Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.721472/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA.
A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição.
Numero da decisão: 1402-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam provimento em relação à dedutibilidade na base de cálculo da CSLL das despesas de ágio. A Conselheira Edeli Pereira Bessa acompanhou o Relator pelas conclusões; por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso de ofício - Súmula CARF nº 103; ii) indeferir o pedido de apensação do presente processo ao de nº 16327.721471/2012-54.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.721472/2012-07
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5931390
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.473
nome_arquivo_s : Decisao_16327721472201207.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 16327721472201207_5931390.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam provimento em relação à dedutibilidade na base de cálculo da CSLL das despesas de ágio. A Conselheira Edeli Pereira Bessa acompanhou o Relator pelas conclusões; por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso de ofício - Súmula CARF nº 103; ii) indeferir o pedido de apensação do presente processo ao de nº 16327.721471/2012-54. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7534171
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148934447104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.618 1 4.617 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721472/201207 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402003.473 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria ADIÇÃO DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrentes BANCO ITAUCARD S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam provimento em relação à dedutibilidade na base de cálculo da CSLL das despesas de ágio. A Conselheira Edeli Pereira Bessa acompanhou o Relator pelas conclusões; por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso de ofício Súmula CARF nº 103; ii) indeferir o pedido de apensação do presente processo ao de nº 16327.721471/201254. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 72 /2 01 2- 07 Fl. 4618DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.619 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.620 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 1646.373 10ª Turma da DRJ/SP1, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "1. DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de auto de infração (fls. 4413 a 4424), lavrado em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL dos anoscalendário de 2008 a 2010. 1.1. Da glosa de despesas relativas à amortização de ágio No termo de verificação fiscal (fls. 4425 a 4442), relata a fiscalização que a contribuinte em epígrafe não adicionou à base de cálculo da CSLL as despesas relativas à amortização de ágio das empresas Miravalles Empreendimentos e Participações, Vitória Participações S/A, Pandora Participações S/A e Itauvest Administração e Participações S.A. Os valores mensais das referidas despesas estão discriminados às fls. 4427 a 4430. Alega a fiscalização que o art. 13, III, da Lei n° 9.249/95 determina a adição dos valores referentes à amortização de ágio na determinação do lucro real. Sustenta que tal adição também deve ser efetuada na determinação da base de cálculo da CSLL, face ao disposto no art. 57 da Lei n° 8.981/95. Acrescenta que o art. 44 da Instrução Normativa SRF n° 390/2004 estabelece expressamente que aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ. No presente caso, a fiscalização informa que a contribuinte impetrou o mandado de segurança n° 2009.61.00.0078376/SP com o objetivo de apurar a CSLL à alíquota de 9% prevista no art. 3°, II, da Lei n° 7.689/88, com a redação dada pela Lei n° 11.727/2008, não se sujeitando ao recolhimento da CSLL à alíquota de 15% prevista no art. 3°, I, da Lei n° 7.689/88, com a redação dada pela Lei n° 11.727/2008. Informa também que, em 31/03/2009, foi concedida a liminar e, em 25/05/2009, foi proferida sentença que concedeu a segurança. Acrescenta que, em 14/05/2012, o processo encontravase no Tribunal Regional Federal da 3ª Região aguardando julgamento da apelação apresentada pela União, a qual foi recebida com efeito devolutivo. Fl. 4620DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.621 4 Assim, conclui a fiscalização que a parcela de CSLL correspondente a 6% da base de cálculo deve ser lançada com a exigibilidade suspensa por decisão judicial, constando a exigência deste processo administrativo fiscal. Por sua vez, a parcela de CSLL não abrangida pela ação judicial será objeto de lançamento de ofício nos autos do processo administrativo fiscal n° 16327.721471/201254. No que tange à glosa de despesas com amortização de ágio, foi apurada a seguinte matéria tributável, a ser objeto de lançamento de ofício no presente processo: 1.2. Da parcela da CSLL com exigibilidade suspensa não declarada em DCTF e não lançada no processo n° 16327.721156/201146 fato gerador 31/12/2010 A fiscalização informa que, em 2011, foi lavrado auto de infração para a constituição de créditos tributários de CSLL com exigibilidade suspensa pelo mandado de segurança em questão relativamente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2009, 31/08/2010 e 31/12/2010, formalizado no processo administrativo n° 16327.721156/201146. No referido processo, relata a fiscalização que foi lançada CSLL no montante de R$3.590.966,98, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2010 (período de apuração de 01/09/2010 a 31/12/2010). A fiscalização informa que a contribuinte declarou na DIPJ 2011 base de cálculo da CSLL de R$63.901.591,82 (linha 68 da ficha 17) e CSLL de R$5.751.143,26 (linha 71 da ficha 17), calculada à alíquota de 9%. Acrescenta que a aplicação do percentual de 6% sobre a base de cálculo resulta em R$3.834.095,51, valor inferior ao lançado no processo administrativo n° 16327.721156/201146. Assim, a fiscalização conclui pela necessidade de lançamento de ofício da diferença de R$243.128,53 (R$3.834.095,51 R$3.590.966,98) Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.622 5 1.3. Do auto de infração Em razão dos fatos acima expostos, foi lavrado auto de infração, para a exigência dos seguintes montantes: 2. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da autuação em 26/12/2012 (fls. 4413), a contribuinte apresentou, em 24/01/2013, a impugnação de fls. 4466 a 4475, acompanhada dos documentos de fls. 4476 a 4518. Preliminarmente, a impugnante alega que o presente processo deveria ser desmembrado, separandose a parcela relativa à diferença apurada referente ao fato gerador de 31/12/2010 da parcela relativa à glosa de despesas com amortização de ágio. Alega também que esta última parcela (amortização de ágio) deveria ser apensada ao processo n° 16327.721471/201254, no qual foi lançada a parcela da CSLL que não se encontra com a exigibilidade suspensa pelo mandado de segurança n° 2009.61.00.0078376, a fim de se evitar a possibilidade de decisões conflitantes sobre a mesma questão. Também em sede de preliminar, a impugnante alega nulidade do lançamento por vício com relação ao montante autuado relativamente ao anocalendário de2010. Informa que a base de cálculo autuada foi de R$63.901.591,82, valor extraído da linha 65 da ficha 17 da DIPJ 2011 relativa ao período de apuração de 01/09/2010 a 31/12/2010. Todavia, alega que o valor correto seria de R$45.277.623,52, conforme demonstrativo de fls. 4518. A impugnante alega que a administração tributária deve apurar o quantum devido com certeza e exatidão. Argumenta que o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto n° 70.235/72 determinam que a fiscalização deve apurar a matéria tributável e calcular o montante devido do tributo. Sustenta que o erro na apuração da base de cálculo acarreta nulidade do lançamento. Caso não seja acolhido o argumento referente à nulidade, a impugnante alega que o auto de infração deve ser cancelado por falta de previsão legal para a adição das despesas de amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL. Fl. 4622DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.623 6 Sustenta que a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado por adições, deduções e exclusões específicas, diversas daquelas previstas para o IRPJ. Argumenta que o art. 57 da Lei n° 8.981/95 estabelece apenas que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ. Sustenta que tal norma não equipara as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tanto que prevê expressamente que devem ser mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor. A impugnante alega que a CSLL tem base de cálculo própria, prevista no art. 2° da Lei n° 7.689/88, que não prevê a adição das despesas de amortização de ágio na apuração da base de cálculo da contribuição. Argumenta que o art. 391 do RIR/99 referese expressamente ao lucro real, base de cálculo do IRPJ, não sendo tal dispositivo aplicável à CSLL. Ante o exposto, requer: i) seja desmembrado o presente processo para que a parcela relativa à glosa de despesas com amortização de ágio seja apensada ao processo n° 16327.721471/2012 54, no qual se discute o mérito da exigência de CSLL (9%) sobre tal matéria; ii) seja julgado improcedente o auto de infração no que concerne a glosa de despesas com amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL. Foram juntadas cópias dos seguintes documentos à impugnação: procuração, documento de identificação da advogada que subscreve a impugnação, atos societários; auto de infração; fichas 06B, 09B, 16 e 17 da DIPJ 2011 relativa ao período de 01/09/2010a 31/12/2010; demonstrativo das despesas de amortização de ágio de 2007 a 2010; É o relatório.." Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.624 7 O Acórdão de Impugnação nº 1646.373 10ª Turma da DRJ/SP1 julgou procedente em parte a Impugnação, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, tornandose tal matéria incontroversa no âmbito administrativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. Tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do auto de infração. A ocorrência de erro de fato no cálculo da matéria tributável não implica nulidade do auto de infração, mas exoneração parcial do lançamento." Do Recurso de Ofício Em razão da exoneração procedida pelo acórdão de 1ª Instância, submeteuse à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Fl. 4624DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.625 8 Do Recurso Voluntário A recorrente inconformada com a decisão a quo, apresentou recurso voluntário, no qual repisa as razões de fato e de direito de sua impugnação. Alega que seria o caso de desmembrar deste auto de infração à parcela referente à diferença de alíquota incidente sobre a adição das despesas de ágio, apensandose tal parcela ao PA n° 16327.721471/201254, onde se discute a procedência da referida adição. Afirma que , ainda que devida fosse a CSLL ora questionada, a mesma não seria devida no montante autuado, tal como restou reconhecido pela decisão ora recorrida ao exonerar a parcela de R$ 1.710.660,70 da CSLL relativa ao fato gerador de 31/12/2010. Argüi que, embora reconhecendo referido erro de base de cálculo, a decisão recorrida acabou por entender, equivocadamente, que o ora Recorrente não teria impugnado a parcela de R$ 234.128,53, não declarada em DCTF, nem lançada em processo administrativo anterior. Argumenta que a adição à base de cálculo da CSLL do valor da amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial não encontra previsão legal, não podendo ser exigida do contribuinte. Não se aplica à presente questão o art. 57 da Lei n° 8.981/95, pois tal dispositivo não determinada que a base de cálculo da CSLL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas. Alega que, ao contrário do que pretende a fiscalização, resta evidente não ser aplicável, na determinação da base de cálculo da CSLL, as disposições contidas no art. 391 do RIR/99, que textualmente veda o computo das contrapartidas da amortização de ágio para fins de aferição do lucro real, sendo de rigor, o cancelamento do lançamento ora impugnado, pois não subsistem as razões e motivos que o sustentam. Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.626 9 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Quanto ao recurso de ofício, dele não conheço, em virtude da Súmula CARF nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO PEDIDO DE APENSAÇÃO AO PROCESSO Nº 16327.721471/201254 O Recorrente requer que a parcela do lançamento relativo à glosa de despesas com amortização de ágio seja apartada do presente processo e apensada ao processo nº 16327.471/201254, visto que referido processo trata da mesma matéria, tendo sido nele formalizado o lançamento de ofício da parcela da CSLL (9%) não abrangida pela decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Ocorre que não há previsão para o pedido de apensação do presente processo ao de nº 16327.471/201254. Pelo contrário, conforme entendimento já exposto na decisão a quo há a necessidade de formalização de processos administrativos separados: "A exigibilidade do crédito tributário lançado neste processo depende das decisões judiciais prolatadas nos autos do mandado de segurança nº 2009.61.00.0078376/SP, o que não ocorre com o crédito tributário lançado no processo nº 16327.471/201254. Assim, a situação de exigibilidade dos créditos tributários em cada um dos processos pode não ser a mesma, requerendo ações distintas por parte da administração tributária, o que leva à necessidade de formalização dos lançamentos tributários em processos administrativos separados. Observase conforme Art. 6º §2º que os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Tratase de uma possibilidade não de uma obrigação. No presente caso, já houve a lavratura do Acórdão nº 1402002.241 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária no processo de nº 16327.471/201254. Pelos motivos expostos deve ser indeferido a solicitação do Recorrente quanto à apensação dos processos. Fl. 4626DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.627 10 DA PARCELA DE R$ 234.128,53 NÃO DECLARADA EM DCTF O Recorrente alega que é certo que a autoridade fiscal adotou, erroneamente, o valor de R$ 63.901.591,82 como base tributável do fato gerador de 31/08/2010, chegando ao montante R$ 3.834.095,51 supostamente devido de CSLL e lançado no presente auto de infração. Ao reconhecer tal erro, exonerou a parcela de R$ 1.710.660,70 relativa ao mencionado fato gerador, considerando como devida a CSLL no valor de R$ 2.123..434,81. Assim o erro já reconhecido pela autoridade julgadora implicaria, também, na inexigibilidade da diferença apurada de R$ 234.128,53, verificada entre o valor indevidamente lançado e já corrigido (R$ 3.834.095,51) e o valor declarado em DCTF (R$ 3.590.966,98), nos termos do quadro demonstrativo abaixo: DESPESAS 2010 Amortização de Ágio ‐ MIRAVALLES Amortização de Ágio ‐ VITÓRIA PARTICIPAÇÕES 13.333.227,04 Amortização de Ágio ‐ PANDORA/FAI 2.283.266,64 Amortização de Ágio ‐ ITAUVEST PART. 29.661.129,84 Despesa Total 45.277.623,52 Abertura da despesa ‐ Cisão Sub. Total ‐ Despesa acumulado até agosto 35.390.580,24 Sub. Total ‐ Despesa acumulado de set a dez 9.887.043,28 Total Geral de 2010 45.277.623,52 Base Autuada extraída da linha 65da ficha 17 da DIPJ/2011 AC 2010 63.901.591,82 Base Autuada a maior (18.623.968,30) Cálculo do diferencial de alíquota adicional Base errada R$ 63.901.591,82 (X) 6% alíquota (=) R$ 3.834.095,50 CS a 6% lançada em DCTF R$3.590.966,98 Diferencial R$ 243.128,53 Fl. 4627DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.628 11 Notase que de fato houve um equívoco no lançamento, quanto a base de cálculo da CSLL após a adição das despesas de ágio, no entanto a decisão a quo exonerou a parcela excedente, conforme os seguinte trechos do Acórdão de 1ª Instância : Nos demonstrativos constantes do termo de verificação fiscal (fls. 4439 e 4440), constatase que a fiscalização calculou corretamente o valor a ser lançado relativamente ao fato gerador de 31/12/2010. Todavia, em relação ao fato gerador ocorrido em 31/08/2010, a fiscalização adotou o valor de R$63.901.591,82 como base tributável, chegando ao montante de R$3.834.095,51 a ser lançado, valor que efetivamente constou do auto de infração (fls. 4414). Ante o exposto, concluise que deve ser exonerada parcialmente a exigência da CSLL relativa ao fato gerador de 31/08/2010, exonerandose a parcela de R$1.710.660,70 e mantendose a parcela de R$2.123.434,81. Todavia a base de cálculo referente ao fato gerador ocorrido em 31/08/2010 não se confunde com a base de cálculo utilizado pelo recorrente para a apuração da CSLL em 31/12/2010. Contatase que está correto o valor de R$ 63.901.591, 82 da base de cálculo da CSLL, conforme Ficha 16 da DIPJ 2011: Cálculo do diferencial de alíquota adicional Base Correta R$ 63.901.591,82 (X) 6% alíquota (=) R$ 3.834.095,50 CSLL a 6% lançada em DCTF R$3.590.966,98 Diferencial R$ 243.128,53 Verificase que há uma diferença no valor de R$ 243.128,53 na CSLL apurada pelo Recorrente em sua DIPJ e o valor declarado em DCTF, de acordo com as conclusões da Autoridade Fiscal: "Os valores suspensos de 6% de dezembro de 2009 e agosto de 2010 e de 5,6% de dezembro de 2010 informados em DCTF, já foram objeto de Procedimento Fiscal de Revisão, através do Processo Administrativo Fiscal nº 16327.721156/201146. Ficou faltando lançar a parte relativa a 0,4% de dezembro de 2010, não declarado em DCTF, considerado agora neste processo." Fl. 4628DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.629 12 Portanto devem ser afastados os argumentos do Recorrente quanto à inexigibilidade da diferença apurada de R$ 234.128,53. DA ADIÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL Constatase que parte da base de cálculo autuada referese à adição das despesas de ágio discutidas no Processo Administrativo n° 16327.721471/201254, lavrado para exigir a CSLL à alíquota de 9%. Ou seja, a diferença de alíquota (6%) sobre tal parcela encontrase exigida no presente auto de infração. Verificase que na decisão proferida no processo nº 16327.721471/201254, prevaleceu o entendimento que "A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição". O Recorrente repisou as alegações trazidas no já mencionado processo n° 16327.721471/201254. Em síntese, alega que o lançamento deve ser cancelado por falta de previsão legal para a adição do valor correspondente à amortização do ágio na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL. Em entendimento oposto, a Autoridade Fiscal entendeu que a referida norma é aplicável tanto ao IRPJ quanto à CSLL em virtude do artigo 57 da Lei nº 8.981/95: “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.” Da leitura dos dispositivo acima transcrito, concluise que a legislação relativa à CSLL adotou o mesmo disciplinamento contido na legislação do IRPJ quanto ao registro e ao tratamento a ser dispensado ao ágio, inclusive no que concerne à sua amortização. Ressaltase que a autoridade fiscal, também, fundamentou o lançamento no art. 13, III, da Lei n. 9.249/95. Desta feita, urge transcrever o art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja Fl. 4629DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.630 13 constituição é exigida peta legislação especial a elas aplicável, (Vide Lei 9.430. de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, VI das doações, exceto as referidas no § 2", VII das despesas com brindes Assim, se a lei fala em "independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964" é porque mencionado artigo passa a ser considerado, também, para efeito de base de cálculo da CSLL, e o mesmo é a base legal do art. 299 do RIR/99, dispondo: Art 47, São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas paia a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, § 3º Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. Fl. 4630DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.631 14 § 4ª No caso de empresa individual, a administração do imposto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se esse não puder provar a relação da despesa com a atividade da empresa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da empresa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do imposto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado,autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de força maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5o, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. Conforme a interpretação explicitada pelo RIR/99, a norma do art. 13, III, da Lei n. 9.249/95, é ampla o suficiente para tutelar a dedutibilidade da amortização de “bens e direitos”, tanto em relação à base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL. Nesse sentido, merece nota o voto do i. Conselheiro Luís Flávio Neto, no acórdão nº 9101002.549, de 07.02.2017: "No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal fundamentou o lançamento também no o art. 13 da Lei n. 9.249/95 (efl.67). O referido enunciado legal possui a seguinte redação, com destaque ao seu caput e inciso III: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se Fl. 4631DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.632 15 intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (...) Notese que o legislador ordinário dirigiuse tanto à CSLL quanto ao IRPJ, por meio de enunciado capaz de gerar dúvidas quanto à sua extensão. Tratarseia de norma geral, pertinente a quaisquer “despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros”, inclusive “quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis”? Ou tratarseia de norma muito mais restrita, cuja materialidade alcançaria apenas despesas de “bens móveis ou imóveis”, sejam elas “de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros” ou “quaisquer outros gastos” com tais bens? Para este julgamento administrativo, é necessário considerar que o Regulamento do Imposto e Renda (Decreto n. 3.000/99, “RIR/99”) assumiu uma posição a respeito, como se observa da interpretação explicitada pelo seu art. 324, § 4º, que tutela a dedutibilidade de amortizações tanto em relação ao IRPJ quanto à CSLL: Subseção IV. Amortização Dedutibilidade Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 4632DF CARF MF Processo nº 16327.721472/201207 Acórdão n.º 1402003.473 S1C4T2 Fl. 4.633 16 Conforme a interpretação explicitada pelo RIR/99, a norma do art. 13, III, da Lei n. 9.249/95, é ampla o suficiente para tutelar a dedutibilidade da amortização de “bens e direitos”, tanto em relação à base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL." Somase a essas razões o fato de a IN SRF n° 390/2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, ter sido expressa ao estabelecer em seu art. 44 que "aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106". No caso sob julgamento, a amortização se refere a ágio reconhecido pelo Método de Equivalência Patrimonial, adotado em face de investimento em outras empresas (“direitos”). É necessário reconhecer que o ágio em questão pertence ao gênero dos sacrifícios suportados pela pessoa jurídica que, embora possam contribuir para os seus resultados, não são “intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços”. Com base na fundação e motivos expostos, é inequívoco que a adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário; não conhecer do recurso de ofício; indeferir o pedido de apensação do presente processo ao de nº 16327.721471/201254. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 4633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001954/2004-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica prejuízo à defesa.
CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
Numero da decisão: 1202-000.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em não conhecer da matéria Glosa da Exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ, em virtude de concomitância com aquela levada ao crivo do Poder Judiciário.
No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica prejuízo à defesa. CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10510.001954/2004-75
conteudo_id_s : 5944844
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1202-000.895
nome_arquivo_s : Decisao_10510001954200475.pdf
nome_relator_s : Viviane Vidal Wagner
nome_arquivo_pdf_s : 10510001954200475_5944844.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em não conhecer da matéria Glosa da Exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ, em virtude de concomitância com aquela levada ao crivo do Poder Judiciário. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
id : 7560816
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148939689984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.001954/200475 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.895 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2012 Matéria Omissão de receitas. Compensação a maior. Recorrente INDUSTRIA DE TORREFAÇÃO E MOAGEM CAFÉ MARATÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica prejuízo à defesa. CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em não conhecer da matéria Glosa da Exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ, em virtude de concomitância com aquela levada ao crivo do Poder Judiciário. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 19 54 /2 00 4- 75 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 3 2 que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância, cujo relatório, por bem descrever os elementos constantes dos autos, reproduzo abaixo, com a vênia do colegiado: Tratase do auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 06/29), decorrente da apuração das seguintes infrações, conforme descrição dos fatos às fls. 08/18: 1. OMISSÃO DE RECEITAS – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS: comparandose as informações contidas nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fornecidas pelas fontes pagadoras, relativas a rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, nos anoscalendário de 1999 a 2003, com os valores contabilizados pela interessada, verificouse a ocorrência de diferenças significativas; a contribuinte, questionada sobre tais diferenças, informou, genericamente, através do responsável pelo setor de contabilidade, que fazia a atualização periódica dos ativos financeiros considerando a taxa de rendimentos da aplicação calculada “pro rata tempore”; a legislação aplicável, citada no auto de infração, determina que, desde o segundo semestre de 1998, os ativos representativos de aplicações financeiras são remunerados diária ou mensalmente, com incidência do IRF na data do resgate. Assim, não existe razão para que tais rendimentos, contabilizados pela fiscalizada, tenham valores diferentes daqueles que serviram de base de cálculo para o IRF, informados pelas instituições financeiras nas DIRF correspondentes; as planilhas de fls. 52/61 demonstram as receitas omitidas, decorrentes da comparação entre os rendimentos mensais informados nas DIRF e aqueles contabilizados pela contribuinte; nos períodos em que os valores contabilizados pela empresa são superiores aos informados pelas fontes pagadoras, os valores apurados estão sendo diminuídos do lucro real; em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRF), passível de compensação, foi efetuada a consolidação, mês a mês, dos valores informados nas DIRF, conforme planilha de fl. 66, apresentando diferenças significativas com os valores contabilizados. Os montantes efetivamente retidos foram utilizados para compensação com o imposto apurado nesse processo, em função das infrações apontadas, de acordo com as planilhas de fls. 67/71; Fl. 964DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 5 4 o imposto devido mensalmente e o apurado no ajuste anual estão demonstrados nas planilhas de fls. 75/79. Em relação ao ajuste anual, houve alteração da soma dos valores compensados a título de IRF e do imposto pago mensalmente por estimativa, como demonstrado à fl. 11; nos anos em que ocorreu compensação a menor pela contribuinte, essa diferença está sendo compensada com o imposto lançado de ofício. Nos anos em que ocorreu compensação a maior, os valores encontrados estão sendo objeto de lançamento de ofício, conforme item 4 desse auto de infração; nos anoscalendário de 1999 e 2002, o valor compensado a menos pela empresa coincide com a diferença entre o valor anual do IRF apurado pela fiscalização e o contabilizado pela interessada. No anocalendário de 2000, além dessa diferença, a contribuinte declarou em DCTF, no mês de março, valor a pagar de IR superior ao informado na DIPJ, aumentando o valor a ser compensado; 2. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA: a contribuinte contabilizou, como despesas, gastos efetuados na aquisição de itens de natureza permanente, tais como: televisão, fogões, bicicletas, móveis, ferros de passar roupas, etc. Além disso, alguns desses bens não guardam vinculação direta com despesas de propaganda e publicidades, forma pela qual foi contabilizada; [...] 3. ADIÇÃO DA CSLL NÃO COMPUTADA NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL: a fiscalizada deixou de adicionar ao lucro real, nos anos calendário de 2000 a 2003, a provisão da CSLL, diminuindo, indevidamente, a base de cálculo do imposto, como demonstrado à fl. 14; 4. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E/OU DO IMPOSTO PAGO MENSALMENTE POR ESTIMATIVA: de acordo com o descrito na infração 1, comparandose a soma dos valores compensados a título de IRF e do imposto pago mensalmente por estimativa, apurados na DIPJ, com a soma desses valores apurados no presente procedimento fiscal, conforme planilhas de fls. 75/79, foi constatado excesso de compensação nos anoscalendário de 2001 e 2003, como demonstrado às fls. 15/16; 5. MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Fl. 965DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 6 5 em razão das infrações descritas nos itens 1 a 3, foi apurada insuficiência de declaração em DCTF e/ou recolhimento, nos anoscalendário de 2000 e 2003, do imposto de renda incidente sobre a base de cálculo estimada mensal, conforme planilhas de fls. 72/79, sujeitandose a contribuinte ao lançamento da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996. [...] A interessada tomou ciência dos lançamentos em 28/10/2004 e apresentou, em 26/11/2004, a impugnação de fls. 716/738, acompanhada dos documentos de fls. 739/903, com as seguintes alegações, em síntese: PRELIMINAR – DO CERCEAMENTO DE DEFESA · a impugnante identificou uma série de inconsistências no auto de infração, fato que dificulta a elaboração da presente defesa, em total afronta ao princípio constitucional da ampla defesa, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988; · a folha 205 do processo, referente à DIRF do ano calendário de 2000, não foi anexada ao auto de infração lavrado pelas autoridades fiscais, o mesmo acontecendo com a DIRF do anocalendário de 1999; · os rendimentos de aplicações financeiras relativos aos anoscalendário de 2000 a 2002, informados nas fls. 57 a 61, não conferem com os valores informados nas DIRF anexadas às fls. 203 a 231 (exceto a fl. 205, que não foi anexada), como demonstrado na impugnação, à fl. 722; · esse fato é atentatório ao princípio do contraditório e da ampla defesa, impondose a nulidade do lançamento, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes (reproduz ementa do Acórdão nº 10610840, de 08/06/1999); INFRAÇÃO 1 OMISSÃO DE RECEITAS Do princípio contábil do regime de competência · as autoridades fiscais utilizaram como critério para o cálculo da omissão de receita o comparativo entre a receita financeira contabilizada e os rendimentos de aplicações financeiras informados nas DIRF pelas fontes pagadoras; · esse método afigurase manifestamente precário e inadequado, pois a impugnante obedece ao princípio contábil do regime de competência, segundo o qual as receitas devem ser incluídas na apuração do resultado do período na medida em que ocorrerem, independente de recebimento ou pagamento; Fl. 966DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 7 6 · a impugnante, cumpridora de suas obrigações societárias e tributárias, contabiliza as receitas de aplicações financeiras pelo regime de competência, calculada através de rateio “pro rata”, oferecendo essas receitas à tributação. No entanto, os rendimentos informados nas DIRF pelas fontes pagadoras correspondem ao valor total da receita com aplicação financeira na data do resgate da aplicação, sendo natural que se apure as diferenças apontadas; · as diferenças apuradas não podem ser encaradas como omissão de receitas, já que se tratam de rendimentos contabilizados e oferecidos à tributação em momento pretérito, pelo regime de competência; · a impugnante, à fl. 725, apresenta um quadro no qual procura demonstrar como foi efetuada a apuração dos rendimentos de aplicações financeiras referentes a uma determinada aplicação no Banco do Brasil, com resgate em fevereiro de 1999, a título de exemplo, rendimentos esses devidamente contabilizados, conforme documentos anexados às fls. 751/780 (Anexo II); Da inexistência da aplicação financeira com o Banco Alvorada · a despeito da alegação do autuante de que omitiu receitas decorrentes de supostas aplicações financeiras junto ao Banco Alvorada, a impugnante declara que nunca praticou operações de aplicações financeiras com esse banco. No entanto, possui outras fontes de rendimentos no referido banco, o que poderia ter suscitado a lavratura do auto de infração; · comparandose o valor da receita financeira considerada como omitida com as receitas financeiras auferidas por intermédio do Banco Alvorada, de outras naturezas, constatase que o seu montante supera em R$2.717.640,70 o valor objeto do lançamento, como demonstrado à fl. 726, concluindose que as supostas receitas omitidas estão contempladas nas receitas auferidas com o Banco Alvorada, já devidamente oferecidas à tributação do IRPJ e tributos reflexos; Tributação Reflexa – PIS e Cofins · a exigência dessas contribuições parte dos mesmos pressupostos que embasaram a tributação do IRPJ, devendo, pelos mesmos motivos, ser julgados improcedentes; INFRAÇÃO 2 – BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA: · a impugnante adquiriu bens de pequeno valor (fogões, ferros de passar, bicicletas, etc.) para serem distribuídos como material de propaganda e publicidade em eventos Fl. 967DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 8 7 realizados, com o intuito exclusivo de divulgar a marca da empresa em mais de 800 municípios; · a compra desses equipamentos fez parte do esforço de logística para divulgação dos produtos da empresa, que, frisese, resultou em considerável aquecimento no volume de negócios nos anos que se seguiram, conforme evolução do seu faturamento demonstrada à fl. 728; · a impugnante, tendo em vista que se tratavam de bens de pequeno valor e destinados à propaganda e divulgação de sua marca, contabilizouos diretamente em despesa do próprio exercício, com fundamento na Solução COSIT nº 4, de 2001 (reproduz ementa); · o entendimento do autuante, de que tais gastos deveriam ser incorporados ao ativo imobilizado, por si só já representa uma imensa contradição: como manter um ativo imobilizado se os bens tiveram a transferência de sua propriedade? · a alegação do autuante de que alguns desses bens, numa primeira análise, não guardam vinculação direta com despesas de propaganda e publicidade demonstra o seu reconhecimento de que não empreendeu uma investigação mais profunda, acabando por precipitarse na formação do seu entendimento; · a argumentação de que a vida útil dos bens ultrapassa 1 ano é totalmente improcedente, já que tais bens, como já asseverado, não permaneceram dentro da esfera de domínio da impugnante, sendo logo transferidos para terceiros nos eventos realizados para promover sua marca, não mais figurando no seu ativo imobilizado; · as despesas contribuíram significativamente para o aumento do seu faturamento, foram necessárias para a consecução dos seus objetivos sociais e, portanto, são dedutíveis para fins fiscais; INFRAÇÃO 3 – ADIÇÃO DA CSLL NÃO COMPUTADA NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL: · essa questão vem sendo discutida perante o Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança nº 98.00025278 e encontrase, atualmente, aguardando decisão no Superior Tribunal de Justiça; · independente desse fato, alega a impugnante que a despesa fruto de pagamento de tributo enquadrase dentro daquelas consideradas necessárias, sendo obrigatoriamente dedutível, sob pena de desnaturar o próprio conceito de renda, o que demonstra o caráter confiscatório da cobrança em apreço; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 9 8 INFRAÇÃO 4 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E/OU DO IMPOSTO PAGO MENSALMENTE POR ESTIMATIVA: · no ano de 2001, o autuante apurou um débito de R$26.466,00, decorrente do não recolhimento da antecipação mensal do IRPJ nos meses de outubro e novembro de 2001. Contudo, essas divergências não procedem, uma vez que os valores correspondentes foram compensados com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, conforme documentos contábeis anexados às fls. 782/783 (Anexo IV); · a divergência identificada no anocalendário de 2003 decorre da contabilização a maior do imposto retido na fonte, tendo em vista que o autuante calculou o IRRF com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, enquanto que os valores contabilizados atendem ao princípio contábil do regime de competência, de acordo com as exposições articuladas no tópico “Omissão de Receitas”; INFRAÇÃO 5 – MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: · o agente fiscal, no afã de efetuar a autuação com imposição de multa de ofício, entendeu, equivocadamente, que cada antecipação mensal do tributo constituía um novo débito, ignorando o fato de que a impugnante optou pela tributação anual do IRPJ, nos anoscalendário em questão, apurando em todos eles saldo negativo, conforme cópias das apurações anuais às fls. 791/794 (Anexo V); · o lançamento de multas isoladas sobre as antecipações mensais do IRPJ não encontra amparo legal, visto que todo o valor principal foi devidamente recolhido, não ocasionando qualquer lesão ao erário público. A DRJ converteu o julgamento em diligência (fls.909/911), objetivando que a interessada “demonstre, mensalmente, através de planilhas, a apropriação de todas as receitas financeiras escrituradas, nos anoscalendário fiscalizados, apresentando também os documentos hábeis a comprovar as apropriações efetuadas, além dos correspondentes registros contábeis nos Livros Diário e Razão”. Intimada e reintimada a apresentar a documentação, a interessada pediu a prorrogação do prazo. Após mais de três meses da primeira intimação, nenhuma das exigências foi atendida. Prosseguindo no julgamento, a turma deu provimento parcial à impugnação apenas para reduzir o patamar das multas isoladas para o percentual de 50%, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Fl. 969DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 10 9 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, não pode ser considerado nulo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Existindo diferenças entre as receitas financeiras informadas pelas fontes pagadoras e aquelas contabilizadas, sem que a empresa justifique, com documentação hábil, essas diferenças, cabível o lançamento como omissão de receitas dos valores correspondentes. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. BENS DE NATUREZA PERMANENTE. Descabe a apropriação, como despesas, de gastos com a aquisição de bens que, por sua natureza, devem ser contabilizados no ativo permanente. LUCRO REAL. DEDUÇÃO. PROVISÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. O valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não pode ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. CÁLCULO DO IMPOSTO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. RETENÇÕES E ANTECIPAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Na apuração do imposto de renda a pagar, só é cabível a dedução da estimativa e do imposto de renda retido na fonte efetivamente comprovados. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. BASE ESTIMADA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, cabível o lançamento de ofício da multa isolada sobre os valores devidos e não recolhidos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. É de se reduzir o percentual da penalidade imposta para 50% (cinqüenta por cento), em função de legislação superveniente e Fl. 970DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 11 10 em obediência ao princípio da retroatividade da lei mais benigna. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. Cientificado dessa decisão em 08/12/2008 (fl.939), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 07/01/2009 (fl.960/961), recurso voluntário ao CARF (fls. 938 a 959), em que reproduziu literalmente os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 12 11 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Cabe destacar, inicialmente, que o recurso voluntário de fls. 938 a 959 consiste na reprodução do teor da impugnação de fls. 716 a 738, não trazendo qualquer argumento contrário aos fundamentos da decisão recorrida. PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente argui a nulidade do auto de infração em razão de uma série de inconsistências que teriam dificultado a elaboração da defesa. À luz do disposto no art. 142 do CTN, o Decreto nº 70.235/72 prevê expressamente os requisitos do auto de infração, dispondo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Formalmente, o auto de infração questionado cumpre todos os requisitos legais. A alegação de nulidade em razão de eventual não apresentação da DIRF juntamente com o auto de infração também não invalida o lançamento, uma vez que todos os documentos, durante o prazo de impugnação, constavam do processo ao qual a defesa teve livre acesso, inexistindo cerceamento do direito de defesa. Tampouco a apontada diferença entre os valores considerados pela autoridade fiscal e os constantes das DIRF representa prejuízo à defesa. Se em preliminar foi alegado que “os rendimentos de aplicações financeiras relativos aos anoscalendário de 2000 a 2002, Fl. 972DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 13 12 informados nas fls. 57 a 61, não conferem com os valores informados nas DIRF anexadas às fls. 203 a 231 (exceto a fl. 205, que não foi anexada), como demonstrado na impugnação, à fl. 722”, ao questionar o mérito da omissão de receitas, a recorrente descreve o critério para o cálculo da omissão de receita – o comparativo entre a receita financeira contabilizada e os rendimentos de aplicações financeiras informados nas DIRF pelas fontes pagadoras – para, em seguida, tentar desqualificálo, apontando que se trata de método precário em face da adoção do regime de competência. Isso demonstra que a recorrente apreendeu exatamente os motivos da autuação e exerceu plenamente seu direito de defesa, conforme bem observou a autoridade julgadora de primeiro grau, reproduzida literalmente abaixo: em relação às supostas diferenças entre os rendimentos de aplicações financeiras demonstrados pelo autuante, nas planilhas de fls. 57/61, quando em comparação com as DIRF anexadas, a própria impugnante, ao elaborar a planilha de fl. 722, demonstra total conhecimento dos fatos imputados no auto de infração, corroborados pelos documentos anexados ao processo. Inexiste, assim, qualquer razão para a nulidade da autuação, pelo que, rejeita se essa preliminar. MÉRITO Omissão de receitas financeiras Nos anos fiscalizados, a autoridade fiscal constatou vultosas diferenças entre os valores de receitas financeiras informados pelas instituições bancárias e aqueles oferecidos à tributação pela recorrente. A defesa alega que registra tais valores segundo o regime de competência, razão pela qual seria normal haver divergência com as informações advindas das instituições financeiras, as quais teriam sido apuradas segundo o regime de caixa. Diante da apresentação de cálculo exemplificativo para um dos meses autuados, o julgador de primeiro grau, por dever de cautela, determinou a realização de diligência para dar oportunidade à defesa de demonstrar o oferecimento das receitas como alegava. Contudo, a diligenciada não atendeu aos pedidos formulados pela autoridade fiscal, mesmo dispondo de um prazo total de 3 (três) meses. No recurso voluntário, a recorrente não refaz seu pedido de diligência (sendo esta praticamente a única parte do recurso que se diferencia da impugnação), tampouco justifica a falta de atendimento à diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. Como já afirmado pela autoridade fiscal em seu termo de constatação (fls.08/09), a retenção na fonte, nos termos da legislação que reproduz, é realizada mensalmente, à medida do auferimento dos juros. A retenção promovida na data do resgate se limita ao valor dos juros relativos ao próprio mês do resgate, ainda incompleto. Em razão disso, as informações dos rendimentos financeiros atinentes aos valores retidos equivalem à apuração dos juros segundo o regime de competência e, portanto, não há motivo para existência de divergências entre a escrituração da autuada e os informes bancários. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 14 13 Quanto aos rendimentos vinculados ao Banco Alvorada, o argumento de que a recorrente não possuía receitas de aplicações nessa instituição financeira, alegando que “as diferenças exigidas devem se referir a outras naturezas de operações financeiras percebidas e já oferecidas à tributação”, considerando que as diferenças constatadas na ação fiscal foram obtidas do confronto entre os totais das receitas financeiras informadas pelas fontes pagadoras e os totais oferecidos à tributação pela recorrente sob o mesmo título, é irrelevante se tais receitas são decorrentes de aplicações financeiras junto ao Banco Alvorada ou se, como alega a impugnante, são relativas a "receitas financeiras auferidas por intermédio do Banco Alvorada". Tratandose das mesmas receitas, cumpriria à defesa comprovar o seu oferecimento à tributação, como concluiu o julgador de primeira instância. Em face da ausência de comprovação dessa tributação, deve ser mantida a autuação, negandose provimento ao recurso nessa parte. Glosa de despesas relativas ao ativo permanente A defesa apresenta, basicamente, duas alegações para justificar o registro de diversos itens diretamente como despesas no momento da sua aquisição: (i) foram itens distribuídos em eventos e, portanto, apresentam característica de despesas com propaganda e publicidade, e (ii) não poderiam ser registrados como ativo permanente em razão da transferência de titularidade no mesmo exercício da sua aquisição. Inicialmente, a natureza dos itens (televisões, fogões, bicicletas, móveis e ferros de passar roupas), como bem apontou a DRJ, demonstra não se enquadram no conceito de objetos de diminuto valor a que faz referência a Solução de Consulta Cosit nº 4/2001. É evidente, pela sua própria natureza, que a contrapartida devedora da aquisição de tais itens deveria ter sido contra uma conta de ativo, indiferentemente, do permanente ou do circulante, mas nunca uma conta de despesa. No momento posterior, da transferência, tampouco seria possível ensejar a redução do lucro tributável. Primeiro, porque não há provas da entrega desses itens a terceiros, como afirmado na decisão de primeiro grau, e não contestado pela recorrente. Segundo, caso se confirmasse que os referidos itens foram entregues com a finalidade publicitária, como alega a recorrente, eles se enquadrariam no conceito de brinde, cujo dispêndio é expressamente vetado pela Lei nº 9.249/95: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) VII das despesas com brindes. Assim, deve ser mantida a autuação também em relação a esse item, pelo que se nega provimento ao recurso nessa parte. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 15 14 Glosa da exclusão da CSLL da base de cálculo do imposto de renda Sobre o tema, a própria defesa aduz que a questão foi submetida ao crivo do Judiciário, o que atrai a incidência da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda que não houvesse discussão judicial, tratandose de questão constitucional, caberia a aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Nesse caso, em face da concomitância com a esfera judicial, deixase de tomar conhecimento dos argumentos da defesa relativamente à exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ. Compensação indevida do imposto de renda retido na fonte e/ou do imposto pago mensalmente por estimativa Para a manutenção desse item, a decisão recorrida adotou os argumentos que se seguem, in verbis: Segundo o autuante, em função dos fatos descritos na infração 1 (omissão de receitas financeiras), comparandose a soma dos valores compensados a título de IRF e do imposto pago mensalmente por estimativa, informados na DIPJ, com a soma desses valores apurados no presente procedimento fiscal, conforme planilhas de fls. 75/79, foi constatado excesso de compensação nos anoscalendário de 2001 e 2003. A impugnante alega que, no ano de 2001, a diferença apontada, no montante de R$ 26.466,00, que seria decorrente do não recolhimento da antecipação mensal do 1RPJ nos meses de outubro e novembro de 2001, não procede, uma vez que os valores correspondentes foram compensados com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, conforme documentos contábeis anexados às fls. 788/789 (Anexo IV). Contudo, tais documentos não podem ser aceitos como comprovação, pois se tratam de um simples demonstrativo (fl. 789) e uma folha avulsa do Razão Analítico, esta última emitida em data posterior à ciência do auto de infração, desacompanhados do Livro Diário devidamente registrado. Ressaltese, ainda, que esses valores sequer foram informados em DCTF, conforme destaca o autuante na descrição dos fatos, à fl. 16. Em relação ao ano de 2003, segundo a interessada, a divergência identificada decorre da contabilização a maior do imposto retido na fonte, tendo em vista que o autuante calculou o Fl. 975DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 16 15 IRRF com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, enquanto os valores contabilizados atendem ao princípio contábil do regime de competência, de acordo com as exposições articuladas no tópico "Omissão de Receitas". Tendo sido mantida a infração descrita como omissão de receitas financeiras (item 1 do auto de infração), também não há reparo a fazer quanto a esta parte do lançamento, já que, efetivamente, o IRF contabilizado pela impugnante supera o montante informado pelas fontes pagadoras, não logrando a interessada comprovar que as diferenças apuradas são decorrentes da forma de contabilização, mesmo após a diligência efetuada para esse fim. Notese que, como decorrência das infrações lançadas, e mantidas neste voto, não houve apuração de imposto de renda a pagar, visto que a contribuinte tinha apurado saldo negativo de IRPJ em todos os exercícios fiscalizados, tendo o lançamento apenas reduzido esses saldos, conforme Demonstrativo de Compensação de Valores de fls. 24 e 25. Assim, adotados os fundamentos acima, em relação aos valores relativos ao ano de 2003, deve ser mantida a autuação pelos mesmos motivos da manutenção do item relativo à omissão de receitas financeiras. Quanto ao ano de 2001, também foi correto o julgamento da autoridade de primeira instância ao considerar que os elementos carreados pela defesa não comprovam o que ela alega, pois se trata de um mero demonstrativo e uma única página do Razão confeccionada após a autuação sem a juntada das respectivas páginas do Livro Diário. No recurso voluntário a recorrente sequer se manifestou. Assim, descaberia nesta etapa processual determinar a busca de efetivas provas por meio de diligência fiscal. Por tudo isso, negase provimento ao recurso nessa parte. Multas isoladas A recorrente se insurge contra a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício de 75%, no que não tem razão. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, aplicase retroativamente, como reconheceu a decisão recorrida, por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 976DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 17 16 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Enquanto isso, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa isolada por falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a apuração de multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, data venia, não merece ser reconhecida. Apesar de respeitáveis opiniões em contrário, a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras dessa sistemática. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traz consequências, na medida em que a falta de recolhimento representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. Assim, a falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Ora, são distintos tributo e multa pela própria natureza jurídica de cada um. Enquanto o tributo decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro (multa) decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Da mesma forma, distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. Nesse diapasão, não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo da multa isolada é a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração. A nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção. Ademais, a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o Fl. 977DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001954/200475 Acórdão n.º 1202000.895 S1C2T2 Fl. 18 17 valor do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A determinação legal é clara nesse sentido, ao reafirmar que a multa é devida “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que não se verificou no presente caso. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não se inclui na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Nesse sentido, o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2, já referida. Com base nesses fundamentos, negase provimento ao recurso nessa parte. DISPOSITIVO Por todo o exposto, não se conhece do recurso quanto à glosa da exclusão da CSLL da base de cálculo do imposto de renda, por concomitância com a esfera judicial; rejeita se a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 978DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721183/2015-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
Numero da decisão: 3201-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.721183/2015-98
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5935283
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.370
nome_arquivo_s : Decisao_10855721183201598.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10855721183201598_5935283.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7539367
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148953321472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 13.293 1 13.292 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.721183/201598 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201004.370 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria Embargos Declaratórios Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SOROCABA REFRESCOS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Fundamento no Art. 65 do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 11 83 /2 01 5- 98 Fl. 13293DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em fls. 13246, em face do Acórdão desta Turma de Julgamento de fls. 13217, em razão de omissão, contradição e obscuridade. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 13257, transcrito a seguir: "Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, por intermédio de petição fundamentada de seu Procurador, ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3201003.462 (Doc. fls.13217 a 13244)1, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 28/02/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve em sua integralidade. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extinguese em cinco anos a contar do fato gerador. Fundamento na aplicação conjunta do Art. 62 do Ricarf, do entendimento firmado no REsp 973.733/SC e Art. 150, §4.º do Código Tributário Nacional. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. CONCOMITÂNCIA. Em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verificase ter ocorrido o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Súmula CARF n.º 01. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Fl. 13294DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.294 3 Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI." A Decisão foi assim registrada. " Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento. Por unanimidade de votos aplicouse a decadência aos fatos geradores ocorridos até a data de 15/04/2010. Por maioria de votos não se conheceu do recurso quanto as isenções da ZFM, em razão da concomitância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que não reconheciam a concomitância e davam provimento ao recurso quanto a ZFM. Por maioria de votos não se conheceu da matéria referente a isenção da Amazônia Ocidental. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Por voto de qualidade foi negado provimento quanto a classificação de mercadorias. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento ao recurso quanto a classificação e Tatiana Josefovicz Belisário, que não conhecia do recurso quanto a classificação. Designado para o voto vencedor quanto a isenção da Amazônia Ocidental e a classificação de mercadorias o Conselheiro Winderley Morais Pereira." São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Tempestividade O recurso é tempestivo. A Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 04/05/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 13245) e, consoante o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 03/06/2018. De acordo com o art. 7o, § 5o, da Portaria MF no 527, de 2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição Fl. 13295DF CARF MF 4 do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3o, mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. A contagem do prazo para interposição dos Embargos iniciase, então, após a intimação presumida. Sendo de 5 (cinco) dias o prazo para interposição dos Embargos, e considerando em estes foram regularmente encaminhados em 05/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 13255), concluise que os Embargos são francamente tempestivos. Legitimidade do Embargante Os Embargos de Declaração foram formalizados por Procurador da Fazenda Nacional, legitimado a opor esse tipo de recurso, conforme o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DO VÍCIO APONTADO Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, podendo ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Nos Embargos de Declaração (Doc. fls. 13246 a 13254), a Representação Jurídica da Fazenda Nacional acusa a ocorrência dos vícios de contradição e obscuridade no Acórdão embargado. Sustenta que o julgado teria sido obscuro, uma vez que, quando reconheceu que a lide objeto do presente processo estaria alcançada pela concomitância, não teria esclarecido se o contribuinte integrava condição sine qua non para que seja aplicável a decisão no Mandado de Segurança Coletivo no 91.00477834, tendo em conta que a Recorrente estaria "estabelecida fora do limite territorial de jurisdição do órgão prolator (a jurisdição do TRF2 abrange os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo), o que afasta a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes de CocaCola perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro". Nesses termos, defende que "no caso em apreço, não estaríamos nem diante de concomitância (uma vez que o processo judicial em apreço já exauriuse), nem muito menos de aplicabilidade da coisa julgada coletiva à contribuinte, por se tratar de decisão que somente alcança associados localizados no Rio de Janeiro". Transcrevese os excertos nos quais a embargante aponta a obscuridade (fls. 13248 e 13249). "Da leitura da fundamentação supra colacionada, verificase que há obscuridade no julgado, uma vez que, ao reconhecer a Fl. 13296DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.295 5 concomitância, AFBCC à época da impetração não esclareceu o v. acórdão embargado se o contribuinte integrava a, condição sine qua non para que seja aplicável a decisão no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834. De planto, insta ressaltar que, nos termos do item 3.15.2 do Relatório Fiscal, a Recorrente está estabelecida fora do limite territorial de jurisdição do órgão prolator (a jurisdição do TRF2 abrange os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo), o que afasta a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes de Coca Cola perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro". (...) "Essa obscuridade no julgamento pode gerar inúmeras dúvidas ao longo do processo. No caso em apreço, não estaríamos nem diante de concomitância (uma vez que o processo judicial em apreço já exauriuse), nem muito menos de aplicabilidade da coisa julgada coletiva à contribuinte, por se tratar de decisão que somente alcança associados localizados no Rio de Janeiro. Convém repisar que o Mandado de Segurança Coletivo a que se refere a decisão ora embargada foi impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola, perante a 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, em face de ato iminente do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, como se nota da exordial colacionada aos autos. Mas a fiscalizada possuía sede em Jundiaí/SP, circunstância essa que, por si só, já afasta qualquer possibilidade dela se beneficiar da decisão judicial prolatada na referida ação mandamental. Diante dessas circunstâncias fáticas, que em nada se assemelham ao caso dos autos – em que o MSC foi impetrado, especificamente, contra ato do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro e teve suas decisões proferidas apenas no sentido de reconhecer o direito ao crédito na aquisição de concentrados da ZFM, sem, no entanto, ampliar essa concessão a todos os associados do país, conforme decidido no acórdão ora embargado". Também sustenta que o acórdão embargado incorre em contradição, "uma vez que, ao mesmo tempo em que reconhece que há a formação de coisa julgada favorável ao contribuinte (“prevalece a aplicação da decisão transitada em julgado (MS coletivo) em detrimento da decisão constante no Agravo de Instrumento”), aplica o entendimento sufragado na Súmula CARF n. 01, a qual prevê a concomitância em caso de discussão simultânea no Poder Judiciário envolvendo o mesmo objeto do processo administrativo para integrar no dispositivo". Fl. 13297DF CARF MF 6 Nesse sentido, requer que se esclareça se "estaríamos diante de hipótese de renúncia à instância administrativa, ou de aplicação da coisa julgada existente favorável ao contribuinte". Transcrevo (fls. 13248 e 13249). "Outrossim, o acórdão embargado incorre em flagrante contradição, uma vez que, ao mesmo tempo em que reconhece que há a formação de coisa julgada favorável ao contribuinte (“prevalece a aplicação da decisão transitada em julgado (MS coletivo) em detrimento da decisão constante no Agravo de Instrumento”) , aplica o entendimento sufragado na Súmula CARF n. 01, a qual prevê a concomitância em caso de discussão simultânea no Poder Judiciário envolvendo o mesmo objeto do processo administrativo para integrar no dispositivo. Isto porque a concomitância pressupõe a existência simultânea de dois processos, um judicial e outro administrativo, versando sobre a mesma matéria. No presente caso, o que havia era um processo administrativo em curso, e um processo judicial encerrado, com trânsito em julgado supostamente favorável ao contribuinte. Portanto, cabe ao acórdão ora embargado esclarecer a seguinte contradição: estaríamos diante de hipótese de renúncia à instância administrativa, ou de aplicação da coisa julgada existente favorável ao contribuinte?" Por fim, a Fazenda Nacional acusa a ocorrência de nova obscuridade no Acórdão embargado, ao invocar a aplicação do julgado no RE no 612.043/PR e determinar que o limite territorial somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário e, não sendo o Mandado de Segurança Coletivo uma medida judicial de rito ordinário, prevalece a decisão do STF. Arqumenta que "a tese firmada pelo STF no referido recurso extraordinário partiu da declaração de CONSTITUCIONALIDADE do art. 2ºA da Lei 9494/97 e cuidou tão somente dos LIMITES SUBJETIVOS da coisa julgada na ação coletiva proposta por entidade associativa de caráter civil" e que "o tribunal JAMAIS limitou os efeitos da tese fixada às ações “unicamente” de rito ordinário, como utopicamente deseja fazer crer a Recorrente" (fls. 13251 a 13254). "Também mostrouse obscuro o acórdão ora embargado no momento em que o mesmo invoca a aplicação do julgado no RE n.º 612.043/PR, “em sede de repercussão geral, determinando que o limite territorial somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário e, não sendo o Mandado de Segurança Coletivo uma medida judicial de rito ordinário, neste caso em concreto prevalece esta decisão do STF, que, segundo o Art. 62 do RICARF, é de aplicação obrigatória a este Conselho.” No entendimento sufragado no acórdão embargado, a tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 612.043/PR na sistemática da repercussão geral, traria consequências no presente processo. Com isso, o acórdão embargado determinou o afastamento das limitações previstas na Lei nº 9494/97, que foram aplicadas pela Fl. 13298DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.296 7 fiscalização para restringir os efeitos do MSC nº 91.00477834 às filiadas/substituídas da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC) que, na data da impetração do MSC, tivessem domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator, ou seja, no estado do Rio de Janeiro. Ocorre que esse não é o caso da Recorrente, que está situada fora dessa unidade da federação. A tese firmada pelo STF no referido recurso extraordinário partiu da declaração de CONSTITUCIONALIDADE do art. 2ºA da Lei 9494/97 e cuidou tão somente dos LIMITES SUBJETIVOS da coisa julgada na ação coletiva proposta por entidade associativa de caráter civil." (...) Pelos trechos acima destacados, concluise que o tribunal JAMAIS limitou os efeitos da tese fixada às ações “unicamente” de rito ordinário, como utopicamente deseja fazer crer a Recorrente. Por honestidade intelectual, o único trecho do voto do Relator que, distantemente, abordou o assunto, NÃO direcionou a limitação territorial do art. 2ºA da Lei 9494/97 “apenas” às ações de rito ordinário, verbis: A problemática da eficácia territorial do pronunciamento judicial é resolvida a partir da jurisdição do órgão julgador, isso em se tratando de ação plúrima submetida ao rito ordinário. Esse mesmo enfoque seria observado se ajuizada a ação, diretamente, pelos próprios beneficiários do direito, não havendo tratamento diverso atuando a associação como representante. Ora, se a ação que originou o recurso extraordinário julgado pelo STF tramitou pelo rito ordinário, em respeito ao efeito devolutivo recursal, seria inimaginável que o STF excluísse de outros ritos (“nãoordinários”) a tese fixada pelo Tribunal. Aliás, presumese a constitucionalidade da norma (art. 2ºA da Lei 9494/97), e não o contrário". (...) "Após essas breves explicações, cabe a seguinte indagação: qual a influência da tese fixada no RE nº 612.043/PR para o caso concreto? NENHUMA! De fato, o STF declarou a constitucionalidade do art. 2ºA da Lei 9494/97 no que tange à eficácia subjetiva da coisa julgada em ação coletiva, isto é, sequer julgou a eficácia territorial nele prevista. Fl. 13299DF CARF MF 8 A discussão travada no STF não tem qualquer ponto de convergência com o caso concreto porque a autoridade fiscal não deixou de aplicar os efeitos do MSC nº 91.00477834 em razão da pertinência subjetiva da Recorrente, mas, sim, pela restrição territorial que encarcera os efeitos da coisa julgada coletiva aos associados da AFBCC domiciliados no estado do Rio de Janeiro, âmbito da competência territorial do órgão prolator da decisão, nos termos do art. 2ºA da Lei 949497. À vista do exposto, requer a Fazenda Nacional que sejam "acolhidos os presentes Embargos de Declaração, com efeitos modificativos, nos termos expostos, a fim de ser afastada a concomitância entre o Mandado de Segurança Coletivo no 91.00477834 e o processo administrativo em julgamento, negandose provimento ao recurso voluntário". CONCLUSÃO Sempre importante lembrar os ensinamentos de Humberto Theodoro Junior2 (2004, p. 560), que leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. Com efeito, apresentase possível a ocorrência dos vícios apontados, passíveis de esclarecimentos pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos, cujo mérito deve ser oportunamente apreciado pelo Colegiado. Convém notar que o presente despacho não determina se, efetivamente, ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo Procurador da Fazenda Nacional. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, a fim de que indique o processo para pauta com proposta de saneamento do vício apontado." Após, os autos foram pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Fl. 13300DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.297 9 Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Em que pese o sério e detalhado trabalho exposto nos Embargos de Declaração, verificase que as alegações de omissão, contradição e obscuridade não procedem. Isto porque as matérias que são objeto destes embargos são justamente as matérias presentes no lançamento original e que foram amplamente discutidas em sessão e refletidas de forma fiel no voto condutor e vencedor da aplicação da concomitância. Vejamos. Alegouse omissão a respeito do limite territorial que, segundo a fiscalização, poderia ser aplicado à decisão judicial constante no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834, que reconheceu o crédito ao contribuinte na Zona Franca de Manaus e omissão a respeito do cumprimento desse requisito territorial por parte do contribuinte. Contudo, o Acórdão embargado trata de forma clara e expressa desta questão, conforme reproduzido a seguir: "Conforme alegado pelo contribuinte, este possui decisão judicial a seu favor, em âmbito de Mandado de Segurança coletivo. Conforme fls. 8464 deste autos, contribuinte é parte do MS Coletivo e integrante da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola AFBCC (Doc 06 da Impugnação), logo, possui o direito de usufruir do resultado da decisão final, transitada em julgado (fls. 12570), conforme print screen de fls 178 dos autos, exposto a seguir: Fl. 13301DF CARF MF 10 Mesmo ciente desta informação, a fiscalização alegou em seu lançamento que o contribuinte não possui o direito reconhecido na ação judicial acima mencionada, em razão de decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento de n.º 2004.02.01.0132984. Nesta decisão de fls. 8705, 8708 e 8742, o Supremo Tribunal Federal teria pretendido limitar o efeito da decisão favorável ao contribuinte, para ser somente aplicada na região territorial do TRF da 2.ª região, território estranho ao do contribuinte, conforme print screen de fls. 8752 a seguir: Fl. 13302DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.298 11 Ao analisar toda a questão discutida no Poder Judiciário, verificase que o Supremo Tribunal Federal, de uma forma não muito usual, reconheceu o trânsito em julgado na decisão proferida no âmbito do Mandado de Segurança Coletivo Fl. 13303DF CARF MF 12 (favorável ao contribiunte), negou provimento ao Agravo de Instrumento apresentado pela União, mas no corpo do voto acaba por limitar o efeito daquela decisão favorável, já transitada em julgado, que já havia configurado coisa julgada. A situação judicial do contribuinte é sui generis, visto que possui duas decisões judiciais, que criaram norma concreta com relação ao seu direito ao crédito de IPI nos casos de aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus. Diante de sua complexidade, a coisa julgada é matéria de estudo em qualquer ordenamento jurídico, de extensa doutrina e desafio extremo. Poderiase concluir que posterior decisão, em âmbito de agravo de instrumento, poderia reformar um direito adquirido? Conforme voto da notável Conselheira Thais de Laurenttis, no julgamento do mencionado caso, Acórdão n.º 3402002.932, prevalece neste Conselho a aplicação da decisão transitada em julgado (MS coletivo) em detrimento da decisão constante no Agravo de Instrumento, conforme trechos extraídos de sua declaração de voto, in verbis: "Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende o Contribuinte que possui coisa julgada em seu favor, à medida que esta ação foi impetrada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), como substituta processual de seus associados. A seu turno a Fazenda Pública alega que a coisa julgada não beneficia o Contribuinte. Isto porque a ação foi manejada no Rio de Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte, cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise. A discussão acerca dos efeitos do julgamento do citado Mandado de Segurança Coletivo com relação às empresas associadas à AFBCC não é nova no CARF. Em julgamentos de casos semelhantes, este Conselho vem afastando a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, cuja decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, depois de negado o Agravo de Instrumento interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União (e.g. Processo n. 10950.000026/201052, Acórdão n. 3403003.323, de 15 de outubro de 2014; e Processo n. 15956.720043/201316, Acórdão n. 3403003.491, de 27 de janeiro de 2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando da análise da Reclamação 7.7781/ SP (apresentada por Associado da AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição Fl. 13304DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.299 13 do órgão prolator, vale dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação: "Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei)" Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira, no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido: "Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei)" Todavia, ouso, com a devida vênia, discordar do julgamento proferido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, razão pela qual entendo que esta decisão não merece guarida do CARF. Efetivamente, o julgamento da Reclamação n. 7.7781/ SP recaiu em uma “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do direito processual aplicável aos mandados de segurança coletivos de matéria tributária, bem como do caso concreto levado à apreciação do STF, e que agora merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho. Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada que fora substituída pela AFBCC no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final. (...) Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito do Contribuinte, nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no Mandado de Fl. 13305DF CARF MF 14 Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve ser viabilizado." Firme nesta mesma posição de que prevalece a aplicação da decisão transitada em julgado (MS coletivo) em detrimento da decisão constante no Agravo de Instrumento, um outro ponto a favor do contribuinte deve ser considerado. Conforme apontado em fls. 13130, em pedido do contribuinte, o STF proferiu nova decisão no julgamento do RE n.º 612.043/PR, em sede de repercussão geral, determinando que o limite territorial somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário e, não sendo o Mandado de Segurança Coletivo uma medida judicial de rito ordinário, neste caso em concreto prevalece esta decisão do STF, que, segundo o Art. 62 do RICARF, é de aplicação obrigatória a este conselho. Assim, neste caso em concreto, permanece válida a decisão que reconheceu o direito de crédito na aquisição de insumos desonerados, provenientes da Zona Franca de Manaus. Com a clareza e segurança de que a decisão favorável ao contribuinte deve ser aplicada e, solucionada esta questão, para evitar o conflito de decisões entre a administração fiscal e o Poder Judiciário, não é necessário discutir novamente esta questão do creditamento de IPI na aquisição de insumos desonerados da ZFM dentro deste processo administrativo fiscal. Pelo exposto e, nesta mesma linha de preservar a hierárquia entre os poderes Executivo e Legislativo, em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verificase inúmeros precedentes deste Conselho que reconheceram o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Este é o entendimento apresentado na Súmula CARF n.º 01. Portanto, sem prejuízo de que em outras situações este Conselho deva, sim, mandar aplicar a coisa julgada expressamente e dar ou negar provimento aos recursos, verificase neste caso em concreto que há a concomitância, no que diz respeito ao direito ao crédito de IPI dos insumos desonerados, adquiridos por este contribuinte, para a fabricação de refrigerantes. Assim, deve ser aplicada a Súmula n.º 01 deste Conselho, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 13306DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.300 15 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por fim, a lide deste procedimento administrativo fiscal limitase à discussão das demais matérias, como a reclassificação dos concentrados para a fabricação de refrigerantes adquiridos da RECOFARMA." Conforme reproduzido e negritado, não há que se falar em omissão a respeito deste primeiro tema abordado. Além de ser parte do MS Coletivo e integrante da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola AFBCC (Doc 06 da Impugnação), não procede o argumento da fiscalização, apresentado desde o próprio lançamento, de que o contribuinte não possui o direito reconhecido na ação judicial acima mencionada, em razão da decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento de n.º 2004.02.01.0132984. O próprio lançamento alegou que nesta decisão de fls. 8705, 8708 e 8742, o STF teria pretendido limitar o efeito da decisão favorável ao contribuinte (MS Coletivo), para ser somente aplicada na região territorial do TRF da 2.ª região, território estranho ao do contribuinte, conforme print screen de fls. 8752 reproduzido acima. Ou seja, os embargos pretendem rediscutir o próprio lançamento. Em seguida nos embargos alegouse contradição a respeito da aplicação da coisa julgada ou da concomitância. Contudo, o Acórdão embargado trata de forma clara e expressa desta questão, conforme trecho reproduzido acima, mas novamente citado a seguir: "Pelo exposto e, nesta mesma linha de preservar a hierárquia entre os poderes Executivo e Legislativo, em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verificase inúmeros precedentes deste Conselho que reconheceram o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Este é o entendimento apresentado na Súmula CARF n.º 01. Portanto, sem prejuízo de que em outras situações este Conselho deva, sim, mandar aplicar a coisa julgada expressamente e dar ou negar provimento aos recursos, verificase neste caso em concreto que há a concomitância, no que diz respeito ao direito ao crédito de IPI dos insumos desonerados, adquiridos por este contribuinte, para a fabricação de refrigerantes. Assim, deve ser aplicada a Súmula n.º 01 deste Conselho, transcrita a seguir: Fl. 13307DF CARF MF 16 "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por fim, a lide deste procedimento administrativo fiscal limitase à discussão das demais matérias, como a reclassificação dos concentrados para a fabricação de refrigerantes adquiridos da RECOFARMA." Em nenhum momento, no Acórdão embargado, se reconheceu a coisa julgada material a favor do contribuinte, justamente porque ficou expressa a aplicação da Súmula n.º 1 deste Conselho, em razão do processo judicial mencionado e seus incidentes (Agravo de Instrumento de n.º 2004.02.01.0132984, Reclamação n. 7.778, RE n.º 612.043/PR), com influência direta no mesmo objeto e causa de pedir, estarem em curso no momento da lavratura do Auto de Infração (15/04/15), conforme andamento presente no site do STF e informações juntadas aos autos. Ou seja, não há contradição a respeito da concomitância. Por fim, os embargos alegam obscuridade com relação ao julgamento do RE n.º 612.043/PR, em sede de repercussão geral, que determinou que o "limite territorial" somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário. A R. Fazenda Nacional defende que o RE 612.043/PR não determinou que o "limite territorial" somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário, mas esta questão, novamente, foi amplamente discutida, julgada e fielmente refletida no Acórdão embargado, conforme trecho reproduzido acima, mas novamente citado a seguir: "Conforme apontado em fls. 13130, em pedido do contribuinte, o STF proferiu nova decisão no julgamento do RE n.º 612.043/PR, em sede de repercussão geral, determinando que o limite territorial somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário e, não sendo o Mandado de Segurança Coletivo uma medida judicial de rito ordinário, neste caso em concreto prevalece esta decisão do STF, que, segundo o Art. 62 do RICARF, é de aplicação obrigatória a este conselho." Mandado de Segurança Coletivo é ação de rito especial e, sim, conforme entendimento apresentado por esta Turma de julgamento, a tese fixada no STF, no julgamento do RE n.º 612.043/PR, foi amarrada ao rito ordinário, conforme "Teses de Repercussão Geral" constante no próprio site do STF e transcrita a seguir: "A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento.[Tese definida noRE 612.043, rel. min. Marco Aurélio, P, j. 1052017, DJE 229 de 610 2017,Tema 499.]" Fl. 13308DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201004.370 S3C2T1 Fl. 13.301 17 Por fim, ainda que muito claro no voto vencedor a respeito da concomitância, é preciso registrar que a lide foi devidamente enfrentada, amplamente discutida e julgada. Assim, é importante reafirmar que a validade da decisão que reconheceu o direito de crédito na aquisição de insumos desonerados, provenientes da Zona Franca de Manaus, deve ser exigida, cumprida ou não cumprida somente no Poder Judiciário, razão pela qual se reconhece a concomitância. Justamente para evitar o conflito de decisões entre a administração fiscal e o Poder Judiciário, não é necessário discutir novamente esta questão do creditamento de IPI na aquisição de insumos desonerados da ZFM dentro deste processo administrativo fiscal. O que se deixou claro no julgamento do Acórdão embargado e que foi refletido no voto, é que a concomitância se dá com relação à questão do creditamento de IPI na aquisição de insumos desonerados da ZFM. A questão a respeito do limite territorial e da influência do julgamento do RE n.º 612.043/PR (STF) nesta, foi devidamente abordada para, justamente, não gerar qualquer omissão no julgamento do Acórdão embargado, visto que esta é uma das principais questões discutidas ao longo deste procedimento administrativo fiscal e que foram devidamente enfrentadas, com a clara e única conclusão, a respeito desta matéria: há concomitância. Ou seja, a eficácia, a aplicação, o cumprimento ou o descumprimento da decisão judicial que permitiu o creditamento de IPI na aquisição de insumos desonerados da ZFM, neste caso em concreto e para o contribuinte autuado neste lançamento, depende única e exclusivamente do Poder Judiciário. Esta Turma de julgamento já aplicou a concomitância em processos administrativos fiscais semelhantes, em que há um lançamento com cobrança por meio de Autos de Infração e há processo judicial com o mesmo objeto e causa de pedir. Segue alguns desses precedentes: Acórdão 3201003.463, 3201003.464, 3201003.242, 3201003.241, 3201003.245, 3201003.244, 3201003.172, 3201003.166, 3201003.171, 3201003.190, 3201003.157, 3201003.158, 3201003.159, 3201003.008 e 3201002.877. Na mesma linha de entendimento estão os Acórdãos paradigmas da Súmula Carf n.º 1: Acórdão nº 10193877, de 20/06/2002 Acórdão nº 10321884, de 16/03/2005 Acórdão nº 10514637, de 12/07/2004 Acórdão nº 10706963, de 30/01/2003 Acórdão nº 108 07742, de 18/03/2004 Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 20177706, de 06/07/2004 Acórdão nº 20215883, de 20/10/2004 Acórdão nº 20178277, de 15/03/2005 Acórdão nº 20178612, de 10/08/2005 Acórdão nº 30330029, de 07/11/2001 Acórdão nº 301 31241, de 16/06/2004 Acórdão nº 30236429, de 19/10/2004 Acórdão nº 30331801, de 26/01/2005 Acórdão nº 30131875, de 15/06/2005. A Súmula Carf n.º 1 é vinculante e tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme Art. 62 do Regimento Interno. Diante de todo o exposto, votase para que os Embargos Declaratórios, SEJAM REJEITADOS, com fundamento no Art 65 do Ricarf. Voto proferido. Fl. 13309DF CARF MF 18 (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 13310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.900002/2008-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.281
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13433.900002/2008-18
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929261
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.281
nome_arquivo_s : Decisao_13433900002200818.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13433900002200818_5929261.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7524484
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148993167360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 307 1 306 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.900002/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.281 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente P O MONTEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 9021.00557.170806.1.7.031425 em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 00 02 /2 00 8- 18 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 308 2 17.08.2006 (retificador daquele de nº 20317.60249.140504.1.3.032305), fls. 0124, utilizando se do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$25.452,04 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 1999, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 32, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor de saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 25.452,04 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 24.164,38 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 39021.00557.170806.1.7.031425, 34637.02514.121104.1.3.033395, 31248.58354.170806.1.7.030901 [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 60 e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1139.693, de 21.02.2013, efls. 131139: COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), sem o que não podem ser compensados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 26.04.2013, efl. 149, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.05.2013, efls. 155168, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente à existência de saldo suficiente para a extinção do crédito tributário expõe que: 11. O PER/DCOMP com terminação 1425, na qual consta o valor de R$ 25.452,04, foi retificado por PER/DCOM só no papel em 14/04/2008, haja vista, que não poderia ser transmitida depois do despacho rescisório, cópia acostada. 12. O saldo negativo de R$ 24.164,38, foi compensado por estimativa no ano calendário de 2003, da seguinte forma: a) Janeiro, fevereiro e março de 2003, mais o ajuste da CSLL apurada no balanço de 2002, foi compensado por estimativa o IRPJ e CSLL no valor de R$ 8.519,71, conforme DER/DCOMP com terminação 00I6; Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 309 3 b) abril, maio e junho de 2003, foi compensado por estimativa o IRPJ e a CSLL, no valor de R$ 8.114,43, conforme DER/DCOMP com terminação 5914; c) Julho, agosto e setembro de 2003, foi compensado por estimativa a CSLL no valor de R$ 6.713,87, conforme DER/DCOMP com terminação 1803; d) o IRPJ referente aos meses de outubro e novembro de 2003, no valor de R$ 1.242,95, foi parcelado de acordo com a Lei n° 11.941 de 27052009, assim como a CSLL referente ao mês de outubro de 2003, no valor de R$ 2.554,00, foi também parcelado nos termos da referida Lei; e) a CSLL do mês de novembro de 2003, no valor de R$ 2.704,47, foi compensado por estimativa conforme DER/DCOMP de terminação 8967; f) a CSLL referente ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 2.685,70, foi compensado por estimativa com saldo negativo do IRPJ do exercício 2001, ano calendário 2000 conforme DER/DCOMP com terminação 2682; g) o IRPJ do mês de dezembro de 2003, no valor R$ 631,17, foi compensado por estimativa com o saldo negativo do IRPJ existente no exercício de 2003, ano calendário 2002, conforme DER/DCOMP com terminação 2076, cópias acostadas. 13. Desta forma, o recorrente compensou por estimativa no ano calendário de 2003, através dos DER/DCOMPs com terminações 0061, 5914, 1803, 8967, 2682 e 2076, os valores de R$ 8.519,71 + R$ 8.114,43 + R$ 6.713,87 + R$ 2.704,47 + R$ 2.685,70 + R$ 631,17 = R$ 29.269,35, total esse correspondente aos créditos advindos dos saldos negativos dos anos calendários de 1999, 2000 e 2002, nos valores respectivos de R$ 24.164,38, R$ 2.685,70 e R$ 631,17, cópias acostadas dos PER/DCOMPs e das DIPJ. 14. Vale salientar, por oportuno, que todos os saldos negativos utilizados para compensação, estavam dentro do prazo de 05 (cinco) anos, conforme determina o Código Tributário. 15. No entanto, quando o recorrente encerrou o balanço anual referente ao ano calendário de 2003, os valores apurados do IRPJ e CSLL a apagar foram os seguintes: IRPJ R$ 477,48, e CSLL R$ 795,80, conforme consta do balanço encerrado em 31 de dezembro de 2003, e DIPJ relativa ao exercício de 2004, ano base de 2003, cópias acostadas. 16. Assim sendo, o recorrente compensou por estimativa no ano calendário de 2003, o valor de R$ 29.269,35, conforme consta das PER/DCOMPs com terminações 0061, 5914, 1803, 8967, 2682 e 2076, já exaustivamente demonstrado, e os valores apurados do IRPJ e CSLL no balanço anual encerrado em 31 de dezembro de 2003 e ajuste anual foram respectivamente de R$ 477,48 e R$ 795,80, perfazendo um total de R$ 1.273,28. 17. Desta forma, como o recorrente compensou por estimativa no calendário de 2003, o valor de R$ 29.269,35, e o valor do ajuste anual conforme consta do balanço e DIPJ foi de R$ 1.243,28, relativo ao IRPJ e CSLL, restou um saldo negativo a favor do recorrente no valor de R$ 28.026,07, para ser compensado por estimativa pelo recorrente no ano calendário de 2004. 18. No entanto, o valor do ajuste anual de 2003, só foi compensado no primeiro trimestre do ano calendário de 2004, juntamente com a compensação por estimativa daquele trimestre, ficando desta maneira, o saldo negativo total de 2003, no valor de R$ 29.269,35, para ser compensado no ano calendário de 2004. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 310 4 19. Vale salientar, por oportuno, que é de direito que o recorrente utilize o saldo do saldo negativo compensado por estimativa do ano anterior, para compensar por estimativa no ano seguinte, desde que este saldo esteja dentro do prazo de 05 (cinco) anos, previsto no Código Tributário. 20. Assim sendo, o saldo do saldo negativo compensado por estimativa no ano calendário de 2003, foi de R$ 29.269,35, tendo em vista, que o valor do IRPJ e CSLL no balanço patrimonial encerrado em 31 de dezembro de 2003, e ajuste anual na DIPJ, foi de R$ 1.273,28, e só compensado no primeiro trimestre de 2004. 21. O saldo negativo de R$ 29.269,35, foi compensado no ano calendário de 2004, da seguinte forma: a) Janeiro, fevereiro e março de 2004, mais o ajuste anual do IRPJ e CSLL do ano de 2003, no total de R$ 10.034,26, foi compensado por estimativa através do PER/DCOMP com terminação 1425; b) abril, maio e junho de 2004, no total de R$ 9.506,15, foi compensado por estimativa através do PER/DCOMP com terminação 0901; c) julho, agosto e setembro de 2004, no total de R$ 8.150,17, foi compensado por estimativa através do PER/COMP com terminação 3395, sendo que, nos meses de julho e agosto de 2004, foi compensado o IRPJ e CSLL no valor de R$ 7.408,07, e no mês setembro de 2004, foi compensado apenas o IRPJ no valor de R$ 742,10; d) a CSLL do mês de setembro de 2004, no valor de R$ 3.008,64, foi compensado por estimativa utilizando o saldo negativa de IRPJ ano base 2004, exercício 2005, através do PER/DCOMP 0675. 22. Da mesma forma, quando da feitura dos PER/DCOMPs que deram origem ao Despacho Decisório, não foi utilizado para a correção dos créditos a taxa SELIC acumulada. 20. Para melhor esclarecimento e comprovação os fatos alegados o recorrente refez em 14 de abril de 2008 somente no papel e sem a devida transmissão os PER/DCOMPs originas de números finais 2305, 9080 e 3395, com todos os créditos e débitos compensados, devidamente corrigidos pela taxa SELIC acumulada, apresentando desta maneira em todos os PER/DCOMPs saldo final credor, cópias acostadas. 23. Assim sendo, todos os créditos utilizados pelo recorrente para compensação por estimativa com os débitos nos PER/DCOMPs, tinham origem e eram lícitos. 24. A compensação pretendida impõese em nome do princípio geral de direito, segundo o qual "Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários." 25. Tratase, a bem da verdade, de princípio que advém do direito natural e cuja observância, pelo Estado, decorre de outros dois princípios gerais de direito, estes expressamente inscritos na Constituição Federal, vazados sob a denominação de princípios da legalidade e da moralidade. Concernente ao pedido expõe que: ANTE O EXPOSTO, requer e espera a recorrente seja o presente recurso voluntário conhecido e provido para, reformando a decisão sob vergasta, determinando a homologação dos PER/DCOMPs 39021.00557.170806.1.7.031425; 34637.02514.121104.1.3.033395, e 31248.58354.170806.1.7.030901, por ser de direito e Justiça. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 311 5 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 312 6 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Analisando as informações constantes nos registros internos da RFB temse que nos Per/DComp entregues nº 25936.83981.220806.1.7.030016 em 22.08.2006, nº 00704.04776.130803.1.3.035914 em 13.08.2003, nº 27165.40074.141103.1.3.031803 em 14.11.2003 e nº 27293.89322.130204.1.3.038967 em 13.02.2004, foi utilizado o saldo negativo de CSLL no valor original de R$26.052,48 (= R$8.519,71 + R$8.114,43 + R$6.713,87 e R$2.704,47) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 1999, casos em que a compensação dos débitos ali confessados foram regularmente homologados, efls. 122130. Nesse sentido não remanesce qualquer valor a título de direito creditório a ser empregado na homologação dos Per/DComp nº 39021.00557.170806.1.7.031425, nº 34637.02514.121104.1.3.03339 e nº 31248.58354.170806.1.7.030901, bem como extinção dos débitos referentes aos anos calendário de 2003 e de 2004. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 313 7 Sobre a apresentação do Per/DComp retificador, a regra é de que somente pode ser retificado eletrônicamente pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador,em conformidade com o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Por conseguinte não tem cabimento apresentação de Per/DComp retificador em papel e após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 32. Ademais, a Recorrente foi regularmente intimada a esclarecer sobre o Per/DComp nº 29884.94232.300503.1.3.034266 apresentado em 30.05.2003, com o mesmo direito creditório, fl. 24, a apresentar Per/DComp retificador, fl. 26, bem como a retificar DIPJ, pois o valor ali constantes de saldo negativo de CSLL é diferente daquele constante no Per/DComp, fls. 28 e 30. Consta no do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1139.693, de 21.02.2013, efls. 131139, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 16. Para análise do Saldo Negativo do anocalendário 1999, exercício 2000, de CSLL, que foi informado pela contribuinte como origem dos créditos pleiteados nas PER/Dcomp 39021.00557.170806.1.7.031425, 31248.58354.170806.1.7.03 0901 e 34637.02514.121104.1.3.033395, objetos do presente processo, foram consultados os sistemas DCTF Gerencial 4.8, IRPJ, SINAL04, SIEF PER/Dcomp, SIEF Documentos de Arrecadação. 17. No sistema SINAL04 identificaramse os seguintes pagamentos de estimativas, conforme telas de fls. 83 a 94: P Apur. Dt Arrec. Pgto (R$) jan/99 20/02/1999 732,00 fev/99 31/03/1999 1.431,41 mar/99 30/04/1999 1.704,40 abr/99 31/05/1999 1.879,63 mai/99 30/06/1999 2.967,19 jun/99 30/07/1999 2.923,46 jul/99 31/08/1999 3.211,33 ago/99 29/09/1999 3.115,45 set/99 29/10/1999 3.114,87 out/99 30/11/1999 3.410,66 nov/99 30/12/1999 3.125,05 dez/99 31/01/2000 3.194,40 Total 30.809,85 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 314 8 18. Através do sistema DCTF Gerencial 4.8. verificamse os seguintes valores declarados pela contribuinte relativamente à CSLL para o exercício 2000, ano calendário 1999: Apurações em DCTF relativamente à CSLL Dt Transm. Per. Apur. DCTF Déb. apurado Pagamento Outras comp / ded Soma créd vinc Sldo a pagar 17/05/1999 jan99 Original 1.453,92 732,00 721,92 1.453,92 17/05/1999 fev99 Original 1.431,41 1.431,41 1.431,41 17/05/1999 mar99 Original 1.704,40 1.704,40 1.704,40 14/08/1999 abr99 Retificadora 1.879,63 1.879,63 1.879,63 14/08/1999 mai99 Retificadora 2.967,19 2.967,19 2.967,19 14/08/1999 jun99 Retificadora 2.923,46 2.923,46 2.923,46 22/08/2006 abr99 Original 1.879,63 1.879,63 1.879,63 22/08/2006 mai99 Original 2.967,19 2.967,19 2.967,19 22/08/2006 jun99 Original 2.923,46 2.923,46 2.923,46 12/11/1999 jul99 Original 3.211,33 3.211,33 3.211,33 12/11/1999 ago99 Original 3.115,45 3.115,45 3.115,45 12/11/1999 set99 Original 3.114,87 3.114,87 3.114,87 15/02/2000 out99 Original 3.410,66 3.410,66 3.410,66 15/02/2000 nov99 Original 3.125,05 3.125,05 3.125,05 15/02/2000 dez99 Original 3.194,40 3.194,40 3.194,40 Total Original 31.531,77 30.809,85 721,92 31.531,77 19. Observase, porém, que para o valor de compensação de R$ 721,92 informado para janeiro de 1999, a contribuinte na mesma DCTF não informou processo ou formalização do pedido de compensação para tal valor, conforme extrato de consulta à fls. 95 e, em especial, 96, não havendo como considerar tal valor na apuração do saldo negativo. 20. De toda sorte, tanto na sua 2a DIPJ, de nº 1228213, apresentada em 22/08/2006, antes da ciência do Despacho Decisório, esta ocorrida em 09/04/2008, conforme fls. 37 e 97 a 110, como na 3a. DIPJ, de nº 1230064, apresentada em 16/08/2008, após a ciência do Despacho Decisório, a contribuinte procedeu à seguinte apuração de CSLL no ajuste anual, levando para dedução apenas o valor efetivamente pago de R$ 30.809,85, com apuração de Saldo Negativo de R$ 24.164,38, conforme fls. 111 a 124 (no que se refere à apuração da CSLL, a diferença entre a 2ª e a 3ª DIPJ está no saldo a pagar de estimativa no mês de janeiro, que na 2ª DIPJ foi de R$ 1.453,92 e na 3a foi de R$ 732,00, no entanto, para o ajuste anual a contribuinte levou para dedução o total dos pagamentos, de R$ 30.809,85, em ambas, conforme abaixo e fls. 97 a 124): Lucro líquido antes da CSLL 55.378,90 Base de cálculo da CSLL 55.378,90 CSLL apurada na 6.645,47 () CSLL mensal paga por estimativa 30.809,85 CSLL a pagar 24.164,38 21. Este saldo negativo é o valor que o Despacho Decisório objeto do presente processo faz referência quando diz que o saldo negativo em DIPJ, neste valor de R$ 24.164,38, diverge daquele constante da PER/Dcomp nº 39021.00557.170806.1.7.031425 no valor de R$ 25.452,04. É também esse saldo Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 315 9 negativo o que consta da PER/Dcomp 25936.83981.220806.1.7.030016 (retificadora da PER/Dcomp 04691.33641.220806.1.7.03 9663, esta retificadora da PER/Dcomp 29884.94232.300503.1.3.034266), cuja compensação sofreu homologação total, conforme consulta ao sistema SIEF PERDcomp, fls. 125 a 130. 22. Vêse que o saldo negativo de CSLL do exercício 2000, anocalendário 1999, foi de R$ 24.164,38, e não no valor de R$ 25.452,04 que consta da PER/Dcomp 39021.00557.170806.1.7.031425 (o “Crédito original na data da transmissão” nessa Dcomp foi informado no mesmo valor de R$ 25.452,04) e da PER/Dcomp 31248.58354.170806.1.7.030901 (sendo o valor do “Crédito original na data da transmissão” informado nessa última Dcomp de R$ 9.506,15), e nem no valor de R$ 27.615,45 que consta como saldo negativo da CSLL do exercício 2000, anocalendário 1999, na PER/Dcomp 34637.02514.121104.1.3.033395 (sendo o valor do “Crédito original na data da transmissão” informado nessa última Dcomp de R$ 8.302,92). 23. Da análise dos sistemas da RFB, em especial do Sief PERDcomp, conclui se não proceder o pleito na contribuinte através das PER/Dcomp objetos do presente processo, a saber, de nºs 39021.00557.170806.1.7.031425 (retificadora da PER/Dcomp 20317.60249.140504.1.3.032305), 31248.58354.170806.1.7.030901 (retificadora da PER/Dcomp 37609.29288.130804.1.3.039080, e que informa a PER/Dcomp 20317.60249.140504.1.3.032305 como contendo a informação do crédito) e 34637.02514.121104.1.3.033395 (que informa a PER/Dcomp 20317.60249.140504.1.3.03 2305 como contendo a informação do crédito), uma vez que o saldo negativo de CSLL do exercício 2000 (anocalendário 1999) — que foi de R$ 24.164,38 e não aqueles informados nestas PER/Dcomps, nos valores, respectivamente, de R$ 25.452,04, R$ 25.452,04 e R$ 27.615,45, conforme a análise feita através das informações dos sistemas da RFB — consta como já utilizado nas declarações da contribuinte através das PER/ Dcomp 25936.83981.220806.1.7.03 0016, 00704.04776.130803.1.3.035914, 27165.40074.141103.1.3.031803 e 27293.89322.130204.1.3.038967, já que todas informam o crédito na data de transmissão como tendo origem no mesmo saldo negativo de CSLL do exercício 2000, anocalendário 1999, conforme fls. 125 a 130. 24. Além disso, a soma dos créditos originais declarados pela contribuinte como utilizados nas mesmas para a compensação de seus débitos foi de R$ 26.052,48 (= R$ 8.519,71 + R$ 8.114,43 + R$ 6.713,87 e R$ 2.704,47), conforme sistema Sief PERDcomp, fls. 125 a 130, ou seja, ainda maior do que o valor original do saldo negativo de R$ 24.164,38, de modo a não restar mais qualquer valor desse saldo a ser compensado nas PER/Dcomp 39021.00557.170806.1.7.031425, 31248.58354.170806.1.7.030901 e 34637.02514.121104.1.3.033395, estas objetos do presente processo. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13433.900002/200818 Acórdão n.º 1003000.281 S1C0T3 Fl. 316 10 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720160/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/11/2006
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/11/2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.720160/2009-04
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928602
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.838
nome_arquivo_s : Decisao_10830720160200904.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830720160200904_5928602.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7518387
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149039304704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720160/200904 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.838 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria Compensação Recorrente ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 60 /2 00 9- 04 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.720160/200904 Acórdão n.º 3402005.838 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.355. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.720160/200904 Acórdão n.º 3402005.838 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.720160/200904 Acórdão n.º 3402005.838 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10830.720160/200904 Acórdão n.º 3402005.838 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000792/2003-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Numero da decisão: 1002-000.487
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13851.000792/2003-02
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930222
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.487
nome_arquivo_s : Decisao_13851000792200302.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13851000792200302_5930222.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7529621
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149055033344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 999 1 998 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000792/200302 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.487 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente CAMINHO EDITORIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 92 /2 00 3- 02 Fl. 999DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 960 à 984) interposto contra o Acórdão n° 1421.387, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (efls. 948 à 954), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de restituição proposto pelo Contribuinte. Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório, em que foi apreciado o pedido de restituição de fl. 01 cumulado com as Declarações de Compensação de fls. 26, 31, 35, protocolizadas em 30/12/2003, 21/05/2003, 21/05/2003, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos relativos ao saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no anocalendário de 2002, no valor de R$ 33.806,49. Posteriormente, a contribuinte apresentou PER/Dcomps de n° (...) fls. 220/319, nas quais informa como origem do crédito saldo negativo de IRPJ, anocalendário de 2002, no valor de R$ 33.806,49 (processo administrativo n° 13851.000792/200302). Conforme decisão de fl. 428/436, a autoridade competente da DRF/Araraquara reconheceu o direito creditório da interessada no montante de R$ 33.806,49, conforme pedido de restituição de fl. 01 dos autos, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Ciente da decisão em 28/11/2007, conforme AR de fl. 439, a contribuinte interpôs, em 28/12/2007, manifestação de inconformidade de fls. 450/457, na qual apresenta suas razões contra a mencionada decisão, quais sejam: a) a requerente apurou saldo negativo de IRPJ, referente ao anobase de 2002, no valor de R$ 49.739,49; b) em 30/04/2003, a requerente apresentou pedido de restituição do saldo negativo acima referido, porém, por um lapso, indicou que o valor passível de Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 13851.000792/200302 Acórdão n.º 1002000.487 S1C0T2 Fl. 1000 3 restituição seria o montante de R$ 33.806,49; c) o despacho decisório deve ser reformado para reconhecer o direito creditório indicado na competente DIPJ e ratificado pela própria decisão atacada; d) erros de fato devem ser reconhecidos de oficio; e) o ordenamento jurídico não deixou margem a qualquer ato discricionário por parte da autoridade administrativa no desempenho de sua função arrecadadora ou fiscalizadora de créditos pertencentes aos contribuintes; f) cita decisões administrativas e judiciais para alegar que o erro, seja ele de fato ou material, deve ser prontamente retificado pela autoridade administrativa; g) o despacho decisório deve ser reformado para deferir a restituição do crédito em sua integralidade, no valor de R$ 49.733,49, tal como declarado na competente DIPJ, atinente ao saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2002. Ao final, protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive para juntada de documentos e pela realização de diligências. Para propiciar melhor relato do processo, transcrevo os principais trechos do Recurso Voluntário, os quais reiteram os termos apresentados em sede de Manifestação de Inconfomidade: Conforme mencionado, o acórdão recorrido entendeu que o deferimento do direito creditório no montante de R$ 49.739,49 implicaria inovação e, mais do que isto, novo pedido de restituição, que não poderia ser apreciado pela C. Turma Julgadora "a quo". Todavia, a r. decisão recorrida não atentou para o fato de que, como acima exposto, a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil já reconheceu a existência do crédito no valor de R$ 49.739,49, o que torna dispensável a reapreciação dos fatos e, conseqüentemente, autorizava a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no pleno exercício de sua competência legal e regimental, a reformar o despacho decisório e reconhecer o crédito em discussão nos autos. (...) Ao procederem dessa maneira, os Srs. Julgadores "a quo" fizeram "tabula rasa" dos princípios que norteiam os processos administrativos, que versam sobre matéria tributária, especialmente, o principio da moralidade administrativa. (...) Aliás, a Lei n. 9784/99, em seu art. 2°, relaciona os princípios que devem ser obedecidos pela Administração Pública nos processos administrativos. Entre aqueles princípios, encontrase expressamente elencado o da moralidade administrativa. Esse principio impõe que os agentes da Administração Pública atuem de acordo com padrões éticos, agindo com sinceridade e boafé. (...) Fl. 1001DF CARF MF 4 Dentro desse contexto, deveriam os Srs. Julgadores de primeira instância administrativa, sendo ter reconhecido o direito creditório "in totum", no mínimo, ter recebido a manifestação de inconformidade como retificadora do pedido de restituição apresentado pela Recorrente, determinando a sua análise pelas autoridades fiscais competentes. Em situações semelhantes, a jurisprudência administrativa reconhece que a impugnação, apresentada pelo contribuinte após a notificação do lançamento, é meio hábil para retificar os erros materiais constantes em suas declarações, consoante atesta a seguinte ementa de julgado, trazida a titulo meramente exemplificativo: (...) Diante disso, concluise que os argumentos em que se fundou o v. acórdão recorrido conflitam com o principio da moralidade administrativa e com a jurisprudência desse E. Conselho de Contribuintes, sendo esta uma das razões pelas quais o acórdão recorrido deve ser reformando, reconhecendose o direito da recorrente à restituição integral do saldo negativo do IRPJ, ano calendário 2002. Vejamos, então, o erro cometido pela Recorrente quando do preenchimento do pedido de restituição em foco, que não compromete o deferimento integral do direito creditório. No anocalendário 2002, a Recorrente sofreu um total de R$ 81.500,93 a titulo de retenções do imposto de renda na fonte, numerário este incontroverso nos autos, quer porque amparado por prova cabal neste sentido, em especial o informe de rendimentos, quer porque reconhecido pelo despacho decisório e não refutado pelo acórdão recorrido. Desses R$ 81.500,93 de imposto na fonte, a Recorrente utilizou R$ 31.761,44 na dedução do imposto apurado em dezembro daquele ano, pelo regime de estimativa. Dai que lhe sobraram R$ 49.739,49 (R$ 81.500,93 R$ 31.761,44), que compõem o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002, e cuja restituição ora é pleiteada. (...) Vale dizer, o v. acórdão recorrido não contradisse os elementos de prova e os fundamentos trazidos pela Recorrente aos autos, em sua manifestação de inconformidade, evidenciando que o indeferimento da restituição do saldo negativo do IRPJ decorre, exclusivamente, de equivoco cometido no preenchimento do respectivo pedido. Mais do que isto, é incontroverso nos autos que a Recorrente faz jus à restituição de valor correspondente, à época, a R$ 49.739,49, e não apenas a R$ 33.806,49, tal como destacado, embora não deferido, no despacho decisório e no acórdão recorrido. A indicação do valor de R$ 33.806,49, ao invés de R$ 49.739,49, tem base em • erro cometido pela Recorrente. Vejase. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13851.000792/200302 Acórdão n.º 1002000.487 S1C0T2 Fl. 1001 5 Em 1°.10.2002, passou a produzir efeitos a Instrução Normativa SRF n. 210, de 30.9.2002, a qual, revogando a anterior Instrução Normativa n. 21, de 1997, passou a disciplinar as normas atinentes à compensação de tributos, dispondo sobre a apresentação de declaração de compensação como meio de formalização de tal procedimento. Quando de sua publicação, nada disse a Instrução Normativa SRF n. 210, de 30.9.2002, a propósito da compensação de tributos de mesma espécie, como o dizia a Instrução Normativa SRF n. 21, de 1997, em seu artigo 14, "caput", segundo o qual esta modalidade de compensação independia de requerimento. (...) Ocorre que o numerário apontado como passível de restituição estava errado, aquém do montante a que faz jus a Recorrente, uma vez que, tendo a restituir um total de R$ 49.739,49, a Recorrente abateu deste valor, por engano, as compensações realizadas, de inicio, em sua contabilidade, e, em momento posterior, formalizadas em declarações, nos valores de R$ 12.832,18 e R$ 2.500,82, referentes, respectivamente, a débitos de CSL e IR de janeiro e fevereiro de 2003, que totalizavam R$ 15.333,00. Assim, por flagrante erro, 'ao invés de indicar como crédito passível de restituição o valor de R$ 49.739,49, tal como indicado na DIPJ do período, a Recorrente apontou o valor de R$ 33.806,49, apurado pela subtração de R$ 15.333,00 (referente aos débitos compensados) dos R$ 49.739,49 1 . Não há dúvidas, pois, de que se trata de erro. (...) Demais disso, sendo o erro um vicio do ato jurídico que o invalida, não é lógico admitir a cobrança de tributos ou a glosa de créditos com base em engano que não reflete a realidade, ou a ocorrência do fato gerador, tal como previsto em lei. Dai porque o erro não enseja cobrança, tampouco glosa, devendo as autoridades administrativas, em situações como a presente, proceder à retificação ou ao reconhecimento de oficio do equivoco verificado. É que, como visto, em razão de erro manifesto e escusável, a Recorrente indicou como sendo o valor do saldo negativo de IRPJ de 2002 a restituir o valor de R$ 33.806,49, muito embora o valor correto'desse crédito, tal como declarado na competente DIPJ e confirmado pelo despacho decisório, além de não refutado pelo acórdão recorrido, fosse da ordem de R$ 49.739,49. Tal erro, digase, representa, consoante abalizada doutrina civilista, discordância entre a vontade real e a vontade Fl. 1003DF CARF MF 6 declarada, plenamente escusável, tal como definido pela doutrina civilista. Dessa forma, deve ser '.reformado o acórdão recorrido, para o fim de ser reconhecido o direito da Recorrente de restituir integralmente o saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2002, no valor de R$ 49.739,49, tal como declarado na competente DIPJ, não obstante, por erro manifesto e escusável, o pedido formalizado tenha indicado valor a restituir diverso, da ordem de apenas R$ 33.806,49. Do pedido Diante do exposto, demonstrado o escusável erro de fato em que incorreu a Recorrente, o qual não compromete o crédito cuja restituição ora se pleiteia, requerse seja o presente recurso provido, deferindose a restituição do valor de R$ 49.739,49, e, com isto, a totalidade do crédito objeto do saldo negativo de IRPJ atinente a 2002, por imperativo dos princípios da estrita legalidade e da verdade material. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, não assiste razão ao Recorrente, haja vista a inegável inovação em sede defensiva e preclusão consumativa. Da restituição Pretende o Contribuinte ter seu saldo negativo reconhecido de ofício, por considerar a ocorrência de erro de fato, que viabilizaria a restituição total do valor apresentado em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual não foi outrora analisado pela autoridade fiscal no Despacho Decisório. Este, por seu turno, adimpliu em analisar todas as DCOMPs apresentadas, reconhecendo totalmente o direito creditório pleiteado ab initio (de R$ 33.806,49). No entanto, em sua exordial defensiva, o Recorrente requer seja reconhecida a restituição de quantia adicional de R$ 49.739,49. Por último, na peça recursal, reiterouse sua Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13851.000792/200302 Acórdão n.º 1002000.487 S1C0T2 Fl. 1002 7 intelecção sobre os princípios da Administração Pública, em especial o da moralidade, os quais serviriam como lastro ao reconhecimento de seu pedido. Sem embargo, não vejo como acolher o pleito formulado. Conforme bem explicado em sede de Acórdão a quo, os lindes de apreciação das DCOMPs são definidos quando de sua apresentação, devendo o Contribuinte veicular seu pedido por intermédio de instrumento competente (PER/DCOMP) e com as respectivas provas, para que então sejam apreciados pela autoridade fiscal, a qual prolata conseguinte Despacho Decisório (homologando, ou não, o pleito). No presente caso, notase que o Recorrente apresentou suas DCOMPs, objetivando o reconhecimento restitutivo da quantia de R$ 33.806,49; esta, por sua vez, foi inteiramente reconhecida pelo indigitado Despacho Decisório (efls. 854 à 868). Contudo, não é possível buscar o acréscimo de valores em sede de Manifestação de Inconformidade, quando esses não foram pleiteados outrora. Tal espeque resultaria em aceitação de inovação do pedido, o que não é permitido pela legislação. Cumpre ressaltar que a exordial defensiva e a peça recursal não são os veículos comunicativos adequados para efetuar o pretendido pedido de restituição, pois este deve seguir todo um trâmite estabelecido por lei, para que seja detalhadamente analisado pelo Fisco desde sua formação. Ademais, desconsiderar tal trâmite significaria suprimir a competência das instâncias inferiores, as quais apuram diligentemente o numerário requerido. Portanto, não se trata de um simples erro de fato ou de preenchimento do pedido de restituição, mas, sim, uma revisão do cerne de todo o objeto da presente lide administrativa. Ou seja, há, com isso, inequívoca preclusão processual consumativa, haja vista não ter sido o pedido veiculado em momento apropriado (arts. 16, III, e 17 do Decreto nº 70.235/72). Nessa trilha, por concordar integralmente com o teor do Acórdão a quo, peço vênia para, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito da recorrente e adotálos, desde logo, como complemento das razões de decidir: Da análise da manifestação de inconformidade (fls. 451/457) constatase que, em sede de recurso, a recorrente concentrase em ampliar o pedido de restituição para o valor de R$ 49.739,49, total apurado como saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. Portanto, o que está configurado na manifestação de inconformidade é, em principio, uma inovação do pedido inicial, já que a contribuinte, tendo referido textualmente o valor de R$ 33.806,49 em seu Pedido de Restituição de fl. 01, exatamente o que lhe foi deferido no Despacho Decisório, informa, em sua peça impugnatória, que o valor a ser restituído é aquele constante da declaração de rendimentos, e não o pleiteado inicialmente, dando a entender que, por ter apurado o crédito em sua DIPJ/2003, o direito ao crédito estaria implícito. Tal solicitação não é possível. Isto porque, em sede de julgamento administrativo de 1a ou 2a instancias, alterar o Pedido de Restituição original, seja em valores, seja em razão da motivação apresentada, seja para Fl. 1005DF CARF MF 8 incluir novos períodos a serem analisados, equivale a burlar o instituto da decadência, ou mesmo a supressão de instância administrativa competente. Nesse sentido, a ampliação do valor pleiteado no Pedido de Restituição original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF do domicilio fiscal da contribuinte, estando fora da alçada da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Desse modo, evidenciado que o pedido inicial do presente processo foi integralmente deferido, resta concluir que inexiste litígio quanto ao presente processo. Primeiramente, quanto ao crédito, pelo seu reconhecimento integral e, por fim, porque houve homologação integral das declarações de compensação vinculadas ao indébito pleiteado. Para finalizar, no caso em exame, a interessada solicita o direito a posterior juntada de documentos, bem como que o processo seja baixado para realização de diligências que se mostrem necessárias. A par disso, vale ratificar que a diligência não se presta para juntada aos autos de documentos que deveriam ter sido apresentados pela contribuinte na fase de manifestação de inconformidade. O Decreto n° 70.235, de 1972, em seu art. 16, inciso III, com a redação conferida pelo art 10 da Lei n° 8.748/93, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sobredito Decreto determina, ainda, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual". Ademais, entendo que não há matéria contestada nos presentes autos que necessite de outros exames para ser decidida. Quanto ao mais, destaco que a decisão supra encontra amparo na jurisprudência recente do e. CARF: a. Acórdão 1001000.655, 1ª Turma Extraordinária da 1ª Seção, sessão de 04 de julho de 2018, Rel. Cons. Eduardo Morgado Rodrigues ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13851.000792/200302 Acórdão n.º 1002000.487 S1C0T2 Fl. 1003 9 em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 IRPJ. ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO NÃO COMPENSADO. MULTA MORATÓRIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, sobre os quais incidem os acréscimos moratórios legais. b. Acórdão 1201001.565, 2 Câmara/1 T.O., sessão de 15 de fevereiro de 2017, Rel. Cons. Eva Maria Los ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2008 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008, e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. CONFIRMA DESPACHO DECISÓRIO PELAS CONCLUSÕES. PREMISSA DIFERENTE. Fl. 1007DF CARF MF 10 Descabe a acusação de que a DRJ (1º instância de julgamento) inovou ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, com base na legislação e divergente do DD emitido pela DRF; não se trata porém de inovação, mas da obediência à legislação por aquela instância julgadora relativamente à matéria em litígio, evidenciando erro na aplicação pelo DD, o que é prerrogativa e obrigação do julgador, não sendo motivo de invalidade do Acórdão. De arremate, sabese que, para que se tenha a compensação/restituição torna se necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório desde o início do PAF, por intermédio dos instrumentos competentes para tanto. Por fim, não há que se falar em malferimento dos princípios constitucionais e administrativos, haja vista o deslinde escorreito do presente PAF, que foi adjetivado de lisura desde sua gênese. Dispositivo Ante o exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 1008DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002592/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência para (a) que a autoridade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às e-fls 232 e 234, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificando-os por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento; (b) uma vez que já se propõe que a autoridade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveita-se para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame; (c) após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurar-se de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.002592/2008-98
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945102
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-000.701
nome_arquivo_s : Decisao_19515002592200898.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANTONIO SAVIO NASTURELES
nome_arquivo_pdf_s : 19515002592200898_5945102.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência para (a) que a autoridade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às e-fls 232 e 234, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificando-os por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento; (b) uma vez que já se propõe que a autoridade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveita-se para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame; (c) após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurar-se de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7561305
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149058179072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 259 1 258 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002592/200898 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.701 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 8 de agosto de 2018 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente AVON COSMETICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência para (a) que a autoridade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às efls 232 e 234, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificandoos por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento; (b) uma vez que já se propõe que a autoridade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveitase para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame; (c) após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurarse de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 59 2/ 20 08 -9 8 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.002592/200898 Resolução nº 2301000.701 S2C3T1 Fl. 260 2 1. Tratase de julgar recurso voluntário em face do Acórdão nº 1621.273 (efls 168/178), prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, em sessão de julgamento realizada em 07 de maio de 2009. 1.1. Por bem representar aspectos da exigência fiscal, reproduzse o relatório contido no citado acórdão: 1. Tratase de crédito lançado pela Fiscalização (DEBCAD nº 37.163.3494) contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas a outras entidades (os denominados “Terceiros”, a saber, SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE), incidentes sobre os valores dos prêmios pagos aos segurados empregados, em campanhas de incentivo ao aumento de produtividade, através da empresa Incentive House S/A, considerados, pela Fiscalização, como parcelas integrantes do saláriodecontribuição, conforme relatório fiscal de fls. 45/53; documentos anexados às fls. 21/44. 1.1. Importa o crédito no valor de R$ 212.942,87 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e dois reais e oitenta e sete centavos), consolidado em 23/06/2008, relativo às competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003. 1.2. Registrase que na mesma ação fiscal, em relação aos mesmos fatos geradores foram lançados outros Autos de Infração relativos à referida obrigação principal com DEBCAD nº 37.163.3478 (contribuições da empresa) e DEBCAD nº 37.163.3486 (contribuições dos segurados empregados), as quais o Contribuinte também teve ciência e apresentou defesa, sendo certo que nos autos do processo com DEBCAD nº 37.163.3478 o Auditor Fiscal juntou planilha com demonstrativo do cálculo de contribuição dos segurados contendo todos os dados dos empregados beneficiados (competência, nome, NIT, salário de contribuição, valor do prêmio e contribuições); contrato de prestação de serviços de marketing e incentivo, relatório “flexcard”’ e notas fiscais. DA IMPUGNAÇÃO 2. O contribuinte apresentou defesa tempestiva, fls.57/61 acompanhada dos documentos de fls. 65/94, alegando em síntese: 2.1. que diante da Súmula nº 8 do STF o prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é o de cinco anos previsto no CTN art. 150, § 4º e não o da Lei 8.212/91 e, considerando que o crédito tributário foi constituído em 25/06/2008 somente seria possível a cobrança de fatos geradores ocorridos a partir de 25/06/2003, acrescentando que em se tratando de lançamento por homologação – reproduz doutrina sobre o tema – a contagem do prazo decadencial deve seguir a regra do art. 150, § 4º do CTN; 2.2. nestas condições, entende decaído o direito do Fisco em constituir crédito tributário que foi lançado em 06/2008 referente aos fatos geradores ocorridos nas competências 04/2003 e 05/2003, ou seja, que parte das competências englobadas no lançamento já está fulminada pela decadência, colacionando jurisprudência sobre o tema. 2.3. Pelo exposto, em seu pedido requer a improcedência do Auto de Infração em relação ao período de abril/03 e maio/03, com a conseqüente extinção e arquivamento em face da decadência e informa que o crédito referente ao período de julho/03 foi devidamente pago, operando a sua definitiva extinção. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.002592/200898 Resolução nº 2301000.701 S2C3T1 Fl. 261 3 3. Destacase, quanto aos documentos anexados pela Impugnante, fls. 65/94, a cópia da guia de recolhimento relativa à competência 07/2003 às fls. 94, efetivado em 08/07/2008 no valor de R$ 7.955,56. 1.2. Referido acórdão julgou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2003 Ementa: DECADÊNCIA INEXISTÊNCIA. De acordo com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, não há que se falar em decadência nos lançamentos efetuados dentro do prazo previsto no art. 173 do CTN (inexistência de pagamento parcial). Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos Terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos, aplicandose também a estas contribuições o prazo qüinqüenal, contandose da mesma forma que para as contribuições destinadas à Seguridade Social. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I da Lei no 8.212/91. PRÊMIOS. Os prêmios pagos com habitualidade são parcelas contraprestativas, têm natureza jurídica salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do §9º do art. 28 da Lei no 8.212./91. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. São legítimas as contribuições destinadas a outras entidades (Terceiros: SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE), inteligência dos arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007. APROPRIAÇÃO DE GPS RECOLHIDAS APÓS O LANÇAMENTO. Os eventuais recolhimentos efetuados após o lançamento devem ser analisados pelo órgão competente, responsável pela cobrança do crédito, não cabendo ao órgão julgador efetuar qualquer retificação no lançamento. 1.3. Transcrevese também o dispositivo do acórdão: Acordam os membros da 14ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, observandose que o valor recolhido após o lançamento e comprovado às fls. 94 e 99 será considerado pelo órgão competente responsável pela cobrança do crédito antes da intimação do Contribuinte. 1.4. Acrescentese, ainda, transcrição dos subitens 4.4 a 4.11 e do item 5 do voto do acórdão recorrido: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.002592/200898 Resolução nº 2301000.701 S2C3T1 Fl. 262 4 4.4. Conforme acima relatado, o Contribuinte em sua impugnação apenas alega decadência quanto às competências 04/2003 e 05/2003 (com fundamento na Súmula nº 08 do STF e art. 150, § 4º do CTN) e pagamento, quanto à 07/2003. 4.5. Em relação à decadência alegada, cabe salientar que, apesar da Súmula Vinculante nº 08 do STF ter declarado inconstitucional o prazo previsto no art. 45 da Lei 8.212/91e ter fixado como prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário o prazo previsto no CTN, no lançamento em questão, não foram lançados valores referentes a competências anteriores a cinco anos. 4.6. No que tange às contribuições sociais destinadas aos Terceiros, a Lei nº 11.457/07, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispõe que as citadas contribuições sujeitamse às regras da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica dos arts. 2º, § 3º; art. 3º, §§ 2º e 3º 4.7. Portanto, entendese que o prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros deve obedecer ao prazo decadencial de 05 anos previsto no CTN, em face da interpretação sistemática dos dispositivos supramencionados. Assim, afastase a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91, bem como as demais disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de 10 anos para as contribuições destinadas aos Terceiros, em consonância com a Súmula vinculante nº 08 de STF. 4.8. O entendimento sumulado da Egrégia Corte e o Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, que obriga a todos os órgãos e entidades integrantes de sua estrutura à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n.º 73/1993), o prazo decadencial para constituição dos créditos previdenciários contase da seguinte forma: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do art. 173 do CTN, e, (ii) o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN. 4.9. Conforme consta nos autos, não houve pagamento antecipado das contribuições exigidas no presente lançamento, que são incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de prêmio através de cartões eletrônicos, por intermédio da empresa Incentive House S/A e que o sujeito passivo não considerou como base de cálculo de contribuições devidas à Seguridade Social e, que, portanto, não declarou em GFIP. Assim, o contribuinte não efetuou qualquer recolhimento referente às contribuições sociais devidas sobre referidas remunerações e, desta forma, para efeito de contagem do prazo decadencial para constituição do crédito correspondente, aplica se o artigo 173, I, do CTN, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 4.10. O crédito lançado corresponde ao período de 04/2003 a 07/2003 e o lançamento foi consolidado em 23/06/2008, com ciência do Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.002592/200898 Resolução nº 2301000.701 S2C3T1 Fl. 263 5 contribuinte em 26/06/08 (fls. 02), portanto, nenhuma competência encontrase em período decadente (superior a cinco anos), tendo em vista que a competência mais antiga (04/2003) poderia ter sido lançada até 31/12/2008 (cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte 2004), motivo pelo qual não tem qualquer cabimento a decadência argüida pela Impugnante, que pelas razões expostas fica afastada. 4.11. Quanto ao mérito, deve ser salientado que a Impugnante não fez qualquer contestação e o pagamento informado, quanto à competência 07/2003 (vide fls. 64 e 94), única competência que a Impugnante entendeu não estar decadente demonstra a sua concordância com o lançamento. ... 5. Quanto ao pagamento efetuado pelo Contribuinte após o lançamento, relativo à competência que entendeu não decadente – 07/2003 – conforme noticiado em sua impugnação e cópia juntada às fls. 94, confirmado no sistema informatizado de acesso à RFB (fls. 99), não altera o resultado deste julgamento pois não cabe a este órgão julgador a referida retificação no lançamento, que somente poderá ser considerado e realizado oportunamente pelo órgão competente responsável pela cobrança do crédito, quando do cálculo do valor a ser pago do remanescente ou, na sua falta, para a inscrição na dívida ativa e execução. 2. Afigurase importante, ainda, fazer breve menção do item 7 do Relatório Fiscal (e fls 102), que se transcreve a seguir: 7 Representações fiscais expedidas A situação encontrada no contribuinte ensejou a emissão de representação fiscal para fins penais, pela prática, em tese, dos seguintes crimes: Sonegação de contribuição previdenciária, de acordo com o artigo 337A, incisos I, II e/ou III, do Código Penal Decretolei 2.848, de 07/12/1940, verificado no período de janeiro a dezembro de 2004; Falsificação de documento público, de acordo com o art. 297, § 3 0 , incisos I, II, III e § 4 0 do Código Penal Decretolei 2.848, de 07/12/40, verificado no período de janeiro a dezembro de 2004. 3. Interposto em 25/06/2009, o Recurso Voluntário (efls 183/199) reitera os termos da impugnação, acrescentando entendimentos doutrinários e da jurisprudência administrativa e judicial para sustentar a aplicação da regra decadencial do artigo 150 § 4º do CTN. 3.1. Para tanto, anexa cópias de guias de recolhimentos da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários relativas às competências 04/2003 (efls 232) e 05/2003 (e fls 234) pleiteando o reconhecimento da decadência dos débitos lançados em tais competências. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19515.002592/200898 Resolução nº 2301000.701 S2C3T1 Fl. 264 6 3.2. Aduz que não há nos autos qualquer indício da existência de fraude, dolo ou simulação, razão pela qual não há que se falar em aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche demais requisitos de admissibilidade. 4.1. Salientese que o conhecimento do recurso voluntário está adstrito à aplicabilidade da regra decadencial referente às competências 04/2003 e 05/2003. DDAA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA 5. No caso em julgamento, o sujeito passivo tomou ciência pessoal do autode infração em 26/06/2008 (efls 04), e o lançamento, como visto, após a decisão de primeira instância, abrangendo somente as competências 04/2003 e 05/2003. 6. A regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, segundo a qual o prazo decadencial é contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, é aplicável nos casos de lançamento por homologação em que tenha havido pagamento antecipado do tributo, se não configurado dolo, fraude ou simulação. 6.1. No caso dos autos, há plausibilidade de pagamento antecipado, em vista da anexação de cópias digitalizadas de guias de recolhimento referentes às competências 04/2003 (efls 232) e 05/2003 (efls 234). 6.2. Porém, antes do enfrentamento da questão recursal, fazse necessário que a unidade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às efls 232 e às efls 234, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificandoos por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento. 6.3. Em outro aspecto, no relatório fiscal não há evidência de ter havido dolo, fraude ou simulação. Há sim, referência à expedição de representações fiscais, mas os autos não estão instruídos com o teor, e tampouco há referência aos números de processos correspondentes a tais representações. 6.4. Uma vez que já se propõe que a unidade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveitase para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame. 6.5. Após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurarse de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para a unidade circunscricionante atender às solicitações descritas nos subitens 6.2, 6.4 e 6.5 supra. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.002592/200898 Resolução nº 2301000.701 S2C3T1 Fl. 265 7 (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12664.000024/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 06/07/2004 a 27/08/2007
EX-TARIFÁRIO. LOCOMOTIVA GE C307 COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3.000 HP.
Laudos Técnicos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C307 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 para a classificação 8602.10.00 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 e correlatas.
Numero da decisão: 3402-005.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 06/07/2004 a 27/08/2007 EX-TARIFÁRIO. LOCOMOTIVA GE C307 COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3.000 HP. Laudos Técnicos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C307 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 para a classificação 8602.10.00 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 e correlatas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12664.000024/2009-81
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928149
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.794
nome_arquivo_s : Decisao_12664000024200981.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 12664000024200981_5928149.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7517635
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149068664832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 853 1 852 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12664.000024/200981 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402005.794 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria Multa Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S.A ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/07/2004 a 27/08/2007 EXTARIFÁRIO. LOCOMOTIVA GE C307 COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3.000 HP. Laudos Técnicos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C307 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 para a classificação 8602.10.00 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 e correlatas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 66 4. 00 00 24 /2 00 9- 81 Fl. 852DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 0828.457 (fls. 756/764), veiculado pela DRJ de Fortaleza/CE, o que passo a fazer nos seguintes termos: O presente processo trata de Lançamento relacionado à multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente; por mercadoria classificada incorretamente na NCM, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para sua identificação; bem assim a cobrança do Imposto de Importação em virtude do não reconhecimento do Extarifário informado pelo sujeito passivo, acrescidos dos respectivos juros e multa de ofício, totalizando, quando de sua lavratura, um crédito tributário no valor de R$ 17.203.059,10. A Alfândega da RFB do Porto de Santos realizou revisão aduaneira em DI registradas no ano de 2003 e ao final enviou para a DRF em Cuiabá (MT) a documentação abaixo, dando origem à presente ação fiscal para o período de 2004 a 2007 [fls. 02406]: Autos de Infração Processos Administrativos Fiscais n°s 11128.005523/200383 e 11128.006247/200885; SAT n° 2047/03/GCOF; Acórdão n° 1721.349 [relativo ao primeiro processo]; Extrato do "Sistema LINCFISC97", referente ao período de jul/2004 a dez/2007; e Parecer Técnico n° 8.374 Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT; De acordo com a descrição dos fatos constantes no presente auto de infração e seus Anexos I e II (fls. 415445): • o sujeito passivo importou 50 locomotivas dieselelétricas classificandoas na NCM 8602.10.00. Descreveu a mercadoria como se possuísse uma potência acima de 3.000 HP, possibilitando seu enquadramento no seguinte Ex previsto na Resolução CAMEX n° 06, de 2004: Art. 1 Fica alterada para 0% (zero por cento), até 31 de dezembro de 2005, na condição de Extarifário especial, a alíquota ad valorem do Imposto de Importação incidente sobre o Extarifário indicado a seguir, deferido pela Resolução CAMEX no 32, de 29 de agosto de 2001, com a redação alterada pela Resolução CAMEX no 38, de 18 de dezembro de 2002, e prazo de vigência prorrogado pela Resolução CAMEX no 16, de 10 de junho de 2003: NCM DESCRIÇÃO 8602.10.00 (BK) Fl. 853DF CARF MF Processo nº 12664.000024/200981 Acórdão n.º 3402005.794 S3C4T2 Fl. 854 3 Ex 002 — Locomotivas dieselelétricas, com potência máxima superior a 3.000HP. • posteriormente importou outras 24 locomotivas semelhantes; sendo que desta vez solicitou o Extarifário com fulcro na Resolução CAMEX n° 01, de 2006, que prorrogou o benefício; • entretanto, por meio do Laudo Técnico SAT n° 2047/03/GCOF e seu aditamento, restou constatado que as locomotivas GE, modelo C307 apresentam potência máxima de 3.000 HP, não estando de acordo com os dados declarados nem com a potência máxima exigida para seu enquadramento no "EX" pretendido; • em que pese o autuado ter apresentado laudos técnicos concordando com as descrições constantes nas declarações, não só a Delegacia de Julgamento II de São Paulo através de seu Acórdão n° 1721.349, mas também a Equipe de Revisão interna de Declarações da Alfândega do Porto de Santos, através de seu auto de infração, firmaram entendimento de que apenas o Laudo do Eng° João Abel da Cunha é o apropriado para a definição da potência máxima da locomotiva; (...). Da impugnação (...). Da conversão do julgamento em diligência Ante a diversidade de conceitos apresentados para POTÊNCIA, tais como POTÊNCIA BRUTA, POTÊNCIA LÍQUIDA, POTÊNCIA DE TRAÇÃO e POTÊNCIA NOS TRILHOS e em virtude do diferente entendimento constante dos Laudos e Pareceres Técnicos até então apresentados quanto a qual desses conceitos melhor se adequaria à denominação POTÊNCIA MÁXIMA, esta turma entendeu prudente saber se existiria, no meio técnico, uma determinação específica para o que deve ser considerada, no caso de locomotivas dieselelétricas, a nomenclatura POTÊNCIA MÁXIMA. Assim, por meio do Despacho nº 1.995/2010, fls. 694703, o julgamento foi convertido em diligência para que o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) emitisse Parecer Técnico de modo que respondesse aos quesitos a seguir: 1. Tratandose de locomotivas dieselelétricas, existe definição técnica de o que deve ser considerado como POTÊNCIA MÁXIMA? 2. Caso a resposta ao quesito “1” seja afirmativa: 2a) qual seria a definição em questão? 2b) qual seria a POTÊNCIA MÁXIMA (em HP) das locomotivas em análise (modelo C307 da marca GE Fl. 854DF CARF MF 4 relacionadas nas Declarações de Importação mencionadas nas folhas 428 e 429 dos autos)? [fls. 432433do eprocesso]. (...). Do Resultado da Diligência O resultado da diligência encontrase às fl. 737/748 no Relatório Técnico nº 000.399/13, emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia, sobre o qual a empresa se pronunciou às fls. 751753, reiterando sua posição concordante com o citado relatório. (...) (grifos nosso). 2. Devidamente processada a impugnação do contribuinte e após o advento de laudo técnico fornecido pelo INT (fls 737/748) favorável à classificação perpetrada pelo contribuinte, a DRJ de Fortaleza, por unanimidade de votos, julgou totalmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme se observa do sobredito acórdão, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/07/2004 a 27/08/2007 EXTARIFÁRIO. LOCOMOTIVA GE C307 COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3.000 HP. Laudos Técnicos distintos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C307 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 para a classificação 8602.10.00 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 e correlatas. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. 3. Tendo em vista que o importe exonerado superava o valor de alçada, sobredita decisão foi objeto de recurso de ofício por parte do r. juízo a quo. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso de ofício aqui interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, uma vez que o montante autuado (R$ 17.203.059,10) supera o valor de alçada, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Do mérito do recurso 6. A questão não merece maiores digressões, até porque a sua resolução depende de uma análise estritamente técnica, a qual está escorada no laudo do INT de fls 737/748. É irretocável, portanto, a decisão recorrida, motivo pela qual faço a sua transcrição Fl. 855DF CARF MF Processo nº 12664.000024/200981 Acórdão n.º 3402005.794 S3C4T2 Fl. 855 5 abaixo como fundamento do presente voto, o que encontra guarida no art. 50, § 1o da lei 9.784/99: (...). Viuse que o cerne da questão está na especificação técnica da mercadoria importada, qual seja a potência MÁXIMA da locomotiva dieselelétrica, modelo C307, marca GE, cuja determinação é condição para enquadramento da mesma no “Ex" tarifário de que trata a Resolução CAMEX n°32/01: "Ex" 002 Locomotivas dieselelétricas, com potência máxima superior a 3.000 HP\ Por um lado, a fiscalização lastreado em laudo técnico elaborado, a pedido da ALF/Porto de Santos, pelo engenheiro João Abel da Cunha, relativo a uma locomotiva tipo C307 com motor GE 7FDL16 cuja potência foi indicada na DI como igual a 3250 HP, fls. 1116 e 3942 que informa ter a referida locomotiva potência de 3.000HP, firmando convicção em razão da plaqueta fixada na locomotiva e não constar na locomotiva qualquer evidência que a mesma possuiria potência de 3.250 HP, e que em todas as literaturas pesquisadas, a locomotiva C307 possui potência de 3.000 HP, tendo anexado foto da plaqueta onde consta potência de 3.000 HP, esclarecendo, outrossim, no laudo em aditamento, que o fabricante é quem melhor conhece seu produto. Por outro lado temos os laudos que a interessada colacionou, de engenheiros e um do IPT, os quais realizaram testes nas locomotivas, elaborado pelo engenheiro José Grigolon Filho, a pedido da Ferronorte S/A, com os anexos, e do Parecer Técnico n° 8.374, de setembro de 2003, elaborado pelo IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas, também a seu pedido, afirma ter a locomotiva potência máxima superior a 3.000 HP. Os laudos apresentados pela impugnante, elaborados por engenheiros trazem diversificação do conceito de potência, fazendo distinção entre potência bruta e potência líquida e o laudo do IPT, no qual a potência bruta é 3.340 HP. Potência de tração medida de 3.010 HP e potência de tração calculada de 3.025 HP. A divergência entre os laudos acima implicou na solicitação, por esta DRJ de novo laudo de forma a responder os quesitos por esta formulados, o quais foram respondidos no Relatório Técnico nº 399/13 do qual colho as partes mais relevantes: 7. Uma locomotiva dieselelétrica é formada por motor primário (motor diesel),gerador principal (alternador), motores de tração, sistema de controle que consiste no governador do motor diesel, regulador de carga e o chaveamento (disjuntor) dos motores de tração. O motor diesel (motor primário) aciona um gerador elétrico (gerador principal) que irá transmitir a potência para os motores de tração. A eletricidade de saída do gerador é diretamente enviada do disjuntor para os motores de tração, que Fl. 856DF CARF MF 6 são mecanicamente acoplados às rodas via engrenagens de redução. Não existe conexão mecânica entre o motor primário e as rodas de tração. (...) 15. O gráfico apresenta a curva da variação do esforço trator com a velocidade e a tabela abaixo apresenta os valores de potência em cada ponto da alavanca. Observase que no ponto 8 a potência chega a 3.200 HP. Para que o motor de tração desenvolva esta potência será necessário que o gerador principal (alternador) forneça potência maior devido às perdas e conseqüentemente o motor primário (motor diesel) forneça ao alternador potência ainda superior devido ao acionamento de outros itens como soprador de ar, compressor de ar e ventilador do radiador entre outros. 16. Com base nas definições dos parágrafos anteriores, no estudo prévio, na documentação técnica disponibilizada e no levantamento bibliográfico, este Instituto vem responder os quesitos acima elencados conforme relatado abaixo: 1 Tratandose de locomotivas dieselelétricas, existe definição técnica de o que deve ser considerado como POTÊNCIA MÁXIMA? Resposta: Sim. 2. Caso a resposta ao quesito ' 1' seja afirmativa: 2. a) qual seria a definição em questão? Resposta: Em se tratando de locomotivas dieselelétricas, este Instituto entende que a potência máxima é a potência máxima que o motor elétrico de tração pode atingir, ou seja, como sistema de locomotivas dieselelétricas não admite sobrecarga de potência do gerador, se o motor primário (motor diesel) tiver potência super dimensionada, a mesma não refletirá na potência máxima desenvolvida pela locomotiva já que a demanda do motor elétrico de tração permanecerá na sua potência máxima de fabricação, fazendo que o motor diesel primário forneça uma sobrecarga de potência ao gerador o que danificaria o sistema. Sendo assim, entende este Instituto que a potência de tração de uma locomotiva depende da potência do motor elétrico de tração, considerando que os demais sistemas, inclusive o motor primário diesel, estão dimensionados adequadamente para a operação da locomotiva. 2. b) qual seria a POTÊNCIA MÁXIMA (em HP) das locomotivas em análise (modelo C307 da marca GE relacionadas nas Declarações de Importação mencionadas nas folhas 428 e 429 dos autos)? Resposta: A potência máxima é 3200 HP conforme gráfico e tabela das Leituras Típicas para uma C307 com motor a 1050 rpm (figura 17) fornecido pelo Manual de Manutenção " Fl. 857DF CARF MF Processo nº 12664.000024/200981 Acórdão n.º 3402005.794 S3C4T2 Fl. 856 7 Locomotive Maintenance Best Practices GE Transportation Systems". Na análise da matéria, verificase que o perito engenheiro João Abel da Cunha, desprezou os documentos abaixo, provocando, assim, equívoco na conclusão do seu Laudo que serviu de base para a autuação. Senão vejamos: Na carta de fl. 17, emitida pela Burlington Northern Santa Fé Railway, consta que: Subject locomotives are General Electric C307, six axis model locomotives equipped with 167FDL diesel engines. They are rated at 3000 horsepower for traction raid an estimated additional 250 horsepower for parasitic loads i.e.: air compressor, battery charging and exciter Generators and blowers. Therefore, total output of the diesel/engines is approximately 3250 horsepower. Numa tradução livre, o documento esclarece que a total produção dos motoresdiesel é aproximadamente de 3250 HP, sendo rateado da seguinte forma: 3000 HP para tração e estimados 250 HP adicionais para cargas “parasitas” ou auxiliares, como por exemplo, compressor de ar, bateria e geradores e ventiladores. O manual operacional de fl. 20 informa que 3000 HP é HorsePower (NET), ou seja, líquida e não bruta, máxima ou total, para motores GE modelo FDL16 ou FDL12. As especificações de fl. 26 indicam que a locomotiva tipo C307B também possui potência para tração de 3000HP, pois é do tipo básico C30 (30 significa 3000), porém sua potencia total é de 3350HP. Então a letra B teria repercussão apenas nas cargas auxiliares. Na seqüência existem outros documentos explicando como se calcula a potência de tração, gráfico, diagramas etc, que também não foram considerados no citado Laudo. Naquela oportunidade, instado a falar sobre estes documentos e aditar o SAT nº 2047/03, o engenheiro João Abel da Cunha ratificou o laudo anterior, sem adentrar à questão relativa à potencia de tração (HP net), limitandose a dizer que essas informações e cálculos deveriam ser apresentados ao fabricante. Também acusou conflito nas potencias informadas nas DI, sem observar que a variação decorre da carga auxiliar uma vez que a potencia líquida permanece sendo de 3000 HP em todas as locomotivas do tipo C307. Então, devem prevalecer os Laudos apresentados pela autuada e o decorrente da diligência. De resto, relembrase que os outros dois autos de infração formalizados nos processos 11128.005523/200383 e 11128.006247/200885, sobre a mesma Fl. 858DF CARF MF 8 matéria relativa a outras DI, já foram julgados de maneira favorável ao contribuinte, conforme relatado. (...). 7. Ademais, importante frisar o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. (...). 8. Há, como regra, uma vinculação da Administração Pública ao aspecto técnico dos laudos emitidos pelo INT o que, no presente caso, implica admitir como adequado que as locomotivas importadas pelo contribuinte possuíam potência máxima superior a 3.000 HP. Logo, partindo de tal constatação técnica, resta adequada a classificação adotada pela recorrida e seu enquadramento no EX 02, motivo pelo qual deve ser mantido o cancelamento da presente exigência. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 859DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724558/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que seja a Fazenda Nacional intimada da petição apresentada pela recorrente em que requer a análise do recurso voluntário à luz do contexto jurisprudencial dos anos de 2010 e 2011 e das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda, em observância ao art. 24 do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 - Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB). Vencido o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.724558/2014-59
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929170
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-000.694
nome_arquivo_s : Decisao_10166724558201459.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 10166724558201459_5929170.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que seja a Fazenda Nacional intimada da petição apresentada pela recorrente em que requer a análise do recurso voluntário à luz do contexto jurisprudencial dos anos de 2010 e 2011 e das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda, em observância ao art. 24 do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 - Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB). Vencido o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7522801
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149079150592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.011 1 3.010 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724558/201459 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.694 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03 de outubro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que seja a Fazenda Nacional intimada da petição apresentada pela recorrente em que requer a análise do recurso voluntário à luz do contexto jurisprudencial dos anos de 2010 e 2011 e das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda, em observância ao art. 24 do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB). Vencido o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recursos de ofício e voluntários, estes últimos interpostos pela contribuinte LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. e pelos responsáveis solidários Wildemar Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS BRASIL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 24 55 8/ 20 14 -5 9 Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.012 2 Consultoria de Imóveis S/A, em face do Acórdão da 13ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nºs 51.040.9598 e 51.065.2816 por meio dos quais foram lançadas, respectivamente, contribuições devidas à Seguridade Social pela empresa incidentes sobre pagamento (comissões) realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 não declarados em GFIP (contribuiçãrealo patronal) e contribuições devidas à Seguridade Social pelos segurados contribuintes individuais não retidas pela empresa contratante dos serviços não repassadas ao órgão arrecadador incidentes sobre aquele mesmo pagamento realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 não declarados em GFIP. Segundo o relatório fiscal, ambas autuações dizem respeito a pagamentos de comissão/premiação de vendas realizados a corretores que prestaram serviços à autuada (LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda.) na intermediação imobiliária vinculada aos empreendimentos da empresa Soltec Engenharia Ltda. O crédito tributário totalizou, na data de consolidação (08/09/2014), o valor de R$ 2.637.808,11 (dois milhões, seiscentos e trinta e sete mil, oitocentos e oito reais e setenta e onze centavos). A ação fiscal teve por objeto a verificação do cumprimento de obrigações principais e acessórias relativas a contribuições previdenciárias. Sendo a atividade principal da empresa a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas, a autoridade fiscal relata as tentativas de obter a documentação comprobatória dos serviços prestados por contribuintes individuais, incluindose comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas a corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas, bem como discriminativo dos valores pagos, com identificação de nome, CPF, NIT, CRECI e competência. Em resposta às intimações, dia que a fiscalizada apresentou esclarecimentos no sentido de que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes. Tais corretores seriam contratados e remunerados diretamente por seus clientes, compradores dos imóveis. Ao explicar suas atividades, a fiscalizada afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado. Por sua vez, o corretor independente faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília. Por fim, o comprador assume 3 obrigações distintas no ato da contratação, quais sejam de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. Entendendo que a fiscalizada não apresentou documentos e esclarecimentos suficientes para comprovar a veracidade dessas informações, a autoridade fiscal realizou diligências junto a incorporadoras/construtoras para as quais a fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária, a prestadores de serviços pessoas físicas, (entre diretores, coordenadores, supervisores e corretores integrantes das equipes de venda da autuada) e a compradores de imóveis da carteira de negócios imobiliários da empresa, emitindo termos de intimação para fins específicos de prestação de informações e esclarecimentos de interesse do Fisco como forma de subsídio à ação fiscal desenvolvida na empresa LPS Brasília. Diz que os esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis foram consistentes no sentido de que os corretores que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília e, em geral, usavam crachá, camiseta e/ou cartão de Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.013 3 identificação dessa empresa, que emitiram vários cheques para fins de pagamentos diversos, inclusive do sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e pelos demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) e que a concretização do negócio ocorreu nos stands de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra, ou ainda na sede da empresa LPS Brasília. Relata que os corretores circularizados, por sua vez, esclareceram, em síntese, que embora assinassem praticamente todos os documentos relacionados à venda do imóvel, toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador), a área financeira da Lopes Royal, entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos, que as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Brasília, que prestavam serviços geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária. Por fim, relata a fiscalização que as pessoas jurídicas diligenciadas esclareceram, resumidamente, ser praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal a concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boa fé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias e que após a imobiliária prestar consultoria mercadológica à incorporadora, esta define o preço do imóvel e o valor da corretagem que, conforme costume adotado no mercado, varia entre 3,5% a 5,0%; que afirmaram, ainda, que a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por meio de corretores independentes e que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. Esclarece a fiscalização que diante dos fatos apurados, considerando ainda os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, concluiu que a autuada participa ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, que vai desde o preenchimento da ficha cadastral, da emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal, da emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a coleta final da assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (comprador e vendedor, em geral, a incorporadora). Entendeu a auditoria fiscal que a fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, atua no intuito de fragmentar as etapas da comercialização de imóveis por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de vincular os corretores autônomos diretamente aos compradores de unidades imobiliária, sendo que todo esse processo de intermediação, apesar das afirmativas em contrário da fiscalizada, é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, responsabilizandose pelo fornecimento dos materiais e de toda a estrutura de apoio aos profissionais pessoas físicas para que estes prestem um bom serviço de atendimento aos clientes compradores. Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.014 4 Concluiu que o adquirente não toma conhecimento antecipado, adequado e transparente de boa parte de seus direitos e obrigações para a formação de seu livre convencimento, a não ser de forma superficial, no momento da assinatura da proposta de compra e venda. Afirma que esses procedimentos, adotados pelos entes imobiliários (incorporadora e/ou imobiliária), além de ferirem a legislação tributária, também contrariam o disposto nos arts. 6°, IV e V, 7°, p. ún., 39, I, 42, p. ún. e 51 do Código de Defesa do Consumidor. Acrescenta que os adquirentes de imóveis afirmaram que o corretor já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, identificandose como representante da LPS. Os corretores de imóveis diligenciados, por sua vez, também esclareceram que cumpriam plantões nos pontos de venda ou stands da LPS (ou da incorporadora/construtora contratante), que a imobiliária fornecia toda a estrutura e documentação necessárias para a conclusão da venda de imóvel e que recebiam o pagamento da corretagem (em geral cheque emitido pelo comprador) da Tesouraria/setor financeiro da LPS após a assinatura final do contrato entre o comprador e o vendedor (incorporadora/construtora). Conclui estar demonstrado o procedimento ilícito da fiscalizada em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que tange às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada, o que também caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. Diante dos fatos apurados, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores etc.) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. Em razão do sujeito passivo deixar de entregar os principais documentos solicitados e de prestar esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não mereçam fé quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes à carteira de negócios da autuada, a autoridade administrativa, com fundamento no art. 148 do CTN, arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. Para tanto, utilizouse do procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.015 5 Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Informa a autoridade fiscal que, uma vez que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não foram informados pela fiscalizada, não foram declarados em folhas de pagamento nem em GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade, não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais. Entende que por ter a fiscalizada agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas e de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, tendo, com isso, afetado a obrigação tributária principal, a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada em 150%), nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Foram arrolados como responsáveis solidários os sócios da autuada, quais sejam LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini. Relata a autoridade fiscal que a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A se trata de sócia majoritária da autuada, com 51% de participação no seu capital social, e tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas em outros Estados e no Distrito Federal, sendo a fiscalizada uma das integrantes desse grupo econômico, que tem como principal objeto a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis ou de direitos e obrigações a eles relativos. Aponta que existem diversos interesses comuns entre essas duas empresas, tais como controle acionário, administradores, atividade econômica e entende que também têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, tão determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. Cita o art. 30, X, da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 222 do Decreto nº 3.048/99, que determinam que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da citada lei e regulamento. Quanto a Wildemir Antonio Demartini, informa a autoridade fiscal que se trata de sócio da empresa desde o início de sua atividade e sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico junto ao CRECI. Sobre o Marco Antônio Moura Demartini, sócio minoritário, informa que sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação na comissão de venda destinada à Lopes Royal, conforme informações prestadas pelos corretores e coordenadores/diretores diligenciados. Fundamentandose na documentação apresentada quanto à comercialização de unidades imobiliárias, a fiscalização concluiu que as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico Real Engenharia, por contratarem os serviços da empresa LPS Brasília para a Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.016 6 intermediação da comercialização de diversos imóveis ou fração ideal de terreno vinculada a uma unidade autônoma (vendas na planta ou em lançamento) da sua carteira de negócios imobiliários e por participaram, de forma isolada e/ou conjuntamente com a empresa autuada, da transferência, ao comprador do imóvel, da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados na fiscalizada LPS BRASÍLIA. Por fim, informa o auditor fiscal que emitiu representação fiscal para fins penais, a ser encaminhada à autoridade competente, em razão da não inclusão dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços de intermediação imobiliária à autuada e as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade as contribuições previdenciárias devidas e as remunerações pagas, o que caracterizaria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal. Tanto a autuada quanto os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivamente, que foram sintetizadas pela decisão recorrida, e de que pedimos vênia para reproduzir nos valermos: IMPUGNAÇÕES A LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis S/A., após breve relato dos fatos e das conclusões da autoridade fiscal, argumenta que o AuditorFiscal não identificou a roupagem jurídica de que se reveste a relação estabelecida entre a empresa e os Corretores independentes, regida pelo art. 6º da Lei n° 6.530/78 e pelo art. 728 do Código Civil, o que afasta esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços. Sustenta, com base no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado ao incumbente “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. Assim, o corretor é “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, qual seja a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obter esse resultado. Afirma que o corretor não se confunde com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário, que atua em nome e por conta deste e não corre nenhum risco da atividade por este explorada. Nesse sentido, diz que a afirmação da autoridade lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolveria sob orientação, coordenação e controle da impugnante é inócua, uma vez que os corretores independentes correm, como os empresários, todos os riscos associados às suas atividades. Argumenta que as normas que regulamentam a relação entre corretores de imóveis pessoas física e jurídica, quais sejam o Código Civil, a Lei nº 6.530/78 e o Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, estabelece uma relação horizontal entre esses atores, nos moldes de uma associação ou parceria. Tal interpretação foi consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Nesta relação de associação ou parceria, a impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma universalidade de potenciais compradores. Os corretores independentes se dedicam à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a impugnante. Assim, não existe, na associação, nenhuma delegação, por parte da imobiliária, de Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.017 7 uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumba. Ao revés, as atividades da imobiliária e do corretor independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos de suas atividades. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. Alega ser plenamente possível que a impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos corretores independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, aliás, é muito comum numa sociedade, que também possui causa associativa: um sócio pode oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se torne prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos comuns. No caso concreto, afirma que o comprador de imóveis remunera o corretor independente em razão do atendimento prestado. Por sua vez, o corretor independente, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc.), “remunera” a imobiliária. Afirma não existir o pagamento de remunerações entre impugnante e os corretores independentes, mas sim rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. E sobre a questão, pondera que a autoridade fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela impugnante. Alega ser descabida a afirmação da fiscalização no sentido de “falta de livre convencimento”, por parte dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os corretores independentes no ato do fechamento do contrato. Argumenta que todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos corretores independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e o corretor independente. Ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio fiscal admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. Argumenta que também não se sustenta a acusação de simulação. Neste ponto, há contradição no raciocínio da autoridade fiscal: embora afirme que o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com o objetivo de encobrir o negócio dissimulado pelo qual seria a impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações, a própria autoridade fiscal defende ter ocorrido uma ilegal transferência do ônus de pagar a corretagem, transferência esta real e efetiva. Ora, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.018 8 aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou ela é real e efetiva, e não haveria como negar que, concretamente, os pagamentos aos corretores independentes foram realizados pelos compradores. Ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a autoridade fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os corretores independentes. Sustenta que o tema da responsabilidade pelo pagamento da corretagem é objeto de discussão no âmbito do direito do consumidor, e que tem prevalecido o entendimento de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador, com o consequente pagamento, por este, da remuneração devida aos intermediadores. Colaciona julgado. Portanto, conclui que não é verdadeira a afirmação do relatório fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis, argumentando que mesmo que a ilegalidade da prática comercial em questão fosse confirmada, isso não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados os suportes fáticos referidos na legislação tributária. Acrescenta que a autoridade fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos corretores independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc., como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Alega que ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil e não importa ao direito tributário. Argumenta que ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a autoridade fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal, uma vez que o art. 123 do CTN, como regra geral, nega eficácia às convenções que tenham este escopo. Ainda, em que pese a autoridade fiscal não ter comprovado a efetiva realização de pagamentos pela impugnante em favor dos corretores independentes, a impugnante comprova a inexistência do fato tributável discutido mediante a apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos emitidos por compradores em favor de corretores independentes, documentos estes que alega terem sido obtidos com muito custo, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. Aduz que esta controvérsia já foi objeto de decisões deste Conselho, que negou ter havido pagamento de corretagem pela impugnante em benefício dos corretores independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque, ao não realizar os pagamentos aos corretores independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções para fins de apuração do imposto de renda. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela autoridade fiscal mediante circularização, sustenta se tratar de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.019 9 Ainda que assim não fosse, se o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da impugnante. Embora tenha recebido dos corretores independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a autoridade fiscal os ignorou. Afirma que há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. O consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Exemplifica, didaticamente, dizendo que diria que fulano ou cicrano trabalha “para” o McDonald’s ou “para” a Casa do Pão de Queijo, quando, na realidade, trabalha para outra empresa, que não se chama nem uma coisa, nem outra. Nessa linha, argumenta que a autoridade fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, “serviço”, ou “vinculação” aos compradores de imóveis, que emitiram suas opiniões quando da circularização acerca da relação dos corretores independentes com a impugnante baseadas exclusivamente na aparência do negócio da impugnante, que jamais pode ser pressuposto de incidência tributária. Entende que a autoridade fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos corretores independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. Refuta o procedimento adotado pela autoridade fiscal de definir a base de cálculo do auto de infração com base no procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes procedimentais estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, alega que a autoridade fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valerse do procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto do salário de contribuição. Sustenta ser ônus do auditor fiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a autoridade fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem nenhuma base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. Diz ser relevante o fato de a autoridade fiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para rateio da comissão entre imobiliária e corretores independentes, o valor da remuneração que a impugnante teria pago a estes. No entanto, considerando que o CRECI, seguindo o entendimento previsto na legislação especial, decorrente dos usos e costumes vigentes e da prática da corretagem imobiliária vigentes há décadas, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, mas a corretagem, a Autoridade Fiscal se utilizou, para a aferição indireta, de um documento que nega a sua tese. A par da ilegalidade do arbitramento, argumenta que é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é de 11%, não de 20%, como propôs a autoridade fiscal. Discorda da interpretação do auditor fiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.020 10 8.212/91, que acarretou a inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriodecontribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. Subsidiariamente, requer seja afastado o agravamento da multa de ofício com base na acusação de evidente intuito de fraude de sua parte. Alega que a adoção de procedimento fiscal indevido, porém praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados há anos, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação para com o fisco, porém age de forma consciente e voluntária com o intuito de não recolher tributo que entende ser devido, o que não é a hipótese tratada. No presente caso, o modelo de negócio adotado pela impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos corretores independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. Assim, é absurda a acusação de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a agravamento da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, além de contrariar toda a jurisprudência do CARF sobre o tema. Defende o entendimento de que a expressão “crédito”, contida no art. 161 do CTN, abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS Os sócios da autuada, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, responsabilizados solidariamente, protocolizaram Impugnações tempestivas e em peças distintas que, porém, por terem sido subscritas pelo mesmo patrono e conterem idêntico teor, serão analisadas conjuntamente. Após breve relato dos fatos, apontam que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I, bem como o artigo 135, III, do CTN, imputando aos impugnantes o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduzem que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.021 11 modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. Salientam que a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entendem que a autoridade fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o relatório fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse, o que é um equívoco. Relembram que solidariedade não se presume e citam decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado nenhum indício sequer de confusão patrimonial entre os impugnantes e a LPS Brasília, o que afasta a aplicabilidade do artigo 124, I do CTN ao presente caso concreto. Refutam, também, a caracterização da solidariedade como sanção, uma vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Apontam inconsistência no relatório fiscal ao chamar os impugnantes a responderem pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, III, do CTN é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (autuada). Alegam que o relatório fiscal não comprovou que os impugnantes teriam agido de forma ilegal ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao estatuto social da LPS Brasília. A incidência do dispositivo em questão requer prova de dolo específico do sócio, manifestado por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida. Afirmam que a autoridade fiscal pretende arrolar os impugnantes entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer nenhuma prova de que teriam incorrido nas hipóteses ensejadoras da responsabilidade pessoal previstas no art. 135 do CTN. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, I, bem como do art. 135, III do CTN impõe o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.022 12 Ainda que assim não se entenda, sustentam que os impugnantes não podem figurar como devedores solidários da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída a multa. Também não se sustenta a responsabilidade dos impugnantes pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135 do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137 do CTN, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, requerem (i) sejam os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas aos endereços dos impugnantes, constantes do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA SÓCIA PESSOA JURÍDICA A sócia pessoa jurídica da autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, responsabilizada solidariamente pelas autuações em exame, apresentou as seguintes alegações em sua impugnação, resumidamente: Após breve relato dos fatos, aponta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I do CTN, bem como o artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, imputando lhe o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduz que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui o fato gerador, direitos e deveres iguais. Assim, a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entende que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o Relatório fiscal indica como interesse comum da impugnante a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática do suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre em relação à sociedade investida. Essa tese, se aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse. Relembra que solidariedade não se presume e cita decisão deste Conselho que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescenta que não restou demonstrado nenhum indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, o que afasta a incidência do artigo 124, I do CTN, ao presente caso concreto. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.023 13 Refuta a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Defende não estarem presentes as condições que autorizam a aplicação ao caso do art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as sociedades de um grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou não dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Dentro dessa moldura deve ser feita a análise dos elementos que darão azo à solidariedade, não sendo lícita a interpretação meramente literal de que em havendo grupo econômico, de direito ou de fato, automaticamente responderão solidariamente todas as pessoas integrantes desse grupo. Nessa linha, o artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91 atribui obrigação solidária àqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. Argumenta que a fiscalização não comprovou que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Portanto, não restou demonstrada a caracterização de situação que autoriza a imputação de obrigação solidária à impugnante com fundamento no art. 30, IX da Lei n° 8.212/91. Ainda que não se entenda pelo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária pelas razões acima, sustenta que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. Também não se sustenta a responsabilidade da impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, III do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que teria agido com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verificou no presente caso. Por fim, requer (i) seja o Termo de Sujeição Passiva julgado integralmente improcedente; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DAS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS INCORPORADORAS/VENDEDORAS A responsável solidária Soltec Engenharia Ltda impugnou tempestivamente a autuação alegando, resumidamente: que é pessoa jurídica totalmente distinta da autuada, com inscrição própria no CNPJ, em nada se confunde com a empresa fiscalizada, existindo entre esta e a impugnante a Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.024 14 casualidade de terem realizado negócio jurídico dentro dos seus respectivos campos de atividade. ressalta que, para fins da aplicação da responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN, não basta a verificação de mero interesse social, moral ou econômico, sendo necessário o interesse jurídico comum que existe entre pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica que constitui o fato gerador do tributo. Colaciona doutrina e jurisprudência. descreve o modelo de negócio celebrado com a LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda, afirmando que o contrato entre as partes observa todos os princípios gerais dos contratos presentes no Código Civil Brasileiro, especialmente o Princípio da Autonomia da Vontade. Além disso, as estipulações contratuais são perfeitamente lícitas, em nada ofendendo a normas gerais ou específicas do nosso Ordenamento Jurídico. afirma que toda a documentação pertinente ao negócio praticado foi apresentada à Fiscalização. Nesse sentido, os instrumentos de promessa de compra e venda das unidades imobiliárias, avençados entre as Impugnantes e os clientes apresentados através da coordenação da LPS Brasília, gozam de plena legalidade, não tendo sofrido contestação ou alegação de nulidade pelos adquirentes dos imóveis, os quais possuíam pleno conhecimento de que o valor da unidade a ser pago à incorporadora, não englobava a parcela da comissão devida ao profissional autônomo responsável pela corretagem. Colaciona decisões judiciais que reconhecem a possibilidade da corretagem ser paga diretamente pelos compradores. ressalta que as informações prestadas estão em consonância com a sua escrituração, com os instrumentos particulares de promessa de compra e venda e, esses últimos, por sua vez, conferem com as receitas reconhecidas e declaradas nas escrituras públicas de comercialização dos imóveis aos adquirentes. ainda que se admitisse a ocorrência dos fatos geradores, a base imponível adotada utilizase de metodologia de cálculo sem previsão legal. afirma que em momento algum agiu com fraude, dolo ou simulação, eis que seu relacionamento com a pessoa jurídica promotora da etapa de vendas estava perfeitamente definido em cláusulas contratuais, que foram colocadas à disposição da autoridade. Em momento algum buscou ocultar o fato gerador de contribuições previdenciárias quando presente sua participação na relação jurídicotributária enquanto sujeito passivo direto ou indireto, nesse último caso segundo as prescrições legais pertinentes. Apresentou todas as suas declarações mensais sem ocultar esse fato do Fisco. Colaciona julgados do CARF. não comprovada conduta dolosa, fraudulenta, dissimulada, deve ser afastada a multa de ofício aplicada sobre o valor principal das citadas contribuições (150%). a multa tal como fixada no Auto de Infração infringe o princípio da vedação ao confisco ao atingir direta e injustamente o patrimônio da impugnante, além de não se subsumir às hipóteses legais do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, ante a inocorrência de fraude nos moldes em que definida nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. sobre os juros de mora, questiona a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, considerando a sua falta de consonância com os princípios de nosso sistema constitucional tributário, uma vez que essa taxa sequer foi instituída por lei, mas sim por circulares do Banco Central do Brasil, além de se constituir em aplicação de juros sobre juros Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.025 15 (anatociscmo), em percentuais muito mais elevados do que os permitidos pela ordem constitucional (limite de 12% estabelecido pelo art. 192, § 3º, da Lei Maior). Por fim, requer o acolhimento de suas razões de defesa para determinar sua exclusão do pólo passivo dos Autos de Infração, o direito de produzir todas as provas admitidas em Direito e que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário em litígio, com fundamento no artigo 151, III, do CTN. A DRJ julgou improcedentes as impugnações da autuada LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., mantendose os créditos tributários exigidos por meio dos autos de infração DEBCAD nºs 51.040.9466 (contribuição patronal) e 51.040.9628 (contribuição dos segurados), das responsáveis solidárias LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini, sócios da autuada, para mantêlos nos polo passivo como responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídios, e julgou procedente em parte a impugnação das responsáveis solidárias Apex Incorporadora SPE 02 Ltda (CNPJ: 09.516.787/000113), Apex Incorporadora SPE 03 Ltda (CNPJ: 09.566.285/000105), Apex Incorporadora SPE 04 Ltda (CNPJ: 09.632.239/000159) e Apex Incorporadora SPE 08 Ltda (CNPJ: 09.559.202/000142). para, unicamente, excluílas do polo passivo como responsável solidária. A autuada e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários aos 10/05/2016, (fls. 2280 s.s., 2547 s.s., 2475 s.s. e 2619 s.s.) respectivamente), nos quais foram repisadas, em linhas gerais, as alegações constantes das impugnações e contestados certos pontos da argumentação da DRJ. Também foram juntados aos autos parecer de renomado jurista, dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria (“Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília) e, em reunião realizada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aos 08/05/2018, foram apresentados memoriais a esta relatora e ao presidente deste Colegiado, que sintetizam alguns pontos dos recursos voluntários e, especialmente, apontam julgados recentes deste tribunal favoráveis à tese defendida proferidos em casos semelhantes ao ora tratado, bem como decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.599.511/SP, processado sob o rito do art. 1036 e seguintes do NCPC (recurso representativo da controvérsia), julgamento este que se deu posteriormente à interposição os recursos voluntários. Sem contrarrazões. Iniciado o julgamento do recurso em seção realizada aos 14/09/18, em sustentação oral, o patrono da recorrente invocou a aplicação, ao caso, das recentes alterações havidas na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, especialmente do seu artigo 24 e, nesse sentido, que o processo fosse analisado à luz da jurisprudência vigente nos anos de 2010 e 2011, quando da ocorrência dos supostos fatos geradores, bem como das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda Pública, como determina o mencionado dispositivo legal. Nesse contexto, houve por bem o Colegiado julgador retirar o processo de pauta para verificação de procedimento de modo que o contribuinte pudesse instruir os autos com manifestação formal no sentido de sua postulação na tribuna. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10166.724558/201459 Resolução nº 2402000.694 S2C4T2 Fl. 3.026 16 Aos 27/09/18, o recorrente juntou aos autos a petição e documentos de fls. 2882 e seguintes. É o relatório. VOTO Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Tendo em vista que a recorrente juntou aos autos a aludida petição e os documentos de fls. 2882 e seguintes, a fim de se evitar nulidade no presente processo administrativo por ofensa ao princípio do contraditório, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência para que a Procuradoria da Fazenda Nacional seja intimada da petição apresentada pela recorrente em que requer a análise do recurso voluntário à luz do contexto jurisprudencial dos anos de 2010 e 2011 e das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda, em observância ao art. 24 do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB). É como voto. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 3033DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001111/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE.
É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão.
Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
Numero da decisão: 2402-006.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14041.001111/2008-27
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922689
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.580
nome_arquivo_s : Decisao_14041001111200827.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 14041001111200827_5922689.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7496837
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149113753600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 235 1 234 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001111/200827 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.580 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COMERCIALIZADORA BRASILEIRA DE ENERGIA EMERGENCIAL CBEE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 11 /2 00 8- 27 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 236 2 Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0334.410, da 5ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 127/131), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.147.8383. Relata a autoridade fiscal que a CBEE é uma empresa pública, cuja criação foi autorizada pela Medida Provisória n° 2.209, de 29/08/2001, em que ficou definido que a empresa extinguirseia aos 30/06/2006. Informa que o Decreto nº 5.826/2006 dispõe sobre o processo de inventariança da CBEE e trata da transferência de direitos e obrigações/dívidas da empresa para a União, e que por meio do Decreto n° 6.191/2007, ficou designado o Ministério de Minas e Energia como responsável para atender à fiscalização, conforme disposto em seu art. 4º. De acordo com o relatório fiscal, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, por ter infringido o art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212/90, c.c. o art. 225, IV, § 4º do Decreto nº 3.048/99, ao não incluir nas Guias de Recolhimento e Informações à Previdência Social — GFIP, os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias a cargo da empresa. Relata o auditor que os fatos geradores que a empresa não declarou nas GFIP se referem as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa na condição de Conselheiros no período de 01/2003 a 06/2003. Informa que essa situação ocorreu no caso de um conselheiro que já tinha vínculo com o RGPS, mas cuja remuneração informada neste outro vínculo não atingia o limite máximo do salário de contribuição, além de servidores públicos estatutários que exerciam concomitantemente a função de conselheiros da CBEE mediante remuneração, conforme citado no item 11 do Relatório Fiscal. Foi aplicada multa no valor de, foi aplicada a multa no valor de RS73.012,76 (setenta e três mil e doze reais e setenta e seis centavos), nos termos do art. 32, IV e § 5°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, c.c. o art. 284, II, do Decreto nº 3.048/99, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS n.° 77, de 11/03/2008. Não foram verificadas circunstancias agravantes nem atenuantes. Em sua impugnação, apresentada aos 15/12/08, a UNIÃO FEDERAL, sucessora legal da autuada, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual foi atribuída competência para “atender e providenciar as informações necessárias à fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE” (art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007), alega, em síntese: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 237 3 legitimidade da União Federal para apresentação de impugnação, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029/90 e do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual foi atribuída competência para representála nas questões afetas à fiscalização previdenciária envolvendo aquela empresa, que deram origem ao presente auto de infração, nos termos do art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007; nulidade do auto de infração, uma vez que a CBEE foi criada com período de duração prédeterminado, tendo sido extinta aos 30/06/2006, pelo que não mais existe e é destituída de personalidade jurídica e sem capacidade para receber intimações, notificações ou responder por qualquer infração. Os direitos e obrigações da empresa extinta foram transferidos à União Federal, por força do que dispõe o art. 23 da Lei nº 8.029/90 c.c. o art. 2.209/01 e 3º do Decreto nº 5.829/06. Assim, o presente auto de infração é nulo de pleno direito, uma vez que lavrado com vício de forma, indicando sujeito passivo desprovido de personalidade jurídica, ao invés de seu sucessor, no caso, a União Federal; em função do AI ter sido lavrado erroneamente contra empresa já extinta, a recorrente argumenta que teve seu direito de defesa cerceado, na medida em que os servidores do Ministério de Minas e Energia, por não constarem como representantes legais da CBEE junto à RFB, tiveram negado, por diversas vezes, o acesso a documentos e informações relacionados à empresa junto àquele órgão; que, compulsando a documentação da extinta CBEE, a área técnica do Ministério de Minas e Energia não obteve êxito em justificar o descumprimento de obrigações acessórias que constituíram objeto de parte da autuação em comento; que procurou sanar as falhas verificadas com relação à ausência de informações e incorreções na GFIP, consignando a enorme dificuldade para tanto uma vez que a CBEE não possui mais sistemas ativos; que no tocante à suposta incorreção na classificação dos diretores da extinta empresa na GFIP como contribuintes individuais, em vez de empregados, e a consequente ausência de recolhimentos decorrentes dessa informação equivocada, embora a CBEE os tenha classificado, no período de abril/2003 a março /2006 como empregados, eles nunca foram empregados da empresa; ao contrário, pertenciam ao órgão de direção da entidade e, destarte, não estavam presentes os requisitos necessários à relação de emprego, principalmente a subordinação jurídica. No caso em tela, os diretores não se sujeitavam a ordens superiores, nem a horário de trabalho prédeterminado e as normas citadas, relacionadas às diretrizes estabelecidas pelo Conselho de Administração, não demonstram subordinação jurídica entre os diretores e aquele órgão colegiado; que no tocante às contribuições supostamente não recolhidas referentes às parcelas dos segurados exconselheiros e a sua consequente informação na GFIP, elas não foram recolhidas porque não eram devidas, sendo que a que foi considerada devida, caso do único conselheiro que mantinha concomitantemente atividade junto à CBEE e vínculo de natureza privada, foi recolhida de forma regular; por fim, requer seja declarada a nulidade dos AIs e o conseqüente cancelamento dos débitos nele apontados. Caso não seja reconhecida a ausência das infrações apontadas, requer a aplicação da multa mais benéfica nos termos da MP 449/08. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 238 4 A DRJ em Brasília julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 06/06/2006 AIOA DEBCAD n.° 37.147.8383 (68) OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV. § 50. da Lei n.° 8.212/91. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão aos 25/02/2010 (fls. 132), a UNIÃO FEDERAL, por meio do Ministério das Minas e Energia, interpôs recurso voluntário tempestivamente, aos 24/03/2010 (fls. 133/149), reafirmando os argumentos já apresentados na impugnação, acima transcritos, e acrescentando, ainda, os seguintes: que por meio da Solução de Consulta nº 122 – SRRF/1ºRF/Disit, de 14/07/09, própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece, expressamente, que “a CBEE deixou de possuir personalidade jurídica desde 30 de junho de 2006, tendo sido incorporada à União, na qualidade de sucessora de seus direitos e obrigações (...)”. Conclui, portanto, que a própria Secretaria da Receita Federal reconhece a extinção da personalidade jurídica da extinta CBEE por força de disposição legal, argumentos constantes de suas impugnações apresentadas perante aquele mesmo órgão e que foram rechaçadas na decisão recorrida por fundamento diametralmente oposto ao exposto na solução de consulta em tela, atuação esta contraditória da RFB, que implica em insegurança jurídica para a União Federal e que compete a este Conselho solucionar; e que a União Federal, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, seria a responsável pelo recolhimento dos valores constantes do auto de infração impugnado. Todavia, é, também, a credora desses mesmos valores, havendo, dessa forma, nítida confusão, instituto previsto no art. 381 do Código Civil, que é causa de extinção das obrigações. Nesse passo, esclarece está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/2008 66, em trâmite perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal, que tem por objeto justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 – Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 (fls. 1289/1297), de 29/10/2009, a PGFN se manifestou Fl. 238DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 239 5 a respeito da aplicação, ao presente caso, “do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário em decorrência de confusão”. Informa, ainda, que a Portaria PGFN nº 1.382, de 20 de outubro de 2009, aprovou o Plano de Trabalho de Depuração da Dívida Ativa que, dentre os 09 grupos de trabalho constituídos, o de nº 01 tem listadas, entre suas ações, a de “realizar o levantamento das empresas estatais extintas cujas obrigações foram assumidas pela União, com o objetivo de apurar a existência de confusão entre credor e devedor.” Assim, argumenta que não há motivos plausíveis para a manutenção do presente auto de infração, devendo ser garantida a eficiência que deve nortear a atuação da Administração. Requer, finalmente, que o recurso seja conhecido e provido, para que seja declarada a nulidade do auto de infração, diante da existência de vício insanável em sua expedição em desfavor de empresa extinta, que não possui personalidade jurídica para responder pelos débitos apontados; sucessivamente, que seja reconhecida a ausência das infrações apontadas no auto de infração, com o cancelamento dos respectivos débitos, pelas razões expostas; caso nenhum desses pedidos seja acolhido, requer a intimação dos segurados cujas contribuições não teriam sido recolhidas, nos termos da autuação, para que possam comprovar o recolhimento de contribuições em valores equivalentes ao limite máximo fixado para o RGPS por meio de outras fontes de remuneração a que estavam vinculados à época, consoante aduzido nas razões recursais; ou, ainda, a aplicação a multa menos gravosa. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINAR – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO a) AI lavrado contra empresa extinta, destituída de personalidade jurídica A recorrente alega nulidade insanável do auto de infração, uma vez que teria sido lavrado contra a CBEE quando essa empresa já houvera sido extinta. A Companhia Brasileira de Energia Emergencial é uma empresa pública que, nos termos do art. 37, XIX da CF, teve sua criação autorizada pela Medida Provisória de nº 2.209, de 29 de agosto de 2001, instrumento este que também previu a data de sua extinção em seu art. 3º, nos seguintes termos: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 240 6 “Art. 3º A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990.” Por meio do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, a CBEE foi, então, criada e aprovado o seu estatuto, que igualmente dispôs, em seu art. 4°, sobre a extinção da empresa aos 30 de junho de 2006, conforme abaixo: Decreto 3.900, de 29 de agosto de 2001: “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.209, de 29 de agosto de 2001, DECRETA: Art. 1º Fica criada a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial CBEE, empresa pública federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. (...)”. (destaques originais) Estatuto Social da CBEE: “(...) Art. 4º A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei n° 8.029, de 12 de abril de 1990. (...)”. (destacamos) O art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, a que fazem alusão tanto os arts. 4º do Estatuto Social da Empresa quanto o art. 3º da Medida Provisória 2.209/01, que autorizou a sua criação, dispõe: Art. 23. A União sucederá a entidade, que venha a ser extinta ou dissolvida, nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, ato administrativo ou contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias. § 1° O Poder Executivo disporá, em decreto, a respeito da execução dos contratos em vigor, celebrados pelas entidades a que se refere este artigo, podendo, inclusive, por motivo de interesse público, declarar a sua suspensão ou rescisão. O art. 26 da mesma lei, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei. Nesse contexto, o Decreto nº 5.826, de 20 de julho de 2006, trata do processo de Inventariança da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial, e estabelece, em seu art. 1º, que compete ao Ministério de Minas e Energia a coordenação e a supervisão dos procedimentos administrativos relativos ao inventário dos bens, direitos e obrigações da extinta CBEE. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 241 7 O art. 3º do aludido Decreto determina que “os direitos e obrigações atribuídos à extinta CBEE ficam transferidos para a União, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990” e seu art. 6º, que “a transferência de dívidas oriundas da extinta CBEE à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda será realizada na forma do Decreto nº 1.647 de 28 de setembro de 1995”, cujo art. 1º, “caput”, estabelece que “fica autorizado o Ministério da Fazenda a negociar as obrigações vencidas e vicendas, decorrentes de norma legal ou ato, inclusive contrato, das entidades que tenham a assunção de suas obrigações, pela União, autorizada por lei”. Por fim, o Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007, dispõe sobre a conclusão dos trabalhos da Inventariança da extinta CBEE e determina, em seu art. 4º, IV: “Art. 4o Cabe ao Ministério de Minas e Energia: (...) IV atender e providenciar as informações necessárias à execução do processo de fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE; (...)”. De acordo com os dispositivos legais e normativos supratranscritos, notadamente o art. 3º da Medida Provisória nº 2.209/01, verificase que, de fato, a CBEE extinguiuse, por determinação legal, aos 30 de junho de 2006. Notese que esse instrumento que, atendendo a exigência constitucional, autorizou a criação da empresa pública, também previu expressamente a sua futura extinção naquela mencionada data, mediante do uso da forma verbal “extinguirseá”, expressão peremptória, que não deixa nenhuma margem a dúvida em relação a esse fato. Pois bem. A respeito do início da existência da pessoa jurídica, ensina a doutrina: “Enquanto a pessoa natural, em razão de sua estrutura biopsicológica, tem o início da sua personalidade com o nascimento com vida (CC, art. 2º), a pessoa jurídica terá o início de sua personalidade conferido pelo ordenamento jurídico. Se se trata de pessoa jurídica de direito público, a personalidade é conferida pela norma jurídica (em sentido amplo). De outro prisma, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado (dependendo, por conseguinte, da vontade humana), será o registro do seu ato constitutivo no órgão competente que lhe conferirá personalidade jurídica. Nessa esteira, o art. 45 do Estatuto Civil é de clareza meridiana ao proclamar que “começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. CURSO DE DIREITO CIVIL 1 E LINDB. São Paulo: Atlas, 2015, p. 358359). Quanto ao término da existência da pessoa jurídica de direito privado, ensina nos a doutrina que pode se dar por diferentes razões, quais sejam: “01) Pela dissolução deliberada de seus membros, por unanimidade e mediante distrato, ressalvados os direitos de terceiros e da minoria; 02) Quando for determinado por lei; Fl. 241DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 242 8 03) Em decorrência de ato governamental; 04) No caso de termo extintivo ou decurso de prazo; 05) Por dissolução parcial, havendo falta de pluralidade de sócios (NCPC 599 a 609); e 06) Por dissolução judicial." (TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. Volume único. São Paulo: Método, 2017, p. 177) E prossegue chamando a atenção para o fato de que: “Não se pode esquecer que a extinção da pessoa jurídica não se opera de modo instantâneo. Como bem ensina Maria Helena Diniz, qualquer que seja o fato extintivo, temse o fim da entidade; porém, se houver bens de seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, durante a qual subsiste para a realização do ativo e pagamento de débitos. Encerrada a liquidação promoverseá o cancelamento da pessoa jurídica. Regras nesse sentido constam do art. 51 do CC”. (Idem) (destacamos) Pois bem. Considerando que o auto de infração foi lavrado aos 05 de novembro de 2008, realmente, conforme o acima exposto, essa providência se deu em face de pessoa jurídica extinta, uma vez que conforme determinado pelo art. 3º da MP nº 2.209/01, a CBEE extinguirseá aos 30/06/06. Mesmo que tenhamos em mente a ressalva constante do trecho acima reproduzido, no sentido que de que havendo bens do patrimônio da empresa e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, atentese para o fato de que quando da autuação, a empresa já havia sido sucedida pela União Federal e já se encontrava em processo de inventariança, devidamente representado o seu sucessor nesse processo, em tudo semelhante à liquidação à que alude o excerto doutrinário, pelo Ministério das Minas e Energia, conforme art. 1º do Decreto nº 5.826/06. Notese que esse fato não era desconhecido da fiscalização, uma vez que todos os instrumentos normativos acima citados foram juntados aos autos pela própria autoridade fiscal (fls. 18/34) que, inclusive, fez, no relatório da fiscalização (fls. 86/97), um histórico da sequência de todos os acontecimentos envolvendo a criação e a extinção da CBEE na data mencionada, a sua sucessão pela União Federal, com a assunção de seu ativo e passivo por essa pessoa jurídica de direito público interno, conforme determinado pelo art. 23 da Lei nº 8.029/90, seu processo de inventariança, a representação da União Federal nas demandas de interesse da extinta CBEE pelo Ministério das Minas e Energia etc. Nesse contexto, causa espécie a autuação da CBEE quando essa mesma empresa já houvera sido extinta há mais de 2 anos e sucedida pela União Federal, com procedimento de inventário instaurado e normativamente regulado. A propósito da responsabilidade dos sucessores no Direito Tributário, Luciano Amaro esclarece que; “A sucessão se dá no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Se Fl. 242DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 243 9 se trata de obrigação cujo cumprimento independe de providência do sujeito ativo, cabe a sucessor adimplila, nos termos da lei. Se depende de providência do sujeito ativo (lançamento), já tomada, competelhe também satisfazer o direito do credor. Se falta essa providência, cabelhe aguardar e efetuar o pagamento, do mesmo modo que faria o sucedido”. (in Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 320). Diante do exposto, temse que o único procedimento técnica e juridicamente correto seria se voltar a fiscalização contra o sucessor legal da empresa extinta, o que, no presente caso, entendemos que tampouco seria possível por se tratar o sucessor da União Federal. Com efeito, a admitirse hipótese que tal, estarseia diante da União, por intermédio da Receita Federal do Brasil, autuando a própria União visando à constituição e cobrança de crédito tributário, o que, convenhamos, não tem sentido algum. A par de todos esses fatos, a r. decisão recorrida entendeu que a preliminar de ilegitimidade passiva da CBEE não pode prosperar, pois no entendimento da r. relatora, conforme Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral constante do sítio da RFB, o CNPJ da empresa continua ativo. Ademais, entendeu que o documento comprobatório de regularidade do contribuinte perante a Previdência Social, inclusive de baixa da empresa, é a Certidão Negativa de Débito CND, e que só após a expedição desse documento é que a empresa terá o seu CNPJ encerrado, o que não é o caso dos autos, devendo, portanto, continuar respondendo por qualquer débito ou infração até o encerramento da pessoa jurídica. Entendemos que não lhe assiste razão. Com efeito, como já expusemos, a CBEE foi extinta por determinação legal aos 30 de junho de 2006 e, também por determinação legal, qual seja o art. 23 da Lei nº 8.029/90, foi sucedida pela União Federal, tratandose, pois, esse ente público do legitimado para responder pelo seu passivo a partir de então. E conforme disciplinado no art. 45 do Código Civil, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, qual seja, o Registro Civil das Pessoas Jurídicas. A inscrição no CNPJ, conforme art. 2º, “caput”, da IN/RFB nº 1634/2006, “compreende as informações cadastrais das entidades de interesse das administrações tributárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”. Ou seja, tanto nos termos da lei civil, como da própria IN em comento, não tem nenhuma relação com a existência da pessoa jurídica. Assim, o fato de a empresa ainda possuir CNPJ ativo não a torna parte legítima para responder pelo crédito tributário se já havia sido extinta e sucedida por outra pessoa jurídica. Salientese que um dos documentos juntados pela recorrente com o recurso voluntário, a Solução de Consulta nº 122 SRRF/1 RF/Disit, de 14 de julho de 2009 (fls. 1260/1276), nos dá conta de que aos 30 de junho de 2006, a CBEE protocolizou pedido de baixa do seu CNPJ junto à RFB por intermédio do Documento Básico de Entrada do CNPJ – DBE e, desde então, vem tomando as providências necessárias para o encerramento de sua inscrição, que não havia sido efetivada até a data do encerramento do processo de inventário da empresa, nem da aprovação da Solução de Consulta em questão. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 244 10 Cumpre mencionar, por fim, que como argumenta o recorrente em seu recurso, conforme consta desse mesmo documento, a extinção da personalidade jurídica da CBEE é ali reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil nos seguintes termos (fls. 1255): “17. Conforme sobejamente comprovado nos parágrafos anteriores, a existência da pessoa jurídica CBEE extinguiuse em 30 de junho de 2006, por determinação expressa do art. 3° da Medida Provisória n° 2.209, de 2001. Em conseqüência, foi formalizado pedido de baixa da pessoa jurídica no CNPJ, pendente de apreciação perante a RFB. Embora a CBEE tenha deixado de existir, no plano jurídico, continua a figurar no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fazendo jus a situação cadastral denominada "suspensa". Registrese que a ausência da baixa da pessoa jurídica, no CNPJ, em nada modifica sua condição jurídica de empresa extinta e sucedida pela União, qualificações estas que decorrem, imediatamente, de comando legal.” (Destacamos) Desse modo, entendemos que, realmente, o presente auto de infração padece de nulidade insanável, que deve ser reconhecida por este colegiado. b) Impossibilidade de constituição/cobrança do débito em face do sucessor – confusão A União Federal, na qualidade de sucessora legal da extinta CBEE, é a responsável pelos débitos constantes do presente auto de infração. Todavia, é também, ao mesmo tempo, a credora desses mesmos valores, operandose, dessa forma, o fenômeno da confusão, causa de extinção das obrigações, conforme previsão do art. 381 do Código Civil: Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. O recorrente esclarece em seu recurso voluntário que está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/200866, em trâmite perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal, que tem por objeto justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento conciliatório, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009, de 29/10/2009 (fls. 1289/1297), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou expressamente a respeito da aplicação, ao caso, do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário discutido no presente processo em decorrência de confusão, nos seguintes termos: “(...) 22. Na verdade, o problema posto no primeiro questionamento se identifica com o caso examinado pelo Parecer PGFN/PGA N° 1336/2008, senão, vejamos: “2. Tais hipóteses, embora raras, podem ocorrer, como se tem verificado. Exemplos disso residem em empresas públicas ou sociedades de economia mista que são extintas e, por determinação legal, são sucedidas no seu passivo, inclusive o tributário, pela União. Recentemente, podese citar o caso da Rede Ferroviária Federal S/A RFFSA, cuja liquidação e extinção foi determinada pela Medida Fl. 244DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 245 11 Provisória n° 353, de 22/01/2007, atual Lei n° 11.483, de 31/05/2007, no bojo da qual se estabeleceu a sucessão pela União daquela sociedade de economia mista. 3. Mais freqüentes são os casos que decorrem da cobrança das contribuições previdenciárias em face da União que era feita inicialmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, atualmente sucedido pela União, nos termos da Lei n° 11.457, de 16/03/2007. 4. Inquestionavelmente nessas hipóteses em que a União é credora e devedora do mesmo crédito, quase que invariavelmente por causas subseqüentes, estáse diante daquilo que o Código Civil denomina de confusão (arts. 381 e 384). Eis o tratamento dado por aquele Diploma: "Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. Art. 382. A confusão pode verificarse a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na divida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior" 5. O efeito da confusão, como se verifica da leitura dos artigos acima transcritos é a extinção do crédito. Daí a indagação: o mesmo ocorre com o crédito tributário? 6. A resposta parece ser positiva, afinal, qual a razoabilidade da União fazer o pagamento de um determinado crédito para si própria? Imaginese se esse crédito decorre de uma decisão judicial, a qual somente pode ser cumprida com a expedição de um precatório, nos termos do art. 100 da CR/88. Terseia a União movimentando toda a sua estrutura, seja no Poder Executivo, seja no Poder Judiciário, para expedir um precatório em nome próprio. Nada mais sem sentido e contrário ao princípio constitucional da eficiência que rege a Administração Pública. 10. Dessa forma, há segurança em afirmarse que a confusão é hipótese de extinção do crédito tributário e caberá à administração tributária dar consequências a essa conclusão, (i) seja no âmbito da dívida ativa da União, com a adoção dos atos administrativos competentes para a extinção do crédito ali inscrito; (ii) seja no âmbito judicial, com a extinção das execuções fiscais e ações de defesa em decorrência providência contida no item anterior. (...)”. 23. A leitura do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008 revela a afinidade entre as matérias. Em ambos os casos, houve sucessão legal de débitos, de modo a tornar a União Federal credora e devedora da mesma relação jurídicotributária. Forçoso reconhecer, a essa altura, a existência de confusão nos processos administrativos fiscais em curso, apta a ensejar a extinção dos mesmos. 24. Corroborando esse entendimento, a Lei n° 8.029, de 1990, aplica os mesmos efeitos da confusão à sucessão das entidades públicas cuja extinção regulou, nos termos do seu art. 26: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 246 12 “Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei.” 25. Em suma, é de se responder afirmativamente à primeira indagação, quanto à aplicabilidade, à hipótese em epígrafe, do desfecho proposto no Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008.” (destacamos) À luz do direito vigente e aplicável à espécie, bem como da manifestação da PGFN, acima transcrita, temos que se por hipótese a CBEE ainda não houvesse sido extinta por ocasião da lavratura do auto de infração (o que, conforme expusemos no item anterior, não é o caso), ainda assim, o crédito tributário daí resultante seria extinto em decorrência da confusão por ser a União Federal a sucessora legal da empresa e, também, a credora do tributo em questão. Essa realidade leva, em consequência, também à nulidade insanável do auto de infração pela impossibilidade de constituição do crédito em face do sucessor da CBEE, visto se tratar da União Federal, uma vez que se confundem, na mesma pessoa jurídica, credor e devedor do tributo que se visa cobrar. Vejase que o recorrente trouxe aos autos o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009, no qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional faz referência a outro parecer, qual seja o Parecer PGFN/CAT/N° 375/2009 (fls. 1283), que versava sobre lançamentos de contribuições previdenciárias contra órgão federal, mais especificamente, contra o Tribunal Regional Eleitoral do Estado da Bahia. Neste último parecer, o ProcuradorChefe da Procuradoria da União na Bahia concluiu pela inviabilidade de autuação de órgãos públicos, uma vez que desprovidos de personalidade jurídica própria e, consequentemente, de titularizar direitos e obrigações. Assim, segundo o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009: 24. Quanto ao caso em deslinde, resguardado melhor juízo, entendese como desnecessária a instauração de CCAF para a solução da controvérsia. A uma, porque já existe o entendimento da PGFN acerca da impossibilidade de autuação de órgão público pela SRF13. A duas, porque se a autuação deveria recair sobre ente dotado de personalidade jurídica, tal ente seria a União, já que o TRE/BA é órgão integrante do Poder Judiciário da União e, nesse cenário, haveria a configuração da confusão, uma das formas de extinção do crédito tributário, nos moldes preconizados no Parecer PGFN/PGA/N° 1336/2008. (...).” O Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 também faz referência ao Parecer PGFN/CAT nº 152/2009, que trata de hipótese semelhante à versada no parecer acima, relativamente, todavia, à cobrança de créditos previdenciários em face de outro órgão federal, qual seja o Tribunal Regional Federal de São Paulo. Neste último parecer, a PGFN foi enfática no sentido da inviabilidade de autuação da União pela própria União: “23. Para que houvesse viabilidade jurídica da autuação em voga, considerando que o TRE/SP não é detentor de personalidade jurídica própria, a medida deveria recair sobre o ente dotado de personalidade jurídica, no caso, a União. Como o Fl. 246DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 247 13 referido Tribunal é órgão integrante do Poder Judiciário da União, estamos diante de uma situação em que a União, em sua função executiva, autua a União, em sua função judicial. É a União autuando a própria União, o que parece desprovido de lógica e razoabilidade. 24. Mesmo que se chegasse à conclusão da viabilidade da autuação, parecenos que poderia existir confusão nos pólos ativo e passivo de eventual ação judicial a ser promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o que levaria, fatalmente, à extinção do crédito tributário. (...).”(grifamos) Notese que o que se discute nos pareceres em questão é de quem se deve exigir o pagamento do crédito tributário, concluindo a PGFN (a nosso ver, acertadamente) que o lançamento deve ocorrer não no órgão responsável pela infração, já que destituído de personalidade jurídica, mas na pessoa jurídica de Direito Público do qual faz parte, ressalvando que não se poderá efetivar a cobrança do próprio ente titular do direito para tanto competente em razão da existência de confusão. No caso tratado nos presentes autos, a CBEE, embora não se tratasse de órgão público, mas de empresa pública, já havia sido extinta ao tempo da lavratura do auto de infração. Daí a necessidade da autuação ter ocorrido na pessoa do seu sucessor, o que, no caso, é inviável, por conta da confusão, segundo entendimento manifestado pela própria PGFN nos pareceres acima mencionados, porque o seu sucessor legal, ente titular do crédito, é também o responsável pela sua cobrança. Por fim, oportuno, nesta oportunidade, lembrar do mandamento inserto no art. 373 do NCPC, segundo o qual “o juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação do seu convencimento”. Tratase do “princípio do livre convencimento motivado”, a cujo respeito nos ensina Nelson Nery Junior: “3. Livre convencimento motivado. O juiz é soberano na análise das provas produzidas nos autos. Deve decidir de acordo com o seu convencimento, mas sempre vinculado à prova dos autos. Decisão sem fundamentação é nula pleno iure (CF 93 IX). O sistema não se contenta com o fundamento meramente formal, pois e exige que o juiz dê fundamentos substanciais indicadores do seu convencimento. (...)” (destacamos) (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC – Lei 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 992) Por todo o exposto, entendemos, também pelas razões acima, que o auto de infração é nulo de pleno direito e assim deve ser reconhecido, uma vez que o crédito tributário não poderia (nem poderá) ser constituído em face do sucessor legal da CBEE, tendo em vista se tratar da União Federal. c) Cerceamento de defesa Fl. 247DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 248 14 A recorrente alega, ainda, que haveria nulidade do auto de infração por ter tido seu direito de defesa cerceado em decorrência de ter sido lavrado contra sujeito passivo desprovido de personalidade jurídica, ao invés do seu legítimo sucessor. Argumenta que em função disso, os servidores do Ministério de Minas e Energia, por não constarem como representantes legais da empresa extinta junto à RFB, tiveram negado, por diversas vezes, o acesso a documentos e informações relacionados à CBEE junto àquele órgão, inclusive para a obtenção de guias de pagamento de valores de tributos considerados devidos. Afirma que essas dificuldades caracterizam afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados no art. 5º, LV da CF, o que constitui nulidade insanável, que deve ser reconhecida. Sobre este ponto, entendemos que não tem razão o recorrente. Embora não discordemos do fato de que seus procuradores possam, realmente, ter enfrentado embaraços no que diz respeito à obtenção de documentos e guias junto a Receita Federal do Brasil, fato é que isso não impediu o regular exercício do direito de defesa por parte do ente público. De acordo com o art. 277, do CPC, “quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade”. Tratase do “princípio da instrumentalidade das formas” que, como nos ensinam Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “na contraposição entre forma do ato e o objetivo a ser alcançado, o direito processual prefere o segundo. Em razão disso se desenvolveu a ideia de sobredireito processual, criado para minimizar as consequências do descumprimento da técnica processual, interpretandose as regras sobre validade do instrumento e condições de admissibilidade do julgamento de mérito de acordo com o fim visado pela formalidade em si e pelo próprio processo como um todo” (Idem, p. 822). No mesmo sentido: (...) A relevância da formas no processo se limita a que garantam que certos objetivos sejam cumpridos. Formas são “garantias, sob certo aspecto. Cumprida a finalidade do ato, passa a ser irrelevante ter o não ter sido observada a forma prescrita em lei. (...)” (WAMBIER, Tereza Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lúcia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. Primeiros Comentários ao Novo Código de Processo Civil. São Paulo: RT, 2015, p. 460) Entendemos, desse modo, que não há falar em nulidade, uma vez que não houve prejuízo ao exercício do direito de defesa por parte do recorrente no presente caso concreto. MÉRITO Em sua impugnação, a recorrente reproduz os argumentos de mérito trazidos em sua defesa nos autos de infração das obrigações principais conexos, objetivando, com isso, afastar a incidência da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 249 15 Todavia, entendemos que o que o Código Tributário Nacional chama impropriamente de “obrigações acessórias” se trata, em verdade, de deveres instrumentais impostos por lei no interesse do Fisco objetivando viabilizar a fiscalização do recolhimento dos tributos. Nessa linha, a obrigação dita acessória independe da efetiva existência da obrigação principal. Nesse sentido, ensina o professor Luciano Amaro1: “A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. As obrigações tributárias acessórias (ou formais ou, ainda, instrumentais) objetivam dar meios à fiscalização tributária para que esta investigue e controle o recolhimento de tributos (obrigação principal) a que o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou outra pessoa, esteja, ou possa estar, submetido. Compreendem as obrigações de emitir documentos fiscais, de escriturar livros, de entregar declarações, de não embaraçar a fiscalização etc. Desse modo, a lei impõe obrigações ao indivíduo “X”, por uma ou mais de várias possíveis razões: a) ora se atende o interesse, de controlar o recolhimento de tributos do indivíduo “X” (obrigação principal de “X”). mediante registros formais do fato gerador desses tributos (emissão de notas, escrituração de livros etc. que traduzem obrigações acessórias de “X”); b) ora, aquilo a que se visa, com a obrigação acessória de “X”, é o controle do cumprimento da obrigação principal de “Y”, que mantém alguma relação jurídica com “X”; c) ora se quer apenas investigar a eventual existência de obrigação principal de “X” ou de “Y” (por exemplo, “X” pode ser isento de tributos e, não obstante, possuir obrigações formais para preenchimento das condições a cujo cumprimento a lei subordina o direito a isenção). Em suma a obrigação acessória de “X” não supõe que “X” (ou “Y”) possua, necessariamente, alguma obrigação principal; basta a probabilidade de existir obrigação principal de “X” ou de “Y”.” (destacamos) É dizer, havendo ou não obrigação principal, a “obrigação acessória”, no presente caso, o dever de apresentar as GFIP’s com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias de responsabilidade do recorrente e outras informações de interesse do INSS remanesce íntegro, conforme determina o art. 32, IV da Lei nº 8.212/91. Nessa linha, esclarecedor, igualmente, é o ensinamento de Roque Antônio Carraza sobre os deveres instrumentais: “Inadimplida a prestação [aludindo aos deveres instrumentais], que se traduz num fazer, num nãofazer ou num suportar, a relação jurídica que veicula um dever extinguese, cedendo lugar a um liame de índole sancionatória – geralmente a uma penalidade de cunho pecuniário (multa) , o que, retornando à idéia inicial, demonstra que o “vinculo dos deveres instrumentais nasce e se exaure no padrão eficacial médio”. Além disso, o legislador, ao sancionar o descumprimento de um dever jurídico com uma multa, está se limitando a recorrer a um dos mais corriqueiros expedientes do 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 250 16 Direito para impor a obediência de seus mandamentos, isto é, está acenando com medida que vulnera fundo um dos bens mais precisos da pessoa: a propriedade. Aliás, cumprido ou não, o dever jurídico remanesce integro, a apontar as sendas pelas quais seus destinatários haverão de conduzirse. Remarcamos que os deveres instrumentais não se confundem com os tributos. Apenas, por assim dizer, documentam a incidência ou a nãoincidência (v.g., a isenção), em ordem a permitir que os tributos venham lançados e cobrados com exatidão e as isenções se façam corretamente sentir.” (CARRAZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 330.) (destacamos) Em outros termos, ainda que o recorrente estivesse regular no que diz respeito ao recolhimento de contribuições previdenciárias à Seguridade Social e, em face disso, a mesma diligência fiscalizatória não tivesse culminado também na lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação principal (o que, de fato, não ocorreu), ainda assim, a presente autuação por descumprimento de “obrigação acessória” restaria íntegra, uma vez que restou devidamente comprovado que o recorrente, de fato, deixou de informar nas suas GFIP’s remunerações pagas, devidas ou creditas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no exercício de 2003 e 2006. DA MULTA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE No que diz respeito à multa, o recorrente argumenta que a medida provisória n° 449, de 03.12.2008, alterou a lei n° 8.212/91, revogando o artigo 32, § 4°, que estabelecia os valores de multas aplicáveis pelo descumprimento do disposto no artigo 32, IV, da referida lei, incluindo o artigo 32A à lei em comento, instituindo novos valores aplicáveis à multa em referência. Destarte, caso se trate de norma posterior mais benéfica, sua aplicação a fatos pretéritos é de rigor, em obediência ao artigo 106, II, c,do Código Tributário Nacional, caso não seja modificado o entendimento quanto às .supostas infrações apontadas no auto em referência. Neste ponto, salientese que a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem aplicando à presente discussão a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 251 17 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. É dizer, o entender daquele órgão, deverá haver a comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35 A da Lei 8212/91, conforme abaixo: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Assim, considerando que as decisões da CSRF vêm sendo tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do Superior Tribunal de Justiça em sentido diverso proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste ponto. Cabe ressaltar, todavia, que a autoridade executora do presente julgado deverá observar, na liquidação, as conclusões do Parecer mencionado em questão. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 251DF CARF MF Processo nº 14041.001111/200827 Acórdão n.º 2402006.580 S2C4T2 Fl. 252 18 Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
