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Numero do processo: 10580.722417/2008-62
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Conforme preconiza a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. Sujeita-se ao lançamento de ofício da multa mínima ou máxima prevista para a falta de entrega tempestiva de DIRF, quando não comprovada a suposta não obrigatoriedade de entrega.
Numero da decisão: 1803-001.454
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Conforme preconiza a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. Sujeitase ao lançamento de ofício da multa mínima ou máxima prevista para a falta de entrega tempestiva de DIRF, quando não comprovada a suposta não obrigatoriedade de entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722417/200862 Acórdão n.º 180301.454 S1TE03 Fl. 46 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto Da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório LABORATÓRIO DE ANÁLISES LUIZ CARVALHO SANTOS SC LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Auto de Infração IV (fl. 3) com exigência do crédito tributário no valor de R$ 500,00, referente à multa por falta de apresentação da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, exercício 2003, anocalendário 2002. Em sua defesa, o contribuinte pessoa jurídica (fl. 2) alega que não estava obrigado a entregar a Dirf, conforme a IN 380, de 30/12/2003. Requer que sejam apresentados os darf que supostamente deram origem ao Auto de Infração, bem como a improcedência deste. A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão nº 1530.168, de 21 de março de 2012 (fls. 21/23), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR FALTA DE ENTREGA. A falta de entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF pelas pessoas jurídicas obrigadas, enseja a aplicação de multa. Ciente da decisão em 14/04/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 26), apresentou o recurso voluntário em 16/05/2012 fls. 27/31, onde reitera os argumentos da inicial de que não estava obrigada à apresentação da DIRF, acrescendo deva reconhecerse indevida a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória da qual não resultou falta de pagamento de tributo, conforme matéria com repercussão geral reconhecida pelo STF. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722417/200862 Acórdão n.º 180301.454 S1TE03 Fl. 47 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração por não apresentação da DIRF relativa ao ano calendário 2002, sendo aplicada a multa mínima. Alega a recorrente em síntese: a) Que não estava obrigada a apresentação da DIRF porque não pagou o creditou rendimentos sujeitos à retenção da fonte; b) Que o não cumprimento de obrigação acessória não pode ter como base de cálculo o tributo devido pois não se trata de inadimplência de tributo, conforme matéria com repercussão geral reconhecida pelo STF. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme já se referiu a decisão de primeira instância ao rechaçar a alegação de inexigibilidade na apresentação da DIRF, conforme se observa das telas do sistema de arrecadação da RFB, houve sim retenção e recolhimento de imposto de renda retido na fonte (fl. 20) por parte da recorrente, o que a sujeita a apresentação da competente DIRF em relação ao ano calendário 2002. Por outro lado, é vedado à este colegiado julgador administrativo, negar a pretexto de inconstitucionalidade vigência às normas tributárias, conforme enunciado da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Considerando o exposto, não é possível apreciar suposta inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação da multa mínima de R$ 500,00 (aplicada ao caso concreto) e a máxima fixada com base nos tributos declarados na DIRF. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722417/200862 Acórdão n.º 180301.454 S1TE03 Fl. 48 4 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13637.001083/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comprová-las em parte.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA.
INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.828
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com despesa médica no valor de R$ 2.141,00.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas em parte. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com despesa médica no valor de R$ 2.141,00. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 78/101) interposto em 28 de dezembro de 2009 (segundafeira) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 68/75), do qual a Recorrente teve ciência em 26 de novembro de 2009 (fl. 77), que, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 25/27, lavrado em 29 de junho de 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora, sem se olvidar da necessidade de observância à legislação que rege a matéria. Não são dedutíveis as despesas médicas realizadas com pessoas que não são dependentes do contribuinte para fins tributários. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A alegação de que o lançamento viola o princípio constitucional do não confisco não pode ser analisada nesta instância, em face do princípio da vinculação à lei a que está submetido o julgador administrativo. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 3 3 JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios, calculados com base na taxa SELIC, encontra amparo na legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 68). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 78/101), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno da possibilidade de dedução de despesas médicas da base de cálculo do IRPF, relativamente ao anocalendário de 2005. Relativamente à glosa das despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 4 4 II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." No presente caso, em sua impugnação, a contribuinte procurou justificar, um a um, os pagamentos de que tratam os recibos acostados aos autos. Todos os argumentos apresentados pela Recorrente foram minuciosa e exemplarmente analisados pela Relatora originária do caso, Dra. Maria Fernanda Araújo Simões, nos seguintes termos: 1. Para o recibo de fl. 28, emitido em 12/1/2005 por Aluisio Antônio Pereira Júnior, no valor R$ 1.000,00, afirma a impugnante que o pagamento foi efetuado mediante cheques datados de 23/9/2005 (R$ 250,00), 21/10/2005 (R$ 250,00), 23/11/2005 (R$ 250,00) e 21/12/2005 (R$ 250,00). Ora, nãoobstante a requerente Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 5 5 tenha trazido os extratos bancários mostrando a compensação desses cheques, não há uma coincidência razoável de datas, muito pelo contrário. Além disso, o recibo indica que o suposto pagamento se deu no dia 12/1/2005, portanto, à vista. Carece, pois, de credibilidade a pretensão passiva. 2. Para o recibo de fl. 29, emitido em 12/2/2005 por Aluisio Antônio Pereira Júnior, no valor R$ 500,00, afirma a notificada que o pagamento foi efetuado mediante cheques datados de 28/1/2005 (R$ 150,00), 24/8/2005 (R$ 250,00) e 23/8/2005 (R$ 100,00). Um desses pagamentos teria ocorrido antes da emissão do recibo (!!!!). Além disso, o recibo indica que o suposto pagamento se deu no dia 12/2/2005, portanto, à vista. Não há coincidência de datas. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 3. Para o recibo de fl. 30A, emitido em 19/8/2005 por Giovani Gambogi Parreira, no valor R$ 1.188,50, afirma a impugnante que o pagamento foi efetuado mediante cheques datados de 10/3/2005 (R$ 569,00) e 5/4/2005 (R$ 620,00). Nesse caso, os pagamentos teriam se realizados muito antes da emissão do recibo (!!!!). Não há coincidência de datas. Além disso, o recibo indica que o suposto pagamento se deu no dia 19/8/2005, portanto, à vista. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 4. Para o recibo de fl. 30B, emitido em 28/2/2005 por Giovani Gambogi Parreira, no valor R$ 1.141,00, afirma a interessada que o pagamento foi efetuado mediante cheque n° 0100926 datado de 7/3/2005 (R$ 1.141,00). Nesse caso, embora não tenha havido a coincidência de data, admito a possibilidade de o pagamento ter sido feito mediante cheque prédatado. O extrato de fl. 52 comprova a compensação bancária. Há de ser restabelecida tal dedução. Devo esclarecer que a restrição contida no art. 80, §1°, V, do RIR/1999, conforme já mencionado, não foi aventada pela autoridade lançadora. 5. Para os recibos de fls. 31/32, emitidos em 31/1/2005 (R$ 250,00), 28/2/2005 (R$ 250,00), 31/3/2005 (R$ 250,00) e 29/4/2005 (R$ 250,00) por Paula de Castro Araújo, afirma a notificada que o pagamento foi realizado em dinheiro, mediante resgate de aplicação de R$ 1.000,00 no dia 6/4/2005. Ora, o extrato bancário de fl. 53 indica, nessa data, um crédito (e não saque) de R$ 1.000,00, por conta de "liquidação de aplicação de renda fixa". Além disso, três pagamentos teriam ocorrido muito antes de a contribuinte efetuar possível saque (!!!!). Não há coincidência de operação bancária, datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 6. Para os recibos de fls. 33/34, emitidos em 16/8/2005 (R$ 500,00), 16/9/2005 (R$ 500,00), 19/3/2005 (R$ 500,00) e 15/4/2005 (R$ 500,00) por Rodolfo Viol Siqueira, afirma a impugnante que o pagamento foi realizado mediante cheque datado de 20/10/2005 (R$ 1.950,00) e o restante em dinheiro. Não há coincidência de datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 7. Para o recibo de fl. 35A, emitido 22/11/2005 (R$ 300,00) por Antônio T. de Souza Neto, afirma a requerente que o pagamento foi realizado mediante cheque n° 0500989 datado de 1/12/2005 (R$ 300,00). O extrato de fl. 62 indica a compensação bancária desse cheque, porém no valor de R$ 200,00. Não há coincidência de datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 8. Para o recibo de fl. 35B, emitido 20/9/2005 (R$ 300,00) por Antônio T. de Souza Neto, afirma a requerente que o pagamento foi realizado mediante cheque n° 0400075 datado de 27/9/2005 (R$ 295,00). O extrato de fl. 58 indica a compensação Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 6 6 bancária desse cheque. Contudo, não há coincidência de datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 9. Para os recibos de fls. 36A/B, emitidos em 20/12/2005 (R$ 300,00) e 18/10/2005 por Antônio T. de Souza Neto, a notificada não se manifestou acerca deles e tampouco trouxe provas da efetividade dos pagamentos porventura efetuados. 10. Para o recibo de fl. 37A, emitido 19/7/2005 (R$ 300,00) por Antônio T. de Souza Neto, afirma a requerente que o pagamento foi realizado mediante cheque n° 0400050 datado de 21/7/2005 (R$ 249,00) e o restante em dinheiro. O extrato de fl. 56 indica a compensação bancária desse cheque. Contudo, não há coincidência de datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 11. Para o recibo de fl. 37B, emitido 23/8/2005 (R$ 300,00) por Antônio T. de Souza Neto, afirma a contribuinte que o pagamento foi realizado mediante cheque n° 0400074 datado de 26/8/2005 (R$ 295,00). O extrato de fl. 57 indica a compensação bancária desse cheque. Contudo, não há coincidência de datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 12. Para o recibo de fl. 38A, emitido 24/5/2005 (R$ 300,00) por Antônio T. de Souza Neto, afirma a requerente que o pagamento foi realizado em dinheiro, mediante saque bancário de R$ 300,00 no dia 9/5/2005. O extrato de fl. 54 indica o saque nesse dia de R$ 450,00. Contudo, não há coincidência de datas (nem uma proximidade razoável) e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 13. Para o recibo de fl. 38B, emitido 21/6/2005 (R$ 300,00) por Antônio T. de Souza Neto, afirma a requerente que o pagamento foi realizado em dinheiro, mediante saque bancário de R$ 300,00 no dia 13/6/2005. O extrato de fl. 54 indica o saque nesse dia de R$ 380,00. Contudo, não há coincidência de datas (nem uma proximidade razoável) e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. 14. Para os recibos de fls. 39A/B, emitidos em 22/3/2005 (R$ 300,00) e 19/4/2005 por Antônio T. de Souza Neto, a notificada não se manifestou acerca deles e tampouco trouxe provas da efetividade dos pagamentos porventura efetuados. Entendo pertinente fazer uma observação acerca desses supostos pagamentos, os quais, em sua maioria, a impugnante pretendeu comprovar mediante cheques por ela emitidos. Foi informado pela autoridade lançadora, na Descrição dos Fatos de fls. 26/26v, que em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 407/2009, "a Sra. Vânia declarou que os pagamentos aos profissionais que lhe prestaram serviços no AnoCalendário de 2005 foram efetuados em moeda corrente ..." Causa surpresa, portanto, o fato de a contribuinte, na fase impugnatória, dizer o contrário, excetuandose apenas a análise feita nos itens 12 e 13 acima. Não foi considerada a análise do item 5, pois a requerente se equivocou ao se reportar a um crédito e não débito (saque). Vale observar, por oportuno, que o uso de dinheiro em espécie em qualquer tipo de operação não se sujeita a nenhum impeditivo legal, conforme bem alegou a impugnante; entretanto, como as transações efetuadas dessa forma são de difícil comprovação, principalmente perante o Fisco quando este a exige, não pode tal fato ser considerado provado sem um aprofundamento maior na análise do poder probante de simples recibos firmados nesse sentido; logo, a vinculação de saques bancários aos pagamentos ditos como realizados em moeda corrente, reiterese, com Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 7 7 coincidência, ou pelo menos com significativa proximidade entre datas e valores, deve ser incontestável para que tenham validade perante a autoridade tributária. A impugnante discorda da glosa do valor de R$ 4.266,92, pois entende que os pagamentos estão comprovados por meio dos extratos bancários em anexo, conforme explicação dada na peça de defesa. Contudo, a falta de comprovação da efetividade desse pagamento não foi o motivo do lançamento, mas sim o fato de tal despesa se referir à cirurgia realizada em Maria Cristina Castro Diniz, que não consta como dependente da declarante para fins tributários, conforme está claro no item 9 da Descrição dos Fatos de fl. 26v. E sobre esta questão a peticionária não se manifestou. Mantémse, pois, o lançamento. Argumenta a notificada que o Fisco solicitou a apresentação das notas fiscais emitidas por Leonardo Foresti Menezes Ltda. Esclarece, então, que essa empresa está dispensada de emitir nota fiscal, conforme declaração, em anexo, dada pelo próprio responsável e pelo contador da empresa. Entende, dessa forma, que as despesas estão comprovadas pelos recibos trazidos à colação. Importa deixar claro que nãoobstante a Fiscalização tenha solicitado a apresentação das notas fiscais, conforme consta do item 4 da Descrição dos Fatos de fl. 26, a falta delas não foi a motivação da glosa do valor de R$ 2.327,00, mas sim a ausência da comprovação da efetividade do pagamento, de acordo com o item 8 da Descrição dos Fatos de fl. 26 v, no qual consta a glosa do montante de R$ 12.156,60, sob essa justificativa, aí incluída a quantia de R$ 2.237,00. Somandose o total de R$ 9.829,60 citado no item 2 da Descrição dos Fatos de fl. 26, com R$ 2.327,00 mencionados no item 4, encontrase o importe de R$ 12.156,60, glosado por falta da comprovação do efetivo pagamento, de acordo com o item 8. Na peça impugnatória, a contribuinte não fez qualquer menção a esses pagamentos, contudo, nos recibos de fls. 45/49, todos emitidos por Leonardo Foresti Menezes Ltda, fez constar algumas anotações vinculadas aos extratos bancários, as quais serão a seguir analisadas. 1. Para o recibo de fl. 45A, emitido em 28/2/2005 no valor de R$ 360,00, a anotação é de que o pagamento foi efetuado em dinheiro, mediante saque bancário no dia 14/2/2005. O extrato de fl. 51 indica o saque nesse dia de R$ 360,00. Contudo, não há coincidência de datas (nem uma proximidade razoável). Carece de credibilidade a pretensão passiva. 2. Para o recibo de fl. 45B, emitido em abril/2005 no valor de R$ 180,00, a anotação é de que o pagamento foi efetuado mediante cheque n° 0100930 datado de 01/4/2005. O extrato de fl. 53 indica a compensação bancária desse cheque. Contudo, não há como vinculálo ao citado recibo, pois, neste a data de emissão ficou ilegível. 3. Nos recibos de fls. 46A/B, emitidos em 2/5/2005 (R$ 180,00) e 01/7/2005 (R$ 207,00), não foi feita nenhum anotação. 4. Para o recibo de fl. 47A, emitido em 5/7/2005 no valor de R$ 200,00, a anotação é de que o pagamento foi efetuado mediante cheque n° 0100958 datado de 2/8/2005. O extrato de fl. 57 indica a compensação bancária desse cheque. Nesse caso, embora não tenha havido a coincidência de data, admito a possibilidade de o pagamento ter sido feito mediante cheque prédatado. Há de ser restabelecida tal dedução. 5. Para o recibo de fl. 47B, emitido em 2/8/2005 no valor de R$ 200,00, a anotação é de que o pagamento foi efetuado mediante cheque n° 0400054 datado de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 8 8 29/8/2005. O extrato de fl. 57 indica a compensação bancária desse cheque. Nesse caso, embora não tenha havido a coincidência de data, admito a possibilidade de o pagamento ter sido feito mediante cheque prédatado. Há de ser restabelecida tal dedução. 6. Para o recibo de fl. 48A, emitido em 01/9/2005 no valor de R$ 200,00, a anotação é de que o pagamento foi efetuado mediante cheque n° 0400091 datado de 28/9/2005. O extrato de fl. 58 indica a compensação bancária desse cheque. Nesse caso, embora não tenha havido a coincidência de data, admito a possibilidade de o pagamento ter sido feito mediante cheque prédatado. Há de ser restabelecida tal dedução. 7. Para o recibo de fl. 48B, emitido em 24/10/2005 no valor de R$ 400,00, a anotação é de que o pagamento foi efetuado mediante cheques n° 0400093 (R$ 200,00) e 0501018 (R$ 200,00) compensados em 26/10/2005. O extrato de fl. 59 indica a compensação bancária desses cheques. Nesse caso, embora não tenha havido a coincidência de datas, admito a possibilidade de o pagamento ter sido feito mediante cheque prédatado. Há de ser restabelecida tal dedução. 8. Para os recibos de fl. 49, emitido em 20/12/2005 no valor de R$ 400,00, a anotação é de que o pagamento foi realizado em dinheiro, mediante resgate de aplicação de R$ 3.000,00 no dia 9/12/2005. Ora, o extrato bancário de fl. 62 indica, nessa data, um crédito (e não saque) de R$ 3.000,00, por conta de "resgate superpoupe". Não há coincidência de operação bancária, datas e valores. Carece de credibilidade a pretensão passiva. Por fim, quanto à glosa do valor de R$ 2.822,17, relativo ao plano de saúde Unimed/Belo Horizonte, em nome de Carlos Gustavo Castro Diniz (27 anos) e Maria Cristina Castro Diniz (25 anos), que não figuram como dependentes da declarante (item 10 da Descrição dos Fatos de fl. 26v), não foi feito qualquer comentário a respeito na peça impugnatória, razão pela qual o lançamento correspondente será mantido. Nesse contexto, temse que nos termos dos arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 4º. e 5º., do Decreto n° 70.235/72, com a redação conferida pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97, compete ao(à) interessado(a) instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. Com relação à dedução de despesas médicas há de ser restabelecido o valor total de R$ 2.141,00 (1.141,00 + 200,00 + 200,00 + 200,00 + 400,00). Vale registrar, a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2006, à fl. 68, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, o contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 19.245,69, ou seja, cerca de 32,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluídas as dívidas, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o anocalendário de 2004. Cabe observar que não se constata nos autos quaisquer despesas de internação ou de cirurgia de grande porte, por exemplo, o que de fato poderia ocasionar dispêndios de tal magnitude.” Não obstante, o entendimento manifestado pela Relatora originária não prevaleceu, pois, segundo entendeu a maioria, a impugnação seria improcedente pelos seguintes motivos: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 9 9 “A maior parte do voto laborado pela insigne relatora não está sujeita à qualquer censura; ao contrário, porquanto não lhe faltam entendimento corrente e senso comum aos que por diversas vezes já emergiram em Acórdãos proferidos por esta 4ª. Turma de Julgamento no trato da questão presente na notificação de lançamento: dedução indevida de despesas médicas. Dessa forma, cabe a este julgador, conforme adiante, delinear apenas os pontos que mereceram correção pela porção majoritária desta Turma, no caso aqueles atinentes ao acolhimento da dedução de despesas médicas na fração equivalente a R$ 2.141,00. Nesse propósito, destacase, inicialmente, que independentemente da compreensão estampada no voto vencido quanto à demonstração de pagamento atinente ao recibo, à fl. 30, no valor de R$ 1.141,00, forçosa é a menção de que, conforme alegado pela impugnante à fl. 9, o profissional emitente, Giovani Gambogi Parreira, realiza serviços de prótese dentária. A legislação, nos termos do art. 80, § 1°, V, do RIR/1999, só admite a dedução alusiva a esse tipo de serviço se sua comprovação estiver firmada em receituário e nota fiscal em nome do beneficiário, os quais não se encontram nos autos, invalidando a dedução pretendida. Embora esteja a referida despesa descrita, à fl. 26, em face da ausência da demonstração do efetivo pagamento, não se pode olvidar que a falta de previsão legal para a dedução é a regra geral para qualquer glosa que se imponha, o que se encontra também expresso, à fl. 26: "Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 19.245,69, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução." (grifèi) As outras importâncias acolhidas pela relatora corresponderam aos recibos colacionados às fls. 47 e 48, emitidos por Leonardo Foresti Menezes Ltda, no total de R$ 1.000,00. A própria relatora informou que não houve coincidência de datas entre a emissão dos recibos e respectiva compensação de cheques, mas subtendeu que os pagamentos se realizaram por meio de cheques "prédatados". Tal situação, contudo, não foi aventada pela interessada, mesmo porque se nota incompatibilidade disso com o perfil de pagamento que alegou no decorrer da revisão realizada — em espécie — e, até mesmo, em relação aos demais recibos apresentados pela pessoa jurídica (fls. 45/46 e 49). De toda sorte, sem a mencionada coincidência ou aproximação razoável de datas, somente se poderia vislumbrar o vínculo se houvesse a cópia do próprio título com a devida compensação, para se verificar se o beneficiário do valor efetivamente era o prestador dos serviços. Salientese, ainda, que, em se tratando de pessoa jurídica a emitente, já que ultrapassada a questão acerca da desobrigação de emissão de nota fiscal, os pagamentos em cheques, notadamente para efeito de registro contábil, deveriam estar expressos nos recibos; contudo, em nenhum deles, houve tal informação, partindo da impugnante, somente para efeito de alicerçar a sua defesa, a busca por uma paridade que não restou, efetivamente, estabelecida. Posto isso, voto por considerar improcedente a impugnação”. Em seu recurso, a Recorrente repete as alegações contidas em sua impugnação, sem atacar, no entanto, uma a uma, as razões de decidir, seja do voto vencido, seja do voto vencedor. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 10 10 Assim, no que se refere às despesas médicas, entendo que deva prevalecer o entendimento manifestado pela Relatora originária do caso, que, como disse, analisou minuciosa e exemplarmente todas as alegações da impugnante, motivo pelo qual adoto como razões de decidir o voto da Dra. Maria Fernanda Araújo Simões. Com relação à alegação de que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui caráter confiscatório, vale ressaltar que tal percentual é oriundo de norma cogente. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72, além de violar a jurisprudência uníssona deste Tribunal, materializada na Súmula nº. 2, de acordo com a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. Assim, por existir previsão legal para a aplicação da multa não se pode afastar ou reduzir o referido percentual sob pena de se ultrapassar a competência deste órgão administrativo. No que tange à impossibilidade de cobrança da taxa de juros SELIC, também sem razão a Recorrente. A respeito da possibilidade de aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, é expressa a legislação federal, mais especificamente a Lei Federal nº. 9.430/96. Confira se: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Desta feita, como já visto, não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. Isso porque, tendo tais normas obedecido o trâmite previsto na Lei Maior para ingressar no ordenamento jurídico, tornamse cogentes e, portanto, são plenamente aplicáveis por força da presunção de validade. Não cabe, portanto, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, usurpando prerrogativa própria de órgão do Poder Judiciário, julgar a relação de pertinencialidade das normas com o ordenamento. Devese limitar, pois, a estabelecer o fenômeno de subsunção do fato à norma. Assim, à luz do dispositivo mencionado retro, foi sumulada a questão, atual Súmula 4 deste CARF, segundo a qual “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13637.001083/200966 Acórdão n.º 210101.828 S2C1T1 Fl. 11 11 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer as deduções com despesa médica no valor de R$ 2.141,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.720679/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonera-se a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1301-001.034
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida PORTO SEGURO SEGURO SAÚDE S/A Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonerase a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício interposto na forma regimental ante a exoneração do crédito tributário lançado, pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Depreendese dos autos que em desfavor da contribuinte acima identificada fora lavrado auto de infração (fls. 29 a 33), relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, referente a fato gerador ocorrido em 31/12/2006. Consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 27 e 28), constatouse que, em procedimentos de exame da DIPJ do anocalendário 2006, a recorrida teria deixado de recolher a diferença de IRPJ – Ajuste Anual, de R$ 2.996.037,87, apurada pelo cotejo com informações consignadas em DCTF e em DARF´s de recolhimento. Devidamente cientificada da autuação (fl. 32), a contribuinte apresentou Impugnação (fl. 36), alegando, em resumo, que a exigência lançada decorreria de divergência entre o valor total de estimativa de IRPJ declarado na DIPJ do anocalendário 2006, de R$ 27.286.692,25 (fl. 10), e o consignado na DCTF, de R$ 24.278.034,27 (fl. 20), divergência essa originária da estimativa de 08/2006, assinalando ter declarado na DIPJ, com base em Balancete de Suspensão, valor devido de IRPJ, para o mês 08/2006, de R$ 4.211.792,81(09), enquanto na DCTF, consignara o valor de R$ 1.203.134,83 (fl. 21), com diferença de R$ 3.008.657,98. Justificou a recorrida, destarte, que esta diferença, por sua vez, seria decorrente do fato de o valor tributável de Auto de Infração (R$ 12.034.631,96 = R$ 5.238.246,37 + R$ 6.796.385,59) (fls. 58 a 63), objeto do PAF nº 16327.001102/200611, lavrado em razão de dedução, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003 e 2004, de valores devidos de PIS e de COFINS com exigibilidade suspensa, ter sido adicionado à base de cálculo do IRPJ de 08/2006 (fl. 18), sem que fosse informado, na DCTF, o recolhimento do imposto incidente sobre esse acréscimo, efetuado também naquele mês. Aduziu ainda, que o pagamento total do Auto de Infração teria sido de R$ 5.115.554,39, correspondendo a parcelas de R$ 2.339.400,81 (fl. 64) e de R$ 2.776.153,58 (fl. 65), cuja soma do principal pago equivaleria à referida diferença, de R$ 3.008.657,98 (R$ 1.309.561,59 + R$ 1.699.096,39 = R$ 3.008.657,98) e que teria informado na DCTF de 08/2006 (fl. 21), o recolhimento de apenas R$ 1.203.134,83, código 2319, deixando de indicar o valor do lançamento de ofício, por impossibilidade de preenchimento quanto ao código de receita de lançamento de ofício, 2917, concluindo assim, que o valor lançado no presente Auto de Infração, de R$ 2.996.037,87, corresponderia exatamente ao valor pago no PAF nº 16327.001102/200611, de R$ 3.008.657,98, diminuído do Saldo Negativo de IRPJ a Pagar declarado na DIPJ, de R$ 12.620,11 (fl. 10) e que a autoridade fiscal, tendo acesso a todas as Declarações do contribuinte, DARF´s e PER/DCOMP, poderia ter verificado a ocorrência do recolhimento dos tributos em tela, em observância do princípio da verdade material, da segurança jurídica e do caráter vinculado de sua atividade, e em consonância com os princípios da moralidade, eficácia e celeridade, previstos no artigo 37 da CF. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720679/201175 Acórdão n.º 1301001.034 S1C3T1 Fl. 2 3 A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 73 a 78, julgou insubsistentes as acusações fiscais, conforme observase da ementa do aresto recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonerase a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Substancialmente, entendeu a decisão recorrida que a insuficiência de R$ 2.996.037,87, objeto do presente lançamento, foi apurada pela autoridade fiscal com base na constatação de que o autuado declarou na DIPJ do anocalendário 2006, valor de estimativas pagas, no ano, de R$ 27.274.072,14, enquanto na DCTF fez constar valores de recolhimento via DARF´s, somando R$ 21.350.936,55, e depósito judicial de R$ 2.927.097,72, totalizando R$ 24.278.034,27. Destacouse assim, que consoante as informações trazidas e os documentos juntados pelo autuado, essa diferença foi provocada, de fato, pela divergência, de R$ 3.008.657,98, entre o valor declarado de IRPJ a Pagar de 08/2006, na DIPJ (fl. 09), apurado mediante Balanço de Suspensão (fl. 18), de R$ 4.211.792,81, que veio compor o referido valor anual de R$ 27.274.072,14, e o pagamento consignado na DCTF, de R$ 1.203.134,83, que integrou o mencionado total de recolhimento, via DARF, de R$ 21.350.936,55. Verificouse também, que na apuração do IRPJ a pagar de 08/2006 a contribuinte adicionou à base de cálculo do mês (fl. 18), o valor tributável do Auto de Infração (R$ 12.034.631,96 = R$ 5.238.246,37 + R$ 6.796.385,59) (fls. 58 a 63), objeto do PAF nº 16327.001102/200611, lavrado em razão de dedução, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003 e 2004, de valores devidos de PIS e de COFINS com exigibilidade suspensa, sem informar na DCTF o recolhimento do imposto, de R$ 3.008.657,98, incidente sobre esse montante acrescentado. Concluiuse assim, que o valor do auto de infração, de R$ 5.115.554,39, foi pago em 29/08/2006, mediante dois DARF´s, um de R$ 2.339.400,81 (fl. 64), e outro de R$ 2.776.153,58 (fl. 65), cujos principais correspondem à diferença de R$ 3.008.657,98 (R$ 1.309.561,59 + R$ 1.699.096,39). Este valor, deduzido do Saldo Negativo de IRPJ a Pagar de 08/2006, de R$ 12.620,11, corresponderia exatamente ao valor aqui lançado, de R$ 2.996.037,87, mencionando ser evidente que a formulação da presente exigência fiscal foi provocada por erro de preenchimento da DIPJ, por parte do autuado, ao adicionar à base de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 cálculo do IRPJ de 08/2006 (fl. 18) o valor tributável de Auto de Infração pago naquele mês, relativo a IRPJ devido dos anoscalendário 2003 e 2004, tratandose, portanto, de lançamento de crédito relativo a diferença inexistente de IRPJAjuste Anual do anocalendário 2006, sendo, destarte, improcedente a autuação. Em vista da total exoneração, submeteuse o feito ao recurso de Ofício. É o relatório. Voto Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720679/201175 Acórdão n.º 1301001.034 S1C3T1 Fl. 3 5 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Atento aos pressupostos legais e regimentais, admito o Recurso de Ofício. Destaquese, por primeiro, que a presenta autuação decorreu de constatada insuficiência no recolhimento efetuado a título de ajuste anual do IRPJ atinente ao ano calendário 2006. A metodologia da zelosa Fiscalização pode ser observada no item 2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 27 – 28) e se traduziu no confronto entre os valores contidos na DIPJ do período e aqueles confessados em DCTF, confirase: (2 ) Conforme retro demonstrado, o valor relativo à diferença de IRPJ foi apurado cotejandose as informações constantes, relativamente ao AC/2006, na DIPJ, em DCTF e nos respectivos DARF’s; (...) Como visto, portanto, ao proceder o cotejo dos elementos da escrituração da contribuinte, contatou a Fiscalização uma diferença entre as escriturações que geraria o tributo aqui exigido. A decisão recorrida, por seu turno, analisando os elementos de prova e de direito trazidos pela contribuinte, concluiu ter havido mero erro formal no preenchimento das declarações, entendendo suficientemente provado não haver parcela tributável a hospedar o presente auto de infração, mencionandose que o contribuinte teria provado essas meras irregularidades procedimentais no preenchimento. Confirase a ementa do julgado objeto desta apreciação: (...)ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonerase a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Remanesce para enfrentamento, portanto, a mesma situação. Ou seja, saber se no âmbito de um processo administrativo fiscal que verse exigência de tributo a título de ajuste anual de IRPJ, subsiste apenas pela constatada diferença entre os valores escriturados e os efetivamente declarados ou, se por outro lado, tal como entendeu a decisão recorrida, a contribuinte comprovou que as apontadas diferenças decorreram de mero equívoco procedimental. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Cumprindo esse mister investigativo, a exemplo do que fez a decisão recorrida, registro que a insuficiência apontada, no valor de R$ 2.996.037,87, foi apurada com base na constatação de que o autuado declarou na DIPJ do anocalendário 2006, valor de Estimativas pagas no total de R$ 27.274.072,14, enquanto na DCTF fez constar valores de recolhimento via DARF´s, somando R$ 21.350.936,55, e depósito judicial de R$ 2.927.097,72, totalizando R$ 24.278.034,27. Tem razão a decisão recorrida ao verificar que esta diferença, conquanto realmente exista, foi provocada pela divergência de R$ 3.008.657,98, entre o valor declarado de IRPJ a Pagar de 08/2006, na DIPJ (fl. 09), apurado mediante Balanço de Suspensão (fl. 18), de R$ 4.211.792,81, que veio compor o referido valor anual de R$ 27.274.072,14, e o pagamento consignado na DCTF, de R$ 1.203.134,83, que integrou o mencionado total de recolhimento, via DARF, de R$ 21.350.936,55. A despeito da diferença gerada, ocorreu que na apuração do IRPJ a pagar de 08/2006, o contribuinte adicionou à base de cálculo do mês (fl. 18), o valor tributável de Auto de Infração (R$ 12.034.631,96 = R$ 5.238.246,37 + R$ 6.796.385,59) (fls. 58 a 63), objeto do PAF nº 16327.001102/200611, lavrado em razão de dedução, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, de valores devidos de PIS e de COFINS com exigibilidade suspensa, sem informar, na DCTF, o recolhimento do imposto, de R$ 3.008.657,98, incidente sobre esse montante acrescentado. Inegavelmente, o valor do auto de infração, de R$ 5.115.554,39, foi pago em 29/08/2006, mediante dois DARF´s, um, de R$ 2.339.400,81 (fl. 64), e outro, de R$ 2.776.153,58 (fl. 65), cujos principais correspondem à diferença de R$ 3.008.657,98 (R$ 1.309.561,59 + R$ 1.699.096,39), sendo certo que este valor, deduzido do Saldo Negativo de IRPJ a Pagar de 08/2006, de R$ 12.620,11, corresponde exatamente ao valor aqui lançado, de R$ 2.996.037,87. Andou bem a decisão recorrida, portanto, ao concluir que a formulação da presente exigência fiscal foi provocada por erro de preenchimento da DIPJ, por parte do contribuinte, ao adicionar à base de cálculo do IRPJ de 08/2006 (fl. 18) o valor tributável de Auto de Infração pago naquele mês, relativo a IRPJ devido dos anoscalendário de 2003 e 2004. Com essas ponderações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a total exoneração do crédito tributário objeto do presente processo administrativo. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720679/201175 Acórdão n.º 1301001.034 S1C3T1 Fl. 4 7 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 12269.000116/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.187
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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O conhecimento do mérito do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento juntadas aos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria na perda de objeto processual e a consequente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer, nesse momento, do seu mérito.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório: Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12269.000116/200842 Resolução n.º 2301000.187 S2C3T1 Fl. 2 2 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, de nº 37.147.6356, lavrado em face de COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT, do qual foi notificado em 31/08/2008, em virtude do não recolhimento de uma série de contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 159 e seguintes) que a Recorrente tem como atividade econômica "geração e transmissão de energia elétrica", e está enquadrada no código 35.12.300 do CNAE — Código Nacional de Atividade Econômica e no código 5070 do FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social. São objeto da presente NFLD as seguintes contribuições previdenciárias: a) contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; b) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. c) contribuições relativas a outras Entidades e Fundos ( SEBRAE) no período de 03/2006 a 12/2006 e (SEBRAE e FNDE) no período de 01/2007 a 05/2007), referente às contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. Afirma ainda o Relatório que os fatos geradores das referidas contribuições foram levantados com base nas remunerações dos segurados empregados lançados em folhas de pagamentos e contabilidade Além do mais, na mesma auditoria, foram lavrados os seguintes documentos: a) NFLD 37.147.6330, referente Diferenças apuradas em Folhas de Pagamento dos segurados empregados, declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP e Glosa de compensação indevida referente a valores recolhidos a titulo de FUNRURAL. b) NFLD 37.147.6348, em virtude do não recolhimento, no prazo legal, contribuições destinadas à previdência social descontada de pagamento efetuado a segurados empregados; c) AI CFL 68 37.145.6754, em virtude da apresentação de GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 178 e seguintes), no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÕES NAACO DECLARADAS EM GFIP. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento uma vez não comprovado o recolhimento das importâncias apuradas. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12269.000116/200842 Resolução n.º 2301000.187 S2C3T1 Fl. 3 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No entender da Instância Julgadora, não houve qualquer outro pagamento além das GFIP’s já apresentadas à fiscalização e consideradas quando da constituição do crédito, como também inexistem noticias de recolhimentos realizados após a lavratura desta NFLD, que se refiram às contribuições neste processo exigidas. Insatisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário (fls. 245 e seguintes), alegando em suma: a) O recolhimento regular, à época, de todas as contribuições previdenciárias, tendo ocorrido simplesmente um erro no envio das declarações; b) O cumprimento efetivo das obrigações principais em virtude da apresentação dos documentos e dados esclarecedores da situação. Entretanto, tendo em vista que a Primeira Instância considerou indispensável a apresentação das GFIP’s, juntaas neste momento e protesta pela sua análise; c) A aplicação da penalidade mais benéfica ao Contribuinte; d) A análise da documentação anexada aos autos. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto: Conversão em diligência A partir do cotejo analítico dos autos e das alegações da Recorrente em seu Recurso Voluntário, vêse que há uma série de guias de recolhimento que, embora tenham sido juntadas ao presente processo, não foram devidamente apreciadas, o que impossibilita o conhecimento do mérito da presente lide, uma vez que, diante do possível adimplemento das obrigações tributárias objeto do presente processo, já haveria parcial ou plena satisfação do interesse Fiscal. Nesse escopo, pugnou (fls. 247) a Recorrente pela juntada dos comprovantes de quitação dos débitos junto ao Fisco (GPS), tendo, inclusive, realizado uma relação detalhada dos valores adimplidos, os quais no seu entendimento correspondem àqueles inicialmente enumerados quando da lavratura da NFLD. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12269.000116/200842 Resolução n.º 2301000.187 S2C3T1 Fl. 4 4 Destarte, comprovado o devido adimplemento das obrigações tributárias referentes às competências autuadas, desnecessário seria o conhecimento de parte considerável do presente Recurso por este Conselho de Contribuintes, dado o efetivo cumprimento da obrigação pelo sujeito passivo e a consequente satisfação do interesse Fiscal. Assim, entendo ser necessária a conversão em diligência do presente feito para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos do presente processo pela ora Recorrente, de forma a atestar a regularidade e correspondência dos pagamentos efetuados, a qual, extinguirá ou reduzirá o credito objeto do presente do processo administrativo. Da Conclusão Ante o exposto, converto o presente recurso em diligência, para que sejam analisadas as guias de pagamento anexadas pela empresa aos autos do presente processo. Após o cumprimento do acima narrado, intimese a Recorrente para que se manifeste acerca do resultado das diligências realizadas. É como voto. Sala das Sessões, em 7 de fevereiro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10920.720686/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ÁGIO. EXIGÊNCIA DE MATERIALIDADE. ASPECTOS FORMAIS E REGISTROS CONTÁBEIS PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE SE AVALIAR SUA EXISTÊNCIA NO MUNDO REAL. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde sabidamente se constata que não haverá tributação, na empresa investida, do valor que gerou o ágio na empresa investidora.
Na interpretação teleológica que tem por critério a finalidade da norma, a alegação de que o valor decorrente da reavaliação societária (art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002) se constitui receita, com tributação diferida, não se mostra como argumento jurídico suficiente para se admitir a dedução do ágio, quando sabidamente o valor que o gerou e foi contabilizado como receita diferida na empresa investida não será tributado por esta.
A glosa do valor correspondente ao ágio, com base no entendimento de que a receita decorrente da reavaliação de que trata o artigo 36 da Lei nº 10.636, de 2003, tem como consequência a impossibilidade de se considerar receita diferida o valor correspondente ao ágio glosado. Assim o é porque não se pode dizer que a receita decorrente da reavaliação é apta a ensejar a tributação e inapta para efeitos de caracterização do ágio.
ATOS DE REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS QUE RESULTAM EM ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. INSTRUMENTOS DEVIDAMENTE LEVADOS A REGISTROS E OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS CONTABILIZADAS. PROCEDIMENTO QUE NÃO CARACTERIZA CONDUTA QUE JUSTIFIQUE A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Os atos de reorganizações societárias entre empresas do mesmo grupo econômico que resultam na apuração de ágio não admitido pela autoridade fiscal não se constitui em conduta capaz de justificar a qualificação da multa aplicável.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de nulidade e acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres de 2005; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. EXIGÊNCIA DE MATERIALIDADE. ASPECTOS FORMAIS E REGISTROS CONTÁBEIS PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE SE AVALIAR SUA EXISTÊNCIA NO MUNDO REAL. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde sabidamente se constata que não haverá tributação, na empresa investida, do valor que gerou o ágio na empresa investidora. Na interpretação teleológica que tem por critério a finalidade da norma, a alegação de que o valor decorrente da reavaliação societária (art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002) se constitui receita, com tributação diferida, não se mostra como argumento jurídico suficiente para se admitir a dedução do ágio, quando sabidamente o valor que o gerou e foi contabilizado como receita diferida na empresa investida não será tributado por esta. A glosa do valor correspondente ao ágio, com base no entendimento de que a receita decorrente da reavaliação de que trata o artigo 36 da Lei nº 10.636, de 2003, tem como consequência a impossibilidade de se considerar receita diferida o valor correspondente ao ágio glosado. Assim o é porque não se pode dizer que a receita decorrente da reavaliação é apta a ensejar a tributação e inapta para efeitos de caracterização do ágio. ATOS DE REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS QUE RESULTAM EM ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. INSTRUMENTOS DEVIDAMENTE LEVADOS A REGISTROS E OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS CONTABILIZADAS. PROCEDIMENTO QUE NÃO CARACTERIZA CONDUTA QUE JUSTIFIQUE A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Os atos de reorganizações societárias entre empresas do mesmo grupo econômico que resultam na apuração de ágio não admitido pela autoridade fiscal não se constitui em conduta capaz de justificar a qualificação da multa aplicável. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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GLOSA DE DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente POSTO MIME LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. EXIGÊNCIA DE MATERIALIDADE. ASPECTOS FORMAIS E REGISTROS CONTÁBEIS PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE SE AVALIAR SUA EXISTÊNCIA NO MUNDO REAL. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde sabidamente se constata que não haverá tributação, na empresa investida, do valor que gerou o ágio na empresa investidora. Na interpretação teleológica que tem por critério a finalidade da norma, a alegação de que o valor decorrente da reavaliação societária (art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002) se constitui receita, com tributação diferida, não se mostra como argumento jurídico suficiente para se admitir a dedução do ágio, quando sabidamente o valor que o gerou e foi contabilizado como receita diferida na empresa investida não será tributado por esta. A glosa do valor correspondente ao ágio, com base no entendimento de que a receita decorrente da reavaliação de que trata o artigo 36 da Lei nº 10.636, de 2003, tem como consequência a impossibilidade de se considerar receita diferida o valor correspondente ao ágio glosado. Assim o é porque não se pode dizer que a receita decorrente da reavaliação é apta a ensejar a tributação e inapta para efeitos de caracterização do ágio. ATOS DE REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS QUE RESULTAM EM ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. INSTRUMENTOS DEVIDAMENTE LEVADOS A REGISTROS E OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS CONTABILIZADAS. PROCEDIMENTO QUE NÃO CARACTERIZA CONDUTA QUE JUSTIFIQUE A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Os atos de reorganizações societárias entre empresas do mesmo grupo econômico que resultam na apuração de ágio não admitido pela autoridade fiscal não se constitui em conduta capaz de justificar a qualificação da multa aplicável. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 06 86 /2 01 0- 19 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 3 2 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de nulidade e acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres de 2005; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório I Da autuação e fundamentos legais Pelo que se extrai do auto de infração de fls. 676 e seguintes, cuja notificação do lançamento deuse em 27/12/2010 tratase de exigência de crédito tributário em virtude das seguintes infrações, enquadramento legal e fatos geradores apontados pela autoridade fiscal: 001 custos, despesas operacionais e encargos não necessários, com fatos geradores ocorridos em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 e enquadramento legal no artigo 179, incisos V e VI da Lei n° 6.404, de 1976, art. 249, incisos I; 251; 299; 300; 324 e 841, todos do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. 002 glosa de prejuízos compensados indevidamente por saldo de prejuízos insuficientes, com fatos geradores ocorridos em 30/09/2005; 30/06/2006 e 30/06/2008, e enquadramento legal nos artigos 247; 250, inciso III, 251, parágrafo único; 509 e 510, todos do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. A infração descrita no item 2, cujo valor tributável, multa e data dos fatos geradores seguem especificados no quadro abaixo, é decorrente da reversão dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas no item 1, conforme descrição constante do termo de verificação fiscal e seus anexos. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 4 3 No termo de verificação fiscal que consta a partir da fl. 724 dos autos, na Tabela 1, a autoridade fiscal elabora o seguinte demonstrativo, indicando o ágio deduzido indevidamente: I Da descrição das infrações imputadas Quanto à descrição das infrações, do item 2 do termo de verificação fiscal, da fl. 727 transcrevo o seguinte destaque: Destaca a autoridade fiscal que a essência da infração decorre do procedimento contábil de construir ágio na incorporação reversa de empresa do mesmo grupo, com posterior dedução desse ágio da base de cálculo dos tributos incidentes sobre lucro. Aponta que as informações sobre as empresas envolvidas, no caso MIME PARTICIPAÇÕES Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 5 4 LTDA, MAP CHIODINI PARTICIPAÇÕES LTDA e o próprio POSTO MIME LTDA, assim podem ser resumidas: Quadro 1 MAP CHIODINI PARTICIPAÇÕES LTDA Constituída em 16022004 Nome empresarial original Bonilha & Cunha Assistência Técnica e Manutenção de Equipamentos Médicos Odontológicos Ltda Último nome empresarial Map Chiodini Participações Ltda Sócios N° Quotas Valor Representante legal Mime Participações Ltda 51.630.267 51.630.267,00 Paulo Cesar Chiondi 1 1,00 Paulo Cesar Chiondi Obs. 1 fl. 728 Em 24/12/2004 a empresa Map Participações é adquirida por sua controladora a empresa Mime Participações, que subscreve e integraliza o capital na Map utilizando sua participação no Posto Mime Ltda. A partir deste ato a Map tornase controladora do Posto Mime (fl. 231/219). Obs. 2 fl. 728 A subscrição e integralização do capital na Map levou em conta não o valor contábil da participação da Mime Participações no Posto Mime, mas seu valor econômico. Isto é, o valor do capital social subscrito e integralizado embutia um ágio cujo fundamento era a avalização da participação com base em perspectiva de rendimentos futuros. Obs 3 Fl. 728 Em 31/12/2004 a empresa é extinta. Quadro 2 Mime Participações Ltda Nome empresarial original Cimpar Participações Ltdsa Último nome empresarial Mime Participações Ltda Sócios Percentual no Capital social Representante legal Ângelo Alberto Chiodini 38% Paulo Cesar Chiodini 28% Franzner Repres. e Participações 16% JR Administração de Bens 14% Miriam Maria Vasel 4% João Carlos Chiodini e outra pessoa identificada no TVF pelo CPF 292.172.29920, que também não integra o quadro social. Obs. 1 fl. 728 O contrato de constituição da sociedade Mime Participações é datado de 17/11/2004 e for apresentado a registro na Junta Comercial em 15/12/2004, sendo que a integralização do capital social deuse da seguinte forma: Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 6 5 Obs. 2 Em 29/12/2004 a Mime Participações absorve a parcela cindenda da Map Participações, determinando que o ágio contabilizado na Map, no valor de R$ 13.195.643,00 seja destinado à composição de seu patrimônio líquido a título de reserva de capital. A Mime Participações volta a ser controlada direta do Posto Mime (fls. 80/84) ººº Quadro 3. No quadro 3, à fl. 730, a autoridade fiscal destaca que na 27ª. alteração contratual, datada de 17/11/2004, vigorando até 24/12/2004, a empresa Mime Participações passa a ser controladora do Posto Mime, sendo que na 29ª. alteração realizada em 29/12/2004 é aprovada a absorção pelo Posto Mime da parcela cindenda da Map Participações. Conforme relatado no termo de verificação fiscal, a recorrente justificou seu procedimento destacando ou os seguintes pontos: 1º.) Na empresa Map Participações o ágio referese nos investimentos contabilizados por equivalência patrimonial conforme laudo de expectativa de rentabilidade futura elaborado por empresa devidamente qualificada e registrado na Junta Comercial. 2º) O ágio contabilizado na empresa Posto Mime Ltda, foi o débito na conta do grupo ativo diferido e ágio na aquisição de investimento, em contrapartida no grupo patrimônio líquido na conta reservas de capital. Em 2008, com a edição da Lei nº 11.638, de 2007 a conta contábil do ágio foi reclassificada para o grupo ativo não circulante, ainda com nome de ágio na aquisição de investimentos. 3º) O ágio decorrente desta avaliação possui dedutibilidade permitida, conforme artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento adotado pela recorrente não tem amparo no artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, pois "de outro modo seria dizer que o diferimento.... concede à controladora que subscreve e integraliza capital numa empresa com lastro em participação em outra empresa." (sic) última frase da fl. 734. Entendeu a autoridade fiscal que a fiscalizada agiu com o intuito de fraude, razão pela qual qualificou a multa. II Da decisão da DRJ e do recurso Apresentada impugnação a DRJ manteve o lançamento, sendo que desta intimação a recorrente foi intimada e, de forma tempestiva apresentou o recurso de fls. 1308, Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 7 6 por meio do qual repisa os argumentos articulados quando da impugnação, destacando, em síntese, que agiu com boa fé seguindo, exatamente os preceitos vigentes na legislação da época. Mais, se a acusação é de infração ao artigo 179 da Lei nº 6.404, de 1976, o que levaria a infração ao artigo 324 do RIR, é sobre essa questão que deve se debruçar a análise da questão para aquilatar a procedência ou não da autuação, Quanto ao mérito, a recorrente tece longos comentários e fundamentos à forma de escrituração de suas operações, que na integralização de capital social não há necessidade de que estes sejam, obrigatoriamente em pecúnia e que no caso dos autos indiscutivelmente o Laudo de Expectativa de Rentabilidade Futura foi elaborado por empresa especializada, sendo que em nenhum momento foi questionado sua legitimidade. Destaca a recorrente que o acórdão da DRJ surpreendentemente modificou o fundamento da autuação ao destacar que a) o ágio somente é admitido quando envolve partes independentes; b) que a formalização de reorganização societária em que não exista motivação outra que não a criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias é imponível à Fazenda Nacional; c) que a incorporada foi utilizada como "empresa veículo" para transferência do ágio e; d) que no caso inexistia propósito negocial. Em sua defesa e no recurso a recorrente destaca as disposições legais contidas no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º da Lei 9.532, de 1997 e que no caso concreto todos os requisitos foram integralmente cumpridos. III Dos destaques contidos nos memoriais entregues Além do recurso pedindo a insubsistência do lançamento ou, no mínimo, o afastamento da multa qualificada, a parte interessada apresentou memoriais, constituído de 92 itens, reiterando os fundamentos colocados em manifestações anteriores. Em atenção aos citados memoriais, deles extraio os seguintes itens: 1. O cerne da autuação foi a negativa da Receita Federal em aceitar a dedução de amortização de ágio, adquirido após rearranjo societário, vindo simplesmente a glosar as despesas deduzidas, apesar de: a. ágio lastreado em Laudo de Expectativa de Rentabilidade Futura (fl. 270), que, aliás, em momento nenhum foi questionado; b. e com amortização passando a ser dedutível após incorporação parcial, evento previsto e amparado legalmente, como se verá. 2. Registrando que o Laudo de Expectativa de Rentabilidade Futura fez previsões que vieram a ser confirmadas, e até superadas, pela realidade (fl. 773): Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 8 7 3. Como enquadramento legal da suposta infração, de acordo com o relatório fiscal, foram utilizados os seguintes dispositivos: art. 179, V e VI da Lei 6.404/1976 e arts. 249, I; 251; 299; 300, 324 e 841 do Decreto nº 3.000/1999. 4. Vale ressaltar de logo que, de acordo com o Relatório Fiscal, se a suposta infração dizia respeito à despesa de ágio, NADA CONSTA SOBRE O TEMA NOS CITADOS DISPOSITIVOS LEGAIS que possa ser apontado como ILÍCITO. 5. AUSÊNCIA DA NORMA SUPOSTAMENTE INFRINGIDA MACULA A AUTUAÇÃO DE VÍCIO DE ILEGALIDADE, pois, entre outros, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, exige tal requisito no lançamento de ofício por meio de auto de infração. ... Portanto existem na presente autuação grandes equívocos que devem ser vistos com a necessária IMPARCIALIDADE, pois não podem ser convalidados, sob pena de serem violados princípios fundamentais do nosso Estado Democrático de Direito como A LEGALIDADE E A VERDADE MATERIAL. (...) 9 . Aqui já se chama a atenção para qual é o fundamento que levou a existir a autuação, que foi, nas palavras transcritas acima da própria autuação, “despesas inexistentes” pois ”não houve razão para o ágio”. Esse é o defeito que a fiscalização alega ter encontrado para autuar. (...) 12. Reiteradamente a autuação faz questão de delimitar que o fundamento da autuação é mesmo que o ágio gerado não seria amortizável em POSTO MIME por ter o defeito de não ter razão ou causa; sempre deixando claro que não questionava os “dois primeiros momentos” do rearranjo societário: a) quando MIME adquiriu POSTO MIME; e nem b) quando MIME adquiriu MAP, integralizando quotas de POSTO MIME com ágio. (...) 14. Esse é mesmo o ponto fundamental, pois mostra quando supostamente “ocorre a infração”; que, portanto, deve ser o que estará em discussão neste processo: se houve ou não tal infração ao POSTO MIME registrar o ágio no seu ativo. (...) 17. Como se vê, a DRJ fez uma NOVA FUNDAMENTAÇÃO para a autuação, invocando NOVOS ELEMENTOS que não foram os usados como fundamento para lançar: a. “ágio em si mesmo”; b. “ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes”; Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 9 8 c. “preço justo para os ativos envolvidos”; d. “falta de propósito negocial”. 18. Ora, NÃO PODE O JULGADOR ALTERAR, AMPLIAR OU INTERPRETAR UMA AUTUAÇÃO quando a própria autuação deixou claro qual considerava ser a infração; citando, para não restar dúvida, qual o artigo 176 da Lei nº 6.404/76 que considerava supostamente infringido e que redundaria na aplicação de normas vedatórias de dedutibilidade do IRPJ e da CSLL. É o relatório. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas. Do exame da preliminar de nulidade do auto de infração Argumenta a recorrente que, para justificar a manutenção da autuação, o acórdão da DRJ teria adotado novos fundamentos, dentre os quais que se trata de: a) "ágio sem propósito negocial"; b) "ágio de si mesmo"; c) que a dedução do ágio "somente é admitida pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes”; argumentos estes que em momento algum teriam constado da autuação. No início de meu relatório descrevi as causas que ensejaram a autuação. Adotei tal procedimento com a finalidade de enfrentar a presente preliminar e aterme aos fatos descritos e fundamentos legais imputados. Tenho como preceito condutor de meus votos de que quem julga não pode inovar com razões de fato ou de direito em relação ao lançamento. Em outras palavras, quem julga não lança e quem faz lançamento não pode julgar. Admitir que o julgador pudesse abstrairse de sua imparcialidade para inserir no auto de infração alegações fáticas ou jurídicas que lhes pareçam pertinentes importaria flagrante violação ao princípio da imparcialidade e de competência para o ato, dos quais o julgador não pode se divorciar. No que diz respeito aos tributos de competência da União e no que se refere ao lançamento de ofício, quando diz que cabe à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível, o artigo 142 do CTN está a afirmar, em última análise, que o lançamento deve descrever o fato sobre o qual incide a norma de exigência tributária, o autor da infração e o valor do imposto que deixou de ser pago. Neste sentido, o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, cujo texto segue transcrito, serve substrato ao que dispõe o artigo 142 do CTN. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 11 10 Do que se depreende da lei, no lançamento de ofício há um fato vinculado ao agente, pessoa física ou jurídica, sobre o qual incide uma norma de exigência tributária. A consequência da incidência é a obrigação de pagar determinado tributo. Em que pese o artigo 10 determinar que obrigatoriamente o lançamento deve conter os requisitos que menciona, divido tais requisitos em duas categorias, a saber: a) os que dizem respeito à essência e validade do lançamento, cuja alteração importa em modificar o lançamento; b) os que dizem respeito aos aspectos formais, a saber, o local, a data e hora da lavratura do auto de infração; a intimação para cumprir e a indicação do cargo e número da matrícula do autuante, requisitos estes contidos nos incisos II, V e VI, da norma antes transcrita. A assinatura é requisito relacionado à própria existência do ato. Lançamento sem assinatura é ato desprovido de qualidade para produzir eficácia ou emanar efeitos no mundo jurídico. Quanto ao valor da exigência, requisito contido no inciso V, se houver imprecisão, a autoridade revisora tem competência para apontar o valor correto, desde que não se constitua em agravamento da exigência e que decorra da infração descrita. Contudo, se a imprecisão disser respeito ao sujeito passivo, a matéria tributável e a norma de incidência o lançamento não subsiste1. Diante do argumento da recorrente de que o acórdão recorrido teria adotado novos fundamentos, tenho que não se pode confundir a norma legal de incidência com os fundamentos que a autoridade revisora pode valerse para apreciar se no caso em questão houve ou não incidência da norma tributária. Fundamentação jurídica é o motivo, sob a ótica do direito, que justifica a existência do lançamento decorrente da incidência da norma jurídica. A fundamentação, exigência consagrada no artigo 93, IX, da Constituição Federal, é mais do que a disposição legal apontada como violada. São as razões pelas quais o julgador há de motivar sua decisão tendo por norte o princípio da legalidade insculpido no artigo 5º, II, da Constituição vigente. No caso concreto o que importa analisar é se sobre os fatos descritos houve incidência de exigência tributária e se esta norma foi apontada quando da autuação. Ainda que pudéssemos considerar insubsistentes os fundamentos da decisão da DRJ, se subsistente o lançamento, este prevalecerá. Conforme destacado anteriormente, não se pode confundir disposição legal infringida com fundamentação jurídica adotada por quem tem a tarefa de revisar o lançamento. A fundamentação jurídica é a motivação que justifica a existência do 1 Há julgados administrativos admitido que eventuais incorreções no enquadramento legal no auto de infração podem ser superadas quando descritos com precisão os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação. Com tal entendimento não comungo, pois o lançamento pressupõe a incidência da norma tributária sobre o fato descrito. Se a norma apontada não se encaixa sobre o fato descrito não subsiste a exigência do crédito tributário. A alteração da fundamentação jurídica corresponde a uma nova exigência tributária. É uma nova norma incidindo sobre os fatos anteriormente descritos. Tal procedimento extrapola a competência do próprio julgador que estaria fazendo um novo lançamento sem ter atribuições legais para tal, pois a atividade de lançar é privativa do auditor fiscal. Ademais, não se pode perder de vista que no termo de inscrição de dívida ativa, conforme dispõe o artigo 2º, § 5º, III, da Lei nº 6.8030, de 1980, há que ser indicado o fundamento legal da dívida e este, ao meu sentir, deve corresponder com o que consta do auto de infração, já que é este que se constitui no instrumento hábil à constituição do crédito tributário. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 12 11 lançamento. A norma legal infringida é pura e simplesmente a regra de incidência sobre o fato descrito. No caso dos autos, o fato autuado foi a glosa de "despesas operacionais e encargos não necessários". As despesas operacionais, não necessárias, foram descritas à fl. 727 dos autos (item 2 do TVF), como sendo a inexistência de razão para o ágio. Ao se referir acerca do ágio objeto da glosa a autoridade fiscal o adjetivou como "ágio interno", que não preenche os requisitos para dedução, motivo pelo qual glosou os valores correspondentes às deduções efetivadas, nos montantes especificados na planilha de fl. 724. A questão a ser enfrentada no presente julgamento não são os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido para manter o lançamento, mas sim se o lançamento subsiste em si mesmo. Pode se manter um lançamento por inúmeros fundamentos, ainda que diversos dos lançados pela autoridade autuante, desde que estes não se constituam na descrição de novos fatos a embasar a incidência da regra tributária indicada no caso concreto. Em síntese, ágio é o custo ou a despesa decorrente da aquisição de um investimento, surgido sempre que haja uma diferença positiva entre o valor do patrimônio líquido da empresa adquirida e o valor de aquisição. O fundamento aqui, para dedução do ágio, é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da participação societária adquirida, seja ou não empresa coligada ou controlada, não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente. Em outras palavras, se o investidor pagou 100 (cem) unidades de valor por algo que valia 60 (sessenta), até recuperar o valor pago, no caso a receita correspondente a 40 (quarenta), não terá lucro, mas sim recuperação do valor investido. Em tais situações pode se dizer que o desembolso feito pelo investidor, no que excede a diferença positiva, correspondente ao valor da aquisição adquirida, é uma despesa necessária à produção, daí o fundamento adotado pela legislação para sua dedução. Neste sentido temse o artigo 324, do Regulamento do Imposto de Renda, que segue transcrito: "Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 15, § 1º)." No que se refere a despesas necessárias, o artigo 299, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda dispõe que "são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa"2. No caso concreto a autoridade fiscal formou entendimento de que não se tratava de despesas necessárias, razão pela qual inseriu o valor correspondente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no artigo 249, I, do Regulamento do Imposto de Renda, dispositivo este apontado no auto de infração como uma das normas de incidência. Assim, não há o que se falar em nulidade da autuação. O que deve ser analisado é se foram preenchidos os requisitos necessários à dedução do ágio e isto confundese com o mérito. O fato do acórdão recorrido, ao revisar o lançamento, adotar novos fundamentos que não alteraram a descrição dos fatos imputados e a regra de incidência apontada, não enseja nulidade. Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. 2 Lei nº 4.506, de 1964, artigo 47, § 1º Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 13 12 No mérito I Dos fundamentos da autuação De início, destaco que não levarei em considerações, neste voto, quaisquer elementos relacionados aos fundamentos econômicos do ágio, isto é, a possível insubsistência ou deficiência do laudo de fls. que calculou o montante do ágio tendo por base os elementos lá considerados. Assim procedo porque em momento algum a autoridade fiscal imputa defeito ou imperfeição ao citado laudo. A causa da autuação é outra, qual seja, de que não ocorreram os pressupostos legais para formação do ágio cujas despesas foram deduzidas pela empresa. Ainda, a título de considerações iniciais, rejeito os argumentos daqueles que sustentam a existência do ágio somente nas transações que ocorrem entre partes independentes ou que este pressupõe pagamento em pecúnia. No Direito Brasileiro os resultados e o patrimônio líquido de empresa integrante a determinado grupo, para efeitos contábeis e tributários, não se comunicam com os resultados e o patrimônio líquido das outras empresas do grupo. Tanto é assim que o prejuízo de uma das empresas, para efeitos tributários, não pode ser compensado com o lucro obtido por outra. O artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, ao determinar que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada, deve adotar determinados procedimentos em relação ao ágio ou deságio, estanca qualquer dúvida quanto à possibilidade de ágio entre empresas do mesmo grupo. Afirmar de modo diferente seria desconsiderar o texto da lei para justificar interpretação subjetiva. Neste sentido observase a lição de Humberto Ávila: "...a aquisição da participação acionária pode ser feita de várias maneiras, sem deixar de ser uma aquisição. Tanto é assim que o artigo 7º da Lei das S.A. prevê que o capital poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro;" e o seu artigo 8º estabelece que, caso seja feita a conferência com entrega de bens, a sua avaliação será feita por três peritos ou por empresa especializada. O fato da participação societária não ter sido adquirida em dinheiro não quer dizer que ela não tenha conteúdo econômico nem que ela não tenha existido. A aquisição de ativo não deixa de ser uma aquisição, nem o ativo deixa de ser um ativo, porque não foi pago em dinheiro vivo."3 Havendo aquisição de participação por valor superior ao investimento (patrimônio líquido), haverá ágio, tenha esta aquisição ocorrida entre empresas do mesmo grupo ou não. Ademais, quando a lei fala em aquisição esta pode se dar por qualquer meio legal, isto é, negócio jurídico que tenha por efeito a transmissão da propriedade de participação em coligada ou controlada. O que deve haver, conforme observa o Professor Ricardo Mariz de Oliveira4, "é a transmissão da propriedade pela qual a investida adquira participação, salvo a hipótese excepcional de aquisição por doação ou subvenção sempre há uma contraprestação, e 3 Humberto Ávila. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material. IN. Revista Dialética de Direiro Tributário, nº 205, pág. 181. 4 Questões Atuais sobre o Ágio Interno Rentabilidade Futura e Intangível Dedutibilidade das Amortizações As Interrelações entre a Contabilidade e o Direito. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 14 13 esta corresponde ao custo, por ser a obrigação da adquirente necessária a adquirir a participação5. No que diz respeito a existência de ágio interno, Ricardo Mariz de Oliveira aponta como exemplo a situação em que um dos sócios adquire parcialmente as quotas de outro sócio ou nos casos de aumento de capital não subscrito por todos os sócios, ou em que um novo sócio entre na sociedade subscrevendo aumento de capital. Neste sentido, seguem os seguintes fundamentos: "De outra banda, o ágio pode ser uma necessidade de determinado ato ou negócio jurídico, a fim de evitar prejuízo para o alienante ou para terceiros. Realmente, nestas situações encontramos, por exemplo, a hipótese em que o detentor da participação de uma empresa jurídica a aliena apenas parcialmente para o outro sócio, conservando para si outra parte, a qual ficaria desvalorizada perante um preço pago por seu sócio nesta empresa. Em outras palavras, pagando menos, o adquirente ficaria numa posição econômica mais vantajosa em relação às proporções de participações na empresa sua, a sua e a do alienante, que seria resultante do negócio entre eles e nas suas repercussões sobre o patrimônio da empresa e seus lucros futuros. Também encontramos a situação em que o ágio ocorre no ato jurídico de aumento de capital, que não seja subscrito por todos os sócios nas mesmas proporções, ou em que um novo sócio entre na sociedade subscrevendo aumento de capital." (....) No texto acima, após destacar que situações inversas aos exemplos elencados não justificariam a formação do ágio, o autor finaliza com as seguintes considerações: "...há, sim, situações em que se justifica o ágio dentro de um mesmo grupo, como, por exemplo, e em tese, quando uma pessoa jurídica subscreva capital de outra cujo controlador seja a mesma pessoa física ou jurídica que a controle, mas cujas pessoas jurídicas (a que aumenta o capital e a que subscreva) tenham acionistas minoritários distintos entre elas, hipótese que ocorre comumente quando se trata de companhias abertas. Ao meu sentir, superadas as questões relacionadas às formas de aquisição de participação societária, isto é, em moeda ou mediante conferência de ações ou quotas sociais, para que ocorra a dedução do ágio, seja ele entre empresas no mesmo grupo ou não, seja pago em aporte financeiro ou mediante conferência de ações, é necessário que o adquirente, em contrapartida a aquisição da participação, transfira para a esfera patrimonial da empresa investida recursos, em espécie ou não, que representam valor econômico superior ao patrimônio líquido da empresa investida ou, no caso de aquisição de parte, proporcionalmente superior. Em determinadas autuações, quando a investidora é controladora da investida, a autoridade fiscal não tem admitido a dedução do ágio sob o argumento de que ninguém adquire aquilo que já lhe pertence. Dado o sistema de independência contábil e de avaliação patrimonial das empresas integrantes do mesmo grupo, onde cada uma é considerada 5 No parágrafo seguinte do texto citado Ricardo Mariz de Oliveira adentra na questão relacionada ao ágio interno com o seguinte destaque incial, o qual enfrentarei mais adinate: "Portanto, para haver ágio ou deságio há que haver uma aquisição e um custo de aquisição, o que parece se acaciano, mas coloca a questão do ágio interno, que em tese existe exatamente quando não haja uma aquisição real." Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 15 14 como ente jurídico autônomo de forma que os aspectos contábeis ou lucros auferidos numa não influem nos aspectos tributários da outra, tal argumento não se sustenta. Nesta linha, volto à lição de Humberto Ávila no sentido de que "a legislação aplicável, em nenhum momento, condiciona a existência de ágio à independência societária e ao pagamento em moeda da aquisição societária6." Ainda que, em última análise, as ações ou quotas sociais de uma empresa, ao fim e ao cabo, sempre estão relacionadas a uma pessoa física, o patrimônio e a personalidade jurídica de uma e de outra não se confundem. Para os efeitos contábeis e tributários são entes distintos. Quanto ao conceito e fundamentos econômicos do ágio, na declaração de voto que apresentei no acórdão nº 140200802, que resultou conhecido como "Caso Santander", fiz o seguinte destaque: (...) Quanto ao conceito de ágio, este decorre do artigo 20, II, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que definiu ágio ou deságio como “a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição”. O aproveitamento deste, por coligada ou controlada, com base em expectativa de lucro nos exercícios futuros, deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (art. 20, § 2º, b, e § 3º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977). O fundamento econômico da amortização do ágio, com base em expectativa de lucros futuros, está no fato de que os resultados necessários para se chegar ao ponto de equilíbrio entre o patrimônio líquido e o valor pago a maior, quando da aquisição, não se constitui em lucro, mas sim rendimentos necessários à recomposição do patrimônio do investidor. Neste sentido, colho a seguinte lição extraída do Manual de Contabilidade das Sociedades Anônimas7: “o ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos resultados estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é que o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. (...)” Com o Programa Nacional de Desestatização foi editada a Lei nº 9.532, de 1997, estabelecendo novas normas para aproveitamento do ágio. No caso, dado os limites do litígio apontados anteriormente, interessa o artigo 7º, III, que segue transcrito: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com 6 Humberto Ávila. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material. IN. Revista Dialética de Direiro Tributário, nº 205, pág. 181. 7 Fundação Instituto de Pesquisas Contábeios, Atuariais e Financeiras. Manual de contabilidade das sociedades por ações : aplicável às demais sociedades / FIPECAFI; diretor responsável Sérgio de Iudícibus; coordenador técnico Eliseu Martins, supervisor de equipe de trabalho Ernesto Rubens Gelbcke, 7ª. ed., 2ª.reimp., São Paulo: Atlas, 2007, p. 176. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 16 15 ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Assim, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação acionária adquirida com ágio, se o fundamento econômico do ágio for “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, poderá amortizar o ágio nos balanços correspondentes de apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração. A regra do artigo art. 7º, III, da Lei 9.532, de 1997, por disposição expressa do artigo 8º, b, da mesma lei, a seguir transcrito, também se aplica quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária, isto é, nos casos de incorporação inversa. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. ..... A situação prevista no artigo 8º tem por finalidade conjugar questões tributárias com os procedimentos de reorganizações societárias, inclusive de ordem legal. Há casos em que a incorporadora não tem interesse ou não preenche requisitos para prosseguir operando no segmento de atuação da investida. O exemplo dos autos demonstra exatamente esta situação. Por se tratar de instituição financeira que necessita de autorização do Banco Central para operar, qualquer empresa que viesse a adquirila, se não tivesse autorização do Bacen para atuar no mercado financeiro, necessitaria ser incorporada pelo Banespa e não o contrário. Daí a necessidade de o legislador prever a incorporação inversa, sem prejuízo da amortização do ágio. Fixados os fundamentos acerca do ágio, passo a destacar as operações societárias que, no entender da recorrente, originaram o ágio. II Das operações societárias A empresa Map Participações, cuja denominação anterior era Bonilha & Cunha, conforme contrato de fls. 206 e seguintes, foi constituída em 16022004, tendo como sócios José Giovane Alves Bonilha e Frankling Pepe da Cunha, com capital social inicial de R$ 2.000,00, sendo noventa por cento das quotas pertencentes ao primeiro sócio e o restante ao sócio Franklin. Por meio da primeira alteração contratual de fl. 214, datada de 24122004 e levada a registro em 24012005, os sócios acima nominados retiraramse da sociedade transferindo suas quotas sociais à empresa Mime Participações, pelo valor de R$ 2.000,00. Neste mesmo ato a empresa Mime Participações aumenta o capital social da Map Participações Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 17 16 para R$ 51.628.268,00, valor este que é aumentado mediante subscrição e integralização de R$ 51.628.268,00, representados por 2.000.000 (dois milhões) de quotas de capital da empresa Posto Mime Ltda, constituída em 26071977, avaliadas pelo valor de mercado de R$ 17.638.827,00 e 3.000.000 (três milhões) de quotas de capital da empresa Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda, constituída em 17011990, avaliadas pelo valor de mercado de R$ 33.394.440,00 (fl. 215). Na mesma ocasião ingressa na sociedade o sócio Paulo Cesar Chiodini que subscreve uma quota em aumento de capital, no valor de R$ 1,00, podendo a sociedade ser assim visualizada: Map Participações Ltda Sócios originais Capital inicial Sócios ingressaram 24122004 Aumento capital social em R$ Origem do capital social José Giovani 1.800,00 Mime Participações 17.638.827,00 + 33.394.440,00 2 milhões de quotas da empresa Posto Mime + 3 milhões de quotas da empresa Agricopel Ltda Franklin Pepe 200,00 José Paulo 1,00 Total 2.000,00 51.630.268,00 Valendome do desenho que extraio da obra do Professor Luis Eduardo Schoueri8, identificando a empresa MIME pela letra (X), a empresa MAP pela letra (Y) e o POSTO MIME pela letra (Z), temse os seguintes quadros: 8 Ágio em Reorganizações Societárias. Ed. Dialética. São Paulo. 2012. p. 107. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 18 17 Tanto o quadro acima, quanto o que foi apresentado pela recorrente em seus memoriais, cuja ilustração abaixo transcrevo, permite que se visualize a empresa Map(Y), que teve seu capital aumentado com a subscrição feita por Mime(X), que para tal utilizou as quotas sociais que possuía no Posto Mime(Z), sendo incorporada pelo Posto Mine (Z), que passa a deduzir o ágio. Analisando as alterações contratuais, temse que a empresa Map Participações tinha capital inicial de R$ 2.000,00. Tal capital, conforme consta da 29ª. alteração contratual foi aumentado para R$ 51.630.268,00 em face da conferência dos dois milhões de cotas sociais do Posto Mime e da conferência de quotas da empresa Agricopel Ltda avaliadas, respectivamente, em R$ 17.638.827,00 e R$ 33.394.440,00. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 19 18 Pelo que se extrai da segunda alteração contratual da empresa Map Participações, conforme contrato social de fl. 227, em 29122004, foi aprovado cisão total seguindo a absorção das parcelas cindidas ao Posto Mime Ltda e a Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. Neste mesmo ato, tendo o patrimônio da sociedade vertido às empresas Posto Map e Agricopel, os sócios resolvem extinguir a sociedade Map Participações. Em outras palavras, a Map é absorvida pelo Posto Mime. Em sua defesa e no recurso a recorrente destaca as disposições legais contidas no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º da Lei 9.532, de 1997. Diz, em outras palavras, que o ágio decorrente desta avaliação possui dedutibilidade permitida conforme artigo 36 da Lei nº 10.636, de 2002. Assim, passo analisar o alcance e a interpretação dos dispositivos aqui citados, iniciando pelo artigo 36, da Lei nº 10.637, de 2002, "in verbis": “Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º. O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º. Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.”9 Conforme observa o Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., em troca de correspondências eletrônicas em que debatemos o assunto, "até 1994, em função da hiperinflação, no Brasil os Balanços eram demonstrados com os ajustes denominados de 'Correção Monetária de Balanços' (Lei 6.404/76). Para fins de contabilidade tributária, os itens permanentes do Balanço (basicamente Ativo Permanente e Patrimônio Líquido) eram ajustados em função de um coeficiente fornecido pelo governo (com base em algum índice de inflação). Nesse caso, havendo saldo credor da correção monetária, o valor era ainda ajustado pelas variações monetárias, que poderiam aumentar ou reduzir o saldo a ser tributado pelo imposto de renda. Esse sistema foi criado pelo DL 1.598/77, em função da preocupação com o acréscimo ao lucro de valores tido como nãofinanceiros (ajustes decorrentes da inflação), o que poderia resultar em impostos a pagar sem que as empresas tivessem de fato o numerário em caixa. Tal entendimento não era majoritário entre os acadêmicos da classe contábil, mas continuou durante muitos anos como um dos principais 'incentivos tributários' às empresas brasileiras com vultosos ativos imobilizados10. 9 Este dispositivo foi revogado pelo art. 133, da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência até 31.12.2005. 10 http://pt.wikipedia.org/wiki/Atualiza%C3%A7%C3%A3o_monet%C3%A1ria#Corre.C3.A7.C3.A3o_Monet.C3. A1ria_de_Balan.C3.A7os, consultado 15.05.2012.) Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 20 19 Com o artigo 4º da Lei nº 9.249, de 1995, desaparece o mecanismo da correção monetária de balanço. A partir de 01 de janeiro de 1996, a lei passou a prever que não mais seria possível realizar a correção do patrimônio das empresas (ao menos para fins fiscais), como se o fenômeno inflacionário fosse um instituto de Direito e não um elemento econômico refletido pelo mercado. Com o fim da correção do patrimônio das empresas surgiu um descompasso entre o valor de mercado e o valor contábil do patrimônio líquido. Tal dicotomia passou a afetar a capacidade de alavancagem e obtenção de crédito das empresas. Quanto maior a defasagem do patrimônio líquido menor eram os recursos obtidos pela empresa e, igualmente, menor era sua credibilidade financeira no mercado. Para contornar tal fato veio o artigo 36 da Lei nº 10.637 de 2002, passando a admitir a possibilidade de correção das quotas sociais pelo preço de mercado, estabelecendo que a diferença decorrente desta avaliação deveria ser controlada na parte B do Lalur, com tributação diferida para o momento da alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado. Em outras palavras, esta diferença decorrente da reavaliação é receita 100% (cem por cento) tributável, só que com tributação diferida. O artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002 não dispensa o contribuinte de tributar a receita. O § 2º do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, com vigência até 31 de dezembro de 2005, estabelecia que não era "considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.”11. Além do disposto no artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, encontravamse integrado no sistema jurídico, exigindo interpretação harmônica, o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispondo: Decretolei nº. 1598/1977 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Parágrafo 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Parágrafo 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 11 Este dispositivo foi revogado pelo art. 133, da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência até 31.12.2005. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 21 20 Parágrafo 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras ‘a’ e ‘b’ do parágrafo 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Lei nº 9.532, de 1997. “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;” Considerando as operações contratuais citadas no relatório e os aspectos contábeis não há como negar que a empresa recorrente absorveu patrimônio de outra pessoa jurídica adquiriu na qual detinha participação societária. Considerando o laudo que calculou o montante do ágio e os registros contábeis, sob os aspectos formais, não há como negar a existência do ágio. No momento em que o "ágio" decorrente da reavaliação de que trata o artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, se constitui em receita diferida na empresa incorporada, a lógica é que este deve, ao menos sob os aspectos contábeis, se constitur em despesas para a empresa incorporadora. O objetivo do artigo 36 da Lei 10.637, de 2002, era evitar que a diferença a maior decorrente da reavaliação fosse tributada antes de ser realizada. Ocorre que § 2º do citado artigo estabelecia que não seria "considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.” Tal fato resultou num descompasso entre a amortização do ágio e a realização prevista no caput do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Neste sentido, destaco a seguinte observação contida nas considerações acadêmicas do ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Jr.: (....)Esse descompasso, se por um lado atingia os objetivos de reavaliação do patrimônio das empresas em operações de reorganizações societárias, acabava afetando a neutralidade tributária. Daí porque acreditase que foi a motivação que culminou na revogação do preceito legal em questão." Após destacar que a norma, de forma lícita, permitia a dedução da despesa correspondente ao ágio aqui analisado antes da realização das receita decorrente da reavaliação, o que lhe parece incongruente, destaca ele que não há como deixar de observar os efeitos produzidos pela norma, no período em que vigorou. Neste sentido, segue a lição do ilustre Conselheiro: No entanto, os efeitos que foram produzidos durante sua vigência devem ser respeitados, já que desencadearam atos que possivelmente foram praticados com vistas à opção fiscal que estava em vigor, e, consequentemente, por questão de segurança jurídica e certeza do direito, devem ser preservados a salvo da tributação. Por consequência, temse que não Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 22 21 pode ser tributada a receita diferida sob o pálio do art. 36, da Lei nº 10.637/2002, assim como a contrapartida desta reavaliação, consistente no ágio registrado pela emissora das participações subscritas com as quotas/ações reavaliadas, ainda que transferidas em virtude de evento societário, devendo produzir os efeitos que lhe são próprios, conforme as regras vigentes no ordenamento. Superadas essas considerações e aplicandoas para a seara do planejamento tributário, temse que se as operações realizadas decorreram da adoção de opção fiscal, deverão ser preservadas. Consequentemente, os atos praticados deverão ser avaliados pela Administração Tributária levando em consideração o cumprimento dos requisitos que são próprios ao instituto jurídico que os amparam, que no caso em questão, devem estar alinhados com os objetivos de reavaliação de participações societárias, em processo de reorganizações societárias ou ainda versando sobre questões sucessórias, com envolvimento de operações envolvendo doações, legados ou heranças12. Se as reorganizações societárias foram concretamente realizadas com esses objetivos, demonstrado que foram os mesmos efetivamente úteis às pessoas jurídicas que os praticaram, o fato de se permitir a amortização do ágio será apenas uma consequência a que a Administração deverá submeterse, até porque, no momento legalmente previsto, certamente irá desencadear a arrecadação dos tributos decorrentes do oferecimento da receita diferida à tributação. Ao julgar situação idêntica a esta a Egrégia Primeira Turma, em acórdão cujo voto vencedor foi da lavra do ilustre Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, na linha do que sustenta o Conselheiro Cassulli, pode ser sintetizado com a seguinte ementa: ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 12 Considerando o método teleológico, partindo da Exposição de Motivos do art. 39, da MP nº 66/2002 (art. 36, da Lei nº 10.637/2002, fruto da conversão da MP), e as declarações do então Secretário da Receita Federal, Sr. Everardo Maciel, extraída do Valor Econômico. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 23 22 Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. 0 fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. 0 conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. 0 lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. 0 fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas s6 pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. Sob os aspectos contábeis, formais e na ótica da estrita interpretação da lei, o ágio deduzido pela empresa recorrente preenche todos os requisitos. Se este relator tivesse como parâmetro a conduta de aplicar a literalidade da lei, tornandose, na expressão de Montesquieu de que "o juiz é a boca da lei", a conclusão seria pela procedência do recurso. Contudo, a concepção do julgador como mero aplicador da lei é incompatível com a realidade, pois a legislação é incapaz de normatizar todas as condutas humanas. Para a compreensão do litígio e a adequada solução requerse um processo hermenêutico. Nesta linha e com base no entendimento de que "a contabilidade não é uma verdade em si mesma, mas instrumento para que uma realidade externa a ela seja conhecida e interpretada," este colegiado, ainda que com entendimento diverso entre seus integrantes, tem entendido que a dedução do ágio, que para a empresa investidora é compreendido como despesa, pressupõe a efetiva tributação da receita na empresa investida. Em relação à necessidade de se interpretar o direito como um todo orgânico, tendo por norte a finalidade a que ele se destina, reproduzo aqui, como fundamentos de decidir, as razões que apresentei em declaração de voto quando do exame dos processos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000300/201043, julgados, respectivamente, nas sessões de 09 de maio e 11 de setembro de 2012, "in verbis": Para os que se prendem ao texto da lei, sem se darem conta de que o Direito é um todo orgânico, não sendo lícito ao intérprete ou julgador apreciarlhe de forma fragmentada, sem a largueza de vistas do conhecedor perfeito de uma ciência e das outras disciplinas propedêuticas e complementares, conforme cita Carlos Maximiliano13,14 destaco que a interpretação literal, em que pese 13 Carlos Maximiliano. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 12a. Edição. Ed. Forense. 1992. pág. 195. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 24 23 ser a mais fácil, não raro, leva a soluções imperfeitas. Vale aqui mencionar dois exemplos, repetidamente citado pelos doutrinadores, que demonstram a relevância do que afirmo: 1. RECASÉNSSICHES descreve uma controvérsia surgida na Polônia no início do século XX. Um letreiro colocado à entrada de uma estação de trem proibia, com base em lei, o acesso às escadas externas de pessoas acompanhadas de um cachorro. Um camponês pretendeu chegar à escadaria acompanhado de um urso. O chefe da estação barrouo na entrada. Os adeptos da interpretação literal da lei certamente acusariam o funcionário de arbitrariedade. Mas seria razoável permitir a entrada do camponês, acompanhado de um urso, sob a argumentação de que “urso” não é “cachorro”? 2. Outro exemplo nos é dado por PERELMAN, em sentido oposto ao de RECASÉNSSICHES. Um letreiro, colocado na entrada de um parque público, proíbe a entrada de veículos. Um cidadão sofre um enfarte dentro do parque. Chamase uma ambulância. Seria razoável que o porteiro impedisse a entrada da ambulância, arriscando a vida do enfartado? Quando penso sobre o absurdo da interpretação literal, lembrome de um caso referido por JEAN CRUET, ao escrever, em 1908, “A vida do Direito e a Inutilidade das Leis”. Conta ele que se citava na Inglaterra uma anedota simbólica: "a de um homem que tendo furtado dois carneiros foi absolvido, porque só era punível o furto de “um carneiro”. Ainda que se diga que nos casos de reavaliação tais valores são compreendidos como receita da empresa investida, com tributação diferida, entende este colegiado que entre a interpretação formal da norma e a que decorre do fim teleológico desta, há que prevalecer a última. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde sabidamente se constata que não haverá tributação, na empresa investida, do valor que gerou o ágio na empresa investidora. Na interpretação teleológica que tem por critério a finalidade da norma, a alegação de que o valor decorrente da reavaliação societária (art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002) se constitui receita, com tributação diferida, não se mostra como argumento jurídico suficiente para se admitir a dedução do ágio, quando sabidamente o valor que o gerou e foi contabilizado como receita diferida na empresa investida não será tributado por esta. Ademais, da análise das circunstâncias dos atos societários realizados, que se constituem em procedimentos iguais aos demais casos rotulados como "ágio interno", com tramitação neste Conselho, chego a conclusão de que o valor correspondente à receita diferida, 14 Por sinal, é de Carlos Maximiliano a frase: “Quem só atende à letra da lei, não merece o nome de jurisconsulto; é simples pragmático.” Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 25 24 decorrente da reavaliação (art. 36 da Lei nº 10.637), não será tributado na empresa investida e, consequentemente, não pode ser deduzido junto à empresa recorrente. Contudo, em face do que foi sustentado da tribuna de que não se podia glosar o ágio e manter o valor na contabilidade da empresa investida como sendo receita diferida, o entendimento do Colegiado foi no sentido de que se a receita não serve para caracterizar o ágio também deve ser desconsiderada para efeitos de tributação. O que não se pode é dizer que a receita decorrente da reavaliação é apta a ensejar a tributação e inapta para efeitos de caracterização do ágio. III Da multa qualificada Ao tratar das multas aplicáveis o art. 44, I e § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) .... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Tratandose de lançamento de ofício e de falta de pagamento de tributo em decorrência de omissão de receita, sem a presença de dolo, aplicase a multa de 75% sobre os tributos apurados em decorrência da omissão. Todavia, nos casos de dolo, fraude ou conluio definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, abaixo transcritos, incide a multa prevista no parágrafo § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.. “Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito Tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72.” (Grifouse) O art. 71, I, da Lei nº 4.502, de 1964, definiu que “sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 26 25 da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”; o inciso II referese às condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito Tributário correspondente. A Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, em seu art. 1º. I, explicitou melhor esse conceito ao dispor que constitui crime de sonegação Fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. Sem utilizar a expressão "sonegação fiscal", mas definindo os mesmos fatos antes sob aquela denominação, a Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu os crimes contra a ordem tributária. Nos termos do art. 1º, II, constitui tal crime "elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato”. Segundo ainda o art. 2º, I, “constitui crime de mesma natureza fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”. Acrescentese que o conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isto significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Em outras palavras, podese dizer que os elementos do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; e consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). No caso concreto não se pode dizer que a reorganização societária levada a efeito pela recorrente tivesse por finalidade impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da autoridade fazendária. Em momento algum a recorrente ocultou os atos que praticou e tampouco praticou fraude ou agiu de conluio com a finalidade de não pagar tributo. Não há nos autos conduta objetiva que justifique a qualificadora da multa. IV Da decadência No caso concreto o contribuinte entregou DCTF que tem natureza constitutiva do crédito tributário. Assim, declarados créditos tributários, podem ocorrer duas situações: a) se a declaração for a menor, isto é, sem que toda a receita tenha sido considerada na formação dos lucros, iniciase o prazo decadencial para o fisco efetuar o lançamento da diferença; b) se a declaração considerar o montante da receita e apurar os lucros de forma correta, entregando DCTF sem o respectivo pagamento ou com pagamento a menor, iniciase o prazo prescricional. Declarados os créditos tributários e pagos a menor o prazo prescricional para cobrança executiva iniciase da entrega da DCTF. A propósito do entendimento de que a entrega de DCTF é instrumento hábil à constituição do crédito tributário, destaco o item 1 da ementa no agravo nos embargos de declaração no Recurso Especial nº 154.879SP Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 27 26 "1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.120.295/SP, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ, consolidou entendimento segundo o qual a entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), de Guia de Informação e Apuração do ICMS (GIA), ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário. Importante destacar que não se pode confundir entrega de DCTF com entrega de DIPJ. A DIPJ não tem o condão de constituir o crédito tributário. Tratase de instrumento que tem a função de apurar crédito ou débito tributário em relação ao fisco. Ademais, no item 8 da ementa do REsp 1.120.295, julgado sobre a forma de recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do CPC, o STJ deixou consignado que "o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, independentemente da forma de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado), é devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos (Lei 8.541/92 e Regulamento do Imposto de Renda vigente à época Decreto 1.041/94)." . Contudo, para que não ocorram confusões na interpretação da referida decisão, importante que se tenha presente que os fatos geradores a que se refere dito recurso acima diziam respeito a período de apuração antes da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, cujo artigo 1º é no sentido de que "a partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. Nas situações em que o contribuinte entrega DCTF constituindo crédito tributário, como no caso concreto, sem considerar na apuração do lucro a totalidade das receitas, ocorrido o fato gerador e inexistindo dolo, fraude ou simulação, iniciase o prazo decadencial para o fisco efetuar o lançamento. Nos casos de empresa tributadas com base no SIMPLES, cujo critério temporal é mensal, a decadência contase de mês a mês. Em se tratando de empresa tributada com base do lucro presumido ou nos casos de lucro arbitrado ou apuração trimestral, o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do trimestre seguinte. No caso concreto, considerando que a notificação do lançamento deuse em 27122010, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em relação do 1º, 2º e 3º trimestres de 2005. V Das alegações adicionais No item VI.b do recurso, a recorrente sustenta que ao contrário da regra referente ao IRPJ, a norma da CSLL não contempla a previsão para a adição na base de cálculo da contribuição da amortização do ágio considerada como indedutível. Desta fora, no seu entender, o artigo 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não possui lastro para justificar a adição da parcela amortizada do ágio na base de cálculo da CSLL e, assim, por consequência, o lançamento é absolutamente inconsistente em decorrência da falta de previsão legal. A regramatriz de exigência da CSLL está contida nos artigos 1º e 2º da Lei nº 7.689, de 1988, "in verbis": Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 28 27 Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda 15 . § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Art. 3o A alíquota da contribuição é de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I – 15% (quinze por cento), no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X do § 1o do art. 1o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001; e (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) II – 9% (nove por cento), no caso das demais pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) 16. Art. 4º São contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. Pelo que se extrai das normas acima transcritas, a regramatriz de exigência tributária da CSLL assim pode ser decomposta: 15 Lei 9.430, de 1996 Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei 16 Lei 9.430, de 1996 .... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720686/201019 Acórdão n.º 1402001.332 S1C4T2 Fl. 29 28 a) Critério pessoal: Sujeito passivo: as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. Sujeito ativo: A União. a) critério material: o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. c) critério temporal: mensal para as empresas do SIMPLES, trimestral para as empresas do lucro presumido e anual para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Nos casos de apuração pelo lucro real trimestral o critério temporal das empresas tributadas com base no lucro real também será trimestral. c) critério espacial: O território brasileiro. Pelo que se extrai das considerações acima, a CSLL é tributo que incide sobre o lucro. Assim, no momento em que se glosa a despesa correspondente ao ágio, por entender que esta não se concretizou, temse, por consequência, alteração do valor do resultado do exercício sobre o qual deve recair a exigência da CSLL. CONCLUSÃO ISSO POSTO, voto no sentido rejeitar a preliminar de nulidade, acolher a decadência em relação aos fatos geradores do 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar a multa qualificada, reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000408/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IRPF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OMISSÃO RECONHECIDA.
CÁLCULO DO IMPOSTO.
Deve ser considerado, para fins de apuração do saldo do imposto a pagar em decorrência de lançamento de ofício, o valor apurado e pago pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, o qual deverá ser devidamente deduzido do saldo apurado após a revisão de ofício da DIRPF.
Numero da decisão: 2102-001.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OMISSÃO RECONHECIDA. CÁLCULO DO IMPOSTO. Deve ser considerado, para fins de apuração do saldo do imposto a pagar em decorrência de lançamento de ofício, o valor apurado e pago pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, o qual deverá ser devidamente deduzido do saldo apurado após a revisão de ofício da DIRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 18/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi De Oliveira, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls 03/05, por meio da qual lhe foi exigido imposto de renda pessoa física relativo ao anocalendário de 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Senado Federal e Secretaria do Estado de Administração e Gestão) Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02, por meio da qual alegou, em síntese, que deixara de ser senador em janeiro de 2003, e, não tendo recebido informe de rendimentos do Senado Federal no Exercício 2004 (documento que obrigatoriamente lhe deveria ter sido enviado), se esquecera de declarar os respectivos rendimentos. Havendo concordado com a referida omissão, efetuou o recolhimento do imposto assim devido. Por outro lado, no que diz respeito à omissão de R$12.696,00 recebidos da Secretaria de Estado de Administração e Gestão, alegou que se tratava da parcela isenta de sua aposentadoria, razão pela qual sobre este montante o IR não deveria incidir. Esta foi, então, a parcela impugnada do lançamento. Na análise de tais alegações, os integrantes da DRJ no Rio de Janeiro consideraram como definitivo o lançamento relativo à omissão de rendimentos pagos pelo Senado Federal (por se tratar de matéria não impugnada) e, quanto à parcela impugnada, decidiram por dar integral provimento à Impugnação, reconhecendo a isenção do imposto sobre os rendimentos considerados omitidos. O contribuinte foi cientificado desta decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 31/33, por meio do qual alega que os cálculos constantes da decisão proferida ela DRJ estão equivocados e devem ser revistos. Segundo ele: Entretanto, como o erro que provocou a intimação para pagamento (doc. 1) foi provocado por imprecisão nos cálculos elaborados pela própria autoridade julgadora de 1ª instância, não restou alternativa ao signatário senão recorrer a esse E. Conselho para sanear o feito. (...) A correta apuração do Imposto Suplementar deve considerar o Saldo de Imposto a Pagar apurado na DIRPF, à semelhança do "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" constante da Notificação de Lançamento (doc. 2). Pleiteou então que fosse revisto o cálculo constante da conclusão da decisão de primeira instância, considerandose a quitação tempestiva do saldo de imposto a pagar apurado em sua DIRPF 2004 – valor que, somado ao imposto pago após a ciência do lançamento, reduziria a zero a exigência fiscal em discussão. Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000408/200785 Acórdão n.º 210201.989 S2C1T2 Fl. 66 3 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 17.12.2010, como atesta o AR de fls. 36. O Recurso Voluntário foi interposto em 27.12.2010 (cf. fls. 50 dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais, por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual se exigiu do Recorrente o IRPF devido em razão de supostas omissões de rendimentos recebidos do Senado Federal e da Secretaria do Estado de Administração e Gestão. As questões relativas ao mérito do lançamento já não estão mais em discussão em sede deste Recurso Voluntário, já que parte da omissão foi reconhecida pelo próprio Recorrente (que pagou o imposto assim devido) e a outra parte foi cancelada pela decisão recorrida, que reconheceu a isenção do imposto sobre a alegada omissão. Por isso, o Recurso Voluntário objetiva somente que seja revisto o cálculo que integra a decisão recorrida, já que um equívoco nele constante está provocando a exigência de um imposto que não seria mais devido. Alega o Recorrente que o saldo do imposto por ele devido seria de R$ 499,47, e não de R$ 2.876,11, como lhe foi exigido através da intimação de fls. 42/43. Melhor explicando, o Recorrente afirma que os cálculos elaborados pela relatora da decisão recorrida deixaram de considerar o valor do imposto apurado (e pago conforme DARF de fls. 44) na Declaração do Exercício 2004, o que implicou, segundo ele, na diferença a seguir demonstrada: Cálculo constante da decisão recorrida: Base de cálculo lançada pela fiscalização 332.654,01 ( ) proventos de aposentadoria isentos 12.696,00 ( = ) BC retificada 319.958,01 Imposto calculado = (BC * 27,5% R$5.076,90) 82.911,55 ( ) Total de imposto pago declarado 78.257,91 ( ) IRRF sobre infração ou carnêleão pago 1.777,53 ( = ) IMPOSTO SUPLEMENTAR DEVIDO 2.876,11 Cálculo correto, segundo o Recorrente: Base de cálculo lançada pela fiscalização 332.654,01 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 ( ) proventos de aposentadoria isentos 12.696,00 ( = ) BC retificada 319.958,01 Imposto calculado = (BC * 27,5% R$5.076,90) 82.911,55 ( ) Total de imposto pago declarado 78.257,91 ( ) IRRF sobre infração ou carnêleão pago 1.777,53 () Saldo do Imposto a Pagar Declarado 2.376,64 ( = ) IMPOSTO SUPLEMENTAR DEVIDO 499,47 Do confronto entre estes cálculos resta claro que a única diferença entre eles é a dedução do valor do “saldo do imposto a pagar declarado”, que foi considerado nos cálculos efetuados pelo Recorrente, mas não o foi nos cálculos utilizados como base para a decisão recorrida. Esta questão, apesar de não se referir ao lançamento propriamente dito, pode e deve ser conhecida e apreciada por este Conselho Administrativo, já que é parte integrante da decisão recorrida e, principalmente, porque o valor do imposto calculado pelas autoridades julgadoras foi exatamente o valor do imposto exigido do Recorrente através da intimação de fls. 42/43. Caso a decisão não seja revista por este Conselho, prevalecerá o cálculo equivocado do imposto devido. Por isso, o recurso merece ser provido. Realmente, a tabela constante às fls. 34 dos autos (e acima reproduzida) deixou de considerar o valor do imposto apurado na DIRPF apresentada pelo Recorrente, imposto este que foi recolhido (cf. DARF de fls. 44) e deve ser deduzido do montante apurado como devido em razão da revisão do lançamento que aqui se examina. Assim, o cálculo correto a ser considerado nestes autos deve ser o seguinte: rendimentos declarados 330.835,58 omissão apurada no lançamento e reconhecida pelo Recorrente 8.280,00 deduções declaradas 19.157,57 base apurada 319.958,01 imposto devido com alterações 82.911,55 total de imposto pago declarado 78.257,91 IRRF sobre rendimentos omitidos 1.777,53 saldo apurado após alterações 2.876,11 saldo a pagar declarado 2.376,64 imposto suplementar 499,47 Vale ressaltar que este valor (saldo de imposto devido no total de R$ 499,47) já foi recolhido pelo Recorrente, como atesta o DARF de fls. 56, o que deve ser observado pela autoridade responsável pela execução do presente julgado. Diante do exposto, e considerando que o pedido do Recorrente versava exclusivamente sobre o equívoco cometido na decisão recorrida quanto ao cálculo do imposto por ele devido, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso para que os cálculos de fls. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000408/200785 Acórdão n.º 210201.989 S2C1T2 Fl. 67 5 34 levem em consideração o valor do imposto pago pelo Recorrente conforme apurado em sua DIRPF 2004, no valor de R$ 2.376,64. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.722718/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a tese de nulidade da decisão recorrida, uma vez comprovada a inexistência dos documentos supostamente anexados aos autos pela contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. A não apresentação da escrituraçã comercial e fiscal por parte da contribuinte, após sucessivas intimações, autoriza o arbitramento dos lucros, segundos os critérios estabelecidos em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE Aplica-se aos lançamenttos decorrentes o mesmo entendimento adotado em relação ao lançamento, posto que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O regime especial de utilização de crédito presumido, tratado no art. 3º da Lei 10.147/00, somente se aplica quando atendidas as condições previstas na aludida lei. Fl. 3527 DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no Lucro Arbitrado sujeitam-se ao regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, não podendo utilizar-se de créditos inerentes ao regime de apuração não- cumulativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A atividade da administração tributária é plenamente vinculada, sendo-lhe proibido afastar a aplicação de norma legal vigente.
JUROS DE MORA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a tese de nulidade da decisão recorrida, uma vez comprovada a inexistência dos documentos supostamente anexados aos autos pela contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. A não apresentação da escrituraçã comercial e fiscal por parte da contribuinte, após sucessivas intimações, autoriza o arbitramento dos lucros, segundos os critérios estabelecidos em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE Aplica-se aos lançamenttos decorrentes o mesmo entendimento adotado em relação ao lançamento, posto que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O regime especial de utilização de crédito presumido, tratado no art. 3º da Lei 10.147/00, somente se aplica quando atendidas as condições previstas na aludida lei. Fl. 3527 DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no Lucro Arbitrado sujeitam-se ao regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, não podendo utilizar-se de créditos inerentes ao regime de apuração não- cumulativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A atividade da administração tributária é plenamente vinculada, sendo-lhe proibido afastar a aplicação de norma legal vigente. JUROS DE MORA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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INOCORRÊNCIA. Afastase a tese de nulidade da decisão recorrida, uma vez comprovada a inexistência dos documentos supostamente anexados aos autos pela contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. A não apresentação da escrituraçã comercial e fiscal por parte da contribuinte, após sucessivas intimações, autoriza o arbitramento dos lucros, segundos os critérios estabelecidos em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase aos lançamenttos decorrentes o mesmo entendimento adotado em relação ao lançamento, posto que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O regime especial de utilização de crédito presumido, tratado no art. 3º da Lei 10.147/00, somente se aplica quando atendidas as condições previstas na aludida lei. Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no Lucro Arbitrado sujeitamse ao regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, não podendo utilizarse de créditos inerentes ao regime de apuração não cumulativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A atividade da administração tributária é plenamente vinculada, sendolhe proibido afastar a aplicação de norma legal vigente. JUROS DE MORA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.528 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 34663473): Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$131.481,63 (cento e trinta e um mil, quatrocentos e oitenta e um reais e sessenta e três centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$55.255,30 (cinquenta e cinco mil, duzentos e cinquenta e cinco reais e trinta centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$140.367,46 (cento e quarenta mil, trezentos e sessenta e sete reais e quarenta e seis centavos), e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$663.149,24 (seiscentos e sessenta e três mil, cento e quarenta e nove reais e vinte e quatro centavos), acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora, consolidando valor total de R$1.429.806,20 (um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil, oitocentos e seis reais e vinte centavos), na data dos lançamentos. De acordo com o descrito no Auto de Infração do IRPJ, foi efetuado o arbitramento do lucro relativo aos quatro trimestres do anocalendário de 2006, com base no art. 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), tendo em vista que a pessoa jurídica, notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme termos de intimação, em anexo, deixou de apresentálos. A base de cálculo para o arbitramento do lucro foram as receitas omitidas provenientes da venda de produtos de fabricação própria, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, anexo aos Autos de Infração, tendo por fundamentação legal os art. 532 e 537 do RIR/1999. No Termo de Verificação Fiscal é feito o relato dos fatos verificados durante a ação fiscal, que culminaram nas autuações em litígio, sintetizado a seguir: – mediante o Termo de Início do Procedimento Fiscal a Contribuinte foi intimada a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais, assim como os esclarecimentos, ali relacionados; – após solicitar e ser concedida prorrogação de prazo, a Contribuinte apresentou: livro Registro de Saídas; livro Registro de Apuração do ICMS; e Relação de produtos e suas correspondentes classificações fiscais TIPI; Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 – a Contribuinte solicitou nova prorrogação de prazo por mais 45 (quarenta e cinco) dias, em virtude da mudança da condição fiscal de Ltda para S/A e da terceirização das atividades contábeis. Foi deferido o prazo de 15 (quinze dias) e a Contribuinte apresentou resposta ao quanto solicitado; – considerando a resposta da Contribuinte, esta foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão, e ainda foi cientificada da possibilidade de arbitramento do lucro, consoante art. 530, II, do RIR/1999; – vencidos os prazos das reintimações e considerando que a Contribuinte não se manifestou, foi intimada a: reescriturar os livros Diário e Razão e justificar as divergências entre os valores escriturados no livro Registro de Saídas e aqueles declarados na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ). Dos valores escriturados no livro Registro de Saídas, apenas aqueles referentes aos códigos CFOP 5.101 (vendas dentro do Estado de produtos industrializados ou produzidos pelo próprio estabelecimento) e 6.101 (vendas para outros Estados de produtos industrializados ou produzidos pelo próprio estabelecimento) foram objeto da intimação, conforme esclarecido ao Contribuinte; – vencido o prazo regulamentar, a Contribuinte se manteve silente; – entre as alegações apresentadas pela Contribuinte, em 24/03/2010, chama a atenção aquela referente à não apresentação dos livros Diário e Razão. Segundo a Contribuinte, tais livros foram entregues à SEFAZ/BA, em atendimento a uma intimação fiscal. Finda a fiscalização estadual, os referidos livros não foram devolvidos. Objetivando reimprimilos para atender à solicitação do Fisco Federal, recorreu ao escritório de contabilidade que, alegando problemas técnicos com o HD que armazenava as informações pretendidas, não pode atendêlo nesse pleito; – esse fato relatado pela Contribuinte não o permite abandonar a escrita contábil/fiscal, motivo pelo qual foi reintimado a apresentar/reescriturar seus livros e como assim não procedeu, sujeitouse ao arbitramento do lucro; – o Lucro Arbitrado foi determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta conhecida, dos percentuais de presunção do lucro fixados para o Lucro Presumido acrescidos de 20% (vinte por cento), conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995; – a receita bruta conhecida corresponde ao valor das vendas escrituradas no Livro Registro de Saídas; – cálculo do IRPJ: a) determinação do lucro arbitrado: 9,6% (coeficiente do lucro presumido para venda de produtos de fabricação própria (8%), conforme art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, acrescido de 20%), sobre a receita bruta conhecida; Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.529 5 b) IRPJ devido: 15% sobre o lucro arbitrado apurado no trimestre; c) adicional IRPJ: 10% sobre a parcela do lucro arbitrado excedente ao valor de R$60.000,00; – cálculo da CSLL a) determinação da base de cálculo: 12% sobre a receita bruta conhecida; b) CSLL devida: 9% sobre a base de cálculo; – cálculo do PIS: a) PIS devido: 2,1% sobre a receita bruta conhecida; – cálculo da Cofins: a) Cofins devida: 9,9% sobre a receita bruta conhecida – no que se refere às alíquotas do PIS e da Cofins aplicadas aos produtos fabricados pela Contribuinte, cabem as seguintes considerações: 1. de acordo com o art. 2º do estatuto, a companhia tem por objeto social, entre outros, a “fabricação de medicamentos e produtos farmacêuticos”; 2. o art. 1º, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 10.147/2002 estabelece as alíquotas do PIS (2,1%) e da Cofins (9,9%) devidas pelas pessoas jurídicas que procedem à industrialização ou à importação de produtos farmacêuticos classificados nas posições TIPI que especifica; 3. dos produtos fabricados pela Contribuinte, conforme relação por ele fornecida, apenas o produto “LAXENOL” (27.101.991) não se encontra abarcado pelas classificações TIPI constantes dos art. 1º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.147/2002; 4. a Contribuinte, intimada a apresentar as notas fiscais de venda que contemplassem o referido produto, bem assim a correspondente parcela de receita de vendas, mantevese silente; 5. em face da impossibilidade de, nessa situação, apurar especificamente a receita decorrente da venda do produto “LAXENOL”, concluiuse, então, com base no art. 24, § 4º, da Lei nº 9.249, de 1995, pela aplicação das alíquotas fixadas pelo art. 1º, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 10.147, de 2002, à totalidade das receitas auferidas pela Contribuinte. Foram ainda apresentadas planilhas com o demonstrativo do crédito tributário lançado relativo a cada tributo, como também foi informada a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme processo administrativo nº 10530.722720/201075. Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 A Contribuinte, por seu procurador, devidamente constituído (Instrumento de Mandato à fl. 264), apresentou impugnação aos lançamentos sob os seguintes argumentos: Preliminares de Mérito Da Dilação do Prazo para juntada de Documentos – o Auto de Infração encontrase cercado de incongruências procedimentais, com violação expressa a dispositivos do PAF e aos princípios do contraditório e da ampla defesa, o que veio a dificultar o discernimento necessário acerca da clareza das acusações propaladas contra si, para que pudesse exercitar com clareza o seu direito de defesa e pudesse produzir provas, perante este colegiado, necessárias a consubstanciar o imperioso decreto de nulidade/improcedência do auto de infração guerreado; – a autuada deixou de apresentar uma parte de sua documentação fiscal em razão de estar retida junto à Secretaria da Fazenda Estadual, o que, oportunamente, foi comprovado; – a autuada contou ainda com problemas na recuperação de sua escrita perante a contabilidade, por questões alheias à sua vontade, inclusive em decorrência do furto de parcela de suas notas fiscais de saída, devidamente comprovado por boletim de ocorrência policial; – assim sendo, se a autuada deixou de apresentar alguma documentação foi por real impossibilidade de fazêlo naquele determinado momento procedimental, podendo vir a qualquer tempo a cumprir a exigência que de modo algum impediria (como de fato não impediu) o processo fiscalizatório por parte do autuante; – a hipótese dos autos demonstra claramente que é caso de impossibilidade justificada de apresentação de toda a documentação comprobatória, não podendo a autuada responder pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, nos termos do art. 393 do Código Civil em vigor (transcrito); – dessa forma, pugna pela concessão de abertura de prazo para que a autuada tenha a possibilidade de trazer aos autos elementos complementares que cheguem às mãos deste colegiado no decorrer do PAF, necessários à apuração da verdade real que o caso requer; Da Denúncia Espontânea – a ação fiscal durou aproximadamente 270 (duzentos e setenta) dias, ferindo o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972 (transcrito), ou seja, ultrapassado o prazo de 60 (sessenta) dias sem a exteriorização da prática de ato indicando o prosseguimento dos trabalhos, o que resta claro nos presentes autos, volta o contribuinte automaticamente a ser espontâneo em eventual denúncia que venha a formular em relação aos tributos objeto do auto de infração. Assim, na pior das hipóteses, acaso mantida a autuação, o que se entende remoto, deverá ser Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.530 7 considerada como se a denúncia espontânea houvesse sido feita, afastando da presente autuação multa, correção e acréscimos moratórios, nas formas da lei. Mérito Do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – o autuante interpretou a situação como necessária ao arbitramento dos lucros, o que não condiz com a realidade do caso, muito menos com o próprio entendimento manifestado nos autos. – – a aplicação do arbitramento somente é cabível em casos extremos em que não se permitiu à autoridade fiscalizatória apurar o quantum debeatur e mediante processo administrativo regular de arbitramento, em que o contribuinte poderá exercitar os direitos ao contraditório e à ampla defesa, como determina o art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN) – transcrito; – o art. 148 do CTN determina que somente é permitido o arbitramento quando os dados apresentados não mereçam fé ou sejam omissos, mediante as condições ali constantes, o que não se verifica nos autos, em que o próprio autuante reconhece a idoneidade do livro apresentado, hábil à apuração do seu pretenso crédito (cita lição da professora Maria Rita Ferragut sobre a inconstitucionalidade da utilização das ficções jurídicas em Direito Tributário); – conclui que, como a situação da autuação não passa de mera ficção jurídica, já que não há sequer resquício de lastreamento jurídico para sua pretensão, é caso, portanto, de afastamento do arbitramento, que implica em prejuízo para a autuada, já que reflete na majoração da alíquota para determinação do lucro presumido, devendo a referida alíquota ser reduzida de 9,6% para 8%; – o autuante ainda deixou de considerar em seu levantamento as deduções de vendas canceladas que implicam no valor de R$124.138,48 (cento e vinte e quatro mil, cento e trinta e oito reais e quarenta e oito centavos), conforme cálculos apresentados em anexo, acompanhado da totalidade das notas fiscais de entrada correspondentes ao período fiscalizado; – o autuante deixou de deduzir os créditos a que a autuada faz jus, relativos a pagamentos efetivados no período fiscalizado, em especial, relativos aos parcelamentos de débito, e que lhe foram oportunamente entregues no decorrer do processo fiscalizatório, totalizando R$18.897,34 (dezoito mil, oitocentos e noventa e sete reais e trinta e quatro centavos), conforme comprovam os DARF em anexo; Da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 – o autuante ainda deixou de considerar em seu levantamento as deduções de vendas canceladas que implicam no valor de R$124.138,48 (cento e vinte e quatro mil, cento e trinta e oito reais e quarenta e oito centavos), conforme cálculos apresentados em anexo, acompanhado da totalidade das notas fiscais de entrada correspondentes ao período fiscalizado; – o autuante deixou de deduzir os créditos a que a autuada faz jus, relativos a pagamentos efetivados no período fiscalizado, em especial, relativos aos parcelamentos de débito, e que lhe foram oportunamente entregues no decorrer do processo fiscalizatório, totalizando R$20.566,02 (vinte e dois mil, quinhentos e sessenta e seis reais e dois centavos), conforme comprovam os DARF em anexo; Da Contribuição para o Programa de Integração Social –PIS – a exemplo das situações anteriores não foram consideradas as já mencionadas vendas canceladas, e créditos relativos aos parcelamentos de débito, totalizando estes R$1.720,09 (um mil, setecentos e vinte reais e nove centavos), conforme comprovam os DARF em anexo; – aqui a situação se agrava pelo fato de o autuante ter desconsiderado completamente a lista positiva dos produtos fabricados pela autuada, o que onera sobremaneira a autuação. Segue em anexo a relação completa dos produtos que deveriam desonerar a base de cálculo do PIS e que não foram levados em consideração quando do levantamento fiscal; – as notas fiscais de saída em anexo comprovam cabalmente o quanto alegado, gerando uma redução na base de cálculo na ordem de R$479.797,12 (quatrocentos e setenta e nove mil, setecentos e noventa e sete reais e doze centavos); – as notas fiscais juntadas com a presente defesa foram o remanescente das notas fiscais que foram roubadas por ocasião do Boletim de Ocorrência nº 0442008010753, o que implica em dizer que o valor acima descrito certamente não corresponde sequer a 1/3 (um terço) do valor total que a autuada teria direito de redução em sua base de cálculo, mas que está deixando de creditarse em razão de fato completamente alheio à sua vontade; Da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins – igualmente às situações anteriores, não foram consideradas as já mencionadas vendas canceladas, e créditos relativos aos parcelamentos de débito, totalizando estes R$7.938,90 (sete mil, novecentos e trinta e oito reais e noventa centavos), conforme comprovam os DARF em anexo. Em seguida, a Contribuinte repete os demais argumentos oferecidos contra o lançamento do PIS, já expostos. Da Indevida Desconsideração da Lista Positiva Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.531 9 – o Decreto nº 3803, de 24 de abril de 2001, e suas sucessivas alterações, em especial os Decretos nº 5.447, de 20 de maio de 2005; 6.066, de 21 de março de 2007 e 6.426, de 7 de abril de 2008, dispõem sobre o crédito presumido do PIS e da Cofins, trazendo em seus anexos as listas dos medicamentos sujeitos ao referido tratamento; – em que pese o auditor ter conhecimento de que diversos itens produzidos pela autuada enquadramse nos supracitados dispositivos normativos, desconsiderouos deliberadamente, tolhendolhe sumariamente o direito de crédito; – seguem em anexo os documentos que puderam ser levantados pela autuada (devido ao roubo no interior de um veículo, como prova o BO já mencionado) e que comprovam a presente situação, geratriz de nulidade do próprio auto de infração, em razão da relevância dos valores que foram desconsiderados pelo autuante; – oportuno frisar que o produto LAXENOL mencionado pelo autuante não se encontrava em produção no período objeto dos autos (2006), conforme comprova farta documentação em anexo; Erro de Levantamento pelo Auditor Autuante – o Autuante deixou de considerar créditos de pagamentos efetivados no valor histórico total de R$41.556,24, fazendo incidir ainda sobre dito valor, juros, multa de 75% e demais acréscimos, o que se afigura inaceitável à luz do ordenamento jurídico vigente; Do Efeito Confiscatório da Multa e dos Juros de Mora – quando a Constituição Federal de 1988 veda o emprego do confisco tributário (art. 150, IV), na realidade ela está impedindo que todo e qualquer ente político, com poder de imposição fiscal emanado da mesma Carta, venha a cobrar: tributo, contribuições ou penalidades (multas), que tenham nítido e ostensivo caráter confiscatório; – no caso presente, o caráter confiscatório é facilmente vislumbrado quando o preposto fiscal imputa à autuada multa de 75% sobre o valor total do débito, perfazendo um valor total exorbitante que, hoje, nada condiz com a realidade econômica brasileira, propiciando enriquecimento ilícito, fato que o Direito abomina e repudia (cita jurisprudência judicial e doutrina) Da Inaplicabilidade da Multa Moratória – discorre sobre a discussão doutrinária acerca da natureza jurídica da multa aplicada por falta, insuficiência ou intempestividade no pagamento do tributo, inclusive com transcrições de trechos doutrinários e conclui não restar dúvida quanto à natureza sancionatória, punitiva, nãoindenizatória da multa moratória que é imposta pelo Fisco Federal, configurando Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 mais uma vez o confisco do patrimônio do contribuinte de um lado e do outro o enriquecimento ilícito do erário Federal; – assim, diante de todo o exposto e das demais provas documentais que serão oportunamente carreadas aos autos, deve ser julgado improcedente o presente auto de infração; Dos Pedidos – diante do exposto, requer seja o Auto de Infração julgado nulo/arquivado, ou, caso sejam ultrapassadas as preliminares suscitadas, que, no mérito, seja julgado totalmente improcedente, ou ainda que, na pior das hipóteses, seja procedida a redução do quantun debeatur, bem como dos juros, acréscimos e multa aplicada, nos exatos termos como pugnado no bojo da presente defesa; – pretende provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos para serem produzidos durante a instrução, indicados, de logo, a juntada posterior de documentos, inclusive em contraprova, pericial, testemunhal, tudo, exvi do inciso LV do art. 5º da Constituição Federal de 1988. A 2ª Turma da DRJ Salvador, por unanimidade, rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão 15 25.626, que foi assim ementado (fls. 34643465): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando este for efetuado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Provas documentais quando apresentadas a destempo somente serão conhecidas caso o impugnante comprove um dos motivos ensejadores das exceções descritas no PAF. ESPONTANEIDADE READQUIRIDA. NÃO OCORRÊNCIA. O Contribuinte somente readquire a espontaneidade quando escoa o prazo de 60 dias previsto no Processo Administrativo Fiscal, sem que outro ato escrito indique o prosseguimento dos trabalhos e, em cumprimento de intimação anterior, satisfaz a obrigação, o que não ocorreu no caso concreto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.532 11 O fato de a pessoa jurídica, sucessivamente intimada, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, no que couber, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. PIS E COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS. CRÉDITO PRESUMIDO. O regime especial de utilização do crédito presumido de que trata o caput do art. 3º, da Lei nº 10.147, de 2000, somente é permitido quando atendidas as condições estabelecidas na Lei e, no presente caso, não constam dos autos elementos suficientes para a verificação do cumprimento destas condições. PIS E COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS. REGIME CUMULATIVO. Pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no Lucro Arbitrado sujeitamse ao regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, não podendo utilizarse de créditos inerentes ao regime de apuração nãocumulativa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR RELATIVO A INDÉBITO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. O indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF, ou confessado em parcelamento, não deverá ser considerado para efeito de aproveitamento/utilização na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de ofício em sua totalidade. MULTA DE OFÍCIO. VALORES ESPONTANEAMENTE RECOLHIDOS. Comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, o Órgão Julgador poderá exonerálo da multa de ofício, quando o pagamento houver sido tempestivo. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 A atividade da administração tributária é plenamente vinculada, sendolhe proibido afastar a aplicação de norma legal vigente. Estando a multa aplicada prevista em Lei, não cabe a discussão quanto à sua constitucionalidade, tarefa reservada ao Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do Acórdão em 18/05/2011 (fls. 3489), a contribuinte, em 17/06/2011, interpôs recurso voluntário, fls. 34903519, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. As únicas alegações inovadoras dizem respeito à: a) desistência parcial do recurso, para fins de aproveitamento dos benefícios do REFIS de que trata a Lei 11.941/2009. O valor que a acontribuinte entendeu devido foi de R$ 842.703,60, referentes a IRPJ, CSL, PIS e Cofins, conforme tabela de fls. 3492, abaixo reproduzida: b) substituiu as preliminares de nulidade do lançamento pela preliminar de nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de direito de fesa, tendo em vista a ausência de análise dos documentos juntados com a impugnação, relativos às vendas canceladas. É o relatório. Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.533 13 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar Nulidade da decisão recorrida Em relação a este tema, a Recorrente considerou caracterizado o cerceamento do seu direito de fesa, tendo em vista a ausência de análise dos documentos juntados com a impugnação, relativos às vendas canceladas. Não assiste razão à Recorrente. De fato, em sua peça recursal, a contribuinte fez referência ao protocolo dos anexos da impugnação, onde consta a expressão “Cópias Autenticadas de Notas Fiscais de Entradas Período Janeiro a Dezembro de 2006”. No entanto, compulsando detalhadamente os autos, efetivamente não logrei localizar as citadas notas fiscais de entrada, capazes de comprovar as vendas supostamente canceladas. Ao meu ver, o simples fato de constar a expressão “Cópias Autenticadas de Notas Fiscais de Entradas Período Janeiro a Dezembro de 2006” no protocolo dos anexos da impugnação não constitui prova categórica da sua efetiva entrega à repartição competente da Receita Federal do Brasil. Afinal, a contribuinte sequer indicou as folhas dos autos onde poderiam ser encontrados os citados documentos. Os mais comezinhos princípios de segurança jurídica recomendavam que, no ato de apresentação de centenas de documentos, os mesmos deveriam ser sequencialmente numerados, de forma a facilitar sua identificação, tanto por parte do próprio contribuinte como por parte da autoridade administrativa e/ou judiciária. No caso em apreço, a contribuinte, por meio de seu procurador, limitouse a apresentar uma relação genérica de documentos, sem numerálos. Tal fato causa grande estranheza, morente pelo fato de a contribuinte ter sido representada por experientes advogados, que certamente conhecem e provavelmente adotam esta consagrada praxe processual. Por fim, cumpre destacar que, na fase recursal, a contribuinte, por meio de seus bastante procuradores, se absteve de apresentar uma segunda cópia dos documentos supostamente anexados à impugnação. Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 Não haveria qualquer dificuldade para isso, posto que na fase impugnatória supostamente teriam sido apresentadas meras cópias autenticadas das aludidas notas fiscais de entrada. Consequentemente, as vias originais supostamente permaneceram em poder da recorrente, que poderia, facilmente, ter providenciado novas cópias para anexálas ao seu recurso voluntário. Diante da comprovada ausência destes documentos nos autos, merece ser rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito Reaquisição da espontaneidade Segundo a Recorrente, ultrapassado o prazo de 60 (sessenta) dias sem a exteriorização da prática de ato indicando o prosseguimento dos trabalhos, a contribuinte resadquire a espontaneidade. Por esta razão, requereu o afastamento da multa, correção e acréscimos moratórios, nas formas da lei. Sobre o tema, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. Ao apreciar esta alegação, assim se manifestou o Acórdão recorrido, fls. 34753476 (grifado): É certo que, de acordo com o Art. 7º, § 1º, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas e que o § 2º, do referido dispositivo legal, condiciona o prazo de validade do ato inicial da ação fiscal a 60 dias, prorrogável por igual período, sucessivamente, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. [...] Analisando os autos, especialmente os Termos lavrados pela Autoridade Fiscal, verificase que os prazos entre eles nunca ultrapassaram ao prazo de 60 (sessenta) dias, o que significa dizer que, em nenhum momento, desde o início do procedimento fiscal, em 22/09/2009, até o seu encerramento, em 23/06/2010, a Contribuinte readquiriu a espontaneidade. Compulsando os autos, constato que esta análise é rigorosamente correta, tanto do ponto de vista dos fatos quant do direito aplicável. Por esta razão, considero que em relação a este tema o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. IRPJ Arbitramento do lucro A Recorrente argumentou que a documentação fiscal apresentada ao autuante, em especial o Livro Registro de Saídas, era hábil à apuração da base de cálculo real do IRPJ. Existindo documentação hábil e idônea, não haveria que se falar em arbitramento, que no seu entender constitui figura de uso restrito, baseada em mera ficção jurídica. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão recorrida, fls. 34773478, grifado: Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.534 15 Da leitura dos dispositivos legais transcritos, verificase que as pessoas jurídicas que, a exemplo da Contribuinte, optarem pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido são obrigadas a manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, o que implica na manutenção dos livros comerciais Diário e Razão, não se aplicando tal obrigatoriedade somente para a pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). A consequência da não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, na hipótese de empresa optante pela tributação com base no Lucro Presumido é o cálculo do lucro tributável por arbitramento, por textual determinação legal contida no art. 530, inciso III do RIR/1999. Salientese estarem perfeitamente demonstrados nos autos os esforços envidados pela Autoridade Fiscal para que a Contribuinte apresentasse a sua escrituração contábil, concedendolhe várias prorrogações de prazo, inclusive, para reescriturar os seus livros contábeis e ainda descreveu com bastante clareza a obrigatoriedade da apresentação dos livros contábeis requeridos e as implicações, perante a legislação tributária, da não apresentação destes livros, citando os dispositivos legais de regência. A ausência dos livros contábeis Diário e Razão, ou do Livro Caixa, contendo a movimentação financeira, inclusive bancária, na forma prescrita na Lei, inviabiliza a tributação com base no Lucro Presumido, pois não permite a devida verificação do fluxo de recursos na pessoa jurídica. Mais ainda, do Lucro Real, cuja apuração exige operações ainda mais elaboradas: requer ajustes, deduções e compensações prescritas por lei. Ao contrário do entendimento expresso pela Impugnante, os livros Registro de Saídas, assim como o Livro de Apuração do ICMS, não suprem a falta dos livros contábeis Diário e Razão ou do Livro Caixa, uma vez que não contêm o registro dos recebimentos e pagamentos de forma refletir toda a movimentação financeira da pessoa jurídica. Revelase inepta a referência feita pela Recorrente ao art. 148 do CTN, pelos motivos bem apontados pelo acórdão recorrido, fls. 34783479: Não tem pertinência com a presente autuação a disposição contida no artigo 148 do CTN, citado na impugnação e transcrito a seguir, pois no caso concreto o arbitramento do lucro foi efetuado com base na Receita Bruta Conhecida, levantada a partir dos valores das saídas por vendas, registrados no livro Registro de Saídas, escriturado e apresentado pela própria impugnante: Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim sendo, é forçoso reconhecer a integral correção do entendimento unânime adotado pelo colegiado julgador a quo, no tocante à correção do procedimento de arbitramento dos lucros. IRPJ Dedução das vendas canceladas A Recorrente, repetindo o que fizera na fase impugnatória, alegou que as autoridades autuantes deixaram de deduzir da base de cálculo do arbitramento o valor das vendas canceladas, no alegado montante de R$124.138,48 (cento e vinte e quatro mil, cento e trinta e oito reais e quarenta e oito centavos). Tal questão já foi devidamente tratada por ocasião da análise da preliminar de nulidade arguida pela Recorrente. Na realidade, não constam ds autos qualquer elemento de prova capaz de demonstrar a efetiva ocorrência das alegadas devoluções de vendas. Consequentemente, também em relação a este tema, merece ser mantida a decisão recorrida. IRPJ – Dedução de créditos relativos a pagamentos efetivados durante o período fiscalizado No que tange a este tema, a contribuinte, ora Recorrente, sustentou que teria direito à dedução do montante equivalente a totalizando R$18.897,34 (dezoito mil, oitocentos e noventa e sete reais e trinta e quatro centavos), conforme comprovam os DARF anexados aos autos. O colegiado julgador a quo acolheu parcialmente a pretensão da contribuinte, conforme se verifica por meio da leitura do seguinte trecho da decisão recorrida, fls. 3479 3480: Considerando que os valores incluídos no parcelamento constituem confissão de dívida e que, relativamente ao 3º e 4º trimestres de 2006, tais valores são superiores aos confessados em DCTF, já deduzidos no Auto de Infração, resta afastar a tributação sobre as quantias correspondentes à diferença entre os valores confessados no parcelamento e aqueles confessados em DCTF, nos citados períodos de apuração, correspondentes a R$1.122,64 (3º trimestre) e R$1.411,96 (4º trimestre). Ainda referente aos 3º e 4º trimestres, observase que, além dos montantes de R$8.848,56 e R$10.048,78, respectivamente, confessados no parcelamento, também foram efetuados os pagamentos nos montantes de R$2.958,04 e R$2.499,14. Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.535 17 Já existe o entendimento consolidado nesta Secretaria da Receita Federal do Brasil de que o indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF, DIRPJ ou declaração de ITR não deve ser considerado para efeito de aproveitamento/utilização na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de ofício em sua totalidade, conforme Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 30 de abril de 2007, cuja ementa é reproduzida a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Lançamento de ofício. Apuração de tributo devido com dedução de valor relativo a indébito do contribuinte. O indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF, DIRPF ou declaração de ITR, não deverá ser considerado para efeito de aproveitamento/utilização na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de ofício em sua totalidade. Comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento poderá exonerálo da multa de ofício, quando o pagamento houver sido tempestivo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006; Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 6, de 30 de setembro de 1999. Dessa forma, tais parcelas não podem ser aproveitadas na apuração do tributo devido, devendo ser mantida a constituição do respectivo crédito de ofício. Todavia os referidos recolhimentos devem ser alocados ao lançamento e, ainda em conformidade com o entendimento exposto na citada SCI Cosit nº 8, de 2007, deve ser exonerada a multa de ofício proporcional aos citados valores espontaneamente recolhidos. Diante do exposto, o lançamento do IRPJ, deve ser parcialmente mantido, em virtude da dedução das quantias de R$1.122,64, no 3º trimestre, e R$1.411,96, no 4º trimestre, além da exoneração da multa de ofício sobre as parcelas de R$ R$2.958,04, no 3º trimestre, e R$2.499,14, no 4º trimestre. Compulsando os autos, novamente concluo que foi integralmente correta, sob o ponto de vista fático e jurídico, a decisão prolatada pela DRJ Salvador. Assim sendo, por seus próprios e jurídicos fundamentos, também em relação a este tema o acórdão recorrido merece ser integralmente mantido. CSLL Em relação à CSLL, as razões de recurso são inteiramente similares às alegações referentes ao IRPJ. Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 Basicamente, a contribuinte alegou que: a) deixaram de ser consideradas as deduções de vendas canceladas, no valor de R$124.138,48 (cento e vinte e quatro mil, cento e trinta e oito reais e quarenta e oito centavos); b) os autuantes deixaram de deduzir os créditos a que a autuada faz jus, relativos a pagamentos efetivados no período fiscalizado, em especial, relativos aos parcelamentos de débito, e que lhe foram oportunamente entregues no decorrer do processo fiscalizatório, totalizando R$20.566,02. Em relação às vendas supostamente canceladas, efetivamente não consta dos autos qualquer elemento de prova capaz de demonstrar a efetiva ocorrência das alegadas devoluções de vendas. Tal fato já foi exaustivamente analisado, por ocasião da análise do lançamento referente ao IRPJ. No tocante aos pagamentos efetuados, ao contrário do que ocorreu em relação ao lançamento de IRPJ, não há qualquer valor a ser excluído do presente lançamento, conforme bem evidenciado pela decisão recorrida, fls. 38413842: [...] no Auto de Infração foram deduzidos, relativamente aos 1º e 2º trimestres, os valores confessados em DCTF Ativa, e já quitados espontaneamente, e referente aos 3º e 4º trimestres, os valores considerados no Auto de Infração são superiores àqueles confessados em DCTF Ativa e parcelados, e correspondem exatamente ao somatório destes débitos confessados e parcelados com os recolhimentos feitos por meio dos mencionados DARF. Desta forma, não há qualquer valor a ser deduzido do lançamento relativo à CSLL, o qual deve ser integralmente mantido. Nestes termos, considero que em relação à CSLL, o acórdão recorrido merece ser integralmente mantido. PIS e Cofins Em relação ao PIS e à COFINS, a Recorrente apresentou três diferentes argumentos de defesa: a) deixaram de ser consideradas as deduções de vendas canceladas, no valor de R$124.138,48 (cento e vinte e quatro mil, cento e trinta e oito reais e quarenta e oito centavos); b) os autuantes deixaram de deduzir os créditos a que a autuada faz jus, relativos a pagamentos efetivados no período fiscalizado, em especial, relativos aos parcelamentos de débito; c) as autoridades autuantes desconsideraram a lista positiva dos produtos fabricados pela autuada, que deveriam desonerar as bases de cálculo destas contribuições, mas que não foram levadas em consideração quando do levantamento fiscal. No tocante às duas primeiras alegações (vendas e canceladas e dedução de pagamentos efetivados), as mesmas já foram devidamente analisadas e refutadas no corpo do presente voto, quando da análise dos lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL. Em relação a tais alegações, pelas mesmas razões anteriormente expostas, considero que: a) não há prova nos autos acerca das alegadas devoluções de vendas; b) nos autos de infração em apreço já foram devidamente deduzidos os valores confessados em DCTF ativa e espontaneamente quitados e/ou parcelados. No tocante à alegada lista positiva de produtos fabricados pela autuada, adoo e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 34843485: [...] o caput do art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000, estabelece que será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às Fl. 3544DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10530.722718/201004 Acórdão n.º 140100.741 S1C4T1 Fl. 3.536 19 pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos ali enquadrados e nas condições impostas pelos incisos I ou II do mesmo artigo. O § 1o do mesmo art. 3º acrescenta que o crédito presumido a ser deduzido do montante devido a título de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial, será determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea “a” do inciso I do art. 1o da mesma Lei, sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos sujeitos a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo. Por sua vez, o § 2º torna exigível para o gozo do crédito presumido que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1º, industrializados ou importados pela pessoa jurídica. É vedada (conforme § 3º) qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido do regime especial de medicamentos, bem como sua restituição. Os dispositivos transcritos anteriormente não deixam dúvida de que o regime especial de utilização do crédito presumido de que trata o caput do art. 3º, somente é permitido quando atendidas as condições estabelecidas na Lei. No presente caso, não é possível atender ao pleito da Contribuinte, tendo em vista que não constam dos autos elementos suficientes para a verificação do cumprimento das condições necessárias à fruição do crédito presumido em comento. Com relação aos créditos inerentes ao regime de apuração não cumulativa, a Contribuinte também não pode se utilizar de tais créditos, tendo em vista estar submetida à tributação com base no Lucro Arbitrado. Dessa forma, reputase correta a apuração do PIS e da Cofins, pelo regime cumulativo, mediante a aplicação das alíquotas de 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento) sobre a receita bruta auferida pela Contribuinte. Pelas razões acima expostas, considero que também em relação ao PIS e à Cofins o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Multa de ofício e juros de mora A Recorrente questionou a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, por considerála de caráter confiscatório. Conforme bem apontado pelo acórdão recorrido, a aplicação da multa de ofício de 75% encontra expressa previsão legal (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96), conforme mencionado nos autos de infração. Fl. 3545DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 20 Foge à competência da autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no nosso ordenamento jurídico por se tratar de prerrogativa constitucional reservada ao Poder Judiciário. Tal matéria já foi sumulada por este colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Consequentemente, julgo que deve ser mantida a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%. No tocante aos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, esclareço que sua exigência se baseia no art. 161 do CTN e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, inexistindo previsão legal para a sua redução. Sobre o tema, também foi editada súmula por este colegiado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3546DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 2/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 11080.008703/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO RETIDO NA FONTE – GLOSA INDEVIDA Não pode ser mantida a glosa do imposto retido na fonte uma vez que ficou comprovado nos autos a retenção e/ou recolhimento do imposto de renda.
Numero da decisão: 2202-002.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em da provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em da provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11080.008703/200734 Acórdão n.º 220202.005 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.120,45 (cod. 2904) e imposto a pagar no valor de R$ 3.130,07 (cód. 0211) relativos ao exercício de 2005, ern decorrência de omissão de rendimentos e glosa do impostoretido na fonte tendo em vista os valores informados em DIRF para o CPF do interessado.A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. 0 crédito tributário é de R$ 9.252,04. Inconformado com a exigência, o contribuinte, através de seu procurador (11.2) apresenta impugnação (11.1) esclarecendo que não houve a omissão de rendimentos apontada na notificação, pois os rendimentos oriundos da ação judicial do Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS foram por ele informados na declaração de ajuste anual, porém, não constou a Caixa Econômica Federal como fonte pagadora. Esclarece que do total de R$ 16.336,50 recebidos foram descontados os honorários advocaticios pagos conforme documentos em anexo. Quanto a glosa do imposto retido na fonte de R$ 3.267,30 nada menciona. Junta os documentos de fls. 3/9. Requer a tramitação prioritária do presente processo com base no Estatuto do Idoso. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência parcial do lançamento através do acórdão DRJ/POA n° 1022.949, de 02 de dezembro de 2009, cuja ementa está abaixo transcrita; Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Excluído o montante lançado em processo de revisão, tendo em vista a constatação de que o contribuinte ofereceu a tributação os rendimentos oriundos de ação judicial. IMPOSTO RETIDO NA FONTE Mantida a glosa do imposto retido na fonte uma vez que não ficou comprovado nos autos a retenção e/ou recolhimento aos cofres da Unido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Devidamente cientificado dessa decisão em 07 de janeiro de 2010 (fls. 46) , ingressou o contribuinte com recurso voluntário em 28 de janeiro de 2010 (fls. 47), onde ratifica os argumentos apresentados na impugnação e traz documentos de fls.56 a 80 . Este é o relatório Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11080.008703/200734 Acórdão n.º 220202.005 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. A matéria que restou a ser apreciada por esse colegiado, versa sobre a glosa do IRFonte no valor de R$ 6.195,42, que teria sido retido pela fonte pagadora Hotéis Itapuã, CNPJ 92.694.546/000106. O Recorrente não havia apresentado nenhum comprovante quando protocolou a impugnação, fazendoo agora em sede de recurso de fls. 56 a 80. Podemos verificar que há comprovação da retenção e recolhimento do imposto, conforme documento de fls. 57. Desta forma, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reestabelecer o IRFonte no valor de R$ 6.195,42. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 13603.901702/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO NT. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO.
O chamado crédito presumido de IPI, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação NT na TIPI.
Numero da decisão: 3403-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Marcos Tranchesi Ortiz - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO NT. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO. O chamado crédito presumido de IPI, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação NT na TIPI.
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RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO “NT”. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação “NT” na TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Marcos Tranchesi Ortiz Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 17 02 /2 00 8- 21 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 9 a 2011, buscando compensar saldo credor de IPI (R$ 699.130,46) apurado no 1o trimestre de 2004. Na composição do saldo credor, há créditos básicos e crédito presumido de IPI (fls. 14, 19 e 131). Por meio do Termo de Verificação Fiscal de fls. 262 a 270, concluise que: (a) a empresa adquire lacres para manter invioláveis os tambores que acondicionam seus produtos, que não podem ser considerados como material de embalagem, glosandose o crédito correspondente (R$ 98,80); e (b) no que se refere ao crédito presumido, parte dos produtos exportados (óleos lubrificantes) eram NT (nãotributados), devendo ser excluídos do cômputo, ocasionando glosas de R$ 35.870,97 e R$ 15.385,31. A autoridade local da RFB acata o Termo de Verificação Fiscal e indefere parcialmente o pleito (fls. 221), reconhecendo direito creditório de R$ 647.775,38. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 203 a 219), a empresa não questiona a glosa referente aos lacres, informando que efetuaria o correspondente pagamento, mas solicita reconhecimento total do crédito presumido, pois o art. 1o da Lei no 9.363/1996 não exige que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI. Em 18/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 330 a 377), analisa se exclusivamente a questão do crédito presumido (tendo a empresa pago o imposto relativo à matéria não contestada, referente à aquisição de lacres), acordandose: (a) pela falta de amparo legal para o reconhecimento do crédito de IPI para produtos exportados classificados na TIPI como “NT”; e (b) pelo reconhecimento de crédito presumido no valor de R$ 3.843,34, referente a créditos acumulados no quarto trimestre de 2003, segundo dados apurados pela fiscalização (demonstrativo de fl. 318), reduzindose a glosa a R$ 32.027,63. Cientificada da decisão em 2/5/2011 (fl. 340), a empresa apresenta recurso voluntário em 30/5/2011 (fls. 341 a 351), no qual argumenta que: (a) o objetivo do benefício estabelecido pela Lei no 9.363/1996, que tem origem na Medida Provisória no 948/1995, é desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, não exigindo a lei que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI, mas apenas que sejam mercadorias nacionais destinadas a exportação; (b) o ressarcimento é de “PIS” e COFINS e o mecanismo para tal ressarcimento é o crédito presumido de IPI, sendo irrelevante o fato de o produto exportado ser classificado como “NT” na TIPI; e (c) a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 377 3 Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário restringese à oposição à glosa do crédito presumido pela autoridade fiscal, em virtude da exclusão das exportações de produtos “NT” da apuração do benefício. O crédito presumido em comento é estabelecido na Lei no 9.363/19962, que dispõe, nos arts. 1o, 2o, 3o e 6o que: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art.3o (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art.6oO Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais 2 A Lei no 10.276/2001 estabelece forma alternativa de creditamento, reconhecendo a aplicação subsidiária da Lei 9.363/96 em seu art. 1o, parágrafo 5o. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (grifo nosso) Não há dúvidas de que o benefício criado pela Lei no 9.363/1996 objetivava desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, como afirmado no Recurso Voluntário. Mas a simples leitura dos comandos legais já mostra que tal benefício não é amplo a ponto de abarcar quaisquer produtos nacionais exportados. Vejase que o caput do art. 1o fala em ressarcimento à empresa “produtora e exportadora” relativo a aquisições no mercado interno de bens para “utilização no processo produtivo”. Como se destaca na informação fiscal e no julgamento de piso, extraindose conceito da Lei do IPI (Lei no 4.502/64), com autorização expressa do parágrafo único do art. 3o da Lei no 9.363/1996, estabelecimento produtor é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Não é, assim, irrelevante o fato de o produto exportado ser não industrializado ou classificado como “NT” na TIPI. A Portaria MF no 64, de 24/3/20033, com autorização expressa da lei (art. 6o da Lei no 9.363/1996) estabeleceu, no inciso II do § 12 de seu art. 3o: “§ 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais;” (grifos nossos) É de se destacar, aqui, que o pedido que dá ensejo a este processo (DCOMP transmitida em 14/4/2004, e referente ao 1o trimestre de 2004) ocorre sob a égide da referida Portaria MF, na qual o Ministro da Fazenda usa regularmente da competência legalmente atribuída. Assim, não se pode admitir a inclusão dos produtos “NT” e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. E percebase que não se está a violar o art. 111 do CTN, seja porque tal comando trata especificamente de isenções, ou simplesmente porque a interpretação apontada como restritiva ao benefício é expressamente autorizada pelo legislador ordinário. Aliás, esse é o entendimento explicitado pelo STJ, em julgados recentes: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS REGIMENTAIS NOS RECURSOS ESPECIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164/MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313/2003 e 419/2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de 3 Disciplinada pelas IN SRF 313/2003 (Lei 9.363/96) e 315/2003 (alternativaLei 10.276/2001). Fl. 379DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 378 5 cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14/02/2011 e AgRg no REsp 1236305/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/05/2011. 2. Tendo em vista que, além do reconhecimento do direito da contribuinte a computar, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, houve o deferimento da pretensão de correção monetária de tais valores, concluise que houve o decaimento da Fazenda em maior proporção.” 4 (grifo nosso) O STJ notoriamente comunga do entendimento pela regularidade da definição infralegal de “receita de exportação”: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º, 2º E 6º, DA LEI N. 9.363/96. (...). ILEGALIDADE DO ART. 2º, §2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 23/97. LEGALIDADE DO ART. 17, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 313/2003. CORREÇÃO MONETÁRIA. (...). (...) 2. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. 3. O art. 17, §1º, da IN SRF n. 313/2003, não viola o art. 2º, da Lei n. 9.363/96, pois encontra guarida no art. 6º, da mesma lei, que admitiu que o conceito de "receita de exportação" (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal. 4. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4 AgRg no REsp 1239952/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, unânime, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 5. A compensação tributária submetese ao regime em vigor na data do ajuizamento da demanda. Tema que já foi objeto de julgamento no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.137.738 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009.” 5 (grifo nosso) Improcedente, então, o pleito de inclusão dos produtos NT e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. Por fim, em relação à afirmação de que a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF, inclusive na CSRF, incumbe ressaltar que os julgados apresentados se referem a apreciações feitas pelo tribunal na década passada (de 2002 a 2008), em grande parte sob a influência de normas como a Portaria MF no 38, de 27/2/1997 (revogada pela retrocitada Portaria MF no 64, de 24/3/2003), que contemplava de forma alargada o benefício. Em julgados mais recentes (e que se referem a períodos em que a Portaria MF no 64, de 24/3/2003 já estava vigente), verificase que a jurisprudência majoritária é no sentido oposto ao apontado pela recorrente (seja no que se refere a produtos “NT” ou a produtos não industrializados). Em que pese o fato de tais julgamentos (assim como os trazidos no Recurso Voluntário) não vincularem a presente decisão, é de se transcrever abaixo excertos de acórdãos recentes (inclusive desta Turma), que demonstram o exposto: “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. (...)” 6 “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei n o 9.363/1996. (...)”7 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, 5 REsp 982.020/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, unânime, julgado em 03/02/2011, DJe 14/02/2011. 6 Acórdão 3803003.586, CARF, 3a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, Sessão de 23.out.2012. 7 Acórdãos 3403001.735, 736, 737 e 738, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, Sessão de 26.set.2012. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 379 7 cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei no 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3o da Lei no 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI.” 8 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tãosomente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI.” 9 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT).” 10 8 Acórdão 3802000.739, CARF, 2a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Francisco José Barroso Rios, unânime, Sessão de 21.nov.2011. 9 Acórdão 3403001.295, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, Sessão de 9.nov.2011. 10 Acórdão 9303001.450, CSRF, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, qualidade, Sessão de 30.mai.2011. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 380 9 Voto Vencedor Segundo depreendo do voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, o crédito presumido do IPI a que se referem as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01 não alcançaria a exportação de produtos quaisquer produtos, enfatizese aos quais corresponda, na TIPI, a notação “NT”. De minha parte, tenho orientado meus posicionamentos a respeito em sentido distinto. Parcialmente distinto, para ser mais exato. É o que procurarei expor a seguir. Realmente, as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, nas quais o incentivo foi instituído e disciplinado, impõem ao beneficiário o desempenho de “produção”. Confirase: “Art. 1o. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” “Art. 1o. Alternativamente ao disposto na Lei no. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento.” A mesma Lei no 9.363/96 circunscreve o que se há de compreender por “produção”, para fins de determinação dos beneficiários do direito por ela outorgado. É o que se lê do seu artigo 3o, parágrafo único, segundo o qual o sentido do vocábulo coincide com aquele definido pela “legislação” do IPI. Vejase: “Art. 3o. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” Sendo este o contexto normativo em que se insere a pretensão, peço vênia para reproduzir aqui as considerações externadas pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, lançadas ao ensejo do julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do processo no 13909.000124/200283, sob o qual se instalou controvérsia análoga à presente. Vejamos: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 “Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. (...) Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei no. 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu artigo 3o: ‘Art. 3o. Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I – o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II – o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III – o preparo de medicamentos oficiais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente a consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica; IV – a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas.’ Mas nesse contexto original, cabia sim interpretar o alcance das expressões ‘alterar o acabamento ou a apresentação do produto’. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de no. 87.981, de 1982. Seu artigo 4o. assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): ‘Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei no. 4.502, de 1964, art. 3o, parágrafo único, e Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 381 11 III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo qual a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.’ Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo ‘produtor’ sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por este motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como ‘produtor’, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas ressalvese que de modo exemplificativo duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. (...) Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o beneficio se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. (...) vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de interpretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos, o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei no. 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei no. 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.”. A notação “NT” da TIPI é, portanto, polissêmica. Designa prioritariamente mercadorias que, ao menos sob a perspectiva do Executivo Federal, não resultem de processo industrial. Mas designa residualmente também produtos que, conquanto industrializados, tenham sido postos à margem da competência impositiva em matéria de IPI por obra de regra imunizante. Digo, aliás, que a norma de imunidade, nestes casos, tem razão de ser justamente porque são industrializados os produtos nela mencionados. Fossem produtos in natura ou obtidos de processos não industriais, não teria cabimento imunizálos, já que por obra de pura e simples nãoincidência ficaram a salvo da imposição tributária. Pois é disso que se trata nestes autos. Os produtos a que a ora recorrente dá saída para exportação são óleos lubrificantes, derivados de petróleo que, embora originados de processo industrial, recebem a notação “NT” na TIPI justamente porque o artigo 155, § 3o da CF/88 lhes confere imunidade frente ao IPI. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403001.908 S3C4T3 Fl. 382 13 Com estas considerações, peço vênia ao ilustre relator para dele divergir neste particular, a fim de reconhecer o direito ao crédito presumido vindicado pela ora recorrente e de dar provimento a seu recurso voluntário. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10166.722864/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
AUTO DE INFRAÇÃO SOB N 37.283.649-6 CONSOLIDADO EM: 01/12/2010 PERÍODO FISCALIZADO: 01 de 2008 a 12 de2009 COMPETÊNCIAS: 01/2008 a 13/2009.
EMENTA DÉBITO CONFESSADO EM REQUERIMENTO DE PARCELAMENTO. Pedido de Parcelamento da Lei 11.941 de 2009 configura renúncia ao contencioso administrativo, na razão que o § 6o do artigo 12, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, de conformidade com os artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil.
Desta forma não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas e o põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo.
EXCLUSÃO DO SIMPLES SEM A DEVIDA NOTIFICAÇÃO. Inadmissibilidade. Agressão ao devido processo legal, ampla defesa, publicidade e ao contraditório. A publicação na internet, de que trata o § 49 do ato regulamentar, é condição necessária para eficácia do ato de exclusão, em face do princípio da publicidade dos atos da administração, NÃO SENDO. ENTRETANTO. O MEIO VÁLIDO DE NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE, porquanto a notificação, nos termos do próprio ato regulamentar, há de ser feita conforme a legislação que rege o processo administrativo fiscal do ente federal responsável pelo processo de exclusão, que, no caso da União, é o Dec. N. 70.235 de 1972. REPRESENTAÇÃO FISCAL. O Auditor fiscal tem a obrigação legal de comunicar a pratica de crime, ainda que seja em tese.
O Colegiado não tem competência para julgar a legalidade ou não da representação fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.879
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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EMENTA DÉBITO CONFESSADO EM REQUERIMENTO DE PARCELAMENTO. Pedido de Parcelamento da Lei 11.941 de 2009 configura renúncia ao contencioso administrativo, na razão que o § 6o do artigo 12, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, de conformidade com os artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. Desta forma não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas e o põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. EXCLUSÃO DO SIMPLES SEM A DEVIDA NOTIFICAÇÃO. Inadmissibilidade. Agressão ao devido processo legal, ampla defesa, publicidade e ao contraditório. A publicação na internet, de que trata o § 49 do ato regulamentar, é condição necessária para eficácia do ato de exclusão, em face do princípio da publicidade dos atos da administração, NÃO SENDO. ENTRETANTO. O MEIO VÁLIDO DE NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE, porquanto a notificação, nos termos do próprio ato regulamentar, há de ser feita conforme a legislação que rege o processo administrativo fiscal do ente federal responsável pelo processo de exclusão, que, no caso da União, é o Dec. N. 70.235 de 1972. REPRESENTAÇÃO FISCAL. O Auditor fiscal tem a obrigação legal de comunicar a pratica de crime, ainda que seja em tese. O Colegiado não tem competência para julgar a legalidade ou não da representação fiscal. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCELO DE OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de crédito tributário constituído contra a empresa PIRES E LESSA LTDA ME , por meio do AI n° 37.283.6496, no valor de R$ 247.482,34 (duzentos e quarenta e sete mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e trinta e quatro centavos), consolidado em 01/12/2010. Os valores levantados no AI n° 37.283.6496 são referentes às contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, destinadas a outras entidades e fundos (TERCEIROS): FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. O período do lançamento corresponde às competências 01/2008 a 12/2009. Conforme consta do Relatório Fiscal, foram analisados os seguintes documentos:1)Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP transmitidas pela empresa, e constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); 2) contratos sociais e resumo das folhas de pagamento em meio papel e as Guias de Recolhimento à Previdência Social GPS, constantes dos sistemas da RFB. No período objeto do presente auto de infração, a empresa declarou em GFIP como optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL). Entretanto, em consulta aos optantes pelo regime no sítio do SIMPLES NACIONAL (ANEXO IV do Relatório Fiscal), a empresa acima identificada, foi excluída do referido regime em 31/12/2007 por ato administrativo praticado pelo Governo do Distrito Federal. Cientificado do Auto de Infração em 02/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que o auto de infração não pode prosperar, na medida em que a exclusão do regime Simples Nacional, causa determinante do levantamento fiscal, Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10166.722864/201027 Acórdão n.º 2301002.879 S2C3T1 Fl. 670 3 não foi comunicado formalmente à empresa, assim como não recebeu qualquer notificação a respeito das pendências existentes, o que fere os princípios do contraditório e da ampla defesa. Assim, diante da ausência de notificação, entende a impugnante que é nulo o ato de exclusão e conseqüentemente a própria autuação referente a este auto de infração. Por fim, requereu o recebimento da impugnação, para contestar todos os termos do auto de infração, e ao final, que fosse reconhecida a nulidade do ato administrativo que determinou a exclusão do SIMPLES NACIONAL; Que a autuação fosse julgada insubsistente, bem assim o valor nela contido. Entretanto a DRJ de Brasília julgou procedente o auto de infração, exarando o seguinte Acórdão: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 A I O P T E R C E I R OS IMPUGNAÇÃO. PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O pedido de parcelamento põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. SIMPLES NACIONAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A empresa excluída do SIMPLES NACIONAL está sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A razão da decisão acima é que nos autos do processo sob n° 10166.722863/201082 (DEBCAD 37.283.6488), as contribuições apuradas já foram objeto de pedido de parcelamento do período de 01 de 2008 à 11 do mesmo ano (documento juntado às fls 215/217 daqueles autos). Aos demais período entende a DRJ que Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, em seu artigo 39 e O § 3 o do art. 29 da mesma lei, tratou da competência do Comitê Gestor para excluir o contribuinte do regime Simples, na conformidade que foi procedido. A Recorrente foi regularmente notificada da decisão em 22 de marco de 2011 e em 19 de abril do mesmo ano interpôs o presente recurso voluntário com as seguintes alegações: 1) preliminarmente alega que as contribuições em comento não foram confessadas, mas tão somente formulado requerimento de parcelamento, mas que os valores ainda não foram especificados; 2) que o pedido de parcelamento não põe fim ao litígio; 3) ao argumento da exclusão do SIMPLES sem a devida e imperiosa notificação ao contribuinte é nula, por isto indevida a cobrança do período 12 de 2008 à 13 de 2009. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 É o relatório e síntese do necessário. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator Sendo tempestivo CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO aviado pela Recorrente e passo a análise da questão que envolve a testilha. Quanto ao período de janeiro à novembro de 2008, de fato, compulsando os autos vêse que há às fls. indicadas o pedido de parcelamento e requerimento de adesão â Lei 11.941 de 2009. A solicitação de parcelamento da totalidade dos débitos foi confirmada em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja tela consta da folha 216 destes autos. Neste sentido, de acordo com o § 6o do artigo 12, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, o pedido de parcelamento importa em confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. Por conseguinte, não cabe mais discussão sobre as exigências parceladas. Desta forma, o pedido de parcelamento referido põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. Já quanto a exclusão unilateral do SIMPLES sem notificação ao contribuinte é uma heresia à Carta Maior e que abrange os débitos 12 de 2008 à 13 de 2009. Entretanto esta discusão cabe em processo próprio para este fim, não na presente ação fiscal. Cabe até mesmo em discusão judicial com pedido liminar para sobrestar o presente feito. Mas, não compete a este singelo Conselheiro analisar este quesito. Sobre a representação fiscal para fins penais, temse que é dever legal do auditorfiscal, sob pena de incorrer na contravenção penal tipificada no art. 66 do Decretolei n° 3.688 de 01 de outubro de 1941 (Lei cie Contravenções Penais), comunicar ao Ministério Público a ocorrência do ilícito que configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, para que este promova ou não a Ação Penal. O dever de comunicar a ocorrência de crimes, também está previsto no art. 116 da Lei n° 8.112/90 (Regime Jurídico Único do funcionalismo público federal), repetindo o preceituado na Lei n° 1.711/92, art.. 194. De mais a mais, não compete a este colegiado analisar tal questão e, sobretudo, temse que o oferecimento de denúncia ou não compete ao Ministério Público e o Julgamento ao Judiciário, onde toda a questão será submetida aos princípios Constitucionais e ao procedimento da legislação CONCLUSÃO Fl. 672DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10166.722864/201027 Acórdão n.º 2301002.879 S2C3T1 Fl. 671 5 Assim, como o presente remédio processual atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, já que uma parte do débito foi confessado através do pedido de parcelamento e deve ser mantido, haja vista que houve a renúncia tácita ao contencioso administrativo. e a outra parte que sobeja, pelo fato de ter sido excluída sumariamente do SIMPLES afrontando princípios pétreos da Carta Maior, deve ser anulado na JUSTIÇA, não cabendo ao CARF discutir a legalidade e ou tão pouco a Constitucionalidade do ato. E, quanto a representação fiscal, é obrigação da fiscalização comunicar a pratica de crime, ainda que em tese, e este Colegiado não tem competência para julgar tal questão. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator Fl. 673DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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