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Numero do processo: 13362.000560/2005-10
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA NO CRI NO CURSO DO EXERCÍCIO FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei n° 9.393/96 nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR.
Numero da decisão: 2102-000.571
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, restabelecendo a área de reserva legal de 2.271,5 hectares, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA NO CRI NO CURSO DO EXERCÍCIO FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei n° 9.393/96 nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR.
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Numero do processo: 10552.000404/2007-95
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2007
PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias.
Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32-A da Lei n. 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da multa os valores correspondentes à alimentação e para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação e o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da multa os valores correspondentes à alimentação e para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação e o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 04 /2 00 7- 95 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10552.000404/200795 Acórdão n.º 2403001.625 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI nº 37.046.0960, cuja notificação ocorreu em 21/03/2007 (fl. 01), lavrado em face da Recorrente por não ter informado em GFIP valores não tributados via folha de pagamento, infringindo assim o art. 32, IV, § 5º da Lei n. 8.212/91. Consta no Relatório Fiscal da Infração de fl. 19, in verbis: “Em ação fiscal realizada no sujeito passivo acima identificado, ao analisarmos os livros caixa apresentados, os extratos bancários, as cópias de cheque e documentos de caixa e as GFIP's Guia de recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência apresentadas, constatamos que não foram informadas em GFIP: a) remuneração paga a contribuintes individuais através cheques nominais, os quais estão listados na planilha CIA Contribuintes Individuais Autônomos em anexo; b) valores pagos extra folha de pagamento ao segurado empregado Leonardo Luis Busetti, relativo a cheques nominais listados na planilha LEO, em anexo; c) valores pagos extra folha de pagamento à segurada empregada Jaqueline Balen (filha do titular do cartório), consubstanciados em cheques nominais, os quais parte foram objeto de saque e parte depositados em sua conta corrente 2098336 agência 0211 do Unibanco, listados na planilha JAC em anexo; d) remuneração extra folha de pagamento paga ao segurado empregado Alexandre Balen (filho do titular do Cartório), consubstanciada em cheques que foram depositados em sua conta corrente 1107880 agência 0211 do Unibanco, que estão listados na planilha ALE em anexo; e) valor relativo ao pagamento do curso de especialização em direito registral pago pelo Cartório para a segurada Jaqueline Balen, cujos valores estão listados na planilha SIN em anexo; f) remuneração in natura relativa ao custo da alimentação fornecida pela empresa a alguns de seus segurados empregados, sem que a mesma estivesse credenciada junto ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, cujos valores e beneficiários estão listados na planilha FAL em anexo; g) remuneração extra folha de pagamento paga à segurada Vaniza da Conceição Machado, consubstanciada em cheques nominais à segurada, que estão listados/demonstrados na planilha VAN em anexo; Em assim agindo, o autuado infringiu ao disposto no artigo 32, incisó IV e parágrafó 5 da Lei 8212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, c/c artigo 225, inciso IV, parágrafo 4 do RPS Regulamento da' Prévidênçia Social, aprovada –belo Decreto 3.048/99.” Fl. 477DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 64/83. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9º Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteMG, prolatou o ACÓRDÃO N° 02 23.494, de fls. 192/207, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de informar mensalmente, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da administração. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando a liquidação do crédito for postulada pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 212/230, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: Do Mérito Das Alegadas Remunerações ExtraFolha Insurgese o Recorrente sobre o levantamento de crédito feito através de cópias de cheques nominais, após ter concluído a fiscalização que estes cheques representavam pagamento de salário extrafolha. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10552.000404/200795 Acórdão n.º 2403001.625 S2C4T3 Fl. 4 5 Alega o Recorrente que não há como comprovar que os cheques referidos são concernentes à remuneração extrafolha. Do “Levantamento Cia” Aduz a Recorrente que sob a alegação de que valores eram pagos a pessoas físicas e que os mesmos não foram contabilizados no livro caixa do notificado, não foram declarados em GFIP, nem foram lançadas em folha de pagamento, teria entendido a fiscalização que os beneficiários com tais pagamentos eram contribuintes individuais autônomos, tomando por base para sua conclusão, cópias de cheques fornecidos pela empresa. Alega que a discussão gira em torno de que se os valores pagos ou recebidos são efetivamente salário ou rendimentos para empregados ou pessoas físicas mesmo sem vínculo empregatício. Dessa forma, tenta demonstrar o Recorrente que igualmente como ocorre com a necessidade de distinção entre empregado e profissional autônomo, precisa ser verificado no presente caso que a simples emissão de cheques nominais a determinadas pessoas não significa, necessariamente, o dever de recolhimento por parte da empresa. Que os valores pagos e cobrados pela fiscalização não foram contabilizados no livro caixa do notificado, pois não se tratavam de valores vinculados ao exercício da atividade própria do ofício e não deve ocorrer se tratando de valores relacionados a questões particulares do notificado, como foi o caso. Do Fornecimento da Alimentação, sem Inscrição no PAT Insurgese neste tópico a Recorrente sobre as verbas cobradas no auto de Infração a título de fornecimento de cartão magnético aos funcionários para pagamento das despesas de alimentação, sem estar credenciado junto ao programa de alimentação ao trabalhador PAT. Alega o Recorrente ser irrelevante à incidência previdenciária a empresa estar ou não inscrita junto ao PAT e que o desconto em folha, comprovado, pelo empregador para fornecimento de alimentação, descaracteriza a base de cálculo para recolhimento de contribuições previdenciárias, por não ser salário in natura. Do Pagamento De Salário In Natura a Segurada Alega o Recorrente que neste caso a caracterização do salário in natura decorre do fato de que teria sido pago um curso de especialização para a Sra. Jaqueline Bahlen. Ocorre que teria sido ignorado pela fiscalização que essa especialização se referia a direito registral, ou seja, especialização diretamente relacionada à atividade fim do ofício. Da Desqualificação do Relatório Fiscal A Recorrente levanta a desqualificação do relatório fiscal, que seria base da NFLD, e consequentemente sua anulação, haja vista não concordar com a caracterização por meio de cópias de cheques de ações irregulares, como teria feito a fiscalização. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Da Manutenção Da Multa Tributária Sobre a Obrigação Cuja Decadência foi Reconhecida Neste tópico alega a Recorrente ser confiscatória a multa cobrada sobre o pagamento, supostamente, não realizado da contribuição previdenciária, pois que seria abusiva tal penalização. Cita o art. 150, IV, da CF/88, para ratificar a vedação ao confisco tributário. Do Pedido Ao final requer, a reforma da decisão de primeira instância no sentido de que sejam excluídos os valores cobrados, bem como reconhecida a inexistência total da dívida. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10552.000404/200795 Acórdão n.º 2403001.625 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 231, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DAS ALEGAÇÕES DE NÃO INCIDÊNCIA DA BASE DE CÁLCULO O processo em tela foi instaurado em face do descumprimento da Obrigação Acessória, conforme determina o art. 32, IV, § 5º da Lei n. 8.212/91. Pelo descumprimento da Obrigação Principal foi instaurado o Processo n. 10552.000440/200759 de relatoria deste julgador. Como entendi por manter parcialmente procedente a autuação por descumprimento da Obrigação Principal, a autuação pelo descumprimento da Obrigação Acessória deve ser mantida, vez que este acompanha o principal. DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, verbis: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração Fl. 481DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. (grifamos) Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu pelo descumprimento da obrigação contida no art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10552.000404/200795 Acórdão n.º 2403001.625 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial ao presente Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da multa os valores correspondentes à alimentação e para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10283.007039/2003-33
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Não se conhece de recurso voluntário quando não foi apresentada impugnação ao auto de infração.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-000.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Não se conhece de recurso voluntário quando não foi apresentada impugnação ao auto de infração. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Oft-rcA,Nir URCIA WLENIWrAJANO DAMORIM - Presidente - MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA — Relbtdr EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório • Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 76/83, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 1999, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Seringal Novo Macapá", localizado no município de Labrea - AM, com área total de 248.644,0ha, cadastrado na SRF sob o n° 3.218.373-9, no valor de R$ 1.105.886,93 (um milhão cento e cinco mil oitocentos e oitenta e seis reais e noventa e três centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 28/11/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$ 2.739.392,50 (dois milhões setecentos e trinta e nove mil trezentos e noventa e dois reais e cinqüenta centavos). 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/1999 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, "Is 78/79, a fiscalização apurou as seguintes infrações: exclusão, indevida, da tributação de 165.762,6ha de área de preservação permanente; exclusão, indevida, da tributação de 79.880,0ha de área de utilização limitada; 3.As exclusões indevidas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls 78/79, têm origem na falta de apresentação do protocolo do Ato Declaratório Ambiental — ADA no lbama ou órgão delegado através de convênio. 4.0 Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 08/01/2004, conforme AR de fls. 89. 5. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 21/01/2004, a impugnação de fls. 92/111, alegando, em síntese: 1— que o ADA — Ato Declarató rio Ambiental foi protocolado no lbama; II — que a preservação permanente não foi declarada porque a escritura foi lavrada e passada à empresa em 2000; III — que, se necessário, seja feita análise "in loco". A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 2 Processo n° 10283.007039/2003-33 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.299 Fl. 303 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo Ibama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo lbama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declarató rio Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende ainda de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 3 Processo n° 10283.007039/2003-33 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.299 Fl. 304 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo. Contudo, ainda quanto à possibilidade de conhecimento do recurso voluntário, observo que consta dos autos às fls. 113, a seguinte informação: Sr. Chefe, Informamos que a IMPUGNAÇÃO original apresentada pelo contribuinte acima citado consta dos autos do processo n° 10283 . 007040/2003-68. Tendo o contribuinte apresentado IMPUGNAÇÃO constante às fls. 92 à 111 e estando o processo em epígrafe devidamente instruído, proponho o encaminhamento para DRJ/RECIFE/PE para prosseguimento. Ocorre que a referida impugnação não traz qualquer dado que a vincule a este processo, nem há qualquer justificativa (seja pedido expresso da impugnante, seja autorização legal para tanto) para o traslado de cópia de impugnação apresentada em outro processo para este. Além disso, observo que o traslado ocorreu após o término do prazo legal para a apresentação da impugnação, sem que qualquer explicação tenha sido fornecida para este procedimento exótico. Assim, tendo em vista do disposto nos artigos 14, 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, VOTO por não conhecer do recurso voluntário. N 0nAiCk AAAnt~, ARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Numero do processo: 16327.003071/2002-91
Data da sessão: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2000
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/1997
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.208
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Presente ao julgamento o advogado da contribuinte Dr. Albert Limoeiro, OAB/DF 21718.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/1997 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado
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Numero do processo: 11516.001166/2001-49
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO - EXCESSO DE
RETIRADAS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO ANO-CALENDÁRIO DE
1996. Ao IRPJ e à CSLL referente ao ano-calendário de 1996, aplica-se o limite de dedutibilidade do artigo 22 da Lei n° 8218/91, uma vez que a sua revogação pela Lei n° 9.430/96 produziu efeitos apenas a partir do ano calendário de 1997.
Numero da decisão: 1401-000.135
Decisão: Por unanimidade e votos, NEGAR provimento ao recurso. Sustentação oral, proferida em nome da recorrente, pela Drª Elaine Perez - OAB/SP nº 158.462/SP.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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decisao_txt : Por unanimidade e votos, NEGAR provimento ao recurso. Sustentação oral, proferida em nome da recorrente, pela Drª Elaine Perez - OAB/SP nº 158.462/SP.
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Recorrida 4' TURMA/ DRJ-FORTALEZA NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO - EXCESSO DE RETIRADAS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO ANO-CALENDÁRIO DE 1996. Ao IRPJ e à CSLL referente ao ano-calendário de 1996, aplica-se o limite de dedutibilidade do artigo 22 da Lei n° 8218/91, uma vez que a sua revogação pela Lei n° 9.430/96 produziu efeitos apenas a partir do ano- calendário de 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' câmara / la turma ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 0 1 JUL 2011 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Nelso Kichel, José Sérgio Gomes, João Francisco Bianco e Karem Jureidini Dias. Processo n° 11516.001166/2001-49 S 1 -C4T1 Acórdão n.° 1401-00.135 Fl. 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), cuja ciência se deu em 26/06/2001 (fls. 11/15). 0 lançamento contém as seguintes infrações: 03.03 — EXCESSO DE RETIRADAS EM RELAC;i0 AO LIMITE RELATIVO ADICIONADO A MENOR NA APURA CÃO DO LUCRO REAL 05.02 — LUCRO INFLACIONAIO ACUMULADO REALIZADO EM VALOR INFERIOR AO LIMITE MÍNIMO OBRIGATÓRIO, CONFORME DEMONSTRATIVOS EM ANEXO Inconformado com a lavratura do Auto de Infração, o contribuinte apresentou Impugnação, em 26/07/2001(fls. 24/52), apresentando os seguintes argumentos: (i) Quanto ao excesso de retiradas, argumenta que embora a Lei n° 9.249/95 tenha tentado acabar com a bitributação (investimentos tributados tanto na pessoa fisica quanto na jurídica), esta deixou algumas incoerências, posteriormente corrigidas pela Lei n° 9.430/96. Assim, a Lei n° 9.249/95 deve ser aplicada somente em conjunto com a Lei n° 9.430/96, a fim de respeitar o principio da igualdade. (ii) Alega ainda que ao fato gerador, ocorrido em 31/12/2001, deve ser aplicada a Lei n° 9.430/96, momento em que esta já produzia efeitos jurídicos, quais sejam, a revogação da legislação anterior dentre a qual está a Lei n° 8.218/91, embora seu efeito financeiro somente fosse aplicável a partir de 01/01/1997. (iii) Assim, conclui que deve ser tributado o IRPJ e a CSLL sem o limite de dedutibilidade de gratificações concedidas a empregados previsto no artigo 22, da Lei n° 8.218/91, aplicando, assim, a Lei n° 9.430/96. (iv) Quanto à adição a menor do lucro inflacionário realizado na DIPJ do ano-calendário de 1996, argumenta que jamais apurou lucro inflacionário, tendo equivocadamente indicado na conta de correção monetária/diferença IPC/BTNF na declaração do exercício de 1992. Adveio então o Acórdão n° 08-9.934, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, considerando o lançamento procedente em parte, a fim de excluir a parcela do crédito tributário correspondente a. tributação do lucro inflacionário, nos termos da seguinte ementa (fls 103/111): ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ EMENTA: NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTA' RIO - EXCESSO DE RETIRADAS DE ADMINISTRADORES. 2 Processo n° 11516.001166/2001-49 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.135 Fl. 3 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO ANO-CALENDÁRIO DE 1996 - LUCRO INFLACIONÁ RIO. TRIBUTAÇÃO NA REALIZAÇÃO. PARCELA MINIMA. ERRO DE FATO. Os fatos geradores do IRPJ ocorridos no(s) período(s) de apuração correspondente(s) ao Ano-calendário de 1996 regem-se pela legislação vigente (1 época, ainda que revogada posteriormente por diplomas legais editados antes do encerramento do período. Demonstrada a inexistência de saldo credor da conta de correção monetária complementar (diferença IPC/BTIVF), o qual teria originado o lucro inflacionário acumulado a ser tributado em períodos subseqüentes, não prevalece a exigência concernente ã sua realização minima apurada no procedimento fiscal. Quanto ao lucro inflacionário, entendeu que a autuação se fundamentou em dados incorretos fornecidos pelo contribuinte, os quais foram posterionnente esclarecidos, com base em provas acostadas aos autos. Assim, a DRJ excluiu o crédito tributário relativo ao lucro infraciondrio. No tocante ao excesso de retiradas, entende que não é aplicável a Lei n° 9.430/96, visto que esta somente produziu efeitos a partir de 01/01/1997, razão pela qual foi mantida a infração. Intimada da decisão da DRJ em 15/05/2007, conforme Aviso de Recebimento constante ás fls. 118, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/06/2007 (fls. 119/143), no qual reitera os argumentos tecidos na Impugnação. o relatório 3 Processo n° 11516.001166/2001-49 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.135 Fl. 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Primeiramente, delimitando a lide, verifico que o Recurso Voluntário trata apenas da tributação do "EXCESSO DE RETIRADAS EM RELAÇÃO AO LIMITE RELATIVO ADICIONADO A MENOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", sendo certo que a tributação sobre o lucro inflacionário foi excluída no acórdão da DRJ. Quanto a este item, pleiteia a Recorrente pela aplicação da Lei n° 9.430/96 ao presente caso, a fim de que se tribute o IRPJ e a CSLL sem o limite de dedutibilidade de gratificações concedidas a empregados, previsto no artigo 22, da Lei 8.218/91. Aduz que na data do fato gerador do IRPJ relativo ao ano-calendário de 1996 — 31/12/1996 — a Lei n° 94.30/96 já produzia efeitos, estando o citado artigo 22 da Lei n°8.218/91 revogado. A Lei n° 8.218/91, em seu artigo 22, estabelecia o limite para dedução das despesas relativas A. gratificações: Art. 22 - A despesa operacional relativa its gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem, excluído o 13° salário, não poderá exceder â importância anual de Cr$ 100.000,00, para cada um dos beneficiados. (Revogado pela Lei n° 9.430, de 1996) Quando do advento da Lei n° 9.430/96, o referido artigo 22 foi expressamente revogado, nos termos do artigo 88, inciso XIX, sendo certo que o limite anteriormente estabelecido passou não mais a existir: Lei n°9.430/96 Art. 88. Revogam-se: XIX- o art. 22 da Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991; Ocorre que, a Lei n° 9.430/96, embora publicada em 27/12/1996, ou seja, anteriormente à ocorrência do fato gerador do IRPJ do ano-calendário de 1996, apenas passou a produzir efeitos em 10 de janeiro de 1997, tal como explicitamente estabeleceu o seu artigo 87, verbis: Art. 87. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos financeiros a partir de 1° de janeiro de 1997. Neste passo, embora o contribuinte argumente no sentido de que a revogação do artigo 22 da Lei n° 8.218/91 seja um efeito jurídico da Lei n° 9.430/96 e que, portanto, teria efeitos desde a sua publicação, é certo que a revogação produziu também efeitos financeiros. Ou seja, a revogação do citado artigo, mudou a fonna de apuração do IRPJ e da CSLL no tocante à dedutibilidade de uma despesa especifica, sendo certo que somente pode produzir efeitos a partir do ano-calendário de 1997, tal como estabeleceu o artigo 87. 4 Karem Jureidini -Dias Processo n 11516.001166/2001-49 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.135 Fl. 5 Assim, ainda que injusto o sistema de tributação, tanto na pessoa fisica quanto na pessoa jurídica, estabelecido pelo ordenamento jurídico anteriormente aos efeitos da Lei n° 9.430/96, para o lançamento de oficio deve-se aplicar a legislação vigente à época do fato gerador e, uma vez que a revogação do limite de dedutibilidade das despesas relativas às gratificações pagas aos empregados produziu efeitos somente para o ano-calendário de 1997, legitima a tributação do excesso de retiradas objeto do presente processo no ano-calendário de 1996. Sobre a aplicabilidade do limite da dedução das gratificações pagas aos empregados no ano-calendário de 1996, já decidiu o então Primeiro Conselho de Contribuintes: IRPJ — ANO-CALEND4R10 DE 1996 — Exercício de 1997 — EXCESSO DE RETIRADA DE ADMINISTRADORES — Por forgo de disposição legal expressa, os excessos de retiradas de administradores deveriam ser adicionados ao lucro liquido do período, na apuração do Lucro Real. Simples alegações desacompanhadas de provas não se prestam para demonstrar a existência de vínculos empregatícios. Negado provimento. (Acórdão n" 101-94.040, Recurso n° 130.026, sessão de 05/12/2002 Por fim, importante esclarecer que o contribuinte, em nenhum momento, discute o montante tributado e que excedeu o limite previsto na Lei n° 8.218/91, alegando apenas que tal lei não se aplicaria ao ano-calendário de 1996. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. 5
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Numero do processo: 10680.722916/2010-46
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. ISENÇÃO. COFINS. Os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR), são instituições criadas e reguladas por lei, as quais exercem atividades complementares e auxiliares ao Poder Público, com dotações orçamentárias específicas e previstas em lei, e constituem suas receitas próprias todas aquelas destinadas ao alcance de seus objetivos institucionais, estando por isso albergada pelo benefício da isenção da Cofins, nos termos dos arts. 13, VI e 14, X, da MP nº 2.158-35/2001. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.488
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. ISENÇÃO. COFINS. Os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR), são instituições criadas e reguladas por lei, as quais exercem atividades complementares e auxiliares ao Poder Público, com dotações orçamentárias específicas e previstas em lei, e constituem suas receitas próprias todas aquelas destinadas ao alcance de seus objetivos institucionais, estando por isso albergada pelo benefício da isenção da Cofins, nos termos dos arts. 13, VI e 14, X, da MP nº 2.15835/2001. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação pelo Recorrente a Advogada Érica Bastos da Silveira Cassini, OAB/DF 16.124. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão recorrida que manteve parcialmente procedente o auto de infração de Cofins, do período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2007, relativamente as receitas de atividades não próprias, como as decorrentes de prestação de serviços, vendas de produtos, arrendamentos, aluguel, locação de máquinas e equipamentos, rendas sobre aplicações financeiras e outras, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Receitas próprias Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte De acordo com a decisão recorrida o contribuinte que se considera isento da contribuição, alega basicamente a ilegalidade e inconstitucionalidade da IN 247/2002 e argumenta que todas as receitas previstas no seu estatuto são receitas próprias. Contudo, estão sujeitas à Cofins, por força da legislação de regência da matéria lançada, as receitas decorrentes de atividades não próprias como as de caráter contraprestacional das instituições sem fins lucrativos. E, de fato, este é o caso do autuado, que, como se conclui da análise dos autos, aufere, receitas de atividades imobiliárias, de aplicação financeira e provenientes de prestações de serviços. A Lei n.º 9.718, de 1998, estabeleceu uma nova definição de faturamento para efeitos de incidência da Cofins devida pelas pessoas jurídicas de direito privado, ampliando a base de cálculo dessa contribuição, que passou a incidir sobre a receita bruta, assim considerada a totalidade das receitas auferidas, independentemente do tipo de atividade exercida ou da classificação contábil adotada para as receitas (Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º, § 1º). Posteriormente, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, assim dispôs em seu art. 14: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 400 3 (…) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13.” (Grifouse O art. 13 citado, aponta essas entidades: Art. 13. ....................... I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei No 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei No 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei No 5.764, de 16 de dezembro de 1971. E, por sua vez, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a Cofins, dispõe: “Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991.” A decisão recorrida excluiu da base de cálculo da Cofns as receitas financeiras, em decorrência da decorrente da decisão do STF, mantendo a incidência quanto as receitas não próprias, independentemente da classificação contábil. Cientificada em 11/10/2011 (histórico do Sedex à fl. 381) foi interposto o recurso voluntário de fls. 382/396 (do processo digital), em 19/10/2011, onde a recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação. O contribuinte, entre outras alegações, contesta o lançamento da Cofins decorrente das receitas financeiras sob o argumento de o Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) com pedido liminar n° 1.8023, interposta pela Confederação Nacional de Saúde Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS), suspendeu a eficácia do parágrafo 1º, do artigo 12, da Lei n° 9.532/97, que pretendeu restringir a imunidade conferida às instituições de educação e assistência social pelo art. 150, VI, "c" da Constituição Federal. Sustenta ainda, resumidamente, o seguinte: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 401 5 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. No presente processo está sendo exigida a Cofins sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pelos serviços sociais autônomos, no caso o SENAI/AR MG. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 402 7 A MP nº 1.8586, de 1999, e reedições posteriores, até a atual MP nº 2.158 35, de 24/08/2001, que assim dispõe sobre o PIS/PASEP, dos serviços sociais autônomos, in verbis: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Assim, os serviços sociais autônomos, destinados à qualificação profissional (SENAI, SENAC, SENAR, SENAT) e à assistência social do trabalhador (SESI, SESC, ...), criados por lei, em benefício dos respectivos trabalhadores, gozam do benefício da isenção do PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas de suas atividades próprias. No presente caso, o ponto de conflito reside no conceito de atividades próprias, visto que de acordo com o entendimento da fiscalização e mantido pela decisão recorrida, segundo a qual “Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais” (grifado). (art. 47, II, § 2º, da IN nº 247/2002). No caso, estão sendo consideradas não próprias, com incidência da Cofins sobre as mesmas, as decorrentes de prestação de serviços, vendas de produtos, arrendamentos, aluguel, locação de máquinas e equipamentos, rendas sobre aplicações financeiras e outras. De acordo com o art. 12, da Lei nº 2.613, de 1955, os serviços sociais autônomos gozam de “ampla isenção fiscal como se fossem da própria União” in verbis: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 403 9 Art. 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art. 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) Essa mesma diretriz também é aplicável ao SEST e SENAT, por força do art. 13, da Lei nº 8.706, de 1993, que assim dispõe: Art. 13. Aplicamse ao SEST e ao SENAT o art. 5º do DecretoLei nº 9.403, de 25 de junho de 1946, o art. 13 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, e o DecretoLei nº 772, de 19 de agosto de 1969. A lei que instituiu cada um desses serviços sociais autônomos já estabeleceu quais seriam as suas fontes de custeio, e nenhuma delas fez qualquer ressalva ou restrição quanto às suas receitas, isto é, são próprias também as receitas operacionais mesmo que contraprestacionais, até mesmo porque apenas as receitas compulsórias não são insuficientes para atender a toda a demanda dessas instituições, senão vejamos: Decreto nº 494, de 10 de janeiro de 1962 (Regulamento do SENAI): Art. 45. Constituem receita do SENAI: a) as contribuições previstas em lei; b) as doações e legados; c) as subvenções; d) as multas arrecadadas por infração de dispositivos legais e regulamentares; e) rendas oriundas de prestações de serviços e mutações patrimoniais, inclusive as de locação de bens de qualquer natureza; f) as rendas eventuais. Decreto nº 6.635, de 5/11/2008 (altera o Decreto nº 494, de 1962 Regimento Interno do SENAI): Art. 2º O Regimento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, aprovado pelo Decreto no 494, de 1962, passa a vigorar acrescido dos seguintes artigos: “Art. 68. O SENAI vinculará, anual e progressivamente, até o ano de 2014, o valor correspondente a dois terços de sua receita líquida da contribuição compulsória geral para vagas gratuitas em cursos e programas de educação profissional. ................. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 DECRETO Nº 57.375, DE 2 DE DEZEMBRO DE 1965 (Regulamento do SESI): Art. 48. Constituem receita do Serviço Social da Indústria: a) as contribuições dos empregadores da indústria dos transportes, das comunicações e de pesca, previstas em lei; b) as doações e legados; c) as rendas patrimoniais; d) as multas arrecadadas por infração de dispositivos legais, regulamentares e regimentais; e) as rendas oriundas de prestações de serviços e de mutações de patrimônio, inclusive as de locação de bens de qualquer natureza; f) as rendas eventuais; Parágrafo único. A receita do SESI se destina a cobrir suas despesas de manutenção e encargos orgânicos, o pagamento de pessoal e serviços de terceiros, a aquisição de bens e valores, as contribuições legais e regulamentares, as representações, auxílios e subvenções, os compromissos assumidos, os estipêndios obrigatórios e quaisquer outros gastos regularmente autorizados. ............. Lei nº 8.706, de 1993 (SEST/SENAT): Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; III pelas receitas operacionais; IV pelas multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V por outras contribuições, doações e legados, verbas ou subvenções decorrentes de convênios celebrados com entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 404 11 DECRETOLEI Nº 9.853 DE 13 DE SETEMBRO DE 1946 DOU DE 16/09/46 (REF. SESI) Art. 4º O produto da arrecadação feita em cada região do país será na mesma aplicado em proporção não inferior a (75%) setenta e cinco por cento. Art. 5º Aos bens, rendas e serviços da instituição a que se refere êste decretolei, ficam extensivos os favores e as prerrogativas do Decretolei número 7.690, de 29 de junho de 1945. Parágrafo único. Os govêrnos dos Estados e dos Municípios estenderão ao Serviço Social da Indústria as mesmas regalias e isenções. Logo, todas as receitas dos serviços sociais autônomos são consideradas “receitas próprias” destinadas ao alcance dos objetivos institucionais, porquanto suas receitas foram todas fixadas pela legislação de regência, no caso do SESI, pelo art. 48, do Decreto nº 57.375, de 2/12/1965, constituindo suas receitas “as contribuições dos empregadores, doações e legados, as rendas patrimoniais, as multas regulamentares e regimentais, as rendas oriundas de prestações de serviços e de mutações de patrimônio, “inclusive as de locação de bens de qualquer natureza, as quais, segundo o parágrafo do referido artigo, se destinam a: Parágrafo único. A receita do SESI se destina a cobrir suas despesas de manutenção e encargos orgânicos, o pagamento de pessoal e serviços de terceiros, a aquisição de bens e valores, as contribuições legais e regulamentares, as representações, auxílios e subvenções, os compromissos assumidos, os estipêndios obrigatórios e quaisquer outros gastos regularmente autorizados. Embora constestado pela fiscalização, o correto é que a lei considerou como receitas próprias dos serviços sociais autônomos, todas as suas receitas, inclusive as acessórias ou complementares e também as nãooperacionais, pois, todas se destinam a acobrir suas atribuições legais e estatutárias, pois, é sabido que as receitas compulsórias são insuficientes para atender à demanda a que estão submetidos os respectivos serviços sociais autônomos, em prol das respectivas categorias de trabalhadores, daí porque a própria lei instituidora já previra um leque mais abrangente de receitas que a entidade poderia utilizar para fazer frente às suas obrigações institucionais. Nesse sentido peço vênia para transcrever as seguintes decisões dos tribunais pátrios, reconhecendo a ampla isenção dos serviços sociais autônomos, in verbis: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL REPETIÇÃO DE INDÉBITO CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS LEI Nº 8.212/91, ART. 22, I, II E III SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO NATUREZA JURÍDICA ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECONHECIDA LEI Nº 2.613/95 APLICABILIDADE ATIVIDADE EMPRESARIAL INEXISTENTE HONORÁRIOS DE ADVOGADO MAJORAÇÃO DEFERIDA. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 a) Apelações em Ação de Repetição de Indébito. b) Remessa Oficial. c) Decisão do juízo de origem Pedido procedente. d) Valor da causa R$ 25.000,00. e) Honorários de advogado R$ 2.000,00. 1 Os 'serviços sociais autônomos', gênero do qual é espécie o SENAI, são entidades de educação e assistência social, sem fins lucrativos, não integrantes da Administração direta ou indireta, e que, assim, não podem ser equiparados à entidades empresariais para fins fiscais." (REsp nº 766.796/RJ Relator: Ministro Luiz Fux STJ Primeira Turma Unânime D.J. 06/3/2006 pág. 223.) 2 "A Lei nº 2.613/1995 (art. 12/3) equipara, para fins fiscais, o patrimônio e a receita de serviços do SESC (BA) aos da União, igualdade ficta que a T7/TRF1 abona (AGTAG nº 2008.01.00.0266731/PI e AMS nº 1999.38.00.0324892/MG), até porque o STF (RE nº 235.737/SP) orienta que o SENAC (entidade de idêntica natureza) exerce atividade filantrópica educativa, o que denota ausente qualquer condição empresarial, conclusão que emerge do 'status' de serviço social autônomo." (AC nº 2007.33.00.0121223/BA Relator: Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral TRF/1ª Região Sétima Turma Unânime eDJF1 14/5/2010 pág.301.) 3 Existente previsão legal expressa (Lei nº 2.613/95, arts. 11 a 13) garantindo AMPLA ISENÇÃO FISCAL ao Autor, sem espeque a alegação de que "não é possível admitir a ampla isenção fiscal pretendida." (Fls. 137.) 4 Não infirmada a condição de serviço social autônomo e, consequentemente, a natureza jurídica de ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL do Autor, merece acolhida sua pretensão. 5 Feito o ajuizamento da postulação em 18/6/2007, fica reconhecido ao contribuinte o direito à restituição do que lhe fora exigido, indevidamente, desde 18/6/2002. 6 Correção monetária conforme instruções do Manual de Cálculos da Justiça Federal. 7 "A árdua e sempre bela profissão do advogado, não apenas socialmente útil, mas imprescindível à convivência humana no estado de direito, não merece ser degradada nos dias atuais pela redução percentual dos honorários devidos aos que a exercem com dedicação e eficiência profissional". (AC nº 39.693 T.J.M.G. Rel. Desembargador Assis Santiago Revista Forense, 251/291.) 8 Apelação do Autor provida. 9 Apelação da Ré e Remessa Oficial providas em parte. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 405 13 10 Sentença reformada parcialmente. (TRF/1ª R Ac. Nº 001211623.2007.4.01.3300/BA, Rel. Desembargador Federal Catão Alves, Sétima Turma,eDJF1 p.1049 de 11/11/2011) No mesmo sentido: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO AGRAVO DE INSTRUMENTO ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA ART. 150, VI, "C" DA CF SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL. SENAC E SENAC ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS IPI ISENÇÃO. 1. A norma de imunidade contida no artigo 150, inciso VI, "c" da Carta Magna reflete limitação constitucional ao poder que tem o Estado de instituir impostos "sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei." Destinase à União, Estados, Distrito Federal e Municípios, que têm sua competência delimitada para criar e exigir impostos das entidades citadas. 2. A instituição de assistência educacional goza de imunidade tributária, em conformidade com o texto da Constituição Federal, art. 150, VI alínea "c, quando atende aos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, nos incisos I a III. 3. Nessa perspectiva, a jurisprudência dominante é no sentido de que "a imunidade (constitucional) das instituições de educação e de assistência social (além de outras), restrita a impostos, necessita de comprovação do atendimento dos requisitos legais. A imunidade de entidade do sistema "S" possui previsão expressa na Lei n . 2.613, de 23 SET 1955: "Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fossem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC)". (AGTAG 2008.01.00.0266731/PI, Rel. Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma,eDJF1 p.349 de 14/11/2008). 4. De outra parte, a Corte Suprema já pacificou o entendimento de que, em relação aos impostos, deve ser interpretada amplamente a imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, "c", da Constituição Federal, admitindo a não incidência de tributos como o IPI e o Imposto de Importação sobre mercadorias adquiridas por entidade de assistência social, que se destinam à consecução de seus fins institucionais. (RE 243807/SP, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 28/04/2000). Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 5. Presentes os requisitos autorizativos da liminar/ tutela antecipada. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário pertinente (CTN, art. 151). 6. Agravo regimental não provido. (TRF/1ªR Ac. AGA 000220029.2011.4.01.0000/DF, Rel. Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, Sétima Turma,e DJF1 p.305 de 26/08/2011) Especificamente sobre a isenção da Cofins: TRIBUTÁRIO. SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO SESC. ISENÇÃO FISCAL. LEI 2.613/1955. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E A COFINS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 5º. PEDIDO PROCEDENTE. HONORÁRIOS DE ADVOGADO. 1. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC é instituição privada de interesse público, sem fins lucrativos, não integrante da Administração Direta ou Indireta, denominado paraestatal (serviços sociais autônomos), e que, assim, não pode ser equiparado às entidades empresariais para fins sociais. 2. O SENAC, por ser beneficiário de isenção fiscal, conforme os arts. 12 e 13 da Lei 2.613, de 23/09/1955, não pode ser tributado nas contribuições para o PIS e para a COFINS. 3. Nas causas em que não houver condenação ou vencida a Fazenda Pública, os honorários advocatícios deverão ser fixados mediante apreciação equitativa do juiz (art. 20, § 3º, a, b e c, e § 4º, do CPC). 4. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial a que se nega provimento. 5. Recurso adesivo do autor a que se dá parcial provimento. (AC 2007.33.00.0151065/BA, Rel. Desembargadora Federal Maria Do Carmo Cardoso, Oitava Turma,eDJF1 p.2302 de 17/12/2010) Idem: PREVIDENCIARIO ISENÇÃO DOS ORGÃOS AUTONOMOS SESC, SESI, SENAC, SENAI. ESTES ENTES AUTONOMOS, PELO DISPOSTO NA LEI N 2.613/55 E DECRETO N 57.375/65, COMO A UNIÃO, GOZAM DO MESMO PRIVILEGIO ISENCIONAL. SENTENÇA CONFIRMADA. (AC 89.01.234726/MG, Rel. Juíza Eliana Calmon, Quarta Turma,DJ p.***** de 04/12/1989) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 406 15 Igualmente decidiu a Suprema Corte: EMENTA: Recurso extraordinário. SENAC. Instituição de educação sem finalidade lucrativa. ITBI. Imunidade. Falta de prequestionamento da questão relativa ao princípio constitucional da isonomia. Esta Corte, por seu Plenário, ao julgar o RE 237.718, firmou o entendimento de que a imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (artigo 150, VI, "c", da Constituição) se aplica para afastar a incidência do IPTU sobre imóveis de propriedade dessas instituições, ainda quando alugados a terceiros, desde que os aluguéis sejam aplicados em suas finalidades institucionais. Por identidade de razão, a mesma fundamentação em que se baseou esse precedente se aplica a instituições de educação, como a presente, sem fins lucrativos, para ver reconhecida, em seu favor, a imunidade relativamente ao ITBI referente à aquisição por ela de imóvel locado a terceiro, destinandose os aluguéis a ser aplicados em suas finalidades institucionais. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 235737, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Primeira Turma, julgado em 13/11/2001, DJ 17052002 PP00067 EMENT VOL0206903 PP00527) A isenção dos serviços sociais autônomos, segundo reiterada jurisprudência do E. STJ, abrange também a isenção das contribuições sociais, in verbis: TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÕES: FUNRURAL, INCRA E SAT ISENÇÃO ENTIDADES ASSISTENCIAIS (SESC, SESI E SENAC). 1. Não se conhece de recurso especial por falta de prequestionamento, quando a tese jurídica surge no julgamento do apelo e a parte não ingressa com embargos de declaração (precedentes). 2. A sentença proferida em embargos do devedor, embora sirva a princípio para desconstituir o título executado, contém preceito declaratório que assegura força de coisa julgada a outras situações jurídicas, como na hipótese em que foi declarada a isenção do SESI pela Lei 2.613/55. 3. A jurisprudência do STJ consolidouse em torno do entendimento de que são isentas as entidades assistenciais como o SESI, isenção que também abrange as Contribuições. (REsp 552089/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2005, DJ 23/05/2005, p. 196) Igualmente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL SENAI. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. ENTIDADE SEM Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 16 FINS LUCRATIVOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INCRA. FUNRURAL. ISENÇÃO. LEI N.º 2.613/55. 1. Os "Serviços Sociais Autônomos", gênero do qual é espécie o SENAI, são entidades de educação e assistência social, sem fins lucrativos, não integrantes da Administração direta ou indireta, e que, assim, não podem ser equiparados à entidades empresariais para fins fiscais. 2. A Lei n.º 2.613/55, que autorizou a União a criar a entidade autárquica denominada Serviço Social Rural S.S.R., em seu art. 12, concedeu à mesma isenção fiscal, ao assim dispor: "Art. 12. Os serviços e bens do S.S.R. gozam de ampla isenção fiscal como se fossem da própria União". 3. Por força do inserto no art. 13 do mencionado diploma legal, o benefício isentivo fiscal, de que trata seu art. 12, foi estendido, expressamente, ao SENAI, bem como aos demais serviços sociais autônomos da indústria e comércio (SESI, SESC e SENAC), porquanto restou consignado no mesmo, in verbis: "Art. 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC)." 4. É cediço na Corte que "o SESI, por não ser empresa, mas entidade de educação e assistência social sem fim lucrativo, e por ser beneficiário da isenção prevista na Lei nº 2.613/55, não está obrigado ao recolhimento da contribuição para o FUNRURAL e o INCRA", exegese esta que, por óbvio, há de ser estendida ao SENAI (Precedentes: REsp n.º 220.625/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 20/06/2005; REsp n.º 363.175/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 21/06/2004; REsp n.º 361.472/SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 26/05/2003; AgRg no AG n.º 355.012/PR, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 12/08/2002; e AgRg no AG n.º 342.735/PR, Rel. Min. José Delgado, DJ de 11/06/2001). 5. Recurso especial desprovido. (REsp 766796/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/12/2005, DJ 06/03/2006, p. 223) As receitas consideradas decorrentes de atividades não próprias, tributadas no presente processo, são aquelas decorrentes de “prestação de serviços, vendas de produtos, arrendamentos, aluguel, locação de máquinas e equipamentos, rendas sobre aplicações financeiras e outras”, cujos resultados foram destinadas para o alcance de seu objeto social, daí porque não ter como não considerar tais receitas como receitas próprias. Nesse sentido este colendo CARF teve ocasião de decidir que as receitas auferidas com a exploração do patrimônio dessas entidades, conforme depreendese da ementa do acórdão nº 20180.214, julgado na sessão de 25/04/2007, de relatoria do ilustre conselheiro José Walber: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE ATIVO PERMANENTE. Não integra a base de cálculo da Cofins a receita da venda de bens do ativo permanente. BASE DE CÁLCULO. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 330101.488 S3C3T1 Fl. 407 17 RECEITA DA EXPLORAÇÃO DO PATRIMÔNIO. RECEITA DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS. São receitas próprias das atividades das entidades a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532/97 as receitas auferidas com a exploração do patrimônio da entidade. Estas receitas estão isentas da Cofins. Recurso provido. urn:lex:br:segundo.conselho.contribuintes;camara.1;turma.ordinaria:acordao :20070425;20180214 Ademais disto, em relação às receitas sobre as quais a fiscalização considera que deve haver incidência da Cofins, por considerálas como não próprias da atividade dos serviços sociais autônomos, “decorrentes de prestação de serviços, vendas de produtos, arrendamentos, aluguel, locação de máquinas e equipamentos, rendas sobre aplicações financeiras e outras”, mesmo que não estivessem albergadas pelo manto da isenção, mas que ficou demonstrado acima que está, não poderia haver incidência da Cofins, por se tratar de alargamento da base de cálculo, e, assim como ocorreu com as receitas financeiras, as quais foram excluídas pela decisão recorrida, igualmente não haveria incidência do referido tributo, pelo fato do E. STF ter fulminado o alargamento da base de cálculo previsto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo para os fatos geradores ocorridos após à Emenda Constitucional nº 20, de 1998, em virtude do ordenamento jurídico pátrio não comportar a figura da “constitucionalidade superveniente”, in verbis: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 18 Evidentemente que a isenção não é concedida em branco, estando os serviços sociais autônomos sujeitos ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 9º e art. 14, do Código Tributário Nacional, desta forma, para que a isenção fosse cancelada seria necessário comprovar o descumprimento desses requisitos, o que no presente caso não restou demonstrado qualquer descumprimento, de acordo, inclusive, com o art. 32, § 10, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim sendo, entendo assistir razão à Recorrente quanto à inadequação da IN nº 247, de 2002, que estabeleceu condição sem previsão legal, para restringir as receitas próprias dos serviços sociais autônomos. As receitas próprias alcançam todas as receitas, inclusive as auferidas com a exploração do patrimônio da entidade, porquanto tais receitas foram elencadas pela lei no rol das rendas necessárias ao alcance dos objetivos sociais do Recorrente. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 13826.000142/2008-71
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2005
DEFERIMENTO DE INSCRIÇÃO RETROATIVA AO SISTEMA SIMPLIFICADO PELA RECEITA. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Com o deferimento pela Receita Federal do Brasil de inscrição ao Simples com efeitos retroativos à época abarcada pela autuação fiscal, a exigência das contribuições sociais previdenciárias perde seu objeto.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado:
Numero da decisão: 2301-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a).
Marcelo Oliveira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 14/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2005 DEFERIMENTO DE INSCRIÇÃO RETROATIVA AO SISTEMA SIMPLIFICADO PELA RECEITA. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Com o deferimento pela Receita Federal do Brasil de inscrição ao Simples com efeitos retroativos à época abarcada pela autuação fiscal, a exigência das contribuições sociais previdenciárias perde seu objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado:
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INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Com o deferimento pela Receita Federal do Brasil de inscrição ao Simples com efeitos retroativos à época abarcada pela autuação fiscal, a exigência das contribuições sociais previdenciárias perde seu objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a). Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 14/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 01 42 /2 00 8- 71 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte LOJÃO DAS BATERIAS LTDA., em face de decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, referentes as contribuições devidas a Seguridade Social em decorrência do não recolhimento referente ao período de 1/3/1998 a 31/12/2005, incluindo os 13º salários. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD), o contribuinte não recolheu as contribuições sociais patronais, ao Risco de Acidente de Trabalho (RAT), e aos terceiros, incidentes sobre as folhas de pagamento da remuneração paga, devida, ou creditada aos segurados a seu serviço. 3. A ementa do julgamento a quo restou vazada nos termos que cabe transcrever abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Devida contribuição a cargo da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, ou da data em que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. ESFERA ADMINISTRATIVA. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve, obrigatoriamente, ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não sendo o fórum administrativo próprio para albergar discussões dessa ordem. MULTA. JUROS. SELIC. APLICABILIDADE. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidirá multa de mora, de caráter irrelevável, nos percentuais em que a lei dispuser. Aplicável a taxa referencial SELIC para as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS e pagas com atrasos. Lançamento Procedente” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13826.000142/200871 Acórdão n.º 2301003.125 S2C3T1 Fl. 328 3 4. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) erro quando do cadastramento ao preencher a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), não fazendo constar a inclusão no Simples – código 301; b) desde a sua constituição em 11/1997, a empresa recolhe todos os tributos pela forma constante da legislação do Simples, motivo pelo qual requer a inclusão no sistema de forma retroativa, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, bem como o parecer COSIT nº 60/1999; c) a declaração de nulidade do lançamento, haja visto o regime diferenciado de tributação do Simples não abarca as contribuições constantes da presente notificação fiscal; d) a extinção do direito de constituir o crédito tributário referente à competência de 1998 a 2002 pelo instituto da decadência; e e) a redução da multa de ofício, por estar configurando confisco. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Entretanto, antes de ser incluso em pauta para julgamento, o contribuinte apresentou aos autos cópia de documento da Delegacia da Receita Federal em Marília, em que se atesta o seu cadastramento retroativo ao SIMPLES a data de 19/11/2007. 6. Contudo, a cópia juntada não estava autenticada, razão pela qual, em sessão de julgamento, decidiu este colegiado por converter o julgamento em diligência para que o Fisco trouxesse ao processo informações conclusivas acerca do documento apresentado pelo recorrente (fls. 322324). 7. Baixados os autos à DRJ de origem, o auditor fiscal responsável prestou informações com o seguinte conteúdo: a) a recorrente ingressou com pedido de requerimento de inclusão no SIMPLES um dia após o encerramento do procedimento fiscal, que concluiu pela emissão do Auto de Infração objeto do processo; b) o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES foi plenamente deferido mediante o Despacho Decisório DRF/MRA/Secat nº 426, de 04/11/2008; 8. Diante desses fatos, o referido auditor defendeu que o AI objeto deste processo resta integralmente improcedente. 9. Retornado os autos a este Conselho, trago a julgamento para apreciação do mérito do recurso voluntário apresentado. É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Antes de adentrar o mérito, reitero o quanto já exarado na sessão passada, informando que o recurso atende a todos os seus pressupostos de admissibilidade. DA INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES 1. A matéria em debate não merece grande dilação. A recorrente afirma ter incorrido em erro de fato no preenchimento da Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ), ao não optar por sua inclusão no regime SIMPLES de tributação. Por outro lado, efetuou pedido, no dia posterior à autuação, para ingresso nesse regime, com efeitos retroativos. 2. Caso a inclusão retroativa no SIMPLES houvesse sido negada, seria oportuna a discussão dos demais argumentos levantados pela recorrente a fim de invalidarse o lançamento tributário ora impugnado. 3. Contudo, uma vez efetuada a correção cadastral e reconhecida e comprovada a sua retroatividade pela própria Receita Federal, através do Despacho Decisório DRF/MRA/Secat nº 426, de 04/11/2008, é certo que se invalida o Auto de Infração (AI) que deu origem ao crédito tributário objeto deste processo. 4. Para ilustrar, convém transcrever trecho da manifestação do supracitado auditor (fl. 322), em que este se coloca pela improcedência do AI: “Considerando essa decisão superveniente à lavratura fiscal que deferiu a opção pelo Simples federal a partir de 19/11/1997 a 30/06/2007, o AI supramencionado resta integralmente improcedente, tendo em vista o período a que se refere às contribuições destinadas à Seguridade Social que ensejaram a sua lavratura, ou seja, 06/2003 a 13/2005, estar incluído no período em que o interessado participou do Simples Federal, regime esse que engloba e substitui essas contribuições sociais”. 5. Diante disso, o próprio objeto em que se funda a autuação fiscal não mais existe, exaurindo seu fundamento com a concessão retroativa de inclusão no Simples pelo Contribuinte. Conclusão 6. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar a incidência das contribuições sociais previdenciárias constantes no lançamento, exonerando em sua totalidade o crédito tributário lançado. Damião Cordeiro de Moraes – relator (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13826.000142/200871 Acórdão n.º 2301003.125 S2C3T1 Fl. 329 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11020.003687/2008-89
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/10/2007
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO.
É devida a multa de ofício de 150%, por infração qualificada, mas somente em relação à parcela do imposto decorrente do aproveitamento de créditos aproveitados com a intenção de reduzir indevidamente o montante devido.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, por qualquer motivo, é acrescido de juros de mora, calculados pela aplicação da taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta inobservância do devido processo legal, não verificada no caso concreto. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não tem competência para apreciar alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2005 a 31/10/2007 CRÉDITOS INDEVIDOS. São indevidos os créditos fictos do IPI nas aquisições de materiais para uso ou consumo, não previstos em lei e em desacordo com a decisão judicial favorável ao estabelecimento. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários que geram direito de crédito são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, não abrangendo máquinas, equipamentos, suas partes e peças, e combustível empregado em máquinas e equipamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/10/2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO. É devida a multa de ofício de 150%, por infração qualificada, mas somente em relação à parcela do imposto decorrente do aproveitamento de créditos aproveitados com a intenção de reduzir indevidamente o montante devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 36 87 /2 00 8- 89 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 612 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, por qualquer motivo, é acrescido de juros de mora, calculados pela aplicação da taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução n. 330200.123, de 01 de junho de 2011 (fls. 474 a 482), cujos relatório e voto, em parte, foram os seguintes: Tratase de recurso voluntário (fls. 400 a 440) apresentado em 06 de maio de 2009 contra o Acórdão no 1018.645, de 19 de março de 2009, da 3ª Turma da DRJ / POA (fls. 389 a 393), cientificado em 06 de abril de 2009, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de maio de 2005 a outubro de 2007, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI “Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2007 “ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. “É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta inobservância do devido processo legal, não verificada no caso concreto. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 613 3 “CRÉDITOS INDEVIDOS. “São indevidos os créditos fictos do IPI nas aquisições de materiais para uso ou consumo, não previstos em lei e em desacordo com a decisão judicial favorável ao estabelecimento. “ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não tem competência para apreciar alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade. “MULTA DE OFÍCIO. “É devida a multa de ofício de 150%, por infração qualificada (fraude). “JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, por qualquer motivo, é acrescido de juros de mora, calculados pela aplicação da taxa Selic. “Lançamento Procedente” O auto de infração foi lavrado em 08 de julho de 2008, de acordo com o termo de fls. 20 a 32. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “O estabelecimento acima qualificado foi autuado por Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), para exigência do IPI que deixou de ser recolhido, no valor de R$ 348.306,92, o qual, somado ao valor dos juros de mora e da multa de ofício majorada de 150%, por infração qualificada, totalizou a importância de R$ 907.831,24, na data da lavratura do Auto de Infração das fls. 2 a 5 (vol. I) e anexos. “Segundo o Relatório de Atividade Fiscal das fls. 20 a 32 (vol. I), a falta de recolhimento do IPI decorreu da glosa de créditos inadmitidos desse imposto, escriturados em 2006 e 2007, os quais, segundo o interessado, estariam amparados em decisão provisória, proferida no Mandado de Segurança (MS) no 2001.71.07.0030956, da 3a Vara Federal de Caxias do Sul, amparo com o qual não concordou a fiscalização. “No mandado de segurança referido no item anterior, o estabelecimento pleiteou o reconhecimento, com pedido de liminar, do direito de aproveitamento de créditos futuros ou pretéritos, nos últimos dez anos, do IPI, nas compras de insumos e matériasprimas isentas, nãotributadas ou tributadas à alíquota zero, empregadas no processo de industrialização, e o direito à compensação de tais créditos, nos moldes da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 614 4 “A propósito, cumpre relatar que, contra o interessado, tramita outro processo administrativo fiscal, protocolizado sob o no 11020.004741/200722, que contém lançamento de ofício formalizado com a exigibilidade suspensa, por ter sido considerado, pela fiscalização, que, nesse caso, os créditos fictos, escriturados em 2002 e 2003, tinham amparo na decisão judicial provisória antes mencionada. “Retornando ao MS no 2001.71.07.0030956, a fiscalização noticia que foi indeferida a liminar, em 26 de julho de 2001, segundo consta nas fls. 137 a 139 (vol. I), e que, em 14 de novembro de 2001, pelo que se verifica nas fls. 141 a 149 (vol. I), foi prolatada sentença, declarando o direito do impetrante de “promover o creditamento de IPI, pago sobre as matérias primas e insumos isentadas e tributadas à alíquota zero utilizados na industrialização de seus produtos, isto quanto às operações realizadas nos últimos 5 (cinco) anos da impetração, bem como sobre as operações futuras, sem atualização monetária, devendo, para o creditamento, considerar as alíquotas relativas à etapa seguinte àquela isenta ou tributada à alíquota zero”. A magistrada prolatora da referida sentença consignou também o seguinte: “(...) quanto a eventual prática pela autoridade coatora de ato restritivo ou punitivo diante do creditamento, especialmente na concessão de Certidão Negativa de Débito – CND e fornecimento de selos necessários à venda de produtos, observo que na via jurisdicional não se pode impedir que a autoridade administrativa competente proceda à pratica de ato legal, como a fiscalização da regularidade do creditamento, razão pela qual, neste ponto, a ação se revela improcedente”. “Em 3 de dezembro de 2001, foram julgados embargos declaratórios apresentados contra a sentença referida no item precedente, tendo sido acolhidos, para negar o direito à compensação dos créditos, nos moldes da Lei n. 9.430, de 1996 [fls. 151 e 152 (vol. I)]. “Na sequência, em 22 de agosto de 2002, a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região ampliou o direito reconhecido em primeira instância, para incluir as aquisições de insumos nãotributados no direito ao crédito ficto do IPI, conforme acórdão na Apelação em Mandado de Segurança (AMS) no 2001.71.07.0030956/RS, reproduzido nas fls. 168 e 169 (vol. I). Contra esse acórdão foram apresentados embargos de declaração, os quais foram rejeitados, segundo consta nas fls. 171 a 175 (vol. I). “Informa a fiscalização que, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de Recurso Especial (REsp), o contribuinte pleiteia a concessão do direito de correção monetária dos créditos em discussão, além da ampliação do prazo de aproveitamento dos mesmos, recurso que se encontra sobrestado, segundo decisão do próprio STJ, nas fls. 177 a 179 (vol. I), para aguardar a apreciação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do Recurso Extraordinário (RE) n. 585011, Fl. 614DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 615 5 interposto pela União, contra o creditamento na aquisição de insumos nãotributados ou sujeitos à alíquota zero do IPI. “Pelo que se verifica nas fls. 180 a 182, o RE n. 585011 foi provido em 6 de maio de 2008, para negar a compensação dos créditos do IPI, decorrentes da aquisição de insumos e matérias primas nãotributadas ou sujeitas à alíquota zero. Na época da ação fiscal, pendiam de análise embargos de declaração interpostos pelo interessado neste processo administrativo, conforme documentos das fls. 185 a 187 (vol. I). “Prossegue o Relatório de Atividade Fiscal das fls. 20 a 32 (vol. I), dizendo que pelo fato de os créditos do IPI, em 2002 e 2003, referentes a aquisições de matériasprimas e insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero, terem sido escriturados no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), e terem sido informados em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), sob o título de outros créditos, sendo que, nos demais períodos (2004 a 2006), inexistiam valores escriturados no livro RAIPI, nem declarados em DIPJ, sob o mesmo título, o interessado foi intimado a informar se, nos demais períodos (2004 a 2006), teria havido creditamento do IPI nas mesmas aquisições. “Nas respostas às intimações emitidas para apurar os fatos citados no item precedente, a fiscalização apurou que, no período de 2006 e 2007, o interessado emitiu dezessete notas fiscais de creditamento do IPI, sob o argumento de que se tratavam de aquisições de matériasprimas e insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero, totalizando créditos do IPI no valor de R$ 348.306,92. Destaca a fiscalização que, diferentemente do procedimento adotado nos anos de 2002 e 2003, nos quais o contribuinte escriturava no livro RAIPI e declarava em DIPJ esses créditos sob o título “Outros créditos”, nos anos de 2006 e 2007 o contribuinte não informou em DIPJ, nem escriturou no livro RAIPI, separadamente dos outros créditos, simplesmente somandoos aos demais créditos básicos do IPI. “À vista dos fatos relatados no item precedente, a fiscalização intimou o interessado, conforme consta na fl. 65, item 2, fl. 74, item 3 e fl. 131 (vol. I), item 4, a apresentar, em relação as tais dezessete notas fiscais de crédito do IPI, a correspondente planilha em que constassem as notas fiscais de compra, dando suporte ao creditamento efetuado, além da memória de cálculo que embasasse o mesmo crédito. As planilhas solicitadas foram apresentadas nas fls. 208 a 300 (vol. II), evidenciando que uma parcela dos créditos destoa do provimento judicial favorável ao interessado, constituindose, outrossim, de créditos extemporâneos do IPI, relativos a aquisições de materiais escriturados sob os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs) 1.556 ou 2.556, referentes a compras de material para uso ou consumo, créditos que carecem de amparo legal. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 616 6 “Em relação aos créditos ilegítimos citados no item precedente, a fiscalização apurou que o contribuinte utilizou o crédito pelo valor do IPI lançado na nota fiscal de aquisição. Para as notas fiscais de creditamento emitidas pelo contribuinte no ano de 2006, referentes a aquisições efetuadas no período de 2001 a 2004, o contribuinte separou esses créditos (aquisições sob os CFOPs 1.556 ou 2.556), com destaque do IPI na nota fiscal de aquisição) nas planilhas das fls. 210 a 225 (vol. II), distinguindoos dos demais créditos, nas fls. 226 a 253 (vol. II). Já nas notas fiscais de creditamento emitidas em 2007, abrangendo as aquisições efetuadas em 2005, 2006 e 2007, segundo consta nas fls. 254 a 300 (vol. II), os créditos estão misturados aos demais créditos decorrentes da decisão judicial, que são aqueles calculados mediante aplicação da alíquota de 15% sobre o valor das aquisições de insumos sob os CFOPs 1.101 ou 2.101, em cujas notas fiscais de aquisição não houve lançamento do IPI. “Segue a fiscalização, dizendo que em outras aquisições sob os CFOPs 1.556 ou 2.556 em cujas notas fiscais de aquisição não havia lançamento do IPI, seja por ser aquisição de fornecedor optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), seja por ser fornecedor não contribuinte do IPI, ou qualquer outro motivo, o estabelecimento fiscalizado calculou o crédito da mesma maneira que para o crédito lastreado na decisão judicial, ou seja, mediante aplicação da alíquota de 15% sobre o valor da aquisição. Nas planilhas apresentadas, esses créditos estão misturados aos demais créditos judiciais [fls. 226 a 300 (vol. II)]. Ressalta a fiscalização que nas planilhas que demonstram esses créditos (CFOPs 1.556 ou 2.556 sem destaque do IPI na nota fiscal de aquisição e os créditos judiciais, todos calculados mediante aplicação da alíquota de 15%), no que tange às aquisições efetuadas até junho de 2003 [fls. 226 a 236 (vol. II)], as planilhas apresentam tãosomente créditos de aquisições sob os CFOPs 1.556 ou 2.556, ou seja, sem que haja créditos ditos judiciais. “Contra o interessado também foi formalizada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo no 11020.003733/200840, que se encontra atualmente no Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Caxias do Sul. “A ciência do Auto de Infração das fls. 2 a 5 (vol. I) aconteceu em 8 de julho de 2008, segundo o Aviso de Recebimento (AR) da fl. 330 (vol. II). “Em 7 de agosto de 2008, o sujeito passivo impugnou tempestivamente a exigência, por meio do arrazoado das fls. 331 a 374 (vol. II), firmado por seu representante legal, credenciado pelos documentos das fls. 375 a 387 (vol. II). As alegações de defesa vêm adiante sintetizadas. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 617 7 “Para a defesa, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício, com base na suposta perda do provimento judicial que autorizava o creditamento feito em 2006 e 2007, o que é verdade, com relação aos créditos nas aquisições de insumos e matériasprimas nãotributados ou tributados à alíquota zero, permanecendo, entretanto, válida a autorização para compensar créditos do IPI, decorrentes da aquisição de insumos e matérias primas isentas, o que não foi considerado pela fiscalização e exige uma perícia para quantificação dos créditos mantidos após a decisão do STF. “Além disso, o impugnante frisa que durante toda a laboriosa atividade fiscal atendeu da melhor forma possível, com todos os meios e documentos de que dispunha, todas as solicitações realizadas pelo agente fiscal, colaborando ao máximo com a indelegável função da fiscalização, acrescentando que, mesmo tendo trocado de contabilidade no período em que foi realizado o creditamento glosado, cumpriu com a prestação de todas as informações requeridas. “Em seguida, o interessado alega a nulidade do procedimento fiscal, por ofensa ao princípio do devido processo legal, em decorrência da falta de intimação para pagamento, nos termos do art. 47 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “A defesa também sustenta a nulidade da autuação, pela falta de intimação para pagamento, após a cessação da medida judicial, o que decorreria do § 2o do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996. “Na sequência, o interessado argumenta que não houve qualquer intuito de sonegação ou fraude, motivo pelo qual entende que é inaplicável a multa majorada de 150%, por infração qualificada, a qual é tachada de confiscatória e ofensiva aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Afirma que jamais buscou esconder da autoridade fiscal o creditamento do IPI, que a decisão judicial lhe garante. Tampouco aceita a imputação de que teria mudado de critério, na escrituração e declaração dos créditos amparados em decisão judicial, para ocultar esses créditos, explicando que, pela troca de procedimento, de 2002 para 2003, cumulada com a troca de assessoria contábil, jamais teve o propósito de fraudar o Fisco ou de esconder algum procedimento, de forma a obter vantagem ilícita. O enquadramento foi efetuado com base na opinião pessoal do autuante, sem qualquer prova, o que é indispensável, em face do princípio da verdade material. “Ressalta a defesa que, na quantificação dos créditos decorrentes de decisão judicial, por inexistir disposição específica, demonstrando qual a técnica aplicável ao creditamento, utilizou o critério mais razoável possível, qual seja, a soma das compras dos insumos e a aplicação da alíquota média de saída, sem que tenha havido qualquer desatenção ao provimento judicial. “Discorre sobre o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, argumentando que esse princípio não Fl. 617DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 618 8 pode ser restringido por normas de menor hierarquia, especialmente pareceres normativos. “Mudando de tópico, a impugnação contesta o acréscimo dos juros de mora pela taxa Selic aos débitos do IPI objeto do lançamento de ofício. “Por último, o impugnante pede o acolhimento das suas razões, desejando a anulação do auto de infração, além do que requer, em especial: (a) a realização de perícia contábil, para apurar o aproveitamento dos créditos do IPI, oriundos da aquisição de matériasprimas ou insumos isentos, com a conseqüente improcedência do lançamento, quanto a esses créditos; (b) o reconhecimento de que descabem quaisquer multas, eis que o estabelecimento se creditou do IPI nos exatos termos da decisão judicial, sem qualquer intuito de fraude ou sonegação; e (c) a total desconstituição do auto de infração, por ter utilizado multa flagrantemente confiscatória, além de abonar correção monetária do indébito, pela taxa Selic, em desacordo com o texto constitucional.” No recurso, a Interessada enfatizou os argumentos da impugnação. [...] VOTO [...] Ocorre que, à vista de a Interessada ter obtido sucesso parcial na ação judicial posteriormente, o julgamento do presente recurso não pode ser efetuado sem a realização de diligência. A Interessada requereu perícia, mas não é o caso. De fato, sabe se que, do auto de infração, constam valores de créditos glosados unicamente pelo fato de se tratar de insumos desonerados de IPI na entrada. Sua discriminação, entretanto, não foi possível por que a Interessada escriturou outros créditos em conjunto, não indicando a origem. Dessa forma, todo o problema teve origem na escrituração imprecisa da Interessada. Portanto, quem tem o ônus de demonstrar a real legitimidade do crédito é a Interessada. É que, nos casos em que a glosa ocorreu apenas pelo fato de se tratar de insumos desonerados, incide a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula Carf n. 01 e do Ato Declaratório Cosit n. 3, de 1996: “Súmula CARF n. 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 618DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 619 9 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ademais, em relação aos insumos isentos, em tese, enquanto prevalecer a decisão do Tribunal, a exigibilidade do crédito tributário estará suspensa. Por fim, em princípio, sobre a parcela de créditos abrangida pela ação judicial, nos termos anteriormente explicitados, desde que demonstrado o seu montante, descaberia a qualificação da multa. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização intime a Interessada a demonstrar a origem dos créditos, discriminando os relativos a insumos definidos como matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem isentos, de alíquota zero e não tributados, devendo Fiscalização indicar o montante discriminado relativamente àqueles cuja glosa não tenha outra motivação. Essa verificação também deve possibilitar, ainda que a apuração seja efetuada por amostragem ou de forma proporcional, a identificação dos insumos empregados em produtos que saíram com suspensão do imposto ou com alguma outra forma de desoneração. Após realizada a diligência (fls. 487 a 578), a Fiscalização lavrou o termo de conclusão de fls. 580 a 586, dando conta de que a Interessada não teria logrado êxito em discriminar os insumos isentos, ainda que tivessem sido concedidas sucessivas prorrogações de prazo para atendimento das intimações. Nos registros de fls. 568 a 573, em atendimento parcial às intimações, não fora apontada nenhuma aquisição de insumo isento. Em resposta a nova intimação (fl. 577), a Interessada alegou que teria apresentado todas as informações que possuiria e que “os documentos necessários à análise da fiscalização estariam disponíveis para verificação física”. Ao final, a Fiscalização indicou os valores totais dos insumos isentos (zero), de alíquota zero (R$ 113.381,25) e outros (R$ 575,01). A Interessada apresentou a resposta de fls. 591 a 605, alegando que, além dos documentos e informações apresentados à Fiscalização, os demais documentos necessários à análise estariam à disposição do Fisco em meio físico. Contestou a possibilidade de haver litigância de máfé e crime contra a ordem tributária. Acrescentou que, se os documentos apresentados não foram suficientes à análise, poderia a Fiscalização ter diligenciado na sede da empresa e que não haveria legislação vigente que obrigasse o contribuinte a manter informações em forma de tabelas para apresentar ao Fisco. É o relatório. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 620 10 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, reprisemse as considerações contidas na resolução a respeito das nulidades alegadas: Em relação às questões de nulidade, descabe razão Interessada, nos termos do acórdão de primeira instância. O art. 47 da Lei n. 9.430, de 1996, aplicarseia somente aos tributos e contribuições já confessados, cuja existência não foi demonstrada pela Interessada. O art. 63, § 2º, da mesma lei não requer intimação alguma. Assim, se a alegada reforma da decisão do TRF efetuada pelo STF houvesse ocorrido anteriormente à lavratura do auto de infração, a questão teria simplesmente que ser abordada na análise do mérito da exigência da multa e da suspensão da exigibilidade. Relembrando os termos do relatório, em relação ao material de uso ou consumo, que não é utilizado no processo produtivo e, por esse motivo não geraria direito de crédito, a Interessada adotou o valor de crédito calculado na nota fiscal de aquisição. Em relação às demais entradas que não geram crédito, seja por ser aquisição de fornecedor optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), seja por ser fornecedor não contribuinte do IPI, ou qualquer outro motivo, o estabelecimento fiscalizado calculou o crédito da mesma maneira que para o crédito lastreado na decisão judicial. A Fiscalização ainda destacou que tais aquisições foram incluídas como se fossem relativas aos créditos discutidos na ação judicial, não sendo possível efetuar a segregação dos valores. Ademais, a grande maioria das saídas relativas a produtos em que os insumos sem destaque de IPI teriam sido empregados ocorreria com suspensão do IPI, de forma que a alíquota média de 15% não se aplicaria ao caso. Entretanto, como a autorização judicial não mais estaria em vigor, todos os créditos poderiam ser glosados, indistintamente. De fato, esta era a situação vigente à época da lavratura do auto de infração, pois, independentemente de se tratar somente de insumos isentos, de alíquota zero ou não tributados empregados em produtos tributados e com destaque de IPI na saída, ou de outras entradas, ou ainda de saídas com suspensão, caberia a Fl. 620DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 621 11 glosa dos créditos, ou por não existir autorização judicial vigente ou por haver outro impedimento para o creditamento. Em seu recurso, a Interessada acusa a Fiscalização de adotar presunção ou prova indireta para lavrar o auto de infração. Entretanto, à vista do exposto acima, a alegação é completamente despropositada, uma vez que a Fiscalização apurou a infração especificamente a partir de notas fiscais e da forma como a Interessada as escriturou e descreveu claramente os motivos das glosas e qualificação da multa de ofício. Não se trata, de forma alguma, de opinião ou de interpretação pessoal, mas de clara descrição dos fatos apurados e de como eles se enquadram na legislação do imposto. É elementar que as razões que a lei enumera para vedar o creditamento, no presente caso, são independentes. A vedação a aproveitamento de créditos de insumos desonerados do IPI decorre do entendimento de que, não sendo devido imposto na entrada, inexiste direito de crédito. Essa vedação foi a única levada à discussão judicial pela Interessada. Já a vedação aos créditos decorrentes de aquisições para uso e consumo ou de aquisições de não contribuintes etc. decorre do fato de não se tratar de insumo (matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem), de não ser aplicado o produto no processo produtivo. Esse tipo de vedação não foi levado ao Judiciário pela Interessada. A fundamentação das razões de tais vedações constou do acórdão de primeira instância, no item “Glosa de créditos sem amparo na legislação e tampouco na decisão judicial”. Obviamente, pode ocorrer de determinadas entradas de produto terem creditamento vedado por razões dos dois gêneros acima descritos. Entretanto, conforme anteriormente afirmando, tal discriminação era irrelevante à época da autuação. Não há assim que se falar em violação à verdade material, ao princípio da finalidade etc. Em relação ao mérito, a Interessada alegou que a parte vigente das decisões judiciais ainda lhe garantiria o crédito de insumos isentos, o que não teria sido considerado pela Fiscalização. Como resultado da diligência, a Fiscalização afirmou não ter a Interessada obtido sucesso na demonstração da aquisição de insumos isentos, enquanto que a Interessada alegou que a documentação estaria disponível em meio físico. Descabe razão à Interessada, que desvirtuou completamente o contesto da diligência. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 622 12 É elementar que, se adquiriu insumos isentos, deveria ser fácil identificálos, uma vez que tal identificação é requisito elementar para escriturar os créditos. Ainda assim, depois de várias intimações claras sobre o objetivo da diligência, a Interessada não conseguiu apresentar prova alguma de que teria adquirido insumos isentos. Portanto, temse que a Interessada levou a matéria ao Judiciário, incidindo o art. 87 do Decreto n. 7574, de 2011, e a Súmula Carf n. 1 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. [...] Súmula CARF n. 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, não cabe o sobrestamento do julgamento do recurso (art. 62A do Regimento Interno do Carf), uma vez que a matéria que implicaria o sobrestamento (creditamento de insumos de alíquota zero, isentos ou não tributados) foi submetida ao Judiciário. Somente restou à análise do recurso as matérias relativas às preliminares de nulidade já analisadas, à existência de insumos isentos (que estariam abrangidas por medida judicial), ao direito de crédito dos insumos não abrangidos pela ação judicial e à qualificação da multa. Nesse contexto, a Interessada abordou, finalmente, depois de apresentar argumentos que não aplicam ao caso, o conceito de insumo constante do Parecer Normativo CST no 65, de 1979, e analisou o princípio da nãocumulatividade do IPI, matéria, essa sim, que diz respeito ao que foi apurado na ação fiscal. Entretanto, a Interessada ficou apenas nas alegações genéricas sobre o referido princípio, não apresentando nada mais concreto em relação aos fatos pelos quais consideraria que os créditos glosados seriam legítimos. Tal fato demonstra, portanto, que as razões apontadas pela Fiscalização para efetuar as glosas são verdadeiras. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 623 13 Na ação fiscal, a Interessada alegou que a classificação no código 1.556 teria sido equivocada em relação à maioria das entradas, uma vez que se trataria de produtos “consumidos durante o processo produtivo”. Conforme destacou a Fiscalização no TVF (fl. 26): Analisandose os materiais constantes de amostra das NFs de entradas (fls. 81 a 129) relacionadas pelo contribuinte, adquiridos sob os CFOPs 1.556 ou 2.556, percebesse que este não é o caso de tais materiais. São na verdade materiais utilizados como uniformes (toucas, guarda pós fl 113 e 128), ou na manutenção das máquinas, equipamentos e instalações industriais, tais como parafusos, pistões, rolamentos, óleo, retentores, etc, materiais estes que, por óbvio, não têm qualquer contato físico com o produto final produzido pelo contribuinte, qual seja, embalagens e peças plásticas para produtos alimentícios, cosméticos, farmacêuticos, químicos e petroquímicos. Em princípio, conforme considerou o acórdão de primeira instância, as questões relativas à inconstitucionalidade de lei levantadas pela Interessada não podem ser apreciadas na via administrativa, como confirma a Súmula Carf no 2, aprovada pela Portaria Carf no 106, de 2009: Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da mesma forma, descabe apreciar as alegações sobre a confiscatoriedade da multa aplicada. Quanto ao Parecer CST citado, é importante ressaltar que o regulamento do IPI, nessa matéria, referese a produto consumido no processo industrial. Cabe esclarecer que a referência ao termo não consta expressamente do art. 25 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações dos Decretoslei n. 34, de 1966, e 1.136, de 1970, que estabelecem como condição para o creditamento a destinação do produto adquirido “à comercialização, industrialização ou acondicionamento”. O regulamento, por sua vez, impôs duas condições, ao estabelecer a possibilidade de crédito: tratarse de produto consumido no processo produtivo e não integrar o produto o ativo permanente. Já a Constituição diz que a nãocumulatividade se processa pela compensação do imposto cobrado na operação anterior (art. 153, § 3º, II). A Constituição não estabelece de maneira clara o que seria “operação anterior”. Dessa forma, os limites sobre o que gera ou não direito de crédito podem ser objeto de regulação legal, dentro de limites interpretativos que não importem a descaracterização da nãocumulatividade. A lei, na realidade, estabelece uma condição bastante restritiva, dizendo que os créditos referemse a “produtos entrados”, de forma que a comercialização, a Fl. 623DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 624 14 industrialização e o acondicionamento mencionados referemse à destinação do próprio produto. Nesse contexto, o regulamento impôs limites menos restritivos às disposições legais, esclarecendo que os produtos consumidos no processo e que não se destinem ao ativo permanente também geram direito de crédito. Em relação aos insumos, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 625 15 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que, além de não se destinarem ao ativo permanente, ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Ainda há precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. Ação de empresa fabricante de aço para creditarse do imposto relativo aos materiais refratários que revestem os fornos elétricos, onde é fabricado o produto final. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à Fl. 625DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 626 16 incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. Art49 do CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Portanto, temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. No caso dos autos (relativamente aos outros insumos apurados), tratase de material de uso e consumo, produtos adquiridos sem incidência de IPI e insumos cuja natureza não se pôde verificar, que não geram direito a crédito. Ademais, há produtos que sequer são utilizados no processo produtivo, como os uniformes. O regulamento também não reconhece o crédito de aquisições de empresas optantes pelo Simples ou de não contribuintes do IPI, conforme ementa a seguir reproduzida: IPI – CRÉDITOS BÁSICOS – RESSARCIMENTO – O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI, bem como do saldo credor decorrente da entrada de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados, está condicionado ao destaque do IPI nas notas fiscais relativas às operações de aquisição desses insumos. Também não há permissão legal para aproveitamento de créditos referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT na TIPI). Recurso negado. (Ac. 20214.207) Portanto, não tem razão a Interessada. Ademais, a Selic é exigível, conforme a Súmula Carf no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, devese analisar a questão da qualificação da multa de ofício. Considerou a Fiscalização que “o conjunto de procedimentos levados a efeito pelo contribuinte enquadrase nos conceitos de sonegação ou fraude [...]”. Esse conjunto de Fl. 626DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003687/200889 Acórdão n.º 3302001.770 S3C3T2 Fl. 627 17 procedimentos seria representado pelos fatos de mudar de critério ao declarar os créditos na DIPJ e no LRAIPI; de calcular os créditos em desacordo com o provimento judicial obtido; de apresentar falsa declaração de que todos os créditos estariam abrangidos pela sentença judicial; e, por fim, de se utilizar de registro de créditos não relativos a insumos. Não resta dúvidas pelo que foi apurado que a Interessada, aproveitandose da decisão judicial, simplesmente adicionou aos créditos abrangidos pela ação outros créditos de natureza diversa, com a pura intenção de reduzir o montante devido. Dessa forma, em relação a esses créditos, ocorreu dolo, mas não em relação aos de alíquota zero. Portanto, considerando o resultado da diligência, a qualificação da multa deve ficar restrita ao imposto decorrente dos outros créditos. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no ar. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1998, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa do imposto decorrente do aproveitamento indevido dos outros créditos. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 627DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11610.000833/2002-89
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. PARTICIPANTES DO PROGRAMA BEFIEX. LIMITES.
Os prejuízos fiscais apurados pelo próprio contribuinte na vigência do programa Befiex podem ser compensados sem limitação nos 6 (seis) anos-calendário subsequentes. Após tal prazo, incide a regra geral que impõe a observância da trava de 30% (trinta por cento).
Numero da decisão: 1103-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
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PARTICIPANTES DO PROGRAMA BEFIEX. LIMITES. Os prejuízos fiscais apurados pelo próprio contribuinte na vigência do programa Befiex podem ser compensados sem limitação nos 6 (seis) anos calendário subsequentes. Após tal prazo, incide a regra geral que impõe a observância da trava de 30% (trinta por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 08 33 /2 00 2- 89 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 813 2 Relatório Tratase de Pedidos de Restituição (fls.01, 155, 175) e de Pedidos/Declarações de Compensação (fls.02, 28, 31, 38, 54/56, 74, 76, 77, 98, 99, 120, 164/170, 177, 179, 181/187), protocolizados a partir de 04/01/02. No Despacho Decisório (fls.291/298), cientificado ao contribuinte em 04/01/07 (fl.329), concluiuse: “ [...] INDEFIRO o Pedido de Restituição referente ao saldo credor de IRPJ exercício 2002 e não homologo as compensações vinculadas a esse crédito; e DEFIRO o Pedido de Restituição referente ao saldo credor de CSLL do exercício 2002 reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional a IOCHPE MAXION S.A., CNPJ 61.156.113/000175 na importância total de R$ 279.891,36 (duzentos e setenta e nove mil, oitocentos e noventa e um reais e trinta e seis centavos), e homologo as compensações vinculadas a esse crédito até o limite do valor deferido (Processo n° 11610.022345/200222 e PERDCOMP 18273.73750.231204.1.3.034832)” Tal decisão lastreouse nos fundamentos abaixo resumidos: os pedidos de restituição de IRRF foram convertidos em pedidos de restituição de saldo negativo apurado no final do anocalendário 2001; quanto à compensação de prejuízos acumulados em períodos anteriores, o contribuinte não observou o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões; o contribuinte foi intimado a comprovar a sua participação no programa Befiex, quando se constatou a aprovação em 02/01/82 e encerramento em 25/05/94. Quanto à incorporadora, a aprovação deuse em 30/03/84 e o encerramento, em 31/01/96; conforme legislação de regência, para gozo do benefício, a aprovação deveria ter ocorrido até 03/06/93, sendo necessária a vigência quando da ocorrência do fato gerador, no caso 31/12/01; em decorrência da limitação relacionada à compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, o imposto apurado foi superior ao declarado como retido na fonte; o saldo negativo de CSLL pleiteado foi integralmente confirmado. A Manifestação de Inconformidade (fls.344/353) foi indeferida pela Sétima Turma da DRJ – São Paulo I (SP), em acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.695/701): Fl. 813DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 814 3 PROGRAMA ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO. BEFIEX. ENCERRAMENTO. PREJUÍZO FISCAL. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% PARA COMPENSAÇÃO. Correta a exigência quando a contribuinte, extitular do Programa BEFIEX, procedeu a compensação de prejuízos fiscais, após o encerramento do mencionado Programa, sem observar o limite legal estabelecido, qual seja, 30% do lucro liquido ajustado. Devidamente cientificado do acórdão em 02/03/09 (fl.702v), o contribuinte tempestivamente apresentou Recurso Voluntário em 31/03/09 (fls.733/759), em que sustenta, em síntese: o lucro real teria sido integralmente reduzido mediante compensação de prejuízos fiscais apurados durante o período em que era titular do programa Befiex – Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação; nos termos da legislação regente, faria jus à compensação integral, sem a aplicação de qualquer trava, o que lhe garantiria um saldo negativo de IRPJ, decorrente das retenções na fonte, no valor de R$ 6.405.736,87, dos quais R$ 3.075.936,71 foram objeto dos pedidos de restituição/compensação; a diligência requerida pela DRJ concluira pela procedência da utilização dos prejuízos fiscais, bem como do Imposto de Renda Retido na Fonte; o artigo 95 da Lei nº 8.981/95 não imporia qualquer restrição no sentido de que os benefícios somente poderiam ser utilizados durante a vigência do programa Befiex, interpretação corroborada pelas IN SRF nº 51/95 (art.27, §3º) e nº 11/96 (art.35, §4º). A nova redação daquele dispositivo legal suprimira a referência ao artigo 42 da Lei nº 8.981/95, de maneira que os prejuízos apurados na vigência do programa Befiex “...poderiam ser compensados com 100% dos lucros apurados nos anoscalendário subsequentes”; o próprio Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99 (art.470, I) seria enfático ao dispor que a compensação de prejuízos não estaria sujeita ao limite de 30% (trinta por cento); a única exigência a possibilitar a compensação de prejuízos sem limite “...seria que o Programa Especial de Exportação tivesse sido aprovado até 3 de junho de 1993, e nada mais. Uma vez cumprido esse requisito, ao apurar prejuízo fiscal durante a vigência do programa, tal como ocorreu no caso concreto, o contribuinte adquiriu automaticamente o direito a compensálo com os lucros apurados nos 6(seis) anoscalendário subsequentes.”; a autoridade fiscal não teria questionado a existência dos prejuízos sob a vigência do Befiex, mas apenas a sua compensação após o término do programa; os dispositivos mencionados pelas instâncias precedentes afirmariam que os benefícios seriam assegurados durante a vigência do Befiex, em nada interferindo no momento em que seriam fruídos. O direito ao benefício estaria incorporado ao patrimônio jurídico dos que participaram do programa, sendo que uma lei não poderia retroagir para interromper efeitos já consolidados; o intérprete não poderia se limitar à literalidade de qualquer enunciado prescritivo, devendo empregar os demais métodos de interpretação. Permitir que a compensação sem limites seria possível apenas durante a vigência do Befiex tornaria o incentivo sem sentido, “...porque, nos programas de curta duração, por exemplo, a maior parte do prejuízo apurado deixaria de ser aproveitado, vez que o prazo para tanto logo se encerraria.”; Fl. 814DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 815 4 o extinto Primeiro Conselho de Contribuinte já afastara tal limitação (acórdãos nº 10196.800, 10808.267, 10322.037 e 10806.529); todas as obrigações pactuadas teriam sido cumpridas, com alcance de todas as metas de exportação, e os programas, encerrados por adimplência contratual, restando à União as contrapartidas, dentre as quais o reconhecimento do direito de compensar integralmente o prejuízo fiscal com o lucro determinado nos seis anoscalendário subsequentes; “...uma vez cumpridas todas as metas estabelecidas no programa, negar a utilização de um direito pelo simples fato de que ele será exercido após o término do programa, repitase, com todas as metas cumpridas, é negar a boafé e a confiança no poder público, pois, durante a vigência do programa, o contribuinte pautou sua conduta ACREDITANDO que a contrapartida lhe seria garantida quando do efetivo exercício de seu direito (compensação dos prejuízos), que até então lhe era impossível realização em decorrência da não apuração de lucro real passível de ser reduzido mediante a compensação de prejuízos de exercícios anteriores.”. a Administração estaria vinculada em seu agir, de forma a assegurar os direitos dos particulares, decorrentes de obrigações pactuadas com o Poder Público; os benefícios fiscais do Befiex não teriam sido concedidos de forma gratuita, equiparandose a verdadeiro benefício condicionado, que não pode ser revogado ou modificado a qualquer tempo, como preconiza o art.178 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Como relatado, a questão cingese à possibilidade ou não, no anocalendário 2001, de compensação integral de prejuízos fiscais apurados durante a participação do contribuinte no programa Befiex. De acordo com Informação Fiscal (fl.289), confirmada no Despacho Decisório (fl.294), “...o contribuinte teve sua participação aprovada em 02/01/1982 e encerrada em 25/05/94, e de sua incorporadora (FNV Veículos Equipamentos S.A.) aprovada em 30/03/84 e encerrada em 31/01/96”. Na apuração do lucro real (ficha 09 A da DIPJ/2002 fl.254) informou a título de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, decorrentes de “Indust. Tit. Prog. Export. – BEFIEX até 03/06/93” (linha 45), a importância de R$ 51.781.405,46 (cinquenta e um milhões, setecentos e oitenta e um mil, quatrocentos e cinco reais e quarenta e seis centavos). Fl. 815DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 816 5 Quando do Despacho Decisório, estava em plena vigência a redação do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, com exigência de formalização de auto de infração para fins de retificação de prejuízo fiscal, posteriormente alterada a partir da Medida Provisória nº 449, de 03/12/08. Vejamos: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Trazse tal dispositivo à lume, exatamente para eventual alegação de que, no caso concreto, a fiscalização, ao analisar pedidos de restituição/compensação, não poderia ter alterado a apuração declarada na DIPJ e, por consequência, concluir pela inexistência do saldo negativo informado. Primeiro, que não se trata de retificação do quantum de prejuízos fiscais acumulados, que, salvo prova em contrário, foi mantido incólume, mas do não aproveitamento integral em decorrência da trava de 30% (trinta por cento) ao final do anocalendário 2001. Segundo, que a retificação em comento foi realizada no prazo decadencial, considerandose a data em que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório. Em se tratando de IRPJ, o Fisco dispunha do prazo de 5 (cinco) anos, contado na forma do art.150, §4º, ou do art.173, I, do CTN, para homologar a apuração, lustro não extrapolado na espécie. Aquela hipótese do art.9º do Decreto nº 70.235/72 prestigiava a necessidade de o contribuinte conhecer as razões a respeito da modificação efetuada pela Fazenda Pública, com o fim de facultarlhe o contraditório e a ampla defesa. Esse foi o objetivo da alteração legislativa primeira. Com a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, de 03/12/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/09, o art.9º do Decreto nº 70.235/72 passou a ter a seguinte redação: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ..... § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 817 6 Corrobora a conclusão anterior a Exposição de Motivos daquela MP, ao esclarecer que a necessidade de formalização das razões que levaram o Fisco a concluir pela prática da infração por parte do contribuinte, nas hipóteses em que não resulte lançamento de crédito tributário, decorre exatamente da necessidade de se garantir aqueles direitos constitucionais. In verbis: “13. O art. 23, por sua vez, altera o Decreto nº 70.235, de 1972, sendo que a alteração do art. 9º do referido Decreto visa possibilitar à Fazenda Nacional, nas hipóteses em que não resulte lançamento de crédito tributário, a formalização de infrações que ensejem a redução de valores a restituir, a compensar ou a deduzir de tributos e a glosa de créditos de tributos não cumulativos, permitindo ao contribuinte exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa (...).” Acerca do programa Befiex, dispõe a legislação de regência: Decretolei nº 2.433, de 19/05/88 Art. 7º O ProgramaBEFIEX tem por finalidade principal o incremento das exportações e a obtenção de saldo global acumulado positivo de divisas, computados os dispêndios cambiais a qualquer título, mediante compromissos firmados com a União pelas empresas titulares. Art. 8° Às empresas industriais titulares de ProgramaBEFIEX poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento: ..... III compensação total ou parcial do prejuízo verificado em um períodobase, com o lucro real determinado nos seis períodos base subseqüentes, desde que não sejam distribuídos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas enquanto houver prejuízos a compensar, para efeito de apuração do Imposto sobre a Renda; ..... Art. 12. Os benefícios previstos neste decretolei, concedidos à empresa titular de ProgramaBEFIEX, serão assegurados durante a vigência do respectivo Programa. Lei nº 8.981, de 20/01/95 Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 817DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 818 7 A conclusão de que o contribuinte poderia ter compensado, sem a trava de 30% (trinta por cento), os prejuízos apurados quando da sua participação no Befiex foi contemplada no Despacho Decisório, proferido também à luz do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99: Art.470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de ExportaçãoComissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (DecretoLei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); ..... §2º Os benefícios previstos neste artigo serão assegurados durante a vigência do respectivo programa (DecretoLei nº 2.433, de 1988, art. 12). O indeferimento da compensação integral decorreu, na realidade, da interpretação de que o “...o programa deveria estar vigente na data da ocorrência do fato gerador”, conforme art.12 do Decretolei nº 2.433/88 e art.470, §2º, do RIR/99, ou seja, quando da efetiva compensação. Ao fomentar o incremento das exportações e a obtenção de saldo global positivo de divisas, a União concedeu benefícios aos participantes do programa, dentre os quais a possibilidade de compensação de prejuízos nos seis anoscalendário subsequentes, sem que lhes fosse imposta a limitação dos 30% (trinta por cento). Considerando a regra especial do art.95 do Lei nº 9.981/95, a permitir a compensação nos seis anoscalendário subsequentes à apuração dos prejuízos fiscais, o art.12 do Decretolei nº 2.433/88, matriz do art.470, §2º, do RIR/99, assegurou o direito à compensação posterior sem a trava percentual apenas com relação aos prejuízos apurados quando da vigência do respectivo programa. Essa é a leitura que harmoniza a sistemática de compensação quando considerados os participantes do Befiex, pois com relação aos prejuízos fiscais apurados em períodos posteriores ao término da participação no programa de incentivos já não mais é possível se identificar qualquer traço de discrímen relativamente aos demais contribuintes, não se podendo aplicar norma especial que represente tratamento diferenciado. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 819 8 A redação original do art.95 da Lei nº 8.981/95 remetia ao seu art.42, que permitia a redução do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões, em no máximo 30% (trinta por cento). É importante atentar que a Lei nº 9.065, de 20/06/95, ao tempo em que contemplou, regra geral, a limitação dos prejuízos fiscais àquele percentual (art.15), foi a responsável pela alteração daquele dispositivo, cuja limitação voltada à compensação de prejuízos fiscais apurados pelos participantes do programa Befiex passou a se resumir aos seis anoscalendário subsequentes. A outra conclusão não se chega, portanto, senão pela possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais apurados pelas “empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – BEFIEX”, durante a sua vigência, integralmente nos seis anoscalendário subsequentes. Esta foi a dicção, por exemplo, do art.27 da IN SRF nº 51, de 31/10/95, e IN SRF nº 11, de 21/02/96 : IN SRF nº 51/95 Art. 27. A partir do anocalendário de 1995, para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. § 1º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 2º O disposto neste artigo aplicase, também, às pessoas jurídicas submetidas à apuração mensal do imposto a que se refere o § 6º do art. 37 da Lei nº 8.981, de 1995. § 3º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração de atividade rural, bem como pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos, respectivamente, da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990 e do art. 95 da Lei nº 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. IN SRF nº 11/96 Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 820 9 § 1º Os prejuízos fiscais são compensáveis na forma deste artigo, independentemente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 2º Os prejuízos apurados anteriormente a 31 de dezembro de 1994, somente poderão ser compensados se, naquela data, fossem ainda passíveis de compensação, na forma da legislação então aplicável. § 3º O disposto neste artigo aplicase, também, às pessoas jurídicas submetidas à apuração mensal do imposto com base no lucro real, a que se refere o § 6º do art. 37 da Lei nº 8.981, de 1995. § 4º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. (destaquei) No mesmo sentido, as seguintes decisões administrativas: “COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. PROGRAMA BEFIEX. Circunscrevese apenas à esfera do imposto de renda o incentivo de compensação integral do prejuízo fiscal apurado na vigência do programa BEFIEX, não tendo fundamento legal a utilização deste beneficio para compensação de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro sem a limitação de 30% prevista nas leis n° 8.981/95 e 9.065/95 (...)” (1ª SJ, 1ª SJ, 5ª Turma Especial, Acórdão nº 28/05/09). “(...) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES NEGATIVAS DE CSLL EMPRESAS TITULARES DE PROGRAMAS BEFIEX Os prejuízos apurados na vigência do programa podem ser compensados no prazo de seis anos, desde sua apuração, sem limitação de 30%. Após esse prazo, considerando que, pela legislação em vigor, os prejuízos se tornaram imprescritíveis, o saldo não compensado pode ser utilizado para compensações, porém observando o limite de 30% (...)” (1ºCC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.858, de 13/08/08) “(...) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS As empresas mantenedoras de Programa Especial de Exportação BEFIEX fazem jus à compensação integral dos prejuízos sofridos durante o período do programa, na forma prevista no art. 95, da Lei nº 8.981/95 (nova redação dada pelo art 1º da Lei nº 9.065/95), c/c art. 27, §3º, da Instrução Normativa nº 51/95, mesmo com lucros posteriores à vigência do referido programa. (1º CC, 7ª Câmara, Acórdão nº 10708.811, de 08/11/06) Fl. 820DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 821 10 IRPJ COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO FISCAL PROGRAMA BEFIEX O prejuízo apurado durante a vigência do programa BEFIEX pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real sem as limitações impostas pela Lei nº 8.981/95, mesmo após o término do programa. (1ºCC, 8ª Câmara, Acórdão nº 10808.267, de 13/04/05) IRPJ COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO FISCAL BEFIEX A compensação de prejuízos registrados na vigência de programa Befiex regido pelo Decreto Lei nº 1.219/72 não está sujeita à limitação de trinta por cento, prevista nas Leis 8.981 e 9.065 de 1995, enquanto houver saldo de prejuízo a compensar nos 6 anoscalendário subseqüentes. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10514.569, de 08/07/04) Considerando a data em que encerrou a participação no programa Befiex (25/05/94), fato incontroverso, os prejuízos apurados durante a sua vigência, poderiam ser utilizados na compensação, sem a trava de 30% (trinta por cento) até o final de 2000, considerandose a interpretação acima firmada. Não obstante tal conclusão, suficiente para se infirmar a pretensão da defesa, verificarseá que parte, ou mesmo a totalidade, dos prejuízos fiscais declarados não foram apurados quando da participação do contribuinte no programa Befiex. Intimado a apresentar, quanto aos anoscalendário de 1993 a 1996, exercício de 1994 a 1997, a “...Composição com todas as documentações pertinentes dos prejuízos fiscais apurados nos referidos períodos, enquanto inseridos em Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – Comissão Befiex”, bem como a “...Demonstrar sucintamente quando e como foram utilizados referidos prejuízos”, o contribuinte disponibilizou, dentre tantos documentos, cópias da Parte B do LALUR, com o controle dos saldos dos prejuízos fiscais apurados desde o anocalendário 1990 (fls.511/526). Ali, constatase que os prejuízos fiscais apurados anteriormente a 25/05/94 já haviam sido exauridos bem antes do anocalendário 2001, de maneira que os compensados na DIPJ 2002 não se referiam ao período em que o Recorrente participou do programa Befiex, de sorte que se obrigava a cumprir a trava de 30% (trinta por cento), incidindo na espécie a regra geral. Encontramse nos autos, também, demonstrativos do sistema Sapli, por meio do qual se verifica que ao final de abril/1994 o saldo de prejuízos fiscais estava assim constituído: Histórico Valor (CR$) PeríodoBase 1990 0,00 PeríodoBase 1991 1.574.198,00 AnoCalendário 1992 50.741.269.832,00 AnoCalendário 1993 2.768.517.327,00 AnoCalendário 1994 14.050.106.406,00 Com a apuração de lucro de maio a setembro, o saldo corrigido dos prejuízos fiscais, acumulados até abril/94, restou assim constituído ao final de setembro/94 (fls.672/673): Fl. 821DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.798 S1C1T3 Fl. 822 11 Histórico Valor (R$) PeríodoBase 1990 0,00 PeríodoBase 1991 1.339,00 AnoCalendário 1992 3.353.229,00 AnoCalendário 1993 218,00 AnoCalendário 1994 0,00 Total 3.354.786,00 A partir de outubro/94, nos períodos de apuração em que houve compensação de prejuízos, notase, segundo tais demonstrativos, o não aproveitamento daquele saldo formado até abril de 1994, quando o contribuinte ainda participava do programa Befiex. Considerando que tais prejuízos poderiam, como visto acima, ser compensados integralmente nos 6 (seis) anoscalendário subsequentes, a tentativa de aproveitá los em 2001, sem a trava de 30% (trinta por cento), mostrase contrária à legislação de regência, razão pela qual não pode ser aceita. Acrescentese que o valor informado a título de prejuízo fiscal das “Indústrias Titulares de Prog. De Export. – Befiex”, de R$ 51.781.405,46, é deveras superior àqueles apurados quando da participação da Iochpe Maxion S.A em tal programa. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 822DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10314.004321/98-53
Data da sessão: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- II
Data do fato gerador: 22/09/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN.
INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. PRECEDENTE: Acórdão n°
301-32.780.
O pedido de restituição de Imposto de Importação fundamentado em
cancelamento de Declaração de Importação não comporta a discussão de transferência do encargo financeiro prevista no artigo 166 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.194
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. PRECEDENTE: Acórdão n° 301-32.780. O pedido de restituição de Imposto de Importação fundamentado em cancelamento de Declaração de Importação não comporta a discussão de transferência do encargo financeiro prevista no artigo 166 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. pAl Anton*/ raga - Pr sidenteI4 • el•P•4. l 61Susy Gomes ..,,k#4 I ann - Relatora Editado em: 12/05/2010 1 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Nilton Luiz Bartoli, Maria Cristina Roza da Costa, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Antonio Carlos Guidoni Filho e Antonio Praga. Ausentes justificadamente as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Trata o presente de Recurso Especial por maioria interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional às fls. 265/272, alegando contrariedade à legislação tributária, e requerendo a cassação do v. Acórdão de fls. 253/260 que deu provimento ao Recurso Voluntário ao decidir que o artigo 166 do CTN não se aplica ao Imposto de Importação. O contribuinte requereu em 27.11.1998 o cancelamento da DI 98/0942218-0, posto que paga em duplicidade. Tal requerimento fora deferido em 08.07.1999 conforme se denota da decisão SESIT n° 195/99 da Inspetoria da Receita Federal de São Paulo (fls. 38/40) e que verificou a correção dos valores que se pretende restituir e remeteu o processo à DRF de São José dos Campos para verificação junto ao importador quanto ao atendimento do disposto no art. 166 do CTN. Após diligência, a DRF/SJCampos entendeu que não houve atendimento ao artigo, indeferindo o pedido de restituição, pois "o valor pleiteado foi contabilizado a débito de urna conta de custo de material importado — A-2400-TLA que, por integrar o custo dos produtos vendidos e afetar o resultado anual da empresa, implica em transferência do respectivo encargo financeiro para terceiros." In-esignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 103/111), fazendo uma breve narração dos fatos e alegando em síntese que: Por mero erro de sua contabilidade o crédito tributário pleiteado permaneceu em "conta de resultado" quando deveria ter sido deslocado para "contas a receber pendências alfandegárias"; Desistiu do Processo n° 10314.006114/99-51, tendo recolhido os valores referentes ao crédito, utilizando-se do regime especial de tributação previsto na MP 66/02; Caberia ao Fisco uma análise exaustiva de todas as ocorrências relativas ao crédito, em obediência ao princípio da verdade real e da segurança jurídica; Mesmo que tivesse compensado o crédito recolhido em dobro, quando da desistência requerida, houve novo pagamento, o que ensejaria a restituição; Em respeito ao princípio da legalidade e, nos termos do art. 12 da IN n° 210/02, não cabe repercussão de créditos do imposto a terceiros; Requer ao final, a reforma da decisão e prosseguimento da restituição dos valores recolhidos em duplicidade Em acórdão proferido às fls. 168/173, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo indeferiu a solicitação, sob o argumento de que "ainda que cancelada a Declaração de Importação, a restituição do tr'buto somente será feita a quem prove haver 2 Processo n° 10314.004321/98-53 CSRF-T3 Acórdão n.° 03-06.194 Fl. 296 assumido seu encargo financeiro, conforme preceitua a Lei 5.172/66 — Código Tributário Nacional." O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 180/186, reiterando os argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade. Em sessão realizada no dia 15 de agosto de 2006, os membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deram provimento ao recurso voluntário por maioria, deferindo a restituição do imposto de importação indevidamente pago. Referida decisão, teve a ementa abaixo transcrita: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.0 Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A União interpôs Recurso Especial por Maioria, alegando que a r. decisão do Conselho de Contribuinte contraria o disposto no art. 166 do Código Tributário Nacional, alegando que para haver a restituição, o contribuinte deveria provar a assunção do encargo financeiro do imposto. Despacho de admissibilidade às fls. 274/275. Contra-razões do contribuinte às fls. 286/292. Em síntese é o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffinarm, Relatora. O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão porque dele tomo conhecimento. Da análise dos presentes autos verifica-se que o contribuinte solicitou o cancelamento de DI e conseqüente restituição do Imposto de Importação pago em duplicidade. Deve ser preliminarmente esclarecido que já foi verificado pela autoridade de origem que os valores a serem restituídos estão corretos e que caberia a repetição, ficando apenas a discussão acerca do cabimento da previsão do disposto no artigo 166 do CTN. De acordo com o entendimento da DRJ/São Paulo, não haveria que se falar em restituição, posto que o contribuinte não teria provado ter assumido o encargo financeiro do tributo. Ocorre que o Imposto de Importação tem natureza de tribu o direto, ou seja, cujo ônus é suportado pela pessoa legalmente obrigada ao seu pagamento. Assim, não há que 3 se falar no presente caso em comprovação de quem teria assumido o encargo financeiro do imposto de importação, posto que não é passível de transferência desta obrigação. Tal matéria já fora apreciada pelo Conselho de Contribuintes e da análise de suas decisões verifica-se o entendimento majoritário no sentido do quanto decidido no v. acórdão ora combatido. Desta feita, adoto como fundamentos do presente voto, a decisão abaixo transcrita, proferida pelo Ilustre Conselheiro Dr. Otacílio Dantas Cartaxo, no recurso n° 131967, provido por unanimidade de votos e tendo corno base, o voto condutor proferido pelo Conselheiro José Luiz Novo Rossari: O art. 166 do Código Tributário Nacional estabelece que "a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la." O dispositivo retrotranscrito trata especificamente de tributo cuja natureza jurídica implica transferência do encargo financeiro, do sujeito passivo da obrigação tributária — contribuinte de direito — ao contribuinte de fato, vale dizer, àquele que adquire a mercadoria ou o serviço prestado. Essa situação ocorre com os impostos classificados no próprio CTN como Impostos sobre a Produção e a Circulação, v.g. IPI, ICMS, I0F, os quais são comumente classificados como impostos indiretos por grande parte dos estudiosos em direito tributário. No Imposto de Importação não se tipificam as figuras de contribuinte de direito e contribuinte de fato, visto que a lei básica aduaneira (art. 1 o, inciso I, do Decreto-lei no 37/66, com a redação que lhe deu o art. 1 o do Decreto-lei no 2.472/88) estabelece que a responsabilidade tributária pela introdução de mercadoria estrangeira no País é do importador e o imposto pago no despacho aduaneiro não é destacado em notas fiscais para repasse aos consumidores subseqüentes. Destarte, não se caracteriza o Imposto de Importação como um imposto indireto. E em decorrência, tal imposto não se classifica entre os que comportam transferência do encargo financeiro de que trata o art. 166 do CTN. Importante ressaltar que, já por ocasião da instituição da Instrução Normativa SRF no 21, de 10/3/1997, houve a preocupação da SRF em disciplinar a matéria ora sob exame. Para isso foi estabelecido no art. 18 da referida IN que, verbis: 'Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outrem (IOF e LPI) A norma retrotranscrita deixou claro serem os ali indicados (IOF e IPI) os tributos federais sujeitos à prova de assunção do encargo financeiro para os fins previstos no art. 166 do CTN." O julgamento de Primeira Instância fundou-se no entendimento contido no Parecer CST/DAA n° 1965, de 18/07/1980, abaixo transcrito: "O imposto de importação se insere na determinação prevista no artigo 166 do CTN, devendo a sua restituição ser condicionada à prova de assunção do respectivo encargo financeiro ou, no caso de transferência do ônus a terceiro, à expressa autorização deste". Retomando o raciocínio do voto proferido no acórdão if 301-32.780, vê-se: 4 Processo n° 10314.004321/98-53 CSRF-T3 Acórdão n.. 03-06.194 Fl. 297 "No entanto, a matéria voltou a ter a preocupação da SRF, tendo sido editado o Parecer Cosit no 47, de 17/11/2003, que, analisando as particularidades do Imposto de Importação com vistas à aplicabilidade do disposto no art. 166 do CTN, deu disciplina final à matéria no sentido de que descabe tal requisito no caso de pedido de restituição desse tributo. Tal Parecer recebeu a seguinte ementa, verbis: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA no 1.965, de 18 de julho de 1980." A nova orientação trazida pela Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, ficou claramente explicitada no Parecer Cosit no 47/2003, que reformou o Parecer CST/DAA n° 1965, de 18/07/80, adotado no julgamento de primeira instância, e dispensou o sujeito passivo de comprovar a assunção do encargo financeiro. Tratando-se de norma de caráter interpretativo, é inteiramente aplicável à hipótese o disposto nos art. 106, I, do CTN, que permite a interpretação retroativa nos casos da espécie, razão pela qual entendo estar assegurado o direito de restituição à recorrente. Diante do exposto e considerando que ficou confirmado no processo o cancelamento da DI e o pagamento do imposto reclamado, matéria de fato que nem foi suscitada na decisão recorrida, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. Ex positis, conheço do recurso por atender aos requisitos necessários à sua admissibilidade para, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito dar-lhe provimento. Ademais, no presente caso, está-se frente a um pedido de restituição de Imposto de Importação que decorre de cancelamento de Declaração de Importação, o que, por si só, impede qualquer discussão acerca de repasse pela empresa interessada do encargo financeiro a terceiros. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, mantendo-se na integra a r. decisão ora combatida que reconheceu o direito à restituição do Imposto de Importação no presente caso. no, Susy Gol 111-", ffmann 5
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