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Numero do processo: 11020.911317/2012-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/05/2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/05/2008 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 13 17 /2 01 2- 01 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 95 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911317/201201 Acórdão n.º 3802003.768 S3TE02 Fl. 121 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 93), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 95). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911317/201201 Acórdão n.º 3802003.768 S3TE02 Fl. 122 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720767/2012-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas em lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte:
Numero da decisão: 2803-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples relativo a CPP no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
1.0 = *:*
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anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas em lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte:
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples relativo a CPP no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
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DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas em lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 67 /2 01 2- 65 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples relativo a CPP no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13971.720767/201265 Acórdão n.º 2803004.064 S2TE03 Fl. 251 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Transportes e Logísticas Mandala Ltda, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AIOP nº 51.002.3207. REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada ao recolhimento das contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. LANÇAMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE. Restando incomprovado qualquer impedimento à constituição do crédito de natureza previdenciária patronal decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES, é válido o auto de infração lavrado para esse fim. IRRETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SIMPLES. A retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do SIMPLES é determinada pela própria legislação tributária que disciplina o sistema. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO EM FORO INADEQUADO Tratandose de processo de crédito relativo a contribuições previdenciárias, exigíveis por decorrência da exclusão da empresa do sistema SIMPLES, não é esse o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão e sim o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o reexame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo, referese a Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.002.3207 e conforme Relatório Fiscal (fls. 69/75) foi lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições destinadas a terceiros, no valor de R$ 200.156,11 (duzentos mil, cento e cinqüenta e seis reais e onze centavos), com juros e multa de ofício incluídos, consolidado em 04/04/2012, correspondente ao período de 01/2009 a 13/2010, não declaradas em GFIP, tendo como fato gerador a remuneração paga aos segurados empregados. Conta no Relatório Fiscal, ainda que a contribuinte foi excluída do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, conforme os Atos Declaratórios Executivos ADE nº 16 e 17, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 respectivamente, decorrentes dos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES nº 13971.720762/201232 e 13971.720763/201287 respectivamente. Devidamente intimada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação, aduzindo, em síntese: a) violação ao princípio da legalidade e da ampla defesa, em decorrência de o ato de exclusão não ter sido julgado definitivamente e o fato da empresa se encontrar enquadrada no Simples não é um fato interpretativo mas fato jurídico perfeito e acabado; b) que não há vínculo empregatício entre os empregados da El Golli e da notificada, até mesmo porque não se encontram preenchidos os requisitos previstos no artigo 3º da CLT (subordinação, pessoalidade e dependência econômica), sendo os mesmos, empregados das empresas que prestam serviços (MANDALA) para a El Golli; c) que em nenhum momento a Fiscalização apresentou provas contundentes e fortes, capazes de corroborar sua tese de simulação ocorrida na terceirização contratada. Ao analisar as alegações da contribuinte, a DRJ em Belém entendeu por bem em não acatar as ponderações apresentadas, mantendo na íntegra a autuação efetivada. Irresignada, a contribuinte apresentou confuso recurso voluntário aduzindo, em apertado escorço: a) que faz jus ao recolhimento pelo Simples, uma vez que sua inscrição é ato jurídico perfeito; b) inexistência de simulação; c) inexistência de grupo econômico; e) inexistência de vínculo laboral. Sem contrarrazões por parte da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13971.720767/201265 Acórdão n.º 2803004.064 S2TE03 Fl. 252 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Do Grupo Econômico A recorrente insurge contra a configuração de grupo econômico, nos termos em que realizado pela fiscalização tributária. Afirma que não forma grupo econômico, que não há elementos nos autos que permitam essa conclusão. O grupo econômico é aquele composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais (art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 c/c art. 2º, § 2º da CLT), verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Art. 2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Em outras palavras, grupo econômico é aquele “que se forma entre dois ou mais entes favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho em decorrência de existir entre esses laços de direção ou coordenação em face de atividades industriais, comerciais, financeiras, agroindustriais ou de qualquer outra natureza econômica” (Maurício Godinho Delgado. Introdução ao Direito do Trabalho. 2.ed. São Paulo: LTr, 1999, p. 334). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 No caso concreto, a fiscalização logrou êxito em delinear os requisitos ensejadores do grupo econômico com relação às empresas recorrentes. Conforme o Ato Declaratório Executivo nº 16, de 02 de abril de 2012, a recorrente foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte a pessoa jurídica, pelas seguintes razões: I Formação de grupo econômico, DE FATO, com a empresa FRIGORÍFICO ELL' GOLLI Ltda (CNPJ:02.225.085/000131), consequentemente, incidindo na vedação imposta pelo artigo 9º. (incisos II, IX e X) da Lei 9317/96 e artigo 20 (incisos II, IX e X) da IN SRF 608/06; II Realização de locação de mãodeobra e, consequentemente, prática reiterada de infração à legislação tributária (artigos 9º (inciso XII, letra “f”) e 14° (inciso V) da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e artigos 20º (inciso XI, letra “e”) e 23° (inciso V) da IN SRF 608/06) (fls. 51). Compõe grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde em um grupo de pessoas a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado. Foi verificada a confusão na participação acionária, o controle comum da atividade empresarial e a identidade de sede das sociedades. Assim, entendo que houve a demonstração dos requisitos necessários do grupo econômico (art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 c/c art. 2º, § 2º da CLT). Devese, portanto, neste ponto, se manter a decisão recorrida lavrada contra o contribuinte. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica Podese conceituar a desconsideração da personalidade jurídica como sendo na essência, que em determinada situação fática a Justiça despreza ou “desconsidera” a pessoa jurídica, visando a restaurar uma situação em que chama a responsabilidade e impõe punição a uma pessoa jurídica, que seria autêntico obrigado ou o verdadeiro responsável, em face da lei ou do contrato. Dessa forma, a desconsideração da personalidade é essencial para punir abusos e impedir práticas ilícitas. No Brasil, a desconsideração da personalidade jurídica deu seus primeiros passos com o Código de Defesa do Consumidor, que em seu art. 28, autoriza sua utilização quando houver infração da ordem econômica. Após o Código de Defesa do Consumidor, o segundo dispositivo legal do ordenamento jurídico pátrio a tratar da desconsideração foi a Lei Antitruste (8884/94) que em seu artigo 18 condena as infrações de ordem econômica impondolhes aplicação das devidas sanções. Seguido pelo artigo 4º da Lei 9605/98, que dispõe acerca da responsabilidade por lesões ao meio ambiente. Depreendese dessas elementos normativos, elementos essenciais que são considerados como caracterizadores da desconsideração da pessoa jurídica em favor do consumidor, tais como: abuso de personalidade jurídica, sagradas no desvio de finalidade e na confusão patrimonial; comportamento doloso e fraudulento. Nessa senda, destacase o art. 50 do Código Civil, em destaque: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13971.720767/201265 Acórdão n.º 2803004.064 S2TE03 Fl. 253 7 sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Depreendese da dicção do referido artigo que é necessário utilizarse desse aparato jurídico em algumas situações definidas em Lei. Dessa maneira, as hipóteses de aplicação da desconsideração da personalidade jurídica merecem apreciação. Como acima descrito, as hipóteses da aplicação podem ser: abuso de personalidade jurídica desvio de finalidade e confusão patrimonial; comportamento doloso e fraudulento. Na hipótese de desvio de finalidade e confusão patrimonial. Considerase que o desvio de finalidade concretizase no objetivo diferente do ato constitutivo para prejudicar alguém; mau uso da finalidade social, ou seja, é a ação contrária à prevista em nosso ordenamento, tentando protegerse através da figura pessoa jurídica. Por outro lado, a confusão patrimonial existente entre o sócio e a pessoa jurídica consiste na mistura do patrimônio social com o particular do sócio, causando dano a terceiro, de tal modo que é essencial para utilização da desconsideração, pois, sua ação incide diretamente nessa separação patrimonial. Frisese que esses atos advêm diretamente da utilização abusiva da pessoa jurídica e a desconsideração da personalidade jurídica visa possibilitar a transferência da responsabilidade para aqueles que a utilizarem indevidamente. De tal modo, temse que o ato de constituição da pessoa jurídica é um ato jurídico, com isso, é regido pelo Ordenamento pátrio, portanto, são embasados na licitude. Dessa forma, a constituição da pessoa jurídica ou sua utilização para a prática de atos ilícitos é hipótese de desconsideração da pessoa jurídica. Por conseguinte, quando o administrador ou sócios fazem mau uso da finalidade social da pessoa jurídica através de ação danosa ou fraudulenta e causam dano a outrem, usase a desconsideração para penalizálo. Assim sendo, eles serão responsabilizados e seus bens poderão ser atingidos, sem confusão com os bens de patrimônio da pessoa jurídica. Devese respeitar os ditames principiológicos da autonomia patrimonial e admitir o uso desse instituto somente em casos de repressão à fraudes ou de coibição ao mau uso da forma da pessoa jurídica. Ademais, temse o entendimento de que, apesar da possibilidade de aplicação do art. 50 do Código Civil de 2002, a autoridade fiscal possui o poder de apurar o crédito tributário de maneira a afastar a personalidade jurídica face à autorização proveniente do próprio Código Tributário Nacional. Assim, prepondera que essa atitude revela as nuanças de utilização do afastamento da personalidade jurídica. Logo, também, entendese que para a o Ordenamento jurídico Brasileiro, assim como para o direito tributário, fazse presente a possibilidade de aplicação da desconsideração ou da personalidade jurídica. Ressalto, contudo, que entendo que a desconsideração só pode ser utilizada em casos extremos, que fique devidamente comprovada a má utilização de estruturas societárias com o escopo de lesar o Fisco ou obter vantagem indevida. Ocorre que, no caso ora em apreço restou devidamente comprovado que a empresa Live utilizouse indevidamente da empresa GMJ com o desiderato único de obter Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 benefício tributário indevido, conforme bem descrito no Relatório Fiscal (fls. 16/38), há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. 33. Outro aspecto preliminar relevante à caracterização da unicidade do empreendimento é alegada inexistência de contratos de locação do imóvel ocupado por ambas. Vejase que na resposta aos respectivos Termos de Intimação Fiscal, ambas alegaram a inexistência de contrato de locação. Quando questionado a esse respeito, o Sr. Gabriel Goulart Sens nos informou que existe um “Comodato” formalizado com o seu pai, Sr. Moacyr Rogerio Sens, porém não apresentou e não soube dizer se havia documento escrito. 34. Obviamente que, em se tratando de duas empresas dos mesmos donos e gestores; para o exercício de mesma atividade industrial; nas mesmas instalações físicas; nítido tartarse de uma só empresa, como adiante se confirmará ante a análise dos demais livros e documentos apresentados: 35. A escrituração contábil dessa empresa aponta o seguinte volume de receitas anuais auferidas pela venda de produtos de fabricação própria e/ou venda de mercadorias (fonte: Livro Diário Geral nº 8, fls. 29 (2008) e Escrituração Contábil Digital (2009 a 2011): 36. O demonstrativo acima aponta um volume de receitas que – por um lado – comprova a impossibilidade da empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL e – por outro lado – nos parece compatível com a estrutura operacional ali identificada e, principalmente, com o volume de pessoas que ali trabalhava, quando de nossa visita inicial. 37. Todavia, analisando as despesas apresentadas nos balancetes anuais (2008 a 2011) vimos que aqueles trabalhadores não aparecem na contabilidade pois não encontramos contas de despesas com pessoal (nem folhas de pagamentos de salários) . 38. Em contrapartida isto é, em substituição às despesas com salários, encontrase o registro contábil de despesas com serviços de industrialização, em montantes anuais compatíveis com o volume de mão de obra empregada pelo sujeito passivo, como a seguir demonstramos (fonte razão das contas citadas): 39. Dentre os custos com serviços de industrialização lançados nestas contas, podemos ver que sua quase totalidade – em valor – diz respeito a faturamento de serviços de industrialização prestados pela GMJ, senão vejamos o ano 2011 (amostragem) onde estão contabilizadas as seguintes notas fiscais emitidas pela GMJ que somam R$ 2.150.957,50 e representam 99,14% do saldo da conta no valor de R$ 2.169.667,84 (fonte: excerto do razão da conta citada cujo número estruturado é 05.1.5.03.024):” Assim sendo, não merece guarida as alegações dos recorrentes, sendo corretamente aplicada a simulação, afastandose, também, a decadência pleiteada, uma vez que não se aplica o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Da Compensação Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13971.720767/201265 Acórdão n.º 2803004.064 S2TE03 Fl. 254 9 De ofício faço a aplicação da Súmula 76 do CARF, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Da Multa Qualificada Atualmente, a lei nº. 9.430/96 é a principal norma disciplinadora das multas punitivas a serem aplicadas no descumprimento das obrigações tributárias federais, nos casos de lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo. Prevê multa de 75%, nos casos de falta de pagamento, recolhimento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44, I. O inciso II, do art. 44 do mesmo diploma legal ainda impõe a aplicação de multa equivalente a 150% do valor do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. O §2º do mesmo dispositivo ainda prevê o agravamento das multas previstas nos incisos I e II, impondo sanções de 112,5% e 225%, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimações para prestar esclarecimentos e fornecer arquivos e documentos que a Receita Federal exige que sejam guardados pelo contribuinte. O art. 46 estabelece multas de 112,5% e 225% se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos acerca da falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou justificar a falta de recolhimento do imposto lançado ou seu recolhimento após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Já a lei nº. 10.852/04, artigo 2º, dispõe que as multas a que se referem os incisos I e II do art. 44 da Lei no 9.430/96, serão de 150% e de 300% respectivamente, nos casos de utilização diversa da prevista na legislação das contas correntes de depósito sujeitas ao benefício da alíquota zero de que trata o art. 8º da Lei no 9.311/96, bem como da inobservância de normas baixadas pelo Banco Central do Brasil de que resultar falta de cobrança da CPMF devida. Como se vê, as leis federais tipificam pesadíssimas multas que podem chegar a até 300% do tributo devido. Com efeito, pela observância das normas descritas, verificase que, somente em caso de comprovação, pelo Fisco, do intuito sonegador, do evidente intuito de fraude, poderá a fiscalização impor sanções qualificadas, agravadas. E não poderia ser diferente em um Estado de Direito. Como já dizia o saudoso mestre Rui Barbosa, "não sigais os que argumentam com o grave das acusações, para se armarem de suspeita e execração contra os acusados. Como se, pelo contrário, quanto mais odiosa a acusação não houvesse o juiz de se precaver Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 mais contra os acusadores, e menos perder de vista a presunção de inocência, comum a todos os réus, enquanto não liquidada a prova e reconhecido o delito." Todavia, no caso em questão, correta a multa aplicada pela fiscalização. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples relativo à CPP no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10530.726036/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVOS.
Não devem ser conhecidos os embargos de declaração opostos fora do prazo regimental de cinco dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 1302-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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INTEMPESTIVOS. Não devem ser conhecidos os embargos de declaração opostos fora do prazo regimental de cinco dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 1302001.116, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 60 36 /2 01 1- 43 Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Exercício: 2008 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido desconstituídas as provas dos autos, consistentes em um conjunto de indícios convergentes que maculam a idoneidade dos CTRC, há que ser mantida a glosa das despesas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 14/07/2014 (AR a fls. 2456) e opôs embargos de declaração em 01/08/14, alegando o seguinte: a) que o acórdão encerra obscuridade, porque a decisão proferida pelo CARF acabou por incorrer em obscuridade e vício insanável, por evidente configuração de cerceamento de defesa, pois não houve a intimação pessoal da recorrente acerca da data designada para a sessão de julgamento, impossibilitando o seu comparecimento para sustentação oral; b) que há contradição da decisão embargada, pois o voto vencedor está consubstanciado apenas em ilações, pois sequer expôs os motivos ensejadores do convencimento; c) que aproveita a embargante, por meio desta peça recursal, para prequestionar a matéria. Em 18/09/2014, a embargante atravessou petição nos autos (doc. a fls. 2467), na qual, entre outras questões, alega o seguinte: “A peticionária protocolou os embargos de declaração no dia 01 de agosto de 2014, pois teve ciência inequívoco do acórdão n.1302 001.116, no dia 28 de Julho de 2014, através da funcionária Raimunda Kátia Silva Oliveira, gerente do setor fiscal, portadora do RG. N.4288253, tudo isso ao dirigirse a sede da Receita Federal de seu domicílio tributário, conforme atesta a documentação em anexo. Acontece que, a requerente ao compulsar os autos do processo administrativo fiscal e buscar informações perante os correios, tomou conhecimento no dia 16.09.2014, que houve recebimento referente ao acórdão n.1302001.116, no dia 14 de julho de 2014. Todavia, ao analisar a carta de aviso e recebimento percebese, claramente, nulidade na intimação, eis que não consta o número do documento de identidade do suposto recebedor do documento. A assinatura aposta no documento não é identificável, sendo que, existe apenas em letra cursiva e de imprensa o nome de Erica Mota, o que nos leva a crer que o referido nome foi depositado no documento pelo carteiro dos Correios. ............................................................................................................. Contudo fazendo ilações e presunções sobre quem recebeu o AR, chegase a pessoa natural de Erica Mota (em virtude do nome colocado pelo preposto dos correios), em razão disso a requerente realizou busca no setor de recursos humanos e descobriu que existiu uma funcionária com o referido nome, porém tal funcionária fora admitida no dia 22 de Abril de 2014 e demitida no dia 15 de Setembro de 2014, conforme prova a sua ficha cadastral e Carteira de Trabalho em anexo. Comparando a carta de aviso e recebimento com a ficha de Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.576 S1C3T2 Fl. 2.479 3 registro de empregado e com a carteira profissional da pessoa natural de Erica Mota Santos, verificase que assinatura aposta no AR é totalmente diferente da exfuncionária da Requerente. ................................................................................................................” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Os embargos de declaração são intempestivos, pois opostos fora do prazo regimental de 5 dias da ciência da decisão. Alerto que, com a apresentação dos embargos (intempestivos) no dia 01/08/14, sem qualquer questionamento acerca da sua tempestividade, ocorreu a preclusão consumativa para questionar a intempestividade dos embargos. Ademais, o AR foi enviado para o endereço da embargante e, dele, consta o nome de empregada da empresa à época, conforme afirma a própria embargante, razão pela qual resta plenamente demonstrada a regularidade da ciência da decisão embargada em 14/07/2014. Por essas razões, voto por não conhecer dos embargos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/1 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721117/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
É nulo o lançamento tributário realizado pelo regime de apuração do lucro real quando o contribuinte não possui qualquer escrituração contábil e fiscal, pois aplicável tão somente o arbitramento do lucro para determinação das bases tributáveis, conforme critérios legais.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF).
Numero da decisão: 1302-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade ficaram vencidos, pois negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade ficaram vencidos, pois negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é de caráter relativa, ou seja, o contribuinte pode e deve realizar prova em contrário. No entanto, caso o contribuinte não realize comprovação em contrário, a presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96 consolidase para o caso em discussão. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento tributário realizado pelo regime de apuração do lucro real quando o contribuinte não possui qualquer escrituração contábil e fiscal, pois aplicável tão somente o arbitramento do lucro para determinação das bases tributáveis, conforme critérios legais. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 17 /2 01 0- 37 Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade ficaram vencidos, pois negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.847 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas pela recorrente, fato que motivou o lançamento de ofício de IRPJ (R$ 8.941.987,53), CSLL (R$ 3.417.868,08), PIS (R$ 729.469,28), COFINS (R$ 3.155.793,35) e INSS (R$ 915.774,45) (fl. 02/59 e 1329/1359). Em resumo, o AFRFB convenceuse da ocorrência dos seguintes fatos, registrados no termo de verificação fiscal (fl. 1050/1061): (i) Que a fiscalização teve início após representação requisitória pelo Ministério Público Federal; (ii) Que foram encaminhados à Receita Federal, documentos inerentes a inquérito policial em que o Sr. Raimundo Rabelo Freire é indiciado pela prática de crimes tributários por intermédio de interpostas pessoas; (iii) Que na representação foram apontadas como interpostas pessoas de Raimundo Rabelo Freire, a pessoa jurídica Rabelo Veículos LTDA ME, ora recorrente, Francisco Messias Rebouças e Maria Edileia de Oliveira Queiroz; (iv) Que para obter informações bancárias dos envolvidos, fezse requisição de movimentação financeira junto aos bancos; (v) Que posteriormente houve representação fiscal contra Rosangela Maria Carlos de Oliveira e Francisco Messias Rebouças, também como interpostas pessoas de Raimundo Rabelo Freire; (vi) Que havia flagrante discrepância entre a receita declarada pelos sujeitos envolvidos e a movimentação financeira registrada nos respectivos extratos bancários (mais de 15 milhões); (vii) Que Raimundo Rabelo Freire possuia procuração, com amplos e irrestritos poderes para gestão de recursos financeiros nas contas correntes de todos os sujeitos envolvidos; (viii) Que Raimundo Rabelo Freire foi intimado para apresentar relação de bancos junto aos quais possuia contas, acompanhadas de todos os extratos e documentos que comprovem a origem dos recursos; (ix) Que foi expedido edital de intimação de Raimundo Rabelo Freire, por conta de sua não localização, para cientificálo acerca da expedição de RMF às instituições financeiras; Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (x) Que Raimundo Rabelo Freire foi intimado para apresentar documentos que comprovem a origem dos valores depositados nas suas contas correntes e nas dos sujeitos consideradas interpostas pessoas, sendo alertado de que estas movimentações estavam sendo consideradas como dele, na condição de responável solidário, e da empresa recorrente; (xi) Que a recorrente havia sido intimada para apresentar os documentos inerentes à sua contabilidade, bem como os atos constitutivos; (xii) Que a recorrente solicitou, por intermédio de procurador, a dilação do prazo para manifestarse, mas permitiu que o prazo concedido transcorresse sem qualquer manifestação; (xiii) Que os atos constitutivos da recorrente foram solicitados à junta comercial; (xiv) Que formalmente constam como sócios da recorrente os senhores Gildesio Estevam Freire e Gildenio Estevam Freire, filhos de Raimundo Rabelo Freire; (xv) Que Gildesio Estevam Freire e Gildenio Estevam Freire apresentam rendas incompatíveis com a de sócio de pessoa jurídica com o porte da recorrente; (xvi) Que ao confrontar a movimentação financeira da recorrente com a receita por ela declarada, constatouse a flagrante discrepância de mais de R$ 9.000.000,00 (nove milhões); (xvii) Que segundo informações dos autos, em nome dos sujeitos tidos como interpostas pessoas, transitaram inúmeros veículos automotores, muito embora nenhum deles tenha sido informado nas respectivas declarações de rendimentos; (xviii) Que Rosangela Maria Carlos de Oliveira registrou movimentação financeira superior a 1,5 milhões, ou seja, incompatível com rendimentos de telefonista da recorrente; (xix) Que foi apurado em diligência fiscal que a conta corrente de Rosangela Maria Carlos de Oliveira era utilizada para gerir recursos financeiros da recorrente; (xx) Que Francisco Messias Rebouças registrou movimentação financeira superior a 3,5 milhões, ou seja, incompatível com rendimentos de funcionário da recorrente; (xxi) Que Maria Edileia de Oliveira Queiroz, esposa de Raimundo Rabelo Freire, registrou movimentação financeira superior a 170 mil reais, e que ele possuia procuração com amplos poderes de gestão destes recursos perante os bancos com os quais ela mantinha conta; (xxii) Que as movimentações financeiras foram consideradas omissão de receita com fulcro no art. 42, da Lei nº 9.430/96; Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.848 5 (xxiii) Que era o caso de desconsideração da personalidade jurídica para impedir a fraude e o mau uso do instituto; (xxiv) Que foi lavrado termo de sujeição passiva solidária responsabilizando o Sr. Raimundo Rabelo Freire pelo crédito tributário objeto de lançamento; (xxv) Que restava caracterizado evidente intuito de fraude hábil a justificar o lançamento de multa qualificada; A recorrente teve ciência do auto de infração em 23/04/2010 (fl.1374/1375). Apresentou impugnação em 20/05/2010 (fl. 1377/1735), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) cuja ementa adiante segue (fl. 1760/1776): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo. ÔNUS PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do Contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo. ÔNUS PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do Contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Anocalendário: 2004, 2005 ATIVIDADE VINCULADA. Não compete à Autoridade Administrativa apreciar questões relacionadas à situação econômicofinanceira do Contribuinte Autuado, quando da constituição do Lançamento previsto pela legislação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLLSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINSSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PISSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSSSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. Aplicase às Exigências Reflexas o que foi decidido quanto à Exigência Matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi intimada da decisão supratranscrita em 09/07/2012 (fl. 1804). Em 07/08/2012, interpôs recurso voluntário, no qual ventila as seguintes razões, em resumo (fl. 1808/1826): (i) Que a presunção utilizada para equiparar os depósitos bancários ao faturamento da recorrente é inadmissível e ofende o princípio da estrita legalidade. Além disso, desvirtua os “preceitos normativos contidos na legislação tributária” que conceituam o faturamento (fl. 1809). Tratase de violação à vinculação do agente administrativo à lei; (ii) Que nos contratos de venda e compra de veículos que intermediava, a recorrente exigia que o comprador depositasse o valor do negócio em sua conta. Após, retia 5% do valor da venda e repassava o restante para o proprietário do veículo (por vezes, a comissão era menor). Por isso, a base de cálculo empregada pelo AFRFB está errada, pois não se considerou despesas dedutíveis; (iii) Que o AFRFB modificou o conceito de faturamento para sua comodidade, equiparandoo ao conceito de “movimentação bancária” (fl. 1810), o que configura “arbitrariedade”. Desconsiderouse também a possibilidade de ocorrência de prejuízo. A DRJ desconsiderou as notas fiscais apresentadas; Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.849 7 (iv) Que o crédito tributário constituído é confiscatório, visto que supera o “lucro auferido e o patrimônio acumulado pela recorrente em todo o período em que exerceu suas atividades” (fls. 1813). Há ofensa, portanto, ao art. 150, inciso IV, CF. Ofende, por consequência, o princípio da capacidade contributiva. Apresenta doutrina sobre o tema; (v) Defende que a base de cálculo estatuída pela Lei n. 9.718/98 para o PIS/COFINS é inconstitucional. É o relatório. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Do Ônus Probatório do Contribuinte em Relação a Origem de Recursos em sua Conta Bancária. Da Regularidade do Lançamento Tributário. A recorrente defende a nulidade do auto de infração, argumentando que seria presunção atentória contra o princípio da estrita legalidade tributária considerar os depósitos realizados em suas contas bancárias como seu faturamento. Alega, ainda, que nos contratos de compra e venda de veículos que intermediava, recebia em suas contas bancárias o valor integral dos bens e posteriormente repassava o valor ao proprietário do veículo retendo sua comissão, em média de 5% (cinco por cento) sobre o valor do negócio. Defende, também, que a base de cálculo empregada pelo AFRFB está errada, pois não se considerou as despesas dedutíveis ou ainda a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais. Pois bem. Constatase nos autos que em sua declaração simplificada de rendimentos, no anocalendário 2004, a recorrente informou ter obtido receita bruta no importe de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (fls. 1250/1267), e no anocalendário 2005, R$ 5.733,00 (cinco mil setecentos e trinta e três reais). Intimada a apresentar à autoridade fiscal os livros contábeis de manutenção obrigatória, atos constitutivos da sociedade e extratos com a movimentação financeira junto aos bancos (fls. 60/224), a recorrente quedouse inerte em todas as oportunidades. A inércia da recorrente em atender a solicitação da autoridade fiscal legitimou a expedição de RMF (requisições de movimentação financeira) pelo AFRFB às instituições financeiras, exigindose os extratos bancários e documentos pertinentes aos sujeitos envolvidos, o que foi prontamente atendido conforme consta dos autos (fls. 256/1023). Posteriormente, o AFRFB intimou a recorrente a comprovar a origem dos lançamentos apontados individualmente (fls. 66/224), mas, no entanto, não houve qualquer manifestação. O art. 42, da Lei n° 9.430/96, apresenta a presunção legal de omissão de receita quando se verifica o ingresso de valores na conta bancária do contribuinte que, intimado, não comprova sua origem, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.850 9 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. […] Sendo assim, em virtude da presunção legal disposta acima, ocorre inversão do ônus da prova e, portanto, cabia à recorrente nestes autos a comprovação da origem dos valores que ingressaram em sua conta bancária, demonstrando com documentos hábeis quais receitas pertenciam a terceiros e apenas transitavam em sua conta. Apesar de em sua manifestação de inconformidade a recorrente apresentar notas fiscais de venda de veículos, em momento algum ela realiza a vinculação de cada uma destas notas aos depósitos correspondentes, ao menos de forma exemplificativa. E mais. Observase destas notas fiscais que nem mesmo a alegada comissão, equivalente em média a 5% (cinco por cento) do valor do veículo, é discriminada (fls. 1377/1735). A comprovação desta informação seria fundamental para corroborar suas alegações. Os exercícios autuados foram de 2004 e 2005, e irei abordálos individualmente devido a sistemática distinta de apuração do lucro realizada pelo fiscal em cada um deles. Para o anocalendário 2004, quando a recorrente era optante do simples federal, regulado pela Lei nº 9.317/96, como empresa de pequeno porte (fls. 1250/1267), o lançamento foi efetuado, com base na receita omitida, da forma como dispunha o art. 23, II, alíneas “b”, “e”, “h” e “i”, da Lei nº 9.317/96 (SIMPLES), vejase: Art. 23. Os valores pagos pelas pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES corresponderão a:[…] II no caso de empresa de pequeno porte: […] b) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "b" do inciso II do art. 5º: 1 0,26% (vinte e seis centésimos por cento), relativo ao IRPJ; 2 0,26% (vinte e seis centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 2% (dois por cento), relativos à COFINS; Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 5 2,28% (dois inteiros e vinte e oito centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1º do art. 3º. […] e) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "e" do inciso II do art. 5º: 1 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), relativo ao IRPJ; 2 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 2% (dois por cento), relativos à COFINS; 5 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1º do art. 3º. […] h) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "h" do inciso II do art. 5o: (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 1 sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 2 sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 3 um por cento, relativo à CSLL; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 4 dois por cento, relativos à COFINS; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 5 três inteiros e nove décimos por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1o do art. 3o; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) i) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "i" do inciso II do art. 5o: (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 1 sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 2 sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 3 um por cento, relativo à CSLL; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 4 dois por cento, relativos à COFINS; (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) 5 quatro inteiros e três décimos por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1º do art. 3º. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) Atentese que neste regime, toda a tributação era feita com base na receita bruta da recorrente, de modo que se torna absolutamente infundada a pretensão em deduzir eventuais despesas ou compensar eventual prejuízo apurado no referido anocalendário (2004). Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.851 11 Não faz o menor sentido a recorrente insurgirse às regras inerentes ao regime de apuração da tributação, feito por opção própria. A movimentação financeira constatada nas contas correntes de titularidade da recorrente foi considerada como receita bruta, da forma como manda o já citado art. 42, da Lei n° 9.430/96. O lançamento realizado pela autoridade fiscal na origem fora feito em fiel observância à legislação pertinente, ou seja, com a aplicação das alíquotas previstas no art. 23, II, alíneas “b”, “e”, “h” e “i”, da Lei nº 9.317/96sobre a receita bruta por ela conhecida, qual seja a apurada a partir dos extratos bancários obtidos perante as instituições financeiras. Destarte, não se vislumbra quaisquer irregularidades no lançamento tributário relacionado ao anocalendário 2004. A corroborar a legalidade deste lançamento, destacamse os seguintes arestos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (CARF. Acórdão nº 1402001.671. PAF nº 10865.000626/200946. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez. Sessão: 06/05/2014) […] OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. (CARF. Acórdão nº 1402 001.604. PAF nº 19515.000176/201151. Rel. Cons. Carlos Pelá. Sessão: 12/03/2014). Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 […] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIMPLES. ALÍQUOTA A pessoa jurídica cuja receita bruta exceder ao limite de R$ 2.400.000,00 adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea t do inciso II do caput, no § 2o, nos incisos III ou IV do § 3 ° e nos incisos III ou IV do § 4 °, todos do art. 5 ° desta Lei, acrescidos de 20%. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. De acordo como o artigo 15, inciso IV, da Lei n° 9.317/96 a exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do ano calendário subsequente Aquele em que for ultrapassado o limite de Receita Bruta. (CARF. Acórdão nº 1402001.209. PAF nº 15540.000026/201189. Rel. Cons. Maurício Pereira Faro. Sessão: 04/06/2014). Assim, impõese concluir que não há quaisquer reparos a serem feitos no lançamento feito pelo AFRFB em relação ao anocalendário 2004. Considerando a receita omitida no anocalendário 2004, a recorrente excedeu o limite máximo de receita bruta exigido para permanência no simples federal, e em razão disso ela foi excluída deste regime com efeitos a partir de 01/01/2005, com fulcro no art. 15, IV, da Lei 9.317/96, segundo registrado no ato declaratório executivo nº 24, de 12/04/2010 (fls. 1325). Quanto ao anocalendário 2005, verificase nos autos que o AFRFB efetuou o lançamento de ofício com base no lucro real, conforme artigos 249, II; 251 e parágrafo único; 279; 282; 287; e 288, todos do Decreto nº 3.000/99, além do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e do art. 24, da Lei nº 9.249/95, tomando a movimentação financeira apurada nos extratos bancários como lucro da recorrente (fls. 1329/1359). Tendo a contribuinte todos os documentos fiscais necessários, entendo perfeitamente possível e obrigatório o Fisco efetuar o lançamento pelo Lucro Real, que é a regra. A simples omissão de receita (via depósito bancário ou outra presunção legal) por si não pode ensejar o arbitramento. Se assim não for, toda a omissão de receita irá caracterizar um arbitramento, e isso não é a regra. O arbitramento somente pode ser utilizado em casos extremos onde a contabilidade do contribuinte é imprestável, de tal forma, que é impossível apurar o lucro real e reconstituir a escrita fiscal. Porém, no presente caso, a fiscalização errou em optar pela apuração do lucro real, pois a empresa fiscalizada não apresentou um documento sequer, ou seja, nada. A empresa não possuía qualquer documento e nem escrituração contábil/fiscal, de modo que não podemos dizer que ela era imprestável, pois nem existia. Tal situação somente pode cominar com o arbitramento do lucro, por ser impossível a apuração do lucro real, como fez o AFRFB. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.852 13 Outrossim, pior que se utilizar da apuração pelo lucro real neste caso, o auditor considerou a omissão de receita como se fosse (igual) o lucro da recorrente. É deveras teratológico considerar que a pessoa jurídica não teve despesas em sua atividade empresária. Veja que em planilha aposta no TVF (fls. 1.051), a autoridade fazendária aponta como movimentação bancária no anocalendário de 2005, considerada como receita da recorrente, pois não houve comprovação/justificação da sua origem, o montante total de R$ 10.851.140,43 (dez milhões, oitocentos e cinquenta e um mil, cento e quarenta reais e quarenta e três centavos), conforme planilha abaixo: Francisco M Rebouças R$ 3.063.214,39 Rosângela Maria C. de Oliveira R$ 1.613.874,52 Raimundo Rabelo Freire R$ 500.424,31 Rabelo Veículos LTDA ME R$ 5.673.627,21 TOTAL R$ 10.851.140,43 Posteriormente, no auto de infração lavrado (fls. 1.329 e seguintes), considerouse como receita tributável (lucro) todo o valor tido como receita omitida, sem considerar quaisquer despesas ou valores dedutíveis, como se resume abaixo: 1o Trimestre R$ 4.740.088,64 2o Trimestre R$ 2.346.088,75 3o Trimestre R$ 1.110.811,33 4o Trimestre R$ 3.442.451,76 TOTAL R$ 11.639.440,48 Destacase que todo o lançamento se fundamenta tão somente na presunção legal de omissão de receita através da movimentação bancária sem comprovação da origem, consoante bem se evidencia do TVF e dos autos de infração, no qual expressamente resta consignado apenas a seguinte infração: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme informações prestados pelos bancos. Portanto, todo o valor da receita tida como omissão de receita por não ter sua origem comprovada/justificada foi utilizada indevidamente como base de cálculo do lançamento tributário. O Decreto nº 3.000/99 traz alternativas para a apuração do lucro. Uma delas é o lucro arbitrado, que segundo art. 530, é cabível quando: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Ao desconsiderar esta forma de apuração do lucro, é evidente que o AFRFB incorre em nulidade do lançamento no presente caso, pois considera ilegitimamente toda a movimentação financeira registrada nos extratos bancários da recorrente como lucro, o que não é verdade. A omissão de receita é faturamento (receita) para fins legais. Nunca lucro. O objeto social da recorrente é a revenda de veículos. É inconcebível negar que a intermediação de venda de bens demanda uma elevada movimentação bancária, sem que necessariamente essa movimentação pertença ao intermediador e impossível ser ela 100% lucro, sem qualquer custo. Mas para não alongar o assunto, tão teratológico, basta dizer que existe previsão legal para omissão de receita, e não existe previsão legal para considerar depósitos lucros. Por isso, ante a ausência de escrituração contábil da recorrente, a solução impositiva sem dúvidas é a adoção do método de arbitramento do lucro. Neste sentido já se manifestou este conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004. […] NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não atendendo a contribuinte às intimações para apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, o arbitramento do lucro é o único método possível para determinação das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, ensejando, também, a sistemática cumulativa para apuração da contribuição ao PIS e da Cofins. (CARF. Acórdão nº 1201 000.868. PAF nº 16095.000446/200828. Rel. Cons. Rafael Correia Fuso. Sessão: 11/09/2013) (grifouse). Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.853 15 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Ano calendário: 2003, 2004 […] ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A inexistência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento do lucro. Uma vez adotado o arbitramento, descabe, no julgamento, o aproveitamento de custos no âmbito do PAF. (CARF. Acórdão nº 1802002.387. PAF nº 11516.006265/200893. Rel. Cons. Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Sessão: 22/10/2014). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2007 […] FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. (CARF. Acórdão nº 1301001.607. PAF nº 13864.720215/201193. Rel. Cons. Carlos Augusto de Andrade Jenier. Sessão: 26/08/2014). Em tempo, destacase que o art. 532, do Decreto nº 3.000/99, dispõe o seguinte: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I) (grifouse). É dizer, mesmo pelo método arbitrado, o lucro em verdade corresponde a um percentual da receita bruta, de acordo com a atividade empresária desenvolvida pelo contribuinte. Como o AFRFB não fora diligente neste aspecto, a medida que se impõe é a anulação do lançamento relativo ao anocalendário 2005. Em razão do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento do crédito tributário relacionado ao anocalendário 2005, tanto com relação ao IRPJ e CSLL quanto ao PIS e a COFINS, conforme fundamentação exposta acima. Ressaltase que, quanto ao PIS e COFINS, se a metodologia do Lucro Real é inadequada para apurar a forma de tributação do contribuinte, tais tributos não poderiam ter sido lançados com base nas leis n.º 10.637/02 e n.º 10.833/03, mas deveriam ter sido apurados pelo sistema da cumulatividade. Assim não estão tais tributos corretamente lançados e padecem de fundamentação legal adequada tanto no TVF quanto no Auto de Infração. 2. Caráter confiscatório da multa de ofício e da inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS/COFINS Alega a recorrente que o lançamento da multa realizada na constituição do crédito é inconstitucional, por ofender ao princípio do nãoconfisco. Ao expor seu raciocínio, defende que: Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 O legislador brasileiro pecou por omissão. A existência de dispositivo legal específico, que positivasse um teto ao impositor de penalidades, constituiria uma barreira de difícil transposição àquele, e, principalmente, uma defesa legal ao contribuinte lesado. E não é outra solução a que nos oferece Sacha Calmon, em seguida a brilhante, embora breve, exposição sobre o tema. […] Devemos nos ater à pilares mais palpáveis, o que o eminente mestre mineiro sugere é medida para o por vir. O impositor de sanções deve regular sua atividade pelo princípio discricionário sim; no entanto, o fazendário não pode, fazendo tábula rasa do célere princípio do não confisco, promover, ao seu puro talante, o lançamento de penalidades escorchantes, de modo a ultrajar axiomaticamente os mens legis do art. 150, IV, da nossa Lei Maior. (grifouse). Em tópico distinto, a recorrente alega também a inconstitucionalidade da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, estatuída pela Lei n. 9.718/98, nos seguintes termos: Falha mais uma vez o agente atuante, quando utiliza para base de cálculo para a apuração do PIS e da COFINS, as normas introduzidas pela Lei n. 9.718/98, uma vez que a mesma é notoriamente inconstitucional, senão vejamos. A partir do mês de competência fevereiro/99, através da Lei n.º 9.718/98, as citadas contribuições tiveram a sua base alargada, passando a ser calcula com base na receita bruta e não mais sobre o faturamento. Outrossim, também foi elevada a alíquota da COFINS, passando de 2% (dois por cento) para 3% (três por cento). Entretanto, não devem prevalecer tais alterações, tendo em vista que a alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS, e a majoração de alíquota desta última, afrontam a Constituição Federal e a Lei Complementar 70/91, pelos seguintes fatos e fundamentos, verbis: […] Como visto, a base de cálculo utilizado pelo agente autuante para a constituição do crédito tributário é notoriamente ilegítimo, haja vista que o fundamento legal utilizado pela mesma é notoriamente inconstitucional. (grifouse). Como acontece em defesas dessa natureza, a insurgência ataca a previsão abstrata da lei. Isto significa que votar pela procedência do recurso implicaria afastar uma lei vigente, o que somente poderia ser feito se houvesse vício de inconstitucionalidade reconhecido por uma das formas previstas no art. 26A, §6º, Dec. 70.235/72, o que não é o caso. Portanto, por força da competência deste Conselho, tal provimento não é possível, nos termos dispostos pela súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale consignar que outro seria o tratamento jurídico caso fosse ventilado o desajuste entre a previsão abstrata da lei e a aplicação desta pelo agente fiscal, pois tal Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 1302001.601 S1C3T2 Fl. 1.854 17 constatação se inseriria perfeitamente na competência deste Conselho (art. 1o, do Anexo I da Portaria MF n. 256/2009 – RICARF). Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação, isto é, invoca o princípio do nãoconfisco para combater a previsão legal da multa, e a inconstitucionalidade da lei nº 9.718/98, para afastar a incidência do PIS e da COFINS, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema, razão pela qual voto pelo desprovimento do recurso neste ponto. Dessa forma, voto pelo não provimento do recurso voluntário, conforme razões expostas. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do ano de 2005, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904800/2009-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 00 /2 00 9- 35 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904800/200935 Acórdão n.º 9303002.568 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904800/200935 Acórdão n.º 9303002.568 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 18186.000146/2007-74
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 172 1 171 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.000146/200774 Recurso nº 18.186.000146200774 Voluntário Acórdão nº 2803003.089 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente VIACAO BRISTOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 46 /2 00 7- 74 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.000146/200774 Acórdão n.º 2803003.089 S2TE03 Fl. 173 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar todos os documentos solicitados pela fiscalização referentes aos exercícios de 2001 a 2006. O recurso foi tempestivo e nele foi alegado que a penalidade é injusta em razão da política e carga tributária do país, sem alegar qualquer motivo fático específico ou jurídico. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.000146/200774 Acórdão n.º 2803003.089 S2TE03 Fl. 174 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido Está correto Auto de Infração, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização está estabelecida art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Os argumentos trazidos pelo recurso quanto à política tributária e carga tributária do país são fundamentos metajurídicos, não podendo afastar a aplicação da legislação. Assim, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado Digitalmento) Gustavo Vettorato Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000106/2004-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
RECURSO. PRAZOS. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
Numero da decisão: 3403-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 RECURSO. PRAZOS. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 RECURSO. PRAZOS. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 06 /2 00 4- 09 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre DCOMP (fls. 1 a 3)1, apresentada em 28/09/2004, objetivando compensar crédito de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa do período de apuração abril de 2004 (valor de R$ 482.060,79) com débitos de agosto de 2004 referentes a CSLL. No relatório de fls. 15 a 21 (emitido em 08/10/2008, no bojo do processo administrativo no 13204.000025/200409), a fiscalização analisa o período de apuração 01/2004, estendendo as conclusões aos períodos subsequentes (fl. 17). No relatório (em consonância com o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 74 a 85), informase basicamente que houve glosa de: (a) “IPI recuperável” (incluído indevidamente como parte integrante do valor de aquisição dos bens); (b) transporte de lama vermelha (por ser em fase anterior à da obtenção do produto final, e por ser a lama um resíduo/rejeito, e não um componente do processo produtivo) e manutenção de refratários (custos ativados dispêndios recuperáveis por meio das operações normais da empresa, para substituição de refratários em bens do ativo imobilizado, com reposição em prazos superiores a um ano); (c) despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas (em função do art. 9o da Lei no 9.718/1998 e do art. 30 da Medida Provisório no 2.15835/2001); (d) receitas decorrentes de operações de hedge/opções; e (e) falta de inclusão na base de cálculo dos valores de crédito presumido de IPI. Com base no relatório é emitido o Despacho Decisório de fl. 22, deferindose parcialmente o crédito referente a janeiro. O saldo do débito de CSLL de agosto (R$ 482.060,79) passa, então, a R$ 62.143,44 (fl. 24), com saldo zero de crédito (fl. 25). É emitido ainda, em consequência, o Despacho Decisório de fl. 26 (com ciência à empresa em 29/12/2008, cf. AR de fl. 43), deferindose parcialmente o crédito referente a abril (R$ 419.917,35), determinandose a cobrança do saldo remanescente do débito confessado (R$ 62.143,44). A planilha demonstrativa de créditos após as glosas encontrase à fl. 116. A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 28/01/2009 (fls. 44 a 67), sustentando que: (a) não são tributáveis pelas contribuições as receitas financeiras, ainda que advindas de operações de hedge, conforme já entendeu o STF; e (b) a lama vermelha e o material refratário glosados (na peça de defesa relacionados também a crédito presumido de IPI) participam e são essenciais à produção de alumina, sendo irrelevante a inexistência de contato físico com o produto final. Em 13/03/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 191 a 208), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade (e pela improcedência da demanda por perícia), sob os argumentos de que: (a) a defesa não questiona todas as alterações efetuadas pelo fisco na análise de seus registros, limitandose a questionar a tributação das receitas financeiras e a glosa de serviços de transporte de lama vermelha e de manutenção de refratários; (b) as receitas financeiras, na sistemática não cumulativa, fazem parte da base de cálculo das contribuições, conforme disposições legais (v.g., Lei no 9.718/1998, art. 9o) e regulamentares (v.g., Decretos no 5.164/2004 e 5.442/2005); (c) as glosas sobre os serviços são acertadas, pois destes não decorre ação direta sobre o produto em fabricação; e (d) diante da ausência de comprovação (parcial) do direito ao crédito, permanece não homologada (parcialmente, tal qual decidido na unidade local) a compensação apresentada. Cientificada do acórdão da DRJ em 04/04/2012 (AR de fl. 210), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 07/05/2012 (fls. 214 a 258), basicamente reiterando as 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13204.000106/200409 Acórdão n.º 3403003.521 S3C4T3 Fl. 467 3 considerações expostas na manifestação de inconformidade, e acrescentando de forma inédita considerações sobre glosas do ativo imobilizado, RECAP, benefícios para SUDENE e SUDAM, e REIDI. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Cabe preliminarmente à análise do recurso verificar a procedência da informação contida no despacho de fl. 302, que atesta a intempestividade na apresentação do recurso voluntário, pela empresa. Dispõe o art. 23 do Decreto no 70.235/1972: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2o Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)” A decisão de primeira instância foi encaminhada para o endereço correspondente ao domicílio do sujeito passivo que consta no cadastro da RFB (Rod. PA 481, Km 12, Barcarena/PA), endereço esse confirmado por toda a documentação carreada ao processo (inclusive a da postagem do recurso voluntário), tendo sido recebida a correspondência (contendo o acórdão da DRJ referente ao presente processo) em 04/04/2012, conforme Aviso de Recebimento de fl. 210. O Decreto no 70.235/1972 estabelece ainda em seus arts. 5o, 33 e 35 que: Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 “Art. 5o Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Assim, intimado o sujeito passivo em 04/04/2012 (uma quartafeira), inicia se a contagem do prazo recursal na quintafeira seguinte (05/04/2012), devendo a empresa interpor o recurso até 04/05/2012 (uma sextafeira). Como o recurso voluntário apresentado tem protocolo de postagem de 07/05/2012 (cf. carimbos apostos ao documento de fl. 212), inquestionável a perempção apontada pela unidade preparadora. E não há qualquer manifestação ou justificativa sobre o assunto na peça recursal. Não há ainda nenhuma indicação de que no dia 05/04/2012 ou no dia 04/05/2012 tenha deixado de haver expediente normal na repartição. Não há tampouco qualquer questionamento em relação ao AR de fl. 210, seja no que se refere à legitimidade do signatário (em que pese o teor da Súmula no 9 deste CARF) ou à autenticidade do documento. Considerando o exposto, e configurada a perempção, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002317/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título às empresas concessionárias de energia elétrica.
Numero da decisão: 3201-001.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mônica Elisa de Lima e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e momentaneamente o conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título às empresas concessionárias de energia elétrica.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mônica Elisa de Lima e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e momentaneamente o conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 292 1 291 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.002317/200537 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.721 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria RESSARCIMENTO COFINS Recorrente NORSKE SKOG PISA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. GLOSA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DA FAZENDA NACIONAL. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, enquanto ao contribuinte/pleiteante incumbe o ônus da comprovação da existência do direito creditório, a necessidade de glosa de créditos pleiteados deve ser comprovada pela Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título às empresas concessionárias de energia elétrica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 23 17 /2 00 5- 37 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 293 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mônica Elisa de Lima e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e momentaneamente o conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo das declarações de compensação (Dcomp) de fl. 02 e fl. 34 esta última Dcomp originada do processo nº 10940.002315/200548, posteriormente anexado à fl. 66 ao processo principal n° 10940.002317/200537, anteriormente referenciado), por intermédio das quais se declara a existência de créditos da Contribuição para o financiamento da Seguridade Social COFINS exportação (total do crédito a compensar, respectivamente, de R$ 13.972,60 e R$ 13.424,75, para os meses de outubro e novembro de 2001), referentes ao 4° trimestre de 2004, conforme expresso nos Demonstrativos de "Crédito da COFINS Exportação" de fl. 03 e de fl. 35, a serem compensados com débitos relativos à multa por atraso na entrega de DCTF, considerada vencidas em 29/05/2005. Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa/PR (DRF/PTG/PR) exarou o Despacho Decisório nº 413/2007 (fls. 203/209), reconhecendo apenas parcialmente (valor total: R$ 23 573,10) o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do credito reconhecido, a compensação efetuada mediante as declarações de compensação de 11. 02 e 11 34, sob os seguintes fundamentos: • Como ambas as declarações (Dcomp) se referem a um único tipo de crédito e ao mesmo trimestre, os processos foram juntados por anexação (fl. 66), em 06/07/21107, para que a análise do crédito do trimestre fosse realizada em conjunto; • O interessado apurou créditos da Cofins lastreado nos arts. 2º, 3º, §15, e 6º, da lei nº 10.833, de 29/12/2003, pelos quais, tratandose de créditos apurados segundo a incidência não cumulativa da contribuição, vinculados a operações de exportação, para as quais não incide a COFINS, podese compensar os créditos assim acumulados; • Também deve ser observado que o contribuinte fabrica, importa e distribui papel imune, conforme comprovado pela situação vigente de seu Registro Especial Papel Imune junto a RFB, conforme fl. 195; • Não se constatou divergências entre a proporção de créditos de mercado interno e exportações, usada pelo contribuinte no Dacon (fls. 10/25) e a calculada através da relação de notas de Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 294 3 saída apresentada em resposta ao item 2 da Intimação nº 172/06 (fls. 67 a 70), e, assim, temse que a proporção das exportações no mês de outubro é de 1,20%; 1,06% no mês de novembro; não houve exportações declaradas para o mês de dezembro; • Intimado às fls. 67 a 70 a apresentar esclarecimentos e documentação do crédito pleiteado, o contribuinte apresentou relação, em meio digital, de notas fiscais de entrada que dão origem ao crédito objeto das Dcomp em análise; • Considerandose, dentre essas notas fiscais, aquelas relacionadas com Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs — referentes a bens utilizados como insumos, temse que o mês de novembro teve discriminadas notas que somam o montante de R$ 4.363.400,85 de base de cálculo de contribuições, que está aquém daquela informada nas linhas 2 das Fichas 04 e 06 do DACON, pelo que a diferença, no valor de R$ 192.165,76 na base de cálculo para o mês de novembro deve ser objeto de glosa; • Foi também realizada amostragem das notas fiscais relacionadas a bens utilizados como insumos, conforme Intimação nº 192/07 (fls. 139/146), a partir da qual se constatou que estavam relacionadas como geradoras de crédito as notas de nºs 2589, 2594, 2601, 2601 e 2608 (fls. 156/160), que se referem a parcelas de uma complementação de contrato de compra junto à Norske Skog Florestal Tida.; • Conforme discriminado na nota à ft 156, os valores discriminados nas notas fiscais citadas no item acima se referem à "correção monetária", e, como a correção monetária/complementação em questão tem caráter meramente financeiro/monetário, não implicando realmente em maior aquisição de insumos, concluise pela glosa das notas acima relacionadas, glosandose da base de calculo, desta forma, os valores de R$ 35.485,94 para os meses de outubro, novembro e dezembro; • Já com relação à rubrica "Serviços Utilizados como Insumos", temse que o interessado apresentou, em resposta ao item 1 da Intimação nº 72/06 (lis, 67/70), relação de notas fiscais de entrada, após o que se verificou que as notas relacionadas com os CFOPs referentes a prestação de serviços, estavam registradas no Dacon sob a rubrica "Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda", e que, as operações efetivamente referentes aos créditos das linhas 3 das Fichas 04 e 06 do Dacon foram relacionadas em separado, em outra planilha eletrônica entregue em resposta à mesma intimação; • Não sendo suficientes as informações descriminadas na planilha referente a serviços, foi lavrada Intimação n" 237/06 (fis 124/126), que, em seus itens 1 e 2 solicita maiores esclarecimentos a respeito dos serviços que geraram crédito para o contribuinte no período sob análise; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 295 4 • Em resposta, o interessado apresentou Planilhas às fls. 133/135, as quais discriminam como se deu o cálculo dos créditos advindos dos serviços utilizados como insumos, sendo que os dados informados nessas tabelas forma confirmados tanto pelas informações prestadas anteriormente pelo contribuinte (planilha eletrônica de "serviços de colheita de madeira/palco de madeira") quanto por sua escrituração fiscal; • Dessa forma, concluise que foram confirmadas aquisições de serviços que dão direito a credito nos montantes de R$ 1.646.650,38, R$ 1.163.337,81 e R$ 1.323.478,43, para os meses de outubro, novembro e dezembro, respectivamente, sendo que, como os valores informados nessa rubrica no Dacon foram, pela ordem, R$ 1.724.300,57, R$ 1.231.073,30 e R$ 1.669.734,34, constatase a diferença de R$ 77.650,19, R$ 67.735,46 e R$ 346.255,91, respectivamente; • O interessado atribui todo o valor confirmado ao mercado interno, conforme totalização no registro "Linha 03 — Serviços Utilizados como Insumos (Dacon) das tabelas às lis. 133/135, e, dessa forma, a glosa da base de cálculo para o mercado interno é aquela reconhecida pelo próprio contribuinte nas tabelas apresentadas, sendo o restante do valor da diferença explicitada no parágrafo anterior referente à exportação; • Realizada amostragem quanto às notas fiscais de serviços utilizados como insumos, através da intimação n° 192/07 (fls. 139/146), não se constataram outras divergências, pelo que glosase da base de cálculo apenas as diferenças apuradas nas tabelas às fls. 196/197; • Já em relação aos créditos advindos das despesas de energia elétrica, conforme inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, foi apresentada, para tanto, em resposta a intimação n° 172/06 (fls. 67/70), relação de notas, sendo que, a partir dessa relação (fis. 161/162), foram realizadas amostragens através das intimações nºs 237/06 (fls 124/126) e 192/07 (fls. 139/146), e, ao se analisar tais notas, percebese que o interessado, na apuração dos créditos pleiteados, incluiu na base de cálculo multas, taxas municipais de iluminação pública e outros serviços diversos, sendo que os créditos surgem da energia elétrica consumida no estabelecimento e não de outros custos e despesas relacionadas a esse consumo, que não devem ser incluídos no cálculo do crédito, sendo, portanto, objeto de glosa (fls.1 96/197); • Dessa forma, através de análise conjunta com o Livro Razão do contribuinte, verificouse que, no mês de outubro, as despesas de energia elétrica que serve como base de cálculo para os créditos foram de R$ 5.192.286,41, contra R$ 6.736.442,07, declarados no DACON; no mês de novembro, o contribuinte comprovou despesas dessa natureza no montante de R$ 6.682.471,13, maior que os RS 6.146.098,18, anteriormente declarados; já no mês de dezembro. as despesas comprovadas Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 296 5 somaram R$ 6.195.436,19, em oposição aos R$ 6.281.240,61, declarados em Dacon; • Quanto às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, informadas no DACON, o contribuinte apresentou, em resposta ao item 5 da Intimação fl 172/06 (fls. 67/70), tabelas às lis. 121/123, acompanhadas de cópias do Livro Razão, demonstrando os serviços de armazenagem e de frete nas operações de venda, que geram credito conforme inciso 11 do art. 3º da Lei n° 10.83.3, de 29112/2003, • Verificouse que os valores que compõem os créditos dessa rubrica estão de acordo com as contas apresentadas no Livro, e, com o intuito de comprovar as operações descritas no Razão, foi feita amostragem de notas fiscais conforme o item 3 da Intimação nº 27/06 (fls 124/126), a partir da qual, não havendo incongruências, fica confirmado o crédito relativo às operações de frete e armazenagem, conforme pleiteado; • Entretanto, percebese às fls. 122/123 que o contribuinte incluiu no cálculo dos créditos dos meses de novembro e dezembro, nessa mesma rubrica, as despesas com despachantes, bem como outras despesas comerciais, mie não têm natureza de frete e armazenagem, e, tampouco, configuramse como insumo, não possuindo, por tanto, base legal para aproveitamento de créditos de contribuições, pelo que, dessa forma, são glosados os montantes de R$ 87.058,02 e R$ 83.877,25, respectivamente, da base de cálculo dos créditos da COFINS para os meses de novembro e dezembro; • Em resposta ao item 5 da Intimação nº 237/06 (fls. 124/126), o interessado apresentou cópias de notas fiscais de entrada acompanhadas de seus respectivos comprovantes de importação, bem como demonstrativos relativos às contribuições pagas na importação, já apresentadas anteriormente, anexadas às fls. 87, 88, 101, 102, 114 e 115, a partir dos quais observouse que ha divergências entre o montante de crédito pleiteado e aquele comprovado através das importações de celulose e sobressalentes no mês de dezembro; • Observouse que há divergências quanto à contribuição para o PIS/Pasep no mês de novembro, bem como à totalização do crédito no mês de dezembro, porém, tratando o presente processo de créditos da COFINSexportação e não havendo saldas para o mercado externo no mês de dezembro, não ha glosas dos créditos analisados nestes autos referentes a essa rubrica • Considerandose todo o exposto, bem como as tabelas confeccionadas às fls. 136/138, representando a apuração de credito nas importações, a planilha demonstrativa de glosas as fls. 196/197 e a tabela de resultado à fl. 98, as quais resumem as glosas efetivadas, na forma anteriormente mencionada, e a apuração dos créditos da COFINS a descontar (quando houve glosas, procedeuse à distribuição dos valores glosados na proporção de créditos de mercado interno e exportações, Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 297 6 segundo os percentuais anteriormente discriminados, salvo quando houve manifestação da autoridade local dispondo de forma diversa), decidese reconhecer o direito creditório do interessado, no montante de R$ 23.573,10, homologandose as compensações pleiteadas neste processo, are o limite do crédito reconhecido, destacandose que os débitos objeto de compensação estão sendo controlados no processo adminisirativo 10940.001952/200505, que trata de multa por atraso na entrega de DCTF. 3 Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 06/09/2001, conforme se observa no Aviso de Recebimento (AR) de fl, 210, o contribuinte, irresignado, apresentou, em 09/10/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 214/223 e demais documentos a ela anexados às fls, 224/241 (procuração, 224; copia de Contrato Social, de atas e da 9'. Alteração de Contrato Social. fls.. 225/210; cópia de carteira de identificação profissional do procurador da empresa, expedido pela OAB/PR, 11.241), alegando, em síntese, que: a) Em relação aos créditos decorrentes da aquisição de bens utilizados como insumos, flagrante a ausência de motivação da decisão recorrida, não se podendo admitir a glosa de créditos de PIS/COFINS exclusivamente por conta dos CFOP's utilizados pela impugnante, já que, como se sabe, estes códigos silo utilizados apenas como facilitadores da atividade de fiscalização, e, assim, seria imprescindível que fossem indicados expressamente quais os CFOPs cujas operações não foram consideradas aquisições de insumos, até mesmo porque a impugnante não tem como verificar com exatidão qual foi o critério adotado pela fiscalização para selecionar quais códigos dão ou não direito a crédito e como demonstrar o equivoco da glosa; b) Sem a indicação precisa dos CFOPs desconsiderados, a autuação é nula de pleno direito, pois não há norma estabelecendo que determinados Códigos possam ou não dar direito a crédito; c) Em segundo lugar, também se tendo em vista que estes Códigos servem apenas de orientação e auxilio, não podem ser simplesmente adotados do forma plana para considerar determinado gasto como gerador ou não do crédito, sendo imprescindível que a autoridade fiscalizadora analise concretamente as operações para, sob o viés da verdade real, concluir pela possibilidade ou não da geração dei créditos, mencionandose, nesse aspecto, decisão do E Conselho de Contribuintes nos autos do processo nº 10540.000237/9841 (Recurso 114038; Acórdão 20308073). d) A autoridade fiscal apenas analisou e desconsiderou as aquisições do bens que supostamente não seriam insumos, porém, as mesmas divergências que provocariam a glosa para a redução dos créditos utilizados para compensação, também Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 298 7 provocariam o aumento em outras situações, ou, em outras palavras, caso adotado os critérios da Fiscalização, se no exercício indicado haveria diminuição do crédito, em outras oportunidades haveria o aumento dos créditos a serem utilizados, porém, somente foi considerada a diminuição e não o aumento; e) quanto á glosa dos valores pagos a título de complementação de valor de contrato de compra junto à Notske Skog Florestal, relativos à correção monetária, é absolutamente evidente a ilegalidade do procedimento, já que, como se sabe, a correção nada mais é do que a atualização monetária de determinado valor para anulação dos efeitos da desvalorização da moeda; f) Tratase de acessório que não altera nem acrescenta nada ao valor principal, servindo apenas para manutenção da equivalência deste valor em função da inflação constatada no período, e, portanto, não há efetivamente alteração que possa ser considerada de natureza financeira, como referido na decisão recorrida; g) Portanto, a complementação de valores pagos em função da incidência da correção monetária não tira deste pagamento a capacidade de gerar créditos de PIS/COFINS, verificandose, destarte, a ilegalidade da glosa determinada para as despesas com bens utilizados como insumos; h) Relativamente aos serviços utilizados como insumos, constou na decisão que haveria controvérsia relativameme aos valores declarados no Dacon e aqueles valores informados pela impugnante no curso do procedimento administrativo, porém, quando a impugnante foi intimada a se manifestar e a provar os fundamentos de seus créditos, realmente apresentou levantamentos que não correspondiam exatamente aos valores informados no Dacon; i) Essas divergências se justificam, seja em função de serviços que acabaram não sendo incluídos nas listagens apresentadas à fiscalização, seja em função de valores que acabaram sendo lançados em outros períodos, em função de divergências do momento do pagamento; j) A impugnante não nega a legitimidade da glosa em situações como a indicada, em que efetivamente se constate que as declarações fiscais (no caso, o Dacon) não correspondam com exatidão à realidade contábil e fiscal, porém, considerandose o número de vezes que a autoridade fiscal requereu esclarecimentos e novos documentos, impunhase que houvesse expressamente solicitado esclarecimentos em relação à divergência apontada, o que, inclusive, poderia acarretar na necessidade de retificação do Dacon apresentado no período; k) Essa postura representaria a valorização do principio da ampla defesa e do contraditório na esfera administrativa, do princípio da razoabilidade e da eficiência, e, com efeito, se constatado (e a impugnante já está fazendo este levantamento) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 299 8 que o alcem efetivamente estava correto, pela localização de outros serviços não considerados nas planilhas encaminhadas no curso do procedimento administrativo, o resultado será que a decisão ora recorrida terá que ser revista; l) Por outro lado, se confirmado que as tabelas elaboradas estão incorretas, a conclusão será pela retificação do Dacon, solução que a autoridade que apreciou o pedido de compensação sequer cogitou, não se tendo adotado o melhor procedimento jurídico, pelo que, seja como for, na pior das hipóteses, impõese a cassação da decisão recorrida para que a impugnante possa ao menos apresentar as explicações pertinentes; m) É claro o equívoco da decisão, na parte da mesma que glosou uma parcela das despesas com energia elétrica, pela inclusão na base de cálculo dos créditos pleiteados de multas, taxas municipais de iluminação de outros serviços diversos, já que a energia elétrica não é um bem ou serviço de natureza comum, notandose, sim, de serviço público prestado sob regime de direito publico, de maneira que há severa regulamentação dos montantes que podem ser cobrados; n) Nesse contexto, os "acessórios" cobrados juntamente com as faturas de energia elétrica são de pagamento obrigatório em virtude das normas aplicáveis a esses serviços; são cobranças ligadas de forma umbilical à própria energia elétrica consumida, devendo, sim, dar direito à tomada de créditos; o) É a mesma situação dos tributos destacados em aquisições de insumos, Em havendo duvidas de que estes "acessórios" fazem parte efetiva mente do custo de aquisição, de maneira que dão direito a crédito, devendose nestas situações seguirse o brocado jurídico "o acessório segue a sorte do principal", motivos pelos quais a glosa determinada pela fiscalização deve ser revista: p) também não procede a glosa de despesas realizadas com despachantes, uma vez que estas são despesas necessárias e umbilicalmente ligadas às despesas realizadas com fretes e armazenagem; q) Ainda que a Lei não preveja expressamente a tomada de créditos em relação a essas despesas especificamente consideradas, tais serviços são parte indissociável dos serviços de frete e armazenagem, de maneira que a única interpretação que atinge à finalidade prevista em lei é a que reconhece a possibilidade da tornada de créditos sobre tais pagamentos; r) Por outro lado, nos dias atuais, não se pode deixar de reconhecer a importância dos despachantes nas atividades correntes das empresas, sendo esse um serviço necessário e indispensável para a perfeita consecução dos objetivos empresariais de uma pessoa jurídica, sendo que, se utilizado por analogia a um conceito do Regulamente do Imposto de Renda, não há dúvida de que estes gastos são indispensáveis para a manutenção da fonte. produtiva; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 300 9 s) Se utilizados exclusivamente os termos das normas que regulam os créditos de PIS/COFINS, não parece haver dúvidas de que estes serviços podem ser considerados corno insumo na produção dos produtos industrializados pela impugnante, e, por estes motivos, também a glosa relativa a estes gastos deve ser revista; t) Ante o exposto, requer a impugnante seja recebida a sua impugnação por inconformidade e, ao final, provida integralmente para o fim de ser declarada a homologação da compensação que foi objeto do procedimento administrativo de nº 10940.002317/200537. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração; 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPENSAÇÃO. Quando não comprovada a respectiva aquisição/fornecimento, é cabível a glosa de valores que serviram de base de cálculo dos créditos a descontar, a titulo de bens e serviços utilizados como insumos. Não há previsão legal pata o desconto de créditos decorrentes das despesas de atualização ou correção monetária sobre o fornecimento de bens utilizados como instintos na fabricação de produtos próprios, ainda que prevista contratualmente. Somente se permite o desconto de créditos em relação a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se incluindo em citados gastos as despesas com taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e ou por serviços diversos. Não dá direito a credito o gasto com serviços de despachante, por não corresponderem a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de crédito. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS OPONÍVEIS À COMPENSAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA, AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, §4', do Decreto n. 70.235/72, de aplicação subsidiária aos processos de restituição/compensação. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 301 10 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente alega nulidade do despacho decisório, que não teria informado devidamente quais as aquisições glosadas por não corresponderem a insumos. Para melhor análise da matéria, coleciono o trecho do despacho decisório que trata da glosa em comento: Intimado às fls. 67 a 70 a apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória de crédito que neste processo se pleiteia, o contribuinte apresentou relação, em meio digital, de notas fiscais de entrada que dão origem ao crédito objeto das Declarações de Compensação em análise Considerandose, dentre essas notas, aquelas relacionadas com Códigos Fiscais de Operações e Prestações — CFOPs — referentes a bens utilizados como insumos, temos que o mês de novembro teve discriminadas notas que somam o montante de R$ 4.363.400,85 de base de cálculo de contribuições. Essa base de cálculo está aquém daquela informada rias linhas 2 das fichas 04 e 06 do DACON. Assim, a diferença, no valor de R$ 192 365,76 na base de cálculo para o mês de novembro, deverá ser objeto de glosa. Constatase que a decisão recorrida, em relação à glosa no valor de R$ 192.365,76, referente ao mês de novembro de 2004, concedeu direito a crédito apenas para notas fiscais relacionadas com CFOPs referentes a bens utilizados como insumos. A decisão, todavia, não esclarece quais as notas fiscais que foram glosadas, bem como qual os motivos que levaram a conclusão que tais documentos não correspondem a aquisições de bens que se enquadram no conceito de insumos passíveis de geração de créditos. Em sendo esta a situação em litígio, entendo que a solução passa pela análise da distribuição do ônus probatório. A legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 302 11 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto n.º 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, entretanto, o quadro resta um pouco modificado. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Compete a este a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório. O Fisco, por outro lado, em não concordando com o pleito da recorrente, possui o ônus de comprovar os motivos pelos quais entende inexistir o direito creditório. No presente processo, resta claro que a autoridade fiscal, ao não descrever devidamente os motivos pelos quais entendeu que determinadas aquisições não correspondiam ao conceito de insumos passíveis de geração de crédito, deixou de cumprir seu ônus processual, qual seja de demonstrar a inexistência do direito creditório. Desta forma, não merece prosperar a decisão neste ponto, devendo ser restabelecidos os créditos pleiteados referentes a bens utilizados como insumos, com exceção dos créditos solicitados referentes a pagamento de valores devidos a título de correção monetária, analisada abaixo. A autoridade fiscal promoveu a glosa de créditos referentes à pagamentos de complementação de valor constante em contrato, a título de correção monetária, por entender que tais pagamentos correspondem a despesas financeiras. Neste ponto, esclarecese que a previsão de creditamento de despesas financeiras, no tocante à Cofins no regime da nãocumulatividade, foi revogada pela Lei nº 11.865, de 30 de abril de 2004, de forma que não se encontravam entre as hipóteses passíveis de geração de créditos no período de outubro a dezembro de 2004. Diante da falta de previsão legal, mostrase correta a glosa destes créditos, devendo ser mantida a decisão recorrida. Quanto à glosa de serviços utilizados como insumos, a recorrente confirma ter informado no Dacon valores superiores aos constantes de seus documentos apresentados para comprovação, alegando apenas que lhe deveria ter sido concedida a oportunidade de Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 303 12 retificar seu Dacon. Tal hipótese, contudo, não corresponde a cerceamento de seu direito de defesa, posto a possibilidade de contestação e apresentação de documentos em sua manifestação de inconformidade, a qual a recorrente não aproveitou. Correta, portanto, a glosa referente a serviços utilizados como insumos. Em relação aos créditos advindos das despesas de energia elétrica, foram glosados os valores referentes a multas, taxas municipais de iluminação pública e outros serviços diversos. Quanto ao tema, a Lei nº 10.833/2004 permite, em seu artigo 3º, inciso IX, a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores) Constatase que a autorização legal não abrange as demais rubricas que constam da fatura de energia elétrica, restringindose aos valores pagos a título de energia elétrica consumida. Desta forma, os valores referentes a multas, taxas municipais de iluminação pública e outros serviços diversos não se enquadram na hipótese prevista na legislação, não concedendo direito a creditamento no regime da não cumulatividade da Cofins. Correta, portanto, a glosa promovida pela autoridade fiscal. Quanto às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, foram glosados os pagamentos referentes a despesas com despachantes. A recorrente informa que as despesas para pagamento de despachantes são despesas necessárias e litigadas às despesas realizadas com fretes e armazenagem. Em que pese o alegado, esclarecese que a Lei nº 10.833/04 estabeleceu em seu artigo 3º, inciso IX, que geram créditos apenas os gastos com despesas de armazenamento e frete nas operações de venda, nestes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A previsão legal não abrange todo e qualquer gasto ligado a operações de venda, como as despesas com despachantes, mas apenas aqueles referentes a armazenagem de mercadoria e frete nestas operações. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10940.002317/200537 Acórdão n.º 3201001.721 S3C2T1 Fl. 304 13 Correta, portanto, a glosa promovida pela autoridade fiscal. Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao crédito com a aquisição de insumos no valor de R$ 192.365,76, referente ao mês de novembro de 2004, considerando parcialmente homologada a compensação pleiteada, nos limites do crédito reconhecido. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 10920.003023/2003-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
MULTA QUALIFICADA DE 150% - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - INOCORRÊNCIA - LANÇAMENTO FORMALIZADO TENDO POR BASE OMISSÃO DE RECEITAS.
A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter omitido receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e que não tenham sido contabilizadas não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude.
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-002.080
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcialmente ao recurso da fazenda. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri e Antonio Carlos Guidoni Filho no tema do arbitramento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao arbitramento, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado).
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Leonardo de Andrade Couto Redator designado
Participaram da presente sessão os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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BASE DE CÁLCULO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. A pessoa jurídica, ainda que reconhecida como entidade financeira exercendo em tese a atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados em favor de terceiros, não está isenta de demonstrar que os depósitos em contascorrentes de sua titularidade representam efetivamente operações dessa natureza. Não logrando fazêlo, o valor dos depósitos é considerado receita omitida e compõe a base de cálculo do lucro arbitrado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 MULTA QUALIFICADA DE 150% EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA LANÇAMENTO FORMALIZADO TENDO POR BASE OMISSÃO DE RECEITAS. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter omitido receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e que não tenham sido contabilizadas não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude. REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 30 23 /2 00 3- 07 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 3 2 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcialmente ao recurso da fazenda. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri e Antonio Carlos Guidoni Filho no tema do arbitramento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao arbitramento, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) Leonardo de Andrade Couto – Redator designado Participaram da presente sessão os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado). Relatório Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 4 3 Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão de n° 10322.834, proferido em sessão de 08 de dezembro de 2006, pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Originalmente, tratase de Auto de Infração (fls. 584/605), para a cobrança de IRPJ, CSLL e PIS, devido a depósitos bancários supostamente não contabilizados e de origem não comprovada. O lucro foi arbitrado, devido a não apresentação dos documentos requeridos pela Fiscalização, bem como houve a qualificação da multa devido à suposta omissão de receitas. O Contribuinte apresentou Impugnação às fls. 635/677, argumentando pela nulidade do lançamento, que estaria fundamentado em presunções. Contestou também o agravamento da multa, alegando que só seria cabível em casos de manifesta intenção fraudatória e criminosa. Asseverou, ainda, ao contrário da conclusão da Fiscalização, que suas atividades não são típicas de pessoa jurídica, tampouco poderiam ser caracterizadas como “operações similares e privativas às de uma instituição financeira”. O Contribuinte disse exercer atividades de fomento comercial (“factoring”) como pessoa física e afirmou que tal atividade não era exclusiva de instituição financeira. No mérito, contestou a acusação de omissão de receitas, dizendo que não auferia lucro com a atividade. Contestou, ainda, o arbitramento do lucro e o índice de percentual de lucro utilizado de 45% (para instituições financeiras). A Delegacia da Receita Federal julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, conforme o Acórdão nº 4.402 (fls. 887/922), de 12 de agosto de 2004, cuja ementa segue transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS — Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A APURAÇÃO PELOLUCRO REAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. APLICABILIDADE — Impõese a apuração pelo lucro arbitrado à pessoa jurídica obrigada à apuração pelo lucro real que deixar de apresentar a escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADE FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo da pessoa jurídica que exerce atividade privativa de instituição financeira, sujeita ao lucro arbitrado, é 45% sobre o total da receita declarada ou omitida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 5 4 Ementa: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam à autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA QUALIFICADA — Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO — O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO — Estando presentes nos autos todos os elementos essenciais ao lançamento, é de se indeferir o pedido de diligência, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que a lei lhe atribui o dever de produzir. LANÇAMENTOS DECORRENTES — Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Lançamento Procedente Irresignado, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário (fls. 927/937), em que reafirmou suas razões apresentadas em sede de Impugnação, especialmente nos seguintes pontos: (i) impossibilidade de se realizar um lançamento com base em presunções; (ii) as receitas supostamente omitidas, que circulavam em sua conta corrente, referemse às operações de factoring, que o Contribuinte exercia como pessoa física, o que foi provado à fiscalização, Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 6 5 que, mesmo assim, inscreveu o contribuinte de ofício no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; (iii) impossibilidade de arbitramento do lucro, tendo em vista que não faltaram elementos suficientes para o lançamento de ofício “que não tomasse o arbitramento como base”; (iv) a atividade de factoring não é inerente a instituições financeiras, o que impede que o fiscal arbitre o lucro com o percentual de 45%; (v) impossibilidade de aplicação da multa qualificada, por conta da inexistência do evidente intuito de fraude. Sobreveio, então, o Acórdão nº 10322.834, proferido pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em que se reconheceu de ofício a decadência dos tributos referentes aos fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 1998, inclusive, desqualificou a multa e, no mérito, deu provimento ao recurso do Contribuinte. A decisão ficou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o IRPJ, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4, do CTN. No caso dos autos, lavrado o lançamento tributário em 03.10.2003, é de se reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo aos primeiros três trimestres do anocalendário de 1998. Decadência que se reconhece de oficio. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE DO CONTRIBUINTE DE VALORES NÃO IDENTIFICADOS E NÃO CONTABILIZADOS. Não caracteriza o evidente intuito de fraude indispensável à qualificação da multa de oficio a existência de depósitos de valores de origem não comprovada em conta corrente de titularidade do contribuinte, ainda que tais quantias não tenham sido por ele contabilizadas. CONTRATO DE FACTORING. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterização do contrato de factoring, é indispensável que o ajuste: (i) trate da aquisição de créditos e prestação de serviços relacionados à assessoria creditícia, mercadológica, de gestão de crédito, de seleção de riscos e de acompanhamento de contas a pagar e a receber; (ii) atribua os riscos para o faturizador de receber os valores cedidos pelo faturizadocliente; (iii) estabeleça cláusula de não regresso contra o cedente dos créditos; (iv) conceda liberdade de escolha ao faturizador sobre quais faturas ou títulos serão negociados devido ao risco existente; (v) estabeleça a cobrança de taxa ou comissão em favor do faturizador. No caso dos autos, a ausência de prestação de serviços e a previsão de direito de regresso do cessionário face ao cedente por inadimplemento do devedor principal descaracterizam a natureza do contrato de factoring, caracterizandoo como mero contrato de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, atividade típica de instituições financeiras e assemelhadas. DESCONTOS DE CHEQUES E DUPLICATAS. RECEITA TRIBUTÁVEL DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE FACE DOS TÍTULOS E AS IMPORTÂNCIAS REFERENTES À CESSÃO RESPECTIVA. No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 7 6 comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Em relação a tais empresas, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos. Nesse sentido, foi colhido o seguinte resultado do julgamento: “ACORDAM os membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até o 3 0 trimestre de 1998, inclusive, vencidos os Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que não a acolheu e o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que não a acolheu em relação às exigências da COFINS (sic: não consta lançamento) e CSLL; por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa de 41, lançamento ex officio de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), vencido o Conselheiros Flávio Franco Corrêa que não admitiu a desoneração da exasperadora e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negou provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, alegando, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Anexo II, do antigo Regimento Interno (contrariedade à lei e a prova nos autos), que: (i) a desqualificação da multa, segundo o fundamento de não estar caracterizado evidente intuito de fraude, nega vigência ao disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e contraria as provas constantes nos autos do processo; (ii) consequentemente, comprovado o intuito doloso do contribuinte, deve ser aplicado a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e não a contagem prevista no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal; e (iii) no mérito, deve ser mantida a base tributável utilizada no lançamento (omissão de receita caracterizada por depósito bancário e arbitramento do lucro). No Despacho nº 1030.392/2008 (fls. 1016/1017), foi analisada a admissibilidade do r. recurso, para o qual se deu seguimento. O Contribuinte apresentou, então, Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 1221/1037), alegando que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode ser admitido, pois restou amplamente demonstrado que inexistiu intuito de fraude, a decisão recorrida não está em contrariedade com a Lei. Colaciona acórdãos desta Câmara que não admitem Recurso Especial, em que seja necessário o reexame de provas. Assevera que a decadência, reconhecida de ofício, deve ter seu termo inicial conforme o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, visto que não houve conduta fraudulenta, o que, por sua vez, também corrobora com a desqualificação da multa, que deve permanecer. É o relatório. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 1016/1017. Delimitando a lide, a questão versa sobre a qualificação da penalidade, nos termos do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, em razão de conduta reiterada de omissão de receitas e, como consequência, a determinação do dies a quo do prazo decadencial pela regra do artigo 150, § 4° ou se pela regra do artigo 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Adicionalmente, há a questão da possibilidade de arbitramento do lucro. Sobre a admissibilidade e o objeto do Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, inicio por esclarecer que o Recurso Especial, nos três itens em discussão, é interposto com fundamento em contrariedade à lei ou evidência de prova. Sobre esse aspecto, de um lado, adianto que não assiste razão ao contribuinte quando assevera em suas contrarrazões a impossibilidade de análise dos fatos em sede de Recurso Especial. Isso porque, os recursos especiais intentados pela Fazenda Nacional na vigência do Regimento anterior poderiam ser interpostos simplesmente com base em contrariedade à lei ou à prova nos autos, admitindose nesse caso e nessa via estreita do Recurso Especial exclusivamente fazendário à análise probatória. Contudo, referida modalidade de Recurso Especial, além de privativo do Procurador da Fazenda Nacional, tinha como requisito a interposição em razão de decisão não unânime da Câmara. Sobre a decisão da Câmara a quo, da leitura da transcrição do resultado do julgamento, depreendese que não houve unanimidade em relação ao mérito (um voto vencido), em relação à qualificação da penalidade (um voto vencido) e, em relação à preliminar de decadência da COFINS (sic: não consta lançamento) e da CSLL (dois votos vencidos). Ou seja, em relação à preliminar de decadência do IRPJ e do PIS a decisão foi unânime, tratando se de matéria preclusa a decadência em relação a tais tributos, IRPJ e PIS, e, portanto, considerada definitivamente julgada. Pelo exposto, proponho que: o recurso especial seja integralmente conhecido em relação ao mérito e à multa, e parcialmente conhecido em relação à decadência, conhecido apenas para a CSLL. Feitas essas considerações passo à análise primeiramente quando à multa qualificada para, então, ter condições de analisar o Recurso Especial quanto à decadência. Qualificação da penalidade O v. acórdão recorrido afastou a qualificação da multa, aplicandose a jurisprudência reiterada desse Conselho, no sentido de que a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, por si só, não é suficiente para se demonstrar o “evidente intuito de fraude”, indispensável à qualificação da multa. Posteriormente à prolação do acórdão recorrido foi, inclusive, publicada a Súmula nº 25 (aprovada em sessão do dia 08/12/2009), a qual dispõe: Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 9 8 “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64.” Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que, como menciona a própria Recorrente, a ilustre maioria dos membros da Câmara a quo entendeu por desqualificar a multa de oficio aplicada, ao argumento de que "a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, por si só, não é suficiente para demonstrar a existência do "evidente intuito defraude" indispensável à qualificação da multa de oficio". Lembro, ainda, que a Câmara ponderou que "não foi apontado pela fiscalização qualquer fato que justificasse a qualificação da multa de oficio. Conforme salientado acima, o fato de a Recorrente ter apresentado declarações de rendimentos eletrônicas inexatas ou sequer possuir escrita contábil antes do início do procedimento de fiscalização são suficientes para justificar o lançamento por arbitramento de lucro, mas não a qualificação da multa de ofício a ele inerente. Por sua vez, eventual exercício ilegal de atividade privativa de instituições financeiras é suscetível de sanções próprias, obviamente não relacionadas ao âmbito tributário em que ora se discute." A d. Procuradoria porcura demonstrar que existe divergência quanto à prova dos autos e, para tanto, menciona que a fiscalização teria apontado outra razão que não aquelas já devidamente enfrentadas pelo acórdão recorrido apra afastar a qualificaçõa da penalidade. Ocorre que, ao se reportar a acusação fiscal, o recurso da d. Procuradoria milita a favor do Contribuinte quando argumenta que: “Em verdade, a exasperadora se deu em virtude da conduta do contribunte, que realizou operações relativas a desconto de duplicatas e cheques, típicas de pessoa jurídica, à margem de qualquer tributação, fazendo uso de sua conta pessoal apra movimentar recursos, reiteradamente, ao longo de todo o anocalendário de 1998, e com isso retardando o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerados da obrigação tributária.” O que se depreende da passagem acima, destacada, inclusive, no r. recurso é que a qualificação da multa se deu devido à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, o que, conforme exposto acima, não caracteriza, por si só, o evidente intuito de fraude. O r. acórdão recorrido também bem enfrentou o fato da suposta atividade de factoring, entendendo que eventual ilicitude nessa questão em nada contamina a ocorrência do fato gerador e não está atrelada a qualificação da penalidade, no âmbito estritamente fiscal. Por fim, entendo que não é o caso de se falar em reiteração por se tratar de período exclusivo de um ano, muito menos de valores expressivos, dado o percentual de arbitramento e dado o montante do lançamento e o percentual de valor utilizado no arbitramento, adiante a tratado. Não bastasse, não é caso de se falar de utilização de conta pessoal e não da pessoa jurídica. Conforme se verifica do Item VI.3 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 631, a empresa individual foi criada de ofício pela própria Fiscalização, não tendo como prosperar as alegações da d. Procuradoria em relação a utilização da conta da pessoa física como se de interposta pessoa se tratasse. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 10 9 Por todo o exposto, tratandose de lançamento de omissão de receita por presunção legal de depósito bancário (quebra de sigilo) e não ocorrendo, como bem mencionado no acórdão recorrido, qualquer acusação específica de dolo pessoal em relação ao fato gerador, bem como inexistindo utilização de conta de interposta pessoa (porquanto a conta era da pessoa física, titular dos rendimentos, sendo criada de ofício a pessoa jurídica por equiparação), de se aplicar a iterativa jurisprudência desse conselho de contribuintes para afastar a qualificação da multa de ofício, negandose provimento ao Recurso Especial da Fazenda, porque não merece reparos, nesta parte, o acórdão recorrido. Decadência A segunda questão cingese a lide é a regra aplicável ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, sobre esse aspecto, lembro que a preliminar de decadência desse Recurso Especial, só há de ser acolhida em relação à CSLL. No que tange ao conflito quanto à aplicação da regra decadencial, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do o art. 62A, no Anexo II, que tornou necessário que este colegiado adotasse o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 11 10 do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Negritei. Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por essa relatora sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, curvome por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Voltando ao presente caso, como se decidiu, tanto no acórdão recorrido, quanto na análise acima, que não houve evidente intuído de fraude, a questão aqui se cinge à análise de haver ou não pagamento parcial de CSLL. Considerando que houve, como afirma a própria fiscalização, a criação de ofício de pessoa jurídica, no curso da fiscalização, é obvio que não há pagamento de CSLL no período em questão. O que se verifica é, tão somente, o pagamento de imposto de renda de pessoa física, conforme Declaração de Ajuste Anual Simplificada de Pessoa Física às fls. 11/12. Assim sendo, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno desta Câmara e dos acórdãos prolatados pelo Poder Judiciário nos termos do art. 543C do CPC, tudo Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 12 11 posteriormente à prolação do acórdão recorrido, o mesmo deve ser reformado para aplicar in casu, o art. 173 do CTN, sendo, para a CSLL, nessa parte, provido o Recurso da Fazenda. Considerando que, de acordo com as fls. 598, a ciência dos autos ocorreu em outubro de 2003, assim, não estava decaído o direito do fisco de lançar a CSLL em relação ao primeiro trimestre de 1998. Arbitramento Sobre essa questão, o acórdão recorrido entendeu que, apesar de estar correta a tributação do atribuída ao contribuinte na forma prevista pela legislação vigente às instituições financeiras, o arbitramento não se sustenta, vez que a Fiscalização deveria ter aprofundado as investigações para a correta quantificação da base de cálculo. Confirase: “Incumbiria à Fiscalização aprofundar a investigação para a correta quantificação da base de cálculo dos tributos lançados, mormente se considerado o fato de que os elementos constantes dos autos comprovavam de forma segura a natureza da atividade econômica desenvolvida pela Recorrente. Ao deixar de fazêlo, a Fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro com base em receitas que sabidamente não eram de titularidade do contribuinte, o que afasta a legitimidade dos lançamentos nos moldes em que lavrados.” De outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que, apesar de ter sido dada a oportunidade ao Contribuinte de apresentar os documentos necessários para a devida apuração da base de cálculo dos tributos, o contribuinte não os apresentou, conforme o seguinte trecho do Recurso Especial: “Do início da ação fiscal até a lavratura do presente auto de infração, decorreu cerca de um ano, ao longo do qual, o contribuinte teve diversas oportunidades (todas as prorrogações solicitadas foram concedidas) de apresentar os documentos que comprovassem as operações por ele realizadas, porém não o fez. Ademais, o autuante, indo além do ônus que a lei lhe atribui, realizou uma circularização com diversos clientes do contribuinte, sendo que nenhum deles foi capaz de apresentar qualquer documentação que comprovasse o valor recebido (descontado) por cada título, sem o qual não se pode aferir o rendimento obtido em cada transação.” Verifico nos autos do processo que, de fato, ao contribuinte foram concedidas todas as prorrogações de prazo para que ele apresentasse os documentos. Verifico, ainda, que há a apresentação dos documentos nos autos, conforme extratos bancários às fls. 23/107, carteiras de movimentação de títulos às fls. 113/347, “Relatório de Cobrança” às fls. 365/401, cheques às fls. 419/434. A despeito da apresentação desses documentos, a Fiscalização atevese apenas em tentar caracterizar a atividade do contribuinte como comercial, mas não os levou em consideração para o cálculo correto das bases de cálculos do tributo. E mais, destaco que o contribuinte entregou todos os documentos, tendo em vista que no Termo de Verificação e Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 13 12 Intimação Fiscal às fls. 450, a Fiscalização não constata que as intimações não foram respondidas. Confirase: “No curso da ação fiscal o contribuinte para comprovar parte das origens de créditos realizados em sua conta corrente no ano calendário de 1998, relativos a cobranças, apresentou no dia 12/02/2003, conforme expediente de encaminhamento de mesma data, 233 folhas de relatórios (francesinhas) de sua carteira de cobrança de títulos no Banco BCN, conta corrente 190.3492, referente ao ano de 1998. A documentação da carteira de cobrança de títulos entregue pelo contribuinte LUCAS SCHUELTER apresenta o mesmo como CEDENTE dos títulos (duplicatas) e diversas empresas como SACADO, além de informações como o valor, número, data de emissão, vencimento e recebimento de cada um dos títulos listados. Conforme expediente de entrega de 11/04/2003 foi encaminhado, pelo contribuinte, "Relatório de Cobrança por sacado e cedente" (dos títulos), do qual constam informações das francesinhas entregues anteriormente pelo mesmo, em 12/02/2003, acrescido de uma nova informação: o nome da EMPRESA CEDENTE (SACADOR) de cada uma das duplicatas. No dia 20/05/2003 o contribuinte entregou, por meio de um expediente de mesma data, cópias de 15 cheques de sua conta corrente no banco BRADESCO S/A (c/c 0548235, agência 3344) emitidos no ano de 1998. A partir do relatório de duplicatas e das cópias de cheques entregues pelo contribuinte, selecionamos algumas empresas e pessoas físicas para fins de circularização, objetivando confirmar as operações realizadas pelo contribuinte. Das informações e documentos fornecidos por LUCAS SCHUELTER e por contribuintes intimados nos trabalhos de circularização verificamos a existência de atividade comercial de desconto de duplicatas e de cheques por trás dos depósitos bancários das contas correntes mantidas junto ao BANCO BCN S/A, BANCO BRADESCO S/A e UNIBANCO S/A.” Adicionalmente, verifico que, em análise aos autos deste processo, os documentos apresentados parecem ter servido apenas para caracterizar a atividade do contribuinte como típica de pessoa jurídica, quando deveriam também ter sido utilizados para a apuração correta da base de cálculos dos tributos lançados. De mais a mais, é ponto incontroverso nos autos que o contribuinte praticava, de fato, atividade econômica de desconto de duplicatas e cheques pósdatados em favor de terceiros, permanecendo certo que, nesse caso, o valor da receita não pode jamais corresponder ao montante da integralidade do depósito bancário, pelo que a consequência aplicada conflita com a própria premissa dos fatos adotados. Em reforço, valhome de trecho do acórdão recorrido, no qual, apesar de não citado e não contraditado no recurso especial da fazenda, bem explica as razões adotadas por aquela turma julgadora para dar provimento quanto ao mérito. De acordo com o Ilustre Conselheiro Relator Antonio Carlos Guidoni Filho: “No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, ainda que seja na condição de instituição financeira e não de verdadeira factoring (tal como ocorre com a Recorrente), Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 14 13 não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Em situações análogas à desses autos, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos. De fato, a receita bruta das empresas em referência corresponde sempre à diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, não se prestando o somatório dos depósitos bancários não contabilizados como base de cálculo de arbitramento de lucros.” Nesse sentido, não merece reforma o acórdão recorrido, que, conforme colacionado acima, entendeu que a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação para proceder com a correta quantificação da base de cálculo dos tributos lançados. Como não realizou essas análises, procedeu ao arbitramento de receitas que sabidamente não eram do contribuinte, o que retira a legitimidade dos lançamentos realizados. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, para afastar a decadência da CSLL, mantendo a decadência acolhida para os tributos que não foram, nesse ponto, objeto de recurso; para manter a desqualificação da penalidade; e para afastar o arbitramento. Sala das Sessões, em (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Minha divergência em relação ao bem fundamentado voto da I. Relatora envolve exclusivamente a questão do arbitramento. Ratificase que a apuração do resultado pelo lucro arbitrado não é matéria controversa, mas sim a base de cálculo utilizada pelo Fisco. Isso porque, segundo a Relatora, a interessada praticava atividade econômica de desconto de duplicatas e cheques pósdatados em favor de terceiros, implicando nesses caso que o valor da receita não poderia jamais corresponder ao montante da integralidade dos depósitos bancários. Em tese, esse posicionamento mostrase coerente. Entretanto, pelo conteúdo dos autos constatase que o procedimento da fiscalização foi correto, como a seguir explicarei. A ação fiscal teve duas etapas distintas, ainda que intrinsecamente ligadas. A primeira delas direcionada contra a pessoa física do Sr. Lucas Schuelter, quando a apuração implicou em reconhecer que ele exercia atividades típicas de instituições financeiras. Nesse momento, o Fisco intimou o Sr. Lucas Schuelter a inscreverse no CNPJ nessa atividade comercial e requereu a apresentação da escrituração contábilfiscal. Não atendida a intimação, o Fisco efetuou de ofício a inscrição no CNPJ e a partir desse momento iniciouse a segunda etapa do procedimento fiscal, com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização contra a pessoa jurídica, onde foi solicitada: a apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias junto ao BANCO BCN S/A, BANCO BRADESCO S/A e UNIBANCO S/A; e: a apresentação da escrituração contábil/fiscal relativa à atividade comercial desenvolvida pelo contribuinte no ano de 1998, desconto de duplicatas e de cheques por trás dos depósitos bancários das contas correntes mantidas junto ao BANCO BCN S/A, BANCO BRADESCO S/A e UNIBANCO S/A Foi ressaltado que a escrituração deveria abranger todas as operações do contribuinte e estar comprovada com documentos hábeis e idôneos. Vêse que não está mais em discussão a natureza da atividade exercida. Ainda assim, para efeitos fiscais e tributários a pessoa jurídica não está isenta de demonstrar a realização das operações a que se propõe, com o devido registro na escrituração embasada nos documentos pertinentes. Ainda que reiteradamente intimado a fazêlo, o sujeito passivo não forneceu as informações solicitadas. Na ausência da escrituração, o arbitramento do lucro é conseqüência lógica e prevista em lei o que, ratifico, não está em discussão. Quanto à base de cálculo do arbitramento , que em regra é apurada a partir da receita auferida, o sujeito passivo também não atendeu à intimação para apresentação dos documentos comprobatórios da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias. Afirmou não reconhecer a movimentação financeira como ganho. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 16 15 Ressaltese que a autoridade fiscal já havia deixado claro que os documentos apresentados pelo sujeito passivo (“francesinhas”) não seriam hábeis e idôneos a justificar os depósitos, eis que de emissão da própria interessada. Ora, a previsão legal contida no art. 42, da Lei nº 9.430/96 não dá margem a dúvidas: depósitos bancários sem origem comprovada representam omissão de receitas. Sob essa ótica caberia a demonstração individualizada dessa origem. Conforme ressaltado pela autoridade lançadora, o Sr. LUCAS SCHUELTER não logrou êxito em justificar, de forma individualizada, a origem dos depósitos bancários em sua conta, tampouco o efetivo rendimento obtido em cada operação. Assim, registrou aquela autoridade a impossibilidade de tributação somente sobre os juros ou ágios recebidos, pois em nenhum momento isto teria sido quantitativamente demonstrado pelo autuado. Do exposto, voto por dar provimento em maior extensão ao recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo como correta a base de cálculo utilizada pela Fiscalização na apuração do resultado. Leonardo de Andrade Couto – RedatorDesignado. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.677986/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de junho/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 6/ 20 09 -4 2 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 291 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 292 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 293 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 294 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 295 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 296 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 297 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 298 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 299 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 300 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 301 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 302 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 303 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 304 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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