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Numero do processo: 14120.000047/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008
MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA DO CONTRIBUINTE. CABIMENTO.
Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála.
Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-002.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA DO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente BOI VERDE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA DO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. Encontrase em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14120.000047/201000 Acórdão n.º 230102.816 S2C3T1 Fl. 121 3 Relatório Conforme relato constante do Acórdão a quo, tratase de : (...) Auto de Infração de aplicação de Multa lavrado em face do sujeito passivo acima identificado, sob o n° 37.275.1245, no valor de R$ 42.323,31, consolidado em 22/03/2010, com ciência por pessoal em 24/03/201.0, conforme consta da f. 01. De acordo com o relatório fiscal de f. 0506 e anexos, a autuação decorreu do fato de a empresa, devidamente intimada, ter deixado de apresentar à fiscalização os Livros Diário e Razão dos exercícios de 2006, 2007 e 2008, infringindo assim o art. 33 §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, com a redação da lei 9.528/97. Após tomar ciência pessoal da autuação em 24/03/2010, fls. 10, a recorrente apresentou impugnação, fls. 25/46, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 3ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS, no Acórdão de fls. 65/73, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 14/04/2011, fls. 86. O recurso voluntário, protocolizado em 16/05/2011, fls. 89/112, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que estava de boafé e que o dever de informar foi cumprido, ainda que de forma diversa ao solicitado. A obrigação de prestar informações e apresentar documentos tem caráter acessório com a finalidade de facilitar a fiscalização, o que, na prática, ocorreu. Suscita lei estadual para requerer dispensa da penalidade, bem como referese ao art. 112 do CTN. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. A multa afrontaria a garantia constitucional da isonomia. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Multa por descumprimento do art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91. Conforme prevê o art. 33, §§ 2° e 3º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, in verbis: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. II, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9/07/2001) ... § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) A própria recorrente admite que deixou de apresentar os documentos apontados pela fiscalização, mas argumenta que teria suprido com a disponibilização de outros. Porém, tendo ocorrido objetivamente a não apresentação de documentos, é cabível a aplicação da multa, não havendo fundamento legal para a dispensa de penalidade pelos motivos aventados pela interessada. Não é possível aplicarmos lei estadual ao caso, bem como não estamos diante de um caso que permita a aplicação do art. 112 do CTN, posto que não há dúvidas sobre os fatos que justificam a multa. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14120.000047/201000 Acórdão n.º 230102.816 S2C3T1 Fl. 122 5 Por fim, é de ser observado que as obrigações acessórias ou deveres instrumentais decorrem da legislação tributária tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, §2º do CTN). Não podemos entender o sentido de “acessoriedade” como a obrigação que dependa da existência da obrigação principal. Pode existir obrigação acessória sem a principal como é o caso das pessoas físicas ou jurídicas que desfrutem de imunidades tributária: não há tributo a ser pago, mas as denominadas obrigações acessórias devem ser cumpridas. Independentemente de existir obrigação principal, os deveres instrumentais advém de previsão na legislação tributária. Multa de ofício confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000033/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ano-calendário: 2006
Assunto: Obrigações Acessórias
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Não pode ser anulado lançamento, quando observados os princípios do
contraditório e da ampla defesa e não configurada nenhuma das hipóteses do
art. 59, do Decreto n.° 70.235/72.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF.
SÚMULA N.° 2 Consoante
Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para
se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Numero da decisão: 1102-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Ano-calendário: 2006 Assunto: Obrigações Acessórias Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Não pode ser anulado lançamento, quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa e não configurada nenhuma das hipóteses do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA N.° 2 Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
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OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Não pode ser anulado lançamento, quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa e não configurada nenhuma das hipóteses do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA N.° 2 Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000033/200880 Acórdão n.º 110200.592 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente da turma em exercício), João Carlos Lima Júnior (vice presidente), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Eduardo de Andrade e Gleydson Kleber de Oliveira. Relatório Cientificada da lavratura de Auto de Infração em decorrência do atraso de entrega de declaração, no valor de R$ 9.949,64 (nove mil, novecentos e quarenta e nove reais e sessenta e quatro centavos), a Recorrente apresentou Impugnação aduzindo, em síntese, que não teriam sido respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, inseridos no art. 50, da Lei n.º 9.784/99, que rege o processo administrativo federal, uma vez que não teria sido especificado qual o dispositivo teria ensejado o lançamento, além de defender teriam sido violados os artigos. 5º, XXII, LIV e 150, IV, da Constituição Federal, haja vista seria a multa confiscatória, desproporcional e contrária ao princípio da isonomia. Por fim, registrou que teria havido apenas tardia apresentação da DCTF, acompanhada do recolhimento de todos os tributos devidos, o que caracterizaria a espontaneidade, na forma do art. 138, do CTN e não apenas a redução de 50% da multa. . A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza afastou a preliminar de nulidade, por considerar não ser imprescindível a indicação do dispositivo que embasa o lançamento quando a parte demonstra ter compreendido a controvérsia e, no mérito, julgou inviável a pretensão, tendo em vista que vedada a análise de constitucionalidade da norma na esfera administrativa e, consoante entendimento sumulado, não se aplica o instituto da denúncia espontânea para penalidade decorrente de atraso na entrega de declarações. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na Impugnação e acrescentando que a matéria versada teria sido alvo de reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, o que ensejaria o sobrestamento do feito até decidida a matéria no Judiciário. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Preliminarmente, pugna a Recorrente pela decretação de nulidade do lançamento, sob o entendimento de que ausente o dispositivo legal por ela infringido, em que pese ter demonstrado de forma suficiente ter compreendido a controvérsia e inexistir dúvidas nos autos quanto à competência da autoridade administrativa que lavrou o Auto de Infração. Não merece reparos a decisão recorrida. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000033/200880 Acórdão n.º 110200.592 S1C1T2 Fl. 3 3 A mera falta de indicação de um artigo de lei , quando oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa, não tem o condão de macular o lançamento, haja vista que suposto vício não causou qualquer prejuízo à parte e não está elencado no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, a Recorrente defendeu inicialmente o suposto caráter confiscatório da multa, quando é cediço a incompetência deste Conselho para apreciação de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme art. 62, do Regulamento Interno e Súmula n. º 2, verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” “SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Por fim, pugna a Recorrente pelo sobrestamento do feito, a pretexto de que a matéria versada no recurso estaria sendo debatida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 582.461, e teria havido o reconhecimento da repercussão geral, contudo, referido processo já foi definitivamente julgado, baixado à instância de origem e trata de matéria distinta da debatida nos presentes autos: constitucionalidade da inclusão do ICMS na sua própria base de cálculo. Ao contrário do defendido pela Recorrente, está pacificado o entendimento no âmbito dos tribunais superiores quanto à inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea na hipótese de descumprimento de obrigações acessórias, inexistindo qualquer empecilho ao julgamento, consoante evidenciam ementas que a seguir transcrevo, verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000033/200880 Acórdão n.º 110200.592 S1C1T2 Fl. 4 4 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido”. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009) As ementas acima evidenciam não estarem configuradas as hipóteses do art. 62A, do Regimento Interno, que exijam o sobrestamento do feito, haja vista que, além de a matéria não estar pendente de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, por ser de índole infraconstitucional, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento contrário à pretensão recursal,: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000033/200880 Acórdão n.º 110200.592 S1C1T2 Fl. 5 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Em face do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 11065.001620/2008-93
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2005 OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. APLICAÇÃO DA LEI MATERIAL NO TEMPO. A lei superveniente não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, que se regem pela lei então vigente. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.020
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. APLICAÇÃO DA LEI MATERIAL NO TEMPO. A lei superveniente não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, que se regem pela lei então vigente. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 68 2 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/NHO/RS nº 14, de 10.03.2003, com efeitos a partir de 01.08.2004, fl. 45, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Motivo da exclusão: Atividade vedada (prestação de serviços no ramo da construção civil) Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05.12.1996, art 9°, inciso V, c/c §4°; art 12; art. 14, inciso I; art.15, inciso II. Art. 2° A exclusão do SIMPLES surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. Cientificada em 13.03.2009, fl. 46, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 13.04.2009, fls. 4748, com as seguintes alegações 1. A empresa foi comunicada em 13.03.2009 da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (Simples), cujo teor menciona o fato da mesma exercer atividade vedada pela legislação específica (art. 9° da Lei 9.317/96). Ocorre que a referida Lei não está mais em vigor desde 01/07/2007, tendo esta vigido som ente ate 30/06/2007, fato que nos leva a questionar a exclusão somente no momento atual. 2. A partir de 01/07/2007, data em que entrou em vigor o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), criada pela Lei Complementar n° 123 de 14/12/2006, a empresa MIGROU automaticamente para o novo regime, procedimento este, efetuado pela própria Autoridade competente, e que agora manifesta a Exclusão. 3. A partir da nova legislação do SIMPLES NACIONAL (LC n° 123/2006), em vigor a partir de 01.07.2007, a Resolução CGSN n° 04 de 01.06.2007, Art. 12, parágrafo 3°, incisos X e XIII, é clara quando menciona a atividade de "serviços de reparos hidráulicos, elétricos, pintura e carpintaria em residências ou estabelecimentos civis ou empresariais..." e " construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada", respectivamente, atividade esta NÃO VEDADA e exercida pela empresa. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 69 3 4. Portanto, o ADE emitido, englobando dois períodos de legislações distintas, de 01/08/2004 a 30/06/2007 (quando a vigência reportavase à Lei 9317/96) e de 01/07/2007 até a presente data (vigência atual da LC n° 123/06), onde a primeira (Lei n° 9317/96) VEDA a atividade exercida pela empresa e a segunda (LC n° 123/06) ao contrário, possibilita a inclusão no SIMPLES NACIONAL de idêntica atividade, da mesma forma, deveria tratar os dois períodos distintamente. Pelas razões expostas, o contestante requer a V. Sª seja revista a decisão de EXCLUSÃO, visto que a empresa busca o tratamento correto da legislação que disciplina a matéria. N. Termos P. Deferimento Consta como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 25.381, de 19.05.2010, fls. 51564: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/08/2004 SIMPLES. SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA. INDEFERIMENTO. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. A vedação ao exercício da opção pelo Simples, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias bem como quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Um dos princípios básicos do Direito Intertemporal é o da irretroatividade das leis, pelo qual uma lei presente ou futura não deverá atingir fatos pretéritos. Esse principio está consagrado na Carta Política de 1988, art. 5º, XXXVI, dentro dos direitos e garantias fundamentais do indivíduo. Notificada em 10.06.2010, fl. 56, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.07.2010, fls. 6164, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade no seguinte sentido O acórdão atacado não adotou a melhor solução ao caso em tela. Inicialmente, deve ser destacado que o fundamento para a exclusão da recorrente foi a verificação da emissão de faturas de prestação de serviços relacionados a construção civil. Entretanto, como bem colocado no acórdão recorrido, a empresa esta cadastrada no CNAE 82997/99 (outras atividades de serviços prestados principalmente as empresas não especificadas anteriormente). Ainda, no mesmo sentido, a descrição de suas atividades junto a JUCERGS é de manutenção industrial e comércio varejista de materiais de construção em geral. [...] Assim, da simples análise destes dados cadastrais da empresa, já se denota que a atividade exercida preponderantemente pela mesma não é a prestação de serviços relacionados a construção civil, como destacado no Ato Declaratório de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 70 4 Exclusão. Neste ponto, já é possível a verificação de que indevida a exclusão. A eventualidade da prestação de um serviço não pode acarretar no enquadramento de toda a atividade da empresa como aquela incompatível ao regramento do SIMPLES, considerada a legislação aplicável a época. Até porque, a natureza das atividades da recorrente pode requerer, em alguns casos, além da comercialização do produto, sua entrega e montagem, serviços os quais demandam remuneração. [....] Ainda, é de ser notado que as hipóteses prescritas na legislação quanto A vedação à inclusão no SIMPLES (art. 9° da Lei 9.317/96) não faz qualquer menção As atividades da requerente, decorrente o entendimento do ADE unicamente de Resolução expedida de Administração. Neste ponto, vejase que a disposição constitucional quanto à necessidade de tratamento diferenciado As empresas de pequeno porte faz expressa menção A necessidade de lei para sua instituição. [...] [...] Deste modo, em não havendo qualquer previsão legal a embasar a exclusão da autora do SIMPLES, fere as disposições constitucionais atinentes ao tema o ADE expedido pela DRF/NHO. Ainda, não apenas o dispositivo acima transcrito resta violado, como o próprio principio da legalidade tributária (art. 150, I da CF), vez que ao ser excluída do SIMPLES, sem qualquer previsão legal, a conseqüência é a majoração da carga tributária imposta à recorrente, sem qualquer disposição normativa neste sentido. Na verdade, em sentido diametralmente inverso deveria ser o entendimento da Administração, uma vez que a empresa atende a todos os requisitos necessários a sua manutenção no SIMPLES e, A margem da Constituição e da Lei, resta excluída do sistema de tratamento privilegiado de tributação. A corroborar a fundamentação acima exposta, vejase que posteriormente a edição da Lei Complementar no 123/06, na esteira do que dispunha a legislação antiga, foi editada a Resolução CGSN 04/2007 a qual, expressamente, dispõe que a atividade de prestação de serviços, nos moldes corno eventualmente levado a efeito pela recorrente, não veda a opção pelo SIMPLES NACIONAL. [...] Assim, concluise que para o deslinde pra presente questão não se pretende qualquer aplicação de legislação anteriormente A. sua vigência. Tratase da aplicação da legislação vigente, com base nos comandos constitucionais, notadamente quanto à necessidade de lei para reger o sistema de tratamento diferenciado prescrito no art. 179 da CF, o que restou flagrantemente violado pela indevida exclusão da recorrente, sem qualquer disposição legal a embasar o ato declaratório. Conclui Isto posto, REQUER seja recebido o presente recurso, sendo reformado o acórdão n° 1025.381 da 6a Turma da DRJ/P0A, de modo a ser acolhida a manifestação de inconformidade da recorrente, no sentido de ser revista a decisão de exclusão da mesma do SIMPLES, nos termos do ADE DRF/NHO n° 14/2009. Nestes Termos, Pede Deferimento É o Relatório. Voto Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 71 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio alteração cadastral no prazo previsto em lei, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. Por esta razão foi exarado de forma regular o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO/RS nº 14, de 10.03.2003, com efeitos a partir de 01.08.2004, fl. 45 por incorrer em circunstância excludente. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente defende que a norma que fundamenta o procedimento está revogada. No ordenamento jurídico vigora o princípio da irretroatividade da lei, como limitador ao direito de poder de tributar, salvo disposição normativa em contrário. Por esta razão o procedimento de exclusão sempre deve se reportar à data da ocorrência da situação impeditiva e se rege pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. No período de 01.01.1997 a 30.06.2007, relativo ao ato contestado, o Simples produziu validamente efeitos. A partir de 01.07.2007 começa a vigorar o regime diferenciado de cumprimento de obrigações principais e acessórias de tributos de todos os entes políticos, que não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, por ser a eles superveniente2. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da exclusão do Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a 1 Fundamentação legal: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 13 e art. 14 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 Fundamentação legal: alínea "a" do inciso III do art. 150 da Constituição Federal, art. 30 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 88 e art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 72 6 imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade3. A exclusão de ofício tem cabimento no caso de pessoa jurídica obter receita bruta decorrente de circunstância impeditiva. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis. Compreendese na atividade de construção de imóveis a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, afasta a prestação de serviços exclusiva de reflorestamento. Abrange também as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como a construção, a demolição, a reforma e a ampliação de edificações, as sondagens, as fundações e as escavações, a construção de estradas e de logradouros públicos, a construção de pontes, de viadutos e de monumentos, a terraplenagem e a pavimentação, bem como a pintura, a carpintaria, as instalações elétricas e hidráulicas, a aplicação de tacos e azulejos e a colocação de vidros e esquadrias. Vale lembrar que deve ser excluída deste rol exemplificativo a pertença, que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Toda obra para ser considerada como de engenharia, de arquitetura ou de agronomia depende, para sua legalidade, da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) correspondente ao registro do contrato de prestação de serviços4. A hipótese de exclusão de ofício do Simples fundamentada na atividade de construção de imóveis, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Tem cabimento o exame da situação fática. No Contrato de Prestação de Serviços acordado entre a Contratada/Recorrente e a Contratante/Bunge Fertilizantes S/A, está assinalado, fls. 0509 1. Objeto [...] A CONTRATADA obrigase a prestar à CONTRATANTE serviços de reforma dos banheiros e vestiário masculino, que serão prestados no estabelecimento da CONTRATANTE, indicado no preâmbulo do presente contrato, conforme orçamento s/n. ° de 28/06/2004, que rubricado pelas partes integra o presente instrumento. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de1997, Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 32, de 22 de dezembro de 2004, art. 93 do Código Civil, Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977 e Ato Declaratório Normativo da Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 73 7 1.2. Os serviços objeto do presente contrato serão executados por empregados da CONTRATADA, por ela devidamente registrados nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT. [...] 4. Obrigações da Contratada [...] apresentar a,Contratante, se for o caso, antes do início dos serviços, cópia da 4º via da ART Anotação de Responsabilidade Técnica, conforme previsto na Lei Federal 6496/77, comprovando o recolhimento da taxa junto ao CREA Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Nesse documento deverão ser observadas todas as informações necessárias ao seu completo preenchimento, deixando evidenciado, a responsabilidade do engenheiro pela Direção da Obra e Execução da Obra, além das demais classificações de responsabilidades atribuídas no presente contrato; No Contrato de Prestação de Serviços ajustado entre a Contratada/Recorrente e a Contratante/Unifertil S/A está registrado, fls. 1012 1. Objeto [...] A CONTRATADA obrigase a prestar à CONTRATANTE, o serviços de reparos e coloca;ao e troca de telhas no telhado dos pavilhões, localizados na unidade industrial da CONTRATANTE descrita no preâmbulo do presente contrato, conforme proposta, que rubricada pelas partes integra o presente contrato. Na Carta de Autorização nº 4500256251 emitida pela Petrobrás Transporte S/A para a Recorrente consta, fls. 1315 3. Objeto: Execução de pequenos serviços de manutenção predial e pintura no Terminal de Niterói — TENIT, pertencente ao TA/RS. No Contrato de Prestação de Serviços acordado entre a Contratada/Recorrente e a Contratante/Bunge Fertilizantes S/A, está assinalado, fls. 1620 2. Objeto Prestação de serviços de manutenção civil, pela CONTRATADA a CONTRATANTE, mediante solicitação da CONTRATANTE, através dos Pedidos que farão parte integrante do presente contrato. As Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Recorrente correspondentes aos contratos mencionados estão juntadas às fls. 2137. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova pela defesa, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda do efeito retroativo da exclusão. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 74 8 contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No caso constatada uma das situações excludentes, os efeitos da exclusão dáse a partir de 01.08.2004. A partir da data dos efeitos do ato, a pessoa jurídica fica sujeita às demais normas de tributação. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator: Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&sReg=20090029627 7&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 12, art. 13, art. 14, art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 56. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017501/2010-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO. PRAZO.
Impugnação apresentada após trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo tornou ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva e dela não se toma conhecimento, uma vez não instaurado o litígio.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2802-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO. PRAZO. Impugnação apresentada após trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo tornou ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva e dela não se toma conhecimento, uma vez não instaurado o litígio. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 75 01 /2 01 0- 10 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 64/69, com exigência de Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, multa e juros de mora calculados até 31/08/2010, no montante de R$ 14.508,01, correspondente a dedução indevida de despesas médicas, pensão alimentícia judicial. Cientificado do lançamento em 02/09/2010 (fl. 47), o Recorrente apresentou impugnação somente em 08/10/2010 (fl. 1), ou seja após transcorrido o prazo legal para sua formalização, consoante previsto nos arts. 14 a 17 e 23 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações dadas pelos art. 10 da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, razão pela qual ela não foi conhecida e o lançamento mantido sob o fundamento de que: “Ora, a impugnação apresentada extemporaneamente equivale a sua não apresentação. Por isso: além de não instaurar o litígio fiscal administrativo, impede que as razões de mérito sejam examinadas pela autoridade julgadora”. Nas razões de Voluntário (fl. 82/83), o Recorrente reconhece a intempestividade da Impugnação; entretanto, requer, em razão dos princípios da economicidade e da razoabilidade, que o lançamento seja revisto, vez que comprovada a efetividade das despesas declaradas e para tanto, anexa documentos de fls. 93/116. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Conforme relatório acima, cientificado do lançamento em 02/09/2010 (fl. 47), o Recorrente apresentou impugnação somente em 08/10/2010 (fl. 1), ou seja após transcorrido o prazo legal para sua formalização, consoante previsto nos arts. 14 a 17 e 23 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual ela não pode ser conhecida, fato que impediu a instauração da fase litigiosa e o conseqüente conhecimento do Recurso Voluntário. Nesse sentido: CARF 2a. Seção / 2a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 2202 09.825 em 19/10/2010. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após o prazo de trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que rejeitou a preliminar de tempestividade. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL A declaração de intempestividade da impugnação , pelo Acórdão Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.017501/201010 Acórdão n.º 2802002.192 S2TE02 Fl. 130 3 de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário interposto em razão da intempestividade da peça impugnatória. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721820/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência da existência de depósito judicial em valor integral não impede a realização do lançamento de ofício para prevenção da decadência, sendo vedado ao Fisco tão-somente a prática de qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF no 1).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2201-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência da existência de depósito judicial em valor integral não impede a realização do lançamento de ofício para prevenção da decadência, sendo vedado ao Fisco tão-somente a prática de qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF no 1). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência da existência de depósito judicial em valor integral não impede a realização do lançamento de ofício para prevenção da decadência, sendo vedado ao Fisco tãosomente a prática de qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF no 1). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 18 20 /2 01 2- 54 Fl. 913DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos que acarretaram a lavratura do auto de infração, adoto o Relatório do acórdão de primeira instância, no que diz respeito à autuação (fls. 885 a 887), cujo teor reproduzo a seguir: “Contra TERESINHA DE MELLO SARAIVA, CPF 459.735.200 72, foi lavrado o auto de infração de fls. 3 a 7, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, formalizando a exigência de imposto no valor de R$7.604.460,85, acrescido de juros de mora calculados até 02/2012. O lançamento decorre da tributação de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital obtido na alienação de ações ou quotas não negociadas em bolsa de valores em 18/04/2007, no valor de R$50.696.405,66, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. O enquadramento legal consta do auto de infração, fls. 4 e 7, do qual a contribuinte foi cientificada em 22/02/2012 (fl. 809). TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL No Termo de Verificação Fiscal às fls. 8 a 32, os autuantes apresentam a motivação do lançamento. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. A contribuinte ingressou, juntamente com o cônjuge Sérgio Silveira Saraiva e seus três filhos (Maria Cecília de Mello Saraiva, Maria Teresa de Mello Saraiva e Sérgio Antônio Linek de Mello Saraiva), com a ação de Mandado de Segurança Preventivo 2007.71.00.0214849 na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, objetivando o reconhecimento da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física sobre o ganho auferido pela alienação de ações de sua propriedade, adquiridas no período anterior a 5 anos de vigência da Lei n° 7.713/88, correspondendo a 31 de dezembro de 1983. Foi depositado em juízo o valor de R$7.766.077,80, correspondente ao imposto Fl. 914DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.721820/201254 Acórdão n.º 2201002.106 S2C2T1 Fl. 914 3 sobre o ganho de capital na venda das ações da RPI e DPPI adquiridas até 31/12/1983. A contribuinte, na petição inicial, informa que parte das ações possuídas em março de 2007 foi doada, com reserva de usufruto, em 26/11/1997, aos seus 3 filhos, sendo "retomadas" em 05/04/2005. Na sentença, foi concedida em parte a segurança à contribuinte e a seu cônjuge para reconhecer o direito à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de ações das empresas Refinaria de Petróleo Ipiranga S/A, Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga S/A e Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga S/A, relativamente às ações adquiridas até dezembro de 1983, e mantidas em seus patrimônios até a data da revogação da isenção pela Lei n° 7.713/88. Na fundamentação, foi explicitado que se as ações doadas foram retomadas, tratouse de nova aquisição. Foi denegada a segurança quanto aos demais impetrantes. A PGFN no Rio Grande do Sul apelou da decisão de 1a Instância, requerendo a reformulação da sentença no que tange à isenção do DL 1.510/76. O TRF da 4a Região deu provimento à apelação da União Federal, não reconhecendo o direito da contribuinte à isenção prevista no artigo 4o do Decreto Lei 1.510/76. O STJ, ao analisar o RESP n° 1.148.820RS, impetrado pela contribuinte, deu provimento a este recurso, reconhecendo o direito à isenção prevista no DecretoLei 1.510/76. Todavia, o provimento do recurso especial pelo STJ deve se dar nos limites da matéria argüida na Apelação, ou seja, a decisão transitada em julgado apenas deve ser interpretada nos limites da sentença. De acordo com informações obtidas no sítio do STF, o contribuinte Sérgio Silveira Saraiva e sua esposa apresentaram desistência do Recurso Extraordinário n° 639572 em 28/04/2011. Conforme decidido na sentença de 1ª instância, a Fiscalização entendeu que a maioria das ações alienadas em 2007 pela contribuinte não foram adquiridas sob a égide do DL 1.510/76, mas, apenas em 6 de abril de 2005, quando a fiscalizada compra, de seus três filhos, as ações anteriormente doadas a eles. A própria documentação trazida pela contribuinte e seu cônjuge corrobora o entendimento de que efetivamente houve uma nova compra. Após a celebração do contrato de compra e venda, em abril/2005, ocorreu a transferência da titularidade das ações junto ao Banco responsável pela escrituração, conforme documentos apresentados pela Ultrapar Participações S/A. Como conseqüência dessa transação, as ações da contribuinte voltaram a constar da declaração de seu marido e os valores ainda não pagos aos filhos foram informados na ficha Dívidas e Ônus Reais da mesma DIRPF. Já os filhos, retiraram de suas DIRPF as ações alienadas e passaram a declarar a dívida da fiscalizada para com eles. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A fiscalização procedeu ao recálculo da evolução da posição de ações ON da contribuinte na DPPI e na RPI, considerando as compras, em 2005, das ações doadas anteriormente como sendo novas aquisições. O saldo de ações "isentas" ou "velhas" de DPPI ON apurado pela fiscalização (4.000) é inferior ao declarado pela contribuinte (163.952). Da mesma maneira, o saldo de ações "novas" ou "tributáveis" de DPPI ON (487.914) é superior ao declarado (327.962). O mesmo ocorre com as ações da RPI ON. O saldo de ações "isentas" ou "velhas" (4.000) é inferior ao declarado pela contribuinte (261.770) e o saldo de ações "novas" ou "tributáveis" de RPI ON (348.840) é superior ao declarado (91.070). Não houve necessidade de se proceder ao recálculo da evolução da posição de ações DPPI PN, RPI PN, uma vez que não ocorreram aquisições destes ativos, pela contribuinte, após as doações de 1997. Assim, refezse o cálculo do imposto relativo ao ganho de capital auferido pela contribuinte. O ganho tributável na venda das ações da RPI e DPPI foi alterado de R$44.360.145,25 para R$95.056.550,91, ou seja, aumentado em R$ 50.696.405,66. O valor de imposto de renda declarado e recolhido pela contribuinte (R$6.654.024,39) relativo ao ganho de capital correspondente à venda das ações retrocitadas foi inferior ao valor que deveria ter sido declarado e recolhido (R$ 14.258.482,64). Por conseguinte, foi formalizada a exigência do imposto no valor de R$7.604.460,85, acrescido de juros de mora. O crédito tributário constituído por meio do auto de infração está com a exigibilidade suspensa por força de depósito do montante integral vinculado ao Mandado de Segurança n° 2007.71.00.0214849 da 1ª Vara Federal Tributária de Porto Alegre e ao Agravo de Instrumento n° 0015741 48.2011.404.0000 (art. 151, inciso II do CTN). No Agravo de Instrumento n° 001574148.2011.404.0000, interposto, em 18/11/2011, pela ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional, foi deferido parcialmente o efeito suspensivo para impedir o levantamento dos valores controversos.” Em 21/03/2012, a Contribuinte apresenta a impugnação de fls. 812 a 824, instruída com os documentos de fls. 825 a 877, alegando, em suma, que: a) nulidade do auto de infração, ainda quando lavrado com o propósito de evitar a decadência, por desrespeito ao art. 62 do Decreto nº 70.235, de 1972, haja vista a existência de depósito judicial no valor integral do imposto lançado, bem como decisão favorável ao impugnante nos autos do MS n° 2007.71.00.0214849/RS. Nesse sentido é o entendimento do STJ, conforme julgados reproduzidos em sua peça impugnatória; b) os valores lançados estão com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, II, do CTN, em face do depósito do valor integral efetuado nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.71.00.0214849/RS, devendo, Fl. 916DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.721820/201254 Acórdão n.º 2201002.106 S2C2T1 Fl. 915 5 portanto, serem excluídos os juros de mora, posto que a suspensão ocorreu antes do vencimento da obrigação tributária; c) em razão da alienação de ações ocorrida em 2007, apurou ganho de capital, parte dele sem incidência do imposto de renda, por se tratar de alienação efetivada após decorridos cinco anos da data da aquisição, nos termos do art. 4º, “d”, do DL nº 1.510/76; d) em face da própria jurisprudência administrativa sobre a matéria, conforme julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, impetrou mandado de segurança preventivo, autos n° 2007.71.00.021484 9/RS. A decisão judicial transitou em julgado, sendo integralmente favorável à impugnante, estando aguardando apenas posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4a Região acerca de agravo de instrumento interposto pela União Federal, que pretende limitar os efeitos da coisa julgada; e) a decisão judicial abrange as alienações de ações que foram tributadas no auto de infração em discussão, haja vista que a sentença concessiva da segurança foi expressa ao reconhecer, sem nenhuma ressalva, seu direito à isenção pleiteada, conforme trechos a seguir transcritos: “Especificamente em relação aos impetrantes Sérgio e Teresinha, narram estes que em dezembro de 1997, fizeram doação com reserva de usufruto a seus filhos, transmitindolhes a nuapropriedade, mas conservando para si o exercício dos direitos de uso, administração e gozo das ações, o que perdurou até abril de 2005, quando retomaram a nuapropriedade. reincorporando a plena propriedade das ações. Discorrem acerca da distinção existente entre reserva de usufruto e instituição de usufruto e requerem que também não haja a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação destas ações, alegando que não houve a transferência de nenhum direito patrimonial em decorrência do usufruto.” [...] No caso dos autos, os dois primeiros impetrantes cumpriram os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda, nos termos do DecretoLei n. 1.510/76, antes mesmo da revogação da referida norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. Assim, relativamente às ações que tenham sido alienadas em 2007, e desde que integrassem o patrimônio em tempo superior a 5 anos, não há porque deixar de reconhecer o direito à isenção do imposto de renda na venda destas ações previsto no Decreto Lei 1.510/76, pois quando da revogação do benefício, trazido pela Lei nº. 7.713/88, os dois primeiros impetrantes já tinham cumprido os requisitos para gozo do benefício, fazendo jus, portanto, à isenção do imposto de renda sobre eventual ganho de capital na alienação das ações, pois, tratandose de isenção concedida sob condição onerosa, o contribuinte tem direito adquirido ao benefício se satisfez a condição prevista na lei Fl. 917DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 [...] "para reconhecer o direito à isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de ações das empresas Refinaria de Petróleo Ipiranga S/A, Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga S/A e Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga S/A, aos dois primeiros impetrantes, relativamente às ações adquiridas até dezembro de 1983, e mantidas em seus patrimônios até a data da revogação da isenção, pela Lei n° 7.713/88”. (destaques da Recorrente) f) ao conceder a segurança ao casal Sérgio e Teresinha e negála aos seus filhos (por isso a procedência em parte do pedido), a sentença mantevese coerente com seus fundamentos, deixando implícito que a doação de ações com reserva de usufruto, realizada em 1997 e a subseqüente retomada da nuapropriedade, em 2005, mediante compra, não afetou o direito à isenção do art. 4º do DL 1.510/76; g) da leitura do pedido e da causa de pedir, verificase que a sentença, ao reconhecer o direito de Sérgio e Teresinha à isenção, não atribuiu nenhum efeito tributário à incorporação da nuapropriedade das ações, feita em 2005, já que esses sempre tiveram o usufruto, por força do qual continuaram praticando todos os atos inerentes à titularidade daqueles bens, tais como votar em assembléias, participar da administração das companhias, receber dividendos e etc.. Portanto, as ações sempre lhes pertenceram. A 5a Turma da DRJ/Julgamento em Belo Horizonte – MG julgou a impugnação procedente em parte (fls. 884 a 893), para cancelar a exigência dos juros de mora, por serem incabíveis nos lançamentos para evitar a decadência, formalizados no curso do processo judicial proposto antes do início do procedimento fiscal, a partir da data da efetivação do depósito judicial em montante integral que, neste caso, ocorreu na data de vencimento do imposto. Rejeitouse a preliminar de nulidade do auto de infração, em virtude do disposto no Parecer PGFN nº 743, de 1988, que recomenda a constituição do crédito tributário para evitar a decadência. Quanto à tributação da alienação das ações doadas aos filhos e posteriormente retomadas, objeto do auto de infração, entendeuse que a decisão judicial não reconheceu o direito à isenção prevista no art. 4º do DL 1.510/76 e que, em decorrência do trânsito em julgado, o lançamento do imposto deve ser mantido. O referido acórdão restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 COISA JULGADA. A ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso. Mantémse o lançamento do imposto, no qual se observou o determinado em decisão judicial definitiva. JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.721820/201254 Acórdão n.º 2201002.106 S2C2T1 Fl. 916 7 Nos lançamentos para evitar a decadência, formalizados no curso do processo judicial proposto antes do início do procedimento fiscal, não cabe a exigência de juros de mora, a partir da data da efetivação do depósito judicial em montante integral. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada do acórdão de primeira instância em 18/07/2012 (Aviso de recebimento de fls. 906), a Interessada interpôs o recurso de fls. 895 a 905, em que, preliminarmente, reitera o pedido de declaração de nulidade do auto de infração, pelas mesmas razões expostas na impugnação, e, no mérito, alega que o entendimento judicial acerca do alcance da sentença transitada em julgado, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.71.00.0214849/RS, é diverso daquele apresentado na decisão recorrida. Afirma que a interpretação correta do alcance daquela decisão foi dada no julgamento do agravo de instrumento da Fazenda Nacional, nos termos da fundamentação do voto vencedor daquele julgado, a seguir transcrito: “A controvérsia a ser dirimida diz respeito ao alcance da coisa julgada que se formou no Mandado de Segurança nº 2007.71.00.0214849, em que pleiteado o reconhecimento do direito adquirido à isenção do imposto de venda sobre lucro auferido na alienação de ações. A segurança foi concedida em parte. A União entende que as ações doadas pelos agravados Sérgio Saraiva e Teresinha Saraiva a seus filhos Sérgio, Maria Teresa e Maria Cecília, e readquiridas posteriormente, não estão alcançadas pela segurança concedida. Os agravados asseveram que a União pretende aplicar o argumento invocado na sentença na parte em que denegou a segurança aos também filhos para retirar efeitos denegatórios também quanto aos pais. Tenho que não é o caso de se retomar a análise do mérito de tal questão. Impetraram mandado de segurança o casal e seus filhos. A questão da doação com reserva de usufruto compôs um capítulo próprio na inicial, de modo claro e transparente. A sentença relatou o feito referindo o usufruto, mas deixou acabou sendo demasiadamente sintética, razão pela qual restaram dúvidas que ora desaguam nesta Turma. Tenho que a análise do dispositivo e da estrutura da argumentação indicam a extensão da coisa julgada. Na fundamentação, a Magistrada tratou primeiramente da pretensão do casal e, em seguida, em parágrafo próprio, da pretensão dos filhos: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 "No caso dos autos, os dois primeiros impetrantes cumpriram os requisitos..., tendo direito adquirido ao benefício fiscal... [...] No entanto, incabível reconhecer idêntico direito aos demais impetrantes, filhos dos dois primeiros impetrantes, pois estes receberam em doação as ações...em 1997, quando então não mais existia a isenção..." No dispositivo, a Magistrada CONCEDEU, EM PARTE, A SEGURANÇA. Reconheceu a isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de ações aos dois primeiros impetrantes e negoua aos demais impetrantes. Desse modo, tenho que não se deve admitir a renovação de questões de mérito. Os Impetrantes Sérgio e Teresinha tiveram seu direito reconhecido, de modo que têm direito ao levantamento dos depósitos que foram realizados em seus nomes. Os demais Impetrantes perderam, cabendo a conversão em renda dos depósitos respectivos. Isso porque os depósitos suspensivos da exigibilidade dos créditos tributários seguem o destino definido por sentença. Não se admite que, em sede de cumprimento do julgado, se abra instância de conhecimento. Se o direito foi reconhecido aos primeiros impetrantes e negado aos demais, assim deve ser a destinação dos recursos. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao agravo de instrumento da União.” (destaques do Recorrente) Assim, entende, a Recorrente, que este Conselho é incompetente para decidir de forma diversa, sob pena de desobediência à ordem judicial, por não ser cabível a este Órgão a reanálise de decisões transitadas em julgado, em especial quando o destinatário da decisão é o Poder Público. Diante do exposto acima requer, a Interessada, o provimento do recurso “para que o alcance da sentença proferida no mandado de segurança n° 2007.71.00.0214849/RS repercuta nesta esfera administrativa, em respeito ao instituto da coisa julgada, como de direito”. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto merece ser conhecido somente em relação à matéria arguida em sede de preliminar, pelas razões que serão expostas a seguir. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A Contribuinte requer, preliminarmente, com fulcro no art. 62 do Decreto nº 70.235, de 1972, que seja declarada a nulidade do auto de infração, ainda que tenha sido Fl. 920DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.721820/201254 Acórdão n.º 2201002.106 S2C2T1 Fl. 917 9 lavrado com o intuito de evitar a decadência, em virtude da existência de depósito judicial no valor integral do imposto exigido, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.71.00.021484 9/RS. Ressalta ser nesse sentido a jurisprudência do Superior Tribunal da Justiça. Cumpre assinalar que a interposição de ação judicial, seja qual for sua modalidade, ou mesmo o depósito integral dos valores em discussão, não tem o condão de impedir o lançamento de ofício, uma vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do falo gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento foi realizado para prevenir a decadência, com o objetivo de resguardar o crédito tributário, haja vista que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com o depósito do montante integral do crédito tributário, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Não efetuado o lançamento dentro do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito encontrarse fulminado pela decadência, sendo vedado tão somente a prática de qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. Acerca do entendimento do STJ sobre a matéria, insta salientar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por fim convém ressaltar que, no caso em apreço, o órgão julgador de primeira instância julgou a impugnação procedente em parte, para cancelar a exigência dos juros de mora, em virtude de o depósito judicial ter sido efetuado na data de vencimento do imposto. Dessa forma o lançamento se ajustou ao entendimento pacificado pela jurisprudência deste Conselho, que não admite a exigência de juros de mora, neste caso, como pode ser observado pelo enunciado da Súmula CARF nº 5: Súmula CARF Nº 5 “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (destaque meu) Diante do exposto acima rejeito a preliminar suscitada. DO MÉRITO Fl. 921DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 No mérito as alegações da Recorrente restringemse a defender que o direito à isenção do valor cobrado no auto de infração já foi discutido no Mandado de Segurança nº 2007.71.00.0214849/RS, cujo resultado do julgamento, segundo seu entendimento, lhe seria favorável, e que a decisão teria transitado em julgado, o que impossibilita este Conselho de julgar de forma diversa, sob pena de desobediência a uma ordem judicial. Como a própria Interessada reconhece em seu Recurso, a matéria relativa do auto de infração, lavrado em 13/02/2012 (fls. 02 a 07) foi objeto de discussão no Mandado de Segurança nº 2007.71.00.0214849/RS, impetrado em 31/05/2007 (fls. 299 a 337), como pode ser constatado no relatório da sentença que concedeu em parte a segurança, proferida em 09/08/2007, sendo oportuno reproduzir o seguintes trecho daquela decisão (fls. 339 a 343): “Os impetrantes ingressaram com o presente feito, objetivando provimento judicial que lhes reconheça o direito à isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de ações havidas em 31/12/1983, existentes até 31/12/1998, inclusive em relação às ações bonificadas (filhotes), estas adquiridas em qualquer tempo, juntamente com as ações objeto de grupamento e desdobramento. Narram na inicial que integram parte do grupo de acionistas das empresas Refinaria de Petróleo Ipiranga S/A, Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga S/A e Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga S/A, tendo em março de 2007 vendido suas ações às empresas Ultrapar Participações S/A, Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás e Braskem S/A. Aduzem que de acordo com o art. 4º do Decretolei nº 1.510/76, não incidia imposto de renda sobre os lucros auferidos pela venda de ações adquiridas após cinco anos da data da aquisição, dispositivo legal que foi revogado pela Lei nº 7.713/88. Sustentam também que não deve incidir imposto de renda sobre a alienação das ações bonificadas, pois são simples extensão das ações das quais são originárias. Sustentam que em se tratando de isenção concedida por prazo certo ou em função de determinadas condições não pode ser revogada, segundo o que dispõe o art. 178 do CTN, e que mesmo tendo sido alienadas as ações após a revogação do referido DecretoLei, não pode incidir imposto de renda sobre o ganho de capital dela decorrentes. Especificamente em relação aos impetrantes Sérgio e Teresinha, narram que estes em dezembro de 1997, fizeram doação com reserva de usufruto a seus filhos, transmitindolhes a nuapropriedade, mas conservando para si o exercício dos direitos de uso, administração e gozo das ações, o que perdurou até abril de 2005, quando retomaram a nua propriedade, reincorporando a plena propriedade das ações. Discorrem acerca da distinção existente entre reserva de usufruto e instituição de usufruto e requerem que também não haja a incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação destas ações, alegando que não houve a transferência de nenhum direito patrimonial em decorrência do usufruto. [...]” (destaques meus) A Recorrente efetuou, na data de vencimento do imposto, o depósito em juízo no valor de R$ 7.750.398,15, superior ao imposto lançado de R$ 7.604.460,85, conforme Fl. 922DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.721820/201254 Acórdão n.º 2201002.106 S2C2T1 Fl. 918 11 reconhecido no acórdão recorrido, o que levou àquele órgão julgador a cancelar a exigência dos juros de mora. A Constituição Federal, em seu art. 5°, inciso XXXV, assim dispõe: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;” Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, a sua discussão na esfera administrativa tornase inócua, pois em nosso sistema de direito cabe à esfera judicial a última palavra na solução de conflitos. No caso em apreço, se a decisão transitada em julgado tiver sido favorável à Contribuinte, como ela alega, lhe será autorizado o levantamento do valor depositado em juízo. Caso contrário, o valor será convertido em renda da União, resolvendose em definitivo o conflito. A título de informação, o Poder Judiciário ainda não decidiu se é cabível à Contribuinte levantar o montante depositado, conforme consulta efetuada no sítio no Portal da Justiça Federal da 4a Região. Assim, a busca da defesa do direito no Poder Judiciário acarreta o abandono da discussão na via administrativa, conforme entendimento pacificado neste Conselho por meio da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” É importante destacar que, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, publicadas, respectivamente, nos Diários Oficiais da União de 31/08/2009 e de 22/12/2010, as súmulas do CARF devem ser obrigatoriamente observadas pelos seus membros: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Diante do exposto acima resta claro que não cabe a este Conselho apreciar a matéria objeto do auto de infração. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Por tais razões voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por NÃO CONHECER do recurso, em virtude de a matéria ter sido submetida ao crivo do Poder Judiciário. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 924DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10183.004605/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
TEMPESTIVIDADE. Comprovada a tempestividade do Recurso Voluntário, em observância do artigo 33, do Decreto n. 70.235/72, dele se conhece.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Apresentada prova suficiente da existência da área de preservação permanente, através de Laudo Técnico e Laudo de Vistoria, emitido pelo IBAMA, a mesma deve ser restabelecida.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE AVERBADA. Comprovado nos autos que a área averbada de Reserva Legal a destempo, refere-se a área de preservação permanente, a mesma deve ser restabelecida.
ÁREA DE PASTAGENS. A área de pastagens para efeito de cálculo do Imposto Territorial Rural - ITR deve ser comprovada com documentos que demonstrem inequivocamente a existência do quantitativo médio anual, de animais na propriedade, na forma das normas que regulam a matéria.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, retificando o Acórdão nº 2201-001.022, de 17/03/2011, conhecer do recurso para, no mérito, dar-lhe provimento parcial para restabelecer as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. TEMPESTIVIDADE. Comprovada a tempestividade do Recurso Voluntário, em observância do artigo 33, do Decreto n. 70.235/72, dele se conhece. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Apresentada prova suficiente da existência da área de preservação permanente, através de Laudo Técnico e Laudo de Vistoria, emitido pelo IBAMA, a mesma deve ser restabelecida. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE AVERBADA. Comprovado nos autos que a área averbada de Reserva Legal a destempo, referese a área de preservação permanente, a mesma deve ser restabelecida. ÁREA DE PASTAGENS. A área de pastagens para efeito de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR deve ser comprovada com documentos que demonstrem inequivocamente a existência do quantitativo médio anual, de animais na propriedade, na forma das normas que regulam a matéria. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, retificando o Acórdão nº 2201001.022, de 17/03/2011, conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 46 05 /2 00 6- 26 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 148), interpostos pela autoridade preparadora, em face do Acórdão nº 220101.022 (fls. 142/143), que não conheceu do recurso voluntário por intempestividade, no qual aponta, in verbis: “Conforme relatado no julgado, a ciência pelo contribuinte da decisão da DRJ ocorreu em 16/10/2007 (AR de fl. 112) e que o prazo legal para interposição do recurso voluntário seria em 16/11/2007 (sextafeira). Como o contribuinte apresentou o recurso em 19/11/2007 (segundafeira), o recurso não foi conhecido. Pois bem. Embora não tenho sido feito menção no despacho de encaminhamento de fl. 133, que considerou tempestivo o recurso voluntário, constatamos que no dia 16/11/2007 (sextafeira) não houve expediente em virtude do ponto facultativo estabelecido para essa data, em comemoração ao Dia do Servidor Público Federal, de acordo com a Portaria n° 669, de 25/10/2007, do MPOG, fl. 147. Dessa forma, o termo final para interposição do recurso voluntário recaiu no dia 19/11/2007 (segundafeira), sendo, então, tempestivo o recurso que fora protocolizado nessa data” Após o exame dos Embargos de Declaração, ante a possível omissão do v. Acórdão, conclui por acolhêlos para julgamento pela Câmara, sendo tal opinião ratificada pela d. Presidência (fls. 149). Para esclarecer os fatos em apreciação, transcrevo o relatório constante do acórdão embargado: O presente processo é decorrente do Processo n° 13150.000103/9667, através do qual era cobrado crédito tributário no montante R$ 164.170,59 e cujo lançamento foi declarado nulo em 06/07/2001 (fls.174), tendo inclusive sido confirmada essa decisão pela Câmara Superior, através do Acórdão: CSRF/03.536 de 18/03/2003 (fls.235/247). Por conseguinte foi efetuado novo lançamento em 04/09/2006 (fls.256), no valor de R$59.644,66, para exigir crédito tributário, exercício de 1995, decorrente dos mesmos tributos anteriormente cobrados: Contribuição Sindical à Confederação Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10183.004605/200626 Acórdão n.º 2201001.961 S2C2T1 Fl. 198 3 Nacional da Agricultura (CNA), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), do imóvel rural denominado Fazenda Aguacento, com área total de 32.422,0 ha, localizado no município de Cáceres/MT. Cientificado do novo lançamento (fls.105), o contribuinte apresentou impugnação às fls.33/43, que é objeto do presente processo, alegando que não foi considerada no lançamento a área de reserva legal constante no imóvel, averbada em 07 de agosto de 2000. Afirma a existência das áreas está comprovada por Laudo Técnico e solicita que seja recalculado o VTN do imóvel, considerando o valor de R$ 38,93 por hectare. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n°04.12.666, de 06 de setembro de 2007, fls.106/109, em decisão assim ementada: “NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO REEMITIDA. CTN, ART. 173, II. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis em data anterior à da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua mínimo, nos termos da Lei 8.847/1994, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente.” Cientificado da decisão da DRJ em 16/10/2007 (AR” fls. 112), o contribuinte interpôs, na data de 19/11/2007 (segundafeira), o Recurso Voluntário de fls. 117/123, em que ratifica os termos da impugnação apresentada. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fato é que no despacho de encaminhamento do recurso voluntário (fls.133) não consta a informação de que no dia 16/11/2007 (sextafeira), prazo fatal para interposição do recurso, não houve expediente, estendendo o prazo para o próximo dia útil, 19/11/2007, data na qual o contribuinte protocolou seu recurso. Por essa razão, efetivamente o recurso deveria ter sido conhecido, o que não ocorreu no acórdão embargado, e o que o faço no presente julgamento Acolhidos os embargos e conhecido o recurso voluntário, passemos a análise das razões apresentadas pelo contribuinte, a seguir resumidas: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 1. O contribuinte é proprietário de um imóvel rural de 32.422ha, denominado Fazenda Aguacerito, registrado em 2 (duas) matriculas, nº2.486 e 16.627, com área de 18.422ha e 14.000ha, respectivamente. 2. O contribuinte declarou um imposto de ITR/1995, no valor de R$59.644,66, com vencimento em 31/10/2006. 3. A área de reserva legal, correspondente a 50% da área, foi devidamente averbada na matricula do imóvel, deve ser considerada isenta. 4. A área de Preservação Permanente,de 3.211,0ha, devidamente preservada também deve ser considerada como isenta. 5. A Área de Pastagem, nativa e cultivada no montante mínimo de 13.000ha para apascentar o efetivo pecuário de 9.745 bovino de porte grande e 359 animais de médio porte, deve ser considerada, inclusive porque já foi reconhecida por Laudo de Vistoria do IBAMA (fls.59). Posteriormente, o contribuinte aditou seu recurso para juntar foto da imagem satélite e acrescentando, in verbis: “Conforme podemos constatar é uma área muito rica em recursos hídricos, fauna e flora, com a totalidade da área integrante do Parque Estadual do Guirá. As dezenas de Corixas e Corixões desembocam suas águas das lagoas, dos brejos ou dos campos baixos para a Baia Uberaba, permitindo no período da seca para pastoreio de animais. Área de Preservação Permanente de 3.211,0 (três mil, duzentos e onze hectares), são compostos pelos 4 (quatro) Corixões com 30.000 m de comprimento, 12.000 m à beira da Baia Uberaba e dezenas de Corixões, que formam o Parque Estadual de Guirá.” No seu Recurso Voluntário, o contribuinte não mais se insurge sobre o VTN, a matéria controvertida, cingese a área de reserva legal registrada a destempo, na matrícula do imóvel e a falta de comprovação da área de preservação permanente. Em Laudo de Vistoria, emitido pela Gerência Executiva do IBAMA em Mato Grosso, ficou consignado: Não obstante estar localizado em área de preservação permanente, o contribuinte assinou Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal, junto ao IBAMA, em 17/05/1999, sendo averbada a área de 16.211ha de Reserva Legal na matrícula do imóvel, em 07/08/2000. A sobreposição das áreas ficou consignada no Laudo Técnico de Vistoria e Avaliação (fls.67/86), apresentado pelo contribuinte: “Área de Reserva Legal e/ou Utilização Limitada. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10183.004605/200626 Acórdão n.º 2201001.961 S2C2T1 Fl. 199 5 Da área total do imóvel, 16.211,0000 ha (Dezesseis mil duzentas e onze hectares) que corresponde a 50,00 % do imóvel está destinada â área de reserva legai conforme AV 4 M 18,627, feito em 07 de agosto de 2000, e encontrase intacta e totalmente preservada, Área de PreservaçãoPermanente. O móvel possui uma área de 15.211,00 has (Quinze mil duzentos e onze hectares), que corresponde a 46,91 % de área de preservação permanente, possuindo ainda área de Preservação Permanente na área de Reserva Legal,, mais não foi dimensionada, devido esta área já estar sobre a área de reserva legal, portanto protegida por lei, isso de acordo com o levantamento obtido através de imagem satélite, cuja cópia segue em anexo. A área de preservação permanente encontrase totalmente inalterada e alagada, não apresentando nenhum sinal de degradação ambiental.”(Grifei.) Ficou comprovado no processo através do laudo do próprio IBAMA que todo imóvel está situado em Área de Preservação Permanente, inclusive parte da área do imóvel em questão foi incluída no Parque Estadual do Guirá, através da Lei nº 7.625 de 15/01/2002 (flsl.65/66). No presente processo, apesar de parte da Área de Reserva Legal, ser averbada após o fato gerador do ITR/1995, concluise pelas informações contidas nos autos que essa área de fato referese a área de preservação permanente que não requer averbação. Quanto os argumentos trazidos pelo contribuinte no Recurso Voluntário quanto a área de pastagem e o efetivo pecuário, os mesmos não constavam da impugnação, restando como matéria preclusa, sobre a qual não cabe mais análise em Recurso Voluntário. Ademais, apesar de no Laudo apresentado pelo contribuinte constar a informação da existência de 9.745 cabeças de bovino porte grande e 359 animais de porte médio, esse laudo não foi acolhido pela decisão de primeira instância, por não atender os requisitos mínimos estipulados pela ABNT. Assim seria imprescindível que o contribuinte tivesse apresentado outros meios de provas, tais como: Notas Fiscais de produtor; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR — documentos exigidos pelas Fazendas Estaduais); fichas de vacinação expedida por órgão competente; notas fiscais de aquisição de vacina; contrato de cédula de crédito rural; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais, contrato de entrega de leite. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão nº 220101.022, de 17/03/2011, para conhecer do recurso e no mérito darlhe PARCIAL provimento para restabelecer as declaradas de preservação permanente e reserva legal. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 02/05/2013 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19740.000227/2004-51
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999, 01/05/1999 a 30/11/1999, 01/07/2000 a 31/07/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O sistema jurídico brasileiro referente à legalidade das formas é do tipo rígido, pelo qual o prazo estabelecido para fins de instauração e prosseguimento da fase litigiosa do procedimento fiscal não admite tergiversação quanto ao dies a quo e o dies ad quem. Delimitado tal prazo com clareza pelas normas legais que regem a apresentação do recurso voluntário, sua inobservância caracteriza a preclusão temporal, impeditiva da admissibilidade do mesmo. As disposições da Lei nº 9.784/99 não se aplicam ao Processo Administrativo Fiscal.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 202-19285
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA - • „."1”' i .,njf SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA Processo e 19740 000227/2004-51 Recurso n' 149.081 Voluntário nts-segirt, „rtis 0" '1:03;1— Matéria PIS d'a Acórdlo n° 202-19.285 Sessão de 04 de setembro de 2008 pdbin_ _ibiicatto Olontli tS:,225 Recorrente COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS • SERVIDORES ESTADUAIS DA SECRETARIA DA FAZENDA DO • ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - COOPFISCO Recorrida DRJ-II no Rio de Janeiro - RI - - - ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período- de apuração: 01102/1999 a 28/02/1999, 01/05/1999 a 30/11/1999, 01/07/2000 a 31/07/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. _ • O sistema jurídico brasileiro referente à legalidade das formas é_ do tipo rígido, pelo qual o prazo estabelecido para fins de•-_ _ - instauração-e prosseguimento- da-fase litigiosa -do procedimento fiscal não admite tergiversação quanto ao dies a quo e o dies ad quem. Delimitado tal prazo com clareza pelas normas legais que regem a apresentação do recurso voluntário, sua inobservância - - caracteriza a preclusão temporal, -impeditiva da admissibilidade do mesmo. As disposições da Lei n2 9.784/99 não se aplicam ao Processo Administrativo Fiscal. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. MF - SE.UNDO CONSELKO Gfr CONIR)BUR4TES CONFERE COM O ORIGINAL ANTÚNIO -CARLOS A LIM Brasona, p Celma Maria de Aibuquer ue Mat Step° 94442 Presidente 01-' I 4. , Processo n° 19740.000227/2004-51 MF - 6EGuNDO CONSEJO DE CONTRkElliMITES CCO2/C:02 Acórdão n. • 202-19.285 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 355 .•GrasIlla atei et0 / 0% Colma Maria de A!buquerque t. Siape 94442 5R.-- Afr t&_/ CRISTINA ROZA COSTA ( . Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Z,omer, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório . • • • . Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 43 Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ. Por bem descrever os fatos e por economia processual, reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: _ 'ifTrata o presente processo de Auto de Infração de fis. 61 a 71, _ lavrado, contra o contribuinte em epígrafe, em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS, no valor total de R86.082,27, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 02/1999, 05/1999 a 11/1999, 07/2000 a 07/2002, incluídos principal, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 31/05/2004. __ ._ - - - - - - _ _ 2 Na descrição dos fatos do Auto de.Infração, à fi_ 69, consta que_a - - - - - falta de recolhimento da Contribuição para o PIS foi apurada sobre as receitas brutas, conforme demonstrativo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/16). . 3. No referido Termo de Verificação Fiscal, consta, em síntese:que:- -- - - - 1) as cooperativas de crédito, apesar de sujeitas à norma geral que regulamenta a atividade cooperativa (Lei n° 5.764/71), são instituições financeiras (§ I° do art. 18 da Lei n° 4.595/64) e sujeitam-se à legislação aplicável às instituições de que trata o § 1° do art. 22 da Lei n°8.212/91; 2) a partir de fevereiro de 1999, com o advento da Lei n° 9.718/98, a base de cálculo passou a ser o faturamento da pessoa jurídica, correspondente à receita bruta composta pela totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Além das exclusões já admitidas pela Lei n°9.701/98 e pela própria Lei n°9.718/98, também passaram a ser admitidas as exclusões de que trata o art. 2° da lifP n° 1.807/99. A alíquota da contribuição foi reduzida de 0,75% para 0,65%; 3) não há, na legislação do PIS aplicável às cooperativas de crédito, qualquer dispositivo que confira tratamento fiscal favorecido ou mesmo diferenciado ao ato cooperativo praticado por aquelas sociedades. Também não há qualquer dispositivo que ampare a tributação pelo PIS com base na Folha de Pagamento; 2 Vi _4 . • Processo n° 19740.000227/2004-51CCO2/CO2MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONT FffiliRITES Acórdão n.° 202-19.285 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 356 Brastila .J6 Colma Maria de Albuque 4)foi impetrado o Mandado DISSPignr.t.ti 42.2E; 1.007185-0 - 1° VF - (ES), no qual a empresa busca amparo judicial para a concessão de medida liminar para a suspensão da exigibilidade da Cofins no percentual de 3%, bem como do recolhimento do PIS na alíquota de 0,65% sobre a receita operacional bruta, nesses casos permanecendo a impetrante *obrigada ao recolhimento dos tributos na forma das legislações anteriores, inciso I, do art. 6° da Lei Complementar 70/91 e, quanto ao PIS, ao recolhimento de I% sobre afolha de salários; 5)posteriormente, em 18/04/2001, foi julgado extinto o processo, sem apreciação do mérito, face à ilegitimidade de parte da indigitada Autoridade Coatora; 6) com a extinção do processo, os créditos tributários são totalmente exigíveis. Conforme declaração do contribuinte (7l. 08), os débitos referentes ao PIS e Cofins, no período de fevereiro de 1999 a julho de 2002, não foram incluídos no Paes, assim como não foram objeto de nova ação judicial; 7)como parte dos trabalhos de auditoria do PIS, foi feito o cotejo entre o PIS recolhido ou declarado pelo contribuinte em suas DCTF de fevereiro de 1999 a julho de 2002 (fls. 59/60) e o efetivamente devido nos mesmos períodos, calculado com base na escrita contábil do contribuinte e na legislação mencionada; 8)para os períodos de apuração de fevereiro de 1999 a julho de 2002, o contribuinte apresentou as planilhas padronizadas pela IN SRF 37/99 _ _ _ _ ais. 17 a - 58). Essas planilhas foram- conferidas com os registros -_ —contábeis e com SRF-37/99, sem que-tenham sido identificadas — — • inconsistências quanto à sua forma e conteúdo; 9) no citado período, o PIS recolhido foi feito com base na folha de pagamento mensal, conforme Darf recolhidos pelo contribuinte (fl. 59)._ _ _ _ Ocorr-e qui e---ss-a modalidade de tributação - do PIS não encontra amparo na legislação aplicável às cooperativas de crédito; 10) assim sendo, as diferenças apontadas entre a Contribuição para o PIS declarada ou recolhida (das duas a maior) e a efetivamente devida pelo contribuinte são passíveis de exigência de ofício, conforme planilhas (fls. 14/16); 4. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados constam à fl. 67. 5. Cientificada em 29/06/2004, conforme fl. 68, a interessada ingressou, em 29/07/2004, com a petição de fls. 170 a 195, por meio da qual vem impugnar os lançamentos efetuados, alegando em síntese que: I) a fiscalização federal, ignorando a essência dos princípios que gravitam em torno do cooperativismo, nada mais fez do que ilegalmente tributar o "ato cooperativo", pois os valores tributados são distribuídos aos próprios cooperados; 2) a exata noção do que seja "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas" (art. 146, inciso 3 MF SEGu800 CONEEtHo DE COM RatANTESProcesso if 19740.000227/2004-5 ICCO2./CO2CONFERE COM O ORIGINAL Acórdão' n.* 202-19.285 Etrasilla Crq Fls. 357 Colma Maria de Albuquerque Mat. Siaee 94442 III, alínea "c", da CF/88) só poderá ser p eitamente esclarecido quando da elaboração do conteúdo da lei complementar referida no art. 146, III, "c", da CF/88, pelo que se mostra inadequado formalmente e, pois, ilegal/inconstitucional, que o ato cooperativo venha a ser indevidamente tributado pelo fisco federal; • 3) inconstitucionalidade da MP 1.858199 por configurar frontal interferência estatal no funcionamento das sociedades cooperativas, o que é vedado pela parte final do inciso XVIII, do artigo 5°, da Constituição Federal, bem como consolidar posicionamento diametralmente oposto ao que vai contido no § 2° do artigo 174 da • Constituição Federal; 4) baseado nos artigos 44; 62; 76; 150, I; 195, § 6°; e 246 da Constituição Federal de 1988, conclui que a MP 1.858/99 não é instrumento legislativo hábil para instituir ou alterar figuras tributétrias; 5) a cobrança da Cotins sobre a totalidade das receitas auferidas, bem como a alíquota de 34 com base na Lei n° 9.718/98, são inconstitucionais; 6) inconstitucionalidade do art. 13, Ida MP n° 1.858-6/99 por ferir o princípio da Isonomia e da Igualdade Tributária; 7) não obstante as inconstitucionalidades da MP n° 1.858/99, a Contribuição para o PIS só poderia ser cobrada _das sociedades - — - - - cooperativas a partir dos fatos geradores ocorridos após o mês de - - . novembro de_1999, em_virtude do disposto no art_1954 6° da CE/88; 8)por fim, requer seja acolhida a impugnação em questão e suspensa a exigibilidade do crédito tributário ora questionado, nos termos do Código Tributário Nacional." _ Apreciando as alegações de defesa, a Turma Julgadora proferiu decisão nos termos da ementa a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/1999, 01/02/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 31/07/2002 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição para o PIS relativa às instituições financeiras. Irrelevante, portanto, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Lançamento Procedente". Regularmente cientificada da decisão em 10/09/2007, a autuada apresentou em 15/10/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, alegando, em apertada síntese, preliminarmente, a tempestividade do recurso em face da ciência em "13/09/2007"; e, no mérito, os mesmos argumentos apresentados na impugnação. 4 • • Processo n° 19740.000227/2004-51 ME SEGDNO0 CONSti.H0 aa CON712/Bui1TE5 CCO21CO2 Acórdão n.°202-19.285 CONFERE COMO ORIGINAI 358 Brasilla Fls. CIO / 0 42 • Colma Maria de Albuquerpie Mat. Sigo° 94442 Alfim requer o provimento do recurso para reformar in totum a decisão recorrida, em especial, a inexistência da obrigação de recolher o PIS sobre as receitas decorrentes do ato cooperativo, ou, alternativamente, existência da relação jurídica tributária somente a partir de novembro de 1999, bem como seja alterada a base de cálculo de receita bruta para faturamento. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora Na apreciação do atendimento aos pressupostos de admissibilidade, verifiquei que a empresa foi cientificada da decisão ora recorrida em 10/09/2007, segunda-feira, conforme Aviso de Recebimento recepcionado no endereço fiscal da recorrente (fl. 272), dia de expediente normal na repartição jurisdicionante e não em 13/09/2007, como alega no recurso. Apresentou o recurso voluntário em 15/10/2007, segunda-feira (fl. 275). Constata-se que a apresentação do recurso voluntário se deu em data posterior ao prazo fixado pelo art. 33 do Decreto n2 70.235/72, uma vez que o trintídio legal se iniciou em 11/09/2007, terça-feira, e se completou no dia 10/10/2007, quarta-feira. A regra legal relativa aos prazos processuais (arts. 5 2 e 33 do Decreto n2_ - — 70.235/72) déterrnina que os prazos são contínuos e que sua contageminicia-se evence sempre - • em dia-de funcionamento_norrnal da repartição, excluindo-se o dia do inicio e incluindo-se o do _ vencimento e que o recurso voluntário deverá ser apresentado dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Não consta no processo informação sobre a ocorrência de anormalidade no_ expediente, nem no dia de inicio nem no dia do término do prazo, do órgão de jurisdição da recorrente em que se encontrava o processo e onde foi entregue o recurso. Assim sendo, constata-se a preclusão do presente recurso. Consoante ensinamentos de Cintra, Grinover e Dinamarca no livro Teoria Geral do Processo, "o instituto da preclusão liga-se ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão,[...] ". Ensinam, também, que "a precluslio não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinam-se à relação processual e exaurem-se no processo." Aduzem que a preclusào pode ser de três espécies: lógica, consumativa e temporal. A preclusão lógica consiste na incompatibilidade da prática de um ato processual Processo e 19740.000227/2004-51 CCO2/CO2 Acórdão n.°202-19.285 p, com relação a outro já praticado; a consumativa consiste em fato extintivo, quando a faculdade processual já tiver sido validamente exercida. A espécie temporal, que é a que aqui interessa, origina-se no não-exercício da faculdade, poder ou direito processual no prazo determinado pela norma de regência, consoante se constata no presente processo. As disposições relativas à Lei n 2 9.784199 não se aplicam ao processo administrativo fiscal, conforme abaixo se reproduz: "Art. 69. Os processos administrativos especificos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." • • Ademais, ainda que assim não fosse, quando a matéria argifida é revestida de formalidades processuais com estabelecimento de prazos preclusivos, o art. 63 da mesma lei também afasta a apreciação de recurso interpostos fora do prazo, verbis: "Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I - fora do prazo; (.) - IV- após exaurida a esfera administrativa. (-) _ ff 22 O não conhecimento do recurso não impede a Administração de -_ _ _ _ _ _ rever de oficio o _ato _ ilegal, desde que não ocorrida preclusero _ _ _ _ administrativa." Sem ignorar o disposto no § 22 acima reproduzido, deve ser esclarecido que a autoridade administrativa competente para rever de oficio os atos ilegais já se manifestou nos - autos acerca da legalidade da exigência. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 04 de setembro de 2008. id& 64:2,LAA- ignCRISTINA RO DA CCVA NP - SEUNDO CONSaN3 DE CDN/R,Ov‘:JE:1 CONFERE COSA O ORIGINAL Brunia Ia, Colma Maria de ~tique • e Mat Sia • 94442 40 \St 6 Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.000842/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 20/07/2005 a 20/12/2007
PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA REGULAMENTAR. IPI. É inaplicável a multa do artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1° do Decreto-Lei n° 400/68, quando não restar demonstrado que as mercadorias são procedentes do exterior.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.010
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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MULTA REGULAMENTAR. IPI. É inaplicável a multa do artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68, quando não restar demonstrado que as mercadorias são procedentes do exterior. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo da exigência da Multa Regulamentar do IPI no valor de R$ 15.902.149,79, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1º do DecretoLei nº 400/68 c/c o art. 81, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003. A autoridade fiscal, às fls. 03/26, assim descreveu os fatos, em síntese: Que a empresa Darck colocou a consumo as mercadorias importadas de forma fraudulenta, em operações tidas como simuladas, que deram entrada em seu estabelecimento, acobertadas pelas notas fiscais relacionadas às fls. 03/04, emitidas em documentos cedidos por empresas identificadas como “presta nomes”. Que as infrações identificadas na ação fiscal, apuradas em ações e documentos de diversos processos de importação, indicam que em praticamente todas as operações de importação, que sustentaram a nacionalização das mercadorias comercializadas pela Darck, foram simuladas, com o objetivo de colocar no mercado nacional mercadorias com valores subfaturados, sendo que, para atingir esse intento, os intervenientes utilizaram documentos ideológica e/ou materialmente falsos e prestaram declarações ideologicamente falsa à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Que a ação fiscal desenvolvida na empresa Darck teve como escopo a verificação da regularidade na aquisição de mercadorias importadas, cujos processos foram registrados, por diversas importadoras, na sistemática de “por conta e risco” dessas últimas, onde a Darck foi identificada como real importadora. Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Polícia Federal, em cumprimento a diversos Mandados de Busca e Apreensão (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá, em razão de investigações realizadas pela Receita Federal e Polícia Federal em uma organização empresarial controlada por Marco Antônio Mansur (grupo MAM). Referida ação foi denominada de “Operação Dilúvio”. Que todos os indícios, que foram confirmados nas ações fiscais que motivaram, demonstraram que as mercadorias importadas e comercializadas pela Darck, em sua grande maioria, tinham sido nacionalizadas de forma irregular, motivando a verificação das suas notas fiscais de entradas. Essas notas fiscais retidas, em sua maioria, foram vinculadas a processos de importação e Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.000842/200910 Acórdão n.º 3201001.010 S3C2T1 Fl. 2 3 passaram a fazer parte de ações fiscais específicas, de acordo com o contribuinte solidário. Que o trabalho que envolveu diligência e cotejo dos documentos apresentados, além de todos os processos vinculados as DI’s específicas, sustentou a vinculação de algumas notas fiscais a fornecedor específico e outras a faturas internacionais, restando as notas fiscais objeto desta ação fiscal, embora não tenham sido vinculadas a outros procedimentos, no entendimento da ação fiscal, foram nacionalizadas de forma irregular. Que os fatos apresentados estão fundamentados na própria situação irregular de todas as empresas envolvidas, que nunca tiveram qualquer condição, seja operacional ou financeira, para atuar no comércio exterior, servindo unicamente como distribuidora de fachada para blindar a empresa Darck que comprou as mercadorias no exterior, utilizandose dos serviços de importadoras não identificadas para nacionalizar essas mercadorias e efetivamente colocar a consumo. Que a Darck é a real importadora das mercadorias e, para obter vantagens indevidas nas nacionalizações das mercadorias, contratou os serviços de importadoras não identificadas na ação, que utilizaram as distribuidoras envolvidas para simular venda de mercadoria nacionalizada. Que em todos os processos analisados nas ações fiscais desenvolvidas, que resultaram em diversas autuações, cujos processos de importação foram registrados por diversas importadoras, as operações reais foram identificadas como sendo por conta e ordem da empresa Darck. Que no presente procedimento fiscal, as provas juntadas estão representadas pelas notas fiscais de entrada, relacionadas na primeira e segunda folha da descrição dos fatos, comprovação do registro contábil de diversas notas fiscais na conta fornecedores e descrição dos dados cadastrais das empresas envolvidas, demonstrando todos os elementos que indicam a condição de “presta nome” e os envolvimentos desses “fornecedores”. Que a empresa Darck tem como procedimento corriqueiro a inclusão de interpostas pessoas jurídicas em suas relações com o fisco, na nacionalização de mercadorias adquiridas no exterior, além de utilizarse de “empresas de fachada” como segunda blindagem para se safar do envolvimento nas ilegalidades que pratica. Que a situação acima apresentada foi provada em diversos outros procedimentos fiscais, onde foi constatada a prática de diversas irregularidades, todas com vistas a reduzir os tributos devidos ou a simular situação distinta da realidade, com a finalidade de permitir a ocultação da Darck nas operações de comércio exterior. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Cientificada em 17/04/2009, fls. 02, a autuada apresentou a impugnação em 18/05/2009, fls. 378/399, alegando, em síntese: Que no Habeas Corpus nº 113.145PR, publicado no DJE de 02/03/2009, por unanimidade de votos, foi determinado o trancamento da ação penal ajuizada e, como o auto de infração está embasado no mencionado processo penal, a sua improcedência é de clareza meridiana. Que o auto de infração foi lavrado sob o argumento de suposta interposição de terceiro em operações de importação realizadas por outras empresas, tidas pela fiscalização como simuladas, supondose a participação da autuada nestas operações, com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados. Também, foi atribuída como infração a suposta existência de “produto estrangeiro em situação irregular – consumo ou entrega a consumo”. Diante disso, necessário se faz salientar que a autuada, por não ser importadora das mercadorias, jamais poderia ser responsável pela suposta infração de “entrega a consumo ou consumo de mercadoria importada de forma irregular ou fraudulenta”. Que as referidas empresas foram declaradas inaptas pelo fisco federal, razão pela qual o Sr. Fiscal autuante atribuiu à autuada a realização de operações simuladas, apontandoa como a compradora das mercadorias no exterior e real importadora. Que são afirmações descabidas, com conclusões que podem ser contrariadas pelos próprios procedimentos do fisco federal em relação às mencionadas empresas declaradas inaptas. Que a autuação está amparada em suposições e em ficções, pois mesmo diante da ausência da verificação de documentos, portanto sequer vistos ou examinados, estipulamse valores aleatórios e sem respaldo na necessária constatação de sua existência, com reconhecimento da inexistência de apuração dos verdadeiros valores. Que o agente fiscal autuante foi além dos limites previstos nos artigos 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) e 142 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que trouxe indevidamente aos autos relatos e graves afirmações extraídos de procedimento da esfera policial e judicial. Com isso, praticou flagrante ilegalidade, cuja matéria deve ser apreciada no julgamento da impugnação, declarandose a nulidade do auto de infração. Que houve violação do sigilo de dados da autuada. Que não é contribuinte do IPI. Que foi aplicada indevidamente a taxa Selic. Que a multa aplicada caracteriza efeito confiscatório. Requer, por fim, seja julgado improcedente o auto de infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC deferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS nº 18.141, de 20/09/2009: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.000842/200910 Acórdão n.º 3201001.010 S3C2T1 Fl. 3 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 20/07/2005 a 20/12/2007 PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA REGULAMENTAR. IPI. Ê inaplicável a multa do artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68, quando não restar demonstrado que as mercadorias são procedentes do exterior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/07/2005 a 20/12/2007 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIARIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Impugnação Procedente Em face da decisão supra, é interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo da exigência da Multa Regulamentar do IPI no valor de R$ 15.902.149,79, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n°400/68 c/c o art. 81, inciso V, da Lei n° 10.833, de 2003. O referido dispositivo é claro ao tratar da infração lançada: Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no Pais ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da Fl. 456DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será efetuada a conversão de que trata o 5S 1 2 do art. 618. Ora, para que seja aplicada a referida multa, a fiscalização deve comprovar que a mercadoria tenha sido “introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal”. Ocorre que, analisandose o lançamento, não há qualquer prova desta situação, apenas são levantados fatos, sem qualquer vinculação com as notas fiscais da recorrida que suportaram o lançamento. Neste sentido, a decisão recorrida é clara: Cabe ressaltar que a acusação da fiscalização é de "consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular ou importado fraudulentamente". Portanto, cabe a fiscalização o ônus de provar que as mercadorias de que tratam as notas fiscais de saída, fls. 243 a 375, tratamse de mercadorias de procedência estrangeira, cuja entrada no território nacional ocorreu de forma irregular ou fraudulentamente. No caso presente, temse que a fiscalização carreou aos autos um conjunto de notas fiscais de saída das empresas Broker RJ, Expanding, Slot Line e Techno Shop para a Darck, demonstrando, segundo seu entendimento, a irregularidade nas importações, uma vez que as empresas Slot e Techno foram declaradas "Inaptas" por inexistência de fato e as empresas Broker e Expanding foram identificadas como passíveis de serem declaradas "Inaptas". É certo que esses elementos podem ser considerados como um indicio de que as operações em tela foram fraudulentas, todavia entendo não ser os mesmos suficientes para caracterizar a infração de "consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular ou importado fraudulentamente". Em que pese os argumentos usados pela fiscalização para qualificar as importações como irregulares ou fraudulentas, o certo é que os elementos de prova carreadas aos autos não nos permitem nem mesmo ter a convicção de que se trata de produto de procedência estrangeira, fato este imprescindível para imputar a autuada a infração de "consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular ou importado fraudulentamente". (...) Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.000842/200910 Acórdão n.º 3201001.010 S3C2T1 Fl. 4 7 Por fim, ponderando os documentos carreados ao processo pelas partes, é meu pensar que a fiscalização aduaneira não logrou comprovar que as operações de que tratam as notas fiscais de fls. 243 a 375, tratamse de mercadorias de procedência estrangeira, cuja entrada no território nacional ocorreu de forma irregular ou fraudulentamente. Desta feita, em vista da absoluta falta de comprovação da subsunção dos fatos à norma punitiva, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 11516.001484/2006-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Numero da decisão: 2802-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$28.620,00 (vinte e oito mil, seiscentos e vinte reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$28.620,00 (vinte e oito mil, seiscentos e vinte reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$28.620,00 (vinte e oito mil, seiscentos e vinte reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 84 /2 00 6- 14 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, devido à glosa de dedução de dependentes, despesas médicas e de instrução. Impugnado o lançamento por meio de apresentação de documentos e alegações desde a nulidade do lançamento por falta de prévia intimação ao contribuinte até a comprovação adequada das deduções, a Delegacia de Julgamento deferiu em parte a impugnação, restabelecendo a dedução de dependentes, parte das despesas com instrução (até o limite legal individual) e parte das despesas médicas. O recorrente contesta exclusivamente a manutenção da glosa da dedução de despesa médicas no valor de R$28.620,00 a que se refere ao recibo reapresentado às fls. 47 (tratamento psicoterápico), ao qual a decisão recorrida opôs os seguintes obstáculos: a) o relato da autoridade fiscal de que há “relativa incompatibilidade com os rendimentos do declarante e do prestador de serviço de saúde. Há indícios de fraude. O recibo está datado de 31/12/2001, é global e não houve a comprovação do efetivo pagamento”; b) o impugnante limitouse a reapresentar o recibo analisado pela autoridade lançadora; c) o referido recibo deixa dúvidas quanto à efetiva realização do serviço médico, vez que consta do mesmo como endereço do atendimento a cidade de Porto Alegre e do pagamento Florianópolis; d) livre convicção da autoridade julgadora na apreciação das provas. A ciência do acórdão ocorreu em 13/09/2010 e a peça recursal foi protocolada em 01/10/2010, com os seguintes argumentos, em síntese: 1. o recibo apresentado atende aos rigores do art. 80 do RIR1999, situação em que a fundamentação da decisão no princípio da livre convicção constitui arbitrariedade; e 2. não há óbice à expedição de um recibo único ou que este seja firmado em local diverso daquele da prestação do serviço; É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001484/200614 Acórdão n.º 2802002.263 S2TE02 Fl. 60 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação em indícios a exigir a comprovação do efetivo pagamento. A discussão gira em torno de um só recibo (psicoterapia) e a autoridade fiscal não apontou qualquer deficiência do recibo no que toca aos requisitos do art. 80 do RIR1999. Para a autoridade fiscal (fls. 07) há indícios de fraude em razão de ser um recibo único datado em 31/12/2001, cujo valor apresenta “relativa” incompatibilidade frente aos rendimentos declarados pelo contribuinte e pelo profissional. Quando se trata de comprovação do pagamento de despesas médicas, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de partida é a imputação feita no lançamento. A imputação fiscal de “relativa” incompatibilidade com rendimentos declarados, de “indícios de fraude” e de emissão de recibo em uma única data são um ponto de partida da atividade fiscalizadora, não um ponto de chegada, pois não constitui um conjunto indiciário veemente que permita refutar validade ao recibo apresentado segundo as formalidades indicadas no inciso III do §2º do art. 8º da Lei 9.250/1995. Em que pese a relevância das preocupações do julgador de primeira instância, o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração. Não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que, em tese, permitam a deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Não havendo sequer um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$28.620,00 (vinte e oito mil, seiscentos e vinte reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.905335/2011-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 53 35 /2 01 1- 49 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2004, no valor de R$ 2.617,23, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o crédito compensado era legítimo, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 16/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 47/63, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegalidade, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, alegou a recorrente a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegal, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação adequada à comprovação do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. O motivo e o fundamento da não homologação da compensação declarada, consignado no contestado Despacho Decisório, foi a inexistência do crédito compensado. Com base nessa informação, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no § Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.905335/201149 Acórdão n.º 3802001.695 S3TE02 Fl. 21 3 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), cabia ao contribuinte apresentar os elementos probatórios adequados com vistas a comprovação da existência do valor crédito informado, o que não feito. Por essa razão, fundamentadamente, a Turma de Julgamento a quo manteve a não homologação da compensação por ausência de “comprovação da liquidez e certeza do crédito”, que equivale a inexistência do direito creditório. Dessa forma, a decisão recorrida não só manteve o fundamento/motivo da decisão prolatada no Despacho Decisório guerreado (inexistência do crédito), como apresentou a razão pela qual concluíra que o direito creditório não inexistia, ou seja, a ausência das provas hábeis e idôneas para fim de comprovação do valor crédito pleiteado. Também a falta de intimação para apresentar a documentação comprobatória do crédito também não configura motivo suficiente para inquinar a decisão recorrida. Ônus probatória não é da incumbência da autoridade julgadora, mas da parte interessada, nos termos do art. 16 do PAF, combinado com o disposto no art. 333 do CPC. No caso do procedimento de compensação, quem tem que provar a existência do crédito é quem alega possuílo, ou seja, o sujeito passivo autor da declaração de compensação. Por essas razões, a autoridade julgadora não tem o dever intimar o contribuinte para produzir provas. Em consonância com o disposto nos arts. 18 e 29 do PAF, a autoridade julgadora, com vistas a formação de convicção, poderá determinar a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias e imprescindíveis para o esclarecimento de dúvidas acerca da prova apresentada, situação que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade. Do mérito. Em relação ao mérito, a recorrente insiste na alegação de que a apresentação do Darf seria prova suficiente para comprovar a existência do crédito. Na verdade, o Darf comprova a realização do pagamento, mas, no caso em tela, tal prova era prescindível, pois, o pagamento já havia sido confirmado pelo Administração Tributária, conforme explicitado no Despacho Decisório. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, logo, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de carrear aos autos a prova inequívoca do crédito compensado, ao não se desincumbir adequadamente desse encargo, fica sujeita as consequências dessa omissão. É oportuno ressaltar que, mesmo ciente da necessidade da apresentação da documentação probatória adequada, nesta fase recursal, a recorrente insistiu na omissão, uma 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 vez que não trouxe à colação do recurso qualquer documento comprobatório do suposto indébito. No caso, como se trata de suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. A recorrente não apresentou nenhum dos referidos documentos, inclusive na atual fase recursal, conforme já mencionado. Com base nessas considerações, por falta de prova, resta não comprovado a existência do crédito compensado, logo, deve ser mantida a não homologação da compensação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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