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Numero do processo: 10283.003826/2010-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE QUE DECLAROU EM SEPARADO.
Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão dos dependentes, e respectivas despesas médicas, seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não havendo restrição legal a inclusão de dependente que tenha apresentado declaração em separado.
DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ERRO. NÃO HÁ VEDAÇÃO A RETIFICAR. O IMPEDIMENTO A RETIFICAR É ESPECÍFICO ÀS INFRAÇÕES APURADAS.
No cálculo de auto de infração ou notificação de lançamento há itens informados na declaração pelo contribuinte e itens lançados, alterados pelo fisco. Sujeito ativo e passivo concorrem para o resultado. A matéria lançada não pode mais ser alterada pelo contribuinte. Quanto à parte da declaração não tratada pelo lançamento, pode ocorrer retificação. Não há disposições legais vedando essa ação, nem há lógica que assim ocorra.. O impedimento a retificar é específico às infrações apuradas.
Numero da decisão: 2001-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE QUE DECLAROU EM SEPARADO. Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão dos dependentes, e respectivas despesas médicas, seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não havendo restrição legal a inclusão de dependente que tenha apresentado declaração em separado. DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ERRO. NÃO HÁ VEDAÇÃO A RETIFICAR. O IMPEDIMENTO A RETIFICAR É ESPECÍFICO ÀS INFRAÇÕES APURADAS. No cálculo de auto de infração ou notificação de lançamento há itens informados na declaração pelo contribuinte e itens lançados, alterados pelo fisco. Sujeito ativo e passivo concorrem para o resultado. A matéria lançada não pode mais ser alterada pelo contribuinte. Quanto à parte da declaração não tratada pelo lançamento, pode ocorrer retificação. Não há disposições legais vedando essa ação, nem há lógica que assim ocorra.. O impedimento a retificar é específico às infrações apuradas.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE QUE DECLAROU EM SEPARADO. Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão dos dependentes, e respectivas despesas médicas, seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não havendo restrição legal a inclusão de dependente que tenha apresentado declaração em separado. DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ERRO. NÃO HÁ VEDAÇÃO A RETIFICAR. O IMPEDIMENTO A RETIFICAR É ESPECÍFICO ÀS INFRAÇÕES APURADAS. No cálculo de auto de infração ou notificação de lançamento há itens informados na declaração pelo contribuinte e itens lançados, alterados pelo fisco. Sujeito ativo e passivo concorrem para o resultado. A matéria lançada não pode mais ser alterada pelo contribuinte. Quanto à parte da declaração não tratada pelo lançamento, pode ocorrer retificação. Não há disposições legais vedando essa ação, nem há lógica que assim ocorra.. O impedimento a retificar é específico às infrações apuradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 38 26 /2 01 0- 35 Fl. 154DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2001000.212, de 29/01/18, proferido por esta 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção, que deu provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa transcrevemos abaixo: DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PRENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão de dependente e respectivas despesas médicas.. Embargos de Declaração foram apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra o Acórdão. Os embargos da ProcuradoriaGeral resumidamente foram descritos no Despacho de Admissibilidade da seguinte maneira: Não foram abordadas expressamente as questões a) da apresentação de declaração em separado pelo genitor da autuada e b) da não adoção das regras do §1º do Art. 147 do CTN. Essas questões foram defendidas pela embargante como essenciais ao deslinde da controvérsia. Destacamos, também, passagens dos Embargos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: Segundo o art. 147, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional, “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que o acórdão embargado não analisou a presença e comprovação desses dois requisitos no caso concreto. Daí a omissão. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.003826/201035 Acórdão n.º 2001000.685 S2C0T1 Fl. 3 3 E mais. Considerandose que a autuada não informou em sua DAA os rendimentos sujeitos à tributação recebidos pelo genitor, no ano calendário em questão, como poderia ter ficado comprovado erro de fato no caso ao não indicálo como dependente? O acórdão embargado não se pronuncia sobre essa questão. É omisso, portanto. Além disso, o acórdão embargado defere a “retificação de DIRPF” mesmo após notificado o lançamento, ao admitir a inclusão de dependente, cujo nome e rendimentos não são mencionados ou informados em nenhum momento na declaração apresentada pela autuada. Todavia, não fundamenta porque assim entendeu, não aplicando o art. 147, § 1º, do CTN. Mais uma vez caracterizada a omissão. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Constou no Despacho de Admissibilidade uma ideia importante, que embasou a aceitação dos embargos, para que na turma, com transparência, se rediscutisse os problemas apontados: Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Reexaminamos o processo, e os fundamentos da decisão anterior. Para dirimir dúvidas, acataremos os embargos, que foram apresentados tempestivamente, para esclarecer as omissões apontadas, e comentaremos cada uma, repetindo passagens do acórdão embargado, adicionando explicações do que havia sido decidido, em relação a essas omissões: 1) da apresentação de declaração em separado pelo genitor da autuada e 2) da não adoção das regras do §1º do Art. 147 do CTN. Constou no acórdão embargado: 1) A legislação estabelece as seguintes condições para incluir um dependente na declaração: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). Fl. 156DF CARF MF 4 § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Foram cumpridas as exigências legais para a inclusão de dependente, podendo ser deduzidas, portanto, as despesas médicas desse dependente. Comentário sobre a omissão apontada. Nesse item 1 do acórdão embargado se vê que foi indicada a disposição da lei para definição de quem pode ser dependente na declaração. O fato de o dependente declarar em separado não é impedimento de lei, é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.003826/201035 Acórdão n.º 2001000.685 S2C0T1 Fl. 4 5 Constou no acórdão embargado: 2) Em qualquer parte da declaração pode ocorrer erro no preenchimento. Não existindo restrição legal estabelecida, todos elementos da apuração podem ser retificados ou corrigidos dentro do prazo legal para a retificação. A todos os contribuintes é franqueada essa retificação. Examinando a documentação existente no presente processo, e as razões apresentadas pelo contribuinte, verificamos que devido a erro no preenchimento da declaração, o contribuinte não incluiu o pai como dependente, incluindo os pagamentos ao plano de saúde dele. Entendemos que no caso de erro no preenchimento, caracterizados pelos elementos do processo, pode ser alterada a declaração para corrigilo, conforme se depreende dos seguintes julgados desse Conselho: "ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido, conforme o lucro real. (1º CC, 8ª Câmara, Ac. 10806.117, sessão de 12/05/2000)" ERRO NA DECLARAÇÃO. CORREÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. Pode ser corrigido erro, caracterizado pelos elementos existentes no processo, na inclusão de dependente na declaração do imposto de renda pessoa física." Comentários ao item 2. A possibilidade de retificação de erro não desrespeita o art. 147 do CTN, pois trata de vedação a retificação da parte lançada, não espontânea. E a matéria retificada, no caso, não diz respeito à infração. E a seguir discorremos mais detalhadamente sobre o assunto. Ao fazer o lançamento a autoridade fiscal bloqueia a possibilidade de ser retificada a parte da declaração que não tem relação com a infração. No IRPF, de acordo com as disposições legais, o contribuinte tem a obrigação de apresentar declaração de rendimentos, calcular e antecipar o pagamento do imposto. O contribuinte, enquanto não iniciado procedimento fiscal (inexistência de intimação), pode retificar a declaração, ou apresentála, caso não o tenha feito. O direito de o contribuinte de retificar, de pleitear restituição do IRPF, em declaração de ajuste anual, extinguese com o decurso de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador (31 de dezembro do anocalendário em questão). Tratase de prazo idêntico ao de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário. Parecer Normativo Cosit Nº 6, de 04 de agosto de 2014 dispõe: “ Com efeito, como bem foi enfatizado no Parecer Cosit nº 48, de 1999, considerando que a Fazenda Pública tem prazo fixado para proceder ao lançamento, o contribuinte deve dispor de igual prazo para retificar a declaração de rendimentos, por se tratar de situações equivalentes.” Fl. 158DF CARF MF 6 Erros, omissões, deduções e compensações indevidas, na declaração, são apontadas mediante auto de infração ou notificação de lançamento. O lançamento também pode ocorrer quando não foi entregue declaração. O lançamento aponta as infrações, as práticas do contribuinte, omissivas ou indevidas, que ocasionaram diminuição no imposto a pagar (vinculado à obrigação tributária principal) ou infração aos dispositivos legais passíveis de multa. Desde o seu início, o procedimento administrativo pode ser parcial, tratar de parte da declaração. Por exemplo, na intimação para que o contribuinte preste esclarecimentos pode ser solicitada só a apresentação dos recibos médicos. O lançamento não se constitui em revisão automática de todas as informações que existam em uma declaração, pois ele intervém, como não poderia deixar de ser, apenas no que dispõe, no que investiga, e apenas nas infrações que identifica. É refeito o cálculo do imposto, considerando as informações e apuração do contribuinte, com as alterações indicadas no lançamento. Pode haver alterações de limites, de faixas, de alíquotas; a declaração é novamente processada, há novo cálculo, novo imposto apurado. Assim, no cálculo de auto de infração ou notificação de lançamento, há itens informados na declaração do contribuinte e itens lançados, alterados pelo fisco. Sujeito ativo e passivo concorrem para o resultado. A matéria lançada não pode mais ser alterada pelo contribuinte. Quanto à parte da declaração não tratada pelo lançamento, pode ocorrer retificação. Não há disposições legais vedando essa ação, nem há lógica que assim ocorra. O impedimento a retificar é específico às infrações apuradas. O art. 5º da IN SRF nº 958 de 2009 reportase apenas à “matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo”, como causa impeditiva da apresentação de declaração retificadora: Art. 5º A declaração retificadora não será aceita quando: I for apresentada durante o procedimento fiscal, nos termos do inciso I e § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; II alterar matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, com vistas a reduzir seu valor, nos termos do art. 145 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); Em matéria correlata, a perda de espontaneidade, prevista no art. 138 do CTN, também está relacionada somente à infração apurada e não à existência de procedimento fiscal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10283.003826/201035 Acórdão n.º 2001000.685 S2C0T1 Fl. 5 7 O art. 63, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, que é anterior aos dispositivos vigentes sobre a matéria, traz entendimento contrário à retificação, o que permite concluir que o mesmo estaria tacitamente revogado: Art. 63 (...) § 4º É vedado ao contribuinte, depois de notificado do lançamento do imposto ou do início do processo de lançamento exofficio requerer a retificação de sua declaração, para o fim de incluir deduções e abatimentos que, anteriormente àqueles atos, não pleiteara. Importante também observar que o ADI SRF nº 5, de 17 de maio de 2002, especificou que a perda de espontaneidade do sujeito passivo ocorre somente em relação ao início do procedimento fiscal referente ao tributo, período e matéria nele expressamente inseridos: Art. 1º O ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Essa também é a conclusão da SCI Cosit nº 18, de 11 de julho de 2003, que trata da espontaneidade referente a MPF: Em face do exposto é de se concluir que: (...) b) a espontaneidade é afastada somente em relação aos tributos, períodos e matérias que constarem expressamente do ato, praticado e assinado pelo AFRF designado no MPF, que caracterizar o início do procedimento fiscal. Não há qualquer óbice para que o contribuinte, após ter sido cientificado do lançamento, retifique sua declaração de ajuste, frisese, em relação às matérias que não foram objeto do lançamento. Como bem se observa examinando os dispositivos legais sobre a retificação, não há restrição a que ela seja feita em relação à parte não infracional. Além disso, pelo princípio da isonomia, não pode existir tratamento diverso entre os contribuintes. O lançamento, ato da administração, não pode ser fator de discrímen entre contribuintes. Não há justificativa lógica para utilizarse a existência de lançamento ocorrido em uma parte da declaração para impedir retificação de outras. Não há legitimidade em que contribuinte sem lançamento possa retificar, contribuinte autuado não. A doutrina também indica que a interpretação da legislação sobre isonomia deve privilegiar o tratamento isonômico. Se a legislação não dispôs expressamente vedações a retificar (e não o fez), a retificação deve ser franqueada a todos contribuintes. Um exemplo dessa situação: dois colegas de trabalho: um tem, por lançamento, glosa de despesas médicas, o outro não. Suponhamos uma mudança do valor dos rendimentos tributáveis em erro do empregador. Perguntase: um pode retificar e acertar a Fl. 160DF CARF MF 8 apuração, o outro não? Ou ambos descobrem despesas com instrução que não haviam declarado: um pode retificar e acertar a apuração, o outro não? Ocorrendo na declaração de imposto de renda uma apuração, um ajuste onde se contrapõem rendimentos, deduções, compensações, e sendo o lançamento de ofício efetuado por meio da alteração de apenas determinados campos, a abrangência da matéria objeto do lançamento anteriormente apurado pela autoridade lançadora, de que trata o art. 5º, II, da IN nº 958, de 2009, no caso do IRPF, estaria restrita aos campos específicos das infrações apuradas, ou matéria investigada, não atingindo, por conseguinte, as demais informações prestadas pelo contribuinte na declaração e que não foram alteradas pela autoridade lançadora. Entendese que a inclusão de deduções da base de cálculo do IR e de retirada de rendimentos estariam dentro da abrangência de erro passível de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. Erros ou equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Ac. 1º C.C. n.º 104 17249, Sessão de 10/11/1999). Na apuração complexa do IRPF, com vários itens, adições, subtrações, qualquer elemento que conduza a diferença no imposto apurado é passível de ser retificado. A quantificação do imposto apurado segue determinações de lei. É a base de cálculo de que fala o art. 97 do CTN. Todos elementos desse cálculo devem ser seguir as disposições legais, sendo erros todos os desvios dessas determinações. É importante destacar observações do Parecer Normativo CST 67, de 1986, que tratam da obrigação de se seguir as disposições legais ao se proceder o cálculo do imposto: 4. O fundamento jurídico do direito à restituição do indébito tributário, assim como dos demais institutos que ensejam a alteração, direta ou indireta, do crédito tributário, é a restauração da licitude do ato praticado sem causa legal, e não o simples erro cometido pelo sujeito passivo. 4.1 A própria administração tributária tem o dever de reconhecer os atos ilícitos, representados pelo pagamento sem título, aceito ou exigido. (...) 6. Em face da amplitude dos termos do art. 165 do CTN, a repetição do indébito tributário pode ser pleiteada pelo sujeito passivo, sendo irrelevante se o pagamento do imposto tiver sido precedido de instauração da fase contenciosa, bastando fique demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses previstas no referido artigo.” Com isso, a vedação de retificar declaração por iniciativa do contribuinte, quando visasse a reduzir ou a excluir tributo, após ter sido notificado do lançamento, não prejudicaria o seu direito de pagar somente o que seria devido, pois eventuais erros em sua declaração poderiam ser sanados: pela impugnação tempestiva, em relação à matéria lançada; pela retificação, nas demais matérias. Adicionese os comentários feitos aos fundamentos do acórdão embargado e a nova ementa. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10283.003826/201035 Acórdão n.º 2001000.685 S2C0T1 Fl. 6 9 Conclusão Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, sanando os vícios apontados no acórdão, e voto por manter a decisão original de dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.720230/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE DOLO FRAUDE E SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS NO PERÍODO. INCIDÊNCIA DO ART. 150 §4º DO CTN. SIMPLES NACIONAL. VENCIMENTO MENSAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento antecipado, ainda que parcial, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN.
Tratando-se exação apurada sob a sistemática do SIMPLES Nacional, o computo do prazo quinquenal deve considerar o vencimento mensal dos tributos devidos.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova de insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos.
MULTA AGRAVADA POR ATRASO E PELO NÃO ATENDIMENTO A PARTE DAS INTIMAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. OBSTRUÇÃO E EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O agravamento da penalidade tributária pelo não atendimento à fiscalização é medida extrema. A adoção de tal manobra em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos deve ser relativizada nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências previstas na própria legislação ou não prejudica a verificação da infração imputada.
Se o contribuinte, durante o procedimento fiscal, comparece e traz considerável parte da documentação solicitada, a qual efetivamente serviu de base para a imputação tributária, não se sustenta a presença de obstrução ou embaraço que justificariam a majoração sancionatória.
JUROS SOBRE A MULTA. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS SOBRE A MULTA. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de inconstitucionalidade e alheias ao processo e, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário unicamente para afastar o agravamento da multa de ofício reduzido-a a 75%. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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AUSÊNCIA DE DOLO FRAUDE E SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS NO PERÍODO. INCIDÊNCIA DO ART. 150 §4º DO CTN. SIMPLES NACIONAL. VENCIMENTO MENSAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento antecipado, ainda que parcial, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN. Tratandose exação apurada sob a sistemática do SIMPLES Nacional, o computo do prazo quinquenal deve considerar o vencimento mensal dos tributos devidos. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova de insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 02 30 /2 01 5- 79 Fl. 712DF CARF MF 2 MULTA AGRAVADA POR ATRASO E PELO NÃO ATENDIMENTO A PARTE DAS INTIMAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. OBSTRUÇÃO E EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O agravamento da penalidade tributária pelo não atendimento à fiscalização é medida extrema. A adoção de tal manobra em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos deve ser relativizada nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências previstas na própria legislação ou não prejudica a verificação da infração imputada. Se o contribuinte, durante o procedimento fiscal, comparece e traz considerável parte da documentação solicitada, a qual efetivamente serviu de base para a imputação tributária, não se sustenta a presença de obstrução ou embaraço que justificariam a majoração sancionatória. JUROS SOBRE A MULTA. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS SOBRE A MULTA. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de inconstitucionalidade e alheias ao processo e, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário unicamente para afastar o agravamento da multa de ofício reduzidoa a 75%. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 713 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 714DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 691 a 709) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE (fls. 653 a 666) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 592 a 636), mantendo integralmente a Autuação sofrida pela Recorrente (fls. 501 a 586). No período colhido, a Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária e ICMS, referentes ao anocalendário de 2010, acrescidos de multa de ofício agravada na monta de 112,5%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, diante da constatação da existência de depósitos bancários não informados em Declaração, cuja origem e natureza também não foram comprovadas, com arrimo legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tratam os autos de auto de infração do Simples Nacional, às fls. 509 a 586, para exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), e de Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), referentes ao anocalendário 2010, com crédito tributário total de R$ 2.354.486,57, assim distribuído: 2. Consoante o auto de infração, o lançamento decorreu de apuração de omissão de receitas. Como a adição das receitas omitidas ao montante declarado ensejou elevação das alíquotas aplicáveis, também foi objeto de lançamento a insuficiência de recolhimento dos tributos calculados sobre a receita declarada resultante da diferença de alíquotas. 3. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) às fls. 501 a 508, parte integrante do autos de infração, estão detalhados os fatos apurados e as conclusões alcançadas no procedimento fiscal. Estes estão resumidos a seguir: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 714 5 3.1. A partir dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte durante a fiscalização, foi feito um levantamento dos créditos registrados, descartandose os valores relativos a empréstimos obtidos junto a bancos, a resgates de operações financeiras, transferências/DOCs/TEDs entre diferentes contas da empresa, a devolução de cheques, a estornos de débitos, dentre outros que não representam receita auferida, obtendose um total de R$ 8.500.972,28, conforme abaixo: 3.2. Uma vez que os valores de receita informados na Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) e no Livro Caixa, R$ 1.824.370,25 e R$ 1.073.197,38, respectivamente, divergiam do montante de créditos bancários apurados conforme acima, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem destes créditos, discriminando a escrituração, bem assim a declaração e a devida tributação dos mesmos quando representativos de receita bruta mensal. Mesmo reintimado duas vezes para atender tal solicitação, o contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento ou documento; 3.3. Adicionalmente restou evidenciada a imprestabilidade da escrituração do contribuinte, haja vista (i) haver divergência entre a receita escriturada no Livro Caixa (R$ 1.824.370,25), a declarada na DASN (R$ 1.073.197,38) e o total de notas fiscais registradas no Livro de Registro de Saídas (R$ 1.857.540,25), e o valor da receita bruta da empresa apurado com base nos extratos bancários ser de R$ 8.500.972,28; (ii) haver divergência de valores de algumas notas fiscais para as quais foi possível individualizar o seu respectivo ingresso no extrato bancário, ou seja, haver diferença entre o valor da nota e o valor do crédito, sendo este último muito superior, conforme tabela abaixo; (iii) que algumas notas fiscais eletrônicas (NFe) constantes dos arquivos transmitidos como não canceladas aparecerem no Livro Registro de Saídas como canceladas, e a empresa, intimada e reintimada, não ter se pronunciado sobre tal divergência; 3.4. Assim, não tendo sido comprovada a origem dos créditos bancários, e nem sido apresentados os documentos e a escrituração regular dos recebimentos, sendo a escrituração imprestável, restou evidenciado que o contribuinte omitiu Fl. 716DF CARF MF 6 receitas tributáveis nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c o art. 34 da Lei Complementar (LC) nº 123, de 2006. Constatada a infração, foi lavrado o auto de infração e notificação fiscal em cumprimento ao disposto nos arts. 79, 84 e 85, inciso I da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 94, de 2011; 3.5. Os débitos relativos aos impostos e contribuições resultantes das informações prestadas na DASN não estão incluídos no lançamento de ofício, atendendo ao disposto no art. 79, §8º da mencionada resolução; 3.6. A multa foi agravada para 112,5% em virtude do não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, do Termo de Intimação Fiscal nº 04, que ensejou a lavratura de auto de embaraço à fiscalização, e do Termo de Intimação Fiscal nº 07, conforme determinação do art. 87, III da referida resolução. 4. Cientificado auto de infração por via postal em 16/01/2015, consoante cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 588, em 13/02/2015 o contribuinte apresentou a impugnação às fls. 592 a 610, instruída com os documentos às fls. 611 a 637, onde argumenta o que segue: 4.1. Decadência, nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN), para os valores discriminados para janeiro e fevereiro de 2010, vez que se referem a fatos geradores de dezembro de 2009 e janeiro de 2010. Contados cinco anos destes fatos geradores, a ciência do lançamento se deu após o transcurso de cinco anos. Cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de aplicar o dispositivo referido; 4.2. Os valores apurados de receita bruta são indevidos. O AuditorFiscal considerou indevidamente as transferências, DOCs e TEDs havidas entre suas contas bancárias, e os empréstimos, Giro Rápido e Giro Flex, como receitas. Senão vejamos: (...) 4.3. A imposição de multa de 112,5% é desproporcional, confiscatória e não é razoável. Não foi alegada nem provada pela autoridade fiscal a presença do intuito de fraudar, do dolo, não se justificando tal multa. Nesse sentido as Súmulas 14 e 25 do Carf, sendo esta última vinculante conforme Portaria MF nº383, de 2010. Ademais, toda a documentação solicitada foi apresentada, apesar do problema relativo ao Banco do Brasil, que incorporou a Nossa Caixa, dificultando a obtenção de extratos, bem assim relativo à perda de alguns documentos devido à enchente ocorrida na antiga sede da empresa. Foram cumpridos os termos de intimação; 4.4. Os juros de mora aplicados são ilegais e violam a Constituição Federal. A aplicação da taxa Selic deve se ater ao parâmetro fixado no art. 161, §1º do CTN, ou seja, a 1% ao mês. Além disso, o auto de infração considerou juros compostos, o Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 715 7 que não é permitido conforme Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal (STF) e art. 4º do Decreto nº 22.263, de 1933. 5. Em 24/03/2015 os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo SP para apreciação da impugnação, com pronunciamento da unidade preparada pela sua tempestividade (fl. 650). Posteriormente, em 18/04/2016, os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 651). 6. É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL DO TRIBUTO DEVIDO. OPTANTE DO SIMPLES NACIONAL. PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. BASE DE CÁLCULO COMPOSTA PELOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA REALIZADOS NO MÊS. A contagem do prazo decadencial iniciase da ocorrência do fato gerador quando o contribuinte antecipa, ainda que parcialmente, o tributo devido. No caso de contribuintes optantes pelo Simples Nacional o período de apuração é mensal, razão pela qual a contagem do referido prazo iniciase ao final de cada mês quando se considera ocorrido o fato gerador. Comporá a base de cálculo de cada período de apuração o crédito efetuado no respectivo mês. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DE TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE, DE EMPRÉSTIMOS E OUTROS. IRREGULARIDADE NA APURAÇÃO NÃO COMPROVADA. O contribuinte não logrou comprovar que na apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada deixaram de ser excluídos empréstimos, transferências entre contas de mesma titularidade e outros valores que não representam receitas auferidas. Ao contrário, os documentos anexados aos autos indicam o acerto no procedimento fiscal. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO OU ATENDIMENTO FORA DO PRAZO. CABIMENTO. Fl. 718DF CARF MF 8 Tendo o contribuinte deixado de atender algumas intimações da autoridade fiscal, e para outras, tendo as atendido fora no prazo fixado, sem apresentação de pedido de prorrogação de prazo e somente após a lavratura de auto de embaraço à fiscalização, considerase devido o agravamento da multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação em relação à improcedência das exações, apontando as razões de reforma da r. decisão da DRJ. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 716 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ainda que mantidas as mesmas alegações trazidas em sede de Impugnação, promovendo apenas algumas alterações argumentativas, a ora Recorrente cambia a ordens de suas razões, iniciandose pelo mérito da questão, referente à omissão de receitas. Porém, havendo alegação de decadência, considerada matéria preliminar ao mérito, iniciarseá, então a apreciação do Apelo por tal tema, assim como procedido no v. Acórdão Recorrido. A Recorrente desde a sua primeira defesa alega a decadência parcial dos débitos que lhes são exigidos. Em tal peça, em suma, afirmouse primeiro que aplicarseia ao crédito tributário em questão o art. 150, § 4º do CTN, em face da natureza dos tributos em exigência e da existência de recolhimentos parciais nos períodos, apontando que, no seu entender, os fatos geradores referentes às exações de janeiro e fevereiro de 2010 teriam ocorrido, respectivamente, em novembro e dezembro de 2009. Tendo o Auto de Infração sido lavrado em 16/01/2015, teria, consequentemente, operadose a caducidade parcial. A DRJ reconheceu a aplicação do art. 150, §4º do CTN em face dos recolhimentos voluntários procedidos e informados, mas afastou a consumação da decadência, considerando o último dia de cada mês do anocalendário de 2010 como termo a quo para o cômputo do quinquenio legal. No Recurso Voluntário, esclarecendo a sua linha argumentativa, a Contribuinte não mais se refere à ocorrência de fatos geradores no ano de 2009, mas aponta que alguns depósitos bancários colhidos ocorreram antes do dia 16 de janeiro de 2010, de modo que quando do aperfeiçoamento da Atuação, já teria sido superado o prazo de 5 anos. Fl. 720DF CARF MF 10 Ainda afirma que o entendimento do v. Acordão, ao considerar o final de cada mês como data de tais fatos, contrariou o trabalho fiscal. Pois bem, não assiste razão à Recorrente e não merece reforma o v. Acórdão recorrido nesse ponto. Ainda que as movimentações, tanto comerciais como bancárias dos contribuintes possam ser identificadas pontual e individualmente, de maneira diária, para fins de incidência e apuração dos tributos devidos, dentro da sistemática do SIMPLES Nacional (assim como em outras modalidades de apuração) considerase a ocorrência dos fatos jurídicos tributáveis ao final de cada período. Considerando o vencimento sucessivo, mensal, de tais tributos apurados nesse regime simplificado, deve ser invariavelmente adotado o último dia de cada mês como termo a quo na contagem do prazo decadencial, à luz das disposições do art. 150, § 4º do CTN, sendo irrelevante o dia da operação que concorreu para formação do fato gerador apurado. Tendo em vista que a Autuação foi lavrada em 16/01/2015, confirmase que todos os períodos mensais do anocalendário de 2010, colhidos na presente atuação, não foram alcançados pela decadência, afastandose tal alegação. No mérito, a Recorrente primeiro versa sobre não omissão de receitas, alegando primeiro, de modo genérico, que os valores colhidos referiamse a transferência de recursos, da própria Recorrente, destinadas a pagar uma miríade de despesas por ela a serem atendidas. Discorre sobre a fenomenologia da ocorrência e concretude do fato gerador, recorrendo às lições do Prof. Roque A. Carrazza. Posteriormente, de modo específico, como já procedido em Impugnação, aponta para algumas movimentações bancárias pontuais, pugnando que não pode ser considerado inimputável de erros ou equívocos a planilha presente no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal n° 05 (Fls. 102117 dos autos), temos a demonstração de valores que decorreram de outra conta de titularidade da empresa Recorrente. Abaixo, segue a planilha que o comprova: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 717 11 Acrescenta que quando a DRJ afirmou que, diante de alegações, não cabe a este julgador verificar registro a registro, mediante comparação dos extratos bancários presentes nos autos, se alguns desses créditos provieram de contas de mesma titularidade, vez que a autoridade fiscal já realizou tal trabalho, excluindo as transferências para as quais ele encontrou débitos correspondentes em outras contas, como pode ser visto, a título exemplificativo, em relação a registros presentes no extrato bancário às fls. 212 e 214, houve o cerceamento do seu direito de defesa. Posto isso, primeiro temos que se está diante de Autuação procedida sob a infração de omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 está validamente inserido no sistema tributário nacional, veiculando presunção iuris tantum da omissão de receitas quando devidamente colhidas e comprovadas pela Fiscalização as condutas e ocorrências legalmente arroladas, justificada, inclusive, pela praticabilidade tributária. O efeito de tal disposição é a inversão do ônus da prova sobre a ocorrência da infração de omissão de receitas, diante da devida fundamentação para a sua aplicação, dentro das hipóteses previstas. Cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração, devendo, todas as alegações do contribuinte nesse sentido ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Fl. 722DF CARF MF 12 Da mesma forma como se procedeu na Impugnação, a Recorrente não traz qualquer elemento de prova material e hábil a desconstituir a natureza tributável da receita considerada e imputada aos depósitos colhidos. Simplesmente argumentase, quando muito remetendo a documentação já encartada nos autos à época da fiscalização, devidamente processada antes do lançamento de ofício. E mesmo assim, sem provas correspondentes e novas, a DRJ a quo procedeu ao devido conhecimento das alegações a apontamento da recorrente, repetindose a seguir suas razões: 16. Passase, então, a analisar as irregularidades apontadas pelo contribuinte para cada conta bancária, concluindose por não ser procedente a argumentação trazida. Banco do Brasil CC 202370, Ag. 18740 17. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a (i) transferências, (ii) TEDs e DOCs, (iii) BB Giro Rápido (R$ 45.000,00 e R$ 5.000,00 em 27/09/2010, e (iv) BB Giro Flex (R$ 221.994,00 em 11/11/2010, e R$ 221994,00 em 28/12/2010). 18. Em relação aos empréstimos nas modalidades Giro Flex e Giro Rápido, tais montantes não foram considerados como receitas omitidas, conforme pode ser visto pela simples leitura da planilha presente no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal nº 05, às fls. 102 a 105. 19. Quanto às transferências, DOCs e TEDs considerados pela autoridade fiscal na referida planilha, pelo histórico dos lançamentos não é possível identificar se tais montantes são provenientes de outra conta contribuinte no mesmo banco ou em outra instituição financeira. 20. Não cabe a este julgador verificar registro a registro, mediante comparação dos extratos bancários presentes nos autos, se alguns desses créditos provieram de contas de mesma titularidade, vez que a autoridade fiscal já realizou tal trabalho, excluindo as transferências para as quais ele encontrou débitos correspondentes em outras contas, como pode ser visto, a título exemplificativo, em relação a registros presentes no extrato bancário às fls. 212 e 214, e que não foram incluídos na planilha que serviu de base para o auto de infração (antes referida): 29.01.2010 TED Crédito em conta R$ 8.200,00 12.02.2010 TED Crédito em conta R$ 7.700,00 21. Não concordando com os registros de transferências mantidos pela autoridade fiscal, caberia ao contribuinte obrigatoriamente demonstrar que decorreram de outra conta de sua titularidade, indicando a mesma. Contudo, não adotou tal providência. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 718 13 22. Portanto, em relação aos registros relativos à conta aqui tratada, considerados como receita omitida, não há qualquer exclusão a ser feita. Banco do Brasil CC 19283, Ag. 68012 23. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a (i) transferências, e (ii) TEDs e DOCs. 24. Pelo histórico dos lançamentos não é possível identificar se tais montantes são provenientes de outra conta contribuinte no mesmo banco ou em outra instituição financeira. 25. Conforme dito, não cabe a este julgador verificar registro a registro, mediante comparação dos extratos bancários presentes nos autos, se alguns desses créditos provieram de contas de mesma titularidade, vez que a autoridade fiscal já realizou tal trabalho, excluindo as transferências para as quais ele encontrou débitos correspondentes em outras contas, como pode ser visto, a título exemplificativo, em relação a registros presentes no extrato bancário às fl. 288 e 290, e que não foram incluídos na planilha que serviu de base para o auto de infração (planilha presente no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal nº 05, às fls. 106 a 108): 07.07.2010 Transferência on line R$10.000,00 27.07.2010 Transferência on line R$ 2.000,00 26. Mais uma vez o contribuinte não demonstrou de quais contas de sua titularidade seriam provenientes as transferências/DOCs/TEDs consideradas no lançamento. Logo, não cabe alterar o lançamento nesta parte. Banco do Brasil CC 19135, Ag. 68012 27. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a (i) transferências, (ii) TEDs e DOCs; (iii) empréstimo (R$ 53.066,40 em 06/08/2010), e (iv) conta garantida (200.000,00, com vencimento em 31/12/2010). 28. No que concerne às transferências/DOCs/TEDs, pelo histórico dos lançamentos não é possível identificar se tais montantes são provenientes de outra conta contribuinte no mesmo banco ou em outra instituição financeira. 29. Novamente aqui ressaltase que a autoridade fiscal já realizou o trabalho de batimento entre contas para verificar transferências entre as mesmas, as quais já foram excluídas, não compondo a base de cálculo como pode ser visto, a título exemplificativo, em relação a registros presentes no extrato bancário à fl. 276, e que não foram incluídos na planilha que serviu de base para o auto de infração (planilha presente no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal nº 05, à fl. 109): 02.07.2010 Transferência on line R$ 2.700,00 Fl. 724DF CARF MF 14 07.07.2010 Transferência on line R$ 300,00 30. Como o contribuinte não demonstrou de quais contas de sua titularidade seriam provenientes as transferências/DOCs/TEDs consideradas, a seu ver, indevidamente no lançamento, não há ressalva a ser feita nesta parte. 31. Em relação ao empréstimo de R$ 53.066,40, efetuado em 06/08/2010, este não integrou a planilha fiscal, conforme pode ser visto à fl. 109. 32. Por fim, quanto ao valor de R$ 200.000,00, referente a "conta garantida", tal montante não se refere a crédito efetuado em sua conta, como também não integra à planilha mencionada. Banco do Brasil CC 19291, Ag. 68012 33. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a transferências. 34. Consoante a única folha de extrato bancário anexada aos autos referente a tal conta (fl. 310), somente houve um registro a crédito correspondente a transferência no montante de R$ 682,90, e este não consta na planilha fiscal anexa ao Termo de Intimação Fiscal nº 05 que serviu de base para o lançamento. Banco Santander S/A CC 0018543, Ag. 0296 35. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a (i) transferências, e (ii) empréstimo (R$ 100.000,00 em 28/09/2010). 36. Acerca do empréstimo, este não foi incluído pela autoridade fiscal conforme pode ser visto na planilha anexa ao Termo de Intimação Fiscal nº 05, à fl. 112. 37. Já em relação às transferências registradas na conta, a partir da referida planilha é possível verificar que a autoridade fiscal considerou na base de cálculo apenas um TED e um DOC, cujos históricos indicam decorrerem de conta de outra titularidade, não sendo, pois, passíveis de exclusão. Banco Bradesco S/A CC 22225, Ag. 13307 38. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a transferências. 39. De início é devido registrar que tal conta não foi objeto do lançamento, como pode ser observado na planilha anexa ao Termo de Intimação Fiscal nº 05. A conta do Bradesco cujos registros foram considerados é a de nº 60712, na agência 2687, detalhada na planilha à fl. 114. 40. Não bastasse isso, os créditos na conta nº 60712 considerados pela autoridade fiscal como base de cálculo dos tributos referemse a transferências com indicação de remessa feita por outra pessoa jurídica. Assim, como os registros não são Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 719 15 decorrentes de transferências de mesma titularidade, não são passíveis de exclusão. Nossa Caixa CCs 04.0019288 e 01.0019130 41. Para estas contas o contribuinte alega que foram incluídas indevidamente as transferências de todos os valores para o Banco do Brasil quando da unificação das instituições. Além disso, argumenta que foi considerado um "limite no valor de R$ 200.000,00". 42. É devido registrar que tais contas deram origem às contas do BB antes analisadas, de nºs 19283 e 19135, respectivamente, e que os extratos anexados aos são complementares, abrangendo períodos distintos: da Nossa Caixa até a incorporação pelo BB, e o do BB a partir deste evento. Não há consideração em duplicidade dos mesmos créditos, bastando verificar, para tanto, nas planilhas anexadas ao Termo de Intimação Fiscal nº 05, que: 42.1. os créditos considerados a partir do extrato Nossa Caixa da CC 1928 iniciam em janeiro de 2010 e terminam em 17/06 do mesmo ano, enquanto os incluídos a partir do extrato do Banco do Brasil da conta correspondente iniciam em 21/06/2010; 42.2. os créditos considerados a partir do extrato Nossa Caixa da CC 1913 iniciam em janeiro de 2010 e terminam em 17/06 do mesmo ano, enquanto os incluídos a partir do extrato do Banco do Brasil da conta correspondente iniciam em 30/06/2010; 43. Quando da absorção das agências da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil não é feito registro a débito na conta da primeira instituição e registro a crédito na conta da segunda, diferentemente do que dá a entender o argumento do contribuinte. Simplesmente é dado seguimento ao contacorrente como se nada tivesse mudado. 44. Quanto ao alegado "limite no valor de R$ 200.000,00", não é possível compreender o que pretendeu afirmar o contribuinte. Caso seja um limite de crédito a ser utilizado, caberia comprovar a sua utilização, apontado os créditos respectivos; o que não ocorreu. De qualquer sorte, a autoridade fiscal excluiu todos os registros relativos a empréstimos, não havendo qualquer rubrica nesse sentido nas planilhas que serviram de base para o lançamento às fls. 115 a 117 (anexa ao Termo de Intimação Fiscal nº 05). 44.1. Ademais, não há qualquer crédito neste montante nas referidas planilhas, na hipótese de o valor não se referir a empréstimo. HSBC CC 0027243, Ag. 1027 45. Para esta conta o contribuinte mencionou que foram incluídos indevidamente na base de cálculos créditos relativos a (i) transferências, (ii) Giro Fácil (R$ 150.000,00 , R$ 60.000,00, Fl. 726DF CARF MF 16 R$ 150.000,00), (iii) empréstimo (R$ 105.000,00 em 06/12/2010), (iv) operação de crédito (R$ 100.000,00 em 07/10/2010), (v) "financiamento empréstimo" (R$ 123.200,00 em 18/08/2010), e (vi) liberação de operação de crédito (R$ 120.000,00 em 22/07/2010). 46. No tocante aos créditos que o contribuinte alega serem relativos a empréstimo, de R$ 105.000,00, e a "financiamento empréstimo", de R$ 123.200,00, conforme pode ser visto na planilha fiscal anexa ao Termo de Intimação Fiscal nº 05 (fl. 113) e no extrato bancário às fls. 321 e 325, as rubricas dos referidos registros indicam que estes montantes não se referem a empréstimos, mas sim decorreram de TEDs provenientes de outro titulares, não sendo, pois, passíveis de exclusão. 47. Já os créditos referidos pelo contribuinte como operação de crédito (R$ 100.000,00), giro fácil (R$ 150.000,00 , R$ 60.000,00, R$ 150.000,00) e liberação de operação de crédito (R$ 120.000,00), estes não constam na planilha fiscal, não tendo integrado a base de cálculo dos tributos lançados. 48. No que diz respeito aos créditos relativos a transferências, conforme pode ser visto na planilha referida e no extrato bancário às fls. 320 e 325, a rubrica da operação é "Transfer P Doc". Por esta não é possível identificar se a transferência foi proveniente de conta de mesma titularidade ou se decorreu de transferência de conta de outra pessoa jurídica ou física. 49. Não obstante, conforme dito anteriormente, ser obrigação do contribuinte apontar a conta corrente da qual teria se originado o DOC, já que defende que tal transferência proveio de outra conta sua, e em que pese não ter adotado tal providência, procedeuse à busca de respectivos débitos nos extratos das contas anexados aos autos por se tratarem de apenas dois registros, porém não foi encontra nenhuma correspondência, o que indica que tais transferência foram provenientes de terceiros, não sendo devida a sua exclusão. Como se observa acima, a DRJ procedeu diligentemente à análise e ao julgamento das alegações da Recorrente, fundamentando robusta e devidamente sua improcedência. Prestigiando tal trabalho, este Conselheiro endossa, reitera e adota complementarmente tais razões na presente decisão, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Por fim, como já adiantado, é notório e uníssono na jurisprudência deste E. CARF que a simples indicação em tabelas que determinados valores da movimentação bancária colhida são referentes a eventos que não se traduzem em receita tributável, desacompanhadas de demonstração e provas hábeis, simplesmente remetendo às folhas da relação de depósitos colhidos, elaborado pelo Fisco como procedido novamente no Recurso Voluntário não são capazes de combater a infração constatada nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 720 17 Assim, não há que se afastar ou reduzir as exações (principal) do presente lançamento de ofício. Na sequência, a Recorrente combate a multa de ofício agravada, que monta no total de 112,5%, majorada em razão do não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, da intimação TIF 04. Inicialmente alega a Recorrente que, diferente da conclusão da Autoridade Fiscal invocada para a aplicação de tal penalidade, enveredou todos os esforços para atender integralmente aos Termos de Intimação, apresentando centenas de documentos, que instruem os autos das fls. 128 a 500. Reforça que não houve dolo de sua parte em qualquer descumprimento ou atraso. Também recorda que teria feito prova de que seu estabelecimento foi acometido por enchente, trazendo, antes da lavratura da Autuação, boletim de ocorrência e notícias da época (fls. 202 a 208), o que teria comprometido a integralidade dos seus registros. Invoca ainda as Súmulas CARF nº 14 e 25 para o afastamento dessa sanção agravada, repisando a ausência de dolo ou fraude em sua postura. Primeiro temos que as Súmulas CARF nº 14 e 25 tratam de multa qualificada, revelandose a sua invocação tema alheio ao presente feito, não devendo se conhecer de tal tema. Em relação à postura da Recorrente em face dos Termos de Intimação lavrados, ficou certificado no TVF (fls. 504) que os TIFs nº 05, 07 e 08 não tinham sido atendidos, mesmo após reintimação, até o momento da lavratura da Autuação. Tal fato se confirma nos autos. Porém, mais adiante nos termos do TVF, expressamente fundamentase a aplicação da multa agravada de 112,5% apenas nos seguintes fatos: Em virtude do descumprimento de obrigação principal devida no âmbito do Simples Nacional, aos valores dos tributos apurados foram adicionados os acréscimos e penalidades legais cabíveis, a título de Juros de Mora e de Multa de Ofício Fl. 728DF CARF MF 18 Agravada de 112,5%, pela diferença de recolhimento dos tributos do Simples Nacional (calculados sobre a base de cálculo informada na DASN e aqueles calculados sobre o faturamento da empresa apurado através de presunção de omissão de receitas) e pelo não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, da intimação TIF 04 (conforme descrito no item 5 Ação Fiscal Da descrição dos fatos e que ensejou a lavratura, em 18/11/2014, do Auto de Embaraço à Fiscalização enviado via postal para a fiscalizada, com ciência da empresa em 24/11/2014, conforme AR) e da intimação TIF 07 (conforme descrito no item 5 Ação Fiscal Da descrição dos fatos), atendendo ao disposto no item III do Art. 87 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94: (destacamos fls. 506) A Autoridade Fiscal esclarece que o TIF nº 04 realmente não foi atendido no seu prazo de 10 (dez) dias e prorrogação de 5 (cinco) dias, mas, posteriormente, veio a se sanar grande parte de tal falta, como se verifica no seguinte trecho: Como até 18/11/2014 não houve entrega pela empresa dos documentos solicitados pelo TIF 04 e, considerando que os documentos solicitados são fundamentais para os trabalhos de fiscalização, restou caracterizado o embaraço à fiscalização, conforme descrito no Auto de Embaraço à Fiscalização lavrado nessa data e enviado via postal para empresa, com ciência da mesma em 24/11/2014 conforme AR. Posteriormente a empresa enviou correspondência contendo cópia simples do Livro Registro de Saídas, porém sem as formalidades necessárias (não havia assinatura do responsável pela empresa na cópia apresentada). A empresa foi orientada a apresentar o original desse livro (devidamente assinado pelo responsável), o que foi atendido em correspondência enviada pela empresa em 27/11/2014. Em 05/12/2014 a empresa enviou outros extratos bancários, mas não atendeu totalmente ao intimado pelos Termos TIF 03 e TIF 04 (em relação a algumas contas da empresa não foram apresentados os extratos para todo o período fiscalizado). (fls. 502) Ao seu turno, o objeto do TIF nº 07 era informar se as NFe 107 a 110 foram ou não canceladas e, sendo o caso, apresentar documentação hábil do devido cancelamento (fls. 504). E por derradeiro, ainda que não mencionado no TFV na fundamentação específica para a aplicação da multa agravada, os TIFs nº 05 e 08 tratavam de: “informar se existem valores creditados constantes desses resumos que não façam parte da receita bruta mensal auferida pela empresa (não sejam produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, nem preço dos serviços prestados nem resultado nas operações em conta alheia). Essa informação deve ser entregue por escrito, datada e assinada por representante Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 721 19 legal ou procurador habilitado do sujeito passivo e acompanhada de prova documental da origem do crédito, discriminando a escrituração, declaração e devida tributação de TODOS os valores creditados nas contas da empresa.” (fls. 503). Ora, deve se considerar aqui que se trata de lançamento de ofício referente a infração de omissão de receitas, com base em depósitos bancários não identificados, apurada na sua modalidade presuntiva, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Lembrese que o acesso à movimentação bancária que há muito o Fisco pode fazêlo diretamente junto às Instituições Financeiras que revelou a omissão de receitas aqui debatida, não ficou prejudicado pelas falhas da Recorrente em não atender precisamente a todos os TIFs emitidos. A ausência de atendimento no prazo ou o oferecimento apenas parcial daquilo requerido não prejudicou a apuração do crédito tributário, exclusivamente referente à omissão de receitas apurada. O não esclarecimento de alguns questionamentos pontuais do Fisco já tem sua consequência abrangida na presunção de omissão de receitas, em desfavor da própria Contribuinte. Assim, a postura de atraso e atendimento incompleto aos esclarecimentos da Fiscalização, da forma como ocorrida no presente caso, não se amolda a embaraço ou a obstrução, propriamente ditos e prejudiciais aos interesses e às prerrogativas fazendárias lembrando tratarse de Autuação lavrada nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, confirase o Acórdão nº 1401002.634, proferido pela 1ª Turma Ordinária dessa 4ª Câmara, de relatoria da I. Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, publicado em 17/07/2018: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. Fl. 730DF CARF MF 20 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES O agravamento da multa pelo não atendimento à fiscalização deve ser aplicado como medida extrema. Não restando devidamente comprovado a desídia em responder as intimações, não pode ser o contribuinte penalizado por esse tipo de agravamento por não possuir os documentos requeridos pela fiscalização. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Em sentido muito semelhante, enfrentando circunstâncias muito similares às deste feito igualmente, esta 2ª Turma Ordinária decidiu no mesmo sentido no Acórdão nº 1402 002.177, de relatoria do I. Conselheiro Demetrius Nichele Macei, publicado em 27/05/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. OBSTRUÇÃO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O agravamento da multa de ofício, em função do não atendimento pelo interessado no prazo marcado, chegando ao patamar de 112.5%, tem sua essência no fato de restar caracterizada a obstrução do contribuinte ao feito fiscal. Caso contrário, se a interessada comparece e traz pelo menos em parte, durante o procedimento fiscal, a documentação solicitada, a qual ainda serviu de base para a imputação tributária, faz com que não se sustente. Diante de tudo aquilo acima exposto, endossado pela jurisprudência dessa C. 1ª Seção desse E. CARF, entende este Conselheiro por afastar o agravamento da multa de ofício aplicada, reduzindoa ao patamar ordinário de 75%. Ao final do seu Apelo, a Recorrente pugna em face dos juros incidentes sobre a penalidade aplicada. Para tanto, recorre à doutrina de Direito Público, que versa sobre o princípio da razoabilidade (ou proibição do excesso) e vedações constitucionais presente no art. 5º da Constituição da República vigente. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10880.720230/201579 Acórdão n.º 1402003.420 S1C4T2 Fl. 722 21 O afastamento da exação, ou de qualquer de seus componentes legais, sob tais argumentos e norma constitucional encontra óbice no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Apenas se acrescente quem em relação a incidência de juros sobre a multa, esta C. 2ª Turma Ordinária, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal. O trecho a seguir do Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 732DF CARF MF 22 O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, mas reforçando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101003.222, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias constitucionais e alheias ao processo e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar o agravamento da multa de ofício aplicada, reduzindoa à percentagem ordinária de 75%. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 733DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13889.720165/2017-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 72 01 65 /2 01 7- 51 Fl. 35DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Não apresentou o Laudo expedido por serviço médico oficial com o enquadramento da doença para fins de isenção de imposto de renda. Não cabe à autoridade lançadora ou à autoridade de trânsito proceder ao enquadramento da patologia." 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE: Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 26. Em síntese, alega ser portadora de moléstia grave. Informa que recebe proventos de aposentadoria e solicita o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13889.720165/201751 Acórdão n.º 2001000.315 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 37DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 27. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. Vejase, por exemplo, das três assinaturas apostas no documento, à exceção da primeira, não é possível sequer identificar os profissionais emitentes do documento. Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13889.720165/201751 Acórdão n.º 2001000.315 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 39DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723132/2015-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 43 E 63 DO CARF.
Somente é reconhecida a isenção, quando comprovado que o sujeito passivo, no período da apuração do imposto, preenche os requisitos estabelecidos pela legislação. Aplicação das Súmulas 43 e 63 do CARF.
Numero da decisão: 2002-000.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 43 E 63 DO CARF. Somente é reconhecida a isenção, quando comprovado que o sujeito passivo, no período da apuração do imposto, preenche os requisitos estabelecidos pela legislação. Aplicação das Súmulas 43 e 63 do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1398; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.723132/201590 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.310 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente DAYSI LUCIA RAMOS DE ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 43 E 63 DO CARF. Somente é reconhecida a isenção, quando comprovado que o sujeito passivo, no período da apuração do imposto, preenche os requisitos estabelecidos pela legislação. Aplicação das Súmulas 43 e 63 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 31 32 /2 01 5- 90 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 19985.723132/201590 Acórdão n.º 2002000.310 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.86/92) contra decisão de primeira instância (fls.77/82), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Para a Contribuinte identificada no preâmbulo, foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Curitiba PR, a Notificação de Lançamento de fls. 45/48, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2014. O imposto a restituir apurado pela Contribuinte foi reduzido para R$ 3.955,99. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND nº 09/86.295.358, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da seguinte infração: · Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos valores de R$ 89.957,65 e R$ 66.573,95. Fontes Pagadoras: Paraná Previdência, CNPJ nº 03.165.607/000110, e Fundo de Previdência, CNPJ nº 17.578.066/000166, respectivamente. O enquadramento legal e a descrição dos fatos foram registrados na Notificação de Lançamento. O Auditor Fiscal anotou que a infração foi constatada a partir do confronto entre os valores declarados pela Contribuinte e os informados pelas fontes pagadoras em Dirf. Depois da regular ciência do lançamento, a Impugnação e os documentos comprobatórios foram apresentados às fls. 2/31. A Impugnante alega que os rendimentos apurados na omissão são isentos do imposto de renda, por serem oriundos de proventos de aposentadoria recebidos por portadora de moléstia grave. Menciona que a moléstia grave restou comprovada por meio do Laudo Médico Pericial nº 347/2012, expedido pela Paraná Previdência, órgão oficial previdenciário estadual. Da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, os Auditores Fiscais em exercício no Órgão de origem emitiram Termo Circunstanciado e Despacho Decisório mantendo integralmente a Notificação de Lançamento, "uma vez que não foi apresentado o laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município", fls. 69/71. No Termo Circunstanciado, as autoridades fiscais esclareceram que "laudos médicos periciais expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos". Fl. 116DF CARF MF Processo nº 19985.723132/201590 Acórdão n.º 2002000.310 S2C0T2 Fl. 4 3 Depois da ciência do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, a Contribuinte argumenta que a Paraná Previdência é competente para emitir o Laudo Médico Pericial, uma vez que “vinculase, por cooperação ao Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência, configurandose assim como o órgão oficial”, fls. 68/71. Acrescenta que o Extrato de Conclusão Médico Pericial é documento padrão da Paraná Previdência. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Somente é reconhecida a isenção, quando comprovado que o sujeito passivo, no período da apuração do imposto, preenche os requisitos estabelecidos pela legislação. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, requerendo o cancelamento do débito fiscal e, adicionalmente requerendo a restituição dos valores retidos parcialmente do exercício 2012 e integralmente dos exercícios 2013 e 2014, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele não conheço. A contribuinte foi notificada em 20/04/2016 (fl.84); Recurso Voluntário protocolado em 20/05/2016 (fl.86), assinado pela própria contribuinte. A recorrente, em preliminar de mérito alega que a r. decisão de origem deve ser revista de ofício por não ter analisado todos os argumentos e fundamentos postos em debates nos autos. Afasto a preliminar tendo em vista o princípio do livre convencimento motivado do julgador, que não está obrigado a responder a todos os argumentos postos pelas partes, mas sim fundamentar as razões que lhe formaram o convencimento. Pois bem, quanto ao mérito, inicialmente cito as seguintes Súmulas do CARF: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19985.723132/201590 Acórdão n.º 2002000.310 S2C0T2 Fl. 5 4 aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula 43 deste CARF). Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula 63 deste CARF). Verifico que a Paraná Previdência, instituída pela Lei Estadual do Paraná nº 12.398/1988, foi criada em transformação da antiga autarquia estadual denominada Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado do Paraná. O art. 2º da referida lei assim dispõe: "O Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado do Paraná IPE, autarquia criada pela Lei Estadual nº 4.339, de 28 de fevereiro de 1961, é transformado em instituição sem fins lucrativos, com pessoa jurídica de direito privado, natureza de serviço social autônomo para administrativo, com a denominação de Paraná Previdência." (grifo nosso) Pois bem, o Extrato de Conclusão Médico Pericial nº 347/2015, emitido pela Paraná Previdência, não presta ao fim que se destina. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, afasto a preliminar e, no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907667/2011-48
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
CRÉDITO ORIGINAL NA DATA DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP.
O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
Numero da decisão: 1003-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 CRÉDITO ORIGINAL NA DATA DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.674240/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 40 /2 01 1- 00 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.810, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 4 3 (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.674240/201100 Acórdão n.º 3201004.125 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000087/2003-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/12/1997
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252.
Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.261
Decisão: Visto, relatado e discutido os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Tratase de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Visto, relatado e discutido os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 00 87 /2 00 3- 93 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 9303007.261 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3102001.548, que deu provimento ao recurso voluntário. A discussão do presente processo tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte. Consta dos autos que o Contribuinte procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), conforme Decreto n.º 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). A fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido da parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI. A DRJ em Fortaleza/CE, na parte de interesse ao presente julgamento, não reconheceu o direito à redução tarifária. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado do CARF deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3102001.548, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 9303007.261 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda Nacional interpôs, então, o Recurso Especial ora sob exame A divergência suscitada diz respeito ao direito à redução tarifária em face da intermediação de terceiro país, que não faz parte do acordo comercial internacional em tela. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial a Fazenda apresentou os acórdãos 30133.018 e 302 36.741. O Recurso Especial da Fazenda foi admitido conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara de competência do CARF. Cientificado do despacho que admitiu o especial fazendário, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.260, de 14/08/2018, proferido no julgamento do processo 10209.000826/200517, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.260): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 326 a 328. (...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões distintas das suas a respeito das operações de triangulação comercial e suas consequências de que trata o presente processo. A discussão desse processo gira em torno do tratamento beneficiado de importação efetuada pela recorrente utilizandose de preferência tarifária com suporte no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo Brasileiro com os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, Países Membros da Comunidade Andina. Grosso modo, tratase de redução tarifária do Imposto de Importação, caso os produtos sejam adquiridos daqueles países em determinadas condições. Ou seja, tratase de uma regra de exceção, benefício fiscal, o qual reclama a aplicação do art. 111 do CTN. 1 Não se transcreveu o voto da relatora do processo paradigma, na parte em que enfrentou o mérito, em razão de trazer entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.260. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 9303007.261 CSRFT3 Fl. 5 4 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É da essência das regras de exceção, a aplicação literal dos dispositivos que as concedem. Isto porque, se de um lado estabelecese um tratamento beneficiado, de outro, as regras condicionantes devem ser seguidas com rigor. Nesse sentido, vejamos o que dispunham as regras para o aproveitamento da redução tarifária pretendida. No início do referido acordo, vigia o disposto na Resolução ALADI nº 78, o qual não permitia a possibilidade de triangulação comercial nos moldes realizados pela contribuinte no presente processo. Art. 4º da Resolução ALADI nº 78: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; it) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Veja que na vigência do art. 4º, acima transcrito, as mercadorias deveriam ser faturadas diretamente do país exportador para o importador, admitindo o seu trânsito por outro país, em síntese, somente por razões de logística do transporte. Não se permitia a participação de outro país interveniente com emissão de fatura nele ocorrida, como no presente caso. Somente a partir de 08/12/98, com a entrada em vigência da Resolução ALADI nº 232 é que se passou a permitir, com uma série de condicionantes. O disposto na Resolução ALADI 232, foi consolidado na Resolução ALADI nº 252, o qual transcrevo abaixo: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 9303007.261 CSRFT3 Fl. 6 5 preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Somente com a Resolução 232, que passou a viger no país a partir de 08/12/98, é que se permitiu a participação de um operador de terceiro país, porém as regras para esta participação são claras e não poderiam ser ignoradas pela Petrobrás. Primeiro que são de fáceis cumprimento e seu conteúdo é de clareza meridiana. Então bastava constar o número da fatura do terceiro interveniente já no próprio certificado de origem. Se o número da fatura, ainda não era conhecido, a determinação é que se deixasse em branco o espaço e que fosse apresentada no momento do desembaraço a declaração juramentada. Com certeza a motivação dessas exigências têm fundamento no controle aduaneiro. Ao abandonar ao livre arbítrio estas condições a Petrobrás afastou do conhecimento imediato da aduana as reais condições de sua importação. A comprovação documental em momento bem posterior aos fatos, podem prejudicar a perfeita verificação se os documentos apresentados correspondem aos fatos erigidos. Portanto, penso ser incabível, uma empresa do porte da recorrente, não se submeter a regras simples estabelecidas a nível de tratado internacional. Retomando os fatos do presente processo, vêse que se trata de uma importação objeto da Declaração de Importação nº 00/12080657, cujo registro deuse em 13/12/2000. Constatase de forma inequívoca que não foram seguidas as condições estabelecidas no artigo 9º da Resolução ALADI nº 252, acima trasncrito. No Certificado de Origem, efl. 21, consta a fatura comercial emitida pela ECOPETROL e não tem qualquer referência à fatura comercial emitida pela interveniente de outro país, no caso a PFICO. Neste caso, diferente dos demais, no campo "observações" do Certificado de Origem há referência expressa à empresa interveniente, PIFCO, porém não tem a informação do número da fatura comercial emitida por ela. Também não foi apresentada a declaração juramentada no momento do desembaraço aduaneiro. Assim está comprovado que não foram cumpridas as regras estabelecidas para que se tenha direito à redução tarifária que se pretendia. Também não tem fundamento a invocação do contribuinte pela aplicação do art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985, Decreto nº 91.030/85, de que a comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo. Veja a sua redação: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Ora, o próprio decreto remete à necessidade de cumprimento das regras atinentes ao certificado de origem. Como visto a ALADI aprovou o modelo e as regras de seu preenchimento no caso da referida triangulação comercial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 9303007.261 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.005498/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
Numero da decisão: 2402-006.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
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Recorrente TGM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 54 98 /2 00 9- 15 Fl. 442DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0339.507 (fls. 197), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de crédito tributário constituído contra a empresa MENEGOTTI FORMAS METÁLICAS LTDA, por meio do auto de infração DEBCAD n°37.225.1951, no valor de R$ 327.549,77, consolidado em 23/11/2009, relativo às competências 01/2005 a 03/2009. Os valores levantados no AI n° 37.225.1951, são referentes às contribuições previdenciárias devidas pelos SEGURADOS. Segundo consta do Relatório Fiscal (fls. 34/63), a empresa fiscalizada é a Menegotti Formas Metálicas Ltda, cuja atividade é a fabricação de máquinas e equipamentos para uso industrial específico. Os valores constantes do lançamento referemse às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, pela empresa PAMAX. Conforme relatado, a empresa PAMAX nunca existiu de fato e sua constituição teve a finalidade de diminuir a incidência tributária sobre a empresa Menegotti Formas Metálicas Ltda. Conforme relatado pela fiscalização, a empresa PAMAX nunca existiu de fato como entidade empresarial autônoma, não incorre no risco da atividade econômica, pois sempre operou no interior da empresa Menegotti exclusivamente sob controle desta. A conclusão é que sua existência é meramente formal. A PAMAX foi constituída com a única finalidade de se enquadrar nos regimes tributários do SIMPLES federal (Lei 9.317/96) e, posteriormente SIMPLES Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 3 3 NACIONAL (Lei Complementar 123/2006) e, nesta condição, registrar em seu nome parte dos empregados da MENEGOTTI FORMAS METÁLICAS LTDA com o intuito de não reconhecer as contribuições sociais da empregadora sobre a folha de pagamento. Esta prática se deve ao fato de a empresa Menegotti estar impossibilitada de aderir ao regime do SIM_PLES, uma vez que seu faturamento é muito superior aos limites impostos. Embora não tenha sido objeto desta fiscalização, consta no Relatório Fiscal a informação de que foram constatados indícios de que a empresa BOPREL (atualmente inativa) exercia o mesmo papel junto à Menegotti até 2002/2003, sendo nesta época substituída pela PAMAX. A fiscalização faz uma síntese dos elementos de convicção que a levaram a concluir que a existência da empresa PAMAX é meramente formal, se prestando apenas para registrar parte dos trabalhadores da MENEGOTTI e para aderir ao sistema tributário SIMPLES, vejamos: estabelecimento no mesmo local; mesmo objeto social, acrescentandose na PAMAX a prestação de serviços de industrialização; constituição de empresa industrial (PAMAX) por capital social irrisório de R$ 2.000,00; inclusão fraudulenta de empregados e exempregados, bem como o filho dos sócios proprietários da MENEGOTTI, no quadro societário da PAMAX; constituição de procuração " em favor do sócio proprietário da MENEGOTTI, com amplos poderes para gerir e representar a PAMAX, inclusive os especiais, por prazo determinado; movimentação de empregados entre as empresas MENEGOTTI, BOPREL e PAMAX, mediante demissão e posterior admissão; adesão da PAMAX aos regimes tributários do SIMPLES; chamamento conjunto das empresas em demandas trabalhistas de exempregados sob alegação de existência de grupo econômico e/ou unicidade empresarial entre as demandadas; alegação em ação trabalhista, pelo exgerente administrativo MAURO AUGUSTO MINELLI, de sua inclusão fraudulenta no quadro societário da PAMAX para fins de sonegação fiscal e supressão de direitos trabalhistas; inexistência de máquinas, equipamentos e instalações da PAMAX; em verificação na contabilidade constatouse, entre outros, os seguintes fatos: os únicos saldos relevantes nos balanços patrimoniais da PAMAX são o caixa, direitos e obrigações relacionados à mãodeobra, tributos e transações com a MENEGOTTI (recebimento por serviços prestados, única fonte de receita da PAMAX, sem o correspondente custo dos serviços prestados); inexistência de despesas de funcionamento como energia, água, telefone, aluguel; confusão patrimonial onde a MENEGOTTI arcou com despesas e benefícios dos empregados registrados na PAMAX. simulação de prestação de serviços de industrialização, onde a PAMAX (prestadora) recebia as mercadorias, industrializava (mesmo sem dispor de meios) e devolvia à contratante MENEGOTTI com a cobrança pelos serviços; foi firmado contrato entre a empresa Menegotti Formas Metálicas Ltda e PAMAX Indústria de Formas Ltda, cujo objeto é a execução de serviços Fl. 444DF CARF MF 4 relacionados a atividade fim da contratante (Menegotti). Pela leitura das cláusulas contratuais, verificase que o fornecimento da matéria prima, materiais e equipamentos, bem como a responsabilidade técnica pela execução dos serviços é da Menegotti. Por esta razão, a fiscalização concluiu que a PAMAX não passa de fornecedora de mãodeobra para a Menegotti, para atuar em sua atividade fim. Por estes motivos e pelo conjunto probatório, composto pelas informações constantes do Relatório Fiscal (fis 51/86) e documentos juntados aos autos do processo 10920.005497/200971, AIOP DEBCAD n°37.225.1943 (fls. 87/694), a fiscalização concluiu que o vínculo dos segurados empregados (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) se deu efetivamente com a empresa MENEGOTTI, constatando a presença dos requisitos do art. 3° da CLT, quais sejam, a pessoalidade, não eventualidade, a subordinação, a alteridade e a onerosidade. O que ocorreu, segundo a fiscalização, foi a interposição de empresa fictícia (PAMAX) entre os empregados e o empregador de fato. DO LANÇAMENTO Segundo a fiscalização, ficou evidenciado que a empresa não registrou em sua contabilidade a remuneração de todos os segundos a seu serviço, haja vista que uma parte dos segurados foi registrada em empresa diversa, mas prestavam serviço à autuada mediante contratos de prestação de serviços simulados (entre Menegotti e PAMAX). A fiscalização também concluiu que a empresa PAMAX, optante pelo SIMPLES, foi criada e utilizada para registrar em seu nome parte dos empregados da MENEGOTTI, deixando de reconhecer indevidamente as contribuições sociais sobre as remunerações dos segurados, a cargo do empregador. Pelos motivos acima expostos, a fiscalização considerou os segurados formalmente registrados na PAMAX, para fins previdenciários, segurados vinculados à empresa onde de fato prestaram serviços, a MENEGOTTI. Foram feitos os levantamentos FPI, FP2 e FP3, os salários de contribuição foram apurados por aferição indireta, com base nas Guias de Recolhimento e Informações a Previdência Social — GFIPs da PAMAX no período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha RELAÇÃO DE EMPREGADOS FORMALMENTE REGISTRADOS NA PAMAX E REMUNERAÇÕES. Os levantamentos RAI, RA2 e RA3, são referentes aos pagamentos feitos aos administradores da PAMAX, que foram considerados remunerações a empregados feitos pela MENEGOTTI, pois os recursos são desta empresa (via simulação de transações) e os administradores eram, na mesma época, empregados da MENEGOTTI (mais o filho dos sócios proprietários), além disso, os administradores da MENEGOTTI que de fato geriam a PAMAX. Os salários de contribuição foram apurados por aferição indireta com base nas GFIPs da PAMAX, do período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha RELAÇÃO DE SEGURADOS AUTOENQUADRADOS COMO DIRIGENTES E SUAS REMUNERAÇÕES. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 4 5 Os levantamentos LSI, LS2 e LS3, são referentes aos pagamentos feitos aos sócios, enquadrados pela fiscalização como remunerações feitas pela MENEGOTTI a empregados, a título de distribuição de lucros. Os salários de contribuição foram apurados por aferição indireta, com base nos dados dos registros contábeis da PAMAX, do período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha RELAÇÃO DE REMUNERAÇÕES A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DA PAMAX. O fato de considerar como pagamento de salários, os valores distribuídos aos sócios da PAMAX, se deve ao fato de os recursos para o pagamento serem da MENEGOTTI. Os sócios, na verdade eram empregados desta empresa (MENEGOTTI) que foram chamados a ingressar no quadro societário da PAMAX, de forma fraudulenta, mediante o aporte irrisório de R$ 1.000.00. O reclamante MAURO AUGUSTO MINELLI nos autos da Ação Trabalhista n° 1099/2008 explicita esta situação. Por último, os levantamentos DV1, DV2 e DV3, são referentes a despesas realizadas com cartão de crédito da "American Express", que foram consideradas prólabore indireto, pois segundo a fiscalização os documentos examinados indicam que foi o sócio proprietário e/ou sua família que realizaram os gastos. Os salários de contribuição foram apurados com base nos registros contábeis da MENEGOTTI do período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha DESPESAS COM CARTÃO DE CRÉDITO SEM COMPROVAÇÃO DE FINALIDADE. Os documentos comprobatórios encontramse nos autos do processo 10920.005497/200971, AIOP DEBCAD n° 37.225.1943 lavrado nesta fiscalização. Em razão das alterações trazidas pela da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, em observância ao disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e em cumprimento ao disposto na Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 14, de 4 de dezembro de 2009, foi aplicada a penalidade mais benéfica, conforme o demonstrativo da comparação na planilha "Comparativo entre as penalidades antes e depois da MP 449/2008". Nesta fiscalização foram lavrados além deste auto de infração, os autos de infração AIOP 37.225.1943 (empresa) e 37.225.1960 (terceiros) e os MOA 37.225.1927 e 37.225.1935. IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 25/11/2009, a empresa apresentou impugnação às fls. 72/88, em 22/12/2009, alegando, em síntese que: A impugnante contesta o fato de a fiscalização ter considerado que há uma unicidade entre as empresas Menegotti e Pamax e de ter lançado contribuições previdenciárias sobre os salários pagos aos segurados registrados na empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. Fl. 446DF CARF MF 6 Segundo a impugnante, embora as empresas atuem no mesmo ramo, são empresas distintas, tendo cada uma personalidade jurídica própria, não fazendo parte sequer de um mesmo grupo econômico. As empresas exercem suas atividades produtiva, financeira ou administrativa, em galpões separados, conforme fotos anexas, com funcionários próprios e contabilidade completamente independente, possuindo livros e registros próprios. Alega ainda que o quadro societário das empresas é completamente distinto e que o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierslci (sócio da Pamax) ser filho dos sócios da impugnante, de forma alguma pode levar à conclusão de que há unicidade entre as empresas, como enseja a fiscalização. Ressalta que todos os empregados da Pamax Indústria de Formas Ltda foram devidamente registrados e as contribuições previdenciárias incidentes sobre seus salários foram efetivamente pagas conforme comprovantes de pagamento anexados. A empresa alega que a opção pelo Simples foi realizada em total observância à Lei 9.317/96, de forma que a empresa tem direito de efetuar os recolhimentos por meio do referido sistema. Confirma o fato a postura adotada pelo auditor fiscal, que ao invés de excluir a empresa do SIMPLES desconsiderou sua personalidade jurídica. Alega que o auditor fiscal se baseou em indícios e que houve uma ilegal desconsideração da personalidade jurídica. Insurge a empresa contra o arbitramento efetuado, uma vez que possui contabilidade regular que lhe faz prova a favor. A impugnante alega que a autoridade fiscal não detém competência para efetuar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa PAMAX ENDUSTRIA DE FORMAS LTDA, desconsiderando por conseguinte, todas as declarações prestadas e pagamentos efetuados, para autuar a impugnante como devedora das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários dos empregados registrados na PAMAX. A empresa reclama o aproveitamento dos créditos recolhidos pela empresa PAMAX por meio de Documento de Arrecadação Federal DARF e Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS, alegando com isto haver enriquecimento ilícito do fisco. Por fim, requer: a) seja julgada procedente a impugnação com o cancelamento do presente auto de infração por ilegalidade no arbitramento; b) a apropriação dos valores efetivamente recolhidos pela PAMAX INDÚSTRIA DE FORMAS LTDA; c) requer a produção de todos os meios de prova, especialmente a documental anexa. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa do Acórdão nº 0339.507 abaixo transcrita: Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009. SIMULAÇÃO NA CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constatado pela fiscalização que a contratação de serviços ocorre de forma simulada, apenas para burlar o fisco, correto o enquadramento dos empregados e contribuintes individuais na empresa a que estão materialmente vinculados. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS POR EMPRESAS INTERPOSTAS. Inexiste autorização para que os recolhimentos efetuados por empresas interpostas sejam abatidos em processo de lançamento fiscal lavrado contra terceira empresa, verdadeiro sujeito passivo da obrigação. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (fls 212), por meio do qual reiterou os argumentos defensivos aduzidos na impugnação apresentada. Às fls. 234, o contribuinte peticiona esclarecendo que, conforme requerido no recurso voluntário, apresenta os documentos extraídos dos autos do Processo Administrativo n° 10920.005669/200914 que que comprovam a existência de fato da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Nos termos do relatório supra, a ação fiscal desenvolvida evidencia, segundo a Fiscalização, a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições previdenciárias, por meio da constituição de CNPJ em nome de interpostas pessoas pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES. A manutenção de empresa ME/EPP tem por objetivo registrar parte dos empregados em firmas contempladas pela LC 123/2006 e, assim, deixar de recolher as contribuições devidas. A irresignação do contribuinte, em linhas gerais, gira em torno do fato de ter sido desconsiderada a personalidade jurídica da empresa vinculada Pamax Indústria de Formas Ltda e, como consequência, terem sido lançadas as contribuições previdenciárias em seu nome, assumindo se que os empregados contratados formalmente pela Pamax de fato prestaram serviços à ora Recorrente. Fl. 448DF CARF MF 8 Cingese, pois, a controvérsia, no caso concreto, em verificar se houve simulação (ou não) na instituição da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. Pois bem!! No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora constatou diversas situações e circunstâncias fáticas, devidamente consignadas no Relatório Fiscal (fls. 35), que respaldam a ocorrência de simulação consubstanciada na utilização, pela empresa Autuada, da empresa Pamax, na condição de interposta, com o fito de reduzir os encargos tributários previdenciários, usufruindo dos benefícios do regime de tributação Simples, mediante vinculação dos segurados empregados desta última (Pamax) à primeira (TGM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA). Nesse sentido, assim concluiu a fiscalização (fls. 58): (...) concluise que a PAMAX não existe de fato como entidade empresarial autônoma, não incorre no risco da atividade econômica, pois sempre operou no interior, da MENEGOTTI exclusivamente sob controle esta. Logo, sua existência é apenas formal. Ela foi constituída com a única finalidade de se enquadrar nos regimes tributários do SIMPLES FEDERAL (Lei n°9317/1996) e, posteriormente, SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006) e, nesta condição, registrar em seu nome parte dos empregados da MENEGOTTI com o intuito de não reconhecer as contribuições sociais dos empregadores sobre a folha de pagamento. Tudo isto, em razão da MENEGOTTI estar impossibilitada de aderir ao regime do SIMPLES, seu faturamento é muito superior aos limites impostos. 3.13.2. Neste contexto, os registros de segurados em nome da PAMAX também eram apenas formais, pois na realidade estes prestaram serviços à MENEGOTTI. 3.13.3. Para justificar a existência formal de segurados em nome da PAMAX, bem como os pagamentos das remunerações, encargos e benefícios desta mão de obra, as empresas forjaram contratos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, figurando a PAMAX como prestadora. Assim, os recursos financeiros eram transferidos da MENEGOTTI à PAMAX sob os títulos de pagamentos pelos "serviços prestados". 3.13.4. Todos os elementos encontrados nas empresas fiscalizadas, bem como em outras fontes, conforme exposto já neste relatório, apontam nesta direção. Para melhor entendimento, expõese a seguir uma síntese dos elementos de convicção: a.) Estabelecimento no mesmo local; b.) Mesmo objeto social, acrescentandose na PAMAX a prestação de serviços de industrialização; c.) Constituição de empresa industrial (PAMAX) por capital social irrisório de R$ 2.000,00; d.) Inclusão fraudulenta de empregados e exempregados, bem como o filho dos sócios proprietários da MENEGOTTI, no quadro societário da PAMAX; e.) Constituição de procuração em favor do sócio proprietário da MENEGOTTI, com amplos poderes para gerir e representar a PAMAX, inclusive os especiais, por prazo indeterminado; f.) Movimentação de empregados entre as empresas MENEGOTTI, BOPREL e PAMAX, mediante demissão e posterior admissão; g) Adesão da PAMAX aos regimes tributários do SIMPLES; h.) Chamamento conjunto das empresas em demandas trabalhistas de exempregados sob alegação de existência grupo econômico e/ou unicidade empresarial entre as demandadas; i.) Alegação em ação trabalhista, pelo exgerente administrativo MAURO AUGUSTO MINELLI, de sua inclusão fraudulenta no quadro societário da PAMAX para fins de sonegação fiscal e supressão de direitos trabalhistas; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 6 9 j.) Inexistência de máquinas, equipamentos e instalações na PAMAX; k.) Os únicos saldos relevantes dos balanços patrimoniais (ativo e passivo) da PAMAX são o caixa, direitos e obrigações relacionados à mãodeobra (salários e honorários, encargos e benefícios), tributos e "transações" com a MENEGOTTI; l.) As receitas da PAMAX são oriundas exclusivamente da MENEGOTTI, mediante "prestação de serviços", sem existência de custos dos serviços prestados e destinadas apenas às despesas abaixo; m.) As únicas despesas são as relacionadas à mão de obra (salários e honorários, encargos e benefícios) e tributos; n.) Inexistência, por quase todo o período, de despesas essenciais ao funcionamento, como energia elétrica, água, comunicações, aluguel de local; o.) Confusão patrimonial entre a MENEGOTTI e PAMAX, onde a primeira arcou com despesas e benefícios dos empregados registrados na segunda; p.) Simulação de prestação de serviços de industrialização, onde a "prestadora" PAMAX "recebia" as mercadorias, "industrializava" (mesmo sem dispor de meios), e "devolvia" à "contratante" MENEGOTTI com a cobrança pelos serviços. As situações e circunstâncias fáticas, minuciosamente detalhadas e comprovadas no Relatório Fiscal, bem assim abordadas na decisão recorrida, afastam quaisquer dúvidas quanto ao liame que vincula as empresas citadas, que, na verdade, tratamse de uma única empresa e não duas como aparentam ser, mediante simulação de terceirização que desmembrou atividades. Nesse contexto, resta caracterizada a simulação, impondose a desconsideração da relação meramente formal constatada pela autoridade lançadora, privilegiandose a real vinculação da Recorrente com os trabalhadores que lhe prestaram serviços, não obstante o registro laboral junto à empresa aparentemente "terceirizada". Sobre o tema, este colegiado, em recente julgado da relatoria do Conselheiro Luis Henrique Dias Lima (PAF 11065.003144/201060), por unanimidade de votos, assim se manifestou naquela oportunidade: Com efeito, respaldada na legislação, não há óbice para que a autoridade lançadora desconsidere a existência de certos negócios ou situações jurídicas, formalmente existentes entre os trabalhadores das empresas envolvidas, vez que os arts. 114, 116 e 149 do CTN permitem a busca da realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, com fulcro na constatação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador, culminando com o poder de requalificar o negócio aparente entre as três empresas em tela, visando à apuração e cobrança do tributo efetivamente devido. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fundase a argumentação da Recorrente no fato de a autoridade lançadora ter tratado como ilícitos atos que, no seu entendimento, caracterizamse elisão fiscal e não evasão fiscal. Fl. 450DF CARF MF 10 De fato, é cediço que é tênue linha que distingue o direito legítimo do contribuinte de organizar a sua empresa, com base na livre e na autonomia negocial, do poder do EstadoFiscal considerar tais disposições ineficazes, a partir de pressupostos fáticos lastreados em fraude, abuso de forma e simulações. É oportuna a definição de simulação, na seara tributária, conferida pela jurisprudência do TRF4 e STJ, nos julgados sumarizados nas ementas abaixo reproduzidas: "INCORPORAÇÃO. AUTUAÇÃO. ELISÃO E EVASÃO FISCAL. LIMITES. SIMULAÇÃO.EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. 1. Dáse a elisão fiscal quando, por meios lícitos e diretos o contribuinte planeja evitar ou minimizar a tributação. Esse planejamento se fundamenta na liberdade que possui de gerir suas atividades e seus negócios em busca da menor onerosidade tributária possível, dentro da zona de licitude que o ordenamento jurídico lhe assegura. 2. Tal liberdade é possível apenas anteriormente à ocorrência do fato gerador, pois, uma vez ocorrido este, surge a obrigação tributária. 3. A elisão tributária, todavia, não se confunde com a evasão fiscal, na qual o contribuinte utiliza meios ilícitos para reduzir a carga tributária após a ocorrência do fato gerador. 4. Admitese a elisão fiscal quando não houver simulação do contribuinte. Contudo, quando o contribuinte lança mão de meios indiretos para tanto, há simulação. 5. Economicamente inviável a operação de incorporação procedida (da superavitária pela deficitária), é legal a autuação. 6. Tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, restando demonstrado claramente que, de fato, esta "absorveu" a deficitária, e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas a fim de serem aproveitados os prejuízos fiscais da empresa deficitária, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada, e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação. 7. Não há fraude no caso: a incorporação não se deu mediante fraude ao fisco, já que na operação não se pretendeu enganar, ocultar, iludir, dificultando ou mesmo tornando impossível a atuação fiscal, já que houve ampla publicidade dos atos, inclusive com registro nos órgãos competentes. 8. Inviável economicamente a operação de incorporação procedida, tendo em vista que a aludida incorporadora existia apenas juridicamente, mas não mais economicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, a fim de serem aproveitados seus prejuízos fiscais cujo aproveitamento a lei expressamente vedava. 9. Uma vez reconhecida a simulação deve o juiz fazer prevalecer as consequências do ato simulado no caso, a incorporação da superavitária pela deficitária, consequentemente incidindo o tributo na forma do regulamento não havendo falar em inexigibilidade do crédito, razão pela qual a manutenção da decisão que denegou a antecipação de tutela pretendida se impõe. (grifei) (TRF4 AG: 44424 RS 2004.04.01.0444240, Relator: DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Data de Julgamento: 30/11/2004, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 26/01/2005 PÁGINA: 430)" "PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ. 1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa Supremo Industrial e Comercial Ltda. formalmente incorporou Suprarroz S/A (posteriormente incorporada pela Recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 7 11 pois, em realidade, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Supremo pela Suprarroz), seria impossível a compensação de prejuízos realizada, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. 4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados (Supremo) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a Recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da Suprarroz (empresa financeiramente sólida) pela Supremo (empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de Supremo e Suprarroz, a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ REsp: 946707 RS 2007/00926564, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/08/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: > DJe 31/08/2009)" No caso concreto, a autoridade lançadora, para fins tributários, deu prevalência à essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores das empresas IBS e IM de forma interposta, com vistas ao fracionamento dos respectivos faturamentos e consequente redução das contribuições previdenciárias a recolher, haja vista a opção das empresas IBS e IM pelo regime de tributação Simples. A valoração jurídica das situações e circunstâncias fáticas efetuada pela Fiscalização da RFB, e corroborada pela decisão recorrida, revela posição avançada sobre o conteúdo do conceito jurídico de simulação previsto no art. 167 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. Restou evidenciado, no caso em tela, o confronto da visão globalizante, material e causalista em face da tradicional visão formalista e voluntarista de simulação sustentada pelo Recorrente. Fl. 452DF CARF MF 12 Nessa perspectiva, prevaleceu o conceito amplo de simulação, que, na sua essência, privilegia aspectos econômicos e operacionais, na medida em que a autoridade lançadora examinou, no caso em apreço, a causa concreta dos negócios, comparandoa com a causa típica ou a finalidade prática para a qual os negócios jurídicos foram engendrados pelo ordenamento jurídico, avaliando as operações em sua totalidade com o fito de aferir o quanto artificiosos e ausentes de substrato jurídico efetivo podem ter sido os atos e os negócios jurídicos praticados pelas empresas Saturno, IBS e IM. (...) Por sua vez, o Direito Tributário, apesar de constituirse microssistema formado por um complexo conjunto de normas, não é hermético, nem indiferente aos demais ramos do Direito. Assim, nenhum óbice se opõe à autoridade lançadora buscar conceitos, definições e conteúdos em outros ramos do Direito visando a fortalecer a sua argumentação para fins da constituição do crédito tributário, com mais razão ainda quando o Direito em questão é fundamental à compreensão do suporte fático da hipótese de incidência tributária, conforme evidenciase nos autos o Enunciado TST 331 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) DecretoLei n. 5.452/1943. (...) Outrossim, o princípio da primazia da realidade ou da verdade real, não obstante a sua ampla aplicação na seara justrabalhista, não é incompatível com o Direito Tributário, como sugere o Recorrente. Bem ao contrário, mantém estreita vinculação com o princípio da verdade material, tão festejado na seara tributária. Com efeito, o princípio da primazia da realidade ou da realidade dos fatos visa à priorização da verdade real em face da verdade formal, enquanto que o princípio da verdade material busca a realidade dos fatos, conforme ocorrida. Como se observa, a proximidade conceitual e teleológica é óbvia, o que dispensa maiores ponderações. Como se vê, a situação fáticajurídica objeto do susodito julgado assemelhase àquela ora em análise, razão pela qual adoto, nesta oportunidade, a fundamentação jurídica acima reproduzida, já apreciada e acolhida por este colegiado, por ocasião do julgamento do processo nº 11065.003144/201060. Sobre o tema, a DRJ sinalizou que: Primeiramente é preciso esclarecer que, embora as empresas possuam formalmente funcionários próprios, contabilidade e registros separados, de fato o que se conclui é que o verdadeiro vínculo dos segundos se estabelece com a empresa MENEGOTTI como amplamente demonstrado no Relatório fiscal e documentos. A fiscalização não desconsiderou a contabilidade da empresa como afirma a impugnante, muito pelo contrário, o auditor fiscal fez a análise dos fatos baseada na contabilidade da empresa PAMAX, onde verificou no Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado referentes aos anos de 2005/2006/2007, que a empresa não possui em seu patrimônio maquinário próprio e nem capital suficiente para empreender um negócio da envergadura do operado por ela, qual seja, a manufatura de máquinas e equipamentos para a construção civil. A empresa PAMAX tem como, única cliente a empresa MENEGOTTI, empresa da qual provém todo seu faturamento. Os lançamentos mensais referemse unicamente a despesas com funcionários e recebimento pelos "serviços prestados" à empresa MENEGOTTI conforme contrato firmado entre as duas empresas. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 8 13 Como se pode verificar, a fiscalização não agiu de forma ilegal, mas baseada em documentos fornecidos pela própria empresa. (...) A impugnante tentou comprovar que as empresas funcionam em locais distintos por meio de fotos e Contrato de posse provisória com possibilidade de doação de área de terras pelo município de Corupá à empresa PAMAX INDÚSTRIA DE FORMAS LTDA. Contudo, as fotografias apresentadas não lograram comprovar que as empresas funcionam em local distinto, até porque se pode visualizar um local bem parecido tanto nas fotos da empresa PAMAX, quanto na da empresa MENEGOTT1, mas sem chegar a uma conclusão definitiva sobre o fato de serem locais distintos, de forma que a prova não se mostra suficiente para o convencimento. Quanto ao contrato de posse provisória juntado às fls. 717/720 demonstra apenas uma doação de terras no Condomínio Industrial Lauro Carneiro de Loyola, com a cláusula obrigacional de iniciar as obras de construção no prazo de 12 (doze) meses da assinatura do contrato (fumado em 01/04/2008), o que não comprova efetivamente o endereço de funcionamento da empresa. Ademais, em consulta ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ da empresa PAMAX, verificase que a empresa encontrase INAPTA desde 17/01/2001. Segundo consta do Relatório Fiscal, a sede social da empresa PAMAX, de acordo com o contrato social e alterações posteriores, sempre foi à Rua Progresso, S/N, lote 2C, Bairro Condomínio Industrial, Corupá/SC. Sendo este o endereço informado no CNPJ e demais declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil. Já a empresa MENEGOTTI está situada à Rua Progresso 221, Bairro Distrito Industrial, Corupá/SC, conforme contratos e CNPJ. Ocorre que a fiscalização, em verificação in loco, constatou que os endereços acima se confundem, tratandose do mesmo local de fato, localizado no interior do Condomínio Industrial Lauro Carneiro de Loyola (coincidentemente, o mesmo que consta do contrato de doação da PAMAX), no município de Corupá/SC. Como se verifica, as provas apresentadas não são suficientes para comprovar que as empresas funcionam em local distinto. É de se lembrar contudo, que o auditor fiscal não se baseou unicamente neste fato para considerar que a empresa PAMAX não tem condições de operar sem a empresa MENEGOTTI, conforme elementos constantes do Relatório Fiscal e farta documentação juntada aos autos. A impugnante alega ainda que o quadro societário das empresas é completamente distinto e que o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierski (sócio da Pamax) ser filho dos sócios da impugnante, de forma alguma pode levar à conclusão de que há unicidade entre as empresas. Quanto a este ponto, conforme descrito no Relatório Fiscal todos os sócios e exsócios da empresa PAMAX foram ou são empregados da MENEGOTTI, PAMAX ou BOPREL (empresa que funcionou nos mesmos moldes da PAMAX e está inativa desde 2004), tudo conforme documentos juntados às fls.684/694. Fl. 454DF CARF MF 14 Ademais, consta procuração da empresa PAMAX em favor de Álvaro Kasmierski, sócio da MENEGOTTI, conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar todos os seus bens, direitos e interesses. Esta procuração foi revogada em 03/05/2007, coincidentemente com a época em que seu filho, o Sr. Thiago Villela Kasmiersk ingressa como sócio na PAMAX. Desse modo, demonstrase que não foi o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierski ser filho dos sócios da impugnante que levou à conclusão de que a empregadora de fato é a empresa MENEGOTTI. (...) Assim, ficou demonstrado que o que ocorreu foi uma simulação, uma vez que a empresa PAMAX INDÚSTRIA DE FORMAS LTDA não existia de fato, embora tivesse sua existência jurídica formalizada. Registrese, pela sua importância, que o contribuinte, no recurso voluntário apresentado, traz afirmações expressas que confirmam o quanto já exposto no presente voto, conforme se infere dos excertos abaixo reproduzidos: “Ora, a empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. foi constituída com o objetivo de assumir parte dos serviços de industrialização da Recorrente, isto é fato!” “Nesse sentido, o contrato particular de prestação de serviços demonstra, claramente, que a empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. presta serviços de industrialização dos produtos vendidos pela Recorrente, especialmente moldes metálicos para artefatos de concreto prémoldado, outros produtos e equipamentos.” “Nesse diapasão, é importante destacar que a terceirização de parte do serviço de industrialização da Recorrente, justamente, se deu com o objetivo de diminuir custos de produção. Jamais, houve a intenção de fraudar o Fisco.” “O ingresso de exempregados da Recorrente e do filho do sócio da referida empresa no quadro societário da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. apenas vem a corroborar que a intenção foi, de fato, terceirizar os serviços de industrialização.” “Nessa mesma senda é que foi outorgada procuração para o sócio da Recorrente pela empresa Pamax Indústria de Formas Ltda., já que, durante algum tempo, se fez necessária a transferência da expertise relativa ao processo de industrialização (instrumento de revogação lavrado em 2007).” “Diversamente do que consta do v. Acórdão recorrido, o fato da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda., em conformidade com o contrato firmado com a Recorrente, dispor de seu maquinário, orientações técnicas e instalações, não afasta a sua existência de fato, conquanto comprovada a efetiva industrialização por encomenda.” Neste contexto, concluise pela perfectibilidade da decisão de primeira instância neste particular. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10920.005498/200915 Acórdão n.º 2402006.614 S2C4T2 Fl. 9 15 Da Desconsideração dos Pagamentos Efetuados – Enriquecimento Ilícito do Fisco Aduz a Recorrente que a autoridade fiscal deveria proceder à compensação dos tributos já recolhidos na modalidade de pagamento do SIMPLES pela empresa Pamax. Razão não assiste à Recorrente. No Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, estão incluídos os seguintes impostos e contribuições: Federais: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para a Seguridade Social. Estaduais: Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS. Municipais: Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS. O ingresso de empresa no Simples Nacional implica o recolhimento mensal por meio de DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional. O recolhimento da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais é efetuado mediante Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS. Ocorre que consoante o parágrafo 10º do art. 21, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – Simples Nacional, os créditos apurados no Simples Nacional não poderão ser utilizados para extinção de outros débitos para com as Fazendas Públicas, salvo por ocasião da compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou após a exclusão da empresa do Simples Nacional. Reforça este entendimento o disposto no § 7º art. 84, da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, a seguir reproduzido: Art. 84. (...) § 7º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Fl. 456DF CARF MF 16 Diante do exposto, está claro que os valores recolhidos pela empresa Pamax para o Simples Nacional não podem ser compensados com os valores apurados pela fiscalização neste processo. Entretanto, os valores pagos indevidamente ao Simples Nacional podem ser objeto de pedido de restituição. Conclusão Face ao exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 457DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904904/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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CELPA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. RELATÓRIO O processo trata de Declaração de Compensação com a aproveitamento de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, no valor de R$ 30.572.380,61. Após análise, conforme Despacho Decisório nº 932677225, fls. 98, o direito creditório foi reconhecido em parte, no valor de R$ 8.692.808,17, pois não foi admitido o cômputo das estimativas parceladas e compensadas após a data do fato gerador, em 31/12/2004. Além disso, ainda que restasse um crédito de R$ 1.619.567,67 após a compensação de parte dos débitos, a DCOMP nº 06907.02111.251010.1.3.028378 não foi homologada, pois foi apresentada após o prazo decadencial de 5 (anos) previsto no artigo 168 do CTN. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 90 4/ 20 09 -1 5 Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 696 2 Em sede de julgamento de 1ª instância, a 1ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG, por meio do Acórdão nº 0125.516, lavrado em 20/09/2012, fls. 161/169, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi negado provimento ao recurso voluntário, e o contribuinte apresentou embargos de declaração sob alegação de que o Acórdão nº 1101001.127, de 04 de junho de 2014, teria afastado a possibilidade de a embargante aproveitar as estimativas parceladas, no limite dos pagamentos, em que pese a autoridade de 1ª instância ter reconhecido este direito. A seguir, transcrevo o relatório da Resolução de nº 1302000.375, de 08 de dezembro/2015, fls. 296/302, da lavra da i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, por bem descrever os fatos apontados nos citados embargos e a lide a ser tratada: CENTRAIS ELÉTRICAS DO PARÁ S/A CELPA, já qualificada nos autos, opôs embargos contra decisão proferida pela extinta 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção de Julgamento. O Acórdão n° 1101001.127 foi conduzido por voto de lavra desta Conselheira, proferido na sessão plenária de 04 de junho de 2014, e está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO N° 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar n° 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertem se em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. A partir de 09/06/2005, indevida é a compensação formalizada depois de ultrapassados 5 (cinco) anos do encerramento do período no qual teria sido apurado saldo negativo. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 697 3 DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA. A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados. Os embargos foram admitidos conforme despacho de fls. 293/295, do qual se extrai: Os autos seguiram para a Unidade de origem que postou o acórdão na caixa postal eletrônica do sujeito passivo, verificandose a sua ciência em 27/07/2015 (fls. 277/279). A contribuinte opôs embargos tempestivamente em 03/08/2015 (fls. 282/289), no qual aponta omissão do Colegiado em relação aos limites do pedido recursal e à caracterização de reformatio in pejus, tal como exposto nos parágrafos 47, 48 e 65 do recurso voluntário. A embargante relata que o direito creditório utilizado em compensação foi reconhecido parcialmente, não se admitindo o cômputo de estimativas parceladas e compensadas, observandose, também, que parte do crédito estaria prescrito. Pleiteado o reconhecimento integral do crédito em manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1 a instância teria reconhecido que as estimativas parceladas poderiam ser utilizadas na medida em que as respectivas parcelas fossem pagas. Já o Colegiado embargado, apreciando o recurso voluntário, teria afastado a possibilidade de a EMBARGANTE aproveitar as estimativas parceladas, no limite dos pagamentos, sob a alegação de prescrição. Cita julgados administrativos contrários à reformatio in pejus e pede que seja sanada a omissão apontada, de modo que se reconheça que as estimativas parceladas dão direito ao crédito em discussão, na medida do pagamento das respectivas parcelas. Acerca do tema, constou do voto condutor do acórdão embargado que: De outro lado, se novas parcelas do direito creditório formaramse a partir da quitação das estimativas parceladas, cumpriria à contribuinte demonstrar este crédito separadamente, e não vincular as compensações àquele que informou constituído em 31/12/2004. Referida observação, porém, não alcançou integralmente o argumento assim exposto no recurso voluntário: 48. Nesse sentido, tendo a RFB pleno controle dos pagamentos realizados pela Recorrente no âmbito do parcelamento de suas estimativas, impunhase ao v. acórdão recorrido reconhecer, quando menos, o direito à compensação do seu saldo negativo na proporção das estimativas já recolhidas no parcelamento. [...]65. Subsidiariamente, caso entendase que a compensação das estimativas parceladas dependa do seu efetivo recolhimento no curso do parcelamento, requerse, ao menos, o reconhecimento do direito de crédito proporcional às parcelas já recolhidas pela Recorrente. Nesse particular, requerse a conversão do julgamento em diligência para apuração do respectivo valor do crédito." Sob a premissa de que o direito creditório se formou em 31/12/2004, o Colegiado firmou o entendimento de que em 25/10/2010, data da apresentação da DCOMP nãohomologada, não seria mais possível a utilização daquele indébito. Todavia, a decisão não aborda a Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 698 4 necessidade/possibilidade de se verificar a data de pagamento das estimativas parceladas, eventualmente computadas no saldo negativo na data da compensação em litígio. Confirmase, portanto, a omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, razão pela qual, neste juízo de cognição sumária, com fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §6°, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente distribuição para relatoria por esta Conselheira. O litígio presente nos autos tem em conta Declarações de Compensação DCOMP apresentadas de 07/04/2005 a 25/10/2010, para utilização de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004. As primeiras DCOMP foram homologadas com o direito creditório parcialmente reconhecido. A não homologação recaiu sobre a DCOMP apresentada em 25/10/2010 que, além de se valer de crédito superior ao apurado pela autoridade fiscal, foi apresentada depois do prazo legal estipulado no art. 168 do CTN. A análise do direito creditório demonstrado pela contribuinte resultou nas seguintes glosas: O crédito de R$ 8.692.808,17 foi suficiente para liquidar as demais DCOMP apresentadas, e ainda restou a parcela de R$ 1.619.567,67 que, embora correspondente a antecipações confirmadas, não pôde ser imputada à DCOMP apresentada em 25/10/2010, porque ultrapassado o prazo legal (fls. 98/103). Referida DCOMP, por sua vez, relacionou débitos a compensar no valor original de R$ 9.159.925,09 (fls. 94/97). Afirmada a prescrição do direito creditório ante o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, consoante interpretação expressa pelo art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, dado que não houve apresentação de pedido de restituição, mas apenas de declarações de compensação para utilizações parciais do indébito, o voto condutor do julgado concluiu ser desnecessário adentrar aos demais argumentos da recorrente acerca da regularidade das demais estimativas e retenções questionadas no despacho decisório. Por meio da Resolução de nº 1302000.375, o julgamento dos embargos foi convertido em diligência, apresentado os seguintes fundamentos destacados do voto condutor: O prazo de 5 (cinco) anos, assim, teve como termo inicial 01/01/2005 por partir do pressuposto que as antecipações se verificaram ao longo do ano calendário 2004 e se converteram em indébito em 31/12/2004. Contudo, no caso presente, a contribuinte parcelou estimativas, cuja quitação pode ter se verificado em momento posterior, ampliando o prazo para utilização do indébito. No acórdão embargado esta Conselheira observou que cumpriria à contribuinte demonstrar em separado eventual direito creditório formado a partir da quitação das estimativas parceladas, e não vincular as compensações ao crédito que informou constituído em 31/12/2004. Porém, esta análise não considerou que a DCOMP com demonstrativo do crédito foi Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 699 5 retificada em 2008 e a última DCOMP apresentada foi entregue em 2010, momentos em que outras parcelas do crédito podem ter se formado com a quitação das estimativas parceladas, mas ainda assim correspondendo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004. De outro lado, consta do despacho decisório que os parcelamentos estariam em curso ou o débito ainda não teria sido quitado. A recorrente, por sua vez, pediu a conversão do julgamento em diligência para confirmação, pela Receita Federal, do pagamento da estimativas parceladas. Assim, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse apurado, junto ao controle de crédito tributário da Receita Federal, se alguma parcela das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004, teria sido paga até o dia da transmissão da DCOMP não homologada, ou seja, em 25/10/2010. A DRF/BelémPA, unidade responsável pelo cumprimento da diligência, elaborou a Informação Fiscal nº 41, de 31 de agosto de 2017, de fls. 450/452, analisando as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004 parceladas, em duas situações: 1) Parcelamentos ocorridos no âmbito da Receita Federal do Brasil A partir dos dados obtidos juntos aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que as parcelas pagas até o dia 25/10/2010 foram suficientes para amortizar as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004 no montante de R$ 7.464.378,43, conforme demonstrativo abaixo: 2) Parcelamentos ocorridos no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 700 6 Os saldos devedores das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004 foram inscritos em Dívida Ativa da União, sendo parcialmente quitados por meio de parcelamento instituído pela Medida Provisória nº 303/2006 (PAEX). Com nos extratos de fls. 330/449, foi possível constatar que, embora os parcelamentos ainda estivessem em curso na data da transmissão da DCOMP não homologada, de nº 06907.02111.251010.1.3.028378, verificase o montante amortizado de R$ 2.932.209,31, de um total de R$ 8.950.059,05, conforme demonstrativo a seguir: Com base nas informações apuradas, foi elaborado quadro com a composição do crédito do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de2004, abaixo transcrito: Como resultado da diligência, restou confirmado o montante de R$ 10.396.587,74, a título de amortização dos parcelamentos dos débitos de estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004, até a data de 25/10/2010, data da transmissão da DCOMP não homologada. A embargante teve ciência da Informação Fiscal com o resultado da diligência em 04/10/2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Documento de fls. 456. Em 03/11/2017, a embargante apresentou sua manifestação quanto ao resultado de diligência, fls. 459/466, com as alegações que seguem: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 701 7 com relação às estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004, parceladas no âmbito da Receita Federal do Brasil, concorda com o montante apurado de R$ 7.464.378,43. entretanto, discorda com o valor apurado de R$ 2.932.209,31 a título de estimativas parceladas no âmbito da Procuradoria Fazenda Nacional. afirma que o trabalho fiscal restringiuse a considerar as parcelas quitadas com o PAEX (MP nº 303/2006), não levando em conta aquela adimplidas quando da transferência do saldo remanescente para o parcelamento tratado pela Lei nº 11.941/2009. assim, todas as parcelas adimplidas a partir de setembro/2009 (quando transferido o saldo remanescente do PAEX para o REFIS da crise) não foram consideradas pela fiscalização. a fiscalização considerou apenas os extratos da "Consultas PGFN", de fls. 330/449, computando somente os valores das parcelas quitadas através do PAEX no período de setembro/2006 até agosto/2009. consta nestes extratos que a embargante aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, e posteriormente ainda repassou o saldo remanescente para o benefício da Lei nº 12.996/2014. afirma que todos os saldos remanescentes em setembro/2009, e que constam nos extratos obtidos na Consulta da PGFN, foram transferidos para o parcelamento recém instaurado da Lei nº 11.941/2009, dando início imediato ao pagamento das parcelas, agora sob o código 1204. caso considerasse a totalidade dos pagamentos, o valor seria de R$ 3.197.251,40, conforme planilha a seguir: esclarece, ainda, que a integralidade das estimativas parceladas que compõem o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 foi quitada pelos pagamentos das parcelas determinadas pela MP nº 303/2006 e Lei nº 11.941/2009, sendo o saldo remanescente integralmente pago através de prejuízo fiscal e base negativa quando oportunizado pela Lei nº 12.996/2014. requer que seja complementada a diligência, de forma que sejam computados todos os pagamentos realizados pela embargante em seus diferentes parcelamentos até 25/10/2010, em especial aqueles feitos sob a égide da Lei nº 11.941/2009. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 702 8 É o relatório. VOTO Conselheira Maria Lúcia Miceli Relatora O processo foi distribuído para minha relatoria tendo em vista o fim do mandato da Conselheira Edeli Pereira Bessa. Por meio dos embargos opostos ao Acórdão nº 1101001.127, a embargante visa garantir seu direito de aproveitar, como crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, os valores efetivamente recolhidos das estimativas parceladas. Seu pleito tem como fundamento o reconhecimento consignado no voto condutor da decisão da DRJ, de que as estimativas parceladas poderiam se utilizadas na medida em que as respectivas parcelas fossem pagas. Já o Acórdão embargado teria afastado esse direito, afirmando que "De outro lado, se novas parcelas do direito creditório formaramse a partir da quitação das estimativas parceladas, cumpriria à contribuinte demonstrar este crédito separadamente, e não vincular as compensações àquele que informou constituído em 31/12/2004". A embargante entende que ocorreu o reformatio in pejus, e solicita que seja sanada a omissão, de modo que se reconheça que as estimativas parceladas dão direito ao crédito em discussão, na medida do pagamento das respectivas parcelas, tal como já teria decidido no acórdão proferido no julgamento de 1ª instância. Acatando este entendimento, o colegiado, por meio da Resolução nº 1302 000375, converteu o julgamento dos embargos em diligência para que fossem levantados os valores pagos pela embargante via parcelamento das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004 até a data de 25/10/2010, data da apresentação da DCOMP nº 06907.02111.251010.1.3.028378. O resultado da diligência apontou que houve parcelamento no âmbito da Receita Federal do Brasil, cujo montante quitado foi de R$ 7.464.378,43, valor do qual a embargante concorda. Já com relação ao parcelamento das estimativas de IRPJ que foram inscritas em Dívida Ativa da União, formalizados no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, a diligência apurou o valor de R$ 2.932.209,31, objeto de discordância da embargante, conforme manifestação apresentada após ciência do resultado. Alega a embargante que a diligência só considerou o parcelamento instituído pela MP nº 303/2006 PAEX. Afirma que todos os saldos devedores das estimativas de IRPJ foram transferidos para o novo parcelamento, instituído pela Lei nº 11.941/2009, e que teria efetuado pagamentos no período de setembro/2009 até 25/10/2010, não computados no resultado da diligência. Com a inclusão deste parcelamento, os valores considerados pela diligência seria no importe de R$ 3.197.251,40. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 703 9 A embargante apresentou, juntamente com sua manifestação, os seguintes documentos: 1) Recibo de consolidação de parcelamento de saldos remanescentes dos programas REFIS, PAES, PAEX e parcelamentos ordinários, e demais débitos no âmbito da PGFN, fls. 487/494, no qual é possível constatar que: 1.1) Data de consolidação do parcelamento: 29/09/2009 1.2) Foram parcelados os saldos remanescentes dos débitos de estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004, nos valores coincidentes com aqueles apontados na planilha elaborada pela diligência fiscal, destacados abaixo: Processo de parcelamento Mês de apuração Débito Inscrito em DAU Saldo do IRPJ devido em 10/2010 10280.001926/200417 Abr/2004 500.000,00 350.000,24 10280.001925/200464 Abr/2004 688.125,67 481.688,17 10280.002316/200422 Mai/2004 750.000,00 525.000,00 10280.002311/200408 Mai/2004 800.000,00 595.000,15 10280.002305/200442 Mai/2004 496.865,03 347.805,95 10280.002312/200444 Mai/2004 850.000,00 560.000,24 10280.002665/200444 Jun/2004 950.000,00 665.000,26 10280.002673/200491 Jun/2004 950.000,00 665.000,26 10280.002667/200433 Jun/2004 224.888,73 157.422,34 10280.002672/200446 Jun/2004 890.179,62 623.126,09 10280.003115/200442 Jul/2004 950.000,00 665.000,24 10280.003116/200497 Jul/2004 900.000,00 630.000,00 A seguir, alguns exemplos dos valores extraídos do relatório de consolidação dos débitos parcelados pela Lei nº 11.941/2009: 2) Comprovantes de pagamentos sob código 1204, recolhidos entre 30/09/2009 a 13/11/2014, fls. 496/559. Do exposto, concluo que assiste razão à embargante já que é possível constatar que os saldos remanescentes do PAEX foram transferidos para o novo parcelamento, instituído pela Lei nº 11.941/2009, cujos pagamentos efetuados no período de setembro/2009 até 25/10/2010, salvo melhor juízo, não foram considerados na diligência efetuada. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.630 S1C3T2 Fl. 704 10 Portanto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja confirmado o montante pago das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2004, recolhidos pelo parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, no âmbito da PFN, mas até a data limite de 25/10/2010, confirmando o montante de R$ 3.197.251,40, conforme tabela apresentada pela embargante em sua manifestação, a seguir reproduzida: PA VCTO Inscrição Processo Original Remanescente Consolidado Total Pago abr/04 31/05/2004 20.2.05.00236823 10280001926/200417 500.000,00 350.000,24 804.258,54 178.616,13 abr/04 31/05/2004 20.2.05.00236661 10280001925/200464 688.125,67 481.688,17 1.106.861,60 245.820,81 mai/04 30/06/2004 20.2.05.00237048 10280002316/200422 750.000,00 525.000,00 1.198.638,00 267.924,53 mai/04 30/06/2004 20.2.05.00238109 10280002311/20048 850.000,00 595.000,15 1.358.456,73 303.647,66 mai/04 30/06/2004 20.2.05.0023694 10280002305/200442 496.865,03 347.805,95 794.082,72 177.496,04 mai/04 30/06/2004 20.2.05.00238281 10280002312/200444 800.000,00 560.000,24 1.278.547,72 285.785,94 jun/04 30/07/2004 20.2.05.00237129 10280002665/200444 950.000,00 665.000,26 1.507.981,17 339.370,83 jun/04 30/07/2004 20.2.05.0023783 10280002673/200491 950.000,00 665.000,26 1.507.981,17 339.370,83 jun/04 30/07/2004 20.2.05.0023720 10280002667/200433 224.888,73 157.422,34 356.977,17 80.337,40 jun/04 30/07/2004 20.2.05.00237714 10280002672/200446 890.179,62 623.126,09 1.413.025,63 318.000,95 jul/04 31/08/2004 20.2.05.00238010 10280003115/200442 950.000,00 665.000,24 1.497.686,92 339.370,85 jul/04 31/08/2004 20.2.05.00237986 10280003116/200497 900.000,00 630.000,00 1.418.860,80 321.509,43 Total Pago 3.197.251,40 Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a recorrente, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, se assim entender necessário. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 704DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003557/99-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 13/02/1996 a 24/05/1996
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO QUÍMICO. AMOSTRA DESTRUÍDA. LAUDO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA.
O fato de Receita Federal ter destruído a amostra que poderia resolver a divergência entre os laudos constantes dos autos; em se tratando de produto químico, notoriamente de difícil classificação sem o amparo de laudo técnico; juntamente com a existência de laudo do INT, torna impossível a manutenção da autuação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRODUTO QUÍMICO. AMOSTRA DESTRUÍDA. LAUDO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. O fato de Receita Federal ter destruído a amostra que poderia resolver a divergência entre os laudos constantes dos autos; em se tratando de produto químico, notoriamente de difícil classificação sem o amparo de laudo técnico; juntamente com a existência de laudo do INT, torna impossível a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 57 /9 9- 71 Fl. 435DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 3.359, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou procedente o lançamento de Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa de oficio e juros de mora. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “[...]Segundo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fl. 2, houve falta de recolhimento do II e do IPI, em virtude da reclassificação fiscal da mercadoria importada através das DI's/Adições no 003721/001, 003722/001 e 012203/001, todas de 1996. A mercadoria foi descrita como "mulita zircônia fundida ZRM" e classificada no código NCM 2818.10.90, sujeito As alíquotas do II de 2% do IPI de 0% (fls. 18, 34 e 49). O Laudo de Análise de fl. 56 concluiu tratarse de uma "preparação refratária contendo mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de zircônio)". Os Laudos de fls. 26 e 42 concluíram que se trata de uma "preparação refratária, A base de mulita e de zircônia". Com base nesses elementos, a fiscalização reclassificou o produto importado para o código NCM 3816.00.20, sujeito As alíquotas do II de 14 % e do IPI de 10 %. Ciente da autuação, a interessada apresentou a defesa de fl. 58, argumentando, em resumo, que: [...] Finalmente, requer seja julgado improcedente o lançamento. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 436 3 Mediante despacho de fl. 135, foi determinada a realização de diligência, que resultou na juntada de Informação Técnica emitida pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fls. 136 e 137). Em atendimento ao despacho de fl. 140, a interessada foi cientificada da diligência realizada, sendolhe oferecida a oportunidade de apresentar o Parecer Técnico solicitado As fls. 71 e 122, o que resultou na juntada dos documentos de fls. 143 a 197.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 13/02/1996 a 24/05/1996 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULITA Z1RCÔNIAIFUNDIDA (sic). 0 produto mulita zircônia fundida, preparação refratária contendo mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de zircônio), classificase no código NCM 3816.00.20. Lançamento Procedente” Cientificado do referido acórdão em 15 de janeiro de 2004, a interessada apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2004, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Em 27 de fevereiro de 2007, houve julgamento do processo, sendo esse apreciado pelos membros da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes – o que, por conseguinte, resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto da relatora Judith Amaral Marcondes Armando –transcrito abaixo: “VOTO Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora. A questão trazida para julgamento referese à classificação fiscal do produto denominado Mulita Zirconia Fundida, classificado pelo importador na posição TEC 2818.10.90, e reclassificado pela Administração Tributária no código 3816.0020. A matéria é amplamente conhecida neste Conselho e já foi objeto de decisões dispares inclusive da CSRF. Filiome à posição defendida na "Declaração de Voto" do Conselheiro Henrique Prado Megda, nos autos do processo 11128.000643/0497, que resultou no Acórdão CSRF 03.03.215, de 20 de agosto de 2001, que se encontra as fls. 188, 189 190. Fl. 437DF CARF MF 4 Entretanto, a matéria não está pacificada neste Conselhos de Contribuintes, motivo pelo qual creio ser oportuno ouvir a posição da Coordenação Aduaneira, pelo seu órgão encarregado de classificação fiscal, a DINOM. Proponho, pois, que se converta o julgamento em diligência à COANA/DINOM.” Não obstante, em cumprimento à solicitação de diligência, foi expedido Informação Coana/Cotac/Dinom nº 2011/00124 em 2 de junho de 2011 – transcrito parte abaixo (destaques meus): [...] 9. Quanto à menção na Resolução n° 3021.341 do CARF de que a Coana/Dinom é o órgão encarregado da classificação fiscal, esclareçase que, nos termos da Portaria MF nº 587/2010, à Receita Federal do Brasil cabe "dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o Pais em reuniões internacionais sobre a matéria (art.1°, XIX)". À Coana/Dinom compete "coordenar, orientar e avaliar as atividades concernentes à nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias (art. 137)". 10. Portanto, todo auditor fiscal da RFB é competente para realizar a classificação fiscal de mercadorias, não sendo esta uma competência somente da Coana/Dinom. Em matéria de classificação fiscal, a Dinom tem competência para solucionar consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional e apreciar recursos de divergência entre soluções de consultas efetuadas pelas Superintendências (SRRF), nos termos da IN RFB 740/2007, mas não a tem em se tratando de lide já instaurada. 11. No presente processo, a Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da fiscalização aduaneira, já firmou posição sobre a classificação fiscal da mercadoria, não havendo previsão legal ou regulamentar para uma revisitação do feito por um órgão central de assessoramento do Secretário da RFB. 12. Na fase de julgamento em que o processo se encontra, a par de não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração aduaneira, uma eventual opinião oficial de um órgão central como a Coana seria ilegítima, podendo inclusive ser entendida como uma quebra do principio do equilíbrio processual. 13. Por tais razões, recomendase a devolução dos autos ao CARF, sem exame de mérito, a fim de que o órgão julgador analise de forma isenta o litígio. [...]” Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 437 5 A resolução sintetiza os argumentos do recurso voluntário, acerca da classificação fiscal: · por indicação expressa da NCM, a MULITA ZIRCONICA FUNDIDA deve ser classificada no Capitulo 28 pois, no citado capitulo está incluído o produto "Corindo artificial, quimicamente definido ou não", devendo, pois, ser afastada a alegação constante da r. decisão recorrida no sentido de que o produto importado não se classificaria na posição NCM 21818.10.90, "uma vez que o silicato de alumínio não se confunde com o óxido de alumínio"; · · De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, existem exceções ao principio de que no capitulo 28 estariam exclusivamente elementos químicos isolados ou os compostos inorgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente; · Assim, uma série de produtos relacionados nas referidas NESH, incluise no capitulo 28 mesmo que não constituam elementos ou compostos de constituição química definida; · Do mesmo modo, as NESH expõem que alguns elementos químicos e compostos inorgânicos de constituição química definida, quando isolados, excluemse do capitulo 28, mesmo quando quimicamente puros; · depreendese, então, que a regra inicial de interpretação do Capitulo 28 admite exceções, seja para excluir produtos isolados quimicamente puros, seja para incluir produtos ou elementos compostos, que não sejam isolados ou apresentados isoladamente, encontrandose entre eles justamente o Corindo Artificial da posição 2818: "c produtos incluídos no capitulo 28, mesmo que nao constituam elementos nem compostos de constituição definida: Posiçao 2818 Corindo Artificial" · aplicandose a Regra Geral de Interpretação transcrita, a mercadoria deve ser classificada na posição 2818.10.9900 uma vez que a posição especifica prevalece sobre as mais genéricas, e, ainda, considerando se o produto como "misturado", pela prevalência da matéria "que lhe confira a característica essencial": OXIDO DE ALUMÍNIO (mais de 40% da constituição do produto); · de acordo com o que determinam as Notas Explicativas para Interpretação do Sistema Harmonizado (NESH) e a RGI n.° 3, "a" e "b", a posição do Capitulo 28, adotada pelo contribuinte é mais especifica do que a posição do Capitulo 38 pretendida pelo Fisco, razão pela qual o posicionamento correto para a mercadoria é o 2818.10.9900 da TAB. Fl. 439DF CARF MF 6 · mesmo que a mulitazircônia seja denominada "composição refratária", não faz dela um refratário classificado na posição 3816, ou seja, um produto da indústria de refratários, não justificando a sua classificação na posição 3816; · a NBM e a NESH são bastantes claras. A posição pretendida, e 2 4 pela d. Fiscalização Federal se refere a alguns produtos refratários, quais sejam, "Cimentos, argamassas, concretos (betões) e composições semelhantes, refratários, exceto os produtos da Posição 38.01"; · O termo "refratários" nesta posição não é um substantivo, levandose em consideração que o mesmo cla qualidade ou característica aos demais substantivos; · desta forma, a Mulita Zircônia Fundida não é um produto refratário, nem PREPARAÇÃO REFRATÁRIA (argamassa, concreto, betão ou composição semelhante), mas sim MATÉRIA PRIMA PARA PRODUÇÃO DE REFRATÁRIOS, e, ainda que seja denominada "composição refratária", conforme exposto acima, isso não a faz enquadrarse na posição 3816, estando, por conseguinte, correta a classificação da mercadoria no código 2818 da NCM; · corroborando com tal entendimento, vale destacar as conclusões extraídas do Parecer Técnico elaborado pelo Engenheiro Químico Amilcar Guimarães Morato, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (integra do laudo encontrase colacionado nos autos), acerca do produto importado pela Recorrente objeto da presente autuação. E decide pela diligência, nos seguintes termos: · Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal, com o intuito de se constatar a correta classificação fiscal da mercadoria importada. Tal Laudo, além dos quesitos apontados pela recorrente, deverão obrigatoriamente esclarecer se a Mulita Zircônia Fundida seria ou não um produto refratário ou preparação refratária (argamassa, concreto, betão ou composição semelhante) ou matéria prima para produção de refratários. [...] A então diligenciada Alfândega do Porto do Rio de Janeiro informa que: [...] em face das péssimas condições do prédio que abrigava o laboratório de análises da Receita Federal no Rio de Janeiro e, como consequência das inúmeras rachaduras e trincas surgidas em decorrência das perfurações e detonações ocorridas na construção de túnel subterrâneo abaixo, o mesmo foi interditado pela Defesa Civil. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 438 7 Em razão da natureza tóxica dos produtos depositados, a SRRF 7ª RF, através da Portaria SRRF7RF nº 1.034, de 21/12/2016, designou servidores para compor comissão de destruição destinada ao acompanhamento da destruição dos produtos conforme Proposta de Destruição nº 0001/2016, de 22/12/2016. Para a destruição dos produtos, foi contratada empresa especializada conforme Processo Administrativo Fiscal nº 10707.000110/201210. Tendo em vista o exposto e, tendo sido incinerados todo o acervo do laboratório de análises clínicas da Receita Federal no Rio de Janeiro, tanto de amostras contraprova, tanto de produtos químicos e solventes, em dezembro de 2016, esta UA não dispõe de meios para responder aos quesitos de fls. 303/304 encartados na Resolução Carf 3202000.300 – 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, e complementado pelos quesitos apresentados pelo contribuinte às fls. 314 a 316. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado foi dado por tempestivo pela resolução em pauta1. A discussão gira em torno da classificação fiscal de produto químico. Na autuação (fl. 26) consta que "nas DIs. 03.721, 03.722 e 12.203/96, o Importador declarou a mercadoria ( mulita zirconia fundida ), cod. TEC 2818.10.90. Laudos tecnicos n. 910, 911 e 2.599/96, correspondentes as DIs acima concluiram tratarse de (preparação refratária, a base de mulita e de zirconia), a classificação correta e 3816.00.20". Os laudos referidos (fls. 53, 72 e 88), emitidos pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, concluíram tratase o produto sob análise de preparação refratária à base de mulita e de zircônia, o que fez a autoridade autuante associar o produto ao "CÓDIGO TAB 3816.00.20” correspondente a “CIMENTOS, ARGAMASSAS, CONCRETOS (BETÕES) E COMPOSIÇÕES SEMELHANTES, REFRATARIOS. OUTRAS PREPARAÇÕES" (grifos do original). A contribuinte insurgiuse contra a classificação e em sede de impugnação apresentou parecer técnico emitido pelo PARECER TÉCNICO do Dr. Paulo Roberto Gomes Brandão, Ph.D. Prof. Titular do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais, no sentido da “IMPOSSIBILIDADE DE CLASSIFICAÇÃO NA POSIÇÃO NBMTEC 3816.00.9900” (fl. 113 e seguintes do eprocesso), assim concluindo: Há nos auto referência a laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) (fl. 206), lavrado em outro processo, o qual conclui: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10711.003557/9971 Acórdão n.º 3301005.313 S3C3T1 Fl. 439 9 Considerando o fato de Receita Federal ter destruído a amostra que poderia resolver a divergência entre os laudos constantes dos autos; em se tratando de produto químico, notoriamente de difícil classificação sem o amparo de laudo técnico; juntamente com a existência de laudo do INT; entendo impossível manter a autuação e voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 443DF CARF MF 10 Fl. 444DF CARF MF
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