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Numero do processo: 10680.915918/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Não compete ao órgão julgador a retificação ou cancelamento das declarações entregues pelos contribuintes. A competência é da unidade de jurisdição, por meio de recurso inominado ou revisão de ofício.
Numero da decisão: 1801-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante de Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não compete ao órgão julgador a retificação ou cancelamento das declarações entregues pelos contribuintes. A competência é da unidade de jurisdição, por meio de recurso inominado ou revisão de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 79 1 78 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.915918/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.191 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria Compensação Recorrente MINERCONSULT ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não compete ao órgão julgador a retificação ou cancelamento das declarações entregues pelos contribuintes. A competência é da unidade de jurisdição, por meio de recurso inominado ou revisão de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante de Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 59 18 /2 00 9- 43 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte que, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da Recorrente. O PER/DCOMP (fls. 13/18) foi transmitido pela Recorrente com o objetivo de compensar débito de IRPJ, relativo ao período de apuração ago./2006, com crédito decorrente do pagamento a maior de IRPJ, em DARF, no período de apuração jun./2006, utilizado no valor original de R$ 447.536,83. Consta na fundamentação legal do Despacho Decisório Eletrônico nº 831644149 (fl. 04) que a compensação não foi homologada, pois o crédito decorrente de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL desse mesmo período. Na manifestação de inconformidade (fls. 01/03), a Recorrente alegou, em síntese: que durante o ano calendário de 2006, ela era tributada pelo lucro real com recolhimento de estimativas mensais. Por erro no preenchimento da DIPJ 2007, foi excluída receita no mês de jun./2006, quando esta exclusão deveria ter sido realizada no mês de ago./2006. Assim, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ do P.A jun./2006 em valor superior ao devido; continuando em erro de fato, o PER/DCOMP foi transmitido com o intuito de tornar o valor indevidamente recolhido em antecipação de imposto, compensandoo com o débito de IRPJ do P.A ago/2006. que, em verdade, a declaração de compensação sequer era necessária, face o disposto no art. 35 da Lei nº.8.981/95. Considerando o dispositivo, retificou a DIPJ 2007 e as DCTFs dos meses de jun./2006, ago./2006 e set./2006. A partir do exposto, a Recorrente afirmou que com os acertos promovidos, todos os recolhimentos efetuados alcançam os débitos apurados, de modo que o crédito tributário está extinto. Por fim, requereu o cancelamento do PER/DCOMP transmitido. A Turma Julgadora de 1a instância conheceu da manifestação de inconformidade e sobre ela se manifestou nos seguintes termos sintetizados: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 1801002.191 S1TE01 Fl. 80 3 as retificações na DIPJ 2007 (25/05/2009) e nas DCTFs (22/05/2009), ocorreram após a ciência do Despacho Decisório (03/05/2009), ficando configurada a perda de espontaneidade do contribuinte em relação ao referido despacho. Além disso, os documentos anexados não comprovam de forma inequívoca o erro cometido, já que se restringiram a retificação de declarações; considerando já ter sido proferido Despacho Decisório pela autoridade competente, cuja ciência do interessado ocorreu em 03/05/2009, é vedado o cancelamento da declaração de compensação e, ainda que fosse possível, ele deveria ter sido requerido à DRF de jurisdição do contribuinte, como determina o art. 295, XI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº. 587/2010, já que a DRJ não possui competência para tanto; no mérito, afirmou não ser possível rever o Despacho Decisório questionado, uma vez que na vigência da IN SRF nº 600, de 2005, o procedimento pretendido pelo contribuinte estava expressamente vedado pelo art. 10 da IN SRF nº 600/2005. A partir do exposto, o acórdão proferido pela DRJ/BH (fl. 47/51) negou provimento à manifestação de inconformidade do Recorrente. Notificada do acórdão em 23/01/2012, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 17/02/2012, no bojo do qual reiterou os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, além de aduzir que a desconsideração das retificações realizadas, com a manutenção do crédito tributário, ensejaria enriquecimento ilícito da União. Requereu, por fim, o provimento do recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido, desconsiderando o PER/DCOMP transmitido e reconhecendo a inexistência do débito declarado. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 Em síntese, o Recorrente pretende seja cancelado o PERD/COMP equivocadamente enviado. Ocorre que a declaração de débito em PER/DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a sua exigência, nos termos do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)” Caso o contribuinte transmita o PER/DCOMP equivocadamente, lhe é concedida a oportunidade de efetuar o seu cancelamento espontâneo, nos termos dos arts. 62 e 73 da IN/RFB nº. 600/2005, em vigor no momento da transmissão da declaração em questão: “Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.” “Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 1801002.191 S1TE01 Fl. 81 5 intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento.” Assim, o pedido de cancelamento deverá ser realizado até a intimação do Fisco para apresentação dos documentos comprobatórios da compensação, conforme dispõem o parágrafo único do art. 62 e o art. 73, acima transcritos. No caso em apreço, o Recorrente somente procedeu à retificação das declarações apresentadas após intimado do despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Além disso, o pedido de cancelamento do PER/DCOMP foi requerido à DRJ em sede de manifestação de inconformidade. Além da sua extemporaneidade, o pedido de cancelamento do PER/DCOMP foi requerido à autoridade que não possui competência para analisálo e deferilo, com bem decidiu o acórdão recorrido: “Portanto, o interessado, caso desejasse cancelar a DComp, deveria ter apresentado à RFB um Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP, enquanto as declarações de compensação estivessem pendentes de decisão administrativa. Todavia, não consta que o interessado tenha apresentado tal pedido de cancelamento à RFB. Assim, pelo fato de já ter sido proferido Despacho Decisório pela autoridade competente, cuja ciência do interessado ocorreu em 03/05/2009, é vedado o cancelamento da declaração de compensação.” É que, como visto, a declaração de débito em PER/DCOMP tem efeitos de confissão de dívida (art. 73 da Lei nº. 9.430/96), de modo que a DRJ e o CARF somente possuem competência para apreciar a existência e a suficiência do crédito nela declarado. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho: “CANCELAMENTO PER/COMP. A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 6 Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento.” (Primeira Seção de Julgamento do CARF– Acórdão n°1801001.746, Sessão de 06/11/2013) “COMPENSAÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. OBJETO DO LITÍGIO. DÉBITOS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Não compete ao CARF a análise dos débitos confessados em Declaração de Compensação, nem a retificação ou cancelamento das declarações entregues pelos contribuintes. A competência é da unidade de jurisdição do contribuinte, por recurso inominado ou revisão de ofício.” (Primeira Seção de Julgamento do CARF– Acórdão n° 1801001.456, Sessão de 09/05/2013) Por fim, cumpre ressaltar que ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido, o art. 10 da IN/SRF nº 600/2005 não veda a compensação de estimativa paga a maior no mesmo ano calendário. Contudo, esta análise restou desimportante à solução da lide, uma vez que o recurso voluntário requer, apenas, o cancelamento do PERDCOMP, não dispondo sobre a validade da compensação nele pretendida. Do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.012358/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.) Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 35 8/ 20 08 -2 1 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46 a 76) interposto pela Stefanini Consultoria e Assessoria em Informática S/A. e outros contra o acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – São Paulo (fls. 96116), que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração DEBCAD n.37.191.1001, relativamente às contribuições previdenciárias destinadas para Outras entidades e Fundos, no período compreendido de 01/12/2002 a 31/12//2007, cuja ciência ocorreu em 23/12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 20 a 25), a cobrança ora discutida tem origem nos seguintes fatos: DA AUTUAÇÃO Das contribuições devidas A Fiscalização constatou que a Recorrente deixou de recolher contribuições previdenciárias, no período de 12/2002 a 12/2007, correspondentes às diferenças encontradas entre os valores declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e os constantes nas Guias de Previdência Social (GPS), apuradas através de planilhas e relatórios juntados aos autos. Segue abaixo trecho que descreve o objeto do lançamento: 7. O lançamento referese aos VALORES APURADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS, referente às diferenças entre a base de cálculo considerada pela empresa, declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social e os recolhimentos efetuados. 8. As bases de cálculo das contribuições empresariais são as constantes do Relatório DAD Discriminativo Analítico do Débito, entregue em meio digital á empresa, nos termos do Recibo de Arquivos em Meio Digital, conforme cópia anexa. No período 12/2002 a 12/2007 foi utilizado o Código de Levantamento DG – DECLARADO EM GFIP, no aplicativo SAFIS – Sistemas de Auditoria Fiscal. Foram consideradas as GFIPs entregues após o início da ação fiscal, para os fins de redução da multa. 10. Foi aplicada a alíquota de 5,8% (cinco vírgula oito por cento), relativamente à contribuição empresarial para Outras entidades e Fundos, descritos no Relatório FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO (SENAC 1,0% + SESC 1,5% + SALÁRIO EDUCAÇÃO 2,5% + INCRA 0,2% + SEBRAE 0,6%). 14. Foram examinados e serviram de base para a presente autuação a escrituração contábil (Livro Diário) e Folha de Pagamento, apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético, GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 4 3 Recolhimento da Previdência Social (GRPS e GPS), relativamente ao período 12/2002 a 12/2007, bem como os demais documentos apresentados na ação fiscal e devidamente relacionados nos Termos e Intimações lavrados. (fls. 2224) Formação de grupo econômico Ademais, o Auditor fiscal lavrou termo de sujeição passiva solidária, entre a Autuada, ora Recorrente, e as Empresas Stefanini Networking Comércio e Consultoria de Informática Ltda., S.G.E. Stefanini Gestão Empresarial Ltda., Stefanini Quality Tools Cons. de Sistemas Ltda., Stefanini Financials Cons. em Informática Ltda., Stefanini Training Treinamento em Informática Ltda., por se constituírem em grupo econômico, tendo justificado tal procedimento com base nos argumentos indicados a seguir: III DO GRUPO ECONÔMICO E DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 3. O Grupo STEFANINI é um grupo econômico regular de fato, cuja empresa controladora é a empresa STEFANINI PARTICIPAÇÕES S/C LTDA., C.N.P.J 04.300.0491000110, e são controladas as demais empresas constantes da Folha de Continuação do Auto de Infração e do Relatório Vínculos Relação de Vínculos, onde estão qualificadas na situação de "grupo econômico", reconhecido na Declaração IRPJ, ficha 52 Participação Permanente em Coligadas ou Controladas da empresa controladora perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, nos registros contábeis da STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S.A., Contratos Sociais, Atas, Demonstrações Financeiras, e na internet, em sua página eletrônica http://www.stefanini.com.br, dentre outras fontes internas e externas. Caracterizado o grupo econômico, foram emitidos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária para as empresas integrantes situadas no país. Por fim, o Auditor Fiscal elaborou listagem dos responsáveis pela empresa, conforme demonstra a Relação de Representantes Legais (REPLEG). DA IMPUGNAÇÃO A Recorrente foi notificada em 23/12/2008 e, juntamente com as demais empresas que integravam o suposto grupo econômico, apresentou impugnação, alegando, dentre outros argumentos, que o relatório fiscal e seus anexos não esclarecem adequadamente o objeto da autuação, o que se verifica, por exemplo, da coluna “crédito diverso” do Relatório de Apropriação de Documentos apresentados (RADA), a qual apresenta informações divergentes em relação ao Discriminativo Analítico de Débito (DAD). Alega a Recorrente que não é possível identificar se a autuação envolve valores retidos por seus clientes, além de os valores recolhidos não terem sido integralmente reconhecidos, o que, se acontecesse, geraria a diferença de centavos. Aduz, por fim, que, no auto, não há indicação da legislação que fundamenta a existência de grupo econômico, devendo esta acusação fiscal ser desconsiderada. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 5 4 DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Após a análise das impugnações e os documentos que as acompanharam, a DRJ, na forma da Resolução nº 2.536, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que o Auditor Fiscal se manifestasse em relação aos documentos juntados e acerca da existência de grupo econômico, cujas ponderações seguem abaixo transcritas: Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" na forma da Lei 6.404/76). Admitida, assim, a possibilidade jurídica dos "grupos econômicos de fato", é necessário, pois, que seja informado, pormenorizadamente, como se verificou a caracterização de tal grupo, isto porque o relatório fiscal faz referências a certos documentos, assim como aos registros contábeis e a outras fontes internas e externas, porém, sem discriminação e/ou especificação dos fatos verificados. (fl. 1923) DA INFORMAÇÃO FISCAL Sobreveio resposta da fiscalização, por meio da qual foi alegado o seguinte: Ausência de autenticação das cópias apresentadas Os Auditores Fiscais ressaltaram que os documentos anexados à Impugnação são cópias sem autenticação de qualquer espécie – nem do servidor da RFB atestando a apresentação dos originais ou do cartório – tampouco as assinaturas dos documentos estão com firma reconhecida, o que, no entender dos Auditores, seria indispensável e imprescindível, nos termos dos arts. 9º e 10º do Decreto nº 6.932/2009, art. 22 da Lei 9.784/99 e art. 300 do DecretoLei nº 2.848/1940. Vejamos as ponderações realizadas pelo Auditor em relação ao tema: Como não pode o serviço público recusar protocolo, sob pena de se permitir a alegação de cerceamento de defesa, os documentos foram recebidos pela RFB e agora adicionados ao processo digital (e processo), todavia não se revestem da necessária condição de prova válida, especialmente em se tratando de documentos com fraudes e/ou irregularidades constatadas pelo Fisco. Desde já são impugnados por este AuditorFiscal e não devem ser conhecidos tais documentos (cópias) sem qualquer tipo de autenticação e sem firma reconhecida [...]. Logo, após as retificações realizadas, determinou que, havendo alguma outra reclamação de inclusão de documentos de recolhimento ou abatimento do débito, estaria intimado a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da Informação Fiscal, mediante apresentação de cópia autenticada e com firma reconhecida, já que “TODOS os documentos apresentados como prova e anexados ao eprocesso são inservíveis”. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 6 5 Caracterização de grupo econômico Os Auditores Fiscais aduziram novas informações acerca do grupo de empresas, como: I. as empresas integrantes do grupo têm a marca “Stefanini”, que é o sobrenome dos sócios fundadores da empresa fiscalizada, assim como da pessoa jurídica controladora (holding); II. as empresas envolvidas desempenham atividades correlatas e esforços comuns, como atestam documentos oficiais e pesquisas efetuadas na internet; III. as empresas relacionadas como devedoras solidárias são todas controladas pela empresa Stefanini Participações Ltda. Alegações e elementos trazidos pelo sujeito passivo Alega que a ora Recorrente limitouse a apresentar documentos já apresentados, sem autenticação e/ou sem reconhecimento de firma, o que impede de serem considerados como elementos de prova válida. Com relação à alegação de nulidade diante do cerceamento do direito de defesa, o Auditor esclarece que as guias consideradas foram listadas no relatório RDA – Relatório de Documentos Apresentados, onde são apresentadas, inclusive, as guias de recolhimento referentes aos valores retidos (código 2631). Além disso, o Auditor alega que o Relatório RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados contém a discriminação dos valores apropriados nas competências com débito, os quais são preenchidos pelo sistema SAFIS – Sistema de Auditoria Fiscal, sem interferência manual, considerando os valores descontados dos segurados e aqueles declarados em GFIP, até alcançar os valores não declarados. Ressalta, ainda, que o sistema relaciona a cada competência o débito apurado, tanto que, em diversas competências, o sistema não identificou débitos, considerando justamente as apropriações efetuadas. Aduz que o relatório “Totais mensais por Rubrica” não é o relatório final da base de cálculo, mas, sim, relatório auxiliar e preliminar destinado a demonstrar a tributação atribuída pela empresa e pelo RFB, o qual foi utilizado antes da realização dos cruzamentos e dos ajustes finais feitos em relação às remunerações da Folha e da GFIP. Alega que, embora a empresa possua todos os dados, parece estar buscando tumultuar o julgamento, de modo que realiza a juntada de arquivos específicos denominados “Totalização Remuneração de Empregados”, ordenados por competência e estabelecimento, bem como envia cópias dos referidos relatórios para o contribuinte e responsáveis solidários, conforme demonstra trecho da informação fiscal abaixo transcrita: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 7 6 Resumindo, conforme o exposto, fica claro que nos valores lançados já constavam a base de cálculo mensal por segurado e o total da base de cálculo mensal, e agora estão sendo acrescentados os relatórios adicionais ora mencionados, diante das dúvidas apresentadas. Fato relevante que justifica a proposta de retificação de débito O Auditor Fiscal constatou que os documentos relacionados com a filial 0010 10 não estavam listados no RDA – Relatório de Documentos Apresentados, devido à falha originária do contribuinte, ora Recorrente, considerando que na JUCESP consta apenas a alteração do endereço da filial para Brasília (DF), sem constar a sua abertura na Junta Comercial. Sendo assim, foram considerados os recolhimentos realizados pela filial 001010, efetuados antes do início da ação fiscal. Em seguida, todas as empresas envolvidas foram devidamente intimadas, tendo todas se manifestado sobre os argumentos ali constantes. DO ACÓRDÃO DA DRJ Enviados os autos para a DRJ, esta julgou o lançamento parcialmente procedente através do acórdão de fls. 126353126373, por meio do qual foram enfrentados os argumentos trazidos pela Impugnante, ora Recorrente, conforme exposto em linhas a seguir: Da nulidade do lançamento A DRJ ressaltou que o relatório fiscal é suficientemente claro em relação à descrição do fato gerador que motivou o lançamento, que, no seu entendimento, corresponde à diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento e os declarados nas GFIP. Vejamos os exatos termos da decisão proferida pela DRJ: O relatório fiscal, correspondente ao Auto de Infração em questão (fls. 33 a 38) é suficientemente claro e preciso quanto aos fatos geradores que motivaram o lançamento, que consiste na diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento e os declarados nas GFIP, conforme itens 7, 8,10 e 14 desse relatório [...]. [Tais itens foram descritos em linhas acima no resumo do relatório fiscal]. Acrescentese a isso que integram a presente Autuação diversos anexos, dentre os quais destacamos os relatórios das remunerações de 2002 a 2007 (todos anexados ao eprocesso por este relator, na forma das fls. 117.806 a 126.160, que trazem os nomes de todos os empregados e as correspondentes remunerações de todo o período do lançamento (12/2002 a 12/2007), constantes das folhas de pagamento e as declaradas em GFIP, bem como as diferenças de remunerações existentes. Valores esses totalizados em conformidade com os relatórios apresentados pela fiscalização às fls. 1.994 a 2.020). (fls. 126.362 e 126.363). Em relação à conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a fiscalização reconheceu que, diante da ausência de documentos, deixou de deduzir os Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 8 7 recolhimentos efetuados pela filial de Brasília, mas que, por conta da apresentação os mesmos, a retificação do lançamento foi realizada e devidamente acatada pela turma de julgamento. Dos equívocos apontados A DRJ convalidou a constatação de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, em relação às retenções incidentes sobre as notas fiscais/ faturas de serviços, diante da impossibilidade de validação dos créditos alegados pela Recorrente por conta da ausência de apresentação dos documentos comprobatórios tanto na ação fiscal como na defesa. Ademais, a DRJ considerou que as GFIPs entregues pela Autuada nos dias oito, nove e dez do mês de maio de 2009 – e reapresentadas pelas empresas integrantes do grupo econômico –, em nada alteram o procedimento fiscal, porque foram transmitidas para o SEFIP/WEB após a lavratura do Auto de Infração. Grupo Econômico A DRJ reconhece que a baixa do processo em diligência possibilitou ao fiscal novas informações acerca do grupo de empresas, conforme indicado em linhas acima ao tratarmos sobre o resultado da diligência. Aduz, em seguida, que a própria Recorrente, ao apresentar sua impugnação, reconhece a formação de grupo econômico, o qual é comprovado através de trechos da referida peça. Mas, embora reconheça a existência de grupo econômico, não admite a decorrente corresponsabilização. Acrescenta que todas as impugnações apresentadas foram assinadas pela Stefanini Consultoria e Assessoria em Informática S/A, o que corrobora com a existência do grupo econômico. Ressalta, ainda, a impossibilidade de discussão sobre a inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91, já que a inconstitucionalidade de lei não pode ser objeto de questionamento em processo administrativo. Da inclusão dos sócios no relatório “REPLEG” A DRJ ressaltou que tal inclusão ocorre em caráter meramente informativo, não implicando a colocação dessas pessoas físicas no polo passivo da relação jurídica processual instaurada com a lavratura da presente notificação fiscal de lançamento de débito. Decadência Por fim, a DRJ, aplicando a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 150, §4º do CTN, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 23/12/2008, reconheceu a decadência em relação às competências de 12/2002 a 11/2003. Dos juros moratórios A DRJ entendeu que a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários está respaldada no art. 34 da Lei 8.212/1991. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 9 8 DOS RECURSOS Em seguida, a Recorrente, bem como as demais empresas envolvidas no grupo econômico, apresentaram recursos voluntários, trazendo os seguintes argumentos: Do relatório fiscal e dos anexos A Recorrente alega que, da análise do relatório fiscal, assim como do RADA, não é possível identificar se o crédito aproveitado no lançamento é composto de valores declarados em GPS pagas ou de retenção pelos clientes da Recorrente ou se o somatório de ambos, ou, ainda, se se referem a outros créditos. Segue trecho do recurso, em que a Recorrente questiona os valores constantes no RADA: Em relação, especialmente, ao RADA (Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados), a Recorrente não compreende quais critérios foram utilizados para sua elaboração, tampouco tem conhecimento de como ou porque foi realizada a apropriação, nem mesmo qual foi a relação deste com o lançamento. Afinal. Não há qualquer informação clara a respeito de como foi confeccionado o relatório, ou mesmo a que se referem os valores ali mencionados. (fl. 48) A ausência da identificação dos créditos, de acordo com a Recorrente, impede a compreensão do cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal para o lançamento, e, por conseguinte, o exercício do seu direito de defesa. A Recorrente, então, alega que tais fatos configuram inobservância ao exposto no art. 142 do CTN, de modo que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento. Dos recolhimentos e da retificação De acordo com a Recorrente, a DRJ ignorou os documentos juntados na impugnação, que demonstram que os valores lançados pelo Agente Fiscal não foram calculados levando em conta os valores pagos pela Recorrente em suas GPS’s mensais, de modo que se equivocou a DRJ ao afirmar que todos os valores recolhidos foram considerados no auto de infração. Dos recolhimentos A Recorrente alega, ainda, que as GFIP’s, desconsideradas pela DRJ por terem sido transmitidas após a lavratura do Auto de Infração, foram apresentadas apenas para confirmar as informações trazidas pela Recorrente, com o intuito de demonstrar que as diferenças apontadas pela Autoridade entre o valor declarado em GFIP e recolhido em GPS são inexistentes. Assim, em busca da verdade material, a Recorrente ressalta a necessidade de análise dos documentos apresentados, que foram, segundo suas próprias palavras, “ignorados pela Autoridade Julgadora e Autoridade Fiscal”. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 10 9 Considerando tal equívoco, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade com o consequente cancelamento do lançamento, também diante da inobservância dos preceitos previstos no art. 142 do CTN. Dos valores retificados A Recorrente alega que a autoridade fiscal equivocouse ao deixar de considerar os valores recolhidos pela filial de Brasília. Aduz, ainda, que, embora tal equívoco tenha decorrido da própria fiscalização, ela tentou imputar a responsabilidade à Autuada sob a alegação de que a empresa não estaria cadastrada na JUCESP. Defende a Recorrente que a filial está devidamente cadastrada na Junta Comercial de Brasília, bem como no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e que a ausência de consideração dos documentos pela Autoridade Fiscal foi equivoco exclusivo da fiscalização, o que enseja o reconhecimento da nulidade do lançamento. Além disso, alega que os valores recolhidos pela filial Brasília (00100) foram apropriados na base de cálculo do Auto de Infração ora analisado, mas parte foi apropriada aos Autos de Infração 37.198.6516 (principal/ parte patronal), 37.198.6508 (segurados) e 37.198.6524 (terceiros), correspondentes aos valores não declarados em GFIP, ou seja, verbas pagas pela Recorrente a título de reembolso de custos diretos e indiretos para e não pela prestação dos serviços realizados por seus empregados, que, segundo a Fiscalização, configuram verbas salariais. Desse modo, diante do equívoco na apropriação, requer sejam as verbas recolhidas pela filial Brasília (001010) e apropriadas indevidamente no Auto de Infração nº 37.198.6516, sejam integralmente consideradas no presente processo. Dos valores retidos A Recorrente alega que a existência de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, relativas às retenções sofridas sobre as notas fiscais/faturas de serviços, fez com que o fiscal intimasse a Recorrente para apresentação dos documentos correspondentes. A ausência de apresentação da via original ou cópia autenticada ensejou a lavratura do Auto de Infração nº 37.198.6605. Isso porque, a Fiscalização teria considerado que, embora a empresa tenha apresentado os arquivos digitais referentes às faturas emitidas, foi alertada para a necessidade de apresentação de documentos originais ou cópias autenticadas, para os casos com destaque de retenção, considerando a existência de divergência entre os valores declarados e recolhidos. Segundo alega a Recorrente, o próprio fiscal solicitou a entrega dos arquivos em formato digital, conforme correspondência eletrônica encaminhada pelo Auditor Fiscal (fl. 126.342), a qual segue abaixo colacionada. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 11 10 Entretanto, a Recorrente informa que a apresentação da via original ou cópia autenticada de todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal, referentes ao período compreendido entre os anos de 2000 e 2007, envolveria tempo e custo elevados, considerando o grande porte da empresa. Ademais, ressalta que os documentos originais sempre estiveram à disposição da fiscalização para análise, mas que “nesse ponto quedouse inerte, não se interessou em analisálos” (fl. 126.485). Assim, no entender da Recorrente, também por esse motivo, o procedimento fiscalizatório foi maculado, devendo o lançamento ser cancelado em observância ao princípio da verdade material. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 12 11 Do grupo econômico A Recorrente alega que a Autoridade Fiscal não apresentou provas válidas, nem elementos aptos a caracterizar a responsabilidade solidária entre o contribuinte e as demais empresas citadas nos autos, justamente porque tais provas não existem. Aduz, ainda, que, nos termos do art. 124, II do CTN, para que reste configurada a solidariedade tributária é necessária à configuração da solidariedade de fato ou de direito. A primeira não restou verificada já que apenas um sujeito figura no polo passivo dessa demanda, a segunda tampouco restou verificada visto que não há previsão legal que defina tal solidariedade. Desse modo, considerando que as demais empresas não apresentam qualquer relação com o fato típico, de modo que não seria possível realizar a cobrança das obrigações dele decorrentes. Ressalta, ainda, que a Lei nº 8.212/91, ao estabelecer a responsabilidade solidária de forma indiscriminada, extrapola as diretrizes estabelecidas no CTN, não podendo ser considerada válida. Aduz, ainda, que a definição de grupo econômico deve ser aquela constante na legislação trabalhista (art. 2º da CLT), por meio da qual a configuração de grupo econômico demanda a existência de mesma direção, controle ou administração, não sendo suficiente, portanto, a configuração de participações societárias em empresas comuns. Da inclusão dos sócios no Relatório “REPLEG” A Recorrente afirma, ainda, que a inclusão dos sócios administradores da empresa como responsáveis solidários pelo crédito tributário ora em discussão é também descabida, pois sequer existe previsão legal para tanto, já que os sócios não podem fazer parte do grupo econômico. Isso porque, de acordo com a Recorrente, o “REPLEG” foi incluído na Instrução Normativa nº 03/2005, a qual foi revogada pela Instrução Normativa nº 971/2009, não havendo mais nenhuma norma que determine a constituição e validade do “REPLEG” no processo administrativo fiscal. Juros moratórios A Recorrente alega que, em observância ao princípio da eventualidade, caso o lançamento não seja cancelado, não é devida a incidência de juros com base na taxa Selic sobre a multa, já que o art. 161 do CTN determina que os juros devam incidir somente sobre o crédito tributário, do qual não faz parte a multa aplicada, inexistindo respaldo legal para aplicação de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo, e, portanto, dele conheço. Da análise dos autos, é possível constatar que, de fato, a Recorrente indicou, na planilha denominada “Relação de Diferenças Apontadas” (fl. 157 e 160 do processo nº 10830.012357/200887, o qual foi apensado ao processo ora analisado, conforme Termo de Apensação de fl. 44), valores superiores aos considerados pelos Auditores Fiscais no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 126.206 a 126.292 do processo nº 10830.012357/200887) a título de retenção das notas fiscais referentes à prestação de serviços. Além disso, conforme reiterado pela Recorrente – e ratificado pela Delegacia de Julgamento ao proferir o acórdão – as notas fiscais de prestação de serviço não foram consideradas hábeis para verificação do valor retido, tendo em vista a ausência de entrega dos documentos originais ou cópias autenticadas. A recusa da análise da referida documentação agrava a situação da Recorrente, que, com o objetivo de alcançar a verdade material, disponibilizou as mencionadas notas fiscais originais para análise dos Auditores Fiscais na sede da empresa. Ora, considerando a quantidade de documentos anexados ao processo, é plausível a alegação da Recorrente quanto à inviabilidade de juntada de cópia autenticada ou apresentação dos documentos originais à Fiscalização, justificandose, assim, a realização de diligência para análise dos documentos na sede da empresa fiscalizada, com o objetivo de atestar a adequação do levantamento realizado. Além disso, embora a Autoridade Fiscal, ao prestar informações, tenha alegado que analisou os documentos apresentados pelo Contribuinte, de acordo com os levantamentos realizados pela Fiscalização, incluindo o Relatório de Documentos Apresentados (RDA), não se verifica a análise dos documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582 do processo nº 10830.012357/200887. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que: a) o presente processo retorne à unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o contribuinte para que seja realizada diligência in loco na sede da Recorrente, com o objetivo de verificar se as notas fiscais que respaldam os valores retidos alegados pela Recorrente sofreram a devida retenção e, portanto, devem ser computadas como crédito para fins de apuração do crédito tributário; b) os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582 do processo nº 10830.012357/200887 sejam efetivamente analisados, sendo elaborado novo levantamento fiscal que nos possibilite a conclusão dessa análise; c) sejam devidamente identificados os valores lançados como crédito (tratam se de GPS pagas e identificadas pelo Fisco ou de valores objeto de retenção pelos clientes da Recorrente, somatório de ambos, ou, ainda, outros créditos); Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012358/200821 Resolução nº 2401000.401 S2C4T1 Fl. 14 13 d) valores recolhidos pela filial de Brasília (001010), CNPJ nº 58.069.360/001010, sejam apropriados na apuração da base de cálculo do Auto de Infração nº 37.191.0994 (patronal) e seus respectivos apensos 37.191.0986 (segurados); 37.191.1001 (terceiros) – presente processo. Carolina Wanderley Landim. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 11516.007836/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/05/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 78 36 /2 00 8- 15 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Acórdão n.º 2402004.539 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 08/2003 a 05/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/08), as folhas de pagamento da empresa não foram elaboradas de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela órgão fiscalizador, conforme a seguir relatado: 1. a obra denominada Residencial Dona Marta, conforme consta da contabilidade da empresa apresenta registro de pagamento de salário até 10/2003. As folhas de pagamento desta obra não foram individualizadas para as competências 08/2003, 09/2003 e 10/2003; 2. na obra Residencial Alaíde, a folha de pagamento engloba administração e obra, de forma que não foi apresentada de forma individualizada a remuneração da obra, nos períodos 10/2003 a 02/2004 e 04/2004 a 06/2004. A folha foi apresentada de forma correta apenas para as competências 03/2004 e 07/2004 a 12/2004. 3. a empresa deixou de informar em folha de pagamento os valores pagos a contribuintes individuais autônomos, por prestação de serviços técnicos, no caso, valores pagos a Elisabeth Akiko Guenka e João Batista Simon Flausino, no valor de R$20.000,00 e 18.000,00 respectivamente. Deixou também de incluir em folha de pagamento a remuneração paga as contribuintes individuais indicados no quadro da fl. 07 do relatório fiscal, valores pagos em 2007. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 21/34), alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), Fl. 974DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra, são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; Fl. 975DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Acórdão n.º 2402004.539 S2C4T2 Fl. 4 5 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.604 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 545/547) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais autônomos, por prestação de serviços técnicos, no caso: Elisabeth Akiko Guenka e João Batista Simon Flausino, no valor de R$20.000,00 e 18.000,00 respectivamente. Deixou também de incluir em folha de pagamento a remuneração paga aos contribuintes individuais indicados no quadro da fl. 07 do Relatório Fiscal. Além disso, para as obras Residencial Dona Marta e Residencial Alaíde, a Recorrente não preparou as folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; Fl. 977DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Acórdão n.º 2402004.539 S2C4T2 Fl. 5 7 (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 08/2003 a 05/2008 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e Fl. 978DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria MPS n° 77, de 11/03/2008, reajustou o valor da multa. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Fl. 979DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007836/200815 Acórdão n.º 2402004.539 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos dos processos 11516.007840/200875 e 11516.007838/200804. Após essas considerações, informo que, quando da análise do processo da obrigação principal, as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à utilização do arbitramento da base de cálculo da obrigação principal – foram devidamente enfrentadas. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 11516.007840/200875 assentou em sua ementa os seguintes termos: “[...] AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. [...]” Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11968.001192/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 11 92 /2 00 9- 14 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11968.001177/200968, contra o acórdão nº 1141.188, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife (DRJ/REC), na sessão de julgamento de 27 de maio de 2013, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Tratase de auto de infração lavrado contra a impugnante já qualificada nos autos, do qual resultou a exigência fiscal de R$ 75.000,00, relativa à multa por descumprimento de obrigação acessória referente à prestação de informações sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que execute, na forma, prazo e condição estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a impugnante, em descumprimento ao que determina a legislação, deixou de atualizar a previsão de atracação de embarcação na forma, prazo e condição estabelecidos em texto legal. A autoridade fiscal alega que houve 16 (dezesseis) atracações, de várias embarcações no porto de Suape, em Pernambuco, com a previsão de atracação não atualizada, dificultando o trabalho da fiscalização e dos demais intervenientes em comércio exterior que dependem da precisão dessas informações para pautar as suas ações. Conclui a fiscalização, propondo a aplicação da multa com base no Artigo 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/03, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada escala (fato gerador) que deixou de ser atualizada. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) afirma ausência de tipicidade, pois o dispositivo legal que determina a aplicação da Multa Pecuniária de R$ 5.000,00 (art. 107, IV, “e” do Decreto Lei nº 37/66) é taxativo quando dispõe que a multa é aplicável àquele que deixar de prestar informação sob as operações que execute na forma estabelecida pela SRF, o que a impugnante não fez, posto que prestou as informações referentes à descarga do navio por ela agenciado atendendo os prazos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 5 4 discriminados na IN nº 800 de 2007. Ressalta que a não atualização das informações contidas na escala, ou seja, datas de chegadas das embarcações não é, a toda evidência, a mesma coisa que deixar de apresentálas no prazo; b) evoca o princípio da reserva legal consubstanciado nos termos do inciso V do art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) e argumenta que a penalidade aplicada foi instituída combinando o art. 107, IV, "e" do DecretoLei nº 37/66 com o art. 8° do Ato Declaratório Executivo (ADE) COREP n° 03/08, equiparando a conduta de não atualização de escala com a de não prestação de informação. Aduz que inexiste amparo legal para aplicação da penalidade para a ação de não atualização de escala no sistema Siscarga e acrescenta que inexiste, forma, prazo e, tampouco, condição préestabelecida no ADE COREP n° 03/08; c) a autuação carece de elemento essencial da finalidade de “estar no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos”, conforme dispõe o art. 113, § 2.º, do CTN, pois eventual descumprimento de prestar” É o relatório. A DRJ de Recife (DRJ/REC) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009 ATRACAÇÃO DA EMBARCAÇÃO. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO NO PRAZO ESTABELECIDO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A não atualização da previsão de atracação da embarcação na forma, prazo e condição estabelecidos pela Receita Federal do Brasil constitui infração pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitando o infrator à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto lei nº 37, de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 6 5 1 Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; 2 Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; 3 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; 4 Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº 800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de informação de mercadoria, conforme art. 37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada. Afirma se tratar de conduta diversa: não atualização das informações contidas na escala. Determina o dispositivo legal que: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga Cabe ressaltar que a conduta não atualização das informações contidas na escala não possui previsão típica. O Direito Tributário Sancionador não admite a existência de norma sancionatória em branco ou a aplicação de analogia punitiva. Devese observar obrigatoriamente o princípio da interpretação favorável ao acusado na aplicação de penalidades, assim determina o CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 8 7 Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 10 9 O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu § 3o que a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no § 3o , do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 11 10 No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 12 11 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 3801004.874 S3TE01 Fl. 13 12 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário pela falha na tipificação da conduta e pela presença de denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10183.003721/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PELA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune), pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na legislação de regência. A benignidade da Lei 11.945/2009, que excluiu o termo por mês-calendário da norma sancionatória, ratifica a interpretação de que a multa é devida por cada DIF-PAPEL IMUNE entregue em atraso, sem retroagir na quantificação da penalidade.
Numero da decisão: 3101-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a retroatividade benigna e reduzir a penalidade aplicada para R$ 1.500,00 por infração.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 28/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Elias Fernandes Eufrásio e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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MULTA PELA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune), pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na legislação de regência. A benignidade da Lei 11.945/2009, que excluiu o termo “por mêscalendário” da norma sancionatória, ratifica a interpretação de que a multa é devida por cada DIFPAPEL IMUNE entregue em atraso, sem retroagir na quantificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a retroatividade benigna e reduzir a penalidade aplicada para R$ 1.500,00 por infração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 28/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 37 21 /2 00 6- 28 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10183.003721/200628 Acórdão n.º 3101001.160 S3C1T1 Fl. 107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Elias Fernandes Eufrásio e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 293 a 294): Contra a contribuinte retro qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 08/10, e seus anexos, para exigência de Multa no valor de R$ 256.500,00, decorrente da falta ou atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), relativamente aos trimestres 2° ao 4°/2002, 1° ao 4°/2003 e 1° e 2°/2004. 0 lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fls. 05/06), merecendo destaque os arts. 212 e 505 do RIPU2002 — cuja matriz legal é o art. 16 da Lei n° 9.779/99 e o art. 57 da Medida Provisória 2.158 35/2001, respectivamente. Após ciência do Auto de Infração por via postal, em 25/10/2006 (fl. 23) e inconformada com o lançamento, apresentou a contribuinte, em 17/11/2006, a impugnação de fls. 27/33, na qual, em síntese: 1°) alega violação ao principio da legalidade, sob o argumento de instituição da obrigação acessória (DIFPAPEL Imune) por instrução normativa; 2°) pugna pela aplicação do principio da razoabilidade na fixação dos limites da multa aplicada, argumentando que a DACON, declaração criada pelo mesmo dispositivo legal (MP 2.15835/2001), teve as suas multas por infração reduzidas, devendose, portanto, dar o mesmo tratamento para a DIFPapel Imune. 2°) entende que a multa aplicada é excessiva e desproporcional, atingindo diretamente o patrimônio da empresa e violando o principio do nãoconfisco, sobre o qual reproduz excertos doutrinários; 30) pleiteia, ao final, seja julgado improcedente o crédito tributário constituído. A DRJ competente manteve a exigência fiscal e o contribuinte recorreu a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Fl. 305DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10183.003721/200628 Acórdão n.º 3101001.160 S3C1T1 Fl. 108 3 Por intermédio do Despacho de fls. 303, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.160, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto reflete a posição adotada pelo relatora original e pelos demais integrantes do colegiado, e não a posição deste redator ad hoc. Tratase de multa lançada pela falta da entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune – DIF Papel Imune, instituída pela IN SRF 74/2001, cuja penalidade foi estabelecida pela Medida Provisória n° 2.15834 (matriz legal do art. 505 do RIPI/2002). Cabe ressaltar, no entanto, que a quantificação da penalidade foi alterada pela Lei nº 11.945, de 05/06/2009, a que alterou a forma de cálculo prescrita no art. 57, I da Medida Provisória nº 2.158/01. É evidente a benignidade da nova lei, dada a exclusão do termo por mês calendário, desfazendo a ambigüidade existente, o que ratifica a interpretação de que a multa será devida por cada DIFPAPEL IMUNE entregue em atraso. Entretanto, a retroatividade benigna alcança apenas a reincidência por mês de atraso, mas não a quantificação da penalidade. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a retroatividade benigna e reduzir a penalidade aplicada para R$ 1.500,00 por infração. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 306DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13896.002353/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) .
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF) . Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 23 53 /2 01 0- 39 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13896.002353/201039 Acórdão n.º 2202002.825 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 54), que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 04 a 05, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano calendário 2007, que apurou a seguinte infração: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 40.143,44. Fonte pagadora: Caixa Econômica Federal. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.204,30. Cientificada do lançamento em 06/09/2010 (AR a fl. 30), a contribuinte apresentou, em 05/10/2010, a impugnação de fl. 02, alegando que se os rendimentos fossem pagos corretamente jamais incidiriam imposto sobre os mesmos e o que determina a faixa de recolhimento do imposto é o valor que seria devido ao segurado caso o benefício tivesse sido concedido na época própria, avaliandose mês a mês o que seria devido de imposto. Solicita prioridade na análise de sua impugnação, com base no Estatuto do Idoso. Posteriormente, em atendimento à intimação regular (fls. 32/33 e 34), a contribuinte apresentou os documentos de fls. 35 a 46.” A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em São Paulo II julgou a impugnação improcedente (fls. 53 a 58), nos termos da ementa do reproduzida a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 vigentes no anocalendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do acórdão de primeira instância em 14/12/2011 (fls. 74), a Interessada interpôs, em 12/01/2012, o recurso de fls. 61, juntamente com os documentos de fls. 62 a 72, alegando, em suma, que os rendimentos em discussão deveriam ter sido lançados como isentos e não tributáveis, por se tratarem de herança recebida de seu esposo, falecido em 02/12/2004, sendo que tais valores foram recebidos em 06/12/2007. E que assim não o fez por falta de conhecimento. Diante do exposto acima requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2201000.151, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13896.002353/201039 Acórdão n.º 2202002.825 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No presente caso, o auto de infração objeto deste processo versa sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2007 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente, utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O C. Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, fixou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010, destacamos). Em síntese, estabeleceu o C. STJ que os rendimento acumulados devem ser tributados “...com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos...”, vale dizer, pelo regime de competência e não regime de caixa, como fez a autuação. Importa ressaltar que o julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária Esse entendimento do C. STJ, no REsp n° 1.118.429SP, submetido ao regime do art. 543C do CPC, é de aplicação obrigatória por esta Conselheira, conforme dispõe o art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27.08. 2009 e 586, de 21.12.2010. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Justifica tratar se de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Anoto que ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO– O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13896.002353/201039 Acórdão n.º 2202002.825 S2C2T2 Fl. 5 7 então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICO CONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Cuidam os presentes autos de lançamento efetuado sobre verbas recebidas acumuladamente. Pois bem, no tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13896.002353/201039 Acórdão n.º 2202002.825 S2C2T2 Fl. 6 9 Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE
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Numero do processo: 10480.723799/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos.
2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADO ERRO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). POSSIBILIDADE.
Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico a exigência de diferença de crédito tributário apurada, multa regulamentar por erro de classificação fiscal e multa do controle administrativo por falta de licenciamento da importação, aplicada no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, em que apurado erro de informação em relação ao código tarifário atribuído a produto sujeito à licenciamento não automático.
REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ARROZ SEMIBRANQUEADO OU BRANQUEADO. O arroz semibranqueado ou branqueado (beneficiado), classificase no código NCM 1006.30.11, se parboilizado e polido, e no código NCM 1006.30.21, se não parboilizado e polido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRODUTO COM CLASSIFICAÇÃO DIFERENTE. DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICAÇÃO E DO REGIME DE PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. POSSIBILIDADE. Constatada diferença entre a classificação fical consignada no certificado de origem e a resultante da verificação aduaneira das mercadorias, a autoridade tributária pode desqualificar o referido certificado de origem e afastar a preferência tarifária própria do regime do Mercosul. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO INEXATA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsumese perfeitamente à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 37 99 /2 01 0- 94 Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 máfé do importador, por se consistir em responsabilidade de natureza objetiva. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Ainda que não haja dolo ou máfé por parte do importador, a falta de Licença Importação (LI) para produto sujeito a licenciamento nãoautomático, incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficientemente para sua perfeita identificação e enquadramento no código correto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADO ERRO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). POSSIBILIDADE. Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico a exigência de diferença de crédito tributário apurada, multa regulamentar por erro de classificação fiscal e multa do controle administrativo por falta de licenciamento da importação, aplicada no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, em que apurado erro de informação em relação ao código tarifário atribuído a produto sujeito à licenciamento não automático. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 101 3 REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 2/84), em que formalizada a exigência do Imposto sobre a Importação (II), acrescido de juros moratórios e multa de ofício, e aplicação da multa de mora, regulamentar por erro de classificação fiscal e do controle administrativo das importações por falta de Licença de Importação (LI), no valor total de R$ 6.830.208,52. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1146/1162, apurou a fiscalização que a autuada realizou, nos anos 2005 a 2009, importações de mercadorias com as irregularidades a seguir descritas: 1) Com relação às importações discriminadas no Quadro 1 (fl. 1148), a impugnante utilizou a descrição: “Arroz semibranqueado, não parboilizado, glaceado, máximo 10% de grãos quebrados” e “Arroz branco, polido, máximo 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.29, quando a classificação fiscal correta era no código Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 NCM 1006.30.21, em função das expressões “glaceado” (equivalente a “brunido” pela NESH) e “polido” (presente no citado subitem 21). Neste caso, a fiscalização lançou a multa por erro na classificação fiscal, prevista no art. 84, I, da MP nº 2.158/01; 2) Com relação às importações descritas: 2.1) no Quadro 2 (fl. 1149), a impugnante utilizou a descrição “Arroz semibranqueado, não parboilizado, máximo de 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.29. Segundo a fiscalização, a descrição feita pela impugnante permitia a classificação do produto na NCM 1006.30.21, por não definir se o arroz era ou não polido ou brunido; 2.2) no Quadro 3 (fl. 1150), a impugnante utilizou a descrição “Arroz semibranqueado, não parboilizado, não glaceado, grão longo, tipo 1, máximo de 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.29; 2.3) no Quadro 4 (fl. 1151, a impugnante utilizou a descrição “Arroz semibranqueado, parboilizado, não glaceado, máximo de 10% de grãos quebrados”, e classificou o produto na NCM 1006.30.19. Segundo a fiscalização, a descrição neste caso também permitia a classificação do produto na NCM 1006.30.11, por não definir se o arroz era ou não polido. Em relação a todos os casos relatados neste item, informou a fiscalização que os Laudos de Classificação de Arroz (Port. MA 269/1988) e os Certificados de Classificação de Produto Vegetal Importado (Decreto 6.268/2007), constantes dos autos, qualificavam os citados produtos como pertencente ao “Subgrupo POLIDO”. Ainda no que tange às importações listadas nos Quadros 2, 3 e 4, a fiscalização também aplicou a multa do art. 84, I, da MP 2.158/2001, com respaldo no § 1º e inciso III do § 2º do art. 69 da Lei 10.833/2003. 3) Com relação às importações descritas no Quadro 5 (fl. 1154), a fiscalização lançou a multa por falta de LI, prevista no art. 169, I, “a”, do Decretolei 37/1966, sob argumento de que as mercadorias foram reclassificadas para NCM que exige licenciamento e não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. 4) Com relação às importações descritas no Quadro 6 (fl. 1157), a fiscalização desqualificou os certificados de origem pela incompatibilidade entre a descrição e a classificação fiscal utilizada nos mesmos e o verificado em conferência física do produto, em espcial, a constatação de que o arroz era “polido”. Baseouse a fiscalização nos arts. 6º, caput, e 10, parágrafo único da Instrução Normativa SRF 149/2002. Neste caso, foram cobrados os valores relativos ao II, acrecidos de juros moratórios e multa de ofício. Em sede de impugnação (fls. 1164/1202), em preliminar, a autuada alegou: a) preterição do direito de defesa pois a fiscalização não teria indicado o dispositivo legal que ampara a revisão do lançamento; b) alteração de critério jurídico na interpretação da classificação fiscal e violação da segurança jurídica; e c) decadência de parte dos créditos tributários lançados, referentes às importações registradas entre janeiro de 2005 a 16 de dezembro de 2005. No mérito, alegou que: a) o fato do arroz ser polido ou não polido não trazia qualquer vantagem para a impugnante; b) não podiam ser considerados os Laudos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, baseados na Portaria 269/1988. que Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 102 5 classifica o arroz como polido; c) eram incabíveis as multas por classificação incorreta e descrição incompleta do produto importado; d) inexistia dano à Fazenda e à administração alfandegária; e) a classificação pelo Sistema Harmonizado considerava apenas os 6 primeiros dígitos; f) se fosse considerado apenas o “primeiro dígito específico para o Mercosul” também não havia discordância com a fiscalização; g) a fiscalização não poderia desconsiderar a origem da mercadoria como sendo do Mercosul; h) houve violação ao Princípio da Proporcionalidade, pois o valor lançado era excessivo em função de “questão não pacificada”. Por fim, requereu que fossem reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, que fosse julgada improcedente a autuação. Requereu ainda a realização de perícia e indicou perito e quesitos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1337/1362), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para excluir apenas as multas administrativas relativas às DI registradas até 17/12/2005, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARROZ O arroz, com as características constatadas neste processo, classificase na NCM 1006.30.11 quando parboilizado e polido e na NCM 1006.30.21 quando nãoparboilizado e polido. Em 2/5/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 1522). Inconformada, em 3/6/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 1373/1421, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, preliminarmente, a recorrente alegou: a) nulidade da decisão de recorrida, sob o argumento de que houve inovação na indicação do fundamento legal e não houve pronunciamento acerca dos documentos juntados após o protocolo da impugnação; b) a decadência do II com fato gerador até 16 de dezembro de 2005, com base no argumento de que, no caso de lançamento de tributo incidente sobre a operação de importação, o início do prazo quinquenal de decadência era antecipado para a data do registro da DI, pois nesta data tinha início o procedimento fiscal de revisão do lançamento, que deve ser concluído no prazo máximo de cinco anos. No mérito, alegou a recorrente que, ainda que não caracterizada a mudança de critério jurídico e o lançamento pudesse ser revisado, a penalidade aplicada deveria ser afastada, por força do disposto no art. 100 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito, conforme anteriormente relatado. I Da Preliminar de Nulidade da Decisão de Primeira Instância A recorrente alegou nulidade da decisão de recorrida, sob o argumento de que (i) houve inovação na indicação do fundamento legal da autuação e (ii) não houve pronunciamento acerca dos documentos juntados aos autos após o protocolo da peça impugnatória. Sem razão a recorrente. O primeiro argumento não procede, porque, nos termos do art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972, doravante denominado de PAF, o auto de infração deve conter apenas “a disposição legal infringida”, sem qualquer exigência quanto a citação do preceito legal que autoriza a realização do procedimento fiscal. Entretanto, embora tal omissão não implicasse qualquer vício ao questionado auto de infração, no caso em tela, ela não ocorreu, haja vista que foi expressamente mencionado no enquadramento legal do citado auto de infração o art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002 (Decreto 4.543/2002), que regulamenta o art. 54 do Decretolei 37/1966, que autoriza a realização do procedimento de revisão aduaneira. E o fato do voto condutor faze referência ao preceito legal regulamentado, não resulta em inovação da fundamentação legal, porque, sabidamente, a citação do preceito regulamentar dispensa a menção ao preceito legal regulamentado. Também não procede o segundo argumento, pois, nos termos do art. 16, § 4º, do PAF, tais provas deveriam ter sido apresentadas juntamente com a peça impugnatória e, como não ocorreu, estava precluso o direito de apresentálas no momento que colacionadas aos autos, a menos que apresentadas as justificativas excepcionais, previstas nas alíneas “a” a “c” citado preceito legal, o que não ocorreu. Além disso, se relevante para o deslinde da controvérsia, em conformidade com o disposto no art. 16, § 6º, do PAF, tais provas poderão ser analisadas por este Colegiado, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar nulidade da decisão recorrida. II Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração A recorrente alegou nulidade do Auto de Infração por (i) preterição do direito de defesa pois a fiscalização não teria indicado o dispositivo legal que ampara a revisão do lançamento; b) alteração de critério jurídico na interpretação da classificação fiscal e violação da segurança jurídica; e c) ausência de prejuízo ao fisco e diante da boa fé da contribuinte. Sem razão a recorrente. Em relação ao alegado cerceamento do direito defesa, conforme anteriormente demonstrado, embora não obrigatório, a recorrente indicou sim o preceito legal que serviu de amparo para a realização do procedimento de revisão aduaneira em questão, a saber, o art. 570 do RA/2002, que, reproduz o art. 54 do Decretolei 37/1966. No que tange à alegada mudança de critério e violação da segurança jurídica, também não procede a alegação da recorrente. Com efeito, a mudança de critério jurídico, alegada pela recorrente, prevista no art. 146 do CTN, tem o seguinte teor, ipsis litteris: Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 103 7 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) No âmbito do lançamento tributário, de acordo com o referido preceito legal, para a configuração da mudança do critério jurídico nele prevista, três condições cumulativas, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha fixado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anterior seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. A primeira consiste na condição necessária, porém não suficiente, para a configuração da mudança de critério jurídico. Portanto, sem a existência de um prévio ato de lançamento de ofício tornase despecienda a análise da segunda e terceira condições (condições suficientes). Da simples leitura do texto legal, inferese que o lançamento utilizado como paradigma é o lançamento de ofício, ou seja, o lançamento realizado pela autoridade administrativa, na forma estabelecida no art. 142 do CTN, nas situações elencadas no art. 149 do CTN. No caso em tela, induvidosamente, houve lançamento por homologação (ou autolançamento, segundo parte considerável da doutrina), previsto no art. 150 do CTN, uma vez que a autuada foi quem apurou e informou, nas DI, que não havia tributos devidos na respectiva operação de importação. Não se pode olvidar, ademais, que o despacho aduaneiro de importação é um procedimento de natureza mista, realizado com o objetivo de liberar (ou desembaraçar) a mercadoria importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação. Em razão dessa especificidade, ele realizase em duas etapas distintas e sequenciais: a fase conferência aduaneira e a fase de revisão aduaneira, conforme estabelece os arts. 50, 51 e 54 do Decretolei 37/1966, a seguir transcritos: Despacho Aduaneiro […] Art. 50. A verificação da mercadoria, no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, na presença do importador ou de seu representante, e se estenderá sobre toda a mercadoria importada, ou parte dela, conforme critérios fixados em regulamento. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 Art. 51. Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. 1º Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais. 2º O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço. […] Seção II Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto Lei. (grifos não originais) Nos termos do art. 504 do Regulamento de Aduaneiro de 2002 – RA/2002 (Decreto 4.543/2002), vigente na época dos fatos, a fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), tratase de ato proferido pela autoridade fiscal com a finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Nesta fase, induvidosamente, o objetivo principal é a liberação da mercadoria, que, por razões óbvias (indisponibilidade da mercadoria, custo de armazenagem etc.) do interesse do importador, devem liberadas com a maior brevidade possível. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira, que se inicia com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI, tem por finalidade apurar regularidade do pagamento dos tributos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade fiscal é apurar e lançar eventual diferença de crédito tributário devida e não recolhida pelo importador. O procedimento de revisão aduaneira encontrase previsto no art. art. 54 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472/1988, que, de modo expresso, remete ao regulamento o estabelecimento da forma de realização do citado procedimento, nos termos a seguir transcrito: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 104 9 do registro da Declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto lei. (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que o disposto no citado preceito legal está em perfeita consonância com o disposto no art. 149, I e V, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] V – quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte1; [...] (grifos não originais) Dessa forma, com respaldo no citado art. 54, o procedimento revisão aduaneiro, na época dos fatos, encontravase disciplinado no art. 570 do RA/2002, que estabeleceu os requisitos e prazo de realização do citado procedimento, nos termos que segue transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Da leitura do preceito regulamentar em destaque, verificase que há expressa autorização legal, para fim de verificação da regularidade (i) do pagamento dos tributos devidos na operação de importação, (ii) da aplicação de benefício fiscal à mercadoria 1 O art. 150 do CTN dispõe sobre o lançamento por homologação realizado no âmbito do despacho aduaneiro de importação. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 importada e (iii) da exatidão das informações prestadas pelo importador na DI. Nessas hipóteses, a única restrição legal diz respeito à observância do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do registro das DI. No caso, em todas as DI que serviram de base para processamento dos despachos aduaneiros objeto das autuações, a recorrente solicitou aplicação da margem de preferência tarifária de 100% (cem por cento), prevista no ACE 18/1991 (Acordo do Mercosul). No caso, a ação fiscal que resultou nas autuações em questão teve por objeto avaliar a regularidade das respectivas operações de importação, notadamente, o direito do produto efetivamente importado, e não o declarado na DI, à redução integral do Imposto sobre a Importação pleiteado. Além disso, no curso do correspondente procedimento fiscal, a fiscalização apurou que o produto importado não fora corretamente descrito nas DI e nos respectivo Certificados de Origem pela autuada. Assim, ao contrário do alegado pela recorrente, o lançamento está respaldado no art. 149, I e V, do CTN, combinado com o disposto no art. 54 do Decretolei 37/1966, portanto, não lhe sendo aplicável a vedação prevista no art. 146 do CTN e tampouco o disposto na Súmula 227 do extinto TFR, pois, como ficou demonstrado anteriormente, não se trata de mudança de critério jurídico, uma vez que não houve lançamento de ofício previamente à autuação em apreço. Também não procede a alegação da recorrente de que o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), teria a característica de ato de homologação do lançamento por homologação ou do lançamento por declaração, o que tornava inadmissível a revisão do referido ato, sob pena de afronta ao art. 146 do CTN e ao princípio da proteção da confiança, corolário da segurança jurídica. Diferentemente do entendimento da recorrente, ato de desembaraço aduaneiro não tem a natureza de lançamento, seja por declaração ou de ofício, e tampouco homologação expressa do lançamento por homologação. Com efeito, o ato desembaraço aduaneiro, proferido ao final da fase de conferência aduaneira (art. 511 da RA/2002), tem por finalidade a liberação ou desembaraço da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966. E como os dados e informações consignados na DI foram prestados pelo importador, se algum critério, nesta fase do despacho aduaneiro, foi homologado, certamente, foi critério adotado pelo próprio importador. Entretanto, ainda que, implicitamente, o benefício fiscal pleiteado na respectiva DI tivesse sido expressamente homologado pelo correspondente ato de desembaraço aduaneiro, por força de autorização legal expressa (art. 54 do Decretolei 37/1966), na fase de revisão aduaneira, seguinte ao citado ato, a autoridade administrativa tem plena competência, para, na eventual apuração de irregularidade na aplicação do referido benefício fiscal e na exatidão das informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Foi o que ocorreu na autuação em questão, em que a fiscalização apurou que os códigos da NCM atribuídos ao produto importado não estavam corretos. Com base nesse entendimento, também resta demonstrado que o procedimento de revisão aduaneira, previsto no art. 54 do Decretolei 37/1966, não se limita apenas às casos de erro de fato, conforme alegou a recorrente. Ao contrário, por não fazer qualquer distinção, induvidosamente, a revisão aduaneira também pode ser realizada nas situações em que também configurado erro de direito, como no caso de eventual erro de Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 105 11 classificação fiscal, especialmente, no caso em tela, em que a classificação equivocada fora feita pela contribuinte e não pela autoridade fiscal. Por todas essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade das autuações suscitada pela recorrente. Da ausência de prejuízo ao Fisco e boafé da importadora. A recorrente alegou que, diante da ausência de prejuízo ao Fisco e da boafé da recorrente, as autuações deveriam ser anuladas, evitando punição desmedida do importador, com afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que regem a conduta da Administração Pública. Não procede a alegação da recorrente. Tratase de aspecto que não interfere no dever de lançamento do crédito tributário, uma vez configurado o descumprimento da preferência tarifária pleiteada, haja vista que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, tendo a autoridade fiscal a obrigação de proceder a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Em relação à alegada boafé, os elementos coligidos aos autos evidenciam que não houve, principalmente, a deficiente descrição do produto, cujas informações foram extraídas dos documentos de importação fornecidos pela empresa exportadora. Ademais, trata se de aspecto subjetivo, que, em face da natureza objetiva da responsabilidade tributária, não tem qualquer implicação sobre higidez das autuações. Por todas essas razões, também fica demonstrada a improcedência do argumento de que houve afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por se tratar de ato vinculado, sabidamente, as autuações em apreço não comporta análise desse jaez. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade. III Da Decadência do Direito de Lançar o II Conforme delineado no relatório precedente, o Auto de Infração em apreço contempla (i) lançamento do II, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, e (ii) imposição de penalidades de natureza administrativa, por falta de LI e por erro de classificação fiscal. No tocante às penalidades de natureza administrativa, a Turma de Julgamento de primeiro grau, com fundamento no art. 139 do Decretolei 37/1966, acolheu alegação de decadência, suscitada autuada, em relação às DI registradas até 16/12/2005. Todavia, no tocante ao II lançado, o referido Órgão julgado afastou a decadência, com base no argumento de que, como não pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial contavase a partir do primeiro dia do exercício seguinte, nos termo do art. 173, I, do CTN, combinado com o disposto no art. 138 do Decretolei 37/1966, que segue transcrito: Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (grifos não originais) No presente recurso, a recorrente alegou que, se a fiscalização, nos termos do art. 54 do Decretolei 37/1966, tinha o prazo de 5 (cinco) anos, a contar do registro da DI, para revisar a exatidão das informações prestadas pelo importador, certamente,não poderia lançar o II após o transcurso do referido prazo. A primeira vista, as duas normas aparentam ser conflitantes. No entanto, numa interpretação combinada e sistemática, se do procedimento de revisão aduaneira resultar apuração de crédito tributário, em relação ao lançamento, certamente, deverá prevalecer o prazo fixado no art. 138, por está o prazo fixado neste preceito legal em consonância com o prazo determinado no art. 173, I, do CTN, norma de hierarquia superior, que tem prevalência num eventual conflito com norma veiculada por lei ordinária. Aliás, não se pode olvidar que lançamento de crédito tributário é matéria reservada a lei complementar, por expressa determinação do art. 146, III, “b”, da CF/1988. No caso, como não houve pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é aquela fixada no art. 173, I, do CTN, conforme corretamente decidiu a Turma de Julgamento a quo. Dessa forma, não merece reparo a decisão no ponto em que afastou a decadência do direito de lançar o II, em relação às DI registradas no ano 2005, até o dia 16 de dezembro. IV Da Análise do Mérito No mérito, o cerne da controvérsia gira em torno do grau de polimento do arroz importado pela recorrente, isto é, se o arroz era polido ou não. Para a recorrente, o arroz não era polido e classificado nos códigos NCM 1006.30.19 e 1006.30.29, se parboilizado ou não, enquanto que para fiscalização o arroz era polido e classificado nos códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21. Da identificação do tipo arroz importado. De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização procedeu a reclassificação fiscal baseada na descrição do produto apresentada (i) na própria DI (DI relacionadas no Quadro 1 – fl. 1148) e (ii) nos respectivos Laudos de Classificação de Arroz (Portaria MA 269/1988) e/ou Certificados de Classificação de Produto Vegetal Importado (Decreto 6.268/2007), que identificaram o arroz como tendo grau de polimento do tipo polido (DI relacionadas nos Quadros 2 a 6 – fls. 1149/1157). Por sua vez, para justificar a classificação fiscal procedida, a recorrente invocou os Termos de Fiscalização de fls. 1248, 1271 e 2172, subscritos por experts do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e homologados pela fiscalização aduaneira, em que apresentada a conclusão de que o arroz era do tipo “não polido”. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 106 13 Não procede a alegação da recorrente, haja vista que os referidos Termos de Fiscalização, emitido por Fiscal Federal Agropecuário e que reproduz a descrição contida nas correspondentes DI, contêm apenas a informação sobre a coleta de amostras dos produtos, para fim de análise a ser feita por empresa credenciada. Portanto, não se trata de documento de identificação do produto. Com efeito, o documento que identifica o produto efetivamente importado é o Laudo de Classificação do Arroz (Portaria MA 269/1988) e/ou Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado (Decreto 6.268/2007), emitido por empresa habilitada/credenciada, que instruem as respectivas DI, cuja conclusão, no caso em tela, foram utilizadas pela fiscalização para proceder a reclassificação fiscal dos produtos. Da classificação fiscal do produto. Para a fiscalização, como arroz importado pela recorrente era do tipo polido, a correta classificação do produto seria nos códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21, se parboilizado ou não parboilizado (ou polido). Por sua vez, a recorrente alegou que o critério de classificação do arroz estabelecido na Portaria MA 269/1988 não poderia ser utilizado para fins de classificação fiscal do produto na NCM, pois, não seria possível, em hipótese alguma, a identificação do arroz semibranqueado ou branqueado em “outros” (posição NCM 1006.30.29), uma vez que para todo arroz beneficiado (sem casca) que não fosse integral, nem parboilizado, seria polido. Logo, seria inócua a existência da classificação no código NCM 1006.30.29. Para uma melhor análise alegação recorrente, reproduzse a seguir os textos da citada classificação e dos desdobramentos da posição 10.06 da NCM: 4.CLASSIFICAÇÃO O arroz será classificado em grupos, subgrupos, classes e tipo, identificados de acordo com os seguintes critérios: 4.1. Grupos Segundo a sua forma de apresentação, o arroz será classificado em 2 ( dois) grupos, assim denominados: 4.1.1. Arroz Em Casca é o produto fisiologicamente desenvolvido, maduro e em casca , depois de colhido; 4.1.2. Arroz Beneficiado é o produto maduro que submetido a processo de beneficiamento, achase desprovido de sua casca. 4.2 Subgrupos Segundo o seu preparo, o arroz em casca e o arroz beneficiado serão ordenados em subgrupos: 4.2.1. Subgrupos do arroz em casca: 4.2.I.1. Natural 4.2.1.2. Parboilizado Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 4.2.2.2. Subgrupos do arroz beneficiado: 4.2.2.1. Integral 4.2.2.2. Parboilizado 4.2.3.3. Parboilizado integral 4.2.2.4. Polido NCM DESCRIÇÃO 10.06 Arroz. 1006.10 Arroz com casca (arroz "paddy") 1006.10.10 Para semeadura 1006.10.9 Outros 1006.10.91 Parboilizado 1006.10.92 Não parboilizado 1006.20 Arroz descascado (arroz "cargo" ou castanho) 1006.20.10 Parboilizado 1006.20.20 Não parboilizado 1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido 1006.30.1 Parboilizado 1006.30.11 Polido ou brunido 1006.30.19 Outros 1006.30.2 Não parboilizado 1006.30.21 Polido ou brunido 1006.30.29 Outros 1006.40.00 Arroz quebrado A alegação da recorrente não procede, porque, a conclusão apresenta nos respectivos Laudos de Classificação do Arroz, que instruem as respectivas DI, o arroz foi classificado no grupo (beneficiado), subgrupo (parboilizado, não parboilizado e polido) e grau de polimento ou tipo (polido ou mal polido), o que atende plenamente o critério de classificação fiscal da NCM, pois há perfeita correspondência entre (i) “arroz beneficiado” e “arroz semibranqueado ou branqueado”, em nível de grupo, (ii) “parboilizado” e “parboilizado” e “polido” e “não parboilizado”, em nível de subgrupo, sendo que o subgrupo “polido” pertence ao “não parboilizado”, que pode ser do tipo polido ou não, enquanto que o subgrupo polido, obviamente, somente pode ser polido. Portanto, diferentemente do que alegou a recorrente, é o arroz do subgrupo polido que, obviamente, classificase somente no código NCM 1006.30.21, sendo inócuo, neste caso, o código NCM 1006.30.29, mas não o arroz “não parboilizado”, que pode ser classificado tanto no código NCM 1006.30.21, se do tipo polido ou grau de polimento do tipo polido, ou no código NCM 1006.30.29, se for do tipo não polido ou mal polido. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a classificação adotada pela fiscalização está em perfeita consonância com as conclusões apresentadas nos Laudos de Classificação do Arroz, que instruíram as respectivas DI. Da cobrança dos tributos devidos. Nos Certificados de Origem que supostamente acobertavam as operações de importação em apreço, o arroz importado foi descrito como não polido ou omitida tal Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 107 15 informação, e enquadrado nos códigos NCM 1006.30.19 e 1006.30.29, se parboilizado ou não parboilizado (ou polido), ao passo que, no procedimento de análise das amostras, a empresa credenciada o arroz importado foi identificado como do tipo polido, classificado nos códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21 nas respectivas DI, se parboilizado ou não parboilizado (ou polido). Tal irregularidade, resultou na desqualificação dos mencionados Certificados de Origem, para fins de reconhecimento do tratamento tributário preferencial, previsto ACE nº 18, conforme estabelece o art. 10 da Instrução Normativa SRF 149/2002, a seguir transcrito: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: [...] Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Dessa forma, uma vez comprovado que mercadoria descrita nas DI e respectivos Certificados de Origem não correspondem a que foi efetivamente importada, as respectivas operações de importação passaram a ser sujeitas à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país. É oportuno esclarecer que o disposto na referida Instrução Normativa está em consonância com o disposto no art. 14 do Anexo da Decisão 1/2004 do Conselho do Mercado Comum do Mercosul 1/2004 (Decisão CMC 1/2004), instituída pelo Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE 18, executado no País por meio do Decreto 5.455/2005, a seguir transcrito: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: Ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; Identificar as mercadorias a que se refere; Indicar, inequivocadamente, que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se trate nos termos e disposições do presente Regime. No mesmo sentido, é oportuno ainda ressaltar que as alíneas “e”, “f” e “h” do item “A” do Anexo IV da referida Decisão delimita o erro formal e não formal, bem como os procedimentos nos casos em que detectados, nos termos a seguir reproduzidos: Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 16 e) Em caso de se detectarem erros formais na confecção do certificado de origem, avaliados como tais pelas as Administrações Aduaneiras, caso, por exemplo de inversão no número de faturas, ou em datas, menção errônea do nome ou domicilio do importador, etc. não se demorará o despacho da mercadoria, sem prejuízo de resguardar a renda fiscal através da aplicação dos mecanismos vigentes em cada Estado Parte. Serão considerados erros formais todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria. [...] f) Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes daquelas descritas na alínea “e”. h) Os casos enumerados na alínea “e” deverão ser comunicados pela administração aduaneira à repartição oficial quando se aplique o tratamento tarifário correspondente ao âmbito de extra zona. Também serão comunicados os casos em que exista diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, sem prejuízo da aplicação dos procedimentos aduaneiros previstos em cada Estado Parte para tais infrações. (grifos não originais) Assim, ao fazer a ressalva de que, além dos erros formais (definidos na alínea “e”), devem ser também comunicadas as divergências de classificação fiscal resultante da verificação da mercadoria, o texto deixa expressamente consignado que (i) tal divergência não se insere no rol dos considerados erros formais e (ii) autoriza ainda que cada Estado Parte adote os procedimentos previstos na legislação interna aduaneira interna. Assim, fica demonstrado que os certificados de origem apresentados pela recorrente foram corretamente desqualificados, em consequência, deve ser aplicado o tratamento tarifário extrazona e exigido o Imposto de Importação (II), conforme procedeu a fiscalização. Da legadade das multas aplicadas. Em face da infração, a fiscalização aplicou as seguintes multas: a) de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto lançado, fixada no art. 44, I da Lei 9.430/1996; b) do controle administrativo das importações de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 169,I, “b”, do Decretolei 37/66; e c) multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, instituída no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. A recorrente alegou que não se aplica ao caso em tela a dispensa das referidas penalidades, conforme previsto no art. 100 do CTN, pois o ato de desembaraço aduaneiro não caracteriza prática reiterada de homologação de ato administrativo. Sem razão a recorrente. No âmbito do despacho aduaneiro, a classificação fiscal do produto NCM é declarada pelo importador na DI, logo, havendo erro em relação a essa informação, certamente, ao declarante deve ser imputada tal prática e não ao autoridade alfandegária, como alegou a recorrente. Da multa de ofício. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 108 17 A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto lançado, fixada no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, destinase a sancionar a infração por declaração inexata e o erro na descrição do produto e na indicação da classificação fiscal, induvidosamente, trata de fato que se subsume perfeitamente à hipótese típica da referida conduta infracionária. No âmbito dos tributos incidentes sobre a operação de importação, somente é possível o afastamento da referida penalidade nas circunstâncias excludentes expressamente prevista no enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF(ADI/SRF) n°13, de 10 de setembro de 2002, onde se lê: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cositnº 10, de16 de janeiro de 1997. Da simples leitura do ADI, verificase que a hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato. Aliás, essa previsão existia no citado ADN Cosit 10, que foi expressamente revogado pelo art. 2º do referido ADI, antes do fato infracional objeto das autuações. Portanto, a multa de ofício foi correta aplicada e deve ser mantida, porque encontra amparo legal no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Da multa do controle administrativo das importações. A infração administrativa ao controle das importações por falta de LI e a respectiva penalidade encontramse previstas na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 18 Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, todo controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema. Na nova sistemática de controle administrativo das importações, a Guia de Importação (GI) foi substituída pela LI, que passou a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º2 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação, o controle administrativo das importações encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 35/2006. De acordo com o art. 6º da referida Portaria, o citado controle foi dividido nas seguintes modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento nãoautomático. Nos termos do caput do art. 7º3 da citada Portaria, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento. O licenciamento automática passou a ser exigido apenas para as operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º4). Por fim, o licenciamento nãoautomático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º5 da referida Portaria. No novo regramento, somente as operações de importação, processadas segundo o regime estabelecido para as duas últimas modalidades, a falta de emissão da LI caracteriza a prática da infração em comento. 2 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 3 "Art. 7. Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal (SRF)". 4 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex; também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic, para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; II – as efetuadas ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback". 5 "Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) substituição de mercadoria, nos termos da Portaria MF n.º 150, de 26 de julho de 1982". Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.723799/201094 Acórdão n.º 3102002.356 S3C1T2 Fl. 109 19 No caso em tela, o arroz polido, importada pela recorrente, classificado nos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21, estava sujeito anuência prévia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), portanto, tratandose de produto sujeito a Tratamento Administrativo, o licenciamento da operação era obrigatório. Entretanto, ainda que obrigatória a emissão da LI, a referida infração não se materializa se configurado se atendidas as condições previstas no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12, de 1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). A excludente prevista no referido ADN, induvidosamente, não se aplica ao caso em tela, porque o produto não foi corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Portanto, corretamente aplicada a penalidade em apreço, cuja cobrança deve ser mantida nos termos propostos pela fiscalização. Da multa por classificação incorreta. A multa regulamentar por classificação fiscal incorreta encontrase prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] No caso em tela, a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu ao produto importado os códigos códigos NCM 1006.30.19 e 1006.30.29, quando o correto seria os códigos NCM 1006.30.11 e 1006.30.21. Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no Auto de Infração em apreço. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acórdão recorrido. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 20 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10325.000712/2005-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.854
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 71 2/ 20 05 -3 2 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000712/200532 Resolução nº 3401000.854 S3C4T1 Fl. 924 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 3o trimestre de 2003. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência, consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000712/200532 Resolução nº 3401000.854 S3C4T1 Fl. 925 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000712/200532 Resolução nº 3401000.854 S3C4T1 Fl. 926 4 veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000217/2002-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
CSLL. VALOR CONFESSADO INFERIOR AO LANÇADO. MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO.
Na hipótese em que o débito de CSLL confessado no parcelamento for inferior ao valor apurado pelo Fisco no Auto de Infração, somente devem ser excluídos da base de cálculo exigível os valores coincidentes.
Numero da decisão: 1201-001.112
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento aos embargos, nos termos do voto e relatório que integram o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Joselaine Boeira Latorre e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento aos embargos, nos termos do voto e relatório que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Joselaine Boeira Latorre e Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 CSLL. VALOR CONFESSADO INFERIOR AO LANÇADO. MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO. Na hipótese em que o débito de CSLL confessado no parcelamento for inferior ao valor apurado pelo Fisco no Auto de Infração, somente devem ser excluídos da base de cálculo exigível os valores coincidentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento aos embargos, nos termos do voto e relatório que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 02 17 /2 00 2- 86 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10384.000217/200286 Acórdão n.º 1201001.112 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Joselaine Boeira Latorre e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, que buscam a reforma do acórdão proferido por esta Colenda Turma que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso da interessada, cancelando o lançamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Regis Magalhães Soares Queiroz. Ante o fato de que o ilustre Conselheiro não mais integra este Conselho, o processo me foi distribuído para a apreciação dos referidos embargos. Conforme se pode depreender do Relatório da decisão embargada, a matéria debatida é a seguinte: Tratase de recurso voluntário interposto às fls. 119 a 128 contra a decisão da DRJ (fls. 107 a 112) que julgou parcialmente procedente os lançamentos de Contribuição Social sobre o lucro Líquido CSLL, relativos ao anocalendário de 1997, no valor de R$ 436.080,97, incluídos os encargos legais decorrentes de falta de pagamento do tributo declarado na DCTF. A fiscalização apurou falta de recolhimento de CSLL, o que gerou o Auto de Infração de fls. 06 a 27. Parte dos créditos foi exonerada pela decisão de 1a instância, de forma que coube a esta Turma deliberar, apenas, sobre os lançamentos abaixo, conforme descrição do relator: Em vista da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, apenas os valores abaixo são objeto do recurso voluntário: fev/97 R$ 6.589,59 ago/97 R$ 25.792,48 set/97 R$ 13.679,02 out/97 R$ 6.971,78 nov/97 R$ 27.426,72 dez/97 R$ 47.963,33 Total = R$ 128.422,92 Em razão de ter sido exonerado todo o valor autuado, a Fazenda Nacional apresentou embargos, questionando os limites da decisão proferida. Com efeito, alega a Fazenda Nacional, com esteio na jurisprudência do CARF, que, nas hipóteses em que a adesão ao parcelamento foi formalizada antes da Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10384.000217/200286 Acórdão n.º 1201001.112 S1C2T1 Fl. 4 3 lavratura do Auto de Infração, é de se excluir da base de cálculo da exigência o valor confessado, desde que este se refira à mesma matéria constante do lançamento e desde que abranja valores tributáveis não inferiores ao devido. Nesse sentido, aduz a ora Embargante que o débito de CSLL confessado no parcelamento foi inferior ao valor apurado pelo Fisco no Auto de Infração, de tal sorte que somente os valores coincidentes devem ser excluídos da base de cálculo exigível, ao contrário do que teria decidido o voto condutor do Acórdão. Assim, teria a referida decisão omitido ponto essencial, necessário para a fixação dos limites do julgado. Os embargos foram admitidos por despacho exarado pelo Presidente desta Turma. Voto A questão objeto dos embargos cuida dos limites do crédito tributário excluído, pugnando a Fazenda Nacional pela tese de que só poderão ser excluídos do montante tributável os valores coincidentes entre o que foi confessado pela Recorrente, por meio de parcelamento, e aqueles apurados pela fiscalização. O voto condutor, da lavra do Conselheiro Régis Magalhães, ao apreciar os lançamentos dos meses remanescentes, assim se manifestou: Fevereiro, agosto e dezembro de 1997 Ora, com relação aos lançamentos acima referidos, verificase que o parcelamento ocorreu em 1998, sendo quitado em 1999. Em vista desse fato, descabe realizar em 2001 um novo lançamento dos mesmos valores, em verdadeiro bis in idem. Ora, se o próprio contribuinte realizou o lançamento por meio do parcelamento e se o tributo lançado já havia sido quitado antes da lavratura deste AIIM, descabe acatar esse segundo lançamento em 2001 porque ele é desnecessário. Evidente que esse cancelamento não quer dizer que o tributo é indevido. Quer apenas significar que esse lançamento é inútil à luz do eficaz lançamento realizado pelo contribuinte quando do parcelamento. (grifamos) Agosto (parte), setembro, outubro, novembro e dezembro (parte) de 1997 Com relação ao meses em referência, notase que o AIIM lavrado 2001 está, em verdade, lançando os valores referentes às antecipações mensais do ano de 1997, mas fora do ano calendário próprio, o que é vedado. Neste sentido, jurisprudência tranqüila do Conselho de Contribuintes... Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10384.000217/200286 Acórdão n.º 1201001.112 S1C2T1 Fl. 5 4 Com base em tais fundamentos, foi integralmente exonerado o valor constante dos Autos de Infração. Todavia, a Fazenda Nacional entende que o valor cancelado foi superior ao que havia sido confessado pela interessada quando da adesão ao parcelamento. Como o próprio voto deixa claro que o cancelamento dos créditos lançados não decorre do descabimento do tributo, mas apenas para evitar que a exigência seja feita em duplicidade, por força dos valores confessados pela interessada quando da adesão ao parcelamento, entendo pertinente a ressalva trazida pela Fazenda Nacional, no sentido de que o limites da exoneração sejam os valores efetivamente incluídos naquele momento, com a manutenção dos valores porventura remanescentes, vale dizer, deve ser mantido qualquer valor relativo à diferença apurada pela fiscalização e o que foi efetivamente objeto do parcelamento. Caberá à unidade de jurisdição da Contribuinte atentar para esse particular ao adotar as providências de sua alçada. Diante do exposto, CONHEÇO dos Embargos, e no mérito, DOULHES provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720290/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO.
Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário, mas sim meras antecipações.
Numero da decisão: 1301-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário, mas sim meras antecipações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 90 /2 00 8- 51 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Segundo depreendese do presente processo administrativo, a recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 12/03/2004, cadastrada sob o n° 2450628001.l20304.l.3.045724, pela qual a contribuinte assinala compensação de parcela da dívida do ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003, código de receita n° 2430, vencida em 31/03/2004 e no valor de R$ 2.347.704,59, apontando crédito perante a Fazenda Nacional na importância de R$ 2.082.315,45 à conta de pagamento a maior que o devido quando da antecipação em base estimada desse mesmo tributo, havida em 31/05/2003, sob código de receita n° 2362, fls. 0l/05. Verificase ainda, que em 03/10/2008 foi entregue à recorrente o Termo de Intimação de folhas 06 a 07 para que fossem prestados esclarecimentos e apresentados demonstrativos do valor recolhido a maior, tendo juntado aos autos a resposta e documentos de folhas 08 a 69. A autoridade administrativa, em análise do pleito compensatório da contribuinte, proferiu o Despacho Decisório de folhas 90 a 95, não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de credito a favor da contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório citado acima, no final do ano calendário 2003 o valor do IRPJ pago foi exatamente o que deveria ter sido recolhido, exceto em novembro e dezembro em que os pagamentos superaram o devido pelas importâncias de R$ 417.275,10 e R$ 30.998,23, respectivamente, de sorte que o recolhimento relativo ao mês de fevereiro, efetuado em março, não fora maior que o devido. Registrouse ainda, que a anotação feita pela contribuinte em seu próprio demonstrativo de fl. 32v. mostra que o valor anual do IRPJ ali constante, desconsiderados os excessos de novembro e dezembro, perfaz o montante de R$ 68.118.545,89, exatamente aquele feito constar na DIPJ (fls. 82/83), antes da dedução das estimativas mensais, asseverando que a entrega de declaração de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste final constitui forma de planejamento tributário na medida em que dito procedimento intenta correção do valor que teria sido “recolhido a maior” (aspas do original) pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos. Ao final reafirmou que não seria possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não haveria crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário 2003 já teria sido extinto por pagamento. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 98 – 110), acompanhada dos documentos de folhas 110 a 126, solicitando a reforma do Despacho Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 1301001.731 S1C3T1 Fl. 3 3 Decisório para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação apresentada, argumentando que a decisão fora proferida em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata da necessidade do lançamento (art. 142 do CTN), bem assim, que suportada apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela contribuinte, sem desqualificálas ou requalificálas. Aduziu que no contexto de tributo sujeito a “lançamento por homologação” a tarefa de constituição do crédito tributário é conferida ao sujeito passivo, conforme prescreve o artigo 150 do CTN, cabendo aos agentes fiscais tão somente a função de homologar, ou não, a atividade ultimada pela contribuinte, assinalando que até para retificação de prejuízos fiscais (que não enseja a exigência de crédito tributário) fazse necessária a figura do lançamento de oficio, através de suas espécies: auto de infração ou notificação de lançamento. Além disso a negativa do crédito não tem fundamento, tanto que no demonstrativo inserto no despacho decisório o IRPJ pago por estimativa é de R$ 25.723.044,81, mesmo valor informado pela contribuinte na DIPJ, reconhecendo, portanto, como sendo devidas e aproveitadas, e que confrontado com os recolhimentos em DARF s afiguram os valores excedentes (indébitos). Defendeu ser incoerente a decisão quando alega inexistência de débito (crédito tributário a favor da União) uma vez que a DIPJ registra o valor de R$ 42.395.501,08, o que comprovaria a existência de pagamento a maior. Insistiu ainda, que o Fisco não alterou de oficio o valor da estimativa de abril (R$ 2.494.676,11) confessado na DCTF, restando evidenciada a existência de valor recolhido a maior na medida em que o efetivo pagamento foi de R$ 4.576.991,55. Asseverando que a opção pelo pagamento por estimativa é exercida com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada) e que o código de receita (2362) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta), as estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o artigo 2° da lei n° 9.430/96) não podem ser informalmente alocados de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda a pagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permaneceria inalterado. Por fim, realçou que sobre o indébito devem incidir juros Selic desde o mês subsequente ao do pagamento. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 132 a 139, indeferiu a solicitação assinalandose que não prosperaria a tese de ilegalidade da decisão ante a inocorrência de lançamento, porquanto em matéria de compensação cumpre ao Fisco, respeitado o prazo de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, homologar, ou não, o encontro de contas (Lei n° 9.430, de 1996, artigo 74, § 5°). Na hipótese de discordância, total ou parcial, incumbelhe tão somente exteriorizar o entendimento, fundamentandoo, e cientificar a declarante, porque de procedimento de constituição de direito fiscal não se trata, e nem poderia, pois com a declaração de não homologação deixase de reconhecer a legalidade do ato praticado pelo sujeito passivo, do que decorrerá os efeitos de direito, dentre os quais está a exigência do crédito tributário indevidamente compensado, já que a declaração de compensação foi aviada sob vigência da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, a qual lhe atribui o caráter de confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente a tanto. Ou seja, concluiu a decisão recorrida que o direito da Fazenda ao crédito tributário sempre existiu e por isso não precisou nem precisa ser constituído pelo lançamento, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 revigorado (o direito) com o não implemento da condição resolutiva em face da declaração de imperfeição do encontro de contas (Lei n° 9.430, de 1996, artigo 74, § 2°). Seguiuse fundamentando que no caso dos autos até mesmo o direito à cobrança do crédito tributário foi afetado, ante a extinção pelo pagamento, e que ultrapassada esta questão, não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do IRPJ com base no lucro real se dá nos trimestres civis do anocalendário, mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, sendo que a apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Relembrou a decisão recorrida que com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa e que exercida a opção, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230), reprisando que a opção se dá com o pagamento do imposto relativo ao mês de janeiro ou do início da atividade, sendo de se incluir que, uma vez exercida, é de caráter irretratável (RIR/99, art. 232). Dito isso, assinalouse que as razões de defesa ancoramse numa premissa equivocada, qual seja, que a opção é exercida com a DIPJ, lá no ano seguinte, e isso talvez pode ter sido o núcleo do igualmente equivocado entendimento da contribuinte de que as estimativas podem ser alteradas, ou desnaturadas, a qualquer tempo, mencionandose que apurado o imposto devido no ano, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, dele deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ e, inversamente, afigurase o saldo de imposto a pagar. Concluiuse assim, que no caso dos autos encontrase demonstrado na ficha 09A da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fl. 81, que o lucro real apurado em 31 de dezembro de 2003 foi da ordem de R$ 296.464.739,37, e, conforme também demonstrado na ficha 12A, fl. 82, referido lucro gerou o imposto (incluindo adicional) na quantia de R$ 74.092.184,85 que, deduzido dos valores dos incentivos fiscais e do imposto de renda retido por fontes pagadoras, resulta na importância de R$ 68.118.545,89. Para a decisão recorrida, sendo esse o quantum do imposto de renda da pessoa jurídica devido no anocalendário 2003, apurado pela própria contribuinte e não modificado pelo Fisco, volvendo à sistemática imposta pela lei, cumpria, então confrontar o tributo apurado em 31 de dezembro de 2003 com as estimativas (antecipações) recolhidas ao longo daquele ano, registrandose nesse propósito que o informe de pagamentos de fl. 87 da conta de que entre 28/02/2003 a 30/01/2004 a contribuinte recolheu (por doze recolhimentos mensais com o código de receita n° 2362, afeto a estimativas de pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real), a quantia de R$ 68.566.819,22. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 1301001.731 S1C3T1 Fl. 4 5 Decorreria, pois, que uma vez confirmada pela contabilidade a importância do tributo (R$ 68.118.545,89) feita constar na DIPJ a contribuinte teria antecipado valor em monta superior àquele efetivamente devido no anocalendário na ordem de R$ 448.273,33 e que aflorada, então, a figura do saldo negativo do IRPJ, este sim é passível de restituição ou compensação com o próprio IRPJ ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre janeiro de 2004 até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que estiver sendo efetuada a compensação (Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, artigo 38, I, “d”, c/c Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, artigo 51, § 1°, IV). Concluiuse assim, que no caso dos autos, porém, não há busca de compensação deste saldo negativo, mas sim dos “excessos” mensais, dentre os quais o do mês de fevereiro em análise. Para tanto a contribuinte engendrou, via declarações DIPJ e DCTF, dividir o valor do imposto anual, na ordem de R$ 68.118.545,89, em duas parcelas; uma de R$ 25.723.044,81 nominandoa de estimativas pagas e outra de R$ 42.395.501,08 a ser paga a título de ajuste anual, muito embora, reprisese, as estimativas efetivamente pagas ao longo do anocalendário foram de R$ 68.566.819,22, sendo que a entrega da PER/DCOMP, na qual está indicado compensação do alegado excesso do mês de fevereiro com parte da parcela do ajuste, complementou o engenho. Para a decisão recorrida, portanto, sob a ótica de cálculos percebiase que os apontados excessos mensais tendem a anular o ajuste anual, de sorte que nada remanesça a pagar em 31/03/2004, data de vencimento do IRPJ do anocalendário de 2003. Neste segundo aspecto também caminhou o Fisco, ou seja, não haveria exigência de IRPJ ao contribuinte (tanto que alertouo que o processo seria encaminhado ao arquivo), mas diverge da tese de existência de “excessos” mensais ante a possibilidade do pagamento de juros. Assim, o ponto da contribuinte se focaria no fato de que as receitas mensais auferidas importam estimativas de monta inferior àquelas efetivamente recolhidas, em contrariedade ao artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, daí inservíveis os “excessos” à metodologia de antecipação. Após tecer outros tantos argumentos e expor seus fundamentos a decisão recorrida indeferiu a solicitação da contribuinte. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 147 – 163), reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como registrado no relatório acima circunstanciado, a recorrente apresentou PER/DCOMP, informando como origem do pretenso crédito, valores mensais pagos durante o anocalendário 2003, referentes ao IRPJ e à CSLL, para a compensação de débitos próprios, vencidos e vincendos. A recorrente sustenta, com já relatado, que a decisão recorrida mereceria reforma na medida em que não reformou o Despacho decisório primitivo, o qual teria modificado o critério de apuração das estimativas mensais do IRPJ, de oficio, com suporte apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues por ela recorrente, sem levar a efeito o necessário ato administrativo equivalente ao de lançamento para reconstituir a apuração do IRPJ realizada pelo contribuinte no ano de 2003. Verifico, contudo, que a decisão recorrida enfrentou corretamente este coincidente argumento ao apreciar a Manifestação de Inconformidade da contribuinte. Com efeito, não subsiste a alegação “ilegalidade” ante a não realização do ato de lançamento, imperioso para a exigência de crédito tributário, já que bem se reconheceu que tanto a confissão de dívida, como a consequente alteração de prejuízos fiscais, podem impactar no direito creditório que o contribuinte defende existir. A decisão recorrida proclamou com um acerto inarredável que se tratando de compensação, incumbe ao Fisco o ato de homologação, ou não, realizada a atividade à luz da legalidade e dos requisitos de certeza e liquidez. Nesse passo, assiste razão ao acórdão recorrido ao dispor que a exigência do crédito tributário indevidamente compensado, considera a natureza jurídica de confissão de dívida da Declaração de Compensação, não é senão direito da Fazenda, já que o crédito tributário sempre existiu (confessado) e não precisa de lançamento, sendo exigido em razão do não reconhecimento do direito creditório que lhe fora atrelado pelo contribuinte. Ou seja, é inegável a premissa de que não homologada a compensação pode se aferir o impacto que isso teve no período, contudo, como reconheceu a decisão recorrida, não houve qualquer censura nos tributos devidos no período em que a contribuinte se julgava credora do Fisco, logo, não subsistem tais argumentos. Quanto ao direito creditório, propriamente dito, entendo que decisão recorrida igualmente acertou em seu enfrentamento. Aliás, para além de acertar, cuidou a decisão recorrida de esquadrinhar a correta compreensão e impacto que o recolhimento das estimativas tem na apuração do eventual prejuízo fiscal. Com efeito, assinalouse que mediante a regra de apuração do IRPJ com base no lucro real, verificase que no caso dos autos encontrase demonstrado na ficha 09A da DIPJ de folha 81, que o lucro real apurado em 31 de dezembro de 2003 foi da ordem de R$ 296.464.739,37, sendo que a ficha 12A (fl. 82), estampa que o referido lucro gerou o imposto Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 1301001.731 S1C3T1 Fl. 5 7 (incluindo adicional) na quantia de R$ 74.092.184,85 que, deduzido dos valores dos incentivos fiscais e do imposto de renda retido por fontes pagadoras, resulta na importância de R$ 68.118.545,89. Adiante, vêse que a decisão recorrida já reconheceu que o montante do imposto de renda da pessoa jurídica devido no anocalendário 2003, apurado pela própria contribuinte e não modificado pelo Fisco, foi exatamente este indicado acima, de sorte que, na análise do direito creditório, confrontouse o tributo apurado em 31 de dezembro de 2003 com as estimativas (antecipações) recolhidas ao longo daquele ano, registrandose que o informe de pagamentos de folha 87, dá conta de que entre 28/02/2003 a 30/01/2004 a contribuinte recolheu, a título de estimativas, a quantia de R$ 68.566.819,22. Sendo assim, está correta a decisão recorrida ao verificar que o IRPJ declarado na DIPJ era R$ 68.118.545,89, o que torna inegável que a recorrente antecipou a maior a quantia de R$ 448.273,33, de sorte que somente após a verificação do saldo negativo do IRPJ, é que se poderia cogitar de valor passível de restituição ou compensação. De fato, na espécie, a contribuinte não pleiteia a compensação deste saldo negativo, mas sim dos valores que entende foram recolhidos em “excessos”, sobretudo o mês de fevereiro, eis que mediante as DIPJ e DCTF, dividiu o valor do imposto anual, na ordem de R$ 68.118.545,89, em duas parcelas; i) R$ 25.723.044,81, a qual reputou de estimativas pagas e outra: ii) R$ 42.395.501,08 a ser paga a título de ajuste anual, conquanto as estimativas efetivamente pagas ao longo do anocalendário tenham sido de R$ 68.566.819,22. Segundo o entendimento da recorrente, com a entrega da PER/DCOMP, na qual está indicado compensação do alegado excesso do mês de fevereiro com parte da parcela do ajuste, se justificaria seu direito creditório, ou seja, o entendimento da contribuinte é de que as receitas mensais efetivamente auferida foram inferiores àquelas efetivamente recolhidas. Contudo, a decisão recorrida refuta este argumento ao delinear que o artigo 230 do RIR/99, possibilita a interrupção das antecipações mensais através de balanço ou balancete que demonstrem que o valor até então pago já supera o valor do imposto no período, no entanto, isso não implica dizer que houve desvirtuamento do caráter de antecipação, eis que o fato gerador do IRPJ, para quem opta pelo regime de apuração anual, se aperfeiçoa em 31 de dezembro. Até essa data não há pagamento, modalidade extintiva de obrigação tributária, e sim recolhimentos, meras antecipações do tributo que vier a ser apurado, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Concluise assim, acertada a decisão recorrida, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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