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Numero do processo: 23034.000424/2003-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2002
INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão recorrida
A decisão administrativa proferida sem respeito ao contraditório e à ampla defesa é considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação. Decisão recorrida nula
Numero da decisão: 2301-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentação oral: Fillipe Leal Leite Neas. OAB: 32.944/DF
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão recorrida A decisão administrativa proferida sem respeito ao contraditório e à ampla defesa é considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação. Decisão recorrida nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentação oral: Fillipe Leal Leite Neas. OAB: 32.944/DF MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 04 24 /2 00 3- 33 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas ao FNDE, tendo em vista a constatação da existência de divergências entre os valores deduzidos pela empresa e o número de alunos beneficiados na modalidade Indenização de Dependentes. Foram juntados, aos autos, relatórios denominados Demonstrativos de Divergências por EstabelecimentoDDE referentes aos exercícios de 1996 a 2003, Demonstrativo de Recolhimentos, Histórico de Exercícios da Empresa, e comprovantes de arrecadação direta do Salário Educação. Em 14/03/2003 foi lavrada a Notificação para Recolhimento do Debito – NRD 155/2003 (fl. 29), tendo sido concedido, à notificada, o prazo de quinze dias para recolher ou apresentar defesa, de acordo com o estabelecido no § 1o, do Art. 14, do Decreto 3.142/99. Intimada da notificação em 18/03/2003, conforme AR de fls. 30, a notificada apresentou defesa (fls. 31), alegando que a exigência formulada na notificação não pode prosperar, tendo em vista ser fruto de um equívoco nos controles do FNDE, e que as informações constantes do Demonstrativos de Divergências por Estabelecimento anexado à notificação não corresponde à realidade. Esclarece que os valores lançados a título de “Deduções” nos semestres 2o/1996, 1o e 2o/1997, 2o/1998, 2o/1999 e 2o/2002 estão desencontrados em relação ao efetivo semestre das deduções efetuadas em decorrência da indenização de dependentes, sendo que o valor indicado com 2o semestre de 1996 corresponde, na verdade, ao 1o semestre de 1996, e assim sucessivamente, e que o engano do FNDE acarretou num efeito cascata, indicando valores de dedução errôneos nos semestres seguintes. Afirma que a provável irregularidade por divergência de informações entre os alunos indicados nos arquivos enviados e o bando de dados do FNDE improcede, posto que todos eles constam do arquivo relativo 2o semestre de 1996. Aponta outros equívocos na transcrição dos dados do DDE para o Quadro de Atualização de Débito e entende que restou comprovada a total correção das deduções pela empresa, tanto pelo cumprimento da obrigação de envio das informações, quanto pela observância das normas que regem o benefício. Finaliza requerendo o cancelamento da notificação e arquivamento do processo, tendo em vista que restou documentalmente demonstrado que a exigência é absolutamente indevida. Por meio da Informação 2407/2003, a CoordenaçãoGeral de Arrecadação, de Cobrança e do SME GEARC (fls. 105) esclarece que, em consulta ao SME, foi verificado que havia registros de valores no campo dedução nas competências 07/96, 01/97, 07/97, 08/98, 07/99 e 07/2002. Informa que foi efetuada as devidas apropriações, conforme DDE e Demonstrativo de Recolhimento, mas que as apropriações realizadas não foram suficientes Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 23034.000424/200333 Acórdão n.º 2301003.170 S2C3T1 Fl. 186 3 para anular o débito, motivo pelo qual sugere o encaminhamento do processo ao Sr. Diretor Financeiro, propondo o deferimento parcial da defesa, com retificação do débito pela Presidência do FNDE, o que foi acatado pelo Presidente do FNDE, conforme despacho de fls. 106. Cientificada da decisão e com ela não se conformando, a empresa apresentou recurso (fls. 119), alegando, em apertada síntese, que, conforme o demonstrativo de débito remanescente que acompanha o relatório, verificase que o equívoco com relação às deduções continuaram, motivando a diferença que ainda está sendo exigida, e reiterando as alegações trazidas na defesa. Por meio da Informação de fls.180, os autos foram transferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em observância ao disposto no art. 4o, da Lei nº 11.457/2007. O processo foi então encaminhado à CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança – CODAC/Divisão de Cobrança de Contribuições Previdenciárias – DICOP, que o acolheu em virtude das disposições contidas nos artigos 3° e 4° da Lei n° 11.457/2007, e o encaminhou à DRFUBBMG, que, por sua vez, o encaminhou a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e, no meu entendimento, todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Inicialmente, cumpre tecer considerações quanto à competência para o julgamento do presente recurso por este CARF. O art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, estabelece que: Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento em discussão referese a contribuições devidas ao Salário Educação, cuja administração era de competência da extinta Secretaria da Receita Previdenciária e que, com o advento da Lei nº 11.457/2007, passa para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme se verifica dos seus artigos 2º e 3º , transcritos a seguir: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição.(...). Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Cumpre ressaltar a peculiaridade do débito em questão, que foi lançado por meio da Notificação para Recolhimento do Debito – NRD 155/2003, no âmbito do FNDE, onde se instaurou o contencioso administrativo, inclusive, com emissão de decisão de primeira instância, e contra a qual foi apresentado recurso. Observase que o Decreto 6003/2006 transferiu, para a então Secretaria da Receita Previdenciária, a competência para lançar as contribuições devidas ao Salário Educação, conforme seu artigo 10o: Art.10.As ações fiscais e demais procedimentos tendentes à verificação da regularidade fiscal relativa ao salárioeducação, inclusive para fins de expedição da certidão negativa de débito a que se refere o art. 257 do Decreto no 3.048, de 6 de maio de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 23034.000424/200333 Acórdão n.º 2301003.170 S2C3T1 Fl. 187 5 1999, serão realizados pela Secretaria da Receita Previdenciária, à qual competirá a expedição do documento. §1oSem prejuízo da competência prevista no art. 1o, § 1o, o FNDE poderá monitorar e fiscalizar o cumprimento das obrigações relativas ao salárioeducação e, constatada inobservância de qualquer dispositivo, representará à Secretaria da Receita Previdenciária para as devidas providências. O art. 11, do mesmo normativo legal, dispõe que: Art.11.O recolhimento da contribuição social do salário educação será feito da seguinte forma: (...) IIIos créditos relativos a competências anteriores a 01/2007, já constituídos pelo FNDE, exclusivamente por meio do Comprovante de Arrecadação DiretaCAD, até que se complete o processo de migração para a Secretaria da Receita Previdenciária, das bases necessárias à apropriação dos respectivos recebimentos, na forma que vier a ser estabelecida no ato de que trata o art. 12. §1oFica mantida a competência do FNDE sobre os créditos por ele constituídos, incluídos ou não em parcelamentos, relativos a competências anteriores a 01/2007, até que ocorra a migração para a Secretaria da Receita Previdenciária das bases de que trata o inciso III. §2oDepois de concluída a migração a que se refere o inciso III, os créditos já constituídos pelo FNDE, incluídos ou não em parcelamentos, relativos a competências anteriores a 01/2007, serão recolhidos exclusivamente à Secretaria da Receita Previdenciária, por GPS, com código de pagamento específico para o salárioeducação. (...) Art.12.Os processos administrativofiscais decorrentes dos créditos a que se refere o inciso III do art. 11 serão transferidos para a Secretaria da Receita Previdenciária, na forma e prazo que vierem a ser definidos em ato conjunto a ser baixado pelo FNDE e por aquela Secretaria. E, antes do julgamento do recurso interposto, entendeuse pela transferência dos autos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fulcro no art. 4º da Lei nº 11.457/2007, abaixo transcrito: Art. 4o São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 O processo foi então encaminhado à CoordenaçãoGeral de Arrecadação de Cobrança – CODAC da SRFB, que o acolheu e, posteriormente, o encaminhou a este Conselho, para apreciação do recurso interposto. Portanto, como se trata de recurso contra decisão de primeira instância em lançamento relativo a contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendo que o recurso deva ser conhecido. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente alega que persistem os equívocos com relação às deduções apontados na defesa, motivando a diferença que ainda está sendo exigida, e reitera todas as alegações trazidas em sua peça de defesa. Constatase, da Informação 2407/2003 (fls. 105), que a CoordenaçãoGeral de Arrecadação, de Cobrança e do SME GEARC sugere a retificação do débito, pois verificouse que havia registros de valores no campo dedução nas competências 07/96, 01/97, 07/97, 08/98, 07/99 e 07/2002, o que foi acatado pelo então presidente do FNDE. Contudo, constatase que, nem a GEARC e nem a autoridade que retificou parcialmente o débito expôs os motivos pelos quais entendeu que os argumentos trazidos pela recorrente não eram suficientes para o cancelamento total da notificação. Verificase que a notificada elaborou um quadro para tentar demonstrar outros equívocos na transcrição dos dados do DDE para o Quadro de Atualização de Débito e afirma que restou comprovada a total correção das deduções pela empresa, tanto pelo cumprimento da obrigação de envio das informações, quanto pela observância das normas que regem o benefício. Todavia, em nenhum momento da Informação 2407/2003, que culminou na decisão recorrida, o agente administrativo afastou tais afirmações da notificada ou expôs os motivos pelos quais entendeu que o quadro por ela formulado estava incorreto. Assim, a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar as alegações trazidas pela notificada em sua defesa. Entendo que as matérias impugnadas deveriam ter sido objeto de análise na decisão de primeira instância, em respeito ao contraditório e à ampla defesa. Ao não se pronunciar argumentos trazidos pela recorrente, a autoridade prolatora da decisão deixou de demonstrar, à notificada, qual o entendimento do Órgão Administrativo sobre tais alegações e os motivos pelos quais elas foram afastadas. Tal conduta do julgador monocrático configura desrespeito ao contraditório, à ampla defesa, e ao devido processo legal, pois foi suprimida, do contribuinte, uma instância administrativa, já que a empresa não pode se defender do entendimento do FNDE em relação aos seus argumentos de defesa. E, o Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 293, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Outra irregularidade constatada se refere ao fato de que a decisão recorrida não analisou a tempestividade da defesa apresentada, que é um dos pressupostos para conhecimento da impugnação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 23034.000424/200333 Acórdão n.º 2301003.170 S2C3T1 Fl. 188 7 Dessa forma, diante das irregularidades acima apontadas, entendo que a nulidade da decisão de primeira instância merece ser decretada, para que seja apreciada a matéria impugnada pela empresa, e para que sejam analisadas os pressupostos de conhecimento da defesa. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000192/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO. Correta a exoneração da parte crédito tributário decorrente de retificação de erros cometidos na apuração do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003 LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. VALORES RETIFICADOS. Não provado erro na apuração dos valores retificados e mantidos pela autoridade julgadora de primeira instância, mantém-se suas exigências. RO NEGADO E RV NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos, de ofício e voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Mayara Corte Real Salgues, OAB/SP 258.243.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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RECURSO DE OFÍCIO. Correta a exoneração da parte crédito tributário decorrente de retificação de erros cometidos na apuração do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003 LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. VALORES RETIFICADOS. Não provado erro na apuração dos valores retificados e mantidos pela autoridade julgadora de primeira instância, mantémse suas exigências. RO NEGADO E RV NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos, de ofício e voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Mayara Corte Real Salgues, OAB/SP 258.243. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente, pela DRJ Campinas e pelo sujeito passivo contra decisão que julgou procedente em parte a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) com incidência cumulativa, referente aos fatos geradores dos meses de competência de março a agosto de 2003. O lançamento decorreu de diferenças entre os valores da contribuição, declarados nas respectivas DCTFs e os efetivamente devidos, apurados com base nos livros fiscais, conforme termo de verificação e constatação fiscal às fls.687/689. Cientificada do lançamento, inconformada, a recorrente impugnouo (fls. 697/718), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ o lançamento de ofício é nulo porque foi constituído crédito tributário de período de apuração diverso do fixado no Mandado de Procedimento Fiscal; a impugnante procedeu a provisões em sua contabilidade de receitas correspondentes a estimativas de produtos a serem fornecidos por etapas de obras de longa duração. Nessa ocasião, não há que se falar em emissão de documento fiscal, pois nenhuma operação de saída se verificou. Porém, o registro antecipado da receita da venda constitui fato gerador do PIS, razão pela qual os valores provisionados são oferecidos à tributação. Num segundo momento, emitese a fatura de acordo com o andamento físico da obra, e o valor correspondente é contabilizado como baixa da provisão anteriormente constituída. Logo, esses últimos lançamentos não constituem base de cálculo do PIS, pois se referem à receita reconhecida por ocasião da provisão. O procedimento fiscal resultou na ocorrência de bis in idem; embora a auditoria fiscal não se tenha atentado para tanto, a maioria dos contratos dos quais decorreram as operações de vendas no período fiscalizado foram firmados com pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, ou então com empresas contratadas por elas. Apenas por amostragem, foram juntadas aos autos cópias de alguns desses contratos e as notas fiscais respectivas. Por conta disso, o pagamento da contribuição ao PIS em relação a essas obras está diferido para a data do recebimento do preço, a teor do art. 7° da Lei n° 9.718, de 1998; os CFOPs relativos a devoluções de mercadoria foram totalmente ignorados no cálculo efetuado pela fiscalização, ao contrário do que dispõe o art. 1 0, § 3°, inciso V, alínea a, da Lei n° 10.637, de 2002; no cálculo do crédito do PIS não cumulativo a que a impugnante tem direito, o autuante desconsiderou CFOPs que, nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, geram direito ao crédito; em análise dos valores considerados pelo auditor fiscal no levantamento efetuado, percebese que todos foram extraídos do Livro de Apuração do IPI, sem que antes fossem descontados os valores desse imposto, como permite a legislação. Registrese que, ao contrário do que afirma o autuante, os valores levados à Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.000192/200646 Acórdão n.º 330101.450 S3C3T1 Fl. 2.767 3 tributação pela impugnante não se encontravam líquidos de ICMS. Na verdade, a inclusão desse imposto na base de cálculo do PIS foi devidamente observada. Ao final, a impugnante requer a realização de perícia contábil, indicando seu perito e discriminando os quesitos a serem respondidos.” Em face das alegações da recorrente, a DRJ baixou os autos em diligência para que o auditor fiscal: “ informasse qual o fundamento da conclusão de que a contribuinte teria excluído os valores relativos ao ICMS na apuração da base de cálculo do PIS; justificasse o não abatimento na apuração da base de cálculo do PIS dos valores a título de IPI registrados na coluna Imposto Debitado do Livro de Registro de Apuração do IPI; esclarecesse o procedimento adotado com relação às devoluções de mercadoria; apurasse o procedimento adotado pela contribuinte com relação aos contratos decorrentes de operações com pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista ou suas subsidiárias ou com empresas por elas contratadas, averiguando se ela realmente diferiu o pagamento do PIS em relação a essas operações na forma do art. 7° da Lei n° 9.718, de 1998; apurasse o procedimento da contribuinte com relação às provisões que ela teria efetuado em relação a estimativas de produtos a serem fornecidos por etapas de obras de longa duração, oferecendo à tributação a receita no momento de seu registro, ou seja, antes da emissão da fatura, conforme sua alegação, conferindo a ocorrência ou não de bis in idem.” Em atendimento à diligência, o autuante informou: “1 – A afirmação da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS é incorreta. Observando os valores registrados como valores contábeis e os valores apresentados notamos uma redução que interpretamos erroneamente como exclusão do ICMS para efeito do cálculo dos débitos de PIS, essa redução ocorre nas notas fiscais de CFOP 6922 e as derivadas destas com CFOP 6116 (fls. 1458 a 1470); 2 – Os procedimentos fiscais foram baseados na Lei n° 10.637 de 30/12/2002. Não foram observados outros dispositivos legais; 3 – Consultei a representante legal (fls. 03 e 06) quanto aos CFOP de entrada de mercadorias que eram utilizados para apuração de créditos de PIS. Em sua resposta (fls. 16 – dez/2002, fls. 195 e 211, 213, 216 – ago/2003, fls. 198 – set/2003, fls. 205 e 255 – out; 2003 e fls. 207 e 275 – nov/2003) não foram indicados os CFOP 1201 e 2201. Nas fls. 211, 213 e 216 vêse o registro contábil dos CFOP 1201 e 2201 que não foram referidos na tabela da fls. 195. Usei estas informações como critério para apuração do crédito, não levando em conta os CFOPs correspondentes à devolução de mercadoria pleiteados posteriormente. Foi demonstrado pela contribuinte que as devoluções contabilizadas ocorreram em março, maio e agosto de 2003. Devidamente comprovadas com registros contábeis e apresentação das Notas Fiscais de Entrada com registro das devoluções de mercadorias. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 4 – A contribuinte confirmou (fls. 1172) que não fez uso da prerrogativa do direito conferido pelo artigo 7° da Lei n° 9.718/1998. 5 – Solicitamos a contribuinte que comprovasse o recolhimento antecipado (fls. 1375 e 1420), conforme alegado em sua impugnação. O que ela demonstrou foi que era preenchida manualmente uma Nota Fiscal, e que posteriormente eram preenchidas diversas Notas Fiscais de saída de mercadorias que, somados seus valores, coincidiam com o valor da Nota Fiscal manual (fls. 1424 e 1457). No atendimento às intimações foram apresentadas planilhas de ‘Resumo de Vendas’ (fls. 298 a 320) – que é base de cálculo do PIS e Cofins, base também para as apurações efetuadas na ação fiscal, nestas planilhas vêse que há registro de CFOP 6922 – Lançamento efetuado a titulo de simples faturamento decorrentes de vendas para entrega futura, quando a operação não é efetivada ocorre a exclusão com identificação da CFOP 6922 – Não cumpriu condição de venda. E na saída efetiva é classificada como CFOP – 6116 – vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento cujo faturamento tenha sido classificado nos códigos 5922 e 6922. Portanto, não há porque se falar em bi tributação já que a mesma planilha serviu de base para os cálculos fiscais. Outro fato que indica que não há bi tributação é de que as notas fiscais que geraram este assunto, serem manuscritas e não foram comprovados os seus registros contábeis. Solicitei a apresentação das notas, mas só foram apresentadas em parte. O que foi apresentado não teve registro comprovado e como explicação foi apresentada planilha indicando as notas fiscais derivadas (cuja soma corresponde à nota fiscal manuscrita). Na insistência de apresentação não fui atendido. A provisão é redução de ativo ou acréscimos de exigibilidade que reduzem o Patrimônio Líquido, e cujos valores não estão ainda totalmente definidos. A empresa não apresentou nenhum comprovante de recolhimento antecipado. Quando solicitei o Livro Razão completo que comprovasse o registro das notas em momento passado, a empresa não o apresentou.” A recorrente foi cientificada do resultado da diligência e apresentou aditamento à sua impugnação, assim resumido pela DRJ: “A resposta oferecida pela douta fiscalização no item 5 evidencia o equívoco que persiste na presente autuação. Isso porque a autoridade fiscal baseouse nos CFOPs do Livro de Apuração do IPI para apurar a receita tributável, sem. considerar as peculiaridades das operações da impugnante. Outrossim, desabonou a contabilidade da impugnante, uma vez que não considerou os registros contábeis das notas fiscais que comprovam que a receita tributável foi oferecida à tributação para a contribuição do PIS na competência em que houve a antecipação do faturamento, para entrega futura de mercadorias. No presente caso, repisando as razões trazidas na defesa administrativa, ocorreu o seguinte: firmado o contrato, foi efetuada a emissão de uma nota fiscal de simples faturamento, sendo que a entrega da mercadoria seria efetivada em momento posterior, quando então seria emitida uma nota fiscal de remessa. Ao contrário do que trata a fiscalização, não se trata de antecipação de recolhimento, por isso não há qualquer espécie de comprovante de recolhimento a ser apresentado, a não ser os que já se encontram nos presentes autos. Os documentos acostados aos autos demonstram o alegado pela impugnante. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.000192/200646 Acórdão n.º 330101.450 S3C3T1 Fl. 2.768 5 Em relação à questão de que os documentos apresentados pela impugnante não teriam credibilidade para comprovar o alegado, devese ponderar o seguinte. Primeiramente, a douta fiscalização desconsiderou a planilha apresentada pela impugnante sem uma razão aparente, somente sob o fundamento de que ‘não confere credibilidade’. Todavia, conforme comprovam os documentos anexos, não há nada que desabone a escrituração, fiscal da impugnante. Principalmente pelo fato do resultado registrado no Livro Razão estar em consonância com o Resultado constante no Balancete, ambos documentos apresentados para a fiscalização anteriormente. Os documentos evidenciam que os registros contábeis da impugnante são fidedignos e merecem credibilidade, mesmo porque a fiscalização não demonstrou razão bastante para afastála, razão pela qual deve ser considerada. É certo que a impugnante não apresentou o registro contábil de parte das notas fiscais de antecipação de faturamento, conforme comprova a resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 4, de 27/04/2007, protocolizada em 21/05/2007. Nesta resposta (cópia anexa), a impugnante apresentava a comprovação e registros contábeis das notas fiscais n°s 82, 83, 93, 94, 105, 107, 108, 109, 110, 111, 116, 117, 118, 119, 120, 123, 125, 144 e 145, faltando a comprovação das notas fiscais nºs 113, 122, 132, 133, 136, 137, 138, 139, 140, 141, 142. Vale ponderar que do total das notas fiscais (R$ 90.3553278,42), apenas R$ 13.796.629,75 não foram comprovadas contabilmente, ou seja, apenas 15% do total. No entanto, a impugnante pretende trazer essa prova aos autos brevemente.” Ainda, necessitando de mais informações, a DRJ solicitou mais uma diligência para que o autuante: “1. especificasse as razões por que não teria abatido na apuração da base de cálculo do PIS devido e dos créditos da contribuinte os valores a titulo de IPI; 2. intimasse a contribuinte a apresentar demonstrativos que relacionem os lançamentos com CFOP 6922 e seus respectivos com CFOP 6116, conforme o juntado à fl. 1457, bem como as cópias das notas fiscais pertinentes; 3. verificasse a inclusão dos valores discriminados nos demonstrativos apresentados no cumprimento do item anterior na base de cálculo do PIS, determinando ou não a ocorrência de duplicidade na exigência; 4. elaborasse novos demonstrativos a partir dos resultados apurados, dando ciência à contribuinte e abrindolhe prazo de trinta dias, para que, se fosse de seu interesse, aditasse sua impugnação.” Em cumprimento a essa diligência, o autuante informou: “1 – Os procedimentos fiscais foram baseados na Lei n° 10.637, de 30/12/2002. Nesta lei nos artigos de exceção da base de cálculo (artigo 1º, § 3º e inciso e artigo 5° e incisos) não é citada a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS não cumulativo; (...). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 3 – A contribuinte apresentou as documentações solicitadas e apresentou uma planilha resumo identificando os lançamentos correspondentes das notas fiscais de março de 2003 com os CFOP 6922. Acompanham as cópias das notas fiscais de CFOP 6116 e 6922 solicitadas (fls. 1985/2019). A contribuinte demonstrou que as notas fiscais de CFOP 6116 (Remessa de mercadorias originada em venda antecipada) são notas fiscais emitidas para a remessa das notas fiscais CFOP 6922 (Venda antecipada para entrega futura). 4 – Para elaborar novo demonstrativo a partir da exclusão do IPI da base de cálculo do PIS utilizamos as planilhas de Resumo de Vendas – Base de cálculo do PIS de dezembro/2002 a novembro/2003 (fls. 30/31 – 298/320). Como a contribuinte apresentou novas planilhas de Resumo de Vendas – Base de cálculo do PIS (fls. 735 a 886) na impugnação do Auto de Infração, fizemos uso destas novas informações haja vista terem sido corrigidas as escriturações de diversos códigos de mercadorias, como pode ser observado na relação abaixo: [segue quadro com a discriminação das alterações] Com as planilhas de Resumo das Vendas – Base de Cálculo do PIS, com as alterações acima, geramos um demonstrativo mensal dos créditos e débitos após a exclusão do IPI e uma nova planilha resumo anual dos valores de PIS a Recolher e do Saldo de Crédito do PIS (fls. 2020/2032).” Cientificada dessa diligência complementar, a recorrente apresentou nova impugnação, alegando, razões assim resumidas pela DRJ; “ o auditor fiscal cometeu erros de cálculo no novo demonstrativo apresentado, conforme se verifica em confronto com a planilha anexada à impugnação. Como exemplo, citamse os meses de janeiro a março de 2003, em cujos cálculos há erro na soma do total da base de cálculo; em maio/2003, houve erro também na somatória dos valores relativos ao CFOP 6922; em novembro/2003, o auditor fiscal considerou o valor de R$ 69.957,44 para o CFOP 6118 (filial Moreira César), enquanto o valor constante do Livro de Apuração do IPI é R$ 68.957,44; os valores relativos a devoluções de mercadorias foram totalmente ignorados no cálculo efetuado; no cálculo do crédito do PIS não cumulativo a que a impugnante tem direito, o auditor fiscal também desconsiderou alguns valores que deveriam integrá lo. A título exemplificativo, vale considerar que, em janeiro de 2003, o Sr. Auditor Fiscal não considerou como crédito de PIS o montante de R$ 18.507,14, relativo ao CFOP 1120, da filial de Moreira César. Além disso, em agosto de 2003, não foi considerado como crédito o valor de R$ 6.277.618,58, relativo ao CFOP 1124, da filial de Anchieta, conforme comprova a planilha anexa. Além disso, a autuada ratifica sua alegação de que estaria ocorrendo bis in idem, em razão do procedimento adotado com relação às provisões, e para exemplificar ela cita o mês de março de 2003, para o qual o auditor fiscal não excluiu da base de cálculo do PIS, além do montante de R$ 15.672.580,55, a título de devoluções de vendas, o valor de R$ 15.069.684,23, a título de faturas emitidas que não representam receita, tendo em vista que já teria sido oferecido à tributação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.000192/200646 Acórdão n.º 330101.450 S3C3T1 Fl. 2.769 7 em períodos anteriores, por ocasião da provisão dos valores estimados de faturamento. Por fim, a impugnante afirma novamente que os montantes considerados pelo auditor fiscal teriam sido extraídos do Livro de Apuração do IPI sem que antes fossem descontados os valores desse imposto, conforme determina o Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Segundo a contribuinte, apesar de o Sr. Auditor Fiscal, ao prestar as informações, ter afirmado que excluiu o valor do IPI da base de cálculo do PIS, é certo que ainda restaram valores a título daquele imposto que não foram abatidos da base de cálculo da contribuição. Isto ocorreu, além de outros períodos, em Abril de 2003, na filial de Moreira César, por exemplo, quando o Sr. Auditor Fiscal não deduziu o IPI relativo ao 1° decêndio, conforme pode ser verificado pela planilha anexa (Doc. 2). Ora, diante disso, resta claro que as informações prestadas pelo Sr. Auditor fiscal merecem reparos.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente em parte, reduzindo o valor total da contribuição, lançado e exigido de R$3.351.269,99 (principal) para R$666.147,44, conforme Acórdão nº 0525.038, datado de 05/03/2009, às fls. 2.727/2.735, sob as seguintes ementas: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do auto de infração eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. IPI. BASE DE CÁLCULO. O valor a título de IPI devido pelo próprio contribuinte não compõe a base de cálculo do PIS. ERRO DE FATO. CÁLCULOS. Constatado erro nos cálculos do valor devido, cancelase a exigência correspondente.” Por ter exonerado crédito tributário (contribuição e multa de ofício) em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 2.747/2.755), requerendo a sua reforma a fim de que seja considerado, na apuração da contribuição devida, o valor de R$632.996,45, referente à competência de janeiro de 2003, que não foi considerado pelo autuante nem pela autoridade julgadora de primeira. Se considerado esse recolhimento, os valores a recolher seriam apenas dos períodos de março de 2003, R$165.040,85 e maio de 2003, R$425.277,48 para maio, totalizando R$590.318,33 e não os R$666.147,44, mantidos em primeira instância. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento de parte do crédito tributário pela autoridade julgadora de primeira instância teve como fundamento erros cometidos pelo autuante na apuração do crédito tributário lançado e exigido, posteriormente, comprovados, mediante diligência. Nos autos e na decisão recorrida, ficou provado que o autuante incluiu, de forma indevida, na base de cálculo da contribuição lançada exigida, o valor do IPI destacado na nota fiscal e, ainda, se equivocou no cálculo dos valores das parcelas mensais. Tais erros foram corrigidos pela autoridade julgadora de primeira instância a partir das diligências determinadas por ela e conferência dos cálculos. Dessa forma, correta a exoneração de parte do crédito tributário determinada pela autoridade julgadora de primeira instância. O recurso voluntário também atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A autoridade julgadora de primeira instância exonerou parte do crédito tributário lançado e exigido, mantendose saldos para as competências e março de 2003, no valor de R$165.040,86; maio de 2003, no valor de R$436.734,58; e julho de 2003, no valor de R$64.372,00. Nesta fase recursal, a recorrente solicita a reforma da decisão recorrida, alegando que o autuante não considerou, na apuração das parcelas lançadas e exigidas, o recolhimento, no valor de R$632.996,45, referente à competência de janeiro de 2003 que, se aceito, reduziria os valores a pagar para R$165.040,85, referente a março de 2003 e R$425.277,48 referente a maio de 2003. No entanto, não procede esse entendimento. O fato gerador mais antigo do lançamento em discussão se refere a 31 de março de 2003. Ora, o fato de a recorrente ter recolhido contribuição correspondente ao mês de janeiro de 2003, no valor de R$632.996,45, prova que, naquele mês, o valor da contribuição apurada foi, no mínimo, superior aos valores dos créditos do PIS não cumulativo descontados naquele mês. Assim, não restou saldo algum de créditos passíveis de desconto da contribuição apurada para o período de fevereiro e muito menos para os períodos seguintes. Dessa forma, não há que se falar em dedução de saldo de créditos de PIS, não utilizados no mês de janeiro de 2003 e muito menos nos meses subseqüentes, no valor de R$632.996,45, decorrente de créditos não utilizados naquele mês, das parcelas apuradas e exigidas para as competências de março de 2003 e seguintes. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. (Assinado Digitalmente) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.000192/200646 Acórdão n.º 330101.450 S3C3T1 Fl. 2.770 9 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900180/2008-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/05/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO.
DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.091
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 80 /2 00 8- 28 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos de PIS/PASEP oriundos de pagamento indevido ou a maior da competência janeiro/2003, com débitos de PIS/PASEP, de períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2004, no valor total de R$ 3.096,18. Através de Despacho Decisório Eletrônico, a DRF em Fortaleza/CE não homologou o pedido do contribuinte sob o argumento de que “Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos créditos informados no Per/DCOMP” Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sucinta onde afirma que na DCTF original, foi informado o valor do PIS relativo ao mês de janeiro/2003 de R$3.680,58, quando o valor correto era de R$1.110,85, o que gerou um crédito de pagamento a maior no valor de R$2.569,73.Afirma ter retificado e enviado nova DCTF com o valor correto do PIS/PASEP. Colaciona em sua Manifestação de Conformidade, partes do Decreto 70.235/72, inclusive o parágrafo 4º do artigo 16 que determina que todas as provas inerentes às alegações do contribuinte devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, entretanto, anexa somente cópias do despacho decisório, PER/DCOMP e DCTF original e retificadora. Ao final pede a homologação do PER/DCOMP. A DRJ em Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ementando o seu acórdão nos seguintes termos: “Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Ementa: DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova do erro alegado, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas.” Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntario onde confirma que enviou DCTF retificadora após a emissão do despacho decisório, e que poderia fazêlo segundo a legislação vigente. Confirma que não anexou provas contábeis e fiscais, mas, a receita federal em nenhum momento solicitou sua juntada. Alega que a DRJ de origem não analisou o mérito, e ficou restrita a alegar que não era possível a retificação da DCTF. Ao final requer que sua compensação seja autorizada. É o relatório. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10320.900180/200828 Acórdão n.º 3803004.091 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da retificação da DCTF posterior a emissão do Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifo nosso. O contribuinte busca retificar a DCTF do período, porem o faz sem as provas necessárias. A DCTF retificadora, neste caso, não produz efeitos. Comprovação de Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/PASEP, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado, mas, tão somente, a DCTF retificadora. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10320.900180/200828 Acórdão n.º 3803004.091 S3TE03 Fl. 12 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento em que as provas devam ser carreadas aos autos, ou seja, na manifestação de inconformidade. Conclusão Concluímos, então, que a retificação da DCTF após o conhecimento do despacho decisório não produz efeitos, devendo o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, comprovar seu direito creditório, mediante documentação contábil e fiscal capaz de demonstrar de forma inequívoca a redução da base de cálculo pretendida, o que não o fez em manifestação de inconformidade e nem mesmo em sede de Recurso Voluntário. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001197/00-62
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/07/1994
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 31/07/1994 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10935.001197/0062 Recurso nº 128.234 Extraordinário Acórdão nº 9400000.527 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida LATICINIO CORONEL VIVIDA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/07/1994 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 11 97 /0 0- 62 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.001197/0062 Acórdão n.º 9400000.527 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0512 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 05037, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. Recurso especial negado .. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0523, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.001197/0062 Acórdão n.º 9400000.527 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 07/1988 a 07/1994, fls. 002, e o pedido de restituição ocorreu em 23/08/2000, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.001197/0062 Acórdão n.º 9400000.527 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 23/08/2000, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 23/08/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 23/08/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907855/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Ocorrendo tais condições, há direito a crédito. Por sua vez, com crédito, a compensação resta deferida até o montante do crédito apurado.
Numero da decisão: 3402-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Ocorrendo tais condições, há direito a crédito. Por sua vez, com crédito, a compensação resta deferida até o montante do crédito apurado.
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COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Ocorrendo tais condições, há direito a crédito. Por sua vez, com crédito, a compensação resta deferida até o montante do crédito apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 55 /2 00 9- 52 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.907855/200952 Acórdão n.º 3402001.942 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da decisão combatida, verbis: Tratase de processo eletrônico relativo à compensação não homologada pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC) da Receita Federal, conforme despacho decisório de fl. 30, referente à Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 29521.88617.281108.1.3.046030 (fls. 33/36), transmitida em 28/11/2008, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débito de CSLL (2484), vencido em 28/11/2008, no valor de R$ 36.869,15, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior da Cofins (2172), ocorrido em 15/02/2001. Segundo consignado no referido despacho, a compensação não foi homologada ante à constatação da inexistência do crédito informado na DCOMP porquanto o pagamento a ele relativo já havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins (2172) referente ao período de apuração (PA) janeiro/2001. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação declarada conforme peça de fls. 01/10 (e anexos), por meio da qual aduziu, em síntese, que: a) "o Sr. Agente (sic) Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), que subscreve aquela r. decisão, não levou em consideração que o aludido pagamento dizia respeito à Cofins apurada sobre as receitas financeiras da requerente, configurando, como será adiante explicado, pagamento indevido. Aliás, no próprio pedido de compensação a requerente mencionou o pedido de restituição do referido montante (doc. 2). Tal documento foi simplesmente desprezado pela Autoridade Fiscal"; b) "nunca foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito", como determina o art. 65 da IN RFB n° 900/2008. Caso este comando normativo tivesse sido observado, "a declaração de compensação sub judice teria sido homologada, uma vez que a requerente teria logrado demonstrar seu direito ao crédito que a embasa"; c) o art. 142 do CTN determina que "é dever da fiscalização ir a fundo no exame da situação concreta, a fim de que o lançamento e também as demais glosas fiscais, como aquelas referentes às compensações em tela, estejam baseados na correta aplicação da lei aos fatos efetivamente ocorridos e a ela subsumidos", como já assente na jurisprudência administrativa, conforme ementa de decisões trazidas à colação; d) estas constatações, por si só, já são "suficientes para se determinar o cancelamento das glosas fiscais"; e) no mérito, a questão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins já é matéria absolutamente pacificada na Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.907855/200952 Acórdão n.º 3402001.942 S3C4T2 Fl. 206 3 Corte Suprema, por decisão definitiva da sessão plenária, exarada por ocasião do julgamento do RE n. 390840/MG, em 09/11/2005, conforme ementa também colacionada. Referida matéria "já foi considerada pelo Supremo Tribunal Federal como de repercussão geral e será objeto de súmula vinculante, como pode ser observado pela leitura do voto proferido pelo Ministro Cezar Peluso no RE n° 585.235, de 10.9.2008", também transcrito; f) a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes também já vem se posicionando no sentido de acatar a decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98, como se observa nos diversos julgados e ementas citados e transcritos no recurso; g) "ademais, o inciso I do parágrafo 6º do art. 26A, incluído no Decreto n° 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009, determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão". Referida disposição regulamentar está inserida no Regulamento do CARF; h) assim sendo, "na base de cálculo da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondessem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços"; i) em relação ao processo em análise, relativamente à apuração da Cofins do PA 01/2001, quitou integralmente o débito declarado, no valor de R$ 198.098,13 (DARF anexo). Entretanto, "deste montante, R$ 16.654,99 corresponde à Cofins calculada sobre receitas que não estão inseridas no faturamento da requerente, e que foram objeto do presente pedido de restituição, como pode ser comprovado pela análise das anexas cópias dos registros contábeis da ora requerente (doc. 5), assim como da planilha anexa (doc. 6)". Referido montante foi obtido pela aplicação da alíquota de 3% sobre as receitas financeiras ocorridas no mês em referência, que atingiram o valor de R$ 555.166,28. Concluiu pedindo pelo reconhecimento do "seu direito à restituição dos valores recolhidos à título da Cofins sobre suas receitas financeiras alheias ao conceito de faturamento, auferidas no mês de janeiro de 2001, e consequentemente seja homologada a respectiva compensação". A 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 1433808, de 23 de maio de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2001 COMPENSAÇÃO. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.907855/200952 Acórdão n.º 3402001.942 S3C4T2 Fl. 207 4 É legítimo o despacho eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes para a não homologação, sem a prévia intimação da contribuinte para prestar esclarecimentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2001 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. § 1º DO ART. 3ºDA LEI N° 9.718, DE 1998 . INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, em observância ao art. 26A, § 6º , inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, deixase de aplicar o referido dispositivo, para afastar a exigência da Cofins que incidiu sobre receitas estranhas ao faturamento da contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Descontente com a decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário repisando os pontos ventilados na manifestação de inconformidade, inovando, apenas, quanto à matéria referente à diferença de valores identificada pela DRJ ao cotejar os livros fiscais com os declarados em DIPJ. Alega neste ponto que não cabe à Delegacia de Julgamento mudar o motivo do indeferimento, uma vez que os argumentos utilizados para a manutenção da glosa fiscal não haviam sido invocados no despacho decisório. Finaliza seu recurso requerendo que seja dado provimento ao pleito para o fim de reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos a título de Cofins sobre as receitas alheias ao conceito de faturamento auferidas no mês de janeiro de 2001. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, o cerne da questão diz respeito a existência de um eventual recolhimento indevido no mês de janeiro de 2001. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.907855/200952 Acórdão n.º 3402001.942 S3C4T2 Fl. 208 5 Pelos dados constantes nos autos, o recorrente pretende afastar o valor de R$ 555.166,28 da base de cálculo tributável, sob o fundamento de que os valores que compõe o montante não se subsumem ao conceito de faturamento. Por outro lado, a primeira instância analisou os documentos acostados aos autos pelo próprio recorrente na ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e identificou que, mesmo excluindo o montante pretendido pelo recorrente, a base de cálculo tributável era maior que a apresentada em sua DIPJ. Portanto, não havia o indébito alegado na PER/DCOMP. Explicitando com números: CÁLCULO DO RECORRENTE O valor da base de cálculo apresentada na DIPJ foi de R$ 6.603.271,01; Receitas financeiras foi de R$ 555.104,73; Valor recolhido foi de R$ 198.098,13; Cálculo do valor da Cofins segundo o Recorrente ==> R$ 6.603.271,01 – R$ 555.104,73 = 6.048.104,73 X 3% = R$ 181.443,14 Valor pleiteado ==> R$ 198.098,13 – R$ 181.443,14 = R$ 16.654,99 CÁLCULO DA DRJ O valor apurado referente às receitas auferidas com as receitas de serviços (taxas de administração, taxas de inscrição dos consórcios administrados pelo recorrente além, de outras receitas de serviços) foi de R$ 6.770.495.73; Cálculo do valor da Cofins segundo o Fisco ==> R$ 6.770.495.73 X 3% = R$ 203.114,87; Valor devido pelo recorrente ==> valor recolhido R$ 198.098,13 – R$ 203.114,87 = (5.016,74) Chamo a atenção que todos os cálculos realizados pela Delegacia de Julgamento tiveram por base os documentos constantes nos autos. Também ressalto que o despacho decisório afirma categoricamente que o comprovante de recolhimento apresentado pelo contribuinte já havia sido utilizado para quitação de débitos tributários. Portanto, não vejo inovação na decisão da DRJ. Aquele Colegiado apenas aprofundouse na análise do pedido do sujeito passivo, buscando os fundamentos jurídicos e legais que o baseavam, e concluiu pela inexistência de indébito tributário. Ora, nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.907855/200952 Acórdão n.º 3402001.942 S3C4T2 Fl. 209 6 patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Diante dessa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.907855/200952 Acórdão n.º 3402001.942 S3C4T2 Fl. 210 7 · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Retornando aos autos, como dito alhures, o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar o recolhimento indevido, pelo contrário, restou comprovado que o recorrente não possuía indébito tributário, o que inviabilizou qualquer pedido de compensação por faltar lhe a condição imprescindível de devedores recíprocos. Na linha do entendimento fixado, nego provimento ao recurso do sujeito passivo. É como voto. Sala das Sessões, em Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10120.902896/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente.
Numero da decisão: 1801-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 28 96 /2 00 8- 16 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente, pessoa jurídica optante pela apuração do imposto sobre a renda com base no lucro real, por estimativa mensal, transmitiu eletronicamente a DCOMP em 20/08/2004, para quitação de débitos no valor de R$1.185,13 (um mil, cento e oitenta e cinco reais e treze centavos), referente a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001, para compensar débito de IRPJ período de apuração 2003. O Despacho Decisório, n. de rastreamento 781131325 de 12/08/2008, não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito informado pela Recorrente. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou que no anocalendário de 2001 apurou imposto sobre a renda sob regime de estimativa mensal, tendo recolhido durante todos esse período o montante de R$ 9.255,85 (nove mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e cinco centavos). Na declaração de ajuste do referido exercício não apresentou lucros, restando assim, saldo negativo de imposto de renda a compensar para o período seguinte, na forma autorizada pelo art. 49 da Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Não obstante, tratandose à época o “PERDCOMP” de um programa novo, e de campo de ajuda restrito, a Recorrente elaborou a compensação em tela como originada de pagamento indevido e/ou a maior, quando deveria ser saldo negativo de imposto de renda, causa do despacho decisório combatido. Contudo, asseverou a Recorrente que o erro cometido não teria o condão de invalidar o seu direito líquido e certo, conforme demonstrado na DIPJ do período, acostada aos autos, em cuja Ficha 17 e Linha 42, constou que os valores recolhidos por estimativa mensal compunham o saldo negativo do exercício. Assim, os valores de IRPJ declarados, embora tivessem sido informados nas DCTFs, não seriam devidos Informou, ademais, que procedeu à retificação da DCOMP para fazer constar o total dos créditos do imposto de renda recolhidos por estimativa no período citado, compensandose o débito na época proposto e transportando o saldo remanescente na retificação de outras DCOMPs em que utilizou o referido crédito, a despeito de o programa não permitir a retificação para mudança de pagamento indevido e ou a maior para saldo negativo de período anterior, o que feriria ao princípio da verdade material e ao da reserva legal. Finalmente, invocou o princípio da verdade material, alegando que o Fisco não deveria proceder de forma discricionária ao analisar a compensação de determinado tributo, de sorte que deveria ser reconhecido o seu direito creditório. A 2a Turma da DRJ/BSB, através do Acórdão 0341.920, julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.902896/200816 Acórdão n.º 1801001.179 S1TE01 Fl. 89 3 Assunto::Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2001 CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida, entendeuse que a retificação da DCOMP somente seria admitida na hipótese de inexatidões materiais, no caso de declarações pendentes de decisão administrativa, em relação à qual não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela DRF, conforme o artigo 57 da IN SRF n° 900, de 2008, e o princípio da estabilidade da lide, previsto no artigo 264, do Código do Processo Civil. Em sede de recurso voluntário, sustentou a Recorrente que o seu direito estaria resguardado pelo princípio da legalidade, da capacidade contributiva, da verdade material, e no artigo 165, II do CTN, bem como pelo art.37 da Constituição Federal, que determina que a Administração Pública tem o dever de rever, a qualquer tempo, seus atos que não preenchem os requisitos legais, revogando os inconvenientes ou anulando os ilegítimos, conforme já decidido pelo STF, nas súmulas 346 e 473. Aduziu que a Administração Pública, direta ou indireta, deverá obedecer aos princípios da legalidade e impessoalidade nos atos prestados, exigindose, como condição de validade desses atos administrativos, motivação suficiente e, como requisito de sua legitimidade, a razoabilidade. Assim, caberia a retificação da DCOMP, inclusive ex officio, pois, uma vez que se trataria de retificação em razão da verdade material, seria imprescritível. Mencionou, ainda, a existência do processo n° 2009.35.00.0068263, em que figurou como parte, na Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás, cujo objeto é a declaração de nulidade dos “lançamentos fiscais” constantes dos despachos decisórios n°s. 781131396, 781131382, 781131405, 781131379 e 781131334, cuja lide gravitava em torno do erro de preenchimento do campo “pagamento indevido e ou a maior" para o de "saldo negativo de período anterior". Na referida lide, obteve provimento favorável, sob o fundamento de que a cobrança dos débitos questionados configuraria enriquecimento ilícito, uma vez que correspondem a créditos a serem compensados relativos a saldo negativo de tributo em decorrência de inexistência de lucro no exercício, que, por equívoco, foram registrados como Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, motivo pelo qual deveriam ser restituídos ao contribuinte por meio de compensação. Requereu, ao final, a prevalência da DCOMP, assegurada a retificação de ofício e a respectiva homologação do crédito tributário, devendo ser julgado insubsistente a ação fiscal, e extinto o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito informado, além de que, seria vedada pela legislação de regência, a retificação extemporânea da DCOMP, em casos que não sejam de simples inexatidões materiais. A Recorrente, por sua vez, limitouse a reafirmar o seu direito creditório, que seria convergente com o quanto informado na respectiva DIPJ, além de retificar a DCOMP, após a ciência do despacho decisório. Ocorre que a DIPJ tem apenas cunho informativo, e que, por outro lado, a DCTF, documento que efetivamente constitui a obrigação tributária, não foi retificada, razão pela qual o pagamento mantevese vinculado ao débito originalmente declarado. Nesse sentido, apenas a documentação contábil completa, que reflita de maneira inconteste o direito creditório da Recorrente, demonstrando que o imposto foi pago a maior, além da demonstração de que o crédito utilizado na DCOMP não foi reaproveitado no ajuste ou nas estimativas do anocalendário subseqüente, seriam hábeis a fazer com que o Princípio da Verdade Material laborasse a seu favor. Destarte, o entendimento da DRJ segundo o qual a retificação da DCOMP somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais, para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, não pode ser aplicada em sua literalidade, comportando temperamentos. Com efeito, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.902896/200816 Acórdão n.º 1801001.179 S1TE01 Fl. 90 5 A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 20031 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Nesse sentido, a despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado, conforme se depreende do seguinte aresto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. 1§ 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão nº 180300.765 3ª Turma Especial) Em face do exposto, verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722489/2011-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/08/2007
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2403-001.338
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão de ação judicial.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/08/2007 MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
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Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão de ação judicial. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 24 89 /2 01 1- 75 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.722489/201175 Acórdão n.º 2403001.338 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0237.347 da 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação, conforme Relatório Fiscal contém os seguintes levantamentos: G11GLOSA COMPENSAÇÃO 23.1 Neste levantamento foram lançados os valores compensados a maior no período de 03/2006 a 08/2007 e também porque as GFIP’s foram corrigidas após a compensação efetuada. Está em anexo planilha discriminando as contribuições a serem compensadas, devidamente atualizadas e valores efetivamente compensados, abaixo discriminados: ... G21GLOSA COMPENSAÇÃO 23.2 Neste levantamento foram lançados os valores devidamente atualizados e compensados no período de 08/2006 a 13/2006, porém os mesmos já estavam abrangidos pela prescrição prevista no artigo 3º da IN 15 e também porque as GFIP’s foram corrigidas após a compensação efetuada. Está em anexo planilha discriminando as contribuições a serem compensadas e data da prescrição. Os valores glosados estão abaixo discriminados: ... G31GLOSA DE COMPENSAÇÃO 23.3 Neste levantamento foram lançados os valores devidamente corrigidos, não alcançados pela prescrição e que foram glosados por esta Auditoria porque as GFIP’s foram corrigidas após a compensação efetuada. Está em anexo planilha discriminando as contribuições a serem compensadas, devidamente atualizadas e valores efetivamente compensados e glosados, abaixo discriminados: Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: · Prazo de 10 anos para compensação (cinco mais cinco). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Direito a compensar recolhimentos incidentes sobre remuneração a agentes políticos. · Direito à compensação dos valores que indevidamente recolheu. · Existência de ação judicial acerca da contribuição de agentes políticos. · Norma que determina retificação da GFIP para efetuar a compensação. · Alíquota SAT/RAT – atividade preponderante. · Questiona tributação incidente sobre o que considera verbas indenizatórias. · Existência de ação judicial onde questiona a tributação sobre verbas indenizatórias. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.722489/201175 Acórdão n.º 2403001.338 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo. Passo à análise das questões pertinentes. AÇÃO JUDICIAL Recorrente informa a existência de ações judiciais onde discute a contribuição de agentes políticos e a tributação sobre verbas indenizatórias. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver “mesmo objeto” sobre o qual versa o processo administrativo. Esse procedimento está padronizado pela Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.722489/201175 Acórdão n.º 2403001.338 S2C4T3 Fl. 5 7 Isso posto, em observância à súmula nº1 do CARF, não conheço do recurso. CONCLUSÃO Não conheço do recurso em razão de ação judicial com mesmo objeto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903650/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Numero da decisão: 3801-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Sthal - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal - Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 92 1 91 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.903650/200861 Recurso nº 10 Voluntário Acórdão nº 3801001.200 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria Contribuição para oPIS/PASEP Recorrente RHEDE TRANSFORMADORES E EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 36 50 /2 00 8- 61 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 10/11/2004 (fls. 13), com base em suposto pagamento a maior a título de COFINS do período de apuração de abril de 2004, por meio de guia DARF, cujo recolhimento se deu em 15/05/2004, com débitos de COFINS do mesmo período de apuração de janeiro de 2003, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 5.791,19. A compensação não foi homologada pela DRF de Origem, conforme despacho decisório de fls. 18, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte às fls. 01, e que restou julgada improcedente pela DRJ de Origem, através do acórdão de fls. 26/30, cujo relatório é suficiente para o correto entendimento da questão em debate nesses autos, cumprindo a sua transcrição integral: “Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 04305.86679.101104.1.3.044120, transmitida eletronicamente em 10/11/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...) Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 3.502,56. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008 (fl. 22), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade às fls. 1, acrescida de documentação anexa. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903650/200861 Acórdão n.º 3801001.200 S3TE01 Fl. 93 3 A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelandose o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB.” O acórdão da DRJ cujo relatório está acima transcrito restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DECOMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte, intimado do referido acórdão em 01/06/2011 (fls 34) insurge se contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário de fls. 36/42 (protocolizado em 08/07/2011), através do qual apresenta essencialmente os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade. Através do Memorando nº 146/2012/SECAT/DRFGOI/SRRF01/RFB/MF GO, endereçado a este Conselho, a procuradoria informa, ainda, a propositura de uma Ação Ordinária, distribuída sob o nº 2009.35.04.0004300 perante a Justiça Federal da Subseção de Aparecida GO, através da qual requer a contribuinte a homologação das compensações em discussão. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n° 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. O contribuinte, como pode ser visto, foi intimado do acórdão ao qual recorre em 01/06/2011 (fls 34) e insurgiuse contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário somente em 08/07/2011, quando o trintídio já houvera se esgotado. Independentemente da existência de uma possível concomitância com a noticiada ação judicial – que deve ter sido promovida pelo patrono da Recorrente apenas para mascarar as impropriedades por ele cometidas nesse processo e que somente fez perder o tempo desse Conselho e do Judiciário, porque se esse processo fosse instruído com os documentos comprobatório do crédito, ninguém lhe negaria o direito – não há como se conhecer desse recurso por intempestivo. Nesse sentido voto por não conhecer do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903650/200861 Acórdão n.º 3801001.200 S3TE01 Fl. 94 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000363/2007-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007
MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL
Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
SIDNEY EDUARDO STAHL - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 19/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 03 63 /2 00 7- 72 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de reconhecimento e declaração de redução de alíquota do IPI – exercício de 2007 (fls. 1/2) incidente sobre a produção de refrigerantes, com base no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI de 2002), mais precisamente nos termos da Norma Complementar “NC 221”, que restou indeferido pela Delegacia da Receita Federal de origem (fls. 34/35) em razão de o contribuinte se encontrar em situação irregular com relação a tributos e contribuições federais. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 59/66), a qual, todavia, foi julgada improcedente pela DRJ através do acórdão de fls. 97/101. O relatório constante do acórdão recorrido é suficiente para o resumo e entendimento da presente discussão: “Trata o processo de pedido de redução de alíquota de IPI incidente sobre a produção de refrigerantes a base de frutas ou com semente de guaraná, com fundamento no art. 65 do RIPI e, por conseqüência, na Norma Complementar NC 221 da TIPI, conforme requerimento (fl. 02), de 30/07/2007. A Unidade d Origem, em 02/03/2009, mediante Despacho Decisório (fls. 36/37), indeferiu o pedido por falta de regularidade fiscal da empresa. A Contribuinte foi cientificada, em 06/03/2009 (fl. 38), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 64/71), em 07/04/2009, na qual alega que: a) “Em 06 de março de 2009 a requerente foi intimada do Despacho Decisório do Chefe da Seção de Orientação e análise tributária – SEORT, que indeferiu seu pleito”; b) O indeferimento de seu pedido foi motivado pela existência de diversas pendências junto à RFB e PGFN; c) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, em caso idêntico ao aqui esposado, já decidiu pelo deferimento do benefício da redução da alíquota do IPI quando há comprovação de que o produto atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento não há que se exigir a comprovação de regularidade fiscal. Ao final requer a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecido seu legítimo direito à redução da alíquota do IPI, nos termos originalmente pleiteados, bem como seja intimado também, por correspondência, no endereço de seu procurador,de todas as decisões proferidas no presente processo.” Logo, do quanto acima exposto, a DRJ entendeu pela improcedência do requerimento apresentado porque (i) os julgados trazidos na defesa do contribuinte não constituem normas complementares do direito tributário, razão pela qual a administração não Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13876.000363/200772 Acórdão n.º 3801001.604 S3TE01 Fl. 133 3 deve a eles se vincular ao proferir decisão em outros casos, ainda que análogos, e (ii) conforme a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 1977, que ao tratar de requerimentos de benefícios fiscais relacionados ao IPI “obriga, de forma expressa, o órgão local da Receita Federal a informar os antecedentes fiscais do requerente no processo que deverá ser encaminhado ao órgão local do Ministério da Agricultura, com posterior retorno para a emissão do Ato Declaratório, deixando clara a necessidade prévia de expedição desse último para o aproveitamento da redução, bem como a necessidade da regularidade fiscal.” O acórdão recorrido, portanto, restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI INCIDENTE SOBRE REFRIGERANTES Para o reconhecimento da redução de alíquota do IPI de que trata o inciso I do art. 65 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, e Nota Complementar NC (221) da TIPI deve ser considerada a regularidade fiscal da requerente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio.” Inconformado, apresenta o Recorrente o Recurso Voluntário de fls. 104/113, através do qual basicamente repete os termos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A questão sob análise cingese à possibilidade de deferimento da redução de alíquota do IPI incidente sobre a produção de refrigerantes e refrescos. O pedido do contribuinte encontra fundamento no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 cumulado com a Norma Complementar “NC 221”, que assim dispõe: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio;” “NC (221) Ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério." Em consonância com o teor das normas acima, apresentou o contribuinte às fls. 08 o “PARECER: DBEB/CGVB/B/DIPOV” exarado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que atesta as características do produto do qual se requer a redução da alíquota da seguinte forma: “MINI SCHIN LARANJA, registro nº SP 00027 000600 concedido em 03/03/2006, enquadrase aos Padrões de Identidade e Qualidade exigidos para por este Ministério.” A autoridade administrativa de origem, nos termos do despacho de fls. 149/150, entendeu que o contribuinte deveria comprovar, para a fruição de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, a quitação de tributos e contribuições federais, nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, assim disposto: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” O acórdão recorrido, por sua vez, a despeito de também velar pelo indeferimento do pleito do contribuinte, se valeu, em síntese, do disposto em legislações relacionadas às reduções de alíquotas do IPI tal, como o Decreto nº 75.659/1975 e outros que Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13876.000363/200772 Acórdão n.º 3801001.604 S3TE01 Fl. 134 5 lhe seguiram em edição, bem assim na Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, cumprindo destacar o “item 3” da referida norma: “(...) 3. O Órgão local da Secretaria da Receita Federal formalizará o processo (1ª via), informando acerca dos antecedentes fiscais do requerente e o encaminhará, através da respectiva Delegacia Federal, ao órgão local do Ministério da Agricultura, GEACO – Grupo Executivo de Economia Agrícola e Comercialização Responsável pela análise do(s) produto(s) (...)” Referida fundamentação, no entanto, não é suficiente para indeferir o requerimento do contribuinte. Conforme visto a Recorrente apresentou no início do procedimento a sua certidão e a administração não demonstrou, ao contrário, a que se deve a alegada irregularidade. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte e não pode a contribuinte ficar à mercê da demora da administração para realização dos atos processuais. A apresentação da certidão de tem o condão de comprovar a regularidade fiscal da contribuinte na época da apreciação do pleito e a contribuinte apresentou a respectiva certidão. Além disso, o artigo 241 da Lei nº 9.784/1999 expressa que a autoridade teria prazo de 5 (cinco) dias para examinar o pleito ou oito dias, nos termos do artigo 4º2 do Decreto 70.235/1972, não de “anos” como aqui o fez. Vejamos que esse conselho já examinou assunto semelhante decidindo conforme da seguinte forma: INCENTIVOS FISCAIS PERC COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. Comprovada a regularidade fiscal no momento da opção ou no curso do processo administrativo deve ser deferido o PERC. 3 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). INCENTIVOS FISCAIS COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCALA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DEVE SE REPORTAR À DATA DA OPÇÃO DO BENEFICIO, PELO CONTRIBUINTE, COM A ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVADA A REGULARIDADE FISCAL OU NÃO LOGRANDO A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA COMPROVAR IRREGULARIDADES QUE SE REPORTEM AO MOMENTO DA OPÇÃO PELO BENEFICIO, DEVE SER 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. 2 Art. 4º Salvo disposição em contrário, o servidor executará os atos processuais no prazo de oito dias. 3 Acórdão nº 10709301 do Processo 16327000522200310, Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 DEFERIDA A APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS4. Igualmente é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl 4 Acórdão nº 110200232 do Processo 16327003778200389. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.002797/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006
LANÇAMENTO PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. DEPOSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDE DO LANÇAMENTO
Nos termos do art. 63 da lei 9.430/96 é cabível o lançamento para previnir a decadência sem, contudo, a incidência da multa de ofício.
LANÇAMENTO PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. DEPOSITO DO MONTANTE INTEGRAL. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
Nos casos em que existir deposito do montante integral, não há que se falar em mora do contribuinte, sendo incabível a incidência de juros nos lançamentos para previnir a decadência..
Numero da decisão: 3302-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 02/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DEPOSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDE DO LANÇAMENTO Nos termos do art. 63 da lei 9.430/96 é cabível o lançamento para previnir a decadência sem, contudo, a incidência da multa de ofício. LANÇAMENTO PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. DEPOSITO DO MONTANTE INTEGRAL. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Nos casos em que existir deposito do montante integral, não há que se falar em mora do contribuinte, sendo incabível a incidência de juros nos lançamentos para previnir a decadência.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 02/11/2012 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 27 97 /2 00 7- 38 Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Tratase de auto de infração, fls. 1179/1185, destinado a constituir o crédito tributário, quanto a saldos devedores do IPI, compensados com créditos reconhecidos em decisão judicial (ação 1999.71.00.0225538, distribuída junto 1ª. Vara Federal Tributária Federal de Porto Alegre) decorrentes de aquisições de matériasprimas isentas e com aliquota reduzida a zero, sem multa de oficio, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força do disposto no inciso II do art. 151 do CTN — existência de depósitos do montante integral do crédito. Informa o Relatório da Ação Fiscal (fls. 1177 e 1178, vol VII) que o contribuinte foi vitorioso em sua demanda até a data do lançamento de oficio, aguardando, naquela data, o julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela União. Averba aquele relatório que o contribuinte se apropriou dos créditos litigados nos livros de IPI (fls. 318 a 664) e nas respectivas contas contábeis (fls. 665 a 814), tendo efetuado "o depósito judicial dos valores discutidos, conforme comprovantes juntados ao processo (fls. 85 a 317)". Contudo, continua o agente fiscal autor do lançamento: "em face da prática adotada pelo sujeito passivo de registrar nos livros o crédito do IPI sob discussão judicial, em que pese o depósito do valor, resultou na incorreta redução do saldo devido nos respectivos períodos de apuração. Dessa forma, os valores de IPI em litígio não foram declarados em DCTF (lis. 1161 a 1172)". Averba a fiscalização que o procedimento correto seria apurar o valor devido e declarar em DCTF informando a parcela sob litígio no campo "suspensão" da declaração, uma vez terem sido efetuados depósitos judiciais. Em face de tal efetuouse "o lançamento de oficio dos valores de IPI não declarados, conforme períodos constantes na planilha "RENNER HERMANN S/A — IPI DEPÓSITOS JUDICIAIS", a qual é parte anexa deste relatório e juntada ás fls. 1175 a 1176, a fim de prevenir a decadência, haja vista a discussão judicial com suspensão da exigibilidade do crédito tributário face ao depósito do montante integral". Junto com o montante referente ao principal estão sendo cobrados juros de mora, a partir do vencimento por período de apuração, sem aplicação de multa de oficio. Regularmente cientificado, o autuado apresentou impugnação tempestiva, fls. 12171228, subscrita por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato na folha 1229), alegando, em suma, que o lançamento é despropositado, sem objeto, ao fundamento de que se há depósito tempestivo do montante integral e suspendendo este a exigibilidade do crédito Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.002797/200738 Acórdão n.º 3302001.784 S3C3T2 Fl. 1.257 3 tributário " porque este já existe, não necessitando ser lançado pela autoridade fiscal". De outro turno, após afirmar, reiteradamente, que efetuou o depósito da integralidade do crédito tributário nas datas em que se tornou exigível o tributo (fl. 1219), entende descabida a exigência do juros de mora, uma vez que mora não existiria. E o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 Lançamento para prevenir a Decadência Depósito Judicial Exigência dos Juros de Mora. Nos lançamentos para prevenir a decadência, optando o contribuinte pela via judicial e efetuado depósito do montante integral do crédito tributário, os juros de mora são exigíveis por força da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A matéria sob discussão no presente processo diz respeito a legalidade do lançamento efetuado em 17/04/2007 contra a Recorrente de valores que estavam depositados em juízo e vinculados a processo judicial que discutia a manutenção de créditos decorrentes de aquisições de matérias primas trributadas a alíquota zero ou isentas. A autoridade fiscal esclareceu em seu relatório fiscal que o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência tendo em vistra a existência de depósitos judiciais dos montantes devidos, bem como por conta de o contribuinte ter deixado de informar em sua DCTF os valores como devidos no campo supensão. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 O fundamento para o lançamento efetuado encontrase disposto na Lei 9.430/96, que assim determina: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Como se vê o procedimento efetuado pela autoridade fiscal encontrase amparado em dispositivo legal vigente, o que afasta a possibilidade de o julgador administrativo afastalo por ilegalidade ou inconstitucionalidade. Também agiu com correção a autoridade fiscal ao efetuar o lançamento sem a aplicação de multa de mora, seja pelo previsto no §º 2º do art. 63, ou ainda, pelo fato de que tendo ocorrido o depósito integral dos valores devidos nas datas corretas como no presnete caso, não há que se falar em mora do contribuintes. No âmbito do CARF esta posição encontrase já sumulada como vemos: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo Por fim, cabe analisar a possibilidade do lançamento efetuado ter incluído os juros de mora. Neste particular, tem razão a Recorrente. Tratandose de depósitos dos valores integrais, não há que se falar em mora do contribuinte, devendo serafastada a incidência dos juros de mora. Esta é a interpretação que se extrai do disposto no art. 61 da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...). Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.002797/200738 Acórdão n.º 3302001.784 S3C3T2 Fl. 1.258 5 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A matéria também se encontra sumulada no âmbito deste órgão julgador, como se pode verificar a seguir: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Por todo o exposto voto no sentido de DAR PROVIMENTOPARCIAL ao recurso protocolado para afastar a incidência dos juros nos lançamentos efetuados. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES
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