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Numero do processo: 10660.002653/2005-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2003
CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTUAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nas autuações, compete ao Fisco a prova das condutas irregulares imputadas no lançamento. Afasta-se o lançamento se não restar satisfatoriamente comprovado se o valor lançado no período tomou em conta pagamentos/depósitos da recorrente, ainda mais se tal inconclusividade for endossada pela própria autoridade local, em sede de diligência.
TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF 1.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3403-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para cancelar o lançamento em relação ao período de janeiro a novembro de 2001, mantendo a decisão de piso em relação aos períodos de dezembro de 2001 a dezembro de 2003, que estão com exigibilidade suspensa. Ausente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTUAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações, compete ao Fisco a prova das condutas irregulares imputadas no lançamento. Afasta-se o lançamento se não restar satisfatoriamente comprovado se o valor lançado no período tomou em conta pagamentos/depósitos da recorrente, ainda mais se tal inconclusividade for endossada pela própria autoridade local, em sede de diligência. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF 1. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTUAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações, compete ao Fisco a prova das condutas irregulares imputadas no lançamento. Afastase o lançamento se não restar satisfatoriamente comprovado se o valor lançado no período tomou em conta pagamentos/depósitos da recorrente, ainda mais se tal inconclusividade for endossada pela própria autoridade local, em sede de diligência. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF 1. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para cancelar o lançamento em relação ao período de janeiro a novembro de 2001, mantendo a decisão de piso em relação aos períodos de dezembro de 2001 a dezembro de 2003, que estão com exigibilidade suspensa. Ausente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 26 53 /2 00 5- 26 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 5 a 91), lavrado em 07/11/2005, para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP, em virtude de falta de recolhimento, no período de 31/01/2001 a 31/12/2003 (valor acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizando R$ 287.020,21). Na autuação, narrase que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 12, no qual se informa que: (a) a empresa impetrou Mandado de Segurança, insurgindose contra a Medida Provisória no 1.85810/1999, que instituiu, a partir de novembro de 1999, a Contribuição para o PIS/PASEP sobre todas as receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, visto que até então a incidência se dava somente sobre as receitas auferidas com terceiros não cooperados; (b) a liminar foi indeferida (fls. 141 a 142), e a sentença denegada em primeira instância (fls. 144 a 150), rejeitandose a apelação (fls. 161 a 169) e os embargos de declaração interpostos (fls. 170 a 172); (c) em consulta ao processo judicial efetuada em 27/10/2005 (fls. 173 a 178), a autoridade fiscal autuante verificou existirem um recurso especial (no 1384968) e um recurso extraordinário (no 1384969), estando ambos para conclusão ao vicepresidente desde 11/06/2004; e (d) assim, com base em procedimento fiscal iniciado em 2005, e após análise da escrita fiscal da recorrente, lavrouse autuação, exigindose as diferenças apuradas, em respeito aos ditames da Medida Provisória no 1.85810/1999, e suas reedições. Cientificada da autuação em 08/11/2005 (fls. 6), a recorrente apresenta impugnação em 07/12/2005 (fls. 182 a 201), argumentando que: (a) a empresa é uma sociedade cooperativa e não possui finalidade lucrativa, tendo como maior objetivo a prestação de serviços às suas cooperativas singulares associadas, nos termos do art. 4o da Lei no 5.764/1971; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002653/200526 Acórdão n.º 3403002.513 S3C4T3 Fl. 359 3 (b) o tratamento previsto na Lei Complementar no 7/1970, regulamentada pela Lei no 9.715/1998 (contribuição para o PIS sobre a folha de pagamento mensal e contribuição para o PIS/PASEP sobre receitas decorrentes de operações praticadas com não associados) atendia aos pressupostos constitucionais referentes às cooperativas; (c) contudo, a alteração efetuada pela Medida Provisória no 1.85810/1999, e suas reedições (atualmente Medida Provisória no 2.15835/2001), estabeleceu aos atos cooperativos tratamento mais oneroso do que aos não cooperativos; (d) nas cooperativas, como não ocorre a hipótese de incidência (faturamento/receita), não há que se falar em obrigação da empresa em recolher a contribuição para o PIS/PASEP; (e) o entendimento jurisprudencial aponta para a impossibilidade de cobrança da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre atos cooperativos; (f) a autoridade fiscal presumivelmente (solicitandose diligência para apurar se isso efetivamente ocorreu) deixou de aplicar o art. 3o, § 9o da Lei no 9.718/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001, a partir da vigência estabelecida em seu art. 92 (fatos geradores a partir de 01/12/2001), e a Lei no 10.676/2003 (que também retroage para alcançar os fatos geradores a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810/1999); e (g) a Taxa SELIC não é fator idôneo para cálculo de juros de mora devidos por atraso no recolhimento de tributos. A solicitação de diligência é atendida em 06/03/2008 (fls. 211), determinando o julgador a quo que a autoridade fiscal verifique se foram aplicadas as exclusões legais referidas na impugnação, oferecendose a oportunidade de contrarrazões à impugnante. Como resultado, obtémse a planilha de fls. 218, efetuada a partir da própria contabilidade da empresa, constatandose que houve depósito judicial dos valores referentes a períodos a partir de dezembro de 2001. A decisão de primeira instância (deferimento parcial das pretensões da autuada) é proferida em 03/03/2010 (fls. 221 a 224), no sentido de que: (a) na apuração da base de cálculo da contribuição, devem ser consideradas todas as deduções previstas na legislação relativa às operadoras de plano de saúde; (b) a autuação deve ser parcialmente mantida, com as adaptações efetuadas em quadro (fls. 223 e 224) anexo à decisão, ressaltando que nos períodos para os quais existem depósitos judiciais confirmados no montante integral do débito mantido, não se aplica a multa de oficio e a exigibilidade do crédito lançado deve ser suspensa até a decisão final no processo judicial no 2001.38.00.0109910/MG; Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 (c) às DRJ é vedada a apreciação de constitucionalidade de disposição normativa; e (d) a Taxa SELIC é expressamente estabelecida em lei, não podendo ser afastada em sede de impugnação. Cientificada da decisão em 19/03/2010 (CR às fls. 228), a recorrente apresenta em 20/04/2010 (fls. 229 a 246) Recurso Voluntário, no qual reitera as argumentações anteriormente externadas, acrescendo as seguintes: (a) a decisão do julgador a quo corrigiu distorção proporcionada pela inadequação da base de cálculo utilizada na autuação, reconhecendo ainda o depósito integral dos montantes devidos no período de dezembro de 2001 a dezembro de 2003; (b) contudo, em momento algum foi possibilitado à recorrente apresentar os comprovantes de depósito judicial referentes ao período de janeiro a novembro de 2001 (que certamente foram efetuados); (c) a autuação não indicou o caminho percorrido para se chegar aos valores devidos (não detalhando a origem da diferença entre a base de cálculo apurada e declarada em DCTF), e a recorrente não consegue identificar qual escrituração contábil foi considerada para se chegar aos valores de janeiro a novembro de 2001 (bem discrepantes dos demais), o que impede sua defesa; e (d) a recorrente declarou em DCTF os valores referentes à contribuição para o PIS/PASEP e efetuou o depósito integral de tais valores, inclusive no período de janeiro a novembro de 2001, buscando suspender a exigibilidade das contribuições (DARF e guias de depósito anexos ao Recurso Voluntário fls. 285 a 295). Em julgamento efetuado por esta Terceira Turma Ordinária, externado na Resolução no 3403000.381, de 27/09/2012 (fls. 299 a 304), o processo foi baixado em diligência, para que a autoridade local, a partir (a) do quadro de fls. 223 e 224, (b) dos documentos cujas cópias encontramse às fls. 285 a 295, e (c) de outros documentos julgados necessários, informasse se os créditos exigidos em relação ao período de janeiro a novembro de 2001 foram objeto de depósito (ou mesmo de pagamento não tomado em conta na autuação, visto que há DARF entre os documentos apresentados no recurso voluntário) por parte da recorrente, quantificando por mês eventuais depósitos e/ou pagamentos comprovados. Em atendimento à diligência, a unidade local intima a recorrente a apresentar documentos (fl. 313), anexados às fls. 316 a 348. No sintético Relatório Fiscal de fls. 349 e 350, a autoridade local conclui: “a) que os créditos em questão são decorrentes de diferença apuradas nas bases de cálculo do PIS. Ou seja, no curso da fiscalização o Auditorfiscal apurou bases de cálculo para o período de janeiro a novembro de 2001 em valores que superam aqueles apresentados pela autuada. É que ficou demonstrado de forma clara nos documentos de fls. 21, 26, 31 e está reproduzido no quadro abaixo: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002653/200526 Acórdão n.º 3403002.513 S3C4T3 Fl. 360 5 (...) b) que, ao contrário do que afirma a Unimed no recurso voluntário, a composição das bases de calculo ficou demonstrada de forma clara nos autos. Os dados utilizados pelo AuditorFiscal foram extraídos do. documento intitulado Demonstração do Resultado (fls. 48 a 59) apresentado pela própria autuada no curso da ação fiscal; c) que os pagamentos/depósitos judiciais exibidos nos autos pela recorrente foram efetuado (sic) em 2001 enquanto o lançamento recaiu sobre diferenças de bases de cálculo apuradas em procedimentos de fiscalização realizada em 2005. Logo, à vista dos elementos constantes dos autos, não há provas de que os créditos em questão, representados pelas diferenças apuradas na coluna 11 do quadro acima, tenham sido abrangidos pelos depósitos judiciais ou que tenham sido objeto de recolhimento.” Cientificada a recorrente do Relatório em 20/03/2013 (AR à fl. 351), são apresentadas suas contrarrazões em 22/04/2013 (fls. 352 a 355), no sentido de que: (a) a fiscalização entendeu de forma equivocada que a base de cálculo correta para o período em questão (janeiro a novembro de 2001) corresponde àquela mencionada na tabela constante do relatório de diligência (fl. 350), em valores que superam aqueles encontradospela recorrente (planilha de fl. 356); (b) as “receitas da atividade cooperativa”, no quadro elaborado pelo fisco, compreendem todas as receitas obtidas pela cooperativa, inclusive aquelas decorrentes de atos cooperativos, cuja exigibilidade esta sendo discutida judicialmente; as “receitas canceladas” correspondem às faturas que foram emitidas e, posteriormente, canceladas, não representando, portanto, ingresso de receita para a cooperativa; o campo designado por “outras receitas”, por sua vez, abrange as receitas financeiras da cooperativa; por fim, “outras exclusões” se referem às exclusões admitidas pela Lei no 10.676/03, bem corno pelo § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, incluído pela MP no 2.15835/2001, tais como no caso da Unimed Lavras repasse de valores a clinicas e laboratórios; (c) a fiscalização argumenta que os dados utilizados para composição da base de cálculo foram extraídos do documento intitulado Demonstração de Resultado, apresentado pela recorrente; contudo, os valores identificados pela fiscalização como sendo receitas não correspondem aqueles que foram informados pela recorrente, seja na Demonstração de Resultado, nas declarações fiscais ou mesmo nas informações prestadas à SRF em 05/03/2004; (d) mais uma vez, como mencionado na impugnação e no Recurso Voluntário apresentados no presente processo, a fiscalização não demonstrou de forma pormenorizada o porquê da apuração de, base de Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 cálculo diferente daquela que foi efetivamente apurada e declarada pela recorrente; e (e) por óbvio, as guias de pagamento/depósito judicial se referem a recolhimentos efetuados em 2001, já que o objeto da presente discussão são as supostas diferenças de contribuição ao PIS no período de janeiro a novembro de 2001. O fato de estas diferenças terem sido apuradas pela fiscalização em 2005 não interfere em nada. Os valores devidos em 2001 foram devidamente recolhidos pela recorrente (via DARF ou depósito judicial, após ajuizamento do Mandado de Segurança), de acordo com a base de cálculo apurada. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após o julgamento de piso, relevante dividir, inicialmente, a análise em dois períodos: (a) de dezembro de 2001 a dezembro de 2003; e (b) janeiro a novembro de 2001 (período para o qual foram solicitados esclarecimentos em sede de diligência). Da exigência em relação aos períodos de dez/2001 a dez/2003 No julgamento de primeira instância, após a realização de diligência inicial, são mantidos pelo julgador a quo, em relação aos períodos de dezembro de 2001 a dezembro de 2003 os montantes constantes da tabela de fls. 223/224. Como tais valores foram integralmente depositados em juízo pela recorrente, esclareceu o julgador que em relação a eles resta inaplicável a multa de oficio, devendo a exigibilidade do crédito lançado ser suspensa até a decisão final no processo judicial no 2001.38.00.0109910/MG. Verificandose a certidão de objeto e pé do referido processo (fls. 323/324), percebese, que durante apreciação de embargos de declaração, o Min. Relator proferiu despacho nos seguintes termos: “Tratase de recurso em que se discute questão referente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz da Lei n. 5.764/71. Essa matéria foi submetida a exame por meio do regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução STJ n. 8/08 (recurso repetitivo), sendo escolhido como recurso representativo da controvérsia o REsp n. 1.141.667/RS, da Relatoria do Min. Luiz Fux, cujo julgamento ainda não foi concluído. Em razão disso, nos termos do art. 543C, § 1º do CPC e 2º, § 2º da Resolução do STJ 8/08, determino a suspensão do feito até o pronunciamento definitivo da corte”. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002653/200526 Acórdão n.º 3403002.513 S3C4T3 Fl. 361 7 Em consulta ao sítio do STJ, em 10/09/2013, apurouse que os autos do processo ainda se encontram conclusos ao Ministro relator. Assim, acordase com o julgador a quo no sentido de que a exigibilidade de tais créditos integralmente depositados permanece suspensa até a manifestação judicial definitiva (não havendo que se falar em multa de ofício), o que não obsta o julgamento do presente processo administrativo, em face do disposto na Súmula no 1 deste CARF: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Da exigência em relação aos períodos de jan/2001 a nov/2001 No julgamento de primeira instância, são mantidos os valores lançados para o período de janeiro a novembro de 2001, para os quais não foi informado nenhum depósito judicial, conforme tabela abaixo: Período de apuração Contribuição para o PIS/PASEP mantida após a diligência inicial Jan/2001 R$ 146,76 Fev/2001 R$ 166,94 Mar/2001 R$ 373,85 Abr/2001 R$ 171,71 Mai/2001 R$ 179,07 Jun/2001 R$ 158,46 Jul/2001 R$ 126,39 Ago/2001 R$ 61,06 Set/2001 Out/2001 R$ 779,25 Nov/2001 R$ 386,16 Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a empresa afirma ter efetuado depósitos judiciais e pagamentos em relação a tal período, anexando inclusive documentos sustenta comprovarem o alegado. Afirma ainda que foi cerceada sua defesa, pois a autoridade autuante não indicou o caminho percorrido para se chegar aos valores devidos, e qual a escrituração contábil considerada para se chegar a tais valores. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Manifestamonos preliminarmente pela refutação de tal argumentação, visto que indicados expressamente os documentos utilizados para a autuação, sendo o cálculo efetuado diretamente com os dados de tais documentos. A simples observação das fls. 23, 28, 33, e 50 a 61 deste processo é suficiente para que se verifique mês a mês a origem dos valores lançados pela autoridade fiscal. Às fls. 23 há uma planilha de apuração da contribuição confeccionada pelo fisco, referente ao ano de 2001, indicando as receitas de prestação de serviços, outras receitas auferidas, e o total da receita bruta (base de cálculo da contribuição). Cotejandose tal planilha com a de fls. 28, e com os documentos fiscais entregues pela própria empresa (fls. 50 a 61), percebese a presença de todos os dados necessários à identificação da origem dos valores lançados. Vejase, por exemplo, o documento referente ao mês de janeiro de 2001 (demonstração de resultadofls. 50), no qual a empresa informa serem as receitas de contraprestações efetivas R$ 1.006.795, 81, valor que adicionado às receitas financeiras (R$ 16.320,38) resulta em R$ 1.023.116,19 (que é exatamente a base de cálculo indicada para o mês de janeiro de 2001 na planilha de fls. 23). Contudo, há que se empreender também análise da afirmação da recorrente no sentido de que em momento algum foi a ela possibilitado apresentar os comprovantes de depósito referentes ao período de janeiro a novembro de 2001 (que ela alega ter efetuado, anexando supostos comprovantes às fls. 285 a 295). Em que pese ser tal afirmação de conteúdo questionável, posto que não se vê no presente processo nenhum óbice para que a empresa tivesse apresentado tal documento durante o procedimento fiscalizatório, ou mesmo durante a impugnação, temos como inquestionável que se efetivamente houve depósito dos montantes em discussão, incumbese, em nome da verdade material, sua análise, com o correspondente tratamento. Até se tentou esclarecer a questão sem demandar auxílio da unidade local, mas ao iniciar a empreitada, surgiram algumas dificuldades. Citemse, por exemplo, os comprovantes de depósito de fls. 293 e 295 (R$ 5.931,49, referentes ao mês de outubro de 2001, e R$ 6.107,02, referentes ao mês de novembro de 2001). Pela autuação, são exigidas apenas diferenças em relação aos meses de outubro (R$ 779,25 = R$ 6.710,74 R$ 5.931,49) e novembro (R$ 386,16 = R$ 6.493,18 R$ 6.107,02) de 2001, conforme fls. 7 e 28. Assim, aparentemente são tomados como pagos os valores que agora se indica estarem tãosomente depositados. Ademais, pelos valores dos DARF apresentados, restou inconclusivo se foram ou não tomados em consideração na autuação. Daí o envio à unidade local, em diligência. O Relatório Fiscal de Diligência, contudo, tece considerações sobre aspectos sequer questionados no pedido de diligência, e é confuso e impreciso exatamente no momento de responder o que foi solicitado por este colegiado. Vejase a parte inicial das “conclusões” do Relatório: “a) que os créditos em questão são decorrentes de diferença apuradas nas bases de cálculo do PIS. Ou seja, no curso da fiscalização o Auditorfiscal apurou bases de cálculo para o período de janeiro a novembro de 2001 em valores que superam aqueles apresentados pela autuada. É que ficou Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002653/200526 Acórdão n.º 3403002.513 S3C4T3 Fl. 362 9 demonstrado de forma clara nos documentos de fls. 21, 26, 31 e está reproduzido no quadro abaixo: (...) b) que, ao contrário do que afirma a Unimed no recurso voluntário, a composição das bases de calculo ficou demonstrada de forma clara nos autos. Os dados utilizados pelo AuditorFiscal foram extraídos do. documento intitulado Demonstração do Resultado (fls. 48 a 59) apresentado pela própria autuada no curso da ação fiscal;” Que os créditos decorrem de diferença entre as bases apuradas pela fiscalização em relação às apresentadas pela recorrente já se sabe desde a autuação. E como foram apuradas, e em que páginas se esclarece isso, tratouse na própria Resolução no 3403 000.381, de 27/09/2012 (fls. 299 a 304), deste colegiado. Nenhum desses tópicos foi objeto de questionamento na diligência, justamente por já estarem presentes no processo. A tarefa demandada na diligência foi que a autoridade local, à vista dos documentos indicados, informasse se os créditos exigidos em relação ao período de janeiro a novembro de 2001 foram objeto de depósito (ou mesmo de pagamento não tomado em conta na autuação, visto que há DARF entre os documentos apresentados no recurso voluntário) por parte da recorrente, quantificando por mês eventuais depósitos e/ou pagamentos comprovados. Na parte final do Relatório Fiscal de Diligência, “concluise”: “c) que os pagamentos/depósitos judiciais exibidos nos autos pela recorrente foram efetuado (sic) em 2001 enquanto o lançamento recaiu sobre diferenças de bases de cálculo apuradas em procedimentos de fiscalização realizada em 2005. Logo, à vista dos elementos constantes dos autos, não há provas de que os créditos em questão, representados pelas diferenças apuradas na coluna 11 do quadro acima, tenham sido abrangidos pelos depósitos judiciais ou que tenham sido objeto de recolhimento.” A primeira conclusão é ou confusa ou inócua. Realmente os pagamentos/depósitos são referentes a 2001, e efetivamente o lançamento recaiu sobre diferenças apuradas em procedimentos de fiscalização realizada em 2005. Ocorre que a fiscalização realizada em 2005 teve justamente por objetivo os períodos de apuração de 2001 a 2003. No mínimo infeliz, assim, a observação a título de “conclusão” da diligência. A segunda conclusão (ou ausência de conclusão), por sua vez, causa maior perplexidade: se não foi possível à própria autoridade fiscalizadora afirmar se os depósitos/pagamentos foram tomados em conta na autuação, parecese endossar a tese da recorrente de que houve cerceamento de defesa em relação a tal período, pois sequer o Fisco consegue detalhar (tal qual solicitado por este colegiado), mês a mês, de janeiro a novembro de 2001, qual a imputação dos pagamentos/depósitos efetuados. Nas autuações, compete ao Fisco a prova das condutas irregulares imputadas no lançamento. E, a nosso ver, não restou satisfatoriamente comprovado se o valor lançado no Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 período tomou em conta pagamentos/depósitos da recorrente. A inconclusividade foi, por fim, atestada pela própria autoridade local, em sede de diligência. Entendese, assim, incabível a exigência para o período de janeiro a novembro de 2001. Da aplicação da taca SELIC para cálculo de juros de mora Em relação à incidência de juros de mora mediante a aplicação da Taxa SELIC, é de se informar que também tal tema já se encontra pacificado no âmbito deste CARF, na Súmula no 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar a exigência em relação ao período de janeiro a novembro de 2001, mantendo a decisão de piso em relação aos períodos de dezembro de 2001 a dezembro de 2003, que estão com exigibilidade suspensa. Rosaldo Trevisan Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679862/2009-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/08/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/08/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 62 /2 00 9- 00 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 216 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 05 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de COFINS, cod. de arrecadação 5442, recolhido em 25/08/2005. 2. O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 3. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 08 a 22, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, , Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 217 3 antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). 3.10 Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1[ Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega 4. Em 24/08/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade (fls. 34 a 36), informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada.” A DRJ/SPI decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 25/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 218 4 cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, cujas alegações são essencialmente as mesmas da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de Cofins. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430. de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação. As afirmações da contribuinte de que possui créditos de Cofinsimportação de serviços e que houve erro na DCTF original não foram demonstradas nem provadas nos autos. Na manifestação de inconformidade, a recorrente disse que estaria “levantando internamente toda documentação probante de seu direito creditório, mormente a DCTF retificadora que demonstrará a plena existência do crédito identificado no PERDCOMP”. DCTF retificadora, transmitida após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, foi juntada aos autos, porém , até a data da interposição do recurso voluntário, documentos e livros fiscais e contábeis suficientes para comprovar o erro alegado não foram apresentados, apesar de a decisão da DRJ/SP1 ter deixado claro sua necessidade. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 219 5 Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 220 6 DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também entendeu ser admissível a DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório, desde que mediante demonstração e comprovação do erro, conforme acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Sua ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 221 7 A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” No voto condutor do acórdão, o Conselheiro Flávio de Castro Pontes lembrou que o art. 147 do CTN dispõe que a retificação de declaração somente é possível com a comprovação do erro em que se baseie. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” [grifei.] Várias decisões da 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento, em processos iguais a este, da mesma contribuinte, foram tomadas com base no mesmo entendimento. Transcrevo a ementa do acórdão nº 3402001.668, de 15/02/2012: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.679862/200900 Acórdão n.º 3802001.874 S3TE02 Fl. 222 8 Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN); ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972); iii) no artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso,.que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Quanto ao pedido de diligência, aplicase neste caso o entendimento constante da ementa do acórdão 3802001.290, transcrita acima, segundo o qual não cabe diligência para juntada de prova documental que está em poder da requerente, se esta se abstém de apresentála e não demonstra algum impedimento para fazêlo. Pelo exposto, em especial, tendo em vista que a contribuinte não comprovou em momento oportuno erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior, o que implica a inexistência de direito de crédito líquido e certo, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001500/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA.
A legislação que regulamentou o Sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004.
A concessão estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 01/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o Sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 01/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o Sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 15 00 /2 00 7- 36 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 01/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O presente processo foi formalizado pela DRF/Santo Ângelo (RS), sendo, depois, remetido à DRF/Passo Fundo (RS), observada questão de competência. Dele consta pedido de ressarcimento de créditos de COFINS nãocumulativa efetuado mediante PER/DCOMPs transmitidos eletronicamente entre 13/06/2006 e 30/04/2007, todos relativos ao primeiro trimestre de 2004, totalizando o valor de R$ 248.168,10, conforme cópia de declarações às fls. 02/49. A SAORT da DRF/Passo Fundo (RS) encaminhou o processo à SAFIS para conferir a legitimidade do crédito pretendido pela contribuinte. Essa Seção realizou, então, a necessária fiscalização, emitindo e anexando documentos, tendo produzido o Termo de Verificação Fiscal de fls. 82/84, onde, em especial, assentou: Destacase que o contribuinte tem como Atividade Econômica o Código 46320 Comércio Atacadista de Cereais (Cerealista), com compra e venda principalmente de soja, trigo e milho, adquirindo as mercadorias somente de produtores rurais pessoas físicas. Realiza, também, venda principalmente de Soja à Granel, indicando nas notas fiscais como “Soja Industrial”, com fim específico de exportação, à empresa comercial exportadora. Estas mercadorias revendidas à comercial exportadora, para serem comercializadas, passam apenas por processo de secagem, limpeza e padronização dentro do estabelecimento do contribuinte. (fl. 82) Por sua interpretação, o contribuinte entende ser “Agroindústria” e não uma Cerealista. O Crédito Presumido por aquisição de produtos de origem vegetal de pessoas físicas somente pode ser calculado pelas Empresas Cerealistas sobre as vendas efetuadas a agroindústrias que os utilizem como insumos. (...) na interpretação dos dispositivos pertinentes (Leis 10.276/2001 e 10.833/2003), ao admitir o Crédito Presumido nas aquisições de produtos agrícolas in natura feitas pelas empresas cerealistas, de pessoas físicas, houve a condicionante de que tais produtos deveriam ser vendidos para as agroindústrias que, por sua vez, deveriam utilizar esses produtos como insumos na produção de produtos destinados à alimentação humana ou animal. (...) se os cerealistas, em lugar de venderem os seus produtos in natura (soja, trigo, milho) depois de seco, limpo e padronizado para os agroindustriais, DECIDEM EXPORTÁLO, diretamente ou através de empresas comercial exportadoras, NÃO terão direito ao Crédito Presumido, relativamente a estas exportações. A contribuinte, Empresa Cerealista, não poderia calcular crédito presumido sobre aquisição de soja realizada de pessoas físicas, cujos produtos foram Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001500/200736 Acórdão n.º 3102001.828 S3C1T2 Fl. 3 3 posteriormente revendidos com o fim específico de exportação à empresa comercial exportadora. Por outro lado, na atividade da interessada, não há qualquer indicativo de que ele modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência de seus produtos, não se configurando, em conseqüência, a hipótese prevista no Inciso II do art. 4º do Decreto nº 4.544/2002, como alega. (fl. 83) Na fl. 86 está anexado o Despacho Decisório DRF/PFO de 30/04/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo (RS), resolveu indeferir à pessoa jurídica solicitante, ante as razões indicadas pela Fiscalização, o crédito pleiteado no valor de R$ 248.168,10, decorrente de incentivos fiscais de crédito presumido de COFINS nãocumulativa – exportação, que teria sido apurada no 1º trimestre de 2004. Determinou fosse a contribuinte cientificada, com a comunicação de que poderia apresentar impugnação no prazo legal. A seguir foi anexado Extrato de Processo (fls. 87/90), sendo emitidos o Despacho DRF/PFOSaort de 19/08/2008, que não homologou as compensações declaradas (fl. 91), e a Comunicação de fl. 92, que a contribuinte recebeu em 28/08/2008 (AR de fl. 93). Não conformada com a decisão, apresentou, através de procurador, em 26/09/2008 – fls. 94/104 – sua manifestação contrária (impugnação), onde assenta, em síntese, suas alegações: DOS FATOS · é empresa optante pelo Lucro Real, razão pela qual se subsume ao regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, instituídos pelas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, respectivamente. Em face daquela opção, passou a ser legítima detentora do direito de créditos, nos termos da legislação específica; · conforme atestado, ao adquirir cereais de seus fornecedores realiza as operações industriais de secagem, padronização, limpeza, armazenamento e, posteriormente, comercialização; · consoante o disposto nos arts. 3º e 4º do RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002, a empresa é produtora de alimentos para consumo cuja matéria prima são os cereais adquiridos de seus fornecedores, razão pela qual faz jus a créditos de COFINS quando da aquisição de cereais, forte no que determina o § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; · pelo entendimento da autoridade fiscalizadora, a empresa não teria direito ao crédito, eis que se entendeu que as vendas realizadas pela empresa foram destinadas à exportação, não gerando direito aos créditos presumidos. Entendeuse que houve contrariedade ao § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; · não há como concordar com o entendimento fiscal, razão pela qual merece reforma a decisão proferida nos autos deste processo administrativo. DA DECISÃO PROFERIDA · a autoridade administrativa entendeu que não cabia aceitar o pleito da empresa com referência ao direito aos créditos presumidos, pois as vendas efetuadas pela empresa se destinaram à exportação, não gerando direito a créditos presumidos, tendo havido contrariedade ao § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 · a decisão deve ser reformada, atentandose aos fatos originários do direito da empresa, qual seja, a realização de atividade de industrialização dos cereais adquiridos. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS – RAZÕES DE REFORMA · a autoridade fiscalizadora, ao fundamentar sua decisão, partiu da premissa de que a empresa apenas realizava atividade de comercialização dos cereais adquiridos dos fornecedores pessoas físicas; · a interpretação meramente literal levou a autoridade fiscal a concluir que o pleito e o direito da empresa estariam amparados no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, sendo que a conclusão errônea dos fatos prejudicou a correta aplicação do direito; · a empresa, ao adquirir cereais, em especial o soja, realiza as atividades industriais de secagem, padronização, limpeza e armazenamento, para posterior comercialização. Ao assim proceder, não restam dúvidas de que a empresa realiza a industrialização dos cereais que adquire de seus fornecedores pessoas físicas; · registra os arts. 3º e 4º do RIPI e entende que os processos de secagem, padronização e limpeza caracterizamse atividades que implicam industrialização dos cereais, na modalidade de beneficiamento, consoante determinação contida no RIPI; · não há como negar que a empresa efetua a produção (industrialização por beneficiamento) dos cereais que adquire. Cita entendimento do STJ no pertinente a industrialização de cereal na modalidade beneficiamento; · a empresa é produtora de mercadorias de origem vegetal destinadas à alimentação, vez que realiza industrialização (beneficiamento), sendo inexorável o seu direito ao crédito presumido de COFINS, consoante o que dispõe o § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; · refere à Lei nº 10.833, de 2003, dizendo que não se deve alegar que a empresa não detém o direito ao crédito em face de que exporta seus produtos, tendo em vista que, aplicandose a norma às empresas cerealistas, essas, exportando os cereais adquiridos diretamente de pessoas físicas têm o direito de utilizar crédito de COFINS. Isso porque o direito ao crédito é decorrente da exportação, e não de cerealista. DO DIREITO AO CRÉDITO QUANDO AS VENDAS SÃO REALIZADAS NO MERCADO EXTERNO · registra o art 6º da Lei nº 10.833, de 2003, dizendo que aquele artigo versa sobre uma especificidade da norma, ao prever hipóteses de não incidência da contribuição em tela, que é o caso das receitas decorrentes de exportações diretas e indiretas, bem como da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Refere ao § 1º daquele artigo, entendendo que aquela norma especificou apenas quem poderá utilizar o crédito: pessoa jurídica vendedora. Em momento algum determinou que ela fosse comercial ou industrial, ou ainda, de determinado ramo ou setor, industrial ou comercial; · toda pessoa jurídica, seja ela cerealista ou não, seja ela comercial ou industrial, que vender mercadorias para o exterior, direta (inciso I) ou indiretamente (inciso III), poderá utilizar o crédito da COFINS; · a análise do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, permite concluir que o crédito das aquisições realizadas pelas cerealistas, diretamente de pessoas físicas, aquisições Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001500/200736 Acórdão n.º 3102001.828 S3C1T2 Fl. 4 5 estas que posteriormente são destinadas ao mercado externo, se dá na forma do § 11 do art. 3º da Lei em comento. Reproduz o parágrafo e fala do período de sua eficácia (fevereiro a julho de 2004); · não restam dúvidas acerca do direito da empresa ao crédito presumido da COFINS, consoante as razões que aduziu. DO REQUERIMENTO FINAL · ao finalizar, requer: 1. o recebimento e processamento de sua manifestação, com os documentos que a acompanham; 2. seja dado provimento a sua impugnação para o fim de, reformandose o Despacho Decisório: a) sejam homologados os dados inseridos pela empresa e apurados nas DACONs que comprovam o direito ao crédito; b) por conseqüência, seja reformada a decisão proferida, reconhecendose o direito creditório em favor da empresa. · pede deferimento. Junto à manifestação a contribuinte apresentou os documentos de fls. 105/113. A repartição de origem despachou na fl. 114. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITOS PRESUMIDOS. CEREALISTAS. PERÍODO ANTERIOR A FEVEREIRO DE 2004. Para o período de janeiro de 2004, a pessoa jurídica (cerealista) que adquiria cereais em grãos de pessoa física residente no País não fazia jus a qualquer crédito presumido da contribuição, eis que não havia permissivo na legislação. CRÉDITOS PRESUMIDOS. CEREALISTAS. PERÍODO A PARTIR DE FEVEREIRO DE 2004. Para períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), as empresas cerealistas podiam calcular créditos sobre aquisições de produtos in natura de origem vegetal, realizadas diretamente de pessoas físicas no país, desde que aqueles produtos fossem, posteriormente, vendidos a agroindústrias. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Argumenta não existir nenhuma disposição na Lei n° 10.833/03 que cite a palavra agroindústrias, ou que tal benefício só pode ser concedido a empresas identificadas como tal. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Que o crédito sub judice é concedido a duas hipóteses. A primeira está prevista no §5° do artigo 3° da Lei 10.833/03, “quando foi utilizada a expressão ‘sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo [...]”. Explica, Resta claro que é permitido às pessoas jurídicas produtoras de mercadoria de origem animal ou vegetal, nas classificações citadas, destinadas à alimentação humana ou animal a dedução da COFINS devida em cada período da apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput do artigo 3°, adquiridos no mesmo período de pessoas físicas residentes no país. A segunda, nos §§ 11° e 12° do mesmo art. 3°, “quando, não por acaso, é utilizada novamente a expressão ‘Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo [...]’ para as pessoas jurídicas que adquiram das pessoas físicas residentes no país, produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.1 a 10.8 e 12.01 da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, armazenar, padronizar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente das pessoas jurídicas previstas no §5°, em cada período de apuração”. Entende que “outra confirmação sobre a possibilidade de dois tipos de crédito presumido de COFINS, é dada pelo parágrafo 12°, que tem a expressão ‘Relativamente ao crédito presumido referido no § 11 [...]’”. Com base nisso, considera que para fazer jus ao crédito de COFINS importa preencher os requisitos estabelecidos na Lei e não ser agroindústria. Referindose aos requisitos estabelecidos no §5° do artigo 3° da Lei 10.833/03, esclarece que “a Soja, por exemplo, que é o principal produto da recorrente, está prevista no capítulo 12 e conforme previsto no §10 do artigo 3° acima citado faz jus ao crédito”. Que atende ao primeiro requisito para o aproveitamento do crédito presumido de PIS/PASEP já que é pessoa jurídica e produz mercadorias de origem vegetal elencadas nos códigos constantes no §5° do artigo 3º da Lei 10.833/03, e essa produção é destinada à alimentação humana e de animais. A esse respeito, considera que o Auto de Infração baseando em pressupostos incertos e em presunção. Que a alegação de que não há qualquer indicativo de que as mercadorias forma submetidas a processo de industrialização demonstra a falta de averiguação e fiscalização adequadas no estabelecimento da Recorrente com vistas à comprovação das conclusões do Fisco. Que o próprio Acórdão recorrido admite que as “mercadorias revendidas à comercial exportadora, para serem comercializadas, passam apenas por processo de secagem, limpeza e padronização dentro do estabelecimento do contribuinte”, o que, segundo RIPI, caracterizaria processo de industrialização. Por outro lado, que “também atende ao Segundo Requisito estabelecido no §5° do artigo 3° da Lei 10.833/2002, já que adquire bens e insumos diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país previstos no incisoII caput artigo 3° da Lei 10.833/2003”. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001500/200736 Acórdão n.º 3102001.828 S3C1T2 Fl. 5 7 Que pode, ao contrário de como entendeu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, utilizar os créditos para compensação, pois “eles são vinculados às receitas de exportação e, portanto, não estão sujeitos às limitações impostas às operações do mercado interno”. Ao final, requer a correção monetária dos créditos. Considera que “utilizar os créditos que tem direito a Recorrente apenas pelo seu valor nominal tipifica um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública”. Cita decisão do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O incentivo fiscal destinado às pessoas jurídicas produtoras das mercadorias de origem animal e vegetal classificadas nos Capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul especificados em Lei, pela concessão de crédito presumido das Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, veio sendo definido desde a implantação do sistema não cumulativo das Contribuições. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, de se observar que, em seu texto original, a Lei 10.637/02 se quer mencionava tal benefício, que restou introduzido pela alteração promovida na Lei 10.684/03, dispositivo mais tarde revogado pela Lei 10.925/04, conforme abaixo transcrito. § 10 Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Já em relação à Lei 10.833/03, que disciplinou o sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, o legislador previu, desde o início, a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido não somente às agroindústrias, como também às pessoas jurídicas classificadas como cerealista, compreendidas como tal as que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Basta observar o teor dos parágrafos 5º e 11 do artigo 3º da Lei 10.833/03 abaixo transcritos. § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (...) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. A Lei 10.925/04 veio disciplinar de maneira mais abrangente a desoneração tributária aplicada à cadeia produtiva, confirmando a concessão do crédito presumido à agroindústria e prevendo suspensão do pagamento das Contribuições nos casos especificados, dentre eles, as vendas promovidas pelo cerealista, se não vejamos. Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001500/200736 Acórdão n.º 3102001.828 S3C1T2 Fl. 6 9 III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (...) Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos meus) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A Recorrente argumenta que nem a Lei 10.833/03 não contem nenhuma disposição que restrinja o crédito à agroindústria. Assim, atenderia aos dois requisitos legais para o aproveitamento do crédito presumido da Cofins, já que (i) é pessoa jurídica e produz mercadorias de origem vegetal elencadas nos códigos constantes no texto normativo, sendo sua produção destinada à alimentação humana e de animal e (ii) adquire bens e insumos diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país e exerce cumulativamente as atividades de secar, limpar, armazenar, padronizar e comercializar tais produtos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 É até possível admitir que a interpretação literal dê margem a dúvidas sobre a possibilidade de que a defesa esteja correta na leitura que faz, mas a sugestão de que os créditos presumidos concedidos pela Lei 10.833/03 e, depois, pela Lei 10.925/04, possam ser indistintamente utilizados pela agroindústria ou pelo cerealista não resiste a uma observação contextualizada do texto normativo. A Lei 10.833/03 ao referirse ao crédito deixou muito claro que ele estava destinado a duas pessoas distintas dentro da cadeia produtiva em foco, uma especificada no parágrafo 5º e, outra, no 11. Mais tarde, a Lei 10.925/04 e alterações posteriores, inclui no direito ao crédito presumido, tanto da Contribuição para o PIS/Pasep quanto da Cofins, as compras realizadas pela agroindústria ao cerealista “que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM” e estabeleceu suspensão na venda realizada do segundo ao primeiro Ora, como conceber que a Recorrente esteja compreendida dentre as empresas incluídas no caput do artigo 8º da Lei 10.925/04, que nada mais é do que uma reedição modificada do §5º do artigo 3º da Lei 10.833/02, e, ao mesmo tempo, seja sua própria fornecedora, conforme especifica o inciso I do artigo 8º da Lei 10.925/04 e o § 11 do artigo 3 º da Lei 10.833/03? Vejase que o processo de secagem, limpeza e padronização, que a defesa considera caracterizar atividade produtiva e, por conseguinte, concederlhe a condição para a fruição do benefício definido no §5º do artigo 3º da Lei 10.833/02, está textualmente citado nas duas Leis como sendo uma das atividades que davam, primeiro, o direito ao crédito presumido e, depois, à venda com suspensão do valor das Contribuições apuradas. Ou seja, de fato, aceitar o entendimento defendido pela parte, representaria admitir a possibilidade de que determinado contribuinte estivesse situado, ao mesmo tempo, em dois momentos distintos da mesma cadeia produtiva. Desta maneira, não há qualquer efeito no fato de a Fiscalização Federal ter deixado de aprofundar suas investigações acerca da atividade desenvolvida pela empresa, na medida em que as operações por ela própria declaradas enquadramse nas atividades próprias do cerealista e, por assim enquadraremse, escapam ao conceito no qual o legislador pretendeu incluir a pessoa jurídica de quem ele, o cerealista, é fornecedor. Correta a decisão de piso ao considerar o crédito passível de concessão no período que vai de fevereiro de 2004, entrada em vigor da Lei 10.833, a julho de 2004, quando conforme consta no artigo 16, inciso I, alínea “b” da Lei 10.925/04, abaixo transcrito, o parágrafo 11 do artigo 3º da Lei 10.833/03 foi considerado revogado. Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: (...) b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001500/200736 Acórdão n.º 3102001.828 S3C1T2 Fl. 7 11 Embora isso, como também se extrai do texto normativo contido no § 11 do artigo 3º da Lei 10.833/03, uma das condições para o aproveitamento do crédito requerido pela Recorrente era a de que a empresa vendesse os produtos para às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º. Uma vez que os produtos foram vendidos a empresas comerciais exportadoras, entendo não ter sido atendido um dos requisitos legais para o reconhecimento do direito pleiteado. Não se reconhecendo o direito ao aproveitamento do crédito neste discutido, ausente motivação para que se produza manifestação a respeito do direito à compensação dos mesmos e à correção monetária. VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 24 de abril de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 18471.004376/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2202-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 43 76 /2 00 8- 78 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.004376/200878 Acórdão n.º 2202002.416 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, CAMILO CUQUEJO SUAREZ, devidamente identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 02/09, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.734.643,39, sendo R$ 523.317,37, referentes ao imposto; R$ 426.347,47, aos juros de mora (calculados até 31/10/2008); e R$ 784.977,55, referente à multa de ofício qualificada, em face da constatação da infração de omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras, ao longo do anocalendário de 2002, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não teria comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A seguir, quadro demonstrativo da base de cálculo mensal do imposto, constante da folha de continuação do Auto de Infração, às fls. 74. O procedimento fiscal, que resultou na constituição do crédito tributário acima referido, encontrase relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 61/71), relevando destacar que os rendimentos tributáveis, reputados omitidos, referemse a depósitos efetuados em conta bancária mantida no exterior, cujas provas foram obtidas pela SRFB a 'partir do compartilhamento provas existentes em autos de processo judicial, no bojo do qual fora determinada a quebra do sigilo fiscal de contas mantidas no Israel Discount Bank, conforme decisão da Seção Judiciária do Paraná JF, às fls. 48/54. Às fls. 80/91, Representação Fiscal par Fins Penais, lavrada pela autoridade fiscal, contemplando justificativa para aplicação da multa qualificada, nos seguintes termos: Omissão de rendimentos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Art. 42 da lei n" 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados na conta de n" 9401855, de nome FRANCOMIA, no período de 04 012002 a 31122002,no ' Israel Discount Bank of New York, em New York, USA. Evidenciase, assim o claro intuito do contribuinte de eximirse de pagar os tributos devidos, como objetivamente circunstanciado, caracterizando evidente intuito de fraude, cabendo assim a aplicação da multa prevista no inciso II do art. 957 do RIR/99, de 150%. Cientificado da autuação em 25/11/2008, AR às fls. 78, o contribuinte protocolizou impugnação, em 22/12/2008, às fls. 97/120, alagando, em apertada síntese, o que se segue: a) relata o procedimento fiscal; b) alega a falta de fundamentação da aplicação da multa qualificada; c) alega a inexistência de comprovação, nos autos, da ocorrência de fraude, de modo que a aplicação da multa qualificada seria mero expediente para descaracterizar a efetiva ocorrência da decadência; d) alega inconsistência e discrepância na descrição dos fatos; erro na identificação do sujeito passivo; incerteza quanto à ocorrência do fato gerador; argúi a ilicitude das provas obtidas no exterior; a invalidade da prova emprestada; bem como a inexistência de convênio; fatos que ensejariam a nulidade do lançamento; e) alega cerceamento do direito de defesa em face da ausência do contraditório, na fase de coleta de provas; bem como na omissão da SRFB em fornecer cópias autenticadas dos autos, requerida pela defesa; f) alega que a fiscalização não teria demonstrado nenhum depósito no exterior, e sim débitos, o que caracterizaria a existência dos recursos em período anterior, já abrangido pela decadência. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. No lançamento por homologação, a exemplo do imposto de renda da pessoa física, desde que tenha ocorrido a antecipação do pagamento do imposto, e inexistente os pressupostos a caracterizar sonegação, fraude ou conluio, o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese em 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.004376/200878 Acórdão n.º 2202002.416 S2C2T2 Fl. 4 5 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista o montante exonerado, a autoridade julgadora de primeira instância recorre de ofício. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. A discussão engloba a questão da decadência. Antes de apreciar a preliminar de decadência, cabe enfrentar a qualificação da multa. Da Qualificação da Multa Quanto à aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada tenho a seguinte posição: Verificase na peça defensória que o suplicante entende ser improcedente a aplicação da multa qualificada, amparado na convicção de que é incabível o agravamento da multa, quando não comprovado nos autos, que a ação ou omissão do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. No caso concreto em análise, não há nos autos uma motivação clara para aplicação da multa qualificada. Presumese que a autuante fundamentou a aplicação da multa de 150% sob a consideração de que ficou evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte não declarou a totalidade de seus rendimentos omitindo total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito privado interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos devidos por lei, utilizandose para isso a simulação e pessoas interpostas. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.004376/200878 Acórdão n.º 2202002.416 S2C2T2 Fl. 5 7 finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, no caso em questão, o fato de o contribuinte não ter logrado comprovar a efetividade dos contratos de mútuos realizados, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Em suma, qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A falta de inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, dos quais o contribuinte não logrou a comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea, da sua efetividade, caracteriza simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° . 1.041, de 1994. Deste modo entendo injustificada a manutenção da multa qualificada de 150%. Da Preliminar de Decadência Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, seria o de verificar quando ocorreu a ciência do auto de infração, se ocorreu em 25/11/2008. Ante ao exposto, na apreciação da decadência, no caso concreto, como não cabe a qualificação da multa aplicarseá para apreciar a decadência do lançamento, o art. 150 do CTN e dentro desse contexto, é de se considerar o lançamento decadente, tal como Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 explicado anteriormente, quando da apreciação da preliminar. Acolhese, portanto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte no que toca ao ano calendário de 2002. Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para as infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2002, considerando a existência de pagamento, está previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2003, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2007, para que pudesse alcançar os valores percebidos no ano calendário de 2002. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte e este teve ciência do auto de infração apenas em 25/11/2008, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário no que toca ao ano calendário 2002. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.004376/200878 Acórdão n.º 2202002.416 S2C2T2 Fl. 6 9 Importante frisar que o recorrente apresentou declaração de ajuste anual, tendo imposto retido na fonte no ano de 2002, tal como se nota as fls. 02. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.004376/200878 Acórdão n.º 2202002.416 S2C2T2 Fl. 7 11 Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.004376/200878 Acórdão n.º 2202002.416 S2C2T2 Fl. 8 13 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado, tal como se depreende de sua declaração, entendo ser irrelevante continuar a discussão. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2002 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2007, estaria afastada essa hipótese. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11516.000276/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TERCEIROS. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária devida a outras entidades e fundos (terceiros).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TERCEIROS. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária devida a outras entidades e fundos (terceiros). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TERCEIROS. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária devida a outras entidades e fundos (terceiros). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 02 76 /2 00 9- 41 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000276/200941 Acórdão n.º 2803002.732 S2TE03 Fl. 187 2 Relatório 1. Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, passo a adotar parcialmente o Relatório do acórdão proferido em primeira instância nos seguintes pontos: a) Tratase de lançamento (Auto de Infração de DEBCAD n° 37.217.3144) de contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos (contribuição social do salário educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), relativas às competências de 05/2004 a 13/2007. b) De acordo com o relatório fiscal (fls. 30 a 34 pela numeração do processo digital), o presente lançamento ocorreu devido à exclusão da Autuada do SIMPLES Federal (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), que foi efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo n° 36/2006 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC. c) A apuração das bases de cálculo, ou seja, das remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos segurados empregados, foi feita com supedâneo nos sistemas CNISA (Cadastro Nacional de Informações Sociais) e GFIPWeb, que são alimentados pelas informações declaradas em GFIP pelo contribuinte, e com base nas folhas de pagamento. d) O valor lançado correspondia, em 27/01/2009, ao montante de R$ 47.488,68 (quarenta e sete mil e quatrocentos e oitenta e oito reais e sessenta e oito centavos). 2. O acórdão da decisão de primeira instância (fls. 98/103) julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário com o fundamento de que a exclusão do Simples Nacional não tem o condão de impedir que sejam lançados créditos tributários que passaram a ser considerados devidos. 3. Apresentando seu inconformismo com a decisão de primeira instância a contribuinte apresenta tempestivamente recursos voluntário (fls.106/141), no qual demonstra, em síntese, que o crédito tributário não merece prosperar posto que: a) Verificase a impossibilidade da lavratura do lançamento, pois, sua exclusão do Simples Nacional está pendente de discussão na esfera administrativa, o que faz suspender a exigibilidade do crédito tributário. b) No momento do lançamento os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 36 estavam suspensos até a Manifestação de Inconformidade ser julgada definitivamente na via administrativa, o que ainda não ocorreu, e, durante a suspensão, a empresa deveria ter sido considerada, para todos os efeitos legais, como optante pelo Simples Federal. c) O crédito tributário constituído pelo Auto de Infração DEBCAD n° 37.217.3144 não possui causa legal, não tendo ocorrido o respectivo fato gerador, com a consequente ilegitimidade da exigência. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000276/200941 Acórdão n.º 2803002.732 S2TE03 Fl. 188 3 d) É inconstitucional pretender que a Recorrente suporte os efeitos maléficos da exclusão do Simples antes mesmo da ciência da restrição de direito. e) Por fim, requer a reforma da decisão a quo, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. 4. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000276/200941 Acórdão n.º 2803002.732 S2TE03 Fl. 189 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 2. A Recorrente em seu recursos voluntário (fl. 108) afirma quanto à “impossibilidade da lavratura do lançamento na pendência do julgamento da Manifestação de Inconformidade relativa à exclusão do Simples Federal e, no mérito, a existência de vício insanável que implica na nulidade do lançamento, qual seja a falta de causa legal, de motivação para a sua lavratura.” 3. Ocorre que, em relação à alegação de nulidade do auto de infração, é de notar que tal alegação não prospera, pois não se denota nenhuma das hipóteses de nulidade delineadas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dia os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 4. Constatada a inexistência de nulidade, dou sequência as demais discussões. 5. Conforme aduz o contribuinte, encontrase pendente de julgamento administrativo o ato declaratório de exclusão do simples, assim, a atuação em comento se apresenta de forma a macular o princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000276/200941 Acórdão n.º 2803002.732 S2TE03 Fl. 190 5 6. Nesse ponto, peremptoriamente rechaço tal alegação do contribuinte, eis que todos os atos necessários ao lançamento foram observados pela fiscalização, tanto é assim que, não só em relação à exclusão do Simples, mas também no que diz respeito aos presentes atos, onde se possibilitou o conhecimentos de forma minuciosa dos fatos que ensejaram o lançamento tributário. 7. No que tange à alegação da contribuinte da impossibilidade ou ilegalidade do lançamento, pelo fato de está em discussão ou recurso o ato de sua exclusão do Simples, trago a colação trecho da decisão a quo no sentido de que tal afirmativa: “(...) carece de razão, porquanto, em nenhum dispositivo legal, está previsto que a manifestação de inconformidade apresentada contra o ato de exclusão do Simples Federal tem o condão de impedir que sejam lançados créditos tributários que passaram a ser considerados devidos em decorrência da exclusão. A Lei nº 9.317/1996, que disciplinava o referido regime, não faz qualquer referência sobre os efeitos da impugnação administrativa do ato de exclusão. A suspensão prevista no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, por sua vez, se refere à exigibilidade do crédito tributário, impedindo apenas a propositura da execução fiscal. (...). Diante da falta de previsão legal, portanto, não há como se aceitar a alegação de que a apresentação de manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples Federal teria o condão de impedir a constituição de créditos tributários que passaram a ser considerados devidos em decorrência da exclusão.” 8. Assim, estou inteiramente de acordo com o julgador de primeira instância de que inexiste base legal que suporte os argumentos do contribuinte para a não realização do lançamento decorrente dos presentes autos. 9. É oportuno observar que em relação ao lançamento nesses caso já se encontra sumulado no CARF que discussão quanto à exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. “Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. 10. Diante disso não pode se aventar ter a fiscalização agido em desconformidade com a lei, até porque por ser a atividade de lançamento vinculada, em observância ao disposto no parágrafo primeiro, do art. 142, do CTN, não poderia o Agente Fiscal ter agido de outra forma, sob pena de responsabilidade funcional, in verbis: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000276/200941 Acórdão n.º 2803002.732 S2TE03 Fl. 191 6 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.“ 11. Diante do exposto, observase que as alegações do contribuinte não foram suficientes para afastar a exigência do cumprimento da obrigação em questão, ante as provas constantes no processo, devendo ser mantida a decisão a quo. 12. Corroborando o entendimento prolatado, temse o art. 32 da Lei Complementar nº 123/ 2009, que assim dispõe: “As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” 13. Portanto, está correta a imposição do tributo na forma em que exigido das demais pessoas jurídicas, posto que já se operavam os efeitos da exclusão do Simples. CONCLUSÃO 14. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000675/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Se o contribuinte concorda, na peça recursal, com as razões de mérito expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, resta evidenciada a ausência de litígio a ser dirimido pela instância ad quem.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, e determinar, de ofício, o cancelamento, no acórdão recorrido, da indevida intimação do contribuinte, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Se o contribuinte concorda, na peça recursal, com as razões de mérito expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, resta evidenciada a ausência de litígio a ser dirimido pela instância ad quem. Recurso Voluntário Não Conhecido
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Se o contribuinte concorda, na peça recursal, com as razões de mérito expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, resta evidenciada a ausência de litígio a ser dirimido pela instância ad quem. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, e determinar, de ofício, o cancelamento, no acórdão recorrido, da indevida intimação do contribuinte, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 06 75 /2 00 9- 11 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.000675/200911 Acórdão n.º 2801003.206 S2TE01 Fl. 103 2 Tratase de Notificação de Lançamento por intermédio da qual se apurou, mediante revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte, imposto a restituir no valor de R$ 1.416,29 (Demonstrativo do Valor a Restituir à fl. 24 deste processo digital). Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 22, que houve a glosa do valor de R$ 1.493,10, pleiteado indevidamente a título de Imposto Complementar (mensalão), correspondente a diferença entre o valor declarado (R$ 1.493,10) e o valor efetivamente comprovado (R$ 0,00). O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/4, que foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CGE, por intermédio de acórdão de fls. 34/38. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/07/2011 (fl. 41), o Interessado interpôs, em 15/08/2011, o recurso de fls. 42/43, acompanhado dos documentos de fls. 44/96. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Concorda, no mérito, com a respeitável decisão recorrida, que não reconheceu o direito creditório do Recorrente no valor de R$ 1.493,10, pagos indevidamente e lançados no campo “Imposto Complementar”. Entendeu, agora, que para receber o valor pago indevidamente jamais deveria ter lançado o valor no campo “Imposto Complementar” de sua declaração, mas procedido conforme orientações contidas no acórdão recorrido. Ignorava por completo o procedimento correto, tanto que ingressou com ação judicial acreditando ser esta a única via possível para a restituição do valor. Acompanhou cada parágrafo do venerando acórdão, manifestando total concordância quanto ao mérito, porém, causoulhe estranheza a “intimação para pagamento” constante da decisão recorrida, uma vez que em nenhum momento houve dúvidas a respeito do pagamento do tributo. O próprio julgado admite o regular pagamento do valor de R$ 1.493,10. Espera que a sua “intimação para pagamento” seja apenas um equívoco, pois respeitosamente entende que não existe nada a recolher, pois o valor de R$ 1.493,10 já está comprovadamente recolhido. Lembra, por fim, que a ação judicial ajuizada continua em trâmite, com decisões que lhe foram favoráveis em duas instâncias (cópias anexadas à peça recursal). Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Observo, inicialmente, que não se aplica, à espécie, a Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.000675/200911 Acórdão n.º 2801003.206 S2TE01 Fl. 104 3 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. É que o objeto da ação judicial ajuizada pelo Recorrente diverge do objeto do presente processo administrativo. Enquanto neste o objeto é a compensação indevida de imposto complementar, no valor de R$ R$ 1.493,10, naquela o objeto é a devolução de valores retidos na fonte, pela fonte pagadora, no valor de R$ 2.909,39. Registro, por oportuno, a justa indignação do Recorrente com o fato de constar, no resumo do acórdão recorrido, indevida “intimação para pagamento”, uma vez que a tabela constante do voto condutor evidencia que a decisão de piso manteve o resultado apurado pela Fiscalização, qual seja, imposto a restituir no valor de R$ 1.416,29. Não resta dúvida, portanto, que a fundamentação do voto condutor está em desarmonia com o resumo do acórdão, revelandose indevida a “intimação para pagamento”, que decorreu, ao que parece, de mero equívoco dos julgadores da instância de piso. Por outro lado, o Interessado colaciona aos autos a petição de fl. 20, dirigida à Justiça Federal, informando que o valor de R$ 1.416,29 já lhe foi restituído, com a devida correção monetária. Na peça recursal manifesta, expressamente, sua concordância com as razões de mérito expendidas na decisão de 1ª instância, o que, a meu ver, tem como consequência o não conhecimento do recurso, por ausência de litígio. Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso e para determinar, de ofício, o cancelamento, no acórdão recorrido, da indevida intimação do contribuinte. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911269/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.
Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3802-001.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 69 /2 00 9- 21 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ªa Turma da DRJ/BSB, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, juntado aos autos, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2003 Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, cabe à Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito informado na declaração de compensação, que constitui confissão de dívida, sem necessidade de formalizar notificação lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão seguiuse nos seguintes termos: “A manifestação de inconformidade é tempestiva a atende aos requisitos de admissibilidade, cabendo dela tomar conhecimento A respeito da alegação da interessada, inicialmente oportunizase esclarecer que o despacho denegatório da homologação de compensação não se trata de notificação de lançamento prevista no art. . 9º do Dec. nº. 70.235, de 1972. Isto porque não é necessário, na espécie, emitir instrumento de constituição do crédito tributário da Fazenda Nacional, eis que o débito declarado pelo sujeito passivo no PER/DCOMP constitui confissão de dívida, por força do disposto no art. 74, § 6º., da Lei nº. 9.430, de 1996, verbis: Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Em suma, não homologada a compensação, a Fazenda Nacional deve comunicar o fato ao interessado, identificando os motivos da recusa, e, na mesma oportunidade, proceder a cobrança do débito indevidamente compensado. Discordando o sujeito passivo dos motivos que levaram à recusa da compensação, pode expressar sua irresignação em manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias, como lhe é assegurado pelo mesmo art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Leinº. 10.833, de 2003, a seguir reproduzidos: Art. 74 (...). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911269/200921 Acórdão n.º 3802001.526 S3TE02 Fl. 284 3 manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Não há portanto, que se falar em tolhimento do direito de defesa, muito menos em nulidade. Apenas para ressaltar, no caso concreto a compensação não foi homologada por inexistência do crédito utilizado PER/DCOMP transmitido pela interessada, a qual poderia, em sua petição, se assim entendesse, diante do fato esclarecido pelo Fisco, trazer aos autos argumentos e provas que pudessem deixar patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos: (i) que retificou a DCTF originária nos termos do que dispõe o artigo 11 da Instrução Normativa da RFB nº 903/2008, (ii) que a Constituição Federal assegura o princípio do devido processo legal e, por via de conseqüência, as decisões administrativas devem se revestir dos valores nele inerentes para ter validade e eficácia e (iii) que, no presente caso, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. É o relatório. Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Voto Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Admissibilidade do Recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal. Mérito Dá análise dos autos podemos extrair que, conforme Despacho Decisório reproduzido à fl. 21, emitido eletronicamente em 07/10/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº01897.39386.190608.1.7.042879, transmitido em 19/06/2008, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 23.114,32, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 31/03/2003, efetuado através de DARF no importe de R$ 64.130,24, recolhido em 15.04.2003, sob o código de receita 2172 (COFINS), cujo valor foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 De início, ressaltamos que os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o Decretolei 2.124 de 1984, em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito tributário, bem como o artigo 74, § 6º da Lei n. 9.430 de 1996, dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Portanto, salvo melhor juízo, não dúvida que a dívida foi confessada. Em ato contínuo, temos que o processo administrativo é formalizado, dentre outros fins, com o objetivo de espelhar com clareza o conteúdo nele contido para garantir a segurança jurídica nos conflitos existentes entre o administrado e administração, já que é instrumento que decorre do dever do Estado de cumprir a lei. Nesse sentido, o processo administrativo é cercado de regras que compõem o procedimento. Portanto, conforme acima exposto, de pronto, podemos chegar a algumas conclusões: (i) sem definição das etapas por lei própria, o processo perde sua nitidez e transparência, de modo a tornar difícil ao contribuinte identificar suas possibilidades de participação na marcha processual administrativa, deixando de exercer seus direitos assegurados, (ii) sem comunicação dos atos processuais, o contribuinte não poderá conhecer ou exercer seu direito de defesa. Aqui estamos diante tanto do direito de saber qual é a exigência tributária quanto aos fundamentos aos quais motivaram tal exigência e (iii) não existindo medidas que permitam ao contribuinte contestar o feito, inviabilizado estará o exercício da confrontação dos elementos de prova dos argumentos apresentados pelas partes na relação jurídica instaurada. Estabelecidas as premissas acima, passemos para análise da lide administrativa que se resume em duas partes: (i) aplicação dos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e (ii) possibilidade de provas em fase recursal. No que concerne à alegação da não aplicação dos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, esta deve ser rechaçada de plano porquanto a recorrente foi intimada de todas as etapas processuais, inclusive tomando ciência do teor e fundamentos dos atos da Administração. Tudo nos moldes da norma de regência: Decreto 70.235/72. Outrossim, da leitura das peças processuais, denotamos a participação efetiva da contribuinte na estrada processual administrativa na busca do reconhecimento do alegado direito ao crédito. No que diz respeito à apresentação de prova em grau de recurso, art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendemos que o caso em exame não se ajusta a nenhuma das hipóteses de exceção acima descritas. A prova, com efeito, poderia e deveria ter sido feita de imediato, já Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911269/200921 Acórdão n.º 3802001.526 S3TE02 Fl. 285 5 que, consoante amplamente destacado no curso do processo, a não homologação estava assentada na não comprovação do crédito. Ou seja: matéria exclusivamente de prova. Sobre o tema, sempre é bom lembrar, que o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina expressamente que, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz a comprovação da existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Frisamos: o comando legal, portanto, fixou pressupostos nucleares para a efetivação da compensação de créditos tributários O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Por outro lado, apenas em sentido de alerta, admitida a juntada da prova em segunda instância, esta deveria ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. De modo que, dada a ausência de provas no sentido de comprovação da liquidez e certeza do direito ao crédito, somada a ocorrência da preclusão temporal, não há como reconhecer o pleito da recorrente. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002821/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/05/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 28 21 /2 00 9- 16 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MRF Construções LTDA, contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento fiscal em decorrência de descumprimento de obrigação acessória. Segundo o fisco, o contribuinte apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação a Previdência Social – GFIP de forma incorreta em relação aos dados não correspondentes aos fatos geradores de 05/2004. 2. A ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA. DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (f. 55) 3. O contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, que não deixou de prestar informações verídicas em GFIP, pois o erro foi constatado e retificado durante o período de fiscalização. 4. A fiscalização emitiu despacho informando sobre a intempestividade da peça recursal, no que resultou no encaminhamento do processo à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Inicialmente, enfrento a preliminar levantada pelo fisco no sentido de que o recurso voluntário seria intempestivo, eis que protocolado após o prazo de trinta dias. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.002821/200916 Acórdão n.º 2301002.480 S2C3T1 Fl. 77 3 2. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 3. Nesse sentido, todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 4. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. 5. A Portaria MPS n.º 323, de 27 de agosto de 2007, que vigorava a época da interposição do recurso, assim tratou da matéria: “Art. 26. Os prazos estabelecidos neste Regimento são contínuos e começam a correr a partir da data da ciência da parte, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. § 1º O prazo só se inicia ou vence em dia de expediente normal no órgão em que tramita o recurso ou em que deva ser praticado o ato. § 2º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento ocorrer em dia em que não houver expediente ou em que este for encerrado antes do horário normal. § 3º Os prazos previstos neste Regimento são improrrogáveis, salvo em caso de exceção expressa. [...] Art. 31. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso e para o oferecimento de contrarazões, contado da data da ciência da decisão e da data da intimação da interposição do recurso, respectivamente. § 1º Os recursos serão interpostos pelo interessado, preferencialmente, junto ao órgão do INSS que proferiu a decisão sobre o seu benefício, que deverá proceder a sua regular instrução com a posterior remessa do recurso à Junta ou Câmara, conforme o caso. § 2º O prazo para o INSS interpor recursos terá início a partir da data do recebimento do processo na unidade que tiver atribuição para a prática do ato e, para oferecer contrarazões, iniciará a contagem a partir da data da protocolização ou da entrada do recurso pelo beneficiário ou pela empresa na unidade que proferiu a decisão, de forma que tal ocorrência deverá ficar registrada nos autos, prevalecendo a data que ocorrer primeiro. § 3º Expirado o prazo de trinta dias para contrarazões, de que trata o caput, os autos serão imediatamente encaminhados para julgamento pelas Juntas de Recursos ou Câmaras de Julgamento do CRPS, hipótese em que serão considerados como contrarazões do INSS os motivos do indeferimento inicial. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 § 4º O órgão de origem prestará nos autos informação fundamentada quanto à data da interposição do recurso, não podendo recusar o recebimento ou obstarlhe o seguimento do recurso ao órgão julgador com base nessa circunstância. § 5º Os recursos em processos que envolvam suspensão ou cancelamento de benefícios resultantes do programa permanente de revisão da concessão e da manutenção dos benefícios da Previdência Social, ou decorrentes de atuação de auditoria, deverão ser julgados no prazo máximo de sessenta dias após o recebimento pela unidade julgadora. § 6º Findo o prazo de que trata o parágrafo anterior, o processo será incluído pelo Presidente da unidade julgadora na pauta da sessão de julgamento imediatamente subsequente, da qual participar o Conselheiro a quem foi distribuído o processo.” 6. Cumpre ressaltar que o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. 7. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do referido Decreto, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. 8. E sobre a questão, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamento o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: “Art. 9º Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º).” 9. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...] Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.002821/200916 Acórdão n.º 2301002.480 S2C3T1 Fl. 78 5 Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 10. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” 11. In casu, compulsando os autos, verificase que a empresa foi cientificada do acórdão nº 0529.253 – prolatado pela 6º Turma da DRJ/CPS – no dia 21/07/2010 (quarta feira), conforme cópia do AR juntado à f. 58, e seu recurso foi protocolado em 03/09/2010 (quarta feira), nos termos do documento de f. 59, portanto, fora do prazo recursal (último dia para recorrer: 20/08/2010 – sexta feira). 12. A seu turno a empresa não juntou aos autos prova no sentido de desqualificar o despacho exarado pela primeira instância ou que justificasse o atraso em protocolar a peça recursal. 13. Posto isso, não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. CONCLUSÃO 14. Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por se tratar de peça intempestiva. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13896.002840/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFICIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO.
Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 40 do art. 150 do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. IMPRESCINDIBILIDADE.
Para a configuração da omissão de receitas, com base na apuração de depósitos bancários de origem não comprovada, é necessário que a pessoa jurídica tenha sido regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos depositados. Na ausência de intimação válida, ou com prazo incompatível com a providência requerida, não se pode reconhecer a regularidade da intimação, e conseqüentemente da imputação de omissão de receitas.
Numero da decisão: 1101-000.671
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Valmar Fonseca de Menezes, e Nara Cristina Takeda Taga. Fez sustentação oral o patrono da interessada, Dr. Tácio Lacerda Gama (OAB/SP n. 219.045).
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFICIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO. Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 40 do art. 150 do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. IMPRESCINDIBILIDADE. Para a configuração da omissão de receitas, com base na apuração de depósitos bancários de origem não comprovada, é necessário que a pessoa jurídica tenha sido regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos depositados. Na ausência de intimação válida, ou com prazo incompatível com a providência requerida, não se pode reconhecer a regularidade da intimação, e conseqüentemente da imputação de omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 28 40 /2 00 9- 68 Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Valmar Fonseca de Menezes, e Nara Cristina Takeda Taga. Fez sustentação oral o patrono da interessada, Dr. Tácio Lacerda Gama (OAB/SP n. 219.045). (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrados em 14/12/2009, pelo Serviço de Fiscalização Sefis da DRF Barueri/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 34.279.036,93, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, assim como, a multas isolada de 50% e os juros isolados por falta de recolhimento das antecipações (estimativas) de IRPJ, tendo em conta as irregularidades apuradas, no anocalendário 2004, e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 336/343, parte integrante da peça acusatória: "I INTRODUÇÃO Tratase o contribuinte de pessoa jurídica que atua no ramo do comércio atacadista de mercadorias em Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 3 3 geral, cujo objeto social, conforme a consolidação do contrato social constante da 28ª Alteração Contratual da empresa, com data de 15/06/2005, é: 'a) comércio atacadista e distribuição de tecidos, artigos de vestuário, cama, mesa e banho, bijuterias, veículos automotores, motos e acessórios, café, cerveja, bebidas, produtos alimentícios, material de construção, pisos de PVC, etc.; b) prestação de serviços técnicos de manutenção dos produtos que comercializa; e c) participação em outras sociedades como acionista ou quotista'. No Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ da RFB, o contribuinte encontrase registrado sob o Código Nacional de Atividade Econômica CNAE 5191 “801 Comércio atacadista de mercadorias em geral sem predominância de artigos para uso na agropecuária”, tendo iniciado suas atividades em 11/05/1992. No anocalendário 2004, exercício 2005, a empresa apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2005), ND 1267241, declarando ter efetuado a apuração do IRPJ e da CSLL pela sistemática do lucro real anual. Contudo, é necessário observar que as Fichas 09 Demonstração do Lucro Real, 06 Demonstração do Resultado do Exercício, 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa e 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, além das fichas relativas ao cálculo da estimativa mensal da CSLL, foram apresentadas totalmente em branco, sem qualquer valor informado. Notese ainda que as fichas referentes ao Custo dos Bens e Serviços Vendidos, bem como às Despesas Operacionais também foram entregues sem movimento. O quadro societário da empresa, de acordo com os dados constantes dos sistemas cadastrais da RFB e o contrato social e alterações, é constituído por dois sócios administradores, quais sejam: 1) NATANAEL SANTOS DE SOUZA, CPF n° 046.119.08852, com 50% de participação no capital social; e 2) DENISSON MOURA DE FREITAS, CPF n° 104.780.79800, participando com os 50% restantes. O contribuinte em epígrafe foi originalmente selecionado para procedimento de fiscalização Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 relativo às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e para o Programa de Integração Social PIS pertinentes aos anos calendário de1999 a 2004. Posteriormente, a ação fiscal foi ampliada para incluir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ do anocalendário 2004, uma vez que a empresa apresentava indícios de incompatibilidade entre a receita declarada e a movimentação financeira que, conforme as informações prestadas pelas instituições financeiras, seria de R$ 79.762.052,27 no anocalendário 2004. Cabe destacar que a presente ação fiscal foi originalmente iniciada pela antiga DRF/Taboão da Serra, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0812600200600097, expedido pelo titular daquela unidade. Face à extinção da DRF/Taboão da Serra, e tendo em vista a edição da Portaria MF n° 95 de 30/04/2007, publicada no DOU de 02/05/2007, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, foi emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0811300200700262, em substituição ao antigo MPF n° 0812600200600097, que foi encerrado. II HISTÓRICO DA AÇÃO FISCAL Em 22/05/2006 o contribuinte teve ciência por via postal, conforme Aviso de Recebimento juntado ao presente, do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 12/05/2006, tendo sido intimado a apresentar os seguintes documentos/elementos, relativos aos anos calendário 1999 a 2004: 1) contrato social e alterações posteriores; e 2) Livros Diário e Razão. A fiscalizada apresentou em 31/05/2006 os seguintes elementos/documentos (docs. anexados ao presente): 1) contrato social e alterações posteriores (1ª a 28ª alteração); 2) Livros Diário e Razão dos anos calendário 1999 a 2004. Entretanto, verificouse que os Livros Diário e Razão relativos ao ano calendário 2004 traziam equivocadamente, nos termos de abertura e encerramento, a indicação do CNPJ de uma filial. Assim sendo, tais livros foram devolvidos ao contribuinte para que este procedesse à retificação, ficando a pessoa jurídica reintimada a apresentálos no prazo de 10 dias, conforme o Termo de Devolução de Documentos lavrado em 20/06/2006. Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 4 5 Posteriormente, em 03/07/2006, a empresa efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão do ano calendário 2004 (cópias extraídas dos mesmos formam o Anexo I ao presente). Em seguida, face a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n° 0812600 20060009731, que ampliou a ação fiscal em andamento para incluir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao anocalendário 2004, o contribuinte foi intimado em 12/03/2007, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 05/0312007, a apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: a) extratos de movimentação financeira relativos ao anocalendário 2004, de todas as contascorrentes, contas de poupança e de aplicação financeira de titularidade do contribuinte, mantidas nas instituições financeiras abaixo relacionadas: Instituição Financeira CNPJ nº Movimentação Financeira (R$) Banco do Brasil S/A 00.000.000/000191 18.761.813,11 Banco ABN Amro Real S/A 33.066.408/000115 13.492.931,93 Unibanco S/A 33.700.394/000140 2.943.330,05 Banco Safra S/A 58.160.789/000128 9.190.889,49 Banco Santos S/A 58.257.619/000166 50.810,51 Banco Itaubank S/A 60.394.079/000104 2.439.561,38 Banco Itaú S/A 60.701.190/000104 51.863,32 Banco Bradesco S/A 60.746.948/000112 16.142.386,51 Banco BCN S/A 60.898.723/000181 450.678,89 Banco Sudameris Brasil S/A 60.942.638/000173 3.684.578,59 Banespa S/A 61.411.633/000187 11.049.962,48 Banco do Est Rio Gde Sul S/A 92.702.067/000196 1.503.246,01 Total 79.762.052,27 b) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, no período acima especificado. O contribuinte foi ainda cientificado que deveriam ser apresentados os extratos de todas as contas mantidas na instituição financeira, tais como: conta Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 corrente, conta de poupança e de aplicações financeiras, remessas para o exterior, fechamento de câmbio etc... Cabe também assinalar que os valores da movimentação financeira acima discriminados foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Em 26/03/2007, o representante do contribuinte compareceu à repartição, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 05/03/2007, e apresentou os seguintes documentos, os quais ficaram retidos (Termo de Comparecimento e de Reintimação Fiscal de 26/03/2007): extratos bancários relativos ao anocalendário 2004, de contas mantidas junto aos Bancos Real, Safra, Bradesco, BankBoston, Sudameris, Banespa, do Brasil, Unibanco e Banco Santos, em um total de 48 pastas. Na ocasião, a fiscalizada foi reintimada a apresentar, no prazo de 20 dias, os seguintes elementos/documentos: extratos bancários relativos ao anocalendário 2004, de contascorrentes, de poupança e de aplicação financeira, mantidas junto aos Bancos Itaú, BCN e Banco do Estado do Rio Grande do Sul; extratos de movimentação do período de 25/11/2004 a 31/12/2004 da conta corrente n° 13 0015406, agência 0347, do Banespa. O representante do contribuinte retomou em 11/04/2007 (Termo de Comparecimento Fiscal lavrado nesta data), e apresentou os seguintes extratos bancários, em 14 pastas, os quais foram retidos na oportunidade: 1) Banco Banrisul do período de 01/12/2003 a 31/01/2005; 2) Banco Itaú do período de 17/03/2004 a 01/04/2005; 3) Banco Bradesco do período de 01/03/2004 a 31/01/2005; 4) Banco BCN do período de 03/12/2003 a 27/02/2004; 5) Banco Banespa do período de 30/11/2004 a 31/12/2004. Cópias dos extratos de movimentação financeira apresentados encontramse no Anexo II ao presente processo. É importante assinalar que foram apresentados os extratos bancários relativos a um total de 33 contas, como relacionado a seguir: Instituição Financeira Agência Conta Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 5 7 BCN (mesma cta.) 166/2353 3986828/1808 Bradesco 2657 /3455 4902 Itaú 3428 086690 Banco do Brasil 21687 34258 55220 3618323 BankBoston 600210 600210 600210 13.5136.25 18.6916.24 217097 Real 131 4.722.631 Santos 19 131462 Sudameris 1528 6180350 Banespa 0155/0347 130026863/130015406 Banrisul 217 217 217 217 06.036718.00 06.036718.19 06.036718.27 26.036718.05 Safra 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 000002219 002016888 002001333 002010341 002016888 002019615 002017914 002022446 002022845 002026093 002028436 002031739 002030112 002036196 002036579 Unibanco 7197 7197 1048898 1048880 Por outro lado, analisandose os registros nos livros comerciais (Diário e Razão) do fiscalizado, é possível identificar as seguintes contas contábeis como correspondentes a contas bancárias: Instituição Financeira Agência Conta BCN 166 3986828 Bradesco 3455 22190 Bradesco 00010715 Bradesco 3455 49026 Banco do Brasil 21687 55220 Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 SC 3618323 BankBoston 13.5136.25 Real 131 4.722.631 Santos Sudameris Brasil 207 180353003 Banespa 130026863 Banrisul 217 06.036718.00 Safra 13700 000002219 Unibanco 305 1048898 Cabe ressaltar ainda que é fácil verificar que os saldos do início e final do ano de tais contas contábeis nem sempre mantém a coincidência com os saldos constantes dos extratos de movimentação financeira. Assim, a título de exemplo, podese citar a conta n° 3618323 do Banco do Brasil, cujos saldos inicial e final do ano são de, respectivamente, R$ () 47.877,27 (devedor) e R$ 34.263,05 no extrato de movimentação financeira, e de R$ 0,00 e R$ 32.207,67 nos registros contábeis. Vale mencionar também a conta n° 4.722.631 da agência 0131 do Banco Real, cujo extrato apresenta saldo inicial de R$ () 2.670,17 (devedor) e final de R$ () 41.655,22 (devedor), enquanto que na contabilidade figuram saldos inicial de R$ 0,00 e final de R$ () 2.476,95 (devedor). O contribuinte possui ainda em sua escrituração o registro de uma conta "genérica" para lançamento de operações em contas bancárias, denominada "Diversos", código 1010999, que aparentemente é empregada para o registro de transações em várias contas e cujo saldo sempre é nulo ao final de cada mês. Tendo em vista a edição da Portaria MF n° 95 de 30/04/2007, publicada no DOU de 02/05/2007, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e extinguiu a DRF/Taboão da Serra, foi emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal o Mandado de Procedimento Fiscal Regional MPF n° 0811300 200700262, em substituição ao antigo MPF n° 0812600200600097. O contribuinte foi cientificado em 22/06/2007, por intermédio do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal de 11/06/2007, da emissão do MPF n° 08113002007 Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 6 9 00262, bem como do encerramento do MPF n° 0812600200600097. Outrossim, a pessoa jurídica foi ainda cientificada que o procedimento fiscal, originalmente iniciado em cumprimento ao MPF n° 0812600200600097, prosseguia normalmente, sendo que todos os atos subseqüentes passariam a ser emitidos sob a nova numeração. Da análise das informações e extratos de movimentação financeira apresentados, foram apurados os valores creditados e/ou depositados no anocalendário 2004 nas contas bancárias de titularidade do fiscalizado. Em seguida, foi encaminhado por via postal para o domicílio do contribuinte o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 30/11/2009, intimandoo a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, conforme a relação de créditos a examinar/comprovar em 52 folhas, que compõe o Anexo ao Termo de Intimação Fiscal. É oportuno assinalar que na relação acima mencionada já foram excluídos os créditos/depósitos que foi possível identificar como decorrentes de resgates de aplicações financeiras, estornos de lançamentos, devoluções de cheques, empréstimos e transferências entre contas. Na oportunidade, o contribuinte foi também cientificado que a não comprovação da origem dos recursos depositados/creditados em sua conta bancária ensejaria o lançamento de oficio por omissão de rendimentos, conforme o disposto no art. 849 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). O contribuinte foi também intimado a prestar os seguintes elementos/esclarecimentos: 1) Esclarecer o motivo pelo qual, em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2005 relativa ao ano calendário 2004, ND 1267241, as fichas relativas à Demonstração do Resultado, à Demonstração do Lucro Real e ao Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram apresentadas sem preenchimento. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 10 2) Apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR relativo a anocalendário 2004, bem como demonstrativo de apuração da base de cálculo da CSLL. 3) Apresentar relação de bens e direitos constantes de seu ativo permanente, discriminando o documento de aquisição, data e valor contábil, bem como o órgão e o número de registro, se for o caso. Anexar cópia dos documentos de aquisição dos bens e direitos, tais como notas fiscais, escrituras e certidões de registro de imóveis, certificados de registro e licenciamento, entre outros. Entretanto, a correspondência encaminhada para o endereço cadastral do sujeito passivo, qual seja, Av. Miguel Pastuszak, 202, Anexo I, Parque Paraíso, Itapecerica da Serra SP, não foi entregue, após três tentativas, por se encontrar o "destinatário ausente", conforme informação obtida na página dos correios na internei. Em diligências efetuadas ao domicílio do contribuinte, nos dias 10/12/2009 e 11/12/2009, verificouse que, de fato, existiam no local uni depósito de mercadorias e um prédio anexo, e que ambos encontravamse fechados e sem qualquer movimento, conforme Termos de Constatação Fiscal e fotos tiradas no local, juntadas ao presente. Além disso, em uma construção em andamento no terreno ao lado, um dos encarregados informou que o local estaria sem qualquer movimento ou atividade há pelo menos 4 meses. Diante dos fatos acima expostos, considerando que não foi possível contatar o contribuinte, foi dado prosseguimento à ação fiscal com as informações disponíveis. VERIFICAÇÕES EFETUADAS E INFRAÇÕES APURADAS Analisadas as informações constantes do presente processo, foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada; Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada. A seguir, são detalhadas as infrações acima. Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 7 11 1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Da análise das informações e documentos apresentados pelas instituições financeiras, foram apurados os valores creditados e/ou depositados no anocalendário 2004 nas contas bancárias do fiscalizado (Anexo ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 30/11/2009). Pelo Termo em questão o contribuinte seria intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Vale ressaltar novamente que não foi possível cientificar o contribuinte do Termo de Intimação Fiscal em questão, uma vez que não se obteve êxito em três tentativas de entrega via postal, todas elas retornando a informação "destinatário ausente" (conforme consulta à página dos correios na internet), e de outra parte, as duas diligências efetuadas ao domicílio do sujeito passivo, no intento de dar ciência pessoal ao fiscalizado, também fracassaram, encontrandose o estabelecimento fechado e sem movimento (Termos de Constatação de 10/12/2009 e 11/12/2009). Confrontandose os valores dos créditos/depósitos efetuados nas contas bancárias do contribuinte, constantes do Anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 02/12/2009, com os registros contábeis constantes dos Livros Diário e Razão apresentados pela pessoa jurídica, é importante observar que: a) para as contas bancárias para as quais se logrou encontrar a conta contábil correspondente, serão considerados como comprovados os depósitos/créditos cujo registro na contabilidade foi possível identificar, inclusive aqueles relativos a recebimentos/liquidação de títulos e/ou receitas contabilizadas; b) por outro lado, para parcela significativa das contas bancárias, assim como dos créditos/depósitos, não se conseguiu identificar a conta contábil associada e nem os lançamentos Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 12 contábeis correspondentes aos créditos/depósitos realizados nas contas bancárias; c) cabe assinalar que a maior parte dos créditos/depósitos cuja contabilização não se conseguiu verificar é relativa ao recebimento de receitas e/ou liquidação de títulos, como indicam os históricos "liquidação de título", "liquidação de cobrança", "cobrança", "recebimento", "cr. título", entre outros. Assim sendo, diante do acima exposto e tendo em vista que resultaram infrutíferas as tentativas de intimar o contribuinte tanto por via pessoal como postal, foi dado prosseguimento à ação fiscal com as informações disponíveis, considerandose como não contabilizados os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, no anocalendário 2004, para os quais não foi possível identificar o lançamento na contabilidade correspondente. Tais depósitos/créditos encontramse discriminados nos Extratos de Créditos Não Contabilizados. Os valores depositados/creditados mensalmente em cada uma das contas do contribuinte são apresentados no Quadro Resumo de Depósitos/Créditos Não Contabilizados. Neste demonstrativo é totalizado o montante de R$ 33.240.054,08 de créditos/depósitos não comprovados no anocalendário 2004. Portanto, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 e do art. 849 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), será constituído o crédito tributário do IRPJ e de seus reflexos de CSLL, COFINS e PIS referente à omissão de receitas, no montante dos depósitos/créditos não contabilizados, com os acréscimos legais de multa de ofício e juros de mora. 2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Tendo em vista que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto de renda, fica sujeito à multa isolada pela insuficiência de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada sobre a omissão de receitas, nos termos do art. 44, parágrafo 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Portanto, será efetuado o lançamento de ofício da multa isolada de 50% sobre os valores do IRPJ Estimativa que deixaram de ser recolhidos Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 8 13 mensalmente, como apresentado no Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada. IV CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente fiscalização restringiuse à verificação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao anocalendário 2004, assim como da COFINS e do PIS, e foi efetuada com base nos dados disponíveis no decorrer da fiscalização. Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional de fazer verificações posteriores, e cobrar o que for devido, em razão de fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou conhecidos nesta oportunidade. Este Termo e todos os demonstrativos nele mencionados fazem parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. E, para constar e surtir os devidos efeitos legais, o presente Termo foi lavrado em 03 (três) vias de igual forma e teor, que vão assinadas por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo que a ciência do sujeito passivo se dará através de Edital afixado nas dependências da ARF/Taboão da Serra, unidade de domicílio do contribuinte.” Cientificada dos lançamentos, mediante o Edital de Intimação nº 115, de 15/12/2009, de fls. 433, afixado na DRF Barueri/SP em 15/12/2009, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (cf. instrumento de mandato de (fls. 541), protocolizou a impugnação de fls. 508/539, em 05/03/2010, aduzindo em sua defesa, as razões de fato e de direito a seguir expostas. Nas preliminares, defende a tempestividade da peça apresentada, pelos fundamentos a seguir reproduzidos: “7. Ocorre, entretanto, que a publicação por edital, na forma como procedida, é inválida para efeitos de intimação da empresa. Portanto, deve ser considerada como data da ciência da lavratura do auto de infração — e da abertura do prazo de impugnação o dia 03/02/2010, quando, de fato, foi dado vistas do processo ao contribuinte (fls. 438). Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 14 8. Isso porque a afixação do edital foi realizada sem que os meios de intimação previstos na legislação fossem observados. De acordo com o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação no processo administrativo fiscal deve ser feita (i) pessoalmente, (ii) por via postal, (iii) por meio eletrônico e, apenas quando um destes meios resultar improfícuo, por edital. 9. Nesse sentido, cumpre destacar que, desde o início da fiscalização, em 19/05/2006, o contribuinte atendeu diligentemente todas as intimações encaminhadas, pessoalmente ou via postal, dentro do prazo estipulado pelo agente fiscal responsável. 10. Tal situação pode ser verificada através dos inúmeros comprovantes de recebimentos dos Correios (AR's), dos termos de intimação devidamente assinados e das petições de entrega de documentos juntados aos autos (fls. 81 e ss. 178, 181, 186, 189, 192, 205269, 207, 209, 211 e ss, 214 e ss, 217, 219 e ss, 227 e ss, 230 e ss. e fls. 296). 11. Os diversos contatos realizados entre a empresa e a autoridade fazendária demonstram que, sem sombra de duvidas, o Impugnante sempre se mostrou presente e acompanhou cada etapa do procedimento fiscal. Ou seja, nunca houve dificuldades em contatar os representantes da empresa. 12. Em 30/11/2009, aliás (um mês após último contato — fis. 269, ocasião em que o contribuinte foi intimado do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal de fls. 267), a autoridade fiscal lavrou o Termo de Intimação de fls. 270/323. Neste foi determinado prazo de dez dias, contados da ciência, para apresentação de documentos e esclarecimentos 'em relação à movimentação financeira efetuada no anocalendário 2004 pelo contribuinte, comprovar mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias, conforme a relação de créditos a examinar/comprovar em 52 folhas que compõe o Anexo ao presente Termo'. 13. Referido Termo de Intimação foi enviado aos Correios em 02/12/2009 e, apesar das três tentativas de entrega (sendo uma delas no sábado) terem sido prejudicadas pela ausência do destinatário, o contribuinte foi devidamente cientificado da solicitação em 10/12/2009, apenas uma semana após Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 9 15 o envio da intimação, conforme histórico de rastreamento disponível no endereço eletrônico dos Correios (DOC. 03). 14. Nos dias 10 e 11/12/2009, visando dar cumprimento ao referido Termo de Intimação para apresentação de documentos, a autoridade fiscal diligenciou ao endereço do Impugnante (fls. 326 e ss) e verificou que o local estava sem movimento, concluindo que esse fato isolado ensejaria o prosseguimento da ação fiscal à revelia do contribuinte (fls. 341). 15. Devidamente cientificada do Termo de Intimação e desconhecendo as diligências efetuadas pelo Fiscal, em 17/12/2009 (sete dias após a intimação via postal), o Impugnante apresentou tempestivamente pedido de prorrogação de prazo, uma vez que seria impossível proceder ao levantamento de informações referentes a mais de 2.600 movimentações financeiras no exíguo prazo de 10 dias, conforme se comprova mediante apresentação de cópia da petição em anexo (DOC. 04). 16. Estranhamente, por razões que se desconhece, nem o comprovante de recebimento (AR) do Termo de Intimação, nem o pedido de prorrogação do prazo apresentado pelo contribuinte e que afastariam qualquer possibilidade de intimação por edital — foram juntados aos autos pela autoridade fiscal. 17. Vale ressaltar que, no final do último ano, o estabelecimento do contribuinte, devido a questões operacionais, foi posto à disposição do mercado para fins de aluguel. Há, entretanto, funcionários da empresa diariamente no local, inclusive para fins de coleta da correspondência e de intimações. 18. Todavia, tal situação em nada interfere em sua relação com o Fisco, visto que o Impugnante sempre tomou ciência de todos os atos exarados, pessoalmente ou por via postal, bem como sempre se manifestou dentro do prazo estipulado. Não há, nos autos, nenhuma intimação fiscal que tenha deixado de ser recebida pelo contribuinte no curso da fiscalização, razão pela qual causa verdadeira Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 16 perplexidade a atitude extrema adotada pelo Fiscal ao cabo do procedimento administrativo. 19. Tanto é assim que, no mesmo período em que a autoridade fiscal alegou que o contribuinte estava 'em lugar incerto e ignorado', o Impugnante foi normalmente intimado, (i) via postal, da lavratura de outros dois autos de infração, notadamente os referentes aos Processos Administrativos Fiscais n° 12719.001852/200953 e 12719.001882/200960, e (ii) pessoalmente, do termo de início de fiscalização referente ao MPF n° 0811300201000024 instaurado pela Receita Federal de Osasco/SP, conforme cópias em anexo (DOC. 05). 20. Quanto ao último caso (MPF n°08113002010 00024), a autoridade fiscal responsável pela fiscalização entrou em contato com os representantes da empresa através do telefone disponível nas declarações enviadas (DCTF, DIPJ, etc.) e solicitou o comparecimento pessoal de representante munido de poderes para receber intimações. 21. Não é razoável concluir que, no mesmo período, o contribuinte tenha sido normalmente intimado das situações acima e, especificamente, para o presente processo administrativo, os meios de contato com o Impugnante estivessem inviabilizados. 22. Por outro lado, ainda que seja admitido que o contribuinte não tenha sido encontrado para ciência do termo de intimação para apresentação de documentos, enviados pelos Correios em 02/12/2009, o que já se mostrou ser um entendimento completamente equivocado, importante destacar que a intimação do encerramento da fiscalização e da lavratura do auto de infração ocorreu diretamente por edital. 23. Ou seja, ignorouse todo o histórico de fácil acesso aos representantes do Impugnante, optando se por um ato extremo e totalmente injustificado, pois o edital de intimação foi afixado antes mesmo de esgotado o prazo previsto no termo de intimação enviado em 02/12/2009, do qual o Impugnante teve ciência em 10/12/2009, por via postal. 24. Assim, por expressa determinação legal, antes de recorrer ao meio extremo da publicação por edital, o agente fiscal deveria obrigatoriamente priorizar uma das formas previstas nos incisos I a III do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Se assim procedesse, Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 10 17 certamente obteria êxito em sua intimação em quaisquer dos meios escolhidos. Senão vejamos: (a) Em relação à intimação pessoal, a fiscalização possuía os contatos telefônicos e email dos sócios da empresa e de seus representantes e, a qualquer momento, poderia solicitar a presença de um deles para dar ciência da lavratura. Esse contato telefônico, inclusive, foi utilizado por diversas vezes no decorrer da fiscalização e está disponível a qualquer agente da Receita Federal através das informações constantes nas fichas cadastrais de DIPJ, DCTF, Dacon e demais declarações (DOC. 06); (b) Quanto à via postal, conforme se demonstrou anteriormente, a empresa sempre recebeu as intimações enviadas, inclusive a intimação realizada em 02/12/2009 cujo comprovante de recebimento (AR) e petição com a resposta da empresa estranhamente não foram juntados aos autos; (c) A exemplo da intimação pessoal, a intimação por meio eletrônico também seria completamente viável pelo email fornecido à Receita Federal através das declarações em que a empresa está submetida ou, principalmente, através de seu cadastro no certificado digital (DOC. 07). 25. Vale ainda mencionar que nos dias de hoje, com a disponibilização dos meios de comunicação em massa, principalmente a internet, é no mínimo um contra senso afirmar que uma empresa do porte da Impugnante possa ser considerado em lugar 'incerto e ignorado', sendo que uma simples pesquisa no mais conhecido dos sites de busca da web oferece diversos meios de contato com o contribuinte. 26. Portanto, como não foi tornada efetiva a tentativa de intimação através dos meios legalmente autorizados, não se configurou situação alguma que pudesse ensejar a intimação por edital. 27. A jurisprudência do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, interpreta de forma bastante clara as disposições do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e as hipóteses nas quais têm cabimento a intimação por edital, Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 18 conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: "INTIMAÇÃO VIA EDITAL. VALIDADE Resultando improfícua a intimação pessoal ou por via postal, legítima é a intimação por edital e válida a ciência no prazo legal" (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, acórdão n° 10420.685, Relator Conselheiro Remis Almeida Estol, julgado em 19/05/2005). "SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL A intimação por edital do sujeito passivo para ciência do Auto de Infração, sempre é cabível quando não for possível a intimação pessoal e via postal" (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10614.559, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 14/04/2005). 28. Nesse sentido, cabe colacionar esclarecedor trecho do voto do Conselheiro José Ribamar Barros Penha, então presidente da 6a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no julgamento do Recurso n° 152.090: “[...] Dessas assertivas podese concluir que a autoridade fiscal solicitou o comparecimento do contribuinte à Repartição, para intimálo pessoalmente, isso até o dia 19/12/2005. A intimação por via postal também foi tentada, mas no dia 19/12/2005 o destinatário estava ausente e no dia 23/12/2005 o recebimento da correspondência foi recusado. Não houve a pretensão de intimar o contribuinte por meio eletrônico. A afixação do edital de intimação ocorreu no dia 14/12/2005. Na visão deste julgador, apenas quando se constatou que as formas de intimação previstas no artigo 23, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72 (pessoal ou por via postal) resultaram infrutíferas, o que ocorreu no dia 23/12/2005, é que poderiam ser adotadas as providências necessárias à intimação por edital, ou seja, a afixação do edital de intimação somente seria válida e estaria de acordo com a regra acima transcrita se tivesse ocorrido a partir do dia 23/12/2005. No caso, a autoridade lançadora não respeitou as determinações do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, pois o edital de intimação DRF/JPA n° 195 (lls. 371) foi afixado em data anterior Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 11 19 (14/12/2005) à constatação de que resultou improfícua a intimação pessoal ou por via postal (23/12/2005). A intimação por edital, na hipótese em apreço, não pode surtir efeitos. Segundo penso, a ciência do lançamento se deu apenas em 09/01/2006, de acordo com o documento de fls. 410, nos termos do artigo 23, inciso I, o Decreto n° 70.235/72". (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10616.028, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 07/12/2006). 29. Deste modo, a publicação do edital deve ser tornada sem efeitos, sob o grave risco de ofensa ao devido processo legal, em especial, ao principio da cientificação, segundo ensina James Marins: "Assiste ao particular o direito de ser comunicado formalmente sempre que houver atividade administrativa que se refira à sua esfera de interesse jurídico, de modo a que se dê integral cumprimento ao princípio da cientificação. Deve ser tido como inválido e, portanto, insuscetível de amparar lançamento todo procedimento fiscalizató rio ou apuratório realizado sem conhecimento do contribuinte A impugnação administrativa é a resistência formal do contribuinte à pretensão fiscal do Estado sobre seus bens, e é direito que se assegura ao cidadão como meio de ver vivificado o primado da legalidade através do devido processo legal" (Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). São Paulo: Dialética, 2001, p. 180187). 30. Diante do exposto, requerse preliminarmente o reconhecimento da tempestividade da presente impugnação, tornando sem efeito a intimação por edital ocorrida em 15/12/2009, considerandose como data de intimação do Impugnante o dia 03/02/2010, quando este teve vistas dos autos do processo administrativo fiscal.” No entender da defesa, o agente fiscal, de forma precipitada e injustificada, reputou estar o contribuinte 'em lugar incerto e ignorado', dando prosseguimento à ação fiscal sem o seu conhecimento, ignorando o tempestivo pedido de prorrogação de prazo apresentado, que não teria sido juntado aos autos. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 20 No mérito, afirma que a autuação não poderia prosperar porque, do total das contas bancárias fiscalizadas, o agente fiscal teria identificado a escrituração de 14 (quatorze) contas contábeis correspondentes nos livros Razão e Diário, mas 09 (nove) destas contas tiveram sua contabilização desconsiderada pela fiscalização, tendo sido indevidamente, incluídas na autuação. A seguir a Impugnante elaborou um demonstrativo (fls. 519), no qual relacionou as 24 (vinte e quatro) contas correntes, de sua titularidade, mantidas em 11 (onze) instituições financeiras, discriminando: (i) contas identificadas pela fiscalização como escrituradas nos Livros Diário e Razão; (ii) as contas escrituradas e autuadas pela fiscalização (registros desconsiderados); e (iii) as contas não contabilizadas e autuadas pela fiscalização. Foram destacadas as contas correntes que, apesar de escrituradas e, conseqüentemente, não omitidas, teriam sido desconsideradas em função da presença de erros e de deficiências nos registros contábeis, relativas a divergências dos saldos inicial e final constantes dos extratos e da escrituração. Contesta a Defendente a interpretação fática adotada pelo agente fiscal, na medida em que: (a) para as contas bancárias em que identificadas as contas contábeis correspondentes nos livros comerciais, foram os depósitos/créditos considerados como comprovados, não sendo objeto da autuação ou qualquer outro questionamento; (b) para as contas bancárias em que não identificadas as contas contábeis correspondentes nos livros comerciais, os depósitos/créditos foram considerados como omissão de receita e autuados pela fiscalização; (c) para as contas bancárias em que identificadas as contas contábeis, mas com erros e vícios na escrituração, os depósitos/créditos também foram considerados como omissão de receita e autuados pela fiscalização, sem a dedução proporcional dos tributos já recolhidos em relação a esses valores já contabilizados. Nesse contexto, reputa equivocada a interpretação da fiscalização, pois se a movimentação financeira da conta corrente estava escriturada na contabilidade, ainda que apontadas deficiências na conciliação bancária dos saldos iniciais e finais das contas correntes e das contas contábeis, os depósitos estavam devidamente escriturados. Afirma, assim, a defesa que os efeitos da receita omitida não poderiam ser confundidos com aqueles decorrentes da receita escriturada com erros ou deficiências, tendo em conta que, neste último caso, a receita teria sido devidamente tributada. A autuação fiscal, portanto, mostrarseia indevida, porque: (i) a autoridade fiscal deveria considerar como omissão de receitas, para fins de apuração do lucro real, somente os depósitos efetuados nas contas bancárias efetivamente não escrituradas; (ii) os depósitos efetuados nas contas registradas, ainda que com eventuais erros ou deficiências, não poderiam ser considerados receitas omitidas, porque foram oferecidos à tributação; e (iii) se os erros ou as deficiências porventura constatados na escrituração inviabilizaram a identificação da efetiva movimentação financeira do contribuinte, deveria ter sido promovido o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, H, do RIR, deduzindose os valores já pagos pela empresa (comprovantes em anexo DOC. 08). Assevera ainda a defesa diante dos fatos apurados pela Fiscalização que o apropriado seria o arbitramento do lucro, inclusive porque, se as contas escrituradas forem consideradas receitas omitidas, a movimentação bancária não contabilizada corresponderia a mais da metade da receita tributável. Colaciona Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 12 21 jurisprudência administrativa para dizer que constatada a omissão de parte significativa de receita tributável, deve o Fisco proceder à desclassificação da escrita contábil e ao arbitramento do lucro. E transcreve excerto do Ilmo. Conselheiro Relator Aloysio José Percinio da Silva, no julgamento do Recurso Voluntário n° 143.110, pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, Acórdão n° 10322.616, em sessão realizada em 20/09/2006: "[...] A meu ver, é impróprio o regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, o do lucro real. Tendo em vista a magnitude da movimentação bancária de recursos financeiros mantidos à margem dos registros contábeis e fiscais, o regime de tributação aplicável seria o de lucro arbitrado, conforme previsão do art. 530, II, do RIR/99. É que se pode concluir do cotejo da receita omitida no valor de R$ 5.507.508,37, demonstrada no termo de verificação às fls. 18, e da receita bruta total de R$ 75.562,62 informada na DIPJ/99,11s. 1.916. A omissão nos registros contábeis de tão vultosa movimentação financeira revela escrituração contábil inadequada para determinação da base de cálculo pelo regime do lucro real, resultando evidente distorção do valor apurado de CSLL e IRPJ. Observese que não é o caso de omissão de poucos depósitos, de valor irrelevante, o que obviamente, seria insuficiente para caracterizar como imprestável a escrituração da recorrente". Portanto, diante dos fatos apurados, deveria a Fiscalização ter promovido o arbitramento dos lucros ou, no mínimo, considerado como receita omitida apenas aquela correspondente às contas bancárias efetivamente não contabilizadas. Protesta contra a falta de apresentação pelo Fisco das razões de fato que teriam ensejado a desconsideração dos registros contábeis. Nas palavras da defesa: “53. Notase, com efeito, que as razões são apresentadas genericamente, de forma exemplificativa, abrangendo apenas 2 das 9 contas referidas. Ora, ainda que fosse possível tal procedimento, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, o Fiscal deve apresentar os motivos individualizados, indicando de forma clara e pormenorizada quais seriam os vícios que, Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 22 concretamente, foram determinantes na formação de seu convencimento. 54. Do contrário, sem essa fundamentação, o contribuinte fica sem qualquer possibilidade de defesa ou impugnação das razões apresentadas, inviabilizando o próprio controle de legalidade do ato administrativo, (...)” Transcreve abalizada doutrina no sentido de que "(..) não haveria como assegurar confiavelmente o contraste judicial eficaz das condutas administrativas com os princípios da legalidade, da finalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, se não fossem contemporaneamente a elas conhecidos e explicados os motivos que permitiriam reconhecer seu afinamento ou desafinamento com aqueles mesmo princípios. Assim, o administrado para insurgirse ou para ter elementos de insurgência contra atos que o afetem pessoalmente necessita conhecer as razões de tais atos na ocasião em que são expedidos. Igualmente, o Judiciário não poderia conferir lhes a real justeza se a Administração se omitisse em enunciálas quando da prática do ato. É que se fosse dado ao Poder Público aduzilos apenas serodiamente, depois de impugnada a conduta em Juízo, poderia fabricar razões ad hoc, 'construir' motivos que jamais ou dificilmente se saberia se eram realmente existentes e/ou se foram deveras sopesados à época em que se expediu o ato questionado" (Celso Antônio Bandeira de Mello In Curso de Direito Administrativo. 10'. ed. São Paulo : Malheiros, 1998, p. 58). Requer assim a exclusão dos valores constantes nas contas bancárias escrituradas da base tributável a titulo de omissão de receitas, conforme cópia integral dos livros fiscais que demonstram tais registros (DOC. 09). Mais frente referese a defesa à necessidade de exclusão da base de cálculo dos depósitos efetuados especificamente na conta bancária n° 3618323 do Banco do Brasil já escrituradas e submetidas à tributação. Diz que a sua escrituração teria sido desconsiderada em razão da alegação de que o saldo inicial e final do ano de 2004 constantes nos registros contábeis não coincidiriam com os saldos dos extratos bancários. Afirma que a análise dos registros contábeis e dos extratos bancários do contribuinte não teria sido criteriosa, tendo em conta que da simples análise do Livro Razão, poderseia constatar que os saldos, inicial e final, escriturados nos livros são exatamente os mesmos apontados como corretos pela fiscalização. E prossegue: “66. Ao se examinar a folha n° 30 do Livro Razão n° 1/3 (DOC. 09), verificase que o saldo final de 2003 e, conseqüentemente, inicial de 2004, é de R$ 47.877,27, exatamente conforme o extrato bancário. 67. Vale dizer que, em função da alteração do software de escrituração contábil, o saldo inicial teve que ser implantado, e não simplesmente importado do ano anterior. Todavia, essa questão em nada prejudica a verificação do valor inicial, Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 13 23 pois o histórico descreve o primeiro lançamento do ano como sendo 'Saldo em 31/12/2003'. 68. Em relação ao saldo final, a diferença entre o escriturado no livro e informado no extrato bancário se refere a um valor de R$ 2.055,38, lançado equivocadamente em duplicidade nos dias 30/12/2003 e 02/01/2004. 69. Tal equivoco é identificado no histórico como "PGTO CHQ TELESP CELULAR" e a duplicidade pode ser verificada através do lançamento, no livro, do cheque compensado no dia 30/12/2003 (DOC. 11). 70. Ressaltese que o referido equívoco não interfere na contabilização das receitas e, conseqüentemente, na tributação do ano de 2004, pois se trata, na verdade, do pagamento de uma conta de telefone (débito) e não de um crédito. 71. Todas as demais entradas constantes nos extratos bancários de 01/01/2004 a 31/12/2004 foram escrituradas corretamente em contrapartida à conta de clientes (conta contábil 1100001) (DOC. 12), que, por sua vez, transita no resultado para determinação da receita operacional. Dessa forma, além da conta estar corretamente escriturada, os valores lançados foram devidamente oferecidos a tributação. 72. Assim sendo, em atenção ao princípio da verdade material, os valores dos depósitos/créditos escriturados na conta bancária n° 3618323 do Banco do Brasil devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento fiscal, sob risco de tributação em duplicidade e enriquecimento sem causa da União”. Requer também a exclusão da base de cálculo dos créditos decorrentes de transferências entre contas de titularidade do Impugnante. Assevera que apesar de o agente fiscal ter mencionado a adoção de tal providência, o Impugnante teria constatado que parcela considerável do montante supostamente omitido não caracteriza receita tributável, pois tratarseia de transferências entre contas da própria empresa, devendo, por conseguinte, ser excluída da base de cálculo da exigência fiscal. Assim se pronuncia a Defendente: Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 24 “59. Da simples análise do demonstrativo 'Extratos de créditos não contabilizados' anexo ao 'Termo de Constatação Fiscal' (fls. 344/395), é possível verificar que o agente fiscal manteve diversos lançamentos que se referem a transferências entre contas do próprio Impugnante, conforme se depreende da planilha anexa que destaca as rubricas que não se referem a crédito proveniente de terceiros (DOC. 10)”. No entendimento da contribuinte, o Fiscal teria obtido as informações sobre a totalidade da movimentação financeira da empresa junto aos bancos e, para cumprir seu dever de exaurimento dos fatos, devido a necessária observância do princípio da verdade material, deveria ter aprofundado a investigação, solicitando as informações sobre a titularidade das contas que teriam originado as transferências de valores. Questiona também a falta de dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores referentes aos tributos e juros lançados de oficio, com base no art. 344 do RIR (Decreto n° 3.000/1999), no art. 41 da Lei n° 8.981/1995 e no Parecer Normativo CST n° 174, de 25 de setembro de 1974, que prescrevem a dedutibilidade dos tributos e contribuições, e dos juros, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Transcreve jurisprudência administrativa. Protesta contra a exigência de multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, tendo em conta que, conforme comprovantes de arrecadação em anexo (DOC. 08), a Impugnante teria efetuou os recolhimentos do IRPJ por estimativa mensal, tendo em vista sua opção pelo regime de tributação com base no lucro real anual. Adota a contribuinte o entendimento de que a multa isolada somente seria aplicável no curso do anocalendário, e não poderia incidir, após o encerramento do exercício, sobre o tributo exigido em lançamento de oficio, por caracterizar bis in idem punitivo, contrário aos princípios da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Nas palavras da defesa: “82. O CARF, entende que, encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças: 'MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n° 9.430196 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 14 25 calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício'. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Acórdão: CSRF/0105.875, Relator: Marcos Vinícius Neder de Lima, Data da Sessão: 23/06/2008, grifamos) ‘[...] MULTA ISOLADA ANOBASE APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo mensal estimada, no presente caso, não é passível de cobrança, de vez que já se encontrava encerrado o anocalendário quando da constatação pela fiscalização do não recolhimento das parcelas mensais estimadas. Ademais, tal multa não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Recurso parcialmente provido'. (Primeiro Conselho, Quinta Câmara, Acórdão 10514670, Relator Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, Data da Sessão: 15/09/2004, grifamos)’” Transcreve ementas de várias decisões do Conselho de Contribuintes afastando a duplicidade de incidências da multa de ofício sobre o IRPJ devido no ajuste anual, e da multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais, por restar configurada a dupla penalização do mesmo contribuinte sobre um único ilícito, com sanções da mesma natureza, já que ambas estariam relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Requer assim o cancelamento da exigência da multa isolada. Protestou, em síntese: (i) pelo recebimento e processamento da presente impugnação, e pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (ii) pelo reconhecimento da tempestividade da presente impugnação, tornando sem efeito a intimação por edital ocorrida em 15/12/2009, para o fim de considerar que a intimação do Impugnante se deu em 03/02/2010, data em que teve vistas do processo administrativo fiscal; Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 26 (iii) o acolhimento das razões apresentadas e a revisão do auto de infração, uma vez que os fatos apurados pela Fiscalização, ao invés de omissão de receita, configuram hipótese de arbitramento do lucro, com o conseqüente recálculo do valor do crédito tributário e a dedução dos valores já recolhidos pelo Impugnante; ou, alternativamente, para que seja considerado como receita omitida apenas aquele correspondente às contas bancárias efetivamente não escrituradas e contabilizados; (iv) em qualquer caso, a exclusão da base de cálculo do lucro arbitrado ou, na hipótese de acolhimento do pedido alternativo, exclusão da receita supostamente omitida: a. dos créditos decorrentes de transferências entre contas de titularidade da própria Impugnante; b. dos créditos/depósitos referentes a conta bancária n° 3618323 do Banco do Brasil já escriturados e submetidos a tributação; c. a dedução da base de cálculo do 1RPJ e CSLL, dos valores referentes aos impostos e contribuições e juros lançados de oficio; e (v) por fim, o cancelamento da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada e impossibilidade de cobrança cumulativa com a multa de ofício. Às fls. 438/439 consta que a procuradora da contribuinte (instrumentos de procuração e substabelecimento de fls. 435/436) teria tomado vista e solicitado cópia do processo em 03/02/2010. Às fls. 4471449, consta petição da empresa, protocolizada em 17/12/2009, na qual alega ser inviável e impossível de ser cumprido o prazo concedido para apresentação dos documentos, requerendo a sua dilação para 60 (sessenta) dias, por se tratar de um grande volume de informações e documentos — 2.600 (duas mil e seiscentas) operações financeiras, ocorridas em período já bem distante — ano calendário de 2004. Aduz ainda que o prazo para que se proceda à microfilmagem dos documentos seria de pelo menos 30 (trinta) dias. Às fls. 507 foi juntado o original do AR SK 33713870 3 BR, de endereçamento por via postal do termo de intimação fiscal lavrado em 30/11/2009 e anexo, no qual constam as três tentativas de ciência em 03, 04 e 05/12/2009 e, no verso, a assinatura e identificação do recebedor, sem aposição da data de recebimento. Às fls. 2698, consta despacho da autoridade preparadora, ratificando que a contribuinte teria sido cientificada dos lançamentos em 30/12/2009, quinze dias após a afixação do edital de fls. 433, e que o prazo de impugnação teria expirado em 02/02/2010. Entretanto, como a contribuinte, em 05/03/2010, apresentou a impugnação de fls. 508/2693, na qual suscita a tempestividade da defesa, o processo teria sido encaminhado para apreciação do órgão julgador. A 2ª TURMA DA DRJ EM CAMPINAS – SP, em análise à impugnação apresentada, posicionouse favoravelmente à exoneração completa dos lançamentos, em decorrência de fundamentos que assim foram ementados: Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 15 27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Edital. Validade. Apenas quando resultar improfícuo um dos meios de intimação previstos no processo administrativo fiscal (pessoal, por via postal ou por meio eletrônico) é que o órgão administrativo poderá proceder à intimação por edital. Comprovada a ciência da intimação para prestar esclarecimentos, por via postal, e não tendo sido tentada outra forma de intimação do auto de infração, perde o pressuposto de validade a ciência do lançamento efetuada por edital. Ciência Pessoal. Tempestividade da Impugnação. Considerada cientificada a empresa dos lançamentos, na pessoa de sua procuradora, no ato de vista processual, impõese reconhecer a tempestividade da impugnação apresentada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Decadência. Lançamento por Homologação. Pagamento de Antecipado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 28 Decadência. Multa Isolada. Estimativas. A multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais não se sujeita a lançamento por homologação, porque não se configura juridicamente possível que haja antecipação da apuração e do pagamento da multa isolada, pelo que deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial para os lançamentos de oficio. Ainda assim, cumpre reconhecer a decadência se já decorrido o prazo para lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Intimação Prévia. Imprescindibilidade. Para a configuração da omissão de receitas, com base na apuração de depósitos bancários de origem não comprovada, é necessário que a pessoa jurídica tenha sido regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos depositados. Na ausência de intimação válida, ou com prazo incompatível com a providência requerida, não se pode reconhecer a regularidade da intimação, e conseqüentemente da imputação de omissão de receitas. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Como derivação do cancelamento dos autos de infração, foi interposto o presente Recurso de Ofício, a ser por este colegiado julgado. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 16 29 O recurso de ofício atende aos pressupostos legais para sua admissão. Dele, portanto, conheço. Os lançamentos em debate calcaram fundamento, basicamente, na constatação de pretendida omissão de receitas bancárias, aferida mediante análise de informações prestadas pelas instituições financeiras, de um lado, e dos livros e dos documentos contábilfiscais da autuada, de outro. O fundamento legal para a lavratura das peças de imposição correspondeu, como não poderia deixar de ser, ao artigo 42, caput, da Lei nº 9.430/96, assim vigente: ‘Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...)” A d. autoridade julgadora recorrente, ao analisar a impugnação apresentada, houve por escorreito cancelar a totalidade dos lançamentos. Para tanto, arguiu, em suma, que: i) houve decadência, reconhecida de ofício, dos lançamentos em questão, atinentes ao anobase de 2004, uma vez que os autos infracionais foram validamente cientificados à autuada, exclusivamente, em 03.02.2010; e ii) não se constatou, dos autos, a realização de válida e suficiente intimação prévia do contribuinte, capaz de instálo a explanar, documentalmente, em tempo hábil para tanto, a origem dos depósitos bancários apurados. Houve, então, a interposição do recurso de ofício em trato. Vejamos, primeiramente, a questão da decadência. Todos os depósitos bancários reputados como abarcadores de receitas omitidas se realizaram no curso do ano calendário de 2004. Para fins de IRPJ e de CSLL, apuradas segundo a sistemática do lucro real anual (cf. DIPJ/05, às fls. 05/74), os fatos geradores se consideram realizados, complexivamente, em 31.12.2004. No que atine ao PIS e à COFINS, por outro lado, os fatos imponíveis corresponderam ao último dia de cada um dos meses em que foram auferidos depósitos inexplicados. O IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS são, como se sabe, tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nesse sentido, estabelece a legislação o dever, para o contribuinte, de antecipar o pagamento, resolvendo o débito sob condição de ulterior ratificação fazendária. O prazo decadencial aplicável ao caso, portanto, é aquele computado segundo os critérios do artigo 150, § 4º, do CTN. Os lançamentos de ofício de eventuais diferenças apuradas devem ser realizados, nesses moldes, dentro de 05 (cinco) anos contados das datas de Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 30 aperfeiçoamento dos fatos imponíveis. No caso, tendo em vista que o último átimo de incidência, em cada caso, concretizouse, no mais tardar, em 31.12.2004, a lavratura dos autos de infração não poderiam ocorrer depois de 31.12.2009 – ou antes, em relação a alguns dos períodos de apuração do PIS e da COFINS. A despeito disso, in casu, a recorrida só veio a tomar válida ciência das peças acusatórias em 03.02.2010, consoante corretamente explicado pelo aresto em xeque: “Por outro lado, apesar da invalidade da ciência do lançamento, pelo Edital de Intimação n° 115, afixado em 15/12/2009, é incontroverso que a pessoa jurídica tomou ciência dos lançamentos, em 03/02/2010, quando a sua procuradora teve vista do processo, conforme despacho de fls. 438, impondose reconhecer assim a tempestividade da impugnação protocolizada, em 05/03/2010.” Parecenos, então, que, de fato, ficaram decaídos todos os valores exigidos, presentemente versados. Vale pisar que, segundo a orientação encampada pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede da sistemática dos Recursos Repetitivos, o prazo decadencial do artigo 105, § 4º, do CTN somente se aplica acaso haja, por parte do sujeito passivo, adiantamentos de pagamento, ainda que parciais, a serem possivelmente homologados. Salvo contrário, mandatória seria a cominação do artigo 173, inciso I, do Codex. In casu, como bem explicado pelo acórdão recorrido, a DIPJ/2005 não enunciou quaisquer valores devidos a título de IRPJ e CSLL – o que levaria a se concluir, eventualmente, pela inexistência de qualquer adiantamento de pecúnia. A despeito disso, o próprio aresto exarado pisar que os bancos de dados da RFB (fls. 2705/2734) evidenciaram, para os períodos, recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, devidamente confessados em DCTF. Situação similar ocorreu com o PIS e com a COFINS. No que atine a essas contribuições, no entanto, os recolhimentos e a confissão em DCTF foram acompanhados, sim, de prestação das informações correspondentes na DIPJ/2005. Remanesce óbvio, portanto, o acerto da decisão infirmada, com a conseguinte necessidade de reconhecimento da decadência de todos os importes lançados. Evidentemente, caducos os principais, igual sorte deve ser atribuída aos consectários cobrados, ainda que isolados. De mais a mais, no mérito, também improcedentes se mostraram as exigências. Segundo bem explicou o aresto inferior, a presunção de omissão de receitas bancárias só se aperfeiçoa se, depois de regular e validamente intimado o titular da conta corrente ou de depósito, este não lograr, em tempo hábil, justificar documentalmente as causas dos creditamentos. Ocorre, no entanto, que, compulsando os autos, possível se faz averiguar que a única intimação formatada nesse sentido foi lavrada em 30.11.2009 (fls. 207/271). Tal notificação, segundo histórico do Aviso de Recebimento – AR SK 33713870 3 BR, não teria sido, em três oportunidades – 03, 04 e 05 de dezembro de 2009 –, entregue ao contribuinte. em Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13896.002840/200968 Acórdão n.º 1101000.671 S1‐C1T1 Fl. 17 31 virtude de o serviço postal não ter encontrado, alegadamente, pessoa que pudesse recebêla (fl. 325). Depois de diligenciar in loco e constatar, pretensamente, a inexistência de qualquer movimentação no endereço da autuada, o i. fiscal lançador lavrou, em 14/12/2009, o Termo de Constatação de fls. 336/397, juntamente com os autos de infração de fls. 398/429. Optouse, pois, por intimar a recorrente por via editalícia, buscando cientificála dos lançamentos. A autuada, por sua vez, aduziu que recebeu, sim, no dia 10.12.2009, citada intimação para comprovação das origens dos depósitos bancários infirmados. Apresentou, como justificativa dessa versão, o relatório dos Correios de fl. 553. Estranhamente, contudo, segundo se explicou, a Fiscalização afirmou que as tentativas de entregar esta notificação tinham restado improfícuas, na forma do estresido relatório dos Correios de fl. 325. As duas versões conflitantes tinham amparo em documentos dos Correios. Ao que parece, pois, houve confusão de algum dos prepostos do serviço postal. O dilema foi sanado, com precisão, pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: “Entretanto, às fls. 507 foi juntado ao processo o original do AR SK 33713870 3 BR, no qual se verificam as três tentativas de intimação em 03, 04 e 05/12/2009 já acima referidas, e no verso a assinatura do recebedor — Sr. Alex Barros (RG n° 32.921.0294), todavia, sem a aposição da data de recebimento. Nesses casos, de acordo com os preceitos legais, deveria se considerar feita a intimação quinze dias após a data de sua expedição. In casu, como a data da postagem é 02/12/2009, deveria a empresa ser considerada fictamente intimada em 17/12/2009. Entretanto, diante do reconhecimento da própria Impugnante de haver tomado ciência da intimação para a comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes, em 10/12/2009, com a apresentação do correspondente relatório dos Correios, para confirmar a entrega dos documentos postados em mesma data, prestigiase esta como sendo a data da intimação.” Ora, nesse cenário, se o recebimento da intimação voltada a solicitar a comprovação dos depósitos bancários foi, efetivamente, recebida apenas em 10.12.2009 – ou, eventualmente, em 17.12.2009 – não se pode admitir a lavratura do auto de infração em Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 32 14.12.2009, como ocorreu. Não foi concedido, claramente, tempo idôneo para a recorrida levantar documentos capazes de explanar sua movimentação bancária. Deve se considerar, pois, não ter o i. fiscal autuante concedido, ao contribuinte, regular oportunidade de aclarar os creditamentos sob análise. Assim, não se pode admitir aperfeiçoada a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Nulos são os lançamentos, quer porque decaídos, quer porquanto ilegais. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 11070.720510/2013-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 05 10 /2 01 3- 12 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 229 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA GENERAL OSÓRIO LTDA. em face da decisão que, mantendo o crédito tributário, não conheceu da impugnação por si apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 59/60), os créditos lançados referemse à contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção – FAP, incidente sobre a remuneração de segurados empregados, nas competências de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, incluídas as gratificações natalinas e 13º salário dos anos de 2010 e 2011. 3. O acórdão da decisão recorrida restou ementado nos termos a seguir: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico àquele sobre o qual verse o processo administrativo, importa a renúncia à instância administrativa, com a consequente definitividade do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial do valor integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido.” (fls.156/160). 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduz, em síntese: a) a desnecessidade do lançamento e da constituição do crédito tributário, visto que o valor discutido já fora objeto de depósito em juízo; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 230 3 b) a inconstitucionalidade na majoração das alíquotas do SAT/RAT pela aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP; c) a violação ao princípio da estrita legalidade, já que a fixação do índice FAP se dá por ato infra legal. 5. Sem apresentação de contrarrazões pelo Fisco, os autos foram enviados a este Conselho para a apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 231 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O presente recurso não atende aos pressupostos de admissibilidade, como demonstram as razões que passo a expor. 2. Cumpre ressaltar que a matéria pertinente ao presente recurso referente à contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP), foi submetida ao crivo do poder judiciário. 3. O processo de n° 500003414. 2010.404, fls. 21/44, em trâmite perante Tribunal Regional Federal da 4ª Região, trata do reconhecimento da inconstitucionalidade e inexigibilidade do FAP, que afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. 4. Conforme se extrai da decisão acostada aos autos às fls. 156 a 160, a impugnação não foi conhecida, em razão de a matéria ser objeto de discussão judicial, importando, assim, em renúncia à instância administrativa. 5. A Lei de Execuções Fiscais, Lei nº. 6.830/80, no seu art. 38, parágrafo único, prevê a renúncia ao recurso administrativo quando o contribuinte houver ajuizado ação para discutir judicialmente a dívida ativa. Essa norma já teve a sua constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, in verbis: “CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980. O direito constitucional de petição e o princípio da legalidade não implicam a necessidade de esgotamento da via administrativa para discussão judicial da validade de crédito inscrito em Dívida Ativa da Fazenda Pública. É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento." (RE 233582, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ Acórdão Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgado em 16/08/2007, DJe088 DIVULG 15 052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231905 PP 01031).” Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 232 5 6. Nesse sentido é a jurisprudência do CARF: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se conhece do recurso quando o contribuinte optou pela via judicial. Art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO”. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30237391. Processo 12466001380200281. Data 22/03/2006).” 7. A Súmula nº 01 do CARF também assevera que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” 8. É impossível, dessa forma, adentrar no mérito recursal, o que se discute são exatamente as mesmas rubricas dos processos submetidos ao Judiciário. 9. Dessa forma, o caso em análise tratase de não conhecimento pela existência de concomitância (art. 38, p. único, da LEF). CONCLUSÃO 10. Dado o exposto, não conheço do recurso voluntário, nos termos alinhavados acima. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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