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Numero do processo: 10880.913425/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.790
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digiltamente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digiltamente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO Tratase de PER/Dcomp transmitido pela recorrente visando compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição da contribuinte emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 13 42 5/ 20 09 -1 2 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.913425/200912 Resolução nº 3201001.790 S3C2T1 Fl. 3 2 Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma: com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; que retificou em tempo hábil a DCTF; foi colacionado NF´s e livro diário; junta cópia de movimentação bancária; contrato de câmbio; É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.788, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.913423/200923, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.788): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: No presente caso, embora a contribuinte tenha apresentado cópia da Nota Fiscal emitida em favor de empresa domiciliada no exterior, não constam nos autos documentos que possam comprovar que de fato houve ingresso de divisas no país, como, por exemplo, comprovante de liquidação da fatura e o contrato de câmbio relativo à operação. Porém, ao meu entender, os documentos carreados no Recurso Voluntário tem o condão de demonstrar o direito ao Crédito do Contribuinte, assim, merecendo prosperar o princípio da verdade material. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.913425/200912 Resolução nº 3201001.790 S3C2T1 Fl. 4 3 Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) Confirme se o valores declarado nas DCTF´s retificadoras estão contabilizadas; b) se os valores das remessas são correspondentes com os valores devidos e o câmbio; c) por meio da análise da escrituração aos autos, de modo a esclarecer a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. d) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). e) Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Confirme se o valores declarado nas DCTF´s retificadoras estão contabilizadas; b) se os valores das remessas são correspondentes com os valores devidos e o câmbio; c) por meio da análise da escrituração aos autos, de modo a esclarecer a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. d) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). e) Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723339/2018-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao autor o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito.
DESPESAS MEDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE.
As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se tais despesas integrarem a fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2402-007.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito. DESPESAS MEDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE. As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se tais despesas integrarem a fatura emitida por estabelecimento hospitalar. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
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Incumbe ao autor o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito. DESPESAS MEDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE. As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se tais despesas integrarem a fatura emitida por estabelecimento hospitalar. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 33 39 /2 01 8- 86 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10166.723339/201886 Acórdão n.º 2402007.102 S2C4T2 Fl. 254 2 Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 195 a 217) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação contra lançamento de IRPF incidente sobre glosa de despesas com home care, declaradas pelo contribuinte como despesas médicas. O lançamento foi realizado em 26.03.2018, tendo sido lançado IRPF no valor de 15.895,83 (acrescidos de juros e multa), conforme demonstram excertos na Notificação de Lançamento abaixo: Em 23.04.2018, o contribuinte apresentou impugnação (fls 120 a 136), cuja autoridade de piso relatou da seguinte forma os argumentos aprestados pela defesa: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10166.723339/201886 Acórdão n.º 2402007.102 S2C4T2 Fl. 255 3 Sob o fundamento de falta de previsão legal para a dedução da despesa discutida, haja vista não se tratar de despesas médicas ou hospitalares, em 17.08.2018 a autoridade de piso exarou acórdão considerando improcedente a impugnação do contribuinte. Em 02.10.2018, irresignado com a decisão, o contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço, reforçando os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando apenas (em apertada síntese) que a decisão a ser proferida deve levar em consideração valores como justiça, equidade, retidão e igualdade, requerendo, ao fim, o cancelamento do Notificação de Lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da análise do mérito Cumpre incialmente esclarecer que as decisões nos julgamentos de lançamentos tributários no âmbito federal, tanto no 1º como 2º graus Administrativos, não se realizam de forma monocrática, mas decisão colegiada, cabendo ao relator tãosomente esclarecer os atos processuais, as imputações feitas pelo fisco e os argumentos das partes (Fazenda Pública e contribuinte), proferindo ao fim apenas um dos votos que decidirão a controvérsia. Sobre os argumentos do contribuinte, indispondose contra a aplicação do princípio da legalidade estrita no presente caso, acreditando que deveria ser valorizado critérios como equidade, justiça, retidão e igualdade material, conforme já foi afirmado pela autoridade de piso, uma vez editada a norma, é dever da Administração aplicála, sem questionar a justiça ou a injustiça de seus efeitos, especialmente no que se refere ao lançamento tributário que, sendo uma atividade plenamente vinculada, não permite à autoridade administrativa (conceito no qual se insere os integrantes deste conselho) aplicar juízos de valores na constituição do Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10166.723339/201886 Acórdão n.º 2402007.102 S2C4T2 Fl. 256 4 crédito, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do Parágrafo único, do ART 142, do CTN. Art. 142. (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional Quanto à legislação relacionada a matéria, o art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9580/2018), dispõe o seguinte: Art. 73. Na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, e as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,caput,inciso II, alínea "a"). § 1º Para fins do disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) III limitase aos pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, do endereço e do número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu, e, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Ainda sobre a matéria, o manual de perguntas e respostas sobre IRPF da RFB, referente ao anocalendário que ocorreram os fatos em apreço (AC 2015), assim como as versões posteriores desse manual, ao tratar da matéria esclarece que as despesas com internação hospitalar efetuada em residência somente são dedutíveis se tal despesas integrar a fatura emitida por estabelecimento domiciliar (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/ Irpf2015/PerguntaseRespostasIRPF2015.pdf Esse também é o entendimento esposado por este Conselho, conforme bem destacou a autoridade de piso ao analisar a matéria: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10166.723339/201886 Acórdão n.º 2402007.102 S2C4T2 Fl. 257 5 No caso em apreço, o feito juntado aos autos comprova que o contribuinte contratou ao o serviço discutido a empresa HOME CARE SERVIÇOS CLINICOS DE SAÚDE HUMANA LTDAEPP (CNPJ 11.997.270/000135), pessoa jurídica individual, não classificável como instituição hospitalar, conforme documentos juntado aos autos pela autoridade de piso e aqui reproduzida. Tal fato, conforme pode ser visto acima, desatende o art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9580/2018), instrução da RFB e decisão anterior tomada por este Turma (Acórdão 2402005.342, de 14.06.2016). Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10166.723339/201886 Acórdão n.º 2402007.102 S2C4T2 Fl. 258 6 No presente caso, também, não foi demonstrado nos autos o efetivo pagamento das despesas com cuidados hospitalares realizados em domicílio, por profissionais especializados (home care) alegadas, fato que desatende o disposto no art. 73, III, do Decreto 9580/2018, afastando a possiblidade de atendimento do pedido do recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724120/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
Numero da decisão: 9202-007.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
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NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 41 20 /2 00 9- 16 Fl. 385DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas à título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na peça recursal o Contribuinte argui serem as verbas recebidas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando da promulgação da sua Resolução nº 245 a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possuía natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Nos termos do despacho de admissibilidade o recurso foi conhecido apenas quanto ao primeiro tema: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10530.724120/200916 Acórdão n.º 9202007.590 CSRFT2 Fl. 3 3 decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Nos termos da Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer emitido pelo jurista, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Fl. 387DF CARF MF 4 Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10530.724120/200916 Acórdão n.º 9202007.590 CSRFT2 Fl. 4 5 "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêIa naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; Fl. 389DF CARF MF 6 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL 2012MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10530.724120/200916 Acórdão n.º 9202007.590 CSRFT2 Fl. 5 7 O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor o patrimônio do contribuinte pela perda experimentada quando da conversação das moedas. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Apesar do bem articulado voto da i. Relatora, divirjo do seu entendimento, quanto ao mérito. Penso, diferentemente, que as verbas em questão têm natureza eminentemente salarial, e como tal, devem ser submetidas à tributação. Essa posição, convém ressaltar, é a que tem prevalecido neste Colegiado e que coincide com a que, noutros tampos, eu próprio adotei. Cito recentes julgados desta corte administrativa: Acórdão nº 9202007.064, proferido na Sessão de 25 de julho de 2018: DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do Fl. 391DF CARF MF 8 contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Acórdão nº 9202006.495, proferido na Sessão de 26 de fevereiro de 2018: IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Como dito, eu próprio me posicionei em outros tempos neste mesmo sentido. Como exemplo, cito o Acórdão nº 2201001.709, proferido na Sessão de 10 de julho de 2012: IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Pois bem, o Recorrente invoca a Resolução nº 245, do Supremo Tribunal Federal que definiu que verba semelhante devida aos magistrados federais teria natureza indenizatória, decisão que ensejou o Parecer PGFN nº 529/2003, pelo qual a Fazenda Nacional manifestou o entendimento de que as referidas verbas não estariam sujeitas à tributação. Ocorre que tanto a Resolução do STF quanto o Parecer da PGFN referemse especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União, e, em seguida, aos membros do Ministério Público Federal, e o que se discute neste processo é se o mesmo entendimento deve ser aplicado à verba atribuída aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia. E o que passo a analisar. Vale destacar, inicialmente, que a posição do Supremo Tribunal Federal STF sobre a natureza do abono variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, por óbvio, não se trata de uma decisão judicial cujos efeitos são bem distintos dos de um ato administrativo. Enfim, é elementar e dispensa maiores considerações, que a Resolução do STF não vinculava a Administração Tributária da União. Sobreveio, todavia, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, e que concluiu que o abono variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002 tem natureza indenizatória. O referido Parecer, entretanto, não deixa dúvidas quanto aos limites desse entendimento, senão vejamos. Após destacar que o Superior Tribunal de Justiça STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do imposto de renda, fez a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direitos, o mesmo tem natureza indenizatória. E, segundo o Parecer da PGFN, seria este, no entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10530.724120/200916 Acórdão n.º 9202007.590 CSRFT2 Fl. 6 9 2002, o caso do abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, no entendimento do STF. Fica claro, portanto, que o Parecer da PGFN somente reconhece natureza indenizatória do abono variável de que tratam as Leis nº 9.655, de 1998 e 10.174, de 2002, acolhendo entendimento do STF (por meio de resolução), de que tal abono destinase a reparar direito. Assim, o que se tem é, por um lado, a Resolução nº 245, do STF que, como se viu, não emana os efeitos de uma decisão judicial e, por outro, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 que se limita a reconhecer a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF. É dizer, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Nessas condições, não vejo como se estender o alcance dos dois atos acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por outro lado, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União. Tratase de mera questão de técnica legislativa, de opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios, o que de modo algum implica na equiparação de uma e de outra verba. É preciso examinar, portanto, no caso concreto, a natureza da verba recebida pela Recorrente para se poder concluir pela incidência ou não incidência, sobre ela, do imposto de renda, e, como vimos acima, a verba tem natureza salarial e como tal é tributável. Digase também que o fato de membros do Poder Judiciário Federal terem obtido o reconhecimento da natureza indenizatória das verbas por eles recebidas não condiciona a aplicação de tratamento semelhante aos rendimentos recebidos pelos membros do Ministério Público e Magistrados do Estado da Bahia. É que os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e outros que informam o sistema tributário devem ser observados pelo legislador na feitura das normas tributárias, e não cabe aos agentes da administração, vinculados que são a essa legislação, deixar de aplicala a pretexto de violação de princípios que elas deveriam observar. Ademais, no caso concreto, a situação específica dos membros da Magistratura Federal decorrem de ato do próprio Poder Judiciário, e não da legislação ou da administração tributária. Quanto ao mérito a respeito da incidência tributária sobre as referidas verbas, tratase, evidentemente, de verba de natureza salarial. O que os magistrados conquistaram em juízo foi o direito a receber diferenças de salários não pagas no tempo certo por desentendimento quanto aos índices de reajuste dos salários. O argumento de que as verbas em questão teriam natureza indenizatória porque tratase de reposição de direito, não se sustenta, pois toda reposição salarial é uma forma de reparação de direito, e a se dar curso geral a essa interpretação, quaisquer diferenças salariais recebidas em decorrência salarial deveriam ser excluída da tributação! A prevalecer esse entendimento, toda diferença salarial conquistada por meio de decisão judicial, não apenas por magistrados, mas por qualquer categoria labora, deveria ser considerada de natureza indenizatória. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 393DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721717/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.721
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 71 7/ 20 15 -9 1 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16682.721717/201591 Resolução nº 3201001.721 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16682.721717/201591 Resolução nº 3201001.721 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003177/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, no limite dos rendimentos tributáveis auferidos.
Na hipótese dos autos assiste razão a Fazenda Nacional, devendo ser glosada a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no valor total, eis que estes devem ser limitados ao importe tributável dos rendimentos.
Numero da decisão: 9202-007.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, no limite dos rendimentos tributáveis auferidos. Na hipótese dos autos assiste razão a Fazenda Nacional, devendo ser glosada a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no valor total, eis que estes devem ser limitados ao importe tributável dos rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, no limite dos rendimentos tributáveis auferidos. Na hipótese dos autos assiste razão a Fazenda Nacional, devendo ser glosada a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no valor total, eis que estes devem ser limitados ao importe tributável dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 31 77 /2 00 7- 61 Fl. 687DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280101.463, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase Notificação de Lançamento – IRPF de fls. 2/4, que lhe deu o direito à restituição do imposto no valor de R$ 46.182,51. O lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2005, a fls. 27/30, apresentada à RF pela notificada cujo resultado era de imposto a restituir no valor de R$ 61.562,52. O Enquadramento Legal deuse pelos seguintes fatos: 1. Omissão de rendimentos, no valor de R$ 21.765,34, percebidos de processo judicial trabalhista, em razão de ter sido considerado para a exclusão dos honorários advocatícios apenas 81,12% do total pago a esse título, proporção referente aos rendimentos tributáveis percebidos; 2. Dedução indevida de despesas médicas: os recibos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal não foram considerados suficientes para comprovação da efetividade da realização dos pagamentos neles mencionados. Tal fato provocou a alteração do valor informado para essa dedução, de R$ 34.162,00 para R$ 0,00. O Contribuinte apresentou a impugnação, à fl. 01 e ss. A DRJ/SDR, às fls. 469/476, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 477/482. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 571/576, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar o valor lançado a título de omissão de rendimentos. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, não sendo cabível que a dedução se dê apenas pelo valor proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10640.003177/200761 Acórdão n.º 9202007.594 CSRFT2 Fl. 10 3 Mantémse a glosa de despesas médicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos serviços e nem dos pagamentos alegados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 580/586, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa Dedução: honorários advocatícios. Alegou eu o acórdão recorrido, ao decidir pela dedução da base de cálculo do imposto de renda dos valores pagos a título de honorários advocatícios incidentes sobre os rendimentos isentos, decorrentes de ação trabalhista, divergiu do acórdão paradigma, que aceitou somente a dedução dos honorários advocatícios incidentes sobre os rendimentos tributáveis. Sustentou que, como o lançamento não está tributando a totalidade dos rendimentos, não há que se falar em dedução dos honorários advocatícios incidentes sobre parcelas que foram excluídas da tributação, com fundamento no art. 56, do RIR/99 (Decreto 3.000/99), e o art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 593/594, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa Dedução: honorários advocatícios. Cientificado à fl. 598, às fls. 602/605, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: glosa das despesas médicas declaradas. A recorrente discorda da decisão recorrida na parte em que manteve a glosa das despesas médicas declaradas. Entende que, nesse ponto, o aresto atacado diverge do Acórdão nº 10611.345. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 678/679, a 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, verificando que o contribuinte deixou de observar o disposto nos § 9º, 10º e 11º do art. 67 do RICARF, uma vez que o pedido não foi instruído com cópia do inteiro teor do paradigma indicado nem houve reprodução integral da sua ementa no corpo do recurso. Em sede de Reexame de Admissibilidade do Recurso Especial, à fl. 680, o Despacho retro restou mantido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cientificado o Contribuinte à fl. 685, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 689DF CARF MF 4 Tratase Notificação de Lançamento – IRPF de fls. 2/4, que lhe deu o direito à restituição do imposto no valor de R$ 46.182,51. O lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2005, a fls. 27/30, apresentada à RF pela notificada cujo resultado era de imposto a restituir no valor de R$ 61.562,52. O Enquadramento Legal deuse pelos seguintes fatos: 1. Omissão de rendimentos, no valor de R$ 21.765,34, percebidos de processo judicial trabalhista, em razão de ter sido considerado para a exclusão dos honorários advocatícios apenas 81,12% do total pago a esse título, proporção referente aos rendimentos tributáveis percebidos; 2. Dedução indevida de despesas médicas: os recibos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal não foram considerados suficientes para comprovação da efetividade da realização dos pagamentos neles mencionados. Tal fato provocou a alteração do valor informado para essa dedução, de R$ 34.162,00 para R$ 0,00. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Ajuste/glosa Dedução: honorários advocatícios. A recorrente defende a inexistência de omissão de rendimentos no valor de R$ 21.765,34, uma vez que tal valor referese a parcela dos honorário advocatícios, conforme comprovam os documentos acostados aos autos. O acórdão recorrido considerou que a dedução é integral já que a legislação não faz expressa menção aos valores serem exclusivamente os tributáveis, nos seguintes termos: Observase que o mandamento da norma legal autoriza a exclusão dos honorários advocatícios em sua totalidade, sem que seja levada em conta a natureza tributável ou não dos rendimentos recebidos. A atividade do advogado foi exercida para a obtenção de todas as verbas determinadas por meio do provimento jurisdicional, não cabendo a segregação do valor tomandose por base a característica dos rendimentos auferidos. Dessa forma, necessário apenas que reste comprovado ter o sujeito passivo arcado com o ônus do pagamento dos honorários advocatícios, para que seja admitida a diminuição do valor integral pago a tal título da base de cálculo da imposição tributária. Na espécie, a interessado comprova o pagamento dos honorários advocatícios, no montante de R$ 115.282,51, mediante a apresentação dos recibos de fls. 08/10. A autoridade lançadora admitiu somente a exclusão de R$ 93.517,17, com efeito, nessa instância de julgamento deve ser excluída a diferença de R$ 21.765,34, referente àqueles honorários, o que perfaz o total desembolsado pelo recorrente. Como bem pontuado pelo acórdão proferido pelo colegiado a quo a questão é bem delimitada pelo disposto no art. 56 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, relativamente aos rendimentos recebidos acumuladamente: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10640.003177/200761 Acórdão n.º 9202007.594 CSRFT2 Fl. 11 5 “Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” Contudo, a interpretação dada pelo acórdão recorrido não se utiliza da boa prática hermenêutica. Observo que a leitura do parágrafo único não pode ser realizada sem vinculação ao caput do artigo. Assim as despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados será limitada aos rendimentos tributáveis conforme previsto no decreto. Desse modo assiste razão a Fazenda Nacional, devendo ser glosada a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no valor total. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.910608/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 15/12/2000
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória.
Numero da decisão: 3201-005.091
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 15/12/2000 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.910608/201199 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.091 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente PINHALENSE S/A.MAQUINAS AGRICOLAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2000 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 06 08 /2 01 1- 99 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição(PER) que restou indeferido pela DRF de jurisdição, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o direito creditório pleiteado tem origem na inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Anexa demonstrativos e DIPJ. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 06052.122. Irresignado com r. julgado, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta: a) a inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo do §1º, art. 3º da Lei 9.718/98; b) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; c) carreou documentos – demonstração de resultados e livro razão; d) que deve se aplicado princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.079, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.910592/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.079): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que a DRJ adotou entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal: No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.910608/201199 Acórdão n.º 3201005.091 S3C2T1 Fl. 3 3 Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Contudo, os documentos colacionados não foram suficiente para reconhecer a existência de pagamento a maior, vejamos: Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados e que já estariam integralmente alocados. De fato. Embora a interessada argumente que os documentos anexados comprovariam que as outras receitas que não as decorrentes do faturamento têm origem nas receitas financeiras, variação cambial ativa, atualização monetária, descontos obtidos e recuperação de custos e despesas, não é isso que se verifica ao analisar os documentos trazidos à lide. Nessa esteira, conclui: Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Apenas no Acórdão da DRJ o Contribuinte tomou ciência de quais documentos seriam necessário para apuração do seu crédito. Nesse sentido dicção do art. 16, §4º do Dec. 70.235/72, vejamos: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Deste modo o contribuinte apresentou o livro razão no primeiro que exigido, ou seja, apenas no Recurso Voluntário, Fl. 160DF CARF MF 4 assim, sendo prova hábil de seu possível crédito, devendo esse, ser apurado pela unidade de origem. Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade superada à ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito ao crédito do contribuinte, podendo, intimar para apresentar demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade de origem, superada a ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito creditório do contribuinte, podendo intimálo para apresentar demais documentos que entenda necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902277/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
Numero da decisão: 1301-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior (Relator), que votou por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomandose o rito processual, a partir daí. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior (Relator), que votou por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 77 /2 01 3- 31 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 189 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SIDERÚRGICA ALTEROSA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1458.536, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que, negando provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, não homologou a compensação formalizada através da declaração nº 36018.01082.231209.1.3.04 0630. A recorrente indicara, na declaração de compensação (dcomp), como crédito em seu favor uma quantia recolhida a título de estimativa de CSLL. A DRF Divinópolis, entretanto, não reconheceu o direito creditório, alegando que, embora encontrado o pagamento, o valor estava totalmente utilizado para quitação de outro débito da própria recorrente, não remanescendo crédito a ser compensado. Não resignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, à qual a DRJ RPO negou provimento em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da origem do direto creditório, de Pagamento Indevido ou a Maior que o Devido para Saldo Negativo de CSLL, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 190 3 Não se reconhece o direito creditório pleiteado, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra o acórdão da DRJ foi interposto recurso, no qual a recorrente alegou que a decisão recorrida havia se apegado a detalhes de forma; especificamente, o equívoco de indicar como crédito o pagamento indevido de estimativa, ao invés de indicar o saldo negativo. Aduziu ter direito de retificar o pedido de compensação, alterando o crédito para saldo negativo. Com isso, o processo retornaria à unidade de origem para prosseguimento da análise. A retificação pretendida encontraria óbice no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que não impede a alegação de qualquer matéria, inclusive a inovação de fatos e argumentos. A recorrente reiterou ter direito de retificar erros formais cometidos na declaração de compensação. Nesse sentido, invocou o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que determina a revisão do despacho decisório na hipótese de "erro de fato" quando do preenchimento da DCTF ou da DIPJ. Ademais, conforme o ADE Corec nº 4/2013 e a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007, o contribuinte pode unilateralmente corrigir irregularidades. Alegou, por fim, que teria havido descumprimento da referida norma de execução e dos princípios da proporcionalidade, informalidade e verdade material. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação da compensação ou pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa revise a dcomp, considerando o crédito nela declarado como saldo negativo ou permita à recorrente retificar a declaração. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 191 4 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O problema pode ser resumido em poucas palavras. A recorrente apresentou uma declaração de compensação, na qual informara como crédito o valor recolhido a título de estimativa de CSLL, referente ao mês de abril de 2008. A DRF, porém, decidiu não homologar a compensação, fundada no fato de que o pagamento já estava integralmente alocado a outro débito da própria recorrente. Esta se opôs à decisão, alegando ter cometido um mero erro de preenchimento da dcomp. Sua intenção era, desde o início, compensar o saldo negativo de CSLL, porém, por "erro de fato", informou o valor da estimativa mensal. Pretende, portanto, que o erro seja corrigido de ofício pela Receita Federal. A recorrente sustenta que sua pretensão encontra amparo na legislação em vigor, em especial no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, no Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, no ADE Corec nº 4/2013 e na Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. A legislação citada prevê a possibilidade de retificação de "inexatidões materiais". Isso, entretanto, não pode ser interpretado como autorização para modificar aspectos essenciais da declaração, e tampouco para refazer por completo a dcomp. Nesse sentido, era cristalina a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente ao tempo da transmissão da dcomp: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Disposições idênticas foram reproduzidas nas Instruções Normativas RFB 1.300/2012 e 1.717/2017, esta atualmente em vigor. As normas que disciplinam a compensação no âmbito da Receita Federal são bastante restritivas no que tange à possibilidade de retificação de dcomp, só o permitindo na hipótese de inexatidão material. Por inexatidão material se deve entender tãosomente o erro de escrita ou de cálculo, caracterizado por uma clara desconformidade entre o dado inserido no documento e a vontade manifestada pelo contribuinte. Nessa linha de entendimento, inexatidão material seria, por exemplo, o erro quanto ao código de arrecadação do tributo, ou quanto ao período de apuração ou a data de vencimento. Enfim, são inconsistências passíveis de ser percebidas a olho nu, pelo simples confronto com os demais dados constantes da mesma dcomp. Só esses erros dão ensejo à retificação da dcomp. Não se pode refazer por completo a declaração, a pretexto de corrigir "erro de fato", sob pena de subverter a lógica da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 192 5 Não discrepam dessa ótica o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, o ADE Corec nº 4/2013, nem a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. É importante que se diga que a eventual correção da DIPJ ou da DCTF, a que se referem o parecer e a norma de execução, recai apenas sobre inexatidões materiais que tenham gerado desconformidade com a dcomp examinada. A toda evidência, a retificação da DIPJ não pode ser feita para modificar a forma de apuração do lucro, de presumido para real, a fim de "gerar" saldo negativo de IRPJ ou de CSLL e, dessa forma, tornar compatíveis as informações da dcomp com a DIPJ, viabilizando a compensação. Cabe ainda esclarecer que as chamadas normas de execução são editadas pela Receita Federal com o propósito de orientar seus servidores quanto a determinados procedimentos, funcionando assim como uma espécie de manual, sem criar direito subjetivo para o contribuinte. Quando a orientação precisa vir revestida de caráter normativo, ela é veiculada sob a forma de instrução normativa ou outro ato de mesma natureza. Portanto, ainda que ocorra um eventual descumprimento de norma de execução, isso não gera, por si só, nulidade do ato administrativo. Em síntese, a legislação que disciplina a compensação no âmbito administrativo só admite que se retifiquem as dcomps na hipótese de inexatidão material. No caso em tela, todavia, o erro cometido pela recorrente não consistiu em mera inexatidão material ou em simples erro de preenchimento. A recorrente alegou que pretendia compensar crédito materializado na forma de saldo negativo. Mas a dcomp não corrobora tal informação. O código da receita é 2484 referente à estimativa mensal de CSLL; o período de apuração é abril de 2008; o vencimento é 30 de maio de 2008; o valor é de R$ 107.691,32, que corresponde à estimativa devida do mês de junho. Enfim, todas as informações apontam no mesmo sentido. Nada indica que a vontade da recorrente fosse compensar saldo negativo. Como se vê, a recorrente busca modificar a dcomp, alterando o crédito informado. O erro alegado é insuscetível de correção, seja pelo próprio contribuinte ou pela Administração Tributária. Para sanar o problema é necessário refazer integralmente a declaração, o que já não se admite nesta fase. A recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Porém, seria cabível a diligência apenas se houvesse alguma questão de fato a ser esclarecida. Os fatos, porém, são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em suposto saldo credor, apurado no final do período base. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem à Delegacia da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, não se trata de mero erro formal. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 193 6 Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório implicará prejuízo aos controles da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em dcomps diferentes. Notese que as dcomps que envolvem saldo negativo têm ficha própria para que sejam discriminados os valores que compõem aquele saldo, sendo tal informação necessária para a correta verificação da existência do pretenso direito de crédito. Importa ressaltar ainda que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que a extinção do crédito tributário se torna definitiva. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Em síntese: não se homologa compensação que utiliza como crédito valor pago a título de estimativa mensal, quando o pagamento se encontra inteiramente utilizado para quitar outro débito do próprio contribuinte, não se admitindo, em nenhuma hipótese, que no curso do processo administrativo seja indicado outro crédito, a fim de viabilizar a compensação. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 194 7 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto à impossibilidade de transformar o pleito original baseado em pagamento indevido ou a maior em outro, com fundamento em saldo negativo do período, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do Colegiado acerca dessa matéria. Como relatado, tratase de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de CSLL, apresentado via Dcomp. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos quando da apresentação da declaração, por outro, deixou inequívoco em suas razões de defesa de que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10665.902277/201331 Acórdão n.º 1301003.792 S1C3T1 Fl. 195 8 Embora em situações anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901357/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 13 57 /2 01 3- 13 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.901357/201313 Acórdão n.º 3301005.643 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição para o PIS, pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo, inicialmente, a nulidade do despacho decisório, em razão (i) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado para apurar a existência do crédito pretendido e (ii) de não constar do despacho decisório um relatório ou fundamentação que alicerçasse o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. No mérito, o contribuinte afirmou o direito ao crédito em razão do disposto no Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, a partir de 1º de abril de 2005. Assim, explicou o interessado que, ao efetuar a apuração das contribuições sobre a receita, constatara que grande parte dos recolhimentos, com base no imposto de renda devido (por força de liminar no Mandado de Segurança no 2003.61.00.0023490), era indevida porque a base de cálculo era composta, em sua maior parte, por receitas financeiras auferidas, sujeitas à alíquota zero. O contribuinte argumentou, ainda, que a demonstração do cálculo podia ser verificada no documento que juntou aos autos, devidamente comprovada no Dacon, o qual evidenciava as receitas auferidas sujeitas à alíquota zero. Explicou que, por erro de fato, informara na DCTF do período o valor do pagamento e, assim, pedia sua retificação de ofício. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07036.651, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de prévia retificação da DCTF, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório que se encontrava, segundo a autoridade julgadora, devidamente formalizado e fundamentado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.901357/201313 Acórdão n.º 3301005.643 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.636, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10882.901350/201393, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.636): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0736.644 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA RESTITUIÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do Pedido de Restituição, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o despacho decisório eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10882.901357/201313 Acórdão n.º 3301005.643 S3C3T1 Fl. 5 4 Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte trata preliminarmente acerca de alegada superficialidade da instrução probatória e ausência de requisitos motivadores da decisão, o que implicaria em nulidade da decisão por violar o princípio da verdade material. Assim expressa o Contribuinte em trecho do seu recurso (fls. 156 e 157): Como relatado, a Autoridade Fiscal que reputou inexistente o crédito pleiteado no pedido de restituição da Requerente, em momento algum ficou evidenciado no Despacho Decisório que a D. Fiscalização teria procedido a todas as diligências para apurar a existência do crédito em questão. (...) Na busca da verdade material, deveria a D. fiscalização se amparar em toda a documentação contábil e fiscal da Requerente, e somente após uma análise completa da mesma, proferir decisão, e não se basear apenas no que consta nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (grifouse). Em seguida o Contribuinte adentra no mérito alegando que tem direito a restituição do crédito pleiteado diante da aplicação da alíquota zero em relação ao PIS incidente sobre receitas financeiras e, por fim, requer: Seja retificada de ofício a DCTF de Ago/2009, para excluir o débito na quantia de R$ 30.350,29, valor este pago indevidamente, pois conforme demonstrado em toda a escrituração contabil e fiscal anexada ao respectivo processo, evidenciase que não há débito de PIS no respectivo período e; Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado integralmente o Acórdão nº 0736.644 proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, deferindose assim o pedido de restituição pleiteado; Se mesmo após análise de toda a documentação contábil e fiscal juntada aos autos (LALUR, Balancete, DACON e demonstrativos de cálculos de PIS do período em discussão), este E. Egrégio Conselho não se convença do direito creditório da Contribuinte, requerse que seja convertido o respectivo julgamento em diligência, especificando outros documentos que avaliem necessários, como medida de Direito e Justiça. Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, entendo correto o entendimento da decisão ora recorrida. Cito trechos da mesma como razões para decidir: 1 – Preliminar de nulidade: Como do relatório se viu, a contribuinte alega a nulidade do DD, em razão (a) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria diligenciar para apurar a existência do crédito pretendido e (b) de que não consta do DD um relatório ou fundamentação que alicerce o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. Diante do argumento posto, esclarecese que não compete à DRF apurar o crédito pleiteado, mas tão somente verificar se o interessado comprovou ou não o direito creditório. Se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pelo interessado, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte, tendo em vista o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, in verbis: Art. 76 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.901357/201313 Acórdão n.º 3301005.643 S3C3T1 Fl. 6 5 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [grifei] O dispositivo legal acima transcrito é bem claro, no sentido de que a diligência é uma faculdade da autoridade administrativa. E não poderia ser diferente, já que o próprio artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, estabelece que as autoridades administrativas determinarão a realização quando entendêlas necessárias. Se pelo PER apresentado já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Ademais, verificase que o Despacho Decisório é claro ao informar que a restituição foi indeferida porque o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido de restituição e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Por fim, esclarecese que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, não torna o DD ora analisado, nulo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois, como adiante se verá, nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do PER, retifica regularmente a DCTF. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. 2 – Do pedido de restituição: No mérito, a contribuinte alega, em síntese, que, por erro de fato, informou na DCTF do período o valor do pagamento e não o valor do débito, assim, pede sua retificação de ofício. Da mesma forma, podese dizer que não tem razão a contribuinte em sua manifestação. Explicase. Primeiro, registrese que, como disposto de forma literal no artigo 165, inciso I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, em razão de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Ocorre que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.901357/201313 Acórdão n.º 3301005.643 S3C3T1 Fl. 7 6 menor). Desta forma, somente a partir da apresentação de uma DCTF retificadora poderseia reputar existente eventuais créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior por terem sido vinculados a débitos declarados anteriormente em DCTF. Com isso, restaria, então, conformada juridicamente a existência de crédito tributário passível de restituição. Isto porque, como se sabe, a DCTF é o documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. No caso que aqui se tem, entretanto, a contribuinte não retificou a DCTF antes de apresentar o PER, de modo que não restou juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do aludido crédito requisito essencial que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. Ressaltese que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a PER apresentado posteriormente à retificação, mas não para validar pedido de restituição anterior. Independentemente da discussão acerca da apresentação ou não de uma DCTF retificadora, percebese que o Contribuinte alega, que em nome da verdade material, a fiscalização deveria comprovar o alegado crédito existente. Com a devida vênia, entendo que a alegação de respeito ao princípio da verdade material deve vir acompanhada de elementos de prova, e, estes, devem ser apresentados por quem alega a existência do direito. Portanto, diante dos autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.009115/2001-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso deve satisfazer certos pressupostos para ser conhecido, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes.
Quando se verifica total destacamento e desconexão entre o recurso voluntário e o teor e trama fático-jurídica da decisão de primeira instância, ou seja, quando não há real contestação do aresto a quo, razão pela qual este se torna definitivo, ex vi do art. 42, parágrafo único do Decreto 70.235/72.
É ônus da recorrente apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação da decisão atacada. Trata-se de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede o conhecimento de contestações genéricas ou formuladas sem qualquer correspondência com o teor da decisão recorrida: tal é a lógica capturada pelas normas enunciadas no art. 16, inciso III, e art. 17, ambos do Decreto nº. 70.235/72.
Numero da decisão: 3003-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve satisfazer certos pressupostos para ser conhecido, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Quando se verifica total destacamento e desconexão entre o recurso voluntário e o teor e trama fático-jurídica da decisão de primeira instância, ou seja, quando não há real contestação do aresto a quo, razão pela qual este se torna definitivo, ex vi do art. 42, parágrafo único do Decreto 70.235/72. É ônus da recorrente apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação da decisão atacada. Trata-se de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede o conhecimento de contestações genéricas ou formuladas sem qualquer correspondência com o teor da decisão recorrida: tal é a lógica capturada pelas normas enunciadas no art. 16, inciso III, e art. 17, ambos do Decreto nº. 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve satisfazer certos pressupostos para ser conhecido, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Quando se verifica total destacamento e desconexão entre o recurso voluntário e o teor e trama fáticojurídica da decisão de primeira instância, ou seja, quando não há real contestação do aresto a quo, razão pela qual este se torna definitivo, ex vi do art. 42, parágrafo único do Decreto 70.235/72. É ônus da recorrente apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação da decisão atacada. Tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede o conhecimento de contestações genéricas ou formuladas sem qualquer correspondência com o teor da decisão recorrida: tal é a lógica capturada pelas normas enunciadas no art. 16, inciso III, e art. 17, ambos do Decreto nº. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 91 15 /2 00 1- 97 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11610.009115/200197 Acórdão n.º 3003000.203 S3C0T3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão do colegiado a quo: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, abrangendo os períodos de apuração 03/97 e 06/97 (fls. 33 a 42), sendo R$ 15.305,16 relativos à contribuição, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 11.478,87, e juros de mora calculados até 30/11/2001, no valor de R$ 14.373,42, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 41.157,45, em decorrência de auditoria interna efetuada pela DefisSão Paulo/SP. Na Descrição dos Fatos (fl. 36) consta que a presente exigência originou se de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificadas irregularidades nos créditos vinculados informados nas DCTF do 1º e do 2º trimestres de 1997 – pagamento não localizado, sendo tais valores exigidos, com os acréscimos legais devidos, conforme demonstrativos de fls. 37 a 39. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado à fl.36. A base legal da multa de ofício aplicada consta à fl. 39. Após tomar ciência da autuação, a empresa autuada, inconformada, apresentou tempestivamente a impugnação anexada às fls. 03 a 06 em 19/12/2001, com as alegações abaixo resumidas: • A autuação não tem como prosperar, em razão de sua improcedência, pois a Cofins exigida encontrase devidamente quitada, conforme comprovantes anexos (fls. 43/44); • Assim, entende o contribuinte que não cometeu qualquer infração, e requer que seja julgado improcedente o lançamento. Às fls. 46 a 50 constam demonstrativos elaborados pela unidade local em 2014, relativos à revisão de ofício do lançamento, sem, no entanto, constar nos autos qualquer decisão referente a tal ato, praticado pela autoridade competente. À fl. 51 consta despacho daquela unidade, informando que, conforme revisão de lançamento, verificouse a existência de saldo remanescente, o qual, tendo sido considerada tempestiva a impugnação interposta, encaminhase para julgamento pela DRJ, em 23/09/2014. Em 16/05/2016 o processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO para julgamento (fl. 52). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11610.009115/200197 Acórdão n.º 3003000.203 S3C0T3 Fl. 4 3 A 16ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro proferiu decisão, dando provimento parcial à impugnação, exonerando a multa tributária vinculada, aplicando a retroatividade benigna, mas mantendo a autuação fiscal, nos termos da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENÉFICA Em face do princípio da retroatividade benéfica, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de vinculação não comprovada, informada em DCTF. COFINS FALTA DE RECOLHIMENTO Comprovada a ausência de recolhimento, é cabível a exigência da contribuição devida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Às fls. 66 a 117, foi juntado Recurso Voluntário, no qual se contesta acórdão diverso daquele exarado no presente processo. Na referida peça recursal, a recorrente se volta contra a decisão em outro processo, a saber, processo administrativo nº. 10805.720578/2017 21, não articulando qualquer defesa contra o acórdão proferido no presente processo. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11610.009115/200197 Acórdão n.º 3003000.203 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e o valor do crédito discutido está dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Entendo, porém, que não cabe o conhecimento do presente recurso, uma vez que carece, como veremos, de pressuposto recursal essencial. Analisando o processo, verificase que o recurso juntado aos autos (fls. 66 a 117) não traz qualquer contestação à decisão de primeira instância, restringindose a rebater outra decisão proferida nos autos do processo administrativo nº. 10805.720578/201721. Já na descrição dos fatos, no início da peça recursal juntada, observase que a decisão contestada é absolutamente outra, exarada em processo diverso do presente. Os excertos transcritos a seguir são elucidativos (grifei algumas partes): I DOS FATOS 3. Como esclarecido pela ora Recorrente em sua Impugnação, tratase de processo administrativo fiscal decorrente de Autos de Infração, mediante os quais o Sr. Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) visa à cobrança de PIS e COFINS, apurados na sistemática não cumulativa, que supostamente deixaram de ser recolhidos nos meses de janeiro a dezembro de 2013, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício, em decorrência da glosa de créditos constituídos pretensamente em desacordo com as Leis nº 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003. 4. Sob o argumento de que referidos créditos teriam sido apurados sobre despesas com serviços que supostamente não se enquadrariam nos incisos II dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, nem estariam previstos nos demais incisos dos referidos artigos, a fiscalização glosou a totalidade dos créditos aproveitados pela Recorrente a título de insumos. 5. Os créditos glosados correspondem a despesas com: (i) Comissões; (ii) Assessoramento (Honda Serviços); (iii) Despesas para operacionalização de registro de gravames no DETRAN (SIRCOF/SNG); (iv) Telemarketing e atendimento telefônico; e (v) Correios e serviços de impressões/processamento de dados. 6. Segundo o AIIM, o art. 8º da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, que disciplinaria o conceito de insumos para fins de tomada de créditos de PIS e COFINS, estabelece que apenas poderiam ser considerados insumos os serviços que são diretamente aplicados ou consumidos na produção/fabricação do produto ou na prestação do serviço, o que, no entanto, não ocorreria com os serviços acima mencionados, que seriam supostamente complementares à administração de consórcio. 7. Portanto, a glosa de créditos que ocasionou a lavratura dos Autos de Infração decorre do fato de os serviços tomados pela ora Recorrente supostamente não se adequarem ao conceito de insumos definido no art. 66 da IN nº 247/02 e art. 8º da IN nº 404/2004, que se equiparam ao do IPI. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11610.009115/200197 Acórdão n.º 3003000.203 S3C0T3 Fl. 6 5 8. Por sua vez, em sede de Impugnação, a Recorrente teceu esclarecimentos sobre a atividade que desenvolve e, no decorrer da referida peça, justificou por quais motivos os créditos não deveriam ter sido glosados, baseandose, inclusive em entendimento consolidado do CARF e do STJ. 9. Não obstante os esforços da ora Recorrente, a DRJ/RPO manteve o lançamento pelos mesmos fundamentos invocados no AIIM, afirmando que as decisões do CARF não vinculam os Julgadores das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e que não há Súmula sobre a matéria tratada nos presentes autos. 10. No entanto, não há como a decisão recorrida prosperar, pois os critérios utilizados pelo art. 8º da IN nº 404/2004 e pelo art. 66 da INº 247/2002 para definição do conceito de insumos do PIS e da COFINS foram há muito afastados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e pela Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF), por serem demasiadamente restritivos para as Contribuições Sociais, que tem por objeto à tributação da receita, e não do produto, não estando de acordo com o conceito da lei. 11. Tanto são excessivamente restritivas que IMPLICARAM A DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR TOTAL DOS CRÉDITOS APURADOS PELA RECORRENTE A TÍTULO DE INSUMOS. Da leitura dos excertos, observase, claramente, que o recurso busca contestar autuação de PIS/COFINS nãocumulativos, do período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, decorrente da glosa de créditos de despesas consideradas, então, como não integrantes do conceito de insumos. Nessa esteira, o recurso se resume à defesa da aplicação do conceito de insumos às despesas glosadas gastos com comissões, serviços de terceiros, correio e impressão eletrônica. Evidente, portanto, que a matéria enfrentada pelo recurso trazido aos autos é totalmente diversa daquela tratada na autuação e na decisão de primeira instância. Com efeito, conforme relatado, o presente processo trata de auto de infração decorrente de insuficiência de recolhimento da COFINS nos períodos de apuração de 03/1997 e 06/1997 a autuação foi exonerada, em revisão de ofício, com relação a este último período (fls. 46 a 51) , tendo a primeira instância mantido a autuação, uma vez que a impugnante não conseguiu demonstrar que não houve a falta de recolhimento de COFINS (em 03/1997) que serviu de pressuposto da autuação. Eis o teor da decisão de primeira instância (grifei partes): Apesar de não constar nos autos decisão específica relativa à revisão de ofício efetuada pela unidade local no lançamento em análise (despacho decisório), vêse pelos extratos de fls. 46 a 50 que tal ato foi efetivamente praticado, excluindose o crédito cujo pagamento foi comprovado pelo sujeito passivo por meio dos DARF de fls. 43/44, restando um saldo de Cofins no valor de R$ 12.311,88, relativo ao PA 03/97. Sendo assim, o objeto de análise deste voto é somente o valor remanescente do crédito lançado: Cofins, PA 03/97, R$ 12.311,88. Tal exigência procede, considerando que o pagamento efetuado pelo contribuinte, R$ 348,66, foi bem inferior ao devido, R$ 12.66054, não tendo sido apresentado na impugnação qualquer outro pagamento relativo a tal período de apuração. Desta forma, deve ser mantido o lançamento do valor remanescente do crédito de Cofins, apurado após a revisão de ofício. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11610.009115/200197 Acórdão n.º 3003000.203 S3C0T3 Fl. 7 6 No entanto, deve ser analisada a imposição da multa de ofício, considerando que o presente auto é oriundo de informações prestadas em DCTF, espontaneamente entregue à RFB. (...) Da leitura dos excertos, resta evidente que o recurso juntado aos autos se apresenta totalmente desconexo e alheio à matéria e aos fatos enfrentados no presente processo: não há, no recurso juntado, qualquer argumento de contraposição à decisão de primeira instância, afigurandose total vazio de contestação e total destacamento entre o recurso apresentado e o teor e trama fáticojurídica da decisão de primeira instância. Nessa esteira, importa lembrar que, nos termos do parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, são definitivas as decisões de primeira instância na parte em que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Eis o teor da norma: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Sublinhese que o recurso deve satisfazer certos pressupostos para ser conhecido, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão a quo. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Tal lógica é encapsulada pelo art. 16, inciso III, e art. 17, ambos do Decreto nº. 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Naturalmente, os dispositivos transcritos também se estendem para os recursos voluntários, um vez que traduzem lógica intrínseca do sistema recursal: sem contestação real específica, expressa e fundamentada (razões de fato e de direito, provas) , não há que se falar em recurso. É de se lembrar que é ônus da recorrente apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação da decisão atacada. Tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede o conhecimento de contestações genéricas ou formuladas sem qualquer correspondência com o teor da decisão recorrida. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11610.009115/200197 Acórdão n.º 3003000.203 S3C0T3 Fl. 8 7 No caso concreto, o recurso apresentado versa expressamente sobre outra decisão, exarada em processo administrativo diverso. Os fundamentos jurídicos e os fatos apresentados no recurso não guardam qualquer conexão com o caso discutido no presente processo, não tendo se configurado, como explicado acima, pressuposto fundamental de admissibilidade do recurso, razão pela qual não deve ser conhecido. Registrese, ainda, que se fosse conhecido o recurso, no mérito não lhe poderia ser dado provimento, uma vez que a falta de impugnação específica da decisão de primeira instância torna tal decisão definitiva, ex vi do art. 42, parágrafo único, do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, tornando se definitiva a decisão de primeira instância. Vinícius Guimarães Relator Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722435/2015-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/02/2008 a 13/06/2015
APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. RITO EQUIVOCADO.
O objeto do presente processo é incompatível com uma exigência fiscal decorrente de uma relação jurídico tributária, porque sua gênese é uma SANÇÃO - aplicação de pena de perdimento -, com rito monofásico.
Por não ser uma exigência própria do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/72 ; Decreto 7.574/2011) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é o órgão competente para examinar a demanda.
Numero da decisão: 3302-006.546
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 07/02/2008 a 13/06/2015 APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. RITO EQUIVOCADO. O objeto do presente processo é incompatível com uma exigência fiscal decorrente de uma relação jurídico tributária, porque sua gênese é uma SANÇÃO - aplicação de pena de perdimento -, com rito monofásico. Por não ser uma exigência própria do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/72 ; Decreto 7.574/2011) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é o órgão competente para examinar a demanda.
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RITO EQUIVOCADO. Recorrente THZ AUTOMOTIVE COMERCIO DE AUTOPECAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/02/2008 a 13/06/2015 APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. RITO EQUIVOCADO. O objeto do presente processo é incompatível com uma exigência fiscal decorrente de uma relação jurídico tributária, porque sua gênese é uma SANÇÃO aplicação de pena de perdimento , com rito monofásico. Por não ser uma exigência própria do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/72 ; Decreto 7.574/2011) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é o órgão competente para examinar a demanda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 35 /2 01 5- 68 Fl. 1103DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do PARECER TÉCNICO PROCESSO N° 13971 722.435/201568 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT, às folhas 945 e seguintes do processo digital: Tratase o presente processo do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal, fls. 720/721, lavrado contra a contribuinte acima identificada, nos termos do Artigo 105, inciso VI, VII, XI do DecretoLei n° 37/66 e artigos23, inciso IV e § 1°, e 24 do DecretoLei n° 1.455/76 (alterado pela Lei n° 10.637/2002), regulamentado pelo Decreto n° 6.759/09, artigo 689, incisos VI, VII, XI e § 3A; artigos 94, 95, 96, inciso II, 111, 113 do DecretoLei n° 37/66, e artigos 23, 25 e 27 do Decreto Lei n° 1.455/76, regulamentados pelos artigos 673, 674, 675, inciso II, 686, 687, 701 e 774 do Decreto n° 6.759/09. Por ter sido obtidas novas informações em arquivos (planilhas) mantidos pela própria THZ, houve a necessidade de RETIFICAÇÃO do Auto de Infração. O contribuinte foi cientificado em 05 de fevereiro de 2016, fls. 897. A impugnação foi protocolizada em 26 de fevereiro de 2016, fls. 899. Da impugnação: Irresignada com a retificação do Auto de Infração em comento, a interessada apresentou, petição impugnatória de fls. 900 a 924, alegando em síntese: Que com a retificação do Auto de Infração, os AuditoresFiscais arbitraram novamente o valor das mercadorias com pena de perdimento já aplicada; desconsideraram o valor de R$ 806.268,00; cuja estimativa tinha como referência o valor CIF das mercadorias, aplicando na retificação o conceito de estimativa merceológica, entendo que este é o conceito do novo valor aduaneiro; Que os AuditoresFiscais tomaram como base para a nova valoração o valor das mercadorias encontradas no estoque; Que mostrase imperioso destacar que a apuração do valor aduaneiro, deve observar algumas regras específicas da legislação vigente e, desta forma, devese observar a referência do preço CIF; Que os AuditoresFiscais ao considerarem determinados custos internos, apurados por despesas identificadas posteriormente ao desembaraço aduaneiro, violam as regras básicas do Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 3 3 Sistema de valoração aduaneira, pois o valor aduaneiro deve ser apurado na forma prevista no Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do GATT pelo Decreto Legislativo n°30/94 e promulgado pelo Decreto Executivo 1.355/97. Com isso, contrariamente aos ditames das normas legais vigentes, usando para justificar a retificação do valor das mercadorias o custo do produto em estoque. Que ao proceder desta forma, os Srs. Auditores ao confundir arbitramento do valor aduaneiro com eventuais despesas formadoras do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), utilizandose desta informação para sustentar a pena de perdimento aplicada; Que em nenhuma oportunidade da legislação referência, temse qualquer parâmetro de arbitramento do novo valor partindose da premissa quanto ao CMV; Requerendo por fim, o recebimento da defesa administrativa e que seja julgado totalmente IMPROCEDENTE o auto de infração e por consequência, determinar o seu arquivamento administrativo, bem como, decretar insubsistente o Processo Administrativo Fiscal 13971.722435/201568. O PARECER TÉCNICO PROCESSO N° 13971722.435/201568 esclareceu que: Da Decisão Administrativa de Perdimento de Mercadorias Cabe aqui primeiramente esclarecer que já houve Decisão Administrativa relacionada ao perdimento de mercadorias, inclusive com a ciência do contribuinte, fls 851 e 861. Devese também deixar claro que a impugnação da Retificação do Auto de Infração deve observar os limites da retificação, conforme consta do termo de ciência, de fls. 897. Portanto, qualquer alegação do contribuinte relacionada ao Perdimento de Mercadoria não serão analisados, tendo em vista a definitividade do procedimento de Perdimento de Mercadorias em âmbito administrativo. Da Retificação do Auto de Infração A impugnante cita que deve ser observado o valor aduaneiro no caso em tela, contudo, o valor das mercadorias levadas a perdimento, constante de Auto de Infração de Perdimento, em sua essência, não possui reflexo tributário, podemos dizer que é um valor contábil e patrimonial, não se deve confundir Auto de Infração de Perdimento de mercadorias com Auto de Infração de multa, relacionada a crédito tributário, que segue o rito do Decreto 70.235/72, e possui o valor aduaneiro como base de cálculo para alguns lançamentos. O de perdimento segue o Decreto Lei 1.455/76, sem previsão legal de como mensurar valor das mercadorias levadas a perdimento. Da interposição de ação judicial: Fl. 1105DF CARF MF 4 Consta informação, que em 22 de fevereiro de 2016, que a impugnante no âmbito da Ação Ordinária 5013251 42.2015.4.04.7205 ingressou com petição com a mesma demanda da impugnação administrativa e, em casos como este, devem as Unidades da Receita Federal do Brasil, responsáveis por julgamentos administrativos, observar o disposto no Parecer Normativo Cosit n° 7, de 22 de agosto de 2014 (DOU de 27/08/2014). De acordo com este Parecer Normativo, a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto de processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie; vez que não paira qualquer dúvida acerca da superioridade do pronunciamento do Poder judiciário em relação àquele que possa advir de órgãos administrativos. Fosse insuficiente perceber a óbvia validade dessa assertiva em nosso modelo constitucional, assentada na unicidade jurisdicional, basta verificar que as decisões administrativas são sempre submissíveis ao crivo da legalidade do Poder Judiciário, não sendo o reverso verdadeiro (melhor dizendo, o reverso não é sequer possível). É por este motivo que, havendo tramitação de feito judiciário concomitante à de processo administrativo fiscal com o mesmo objeto, considerase renunciado, pelo contribuinte o direito a prosseguir na contenda administrativa. Devese deixar cristalino que, nos termos do citado Parecer Normativo, a renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Receita Federal do Brasil dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. Em casos semelhantes ao em análise, é irrelevante que o processo tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do artigo 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade no âmbito administrativo, independe de a impugnação/recurso/manifestação de inconformidade ter sido interposto antes ou após o ajuizamento de ação judicial. Neste mesmo sentido, reza a Súmula n° 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovada e divulgada pela Portaria CARF N° 052, de 21 de dezembro de 2010 (publicada no DOU de 23 de dezembro de 2010, seção I, fls. 87 a 90 e retificada no DOU de 12 de janeiro de 2011, Seção I, fl.44) “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” CONCLUSÃO Assim, diante do exposto e, em conformidade com o Parecer Normativo Cosit n° 7, de 22 de agosto de 2014 (DOU de 27/08/2014); proponho: Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 4 5 O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo de forma definitiva a retificação dos valores das mercadorias do Auto de Infração n° 0920400/10003/15 na esfera administrativa, materializado no presente Processo Administrativo. Despacho Decisório de folhas 951 do processo digital, decidiu não conhecer da Impugnação apresentada pelo contribuinte e declarar definitiva a retificação dos valores das mercadorias do Auto de Infração n° 0920400/10003/15 na esfera administrativa, materializado no presente Processo Administrativo; com base no Parecer Normativo Cosit n° 7, de 22 de agosto de 2014 (DOU de 27/08/2014). A empresa THZ AUTOMOTIVE COMERCIO DE AUTOPECAS LTDA – EPP foi cientificada do Despacho Decisório, por via eletrônica, em 25/08/2017, às folhas 954. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 06/09/2017 (folhas 956) de folhas 959 à 965. Da ausência de renúncia ao processo administrativo. Conforme já descrito no resumo fático a discussão no presente processo administrativo versa unicamente a respeito da retificação do valor das mercadorias apreendidas e sob as quais pendeu a aplicação da pena de perdimento. Inexistiu, no presente caso, qualquer renúncia tácita ou expressa ao processo administrativo, uma vez que o que se busca através da ação declaratória de n° 5013251 42.2015.4.04.7205 não é discutir ou apurar o valor das mercadorias apreendidas, senão que a declaração da anulação da pena de perdimento propriamente dita, conforme se comprova pelos pedidos da petição inicial, ora carreada. (doc. 03). No presente processo administrativo e na impugnação, está se discutindo a retificação do valor das mercadorias apreendidas, já que a aplicabilidade da pena de perdimento em si já é questão definitiva no âmbito administrativo, ficando pendente apenas o posicionamento judicial final nos autos da ação declaratória de n° 501325142.2015.4.04.7205. O Parecer Normativo COSIT N° 7, de 22 de agosto de 2014 que trata acerca da renúncia do processo administrativo pelo ingresso de ação judicial, esclarece que para caracterizarse essa renúncia deve haver perfeita identidade da causa de pedir e do pedido. Trasladase o trecho do parecer: (...) No caso do presente processo administrativo o pedido concerne ao valor das mercadorias, enquanto na ação judicial é a anulação da pena de perdimento, pedidos notoriamente distintos. Portanto, para existir a renúncia ao processo administrativo não basta identidade do objeto e causa de pedir, mas é necessário também a identidade de pedidos. O referido Parecer Normativo COSIT N° 7, cita um exemplo em que não se constata a identidade de pedidos: Fl. 1107DF CARF MF 6 (...) O caso citado como exemplo no parecer guarda alguma semelhança com o do presente caso, em que no processo judicial há um pleito de anulação do auto de infração e administrativamente se discute a retificação dos valores das mercadorias apreendidas por este auto de infração. Evidentemente, caso a ação declaratória n° 501325142.2015.4.04.7205 seja julgada procedente o presente processo administrativo perderá o objeto, já que o auto de infração seria anulado. Porém enquanto pende o julgamento da ação judicial ou se os pedidos forem julgados improcedentes, o interesse ao processo administrativo ainda permanece, não havendo que se falar em renúncia. Destarte, inexistindo renuncia ao processo administrativo, fica claro que é necessário que a Impugnação apresentada pela Recorrente seja conhecida, e que se prossiga ao julgamento do mérito da Impugnação, o qual diz respeito a impossibilidade de promoverse a retificação no valor do auto de infração pretendida pelo Auditor Fiscal. Ante o exposto, pugnase pelo provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de anular o despacho decisório recorrido, determinandose o retorno do feito ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, a fim de que este conheça da Impugnação e realize o julgamento do seu mérito. DOS PEDIDOS: Em face de todo o exposto, requerse a Vossas Senhorias que seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para anular o despacho decisório recorrido e determinar o retorno dos autos à origem a fim de que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC conheça da Impugnação e promova o julgamento do seu mérito, já que inexistiu renúncia ao processo administrativo. Despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT, às folhas 1.035 e seguintes, assim se pronunciou: Através do presente despacho, será analisado recurso, denominado “Recurso Voluntário”, apresentado pelo contribuinte em epígrafe, contra o Despacho Decisório (fl.951) prolatado pelo Delegado desta DRF/BLU na data de 23/08/2017, através do qual foi aprovado o Parecer Técnico de fl.946/950, que não conheceu a Impugnação apresentada na data de 26/02/2016 (fl.900/924). De forma resumida, alega, o contribuinte, que não ocorreu a renúncia ao processo administrativo, uma vez que a ação declaratória de n° 501325142.2015.4.04.7205 não versa sobre o mesmo assunto do presente processo administrativo, qual seja, a retificação do valor das mercadorias apreendidas. Alega o contribuinte que a mencionada demanda judicial solicita tão somente a anulação da pena de perdimento das mercadorias, não discutindo o valor das mesmas. Defende que, conforme o Parecer Normativo COSIT n° 7, de 22/08/2014, a renúncia ao processo administrativo ocorre tão somente se houver perfeita identidade (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido). Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 5 7 Após análise do pedido, bem como, dos documentos apresentados em seu denominado “Recurso Voluntário”, pode se verificar que não podem prosperar suas alegações. O pedido do contribuinte é, tão somente, a anulação da decisão anterior e o envio para julgamento, pelo Delegado desta DRF/BLU, da Impugnação apresentada em 26/02/2016 (fls.900/924). Sendo assim, voltamos a já mencionada impugnação, que, ao final, apresenta, em resumo, três pedidos: JULGAR IMPROCEDENTE o Auto de Infração n°. 0920400/10011/15 e por consequência, DETERMINAR SEU ARQUIVAMENTO ADMINISTRATIVO, bem como, DECRETAR INSUBSISTENTE o Processo Administrativo Fiscal n°. 13971 722.435/201568; Ainda que se admita por amor ao argumento, eventual subfaturamento, essa infração administrativa é tratada como de controle das importações”, cuja penalidade aplicável é a MULTA PECUNIÁRIA e não a pena de perdimento e; Seja julgado completamente improcedente o Auto de Infração, que passa a imputar a prática de “subfaturamento qualificado”, adotando como amparo um comparativo com preços quando analisados sob a formação dos “custos internos de estoque” por parte da empresa Impugnante, como também os “preços de venda”, não são previstos na legislação. Como fica claramente demonstrado, no documento denominado “Petição inicial” (fls.971/1001), apresentado em complemento ao seu “Recurso Voluntário”, o contribuinte requer, em seu pedido na via judicial, in verbis: “.. II Seja deferida a tutela antecipada, permitindo assim, a entrega e/ou liberação das mercadorias, tendo em vista a NULIDADE do Auto de Infração n°. 0920400/10003/15, vinculado ao Processo Administrativo Fiscal n°. 13971 722.435/201568, que aplicou a pena de perdimento contra todas as mercadorias importadas, incluindose entre elas até mesmo aquelas que já foram comercializadas, quando na verdade, deveria ter promovido a EXTINÇÃO do procedimento destinado a APLICAR o perdimento (art. 73, da Lei n° 10.833/2003), e lavrado outro Auto de Infração, este sim, com finalidade de constituir crédito tributário (Decreto n°. 70.235/72), somandose a isto, temse como impossível juridicamente a pena de perdimento alcançar aquelas Declarações de Importação cujo prazo do despacho já superaram mais de 05 (cinco) anos, desde seu registro, violando as regras dos arts. 138 e 139 do Decreto Lei n°. 37/66, evidenciando a verossimilhança necessária para justificar a impossibilidade de sua subsistência e efeitos no mundo jurídico; Seja recebida a presente Ação Anulatória, bem como, seja determinado seu regular processamento, cuja finalidade é de anular e tornar insubsistente os efeitos do Auto de Infração n°. 0920400/10003/15, vinculado ao Processo Administrativo Fiscal n°. 13971 722.435/201568, por aplicar contra todas as Fl. 1109DF CARF MF 8 mercadorias importadas, através de decisão administrativa em única e última instância, a exacerbada pena de perdimento tomando como referência a alegação de subfaturamento qualificado identificado através de falsa declaração quanto aos valores negociados para recolher a menor os tributos incidentes na importação de mercadorias, haja vista que a infração tida por praticada é contemplada por NORMA ESPECIAL (Parágrafo Único, do art. 108 do DecretoLei n°. 37/66 e parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/2001) que versam sobre situações específicas de “falsa declaração correspondente ao valor”, como passível de aplicar a PENA DE MULTA PECUNIÁRIA, devendo esta, por ser mais específica, ter prioridade na sua aplicação em detrimento da regra geral prevista nos (incisos VIeXI, do art. 105, do DecretoLei n°. 37/66), posto que de ampla referência, genérica, extensa ou abrangente, exigindo para este caso, a ocorrência determinante da falsidade material quanto as próprias Faturas Comerciais que apontaram os valores pagos e declarados no registro das Declarações de Importação; Requer, diante da própria situação relatada pelo Auto de Infra ção, a nulidade de sua existência, posto que o caso das irregularidades ou infração identificadas, comportam a aplicação de MULTA PECUNIÁRIA para o caso de subfaturamento qualificado tendo sido inegavelmente preterida aquela previsão legal, na medida em que passa a propor diretamente a Pena de Perdimento como sanção, violando o VERDADEIRO INTUITO DA LEI, ferindo o PRINCÍPIO DA TIPICIDADE e da INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS NORMAS, prevista na Carta Magna (art. 5°., inc. XXXIX), que é ínsito ao da LEGALIDADE (art. 5°. Inc. II, da mesma Carta Política);” Em virtude do exposto acima, percebese que os itens I e II de sua impugnação, como já havia sido mencionado no bem elaborado Parecer Técnico, proferido na data de 23/08/2017, pelo Sr. Chefe da DRF/BLU/SACAT, e aprovado pelo Sr. Delegado desta DRF/BLU, não podem ser objeto de análise devido à renúncia às instâncias administrativas em virtude da interposição de demanda judicial. Resta, então, um único item de seu pedido que poderia ser objeto de análise, o item III, à respeito do qual esta seção já se manifestou no já mencionado Parecer Técnico, em seu item 8, reproduzido abaixo: “8.A impugnante cita que deve ser observado o valor aduaneiro no caso em tela, contudo, o valor das mercadorias levadas a perdimento, constante de Auto de Infração de Perdimento, em sua essência, não possui reflexo tributário, podemos dizer que é um valor contábil e patrimonial, não se deve confundir Auto de Infração de Perdimento de mercadorias com Auto de Infração de multa, relacionada a crédito tributário, que segue o rito do Decreto 70.235/72, e possui o valor aduaneiro como base de cálculo para alguns lançamentos. O de perdimento segue o Decreto Lei 1.455/76, sem previsão legal de como mensurar valor das mercadorias levadas a perdimento.” Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 6 9 Do exposto, proponho o não conhecimento do “Recurso Voluntário” apresentado, por falta de amparo legal, bem como, que seja providenciada a ciência do conteúdo deste Despacho ao contribuinte, com posterior arquivamento. Despacho Decisório, de folhas 1.038, APROVOU o despacho retro, adotando seus fundamentos, e determinou o retorno do processo à DRF/BLU/SACT para que seja efetuada a ciência do contribuinte. A empresa THZ AUTOMOTIVE COMERCIO DE AUTOPECAS LTDA – EPP foi cientificada do Despacho Decisório, por via eletrônica, em 19/12/2017, às folhas 1.042. Consta de folhas 1.060, o seguinte Despacho datado de 19 de dezembro de 2017: Após ter sido cientificado, na data de 19/12/2017 (fl.3177/3187) acerca da decisão que NÃO CONHECEU o Recurso Especial interposto, o contribuinte em epígrafe impetrou Mandado de Segurança (n° 50006392018.4.04.7205/SC), que teve liminar DEFERIDA (fl.1057/1059) em 25/01/2018, determinando a remessa dos autos ao CARF para “exame da admissibilidade e julgamento do recurso voluntário interposto”. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa THZ AUTOMOTIVE COMERCIO DE AUTOPECAS LTDA – EPP foi cientificada do Despacho Decisório, por via eletrônica, em 25/08/2017, às folhas 954. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 06/09/2017. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foi alegado o seguinte ponto: ü Da ausência de renúncia ao processo administrativo. Passase à análise. DA AUSÊNCIA DE RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Fl. 1111DF CARF MF 10 É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Conforme já descrito no resumo fático a discussão no presente processo administrativo versa unicamente a respeito da retificação do valor das mercadorias apreendidas e sob as quais pendeu a aplicação da pena de perdimento. Inexistiu, no presente caso, qualquer renúncia tácita ou expressa ao processo administrativo, uma vez que o que se busca através da ação declaratória de n° 501325142.2015.4.04.7205 não é discutir ou apurar o valor das mercadorias apreendidas, senão que a declaração da anulação da pena de perdimento propriamente dita, conforme se comprova pelos pedidos da petição inicial, ora carreada. (doc. 03). No presente processo administrativo e na impugnação, está se discutindo a retificação do valor das mercadorias apreendidas, já que a aplicabilidade da pena de perdimento em si já é questão definitiva no âmbito administrativo, ficando pendente apenas o posicionamento judicial final nos autos da ação declaratória de n° 501325142.2015.4.04.7205. (Grifo e negrito nossos) Por fim, apresenta assim O PEDIDO do Recurso Voluntário: Em face de todo o exposto, requerse a Vossas Senhorias que seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para anular o despacho decisório recorrido e determinar o retorno dos autos à origem a fim de que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC conheça da Impugnação e promova o julgamento do seu mérito, já que inexistiu renúncia ao processo administrativo. Consta DO PEDIDO da impugnação, o seguinte (folhas 924 do processo digital): Dignese Vossa Senhoria, em receber a presente Impugnação nos termos em que é tempestivamente ofertada, para acolhendo a tese apresentada, JULGAR IMPROCEDENTE o Auto de Infração n°. 0920400/10011/15 e por consequência, DETERMINAR SEU ARQUIVAMENTO ADMINISTRATIVO, bem como, DECRETAR INSUBSISTENTE o Processo Administrativo Fiscal n°. 13971 722.435/201568, e seu respectivo REGISTRO, haja vista que as diversas situações indicadas acima, apontam evidentemente pela exacerbação da postura adotada pelos Srs. AuditoresFiscais ao aplicarem o perdimento das mercadorias apreendidas, sob o amparo de diferença de preços quando analisados sob a formação dos “custos internos de estoque” por parte da empresa Impugnante, como também os “preços de venda”, não são previstos na legislação para sustentar ou amparar a nova valoração aduaneira; Ainda que se admita por amor ao argumento, eventual subfaturamento, essa infração administrativa é tratada como de controle das importações”, cuja penalidade aplicável é a MULTA PECUNIÁRIA e não a pena de perdimento como quer Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 7 11 fazer crer os Srs. AuditoresFiscais, cuja conduta viola o verdadeiro intuito da LEI, ferindo o PRINCÍPIO DA TIPICIDADE e da INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS NORMAS, prevista na Carta Magna (art. 5°., inc. XXXIX), que é ínsito ao da LEGALIDADE (art. 5°. Inc. II, da mesma Carta Política); Seja julgado completamente improcedente o Auto de Infração, que passa a imputar a prática de “subfaturamento qualificado”, adotando como amparo um comparativo com preços quando analisados sob a formação dos “custos internos de estoque” por parte da empresa Impugnante, como também os “preços de venda”, não são previstos na legislação (IN SRF n°. 327/202; MP n°. 2.15835/2001; art. 148 do CTN; e art. 108 e 169 ambos do DecretoLei n°. 37/66), fixam a possibilidade de PENA DE MULTA para os casos onde seja identificada a ocorrência de “falsa declaração quanto ao preço pago ou declarado”, e desta forma, afasta a pena de perdimento, na forma do art. 112 do CTN). Consta informação, que em 22 de fevereiro de 2016, que a impugnante ingressou com Ação Ordinária 501325142.2015.4.04.7205. O contribuinte requer, em seu pedido na via judicial, in verbis: “.. II Seja deferida a tutela antecipada, permitindo assim, a entrega e/ou liberação das mercadorias, tendo em vista a NULIDADE do Auto de Infração n°. 0920400/10003/15, vinculado ao Processo Administrativo Fiscal n°. 13971 722.435/201568, que aplicou a pena de perdimento contra todas as mercadorias importadas, incluindose entre elas até mesmo aquelas que já foram comercializadas, quando na verdade, deveria ter promovido a EXTINÇÃO do procedimento destinado a APLICAR o perdimento (art. 73, da Lei n° 10.833/2003), e lavrado outro Auto de Infração, este sim, com finalidade de constituir crédito tributário (Decreto n°. 70.235/72), somandose a isto, temse como impossível juridicamente a pena de perdimento alcançar aquelas Declarações de Importação cujo prazo do despacho já superaram mais de 05 (cinco) anos, desde seu registro, violando as regras dos arts. 138 e 139 do Decreto Lei n°. 37/66, evidenciando a verossimilhança necessária para justificar a impossibilidade de sua subsistência e efeitos no mundo jurídico; A alegação do Recorrente procede. A discussão no presente processo administrativo versa unicamente a respeito da retificação do valor das mercadorias apreendidas, distinto do pedido de LIBERAÇÃO DAS MERCADORIAS apreendidas, tal qual como consignado na exordial da Ação Ordinária 501325142.2015.4.04.7205. Portanto, não se trata de CONCOMITÂNCIA. Ainda que superada a CONCOMITÂNCIA, o pleito em discussão não pode prosperar dado que o rito eleito pelo Impugnante / Recorrente – Procedimento Administrativo Fiscal (Decreto 70.235) é inócuo, porque ele tem por objeto exigências fiscais decorrentes de uma relação jurídico tributária. Fl. 1113DF CARF MF 12 Para discorrer sobre o assunto, é mister responder a duas indagações: 1. Qual a exigência discutida no presente Auto de Infração? 2. Qual o seu fato gerador? A resposta a essas duas singelas questões demonstram a absoluta incongruência do rito eleito pelo Impugnante / Recorrente. A exigência discutida no presente Auto de Infração é a APREENSÃO DE MERCADORIAS que sofreu uma RETIFICAÇÃO em seu valor. Não há o que se falar em fato gerador para pena de perdimento, pois na sua gênese está presente um ato ilícito aduaneiro, enquanto que o fato gerador é uma atividade lícita reveladora de riqueza. A pena de perdimento, pautada no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, não possui natureza tributária. Sua finalidade é dispare da arrecadação de tributos. A aplicação da pena de perdimento tem por propósito a vedação que determinadas mercadorias cheguem ao mercado interno, seja pelo modo ilícito que ocorreu a sua importação, seja pela própria natureza da mercadoria importada de circulação proibida. A natureza jurídica da pena de perdimento é de sanção da espécie administrativa, proveniente do exercício do poder de polícia pela fiscalização aduaneira O conceito de tributo, esculpido no artigo 3º do Código Tributário Nacional, assim determina: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (Grifo Nosso) O fato gerador é o instituto responsável pela natureza jurídica específica do tributo, a luz do caput do artigo 4º do Código Tributário Nacional. Fato gerador necessariamente possui natureza dispare de ato ilícito. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 8 13 Dar tratamento tributário a pena de perdimento oriunda de ato ilícito (dano ao Erário) é subverter o próprio conceito lapidar de tributo atribuído pelo artigo 3º do Código Tributário Nacional. · A gênese da relação jurídico tributária é uma conduta comissiva, uma PRÁTICA LEGAL e incentivada do ponto de vista sócio econômico, na medida em que é um fato revelador de riqueza, que o Estado legitimamente se apropria de um quinhão; · A gênese da pena de perdimento é uma conduta que pode ser tanto omissiva quanto comissiva e possui natureza jurídica de ato ilícito. Uma PRÁTICA REPUDIADA do ponto de vista jurídico, que o legislador entendeu por bem NÃO TOLERAR. A relação jurídico tributária, cujo objeto é o tributo, por gênese um ato lícito, definido em Lei como fato gerador. Fl. 1115DF CARF MF 14 As consequências dessa distinção são bem palpáveis quanto aos efeitos jurídicos: O objeto do presente processo é incompatível com uma exigência fiscal decorrente de uma relação jurídico tributária, porque sua gênese é uma SANÇÃO – aplicação de pena de perdimento , com rito monofásico, dado pelo artigo 27 do Decreto Lei n° 1.455/76. A análise ainda merece o seguinte adendo: É perfeitamente possível que a SANÇÃO da pena de perdimento seja substituída por um crédito tributário a ser discutido no rito do Procedimento Administrativo Fiscal (Decreto 70.235), com previsão expressa no §3° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, desde que a mercadoria importada a ser apreendida: Ø Não seja localizada; Ø Seja consumida; ou Ø Seja revendida. Quando a mercadoria é apreendida, sob guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional, nos termos do art. 25 do DecretoLei nº 1.455/76, o rito a ser aplicado é o do artigo 27 do mesmo DecretoLei. O quadro a seguir demonstra a alternância dos ritos procedimentais: Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 9 15 Consta das folhas 02 do Auto de Infração Termo de Apreensão e Guarda: As mercadorias apreendidas ficarão sob guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional, nos termos do art. 25 do DecretoLei nº 1.455/76. Lembrase que essa discussão foi levada ao Poder Judiciário, através da Ação Ordinária 501325142.2015.4.04.7205, não podendo mais a esfera Administrativa se pronunciar sobre o assunto, conforme claramente demonstrado, no documento denominado “Petição inicial” (fls.971/1001), apresentado em complemento ao “Recurso Voluntário”, da qual se destaca o seguinte trecho: “.. II Seja deferida a tutela antecipada, permitindo assim, a entrega e/ou liberação das mercadorias, tendo em vista a NULIDADE do Auto de Infração n°. 0920400/10003/15, vinculado ao Processo Administrativo Fiscal n°. 13971 722.435/201568, que aplicou a pena de perdimento contra todas as mercadorias importadas, incluindose entre elas até mesmo aquelas que já foram comercializadas, quando na verdade, deveria ter promovido a EXTINÇÃO do procedimento destinado a APLICAR o perdimento (art. 73, da Lei n° 10.833/2003), e lavrado outro Auto de Infração, este sim, com finalidade de constituir crédito tributário (Decreto n°. 70.235/72), somandose a isto, temse como impossível juridicamente a pena de perdimento alcançar aquelas Declarações de Importação cujo prazo do despacho já superaram mais de 05 (cinco) anos, desde seu registro, violando as regras dos arts. 138 e 139 do DecretoLei n°. 37/66, Fl. 1117DF CARF MF 16 evidenciando a verossimilhança necessária para justificar a impossibilidade de sua subsistência e efeitos no mundo jurídico; (Grifo e negrito nossos) Às efolhas 1.102 foi juntado o DESPACHO n° 002/2018, cujo teor é o seguinte: Tendo em vista que houve o trânsito em julgado na Ação n° 501325142.2015.404.7205. da 1a VF de Blumenau SC, e execução de sentença protocolada (em anexo) e com prazo aberto para a Fazenda Nacional, requerse, COM URGÊNCIA, o envio de comunicado, ou deste PAF, à DRFB/Blumenau, para atendimento dos itens abaixo: b) que seja determinada a intimação do Delegado da Receita Federal de Blumenau sobre o inteiro teor do acórdão e da decisão de devolução das mercadorias apreendidas; c) que seja determinada a intimação do Delegado da Receita Federal de Blumenau para que, no prazo de 3 dias, informe a localização das mercadorias apreendias da Primeira Exequente e os procedimentos necessários (horários, servidor público responsável para inspeção e verificação da quantidade de mercadorias devolvidas e o estado de conservação das mercadorias, etc.) para que a Primeira Exequente promova a retirada das mercadorias; Além disso, comunicação ao depósito da DRF em Itajaí/SC para a liberação da mercadoria apreendida, nos termos da decisão transitada em julgado. Portanto, o trânsito em julgado da Ação determinou a intimação do Delegado da Receita Federal de Blumenau para o cumprimento da decisão de devolução das mercadorias apreendidas. Quanto ao pleito trazido pelo Recurso Voluntário para anular o despacho decisório recorrido e determinar o retorno dos autos à origem a fim de que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC conheça da Impugnação e promova o julgamento do seu mérito, ele se faz inócuo, pois o pleito de discussão de retificação do valor das mercadorias apreendidas não gera qualquer efeito em relação à exigência tributária passível de ser apreciada pelo rito estipulado pelo Decreto 70.235/72. Diante de tudo que foi exposto, não conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 13971.722435/201568 Acórdão n.º 3302006.546 S3C3T2 Fl. 10 17 Fl. 1119DF CARF MF
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