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Numero do processo: 10120.913745/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO
Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior.
A recorrente é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A recorrente é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A recorrente é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 37 45 /2 01 2- 70 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10120.913745/201270 Acórdão n.º 1302003.537 S1C3T2 Fl. 155 2 Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/RPO, complementandoo ao final: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 03/2011. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o suposto crédito a compensar decorreria de recolhimento indevido ou a maior no período de apuração 03/2011, tendo por referência o valor da contribuição devida, informado em DCTF retificadora, sendo supostamente errôneo o valor declarado em DCTF original. Após análise das razões acima, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, através do Acórdão nº 1453.310, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado. Nesse sentido, segue ementa do acórdão recorrido que demonstra esse entendimento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10120.913745/201270 Acórdão n.º 1302003.537 S1C3T2 Fl. 156 3 Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da sua Manifestação de Inconformidade, tendo ainda anexado outros documentos, no intuito de comprovar seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. No caso em comento, se analisa pedido de compensação no qual o contribuinte intenta compensar débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de tributo, cujo período de apuração foi março de 2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto decidiu, no acórdão recorrido, que o contribuinte não tem direito a compensação, por não ter demonstrado, com provas, o referido crédito. O recorrente, em sede de Recurso Voluntário, admite que o valor do crédito foi demonstrado de forma sucinta, por entender ser suficiente para a demonstração do seu direito. Em razão da negativa, delineia a origem do crédito de forma mais pormenorizada, nos seguintes termos: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10120.913745/201270 Acórdão n.º 1302003.537 S1C3T2 Fl. 157 4 · Apresentou nota fiscal nº 05, emitida em 22/03/2011. No valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), que foi cancelada pelo tomador de serviços após a apuração e recolhimento do imposto, sendo a origem do crédito em questão. · Mostra ainda forma de cálculo que julga apta a demonstrar o valor devido a título de crédito, ao recorrente. Uma das questões a serem enfrentadas gira em torno da possibilidade – ou não – da retificação da DCTF original, após o despacho decisório. Neste sentido, verificase que ainda que a retificação da DCTF tenha sido procedida após remetido o PER/DCOMP em tela, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise de crédito do contribuinte. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT nº 2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. No caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, por intermédio de sua DCTF retificadora, nota fiscal cancelada e demonstrativo de cálculo. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10120.913745/201270 Acórdão n.º 1302003.537 S1C3T2 Fl. 158 5 do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte, em primeira análise, foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior, o qual , aparentemente, surgiu após a retificação de sua DCTF. Correta, portanto, a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos: Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência,se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. No caso em tela, a interessada alega que o suposto crédito a compensar decorreria de recolhimento indevido ou a maior no período de apuração 03/2011, tendo por referência o valor da contribuição devida, informado em DCTF retificadora, sendo supostamente errôneo o valor declarado em DCTF original. Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ, DACON ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. (...) Todavia, a contribuinte não apresentou, no processo, elementos probatórios hábeis a comprovar a origem e aproveitamento do suposto indébito. Com efeito, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período 03/2011 resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado. Os documentos juntados aos autos (cópias de declarações prestadas à RFB e documentos de arrecadação), embora relevantes, possuem valor apenas Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10120.913745/201270 Acórdão n.º 1302003.537 S1C3T2 Fl. 159 6 indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos do art. 333 do CPC, dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), e do artigo 9º, § 1º, do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, já acima transcritos, visando comprovar a insubsistência do débito informado no PER/DCOMP. Resta assim pendente a comprovação de crédito passível de compensação no que concerne ao(s) pagamento(s) objeto do pedido de compensação. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.904480/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 24/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 24/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 80 /2 00 8- 01 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.904480/200801 Acórdão n.º 2201004.902 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.904480/200801 Acórdão n.º 2201004.902 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.904480/200801 Acórdão n.º 2201004.902 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720914/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.461
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 14 /2 01 3- 45 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa vinculada às receitas de exportação, transmitido através do PER/Dcomp, pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.906. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 4 3 Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: i) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. ii) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.455, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720279/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.455): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outra matéria objeto do Despacho Decisório que não constou na sua primeira defesa, qual seja, a realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 5 4 informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa à realocação de crédito relativo a bens para revenda. De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida no tópico da peça recursal relativo à realocação de crédito relativo a bens para revenda. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 7 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 8 7 art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10925.720914/201345 Acórdão n.º 3402006.461 S3C4T2 Fl. 9 8 b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.901276/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO.
Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
Numero da decisão: 3301-005.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 12 76 /2 01 5- 10 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10640.901276/201510 Acórdão n.º 3301005.983 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER, de créditos de COFINS, cujo pleito não foi integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, e apresentou manifestação de inconformidade, via postal. Em função de tal apresentação de manifestação da requerente, por via postal, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG enviou Ofício, ao requerente, onde se comunicava que : 2. Cumpre esclarecer que a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013 em seu artigo 2º, §1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.629/2016, estabelece que “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital”. A citada Instrução Normativa estabelece ainda as peculiaridades e procedimentos necessários para se efetivar a apresentação das manifestações de inconformidade em cada processo digital. 3. Diante do exposto, tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados. 4. Por último cumpre esclarecer que a empresa pode, ainda que intempestivamente, fazer a apresentação dos questionamentos digitalmente na forma da Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013. Em caso de discordância quanto à intempestividade, a empresa pode fazer as alegações preliminares que entender cabíveis. A requerente teve ciência deste Ofício, por acesso á sua caixa postal eletrônica,. Em resposta, a requerente apresentou sua Manifestação de Inconformidade por via eletrônica, acompanhada de Declaração de Tempestividade, nos seguintes termos: ' o contribuinte acima identificado vem solicitar a recepção pela Receita Federal da Manifestação de Inconformidade na forma digital (...), uma vez que a mesma fora encaminhada fisicamente pelos correios, tempestivamente, em face da autorização que consta no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997. Desta forma, ciente que apresentou sua irresignação tempestivamente, e considerando que eventual vício de forma não pode mitigar seu direito constitucional de petição e de ampla defesa, direito material, mormente ao considerarmos o princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, roga pela recepção e regular processamento da Manifestação de Inconformidade em epígrafe.” Diante destes documentos, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG encaminhou os autos á DRJ/FUIZ DE FORA com o seguinte despacho : “O contribuinte inicialmente apresentou Manifestação de Inconformidade pelos correios dentro do prazo legal porém Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10640.901276/201510 Acórdão n.º 3301005.983 S3C3T1 Fl. 4 3 em desacordo com o que determina a IN 1.412/2013. Em seguida a empresa foi instada a apresentar o questionamento da forma como é determinada a legislação, o que ocorreu intempestivamente. Em seu protocolo porém a empresa alega preliminarmente a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto encaminho o presente processo à SECOJ/DRJ/JFA/MG para apreciação das preliminares, e julgamento se for o caso.” A DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão de nº 09064.390, que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o entendimento da unidade de origem. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, contesta a declarada intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando : a Recorrente não pode concordar com o acórdão recorrido, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender ter sido a mesma apresentada intempestivamente. A autoridade preparadora, que detém competência legal para a instrução do processo, por sua vez acolheu a juntada digital dos documentos e enviou os autos para a Delegacia de Julgamento. entende a Recorrente que a tempestividade de sua Manifestação de Inconformidade é evidente, principalmente por conta das peculiaridades acerca da intimação que recebeu – sem instruções alguma sobre apresentação “eletrônica” da mesma confia e espera a Recorrente, lastreada na proficiência dos membros deste I. Órgão Judicante, na anulação da decisão que não conheceu de impugnação regularmente interposta, com a expressa determinação para que a Delegacia de Julgamento profira decisão de mérito sobre a irresignação tempestivamente ofertada, É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.974, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10640.901267/201529, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.974): "13 A questão central destes autos está centrada na tempestividade ou não da manifestação de inconformidade Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10640.901276/201510 Acórdão n.º 3301005.983 S3C3T1 Fl. 5 4 apresentada, que restou não conhecida pela decisão de piso. 14. Entretanto, a principal questão a ser enfrentada é a recepção de documento não entregue por meio digital, carreado aos autos como documento válido, pois que no momento de sua inclusão nos autos, devidamente numerado, tornouse documento devidamente recepcionado pela Administração Tributária. 15. O próprio julgador da DRJ enfrentou o problema ao afirmar “ Registro, de plano, que reputo correta a informação contida no ofício expedido pelo titular da ARF Cataguases quando vem dizendo que "tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados". Diante desse quadro, devo registrar que a ação, do mesmo servidor, de juntar ao processo os documentos dos quais informara que não tomaria conhecimento colide frontalmente com o disposto no diploma regulador e com a própria conclusão estampada no ofício. Ora, não se junta ao processo documento do qual não se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a atitude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. Temos então os seguintes fatos: a ciência do Despacho Decisório se deu em 22/06/2016; a postagem da Manifestação de Inconformidade se deu em 22/07/2016 e a apresentação, da mesma peça de defesa, na forma preconizada pela Instrução Normativa RFB n° 1.412/2013 se deu em 17/11/2016. Lembrando que esta última somente foi apresentada após a recepção do ofício expedido pelo titular da Agência da RFB em Cataguases, fato que nos permite concluir que o procurador da requerente ignorava a regra que estabelecia que a apresentação da manifestação de inconformidade deveria ser por meio eletrônico (digital). “ 12. Correto o julgador ao afirmar que não se junta ao processo documento do qual n~çao se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a titude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. 13. Entretanto, a contrario sensu, o documento foi efetivamente recepcionado e consta presente nos autos, e mais, foi entregue, mesmo que por via postal, tempestivamente, o que garante ao requerente que o documento seja analisado in totum. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10640.901276/201510 Acórdão n.º 3301005.983 S3C3T1 Fl. 6 5 14. Verificase, também, que, após a ciência do ofício emitido pela Agência da Receita Federal, a impugnante apresentou o mesmo documento, e seira claramente intempestivo, pois o ofício que comunicou a não aceitação da manifestação de inconformidade foi enviado após o transcurso de prazo legal para a apresentação da citada manifestação. 15. Desta forma, temos que o impugnante teve conhecimento do Despacho Decisório em 04/07/2016, apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2016, portanto tempestivamente, recebeu um ofício da Administração Tributária em 13/10/2016, comunicando lhe que não seria aceita sua manifestação de inconformidade pois que não entregue em meio digital, contrariando regra normativa em vigor e que poderia ser providenciada a apresentação, mesmo que intempestivamente, da manifestação de inconformidade, de forma digital de acordo com o ato normativo. Foi o que a impugnante fez. Apresentou sua manifestação de inconformidade, de forma digital, em 16/11/2016, intempestivamente, que não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento, pelo mesmo motivo, intempestividade 16. Diante destes fatos, entendemos que dois fatos são extremamente relevantes para o deslinde da questão : um a juntada aos autos de documento que declaradamente foi considerado não recepcionado, dois a informação dada ao impugnante, de que poderia ser apresentada mesmo que intempestivamente a manifestação de inconformidade. 17. Estes dois fatos analisados conjuntamente trazem a convicção de que houve ferimento ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, insculpido no inciso LV da Constituição Federal de 1988, que estabelece ; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 18. O princípio do contraditório é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há que ser ouvida a outra, dandolhe oportunidade de resposta. 19. Eivada, portanto, de nulidade a decisão de piso, pois que feriu o direito de defesa do impugnante ao não conhecer da manifestação de inconformidade, constante dos autos, devidamente recepcionada tempestivamente, Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10640.901276/201510 Acórdão n.º 3301005.983 S3C3T1 Fl. 7 6 incidindo no disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 19. Portanto, diante de todo o exposto, entendemos que deva ser analisada a manifestação de inconformidade apresentada, pois que tempestiva. Conclusão 20. Neste norte, voto pela nulidade do Acórdão DRJ, devendo ser os autos devolvidos á DRJ/JUIZ DE FORA para que emita novo Acórdão, analisando a manifestação de inconformidade apresentada, decidindo seu mérito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e determinar a realização de um novo julgamento, enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009530/2007-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - RECIBOS - AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - RECIBOS - AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 95 30 /2 00 7- 89 Fl. 139DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 59 a 65), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 11.371,72, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 58 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: > mesmo diante da apresentação de todos os documentos solicitados, o impugnante surpreendeuse com o recebimento deste auto de infração intimandoo a recolher o valor do imposto de renda suplementar; > com a finalidade de saber a motivação da recusa do auditor que analisou os documentos apresentados e os desconsiderou, solicitou vistas do processo e cópia do mesmo, tendo o pedido sido negado sob a alegação de inexistência de qualquer processo em face do autuado; > requer a abertura de novo prazo de defesa após vista do processo administrativo fiscal, sob pena de violação dos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa (art. 5°, LV, da CF/88); > aduz violação dos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência, razoabiliadade, motivação e segurança jurídica pelo fato do auditor fiscal não ter motivado a recusa dos comprovantes apresentados, bem como ter lavrado autuação com imposição de imposto suplementar sem permitir o acesso do contribuinte ao processo administrativo fiscal para apresentar sua defesa; > requer a nulidade do processo pelos motivos expostos; A impugnação foi apreciada na 8ª Turma da DRJ/SPOII que, por unanimidade, em048/05/2009, no acórdão 1731.471, às efls. 90 a 104, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 112 a 134, alegando, em síntese, que: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.009530/200789 Acórdão n.º 2002000.888 S2C0T2 Fl. 140 3 · apresentou todos os documentos solicitados pela fiscalização e que comprovam as despesas médicas; · que lhe fora negado o acesso a cópia dos autos; · que a autuação feriu os princípios da legalidade, moralidade, eficiência e segurança jurídica; · que há vícios na decisão de piso, pois não foram analisados todos os documentos juntados; · que vários de seus direitos foram lesados, como de regular intimação, produção de provas, interposição de recursos, dentre outros; · que o documento de fls. 22 não foi analisado, posto que deve ser concedida ao contribuinte a reabertura de prazo para apresentação das defesas administrativas. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 17/06/2009, efls. 110, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 16/07/2009, efls. 112, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Desde a impugnação apresentada o contribuinte alega violação aos princípios da moralidade, razoabilidade, legalidade, segurança jurídica, ainda, genericamente, sustenta que tanto o auto de infração, quanto a decisão de piso contem vícios. Ainda, sustenta que não fora regularmente intimado e que lhe fora negado acesso aos autos do presente processo administrativo. Razão não lhe assiste. O lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituiu o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 141DF CARF MF 4 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ainda, o auto de infração contem todos os requisitos elencados no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ainda, todo o iter do processo administrativo fiscal está transcorrendo nos estritos limites da legalidade, vez que, o contribuinte fora intimado para se manifestar tanto mediante apresentação de impugnação ao auto de infração,quanto da decisão da DRJ, mediante Recurso Voluntário, que, neste momento, está sendo objeto de apreciação, conforme se vê pelos artigos 15 e 33 do Decreto nº 70.235/72, aqui colacionados: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Logo, não há que se falar em violação a qualquer princípio constitucional, tampouco a vícios no processo administrativo e sequer a reabertura de prazos para apresentação de novas peças de defesa. Passase a análise das despesas médicas glosadas. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.009530/200789 Acórdão n.º 2002000.888 S2C0T2 Fl. 141 5 Foram glosadas despesas médicas no importe de R$34.884,00, das quais a DRJ afastou o valor de R$6.420,00 como se vê: À vista dos documentos apresentados nesta impugnação, é de se restabelecer apenas parte das despesas médicas efetuadas pelo autuado, no valor de R$ 6.420,00, com base no comprovante de pagamentos emitido pela Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico, anexado as fls. 22, ficando o demonstrativo de Glosas Lançadas pela Fiscalização da seguinte forma: Mantida as demais glosas com a deduções de despesas médicas, no valor de R$28.464,00. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 143DF CARF MF 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.009530/200789 Acórdão n.º 2002000.888 S2C0T2 Fl. 142 7 Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente Fl. 145DF CARF MF 8 habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.009530/200789 Acórdão n.º 2002000.888 S2C0T2 Fl. 143 9 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Contudo, o contribuinte, às efls. 46 a 58, colaciona recibos ilegíveis e que não cumprem os requisitos legais, motivo pelo qual a glosa das despesas médicas devem ser mantidas, conforme decisão de piso: Tal dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Em principio, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, desde que contenha os requisitos essenciais previstos em lei. Essa é a regra. Com a impugnação o contribuinte apresenta documentos As fls. 22/29, que após análise dos mesmos por esta autoridade julgadora, concluise que os recibos dos profissionais Kleber de Almeida Ribeiro e Luciana Delbuono Latorieri não podem ser aceitos para fins de dedução do imposto de renda devido, a vez que estes não contêm todos os requisitos previstos pela legislação tributária. Fl. 147DF CARF MF 10 Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720790/2018-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos recebidos pela contribuinte no período de abril a dezembro de 2014.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos recebidos pela contribuinte no período de abril a dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 07 90 /2 01 8- 42 Fl. 57DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 23 a 26), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.601,02, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 18 dos autos, que conforme decisão da DRJ: IMPUGNAÇÃO BENEDITA GLORIA CARVALHO, residente a Rua: RIO GRANDE DO SUL, N° 268, CEP:14055530, Bairro: Ipiranga, Município: RIBEIRÃO PRETO SP, CPF/MF 084.358.25884, não se conformando com o auto de infração/Notificação de Lançamento acima referido, do qual foi notificado em 07/03/2018, vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõem o art. 15 do Dec. 70.235/72, apresentar sua impugnação, pelos motivos de fato e de direito que se seguem (art. 16, inciso II do Dec.70.235/72): I OS FATOS O Contribuinte, recebeu o termo de Intimação Fiscal 2015/205639923793181, para apresentar comprovantes de todos os rendimentos recebidos e seus dependentes. Em decorrência do aguardo dos Latidos das Perícias, (Prefeitura Municipal de Rib. Preto e do SPPREV PREV), solicitei uma prorrogação de prazo para apresentação dos laudos Periciais das fontes Pagadoras (Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto SP, SPPREV PREV. São Paulo), onde ambos os Laudos declaram Neoplasia Maligna, portanto, seus rendimentos de aposentadoria recebidos pela fonte pagadora estão isentos do Imposto Renda, por se tratar de moléstia grave, atestado desde do ano de 2014.0s documentos apresentados (Laudos Periciais) e os esclarecimentos na entrega da documentação da intimação fiscal 2015/205639923793181 em 05022018, não foram observados pelo auditor fiscal, e, mesmo com documentos provatórios e dentro da legislação do imposto como isento, lavrou um lançamento debito fiscal por omissão de receita para contribuinte. II O DIREITO II. 1 PRELIMINAR O contribuinte diante dos laudos periciais emitidos por Serviço Médico Oficial, para as Fontes Pagadoras, com o diagnostico Neoplasia Maligna desde 2014. e, juntou na entrega dos documentos e o esclarecimento para intimação fiscal 2015/205639923793181 em 05022018, portanto, o Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10840.720790/201842 Acórdão n.º 2002001.019 S2C0T2 Fl. 58 3 Contribuinte tem o direito à Isenção do Imposto de Renda por motivos de Moléstia Grave por Neoplasia Maligna, não foram observados pelo Auditor Fiscal, trazendo um ônus indevido ao contribuinte. II. 2 — MÉRITO (Inciso 111 e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) A Notificação de Lançamento 2015/284451463417786,0 contribuinte foi autuado por omissão de Fonte Pagadora: Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, constante no lançamento do débito fiscal , portanto, o mérito está na insubsistência, da forma e o conteúdo do cálculo produzido e seu Auto de Notificação Débito Fiscal, lavrado do débito pela Omissão de Receita Tributada de uma das Fontes Pagadoras, acima identificada pelo contribuinte, os documentos apresentados , altera inclusive da obrigação de declarar ao imposto renda, embasamento legal no direito à Isenção do Imposto Renda sobre todas as fontes pagadoras, sendo comprovados pelo diagnostico e 2014 e pelos Laudos Periciais Oficiais como de Moléstia Grave e apresentados junto com a intimação em 05022018, isto, anula pôr completo o lançamento do débito fiscal apurado, como houve a entrega da declaração 2014/2015 e ainda o contribuinte aguardava a confirmação dos seus direitos sobre Isenção de pagar imposto de renda, e diante da notificação de Malha FINA recebida, o contribuinte não pode retificar ou anular sua declaração feita a época, somente a autoridade fiscal pode modificar a declaração entregue. O Auditor Fiscal após a Intimação em 27 de novembro de 2017 e como uma prorrogação de prazo de 50 (dias) para entrega de Informe de Rendimento e dos Laudos Periciais, para sua análise da documentação comprovando o legitimo embasamento legal para corrigir o Imposto Renda do Contribuinte, nesta situação o Auditor Fiscal não levou em consideração estes Laudos Periciais e a própria legislação da Isenção da retenção como dos pagamento do Imposto de renda complementar sobre os seus rendimentos de 2014, a ' Lei diz que todos os proventos de aposentadorias, comprovando a Moléstia Grave são Rendimentos Isentos do Imposto de Renda a partir da constatação e diagnóstico médico da doença, aplicando a legislação, sua base do cálculo do Imposto de Renda será igual a zero a pagar , e, a própria multa aplicada sobre a base zero de Imposto Renda a pagar, não existe, a notificação do debito fiscal tem um erro formal e do conteúdo autuado , e , com as devidas correções e aplicando a isenção aos seus Rendimentos de Aposentadoria o Contribuinte passa a ter o direito de receber os valores retidos do IRRF da Fontes Pagadoras, ao invés de pagar e sofrer sanções omissão de receita. III. 2 A CONCLUSÃO Fl. 59DF CARF MF 4 À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, assim como a devolução do imposto retido na fonte, como os pagamentos feitos como complemento do período." A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR e, por unanimidade, em 04/06/2018, no acórdão 0843.312, às efls. 31 a 35, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 43 a 53 no qual alega, em síntese, que é portadora de neoplasia grave desde 2014 e que seus rendimentos são provenientes de aposentadoria, e, portanto faz jus a isenção prevista na legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 13/06/2018, efls. 40, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/07/2018, efls. 43, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sendo ratificado pela DRJ, nos seguintes termos: A omissão de rendimentos apurada é relativa aos rendimentos recebidos da fonte pagadora MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO, referente a trabalho assalariado. De acordo com a legislação supra transcrita somente são isentos os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, sendo os demais tipos de rendimentos recebidos tributáveis. Assim, os rendimentos do trabalho assalariado são tributáveis e devem ser trazidos ao Ajuste Anual. No presente caso, conforme comprovante às fls. 11, os rendimentos informados na DIRF pela fonte pagadora são de trabalho assalariado código 0561. A isenção por moléstia grave somente se aplica aos rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Não consta dos autos documentos comprovando a data da aposentadoria da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10840.720790/201842 Acórdão n.º 2002001.019 S2C0T2 Fl. 59 5 Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Fl. 61DF CARF MF 6 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Há dois laudos emitidos, um às efls. 49, que atesta que a contribuinte é portadora de moléstia grave desde 01/2014. Já às efls. 51, há a declaração de que a contribuinte é portadora de neoplasia maligna desde 12/2014. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.720790/201842 Acórdão n.º 2002001.019 S2C0T2 Fl. 60 7 Como a DRJ se restringiu a analisar a concessão da moléstia grave apenas quanto ao requisito da origem dos recursos auferidos pela contribuinte, acolho o laudo mais benéfico, datado de 01/2014, pois ambos são oficiais e atendem os requisitos legais. Às efls. 50, há declaração da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e às efls. 53 há cópia do Diário Oficial, constatando que a contribuinte aposentouse em 03/2014, sendo que só a partir desta data, cumpriu todos os requisitos legais para o gozo da isenção. Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito darlhe parcial provimento, reconhecendo a isenção dos rendimentos do período de abril a dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.005805/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis.
Numero da decisão: 2402-007.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente FLÁVIO BORTOLUZZI COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 58 05 /2 00 9- 01 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 128 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/FNS, consubstanciada no Acórdão nº 0721.434 (fl. 104) que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Lançamento Por meio do Auto de Infração às folhas 44 a 50, foi exigida do contribuinte acima qualificado a importância de R$ 57.207,92 (cinquenta e sete mil e duzentos e sete reais e noventa e dois centavos) a título Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, acrescida de multa de oficio de 75% e dos encargos legais devidos na época do pagamento, referente ao anocalendário 2005, exercício 2006. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 46 a 48, e do Termo de Verificação Fiscal, fls. 40 a 13, a autuação se deu em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Detalha a autoridade fiscalizadora que a omissão de rendimentos foi caracterizada por valores creditados em contas bancárias do interessado, mantidas nas instituições financeiras Caixa Econômica Federal (ag. 1075, conta 01.4138, conta 013.364111, conta 013257854) e HSBC (ag. 1385, conta 0383074), em relação aos quais o contribuinte, intimado a comprovar a origem, apenas fez considerações genéricas. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 129 3 Dentre as justificativas apresentadas no procedimento fiscal, rebate a autoridade lançadora, no que tange a alegação de que movimentou recursos de sua mãe, que o próprio contribuinte afirma que tais recursos transitaram pela conta n° 2330 ag. 1075, da CEF, sendo que a movimentação verificada na referida conta não faz parte do rol de depósitos em relação aos quais foi intimado a justificar a origem. Quanto à alegação de que executou uma obra para a Caixa Econômica Federal, cujos valores relacionou em resposta à intimação, sustenta a fiscalização que não há como formar convicção de que os valores que foram depositados nas contas bancárias são os recursos que foram gastos na execução da referida obra. Para tanto seria necessário apresentar documentos comprobatórios, coincidentes em datas e valores, capazes de demonstrar que os recursos foram depositados por terceiros para a compra de materiais, e que efetivamente foram utilizados para pagar despesas de execução da obra da Caixa Econômica Federal. Acrescenta o Fiscal que o contribuinte, no exercício 2006, apresentou Declaração de Ajuste Anual de Isento, do que se depreende que seus rendimentos tributáveis no referido ano, foram inferiores a R$ 13.968,00, no entanto, sua movimentação financeira alcançou a quantia de R$ 252.146,49, e, não havendo qualquer comprovante capaz de demonstrar que os referidos recursos, depositados nas contas bancárias da Caixa Econômica Federal e HSBC no ano de 2005 são de natureza não tributável, ficando sujeitos ao lançamento de oficio como rendimentos omitidos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Foi apurado desse modo, a omissão de rendimentos no montante de R$ 228.335,00, correspondente aos depósitos de origem não comprovada listados às fls. 42 a 43. O autuado, em sua impugnação (fls. 53 a 56), discorda do auto de infração em tela, apresentando justificativa para as movimentações financeiras, abaixo sintetizadas: (1) Pagamentos identificados em relação ao projeto e execução de um prédio de alvenaria com 02 pavimentos, onde funciona atualmente a agencia da Caixa Econômica Federal, na Rua Nereu Ramos, s/n°. Centro, Imbituba, SC, de propriedade de Marcelo Menezes Moure e seu pai Maurício Costa Moure, contratada pelo regime de empreitada global com fornecimento de material e mãodeobra no valor de R$ 240.000,00, com taxa de administração de 10%, executada nos anos de 2004 a 2005: R$ 20.000.00 – Cred. TED em 12/04/2005 Las Vegas Hoteis Moteis Turismo (Mauricio Costa Moure e família); R$ 26.234,00 Cred. TED em 19/09/2005 por Mauricio Costa Moure; R$ 30.000,00 cheque depositado no HSBC Bank Brasil S/A por Mauricio Costa Moure. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 130 4 Esclarece que esses valores foram recebidos em face do contrato de execução de uma obra de alvenaria (atual agência da Caixa Econômica Federal) que foi executada em duas partes conforme mostram as ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) emitidas pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, a primeira com início em 03/2004 e conclusão em 05/2005 e a complementar com início em 07/2004 e conclusão em 05/2005. Esclarece que embora a baixa da ART foi dada em 05/2005, a obra foi concluída em dezembro de 2005. Relaciona depósitos em dinheiro referentes ao contrato, a fim de fazer prova do período de execução da obra, alegando que lhe foram entregues por Marcelo Menezes Moure, mas que não pode comprovalos pois não tem a posse dos respectivos recibos. Entretanto, pelas datas, diz haver uma grande evidência quanto à sequência dos depósitos mensais, com exceção dos meses de junho e julho de 2005, quando a obra foi paralisada: R$ 12.000,00 – depósito em dinheiro em 27/01/2005; R$ 10.000,00 depósito em dinheiro em 09/03/2005; R$ 15.000,00 ~ depósito em dinheiro em 09/03/2005; R$ 20.000,00 Cred. TED em 12/04/2005; R$ 3.000,00 depósito em dinheiro em 04/05/2005; R$ 1.000,00 depósito em dinheiro 28/07/2005; R$ 17.200,00 depósito em dinheiro em 08/09/2005 para pagamento do mês de agosto; R$ 26.234,00 créd TED em 19/09/2005; R$ 10.000,00 depósito em dinheiro em 02/12/2005 (após a conclusão da obra). Refere que apresenta documentos que comprovam a execução da obra, tais como ART’s, recibos de profissionais que trabalharam na obra, cópia do documento do terreno, histórico de dois créditos de TEF fornecidos pela CEF, foto da agência 100% edificada e histórico dos cheques (estes últimos não haviam sido entregues conforme solicitação do Fisco). Assevera que está fazendo o levantamento de outros documentos comprobatórios das suas alegações (obtenção de microfilmagem de cheques e de DRED(s), TED(s) junto à Caixa Econômica Federal). (2) Pagamentos identificados referentes à execução da obra de uma casa de alvenaria de 174,00 in2, com 02 pavimentos, na rua Quintino Bocaiúva, Centro, em Imbituba SC, de propriedade de Maria José Pitigliani Vieira, casada com Dinorah Flaviano Vieira, sendo o valor da obra contratada de R$ 134.000,00 conforme ART, no regime de empreitada global, com Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 131 5 fornecimento de material e mãodeobra, cujo início foi em 2005 e término em 2006, com taxa de administração de 10%: R$ 17.000,00 cheque do Banco do Brasil, depósito em conta corrente n° 0383074 agência 1385 HSBC Bank Brasil S/A: documento fornecido pelo HSBC e coletado o nome da fonte pagadora no Banco do Brasil, qual seja Dinorah Flaviano Vieira, advogado, funcionário do INSS em Florianópolis. Menciona que a ART n° 23479115 comprova a relação do proprietário dessa obra com o impugnante, na qualidade de responsável técnico, e que apresenta todos os recibos da mão deobra empregada na execução. Diz que não foi possível apresentar outros documentos, tais como cópias de cheques do Sr. Dinorah Flaviano, devido à demora da CEF em fornecelos, mas, assim que disponibilizados, poderá identificar a obra e os valores pagos. Por outro lado, esclarece que todos os pagamentos da construção da casa foram efetivados com cheque do Banco do Brasil e, na grande maioria da CEF. Na conclusão, assevera que como profissional liberal da área da construção civil, não possui outros rendimentos a não ser os apresentados, os quais comprovam sua relação com os proprietários das respectivas obras, especialmente as ART(s) Anotação de Responsabilidade Técnica do CREA SC, que possuem fé pública e servem como contrato entre o profissional e proprietário, onde são informados os valores da obra ou serviços, além dos cheques de pagamento de Mauricio Costa Moure (obra da CEF), e Dinorah Flaviano Vieira (obra residencial de Maria José Pitigliani Vieira). Reafirma que nos serviços desta natureza é cobrada uma taxa de Administração de 10% sobre o valor global de material e mãodeobra. Quanto às notas fiscais de compra de materiais para as obras acima citadas, esclarece que não foi possível apresentalas, pois os proprietários das lojas de material de construção informaram que não possuem mais as notas fiscais do período de 2005, mas se comprometeram a fornecer uma declaração nesse sentido, caso necessária, informando que as lojas seriam: Figueiredo Materiais de Construção, Cimenfort Materiais de Construção e Concretar. Anexou, com a impugnação, os documentos de fls. 57 a 87. A fl. 91, o interessado requer a juntada de documento complementar, anexado a tl. 92. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0721.434 (fl. 104), conforme ementa abaixo reproduzida: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 132 6 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não podem ser considerados, para efeito de lançamento dos rendimentos omitidos, quanto às pessoas físicas, os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do anocalendário, não supere a R$ 80.000,00. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESUNÇOES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUICAO DO ONUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 120/121, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme se infere do relatório supra, tratase, o presente caso, de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Recorrente, reiterando os termos da impugnação apresentada, sustenta, em síntese, que os créditos identificados em suas contas bancárias decorrem de contratos de obra de construção civil, sendo parte correspondente aos honorários devidos ao contribuinte em razão do acompanhamento da obra e parte correspondente ao pagamento de mãodeobra e materiais de construção. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 133 7 Com vistas a comprovar o quanto alegado, o contribuinte trouxe aos autos junto com a impugnação apresentada, recibos emitidos por profissionais autônomos, Avisos de Responsabilidade Técnica (ART), alguns comprovantes de transferência bancária em seu favor e, já com o recurso voluntário, declarações do senhor Marcelo Menezes Moure e da senhora Maria José Pitigliani Vieira que declaram expressamente que mantiveram contrato de prestação de serviços de elaboração de projeto e execução de obra, onde os depósitos realizados na conta do ora recorrente referemse a 10% a título de honorários e o saldo remanescente referese ao pagamento de mão de obra e materiais de construção. A DRJ, por seu turno, concluiu que a luz do que dos autos consta, verificase claramente que o contribuinte não levou a efeito o ônus que lhe cabia, ou seja, não trouxe nenhuma documentação, coincidente em data e valor, comprobatória da origem de cada um dos valores em questão. E, em relação aos dois depósitos cujos depositantes foram identificados, não comprovou a origem dos depósitos. Não há reparos a serem feitos na decisão de piso neste particular. De fato, apesar de a narrativa do contribuinte guardar uma coerência lógica em si, os documentos apresentados, entretanto, não a respaldam. No que tange aos recibos apresentados, por exemplo, de fls. 62 a 74, verifica se que, apesar de terem sido emitidos, em tese, por profissionais autônomos distintos, todos possuem a mesma caligrafia. Tais recibos, pela narrativa do contribuinte, teriam sido emitidos por profissionais autônomos em nome do Recorrente já que este, por sua vez, estaria com o dinheiro na sua conta corrente, depositado pelo “dono” da obra, justamente para essa finalidade: pagamento de material e mãodeobra. Ocorre que, tratandose de valores relevantes, é de se imaginar que os referidos pagamentos – aos profissionais autônomos – fossem realizados por meio de depósito ou transferência bancária, sendo certo que nenhum documento foi apresentado neste sentido. Outro fato que chama atenção ainda em relação aos susosditos recibos, diz respeito ao período de referência dos mesmos. No recibo de fl. 65, por exemplo, o pagamento se refere ao período de março/2004 a maio/2005. Ora, se o recibo se refere a pagamentos realizados em 14 meses, podese concluir que: (i) o referido recibo somente foi emitido ao final do período e (ii) durante os 14 meses, o profissional autônomo recebeu pagamentos mensais sem emitir qualquer documento de quitação, o que é de se estranhar. Por fim, mas não menos importante, não há qualquer correlação de data e valores entre os créditos identificados pela fiscalização e os montantes consignados nos referidos documentos de quitação. No que tange aos Avisos de Responsabilidade Técnica (ART), documento mais relevante, de acordo com a narrativa do Contribuinte, com vistas a justificar a origem dos recursos identificados em suas contas, verificase que melhor sorte não assiste ao Recorrente. Primeiro porque não há qualquer vinculação / correlação entre os créditos identificados pela fiscalização com os referidos documentos, trazendo apenas valores globais das obras. Segundo porque, tal como parte dos recibos, o período abrangido pelos ART’s ultrapassa um anocalendário. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 134 8 Ademais, é de se estranhar o fato de não existir nenhum contrato celebrado entre as parte envolvidas, objeto dos aludidos ART’s, tal como confirmado nas declarações apresentadas pelo Contribuinte junto com o recurso voluntário. Não se deve olvidar que as obras em questão, segundo afirmado pelo próprio Recorrente, envolvem valores superiores a R$ 130 mil e R$ 240 mil, pelo que, repitase, é de se estranhar o fato de que os donos das obras mantiveram contrato verbal de prestação de serviço de elaboração de projeto e execução de obra, inexistindo qualquer outro documento, além dos referidos ART’s. Neste contexto, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Em análise aos argumentos do contribuinte, impõese, de início, esclarecer que a incidência do imposto de renda sobre a omissão de rendimentos evidenciada pelos depósitos bancários com origem não comprovada tem embasamento legal no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter seão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (...) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 135 9 Extraise do dispositivo legal acima transcrito que a presunção legal em favor do Fisco lhe impõe tão somente 0 ônus de comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento do contribuinte e transfere a este o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos por meios hábeis e idôneos. O dispositivo legal, ao mesmo tempo em que impõe e delimita o ônus probatório do Fisco, também o faz em relação ao contribuinte; para fins de elidir a imputação a lei lhe atribui o ônus não só de justificar a origem dos recursos, mas de fazêlo de forma individualizada, em relação a cada um dos depósitos bancários. Isso por que, especificamente quanto aos critérios de apuração da omissão, o §3° supra transcrito determina que para se apurar o montante tributável deve ser feita a análise individualizada de cada um dos depósitos, e, em assim sendo, por óbvio que deve a contribuinte apresentar documentação comprobatória da origem também de forma individualizada, coincidente em data e valor, de cada um dos ingressos efetuados em sua conta bancária, para afastar a tributação imposta. Conforme consta dos autos, mediante o Termo de Início do Procedimento Fiscal datado de 01/06/2009 foi instaurado o procedimento fiscal, tendo em vista constar nos sistemas da RFB a informação de que, no ano de 2005, o contribuinte apresentou movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Em 02/06/2009 foi enviado ao contribuinte o Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal n° 309/09 (fls. 03 e 04), solicitando extratos bancários de todas as contas correntes, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança por ele mantidas em instituições financeiras, no ano de 2005. O contribuinte tornou ciência da intimação acima referida em 12/06/2009 (AR de fl. 05), na qual lhe foi concedido prazo de 20 dias para o atendimento, no entanto, somente em 21/07/2009 apresentou ele manifestação (fl. 33), acompanhada dos extratos bancários solicitados. À vista dos extratos apresentados às fls. 20 a 67, a Fiscalização intimou o contribuinte (vide Termo de Intimação n° 001, l1s. 68 a 73) a apresentar documentação hábil e idônea, comprobatória da origem dos depósitos listados no citado termo. Em atenção, o contribuinte encaminhou à fiscalização a manifestação de fl. 75, onde informou que por motivos alheios a sua vontade não logrou êxito, até aquela data, em apresentar a totalidade dos documentos solicitados, em virtude do elevado lapso de tempo entre a data da fiscalização e o anocalendário objeto do questionamento, bem como da dependência em obter junto à instituições financeiras e escritórios as respectivas informações. Como o contribuinte nada apresentou à fiscalização a fim de comprovar a origem dos créditos em suas contascorrentes, a autoridade lançadora efetuou o lançamento do imposto devido Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 136 10 com base nas informações fornecidas pelo próprio contribuinte, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Nestes termos, restou cumprido o ônus atribuído à Fazenda Pública, que era o de identificar os depósitos bancários de origem não comprovada, e de intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar. Por seu turno, os argumentos do impugnante e documentos apresentados junto à peça de defesa não foram suficientes para afastar a presunção juris tantum, uma vez que não justificaram a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, sendo necessária a vinculação, por meios hábeis e idôneos, destes rendimentos com cada um dos depósitos, como passo a analisar. Com efeito, o interessado comprovou nos autos ser o responsável técnico pela execução da obra de construção civil de propriedade de Marcelo Menezes Moure, sita a Rua Nereu Ramos, s/n, Centro, em Imbituba (SC), por meio das ART de fls. 73 e 74. A ART de t1. 73 possui data de início em 22/03/2005 e baixa em 13/05/2005, com prazo de execução previsto de 01/03/2004 a 15/12/2004, sendo de R$ 0,00 o valor da obra/serviço e de R$ 5.000,00 o valor dos honorários. A segunda ART (complementar) tem como data de entrada 30/07/2004 e baixa 11/05/2005, com prazo de execução previsto de 01/08/2004 a 11/11/2004, nela constando que o valor da obra/serviço seria de 110.000,00 e o valor dos honorários R$ 1.000,00. Apresentou também, a fl. 72, a ART referente à contratação da obra de Maria José Pitigliani Vieira, na Rua Quintino Bocaiúva, Centro, em Imbituba (SC), com prazo de início de 10/09/2005 e término em 03/2006, constando o valor da obra de R$ 124.000,00, comprovando também ser o responsável técnico por essa obra. Outrossim, como dos autos extrai, o interessado alega que os valores que transitaram em suas contas bancárias junto ã Caixa Econômica Federal e HBSC se referem à execução das obras acima identificadas, e foram destinados às despesas com materiais e custo com a mãodeobra, e que somente 10% do valor dos contratos, portanto, do valor 'que teria transitado em suas contascorrentes, se refere à remuneração. Ocorre que, como não foram apresentados os contratos referentes à execução das duas obras, não é possível quanto ã veracidade de suas alegações, ou seja, qual o objeto da contratação uma vez que alega envolver o fornecimento de mãodeobra e o material, e, ainda, quanto a remuneração contratada em face da execução e administração da obra. De se esclarecer que a ART Anotação de Responsabilidade Técnica é o instrumento instituído pela Lei n° 6.496, de 07 de dezembro de 1977, e regulamentada pela Resolução n° 425, de 1998, com o objetivo de defini, para os efeitos legais, a autoria e os limites da responsabilidade técnica pela execução de obra ou Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 137 11 prestação de qualquer serviço de Engenharia, Arquitetura, Agronomia, Geologia, Geografia, Meteorologia. De acordo com o art. 1° da citada Lei, todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART). Assim, pela definição legal, a ART não equivale ou representa o próprio contrato de execução da obra, mas este está sujeito à anotação técnica mediante aquela. Assim, o fato de o interessado ter apresentado as ART acima descritas, embora constitua em indício da veracidade de suas alegações, não e suficiente, por si só, para comprovar a execução da obra, o objeto do contrato e os montantes envolvidos de fato na execução. Também pelos elementos que compõem os autos, não se pode aferir, com certeza, se o percentual dos rendimentos obtidos pelo interessado em razão da execução das citadas obras corresponde a 10% do valor contratado no regime de empreitada total. Portanto, o interessado não logrou êxito em vincular os rendimentos que lhe são atribuídos a pagamentos recebidos em decorrência da execução das obras citadas na impugnação. E, mesmo na hipótese de comprovar adequadamente que todos os depósitos foram efetivados pelos proprietários das obras, cumpriria ao mesmo demonstrar, ainda, qual a sua natureza, a fim de afastar o fato presuntivo (remuneração). Em outras palavras, cumpriria demonstrar que esses valores foram empregados nos custos da execução da obra. No entanto, não foram apresentados comprovantes de pagamentos repassados a fornecedores de materiais, que comprovassem que os valores pagos pelos proprietários em razão dos contratos que menciona transitaram em suas contas bancárias para arcar com os custos da execução das obras. Tocante aos recibos de pagamento de mãodeobra, fls. 57 a 69, embora se tratem de um indício de que os contratos envolviam o fornecimento da mãodeobra, também não são hábeis, por si só, para comprovar as alegações do interessado e afastar a presunção legal. Ademais, para que os valores consubstanciados nos recibos fossem excluídos da base de cálculo lançada, deveria haver correspondência entre as datas dos pagamentos recebidos em suas contas correntes com saques efetuados nas mesmas ou cheques, que comprovem o dispêndio, a fim se excluir da base de cálculo esse montante. Verificase ainda dos autos, que o interessado identificou os depositantes de alguns valores lançados. A il. 70 comprovou a transferência de R$ 26.234,00, debitado de Maurício C. Moure para Flavio B. Costa, valor esse coincidente com aquele apurado pela autoridade lançadora na tabela de fl. 42, creditado na conta corrente da CEF em 19/05/2005. Todavia, não é possível vincular esse pagamento com despesas necessárias a alegada obra de construção civil. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 138 12 O segundo histórico de transferência comprovado se refere ao depósito debitado de Lãs Vegas Hotéis e Motéis e Turismo e creditado para Flavio Bortoluzi Costa (fl. 71), no valor de 20.000,00, não havendo comprovado a natureza do pagamento (no caso, a execução de obra de responsabilidade do interessado) ou vinculação à despesas referente à obra da CEF como informado na impugnação. Os demais documentos apresentados pelo interessado também não se prestaram a comprovar a origem dos rendimentos. Os extratos de consultas gerais do HSBC Bank Brasil S.A., fls. 76 a 78 e 80 a 85, não identificam a origem do depósitos, apenas a conta do depositante/origem do cheque, supostamente efetivados por Maurício Costa Moure e Dinoráh Flaviano Vieira/Maria José Pitigliani Vieira. O orçamento de construção apresentado à fls. 75, referente ao empreendimento Amiltom Pacheco Luiz (fl. 75), embora relacione custos de pavimentação e instalações, foi elaborado pelo próprio interessado e não comprova a contratação. O último documento apresentado, à fl. 92, comunicação da CEF, onde foram listados depósitos na conta corrente do interessado, também nada traz de novo a fim de elidir o lançamento. Portanto, a documentação apresentada pelo interessado com a impugnação não e hábil para comprovar que a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias, repisandose que é essencial que as provas estejam vinculados a cada um dos depósitos, coincidindo datas e valores, o que efetivamente não ocorreu. Há que se mencionar que o conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Portanto, a luz do que dos autos consta, verificase claramente que o contribuinte não levou a efeito o ônus que lhe cabia, ou seja, não trouxe nenhuma documentação, coincidente em data e valor, comprobatória da origem de cada um dos valores em questão. E, em relação aos dois depósitos cujos depositantes foram identificados, não comprovou a origem dos depósitos. Em assim sendo, reputase não justificada a origem dos créditos verificados em coma bancária do contribuinte e, portanto correta a caracterização destes valores corno rendimentos omitidos. Desta forma, demonstrado o fato presuntivo depósito de origem não comprovada provado está o fato presumido omissão de rendimentos por força de dispositivo legal, mais precisamente o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11516.005805/200901 Acórdão n.º 2402007.253 S2C4T2 Fl. 139 13 Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.721821/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2010
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Evidenciada a intenção de não dar conhecimento ao Fisco da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestá-las de forma inexata e ainda valer-se de fraude contratual, resta configurada a hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Numero da decisão: 2401-005.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2010 NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Evidenciada a intenção de não dar conhecimento ao Fisco da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestá-las de forma inexata e ainda valer-se de fraude contratual, resta configurada a hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Evidenciada a intenção de não dar conhecimento ao Fisco da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestálas de forma inexata e ainda valerse de fraude contratual, resta configurada a hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 18 21 /2 01 1- 56 Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.426 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório PROTEGE MEDICINA EMPRESARIAL E ASSISTENCIAL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.427 3 referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0732.862/2013, às efls. 1.618/1.635, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, além de multas por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/2006 a 07/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 170/189 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos Autos de Infração abaixo relatados: a) AIOA DEBCAD N° 37.342.1613 CFL 30 A empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço. b) AIOA DEBCAD N° 37.342.1605 CFL 68 A empresa deixou de informar em GFIP os segurados empregados relacionados no Anexo I, e os segurados contribuintes individuais discriminados no Anexo II e III. c) AIOA DEBCAD N° 37.342.1621 CFL 69 A fiscalizada informou incorretamente os valores das retenções sofridas, de acordo com os Anexos VI e VII. d) AIOA DEBCAD N° 37.342.1630 CFL 85 A empresa, dedente de mãodeobra, elabora a GFIP sem distinção dos tomadores/contratantes dos serviços. e) AIOP DEBCAD N° 37.348.4003 PARTE PATRONAL Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal, em relação ao segurado empregado e contribuinte individual, o exercício da atividade remunerada. Verificase que o contribuinte deixou de declarar em GFIP os fatos geradores abaixo discriminados: I. Remuneração de Contribuinte Individual Levantamento CI No Levantamento CI, desdobrado em CI1 e CI2 devido enquadramento da multa mais benéfica, estão lançadas remunerações realizadas a segurados contribuintes individuais por serviços prestados, relacionados no Anexo II, verificados nas folhas de pagamentos e recibos apresentados, fatos geradores que não foram informados em GFIP. II. Remuneração de COntribuinte Individual Levantamento CT O levantamento CT, desdobrado em levantamentos CT1 e CT2 para adequar ao enquadramento da multa mais benéfica, referese a prestação de serviços cujo os pagamentos foram feitos a título de consultas medicas, assistência contábil, serviços de terceiros, pessoas físicas e honorários. III. Remuneração de Segurados Empregados Levantamento SE O levantamento SE, desdobrado em levantamentos SE1 e SE2 para adequar ao enquadramento da multa mais benéfica, estão lançadas as remunerações dos segurados empregados relacionados na folha de pagamento da empresa, que não foram declaradas em GFIP. IV Glosa de Compensação Levantamento GL Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.428 4 O contribuinte, prestador de serviçõs por cessão de mãodeobra, teve retido as contribuições previdenciárias previstas na Lei 9.711/98, declarou em GFIP e compensouse de forma irregular conforme demonstrado no anexo VI. f) AIOP DEBCAD N° 37.342.1680 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO A empresa ou equiparado é responsável pelo recolhimento das contribuições arrecadadas mediante desconto da remuneração paga, devida ou creditada dos segurados empregados e das contribuições arrecadadas mediante desconto do respectivo salário de contreibuição do segurado contribuinte individual que lhe presta serviço. g) AIOP DEBCAD N° 37.342.1648 CONTRIBUIÇÃO DESCONTADO DO SEGURADO A contribuinte descontou, não declarou em GIFP e não recolheu as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais. h) AIOP DEBCAD N° 37.348.3996 CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS Este lançamento referese às contribuições ao SESC, SENAC, FNDE, INCRA e SEBRAE, com base na remuneração aos segurados empregados. Consoante se infere do Relatório Fiscal o objeto da sociedade fiscalizada é medicina do trabalho, engenharia e segurança do trabalhador, fonoaudiologia, fisioterapia, atendimento de serviços médicos, laboratoriais, serviços auxiliares de diagnósticos e terapêuticos, pronto socorro, policlínica, plano de saúde, serviços de emergência médica e ambulância. No período fiscalizado a empresa prestou serviços médicos, laboratoriais, pronto socorro, medicina, engenharia e segurança do trabalho, etc, tendo como clientes órgãos públicos e empresas privadas. A empresa é responsável pelo atendimento do Sistema Único de Saúde SUS do Município de Santa Maria (RS), nas unidades de pronto atendimento; A auditoria foi motivada por demanda externa requisitória, Oficio SECRIM/PRM/SM 475/2009 Ministério Público Federal e Ofício OF/PRT4/SM/n° 247/2009 Ministério Público do Trabalho, que noticiaram a possível existência de crime de sonegação e apropriação indébita de contribuição previdenciária; A empresa fiscalizada utiliza a mão de obra de outras empresas para o cumprimento do seu objeto social, sendo isso o que se depreende dos contratos de prestação de serviços apresentados, cópias anexadas aos documentos comprobatórios da fiscalização e os registros contábeis que se reportam à prestação de serviços de pessoas jurídicas. Os prestadores de serviços executam serviços nas mais diversas atividades da empresa, desde atendimento médico, psicológico, odontológico, serviços nas áreas administrativas, informática e atividades auxiliares, além de serviços de manutenção e serventes; Dado este quadro, salienta a autoridade lançadora que, no entanto, um profissional médico, odontólogo, psicólogo, etc, sócio de empresa, que presta serviços através da empresa, também pode prestar serviços na condição de pessoa física, em razão de que buscouse identificar os prestadores e a forma de prestação de serviços referentes aos lançamentos contábeis relacionados, intimando a contribuinte a esclarecer os fatos. A empresa tentou, sem sucesso, comprovar que os serviços foram prestados por pessoa jurídica, eis que não apresentou as respectivas notas fiscais ou apresentouas referindose a período posterior ao que consta dos lançamentos contábeis que registraram o pagamento dos prestadores de serviços como pessoas físicas; Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.429 5 Aduz a autoridade autuante que a convicção de que pessoas físicas, e não empresas, foram os reais prestadores de serviços à empresa fiscalizada é reforçada pelo Contrato Social da Empresa Amol Atendimento Médico e Odontológico Ltda, onde o médico Tarcísio Sangoi da Silva consta como sócio, o Contrato particular para serviços médicos entre o mesmo médico e a empresa Protege e o contrato de Prestação de Serviços da Empresa Amol e a fiscalizada; Ademais disso, relata a fiscalização que a contribuinte apresentou recibos de pagamentos e GFIP informadas e transmitidas em datas posteriores à ciência do Termo de Inicio da Fiscalização. Mais precisamente, relata a autoridade autuante que, após receber a intimação para apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis relacionados no Termo de Intimação Fiscal de 24/02/2011, a contribuinte retificou as folhas de pagamento e as GFIP correspondentes, colimando incluir as informações omitidas e flagradas pela fiscalização. A presente ação fiscal teve início em 23/08/2010 e, assim sendo, os fatos geradores informados após esta data foram considerados como omitidos na GFIP. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis/SC entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.643/1.649, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, insurgese quanto a desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços, cuja atividade é privativa do poder judiciário. Afirma que, por se tratar de pessoa jurídica, as personalidades da sociedade e dos seus sócios não se confundem, só sendo possível sua descaracterização pelo juíz em caso de abuso da personalidade jurídica. Aduz que o Sr. Auditor ao descaracterizar a natureza jurídica das PJ prestadoras de serviços, para considerar seus sócios como empregados da recorrente, incorreu em flagrante equívoco e ilegalidade. Em outro plano, no que concerne à aplicação da multa de ofício qualificada, alega que não foi comprovada de forma inequívoca conduta dolosa da impugnante, não havendo dizer que esta estava planejando dolosamente efetuar conduta ilícita quando, efetivamente, guardava documentação completa de todas as transações pertinentes à sua atividade própria, bem como de toda a relação existente com todos os prestadores de serviço (pessoas físicas e jurídicas), ao que indaga que espécie de conduta dolosa pode ser atribuída à impugnante se esta mantém um registro perfeito da real situação da empresa, disponível (como o foi encontrado) à fiscalização, na hora em que o ente arrecadador assim entendesse por averiguar; Cita a disposição contida no inciso I do art. 112 do Código tributário Nacional (CTN) e discorre sobre a diferença entre o dolo e a culpa consciente, caso em que o agente, mesmo prevendo o resultado de sua conduta, não o aceita nem assume o risco de Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.430 6 produzilo, para concluir que, na dúvida, terseá de entender pela ocorrência de culpa no caso presente, e não de dolo, em face do princípio universal de que, na dúvida, há que se decidir em favor do réu; Em face dessas considerações, reclama ser descabida a aplicação da multa de ofício qualificada e contesta também o percentual de 150% da referida penalidade sob o prisma dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, ao argumento de que a penalidade pecuniária em percentual superior ao próprio tributo tem caráter totalmente confiscatório; Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Preambularmente cabe estabelecer o correto balizamento da presente lide. Para que seja caracterizado o litígio é necessário que a pretensão da Administração Tributária, consubstanciada nos Autos de Infração, seja resistida pela Recorrente. Sem resistência expressa não há que se falar em matéria litigiosa, conforme se depreende do Decreto 70.235/72. Como relato encimado, a contribuinte teve contra si o crédito tributário lançado devido a constatação de várias infrações, dentre elas: multas por descumprimento de obrigações acessórias (CFL 30, 68, 69 e 85) e obrigações principais relativas à parte patronal, segurados e terceiros e demais constatações. Conforme observase do Recurso Voluntário a contribuinte insurgese apenas quanto a impossibilidade (ilegalidade) da desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços pelo fiscal e quanto a multa qualificada por inexistir o dolo. Da mesma forma não iremos nos posicionar acerca do DEBCAD n° 37.342.1648, por ter sido objeto de desistência do recurso (parcelamento), devidamente apartado dos autos, conforme despacho de efls. 1.673/1.674. Dito isto, vamos nos ater apenas as questões da possibilidade da descaracterização da natureza jurídica das prestadoras de serviços e da multa qualificada. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA CARACTERIZAÇÃO SEGURADO ATIVIDADE INERENTE AO FISCO A recorrente insurgese quanto a desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços, cuja atividade é privativa do poder judiciário. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.431 7 Afirma que, por se tratar de pessoa jurídica, as personalidades da sociedade e dos seus sócios não se confundem, só sendo possível sua descaracterização pelo juíz em caso de abuso da personalidade jurídica. Aduz que o Sr. Auditor ao descaracterizar a natureza jurídica das PJ prestadoras de serviços, para considerar seus sócios como empregados da recorrente, incorreu em flagrante equívoco e ilegalidade. Pois bem! Questão central na solução do presente litígio repousa na verificação da possibilidade ou não da autoridade lançadora caracterizar a contratação de empregados sob a roupagem de pessoas jurídicas ou da utilização de pessoas jurídicas para complementação da remuneração de empregados. Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister . Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.432 8 Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002Código Civil. Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.433 9 Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (grifei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. No mesmo sentido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO– DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário. EMENTA Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.434 10 Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento. Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, que assim estabelece: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização da relação laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sem razão a recorrente. MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.435 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.436 12 Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Pois bem. Ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.437 13 falta de recolhimento da contribuição devida, tampouco meros indícios; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. Com efeito, como muito bem delineado no recurso voluntário, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%. A rigor, in casu, o que torna ainda mais digno de realce, é que a nobre autoridade lançadora NÃO COMPROVOU E ESPECIFICOU SOBRE A QUALIFICAÇÃO DA MULTA QUANTO A REAL CONDUTA DOLOSA OU FRAUDULENTA Da simples análise do Relatório Fiscal constatase que a fiscalização não trata em momento algum de aludido tema, deixando, portanto, de justificar de maneira clara e fundamentada a aplicação da multa qualificada. Ora, independentemente do entendimento de cada julgador ou autoridade fazendária a respeito do mérito de aludida demanda, não se pode admitir que o Fisco atribua crime de sonegação fiscal, a partir da qualificação da multa, sem que tenha escrito sequer uma linha sobre o tema, de maneira a motivar sua conclusão, demonstrando a eventual conduta dolosa da contribuinte. E muito menos em meras suposições ou achismos. Esse procedimento, além de macular o regramento para adoção da multa imposta, representa uma verdadeira preterição do direito de defesa da contribuinte, que sequer tem conhecimento do que lhe está sendo atribuído, impossibilitando sua defesa. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a qualificadora da multa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Voto Vencedor Conselheiro Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.438 14 Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relator apresenta suas razões, pretendo demonstrar as razões da minha discordância quanto ao julgamento de mérito da matéria ora submetida. MULTA QUALIFICADA A conduta dolosa do contribuinte foi ampla e claramente descrita pela autoridade lançadora no seu Relatório Fiscal, bem como assim comprovada pelos documentos anexados ao mesmo. Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado às fls. 170, a auditoria foi motivada por demanda externa tanto do Ministério Público Federal como do Ministério Público do Trabalho que noticiam a possível existência de crime de sonegação e apropriação indébita. Às fls 174 do seu Relatório FiscalRF, a autoridade lançadora informa que a fiscalização buscou identificar os prestadores e a forma de prestação de serviços referentes aos lançamentos relacionados, mas, intimado o contribuinte não conseguiu comprovar que tais serviços foram prestados por Pessoas Jurídicas e não Pessoas Físicas. Ao contrário. O que a fiscalização conseguiu constatar é que existem profissionais que tem contrato com a fiscalizada tanto como titular de Pessoa Jurídica bem como Pessoa Física, a exemplo do médico Tarcisio Sangoi da Silva, cujo contrato particular para prestação de serviços médicos foi apresentado pela própria autuada no decorrer da ação fiscal e anexado aos autos. Às fls. 175 do seu relatório, a autoridade lançadora informa que a própria autuada admite não ter incluído trabalhadores na GFIP, devido a falta de informação do PIS (conforme seu esclarecimento 4 às fls. 225), o que, obviamente, não é justificativa para o descumprimento da lei, omitindo informações. Às fls. 176 do Relatório Fiscal, consta que, após receber a intimação para apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis indicados no Termo de Intimação Fiscal TIF de 24/02/2011, o contribuinte retificou as folhas de pagamentos e as GFIP correspondentes, visando incluir as informações omissas e flagradas pela fiscalização, deixando clara a consciência da ilicitude por parte do contribuinte. Além disso, a autoridade lançadora informa que a empresa fiscalizada deixou de informar em GFIP segurados empregados e segurados contribuintes individuais (fls 177 do Relatório Fiscal) e que os valores declarados na GFIP a título de retenção na fonte sofrida pela fiscalizada estão em desacordo com os valores da contabilidade e das Notas Fiscais de Serviço (fls. 178). Como se não bastassem tais omissões de informações bem como informações inexatas por meio da GFIP, a autoridade lançadora detectou, conforme relata às fls. 182, que a fiscalizada descontou, mas não declarou em GFIP e nem recolheu as contribuições de segurados empregados e dos contribuintes individuais. Ora, constitui obrigação da empresa recolher contribuições arrecadadas mediante desconto da remuneração paga aos segurados empregados ou contribuintes individuais, sob pena, inclusive, de incorrer em apropriação indébita. Vale ressaltar que o tipo penal de apropriação indébita, de acordo com o entendimento Superior Tribunal de Justiça STJ, prescinde de comprovação do dolo Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.439 15 específico, estando o núcleo do delito centrado no "deixar de repassar", sendo desnecessária para caracterização do delito a comprovação do fim específico de apropriarse dos valores destinados à Previdência Social (REsp 1.266.880/SE, Relatora Ministra Regina Helena Costa). E mais. No item "I Aferição Indireta", a autoridade lançadora descreve a conduta fraudulenta na simulação contratual com empresa Multi Serviço de Processamento de Dados Ltda, pois verificou, dentre outros elementos, que o contrato tem data anterior à existência da própria empresa Multi, cuja sócia administradora Sra. Maria Aracy Azevedo Ortiz declara que a sua empresa somente presta serviço a autuada e que os funcionários declarados na GFIP da Multi eram originalmente funcionários da autuada sendo transferidos para a Multi sem rescisão contratual com a empresa de origem. Há, inclusive depoimentos de funcionários que foram contratados pela autuada e demitidos pela Multi, sendo que sempre prestaram serviço a autuada. Ressaltese que, na contabilidade da Multi Serviços, empresa contratada pela autuada, não há lançamentos de despesas de luz, água, telefone, aluguéis, material de expediente, etc e que, no endereço declarado pela Multi, foi encontrada outra empresa distinta, estabelecida há mais de um ano, e que todos os contatos estabelecidos com a sócia administradora, sra. Maria Aracy, ocorreram na sede da Protege ou na RFB. No caso dos autos, portando, verificouse uma série de omissões de informações, que resultariam em base tributável, bem como a apresentação de argumentação inidônea para justificar os procedimentos adotados pelo recorrente, restando, pois, caracterizada a forma reiterada e sistemática do procedimento do contribuinte sem que tenha havido qualquer justificativa para tal procedimento por parte do mesmo. Assim, fica evidente que a autuada não tinha a intenção de dar conhecimento da ocorrência do valor real do fato gerador, nem de efetuar o pagamento do valor total do tributo ao deixar de prestar as informações ao Fisco ou prestálas de forma inexata e ainda valerse de fraude contratual. De tal sorte, entendo configurada hipótese de evidente sonegação, justificando a aplicação da multa qualificada. Configurada, assim, hipótese de sonegação decorrente de fraude e omissões, legítima a penalidade aplicada, cujo objetivo é, justamente, inibir condutas dolosas do contribuinte, que age de máfé, adulterando e fraudando documentos para fins de suprimir ou reduzir tributos. Diante do exposto, agiu acertadamente a autoridade lançadora, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 11060.721821/201156 Acórdão n.º 2401005.954 S2C4T1 Fl. 1.440 16 Fl. 1693DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.935086/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 86 /2 00 9- 25 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.935086/200925 Acórdão n.º 1302003.335 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900016/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DE DECISÃO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INCOERÊNCIA.
É nula a decisão que fundamenta o indeferimento em fato que não guarda coerência com o resultado, o que caracteriza vício na sua motivação, além de prejudicar o direito a defesa.
Numero da decisão: 1302-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o Despacho Decisório e determinar a devolução dos autos para a unidade de origem para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INCOERÊNCIA. É nula a decisão que fundamenta o indeferimento em fato que não guarda coerência com o resultado, o que caracteriza vício na sua motivação, além de prejudicar o direito a defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o Despacho Decisório e determinar a devolução dos autos para a unidade de origem para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 00 16 /2 00 9- 21 Fl. 165DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 10867.74616.260808.1.7.022916, na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 25.012,69. Após análise, a DRF/BrasíliaDF, conforme Despacho Decisório de fls. 22, não homologou a declaração de compensação, em razão da impossibilidade de confirmar a apuração do crédito, uma vez que o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), de R$ 117.937,96, não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP, de R$ 25.012,69. Foi apresentada manifestação de inconformidade alegando que a diferença entre estes valores, de R$ 92.925,27, já teria sido compensado no processo administrativo nº 10116.005542/200391. Afirma que a existência do crédito é correta, ocorrendo erro no preenchimento da DCOMP, pois, onde foi informado o valor de R$ 25.012,69 deveria ter sido informado R$ 117.937,96 como saldo negativo de 2001. Em sessão do dia 20 de outubro de 2011, a 4ª Turma da DRJ/BrasíliaDF julgou improcedente a manifestação de inconformidade, lavrando o Acórdão nº 0345.556, de fls. 82/84, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2001 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. No caso, o pretenso crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ foi integralmente utilizado para quitar débito declarado e confessado. No voto condutor restou consignado que a DCOMP não foi homologada porque o saldo negativo informado na DIPJ/2002 difere do registrado na DCOMP. Ademais, o saldo negativo reconhecido no processo administrativo nº 10116.005542/200391 é de R$ 92.925,27, justamente o valor informado na DIPJ/2002, e não o valor de R$ 117.937,96 requerido pela impugnante e registrado no Despacho Decisório. A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 07/05/2012, conforme AR de fls. 87. Em 06/06/2012, o recurso voluntário foi apresentado, fls. 89/102, com as seguintes alegações: o Despacho Decisório é nulo posto que subscrito por auditor fiscal que não seria o Delegado da Receita Federal do Brasil da Delegacia de Administração Tributária, afrontando o artigo 283, inciso III da Portaria MF nº 125/09. a nulidade contamina o Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que prestigiou e manteve o aludido Despacho viciado. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10166.900016/200921 Acórdão n.º 1302003.595 S1C3T2 Fl. 166 3 a documentação comprobatória do crédito foi ignorada pela DRJ, inobservando o Princípio da Verdade Material em 27 de agosto de 2008 a recorrente transmitiu DIPJ retificadora informando que havia apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 117.937,96, sendo que dessa importância o valor de R$ 92.925,27 foi utilizada para compensação no processo administrativo nº 10116.005542/200391. o crédito de R$ 25.012,69 foi utilizado na DCOMP 10867.74616.260808.1.7.022916. ocorreu um erro no preenchimento da DCOMP no campo "VALOR DO SALDO NEGATIVO" onde foi informado o valor de R$ 25.012,69, onde deveria constar o valor de R$ 117.937,96. o valor de R$ 25.012,69 corresponde ao campo "CRÉDITO ORIGINAL NA DATA DA TRANSMISSÃO". apresenta junto ao recurso voluntário os documentos comprobatórios do crédito. bastava a DRJ ter feito o cotejo dos valores devidos, constante da tabela contida na manifestação de inconformidade da DIPJ retificadora, e o valor do IRRF que se pretende compensar, para se chegar à conclusão de que tal recolhimento se deu em excesso e que a compensação é procedente. em nome do Princípio da Verdade Material, o crédito deve ser reconhecido e homologada a compensação. caso não acolhidos os argumentos, requer que o julgamento seja convertido em diligência para que sejam verificados elementos adicionais da escrituração contábil, comprovado o crédito. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Analisando os atos administrativos aqui em comento, constato que ambos devem anulados, pelos seguintes motivos. O Despacho Decisório de fls. 22 não homologou a DCOMP usando como justificativa a impossibilidade de confirmação do crédito, pois o valor informado na Fl. 167DF CARF MF 4 DIPJ/2002, no valor de R$ 117.937,96, não corresponderia ao valor informado na DCOMP, de R$ 25.012,69. Ora, a diferença entre valores não leva à impossibilidade de apuração do crédito, mormente quando todas as informações necessárias se encontram na DCOMP, já que o recorrente informou nas Fichas todas as parcelas do crédito que seriam necessárias para apuração do saldo negativo pagamentos e IRRF. Se os valores são diferentes, caberia, no caso, um reconhecimento parcial do crédito, ou seu total indeferimento, mas em função da análise dos documentos acostados. Esclareço que são elementos do ato administrativo: (1) sujeito competente; (2) forma; (3) finalidade; (4) motivo e (5) objeto. Havendo vício em um dos elementos, necessário se faz declarar o ato nulo. No presente caso, entendo que houve vício na motivação da decisão, já que inexiste coerência com o seu resultado. Divergência entre valores não acarreta em não reconhecimento de direito creditório. E mais ainda. Essa falta de coerência prejudica inclusive a defesa, outro motivo que leva à nulidade do Despacho Decisório, em razão do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. No caso do Acórdão nº 0345.556, ele é nulo pois se baseou em fato não mais existente. De acordo com o voto condutor, com base na DIPJ/2002, o saldo negativo de IRPJ seria de R$ 92.925,27, crédito já reconhecido e utilizado em processo de compensação anterior. Como relatado pela recorrente, a DIPJ/2002 foi retificada em 27 de agosto de 2008. Sem adentrar no mérito de se tratar de uma retificação após 5 (anos) do encerramento do período (31/12/2001), o fato é que as alterações foram recepcionadas pelos sistemas da Receita Federal do Brasil, tanto que o Despacho Decisório usa valor atualizado do saldo negativo de IRPJ, de R$ 117.937,96, como parâmetro de comparação com o crédito apontado na DCOMP. Mais uma vez encontramos vício na motivação do Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, razão pela qual deve ser declarado nulo. Entretanto, para resolução do litígio instaurado, basta declarar a nulidade da decisão da unidade de jurisdição da recorrente, para que o pleito seja novamente analisado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o Despacho Decisório de fls. 22, devendo os autos serem devolvidos para a unidade de jurisdição da recorrente, para que seja proferido nova decisão na boa e devida forma. Maria Lúcia Miceli Relatora Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
