Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.010882/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não verificadas quaisquer das hipóteses versadas no art. 59 do Decreto 70.235/72 e, mais, corretamente identificada a matéria tributável, não se observa qualquer nulidade no ato de lançamento.
OMISSÃO DE RECEITA. CRÉDITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte após regularmente intimado para tal.
MULTA DE OFÍCIO. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabida as alegações quanto à cerceamento do direito de defesa e desconsideração do princípio da tipicidade quando claras as razões para aplicação da multa de ofício no percentual de 75%.
TAXA DE JUROS SELIC. CABIMENTO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, consoante assentado na Súmula 4 deste CARF.
Numero da decisão: 1302-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não verificadas quaisquer das hipóteses versadas no art. 59 do Decreto 70.235/72 e, mais, corretamente identificada a matéria tributável, não se observa qualquer nulidade no ato de lançamento. OMISSÃO DE RECEITA. CRÉDITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte após regularmente intimado para tal. MULTA DE OFÍCIO. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida as alegações quanto à cerceamento do direito de defesa e desconsideração do princípio da tipicidade quando claras as razões para aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. TAXA DE JUROS SELIC. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, consoante assentado na Súmula 4 deste CARF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.010882/2010-82
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861241
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.778
nome_arquivo_s : Decisao_10830010882201082.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
nome_arquivo_pdf_s : 10830010882201082_5861241.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7273148
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308811161600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.554 1 1.553 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010882/201082 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.778 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria SIMPLES FEDERAL OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente SPALLO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não verificadas quaisquer das hipóteses versadas no art. 59 do Decreto 70.235/72 e, mais, corretamente identificada a matéria tributável, não se observa qualquer nulidade no ato de lançamento. OMISSÃO DE RECEITA. CRÉDITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte após regularmente intimado para tal. MULTA DE OFÍCIO. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida as alegações quanto à cerceamento do direito de defesa e desconsideração do princípio da tipicidade quando claras as razões para aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. TAXA DE JUROS SELIC. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante assentado na Súmula 4 deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 08 82 /2 01 0- 82 Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.555 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em desfavor do Recorrente por meio do qual se exigiu créditos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS e IPI, todos dentro da sistemática do Simples Federal preconizada pela Lei 9.317/96; em relação ao IPI, e apenas, o lançamento foi autuado em processo apartado, de nº 10830.012871/201037. Pelo que relata a Fiscalização, iniciada a ação fiscal o recorrente foi intimado a apresentar cópias dos atos constitutivos e livros contábeis/fiscais pertinentes, dentre outros documentos; em resposta à esta intimação, apresentou, além do contrato social e alterações, apresentou os Livros Razão e Diário. Posteriormente, e já de posse de informações prestadas por instituições financeiras concernentes à arrecadação com a CPMF e identificadas substanciais movimentações em contas de titularidade do contribuinte (que somadas, alçaram a monta de R$ 8.610.348,35, conforme planilha de efls. 78), intimouo a apresentar os seus extratos bancários relativos ao anocalendário objeto de análise (2006) bem como, de plano, as justificativas e/ou documentos que comprovassem a origem dos recursos depositados ns preditas contas. Após um primeiro pedido de prorrogação de prazo, a Fiscalizada, pra recorrente, apresentou apenas os extratos solicitados, sem, contudo, trazer quaisquer explicações ou mesmo documentos necessários à demonstração da origem dos recursos manuseados através de suas contas bancárias. A partir de tais extratos, a Fiscalização, após detalhar um a um os depósitos que lhe causaram estranheza, intimou a empresa recorrente para explicar, individualizadamente, cada uma das preditas movimentações, reprisando a necessidade de calcar eventuais explicações em documentos hábeis e idôneos. A fiscalizada, após sucessivos pedidos de dilação de prazo, apresentou manifestação por meio da qual informa que as movimentações investigadas pela Autoridade Lançadora teria origem em pactuações firmadas com empresas de fomento mercantil (factoring) que, em circularização realizada pela Auditoria Fiscal, confirmaram a realização de pagamentos à autuada; lado outro, a própria empresa autuada apresentou uma série de borderôs fornecidos pelas ditas empresas de fomento, por meio do qual identificavam o valor pago à contribuinte com a listagem dos títulos e sacados constantes de cada título. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.556 3 Ainda insatisfeita com as explicações até aí apresentadas, a Auditoria, informando ter excluído parte das movimentações verificadas nos extratos das respectivas planilhas de apuração (lançamento de "créditos identificados como decorrentes de resgates de fundos de investimento e poupança, financiamentos, e créditos decorrentes de transferências de outras contas do próprio contribuinte" TVF, efls. 596). Em resposta à esta intimação o contribuinte apresentou documentos diversos e notas explicativas, além de informações sobre os créditos identificados pela Fiscalização; sobre tais esclarecimentos e documentos a D. Auditoria assim se pronunciou (TVF efls. 80): Em 25/06/2010, a fiscalizada apresentou documentação (borderôs, extratos bancário e notas explicativas), e informações sobre cada crédito movimentado. As informações apresentadas abrangem todos os créditos que constam da PLANILHA DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, todavia, somente uma parte está amparada com a documentação hábil e idônea que comprovam a origem da movimentação financeira, o restante não está acompanhada de quaisquer documentos (grifos nossos). A vista da constatação acima, promoveu um derradeira intimação do contribuinte para explicar, e demonstrar como documentos hábeis e idôneos, a origem de créditos "na conta corrente n° 2.7160543, do banco ABN AMRO BANK S.A., em que constem os históricos de movimentação "LIB DSC/ANT"; "LIB. GARANTIDA" e "LIBER. CONTR." e, ainda a "alegação de duplicidade de receita, protocolizada em 24/06/2010, na Nota Explicativa da Movimentação Financeira do Banco Itaú e Outros, para os créditos com histórico de movimentação "MOVIMENTAÇÃO DE TÍTULO". A despeito de apresentar resposta à esta última intimação, de acordo com a D. Auditoria o contribuinte não teria apresentado qualquer documentos suficiente à comprovação da origem dos lançamentos descritos na intimação, nem tampouco a veracidade da assertiva concernente à duplicidade de receita. Posto o quadro probatório supra, a D. Fiscalização apurou as seguintes infrações: a) omissão de receitas inicialmente, aqui, relata que, do valor apuradooriginariamente (R$8.610.338,35), foram excluídos diversos montantes que, como afirma, não seriam receitas do contribuinte (movimentações entre contas de mesma titularidade, estornos, etc), além de se ter promovido ajustes mediante acréscimo de valores concernentes à divergências entre os valores de face de títulos de créditos descontados e valores efetivamente identificados nos extratos; a movimentação final apurada seria de R$ 7.160.729,93 (v. quadro d apuração de efls. 82); a omissão de receitas, então, foi dividida em dois grupos: a.1) movimentações bancárias sem lastro considerando, aqui, os créditos quanto aos quais o contribuinte não logrou demonstrar origem; a.2) receita não escriturada considerando aqui a comprovação de parte dos valores creditados pelo contribuinte em contas de sua titularidade (essencialmente, descontos de duplicatas/títulos de crédito relativos às operações realizadas com as empresas de fomento mercantil), excluiu do lançamento tais valores (no importe de R$ 903.004,11); estes Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.557 4 valores, todavia, não foram levados à tributação mediante escrituração nos livros e declarações contábil/fiscais; b) insuficiência de recolhimento a vista da recomposição da receita bruta a partir das omissões acima declinadas, identificouse a insuficiência de recolhimento de parcelas do Simples no período de apuração em análise, deduzidos os valores já recolhidos pelo Recorrente. Calculado o crédito de forma individualizada por tributo, foi aplicada multa de ofício com espeque nos preceitos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 c/c com art. 19 da Lei 9.317/96 e, ainda, foi lavrado termo de exclusão do Simples Federal com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2007. Cientificado do auto de infração acima, o contribuinte opôs impugnação por meio da qual sustentou, em preliminar, a nulidade do lançamento e, no mérito, a impossibilidade de se tributar, por presunção, as receitas provenientes de depósitos sem origem comprovada, mormente por não se poder inferir, a partir, apenas, dos aludidos depósitos, a percepção de renda tributável. Demais disso, insiste que parte dos depósitos se refeririam à descontos de duplicatas que, posteriormente, teriam sido quitadas pelos sacados havendo, no caso, bis in idem. Sustentou, mais, o vício de fundamentação quanto a multa de ofício aplicada e, ainda a ilegalidade dos juros de mora calculados a partir da variação da SELIC. Instada a se pronunciar sobre o feito, a DRJ/RJO houve por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo na íntegra tanto o crédito tributário como a exclusão da empresa do Simples. Intimada do resultado de julgamento em 09/02/2015 (conforme termo de ciência eletrônico de efls. 1.517), tendo interposto o seu recurso voluntário em 10/03/2015 (tal qual se extrai do termo de solicitação de juntada de efls. 1.518), por meio do qual reprisou os argumentos já lançados em suas razões de impugnação. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de cabimento, razão pela qual, dele conheço. I Da alegada nulidade. Permissa venia, mas a alegação de nulidade sustentada pelo Recorrente é ininteligível; é impossível, a este julgador, sequer entender quais seriam os motivos que levaram o contribuinte a alegar a predita nulidade. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.558 5 No subtítulo do pedido de nulidade, descreve que semelhante irregularidade se daria em decorrência de uma etérea desconsideração ilegal da escrita contábil da empresa (?). Mas ao longo deste tópico, discorre longamente sobre o princípio da legalidade e sobre os preceitos que tratam do fato gerador do IRPJ (?!?), sustentando ao final o que, de fato, resume o presente argumento: Meras presunções, indícios, mormente aqueles obtidos ilicitamente, em afronta explícita à Constituição Federal ou à legislação pertinente, são elementos insuficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador, de modo a impor aos contribuintes o recolhimento de qualquer tributo, ou de aplicação indevida de multa, sobretudo o lançamento de recebimentos que nunca foram efetuados, bem como, lançamento de depósitos bancários que não demonstram acréscimo patrimonial. Aparentemente, portanto, o que sustenta o recorrente, aqui, é que o lançamento seria nulo por se lastrear em presunção o que até seria admissível, caso não estivéssemos diante de hipótese de omissão de receitas decorrentes da identificação de depósitos de origem não comprovada (fato que atrai, à espécie, a aplicação dos preceitos do art. 42 da Lei 9.430/96 que encerra, justamente, a presunção legal de omissão de receitas). A assertiva de que os elementos tratados nos autos teriam sido obtidos "ilicitamente" foi lançada sem qualquer lastro ou razão, já que os documentos em que restara lastreado o lançamento foram, todos, apresentados pelo próprio contribuinte. De mais a mais, como afirmado pelo acórdão recorrido, não se observa no feito a ocorrência de quaisquer das hipóteses tratadas pelo art. 59 do Decreto 70.235/72, não se verificando, in casu, qualquer nulidade, seja nos autos de infração, seja na decisão de primeiro grau. Diante do exposto, voto por afastar a preliminar em testilha. II Mérito. Curiosamente, aqui, o Recorrente volta a atacar o lançamento sob a alegação, genérica e, digase, inaplicável à espécie, de que a mera identificação de depósitos de origem nebulosa não permitiriam a assunção de presunção de que tais valores conformariam renda tributável (incremento patrimonial). Sem me alongar sobre o tema, é preciso reprisar que o processo trata de empresa, até o anocalendário de 2006, optante pelo Simples. Neste particular, a identificação de omissão de receitas não guarda qualquer relação com o fato signopresuntivo "renda", mormente porque, neste caso, a base imponível definida na Lei 9.317 (à semelhança do ocorre com a LC 123/06), é a receita bruta, sobre a qual incidem alíquotas reduzidas que já comportam, em sua essência, o respeito à capacidade contributiva diminuta das empresas de pequeno porte (ou micro empresas). Traduzindo em miúdos, no Simples, assim como ocorre no lucro presumido, a receita omitida integra a base de cálculo porque se presume tratar de receita advinda de prestação de serviços ou de venda de mercadorias, sobre a qual não cabe o juízo de valor Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.559 6 acerca do incremento patrimonial; este incremento, digase, e insistase, é presumido pela própria Lei 9.713 pela fixação de alíquotas diferenciadas. Em relação ao sustentado bis in idem, me permitam reproduzir, aqui, as conclusões apostas no acórdão recorrido, com as quais concordo em absoluto: O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que embasou a autuação, instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nas operações: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A interessada em sua impugnação alega que parte dos valores de créditos bancários se referem a descontos de títulos que posteriormente teriam ingressado como créditos quando do pagamento pelos seus clientes, alegação esta já feita na fase fiscalizatória. Ocorre que, tanto naquela ocasião quanto na presente, não demonstrou quais seriam os valores que, segundo alega, teriam ingressado em duplicidade na sua conta bancária (quando do desconto da duplicata e quando do recebimento do título), nem tampouco apresentou qualquer documento comprobatório de suas alegações. Considerando que a impugnação deve vir acompanhada de toda a prova documental necessária à confirmação das alegações nela contidas, deixo de considerar as apresentadas pela interessada, quanto ao mérito, uma vez que não comprovadas. Destaco, ainda, que a interessada protesta que as receitas não foram omitidas, mas sim declaradas, o que não condiz com os valores apurados no presente processo, de R$ 7.160.729,93 de movimentação financeira e R$ 903.004,11 de títulos descontados, com apenas R$ 120.047,33 de receitas devidamente declaradas ao Fisco. Ainda que comporte críticas, a Lei 9.430 é válida e a sua observância é obrigatória, tanto para os Servidores da Administração Direita vinculados à Receita Federal do Brasil, como aos membros deste Conselho, a teor do art. 62, caput, do RICARF; neste passo, tipificada a hipótese descrita no art. 42 do citado diploma legal, a consequência prática imediata é a inversão do onus probandi, fazendo recair sobre os ombros do contribuintes o mister de demonstrar a origem e causa dos depósitos bancários, além, é claro, dos motivos para a sua "não tributação". Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.560 7 A míngua de comprovação efetiva de alegações trazidas na impugnação, é impossível a este Colegiado assumir qualquer conclusão distinta daquela assumida tanto pela D. Fiscalização, como pela DRJ. Não há, pois, como se acolher a pretensão recursal quanto a este ponto. III Da multa de ofício. Quanto a este tópico, o cerne da questão é a declinação, nos autos de infração, do enquadramento legal a partir da indicação do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 para justificar a imposição da multa de ofício. Me permitam, aqui, reproduzir o aludido preceito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...). O recorrente sustenta que caberia à fiscalização não só mencionar o inciso primeiro mas expor, outrossim, que tipo de infração teria sido pratica a fim de justificar a imposição da penalidade (se decorrente da falta de recolhimento ou de seu recolhimento insuficiente ou, ainda, de falta de declaração ou de declaração inexata). Venia concessa, mas, mais uma vez, não vou me debruçar sobre este argumento. O enquadramento legal trazido pela fiscalização nos autos está perfeitamente identificado, sem prejuízo do fato de que, no caso, as infrações incorridas foram exaustivamente apontadas no TVF, que é parte integrante dos preditos autos de infração. Isto, ainda, sem se considerar a inexistência de qualquer prejuízo à defesa, como quer fazer crer o Recorrente. Improcedem, na espécie, as alegações tratadas neste tópico. IV Juros SELIC. Por fim, quanto a ilegalidade da utilização da variação da SELIC para atualizar o montante do crédito tributário, calha trazer a colação os preceitos da Súmula 4º deste CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A aplicação da SELIC aos créditos tributários federais não esta prevista em norma legal o que, per se, já impediria qualquer aprofundamento no tema no âmbito do processo administrativo (art. 62 do RICARF). Demais disso, considerandose, neste particular, os preceitos do art. 72 do mesmo regimento, que preconiza que as Súmulas editadas por este Conselho são de observância obrigatória aos seus membros, descabem, na hipótese, maiores ilações. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 10830.010882/201082 Acórdão n.º 1302002.778 S1C3T2 Fl. 1.561 8 Por tais razões, também não procedem as alegações do recorrente. V Conclusões. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726012/2011-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
Numero da decisão: 3002-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.726012/2011-71
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860070
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.149
nome_arquivo_s : Decisao_10680726012201171.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10680726012201171_5860070.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7268637
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308823744512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 159 1 158 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.726012/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.149 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ANGLOGOLD ASHANTI BRASIL MINERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 60 12 /2 01 1- 71 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10680.726012/201171 Acórdão n.º 3002000.149 S3C0T2 Fl. 160 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ao Acórdão de nº 0651.389, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, em sessão de 25 de março de 2015, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/04/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 25.04.2007, a Declaração de Compensação DCOMP de nº 14025.81101.250407.1.7.091519, objetivando a compensação de saldo remanescente de créditos de COFINS de empresa incorporada, relativos ao 3º trimestre de 2005, oriundos do processo 10680.017537.200573, com débito de IRPJ do mês de maio/2005. (fls. 15 a 18) Em 22.08.2007, em cumprimento ao MPF nº 06.1.01.002007006861, teve início ação fiscal para análise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos do período de 12/2002 a 12/2005 da empresa Anglogold Ashanti Mineração Ltda., CNPJ 42.138.891/000197, incorporada pela fiscalizada. Tal procedimento fiscal analisou os Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação dos processos de nº 10680.009340/200480, 10680.009339/200455, 10680.014124/200456, 10680.004794/200545, 10680.010186/200570, 10680.010187/2005 14, 10680.017536/200529 e 10680.017537/200573, que totalizavam solicitações de ressarcimento/compensação de créditos de contribuições não cumulativas no montante de R$5.419.401,93. Assim, os créditos relativos a todos os processos acima mencionados foram objeto de análise nos autos do processo de fiscalização, de nº 10680.004042/200746. A fiscalização identificou a existência de outros pedidos de ressarcimento de créditos de contribuições não cumulativas apuradas nos mesmos períodos de apuração envolvidos no processo em estudo. Portanto, parte do crédito das contribuições ao PIS e a COFINS a que a empresa tinha direito foi objeto de ressarcimento naqueles processos e o restante foi abordado nos autos do processo originado pela fiscalização. Os agentes fiscais concluíram pelo reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, deferindo a existência de crédito no montante de R$3.897.178,23 e indeferindo (glosando) o montante de R$1.522.223,70, conforme resumo abaixo. CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR DEFERIDO VALOR INDEFERIDO PIS 3ª TRIM/2003 24.377,87 18.241,12 6.136,75 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.726012/201171 Acórdão n.º 3002000.149 S3C0T2 Fl. 161 3 PIS 4º TRIM/2003 52.580,98 47.870,15 4.710,83 PIS 1º TRIM/2004 103.441,09 81.207,47 22.233,62 PIS 2º TRIM/2004 146.195,87 91.729,97 54.465,90 PIS 3ª TRIM/2004 82.415,12 34.840,97 47.574,15 PIS 4º TRIM/2004 70.186,12 70.186,12 PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 160.823,32 17.246,87 PIS 2º TRIM/2005 179.831,19 140.017,77 39.813,42 PIS 3º TRIM/2005 201.788,87 149.766,54 52.022,33 COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 120.321,55 78.868,57 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 422.544,35 250.873,23 COFINS 3ª TRIM/2004 379.678,78 160.549,42 219.129,36 COFINS 4º TRIM/2004 323.351,17 323.351,17 COFINS 1º TRIM/2005 820.263,43 740.823,28 79.440,15 COFINS 2º TRIM/2005 1.055.096,86 645.006,29 410.090,57 COFINS 3º TRIM/2005 929.516,69 689.898,74 239.617,95 TOTAIS 5.419.401,93 3.897.178,23 1.522.223,70 A linha destacada na tabela acima indica os créditos reconhecidos e glosados pela fiscalização no período de apuração dos créditos utilizados nas DCOMP´s em discussão nestes autos. O contribuinte declarou, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, concordância com as glosas realizadas pela fiscalização no processo 10680.004042/200746. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRF/BHE, por meio do Despacho Decisório de nº 1352, datado de 04.10.2011, cientificou o contribuinte da não homologação das compensações realizadas, informando ter sido exaurido todo o crédito reconhecido pela fiscalização em outras compensações declaradas pelo sujeito passivo, anexando os demonstrativos de fls. 21 a 33. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 19.10.2011, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 18.11.2011, aduzindo, em síntese, que: a) Apresentou, em 2004 (sic), PER/DCOMP com valor a restituir de R$897.357,66; b) Verificou em seus controles que deixou de lançar, em época própria, em sua escrita, as retenções na fonte referentes às contribuições efetuadas em notas fiscais emitidas em julho/2005, no valor de R$11.280,51; agosto/2005, no valor de R$8.548,18; e setembro/2005, no valor de R$12.330,34; totalizando, R$32.159,03; c) Em razão do equívoco, providenciou, em 25/04/2007, a retificação da PER/DCOMP original, somando ao valor do crédito inicialmente declarado o montante das retenções sofridas, perfazendo um novo montante de crédito de R$929.516,69; d) Em 2007 foi iniciada ação fiscal para analise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos, referentes ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.726012/201171 Acórdão n.º 3002000.149 S3C0T2 Fl. 162 4 e) Finalizada a ação fiscal, foi emitido, nos autos do processo de nº 10680.004042/200746, o parecer fiscal datado de 28/05/2008, glosando parcialmente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, com os quais a impugnante concordou; f) Em conseqüência das glosas realizadas e aceitas, restou saldo devedor de IRPJ a pagar, inscrito em Dívida Ativa, com nº de inscrição 60 2 09 00251341; g) Aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 REFIS, incluindo dentre os débitos parcelados, aqueles inscritos em Dívida Ativa da União sob o nº 60 2 09 00251341, anexando documentos comprobatórios; h) Apesar da adesão ao parcelamento, a União ajuizou ação de Execução Fiscal, que recebeu o nº 007471803.2010.8.13.0188, suspensa posteriormente por requerimento da própria União, tendo em vista o parcelamento; i) O débito de IRPJ, resultante da glosa efetuada pela fiscalização e aceita pelo contribuinte, foi incluído em parcelamento da Lei nº11.941/2009, devendo, por tal razão, ser cancelada a cobrança realizada através do despacho decisório nº 1352 DRF/BH. Em sessão de 25 de março de 2015, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, em acórdão de nº 0651.389, pelo não acolhimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, sob o fundamento que: a) Os créditos declarados na DCOMP em comento, relativos ao processo administrativo nº 10680.017537.200573 foram integralmente utilizados em outras compensações, não havendo saldo disponível para compensar o débito de IRPJ de 05/2005, conforme pretendido nestes autos; b) Os débitos incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009 (inscrição nº 60.2.09.00251341), embora sejam de IRPJ, referemse aos períodos de apuração de 12/2004 e 11/2005, conforme se comprova pelas fls. 94 dos presentes autos, enquanto que os débitos cobrados por meio do despacho decisório 1352 referemse ao período de 05/2005 e não estão incluídos em parcelamento algum. Cientificada da decisão em 10.04.2015 e não se conformando com seu conteúdo, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08.05.2015, no qual ratifica as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Muito embora os valores mencionados no relatório e no voto sejam superiores ao limite da competência especial das Turmas Extraordinárias, o saldo do crédito Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.726012/201171 Acórdão n.º 3002000.149 S3C0T2 Fl. 163 5 discutido neste processo é inferior a 60 (sessenta) salários mínimos (fl. 16). Sendo assim, passo à analise do Recurso Voluntário. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." No curso do presente processo, foram produzidas provas suficientes para analisar a existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vejamos. Os créditos de COFINS referentes ao 3º trimestre de 2005, declarados na DCOMP transmitida pelo contribuinte em 25.04.2007 (fls. 15 a 18), somavam R$929.516,69, conforme demonstra a tabela abaixo. DCOMP PROCESSO ADMINISTRATIVO CRÉDITO DECLARADO FLS. 14025.81101.250407.1.7.091519 10680.017537/200573 R$ 929.516,69 15 a 18 A ação fiscal consubstanciada no processo 10680.004042/200746, iniciada em 22.08.2017 (posterior ao envio da DCOMP), concluiu pela glosa de parte dos créditos declarados pelo contribuinte, nos termos do Parecer Fiscal de fls. 03 a 11 destes autos. Em relação aos créditos de COFINS do 3º trimestre de 2005, as glosas foram: CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR INDEFERIDO VALOR DEFERIDO COFINS 3º TRIM/2005 929.516,69 239.617,95 689.898,74 O Contribuinte declarou, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário, concordância com as glosas realizadas pela ação fiscal. Finalizada a ação fiscal, foi emitido o PARECER FISCAL PROCESSO Nº 10680.004042/200746 datado de 28.05.2008, considerando glosas, com as quais a impugnante concordou. (fls. 43 e 108) O "Demonstrativo Analítico de Compensação" evidencia que o crédito de COFINS, no valor de R$689.898,74, relativo ao 3º trimestre de 2005, foi integralmente consumido, por compensação, com débitos de IRPJ, não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova em sentido contrário. TRIBUTO PA FLS. COMPENSAÇÃO Nº VALOR COMPENSADO IRPJ 06/2005 32 47 R$ 618.851,85 IRPJ 11/2005 33 48 R$ 71.046,89 TOTAL R$ 689.898,74 A "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes" (fl. 22) comprova que todos os créditos vinculados aos processos relacionados à compensação em discussão nestes autos foram consumidos, não havendo nenhum outro documento ou prova em sentido oposto. O Contribuinte alegou ainda que o débito cobrado por meio do Despacho Decisório 1352 (IRPJ 05/2005) encontrase incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Ocorre, contudo, que restou comprovado, por meio da CDA constante das fls. 74 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.726012/201171 Acórdão n.º 3002000.149 S3C0T2 Fl. 164 6 a 80, que os débitos de IRPJ vinculados à inscrição nº 60 2 09 002513, objeto do aludido parcelamento, são relativos aos meses de 12/2004 e 11/2005. Não há nos autos qualquer documento que comprove o parcelamento do IRPJ de maio/2005. O direito à compensação, estampado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, origina se a partir da existência de crédito tributário líquido e certo, o que definitivamente não se comprovou nestes autos. Ao contrário, todas as provas trazidas ao processo, inclusive aquelas carreadas pelo próprio contribuinte, evidenciam que a totalidade do crédito homologado pela fiscalização, nos autos do processo 10680.004042/200746, cuja parcela pretendia o contribuinte utilizar na DCOMP que originou o recurso em análise, já foi consumido em outras compensações realizadas pelo sujeito passivo, não remanescendo saldo disponível para a compensação pretendida nestes autos. Diante de todo o exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904199/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.343
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10746.904199/2012-29
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860123
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.343
nome_arquivo_s : Decisao_10746904199201229.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10746904199201229_5860123.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7268770
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308845764608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904199/201229 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.343 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 99 /2 01 2- 29 Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10746.904199/201229 Acórdão n.º 3301004.343 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.848, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.573. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10746.904199/201229 Acórdão n.º 3301004.343 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10746.904199/201229 Acórdão n.º 3301004.343 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10746.904199/201229 Acórdão n.º 3301004.343 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908414/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.908414/2009-51
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5866740
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.103
nome_arquivo_s : Decisao_10380908414200951.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10380908414200951_5866740.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7307995
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308852056064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.908414/200951 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.103 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IMAGEMAMA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 14 /2 00 9- 51 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908414/200951 Acórdão n.º 1301003.103 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908414/200951 Acórdão n.º 1301003.103 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908414/200951 Acórdão n.º 1301003.103 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10380.908414/200951 Acórdão n.º 1301003.103 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721560/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL
O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas conseqüências fiscais.
ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União.
Numero da decisão: 1401-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Quanto ao recurso voluntário, foi-lhe dado parcial provimento: i) por unanimidade de votos, para afastar a preliminar de decadência e excluir a qualificação da multa de ofício. A Conselheira Lívia De Carli Germano votou pelas conclusões no tocante à exclusão da multa de ofício; ii) por maioria de votos, em segunda votação, dar parcial provimento, para afastar a imposição da multa isolada até o limite da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram por sua manutenção integral; também por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente)
Livia De Cari Germano - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas conseqüências fiscais. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.721560/2013-76
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869635
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.155
nome_arquivo_s : Decisao_10680721560201376.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 10680721560201376_5869635.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Quanto ao recurso voluntário, foi-lhe dado parcial provimento: i) por unanimidade de votos, para afastar a preliminar de decadência e excluir a qualificação da multa de ofício. A Conselheira Lívia De Carli Germano votou pelas conclusões no tocante à exclusão da multa de ofício; ii) por maioria de votos, em segunda votação, dar parcial provimento, para afastar a imposição da multa isolada até o limite da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram por sua manutenção integral; também por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora (assinado digitalmente) Livia De Cari Germano - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7323922
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308878270464
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-30T15:01:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-30T15:01:04Z; Last-Modified: 2018-05-30T15:01:04Z; dcterms:modified: 2018-05-30T15:01:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6ed02965-a5c5-4713-a415-bee0bff61320; Last-Save-Date: 2018-05-30T15:01:04Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-30T15:01:04Z; meta:save-date: 2018-05-30T15:01:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-30T15:01:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-30T15:01:04Z; created: 2018-05-30T15:01:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; Creation-Date: 2018-05-30T15:01:04Z; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-30T15:01:04Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.828 1 2.827 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721560/201376 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401002.155 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes SUPERMIX CONCRETO S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas conseqüências fiscais. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 60 /2 01 3- 76 Fl. 2828DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Quanto ao recurso voluntário, foilhe dado parcial provimento: i) por unanimidade de votos, para afastar a preliminar de decadência e excluir a qualificação da multa de ofício. A Conselheira Lívia De Carli Germano votou pelas conclusões no tocante à exclusão da multa de ofício; ii) por maioria de votos, em segunda votação, dar parcial provimento, para afastar a imposição da multa isolada até o limite da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram por sua manutenção integral; também por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente) Livia De Cari Germano Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.829 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1448.734 1ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação par reconhecer que uma pequena parte do ágio glosado deveria ter sua dedutibilidade restabelecida e manteve em parte os créditos tributários exigidos. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi apurada falta de adição ao lucro líquido dos anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, para a determinação do lucro real, de despesas indedutíveis a titulo de amortização de ágio. Também como conseqüência da indevida dedução dessas despesas, foi constatada falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL para todos os meses dos referidos anos. Especificamente para o IRPJ, foi apurada compensação indevida de prejuízo não operacional com resultado ajustado operacional para o ano de 2008. Em razão dessas infrações, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 20762081) e de CSLL (fls. 21032107). Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 20032065, a SUPERMIX CONCRETO S/A escriturou, nos anos de 2008 a 2012, despesas mensais a título de amortização de ágio na apuração do lucro real em valores mensais de R$ 432.148,23, totalizando R$ 25.928.893,61, com a conseqüente redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O ágio amortizado foi recebido do acervo líquido de sua investidora PRANA EMPREENDIMENTOS S/A , por ocasião da cisão total desta empresa, ocorrida em 31/01/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa fiscalizada cometeu as seguintes infrações tributárias: dedução indevida de despesa de amortização de ágio, compensação indevida de prejuízos fiscais não operacionais, e insuficiência de recolhimento dos tributos sobre sua base de cálculo estimada. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o Relatório da decisão recorrida, naquilo que interessa para solução da lide. Acerca do ágio interno, a autoridade autuante tece as seguintes considerações: Fl. 2830DF CARF MF 4 Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.830 5 Fl. 2832DF CARF MF 6 Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.831 7 Fl. 2834DF CARF MF 8 Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.832 9 Fl. 2836DF CARF MF 10 Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.833 11 No que tange à glosa do ágio deduzido, a Fiscalização desqualificou o documento trazido pelo contribuinte para demonstrar o fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura da participação societária adquirida, e apurou a ocorrência de operações realizadas entre empresa relacionadas com exclusivo intuito de gerar indevidamente uma despesa dedutível. Haja vista a constatação de atos simulados, os Auditores Fiscais majoraram a multa de ofício para 150%. Após a lavratura do auto de infração, os Auditores constataram que, em que pese terem demonstrado no Termo de Verificação Fiscal as razões pelas quais a multa de ofício deveria ser qualificada, ao apurar o valor dos débitos, não incluíram a multa de 150%. Desta feita, fora lavrado auto complementar para incluir a referida majoração no cálculo dos débitos. Irresignado com a autuação fiscal (principal e complementar), o contribuinte apresentou duas impugnações onde elencou as seguintes razões: impossibilidade de questionamento do ágio; erro de enquadramento legal; permissão legal para a amortização fiscal do ágio; ausência de ágio interno e inaplicabilidade do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/2007; inocorrência de simulação e infundada alegação de “empresa veículo” e ausência de propósito negocial; validade dos laudos trazidos ao processo; validade da compensação dos prejuízos fiscais glosados; descabimento da multa agravada; impossibilidade de lançamento da multa isolada por estimativa; impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a impugnação apresentada, tendo reconhecido que uma pequena parte do ágio glosado deve ter a sua dedutibilidade restabelecida, haja vista que decorreu de uma operação societária realizada entre terceiros independentes. A ementa da referida decisão assim andou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012 CISÃO TOTAL COM VERSÃO DE PARTE DO PATRIMÔNIO DA CONTROLADORA À CONTROLADA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ÁGIO GERADO INTERNAMENTE ARTIFICIALIDADE SIMULAÇÃO COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NÃOOPERACIONAIS COM RESULTADOS OPERACIONAIS IMPOSSIBILIDADE ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO CABIMENTO MULTA QUALIFICADA SIMULAÇÃO SELIC Nos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/1997, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, pode amortizar, na apuração do lucro real, o valor do ágio cujo fundamento seja a expectativa de rentabilidade futura, á razão de sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Essa regra aplicase também quando a empresa cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária, conforme o art. 8º da Lei nº 9.532/1997. Não se admite, porém, a amortização de ágio gerado internamente quando comprovado que foi fruto de operações artificialmente engendradas, mediante simulação, com recurso a empresas inexistentes de fato e fundado em laudo de avaliação inconsistente. Os prejuízos não operacionais apurados a partir de 1º de janeiro de 1996 somente podem ser compensados com lucros da mesma natureza, consoante o disposto no art. 31 da Lei nº 9.249/1995. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, em concomitância com a aplicação da multa de ofício Fl. 2838DF CARF MF 12 pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto apuradas em procedimento fiscal, em razão de expressa disposição legal e em face das incidências ocorrerem em situações fáticas distintas. Correta é a aplicação de multa qualificada (150%), quando for constatada a prática de operações artificialmente engendradas, simuladas, envolvendo reorganização societária sem propósito negocial, com utilização de empresas inexistentes de fato, a fim de gerar ágio amortizável, pois esse conjunto de fatos demonstra o dolo do contribuinte. Os juros moratórios em matéria tributária são calculados com base na taxa Selic, conforme determina a Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o orçamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada, a Recorrente interpôs voluntário defendendo a legitimidade das operações praticadas e a improcedência da autuação, o contribuinte insiste nos mesmos argumentos que apresentou em sua impugnação inicial, salvo a alegação de que o lançamento incorreu em erro de enquadramento legal. Haja vista o cancelamento de parte do crédito tributário originalmente lançado em valor superior ao limite estabelecido legalmente, a DRJ em Ribeirão Preto houve recurso de ofício. Em contrarrazões a PGFN aduz a inexistência de decadência para fiscalizar atos societários que deram origem ao ágio; a indedutibilidade do ágio amortizado sendo correta a glosa em face da inexistência de documento hábil a fundamentação econômica na rentabilidade futura da participação societária (própria Supermix) assim como porque fora apurado que a sua dedutibilidade decorreu da prática de atos simulados e realizados entre partes relacionadas. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.834 13 DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA PARA FISCALIZAR OS ATOS SOCIETÁRIOS QUE DERAM ORIGEM AO ÁGIO. Sobre a decadência, alega o recorrente que o direito de a Fazenda fiscalizar as operações que deram origem ao ágio aqui discutido (ocorridas entre 14/01/1998 e 20/07/1999) já estava decaído quando da sua ciência do auto de infração, ocorrida em 29/04/2013. Segundo ele, o prazo decadencial no presente caso deve ser contado a partir das operações societárias que deram origem ao registro do ágio. Contudo, tendo em vista que o pagamento do ágio não constitui fato gerador de nenhuma obrigação tributária, e que seus efeitos fiscais se resumem a um benefício fiscal potencial concedido pelo Estado, temse como lógico que o prazo decadencial para o Fisco homologar os efeitos fiscais atribuídos pelo contribuinte ao ágio por ele criado não se conta a partir do pagamento da correspondente “mais valia”, mas sim da sua efetiva utilização para redução dos tributos a serem recolhidos. Somente quando o contribuinte deduz o ágio na apuração dos seus tributos, o Fisco tem algo a homologar (no presente caso, o lucro real apurado pelo sujeito passivo nos anos de 2008 a 2012). Antes disso, o Estado não tem qualquer fato tributário que envolva o ágio pago pela empresa. No caso dos presentes autos, embora o ágio tenha surgido de operações societárias realizadas durante os anos de 1998 e 1999, os seus efeitos tributários se prolongaram durante vários anos posteriores. Aqui se discute esses efeitos ocorridos nos anos calendário de 2008 a 2012. O prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador do tributo (§4º do art. 150 do CTN) lançamento por homologação ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inc. I do art. 173 do CTN) lançamento direto. Ou seja, a contagem do prazo decadencial tem pertinência com o fato gerador do tributo, com o fato que reduziu a base de cálculo do tributo, não cabendo interpretar que os eventos de geração do ágio e de incorporação têm seus efeitos diferidos no tempo para fins do pagamento do IRPJ decorrente da amortização de ágio, como quer fazer crer a Recorrente. De maneira que, em sendo a data do fato gerador (amortização do ágio) o termo inicial da contagem do prazo decadencial e em tendo a ciência do auto de infração, ocorrida em 29/04/2013, não há que se falar em decadência. Também não cabe o argumento de que o termo inicial da contagem do prazo decadencial se daria a partir da data da incorporação que transformou o ágio em ativo diferido, posto que conforme já posicionado, o prazo decadencial tem início não a partir da formação do ágio, mas sim da sua amortização. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Fl. 2840DF CARF MF 14 Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101 002.387, julgado em 13/07/2016) Portanto, afasto a alegação de decadência. DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO De início cumpre conceituar e esclarecer os principais aspectos do tratamento fiscal do ágio, bem como os requisitos para amortizálo. Conforme o art. 20 do Decreto lei nº 1.598/77, o ágio é caracterizado pela diferença positiva entre o custo da aquisição e o valor do patrimônio líquido da adquirida no momento da aquisição. Portanto, o ágio é apurado pela pessoa jurídica que adquire participação societária em outra companhia, cujo o investimento é definido como relevante. Nesse sentido, a adoção do método da equivalência patrimonial é obrigatória para a avaliação de investimentos relevantes, permanentes em sociedades consideradas como coligadas e controladas. Com efeito, o conceito de controle societário na legislação fiscal encontra respaldo no art. 384 do RIR/99 para efeitos de determinação das situações nas quais determinadas participações societárias devem ser avaliadas pelo método da equivalência patrimonial. Desse modo, o ágio será apurado com base na participação do percentual do capital social da empresa adquirida, constituindose pela diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio líquido da companhia adquirida no momento da aquisição. De acordo com o art. 385 do RIR/99, na aquisição de investimentos avaliados pelo método do patrimônio líquido (denominado método de equivalência patrimonial), o custo de aquisição deve ser segregado entre (i) o valor do patrimônio líquido do investimento no momento da aquisição, e (ii) o ágio ou deságio correspondente à diferença entre o valor pago de acordo com o item anterior e o custo de aquisição do investimento. Ainda, o art. 383 do RIR/99 e o art. 20, § 2º, do Decreto lei nº 1.598/77 dispõem que o ágio deve ter um fundamento econômico, e descreve os três tipos de fundamentos econômicos que têm efeitos para fins do aproveitamento fiscal, a saber: (i) valor de mercado dos ativos; (ii) expectativa de rentabilidade futura, ou (iii) intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.835 15 Daí a importância do propósito negocial somado ao efetivo substrato econônimco da transação para que o ágio gerado seja considerado uma despesa dedutível para fins fiscais. Conforme o artigo 386 do RIR/99, é condição para o aproveitamento do ágio a incorporação entre a empresa investida e a empresa investidora. Após a incorporação, o ágio tendo por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura da empresa investida poderá ser aproveitado fiscalmente mediante amortização como despesa dedutível. Importante notar que sua alocação deve ser suportada por documentação adequada, entendida como um laudo de avaliação que fundamente a futura amortização do ágio. A alocação é importante porque determina os critérios de amortização para fins contábeis, bem como as implicações fiscais relacionadas. Além disso, o ágio é derivado de uma aquisição entre terceiros independentes, e não gerado em conseqüência de transação intra grupo, visto que não há a transferência da titularidade, isto é, no final da transação as empresas ainda estariam sob um controle comum. Pois bem, discutese a glosa de despesas de amortização de ágio nos anos calendários de 2008 a 2012, gerado entre 1998 e 1999 no contexto da separação de alguns ramos da família Dias do controle da Recorrente. Explica a Recorrente que até o ano de 1998, a era uma empresa familiar detida diretamente por pessoas físicas de cinco ramos diferentes da Família Dias (Milton, Edson, Gerson, Celso e Geraldo), contudo naquele ano os três ramos decidiram se retirar da sociedade, que passaria a ser controlada apenas por Milton e Edson. Os demais ramos se retirariam e deixariam de ter participação na Recorrente. Para tanto, esses dois segmentos da família adquiriram participações de Gerson, Celso e Geraldo da seguinte forma: i) primeiramente, ocorreu a diluição dos demais ramos por meio de aquisições de ações da Recorrente (subscrição de ações em aumento de capital); e ii)após essa subscrição de ações, aquisição direta de ações. Ao todo, foram realizadas capitalizações da Recorrente e 9 diferentes aquisições de ações detidas por minoritários. Por uma opção dos sócios Milton e Edson, esse movimento de saída de três segmentos da família da Recorrente foi acompanhado por uma concomitante concentração das participações por empresas por eles detidas (Sentor, Vadreska, Prana e Paladin). Por essa razão, optouse já diretamente por realizar essas aquisições , que teriam por função centralizar as participações até então detidas diretamente na condição de pessoas físicas. Como tratouse de uma verdadeira aquisição de participação societária pela Sentor, Vadreska, Prana e Paladin, essas sociedades passaram a avaliar o investimento da Recorrente segundo o método de equivalência patrimonial. Neste momento se reconheceu o ágio discutido neste processo não corresponde a caso envolvendo ágio interno, por serem aquisições realizadas entre partes diferentes (pessoas físicas), com efetivo pagamento do preço, conforme reconhecido no Termo de Verificação Fiscal, que sequer podem ser equiparadas as aquisições entre empresas de controle comum ou dependência ou influencia societária. Fl. 2842DF CARF MF 16 Inclusive, foi somente com a Lei 12.973/14, que passou a definir como "partes vinculadas" parentes de até terceiro grau, o que não existia a época dos fatos, não podendo haver nesses caso aplicação retroativa. Requisitos legais para a geração e amortização do ágio Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a autuação, por entender ter havido inconsistências quanto à demonstração que dá fundamentação ao ágio. Antes de passar à análise específica do caso, convém contextualizar o tema, para tanto, interessantes as considerações trazidas pela Conselheira Relatora do Acórdão 1401 001.908, quando menciona que: "É comum a menção de que a possibilidade de amortizar o ágio pago na aquisição de uma sociedade foi criada pela Lei 9.532/1997 e introduzida no contexto das privatizações no intuito de promover a valorização das empresas que eram objeto de tal processo. Isso porque, neste contexto, tal “benefício” seria levado em consideração pelos compradores na formação do preço, permitindo que apresentassem um lance maior pelas empresas a serem privatizadas. Todavia, a exposição de motivos da Medida Provisória 1.602/1997, convertida na Lei 9.532/1997 (e que por sua vez é a base legal do art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999), traz um contexto um pouco diferente. Conforme se depreende do trecho abaixo, as novas exigências trazidas pela norma em especial de que o ágio tivesse por fundamento a rentabilidade futura da investida, bem como do prazo para a amortização fiscal, contado a partir da liquidação do investimento tiveram por escopo exatamente evitar “planejamentos tributários”, os quais consistiam, basicamente, na aquisição de empresa deficitária por valor acima de seu patrimônio líquido, imediatamente seguida de incorporação. Isso porque, antes da Lei 9.532/1997, tal medida acarretava o reconhecimento da totalidade do ágio como perda, passível de amortização integral imediata, independentemente da fundamentação do ágio". Vejase: “11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método de equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos ‘planejamentos tributários’, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” (Grifos nossos; vale notar que na conversão em lei o art. 8o acabou sendo reproduzido como art. 7º da Lei 9.532/97) Neste sentido, podemos citar como exemplo do "planejamento tributário" acima referido, o seguinte caso: Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.836 17 Ementa: “IRPJ/CS – INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE – AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – DEDUTIBILIDADE – Na incorporação de sociedade, com acervo liquido da sociedade incorporada avaliado a valor de mercado, o ágio anteriormente registrado pela controladora e baixado em razão da liquidação do investimento é dedutível na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro." (Processo 10980.00656119768, Acórdão 10705875, de 22/02/2000). Merecem destaque os seguintes trechos do voto vencedor do acórdão cuja ementa se transcreveu acima: “Obviamente que não se pode olvidar que as operações praticadas pela recorrente redundaram na absorção do ágio que anteriormente se formara, reduzindo o seu lucro tributável. Mas, ao tempo em que tais operações se realizaram, além das regras insertas no citado art. 380 do RIR/94, não havia nenhuma outra vigente, o que em negócios do gênero (aquisições de sociedades seguidas de sua absorção) abria espaços para a estruturação de operações que, desde logo, permitiam a dedutibilidade do ágio pago. O legislador, ciente de que a reboque de tais negócios realizavamse operações de planejamento tributário, por intermédio da Lei 9532/97 veio a disciplinar a figura do ágio, estabelecendo o tratamento tributário de conformidade com a sua natureza. Portanto, considerando que a dedução do ágio que motivou o presente lançamento se verificou em momento anterior ao de vigência da referida lei, tendo as operações estruturadas se pautado pelas regras impostas na legislação societária e em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, não havendo, por parte da autoridade que presidiu o ato de lançamento, nenhuma acusação quanto a eventual ilicitude ou simulação dos atos praticados, realmente não vejo como se manter o lançamento. (...) o que se via no momento da realização das operações em questão era um absoluto vazio legislativo, que propiciava em operações da espécie a dedutibilidade imediata e integral do ágio, tanto que o legislador, talvez até tardiamente, tratou de adequadamente regulálas.” (grifamos) Assim, apesar do viés político que é atribuído a sua introdução na legislação, há que se salientar que a amortização do ágio pago na aquisição de sociedade brasileira tem lógica na própria sistemática de tributação do IRPJ e da CSLL, e existia muito antes da Lei 9.532/1997, a qual veio tão somente impor critérios objetivos para tal fruição quais sejam, vale repetir, a fundamentação da mais valia na rentabilidade futura da investida, bem como do prazo para a amortização fiscal, contado a partir da liquidação do investimento. A legislação tributária estabelece que o ágio pago em razão da rentabilidade futura da sociedade adquirida pode ser amortizado e deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL após a alienação ou a liquidação do investimento. Tais condições não são aleatórias. Na verdade, tanto a alienação do investimento quanto a sua liquidação são eventos que dão margem ao reconhecimento de um ganho ou uma perda, correspondentes à diferença entre o valor pago na aquisição da participação societária ("custo") e o valor pelo qual esta é alienada ou liquidada (respectivamente, valor de venda ou valor de patrimônio líquido). A ocorrência de tais eventos, Fl. 2844DF CARF MF 18 nos termos do DecretoLei 1.598/1977 (em especial, arts. 25, 33 e 34), acarretava a tributação do ganho (quando realizado), assim como permitia considerar a perda uma despesa dedutível. Como visto, antes da edição da Lei 9.532/1997, para fins tributários o ágio era integralmente amortizado no momento em que houvesse a incorporação, e era assim não porque nesse momento a despesa com o ágio seria confrontada com a receita que lhe deu origem, ou porque neste momento ocorreria a "confusão patrimonial" entre investidora e investida, mas tão somente porque, a partir de então, aquele investimento necessariamente seria baixado, originando uma perda. Em resumo, longe de criar um "benefício fiscal" visto que a amortização já era prevista na legislação, e em condições muito mais amplas , o que os arts. 7º e 8o da Lei 9.532/1997 (reproduzidos no art. 386 do RIR/99) trouxeram foram as condições objetivas para a amortização fiscal do ágio pago na aquisição de participações societárias. Condições que, conforme indica a própria exposição de motivos da norma, foram estabelecidas buscandose evitar os "planejamentos tributários" praticados com respaldo na anterior lacuna legislativa. Assim, uma vez que tais condições tenham sido observadas, a princípio a amortização fiscal do ágio há de ser admitida. Dizemos a princípio porque, como se sabe, as autoridades fiscais estão autorizadas a efetuar e rever de ofício o lançamento tributário nas hipóteses do artigo 149 do CTN, inclusive quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (inciso VII). Mas não é o caso dos presentes autos pois, conforme relatado, o próprio TVF afirma: "... não questionamos, no presente termo, o propósito negocial das operações." (fl. 35) Pois bem. Uma análise mais detida a legislação revela que o requisito de que o destaque do ágio esteja respaldado em demonstração que o contribuinte deve arquivar como comprovante de sua escrituração existiu desde a redação original do artigo 20 DecretoLei 1.598/1977, não sendo assim uma novidade trazida pela Lei 9.532/1997. Vejase: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se percebe, a legislação somente exigia "demonstração" para o caso de ágio ou deságio com fundamento em (a) valor de mercado de bens do ativo da sociedade adquirida; e (b) valor de rentabilidade futura da participação adquirida. No caso de ágio Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.837 19 fundamentado em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas não se exigia tal demonstração do que se conclui que qualquer ágio registrado sem a devida "demonstração" seria classificado como tal. De qualquer forma, a norma foi clara em estabelecer que a exigência de fundamento para o ágio, originalmente, surgiu para fins de lançamento deste nos registros contábeis. A Lei 9.532/1997 acabou por trazer, apenas, diferenças quanto ao tratamento tributário do ágio, a depender de seu fundamento, de maneira que (a) o ágio baseado em valor de mercado de bens do ativo seria registrado em contrapartida do bem ou direito que lhe deu causa, sendo portanto amortizável/depreciável de maneira equivalente a tal bem ou direito; (b) o ágio baseado em rentabilidade futura poderia ser amortizado à razão de 1/60 ao mês após a incorporação, fusão ou cisão; e (iii) o ágio baseado em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas seria registrado e contrapartida de ativo permanente, não sujeita a amortização. Com isso, o fundamento do ágio se tornou relevante para definir se e como ocorreria a sua amortização fiscal. A norma do § 3º do artigo 20 DecretoLei 1.598/1977 não foi, porém, alterada com o advento da Lei 9.532/1997, permanecendo com o seguinte conteúdo: "aquele que pretende registrar ágio com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º (hipótese) deve arquivar a demonstração que comprove tal escrituração (consequência). Como se percebe, não faz parte do conteúdo dessa norma a maneira como as partes convencionam o negócio pactuado, nem o conteúdo de tal negócio. Em outras palavras, independentemente do critério eleito pelas partes para convencionar o preço a ser pago pela participação societária negociada, a adquirente somente poderá registrar ágio de rentabilidade futura se houver um demonstrativo que suporte tal lançamento. Assim, o simples fato de o preço da participação societária cuja aquisição deu origem ao ágio ter sido avençado com base em outro critério que não diretamente a rentabilidade futura da investida não tem o condão de alterar o fundamento do ágio, se a demonstração então preparada dá base para o seu destaque com base em rentabilidade futura da empresa adquirida. Disso se depreende que a demonstração é, sim, um requisito formal importante para o registro do ágio e que, uma vez cumprida tal formalidade ou seja, havendo demonstração contemporânea aos fatos que possa respaldar o valor negociado na rentabilidade futura da adquirida o registro do ágio com o fundamento ali demonstrado está autorizado. Isso não significa admitir que na prática os contribuintes estariam autorizados a fazer “contas de chegada” alegando a conformidade com o laudo. Isso porque, se o preço se tratar de mera "conta de chegada", ou seja, se o negócio de compra e venda não for real (efetivo), este poderá ser questionado, mas não em virtude da ausência de fundamentação do ágio e sim com base na existência mesma de simulação, nos termos do artigo 149, VII, do CTN. Da impossibilidade de amortização contábil a partir de 2008 de um ágio pautado em rentabilidade futura de cinco anos e que fora apurado a partir de 1997 (limite de amortização no ano de 2001). Fl. 2846DF CARF MF 20 A título de argumentação, com exclusivo fim de debate, destacase que, caso seja reconhecida a validade do documento trazido pelo contribuinte para justificar o seu fundamento econômico na rentabilidade futura da SUPERMIX, mesmo assim, não há como ser reconhecida a sua dedutibilidade. Isso porque, sendo considerado válido o laudo trazido pelo contribuinte, necessariamente o ágio registrado já teria sido completamente amortizado no ano de 2001, ou seja, muito antes de 2008, ano em que o ágio começou a ser deduzido pelo contribuinte. Ou seja, caso seja reconhecida a validade do fundamento econômico do ágio, uma imposição de ordem contábil impossibilitará a dedutibilidade pretendida pelo autuado. De fato, a amortização contábil de um ágio ocorre conforme se confirma o fundamento econômico que justificou o seu pagamento. Nesse diapasão, se o ágio foi pago com base na rentabilidade futura de um investimento, a sua amortização deve ocorrer conforme se materializa o lucro cujo pagamento fora adiantado. Se o lucro aumentar, a amortização segue o aumento. No entanto, se houver prejuízo, a amortização permanece (perda por ter pago por um lucro que não ocorreu). Por outro lado, por exemplo, se o ágio tiver sido pago com base na subavaliação de um ativo, a sua amortização ocorrerá apenas com a baixa desse ativo. Nesse diapasão, registrase o seguinte trecho do Manual De Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI1: O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao de patrimônio líquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ano. (Todavia, se os lucros previstos pelo quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforma de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente.) Se os lucros esperados foram maiores do que os que se efetivarem posteriormente à aquisição, devese avaliar a necessidade de aceleração da amortização do ágio. Se ocorrerem prejuízos, talvez seja o caso de sua completa amortização. Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizado da seguinte forma (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, §§ 2º e 3º com nova redação dada pela Instrução CVM nº 285/98): “§ 2º (...) a) o ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro – no prazo, extensão e proporção dos resultados projetados, ou pela baixa por alienação ou perecimento do Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.838 21 investimento, devendo os resultados projetados serem objeto de verificação anual, a fim de que sejam revisados os critérios utilizados para amortização ou registrada a baixa integral do ágio; e (...)” (grifo nosso) Portanto, diante do elucidativo trecho acima exposto, concluise que, como o laudo trazido pelo contribuinte fora pautado no documento elaborado pela ING BARRIS, e esse último calcula o valor da SUPERMIX com base em sua rentabilidade futura até o ano de 2001 (cinco anos a partir de 1997), de acordo com as regras contábeis e regulatórias da CVM, necessariamente o ágio registrado pela PRANA durante o período de 1998 a 1999 deveria ter sido completamente amortizado até o ano de 2001. Isso porque, como, segundo o contribuinte, o ágio foi pago com base nesse laudo, e esse documento projeta os resultados futuros da SUPERMIX até o ano de 2001, a PRANA teria adiantado o custo dos lucros projetados somente até esse ano. Depois de 2001, portanto, não há como a amortização do ágio afetar o lucro auferido por meio da SUPERMIX (por meio do MEP). Dessa forma, partindo do laudo trazido pelo contribuinte, o ágio por ele registrado necessariamente deveria ter sido extinto contabilmente no ano de 2001. E, havendo essa necessária extinção contábil, não há como haver a dedução da correspondente despesa de forma independente em período posterior. Portanto, embora assista razão ao contribuinte quando aduz que a Lei 12.973/14, não se exigia qualquer forma ou metodologia de cálculo e tampouco fixava data específica para a elaboração do referido estudo, fato é que restou demonstrada a inexistência de documentos que dessem suporte aos lançamentos contábeis registrados pela Recorrente, até porque os documentos apresentados, no caso o Laudo de Avaliação projeta resultados as serem registrados de forma diversa da ocorrida. Por tanto, a decisão recorrida não merece reparos quanto a indedutibilidade do ágio, principalmente quando conclui que: Fl. 2848DF CARF MF 22 Assim, também nego provimento ao Recurso de Ofício. Multa Qualificada Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.839 23 Quanto à qualificação da multa, há uma diferença importante a ser considerada. É que um processo de reorganização societária com "etapas artificiais, apesar de formalmente legais" não se qualifica como fraude, mas simulação. Conforme considera a Conselheira Lívia de De Carli Germano (Acórdão 1401002.078) na análise do caso em questão, há se considerar se houve ou não a prática de conduta expressamente vedada pelo ordenamento (i.e., ilícito), mas conflito entre interpretações conferidas a um mesmo fato isto é: para a contribuinte, a constituição de uma pessoa jurídica no âmbito meramente formal é suficiente para permitir a produção dos respectivos efeitos tributários e, para a autoridade autuante, tal negócio é artificial. Nos termos do voto no acórdão CSRF 9101002.189, sessão de 21.01.2016, a simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Por sua vez, para que se possa cogitar a qualificação da multa, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. Esse, inclusive, é o sentido que se extrai do teor da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", assim como da Súmula Vinculante CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Assim, para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito (dolo normativo). Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, que contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada. Na verdade, o que vemos é a prática de condutas expressamente permitidas, tanto é que a própria fiscalização pauta a qualificação da multa na artificialidade das operações, afirmando textualmente que estas, por si sós, não violavam nenhuma norma legal. Fl. 2850DF CARF MF 24 Assim, no caso, não há a imputação da prática de qualquer ilícito, é dizer, não se verifica qualquer conduta contrária ao direito que possa levar ao agravamento da penalidade. De fato, a depender da linha que se adote e não cabe aqui discorrer sobre todas possíveis acepções a simulação é, no máximo, um ilícito atípico, o qual, por tal natureza, não pode ensejar o agravamento da multa (GERMANO, Livia De Carli. Planejamento tributário e limites para a desconsideração dos negócios jurídicos. São Paulo: Saraiva, 2013, pgs. 83 e 127). Em vista disso, entendo como não aplicável ao caso a hipótese de qualificação da multa de ofício para 150%. Multa isolada O auto de infração consigna aplicação da multa de ofício de 75% e mais multa isolada de 50%, alegandose a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, citando como embasamento legal os artigos 222 e 843 do RIR/99 e art. 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96. Ou seja, há cobrança cumulada das duas multas sobre o mesmo evento. Aqui entendo haver sim situação de concomitância ao passo que a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, assim a primeira conduta é meio de execução da segunda. Assim, quanto à imposição de multas isoladas sobre estimativas, sigo o entendimento que rejeita a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Neste sentido, sigo entendimento manifestado pela 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910101.455 de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias em 15 de agosto de 2012. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.840 25 isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período. Assim, ante o exposto, acolho o recurso voluntário quanto a este ponto para afastar integralmente a multa isolada, pelo reconhecimento da impossibilidade de sua aplicação em concomitância à multa de ofício. Juros Sobre a multa de Ofício Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. Assim, por todo o exposto nesta análise, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa e a multa isolada integralmente e NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 2852DF CARF MF 26 Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano Redadora designada Fui designada para redigir o voto vencedor e respectiva ementa exclusivamente com relação à multa isolada. A Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo a anocalendário posterior a 2007, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Pois bem. Sobre a matéria, tenho me filiado ao posicionamento de longa data adotado pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 10680.721560/201376 Acórdão n.º 1401002.155 S1C4T1 Fl. 2.841 27 de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução Fl. 2854DF CARF MF 28 atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Assim, no caso em questão, orientei meu voto para que as multas isoladas sejam canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2855DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001371/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN.
Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I.
Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.
SUJEIÇÃO PASSIVA.
O sujeito passivo da obrigação principal diz-se contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
Numero da decisão: 2401-005.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. SUJEIÇÃO PASSIVA. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.001371/2010-46
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5858166
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.397
nome_arquivo_s : Decisao_16327001371201046.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 16327001371201046_5858166.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7254981
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308901339136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 998 1 997 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001371/201046 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.397 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extinguese com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. SUJEIÇÃO PASSIVA. O sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 71 /2 01 0- 46 Fl. 998DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 16327.001371/201046 Acórdão n.º 2401005.397 S2C4T1 Fl. 999 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Debcad 37.234.0253) lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social previdenciária da empresa, incidente sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais, vendedores e gerentes de vendas vinculados à rede de concessionárias Volkswagen, por intermédio de cartão premiação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 113/120): · O Contribuinte Banco Volkswagen S/A (CNPJ nº 59.109.165/000149) é sucessor, por incorporação, da empresa Volkswagen Leasing (CNPJ nº 49.324.619/000140). · Os códigos de levantamento utilizados para fatos geradores do Banco Volkswagen foram B, B1 e B2. Os códigos de levantamento utilizados para fatos geradores da Volkswagen Leasing foram L e L1. · O Banco Volkswagen e a Volkswagen Leasing contrataram os serviços da empresa DPTO Promoções Ltda (CNPJ nº 03.490.964/000153) para que esta promovesse campanhas de vendas, através das quais remunerava segurados vinculados à rede de concessionárias da marca Volkswagen (gerente de vendas e vendedores). · Essa remuneração seria devida como recompensa do desempenho desses segurados em vender produtos da empresa autuada, conforme metas estabelecidas nos regulamentos das campanhas. · Nos contratos de prestação de serviços celebrados entre a autuada (contratante) e a empresa DPTO Promoções Ltda (contratada), havia cláusula que determinava a obrigatoriedade de autorização expressa da contratante para que fossem disponibilizados créditos nos cartões dos beneficiados. · A autuada esclareceu que nunca efetuou recolhimento de tributo relacionado às premiações. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese: decadência, que os pagamentos foram feitos pela DPTO, que a DPTO declarou e recolheu as contribuições previdenciárias, que o adicional de 2,5% é inconstitucional e questiona a multa aplicada. Diante dos argumentos de impugnação apresentados, especialmente com relação ao fato da empresa DPTO PROMOÇÕES ter efetuado o pagamento das contribuições lançadas, às fls. 371/376, a DRJ determinou a realização de diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: Fl. 1000DF CARF MF 4 4.1. As remunerações declaradas nas GFIP da empresa DPTO Produções Ltda correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços para com a autuada? 4.2. Em caso positivo, todos os valores pagos a título de premiação por meio de cartão aos segurados relacionados nas planilhas apresentadas pela autuada (fls. 76), que serviram de base de cálculo para as contribuições incluídas nas autuações n" 37.234.0253, 37.234.0261, foram declarados nas GFIP da empresa prestadora de serviços DPTO Produções Ltda, considerandose todo o período autuado (01/2005 a 12/2008)? 4.3. Em sendo a declaração retromencionada parcial, solicitase a elaboração de discriminativo detalhado (meio papel ou arquivo digital) informando quais segurados e remunerações integrantes das planilhas de fls. 76 foram declarados cm GFIP pela empresa DPTO Produções Ltda. 4.4. Considerando que o Relatório Fiscal (fls. 95/102) aponta para a conclusão de que os contribuintes individuais que receberam premiações por meio de cartão teriam seus vínculos estabelecidos diretamente com a autuada (Banco Volkswagen S/A e a sucedida Volkswagen Leasing), solicitase que a Autoridade Fiscal, frente às análises e esclarecimentos apresentados em resposta aos questionamentos anteriores, esclareça, conclusiva e justificadamente, se o vínculo dos contribuintes individuais que receberam as citadas premiações é com a autuada. 4.5. Havendo, em consequência, qualquer alteração no valor das contribuições previdenciárias incluídas na presente notificação, deverá a referida Autoridade demonstrar, justificadamente, tal alteração. A Autoridade Fiscal responsável pela diligência pronunciouse por meio do Relatório de Fiscal Complementar (fls. 377/381), onde apresenta vários argumentos e conclui que há inequívoca relação direta e pessoal da autuada com a situação que constitui o fato gerador, ressaltando a impossibilidade de mudança do sujeito passivo por convenções particulares (art. 123 do CTN). Relembra que o art. 89 da Lei nº 8.212/91 garante o direito de restituição ou compensação no caso de recolhimento indevido ou a maior. Foi proferido o Acórdão 1633.121 13ª Turma da DRJ/SP1, em 10/8/11, fls. 420/441, que julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Cientificado do Acórdão em 6/9/11 (Aviso de Recebimento AR de fl. 443), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 6/10/11, fls. 444/471, que contém, em síntese: Sustenta a decadência de parte do lançamento (01/05 a 09/05), com fundamento no art. 150, §4º do CTN. Afirma, que os valores pagos aos contribuintes individuais através dos cartões CASH PLUS da empresa DPTO não podem ser considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois classificamse como prêmios esporádicos não vinculados a uma contraprestação em prol do recorrente, pois para o seu pagamento depende de fatores econômicos do mercado de venda de automóveis e caminhões. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16327.001371/201046 Acórdão n.º 2401005.397 S2C4T1 Fl. 1000 5 Defende que não havia habitualidade nos pagamentos e que o CASH PLUS era um prêmio excepcional, desvinculado do pagamento dos salários e trabalho. Cita a Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, item 7, segundo o qual as parcelas recebidas a título de ganhos eventuais não integram o salário de contribuição e afirma que os prêmios pagos não são passíveis de sofrerem incidência da contribuição previdenciária. Entende que a autuação foi levada a efeito com erro na eleição do sujeito passivo, pois, deveria ter sido efetuada em face da empresa DPTO, contratada para executar políticas de marketing de incentivo, sendo esta a responsável pelos pagamentos efetuados, e não a recorrente. Diz que não obstante tenha suportado o ônus financeiro dos valores em discussão, a assunção do encargo econômico não equivale ao ato de pagamento. Relata que não se trata de um caso no qual se pretende transferir a sujeição passiva relativamente à contribuição a outra pessoa jurídica por meio de contrato, mas apenas demonstrar que no presente caso, quem era a responsável por recolher os tributos incidentes sobre os pagamentos efetuados, conforme prevê o contrato firmado entre as partes era a DPTO, empresa que decidia inclusive sobre qual o montante do prêmio a ser pago. Aduz que em matéria de contribuição previdenciária, a legislação determina a obrigação do recolhimento do tributo pela empresa que venha a pagar os segurados. Cita a Lei 8.212/91, art. 22, I e art. 33, I, 'a' e 'c'. Afirma que o sujeito passivo é o responsável por disponibilizar os rendimentos. Cita jurisprudência sobre restituição. Acrescenta que se o desconto da contribuição dos segurados é feito por ocasião do pagamento da remuneração, somente quem o faz é que pode ser o sujeito passivo da obrigação fiscal. Diz que todos os pagamentos da recorrente foram feitos para a DPTO, a título de prestação de serviços relativos ao programa de marketing de incentivo, com aplicação do regime fiscal pertinente à relação, tendo ocorrido as retenções de imposto de renda, CSLL, PIS e Confins. Defende que o fato da DPTO receber recursos da recorrente, os as quais são consumidos no exercício de sua atividade (campanha de marketing), englobando inclusive os pagamentos aos vendedores, não significa que tais pagamentos estejam sendo efetuados pela recorrente. Argumenta que a obrigação tributária está extinta pelo pagamento, tendo em vista que conforme contrato firmado entre as partes, a DPTO, ao efetuar os creditamentos de valores aos contribuintes no cartão CASH PLUS também levou a efeito o pagamento das contribuições previdenciárias devidas sobre referidos pagamentos. Que a prova da correlação entre os pagamentos efetuados e os beneficiários dos valores creditados em cartão se faz através do confronto do relatório de pagamentos do programa de incentivo do banco Volks com as GFIPs apresentadas pela DPTO. Que o próprio relatório fiscal complementar reconheceu a identidade entre os pagamentos e os beneficiários dos serviços. Que a DRJ ilegalmente afastou todo o conjunto probatório constante dos autos, quando deveria reconhecer o aproveitamento dos pagamentos efetuados pela DPTO em favor da recorrente. Fl. 1002DF CARF MF 6 Entende que não pode prevalecer o entendimento da DRJ, tendo em vista o adimplemento da obrigação. A manutenção da exigência fiscal viola o art. 150, I da CR/88 e os artigos 142, 124, 125, I e 156 do CTN. Ainda quanto ao pagamento, sustenta que o art. 124 do CTN permite o reconhecimento do pagamento efetuado pela DPTO em favor da recorrente, sobretudo diante do princípio da busca da verdade material. Por fim sustenta a ilegalidade da cobrança da alíquota de 2,5% prevista na Lei 8.212/91, art. 22, § 1º, em virtude de sua sistemática não encontrar amparo no texto constitucional, bem como ser necessária a correção da multa aplicada no patamar de 75%, quando, em verdade, deveria ter sido aplicado ao caso a multa de 24%, diante da impossibilidade da comparação da multa mais benéfica de 24% acrescida da multa pelo descumprimento da obrigação acessória com a multa de 75%. Pede o reconhecimento da decadência do período de janeiro a setembro de 2005 e o cancelamento da autuação. Os autos foram baixados em diligência, conforme Resolução 2401000.300 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, fls. 618/624, onde se renovou os questionamentos efetuados pela DRJ na diligência por ela solicitada, tendo em vista que o fiscal autuante, a margem de responder os questionamentos formulados, apontou seu entendimento acerca da sujeição passiva no presente caso. Observouse na diligência que conforme previu o contrato entabulado entre as partes (fls. 238), no presente caso, a empresa DPTO responsabilizouse pelo pagamento das contribuições sociais em decorrência dos valores creditados no cartão premiação em favor dos contribuintes individuais vinculados à recorrente. Confirase: CLÁUSULA SEGUNDA – Obrigações da Contratada 2.1. [...] h) Responsabilizarse pelo pagamento de todos os tributos e outros encargos, incluindo previdenciários, que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, sobre os créditos disponibilizados aos BENEFICIÁRIOS; Em resposta à diligência solicitada, a fiscalização elaborou o Relatório Fiscal, fls. 914/927, que contém as seguintes conclusões: · As remunerações declaradas pela DPTO Promoções correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços dos beneficiários dos respectivos prêmios para com a autuada. Os beneficiários foram declarados em GFIP pela DPTO por força de previsão contratual. · Todos os beneficiários das premiações estão declarados nas GFIPs da DPTO Promoções Ltda. · As contribuições previdenciárias foram feitas de maneira integral. · Reafirma seu entendimento de que o sujeito passivo da obrigação tributária é a autuada e que o recolhimento indevido pode ser objeto de restituição. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 16327.001371/201046 Acórdão n.º 2401005.397 S2C4T1 Fl. 1001 7 O sujeito passivo foi cientificado do Relatório Fiscal em 3/6/14 (assinatura à fl. 927) e, em 1/7/14, apresentou manifestação às fls. 929/934, que contém, em síntese: A fiscalização confirmou a coincidência entre os valores autuados e declarados pela DPTO. Mensalmente o requerente transmitia à DPTO recursos para executar os serviços e arcar com a contribuição previdenciária sobre os prêmios distribuídos A DPTO alegou ter recolhido e declarado os pagamentos dos tributos em seu nome, na condição de responsável. Afirma que não se trata de compromisso contratual, mas de cumprimento da legislação fiscal, que decorre da constatação de que os recolhimentos das contribuições competem à empresa, na qualidade de fonte disponibilizadora dos recursos. Assim, como o desconto dos tributos era feito por ocasião do pagamento da remuneração, somente quem o fez é que poderia ser o sujeito passivo das obrigações fiscais. Alega que se a DPTO era a intermediária responsável por repassar os prêmios que fizeram surgir o fato gerador da contribuição, não há razão para não se aceitar também com legitimada a satisfazer a obrigação tributária. Acrescenta que, no caso, há evidente configuração de sujeição passiva solidária por interesse comum (CTN, art. 124, I) entre a requerente e a DPTO. Logo, com a satisfação do crédito tributário por um deles, a obrigação fiscal comum a ambos restou extinta, conforme CTN, art. 125, I. Conclui que o lançamento deve ser cancelado, pois representa bis in idem, que haveria, quando muito, descumprimento de obrigação acessória, e mesmo que o contribuinte fosse o sujeito passivo, deveria ser aceito os recolhimentos dos tributos pagos. É o relatório. Fl. 1004DF CARF MF 8 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. DECADÊNCIA Para verificar se houve decadência, quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A Súmula CARF nª 99, dispõe que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quanto ao sujeito passivo autuado, o que consta nos autos é que nenhuma contribuição foi, por ele, declarada ou recolhida. Não consta dos autos informação quanto a Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 16327.001371/201046 Acórdão n.º 2401005.397 S2C4T1 Fl. 1002 9 outros recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo. Assim, não há que se falar em lançamento por homologação, mas sim de ofício, devendo ser aplicado o disposto no CTN, art. 173, I. O presente lançamento ocorreu em 29/10/10 (assinatura à fl. 5), portanto, poderia retroagir a 12/04 (vencimento da obrigação em 01/05). Para a competência mais remota, objeto de lançamento, 01/05, o prazo decadencial começou a fluir em 01/06, extinguindose o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/10. Portanto, não se operou a decadência em relação a todos os valores lançados no auto de infração de que trata o presente processo. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Quanto à sujeição passiva, assim dispõe o CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; [...] A Lei 8.212/91, determina que: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; E a Lei 10.666/03, dispõe que: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. No caso em análise, temse que foi firmado um contrato de prestação de serviços com a empresa DPTO Promoções Ltda (fls. 238/296) para que esta promovesse campanhas de vendas, através das quais remunerava segurados vinculados à rede de concessionárias da marca Volkswagen (gerente de vendas e vendedores). Consta de referidos contratos que o objeto do contrato é a prestação de serviços, pela contratada à contratante de marketing de incentivos relacionado aos programas denominados "Campanha de Customização", "Campanha Seguro Proteção Financeira 2006", "Campanha Consórcio 2006", "Campanha de Incentivo Sem Limite 2006", "Campanha Vendas Premiadas para o seguro Proteção Financeira", "Projeto Rateio 2006", "Fim de Ano Premiado Fl. 1006DF CARF MF 10 2006", "Financiamento de Peças", "CUSTOMIZAÇÃO MARTE 2", "CUSTOMIZAÇÃO MARTE 3", "CUSTOMIZAÇÃO SORANA SUL 4", "CUSTOMIZAÇÃO BRASILWAGEN 4", "CUSTOMIZAÇÃO BRASILWAGEN 3" e "GUSTOMIZAÇÃO BRASiLWAGEN 5". Em todos eles consta o seguinte: 2. Obrigações da Contratada 2.1. [...] c) Registrar e lançar créditos nos cartões OUROCARD CASH PLUS de cada um dos beneficiários, de acordo com solicitação da contratante enderaçada a instituição financeira e contra o pagamento dos referidos valores. Os pagamentos relativos às cargas dos cartões OUROCARD CASH PLUS serão faturados pela contratada, com reembolso das despesas, contra a contratante, conforme ajuste por ocasião das solicitações, e, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a confirmação do pagamento pela contratante os créditos estarão disponíveis aos beneficiários. [...] h) Responsabilizarse pelo pagamento de todos os tributos e outros encargos, incluindo previdenciários, que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, sobre os créditos disponibilizados aos BENEFICIÁRIOS; [...] Como relata a fiscalização, há cláusula que determinava a obrigatoriedade de autorização expressa da contratante para que fossem disponibilizados créditos nos cartões dos beneficiados. Da leitura dos contratos, vêse que seu objeto era o incentivo à várias campanhas que tinham por objetivo a venda de produtos da autuada. Inferese, então, que quem poderia confirmar se o vendedor ou gerente efetivou a venda do produto (financiamento, leasing, seguro, consórcio etc), fazendo jus ao prêmio, tinha que ser a autuada, pois não é de se esperar que a DPTO tivesse acesso a essas informações da sua contratante Volkswagen. Logo, entendo aceitáveis as cláusulas contratuais que determinavam a necessidade de autorização da autuada para o crédito dos prêmios nos cartões dos beneficiados (elemento que levou a fiscalização a constituir o crédito tributário e a DRJ a manter o lançamento). A alínea 'c' acima transcrita determina que a obrigação pelo pagamento de referidas remunerações, em que pese o custo ser suportado pela Volkswagen, seria da DPTO e ainda, na alínea 'h', restou acordado que o recolhimento dos tributos, incluindo previdenciários, estaria a cargo da DPTO. Ora, se cabia à DPTO remunerar os segurados contribuintes individuais, é ela que deveria preparar a folha de pagamento e prestar as informações em GFIP. Logo, nos termos da legislação acima citada, havia relação pessoal e direta da DPTO com a situação constitutiva do fato gerador, na condição de contribuinte, sendo, portanto, o sujeito passivo da obrigação tributária. E sendo a remuneração paga pela DPTO aos contribuintes individuais, ela deveria arrecadar a contribuição de tais segurados. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 16327.001371/201046 Acórdão n.º 2401005.397 S2C4T1 Fl. 1003 11 Com razão a recorrente ao afirmar que quem remunera é quem pode fazer a retenção da contribuição previdenciária do segurado. E ainda, se foi a DPTO que prestou as informações em GFIP também cabia a ela recolher as contribuições. Assiste razão ao recorrente ao discorrer sobre a possível responsabilidade solidária. Mas este não foi o caso. Apesar da fiscalização entender que o sujeito passivo da obrigação é a empresa autuada, ela também afirma que todos os beneficiários das premiações estão declarados nas GFIPs da DPTO Promoções Ltda. e as contribuições previdenciárias foram feitas de maneira integral. Acrescenta a fiscalização que tais recolhimentos (considerados indevidos) poderiam ser objeto de pedido de restituição. Acontece que tal hipótese não seria mais possível, pois os fatos geradores ocorreram no período de 01/05 a 12/08, já tendo expirado o prazo de cinco anos para o pedido de restituição, nos termos do CTN, art. 168. Não se verifica no presente caso qualquer prejuízo aos segurados, já que, conforme informado pela fiscalização, eles foram declarados em GFIP e as contribuições integralmente recolhidas. Sendo assim, dou provimento ao recurso voluntário. Por evidente perda de objeto, desnecessário discorrer sobre os demais argumentos apresentados pelo recorrente. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 1008DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720753/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Numero da decisão: 9303-006.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10845.720753/2009-01
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867713
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.692
nome_arquivo_s : Decisao_10845720753200901.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10845720753200901_5867713.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7311874
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308932796416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10845.720753/200901 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.692 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 07 53 /2 00 9- 01 Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.962, de 27 de maio de 2014 (efolhas 1.121 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 4 3 A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 1.163 e segs) referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O Recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.307 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 1.317 e segs. Requer que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boa fé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 6 5 fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 7 6 própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 8 7 Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 9 8 ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 10 9 Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 11 10 quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 12 11 a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 13 12 cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 14 13 À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10845.720753/200901 Acórdão n.º 9303006.692 CSRFT3 Fl. 15 14 satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001651/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INTEGRAÇÃO
Conhece-se dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação à decisão que por um lapso olvidou-se de indicação Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF dos termos do Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF art. 63 § 8º do RICARF.
Numero da decisão: 2201-004.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão constatada, integrar os itens 8 a 14 acima indicados no Acórdão de nº 2201-003.683, de 07 de junho de 2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INTEGRAÇÃO Conhece-se dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação à decisão que por um lapso olvidou-se de indicação Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF dos termos do Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF art. 63 § 8º do RICARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001651/2009-91
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868633
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.536
nome_arquivo_s : Decisao_19515001651200991.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001651200991_5868633.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão constatada, integrar os itens 8 a 14 acima indicados no Acórdão de nº 2201-003.683, de 07 de junho de 2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7317255
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308944330752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 496 1 495 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001651/200991 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.536 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Embargante PAULO AFONSO ANTUNES JUNIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INTEGRAÇÃO Conhecese dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação à decisão que por um lapso olvidouse de indicação Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF dos termos do Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF art. 63 § 8º do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão constatada, integrar os itens 8 a 14 acima indicados no Acórdão de nº 2201003.683, de 07 de junho de 2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 51 /2 00 9- 91 Fl. 496DF CARF MF 2 Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração do contribuinte às fls. 492, por bem relatar os fatos ora questionados. "Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2201003.683, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 391e ss), cuja ementa abaixo se transcreve: EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO.AUTORIDADE LEGAL COMPETENTE. POSSIBILIDADE. EXAME DEFATOS NÃO EXAMINADOS ANTERIORMENTE. NOVO LANÇAMENTO. REGULARIDADE. É possível o reexame de período já fiscalizado, mediante autorização expressa do Superintendente da Receita Federal do Brasil, na forma do quanto dispõe o artigo 906 do RIR/99, mesmo quando a fiscalização inicial não tenha resultado em lançamento de ofício.Ao recair esse novo exame sobre fatos já examinados por ocasião do primeiro exame, e sendo apuradas irregularidades tributárias, correto o procedimento do Fisco de constituir o crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de revisão do lançamento anterior, nem de erro de direito,muito menos de alteração do critério jurídico do lançamento. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o"primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos artigos 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NATUREZA JURÍDICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO Nulidade da autuação, higidez do acordo judicial homologado. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201004.536 S2C2T1 Fl. 497 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho." 2 Os embargos de fls. 457/464 foram opostos para sanar omissão no V. Acórdão de minha relatoria, recebidos através da decisão da Presidência dessa C. Turma às fls. 492/494 assim indicado: "Alega o embargante que o aresto proferido incorre em omissão, pois seis Conselheiros votaram pelas conclusões, sem explicitar os respectivos fundamentos. É o breve relato. Passo ao exame. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Do dispositivo transcrito observase que os embargos de declaração são cabíveis apenas nas hipóteses em que ocorra na decisão atacada as seguintes hipóteses: a) omissão no enfrentamento de ponto que a turma deveria se pronunciar; b) obscuridade, que se caracteriza pela impossibilidade de se compreender o raciocínio desenvolvido para fundamentar a decisão e/ou o que efetivamente restou decidido pelo órgão de julgamento; e c) contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. A r. Turma efetivamente não se pronunciou acerca dos fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros como determina o art. 63 §8º do RICARF.Vejamos. Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo Fl. 498DF CARF MF 4 redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e ma ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Como seis Conselheiros seguiram apenas a conclusão do Relator, deve haver manifestação quando aos fundamentos adotados por esta maioria." 3 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 Com razão o embargante. Esse relator se recorda que durante os debates a respeito do assunto em sessão de junho de 2017 os argumentos utilizados pela maioria dos I. Conselheiros da Turma foram os reproduzidos na peça recursal em relação ao tema indicado às fls. 463: Fl. 499DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201004.536 S2C2T1 Fl. 498 5 6 Por um lapso esse Relator olvidouse da inclusão do referido tema em questão no seu voto, apesar do provimento recursal, com razão o contribuinte que tem o direito de que as razões da maioria da Turma, mesmo por outros fundamentos, sejam integradas na respectiva decisão. 7 Portanto, será considerado como integrante do V. Acórdão embargado os seguintes termos utilizados como razões de decidir os seguintes fundamentos da maioria do colegiado na ocasião: 8 – Não se desconhece que o lançamento em questão é derivado de reexame de período fiscalizado e que por Lei depende de requisitos próprios para a sua existência a teor do art. 906 do RIR/99. Reexame de Período já Fiscalizado Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Fl. 500DF CARF MF 6 9 – No presente caso a maioria da Turma naquela ocasião, que votou pelas conclusões do voto desse relator, em dar provimento ao recurso por entender ser nulo o lançamento tendo em vista não ter havido, no pedido de autorização para reexame de período já fiscalizado, motivo novo ou fato novo para a fiscalização na forma do art. 149 do CTN, tanto é que o motivo ensejador é o mesmo que deu causa ao primeiro MPF (cuja fiscalização foi encerrada), conforme confirmado pela própria autoridade fiscal. 10 – Ressalte – se que referida ordem não é aquela consubstanciada no próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), mas sim uma ordem específica, apta a justificar o novo exame pela Fiscalização. Havendo a necessidade de que a ordem indique o motivo para a nova Fiscalização (p. ex. requisição do Ministério Público, comprovada fraude ou falta funcional da autoridade que efetuou a primeira Fiscalização, etc.), não podendo ser o mesmo motivo que originou a fiscalização pretérita. 11 – Nas palavras do Conselheiro André Almeida Blanco no julgamento do AC. 1201000.788 j. 09/04/03: “Tendo em vista que o citado art. 906, legislação específica relativa ao Imposto de Renda, dispõe que a autorização expressa é um REQUISITO PARA A EXISTÊNCIA da nova Fiscalização, sua falta leva à nulidade da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 não dela dispor expressamente. Prevê referida norma que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Trata se de regra criada por lei específica e que macula de forma insanável todo o procedimento de Fiscalização, vez que sem a autorização, como disposto expressamente na letra da lei, a mesma não pode ocorrer.” 12 Pois bem, pelo exame do documento de fl. 218 concluise que a fiscalização amparada no MPF nº 08.1.90.002008014360 foi : Fl. 501DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201004.536 S2C2T1 Fl. 499 7 13 Portanto, o lançamento que culminou com a lavratura do auto de infração ora contestado por ser, nova fiscalização, deveria estar motivada de forma prévia e comprovada por um dos motivos elencados no art. 149 do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Fl. 502DF CARF MF 8 IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública 14 – A falta de motivação, de acordo com algum dos termos do artigo 149 do CTN, acerca do reexame de período fiscalizado leva à nulidade por VÍCIO MATERIAL, do lançamento tributário. 15 Pelo acima exposto, conheço dos embargos e dou provimento ao mesmo para que os assuntos indicados nos itens 8 a 14 dessa decisão restem integrados ao V. Acórdão embargado, sem qualquer efeito infringente, em decorrência do fato de restar superada a omissão quanto aos termos do art. 63,§8º do RICARF. Conclusão 16 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS para reconhecendo a omissão existente, integrar os itens 8 a 14 acima indicados no V. Acórdão de nº 2201003.683, na forma da fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724267/2016-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo ao regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1302-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência sobre o JCP pago, vencido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros, e por unanimidade, manter a exigência de juros sobre a multa, nos termos do relatório e voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo ao regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.724267/2016-29
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856534
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.572
nome_arquivo_s : Decisao_10980724267201629.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10980724267201629_5856534.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência sobre o JCP pago, vencido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros, e por unanimidade, manter a exigência de juros sobre a multa, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7245653
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308954816512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 471 1 470 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724267/201629 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.572 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ E CSLL Recorrente BANCO CNH INDUSTRIAL CAPITAL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo ao regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 42 67 /2 01 6- 29 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 472 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência sobre o JCP pago, vencido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Leonam Rocha de Medeiros, e por unanimidade, manter a exigência de juros sobre a multa, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Versa o processo sobre Recurso Voluntário, interposto pelo contribuinte face ao Acórdão nº 0441.978 da 2ª Turma da DRJ/CGE. Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ: OBJETO Trata o presente processo de impugnação à autuação fiscal em desfavor de Banco CNH Industrial Capital S.A.. AUTUAÇÃO FISCAL Na autuação fiscal em comento foram lavrados os autos de infração, fls. 50 e seguintes: Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 473 3 A ciência do lançamento foi pessoal em 02/09/2016. Relata a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal às fls. 61 e seguintes, após extensa análise da legislação que rege a matéria e da documentação apresentada, que na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2013 pela pessoa jurídica sob ação fiscal deduziu indevidamente o valor de R$ 69.851.667,88 a título de juros sobre capital próprio, valores que seriam referentes aos anoscalendário 2010 a 2012, o que violaria o princípio da competência e, conseqüentemente, a dedutibilidade da despesa. IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou, em 30/09/2016, extensa impugnação às fls. 120 e seguintes, na qual, após resumir os fatos, afirma que no lançamento há interpretação equivocada do art. 9° da Lei 9.249, de 1995, pois, para dedução dos juros sobre capital próprio, de acordo com a legislação de regência para o imposto e a contribuição, basta cumprir os requisitos de efetivo pagamento ou crédito, condicionada à existência de lucros ou de suas reservas em montante superior a duas vezes ao seu montante, limitação da taxa à dos juros a longo prazo e retenção do imposto incidente na fonte. Assim, entende que não há limite temporal para pagamento desses juros, apontando doutrina e jurisprudência, incluindo a do STJ e de Tribunais Federais, e que é desprovida de base legal qualquer a limitação nesse sentido. Argumenta também pela ilegalidade da disposto na Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996, que viola diversos princípios constitucionais, pois tratase de despesa meramente tributária e que o proceder não trouxe prejuízo ao Fisco, pois não postergou o pagamento de imposto nem reduziu o lucro real de nenhum período, apontando jurisprudência administrativa nesse teor. Argúi também ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, apontando doutrina e jurisprudência administrativa que entende aplicável e apresenta seus pedidos: requerse (...) o conhecimento e o provimento da presente impugnação, para que sejam integralmente cancelados os autos de infração lavrados, extinguindose a totalidade dos créditos tributários exigidos, Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 474 4 (...) reconheça a necessária exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. É a síntese do necessário. Após análise das razões de impugnação, a DRJ/CGE decidiu pela sua improcedência e manteve o crédito tributário, como denota a ementa do julgado a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. O pagamento ou creditamento dos juros devem ser objeto de deliberação do sócios na época própria, momento em que a lei faculta a sua dedução para fins fiscais. Não havendo deliberação no respectivo anocalendário, resta caracterizada a renúncia ao direito de dedução previsto em lei, descabendo se considerar a hipótese de reconhecimento tardio da despesa. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Ao que não foi objeto de abordagem específica relativamente à CSLL, aplicase o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada da decisão de 1ª instância o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em síntese o que segue: Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 475 5 A) PRELIMINARMENTE, A NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA EM RAZÃO DA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO Alega que a decisão recorrida carece de fundamentação pelo fato de ter se respaldado no texto da Solução de Consulta nº 329, de 27/11/2014 sem fazer a devida vinculação do mesmo com o caso em concreto. Aduz ainda que a referida Solução de Consulta não representa questão pacificada. B) JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO – AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO TEMPORAL PREVISTA EM LEI E NECESSIDADE DE RESPEITO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Aponta que a dedução das despesas com JCP está vinculada, unicamente, aos requisitos descritos no artigo 347 do RIR/99 e que cumpriu todos os requisitos exigidos pela referida legislação para dedução do JCP o que se confirma pela fato de que os Autos de Infração combatidos foram fundamentados apenas no fato de que não teria sido respeitado o regime de competência para pagamento dos JCP no anobase de 2013. Que o citado artigo 347 do RIR/99 e a IN SRF nº 11/96 não estabelecem limite temporal para o pagamento de JCP e que os administradores da sociedade podem deliberar o pagamento destes juros em períodos subsequentes aos que lhes seriam passíveis de pagamento e que, portanto, não há que se falar em renúncia a qualquer direito por parte dos administradores da sociedade quando não ocorre o pagamento de JCP no próprio ano calendário. Que tendo em vista que não há qualquer impedimento legal à dedutibilidade dos juros deliberados, registrados, pagos ou creditados em períodos bases posteriores àquele ao qual o pagamento se refere, a pretensão de impor limite temporal não previsto em lei configuraria afronta ao princípio constitucional da legalidade. Aduz ainda que: Ademais, devese observar que a legislação fiscal vinculou a dedutibilidade da despesa referente à TJLP sobre o PL ao momento em que os referidos juros são efetivamente pagos ou creditados, vale dizer, à sua disponibilização aos sócios ou acionistas. Ou seja, para efeitos de dedutibilidade, o legislador elegeu não o momento de determinação da base de cálculo de despesa (PL) ou do seu eventual provisionamento, mas sim o do efetivo pagamento ou crédito (efetiva disponibilização) dos juros. Dessa forma, tendo em vista que no caso em análise a efetiva disponibilização se verificou no anocalendário de 2013, a alegação contida na decisão recorrida de que o pagamento dos juros sobre o capital dos períodos anteriores fere o princípio da competência está equivocada. C) DA EFETIVA OBSERVÂNCIA DO RECORRENTE AO REGIME DE COMPETÊNCIA Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 476 6 Alega que que os lançamentos contábeis e tributários realizados pelo Recorrente foram totalmente legítimos e em conformidade com a legislação, com estrito respeito ao regime de competência tendo em vista que ainda que referentes a anocalendário anterior, os JCP somente podem ser considerados como despesa financeira no período em que o seu pagamento ou crédito for efetivamente deliberado, momento em que se considera incorrida a despesa. E que, considerando a inconteste inexistência de prazo legal para a deliberação do pagamento dos juros, o fato de o Recorrente só ter registrado os JCP referentes ao anobase de 2010, 2011 e 2012 no ano em que o pagamento foi deliberado, qual seja, 2013, confirma a absoluta observância do regime de competência e, por conseguinte, revela a total insubsistência do argumento suscitado no acórdão recorrido. D) AD ARGUMENTANTANDUM – ILEGALIDADE DA IN/RFB Nº 11/96 QUANTO AO REGIME DE COMPETÊNCIA Aduz que em nosso ordenamento jurídico os regulamentos executivos (como é o caso da IN/RFB nº 11/96) exercem a função de estabelecer os pormenores normativos de ordem técnica que viabilizam o cumprimento das leis a que se referem, mas se extrapolarem os limites da lei ou a contrariálas serão, inquestionavelmente, ilegais. Que, desse modo, a IN/RFB nº 11/96 ao estabelecer regra não prevista em lei, extrapolou os limites previsto por esta, determinando a observância do regime de competência, ofendendo, desta forma, o princípio constitucional da legalidade positivado nos artigos 5º, inciso II e 150, inciso I da Constituição Federal e 97 do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual não pode ser aceita como fundamento ao presente processo administrativo. E) AD ARGUMENTANTANDUM – INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO NECESSÁRIO PARA FUNDAMENTAR A LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO ORIGINÁRIOS DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO Aduz que: (...) mesmo que a decisão recorrida busque defender que “não se trata, portanto, de reconhecimento tardio de despesas”, fato é que é esta a situação que se apresenta nestes autos: a glosa de despesas com JCP incorridas em 2013, relativamente a períodos anteriores, o que, conforme defendido pelo Recorrente, não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco. F) DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE MULTA Alega, por fim, a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, apontando doutrina e jurisprudência administrativa que entende aplicável. É o relatório. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 477 7 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Da Preliminar de Nulidade Alega a recorrente que a decisão recorrida carece de fundamentação pelo fato de ter se respaldado no texto da Solução de Consulta nº 329, de 27/11/2014 sem fazer a devida vinculação do mesmo com o caso em concreto e que tal consulta não representa questão pacificada. Não assiste razão a recorrente. Verificase, da análise do voto condutor do julgado, que a lide foi solvida nos limites necessários e com a devida fundamentação, coerência e clareza, ainda que sob ótica diversa daquela almejada pelo Recorrente. Ademais, não custa lembrar que, mesmo consoante o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo não está obrigado a rebater cada questão levantada pelo contribuinte quando a fundamentação delineada seja suficiente para embasar a decisão. Isso porque, se a fundamentação embasa a decisão, obviamente o julgador apreciou as demais teses e delas discordou. Portanto, a Recorrente pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à alegada ausência de apreciação das matérias lançadas em sua peça de Impugnação, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Do Mérito Como dito no Relatório a matéria objeto da presente lide diz respeito ao pagamento de juros sobre capital próprio no anocalendário de 2013, valores que seriam referentes aos anoscalendário 2010 a 2012, o que, de acordo com a fiscalização e a decisão de 1ª instância, violaria o princípio da competência e, consequentemente, a dedutibilidade da despesa. Compulsando a decisão recorrida (fls.381/395), verificase que ela adotou como razão de decidir os fundamentos da Solução de Consulta RFB/Cosit 329 de 27/11/2014. Vejamos a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PATRIMÔNIO LÍQUIDO. EXERCÍCIOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real, é vedada a dedução de juros, a título de remuneração do capital próprio, que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores ao do seu efetivo reconhecimento como despesa, por desatender ao regime Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 478 8 de competência. Dispositivos Legais: Lei nº 6.404, de 1976, art. 177; Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), arts. 247, § 1º, e 347; e Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, arts. 29 e 30. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PATRIMÔNIO LÍQUIDO. EXERCÍCIOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, é vedada a dedução de juros, a título de remuneração do capital próprio, que tome como base de referência contas do patrimônio líquido relativas a exercícios anteriores ao do seu efetivo reconhecimento como despesa, por desatender ao regime de competência. Dispositivos Legais: Lei nº 6.404, de 1976, art. 177; Lei nº 7.689, de 1988, art. 6°; Lei nº 8.981, de 1995, art. 57; Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), arts. 247, § 1º, e 347; Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, arts. 29 e 30; e Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004, art. 3°. Peço vênia para reproduzir alguns trechos da aludida Solução de Consulta: 27. Na distribuição de dividendos, o respectivo valor integra o saldo de contas do patrimônio líquido, de modo que a pessoa jurídica entrega aos destinatários uma parcela já registrada e incorporada ao grupo patrimonial, em nada afetando o resultado do exercício. Vale dizer que os lucros existentes no patrimônio líquido, em determinado exercício, podem ser distribuídos em períodos posteriores – a depender de deliberação e de recursos financeiros 28. Por outro lado, o pagamento de valores com a natureza de despesa, como é o caso dos JCP, implica conseqüência diversa ao patrimônio da pessoa jurídica e, com efeito, tratamento contábil diferente. 29.Nessa situação, como visto, o correspondente valor pago ou creditado ao beneficiário representa despesa incorrida e, como tal, transita pelo resultado do exercício a que competir. Seu efeito imediato é a redução do resultado do exercício, e não a baixa direta de conta do patrimônio líquido. 30.Como despesa, sua existência contábil resumese ao exercício social competente. É dizer: um valor estranho a qualquer área patrimonial em período posterior, de forma que os JCP somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competir. 31.Significa que se a sociedade deixa de reconhecer como devidos os JCP no anocalendário a que correspondem, terá considerado como inexistente a despesa para fins de apuração do lucro real, o que implica a impossibilidade de deduzila em períodos seguintes, estranhos que são ao da sua competência. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 479 9 32.Cuidase, pois, de dedutibilidade sujeita a um ato de manifestação de vontade a produzirse no tempo oportuno, em respeito ao princípio da competência que rege a contabilização de despesas. Incumbe à pessoa jurídica decidir, em relação a cada período de apuração, se deve ou não reconhecer como incorrida a correspondente despesa de JCP. 33. É verdade que inexiste vedação expressa a que a sociedade delibere o pagamento de JCP calculados com base em contas de patrimônio líquido de exercício pretérito. Mas também é exato que a lei consagra o princípio da competência no tratamento contábil de despesas. Se não se deliberou na época própria o pagamento ou creditamento dos juros, a conclusão óbvia é que houve renúncia ao direito facultado pela lei. Aprovadas as demonstrações contábeis nesses termos, posterior decisão em contrário não poderá, em si e por si, tornar devidos os JCP não reconhecidos como despesa em exercício passado. (...) 35. Cabe ainda acrescentar que a indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância do regime de competência, decorre das próprias disposições do art. 9º e seu § 1º da Lei nº 9.249, de 1995. Mesmo que tais dispositivos não contenham vedação expressa ao registro do pagamento de juros relativos a períodos anteriores, sua interpretação deve guardar harmonia com a adoção do regime de competência para fins de reconhecimento de receitas e despesas. 36. Por essa razão, a expressão “observado o regime de competência”, contida no art. 29 da IN SRF nº 11, de 1996, ato normativo integrante da legislação tributária, longe de cuidar de inovação legislativa, possui caráter meramente interpretativo, a tornar evidente que a condição de dedutibilidade aplicase somente para valores reconhecidos contabilmente como despesa incorrida no período a que corresponda. No presente caso, a autuação abrange os JCP pagos de 2010 a 2012, os quais foram acumulados e deduzidos do Lucro Real apenas em 2013, restando claro que o entendimento da fiscalização e da decisão de 1ª instância se resumiu na possibilidade de remunerar o capital próprio apenas relativo a cada período base, que no caso seria somente no ano de 2013, e não como efetuou a Recorrente, remunerando também os juros sobre o capital próprio referentes aos anos anteriores. Assim, tornase indispensável a análise da legislação que permite o pagamento de JCP. Vejamos: Lei nº 9249/95 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 480 10 remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Observase que referido artigo dispõe sobre o modo como devem ser remunerados os juros sobre o capital próprio, estabelecendo que os lucros devem ser calculados antes da atribuição dos juros e que no cálculo da remuneração não será considerado o valor da reserva de reavaliação no patrimônio líquido da pessoa jurídica. Portanto, a legislação trouxe, Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 481 11 única e exclusivamente, duas limitações para a possibilidade de dedução dos JCP para a apuração do Lucro Real. O artigo acima transcrito não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Assim, em observância ao princípio da legalidade, a fiscalização não poderia ter atribuído um prazo para o pagamento de JCP senão em virtude de lei. Isso porque, os juros sobre capital próprio constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade pagadora dos juros e deve levar em consideração o exercício social da empresa, o que pode não coincidir com o exercício fiscal. Diante disso, os juros podem ser pagos sobre quaisquer períodos de tempo, sejam eles coincidentes com o anocalendário, com exercício social ou com períodobase fiscal. Ou seja, é necessário segregar as implicações no âmbito da legislação comercial e das normas que regulam a dedutibilidade fiscal. Ato continuo, mesmo na eventualidade de considerar que a ausência de deliberação do JCP em exercícios anteriores conduziria à caducidade do direito à dedução do valor do lucro real (direito material), o argumento não prosperaria em virtude da ausência de fundamento legal que ampare esse raciocínio. Isso porque, a deliberação do pagamento de JCP é uma faculdade dos acionistas. Lado outro, a caducidade extingue o direito pelo fato de seu Titular quedarse inerte e não exercer seu direito dentro do prazo legal ou convencional. Ora, se a lei não define prazo para que seja exercida a faculdade atribuída ao contribuinte, não há que se falar em perda do direito por decurso de prazo que não foi limitado ou fixado por ato legal. Deste modo, não merece prosperar o argumento de preclusão temporal, vez que esse instituto não é aplicável à perda de direito material e tampouco existe previsão legal de prazo para deliberação de pagamento de JCP. Outro ponto que deve ser abordado é o entendimento da DRJ no sentido de que a lei consagra o princípio da competência no tratamento contábil de despesas e que, portanto, se não se deliberou na época própria o pagamento ou creditamento dos juros, a conclusão é a de que houve renúncia ao direito facultado pela lei. Equivocase, entretanto, o órgão julgador nesse entendimento, porque a renúncia a direitos sempre deve ser expressa, não sendo presumida pelo simples não exercício de determinada faculdade, salvo nos casos em que houver expressa previsão legal, que, definitivamente, não é a hipótese dos autos. Analisando o art. 114 do Código Civil, incluso no Capítulo das Disposições Gerais do Negócio Jurídico, cuja redação alerta que “os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente”. Ora, se não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP, se até mesmo no Direito Privado a renúncia deve ser interpretada de forma restrita, não vejo como o silêncio do acionista/cotista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários! Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 482 12 Ademais, mesmo no caso de se entender pela desobediência do regime de competência, como fundamentou a DRJ, não seria o caso de prosperar o lançamento. Isso porque, o RIR/99 disciplina em seu art. 273 estipula como e quando deve ser realizado o lançamento no caso de inobservância do regime de competência. Confira se a redação do citado dispositivo, litteris: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Depreendese da leitura do dispositivo acima, que somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (inclusive adicional, correção monetária e multa) se dá inobservância do regime de competência resultar postergação do seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação – e não postergação – do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderia reduzilas do lucro tributável dos anoscalendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época. Por fim, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 25 passivo “é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.” Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 483 13 Desta forma, a obrigação de pagamento de JCP somente se torna “obrigação presente” quando da deliberação pelos sócios. A razão é simples: é apenas por meio da deliberação que nasce para a pessoa jurídica a obrigação de remunerar o capital dos sócios. Por outro lado, o direito de exigir a referida remuneração somente surge para os sócios a partir do momento em que deliberam pelo pagamento dos JCP, valendo frisar que não existe nos instrumentos normativos que regulam a matéria qualquer imposição de que a dedução dos JCP deva ser realizada no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. O período de competência é, portanto, marcado pelo momento da deliberação dos sócios pelo seu creditamento ou pagamento, não havendo qualquer objeção legal à distribuição acumulada de JCP. O pagamento retroativo e acumulado de JCP é pautado exclusivamente pelos critérios de conveniência financeira da pessoa jurídica e dos seus sócios, cabendolhes a faculdade de deliberar ou não pelo seu pagamento no mesmo ano em que apurado o lucro ou nos exercícios subsequentes, não havendo que se falar em renúncia ou preclusão temporal desse direito. Entender o contrário é violar o princípio do livre exercício da atividade econômica, pois o Fisco, além de não ter respaldo legal para impedir a dedução retroativa do pagamento dos juros sobre capital próprio (já que a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa), também não tem o direito de interferir na gestão dos negócios da empresa. Tratandose de lançamento reflexo da CSLL, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em razão do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Caso vencido, entendo que os juros devem incidir sobre a multa de ofício. Vejamos os motivos: A controvérsia relativa a esta questão referese ao fato de que a multa, por não se confundir com tributo, não pode estar sujeito à incidência de juros de mora. Para esclarecer o tema discutido, cabe pontuar que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Paralelamente, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Ainda, no §1º do mesmo dispositivo, há previsão de que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 484 14 O art. 139 do CTN, por sua vez, dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, §1º, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Do exposto, podemos concluir que se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Ademais, a multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. A jurisprudência da CSRF, inclusive, é pacífica quanto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, como se detrai dos seguintes julgados: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4.(Acórdão CSRF nº 9101002385, de 12/07/2016, Processo 10932.000633/200905, relator do voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura). JUROS E MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF n 9202004250, de 23/06/2016, Processo 10980.723322/201582, relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão CSRF nº 9303003480, de 25/02/2016, Processo 16682.721207/201191, relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Conclusão Em razão do exposto, voto no sentido rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau para, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 485 15 Caso vencido, entendo que os juros devem incidir sobre a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 486 16 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Peço vênia para divergir do voto do relator, exclusivamente, em relação à dedutibilidade dos valores pagos a título de juros sobre capital próprio, pelas razões a seguir expostas: Tratase, como já repisado, do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), no anocalendário de 2013, sendo que os referidos valores seriam referentes aos anos calendário de 2010 a 2012. No entender da autoridade fiscal e dos julgadores de primeira instância, tais despesas seriam indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, posto que violariam o regime de competência. Na visão do Relator, por outro lado, o dispositivo legal que trata do pagamento de JCP, a saber o art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, não traria qualquer restrição temporal para dito pagamento, de modo que o entendimento da autoridade fiscal não estaria respeitando o princípio da legalidade. De fato, a leitura do dispositivo em questão revela a inexistência de qualquer restrição temporal expressa ao pagamento de JCP. Contudo, entendo que a interpretação do instituto em questão não pode ser dissociada da correta compreensão da natureza de tal pagamento, ou seja, despesa, e dos demais regramentos legais que normatizam a dedutibilidade das despesas na apuração do IRPJ e da CSLL. Esse foi exatamente o entendimento que norteou a Solução de Consulta nº 329, de 27 de novembro de 2014, por meio do qual a CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil tratou do tema, e cujo item 35 transcrevo: "35.Cabe ainda acrescentar que a indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância do regime de competência, decorre das próprias disposições do art. 9º e seu § 1º da Lei nº 9.249, de 1995. Mesmo que tais dispositivos não contenham vedação expressa ao registro do pagamento de juros relativos a períodos anteriores, sua interpretação deve guardar harmonia com a adoção do regime de competência para fins de reconhecimento de receitas e despesas." Na verdade, ainda que a Lei nº 9249, de 1995, não fosse expressa em relação à necessidade de respeito ao Regime de Competência, a Receita Federal, desde o ano de 1996, ao regulamentar o pagamento de JCP, por meio da Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, explicitou tal imperativo, o que, de modo algum pode ser entendido como extrapolação do texto legal, mas, tãosomente, como interpretação natural da conjugação da norma que trata do JCP com os princípios e regramentos que disciplinam a dedutibilidade das despesas na apuração do IRPJ e da CSLL. In verbis: Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 487 17 "Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP." Hiromi Higuchi, em seu Imposto de Renda das Empresas (disponível em www.crcsp.org.br/portal/publicacoes/livros/impostoderendadasempresas.pdf, pp. 127128) tratando do tema, explicita a natureza dos pagamentos, inclusive com a justificativa para tal: "... os juros sobre o capital próprio foram instituídos para dar isonomia entre o capital de terceiros e o capital próprio em termos de dedutibilidade da remuneração. Isto significa que ambos os juros têm a mesma natureza de despesas financeiras. (...) Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. " Transcrevo excerto do voto da Conselheira Adriana Gomes Rego (Acórdão nº 9101003.066, sessão de 13 de setembro de 2017, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), com importantes ponderações acerca da necessidade de se respeitar o regime de competência na dedutibilidade de despesas com o pagamento de JCP: "Além disso, o fato de o Conselho de Administração deliberar em dezembro/2010 acerca do pagamento de juros sobre o capital, que poderia ter sido deliberado em exercícios passados, não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzila na apuração do lucro real de exercício posterior. A imputação dessa despesa só poderia ser efetivada com retificação do balanço, e esta retificação só tem previsão nas hipóteses de ocorrência de erro, dolo ou simulação, o que não é o caso. Para se considerar a despesa como efetivamente incorrida, são necessários dois requisitos: i) a deliberação acerca do pagamento ou creditamento dos JCP e ii) a devida contabilização do pagamento da despesa ou da apropriação da obrigação em conta de passivo. Dessa forma, a deliberação em reunião do Conselho de Administração para creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores (1998 a 2009) não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 488 18 Não se discute que a deliberação, nos termos do art. 37 do Estatuto Social da autuada, é uma faculdade. O ponto é que essa faculdade precisa ser exercida no momento da apuração do lucro, por se estar tratando de uma despesa da pessoa jurídica. É uma faculdade do Conselho de Administração deliberar sobre pagamento de JCP em 2010, poderia não têlo feito. Mas ao decidir fazer uso desta faculdade, a deliberação só pode abranger o pagamento de JCP sobre o patrimônio líquido existente ao final do anocalendário de 2010, não podendo criar despesas para períodos de apuração já encerrados. De fato, a análise dos requisitos de dedutibilidade não pode ficar restrita à possibilidade de pagamento posterior dos juros do capital próprio, sob pena de se concluir, equivocadamente, que a legislação estipulou o regime de caixa para seu reconhecimento. Se a lei silencia, o regime a ser adotado é o de competência, estabelecido no art.177 da Lei nº 6.404/76 como regra geral, verbis: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (Grifei) Ou seja, a Lei nº 6.404/76 adotou o regime de competência como regra geral, devendo o regime de caixa ser aplicado excepcionalmente, para isso, deve estar previsto expressamente em lei. Nesse mesmo sentido, a citada lei, em seu art.187, que trata da demonstração do Resultado do Exercício, vincula as despesas, custos e encargos às receitas correspondentes do mesmo exercício, verbis: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos." A referida Conselheira traz ainda interessante ponderação que explicita a incoerência do raciocínio de se permitir o pagamento de JCP sobre os resultados de períodos anteriores: Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 489 19 "Antes, é preciso compreender os juros sobre capital próprio como destinação do lucro formado a partir da aplicação do capital dos sócios, e uma destinação opcional, em substituição à distribuição de lucros, consoante expressa o art. 9º, §7º da Lei nº 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP seja "imputado ao valor dos dividendos" obrigatórios, "de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo" da retenção na fonte prevista no §2º daquele dispositivo. Ressaltese que o caput do art. 9º permite a dedução, para efeitos da apuração do lucro real, dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio. Por óbvio que o capital próprio a ser remunerado por juros ao final de cada ano é o capital dos sócios ou acionistas naquele anocalendário. Esse aspecto da legislação precisa ser observado, porque leva ao seguinte questionamento: ocorrendo a deliberação acerca do pagamento de JCP em 2010, referente a anoscalendários anteriores (1998 a 2009), os sócios/acionistas que receberam a remuneração dos juros foram individualizadamente aqueles constantes do quadro societário/acionistas de 1998 a 2009? Ou foram os sócios/acionistas existentes em 2010? Poderia a Conselho de Administração em 2010 rever as decisões tomadas pelos sócios/acionistas anteriores? Observese, portanto, que se a contribuinte delibera em 2010 o pagamento de JCP dos anoscalendários 1998 a 2009, os sócios a serem remunerados deveriam ser aqueles constantes do quadro societário nos respectivos anoscalendários sobre o qual se calcula os JCP, não os sócios existentes em 2010, sob pena de não se estar a remunerar o capital próprio, mas o capital de outrem. Certamente não é isso o que acontece. O Conselho de Administração não ia decidir, no presente, remunerar sócios/acionistas que não mais fazem parte da sociedade, quando poderia remunerar os sócios/acionistas atuais através de dividendos. Remunerar os sócios atuais com juros sobre um capital de anos calendários pretéritos, seria desvirtuar completamente o instituto do juros sobre capital próprio, pois estarseia a remunerar um capital que pertencia a outrem, logo, não haveria remuneração de capital próprio dos sócios. Por todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Ressalto que despesas incorridas são aquelas efetivamente pagas ou apropriadas contabilmente como obrigação em conta de passivo." Esse entendimento também tem sido adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustrado pelo Acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10980.724267/201629 Acórdão n.º 1302002.572 S1C3T2 Fl. 490 20 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Precedentes recentes na 1ª Turma da CSRF. Acórdãos nº 9101002.180, 9101002.181, 9101002.182, 9101003.064, 9101003.065, 9101003.066 e 9101003.067. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96." (Acórdão nº 9101003.214, sessão de 08 de novembro de 2017, Relator Conselheiro André Mendes de Moura) No que diz respeito à inexistência de fundamento legal para a realização do lançamento, em decorrência da desobediência ao regime de competência, como alegado pelo Relator, temse que a situação em pauta se enquadra exatamente no inciso II do art. 273 do RIR/99, ou seja, a utilização de uma despesa que não preenche os requisitos para a dedutibilidade, reduzindo indevidamente o Lucro Real no anocalendário de 2013. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de manter integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002919/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR A FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS. APLICAÇÃO DE MULTA. NÃO RELEVAÇÃO.
Constatada infração à legislação previdenciária de deixar de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestam serviço, nos termos da legislação de regência. Recurso Voluntário a que se nega provimento, pois incabível a relevação da multa.
Numero da decisão: 2201-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR A FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS. APLICAÇÃO DE MULTA. NÃO RELEVAÇÃO. Constatada infração à legislação previdenciária de deixar de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestam serviço, nos termos da legislação de regência. Recurso Voluntário a que se nega provimento, pois incabível a relevação da multa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10665.002919/2008-33
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862382
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.396
nome_arquivo_s : Decisao_10665002919200833.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10665002919200833_5862382.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7283190
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308972642304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 90 1 89 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.002919/200833 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.396 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente IMOBIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR A FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS. APLICAÇÃO DE MULTA. NÃO RELEVAÇÃO. Constatada infração à legislação previdenciária de deixar de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados que lhe prestam serviço, nos termos da legislação de regência. Recurso Voluntário a que se nega provimento, pois incabível a relevação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 29 19 /2 00 8- 33 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 78 a 88) da decisão de fls. 71 a 74 que julgou procedente o lançamento por ter a Recorrente deixado de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Previdenciária, infringindo, desse modo, o artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/91, combinado com artigo 225, inciso I e parágrafo 9° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Esclarece o Auditor Fiscal Autuante, em Relatório Fiscal da Infração de fl. 09, que a empresa foi autuada por preparar a folha de pagamento analítica de sua obra de construção civil, matricula CEI n° 50.009.08001/75, com omissão dos segurados empregados com rescisão de contrato de trabalho. Estes segurados constam somente das rescisões apresentadas e os valores pagos da totalização da folha (resumo sintético). Na competência 05/2005 não foi elaborada folha de pagamento, somente há um recibo de férias de Marcelo Alexandre. Nos meses com rescisões as folhas foram carimbadas e rubricadas pela Auditoria Fiscal: 10/2003, 11/2003, 08/2004, 09/2004, 11/2004, 01/2005. Relaciona o Auditor, As fls. 09/10, os segurados omitidos da folha analítica. Em Relatório Fiscal da Aplicação da Multa A fl. 11, a Auditoria Fiscal relata que a multa foi aplicada no valor de R$ 1.254,89 (um mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais, oitenta e nove centavos), em decorrência do descumprimento da obrigação acessória supracitada, estando prevista na Lei 8.212/91, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 283, inciso I, alínea "a" e artigo 373, atualizada nos termos da Portaria Interministerial MPS/RF n° 77, de 11 de março de 2008, com vigência a partir de 01/03/2008. O Auditor informa em seu Relatório que não foram configuradas as circunstâncias agravantes e atenuantes, previstas, respectivamente, nos artigos 290 e 291 do RPS. Cientificada pessoalmente em 30/09/2008, conforme atestado pela assinatura do Sócio Gerente, Sr. Hirama Alves Garcia Ledo, na folha de rosto do presente Auto de Infração AI, a Autuada apresentou impugnação em 30/10/2008, As fls. 15/24, com documentos anexados às fls. 25/62, através de seu bastante procurador, legalmente constituído, As fls. 25/27. Em sede de defesa o contribuinte alegou em apertada síntese: a) que, apesar de inserções de informações incorretas nas folhas de pagamento, tal fato não causou qualquer prejuízo aos cofres da Previdência Social e da mesma forma a empresa não obteve qualquer vantagem pecuniária em decorrência dessas informações incorretas, eis que não restou demonstrado o dolo de não pagar por meios de estratagemas escusos. Destarte, redobrada vênia, temse que o Auto de Infração lavrado pelo Auditor Fiscal é nulo, caracterizandose como ato excessivo da fiscalização; e b) questiona o Auto de Infração, lavrado pela Auditoria Fiscal Autuante, alegando que a obrigação acessória não foi descumprida em virtude das falhas apontadas pela fiscalização e, mesmo desobrigada de elaborar a folha na forma exigida pelo Auditor, solicita a relevação da penalidade aplicada, por ter corrigido a falta e não ter ocorrido qualquer circunstância agravante, conforme previsto no § 1 0, do artigo 291 do Decreto 3.048/99 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10665.002919/200833 Acórdão n.º 2201004.396 S2C2T1 Fl. 91 3 Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG), decidiram por julgar o Lançamento Procedente (fls. 71 a 74), com os seguintes fundamentos, de forma resumida: "(...) A autuada informa que corrigiu a falta objeto do presente Auto de Infração e, desse modo, solicita a relevação da penalidade aplicada. Entretanto, não consta do presente Auto, qualquer lançamento contábil objetivando corrigir as falhas apontadas pela Auditoria Fiscal Autuante. Assim o beneficio da relevação da multa não será concedido à empresa autuada, por não satisfazer todos os requisitos contidos no artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social — RPS descrito a seguir: Art. 291. Constitui circunstancia atenuante da penalidade aplicada, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. 12 A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifei) Por todo o exposto, voto pela procedência do presente Auto de Infração na sua integralidade." Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 78 a 88), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: a) que, apesar do fato de haverem algumas informações incorretas, não causou qualquer prejuízo aos cofres da Previdência Social e da mesma forma a empresa não obteve qualquer vantagem pecuniária em decorrência dessas informações incorretas, eis que não restou demonstrado o dolo de não pagar por meios de estratagemas escusos. Destarte, redobrada vênia, temse que o Auto de Infração lavrado pelo Auditor Fiscal é nulo, caracterizandose como ato excessivo da fiscalização; b) que é optante pelo regime de tributação através do lucro presumido e, como tal, apesar da obrigação acessória contida no inciso II do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, está desobrigada de apresentação de escrituração contábil, conforme artigo 225, § 16, inciso H do mesmo Regulamento; e c) que o Auto de Infração, lavrado pela Auditoria Fiscal Autuante, alegando que a obrigação acessória não foi descumprida em virtude das falhas apontadas pela fiscalização e, mesmo desobrigada de elaborar a folha, solicita a relevação da penalidade aplicada, por ter corrigido a falta e não ter ocorrido qualquer circunstância agravante, conforme previsto no § 1º, do artigo 291 do Decreto 3.048/99. É o relatório do necessário, passo ao Fl. 94DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Apesar de alegar ser optante pelo lucro presumido e que por isso, não estaria obrigada à escrituração contábil, mas optou pela utilização do Livro Diário, estando, portanto, obrigada à escrituração contábil, conforme disposto no artigo 473, inciso I, da IN/SRP nº 3 de 14 de julho de 2005: INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n°03, DE 14 DE JULHO DE 2005 (...) Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei 17° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (grifei) Portanto, apesar de alegar não estar obrigada à escrituração contábil, desde que escriture Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário, deverá, mesmo assim, caso esteja optando pela utilização do Livro Diário, ser obrigada a apresentar sua correta escrituração contábil. Sendo assim, a Recorrente, ao contrário do que alega, deveria lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada e pormenorizada, todos os fatos geradores das contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, nos termos do que determina o artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, assim dispostos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; __________________ Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10665.002919/200833 Acórdão n.º 2201004.396 S2C2T1 Fl. 92 5 II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do capzit, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao principio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. §16. São dispensados da escrituração contábil I o pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei n2 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro Registro de inventário; e (...) Caso descumpridos os artigos acima elencados, o Recorrente fica sujeito à infração à obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/91. artigos 92 e 102 e do artigo 283, inciso II, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e do artigo 373, atualizada nos termos da Portaria interministerial MPS/RF nº 77, de 11 de março de 2008. Também não merece prosperar a alegação de que as infrações cometidas não teriam como objetivo prejudicar o trabalho da fiscalização ou mesmo o intuito de sonegar, mas tal alegação não tem o condão de cancelar penalidade imposta com fundamento na legislação de vigência. Ademais, as obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização dos tributos fiscalizados pela administração, conforme preceitua o artigo 113 do Código Tributário Nacional, auxiliando na fiscalização da arrecadação. Fl. 96DF CARF MF 6 Por outro lado, apesar de a Recorrente afirmar que corrigiu a falta objeto do presente Auto de Infração, não consta nenhuma prova de que houve qualquer lançamento contábil com a finalidade de corrigir as falhas apontadas pela Fsicalização, de modo que não preencheu os requisitos do disposto no artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social — RPS descrito a seguir: Art. 291. Constitui circunstancia atenuante da penalidade aplicada, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifei) Sendo assim, inaplicável a requerida relevação. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. É como voto. Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
