórdãos no TRF e STJ concluindo ser perfeitamente possível a compensação do PIS recolhido indevidamente com impostos federais administrados pela RFB, ainda que sejam de espécimes diferentes e naturezas jurídicas diversas, sem autorização expressa da receita federal, em virtude da alteração do art. 74 , §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96; promovida pelo art. 49 da MP nº 66, de 29/08/2002, e pela Lei nº 10.637/02. Sob o título Da Retroatividade de Lei Mais Benéfica, a contribuinte alega que a alteração na Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 10.637/02, veio para beneficiar os contribuintes, no que se refere às compensações de créditos advindos de sentença judicial, com demais tributos administrados pela RFB. Ressalta que a própria RFB em resposta às Consultas de n°s 54 e 36, de 08 e 10 de março de 2004, respectivamente, se manifestou sobre a possibilidade de o sujeito passivo compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente, sendo que a compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). No tópico – Do Trânsito em Julgado, a contribuinte argumenta que não se aplica o artigo 170A do Código Tributário Nacional quando se trata de tributos reconhecidamente inconstitucionais, em manifestação pacífica do Supremo Tribunal Federal. A contribuinte afirma ainda que: Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Acórdão n.º 3402006.038 S3C4T2 Fl. 857 5 [...]não há qualquer determinação judicial, seja na sentença ou nos acórdãos postergando as compensações ao trânsito em julgado do processo, o que por si só já leva ao entendimento de que a compensação deve ser plenamente considerada. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1988 a 31/12/1995 CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. O cálculo do montante do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em favor de contribuinte que reconhece a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88 exige a aplicação dos critérios da LC 07/70 seja para fins de apuração do crédito a compensar, seja para fins de determinação de eventuais débitos em caso de recolhimento a menor. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. No processo se discute a não homologação de compensação, via DCTF – Declaração de Créditos e Tributos Federais, cujos créditos pleiteados decorrem de provimento judicial que afastou os DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88. Inicialmente, a Recorrente se insurge contra a forma utilizada no cálculo do seu quantum a repetir realizada pela Autoridade Tributária. Diz que o referido cálculo foi feito de forma errônea, que não foi utilizado o faturamento verificado de seis meses antes ao mês de competência. Questionamentos a respeito de cálculos exigem que sejam demonstrados com a elaboração de planilha pela Interessada com indicação de explicações da metodologia de Fl. 859DF CARF MF 6 cálculo adotada e a especificação dos pontos de divergência com os cálculos realizados pela Autoridade Tributária. A Recorrente limitouse a afirmar que os cálculos estão errados pela não utilização do faturamento do sexto mês anterior do período de apuração, mas em nenhum momento, seja na sua impugnação ou Recurso Voluntário, apresentou planilhas detalhadas com os cálculos que acredita serem corretos. Destarte, as suas argumentações sobre os cálculos sem essa demonstração do erro alegado, por meio de planilha ou memórias de cálculo, passam a ter um caráter de generalidade e imprecisão. A Autoridade Tributária, por sua vez, apresentou de forma detalhada em várias planilhas cada etapa da apuração do direito creditório solicitado. Na planilha denominada "Demonstrativo de Apuração de Débitos Semestralidades (8109PIS Faturamento), fls. 193 a 201, é confirmada que nos cálculos realizados pela Receita Federal foi utilizada a base de cálculo do sexto mês anterior obtidas dos documentos constantes nas fls.113 a 171. A recorrente se insurgiu também contra os abatimentos do PIS apurado com base na LC nº07/70 que consumiram todo, ou parte, do seu quantum a repetir, uma vez que, segundo a sua argumentação, a Autoridade Fiscal agiu de forma ilegal por ser necessário a realização de novo lançamento, caso os períodos analisados não tivessem sido atingidos pela decadência. Entendo que se foram afastados os Decretosleis 2445/1988 e 2449/1988 por inconstitucionalidade do PIS exigido com o seu fundamento, reconhecida pela ação judicial, a empresa ficou sujeita às determinações contidas na LC nº7/70 que previa que as empresas deveriam calcular o PIS faturamento, nos seguintes termos: Art. 1º. É instituído, na forma prevista nesta lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. ......................................................................................................... Art. 3º. O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º, deste artigo, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: ......................................................................................................... § 1º. A dedução a que se refere a alínea “a” deste artigo será feita sem prejuízo do direito de utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor e calculada com base no valor do Imposto de Renda devido, nas seguintes proporções: ......................................................................................................... c) no exercício de 1973 e subseqüentes .................. 5% § 2º. As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias Fl. 860DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Acórdão n.º 3402006.038 S3C4T2 Fl. 858 7 participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. ´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´ Art. 6º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do artigo 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único. A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. (negritos nossos) Não há necessidade, assim, de novo lançamento para se exigir o PIS nos moldes da LC 7/70. A empresa permaneceu sujeita a mesma contribuição (PIS), somente sendo alterada a sua forma de apuração. A Autoridade Tributária teve que realizar apenas uma revisão e adequação dos cálculos a fim de se apurar o valor devido, por meio um encontro de contas entre o que foi pago com base nos decretosleis 2.445 e 2.449/1988 (PIS faturamento) e o devido com base na Lei Complementar nº 7/70, sem necessidade de novo lançamento. Quanto a esse aspecto, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) já se posicionou em Recurso Especial, representativo de controvérsia, inferindo a desnecessidade de novo lançamento quanto a apuração do indébito de PIS, em face da reconhecida inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88. Segundo o tribunal superior, o caso se enquadraria na hipótese constante no art.144 do CTN, não havendo a necessidade de novo lançamento para exigir o PIS sob a nova modalidade, prevista na LC 7/70, conforme abaixo reproduzido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) ORIGINADA DE LANÇAMENTO FUNDADO EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA INCONSTITUCIONAL EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO (DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88). VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE NÃO PODE SER REVISTO. INEXIGIBILIDADE PARCIAL DO TÍTULO EXECUTIVO. ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA DA CDA. PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DA DECISÃO, PROFERIDA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO, QUE DECLAROU O EXCESSO E QUE OSTENTA FORÇA EXECUTIVA. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA CDA. 1. O prosseguimento da execução fiscal (pelo valor remanescente daquele constante do lançamento tributário ou do ato de formalização do contribuinte fundado em legislação posteriormente declarada inconstitucional em sede de controle difuso) revelase forçoso em face da suficiência da liquidação do título executivo, consubstanciado na sentença proferida nos Fl. 861DF CARF MF 8 embargos à execução, que reconheceu o excesso cobrado pelo Fisco, sobressaindo a higidez do ato de constituição do crédito tributário, o que, a fortiori, dispensa a emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 2. Deveras, é certo que a Fazenda Pública pode substituir ou emendar a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos (artigo 2º, § 8º, da Lei 6.830/80), quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada, entre outras, a modificação do sujeito passivo da execução (Súmula 392/STJ) ou da norma legal que, por equívoco, tenha servido de fundamento ao lançamento tributário (Precedente do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.11.2009, DJe 18.12.2009). 3. In casu, contudo, não se cuida de correção de equívoco, uma vez que o ato de formalização do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (DCTF), encampado por desnecessário ato administrativo de lançamento (Súmula 436/STJ), precedeu à declaração incidental de inconstitucionalidade formal das normas que alteraram o critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária, quais sejam, os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. 4. O princípio da imutabilidade do lançamento tributário, insculpido no artigo 145, do CTN, prenuncia que o poderdever de autotutela da Administração Tributária, consubstanciado na possibilidade de revisão do ato administrativo constitutivo do crédito tributário, somente pode ser exercido nas hipóteses elencadas no artigo 149, do Codex Tributário, e desde que não ultimada a extinção do crédito pelo decurso do prazo decadencial qüinqüenal, em homenagem ao princípio da proteção à confiança do contribuinte (encartado no artigo 146) e no respeito ao ato jurídico perfeito. 5. O caso sub judice amoldase no disposto no caput do artigo 144, do CTN ("O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada."), uma vez que a autoridade administrativa procedeu ao lançamento do crédito tributário formalizado pelo contribuinte (providência desnecessária por força da Súmula 436/STJ), utilizandose da base de cálculo estipulada pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, tendo sido expedida a Resolução 49, pelo Senado Federal, em 19.10.1995. 6. Conseqüentemente, tendo em vista a desnecessidade de revisão do lançamento, subsiste a constituição do crédito tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional, exegese que, entretanto, não ilide a inexigibilidade do débito fiscal, encartado no título executivo extrajudicial, na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico, o que, inclusive, encontrase, atualmente, preceituado nos artigos 18 e 19, da Lei 10.522/2002, verbis: "Art. 18. Ficam dispensados a Fl. 862DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Acórdão n.º 3402006.038 S3C4T2 Fl. 859 9 constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei no 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores; (...) § 2o Os autos das execuções fiscais dos débitos de que trata este artigo serão arquivados mediante despacho do juiz, ciente o Procurador da Fazenda Nacional, salvo a existência de valor remanescente relativo a débitos legalmente exigíveis. contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; (...). § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)" 7. Assim, ultrapassada a questão da nulidade do ato constitutivo do crédito tributário, remanesce a exigibilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa, sem necessidade de emenda ou substituição da CDA (cuja liquidez permanece incólume), máxime tendo em vista que a sentença proferida no âmbito dos embargos à execução, que reconhece o excesso, é título executivo passível, por si só, de ser liquidado para fins de prosseguimento da execução fiscal (artigos 475B, 475H, 475N e 475I, do CPC). 8. Consectariamente, dispensase novo lançamento tributário e, a fortiori, emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPCe da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.115.501/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 30/11/2010) (grifos nossos) Afasto, dessa forma, qualquer pretensão de ocorrência de Decadência do valor devido de PIS faturamento alegada pela Recorrente. Houve discordância também quanto a correção da base de cálculo do sexto mês anterior do fato gerador do PIS faturamento efetuada pela Receita Federal. Melhor sorte tem a Recorrente nesse ponto, pois a matéria se encontra pacificada pelo STJ no sentido da impossibilidade de correção monetária sobre a base de cálculo do sexto mês anterior, in verbis: Fl. 863DF CARF MF 10 TRIBUTÁRIO – PIS – SEMESTRALIDADE – BASE DE CÁLCULO – CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE – art. 3°, letra “a” da mesma lei – tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em benefício do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendose como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o faturamento de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador – art. 6°, parágrafo único da lei LC 07/70. 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigirse a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso especial improvido (STJ, 1ª Seção, REsp 144.708, j. em 29/05/2001, DJU de 08/10/2001). (negritos nossos) A matéria sob análise também se encontra pacificada no CARF pela Súmula CARF nº 15, in verbis: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Na planilha denominada "Demonstrativo de Apuração de Débitos Semestralidade (8109 PIS Faturamento", fls 193 a 201, constatouse que, aparentemente, foi aplicada a correção monetária na base de cálculo do sexto mês anterior ao do fato gerador do PIS Faturamento , em desacordo com o entendimento pacificado na Justiça e nesta Instância Administrativa, conforme já demonstrado acima. A aplicação indevida da correção monetária, segundo a Recorrente, teria feito a Autoridade Tributária concluir, erroneamente, que a empresa não possuía qualquer crédito de PIS passível de compensação. Visando clarear a situação, este Colegiado, no julgamento realizado em 29 de janeiro de 2018, achou por bem baixar o processo em diligência fiscal a fim de que a Autoridade Fiscal esclarecesse se houve efetivamente a incidência de correção monetária sobre a base de cálculo do sexto mês anterior ao fato gerador do PIS Faturamento (semestralidade). Em resposta a diligência solicitada, a Autoridade Fiscal confirmou que houve a aplicação da correção monetária sobre a base de cálculo do sexto mês anterior ao fato gerador do PIS Faturamento (semestralidade), refez os cálculos sem a referida correção, conforme determinado na Resolução do CARF, e concluiu que restou crédito tributário disponível, nos seguintes termos: Da Revisão do Direito Creditório e Compensações de Débitos Alcançadas Dos cálculos de apuração das contribuições ao PIS devidas pela Lei Complementar nº 7/70, antes realizadas pela auditoria fiscal, através do Sistema de Cálculos para Crédito Tributário Sub Fl. 864DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Acórdão n.º 3402006.038 S3C4T2 Fl. 860 11 Judice da RFB CTSJ/RFB, com documentos demonstrativos de folhas nºs 173231, ficou constatado a partir do relatório “Demonstrativo de Apuração de Débitos Semestralidade 8109 PIS Faturamento”, fls. 193201, que de fato consta aplicada sobre a base de cálculo demonstrada como “Base de Cálculo 6º mês anterior”, o respectivo índice de atualização relacionado sequencialmente, resultando em valores atualizados das bases de cálculo, registrados como “Base de Cálculo Corrigida”, o que esclarece o questionamento trazido pelo item “a” da diligência requerida. Desse modo, procedemos ao reexame do crédito advindo dos recolhimentos realizados de PIS, nos moldes dos DecretosLeis tornados inconstitucionais, buscando a amortização dos valores efetivamente devidos com a Lei Complementar nº 7/70, para apuração dos respectivos saldos de pagamentos, e posterior análise de aproveitamento compensatório, através do referido sistema de cálculos CTSJ da RFB, com documentos demonstrativos juntados às folhas nºs 421 a 806. Há que se esclarecer sobre ajustes realizados nas bases de cálculo desta auditoria, no que se refere aos valores relativos ao faturamento, onde verificada a existência de informações disponíveis dos sistemas eletrônicos da RFB, de declarações fiscais e controle de pagamentos, a título das contribuições FINSOCIAL/COFINS, foram adequadas as bases de cálculo pertinentes por apuração similar destes tributos, todavia não resultando na maioria dos períodos em valores de bases de cálculo distintos àqueles utilizados na auditoria anterior, sendo considerados agora em sua totalidade, na forma da Lei Complementar nº 7/70, sem correção monetária incidente. Notese que, foram calculados os valores da contribuição PIS pelo faturamento do sexto mês anterior como base de cálculo, sem correção monetária, em conformidade ao requerido em diligência (item “b” descrito acima), reduzindo extensamente os valores devidos, e após cotejamento com os pagamentos realizados pelos DecretosLeis, implicando na apuração de saldos credores remanescentes passíveis de compensação. Quanto as compensações de débitos alcançadas pelo direito creditório a título de PIS, após amortizados os valores efetivamente devidos da contribuição pela Lei Complementar nº 7/70, de fevereiro de 1989 a fevereiro de 1996, verificamos como anteriormente mencionado que, com a decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança, o interessado buscou o aproveitamento dos saldos de pagamentos para compensar débitos do PIS, de julho de 1999 até março de 2003, estando inclusos os valores vinculados dos períodos de janeiro a março de 2000, controlados neste processo administrativo, mostrandose integralmente acobertados pelo crédito apurado. Em relação a débitos da COFINS pretendidos para compensação, apesar de verificado que o crédito ainda se mostraria suficiente no aproveitamento integral dos valores da Fl. 865DF CARF MF 12 contribuição, nas competências de janeiro a março de 2000, também controlados neste processo administrativo, em virtude da decisão judicial transitada em julgado, descabe a aplicação das compensações de espécie distinta ante ausência de pedido administrativo. (negrito nosso) Constatase no trecho transcrito que o crédito apurado do Contribuinte foi suficiente para acobertar os débitos de PIS de janeiro a março de 2000, controlados neste processo administrativo, bem como seria também suficiente para acobertar os débitos da COFINS de janeiro a março de 2000, igualmente controlados nesse processo. No entanto, a Autoridade Fiscal entende que, no caso da COFINS, descabe a aplicação das compensações de tributos de espécie distinta ante ausência de prévio pedido administrativo. Nesse cenário, observase no acórdão recorrido que algumas argumentações da Recorrente, entre as quais o direito de compensar créditos de PIS com débitos de diferente espécie, sem necessitar de pedido específico e o direito a compensação imediata (sem trânsito em julgado) quando a ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo se encontra pacificada pelos Tribunais Superiores, não foram analisadas porque o Julgador afirmou que inexistia crédito a ser utilizado nas compensações, conforme trecho do acórdão, a seguir reproduzido: Quanto aos demais argumentos da contribuinte, como (a) o direito de compensar créditos de PIS com débitos vencidos ou vincendos da mesma espécie ou diferente espécie, sem necessitar de pedido específico e (b) o direito a compensação imediata (sem trânsito em julgado) quando a ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo se encontra pacificada pelos Tribunais Superiores, não serão aqui apreciados, uma vez que dependeriam de haver crédito a ser utilizado nas compensações, o que não é o caso dos autos. (negrito nosso) Assim, diante da nova situação configurada, em que os resultados da diligência apontaram a existência de créditos disponíveis, e a fim de se evitar a ocorrência de cerceamento do direito de defesa da Recorrente pela supressão de instância julgadora, necessitase que a instância a quo se pronuncie sobre as matérias citadas por meio de prolação de novo acórdão. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido a fim de reconhecer a existência de crédito nos termos indicados nos termos da diligência. Diante dessa constatação, determino o retorno dos autos a primeira instância para decidir sobre as demais matérias de mérito não apreciadas. (assinatura digital) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 866DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Acórdão n.º 3402006.038 S3C4T2 Fl. 861 13 Fl. 867DF CARF MF
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