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Numero do processo: 10880.971449/2016-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 49 /2 01 6- 15 Fl. 75DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.971449/201615 Acórdão n.º 3401006.501 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.721001/2017-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser afastada quando inexiste cerceamento do direito de defesa, uma vez que o protesto por provas é genérico; bem como não há malferimento do direito de petição, porquanto não são apontadas as matérias que deviam ser analisadas pela decisão recorrida, por não fazerem parte do objeto da ação judicial, configurando-se em alegação genérica.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a autuada exerceu o contraditório e defendeu-se amplamente; o alegado vício de motivo no lançamento não pode ser conhecido na esfera administrativa, por concomitância de processos judicial e administrativo; o desvio de finalidade não ficou configurado no caso; a ofensa ao princípio da proporcionalidade não pode ser conhecida na esfera administrativa, por se tratar de inconstitucionalidade de lei; e o desrespeito da RFB ao Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela recorrente com a ANTAQ não se consubstanciou, haja vista a independência funcional e as finalidades específicas dos órgãos da União.
Numero da decisão: 3302-007.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser afastada quando inexiste cerceamento do direito de defesa, uma vez que o protesto por provas é genérico; bem como não há malferimento do direito de petição, porquanto não são apontadas as matérias que deviam ser analisadas pela decisão recorrida, por não fazerem parte do objeto da ação judicial, configurando-se em alegação genérica. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a autuada exerceu o contraditório e defendeu-se amplamente; o alegado vício de motivo no lançamento não pode ser conhecido na esfera administrativa, por concomitância de processos judicial e administrativo; o desvio de finalidade não ficou configurado no caso; a ofensa ao princípio da proporcionalidade não pode ser conhecida na esfera administrativa, por se tratar de inconstitucionalidade de lei; e o desrespeito da RFB ao Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela recorrente com a ANTAQ não se consubstanciou, haja vista a independência funcional e as finalidades específicas dos órgãos da União.
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IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser afastada quando inexiste cerceamento do direito de defesa, uma vez que o protesto por provas é genérico; bem como não há malferimento do direito de petição, porquanto não são apontadas as matérias que deviam ser analisadas pela decisão recorrida, por não fazerem parte do objeto da ação judicial, configurandose em alegação genérica. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a autuada exerceu o contraditório e defendeuse amplamente; o alegado vício de motivo no lançamento não pode ser conhecido na esfera administrativa, por concomitância de processos judicial e administrativo; o desvio de finalidade não ficou configurado no caso; a ofensa ao princípio da proporcionalidade não pode ser conhecida na esfera administrativa, por se tratar de inconstitucionalidade de lei; e o desrespeito da RFB ao Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela recorrente com a ANTAQ não se consubstanciou, haja vista a independência funcional e as finalidades específicas dos órgãos da União. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 10 01 /2 01 7- 98 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 769 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 08 41.070 7ª Turma da DRJ/FOR: Tratase de auto de infração referente a multa pelo descumprimento de requisitos de alfandegamento pela Administração Portuária de Paranaguá e Antonina, doravante denominada APPA, totalizando R$ 14.150.000,00 à época de sua formalização. O lançamento foi contestado pelo sujeito passivo, dando origem ao litígio a ser apreciado. Da Autuação De acordo com as informações constantes na descrição dos fatos do auto de infração, a multa exigida foi calculada tendo como termo inicial o primeiro dia útil seguinte (05/08/2013) ao da ciência da notificação para saneamento da(s) irregularidade(s) apurada(s) – 02/08/2013, e como termo final a data da autuação – 19/06/2017, perfazendo o total de 1.415 dias que, multiplicados pelo valor da multa diária (R$ 10.000), totalizou R$ 14.150.000,00. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 770 3 Foram indicados os seguintes fundamentos legais: Lei nº 12.350/2010, art. 38; e Decreto nº 6.759/2009, arts. 735C, § 2º, inciso I, ”a”, e II; e 728, I, § 4º. Na sequência consta relato detalhando os fatos apurados onde a autoridade lançadora informou inicialmente que: Referida penalidade administrativa é cominada após a devida notificação à Autuada para correção das irregularidades constatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), seguindo, ainda, do curso regular de processos administrativos através dos quais foram aplicadas sanções administrativas de advertência e de suspensão das atividades do recinto alfandegado. Depois foram apresentados os seguintes tópicos: · Obrigações das Administradoras de Recintos Alfandegados – onde são apresentados os requisitos técnicos e operacionais exigidos e a legislação regente; · Da Aplicação da Penalidade de Advertência (processo nº 10907.721103/201207) – no qual consta o resultado da avaliação anual realizada em 20/06/2012, que foi formalizado no Termo de Constatação SAVIG nº 052/2012; · Da Notificação para Correção das Irregularidades – que diz respeito à Notificação nº 023/2013, lavrada para exigir o saneamento das irregularidades apontadas no auto de infração de advertência, tendo em vista o disposto no 735C, §2º, I, “a” do Decreto nº 6.579/2009, com a ciência quanto ao termo inicial para contagem da multa instituída pelo art. 38 da Lei nº 12.350/2010. · Da Aplicação da Penalidade de Suspensão (processo nº 10907.721573/201262) – que foi baseada no Termo de Constatação SAVIG nº 097/2013; · Da Continuidade das Irregularidades – onde constam as seguintes informações: De forma reiterada, fulminando a necessidade de permanente segurança e controle aduaneiro por parte da RFB, nas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina resiste no descumprimento dos requisitos técnicos e operacionais estabelecidos. A tal conclusão chegou a Comissão de Alfandegamento responsável pela fiscalização das áreas pertencentes ao recinto alfandegado com a lavratura do Termo de Constatação SAVIG nº 138/2017, que, em observância ao artigo 735 C, § 2º, inciso II, do Decreto nº 6.759/2009, verificou a continuidade de inúmeras irregularidades em relação à Portaria RFB nº 3.518/2011 nas áreas e locais administrados pela APPA, a Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 771 4 saber: artigos 11, inciso I e II; 13, caput e parágrafo 1º; 17, caput e parágrafos 1º e 2º; e artigo 18. · Da Multa Diária – no qual é indicada a base legal da penalidade aplicada (art 38 da Lei nº 12.350/2010) e da sistemática para cálculo da mesma (arts. 728, III, “b”, e § 4º, e 735C, § 2º, II, do Decreto nº 6.759/2009) Ao final a autoridade lançadora concluiu informando que, após a regular aplicação das penalidades de advertência e de suspensão, permanecendo a APPA sem adotar as providências necessárias para cumprir os requisitos técnicos e operacionais estabelecidos pela legislação, conforme Termo de Constatação SAVIG nº 138/2017, foi exigida a sanção pecuniária objeto do lançamento. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 23/06/2017 e, em 25/07/2017, apresentou impugnação (fls. 137192) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Inaplicabilidade do art. 735C, § 2º, II, do Decreto nº 6.759/2009. O Auto de Infração nº 10907.721103/201207, relativo à sanção de advertência, transitou em julgado em abril de 2013. À época de sua lavratura, o Decreto nº 6.759/09 não previa o procedimento utilizado para aplicação da multa disposta no art. 38 da Lei 12.350/2010. Em 02/08/2013 a APPA foi surpreendida com a Notificação nº 023/2013, com a ciência do início da contagem dos diasmultas segundo o procedimento recémvigente do Decreto nº 8.010 de 16/05/2013. A aplicação retroativa de tal norma viola o direito fundamental à segurança jurídica da impugnante de tal modo que não pode subsistir o Auto de Infração. Ademais, o presente Auto de Infração ao adotar norma interpretativa que busca dar maior clareza aos procedimentos relativos ao alfandegamento, viola também o Código Tributário Nacional, que determina em seu Artigo 106 [...] Assim sendo, posto que o procedimento adotado ocorreu única e exclusivamente em função do Decreto nº 8.010 de 16 de maio de 2013, tal como expressamente elencado nas razões do Auto de Infração, não resta outra alternativa senão a sua retirada do mundo jurídico por meio de sua anulação, posto que viola o direito fundamental à segurança jurídica, bem como o Artigo 112 do CTN. b) Ilegalidade da Notificação 023/2013. O lançamento em debate visa dar liquidez à multa aplicada por meio da referida notificação. “Sendo a Notificação nº 023/2013 um auto de infração onde se aplica uma sanção, verificase que a Autoridade descumpriu os requisitos previstos no Artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 que assim dispõe: [...]” Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 772 5 c) Violação ao contraditório e à ampla defesa. A multa em questão foi exigida com base em notificação realizada em processo administrativo que já transitou em julgado, não cabendo quaisquer ações na via administrativa para promover a defesa da autuada. Tal expediente configura verdadeiro atentado ao exercício do contraditório e à ampla defesa, posto que inova em um processo cuja litigiosidade já se findou (com trânsito em julgado administrativo), tolhendo a possibilidade de apresentação de defesa por parte da autuada naquele momento, quem tem a faculdade de exercer o seu direito de defesa em face da sanção de advertência imposta no processo originário (Processo nº 10907.721103/201207), dentro da baliza legal trazida pelo Decreto nº 70.235/72, em seu Art. 10, V. d) Aplicação retroativa de nova interpretação jurídica para impor sanção. Conforme ficou consignado na audiência de conciliação realizada em 11/05/2017, referente à ação judicial nº 5002071092013.4.04.7008, até essa data a Receita Federal ainda não sabia como deveria ser calculada a penalidade aplicada, conforme ficou consignado em ata: A União declarou que ainda não há um entendimento administrativo sobre o termo inicial de incidência dessa multa, ou seja, se ela incidiria a contar da data da decisão que notificou a APPA sobre a sua existência (02/08/2013) ou se incidiria apenas a partir do dia em que estivessem efetivamente suspensas as atividades do porto (90 dias a contar de 09/05/2017). (Grifouse) Assim, sendo este entendimento posterior à ocorrência dos fatos, sobre eles não pode ser aplicado sob pena de violação do Artigo 2º, Parágrafo único, inciso XIII da Lei nº 9.784/99, o qual determina que “Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.” (Grifouse). e) Aplicação da interpretação mais gravosa ao contribuinte. Embora o art. 735, § 2º, II (c/r dada pelo Dec. 8.010/2010), deixe explícito que os diasmultas são contados após a notificação da aplicação da sanção administrativa, o art. 728, § 4º, não deixa claro se a exigência da multa deve ser precedida de nova notificação específica. Assim, cada processo teria como base notificação emitida em seu próprio âmbito. O Fisco optou pela interpretação que implicava em maior valor para a penalidade exigida. f) Vício no motivo do lançamento. No presente caso, a Autoridade valeuse do Artigo 735C, introduzido no Regulamento Aduaneiro pelo Decreto nº 8.010/13, verdadeiro “Frankenstein” jurídico, para aplicar a sanção de multa a partir dos autos de infração já aperfeiçoados Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 773 6 no tempo, com base no Artigo 735C, §2º, I, “a”, de modo a se furtar de realizar nova procedimento averiguatório nos recintos administrados pela APPA. Isso caracteriza verdadeiro vício insanável, visto que afeta um dos atributos do ato administrativo não sujeitos à discricionariedade dos agentes públicos, qual seja, o motivo. Desse modo, aplicada a multa sem a realização de procedimento prévio à época da Notificação nº 023/2013, não existem os pressupostos de fato que permitem a cominação da referida sanção, o que não permite a contagem dos dias multa desde 2 de agosto de 2012, mas tão somente com base no constatado em 4 de maio de 2017, por meio do Termo de Constatação SAVIG nº 138/2017. Isso posto, é imperativo o reconhecimento da nulidade da multa praticada, uma vez que fundada em notificação nula desprovida de motivo. g) Insuficiência de informações na descrição dos fatos. O auto de infração deixou de observar o requisito para a aplicação da sanção prevista no art. 735C, § 3º, do Decreto nº 6.759/2009, uma vez que não é indicada em qual infração prevista no art. 735 se enquadraria a conduta da autuada. h) Desvio de finalidade. A fiscalização utilizou para fins meramente arrecadatório dispositivo legal concebido para compelir a autoridade portuária a cumprir os requisitos de alfandegamento, “o que já se demonstrou estar sendo feito nos últimos seis anos”. i) Ofensa ao princípio da proporcionalidade. A multa aplicada é excessivamente gravosa em relação à situação considerada irregular. “No presente caso, a Autoridade deixou de avaliar as particularidades do caso em tela para a aplicação da multa frente à dificuldade de cumprir todos os requisitos exigidos por meio dos morosos procedimentos licitatórios”. A defendente informou ainda, como prejudiciais do mérito, a “judicialização da Notificação 023/2013” e a celebração, junto à Autarquia Nacional de Transporte Aquaviário – ANTAQ, do Termo de Ajuste de Conduta (TAQ) nº 01/2014, que seria referente às mesmas irregularidades apontadas pela fiscalização, e não teria sido levado em consideração pela Receita Federal. A impugnante discorreu ainda sobre a obrigatoriedade de procedimento licitatório na realização de obras exigidas pela Receita Federal e sobre o dever de coordenação da autoridade aduaneira, o qual não estaria sendo devidamente realizado. Ao final da impugnação foram formulados os seguintes pedidos: a) seja recebida a presente impugnação, posto que tempestivamente apresentada; Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 774 7 b) seja acolhida no mérito, reconhecendose a nulidade do Auto de Infração, bem como da Notificação nº 023/2013, relativa ao Processo Administrativo nº 10907.721103/201207, pelas razões anteriormente expostas; c) caso não seja acolhida no mérito, seja estipulado o momento inicial para a incidência da multa a lavratura do presente Auto de Infração, de acordo com a interpretação mais favorável ao contribuinte; d) subsidiariamente, caso o entendimento de V. S.ª seja diverso, requer seja reconhecida as prejudiciais de mérito, reconhecendo a incidência da multa enquanto não transitada em julgado a Ação Anulatória nº5002071 09.2013.4.04.7008 e enquanto vigente o TAC ANTAQ UARPR nº 001/2014; e) subsidiariamente, na hipótese de não acolhimento dos itens anteriores, a redução do valor da multa por meio da aplicação do princípio da proporcionalidade, tendo em vista as ações desempenhadas pela Impugnante no sentido de atender a todos os requisitos do Decreto nº 3.518/11; f) a produção de todas as provas em direito admitidos, em especial a prova pericial, para fins de demonstrar cumprimento das medidas adotadas pela Impugnante concernentes. Após a impugnação consta intimação da unidade de origem para a impugnante anexar aos autos cópia da petição referente à ação judicial mencionada, o que feito na sequência. Conclusos os autos foram remetidos para julgamento. Em 20/11/2017, a 7ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da decisão e ementa abaixo: ACORDAM os membros da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, por unanimidade de votos, em: I) NÃO CONHECER DA IMPUGNAÇÃO no tocante às alegações de irregularidade no cálculo da multa aplicada, devido a nulidade da notificação que fixou o termo inicial do período de incidência, inconstitucionalidade da alínea “a”, do art. 735C, § 2º, I, do Decreto nº 6.759/2009 e emprego da interpretação mais gravosa para definir o referido termo inicial; e de improcedência do lançamento devido à prévia adoção de medidas aptas a sanar as pendências apontadas pela fiscalização, levando em conta a necessidade de licitação para a maioria delas, bem como o dever de cooperação da autoridade aduaneira, por se tratar de matérias submetidas ao crivo do Judiciário, DECLARANDO DEFINITIVO o lançamento quanto a esses aspectos, devido à renúncia a discutilos na via administrativa; Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 775 8 II) CONHECER DA IMPUGNAÇÃO em relação aos argumentos diferentes dos aduzidos judicialmente, para REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento por cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, vício no motivo, desvio de finalidade, ofensa ao princípio da proporcionalidade e pela desconsideração do termo de ajuste de conduta que teria sido celebrado junto à ANTAQ; e III) DECLARAR que o crédito constituído fica vinculado ao que for decidido na correspondente ação judicial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/04/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. LANÇAMENTO REGULARMENTE FUNDAMENTADO E CIENTIFICADO AO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Não há falar em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa no caso de lançamento com fundamentações fática e jurídica claras e abrangentes, em que o sujeito passivo foi regularmente cientificado da autuação e do prazo de 30 dias para contestála. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO DE NORMA EM PLENO VIGOR A PRETEXTO DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é estritamente vinculada aos ditames legais, sendolhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor, inclusive para reduzir a penalidade estabelecida, a pretexto de ofensa ao princípio da proporcionalidade. PROTESTO GENÉRICO PELA POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVAS. INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo tributário, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses definidas na lei, as quais independem de prévio protesto. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 776 9 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão, em 27/11/2017, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem de fl. 738, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 21/12/2017, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual alegou preliminares de nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa (porque a produção de provas deve ser aceita posteriormente à impugnação), e por ferir o direito de petição (ao não apreciar alegações consideradas concomitantes com processo judicial); e de nulidade do auto de infração, por violação ao contraditório e à ampla defesa (art. 735C do RA/2009 é casuístico, pune retroativamente e inviabiliza o direito de defesa); vício de motivo (art. 735C é “Frankenstein” jurídico, aplica sanção de multa a partir dos autos de infração já aperfeiçoados no tempo, com base no art. 735C, § 2º, I, “a”, de modo a se furtar de realizar nova averiguação na APPA); desvio de finalidade (multa de R$ 14.150.000,00 é confiscatória e ofende o direito de propriedade); proporcionalidade (plenamente passível de aplicação pela Administração Pública); TAC firmado com a ANTAQ (obriga a União e implica não incidência de multa quanto ao controle de pessoas e veículos no âmbito das instalações da APPA enquanto vigente). Por fim, requer retorno dos autos à origem para produção de provas; ou reconhecimento da inexistência de renúncia parcial à decisão administrativa, determinando o retorno dos autos à origem ou, alternativamente, que a Turma julgue os itens não julgados; ou a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente invoca as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do auto de infração, pelos variados motivos que ora passase a analisar. DA DECISÃO RECORRIDA A preliminar de nulidade da decisão recorrida fundase em duas premissas cerceamento do direito de defesa (porque a produção de provas deve ser aceita posteriormente à impugnação), e malferimento do direito de petição (não apreciação de alegações consideradas tratadas no processo judicial, e portanto objeto de concomitância). Do Cerceamento do Direito de Defesa Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 777 10 A alegação de cerceamento do direito de defesa porque a produção de provas deve ser aceita posteriormente à impugnação ocorreu porque a decisão a quo assim se manifestou acerca do pedido de produção de prova pericial: Da Ineficácia do Protesto Genérico pela Posterior Produção de Provas Ao finalizar sua impugnação, a empresa autuada protestou pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Esse protesto genérico pela posterior produção de provas não tem utilidade no processo administrativo tributário, em que vige o princípio da concentração da prova no lançamento e na impugnação, consoante dispõem os artigos 9º e 15, respectivamente, do Decreto nº 70.235/1972. Assim, o momento para a defesa apresentar provas é predeterminado pela legislação regente, que também especifica os casos em que elas podem ser aceitas a destempo, independentemente de prévio protesto (art. 16, incisos III e IV e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972). Cabe observar ainda que, até a data do presente julgamento, a defesa não apresentou novas provas após a entrega da impugnação, nem indicou as que iria produzir ou requerer a produção. Agora, em sede recursal, há o mesmo pedido de possibilidade de produção de provas à recorrente, com o retorno dos autos à origem para tanto, todavia, da mesma forma que na primeira instância, não houve qualquer apresentação de provas com o recurso voluntário, tampouco a indicação de que provas seriam produzidas. Claro está que o protesto por provas é sim genérico, como admoestado pelo decisum recorrido, e o aludido cerceamento do direito de defesa inexiste. Do Direito de Petição O alegado malferimento do direito de petição, porque a decisão recorrida não apreciou alegações consideradas tratadas no processo judicial, e portanto objeto de concomitância de processos judicial e administrativo, também se configura em alegação genérica, uma vez que não são apontadas as matérias que deviam ser analisadas pela decisão recorrida, por não fazerem parte do objeto da ação judicial. A manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é bastante meticulosa quanto à matéria: Da Renúncia Parcial ao Julgamento Administrativo A impugnante impetrou a Ação Ordinária nº 5002071 09.2013.4.04.7008 perante a Justiça Federal de Paranaguá (PR) para questionar aspectos referentes à mesma obrigação de que trata o presente processo. Na referida ação foram formulados os seguintes pedidos: a) suspensão da aplicação da multa diária, Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 778 11 até o julgamento definitivo da ação judicial; b) inconstitucionalidade da alínea “a” do inciso I do § 2º do art. 735C do Decreto nº 6.759/2009, devendo o termo inicial da multa em foco se basear em nova notificação em que seja reaberto o prazo para defesa; c) nulidade das Notificações nº 23/2013 e nº 17/2013, por afrontar o princípio da motivação dos atos administrativos; d) dever de cooperação da autoridade aduaneira; e) necessidade de licitação para realizar as obras exigidas pela Receita Federal; e f) declaração de que o conjunto de medidas adotadas pela autora demonstra a regularidade do alfandegamento, inexistindo motivos para a imposição da multa diária que lhe foi aplicada. A antecipação da tutela pleiteada pela demandante foi indeferida pela Justiça, conforme excerto da decisão proferida no processo judicial a seguir reproduzido (disponível para consulta pública na página eletrônica da Justiça Federal no Paraná), sendo que ainda não houve decisão final quanto ao mérito da questão na primeira instância judicial. DECISÃO (LIMINAR/ANTECIPAÇÃO DA TUTELA) [...]Decido. [...]Diante disto, concluo que não houve a aplicação retroativa de norma prevendo uma nova sanção administrativa, uma vez que a incidência de multa diária pelo descumprimento das exigências efetuadas para o alfandegamento do recinto já estava prevista na Lei 12.350/10. Nos termos da lei tal sanção poderia incidir no mesmo momento em que houve a aplicação da penalidade de advertência, esgotados todos os atos pertinentes dos procedimentos administrativos, que observaram o devido processo legal. No caso, ao contrário do alegado pela autora, entendo que a autoridade alfandegária optou pela aplicação de norma posterior mais benéfica ao infrator, a qual relegou a momento posterior à aplicação da penalidade de advertência, e somente após a notificação para regularização, o início da incidência da penalidade de multa diária. Ainda, é fato que cabe à APPA comprovar no curso do procedimento administrativo, bem como no curso desta ação ordinária, o cumprimento de todos as exigências técnicas e operacionais para alfandegamento do seu recinto, ou que eventual descumprimento se deve a fatos cuja responsabilidade não podem ser a ela imputados, razões estas que poderão impedir a incidência da multa ou ainda a cessação da sua contagem. [...] 3. Ante o exposto, indefiro neste momento o pedido liminar. Pois bem, em relação às matérias discutidas no processo judicial caracterizouse a renúncia ao julgamento administrativo, eis que a última palavra cabe ao Judiciário. Tratase de observância ao princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, e que também atende aos princípios da economia e da celeridade processual. Nesse sentido dispõem o art. 87 do Decreto nº 7.574/20111, que regulamentou o processo administrativo fiscal federal, e o Parecer Cosit nº 7, de 22/8/20142. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 779 12 Observase que no presente caso a renúncia é apenas parcial, pois o processo administrativo contém matérias que não constam na referida ação judicial, as quais passo a apreciar. Dito isso, a decisão hostilizada passou a apreciar as demais matérias da impugnação que não coincidiam com as tratadas na ação judicial referida. Assim, entendo por afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração, por violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório; vício de motivo no lançamento; desvio de finalidade; ofensa ao princípio da proporcionalidade; desrespeito ao Termo de Ajustamento de Conduta firmado com a ANTAQ, sendo que todas essas matérias voltaram a ser reapresentadas no recurso voluntário, e passam a ser analisadas adiante. Da ampla defesa e do contraditório Agora, em sede de recurso voluntário, o argumento é reproduzido, todavia, diz que o art. 735C do RA/2009 é casuístico, pune retroativamente e inviabiliza o direito de defesa da recorrente. Ora, o ataque ao art. 735C do RA/2009 não pode ser conhecido nesta esfera administrativa, uma vez que é objeto da ação judicial Ordinária nº 5002071 09.2013. 4.04.7008, cuja petição inicial foi trazida aos autos, e tem por foco justamente o termo inicial da multa exigida neste expediente. Quanto à alegação de que o auto de infração não observou o artigo 735C, § 3º,1 do Regulamento Aduaneiro, penso que a alegação foi corretamente analisada pelo acórdão recorrido, pois o artigo apenas visa evitar o bis in idem: O dispositivo legal retrocitado objetiva apenas evitar a duplicidade de sanções administrativas, quando a conduta praticada pelo infrator se enquadrar, também, em alguma das hipóteses previstas no art. 735, as quais são punidas com esse mesmo tipo de sanção. Portanto, é irrelevante para se avaliar a regularidade do lançamento em debate a identificação de qual seria essa hipótese. Dessarte, não se vislumbra ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. 1 Art. 735C. A pessoa jurídica de que tratam os arts. 13B e 13C, responsável pela administração de local ou recinto alfandegado, fica sujeita [...] § 3º Aplicase somente a sanção administrativa prevista neste artigo quando a conduta praticada pelo infrator se enquadrar também no disposto no art. 735. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 780 13 Do vício de motivo no lançamento A alegação de vício de motivo porque o art. 735C seria um “Frankenstein” jurídico, ao possibilitar aplicação de multa a partir dos autos de infração já aperfeiçoados no tempo, com base no art. 735C, § 2º, I, “a”, de modo a se furtar de realizar nova averiguação na APPA também não pode ser conhecida nesta esfera administrativa, uma vez que é objeto da ação judicial Ordinária nº 500207109.2013. 4.04.7008, cuja petição inicial foi trazida aos autos, e tem por foco além do termo inicial da multa exigida neste expediente, a nulidade das Notificações nº 23/2013 e nº 17/2013, que são o resultado dos autos de infração já aperfeiçoados no tempo. Do desvio de finalidade Quanto ao suposto desvio de finalidade do auto de infração, porque a multa de R$ 14.150.000,00 seria confiscatória e ofende o direito de propriedade, penso que nada foi agregado ao quanto dito em primeiro grau, daí porque merece a reprodução da decisão recorrida no ponto: (...) O objetivo da penalidade em foco é realmente forçar as empresas em mora no cumprimento dos referidos requisitos a adotarem as providências necessárias para se enquadrarem às exigências legais, sendo que as condições para aplicação da mesma estão definidas na lei. Assim, se a multa foi imposta em conformidade com essas condições, havendo perfeita subsunção dos fatos apurados às normas aplicadas, não há falar em desvio de finalidade. Observase que a própria sistemática criada para aplicação da referida multa, que só pode ser imposta depois de encerrados os procedimentos para aplicação das sanções administrativas de advertência e de suspensão, quando cabíveis, acaba gerando dois efeitos distintos, conforme a atitude da empresa em situação irregular: 1) aquelas que aproveitam as oportunidades para se regularizarem ficam livres da penalidade pecuniária; 2) as que insistem em permanecer irregulares se sujeitam a multa de valor elevado, já que é diretamente proporcional à quantidade de dias em que o responsável permaneceu em mora. Portanto, foi para atender expressa determinação legal que a multa em questão foi aplicada somente depois de finalizado o processo referente à sanção administrativa de suspensão. O valor elevado da referida penalidade devese, principalmente, à inércia do autuado, que teve várias oportunidades para sanar as pendências apontadas pela fiscalização, mas optou por permanecer irregular. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a sanção é prevista em lei e o valor elevado, como se viu, foi por causa da própria autuada. O desvio de finalidade não ficou configurado no caso. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 781 14 Da proporcionalidade O princípio constitucional da proporcionalidade, de fato, é plenamente passível de aplicação pela Administração Pública, sendo inclusive expresso no art. 2º da Lei nº 9.784/99, que trata do rito dos processos no âmbito da União, entretanto, não pode ser utilizado para exonerar multa aplicada por subsunção de fatos infracionais previstos em lei e discutidos em contencioso administrativo. Nesse sentido, a exoneração passa a ter contornos constitucionais, e a província administrativa tem limitado o seu espectro, tal como nos informa a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dito isso, não se conhece da alegação de desproporcionalidade da multa. do Termo de Ajustamento de Conduta firmado com a ANTAQ O argumento de que o TAC firmado com a ANTAQ obriga a União e implica não incidência de multa quanto ao controle de pessoas e veículos no âmbito das instalações da APPA enquanto vigente já foi apresentado na impugnação e nada veio em contraposição ao que foi correta e didaticamente esclarecido no voto guerreado, daí porque merece reprodução agora como razão de decidir: Da Ineficácia de Eventual Termo de Ajustamento de Conduta Firmado com a ANTAQ Relativamente à Ação Fiscal Realizada pela RFB Segundo a impugnante, o lançamento é ilegal porque deixou de levar em consideração o Termo de Ajustamento de Conduta nº 01/2014 UARPR, que teria sido firmado junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ, em 10/02/2014, tendo por objeto os mesmos fatos que deram ensejo ao lançamento em debate. O argumento é que, mesmo se tratando de órgãos distintos, fazem parte da estrutura do governo federal, razão pela qual a celebração do referido ato deveria ter sido considerada pela fiscalização. De acordo com a informação a fl. 190 o Item 1 do citado Termo possui o seguinte teor: Item 1 – Apresentar documento da Autoridade Aduaneira certificando que a vulnerabilidade no controle de acesso de pessoas e veículos quanto ao monitoramento sistêmico e administrativo foi regularizada. Ocorre que, independente da análise quanto ao mérito do referido Termo, o mesmo não poderia obstar o lançamento, seja pela ausência de previsão legal nesse sentido, seja pela independência de atuação entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e a ANTAQ. É possível que alguma falha ou deficiência identificada por um desses órgãos também possa ser considerada irregularidade pelo outro, todavia, a eventual Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 782 15 aplicação de penalidade ou a concessão de prazo para regularização por um deles em nada repercute na atuação do outro, tendo em vista a independência funcional e as finalidades específicas dos mesmos. Com efeito, a atuação da Receita Federal no presente caso, ao exigir da instituição responsável pela administração dos portos de Paranaguá e Antonina o cumprimento dos requisitos técnicos e operacionais para alfandegamento, visa resguardar a regularidade e integridade das operações de comércio exterior, atividade considerada essencial na própria Carta Magna. O foco é o controle da entrada e saída de mercadorias no território nacional. Já a ANTAQ cuida especificamente do transporte aquaviário, inclusive a exploração da infraestrutura portuária. O foco é a prestação desse serviço, como deixa claro o seguinte trecho extraído da página eletrônica dessa entidade: A Agência dedicase a tornar mais econômica e segura a movimentação de pessoas e bens pelas vias aquaviárias brasileiras, em cumprimento a padrões de eficiência, segurança, conforto, regularidade, pontualidade e modicidade nos fretes e tarifas. Arbitra conflitos de interesses para impedir situações que configurem competição imperfeita ou infração contra a ordem econômica, e harmoniza os interesses dos usuários com os das empresas e entidades do setor, sempre preservando o interesse público. Sendo assim, ainda que a ANTAQ tenha ajustado com a impugnante o referido Termo, o mesmo não poderia ser aplicado para justificar o descumprimento do prazo estabelecido para a adoção de providências exigidas pela Receita Federal. Dessarte, afastase a preliminar de nulidade do auto de infração. Como o recurso voluntário tratou apenas de preliminares, não atacando propriamente o cerne do auto de infração, penso legítimo manter integralmente o crédito tributário constituído pelo lançamento objeto deste contencioso. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10907.721001/201798 Acórdão n.º 3302007.262 S3C3T2 Fl. 783 16 Fl. 783DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.001229/2002-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
APURAÇÃO DO PIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/95. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A ADIN nº 14170, e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98
É pacífico nos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação, conforme julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3401-006.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/95. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A ADIN nº 14170, e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98 É pacífico nos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação, conforme julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 12 29 /2 00 2- 69 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13819.001229/200269 Acórdão n.º 3401006.179 S3C4T1 Fl. 143 2 convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Trata o presente processo de Auto de Infração n° 0002017, lavrado em 23/02/2002 e originado de procedimento eletrônico de auditoria interna, referente à DCTF do 2º trimestre do ano de 1997, às fls. 14/21. O crédito tributário lançado alcançou o montante de R$94.980,19, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/02/2002, conforme detalhamento à fl. 14. 2. Na "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL", à fl. 15, no campo 09 (Contexto), resta consignado que "Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I)". 3. Como parte integrante do Auto de Infração, o contribuinte recebeu um conjunto de informações sobre a autuação, em documento à fl. 19. Neste, consta a seguinte informação referente a este Anexo I: 1 Integram o Auto de Infração os seguintes anexos: Anexo I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS: Identifica os débitos e respectivas vinculações de créditos informadas pelo contribuinte, que não foram confirmadas pela Receita Federal. No caso de só terem sido informadas vinculações de pagamentos, este anexo não existirá, sendo suas informações supridas pelos anexos Ia ou Ib, conforme o caso. 4. O referido Anexo I se encontra à fl. 16, contendo a planilha "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS". Nesta planilha, na coluna "CRÉDITO VINCULADO TOTAL/PARCIALMENTE NÃO CONFIRMADO", consta a informação "Exigibilidade Suspensa", enquanto na coluna "DECLARADO NÚMERO DO PROCESSO", consta o número 97.00039234. Por fim, na coluna "OCORRÊNCIA", consta a informação "Proc jud não comprovad". 5. O número constante da coluna "DECLARADO NÚMERO DO PROCESSO" se refere ao Mandado de Segurança (MS) nº 97.00039234, protocolado em 17/02/97. Foi concedida a segurança ao contribuinte em caráter liminar. Assim, o débito de PIS deste 2º trimestre de 1997 foi informado na DCTF transmitida pelo contribuinte na situação "Exigibilidade Suspensa", vinculado ao MS nº 97.00039234. 6. O sujeito passivo apresentou Impugnação ao Auto de Infração em 04/04/2002, às fls. 02/13, pedindo o cancelamento da autuação ou, subsidiariamente, fossem suprimidos os encargos de multa de ofício e juros SELIC. Alegou que a contribuição disciplinada pelas Leis nº 9.715/98 (Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições n° 1495, 1546, 1623, 1676 esta última convertida na Lei n° 9.715/98) e 9.718/98 se configurava em uma nova exação cuja instituição só seria possível nos termos do artigo 154 da Constituição Federal, onde é atribuída a competência residual da União para tanto. Assim, enquanto normas Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13819.001229/200269 Acórdão n.º 3401006.179 S3C4T1 Fl. 144 3 hierarquicamente inferiores, as alterações impostas ao PIS pela citadas leis ordinárias não poderiam sobreporse à Lei Complementar nº 7/70. 7. Em 03/07/2006 foi emitido Despacho pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERATSP), à fl. 40, encaminhando a Impugnação para análise do pedido de cancelamento da autuação à luz dos documentos juntados, tendo em vista existência de débitos com exigibilidade suspensa por Processo Judicial. 8. Em 28/06/2011, a "Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito SubJudice", da DERATSP, proferiu o seguinte Despacho, à fl. 49: Este AIDCTF cuida de débitos de PIS, vinculados ao Mandado de Segurança n° 97.00039234. O pedido era o afastamento da MP 1.212/95 e reedições. Já há decisão transitada em julgado, de maneira desfavorável ao contribuinte. Portanto, quanto à medida judicial, os débitos são passíveis de cobrança. Na esfera administrativa há impugnação e revisão de lançamento a ser concluída. 9. Foi anexada, às fls. 41/44, Consulta Processual ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, onde se constata que o Acórdão (fls. 45/46) que deu provimento à Apelação e à Remessa Obrigatória para o fim de denegar a ordem transitou em julgado em 09/04/2001. 10. A 2ª Turma da DRJPorto Alegre (DRJPOA), em sessão datada de 19/02/2018, decidiu, por maioria de votos, no sentido de JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação, cancelando a penalidade de ofício e mantendo o restante do crédito tributário exigido, nos termos do Relatório e Voto que compõem o julgado. Foi exarado o Acórdão nº 1061.481, às fls. 57/59, in verbis: A autuada traz ao processo elementos da ação judicial indicada em DCTF, juntamente com cópia da ação judicial 97.00039234, na qual foi questionada a cobrança do Pis nos moldes da MP 1212/95, tendo já transitado em julgado de modo desfavorável ao contribuinte, tendo havido a baixa definitiva do mesmo. Antes de mais nada, é importante ressaltar que a Empresa não faz tentativa alguma de comprovar o crédito alegado, situação que constitui forte óbice a um deslinde favorável a seu pleito de extinção dos débitos pela compensação com direitos creditórios de PIS, necessidade probatória existente mesmo na hipótese de provimento judicial favorável. Isto porque o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser efetivada a restituição pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da impugnação devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cabendo à interessada, quando da impugnação do lançamento, apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13819.001229/200269 Acórdão n.º 3401006.179 S3C4T1 Fl. 145 4 (...) Na manifestação de inconformidade entregue, não é possível fazer nenhuma confrontação de dados se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, nem cabe ao Fisco procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 373, do Novo Código de Processo Civil, abaixo transcrito (antigo art. 333): 11. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJPOA em 19/03/2018 (conforme AR a fl. 66), apresentou Recurso Voluntário contra esta decisão em 17/04/2018 (conforme AR a fl. 120), às fls. 73/76, no qual, basicamente, repetiu os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, pugnando pela inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/98 desde sua origem, já que é resultado da conversão em lei da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições. Não faz qualquer referência aos juros pela taxa SELIC, questionados na Impugnação. 12. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 13. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 14. O recorrente sustenta a inconstitucionalidade da aplicação da Lei nº 9.715/98 desde sua origem, já que é resultado da conversão em lei da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições. Ocorre, no entanto, que de acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 15. Além disso, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 14170 e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98, que pretendia a aplicação de suas disposições aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/95. É pacífico em nossos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação. É o que verificamos da análise do julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual foi relator o Ministro Luiz Fux, e cuja publicação da decisão se deu em 29/04/2002, verbis: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. COBRANÇA DO PIS. ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MEDIDA PROVISÓRIA 1212/95 E SUCESSIVAS REEDIÇÕES. CONSTITUCIONALIDADE. PRAZO NONAGESIMAL. A Lei Complementar nº 07/70 tem status de lei ordinária, podendo ser alterada por medida provisória, que tem força de lei. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13819.001229/200269 Acórdão n.º 3401006.179 S3C4T1 Fl. 146 5 O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que medida provisória é instrumento legislativo passível de reedição e idôneo para instituir e modificar tributos. O prazo de noventa dias de que trata o § 6º, do art. 195, da CF deve ser contado a partir da publicação da primeira edição da Medida Provisória 1212/95, hoje convertida na Lei nº 9715/98. Recurso improvido. 16. Portanto, é incorreto o entendimento da Recorrente de que o PIS já está disciplinado pela Lei Complementar 7/70 e somente outra lei complementar poderia alterar as suas regras, nunca uma medida provisória ou lei ordinária. A jurisprudência reconheceu e consolidou, a constitucionalidade das alterações normativas estabelecidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, com única ressalva em relação à data de início de sua validade – em razão da decisão do STJ – que foi firmada em 01/03/1996. 17. Há ainda que se destacar que a tese sustentada no recurso do contribuinte já foi apreciada pelo Poder Judiciário quando do julgamento do MS nº 97.00039234, impetrado pelo recorrente, e com decisão transitada em julgado que lhe foi desfavorável, como visto no Relatório deste Acórdão. 18. O contribuinte apresentou a DCTF do 2º trimestre de 1997 indicando que os débitos de PIS estavam com exigibilidade suspensa, e indicando o processo judicial referente ao MS nº 97.00039234 como fundamento para esta suspensão, uma vez que lhe havia sido concedida uma liminar. A partir de 09/04/2001 transitou em julgado decisão denegando a segurança, tornando os débitos passíveis de cobrança, e o processo judicial não mais comprovava a suspensão da exigibilidade (Ocorrência "Proc Jud Não Comprovad"). 19. Nesse contexto, correta a autuação realizada para constituir o crédito tributário de PIS que estava com exigibilidade suspensa e possibilitar a sua cobrança, uma vez que, à época, estava vigente o art. 90 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24/08/2001, o qual determinou que se procedesse ao lançamento de todas as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. 20. A exegese do referido dispositivo era a de que apenas os “saldos a pagar” informados em DCTF constituiriam confissão de dívida. A cobrança dos demais valores, apurados como devidos e vinculados indevidamente a formas de extinção ou suspensão do crédito tributário, passaram a depender de procedimento de ofício: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 21. Tal sistemática perdurou até a edição da MP nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP 2.15835 para dispensar o lançamento de ofício de débitos de tributos informados em DCTF. O art. 18 da referida MP assim dispôs: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13819.001229/200269 Acórdão n.º 3401006.179 S3C4T1 Fl. 147 6 Art 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. 22. Assim sendo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.905939/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade administrativa intime a` Recorrente para apresentar os arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001 e outros documentos que a fiscalizac¸a~o entender necessa´rios, bem como, franqueando ao Contribuinte a apresentação de documentos que considerar indispensáveis para demonstrar a legitimidade de sua apuração, efetivando a análise das contribuic¸o~es e do direito credito´rio, independentemente da apresentac¸a~o do ADE nº 25/2010. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que votou pela nulidade do despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade administrativa intime à Recorrente para apresentar os arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001 e outros documentos que a fiscalizacã̧o entender necessários, bem como, franqueando ao Contribuinte a apresentação de documentos que considerar indispensáveis para demonstrar a legitimidade de sua apuração, efetivando a análise das contribuições e do direito creditório, independentemente da apresentacã̧o do ADE nº 25/2010. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que votou pela nulidade do despacho decisório. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 05 93 9/ 20 12 -1 2 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 418 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 350 a 364) interposto pelo Contribuinte, em 6 de setembro de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1286.736 (fls. 328 a 338), de 5 de abril de 2017, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 3 a 19) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo da análise de declaração de compensação DCOMP 15049.88887.300608.1.3.047369, na qual o contribuinte solicita crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da COFINS combustíveis, código de receita 6840, período de apuração 11/2005, no valor de R$ 9.689.932,49. A autoridade competente exarou o despacho decisório, decidindo não reconhecer o direito creditório e, consequentemente, não homologar a compensação declarada. A decisão teve por base o Termo de Verificação Fiscal proferido pela Diort/Demac/RJO, parte integrante do dossiê formalizado nos autos do processo n° 16682.721045/201271. No referido Termo, a autoridade fiscal relata que o procedimento de diligência realizado teve por objetivo a análise de diversas declarações de compensação, trabalhadas em conjunto, abrangendo créditos pleiteados de PIS e COFINS relativos a períodos de apuração ocorridos em 2004, 2005 e 2006. Após descrever os Termos de Intimação Fiscal e as respostas fornecidas pelo contribuinte, a autoridade fiscal assim conclui: “Por tudo acima exposto, fica patente que o contribuinte não apresentou o conjunto de elementos necessários para aferição dos créditos pleiteados, apesar de intimado e reintimado, e de diversos pedidos de prorrogações concedidos. Desta forma, com base no disposto no artigo 65 da IN RFB n.o 900/2008, concluímos pelo não reconhecimento dos créditos pleiteados relativos a todas as DCOMPs enumeradas e a consequente não homologação das mesmas.” Cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em resumo, que: · Em pouco mais de 04 meses foi intimada, em um único processo, a promover o levantamento simultâneo de documentos concernentes a 43 DCOMP's, o equivalente a 3 anos aproximadamente de processamento e apuração de sua complexa atividade econômica e que representam três formas distintas de apuração das contribuições em análise; · Apesar de não apresentar parte da documentação nos moldes como requerido pela autoridade, cuidou de apresentar outras provas que, quando analisadas em conjunto, autorizaram a identificação do crédito perseguido; · Naquilo que diz respeito ao conteúdo das provas disponibilizadas, a autoridade fiscal nada opôs em seu desfavor, o que, por si só, revela a ausência de motivação do despacho que entendeu por rejeitálos tão somente sob o argumento de que elas não teriam seguido a forma indicada nas intimações; Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 419 3 · A decisão implicou em manifesto cerceamento do direito de defesa posto que grande parte das inconsistências arguidas poderiam ter sido supridas desde que lhe tivesse sido oportunizada a chance de assim proceder; · A documentação requerida ostenta milhares de informações e linhas, motivo pelo qual os arquivos são extremamente volumosos, ao ponto de dificultar sua apresentação perante a Receita. Ao ignorar aludida circunstância e impor exigências absurdas de serem atendidas na forma e prazos requeridos, a autoridade fiscal mostrou não só descaso para com a situação impar, como também para o seu direito de produzir defesa; · Por tais motivos requer a declaração de nulidade do despacho decisório; · De modo a facilitar o exercício do seu direito à demonstração do crédito, pede que, acolhida ou não a preliminar de nulidade, seja o processo desmembrado em tantos quanto forem as DCOMP's em análise; · O TIF 1065/2012 confirma o envio dos arquivos requeridos no TIF anterior. No que diz respeito aos demais itens, a autoridade fiscal anunciou sua remessa pela contribuinte, ressaltando o grande volume de documentos enviados; · As retificações das DCTFs e dos DACON's ocorreram em razão da necessidade de reapuração do PIS e da COFINS, face a Petrobrás ter implantado o "SAP R_3" (sistema financeiro/contábil); · Nos 2º, 3º e 4º trimestre de 2005, a retificação da Ficha 13, Linha 13 do DACON ocorreu paralelamente a linha 02, sendo que a diferença entre as duas linhas é que interfere na base de cálculo da Cofins; · Pede seja o julgamento convertido em diligência ou que lhe seja conferido o prazo de 40 dias para sua apresentação de novos documentos. Com base em Resolução exarada por esta 17ª Turma, o julgamento da manifestação apresentada foi convertido em diligência para: “a) com base na documentação apresentada pelo contribuinte, em conjunto com os demais elementos apresentados no curso do procedimento de análise das DCOMP’s no processo no 16682.721045/201271, informar se as alterações efetuadas no DACON encontram respaldo na contabilidade da empresa; b) demonstrar a base de cálculo e a contribuição devida e apurar o crédito a que faz jus o contribuinte.” Em virtude da diligência acima mencionada foi exarado o despacho de fl. 260/266, após terem sido efetuadas novas intimações ao contribuinte, de onde se podem extrair os seguintes fundamentos: “.... A alegação da existência de pagamentos superiores aos valores confessados em DCTF não justificam por si a existência de crédito líquido e certo em favor do contribuinte. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 420 4 Frente à existência de nova apuração do PIS e da COFINS, com fundamento no caput do Art.170 do Código Tributário Nacional, foi solicitada por esta Demac/RJO a apresentação de documentos comprobatórios da apuração do PIS e da COFINS em conformidade com o art. 76 da IN RFB 1.300 na forma de arquivos digitais, como previsto no art. 11 da Lei 8.218 e na forma estabelecida pela RFB, qual seja, o ADE nº 15 com a redação dada pelo ADE nº 25. ... Os arquivos magnéticos que o artigo acima menciona e que possuem as informações que demonstram os créditos descontados pelo contribuinte na apuração do PIS e da COFINS são, no presente caso, os arquivos digitais com as informações prestadas de acordo com o Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 25. de 07 de junho de 2010, que altera a redação original do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, 23 de outubro de 2001. Especialmente os arquivos com as informações preenchidas nos arquivos especificados nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos Complementares PIS/COFINS" desse Anexo. Ressaltese que os "Arquivos complementares PIS/COFINS" como o próprio nome indica, indispensáveis à análise de PIS e de COFINS de que essa diligência trata, foram incluídos na redação do Anexo Único do ADE nº 15 de 2001 através da alteração promovida pelo ADE nº 25 de 2010. ... No Anexo Único do ADE nº 25 de 2010 é que estão as especificações técnicas que os arquivos digitais solicitados por AFRFB deverão obedecer. Esse anexo único é que contém as especificações de como devem ser preenchidas as informações relativas, entre outras, ao Código Situação Tributária (do PIS e da COFINS), à Alíquota, à Base de Cálculo e ao Valor (do PIS e da COFINS), nos Arquivos Complementares de PIS/COFINS conforme especificado em seu item 4.10 e seus subítens. Também é somente nesses arquivos, que se encontram as informações relativas a se a operação é tributável, isenta ou com alíquota zero, se é com suspensão, se possui ou não direito a crédito, enfim, informações essenciais para a análise da procedência do crédito pleiteado. Portanto, somente a apresentação de arquivos digitais que incluam os Arquivos Complementares de PIS/COFINS permite que o Fisco audite a apuração desses tributos. Assim, não há como considerar que o contribuinte atendeu às intimações para os períodos de apuração em que entregou os arquivos na forma do ADE n° 15 de 2001 sem a alteração promovida pelo ADE n° 25 de 2010. Tal entendimento é corroborado pelo Acordão n.º 1278.782, da 16ª Turma da DRJRJO, de 14 de dezembro de 2015, nos autos do processo n.o 16682.720030/201539 do mesmo contribuinte. ...” Fl. 420DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 421 5 Conforme consta às fl. 270, o contribuinte tomou ciência em 20/04/2016, apresentando contrarazões de onde podemos extrair os pontos a seguir: · Não parece crível que com o passar do tempo, queira a Fiscalização, sem qualquer razoabilidade, exigir que toda escrituração, realizada, a tempo e modo, sob o crivo de determinada norma (ADE 15/2001), venha a ser refeita em nova base (ADE 25/2010), em total desrespeito ao ato jurídico perfeito, redundando, na prática, em uma indevida e injusta retroatividade da norma; · Apenas para fins de argumentação, a manutenção dessa conduta importa em tratamento diferenciado e ilegal, em total arrepio ao ordenamento jurídico, na medida em que impõe para situações idênticas condutas distintas, a saber: para aqueles contribuintes que foram fiscalizados antes da entrada em vigor do Ato Declaratório Executivo Cofis (ADE) nº 25 de 2010 tornouse possível apresentar o Ato Declaratório Executivo Cofis (ADE) n° 15 de 2001, enquanto que a situação presente, em razão da fiscalização ter se iniciado após esse prazo, se impõe à Contribuinte, de forma ilegítima, a obediência a novo regramento sem que exista qualquer embasamento legal para tanto; · Logo, não há fundamento legal em exigir para período em que vigorava a ADE nº 15/2001, que a Contribuinte venha apresentar os arquivos digitais no formato da ADE nº 25/2001, cuja vigência, repitase, operou a partir de 7 de junho de 2010; · Não é possível manter tal entendimento, fruto de formalismo ilegal, bem como sendo certo que nos moldes do princípio da verdade material, outras formas de comprovação do indébito são plenamente admissíveis. Diante da decisão que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1286.736 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 NULIDADE. DESPACHO DECISORIO. Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 422 6 Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO.VERIFICAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LEGISLAÇAÕ. APLICAVEL. Aplicase ao lançamento a legislaca̧õ que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigaca̧õ, tenha instituído novos critérios de apuraçaõ ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Manifestaca̧õ de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso o Contribuinte salienta que 1) falta amparo legal para a exigência dos arquivos digitais, visto que na época do recolhimento a maior a legislação não era vigente; 2) existe a obrigação legal de exibir documentos, mas não de criálos com fins fiscalizatórios; 3) da ilegalidade envolvendo a eleição dos arquivos digitais constantes do ADE nº 25/2010 como sendo a única prova capaz de demonstrar as alegações do contribuinte; 4) há violação do princípio da verdade material e da configuração de enriquecimento sem causa da União; 5) o acórdão da DRJ tomado como paradigma pelo acórdão recorrido foi reformado (processo nº 16682.720030/201539); e, 6) existirá supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa se as demais provas ofertadas pelo contribuinte não forem analisadas. Este processo trata da análise de Declaração de Compensação – DCOMP – na qual o Contribuinte solicita crédito referente a pagamento indevido ou a maior de COFINS combustíveis, referente ao período de apuração 11/2005. A questão central envolve a exigência pela Administração Fazendária da apresentação dos arquivos digitais na forma da IN SRF nº 86/2001, em estrita conformidade com o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25/2010. Já o Contribuinte entendeu de forma diversa e apresentou os arquivos digitais de acordo com o ADE nº 15/2001. Assim, foi indeferido o crédito e a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. É importante notar que o acórdão ora recorrido (Acórdão nº 1286.736 tomou por fundamento as razões constantes do acórdão do processo nº 16682.720030/201539 (Acórdão nº 1278.782). Neste sentido vejase trecho do voto da decisão ora recorrida: De pronto, é mister esclarecer que a controvérsia firmada com a presente manifestação já foi analisada anteriormente pela 16ª Turma desta DRJ/RJO, sendo proferido o Acórdão no 1278.782, de 14 de dezembro de 2015, nos autos do processo no 16682.720030/201539 do mesmo contribuinte, e que se encontra atualmente em fase de julgamento do recurso apresentado ao CARF. Assim, e tendo em vista que o voto proferido naquele contencioso se coaduna com o entendimento deste relator, abaixo transcrevemos pontos convergentes do referido Acórdão e que são relevantes para contraditar as alegações proferidas na presente manifestação de inconformidade, verbis: O Contribuinte em seu recurso, como visto acima no item 5, aponta que o acórdão que foi tomado como paradigma foi reformado pela 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. O entendimento foi no sentido de que é possível apurar os créditos do PIS e da COFINS com os arquivos digitais no formato ADE nº 15/2001, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 423 7 norma vigente à época, independentemente da apresentação dos dados na formatação do ADE nº 25/2010. Por entender correto o entendimento proferido no processo nº 16682.720030/201539, por intermédio da Resolução nº 3302000.776, de 25 de julho de 2018, cito trechos do voto vencedor, do il. Conselheiro Redator Designado Walker Araujo, como razões para decidir: Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Tratase o presente processo da análise de DCOMPs nas quais o contribuinte solicita créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior do PIS Códigos de receita 6824 e 6912 e da COFINS, códigos de receita 6840 e 5856, dos períodos de apuração de janeiro de 2006 a maio de 2010. Nos termos do Relatório de Verificaçaõ Fiscal (fls.932950) os pedidos apresentados pela Recorrente foram indeferidos pelo fato da escrituraçaõ relativa ao período de janeiro de 2006 a maio de 2010 ter sido entregue fora da forma prevista no ADE n° 25, vigente à partir de junho de 2010. Vejamos os motivos para o indeferimento: A alegaca̧õ da existência de pagamentos superiores aos valores confessados em DCTF não justificam por si a existência de cred́ito líquido e certo em favor do contribuinte. Frente à existen̂cia de nova apuração do PIS e da COFINS com aumento significativo dos créditos descontados pelas razões identificadas neste Despacho Decisório, e com fundamento no caput do Art.170 do Código Tributário Nacional, foi solicitada pela fiscalização a apresentaçaõ de documentos comprobatórios da apuração do PIS e da COFINS em conformidade com o art. 76 da IN RFB 1.300 na forma de arquivos digitais, como previsto no art. 11 da Lei 8.218 e na forma estabelecida peta F1FB, qual seja, o ADE n° 15 com a redação dada pelo ADE n° 25. A Lei n° 8.218/91, no seu art. 11, caput e §, 30, com a redação dada pela MP 2158 35/01, estabeleceu a obrigatoriedade da elaboraçaõ e apresentaca̧õ dos arquivos digitais na forma e prazo estabelecidos pela RFB. "Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter à disposica̧õ da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previstona legislação tributária." § 30 A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. A Instrucã̧o Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012, que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil define em seu art. 76: Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 424 8 "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensaca̧õ poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituraca̧õ contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Os arquivos magnéticos que o artigo acima menciona e que possuem as informações que demonstram os créditos descontados pelo contribuinte na apuração do PIS e da COFINS são, no presente caso, os arquivos digitais com as informações prestadas de acordo com o Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 25, de 07 de junho de 2010, que altera a redação original do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, 23 de outubro de 2001. Especialmente os arquivos com as informações preenchidas nos arquivos especificados nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos Complementares PIS/COFINS" desse Anexo. Ressaltese que os "Arquivos complementares PIS/COFINS", como o próprio nome indica, indispensáveis à análise de PIS e de COFINS de que essa intervenção trata, foram incluídos na redaçaõ do Anexo Único do ADE n° 15 de 2001 através da alteraca̧õ promovida pelo ADE n° 25 de 2010. A seguir a transcrição do Art. 10 desse Ato: Ato Declaratório Executivo Cofis n°25, de 7 de junho de 2010: Altera o anéxo único do Ato Declaratório Executivo Cofis N° 15, de 23 de outubro de 2001. ... Art. 1° O Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis N° 15, de 23 de outubro de 2001, passará a vigorar com a nova redação constante no Anexo Único deste Ato No Anexo Único do ADE n°25 de 2010 é que estão as especificações técnicas que os arquivos digitais solicitados por AFRFB deverão obedecer. Esse anexo único é que contém as especificações de como devem ser preenchidas as informações relativas, entre outras, ao Código Situacã̧o Tributária (do PIS e da COFINS), à Alíquota, à Base de Cálculo e ao Valor (do PIS e da COFINS), nos Arquivos Complementares de PIS/COFINS conforme especificado em seu ítem 4.10 e seus subítens. Também é somente nesses arquivos, que se encontram as informações relativas a se a operação é tributável, isenta ou com alíquota zero, se é com suspensão, se possui ou não direito a crédito, enfim, informações essenciais para a análise da procedência do crédito pleiteado. Portanto, somente a apresentação de arquivos digitais que incluam os Arquivos Complementares de PIS/COFINS permite que o Fisco audite a apuração desses tributos. Assim, não há como considerar que o contribuinte atendeu às intimações para os períodos de apuraca̧õ em que entregou os arquivos na forma do ADE n° 15 de 2001 sem a alteração promovida pelo ADE n° 25 de 2010. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 425 9 Considerando que para os períodos compreendidos entre janeiro de 2006 e maio de 2010, os arquivos digitais apresentados não estão em conformidade com as alterações promovidas pelo ADE n° 25, especialmente pela ausência dos arquivos do item "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", decidese pelo INDEFERIMENTO dos créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior do PIS, códigos de receita 6824 e 6912 e da COFINS, códigos de receita 6840 e 5856, dos referidos períodos de apuraçaõ solicitados em DCOMP, CONFORME DISCRIMINADO NA PLANILHA A SEGUIR, pois a compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo, apurado por meio de provas hábeis que evidenciem a sua correta e completa composicã̧o, o que, no presente caso, não foi demonstrado pelo contribuinte junto à Fazenda Nacional. Em resumo, a fiscalização aplicou retroativamente o ADE nº 25/2010 para os períodos compreendidos entre janeiro de 2006 e maio de 2010 e, descartou, como se imprestável fosse, para o fim de apurar o crédito solicitado pela Recorrente, todos os documentos entregues na forma do ADE nº 15/2001. Tal entendimento, foi avalizado pela DRJ e pelo nobre relator. É exatamente neste ponto que ouço divergir do entendimento emanado pelo i. relator. Isto porque, entendo que a fiscalização não poderia ter exigido a entregue de documentos no forma do ADE no 25/2010, pelo simples fato de estarse desrespeitando o princípio da irretroatividade das leis. Com efeito, não poderia a Recorrente ser compelida, a prestar informações de períodos em que não havia tal obrigaca̧õ, uma vez que o princípio da irretroatividade é plenamente aplicável no controle das obrigações acessórias. Sobre a obrigação tributária, assim dispõe o artigo 113 do CTN: Art. 113. A obrigacã̧o tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorren̂cia do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. É de se ver que o CTN, classifica as obrigações tributárias em principal ou acessória. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, ao passo que a obrigação acessória tem por objeto as prestações positivas ou negativas previstas como forma de auxiliar as atividades de arrecadaca̧õ e fiscalização tributárias. Resumidamente temos que a obrigaca̧õ principal é uma obrigação de dar (dar dinheiro em pagamento), assumindo um cunho eminentemente patrimonial, ao passo que obrigação acessória é uma obrigação de fazer ou não fazer e, portanto, de característica não patrimonial. Assim, todas as obrigacõ̧es impostas pelo Fisco que não sejam de pagar são consideradas obrigações acessórias, como é caso da escrituraca̧õ exigida nos termos dos ADE ́s. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 426 10 Já em relaçaõ ao princípio da irretroatividade das leis, referido princípio vem estampado no artigo 150, inciso III, letra ‘a’: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; Luciano Amaro ao analisar referido dispositivo nos ensina que “é dirigido não só ao aplicador da lei (que não a pode fazer incidir sobre fato pretérito), mas também ao próprio legislador, a quem fica vedado ditar regra para tributar fato passado ou para majorar tributo que, segundo a lei da época, gravou esse fato” . Dúvidas não há de que a irretroatividade é verdadeira limitação ao poder de tributar. No caso das obrigações acessórias, a situaca̧õ não está explicitamente prevista no referido preceito normativo, posto que a redação do artigo 150, inciso III, letra ‘a’, é claramente voltada para a obrigação principal (obrigacã̧o de pagar tributo) e não se refere diretamente às obrigações acessórias. Isso, em tese, afastaria a inciden̂cia dos efeitos do artigo 150, inciso III, letra ‘a’. Entretanto, esse dispositivo constitucional, que trata exclusivamente da obrigação tributária principal, é mera decorren̂cia do princípio da irretroatividade das leis, que se extrai das cláusulas pétreas da Constituicã̧o. Em outras palavras, a irretroatividade em matéria tributária ainda seria princípio a ser respeitado, mesmo que não existisse a letra ‘a’ do inciso III do artigo 150 da Constituicã̧o Federal. (...) Neste cenário, para os períodos de janeiro de 2006 a maio de 2010, entendo que a fiscalização não poderia ter exigido os documentos na forma do ADE no 25/2010, e, sim, ter realizado a apuraçaõ dos créditos com base nos documentos apresentados/escriturados com base na norma vigente à época pela Recorrente, qual seja, ADE 15/2001. Não bastasse isso, a Turma resolveu acolher o pleito da Recorrente para que fosse realizado o desmembramento do PAF em discussão que, como se vê, envolve a exigência de documentos e informações relativas ao indébito indicado em 102 DCOMP para discussão em único processo, dificultando, por assim se dizer, o direito à ampla defesa e contraditório, direito este não infringindo caso houvesse procedimentos autônomos. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartica̧õ de origem para que a autoridade administrativa intime à Recorrente para apresentar os arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001, bem como outros documentos que a fiscalização entender necessários, efetivando a apuração das contribuicõ̧es e do direito creditório, independentemente da apresentação do ADE nº 25/2010 e para que os processos sejam apartados por DCOMP com informação de mesmo crédito e, emitindo, parecer conclusivo a respeito deste fato. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 16682.905939/201212 Resolução nº 3301001.096 S3C3T1 Fl. 427 11 Após, dar ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação e, atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. É como voto. Salientase que a Resolução nº 3302000.776 foi embargada por Conselheiro do Colegiado, visto a decisão ter sido proferida no formato de resolução, quando, no caso deveria ter sido proferida por intermédio de acórdão. Neste sentido os embargos foram acolhidos e proferiuse o Acórdão nº 3302006.418, que tem o seguinte dispositivo: Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanar a omissão suscitada pelo Embargante, atribuindolhe, efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório ora atacado; efetivar a apuração das contribuições e do direito creditório através dos arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001, independentemente da apresentação do ADE nº 25/2010; e para que as DCOMP´s sejam separadas por processos individuais. Com isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligen̂cia à Unidade de Origem para que a autoridade administrativa intime à Recorrente para apresentar os arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001 e outros documentos que a fiscalização entender necessários, bem como, franqueando ao Contribuinte a apresentação de documentos que considerar indispensáveis para demonstrar a legitimidade de sua apuração, efetivando a análise das contribuições e do direito creditório, independentemente da apresentaçaõ do ADE nº 25/2010. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 427DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.000565/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. SÚMULA CARF nº 101.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional (CTN), restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Na hipótese de aplicação do artigo 173, I do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante teor da Súmula nº 101 do CARF.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. RETENÇÃO.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal e recolher a importância retida na forma definida em lei.
Numero da decisão: 2201-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. SÚMULA CARF nº 101. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional (CTN), restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Na hipótese de aplicação do artigo 173, I do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante teor da Súmula nº 101 do CARF. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal e recolher a importância retida na forma definida em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 65 /2 00 7- 53 Fl. 663DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 459/476) interposto contra decisão no acórdão nº 05-21.734, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), em sessão de 22 de abril de 2008 (fls. 447/453), a qual julgou o lançamento procedente mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo é constituído pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), referente ao DEBCAD nº 37.036.456-2, consolidada em 18/12/2007, no montante de R$ 392.552,00 (fls. 2/122), lavrada em decorrência de pagamentos efetuados à empresas prestadoras de serviço, por cessão de mão de obra, relacionadas nos Anexos 1e 2 (fls. 147/163), com retenção e recolhimento a menor ou sem que tivesse havido a retenção e consequente recolhimento do percentual de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 141/146): "(...) 4.2. O contribuinte contratou serviços executados mediante cessão de mão-de-obra. Como contratante, é obrigado a reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher esta importância em nome da empresa cedente de mão de obra, conforme os artigos supracitados da Lei 8212/91. A Fiscalização constatou que os serviços prestados pelas empresas constantes do Anexo 1 ao Relatório Fiscal desta NFLD são serviços prestados com cessão de mão-de-obra. 4.3. A cessão de mão-de-obra foi constatada através das notas fiscais (relação incluída no Anexo 2) e/ou dos pedidos de compra apresentados à Fiscalização. 4.4. Houve casos em que houve retenção e recolhimento de valores pelo contribuinte, mas foram inferiores ao valor de retenção apurado pela Fiscalização. Estes valores recolhidos foram abatidos do crédito previdenciário e também constam da tabela do Anexo 2. Os valores retidos a menor e recolhidos foram lançados como Crédito (CRED) e constam do Relatório "RDA - Relação de Documentos Apresentados". 4.5. As diferenças apuradas discriminadas por competência e por tomador de serviço estão no Documento "DAD — Discriminativo Analítico do Débito". 5. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 5.1. A Fiscalização relacionou as notas fiscais das prestadoras de serviço , sobre as quais retenção de 11% não foi efetuada ou foi efetuada a menor. 5.2. Sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço contidas no Anexo 2 a este Relatório Fiscal foi aplicada a alíquota de 11% para calculo da contribuição previdenciária devida pela empresa. Quando nas notas fiscais de serviço houve também fornecimento de materiais e equipamentos, a dedução da base de cálculo da retenção foi de 50 %. de acordo com o item "III - Das Deduções da Fl. 664DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 Base de Cálculo da Retenção" da ordem de Serviço INSS/DAF 209 de 20/05/1999. 5.3. A contribuição previdenciária final devida pela empresa encontra-se discriminada por competência e por levantamento no documento "DAD — Discriminativo Analítico de Débito" constante desta NFLD. (...)" Regularmente intimado do lançamento em 20/12/2007 (fl. 2) o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 17/1/2008 (fls. 237/251), instruída com documentos de fls. 252/404 e 408/443, alegando em síntese, conforme consta do relatório do acórdão recorrido (fls. 448/449): "a) Que o auditor fiscal ao constituir o crédito tributário, não diligenciou a fim de verificar se os prestadores de serviço haviam recolhido a contribuição previdenciária devida, pouco se importando de cobrar um tributo já pago; b) Que a existência ou não de crédito tributário somente poderia ser apurada com a análise da contabilidade do efetivo devedor oriundo do tributo, a empresa prestadora; c) Que a fiscalização não pode escolher aleatoriamente o sujeito que figurará no pólo passivo da obrigação tributária; d) Que decaiu o direito do fisco constituir crédito tributário contra o contribuinte, uma vez que o artigo 146 da Constituição define que cabe à lei complementar dispor sobre decadência e prescrição, sendo portanto o artigo 45 da Lei 8.212/91 inconstitucional, tornando nulo o lançamento; e) Que embora o artigo 31 da Lei 8.212/91 estabeleça a responsabilidade da tomadora pela retenção da contribuição previdenciária, o contribuinte de direito é a empresa prestadora; f) Que o auditor supostamente entendeu que a empresa prestadora não havia feito os recolhimentos, e atribuiu à notificada a responsabilidade solidária em relação às contribuições; g) Que a solidariedade prevista no artigo 31 impõe a ocorrência de que duas situações sejam comprovadas: a existência do fato gerador e ainda o inadimplemento do devedor principal; h) Que se trata de responsabilidade subsidiária e não solidária, devendo a notificada ser responsabilizada pelo débito, somente após a comprovação do não recolhimento pela empresa devedora; i) Que as empresas prestadoras de serviço não possuem débito com o INSS, no período compreendido na NFLD; j) Que para provar que o débito já foi extinto pelo devedor principal, está juntando certidões negativas." Em sessão de 22 de abril de 2008, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão nº 05-21.734, a seguir reproduzido (fls. 447/453). Fl. 665DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOCIAIS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal e recolher a importância retida na forma definida em lei. DECADÊNCIA: É de dez anos o prazo, em que as contribuições devidas à Seguridade Social poderão ser constituídas, contando-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte, em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente" Cientificado da decisão em 16/5/2008 (fl. 457) o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 6/6/2008 (fls. 459/476), acompanhado de documentos de fls. 477/497. O processo foi encaminhado ao 2º Conselho de Contribuintes para julgamento (fl. 501) e distribuído à Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 4/5/2011 (fl. 502). A 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, em sessão de 27 de julho de 2011, por meio do Acórdão nº 2803-00.867 (fls. 503/508), deu provimento ao Recurso Voluntário, em razão da decadência, observada a regra disposta no inciso I do artigo 173 do CTN. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos deve-se aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido" Cientificada do Acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 510/512), que foram rejeitados conforme Informação nº 2803 - 2ª Sessão / 3ª Turma Especial de 14 de novembro de 2011 (fls. 515/516). Notificada da decisão a Fazenda interpôs Recurso Especial (fls. 518/532), arguindo que o acórdão diverge do entendimento mantido por este Conselho (decisão proferida nos acórdãos paradigmas pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção e pela Fl. 666DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF), considerando que os acórdãos recorrido e paradigma foram proferidos após o julgamento do Recurso Repetitivo do STJ nº 973.733/SC (sessão de julgamentos de 12.8.2009), observa-se divergência interpretativa quanto ao termo inicial do prazo decadencial fundamento no 173, I do CTN, pois diferentemente do acórdão a quo, os acórdãos paradigmas em mesma situação fática não consideraram decadente a competência do mês de dezembro. Em petição protocolada em 19/8/2014 o Recorrente requereu a preferência no julgamento (fls. 536/537). Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do despacho nº 2300-584/2013, de 12 de setembro de 2013 (fls. 539/542), a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU SEGUIMENTO ao recurso especial de divergência, determinando o encaminhamento dos autos ao órgão de origem para ciência do contribuinte do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho, facultando-lhe a apresentação de contrarrazões e recurso especial relativo à parte do acórdão que lhe foi desfavorável, consoante o disposto no artigo 9º do RICARF. O contribuinte teve ciência por meio de sua Caixa Postal na data de 13/3/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem - Comunicado (fl. 547) e apresentou em 20/3/2015, contrarrazões (fls. 549/557), acompanhada de documentos (fls. 558/586) e instrumento de procuração entregue em 25/3/2015 (fls. 589/618). O Recurso Especial foi julgado em sessão de 24 de janeiro de 2017 e exarado o Acórdão nº 9202-005.145 - 2ª Turma - Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a seguinte ementa (fls. 622/625): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido." Relevante reproduzir excerto do voto do relator no exame do Recurso Especial (fls. 624/625): "A discussão cinge-se à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento Fl. 667DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. (grifos nossos) Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Trata-se da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência da contribuição relativa à competência 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para manifestação acerca das demais questões postas no Recurso Voluntário." O contribuinte tomou ciência do Acórdão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu domicílio tributário eletrônico (DTE) perante à Receita Federal do Brasil (RFB), na data de 19/5/2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 633/634). Em petição apresentada em 30/5/2017 (fl. 637) o contribuinte requereu o desmembramento dos débitos do processo em face do teor do termo de intimação SECAT nº 270/2017 (fl. 631). Em razão da extinção do colegiado, conforme informação constante em despacho de encaminhamento de fl. 662, os autos foram redistribuídos e sorteados a esta conselheira para apreciação e julgamento do presente recurso. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Cotejando as razões recursais com as razões consignadas na peça impugnatória, constata-se que o presente recurso voluntário corresponde a uma cópia ipsis litteris da Fl. 668DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 impugnação de fls. 237/251. Preliminarmente, o Recorrente alega a inobservância dos requisitos legais para a lavratura do auto e constituição do crédito tributário, uma vez que: "a) o auditor fiscal ao constituir o crédito tributário, não diligenciou a fim de verificar se os prestadores de serviço haviam recolhido a contribuição previdenciária devida, pouco se importando de cobrar um tributo já pago; b) a existência ou não de crédito tributário somente poderia ser apurada com a análise da contabilidade do efetivo devedor oriundo do tributo, a empresa prestadora; e c) a fiscalização não pode escolher aleatoriamente o sujeito que figurará no polo passivo da obrigação tributária." No mérito argumenta que: "a) decaiu o direito do fisco constituir crédito tributário contra o contribuinte, uma vez que o artigo 146 da Constituição define que cabe à lei complementar dispor sobre decadência e prescrição, sendo portanto o artigo 45 da Lei 8.212/91 inconstitucional, tornando nulo o lançamento; b) embora o artigo 31 da Lei 8.212/91 estabeleça a responsabilidade da tomadora pela retenção da contribuição previdenciária, o contribuinte de direito é a empresa prestadora; c) o auditor supostamente entendeu que a empresa prestadora não havia feito os recolhimentos, e atribuiu à notificada a responsabilidade solidária em relação às contribuições; d) a solidariedade prevista no artigo 31 impõe a ocorrência de que duas situações sejam comprovadas: a existência do fato gerador e ainda o inadimplemento do devedor principal; e) se trata de responsabilidade subsidiária e não solidária, devendo a notificada ser responsabilizada pelo débito, somente após a comprovação do não recolhimento pela empresa devedora; f) as empresas prestadoras de serviço não possuem débito com o INSS, no período compreendido na NFLD; e g) Que para provar que o débito já foi extinto pelo devedor principal, está juntando certidões negativas." Inicialmente merece deixar registrado o fato de que, nos termos do decidido no acórdão do Recurso Especial, por preclusão, não cabe mais discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, devendo a análise do caso em questão ser pautada considerando-se a aplicação do artigo 173, I do CTN. Deste modo, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, restando afastada a decadência da contribuição relativa à competência 12/2001. Da Preliminar Em suas razões recursais o Recorrente alega a nulidade do lançamento suscitando a inobservância dos requisitos legais para a lavratura do auto e constituição do crédito tributário. Fl. 669DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 No âmbito do processo administrativo fiscal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo." No caso concreto o auto de infração foi lavrado em estrita observância ao disposto no artigo 142 do CTN, contendo todos os requisitos do referido dispositivo e seguindo os demais preceitos legais e normativos acerca da matéria objeto do lançamento, razão pela qual ser insubsistente a insurgência do contribuinte. Isto posto, rejeita-se a preliminar arguida pelo Recorrente. Do mérito A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional prevista no parágrafo único do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Deste modo, a autoridade lançadora não tem o livre arbítrio de escolher aleatoriamente o sujeito passivo da obrigação tributária, uma vez que tal responsabilidade é da lei que instituiu tal obrigação. Acerca do fato gerador e sujeito passivo da obrigação tributária assim dispõe o CTN: "Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (...) Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: Fl. 670DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais." Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Conforme verificado, de acordo com o artigo 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo, que no caso concreto foi definido pelo artigo 31 da Lei nº 8.212 de 1991: "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5 o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1 o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de- Fl. 671DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11933.htm#art6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11933.htm#art6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11933.htm#art11 Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1 o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2 o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3 o Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de- obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4 o Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I - limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II - vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III - empreitada de mão-de-obra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV - contratação de trabalho temporário na forma da Lei n o 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5 o O cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6 o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei n o 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplica-se o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo." Em conformidade com o dispositivo acima reproduzido, cabe ao tomador dos serviços, por determinação legal, efetuar a retenção dos onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e ainda, de efetuar o recolhimento da importância retida, em nome da empresa cedente de mão de obra. Neste caso, a substituição tributária é caracterizada pelo deslocamento da responsabilidade pelo pagamento da contribuição para um sujeito que não praticou o fato gerador Fl. 672DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6019.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6019.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9711.htm#art23 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm#art278 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm#art279 Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 do mesmo. Assim, o tomador dos serviços é o responsável descrito no inciso II do artigo 121 do CTN. Concluindo, transcreve-se excertos do voto contido no acórdão recorrido (fl. 451): "Assim, em nada podem alterar os fatos em apreço, as alegações de que cabia ao auditor fiscal ir em busca dos recolhimentos, ou até da contabilidade da empresa prestadora. Assim também são incabíveis as alegações de que a fiscalização não poderia escolher aleatoriamente o sujeito a figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Ou até que o contribuinte de direito é a empresa prestadora. Pelo acima exposto, não cabe ao auditor decidir a seu livre arbítrio o sujeito da obrigação. Este é definido por lei. No caso a lei 8.212/91, artigo 31 já transcrito. A responsabilidade pelos recolhimentos é unicamente do tomador dos serviços. No período fiscalizado, a impugnante utilizou-se de uma enorme quantidade de empresas prestadoras de serviços, (todas devidamente relatadas pelo auditor fiscal), prestando serviços contínuos, que se constituem em necessidade permanente, ligados ou não à sua atividade fim, e que se repetem, periódica ou sistematicamente. O conceito de cessão de mão-de-obra está presente no art. 31, § 3° da Lei n. 8.212/91, abaixo transcrito: "Art. 31. (.) § 3º Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação." (gn) Conforme estabelecido no artigo 143, § 2°, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005, que disciplina a matéria, "serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores". No conceito de cessão de mão-de-obra destaca-se, portanto, a natureza continua do serviço, que poderá ser relacionado ou não com a atividade fim da empresa, ficando o pessoal utilizado A disposição exclusiva do tomador. Assim sendo, uma vez presentes os pressupostos da cessão de mão- de-obra na prestação dos serviços, como no presente caso, é de responsabilidade da empresa tomadora, proceder a retenção e o recolhimento de onze por cento sobre o valor bruto da nota Fl. 673DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.171 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000565/2007-53 fiscal/fatura ou recibo de prestação de serviço e recolher o valor retido, A Seguridade Social, em nome da empresa cedente." Uma vez que a decisão está bem fundamentada, não merece reparos. Quanto à alegação de que o crédito tributário ora exigido já foi extinto pelo devedor principal da obrigação, uma vez que as CNDs apresentadas atestam a regularidade da situação fiscal dos prestadores de serviços, a manutenção da cobrança de tais valores representam bis in idem, como já informado pelo juízo a quo, as referidas CNDs não se prestam para comprovar a quitação dos valores retidos, uma vez que a obrigação nos casos de retenção é exclusivamente da empresa tomadora dos serviços, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212 de 1991. Além do mais, conforme pontuado no acórdão recorrido, a CND não se constitui em hipótese de extinção do crédito tributário prevista no artigo 156 do CTN. Portanto, não merece reparo o acórdão recorrido. Conclusão Em razão do exposto, vota-se por rejeitar a preliminar arguida e no mérito por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900698/2006-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF.
Para fins de corroborar o pedido de compensação, é possível a retificação da DCTF depois de formalizado o pleito, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos.
Numero da decisão: 1302-003.673
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. Para fins de corroborar o pedido de compensação, é possível a retificação da DCTF depois de formalizado o pleito, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 06 98 /2 00 6- 93 Fl. 258DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900698/2006-93 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto (com eventual exceção dos trechos transcritos) dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema e-Processo. Trata-se de recurso voluntário interposto por FUJI PHOTO FILM DA AMAZÔNIA LTDA contra acórdão que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada diante da homologação apenas parcial, pela DRF/Manaus, da compensação de crédito de saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2002 com débito de COFINS do período de apuração 08/2003. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Versa o presente processo sobre a PER/DCOMP n° 26976.64721.150903.1.3.02-0337 (fls. 02-08), entregue em 15/09/2003, onde o sujeito passivo busca compensar os débitos de: Tributo Código PA Valor (R$) Forma de Compensação Fls. COFINS 2172 01/08/03 554.431,32 26976.64721.150903.1.3.02-0337 02-08 Com o suposto crédito de: Origem do Crédito Tributo Código PA Valor (R$) Saldo Negativo IRPJ 2003 566.255,48 Por meio do Parecer DRF/MNS/AM/SEORT de 05/12/2007 e Despacho Decisório (fls. 93-97), recebidos pelo sujeito passivo em 26/12/2007 (fl. 105), a unidade de origem decidiu reconhecer, em favor do contribuinte, o direito creditório de R$ 101.387,73 e Homologar Parcialmente a compensação pleiteada. Para tanto, a unidade de origem apurou o saldo negativo do IRPJ com base na DIPJ/2003, nas DTCF's, nas retenções encontradas no sistema SIEF/DIRF e nos pagamento confirmados através do sistema SINAL. Nesse procedimento, verificou-se que o pagamento da estimativa mensal, PA 08/2002, no valor de R$ 464.867,75, foi recolhido sob o código 2484 (estimativa de CSLL), razão porque foi desconsiderado na apuração. A recorrente apresentou, em 24/01/2008, sua Manifestação de Inconforrnidade (fls. 106-110), na qual alegou em síntese que: 1. O erro encontrado pela unidade de origem poderia ser sanado de ofício em atenção ao princípio da verdade material, conforme jurisprudência dominante, e na forma do art 10 da IN/SRF n° 672/2006; 2. Independentemente do erro no preenchimento do DARF, a Fazenda Pública tem a obrigação de restituir ou compensar pagamentos indevidos feitos a título de tributo, Fl. 259DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900698/2006-93 pois esta obrigação decorre do fato de haver recebido o valor sem fundamento na lei; 3. Ao tomar ciência da decisão, procedeu imediatamente a retificação da DCTF, informado o débito apurado e o crédito correspondente como CSLL, e retificou a informação do débito e do pagamento do IRPJ, pelo que anexou a declaração retificadora n° 21 .76.96.94.80; 4. A retificação efetuada não está adstrita ao prazo de 5 (cinco) anos, na forma do art. 13 da IN/SRF n° 672/2006; 5. É evidente que houve erro de fato no preenchimento DARF, na qual, por equívoco, preencheu o código 2484 (CSLL) quando deveria ter preenchido o código 2362 (IPRJ); 6. O erro fica evidente quando se observa no campo de observações do DARF recolhido, sob o código 2484 (CSLL), o texto “IRPJ 08/02 Estimativa”. A DRJ/Belém proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: DCTF RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. A DCTF retificadora entregue após o início do procedimento fiscal não possui os atributos da espontaneidade. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. O procedimento de restituição e compensação de tributos exige a comprovação da certeza e da liquidez do crédito tributário. Solicitação Indeferida Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, explica que na apuração do IRPJ por estimativa do mês de agosto de 2002 foi informado um saldo positivo a pagar de R$ 464.867,75, todavia na apuração anual verificou que para o mês de agosto de 2002 o correto seria um saldo negativo, ou seja, não seria necessário o pagamento. Junta cópias do pedido de retificação do DARF (REDARF) de fls. 216 a 219, da DCTF retificadora de fls. 228 a 231 e comprovante de alteração do DARF no Sistema SIEF às fls. 232. Fl. 260DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900698/2006-93 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De fato, os elementos contidos no processo sugerem que houve dois equívocos por parte do contribuinte por ocasião do pagamento da estimativa de IRPJ referente ao período de apuração 08/2002. O primeiro, ao entender que deveria recolher tal estimativa se havia saldo negativo de imposto a pagar até o referido mês (cf. aponta o extrato da DIPJ às fls. 16). O segundo, ao efetuar esse recolhimento utilizando o código da CSLL (2484) ao invés do código do IRPJ (2362). Esse último equívoco foi, inclusive, reconhecido pela unidade de origem ao concordar, em 18/02/2008, com a retificação do correspondente DARF (cf. extrato do Sistema SIEF às fls. 232). Ao apreciar o pleito do contribuinte, por não ter ainda promovido a retificação do referido DARF, a unidade de origem não incluiu o referido pagamento em sua apuração do saldo negativo do respectivo período. Afinal, naquela ocasião, aquele recolhimento ainda estava vinculado ao código da CSLL (2484). Por sua vez, a instância a quo, apesar de já ter ciência da retificação do DARF, não acolheu a pretensão impugnatória porque, em suas palavras, "o valor recolhido não confere com o declarado à RFB para o período, seja na DIPJ, seja na DCTF" e o contribuinte "não trouxe outras provas que pudessem evidenciar o erro no preenchimento das declarações e, conseqüentemente, a verdade dos fatos alegados". Entretanto, não havia mesmo que coincidir o valor recolhido com o que estava informado na DIPJ. Apesar da explicação um pouco confusa, é possível extrair do recurso que não houve erro no preenchimento dessa declaração, que foi elaborada após a apuração anual. O equívoco ocorreu antes, no cálculo do IRPJ por estimativa do mês de agosto de 2002, quando foi apurado um saldo positivo a pagar de R$ 464.867,75. O correto seria, no entanto, apurar o saldo negativo informado na DIPJ (fls. 16), ou seja, não seria necessário o pagamento. Fl. 261DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900698/2006-93 Quanto à não coincidência com o valor informado na DCTF, a própria empresa reconheceu o erro e apresentou uma DCTF retificadora (fls. 228 a 231). E esta turma já possui entendimento consolidado no sentido de que, para fins de corroborar o pedido de compensação, é possível a retificação da DCTF depois de formalizado o pleito, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Confira-se: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO COSIT N.2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. De acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PERDCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. (Acórdão nº 1302-002.082, Sessão de 23 de março de 2017, relator Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa) Em situações como essa, quando uma instância anterior não admite a compensação com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, este Colegiado entende que aquela instância deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindo- se ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. No entanto, a simples conversão em diligência para decisão por esta Turma suprimiria indevidamente o direito à discussão do mérito em primeira instância. Nessa análise, caso a autoridade fiscal entenda que as provas trazidas aos autos são insuficientes, deve intimar o contribuinte a completá-la, explicitando detalhadamente quais os documentos que devem ser trazidos, e só então elaborar decisão definitiva sobre a matéria. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo em caso de não homologação total. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer ao DARF retificado (cf. extrato do Sistema SIEF às fls. 232) a natureza de Fl. 262DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900698/2006-93 pagamento indevido da estimativa do IRPJ do período de apuração 08/2002 e homologar a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720160/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. IMOBILIZADO.
A companhia deve classificar as contas contábeis ou reclassificá-las com observância estrita aos critérios definidos na legislação societária e em conformidade com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos.
Serão classificados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens.
A alteração do objeto social no estatuto da companhia para inclusão de atividade de compra e venda de bens imóveis, perpetrada sem nenhum embasamento fático, não se presta para justificar a transferência de bem do Imobilizado Não Circulante para o Circulante.
LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BEM DO IMOBILIZADO.
No caso das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido, os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo do IRPJ para efeito de incidência do imposto e do adicional.
A venda de imóvel originalmente contabilizado em conta do Imobilizado, no qual funcionava a sede social e que era destinado à manutenção das atividades da pessoa jurídica, se sujeita à apuração de ganho de capital para fins de determinação do lucro presumido.
MULTA QUALIFICADA. DIVERGÊNCIA NA CLASSIFICAÇÃO DE ATIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO DE VALORES REFERENTES A GANHO DE CAPITAL COMO RECEITAS OPERACIONAIS. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
A divergência plausível na classificação contábil de bens, mesmo gerando redução indevida da oneração tributária no momento da sua alienação, não constitui fraude ou simulação.
É necessária a efetiva e material comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio para a devida aplicação da previsão contemplada no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A imputação especulativa da ocorrência de fraude a fatos devidamente abarcados pela plena legalidade, dentro da prerrogativa negocial do contribuinte, sem qualquer demonstração ou prova de postura ilícita extratributária, não é fundamentação válida para a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO SUBJETIVA E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 INCISO III CTN. IMPROCEDÊNCIA.
A responsabilização dos sócios e dos administradores é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor ou titular. É necessária a imputação pessoal, com a correspondente comprovação das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise.
A mera constatação objetiva da função de administração e/ou presença como titular em instrumento societário, bem como a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as atividades das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não são capazes de atribuir responsabilidade a sócio ou a administrador.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011,2012
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-003.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao mérito da exigência, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone; ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias; e iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a responsabilidade tributária imputada a Clarisse Beatriz Pukall Mayer Linck e a Inge Margarete Mayer Ott, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges e Paulo Mateus Ciccone.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. IMOBILIZADO. A companhia deve classificar as contas contábeis ou reclassificá-las com observância estrita aos critérios definidos na legislação societária e em conformidade com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos. Serão classificados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. A alteração do objeto social no estatuto da companhia para inclusão de atividade de compra e venda de bens imóveis, perpetrada sem nenhum embasamento fático, não se presta para justificar a transferência de bem do Imobilizado Não Circulante para o Circulante. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BEM DO IMOBILIZADO. No caso das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido, os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo do IRPJ para efeito de incidência do imposto e do adicional. A venda de imóvel originalmente contabilizado em conta do Imobilizado, no qual funcionava a sede social e que era destinado à manutenção das atividades da pessoa jurídica, se sujeita à apuração de ganho de capital para fins de determinação do lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. DIVERGÊNCIA NA CLASSIFICAÇÃO DE ATIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO DE VALORES REFERENTES A GANHO DE CAPITAL COMO RECEITAS OPERACIONAIS. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A divergência plausível na classificação contábil de bens, mesmo gerando redução indevida da oneração tributária no momento da sua alienação, não constitui fraude ou simulação. É necessária a efetiva e material comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio para a devida aplicação da previsão contemplada no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A imputação especulativa da ocorrência de fraude a fatos devidamente abarcados pela plena legalidade, dentro da prerrogativa negocial do contribuinte, sem qualquer demonstração ou prova de postura ilícita extratributária, não é fundamentação válida para a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO SUBJETIVA E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 INCISO III CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização dos sócios e dos administradores é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor ou titular. É necessária a imputação pessoal, com a correspondente comprovação das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise. A mera constatação objetiva da função de administração e/ou presença como titular em instrumento societário, bem como a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as atividades das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não são capazes de atribuir responsabilidade a sócio ou a administrador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011,2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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IMOBILIZADO. A companhia deve classificar as contas contábeis ou reclassificálas com observância estrita aos critérios definidos na legislação societária e em conformidade com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos. Serão classificados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. A alteração do objeto social no estatuto da companhia para inclusão de atividade de compra e venda de bens imóveis, perpetrada sem nenhum embasamento fático, não se presta para justificar a transferência de bem do Imobilizado Não Circulante para o Circulante. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BEM DO IMOBILIZADO. No caso das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido, os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo do IRPJ para efeito de incidência do imposto e do adicional. A venda de imóvel originalmente contabilizado em conta do Imobilizado, no qual funcionava a sede social e que era destinado à manutenção das atividades da pessoa jurídica, se sujeita à apuração de ganho de capital para fins de determinação do lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. DIVERGÊNCIA NA CLASSIFICAÇÃO DE ATIVO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO DE VALORES REFERENTES A GANHO DE CAPITAL COMO RECEITAS OPERACIONAIS. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 01 60 /2 01 6- 17 Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.096 2 A divergência plausível na classificação contábil de bens, mesmo gerando redução indevida da oneração tributária no momento da sua alienação, não constitui fraude ou simulação. É necessária a efetiva e material comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio para a devida aplicação da previsão contemplada no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A imputação especulativa da ocorrência de fraude a fatos devidamente abarcados pela plena legalidade, dentro da prerrogativa negocial do contribuinte, sem qualquer demonstração ou prova de postura ilícita extratributária, não é fundamentação válida para a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO SUBJETIVA E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 INCISO III CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização dos sócios e dos administradores é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor ou titular. É necessária a imputação pessoal, com a correspondente comprovação das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise. A mera constatação objetiva da função de administração e/ou presença como titular em instrumento societário, bem como a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as atividades das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não são capazes de atribuir responsabilidade a sócio ou a administrador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011,2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao mérito da exigência, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone; ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias; e iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a responsabilidade tributária imputada a Clarisse Beatriz Pukall Mayer Linck e a Inge Margarete Mayer Ott, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.097 3 (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.098 4 Relatório Tratase de Recursos Voluntários (fls. 207 a 2040 Contribuinte; fls. 2042 a 2052 Sra. CLARISSE BEATRIZ PUKALL MAYER LINCK; fls. 2053 a 2063 Sra. INGE MARGARETE MAYER OTT), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls. 1961 a 1983) que negou provimento às Impugnações apresentadas pela Contribuinte e pelos Sujeitos Passivos solidários (fls. 1833 a 1999), opostas contra as Autuações lavradas (fls. 111 a 150). Em resumo, a contenda tem como objeto exações de IRPJ e CSLL, referentes a infração de insuficiência de recolhimentos de ganho de capital na venda de imóvel, apurada nos anos calendários de 2011 a 2012, tendo em vista que a Contribuinte, optante pelo Lucro Presumido, considerou o produto da venda de imóvel de sua propriedade rural como receita operacional, submetendoo ao percentual de presunção do lucro para o cálculo dos tributos devidos. Entende a Fiscalização que o imóvel alienado no ano de 2011 deveria ter recebido tratamento contábil de ativo imobilizado (nãocirculante), dando margem, consequentemente, a ganho de capital quando da sua alienação por valor superior àquele mantido nos registros da Companhia. Afirmase que, quando a Contribuinte incluiu a atividade imobiliária no rol de seus objetos sociais, ainda em 2008, e classificou, àquela época, tal imóvel como ativo circulante, procedeu a manobra fraudulenta, vez que não exerceria, de fato, atividade imobiliária, apesar de praticar o arrendamento de suas terras e ter provido, pontualmente, a venda de algumas glebas de terras, esporadicamente. Aponta que não teriam sido transmitidas DIMOBs, informando transações imobiliárias entre os anoscalendário de 2007 e 2012, bem como não fora informado em DIPJs de 2005 a 2012 do período o exercício de atividades imobiliárias (passando a fazêlo apenas em relação ao anocalendário de 2013). A multa de ofício restou qualificada por se entender que houve fraude no enquadramento do imóvel Fazenda Santa Rosa no Ativo Circulante uma vez que estava sendo explorado através do arrendamento do pasto e era a sede administrativa da sociedade desde a sua constituição. Ademais a inclusão da atividade de compra e venda de imóveis no objeto Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.099 5 social da sociedade objetivou exclusivamente justificar tal enquadramento do imóvel como mercadoria, uma vez que a atividade nunca foi exercida pela sociedade. A responsabilização dos Sujeitos passivos solidários deuse pois houve infração a lei tributária e a lei das sociedades por ações, deste modo serão consideradas solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as diretoras que assinaram o contrato de promessa de compra e venda, a escritura pública de compra e venda e a ata de assembléia geral extraordinária de 18/11/2011 que ratificou a venda da Fazenda Santa Rosa e autorizou que após o pagamento das despesas da sociedade o resultado da venda fosse distribuído às acionistas, revelando beneficiamento direto (...). Ao seu turno, a Contribuinte e os Sujeitos Passivos solidários alegam que a sua postura não configura qualquer infração, e muito menos fraude, tendo promovido, diligentemente, à inclusão do novo objeto social, imobiliário, nas atividades da Companhia quando houve a decisão de explorar a atividade imobiliária, abarcado aqui o arrendamento, estando plenamente amparada pelas normas contábeis a alteração da classificação do imóvel para a conta de estoque (3 anos antes de sua efetiva venda), sendo tal manobra acobertada por entendimento COSIT e outras manifestações da Receita Federal do Brasil. Acrescenta ser irrelevante o descumprimento da entrega de DIMOB e a informação equivocada presente em DIPJ para a classificação do ativo em questão, a determinação de sua natureza contábil e existência de ganho de capital. Os Sujeitos Passivos, além de também combaterem o mérito das exações e a multa qualificada, também pugnam pela inocorrência de hipótese de responsabilização no presente caso. Por bem resumir o início da contenda, adotase a seguir o preciso e conciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Contra o contribuinte, pessoa jurídica já qualificada nos autos, foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no qual foram destacados os aspectos principais do lançamento e ainda caracterizada a responsabilidade tributária das pessoas físicas especificadas em relação ao crédito tributário constituído, conforme demonstram os seguintes excertos: Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.100 6 Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.101 7 Em decorrência do procedimento fiscal, foi lavrado ainda o autos de infração pertinente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cujo crédito tributário foi assim consolidado: TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL IRPJ / CSLL – FLS. 137/150. Nos itens 1 e 2, a autoridade fiscal discorreu sobre as informações preliminares pertinentes ao contribuinte, especialmente a respeito das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a respeito das intimações expedidas e respostas apresentadas pelo fiscalizado. Em seguida, no item 3, a fiscalização tratou das alterações no estatuto social e atividades exercidas pela pessoa jurídica, tendo concluído que, não obstante a pessoa jurídica tenha incluído em seu objeto social a compra e venda de imóveis, nunca exerceu de fato tal atividade. Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.102 8 No item 4, foi feito um relato sobre a contabilização da Fazenda Santa Rosa e tributos incidentes sobre a venda, no qual se discorreu sobre a apuração de ganho de capital na venda do referido imóvel, com reflexos nos anoscalendário de 2011 e 2012. No item 5, a fiscalização tratou da multa qualificada, indicando a legislação e circunstanciando os motivos para a exigência. No item 6, discorreuse sobre os fatos que fundamentaram a identificação dos devedores solidários; finalizando com os registros de encerramento no item 7. Integram o TVF, os Anexos I, II, III e IV. DEMAIS DOCUMENTOS. Os demais documentos que embasaram o trabalho fiscal constam das fls. 153/1815. DOCUMENTAÇÃO DE CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. A ciência do lançamento e da responsabilização solidária foi dada por meio do termo competente (doc. fls. 1816/1824), pessoalmente ou por via postal (Aviso de Recebimento AR), conforme se segue: IMPUGNAÇÃO AGROPESA AGROPECUÁRIA PORTO DOS GAÚCHOS S.A. Conforme Termo de Solicitação de Juntada datado de 17/01/2017, a Agropesa Agropecuária Porto dos Gaúchos S.A. apresentou a impugnação (fls. 1833/1880), cujo conteúdo, em resumo, se passa a explicitar. 1. DO PROCEDIMENTO FISCAL. Neste tópico, foi feita uma síntese da autuação. 2. DO HISTÓRICO DA AGROPESA. Foi feito um histórico deste a fundação da Agropesa em 1968, tendo sido identificada ainda a ocorrência de desmembramento de parte da área e sua comercialização nos anos de 1986, 1990 e 2003, atestando que a venda de área de terras foi fato constante no desenvolvimento social da empresa. Diante dos graves e onerosos obstáculos enfrentados, os sócios então deliberam em 2008 que a IMPUGNANTE necessitava e passaria a atuar na área de compra e venda de imóveis, para viabilizar a venda de áreas de terras. Para que a propriedade não ficasse abandonada, sujeita a invasões, como já acontecera, a única solução foi arrendar Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.103 9 pequenas áreas (diante do todo) para obter alguma renda suficiente para manter a estrutura mínima da AGROPESA, cumprindo suas obrigações, sem remunerar seus administradores e acionistas, esperando até que ocorressem oportunidades de vendas. Nesse contexto, a IMPUGNANTE classificou a área de terras registrada na matrícula nº 1.044 como imóvel pertencente ao “Ativo Circulante”, na conta de “estoque de imóvel destinado a venda”, refletindo precisamente a sua intenção de obter lucro na venda, explorando a atividade imobiliária. 3. DO RELATÓRIO FISCAL. A impugnante fez um resumo do Relatório Fiscal. 4. DA CONTESTAÇÃO AOS FATOS APONTADOS PELO AGENTE FISCAL. 4.1. DA VENDA DE IMÓVEIS. A verdade é que a IMPUGNANTE, sempre que se fez necessário exerceu a atividade imobiliária promovendo a venda de terras, conforme comprova a cópia da matrícula imobiliária. O destaque para a atividade de compra e venda de terras (e a venda objeto da presente Impugnação) foi feita após ter sido frustrado, por total falta de recursos, o projeto pecuário inicial (incentivado e não cumprido pela SUDAM) e a parceria agrícola, tudo conforme planejado e deliberado em 2008. 4.2. DO ARRENDAMENTO. Ao contrário do que entende o Agente Fiscal, a circunstância dos bens terem gerado renda através do arrendamento formalizado em janeiro de 2011 não compromete o registro contábil realizado, tampouco tem o condão de afetar a legitimidade da tributação formalizada, na medida em que sempre fez parte do projeto da IMPUGNANTE promover a venda das áreas de terra, não tendo se alterado em função do arrendamento. Os Acórdãos nºs 1102001.085 e 1402001.956 do CARF corroboram tal entendimento, pois declaram que o recebimento de aluguéis, enquanto não se concretiza a venda, não anula o propósito de venda. 4.3. DA ATIVIDADE PREPONDERANTE INFORMADA NA DIPJ. O fato da Impugnante ter informado na DIPJ, nos anos de 2005 a 2012, como atividade preponderante a criação de bovinos para corte não pode ser usada para descaracterizar o procedimento tributário adotado pela empresa. Conforme consta da tabela do Anexo I, do Termo de Verificação Fiscal, elaborada pelo Agente Fiscal, verificase que a receita Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.104 10 da Impugnante nos anos calendário de 2005 a 2010 é de valor bastante baixo, decorrente dos já mencionados arrendamentos. Tratase portanto de mera incorreção quanto à atividade que deveria constar da DIPJ. 4.4. DA DIMOB. Outrossim, a não apresentação da DIMOB não pode servir de base para a conclusão exarada pelo Agente Fiscal. O não cumprimento dessa obrigação não gera qualquer presunção, tão somente a imposição de multa. Ademais, a não apresentação da DIMOB não impede que o fisco tenha conhecimento pleno da operação imobiliária efetivada. Mensalmente os cartórios informam, via DOI (Declaração sobre Operações Imobiliárias), as operações de compra e venda registradas. Conforme declarou o Agente Fiscal a Receita Federal recebeu a DOI referente ao negócio em questão. 4.5. DA SEDE. Por último, o Agente Fiscal sustenta que o fato da sede se encontrar na Fazenda Santa Rosa desqualifica a classificação contábil registrada, pois os bens mantidos para o aluguel e outros fins administrativos devem ser classificados como ativo imobilizado. In casu, o Agente Fiscal maliciosamente olvidase que o bem em questão corresponde a uma Fazenda de mais de 12.000 ha. Não é razoável considerar que, em razão da sede social encontrarse localizada dentro dessa vasta extensão de terras, toda a área deve ser classificada como item intangível do ativo imobilizado da IMPUGNANTE. Tratase de entendimento que bem demonstra o caráter abusivo da presente autuação. 4.6. DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO BEM (ÁREA DE TERRA) COMO CIRCULANTE ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Do ponto de vista técnico contábil, não resta dúvida de que o procedimento adotado pela IMPUGNANTE de reclassificar a área de terras (Fazenda Santa Rosa) do ativo imobilizado para ativo circulante estoques, em função da inclusão no objeto social, também em 2008, da atividade de compra e venda de bens imóveis, foi totalmente correto e era necessário fazêlo, em conformidade com o PRONUNCIAMENTO CONCEITUAL BÁSICO (R1) Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro, do CPCComitê de Pronunciamentos Contábeis, com Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade). Destaca ainda, de forma complementar, que tal transferência de contas, inclusive já foi objeto de manifestação da Divisão de Tributação da 10ª Região Fiscal, através da Solução de Consulta Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.105 11 nº 139 de 29 de Agosto de 2006, cuja situação descrita, do ponto de vista contábil, é a representação da situação da Agropesa a partir de 2008. Cita ainda acórdão do Carf. Por fim, sob o aspecto contábil, o fiscal ao abordar a classificação contábil da Fazenda como ativo imobilizado, simplesmente ignorou por seu interesse em autuar, que a empresa não tinha mais, já há longa data, a atividade primária rural e que em seu objeto social também há longa data já havia a atividade de compra e venda de bens imóveis, o que torna obrigatória a contabilização como receita da atividade com as consequências de oferecimento a tributação como atividade principal. 5. DA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A impugnante discorre sobre as regras de tributação pelo lucro presumido e cita a Solução de Consulta 139, de 29/08/2006, para destacar que inexiste na legislação qualquer vedação ao procedimento por ela adotado. O próprio agente fiscal não apontou nenhum dispositivo legal que vedasse o procedimento adotado pela IMPUGNANTE ou que tivesse sido frontalmente contrariado no proceder adotado. Tratase tão somente de divergência quanto a interpretação da legislação. 6. PROPORCIONALIDADE E CONFISCO. O não cumprimento de obrigações acessórias não confere ao fisco o direito de confiscar a propriedade do contribuinte. Ora, se a IMPUGNANTE vende um bem de seu patrimônio pelo valor de R$ 22.500.000,00 e o Agente Fiscal afasta os registros contábeis e o regular exercício da atividade empresarial, por descumprimento de obrigações acessórias, lançando um crédito tributário no valor R$ 21.378.449,61, a única definição possível para essa pretensão fiscal é: confisco! 7. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Afirma a impugnante que não há como se falar em dolo da IMPUGNANTE no presente caso, senão vejamos: a operação questionada pelo fisco foi devidamente registrada nos livros contábeis e nas declarações de imposto de renda da IMPUGNANTE; a IMPUGNANTE forneceu todos os documentos solicitados pela Receita durante a fiscalização; a IMPUGNANTE alterou seu objeto social no estatuto social anos antes da venda ora questionada, restando afastada a hipótese de criação de estrutura no momento ou posteriormente ao ato questionado. Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.106 12 Destarte, não se pode imputar à IMPUGNANTE qualquer conduta dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fiscal. Não há provas ou indícios de máfé. Cita jurisprudência administrativa e judicial acerca do assunto em pauta. Conclui que, independente de caracterização dos elementos para cobrança da multa qualificada, é inconstitucional a imposição da multa no percentual de 150% do valor da obrigação principal por constituir flagrante violação ao princípio constitucional do não confisco, instituído no art. 150, inciso IV da CF. 8. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A Autoridade Fiscal indevidamente enquadrou as sócias administradoras da empresa autuada como responsáveis solidárias no auto de infração. Inicialmente cumpre lembrar do entendimento contido na súmula 430 do STJ, segundo o qual “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente”. No Termo de Verificação Fiscal do caso em análise, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, quando trata dos devedores solidários, apenas transcreve o artigo 135 do CTN e afirma, de maneira demasiadamente lacônica, que “houve infração a lei tributária e a lei das sociedades por ações”. Não há qualquer menção a qual seriam os atos que infringiram a lei tributária e societária. Não há qualquer descrição, quanto menos pormenorização e individualização, das condutas das sócias administradoras que levaram o AuditorFiscal a enquadrálas como responsáveis solidárias. Foi citado entendimento doutrinário e jurisprudência sobre o assunto. Assim sendo, considerando que estão ausentes os pressupostos fáticos, uma vez que não há prova nos autos da atuação dolosa ou culposa em relação a cada uma das diretoras responsabilizadas, deve ser afastada a responsabilidade solidária de Inge Margarete Mayer Ott e Clarisse Beatriz Pukall Mayer Linck. 9. CRONOGRAMA. A impugnante traçou um cronograma do desenvolvimento de suas atividades e do universo em que se deu sua trajetória. 1O. DOCUMENTOS ANEXADOS. Foi apresentada uma relação de documentos anexados à impugnação, assim constituída: 1) Matrícula nº 1.044; Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.107 13 2) Notícia do Site Porto Notícias; 3) Certidão Ação de Cobrança; e 4) Sentença de Reintegração de Posse. 11. CONSIDERANDOS. Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.108 14 12. CONCLUSÃO. Por tudo o quanto foi demonstrado na presente impugnação fica caracterizado o correto procedimento tributário adotado pela IMPUGNANTE. 13. DO PEDIDO. IMPUGNAÇÃO CLARISSE BEATRIZ PUKALL MAYER LINCK. Conforme Termo de Solicitação de Juntada datado de 17/01/2017, Clarisse Beatriz Pukall Mayer Linck apresentou a impugnação (fls. 1881/1916), cujo conteúdo, em linhas gerais, corresponde ao contraditório oferecido pela Agropesa Agropecuária Porto dos Gaúchos S.A. acima resumido. IMPUGNAÇÃO INGE MARGARETE MAYER OTT. Conforme Termo de Solicitação de Juntada datado de 17/01/2017, Inge Margarete Mayer Ott apresentou a impugnação (fls. 1917/1952), cujo conteúdo, em linhas gerais, corresponde ao contraditório oferecido pela Agropesa Agropecuária Porto dos Gaúchos S.A. anteriormente resumido. Ao seu turno, a 2ª Turma da DRJ/BHE proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às defesas da Contribuinte e dos Sujeitos Passivos solidários, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. IMOBILIZADO. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.109 15 A companhia deve classificar as contas contábeis ou reclassificálas com observância estrita aos critérios definidos na legislação societária e em conformidade com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos. Serão classificados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. A alteração do objeto social no estatuto da companhia para inclusão de atividade de compra e venda de bens imóveis, perpetrada sem nenhum embasamento fático, não se presta para justificar a transferência de bem do Imobilizado (Não Circulante) para o Circulante. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BEM DO IMOBILIZADO. No caso das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido, os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo do IRPJ para efeito de incidência do imposto e do adicional. A venda de imóvel originalmente contabilizado em conta do Imobilizado, no qual funcionava a sede social e que era destinado à manutenção das atividades da pessoa jurídica, se sujeita à apuração de ganho de capital para fins de determinação do lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que ficar caracterizada a prática de fraude definida na forma da lei e comprovada em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DIRETORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado. Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.110 16 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face de tal revés, a Contribuinte e os Sujeitos Passivos interpuseram os Recursos Voluntários, ora sob análise, basicamente reiterando suas alegações de Impugnação, frisando a total conformidade legal e contábil de seus atos e posturas, assim como a posição da Receita Federal do Brasil, que endossaria a sua conduta. Aponta especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.111 17 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Os Recursos Voluntários são manifestamente tempestivos e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Inicialmente, em razão de sua prejudicialidade, será procedida à análise das matérias referentes às exigências fiscais de IRPJ e CSLL, aduzidas no Recurso Voluntário da Contribuinte, para, somente então, se for o caso, passar a se analisar os temas da multa qualificada e da responsabilização das diretoras da Companhia. Não havendo temas preliminares, passase à analise do mérito. Pois bem, a questão sob análise referese, exclusivamente, a divergência sobre a classificação contábil do imóvel alienado pela Contribuinte (Fazenda Santa Rosa) em 2011, que implica na determinação do tratamento do produto proveniente de sua venda e, consequentemente, dentro da sistemática do Lucro Presumido, afeta sua forma da tributação e oneração fiscal efetiva. Não se questiona aqui a possibilidade jurídica da opção pelo Lucro Presumido por empresa dedicada à exploração de bens imóveis ou a tributação das receitas decorrentes como operacionais. Tampouco questionase a falta de registro da operação de venda do imóvel rural na contabilidade ou sua oferta à tributação (que efetivamente se deu, mas sujeita aos percentuais de presunção do regime de apuração do lucro em questão). Também não se questiona a legalidade ou qualquer circunstância negocial da venda realizada. No caso, entendeu a Autoridade Fiscal que a Fazenda Santa Rosa deveria ter permanecido no Ativo Imobilizado (não circulante) da Recorrente, representando a sua contabilização no Ativo Circulante (estoque) ato fraudulento, uma vez que a pessoa jurídica não exerceu de fato no período de 2008 a 2013 a atividade de compra e venda de imóveis. Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.112 18 Primeiro procedeu à análise das alterações do estatuto social da Contribuinte, constatando que o objetivo original da sociedade, e que permaneceu até 2008, era a “exploração agropecuária, indústria extrativa e de beneficiamento de produtos primários, e atividades correlatas em terras de sua propriedade”. Em 27 de maio de 2008 o objeto social foi alterado conforme assembléia geral extraordinária que aprovou a alteração do objeto social para: compra e venda de bens imóveis, atividade agrícola e atividade agropecuária. Depois, supostamente visando à verificação das atividades exercidas pela pessoa jurídica, investigou as Declarações fiscais transmitidas pela companhia entre 2008 e 2015. Afirmou que nas DIPJ (Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) entregues pela Pessoa Jurídica para os anoscalendário de 2005 a 2012 verifiquei que foi informado como atividade a criação de bovinos para corte. A partir de 2014 até 2016 (anoscalendário) passou a informar a atividade de compra e venda de imóveis próprios (tabela do Anexo I). E, igualmente, que em consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil RFB constatei que a empresa não entregou as DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) relativas aos anos de 2008 a 2015. Acrescentou, ainda, que não há registros de outras compras ou vendas de imóveis na contabilidade da fiscalizada, ou na EFD (Escrituração Fiscal Digital) encaminhada ao SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Diante dessa análise de Declarações, concluiu que fica evidente que, não obstante a pessoa jurídica tenha incluído em seu objeto social a compra e venda de imóveis, nunca exerceu de fato tal atividade. Prosseguiu, abordando a contabilização da Fazenda Santa Rosa, apontando que conforme contratos de arrendamento de pastagens apresentados, a fazenda estava arrendada em 2011 e que por mais que a pessoa jurídica não estivesse explorando atividade agropecuária no imóvel no ano de sua venda, o mesmo estava arrendado e portanto deveria estar contabilizado no Ativo Imobilizado, desta forma o resultado da venda da Fazenda Santa Rosa não deve compor a base de cálculo do Lucro Presumido. Frisa aqui que a propriedade era apontada como a sede da Empresa. Estas são as constatações que levaram à conclusão de perpetração de fraude na alteração da classificação contábil do imóvel, o qual pertenceria ao Ativo Imobilizado (não circulante), não podendo ser as receitas advindas da sua alienação submetidas aos percentuais Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.113 19 de presunção do Lucro Presumido, devendo, sim, ser ofertadas diretamente à aplicação das alíquotas do IRPJ, Adicional e CSLL, como ganho de capital. O próprio TVF já traz elementos, colhidos e reconhecidos, pela própria Autoridade Fiscal, que merecem especial atenção preliminar: Atestase lá que 1) em 2008 a Contribuinte incluiu em seu objeto social compra e venda de imóveis próprios venda ocorrida apenas em setembro de 2011; 2) após tal alteração, a Empresa manteve a Fazenda Santa Rosa em conta de estoque; 3) a Companhia não exercia mais atividade agropecuária e 4) a Recorrente já vinha utilizando o imóvel para arrendamento de pastagens. Ou seja: A) a transação deuse de acordo com o objeto social da Contribuinte; B) o fluxo escritural da receita de venda do imóvel, que culminou na sua oferta à tributação como receita operacional, deuse de acordo com a sua classificação contábil; C) a Companhia não tinha mais como atividade a agropecuária, D) mas explorava tal imóvel por meio de arrendamento, percebendo receitas de tal atividade até sua alienação. Aprofundando, em relação à adição de um novo objetivo social, categorizado pelo CNAE, é certo que a descrição e a circunscrição dos objetivos de uma companhia é de livre deliberação dos seus sócios, sendo inclusive elemento passível de modificações a qualquer tempo, sem necessidade de aval ou autorização pública, fazendo parte da liberdade empresarial conferida aos atores da iniciativa privada. Já em relação ao critério para a classificação de um determinado bem como Ativo Não Circulante (imobilizado) ou Ativo Circulante (como estoque), o tema possui regulamentação pelo Conselho Federal de Contabilidade. No presente lançamento de ofício, a Autoridade Fiscal apresenta a definição de Ativo Imobilizado para demonstrar a natureza contábil do bem alienado valendose apenas dos termos da Resolução CFC n° 1.177/09 (repetidos no CPC 27), onde se professa que Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos e se espera utilizar por mais de um período. Todavia, diante do presente debate, tal classificação não pode ser observada isoladamente. Nesse sentido, confirase o CPC 26R1, aplicável aos fatos sob análise, que traz a definição de Ativo Circulante: Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.114 20 Ativo Circulante 66. O ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (c) esperase que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço. Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulantes. (destacamos) Verificase em ambas regras contábeis a presença do termo mantido e, especificamente no CPC 26R1, rezase que para classificar determinado bem como Ativo Circulante basta a sua manutenção essencialmente com o propósito de ser negociado. E, como é certo no universo das Ciências Contábeis, inicialmente, a intenção registrada dos gestores de alienar um certo bem determina as razões de sua manutenção e o seu propósito dentro do conjunto patrimonial de uma determinada entidade, mormente quando o bem em questão prestase tanto para guarnecer e manter a fonte produtiva ou, igualmente, para a alienação comercial, dentro das atividades propriamente eleitas para aquela empresa. No presente caso, observase e o próprio TVF confirma que já em maio de 2008 (mais de 3 anos antes da alienação do imóvel) os gestores da Contribuinte deliberaram pela persecução da venda de imóveis de sua propriedade e, devida e transparentemente, procederam à alteração do objeto social da companhia, o que, correta e naturalmente, também deu margem para a correspondente alteração da conta contábil em que a Fazenda Santa Rosa estava registrada, passandoa do Ativo imobilizado para o estoque. Desde já fica claro e certo que não se está diante de hipótese em que a Empresa, repentina e fortuitamente, transfere bem de seu Ativo não circulante para o estoque, ainda no mesmo ano fiscal, pouco tempo antes da sua efetiva alienação. Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.115 21 Repitase, o imóvel permaneceu mais de 2 (dois) anos fiscais completos no estoque e a venda ocorreu após mais de 3 (três) anos da alteração de seu objeto social. Do ponto de vista societário e contábil, não houve qualquer descumprimento de atos necessários para tal transferência e para a lisura da sua posterior alienação sob tal rubrica. A Autoridade Fiscal sequer aventa falha, omissão de atos e/ou procedimentos contábeis e societários na contunda da Contribuinte, ou mesmo aponta para outra forma de se proceder. Assim, prevalece agora como cerne do fundamento da acusação de que tal imóvel tratavase, na verdade, de Ativo Imobilizado a conclusão de que a Recorrente nunca teria, de fato, exercido a atividade imobiliária (referindose diversas vezes a compra e venda, como constante de seu objeto social registro em Estatuto), empregando o imóvel, no período que precedeu a sua alienação, na atividade de arrendamento de pastagens e como local para a sua sede. Posto isso, a devida confirmação da adequação da classificação de um determinado bem, além da destinação determinada pelos gestores, exige uma análise racional, realista e amplamente contextualizada das atividades que efetivamente são desempenhadas pela companhia (e, concretamente, da sua operação de venda, quando analisase o passado), inclusive ponderando as características específicas do bem, as práticas de mercado (regionais) e os elementos pragmáticos da dinâmica empresarial em que a empresa está inserida. No caso, o imóvel objeto da transação colhida pelo Fisco é uma fazenda, com mais de 12.000 (doze mil hectares), que, historicamente, a partir de 1968, foi objeto de exploração rural. Na última década, como é incontroverso na lide, a Contribuinte decidiu abandonar as tentativas de desenvolver qualquer empreitada agropecuária em suas terras, decidindo, em 2008, alienar a Fazenda Santa Rosa. Antes da sua derradeira venda, a Empresa passou a arrendar sua terra. Registrese que tal trajetória da Companhia é muito comum, sendo forma recorrente de disponibilização e comercialização de grandes propriedades rurais no mercado brasileiro, não havendo qualquer artificialidade. Inclusive, o lapso temporal de 3 (três) anos entre a decisão de venda e a efetivação da alienação, considerando as características do imóvel, sua destinação e localização, é algo plenamente ordinário. Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.116 22 E temos aqui que, uma vez promovida a adequação societária da atividade empresarial, não existe base legal ou mesmo contábil para a Fiscalização exigir que a Contribuinte possua uma multiplicidade imóveis rurais para vender ou mesmo obrigála a desdobrar, registralmente, a área que já possui em unidades de superfície inferior, promovendo uma séria de pequenas vendas pretéritas para somente assim restar configurada a efetiva realização de tal atividade imobiliária. Da mesma forma, partir do momento que também não há na legislação vedação para que, qualquer empreendedor, constitua empresa com objeto imobiliário, precisamente de compra e venda de imóveis, e possua, em seu estoque, apenas uma unidade imobiliária, não se pode impor tal exigência à Contribuinte, independentemente do seu histórico empresarial anterior sob pena de violação da isonomia entre contribuintes, do equilíbrio concorrencial e do direito ao gozo da opção fiscal pelo Lucro Presumido, que limita se exclusivamente pela Lei e sua expressa regulamentação. Mister registrar que é notória prática do mercado imobiliário a criação de empresas, autônomas e individuais, com propósito exclusivo e específico de alienar um único grande (ou valioso) imóvel ou propiciar um empreendimento, sobre um imóvel apenas, promovendo sua venda por meio de tal entidade empresarial. Nesse sentido, não pode ficar uma empresa condenada à imutabilidade da exploração de determinadas atividades operacionais, sendo livre e garantida a alteração de seu objeto para se enveredar por outras iniciativas, valendose do patrimônio que já possui. Tratando exatamente da alteração de objeto social para a venda de bens imóveis, por empresa optante pelo Lucro Presumido, a Solução de Consulta COSIT nº 254/2014 (editada antes do lançamento de ofício), que assim versa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. VENDA DE IMÓVEIS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes da venda de imóveis, efetuadas por pessoa jurídica que exerça de fato e de direito atividade imobiliária, sob a sistemática do lucro presumido, sujeitamse ao percentual de presunção de oito por cento para apuração da base de cálculo do IRPJ, ainda que os imóveis destinados a venda tenham sido adquiridos antes Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.117 23 de formalizada na Junta Comercial a inclusão de tal atividade em seu objeto social. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), arts. 224, 518 e 519. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. VENDA DE IMÓVEIS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes da venda de imóveis, efetuadas por pessoa jurídica que exerça de fato e de direito atividade imobiliária, sob a sistemática do lucro presumido, sujeitamse ao percentual de presunção de doze por cento para apuração da base de cálculo da CSLL, ainda que os imóveis destinados a venda tenham sido adquiridos antes de formalizada na Junta Comercial a inclusão de tal atividade em seu objeto social. Dispositivos Legais: Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 20; e Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, art. 3°. (...) 15. Pois bem. A dúvida que motivou a consulta, nos moldes em que se encontra formulada, cingese à tributação relativa à venda de um imóvel, registrado em conta de estoque, adquirido antes da alteração do contrato social que incluiu as atividades de loteamento e compra e venda de imóveis dentre aquelas pertencentes ao objeto empresarial da consulente. 16. Nessa delimitação temática, a questão interpretativa a esclarecer é se a receita bruta de venda do imóvel efetuada em tais condições, por caracterizar a operação atividade imobiliária, sujeitase aos percentuais de presunção do lucro. 17. Para responder a essa indagação, é necessário verificar se a aquisição do imóvel antes de formalizada no registro do comércio a inclusão da atividade imobiliária no objeto social da consulente é fator impeditivo à aplicação do percentual de presunção sobre a receita dessa alienação. 18. Considerar impedimento significa afirmar que a formação do estoque de bens para revenda somente pode se dar a partir da inclusão da atividade imobiliária no registro do comércio, de maneira que não seria possível um imóvel adquirido anteriormente à alteração contratual integrar o estoque dessa atividade econômica. 19. Contudo, parece intuitivo que esse raciocínio se mostra incompatível com a própria dinâmica e organização das entidades empresariais, que exigem, muitas vezes, a redefinição Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.118 24 de suas atividades e a deliberação sobre a destinação a ser dada aos elementos patrimoniais, para fins de exploração do seu objeto social. 20. Assim, é legítimo concluir que, no processo de organização que abrange a inclusão das atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos e compra e venda de imóveis próprios e de terceiros, a pessoa jurídica poderá definir quais bens integram o seu estoque para venda, tanto aqueles adquiridos com o propósito negocial de venda, quanto aos bens previamente integrantes de seu patrimônio, para os quais há decisão de redirecionálos ao comércio. 21. Postos em contexto esses aspectos inerentes à atividade empresarial, seria de surpreender que a legislação tributária condicionasse a incidência da margem presumida sobre as receitas da atividade imobiliária ao momento de aquisição dos imóveis destinados a venda. Inexiste, porém, tal restrição temporal. 22. De modo que, formado o estoque de imóveis para venda, a pessoa jurídica que explore atividade imobiliária, optante pelo lucro presumido, deverá considerar como receita bruta o montante recebido pelos bens vendidos, cuja base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL, em cada mês, será determinada mediante a aplicação, respectivamente, do percentual de 8 % (oito por cento) e 12 % (doze por cento) sobre essa receita bruta auferida. 23. Tornase irrelevante, portanto, o fato de o imóvel comercializado ter sido adquirido em época anterior, quando a atividade imobiliária ainda não figurava nos atos constitutivos como objeto social da pessoa jurídica. 24. Para considerar a receita como oriunda da sua atividade econômica, o que importa é que a pessoa jurídica exerça, de fato e direito, a atividade imobiliária quando auferir tal receita decorrente da alienação do imóvel destinado a esse fim. Notese que a própria Receita Federal do Brasil entende que, uma vez devidamente alterado o objeto social da empresa, visando à exploração imobiliária, esta pode definir quais bens integram o seu estoque para venda, tanto aqueles adquiridos com o propósito negocial de venda, quanto aos bens previamente integrantes de seu patrimônio, para os quais há decisão de redirecionálos ao comércio. Tal posição reforça a soberania da intenção dos gestores sobre a destinação de seus bens, diante de tal hipótese. É precisamente o que ocorreu no presente caso. Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.119 25 De extrema contundência para a determinação da natureza das atividades desenvolvidas pela Contribuinte, é o fato de que o próprio TVF e os livros contábeis que lhe instruem confirmam que esta já desenvolvia atividade imobiliária, antes do momento da venda de sua fazenda, como mencionado ao final de tal Solução de Consulta da COSIT. Melhor explicando: é inquestionável que o arrendamento de pasto constitui atividade imobiliária e não rural (ou de qualquer outra natureza), simplesmente tratandose de negócio de locação de imóvel rural para o desenvolvimento de atividades agropecuárias. O art. 3º do Decreto nº 59.566/66 define tal instituto negocial como o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel , observados os limites percentuais da Lei. Em consonância com aquilo acima exposto, o art. 2º da Lei nº 8.023/90 não arrola qualquer modalidade de arrendamento como atividade rural. O mesmo se extrai do art. 25 da Lei nº 8.212/91, para fins previdenciários. Reforçando, derradeiramente, esta assertiva, observe o CNAE1 para o arrendamento de pasto: Seção L ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Divisão: 68 ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Grupo: 68.1 Atividades imobiliárias de imóveis próprios Classe: 68.102 Atividades imobiliárias de imóveis próprios Subclasse: 68102/02 Aluguel de imóveis próprios Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: o aluguel de imóveis próprios, residenciais e nãoresidenciais o aluguel de aparthotéis residenciais próprios 1 https://concla.ibge.gov.br/buscaonlinecnae.html?view=subclasse&tipo=cnae&versao=9&subclasse=6810202 Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.120 26 o aluguel, em base mensal, de vagas de garagem próprias o aluguel de terras próprias para exploração agropecuária, inclusive de pastos (destacamos) Confirase, agora, o CNAE2 para a compra e venda de imóveis próprios, expressamente constante do objeto social da Recorrente: Seção L ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Divisão: 68 ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Grupo: 68.1 Atividades imobiliárias de imóveis próprios Classe: 68.102 Atividades imobiliárias de imóveis próprios Subclasse: 68102/01 Compra e venda de imóveis próprios Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: a compra e venda de imóveis próprios, como: edifícios residenciais (apartamentos e casas) edifícios nãoresidenciais, inclusive salões de exposições, shopping centers, etc. terrenos Esta subclasse compreende também: a compra e venda de imóveis e de terrenos através de leasing Notase que ambas as atividade apenas diferenciamse na sua subclasse. É certo e absoluto que, no momento da venda do imóvel, a Contribuinte já se dedicava à exploração imobiliária de tal imóvel. Em acréscimo necessário à contextualização das atividades da Contribuinte, a própria exploração locatícia deste imóvel rural, antes da concretização da venda, se coaduna perfeitamente com intenção essencial de vendêlo e está de acordo com prática empresarial do mercado. 2 https://concla.ibge.gov.br/buscaonlinecnae.html?subclasse=6810201&tipo=cnae&versao=9&view=subclasse Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.121 27 Nesse sentido, a venda de imóveis, principalmente de grande metragem (no caso, uma fazenda de 12.000 hectares, localizada no Mato Grosso, dentro da amazônia legal), costuma apresentar um prazo considerável de tempo entre sua oferta ao mercado e sua efetiva alienação. No caso, foram mais de 3 (três anos). E nesse interregno, a manutenção do imóvel representa custos, ônus e riscos para seus detentores, ainda que este seja um legítimo bem de seu estoque. A locação (ou arrendamento) do imóvel disponível no período que precede a sua efetiva alienação comercial mostrase uma solução negocial para a eficaz mitigação de tais dispêndios e aumento das garantia da manutenção do bem sob o domínio de seus titulares, vez que a contraprestação pelo seu uso cobre gastos basais da propriedade e a presença produtiva de terceiros preserva suas características rurais/comerciais, evitando também invasões. Ora, o industrial e os comerciários acondicionam e protegem os bens de seu estoque, evitando sua perda e perecimento, naturalmente elegendo a forma que apresenta melhor relação custobenefício. O mesmo se procedeu no caso da Fazenda Santa Rosa. Digase que a Contribuinte fez prova de que sofreu invasão, tendo que mover Ação de Reintegração de Posse para cessar o esbulho sofrido, obtendo tutela favorável do Poder Judiciário no mês de dezembro de 2007(fls. 1776 a 1879), pouco antes da decisão empresarial de vender tal propriedade. Data maxima venia, conferindo todo respeito e admiração à Autoridade Fiscal, não pode a interpretação do Fisco, referente à natureza contábil de um determinado bem, implicar e exigir que a Contribuinte mantenha uma vasta porção de terras rurais, localizadas no estado do Mato Grosso, desocupadas e improdutivas para que, somente assim, revistase tal imóvel de bem do estoque. No caso, deve se considerar todo o contexto nacional, jurídico e cultural, do uso de terras rurais e a sua função, constitucionalmente tutelados e fiscalizados pela própria União a mesma que agora impõe tal cobrança tributária. E também, de um ponto de vista empresarial, a própria Lei das S/A impõe aos dirigentes o dever de diligência e de boa administração, devendo se buscar as medidas mais eficientes e vantajosas para a saúde financeira e continuidade da companhia. Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.122 28 O simples raciocínio de que, na medida que a Recorrente usava, recentemente, a terra como fonte para o arrendamento de pastagem, bastando isso para caracterizála como Ativo Imobilizado, não considera todo o contexto empresarial e comercial específico da manutenção e alienação de tal bem (e nem todo o arcabouço jurídico indiretamente envolvido em tais circunstâncias). Na verdade, tal arrendamento mostrase circunstancial, sequer estando presente no Estatuto Social tal atividade, o que reforça a destinação essencial de tal bem para a alienação. Tal análise contextual, ampla e pragmática, é de suma importância no universo da contabilidade se não decisiva para a aplicação de seus conceitos e regras. E confirmando tal posição, confirase o Acórdão nº 1402001.956, desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, de votação unânime, proferido sob a relatoria do I. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, publicado em 11/05/2015: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 Ementa IMPOSTO DE RENDA. BEM IMÓVEL DO ESTOQUE QUE É LOCADO ENQUANTO AGUARDA A VENDA. AVALIAÇÃO DO ELEMENTO QUE MODIFICA A ESSÊNCIA UM BEM TRANSPORTANDOO DO ESTOQUE PARA O ATIVO IMOBILIZADO. A intenção de vender determinado bem não se ausenta pelo fato do mesmo ser alugado enquanto a venda se concretiza. Demonstrado que a intenção sempre foi a venda do imóvel, a construção de um shopping sobre o terreno e a locação de lojas, na fase de construção, com o recebimento de aluguéis entre o período da inauguração e a venda do empreendimento, não faz com que tal imóvel saia do estoque e ingresse no ativo imobilizado. Ademais, no caso concreto, a construção do empreendimento e a locação das lojas antes da venda se constituiu em elemento destinado a agregar valor ao bem vendido. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. (destacamos) Em relação à eleição da sede da Empresa na Fazenda Santa Rosa, deve se considerar que, de acordo com o Estatuo Social, tal decisão empresarial remonta inúmeras décadas, quando a propriedade se prestava à exploração de objeto rural. Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.123 29 E é importante esclarecer que tal fato apontado pela Fiscalização tem base exclusivamente formal, referente ao Estatuto Social da companhia e às DIPJs transmitidas. Não existe uma prova ou qualquer elemento material apontado que lá era desenvolvido trabalho de escritório ou que contava com a presença de membros de uma eventual área administrativa da Contribuinte. Mesmo assim, como dito, a fazenda possui mais de 12.000 hectares. Seria ilógico, irracional, contraproducente e negocialmente injustificável a Contribuinte, no momento em que decide alienar comercialmente tal bem, buscar outro lugar para figurar como a sua sede. Até porque podese presumir, com segurança, que o interior do Mato Grosso não dispõe de grande oferta de imóveis adequados para prestarem de sede administrativa, sem que obrigue os titulares a se distanciarem centenas de quilômetros de sua propriedade. É situação bem diferente de um imóvel urbano, cuja toda a sua metragem (ou a maioria) é utilizada para os setores administrativos de uma empresa. Ainda, é comum (se não regra) que em empreendimentos imobiliários, como loteamentos, novos edifícios urbanos ou mesmo grandes terrenos, utilizese pequena parcela da metragem de tais imóveis, de clara destinação comercial, para instalar stands de venda e escritórios para a negociação financeira com seus clientes. Tal uso, diminuto, racional e oportuno, não descaracteriza a natureza circulante dos imóveis objeto dos empreendimentos. Assim, consideradas as peculiaridades do presente feito, a mera manutenção do imóvel como o local apontado como sede da Empresa em seus documentos não é capaz de alterar sua natureza contábil e nem se trata de elemento decisivo na determinação da forma de tributação do produto de sua alienação. Posto isso, resta claro que, no momento da sua alienação, estava correto tratamento contábil de tal imóvel como parte do estoque, não havendo em se falar, aqui, de hipótese de ganho de capital. Por fim, em relação a não entrega de DIMOB pela Contribuinte entre os anos de 2008 e 2015, primeiro deve se esclarecer que, nos termos da própria orientação da Receita Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.124 30 Federal do Brasil3, os contribuintes arrolados como sujeitos à sua transmissão, estão desobrigados de apresentarem tais declarações quando não comercializaram imóveis no período abrangido. Assim, temos que, em termos de descumprimento de obrigação acessória, a Contribuinte apenas deixou de transmitir a DIMOB 2012 (referente à alienação procedida em setembro de 2011). Como esclarece próprio o Órgão arrecadador federal, tal conduta de inobservância tem como consequência, exclusiva e objetiva, a aplicação das sanções pecuniárias que trata do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. E frisese que, quando das Autuações, a Recorrente ainda estava no prazo quinquenal para a sua transmissão a destempo. Superado tal aspecto, não pode a determinação da natureza das atividades de um determinado contribuinte e, ulteriormente, a classificação contábil de seus bens, ficar condicionada ao devido atendimento de obrigações acessórias, de teor exclusivamente informativo. Em confronto com tudo aquilo já demonstrado sobre as atividades da Recorrente, pretéritas e contemporâneas à alienação da fazenda (baseada em provas acostadas aos autos, inclusive pela própria Autoridade Fiscal), ponderando a sua faculdade de alteração de objeto social e a ausência de base legal para se exigir a existência de alienações prévias e sucessivas de outros bens imóveis, temos que tal elemento apresentado pela Fiscalização é uma singela formalidade, que em nada contribui para a determinação da natureza da operação procedida, objeto das Autuações. O mesmo se aplica ao manifesto equívoco na informação da atividade principal da Contribuinte na DIPJs de 2005 a 2012, como se ainda fosse agropecuária (o que fora confirmado pela própria Fiscalização não corresponder aos fatos, vez que a Empresa arrendava tais terras), as quais também possuem natureza meramente informativa. Curioso notar que o fundamento da infração colhida e da acusação de fraude desconsiderou todas as informações e classificações sobre o objeto social da Contribuinte, constante em Estatuto Social, assim como em sua contabilidade, para prestigiar as supostas constatações referente ao exercício de fato das atividades empresariais. Ora, eis aqui critério que privilegia a substância sobre a forma, largamente adotado pela Fiscalização. 3 http://receita.economia.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dimobdeclaracaode informacoessatividadesimobiliarias/informacoesgerais Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.125 31 Nesse sentido, conferindo, mais uma vez, todo o respeito devido e admiração à Autoridade Fiscal (que procedeu a trabalho fiscal muito claro e hígido), toda essa argumentação referente as informações prestadas em DIPJ e a ausência de transmissão de DIMOB colidem frontalmente com a premissa e a lógica adotada em outras passagens das Autuações, as quais refutam e desconsideram os elementos formais apurados, reforçando, assim, a sua irrelevância para a matéria efetivamente apurada. Dessa forma, considerando tudo aquilo anteriormente exposto, não existe qualquer infração e muito menos fraude na conduta da Contribuinte de alterar seu objeto em 2008, para contemplar a compra e venda de imóveis próprios, devidamente cambiando a classificação contábil de sua fazenda para Ativo Não Circulante, tratando o produto de sua venda ocorrida em 2011 como receita bruta operacional, submetendoo ao percentual de presunção da dinâmica do Lucro Presumido. Em face da improcedência do lançamento de ofício, restam prejudicadas as matérias referentes à qualificação da multa de ofício e da sujeição passiva das diretoras, inclusive aduzidas em Apelos individuais, cujo o conhecimento também se prejudica. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, reformando o v. Acórdão recorrido para cancelar o lançamento de ofício, exonerandose integralmente o crédito tributário correspondente. Caso vencido, em relação à multa qualificada, pelas mesmas razões acima expostas, que afastam a ocorrência de fraude, tratandose o litígio, no máximo, de divergência plausível de interpretação de normas contábeis e tratamento fiscal, voto por reduzila para a monta ordinária de 75%. Em relação à sujeição passiva das diretoras, pelas mesmas razões, não há de se falar de postura ilegal ou violação de estatuto (pelo contrário), bem como não houve no TVF a exploração subjetiva de sua participação na infração colhida, tratandose de mera responsabilização objetiva pela Autoridade Fiscal em face de seus cargos societários o que é rechaçado pela jurisprudência majoritária desta 1ª Seção deste E. CARF, assim como por esta C. 2ª Turma Ordinária. Adotase, complementarmente, o entendimento registrado no v. Acórdão nº 1402002.874, de relatoria deste mesmo Conselheiro e votação unânime desta C. Turma Ordinária em relação a tal matéria, publicado de 11/06/2018: Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.126 32 (...) RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. É necessária a imputação pessoal, com correspondente comprovação, das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise. A simples elucubração da intenção dos gestores para cometer a infração tributária, sem a demonstração de nexo causal com as condutas pessoais efetivamente apuradas, não basta para atribuirlhes responsabilidade. Desse modo, alternativamente, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte para reduzir a multa qualificada à monta ordinária de 75% da sanção de ofício, bem como a ambos os Recurso Voluntários interpostos pelos Sujeitos Passivos solidários, para afastar a sua indevida responsabilidade pelas exações em tela. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.127 33 Voto Vencedor Paulo Mateus Ciccone Redator Designado O Colegiado, por voto de qualidade, entendeu por negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao mérito da exigência, no caso, a tributação assumida pela recorrente na alienação de bem imóvel de sua propriedade, considerandoo como decorrente de atividade de compra e venda, por isso, transitando pelos percentuais atinentes ao lucro presumido, ao invés de submeter a operação aos índices do ganho de capital, como assentado pela Fiscalização e ratificado pela decisão a quo. Ou seja, o ponto nevrálgico da lide diz respeito ao tratamento tributário a ser dado à venda da Fazenda Santa Rosa, no contexto da apuração do lucro presumido e se o resultado de sua alienação constituise uma receita operacional da pessoa jurídica ou um ganho de capital. Neste linha, embora reconheça a profundidade dos argumentos expendidos pelo I. Relator, Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella em todos os seus votos, dele divergi por fazer uma leitura diferente dos autos em relação à matéria de mérito trazida à apreciação. Principiando pela lição doutrinária de Antônio Roberto Sampaio Dória, segundo a qual “é necessária a existência de algum objetivo, propósito ou utilidade, de natureza material ou mercantil, e não puramente tributária, que induza o individuou à prática de determinados atos de que resulte economia fiscal” . (in Elisão e evasão fiscal – 2ª Ed. SP – Bushatsky – 1977 – pg. 75), entendo que o fato de a pessoa jurídica ter promovido a alteração de seu contrato social para incluir a atividade de "compra e venda de imóvel", e, linha direta com essa modificação societária, transferir contabilmente o valor do imóvel que, sempre e sempre e comprovadamente se prestou a permitir a subsistência econômica da entidade empresarial, já que se tratava de uma propriedade rural de grandes dimensões para utilização como "pastagem" para o gado bovino (atividade efetiva da recorrente), só essa alteração, repito, não me parece dar sustento para que, SOB O ÂNGULO TRIBUTÁRIO, se possa entender que a venda de referido imóvel (único "comercializado" pela contribuinte), deixe de ter tratamento de ganho de capital, para circular pelos percentuais do lucro presumido. Dizendo de outro modo, só o fato de ter havido uma modificação no contrato social da empresa em 27 de maio de 2008 dizendo que passaria, a partir daquela alteração societária, a praticar a atividade de "compra e venda de imóveis", além da que já exercia, ou seja, atividade agrícola e atividade agropecuária, somente este ato meramente formal, SEM A EFETIVA IMPLEMENTAÇÃO desta realidade, não me parece suficiente para demonstrar o animus da recorrente em assumir, de fato (não só de direito), tal atividade. Na verdade, como bem pontuado pelo Fisco e corroborado pela decisão recorrida, o único motivo de tal procedimento societário foi criar a possibilidade futura como intentou fazer de submeter a venda do imóvel aos percentuais do lucro presumido, sabidamente muito mais interessantes que os do ganho de capital. A constatação desta realidade é claramente delineada nos autos: Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.128 34 1. desde 27 de janeiro de 1978, nos termos do art. 2° do Estatuto Social da recorrente, sua atividade era "exploração agropecuária, indústria extrativa e de beneficiamento de produtos primários, e atividades correlatas em terras de sua propriedade”; 2. data da mesma época, a incorporação ao patrimônio da empresa da propriedade rural aqui analisada em razão de sua alienação. Referida incorporação tem absolutamente TUDO a ver com a própria razão de ser da vida empresarial, posto ser impensável se possa exercer tal atividade (que exige longos espaços para o pastoreio) sem que exista terra em grande dimensão para tal desiderato (ainda que, em muitos casos, possa haver arrendamentos de pastagens); 3. somente em 27 de maio de 2008, 20 anos após, é que a recorrente resolveu inserir a "atividade imobiliária" em seu contrato social, mas, ainda que assim tenha feito, em momento algum antes ou depois desta data praticou EFETIVAMENTE referida atividade, bastando ver a reprodução das fichas de suas DIPJ que tratam das receitas: Ex. A/C Regime Receita Informada Atividade Informada na DIPJ 2006 2005 Lucro Real 88.000,00 exploração agropecuária 2007 2006 Lucro Real 95.000,00 exploração agropecuária 2008 2007 Lucro Real 110.650,00 exploração agropecuária 2009 2008 Lucro Presumido 156.000,00 exploração agropecuária 2010 2009 Lucro Presumido 162.700,00 exploração agropecuária 2011 2010 Lucro Presumido 203.382,00 exploração agropecuária 2012 2011 Lucro Presumido 5.107.292,00 exploração agropecuária 2013 2012 Lucro Presumido 3.770.480,00 exploração agropecuária 2014 2013 Lucro Presumido 3.915.672,60 Compra/venda de imóveis próprios 4. destaquese que, nos AC/2012 e 2013, a TOTALIDADE das receitas consistiu unicamente na venda do imóvel aqui sob análise e em 2011, do montante informado de R$ 5.107.292,00, apenas R$ 107.292,00 referemse à atividade pastoril; 5. o evoluir destes dados permite concluir: i) a atividade operacional da sociedade mantevese razoavelmente constante de 2005 a 2010, em ligeira queda em 2011; ii) em momento algum houve qualquer operação imobiliária no período 2008 em diante, exceto a venda do imóvel aqui tratada. Todos estes fatos permitem compor um quadro no qual, sem sombra de dúvidas, entendendo que a atividade à qual historicamente se dedicava já não produzia os resultados esperados ou antevendo a possibilidade de realizar a venda do imóvel que servia de amparo à produção agropastoril da entidade, projetouse a mudança do objeto social e transferência do bem do imobilizado para o circulante de forma a propiciar como veio a ocorrer a tentativa de tributar os valores devidos de IRPJ e de CSLL bem abaixo do efetivamente devidos. Digase, não houve efetivo propósito negocial algum, apenas e tão somente a visão futura de uma redução na carga tributária. Só isso. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.129 35 Como bem alertado por Edmar Oliveira Andrade Filho4:“(...) o simples propósito de obter uma otimização da carga tributária não seria catalogado como business purpose válido”. Ora, sabidamente, forma não se sobrepõe à essência, é princípio básico. Não basta formalmente constar do contrato social a atividade "x" . É preciso que ela seja efetiva e realmente exercida. Em outro dizer, não basta haver uma alteração societária em que se inclui a atividade de compra e venda de imóvel se inexiste qualquer operação continuada, restringindo tal atividade a uma só operação que, por coincidência ou não, representou um grande ganho tributário e que, certamente, foi levado em conta por ocasião da negociação empreendida. Na verdade e os fatos ao longo do tempo mostram isso a recorrente se dedicava ininterruptamente à atividade de criação de bovinos para corte (CNAE Preponderante do Estabelecimento 01.512/01), ou seja, a suposta atividade imobiliária sequer foi cogitada para inserção na DIPJ e, mais ainda, i) nunca houve entrega das DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias que JUSTAMENTE reflete as operações imobiliárias, relativamente aos anos de 2008 a 2015, lembrando que tal declaração é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios; ii) não constam DOI (Declaração sobre Operações Imobiliárias) para quaisquer outros imóveis (exceto o indigitado bem aqui apreciado) e, iii) inexistem registros de outras compras ou vendas de imóveis na contabilidade da fiscalizada, ou na EFD (Escrituração Fiscal Digital) encaminhada ao SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Ou seja, a suposta atividade empresarial de compra e venda de imóveis CNAE 68.102/01 Compra e venda de imóveis próprios JAMAIS EXISTIU DE FATO, embora de direito constasse nos objetivos sociais da empresa e contabilmente a recorrente tivesse procedido à sua contabilização como "circulante", retirandoo do "não circulante imobilizado". Certo que esta operação contábil pode ser feita, como bem alertado pelo voto do Relator5, porém, como exaustivamente visto, esta metodologia deve se circunscrever aos casos em que se estiver diante de efetiva operação de compra e venda de imóveis, o que, certamente, não ocorreu, não se podendo aceitar que um bem saia do imobilizado onde sempre esteve e se prestava à manutenção das atividades da empresa para o circulante somente porque a entidade projeta a possibilidade de sua negociação. Em outras palavras, a contabilidade, como o direito, é uma ciência regida por normas e princípios que se sucedem e se perpetuam ao longo do tempo, não sendo crível nem viável que, simplesmente por conveniência societária ou fins tributários, se subverta toda a lógica historicamente contextualizada de seus conceitos e preceitos. No caso, a recorrente possuía uma propriedade agrícola de grande dimensão e que servia não para especulação imobiliária mas para permitir o desenvolvimento das suas atividades, no caso exploração agropecuária criação de gados de corte , levando a que a 4 in Imposto de Renda das Empresas – 10ª Ed. Atlas – SP 2013 – pg. 1006 5 "Verificase em ambas regras contábeis a presença do termo mantido e, especificamente no CPC 26R1, rezase que para classificar determinado bem como Ativo Circulante basta a sua manutenção essencialmente com o propósito de ser negociado". Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.130 36 classificação contábil de tal bem, COMO NÃO PODERIA DEIXAR DE SER, se fizesse no Imobilizado, por força não apenas das normas contábeis, mas também do artigo 179, IV, da Lei nº 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) Posição defendida por Iudícibus, Martins e Gelbcke, na clássica obra "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações" (aplicável às demais sociedades), Atlas, SP, 6ª Edição, 2006, pg. 199: "Desta definição [do artigo 179, da Lei das S/A], subentendemse que neste grupo de contas do balanço são incluídos todos os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e de seu empreendimento". Na mesma toada, com letras diferentes, o pensamento de Nilton Latorraca, na não menos clássica obra cuja edição inaugural surgiu em 1972, poucos anos após a entrada em vigor da Lei nº 6.404/1976 e foi uma das primeiras a enfrentar as novas nomenclaturas contábeis e estrutura das Demonstrações Financeiras e Balanço Patrimonial introduzidas pela legislação societária e depois incorporada pela legislação fiscal pelo advento do Decretolei nº 1.598, de 1977. Segundo o saudoso mestre: "Ativo imobilizado ou ativo fixo são expressões sinônimas que na linguagem contábil identificam o agrupamento de contas onde se registram os recursos investidos em direitos que tenham por objeto bens necessários à exploração do objeto social. As expressões ativo imobilizado ou ativo fixo são utilizadas em oposição a ativo circulante. Os bens integrantes do ativo imobilizado destinamse, pois, a manter a própria fonte produtora dos rendimentos, enquanto os bens do ativo circulante representam dinheiro, créditos ou bens que serão transformados em dinheiro durante o ciclo operacional da empresa. (...) Como se observa, é o emprego ou destino do bem o elemento essencial à sua classificação contábil e legal" (in Direito Tributário Imposto de Renda das Empresas Atlas SP 12ª Edição 1990 pg. 260 negritado) Quadro que se completa normativamente na forma da RESOLUÇÃO CFC Nº. 1.177/09, que aprovou a NBC TG 27–Ativo Imobilizado. Segundo tal ato normativo: Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.131 37 Definições 6. (...) Ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b)se espera utilizar por mais de um período. Correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens (...) Baixa 67. O valor contábil de um item do ativo imobilizado deve ser baixado: (a) por ocasião de sua alienação; ou (b) quando não há expectativa de benefícios econômicos futuros com a sua utilização ou alienação. 68. Ganhos ou perdas decorrentes da baixa de um item do ativo imobilizado devem ser reconhecidos no resultado quando o item é baixado (a menos que a NBC TG 06 – Operações de Arrendamento Mercantil exija de outra forma em operação de venda e leaseback). Os ganhos não devem ser classificados como receita de venda. 68A. Entretanto, a entidade que, durante as suas atividades operacionais, normalmente vende itens do ativo imobilizado que eram mantidos para aluguel a terceiros deve transferir tais ativos para o estoque pelo seu valor contábil quando os ativos deixam de ser alugados e passam a ser mantidos para venda. Passam a ser considerados, daí para frente, como estoques e se sujeitam aos requisitos da NBC TG 16 – Estoques. As receitas advindas da venda de tais ativos devem ser reconhecidas como receita de acordo com a NBC TG 30 – Receitas. A NBC TG 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada não se aplica quando os ativos que são mantidos para venda durante as atividades operacionais são transferidos para os estoques. (...) Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.132 38 71. Os ganhos ou perdas decorrentes da baixa de um item do ativo imobilizado devem ser determinados pela diferença entre o valor líquido da alienação, se houver, e o valor contábil do item. (destaques acrescentados). Posição que é diametralmente antagônica para os casos em que um bem do não circulante é destinado à venda, compondo, pois um novo circulante. Vejase a respeito, os dizeres da NBC TG 31 (R3) – ATIVO NÃO CIRCULANTE MANTIDO PARA VENDA E OPERAÇÃO DESCONTINUADA: Classificação de ativo não circulante como mantido para venda 6.A entidade deve classificar um ativo não circulante como mantido para venda se o seu valor contábil vai ser recuperado, principalmente, por meio de transação de venda em vez do uso contínuo. 7. Para que esse seja o caso, o ativo ou o grupo de ativos mantido para venda deve estar disponível para venda imediata em suas condições atuais, sujeito apenas aos termos que sejam habituais e costumeiros para venda de tais ativos mantidos para venda. Com isso, a sua venda deve ser altamente provável. 8. Para que a venda seja altamente provável, o nível hierárquico de gestão apropriado deve estar comprometido com o plano de venda do ativo, e deve ter sido iniciado um programa firme para localizar um comprador e concluir o plano. Além disso, o ativo mantido para venda deve ser efetivamente colocado à venda por preço que seja razoável em relação ao seu valor justo corrente. Ainda, devese esperar que a venda se qualifique como concluída em até um ano a partir da data da classificação, com exceção do que é permitido pelo item 9, e as ações necessárias para concluir o plano devem indicar que é improvável que possa haver alterações significativas no plano ou que o plano possa ser abandonado. 9. Acontecimentos ou circunstâncias podem estender o período de conclusão da venda para além de um ano. A extensão do período durante o qual se exige que a venda seja concluída não impede que o ativo seja classificado como mantido para venda se o atraso for causado por acontecimentos ou circunstâncias fora do controle da entidade e se houver evidência suficiente de que a entidade continua comprometida com o seu plano de venda do ativo. Esse é o caso quando os critérios do Apêndice B forem satisfeitos. 10.As transações de venda incluem trocas de ativos não circulantes por outros ativos não circulantes quando a troca tiver substância comercial de acordo com a NBC TG 27 – Ativo Imobilizado. (negritado e sublinhado). Feitas estas transcrições legislativas, doutrinárias e normativas, fica claro que: 1. bens que se destinem. precipuamente, a possibilitar a exploração do objeto social devem ser classificados contabilmente como "Ativo Não Circulante Imobilizado"; Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.133 39 2. se espera que tais bens sejam produtivos por mais de um ano; 3. devem ser baixados quando de sua alienação e a receita apurada não faz parte da atividade operacional da entidade, por isso é tida como "ganho", gênero da qual a receita é somente uma espécie, como definido normativamente pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), mediante a Resolução nº 1.121/2008, que aprovou a NBC T 1, item 74: "a receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis". 4. admitese a transferência para o ativo circulante somente quando a entidade, durante as suas atividades operacionais, normalmente vende itens do ativo imobilizado que eram mantidos para aluguel (o que claramente não é o caso do contribuinte autuado); 5. se houver pretensão de transferir o bem do Não Circulante para o Circulante, deve existir plano de venda do ativo, ter sido iniciado um programa firme para localizar um comprador e concluir o plano. Além disso, o ativo mantido para venda deve ser efetivamente colocado à venda por preço que seja razoável em relação ao seu valor justo corrente e a venda deve ser concluída em até um ano a partir da data da classificação, (NBC TG 31 (R3) item 8 acima transcrito). Não se vê cumprimento desses requisitos no curso do procedimento assumido pela recorrente, por isso, sem nenhuma dúvida, o bem era do Ativo Não Circulante Imobilizado e sua alienação gerou não uma receita operacional, MAS, um GANHO DE CAPITAL sujeito à tributação na forma imposta pelos lançamentos de ofício tratados. Nem se alegue que aos contribuintes é lícito dimensionar e registrar os fatos contábeis de acordo com aquilo que lhes for mais conveniente e de acordo com a sua efetiva atividade operacional. Ao contrário, embora se reconheça esta liberdade a ao Fisco seja defeso imiscuirse na forma de escrituração assumida, não é menos verdade que, como dito antes, a contabilidade é uma ciência com regras e normas que devem ser seguidas não só para fins gerenciais e societários mas, no que interessa neste momento, para fins fiscais, na forma do disposto no Decretolei nº 1.598/1977, artigo 7º6 (para o Lucro Real) e artigo 527, do RIR/19997, então vigente (para o Lucro Presumido). 6 Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. 7 Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.134 40 Ou seja, ainda que permitida a escolha dos métodos e sistemas de escrituração, a sua observância às leis comerciais e fiscais e às normas da ciência contábil é imperativa. Por fim, acerca da solução de Consulta nº 139, de 29/08/2006, da SRRF 10ª RF aventada pela recorrente, como se sabe, ainda que nela se insiram orientações com alto teor de embasamento, não vincula os Conselheiros do CARF. Ademais, como bem pontuado pela decisão recorrida (Ac. DRJ fls. 177/1978), referida SC sequer diz respeito a operações semelhantes à realizada pela contribuinte, antes referese a atividades de "venda de veículos novos e usados e a locação de veículos". Demais disso, a própria ementa da mencionada SC, textualmente ressalva a obrigatória observância às "normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos". Vejase: Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BENS PASSÍVEIS DE INTEGRAR O ATIVO CIRCULANTE E O ATIVO IMOBILIZADO. TRANSFERÊNCIA DE CONTAS. A empresa optante pelo lucro presumido que comercializa bens suscetíveis de serem contabilizados tanto no ativo permanente como na conta estoques, em virtude de suas atividades desenvolvidas constarem, em ambos os casos, de seu objeto social, pode transferir da primeira conta para segunda o respectivo bem a ser destinado para futura comercialização sem a necessidade de apurar o correspondente ganho de capital, contanto que seja adotado um conjunto de procedimentos sistematizados, baseados nas normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos. [...] 4.1 [...] Inaceitável seria a peticionária adotar um procedimento em desconformidade com o seu ramo de negócio, visando fugir de tributação mais onerosa. No caso, há uma regra clara e definida. Evidenciase que o contribuinte não efetua registros contábeis conforme a sua livre escolha objetivando primordialmente afastar a incidência do imposto de renda pessoa jurídica sobre uma base de cálculo maior, pois, normalmente, a empresa optante pelo lucro presumido deve apurar o imposto diretamente sobre o ganho de capital. 5. Esclareçase que o Parecer Normativo nº 347, de 29 de outubro de 1970, firmou entendimento de que a forma de escriturar as operações do contribuinte é de sua livre escolha, sendo que tal escrituração poderá ser impugnada se estiver em desacordo com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos ou que possam levar a um resultado diferente do legítimo. III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 14098.720160/201617 Acórdão n.º 1402003.859 S1C4T2 Fl. 2.135 41 Concluindo, por todas as circunstâncias descritas nos autos e devidamente demonstradas neste voto, entendo que a operação praticada pela contribuinte não pode ser tratada como receita da atividade (Lucro Presumido), antes estáse diante de efetivo ganho de capital por alienação de bem do ativo imobilizado, justificando, assim, os lançamentos de ofício perpetrados. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à matéria de mérito. É como voto (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001384/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996
Compensação. Créditos. Comprovação.
É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida
Numero da decisão: 3302-007.260
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Créditos. Comprovação. É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata-se de solicitação de compensação, fl. 01/03, protocolado em 27/06/2003, utilizando direito creditório oriundo de pagamentos da Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - Pasep, relativos aos períodos de apuração de outubro de 1988 a março de 1996, sem valor apurado no pedido. A interessada não apresentou formulário de Pedido de Restituição, Declaração de Compensação, ou comprovante dos pagamentos referentes à solicitação. Na peça que acompanha o Pedido, fls. 02/07, a contribuinte fundamentou sua pretensão, especialmente no fato de os Decretos-Leis n° 2.445 e 2.449, de 1988, terem sido Fl. 239DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sua eficácia suspensa pela Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal. Examinados os elementos do processo, tendo por base o relatório de fls. 04/09, o Sr. Chefe do Seort da Unidade jurisdicionante, através do Despacho Decisório de fl. 09, indeferiu o pedido de compensação, por não reconhecer o crédito que a interessada alegava possuir, pelos seguintes fundamentos: 1. Inocorrência de repristinação da Lei Complementar n° 08, de 1970; 2. Inocorrência de vacância de lei; 3. Constitucionalidade da alteração dos prazos de recolhimento do PIS/Pasep por lei ordinária; 4. O Decreto-Lei n° 2.445, de 1988, estabeleceu a alíquota de 1% para a contribuição ao Pasep, enquanto a Lei Complementar n° 08, de 1970, fixava a alíquota em 2%; 5. Ausência de previsão legal para compensação direta na escrituração; 6. Extinção do direito de pleitear a restituição por decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Cientificada em 23/11/2006, a interessada apresentou, em 22/12/2006, Manifestação de Inconformidade, fls. 15/28, na qual alega, em suma e fundamentalmente, que: Em face da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n° 2.445 e 2.449 de 1988, com a posterior edição da Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal, permaneceu um “vazio legislativo” a prever os fatos tributários que respaldariam a exigência do Pasep, posto que, conforme o disposto no § 3o do art. 2o da Lei de Introdução ao Código Civil, o nosso ordenamento não permite que a lei anterior volte a vigorar (repristinação); Conforme o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a requerente tem o direito de compensar os pagamentos feitos indevidamente com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente de requerimento à Fazenda Pública; A teor do inciso II, do art. 168 do Código Tributário Nacional, o prazo para pleitear a restituição dos pagamentos indevidos, neste caso, conta-se, não da data dos pagamentos, mas da data da publicação da Resolução do Senado Federal, emitida em face do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucionais os Decretos- Leis n° 2.445 e 2.449, de 1988, ou seja, a partir de outubro de 1995; Na hipótese de não ser acatada a tese acima, argúi que, tratando-se o Pasep de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo a ser considerado é de 10 anos (5 + 5), conforme entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça; Conforme se verifica do art. 2o da Lei Complementar n° 08, de 1970, o Pasep tem características de imposto, nos termos do art. 16 do CTN, porquanto, não poderia ser exigido de um Município, em face da imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, inciso VI, letra “a”, da Constituição Federal. Em 17 de setembro de 2007, através do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 05-19.282, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP indeferiu a solicitação. Regularmente intimada, o interessado ingressou com Recurso Voluntário. Fl. 240DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 Em 01 de fevereiro de 2010, através do Acórdão de Recurso Voluntário n°3302-000.299, por maioria de votos, negou o provimento ao recurso. Entendeu a Turma que o prazo para pedido de restituição ou para realização de compensação é de cinco anos, contados a partir do recolhimento indevido ou a maior do que o devido. Recurso especial de divergência foi interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão n° 3302-00.299, de 01 de fevereiro de 2010. A divergência suscitada no recurso especial diz respeito ao prazo para repetição do indébito. O Recurso especial foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de e-folhas 189 e segs, apenas em relação ao prazo para se pleitear a restituição de tributos/contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Contrarrazões da Fazenda Nacional às e-folhas 196 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. Em 13 de junho de 2018, através do Acórdão n° 9303-006.975, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conheceu do Recurso Especial e, no mérito, deu provimento parcial, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995, com retorno dos autos ao colegiado de origem. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, através da COMUNICACÃO/SEORT/N0 1831/2007, em 13 de novembro de 2007. Em 05 de dezembro de 2007, a empresa ingressou com Recurso Voluntário, às e- folhas 70. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. A inconstitucionalidade dos Decretos Leis n° 2.445/88 e 2.449/88; O prazo inicial para o pedido de compensação e após a emissão da resolução do senado federal; Tributo sujeito a lançamento por homologação, contando-se o chamado 5 mais 5, teoria esposada pelo Superior Tribunal de Justiça; Fl. 241DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 PASEP - Tributo cuja descrição se encaixa na espécie tributária denominada de imposto - imunidade recíproca; Passa-se à análise. Trata o presente procedimento de perdcomp de compensação da contribuição denominada de PASEP do período de Outubro de 1988 à Março de 1996. Em 13 de junho de 2018, através do Acórdão n° 9303-006.975, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conheceu do Recurso Especial e, no mérito, deu provimento parcial, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995. Portanto, é matéria superada. - Da exigibilidade do PASEP no período de apuração. Uma vez afastados os Decretos-leis 2445/1988 e 2449/1988 por inconstitucionalidade do PASEP exigido com o seu fundamento, reconhecida pela ação judicial, o Município ficou sujeita às determinações contidas na Lei Complementar n° 8/70 que instituiu o programa de formação do patrimônio do Servidor Público, nos seguintes termos: Art. 1º - É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º - A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I - União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes. II - Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único - Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. O Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende da ementa do acórdão proferido pela Segunda Turma no Recurso Especial n° 512.2714, de 15/02/2005, sobre a Lei Complementar n° 7, de 1970 (em situação idêntica à lei do Pasep), assim decidiu: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS. REPRISTINAÇÃO. NÃO- OCORRÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS-LEIS NS. 2.445/88 E 2.449/88. DISTINÇÃO DE REVOGAÇÃO. LEI N. 7/70. EXIGIBILIDADE ATÉ A MP N. 1.212/95 E SUAS REEDIÇÕES. Os Decretos-leis ns. 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e tiveram sua eficácia suspensa pela Resolução n. 49/95 do Senado Federal. Tal entendimento somente poderá Fl. 242DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 ser aplicado até o início da vigência da Medida Provisória n. 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições. Impõe-se considerar que, não- obstante as resoluções impugnadas não sejam válidas em face da Lei Complementar n. 7/70, esta, por outro lado, tem plena aplicação. Os Decretos-leis ns. 2.445 e 2.449/88 não revogaram a Lei Complementar n. 7/70, portanto não ocorre repristinação. Houve declaração de inconstitucionalidade, o que acarreta a nulidade da norma e gera efeitos ex tunc. Precedentes. Recurso especial improvido. (destaques acrescidos) Portanto, em que pese a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis ns. 2.445/88 e 2.449/88, as Leis Complementares n° 07 e n° 08 de 1970 possuiam exigibilidade até a edição da Medida Provisória n° 1.212/95. - Da Imunidade Recíproca. É alegado às folhas 09 e 10 do Recurso Voluntário: No caso, o PASEP, pelo fato gerador apresentado no artigo 2 . "caput". da Lei Complementar no. 08/70. caracteriza-se como verdadeiro IMPOSTO, c. assim sendo, haverá a questão da IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA, como imposta pela Lei Maior em seu artigo 150. inciso VI. letra "a". Como se denota pelo citado artigo 2 da Lei Complementar no. 7/80. a base de cálculo do PASEP é o que se denomina de tributo NÃO VINCULADO, sc encaixando, perfeitamente. no conceito de IMPOSTO. É classificado o imposto como um tributo não-vinculado. eis que a obrigação tributária acaba por nascer de uma situação que independe de qualquer atuação estatal específica ao contribuinte. A situação definida em lei como necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador (art. 114. do CTN). não requer, assim, qualquer atividade estatal relativa ao contribuinte. Paulo de Barros Carvalho assim apresenta o conceito de imunidade tributária: ... classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas, contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas ( PAULO DE BARROS CARVALHO. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva. 4a edição. 1991. p.p. 117 e seguintes). O mesmo autor refina o conceito para apresentar o Princípio da Reciprocidade entre Entes Federados – que inibe a tributação entre esferas de governo distintas: limitação constitucional às competências tributárias dos entes políticos, excludente ou supressora do poder tributário impeditiva da norma impositiva ( ob. cit. p.p. 105 e seguintes). A Constituição de 1988 contemplou esse princípio no seu art. 150, II, a: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; Fl. 243DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 [...] § 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. À luz da interpretação literal do texto constitucional, entende-se que a imunidade recíproca de que trata o art. 150, VI, a, atuaria tão somente em relação a tributos vinculados incidentes (impostos) sobre o “patrimônio, renda ou serviços” próprios das quatro espécies de Entes Federados: União, Distrito Federal, Estados e Municípios. Sacha Calmon Navarro Coelho entende que (...) a imunidade não atuaria sobre as taxas e contribuições de melhoria; não atuaria sobre as chamadas contribuições parafiscais, especiais ou sociais e sobre empréstimos compulsórios (salvo se tais tributos assumirem juridicamente a feição de impostos suplementares sobre a renda, o patrimônio ou serviços) e, finalmente, não atuaria em relação a impostos cujo fato gerador seja diverso de renda, patrimônio ou serviços. (SACHA CALMON NAVARRO COELHO. Comentários à Constituição de 1988 – Sistema Tributário. Rio : Forense. 1991. 3a edição. P. 338). Nessa mesma linha: BERNARDO RIBEIRO DE MORAES. Imunidades Tributárias. Coordenação Ives Gandra Martins. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais. 1998, p. 124-125. IVES GANDRA MARTINS. Sistema Tributário na Constituição de 1988. São Paulo : Saraiva. 3ª edição, 1991, p. 146. JOSÉ AFONSO DA SILVA. Curso de Direito Constitucional Positivo São Paulo : Malheiros. 21a edição. 2000. p. 697. A regra impositiva do artigo 150, VI, a) da Constituição Federal, diz respeito à IMPOSTOS, não podendo assim se estender a Contribuições Sociais, como é o caso do PIS e da COFINS. - Da Compensação e seus requisitos e o ônus da prova. Não há comprovação dos pagamentos alegados pela interessada. De fato, não foram trazidos aos autos qualquer documento que pudesse comprovar os recolhimentos pretensamente indevidos. Por outro lado, equivoca-se a impugnante ao afirmar que a requerente tem o direito de compensar os pagamentos feitos indevidamente com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente de requerimento à Fazenda Pública, conforme o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. O próprio dispositivo citado, em seus parágrafos Io e 2o, incluídos pela Lei n° 10.637, de 2002, estabelece como condição para a realização da compensação e a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, a entrega de declaração à Receita Federal com as informações sobre os créditos e os débitos compensados. Não há nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Pátrio. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através das guias de pagamento, da comprovação das bases de cálculo Fl. 244DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 sobre as quais ocorreram os fatos geradores e, se for o caso, do provimento judicial autorizativo da compensação pleiteada. É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovar-se documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar a base de cálculo de qualquer dos períodos. Na ausência dessa, toma-se por ratio decidendi o voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302-006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitando-se a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratar- se de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 245DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001384/2003-27 Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 13009.000087/2005-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. LIMITE DE RECEITAS ULTRAPASSADO. AUSÊNCIA DE ATUALIZAÇÃO DOS LIMITES DE FATURAMENTO. AFRONTA AO ART. 179 DA CF. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA DO LEGISLADOR. CABIMENTO DA EXCLUSÃO.
O Ato Declaratório de Exclusão da SRF está amparado pela Lei nº 9.317/1996, que veio dar concretude, no campo tributário, ao disposto no art. 179 da CF, assegurando um regime favorecido, estabelecendo seus limites e condições. Não pode a autoridade administrativa ultrapassar os limites legais para a concessão ou manutenção das empresas no regime do Simples. A fixação dos limites e sua eventual atualização compete ao legislador, devendo a autoridade aplicar fielmente o que a lei estabelecer, o que se verifica no presente caso.
Numero da decisão: 1302-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. LIMITE DE RECEITAS ULTRAPASSADO. AUSÊNCIA DE ATUALIZAÇÃO DOS LIMITES DE FATURAMENTO. AFRONTA AO ART. 179 DA CF. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA DO LEGISLADOR. CABIMENTO DA EXCLUSÃO. O Ato Declaratório de Exclusão da SRF está amparado pela Lei nº 9.317/1996, que veio dar concretude, no campo tributário, ao disposto no art. 179 da CF, assegurando um regime favorecido, estabelecendo seus limites e condições. Não pode a autoridade administrativa ultrapassar os limites legais para a concessão ou manutenção das empresas no regime do Simples. A fixação dos limites e sua eventual atualização compete ao legislador, devendo a autoridade aplicar fielmente o que a lei estabelecer, o que se verifica no presente caso.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-28T18:49:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-28T18:49:57Z; Last-Modified: 2019-06-28T18:49:57Z; dcterms:modified: 2019-06-28T18:49:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-28T18:49:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-28T18:49:57Z; meta:save-date: 2019-06-28T18:49:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-28T18:49:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-28T18:49:57Z; created: 2019-06-28T18:49:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-28T18:49:57Z; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-28T18:49:57Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13009.000087/2005-08 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.666 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2019 Recorrente LATICINIO P & F DE VALENCA LTDA ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. LIMITE DE RECEITAS ULTRAPASSADO. AUSÊNCIA DE ATUALIZAÇÃO DOS LIMITES DE FATURAMENTO. AFRONTA AO ART. 179 DA CF. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA DO LEGISLADOR. CABIMENTO DA EXCLUSÃO. O Ato Declaratório de Exclusão da SRF está amparado pela Lei nº 9.317/1996, que veio dar concretude, no campo tributário, ao disposto no art. 179 da CF, assegurando um regime favorecido, estabelecendo seus limites e condições. Não pode a autoridade administrativa ultrapassar os limites legais para a concessão ou manutenção das empresas no regime do Simples. A fixação dos limites e sua eventual atualização compete ao legislador, devendo a autoridade aplicar fielmente o que a lei estabelecer, o que se verifica no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 00 87 /2 00 5- 08 Fl. 52DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.666 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000087/2005-08 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 12-15.782 , da 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro/RJ-I, proferido em 30 de agosto de 2007, que rejeitou a manifestação de inconformidade e manteve a exclusão da contribuinte do sistema Simples, nos termos sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 SIMPLES, EXCLUSÃO, PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. RECEITA BRUTA GLOBAL. Não elididos os fatos que deram causa à exclusão, o Ato Declaratório deve ser mantido. EFEITOS DA EXCLUSÃO, A partir da MP n° 2158-35/2001, os efeitos da exclusão passaram a retroagir ao mês seguinte ao da ocorrência da situação excludente. Cientificada da decisão em 19/09/2007 (fl. 44), a interessada apresentou recurso voluntário em 16/10/2007 (fls. 45/47), no qual alega, em síntese: a) que o ato expedido pela SRF afronta o art. 179 da Constituição Federal; b) que desde a Lei nº 9.481/1999 não são corrigidos os limites de faturamento para enquadramento no regime, tanto que o Decreto nº 5.028/2004, fixou os valores em R$ 433.755,14 e R$ 2.133.200,00, para microempresas e empresa de pequeno porte, respectivamente; c) que, quando a empresa verificou que estava ultrapassando o limite do faturamento permitido, tomou as providências necessárias juntos aos sócios, no sentido de que adequassem juntos outras sociedades de que participavam sua participação em relação ao contrato social, o que foi feito como demonstra as alterações feitas pelo sócio Cesário Lincoln Furtado. d) que em momento algum a empresa deixou de cumprir suas obrigações fiscais. Ao final, requer: Diante do exposto e nos termos da Constituição Federal, do CTN e das legislações em vigor, bem como o que estabelece a Lei 9.317/96 e legislação posterior e Decreto 70.235/72, seja apreciado o presente recurso em instância superior para recebê-lo em seus efeitos legais, requerendo: Fl. 53DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.666 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000087/2005-08 a) que o julgamento seja transformado em diligência, baixando o processo para que a Receita Federal abra vista e prazo de 15 dias para que a recorrente possa juntar cópia dos contratos, como consta do relatório do fiscal Luiz Mário, mat. 65027, no procedimento SRS n° 07 105/534.860; b) que seja mantida a recorrente enquadrada na Lei 9.317/96. Ultrapassado pedido anterior, requer, no mérito, seja julgado improcedente, mantendo-se a empresa enquadrada no SIMPLES Federal, determinando Secretaria da Receita Federal que faça a devida anotação. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.666 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000087/2005-08 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. A recorrente se insurge contra o ato de exclusão do Simples decorrente do fato de ter ultrapassado o limite para manutenção naquele regime de tributação, tendo em vista a participação de sócios com mais de 10% do capital em outras empresas. Somados as receitas das empresas o limite foi ultrapassado. A recorrente não questiona o fato de ter ultrapassado os limites, somente afirma que, quando constatou tal situação orientou os sócios para que se adequassem juntos às outras sociedades das quais participavam, o que teria sido feito pelo sócio Cesário Lincoln Furtado. O Despacho na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples - SRS (fls. 23/25), analisou os documentos juntados, refutando a alegação, verbis: Inicialmente esclareço que o motivo da exclusão foi a participação de um dos sócios (Pessoa Física) em outra sociedade, em condições contrárias às limitações da Lei 9317/96. Não se falou em participação da Empresa (Pessoa Jurídica) em outra Empresa. Esclareço, ainda que, de acordo com as minutas das Alterações dos Contratos Sociais apresentadas, o sócio Sr. Cesário Lincoln Furtado, CPF 236.659.636-72 não pretendeu retirar-se das Empresas de CNPJ 41.885.138/0001 e 02.899.149/0001-80, apenas diminuiu sua participação. As cópias das Alterações Contratuais juntadas não apresentam o registra (sic) da JUCERJA com a data em que foram a averbadas e, portanto, não constituem documento comprobatório. As minutas das alterações Contratuais foram assinadas durante ou posteriormente ao ano-calendário 2002 - objeto da Exclusão - consequentemente o sócio em questão faz parte das empresas durante parte ou todo o ano de 2002 e o artigo 90, IX da Lei 9317/96 cita a simples participação do sócio. [...] Com efeito, a alteração contratual da empresa Meta Medicina do Trabalho & Empreendimentos Educacionais Ltda (fls. 12/15), além de não identificar ao data do registro na Junta Comercial, mantém o sócio Cesário Furtado, embora com menor participação e só foi assinado em 27/12/2002. Já com relação à alteração contratual da empresa Propedêutica Cardiológica S/C Ltda (fls. 16/22), verifica-se os mesmos problemas quanto à mera redução de capital do sócio Cesário Furtado, e só foi formalizada em setembro de 2003. Não foram trazidos novos documentos aos autos. Fl. 55DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.666 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000087/2005-08 Assim, os documentos apresentados não alteram a situação fática verificada com relação ao faturamento do ano-calendário 2002, quando se constatou que o limite foi extrapolado. Quanto à alegação de que o Ato Declaratório de Exclusão da SRF afronta o art. 179 da CF, não procede o argumento da recorrente, pois o mesmo está amparado pela Lei nº 9317/1996, art. 9º, lei esta que veio dar concretude, no campo tributário, ao dispositivo constitucional mencionado, assegurando um regime favorecido, estabelecendo seus limites e condições. Não pode a autoridade administrativa ultrapassar os limites legais para a concessão ou manutenção das empresas no regime do Simples. A fixação dos limites e sua eventual atualização compete ao legislador, devendo a autoridade aplicar fielmente o que a lei estabelecer, o que se verifica no presente caso. Os limites fixados pelo Decreto 5.028/2004, além de serem posteriores aos fatos, se referem ao Estatuto da Micro e Pequena Empresa, criado pela Lei nº 9.841/1999 e não tem efeitos tributários. Por fim, a recorrente requer a conversão do processo em diligência para que possa juntar cópias dos contratos que foram objeto de análise na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples - SRS. Não há fundamento para deferir tal pedido, posto que incumbia a interessada, ora recorrente ter apresentado toda a prova documental de que dispunha junto com sua impugnação, nos termos do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/1972, sob pena de preclusão. Não tendo feito, precluiu o seu direito de fazê-lo, sendo absolutamente inoportuna a conversão em diligência para tal fim. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.900495/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
NULIDADE DE DECISÃO. NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA. PROCEDÊNCIA DO RECURSO.
É nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, quando os fundamentos do despacho decisório que não homologou a DCOMP foram devidamente enfrentados.
Numero da decisão: 1302-003.649
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, quando os fundamentos do despacho decisório que não homologou a DCOMP foram devidamente enfrentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento indevido ou maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 04 95 /2 00 9- 99 Fl. 423DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 Após análise, a DRF/Porto Alegre não homologou a compensação por não ter apurado crédito disponível, uma vez que o pagamento estaria totalmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => entregou sua DIPJ referente ao ano-calendário de 2003, em 30 de junho de 2004; => em 04 de fevereiro de 2005, tal declaração foi retificada, mas, por lapso, deixou de retificar a DCTF; => ao retificar a DIPJ, viu que foram pagos IRPJ e CSLL a maior, em setembro, outubro e dezembro de 2003, e por ter pago tributos a maior, efetuou pedidos de restituição de CSLL e IRPJ e compensação com outros débitos; => entretanto, a RFB não reconheceu essa diferença paga a maior, pois confrontou somente as DCTFs com os DARFs, sem analisar a DIPJ retificadora, e portanto, não reconheceu o crédito, nem homologou o pedido de compensação. A 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre decidiu não conhecer da manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário:2009 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010). No entendimento da Turma da DRJ, o contribuinte não teria atacado os fundamentos do Despacho Decisório, uma vez que alterou a questão de fato conhecida da decisão, consistente nos dados declarados na DCTF na qual confessou os débitos objeto da apreciação pela DRF. Concluiu que houve concordância tácita com o Despacho Decisório. Entende que a nova situação de fato originada a partir da entrega da nova DCTF não pode ser conhecida por aquela Delegacia de Julgamento por não ter sido objeto de apreciação prévia pela DRF. O recurso voluntário foi apresentado trazendo as seguintes alegações: Preliminarmente: da violação do devido processo legal - artigo 74 da Lei nº 9.430/96. - o julgador se equivocou, afirmando que atacou os fundamentos da decisão, pois, objetivando evidenciar a origem do crédito, elencou os fatos ocorridos para impugnar o Despacho Decisório, sendo incorreto o entendimento nas razões de decidir. Fl. 424DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 - em sua manifestação aduziu que não assiste razão ao julgador quando sustenta que todo o valor havia sido utilizado para o adimplemento dos tributos, mas que houve apenas ausência de retificação da DCTF, existindo crédito de IRPJ e CSLL para compensação. - naquela defesa alegou, ainda, que não pode ser prejudicada pelo falho sistema da Receita Federal. que deixou de verificar os dados constantes da DIPJ retificadora, acrescentando ainda que "erros ou equívocos, seja por parte do Fisco, seja por parte do contribuinte, não têm o condão poder de transformarem em fatos geradores de obrigação tributária." - conclui que houve a impugnação dos argumentos do Despacho Decisório, e que a decisão ora atacada violou o devido processo legal, suprimindo seu direito de defesa, e afrontando o artigo 74,§§ 9º e 11º da Lei nº 9.430/96, o que acarreta sua nulidade nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. No mérito, repete as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Posteriormente, protocolou documento onde informa que o nome empresarial foi alterado de INNOVA S/A para VIDEO-LAR S.A, assim como o CNPJ também foi alterado para 04.229.761/0001-70. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Assiste razão à recorrente quanto à alegação de nulidade da decisão recorrida. A manifestação de inconformidade atacou as razões de decidir do Despacho Decisório, questionando o fato de tão somente se fundamentar nas informações constantes na DCTF apresentada, deixando de verificar outras declarações também disponíveis nos Sistemas da Receita Federal, no caso a DIPJ/2004 retificada desde 2005. Isto é uma questão de mérito, e precisa ser enfrentada pelo julgador a quo, sob pena de cerceamento ao direito de defesa, como de fato ocorreu no presente caso. Se a retificação da DCTF estiver lastreada em documentos hábeis e idôneos que comprovem a sua retidão, o direito creditório deve ser reconhecido caso verificado que houve o pagamento a maior ou indevido. Corroborando este entendimento, a própria Administração emitiu Parecer Normativo COSIT nº 2, de 01/09/2015, admitindo a retificação de DCTF após a ciência de Despacho Decisório que não homologa a compensação. Abaixo, transcrevo a ementa: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, Fl. 425DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho Fl. 426DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 de 1984; art. 18 da MP nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Conclusão Diante de todo o exposto, por entender que se aplica o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de nulidade da decisão recorrida, para que os autos sejam devolvidos à primeira instância administrativa e seja proferida nova decisão, na boa e devida forma. Maria Lúcia Miceli - Relatora Fl. 427DF CARF MF
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