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Numero do processo: 13971.003409/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO.
Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Ocultar dolosamente fatos e informações para reduzir a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE.
Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA.
São solidariamente responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a interposição de pessoa jurídica com vistas a reduzir o pagamento de tributos e a ocultar a verdadeira contribuinte.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº. 4 DO CARF. Conforme súmula nº. 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Ocultar dolosamente fatos e informações para reduzir a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE. Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. São solidariamente responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a interposição de pessoa jurídica com vistas a reduzir o pagamento de tributos e a ocultar a verdadeira contribuinte. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº. 4 DO CARF. Conforme súmula nº. 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Ocultar dolosamente fatos e informações para reduzir a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE. Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. São solidariamente responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a interposição de pessoa jurídica com vistas a reduzir o pagamento de tributos e a ocultar a verdadeira contribuinte. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº. 4 DO CARF. Conforme súmula nº. 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 34 09 /2 00 9- 99 Fl. 4580DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 3 2 Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório O processo apresenta dois conjuntos de autos de infração. O primeiro deles abrange autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cumulados com juros, multa de ofício qualificada e multa regulamentar, lavrados em razão da suposta omissão de receitas apurada a partir dos registros da escrituração da própria autuada. O segundo deles abrange autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, calculados sob a sistemática do lucro arbitrado, cumulado com juros e multa de ofício qualificada, em razão da apuração da existência de receitas da autuada que foram transferidas à interposta pessoa. Além disso, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do sócioadministrador Sr. Werner Greuel, sendo que, a responsabilidade tributária solidária, no presente caso, foi atribuída apenas ao segundo conjunto de autos de infração (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lucro arbitrado, fls. 849/890). Fl. 4581DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 4 3 Os motivos do lançamento foram expostos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 904/956) e encontramse resumidos a seguir: Na data de 12/12/2008, com o fito de dar início ao procedimento de fiscalização da empresa Água Mineral Cristal Blumenau Ltda., (CNPJ 73.676.231/000193), esta fiscalização compareceu ao endereço da empresa informado nos cadastros da RFB. Lá chegando, constatou que o endereço na verdade abrigava outra empresa, especificamente a fiscalizada. Na ocasião, o Sr. Sérgio Essig, que se disse contador terceirizado da Água Mineral, afirmou que (i) no endereço visitado funciona de fato a empresa bebidas Max Wilhelm Ltda., que é do mesmo proprietário da empresa de Água Mineral, (ii) que a empresa de Água mineral não possui nenhum funcionário e nenhuma instalação física; (iii) que a única atividade realizada pela empresa de Água Mineral é a revenda de produtos fabricados pela Bebidas Max Wilhelm Ltda. Na sede da autuada, na data de 17/06/2009, a fiscalização tomou o depoimento de Luciano Matos (gerente financeiro) e de Sérgio Essig (contabilista terceirizado da fiscalizada desde 2004) afirmando: (i) que em 2003, a fiscalizada firmou "contrato de prestação de serviços de assessoria" com a empresa Máster Fomento Mercantil Ltda. (CNPJ 03.097.849/000113), que a partir de então ficou responsável pela gestão financeira da empresa, concentrando todos os seus pagamentos e recebimentos; (ii) que quando a fiscalizada efetuava as vendas, todos os cheques ou numerário recebidos, assim como as duplicatas emitidas eram transferidos na totalidade para a Máster, que por sua vez pagava todas as contas que a fiscalizada solicitava; (iii) que todas estas operações de crédito e débito eram controladas através de um contacorrente, não contabilizada nos livros contábeis da fiscalizada; (iv) que a gestão financeira por parte da Máster encerrouse por volta do 1° trimestre de 2005, sendo que a partir desta data, a fiscalizada passou a gerir sua administração financeira, cumprindo suas obrigações com seus fornecedores, em espécie ou através da transferência de cheques recebidos ou de cessão de duplicatas, razão pela qual não há movimentação contábil na conta representativa de "banco"; (v) que todas as operações de cessão de crédito duplicatas sacadas contra clientes e cedidas a fornecedores para pagamento de insumos não foram retratadas na contabilidade da empresa; (vi) que durante o período de 2004 e 2005, de maneira eventual, foram utilizadas contas particulares dos sócios, e até a sua (exclusivamente de Luciano Matos), para algumas operações da empresa, operações estas também não registradas na contabilidade; (vii) que também foram utilizadas as contas correntes da empresa Água Mineral operações da fiscalizada, por conta de restrições existentes à época, como risco de penhora etc. Na verdade, estas restrições diziam respeito a uma grande quantidade de ações trabalhistas em que a fiscalizada era a ré, e tal simulação certamente objetivava manter à margem de eventuais penhoras os valores de receita titulados pela Água Mineral. A Água Mineral nunca operou de fato, nunca possuiu empregados, caminhões, instalações físicas, ou seja, nunca reuniu condições operacionais de funcionamento. A circunstância de declarar a aquisição de produtos industrializados pela fiscalizada e os revendêlos nada mais consubstancia que não uma simulação, pois quem na verdade estava vendendo os produtos era a fiscalizada. O único fornecedor de mercadorias da Água Mineral durante 2004/2005 foi a fiscalizada. Fl. 4582DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 5 4 A análise dos livros contábeis entregues pela fiscalizada mostrou que a sua movimentação bancária escriturada nos anos de 2004 e 2005 foi praticamente nula. A contabilidade da fiscalizada não retrata a sua efetiva movimentação financeira, posto que não contempla aquela havida em contas bancárias da sua titularidade de direito e de fato, inclusive sequer contempla a conta existente no Banco do Brasil, como tampouco contempla a movimentação financeira havida nas contas em que é titular apenas de fato, ou seja, as contas bancárias de titularidade de direito da Água Mineral. Em razão do fato de que há receitas de titularidade da fiscalizada que foram transferidas para a Água Mineral, tais receitas foram adicionadas aos valores escriturados pela fiscalizada, em ordem de se identificar os reais valores de receita bruta auferidos pela fiscalizada. A fiscalizada deixou de escriturar contabilmente operações de antecipação de valores por parte da Máster, a transferência dos seus recebíveis a ela, além do contacorrente existente para controlar tal fluxo financeiro. Além disso, deixou de escriturar cessões de crédito feitas a seus fornecedores e movimentação de valores em contas bancárias de sócios e funcionários A fiscalizada solicitava créditos à Máster, já discriminando os fornecedores e os valores a cada um atinentes; firmavase então um contrato de cessão de crédito nos exatos valores pretendidos, mais uma taxa de comissão, a fiscalizada autorizava os pagamentos conforme a solicitação, a Máster autorizava o Bradesco a efetuar os pagamentos e este, por sua vez, gerava um relatório com a discriminação dos pagamentos autorizados. Cópias de todos os pedidos de antecipação e suas correspondentes autorizações de pagamento efetuados no interregno de 2004/2005, e mais os comprovantes e relatórios de pagamentos feitos pela Máster, estão anexadas ao processo. A soma de todas as antecipações efetuadas pela Máster à fiscalizada em 2004/2005, extraída destes pedidos de antecipação e correspondentes autorizações, monta a R$ 9.408.422,84. Estas antecipações estão comprovadas pelos comprovantes de pagamentos, também anexos. São recibos de pagamentos da Máster para fornecedores da fiscalizada, com nome e valor. Ou seja, em 2004/2005, R$ 9.408.422,84 saíram do caixa da Máster direto para os fornecedores da fiscalizada. Em troca, esta repassava os recebíveis de seus clientes para a Máster, conforme rezava o contrato assinado entre ambas e acima referido. Acontece que esta movimentação financeira não está retratada na contabilidade da fiscalizada, como afirmado por seu gerente financeiro e por seu contabilista. Além disso, a comparação dos valores lançados nas duas contas contábeis relativas à Máster na contabilidade da fiscalizada em cotejo com os valores das antecipações demonstra que a contabilidade da fiscalizada não retrata a sua real movimentação financeira no período 2004/2005. A fiscalização entendeu dispensável a produção de provas de que os sócios e funcionários tivessem emprestado suas contas para a fiscalizada, posto que já evidente a circunstância da contabilidade não retratar a movimentação financeira. Fl. 4583DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 6 5 Intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, a fiscalizada deixou de apresentar o livro obrigatório Registro de Inventário. A DIPJ 2005 e 2006 (anocalendário 2004 e 2005) foram entregues zerada, com exceção da Ficha 29 de apuração do saldo do IPI. A DACON do 1° e 4° trimestres de 2004 e nos quatro trimestres de 2005 foi entregue zerada. No 2º e 3º trimestres de 2004 o valor apurado de PIS e COFINS foi zero. A fiscalizada não informou nenhum crédito tributário em DCTF no 1°, 3° e 4° trimestres de 2004. No 2° trimestre informou apenas créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em 2005 a fiscalizada não entregou nenhuma DCTF. A fiscalizada deliberadamente omitiu do Fisco informações relativas às receitas, despesas, créditos tributários apurados etc., tudo isto, evidentemente, com a intenção de evitar o pagamento dos tributos devidos e também de se constituir em mora. Uma vez que (i) a contabilidade da fiscalizada não contempla todas as transferências de recursos da forma como aconteceram e não contemplar os recursos mantidos em contas bancárias de sua titularidade, de direito e de fato, e (ii) por deixar de apresentar à autoridade tributária o Livro Registro de Inventário dos anos 2004 e 2005, a contabilidade da fiscalizada se mostrou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Assim, o lucro foi apurado com base nos critérios de arbitramento. Omitir receitas, utilizandose de interposta pessoa, além de não declarar ao Fisco receitas e créditos tributários escriturados, deve ser entendido como sonegação, conduta tipificada no art. 71 da Lei nº. 4502/64, demonstrando evidente intuito de fraude e portanto, apta a justificar a majoração da multa de ofício para 150%. Por infringir o artigo 11 da Lei 8.218/1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n°2.15835/2001, a fiscalizada sujeitase à aplicação da penalidade prevista no inciso II do artigo 12 da mesma lei. Por haver infringido a lei e por ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados relativamente às receitas omitidas, transferidas para a titularidade da Água Mineral, o Sr. Werner Greuel, sócioadministrador da fiscalizada, será responsabilizado solidariamente pela obrigação tributária decorrente. Quem fazia a venda dos produtos eram funcionários da fiscalizada, que os entregava em seus caminhões, emitia as correspondentes notas fiscais em nome da Água Mineral, cobrava e descontava títulos etc.; ou seja, a Água Mineral nunca passou de interposta pessoa da fiscalizada. Os clientes da fiscalizada negociavam com ela, compravam dela, recebiam os produtos dela, pagavam de acordo com o acordado com ela, mas recebiam as notas fiscais correspondentes em nome da Água Mineral, como se o negócio houvesse sido feito com esta última. O comportamento do sócioadministrador que corroborou essa operação não corresponde a uma conduta leal, proba e honesta, pressupostos da boa fé objetiva prevista no artigo 422 do Código Civil. Fl. 4584DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 7 6 Ao contrário do que afirmou o sócioadministrador, de que as operações entre as duas empresas consubstanciaram "operações perfeitas e acabadas dentro das normas comerciais", assim não foram, porquanto não retrataram a verdade dos fatos. A contribuinte apresentou a impugnação (fl. 957/978), na qual alega, preliminarmente, a decadência parcial dos créditos tributários lançados (conforme artigo 150, § 4º do CTN), o descabimento da multa de ofício agravada, além de erro na identificação do sujeito passivo em relação à matéria tributável registrada pela empresa Água Mineral Cristal Blumenau, que consta do segundo conjunto de autos de infração. No mérito, a contribuinte alega a improcedência dos Autos de Infração, em face de erro de fato na apuração da receita conhecida, da lavratura de dois autos para a mesma infração, e da falta de comprovação da omissão de receitas. Pleiteia a inaplicabilidade da taxa Selic e a juntada posterior de documentos. O sujeito passivo solidário também apresentou impugnação (fls. 979/1002), reiterando os argumentos da peça impugnatória da pessoa jurídica e sustentando a impossibilidade de ser o sujeito passivo solidário e a inexistência de sujeição passiva solidária nos termos do art. 135 c/c art. 124 do CTN. A 3ª Turma da DRJ/FNS julgou o lançamento procedente (fls. 1005/1041), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a apuração do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE. Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 O MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Se as circunstâncias apuradas pelo Fisco, evidenciam a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que Fl. 4585DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 8 7 o imposto poderia ter sido lançado, inteligência do parágrafo 4 0 do artigo 150 e do inciso I, do artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. São solidariamente responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a interposição de pessoa jurídica com vistas a reduzir o pagamento de tributos e a ocultar a verdadeira contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada, aquela que não foi expressamente contestada. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas A. observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Irresignada, a contribuinte e o sujeito passivo solidário, em conjunto, apresentaram recurso voluntário (fls. 4536/4576), repisando os argumentos de suas peças impugnatórias. É o Relatório. Fl. 4586DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. De plano, cumpre destacar que o recurso voluntário, assim como a impugnação interposta pela contribuinte é parcial, haja vista não apresentar qualquer contestação expressa à exigência da multa regulamentar do art. 12 da Lei nº. 8218/91. A Recorrente alega que teria contestado tal multa de forma genérica, no final de sua peça impugnatória. Notase, entretanto, que diante de nova oportunidade (recurso voluntário), a Recorrente novamente deixou de apresentar qualquer contestação expressa à multa regulamentar exigida, razão pela qual não acolho os argumentos da Recorrente nesse sentido. Com efeito, a omissão de um item no recurso voluntário e na impugnação, por si só caracteriza a concordância do sujeito passivo relativamente à parte não contestada, ensejando a aplicação do art. 17 do Decreto nº. 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Portanto, correto o procedimento orientado pela decisão de primeira instância que providenciou a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada. Ressalto, ainda, por oportuno, que no presente recurso não há contestação expressa à ocorrência dos fatos geradores. Das preliminares Decadência e multa qualificada A Recorrente sustenta a suposta decadência parcial do crédito tributário lançado e o descabimento da qualificação da multa de ofício, circunstância que afeta diretamente a contagem do prazo decadencial. Para fins de qualificação da multa de oficio, o próprio inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, define o sentido da expressão "evidente intuito de fraude" quando remete para os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Logo, como “evidente intuito de fraude” devem ser entendidas as condutas tipificadas nos dispositivos indicados, sendo elas, (i) a própria fraude, (ii) a sonegação e (iii) o conluio. Conforme exposto pela decisão recorrida, basta a verificação concreta de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, para que seja validamente exigida a multa de ofício na sua forma qualificada. No presente caso, tenho convicção de que a prática de sonegação, imputada pela fiscalização à Recorrente, está devidamente comprovada nos autos, seja em razão da Fl. 4587DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 10 9 omissão de receitas apurada no primeiro conjunto de autos de infração, seja em razão da operação fraudulenta operada com interposta pessoa, objeto do segundo conjunto de autos de infração. Isso porque, a Recorrente entregou a DIPJ 2005 e 2006 zeradas (com exceção de valores para apuração do IPI), a DACON do 1° e 4° trimestres de 2004 e dos quatro trimestres de 2005 zerada, não tendo informado nenhum crédito tributário em DCTF no 1°, 3° e 4° trimestres de 2004, informando apenas créditos de IRRF no 2° trimestre e não tendo entregue DCTF em todo anocalendário de 2005. Não bastasse isso, também ficou demonstrado que a movimentação bancária escriturada pela Recorrente nos anos de 2004 e 2005 foi praticamente nula. Ora, tornouse cristalino o intuito da Recorrente em evadirse do Fisco, impossibilitando e dificultando a conferência dos valores efetivamente apurados, aparentemente, com intuito de evadirse de dívidas em disputas cíveis e trabalhistas. Assim, ao contrário do que afirmou a Recorrente, está caracterizada a omissão de receitas por parte da Recorrente, já que ela nada pagou ou declarou ao Fisco Federal, muito embora tenha registrado tais valores ora em sua escrituração, ora na escrituração da pessoa jurídica interposta. Ademais, a interposição fictícia de pessoa jurídica verificase quando um negócio jurídico é realizado simuladamente com uma pessoa, dissimulandose nele um outro negócio (real), de conteúdo idêntico ao primeiro, mas celebrado com outra pessoa. Como a interposta pessoa não intervém no contrato, a ela não ocorre transmissão de direitos e obrigações, que são atribuídos diretamente aos verdadeiros contratantes. Dessa forma, para a formação do contrato, somente será necessária a intervenção jurídica dos dois verdadeiros contratantes, sendo o interposto completamente estranho à relação jurídica estabelecida. A partir desses conceitos, depreendese que restou evidenciada a condição de pessoa jurídica interposta da empresa Água Mineral. Diversos fatores somaram para corroborar a conclusão de que empresa Água Mineral só existia no papel, caracterizando a interposição fictícia de pessoa, a saber: (i) a Água Mineral não possuía empregados, instalações físicas, caminhões, etc., sendo certo que nunca operou e nunca distribuiu, de fato, os produtos da Recorrente, (ii) a Água Mineral e a Recorrente eram administradas pelo mesmo sócioadministrador, Sr. Werner Greuel, (iii) a Recorrente utilizou conta bancária da Água Mineral para realizar suas operações, (iv) a Água Mineral e a Recorrente tinham estabelecimento funcionando no mesmo endereço, (v) a empresa Água Mineral só comercializava produtos da Recorrente. Aqui, está claro que os contratos eram celebrados diretamente entre a Recorrente e os interessados, sem que a interposta pessoa tenha qualquer intervenção efetiva nos negócios. Concluindo, é de se ter em mente que, a interposição fictícia de pessoas configura a prática de simulação relativa (e não absoluta), já que sob a aparência de um negócio fictício temse um negócio verdadeiro. Fl. 4588DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 11 10 Verificada a conduta dolosa da Recorrente, passo a analisar a alegação de decadência parcial dos créditos tributários lançados. Primeiro, é de se destacar que ficou demonstrado o intuito da Recorrente de fraudar o Fisco. Segundo, também está claro nos autos que a Recorrente, ao transferir parte significativa de suas receitas para pessoa jurídica interposta, incorreu na prática de simulação de negócios jurídicos, fatos que já atrairiam a disciplina da decadência para o inciso I do art. 173 do CTN, em vista da parte final do comando contido no § 4° do art. 150 do mesmo diploma legal. Entretanto, além do evidente intuito de fraude e da existência de simulação, não se verifica, in casu, a existência de qualquer pagamento antecipado de IRPJ e CSLL, tributos sujeitos a lançamento por homologação, o que também ensejaria a atração da disciplina da decadência para o inciso I do art. 173 do CTN, em razão do entendimento consolidado do REsp nº 973.733SC, proferido pelo Egrégio STJ em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº 5.869/1973), vinculando as decisões proferidas por esse Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). Esse dispositivo ensina que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse passo, temos que a ciência de todos os autos de infração aconteceu em 30/09/2009. Os valores de IRPJ e CSLL, inclusive aqueles arbitrados, foram apurados conforme regime trimestral de apuração, sendo certo que o PIS e a COFINS foram apurados mensalmente, conforme regime de apuração que lhes convém. Assim, para fatos imponíveis ocorridos no anocalendário de 2004 relativos à IRPJ e CSLL; ou seja, até 31.12.2004, o primeiro dia do exercício seguinte deuse em 1º/01/2005. No que tange ao PIS e a COFINS, inexistindo pagamento antecipado, por força da decisão do E. STJ, também se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN, com a particularidade de considerar o recolhimento sob a sistemática anual, a despeito de sua apuração mensal. No primeiro conjunto de autos de infração, o primeiro fato gerador do PIS e da COFINS é do mês de 31.01.2004. No segundo conjunto de autos de infração, o primeiro fato gerador do PIS e da COFINS é do mês de 31.05.2004. Logo, para todos os lançamentos, o primeiro dia do exercício seguinte para fatos imponíveis ocorridos no anocalendário de 2004 deuse em 1º.01.2005, decaídos em 1º.01.2010. Como se vê, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 30/09/2009, rejeito a decadência parcial em relação aos créditos tributários lançados de IRPJ e CSLL. Fl. 4589DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 12 11 Erro na identificação do sujeito passivo Prosseguindo na análise das preliminares suscitadas pela Recorrente, entendo que também não merece guarida a alegação de que teria ocorrido erro na identificação do sujeito passivo. Isso porque, na hipótese de a interposta pessoa não existir, como se viu in casu, a receita a ela atribuída é, em verdade, da Recorrente, sendo ela responsável pelos tributos devidos em razão de tais receitas. Aqui, está claro que a Recorrente é o sujeito passivo que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador dos tributos lançados, conforme expressamente dispõem o artigo 121 do CTN. Ademais, nos casos de interposição de pessoas, o lançamento sobre a verdadeira contribuinte é uma determinação do § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1962, vejamos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Embora a situação do segundo conjunto de autos de infração seja diversa, já que não se trata de hipótese de presunção de omissão de receitas, o mesmo entendimento deve ser aplicado, já que, também aqui, a omissão de receitas restou materialmente comprovada. Portanto, restando devidamente demonstrado que, em relação à matéria tributável transferida à interposta pessoa Água Mineral, a verdadeira contribuinte era a Recorrente, devem ser rejeitados os argumentos da Recorrente nesse ponto. Do mérito Erro na apuração da receita conhecida Analisando as questões de mérito argüidas pela Recorrente, afasto a hipótese de erro de fato na apuração da receita conhecida. Verificase nos autos, que ao considerar que as operações de venda realizadas para terceiros pela Água Mineral (nos montantes de R$ 940.288,48 em 2004, e de R$ 2.488.932,46 em 2005), eram, na verdade, realizadas pela Recorrente por intermédio de interposta pessoa, a fiscalização atribuiu à Recorrente as receitas registradas pela interposta pessoa. Fl. 4590DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 13 12 No entanto, considerando que parte desses valores já se encontravam registrados na contabilidade da Recorrente (R$ 831.481,62 na forma de vendas à interposta pessoa – tendo inclusive sido objeto de tributação no primeiro conjunto de autos de infração), a fiscalização subtraiu o valor dessas vendas da Recorrente (valor esse que corresponde ao valor das compras da interposta pessoa nos montantes de R$ 656.119,16 em 2004, e R$ 175.362,46 em 2005), eliminando qualquer efeito de duplicidade que restaria caso não fosse operada essa subtração. Destarte, como já visto, está correto o critério adotado pela fiscalização que desconsiderou as receitas da pessoa interposta e os considerou como receita da Recorrente. Lavratura de dois conjuntos de autos de infração Finalmente, também não merece guarida a alegação da Recorrente sobre a impossibilidade de serem lavrados dois conjuntos de autos de infração decorrentes de um mesmo procedimento fiscalizatório. Ficou demonstrado que não há nenhuma duplicidade nas cobranças perpetradas pela autoridade fiscal, inexistindo vícios nos lançamentos fiscais. Também ficou demonstrada a razoabilidade do procedimento adotado pela fiscalização, já que objetivou, tão somente, facilitar a defesa e compreensão das exigências, uma vez que a responsabilidade tributária do Sr. Werner Greuel foi atribuída apenas em relação ao segundo conjunto de autos de infração. Taxa Selic Finalmente, a Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa Selic como juros de mora. Sobre esse tema, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Lembrando que, aos autos de PIS, COFINS e CSLL, correta repercussão de tributação reflexa. Inexistência de sujeição passiva solidária A solidariedade do sócio pela divida da sociedade só se manifesta quando comprovado que, no exercício de sua administração, praticou os atos listados no art. 135, caput, do CTN, vejamos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 4591DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 14 13 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No que toca ao dispositivo em comento, importa observar que, o simples descumprimento da obrigação tributária não configura a citada "infração de lei", uma vez que "infração de lei" não deve ser entendida como infração de norma tributária, mas sim de norma civil e comercial. Vale dizer que, nessa seara, o egrégio STJ firmou o entendimento de que o redirecionamento da Execução Fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa, conforme orientação reafirmada pela Primeira Seção, no julgamento do Ag 1.265.124/SP, submetido ao rito do art. 543C do CPC. Além disso, também é necessário esclarecer que o dispositivo prevê apenas a responsabilização de sócios administradores, já que tal responsabilização é decorrente do poder de gerência e não da qualidade de ser sócio. Pois bem. Conforme já consignado neste voto, a Recorrente, sob administração do sujeito passivo responsabilizado solidariamente, ocultou dolosamente a ocorrência de fatos geradores de obrigações fiscais, utilizando interposta pessoa fictícia na realização de suas atividades. Dessa forma, está claro que o responsável solidário agiu com infração à lei, quando corroborou a prática de atos simulados. Mesmo porque, como visto, a operação foi assim delineada com o intuito de fraudar credores da Recorrente. Destarte, a análise dos livros contábeis entregues pela Recorrente mostrou que a sua movimentação bancária escriturada nos anos de 2004 e 2005 foi praticamente nula. Ora, tais condutas, aliadas ao fato de que a Recorrente entregou suas declarações fiscais zeradas, a meu ver, demonstram a máfé da Recorrente e do seu sócio administrador que dolosamente objetaram fraudar o Fisco Federal, razão pela qual, entendo correta a lavratura de Termo de Sujeição Passiva, com fulcro no art. 135 do CTN. De outro giro, para que se materialize a solidariedade tributária com escopo no artigo 124, I, do CTN, é preciso existir interesse comum entre os obrigados solidários. A doutrina critica o dispositivo pela vagueza da expressão “interesse comum” e converge no entendimento de que essa norma exclui do seu âmbito de incidência as hipóteses de negócios jurídicos em que os interesses são contrapostos, tais como a compra e venda, etc. Assim, a maioria dos autores entende que o interesse comum é um fator que decorre da conduta lícita de ser copartícipe da realização do fato gerador tributário. Ou seja, a solidariedade tributária fundada no art. 124, I do CTN só existe entre sujeitos que figurem no mesmo pólo de relação obrigacional. Nesse contexto, o dispositivo deverá ser aplicado aos casos em que o mesmo fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa. Havendo mais de uma pessoa Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 15 14 enquadrada na definição legal de contribuinte (art. 121, parágrafo único, I), determina o art. 124, I que sejam eles solidariamente obrigados pela dívida tributária, independentemente de disposição expressa de lei. Também importa ressaltar que, esse interesse comum deve ser entendido como um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social. Em suma, esse interesse comum, entendido como interesse jurídico, se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. Vale citar a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, corroborando o que foi dito até aqui: ... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado peo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário Ed. Saraiva, 8ª edição, 1996, p. 220) Nesse contexto, o interesse financeiro de um sócio em relação à prática de um fato gerador tributário por parte da pessoa jurídica não faz dele um obrigado solidário pelos tributos. A prática de atos jurídicos que são também fatos geradores de tributos interessam apenas economicamente aos sóciosadministradores das pessoas jurídicas. Não havendo interesse jurídico, não deve haver a imputação de responsabilidade solidária. Com efeito, no caso dos autos, o sócioadministrador que sonega tributos através da ocultação da receita da sociedade mediante interposta pessoa, apesar de obter proveito econômico, não pode ser caracterizado como realizador do fato gerador tributário, visto que ele não possui interesse jurídico no fato gerador. Não por outra razão, o Código Tributário Nacional distingue a solidariedade tributária gerada pelo interesse comum no fato gerador (art. 124, I, CTN) e a responsabilidade Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13971.003409/200999 Acórdão n.º 1402001.231 S1C4T2 Fl. 16 15 de terceiros por atos ou omissões capazes de dificultar a satisfação do crédito tributário (art. 134 e 135 do CTN). Dito isso, me parece claro que o crédito tributário poderá ser exigido apenas dos sócios e administradores que tiverem praticado atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, III do CTN. Logo, quando o sócioadministrador adota conduta que visa impossibilitar o recebimento do tributo pelo Fisco, a motivação de sua responsabilidade não será a solidariedade descrita no art. 124, I do CTN, mas, sim, aquela a que se referem os artigos 134 e 135 do CTN. Posto isso, mantenho a decisão recorrida, de modo que voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 15940.000992/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
NORMAS PROCESSUAIS. TEMPESTIVIDADE. É cabível a revisão do acórdão prolatado em sede recursal, quando verificada situação que comprova a tempestividade do recurso voluntário protocolizado no prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
PROCEDIMENTO FISCAL - LUCRO PRESUMIDO. IRPJ e CSLL. Considerando que a fiscalizada optou pela tributação com base no lucro presumido, tem-se como correto o procedimento fiscal que, estribado nos livros contábeis e fiscais da empresa, apurou a receita bruta sobre a qual aplicou o percentual de 8% (oito por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ, consoante arts. 518 e 519 do RIR/99. E, constatadas receitas financeiras advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007 foram adicionadas diretamente ao resultado obtido pela utilização do referido percentual para a determinação da base de cálculo do IRPJ sujeita à alíquota, conforme definido no artigo 521 do RIR, de 1999, e arts. 28 e 29 da Lei n° 9.430, de 1996 e demonstrativo de fls.454 e 455.
As mesmas conclusões aplicam-se também à CSLL, por força do disposto no art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96
BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. RECEITAS FINANCEIRAS. PIS/Pasep e Cofins - Regime Cumulativo.
Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA.
Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Exclui-se, da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras auferidas nos meses de 2006 e 2007 porque não integram a receita bruta, no regime cumulativo.
DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. MULTA REGULAMENTAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A sintética e simplificada observação (Docs. - vide fls. 2 a 4, 37, 39, 313, 355. COFINS s/ Receita Bruta - vide Auto de Infração - Demonstrativo de Apuração da Contribuição.) não substitui os valores mensais a compor o montante da Cofins como base de cálculo da multa regulamentar, não permite a perfeita compreensão do feito fiscal, constitui cerceamento do direito de defesa quanto ao aspecto quantificativo da obrigação acessória - Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon , e configura descumprimento de requisito essencial exigido no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72.
MULTA QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.Considera-se não impugnada matéria não expressamente contestada na peça de defesa, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, precisamente o que ocorre nos presentes autos com a qualificação da multa de ofício.
LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para reconhecer a tempestividade da peça recursal, e no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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TEMPESTIVIDADE. É cabível a revisão do acórdão prolatado em sede recursal, quando verificada situação que comprova a tempestividade do recurso voluntário protocolizado no prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. PROCEDIMENTO FISCAL LUCRO PRESUMIDO. IRPJ e CSLL. Considerando que a fiscalizada optou pela tributação com base no lucro presumido, temse como correto o procedimento fiscal que, estribado nos livros contábeis e fiscais da empresa, apurou a receita bruta sobre a qual aplicou o percentual de 8% (oito por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ, consoante arts. 518 e 519 do RIR/99. E, constatadas receitas financeiras advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007 foram adicionadas diretamente ao resultado obtido pela utilização do referido percentual para a determinação da base de cálculo do IRPJ sujeita à alíquota, conforme definido no artigo 521 do RIR, de 1999, e arts. 28 e 29 da Lei n° 9.430, de 1996 e demonstrativo de fls.454 e 455. As mesmas conclusões aplicamse também à CSLL, por força do disposto no art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96 BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. RECEITAS FINANCEIRAS. PIS/Pasep e Cofins Regime Cumulativo. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 09 92 /2 01 0- 11 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras auferidas nos meses de 2006 e 2007 porque não integram a receita bruta, no regime cumulativo. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. MULTA REGULAMENTAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A sintética e simplificada observação (Docs. vide fls. 2 a 4, 37, 39, 313, 355. COFINS s/ Receita Bruta vide Auto de Infração Demonstrativo de Apuração da Contribuição.) não substitui os valores mensais a compor o montante da Cofins como base de cálculo da multa regulamentar, não permite a perfeita compreensão do feito fiscal, constitui cerceamento do direito de defesa quanto ao aspecto quantificativo da obrigação acessória Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon , e configura descumprimento de requisito essencial exigido no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. MULTA QUALIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.Considerase não impugnada matéria não expressamente contestada na peça de defesa, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, precisamente o que ocorre nos presentes autos com a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para reconhecer a tempestividade da peça recursal, e no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório UBIRATÃ MERCANTIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância que julgou procedente os lançamentos dos tributos relativos aos anos calendário de 2006 e 2007, consubstanciados nos seguintes autos de infração, acompanhados de seus Demonstrativos, cientificados ao sujeito passivo em 24/11/2010: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$47.062,49, acrescido de multa de ofício nos percentuais de: 75% (Receita Omitida – Receita Financeira) e 150% (Receitas da Atividade) e juros de mora calculados até 29/10/2010, fls.462/473; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$42.059,99 , acrescido de multa de ofício nos percentuais de: 75% (Receita Omitida – Receita Financeira) e 150% (Receitas da Atividade) e juros de mora calculados até 29/10/2010 (fls.474/488); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ R$64.682,79, acrescido de multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora calculados até 29/10/2010 (fls.489/501); Multa Regulamentar relacionada com a falta de entrega ou entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, conforme demonstrativo de fl. 458, no valor de R$ 8.169,50 (fl.493); Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, no valor de R$14.042,07, acrescido de multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora calculados até 29/10/2010 (fls.502/513); Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do relatório da decisão recorrida (fls.569/570) que a seguir transcrevo: (...) A ação fiscal constatou divergências entre a receita bruta declarada nas GIA’s transmitidas ao Fisco Estadual e a informada nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). Devidamente intimada, a contribuinte prestou informação na qual confundiu conceitos entre receita bruta e contas de resultado. Tendo em vista que a fiscalizada optou pela tributação com base no lucro presumido, a autoridade tributária, tomando como base os livros contábeis e fiscais da empresa, apurou a receita bruta sobre a qual aplicou o percentual de 8% (oito por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ, consoante arts. 518 e 519 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 do RIR/99. Foram também lançados de ofício os valores devidos de CSLL. Por sua vez, ao analisar o PIS e a Cofins apurados pela fiscalizada, constatou a autoridade tributária que a base de cálculo não tomou como parâmetro a receita bruta e considerou como exclusões valores decorrentes de vendas de mercadorias regularmente tributadas à época da ocorrência dos fatos geradores, conforme quadro demonstrativo de fls.477/478 do Termo de Verificação Fiscal. Enfim, esclarece a Fiscalização que (...) A contribuinte ao declarar e recolher os tributos e contribuições em valores sabidamente inferiores aos devidos, ocultando a maior parte do total da receita auferida em cada período, incidiu nas condutas previstas nos artigos 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, justificandose, por conseguinte, a aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. Ainda, diante da constatação de fatos tipificados no art. 1º, incisos I e II da Lei nº 8.137, de 1990, que em tese configurariam crime contra a ordem tributária, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais por força de determinação contida na Portaria SRF nº 326 de 15 de março de 2005. Cientificada dos lançamentos, em 24/11/2010 (AR de fls. 531 e 532), a interessada apresentou a impugnação de fls. 535/544, em 17/12/2010 (carimbo de recepção às fls. 544). Discorre a defesa que a autoridade fiscal teria incorrido em erro de fato, que o conceito de “faturamento” açambarca o aspecto exterior e interior da base de cálculo, isto é, o plano abstrato e o plano concreto, e, por este motivo, a Guia de Informação e Apuração do ICMS, que tomou como base a Fiscalização para determinar a receita bruta, constituiria “pragmática de comunicação de risco”, ou seja, seria insuficiente para informar a base de cálculo da Receita Bruta Operacional. Alega que a informação obtida junto à GIA tem origem em uma “conta de interferência” cujo caráter é meramente auxiliar e transitório. Aduz que em treze anos da atividade econômica, o exame do Balanço de 2007 identifica na conta sintética nº 3350 pertinente ao Lucro Acumulado Geral a formação de um patrimônio de R$190.366,06. Assim, diante da tributação de R$167.847,34 do Auto de Infração restaria caracterizado o confisco do patrimônio da empresa. Assim, requer diligência, reconhecendo a relevância da mudança no estado da conta contábil, tendo em vista o erro de fato cometido pela Fiscalização, além de se verificar a necessidade de efetuar autuação tomando como base o regime do lucro real, oportunidade em que deve ser aberto novo prazo para impugnação. Requer também que a autoridade administrativa proceda á revisão da questão do arrolamento, bem como de todos os demais Autos de Infração que tiveram o Fl. 623DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 4 5 crédito tributário inscrito com o mesmo erro de fato, inclusive aqueles sob gestão da PGFN, por força de a matéria constituir se em exceção de coisa julgada. Registrese que a competência para julgamento do presente processo administrativo fiscal foi transferida da DRJ em Ribeirão PretoSP para a DRJ em BrasíliaDF, consoante Portaria Sutri nº 3066, de 1º de julho de 2011, conforme despacho de fls. 565. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedente o lançamento conforme decisão proferida no Acórdão nº 0345.706, de 31 de outubro de 2011 (fls.566/572), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE A RECEITA BRUTA. Mostrase correto o procedimento para determinação da base de cálculo do lucro presumido, no qual a Fiscalização valeuse do Livro de Registro de Saída de Mercadorias e das informações declaradas na GIA Guia de Informação e Apuração do ICMS, para determinar a receita bruta disposta nos termos do artigo 224 do RIR/99, e sobre a qual foi aplicado o coeficiente do oito por cento, consoante arts. 518 e 519 do RIR/99. CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO FATO. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos decorrentes de CSLL, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. Planilha elaborada com base na escrituração da contribuinte acostada aos autos mostrase suficiente para demonstrar com precisão a apuração da base de cálculo da Cofins, levando em consideração inclusive as exclusões previstas na legislação. PIS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO FATO. O decidido em relação à Cofins estendese aos lançamentos decorrentes de PIS, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 QUALIFICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MULTA REGULAMENTAR POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas matérias não expressamente contestadas na peça de defesa, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, precisamente o que ocorre nos presentes autos com a qualificação da multa de ofício e a multa regulamentar por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, entrega fora de prazo do DACON. Cientificada do Acórdão acima mencionado em 11/11/2011, a autuada interpôs, em 15/12/2011, o Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, preliminares de nulidades por suposta omissão na decisão recorrida e quanto ao lançamento aduz, em tese, aspectos de tributação e normas tributárias que são os mesmos generalizados apresentados na impugnação, acima relatados, portanto, desnecessário repetilos. Este colegiado, em 03/07/2012, mediante o Acórdão nº 1802001.274 decidiu pelo não conhecimento do recurso voluntário por considerálo intempestivo tendo em vista que a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0345.706, de 31 de outubro de 2011 (fls.566/572), conforme o Aviso de Recebimento (AR), em 11/11/2011, sexta feira, e, interpôs recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, somente em 15/12/2011, quinta feira, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. A Recorrente tomou conhecimento da decisão acima e mediante o requerimento protocolizado em 17/08/2012 pleiteia a revisão do Acórdão proferido e que seja informado ao CARF que nos dias 14 e 15 de novembro de 2011 não houve expediente normal na Receita Federal. A Delegacia de Presidente Prudente – SP (fls. 614/615), órgão de circunscrição do contribuinte, juntou o memorando datado de 17/08/2012, no qual informa que por força das Portarias 735/2010 e 870/2011 não houve expediente na mencionada Delegacia de Presidente Prudente – SP, haja vista que, em 14/11/2012 fora ponto facultativo e 15/11/2012 feriado nacional, portanto, não podem ser considerados dias úteis para fins de protocolização por parte do contribuinte. Aduz que, considerando 14 e 15 de Novembro de 2011 como dias não úteis, o início da contagem se daria em 16/11/2011, sendo o derradeiro dia 15/11/2012, data esta em que o contribuinte ingressou com o Recurso de seu interesse. Assim, diante de tais fatos, e no entendimento de que se trata de um erro material, retorna o processo para o CARF a fim de que este órgão possa analisar estas questões de intempestividade, concluindo se for de seu entendimento pela revisão do Acórdão proferido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Fl. 625DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 5 7 Conforme relatado, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão de primeira instância proferida mediante o Acórdão nº 0345.706, de 31 de outubro de 2011 (fls.566/572), consoante o Aviso de Recebimento (AR), em 11/11/2011, sexta feira, e, interpôs recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, somente em 15/12/2011, quinta feira, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. O recurso voluntário foi considerado intempestivo, mediante o Acórdão nº 1802 001.274 de 03/07/2012, desse colegiado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Presidente Prudente – SP (fls. 614/615), órgão de circunscrição do contribuinte, juntou o memorando datado de 17/08/2012, no qual informa que por força das Portarias 735/2010 e 870/2011 não houve expediente na mencionada Delegacia de Presidente Prudente – SP, haja vista que, em 14/11/2012 fora ponto facultativo e 15/11/2012 feriado nacional, não podendo ser considerados dias úteis para fins de protocolização por parte do contribuinte. Aduz que, pela contagem, considerando 14 e 15 de Novembro de 2011 como dias não úteis, o início da contagem darseá em 16/11/2011, sendo o derradeiro dia 15/11/2012, data esta em que o contribuinte ingressou com o Recurso de seu interesse. Na esteira da situação narrada, é de se retificar o equívoco e consequentemente considerar o Recurso Voluntário como tempestivo. Portanto, dele conheço. De início registrese que, a defesa da Recorrente é confusa e genérica, porquanto, não rechaça pontualmente os fatos descritos nos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal. A Recorrente alega que os números da tributação constantes do Auto de Infração não podem ser exigidos por não se enquadrarem nos requisitos de exigibilidade do crédito, justamente, pela falta de precisão do tempo na medida de limites, ou seja, para cada uma das incidências lançadas, o sistema tributário, baseado no princípio da capacidade contributiva, exige que o agente fiscal demonstre a sua versão da verdade pela demonstração do curso do dinheiro e da renda. Aduz que, homologado o lançamento com base na escrituração, o agente fiscal de rendas está vinculado à verdade representada pela escrituração, eis que, nos termos do artigo 380, do CPC, a prova da escrituração é indivisível; destarte, a verdade que representa a escrituração está no seu conjunto e o modo de se tributar posto em prática pelo Fisco não segue o conjunto e não respeita a regra de proporção aplicável ao módulo dos limites objetivos da coisa julgada nas operações de conta própria. E que, assim, é inaceitável o modo de tributação posto em prática pelo Sr. Agente Fiscal de Rendas. Compulsandose os autos constatase que o autuante, tanto no Termo de Verificação Fiscal quanto nos autos de infração descreve com total clareza que foram constatadas divergências entre a receita bruta informada na DIPJ e a declarada no Livro Registro de Saídas de Mercadorias, como explicitado no Demonstrativo de fls.454/455 consolidado no DEMONSTRATIVO DA DIFERENÇA ENTRE A RECEITA BRUTA ESCRITURADA E A DECLARADA. Como se vê, é incongruente a defesa da Recorrente pois a autuação fiscal se deu partindo exatamente da escrituração do Livro Registro de Saídas de Mercadorias, portanto, dados apresentados pelo contribuinte sem prova de que os mesmos contém erros. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Constam dos autos as DIPJ(s) dos anos calendário de 2006 e 2007 (fls.41/88), as quais demonstram que a tributação do IRPJ e CSLL nos mencionados anos calendário se deu com base no lucro presumido. Nesse contexto, diante da opção da contribuinte pelo regime de tributação no lucro presumido, a Fiscalização, apurou a receita bruta, utilizandose das informações declaradas na GIA Guia de Informação e Apuração do ICMS e do Livro de Registro de Saída de Mercadorias, mantido pela própria fiscalizada. Diz a defesa que, os atos do procedimento não estão conectados em vista do efeito jurídico produzido pelas demonstrações financeiras, ou seja, a tributação proposta para o IRPJ e a CSLL não corresponde ao lucro apresentado nos Livros Diário e Razão; assim, toda a tributação, como unidade, não regula os módulos dos limites objetivos da coisa julgada pelos rendimentos da atividade econômica. (sic) A receita bruta considerada na ação fiscal tem como fundamento legal a Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único, consolidado no artigo 224 do RIR/99 e independe de resultados produzidos por demonstrações financeiras a que alude a Recorrente, haja vista que a tributação do IRPJ e da CSLL não ocorreu com base no lucro real e sim com base no lucro presumido por opção exercida pela própria contribuinte, forma de tributação mantida na autuação. Sobre as irregularidades descritas nos autos de infração e ainda para comprovar os corretos fundamentos legais em relação ao IRPJ e CSLL adotados pela fiscalização transcrevo a seguir os artigos 224, 518, 519 e 521 do RIR/99 que assim dispõem: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n2 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único: Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n2 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). (...) Art.518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei n° 9.249, de 1995, art.15, e Lei n°9.430, de 1996, arts. 1°e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no. artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. (...) Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, Fl. 627DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 6 9 observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (Grifouse) Dispõem os arts. 28 e 29, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996 (CSLL): Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1°a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26,55 e 71, desta Lei. Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: de que trata o art.20 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e .os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período.(grifouse) Assim, tendo em vista que a empresa fiscalizada nos anos calendário de 2006 e 2007 optou pela tributação com base no lucro presumido, a autoridade tributária, tomando como base os livros contábeis e fiscais da empresa, apurou a receita bruta da qual foi deduzido o valor declarado nas DIPJ(s) correspondentes e sobre a diferença aplicou o percentual de 8% (oito por cento) para determinar o lucro presumido, base de cálculo do IRPJ, consoante os artigos 518 e 519 do RIR/99. Como dito acima, nos anos calendário de 2006 e 2007, a contribuinte optou pela tributação segundo o sistema do lucro presumido. Além das receitas sujeitas ao percentual de presunção do lucro, foram constatadas pela fiscalização outras receitas (descontos obtidos e juros de mora) que foram adicionadas diretamente ao resultado obtido pela utilização do referido percentual para a determinação da base de cálculo sujeita à alíquota, conforme definido no art. 521 do RIR, de 1999, e arts. 28 e 29 da Lei n° 9.430, de 1996. A teor do artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras serão acrescidos à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. As mesmas conclusões aplicamse também à CSLL, por força do disposto no artigo 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96, acima transcrito. Laborou com acerto a fiscalização, ao adicionar na base de calculo do IRPJ e CSLL, as receitas financeiras advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007, conforme demonstrativo de fls.454 e 455. A Recorrente alega que houve cerceamento ao direito de defesa porque a autoridade julgadora de primeira não lhe deferiu o pedido de diligência efetuado em sua impugnação. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Argúi que no PAF ao suprimir a diligência requerida prejudicou a defesa e a organização dos pontos controvertidos, no tocante ao objetivo constitucional consistente em identificar os rendimentos, à omissão nas informações sobre o cálculo dos impostos de que trata o Auto de Infração, mas que, à toda evidência não diz respeito à manifesta vontade da contribuinte, "in casu", vontade confundida com o exercício de opção pelo regime adotado.Muito pelo contrário, dizem respeito à manifesta dificuldade daqueles instrumentos, (DACOM, DIPJ e DCTF), em conferir efetividade, segundo a capacidade econômica determinada pelos rendimentos e pelas atividades econômicas, conforme disciplina o artigo 145, § lº., da Constituição Federal, uma vez que o enunciado foi disponibilizado pelo legislador constitucional a serviço deste meio apto a controlar o "iter" de constituição da decisão estatal. E, no caso concreto da atividade econômica da contribuinte, os instrumentos condutores das informações do cálculo no regime cumulativo não resolvem a situação dos efeitos, quando o faturamento anualizado dos bens de revenda em 2006 e 2007, respectivamente, de R$2.321.550,22 e R$2.378.338,64, contrasta com a estética do produto efetivo da receita própria determinado na contabilidade, respectivamente, pelos valores de R$424.993,84 e R$424.380,48. E arremata ainda que, em nenhuma norma jurídica, o Fisco informa aos contribuintes que os índices de efetividade econômica representados por um percentual baixo, no caso, de 18,2%, mostra proporção incompatível com o regime do lucro presumido e com o próprio "iter" de constituição do regime cumulativo do PIS e da COFINS, posto que o cálculo do imposto, orientado por este "regime proporcional defeituoso", alcança a função do capital da empresa, o que é vedado pelo disposto no artigo 77, § 1º., parte final, do Código Tributário Nacional. Depreendese do emaranhado discurso acima que, a Recorrente pretende utilizarse do pedido de diligência como instrumento para a demonstração de insatisfação do interessado com o regime do lucro presumido por considerálo defeituoso e desproporcional ao capital da empresa. Com efeito, a diligência e/ou perícia não integram o rol dos direitos subjetivos da autuada e desse modo será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada, conforme preconizado no artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal PAF. A autuada não trouxe aos autos qualquer elemento que justifique o acolhimento do pedido, apenas promove justificativas vãs e sem conteúdo material. Desse modo, estando presente nos autos a documentação suficiente para a solução da lide resta desnecessária a realização da diligência pleiteada. No tocante ao PIS e à Cofins, a Recorrente alega que os regimes de tributação "cumulativo" e "presumido", despojados de medidas reguladoras de seus respectivos módulos de limites objetivos da coisa julgada pelas operações de conta própria, não garantem a segurança jurídica revelada como lastro da verdade obtida pela demonstração financeira. Aduz que, isto já foi decidido no contexto do julgamento da Suprema Corte, quando se decidiu pela inconstitucionalidade do texto do parágrafo primeiro, do artigo 3º da Lei 9.718/98, que assim dizia, "in verbis" : entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Fl. 629DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 7 11 Depreendese da defesa que, sobre os aludidos lançamentos, a alegação da recorrente é no sentido de que não são devidos os valores exigidos a titulo de PIS e COFINS no que se refere às receitas financeiras (descontos obtidos e juros de mora) apuradas pela fiscalização. Verificase pelos demonstrativos, fls.454/457 que, a fiscalização não excluiu da base de cálculo apurada para as referidas contribuições sociais, as receitas advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007. Por sua vez, os valores de PIS e Cofins já recolhidos foram considerados pela autoridade tributária na apuração do montante a pagar. A questão da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins, normatizada pela Lei n.° 9.718/98, já foi decidida e afastada pelo STF, restando apenas o faturamento, assim entendido como o decorrente da prestação de serviços e venda de mercadorias. A exigência do PIS e da Cofins sobre a falta de inclusão das receitas financeiras advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007, auferidas nos meses de 2006 e 2007 (demonstrativos fls.454/455 e 457), apurada pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da Lei 9.718/98. Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007, in verbis: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras. Cabe ainda salientar que referida matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, com Fl. 630DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasdedispensade contestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98,eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet Com efeito, as receitas financeiras auferidas nos meses de 2006 e 2007 não integram a receita bruta, devendo, portanto, serem excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Quanto à Multa Regulamentar, sobre o atraso e/ou falta de entrega do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON, embora sem a clareza necessária do que pretende concluir em sua defesa, a Recorrente alega que, o acórdão não organizou a questão de fato relativa à omissão de informações com a competência de avaliação exigida pelo artigo 148, do Código Tributário Nacional, e nem as provas produzidas pelo Fisco geraram efeitos no sentido de demonstrar que a suposta omissão de informações, pela contribuinte, tenha produzido inverdades na escrituração contábil e na escrituração da conta de tributos e contribuições federais nos exercícios de 2006 e 2007. E diz que, não procede a decisão do v. acórdão respeitante ao destaque da multa por entrega, com atraso, da “DACOM”, uma vez que a matéria se confunde com o mérito da causa debatida pela Fl. 631DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 8 13 Recorrente e que está relacionada com a falta de qualificação deste instrumento, na determinação quantitativa da certeza dos limites objetivos da coisa julgada pelas operações em conta própria. Tratase de obrigação acessória relativa à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Compulsandose os autos, verifico que a multa regulamentar em comento, foi formalizada no mesmo auto de infração de exigência da Cofins (fl.493) com o seguinte teor: 002 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS FALTA/ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS Multa exigida relacionada com a entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, conforme demonstrativo de fl. 458. Data Valor Multa Regulamentar 30/04/2007 R$ 4.181,48 FALTA/ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS Multa exigida relacionada com a falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, conforme demonstrativo de fl. 458. Data Valor Multa Regulamentar 31/10/2007 R$ 3.988,02 O mencionado demonstrativo de fl. 458, contém os seguintes dados: Demonstrativo da multa devida em razão da entrega fora do prazo do Dacon semestre/ano prazo p/ apresentação COFINS s/ Rec. Bruta Multa 20% s/ COFINS 2º/2006 09/04/2007 20.907,39 4.181,48 Obs. a) valores em reais: b) Base Legal Instrução Normativa SRF n° 590/2005, arts. 8, inciso II, letra "b" e 9, inciso I. Demonstrativo da multa devida em razão da não entrega do Dacon semestre/ano prazo p/ apresentação COFINS s/ Rec. Bruta Multa 20% s/ COFINS 1º/2007 05/10/2007 19.940,09 3.988,02 Obs. a) valores em reais: b) Base Legal Instrução Normativa SRF n° 590/2005, arts. 8, inciso II, letra "a" e 9, inciso I. Does. vide fls. 2 a 4, 37, 39, 313, 355. COFINS s/ Receita Bruta vide Auto de Infração Demonstrativo de Apuração da Contribuição. É cediço que, a IN SRF nº 590, de 2005, disciplinou a entrega do Dacon relativo a fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2006, estabelecendo o seguinte: (...) Fl. 632DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e não cumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).(redação dada pela IN nº 708, de 2007) (...) Art.3ºAs demais pessoas jurídicas deverão apresentar o Dacon Semestral, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz (...) Art.8ºO Dacon deverá ser apresentado: Ipelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; IIpelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano calendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do ano calendário anterior. §1ºExcepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. (...) Art.9ºA pessoa jurídica que deixar de apresentar o Dacon nos prazos estabelecidos no art. 8º, ou que apresentálo com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: Ide 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da Contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega deste demonstrativo ou de entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento) daquele montante; e (...) Como se vê, do demonstrativo acima depreendese que a autoridade administrativa aplicou a multa de 20% (vinte por cento), incidente sobre o montante da Cofins, considerando o lapso temporal entre o prazo para a entrega do DACON, e a data da lavratura do auto de infração em 19/11/2010. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.385 S1TE02 Fl. 9 15 Todavia, para os fins de apuração da multa regulamentar – isolada a autoridade NÃO discrimina quais valores mensais da Cofins compõem a base de cálculo no valor de R$ 20.907,39 relativo ao 2º Semestre de 2006 e R$ 19.940,09 relativo ao 1º Semestre de 2007. Entendo que a sintética e simplificada observação (Docs. vide fls. 2 a 4, 37, 39, 313, 355. COFINS s/ Receita Bruta vide Auto de Infração Demonstrativo de Apuração da Contribuição.) não substitui os valores mensais que compõem o montante da Cofins, não permite a perfeita compreensão do feito fiscal, constitui cerceamento do direito de defesa quanto ao aspecto quantificativo da obrigação acessória Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon , restando configurado descumprimento de requisito essencial exigido no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. Desse modo, afasto a Multa Regulamentar aplicada no valor de R$ 8.169,50 (fl.493) . No tocante à multa sobre os valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, lançados de ofício de que trata o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, não há qualquer manifestação por parte do contribuinte, razão pela qual é de se considerar matéria não impugnada sem motivação para afastála, em consonância com o artigo 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido acolher os embargos para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e DAR ao mesmo provimento PARCIAL para: 1) Excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras auferidas nos meses de 2006 e 2007 porque não integram a receita bruta, no regime cumulativo; e, 2) Afastar a Multa Regulamentar, sobre o atraso e/ou falta de entrega do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13854.000199/2001-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI - INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA - EXCLUSÃO.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção juris et de jure, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO PELA SELIC- Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Precedentes jurisprudenciais.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Providos.
Numero da decisão: 9303-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 99 /2 00 1- 66 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO PELA SELIC Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Precedentes jurisprudenciais. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, fl. 01, 2, 2º trimestre de 2001, com fundamento na Portaria MF n º. 38/97. Por meio do Acórdão n.º 20217.592 o recurso foi provido em parte. Por maioria de votos, os conselheiros deram provimento para reconhecer o direito de inclusão do custo com a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido. Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido e quanto a taxa Selic. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 226 3 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. A mens legis do incentivo teve por finalidade a desoneração tributária dos produtos exportados. O valor das matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários mandados industrializar por encomenda que integraram o produto final exportado compõe a base de cálculo do crédito presumido do IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É vedada a atualização de créditos meramente escriturais por absoluta falta de previsão legal. Recurso provido em parte. A Procuradora da Fazenda Nacional recorreu tempestivamente do Acórdão n.º 20217.592, sob a alegação de entendimento contrário à lei no tocante à inclusão do custo dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Segundo a recorrente, a decisão fustigada incorreu em afronta à regra do artigo 12 da Lei n.º 9.363/96 (fls. 141/150). Pelo Despacho n.º 202063, fls 153, sob o entendimento de estarem presentes as condições legais, deuse seguimento ao recurso. Cientificada do Acórdão n.º 20217.592, bem como do teor do Despacho n.º 202063, a interessada também interpôs, tempestivamente, em petição única, as contrarrazões ao apelo da Fazenda Nacional e Recurso Especial de divergência (fls. 158/193). Consta do Despacho de admissibilidade de fls. 204/205: As divergências apontadas pela empresa referemse à não inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos custos das aquisições de pessoas fisicas e cooperativas e à não atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Para comprovar a necessária divergência, consoante estabelece o art. 15, § 2, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a recorrente fez juntar aos autos, às fls. 194/201, cópia das ementas relativas aos Acórdãos n.ºs CSRF/0201.165, CSRF/0201.319 e CSRF/0201.414, além da cópia integral do Acórdão CSRF/02 01.38. No Acórdão n.º CSRF/0201.381, o recurso foi apresentado contra o conhecimento, pela câmara recorrida, do pedido de atualização do crédito presumido pela taxa Selic, que só havia sido apresentado em grau de recurso voluntário. Desta forma, não sendo objeto da lide ali instaurada o cabimento ou não da incidência da taxa Selic sobre o Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 ressarcimento de IPI, este acórdão não se presta para comprovar a alegada divergência. Nos Acórdãos CSRF/0201.165 e CSRF/0201.319, porém, foi decidido que as aquisições de pessoas fisicas e de cooperativas devem integrar o cálculo do crédito presumido e que a taxa Selic deve incidir sobre o ressarcimento. Nestas questões, este acórdãos, sem a menor sobra de dúvida, são divergentes do acórdão que ora se combate. Com relação à taxa Selic, também faz prova da divergência a ementa relativa ao Acórdão CSRF/0201414. Assim, caracterizado o dissídio jurisprudencial e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no inciso II do art. 7 0, c/c o § 2' do art. 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Port. MF 147/2007, dou seguimento ao presente Recurso Especial, no tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas e com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI. Portanto, sob entendimento de estarem presentes as condições de admissibilidade, foi dado também seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte no tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas e com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Os recursos apresentados atendem as condições exigidas e deles tomo conhecimento. As matérias objeto dos 2 recursos apresentados, um pela Fazenda Nacional e outro pelo contribuinte, são bastante conhecidas por este Colegiado. A saber: Recurso da Fazenda Nacional: A Procuradora da Fazenda Nacional recorreu tempestivamente do Acórdão n. 20217.592, sob a alegação de entendimento contrário à lei no tocante à inclusão do custo dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Recurso do contribuinte: As divergências apontadas pela empresa referemse a: I) não inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos custos das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, sob entendimento de que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS e II) a não atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 227 5 Passo à análise dos recursos: Consta dos autos que a contribuinte é empresa fabricante de produtos derivados do processamento de frutas cítricas, especialmente a laranja, comercializados tanto no mercado interno quanto no mercado externo. O objeto da presente controvérsia é o pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, no anocalendário de 2001. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA A matéria tem dado azo a divergências neste Colegiado. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23/03/95, convertida na Lei nº 9.363/96, e tem a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matériasprimas, visando permitir maior competitividade destes no mercado externo. Tratase, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia à parcela de sua arrecadação tributária, em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. Evidentemente, os serviços de industrialização cobrados pelo industrializador incluem valor de mãodeobra e insumos que se agregaram aos produtos industrializados sob encomenda da contribuinte e posteriormente exportados devem, no entender desta Conselheira, por conseqüência, ser incluídos no cálculo do crédito presumido. Nesse sentido, invoco outros precedentes do então Conselho de Contribuintes: AC n n.º 20212301 – Relator MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA Ainda com relação às aquisições, analisase a industrialização por encomenda. É certo que se a empresa adquirisse a madeira beneficiada, o valor que constaria na nota fiscal do fornecedor representaria o custo da madeira em bruto mais o custo dos serviços de beneficiamento. Neste caso, não há dúvida de que o valor dessa aquisição comporia a base de cálculo do incentivo, posto que madeira beneficiada foi transformada em móveis que foram exportados. De outra forma, se a empresa fornecedora emitisse, duas notas fiscais, uma da madeira em bruto e outra do serviço de beneficiamento, que diferença faria para o adquirente? Para o fornecedor, a base do IPI, caso haja incidência, deve ser a soma dos valores das duas notas fiscais. Para o produtor exportador, o custo da matériaprima há que ser composto pelo somatório das duas notas fiscais. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 No caso presente, o fornecedor da madeira em bruto é um e o realizador do beneficiamento é outro. Isto quer dizer que as duas notas cogitadas no parágrafo anterior são emitidas por estabelecimentos diferentes, mas isso não muda o fato de que, para o adquirente, o custo da matériaprima é composto pelas duas parcelas: o preço pago pela madeira e o preço pago pelo beneficiamento da mesma, para que adquira as condições exigidas pelo processo de fabricação dos móveis a serem exportados. Pelo exposto, reconheço como inerente ao custo da matéria prima o que é pago para o seu beneficiamento em estabelecimento de terceiro, ainda mais que esse terceiro, como o primeiro fornecedor, também está sujeito às contribuições que o incentivo visa ressarcir. ACÓRDÃO n.º. 20174349 Rel. ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Antes de aplicarse tal forma de interpretação, incumbe relembrar, e disto não discrepa esta Câmara, que o benefício foi instituído para desonerar a carga tributária das exportações. Por tal, penso que, quando a lei fala em aquisições, não se resume a deferir o direito restrito a tal momento, excluindo operações que não se perpetrem ou que transcendam aquela definição temporal. Quando a regra fala em ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições, penso referirse ao produto adquirido e ao custo que nele se contém e que nele vem a agregarse. Ora, o termo “aquisições” não se limita a compra e ao seu preço. Significa, igualmente, entre outras formas de aquisição, a obtenção de um produto, até a título gratuito. É, portanto, um conceito que engloba outras formas de aperfeiçoamento de seu conceito, que não a compra e o seu pagamento. Não encontro, data venia, resposta lógica, a não ser exacerbada interpretação literal, e contraditória aos princípios perseguidos pela regra instituidora do benefício. Encerro minha manifestação aduzindo dois argumentos finais. O primeiro, e este o nobre ConselheiroRelator exemplificou como perfeitamente abrangido pela norma, é a admissibilidade do benefício caso o produto tivesse sido adquirido já como produto intermediário (fio de algodão), sem a ocorrência da industrialização por conta de terceiros. Não vejo, e aí a discrepância, porque tratar desigualmente duas formas distintas de obtenção do mesmo produto. Não consigo admitir que a regra seja iníqua ao ponto de punir injusta e, no meu entender, antijuridicamente, o exportador que opta por caminho que lhe assegure a competitividade através da obtenção de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem por preço final (custo) mais em conta. Ainda que perpassasse pelos meus nobres pares que discordam deste entendimento, o pensamento de que tal operação Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 228 7 objetivasse superavaliar o produto, mediante preço eventualmente majorado, visando alargar financeiramente o benefício, ainda assim de aplicarse a regra como defendo. Caberia, juridicamente, fosse o caso, glosar a operação por simulada ou fraudulenta, e não simplesmente fazer tábula rasa da desconfiança. Vou mais além: não vejo estímulo para a prática, visto que a relação benefício potencial versus risco é altamente desestimulante à prática. No entanto, afirmo que o fenômeno não se sustenta juridicamente, sendo matéria árida para amparar o entendimento do desamparo ao direito. O segundo e final argumento, ainda que reconheça não confortado peja juridicidade, é de que a operação de industrialização por conta de terceiros, inclusive em relação ao custo de mãodeobra, sofre incidência do PIS e da COFINS, o que, por si só, justifica a desoneração tributária via ressarcimento ou compensação. ACÓRDÃO nº. 20176472 – RELATOR GILBERTO CASSULI: É dizer, a contribuinte incluiu os valores referentes à industrialização efetuada por outras empresas em sua base de cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao incentivo à exportação. E esses valores foram excluídos pela autoridade tributária. Com efeito, estabelece a Lei nº 9.363, de 13/12/1996: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n°s 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (grifamos) Estão estabelecidos na lei os aspectos do crédito presumido em exame. E assim, a interpretação que a autoridade julgadora lhe deu não pode prosperar, porque, ao afirmar não poderem compor a base de cálculo, referida no art. 2º da Lei nº 9.363/96, os custos com a industrialização efetuada por outras empresas, diz que somente geram direito ao crédito as aquisições em Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 sentido estrito, o que é uma exegese demasiadamente literal do texto legal. Devemos, inicialmente, perquirir acerca da mens legis, ou seja, a vontade, o desejo da lei. Bem sabemos que pretende, com este crédito presumido, desonerar a carga tributária das exportações. Agora, com relação às aquisições que dão direito ao crédito presumido, devemos entender o que abrangem. Evidentemente, devem às aquisições ser somados os custos nelas contidos, ou seja, geram crédito presumido as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, e os custos a estes agregados. Com efeito, tratase o crédito presumido de IPI em comento, como estabelecido no texto legal, de ressarcimento do PIS e da COFINS recolhidos nas etapas anteriores (e não somente na imediatamente anterior), incidentes sobre os insumos. No dizer do ilustre Conselheiro Osvaldo Tancredo de Oliveira, da Segunda Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes, é: “... incentivo financeiro à exportação quantificado sobre o valor total dos custos dos insumos que compõem o produto exportado. É certo que esse incentivo, efetivamente, visa a compensar o exportador do valor das ditas contribuições sociais que oneram os insumos empregados, bem como, ainda, as contribuições que oneraram as mercadorias empregadas na fase produtiva desses insumos. Daí a alíquota de 5,37%, para efeito de cálculo do incentivo incidente sobre o valor total dos insumos que compõem o produto exportado, como esclarece a citada Portaria Ministerial.” 1 (grifamos) Tratase, inclusive, de questão de igualdade tributária, de isonomia. Porque se os custos inseridos, por exemplo, no beneficiamento de matériaprima não gerarem direito ao crédito presumido aos contribuintes que optam por trabalhar com algumas industrializações por encomenda, estarseá tratando este contribuinte de maneira diferente daquele que adquire o insumo semiacabado (produto intermediário), onde já estarão inseridos os custos com a industrialização efetuada. De fato, caso o produtor adquirisse o produto intermediário já com os beneficiamentos necessários, em vez de adquirir a matériaprima em estado produtivo inicial e remetêla à industrialização em outra empresa (por encomenda), incluiria na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total deste custo. De outra banda, adquirindo a matériaprima em estado inicial e remetendoa à industrialização por conta de terceiros, conforme o entendimento adotado na decisão objurgada, não pode inserir este custo na base de cálculo do crédito presumido. Há aqui manifesta afronta à juridicidade deste instituto e ofensa ao princípio da igualdade tributária, porque a situação, na ótica do 1 Acórdão nº 20209.865, Relator Osvaldo Tancredo de Oliveira, Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Sessão em 17/02/1998, ao julgar o Recurso nº 102.571. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 229 9 contribuinte, é a mesma. Lembremonos, inclusive, que, muitas vezes, este procedimento diminui o valor do ressarcimento, porque o custo total é menor. A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no julgamento do Processo nº 10920.000521/9762, Recurso nº 110.144, Acórdão nº 20174.349, Relator o eminente Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa, em Sessão no dia 21/03/2001, decidiu: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Os valores correspondentes à industrialização por encomenda integrarão o valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA A energia elétrica, embora não integre o produto final, é produto intermediário consumido durante a produção e indispensável à mesma. Sendo assim, deve integrar a base de cálculo a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.363/96 (...). Recurso parcialmente provido.” (grifamos) Destarte, não se pode negar que um custo a que se submete a matériaprima não integre o valor das aquisições incentivadas. É dizer, pelo acima exposto, pode, no entender desta Conselheira, incluir os valores referentes à industrialização efetuada por outras empresas em sua base de cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao incentivo à exportação. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência dos Tribunais superiores, a controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtorexportador houver incidência dessas contribuições sociais. Como bem percebido pelo doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira2, a lei instituidora do benefício “presume de forma absoluta, sem admitir contraprova, mas também sem exigir qualquer prova, que houve custos incorridos e que, a bem das exportações nacionais devem ser ressarcidos ao exportador, e, igualmente, presume de forma absoluta, sem necessidade de prova em qualquer sentido, o montante desses custos a ressarcir”. E, mais adiante, afirma ainda o autor: “Em suma, nestas circunstâncias não há prova a ser feita pelo fisco ou pelo contribuinte, de incidência ou não incidência, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando 2 Crédito Presumido de IPI – Ressarcimento de PIS e COFINS – Direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributados, não publicado. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 serem provados os elementos da fórmula geral”, ou seja, basta que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo, a receita de exportação e a receita operacional bruta. Ainda, sob o tema, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 230 11 contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Da posição atual do STJ Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 3. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido 3 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. DA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO – SELIC Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 231 13 Insurgese o contribuinte contra o acórdão proferido que negou o reconhecimento da incidência da correção da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido. O ressarcimento de créditos básicos do IPI não utilizados no período tratase, em verdade de um incentivo fiscal, já que o legislador autorizou o ressarcimento em espécie ou sob forma de compensação com outros tributos, de eventual saldo credor do imposto não utilizado na compensação com débitos do próprio IPI. No caso dos autos, a interessada solicitou o ressarcimento do crédito. Ressalto conhecer da existência de Jurisprudência cristalina dos Tribunais Superiores no sentido de que crédito escritural não deve ser sujeito à atualização. Não é o caso dos autos em que se permite a atualização a partir do protocolo do pedido administrativo de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Aliás, a partir do protocolo de pedido de restituição de determinada importância, passa a ser a referida importância, uma dívida. Como dívida, ressalvase um outro aspecto importante. A demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Cabe também asseverar que não se discute se correção monetária é mera recomposição do poder aquisitivo da moeda, fato este constatado pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, a exemplo dos seguintes julgados: RE nº 93.415/RS, RE nº 893837/RJ, RE nº 77.803/RS. A partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. Posição do STJ No mais, a exemplo do exposto na análise do item anterior, cabe aqui lembrar que a matéria também se encontra afeta pelo art. 62A do RICARF4. Nesse sentido: AgRg no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.088.292 RS (2008/02047717) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI N. 9.363/96. PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO. MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 411/STJ. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE 4 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. 1. O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos, dos créditos adquiridos por força do art. 1º, da Lei n. 9.363/96 créditos presumidos de IPI adquiridos como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS) quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. 2. Incidência do enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" e mudança do ponto de vista do Relator em razão do decidido no recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 3. Precedentes em sentido contrário: REsp. Nº 1.115.099 SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.3.2010; AgRg no REsp. Nº 1.085.764 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18.8.2009. 4. Agravo regimental não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a)." Devida assim a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. CONCLUSÃO: Em face ao acima exposto, voto no sentido de: I) dar provimento ao recurso especial da contribuinte e II) negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000199/200166 Acórdão n.º 9303001.934 CSRFT3 Fl. 232 15 Peço licença à i. relatora, mas entendo que o recurso especial da Fazenda Nacional merece provimento, pela s razões a seguir aduzidas. Na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e, também, na então Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por diversas vezes, votei no sentido de permitir a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do custo de beneficiamento e de mãodeobra empregada na industrialização efetuada por terceiros (industrialização por encomenda), quando estes, são utilizados pelo industrial exportador como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagens na fabricação de produtos por ele exportado. Todavia, os argumentos apresentados pelos Eminentes Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques e Antônio Bezerra Neto, fizeramme refletir mais sobre a matéria e, finalmente, concluir em sentido contrário ao do que vinha votando até então. Neste ponto, passo a adotar como razão de decidir, o voto da Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, que, de forma objetiva e com a costumeira competência, bem enfrentou a matéria. Assim, com as homenagens de praxe, passo a transcrever os argumentos da ilustre Conselheira, expendidos no voto proferido quando do julgamento do Recurso n° 202 118.591, na sessão plenária da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Outra questão é que diz respeito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pago pela recorrente pelos serviços de industrialização prestados em regime de encomenda. De fato, é inadmissível a inclusão dos serviços de industrialização por encomendas na base de cálculo do incentivo. A matériaprima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços se incorpora ao valor do produto acabado e não ao da matériaprima. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições que deram origem ao incentivo, não se trata de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos valores são os únicos a integrarem a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Não se trata de matéria a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca o direito ao crédito. Portanto, considerar que se outra hipótese de fato houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes equivale a tomar o lugar do legislador, para estender o benefício a situação claramente não contemplada na lei, o que é completamente inadmissível. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 De todo o exposto, é de se reconhecer a pertinência do apelo fazendário, neste ponto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10166.727578/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
INCORREÇÕES/OMISSÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP com incorreções e/ou omissões caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
No período dos lançamentos já não existia a responsabilidade solidária dos tomadores de serviço mediante cessão de mão de obra com os prestadores pelo recolhimento das contribuições sociais, sendo aplicável o instituto da retenção previsto no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991.
DESPESAS COM MORADIA. SALÁRIO INDIRETO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES.
As despesas de moradia, tais como aluguel, taxa de condomínio, energia elétrica, etc., sofrem incidência das contribuições, quando a empresa não demonstra que o empregado beneficiado foi contratado para trabalhar em local distante de sua residência.
AJUDA DE CUSTO. NÃO DESTINADA A FAZER FRENTE A GASTOS COM MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS DO EMPREGADO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre os pagamentos efetuados a empregados a título de ajuda de custo, quando a empresa não comprova que destinados a suportar despesas com mudança de local de trabalho, neste caso em parcela única, ou a ressarcir gastos do empregado para executar o trabalho.
DIÁRIAS DE VIAGEM. PAGAMENTO EM VALORES SUPERIORES A 50% DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. NÃO INTERFERÊNCIA DA VANTAGEM ESTAR PREVISTA EM CONTRATO.
Independentemente do pagamento de diárias estar previsto em contrato, incidem contribuições sobre os valores das diárias que excedam a 50% da remuneração dos segurados.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA.
Incidem contribuições sobre os valores pagos ao empregados em pecúnia a título de auxílio alimentação.
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Por possuir natureza de indenização, o vale-transporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais.
ASSISTÊNCIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRETORES DA EMPRESA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES POR FORÇA DA REGRA VIGENTE NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES.
Quando da ocorrência dos fatos geradores, a assistência médico odontológica fornecida pela empresa não sofria a incidência de contribuições, desde que disponível à totalidade dos empregados e dirigentes.
PAGAMENTO DE PRÓ-LABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sobre as quantias pagas aos sócios da empresa a título de pró-labore.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PARCELA EXCEDENTE AO QUE DETERMINA O CONTRATO SOCIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre a parcela do lucro distribuída em desacordo com o que determina o contrato social.
DADOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE EM CONTRAPOSIÇÃO AO LANÇAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LASTRO DOCUMENTAL. IMPOSSIBILIDADE DE ACEITAÇÃO.
Não devem prevalecer os dados apresentados pelo contribuinte em contraposição à apuração fiscal, quando não estão lastreados em documentos acostados à peça de inconformismo.
CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL A SÓCIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE AO VALOR LOCATÍCIO DO IMÓVEL.
Incidem contribuições sobre imóvel cedido a título gratuito pela empresa a seu sócio.
A remuneração anual para fins de apuração das contribuições é o valor locatício do imóvel, que nos termos do Decreto n.º 3.000/2009, corresponde a 10% do valor venal do imóvel.
DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA.
Inexistiu nos lançamentos o lançamento de diferenças de acréscimos legais.
DESPESAS DE SÓCIOS. PAGAMENTOS PELA EMPRESA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Por assumirem caráter de remuneração, as despesas dos sócios pagas pela empresa sofrem incidência de contribuições.
Numero da decisão: 2401-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa; e II) no mérito, por negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verifica nulidade, em razão de cerceamento ao direito de defesa, quando a administração faculta ao sujeito passivo o trintídio legal, contados das intimações da exigência e da decisão de primeira instância, para que este impugne o lançamento e ofereça recurso voluntário contra decisão que lhe seja desfavorável, respectivamente. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCOERÊNCIA NO RELATÓRIO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O fisco, ao afirmar que os arquivos digitais exibidos eram confiáveis, não atestou que a documentação da empresa estava em consonância com a legislação previdenciária, mas apenas que aqueles não divergiam dos demais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 78 /2 01 1- 39 Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 papéis exibidos durante a auditoria. Em nenhum momento ficou consignado que a empresa estaria regular em sua situação fiscal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS TOMADORES DE SERVIÇO PELOS CRÉDITOS LANÇADOS. INEXISTÊNCIA. No período dos lançamentos já não existia a responsabilidade solidária dos tomadores de serviço mediante cessão de mão de obra com os prestadores pelo recolhimento das contribuições sociais, sendo aplicável o instituto da retenção previsto no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991. DESPESAS COM MORADIA. SALÁRIO INDIRETO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. As despesas de moradia, tais como aluguel, taxa de condomínio, energia elétrica, etc., sofrem incidência das contribuições, quando a empresa não demonstra que o empregado beneficiado foi contratado para trabalhar em local distante de sua residência. AJUDA DE CUSTO. NÃO DESTINADA A FAZER FRENTE A GASTOS COM MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS DO EMPREGADO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre os pagamentos efetuados a empregados a título de ajuda de custo, quando a empresa não comprova que destinados a suportar despesas com mudança de local de trabalho, neste caso em parcela única, ou a ressarcir gastos do empregado para executar o trabalho. DIÁRIAS DE VIAGEM. PAGAMENTO EM VALORES SUPERIORES A 50% DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. NÃO INTERFERÊNCIA DA VANTAGEM ESTAR PREVISTA EM CONTRATO. Independentemente do pagamento de diárias estar previsto em contrato, incidem contribuições sobre os valores das diárias que excedam a 50% da remuneração dos segurados. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições sobre os valores pagos ao empregados em pecúnia a título de auxílio alimentação. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Por possuir natureza de indenização, o valetransporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais. ASSISTÊNCIA MÉDICOODONTOLÓGICA. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRETORES DA EMPRESA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES POR FORÇA DA REGRA VIGENTE NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. Quando da ocorrência dos fatos geradores, a assistência médico odontológica fornecida pela empresa não sofria a incidência de contribuições, desde que disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. PAGAMENTO DE PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.947 3 Incidem contribuições sobre as quantias pagas aos sócios da empresa a título de prólabore. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PARCELA EXCEDENTE AO QUE DETERMINA O CONTRATO SOCIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre a parcela do lucro distribuída em desacordo com o que determina o contrato social. DADOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE EM CONTRAPOSIÇÃO AO LANÇAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LASTRO DOCUMENTAL. IMPOSSIBILIDADE DE ACEITAÇÃO. Não devem prevalecer os dados apresentados pelo contribuinte em contraposição à apuração fiscal, quando não estão lastreados em documentos acostados à peça de inconformismo. CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL A SÓCIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE AO VALOR LOCATÍCIO DO IMÓVEL. Incidem contribuições sobre imóvel cedido a título gratuito pela empresa a seu sócio. A remuneração anual para fins de apuração das contribuições é o valor locatício do imóvel, que nos termos do Decreto n.º 3.000/2009, corresponde a 10% do valor venal do imóvel. DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA. Inexistiu nos lançamentos o lançamento de diferenças de acréscimos legais. DESPESAS DE SÓCIOS. PAGAMENTOS PELA EMPRESA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por assumirem caráter de remuneração, as despesas dos sócios pagas pela empresa sofrem incidência de contribuições. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCORREÇÕES/OMISSÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP com incorreções e/ou omissões caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa; e II) no mérito, por negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3949DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.948 5 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0347.611 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Brasília (DF), que julgou improcedentes as impugnações apresentadas contra os Autos de Infração – AI por descumprimento de obrigações acessórias abaixo: a) AI n.º 51.010.3677: deixar a empresa de preparar as folhas de pagamento nos padrões exigidos pela legislação; b) AI n.º 51.010.3685: deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições; c) AI n.º 51.010.3693: por deixar a empresa de prestar esclarecimentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos de auditoria; d) AI n.º 51.010.3707: por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, a contribuição de segurado a seu serviço; e) AI n.º 51.010.3715: a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções e omissões (para guias apresentadas após 03/12/2008, competências 01, 02, 04 e 11/2007 e 1, 3 a 7 e 9 a 11/2008). Segundo o relatório fiscal de 10/85, as lavraturas referemse a multas aplicadas em decorrência do descumprimento de obrigações acessórias, as quais foram verificadas pela análise das folhas de pagamentos, dos registros contábeis e dos comprovantes de pagamentos, fornecidos pelo Contribuinte em meio digital e papel, e das informações prestadas em GFIP, constantes do banco de dados da Previdência Social. A exigência das contribuições devidas relativas aos fatos geradores que deram ensejo às presentes lavraturas foram efetuadas nos AI 37.314.8690, 37.314.8704 e 37.314.8712 (processo n°. 10166.727564/201115), contra os quais o contribuinte se insurgiu e cujo recurso está sendo julgado também nessa sessão. De acordo com o fisco, o AI n.º 51.010.3677 foi lavrado porque deixaram de ser informadas nas folhas de pagamento as seguintes rubricas incidentes de contribuições: a) auxílio alimentação pago em pecúnia a segurados empregados; b) valetransporte também pago em pecúnia a segurados empregados; c) diárias de viagem que excederam em 50% a remuneração dos segurados empregados; d) assistência médica, hospitalar e odontológica não fornecida a totalidade dos empregados da empresa; Fl. 3950DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 e) despesas com habitação e moradia fornecidos com segurados empregados; f) valores extraídos da contabilidade, tais como: “Salários e Ordenados” e “Rescisões Contratuais”; g) prólabore; h) pagamento de remuneração a segurado contribuinte individual verificado na contabilidade; i) remuneração indireta paga a sócios, tais como cessão gratuita de imóvel e pagamento de despesas pessoais. O AI n.º 51.010.3685 decorreu da conduta de registrar remunerações a pessoas físicas em conta contábil utilizada para registro de pagamentos a pessoas jurídicas. Podese citar como exemplo: auxílio alimentação; vale transporte; diárias de viagem; assistência médica; auxílio moradia; prólabore indireto; pagamentos a contribuintes individuais. Pelo fato do contribuinte ter deixado de prestar esclarecimentos ao fisco sobre lançamentos contábeis elencados no Anexo XXVII, fls. 2.218 e segs. e ter deixado de identificar segurados beneficiários de pagamentos constantes nos Termos de Intimação Fiscal n.º 03, 04, 05 e 06, foi lavrado o AI n.º 51.010.3693. O AI n.º 51.010.3707 foi motivado pela falta de desconto da contribuição de segurados empregados sobre parcelas constantes em folha de pagamento e de contribuintes individuais sobre parcelas verificadas na escrita contábil. O AI n.º 51.010.3715 decorreu das divergências verificadas entre a folha de pagamento e a GFIP em relação a remuneração de empregados (conforme anexos XXIX e XXX); em relação a remuneração de contribuinte individual (tabela de fl. 71); erro na alíquota RAT (tabela de fl. 71) e divergência entre o saláriofamília constante na folha e na GFIP (tabela de fl. 72). A empresa interpôs único recurso, alegando, em apertadas síntese, que: a) prazo de trinta dias para impugnar o lançamento e recorrer da decisão de primeira instância, dada a exiguidade, prejudicaram o seu direito de defesa; b) ao mesmo tempo em que o fisco atestou a integridade e confiabilidade dos elementos apresentados pela empresa, contraditoriamente imputa à recorrente a prática de infrações à legislação, sem, todavia, esclarecer quais foram as infrações; c) as parcelas remuneratórias supostamente omitidas na GFIP não se subsumem ao conceito de saláriodecontribuição, assim, inexistiu o atropelo à legislação; d) a autuada prestou serviços exclusivamente à administração pública, assim, esta também seria responsável pelos créditos apurados, na condição de devedora solidária; e) tributouse de forma arbitrária parcelas insuscetíveis de incidência de contribuições, a exemplo de IPTU, energia elétrica, benfeitorias em imóveis, etc.; f) a verba paga a título de “Ajuda de Custo” não faz parte do saláriode contribuição, posto que se trataram de reembolsos e não atingiram 50% do valor do salário; Fl. 3951DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.949 7 g) o entendimento que predomina na jurisprudência é de que, ainda que disponibilizada em desconformidade com as regras do PAT, não há incidência de contribuições sobre o auxílio alimentação; h) os valores fornecidos pelo empregador a título de assistência médica ou odontológica não são passíveis de tributação, conforme determinada as legislações trabalhista e previdenciária; i) os pagamentos relativos ao prólabore foram lançados em folha de pagamento e na GFIP, não procedendo a afirmação de que foram omitidos; j) não cabe a incidência de contribuições sobre diferenças de acréscimos legais; k) as diárias de viagem foram estipuladas em contrato com o próprio poder público, tendo os valores envolvidos sido tributados como faturamento da recorrente. A jurisprudência majoritária entende que tal rubrica tem caráter de indenização; l) a distribuição de lucros representa remuneração do capital não se sujeitando a incidência de contribuições previdenciárias, além de que não há previsão para que seja feita em igual proporção aos sócios, posto que é possível que um sócio esteja necessitando do recurso e outro não; m) um dos sócios faleceu em 2007, impossibilitando que para esse fosse distribuída parcela dos lucros e, somente a posteriori, os herdeiros do de cujos foram beneficiados com a retirada; n) apresenta tabela para comprovar que as diferenças apuradas pelo fisco em folha de pagamento não condizem com a realidade; o) a rubrica denominada “Habitação” não deve sofrer incidência de contribuições, posto que se trata de pagamentos efetuados pelo sócio Antônio José Arouca em nome da empresa, que utilizava os imóveis em referência; p) o valor atribuído ao aluguel de imóvel localizado a SMDB CJ28 LT09 CSB, o qual foi cedido ao sócio majoritário Raul Balduíno de Souza Filho e tomado pelo fisco como prólabore indireto, está fora da realidade do mercado; q) o imóvel localizado à QI09 foi adquirido pela empresa para posterior revenda, não podendo ser considerada segunda moradia do seu sócio majoritário; s) os valores contabilizados como prólabore foram devidamente incluídos em folha de pagamento e, embora não tenham sido individualizados na GFIP, foram objeto de recolhimento; t) os pagamentos de despesas dos sócios, considerados como prólabore indireto, na verdade dizem respeito à distribuição de lucros, posto que a lei não estipula a forma como estes devem ser distribuídos; Fl. 3952DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 u) as parcelas lançadas em contabilidade e supostamente não declarados em GFIP, na verdade, dizem respeito à distribuição de lucros, à contrapartida da conta salários e despesas de pequeno vulto não relacionadas à contraprestação pelo trabalho; v) não há incidência de contribuição sobre o valetransporte, ainda que tenha sido pago em pecúnia; x) a empresa apresentou todos os documentos requisitados pelo fisco, assim é desarrazoada a lavratura de representação para fins penais. Essa questão deve ser analisada no julgamento administrativo, posto que a conclusão pela existência do crime levou ao agravamento da multa aplicada. Ao final, afirmou estar convicta de que a apuração fiscal está equivocada e que não cometeu ilícitos administrativos, devendo o recurso ser integralmente acatado, para que os AI sejam cancelados e seja anulada a representação para fins penais. É relatório. Fl. 3953DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.950 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Prazo para impugnar e recorrer – cerceamento ao direito de defesa A alegação de que a exiguidade dos prazos de defesa e recurso prejudicaria o direito de defesa da recorrente, conduzindo à nulidade das lavraturas, não deve ser acatada. É que os prazos oferecidos pela administração tributária estão em perfeita consonância com o que dispõe a legislação que rege a matéria. Os arts. 15 e 33, “caput”, ambos do Decreto n.º 70.235/1972 – que regula os processos administrativos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecem em trinta dias, contados das intimações da exigência e da decisão de primeira instância, os prazos fatais para impugnar o crédito e recorrer da decisão que lhe seja desfavorável, respectivamente. Descabe, portanto, o inconformismo da autuada, posto que contraria dispositivos literais de lei vigente. Incoerência nas afirmações do fisco quanto aos elementos apresentados A autuada adverte que a Autoridade Fiscal atestou a integridade e confiabilidade da sua escrituração contábil, todavia, contraditoriamente imputa à mesma a prática de infrações. A contradição apontada é apenas aparente. O fisco em nenhum momento reportouse à regularidade fiscal do sujeito passivo, tendo apenas mencionado que os arquivos digitais fornecidos estavam em consonância com a documentação exibida, nada mais. É o que se pode ver dos itens 11 a 13 do relatório fiscal, fl. 155, quando o Auditor reconhece que apenas os arquivos digitais das folhas de pagamento do exercício de 2007 estavam em desconformidade com os resumos apresentados, todavia, assevera que tal falha foi saneada, eliminandose quaisquer divergências entre os arquivos digitais e os papeis apresentados. Verificase, portanto, que não houve qualquer pronunciamento do fisco de que a documentação apresentada estava em consonância com a legislação previdenciária. Feitas essas considerações, não deve ser acolhida a alegação de que há incoerências no relatório de trabalho da auditoria. Inexistência de solidariedade da Administração Pública contratante Fl. 3954DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Asseverou a recorrente que, tendo prestado serviço à Administração Pública, esta seria responsável solidária pelos créditos lançados. A alegada solidariedade inexiste. Com a alteração no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, promovida pela Lei n.º 9.711/1998, deixou de existir a responsabilidade solidária do tomador de serviços executados por empreitada ou cessão de mãodeobra pelo cumprimento das obrigações previdenciárias decorrentes da execução dos serviços. A partir desse marco legislativo, passou a haver a retenção para a Seguridade Social, no patamar de 11% do valor da fatura de prestação de serviço por empreitada ou cessão de mão de obra, eximindose o tomador da solidariedade. Considerando que o período dos lançamentos é de 01/2007 a 12/2008, não há o que se falar em responsabilidade solidária dos tomadores de serviço pelos créditos previdenciários sob discussão. Contestação das parcelas tomadas pelo fisco como incidentes de contribuições previdenciárias Passemos a comentar acerca das manifestações de inconformismo da recorrente quanto à inclusão na base de cálculo dos lançamentos de parcelas que entende não subsumirem ao conceito de saláriodecontribuição. a) Parcelas supostamente não remuneratórias Sugere a empresa que o fisco tributou parcelas que não figuram no campo de incidência das contribuições, a exemplo de IPTU, energia elétrica, benfeitorias em imóveis, dentre outras. De acordo com a Autoridade Fiscal, tais parcelas dizem respeito a despesas efetuadas pela empresa em imóvel ocupado pelo segurado empregado Antônio José Arouca (hoje sócio da recorrente). O fisco demonstrou que o empregado residia no imóvel e apresentou, no anexo XII, todos os lançamentos contábeis relativos a esses pagamentos, os quais, digase de passagem, não contemplaram benfeitorias, mas despesas correntes, a exemplo de taxa condominial, energia elétrica, água e esgoto e IPTU. Tendose em conta que somente são excluídos do saláriodecontribuição as despesas de moradia efetuadas pela empresa com empregados contratados para trabalhar em localidade distante de sua residência, devem ser tributadas as referidas despesas, por consistirem em ganho indireto do segurado relacionados ao item moradia. É assim que prescreve a Lei n.º 8.212/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; Fl. 3955DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.951 11 (...) A empresa ainda lançou o argumento de que tais despesas teriam sido suportadas pelo segurado, todavia, não apresentou qualquer comprovação do alegado. Sobre essa questão, é bom que se diga, que de acordo com o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações sobre o pagamento das despesas relacionadas no anexo XII, não se deve acatar o argumento de que as mesmas teriam sido suportadas pelo seu empregado. b) Ajuda de custo Insurgese a recorrente sobre a incidência de contribuições sobre a verba denominada “Ajuda de Custo”. Afirma que tais pagamentos dizem respeito a reembolsos de despesas efetuadas pelos segurados, além de que eram inferiores a 50% do salário daqueles. Segundo o fisco, tais valores contam na folha de pagamento sob a rubrica “426 – Ajuda de Custo” e que eram pagos de forma continuada, além de que não se destinavam a atender a despesas excluídas do campo de incidência das contribuições sociais. É apresentada tabela onde constam os valores pagos a esse título, todos para o segurado Paulo José Maurício, no período de 01/2007 a 02/2008, em valores mensais de R$ 150,00. Vemos que o fisco tem razão. Pela legislação previdenciária somente a ajuda de custo em parcela única e recebida em decorrência de mudança do local de trabalho não sofre incidência. Eis o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 que trata da questão: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (...) Verificase, ao contrário, que a verba era paga com habitualidade, em valores fixos e sem necessidade de comprovação das despesas, sendo, portanto, integrante da remuneração do empregado, pelo que deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 3956DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Nesse caso, observase que a empresa não trouxe qualquer elemento que comprovasse que a “Ajuda de Custo” visava ao ressarcimento de despesas, além de que inexiste previsão no sentido de que tal verba somente seja tributada se superar o patamar de 50% do salário do empregado, o que se verifica com as diárias, as quais serão tratadas no item seguinte. c) Diárias de viagem Assim trata a Lei n.º 8.212/1991 sobre a não incidência de contribuições sobre as diárias para viagem: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; (...) Asseverou o fisco que foram considerados base de cálculo de contribuições, as quantias que ultrapassaram o patamar de 50% da remuneração dos segurados. A empresa advoga que não caberia incidência, uma vez que as diárias teriam sido concedidas devido a estipulação em contrato firmado com a administração pública, além de que os referidos valores já teriam sido objeto de tributação sobre sua receita. Observase que a recorrente não se contrapõe aos valores lançados, argumentando apenas quanto à impossibilidade de incidência em razão da previsão contratual e da suposta tributação sobre as faturas decorrentes da execução contratual. Não se deve acatar o argumento recursal. É que o fato das diárias estarem previstas em contrato não afeta a incidência de contribuições previdenciárias. Não há norma que estabeleça qualquer interferência da origem dos recursos para pagamento da verba sobre a inclusão da mesma como saláriodecontribuição. Independentemente das diárias terem sido previstas em contrato de prestação de serviço em que a recorrente figura na condição de contratada, verificandose que os valores pagos a esse título superam 50% da remuneração dos segurados, há incidência de contribuições, por expressa disposição legal. No mesmo sentido, também não cabe o argumento de que as parcelas teriam sofrido incidência de tributo sobre a receita da empresa. Correta, então, a decisão recorrida, quando não acatou essa alegação da empresa. d) Auxílio alimentação Foram tributados os valores repassados em pecúnia aos segurados a título de “Auxílio Alimentação”. O fisco entendeu que, o fato da verba ter sido paga em desconformidade com as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, afastaria a aplicação da norma de desoneração prevista na alínea “c” do § 9.º do art. da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 3957DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.952 13 A empresa alegou que a jurisprudência dos tribunais tem entendido que, ainda que a alimentação seja fornecida sem observar as normas do PAT, não há incidência de contribuição sobre as mesmas, posto que a verba não possui natureza de salário. Vejamos o que diz a regra que trata da exclusão da alimentação fornecida ao trabalhador do saláriodecontribuição: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (...) O dispositivo acima não nos deixa margem para interpretação, posto que o legislador foi enfático ao retirar do campo de incidência apenas as parcelas pagas “in natura”, ou seja, se a verba for disponibilizada em pecúnia, a regra deixa de ser aplicada. Não é demais trazer à colação decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça que vai de encontro ao que afirma a empresa, concluindose que sobre o auxílio alimentação fornecido em pecúnia há a incidência de contribuições. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n. 8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fáticoprobatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílio alimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (Resp. 1196748, Segunda Turma, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJE 28/09/2010) Fl. 3958DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Conforme relatado pelo fisco, fato não contestado pela empresa, o fornecimento da alimentação se deu em pecúnia, o que nos leva a concluir pela incidência das contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. e) Vale transporte O motivo que levou o fisco a incluir na base de cálculo dos lançamentos os valores relativos ao vale transporte, foi o fato dos pagamentos terem sido efetuados em pecúnia. Acerca dessa exação, já não há mais celeumas entre o fisco e os contribuintes. É que se curvando a jurisprudência da Corte Máxima, que em decisão plenária, no bojo do RE n.º 478.410, afastou a incidência de contribuições sociais sobre o valetransporte pago em pecúnia, a Advocacia Geral da União editou a Súmula n.º 60, em 08/12/2011, assim redigida: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Assim, devem ser afastadas, por improcedência, as contribuições incidentes sobre o valetransporte pago em dinheiro. f) Assistência médica e odontológica Diante da informação da empresa de que a assistência à saúde era prestada apenas aos empregados que laboravam na execução de contratos firmados com órgãos públicos, por exigência do contratante, as parcelas relativas a assistência médica, hospitalar e odontológica foram incluídas na base de cálculo dos lançamentos. A empresa não concorda com a tributação dessas rubricas, por entender que as legislações previdenciária e trabalhista não acolhem a pretensão do fisco. Analisemos a Lei n.º 8.212/1991, norma aplicável à situação, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Como se percebe, para que a rubrica em questão não fosse alcançada pela tributação para a Seguridade Social, deveria a assistência médicoodontológica ser disponibilizada a todos os empregados e dirigentes. Conforme própria declaração da empresa, Fl. 3959DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.953 15 apenas parte do seu quadro era coberto pelo benefício, o que nos leva a entender que a inclusão dessas rubricas na saláriodecontribuição foi medida acertada do fisco, não cabendo alteração do que ficou decidido pela DRJ. Ao invocar dispositivo da CLT para dar substância a sua tese, a recorrente olvidou que a norma do Direito Laboral é aplicada ao Direito Previdenciário apenas subsidiariamente. Além de que não se deve confundir o conceito justrabalhista de “salário” com conceito previdenciário de “saláriodecontribuição”, que embora tenham vínculos muito estreitos, não coincidem na sua totalidade. A prova mais visível dessa diferenciação é a incidência de contribuição ao FGTS para determinadas normas que não se constituem em base de cálculo para as contribuições previdenciárias, como é o caso do auxílio doença acidentário, sobre o qual incide FGTS, mas que não sofre incidências das contribuições sociais. Assim, não acolho também a tese de que a aplicação da CLT deva prevalecer sobre os ditames da Lei de Custeio da Seguridade Social, quando o tema tratado diz respeito ás contribuições sociais. g) Prólabore Afirmou a empresa que os valores pagos a título de prólabore foram incluídos em folha de pagamento e declarados na GFIP, sendo descabida a afirmação do fisco de que teria havido omissão na informação de tais valores. Verificase do relato do fisco duas tabelas, fls. 175/176, relativas ao pagamento de prólabore. Uma apresenta valores que constam das folhas de pagamento, sem, todavia, terem sido informadas na GFIP. A outra demonstra valores que não foram lançados em folha de pagamento, tampouco declarados na guia informativa. A empresa, apesar de negar as omissões apontadas, não trouxe aos autos qualquer documento que viesse a atestar que inexistiram as omissões em folha/GFIP e que tenha efetuado o recolhimento das contribuições decorrentes. Tendo demonstrado o fisco a ocorrência de remunerações a sócios não incluídas na GFIP e parte não lançadas em folha de pagamento, cabível a exigência de contribuições sobre essas parcelas. h) Distribuição de lucros Alegou a empresa que a distribuição de lucros está prevista na legislação tributária como remuneração do capital, totalmente isenta de impostos e contribuições sociais e que não há previsão legal que determine a retirada efetiva em igual proporção aos sócios, até porque as necessidades dos sócios não são as mesmas. A incidência de contribuições se deu sobre a parcela de lucros distribuída que excedeu à proporção da participação do sócio Raul Balduino de Sousa Filho no capital social. Alega o fisco que, na época em que se deu a distribuição, o contrato social não previa distribuição de lucros em proporção diversa do quantitativo de cotas de cada sócio, por esse motivo, o excesso no repasse do resultado da empresa para o referido sócio foi considerado prólabore indireto e, por esse motivo, foi incluído na base de cálculo. Fl. 3960DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Conforme transcrito no relato do fisco, o contrato social da empresa previa que a distribuição de lucros fosse efetuada na proporção das cotas de cada sócio, nesse sentido não há amparo legal para que o repasse do resultado se dê de maneira diversa, posto que o art. 1.007 do Código Civil estipula que, salvo previsão contratual em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas na proporção das respectivas cotas. Diante disso, a tese do fisco é a que merece acolhida. Havendo pagamento a sócio sob o título de distribuição de lucros, a parcela que extrapola o percentual estabelecido no contrato social revelase um pagamento sem causa, o qual deve ser tratado como remuneração. É esse o entendimento que tem adotado a jurisprudência, conforme se vê de decisão da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, que ao se deparar com caso análogo, por unanimidade, assim entendeu: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. DESOBEDIÊNCIA AO CONTRATO SOCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É indiscutível que os lucros são parcela disponível da empresa, mas havendo disposição no contrato social estabelecendo a forma de distribuição, não é possível a sua desconsideração mesmo mediante acordo dos sócios , sob pena de transformação da natureza do pagamento. Existindo cláusula expressa afirmando que a distribuição observará a proporção das cotas de capital, o pagamento superior a esse percentual representa remuneração, a qual sofre a incidência da contribuição previdenciária. Apelação improvida. (AC 488.085, Rel. Desembargador Federal Cesar Carvalho, DJE 10/02/2012) Deve, portanto, prevalecer a incidência de contribuições sobre a parcela dos lucros distribuída em afronta ao que determina o contrato social. Quanto à alegação de que no exercício de 2007 faleceu um sócio, fato que alterou a distribuição dos lucros, esta não deve ser acatada, posto que a recorrente não apresentou substrato probatório necessário à análise do argumento. i) Diferenças de folha de pagamento A recorrente apresentou tabela, cujos valores demonstrariam que a apuração do fisco foi equivocada no que diz respeito aos valores constantes em folha de pagamento. Sobre essa questão, a decisão recorrida se pronunciou com os seguintes argumentos: “A título de exemplo, destacamos, no relatório denominado de RADA –Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 89), para a competência setembro/07, as seguintes situações. Para a Impugnante existe R$ 1.196.313,85 (um milhão cento e noventa e seis mil trezentos e treze reais e oitenta e cinco centavos) de crédito, por sua vez, de acordo com o RADA (fls.91) encontramos a informação de que existe R$ 817.685,47 Fl. 3961DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.954 17 (oitocentos e dezessete mil seiscentos e oitenta e cinco reais e quarenta e sete centavos) de crédito. Ainda nesta competência, para a Impugnante, a base de cálculo seria de R$344.389,73 (trezentos e quarenta e quatro mil trezentos e oitenta e nove reais e setenta e três centavos), já a base de cálculo da fiscalização (Discriminativo de Débito – fls. 19) é de R$364.240,40 (trezentos e sessenta e quatro mil, duzentos e quarenta reais e quarenta centavos) que corresponde exatamente à diferença entre a remuneração informada na Folha de Pagamento e a remuneração, incluindo o 13º salário, declarada em GFIP, tal qual está demonstrado no anexo XXII (fls. 1.260).” Verificase que o órgão de primeira instância trouxe ponderações para afastar os dados apresentados pela empresa, as quais no recurso não foram rebatidas pela recorrente. Esse fato nos leva a crer que de fato o levantamento do fisco é procedente quanto aos dados coletados na folha de pagamento, posto que a empresa, diante da motivação da DRJ, poderia ter trazido outros elementos (folhas de pagamento, recibos, etc.) hábeis a demonstrar o equívoco da fiscalização. Não o fez, limitandose a reproduzir os mesmos argumentos veiculados na peça de defesa. Nesse sentido, entendemos que não deva ser alterado o que ficou decidido na decisão a quo. j) Cessão gratuita de imóveis Advoga a empresa que o imóvel situado na QI09 fora adquirido para posterior revenda não devendo ser tratado pelo fisco como segunda moradia para o seu sócio majoritário. Esse argumento não se presta para afastar a incidência de contribuições previdenciárias. O que deve ser levado em conta para fins tributários é se efetivamente o segurado utilizavase do imóvel para seu interesse particular. Esse fato restou demonstrado pelo fisco, conforme se extrai de trecho do relatório fiscal: “105. De fato, verificouse que o sócioadministrador Raul Balduíno de Sousa Filho utilizase dos dois imóveis, já que informou à Receita Federai do Brasil que reside no endereço, conforme consta de suas Declarações IRPF. Por outro lado,informou ainda o endereço como sendo de sua residência, para fins de transações comerciais diversas, conforme comprova documentação em anexo. 106. O Anexo XIX deste Relatório Fiscal apresenta cópias das escrituras de compra e venda de imóveis, fornecidas pelo Contribuinte, bem como comprovantes de pagamento do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana, relativos aos imóveis de sua propriedade. 107. O Anexo XXI deste Relatório Fiscal apresenta, às fls. 43, 47, 49, 52, 71, 126, 196, 198, 200, 202, 204 e 205, cópias de Fl. 3962DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 documentos nos quais o sócio informa como seus os endereços dos imóveis acima mencionados.” Uma vez comprovado o uso do imóvel pelo sócio Raul Balduino de Sousa Filho, cabenos verificar se a cessão pela empresa a título gratuito é fato gerador de contribuições previdenciárias. Nos termos da Constituição Federal , os ganhos habituais, independentemente do título a que forem incorporados pelo segurado sujeitamse a incidência de contribuições previdenciárias. Vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Não há dúvida de que a disponibilização de imóvel da empresa para o seu sócio representa um ganho para este, vinculado a sua prestação de serviço. Assim, mesmo que a posteriori o imóvel viesse a ser destinado a alienação, o seu uso gratuito por segurado subsumese ao conceito de saláriodecontribuição. Quanto ao critério utilizado para se expressar monetariamente o ganho do sócio, vêse que o fisco não adotou critério aleatório, mas lançou mão de dispositivo da legislação tributária que trata desse tipo de aferição. O Decreto n.º 3.000/2009 estabelece que na cessão gratuita de imóvel o valor tributado deve corresponder, em um ano, a dez por cento do valor venal do imóvel. Eis o dispositivo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Cessão Gratuita de Imóvel IX o valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso III); (...) Art 49. (...). § 1º Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao anocalendário da declaração, ressalvado o disposto no inciso IX do art. 39 (Lei n^ 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). Fl. 3963DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.727578/201139 Acórdão n.º 2401002.874 S2C4T1 Fl. 3.955 19 (...) Assim o valor locativo do imóvel é aquele a ser adotado como base de cálculo na apuração das contribuições, não merecendo censura o cálculo levado a efeito pela auditoria. k) Prólabore indireto Alegou a empresa que valores tomados pelo fisco como prólabore dizem respeito a distribuição de lucros. Estes valores correspondem a despesas dos sócios pagos pela empresa, os quais não devem figurar na apuração fiscal, posto que a legislação não estipula como deve ser feita a distribuição de lucros. Essa alegação não merece acolhida. A recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse que os valores das despesas dos sócios, tomados pelo fisco como saláriodecontribuição, representavam distribuição de lucros. Observese que a distribuição de lucros foi tratado pelo fisco em separado, como visto acima, donde se conclui que os valores das despesas em questão não estão relacionadas à remuneração do capital, mas remuneração pelo trabalho executado na empresa. l) Vale transporte O motivo que levou o fisco a incluir na base de cálculo dos lançamentos os valores relativos ao vale transporte, foi o fato dos pagamentos terem sido efetuados em pecúnia. Acerca dessa exação, já não há mais celeumas entre o fisco e os contribuintes. É que se curvando a jurisprudência da Corte Máxima, que em decisão plenária, no bojo do RE n.º 478.410, afastou a incidência de contribuições sociais sobre o valetransporte pago em pecúnia, a Advocacia Geral da União editou a Súmula n.º 60, em 08/12/2011, assim redigida: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Ocorre que, mesmo se tomando essa parcela como não integrante do salário decontribuição, inexistirá alteração nas penalidades aplicadas. Vejamos. O AI n.º 51.010.3693 diz respeito à falta de esclarecimentos solicitados pelo fisco, portanto, não sofre interferência da exclusão de uma verba específica da base de cálculo. O AI n.º 51.010.3677 (erro na folha de pagamento); o AI n.º 51.010.3685 (contabilização em conta incorreta) e o AI n.º 51.010.3707 (falta de desconto da contribuição do segurado) têm a multa aplicada em valor fixo, portanto, a exclusão apenas do vale transporte das verbas incidentes não provocará mudança na quantificação da penalidade. Para o no AI n.º 51.010.3715, mesmo que se desconsidere a falta de declaração na GFIP desta parcela, não haverá alteração no cálculo da multa, efetuada de acordo com o inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, posto que a mesma é fixada em razão da quantidade de informações incorretas/omissas. Considerandose o campo “remuneração do Fl. 3964DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 segurado” como uma informação, mesmo que se exclua a rubrica vale transporte, a informação continuará incorreta/omissa posto que foram detectadas várias verbas não declaradas em GFIP, conforme vimos. m) Diferenças de acréscimos legais Nas lavraturas em questão inexistem lançamentos de diferenças de juros e multa. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto ao pedido para sustação da Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Voto por afastar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 3965DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.903028/2006-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
MATÉRIA ESTRANHA À COMPOSIÇÃO DA LIDE. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário que veicula matéria que não compõe a lide, e que configure falta de interesse de agir não atende a pressupostos de admissibilidade a impedir o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-003.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário que veicula matéria que não compõe a lide, e que configure falta de interesse de agir não atende a pressupostos de admissibilidade a impedir o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, previsto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999, transmitido por meio do PER n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 30 28 /2 00 6- 46 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 34721.56178.090603.1.1.01 8602, relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 2002, no valor de R$ 8.259,94. Este crédito foi utilizado na compensação de débitos vencidos, sem a incidência de multa e de juros, por meio da DComp n° 00690.91369.071106.1.7.011610, retificadora da DComp n° 15581.52164.100603.1.3.012277. Mediante o Despacho Decisório eletrônico, de fl. 02, o saldo credor requerido foi indeferido integralmente, em face da constatação de sua utilização na escrita fiscal, em períodos subseqüentes ao trimestre em referência. Em manifestação de inconformidade, fl. 01, a Interessada alegou equívoco na escrituração, no Livro de Apuração do IPI, tendo efetuado inadvertida e inadequadamente estorno dos créditos confundindo este procedimento com a compensação de diversos débitos de outros tributos, fazendoo nas datas dos vencimentos dos tributos compensados. Em julgamento da lide, a DRJ/Juiz de Fora reconheceu o erro material em que incorrera a Contribuinte, considerou procedente a manifestação de inconformidade e consignou que as compensações fossem homologadas1 na proporção do saldo credor deferido de R$ 8.259,94. Destacou a necessidade da incidência de multa e juros de mora sobre os débitos compensados, uma vez que a compensação fora declarada com débitos vencidos. Cientificada da decisão, em 09 de fevereiro de 2012, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 64 a 66, em 08 de março de 2012, em que reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea na compensação dos débitos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, como se verá. Três equívocos marcam os procedimentos do Contribuinte já superados no julgamento de primeira instância. O do estorno na escrita fiscal dos saldos credores de IPI nos valores e nas datas de vencimentos de débitos de outros tributos que compensou, efetuandoo sem a transmissão simultânea das declarações de compensação. O segundo está demarcado no fato de ter transmitido a DComp n° 15581.52164.100603.1.3.012277, em 09 de junho de 2003, posteriormente retificada pela DComp n° 00690.91369.071106.1.7.011610, somente após realizada a última compensação, dos débitos de IRPJ e CSLL de dezembro de 2002, vencidos em 31 de janeiro de 2003. O terceiro, de ter transmitido uma única DComp, em que utiliza o somatório de todos os saldos na citada DComp em que compensou o elenco de débitos que indica. ao invés de transmitir uma DComp para cada saldo credor trimestral de IPI. Na análise do crédito feita pelo sistema eletrônico, para fins de emissão do despacho decisório atinente ao PeR n° 34721.56178.090603.1.1.01 8602, objeto deste processo, são identificados por meio do Demonstrativo de Créditos e Débitos, à fl. 51, os créditos decendiais correspondentes ao 1º trimestre do anocalendário de 2002, e à fl. 52 pode Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.903028/200646 Acórdão n.º 3803003.634 S3TE03 Fl. 131 3 se visualizar o saldo credor ressarcível de R$ 8.259,94, no Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível. Ainda à fl. 521 vêse no Demonstrativo de Apuração após o Período do Ressarcimento os créditos de períodos decendiais posteriores a abril de 2002, sendo acrescidos ao saldo acima. À mesma folha, o demonstrativo abate os débitos que o Contribuinte compensou mediante o inadequado estorno, nos períodos de seus vencimentos, reproduzindo o procedimento do Contribuinte, e, ao final, o Demonstrativo do Crédito Reconhecido Para Cada Perdcomp dando conta do saldo acima, fl. 53. Como o Contribuinte utilizou a quase totalidade dos saldos credores no dito estorno, obviamente o teor do despacho decisório haveria de indeferir o pedido de ressarcimento, pois, em face do estorno, não havia saldo em seu LRAIPI para reconhecimento do direito creditório. Identificado o erro material, a d. Relatora a quo efetuou dois comandos no dispositivo do seu voto: i) de reconhecimento do direito creditório; e ii) da homologação dos débitos declarados na DComp referida, com inclusão de multa e juros de mora. Eis os termos do acórdão, que refletiu integralmente o dispositivo do voto: Acordam os membros da 3ª a Turma de Julgamento, por unanimidade de DEFERIR A SOLICITAÇÃO CONTIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Consequentemente, reconhecese em favor do contribuinte saldo credor de R$4.270,55, relativamente ao 2º o trimestre do ano calendário de 2000. Dessa macieira devem ser homologadas, na proporção do saldo credor deferido, as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 00690.91369.071106.1.7.01 1610, levandose em conta que na efetivação das compensações haverá de incidir multa e juros de mora, uma vez que estas foram declaradas com tributos vencidos.[grifos aqui]. Outro equívoco se vê, agora cometido pelo Colegiado a quo, ao se manifestar sobre matéria que não é objeto deste processo, a homologação das compensações declaradas. A DComp introduzida no processo, na defesa do Contribuinte, tendo em vista a elucidação e justificação do seu procedimento de estorno no LRAIPI dos mesmos débitos nelas compensados posteriormente não estava compondo a lide. Não havia (e não há) acerca dela manifestação da Autoridade Administrativa, mediante despacho decisório. O equívoco deu azo ao a que: a) a DRF/Belo Horizonte encaminhasse ao Contribuinte mediante o Termo de Ciência e Notificação, datado de 03 de fevereiro de 2012, juntamente com o acórdão da DRJ/Juiz de Fora, o extrato do processo de débitos, nº 10680.722.529/200895, por meio do qual as compensações foram trabalhadas na Delegacia e homologadas parcialmente, porem apenas no âmbito interno dos sistemas de controle, sem a causal emissão do despacho decisório e respectiva ciência, fl. 62. Tal processo de débitos está vinculado ao processo nº 10680.903.020/200680, fl. 61, este o primeiro processo de crédito da seqüência de pedidos de ressarcimento; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 b) o Contribuinte apresentasse defesa tão só contra a homologação parcial das compensações, com o argumento de denúncia espontânea, em face da incidência da multa e dos juros de mora determinados pela decisão de piso. Fêlo assim não por outra razão, senão porque neste processo de ressarcimento o seu êxito fora integral. Equivocouse a DRF/Belo Horizonte, em meu entender, que não podia dar ciência ao Contribuinte de resultado de procedimento operacional de compensação. A ciência deveria ter sido de ato administrativo, qual seja, o despacho decisório, e, neste caso, não neste, mas no bojo do processo de controle dos débitos, acompanhado o ato cientificado, aí sim, dos documentos operacionais da compensação como seus elementos integrantes, tendo em vista possibilitar o contraditório e a ampla defesa do Interessado. É consabido que a lide constituise com a apresentação da impugnação ou com a manifestação de inconformidade. Com essa sorte, o recurso da Recorrente não pode encontrar guarida nesta instância, pois que a controvérsia que inaugurou este processo foi tão só a dialética existência/inexistência do direito creditório, procedência/não procedência do Pedido de Ressarcimento, pelo que, em consequência, a matéria da denúncia espontânea trazida no recurso voluntário extrapola os limites objetivos da presente lide. A justificação do pedido de ressarcimento feita pelo Contribuinte em sua manifestação de inconformidade, em face do despacho decisório de seu indeferimento, encontrou plena ressonância no Colegiado a quo. Disso, resultou que, da matéria tratada nestes autos, nada mais havia a Contribuinte a reivindicar. Assim, faleceu o processo pela solução satisfativa do pleito e consequente extinção do seu objeto, pelo que carece a defesa do interesse de agir no recurso voluntário manejado. Enfim: Incorreto o conteúdo da ciência das compensações, por meio apenas dos documentos internos de procedimento e controle, com DARFs correspondentes às parcelas dos débitos não homologadas, em vista da inexistência de ato administrativo de apreciação das compensações declaradas. Inadequado o âmbito no qual a ciência se deu, neste processo, no qual o Contribuinte não poderia inaugurar uma nova lide por meio de recurso voluntário, configurando este obstáculo cerceamento do seu direito de defesa. A ciência deveria terse dado no processo nº 10680.722.529/200895, que vinculou o cadastramento dos débitos no sistema de controle da RFB, como o atesta o quadro Informações do Processo, do Extrato do Processo, fl. 63, decerto procedimento necessário uma vez que a DComp original não era confissão de dívida, processo esse em que estão os elementos de controle das compensações. Conforme dito, a ciência deuse em 09 de fevereiro de 2012. À guisa de registro, meramente, anotese, que a ciência foi feita após o prazo de cinco anos a contar da transmissão da DComp retificadora, 07 de novembro de 2006, a teor do art. 29, § 2º, da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 20051., de cujo decurso, ope legis, processouse a homologação tácita da DComp. 1 Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.903028/200646 Acórdão n.º 3803003.634 S3TE03 Fl. 132 5 Em vista do exposto, por não compor a lide neste processo a matéria trazida pela Recorrente apenas no recurso voluntário, e por inexistência do interesse de agir, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 24 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº:10680.903028/200646 Interessada:PRÍNCIPE VERDE CALÇADOS LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.634, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.005747/2009-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. DEFICIÊNCIA DA MOTIVAÇÃO. ADOÇÃO DE RUBRICA CONTÁBIL SEM DIFERENCIAÇÃO ENTRE OS REGIMES CUMULATIVO E NÃO-CUMULATIVO E SEM COMPROMETIMENTO COM O APROVEITAMENTO CONCRETO DOS CRÉDITOS PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE.
A apuração de PIS/Cofins pela diferença entre o valor escriturado e o valor declarado consiste em apurar por meio da escrituração fiscal os valores que compõem a receita bruta ou faturamento, depois deduzindo os créditos gerados com fundamento no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.883/03, verificando como o contribuinte exerceu concretamente tal possibilidade, para assim determinar-se de maneira circunstanciada e racional o valor devido destas contribuições.
Nem o auto de infração, nem o termo de fiscalização e as planilhas que o integram, apresentam de maneira circunstanciada o procedimento que teria sido adotado pela Fiscalização.
É inconsistente apurar o valor devido das contribuições tomando exclusivamente o encontro dos valores positivos e negativos apontados na rubrica contábil intitulada de PIS/Cofins, visto que mistura valores pertinentes aos regimes cumulativo e não-cumulativo, e também porque não verifica concretamente o controle e aproveitamento dos créditos realizado pelo contribuinte, negligenciando a possibilidade de o contribuinte poder ou não aproveitar os créditos, podendo aproveitá-lo em períodos subseqüentes, tal como é facultado pela Lei.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl. Sustentou pela recorrente o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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REGIME NÃO CUMULATIVO. PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. DEFICIÊNCIA DA MOTIVAÇÃO. ADOÇÃO DE RUBRICA CONTÁBIL SEM DIFERENCIAÇÃO ENTRE OS REGIMES CUMULATIVO E NÃOCUMULATIVO E SEM COMPROMETIMENTO COM O APROVEITAMENTO CONCRETO DOS CRÉDITOS PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE. A apuração de PIS/Cofins pela diferença entre o valor escriturado e o valor declarado consiste em apurar por meio da escrituração fiscal os valores que compõem a receita bruta ou faturamento, depois deduzindo os créditos gerados com fundamento no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.883/03, verificando como o contribuinte exerceu concretamente tal possibilidade, para assim determinarse de maneira circunstanciada e racional o valor devido destas contribuições. Nem o auto de infração, nem o termo de fiscalização e as planilhas que o integram, apresentam de maneira circunstanciada o procedimento que teria sido adotado pela Fiscalização. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 47 /2 00 9- 29 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl. Sustentou pela recorrente o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase do lançamento de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/05/2005, 31/07/2005, 30/11/2005, 31/05/2006 e 30/04/2007 (fls. 327/342). A motivação contida no auto de infração de PIS é a seguinte (fl. 332): 001 PIS FATURAMENTO INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme Termo de Verificação que faz parte integrante deste Auto de Infração. E no auto de infração de Cofins é a mesma (fl. 332): 001 COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme Termo de Verificação que faz parte integrante deste Auto de Infração. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 324/326), por sua vez, complementa a motivação de ambos os autos de infração com as seguintes razões (fl. 325): Em seguida, executamos as Verificações Obrigatórias, ou seja, o cotejo entre os valores dos tributos escriturados, declarados e recolhidos, no período de 04/2005 a 12/2007. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 3403001.821 S3C4T3 Fl. 646 3 Utilizamos os arquivos magnéticos entregues pelo sujeito passivo fiscalizado, quais sejam, os arquivos mencionados na IN SRF 86/00 e encontramos diferenças sujeitas ao lançamentos. As diferenças encontradas foram dos tributos: Programa de Integração Social — PIS; Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, apurados no período abrangido pelo Procedimento Fiscal em tela, estão indicadas nas planilhas: Cotejo das Informações ContábilFiscais anexas. Dessa forma, pelos exames realizados e conforme acima descrito, foram encontradas irregularidades neste procedimento fiscal. Ou seja, foram encontradas diferenças entre os tributos escriturados, lançados e/ou recolhidos,cujos créditos tributários foram lançados por meio deste Auto de Infração. As planilhas que servem de apoio para o Termo de Verificação Fiscal (fls. 318/323) são estruturadas conforme se transcreve, exemplificativamente, abaixo (fl. 321): O contribuinte apresentou impugnação (fls. 349/357) alegando, em síntese, (i) que “as autuações não contemplam motivação e provas da acusação, pressupostos indispensáveis para a realização dos lançamentos fiscais. Por isso, as exigências em exame são nulas nos termos dos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72” (fl. 356); e (ii) que “os cálculos realizados pela Fiscalização para determinar o montante tributável estão dissociados dos números existentes nas escritas contábil e fiscal da Impugnante, como se vê das planilhas apresentadas, as quais fazem prova a seu favor, nos termos da legislação em vigor” (fl. 357). Explica o contribuinte que “procurou executar uma série de exercícios numéricos a fim de descobrir o caminho percorrido pela Fiscalização na determinação das exigências ora impugnadas. No entanto, nenhum dos cálculos realizados resultou nos números das tabelas de "Cotejo das Informações ContábilFiscais " (fl. 354), além do que, “as importâncias constantes das DCTFs da Impugnante não foram nem mesmo corretamente transportadas para o item que trata de referidas declarações fiscais” (fl. 354) e, ainda, que “é possível observar que em alguns meses houve apenas exigências de Contribuição ao PIS e em outros somente de COFINS, o que e ́ estranho, na medida em que ambas as contribuições recaem, essencialmente, sobre a mesma base de cálculo. Dessa forma, se alguma infração tivesse sido cometida pela Impugnante, o razoável é que no período em que ela fosse identificada houvesse exigências tanto de Contribuição ao PIS, quanto de COFINS, a partir de bases semelhantes, o que não existe no caso concreto” (fl. 355). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (DRJ), por meio do Acórdão nº 1625.247, de 11 de maio de 2010 (fls. 436/444), manteve em parte o lançamento, sintetizando seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente há que se falar em nulidade do auto de infração se o ato for praticado por agente incompetente. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFINIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Insustentável a alegação de falta de definição quanto ao motivo da autuação quando o auto de infração e o termo de verificação fiscal descrevem os atos praticados pela autuada que afrontam a legislação tributária e os dispositivos legais que tipificam a irregularidade que motivou a acusação fiscal. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Se a fiscalização dispõe dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento, não há a necessidade de prev́ia intimação à contribuinte. A oportunidade para que o sujeito passivo manifeste suas contrarazões à exigência e por ocasião da apresentação da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LEVANTAMENTO FISCAL. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS. Os dados contábeis utilizados pela fiscalização foram extraídos de arquivos magnet́icos fornecidos pela empresa, nos termos da IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria em dissonância com escrituração somente poderia ser acatada mediante provas concretas. LEVANTAMENTO FISCAL. VALOR DECLARADO NÃO COMPUTADO. Constatado erro no levantamento fiscal, que deixou de considerar o valor declarado em um dos períodos fiscalizados. Cancelase a exigência correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 3403001.821 S3C4T3 Fl. 647 5 LEVANTAMENTO FISCAL. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS. Os dados contábeis utilizados pela fiscalização foram extraídos de arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, nos termos da IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria em dissonância com escrituração somente poderia ser acatada mediante provas concretas. LEVANTAMENTO FISCAL. VALOR DECLARADO NÃO COMPUTADO. Constatado erro no levantamento fiscal, que deixou de considerar o valor declarado em um dos períodos fiscalizados. Cancelase a exigência correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O cancelamento parcial do lançamento aconteceu exclusivamente em relação ao fato gerador de dezembro de 2007, porque na planilha da Fiscalização era indicado valor zerado na coluna “DCTF”, ignorando os valores efetivos da DCTF, decidindo então a DRJ que, “conquanto nenhum valor foi indicado na planilha de fl. 320 como COFINS declarada no mês, embora na DCTF a empresa tivesse informado as importâncias de R$ (…) (2172 — COFINS cumulativa) e R$ (…) (5856 COFINS não cumulativa), num total de R$ (…) (fls. 424/427 e 431/432)” (fl. 443). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 451/466) reeditando os mesmos fundamentos da impugnação, acrescentando o seguinte: Para ilustrar seu raciocínio, a DRJ afirma que os valores tributáveis de COFINS em maio/05 totalizam R$ 22.221.0,79,18 (lançamentos a débito), ao passo que as importâncias redutoras da obrigação fiscal totalizariam. R$ 15.825.979,24. Assim, a diferença R$ 6.395.099,94 , na sua visão, deveria ser paga. Contudo, como somente se verificou o recolhimento de R$ 4.040.494,59, o valor faltante R$ 2.354.605,35 foi lançado de oficio. O raciocínio exposto, no entanto, não pode prevalecer. De fato, é improcedente a afirmação feita pela DRJ, de que a coluna "Contab." registra os valores passíveis de tributação a título de PIS/COFINS (lançamentos a débito), enquanto a coluna "Retif. Contab." registra os valores que reduzem a base de cálculo das exações (lançamentos a crédito). A fim de demonstrar os equívocos cometidos pela Fiscalização e reafirmados pela DRJ, a Recorrente apresenta mais uma vez as planilhas com as apurações de PIS/COFINS e, juntamente com elas, as fichas dos seus arquivos magnéticos registrados nos termos da IN 86/01 com os "valores passíveis de tributação pelo PIS/COFINS" (lançamentos a débito) e os "valores passíveis de redução do PIS/COFINS" (lançamentos a crédito). Assim, por meio dos arquivos magnéticos e das planilhas que os sintetizam, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 é possível identificar os erros nos cálculos da Fiscalização e o acerto nas informações da Recorrente. A fim de demonstrar a veracidade de suas informações e o desacerto nos dados colhidos pela Fiscalização e utilizados na fundamentação das exações em análise, a Recorrente descreve abaixo a apuração da própria COFINS de maio/05, citada na decisão DRJ. Segundo se vê dos arquivos magnéticos da Recorrente — os mesmos que foram entregues à Fiscalização antes da autuação — as operações passíveis de tributação a título de COFINS no período citado (lançamentos a débito) totalizam R$ 13.160.621,15 (e não R$ 22.221.079,18, como consta do auto de infração). Já as importâncias passíveis de reduzirem a contribuição devida (lançamentos a crédito) atingem o total de R$ 8.699.779,87 (e não R$ 15.825.979,24, tal como se lê no auto de infração). Apenas a diferença R$ 4.460.841,28 qualificase como devida. A partir daí são feitos ajustes decorrentes da exclusão dos créditos e recolhimentos de abril/05, pois, embora tenham sido registrados na conta contábil em maio, eles se referem à apuração e pagamento da competência abril/05, sem que se possa influir na apuração do devido e pago em maio/05. Com isso, chegase ao total de R$ 8.425.823,60. Desta importância, são descontados os créditos do próprio mês de maio de 2005 e as demais exclusões porventura cabíveis (no caso houve a exclusão de R$ 998,64 de nota cancelada), o que, segundo exposto, totaliza R$ 4.040.494,59, montante pago e declarado como recolhido em DCTF, sendo R$ 3.564.227,34, a título de COFINS cumulativa, e R$ 476.267,25, a título de COFINS não cumulativa. Frisa a recorrente que “A demonstração probatória apresentada é a única possível de ser feita pela Recorrente. Isso porque, como antes indicado, a cooperativa procurou executar uma série de exercícios numéricos a fim de descobrir o caminho percorrido pela Fiscalização na determinação das exigências. No entanto, nenhum dos cálculos realizados resultou nos números das tabelas de "Cotejo das Informações ContábilFiscais". Assim, o único meio encontrado para comprovar o equívoco dos autos de infração, foi apresentar de forma impressa os arquivos magnéticos contábeis e fiscais com os registros dos dados que a Fiscalização afirma ter examinado, destacando que o material mencionado aponta valores distintos daqueles expostos nos atos de lançamento” (fl. 463). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator A notificação do contribuinte aconteceu em 15/07/2010 (fl. 446v) e o recurso foi protocolado em 13/08/2010 (fl. 451), sendo, pois, tempestiva a sua interposição. O contribuinte alega a nulidade do lançamento por ausência de motivação, alegando não haver descrição dos fatos que serviriam de suporte fático ao lançamento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 3403001.821 S3C4T3 Fl. 648 7 Entendo que o contribuinte tem razão. Promover o lançamento de PIS/Cofins pelo regime nãocumulativo consiste em identificar as receitas que compõem a base de cálculo, aplicandolhe a alíquota, para depois abater do valor devido os créditos gerados de acordo com as hipóteses previstas no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Não existe, nem no corpo do auto de infração, nem no termo de verificação fiscal qualquer motivação fática, nem a respeito das composição das receitas, nem a respeito das hipóteses de creditamento. As planilhas denominadas “Cotejo das Informações ContábilFiscais” (fls. 318/323) apresentam no cabeçalho os seguintes títulos para as colunas “Contab”, “Retif. Contab.”, “DCTF” , “Diferença”, “Sinal” e “Lançamento”. Não há explicação sobre o procedimento adotado, ou sobre o que significariam as referidas colunas, nem como se chegou aos referidos valores. Percebese que o valor da coluna “Lançamento” é sempre igual à “Diferença” e que o valor desta é obtido partindose do valor da coluna “Contab”, abatendose o valor da coluna “Retif. Contab” e o valor da coluna “DCTF”. Desde logo se percebe que as colunas “Contab” e “Retif. Contab” não se referem a valores de receita ou faturamento, mas a uma comparação entre valores do próprio tributo, ou seja, valores de contribuição. A propósito do procedimento de apuração, a DRJ entendeu o seguinte: Reiterese que o levantamento fiscal foi realizado baseandose em dados contábeis extraídos dos arquivos magnéticos fornecidos pela empresa. Esse levantamento encontrase detalhado no CD anexo à fl. 317. Tal CD contém 06 (seis) arquivos, em que constam além das planilhas já impressas pelo autuante, as quais instruem o processo às fls. 318/323, as planilhas "Apropriações de Tributo conforme Contabilidade", em que são discriminados os lançamentos efetuados nas contas que representam as contribuições em pauta, com a indicação da data do registro, contrapartida, valor e histórico do lançamento. Nessas últimas planilhas, é de fácil verificação que os valores lançados a crédito da conta relativa a cada uma das contribuições foram somados e o total, informado na coluna "Contab." dos demonstrativos de fls. 318/323. Por outro lado, inferese que na coluna "Retif. Contab." foi consignado o montante representativo dos lançamentos a débito da mesma rubrica contábil. Para ilustrar, foram extraídos dessas planilhas os lançamentos a crédito da conta Cofins a Pagar no mês de maio de 2005 (fls. 433/434), cujo total atingiu a quantia de R$ 22.221.079,18, montante exatamente igual ao informado na planilha de fl. 321. Na fl. 435, por seu turno, são relacionados todos os lançamentos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 que apresentam com sinal negativo, os quais perfazem a importância de R$ 15.825.979,24, que é também o valor demonstrado na coluna "Retif. Contab." (fl. 321). Inferese, assim, que os valores apontados pela fiscalização nas citadas colunas estão de acordo com a escrituração da empresa, apresentada por meio de arquivos magnéticos. Parece de todo pertinente transcrever as informações que serviram de base para a ilustração utilizada pela DRJ, as quais se encontram às fls. 433/435 dos autos: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 3403001.821 S3C4T3 Fl. 649 9 Como visto, a origem dos valores cotejados – “Contab.” “Retif. Contab.” – não foram extraídos de uma conta de receita, por meio da qual se buscasse identificar a base de cálculo, mas se referem a uma conta de obrigação, por meio da qual se faz o registro dos lançamentos que de qualquer maneira repercutam em relação ao controle de PIS/Cofins. Ao invés do trabalho racional de construção da base de cálculo e verificação das hipóteses de crédito, a Fiscalização aplicou um filtro de pesquisa nos dados informatizados, do qual resultaram os mais variados lançamentos da contabilidade que teriam algum tipo de reflexo com a conta de controle das contribuições ao PIS/Cofins. Conforme se percebe, o referido filtro é aplicado de maneira indiscriminada, sem nenhum tratamento racional dos dados. O valor devido de tributos não se encontra na rubrica contábil que a contribuinte porventura utilize para controlar obrigações, provisões, reversões, créditos e estornos de valores. Principalmente porque a referida rubrica não discrimina entre a apuração cumulativa e não cumulativa de PIS/Cofins. Ou seja, a aplicação deste filtro na contabilidade obteve resultado que se refere de maneira indistinta à apuração cumulativa e não cumulativa e, em relação ao PIS, até mesmo envolvendo o PIS sobre a folha de salários, do que resulta a falta de liquidez e certeza da exigência fiscal. Se a Fiscalização pretendia lançar PIS/Cofins não cumulativo, quando menos teria de manter segregadas as receitas e os recolhimentos correspondentes ao regime Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 cumulativo e não cumulativo, bem como conferir se o crédito foi apurado na proporção das receitas nãocumulativas, o que não correu. A Fiscalização fez um somatório de valores sem se importar com o que significam objetivamente, apenas listando rubricas de partidas dobradas, fazendo uma verdadeira conta corrente de registros contábeis lançados dentro do mesmo mês calendário. Isto também não é adequado pelo fato de que não se conferiu como o contribuinte procedeu concretamente o aproveitamento dos créditos. A Lei prevê que o contribuinte “pode” abater os créditos, de modo que tanto pode sobrar saldo para aplicação em período posterior, como pode haver, em período posterior, a apropriação de um crédito que se tenha deixado de apropriar em momento anterior. Com efeito, não se obriga o contribuinte a aproveitar o crédito no mesmo período de competência em que tenha sido gerado. E para isso é necessário verificar como o contribuinte promoveu concretamente o controle dos seus créditos. No auto de infração ora discutido sequer há o controle do saldo de créditos de PIS/Cofins acumulados nos períodos anteriores, nem se discrimina o que seja determinação da base de cálculo e o que seja apuração de créditos. Ainda em reforço à falta de liquidez da apuração, verificase que o valor da coluna “DCTF”, na planilha de “Cotejo das Informações ContábilFiscais”, não confere com os valores efetivamente confessados em DCTF pelo contribuinte, nem na parte correspondente ao PIS/Cofins nãocumulativo, nem ao total de PIS/Cofins. Por estas razões, entendo que é insustentável a exigência. Dou provimento ao recurso para anular o auto de infração. Ivan Allegretti Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10469.721234/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO - ÔNUS DE PROVAR A EXISTÊNCIA DO INDÉBITO - NÃO CONVALIDAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO
Não estando em pauta procedimento que visa promover alteração na base de cálculo do tributo, mediante lançamento para, por exemplo, reduzir ou reverter prejuízo, mas apenas verificar a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, cabe perfeitamente averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que geraram esse indébito.
No plano da verificação da existência de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste, estimativa, retenção na fonte, ou mesmo compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. O transcurso do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito, etc., mas não tem o condão de fazer existir um pagamento que não ocorreu.
Restando configurada a não quitação integral das estimativas de 2000 (matéria já decidida no processo nº 10469.721202/2008-19), cabe manter a decisão recorrida objeto do presente processo, que corretamente limitou o saldo negativo de 2000 ao valor das estimativas confirmadas.
Numero da decisão: 1802-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO - ÔNUS DE PROVAR A EXISTÊNCIA DO INDÉBITO - NÃO CONVALIDAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO Não estando em pauta procedimento que visa promover alteração na base de cálculo do tributo, mediante lançamento para, por exemplo, reduzir ou reverter prejuízo, mas apenas verificar a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, cabe perfeitamente averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que geraram esse indébito. No plano da verificação da existência de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste, estimativa, retenção na fonte, ou mesmo compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. O transcurso do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito, etc., mas não tem o condão de fazer existir um pagamento que não ocorreu. Restando configurada a não quitação integral das estimativas de 2000 (matéria já decidida no processo nº 10469.721202/2008-19), cabe manter a decisão recorrida objeto do presente processo, que corretamente limitou o saldo negativo de 2000 ao valor das estimativas confirmadas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.721234/200814 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.535 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de fevereiro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente MANOEL BEZERRA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO ÔNUS DE PROVAR A EXISTÊNCIA DO INDÉBITO NÃO CONVALIDAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO Não estando em pauta procedimento que visa promover alteração na base de cálculo do tributo, mediante lançamento para, por exemplo, reduzir ou reverter prejuízo, mas apenas verificar a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, cabe perfeitamente averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que geraram esse indébito. No plano da verificação da existência de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste, estimativa, retenção na fonte, ou mesmo compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. O transcurso do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito, etc., mas não tem o condão de fazer existir um pagamento que não ocorreu. Restando configurada a não quitação integral das estimativas de 2000 (matéria já decidida no processo nº 10469.721202/200819), cabe manter a decisão recorrida objeto do presente processo, que corretamente limitou o saldo negativo de 2000 ao valor das estimativas confirmadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 12 34 /2 00 8- 14 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1133.065, às fls. 87 a 90: Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica PER/DCOMP n° 18529.99045.140803.1.3.022530 (fls. 0213), apresentada pela empresa acima qualificada, visando compensar pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 61.826,68, apurado no anocalendário de 2000, com débitos diversos próprios referentes ao IRPJ, cód 2362, relativos ao anocalendário 2001 (fls. 0810). Apensado ao presente processo, encontrase o de n° 10469.721546/200810, que trata de requerimento de sustação da cobrança dos débitos declarados nos PER/DCOMPs cujas compensações não foram homologadas, em função da apresentação da manifestação de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Natal DRF/Natal, através do despacho decisório de folhas 5558, homologou parcialmente as compensações pleiteadas no PER/DCOMP n° 18529.99045.140803.1.3.022530, até o limite do crédito reconhecido no procedimento (R$ 45.630,96 fls. 56/57). Segundo o referido despacho, das estimativas de IRPJ do ano calendário de 2000, no montante de R$ 92.724,63, compondo o saldo negativo desse mesmo ano, foram validadas, somente, R$ 76.528,91. Ainda, do saldo negativo de 1999 pleiteado como crédito através do PER/DCOMP n° 12193.61311.13083.1.3.02 0030 (Processo Administrativo n° 10469.721202/200819), num total de R$ 53.056,46, para compensar essas estimativas do ano base de 2000, foi homologado apenas R$ 38.720,82. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a interessada apresentou manifestação (fls. 66 a 78), alegando que, em razão da decadência e da prescrição, estaria extinto o direito de a Fazenda efetuar modificações nos saldos negativos apurados na Declaração de Informações DIPJs dos anoscalendário 1996, 1997, 1998 e 1999. Argúi ainda que não foram citados nem anexados processos relacionados às fls. 03/07 do Processo n° 10469.900318/2006 42, que devem (sic) tratar de assuntos relacionados ao dos presentes autos, o que poderia caracterizar, no caso da não Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 5 4 anexação dos mesmos para a empresa se pronunciar, cerceamento do seu direito de defesa. Como já mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a homologação apenas parcial das referidas DCOMP, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 08/12/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/01/2012, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando que: revisar dados desde 1996, trasladando as supostas diferenças para ano não alcançado pela decadência, é procedimento irregular e ilegal, visto que o direito da Fazenda deve estar restrito aos últimos 5 anos; não concorda com a tese de que essa análise da SRF não caracteriza lançamento; se essa análise não caracterizasse lançamento, não teria o Fisco retroagido a anos já decadentes, para, partindo de retificação de dados ali contidos, promover o lançamento, numa tentativa de trasladar fatos prescritos para anos subseqüentes; se prevalecer essa tese, terseia a incongruência de poder alterar dados da DIPJ de qualquer ano, por mais remoto que seja, e promover o lançamento; a Súmula que trata do prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido (Súmula CARF nº 10) veio por ordem no assunto, não permitindo que o Fisco transpusesse, para anos não alcançados pela decadência, fatos ocorridos há mais de 5 anos. Este é o Relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declaração de compensação – DCOMP que apresentou, na qual utiliza um alegado crédito referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. A DCOMP foi enviada em 12/08/2003, e a Contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 18/07/2008 (fls. 65). Dos R$ 61.826,68 reivindicados a título de saldo negativo de IRPJ em 2000, foram reconhecidos R$ 45.630,96. Esta redução decorreu do fato de não terem sido confirmadas todas as estimativas do referido período. Do total de R$ 92.724,63, a título de estimativas de IRPJ, foram validadas somente R$ 76.528,91. As estimativas de 2000 foram quitadas por DARF e por compensação com saldo negativo do período anterior. A glosa nas estimativas referese à parte quitada por compensação, que foi objeto do processo nº 10469.721202/200819, onde também se verificou a insuficiência do crédito utilizado nas compensações lá realizadas. A principal questão suscitada pela Contribuinte é que o Fisco não poderia efetuar modificações nos saldos negativos de períodos já atingidos pela decadência. Não há muito a acrescentar à decisão recorrida, cujos fundamentos também adoto neste voto: Como se observa no relato acima, a discussão proposta pela manifestante é no sentido de que a Administração Tributária, ao proferir despacho no ano de 2008, não mais poderia efetuar modificações nas declarações apresentadas nos anoscalendário 1996, 1997, 1998 e 1999, à vista do decurso do prazo qüinqüenal, assunto correlato ao tratado no processo n° 10469.721202/200819 No entanto, não é esse o entendimento da Administração acerca do efeito decadencial sobre o exame dos atributos de certeza e liquidez do crédito pleiteado para compensação, atributos a ele estatuídos pelo art. 170 do CTN. Ocorre que o prazo decadencial previsto nos arts. 150 e 173 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), diz respeito à constituição do crédito tributário, ou seja, é prazo extintivo do direito da Fazenda efetuar o Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 7 6 lançamento. Isto não quer dizer que o prazo qüinqüenal tenha o condão de fazer homologar todas as informações veiculadas na declaração de rendimentos, estejam elas corretas ou não. O efeito operado pelo prazo decadencial é tãosomente no sentido de que a autoridade tributária, constatando irregularidades na declaração, não poderá delas valerse para efetuar o lançamento e exigir o crédito tributário correspondente. Já o art. 174 do CTN, citado na defesa, referese a ação para cobrança do crédito tributário, o que à evidência não é o caso de que ora se cuida. Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição ou compensação fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do imposto, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo do IRPJ foi formado pelas estimativas mensais, que, por sua vez, foram parcialmente extintas por compensação e por pagamento, tendo sido o correspondente direito creditório reconhecido pela Receita Federal. A outra parte das estimativas, todavia, não teve sua extinção comprovada, razão pela qual não se lhe reconheceu a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Quanto à alegação de imutabilidade do crédito por decurso de prazo, cabe mencionar que não estamos tratando aqui de procedimento fiscal que tenha modificado a base de cálculo do período em questão, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir “prejuízo fiscal”. O que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram. No plano da verificação da “existência” de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste, estimativa, retenção na fonte, ou mesmo compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que nunca aconteceu. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 8 7 A Contribuinte indica a ocorrência de sucessivos aproveitamentos de saldos negativos para a quitação das estimativas nos vários anos, mas para convalidar o saldo negativo de 2000, que pretende ver restituído (via compensação), precisa ela demonstrar a existência das fontes dos saldos negativos aproveitados em cascata. É esse o escopo da presente análise, pelo que afasto a decadência. Inócuo também o apelo à Súmula CARF nº 10, porque ela diz respeito a procedimento que implementa modificação na base de cálculo do tributo, o que, como já mencionado, não ocorre aqui. No caso, a redução do saldo negativo em 2000 decorreu da decisão proferida no processo nº 10469.721202/200819, que tratou da quitação de estimativas de 2000 com saldo negativo de 1999. Este saldo negativo de 1999, por sua vez, também foi formado em parte pela compensação de estimativas com saldo negativo anterior. O processo nº 10469.721202/200819 foi julgado na mesma seção que este processo, e nele foi decidido o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO ÔNUS DE PROVAR A EXISTÊNCIA DO INDÉBITO NÃO CONVALIDAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO Não estando em pauta procedimento que visa promover alteração na base de cálculo do tributo, mediante lançamento para, por exemplo, reduzir ou reverter prejuízo, mas apenas verificar a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, cabe perfeitamente averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que geraram esse indébito. No plano da verificação da existência de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste, estimativa, retenção na fonte, ou mesmo compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. O transcurso do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito, etc., mas não tem o condão de fazer existir um pagamento que não ocorreu. Restando configurada a não quitação integral das estimativas de 1999 (matéria já decidida no processo nº 10469.900318/2006 42), cabe manter a decisão recorrida objeto do presente processo, que corretamente limitou o saldo negativo de 1999 ao valor das estimativas confirmadas. Todo o contexto que implicou na redução do saldo negativo de 1999 foi mantido pela decisão acima referida, conforme havia decidido tanto a Delegacia de origem, quanto a Delegacia de Julgamento. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.721234/200814 Acórdão n.º 1802001.535 S1TE02 Fl. 9 8 A redução no saldo negativo de 1999, por sua vez, teve implicação direta na compensação para a quitação de estimativas em 2000, também objeto daquele outro processo. Portanto, restando configurada a não quitação integral das estimativas de 2000, cabe manter a decisão recorrida objeto do presente processo, que corretamente limitou o saldo negativo de 2000 ao valor das estimativas confirmadas. Finalmente, não procede o argumento contido na impugnação, e reiterado genericamente no recurso, no sentido de que o processo nº 10469.900318/200642 deveria ser anexado ao presente, para evitar o cerceamento do direito de defesa, porque a Contribuinte também é cientificada das decisões lá proferidas, podendo manifestarse tanto naquele outro processo, quanto neste. O importante é que sejam observadas as devidas implicações, em razão da relação de dependência entre os processos, e é isto o que ocorre neste voto. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004598/2004-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto Sobre A Propriedade Territorial RuralITR
Exercício: 2000
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do
Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação
em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 06 de dezembro de 2007, a então 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 30134.232 [fls. 124 – 129] que, unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário: ITR/2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área mesmo que fora do prazo de seis meses' 'pretendido pelo fisco com base na INSRF n° 43 de 07/05/1997 com a redação dada pelo art. 1° da INSRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa à área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo10, da Lei n.° 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA — Ato Declaratório Ambiental. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. Recurso voluntário provido. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.004598/200469 Acórdão n.º 920202.008 CSRFT2 Fl. 2 3 Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial [fls. 133/143], com fulcro no art. 5°, II, do Regimento Interno à época. Apresenta, como paradigmas, para comprovar a interpretação divergente, os Acórdãos 30236.278, proferido pelo Conselheiro Walber José da Silva, em sessão de 09/07/2004 e 30236.585, proferido pela Conselheira Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, em sessão de 02/12/2004, dos quais transcrevo apenas uma ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Negado provimento por unanimidade." Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes entendeu por DAR SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu de julgado prolatado por outra Câmara [fls. 144/146]: […] Analisando os acórdãos apresentados, entendo que foi comprovada a divergência apenas quanto à área de preservação permanente, pois os paradigmas entendem que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Esse fato ocorreu, aliás, a própria decisão de primeira instância reconheceu que havia uma área de 252,2 ha de reserva legal averbada em 03/11/1999, portanto, antes da ocorrência do fato gerador.Só manteve a glosa por falta de comprovação tempestiva do ADA. No que se refere à área de 29,91ha de preservação permanente, reconhecida pelo acórdão recorrido, os paradigmas entendem que deve ser comprovada por meio de ADA do IBAMA protocolizado tempestivamente, ao passo que a decisão recorrida entendeu ser desnecessária tal comprovação. Considerando que os paradigmas não foram reformados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, dou seguimento em parte o recurso especial interposto, pela Procuradora da Fazenda Nacional. [Grifo nosso] Inconformada com o seguimento parcial, a PFN interpôs agravo [fls. 148/152] que, em síntese, suscitou: […] que, com relação à área de reserva legal, não foi analisado o paradigma correto quando da análise das Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 argumentações acerca da área de reserva legal, pois, às fls. 111, a Fazenda apresentou a divergência existente entre a decisão no caso em tela e a decisão exarada pela 2° Câmara do Terceiro Conselho, no acórdão n ° 30236.585, tendo a ementa assim sido redigida: “A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributária e aproveitamento do imóvel rural, quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóvel competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente.” Instado a se manifestar, em 16 de setembro de 2009, o i. Presidente do CARF proferiu Despacho n. 220161/2009 que rejeitou o pedido de reexame [fls. 159/160]: Dos arestos colacionados, temse que o acórdão recorrido considera desnecessária a declaração de reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal por meio de Ato Declaratório Ambiental —ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado, ou da comprovação do cumprimento, tempestivo, da solicitação desse requerimento, para exclusão de referidas áreas da base de cálculo do ITR, refutando, dessa forma, o estabelecido pela IN SRF n° 43/1997. 7. Os acórdãos paradigmas (ac. 30236.278 e ac. 30236,585), quanto à área de reserva legal, se prendem apenas ao fato da obrigatoriedade de averbação da mesma à margem do registro do imóvel. 8. Logo, por não possuírem o mesmo contexto fático quanto à comprovação da área de reserva legal, o acórdão recorrido cuida da não necessidade do Ato Declaratório Ambiental — ADA, enquanto os acórdãos paradigmas tratam da obrigatoriedade de averbação da mesma à margem do registro do imóvel, não ensejam divergência. 7. Portanto, está de acordo com a legislação de regência c Despacho n°329/2007, que deu seguimento em parte ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional,sob o fundamento de se ter comprovado a divergência apenas quanto à área de preservação permanente, pois, quanto à área de reserva legal, os acórdãos paradigmas entendem que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Esse fato ocorreu, aliás, a própria decisão de primeira instância reconheceu qu ehouve averbação tempestiva de uma área de 252,2 ha de reserva legal, só manteve a glosa por falta de comprovação tempestiva do ADA. Ante o exposto, REJEITO O PEDIDO DE REEXAME de admissibilidade ao recurso especial interposto pela Procuradoria, nos termos em que dispõe o § do art. 17, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.004598/200469 Acórdão n.º 920202.008 CSRFT2 Fl. 3 5 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, apresentou contrarazões [fls. 164/173]. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatado parcialmente pela ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. No que concerne à exigência do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para fins da fruição da benesse isentiva que ora cuidamos, melhor sorte não está reservada à Fazenda Nacional, como passaremos a demonstrar. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, arrimado no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, por entender que a comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente não estão condicionadas exclusivamente à emissão do ADA ou ainda ao seu requerimento tempestivo, mesmo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000, deixaremos de abordar aludida discussão, sobretudo em face da aprovação da Súmula n° 41 do CARF, rechaçando qualquer dúvida quanto ao tema, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Observese, que este Egrégio Colegiado sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra no caso vertente, cujo fato gerador ocorreu em 1999. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à requisição atempada do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.004598/200469 Acórdão n.º 920202.008 CSRFT2 Fl. 4 7 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.723715/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 23 71 5/ 20 09 -5 1 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Resolução nº 2401000.263 S2C4T1 Fl. 219 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.233.9794, lavrado contra o sujeito passivo acima para imposição de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a totalidade das contribuições previdenciárias devidas. O lançamento reportase ao período de 07/2005 a 12/2006 e foi cientificado ao sujeito passivo em 27/07/2009. Afirmase que a entidade teve a isenção do recolhimento das contribuições previdenciárias cancelada em 11/11/1993 e não requereu novo benefício e se considerava isenta deixando de declarar a contribuição patronal previdenciária. Afirmase que essas contribuições foram lançadas mediante o AI n.º 37.187.4840. Afirmase ainda que detectouse diferenças entre os valores de remuneração constantes nas folhas de pagamento e aqueles declarados na GFIP, cujas contribuições correspondentes foram também lançadas no AI n.º 37.187.4840. O Fisco aponta ainda a existência de contribuições dos segurados descontadas e não declaradas na GFIP, as quais se referem às competências 13/2005 (13.º salário); 08/2006; 09/2006; e 13/2006 (13.º salário). Essas contribuições foram lançadas no AI n.º 37.233.9778. Apresentase planilha demonstrativa das contribuições descontadas e não declaradas na GFIP. A entidade ofertou impugnação, alegando que a autuação desrespeita frontalmente a contribuição, posto que a autuada é entidade imune do recolhimento das contribuições. Assevera que o Fisco não observou no cálculo da remuneração os descontos decorrentes de faltas, atrasos, perda do repouso semanal remunerado, férias antecipadas, etc. Sustenta que junta documentos para comprovar que fez o envio da folha de pagamento relativa ao 13.º salário de 2005 em meio digital. Ao final, argumentando ser imune, que houve falhas na apuração e que corrigiu a falta relativa ao 13.º salário de 2005, pede o cancelamento do AI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Salvador julgou improcedente a impugnação, mantendo o integralmente o crédito. No entender do órgão de primeira instância, a falta de declaração de fatos geradores restou demonstrada pelo Fisco, sendo perfeitamente cabível a autuação. Quanto à aplicação da legislação mais benéfica, a DRJ asseverou que essa verificação deverá ser feita quando do pagamento ou parcelamento do crédito. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em síntese, alegou que: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Resolução nº 2401000.263 S2C4T1 Fl. 220 3 a) sempre atendeu a todos os requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, conforme documentos acostados; b) não seria necessário o Ato Declaratório de Isenção expedido pelo INSS, posto que ao tempo da autuação e da fiscalização cumpria todos os ditames legais; c) a recorrente possui o Certificado de Entidade de Assistência Social, apresentando todos os pedidos de renovação; d) a Lei n.º 12.101/2009, que atualmente regula a isenção das contribuições sociais não requer qualquer exigência para o benefício, que já não seja cumprida pela recorrente; e) o que o Fisco está lhe exigindo é mera formalidade que não encontra amparo na atual legislação, nem na Constituição Federal; f) a documentação juntada comprova ser a recorrente uma entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública, portadora do Certificado do CNAS, que promove, gratuitamente, assistência social beneficente a idosos e cujos diretores e conselheiros não percebem qualquer vantagem ou benefício, além de que os resultados da entidade são aplicados integralmente na manutenção de seus objetivos institucionais; g) o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 encontrase revogado pela Lei n.º 12.101/2009, cujos requisitos são integralmente atendidos pela recorrente; h) devese aplicar na espécie a legislação mais benéfica, conforme determina o art. 106, II, “b”, do CTN; i) repete a alegação quanto aos equívocos cometidos pelo Fisco, afirmando já haver demonstrado, mediante a juntada de documentos, que todo o seu procedimento foi efetuado em conformidade com as normas de regência. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Resolução nº 2401000.263 S2C4T1 Fl. 221 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da necessidade de realização de diligência fiscal O fundamento de validade da imunidade/isenção das entidades beneficentes de assistência social quanto ao recolhimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos tem sede no § 7.º do art. 195 da Constituição Federal, nesses termos: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para dar eficácia ao comando constitucional chegou ao ordenamento pátrio a Lei n. 8.212/1991 que, em seu art. 55, prescrevia: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Resolução nº 2401000.263 S2C4T1 Fl. 222 5 § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. Uma das justificativa do Fisco para efetuar a lavratura foi a perda da condição de isenta da entidade autuada em11/11/1993. Afirmase que para readquirir a isenção a autuada teria que requerer o benefício ao INSS, conforme § 1.º acima transcrito. Verificase que, malgrado a precisão na indicação do marco temporal, deixouse de apresentar o motivo que levara a perda do benefício. Não se indicou qual o ato administrativo determinou o cancelamento da isenção, tampouco, as causas que ensejaram o fato. A empresa alega que jamais perdeu a isenção, tendo juntado documentos, os quais, no entanto, não são capazes de demonstrar que, no período do lançamento, ela estava amparada por ato declaratório de isenção, ou mesmo, se mantinha o direito adquirido à benesse fiscal. Nesse sentido, é crucial, para uma decisão segura sobre a lide, que o processo retorne à Autoridade Fiscal para que esclareça qual o motivo que determinou o cancelamento da isenção da autuada, com a juntada de cópia do ato que supostamente tenha lhe retirado o direito de não recolher a cota patronal previdenciária e as contribuições para os terceiros. Não estamos esquecendo que o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 foi revogado pela Lei n.º 12.101/2009, mas é de se ressaltar que o lançamento foi edificado antes do advento desse normativo e, portanto, deve se reportar à legislação vigente na época dos fatos geradores, conforme determina o art.114 do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Observese também que o fato de se considerar a entidade não detinha a isenção influenciou no cálculo da penalidade, posto que, nos termos do revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, a multa era fixada em cem por cento da contribuição não declarada, a qual incluía a contribuição patronal e a dos segurados. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Resolução nº 2401000.263 S2C4T1 Fl. 223 6 O julgamento deve, portanto, ser convertido em diligência para que o Fisco apresente o ato administrativo que cancelou a isenção da recorrente. Do resultado da diligência, deve ser facultado o prazo legal para que o sujeito passivo se manifeste. Conclusão Voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 36266.003866/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2005
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRANSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada: II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRANSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada: II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 38 66 /2 00 6- 01 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 209 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 210 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.839.9750, lavrada em 24/03/2006, que constituiu crédito tributário relativo a glosa de compensações no período de 10/2001 a 09/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 698.570,20, fls. 01. Na apuração feita pela fiscalização a glosa foi efetuada por nãr estar a respectiva ação judicial transitada em julgada na data dos fatos geradores. Após tomar ciência pessoal da autuação em 24/03/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 167/170, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. O Serviço de Contencioso Administrativo da DRP em São Paulo Norte solicitou diligências para apurar algumas supostas inconsistências e esclarecer algumas questões relativas à ação judicial, fls. 138. A autoridade fiscal prestou as informações solicitadas em fls. 147/154. A interessada foi cientificada do resultado da diligência em 15/04/2011, fls. 162. A Soemeg aditou sua impugnação alegando que todas as contribuições estavam extintas por conta de parcelamento, sendo que as incorreções foram sanadas. A 13ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 619/635, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 12/01/2012, fls. 190. Apontou o Relator a quo que a ação judicial suscitada pela então impugnante só teria transitado em julgado em 24/08/2006, data posterior aos fatos geradores, o que faria incidir o óbice do art. 170A do CTN c/c art. 74 da Lei 9.430/96. O recurso voluntário, apresentado em 13/02/2012, fls. 648/661, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Defende seu direito à compensação nos moldes do art. 66 da Lei 8.383/91, sem as limitações do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). Na ação 2000.61.00.0227123 teve reconhecido seu direito à compensação. A limitação da compensação a 30% é inaplicável, pois o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastaram sua aplicação para a recorrente por meio do Resp 879.479 (2006/0184996/2). É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 211 4 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 212 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente pretende que seu direto à compensação seja reconhecido sem as limitações impostas pelo art. 170A, uma vez que este dispositivo não revogou expressamente o art. 66 da Lei 8.383/91, conforme é prescrito pela Lei Complementar (LC) 95/98. Tal argumento, no entanto, só é aplicável para leis de mesma hierarquia, o que não é o caso dos autos. O Lei 8.383/91 é lei ordinária, ao passo que o art. 170A do CTN foi introduzido por Lei Complementar veiculadora de normas gerais de Direito Tributário, conforme art. 146, inciso III da Constituição Federal (CF). Assim, a exigência de que a ação judicial tenha transitado em julgado para que seja feita a compensação é requisito inafastável , posto que veiculado pelo CTN na sua função de norma geral em Direito Tributário. Como a ação judicial que autorizava a compensação só transitou em julgado em 2006, não há reparos a fazer no lançamento que glosou a compensação efetuada a destempo. Evidentemente que, após a data de transito em julgado, o contribuinte poderá utilizar seus créditos para compensar as contribuições surgidas a partir de tal data. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 213 6 Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 214 7 Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 215 8 habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 216 9 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 217 10 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.003866/200601 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 218 11 · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a limitar a multa de mora a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
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