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Numero do processo: 10880.902278/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.174
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem identifique a metodologia utilizada pelo contribuinte para apurar o valor do crédito e sua liquidez e certeza, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem identifique a metodologia utilizada pelo contribuinte para apurar o valor do crédito e sua liquidez e certeza, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 27 8/ 20 12 -5 1 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 146 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1454.645, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, não reconhecendo o direito creditório da Contribuinte, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/09/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 147 3 de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Como relatado pelo ilustre Julgador de primeira instância, versa este processo sobre o Pedido de Restituição transmitido pelo Sistema PER/DCOMP sob nº 42117.25658.040907.1.2.042635 em data de 04/09/2007, para utilização de créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior do tributo COFINS (Código da Receita: 2172), referente ao período de apuração 31/08/2002, no valor de R$ 8.396,73, contida em pagamento efetuado em 13/09/2002, no valor de R$ 245.616,36. O Despacho Decisório Eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SÃO PAULO indeferiu o Pedido de Restituição sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi julgada improcedente, conforme Ementa acima transcrita. A Contribuinte recebeu a Intimação nº 95/2017 pela via eletrônica em 21/07/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 85), apresentando o Recurso Voluntário de fls. 90102 em 18/08/2017 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 88), pelo qual pede a reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: i) A Recorrente no ano de 2002 estava sujeita ao recolhimento da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, calculada à alíquota de 3%; ii) Além de ser contribuinte da COFINS, a Recorrente também está sujeita à incidência do ICMS sobre o valor das operações, de acordo com a LC nº 87/96; iii) O crédito cuja restituição a Recorrente pleiteou é resultado da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, resultando, portanto, em um recolhimento a maior e indevido no valor de R$ 8.396,73; iv) O valor do ICMS destacado nas notas fiscais de circulação de mercadoria não pode ser considerado receita ou faturamento da Recorrente para fins de incidência destas Contribuições, então o imposto estadual não deve ser incluído no cômputo das respectivas bases de cálculo; v) Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785/MG em outubro de 2014, em controle concentrado de constitucionalidade, o Pleno do Supremo Tribunal Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 148 4 Federal entendeu que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento; vi) Referendando o mesmo entendimento, em 15 de março de 2017, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário nº 574.706 em sede de repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; vii) Por outro lado, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ; viii) Sucessivamente, pede pela conversão do julgamento em diligência para que seja comprovada a apuração original da base de cálculo da COFINS; os lançamentos nas contas de ICMS; e, consequentemente, o direito creditório apurado. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Do objeto deste processo. Como relatado, alega a Recorrente que recolheu a COFINS no valor de R$ 245.616,36 apurada no período de agosto de 2002 e, desse valor, faz jus ao crédito de R$ 8.396,73, conforme pedido de restituição. Com isso, pede pela reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS por ter incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. O Despacho Decisório nº 017674001 (efls. 5) indeferiu o pedido por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Por sua vez, em julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ de origem negou provimento à defesa, em síntese, pelas seguintes razões: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 149 5 i) A empresa apresentou não apresentou DCTF retificadora, conforme apurado pela pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal. Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito refletindo as informações declaradas pelo contribuinte e, com isso, o ato administrativo da autoridade foi legítimo e pautado em declaração e em documentos formulados pelo próprio interessado; ii) No mérito, aplicamse os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, bem como art. 1º da Lei nº 10.637/2002, e art. 1º da Lei nº 10.833/2003; iii) Com isso, ficou estabelecido que a base de cálculo das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões, deduções e isenções permitidas pela legislação; iv) O faturamento inclui todas as receitas de vendas, e o ICMS faz parte dele, por integrar o preço de venda das mercadorias; v) As exclusões elencadas nos referidos dispositivos legais não contemplam a exclusão do ICMS incluído nos preços de venda. Assim, não há dispositivo legal que permita a exclusão desse imposto da base de cálculo do PIS e da COFINS; vi) O interessado deixou de apresentar os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem e aproveitamento do suposto indébito. Dos fatos acima, resta delimitada a controversa do presente caso na discussão sobre os seguintes argumentos: 1) O direito creditório da Contribuinte em razão da inclusão dos valores relativos ao ICMS na base de calculo da COFINS; 2) Desnecessidade de retificação da DCTF e possibilidade de comprovação através da documentação apresentada; 3) Liquidez e certeza do crédito em análise. 3. Da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Argumenta a Recorrente que o mais recente posicionamento da Suprema Corte considera como inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, uma vez que o valor do imposto estadual não se enquadra no conceito de receita ou faturamento. De fato, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, em sede de repercussão geral1, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, conforme Ementa abaixo colacionada: 1 TEMA 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 150 6 RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Após a publicação do acórdão do RE nº 574.706/PR em 02/10/2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios requerendo a modulação temporal dos efeitos da decisão, dentre outras matérias pendentes, os quais aguardam análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal2. Diante do julgamento em sede de repercussão geral, a CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial (COCAJ) proferiu a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, pela qual considerou a aplicação da decisão proferida no Recurso Extraordinário em questão, o que fez com o objetivo de esclarecer sobre o procedimento a ser adotado. Transcrevo a justificativa utilizada pela própria Receita Federal para aplicação do julgado: "13. A legislação aplicável a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, no regime cumulativo (Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998) e no regime não cumulativo (Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente), Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) 2 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2585258 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 151 7 define os elementos constitutivos da base de calculo das referidas contribuições, na qual se incluem, nas duas modalidades de incidência, os tributos sobre ela (a receita mensal) incidentes, conforme insculpido no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, abaixo transcrito: (...) 14. Todavia, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, finalizado em 15.3.2017, e submetido ao rito de repercussão geral, conforme definido no Art. 543 B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (antigo Código de Processo Civil), sob a relatoria da ministra Carmen Lucia, definiu que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 15. Após a publicação do acórdão do RE no 574.706/PR em 2.10.2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão em foco, em 19.10.2017, nos quais requereu a modulação temporal dos efeitos da decisão e a definição de outras questões pendentes. Fica aqui o registro de que, ate a presente data da edição desta solução de consulta interna, os referidos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional aguardam sua analise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. 16. Em paralelo, deve ser consignado que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral reconhecida, como e o caso tratado na presente consulta interna, a Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, em seu art. 19, estabelece todo um rito próprio a ser observado, para fins de vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil a decisão desfavorável. Conforme estatuído na referida lei, a vinculação automática da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, no tocante a constituição de credito tributário e as decisões administrativas sobre a matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, só se formaliza apos a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Razão de que, ate o presente momento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não editou parecer normativo delimitando a extensão e o alcance do julgado em referencia pelo Supremo Tribunal Federal, o qual definiu nova tese de ajuste na base de calculo das referidas contribuições sociais. 17. Todavia, em face da profusão de decisões judiciais transitadas em julgado, na esteira do precedente do Supremo Tribunal Federal e com fundamento na tese nele firmada de que trata a presente consulta, urge disciplinar a aplicação, a operacionalidade, o alcance e efeitos da decisão dessa Corte, no sentido não só de nortear os sujeitos ativo (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e passivo (Contribuinte) da relação jurídicotributária das referidas contribuições sociais, como também de fornecer toda uma fundamentação estruturada e normativa para fins de subsidiar os cálculos relativos a matéria em lide, no plano do contencioso judicial e administrativo." Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 152 8 Consignase, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706, a exemplo do AgInt no AREsp 282.685/CE3. Não obstante a tramitação perante o STF ainda pendente de trânsito em julgado e, sem prejuízo do posicionamento que será adotado por este Colegiado, entendo que, antes de dar prosseguimento ao julgamento do presente recurso, são importantes esclarecimentos adicionais sobre a base de cálculo da COFINS, bem como sobre a certeza e liquidez do crédito invocado pela Contribuinte, como abaixo demonstrado. 4. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Em pedido de diligência, observa a Recorrente pela possibilidade de análise fiscal para confirmação da correção da base de cálculo da COFINS informada em DIPJ e dos lançamentos nas contas de ICMS do Razão Analítico. Com relação à ausência de retificações em suas declarações tributárias (DIPJ e DCTF) para evidenciar o alegado pagamento indevido, a Contribuinte invoca decisões deste Tribunal Administrativo e argumenta que, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ. Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido e afastar mero erro formal nas informações prestadas em declarações obrigatórias. A busca pela verdade material vem sendo aplicada pelo CARF, como já decidido por este Colegiado em situações análogas, bem como por outras Turmas, a exemplo do Acórdão nº 3201002.518, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara da 3ª Seção, cuja Ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/08/2014 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. 3 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto,independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 153 9 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS. TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. CRÉDITO EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A COFINS apurada e recolhida sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de COFINS a pagar, segundo esta sistemática foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. Da análise dos autos, verifico que a Recorrente instruiu a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 59 com os seguintes documentos: i) Comprovante de arrecadação no valor total de R$ 245.616,36; ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; iii) Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF original e iv) Planilha de cálculo desconsiderando o ICMS na base de cálculo da contribuição. Já o Recurso Voluntário foi instruído com os mesmos documentos acima mencionados, bem como com o Razão Analítico com respectivos lançamentos nas contas de ICMS. Aplicando o ônus da prova sobre o crédito perseguido e, diante da necessária busca pela verdade material, entendo que, antes do julgamento do presente processo, é importante que seja analisado o direito creditório através da documentação apresentada nestes autos pela Contribuinte, possibilitando a identificação da metodologia utilizada na apuração da base de cálculo da COFINS por ocasião da transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, bem como os respectivos lançamentos nas contas de ICMS e, por fim, comparando este levantamento com a metodologia considerada em Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Com isso, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; b) Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; c) Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.902278/201251 Resolução nº 3402002.174 S3C4T2 Fl. 154 10 d) Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.901944/2009-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde.
DADOS COM ERROS DE FATO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE.
Os dados identificados com erros de fato, por si só, não tem força probatória de comprovar a existência de pagamento a maior, caso em que a Recorrente precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Numero da decisão: 1003-000.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. DADOS COM ERROS DE FATO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. Os dados identificados com erros de fato, por si só, não tem força probatória de comprovar a existência de pagamento a maior, caso em que a Recorrente precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. DADOS COM ERROS DE FATO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. Os dados identificados com erros de fato, por si só, não tem força probatória de comprovar a existência de pagamento a maior, caso em que a Recorrente precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 19 44 /2 00 9- 98 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Per/DComp e Despachos Decisórios Processo nº 13558.901944/2009-98 (Principal) A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 10339.43608.310108.1.3.04-3972 em 31.01.2008, fls. 15-19, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do 3º trimestre do ano-calendário de 2007 no valor de R$47.137,19 contido no DARF de R$70.449,15 arrecadado em 31.10.2007, apurado pelo regime de tributação do lucro real para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fls. 11-14, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$47.137,19 A partir das características ao DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Processo nº 13558.901945/2009-32 (Juntado por Anexação - e-fl. 28) A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 20996.38102.310108.1.3.04-9420 em 31.01.2008 utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do 3º trimestre do ano-calendário de 2007 no valor de R$47.137,19 contido no DARF de R$71.153,64 arrecadado em 31.10.2007, apurado pelo regime de tributação do lucro real para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Fl. 87DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$47.137,19 A partir das características ao DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Processo nº 13558.901946/2009-87 (Juntado por Anexação - e-fl. 29) A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 41319.13813.310108.1.3.04-3163 em 31.01.2008 utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do 3º trimestre do ano-calendário de 2007 no valor de R$47.137,19 contido no DARF de R$71.745,41 arrecadado em 28.12.2007, apurado pelo regime de tributação do lucro real para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$47.137,19 A partir das características ao DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Processo nº 13558.901947/2009-21 (Juntado por Anexação - e-fls. 30) A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 37271.45547.140308.1.3.04-0753 em 14.03.2008 utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 6012, do 3º trimestre do ano-calendário de 2006 no valor de R$25.296,70 contido no DARF de R$37.452,30 arrecadado em 30.11.2007, apurado pelo regime de tributação do lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Fl. 88DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$25.296,70 A partir das características ao DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Processo nº 13558.901948/2009-76 (Juntado por Anexação - e-fl. 31) A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 35820.20231.140308.1.3.04-6280 em 14.03.2008 utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 6012, do 3º trimestre do ano-calendário de 2006 no valor de R$25.507,09 contido no DARF de R$37.763,78 arrecadado em 28.12.2007, apurado pelo regime de tributação do lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$25.507,09 A partir das características ao DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Processo nº 13558.902043/2009-13 (Juntado por Anexação - e-fl. 32) A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 36103.78845.130308.1.7.04-1903 em 13.03.2008 utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do 3º trimestre do ano-calendário de 2007 no valor de R$46.546,54 contido no DARF de R$71.745,41 arrecadado em 28.12.2007, apurado pelo regime de tributação do lucro real para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Fl. 89DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$46.546,54 A partir das características ao DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou as manifestações de inconformidade. Está registrado na ementa e no dispositivo do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 14-47.560, de 29.11.2013, e-fls. 33-37: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em julgar improcedentes as manifestações de inconformidade interpostas nos processos abaixo relacionados: Número do Processo Tributo 13558901948200976 CSLL 13558901947200921 CSLL 13558902043200913 IRPJ 13558901946200987 IRPJ 13558901945200932 IRPJ 13558901944200998 IRPJ Fica a cargo das equipes de preparo efetuar a juntada de todos os processos apensos, considerando principal o de nº 13558.901944/2009-98 visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratar-se do mesmo contribuinte e mesma matéria em litigio. Recurso Voluntário Fl. 90DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 Notificada em 26.03.2014, e-fl. 40, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.04.2014, e-fls. 43-79, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: DOS FATOS [...] Explica-se: Procedendo-se a uma atenta revisão dos autos, verifica-se que as informações apresentadas na DIPJ 2008-2007, referentes ao recolhimento do IRPJ e da CSLL no terceiro trimestre de 2007, foram procedidas, de fato, além do valor devido, fazendo-se a rigor o reconhecimento do direito da Contribuinte em ter se utilizado de tais créditos ao pagamento de outros tributos, traduzindo-se pela homologação dos PER/DCOMP. Conforme DRE (Demonstrativo de Resultado de Exercício) e Balanço trimestral da Recorrente, observa-se que no terceiro trimestre de 2007 foi apurado o lucro - antes das provisões de IRPJ e CSLL - de R$ 1.061.617,97, valor este utilizado como base de cálculo para o IRPJ e a CSLL do mesmo período. [...] Transmitiu-se, assim, um PER/DCOMP em 31/01/2008 referente aos créditos de IRPJ e CSLL em relação aos valores dos tributos referentes ao 4º trimestre de 2007, com vencimento em 31/01/2008, compensando-se aos 14 de março de 2008 com aqueles devidos em razão do IPI, do PIS e da COFINS, respectivamente. Inexiste, assim, qualquer irregularidade passível de macular as compensações havidas ou para o indeferimento dos PER/DCOMP, já que também regularmente transmitidas e retificadas, tempestivamente, as DCTF, como será abaixo demonstrado [...]. DA DECISÃO RECORRIDA [...] Inicialmente, reporte-se à alegação de que a recusa à homologação dos PER/DCOMP deveria ser mantida, vez que os créditos já se encontravam alocados a débitos regularmente confessados. Além de improcedente tal imputação, note-se pela inexistência à comprovação de qualquer débito confessado, tampouco alocado, o que legitimou a Recorrente aos PER/DCOMP. Outra questão constante do Acórdão que se coloca como igualmente alienígena à melhor interpretação da legislação fiscal vigente na época, refere-se ao apontamento da não retificação das DCTF. Note-se que, conforme relação de declarações extraídas do site da própria RFB, procedeu-se na data de 07/04/2008, retificando-se em 11/11/2008, o envio das informações, via DCTF, quanto ao 2º semestre de 2007, sem menção às informações do 3º trimestre em relação ao IRPJ e CSLL. Na data de 12/08/2009 procedeu-se ao envio da DCTF com informações: i) dos pagamentos procedidos em relação ao IRPJ e CSLL além do montante devido; ii) da diferença apurada e; iii) das compensações procedidas (IPI, PIS e Cofins conforme acima detalhado). Fl. 91DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 Ou seja, absolutamente tempestiva a retificação procedida não merecendo amparo o argumento esboçado no recorrido Acórdão. [...] Ou seja, transmitidas as DCTF aos 07/04/2008, é fato que o Contribuinte possuiria (caso não houvesse procedido) até 07/04/2014 para proceder à retificação da DCTF, colocando-se o argumento do julgador a quo como equivocado e insubsistente, pois proferido de forma antecipada, o que lhe é defeso já que o direito da Contribuinte estava vigente. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO [...] Portanto, há que se reconhecer por plena e legalmente autorizada a compensação procedida e a homologação pretendida, salientando-se a inocorrência de quaisquer hipóteses proibitivas já que estas estão taxativamente previstas no parágrafo 3º do artigo 34 da IN 900/08. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: DO REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, requer-se seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, à fim de que seja homologada a PER/DCOMP em objeto, declarando-se insubsistente de determinação para pagamento pela Contribuinte de eventual direito creditório do FISCO, surtindo, ainda, seus consequentes efeitos. Requer-se, ainda, sejam as intimações, notificações e demais comunicados enviados ao patrono da Impugnante signatário da presente, ao endereço constante do rodapé [...], ou através da imprensa oficial. Atestam os Advogados signatários, sob sua responsabilidade, serem as cópias anexadas fieis às originais. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Intimação do Representante Legal Fl. 92DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. A previsão legal é de que o sujeito passivo seja intimado validamente no domicílio tributário por ele eleito (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 127 do Código Tributário Nacional e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nesse sentido determina a Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo", que é de aplicação obrigatória (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Logo, a pretensão aduzida pela Recorrente não está contemplada nas formalidades legais. Necessidade de Comprovação do Erro de Fato na Apuração do Pagamento a Maior A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua Fl. 93DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo 1 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 2 . Além disso, por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. Fl. 94DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 3 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Sobre a possibilidade de revisão e retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, orienta que a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa da DRF de origem para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato em dados declarados em Per/DComp, DCTF, DIPJ, entre outros, observados os demais requisitos normativos. Ademais, salvo exceções legais, verifica-se que a não retificação da DCTF não impede que o direito creditório pleiteado no Per/DComp seja comprovado por outros meios, bem como não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção 3 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 95DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base nos dados então existentes nos registros da RFB informados pela Recorrente à época da sua emissão que, após confrontados, emergiram incongruências. Ocorre que nenhum outro critério de verificação da liquidez e certeza do direito creditório foi adotado pela Administração Tributária. A Recorrente argui que após auditoria interna verificou erro de fato nos dados então informados a RFB e recolhidos a título de IRPJ e CSLL no 3º trimestre de 2007, conforme a seguir demonstrado: Descrição Ficha 06 A - Demonstração do Resultado - PJ em Geral Valores Incorretos R$ Valores Corretos R$ 04. Receita da Revenda de Mercadorias no Mercado Interno 10.200.768,62 2.658.290,33 03. Receita de Venda de Produtos de Fabricação Própria no Mercado Interno 2.317.624,33 1.501.501,95 05.Receita de Prestação de Serviços - Mercados Interno e Externo 75.343,92 12.119,57 09. (-)Vendas Canceladas, Oevol. e Descontos Incond. 557.212,90 150.953,61 10. (-) ICMS 326.423,79 78.946,03 11. (-) Cofins 835.309,31 276.260,34 12. (-) PIS/Pasep 181.350,06 59.977,58 14. (-) Demais imp. e Contr. Incid. s/Vendas e Serviços 1.284,268,71 405.231,35 15. Receita Líquida das Atividades 9.409,172,10 3.200.542,94 16. (-) Custo dos Bens e Serviços Vendidos 5.827.026,52 1.896.751,13 17. Lucro Bruto 3.582,145,58 1.303.791,81 18. Variações Cambiais Ativas 68.928,32 25.334,45 22. Outras Receitas Financeiras 153.865,70 27.537,18 30. (-) Despesas Operacionais 2.574.509,93 908.021,95 31. (-) Variações Cambiais Passivas 123.782,05 39.575,95 35. (-) Outras Despesas Financeiras 44.362,31 7.243,24 41. Lucro Operacional 1.062.265,31| 401.822,30 44. Outras Receitas Não Operacionais 481,00 481,00 47. (-) Outras Despesas Não Operacionais 1.128,34 1.128,34 48. Resultado do Período de Apuração 1.061.617.971 401.174,96 Apuração do IRPJ do 3º Trimestre de 2007 Descrição Valores Incorretos – R$ Valores Corretos – R$ Resultado do Período de Apuração 1.061.617,97 401.174,96 (+) IRPJ Alíquota 15% 159.242,70 60.176,24 (+) IRPJ Adicional 10% 88.161,80 34.117,50 Fl. 96DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 (-) Redução 75% 35.326,57 24.357,87 (=) IRPJ a Pagar 212.077,92 69.935,87 Descrição Pagamentos 3º Trimestre 2007 Vencimento Valores Incorretos – R$ Valores Efetivamente Pagos – R$ Valores Corretos – R$ Valores Pagos a Maior – R$ 1ª Quota – 31.10.2007 70.449,15 70.449,15 23.311,96 47.137,19 2ª Quota – 30.11.2007 70.449,15 71.153,64 23.311,96 47.841,68 3ª Quota – 28.12.2011 70.449,15 71.745,41 23.311,96 48.433,45 Apuração da CSLL do 3º Trimestre de 2007 Descrição Valores Incorretos – R$ Valores Corretos – R$ Resultado do Período dde Apuração 1.061.617,97 401.174,96 CSLL Alíquota 9% a Pagar 95.545,62 36.105,75 Descrição Pagamentos 3º Trimestre 2007 Vencimento Valores Incorretos – R$ Valores Efetivamente Pagos – R$ Valores Corretos – R$ Valores Pagos a Maior – R$ 1ª Quota – 31.10.2007 37.081,49 37.081,49 12.035,25 25.046,24 2ª Quota – 30.11.2007 37.081,49 37.452,30 12.035,25 25.417,05 3ª Quota – 28.12.2011 37.081,49 37.763,78 12.035,25 25.728,53 Diferente do entendimento da Recorrente, os supostos erros de fato indicados na peça recursal não podem ser corroborados, uma vez que os autos não estão instruídos com os assentos contábeis obrigatórios acompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Este ônus da prova de demonstrar explicitamente a liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado recai sobre a Recorrente. Ademais, indicação de dados quantitativos na peça de defesa, por si só, não é elemento probatório hábil e suficiente para demonstrar, de plano, a existência do indébito indicado no Per/DComp. Verifica-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observe-se que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto de suas alegações e da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de Fl. 97DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-000.815 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.901944/2009-98 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13677.000070/2005-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta 1) intime o recorrente a juntar os comprovantes de rendimentos relativos ao ano-calendário 2001; 2) anexe aos autos o dossiê fiscal e a cópia da Declaração de Ajuste Anual exercício 2002 objeto da autuação.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta 1) intime o recorrente a juntar os comprovantes de rendimentos relativos ao ano-calendário 2001; 2) anexe aos autos o dossiê fiscal e a cópia da Declaração de Ajuste Anual exercício 2002 objeto da autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta 1) intime o recorrente a juntar os comprovantes de rendimentos relativos ao anocalendário 2001; 2) anexe aos autos o dossiê fiscal e a cópia da Declaração de Ajuste Anual exercício 2002 objeto da autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 77 .0 00 07 0/ 20 05 -7 0 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13677.000070/200570 Resolução nº 2002000.105 S2C0T2 Fl. 58 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 6/18), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2002. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$675,03 para saldo de imposto a pagar de R$3.940,53. A notificação noticia compensação indevida de IRRF, no montante de R$4.615,56, consignando que o IRRF depositado judicialmente não seria "passível de restituição via declaração" (fl.10). Impugnação Cientificado ao contribuinte em 8/6/2005, o AI foi objeto de impugnação, em 1/7/2005, às fls. 2/20 e 25/28 dos autos, na qual ele alegou que já obtivera decisão favorável na ação judicial, sendo credor da Fazenda Nacional. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, declarou definitiva a exigência no tocante à matéria objeto da ação judicial e, no tocante à matéria diferenciada, julgou procedente em parte o lançamento, para exonerar a multa de ofício exigida, em decisão assim ementada (fls. 42/48): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente A. autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia As instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. MULTA DE OFÍCIO INDEVIDA. APLICABILIDADE DA MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Será aplicada multa de mora nas infrações decorrentes de inexatidões, materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo, bem assim nos casos de não comprovação do valor do imposto retido na fonte ou pago, inclusive a titulo de recolhimento complementar, ou imposto pago no exterior informados em sua declaração. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 26/6/2009 (fl. 52), o contribuinte, em 23/7/2009 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, à fl. 54, no qual alega que errou no preenchimento da Declaração de Ajuste ao incluir os rendimentos com exigibilidade suspensa. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13677.000070/200570 Resolução nº 2002000.105 S2C0T2 Fl. 59 3 A orientação para exclusão desses rendimentos foi dada pela RFB para correção das declarações de 2003 a 2007. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O recorrente foi autuado pela compensação indevida de IRRF associado a rendimentos com a exigibilidade suspensa. No recurso voluntário, ele requer a exclusão dos rendimentos correspondentes. Verifico que não consta dos autos a DIRF ou o comprovante de rendimentos relativos ao IRRF glosado, assim como cópia da Declaração de Ajuste objeto da autuação. Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem: 1) intime o recorrente a juntar os comprovantes de rendimentos relativos ao ano calendário 2001; 2) anexe aos autos o dossiê fiscal e a cópia da Declaração de Ajuste Anual exercício 2002 objeto da autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.900448/2006-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE.
Comprovada nos autos a inexistência do DARF informado como origem do crédito, correto está o Despacho Decisório que não reconhece o direito creditório e não homologa a compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente TV OESTE DO PARANÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. Comprovada nos autos a inexistência do DARF informado como origem do crédito, correto está o Despacho Decisório que não reconhece o direito creditório e não homologa a compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 04 48 /2 00 6- 31 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10935.900448/200631 Acórdão n.º 3002000.719 S3C0T2 Fl. 116 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Transcrevese o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o processo de manifestação de inconformidade em face do despacho decisório de fl. 52 proferido pelo titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, pelo qual não foi homologada a compensação pleiteada (ciência em 03/12/2008 fl. 51). Consoante informação contida no aludido despacho decisório, a não homologação deuse em razão de não ter sido localizado o pagamento indicado (R$ 9.480,51, cód. 8109, pago em 15/04/2003) como suporte do crédito pleiteado pela contribuinte. 2. Às fls. 01/03, a interessada argumenta, em síntese, que, na realidade, o crédito indicado referese ao PAF n“ 10935000710/200301, ainda não apreciado. Salienta que apresentou nova declaração de compensação para substituir o pedido anterior, já que o valor do debito de PIS havia sido alterado. Esclarece que o valor pleiteado correspondia ao total passível de devolução relativamente ao mês de março de 2003. Diz que embora não tenha havido de fato um pagamento, houve um pagamento a maior, oriundo do saldo negativo do ano calendário 2000. Requer a reforma do despacho decisório e a conseqüente homologação da compensação. 3. Juntamente com a manifestação, a interessada apresentou: procuração e atos societários (fls. 05/24), cópia da Per/Dcomp entregue em 24/11/2004 (fls. 26/29), cópia do despacho decisório (fl. 31), extrato de controle do processo 10935.0007.l0/200301 e cópia da declaração de compensação apresentada no âmbito respectivo (fls. 34/36), declaração de compensação apresentada em 20/07/2005 (fls. 38/42), cópia da DCTF relativa ao 1° trimestre de 2003 (fls. 45/48) e cópia de DARF pagos em 31/03/2004 (fl. 50). 4. Às fls. 54/62, cópia do termo de intimação, do detalhamento da compensação e da declaração de compensação." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10935.900448/200631 Acórdão n.º 3002000.719 S3C0T2 Fl. 117 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que não existe o pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, indeferese a solicitação e não se homologa a compensação. . Compensação não Homologada Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 79/85), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando em sua defesa, em linhas gerais, a ocorrência de mero erro formal no preenchimento da PERDCOMP, a existência de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, o dever de se observar os Princípios da legalidade, do informalismo, da proporcionalidade, da razoabilidade e da verdade material, além de afirmar não ter havido nenhum tipo de prejuízo causado à Administração Tributária. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. De plano, urge consignar que a inexistência do DARF declarado pela contribuinte, como origem do crédito no PER/DCOMP sob análise, não é contestada, ao contrário, em sua peça recursal inicial, a ora recorrente já confessa a impropriedade da declaração prestada, como se percebe no excerto abaixo reproduzido: "Assim, embora não houvesse um DARFPagamento, houve um pagamento a maior, oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, cujo saldo, após a compensação declarada Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10935.900448/200631 Acórdão n.º 3002000.719 S3C0T2 Fl. 118 4 na DCOMP 33090.75772.200705.1.3.024467 (doc. 05), mostra se apto a suportar a compensação vinculada ao presente processo administrativo, justificando a sua homologação." (grifo nosso) Por outro lado, em seu Recurso Voluntário, a recorrente torna clara a intenção pretendida com a apresentação da peça recursal e sobre o que entende ser objeto da lide: "Com efeito, a controvérsia submetida a esse Eg. Conselho referese à possibilidade, ou não, de utilização do crédito de saldo negativo do IRPJ de 2000, não informado na declaração de compensação." (grifo nosso) Nesse ponto, não assiste razão à recorrente. O litígio do presente processo está circunscrito ao crédito pleiteado conforme declarado no PER/DCOMP dos autos, ou seja, este Colegiado está obrigado a se ater a análise da existência ou não do pagamento indevido conforme declarado pela própria contribuinte. E, como já dito, é inconteste que o DARF informado como origem do crédito não existe. Diferentemente do alegado, no caso dos autos, não se está diante de um mero erro formal, isto é, um simples erro no preenchimento das informações do documento de arrecadação no PER/DCOMP transmitido. Como, por exemplo, seriam os eventuais erros cometidos na data de arrecadação ou no período de apuração. Com efeito, aqui, se caracteriza um verdadeiro erro material, pois a informação prestada não é verdadeira, não há DARF pago indevidamente, logo, o direito em que se fundamentaria a compensação pleiteada não existe. Assim, rechaço o argumento sobre a necessidade de se observar os Princípios invocados pela recorrente, em especial, o do Informalismo e o da Verdade Material, uma vez que somente seria o caso de se superar um erro de fato por aplicação desses Princípios, o que não acontece no caso dos autos. De fato, o Informalismo ou a busca pela Verdade Material não podem ser entendidos como ilimitados. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Quanto à alegação de existência de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, como já mencionado, não se aplica ao presente caso. A origem do crédito pleiteado no PER/DCOMP foi um suposto pagamento indevido através do DARF informado, o qual não existe. Na hipótese da contribuinte ter se atentado para o erro cometido no Pedido de Restituição/Compensação antes da emissão do Despacho Decisório, o procedimento correto a Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10935.900448/200631 Acórdão n.º 3002000.719 S3C0T2 Fl. 119 5 ser seguido seria o cancelamento desse pedido e a transmissão de um novo PER/DCOMP informando a origem correta do crédito pleiteado. Tal fato não ocorreu. Contudo, vale ressaltar que, em 07/11/2007, isto é, mais de 1 ano antes da emissão do Despacho Decisório, a contribuinte recebeu a Intimação de fl. 58, informando a não localização do documento de arrecadação informado no PER/DCOMP e orientandoa como proceder. Porém, como já dito, a ora recorrente nada fez. Por fim, quanto ao argumento de não ter havido prejuízo à Administração Tributária, melhor sorte não traz à recorrente. Primeiro, porque há que se reconhecer que houve prejuízo ao Erário Público, tendo em vista que um débito tributário foi extinto, ainda que sob condição resolutória, de forma indevida, pois o DARF informado simplesmente não existia. Ademais, a ocorrência ou não de prejuízo à Administração Tributária não tem o condão de materializar um crédito inexistente. Dessarte, forçoso é admitir que a conclusão chegada pelo Despacho Decisório, tanto como pela instância a quo, se encontra dentro da legalidade e correta, uma vez que a origem do crédito pleiteado, incontestavelmente, não existe. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.902092/2009-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário.
Caso resulte em ajuste de saldo negativo, o resultado do exercício deve ser recomposto, com a finalidade de averiguar liquidez e certeza de direito creditório, sem que haja desdobramento em tributo a pagar, razão pela qual não há que se falar em contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação complemente diferente daquela em que, no decorrer de uma ação fiscal, efetua-se a glosa do saldo negativo tendo como consequência a apuração de tributo a pagar nos termos do art. 142 do CTN e lançamento de ofício, caso em que só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária.
Numero da decisão: 9101-004.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lívia De Carli Germano - Relator
(documento assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em ajuste de saldo negativo, o resultado do exercício deve ser recomposto, com a finalidade de averiguar liquidez e certeza de direito creditório, sem que haja desdobramento em tributo a pagar, razão pela qual não há que se falar em contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação complemente diferente daquela em que, no decorrer de uma ação fiscal, efetua- se a glosa do saldo negativo tendo como consequência a apuração de tributo a pagar nos termos do art. 142 do CTN e lançamento de ofício, caso em que só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 20 92 /2 00 9- 61 Fl. 171DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 (documento assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano - Relator (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 149-154) em face do acórdão nº 1301-00.883, proferido pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção em 11 de abril de 2012, que recebeu as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 1301-00.883, de 11 de abril de 2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA PARA REVISÃO DA ESCRITURAÇÃO DA DIPJ. PROCEDIMENTO PARA AFERIÇÃO DOS REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Não se reconhece a decadência ao se verificar que a revisão dos valores lançados na DIPJ se deu ao fundamento de aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, não resultando qualquer lançamento de ofício. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Cientificada em 1º de junho de 2012 (fl. 147), a Recorrente interpôs recurso especial em 18 de junho de 2012 (fl. 149), alegando divergência em relação ao conteúdo do acórdão n. 101-96.377, de 17 de outubro de 2007, cuja ementa é a seguinte: Acórdão paradigma nº 101-96.377 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 Fl. 172DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 CONFRONTO DIRF X DOCUMENTOS DE RETENÇÃO – pode o Fisco proceder ao confronto dos documentos de retenção apresentados pelo contribuinte com as informações prestadas pela fonte pagadora acerca da retenção do IRRF. Não pode o Fisco negar a restituição com base em valores de suposta receita financeira omitida, quando comprovados os valores declarados, tanto da receita financeira quanto do IRRF, mormente quanto à obrigação de terceiro e não da peticionante. DECADÊNCIA – não pode o Fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência do seu direito de constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. O despacho de admissibilidade de fls. 159-161, de 25 de agosto de 2014, deu seguimento ao recurso especial, observando que "A conclusão do acórdão paradigma é a de que não pode o Fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência do seu direito de constituir o crédito tributário. Já o acórdão recorrido entende que, não resultando em lançamento de ofício, são passíveis de revisão os valores informados na DIPJ com vistas a aferir a liquidez e certeza do crédito indicado em declaração de compensação." Intimada em 30 de outubro de 2014 (fl. 162), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 5 de novembro de 2014 (fls. 163-168), aduzindo exclusivamente questões de mérito. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lívia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal O recurso especial é tempestivo. Passo a apreciar os demais requisitos para a sua admissibilidade. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) Fl. 173DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destaca-se, de início, que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratando-se da mesma legislação aplicada a uma mesma situação fática. Acrescente-se, também, que, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há que se falar em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, compreendo que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois chegou-se a conclusões distintas em situações fáticas semelhantes, mas à luz de diferentes normas e contextos jurídicos. Explico. O caso dos autos trata de DCOMP apresentada em 2004 que não foi homologada porque, ao analisar o crédito pleiteado pela contribuinte, a unidade de origem, por meio do despacho decisório, efetuou a revisão da base de cálculo da CSLL daquele ano e concluiu que não haveria saldo negativo a restituir. Já o caso analisado pelo acórdão paradigma tratou de DCOMP pretendendo a compensação de saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário 1995, formado por IRRF retido sobre receitas financeiras. O despacho decisório negou a compensação em razão da falta de comprovação de que o valor da receita financeira que deu origem ao IRRF foi oferecido à tributação, e então o voto condutor do acórdão 101-96.377 considerou que tal comprovação ocorreu. Transcrevo, neste sentido, os dois últimos parágrafos desse voto (grifamos): A discussão que se coloca nestes autos não é se houve ou não retenção dos valores do imposto de renda. O indeferimento do pleito teve por base a falta de comprovação de que o valor da receita financeira que deu origem ao IRRF foi oferecido à tributação pela recorrente. Ocorre que restou comprovado nos autos que o total da receita financeira declarada consta dos comprovantes de rendimentos apresentados. A diferença apontada é a diferença entre os valores constantes da DIRF e aqueles que não teriam sido comprovados na contabilidade da fonte retentora do IR e portanto aquela diferença deveria ter sido lançada nesta e não na recorrente, o que caracterizaria erro no procedimento, por erro na identificação do sujeito passivo. Além disso tal alteração não poderia ter sido realizada, posto que em 2005, já havia transcorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dela decorrente. No caso do acórdão paradigma, o fundamento utilizado pelo despacho decisório para negar a compensação foi comprovadamente infirmado pelo contribuinte, sendo que, quando o voto condutor menciona a impossibilidade de se reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência, ele se refere (na última frase do trecho de voto acima transcrito) à impossibilidade de cobrar tributos da fonte pagadora dos rendimentos, a que reteve o IRRF, e não à contribuinte que sofreu a retenção e pleiteia a sua restituição via DCOMP. Diferentemente, no caso dos autos a tese que a contribuinte sustenta é a de que o fisco não pode, ao analisar sua DCOMP, rever a base de cálculo dos seus próprios tributos. Fl. 174DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 Trata-se de discussões jurídicas diversas que, logicamente, podem levar a conclusões diferentes, mas não necessariamente excludentes. Compreendo que somente se verifica a divergência jurisprudencial quando é possível, da análise do racional exposto no voto condutor do acórdão indicado como paradigma, saber qual seria a solução que aquela turma daria ao caso dos autos. Tal exercício, todavia, revelou-se infrutífero. Assim, no caso, entendo que o recurso especial não pode ser conhecido, eis que o acórdão indicado como paradigma não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial, nos termos do artigo 67 do Anexo II do RICARF/2015. Mérito Tendo restado vencida quanto ao não conhecimento do presente recurso, passo a apreciar o mérito. O mérito do presente recurso consiste em definir se, por ocasião da análise de uma Declaração de Compensação - DComp, as autoridades fiscais podem revisar a base de cálculo dos tributos indicados como formadores do crédito então declarado, e se há prazo para tal revisão. No caso, a pretexto de analisar o crédito declarado pela Recorrente em Dcomp apresentada em 19 de outubro de 2004, referente a saldo negativo de CSLL apurado no ano- calendário 2003, a unidade de origem acabou por realizar, em 24 de agosto de 2009 (AR de fl. 108), uma extemporânea revisão da base de cálculo da CSLL cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2003. Neste ponto, entendo que assiste razão à Recorrente quando pleiteia o reconhecimento da decadência quanto à revisão da base de cálculo da CSLL. Isso porque, nos termos dos artigos 150, § 4º e 173, I, do Código Tributário Nacional, no caso de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, é de 5 anos o prazo (decadencial) para as autoridades fiscais promoverem a revisão do lançamento sendo que a aplicação de um ou outro artigo depende da existência ou não de pagamento (ou declaração) e da presença ou não de dolo, fraude ou simulação, nos termos do REsp Repetitivo nº 973.733SC e do enunciado da Súmula 555 do STJ. Ambos os dispositivos do CTN são claros em dispor que, após esse prazo, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. É dizer, após os 5 anos, não mais se pode discutir a formação da base de cálculo de tributos declarados pelo contribuinte. Veja-se (grifos nossos): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 175DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ora, não se pode admitir que, não obstante o dever/poder do Fisco de constituir o crédito tributário esteja obstado definitivamente (em razão do decurso do prazo decadencial), os tributos possam ainda ser cobrados por vias indiretas por exemplo por meio da não homologação de compensações que pretendam reformular sua base de cálculo. Isso seria fazer letra morta do CTN, em especial quando este dispõe que o crédito considera-se "definitivamente" extinto. De fato, ou o crédito tributário está extinto de forma permanente (definitivamente) ou ele admite revisão futura (que seria o caso se a extinção fosse condicional ou a termo). A conclusão a que se chega, portanto, é de que a revisão da base de cálculo do IRPJ cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2003 apenas poderia ocorrer dentro do período de 5 anos, sendo extemporânea a glosa de despesas e a recomposição do lucro real cientificada ao contribuinte apenas em 24 de agosto de 2009. De fato, após o decurso do prazo decadencial, estando o crédito tributário definitivamente extinto, restam cumpridos os requisitos constantes do artigo 170 do Código Tributário Nacional, resumidos na verificação de sua certeza e liquidez. Vale ressaltar que, ao contrário do que muitos defendem, a conclusão acima não dá margem a "abusos" por parte dos contribuintes, como o de apresentar a DCOMP apenas no último dia do quinquênio legal, "de maneira que a compensação declarada pela contribuinte no dia seguinte já não estaria sob condição resolutória de ulterior homologação". Tal raciocínio confunde as atividades de revisão do lançamento e homologação de compensações, tarefas estas completamente diferentes e cada um com seu devido termo inicial de prazo. Para que não haja dúvidas quanto ao que estamos afirmando, o que se conclui aqui é que: (i) no caso de revisão de um "lançamento por homologação": o prazo é de 5 anos contados ou do fato gerador ou do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado, conforme se trate de hipótese do art. 150, § 4º e 173, I, do CTN. A atividade a ser realizada pelas autoridades fiscais dentro desse prazo é a verificação da correta aplicação da alíquota e da apuração da respectiva base de cálculo, devendo o contribuinte guardar, Fl. 176DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 até o termo final desse período, toda a documentação utilizada como base para tal apuração. (ii) no caso de declaração de compensação: o prazo é de 5 anos contados de sua apresentação, nos termos do art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996. A atividade a ser realizada pelas autoridades fiscais dentro desse prazo é a verificação da existência e regularidade do crédito pleiteado, devendo o contribuinte guardar, até o termo final desse período, toda a documentação utilizada como base para tal crédito. Assim, é verdade que, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, deve ser atestada a existência e a suficiência do crédito invocado para a extinção dos débitos compensados, mas não pode a fiscalização, por esta via, pretender a revisão de um (auto)lançamento e a cobrança (indireta, pela via da não homologação de compensações) de débitos para os quais a via do auto de infração não mais possa ser utilizada, já que, com o decurso do prazo decadencial, o crédito tributário passa a se revestir dos requisitos de certeza e liquidez. Compreendo portanto que a decisão recorrida merece reforma. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. Caso vencida, no mérito, oriento meu voto por dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. relatora, peço vênia para divergir sobre a admissibilidade e o mérito. Sobre a admissibilidade, entendo que o recurso especial demonstrou a divergência na interpretação tributária, requisito específico previsto no art. 67, caput e § 1º, do Regimento Interno do CARF. Discute-se matéria relativa à aplicabilidade de decadência no procedimento de verificação de liquidez e certeza de reconhecimento de direito creditório. Transcrevo ementa do paradigma (Acórdão nº 101-96.377), na parte que interessa: DECADÊNCIA – não pode o Fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência do seu direito de constituir o crédito tributário. Segue excerto do voto: Fl. 177DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 Inicialmente devo me manifestar quanto à alegada impossibilidade de a autoridade tributária proceda a qualquer alteração na apuração do IRPJ e da CSLL argüida pela recorrente em sua sustentação oral, em função do lapso de tempo transcorrido entre os fatos (ano-calendário de 1995) e à análise promovida pela autoridade tributária (a ciência do segundo despacho de indeferimento do pleito se deu em 08 de novembro de 2005). (...) Além disso tal alteração não poderia ter sido realizada, posto que em 2005, já havia transcorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dela decorrente Observa-se que a decisão pronuncia-se cirurgicamente a respeito da matéria que pretende devolver a recorrente para discussão. Aduz que não poderia a Administração Tributária, no exame de liquidez e certeza do reconhecimento do direito creditório, promover, no decorrer do ano de 2005, exame de crédito cuja origem teria se dado em 1995, O racional da decisão paradigma mostra-se apto, portanto, a reformar a decisão recorrida. Assim sendo, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. Como já dito, discute-se se a administração tributária, ao verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, encontra-se submetida ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º, art. 150 do CTN, aplicável aos lançamentos por homologação. Ocorre que o processo de reconhecimento de direito creditório é diferente daquele previsto para a constituição do crédito tributário. O direito creditório só é reconhecido se revestido dos atributos de liquidez e certeza, conforme o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Por isso, compete à autoridade tributária apurar a origem do crédito tributário, sendo que, neste caso, o ônus da prova é do contribuinte. Por outro lado, o Fisco tem um prazo determinado para promover a devida análise e a homologação do direito creditório, sob pena de se homologar tacitamente o pedido do sujeito passivo. Assim, a contagem do prazo decadencial para que o Fisco possa promover a análise do direito creditório pleiteado pelo contribuinte inicia-se a partir da data de entrega da declaração, conforme dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação). Fl. 178DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 A devida investigação da origem do crédito, que, no caso concreto, teve origem em saldos negativos de anos anteriores, resultou em uma nova apuração do tributo referente ao ano-calendário. Trata-se de análise em que não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. É situação distinta daquela em que a investigação da autoridade autuante é no sentido de se verificar a apuração efetuada pelo sujeito passivo para a constituição do crédito tributário e, caso seja detectado tributo a pagar, efetua-se o lançamento de ofício. A diferença é ilustrada com bastante precisão no voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1101-001.084, do qual peço vênia para transcrever excerto. O caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nesta nova redação, exige que o credito indicado em DCOMP seja passível de restituição ou ressarcimento, significando que ele não pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia do §5° do referido art. 74, pois antes de cinco anos da apresentação da DCOMP a certeza e liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração. Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação. Os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66): Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º - Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único - O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de • qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejou-se) A decadência, nestes termos, encerra o poder-dever do Fisco de formalizar o credito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida Fl. 179DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recorde-se que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em saldo negativo de IRPJ, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador - lucro - pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de oficio. É certo que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há uma grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a atividade de apuração ou o pagamento do tributo devido. Todavia, há relativo consenso no sentido de que o transcurso do prazo contido no §4° do art. 150 do CTN atinge o direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal. Ainda, aqueles que defendem a homologação tácita da apuração efetuada pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial tem o efeito especifico de atingir o dever/poder de o Fisco efetuar o lançamento de oficio, e não o de fazer prova absoluta de indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação. Admitir que os saldos negativos informados na DIPJ estariam homologados tacitamente depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador correspondente, exigiria que se emprestasse A. DIPJ o poder de constituir aquele direito creditório, o que vai contra o caráter meramente informativo daquele documento, o qual não se presta, sequer, a instrumentalizar a cobrança dos saldos devedores nele indicados. Somente se concebe como instrumentos de constituição formal de direitos e obrigações aqueles assim expressamente previstos na legislação, como é o caso, por exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF, relativamente aos tributos devidos pelos contribuintes. Já relativamente aos direitos credit6rios detidos pelos sujeitos passivos, a legislação apenas prevê, atualmente e na época em que a contribuinte argüiu seu direito, a DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita Federal. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Procedidas as antecipações exigidas por lei, encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, tem-se do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Dai porque, a partir do recolhimento indevido, deflagra-se o prazo prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Alias, veja-se que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Fl. 180DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, sendo na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras declarações não é requisito para sua veiculação em DCOMP. Do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, desde a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.637/2002, não se extrai qualquer exigência de que o direito credit6rio deva estar previamente evidenciado em declarações prestadas pelos sujeitos passivos, A exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 10. É certo que a evidenciação do credito em DIPJ ou DCTF é um elemento de prova em favor do sujeito passivo que afirma ter efetuado recolhimento a maior. Mas somente quando provocado pelo sujeito passivo acerca do seu interesse de se valer daquele crédito, mediante restituição ou compensação, passa o Fisco a ter o dever de avaliar a certeza e a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado. Firmadas estas premissas, recorde-se que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, no presente caso, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, dai, que a compensação deveria estar suportada por provas do indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, deve-se recordar que o procedimento em debate já se iniciou mediante a apresentação de DCOMP, desacompanhada, por autorização normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos para confirmá-lo. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do credito. Se utilizasse mais rapidamente seu credito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensa cão, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejou-se) Argumenta a recorrente que o Fisco não poderia questionar a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal depois de transcorridos 5 (cinco) anos de sua apuração. E de se questionar, porém, no presente caso, que interesse fiscal existiria na revisão de uma D1PJ que, mesmo considerando a retificação necessária, ainda apontasse saldo negativo de IRPJ? Caberia ao Fisco antecipar-se à pretensão da contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidá-lo ou retificá-lo? E, ainda que se insista na fluência do prazo para revisão do crédito, pelo Fisco, a partir do período de apuração correspondente, do recolhimento que se mostrou indevido, ou Fl. 181DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é licito concluir que, ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia ao prazo em curso, e submete-se ao prazo fixado na sistemática prevista para aquele instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5 ° do referido art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, resta demonstrado que a autoridade fiscal competente detinha o poder/dever de aferir a existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da correspondente DCOMP, e neste mister nenhum impedimento legal existe para confirmação, inclusive, da base de cálculo do IRPJ devido no período, mormente tendo em conta que a contribuinte equivocadamente manifestou seu direito de crédito como oriundo de retenções sofridas na fonte, sem antes confrontá-lo com o IRPJ devido no período, e ao adequar tal pedido As normas legais de apuração do IRPJ, a autoridade fiscal logrou identificar que o IRPJ devido no período não seria aquele originalmente indicado na DIPJ, em razão da compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal. Em síntese, conclui-se que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito, em sede de DCOMP ou pedido de restituição apresentados pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano-calendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de calculo apurada pelo interessado. Conseqüentemente, ainda que a retificação de base de calculo do tributo para fins de sua exigência somente seja cabível mediante lançamento de oficio, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de DCOMP ou pedido de restituição vinculados ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais. Esclareça-se, por oportuno, que a mencionada liberação da DIPJ em malha cadastro não revela qualquer revisão anterior da declaração do sujeito passivo, na medida em inexiste qualquer ato administrativo praticado e, demais disso, pela denominação atribuída ao procedimento realizado, é licito inferir que trata-se, apenas, de confirmações cadastrais do declarante, sem adentrar A apuração por ele informada. Por tais razões, inclusive, é imprópria, aqui, a referência As disposições da Instrução Normativa SRF n° 656/2006 acerca dos procedimentos para revisão de declarações no âmbito da Receita Federal. A matéria também foi tratada recentemente pelo presente Colegiado, no Acórdão nº 9101-002.548, na sessão de julgamento de 07/02/2017, voto do relator Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. Tratando-se de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Fl. 182DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.203 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10825.902092/2009-61 Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Assim, uma situação é se falar em lançamento de ofício, para a constituição do crédito tributário, caso em que se aplica a contagem do prazo decadencial. Outra completamente diferente é a análise do direito creditório, cuja liquidez e certeza devem ser verificadas, razão pela qual, em se tratando de apuração de prejuízos fiscais, é dever do Fisco apreciar a sua formação desde a origem, tendo, no caso concreto, agido de maneira correta. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001361/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001, 2002
SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE.
Suspende-se a isenção quando a sociedade beneficiada não observa os requisitos legais para a sua fruição.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2001, 2002
LANÇAMENTOS. IRPJ. CSLL.
Suspensa a isenção fiscal, mantém-se o lançamento do crédito tributário devido em face dessa suspensão.
Numero da decisão: 1402-003.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. Suspende-se a isenção quando a sociedade beneficiada não observa os requisitos legais para a sua fruição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTOS. IRPJ. CSLL. Suspensa a isenção fiscal, mantém-se o lançamento do crédito tributário devido em face dessa suspensão.
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INDEPENDENTE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. Suspende-se a isenção quando a sociedade beneficiada não observa os requisitos legais para a sua fruição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTOS. IRPJ. CSLL. Suspensa a isenção fiscal, mantém-se o lançamento do crédito tributário devido em face dessa suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 61 /2 00 6- 96 Fl. 182DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I (RJ). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 12- 23.418 - 3ª Turma da DRJ/RJOI, complementando-o, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 68/79 (que têm como parte integrante o Termo de Constatação Fiscal), lavrados pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 27/10/2006, sendo exigidos o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$15.545,20 e a Contribuição Social (CSLL) no valor de R$9.327,12, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. O crédito total lançado monta a R$60.888,69 (fl. 2). O lançamento foi efetuado em virtude da suspensão da isenção tributária (processo 10768.003421/2002-44, em apenso), formalizada no Ato Declaratório do Delegado da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro nº 02-G, de 16 de agosto de 2004, com ciência do interessado em 29/09/2006 (fl. 38). O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 27/10/2006, impugnação (fls. 87/88) alegando, em síntese, que o “Sr. Jaime Henrique Reich, embora integrando o Conselho Diretor e as Comissões de Certificação, onde suas atividades não são remuneradas, faz parte também da Diretoria Executiva como Diretor onde exerce função remunerada”, conforme documentação que anexa, estando amparado pelo Parecer Normativo 71/73. Requer o restabelecimento da isenção e o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório." A 3ª Turma da DRJ/RJOI por meio do Acórdão de Impugnação nº 12-23.418, julgou o lançamento procedente, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. Suspende-se a isenção quando a sociedade beneficiada não observa os requisitos legais para a sua fruição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTOS. IRPJ. CSLL. Suspensa a isenção fiscal, mantém-se o lançamento do crédito tributário devido em face dessa suspensão." Fl. 183DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 A decisão do órgão julgador a quo teve como seguintes fundamentos: 1. A suspensão teve por fundamento a inobservância do requisito legal contido no art. 12, § 2º, alínea a, da Lei 9.532/1997, por ter a sociedade remunerado seu dirigente – Jaime Henrique Reich. 2. O Parecer Normativo 71/73 não ampara o interessado - o Sr. Jaime Henrique Reich não foi contratado no mercado de trabalho para exercer, apenas, a função de diretor executivo, está qualificado no Estatuto Consolidado da Sociedade (fl. 9 do processo 10768.003421/2002-44) como sócio fundador, tendo contribuído para a constituição do capital inicial da Acta (fl. 100 do processo 10768.003421/2002-44). 3. O próprio interessado reconhece que o Sr. Jaime Henrique Reich integra o Conselho Diretor e as Comissões de Certificação. Pode-se dizer, assim, que o Sr. Jaime Henrique Reich se constitui propriamente em dirigente da Acta. 4. Suspende-se a isenção quando a sociedade beneficiada não observa os requisitos legais para a sua fruição. 5. O interessado não apresenta qualquer argumentação específica referente às exigências de IRPJ e de CSLL, tendo sido considerado não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnantes nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. 6. Tendo em conta que o lançamento de crédito Tributário (IRPJ e CSLL) foi realizado em face da suspensão da isenção tributária, e que este procedimento fiscal foi julgado procedente, impõe-se a manutenção do lançamento em questão. Recurso Voluntário A recorrente, inconformada com o Acórdão de 1ª Instância, apresenta as seguintes razões para a reforma da decisão a quo: 1. A recorrente, conforme estatutos já acostados aos autos, é pessoa jurídica de direito privado, constituída de acordo o Art. 53 do Código Civil e está organizada como associação civil para fins não econômicos, sendo ainda entidade beneficente de assistência social por preencher os requisitos do Art. 150, inciso VI letra c e do Art. 195 § 7o da Constituição Federal. 2. Existe uma hierarquização dos atos normativos inferiores à lei. No presente caso foi ressalvado ao interessado o direito de recurso à segunda instância administrativa, o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, contra a decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ01, devendo a mencionada Turma obediência aos atos hierarquicamente superiores segundo a hierarquia da estrutura administrativa da unidade governamental, bem como à Constituição Federal. 3. O Egrégio 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES DA RECEITA FEDERAL já decidiu: ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS - RESULTADO TRIBUTÁVEL -O resultado financeiro, encontrado pela diferença entre as receitas recebidas e as despesas pagas não traduz o conceito de lucro real passível de tributação pelo imposto de renda, Fl. 184DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 sistemática que requer a elaboração de demonstrações financeiras segundo as leis comerciais e fiscais. - Ac. 1º CC n° 108-5.885/99-DO de 18/11/99. 4. É descabida a observação: "o interessado não apresentou qualquer argumentação específica referente às exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Sobre Lucro Líquido". - Lucro? Que lucro? O Auto de Infração foi lavrado com os dados solicitados: receitas e despesas. 5. Entidades sem fins lucrativos como o próprio nome diz hão têm lucro, têm superávit ou déficit. Além disso, tais observações da 3a Turma da DRJ/RJOI, se chocam frontalmente com a jurisprudência do próprio CONSELHO DE CONTRIBUINTES, - a quem devem obediência às decisões hierarquicamente superiores, bem como à Lei Maior. 6. Quanto à criação das associações a Constituição Federal vigente consagrou o seguinte princípio: CF. - Art. 5o, XVIII - a criação de associações e cooperativas, independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. 7. Quanto à suspensão das Atividades das associações a Constituição Federal exige: CF - Art. 5º, XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro, caso o trânsito em julgado. 8. Desse modo, tratando-se de associações (gênero) além de vedada a interferência estatal no seu funcionamento, para suspensão da isenção fiscal (espécie) exige a Lei Maior que a decisão seja judicial. "Quando o texto menciona o gênero, presumem-se incluídas as espécies respectivas; se faz referência ao masculino, abrange o feminino; quando regula o todo, compreende-se também as partes. Aplica-se a regra geral aos casos especiais, se a lei não determina o contrário. "Ubi lex non distinguit n ec nos distingiiere debemus "; Onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir". Hermenêutica e Aplicação do Direito, Carlos Maximiliano - p.246 - Ed. Forense, RJ 1979. 9. Mas não é só, quanto à dissolução de sociedades civis de fins assistenciais o Decreto-Lei n°41 de 18 de novembro de 1966 dispõe: 1º - Toda sociedade civil de fins assistenciais que receba auxílio ou subvenção do Poder Público ou que se mantenha, no todo ou em parte, com contribuições periódicas de populares, fica sujeita à dissolução nos casos e formas previstos neste decreto-lei. 10. Ocorre que a Acta Supervisão Técnica Independente jamais recebeu qualquer auxílio ou subvenção do Poder Público e nem contribuição periódicas de populares, pois se mantém exclusivamente pelas contribuições de seus associados. 11. Ainda que assim não fosse, e apenas para argumentar, quanto ao entendimento que a 3a Turma da DRJ/RJOI deu sobre o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita da Receita Federal n° 71/73 não amparar o interessado, suspendendo a isenção fiscal e mantendo o crédito tributário, cumpre esclarecer que na lição de HELY LOPES MEIRELLES: Fl. 185DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 Parecer Normativo é aquele que ao ser aprovado pela autoridade competente é convertido em norma de procedimento interno, tomando-se impositivo e vinculante para todos os órgãos hierarquizados à autoridade que o aprovou. Tal parecer, para o caso que o propiciou, é ato individual e concreto, para os casos futuros é ato geral e normativo. - Direito Administrativo Brasileiro, p. 153, 13a ed. 1988 12. Quanto à remuneração do dirigente, a Coordenação do Sistema Tributário, já se posicionou em relação a esta questão no Parecer Normativo CST n° 71/73 no sentido de que não se considera dirigente, a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica, de vez que não são vedados por lei e desde que a instituição imune remunere os serviços necessários à sua manutenção, sobrevivência e funcionamento, como os realizados por administradores, e funcionários. Nos exatos e precisos termos do citado Parecer Normativo: "Nada obsta, contudo, que a instituição imune remunere os serviços necessários à sua manutenção, sobrevivência e funcionamento, como os realizados por administradores, professores e funcionários- Esses pagamentos não desfiguram ou prejudicam o gozo da imunidade, visto que não são vedados por lei, mas é de se exigir, rigorosamente, que a remuneração seja paga tão-somente como contraprestação pela realização de serviços ou execução de trabalhos, sem dar margem a se traduzir tal pagamento em distribuição de parcela do patrimônio ou das rendas da instituição". 13. A escassez de profissionais especializados no segmento, devido à sua natureza e especificidade e ao grande desenvolvimento da ciência e da tecnologia é tal ordem que o INMETRO atendendo à solicitação da própria RECEITA FEDERAL, realizou seminário de Avaliação de Conformidade em Florianópolis entre os dias 25 a 28 de maio p.p. esclarecendo que: "a abordagem principal do evento é possibilitar um maior conhecimento aos agentes federais sobre a atividade de avaliação da conformidade e, mais especificamente sobre produtos regulamentados pelo Inmetro". (vide documentos ora anexados). 14. O dirigente Jaime Henrique Reich graduado como Engenheiro Elétrico, ex- funcionário do INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE INDUSTRIAL-INMETRO, é especialista no setor da avaliação da conformidade com cursos técnicos e científicos no Brasil e no exterior (v. documentos já anexados). A retirada do dirigente é sua única fonte de rendimentos para seu próprio sustento e o da família. 15. À evidência, a remuneração é paga ao dirigente Jaime Henrique Reich como contraprestação pelos serviços necessários à manutenção, sobrevivência e funcionamento da associação na realização dos serviços e a execução de trabalhos altamente especializados, estando intimamente relacionados com a função exercida e o cargo de direção, sem que isso jamais possa dar margem a se traduzir, tal pagamento, como distribuição de parcela do patrimônio ou das rendas da instituição. 16. Quanto à imunidade ou isenção, a denominação imprópria do instituto, isenção em vez de imunidade não afeta a sua natureza. O STF. já decidiu: Tratando-se de imunidade - que decorre, em função de sua natureza mesma, do próprio texto constitucional - revela-se evidente absoluta impossibilidade jurídica de a autoridade executiva, mediante deliberação de índole administrativa, restringir a Fl. 186DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 eficácia do preceito inscrito no art. 195 da Carta Política, para, em função da exegese que claramente distorce a teologia da prerrogativa fundamental em referência, negar à entidade beneficente de assistência social, que satisfaz os requisitos da lei, o benefício que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo. - RE em MS n° 22.192 DF- 1ª Turma do STF-DJ 19/12/96. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Conforme relatado, o lançamento foi efetuado em virtude da suspensão da "isenção" tributária sobre o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002 (processo 10768.003421/2002-44, em apenso), formalizada no Ato Declaratório do Delegado da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro nº 02-G (fls. 41) de 16 de agosto de 2004, com ciência ao interessado em 29/09/2006. A recorrente afirma que , conforme estatutos já acostados aos autos, é pessoa jurídica de direito privado, constituída de acordo o Art. 53 do Código Civil e está organizada como associação civil para fins não econômicos, sendo ainda entidade beneficente de assistência social por preencher os requisitos do Art. 150, inciso VI letra c e do Art. 195 § 7º da Constituição Federal. O motivo que acarretou a suspensão da "Isenção" tributária da pessoa jurídica, foi a constatação pela autoridade fiscal de remuneração do dirigente Jaime Henrique Reich, conforme excerto da Notificação Fiscal: A vedação à instituição de impostos sobre instituições de educação e assistência social está prevista no art. Art. 150, inciso VI , alínea c, da Constituição Federal, in verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] Fl. 187DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Observa-se que a referido dispositivo constitucional remeteu à lei os requisitos para o gozo da imunidade, especificamente a Lei 9.532/97 em seu art. 12, in verbis: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c" , da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e os de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. A suspensão da imunidade da recorrente decorreu da não observação pela pessoa jurídica do art. 12, § 2º, alínea a, da Lei 9.532/97. Verifica-se que os procedimentos da fiscalização quanto à suspensão da imunidade estão amparados em dispositivos legais e constitucionais. Observa-se ainda que a fiscalização não está vinculada à decisões prolatadas no âmbito do CARF em processos de terceiros. Observa-se ainda que o presente caso não está amparado pelo Parecer Normativo 71/73, conforme razões trazidas no acórdão de impugnação: O Parecer Normativo 71/73 não ampara o interessado - o Sr. Jaime Henrique Reich não foi contratado no mercado de trabalho para exercer, apenas, a função de diretor executivo, está qualificado no Estatuto Consolidado da Sociedade (fl. 9 do processo 10768.003421/2002-44) como sócio fundador, tendo contribuído para a constituição do capital inicial da Acta (fl. 100 do processo 10768.003421/2002-44). Pode-se dizer, assim, que o Sr. Jaime Henrique Reich se constitui propriamente em dirigente da Acta. Fl. 188DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-003.938 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001361/2006-96 Logo, entende-se que devem ser afastados todos os argumentos da recorrente quanto à não observação pela fiscalização de "atos hierarquicamente superiores segundo a hierarquia da estrutura administrativa da unidade governamental", bem como à Constituição Federal. A recorrente argumenta ainda que a retirada do dirigente é sua única fonte de rendimentos para próprio sustento e que a remuneração paga ao dirigente não se configura distribuição da parcela do patrimônio ou das renda da instituição: O dirigente Jaime Henrique Reich graduado como Engenheiro Elétrico, ex-funcionário do INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE INDUSTRIAL-INMETRO, é especialista no setor da avaliação da conformidade com cursos técnicos e científicos no Brasil e no exterior (v. documentos já anexados). A retirada do dirigente é sua única fonte de rendimentos para seu próprio sustento e o da família. À evidência, a remuneração é paga ao dirigente Jaime Henrique Reich como contraprestação pelos serviços necessários à manutenção, sobrevivência e funcionamento da associação na realização dos serviços e a execução de trabalhos altamente especializados, estando intimamente relacionados com a função exercida e o cargo de direção, sem que isso jamais possa dar margem a se traduzir, tal pagamento, como distribuição de parcela do patrimônio ou das rendas da instituição. Os argumento trazidos pela recorrente não modificam o fato de que houve a remuneração do dirigente Jaime Henrique Reich, e consequentemente o não cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos para o gozo da imunidade. Observa-se que a recorrente não trouxe aos autos aos autos do processo quaisquer elementos que demonstrassem a atuação do Sr. Jaime Henrique Reich em atividades diversas daquelas atribuídas aos componentes do Conselho Diretor, nem sua atuação apenas como da pessoa física que exerce função ou cargo de gerência, de chefia interna ou de técnico na entidade. Pelo exposto, deve ser mantida a suspensão da imunidade da recorrente e, consequentemente, os lançamentos de IRPJ e CSLL. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001250/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO DE IRRF. COMPROVANTE DE RENTENÇÃO.
Somente pode haver a dedução de imposto de renda na fonte, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido, em seu nome, pela fonte pagadora, ou qualquer outro documento que comprove a efetiva retenção do imposto.
Numero da decisão: 2402-007.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente JACEMIR DA SILVA BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE IRRF. COMPROVANTE DE RENTENÇÃO. Somente pode haver a dedução de imposto de renda na fonte, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido, em seu nome, pela fonte pagadora, ou qualquer outro documento que comprove a efetiva retenção do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 12 50 /2 00 8- 53 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 15471.001250/200853 Acórdão n.º 2402007.447 S2C4T2 Fl. 51 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, decorrente de glosa de imposto de renda retido na fonte. Segue a ementa da decisão: O passivo foi pessoalmente intimado da decisão em 22/6/9, através de ciência expressa (fl. 48 do eProcesso) e interpôs recurso voluntário em 23/6/9, através do qual alegou o seguinte: é beneficiário dos bens deixados por sua falecida companheira; a falecida tinha crédito a receber do INSS, no valor de R$ 126.337,00; quanto do recebimento desse crédito, foi deduzida a importância de R$ 34.739,58; por equívoco, o recorrente fez constar em sua declaração de ajuste apenas a retenção, o que provocou toda a celeuma. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15471.001250/200853 Acórdão n.º 2402007.447 S2C4T2 Fl. 52 3 1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Glosa do imposto de renda retido na fonte declarado O recurso voluntário deve ser desprovido. O § 2º do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores previa que o imposto retido na fonte poderia ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuísse o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. Vejase: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Até entendo, com base no Parecer Normativo COSIT 1/2, que o sujeito passivo poderia comprovar a retenção por outros meios, a exemplo da apresentação de alvará de levantamento com demonstração do valor retido na fonte a título de imposto de renda. Veja se: IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Neste caso concreto, contudo, a documentação apresentada pelo sujeito passivo é insuficiente para comprovar a veracidade de suas alegações, como bem asseverado pela DRJ no seguinte trecho do voto condutor do acórdão: À fl. 15 do eProcesso, até consta um alvará de levantamento, mas a insuficiência dos dados ali constantes impede qualquer análise acerca dos valores efetivamente levantados e dos valores eventualmente retidos. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15471.001250/200853 Acórdão n.º 2402007.447 S2C4T2 Fl. 53 4 3. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.971451/2016-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2015 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 51 /2 01 6- 94 Fl. 75DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.971451/201694 Acórdão n.º 3401006.503 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720026/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO-TRIBUTÁVEL (NT).
A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto não-tributável (NT) na TIPI/96, classificada no código NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI.
SÚMULA CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO IPI LEI N.º 9.363/1996.
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei n.º 9.363, de 1996
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO-TRIBUTÁVEL (NT). A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto não-tributável (NT) na TIPI/96, classificada no código NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI. SÚMULA CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO IPI LEI N.º 9.363/1996. A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei n.º 9.363, de 1996 Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente USIBRAS USINA BRASILEIRA DE ÓLEOS E CASTANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (NT). A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto nãotributável (NT) na TIPI/96, classificada no código NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI. SÚMULA CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO IPI LEI N.º 9.363/1996. A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei n.º 9.363, de 1996 Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 00 26 /2 00 5- 42 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.037 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 4º trimestre de 2002 como crédito presumido autorizado pela Lei n.º 9.363/1996, declarado no PERDCOMP n° 20180.82640.220805.1.1.015915. O crédito pleiteado não foi reconhecido com fulcro nas considerações trazidas no PARECER SIANA/DRF/MOS, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não são considerados produtores, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. PROPOSTA DE INDEFERIMENTO Dispositivos Legais: Lei 4.502/64, art. 3°; Lei n° 9.430/1996, art. 74, Lei 9.363/1996 ; Lei n° 10.276/2001, art. 1°; Lei n 0 10.637/2002 ; Instrução Normativa n°210, de 30 de setembro de 2002; Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004;Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP N° 134, de 22 de abril de 1996; Portaria MF n° 93 de 27 de abril de 2004; Instrução Normativa n°210, de 30 de setembro de 2002; Instrução Normativa SRF n°313, de 3 de abril de 2003." (efl. 61) As razões para a glosa foram desenvolvidas nos seguintes termos no referido parecer: Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.038 3 "1 Em diligência efetuada por este Setor de fiscalização, referente ao processo n° 13.433.000957/9930, ficou constatado que a totalidade das exportações do contribuinte se refere a castanha de caju crua, acondicionada temporariamente em sacos de 50 libras (aproximadamente 23 kg), conforme descrito nos Registros de Exportação consultados nos sistemas da Receita Federal. Esta mercadoria foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200 como NT Não Tributado, em virtude de ser acondicionada em embalagem de transporte. (...) 2 A Lei 9.363/1996, em seu art. 1º assevera que cabe o beneficio do crédito presumido de IPI tãosomente às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Ocorre que, para legislação do IPI , que tem como base a Lei 4.502/64, art 3°, matriz legal de grande parte da legislação do tributo, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. (...) Considerandose, dessarte, que o art. 1° da Lei n° 9.363, de 13/12/1996 autoriza a fruição do crédito presumido de IPI tãosomente ao "estabelecimento produtor e exportador" e que o art. 30 da Lei 4.502, de 30/11/64, que é a matriz da legislação do IPI, define produtor como aquêle que industrializa produto sujeitos ao IPI, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, consequentemente, do ressarcimento de crédito presumido do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados e exportados são classificados como "NT" na TIPI/NCM." (efl. 67/69 grifei e grifos no original) Inconformada, a empresa apresentou Manifestou de Inconformidade julgada improcedente pelo Acórdão n.º 1125.739 da 5ª Turma da DRJ/REC, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO VICENTE. INCOMPETÊNCIA. ENTENDIMENTO OFICIAL DA RFB. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei e dos atos administrativos infralegais formalmente vigentes. O julgador administrativo de primeira instância deve pautarse pelo entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃOTRIBUTÁVEL (NT). A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto nãotributável (NT) na TIPI/96, classificada no código NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃOCONTRIBUINTES. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Não se toma conhecimento da matéria que foi submetida apreciação judicial mediante o processo n° 99.000544929, cuja decisão, no âmbito do REsp n° 586.392RN, transitou em julgado em 22.05.2005. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. No ordenamento jurídico brasileiro não há base legal para atualização monetária de créditos escriturais de IPI Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.039 4 Solicitação Indeferida" (efl. 261) Intimada desta decisão em 22/04/2009 (efl. 301), a empresa apresentou Recurso Voluntário postado em 22/05/2009 (efls. 303/361) na qual ratifica os termos da Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: (i) a alteração do critério jurídico adotado no processo n.º 13433.000957/99 30 relativo ao pedido de ressarcimento do crédito presumido das mesmas mercadorias (castanha de caju crua) relativas ao período de 1995 a 1998, que teria sido alterado no presente processo; (ii) no mérito: (ii.1) a impossibilidade de alteração da NCM adotada anteriormente e firmada pelo judiciário em ação anterior proposta para discutir o crédito presumido (Mandado de Segurança n.º 99.00054482), sendo que o produto comercializado pela Recorrente não pode ser enquadrado como produto não industrializado; e (ii.2) a necessidade de aplicação da taxa SELIC. Esta relatora entendeu por converter o processo em diligência, em especial quanto as alegações relacionadas ao item (i) acima. A diligência foi formulada nos seguintes termos: "Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal em Mossoró/RN): (i) anexe aos presentes autos: (i.1) cópia integral do processo n° 13433.000957/9930; (i.2) cópias por amostragem dos documentos de exportação relativos ao presente processo (registros de exportação e notas fiscais), em especial das telas que se referem à identificação das mercadorias exportadas para confirmar a NCM informada pela empresa. Se necessário, intimar a Recorrente para apresentar a documentação neste ponto; (ii) elabore relatório circunstanciado que enfrente os seguintes questionamentos: (ii.1) as exportações comprovadas no processo n.º 13433.000957/9930, se referem às mercadorias exportadas pela Recorrente que foram enquadradas como alíquota zero ou como não tributadas? Qual a NCM considerada como correta pela fiscalização naquele processo? Fazer referência às folhas daquele processo que trazem os documentos que respaldam o entendimento da fiscalização. (ii.2) os produtos exportados pela Recorrente no processo n.º 13433.000957/9930 são os mesmos produtos exportados no presente processo? Caso negativo, quais as diferenças identificadas? Neste tópico, informar se a NCM adotada pelo contribuinte naquele processo e a NCM adotada pelo contribuinte no presente processo são iguais e as eventuais diferenças identificadas entre as mercadorias exportadas; (ii.3) qual diligência realizada no referido processo n° 13433.000957/9930 que teria confirmado que "a totalidade das exportações do contribuinte se refere a castanha de caju crua, acondicionada temporariamente em sacos de 50 libras (aproximadamente 23 kg), conforme descrito nos Registros de Exportação consultados nos sistemas da Receita Federal" tal como afirmado pela fiscalização 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.040 5 no presente processo (efl. 67)? Fazer referência à(s) folha(s) daquele processo que trazem o documento no qual a fiscalização se respaldou no presente processo; (ii.4) é possível à fiscalização confirmar que no presente processo a totalidade das exportações do contribuinte se refere a castanha de caju crua, acondicionada temporariamente em sacos de 50 libras (aproximadamente 23 kg)? Anexar ou fazer referência aos documentos que suportam a afirmação da fiscalização." (efls. 369/370) Em resposta a esta diligência, foi anexada cópia integral do processo n.º 13433.000957/9930 e documentos de exportação relacionados ao presente processo, sendo elaborado relatório da diligência com as seguintes informações: "Quanto ao item (ii.1), no processo n.º 13433.000957/9930, em resposta à Resolução n.º 456/2006DRJ/RECIFE, a fiscalização da DRF/MOS entendeu que a fiscalizada exporta mercadoria classificada na posição 0801.32.00 da TIPI, não tributada (NT), conforme se extrai do Relatório de Diligência Fiscal DRF MOS/RN, de 04 de dezembro de 2006, nos seguintes trechos: “Em 10/10/2006, o interessado foi intimado a apresentar seus livros de apuração do IPI, Declaração de exportação e importação vinculadas ao regime de Drawback. O contribuinte respondeu à solicitação trazendo à diligência os seus livros de IPI, bem como diversos extratos de declaração de despacho, não apresentando, no entanto, nenhuma declaração de importação. Cabe ressaltar que os despachos de exportação referemse aos anos de 2004 e 2005.Analisando a documentação apresentada, podemos deduzir que a mercadoria exportada corresponde a castanha de caju crua acondicionada temporariamente em sacos aluminizados de 50 libras cada( aproximadamente 23 kg), conforme descrição constantes nos Registros de Exportação, anexos a este relatório. Segundo o RE a mercadoria foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200, correspondente a Castanha de Caju, Fresca ou Seca, Sem Casca. Consultamos no SISCOMEX, por amostragem, os despachos de exportações (DDE) citados no presente processo, às folhas 104, 112 e 113, referenetes às exportações efetivadas em 1995, 1997, 1998, onde ficou constatado a exportação dos seus produtos em caixas “contendo castanhas de caju sem cascas temporariamente conservadas em saco aluminizados de 50 libras cada”, conforme descrito em todos os despachos analisados. Ou seja, tanto nos DDE's de 2004 e 2005, entregues pelo contribuinte, quanto os pesquisados pela diligência, verificouse que a diligenciada exporta o mesmo tipo de mercadoria e na mesma embalagem. Às folhas 224 e 225 temos os dados constantes na página da Usibras na internet, onde consta a embalagem de 50 libras (22,68 Kg) em sacos aluminizados corvac. (...) Diante do exposto, encerramos a presente fiscalização, com as seguintes conclusões: 1A diligenciada exporta mercadoria classificada na NCM/NALADI com código 08013200. A TIPI tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) constante do Decreto nº 2.376, de 12 novembro de 1997, com alterações posteriores; sendo assim a mercadoria exportada classificase como (Cód 08013200) NT ou Ex.1, se acondicionada em embalagem de apresentação. No caso, salvo melhor juízo, a embalagem em questão não se caracteriza como de apresentação, sendo classificada, Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.041 6 inclusive, de acondicionamento temporário (ver DDE's às folhas 212213);” (efls.798 a 800) Quanto ao item (ii.2), pelo que se extrai da ementa do Acórdão n.º 1125.739 – 5ª Turma da DRJ/RECIFE, a mercadoria foi classificada na mesma posição NCM 0801.32.00, produto não tributável (NT), portanto foi adotada a mesma classificação em ambos os processos. Segue trecho da ementa do acórdão, abaixo: “ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de Apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO VIGENTE. INCOMPETÊNCIA.ENTENDIMENTO OFICIAL RFB. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei e dos atos administrativos infralegais formalmente vigentes. O julgador administrativo de primeira instância deve pautarse pelo entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (NT). A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto não tributável (NT) na TIPI/1996, classificada no NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO – CONTRIBUINTES. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Não se toma conhecimento da matéria que foi submetida à apreciação judicial mediante processo nº 99.000544929, cuja decisão, no âmbito do REsp nº 586.392 – RN, transitou em julgado em 22.05.2005. ESSARCIMENTO. TAXA SELIC. No ordenamento jurídico brasileiro não há base legal para atualização monetária dos créditos escriturais de IPI.(efl.261) Quanto ao item (ii.3), tratase do Relatório de Diligência Fiscal DRF MOS/RN, de 04 de dezembro de 2006 (efl. 798 a 800). Quanto item (ii.4), pelo que se extrai do trecho do Parecer SIANA/DRF/MOS, de 25 abril de 2007 abaixo, e também das informações do sistema DW Aduaneiro, a empresa exportou predominantemente mercadoria, classificada no NCM 0801.32.00, cuja descrição se refere a castanha de caju cruas sem casca armazenadas temporariamente em sacos aluminizados de 50 libras cada. “IV – DA ANÁLISE DO PEDIDO Com relação ao crédito, temos as seguintes considerações: 1 Em diligência efetuada por este Setor de fiscalização, referente ao processo n.º 13.433000957/9930, ficou constatado que a totalidade das exportações do contribuinte se refere a castanha de caju crua, acondicionada temporariamente em sacos de 50 libras (aproximadamente 23 kg), conforme descrito nos Registros de Exportação consultados nos sistemas internos da Receita Federal. Esta mercadoria foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200 como NT – Não – Tributado, em virtude de ser acondicionada em embalagem de transporte. A TIPI tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) constante do Decreto nº 2.376, de 12 novembro de 1997, com alterações posteriores. A legislação do Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.042 7 IPI (Decreto nº 4.544, de 26/12/2002) faz uma clara definição do que consiste embalagem de transporte: (Grifei e grifos no original efl.67)." (efls. 1.0231.024) Após ser regularmente intimado, o contribuinte não apresentou manifestação. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou manifestação evidenciando que a diligência fiscal confirmou as alegações fiscais, devendo ser mantida a autuação (efls. 1.0291.031). Em seguida, os autos foram direcionados a esta relatora para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A principal questão posta em discussão nesses autos é a classificação fiscal da mercadoria exportada pelo sujeito (castanhas de caju), enquadrada na NCM 0801.32.00 Ex 01 pelo contribuinte (alíquota zero) por entender que estaria acondicionada em embalagem de apresentação, enquanto entende a fiscalização que o produto seria não tributado, por não ser industrializado visto que acondicionado em embalagem de transporte. A classificação fiscal das mercadorias é uma atividade jurídica de avaliar a subsunção do fato à norma pautada em dados técnicos concernentes à mercadoria. Assim, para avaliar o enquadramento do produto no código correto da NCM, necessário se atentar para suas particularidades técnicas e seu correspondente enquadramento dentro da Convenção do Sistema Harmonizado (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição). Esse caminho interpretativo, que deve ser observado pelos auditores fiscais quando da revisão da NCM adotada pelos contribuintes, foi muito bem elucidado em julgamento neste E. CARF de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que consignou em sua ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.043 8 especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. (...)" (Processo n.º 11128.006876/200309. Data da Sessão 26/09/2016. Relator Rosaldo Trevisan Acórdão n.º 3401003.229. Unânime grifei) No presente caso, o primeiro argumento desenvolvido pela Recorrente foi no sentido de não enquadrar o produto por ela comercializado (castanha de caju crua acondicionada temporariamente em sacos NCM 08013200) como um produto "Não Tributado", mas sim como um produto sujeito a alíquota zero em razão de decisão judicial transitada em julgado que teria assim reconhecido. Contudo, os produtos comercializados pela Recorrente não eram o foco central da referida ação. Com efeito, o Mandado de Segurança n.º 99.00054482 se referia a possibilidade do crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996 sobre insumos adquiridos de produtor rural, pessoas físicas, cooperativas e pequenos agricultores. O enfoque daquela causa era, portanto, a natureza dos insumos adquiridos, e não o produto fabricado pela Recorrente, como se depreende da certidão de objeto e pé acostada aos autos pela Recorrente (efl. 113): "CERTIFICO, em razão do cargo que ocupo e a pedido verbal de parte interessada, que em 22 de junho de 1999 foi ajuizado o MANDADO DE SEGURANÇA N° 99.00054482, proposta pela USIBRAS — USINA BRASILEIRA DE ÓLEOS E CASTANHAS LTDA. Contra o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM MOSSORÓ/RN, tendo como objeto que fosse concedido o direito da Impetrante em ser processado o creditamento dos Disquetes DCP, a partir de 1995, sem restrições aos insumos adquiridos de produtor rural, pessoas físicas, cooperativas agrícolas e pequenos agricultores, na forma da Lei n° 9.363/96, assegurandolhe o direito ao ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, sem as restrições impostas pela Instrução Normativa SRF n° 23, e com a aplicação da taxa SELIC. Tal pedido fora negado liminarmente, mas fora concedido através de sentença, que declarou o direito do Impetrante a proceder o creditamento dos disquetes DCP, a partir de 1995, sem restrições aos insumos de produtos rurais, pessoas físicas, cooperativas e pequenos agricultores, independentemente de quaisquer penalidade. A Fazenda Nacional interpôs recurso à 2a Instância, que negou provimento à remessa oficial e à apelação para manter a decisão monocrática em todos os seus termos. Da referida decisão foram interpostos recursos especial e extraordinário, os quais foram admitidos, tendo sido improvido o recurso especial no STJ, e negado seguimento ao recurso extraordinário perante o STF, tendo a referida decisão transitado em julgado em 20 de junho de 2005, conforme certidão de fls. 1.160. Os referidos atos encontramse arquivados desde agosto de 2005. Dou fé. Dada e passa 'a nesta Cidade de Natal, Capital do Estado do Rio Grande do Norte, aos 05 (. b) dias do mês de junho do ano de 2007. Eu, Inês Vânia Guerra de Sousa h1 ), Diretora de Secretaria, subscrevo e assino." (efl. 113 grifei) Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.044 9 Dessa forma, ao contrário do que pretende aduzir a Recorrente, a natureza dos produtos comercializados pela Recorrente não eram objeto da ação judicial, não tendo feito parte do pedido ou da causa de pedir daquela ação. A demonstração de que a Recorrente exportava produtos industrializados era somente uma prova préconstituída apresentada pela Recorrente para demonstrar seu interesse de agir, evidenciando que poderia apurar o crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996. Ora, tratandose o caso em tela de fabricação e exportação de castanhas de caju crua acondicionada temporariamente em sacos enquadrada na NCM 0801.32.00, correto o enquadramento como "Não Tributado" em conformidade com a TIPI vigente à época (TIPI 2002 aprovada pelo Decreto n.º 4.542/2002), como indicado no Parecer que respalda o despacho decisório: "1 Em diligência efetuada por este Setor de fiscalização, referente ao processo n° 13.433.000957/9930, ficou constatado que a totalidade das exportações do contribuinte se refere a castanha de caju crua, acondicionada temporariamente em sacos de 50 libras (aproximadamente 23 kg), conforme descrito nos Registros de Exportação consultados nos sistemas da Receita Federal. Esta mercadoria foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200 como NT Não Tributado, em virtude de ser acondicionada em embalagem de transporte." (efl. 67) Observese que a fiscalização partiu da classificação fiscal adotada pela própria Recorrente (NCM 08013200), sendo que a Recorrente não trouxe ao autos qualquer elemento probatório que pudessem afastar a premissa adotada pela fiscalização que as mercadorias estavam acondicionadas em sacos de transporte. Com efeito, caso acondicionada em embalagem de apresentação, caberia a aplicação do Ex 01 e, por conseguinte, o enquadramento como alíquota 0: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 08.01 COCOS, CASTANHADOPARÁ (CASTANHADOBRASIL*) E CASTANHA DE CAJU, FRESCOS OU SECOS, MESMO SEM CASCA OU PELADOS 0801.3 Castanha de caju 0801.32.00 Sem casca NT Ex 01 Seca e acondicionada em embalagem de apresentação 0 Essa questão foi bem enfrentada na decisão recorrida (efls. 279/283), sendo a falta de provas expressamente evidenciada: "O eminente relator anexou lista exemplificativa das exportações da empresa, onde figuram somente sacos aluminizados, acondicionados em caixas. Julgamos importante ainda observar, com base em todo o universo de exportações pesquisadas no DW Aduaneiro, que encontramos, em todo o período abrangido pelo pedido, qualquer exportação de castanhas de caju acondicionadas em latas. Assim sendo, a foto da lata, trazida aos autos pelo contribuinte, que supostamente provaria o acondicionamento em embalagem para apresentação, não guarda qualquer correspondência com os produtos exportados no período (considerese Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.045 10 ainda que, no que é possível ver, as inscrições na lata são todas em português, não tendo a embalagem as características típicas de um produto destinado à exportação)." (efl. 291 grifei) Ora, como já firmado por esta turma em distintas oportunidades, como no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria, em se tratando de Declarações de ressarcimento e de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho3. No presente caso, a Recorrente não trouxe qualquer documento capaz de demonstrar o acondicionamento em embalagem de apresentação (lata), o que impede a alteração da conclusão alcançada no Despacho Decisório com na própria NCM adotada pela Recorrente. E o processo anterior mencionado pela Recorrente em sua defesa igualmente não lhe socorre, inexistindo qualquer alteração de critério jurídico no presente caso. Como confirmado na diligência fiscal, o processo anterior de n.º 13433.000957/9930 indicou que o produto comercializado pela Recorrente seria enquadrado na NCM 0801.32.00, fora do Ex 01 caso acondicionada em embalagem de transporte, tal como os sacos aluminizados utilizados pela Recorrente para o transporte das castanhas. Como consignado no relatório da diligência, novamente reproduzido abaixo: "Quanto ao item (ii.1), no processo n.º 13433.000957/9930, em resposta à Resolução n.º 456/2006DRJ/RECIFE, a fiscalização da DRF/MOS entendeu que a fiscalizada exporta mercadoria classificada na posição 0801.32.00 da TIPI, não 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 3 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.046 11 tributada (NT), conforme se extrai do Relatório de Diligência Fiscal DRF MOS/RN, de 04 de dezembro de 2006, nos seguintes trechos: “Em 10/10/2006, o interessado foi intimado a apresentar seus livros de apuração do IPI, Declaração de exportação e importação vinculadas ao regime de Drawback. O contribuinte respondeu à solicitação trazendo à diligência os seus livros de IPI, bem como diversos extratos de declaração de despacho, não apresentando, no entanto, nenhuma declaração de importação. Cabe ressaltar que os despachos de exportação referemse aos anos de 2004 e 2005.Analisando a documentação apresentada, podemos deduzir que a mercadoria exportada corresponde a castanha de caju crua acondicionada temporariamente em sacos aluminizados de 50 libras cada( aproximadamente 23 kg), conforme descrição constantes nos Registros de Exportação, anexos a este relatório. Segundo o RE a mercadoria foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200, correspondente a Castanha de Caju, Fresca ou Seca, Sem Casca. Consultamos no SISCOMEX, por amostragem, os despachos de exportações (DDE) citados no presente processo, às folhas 104, 112 e 113, referenetes às exportações efetivadas em 1995, 1997, 1998, onde ficou constatado a exportação dos seus produtos em caixas “contendo castanhas de caju sem cascas temporariamente conservadas em saco aluminizados de 50 libras cada”, conforme descrito em todos os despachos analisados. Ou seja, tanto nos DDE's de 2004 e 2005, entregues pelo contribuinte, quanto os pesquisados pela diligência, verificou se que a diligenciada exporta o mesmo tipo de mercadoria e na mesma embalagem. Às folhas 224 e 225 temos os dados constantes na página da Usibras na internet, onde consta a embalagem de 50 libras (22,68 Kg) em sacos aluminizados corvac. (...) Diante do exposto, encerramos a presente fiscalização, com as seguintes conclusões: 1A diligenciada exporta mercadoria classificada na NCM/NALADI com código 08013200. A TIPI tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) constante do Decreto nº 2.376, de 12 novembro de 1997, com alterações posteriores; sendo assim a mercadoria exportada classificase como (Cód 08013200) NT ou Ex.1, se acondicionada em embalagem de apresentação. No caso, salvo melhor juízo, a embalagem em questão não se caracteriza como de apresentação, sendo classificada, inclusive, de acondicionamento temporário (ver DDE's às folhas 212213);” (efls.798 a 800) Quanto ao item (ii.2), pelo que se extrai da ementa do Acórdão n.º 1125.739 – 5ª Turma da DRJ/RECIFE, a mercadoria foi classificada na mesma posição NCM 0801.32.00, produto não tributável (NT), portanto foi adotada a mesma classificação em ambos os processos. Segue trecho da ementa do acórdão, abaixo: “ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de Apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO VIGENTE. INCOMPETÊNCIA.ENTENDIMENTO OFICIAL RFB. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei e dos atos administrativos infralegais formalmente vigentes. O julgador administrativo de primeira instância deve Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.047 12 pautarse pelo entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (NT). A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto não tributável (NT) na TIPI/1996, classificada no NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO – CONTRIBUINTES. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Não se toma conhecimento da matéria que foi submetida à apreciação judicial mediante processo nº 99.000544929, cuja decisão, no âmbito do REsp nº 586.392 – RN, transitou em julgado em 22.05.2005. ESSARCIMENTO. TAXA SELIC. No ordenamento jurídico brasileiro não há base legal para atualização monetária dos créditos escriturais de IPI.(efl.261) Quanto ao item (ii.3), tratase do Relatório de Diligência Fiscal DRF MOS/RN, de 04 de dezembro de 2006 (efl. 798 a 800). Quanto item (ii.4), pelo que se extrai do trecho do Parecer SIANA/DRF/MOS, de 25 abril de 2007 abaixo, e também das informações do sistema DW Aduaneiro, a empresa exportou predominantemente mercadoria, classificada no NCM 0801.32.00, cuja descrição se refere a castanha de caju cruas sem casca armazenadas temporariamente em sacos aluminizados de 50 libras cada. “IV – DA ANÁLISE DO PEDIDO Com relação ao crédito, temos as seguintes considerações: 1 Em diligência efetuada por este Setor de fiscalização, referente ao processo n.º 13.433000957/9930, ficou constatado que a totalidade das exportações do contribuinte se refere a castanha de caju crua, acondicionada temporariamente em sacos de 50 libras (aproximadamente 23 kg), conforme descrito nos Registros de Exportação consultados nos sistemas internos da Receita Federal. Esta mercadoria foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200 como NT – Não – Tributado, em virtude de ser acondicionada em embalagem de transporte. A TIPI tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) constante do Decreto nº 2.376, de 12 novembro de 1997, com alterações posteriores. A legislação do IPI (Decreto nº 4.544, de 26/12/2002) faz uma clara definição do que consiste embalagem de transporte: (Grifei e grifos no original efl.67)." (efls. 1.0231.024) Com isso, na fiscalização anterior, a mercadoria comercializada pela empresa "foi classificada no NCM 08013200 e no NALADI 08013200 como NT – Não – Tributado, em virtude de ser acondicionada em embalagem de transporte.", exatamente como ocorrido no presente processo, inexistindo qualquer modificação de entendimento da fiscalização. Não há, portanto, modificação de critério jurídico como sustentado pelo contribuinte. Assim, não vejo razões de fato ou de direito para alterar o enquadramento do produto comercializado pela Recorrente como não tributado. E, diante de uma exportação de produto não tributado, a Súmula CARF n.º 124 sedimentou que não caberia o crédito presumido sob análise, referendando o entendimento da fiscalização: Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13433.720026/200542 Acórdão n.º 3402006.719 S3C4T2 Fl. 1.048 13 "Súmula CARF n.º 124: A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei n.º 9.363, de 1996 (Vinculante, conforme Portaria ME n.º 129, de 01/04/2019, DOU 02/04/2019" (grifei) Uma vez que o crédito pleiteado pelo contribuinte não foi reconhecido, prejudicada a análise da alegação de inclusão da SELIC desde a data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 1048DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.661894/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO.
A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
Numero da decisão: 3401-006.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 18 94 /2 01 2- 46 Fl. 83DF CARF MF 2 CRÉDITO DISPONÍVEL PARA RESTITUIÇÃO. O crédito disponível para restituição é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizado em compensações ou pedido de restituição anterior. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou o Recurso Voluntário para repisar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, sustentando que a decisão recorrida seria contraditória, uma vez que a compensação, já homologada, teria origem no pedido de restituição, o qual não poderia ser indeferido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.308, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.661882/201211. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.308): "A controvérsia posta nos autos diz respeito à análise do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado decorre de recolhimento a maior de PIS/COFINS e foi utilizado para compensar débitos de PIS/COFINS por meio do PER/DCOMP, transmitido antes da análise do pedido de restituição.. A decisão recorrida manteve a denegação do pedido de restituição por entender que só é passível de restituição o saldo remanescente de pagamento indevido ou a maior que não tenha sido utilizado em compensações anteriores, ao que a Recorrente sustenta que o deferimento do pedido de restituição é pressuposto da efetivação da compensação, devendo ser deferida a restituição do crédito no presente processo como imperativo lógico da homologação da compensação em que foi empregado este mesmo crédito. O direito à compensação decorre da existência de duas relações obrigacionais, em que o credor de uma é devedor de outra e viceversa. Significa dizer que a compensação tributária exige a prévia existência de um direito de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, o que ocorre quando este tem direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. O atual regime de compensação de tributos e contribuições, previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, após as modificações introduzidas pela Lei n° 10.637/2002, passou a permitir que o contribuinte efetuasse a compensação independentemente de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.661894/201246 Acórdão n.º 3401006.317 S3C4T1 Fl. 3 3 prévia autorização administrativa, apresentando uma declaração de compensação em que são registrados o crédito a ser aproveitado e o débito a ser quitado pelo encontro de contas, extinguindose este sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente afirma que ao registrar o segundo PER/DCOMP, convertera o pedido de restituição em “pedido de compensação”. Este instrumento não encontra previsão na sistemática instituída pela legislação em vigor. Em verdade, ao registrar o segundo PER/DCOMP, transmitiu uma declaração de compensação, com a qual se operou a compensação pretendida pela Recorrente, extinguindose o débito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação, a qual já ocorreu. Isto significa que o direito de crédito discutido nos presentes autos já foi plenamente reconhecido quando da análise da declaração de compensação. Não faria sentido a administração ter homologado uma compensação que pretendia aproveitar crédito ainda pendente de reconhecimento. A análise fiscal da declaração de compensação abrangeu a análise do direito creditório. Perdeu objeto o presente pedido de restituição, pois o direito à restituição do valor pago a maior já foi reconhecido e satisfeito através da compensação. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 85DF CARF MF 4 Fl. 86DF CARF MF
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