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Numero do processo: 10972.720008/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
ATIVIDADE RURAL. PARCERIA. PROVAS.
A efetividade dos contratos de parceria rural deve ser comprovada com documentação hábil e idônea e escrituração destacada.
ATIVIDADE RURAL. FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXCEPCIONAL. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DO RESULTADO COM BASE NA RECEITA BRUTA.
A forma de apuração do resultado tributável da atividade rural é opção do contribuinte, exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, não cabendo a sua alteração após iniciado o procedimento de ofício e lavrado o auto de infração, de acordo com o que lhe for mais favorável. No caso da opção pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, o lançamento de ofício não ficará limitado a 20% da receita bruta do ano-calendário.
O arbitramento da base de cálculo do resultado tributável à razão de 20% da receita bruta do ano-calendário deve constituir medida excepcional no procedimento de ofício. As deficiências de escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal constata que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte.
JUNTADA DE DOCUMENTO APÓS O RECURSO.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-006.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que o lançamento fosse recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização e para excluir a responsabilidade solidária de Larissa Gomes Aguiar Rezende. Vencida em primeira votação a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto que dava provimento parcial em menor extensão apenas para que o lançamento fosse recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. ATIVIDADE RURAL. PARCERIA. PROVAS. A efetividade dos contratos de parceria rural deve ser comprovada com documentação hábil e idônea e escrituração destacada. ATIVIDADE RURAL. FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXCEPCIONAL. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DO RESULTADO COM BASE NA RECEITA BRUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 08 /2 01 5- 47 Fl. 13860DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.861 2 A forma de apuração do resultado tributável da atividade rural é opção do contribuinte, exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, não cabendo a sua alteração após iniciado o procedimento de ofício e lavrado o auto de infração, de acordo com o que lhe for mais favorável. No caso da opção pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, o lançamento de ofício não ficará limitado a 20% da receita bruta do anocalendário. O arbitramento da base de cálculo do resultado tributável à razão de 20% da receita bruta do anocalendário deve constituir medida excepcional no procedimento de ofício. As deficiências de escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal constata que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte. JUNTADA DE DOCUMENTO APÓS O RECURSO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 13861DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.862 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que o lançamento fosse recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização e para excluir a responsabilidade solidária de Larissa Gomes Aguiar Rezende. Vencida em primeira votação a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto que dava provimento parcial em menor extensão apenas para que o lançamento fosse recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 12962/12970). Pois bem. Tratase de lançamento, referente aos anoscalendário 2010 e 2011, no qual foram tributadas as receitas omitidas da atividade rural, que resultaram em imposto de R$ 1.938.816,44. O lançamento resultou da apuração de rendimentos obtidos na atividade rural e ao mesmo tempo da desqualificação de contratos de parceria que o contribuinte teria estabelecido com sua filha Larissa Gomes Aguiar Rezende e com Sérgio Nicolau Nasser Ricardi. Os contratos teriam sido simulados com o objetivo de evasão fiscal. Os rendimentos e despesas foram distribuídos pelos contratantes de tal forma que os membros do grupo familiar, constituído pelo contribuinte, sua esposa Gisele de Fátima Gomes Rezende e a filha do casal, Larissa Gomes Aguiar Rezende, apresentassem prejuízo em suas respectivas declarações, enquanto a parcela restante das receitas seria tributada por Sérgio Nicolau Nasser Ricardi em sua declaração, pelo arbitramento de 20%. A tabela abaixo esclarece como foi feita esta repartição: Fl. 13862DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.863 4 2010 2011 Percentual da receita bruta Percentual das despesas Percentual da receita bruta Percentual das despesas Grupo Familiar (*) 32% 92% 22% 85% Sérgio Nicolau 68% 8% 78% 15% (*) As receitas e despesas foram rateadas em partes iguais entre os membros do grupo familiar. De acordo com o contrato de parceria, o parceirooutorgado (Sérgio Nicolau Nasser Ricardi) ficaria com 75% da produção. O parceirooutorgante (Ricardo de Aguiar Rezende) ficaria com 25% da produção, apesar de ser o proprietário das terras e de assumir os custos de produção, incluindo adubos e defensivos agrícola, pessoal e encargos trabalhistas e previdenciários, ao passo que ao parceirooutorgado caberiam os custos de produção e os custos de divulgação, controle e comercialização da produção. Apesar de intimado, o contribuinte não apresentou qualquer documento que comprovasse a efetividade da parceria. Todos as receitas da atividade foram creditadas ou na contacorrente do contribuinte ou nas contascorrentes do seu cônjuge e de sua filha. Para comprovar transferências para Sérgio Nicolau Nasser Ricardi apresentou comprovantes de depósitos efetuados em agência do Banco do Brasil da cidade de São Paulo, agência 48593 (Estilo Anália Franco). Ademais, não foi comprovada a origem dos cheques depositados, alegando o contribuinte que se tratava de cheques recebidos de terceiros. Não houve qualquer transferência entre as contas bancárias de Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e as contas bancárias do grupo familiar. Restou comprovado que todas as transações registradas nos livros Caixa foram realizadas pelo contribuinte em nome próprio. Foi ele quem efetuou todas as vendas de café e bovinos. Era ele quem depositava as sacas de café nas cooperativas. Não existe um documento sequer em nome de Sérgio Nicolau Nasser Ricardi. Ou seja, era o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende quem produzia e comercializava todos os produtos da atividade rural. Não foi também obedecida a legislação de regência, de acordo com a qual os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural devem apurar o resultado separadamente na proporção dos rendimentos e despesas que couberem a cada um, devendo essa condição ser comprovada documentalmente (art. 14, IN SRF nº 83/2001). No caso da exploração rural por mais de um pessoa a escrituração deve ser efetuada em destaque no livrocaixa de cada contribuinte, abrangendo a sua participação no resultado da atividade rural, acompanhada da respectiva documentação comprobatória (art. 25, IN SRF nº 83/2001), o que não ocorreu. O contrato de parceria com sua filha, Larissa Gomes Aguiar Rezende, formulado em termos semelhantes ao contrato com Sérgio Nicolau Nasser Ricardi, teria sido igualmente simulado. A simulação se corroboraria ainda pelo fato de Larissa Gomes Aguiar Rezende constar como comodatária no imóvel rural denominado Fazenda Nossa Senhora de Fátima VI, cujo proprietário é seu pai, Ricardo de Aguiar Rezende (comodante). Restou comprovado que todas as transações registradas nos livros Caixa foram realizadas exclusivamente em nome do contribuinte, que aparece como procurador em todos os negócios supostamente realizados por sua filha, inclusive compra e venda de imóveis rurais, emissão de cheques, pagamento de funcionários e movimentação de contascorrentes bancárias. Tudo isso demonstra que a sua filha foi usada como pessoa interposta para a realização destes negócios, todos realizados pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, pois a sua filha não tinha capacidade financeira para adquirir imóveis rurais, muito menos experiência para realizar transações comerciais de compra e venda de café e bovinos, negociação com cooperativas de produtores rurais e outras. Também as mercadorias depositadas nos armazéns das cooperativas Cooperlam e Minasul em nome de Larissa, pertenciam aos contribuintes Ricardo de Aguiar Fl. 13863DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.864 5 Rezende e Gisele de Fátima Gomes Rezende, seu cônjuge, os reais proprietários. Essas operações eram realizadas pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende em nome da filha através de procuração que lhe garantia gerais, amplos e irrestritos poderes, configurando a interposição de pessoas. Caracterizada a simulação dos contratos e a interposição de pessoas, os rendimentos da atividade rural foram integralmente atribuídos aos cônjuges, na proporção de 50% para cada, por se tratar da exploração de bens comuns do casal. A renda da atividade foi apurada de acordo com as receitas e despesas escrituradas no livro Caixa, pois assim havia optado o contribuinte em sua declaração, ao invés da renda arbitrada como 20% da receita bruta. Foram ainda incluídas receitas omitidas, comprovadas por notas fiscais colhidas em diversas diligências, e glosadas despesas indedutíveis, despesas registradas em duplicidade e despesas não comprovadas. Sobre o imposto lançado de ofício foi aplicada a multa qualificada, de 150%, porque restou comprovada a intenção dolosa nas práticas acima descritas, todas voltadas à evasão fiscal, envolvendo o conluio e a interposição de pessoas. Foram nomeados como responsáveis solidários, por terem interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende e Larissa Gomes Aguiar Rezende, respectivamente cônjuge e filha do contribuinte. Os argumentos do impugnante foram, em síntese, os seguintes: (a) O auto de infração não contém fundamentação legal adequada, pois se limita a enumerar os dispositivos que tratam da tributação dos rendimentos da atividade rural, sem mencionar qualquer dispositivo legal específico que fundamente o lançamento como decorrência dos fatos apurados. (b) Houve cerceamento do direito de defesa, pois o lançamento se baseia em mera presunção de rendimentos omitidos, pela descaracterização injustificada de negócios jurídicos devidamente comprovados, sem que o Fisco comprovasse ao mesmo tempo o fato gerador do tributo, que é o acréscimo patrimonial. Não pode ter havido renda se não houve acréscimo patrimonial. As transferências para o parceirooutorgado comprovam que não houve acréscimo, mas sim um decréscimo patrimonial. (c) Apesar de apresentar comprovantes dos depósitos bancários na conta do parceirooutorgado, Sérgio Nicolau Nasser Ricardi (fls. 10905/10957), estes comprovantes foram indevidamente rejeitados pelo autuante, sob o argumento de que os depósitos teriam sido realizados em agência bancária em São Paulo. O fato de a agência ficar em São Paulo em nada invalida os depósitos, pois foram realizados como solicitado pelo beneficiário. (d) Não podem ser desconsiderados os negócios jurídicos celebrados em conformidade com a legislação específica, com todas as operações devidamente tributadas e declaradas nos termos da lei. Os contratos celebrados representam verdadeiros acordos de vontade, pactuados com Fl. 13864DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.865 6 a finalidade de resguardar, extinguir ou modificar direitos. Não foi comprovada pelo Fisco qualquer circunstância que pudesse caracterizar estes contratos como simulados, nos termos do art. 167 do Código Civil: não houve transmissão de direitos a pessoa diversa, não houve declaração, confissão ou cláusula não verdadeira, os contratos não foram antedatados ou pósdatados. Ademais, por decorrência do art. 168 do Código Civil, para desconsiderar contratos revestidos de todas as formalidades legais a autoridade lançadora estaria obrigada a obter previamente em juízo a sua anulação. (e) É lícito ao contribuinte orientar as suas atividades econômicas e gerenciar os seus negócios de modo a submeterse a uma carga tributária menos onerosa, o que não pode ser caracterizado como simulação, que de fato não ocorreu. (f) Ao mesmo tempo em que a fiscalização lhe atribui rendimentos inexistentes, em razão da suposta ausência de escrituração do livro Caixa, lhe impede de tributar apenas 20% da receita bruta da atividade, como lhe concede a lei. (g) Incabível a multa qualificada porque não houve qualquer intuito de fraude ou simulação, uma vez que os negócios jurídicos celebrados estão amparados pelo ordenamento jurídico vigente e correspondem à realidade, sendo que o contrário não foi comprovado pelo Fisco. (h) A multa é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. As responsáveis solidárias, Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende e Larissa Gomes Aguiar Rezende, apresentaram impugnação nestes mesmos termos. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 1539.220 (fls. 12962/12969), de 02/12/2015, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a consequente manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2010, 2011 ATIVIDADE RURAL. PARCERIA. PROVAS. A efetividade dos contratos de parceria rural deve ser comprovada com documentação hábil e idônea e escrituração destacada. ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. OPÇÃO. A opção pela dedução de despesas da atividade rural escrituradas em livro Caixa não pode ser alterada após notificação do lançamento. Impugnação Improcedente Fl. 13865DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.866 7 Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Os fatos apurados pela fiscalização, descritos com riqueza de detalhes no relatório fiscal, comprovam que a atividade rural foi desenvolvida exclusivamente pelo contribuinte em propriedades agrícolas sob seu exclusivo controle. Foi demonstrado também que a sua filha foi usada como pessoa interposta, na qualidade de titular de conta bancária que na verdade era controlada exclusivamente pelo contribuinte, inclusive para emissão de cheques. Todos os demais atos realizados em nome de sua filha foram realizados pelo próprio contribuinte por meio de procuração. Estes elementos comprovam a ocorrência do fato gerador do imposto, tendo como responsáveis tributários o contribuinte e seu cônjuge, considerando que a produção ocorreu em bens comum do casal. Assim, contrariamente ao que argumenta o impugnante, não houve no lançamento qualquer presunção quanto ao fato gerador do imposto, que foi a obtenção de rendimentos da atividade rural, devidamente comprovados com as respectivas notas fiscais. Por esta razão também o enquadramento legal que consta no auto de infração se mostra adequado e suficiente, pois se trata aqui da omissão de rendimentos desta atividade. 2. Contestando estes fatos, o contribuinte contrapôs mero contrato de parceria que teria realizado com Sérgio Nicolau Nasser Ricardi. De acordo com este contrato o parceirooutorgado (Sérgio Nicolau Nasser Ricardi) ficaria com 75% da produção, restando 25% para o contribuinte. Os custos de produção, inclusive adubos e defensivos agrícola, pessoal e encargos trabalhistas e previdenciários correriam por conta do parceiro outorgante (Ricardo de Aguiar Rezende). Por sua vez, os 25% que caberiam a este último teriam sido também objeto de contrato de parceria, desta vez com a sua filha. Além do caráter esdrúxulo de um contrato de parceria em que o dono das terras e responsável pelas despesas de produção fica com a menor parcela dos frutos, os elementos mesmos que comprovaram a ocorrência do fato gerador demonstram o caráter simulado do contrato, pois todas as notas fiscais foram emitidas em nome do contribuinte, ou em nome de sua filha, como pessoa interposta, restando evidenciado que foi ele quem efetuou todas as vendas de café e bovinos e quem depositava as sacas de café nas cooperativas, enfim, que gerenciava, recebia e controlava os atos e os frutos do empreendimento. 3. Argumenta o impugnante que não restou demonstrada qualquer das circunstâncias que, de acordo com art. 167 do Código Civil, justificariam anulação dos contratos em virtude de simulação. Isto não é verdade. Como restou comprovado que os contratos não se referem a fatos reais, todas as suas cláusulas são falsas, e incidem assim no §1º, II, do art. 167 do Código Civil. Ademais, o Código Tributário Nacional utiliza autonomamente o conceito de simulação, não sendo necessário recorrer ao Código Civil para obter o seu significado ou o seu alcance, pois é termo comum e de significado evidente na língua portuguesa. Fl. 13866DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.867 8 4. O Código Tributário Nacional atribui à autoridade administrativa a competência de desconsiderar os atos jurídicos simulados, como está no parágrafo único do art. 116. 5. Ademais, não foram cumpridas as exigências legais quanto às parcerias. Como dispõe o art. 14 da IN SRF nº 83/2001 os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural devem apurar o resultado separadamente na proporção dos rendimentos e despesas que couberem a cada um, devendo essa condição ser comprovada documentalmente. No caso da exploração rural por mais de um pessoa a escrituração deve ser efetuada em destaque no livrocaixa de cada contribuinte, abrangendo a sua participação no resultado da atividade rural, acompanhada da respectiva documentação comprobatória (art. 25, IN SRF nº 83/2001), o que não ocorreu. 6. Como se observa, o ônus da prova quanto aos fatos relativos à parceria rural é do contribuinte, não bastando o mero contrato de parceira. Por isso mesmo não prevalece o seu argumento de que lhe foi cerceado o direito de defesa, pois não só poderia como deveria apresentar a prova exigida, o que não fez. Apesar de intimado, não só ele, mas também o seu parceiro, para apresentar elementos que comprovassem a efetividade do contrato, nada foi apresentado; nenhum documento sequer comprovando a participação de Sérgio Nicolau Nasser Ricardi na produção agrícola, nem mesmo qualquer prova de transferências bancárias entre os parceiros; o que seria essencial, já que as vendas foram todas creditadas em contas do contribuinte ou em contas em que era o titular de fato. Os comprovantes de depósitos bancários, em sua maioria em cheques, que o impugnante refere como prova de tais transferências (fls. 10905/10957), não trazem identificação do depositante nem qualquer outro elemento que vincule estes depósitos ao contribuinte ou à produção rural. 7. Afirma que os depósitos foram realizados com cheques de terceiros, mas não comprova este fato nem qual a relação destes com os fatos que deveriam restar comprovados. Neste contexto é relevante o fato de que os depósitos foram realizados fisicamente em agência localizada em São Paulo, como observa o autuante, ou seja, os cheques foram apresentados para depósito em localidade diversa do domicílio do contribuinte. Evidentemente poderia ter viajado para São Paulo com essa finalidade, ou dado os cheques para que terceiros os depositassem em São Paulo; o certo é que esta não é prática comum, pois poderia depositálos em agência bancária em sua cidade, obtendo o mesmo efeito com esforço e risco bem menores. 8. Sem identificação dos depositantes ou prova da origem dos cheques depositados, estes comprovantes de depósitos são antes indícios que reforçam a hipótese de conluio entre o contribuinte e Sérgio Nicolau Nasser Ricardi, visando benefícios mútuos: a vantagem para este último seria a lavagem de dinheiro obtido em atividades não declaradas, creditado diretamente em sua conta bancária, permitindolhe confundir estes créditos com receitas da atividade rural, das quais somente a parcela Fl. 13867DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.868 9 de 20% poderia agora declarar como tributável. Quanto ao próprio contribuinte autuado, os benefícios visados pela simulação são mais que evidentes e já foram exaustivamente demonstrados: imposto nulo a pagar em empreendimento rural vultoso e extremamente lucrativo, e ao mesmo tempo justificativa da origem do crédito destes rendimentos em suas contas bancárias. 9. Na apuração do resultado da atividade rural o contribuinte pode optar pela dedução das despesas registradas no livro caixa ou pela tributação de apenas 20% da receita bruta. Esta opção se exerce no momento da declaração. O art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional veda a alteração da declaração com o objetivo de reduzir tributo regularmente notificado. Ainda que o programa de declaração guie automaticamente a escolha para a opção mais benéfica, o declarante efetua implicitamente uma escolha quando, como aqui foi o caso, opta por omitir receitas da atividade rural, de modo que a dedução das despesas registradas no livro Caixa lhe resulte mais benéfica. Ao proceder desta forma, certamente não desconhecia a vedação legal de retificação intempestiva acima mencionada, e ainda assim optou pelo risco, visando uma maior vantagem. Agora, depois de constituído o crédito tributário, quer alterar esta regra e a opção exercida, visando reduzir o imposto, o que é inadmissível. 10. Contrariamente ao que afirma o impugnante, este não só optou pela dedução do das despesas como apresentou a escrituração do livro Caixa e documentos para comproválas. Havendo assim optado, não mais pode reverter ao arbitramento de 20% da receita bruta. A lei prevê o arbitramento de ofício única e exclusivamente para o caso de falta de escrituração do livro Caixa, como dispõe os artigos 3º e 5º da Lei 8.023/90. 11. Analisandose logicamente este dispositivo, concluise que o arbitramento por falta de escrituração se aplica somente nos casos em que o contribuinte não apresenta o livro Caixa para comprovar as despesas. Se optou pelas despesas escrituradas, então é seu o ônus da prova de despesas superiores às escrituradas, pois não se pode a priori concluir que rendimentos omitidos correspondem a despesas também omitidas, mesmo porque na prática acontece exatamente o contrário: as receitas são omitidas, mas não as despesas. 12. Quanto à multa qualificada, o intuito de fraude restou comprovado pela interposição de pessoas e pelo caráter simulado dos contratos com os quais o contribuinte procurara ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto de sua responsabilidade. 13. Impugna a constitucionalidade da multa, argumentando que é exagerada e confiscatória, mas são ineficazes na esfera administrativa argumentos que contestam a legalidade das normas vigentes, por ser matéria sujeita à jurisdição exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 13868DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.869 10 O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 12979/13013), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos que, em grande parte, reforçam a argumentação trazida na impugnação: a. Com o objetivo de auferir lucro e ter acesso e credibilidade junto aos potenciais compradores, o recorrente formalizou a parceria agrícola vigente, com o Sr. Sérgio Nicolau, por meio de instrumento particular de parceria de risco, o qual obedeceu todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas oriundos de um negócio jurídico válido e regular. b. A fiscalização deduziu supostas irregularidades no tocante às operações envolvendo o contrato de parceria firmado com Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e Larissa Gomes Aguiar Rezende, destampada de qualquer prova concreta de suas alegações, tratandose de meras suposições que em nada condizem com a realidade fática. c. A fiscalização concluiu que o contrato de parceria agrícola foi simulado para que possibilitasse a todos pagarem menos IRPF, dada a tributação mais benéfica dos rendimentos da atividade rural. Para tanto, argumentou que não existiriam documentos, como receitas, despesas/investimentos da atividade rural, que comprovassem a existência da parceria. d. Assim, todas as despesas e receitas atribuídas ao Sérgio foram consideradas da atividade de Ricardo e Gisele. A filha, Larissa, teria sido usada por Ricardo para distribuir renda, vez que consta no contrato como parceiraoutorgada e comodatária no contrato de comodato do mesmo imóvel rural. e. Concluiu a fiscalização, com base em frágeis elementos, pela omissão de rendimentos tributáveis da atividade rural da Gisele e seu esposo, por terem supostamente utilizado de artifícios para encobrir os verdadeiros titulares dos rendimentos, como contratos de parceria simulados com Sérgio Nicolau e Larissa e a movimentação de recursos financeiros oriundos da atividade rural em contacorrente em nome da filha. Todos os valores de receita foram apurados como se fossem dos cônjuges. f. A turma julgadora de 1ª instância simplesmente ignorou e desqualificou todos os termos da parceria agrícola vigente, mesmo não tendo nenhuma fundamentação legal para tentar descaracterizála. g. Bastaria que fosse analisado os termos da parceria agrícola vigente para entender que o parceiro Sérgio Nicolau fez jus à maior parte do retorno porque foi ele quem fez o maior investimento financeiro e a recorrente e seus familiares o inverso. h. O fator risco é uma das características intrínsecas da parceria agrícola e a forma de rateio dos lucros e despesas oriundos de parceria agrícola é fruto da autonomia da vontade e capacidade financeira das partes. Fl. 13869DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.870 11 i. Todos os documentos apresentados demonstram, cabalmente, a efetivação da parceria agrícola, assim como a distribuição dos resultados. Nada foi omitido, simulado ou maquiado. j. Todos os negócios jurídicos praticados foram devidamente declarados, com recolhimento devido de impostos e seguindo à risca contratos firmados de parceria rural. k. O contribuinte efetivamente efetuou os depósitos ao Sérgio Nicolau na conta que por esse foi solicitado. O fato de a agência ficar em São Paulo em nada retira o fato de que os valores foram repassados e comprovados regularmente, inclusive foram apresentados os comprovantes originais dos depósitos efetuados. l. Entender que os documentos apresentados comprovam, de forma irrefutável, a existência de simulação por ausência de comprovação de parceria agrícola por inexistência de transferência monetária e ao mesmo tempo ignorar os documentos apresentados que comprovam a existência da dita transferência acaba por ensejar, de forma inconteste, violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. m. No caso em tela, diante das provas apresentadas, solicitase, desde já, perícia para apuração do erro do r. Auditor. n. A Autoridade Fiscal, ao imputar ao investigado a omissão de rendimentos baseada em procedimento fiscalizatório que ignorou inúmeros e diversos documentos apresentados para conseguir chegar à conclusão pretendida, deveria, ao menos, ter comprovado e demonstrado a efetiva omissão de rendimentos, além da prática de eventual ato ilegal praticado, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, o que não ocorreu. o. Para que seja caracterizado o acréscimo patrimonial deve a fiscalização demonstrar, de forma inconteste, a circunstância em que se deu a percepção dos valores pelo autuado, o que não ocorreu. Até porque, o acréscimo patrimonial da impugnante e seus parceiros está em plena conformidade com os valores apurados nos livros caixas apresentados (e documentação respectiva), não havendo qualquer discrepância contábil ou fiscal. p. Caso o auditor entendesse que a documentação espelhava a realidade dos fatos, o mesmo deveria ter descaracterizado a contabilização e todos os comprovantes. Não o fez porque não tinha provas e ainda ignorou os extratos bancários e comprovantes de depósito. Nesse sentido, entende que houve cerceamento de defesa, o que ensejaria a nulidade do auto de infração. q. O auto de infração é, ainda, nulo por violação aos arts. 153, III, da CF/88 e 43 do CTN, por ausência de acréscimo patrimonial e inexistência de ganho de capital. Fl. 13870DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.871 12 r. Certo é que o recorrente não poderia oferecer à tributação o valor referente aos valores pretendidos pela fiscalização. Apenas poderia oferecer o valor efetivamente auferido por si mesmo, o que foi realizado. Caso assim procedesse, certamente haveria, na verdade, decréscimo patrimonial, o que está em desacordo com a legislação, além de uma tributação dobrada, tendo em vista que os rendimentos já foram devidamente tributados e recolhidos daqueles que realmente os auferiram. s. A realização de contrato de parceria e transferências bancárias entre as partes do contrato também não configura a existência de acréscimo patrimonial, vez que as operações e transferências, em verdade, não representam um acréscimo efetivo e permanente de renda, requisito previsto para se incidir o imposto. t. Como se não bastasse a ausência de fundamentação legal do auto de infração, o que, por si só, já seria suficiente para demonstrar sua invalidade e necessidade de desprovimento, ao contrário do disposto no artigo 60, § 2°, do RIR/99, a fiscalização, após realizar todas as desconsiderações destacadas e atribuir rendimentos inexistentes à impugnante, em razão da suposta ausência de escriturações no Livro Caixa, impossibilitou a esse a escolha pela limitação de 20% da receita bruta do anocalendário como resultado tributável da atividade rural. u. O referido artigo, inclusive utilizado pela própria D. Autoridade Fiscal como fundamento da autuação, determina expressamente que no caso de falta de escrituração, pressuposto assumido no relatório fiscal, o arbitramento da base de cálculo será limitado a 20% da receita bruta do anocalendário. v. Em outras palavras, ainda que se considere os possíveis erros formais que motivaram a desconsideração dos negócios jurídicos, o que não é permitido diante do não cumprimento dos requisitos legais pela D. Fiscalização, revelase que a D. Autoridade Fiscal arbitrou erroneamente o valor do imposto, devendo esse ser limitado a 20% da receita bruta. w. A D. Fiscalização não possui a discricionariedade de desconsiderar negócios jurídicos celebrados em conformidade com a legislação específica, com todas as operações devidamente tributadas e declaradas nos termos da lei, apenas porque busca uma tributação maior do que a legalmente devida. x. Para fins de aplicabilidade do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional e efetivo reconhecimento da suposta simulação, seria necessária a expressa declaração judicial, conforme previsão do artigo 168 do Código Civil, sem a qual não podem ser aplicados os efeitos da desconsideração do negócio jurídico perfeitamente concretizado. y. As operações foram efetivamente almejadas pelas partes contratuais, não havendo nessas qualquer disfarce que visasse a encobrir de alguma forma outra operação, fato que se mostra cabal tendo em vista, inclusive, o registro e declaração de todos os atos e valores envolvidos, como Fl. 13871DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.872 13 expressamente reconhecido pela D. Fiscalização no relatório fiscal que fundamentou a lavratura do auto de infração ora impugnado. z. O fato de o procedimento ir no sentido do que entende o agente fiscal ser a anormalidade dos contratos de parceria agrícola não implica, por si só, a necessária e automática simulação. aa. Ainda que venha essa D. DRJ entender que a operação foi maquinada com o intuito de pagar menos tributo, aos contratantes em geral é dado o poder de discricionariedade nas escolhas das cláusulas contratuais, ou seja, diante da anuência de ambas as partes e da legalidade dos atos, inexistem empecilhos à sua celebração. bb. É pacífico que a liberdade do contribuinte na escolha do caminho menos oneroso, sob o ponto de vista tributário, para a prática de suas atividades econômicas e gerenciamento de seus negócios, não pode ser taxada como ilegal ou culminar no imediato reconhecimento de eventual simulação. Mesmo assim, não foi o que realmente ocorreu. cc. O procedimento fiscal que resultou no auto de infração ora guerreado, acabou por desconsiderar diversos documentos apresentados e operações realizadas, realizando um somatório de todas as transferências, depósitos e até notas fiscais, tendo em vista que todas as operações estavam discriminadas nos respectivos livroscaixa. dd. Dessa forma, em atenção ao princípio da verdade material, caso ultrapassadas as questões acima arguidas, deve ser convertido o presente processo em diligência/Recálculo para que seja averiguado exatamente o valor devido, a fim de se impedir que seja cobrado da recorrente valor não exigível pela legislação vigente. ee. Como prova de suas alegações, a recorrente apresenta em anexo demonstrativos cujo conteúdo demonstram facilmente os equívocos na apuração. ff. Diante da ausência do intuito de fraude ou simulação deve ser afastada a multa qualificada de 150%, uma vez que aplicáveis o artigo 44, da Lei n° 9.430/96, e artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64. gg. A recorrente não cometeu ou deixou de cometer qualquer ato passível de punição, uma vez que agiu amparado em fundamentos legais expressos que o acobertavam a recolher os impostos da maneira como o fizera, não podendo a D. Fiscalização a esse aplicar multa ocasionada por interpretação divergente quanto à complexa norma tributária. hh. Ao se permitir a aplicação de multa sem a existência de dolo, fraude ou simulação, se estará ofendendo diretamente o princípio do não confisco, estabelecido pelo artigo 150, IV, da CF/88. ii. Sucessivamente, caso, por hipótese, assim não se entenda, necessária ao menos a redução do patamar da multa aplicada, para o menor percentual Fl. 13872DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.873 14 possível, tendo em vista as circunstâncias do caso (total ausência de fatos e incorreta qualificação). DO PEDIDO. jj. Requer, preliminarmente, seja dado provimento ao recurso para declarar a nulidade do auto de infração, diante do evidente cerceamento de defesa. kk. Subsidiariamente, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração por violação aos artigos 153, III, da CF/88 e 43, do CTN. ll. Caso ultrapassada a questão acima, requer seja reconhecida a regularidade de todos os atos e negócios jurídicos objeto de fiscalização. mm. Ainda em caráter subsidiário, nos termos do art. 14, da Lei n° 9.393/96, requer seja julgado procedente a presente impugnação para reduzir o valor da arbitragem realizada pela D. Fiscalização para o limite de 20% da receita bruta rural, nos termos da legislação vigente. nn. Em caráter subsidiário, requer seja convertido o presente processo em diligência/recálculo, para que seja averiguado o valor devido, a fim de se impedir que seja cobrado do recorrente valor não exigível pela legislação vigente. oo. Ainda subsidiariamente, requer, diante do fato que é incabível a aplicação de multa no caso em tela, seja essa julgada improcedente e retirada do débito fiscal ora questionado, a fim de se manter a razoabilidade dos atos da administração pública e o cumprimento ao princípio do não confisco. pp. Por fim, sucessivamente, necessária ao menos a redução do patamar da multa aplicada, para o menor percentual possível, tendo em vista as circunstâncias do caso. Às fls. 13015/13401, constam os demonstrativos anexados pelo recorrente. As responsáveis solidárias, Larissa Gomes Aguiar Rezende (fls. 13416/13451) e Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende (13453/13488), apresentaram, cada qual, Recurso Voluntário, nestes mesmos termos, anexando, inclusive, os documentos de fls. 13490/13857. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho e distribuídos a este Relator, para apreciação e julgamento dos Recursos Voluntários. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator Fl. 13873DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.874 15 1. Juízo de Admissibilidade. Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, deles tomo conhecimento e passo a analisálos em conjunto, eis que apresentam as mesmas razões recursais. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Preliminares. Fl. 13874DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.875 16 Preliminarmente o recorrente suscita: (i) a legalidade da parceria agrícola; (ii) a nulidade do lançamento por violação aos arts. 153, III, da CF/88 e 43 do CTN, por ausência de acréscimo patrimonial e inexistência de ganho de capital; (iii) ausência de prova concreta, por parte da fiscalização tributária, para a comprovação do fato gerador; (iv) cerceamento ao direito de defesa e violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, eis que a Fiscalização desconsiderou os documentos apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscal; (v) ausência de fundamentação legal do auto de infração; (vi) ausência de pertinência dos dispositivos legais que fundamentaram a autuação. A começar, destaco que as alegações de legalidade da parceria agrícola e de violação aos arts. 153, III, da CF/88 e 43 do CTN, dizem respeito ao próprio mérito da questão posta e, por isso, serão enfrentadas no tópico subsequente. Pois bem. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que, neste ponto, não assiste razão ao recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), os fatos geradores foram apurados diretamente a partir de documentos apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, intimado em inúmeros procedimentos fiscais, não procedendo a alegação recursal de que não existiriam provas, mas apenas suposições, no que diz respeito à ocorrência dos fatos geradores apurados. Pelo que consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), a Fiscalização realizou uma investigação detalhada acerca das informações prestadas e dos documentos entregues pelo contribuinte, intimando, inclusive, terceiros para que pudesse chegar às conclusões apontadas (ex: EISA – Empresa Interagrícola S/A, Minasul, Rio Branco Alimentos S/A, Realpa Indústria Comércio e Armazéns Ltda, Cooperativa Agropecuária da Região Sudoeste Mineira, Alta Mogiana Ltda etc). Entendo que, diversamente do que alegado pelo recorrente, a Autoridade Fiscal realizou análise exaustiva e detalhada de seus documentos contábeis, fiscais e financeiros e que foram apresentados durante o curso do procedimento fiscalizatório, não havendo que se falar em ofensa ao artigo 142 do CTN. Decerto, o cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Fl. 13875DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.876 17 Na fase oficiosa, a Fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Resumidamente, a oportunidade de manifestação do impugnante não se exaure na etapa anterior à efetivação do lançamento. Pelo contrário, na busca da preservação do direito de defesa do contribuinte, o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, estendese por outra fase, a fase litigiosa, na qual o autuado, inconformado com o lançamento que lhe foi imputado, instaura o contencioso fiscal mediante apresentação de impugnação ao lançamento, quando as suas razões de discordância serão levadas à consideração dos órgãos julgadores administrativos, sendolhe facultado pleno acesso à toda documentação constante do presente processo. Ademais, a fundamentação legal utilizada pela Fiscalização, estribada nos arts. 57 a 61, 71 e 83 do RIR/99 e mencionada no documento “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 12750, trata justamente dos rendimentos da atividade rural e se adequa perfeitamente à descrição dos fatos, sendo, por isso, totalmente pertinente à hipótese dos autos. Não há nenhum vício que macula o presente lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo. O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislção. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. Por fim, decerto que incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe, portanto, ao contribuinte o ônus de enfrentar a acusação fiscal, devidamente motivada, apresentando os argumentos pelos quais entende que o presente lançamento tributário merece ser declarado improcedente, não sendo o Fl. 13876DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.877 18 caso de decretar a nulidade do auto de infração, eis que preenchidos os requisitos do art. 142 do CTN. Dessa forma, destaco que não vislumbro qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, além de terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 10, do Decreto n° 70.235/72. 4. Mérito. 4.1. Da acusação fiscal acerca da omissão de rendimentos da atividade rural. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), a Fiscalização acusa o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende e seu cônjuge, Gisele de Fátima Gomes Rezende, de omitirem rendimentos da atividade rural nos anoscalendário 2010 e 2011, utilizandose de artifícios para encobrir os verdadeiros titulares dos rendimentos, como contratos de parceria simulados com a participação do Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e Larissa Gomes Aguiar Rezende e a movimentação de recursos financeiros oriundos da atividade rural em contacorrente em nome da filha. A Fiscalização elaborou quadro demonstrativo de fls. 12801/12830, no qual se constata os valores escriturados nos livroscaixa dos exercícios 2010 e 2011, bem como os valores apurados de acordo com as notas fiscais de produtor rural emitidas pelo contribuinte e as notas fiscais de entrada das cooperativas e pessoas jurídicas adquirentes. Assim, todos os valores de receitas da atividade rural apurados foram considerados no resultado da atividade rural dos anoscalendário 2010 e 2011 dos contribuintes Ricardo de Aguiar Rezende e Gisele de Fátima Rezende. A metodologia para o cálculo do valor devido relativo à infração acerca da omissão de rendimentos oriundos da atividade rural, encontrase devidamente detalhada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832) que, conforme consta, levou em consideração inúmeros ajustes, tais como, por exemplo: (i) despesas escrituradas no anocalendário de 2010 e efetivamente pagas no anocalendário de 2011; (ii) reconhecimento de receitas de adiantamento de recursos financeiros apenas quando da efetiva entrega dos produtos e não antecipadamente; (iii) glosa de despesas relativas às Fazendas Energia Verde em razão de o contribuinte ter alienado sua parte em 11/03/2011; (iv) despesas não necessárias e particulares. O resultado da atividade rural foi apurado conforme o demonstrativo de fls. 12827/12830, atribuindo 50 (cinquenta) por cento das receitas e despesas da atividade rural para cada um dos cônjuges, por se tratarem de rendimentos de bens comuns do casal. A motivação para a qualificação da multa, no percentual de 150%, encontra se disposta nas fls. 12830/12831 do Termo de Verificação Fiscal, e a motivação para a responsabilidade solidária das recorrentes Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende e Larissa Gomes Aguiar Rezende, por sua vez, encontrase nas fls. 12831/12832, do mesmo documento. O recorrente repente, em grande parte, os argumentos trazidos em sua impugnação, com o intuito de defender a legitimidade e efetiva existência, na prática, dos contratos de parceria agrícola nos anoscalendário 2010 e 2011, firmados com o Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e com Larissa Gomes Aguiar Rezende. Fl. 13877DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.878 19 Acerca da apreciação da prova acostada aos autos, compartilho das mesmas conclusões apontadas pela decisão de piso, muito bem elucidadas nos seguintes excertos: Como se observa, o ônus da prova quanto aos fatos relativos à parceria rural é do contribuinte, não bastando o mero contrato de parceira. Por isso mesmo não prevalece o seu argumento de que lhe foi cerceado o direito de defesa, pois não só poderia como deveria apresentar a prova exigida, o que não fez. Apesar de intimado, não só ele, mas também o seu parceiro, para apresentar elementos que comprovassem a efetividade do contrato, nada foi apresentado; nenhum documento sequer comprovando a participação de Sérgio Nicolau Nasser Ricardi na produção agrícola, nem mesmo qualquer prova de transferências bancárias entre os parceiros; o que seria essencial, já que as vendas foram todas creditadas em contas do contribuinte ou em contas em que era o titular de fato. Os comprovantes de depósitos bancários, em sua maioria em cheques, que o impugnante refere como prova de tais transferências (fls. 10905/10957), não trazem identificação do depositante nem qualquer outro elemento que vincule estes depósitos ao contribuinte ou à produção rural. Afirma que os depósitos foram realizados com cheques de terceiros, mas não comprova este fato nem qual a relação destes com os fatos que deveriam restar comprovados. Neste contexto é relevante o fato de que os depósitos foram realizados fisicamente em agência localizada em São Paulo, como observa o autuante, ou seja, os cheques foram apresentados para depósito em localidade diversa do domicílio do contribuinte. Evidentemente poderia ter viajado para São Paulo com essa finalidade, ou dado os cheques para que terceiros os depositassem em São Paulo; o certo é que esta não é prática comum, pois poderia depositálos em agência bancária em sua cidade, obtendo o mesmo efeito com esforço e risco bem menores. Sem identificação dos depositantes ou prova da origem dos cheques depositados, estes comprovantes de depósitos são antes indícios que reforçam a hipótese de conluio entre o contribuinte e Sérgio Nicolau Nasser Ricardi, visando benefícios mútuos: a vantagem para este último seria a lavagem de dinheiro obtido em atividades não declaradas, creditado diretamente em sua conta bancária, permitindolhe confundir estes créditos com receitas da atividade rural, das quais somente a parcela de 20% poderia agora declarar como tributável. Quanto ao próprio contribuinte autuado, os benefícios visados pela simulação são mais que evidentes e já foram exaustivamente demonstrados: imposto nulo a pagar em empreendimento rural vultoso e extremamente lucrativo, e ao mesmo tempo justificativa da origem do crédito destes rendimentos em suas contas bancárias. O robusto Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), traz inúmeros indícios convergentes acerca da simulação dos contratos de parceria agrícola celebrados, não tendo o recorrente apresentado justificativas aptas a afastar a acusação fiscal. Cabe destacar que não há qualquer comprovação nos autos de que o Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi tenha efetuado as atividades que lhe cabiam na parceria, nem Fl. 13878DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.879 20 mesmo se constata a existência de notas fiscais em nome deste, ou, ainda, comprovantes de transferência bancária entre as contascorrentes dos parceiros. Em relação ao contrato de parceria firmado com Larissa Gomes Aguiar Rezende, cabe destacar que o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende aparece como procurador em todos os negócios supostamente realizados por sua filha, inclusive compra e venda de imóveis rurais, emissão de cheques, pagamento de funcionários e movimentação de contascorrentes bancárias, cfe. doc. de fls. 927 a 937; 9.822 a 9.824 e 9.870 a 9.882, além das respostas de todos os termos de intimação enviados para Larissa terem sido assinadas pelo mesmo. Assim, Larissa Gomes Aguiar Rezende, também, não passou de interposta pessoa para possibilitar ao contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, verdadeiro titular dos negócios, distribuir os rendimentos da atividade rural para a mesma e, assim, nada submeter à tributação. Ademais, não há que se exigir prévia declaração do Poder Judiciário para que os atos jurídicos sejam desconsiderados pela administração tributária, sendo suficiente que seja configurada a divergência entre a vontade declarada e a vontade real, (art. 167 do Código Civil) o que se constata no caso concreto o que tem o condão de ocasionar, consequentemente, à subsunção do fato à norma de incidência tributária que, inclusive, deu origem à infração de omissão de rendimentos da atividade rural, aqui discutida, sobretudo tendo em vista que a imposição tributária decorre de lei. Subsidiariamente, o contribuinte alega que, ainda que tenha optado em sua declaração de ajuste do imposto de renda pelo lucro tido como apurado, o lançamento de ofício, que não se utiliza da escrituração (pressuposto assumido no relatório fiscal), deveria observar a base de cálculo de 20% para apurar o respectivo resultado, nos termos do artigo 60 do Decreto n° 3000, de 1999. No caso dos autos, o lançamento tributou os rendimentos omitidos como receitas da atividade rural, mas utilizou da forma de apuração do resultado eleita pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, que foi com base no confronto da receita bruta e das despesas de custeio e investimento, considerando essa opção como definitiva. Pois bem. Inicialmente, cumpre transcrever a legislação atinente ao assunto. A começar, acerca da apuração do resultado da atividade rural, os arts. 3°, 4º e 5º da Lei nº 8.023, de 1990, estabelecem: Art. 3º O resultado da exploração da atividade rural será obtido por uma das formas seguintes: I simplificada, mediante prova documental, dispensada escrituração, quando a receita bruta total auferida no anobase não ultrapassar setenta mil BTNs; II escritural, mediante escrituração rudimentar, quando a receita bruta total do anobase for superior a setenta mil BTNs e igual ou inferior a setecentos mil BTNs; III contábil, mediante escrituração regular em livros devidamente registrados, até o encerramento do anobase, em órgãos da Secretaria da Receita Federal, quando a receita bruta total no anobase for superior a setecentos mil BTNs. Fl. 13879DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.880 21 Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Da mesma forma, passou a prever o artigo 18 da Lei nº 9.250, de 12 de abril de 1995: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Na mesma toada é o disposto no § 2° do artigo 60 do Decreto n° 3000, de 1999, in verbis: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida Fl. 13880DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.881 22 em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). Dessa forma, nos casos em que o contribuinte não possui Livro Caixa, ou, apesar de possuir, sua escrituração se mostrar irregular, a legislação impõe, necessariamente, o arbitramento do resultado da atividade rural à razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário, seja qual for a opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. No caso dos autos, do que se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), a Fiscalização reconhece que o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende escriturou em seus livroscaixa dos anoscalendário 2010 e 2011 as receitas e despesas/investimentos da atividade rural, tendo apurado o resultado da atividade rural pelo método de receitas menos despesas, eis que apresentaram prejuízo em ambos os anos calendário. A Fiscalização, apesar de reconhecer a existência dos LivrosCaixa do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, referentes aos anoscalendário 2010 e 2011, destaca que, no caso de exploração de uma atividade rural por mais de uma pessoa (art. 14, IN SRF n° 83/2001), a escrituração deveria ser efetuada em destaque no livrocaixa de cada contribuinte, abrangendo a sua participação no resultado da atividade rural, acompanhada da respectiva documentação comprobatória (art. 25, IN SRF n° 83/2001). Contudo, no caso, o contribuinte não teria efetuado a escrituração em destaque, conforme determina a legislação. É de se ver os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832): 80. O contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende escriturou em seus livroscaixa dos anoscalendário 2010 e 2011 as receitas e despesas/investimentos da atividade rural e, ao final de cada mês, efetuava o demonstrativo do resultado do mês da seguinte forma: em 2010, 68% das receitas e 8% das despesas/investimentos foram atribuídos ao Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi, enquanto os outros 32% das receitas e 92% das despesas/investimentos foram rateados em partes iguais entre o contribuinte Ricardo de Aguiar, o cônjuge Gisele de Fátima Gomes Rezende e a filha do casal, Larissa Gomes Aguiar Rezende, cfe. cópia do livrocaixa de 2010 de fls. 11.690 a 11.728. Já no anocalendário 2011, o mesmo critério foi adotado, sendo que 15% das despesas/investimentos foram atribuídos ao Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e os outros 85% foram rateados em partes iguais entre o grupo familar, ao passo que 78% das receitas da atividade rural foram atribuídos ao Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e o restante, 22%, foi rateado em partes igualitárias entre os demais, cfe. cópia do livrocaixa de 2011 de fls. 11.729 a 11.766. Outro resultado não se podia esperar: o grupo familiar, representado pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, Gisele de Fátima Gomes Rezende e Larissa Gomes Aguiar Rezende, obviamente, apurou o resultado da atividade rural pelo método de receitas menos despesas e Fl. 13881DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.882 23 apresentaram prejuízo em ambos os anoscalendário. Ao passo que o Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi, tendo apresentado resultado positivo, optou pela tributação do lucro ao percentual de 20% da receita bruta da atividade rural. (...) Ademais, como estabelecido na legislação de regência, os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural devem apurar o resultado separadamente na proporção dos rendimentos e despesas que couberem a cada um, devendo essa condição ser comprovada documentalmente (art. 14, IN SRF nº 83/2001). E, ainda, no caso de exploração de uma rural por mais de uma pessoa (art. 14), a escrituração deve ser efetuada em destaque no livrocaixa de cada contribuinte, abrangendo a sua participação no resultado da atividade rural, acompanhada da respectiva documentação comprobatória (art. 25, IN SRF nº 83/2001). No caso, o contribuinte não apresentou qualquer documentação comprobatória da efetividade da suposta parceria, além do contrato de parceria, nem tampouco efetuou a escrituração em destaque, conforme determinado na legislação. A Fiscalização ainda reconhece a existência de inúmeras irregularidades na escrituração do contribuinte, tendo realizado inúmeros ajustes para a perfectibilização do lançamento, dentre as quais vale mencionar: (i) a escrituração equivocada como receita da atividade rural de valores presentes em notas fiscais de produtor rural de simples remessa; (ii) escrituração de valores recebidos a título de adiantamento/financiamento, quando o correto seria escriturar os valores totais das notas fiscais de venda; (iii) escrituração de despesas no anocalendário de 2010 e que foram efetivamente pagas no anocalendário de 2011. Consoante a legislação de regência, entendo que o procedimento feito pela autoridade lançadora merece reparos. Isso porque, a apuração das receitas omitidas decorrentes da atividade rural, assim consideradas no lançamento pelo agente autuante, não se deu com base estritamente na escrituração fiscal, por se mostrar eivada de irregularidades, inclusive por não haver a escrituração regular individual (art. 14, IN SRF n° 83/2001), tendo sido feita com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras e notas fiscais fornecidas pelo contribuinte. Dessa forma, nos termos do § único do artigo 5°, da Lei n° 8.023/90, a base de cálculo do IRPF deve estar limitada a 20% (vinte por cento) da receita bruta em cada ano calendário, independentemente da opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. Nesse sentido, tem caminhado a jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica dos seguintes julgados colacionados abaixo: ATIVIDADE RURAL. LIVROCAIXA INDIVIDUAL. INEXISTÊNCIA. LIVROCAIXA DA PARCERIA. GLOSA DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo escrituração regular individual descabe à Autoridade fiscal glosar despesas da atividade rural apurandose o resultado da exploração da referida atividade pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, mediante a transposição de valores extraídos do Fl. 13882DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.883 24 LivroCaixa da parceria na proporção que couber a cada um dos parceiros. Nesse caso, a ausência da escrituração implica, necessariamente, no arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. (CARF Acórdão n° 2801003.645 – 1ª Turma Especial / Sessão de 12 de agosto de 2014 – Relator Marcelo Vasconcelos de Almeida) ARBITRAMENTO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. A falta da escrituração exigida por lei implica necessariamente o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário, seja qual for a opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. (CARF Acórdão n° 2202001.995 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Sessão de 18 de setembro de 2012 – Relator Antonio Lopo Martinez) RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. MÉTODO DE APURAÇÃO. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO. Apurase o resultado da atividade rural mediante confronto entre receitas e despesas e compensação de prejuízos. À opção do contribuinte ou na falta de escrituração, o resultado da atividade rural pode ser arbitrado, na proporção de 20% da receita. Tal opção pode ser exercida em qualquer momento, de sorte que o método de apuração do resultado pode ser alterado. (CARF Acórdão n° 210201.357 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Sessão de 9 de junho de 2011 – Relatora Núbia Matos Moura) CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS – ATIVIDADE RURAL – COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovador por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Quarta Câmara – Acórdão n° 10420.109 – Processo n° 13974.000164/200322 – Relator Nelson Mallmann – Sessão de 12 de agosto de 2004) IRPF – ATIVIDADE RURAL A falta de escrituração implica no arbitramento à razão de 20% da receita bruta do anobase nos termos do §° único do artigo 5° Fl. 13883DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.884 25 da Lei n° 8.023/90. Este limite da base tributável deve ser respeitado nos casos de falta de escrituração mesmo que, o contribuinte tenha optado na declaração, pela tributação do lucro tido como apurado. O anexo da atividade rural entregue junto com a declaração anual de rendimentos não substitui a escrituração prevista na legislação. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara – Acórdão n° 10244.110 – Processo n° 10735.001065/9693 – Relator José Clóvis Alves – Sessão de 22 de fevereiro de 2000) Assim, uma vez que os valores tributados como omissão de rendimentos têm origem na atividade rural exercida pelo contribuinte, e tendo o lançamento sido realizado com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras e notas fiscais, é de se aplicar ao caso a regra expressa no artigo 5°, da Lei n° 8.023/90, devendose, consequentemente, reduzir para 20% a base de cálculo do lançamento efetuado. Nessa toada, devese recalcular o novo resultado, não sendo possível admitir que, em um mesmo anocalendário, parte do resultado da atividade rural seja calculado pelo método do confronto entre as receitas e despesas e outra parte seja calculado mediante arbitramento, na proporção de 20% das receitas. Ademais, vale destacar que, como consequência da aplicação do art. 5°, da Lei n° 8.023/90, há a consequente perda do direito à compensação do total dos prejuízos ou excessos de redução por investimentos correspondente a anosbase anteriores ao da opção. É o que se extrai do art. 16, parágrafo único, do mesmo diploma legal, in verbis: Art. 16. Os valores das compensações a serem efetuadas pela pessoa física, nos termos dos arts. 14 e 15, deverão ser expressos: (...) Parágrafo único. A pessoa física que, na apuração da base de cálculo do imposto, optar pela aplicação do disposto no art. 5º perderá o direito à compensação do total dos prejuízos ou excessos de redução por investimentos correspondente a anos base anteriores ao da opção. Cabe, ainda, esclarecer que a redução da base de cálculo ao percentual de 20%, não implica em inovação do lançamento, mas a subsunção adequada do fato à norma. Dessa forma, entendo que assiste razão parcial ao recorrente, de modo que o lançamento seja recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização, conforme previsto no art. 5°, parágrafo único, da Lei n° 8.023/90. 4.2. Do pedido de conversão do julgamento em diligência sob a alegação de equívocos nos cálculos da Fiscalização. O contribuinte, em seu apelo recursal, alegou que, no presente lançamento, houve incorreções no cálculo efetuado pela Fiscalização tributária, o que impactou o valor devido. Assim, requereu a conversão do processo em diligência para que fosse efetuado o recálculo do auto de infração além de, com o intuito de comprovar suas alegações, requerer a Fl. 13884DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.885 26 juntada dos seguintes demonstrativos que, no seu entendimento, apontariam os equívocos na apuração: (a) Anexo I – Demonstrativo das receitas da atividade rural 2010; (b) Anexo II – Demonstrativo das receitas da atividade rural 2011; (c) Anexo III – Resumo das receitas da atividade rural 2010; (d) Anexo IV – Resumo das receitas da atividade rural 2011; (e) Anexo V – Resumo glosa de despesas da atividade rural; (f) Anexo VI – Resumo glosas de despesas da atividade rural/parceria 2011; (g) Anexo VII – Resumo das despesas da atividade rural/parceria 2010 (com ajustes das glosas); (h) Anexo VIII – Resumo das despesas da atividade rural/parceria 2011 (com ajustes das glosas); (i) Anexo IX – Resumo da atividade rural por parceiro – 2010; (j) Anexo X – Resumo da atividade rural por parceiro – 2011; (k) Anexo XI – Apuração do imposto de renda da pessoa física após ajustes nas receitas e despesas da atividade rural (conforme anexos I ao X). Esclareço que, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na Impugnação, precluindo o direito da prática do ato em outra oportunidade, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, o § 5°, do mesmo dispositivo legal, transfere ao litigante, o ônus de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas para que a autoridade julgadora aceite a juntada posterior de documentos, após apresentada a Impugnação. Decerto, há limites estipulados no Decreto n° 70.235, de 1972, e que devem ser observados, sobretudo para fins de apresentação a destempo de novos documentos aos autos, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa ou prejuízo à ampla defesa e contraditório, mormente considerando que é ônus do contribuinte demonstrar as razões que ensejariam a admissibilidade da prova documental apresentada a posteriori. Contudo, ressalto que a autoridade julgadora de 2ª instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária da prova, o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Nesse contexto, embora os documentos a que se requer a juntada, em sede de apelo recursal, sejam posteriores à data de apresentação da Impugnação, e não tendo o contribuinte apresentado justificativa para sua apresentação em momento posterior, a bem do princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu o fato gerador e sua real expressão econômica, passo ao exame dos documentos apresentados. Pois bem. A primeira divergência apontada pelo contribuinte diz respeito ao valor considerado pela Fiscalização no montante de R$ 53.763,00, referente ao dia 07 de janeiro, que, no entendimento do contribuinte deveria ser no montante de R$ 48.468,98. Contudo, essa divergência já foi esclarecida pela Fiscalização, notadamente no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), não tendo o contribuinte trazido razões adicionais que atestariam a regularidade do procedimento adotado, conforme os termos que seguem abaixo: 105. As tabelas abaixo apresentadas pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende mostram os valores que foram escriturados nos livroscaixa dos anoscalendário 2010 e 2011. Fl. 13885DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.886 27 106. Da verificação das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, constatase que, com exceção das notas fiscais de venda de bovinos, em sua maioria, são notas de simples remessa para depósito das mercadorias nas cooperativas, cfe doc. de fls. 534 a 807. Ou seja, o contribuinte erroneamente escriturou como receita da atividade rural valores presentes em notas fiscais de produtor rural de simples remessa e, também, valores recebidos a título de adiantamento/financiamento, quando o correto seria escriturar os valores totais das notas fiscais de venda. 107. Assim, os valores escriturados pelo contribuinte foram desconsiderados, apurandose os corretos, cfe. quadros 1 a 23. A segunda divergência apontada pelo contribuinte, diz respeito ao valor considerado pela Fiscalização no montante de R$ 268.400,00, referente ao dia 13 de janeiro, que, no entendimento do contribuinte deveria ser no montante de R$ 255.171,77. Contudo, essa divergência já foi esclarecida pela Fiscalização, notadamente no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), não tendo o contribuinte trazido razões adicionais que atestariam a regularidade do procedimento adotado, conforme os termos que seguem abaixo: 115. Frisese que as despesas para que sejam consideradas dedutíveis têm que ser necessárias, efetivamente pagas no ano calendário e comprovadas com documento hábil e idôneo. Assim, foram efetuados os devidos ajustes e glosas relativos às despesas escrituradas no anocalendário de 2010 e efetivamente pagas no anocalendário de 2011, conforme quadros 24 a 46 abaixo. Ademais, destacase que a Fiscalização levou em consideração os valores constantes nas Notas Fiscais de entrada, ao passo que o contribuinte, em seu recurso, colacionou como prova “Demonstrativos de Venda de Café”, elaborados pela Minasul, e que não possuem valor probante superior aos documentos fiscais oficiais. A mesma situação se repete para diversas outras divergências apontadas pelo contribuinte, cuja força probante dos documentos colacionados é frágil, frente ao trabalho fiscal que considerou os valores apontados nas Notas Fiscais de entrada. Assim, tudo indica que a divergência entre as despesas apontadas pela Fiscalização e as despesas consideradas pelo contribuinte, em sua escrituração do Livro Caixa, não possui lastro em Notas Fiscais, ou pelo menos não foram apresentadas, o que impede que sejam consideradas como dedutíveis, ante a impossibilidade de averiguar se são despesas realmente necessárias. Cabe destacar que essa mesma fragilidade probatória se repete para os outros meses, o que dispensa o exame individual dos valores mensais. E, ainda, outras inúmeras divergências apontadas pelo contribuinte já foram esclarecidas pela fiscalização quando da lavratura, e constam no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832). Ademais, há inúmeras situações presentes no demonstrativo elaborado pelo contribuinte, e que, no seu entendimento ressalta que as despesas deveriam ser consideradas com valor “0”, mas não há a apresentação de nenhum documento ou justificativa para tanto. É Fl. 13886DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.887 28 de se destacar, por exemplo, os valores dos dias 27 de maio de 2010, nos respectivos montantes considerados pela Fiscalização como R$ 108.671,22. Para além do exposto, chama a atenção o fato de o contribuinte, no demonstrativo “Resumo das Glosas de Despesas da Atividade Rural/Parceria – 2010”, ter apresentado inúmeras justificativas para as divergências apontadas pela Fiscalização, tais como, por exemplo, contrato de leasing de veículo utilizado para ir às fazendas, seguro de veículo utilizado na fazenda, despesas de alimentos, manutenção de veículos etc, mas não colacionou nos autos os documentos que corroborariam suas alegações, estando desacompanhados dos respectivos contratos e comprovantes de despesas. Não há, por exemplo, a comprovação dos contratos de leasing, não podendo as alegações se basearem no campo de suposições, sendo ônus do contribuinte a apresentação de todos os elementos para a formação do livre convencimento por parte do julgador. Por mais que se admita, por hipótese, que o contribuinte tem razão em algumas divergências, o exame das provas feito por este Relator, com extremo esforço frente ao número exagerado de documentos acostados nos autos, leva a crer que o procedimento de Fiscalização está hígido, não tendo o contribuinte logrado êxito na tentativa de desqualificar o trabalho fiscal, tendo agido, inclusive, a destempo para a juntada da prova documental, apresentada somente agora, em grau recursal. Embora se reconheça o esforço do contribuinte em comprovar suas alegações, os diversos documentos apresentados, desacompanhados de um relatório explicativo e não articulados com a acusação fiscal, impedem o aprofundamento do seu exame para fins de afastar a higidez do presente lançamento. Conforme esclarece Fabiana Del Padre Tomé1, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Por fim, destaco que a conversão do julgamento em diligência, com fundamento no princípio da busca da verdade material, não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir, sob pena de se inverter o ônus da prova, dispensandoa de comprovar suas alegações. 4.3. Dos responsáveis solidários. A Fiscalização atribuiu a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído pelo presente lançamento a Srª Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende e Larissa Gomes Aguiar Rezende, respectivamente, cônjuge e filha do contribuinte Sr. Ricardo de Aguiar Rezende, conforme as seguintes razões elucidadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832): LARISSA GOMES AGUIAR REZENDE Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 13887DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.888 29 Motivação 1. De acordo com o disposto no art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 2. Larissa Gomes Aguiar Rezende, filha do contribuinte, foi utilizada para abertura de contascorrentes no banco Sicoob Credivar (ag. 3180, C/C 100.2198) e no banco Real/Santander (ag. 0610, C/C 3.709.8243 e ag. 3610, C/C 10007682) cuja movimentação financeira era realizada exclusivamente por seu pai, Ricardo de Aguiar Rezende e sua mãe, Gisele de Fátima Gomes Rezende, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração. Além disso, vários imóveis rurais foram adquiridos em nome de Larissa, sendo os verdadeiros donos os seus pais, Ricardo e Gisele, como a Fazenda Folia Verde, adquirida em 01/07/2011 e a Fazenda Saquarema, adquirida em 18/11/2010. Também foi simulado um contrato de parceria entre Larissa e Ricardo apenas para tentar justificar a elevada movimentação financeira em nome daquela. 3. O contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende realizava todas essas operações através de procuração de Larissa, outorgando lhe amplos, gerais e irrestritos poderes. 4. Foi solicitado ao contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende que esclarecesse o motivo de parte das receitas e despesas/investimentos da atividade rural terem sido atribuídas, também, a sua filha Larissa Gomes Aguiar Rezende, sendo respondido que a mesma seria parceiraoutorgada. 5. Para comprovar a parceria com sua filha, o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende apresentou cópia de contrato de parceria agrícola, com duração de 3 (três) anos, de 01.01.2010 a 31.12.2013, portanto dentro do período sob procedimento fiscal. 6. A contribuinte Larissa Gomes Aguiar Rezende consta, ainda, como comodatária no imóvel rural denominado Fazenda Nossa de Fátima VI, cujo proprietário é seu pai, Ricardo de Aguiar Rezende (comodante), conforme contrato de comodato. Ou seja, Larissa foi ao mesmo tempo parceiraoutorgada no contrato de parceria agrícola e comodatária no contrato de comodato no mesmo imóvel rural, corroborando o fato de que se tratam de contratos simulados. 7. Como dito anteriormente, o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende foi quem realizou todas as transações comerciais relativas à atividade rural escriturada nos livroscaixa dos anos calendário 2010 e 2011. Assim, Larissa Gomes Aguiar Rezende não passou de interposta pessoa para possibilitar ao contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, verdadeiro titular dos negócios, distribuir os rendimentos da atividade rural para a mesma e, assim, nada submeter à tributação. Fl. 13888DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.889 30 8. O contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende aparece como procurador em todos os negócios supostamente realizados por sua filha, inclusive compra e venda de imóveis rurais, emissão de cheques, pagamento de funcionários e movimentação de contas correntes bancárias. Além das respostas de todos os termos de intimação enviados para Larissa terem sido assinadas pelo mesmo. 9. Todos os valores de receitas da atividade rural creditados na contacorrente 1.752 3, banco Sicoob Credivar, do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende foram transferidos para a conta corrente 110.2198, banco Sicoob Credivar, da filha Larissa, cfe. cópias dos extratos bancários de ambos. Quando havia necessidade, os valores transferidos para a contacorrente de Larissa Gomes Aguiar Rezende retornavam para a conta corrente do seu pai, Ricardo de Aguiar Rezende, de acordo com a conveniência deste. O mesmo aconteceu em transferências da contacorrente de Gisele de Fátima Gomes Rezende para a contacorrente de Larissa e para a contacorrente do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende. 10. O contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende alegou que a movimentação financeira da sua contacorrente para a conta corrente de sua filha seria para suprir o pagamento de despesas da suposta parceria agrícola. No entanto, o que se verificou foi que o contribuinte tinha controle total das operações comerciais e das contascorrentes de Larissa, inclusive com a emissão de cheques. A contacorrente 100.2198 era utilizada apenas para manter os valores recebidos pela venda dos produtos rurais, ao passo que a contacorrente 1.7524 ficava com saldos praticamente zerados. Ao mesmo tempo, a contacorrente 100.2198, em nome de Larissa Gomes Aguiar Rezende, cujos verdadeiros titulares são o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende e Gisele de Fátima Gomes Rezende, servia, também, para suprir as necessidades financeiras da contacorrente 1.533 4, em nome de Gisele de Fátima Gomes Rezende. 11. Assim, verificase com os lançamentos acima e com a análise dos extratos bancários da unidade familiar que os contribuintes Ricardo de Aguiar Rezende e Gisele de Fátima Gomes Rezende eram os verdadeiros titulares dos créditos efetuados na conta corrente de sua filha, Larissa Gomes Aguiar Rezende, créditos estes oriundos da atividade rural desenvolvida em imóveis de propriedade comum do casal. 12. Concluise, portanto, que o contrato de parceria agrícola com Larissa Gomes Aguiar Rezende foi simulado. Da mesma forma, o contrato de comodato da Fazenda Nossa Senhora de Fátima 6, pois quem realizou todas as transações comerciais foi o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, destarte constar algumas notas fiscais de produtor rural e escrituras de imóveis rurais em nome de sua filha. Mas, o verdadeiro titular dos negócios realizados era o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, pois a filha não tinha capacidade financeira para adquirir tais imóveis rurais, muito menos experiência para Fl. 13889DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.890 31 realizar transações comerciais de compra e venda de café e bovinos, negociação com cooperativas de produtores rurais e outras. Também, as mercadorias depositadas nos armazéns das cooperativas Cooperlam e Minasul em nome de Larissa, pertenciam aos contribuintes Ricardo de Aguiar Rezende e Gisele de Fátima Gomes Rezende, os reais proprietários. Essas operações eram realizadas pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende em nome da filha através de procuração que lhe garantia gerais, amplos e irrestritos poderes. Assim, caracterizada a interposição da filha do contribuinte, todas as receitas e despesas/investimentos da atividade rural atribuídas a Larissa Gomes Aguiar Rezende, também, foram consideradas no resultado da atividade rural do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende e de seu cônjuge, na proporção de 50 (cinquenta) por cento para cada um. 13. Portanto, Larissa Gomes Aguiar Rezende, é responsável solidária porque tinha pleno conhecimento que o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende a interpôs em seus negócios comerciais simplesmente para nada submeter à tributação, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo. (...) GISELE DE FATIMA GOMES REZENDE Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato Motivação 14. A senhora Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende, sendo cônjuge do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, tem seu interesse comum na situação caracterizado pelos bens comuns do casal, os imóveis rurais onde foram produzidos os produtos frutos da atividade rural de ambos. Ou seja, os rendimentos da atividade rural pertencem a ambos em partes iguais, já que apresentaram declaração de ajuste anual em separado nos anos calendário de 2010 e 2011. 15. Ademais a Sra Gisele de Fátima Gomes Rezende participou de todas as operações comerciais relativas à comercialização dos produtos da atividade rural realizadas pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, inclusive compra e venda de imóveis rurais. Além disso, era a mesma quem efetuava os pagamentos dos funcionários das fazendas de propriedade do casal, cfe. cópias dos cheques da contacorrente do banco Real/Santander em nome de Larissa Gomes Aguiar Rezende. (...) 6. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 129. São responsáveis solidárias pelo crédito tributário constituído pelo presente lançamento a Srª Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende, CPF 661.638.20606 e Larissa Gomes Fl. 13890DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.891 32 Aguiar Rezende, CPF 100.006.78660, respectivamente, cônjuge e filha do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende. 130. De acordo com o disposto no art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 131. A senhora Gisele de Fátima Gomes Aguiar Rezende, sendo cônjuge do declarante, tem seu interesse comum na situação caracterizado pelos bens comuns do casal, dos quais os imóveis rurais onde foram produzidos os produtos frutos da atividade rural de ambos. Ou seja, os rendimentos da atividade rural pertencem a ambos em partes iguais, já que apresentaram declaração de ajuste anual em separado nos anoscalendário de 2010 e 2011. 132. Já Larissa Gomes Aguiar Rezende é responsável solidária porque tinha pleno conhecimento que o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende simulou um contrato de parceria com a mesma, simplesmente para nada submeter à tributação. Além disso, todos os recursos oriundos da atividade rural do contribuinte foram remetidos para a contacorrente mantida em nome da mesma, sendo movimentada pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, como já demonstrado anteriormente. Ademais, há vários imóveis rurais em nome da mesma, os quais na verdade pertencem a seus pais, conforme demonstram as escrituras apresentadas. De acordo com a prova dos autos, entendo que não restam dúvidas acerca da solidariedade atribuída à contribuinte Gisele de Fátima Gomes Rezende, nos exatos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, eis que, sendo cônjuge do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, possui nítido interesse comum na situação caracterizado pelos bens comuns do casal, de modo que os rendimentos da atividade rural pertencem a ambos em partes iguais, já que apresentaram declaração de ajuste anual em separado nos anoscalendário de 2010 e 2011. Ademais, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12758/12832), a Sra Gisele de Fátima Gomes Rezende participou de todas as operações comerciais relativas à comercialização dos produtos da atividade rural realizadas pelo contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, inclusive compra e venda de imóveis rurais. Além disso, era a mesma quem efetuava os pagamentos dos funcionários das fazendas de propriedade do casal, cfe. cópias dos cheques da contacorrente do banco Real/Santander em nome de Larissa Gomes Aguiar Rezende. E, ainda, na companhia de seu marido, o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende, eram os verdadeiros titulares dos créditos efetuados na contacorrente de sua filha, Larissa Gomes Aguiar Rezende, créditos, inclusive, oriundos da atividade rural desenvolvida em imóveis de propriedade comum do casal. No tocante à participação de Larissa Gomes Aguiar Rezende, filha do casal, apesar de a Fiscalização afirmar, categoricamente, que tinha pleno conhecimento que o Fl. 13891DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.892 33 contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende a interpôs em seus negócios comerciais simplesmente para nada submeter à tributação, entendo que não há prova nos autos neste sentido. Ao que me parece, a responsável solidária Larissa foi uma interposta pessoa, traída pela confiança depositada em seu próprio pai, por meio de outorga de procurações com poderes amplos, não havendo nos autos indícios ou comprovação de que sabia dolosamente das condutas perpetradas com o objetivo de se evadir da imposição tributária. Ante o exposto, afasto a responsabilidade de Larissa Gomes Aguiar Rezende, por entender que não há prova nos autos acerca de sua participação no conluio e nem mesmo do interesse comum preconizado pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. 4.4. Da multa aplicada. A motivação para a qualificação da multa, no percentual de 150%, encontra se disposta nas fls. 12830/12831 do Termo de Verificação Fiscal, nos seguintes termos: 5. MULTA QUALIFICADA 121. Como já exaustivamente exposto, o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende se utilizou de interpostas pessoas, o Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e Larissa Gomes Aguiar Rezende, para impedir a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda de Pessoa Física relativo ao resultado tributável da atividade rural dos anoscalendário 2010 e 2011. 122. Foram simulados contratos de parceria pelo Sr. Ricardo de Aguiar Rezende em conluio com o Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi e com Larissa Gomes Aguiar Rezende, com a finalidade de apresentar prejuízo no resultado da atividade rural dos anos calendário 2010 e 2011 e, com isso, nada submeter à tributação. 123. O contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende foi intimado diversas vezes para apresentar documentação que comprovasse a efetiva realização das parcerias agrícolas com aquelas pessoas. No entanto, o único documento que apresentou foram os supostos contratos de parceria rural e cópias dos livroscaixa dos anoscalendário 2010 e 2011. Não foi apresentado sequer um documento de despesa ou receita em nome do Sr. Sérgio Nicolau Nasser Ricardi. Também não foi constatado nenhuma transferência bancária entre as contascorrentes correntes de ambos, levando a crer que tal parceria nunca existiu. 124. O que houve na realidade foi a intenção deliberada e dolosa do contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende de se evadir do pagamento do Imposto de Renda de Pessoa Física. 125. Quanto à parceria com Larissa Gomes Aguiar Rezende, esta, também nunca existiu, como demonstram os fatos já narrados. 126. O contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende efetuava operações em nome de Larissa, inclusive abertura e movimentação de contacorrente bancária, compra de imóveis rurais e depósito de mercadorias em cooperativas com o único Fl. 13892DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.893 34 fim de não pagar imposto de renda sobre a sua atividade rural. Ou seja, efetuava essas operações apenas para tentar justificar o rateio de receitas e despesas da atividade rural e, com isso, também, nada apresentar como resultado tributável. 127. Foi constatado, que os depósitos efetuados na conta corrente nº 100.2198, banco Sicoob Credivar, em nome de Larissa Gomes Aguiar Rezende, são todos pertencentes ao Sr. Ricardo de Aguiar Rezende e ao seu cônjuge, Gisele de Fátima Gomes Rezende. Com isso, o contribuinte Ricardo de Aguiar Rezende pretendia encobrir os reais titulares dos recursos depositados na contacorrente de Larissa. Diante da descrição dos fatos, e pela análise da documentação processual, entendo que o contribuinte não conseguiu afastar a acusação fiscal, inclusive a acusação acerca do caráter simulado dos contratos firmados, havendo a interposição de pessoas para ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto de sua responsabilidade. Com exceção da responsável Larissa Gomes Aguiar Rezende, vítima da confiança depositada em seu próprio pai, conforme demonstrado no tópico pretérito, entendo que houve participação dolosa dos contribuintes Ricardo de Aguiar Rezende e Gisele de Fátima Gomes Rezende, o que não permite a exclusão da qualificação da multa, mantendo o percentual aplicado de 150%. Por fim, sobre as alegações de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade, destaco que que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos Recursos Voluntários, para, afastar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que o lançamento seja recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela Fiscalização, conforme previsto no art. 5°, parágrafo único, da Lei n° 8.023/90, além de excluir a responsabilidade solidária de Larissa Gomes Aguiar Rezende. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira – Redator Designado Fl. 13893DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.894 35 Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto ao recalculo à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural e a exclusão da responsabilidade solidária de Larissa Gomes Aguiar Rezende, capaz de ensejar a manutenção do Acórdão Recorrido, como passaremos a demonstrar. DO OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL ARBITRAMENTO EM 20% De acordo com a legislação, o contribuinte poderá apurar o resultado tributável da atividade rural de duas formas: (i) critério de escrituração do livrocaixa, mediante confronto da receita bruta e das despesas pagas no curso do anocalendário, admitida a compensação de eventuais prejuízos em anoscalendário anteriores; e (ii) resultado presumido, à opção do contribuinte, correspondente a 20% (vinte por cento) da receita bruta do anocalendário. Na hipótese de falta de escrituração das receitas e despesas, o lançamento de ofício observará o arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do ano calendário. Tal disciplina normativa está prevista na Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, e Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Confirase o Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de maio de 1999, em vigor na época dos fatos geradores, o qual consolidava a matéria: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 3º). Fl. 13894DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.895 36 § 4º É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 5º O Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6º A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. § 7º O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. (...) Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 14). (...) Art. 68. O resultado da atividade rural, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto, na declaração de rendimentos e, quando negativo, constituirá prejuízo compensável na forma do art. 65 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 9º). (...) Art. 71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 5º). § 1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. § 2º O disposto neste artigo não se aplica à atividade rural exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior (Lei nº 9.250, de 1995, art. 20, e § 1º). (...) Para a apuração espontânea do resultado tributável da atividade rural, o contribuinte preferiu a sistemática geral de tributação dos rendimentos a partir do delimitação da base de cálculo efetiva, isto é, pela diferença entre as receitas brutas e as despesas de custeio e/ou investimento. A forma de apuração do resultado, dentre as duas modalidades permitidas, é uma escolha do contribuinte, não cabendo a sua alteração pela fiscalização, salvo na hipótese Fl. 13895DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.896 37 de arbitramento por falta de escrituração das receitas e despesas em livrocaixa (art. 60, § 2º, do RIR/99). Tal opção a que faculta a legislação não é condicional, sendo irrelevante se dentro do prazo decadencial para o lançamento suplementar haverá ou não lavratura de auto de infração com respeito ao anocalendário em decorrência de omissão de rendimentos e/ou glosa de despesas do período e/ou glosa de compensação de prejuízos relacionada a anoscalendário anteriores. A opção eleita para tributação da atividade rural no envio da declaração de rendimentos tornase definitiva para o sujeito passivo sob ação fiscal, dada a perda da espontaneidade para alteração do critério de fixação da base de cálculo, quando determinado a abertura de procedimento fiscal que visa apurar exatamente as omissões no resultado da referida atividade (art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Quanto ao arbitramento do resultado tributável da atividade rural, assim como em outros casos previstos na legislação federal, é medida de caráter excepcional, que aqui deve ser utilizada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto de renda segundo o critério desejado pelo sujeito passivo, isto é, de escrituração em livrocaixa e comprovação de receitas e despesas por meio de documentação hábil e idônea (art. 60, do RIR/99). Não é demais lembrar que o arbitramento com limite em 20% da receita bruta poderá ser mais ou menos vantajoso para o contribuinte, quando comparado com a tributação dos rendimentos da atividade rural pelo confronto das receitas e despesas incorridas no anocalendário. A escrituração deficiente do livrocaixa, quando são constatadas incorreções e omissões de receitas e/ou despesas, não se equipara, em qualquer circunstância, à falta de escrituração, dando ensejo ao arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário, previsto no § 2º do art. 60 do RIR/99. É fora de dúvida que a inexistência de escrituração das receitas e despesas em livrocaixa tem o condão de legitimar a via do arbitramento, tendo em vista o descumprimento frontal do comando legal, que prejudicaria a confirmação da veracidade das operações na atividade rural. Por outro lado, as deficiências de escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal percebe que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte. É a hipótese dos autos. Com efeito, a fiscalização identificou no exame inicial que o contribuinte declarou valores para receitas e despesas nos anoscalendário de 2010 e 2011 em patamar inferior ao efetivamente registrado em livrocaixa. Na ótica do agente fazendário, a documentação existente foi suficiente para a reconstrução do resultado tributável da atividade rural, seguindo a opção utilizada pelo contribuinte, qual seja, a confrontação das receitas oriundas do exercício da atividade e despesas de custeio/investimentos comprovadamente pagas. Fl. 13896DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.897 38 A despeito das falhas na contabilização, depreendese da avaliação da fiscalização que não houve carência de elementos indispensáveis à descoberta da grandeza econômica através do confronto entre receitas e despesas provenientes do exercício do atividade rural. Tampouco decidiu pela imprestabilidade das fontes disponíveis à fiscalização que justificasse o arbitramento do lucro da atividade através da tributação específica limitada a 20% da receita bruta do anocalendário. É certo que a omissão de receitas e/ou inclusão de despesas indedutíveis acarretam a glosa dos dispêndios, numa consequência lógica do próprio procedimento fiscalizatório, garantido ao autuado o exercício do direito de defesa na fase do contencioso administrativo. Portanto, neste diapasão, nego provimento ao recurso voluntário. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Em relação a este tópico, apesar de concordar com o Relator de que a responsável solidária Larissa foi uma interposta pessoa, traída pela confiança depositada em seu próprio pai, por meio de outorga de procurações com poderes amplos, discordar da conclusão adotada pelo seguinte fundamento: Ao proceder à avaliação da peça de impugnação, observase que a solidária (Sra. Larissa) nada argumenta a respeito do vínculo solidário ou da ilegitimidade passiva ou, até mesmo, da não comprovação do interesse comum capaz de elidir a responsabilidade. Em sua defesa inaugural insurgese apenas quanto ao mérito do lançamento. A impugnação apresentada pelo contribuinte não cumpre o requisito do inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) A matéria a ser contestada, assim como a prova documental, devem ser apresentadas no momento da impugnação, quando se instaura o litígio, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses enumeradas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. O inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, está associado ao comando do art. 17 do mesmo diploma legal, de maneira que a falta de observância do requisito legal implica considerarse a matéria não impugnada, o que, evidentemente, acarreta a inviabilidade da apreciação das razões de defesa: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, como ora se cuida, é inadmissível a negativa geral, na medida em que os motivos de fato e de direito que compõe a causa de pedir para o pleito de alteração do lançamento fiscal devem estar Fl. 13897DF CARF MF Processo nº 10972.720008/201547 Acórdão n.º 2401006.001 S2C4T1 Fl. 13.898 39 individualizados, contrapondose, por meio da linguagem de provas, aos motivos das infrações resultantes da exigência fiscal. Ademais, ao analisar o Recurso Voluntário, também não vislumbrase o questionamento acerca da sujeição passiva, ou seja, ao meu ver, não podemos analisar a responsabilidade solidária por extrapolar os termos da defesa apresentada. Assim, afastar o vínculo estaria extrapolando o contencioso administrativo demandado na primeira instância uma vez que não foi instaurado o litigíoso e não fora questionado em sede recursal. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 13898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001106/2005-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO NA PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatado erro na parte dispositiva do acórdão, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para que o registro retrate efetivamente o resultado do julgamento.
Numero da decisão: 9202-007.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 007.188, de 30/08/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado)
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Ana Cecília Lustosa da Cruz
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LAPSO NA PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatado erro na parte dispositiva do acórdão, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para que o registro retrate efetivamente o resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 007.188, de 30/08/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 06 /2 00 5- 50 Fl. 122DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo contra o Acórdão n.º 9202007.188, proferido na sessão de 30 de agosto de 2018 pela 2º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevo abaixo o Relatório constantes do acórdão recorrido: Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 210201.266 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 15 de abril de 2011, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 83: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 INDENIZAÇÃO POR USO DE VEÍCULO PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. A indenização por uso de veículo próprio recebida pelos Auditores Fiscais da Receita do Estado de Santa Catarina tem por objetivo a recomposição patrimonial do contribuinte, sendo, pois, de natureza indenizatória, estando, portanto, fora do campo de incidência do IRPF. Recurso Voluntário Provido O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 96 e seguintes, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 106 a 107, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante à incidência do imposto de renda sobre a rubrica auxílio combustível paga aos auditores fiscais da Receita Estadual de Santa Catarina. Aduz a Recorrente, em síntese, que: a) a discussão dos presentes autos consiste em saber se as verbas percebidas pelo contribuinte a título de auxílio transporte possuem ou não natureza indenizatória, a fim de perquirir se elas estão no âmbito de incidência do imposto de renda; b) de acordo com o art. 43 do CTN, o Imposto de Renda possui como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, cujo conceito prendese à noção de acréscimo patrimonial; c) exatamente por não representarem acréscimo patrimonial algum, os valores pagos ao indivíduo como forma de recompor o seu patrimônio, violado após a perda ou a ofensa a direito de sua titularidade, estão fora do âmbito de incidência do IR; d) especificamente ao auxilio transporte, vale frisar que o caráter indenizatório prendese, justamente, ao fato de tal verba Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11516.001106/200550 Acórdão n.º 9202007.649 CSRFT2 Fl. 3 3 possuir a finalidade de reembolsar o servidor pelas despesas potencialmente realizadas na execução de serviços externos inerentes às atribuições próprias do cargo ou função; e) não possuindo as verbas pagas as características acima elencadas (uso de veiculo próprio; exercício de atividades fora de sua repartição; atividades relacionadas ao cargo ou função exercidos), não poderão ser qualificadas como indenizatórias, ainda que recebam tal nomenclatura; f) conforme se extrai da legislação estadual que disciplina o pagamento, aos determinados servidores do Estado de Santa Catarina, da verba referente ao auxilio transporte, vêse que esse pagamento é realizado a todos os servidores referidos nos dispositivos acima transcritos, independentemente da comprovação de que fazem uso de seus veículos para a realização de atividades fora de suas repartições; g) todos esses servidores do Estado de Santa Catarina recebem o valor máximo da verba referente ao auxilio transporte, ainda que alguns deles não realizem trabalhos externos com veículos próprios. Em outras palavras: recebem o mesmo valor a titulo de auxilio transporte tanto os servidores que, efetivamente, utilizam seus veículos a fim de se locomoverem para outras localidades a serviço, quanto aqueles que atuam sempre em sua própria repartição e que, portanto, não realizam despesas com transporte; h) o auxilio transporte atualmente pago aos servidores acima mencionados possui o atributo da generalidade, no sentido de que e pago sempre a todos os servidores, independentemente da realização de despesas com locomoção para o desempenho de suas funções, o que lhe retira o caráter compensatório, imprimindolhe, por outro lado, nítida feição remuneratória; i) sendo certo que nem todos os servidores do Estado de Santa Catarina, previstos na legislação supra transcrita, desempenham suas funções institucionais fora de sua unidade de trabalho, é igualmente certo que nem todos realizam despesas com transporte passíveis de indenização; j) diante da natureza remuneratória das verbas pagas ao contribuinte a titulo de auxilio combustível, não há como deixar de considerálas incluídas no campo de incidência do Imposto de Renda, nos exatos termosprevistos no art. 43 do CTN. Intimado, o Contribuinte não apresentou Contrarrazões, conforme consta do Despacho de fls. 110. É o relatório. Aduz a Embargante que, quando da formalização do acórdão embargado, identificouse equívoco no registro do resultado do julgamento. Não obstante a conclusão do Fl. 124DF CARF MF 4 voto vencedor em dar provimento ao apelo, a decisão foi registrada em sentido contrário, o que demanda a oposição de Embargos de Declaração. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Em razão da existência de erro na parte dispositiva do Acórdão n.º 9202 007.188, julgado na sessão de 30 de agosto de 2018, foram opostos embargos de declaração para a sua retificação. Com a análise dos referidos embargos, observase a necessidade de os acolher para que o registro do dispositivo do acórdão retrate efetivamente o resultado do julgamento. Assim, considerando a decisão colegiada, o dispositivo deve ser alterado para constar o provimento, por voto de qualidade, do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Diante do exposto, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 007.188, de 30/08/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721195/2017-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IMPOSTO RETIDO SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A DIRETOR DA FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA COM O IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A compensação do imposto retido na fonte somente pode ser utilizada na declaração de rendimentos de diretor da pessoa jurídica condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido. Na falta da comprovação justifica-se a glosa da dedução na DAA.
Numero da decisão: 2001-001.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA COM O IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A compensação do imposto retido na fonte somente pode ser utilizada na declaração de rendimentos de diretor da pessoa jurídica condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido. Na falta da comprovação justificase a glosa da dedução na DAA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 11 95 /2 01 7- 51 Fl. 145DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente à compensação de IRRF. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 7.243,19, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de mora e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que a Contribuinte efetuou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na utilização de valores indevidos na compensação do IRRF por não recolhimento do imposto pela fonte, empresa de que o Recorrente é sócio, como segue: Tratase de Impugnação (fls. 04/07) apresentada em face de Notificação de Lançamento, expedida em procedimento de revisão de declaração, para exigência do IRPF Suplementar no valor de R$ 7.243,19, acompanhado de multa de mora (20%) e dos juros de mora correspondentes, em detrimento do IRPF a Restituir Declarado no valor de R$ 5.177,67. Passandose ao mérito, em relação à alegação do contribuinte de que estaria isento do imposto por ser portador de moléstia grave, o contribuinte junta laudo médico pericial emitido no âmbito de serviço médico oficial do Estado da Bahia (fl. 36) e cópia da primeira folha do Acórdão nº 01.052, prolatado em 27/03/2002 pela 3ª Turma da DRJSalvador, em processo no qual consta como interessado, referente ao IRRF dos anoscalendário de 1996 a 1999 (fl. 37). No entanto, vale lembrar que, ainda que essa isenção seja cabível no caso de doença tipificada legalmente e reconhecida por laudo pericial emitido por serviço médico oficial (da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios), ela só abrange proventos de aposentadoria ou reforma, sendo ainda aplicável à complementação de aposentadoria e à pensão. Em relação propriamente à retenção do imposto de renda na fonte e sua dedução na Declaração de Ajuste, cabe transcrever a seguir excerto da legislação tributária afeita à matéria: (...) Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.721195/201751 Acórdão n.º 2001001.115 S2C0T1 Fl. 146 3 Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação. (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Da leitura dos dispositivos acima, observase que o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF pode ser deduzido na Declaração de Ajuste Anual, desde que, regra geral, o contribuinte possa comprovar que o rendimento pago sofreu a retenção do imposto de renda na fonte e que os rendimentos que ensejaram essa retenção na fonte foram incluídos na referida Declaração de Ajuste. É verdade que o Comprovante de Rendimentos é, em princípio, o documento hábil, em razão de sua própria natureza, para comprovar o valor dos rendimentos pagos e do imposto de renda retido na fonte. Contudo, na hipótese de o beneficiário dos rendimentos figurar também como acionista controlador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica pagadora, ele é considerado pela legislação tributária solidariamente responsável pelo recolhimento do IRRF, independentemente da existência de dolo ou culpa. No caso em questão, como foi relatado, o contribuinte argumenta que o Comprovante de Rendimentos juntado (fl. 25) provaria a retenção e que, apesar da sua condição de diretor da empresa pagadora dos rendimentos, ele possuiria atribuições de caráter puramente técnico e não teria poder de mando quanto à retenção e recolhimento do imposto, conforme documentação juntada por ele às fls. 08/35. Examinandose a documentação trazida ao processo pelo contribuinte, não é possível confirmar o efetivo recolhimento dos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual, condição necessária, em razão de o contribuinte figurar como diretor da pessoa jurídica pagadora dos seus rendimentos, a despeito de sua alegação de que sua eleição como diretor teria sido feita, segundo ele, ao arrepio do Estatuto Social, questão que, por sua natureza, não pode ser oposta ao Fisco. Tampouco a documentação juntada lhe é útil para afastar a responsabilidade em questão no que diz respeito à sua argumentação de que, a despeito de exercer a função de diretor, suas atribuições seriam técnicas e que não teria poder de mando, tendose em mente que o art. 723 do Decreto nº 3.000/1999 (art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979) não faz esta ressalva. Como colocado acima, na hipótese de o contribuinte pessoa física também exercer posição de acionista controlador, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pagadora dos rendimentos correspondentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado, além da apresentação do comprovante de rendimentos e/ou informação em DIRF, fazse necessária também a comprovação do efetivo recolhimento aos cofres públicos dos valores declarados como retidos, em face da responsabilidade solidária prevista na legislação tributária. Fl. 147DF CARF MF 4 À vista do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento à impugnação, para manter integralmente o crédito tributário. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 7.243,19, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O Contribuinte Walter Francisco de Oliveira, 72 anos, portador de moléstia grave (ANEXOS XI e XII), Engenheiro Químico e Industriário Petroquímico Aposentado – no exercício de atividade labora, civilmente identificado pelo RG nº 0054941768 SSP/BA, Cédula de Identidade Profissional nº 07300099 CRQ – 7ª Reg. E CPF nº 02803550504 (ANEXO I), teve sua DAAIRPF do Exercício de 2015 (A.C.2014) retida em “malha” por divergências declaratórias com a sua principal fonte pagadora: CCC Companhia de Carbonos Coloidais, CNPJ 15.109.739/000103 – como habitualmente acontece desde o Exercício de 2008, fazendo, tempestivamente, prova da exatidão das informações por ele prestadas nessa DA – protocolada no CAC/DRF/SDR, em 23.02.2016, como “dossiê” nº 10010.025237/021621. Tal DA foi posteriormente processada, após revisão de ofício – sendo acatadas as explicações por ele apresentadas no tocante as divergências declaratórias; dessa vez, entretanto, com glosa quanto ao IMPOSTO A RESTITUIR, sob alegação de “compensação indevida”: Não teria sido constatado, à época, o efetivo recolhimento da IRRF pela respectiva P.J. – agora cobrado do beneficiário P.F. Irresignado, este se insurge quanto ao lançamento de ofício praticado pela autoridade tributária competente, promovendo, administrativamente, a sua impugnação protocolada no CAC/DRF/SDR, em 06.03.2017, como Processo nº 10580.721195/201751; fazendo prova de seu “desconto em folha” quando de pagamento salarial ao longo do respectivo ano calendário e apresentando um elenco de argumentos que, entende, o exime de responsabilidade solidária nos termos da lei, pela sua condição de “empregado”, no exercício do cargo de Diretor industrial. Aqui anexa o seu histórico funcional, comprovando a natureza do vínculo com a fonte pagadora desde o seu reingresso na empresa (em 01.12.1981), através dos competentes registros na sua carteira de trabalho (CTPS): (ANEXOS II, III, V), da publicação e translado de atas da sociedade – a ele afetadas – (ANEXOS IV, VI, VII). Bem como esclarecendo questões sobre disposições do seu Estatuto Social (ANEXO VIII), e sobre as atividades que desempenha na empresa, após 23.03.1990 (quando do encerramento das atividades industriais do negócio). Adicionalmente, anexa determinação normativa da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia – que jurisdiciona as atividades da empresa neste estado, excluindoo do seu quadro de “responsáveis tributários” (ANEXO IX). Explica a sua última reeleição, em 04.11.2009 (ANEXO VIII) – sem quebra de vínculo laboral original , por tempo indeterminado e ao arrepio do Estatuto Social vigente (ANEXO VIII) , atendendo determinações normativas de órgãos reguladores, particularmente: a CVM e a hoje RFB. Por oportuno, evitando alongarse nessas e em outras considerações complementares, anexa facsimile do doc. Impugnatório que, detidamente as explica (ANEXO X). Segundo recente “informação Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.721195/201751 Acórdão n.º 2001001.115 S2C0T1 Fl. 147 5 verbal” transmitida por preposto do Conselho de Administração da CCC – Companhia de Carbonos Coloidais, a sua divida tributária de IR, decorrente do não recolhimento do IRRF dos seus empregados e demais colaboradores, imputadas nos últimos exercícios, teria sido negociada com a RFB, no âmbito do REFIS em curso. Preposto do CAC/DRF/SDR, recentemente consultado, informa negociações nesse sentido, com vistas a sua regularização – declinando, entretanto, de fornecer maiores informações a este contribuinte PF, por não ser ele o “Diretor Responsável perante a RFB” – após pesquisa no sistema: CNPJ Responsabilidades/Qualificações (ANEXO XIII) – e não apresentar procuração da empresa para fazerse representar. Tal fato – se efetivo – poderia reverter as “obrigações solidárias” a ele imputadas no curso deste (e de outros) Processos. Não tendo sido a sua DAAIRPF 2015 ainda homologada, acredita, ela poderia ser mais uma vez revista pela Administração Tributária, em favor do postulante. Do exposto, interpõe este Recurso Voluntário a esse Egrégio Conselho pra, uma vez aceita a argumentação aqui formulada pela P.F. Demandante, ou constatada a regularização da obrigação tributária, assumida pela respectiva PJ – na condição de principal responsável tributário , seja o questionado lançamento revisto, com o reconhecimento da exatidão das informações prestadas por este contribuinte P.F. na sua DAAIR 2015 e liberação do imposto a restituir com a devida correção. Adicionalmente, requer prioridade na sua apreciação, pela sua condição de idoso e portador de moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. As tentativas de notificação via EBCT não lograram êxito como se vê na fl. 67, neste caso a ciência passa a ser em 21/09/2017, em razão da solicitação de cópias de documentos do processo, fl. 72. Cabe esclarecer de imediato que a alegação de isenção por ocorrência de doença grave não consta do Recurso Voluntário e, se alegado não surtiria efeito em vista de que o benefício fiscal somente abrange os rendimentos de aposentadoria, conforme dispõe com clareza a legislação tributária, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, que assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 149DF CARF MF 6 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. A lide se refere à glosa de imposto retido na fonte não arrecadado por pessoa jurídica, da qual é diretor, no valor de R$ 12.420,86, que originou o crédito tributário de R$ 7.243,19 pelo Lançamento lavrado, em razão do reprocessamento de ajuste da DAA apresentada. A exigência em destaque decorre da previsão contida no art. 723 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR), que assim dispõe: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único). Configurase aqui a situação de que o Contribuinte pessoa física também exerce a posição de acionista e diretor da pessoa jurídica pagadora dos rendimentos que originaram o imposto de renda retido na fonte, não recolhido aos Cofres do Tesouro Nacional. Neste caso não é suficiente tão somente a informação de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, de modo geral aceita como documento hábil para a dedução, porque o beneficiário dos rendimentos figura também como acionista e diretor da empresa pagadora, sendo o Recorrente considerado pela legislação tributária solidariamente responsável pelos atos da pessoa jurídica, direta ou indiretamente, independente da existência ou não de dolo ou culpa. É certo que, em princípio, a comprovação do imposto de renda retido na fonte pode ser efetuada pela apresentação do respectivo comprovante de rendimentos, mas tal possibilidade não pode ser aplicada indistintamente, em particular quando confirmado que o valor retido não foi recolhido e quem está pleiteando a dedução é sócio diretor da pessoa jurídica que reteve na fonte o imposto. Por fim, registrese que a pessoa jurídica retentora do imposto retido na fonte da qual o Recorrente é diretor, embora tenha manifestado interesse em aderir ao parcelamento de seus débitos fiscais, não comprovou ter recolhido os impostos referentes às referidas retenções objeto desta lide. Pelo que consta dos autos a comprovação documental apresentada pelo Recorrente não supre suficientemente o requerido para o provimento de sua demanda. Neste caso, forçoso se torna reconhecer a procedência do Lançamento pelas razões apontadas na ação fiscal e no voto da DRJ que manteve a íntegra do crédito tributário lançado. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10580.721195/201751 Acórdão n.º 2001001.115 S2C0T1 Fl. 148 7 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, para manter o crédito tributário no valor de R$ 7.243,19, com os acréscimos legais. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722355/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica o cabimento de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional, seja relativamente à matéria recorrida ou à matéria de ordem pública sobre a qual deveria ter se pronunciado o Colegiado.
Embargos de Declaração rejeitados
Numero da decisão: 3402-006.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz que votaram pelo não conhecimento do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica o cabimento de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional, seja relativamente à matéria recorrida ou à matéria de ordem pública sobre a qual deveria ter se pronunciado o Colegiado. Embargos de Declaração rejeitados
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.655 1 3.654 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.722355/201452 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402006.210 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria OMISSÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TAM LINHAS AÉREAS S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica o cabimento de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional, seja relativamente à matéria recorrida ou à matéria de ordem pública sobre a qual deveria ter se pronunciado o Colegiado. Embargos de Declaração rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz que votaram pelo não conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 23 55 /2 01 4- 52 Fl. 3655DF CARF MF 2 Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional que foram admitidos em despacho do Presidente do Colegiado, nos seguintes termos: (...) O recurso é tempestivo. A Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão de Recurso de Ofício e Voluntário em 16/07/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3610) e, consoante o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 15/08/2018. De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3º, mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. A contagem do prazo para interposição dos Embargos iniciase, então, após a intimação presumida. Sendo de 5 (cinco) dias o prazo para interposição dos Embargos, e considerando em estes foram regularmente encaminhados em 25/07/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3613), concluise que os Embargos são francamente tempestivos. (...) Nos Embargos de Declaração (Doc. fls. 3611 a 3612), a Representação Jurídica da Fazenda Nacional acusa a ocorrência de omissão no Acórdão embargado. A Fazenda Nacional argumenta que este Conselho teria dado provimento parcial ao Recurso Voluntário para “exonerar do auto de infração o montante das contribuições de PIS/Pasep e Cofins decorrente da reversão das glosas e do critério de rateio proporcional determinado pelo Colegiado nos processos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos de apuração". Não obstante, os processos indicados no voto condutor do Acórdão ainda não teriam transitado em julgado, razão pela qual, segundo a PGFN, o julgamento do presente feito deveria aguardar a solução definitiva dos citados processos. Nesse sentido, defende que "sem a definitividade das decisões contidas nos processos indicados pela Relatora, pode ocasionar decisões contraditórias" e sustenta que "a omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional)". Do exame do voto condutor, constatase que a i. Conselheira Relatora (fls. 3607 e 3608) expressamente reconhece a conexão entre o presente feito e os processos relativos aos períodos de apuração autuados, abaixo relacionados: (...) Afirma ainda, às fls. 3608, que "os argumentos apresentados pela recorrente no presente processo já foram todos discutidos por este Colegiado nos processos de ressarcimento/compensação relativos aos períodos de apuração respectivos, razão pela qual basta que aqui seja repercutido os resultados dos julgamentos destes outros processos" (grifei). Entendo que assiste razão à embargante. Como aponta a Fazenda Nacional, os processos indicados ainda se encontram com recursos pendentes de julgamento. Constatase, portanto, a presença de elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. (...) Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402006.210 S3C4T2 Fl. 3.656 3 Consta também nos autos a interposição de Embargos de Declaração pela contribuinte, os quais não foram objeto de despacho de admissibilidade. Os autos foram devolvidos a esta Conselheira Relatora para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte não foram submetidos a despacho de admissibilidade e, portanto, não podem ser incluídos nesta oportunidade em pauta de julgamento, nos termos do art. 65, §7º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Quanto aos embargos da Fazenda Nacional admitidos pelo Presidente da Turma, passase a analisálo. O cabimento dos Embargos de Declaração está restrito às situações previstas no Regimento Interno, no art. 65, caput do seu Anexo II, que assim dispõe: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" [negritei]. No caso, a embargante alega que teria havido omissão no Acórdão embargado, nos seguintes termos: A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para “exonerar do auto de infração o montante das contribuições de PIS/Pasep e Cofins decorrente da reversão das glosas e do critério de rateio proporcional determinado pelo Colegiado nos processos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos de apuração, indicados no voto da relatora”. Ocorre que os processos indicados pela Relatora ainda não transitaram em julgado. Vejamos: (...) Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (Processo Administrativo nº 10880.722355/201452) deveria aguardar a solução definitiva dos citados processos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade das decisões contidas nos processos indicados pela Relatora, pode ocasionar decisões contraditórias. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Fl. 3657DF CARF MF 4 Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado. Em que pese os argumentos contidos nos Embargos de Declaração acerca de eventual prejuízo que seria causado à Fazenda Nacional em face do resultado do julgamento embargado, que foi efetuado sem aguardar a definitividade das decisões relativas aos processos conexos de ressarcimento, a embargante não logrou êxito em demonstrar objetivamente qual seria a omissão contida no Acórdão embargado. A embargante não identificou qualquer matéria recorrida que não tenha sido abordada no referido Acórdão. A omissão que justificaria o cabimento de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional, seja relativamente à matéria recorrida ou dela decorrente ou à matéria de ordem pública. Não obstante isso, as alegações da embargante permitem deduzir que estivesse se referindo a ponto sobre o qual a Turma deveria ter se pronunciado, razão pela qual se conhece dos Embargos interpostos pela Fazenda Nacional para uma melhor análise da questão. No Acórdão embargado, o Colegiado assim se pronunciou no julgamento do recurso voluntário: Os argumentos apresentados pela recorrente no presente processo já foram todos discutidos por este Colegiado nos processos de ressarcimento/compensação relativos aos períodos de apuração respectivos, razão pela qual basta que aqui seja repercutido os resultados dos julgamentos destes outros processos. Nesse sentido já tinha esclarecido julgador a quo que: Da glosa de créditos Relativamente às glosas de créditos realizadas nos diversos pedidos de ressarcimento entregues pela contribuinte, é de se observar, inicialmente que as razões aduzidas pela impugnante neste recurso já foram analisadas detalhadamente por esta Delegacia de Julgamento nas respectivas manifestações de inconformidade relativos ao indeferimento dos processos de ressarcimento. Entendese, por isso, ser absolutamente desnecessário analisálas novamente, uma vez que a lide, quanto aos fatos que ensejaram as glosas de créditos, se estabeleceu naqueles processos. Ademais, os resultados dos julgamentos dos processos dos pedidos de ressarcimento, tanto da DRJ, quanto do CARF, se for o caso, devem refletir, necessariamente, no resultado do Auto de Infração em análise. Sendo assim, a planilha abaixo relaciona os resultados dos julgamentos dos processos relativos aos pedidos de ressarcimento e seu reflexo nas glosas realizadas e descritas nos Autos de Infração em análise: (...) Em conclusão, os Autos de Infração devem ser reformados, no que toca à indicação das glosas realizadas, para os valores descritos na coluna “valor da glosa DRJ”. Da insuficiência de recolhimento Em função do reconhecimento pela DRJ de mais crédito que foi deferido pela fiscalização, os valores constituídos nos Autos de Infração também devem ser reformados, conforme os seguintes quadros: (...) Dessa forma, aplicando o mesmo entendimento acima, deverá a Unidade de Origem refazer o cálculo dos créditos em face das glosas revertidas e do novo critério de rateio determinado por este Colegiado nos processos de ressarcimento Fl. 3658DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402006.210 S3C4T2 Fl. 3.657 5 especificados no quadro acima para depois apurar as insuficiências de recolhimento das contribuições nos respectivos períodos de apuração. Assim pelo exposto, voto no sentido de: i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar em parte a exigência das contribuições de PIS/Pasep e Cofins, e a multa de ofício respectiva, no montante decorrente da reversão das glosas e do critério de rateio proporcional determinado pelo Colegiado nos processos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos de apuração; e (...) Como se observa acima, o Acórdão embargado decidiu no mesmo sentido da decisão da DRJ, a qual também não havia analisado os argumentos de mérito da então impugnante para acatar o resultado das decisões de primeira instância dos processos relativos aos pedidos de ressarcimento. Dessa forma, o julgamento original do recurso voluntário por este Colegiado estava restrito à matéria de defesa apresentada pela recorrente decorrente da sua insurgência com o referido conteúdo da decisão de primeira instância. O recurso voluntário é interposto em face da decisão recorrida e não em face do despacho decisório que a antecedeu. Com efeito, dentro do âmbito que poderia decidir este Colegiado, tendo em vista que não foi apontado pela então recorrente (contribuinte) ou pela Fazenda Nacional, nem tampouco apurado pelos julgadores, qualquer vício relativamente ao método adotado pela DRJ no julgamento do auto de infração que pudesse invalidar a decisão recorrida; o recurso voluntário foi julgado da mesma forma que a impugnação: não se tomou conhecimento dos argumentos de mérito da recorrente, eis que esses já estavam sendo analisados nos processos conexos de ressarcimento dos períodos de apuração respectivos, os quais estavam em julgamento na mesma sessão. É certo que, no campo das possibilidades, dentro do princípio da livre persuasão racional do julgador, uma das alternativas que poderia ter sido adotada pelo Colegiado poderia ter sido o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até a decisão final dos processos de ressarcimento, conforme deseja a ora embargante, mas, esse não foi definitivamente o entendimento dos julgadores naquela ocasião. Mas aí a questão é diversa: seria outra a modalidade de recurso a ser interposto em face da insurgência da ora embargante contra o caminho adotado pelo julgador no julgamento do recurso voluntário. A peça apresentada pela embargante constitui, em verdade, a argumentação completa de um recurso de mérito, revelando a sua pretensão de rejulgamento da lide, o que é inviável pela estreita via dos embargos de declaração. Assim, cotejando a insurgência da embargante com o Acórdão embargado, não se extrai a existência de qualquer omissão neste último que pudesse ser saneada nesta oportunidade, razão pela qual voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 3659DF CARF MF 6 Fl. 3660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36582.003314/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES. SUMULA Nº 08 DO STF. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.
"São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF 99.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação.
"Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração."
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-007.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência até a competência 04/2001 (inclusive) e determinar a aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES. SUMULA Nº 08 DO STF. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF 99. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
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SUMULA Nº 08 DO STF. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF 99. Aplicase o art. 150, §4º do CTN nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 58 2. 00 33 14 /2 00 6- 10 Fl. 1087DF CARF MF 2 obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a decadência até a competência 04/2001 (inclusive) e determinar a aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Adotando o relatório do acórdão recorrido, esclareço que tratase de lançamento lavrado contra o Contribuinte referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, correspondentes à parte patronal, SAT/RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) e às destinadas a outras entidades e fundos chamadas de Terceiros, para o período de 01/1997 a 12/2005. O Relatório Fiscal (fls. 16 e 17) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são parcelas de remuneração pagas aos segurados empregados e requisitados, diretores e conselheiros, a título de Indenização Moradia, Abono Extraordinário e Ajuda Traslado, consideradas salário indireto pela fiscalização. O Contribuinte intimado da lavratura do auto de infração em 30/05/2006 (e fls. 69). Após o trâmite processual, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho, rejeitou a preliminar de decadência arguida pelo Contribuinte, e no mérito negou provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão 20600.879 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 36582.003314/200610 Acórdão n.º 9202007.487 CSRFT2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO — SALÁRIO INDIRETO UTILIDADES — INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DECADÊNCIA. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para, constatado o atraso do pagamento total ou parcial das contribuições, constituir seus créditos por intermédio de NFLD, de acordo com o art. 45, da Lei8.212/91. As verbas intituladas Indenização Moradia, Abono Extraordinário e Ajuda Traslado, pagas pela empresa a favor de segurados que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. Contra a decisão, o Contribuinte apresenta recurso especial ao qual foi dado parcial seguimento nos termos dos despachos/decisões de efls. 969/984, 985/988 e 1.060/1.063. As matérias recursais admitidas foram: a) decadência parcial do lançamento fiscal, necessidade de reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 nos termos da Súmula nº 08 do STF e b) retroatividade benigna: aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimada, a Fazenda Nacional se manifesta às efls. 1.007 e apresenta contrarrrazões de efls. 1.072/1.079 a qual se limita a discutir o critério da retroatividade. Defende a aplicação ao caso da Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos formais exigidos razão pela qual, ratifico os fundamentos do despacho de admissibilidade e dele conheço. Da decadência: Conforme narrado o Contribuinte apresenta recurso por meio do qual defende a declaração da decadência parcial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário haja vista existência de decisão vinculante dos tribunais superiores. No presente caso o lançamento foi formalizado e mantido pela Turma a quo ainda sobre a égide da redação vigente do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Lembramos que no caso concreto temos lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes da classificação de verbas pagas como salário indireto (Indenização Moradia, Abono Extraordinário e Ajuda Traslado). A autuação envolve os fatos geradores ocorridos nas competências de 01/1997 a 12/2005, tendo o contribuinte sido intimado em 30/05/2006 (efls. 69). Fl. 1089DF CARF MF 4 Após exaustivo debate, a jurisprudência além de concluir pela inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula nº 08 do STF, se posicionou no sentido de para aqueles tributos classificados no modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial quinquenal aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. Nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 36582.003314/200610 Acórdão n.º 9202007.487 CSRFT2 Fl. 4 5 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar como termo inicial da decadência a data da ocorrência do fato gerador se faz necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria Fl. 1091DF CARF MF 6 a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Ora, tratandose de lançamento onde se exige apenas a diferença da valores em razão reclassificação da parcelas como remuneratórias salário indireito, devese concluir que o Contribuinte efetuou pagamentos em razão do mesmo fato gerador discutido, qual seja, contribuição previdenciária incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditas à pessoa física que lhe tenha prestado serviços (art. 22 da Lei nº 8.212/91). Tais recolhimentos, por força da Súmula CARF nº 99 atraem a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Diante do exposto, considerado as datas envolvidas (período 01/1997 a 12/2005 e intimação em 30/05/2006), estão decaídos os fatos geradores ocorridos até 04/2001, inclusive. Da retroatividade: Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Defende o Contribuinte que a multa aplicada seja reduzida em 20% nos termos do art. 61, §2º da Lei nº 9.430/96. Quanto a este ponto as argumentações do contribuinte merecem ser acolhidas em parte. A alteração legislativa ocorreu em data posterior a lavratura do auto de infração e também do julgamento realizado pela Câmara a quo, razão pela qual não foi analisada a eventual necessidade de se adequar a penalidade em razão do artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 36582.003314/200610 Acórdão n.º 9202007.487 CSRFT2 Fl. 5 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Interpretando o dispositivo e aplicandoo ao caso concreto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1093DF CARF MF 8 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 36582.003314/200610 Acórdão n.º 9202007.487 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 1095DF CARF MF 10 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 36582.003314/200610 Acórdão n.º 9202007.487 CSRFT2 Fl. 7 11 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Referido entendimento, que reflete as explicações da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, foi recentemente ratificado com edição da Súmula CARF nº 119 com o seguinte teor: SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, quando da execução do julgado deverá ser observada a necessidade de adequação da multa haja vista a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 e Súmula CARF nº 119. Conclusão: Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos até 04/2001, inclusive, e determinar a aplicação da retroatividade benigna nos termos da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1097DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900250/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.900250/200676 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.565 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente TECNOMOTOR ELETRÔNICA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.565, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 25 0/ 20 06 -7 6 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 4º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13851.900250/200676 Resolução nº 1201000.565 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/09/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900585/2015-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-006.197
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900585/201538 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.197 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria IPI Recorrente LIMERCART INDUSTRIA E COM DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 05 85 /2 01 5- 38 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.900585/201538 Acórdão n.º 3402006.197 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de pagamento a maior de IPI que restou indeferido pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a decisão da Unidade foi imotivada, não tendo sido apreciado o crédito, limitandose a autoridade a verificar se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ou seja, não haveria esclarecimento do significado de “inexistência de crédito”, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual requer a nulidade da decisão. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº01033.666. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação, ou seja, continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa por parte do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.183, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.900572/201569, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.183): "5. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10865.900585/201538 Acórdão n.º 3402006.197 S3C4T2 Fl. 0 3 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 5441682672, com código n. 5123, referente a PERD/COMP apresentada em 31/12/2010, no valor de R$ 114.590,23. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação analisada. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10865.900585/201538 Acórdão n.º 3402006.197 S3C4T2 Fl. 0 4 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10865.900585/201538 Acórdão n.º 3402006.197 S3C4T2 Fl. 0 5 valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10865.900585/201538 Acórdão n.º 3402006.197 S3C4T2 Fl. 0 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.007626/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 1020.138, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 3.233 a 3.239), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 07 62 6/ 20 08 -9 1 Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 11020.007626/200891 Resolução nº 1302000.717 S1C3T2 Fl. 3.360 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Se o lançamento tem seus fundamentos detidamente descritos pela autoridade, suportado por cálculos que demonstram a apuração da receita omitida e dos tributos decorrentes, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa, mormente quando a autuação baseiase em notas fiscais emitidas pelo próprio contribuinte. Comprovado que o contribuinte teve acesso ao processo administrativofiscal, inclusive obtendo cópia de seu inteiro teor, insubsiste qualquer argumento de preterição do direito de defesa em relação a documentos e planilhas que baseiam a autuação. LANÇAMENTO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. TRIBUTO DEVIDO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Uma vez demonstrada a matéria tributável e o cálculo do tributo devido, descabe alegação de vicio na constituição do crédito tributário por ausência de certeza e liquidez dos valores apurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas, o que foi decidido quanto A exigência matriz, devido A intima relação de causa e efeito entre elas." O presente processo se refere a Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), decorrente da constatação da infração de omissão de receitas da atividade, conforme fls. 03 a 62. A decisão recorrida, assim, resumiu o procedimento fiscal (com a ressalva de que a numeração de folhas citadas se referem ao processo antes da digitalização dos autos): "A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, com base em convênio de cooperação técnica, obteve junto à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul informações e documentos referentes ao impugnante. Conforme Relatório de Fiscalização (fls. 64 a 81), as informações e documentos obtidos junto à Secretaria da Fazenda do RS foram os seguintes: Arquivo digital que possibilita a visualização das notas fiscais de venda emitidas pela impugnante (52 CD's); Planilha contendo as informações individualizadas das notas fiscais constantes no arquivo digital anteriormente citado. Nesta planilha estavam disponíveis os seguintes dados: 1. n° da nota fiscal; 2. unidade da federação; 3. data de emissão; 4. base de cálculo do ICMS; Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 11020.007626/200891 Resolução nº 1302000.717 S1C3T2 Fl. 3.361 3 5. valor do ICMS; 6. base de cálculo do ICMS substituição tributária — ST; 7. valor do ICMS ST; 8. ICMS ST RS e 9. valor total da NF. A autoridade fiscal procedeu, então, a uma verificação, por amostragem, entre as notas fiscais e a planilha obtida junto ao ICMS/RS, constatando tão somente alguns equívocos quanto à unidade da federação. Por fim, concluiu que a planilha espelharia as notas fiscais, convalidando, assim, os valores nesta constantes. Salientou ainda que a validação dos dados referese ao período de outubro de 2002 a junho de 2005. Informa ainda que o contribuinte, intimado a apresentar arquivos digitais, apresentou informações adulteradas, de tal forma a aproximar os valores de receitas auferidas já informados à RFB, via DIPJ e Dacon, com os constantes nos arquivos apresentados. Cotejandose às informações declaradas pelo contribuinte à RFB com os dados obtidos junto ao ICMS/RS, alega ter identificado diferenças significativas, concluindo que o contribuinte havia omitidos receitas A tributação, conforme excerto do Relatório de Fiscalização (fls. 69 e 70), transcrito a seguir: "O contribuinte subtraiu parcela significativa de suas receitas de vendas à tributação (em torno de 50%), mediante o seguinte procedimento: nos arquivos digitais fornecidos Fiscalização e nos controles para quantificação de suas receitas, os dados das notas fiscais de venda emitidas eletronicamente eram deliberadamente e de forma aleatória artificialmente reduzidos, mediante a supressão pura e simples de itens constantes das mesmas, ou a alteração das quantidades dos itens e consequentemente de seus valores, com único objetivo final de reduzir substancialmente as bases de cálculo e, consequentemente, os valores dos tributos devidos. As fls. 248 a 366 constam cópias impressas de notas fiscais digitalizadas pela Fazenda Estadual e cópias dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte correspondentes a essas mesmas notas fiscais, onde fica comprovada de maneira inequívoca a manipulação dolosa dos arquivos digitais de notas fiscais de saída fornecidos pelo contribuinte em atendimento intimação dessa fiscalização,[..]. Apresentando os arquivos manipulados, em desacordo com os dados das notas fiscais emitidas, o contribuinte dificultou o procedimento da Fiscalização, todavia não impediu a apuração das receitas omitidas e de todos os tributos decorrentes, visto que, para o período objeto dessa fiscalização, essa Fiscalização já dispunha das notas fiscais e da planilha digitada pela Fazenda Estadual". (grifos do original) A autoridade fiscal ressalvou, entretanto, que as informações relativas As notas fiscais de vendas equiparadas A exportação não haviam sido manipuladas. O contribuinte, intimado a apresentar os talonários de notas fiscais, informou que a maioria desta documentação havia sido furtada e o restante das notas fiscais estaria em poder da fiscalização do ICMS. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 11020.007626/200891 Resolução nº 1302000.717 S1C3T2 Fl. 3.362 4 Instado também a reapresentar os arquivos digitais de notas fiscais (fls. 216 e 217), o contribuinte alegou que estaria impossibilitado de cumprir a exigência fiscal, uma vez que as notas fiscais estariam anexadas a processo tramitando junto ao Poder Judiciário. Por fim, o AuditorFiscal elaborou quadro comparativo entre o somatório de valor das notas fiscais constantes nos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte, o valor apurado a partir das notas fiscais digitalizadas pela Fazenda Estadual e os valores das Receitas declaradas em DIPJ, demonstrando a discrepância entre as receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte e declaradas A RFB (fl. 70). A fiscalização descreve minuciosamente a forma de quantificação das receitas a partir da planilha fornecida pela Fazenda Estadual, cotejando com os valores já declarados A RFB, para, enfim, determinar os valores de receitas não oferecidos A tributação. Em face da conduta do contribuinte, entendeu ser aplicável a multa qualificada de 150% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Apresentada impugnação (fls. 3170 a 3188), em resumo, assim se manifestou o impugnante: Do cerceamento do direito de defesa — a autoridade fiscal cita em seu relatório a elaboração de diversas planilhas que não teriam sido remetidas ao contribuinte como anexos aos autos de infração lavrados, ferindo o seu direito à ampla defesa; Vícios materiais dos lançamentos — o crédito tributário padeceria de certeza e liquidez, ferindo os ditames do art. 142 do CTN. Em relação a esta matéria, são estes os argumentos colacionados pelo impugnante: a. Os valores apontados nas planilhas de fls. 82, 83 a 85 e 367 a 2924 não podem ser tomados como verdade absoluta; b. Haveria discrepância entre quadro demonstrativo elaborado pela fiscalização (fl. 70) e os valores efetivamente lançados; c. O referido quadro demonstrativo não indicaria as receitas auferidas e omitidas no 4° trimestre de 2002; d. Em relação ao anocalendário de 2005 a fiscalização comparou duas grandezas referentes a períodos diversos, quais seja, comparando as receitas dos arquivos da Fazenda Estadual do período de janeiro a maio/2005 com os declarados em DIPJ referentes ao período de janeiro a junho de 2005; e. O critério de amostragem para validação da planilha fornecida pelo Fisco Estadual seria insuficiente para garantir certeza e liquidez na constituição do crédito tributário. Ao final, a impugnante aparenta querer resumir seus pedidos, entretanto, os assuntos tratados são absolutamente diversos do lançamento impugnado." Os julgadores a quo rejeitaram a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que cumpridas todas as exigências do art. 10 do Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 11020.007626/200891 Resolução nº 1302000.717 S1C3T2 Fl. 3.363 5 Decreto nº 70.235, de 1972, e o sujeito passivo teve acesso ao processo administrativo e obteve cópia integral dos autos. A decisão refutou, ainda, a alegação de ausência de certeza e liquidez na apuração das receitas omitidas e bases de cálculo dos tributos lançados, já que a autuação se baseou em informações oriundas das notas fiscais emitidas pelo contribuinte, e o sujeito passivo não apresentou prova de qualquer incorreção nos demonstrativos de apuração. Quanto à divergência apontada entre a planilha de fl. 70 e os valores considerados na autuação, esclareceu a decisão que a referida planilha era "meramente informativa, buscando demonstrar tão somente a gritante discrepância entre os valores declarados à RFB (...) e os efetivamente auferidos pelo contribuinte e constantes na planilha obtida junto ao ICMS/RS". As diferenças decorrem do fato de que algumas notas fiscais constantes constantes na planilha original e desconsideradas para fins de apuração da receita omitida, bem como de outras notas fiscais incluídas na referida planilha, conforme consta no Relatório Fiscal. Esclarece, ainda, que a "discriminação de cada nota fiscal utilizada para quantificar as receitas auferidas pelo impugnante encontrase nas planilhas de fls. 367 a 2924, e o demonstrativo das receitas omitidas encontrase à fl. 82". O Acórdão registrou, por fim, a constituição definitiva do crédito tributário relativo à aplicação de multa qualificada e aos critérios de rateio para apuração da base de cálculo de Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep, referentes ao período de fevereiro de 2004 a maio de 2005. Por tal razão, julgou integralmente procedente o lançamento. Cientificado da decisão (fl. 3.287), o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário de fls. 3.290 a 3.327, por meio do qual reitera as alegações de nulidade e vícios materiais do lançamento, porém acrescenta diversos fundamentos e matérias que igualmente constituiriam evidências de vícios na constituição do crédito tributário. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Para que seja possível a decisão acerca da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, às fls. 3.290 a 3.327, é imprescindível que seja esclarecida controvérsia quanto à data de ciência da decisão de primeira instância. É que consta do Aviso de Recebimento (AR) de fl. 3.287, ao lado da assinatura do recebedor da Intimação, a data de 10 de novembro de 2009. Contudo, está aposto, no mesmo AR, carimbo da Unidade da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos na localidade de destino, informando a data de 06 de novembro de 2009. Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 11020.007626/200891 Resolução nº 1302000.717 S1C3T2 Fl. 3.364 6 Como o referido carimbo é aposto apenas após a entrega do objeto postado (conforme Manual de Distribuição e Coleta dos Correios, Módulo 7, Capítulo 12, item 2.1.c, disponível em http://www.sintectgo.org.br/novo/index.php/lutasdacategoria/manuaisdaect), há nítido conflito entre as duas datas, o que, mais grave, conduz a decisões díspares quanto à tempestividade do Recurso. A par disso, o Termo de Juntada do referido AR atesta que a ciência se deu em 06/11/2009: Tais fatos são potencializados pela acusação da autoridade fiscal de manipulação dolosa de arquivos digitais, por parte da Recorrente. Isto posto, proponho a devolução do processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS, de modo a que: (i) seja verificado, na via original do Aviso de Recebimento, se há rasuras ou outras sinais de adulteração do referido documento, tais como aparente divergência (forma de escrita, cor de caneta, etc) entre a assinatura/identificação do recebedor e a data de entrega; Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 11020.007626/200891 Resolução nº 1302000.717 S1C3T2 Fl. 3.365 7 (ii) seja confirmada, mediante Intimação aos Correios, a data de recebimento do documento pelo destinatário; (iii) emitase relatório conclusivo acerca das informações acima requeridas, com os acréscimos daquelas que a autoridade preparadora julgar cabíveis ao esclarecimento da questão; (iv) dê ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, concedendolhe prazo de trinta dias para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3365DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.002400/2007-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.637/02.
As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deve compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador).
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas com Comissões, Combustíveis, Paletes de madeiras e estufamento de containeres.
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Diferentemente das regras inerentes à restituição, não há se falar em atualização monetária nem incidência de juros moratórios sobre créditos desta contribuição nos ressarcimentos decorrentes do regime da não cumulatividade.
Antes da vigência da Lei 10.833/03 não havia previsão legal para expedição de ato administrativo com esse objetivo. Com a sua entrada em vigor, o art. 13 c/c com o art. 15, inciso VI, a norma passa a vedar expressamente as referidas atualizações.
Numero da decisão: 3001-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que as Operações BMF/SWAP e as Variações Cambiais Ativas sejam incluídas nas receitas de exportações e considerar como insumos as despesas com Comissões, Combustíveis, Paletes de madeiras e estufamento de containeres. Vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que votou pelo provimento parcial em menor extensão por entender que a despesa com comissão paga à pessoa jurídica sobre a compra do couro bovino, por não se tratar de insumo, não dá direito à crédito.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.637/02. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deve compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas com Comissões, Combustíveis, “Paletes de madeiras” e “estufamento de containeres”. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Diferentemente das regras inerentes à restituição, não há se falar em atualização monetária nem incidência de juros moratórios sobre créditos desta contribuição nos ressarcimentos decorrentes do regime da não cumulatividade. Antes da vigência da Lei 10.833/03 não havia previsão legal para expedição de ato administrativo com esse objetivo. Com a sua entrada em vigor, o art. 13 c/c com o art. 15, inciso VI, a norma passa a vedar expressamente as referidas atualizações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 24 00 /2 00 7- 25 Fl. 606DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que as “Operações BMF/SWAP” e as “Variações Cambiais Ativas” sejam incluídas nas receitas de exportações e considerar como insumos as despesas com Comissões, Combustíveis, “Paletes de madeiras” e “estufamento de containeres”. Vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que votou pelo provimento parcial em menor extensão por entender que a despesa com comissão paga à pessoa jurídica sobre a compra do couro bovino, por não se tratar de insumo, não dá direito à crédito. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata a presente lide do pedido de ressarcimento de fls. 02/04, transmitido pela via eletrônica em 06/02/2007, em que se indica como direito creditório o ressarcimento da contribuição ao PIS não cumulativa exportação, relativo ao 4o trimestre de 2006, no montante de R$ 211.981,76. (...) Às fls. 191/193, encontramse a Intimação n.° 1210/2007 e a Notificação n.“ 105/2007, ambas emitidas pela Saort/DRF/LON, no sentido de comunicar a interessada do Parecer e Despacho Decisório antes mencionados, bem como intimála a informar se houve utilização do crédito na compensação de débitos, após o que farseia verificação da regularidade fiscal perante a RFB, PGFN e INSS, e, havendo débitos fiscais, o valor do ressarcimento seria utilizado para quitalos, mediante compensação em procedimento de ofício. Desses documentos (fls. 181/185 e 191/193), a interessada foi cientificada em 04/12/2007, conforme consta a fl. 201. Em 18/12/2007, a interessada protocolizou o documento de fls. 202/204, com o qual não autoriza a RFB a proceder a compensações de ofício e requer a expedição de ordem de pagamento do crédito reconhecido neste processo. Por meio de procuradores (mandato a fl. 205), a interessada apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 207/213, protocolizada em 26/12/2007, a seguir sintetizada. (...) Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16366.002400/200725 Acórdão n.º 3001000.758 S3C0T1 Fl. 326 3 Assim, no item “Quanto a inclusão de receitas originariamente não consideradas pelo contribuinte”, contesta a inclusão de receita nãooperacional de venda de bem do ativo imobilizado no critério de proporcionalidade, uma vez que não integraria a base de cálculo do PIS; por sua vez, quanto à verificação do percentual relativo às receitas de exportação em relação à sua receita bruta total, alega ser incorreta a classificação como receitas meramente financeiras das receitas advindas de operações de SWAP/BMF e de variação cambial ativa, posto que originárias de exportação, citando a propósito o art. 21, I, da IN SRF n.° 600, de 2005; alternativamente, quanto às receitas tidas como financeiras, requer que: “sejam as mesmas consideradas para efeito de ressarcimento/compensação, por decorrer de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero, diante da própria consideração feita no termo de informação fiscal de que 'a partir de 02/08/2004 as alíquotas das contribuições para o PIS e Cofins incidentes sobre receitas financeiras foram reduzidas a 0 (zero) pelo Decreto no.5.164/2004”, mencionando a propósito o art. 21, II, da IN SRF n.° 600, de 2005; após tais considerações, afirma: “Diante destes fundamentos, pelo critério da proporcionalidade, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para incluir as receitas financeiras suscitadas, decorrentes de operações de BMF/WAP e de variação cambial ativa, nas RECEITAS DE EXPORTAÇAO, por serem originárias de operação de exportação, devendo, portanto serem consideradas como `custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior'”; ao fim desse item, caso não seja esse o entendimento do órgão julgador, faz o seguinte pedido: “requer seja considerado o critério originário adotado pela requerente, de não considerar estas receitas financeiras, inclusive aquelas decorrentes de descontos obtidos, juros recebidos, renda sobre aplicação financeira e venda do imobilizado, uma vez que sequer formulado fundamentação capaz pela autoridade recorrida, para acobertar sua inclusão.”. No tópico “das despesas com comissões”, citando o art. 3", II, da Lei n.° 10.637, de 2002, diz que da análise desse dispositivo, ao contrário do entendimento do fisco, a comissão que teria pago a outra pessoa jurídica sobre a compra de couro bovino, utilizado como insumo em seu processo produtivo, seria, portanto, custo/despesa que dá direito a crédito. Por sua vez, no subitem “Das despesas com combustível”, tendo por base o mesmo dispositivo legal (art. 3°, II, da Lei n.° 10.637, de 2002), sustenta que também não merece prosperar o entendimento do fisco de desconsiderar as despesas com combustível como custo/despesa que dá direito a crédito do PIS, isso mesmo depois de ter esclarecido que “o combustível é utilizado em caminhão próprio, no transporte da matériaprima (couros in natura) até a indústria onde se inicia a primeira etapa de industrialização”; portanto, assevera que as despesas com combustível dão direito a crédito, por se enquadrar no referido texto legal. Já, no item “Das despesas com material de embalagem”, afirma que os “paletes de madeira” seriam essenciais para acomodação e proteção para transporte de couro “Wet blue”, fazendo parte do final da 3ª etapa do processo de produção, ou seja, tais custos/despesas estariam intrinsicamente ligados ao processo de produção/exportação, requerendo, assim, a reforma da decisão recorrida, para que se considere os créditos decorrentes das aquisições dos citados itens. Por seu turno, no subitem “Das despesas com exportação”, mencionando os serviços de “estufamento de containeres”, contesta o posicionamento do fisco de não lhe conceder o direito ao crédito de PIS; diz que tais serviços estariam diretamente ligados a armazenagem, já que tratarseiam de forma eficaz de se acondicionar a mercadoria dentro dos containeres para armazenagem e embarque. Fl. 608DF CARF MF 4 Sob os títulos “Quanto à consolidação dos valores”, em razão dos argumentos antes referidos, impugna a consolidação dos valores feitos pela decisão recorrida, em detrimento ao cálculo originariamente apresentado por ela, propugna pela reforma da parte glosada. Por fim, em face do alegado, requer a reforma da decisão recorrida, reconhecendo se a legitimidade da totalidade do direito creditório pleiteado no pedido de ressarcimento formulado; agrega, ainda “no intuito de minimizar os prejuízos' até então suportados pela Requerente”, que ao crédito a ser ressarcido sejam acrescidos juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, calculados a partir da data do protocolo até a data do respectivo ressarcimento/compensação. À fl. 216, consta ofício da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Londrina, encaminhando cópia de antecipação de tutela nos autos da Ação Ordinária n.o 2008.70.01.0004908, para que “seja creditado na conta corrente mencionada pela parte autora (Conta Corrente no 35491. agência 3407X do Banco do Brasil) o valor já reconhecido como devido no prazo concedido judicialmente de 10 dias contados da intimação que ocorreu em 31/01/08. À fl. 243, consta o Comunicado de Restituição, emitido pela Saort/ DRF/ Londrina, com o seguinte texto; “Por meio do presente comunicamos que em 21/02/2008 foi restituído o valor de RS 201.073,10, referente ao pedido de ressarcimento de crédito de PIS do 4º Trimestre de 2006 por meio de crédito na conta informada no processo em referência” à fl. 244, consta o aviso de recebimento desse comunicado em 27/02/2008. À fl. 245, despacho da Saort/DRF/Londrina, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. A DRJ de Curitiba/PR julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório conforme Acórdão no 0621.283 a seguir transcrito: Assunto: CONTRIBUIÇAO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÁOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE PERCENTUAIS DE VENDAS DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E DE VENDAS NO MERCADO INTERNO. RECEITA BRUTA TOTAL. COMPOSIÇÃO. RECEITAS DA VENDA DO ATIVO IMOBILIZADO/PERMANENTE. Quando da composição da “receita bruta total", para o cálculo da apuração dos percentuais das receitas de vendas de exportação e das vendas no mercado interno, não se incluem as receitas derivadas da venda do ativo imobilizado/permanente. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇAO. VARIAÇAO CAMBIAL. OPERAÇOES DE SWAP. DISTINÇAO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CALCULO. A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas e as operações BMF/Swap, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS nãocumulativo o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16366.002400/200725 Acórdão n.º 3001000.758 S3C0T1 Fl. 327 5 bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com comissões na compra de matériaprima, bem corno despesas com “estufagem de containeres”, sendo que esta última não se enquadra no conceito de despesas de armazenagem previsto no art. 3°, IX, da Lei n.° 10.833, de 2003, com as modificações introduzidas pela Lei n.“ 10.865, de 2004. INCIDÊNCIA NAOCUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO. COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. Gastos efetuados com combustíveis em veículo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, não configuram insumos na produção ou fabricação de bens, não sendo, por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange tãosomente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISAO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que em síntese alega o seguinte: (i) inclusão de receita não operacional de venda de bem do ativo imobilizado no critério de proporcionalidade; (ii) ser incorreta a classificação como receitas meramente financeiras das receitas advindas de operações de SWAP/BMF e de variação cambial ativa, posto que originárias de exportação; (iii) que a comissão que teria pago a outra pessoa jurídica seria sobre a compra de couro bovino; (iv) que o combustível é utilizado em caminhão próprio, no transporte da matéria prima (couros in natura) até a indústria onde se inicia a primeira etapa de industrialização; (v) que os “paletes de madeira” seriam essenciais para acomodação e proteção para transporte de couro “Wet blue”; e (vi) em relação às despesas com exportação”, mencionando os serviços de “estufamento de containeres”, contesta que tais serviços estariam diretamente ligados a armazenagem. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 610DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre a glosa de créditos de COFINS efetuada na análise do Pedido de Ressarcimento tendo em vista a inclusão de receitas na base de cálculo da contribuição que não foram consideradas pela Recorrente bem como da glosa de determinadas despesas que foram inseridas como insumos na apuração dos créditos objeto do referido pedido. Da Inclusão na base de cálculo das Receitas ditas Financeiras O entendimento da Recorrente é que as receitas financeiras decorrentes das operações BMF/SWAP e da Variação Cambial Ativa não compõem a base de cálculo da Cofins, com isso também não poderão compor a receita bruta para fins de cálculo da proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação. Esse tema já foi bastante discutido no âmbito deste Conselho por diversas Turmas de Julgamento, entretanto persistem posicionamentos divergentes no seu entendimento. O primeiro ponto a ser analisado é o fato de as referidas receitas financeiras oriundas das operações de exportação comporem ou não a base de cálculo da COFINS. As variações cambiais ativas, como espécie do gênero receitas de exportação, foram objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal no RE 627.815/PR com repercussão geral nos termos do art. 543B do CPC, e assim ficou decido conforme reprodução da ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 16366.002400/200725 Acórdão n.º 3001000.758 S3C0T1 Fl. 328 7 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” – conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nasoperações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O entendimento acima citado e determinado pelo STF deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 62 [...] §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, não há o que se discutir a respeito de as variações cambiais ativas são receitas decorrentes da atividade de exportação e são alcançadas pela regra da imunidade prevista no art. 149, §2º, I da Constituição Federal àquelas aplicadas. Com efeito, não há incidência das Contribuições para o PIS sobre as receitas oriundas das citadas variações cambiais. Nesta mesma linha de interpretação, entendo que as operações de SWAP também devem ser aludidas contribuições. Fl. 612DF CARF MF 8 Contudo, resta saber se cabe inserir as receitas financeiras objeto da presente análise no cálculo da receita bruta total por ocasião da análise do critério de rateio proporcional dos créditos de COFINS na sistemática da não cumulatividade. Para isso fazse necessário interpretar o que estabelece o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002, in verbis: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Portanto, o que o inciso II afirma é que haverá um rateio proporcional dos custos, despesas e encargos comuns. Para composição do crédito a ser considerado, calculase o percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa (numerador), que no presente caso as referidas receitas financeiras (SWAP e Variações Cambiais Ativas) não serão consideradas, e a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador), onde serão inseridas todas as receitas sujeitas ou não à incidência não cumulativa, ou seja, incluise as citadas receitas financeiras. Portanto, tendo em vista que a Recorrente vindica a exclusão das receitas financeiras da receita bruta total no cálculo do rateio de custos, despesas e encargos, para apuração dos créditos a serem por ele descontados, entendo que tais receitas não devem compor a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa (numerador), mas devem fazer parte da receita bruta total (denominador). Neste sentido, vejamos o que foi apurado pela fiscalização. Atacho a seguir o quadro com as receitas da Recorrente conforme efl 222: Destas Receitas a fiscalização apresentou os quadros onde foram encontrados os percentuais de rateio declarados pelo contribuinte e os apurados na auditoria. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 16366.002400/200725 Acórdão n.º 3001000.758 S3C0T1 Fl. 329 9 Diante do exposto no voto, entendo que tanto a Recorrente quanto a Fiscalização equivocaramse nos valores utilizados. Isto porque a fiscalização não incluiu nas ditas “Receitas de Exportação” as “Operações BMF/SWAP” e as “Variações Cambiais Ativas”. De mesma forma, a Recorrente não incluiu na Receita Bruta Total as receitas financeiras que foram consideradas como parte das receitas de exportação. Destaquese que, dentro do conceito de Receita Bruta, o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Portanto, dou parcial provimento para que as “Operações BMF/SWAP” e as “Variações Cambiais Ativas” sejam incluídas nas receitas de exportações. Conceito de Insumos Antes de adentrarmos na discussão propriamente dita da presente controvérsia, importante tecer alguns comentários a respeito da conceituação de insumos que vem prevalecendo na jurisprudência deste Conselho. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). O art. 3º, inciso II de ambas as leis autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. A Emenda Constitucional nº 42/2003 estabeleceu no §12º, do art. 195 da Constituição Federal o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais, consignando a sua definição por lei dos setores de atividade econômica. Portanto, a constituição deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. A Secretaria da Receita Federal apresentou nas Instruções Normativas nos 247/02 e 404/04 uma interpretação sobre o conceito de insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS um tanto restritiva, semelhante ao conceito de insumos empregado para a Fl. 614DF CARF MF 10 utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, previsto no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). Este entendimento extrapola as disposições previstas nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, contrariando o fim a que se propõe a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições. Nesta mesma linha de entendimento, igualmente incorre em erro quando se utiliza a conceituação de insumos conforme estabelecido na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, visto que esta seria demasiadamente ampla. Segundo o RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica, ou seja, seria insumo na sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais todos os bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. Portanto, é entendimento deste Conselho que o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser interpretado seguindo o critério da essencialidade. Este critério busca uma posição "intermediária" construída pelo CARF na definição insumos, com vistas a alcançar uma relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Reproduzo a seguir um conceito de insumo consignado no Acórdão nº 9303003.069, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF, e que vem servindo de base para os julgamentos dos processos deste Conselho: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. (grifos da reprodução) Sintetizando, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. O Superior Tribunal de Justiça adota o mesmo entendimento conforme pode ser observado no julgamento do recurso especial nº 1.246.317MG, cuja ementa segue abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16366.002400/200725 Acórdão n.º 3001000.758 S3C0T1 Fl. 330 11 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Portanto, após o relato do entendimento predominante a respeito da conceituação de insumos na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e para a COFINS, adentremos nas circunstâncias que regem o caso concreto. a) Despesas com Comissões A recorrente alega que a comissão paga à pessoa jurídica sobre a compra do couro bovino, utilizado como insumo na sua produção, é custo que daria direito ao crédito para ser descontado da Cofins. Tendo em vistas que a recorrente arcou com o recurso destinado ao pagamento das comissões, entendo que o serviço de intermediação para compra do couro está intimamente ligado ao processo produtivo da empresa, fazendo parte do valor do couro, principal insumo do produto final da recorrente. Fl. 616DF CARF MF 12 Diante do exposto, voto no sentido de que os serviços de comissão podem ser enquadrados no conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, devendo fazer parte do cálculo do crédito a ser descontado do valor apurado da Cofins. b) Despesas com Combustíveis A recorrente alega também o combustível foi utilizado em caminhão próprio da empresa para transporte do couro em natura e que, por isso, daria direito ao crédito para ser descontado da Cofins. Novamente entendo que tais despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo e, portanto, podem ser enquadrados no conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, devendo fazer parte do cálculo do crédito a ser descontado do valor apurado da Cofins. c) Material de Embalagens “Paletes de madeiras” A Recorrente alega que os paletes são essenciais para acomodação e proteção do couro no seu transporte, fazendo parte do final do processo produtivo e que por isso teriam direito ao crédito relacionado a estas despesas. Concordo com a Recorrente e do mesmo modo podem ser enquadrados no conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, devendo fazer parte do cálculo do crédito a ser descontado do valor apurado da Cofins. d) Despesa com Exportação “estufamento de containeres” Afirma a recorrente que os serviços referentes a “estufamento de containeres” estão diretamente ligados à armazenagem, uma vez que se trata de forma eficaz de se acondicionar a mercadoria dentro dos containeres para armazenagem e embarque. Ainda dentro da linha de entendimento relacionado a essencialidade do processo produtivo, entendo que essas despesas, quando suportadas pela sociedade empresária vendedora, se não são alcançadas pela rubrica “armazenagem de mercadorias”, certamente poderão ser enquadradas custo do transporte nas operações de venda. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário também neste particular. Da incidência da Taxa SELIC A Recorrente entende ser perfeitamente aplicável a SELIC para correção do valor a ser ressarcido. Fundamenta seu pleito no art. 39 da Lei no 9.250/95. Devido a ausência de amparo legal, não procede o pedido atualização monetária dos créditos ressarcidos com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 16366.002400/200725 Acórdão n.º 3001000.758 S3C0T1 Fl. 331 13 Diferentemente das regras inerentes à restituição, não há se falar em atualização monetária nem incidência de juros moratórios sobre créditos desta contribuição nos ressarcimentos decorrentes do regime da não cumulatividade. Antes da vigência da Lei 10.833/03 não havia previsão legal para expedição de ato administrativo com esse objetivo. Com a sua entrada em vigor, o art. 13 c/c o art. 15, inciso VI, a norma passa a vedar expressamente as referidas atualizações. Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para que as “Operações BMF/SWAP” e as “Variações Cambiais Ativas” sejam incluídas nas receitas de exportações e considerar como insumos as despesas com Comissões, Combustíveis, “Paletes de madeiras” e “estufamento de containeres”. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919106/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.156
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 91 06 /2 00 9- 11 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.919106/200911 Acórdão n.º 3402006.156 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1630.040, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.919106/200911 Acórdão n.º 3402006.156 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.919106/200911 Acórdão n.º 3402006.156 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.919106/200911 Acórdão n.º 3402006.156 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 72DF CARF MF
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