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Numero do processo: 10283.907544/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Deça.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Deça.
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EXP. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama D’eça. Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 61 versos dos autos emanados da decisão DRJ/BEL, por meio do voto do relator Roberto Paulo da Silva Santos, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 30/11/2007, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 59.731,67 recolhido através de DARF em 14/07/2006. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), considerou "não homologada" a referida compensação, em virtude de o DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 07 54 4/ 20 09 -7 5 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.907544/200975 Resolução nº 3101000.419 S3C1T1 Fl. 4 2 3. A interessada apresentou, tempestivamente, em 20/11/2009, manifestação de inconformidade (fl.09) na qual informa que, após haver confessado em DCTF e quitado o débito, constatou, mediante o cruzamento das informações prestadas na DACON e na DCTF, que o valor real a ser pago seria menor, motivo pelo qual efetuou a retificação desta última declaração, utilizando o crédito resultante no PER/DCOMP ora em análise.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0118.474 de fls. 61 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2006 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF, em (fls. 64 a 71) resumidamente apresentando as seguintes alegações: Fatos –A Recorrente no período de Junho de 2006, apurou a COFINS de maneira equivocada, declarando os valores apurados em obrigação acessória DCTF, constituindo assim o crédito tributário; A questão fundamental é que não foi considerado o pagamento a maior efetuado com base em dados errados, que resultou no valor a compensar; Requisitos formais para admissibilidade do Recurso Voluntário. 2.1 Tempestividade; 2.2 Divergência – confrontando as provas pelas quais originaramse os valores recolhidos indevidamente e também os valores gerados e recolhidos em conformidade com a legislação vigente para apuração do COFINS. Procura comprovar as alegações juntando os documentos relacionados em fls. 67; 2.2.1 Inaplicabilidade do parágrafo 1º do art. 5º do DecretoLei n. 2124 de 1984; Mérito – 3.1 Inaplicabilidade do Art. 113 parágrafo 1º do CTN; Pedido – Requer: a) reconhecimento do valor da compensação, tornandose insubsistente o débito em questão; b) reconhecer o crédito tributário constituído na nova DCTF RETIFICADORA nos termos do artigo 114 e 115, do CTN; c) reconhecer a compensação do pagamento a maior declarado em PERDCOMP com o referido DARF elencado; É o relatório. Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A Recorrente desde a manifestação de inconformidade insiste na tese de que o seu direito creditório tem fundamento, pois, após haver confessado em DCTF e quitado o débito, constatou, mediante o cruzamento das informações prestadas na DACON e na DCTF, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.907544/200975 Resolução nº 3101000.419 S3C1T1 Fl. 5 3 que o valor real a ser pago seria menor, motivo pelo qual efetuou a retificação desta última declaração, utilizando o crédito resultante no PER/DCOMP correspondente. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico considerou não homologada a referida compensação em virtude de o DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Por outro lado, a Recorrente alega que a questão fundamental é que não foi considerado o pagamento a maior efetuado com base em dados errados, que resultou no valor a compensar; Existe nos autos muitos documentos, no entanto, a decisão recorrida, entendeu não haver provas do crédito do contribuinte. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verifica –se que essa matéria não foi apreciada (falta de provas). A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original não na retificadora. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, ou de explicalo, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da Dacon/DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da Dacon/DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. Com efeito, é incontroverso o bom direito da Recorrente. Neste sentido, os dados da DCTF/Dacon retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são suficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição Cofins e eventuais pagamentos a maior decorrentes da incidência da contribuição em questão, para se saber se houve ou não recolhimento a maior. Assim, considero que há um indício de que o contribuinte tem um crédito e ele deve ser encontrado diante das alegações e documentos apresentados pelo mesmo em nome do princípio da verdade material que deve ser encontrada nos autos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, com todos os documentos existentes nos autos, período de apuração de Junho de 2006 e se existe o recolhimento a maior no valor de R$ 59.731,67 recolhido através de DARF em 14/07/2006; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.907544/200975 Resolução nº 3101000.419 S3C1T1 Fl. 6 4 c) depois de concluída a diligência retorne a esse Conselho para julgamento. É como voto. Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725741/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória.
Precedentes do STF e do STJ.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 15/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 15/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López.
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 41 /2 00 9- 13 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 10580.725741/200913 Acórdão n.º 9202003.585 CSRFT2 Fl. 303 2 EDITADO EM: 15/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda (efls. 239/247), em face do Acórdão n° 2102001.337 (efls. 229/237), que teve a seguinte ementa: “RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido.” (efls. 229). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 220201.206, que restou assim ementado: “... RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. ...” Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 10580.725741/200913 Acórdão n.º 9202003.585 CSRFT2 Fl. 304 3 O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 251/252, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de efls. 255/267. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 251/252. Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte, em virtude de ter sido verificada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, tendo estes sido apontados como rendimentos isentos e não tributáveis. Mencionados rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003. Quanto ao mérito, aduz o contribuinte que os valores recebidos teriam natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, na redação do art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003, segundo o qual “São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei”. Tal entendimento foi adotado pelo acórdão recorrido. Não obstante o mencionado dispositivo consignar o caráter indenizatório dos rendimentos, imprescindível que se realize a análise de sua natureza jurídica, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 10580.725741/200913 Acórdão n.º 9202003.585 CSRFT2 Fl. 305 4 Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 10580.725741/200913 Acórdão n.º 9202003.585 CSRFT2 Fl. 306 5 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
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Numero do processo: 13973.000262/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
EXCLUSÃO.
A prestação de serviços de manutenção ou reparação em máquinas e equipamentos não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Súmula nº 57 do CARF.
Numero da decisão: 1201-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausentes justificadamente, por motivo de saúde, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente) e Roberto Caparroz de Almeida, substituídos pelos Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Mozart Barreto Vianna, atuando como presidente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Maria Elisa Bruzzi Boechat, Carlos Mozart Barreto Vianna, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 EXCLUSÃO. A prestação de serviços de manutenção ou reparação em máquinas e equipamentos não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Súmula nº 57 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausentes justificadamente, por motivo de saúde, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente) e Roberto Caparroz de Almeida, substituídos pelos Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Mozart Barreto Vianna, atuando como presidente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Maria Elisa Bruzzi Boechat, Carlos Mozart Barreto Vianna, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0617.929, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 02 62 /2 00 4- 51 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13973.000262/200451 Acórdão n.º 1201000.863 S1C2T1 Fl. 3 2 Por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 554.137, a contribuinte em epígrafe foi excluída do regime simplificado de que cuida a Lei nº 9.317/96, com efeitos a partir de 01/01/2000, sob a seguinte acusação (fl. 24): Descrição: atividade econômica vedada: 29157/02 Reparação e manutenção de equipamentos de transmissão para fins industriais. Contra o referido ato de exclusão a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que os serviços por ela realizados em nada se assemelham aos serviços de engenharia, e que a exclusão não poderia gerar efeitos retroativos (fl. 1 e ss.). Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado (fl. 28 e ss.): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO E MONTAGEM DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL LEGALMENTE EXIGIDA. VEDAÇÃO. A atividade de manutenção e montagem de equipamentos industriais, por ser exercida por profissional com habilitação exigida por lei, é vedada para o ingresso no Simples. EXCLUSÃO. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ANTERIORIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde determinada data passada, efeito esse que não guarda nenhuma relação com os princípios da anterioridade e irretroatividade, que se aplicam a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na manifestação de inconformidade (fl. 44 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13973.000262/200451 Acórdão n.º 1201000.863 S1C2T1 Fl. 4 3 2) Da Exclusão do Simples A contribuinte foi excluída do Simples com fundamento no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, que assim prescreve: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; De acordo com sua Primeira Alteração ao Contrato Social, arquivada no registro competente em 22/03/2000, o objeto social da empresa é a reparação e manutenção de turbo geradores. Ocorre que as atividades de manutenção e reparo em máquinas e equipamentos, de acordo com o entendimento do CARF manifestado em sua súmula nº 57, abaixo transcrita, não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no sistema simplificado: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13973.000262/200451 Acórdão n.º 1201000.863 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11020.001408/2004-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõe-se a glosa dos valores. A contrário senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas.
MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES
Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõe-se o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos.
DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE.
Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados.
COLHEITA
Os serviços necessários à colheita da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte.
COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO.
O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação.
FRETES
A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor somente passou a vigorar em 01/02/2004 e, ainda assim, não se estende a transferências entre estabelecimentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.968
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar os créditos decorrentes de despesas com mão-de-obra terceirizada, empregada na extração de madeira e devidamente documentada em nota fiscal idônea.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõe-se a glosa dos valores. A contrário senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas. MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõe-se o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos. DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE. Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados. COLHEITA Os serviços necessários à colheita da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO. O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação. FRETES A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor somente passou a vigorar em 01/02/2004 e, ainda assim, não se estende a transferências entre estabelecimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõese a glosa dos valores. A contrário senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas. MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõese o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos. DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE. Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados. COLHEITA Os serviços necessários à colheita da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO. O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação. FRETES A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor somente passou a vigorar em 01/02/2004 e, ainda assim, não se estende a transferências entre estabelecimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar os créditos decorrentes de despesas com mãodeobra terceirizada, empregada na extração de madeira e devidamente documentada em nota fiscal idônea (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em desfavor do Acórdão 1021.123 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme consta do relatório de verificação às fls. 112 a 115, a Autoridade Fiscal, após análise da escrita do sujeito passivo e dos comprovantes apresentados, rejeitou os créditos baseados nas seguintes aquisições: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001408/200419 Acórdão n.º 310200.968 S3C1T2 Fl. 213 3 a) Gasolina, óleo diesel e lubrificantes diversos: face à não segregação entre o consumo atrelado ao processo produtivo e aquele destinado transporte de empregados e diretores a serviço; b) Partes e peças diversas, glosadas com base nos seguintes fundamentos: Representariam itens que não se incorporariam ao processo produtivo (rolamentos, retentores, arruelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, dentre outros); Representariam itens sujeitos a desgaste por ação direta, mas que não poderiam ser considerados em face da ausência de segregação entre o processo produtivo objeto do presente processo e outras atividades desempenhadas pela recorrente (construção civil); Parte dos documentos que respaldariam esses créditos estaria ilegível e, consequentemente, não permitiriam a identificação dos itens adquiridos ou representariam nota fiscal de venda a consumidor, que não trazem em seus elementos a exata identificação do adquirente; c) Fretes Aduz a autoridade fiscal que a legislação de regência só passou a admitir o creditamento do frete suportados pelo vendedor a partir de 1º de fevereiro de 2004 (art. 3°, IX da Lei n° 10.833, de 2003) e, ainda assim, não englobaria os fretes referentes a transferências entre estabelecimentos. d) Ausência de comprovação da vinculação dos serviços ao processo produtivo Serviços contabilizados nos CFOP relativos à aquisição de serviços de industrialização por encomenda e “outros serviços” foram alvo de glosa em razão dos seguintes fundamentos: Ausência de identificação do serviço prestado (nota fiscal nº 54, expedida por José Clair Padilha de Souza); Serviços descritos como construção civil, supostamente vinculada à manutenção do imóvel, mas que, em verdade representariam benfeitorias e despesas pré produção, que não poderiam ser considerados insumos; Impossibilidade de verificação da efetiva prestação dos serviços, em face dos instrumentos contratuais não se encontrarem registrados em cartório de títulos e documentos; Ausência de “pertinência com a situação fática”. Segundo a Autoridade Fiscal, os contratos diriam respeito à “serviço temporário” e a contribuinte atestaria que não contratara trabalhadores temporários, nem teria conhecimento da sua contratação pelas pessoas jurídicas responsáveis pela execução dos serviços. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Ausência de comprovantes do recebimento dos produtos provenientes da prestação de serviços ou de ordens de serviço: Segundo consta do Relatório Fiscal, a Contribuinte teria informado que, após a emissão da nota fiscal, as anotações relativas às toras extraídas, os registros relativos ao seu recebimento eram descartados e que, por tal motivo, não mais possuiria tais comprovantes em seus arquivos; Consignouse, ainda, que os documentos relativos ao serviço de extração de madeira não informam a quantidade extraída, razão pela qual não seria possível aferir a efetiva prestação de serviço e a consequente destinação comercial da madeira. Impossibilidade de segregação dos custos associados à extração de madeiras daqueles associados à manutenção de florestas e a reflorestamento: Na medida em que os primeiros dispêndios poderiam ser computados como insumos e os últimos deveriam ser alvo de contabilização no Ativo Imobilizado, na conta “reflorestamento” ou na conta "benfeitorias em propriedades de terceiros”. Consta do Relatório Fiscal a informação de que, segundo a Contribuinte as operações de “roçadas” representariam entre 15 e 20% do total; Falha documental: Os documentos emitidos por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antonio Pereira e Cia Ltda. não preencheriam formalidades extrínsecas, uma vez que não conteriam a inscrição “Nota Fiscal”. No que se refere aos documentos expedidos pela pessoa jurídica Manoel Antônio Pereira e Cia, foi ainda anotada a ausência do número de inscrição no CNPJ. Devidamente intimado, compareceu a Contribuinte ao processo para, em sede de Manifestação de Inconformidade, contestar as glosas nos seguintes termos: a) Combustíveis e lubrificantes: Diferentemente do alegado, a resposta apresentada em 13 de outubro de 2008 informara o destino dos combustíveis, mas suas razões teriam sido ignoradas. Elenca as máquinas utilizadas, seu emprego no processo produtivo, bem assim o tipo de combustível e lubrificante relativo a cada uma delas. Questiona, ademais, a glosa integral em razão de que os insumos utilizados nos veículos de transporte seriam mínimos, se comparados com os efetivamente utilizados no processo produtivo. b) Partes e peças: As partes e peças seriam insumos para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS. As instruções normativas que embasaram a ação fiscal seriam manifestamente ilegais, pois impõem restrições não previstas em lei, que permitiria o desconto de créditos atrelados a bens e serviços que desempenhariam o papel de insumo. Sustenta que o conceito de insumo, para efeito de apuração de crédito de IPI é diferente daquele aplicável ao PIS e à COFINS, atrelado à totalidade das receitas auferidas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001408/200419 Acórdão n.º 310200.968 S3C1T2 Fl. 214 5 que, para serem obtidas, exigiriam a assunção de custos e despesas. Cita doutrina que respaldaria tal pretensão. Assim, as partes e peças glosadas (rolamentos, retentores, arruelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, pregos), seriam itens obrigatórios e essenciais, para a consecução de sua atividade e, consequentemente, não poderiam ser considerados como dissociados da atividade produtiva. Tece considerações acerca da desoneração do processo produtivo perseguida pela não cumulatividade. c) Fretes: Por equívoco, apurou fretes nas operações de venda. d) Serviços não comprovadamente utilizados no processo produtivo: Segundo se extrairia do contrato social da contribuinte seu objeto social seria o reflorestamento, o manejo de florestas, o beneficiamento de madeira, a indústria e comércio, a importação e exportação de madeiras. Consequentemente, seria insubsistente o raciocínio de que roçadas, plantio, extração de toras não estariam atrelados ao processo produtivo. Antes de serrar a madeira seria necessário extraíla, arrastála e empilhála. Antes disso, seria necessária a realização de roçadas para abrir caminho na floresta. Questiona, ainda, o que denominou formalismo excessivo empregado na análise dos contratos. A contribuinte contratou prestadores de serviços, conforme se extrai das notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos apresentados. Discorda do fato de que a ausência da inscrição “nota fiscal” nos documentos expedidos por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antônio Pereira e Cia lhes retiram a validade, na medida em que as mesmas trariam no bojo a descrição dos serviços e o destaque do imposto. Tal falha, no se sentir meramente formal, deveria ser imputada à gráfica que os imprimiu. Ressalvadas as hipóteses de conluio e fraude, que não se verificariam no presente, a glosa das despesas representaria violação ao princípio da não cumulatividade. Por outro lado, a contribuinte seria terceira de boafé e, como tal não poderia ser penalizada pela falta de terceiro. Finalmente, a exigência de comprovação de recebimento dos produtos seria fruto do desconhecimento das atividades da contribuinte. Reitera que a conferência dos serviços é realizada na floresta e, após tal conferência, emitida a correspondente nota fiscal, bem assim que o não arquivamento dos controles internos não torna o serviço inexistente. Questiona, finalmente, a emissão de extrato de débito em nome de pessoa jurídica diversa da detentora dos créditos litigiosos. Após a regular ciência do acórdão recorrido, comparece a Contribuinte ao processo para, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi suscitada preliminar. Antes de adentrar na análise dos elementos carreados ao processo, entendo pertinente esclarecer a opinião deste relator no sentido de que o conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico e naquele, o da pertinência. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa inerente à atividade econômica. Em relação a esse aspecto, preciso é o comando do art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, na versão que vigia à época da apuração da contribuição: II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao Ativo Imobilizado, bem assim às benfeitorias em bens de terceiros, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas do PIS sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º1 Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito do PIS os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Por outro lado, justamente em razão de que não se poderia apropriar toda e qualquer despesa como insumo, é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o dispêndio, permitindo que se afira natureza do bem o serviço e, principalmente, o seu emprego. Igualmente importante, finalmente, é destacar a vedação expressa no § 3º, I e II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; 1 § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001408/200419 Acórdão n.º 310200.968 S3C1T2 Fl. 215 7 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 1. Combustíveis e Lubrificantes Pedindo vênia ao Recorrente, não vejo como reconhecer os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes. Evidentemente, tal convicção não tem qualquer relação com a natureza das despesas, textualmente contempladas no já transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Como já mencionado, não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor ou quantitativo efetivamente empregados nas máquinas que compõem o processo produtivo da Recorrente e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade. 2. Partes e Peças Sabidamente, por força do § 2º do art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 19992, bens com duração superior a um ano ou partes e peças passíveis de incorporação a bens daquela natureza, que não se desgastem no período de um ano, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e depreciados ou amortizados no período de sua vida útil. Devido a tal regra, não há como considerar insumos partes e peças que tenham se incorporado aos bens que compõem o ativo imobilizado. Da mesma forma, se não é possível segregar a utilização dos bens, entre as atividades atreladas à extração e beneficiamento de madeira e as demais atividades exercidas pela Recorrente, não há como considerar os dispêndios com insumos passíveis de utilização em mais de uma atividade. Corretas, portanto, as glosas relativas ao presente item. 3 Fretes Como já destacado, o sujeito passivo admite o equívoco perpetrado quando da apuração de crédito baseados em despesas de fretes sobre vendas, o que dispensa maiores análises. Corretas, portanto, as glosas relativas a esse grupo de despesas. 4 Outros Serviços cuja Vinculação ao Processo Produtivo Não Restaria Comprovada 2 § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Algumas das glosas referentes ao presente grupo estão atreladas à falha na descrição dos serviços, e, pelos fundamentos já expendidos anteriormente, devem ser mantidas. Sem a descrição dos serviços, não há como reconhecêlos. Por outro lado, sem a devida segregação, não há como acatar os pagamentos que englobam extração, beneficiamentos e replantio de floresta, na medida em que estes últimos devem ser incorporados ao valor desses bens do ativo e exauridos juntamente com os mesmos. Igualmente descabido é o crédito alegado como decorrente de despesas de construção civil, mas que, em verdade, representam beneficiamentos em imóveis de terceiros. Ou seja, os beneficiamentos (roçadas), o plantio e as demais benfeitorias passíveis de amortização não são insumos, para efeito do cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. Penso igualmente que os documentos que não preenchem os requisitos formais mínimos, como o número de inscrição no CNPJ e a inscrição “nota fiscal”, igualmente não merecem ser considerados. Entretanto, estou convicto de que a ausência de controle do quantitativo extraído e de registro do contrato em cartório, por si, sejam motivos suficientes para que não se acatem as despesas com extração de madeira. Em primeiro lugar, como é cediço, regra geral, a averbação no correspondente Cartório de Registro de Títulos e Documentos tem como função primordial a garantia da publicidade do ato, não representando, portanto, condição para sua validade. Em segundo, não concordo que a ausência de quantificação da madeira extraída, arrastada e empilhada inviabilize a aceitação das despesas, na medida em que, se cotejados os valores pagos e os estipulados nos contratos, facilmente se chegaria ao quantitativo extraído. Até porque, o crédito litigioso não decorre da aquisição de determinada quantidade de madeira extraída, mas o valor do serviço contratado. Finalmente, não consigo divisar na aparente incongruência na resposta à intimação o efeito assumido no Relatório Fiscal. Com efeito, o sujeito passivo efetivamente negou que tenha contratado trabalhadores temporários e alegou desconhecimento da sua contratação, mas isso longe está de reduzir o poder probante dos contratos. De fato, analisando as notas fiscais às fls. 67 e 68, emitidas pela pessoa jurídica Florestal Caraúno, percebese que o valor descontado a título de Contribuição corresponde ao percentual fixado no art. 31 da Lei nº 8.212, de 19913, o que demonstra que, pelo menos para o executor do serviço, estavase diante de locação de mãodeobra, nos termos da Lei nº 6.019 de 1974. Concluise, assim, que há uma divergência de interpretação acerca do enquadramento da relação contratual ou que simplesmente o sujeito passivo entendeu que esse fato lhe seria prejudicial. 3 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001408/200419 Acórdão n.º 310200.968 S3C1T2 Fl. 216 9 Penso, entretanto, que quaisquer dessas duas hipóteses longe está de influenciar a relação se subsunção do fato a norma, até porque, no que se refere à solução do presente litígio, pouco importa a modalidade contratual empregada. Não custa destacar, nesse aspecto, que a vedação aos créditos decorrentes de pagamento de mãodeobra diz respeito exclusivamente aos pagamentos realizados a pessoas físicas, ex vi do § 2º, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 20024. Nesse aspecto, trazse à colação a orientação sedimentada na Solução de Consulta nº 30, de 26 de janeiro de 2010, da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 9ª Região (original não destacado): As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP. Ante ao exposto, considero suficientemente comprovadas as despesas descritas nas notas fiscais de fls. 67 e 68. 5 Aviso de Cobrança O órgão julgador de piso já se manifestou acerca da alegação de falha na expedição do aviso de cobrança, em nome de pessoa jurídica que não integra a lide, determinando a correção de tal falha, que torna prescindível a manifestação deste colegiado acerca da matéria. 6 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para acatar exclusivamente os créditos sobre os valores relativos a despesas com extração de madeira, documentadas nas notas fiscais às fls. 67 e 68 Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 4 § 2º Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13660.000070/2003-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC.
Para ensejar o direito à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é necessário que a administração, mediante atos normativos infralegais, tenha obstaculizado o aproveitamento dos créditos por parte do sujeito passivo, o que não se confunde com a mora da administração na análise/deferimento do pleito. Não ocorrendo a oposição ilegítima do Fisco, inexiste o direito à atualização.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente em exercício
assinado digitalmente
Maria Teresa Martinez López Relatora
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, substituído pela Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Para ensejar o direito à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é necessário que a administração, mediante atos normativos infralegais, tenha obstaculizado o aproveitamento dos créditos por parte do sujeito passivo, o que não se confunde com a mora da administração na análise/deferimento do pleito. Não ocorrendo a oposição ilegítima do Fisco, inexiste o direito à atualização. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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A. PEDRAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Para ensejar o direito à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é necessário que a administração, mediante atos normativos infralegais, tenha obstaculizado o aproveitamento dos créditos por parte do sujeito passivo, o que não se confunde com a mora da administração na análise/deferimento do pleito. Não ocorrendo a oposição ilegítima do Fisco, inexiste o direito à atualização. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente em exercício assinado digitalmente Maria Teresa Martinez López – Relatora assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 00 70 /2 00 3- 97 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000070/200397 Acórdão n.º 9303003.216 CSRFT3 Fl. 300 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, substituído pela Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada). Relatório Tratase de recuso especial de divergência, interposto pela contribuinte contra Acórdão n° 20219.529, de 03/12/2008, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CREDITAMENTO DE IPI. POSSIBILIDADE. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Atendidas essas condições, deferese o crédito, senão, rejeitase a petição do interessado. PERÍCIA/DILIGÊNC1A. Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora entendeas desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. Recurso negado. As controvérsias suscitadas pelo Recorrente foram quanto as seguintes matérias: a) correção monetária do crédito presumido do IPI objeto de ressarcimento: Acórdãos n° 20214.833 e CSRF/0202.076; b) crédito presumido do IPI relativo à aquisição de Energia Elétrica: Acórdãos n° 20215.817 e 20209.744; c) crédito presumido do IPI relativo à aquisição de óleo diesel: Acórdão n° 20174.322 ; d) crédito presumido do IPI relativo às transferências de matériasprimas: Acórdãos n° 20212.299 e 20214.833. Por meio do Despacho nº 330000.212 3.a Câmara, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto apenas quanto a correção do ressarcimento pela taxa Selic. Contrarrazões apresentadas pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, onde pede a manutenção do acórdão recorrido. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000070/200397 Acórdão n.º 9303003.216 CSRFT3 Fl. 301 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López – Relatora Presentes os pressupostos legais para admissibilidade do recurso, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI de fl. 01, relativo ao lº Trimestre do anocalendário de 1999, formulado, em 28/01/2003, sob o amparo da Lei no 9.363, de 13/12/1996. Ao pedido de ressarcimento de R$5.534,38, vinculouse a Declaração de Compensação de fl. 01 do processo apensado no 10660.000112/200360 visando compensar débito do IRPJ de R$5.534,38, relativo ao 4 º trimestre de 2002. A matéria objeto de apreciação por esta E. CSRF diz respeito à possibilidade de correção do ressarcimento pela taxa Selic. O tema foi objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão deve ser adotada no CARF, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Vejase os referidos comandos legais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000070/200397 Acórdão n.º 9303003.216 CSRFT3 Fl. 302 4 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Voltando aos autos, consta do DESPACHO DECISÓRIO DRF/VAR/SAORT (fls. 92D) – de 15 de setembro de 2006. DESPACHO DECISÓRIO DRF/VAR/SAORT Ressarcimento de IPI COMPENSAÇÃO: Tendo sido apurado saldo credor de IPI, no 1º trimestre/1999, em valor inferior ao solicitado, devese reconhecer parcialmente o direito creditório e homologar em parte a compensação. Observese que a discussão já leva mais de 10 anos, considerando que o pleito é de 2003. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu (AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717) que: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF nº 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). CONCLUSÃO: Em face ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, de forma a permitir a atualização monetária pela Taxa SELIC. assinado digitalmente Fl. 302DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000070/200397 Acórdão n.º 9303003.216 CSRFT3 Fl. 303 5 Maria Teresa Martinez López – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com o devido respeito à relatora, discordo de seu entendimento quanto à incidência da Selic no ressarcimento de créditos do IPI no caso específico deste processo. Ocorre que, no caso em apreço, não houve resistência ilegítima do Fisco a impedir o aproveitamento dos créditos pela contribuinte (oposição estatal), impedimento esse que garantiria o direito à atualização de seus créditos conforme decisão do STJ sobre a matéria, que tem sido aplicada no CARF por força do art 62A do RICARF, conforme explanado no voto da relatora. Vejamos: a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte, que, além da incidência da Selic, requeria o reconhecimento de direito de crédito sobre determinados insumos, direito esse não reconhecido pela unidade de origem e tampouco pela DRJ. Ou seja, não houve, em sede do julgamento administrativo, reconhecimento de qualquer montante de direito creditório além do que já havia sido deferido/compensado pela unidade de origem. Concluise, portanto, que não houve oposição estatal, mediante atos normativos infralegais, a obstaculizar o aproveitamento dos créditos pela contribuinte. Ressaltese que, no caso presente, sequer houve mora lesiva por parte da administração, pois o montante do direito creditório reconhecido pela DRF/Varginha/MG, mediante Despacho Decisório, foi imediatamente utilizado na compensação declarada pela contribuinte, o que não lhe ocasionou prejuízo. Isto porque a compensação é efetuada retroagindose à data de apresentação da declaração de compensação, e não na data de reconhecimento do direito creditório pela unidade de origem. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres – redator do voto vencedor Fl. 303DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13802.000482/87-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1987
PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. ANÁLISE EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA SUA ANÁLISE NESTE ÓRGÃO. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS NOVOS. IMPROCEDÊNCIA.
Nos casos em que o contribuinte, em pedido de reconsideração, repisa argumentos já suscitados em sede de Recurso Voluntário, os quais já foram analisados na oportunidade em que foi proferido acórdão pela Câmara Ordinária e não traz qualquer elemento novo aos autos não há o que ser reconsiderado.
Numero da decisão: 1201-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do pedido de reconsideração e NEGAR provimento ao mesmo.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1987 PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. ANÁLISE EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA SUA ANÁLISE NESTE ÓRGÃO. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS NOVOS. IMPROCEDÊNCIA. Nos casos em que o contribuinte, em pedido de reconsideração, repisa argumentos já suscitados em sede de Recurso Voluntário, os quais já foram analisados na oportunidade em que foi proferido acórdão pela Câmara Ordinária e não traz qualquer elemento novo aos autos não há o que ser reconsiderado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do pedido de reconsideração e NEGAR provimento ao mesmo. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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ANÁLISE EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA SUA ANÁLISE NESTE ÓRGÃO. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS NOVOS. IMPROCEDÊNCIA. Nos casos em que o contribuinte, em pedido de reconsideração, repisa argumentos já suscitados em sede de Recurso Voluntário, os quais já foram analisados na oportunidade em que foi proferido acórdão pela Câmara Ordinária e não traz qualquer elemento novo aos autos não há o que ser reconsiderado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do pedido de reconsideração e NEGAR provimento ao mesmo. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 2. 00 04 82 /8 7- 75 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de retorno de diligência requerida por meio da Resolução nº 1201 000.131 pelos membros da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Adoto o relatório formalizado em 06/05/2014 na oportunidade da conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência: “Tratase de Pedido de Reconsideração do acórdão nº 10180.230 proferido pelos membros da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual não foi admitido pela DRF/SP. Em razão da não admissibilidade do Pedido de Reconsideração, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança para que o mesmo fosse processado. Em primeira instância a segurança pretendida foi denegada e, em sede de apelação, foi proferido acórdão pelo TRF 3ª Região favorável ao contribuinte no sentido de reconhecer a "ilegalidade do indeferimento de pedido de reconsideração", fl. 100. Desta decisão interpôs a União Recurso Especial, o qual não foi provido, fl. 98. Esta decisão transitou em julgado. Diante da decisão judicial acima informada, vieram os autos à julgamento. O presente processo é decorrente de auto de infração lavrado em razão da constatação das seguintes infrações, ocorridas no exercício de 1987: (i) omissão de receita, caracterizada (i.i) pela parcela da conta “fornecedores” não comprovada por documentação hábil e idônea, (i.ii) não lançamento de despesas com comissões sobre vendas e frete/carretos, pagas com recursos estranhos à contabilidade em razão da ausência dos lançamentos respectivos, (ii) custos e despesas não comprovados, em razão da não apresentação de documentação hábil e idônea correspondente e (iii) despesas não dedutíveis, indevidamente abatidas quando da apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real. O contribuinte apresentou impugnação, na qual informou que o auto de infração em debate é reflexo do processo 1380200481/87 11, no qual apresentou defesa com os documentos comprobatórios. Além disso, consignou que não é infratora reincidente e não tem débitos com o fisco. Por fim, requereu a improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo manteve, em parte, a exigência, tendo em vista que, no processo matriz, foram consideradas parcialmente procedentes as razões oferecidas pela Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13802.000482/8775 Acórdão n.º 1201001.177 S1C2T1 Fl. 186 3 pessoa jurídica, impondose igual solução no processo decorrente dada a intima relação de causa e efeito. O acórdão foi assim ementado: ‘Reflexo Imposto de Renda na Fonte São tributáveis exclusivamente na fonte a alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto de renda devido pela pessoa jurídica, as importâncias consideradas automaticamente distribuídas aos sócios em 31.12.86, decorrente da omissão de receitas, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações incomprovadas (Passivo Fictício) e despesas não contabilizadas e pagas com recursos estranhos. Exonerase o lançamento, por reflexo, em valor proporcional ao reconhecido no processo matriz apoiado em documentação hábil.’ O contribuinte apresentou recurso ao Conselho de Contribuintes reafirmando o que sustentou na impugnação. Os membros da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes proferiram o acórdão 10180.230 e o voto foi no seguinte sentido: ‘Em se tratando de lançamento decorrencial, a decisão de mérito proferida no processo referente a pessoa jurídica constitui prejulgado em relação a matéria formalizada como reflexo. A exigência fiscal teve como suporte omissão de receitas no ano de 1986. 0 fato econômico, portanto, ê o mesmo, ou seja, a omissão de receitas. Tendo a empresa no processo matriz obtido êxito parcial em seu apelo a autoridade "ad quem" uma vez que esta Câmara proveu, em parte, o recurso interposto pela pessoa jurídica para excluir da base de cálculo do citado anobase a quantia de Cz$' 186.673, devese excluir da tributação na fonte a referida quantia dada a intima relação de causa e efeito existente entre os dois lançamentos. Nesta linha de juízos, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação na fonte a importância de Cz$ ' 186.673.’ O contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração, nos seguintes termos: ‘Tratase de processo reflexivo, originário de lançamento decorrencial, em cujo processo principal (13.802/000481/8711) foi formulado igual pedido de reconsideração com efeito suspensivo, conforme cópia protocolada que neste ato junta ao presente. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 4 Dada a intima relação de causa e efeito existente entre ambos os processos, rogase a V.Exas. se dignem de reconsiderar a decisão consubstanciada no acórdão nº 101.80.230, na esteira do que restar decidido no processo principal.” No pedido de reconsideração formulado no processo de origem 13.802/000481/8711, pugnou pela reconsideração da decisão, em razão do quadro apresentado (transbordamento dos rios Tiete e Tamanduateí), o qual justificaria a ausência de entrega de determinados documentos. Além disso, ressaltou que o Fisco poderia avaliar a inexatidão que deu causa ao lançamento por outros meio de que dispõe, como a amostragem. E, por fim, sob a justificativa de existência de caso fortuito do qual a recorrente não poderia prevenirse e considerando que não se trata de reincidência, nem sonegação, fraude ou conluio, invocou o artigo 40 do Decreto 70.235/72 para requerer a reconsideração da decisão com a consequente dispensa das penalidades pecuniárias que sofreu’.” E o voto proferido segue transcrito: “Tratase de Pedido de Reconsideração, cuja análise foi determinada por ordem judicial, conforme decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 91.06115853 impetrado pelo contribuinte. Dos autos temse que o lançamento em debate é decorrente do lançamento discutido nos autos do processo 1380200481/8711. No pedido em análise, o próprio contribuinte, em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre este processo e o processo administrativo 13802000481/8711, requereu que a reconsideração da decisão consubstanciada no acórdão nº 101.80.230, acompanhe o que restar decidido no processo principal. Em consulta ao site deste Conselho foi possível verificar que, relativamente ao processo 1380200481/8711, há apenas a publicação do acórdão a ser reconsiderado e não existe qualquer informação sobre o andamento do Pedido de Reconsideração, razão pela qual, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal (i) informe a localização e o andamento do processo nº 1380200481/8711, bem como (ii) junte nestes autos o acórdão que julgou a reconsideração, se houver.” Realizada a diligência, foram acostados os documentos de fls. 142 a 182 relativos ao processo administrativo 138020004828/8775. Em especial, relativamente ao pedido de reconsideração formulado naquele processo, foi acostado despacho (fl. 165) com a seguinte redação: “Em conformidade com o artigo 2º do Decreto nº 75445/75 não é admitido o pedido de reconsideração de julgamento dos Conselhos de Contribuintes, tornandose definitiva, na esfera administrativa, a decisão proferida no Recurso Voluntário.” Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13802.000482/8775 Acórdão n.º 1201001.177 S1C2T1 Fl. 187 5 Retornaram os autos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de retorno de diligência. Após a diligência requerida, dos documentos acostados, verificase que, no processo principal, o pedido de reconsideração não foi admitido e que tal decisão tornouse definitiva na esfera administrativa. Em pesquisa no site do “comprot” a informação encontrada acerca do processo 13802000481/8711 (principal) é de que o mesmo encontrase arquivado (arquivo geral da SAMF – SP). No entanto, em pese ser este processo decorrente do processo 13802000481/8711, o qual encontrase arquivado, em razão da existência de decisão judicial transitada em julgado proferida em Mandado de Segurança, na qual foi determinada a análise do pedido de reconsideração, dele conheço e passo a analisar. Do que consta nos autos, verificase que no Pedido de Reconsideração o contribuinte repisou argumentos já suscitados em sede de Recurso Voluntário e analisados na oportunidade em que foi proferido o acórdão 10180.230 e não trouxe qualquer elemento novo nos autos deste processo, razão pela qual não há o que ser reconsiderado. Desse modo, mantenho a decisão proferida no acórdão 10180.230 (proferido neste processo), cujo voto se deu nos seguintes termos: “Em se tratando de lançamento decorrencial, a decisão de mérito proferida no processo referente à pessoa jurídica constitui prejulgado em relação à matéria formalizada como reflexo. A exigência fiscal teve como suporte omissão de receitas no ano de 1986. O fato econômico, portanto, o mesmo, ou seja, a omissão de receitas. Tendo a empresa no processo matriz obtido êxito parcial em seu apelo à autoridade "ad quem" uma vez que esta Câmara proveu, em parte, o recurso interposto pela pessoa jurídica para excluir da base de cálculo do citado anobase a quantia de Cz$1 186.673, devese excluir da tributação na fonte a referida quantia dada a íntima relação de causa e efeito existente entre os dois lançamentos. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 6 Nesta linha de juízos, dou provimento parcial ao recurso para excluir da tributação na fonte a importância de Cz$ 186.673.” É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
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Numero do processo: 10070.001054/2002-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: LIVIA VILAS BOAS E SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinatura digital) JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente Substituto (Assinatura digital) Lívia Vilas Boas e Silva - Relatora EDITADO EM: 10/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Lívia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por HEMATOLOGISTAS ASSOCIADOS S/C LTDA. em face de acórdão proferido pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO – RJ assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.001054/2002-92 Resolução nº 2102-000.199 S2-C1T2 Fl. 2 2 Ano-calendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO Deve ser mantido o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF e em decorrência da não localização de pagamento vinculado a débito informado na referida declaração, se o contribuinte não comprova a existência do pagamento na fase impugnatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O caso foi relatado pela Delegacia Regional de Julgamentos recorrida, verbis: Versa este processo sobre o auto de infração de fls. 07 a 13, lavrado no âmbito da antiga DEFIC/RJO, para a exigência de IRRF, no valor de R$ 46.558,09, com multa de 75% e juros de mora. O lançamento decorre da apuração pelo Fisco, em procedimento de auditoria interna na DCTF do 2° trimestre de 1997, de falta de recolhimento de tributo nela informado, conforme descrição e enquadramento legal constantes à. fl. 08. Cientificada do auto de infração, a contribuinte, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 01 a 04, acompanhada de documentos (fls. 05 a 67). Alegou, em preliminar que: - o auto de infração seria nulo, em face da falta de clareza na descrição dos fatos e na indicação do dispositivo legal infringido, e, além disso, contrariaria o art. 842 do RIR, por não ter sido precedido por intimações, - seria nula a forma de intimação feita com base nas IN SRF n° 45 e 77, de 1998, inexistindo previsão legal para o Fisco efetuar intimações via internet, em desacordo, aliás, com o art. 992 do RIR e com o art. 23 do Decreto n° 70.235/1972; - em razão de possuir endereço certo, o Fisco deveria ter solicitado as informações necessárias para esclarecer os pontos levantados na auditoria, em vez de publicar editais ou divulgar listas pela internet. No mérito, asseverou que a DCTF referente ao 2° semestre de 1997 teria sido entregue com erros e que ela teria apresentado DCTF retificadora para esclarecer as divergências entre as informações e os recolhimentos. Ponderou que juntou à impugnação cópia da DCTF retificadora (fls. 14 a 27) e das guias de recolhimento (35 a 60) e, ao final, protestou pela produção de provas documentais e periciais. Recebida a impugnação, o processo foi encaminhado à Derat/RJO, onde foi promovida a revisão de oficio do lançamento, na forma do despacho intitulado "Revisão de Lançamento n° 51/2011 (fls. 76/77), que reduziu o valor do principal de R$ 46.558,09 para RS 1.948,81 e determinou ‘o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes e o cancelamento dos créditos tributários improcedentes, conforme Demonstrativo de fls. 71 a 75’. Cientificada do Despacho, em 23/02/2011, a interessada aditou razões de defesa à sua impugnação, na forma da petição de fls. 80 a 85, alegando, em suma, que: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.001054/2002-92 Resolução nº 2102-000.199 S2-C1T2 Fl. 3 3 - as diferenças remanescentes após a revisão de oficio corresponderiam a erros de informação na DCTF, que teriam sido objeto de solicitação de retificação de DCTF, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, que demonstraria claramente a improcedência do lançamento; - o lançamento do IRRF referente ao período de abril a julho de 1997 teria se dado em 22/02/2002; a impugnação teria sido apresentada em 18/04/2002 e a revisão de ofício teria ocorrido em 16/02/2011, com ciência em 01/03/2001, ou seja, 14 anos após o fato gerador e 8 anos após a apresentação da impugnação; - teria havido a prescrição intercorrente, levando-se em conta que a RFB somente teria se pronunciado a respeito da sua impugnação após quase nove anos; - a solicitação de retificação de DCTF, realizada nos termos da IN SRF n° 126/1998, teria se sujeitado aos efeitos homologatórios a teor do art. 899 do RIR; - após cinco anos teria havido a homologação do seu pedido; - o art. 156 do CTN determinaria que o crédito tributário se extinguiria pela decadência e prescrição; - as retificações previstas em requerimentos administrativos teriam previsão legal específica quanto ao prazo de homologação (Lei n° 9.430/1996, art. 74, § 5°), que seria de cinco anos contados da entrega da declaração; - como já mencionado na impugnação, ao perceber o engano cometido no preenchimento da DCTF, teria solicitado retificação do documento, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, cujo inc. III do art. 8° previa a ‘solicitação, em processo administrativo’; - a solicitação de retificação de DCTF teria sido apresentada no dia 18 de abril de 2002, por meio de processo legal, que até então não se encontraria julgado; - a autoridade que procedeu à revisão de ofício teria mantido a cobrança dos valores impugnados por meio da retificação de DCTF, sob o argumento de que seria vedada a apreciação de DCTF que visasse reduzir os débitos, citando redação de texto encontrado na IN SRF n°255, de 11/12/2002; - a manutenção da cobrança do valor remanescente teria se fundamentado em norma com vigência posterior ao ato praticado, uma vez que o pedido de retificação da DCTF teria sido apresentado em 18/4/2002, sob a égide da IN SRF n° 126, de 30/10/1998; - o Estado não poderia cobrar do contribuinte valores indevidos, ligados a um pedido de retificação de DCTF pendente de apreciação. O acórdão acima ementado considerou insubsistente a impugnação e procedente o lançamento do crédito tributário revisto de ofício, no valor de R$1.948,81, além da multa de 75% e dos acréscimos moratórios. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.001054/2002-92 Resolução nº 2102-000.199 S2-C1T2 Fl. 4 4 Inicialmente, o acórdão da Delegacia Regional de Julgamentos entendeu precluído o protesto por apresentação de prova documental, diante da ausência de comprovação de alguma das hipóteses do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim como prescindível a produção de prova pericial, uma vez que a interessada, além de não ter indicado perito ou quesitos da perícia, apresentou alegações passíveis de demonstração nos autos, cuja matéria não exigiria o pronunciamento de técnico especializado no assunto. Em sede de preliminar, o acórdão asseverou que não houve nulidade do auto de infração, uma vez que o lançamento teria sido lavrado em atenção aos preceitos do art. 142 do CTN e apresentandos todos os requisitos enumerados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, especialmente a descrição dos fatos e o enquadramento legal, que permitiram à ora Recorrente conhecer perfeitamente a infração que lhe estava sendo imputada e se defender sem dificuldade. O acórdão asseverou, também, que a contribuinte foi devidamente intimada do auto de infração por via postal (fl. 70), em conformidade com o Decreto nº 70.235/1972, não sendo cabíveis os questionamentos referentes a intimações por edital ou internet, bem como que a contribuinte pode impugnar livremente o auto de infração, não subsistindo a alegação de que a falta de intimação prévia para esclarecimentos macularia o lançamento levado a efeito. Ainda, em preliminar, o acórdão entendeu que não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo, destacando, quanto aos fatos geradores referentes aos créditos tributários remanescentes após a revisão de ofício, que o lançamento se deu antes do término do prazo decadencial (art. 150, §4º, do CTN) e que a impugnação tempestiva suspenseu a exigibilidade do crédito tributário lançado. No mérito, o acórdão negou provimento à impugnação ao argumento de que a retificação da DCTF, para ser admitida, teria de ser anterior ao lançamento (art. 147 do CTN), ao contrário do que ocorreu. Ademais, a contribuinte não apresentou qualquer documento comprobatório de seu alegado equívoco no preenchimento da DCTF tanto em 2002 (ao impugnar o auto de infração e solicitar retificação de DCTF) como em 2011 (ao aditar razões de defesa à impugnação, após a revisão de ofício), não obstante caber-lhe essa providência, nos termos do inciso III e §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Cientificada da decisão acima referida, por via postal, em 16/04/2013, Aviso de Recebimento (AR), fl. 128, a contribuinte apresentou, em 26/04/2013, recurso voluntário, fls. 131/137, trazendo as seguintes alegações. Preliminarmente, alega prescrição intercorrente no processo administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 22/02/2002 e entregue à contribuinte em 21/03/2002, que apresentou impugnação em 18/04/2002, julgada apenas em 01/03/2011, com um decurso de prazo, portanto, de quase 9 anos da impugnação e 14 anos do fato gerador; No mérito, alega que solicitou retificação de sua DCTF em 18/04/2002, com fundamento na IN SRF nº 126, de 30/10/1998, cujo art. 8º permitiria a alteração mediante solicitação em processo administrativo próprio e que não havia sido julgado até então. É o relatório. VOTO Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.001054/2002-92 Resolução nº 2102-000.199 S2-C1T2 Fl. 5 5 LÍVIA VILAS BOAS E SILVA - Conselheira Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Ao exame da preliminar argüida pela Recorrente, destaca-se que a alegação encontra óbice na Súmula CARF nº 11, segundo a qual “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. (Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, Seção I, em 23/12/2010). Vencido esse ponto, passa-se ao exame do mérito, que envolve a análise dos lançamentos das das seguintes rubricas (fl. 71): 1 – Lançamento de valor residual de R$22,78, decorrente do crédito original de R$2.187,37, com data de vencimento em 07/05/1997 (PA 05-04/1997); 2 – Lançamento de valor residual de R$340,50, decorrente do crédito original de R$1.084,50, com data de vencimento em 14/05/1997 (PA 02-05/1997); 3 – Lançamento de valor residual de R$1.585,53, decorrente do crédito original de R$13.968,17, com data de vencimento em 04/06/1997 (PA 05-05/1997). Todos esses créditos decorrem de informações de valores a maior na DCTF do 2º trimestre de 1997, após a revisão de ofício do lançamento feita com base nas informações apresentadas pela Recorrente, quais sejam, a Solicitação de Retificação de DCTF e as guias de recolhimento. Contudo, a Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, defende que o pedido de retificação não corresponde a uma “DCTF retificadora”, mas sim a um “processo administrativo” com permissivo no inciso III do art. 8º da IN SRF nº 126, de 30/10/1998, transcrita abaixo: Art. 8º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF, já entregue, serão formalizados por meio de: I - DCTF retificadora, até a data prevista para a entrega tempestiva da respectiva declaração original, mediante a apresentação de nova DCTF, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada; II - DCTF complementar, para declarar novos débitos ou acréscimos aos valores de débitos já informados, após encerrado o prazo para a entrega da respectiva declaração original; III - solicitação, em processo administrativo, nos demais casos. § 1º Não será admitida a apresentação de DCTF retificadora após encerrado o prazo para a entrega da respectiva declaração original. § 2º O pedido de alteração mencionado no inciso III será apreciado pela Delegacia da Receita Federal ou Inspetoria da Receita Federal, classe A, da jurisdição do domicílio fiscal da pessoa jurídica. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.001054/2002-92 Resolução nº 2102-000.199 S2-C1T2 Fl. 6 6 Sobre esse processo administrativo, a Recorrente alega que "a competente solicitação de retificação de DCTF foi apresentada no dia 18 de abril de 2002, através de processo legal, que até hoje não se encontra julgado, como se verifica do andamento processual através do sistema COMPROT". Assim, considerando a Instrução Normativa vigente à época e o processo administrativo apresentado pela Recorrente, propõe-se a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, para que sejam juntados aos autos cópia integral do respectivo processo administrativo. Tendo em vista a ausência de informação, nestes autos, do número desse processo, orienta-se a juntada do processo administrativo protocolado em 18 de abril e 2002, e, caso não seja identificado, orienta-se a juntada de todos os processos administrativos protocolados em abril de 2002, haja vista a relevância dessas informações para a análise do mérito. (Assinatura digital) LÍVIA VILAS BOAS E SILVA - Relatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10814.007087/2005-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 28/12/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.024
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/12590996, em 28/12/2000, fls. 6/9, no valor de R$14.039,27. O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 24156.98314.060905.1.3.42085,, cujo extrato está anexado às fls. 159/160, dos autos, transmitida em 06/09/2005. A seguir seguemse os fatos e fundamentações legais sobre o pleito. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924, de 06/01/00; 2068 37, de 27/12/00 e 206838, de 25/01/01, convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Esse benefício consiste na redução de 40 % do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas no Siscomex, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, recolhido tributos a maior que o devido, o contribuinte vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 28/12/2000, o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº º 00/12590996, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 01/09/2005, requereu, fls. 1/2, e pleiteou a restituição do valor que segundo a contribuinte teria recolhido a maior, no referido despacho de importação, no total de R$ 14.039,27, formulando Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 19, documento comprobatório fornecido pelo Decex/SecexMDIC, de habilitação de duas unidades dessa empresa, para fins de fruição do benefício instituído pela Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000 (MP Nº 1.93924/2000, art. 5º). O processo teve seu exame inicial na Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – IRF/SP, para revisão aduaneira e eventual retificação dessa Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/2006, o contribuinte foi intimado a comprovar que era detentor das certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) na data de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, (Decreto nº 91.030/1985), combinado com o artigo 60 da Lei n 9.069/1995, a autoridade aduaneira entendeu que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada declaração de importação, para o pleito de redução pretendida, e que a comprovação deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando o disposto no art. 37, da Lei nº 9.784/99. Desse modo, ao final, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação nº 00/12590996, em conforme Despacho Decisório da IRF/SPO, proferido em 04/10/2007, fls. 59/60. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho, encaminhado ao InspetorChefe da IRF/SP, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso sob exame.. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182/01 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 110/114, Despacho Decisório IRF/SPO nº 031/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF nº 035/09, de 18/03 2009, fls. 115/116, cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. ......................................................... Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4º do artigo da IN SRF nº 680/2006, acima transcrito.” (grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/2008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 3 5 posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório, fls. 118/120, Despacho Decisório IRF/SPO nº 80/09, de 18/06/2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER/DCOMP nº 247156.98314.060905.1.3.042085, cujo extrato encontrase anexado às fls 159/160, dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 39/2010,de 18 de janeiro de 2010, fls. 163/165. Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 111/136 e 167/182, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei nº 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao Secex). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei nº 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei nº 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei nº 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei nº 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CND (Certidão Negativa de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 121/135 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CND (Certidão Negativa de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/12/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PELA REDUÇÃO DA LEI Nº 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, conforme art. 165 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), não cabe a restituição de tributos, nem a compensação de tributos requerida, pois o não reconhecimento do direito creditório implica em nãohomologação do pleito de compensação. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE CND NO ATO DO DESPACHO ADUANEIRO DA MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, conforme disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, no ato do despacho aduaneiro da mercadoria, quando do registro da declaração de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 4 7 importação, o que não ocorreu no caso, inviabilizando o direito ao benefício e o reconhecimento do crédito tributário requerido. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69)3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007087/200548 Acórdão n.º 3102001.024 S3C1T2 Fl. 5 9 montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10932.000390/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/01/2002
MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO
Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimento intempestivo.
Recurso de ofício desprovido.
Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3102-00.874
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/01/2002 MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimento intempestivo. Recurso de ofício desprovido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA - Relatora Fl. 625DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Pontes Maya Gomes. Relatório O presente processo se refere lançamento de multa de ofício isolada em razão do recolhimento em atraso da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS em 31 de dezembro de 2001 e 31 de dezembro de 2002. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório (fls. 265, verso à 268) proferido pela DRJ de origem: O Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 174 caracteriza a infração apurada nos seguintes dizeres: "Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA (COFINS) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, recolhida após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da respectiva multa moratória, conforme demonstrado no "Termo de Verificação e Constatação . Fiscal" em anexo. Data Valor Multa Isolada 31/12/2001 R$6.601.894,76 31/01/2002 R$1.270.577,46 Enquadramento Legal: Arts. 43, 44, 1°, inciso II, e 61, §,¢' 1°e 2°, da Lei n°9.430/96" O citado Termo de Verificação e Constatação Fiscal se acha acostado às fls. 169/170, dele constando todo o procedimento de auditoria, na seguinte descrição:"No exercício regular das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal e em cumprimento ao Procedimento Fiscal de Revisão Interna n° 0811900- 2006-00890-2 (Anexo II), determinado pelo Sr. Delegado da Receita Federal em São Bernardo do Campo, executamos os atos necessários para atender à Representação formalizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT, em relação ao Fl. 626DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 3 3 processo administrativo n° 13819.001750/2002-04, cujas conclusões passamos a expor: I) A empresa tem por objeto a indústria, comércio, representação, importação, exportação de automóveis e outros veículos a motor, motores, peças, acessórios e congêneres; bem como atividades conexas e correlatas ou subsidiárias que, direta e/ou indiretamente, se relacionem com a atividade declarada, cujos atos constitutivos e alterações estatutárias encontram-se devidamente registradas nos órgãos competentes, incluindo-se o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) — artigo 214 do RIR/99, cuja situação encontra-se regular e ativa; 2) O contribuinte manifestou o interesse em compensar os débitos tributários relacionados no Anexo I, com o pedido de restituição postulado através do - processo administrativo n°13819.001707/00-34; 3) Como houve o indeferimento do crédito, desconstituiu- se, conseqüentemente, os pedidos de compensações vinculados a ele; 4) Em 31/07/2002, a empresa optou em recolher os débitos pendentes, utilizando-se do beneficio previsto no artigo 11 da Medida Provisória n° 38, de 14/05/2002; 5) Referidos paramentos foram efetuados apenas com os juros, sem a inclusão das respectivas multas moratórias; 6) A condição s ine quae non para a sua adoção, se oportuna, seria a comprovação da desistência da ação judicial em que se litigasse o referido tributo, contra a União, acompanhado do seu recolhimento; 7) Ressalve-se, entretanto, que a matéria abordada no Mandado de Segurança n°91.0654036-8, informado nos recolhimentos dos débitos do Anexo I, dizia respeito à diferença do fator de correção monetária (IPC/BTNF) utilizada na apuração do resultado do ano-calendário 1.990 (vulgo Plano Collor), repercutindo na análise dos fatos geradores relacionados ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida no exercício 1.991; 8) Não se vislumbrou a possibilidade de se estender os efeitos da renúncia desta medida para outros tributos, como PIS, COFINS, I.R.R.Fonte, I0F, IPI, etc., que não Fl. 627DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 4 4 foram abordados no âmbito do respectivo Mandado de Segurança; 9) Neste sentido, o despacho decisório n° 246/2003, do Sr. Delegado da Receita Federal em São Bernardo do Campo, que indeferiu o expediente utilizado pela empresa para extinguir os débitos do Processo n° 13819.001707/00-34, cuja fundamentação se aproveita aos débitos indicados no "Anexo I"; 10)Através de consulta realizada ao SEORT/DRF/SBCAMPO, cuja manifestação foi exarada em fl. 166 do processo administrativo 13819.001750/2002- 04, mantivemos a convicção, agora compartilhada pelo Serviço competente, de que é perfeitamente cabível a aplicação da multa de ficio (isolada, no caso) prevista no inciso Ido art. 44 da Lei n°9.430/96, em razão do disposto no inciso II do § 1° do mesmo art. 44, já que os recolhimentos foram efetuados sem as multas moratórias devidas (devendo ser lançada e cobrada multa de oficio) Diante do exposto, formalizamos, com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei Complementar n° 5.172/66, os lançamentos das multas de oficio devidas, conforme descrito nos Autos de Infração que seguem em anexo, cujo Termo de Verificação e Constatação Fiscal fará parte integrante e imprescindível dos mesmos. O crédito tributário devido se encontra resumido no quadro abaixo: TRIBUTO PROCESSO VALOR PIS 10932.000389/2006-20 R$ 2.334.568,79 COFINS 10932.000390/2006-54 R$ 7.872.472,22 IPI 10932.000391/2006-07 R$ 3.314.958,03 L R. R. FONTE 10932.000392/2006-43 R$ 1.935.346,76 IOF 10932.000393/2006-98 R$ 79.900,12 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$15.537.245,92 Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional de promover ulteriores verificações sobre a matéria aqui abordada ou qualquer outra, se, por razão de fatos ou circunstâncias não conhecidas ou cogitadas nesta oportunidade, não foram questionados. E, para constar e produzir seus efeitos legais, lavramos este termo em três vias de igual teor e forma, que vão assinados por mim, Fl. 628DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 5 5 Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo que uma das vias será encaminhada ao contribuinte por remessa postal com Aviso de Recebimento." Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 27/12/2006, conforme AR de fls. 180, a contribuinte, por seus advogados legalmente habilitados, interpôs, em 25/01/2007, impugnação de fls. 182/199, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) afirma, inicialmente, ser necessário traçar um histórico que remonta ao Plano Collor, para se compreender a autuação contestada, por sua vinculação com fatos passados; 2) diz que, em 2001, foi impetrado pela interessada, um Mandado de Segurança, para assegurar o direito de recolher o IRPJ e a CSLL, do ano-calendário de 1990, considerando a variação do IPC do período, em vez do BTNf, previsto na legislação, tendo obtido liminar favorável; 3) com a apuração de prejuízo fiscal, em decorrência da aplicação do IPC para correção monetária, os recolhimentos de IRPJ antecipados foram classificados como indevidos; 4) a fiscalização procedeu, então, ao lançamento dos valores das diferenças de tributos, originados da correção monetária pelo IPC, para prevenir a decadência, sem considerar as antecipações de IRPJ, realizadas ao longo do ano-calendário de 1990 (processo administrativo fiscal de n° 13819.004286/95-55); 5) Como não havia sido restituído, até o ano-calendário 2000, o valor do IRPJ recolhido a maior, foi apresentado o competente pedido e informadas diversas compensações de tributos, dando origem ao processo administrativo fiscal de n° 13819.001707/00-34; 6) Em meados de 2002 e considerando o precedente desfavorável do STF sobre o Plano Collor, além da entrada em vigor da Medida Provisória n° 38, de 14 de maio de 2002, a impugnante desistiu dos processos já citados, promovendo o pagamento dos tributos, com os benefícios previstos na citada Medida Provisória; 7) diz que a autoridade administrativa, ao verificar os pagamentos feitos, reconheceu a suficiência em relação aos Fl. 629DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 6 6 valores discutidos no processo 13819.004286/95-55, o mesmo não ocorrendo quanto aos débitos do segundo feito, que não estariam dentre as hipóteses previstas de serem pagos com os benefícios da MP 38, de 2002; 8) foi realizada, então, a imputação dos pagamentos, com a cobrança da multa moratória de 20%, não incluída nos recolhimentos, razão pela qual remanesceram débitos, que ainda estão sendo discutidos no processo n° 13819.001707/00-34, atualmente na Câmara Superior de Recursos Fiscais; 9) não obstante a existência do litígio descrito, a contribuinte foi surpreendida com a exigência da multa de ofício isolada, prevista no inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, que entende indevida, como se propõe a demonstrar; 10) esclarece que o presente feito é mera decorrência do processo n° 13819.001707/00-34, motivo porque solicita que a defesa já apresentada nesse último seja inteiramente considerada na apreciação dos autos de multa de ofício isolada; 11) enfatiza que a desistência no processo citado, bem como os pagamentos dos débitos a ele vinculados estavam cobertos pelos benefícios da MP n° 38, de 2002, que afastava qualquer multa, fosse moratória ou punitiva; 12) mesmo que assim não fosse, estaria caracterizada uma denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 138, do CTN, que exclui a responsabilidade e, com ela, as multas por mora ou de ofício; 13) reiterando que a presente exigência fiscal é mera decorrência do processo administrativo 13819.001707/00- 34, do qual transcreve parte do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, informa que, no feito original, a autoridade fiscal entendeu ser necessário o recolhimento da multa moratória de 20% sobre o total dos débitos envolvidos; 14) após decorridos quase 5 (cinco) anos, exige o Fisco pagamento de multa de ofício de 75% sobre os mesmos débitos, configurando alteração de critério jurídico, quanto a fato gerador ocorrido anteriormente à sua introdução, em desobediência ao artigo 146, do CTN, que reproduz; 15) cita doutrina, analisa o despacho decisório proferido nos autos originais e reproduz trecho do despacho do Fl. 630DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 7 7 SEORT, que reanalisou a matéria, verbis: "4) é perfeitamente cabível a aplicação da multa de ofício (..). Se lançadas as multas de ofício, para cada um dos pagamentos efetuados sem a moratória, devem ser cancelados os saldos remanescentes do processo n° 13819.001707/00-34, que, em tese, corresponderiam às multas moratórias não recolhidas." fls.168) 16) realça que a administração tributária, quando da imputação de pagamentos, com relação aos recolhimentos efetivados, já poderia ter optado pela aplicação da multa de ofício isolada, mas não o fez, preferindo cobrar a multa moratória de 20%, implícita nos cálculos de alocação dos valores pagos; 17) portanto, ao lançar a multa isolada de 75%, há clara mudança de entendimento jurídico sobre o mesmo fato, contrariando a doutrina e jurisprudência dominante, da qual transcreve algumas ementas de acórdãos proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 18) diz que os débitos constantes do processo n° 13819.001707/00-34 , estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, do que deriva a regularidade fiscal da contribuinte, impossibilitando a aplicação da multa punitiva de 75%, destinada aos contribuintes em situação de débitos fiscais em aberto, exigíveis e não recolhidos; 19) aduz que eventual multa, se cabível, seria a moratória de 20%, que corresponde exatamente à quantia que deixou de ser recolhida pela contribuinte, corroborada pela imputação de pagamentos, feita pela autoridade administrativa, citando trecho de voto proferido pelo Conselheiro Neycir de Almeida; 20) pondera, ainda, que, se devida fosse a multa de ofício de 75%, ela deveria ser aplicada apenas sobre os saldos remanescentes dos débitos compensados, apurados após a imputação de pagamentos; 21) resume, ao final, todos os argumentos expostos e solicita o cancelamento do auto de infração. Em expediente datado de 16/03/2009 (fls. 259/263), a contribuinte traz um aditamento à impugnação, em que, após fazer um breve resumo dos fundamentos da autuação, afirma ter havido alteração na legislação que rege o assunto, introduzida pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Reproduz o artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, pelo exame do qual se Fl. 631DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 8 8 conclui que não mais existe a redação que determinaria a cominação da multa de ofício de 75% no caso de pagamento ou recolhimento de tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Transcreve a exposição de motivos da MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, verbis: "8. A alteração do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de oficio, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela, pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pacamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora" (destaque da contribuinte) Transcreve ementas do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como de algumas Delegacias de Julgamento da RFB, enfatizando que não se poderá efetivar a simples redução da multa isolada para multa moratória de 20%, tendo em vista que essa já está sendo exigida nos autos do processo de restituição/compensação n° 13819.001707/00-34, para não configurar dupla cobrança pela prática do mesmo suposto ilícito tributário, por ser incorreto. Requer, ao final, seja cancelado o auto de infração e reconhecida a extinção do crédito tributário, face à aplicação do princípio da retroatividade benéfica, previsto no artigo 106, II, "a" e "c", do Código Tributário Nacional, conforme a pacífica jurisprudência administrativa sobre o tema. Analisando a questão, a DRJ julgou improcedente o lançamento, por entender que “Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão nem fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos” (fl. 270) Os autos vieram a reexame por este Conselho em sede de recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Fl. 632DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 9 9 Observo que o lançamento pautou-se na legislação então vigente para exigir a multa de ofício no recolhimento em atraso do débito vencido no decorrer dos anos de 2001 e 2002, no qual não houve o acréscimo da multa de mora correspondente. No entanto, em 22 de janeiro de 2007, a redação do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, foi alterada pelo art. 14 da Medida Provisória n.° 351, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, afastando a possibilidade de manutenção da exigência da multa. Transcrevo o dispositivo legal: "Art. 14. O art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1- prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." Fl. 633DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000390/2006-54 Acórdão n.º 3102-000.874 S3-C1T2 Fl. 10 10 Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão nem fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa isolada, tendo em conta a revogação do dispositivo legal que amparava sua exigência. Ressalto, por oportuno, que multa de mora que deveria ter sido recolhida quando do pagamento do principal encontra-se em discussão no processo administrativo fiscal de n° 13819.001707/00-34. - Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 634DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO
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Numero do processo: 10768.720161/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 30/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres.
Relatório
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 188 a 189): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 16 1/ 20 07 -8 0 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10768.720161/200780 Resolução nº 3101000.201 S3C1T1 Fl. 107 2 Em 12/08/2004, a interessada apresentou DCOMP de n° 02651.72737.120804.1.3.044780, na qual pretende compensar débito de COFINS mediante aproveitamento de crédito, objeto de análise do processo administrativo sob n° 13707.002565/9966. Em 30/01/2009, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/Rio de Janeiro, fl. 27, com base no Parecer Conclusivo n° 34/2009 (fls. 26), não homologando a compensação. A decisão teve como fundamento as seguintes constatações: 1) O direito creditório não foi reconhecido em sede de análise no processo administrativo de n° 13707.002565/9966, conforme decisão acostada aos autos as fis. 17/25. 2) Logo, inexiste crédito para que sejam homologadas as compensações declaradas no presente processo. A interessada teve ciência da decisão em 11/03/2009 (AR fls. 32). Inconformada, apresentou, em 13/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 39/43, com os seguintes argumentos: • O Parecer Conclusivo n° 34/09 parte de premissas equivocadas, não havendo motivos para que a cobrança desse montante prossiga administrativamente. • A interessada se equivocou ao pretender compensar o referido "crédito" através da DCOMP n° 02651.72737.120804.1.3.044780. • O processo administrativo n° 13707.002565/9966, que discute crédito de IRPJ, nada tem a ver com o "crédito" de R$ 2.792.534,23, referente a COFINS de 01/99. • Esse processo tinha por objetivo compensar o crédito de IRPJ, no montante de R$ 10.838.089,95, relativo aos anos de 1996 e 1997, com débitos de COFINS, dos quais houve homologação tácita de algumas compensações, enquanto outros foram objeto de cobrança. Os débitos em cobrança naquele processo (COFINS — 01/2000 e PIS — 01/2000 e 02/2000) foram inscritos em divida ativa, cuja ação de execução fiscal se encontra embargada. • De plano, verificase que a quantia de R$ 2.792.534,23 não apresenta qualquer relação com o processo administrativo de n° 13707.002565/99 66, em que pese o equivoco no preenchimento. • O crédito seria proveniente do processo administrativo de n° 13707.002759/9883, tendo sido observado igualmente que tal valor não era o crédito, e sim débito, sendo certo que reconhece o equivoco cometido ao enviar a DCOMP n°02651.72737.120804.1.3.044780. • Ajuizou ação ordinária n° 94.00445865, visando compensar crédito de FINSOCIAL com débitos de COFINS, transitada em julgado, sendo apurado crédito de R$ 8.213.855,52. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10768.720161/200780 Resolução nº 3101000.201 S3C1T1 Fl. 108 3 • Apresentou pedido de revisão deste crédito, formalizando o processo administrativo n° 10768.514425/200504, ao qual foram juntados os processos de n° 13707.002400/9895, 13707.002756/9883 e 13707.000928/9947, para os procedimentos de compensação. • A compensação foi parcial, e os débitos estão em cobrança pela ação de execução fiscal n° 2007.51.01.5014968. • A Unido está exigindo duas vezes o valor de R$ 2.792.534,23, quer por meio deste processo, quer através da execução fiscal. • Requer o cancelamento da cobrança da quantia de R$ 2.792.534,23, relativo ao período de apuração de 01/99 da COFINS, tendo em vista que esta quantia não guarda qualquer relação com o processo administrativo de n° 13707.002565/9966, sendo certo ainda que a mesma já está em cobrança judicial por meio da execução fiscal de n°2007.51.01.5014968. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 161, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101000.201, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste acerca da alegada duplicidade na cobrança da COFINS, período de apuração 01/99, no valor de R$ 2.792.534,23, e sua relação com o processo administrativo de n° 13707.002565/9966, inclusive quanto à cobrança judicial por meio da execução fiscal de n°2007.51.01.5014968, conforme Recurso às fls. 201 a 204. Após a manifestação da DRF, deverá ser intimado o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno dos autos para julgamento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10768.720161/200780 Resolução nº 3101000.201 S3C1T1 Fl. 109 4 E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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