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Numero do processo: 16045.000525/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE INÍCIO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplica-se, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. Não constatada a ocorrência de recolhimento, ainda que parcial, incide a regra geral do art. 173, I do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. INSUFICIÊNCIA NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. Nessas hipóteses, recai sobre o contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal.
COBRANÇA PROGRESSIVA DA MULTA DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de mora progressiva, que possui previsão legal.
JUROS DE 1% NO MÊS DO PAGAMENTO. PREVISÃO LEGAL. INAFASTABIIDADE.
A cobrança de juros de 1% no mês do pagamento está prevista no art. 293, I, c do Decreto nº 3.048/99 e no artigo 61, § 3º da Lei 9.430/96, não sendo, portanto, passível de afastamento por este Conselho.
Numero da decisão: 2202-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE INÍCIO DE PAGAMENTO. Tratandose de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplicase, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. Não constatada a ocorrência de recolhimento, ainda que parcial, incide a regra geral do art. 173, I do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. INSUFICIÊNCIA NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. Nessas hipóteses, recai sobre o contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal. COBRANÇA PROGRESSIVA DA MULTA DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de mora progressiva, que possui previsão legal. JUROS DE 1% NO MÊS DO PAGAMENTO. PREVISÃO LEGAL. INAFASTABIIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 25 /2 00 7- 43 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 274 2 A cobrança de juros de 1% no mês do pagamento está prevista no art. 293, I, “c” do Decreto nº 3.048/99 e no artigo 61, § 3º da Lei 9.430/96, não sendo, portanto, passível de afastamento por este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INDÚSTRIAS QUÍMICAS TAUBATÉ S/A – IQT contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPOII, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 178.237,92 (cento e setenta e oito mil, duzentos e trinta e sete reais e noventa e dois centavos), referente à alíquota adicional para aposentadoria especial devida no período de abril de 1999 a abril de 2002. Transcrevo, no que importa, trechos do “Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito”, por bem sintetizarem as razões que motivaram a cobrança: O lançamento tem como origem contribuições adicionais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em virtude da não comprovação pela empresa de que gerenciou adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, dentro do período abrangido pela presente notificação. A empresa foi intimada, através do TIAD de 14/04/2007, a apresentar os documentos necessários à comprovação da existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador. Deixou porém de apresentar os documentos bases do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, no período de janeiro de 1999 a setembro de 2001, bem como os Laudos Fl. 274DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 275 3 Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT, de janeiro de 1999 a maio de 2002. (...) Verificase, pelo PPRA de 03/10/2001, a existência de riscos ocupacionais no ambiente de trabalho referentes a agentes físicos (ruído), químicos e biológicos. O mapeamento dos pontos de ocorrência encontrase entre as páginas 54 e 56 do mesmo documento. Observase que os ruídos foram quantificados à página 54, enquanto que os agentes químicos, identificados apenas qualitativamente na fase de Reconhecimentos dos Riscos do PPRA, não foram avaliados quantitativamente, conforme se verifica à página 55. A ausência de avaliação quantitativa é corroborada na quarta etapa do PPRA, onde se verifica que, para os setores com riscos químicos consta, na coluna “Eficácia”, a informação de que “não existe Laudo Ambiental com parâmetros quantitativos atualizados da concentração e exposição real dos operadores aos agentes químicos presentes no ambiente e operações”. Consta ainda a recomendação para que o mesmo seja feito, visando complementar o PPRA. A quantificação dos agentes químicos, no entanto, só veio a ocorrer em maio de 2002, como se verifica no Laudo de Avaliação Ambiental de 30/06/2002 e do PPRA de 25/20/2002. Fica assim evidenciado que a empresa não comprovou o gerenciamento adequado do ambiente de trabalho, visando eliminar e controlar os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, no período de janeiro de 1999 a setembro de 2001, para todos os agentes, e até abril de 2002, para os agentes químicos (f. 7475; sublinhas deste voto). A DRJ de origem, ao apreciar a querela, aduziu, em apertadíssima síntese: a) que não teria sido o crédito fulminado pela decadência, eis que aplicável a previsão do art. 45 da Lei 8.212/91; b) que as constatações expostas no Relatório Fiscal demonstram que a empresa deixou de gerenciar adequadamente o ambiente de trabalho e de controlar os riscos ocupacionais existentes e que a documentação acostada à impugnação não seria suficiente para refutar tal conclusão; c) que inexiste prova conclusiva de que tenha havido gerenciamento adequado o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores; d) que inexistem dúvidas quanto à aplicabilidade da taxa SELIC; e) que a revogação do § 1º do art. 293 do RPS não impactou a possibilidade de cobrança dos juros de 1% no mês do pagamento; f) que não caberia à autoridade julgadora, no processo administrativo fiscal, afastar a aplicação da legislação tributária por razões de ilegalidade ou inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas no art. 18 da Portaria/RFB nº 10.875/07. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 276 4 Após o julgamento da impugnação foi feita a revisão do lançamento de ofício, a fim de se deduzir a cobrança das competências até 31/12/2001, dentre elas o décimo terceiro de 2001 (13/2001), em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 – “vide” f. 196. Notificada quanto à retificação, em 23/10/2008, apresentou a recorrente recurso voluntário, sustentando as mesmas teses apresentadas quando do manejo da impugnação, que podem ser assim sumarizadas: a) em razão de suposta antecipação do pagamento, ainda que parcial, deveria ter a DRJ de origem aplicado a regra insculpida no § 4º do art. 150 do CTN; b) no período abrangido pelo lançamento, já havia contratado médico do trabalho, responsável pelo acompanhamento médico dos funcionários e pelas medidas de prevenção em relação aos agentes nocivos no ambiente de trabalho; c) teria sido elaborado Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO) pelo médico do trabalho contratado para o período de 2001/2002; d) a acusação fiscal estaria baseada na ausência de comprovação e não na efetiva ocorrência do risco de dano aos seus funcionários, risco este superado com os atuais controles mantidos pela empresa; e) inaplicabilidade da Selic sobre o valor do débito fiscal; f) impossibilidade de incidência dos juros de 1% no mês do pagamento, por força da revogação do § 1º do artigo 239 do Regulamento da Previdência Social; g) Inconstitucionalidade da cobrança progressiva da multa de mora, bem como impossibilidade de aplicação de leis inconstitucionais pela Administração Pública. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora PRELIMINAR Da decadência: inteligência dos comandos previstos nos arts. 150 e 173 do CTN Sob a sistemática dos recursos repetitivos, o col. Superior Tribunal de Justiça firmou, no bojo do RESP nº 973.333/SC, o entendimento segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário começa a correr no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Da atenta leitura do referido precedente daquela Corte Superior, tirante de dúvidas que, havendo adiantamento de pagamento, ainda que parcial, deverá ser adotada regra prevista no §4º do art. 150 do Digesto Tributário. Assim, constatado o princípio de pagamento, deve ser aplicado o regramento previsto no art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento encontra se, inclusive, sumulado no âmbito deste Conselho. Confirase: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 277 5 Súmula nº 99 – Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fixadas essas premissas, mister aplicálas ao caso sob escrutínio. A NFLD nº 37.037.9381 tem como objeto a cobrança de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial. Temse que, na mesma ação fiscal que deu origem à NFLD ora em apreço, foram emitidas outras doze, discriminadas às f. 79. Conforme se depreende do Relatório Fiscal, [f]oram lançados como crédito da notificada os recolhimentos previdenciários efetuados em seu próprio CNPJ através de GRPS e GPS, exceto os de reclamatórias trabalhistas, que não integram nenhum dos lançamentos. Foram também lançados como crédito os valores das contribuições relativas ao salárioeducação recolhidos diretamente ao FNDE, no período de janeiro de 1997ª dezembro de 2001 (incluindo o décimoterceiro salário). Os créditos encontramse discriminados no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, identificados, de acordo com o tipo do documento, como GRPS, GPS ou CRED, sendo este último utilizado para os recolhimentos efetuados diretamente ao FNDE. Observese que o Relatório de Documentos apresentados é parte integrante de todas as notificações, porém a apropriação dos créditos ocorre apenas em relação aos valores lançados na NFLD 37.037.93793, correspondentes às diferenças de contribuições apuradas sobre bases de cálculo reconhecidas pela empresa, incluindo pagamentos a segurados empregados, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho (f. 8182). Observase, portanto, que só há créditos a serem considerados no que diz respeito à NFLD 37.037.9373. Sendo assim, quanto à alíquota adicional para aposentadoria especial, não há créditos a serem deduzidos, o que indica a inexistência de pagamento antecipado. Tal entendimento é comprovado pelo Discriminativo Analítico de Débito – “vide” f. 6/12, no qual se comprova a inexistência de quaisquer deduções nos valores apurados. Impende salientar que o fato de a recorrente ter realizado antecipações de pagamento em relação a outras contribuições previdenciárias não tem o condão de gerar qualquer impacto na presente análise. Tratandose de contribuições com fatos geradores distintos, a análise quanto à existência (ou não) de início de pagamento também deve ser feita de forma individualizada. Por não ter a recorrente comprovado o recolhimento, ainda que parcial, da contribuição previdenciária objeto da NFLD ora em apreço, mantémse a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, CTN. De toda sorte, ainda que tivesse sido aplicado o disposto no § Fl. 277DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 278 6 4º do art. 150 do CTN, nenhuma parcela teria sido fulminada pela decadência. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. MÉRITO I – Do gerenciamento dos riscos ambientais Os lançamentos referemse, como visto, à contribuição social destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial, previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 (art. 22, II, Lei 8.212/91). Conforme consta do relatório fiscal, a empresa foi intimada a apresentar os documentos necessários à comprovação da existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou integridade física dos trabalhadores. Todavia, deixou de apresentar os documentos bases do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) entre janeiro de 1999 a setembro de 2001, bem como os Laudos Técnicos de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) de janeiro de 1999 a maio de 2002. Constatou se, contudo, no PPRA de 02/10/2001, a existência de riscos ocupacionais no ambiente de trabalho, referentes a agentes físicos, químicos e biológicos. Quanto aos agentes químicos, estes não foram avaliados quantitativamente no documento, o que só veio a ocorrer no Laudo de Avaliação Ambiental de 30/06/2002. Por esse motivo, concluiu a autoridade fiscalizadora que [a] empresa não comprovou o gerenciamento adequado do ambiente de trabalho, visando eliminar e controlar os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, no período de janeiro de 1999 a setembro de 2001, para todos os agentes, e até abril de 2002, para os agentes químicos (f. 75). Comprovada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho, só é possível elidir a incidência do adicional para a aposentadoria especial quando se demonstra que a empresa adota medidas de proteção coletiva ou individual capazes de neutralizar ou reduzir o grau de exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos a níveis legalmente toleráveis. Sendo assim, como o PPRA de 10/2001 atestou a existência, no ambiente de trabalho, de agentes nocivos (físicos, químicos e biológicos) à saúde dos trabalhadores, incumbiria à empresa demonstrar que, no período em relação ao qual não houve apresentação de PPRA ou LTCAT, realizava gerenciamento eficaz de riscos. Nesse sentido era a previsão da Instrução Normativa/SRP nº 03/05, art. 387, suscitada pelo acórdão da DRJ/SPOII, cujo conteúdo foi reproduzido no art. 296 da novel Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 296. A contribuição adicional de que trata o art. 292, será lançada por arbitramento, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, quando for constatada uma das seguintes ocorrências: I a falta do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, quando exigíveis, observado o disposto no inciso V do art. 291; II a incompatibilidade entre os documentos referidos no inciso I; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 279 7 III a incoerência entre os documentos do inciso I e os emitidos com base na legislação trabalhista ou outros documentos emitidos pela empresa prestadora de serviços, pela tomadora de serviços, pelo INSS ou pela RFB. Parágrafo único. Nas situações descritas neste artigo, caberá à empresa o ônus da prova em contrário (sublinhas deste voto). O supramencionado dispositivo retira seu fundamento legal do art. 33, § 3º da Lei 8.812 de 1991, que assim dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida (sublinhas deste voto). No mesmo sentido é a previsão do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Constatase, pois, que, ante a apresentação deficiente dos documentos relativos ao gerenciamento de riscos, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento, cabendo ao contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal. Tal é o entendimento deste Conselho, senão, vejase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2015 LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. A existência de segurados que prestam serviço em condições especiais e prejudiciais à saúde ou à integridade física obriga a empresa ao recolhimento do adicional para Fl. 279DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 280 8 financiamento do benefício, nos termos do art. 57, § 6o, da Lei nº 8.213/91 c/c art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91. (...) CONTRIBUIÇÃO. ARBITRAMENTO. INCOMPATIBILIDADE ENTRE DOCUMENTOS. A contribuição adicional ao GILRAT será lançada por arbitramento quando for constatada a incompatibilidade entre PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP (Processo nº 11634.720240/201660, Acórdão nº 2201004.466 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A recusa ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização enseja o lançamento de ofício por arbitramento, cabendo à autuada o ônus de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco de constituir o crédito tributário (Processo nº 16682.720575/201464, Acórdão nº 2201004.405 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de abril de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. É devia contribuição a título de adicional ao SAT, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da exposição dos trabalhador a agente nocivo decorrente de riscos ambientais, a ser pago pelas empresas que possuem segurados em condições especiais que prejudiquem a saúde e a integridade física. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PREVISÃO LEGAL A lei prevê o arbitramento da base de cálculo das contribuições quando ocorrer a apresentação deficiente de documento, invertendose o ônus da prova (Processo nº 17883.000208/201013, Acórdão nº 2202004.366 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 281 9 ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. A empresa deve demonstrar, por meio dos documentos exigidos por lei, relativos aos riscos ambientais do trabalho, os segurados expostos a agentes nocivos. A falta de apresentação desses documentos na forma exigida por lei, autoriza o lançamento por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário (...) (Processo nº 35387.000566/200541, Acórdão nº 2202004.374 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). A recorrente aduz que (...) a empresa no período acima referido já mantinha em seus quadros, de forma permanente, a contratação do médico do trabalho, Marcos Augusto Pires, CRESMESP 41.159, que não só se incumbia de fazer o acompanhamento médico dos funcionários da recorrente, como também era o responsável pelas medidas de prevenção em relação aos agentes nocivos no ambiente de trabalho, conforme faz prova a declaração anexada à impugnação como documento n° 8. (f. 218) A fim de comprovar o gerenciamento de riscos, a recorrente juntou aos autos declaração de médico do trabalho e PCMSO de 2001/2002. Todavia, tais documentos não fazem prova do controle efetivo dos riscos ambientais. Inicialmente, a declaração de f. 162 é genérica e não traz nenhum indicativo de quais medidas são empreendidas no que tange à prevenção dos agentes nocivos no ambiente de trabalho. Da mesma forma, o PCMSO (f. 164/171) não contém quaisquer dados concretos, apenas as diretrizes do controle da saúde. Como não foram juntados quaisquer relatórios emitidos na vigência do referido PCMSO ou exames médicos realizados neste período, atestando a normalidade das condições de trabalho, não há como afastar a cobrança do adicional para a aposentadoria especial. A recorrente argumenta que o lançamento não se baseou na efetiva constatação da “desproteção” dos trabalhadores, mas sim na ausência de comprovação do gerenciamento de riscos. Todavia, uma vez demonstrada a existência de riscos ambientais, incumbiria à empresa demonstrar que realizava efetivo gerenciamento dos riscos, o que não logrou fazer. II – (In)constitucionalidade da cobrança progressiva da multa de mora e da (im)possibilidade de aplicação de leis ditas inconstitucionais pela Administração Pública Em suas razões recursais, afirma ser inconstitucional a aplicação de multas de mora progressivas, bem como estar a Administração Pública apta a decretar a inconstitucionalidade de leis que estariam, ao seu sentir, em colisão com o Texto Constitucional. A mitigação da sanção cominada, sob o manto da inconstitucionalidade, esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho. Registro, por oportuno, que multas e tributos são ontológica e teleologicamente distintos. Isto porque, em primeiro lugar, a multa é sempre uma sanção de ato Fl. 281DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 282 10 ilícito, ao passo que tributo jamais poderá sêlo; em segundo lugar, os tributos são a fonte precípua – e imprescindível – para o financiamento do aparato estatal, enquanto as multas são receitas extraordinárias, auferidas em caráter excepcional, cuja função é desestimular comportamentos tidos como indesejáveis. Assim, ao meu aviso, a multa progressivamente aplicada visa, justamente, coibir a prática reiterada de atos antijurídicos. Por fim, caso uma lei seja declarada inconstitucional pelo Guardião da Constitucional, por óbvio, não poderá a Administração Pública aplicála. A recorrente, ao seu turno, teratologicamente sugere que os agentes que integram a própria estrutura administrativa do Estado, em usurpação da função judicante, declarem a inconstitucionalidade de normas por ela emanadas, que gozam de presunção de legalidade e constitucionalidade. III – (In)aplicabilidade da SELIC aos créditos tributários Igualmente melhor sorte não assiste à recorrente quanto à inaplicabilidade da SELIC para a correção dos créditos de natureza tributária, porquanto pacificada a questão no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IV – (In)aplicabilidade dos juros de 1% (um por cento) no mês do pagamento A recorrente afirma que o pagamento de juros de 1% no mês do pagamento não possui respaldo legal, uma vez que o artigo 293, § 1º do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3048/99) foi revogado. Todavia, conforme esclarecido pelo acórdão da DRJ, a revogação do § 1º do art. 293 do RPS não tem qualquer impacto na previsão do inciso I, “c” deste mesmo dispositivo, que estabelece a cobrança de juros de 1% no mês do pagamento. Ademais, impende salientar que a Lei 9.430/96, em seu artigo 61, § 3º, corrobora a possibilidade de cobrança dos juros de 1% no mês do pagamento. Senão, vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no Fl. 282DF CARF MF Processo nº 16045.000525/200743 Acórdão n.º 2202005.083 S2C2T2 Fl. 283 11 mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998). Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910756/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/03/2011
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.045
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/03/2011 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 56 /2 01 2- 14 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13888.910756/201214 Acórdão n.º 3401006.045 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13888.910756/201214 Acórdão n.º 3401006.045 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13888.910756/201214 Acórdão n.º 3401006.045 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720934/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que intime a Contribuinte, a partir de 28/12/2019, para comprovar que foram cumpridos os requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, com fulcro nos artigos 3º e 10 da LC 160/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que intime a Contribuinte, a partir de 28/12/2019, para comprovar que foram cumpridos os requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, com fulcro nos artigos 3º e 10 da LC 160/2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que intime a Contribuinte, a partir de 28/12/2019, para comprovar que foram cumpridos os requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, com fulcro nos artigos 3º e 10 da LC 160/2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 93 4/ 20 14 -8 1 Fl. 4285DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.286 2 Relatório Inicialmente, adoto o relatório da conselheira Livia De Carli Germano, no voto que norteou a Resolução nº 1401000.506 adotada por esta Turma por unanimidade de votos em 14 de março de 2018. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2010 e 2011, acrescidos de juros e multa de 75%, em virtude da exclusão do valor do crédito presumido do ICMS na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, feita com fundamento no benefício fiscal do Programa próEmprego/ SC. O Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 660/676) relatou os fatos ocorridos e que deram origem ao presente lançamento. Eis parte deste relato, com grifos nossos: No período abrangido pela investigação fiscal a empresa em pauta foi beneficiária de tratamento tributário diferenciado positivado no âmbito da Legislação tributária do Estado de Santa Catarina, na forma que evidenciam os documentos acostados às fls. 114 a 135. O aludido tratamento diferenciado consiste em beneficio fiscal, consubstanciado em crédito presumido de ICMS nas saídas de mercadorias importadas do exterior do país, para comercialização. Em nível de escrita comercial, no anocalendário de 2010, os benefícios fiscais encontramse registrados a crédito da rubrica de resultado intitulada "31201001 () ICMS S/VENDAS", de natureza devedora. Já no anocalendário de 2011 os fatos desta natureza estão representados na conta de receita intitulada "31201007 (+) BENEFÍCIO FISCAL ICMS" (fls. 280 a 287). Na forma dos quadros demonstrativos elaborados na resposta aos itens 3 e 4 da Intimação Fiscal n° 02, constantes às fls. 26, no ano de 2010 auferiu crédito presumido de R$ 35.082.558,24, enquanto que no ano de 2011 o montante de R$ 39.888.138,91. Afora os registros nas citadas contas, ainda na seara da representação dos fatos advindos do benefício fiscal na escrita comercial, realizou lançamentos a crédito na conta patrimonial intitulada "23104001 RESERVA DE LUCROS POR INCENTIVO FISCAL" (fls. 277 a 279), no valor de R$ 34.950.671,34, em 31/12/2010, e no valor de R$ 22.727.263,29, em 30/12/2011. Os aludidos valores, registrados como reserva de lucros, ensejaram ajuste de exclusão na determinação do resultado fiscal, a título de subvenção para investimento, com fundamento no artigo 18 da Lei n° 11.941/2009, consoante informação prestada na esteira do subitem 2.3 da Intimação Fiscal n° 01 (fls. 16 a 20), bem como dos itens 3 e 4 da Intimação Fiscal n° 02 (fls. 24 a 29). Em sede dos procedimentos e verificações que a matéria suscitou, já pelo item 4 do ato inaugural foram demandados, dentre outros assentos, Fl. 4286DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.287 3 os documentos de lastro dos lançamentos consignados sob a aludida conta de reserva de lucro. A resposta que adveio não foi satisfatória, notadamente porque aspectos essenciais dos lançamentos não foram elucidados, a exemplo da valoração dos fatos registrados. Diante desse quadro, precisamente pelo subitem 2.2 da Intimação Fiscal n° 01, reiterouse a apresentação dos documentos de lastro de cada lançamento consignado na rubrica contábil em pauta. Não obstante, esta singela solicitação, no que concerne aos documentos de lastro dos lançamentos registrados sob a rubrica de reserva de lucro, mais uma vez não logrou ser atendida. Assim, e desta feita pelo item 3 da Intimação Fiscal n° 02, tornouse a requisitar os assentos outrora solicitados. Em atendimento adveio resposta nos seguintes termos: "Os lançamentos foram efetuados com base no art 18 da Lei n° 11.941/2009. Segue resumo de cálculo dos anos de 2010 e 2011. Nos aludidos resumos cingiuse a indicar, por anocalendário, o lucro líquido apurado, o total do crédito presumido auferido, a exclusão registrada no resultado fiscal, o montante registrado como reserva de incentivo e o lucro que intitula como de destinação diversa à reserva de incentivo. Sob esse delineamento não se observa à efetiva e específica aplicação da subvenção auferida em investimentos. Ademais, nem o invocado Protocolo de Intenções firmado com o Estado de Santa Catarina (fls. 267 a 276), como também não as imobilizadas escrituradas, evidenciadas nos balanços acostados às fls. 288 a 333, denotam a implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada. Destarte, o incentivo fiscal em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento expresso na legislação tributária federal. (...) Das normas colacionadas inferese que, para ser considerada subvenção para investimento, além dos requisitos contábeis, o incentivo deve ser proveniente exclusivamente do Poder Público, sob perfeita sincronia entre a intenção do agente concedente com a ação do beneficiário. Deverá, ainda, ser dirigida diretamente à pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, além de ter efetiva e específica aplicação nos investimentos previstos ou na expansão do empreendimento projetado. Estes requisitos não se observam na legislação que concede o incentivo, considerando que não há a obrigação expressa da total aplicação dos recursos provenientes da subvenção em específicos projetos aprovados, o que não impede a utilização dos respectivos recursos como formação de capital de giro, por exemplo. Destarte, o tratamento tributário diferenciado em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento, cenário em que o tratamento dispensado pelo sujeito passivo aos benefícios fiscais na berlinda no âmbito da mensuração do IRPJ, excluindo parte dos Fl. 4287DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.288 4 mesmos na determinação do resultado fiscal, não se conforma o disposto na legislação tributária de regência do imposto. (...) Referido Termo menciona, ainda, que a auditoriafiscal levada a cabo no contribuinte em questão resultou na formalização de dois processos: o presente, n° 11516.720934/201481, para cobrança de IRPJ e CSLL, bem como o processo n° 11516.720935/201426 para a cobrança de PIS e COFINS. Quanto ao processo relativo a PIS e COFINS, em 24 de fevereiro de 2016 a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção decidiu que o crédito presumido do ICMS não pode se qualificar como "receita", tratandose de mera redução no montante do ICMS a pagar. Isso porque partiuse da premissa de que "receita" é conceito qualificado pela sua origem, decorrente de atividade empresarial, não podendo ser considerado qualquer ingresso como tal. Houve interposição de recurso especial, ainda não julgado até o presente momento. No presente processo a contribuinte apresentou impugnação onde sustenta, em síntese: (i) Crédito presumido de ICMS não é subvenção stricto sensu: crédito presumido de ICMS não configura "subvenção" em seu sentido jurídico específico, nem para investimento e nem para custeio ou operação, mas renúncia de receita, que navega na esfera da "receita pública" e não na "despesa pública". Isso porque tratase de técnica de apuração do imposto que consiste na apropriação em conta gráfica de crédito fiscal calculado de acordo com o regime especial titularizado pelo contribuinte, em cotejo com os destaques das operações de saídas de mercadorias, implicando uma efetiva redução da obrigação tributária final. Ou seja, o valor registrado a título de crédito presumido de ICMS não representa ingresso de receitas, mas redução de despesa do ICMS devido na operação de saída. (ii) o art. 443 do Decreto 3000/99 fixa uma interpretação extensiva de subvenção para investimento, admitindo que isenção ou redução de impostos sejam considerados como tal para fins contábeis, e não como subvenção para custeio. Porém, o fato do art. 443, I, incluir a "isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo" na caracterização da "subvenção para investimento" tem como única consequência a determinação para que seja conferido o mesmo tratamento contábil (reserva de capital) aos referidos incentivos financeiros e fiscais, com objetivo de retirar da esfera de incidência do IRPJ e CSLL não apenas a subvenção para investimento (stricto sensu), como também a isenção ou redução de impostos, típicas renúncias de receita estatais, apenas consideradas "subvenção para investimento" em tal interpretação ampliativa. Em outras palavras, o art. 443 do RIR/99 jamais pretendeu afirmar que isenção ou redução de impostos seriam uma forma de subvenção para investimento, já que a ninguém é permitido alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, a teor do art. 110 do CTN. Apenas para fins de registro contábil e exclusão do cômputo do lucro real é que referida norma Fl. 4288DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.289 5 admitiu o registro contábil de fatos que não coincidem com a definição stricto sensu de subvenção, como se subvenção para investimento fossem. Mesmo se considerado o crédito presumido de ICMS como subvenção para investimento (lato sensu), conforme art. 443 do RIR/99, também por esse prisma o lançamento tributário impugnado deve sucumbir, já que não é a investigação das contrapartidas efetivadas pelo detentor do benefício que define se estamos diante de subvenção para investimento ou não, mas o propósito da outorga do crédito presumido pelo Estado da Federação (se para investimento, ou não). No caso, o Estado catarinense concedeu o crédito presumido de ICMS com o propósito de incentivar as empresas beneficiárias a investirem no Estado, seja mediante instalação, expansão ou incremento de sua atividade econômica, o que fica claro do Protocolo de Intenções firmado entre a empresa KOMLOG e o Estado de Santa Catarina, onde se destacam os seguintes compromissos assumidos pela empresa: (a) incrementar a atividade desenvolvida de industrialização, serviços de logística, comercialização de mercadorias, matériasprimas, produtos acabados e semiacabados; (b) investir em tecnologia apropriada às suas atividadesfim, de modo a contribuir à criação de um pólo de excelência no Estado de Santa Catarina no setor logístico; (c) gerar no mínimo 25 empregos direitos; (d) utilizar nas suas atividades, sempre que possível, serviços e insumos de origem Catarinense; (e) contribuir ao Fundo Social no equivalente a 0,5% sobre o valor da operação; (f) estimular e manter o desenvolvimento de economia de serviços e geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina; e (g) manter seus estabelecimentos em Santa Catarina pelo prazo mínimo de 5 anos. Dada a falta de identidade entre os pressupostos legais da subvenção para investimento lato sensu e a subvenção para investimento stricto sensu, a Fiscalização jamais poderia analisar a "implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada" (típico pressuposto da subvenção para investimento stricto sensu) para concluir se a classificação contábil do crédito presumido de ICMS como subvenção para investimento lato sensu estava correta ou não. Por fim, observa que a empresa cumpriu as contrapartidas que assumiu com o Estado de Santa Catarina, de modo que também por essa ótica o benefício fiscal auferido não poderia ter sido desqualificado da sua condição de subvenção para investimento. Para tanto, prepara quadroresumo para demonstrar que nos balanços acostados às fls. 288 a 333 as imobilizações escrituradas nos anos de 2009, 2010 e 2011 evidenciam implantação ou expansão de empreendimento econômico. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por entender que, nos termos do ato concessório, não se trata de incentivo que tenha por finalidade última a realização de investimento, eis que o fim colimado pelo programa é a geração de empregos. Fl. 4289DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.290 6 Neste sentido, conclui que "o negócio entabulado entre o Estado de Santa Catarina e o impugnante, no âmbito do Pró Emprego, contempla subvenção corrente, consubstanciada em auxílio financeiro concedido pelo Estado tendo em vista o interesse público de manutenção e geração de empregos, que deve ser oferecida à tributação, nos termos como consta dos autos de infração ora atacados." O acórdão da DRJ/CTB (fls. 719744) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 1/12/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Parcela de receita tributária dispensada de recolhimento ou devolvida pelos governos estaduais a contribuintes de ICMS, a título de crédito presumido, quando desvinculada de concomitante aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, configura receita de subvenção para custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO. O crédito de ICMS concedido na forma do artigo 8º, §6º, inciso III do Decreto (Estadual Santa Catarina) nº 105, de 2007, constitui receita operacional sujeita à incidência do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 AJUSTES DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não se caracteriza como subvenção para investimento o crédito presumido de ICMS decorrente do incentivo do programa Pró Empregos do Estado de Santa Catarina, devendo a correspondente despesa, computada no lucro líquido, ser adicionada na determinação da base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a e existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o edido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão em 05/09/2014 (por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, ocorrida em 21/08/2014), a Fl. 4290DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.291 7 empresa apresentou recurso voluntário tempestivamente, em 19/09/2014. Em seu recurso, a contribuinte sustenta: (i) Nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa: alega que a decisão não enfrentou as teses levantadas na impugnação e teve por base situação jurídica estranha ao lançamento. Para demonstrar tais afirmações, observa que a) através do método "copia e cola", a relatora afirma que o contribuinte solicita que as intimações sejam dirigidas ao Sr. Gilberto José de Oliveira, sendo que não se sabe quem é tal pessoa; b) em vez de enfrentar as teses apontadas na impugnação, o voto limitase a transcrever, na íntegra, trechos de solução de consulta e da lei estadual instituidora do Programa Pró Emprego, sem atacar a tese litigiosa, que seria decidir se o crédito presumido de ICMS reúne ou não as características legais necessárias para compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; c) em mais uma demonstração do "copia e cola", a ementa do acórdão cita dispositivo legal que não se aplica à recorrente e é estranho à lide (art. 8o, par. 6o, III, do Decreto Estadual SC 105/2007), sendo que o fundamento legal para a outorga do benefício fiscal em litígio foi o art. 144 c/c/ art. 148A do Anexo 2 do RICMS/01. (ii) no mérito, aduz que: a) o crédito presumido de ICMS não configura subvenção, nem para custeio nem para investimento (stricto sensu), tratandose de renúncia de receita (redução de tributo) que navega na esfera da receita pública e não da despesa pública, nos termos do artigo 14, §1o da Lei de Responsabilidade Fiscal Lei Complementar 101/2000. Neste sentido, defende que, nos termos da Lei 4.320/64, subvenção é despesa pública classificada como benefício financeiro, exigindo dotação orçamentária e transferência corrente de recurso em benefício de alguém, enquanto que o crédito presumido de ICMS seria renúncia de receita classificada como benefício fiscal, que não exige dotação orçamentária e não importa transferência de recursos para o particular. E para provar que não houve transferência de recursos em seu favor, anexa certidão, datada de 9 de junho de 2014 e assinada pelo Diretor de Administração Tributária do Estado de Santa Catarina, de que os benefícios concedidos por meio do Programa Pró Emprego têm a natureza de renúncia fiscal nos termos do art. 14, §1o da LC 101/00 e o crédito presumido de ICMS em questão não implica qualquer transferência corrente de recursos públicos aos beneficiários. b) apenas para fins de registro contábil a isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos deve receber o mesmo tratamento de subvenção para investimento, de acordo com art. 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09 c) o propósito na concessão do benefício fiscal é suficiente para que os créditos presumidos de ICMS sejam mantidos como subvenção para investimento e assim excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 4291DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.292 8 d) o acórdão recorrido, para validar seu argumento de que não haveria propósito de incentivo a investimento, afirma que o fim colimado pelo programa seria a geração de empregos, no entanto este é apenas um dentre os sete objetivos formais pretendidos pelo Estado com a concessão do benefício fiscal. Os compromissos de investimento assumidos pela empresa e constantes do Protocolo de Intenções (fls. 267 a 276) e do Ato Concessório (fls. 114 a 126) envolvem investimentos a serem realizados pela Recorrente, conforme lista abaixo, os quais foram realizados conforme comprovam seus balanços a fls. 288 a 333: c) a jurisprudência do CARF confirma que a caracterização do beneficio fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva dos recursos subvencionados a projetos determinados, nos termos dos acórdãos 120200175, de 29 de julho de 2014; 110100661, de 31 de janeiro de 2012; 110300555, de 20 de outubro de 2011; além dos precedentes da CSRF 910100566, de 17 de maio de 2010 e 9101001094, 29 de junho de 2011. Assim, é suficiente o propósito desenvolvimentista e incentivados da legislação. Mesmo porque, não se pode analisar o crédito presumido de ICMS com os mesmos olhos que se analisa uma subvenção para investimento stricto sensu, que depende de transferência de recursos, projeto específico préaprovado e dotação orçamentária, eis que as naturezas jurídicas são distintas. d) não havendo transferência de recurso, não há que se falar em renda ou acréscimo de capacidade contributiva, de modo que o crédito presumido de ICMS não pode compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme vem decidindo o Tribunal Regional Federal da 4a Fl. 4292DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.293 9 Região (Apelação/Reexame Necessário 501355269.2013.404.7201/ SC, em 30 de abril de 2014; Apelação/Reexame Necessário 501282246.2013.404.7108/ RS, em 25 de março de 2014; Apelação/Reexame Necessário 501219048.2012.404.7110/ RS, em 29 de abril de 2014). Em 14 de fevereiro de 2017, após voto vencido desta relatora, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência para, em resumo, verificar se os requisitos dispostos no Parecer Normativo CST 112/1978 restaram preenchidos no caso em questão. A diligência foi concluída em 4 de dezembro de 2017, com a emissão de parecer conclusivo de fls. 4.1954.203 que, em síntese, concluiu pela negativa. A Recorrente se manifestou sobre o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal nos termos da peça de fls. 42154223. Então, em 16 de janeiro de 2018, o processo retornou para minha relatoria. No voto condutor da Resolução nº 1401000.506, a conselheira relatora afastou as preliminares de cerceamento do direito de defesa alegadas pela recorrente. Em seguida, no mérito, destacou a publicação da Lei Complementar nº 160, de 07 de agosto de 2017, que alterou a redação da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, verbis: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. Como se pode ver, o artigo 10 do diploma legal estendeu o tratamento dispensado pelos parágrafos 4º e 5º do artigo precedente aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal. É incontroverso no processo que a norma do PróEmprego do Estado de Santa Catarina enquadrase exatamente nessa situação. Fl. 4293DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.294 10 Contudo, o dispositivo condiciona a aplicação do disposto nos parágrafos 4º e 5º do artigo precedente ao atendimento das exigências de que trata o artigo 3º, incisos I e II, da Lei Complementar nº 160/2017: Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. Portanto, para que o benefício fiscal de crédito presumido de ICMS possa ser tratado como subvenção para investimento, é preciso que o Estado de Santa Catarina cumpra os deveres impostos pela norma legal. Destarte, forte em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a relatora votou pelo sobrestamento do presente feito até 29/12/2018. A partir dessa data, a autoridade administrativa deveria intimar a recorrente a comprovar o cumprimento dos requisitos legais, consubstanciados nas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que regulamenta os deveres dos entes federados instituídos pelo artigo 3º da LC nº 160/2017. O voto foi acompanhado de forma unânime pela Turma. Decorrido o prazo de sobrestamento, a recorrente foi regularmente intimada e informou que o CONFAZ, por meio das Resoluções nº 10/18, de 01/11/2018, e 18/18, de 19/12/2018, concedeu prazo ao Estado de Santa Catarina para: (i) realizar a publicação de que trata o artigo 3º, I, da LC 160/2017 até 31/07/2019; e (ii) efetuar o registro e o depósito de atos e documentos de que trata o artigo 3º, II, da LC 160/2017 até 27/12/2019. Cópias dos atos foram juntados à manifestação da defesa. Consequentemente, a recorrente pediu novo sobrestamento do feito até 28/12/2019. Era o que havia a relatar. Voto Fl. 4294DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.295 11 Carlos André Soares Nogueira, Relator. Como se pode observar no relatório acima, a alteração da redação da Lei nº 12.973/2014 pela Lei Complementar nº 160/2017 trouxe substancial modificação na norma jurídica atinente ao tratamento tributário, para fins de apuração de IRPJ e CSLL, dos benefícios fiscais concedidos pelos entes federados na forma de créditos presumidos de ICMS. Assim, impõese um exercício detalhado de interpretação para que se possa extrair do texto a norma jurídica em sentido estrito. Somente com um acurado exercício de exegese se pode construir um sentido jurídico completo a partir dos textos normativos. Iniciase essa jornada pela revisão do conceito de renda para fins de IRPJ, aplicável, mutatis mutandis, à CSLL. O artigo 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, define que: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. [...] grifei. Fl. 4295DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.296 12 Portanto, todos os fatores modificativos positivos do patrimônio líquido que integrem o Lucro Líquido devem compor o Lucro Real, a não ser que haja uma norma que permita a exclusão. Compreendese a partir do texto normativo acima que a regra geral é que as receitas que integram o lucro líquido devem integrar o Lucro Real, a não ser que haja uma norma específica de exclusão. E o que são receitas? Essa questão pode ser inicialmente respondida conforme a legislação comercial que regula a escrituração contábil. De acordo com o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) "Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC: Receitas 4.29. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas quanto ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties,aluguéis. 4.30. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tais, não diferem, em natureza, das receitas. Consequentemente, não são considerados como elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 4.31.Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados. Por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos e valores mobiliários negociáveis e os que resultam de aumentos no valor contábil de ativos de longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Os ganhos são, em regra, reportados líquidos das respectivas despesas. 4.32.Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, bens e serviços recebidos em troca de bens e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços ao credor por empréstimo em liquidação da obrigação de pagar o empréstimo. [...] Reconhecimento de receitas 4.47. A receita deve ser reconhecida na demonstração do resultado quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionado com aumento de ativo ou com diminuição de passivo, e puder ser mensurado com confiabilidade. Isso significa, na prática, que o reconhecimento da receita ocorre simultaneamente com o reconhecimento do aumento nos ativos ou da diminuição nos passivos (por exemplo, o aumento líquido nos ativos originado da venda de bens Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.297 13 e serviços ou o decréscimo do passivo originado do perdão de dívida a ser paga). 4.48.Os procedimentos normalmente adotados, na prática, para reconhecimento da receita, como, por exemplo, a exigência de que a receita tenha sido ganha, são aplicações dos critérios de reconhecimento definidos nesta Estrutura Conceitual. Tais procedimentos são geralmente direcionados para restringir o reconhecimento como receita àqueles itens que possam ser mensurados com confiabilidade e tenham suficiente grau de certeza. Do Pronunciamento, vale destacar que, conceitualmente, não há diferença se a receita resulta em aumento de ativo ou diminuição de passivo. Contudo, tratandose de direito tributário, há que se examinar o conceito de receita do ponto de vista jurídico. Assim, recorremos aos ensinamentos de Ricardo Mariz de Oliveira: Por este caminho, podese afirmar que, mesmo sem haver uma única definição geral fornecida pelo direito positivo, "receita" é um conceito de direito e é regulado pela norma de direito que se aplica em cada situação. [...] Portanto, se o patrimônio é uma soma de direitos e de obrigações do respectivo titular, segundo o que o direito define como direitos e obrigações dessa pessoa, e se receita é um acréscimo a esse acervo jurídico, qualquer mutação positiva no mesmo patrimônio necessariamente representa um acréscimo de direito, ainda que sob a forma de eliminação ou redução de obrigações sem contraprestação, quando surge o acréscimo do direito de não pagar. Repetindo, o patrimônio é formado apenas, de um lado (o ativo), por direitos e, de outro lado (o passivo), por obrigações, sendo todos os elementos que o compõem disciplinados pelo direito. Sendo assim, podemos concluir que receita é um conceito jurídico, no sentido de ser um aumento quantitativo pactuado sobre um direito já existente no patrimônio, ou um acréscimo de um novo direito ao patrimônio, ou a redução de valor ou a total eliminação de uma obrigação anteriormente existente no patrimônio, eis que o resultado de qualquer um desses fatores é um aumento na soma algébrica dos valores positivos (direitos) e negativos (obrigações) que constituem o patrimônio. (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quatier Latin, 2008. p. 96 97) grifei. É relevante estabelecer esse conceito por conta da alegação da recorrente de que "não havendo transferência de recurso, não há que se falar em renda ou acréscimo de capacidade contributiva, de modo que o crédito presumido de ICMS não pode compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL". Conforme visto pelo Pronunciamento do CPC e na definição da doutrina jurídica, a redução de passivos também caracteriza receita, não havendo diferença, no que tange à mutação patrimonial, se há ou não "transferência de recursos". Fl. 4297DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.298 14 Retomandose o fio da meada, as receitas que integram o lucro líquido devem integrar o lucro real, exceto quando haja uma norma de exclusão específica. Mas, há outra forma de abordar a matéria que leva a conclusões semelhantes, no que tange às bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Impende retornar às lições de Ricardo Mariz de Oliveira, agora especificamente sobre as subvenções correntes e subvenções para investimento. Segundo o autor, as subvenções preenchem algumas das características de "receita", mas devem ser tratadas como transferências patrimoniais: Portanto, independentemente dos termos adotados aqui e acolá, a legislação em vigor reconhece duas subespécies de subvenções econômicas, sendo que a lei societária exclui da receita apenas as subvenções para investimento, omitindose quanto às subvenções para custeio de operações. Mas, a legislação do imposto de renda vai mais longe, pois classifica as subvenções para custeio de operações como integrantes da receita operacional (art. 44, inciso IV, da Lei nº 4506). Por isso, perante o lucro líquido e o lucro real, a distinção específica entre as subvenções econômicas é importante, embora não relevante para definir ou alterar a definição das suas naturezas jurídicas. [...] De fato, a distinção implícita feita por essa lei [Lei nº 6.404/76], entre subvenções para investimento e subvenções para custeio de operações, no sentido de que apenas as primeiras deviam ser levadas a reservas de capital, tinha uma razão de ser, que era a seguinte: as subvenções para investimento tinham (e ainda deveriam ter) esse tratamento porque elas não interferem diretamente com a apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, do qual o lucro operacional é parte integrante, eis que se destinam ao fornecimento de fundos para a aquisição de acréscimos ao ativo permanente e, portanto, para a geração futura de lucros, enquanto que as subvenções para custeio de operações afetam diretamente o lucro líquido, pois os custos e despesas que elas reembolsam são debitados ao lucro líquido. Por isso, se as subvenções para custeio de operações forem creditadas à reserva de capital, o lucro líquido ficará indevidamente diminuído, porque estará reduzido pelos valores de custos e despesas pagos com os recursos subvencionados, recursos estes que estarão fora do lucro líquido. Ou seja, em virtude da não inclusão dos valores das subvenções no lucro líquido, neste não estará demonstrada a recuperação dos custos e despesas subvencionados. Já se essas subvenções forem creditadas ao lucro operacional, estará restabelecida a verdade do lucro líquido, sempre (embora não simultaneamente) diminuído pelos custos e despesas e aumentado pela subvenção que supre recursos para pagálos, ou seja, sendo nulo o efeito no lucro líquido. Neste caso, a verdade do lucro líquido decorrerá de que não foram os recursos patrimoniais próprios que pagaram os custos e despesas subvencionados, não devendo, portanto, ser ele afetado por esses Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.299 15 elementos econômicos, o que se consegue com o lançamento dos custos e das despesas a débito do lucro operacional e o da subvenção a crédito do mesmo. (OLIVEIRA. op. cit. p. 157 e 160 161) grifei. Da fundamentação acima, depreendese que os valores obtidos por meio de subvenções para custeio devem integrar as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. In casu, a argumentação da recorrente assentase na idéia de que as exclusões promovidas nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL nos anos de 2010 e 2011 encontram suporte na previsão legal do artigo 18 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Com base nesse dispositivo, a recorrente entende que os benefícios concedidos pelo Estado de Santa Catarina, na forma de crédito presumido de ICMS (PróEmprego), teriam caráter de subvenção para investimento: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da Fl. 4299DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.300 16 subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2o O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3o Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes. Merece destaque que a norma legal determina que todas as subvenções para custeio ou investimento sejam levadas a conta de resultado. Inferese, portanto, que a norma legal dispõe que as subvenções e doações são fatores modificativos positivos do patrimônio e, portanto, receitas da entidade. Entendendose, juridicamente, as subvenções como receitas, a partir das próprias disposições legais em vigor, a norma tributária que exclui as subvenções para investimento da tributação de IRPJ e CSLL revestese do caráter de norma isentiva, pois trunca parte do critério de valor da Regra Matriz de Incidência Tributária. Portanto, nos termos do artigo 111, II, do CTN, deve ser interpretada de forma literal. A norma isentiva não se coaduna com a interpretação extensiva. Entretanto, seguindo a lição de Ricardo Mariz de Oliveira, é de se lembrar que apenas as subvenções para investimento que tenham como contrapartida ativo permanente não afetariam o lucro líquido e, portanto, poderiam ser excluídas das bases de cálculo de IRPJ e CSLL e levadas a conta de reserva no patrimônio líquido. Neste diapasão, para que uma subvenção seja considerada de investimento, é preciso que haja a implantação ou expansão do empreendimento econômico. Não basta, portanto, que haja interesse social ou econômico a justificar a subvenção. Por óbvio, nenhuma subvenção de investimento ou corrente pode ser legítima se não houver interesse social e/ou econômico do ente federado na sua instituição. Se é um requisito comum, não pode ser utilizada para diferenciar a subvenção para investimento de qualquer outra subvenção. E o entendimento da administração tributária da União acerca dos requisitos para a configuração das subvenções para investimento estão estampadas no Parecer Normativo CST 112/1978. Não sendo satisfeitos os requisitos ali expostos, não se configura a subvenção para investimento e não incide a norma isentiva. É oportuno, também, refletir sobre a alegação da recorrente de que "o crédito presumido de ICMS não configura subvenção, nem para custeio nem para investimento (stricto sensu), tratandose de renúncia de receita (redução de tributo) que navega na esfera da receita pública e não da despesa pública". Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.301 17 Impende destacar que não se trata aqui de olhar para o ente federado, com as lentes do direito financeiro, para distinguir subvenção de isenção/redução de ICMS ou doação. A norma tributária da União que é o ente competente para a instituição do IRPJ e da CSLL dá o mesmo tratamento a essas diversas figuras para fins de apuração de IRPJ e CSLL. Ou seja, para a norma tributária federal, não há distinção se há ou não há transferência de recursos ou se, em termos de direito financeiro, trafegase pela receita ou despesa pública. O olhar que importa para a presente lide é voltado para a contribuinte e sua renda, com as lentes do direito tributário. E o legislador tributário igualou todas essas situações para fins de incidência da norma tributária, no critério de valor. Olhemos as regras matrizes. No que diz respeito à regra matriz de incidência do ICMS, o crédito presumido decorrente do regime do PróEmprego não afeta os critérios da RMIT. A norma tributária incide normalmente e surge o débito de ICMS em todo o seu esplendor. O que há é uma outra regra matriz, cujo antecedente requer o cumprimento de certas condutas (importar pelos portos de Santa Catarina, criar 25 empregos, doar parte do crédito para um fundo, privilegiar insumos de Santa Catarina, etc) e cujo consequente institui um crédito escritural para a pessoa jurídica. Criase, portanto, uma relação obrigacional distinta da obrigação tributária, em que o credor é a pessoa jurídica e o devedor é o Estado de Santa Catarina. Aliás, é oportuno ressaltar que o beneficiário do crédito presumido de ICMS na sistemática do PróEmprego pode nem mesmo ser contribuinte de ICMS. É o caso, por exemplo, do crédito presumido que é devido pelo Estado à pessoa beneficiária do regime que realize operações de importação por conta e ordem. É o que se depreende da resposta da autoridade administrativa ao tópico 1.3 no relatório de diligência de fls. 4195 a 4203. A mera possibilidade de se conferir crédito presumido de ICMS a pessoas não contribuintes do ICMS já seria suficiente para descaracterizar tal operação como "recuperação de custos". O ingresso do benefício, sob a forma de crédito presumido de ICMS, no patrimônio da pessoa jurídica configura receita, nos termos aqui adotados. Mas, ainda seguindo as lições de Ricardo Mariz de Oliveira anteriormente citadas, mesmo que não se considere "receita", as subvenções correntes devem ser levadas ao lucro líquido sob pena de têlo falseado, pois os recursos utilizados para pagar os custos e despesas subsidiados não advêm do patrimônio da pessoa jurídica. Entretanto, houve substancial alteração na matriz normativa. É de se lembrar que o artigo 18 da Lei nº 11.941/2009, utilizado como fundamento pela contribuinte, determinava que mesmo no caso de se configurar a subvenção para investimento, esta subvenção devia ser levada a resultado. Não há nenhuma dúvida de que, na matriz tributária então vigente, o recebimento do crédito presumido de ICMS devia compor o lucro líquido. O que está em questão é se devia incidir a norma que determinava a exclusão das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, no caso de configurar a subvenção para investimento. Fl. 4301DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.302 18 Segundo Ricardo Mariz de Oliveira, a subvenção para investimento deveria ser uma transferência de patrimônio direcionada à aquisição de ativo permanente, de forma a produzir frutos (renda) no futuro. Neste diapasão, para que se configurasse a subvenção para investimento, seria preciso atender aos requisitos do Parecer Normativo CST 112/1978. E, para que a pessoa jurídica fizesse jus ao tratamento de subvenção para investimento, seria preciso cumprir as exigências de aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos e, em contrapartida, destinar contabilmente os recursos ao patrimônio líquido, conforme comando legal citado anteriormente. Entretanto, sobreveio a Lei Complementar nº 160/2017, que trouxe forte inovação à matéria. Para que se compreenda a inovação da lei complementar, basta dizer que ela fixou que todos os incentivos, benefício fiscais ou financeiros fiscais de ICMS passam a pertencer à classe das subvenções para investimento. Ao excluir esses benefícios específicos da regra geral, a lei passou a dar tratamento tributário distinto, por exemplo, entre o subsídio de ICMS e o REINTEGRA. Este último continua sendo entendido como subvenção corrente, como se pode ver nos seguintes julgados do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. VALORES RESSARCIDOS NO ÂMBITO DO REINTEGRA INSTITUÍDO PELA LEI Nº 12.546/11. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 2. Os ressarcimentos de custos quanto as subvenções integram a receita bruta consoante o art. 44, III, da Lei n. 4.506.54. (AgInt no REsp 1674825/PR, em 05/12/2017) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REGIME ESPECIAL DE REINTEGRAÇÃO DE VALORES TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS EXPORTADORAS. REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. I O STJ possui jurisprudência no sentido de que "Todo benefício fiscal, relativo a qualquer tributo, ao diminuir a carga tributária, acaba, indiretamente, majorando o lucro da empresa e, consequentemente, impacta na base de cálculo do IR. Em todas essas situações, esse imposto está incidindo sobre o lucro da empresa, que é, direta ou indiretamente, influenciado por todas as receitas, créditos, benefícios, despesas etc" (REsp 957.153/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 15.3.2013). II Hipótese em que a decisão agravada reformou o acórdão a quo, determinando a inclusão dos valores recebidos em decorrência do Reintegra na base de cálculo do PIS, da Cofins, do IRPJ e da CSLL. III No julgamento do REsp 1.514.731/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 1º/6/2015, a Segunda Turma do STJ tratou do objeto da presente controvérsia. Na ocasião, foi decidido que Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.303 19 "(...) os valores do REINTEGRA são passíveis de incidência do Imposto de Renda, até o advento da MP nº 651/14, posteriormente convertida na Lei nº 13.043/14, de forma que a conclusão lógica que se tem é a de que tais valores igualmente integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, que é mais ampla e inclui, a priori, ressalvadas as deduções legais, os valores relativos ao IRPJ e à CSLL, sobretudo no caso de empresas tributadas pelo lucro real na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, cuja tributação se dá com base na receita bruta mensal da pessoa jurídica, a qual, por expressa disposição do art. 44 da Lei nº 4.506/64, abrange as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões e as subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais". IV Foi decidido ainda que "somente com o advento da Lei nº 12.844/13, que incluiu o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546/11, é que os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA foram excluídos expressamente da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por não se tratar de dispositivo de conteúdo meramente procedimental, mas sim de conteúdo material (exclusão da base de cálculo de tributo), sua aplicação somente alcança os fatos geradores futuros e aqueles cuja ocorrência não tenha sido completada (consoante o art. 105 do CTN), não havendo que se falar em aplicação retroativa" (REsp 1.514.731/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 1º.6.2015). No mesmo sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.461.265/RS, Rel. Ministra Diva Malerbi (Desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Segunda Turma, DJe 27.4.2016 (AgInt no REsp 1598604/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/03/2017, DJe 19/04/2017). V Sendo assim, com razão a Fazenda Nacional quanto à inclusão dos valores do Reintegra na base de cálculo do PIS e da COFINS até o advento da Lei 12.844/2013, sendo assegurado à empresa o direito à compensação/restituição de eventuais valores pagos a maior a esse título após a vigência da referida lei. VI Agravo interno improvido. (AgInt REsp 1660801/RS, de 24/10/2017) A meu sentir, o que fez a Lei Complementar foi impedir que a União, ao examinar as subvenções dadas pelos entes federados sob a forma de créditos de ICMS, para fins de apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, analise se as condições e requisitos exigidos pelos entes configuram efetivamente, em seu entendimento, estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Dito em outras palavras, o ente federado pode considerar de forma ampla o que seja estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Portanto, não haveria mais a necessidade de a lei estadual dirigir os recursos exclusivamente para a aquisição de ativos permanentes (que irão produzir lucros no futuro). Fl. 4303DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.304 20 Com essa alteração, as subvenções feitas pelos entes federados sob a forma de créditos presumidos de ICMS poderão afetar os lucros líquidos das pessoas jurídicas beneficiárias. Com isso, fica ainda mais evidente o caráter isentivo da norma que exclui esses valores do lucro real e, portanto, da base de cálculo de IRPJ e CSLL. Entretanto, a norma veiculada pela LC 160/2017 não afasta a possibilidade de exame do fiel cumprimento, por parte da entidade beneficiária, dos requisitos e condições para o recebimento da subvenção de ICMS. Ou seja, caso a pessoa jurídica desvie e não utilize os créditos recebidos do Estado na implantação ou expansão do empreendimento econômico, conforme as regras estabelecidas pelo ente federado, não terá direito à fruição do benefício fiscal concedido pela União, em relação ao IRPJ e à CSLL. Ademais, é de se registrar que, na espécie, há mais uma condicionante para a fruição da isenção concedida pela União. O artigo 10 da LC 160/2017 também incluiu na classe das subvenções para investimento os benefícios e incentivos de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar. Todavia, nesse caso, a fruição do benefício exige que o Estado cumpra os requisitos de publicação, registro e depósito de atos e documentos conforme artigo 3º do diploma legal. Os prazos para os Estados, bem como o próprio CONFAZ, cumprirem as determinações do artigo 3º da LC 160/2017 estão estabelecidos no Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Contudo, o CONFAZ, por meio das Resoluções nº 10/18, de 01/11/2018, e 18/18, de 19/12/2018, estendeu os prazos do Estado de Santa Catarina para: (i) realizar a publicação de que trata o artigo 3º, I, da LC 160/2017 até 31/07/2019; e (ii) efetuar o registro e o depósito de atos e documentos de que trata o artigo 3º, II, da LC 160/2017 até 27/12/2019. Portanto, para solucionar a lide ora submetida ao julgamento deste Conselho, é preciso verificar a implementação das exigências legais mencionadas. Para tanto, a autoridade administrativa responsável pelo procedimento de diligência deverá aguardar o prazo final concedido pelo CONFAZ ao Estado de Santa Catarina para o cumprimento dos deveres de publicação e depósito de atos e documentos relativos aos benefícios e incentivos instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal. Observase que o objeto da diligência poderá ser satisfeito caso a contribuinte apresente espontaneamente, antes das datas limites estabelecidas nas Resoluções acima, os elementos de prova necessários acerca do cumprimento, por parte do Estado e do CONFAZ, das obrigações legais decorrentes do artigo 10 da LC 160/2017. Conclusão. Voto por converter o julgamento em diligência para que o processo seja remetido à unidade de origem para que a contribuinte seja ser intimada, a partir de 28/12/2019, para comprovar que foram cumpridos os requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.642 S1C4T1 Fl. 4.305 21 Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, com fulcro nos artigos 3º e 10 da LC 160/2017. Após, o feito deverá retornar para julgamento. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Fl. 4305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.901869/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1201-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 18 69 /2 00 9- 21 Fl. 163DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 46/51, de nº 14820.00800.280906.1.3.046258, de 28/09/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ estimativa 31/05/2006, R$ 81.190,48). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 831278555 (efl. 56), de 09/04/2009, que decidiu: "Analisadas as informações prestadas no documento acima Idimtilicado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 89/95): Cientificada da decisão em 30/04/2009 (fl. 08), a Interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09/19), alegando, em síntese: QUE, de acordo com o art. 165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo recolhido indevidamente ou a maior, seja qual for a modalidade do seu pagamento; QUE, de acordo acorn o art. 170 do mesmo Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as condições para a compensação; QUE, no caso em questão, o art. 74 da Lei n° 9.430/1996 já determinou, deforma exaustiva, as hipóteses em que não é possível a compensação; QUE a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 não poderia criar hipóteses de vedação à compensação que não estivessem previstas na Lei n° 9.430/1996. A Delegacia de Julgamento (Acórdão n. 1237.193 15° Turma da DRJ/RJI, efls. 89/95) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que o entendimento da Receita Federal, na ocasião do Despacho Decisáorio, era de que as estimativas constituíam meras antecipações do IRPJ ou CSLL devidos e, sendo assim, não haveria como considerálas créditos líquidos e certos, ainda quando recolhidas indevidamente ou a maior.: Ora, em que pesem as judiciosas ponderações da impugnante, o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, não trouxe nenhuma inovação legal, e nem tampouco contrariou as disposições do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. A bem da verdade, apenas explicitou uma vedação que já existia no art. 170 do Código Tributário Nacional, no sentido de impedir a compensação de créditos desprovidos de liquidez e certeza. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/05/2011 (efl. 96) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 21/06/2011 (efl. 97), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11060.901869/200921 Acórdão n.º 1201002.959 S1C2T1 Fl. 164 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, imperativo considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas o Despacho Decisório entendeu de forma diversa, ao prescrever que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima Idimtilicado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Esta liquidez deve ser avaliada a partir daquele Despacho Decisório. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.913126/2009-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2000
DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado; contudo a transmissão de retificadora reduzindo o valor do débito declarado na original não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do indébito resultante.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/ LIQUIDEZ. ÔNUS.
Nos pedidos de restituição/compensação, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado é do contribuinte, mediante a apresentação de demonstrativos de apuração do valor do débito declarado a maior e do valor do débito correto, acompanhados dos documentos fiscais (livros, notas fiscais) e contábeis (Livro Razão) referentes aos valores utilizados nos respectivos demonstrativos.
Numero da decisão: 9303-008.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2000 DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado; contudo a transmissão de retificadora reduzindo o valor do débito declarado na original não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do indébito resultante. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/ LIQUIDEZ. ÔNUS. Nos pedidos de restituição/compensação, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado é do contribuinte, mediante a apresentação de demonstrativos de apuração do valor do débito declarado a maior e do valor do débito correto, acompanhados dos documentos fiscais (livros, notas fiscais) e contábeis (Livro Razão) referentes aos valores utilizados nos respectivos demonstrativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado; contudo a transmissão de retificadora reduzindo o valor do débito declarado na original não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do indébito resultante. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/ LIQUIDEZ. ÔNUS. Nos pedidos de restituição/compensação, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado é do contribuinte, mediante a apresentação de demonstrativos de apuração do valor do débito declarado a maior e do valor do débito correto, acompanhados dos documentos fiscais (livros, notas fiscais) e contábeis (Livro Razão) referentes aos valores utilizados nos respectivos demonstrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 26 /2 00 9- 88 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 9303008.372 CSRFT3 Fl. 261 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3803004.307, de 27/06/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo transcrita, na parte que interessa ao litígio oposto nesta fase recursal: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração, alegando omissão na decisão. Analisados os embargos, estes foram rejeitados nos termos do Despacho às fls. 155e/157e. Notificado do despacho e inconformado com rejeição dos embargos, o contribuinte apresentou recurso especial, suscitando divergência, em relação à (i) "retificação de DCTF e demonstração de créditos" e (ii) à denúncia espontânea, requerendo a reforma do acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à repetição do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) e, consequentemente, homologada a compensação declarada. Alega, em síntese, que a DCTF retificadora comprova a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado e, ainda, que a cobrança de juros moratório e de multa de mora sobre o débito compensado é indevida, pelo fato de ter ocorrido a denúncia espontânea, ao ter transmitido a Dcomp visando a homologação da compensação declarada, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo para sua cobrança, nos termos do CTN, art. 138. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 213e/220e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção negou seguimento ao recurso especial do contribuinte. Cientificado desse despacho, apresentou Agravo insistindo na admissibilidade de seu recurso especial. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 9303008.372 CSRFT3 Fl. 262 3 Analisado o Agravo, a Presidente da CSRF acolheuo, em parte, para dar seguimento ao recurso especial do contribuinte apenas com relação à matéria *retificação de DCTF e demonstração de créditos", conforme Despacho em Agravo às fls. 236e/245e. Intimado do acórdão, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade parcial, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo a manutenção da decisão recorrida pelos seus fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pelo contribuinte atende aos requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. Inicialmente, cabe esclarecer que não há impedimento legal à retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não homologou a Dcomp transmitida por ele. A não homologação da Dcomp, pela autoridade administrativa, mantida pela DRJ e também pelo Colegiado da Câmara Baixa, teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro utilizado na Dcomp e não a falta de retificação da DCTF e/ ou sua retificação depois da intimação do despacho decisório, conforme entendeu o contribuinte. Nos pedidos de restituição/compensação, cabe ao contribuinte apurar o valor do indébito pleiteado e solicitar sua restituição/compensação à RFB, mediante a transmissão de Per/Dcomp. Também, o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é dele. O Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe quanto à impugnação (manifestação de inconformidade): “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...].” Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 9303008.372 CSRFT3 Fl. 263 4 Com relação a provas, a Lei nº 13.105, de 16/3/2015 (Novo Código de Processo Civil), assim dispõe: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; [...].” Também, a Lei nº 9.784, de 29/1/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” No presente caso, conforme demonstrado na decisão da DRJ e também no acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou documento algum, fiscal (livros e notas fiscais) e/ ou contábil (Razão, balancete), para comprovar o alegado erro na apuração do valor da Cofins, para a competência do mês de maio de 2000, declarado na DCTF original e, consequentemente, para comprovar o valor do débito correto declarado na retificadora. A retificação de DCTF para reduzir o valor de débito tributário inicialmente declarado, visando a geração e a repetição do indébito resultante, obrigatoriamente, deve ser feita, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro, bem como de demonstrativos da apuração do valor declarado na DCTF original e do valor declarado na retificadora. Não basta reduzir o valor e transmitir uma retificadora, é necessário provar o erro cometido na original. De acordo com os dispositivos legais citados e transcritos, o valor do crédito financeiro pleiteado/compensado deve ser apurado pelo contribuinte, inclusive, demonstrando sua certeza e liquidez, mediante demonstrativos, acompanhados dos documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito. Como o contribuinte não comprovou o erro no preenchimento da DCTF e, consequentemente, a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado, não há que se falar em homologação da Dcomp. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 9303008.372 CSRFT3 Fl. 264 5 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012403/2001-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/04/1990 a 29/05/1998
ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF.
Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratando-se de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL exigido das sociedades anônimas, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
DECADÊNCIA PARCIAL.
Reconhecido do direito creditório, com exceção ao pagamento relativo ao ano base 1989.
Numero da decisão: 2201-005.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que o direito de pleitear a restituição, nos casos dos requerimentos administrativos formulados antes de 09 de maio de 2005, alcança 10 anos contados da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso sob apreço, a todos os fatos geradores que ocorreram após 11/11/1991.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratandose de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL exigido das sociedades anônimas, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA PARCIAL. Reconhecido do direito creditório, com exceção ao pagamento relativo ao ano base 1989. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que o direito de pleitear a restituição, nos casos dos requerimentos administrativos formulados antes de 09 de maio de 2005, alcança 10 anos contados da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso sob apreço, a todos os fatos geradores que ocorreram após 11/11/1991. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 24 03 /2 00 1- 64 Fl. 408DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 313/322 apresentado em face da decisão de primeiro grau (fls. 297/307) que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo reconhecendo o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal, desde que reconhecido o prazo decadencial de 5 anos da data do pagamento. Dado o didatismo do relatório produzido pelo julgador de primeira instância, transcrevo: Por meio do Pedido de Restituição de folha 3, protocolado em 12/11/2001, a Interessada pleiteia a restituição de valores recolhidos a título de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido, que era previsto no art. 35 da Lei nº 7.713/88. Aduz (f. 3) que “O artigo 1º da Resolução nº 82 do Senado Federal, de 18.11.1996 'é suspensa a execução do artigo 35 da Lei nº 7713, de 29.12.1988, no que diz respeito à expressão "o acionista" nele contida'. Portanto os recolhimentos do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido das Sociedades Anônimas foram indevidos”. Alega (f. 4) que o valor atualizado até outubro de 2001 monta a R$203.912,04, relativamente a pagamentos realizados de 30/04/1990 a 29/05/1998. Em análise do pedido, a autoridade recorrida proferiu em 09/09/2013 o Despacho Decisório de f. 247 a 253 em que negou o pedido de restituição. Em preliminar, sustenta que o prazo decadencial para pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, regese pelo art. 168 do CTN, extinguindose, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código. Deste modo, tendo o pedido sido protocolado em 12/11/2001, dos recolhimentos efetuados nos anos 1990 a 1998, não poderiam ser objeto de pleito repetitório os valores pagos antes de 13/11/1996. No mérito, sustenta que a Interessada não comprovou ter assumido o ônus financeiro no recolhimento do indébito, nos termos do art. 166 do CTN: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11080.012403/200164 Acórdão n.º 2201005.076 S2C2T1 Fl. 409 3 somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro,estar por este expressamente autorizado a recebêla. Assim sendo, não haveria possibilidade de deferir a restituição. Da Manifestação de Inconformidade Intimada do despacho decisório, apresentou manifestação de inconformidade que constou do relatório da decisão recorrida, da seguinte forma: Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de f. 259 a 292. Em relação ao prazo para petição da restituição, alega que o termo inicial ocorre com a Resolução nº 82 do Senado, publicada em 19/11/1996, de modo que o termo final do prazo de cinco anos seria no dia 19/11/2001, o que demonstraria a tempestividade do pedido protocolado em 12/11/2001. Fundamenta essa posição em precedente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em relação à legitimidade da empresa para pleitear a restituição, alega que, em se tratando de sociedade constituída por ações, como era o caso da Interessada no período em que pleiteia a restituição, a distribuição de lucros aos acionistas não pode ocorrer concomitantemente à sua apuração, mas depende de aprovação futura por meio de assembleia geral ordinária, conforme art. 132, inciso II, e art. 192 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A). Deste modo, não haveria que se falar em transferência do encargo a terceiros. Ampara este entendimento em precedentes judiciais e administrativos. Da Decisão Proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) Em primeiro grau a DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (fls. 297/307) que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/1990 a 29/05/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/04/1990 a 29/05/1998 ILL. LEGITIMIDADE DA SOCIEDADE ANÔNIMA. Fl. 410DF CARF MF 4 Nas sociedades anônimas, os acionistas somente adquirem disponibilidade financeira ou jurídica em relação ao lucro da empresa, após a deliberação de assembleia geral ordinária. Como o imposto incide sobre os lucros apurados e não distribuídos, o ônus econômico deste é suportado pela empresa, que, conseqüentemente, tem legitimidade para pleitear a restituição. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada desta decisão (fl. 596), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Em apertada síntese, o caso diz respeito à restituição de valores pagos a título de ILL (Imposto de renda sobre o Lucro Líquido), tendo em vista o fato de a Resolução do Senado Federal nº 82, de 18/11/1996, ter suspendido a eficácia do termo "acionista" constante do art. 35 da Lei nº 7.713/88, em consonância com decisão do Pretório Excelso proferida no RE nº 138.2848. Entretanto, tal pedido foi denegado pela DRF/Maceió (fl. 73), fundamentado se a decisão no decurso do prazo decadencial para o exercício desse direito. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE nº 566.621 (j. 4/8/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp nº 1.002.932/SP (j. 25/11/2009) e nº 1.269.570/MG (j. 23/5/2012), julgados os quais deve este Colegiado observar, tendo em vista o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento do CARF (Portaria MF nº 343/15). Os tribunais superiores no âmbito judicial reconheceram que o prazo prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tais como o ILL, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, antes de 9/6/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º do CTN, somado ao prazo de cinco anos previsto no artigo 168, I desse Código. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11080.012403/200164 Acórdão n.º 2201005.076 S2C2T1 Fl. 410 5 Em outros termos, os contribuintes têm nessas situações o prazo total de 10 (dez) anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Nesse rumo, diversas decisões da CSRF já se pronunciaram, como por exemplo os Acórdãos nos 9900000.382 (j. 28/8/2012), 9202003176 (j. 6/5/2014) e 9202004.021 (j. 12/5/2016). Foi editada, inclusive, súmula nesse sentido pelo Pleno em sessão de 9/12/2013: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De sua parte, a Procuradoria, em interpretação do RE nº 566.621, aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014, no qual concluiu que: (...) os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. Tendo em vista as decisões e orientações jurisprudenciais e administrativas acima relatadas, cumpre reconhecer que o direito de pedir a restituição dos valores em comento não se encontra decaído, havendo sido exercido dentro do prazo decenal aplicável à espécie, salvo o relativo ao ano base 1989, que se encontra decaído. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de afastar a decadência do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte. Estando decaído o pagamento relativo ao ano base 1989. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722318/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO.
O tribunal de origem confirmou a intempestividade da impugnação , e assim corrobora o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo.
Numero da decisão: 2001-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. O tribunal de origem confirmou a intempestividade da impugnação , e assim corrobora o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo.
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. O tribunal de origem confirmou a intempestividade da impugnação , e assim corrobora o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 23 18 /2 01 1- 18 Fl. 111DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, anocalendário de 2007. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física DIMOB – no valor de R$ 49.754,05. O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, pois ele e sua esposa, Romélia Andrade Dias, casados sob o regime de comunhão de bens, utilizaramse da previsão legal de tributação na proporção de 50% em nome de cada cônjuge. A DRJ São Paulo não conheceu da peça impugnatória por intempestividade conforme consignado detalhadamente no acórdão. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte sustenta que tratase de uma sociedade conjugal, e foram reconhecidos os rendimentos na proporção de 50% cada um, como é feito todos os anos. Por esta razão, em conformidade com a norma de regência, o Recorrente declarou corretamente 50% do aluguel que ele e sua esposa receberam no ano de 2007. Junta toda a documentação para corroborar o quanto alegado e evidenciar que não houve qualquer omissão de rendimentos ou dano ao erário. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Conforme se depreende dos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72, a falta de impugnação da exigência, no prazo de 30 dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. Vale dizer, quando o réu devidamente citado não apresenta a sua contestação ao tempo expresso em lei, por óbvio abriu mão do direito de contestar, e deve suportar todos os efeitos da revelia, já que o vencimento deste prazo com a inércia do réu faz nascer a preclusão, e conseqüentemente a vedação da pratica do ato. A própria legislação não é omissa quanto ao tema, e sequer deixa margem a outra interpretação, senão a proibição da pratica do ato após escoado o prazo fixado em lei. Esta é sem dúvida uma das mais explícitas evidencias do não acolhimento do Recurso por via da preclusão, já que na forma dos dispositivos aqui mencionados, a idéia central é a que o processo ande para frente e é conceituado como a perda da faculdade de se praticar um determinado ato. Deste modo, o descumprimento dos prazos estatuídos em lei para a apresentação da impugnação pelo contribuinte, faz nascer a preclusão, e via de conseqüência a revelia, sendo após a incidência destes institutos absolutamente vedada a pratica do ato. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10510.722318/201118 Acórdão n.º 2001001.247 S2C0T1 Fl. 3 3 Assim, entendo que o Recurso Voluntário não deve ser conhecido pelos motivos acima expostos. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902258/2008-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO.
Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
Numero da decisão: 1001-001.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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LIQUIDEZ. CRÉDITO. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 22 58 /2 00 8- 45 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10983.902258/200845 Acórdão n.º 1001001.207 S1C0T1 Fl. 182 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação 01786.96331.170806.1.7.041652 (efls.14/18), de 17/08/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (CSLL PA 31/12/2002, data de arrecadação 30/09/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775549475 (efl.12), que analisou as informações e reconheceu que não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi assim resumida no relatório da decisão recorrida (efls. 22/25): II – O DIREITO Da peça intimidatória depreendese que ocorreram os seguintes fatos: a) Recolhimento de CSLL do período de apuração 31/10/2002 no valor de R$ 13.435,24; b) Recolhimento este que foi considerado, posteriormente, indevido ou a maior; c) Utilização do valor recolhido, considerado a maior ou indevido, para compensar com outros débitos através da PERDCOMP. O contribuinte não nega estes fatos. Acrescenta ainda, que a PER/DCOMP em tela, de nº 01786.96331.170806.1.7.041652, de natureza retificadora, foi transmitida em 17/08/2006, utilizandose do valor de R$ 6.051,94. Não há que se destacar legislações e nem jurisprudências, pois o contribuinte não nega nenhum dado constante para análise. Porém, somente, trás a lume um ponto de discordância e este, por si, se basta para justificar a impugnação. O recolhimento do tributo gerador da compensação futura, "não localizado nos sistemas da Receita Federal", não é peça de ficção. Existe e vai anexada à presente Impugnação. Tratase de Darf devidamente recolhido e autenticado pela Instituição Financeira recebedora (Bradesco) em 31/01/2003, originado no código de receita 2484. Referido código de receita tem por fato gerador: CSLL – DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10983.902258/200845 Acórdão n.º 1001001.207 S1C0T1 Fl. 183 3 Diante dos dados apresentados, considerando o contribuinte que o ponto principal apurado pelo auditor fiscal foi a não localização nos sistemas da Receita Federal da comprovação documental do recolhimento e considerando ainda a prova material anexada, o contribuinte entende que se legitima o crédito declarado na PER/DCOMP. [...] A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0729.370 3 ª Turma da DRJ/FNS, efl. 22/25). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento informado na DCOMP pela recorrente, de fato, não existe. Por isso, o Despacho Decisório não demanda reparo. E mesmo que se considere que o DARF seja aquele (outro) apresentado pela recorrente, constatou a DRJ que o alegado pagamento a maior no montante de R$ 6.051,94 não foi devidamente comprovado pela recorrente. Cientificada em 20/08/2012 (efl. 27), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/09/2012 (efl. 29), repetindo os argumentos levados à primeira instância e alegando, em resumo, que a autoridade julgadora administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, e pede a juntada de cinco processos de PER/DCOMP em seu nome que foram protocolados por profissional de contabilidade de forma aleatória e equivocada e que não correspondiam à realidade. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado em PER/DCOMP e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. Mas antes da análise da documentação que comprova o crédito, nestes autos não se confirmou o próprio recolhimento declarado na PER/DCOMP em questão. Desta forma, se erro houve na descrição das características do recolhimento cabia a apresentação de nova declaração de compensação, o que não foi feito pelo contribuinte. Desta forma, adiro às razões da primeira instância, razão pela qual transcrevo seus fundamentos a seguir: A data de arrecadação do DARF é 31/01/2003, porém na DCOMP a interessada informou data de arrecadação em 30/09/2003. Isto impediu que o pagamento fosse localizado, pois a data de arrecadação é um dos parâmetros utilizados para identificar o pagamento. Ou seja, o DARF não foi localizado em Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10983.902258/200845 Acórdão n.º 1001001.207 S1C0T1 Fl. 184 4 razão de erro cometido pela recorrente no preenchimento das informações pertinentes na DCOMP (“erro” desta mesma natureza foi cometido pela recorrente em várias outras DCOMP: 22896.33127.170806.1.7.044135, 16418.59129.170806.1.7.046883, 32470.59512.170806.1.7.046583, etc.). Deste modo, o pagamento informado na DCOMP pela recorrente, de fato, não existe. Por isso, o Despacho Decisório não demanda reparo. Considerando agora que o DARF seja aquele ora apresentado pela recorrente, constatase que o alegado pagamento a maior no montante de R$ 13.435,24 não foi devidamente comprovado pela recorrente. À evidência, o pagamento de R$ 13.435,24 encontrase totalmente alocado ao débito de mesmo valor informado pela própria recorrente em DCTF, conforme registro supra. Ainda que se supere a situação de não localização do DARF, causada por erro cometido pela recorrente, permanece inalterada a acusação de que não foi confirmada a existência de crédito. Cabe aqui a regra geral de que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito (CPC, art. 333, I). Deste modo, além de provar que o DARF é em verdade outro, que não aquele que informou na DCOMP, a recorrente deveria comprovar o direito creditório que alega possuir, sem o quê o pleito não poderá ser acatado. Ante o exposto, manifestome pela improcedência da manifestação de inconformidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000198/96-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - REVISÃO DO LANÇAMENTO - Nos termos do § 4, art. 3, Lei nr. 8.847/94, o VTNm pode ser revisto se o pleito do contribuinte se sustenta em laudo técnico (observadas as normas da ABNT) emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. É a prova indispensável, formal, que a lei impõe. CONTRIBUIÇÕES: CNA, CONTAG E SENAR - Legalidade. Jurisprudência uniforme nas três Câmaras do 2 C. C. JUROS E MULTA DE MORA - Incabível a exigência da multa de mora (20%) se o lançamento foi impugnado tempestivamente (art. 33, Dec. nr. 72.106/73 e ADN nr. 05/94). Quanto aos juros de mora, sempre são devidos se o tributo foi pago após o vencimento, mesmo que esteve suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de impugnação ( art. 5, Dec-Lei nr. 1.736/79), INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - Matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-09511
Nome do relator: JOSÉ CABRAL GAROFANO
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ementa_s : ITR - REVISÃO DO LANÇAMENTO - Nos termos do § 4, art. 3, Lei nr. 8.847/94, o VTNm pode ser revisto se o pleito do contribuinte se sustenta em laudo técnico (observadas as normas da ABNT) emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. É a prova indispensável, formal, que a lei impõe. CONTRIBUIÇÕES: CNA, CONTAG E SENAR - Legalidade. Jurisprudência uniforme nas três Câmaras do 2 C. C. JUROS E MULTA DE MORA - Incabível a exigência da multa de mora (20%) se o lançamento foi impugnado tempestivamente (art. 33, Dec. nr. 72.106/73 e ADN nr. 05/94). Quanto aos juros de mora, sempre são devidos se o tributo foi pago após o vencimento, mesmo que esteve suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de impugnação ( art. 5, Dec-Lei nr. 1.736/79), INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - Matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Recurso provido em parte.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 2.0 PUBLICADO NO D. C. ti. klW)Tjy c21....1 . 19 3 2SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C De ./ 495 / ( Rubrica Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 RECORRI DESTA DECISÃO Sessão 15 de setembro de 1997 29 Recurso : 100.896 C EM, a b del2 de 19./2.... Recorrente : JOÃO NERY DE SOUZA c Recorrida : DRJ em Foz do Iguaçu - PR ----ncura— —Prd., Reo. da Faz. N tonal ITR - REVISÃO DO LANÇAMENTO - Nos termos do § 4 0, art. 3°, Lei n. 8.847/94, o VTNm pode ser revisto se o pleito do contribuinte se sustenta em laudo técnico (observadas as normas da ABNT) emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. É a prova indispensável, formal, que a lei impõe. CONTRIBUIÇÕES: CNA, CONTAG E SENAR - Legalidade. Jurisprudência uniforme nas três Câmaras do 2° C.C. JUROS E MULTA DE MORA - Incabível a exigência da multa de mora (20%) se o lançamento foi impugnado tempestivamente (art. 33, Dec. n. 72.106/73 e ADN n. 05/94). Quanto aos juros de mora, sempre são devidos se o tributo foi pago após o vencimento, mesmo que esteve suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de impugnação (art. 5°, Dec-Lei n. 1.736/79). 1NCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - Matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JOÃO NERY DE SOUZA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de mora. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo e Marcos Vinícius Neder de Lima. Sala das Sessões em 15 de setembro de 1997 a o: Vinícius Neder de Lima &residente José Ca: ..tol .fano Relat o Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helvio Escovedo Barcellos, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho e Antonio Sinhiti Myasava. Fclb/ 1 „ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 Recurso : 100.896 Recorrente : JOÃO NERY DE SOUZA RELATÓRIO Neste processo administrativo fiscal o sujeito passivo discute o lançamento do ITR/95, de seus imóveis cadastrados na Secretaria da Receita Federal sob os ns. 0805587.4, 0805584.0, 0805583.1, 0805585.8 e 0805586.6, situados no Município de Icaraírna/PR. O contribuinte apela da DECISÃO N° 0104/97 (fls. 109/115), que está lavrada sob a seguinte ementa: "IMPOSTO S/ PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL BASE DE CÁLCULO EMENTA: Valor da Terra Nua Mínimo (VTNm). Revisão do Lançamento. O VIN mínimo fixado, para cada município, pela Instrução Normativa SRF 42/96, em complemento à Lei 8.847/94, somente pode ser revisto por norma de igual ou superior status hierárquico. NORMAS GERAIS EMENTA: V7'Nm. Inconstitucionalidade. A Decisão é vinculada às normas jurídicas, legais e administrativas. É privativo do Poder Judiciário o julgamento sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma jurídica. FATO GERADOR EMENTA: Vigência da lei. Princípios da Anterioridade e da Anualidade. A Lei 8.847/94, que regula o ITR, resulta da conversão da MP 399/93, que tem vigência a partir de 29/12/93. O VINm fixado pela IN SRF 42/96, em complemento à Lei 8.847/94, não é base de cálculo do imposto. Inaplicáveis as vedações correspondentes aos princípios da anterioridade e da anualidade (CF, art. 150-III, 'a' e `1 . ', CIN, art. 9°-II). OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS 2 ,J MINISTÉRIO DA FAZENDA n'",4j# SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 OUTROS EMENTA: Contribuições Sindicais Rurais. Contribuição ao SENAR Constitucionalidade As contribuições ao SENAR e as sindicais do empregador e do trabalhador são reguladas pelos Decretos-Leis 1.146/70, 1.982/82 (SENAR) e 1.166/71 (sindicais rurais), recepcionados pela Constituição Federal/88 (CF, art. 149. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 34, § 5°). EMENTA: ITR. Contribuição Sindical do Empregador Rural. Bitributação. Não implica em bitributação a igualdade da base de cálculo (Valor da Terra Nua) entre o ITR e a Contribuição Sindical do Empregador Rural. EMENTA: Contribuições ao SENAR e Sindicais Rurais. Competência da SRF para a Administração. A SRF tem competência de administração das contribuições sindicais rurais e ao SENAR, recebida pelo art. 1° da Lei n°8.22/90, c/alterações do art. 24 da Lei n°8.847/94 LANÇAMENTO PROCEDENTE" Em suas razões de recurso (fis.119/129) o contribuinte ataca sob todos os aspectos o lançamento do ITR, estendendo seus argumentos sobre os seguintes tópicos: 1- DO IMPOSTO 1. ITR - VTN ARBITRADO 2. UFIR - URV - REAL 3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 4. MULTA E JUROS DE MORA 5. JURISPRUDÊNCIA II- AS CONTRIBUIÇÕES 1 - LEGALIDADE 2- A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO 3 ‘' AV( MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 3- A COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL 4- ENQUADRAMENTO SINDICAL 5- BASE DE CÁLCULO 6- CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR 7- SENAR Ao final requer seja declarada a nulidade das Notificações e expurgadas do lançamento as exigências das contribuições. Se não considerado o pedido, requer perícia para apurar o Valor da Terra Nua que atende à realidade e, como base ao disposto no artigo 148, CTN, requer diligência junto às imobiliárias locais, Registro de Imóveis, Cartórios, Prefeituras e Estado, para se apurar o real valor de mercado praticado à época. As contra-razões do Sr. Procurador da Fazenda Nacional estão às fls.132/133, e pedem pela manutenção do lançamento. É o relatório 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 0-,(0)7,5 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ CABRAL GAROFANO O recurso voluntário foi manifestado dentro do prazo legal. Dele conheço por tempestivo. O julgador singular assim decidiu a lide: "2.1 Pedido de Revisão do Lançamento do ITR 2.1.1 Alegação: Inadequação do VTNm Diz o art. 3° da Lei n°8.847/94, que regula o ITR: 'A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua - V11V, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior.' Pelo sÇ 2° do artigo supra, a lei atribui à Secretaria da Receita Federal - SRF a fixação do valor mínimo, ouvidos outros órgãos da administração pública. Em complementação à lei, a Secretaria da Receita Federal emitiu a Instrução Normativa n° 42/96, fixando o VTN mínimo para todos os municípios do país. Este ato normativo resultou de extensa pesquisa em todos os Estados ,utilizando metodologia criteriosa, assim resumida: - Os municípios foram agrupados por microrregião geográfica estabelecida pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - FIBGE; - Foram utilizados preços médios de vendas de terras de lavouras, campos e pastagens; - Tais dados foram objeto de análise de consistência, no âmbito de cada microrregião geográfica; - Adotou-se, como VTN mínimo, o menor preço médio entre os três tipos de terras, para cada município; - A variação positiva desse valor em relação ao exercício anterior foi limitada superiormente à variação de preços médios de terras no respectivo Estado. Pela cuidadosa metodologia empregada pela FGV, em particular pela análise de consistência de dados no âmbito de cada microrregião 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 geográfica, tem-se certeza da adequação do VTN mínimo (R$ 1.721,16) fixado para o município do impugnante. A possibilidade de ter ocorrido inexatidão material, na fixação desse valor, fica descartada pela comparação com os dos municípios vizinhos, que são da mesma ordem de grandeza, como se verifica abaixo: Município VTArm (R$) Douradina 1.818,83 Vila Alta 1.833,52 Ivate 1.657,30 O valor mínimo fixado pela administração pública por delegação legal, resultante que é de pesquisa de preços de venda de terras, efetuada necessariamente por amostragem, com certeza não é nem poderia ser conceitualmente igual ao mínimo absoluto da amostra pesquisada, pois um único evento pode não ter significancia estatística. Muito menos o será do universo. De acordo com a metodologia acima explanada, o VTN mínimo é o valor médio unitário do tipo menos valioso de terra nua do município. Ou seja, a `mens legis" aceita a existência de casos de valor real situado abaixo do mínimo fixado. Este tem função legal relativa, que implica na inversão do ônus da prova. Caberia à Administração provar, para desqualificar um valor de terra nua superior ao mínimo fixado, se declarado indevidamente. Mas cabe ao contribuinte provar a validez do valor declarado, se inferior ao mínimo determinado É norma em branco a Lei n° 8.847/94, que depende de norma administrativa complementar, no que tange ao VIN mínimo. Em contrapartida, a norma administrativa que fixa esse valor é parte da lei, é lei em sentido material. A norma tributária tem o significado de autotributaçã o do povo, criada por seus representantes, com a finalidade de onerar a todos, indistintamente. O VTN mínimo, fixado que é em decorrência de lei, tem que prevalecer sobre os interesses de indivíduos. Os mais nobres princípios diretores da atividade tributária do Estado dão sustentação a esta tese. Pelo princípio constitucional da estrita legalidade da tributação, a qual é intervenção direta do Estado no âmbito da propriedade, o particular é protegido contra possíveis desmandos de um administrador público, e em contrapartida submete-se à lei que, no dizer de Marcial Ferreira Jardim, 'gravita altaneira sobre governantes e governados'. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 Pelo princípio constitucional da isonomia, a submissão à lei dá-se em condições de igualdade entre todos: todos os contribuintes que se encontram na mesma situação devem ser tratados igualmente. Ou, de forma mais abrangente, conforme aguda percepção de Celso Antônio Bandeira de Melo: deve existir nexo plausível entre o critério desigualador e a finalidade por ele perseguida. Ao adotar a restrição do V1N mínimo, atendeu a lei a este princípio, ao desigualar desiguais na exata proporção de sua desigualdade (VTN mínimo especifico para cada região), e igualar os iguais (imóveis de uma mesma região homogênea sujeitos a um único critério). Admitindo alguma dose de imperfeição, por praticidade admitiu- se divisão por município. A possibilidade de revisão do VTN mínimo pela autoridade administrativa competente, em caso de questionamento pelo contribuinte, prevista no § 40 da Lei n° 8.847/94, há que ser entendida sistemicamente e sob a égide dos princípios de direito. Pelo principio da estrita legalidade da atividade tributária, o VIN mínimo, definido em norma administrativa complementar de lei tributária em branco, somente pode ser revisto por outra norma de igual ou superior status hierárquico, para se obrigar a todos indistintamente. A correta interpretação é a de que o § 40 supra-referido tão somente amplia a delegação legal contida no § 2°. Este dá competência à SRF para fixar o VTN mínimo. Aquele para revê-lo. Mas sempre por via de norma complementar à lei, formando com esta corpo legal único, dirigido a todos. Na via do contencioso administrativo, em i a instância ou na recursal, é inquestionável a validade do V1'N mínimo, determinado em norma complementar à lei, por tratar-se de atividade administrativa plenamente vinculada à lei, atividade que não comporta juízo de conveniência ou de oportunidade. Por conseguinte, é inadmissível o pedido de revisão do lançamento dos tributos, feito sob alegação de ser inadequado à região o V1'N mínimo fixado. A perícia e as diligências requeridas, a julgar pelos quesitos formulados para a primeira e pelos sujeitos das consultas para as segundas, têm o objetivo de questionar o VTN mínimo determinado para o município. O pedido é inadmissível, como visto acima. 2.1.2 Alegação: Inconstitucionalidade do VTNm O princípio da anterioridade da lei, expresso no art. 150-111- 'a' da Constituição Federal e no art. 90 - II do Código Tributário Nacional, proíbe 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •;1;011«.-?,yY Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado. A Lei n° 8.847, de 28/01/94, que regula o ITR, resulta da conversão da Medida Provisória n° 399/93, com vigência a partir da data da publicação, feita em 30/12/93. A impugnação refere-se a majoração inconstitucional do imposto, relativamente ao exercício de 1995. O que foi alterado foi o Valor da Terra Nua Mínimo (Min) no município, fixado pela Secretaria da Receita Federal, por delegação conferida pelo art. 3°, § 2°, da Lei 8.847/94. Essa alteração decorreu de extenso trabalho de revisão, feito a nível nacional, que utilizou estudos macrorregionais, estaduais e microrregionais. Tal revisão resultou na Portaria SRF 42/96 que fixou, para o exercício de 1995, o VINm, por hectare, para cada município. O VI'Nm não é a base de cálculo do imposto, portanto não se lhe aplicam vedações constitucionais correspondentes aos princípios da anterioridade e da anualidade (Constituição Federal, art. 150-111, 'a' e `b). O VTNm e, conceitualmente, apenas parâmetro controlador do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte. É valor mínimo por presunção legal relativa, admitindo prova em contrário, que cumpre função de inversão do ônus da prova. Por último, é importante ressaltar que o VTNm é elemento de norma que esta Decisão se vincula, como todo ato administrativo. 2.2 Pedido de Revisão dos Lançamentos das Contribuições 2.2.1 Alegação: Inconstitucionalidade As contribuições sindicais do empregador rural e do trabalhador rural são reguladas pelo Decreto-Lei n° 1.166/71 e pelo art. 580 da Consolidação das Leis do Trabalho, que foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988, por força de seu artigo 149 e do art. 34, § 5°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.. De resto, cabe ressaltar que a presente Decisão vincula-se à totalidade das normas jurídicas, legais e administrativas, como ato administrativo que é. É privativo do Poder Judiciário o julgamento sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma jurídica. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 2.2.2 Alegaç á" o: Bitributação, quanto à Contribuição do Empregador e ao ITR O Imposto Territorial Rural (ITR) é tributo sobre o domínio (ou parte desse) de imóvel rural. As contribuições sindicais, previstas no art. 580 da Consolidação das Leis do Trabalho, incidem sobre a relação de emprego. Têm, portanto, fatos geradores distintos. É o fato gerador que determina a natureza jurídica específica do tributo (Código Tributário Nacional, art. 4°). Não implica em bitributação a igualdade da base de cálculo, qual seja o Valor da Terra Nua, entre o ITR e a Contribuição Sindical do Empregador Rural, para a condição especifica de empregador-pessoa física. O valor da Terra Nua tem, na contribuição, caráter substitutivo da parcela do capital social atribuída ao imóvel, esta a sua base de cálculo geral. 2.2.3 Alegação: Incompetência da SRF p/ administrar as Contribuições Por força do art. 1° da Lei 8.022/90, com as alterações trazidas pelo art. 24 da Lei 8.847/94, a Secretaria da Receita Federal tem competência de administração das contribuições à Confederação Nacional da Agricultura - CNA, à Confederação Nacional dos Trabalhadores - CONTAG e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR. Tal competência, que se estende até 31/12/96, compreende as atividades de tributação, arrecadação, fiscalização e cadastramento. Trata-se de capacidade tributária ativa, que é transferível, e não se confunde com a competência tributária plena, indelegável, própria das pessoas políticas. Aquela consiste em aptidão administrativa, esta em legislativa. A União, por meio de seu Poder Legislativo, pode cometer a capacidade tributária ativa a um órgão da administração direta que se configure o mais apto r, por igual motivo, transferi-la de um para outro órgão, assim como delegá-lo a outra pessoa jurídica. Estou com a decisão recorrida, contudo, faço restrição quanto à asseveração de que o VINm só poderia ser revisto tão-somente "via de norma complementar à lei, formando esta corpo legal único, dirigido a todos". Este Colegiado já firmou entendimento de que é facultado ao Contribuinte impugnar a base de cálculo utilizada no lançamento atacado, seja ela oriunda de dados por ele mesmo declarado na Declaração do Imposto Territorial Rural - DITR respectiva ou decorrente do produto da área tributável pelo VTNm/ha do Município onde o imóvel rural está localizado. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA Of03Za, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 Este é o mesmo entendimento da Administração Tributária, que se pronunciou por meio da NOTA MF/SRF/COSIT N° 203, de 29.05.95, que veio tecer considerações sobre a NOTA SRF/COSIT/COSAR N° 019, de 08.05.95. Porém, tanto para revisão do VIN declarado como do VTNm, incumbe ao Contribuinte o ônus de provar através de elementos hábeis a base de cálculo que alega como correta na forma estabelecida no § 1° do artigo 3° da Lei n. 8.847/94, ou seja, o Valor da Terra Nua - VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior, que é obtido através da exclusão do valor do imóvel (de mercado) dos seguintes bens nele incorporados; I - Construções, instalações e benfeitorias; II - Culturas permanentes e temporárias; III - Pastagens cultivadas e melhorias; IV - Florestas plantadas. E essa prova é o laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o qual para atender os parâmetros legais acima indicados haverá de ser específico ao imóvel rural, avaliando o seu valor de mercado e dos bens nele incorporados, de sorte a apurar o VTN que se traduz na base de cálculo alegada. Ademais, a atividade de avaliação de imóveis está subordinada aos requisitos das Normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8799/85), daí a necessidade para o convencimento da propriedade do laudo que se demonstre os métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levam à convicção do valor atribuído ao imóvel e aos bens nele incorporados. Da mesma forma a apresentação de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no CREA, é o requisito legal que demonstra a habilitação do profissional responsável pelo laudo de avaliação. Tenho que o Laudo de Descrição e Avaliação (fls. 43/57) - além de não ser seja específico para os imóveis em questão - não atende a todos os requisitos da Norma Técnica NBR 8799/85, norma esta que deve ser observada na integralidade, vez que é de natureza técnica e só se presta à aplicação de métodos estabelecidos pelo CREA, órgão responsável pelo exercício da atividade de engenharia e arquitetura, ao qual este Colegiado tem que se curvar por se tratar de matéria específica. Dentre os itens da Norma Técnica não atendidos pelo Laudo de fls. 43/57, destaca-se: 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 1. indicação dos diversos valores pesquisados que serviram de base para a avaliação; 2. justificativa da escolha dos métodos e critérios de avaliação; 3. tratamento dos elementos de acordo com os critérios escolhidos e com o nível de precisão da avaliação; 4. cálculo dos valores com base nos elementos pesquisados e nos critérios estabelecidos; 5. determinação do valor final com indicação da data de referência; 6. conclusões com os fundamentos resultantes da análise final. Já quanto aos expedientes da Prefeitura Municipal de Icaraima/PR, dos quais constam os valores de pauta para cobrança do I.T.B.I. (dez/94 e jan/95), os mesmos não se prestam para alterar o VTNm divulgado pela IN/SRF n° 42/96. Este é o entendimento trazido no item 5 da NOTA MF/SRF/COSIT N°203, de 29.05.95: "É de ressaltar, por oportuno que as prefeituras de municípios não estão incluídas entre os órgãos ou entidades cuja manifestação técnica é exigida pela Lei n°8.847/94. No máximo, o Ministério da Agricultura e as Secretarias de Agricultura do Estado poderão coletar junto às prefeituras informações sobre o preço da terra nua, para efeito do levantamento de que trata o art. 3°, § 2° d Lei n°8.847/94, o que não significa que os valores afinal fixados sejam coincidentes com os informados pelas prefeituras." (grifo do original) Muito embora o contribuinte tenha impugnado várias matérias contidas no lançamento do ITR/95, e sustentado sua defesa na petição de recurso, este Conselho já se pronunciou sobre todas elas, e a decisão recorrida não se afastou da jurisprudência dominante neste tribunal administrativo, a qual mantenho na integra. Assiste razão ao recorrente quando se insurge contra a multa de mora cobrada após a decisão singular, vez que para tal exigência inexiste previsão legal que a autorize. Por força do disposto no artigo 33, do Decreto n. 72.106/73, a multa moratória não pode ser exigida se o sujeito passivo exerceu seu direito de impugnar o lançamento antes do vencimento. Diversas vezes já me manifestei sobre esta questão, como dão conta, entre vários, os Acórdãos ns. 202-07.977 e 202-08.014. Diga-se de passagem que o Sr. Procurador da Fazenda Nacional, ao oferecer suas contra-razões, pediu pela exclusão da multa de mora, uma vez que também no seu entender a mesma não integra os 'acréscimos legais', a que se refere o ADN n. 5, de 25.01.94. 11 . , MINISTÉRIO DA FAZENDA ik&à1", SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 Na verdade, o ATO DECLARATORIO (NORMATIVO) n° 05, de 25.01.94, publicado no D.O.U. de 26.01.94, do Sr. Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, veio declarar, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados que "Se a suspensão ocorreu através de processo de impugnação, o crédito tributário relativo ao ITR e a Taxa de Serviços de Cadastrais, julgado contrário ao sujeito passivo, total ou parcialmente, sofrerá ainda, incidência de juros de mora sobre o valor atualizado". Nada mais claro que o Ato Declaratório n° 05/94 foi expedido e publicado com o escopo de orientar tanto a SRF como o contribuinte, no sentido de que uma vez mantido o lançamento do ITR, no todo ou em parte, ao imposto seriam acrescidos os juros de mora e a correção monetária. Na medida em que o a autoridade fazendária especializou quais os acréscimos que seriam devidos (correção monetária e juros de mora), não há como o interprete inserir no normativo a exigência da multa de mora. Assim, a mencionada orientação contida no ADN n. 05/94 - seguida pelo contribuinte que impugnou o lançamento antes de seu vencimento - é o caso concreto da aplicação do principio insito no CTN: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1- os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição das penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." Em resumo, ao impugnar o lançamento do ITR o contribuinte estava sob o amparo do ADN n. 05/94, que por sua vez é uma das normas complementares a que se refere o artigo 100, inciso I, do CTN e, por este motivo, como dispõe o parágrafo único do dispositivo, a observância de tais normas exclui a imposição de penalidades, sendo que não se aplica à espécie a exclusão dos juros de mora e a atualização monetária porque o próprio ato normativo da Administração já faz a devida ressalva. Não tenho noticia de posterior ato normativo/ expedido e publicado pela Administração, que tenha alterado a orientação contida no ADN n° 05/94, pelo que, por mais este motivo, não é devida a incidência da multa de mora, uma vez que, repito, o contribuinte não descumpriu a orientação até hoje vigente, no meu entender. Quanto aos encargos (juros de mora), o comando insito da norma integrante do artigo 59 da Lei n. 8.383, de 1.991, impõe que tal exigência deve incidir sobre todos os 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA 44j4'15 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13956.000198/96-91 Acórdão : 202-09.511 tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sem qualquer exclusão ou especialização para o ITR. A incidência dos juros de mora está prevista no artigo 161 do CTN. Profira- se, outrossim, que os tributos e as contribuições administrados pela Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos a juros de mora de 1% ao mês- calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. É de se esclarecer, ainda, que os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial, como alerta o artigo 5° do Decreto-Lei n. 1.736/79. Somente o depósito em dinheiro faz cessar a responsabilidade por esses juros (art. 9°, § 4°, da Lei n. 6.830/80). São estas razões e decidir que me levam a DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de mora (20%) exigida após a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 15 de setembro de 1997 / JOSÉ CABRAL 1' OFANO 13 . ,... r MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL EXm° Sr. Presidente da 2a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes Processo n213956.000198/96-91 Acórdão: n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA 1 - A Fazenda Nacional, pelo procurador infra-assinado, vem, na forma do art. 29, inc. I, da Portaria MEFP n2 538/92 e alterações da Portaria MF n 2 260/95, interpor Recurso Especial para a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, com as inclusas razões que acompanham esta, requerendo seu recebimento, processamento e remessa. Pede deferimento. Brasília-DF, ,4' Á ' PAA2 4:0 % igefI José d ' dElves &ares Pra / rador da Fazenda Naclonal .. ',/b44-fi--7zar . , MINISTÉRIO DA FAZENDA s- - PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 13956.000198/96-91 1 — aiP2Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA RAZÕES DA FAZENDA NACIONAL Egrégia Câmara, Eminentes Conselheiros: A Fazenda Nacional, irresignada com a r. decisão prolatada pela_ Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos autos deste processo, na parte que entendeu assistir razão à recorrente quanto a sua inconformidade com aplicação da multa de mora, vem, com fundamento no art. 29, inc. I, da Portaria MF n° 538/92, com alterações da Port. MF n° 260/95, interpor Recurso Especial com espeque no que se segue. 1 Sobre à matéria, inicialmente assim se manifesta o Sr. Conselheiro 1 Relator: 1 1 "Assiste razão ao recorrente quando se insurge contra a multa de mora cobrada após a decisão singular, vez que para tal exigência inedste previsão legal que a autorize. Por força do disposto no artigo 33, do Decreto n. 72.106/73, a multa moratória não pode ser exigida se o sujeito passivo exerceu seu direito de impugnar o lançamento antes do vencimento." i Há de se discordar desta afirmação, tendo em vista que o artigo 33 do Decreto n. 72.106, de 18-04-73, está posto assim: "Do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, contribuições e taxas, poderá o contribuinte reclamar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, até o final do prazo pagamento sem multa dos tributos." 1 Este dispositivo apenas realça o que é evidente, pois que, realmente, não há exigência de multa se a reclamação ou impugnação se efetivou dentro do prazo para pagamento dos tributos. 1 Referido Decreto regulamentou a Lei n° 5.868, de 12 de dezembro de 1972, que criou o Sistema Nacional de Cadastro Rural. Ocorre que, examinando-se esta Lei, verifica-se que a única inexigência de penalidade se restringe a imóveis rurais de pequena área, como se pode verificar dos dispositivos abaixo transcritos: 1 "Art 2° Ficam obrigados a prestar declaração de cadastro, nos prazos e para os fins a que se refere o artigo anterior, todos os proprietários, titulares de domínio útil ou possuidores a • 2 ,\;:!:/ MINISTÉRIO DA FAZENDA-1; - PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 13956.000198/96-91 Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA qualquer título de imóveis rurais que sejam ou possam ser destinados à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal ou agro-industrial, como definido no item I do artigo 40 do Estatuto da Terra. § 1° O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o contribuinte ao lançamento "ex officio" dos tributos e contribuições devidas, aplicando-se as aliquotas máximas para seu cálculo, além de multas e demais cominações legais. (Os destaques não são do original) § 2° Não incidirão multa e correção monetária sobre os débitos relativos a imóveis rurais cadastrados ou não, até 25 (vinte e cinco) módulos, desde que o pagamento do principal se efetue no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a partir da vigência desta Lei. (Os destaques não são do original) Como se vê, o que há é confirmação de multas e demais cominações legais, com a ressalva acima destacada, para os imóveis que não exceda a pequena dimensão de 25 módulos. Em nenhuma outro dispositivo desta Lei se encontra tal autorização de dispensa de multa, senão para o caso especifico deste parágrafo. Parece claro que o regulamento, evidentemente, só está autorizado a dispensar penalidades (multas), nos limites da Lei que disciplina, senão estaria a exorbitar do poder que lhe é inerente. 1 De outra parte, mais recentemente, a Lei n° 8.022, de 12 de abril de 1990, que alterou o sistema de administração das receitas federais, tratando desta matéria, assim dispôs: "Art. 1 ° É transferida para a Secretaria da Receita Federal a competência de administração das receitas arrecadadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, e para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a competência para a apuração, inscrição e cobrança da respectiva Divida Ativa. § 1° A competência transferida neste artigo à Secretaria da Receita Federal compreende as atividades de tributação, arrecadação, fiscalização e cadastramento. Art. 2° As receitas de que trata o artigo 1° desta Lei, quando não recolhidas nos prazos fixados, serão atualizados monetariamente, na data do efetivo pagamento, nos termos do artigo 61 da Lei n. 7.799, de 10 de julho de 1989, e cobradas pela União com os seguintes acréscimos: I - juros de mora, na via administrativa ou judicial, contados do mês seguinte ao ..1do vencimento, à razão de 1% (um or cento) ao mês e calculados sobre o valor atualizado, monetariamente, na forma da legislação em vigor; 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA•GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 13956.000198/96-91 Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA II - multa de mora de 20% (vinte por cento) sobre o valor atualizado, monetariamente, sendo reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago; (Os destaques não são do original) III - encargo legal de cobrança da Divida Ativa...." Art. 7° Revogam-se as disposições em contrário." (Os destaques não são do original) . Como se pode constatar, de há muito a matéria a que se referiu o Ilustre Relator, sobre multa de mora referida pelo Decreto n.72.106/72, que regulamentou a tei n. 5.868/72, encontra-se revogada por incompatibilidade com a Lei n. 8.022/90, não podendo ser invocada para amparar situações como a que ora se questiona. Demais, os fatos questionados como suscetíveis de aplicação da multa de mora ocorreram no exercício de 1995, a eles se aplicando a Lei então vigente, de n. 8.847, de 28-01-94, que a este respeito dispõe: "Art. 15. O Cadastro Fiscal de Imóveis Rurais - CAF111, da SRF, será formado com as informações fornecidas pelos contribuintes obrigados a apresentar a Declaração de Informações do IT'R, nos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal. Art 16. A falta de apresentação da declaração referida no artigo anterior ou sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará o contribuinte à multa de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto devido ou como se devido fosse, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota." (Os destaques não são do original) Atualmente, os dispositivos acima transcritos estão expressamente revogados pela Lei n. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o ITR e sobre o pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária, que a respeito desta matéria prescreve: "Art. 8° O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9° A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7°, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de p recolhimento do imposto ou quota. (Os destaques não são do original) . 4 I 4 •,--.---: .../..,,,-:.;:. N,..rd;', 4; MINISTÉRIO DA FAZENDA?:-É.-,::,2:,. PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 13956.000198/96-91 Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA I Já o artigo 7° a que se refere o artigo 9 0 anteriormente transcrito, assim dispõe: "No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. (Os destaques não são do original) Como se pode notar, nenhuma lei pertinente à matéria de ITR dispensa exigência de penalidade em qualquer circunstância, inclusive da multa de mora, como se pode verificar dos dispositivos anteriormente transcritos. Diz também o Ilustre Conselheiro Relator que" o Sr. Procurador da Fazenda Nacional, ao oferecer suas contra-razões, pediu pela exclusão da multa de mora, uma vez que também no seu entender a mesma não integra os 'acréscimos legais', a que se refere o ADN n. 5, de 25.01.94." Quanta a esta afirmação, parece que o Senhor Relator incorreu em equívoco, vez que ela não se encontra no texto das contra-razões do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, que se juntaram aos autos, constante das fls 131/133. Noutro tópico do seu voto, o Ilustre Relator afirma que "ao impugnar o lançamento do ITR o contribuinte estava sob o amparo do Ato Declaratório (Normativo) n° 05, de 25.01.94, que por sua vez é uma das normas complementares a que se refere o artigo 100, inciso I, do CTN e, por este motivo, como dispõe o parágrafo único do dispositivo, a observância de tais normas exclui a imposição de penalidades, sendo que não se aplica à espécie a exclusão dos juros de mora e a atualização monetária porque o próprio ato normativo da Administração já faz a devida ressalva." I A Fazenda Nacional entende que este Ato Declaratório foi alcançado pela Lei n° 8.847, de 28-01-94, que contraria suas disposições no tocante à matéria em causa, eis que, além de ter vigência posterior, determina expressamente a cobrança da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota, consoante transcrição anterior dos seus artigos 15 e 16. Por oportuno, a Fazenda Nacional, posicionando-se de acordo com o voto vencido do Conselheiro-Relator Marcos Vinícius Neder de Lima, no Acórdão n° 202- 09.387, sobre a mesma matéria, transcreve, a título de fundamentação deste recurso, os tópicos a seguir: ,, - Com relação aos juros e a multa de mora, sobre os quais recai o maior inconfonnismo do requerente, uma vez que a impugnação do lançamento foi entregue antes do vencimento 17 /..i... 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 13956.000198/96-91 Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA do tributo e, em 06 de dezembro de 1995, recebeu a informação de que estava dispensado do recolhimento deste. Da multa de mora nos dá notícia o parágrafo único do artigo 134 do Código Tributário Nacional, referente à responsabilidade de terceiros, ao estabelecer: "O disposto neste artigo só se aplica em matéria de caráter moratório." Como se depreende do exposto o legislador do Código Tributário Nacional, neste artigo, fez questão de ressalvar a imposição de penalidade de caráter moratório. A interpretação sistemática destes dois dispositivos supracitados nos leva a concluir que as penalidades referidas do aludido artigo 161 compreendem quaisquer tipos: punitivas ou moratórias, porquanto nenhuma distinção foi estabelecida pelo texto legal em foco. Daí podemos extrair o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa - de mora ou de oficio -, dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. 1 A questão posta, neste momento, é se a recorrente poderia ser considerada em mora, porquanto impugnou o lançamento antes do prazo de vencimento do tributo e, como estabelece o artigo 151 do Código Tributário Nacional, teve suspensa a exigibilidade de tal crédito tributário. Em outros termos: a suspensão da exigibilidade do tributo alteraria o vencimento da data inicialmente prevista em lei para a data da decisão final do processo administrativo? De acordo com o Código Tributário Nacional, a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador, definido em lei, e se constitui em crédito tributário com a efetivação do lançamento tributário, ou seja, crédito tributário significa obrigação tributária após efetivado o correspondente lançamento. No imposto sobre a Propriedade Territorial, periodicamente, os proprietários de terras entregam declarações relativas a seus imóveis rurais, com informações sobre o valor da terra nua, benfeitorias e outros dados de interesse no cálculo do imposto e a Fazenda, possuidora do cadastro destes imóveis e dos valores tributáveis mínimos por microrregião, emite a notificação de lançamento para que seja efetuado o pagamento. Neste caso, então, a notificação de lançamento será condição essencial e necessária para pagamento do imposto, somente após o qual recairá o sujeito passivo em mora. O vencimento da obrigação tributária é normatizado pelo artigo 160 do Código Tributário Nacional que estabelece: "Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento." Daí verifica-se que o vencimento da obrigação tributária será determinado pelo legislador em dependência do fato gerador, somente quando inexistir esta definição legal é que este prazo será de trinta dias após a data da notificação do lançamento. Assim, vemos que todos os tributos têm seu prazo de vencimento bem definido juridicamente, sendo em princípio improrrogáveis, salvo no caso de ef___7disposição expressa em lei ou ato administrativo normativo emitido com autorização legal. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL sk.•%---" ...- _.0.4-' Processo n° 13956.000198/96-91 Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA Portanto, a notificação de lançamento no caso do ITR tem força constitutiva do crédito tributário que deverá ser pago no seu vencimento legal. Acontece, porém, que a impugnação do lançamento, ao contestar o suporte fático da obrigação tributária, elemento responsável pela gênese da própria obrigação, atinge direta e imediatamente a eficácia jurídica deste ato, impedindo a exigência do crédito tributário respectivo. Destarte, a obrigação tributária e, conseqüentemente, seu vencimento legal são dependentes da ocorrência do fato gerador que, por sua vez, depende do implemento de uma condição suspensiva, a decisão final do recurso interposto. Com efeito, o artigo 117 do Código Tributário Nacional estabelece que o nascimento da obrigação tributária poderá ser dependente de uma condição suspensiva, quando a ela estiver sujeita a ocorrência do fato gerador. — Deste modo, o devedor somente pode se considerar em mora com o final do contencioso administrativo fiscal, porquanto a obrigação condicional só será cumprida no dia do implemento da condição (artigo 953 do Código Civil). Neste desiderato, ouçamos as lições sempre precisas de Aurélio Pitanga Seixas Filho, eminente tratadista de direito administrativo, verbis: "(..) Enquanto não verificado o fato gerador por inocorrência da condição suspensiva, o tributo ainda não é devido, não podendo ser exigido, conseqüentemente, por qualquer lançamento tributário. Nestas condições, a suspensão da exigibilidade do lançamento tributário, provocada por um recurso administrativo que possua tal efeito por força de lei, visa permitir o exame da validade deste ato administrativo, isto é se ocorreu ou não o fato gerador da obrigação tributária, se ocorreu de acordo com a previsão legal, em suma, permitir o confronto do lançamento tributário com a Lei, antes de ser pago o tributo por ele exigido. Julgado válido o lançamento direto extraordinário, porque conforme à lei, e ficando restaurada a sua exigibilidade através de nova notificação ao sujeito passivo, a sua natureza declaratória em nada fica modificada, continuando a exigibilidade do tributo devido, com efeito retroativo desde seu vencimento originário. (Os destaques não são da transcrição) Ou o lançamento direto extraordinário está conforme à lei, ou é ilegal. Na parte em que é ilegal, nulo será sempre o lançamento porquanto inexiste a obrigação tributária. Tendo julgado o lançamento direto extraordinário conforme à lei, será devido o pagamento do tributo, com efeitos "ex tunc", desde do vencimento originário, tantos sejam os julgamentos que tiver que sofrer o referido lançamento." Destas lições, extraímos o entendimento de que realizada a condição suspensiva o direito se aperfeiçoa desde a constituição do ato atacado, ou seja, do lançamento. De mera expectativa de direito passa-se a ter um direito adquirido. Há, pois, natureza declaratória nas decisões dos julgamentos administrativos, com r? efeitos "ex ttuic", ou seja, que retroagem a data do vencimento originário. Assim, se a exigência fiscal fo r - 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 13956.000198/96-91 Acórdão n° 202-09.511 Sujeito Passivo: JOÃO NERY DE SOUZA julgada correta, o pagamento do tributo é devido desde de seu vencimento e, portanto, deve ser acrescido dos juros e multa de mora, salvo se o contribuinte tenha depositado a quantia em discussão. Conclui-se, portanto, que as decisões administrativas em julgamentos de recursos administrativos fiscais não têm qualquer efeito jurídico no sentido de alterarem o vencimento da obrigação tributária. Resta, no entanto, abordar o argumento, que sendo utilizado por parte minoritária desta Câmara, de que a multa de mora no ITR estaria excluída pelo Decreto n° 72.106/73, que em seu artigo 33 assevera: "Do lançamento do Imposto Territorial Rural, contribuições e taxas, poderá o contribuinte reclamar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, até o final do prazo para pagamento sem multa dos tributos." Ora, a parte final deste ato normativo nada mais faz do que fixar o marco final para apresentação de reclamação, que seria até o prazo previsto na notificação ou até de outro fixado por ato administrativo. Após este prazo haveria multa, cuja imposição é prevista no Código Tributário Nacional. A expressão "sem multa dos tributos" veio tão-somente enfatizar o vencimento do prazo para reclamação, jamais podendo estar relacionado com a faculdade do contribuinte de impugnar o lançamento sem multa. Até porque, tal interpretação estaria em desacordo com a legislação tributária, não só pelos argumentos expostos no voto, como também pela Lei 8 022/90 e pelo próprio Código Tributário Nacional." Assim, fica patente que, quando o impugnante é vencido na matéria objeto de sua impugnação tempestiva, cabe, também, a exigência da multa de mora. Em face de todo o exposto, a Fazenda Nacional, com fundamento nos dispositivos invocados no inicio, requer deste Egrégio Tribunal Administrativo a reforma da decisão recorrida, para restabelecer-se a decisão de primeira instância, que incluiu a exigência da multa de mora, e consequentemente interpretou e aplicou corretamente a lei ao caso concreto. Pede deferimento. Brasília-DF, 12ÊCe É26 /Pfê Dose de III, Ara. r- c ires &ares From"- o da Fazenda Nacional - AC511.DOC
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Numero do processo: 13909.000131/96-49
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PAGAMENTO - O pagamento é uma das formas de extinção do crédito tributário, não sendo cabível nova discussão da matéria após ter sido este realizado. CNA - OBRIGATORIEDADE - CONSTITUCIONALIDADE - A obrigatoriedade de pagamento da Contribuição Sindical do Empregador reside em legislação específica, não sendo legítima a argumentação acerca de sua constitucionalidade na seara administrativa, uma vez que aludida matéria insere-se na competência do Poder judiciário. Precedentes desta Corte. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-09450
Nome do relator: Hélvio Escovedo Barcellos
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QC-0. Rulurca Processo : 13909.000131196-49 Acórdão : 202-09.450 Sessão 28 de agosto de 1997 Recurso : 101.742 Recorrente . JACYRA DE LOURDES HOFIG RAMOS Recorrida DRJ em Curitiba - PR 1TR - CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PAGAMENTO - O pagamento é uma das formas de extinção do crédito tributário, não sendo cabível nova discussão da matéria após ter sido este realizado. CNA - OBRIGATORIEDADE - CONSTITUCIONAL1DADE - A obrigatoriedade de pagamento da Contribuição Sindical do Empregador reside em legislação especifica, não sendo legitima a argumentação acerca de sua constitucionalidade na seara administrativa, uma vez que aludida matéria insere-se na competência do Poder Judiciário. Precedentes desta Corte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JACYRA DE LOURDES HOFIG RAMOS. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Jose de Almeida Coelho. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 1997 • Mar ts I inicies Neder de Lima Frei ' • nte Helvio E -ov-do Bar. los Relato Participaram, ainda, do presente julgainento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Antonio Sinhiti Myasava, Taiti° Campeio Borges, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Fernando Augusto Phebo Junior (Suplente) e José Cabral Garofano. Fclb/gb 1 .7 "I MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES `rtirr.-153> Processo : 13909.000131/96-49 Acórdão : 202-09.450 Recurso : 101.742 Recorrente JACYRA DE LOURDES HOF1G RAMOS RELATÓRIO Inicialmente, adoto o relatório da digna autoridade julgadora de primeira instância, o qual transcrevo: "Por meio da notificação do ITR/96, fls. 29, exige-se da contribuinte acima qualificada o pagamento do Imposto Territorial Rural - ITR, e das Contribuições Sindicais do Trabalhador e do Empregador e ao SENAR, no montante de R$ 6404,78. A exigência fundamenta-se na Lei n.° 8.847/94, Lei n.° 8.981/95, Lei n.° 9.065/95, DL n.° 1.146/70, art. 5 0, combinado com o art. 1° e §§ do DL n.° 1.989/82, Lei n.° 8.315/91 e art. 4°c §§ do DL n.° 1.166/71." A interessada interpôs a impugnação de fls. 01/26, alegando, em síntese: - a inconstitucionafidade da cobrança da Contribuição Sindical do Empregador, por considerá-la facultativa segundo preceitos constitucionais que menciona; - o descabimento da cobrança do 1TR, em face de seu abusivo aumento, bem como outros fatores que haveriam de modificar o valor atribuído à terra nua para os efeitos do lançamento_ Pugnando provar o alegado por todos os meios de provas admissíveis, notadamente por Laudo Técnico, ao final requer: a exclusão da cobrança da Contribuição Sindical do Empregador, por entendê-la inconstitucional, isenção de áreas de pastagens, reservas florestais, florestas formadas, rios, cónegos etc., perícia para a constatação das alegações, bem como seja apurado novo Valor da Terra Nua de acordo com novas avabações. A contribuinte instruiu a petição com cópia de DARF de recolhimento parcial do crédito tributário ((ls. 28) e cópia da DI112/92 ((Is. 30). Em sentenciando o feito a digna autoridade de primeiro grau julgou procedente o lançamento efetuado em desfavor da recorrente, restando sua decisão assim ementada: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13909.000131/96-49 Acórdão : 202-09.450 "ITR Exercício de 1996. Não cabe discussão sobre parcela do crédito tributário que tenha sido extinta pelo pagamento. O lançamento da Contribuição Sindical do Empregador, vinculado ao do ITR, não se confunde com afiliação opcional a entidades sindicais e será mantido quando realizado em conformidade com a legislação vigente" Irresignado, recorre a contribuinte ao Segundo Conselho, às fls. 38/46, sustentando, preliminarmente a nulidade da decisão a quo em face de omissão de fundamentação, eis que não houve análise de todos os pontos levantados na impugnação. No mérito, repisa a argumentação expendida na peça inicial, pugnando pela reforma da decisão monocrática, requerendo a exclusão da CNA do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural devido. A Procuradoria da Fazenda Nacional manifesta-se às tls 48/50, opinando pela manutenção da decisão guerreada com o conseqüente improvimento do apelo. É o relatório. 3 •"" . MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13909.000131/96-49 Acórdão : 202-09.450 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FIELVIO ESCOVEDO BARCELLOS Conheço do recurso eis que tempestivo. A irresignação da contribuinte, preliminarmente, fulcra-se no aspecto de que não houve por parte da autoridade sentenciante de primeiro grau análise completa de todos os pontos levantados pelo mesmo em sua peça impugnatoria. Com a devida vênia de entendimentos em sentido contrário, com o mesmo não comungo. Ao compulsar a decisão guerreada pude observar que a mesma muito bem analisou a questão que lhe foi posta sob exame. A autoridade sentenciante deitou-se, embora sucintamente, sobre todas as questões levantadas na impugnação. Ademais, a autoridade julgadora não é obrigada a examinar, detalhadamente, todos os pontos que lhe são dirigidos, bastando que de sua decisão possam ser extraídos elementos suficientes à compreensão do julgado, e que não se fira, em nenhuma hipótese, o principio da obrigatoriedade da motivação das decisões, sejam elas judiciais ou administrativas. O Supremo Tribunal Federal já pacificou a questão ao enunciar que a obrigatoriedade existente é aquela que se direciona à necessidade de haver motivação em toda decisão prolatada, não perdendo a mesma sua validade pelo simples fato de estar concisa ou compactada. No presente caso, embora tenha a autoridade sentenciante sido sucinta acerca do tema em debate, não houve prejuízo para a contribuinte, uma vez que é plenamente compreensível o teor do julgamento e do mesmo coube recurso. Assim sendo, frágil o argumento de inexistência de motivação, pelo que o rejeito. No mérito, melhor sorte não socorre a contribuinte. Conforme já salientado pelo julgador monocrático, é incabível nova discussão acerca de crédito tributário já extinto. No caso dos autos, a recorrente faz prova de ter quitado seu débito junto ao Fisco, fazendo-o através de pagamento. A quitação operou-se de forma plena e eficaz, não sendo legitimo, neste momento, questionar sua validade. A doutrina em unissono proclama, juntamente com o artigo 156 do Código Tributário Nacional, que o pagamento é uma das formas de extinção do crédito tributário. Ressalte-se que, caso a recorrente tivesse algum questionamento ou dúvida acerca do montante ou da forma de se realizar o pagamento haveria de ter feito uso, na esfera judicial da ação de consignação em pagamento, não sendo o processo administrativo o meio hábil a discussões desta natureza. Quanto ao aspecto da obrigatoriedade de pagamento da Contribuição Sindical do Empregador, a qual não foi recolhida, creio carecer de razão novamente à contribuinte. A aludida contribuição não deve ser confundida com aquela prevista constitucionalmente, cujo direito de filiação está previsto no artigo 5° da Carta Magna. A 4 - .- : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES mi:/i1 Processo : 13909.000131/96-49 Acórdão : 202-09.450 exigência da CNA vem estabelecida em legislação especifica tendo como fato gerador o exercício de atividade agrícola, o que por si só já a toma obrigatória na seara administrativa. Ademais, não há falar-se em constitucionalidade ou não da legislação mencionada, uma vez que, em consonância com a jurisprudência já consolidada, refoge a este egrégio Conselho competência para exame de matéria de cunho constitucional, temática esta reservada ao Poder Judiciário. Pelo exposto, nego provimento ao recurso, mantendo por seus fundamentos a decisão atacada. É como voto. Sala das sessões, em 28 de agito de 1997 / , ff , HELVII1 E . C EDO r • • CEL OS il ' 5
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