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Numero do processo: 19515.001157/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
CSLL. DIFERENÇA ESCRITURADO X DECLARADO/PAGO.
Demonstrados, inclusive mediante a realização de diligência, equívocos nas bases de cálculo apontadas pelo Fisco, e que as correções desses equívocos levam ao desaparecimento de quaisquer diferenças entre os valores escriturados e aqueles eclarados/pagos, o lançamento não pode subsistir.
Numero da decisão: 1301-000.783
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 CSLL. DIFERENÇA ESCRITURADO X DECLARADO/PAGO. Demonstrados, inclusive mediante a realização de diligência, equívocos nas bases de cálculo apontadas pelo Fisco, e que as correções desses equívocos levam ao desaparecimento de quaisquer diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos, o lançamento não pode subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.663 2 LIBBS FARMACÊUTICA LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 51.889.332,93, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 01. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: O interessado foi autuado na CSLL, em 08/04/2009, por recolhimento insuficiente referente aos fatos geradores dos anoscalendário de 2003 a 2007, insuficiência apurada por meio de cotejo entre as DCTF's, a escrituração contábil e os DARF's recolhidos, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 51.889.332,93, incluindo contribuição, multas de 75% e juros de mora calculados até 31/03/2009 (fls. 1 a 158). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 141 a 145, dá conta de que por ocasião das verificações preliminares: “Após a análise dos meios magnéticos, foi efetuado o cotejo das informações disponíveis nos disquetes entregues pelo contribuinte com o dossiê eletrônico constante nos sistemas da Receita Federal do Brasil, onde foram apuradas diferenças relativas à CSLL. O contribuinte foi intimado, em 26/03/2009, a justificar tais diferenças, não o tendo feito até a presente data. Tendo em vista o exposto, constatamos que o contribuinte efetuou recolhimento insuficiente da CSLL, para os fatos geradores ocorridos no período em tela, de acordo com planilha em anexo, que faz parte integrante deste Termo, cujo cotejo foi realizado entre as DCTF's entregues, os valores registrados na contabilidade e os DARF's recolhidos.” O enquadramento legal se deu com base no art. 77, inciso III, do Decretolei nº 5.844/43, art. 149 da Lei nº 5.175/66, art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, art. 1º da Lei nº 9.316/96, art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637/02. As diferenças apuradas encontramse nas planilhas de fls. 143 a 145. O auto de infração consta às fls. 146 a 158. O interessado apresentou impugnação, em 08/05/2009 (fls. 160 a 171), por meio de seu sócio (fls. 171 a 181), acompanhada de documentos (fls. 182 a 600), alegando, em resumo, que: 1 há nulidade, pois houve cerceamento de defesa, visto que recebeu como anexo do Auto de Infração apenas planilhas com dados inconsistentes cotejados com os do dossiê eletrônico da RFB, ao qual a impugnante não tem acesso, o que dificultou a defesa, impossibilitando o entendimento dos valores apontados como devidos, em total afronta ao princípio da ampla defesa; as inconsistências estão relacionadas às planilhas da fiscalização, os únicos documentos que embasaram o Auto de Infração; além da falta de documentos de suporte das planilhas apresentadas, seus montantes informados como devidos não são pertinentes, vez que foi considerada a contabilidade como meio hábil para determinação da CSLL, e como se não bastasse, foram utilizados valores não condizentes com a nossa contabilidade, conforme demonstrado no Anexo I; o trabalho carece de um dos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.664 3 elementos essenciais à constituição do crédito tributário, qual seja, a descrição do fato que originou o débito de forma clara, precisa e corroborada por documentos que efetivamente suportem e comprovem a acusação; juntase 3 (três) pastas de documentos, contendo DARF'S, DCTF'S, PER/DCOMP'S, Razões Contábeis, Base de Cálculo e Comprovantes dos Informes de Rendimentos de Aplicação Financeira dos anoscalendário de 2003 a 2007, que comprovam a inexistência do crédito tributário exigido; 2 em vista do absurdo valor exigido, cabe invocar o princípio da capacidade contributiva, pois a empresa apresentou entre 2003 a 2007 um faturamento médio de R$ 265.987.629,00, enquanto a soma dos lançamentos desta ação fiscal (PIS, COFINS, IRPJ, IRRF e CSLL) alcançou R$ 228.077.172,00; 3 ocorreu a decadência em relação aos créditos tributários dos períodos de competência anteriores a 08 de abril de 2004, conforme argumentos de praxe; 4 a planilha anexa ao Auto de Infração, que daria suporte ao lançamento confrontou valores extraídos da contabilidade de forma totalmente desconexa, como por exemplo, considerando a provisão da CSLL (cálculo acumulado de todos os meses de cada anocalendário) versus os valores informados na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (valores informados mês a mês) para em seguida promover o lançamento com a exigência do tributo como se fosse diferença apurada, não se atentando que a provisão da CSLL contabilizado através dos cálculos acumulados nada tem a ver com as informações declaradas da DCTF, pois as últimas são informações de cada mês e não o acumulado do período; tal procedimento não se reveste de lógica, não tendo sentido prático e muito menos amparo legal; 5 eis a demonstração, de forma correta e comprovada, do real valor contabilizado com os respectivos pagamentos da CSLL nos anoscalendário de: a) 2003: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 4.181.563,83, conforme o Razão (doc 1.4) e os recolhimentos foram do mesmo valor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 1.1); b) 2004: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 5.793.586,60, conforme o Razão (doc 2.5) e os recolhimentos foram do mesmo valor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 2.1) e compensações com PER/DCOMP’s (doc 2.2); c) 2005: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 5.024.324,22, conforme o Razão (doc 3.4) e os recolhimentos foram R$ 0,03 a menor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 3.1); d) 2006: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 5.570.907,43, conforme o Razão (doc 4.4) e os recolhimentos foram do mesmo valor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 4.1); e) 2007: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 3.702.526,93, conforme o Razão (doc 5.5) e os recolhimentos foram a maior, perfazendo R$ 4.181.395,40, composto por recolhimentos com DARF’s de R$ 3.804.562,01 (doc 5.1) e compensações com PER/DCOMP’s de R$ 376.833,39 (doc 5.2); Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.665 4 6 a planilha da fiscalização traz diversos lançamentos transitórios que ocorreram durante o exercício, mas sem influência efetiva em termos de apuração do imposto ou seu pagamento efetivo, além de considerar débitos e créditos de forma inconsistente e desordenada, o que não espelha a situação real da empresa em termos contábeis e de recolhimento do tributo; 7 em resumo: o auto de Infração não pode prosperar, pois: a) o trabalho fiscal nasceu com vício insanável, eis que utilizou o razão contábil que contempla o registro de todos os atos praticados pela empresa (fatos aumentativos, diminutivos e permutativos) em um dado momento, mas que não se presta como base de cálculo ou fato gerador de imposto; b) os anexos e demonstrativos que compõem o Auto de Infração revestemse apenas de planilhas com dados desconexos e sem o acompanhamento de nenhum documento comprobatório da possível infração praticada pela empresa; 8 caso o julgador não forme sua convicção com os documentos relacionados e juntados, pleiteia a realização de diligência. O interessado apresentou, em 10/06/2009, esclarecimentos adicionais (fls. 603 a 616), por meio de seus advogados (fls. 616 a 628), acostando elementos (fls. 629 a 680). O processo foi baixado em diligência, em 27/07/2009 (fls. 684 a 687), cujo teor é o seguinte: (...) Os quadros de fls. 204 a 217, elaborados pela impugnante, mostram que: 1 em 2003 e 2004, não há divergência quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, ficando o lançamento das diferenças por conta de estimativas não consideradas pela fiscalização; 2 em 2005, há divergências quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, em 30/04/2005 e 30/09/2005 pois apesar de ter levantado o Balanço/Balancete de Suspensão ou Redução nessas ocasiões, optou por recolher a “estimativa da receita bruta mais acréscimos” (art. 2º da Lei n.º 9.430/96), de forma que, nestes casos, a provisão não é o meio hábil para apurar a CSLL devida, mas, sim, a base de cálculo da estimativa da receita bruta mais acréscimos, assim como em 31/12/2005, quando, além das divergências quanto ao valor da provisão utilizado pela fiscalização e pelo contribuinte, o lançamento da diferença ficou por conta, também, de estimativas não consideradas pela fiscalização; 3 em 2006, há divergências quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, em 31/01/2006, em 28/02/2006, em 30/04/2006, em 30/08/2006, em 30/09/2006, ficando o lançamento por conta dessas divergências, como descritas no item anterior, e em 31/12/2006, quando o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.666 5 lançamento da diferença ficou por conta, também, de estimativas não consideradas pela fiscalização; 4 em 2007, há divergências quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, em 31/01/2007, em 28/02/2007, em 30/04/2007, em 30/06/2007, em 30/09/2007, ficando o lançamento por conta dessas divergências, como descritas no item anterior e em 31/12/2007, quando o lançamento da diferença ficou por conta, também, de estimativas não consideradas pela fiscalização. Os quadros elaborados pela impugnante, às fls. 219 a 223, demonstram, para todos os meses do período autuado, se foi utilizada a receita bruta ou a suspensão/redução, a respectiva base de cálculo/DCTF, o valor recolhido por meio de DARF e/ou PER/DCOMP e/ou IRRF sobre Aplicações Financeiras e os n.ºs de referência do respectivo conjunto probatório, além dos totais anuais. Os quadros de fls. 225 a 230, também elaborados pela impugnante, sintetizam as conclusões dos quadros de fls. 204 a 217. As provas apresentadas (fls. 232 em diante) são os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, PER/DCOMP’s, DCTF’s, demonstrativos dos cálculos das estimativas com base na receita bruta ou das antecipações com base nos balanços/balancetes de suspensão/redução, LALUR e (embora a impugnante diga ter trazido os Razões contábeis das provisões, conforme fls. 168 e 169) o Razão contábil da provisão de 2003 (fl. 288), mas quanto a 2004 (fls. 353 e 354), 2005 (fls. 433 a 435), 2006 (fls. 512 a 517) e 2007 (fls. 595 a 600) elementos como o chamado de “Razão Verificação”, que se refere à “conta reduzida: 254/9”, cuja exata relação com a conta de provisão não é conhecida, pois esta leva o código 2111500254, nos anos de 2003 a 2005, conforme consta à fl. 121. Cotejando os valores apurados no TVF com os da autuação (fls. 143 a 150) verificase que em 2005, 2006 e 2007 foram lançadas como diferenças de contribuição as somas de diferenças apuradas ao longo desses anos, que poderiam configurar recolhimentos a menor de estimativas ou de antecipações com base em balanço ou balancete de suspensão/redução, que serviriam apenas como base de cálculo de multas, nos moldes do art. 44 da Lei n.º 9.430/96 com suas alterações, que diz que: (...) A par disso, verificase a existência, em todos os anos autuados, de divergências não só entre os números da fiscalização e os do contribuinte sobre o valor da Provisão para a CSLL, mas, também, desses números com os que constam nas DIPJ’s: DATA FISCO CONTRIBUINTE EXAME CONTAB RETIF CONTAB SOMA PROVISÃO DIFERENÇA DIPJ (*) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.667 6 DATA FISCO CONTRIBUINTE EXAME CONTAB RETIF CONTAB SOMA PROVISÃO DIFERENÇA DIPJ (*) 31/12/2003 4.181.563,83 0,00 4.181.563,83 4.181.563,83 0,00 1.278.807,24 31/12/2004 5.793.586,60 0,00 5.793.586,60 5.793.586,60 0,00 2.349.547,40 31/12/2005 10.162.909,98 5.024.324,22 5.138.585,76 5.024.324,22 114.261,54 1.020.775,02 31/12/2006 10.737.046,29 5.570.907,43 5.166.138,86 5.570.907,43 404.768,57 1.163.926,37 31/12/2007 8.236.266,32 3.702.526,93 4.533.739,39 3.702.526,93 831.212,46 13.577,20 (*) as instruções de preenchimento da linha 7 (Provisão para a CSLL) do Passivo informado nas DIPJ’s pedem, nesse campo, a informação do saldo a pagar da provisão na data de encerramento do Balanço. Portanto, proponho encaminhar o processo à DEFIC/SPO/SAPAF, para que a fiscalização diligencie no sentido de trazer ao processo: 1 esclarecimentos sobre a origem e o significado dos dados da coluna “Retif. Contab.”, às fls. 143 a 145; 2 o(s) código(s) da conta de Provisão para a CSLL em 2006 e 2007; 3 Razão da conta de Provisão para a CSLL de 2004 a 2007 e Razão das contas de suas contrapartidas nos anos autuados; 4 esclarecimentos sobre a movimentação da conta de Provisão para a CSLL, acompanhados de planilha impressa e em EXCEL, vinculando as memórias de cálculo dos créditos e dos débitos nela lançados; 5 explicações sobre as divergências dos saldos dessa conta com os dados das DIPJ’s, nos anos autuados; 6 o total dos valores creditados e não estornados na conta de Provisão para a CSLL em cada ano autuado e qual o valor que foi adicionado, para fins de determinação da base de cálculo, a esse título? 7 sua apreciação sobre o conjunto probatório. (...)” A diligência foi realizada (fls. 703 a 1.649), constando seu encerramento e conclusão às fls. 1.620 a 1.649, com ciência ao interessado em 22/01/2010 (fl. 1.620verso), cujo resumo é o seguinte: 1 foram analisados todos os documentos apresentados; 2 foi realizado o confronto dos registros contábeis com os DARF’s apresentados e DCTF’s; 3 foram analisadas as planilhas apresentadas e confrontadas com os registros do LALUR, “não restando diferenças a serem exigidas.”. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1624.493, de 04/03/2010 (fls. 1650/1659), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.668 7 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DO FATO E FORMA DE APURAÇÃO. Não há despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, de forma que não há nulidade por cerceamento do direito de defesa. A impugnação demonstra que as imputações foram compreendidas, não prejudicando a defesa. A descrição do fato imputado é muito clara: insuficiência de recolhimento de CSLL. Preliminar indeferida. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. É princípio constitucional destinado aos legisladores, cuja aplicação se dá por meio da legislação tributária, que vincula a todos os AFRFB, inclusive julgadores. Preliminar indeferida. DECADÊNCIA. Tratandose de recolhimento insuficiente, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, de forma que a contagem se dá a partir das datas dos fatos geradores, que neste caso, ocorreram em 31/12. O lançamento se deu em 08/04/2009, o que significa que o fato gerador de 31/12/2003 foi alcançado pelo decurso do prazo decadencial. Preliminar deferida em parte. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO. CONTRIBUIÇÃO ESCRITURADA E DECLARADA/PAGA. Não há diferença a recolher. Como a decisão exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.669 8 Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, em que pese ter havido o reconhecimento parcial da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários por fatos geradores ocorridos até 31/12/2003, o principal motivo para o afastamento da integralidade dos créditos tributários lançados foi o resultado da diligência determinada pelo julgador de primeira instância. De pronto, cabe observar que a diligência não foi cumprida nos exatos termos em que foi determinada. O relator do processo em primeira instância elaborou sete quesitos a serem respondidos pela AuditoraFiscal encarregada da diligência e, apesar da vasta documentação acostada aos autos, os quesitos não foram respondidos especifica e diretamente. Na parte final (fls. 1620/1649), a AuditoraFiscal refaz os demonstrativos que embasaram o lançamento, fazendo em todos os casos um ajuste na coluna “Justificativa” de forma a zerar qualquer diferença a ser exigida. Considero relevante reproduzir as justificativas, para cada um dos anos calendário objeto de lançamento: AnoCalendário 2003: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2003, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que a diferença apontada no mês de DEZ/2003, ocorre em razão do lançamento contábil registrar a CSLL do exercício de 2003, e está comparada com a DCTF e o SINAL calculados e pagos por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2004: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2004, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que a diferença apontada no mês de DEZ/2004, ocorre em razão do lançamento contábil registrar a CSLL do exercício de 2004, e está comparada com a DCTF e o SINAL calculados e pagos por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.670 9 Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2005: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2005, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que as diferenças apontadas ocorrem pelos seguintes motivos: 1) Os lançamentos contábeis que aparecem na coluna CONTAB e RETIF.CONTAB estão invertidos. 2) A empresa calculou e pagou a CSLL do exercício por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. 3) Os lançamentos contábeis não refletem essa sistemática, porém não representam fato gerador do tributo. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2006: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2006, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que as diferenças apontadas ocorrem pelos seguintes motivos: 1) Os lançamentos contábeis que aparecem na coluna CONTAR e RETIF.CONTAB estão invertidos. 2) A empresa calculou e pagou a CSLL do exercício por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. 3) Os lançamentos contábeis não refletem essa sistemática, porém não representam fato gerador do tributo. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2007: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2007, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que as diferenças apontadas ocorrem pelos seguintes motivos: 1) Os lançamentos contábeis que aparecem na coluna CONTAB e RETIF.CONTAB estão invertidos. 2) A empresa calculou e pagou a CSLL do exercício por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. 3) Os lançamentos contábeis não refletem essa sistemática, porém não representam fato gerador do tributo. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.671 10 No relatório em que conclui a diligência (fl. 1648), a AuditoraFiscal singelamente conclui que não restam diferenças a serem exigidas. Não menos singelo foi o acórdão de primeira instância, que decidiu em duas frases (fl. 1659): O relatório da diligência traz conclusão de que não restaram diferenças a serem exigidas. Portanto, VOTO por EXONERAR o lançamento, na íntegra. Cumpre, nesta etapa processual, avaliar os fundamentos para o afastamento do crédito tributário em primeira instância, vale dizer, os fundamentos para a conclusão da diligência fiscal. Ao examinar os documentos e as justificativas trazidas aos autos, concluo que, nos anoscalendário 2003 e 2004, os lançamentos foram equivocados, por não considerar que a CSLL devida, registrada na contabilidade no mês de dezembro, fosse resultado do período anual. A esse valor foi confrontado o montante declarado em DCTF como estimativa exclusivamente no mês de dezembro, sem levar em conta as estimativas declaradas e pagas em todos os meses anteriores. O contribuinte demonstrou e comprovou a correção de seu procedimento e a AuditoraFiscal aceitou a inexistência de diferenças passíveis de lançamento, o mesmo ocorrendo com a decisão de primeira instância. Nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, mais uma vez o valor da CSLL anual, registrado na contabilidade em dezembro, foi comparado com o valor de estimativa declarado em DCTF correspondente ao mês de dezembro. A confundir ainda mais as apurações originalmente feitas pelo Fisco, a contribuinte declarou e pagou estimativas em alguns meses do ano com base na receita bruta e acréscimos (RBA), em outros com base em balanços/balancetes de suspensão/redução (BSR), conforme lhe facultava a lei. No entanto, sua contabilidade, onde o Fisco buscou elementos para o lançamento, não registrou fielmente essa mudança de sistemática. Também nesses anos o contribuinte demonstrou e comprovou a correção de seu procedimento e a AuditoraFiscal aceitou a inexistência de diferenças passíveis de lançamento, o mesmo ocorrendo com a decisão de primeira instância. Não faço reparos ao quanto decidido. Demonstrados, inclusive mediante a realização de diligência, equívocos nas bases de cálculo apontadas pelo Fisco, e que as correções desses equívocos levam ao desaparecimento de quaisquer diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos, o lançamento não pode subsistir. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.672 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13726.000605/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1999
FUNDAMENTO LEGAL. LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA
Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A,
c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhece-se a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/11/2007, 20/12/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhecese a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2007, 20/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais referente ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), vencidos nas datas de 20/11/2007 e 20/12/2007, declarados nos Pedidos de Restituição/Declarações de Compensação (Per/Dcomps) às fls. 20/23 e 24/27, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos dessa mesma contribuição referente aos meses de competência de janeiro de 1997 a fevereiro de 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda não reconheceu os créditos financeiros e não homologou as compensações dos débitos tributários declarados sob o argumento de que os valores recolhidos eram devidos e, ainda, que não o fossem, nas datas de transmissão dos Per/Dcomp, o direito de a recorrente repetilos/compensálos já havia decaído pelo decurso do prazo qüinqüenal, conforme despacho decisório às fls. 45/47. Inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 63/72), insistindo na homologação, alegando, em síntese, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/compensação dos indébitos declarados, defendendo a tese dos “cinco mais cinco”, ou seja, cinco anos para a extinção tácita do pagamento e mais cinco para exerceu o seu direito. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação dos débitos declarados, conforme Acórdão nº 1332.431, datado de 26/11/2010, às fls. 79/83, sob a seguinte ementa: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte de pleitear a restituição compensação de tributo pago em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (90/97) requerendo a sua reforma a fim que se reconheça seu direito à repetição/compensação dos valores reclamados e homologue as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese: I) em preliminar, a prescrição de alguns débitos; e, II) no mérito, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/compensação dos créditos (indébitos) reclamados, defendendo a tese dos “cinco mais cinco” e/ ou a contagem do prazo qüinqüenal da data da publicação do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade do tributo ou da Resolução do Senado Federal que suspendeu a execução da norma declarada inconstitucional. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13726.000605/200741 Acórdão n.º 330101.276 S3C3T1 Fl. 105 3 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Conforme consta do pedido de restituição às fls. 03/11, os valores reclamados decorrem dos pagamentos de Pasep, efetuados com base na MP nº 1.212, de 25/11/1995, e suas reedições, convertidas na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, referentes às competências mensais de janeiro de 1997 a fevereiro de 2009. Segundo, seu entendimento, em face do STF ter declarado, em 02/08/1999, a inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, e tendo o Senado Federal editado a Resolução nº 10, em 04 de abril de 2005, os recolhimentos efetuados com base nestes diplomas tornaramse indevidos, constituindose indébitos tributários passíveis de restituição/ compensação. A recorrente sustenta: I) em preliminar, a prescrição de alguns débitos; e, II) no mérito, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/compensação dos créditos financeiros (indébitos) reclamados. Quanto à preliminar de prescrição de débitos cujas compensações não foram homologadas, além de não ter identificado quais débitos foram atingidos pela prescrição, tal alegação constitui matéria preclusa. A título de esclarecimento, cabe ressaltar que os débitos declarados, em número de dois, se referem ao Pasep dos meses de outubro e novembro de 2007, com vencimentos em 20/11/2007 e 20/12/2007. Como os Per/Dcomps foram transmitidos em 10/10/2007 e 14/12/2007, não há que se falar em prescrição. No mérito, as questões se restringem à decadência do direito de a recorrente repetir/compensar os indébitos reclamados e à certeza e liquidez de seus valores. Quanto à suscitada preliminar de inocorrência da decadência do seu direito de repetir/compensar os valores reclamados, seu julgamento fica prejudicado, porque, conforme será demonstrado na questão de mérito, em relação à certeza e liquidez dos valores reclamados, independentemente de ter ou não ocorrido a decadência do seu direito, aqueles valores não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 8.715, de 25/11/1998. A exigência da contribuição para o Pasep, no período objeto do pedido de restituição, ou seja, de 1º de janeiro de 1997 a 28 de fevereiro de 1999, tem sua fundamentação amparada na MP nº 1.212, de 28/11/1995, e s/ reedições, convertidas na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. Na esfera judicial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio do julgamento do RESP 1.136.210, cujo Relator foi o então Exmo. Ministro Luiz Fux, decidiu que a contribuição destinada ao Pasep permaneceu exigível no período compreendido entre outubro Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Levandose em conta que o Acórdão do STJ sobre esta matéria foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, e, ainda, o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), adotase para o presente caso aquela decisão, ou seja, a constitucionalidade e legalidade da exigência do Pasep, no período de março de 1996 a fevereiro de 1999, com fundamento na MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertidas na nº 9.715, de 25/11/1998. Além disto, no julgamento da ADIN nº 1.4170, na qual se suscitou a inconstitucionalidade da MP nº 1.212, de 25/11/1995, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional apenas e tão somente a parte do art. 15 daquela MP que determinava sua aplicação retroativa a partir de 1º de outubro de 1995. Os demais dispositivos e sua aplicação foram julgados constitucionais depois do cumprimento da carência nonagesimal prevista na Constituição Federal de 1988, art. 195, § 6º. Assim, cumprida aquela carência, a referida MP entrou em vigor, nos termos da Constituição Federal de 1988, art. 62, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, no período, objeto dos pretensos indébitos reclamados, a contribuição para o Pasep, apurada e paga nos termos daqueles diplomas legais, era devida e os valores recolhidos não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida. Já a homologação da compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não dispunha dos créditos financeiros declarados em ambos os Per/Dcomps. Assim não há que se falar em homologação das compensações dos débitos fiscais declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15504.008414/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS
45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA
VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do
STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de
sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento, nos termos do art. 150, IV do CTN. SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES – PARECER PGFN 2117/2011 Sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados não incide contribuições previdenciárias, ainda que feita sem a adesão ao PAT, conforme decisões judiciais corroboradas pelo Parecer PGFN 2117/2011.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 05/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até competência 11/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento, nos termos do art. 150, IV do CTN. SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES – PARECER PGFN 2117/2011 Sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados não incide contribuições previdenciárias, ainda que feita sem a adesão ao PAT, conforme decisões judiciais corroboradas pelo Parecer PGFN 2117/2011. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 05/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até competência 11/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008414/200849 Acórdão n.º 2401002.209 S2C4T1 Fl. 550 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado referente às contribuições devidas pela empresa à seguridade social, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço., as quais foram calculadas sobre os valores pagos aos empregados a titulo de ALIMENTAÇÃO, sem a devida inscrição no PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, no período compreendido entre 01/2003 a 12/2007, com ciência do contribuinte em 06/2008. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 130/132, os fatos geradores das contribuições lançadas tiveram como base de cálculo os valores lançados nos Livros Diário e Razão, sob o título: "Alimentação aos Trabalhadores" além dos valores lançados nas Folhas de Pagamento. Inconformada com a Decisão de fls. 499/509, a empresa apresentou recurso alegando os mesmos argumentos da defesa, razão pela qual peço vênia para transcrever o relatório da decisão de primeira instância que muito bem resumiu o inconformismo da recorrente: Que a alimentação in natura fornecida aos empregado não integra o salário de contribuição, tendose como equivocada a pretensão fazendária: Aduz que a contribuição previdenciária tem fundamento legal no art. 195 da Constituição Federal e no art. 22, I da Lei n° 8.212, de 1991, devendo incidir sobre pecúnia, ou seja, sobre os RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS aos trabalhadores. Ainda que a Lei n° 8.212, de 1991 tenha alargado a hipótese de incidência para incluir a expressão ganhos habituais sobre a forma de utilidades, tais ganhos devem ser entendidos como aquele acréscimo patrimonial oferecido ou fornecido ao empregado em virtude de seu trabalho. No presente caso, a empresa não creditava qualquer valor aos empregados a título e!de alimentação, ao contrário, fornecia cestas básicas e alimentação dentro do seu próprio estab lecimento, conforme comprovado pelas Notas Fiscais NF em anexo. Cita exemplo de NF com a discriminação de aquisição de, pacotes; de arroz, açúcar, farinha de mandioca, fubá, café, feijão e latas de óleo. Diz que o ato administrativo está eivado de ilegalidade pelo fato de a Fiscalização ter usado de discricionariedade ao efetuar o lançamento, no que se refere ao critério utilizado para Considerar a incidência ou não de tributação sobre a verba exigida. Alega que a Fiscalização considerou as NF referentes à cesta básica como incidentes de contribuição e as NF referentes à alimentação fornecida na dependência da empresa como não incidentes de contribuição, citando como exemplo a NF n° Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 000014, de fls. 156. Tal discricionariedade enseja a nulidade do ato. Cita julgados do Superior Tribunal de Justiça que consideram a alimentação fornecida in natura como não integrante do salário de contribuição, desde que não seja um valor creditado em favor do empregado, independente de inscrição no PAT. Que o Auto de Infração é inconsistente, pois o agente fiscal valeuse de Notas Fiscais de aquisição de alimentos, em anexo, para lavrar a autuação, considerando como parcela integrante do salário de contribuição e que, no Relatório Fiscal, explicitou que o levantamento teve como base de cálculo os valores lançados nos livros Diário e Razão. Em nenhum momento, o Fiscal constatou nos livrqs contábeis ou nas folhas de pagamento que houve pagamento ou crédito, em dinheiro, aos empregados. Entende que restou demonstrada a ilegalidade do Auto de Igração que baseou o lançamento em NF de aquisição de alimentos, para considerar essa parcela incidente de contribuição. A defendente argumenta que a inscrição no PAT, do Ministério do Trabalho, é apenas uma formalidade para aproveitamento do beneficio fiscal de dedução para cálculo do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, conforme contido na Lei n° 6.321 e art. 369 do RIR199. Que não é válida a previsão contida no art. 28, §9°, alínea "c" da Lei n° 8.212, de 1991 e art. 214, §9°, inciso III do RPS, Decreto 3.048, de 1999, ao estabelecerem que somente não integra o salário de contribuição a parcela recebida de acordo com o PAT, aprovado pelo Ministério do Trabalho. Além de alargarem a hipótese de incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal (incidência sobre os rendimentos pagos ou creditados), contraria a Lei que criou o PAT. Que o PAT é um benefício fiscal e não um critério de aferição de parcelas que integram o salário de contribuição. Conclui que é inconcebível que pretenda o Fisco tributar alimentação fornecida aos trabalhadores. Ainda que se considerem devidos os valores contestados, a taxa SELIC aplicada sobre as contribuições em atraso engloba não só os juros, como também, o fator de atualização monetária. A aplicação da taxa SELIC exclui a aplicação de fatores de atualização monetária, sob pena de bis in idem. Pede seja decotado do Auto de Infração o valor atualizado das contribuições, passando a incidir somente os juros calculados pela taxa SELIC sobre o valor histórico de cada competência. Contesta, ainda, o fato de constar do Relatório Fiscal que o Auto de Infração tem como anexo a "Relação de coresponsáveis" e que, na verdade, consta como anexos o Relatório de Representantes Legais — REPLEG e Relatório de Vínculos, relatórios estes que explicitam quais são os sócios e representantes legais da empresa. O Auto foi lavrado somente em nome da empresa Santa Maria Comércio de Papel Ltda e não constou o nome dos, Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008414/200849 Acórdão n.º 2401002.209 S2C4T1 Fl. 551 5 administradores Euler Corradi Silveira e Iolanda Florentina Corradi Silveira, tal contradição impede a identificação de forma clara, pelo contribuinte, de quem está sendo notificado, cerceando seu direito de defesa Impugna a atribuição de responsabilidade dos já citados administradores, por não restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude, abuso de gestão, violação da lei, nos termos do art. 135, III do Código Tributário Nacional — CTN, e nem a hipótese prevista no art. 33, 6° da Lei n° 8.212, pois houve plena cooperação da empresa em apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização. Como não ficou provado nos autos que os diretores da Recorrente praticaram excesso de poder, infração à lei ou violação do contrato social, ressalta a manifesta ilegitimidade da inclusão dos citados diretores como coresponsáveis, devendo os mesmos serem excluídos da polaridade passiva da autuação. Diante de todo o exposto, requer seja a impugnação conhecida e julgada procedente para declarar nulos os valores lançados no Auto de Infração, pois foram utilizadas as Notas Fiscais como base de cálculo e tal hipótese não constitui fato gerador de contribuição, nos termos do art. 195, I, "a" da CF; que não houve pagamento em espécie aos trabalhadores; Que o STJ já pacificou entendimento nesse sentido e que a empresa agiu com a intenção de melhorar as condições de seus empregados. Que seja declarado nulo o Auto em relação à contradição existente sobre a atribuição de coresponsabilidade dos sócios, ou a exclusão dos mesmos do pólo passivo da autuação. E, por fim, caso não entenda pela nulidade, seja decotado o valor atualizado do Auto de Infração, passando a incidir juros e correção monetária calculados somente pela taxa SELIC sob o valor histórico das contribuições. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA Embora não tenha sido suscitada em sede de recurso, há a preliminar de decadência que merece conhecimento de ofício por se tratar de matéria de ordem pública. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em junho de 2008, conforme se verifica do AR acostado às fls. 125 e as contribuições lançadas referemse às competências 01/2003 a 12/2007 o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, IV do CTN. DO MÉRITO No mérito temos que a irresignação da recorrente merece prosperar, senão vejamos: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008414/200849 Acórdão n.º 2401002.209 S2C4T1 Fl. 552 7 Recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após reiteradas decisões judiciais que entenderam não incidir contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de alimentação in natura aos segurados das empresas, emitiu o Parecer PGFN 2117/2011, que assim dispõe: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Este posicionamento da Procuradoria foi emitido uma vez que “no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais.” Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, acolher de ofício a preliminar de decadência excluindose do lançamento os valores lançados até a competência 05/2003, inclusive, e no mérito Darlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16641.000095/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/10/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, I DA LEI N.° 8.212/91
C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, I da Lei nº 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Deixou de incluir em FOPAG os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de Auto de Infração não há que se falar em recolhimento antecipado, mas descumprimento de obrigação acessória, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Mesmo que a decadência alcance algumas das obrigações descritas no Auto de Infração, restando apenas uma competência com obrigações não cumpridas é suficiente para manutenção da autuação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.079
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16641.000095/2007-31 Recurso n° 156.008 Voluntário Acórdão n° 2401-01.079 — C Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE CONSERVAS SCHRAMM LTDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/10/2007 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, I DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n." 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Deixou de incluir em FOPAG os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n " 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de Auto de Infração não há que se falar em recolhimento antecipado, mas descumprimento de obrigação acessória, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Mesmo que a decadência alcance algumas das obrigações descritas no Auto de Infração, restando apenas uma competência com obrigações não cumpridas é suficiente para manutenção da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. çk7- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACO Ir A os membros da Éla Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, •or un nimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, em negar • rovinr to ao recurso. ELIAS SA • A10 FREIRE - Presidente EL • /NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Hemigue Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo n° 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 104 • • Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art 225 I e § 90 e art. 283, I, "a" do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Mas especificamente não preparou folhas de pagamento dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 01/1999 a 12/2001, conforme relações anexas ao AI. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 35 a 54. A DRFB emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 68 a 73, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 80a 100. Em síntese o recorrente alega o seguinte: • 1. Preliminarmente, impossibilidade de constituir o crédito em virtude da fluência do prazo decadência nos termos do art. 150, §4°. 2. Necessário o julgamento em conjunto do AI em tela com a NFLD 0 37.066.958-4, isso porque a multa ora lançada refere-se a NFLD, também alvo de recurso voluntário. 3. Descabida a multa, visto que não se identifica qualquer ato doloso da impugnante, sendo que não há que se falar em não • elaboração de FOPAG, mas apenas erro no seu preenchimento, o que deve ser levado em consideração para relevação da multa • aplicada. 4. Deve-se levar em consideração que o infrator é primário e não houve qualquer circunstância agravante. • 5. Ilegal, ainda a aplicação dos juros posto que afronta o art. 97 e 161 do CTN. 6. Requer a insubsistência e improcedência da decisão proferida em primeiro grau, para que se cancele o auto de infração hostilizado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 102. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabivel a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de "fazer" ou "deixar de fazer", sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabivel a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja, o não recolhimento por parte da empresa, dos valores descontado dos segurados empregados, o que em tese caracteriza crime de apropriação indébita. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Sã0 inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5"do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 4 jk ) Processo n° 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 105 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, VALIDADE DA Cal. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3•0 DO ART. 20 DO CPC IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁ TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no 11.1 de 24.02.2006; Precedentes do SM: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no D1 de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fálico probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Sumula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807100) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (1SSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20% podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do credito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ü) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iiD regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Sana-, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o s Processo e 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 106 crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4 0, e 173, do C1N, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decanal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTIY. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4 0 , do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Sana, rEd., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, 11, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQ1V, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio mi de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: 8 It Processo n° 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 107 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.I50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutó ria da ulterior homologação do lançamento. § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 40, é possivel quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, trata-se de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa elaborado FOPAG dos pagamentos feitos aos segurados contribuintes individuais. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, com a cientificação do sujeito passivo em 19/10/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 12/2001, deve ser declarada a decadência do lançamento até a competência 11/2001. Porém, em se tratando de auto de infração de valor fixo, a peimanência de apenas uma infração na competência 12/2001 é suficiente para manutenção do presente auto de infração. Superadas a preliminar, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal, tendo em vista o alcance da decadência qüinqüenal, bem como a conexão deste AI com NFLD lavradas durante o procedimento, sem contudo refutar, as obrigações que ensejaram a autuação, qual seja, elaboração das folhas de pagamento de contribuintes individuais. Dessa forma, em relação aos fatos geradores (obrigações acessórias) objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação neste ponto. Contudo, entendo que devam ser apreciados os demais argumentos. Em primeiro lugar quanto a conexão existente, entendo que mesmo existindo NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, não há de se falar em dependência entre a mesma e o Al em tela. No caso, a obrigação que ensejou o Al foi deixar de contabilizar em títulos próprios, o que independe da existência de recolhimento, ou mesmo de terem sido lavradas NFLD para cobrança de contribuições. Assim, não assiste razão ao recorrente. Com relação a multa aplicada entendo que razão não assiste ao recorrente. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente auto-de-infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente auto-de- infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I - preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da -Seguridade Social; (grifo nosso) Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao fNISS para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: io Processo n°16641.000093/2007-31 S2-C4T1 Acórdão w° 2401-01.079 Fl, 108 I - preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; § 9° A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, • elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totahzação, deverá: I - discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II-agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto n°3265, de 29/11/99) - destacar o nome das seguradas em gozo de salário- maternidade; IV - destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V -indicar o número de quotas de salário-família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos não apenas dos segurados empregados, bem como dos trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. Dessa maneira, não tem porque o presente auto-de-infração ser anulado em virtude da ausência de vicio formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela 1 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, I, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais, o que não restou demonstrado no caso em questão, onde requer o recorrente relevação por ser primário e por considerar apenas ter cometido erro no preenchimento das FOPAG. Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3 0 A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Com relação a aplicação de juros de forma ilepal não há o que ser apreciado. Ressalto que nos Autos de Infração não são cobrados juros, vez que trata-se de multa pelo descumprimento de obrigação. 12 • Processo n° I 6641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 H. 109 Isto posto, não só foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade previdenciária, como encontra-se devidarnente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de decadência e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 LLAINITURIS EINA IÇIUN I EM° E SILVA VIEIRA - Relatora • 13
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Numero do processo: 16327.001598/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM
EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa.
PIS/REPIQUE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL.
Os valores dos tributos efetivamente pagos ou lançados de oficio são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, exceto a CSLL da base de cálculo do IRPJ.
DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA
Comprovado que o depósito judicial promovido pelo contribuinte não alcança a integralidade do crédito tributário constituído, a exoneração da multa de oficio e dos juros de mora lançados deve ser feita proporcionalmente ao montante do crédito tributário objeto do referido depósito.
CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência.
Numero da decisão: 1301-000.795
Decisão: Os membros da Turma acordam: por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; por maioria, negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade dos juros de mora sobre depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo; por maioria, dar provimento ao recurso no ponto relativo ao cancelamento da multa de ofício sobre a parcela do tributo parcialmente depositada em juízo, vencido o Conselheiro Alberto Pinto.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa. PIS/REPIQUE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Os valores dos tributos efetivamente pagos ou lançados de oficio são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, exceto a CSLL da base de cálculo do IRPJ. DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Comprovado que o depósito judicial promovido pelo contribuinte não alcança a integralidade do crédito tributário constituído, a exoneração da multa de oficio e dos juros de mora lançados deve ser feita proporcionalmente ao montante do crédito tributário objeto do referido depósito. CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência.
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INDEDUTIBILIDADE. São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa. PIS/REPIQUE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Os valores dos tributos efetivamente pagos ou lançados de oficio são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, exceto a CSLL da base de cálculo do IRPJ. DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Comprovado que o depósito judicial promovido pelo contribuinte não alcança a integralidade do crédito tributário constituído, a exoneração da multa de oficio e dos juros de mora lançados deve ser feita proporcionalmente ao montante do crédito tributário objeto do referido depósito. CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam: por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; por maioria, negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade dos juros de mora sobre depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo; por maioria, dar provimento ao recurso no ponto relativo ao cancelamento da multa de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ofício sobre a parcela do tributo parcialmente depositada em juízo, vencido o Conselheiro Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 2.138.991,03 (fls.108/113) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 770.036,78 (fls. 114/119), acrescidos de multa de ofício de 75% e demais encargos de juros, dos anos calendários de 2006 e de 2007. Descrição dos fatos: dedução indevida das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic incidente sobre tributos e contribuições que se encontravam com a exigibilidade suspensa. Enquadramento legal – auto de infração de IRPJ: art. 13 , inciso I, da Lei nº 9.249/1995, com as alterações do art. 14 da Lei nº 9.430/1996; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335 do RIR/1999. Enquadramento legal – auto de infração de CSLL: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/02. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 105/107), constatase, em síntese, o seguinte. Nos anos calendário de 2006 e 2007 o contribuinte procedeu à adição nas bases tributáveis do IRPJ e CSLL dos valores relativos às contribuições para o Pis e Cofins, as quais estavam com as suas exigibilidades suspensas. As adições efetuadas compreenderam os valores relativos ao PIS e Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses dos anos calendário de 2003, 2004, 2006 e 2007, os quais estavam contabilizados nas contas Contingências Fiscais PIS e Contingências Fiscais Cofins. Do confronto dos valores contabilizados e os adicionados a título de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, foi verificado que as despesas de provisões relativas às atualizações com base na taxa Selic, registradas nestas contas contábeis nos anos calendário de 2006 e 2007, não foram objeto de adição às bases tributáveis de IRPJ e CSLL. A questão está centrada no fato de que os valores provisionados correspondentes aos juros calculados pela taxa Selic, por se constituírem em mero acessório do tributo/contribuição, se submetem às mesmas regras de dedutibilidade impostas ao principal, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.981/1995 (art. 344 do RIR/1999), o qual vedou a aplicação do regime de competência para a dedução de tributos que estejam com a exigibilidade suspensa. O interessado apresentou impugnação (fls.126/162), requerendo a improcedência dos autos de infração em sua integralidade, ou, ao menos, que fossem deduzidos os valores recolhidos de PIS/Repique e excluídos a multa de ofício e os juros de mora, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 . que, de fato, nos termos do Decreto lei nº 1.737/79 e do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80, a propositura de ação judicial implica na renúncia à discussão no âmbito administrativo, quando a matéria questionada em ambas as esferas for idêntica. . que nos casos em que a matéria discutida no processo administrativo não houver sido abordada na esfera judicial, conquanto seja decorrente dela, não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. . que impetrou Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232536 perante a 13ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pleiteando o afastamento, por inconstitucional, da disposição do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995, garantindose seu direito líquido e certo em realizar a dedução dos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, da base de cálculo do IRPJ, pelo regime de competência. . que impetrou Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232548 perante a 22ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pleiteando seu direito líquido e certo de efetuar o recolhimento da CSLL, não adicionando, para a apuração de sua base de cálculo, a despesa relacionada aos tributos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, com a nova redação dada pela LC nº 104/2001. . que a presente impugnação, no entanto, versa somente sobre a impossibilidade de adição de provisões de atualização dos tributos com exigibilidade suspensa, a inaplicabilidade do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995 à CSLL e a não incidência de juros de mora e multa sobre os valores depositados judicialmente. . que a matéria ora combatida, por não se identificar com aquela argüida em ação judicial, deve ser conhecida; cita Súmula nº 1 do CARF. . que o entendimento externado pelo Fisco não se compatibiliza com a verdadeira natureza dos valores relativos ao pagamento de tributos com exigibilidade suspensa, bem como com as despesas referentes aos juros destas contingências fiscais, perfazendose em uma interpretação extensiva com o nítido propósito de majorar a base de cálculo do IRPJ, em clara ofensa ao princípio da legalidade (art. 150, I, da Constituição Federal). . que os tributos que estão com a exigibilidade suspensa não caracterizam provisões contábeis, mas sim, verdadeiras despesas. . que dúvida alguma pode surgir quanto à natureza de despesa dos tributos e seus consectários legais, quando estes estão com a exigibilidade suspensa. Isto porque, o tributo levado ao crivo do Poder Judiciário é devido antes que decidido de maneira contrária, sendo que até o final da demanda existe presunção da constitucionalidade das normas, razão pela qual a despesa existe, é certa e determinada, ainda que sua cobrança esteja suspensa. . que a provisão pressupõe a ocorrência de um evento futuro e incerto. . que os tributos discutidos judicialmente não se enquadram na condição de provisão, pois, em face do princípio da legitimidade e da presunção de legalidade das normas, tal exação é considerada devida desde a ocorrência de seu fato gerador, até que a decisão judicial declare o contrário, razão pela qual não representam diminuição patrimonial futura, mas atual e quantificável, consubstanciandose em verdadeira despesa incorrida. . que, tratandose de despesa efetivamente incorrida, inaplicável a adição pretendida pela Autoridade Fiscal na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; cita ementa de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 3 5 . que, uma vez demonstrada a natureza de despesa das provisões para pagamento de juros de contingências fiscais, mister ressaltar a inexistência de vedação no art. 41 da Lei nº 8.981/1995. . que o art. 41 da Lei nº 8.981/1995 vedou a dedução, na determinação do lucro real, dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, não abarcando em sua vedação, tal como ocorria no art. 8º da Lei nº 8.541/1992, a atualização monetária, as multas, os juros e outros encargos. . que a dedução, na apuração do lucro real, das despesas com provisões para pagamento de juros de contingências fiscais não encontra vedação legal no ordenamento jurídico, sendo que tal interpretação da Autoridade Fiscal viola o princípio da estrita legalidade. . que os juros incidentes sobre contingências de tributos com a exigibilidade suspensa devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; cita ementa de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. . que o art. 344, § 1º, do RIR/1999 (art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/1995) é inaplicável à CSLL, uma vez que afasta a dedução dos tributos, cuja exigibilidade esteja suspensa, tão somente, para fins de apuração do lucro real. . que a própria Receita Federal, através de sua Coordenação Geral do Sistema de Tributação, ao divulgar o Boletim Central Extraordinário nº 021, em 25 de fevereiro de 2003, asseverou na resposta à questão nº 48, que os tributos e contribuições não dedutíveis para efeitos de IRPJ, por força do art. 7º da Lei nº 8.541/1992, não deveriam ser adicionados na composição da base de cálculo da CSLL. . que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em decisões proferidas recentemente, reconheceu a dedutibilidade dos tributos e dos juros questionados judicialmente na apuração da base de cálculo da CSLL. . que é de se repelir o lançamento realizado pela Autoridade Fiscal visando à exigência da CSLL, mediante a adição, na sua base de cálculo, das quantias pertinentes aos tributos discutidos na esfera judicial, sob pena de afronta ao art. 150, I, da Constituição Federal e art. 97 do Código Tributário Nacional CTN. . que não há como sustentar a aplicabilidade do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, na medida em que tal preceito expressamente assevera a sua não influência na conformação da base de cálculo da CSLL. . que resta patente a possibilidade de dedução dos tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, motivo pelo qual a autuação está eivada de nulidade, por infringir o art. 142 do CTN, vez que o montante tributável foi calculado equivocadamente. . que, por força de decisão liminar, proferida em Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670, procedia ao recolhimento do Pis/Repique, calculado com base no Imposto de Renda devido, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar nº 07/70. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 . que a fiscalização, ao apurar o montante do crédito tributário de IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir as parcelas correspondentes ao Pis/Repique que haviam sido recolhidas durante o ano calendário de 2005, tendo apurado indevidamente o IRPJ e a CSLL. . que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN, sendo certo que a Autoridade Fiscal deveria proceder a uma análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram na apuração da matéria e do montante tributário, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, e aos princípios da moralidade, eficiência e celeridade, previstos no art. 37 da Constituição Federal/1988 e no art. 2º da Lei nº 9.784/1999. . que devem ser deduzidos do presente crédito tributário os valores recolhidos de Pis/Repique no ano calendário de 2005. . que os pedidos de liminar foram indeferidos e as sentenças nos Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232536 e nº 2001.61.00.0232548 foram julgadas improcedentes; que aos recursos de apelação, recebidos apenas no efeito devolutivo, foi negado provimento; que, em razão disso, procedeu ao depósito judicial do IRPJ e da CSLL. . que os depósitos judiciais, por sofrerem automaticamente correção pela Caixa Econômica Federal, correspondem às atualizações e juros provisionados pela Impugnante, e que foram tributados. . que os valores autuados encontramse com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, razão pela qual é indevido o cômputo de juros de mora sobre estes valores; cita jurisprudência do Carf. . que existindo depósito judicial que suspende a exigibilidade, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a parcela do crédito tributário correspondente aos valores depositados, eis que sobre estes incide remuneração própria. . que, ainda que no final da ação judicial em que houve o depósito judicial, a Impugnante tenha seu pleito denegado, os valores depositados, já corrigidos pela taxa Selic, serão convertidos em renda da União com o devido acréscimo dos juros moratórios. . que, comprovado que parte do crédito tributário em comento está com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, em vista dos depósitos judiciais efetuados, imperiosa a exclusão da multa de ofício sobre tais valores; cita jurisprudência do Carf. . que a impossibilidade da exigência de juros de mora e de multa sobre os valores que foram depositados judicialmente é evidente, tendo em vista não apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, como também a ausência de infração ou inadimplemento estar cabalmente comprovada. . que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário garante à Impugnante a não execução pelas autoridades fiscais de qualquer ato tendente a efetivar a cobrança, pelo fato de o montante discutido não ser considerado débito. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do Acórdão 1237.539, de 27/05/2011 (fls. 319), da DRJ/RJO, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 4 7 Ano calendário: 2006, 2007 PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa. APURAÇÃO DO MONTANTE TRIBUTÁVEL. DEDUÇÃO DE PIS/REPIQUE RECOLHIDO. DESCABIMENTO. Descabe a dedução de PIS/Repique do montante tributável apurado em procedimento de ofício, posto que, além de não estar comprovado que o interessado tenha recolhido o PIS/Repique específico sobre a parcela de IRPJ que deixou de ser recolhida, também, na data do lançamento de ofício, o contribuinte não mais estava amparado por decisão judicial. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006, 2007 PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Os valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com exigibilidade suspensa são indedutíveis, devendo ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É devida a multa de ofício, uma vez que o interessado não comprova que o depósito judicial foi efetuado em montante integral (art. 151, inciso II, do CTN). JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos sempre, seja qual for o motivo determinante de sua falta, tendo em vista o disposto no caput do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório. Passo ao voto. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que o ponto central da contenda é com relação a constatação pela fiscalização que a empresa deduziu indevidamente das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2006 e 2007,os valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic incidentes sobre tributos e contribuições, que se encontrariam com a exigibilidade suspensa, com fundamento no artigo 41, caput e § 1º, da Lei nº 8.981/1995. No entendimento da ora recorrente tais encargos são verdadeiras despesas incorridas e não provisões, podendo, portanto, serem deduzidas da base de cálculo dos referidos tributos. Outros itens discutidos: “Dedução do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ/CSLL” e, “Depósitos Judiciais, não incidência da multa e dos juros de mora”. Primeiro ponto: “Da Natureza de Despesas de Provisões, da Ausência de Vedação das Despesas com Provisão e da Inaplicabilidade do art. 41 da Lei 8.981/1995 à CSLL” Transcrevese, trecho do voto recorrido: “Cabe, de início, transcrever o art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável” Pois bem, antes de adentrar na matéria de mérito de fato discutida nos presentes autos, fazse necessário algumas considerações acerca das normas que tratam do regime de competência, da dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa e por fim do conceito de provisão e despesas (contas a pagar) que trará subsídios para definir a presente lide. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/76), a escrituração da companhia deve observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Por este regime, as receitas devem ser contabilizadas no períodobase em que constituído o direito ao seu recebimento, os custos e as despesas, naquele em que constituído o dever jurídico de efetuar o pagamento. Sendo assim, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento ou pagamento. Portanto, por estar condicionada a um evento futuro, que poderá resultar em efeitos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, evidenciase que o valor do Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 5 9 tributo/contribuição com exigibilidade suspensa é uma provisão e não despesas incorridas (contas a pagar) conforme entende a recorrente. Com o advento da Lei n° 8.981/95, seu artigo 41 reintroduziu o regime de competência para a dedutibilidade dos tributos e contribuições na determinação do lucro real, com exceção para os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172/66, havendo ou não depósito judicial, conforme disposto no § 1°. do referido dispositivo legal, a seguir transcrito: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n°5.172. de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." Assim, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95 de início transcrito, e tendo em vista a necessidade da formação da provisão para o registro dos tributos com exigibilidade suspensa, em função de sua contingência passiva em exercício futuro, os valores apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Da mesma forma em relação aos juros e atualização monetária correspondente às provisões, eis que o acessório sempre acompanha a natureza de seu principal, pois o mesmo inexiste sozinho. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho, vejamos alguns exemplos: "IRPJ. CSLL. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10196.271, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 152.038, Relator Paulo Roberto Cortez, julgado em 09.08.2007)” "CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10195.727, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 135.395, Relator Valmir Sandri, julgado em 20.09.2006)” "PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Configurandose numa situação de solução indefinida que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos cuja exigibilidade estiver suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Publicado no D.O.U. n° 57, de 25/03/2008. (Acórdão 10323.339, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 136.419, Relator Leonardo de Andrade Couto, julgado em 22.01.08)” O fato é que, a razão para que a lei determine a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa é a simples inexistência da despesa efetiva, na medida em que os tributos sobre os quais incidem podem ou não serem devidos/pagos, dependendo do resultado final do processo judicial. Em sendo assim, por constituir os juros em acessórios do principal, seria ilógico admitir sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e mais ilógico ainda querer uma norma especifica para tratar de sua dedutibilidade, eis que um não vive sem o outro (principal/juros). Sendo assim, não merece prosperar a alegação do contribuinte de que os juros incidentes sobre os tributos com exigibilidade suspensa representam verdadeiras despesas e não meras provisões. “Dedução do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ/CSLL” Neste item contesta que a fiscalização, ao apurar o montante do crédito tributário de IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir as parcelas correspondentes ao Pis/Repique que haviam sido recolhidas durante o ano calendário de 2005, por força de decisão liminar, proferida no Mandado de Segurança. Transcrevo, por relevante e esclarecedor, trecho do voto combatido: “De início, cabe esclarecer que, se o interessado estava, como alega, amparado em decisão liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670, poderia, s.m.j, ter deduzido os valores de Pis/Repique do resultado do IRPJ apurado e declarado por ele mesmo no ano calendário de 2005 ou em qualquer outro ano calendário. Se não o fez à época, não tem fundamento pleitear que a fiscalização o faça em lançamento de ofício efetuado no ano de 2010, referente a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007. Mas não é só. Em consulta processual nos sites da Justiça Federal e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, é possível verificar que o referido Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670 foi julgado improcedente e ao recurso de apelação interposto pelo interessado foi negado provimento. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 6 11 Portanto, na data da constituição do credito tributário de IRPJ e de CSLL (08/12/2010), o interessado não mais estava amparado por decisão judicial, já que esta lhe era desfavorável.” Além da constatação de que à época dos lançamentos o contribuinte não encontravase amparada por liminar em mandado de segurança, tutela antecipada ou outra ação judicial, encontrase nos autos documentos que provam efetivamente os pagamentos do PIS/Repique, no ano de 2006, (DARFs cód. 8205 de fls. 261/265) no montante de R$ 500.417,30. A teor do já citado art. 41 da Lei 8.981, de 1995, (RIR/99 art. 344), os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Todavia, são indedutíveis no caso de suspensão de sua exigibilidade (art. 151, II a IV do CTN). Neste ponto, assiste razão à ora recorrente pois os valores recolhidos a título de PIS/Repique são dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. “Depósitos Judiciais, não incidência da multa e dos juros de mora”. Quanto a alegação do não cabimento dos juros de mora, pelo fato de que procedeu ao depósito judicial do IRPJ e da CSLL, face que os pedidos de liminar foram indeferidos e as sentenças nos Mandado de Segurança terem sido julgadas improcedentes, e, ainda, considerando que aos recursos de apelação, recebidos apenas no efeito devolutivo, foi negado provimento, afirma, desta forma, que os valores autuados encontrarseiam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, razão pela qual seria indevido o cômputo da multa de ofício e de juros de mora sobre estes valores depositados; cita jurisprudência do Carf. No recurso voluntário aduz a recorrente que a autoridade fiscal reconhecendo que os depósitos eram no montante integral, logo com exigibilidade suspensa, lavrou os autos de infração nos processos administrativos 16327.720673/201106, 16327.7206674/201142, 16327.7206677/201186 e 16327.7206678/201121 sem a multa de ofício. Constatase que os citados autos de infração estão relacionados diretamente com insuficiência de recolhimentos de estimativas dos anos calendários de 2006 e 2007, portanto, sem influencia direta no caso ora debatido. A questão posta em debate diz respeito ao seguinte fato: a contribuinte promoveu o depósito judicial relativo aos tributos e contribuições incidentes, porém, não de forma integral. No caso destes autos os lançamentos incluiu a multa de ofício de 75% e juros de mora. A mera referência, em decisão judicial, dos motivos que levaram ao não conhecimento do pedido liminar, não constitui elemento hábil para se considerar que, no caso decidiuse pela suspensão em comento. Não obstante, em convergência com reiteradas manifestações deste Colegiado, entendo que, em razão dos depósitos terem sido efetuados antes de qualquer procedimento de oficio por parte da autoridade administrativa tributária, os juros de mora e a multa de oficio lançados devem ser exonerados na proporção do montante de crédito tributário depositado judicialmente. Portanto, entendo também, que neste item assiste razão ao contribuinte. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Isto porque, nos termos da Súmula n° 5 do Primeiro Conselho de Contribuintes, "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito judicial no montante integral". No presente caso, entendeu o relator do voto guerreado que a multa incide sobre a totalidade do crédito porque o depósito não foi integral e, nos termos do CTN, apenas o depósito no montante integral suspende a exigibilidade do crédito. Entretanto, a questão que se coloca é se a contribuinte depositou integralmente a exigência ora discutida e dentro do prazo previsto em lei para o recolhimento do tributo. Consta do relatório e voto que há fortes indício que não houve depósito no montante integral, mesmo porque, observase que não foi carreado aos autos a memória de cálculo justificando a importância depositada. É inquestionável que, para a parcela depositada, não é possível prosseguir na cobrança, portanto, suspensa. Assim, a leitura do artigo 151, II, do CTN, deve ser no sentido de que o crédito tributário, como um todo, tem sua exigibilidade suspensa mediante depósito de seu montante integral. O depósito, quando não integral, suspende sua exigibilidade até sua força, vale dizer, sobre o montante do principal por ele coberto. A parcela não depositada, se não acobertada por outra causa de suspensão, deve ser transferida para outros autos para prosseguimento de sua cobrança. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o depósito existente no momento da lavratura do auto de infração afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora em relação à parcela do principal que estiver coberta pelo valor depositado. Transcrevo, abaixo, julgados do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes esposando entendimento na mesma linha do ora adotado. Acórdão 10196854, de 13/08/2008 JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL. Não incidem juros de mora sobre montante do crédito tributário garantido por depósito judicial. Acórdão 10516990, de 27/05/2008 DEPÓSITO JUDICIAL SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO E JUROS MORATÓRIOS. Demonstrado que o depósito judicial não foi procedido pelo montante integral do crédito tributário, não tem o condão de suspender a exigibilidade. Mesmo sem a suspensão da exigibilidade, porém, não deve ser lançada multa de oficio nem juros moratórias calculados sobre o montante depositado antes da lavratura do auto de infração. Acórdão 10196857, de 13/08/2008 MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIANTE DEPÓSITO. O depósito do valor do crédito exclui a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora até a força do montante depositado. A vista do todo acima exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário no sentido de deduzir da base de cálculo do IRPJ e CSLL os valores efetivamente pagos no ano de 2006 relativo ao PIS/Repique e, para excluir a parcela da Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 7 13 multa e dos juros de mora incidente sobre o montante do crédito tributário coberta por depósito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11330.000973/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP.
Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de lançamento de diferença de contribuições onde destacada apropriação de recolhimentos, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.193
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; II) declarar a decadência até a competência 05/2002; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP. Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de lançamento de diferença de contribuições onde destacada apropriação de recolhimentos, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; II) declarar a decadência até a competência 05/2002; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 347 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 37.100.60606, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências 07/2000 a 12/2003, tendo ido apuradas contribuições nas competências 07, 08 e 12/2000, 01 e 02/2001, 03 e 04/2002, 01, 02 e 03/2003. Os fatos geradores utilizados nesta NFLD são as diferenças das remunerações que integram a base de cálculo da Previdência Social, declaradas em GFIP, pagas aos empregados da empresa e aos contribuintes individuais (administradores/autônomos) que prestaram serviço à empresa. Estes valores foram obtidos a partir do exame das informações declaradas nas Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, folhas de pagamento FP, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, RAIS, Recibos de Pagamento e a contabilidade da empresa, bem como dos dados constantes nos sistemas informatizados da Previdência Social. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 31/05/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/06/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 185 a 209. A Decisão de 1ª intäncia confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 311 a 319 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 128 a 149. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. A impossibilidade de o impugnado lavrar AutodeInfração após o término do prazo de validade do MPF. Acontece que a presente autuaçao somentefoi lavrada em 4.6.2007 (segundafeira), 5 (cinco) dias depois do término do prazo de validade do MPF em questão! Este vicio eiva de patente irregularidade a autuação lavrada pelo Recorrido e faz com que os valores indicados na presente autuação, ainda que fossem devidos, o que se admite apenas para fins argumentativos, não possam ser cobrados. 2. A ausência de clareza na descrição da origem das supostas' diferenças apuradas pelo impugnado. A Recorrente não tem como ter uma clara noção do que está sendo questionado pelo Recorrido, devendo elaborar a sua defesa com base no que "poder ser". 3. Além disso, parte do suposto crédito tributário exigido pelo Recorrido está acobertado pelo manto da decadência. Como a autuação foi lavrada em 4.6.2007, a cobrança Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 consubstanciada na presente autuação relativa aos fatos geradores ocorridos antes de 4.6.2002 não pode mais ser efetivada. 4. Ora se tem ciência de que as informações constantes na GFIP são equivocadas — e que indicam valor devido a titulo de contribuições previdenciárias maior do que o efetivamente devido — a lavratura da presente autuação representa flagrante locupletamento por parte do Recorrido. O fato de a apresentação de GFIP com equívocos ser a principio reconhecimento de débito não legitima o Recorrido a agir despudoradamente contra a lei. 5. A presente autuação não descreve quais seriam os fatos que geraram a presente autuação fiscal. Ocorreu na verdade erro a maior no preenchimento da GFIP: 6. Não pode o impugnado exigir a diferença de contribuições previdenciárias não recolhidas (infração de obrigação principal), se constatado por meio da análise das GFIP, que a impugnante fez o lançamento equivocado, a maior, de contribuições previdenciárias (infração de obrigação acessória) sem danos aos cofres da Previdência Social. 7. Por fim, requerendo a procedência do recurso em questão, de forma que a decisão de fls. 301 a 309 possa ser reformada e, por conseguinte, seja cancelado o débito cobrado. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. É o Relatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 348 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 174. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO MPF Em primeiro lugar cumprenos avaliar as nulidades argüidas pelo recorrente no que diz respeito a falta de cobertura do MPF no momento da atuação. Pela informação trazida à fls. 31 acerca do demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF, havia MPF válido quando da emissão da NFLD, cujo validade final ocorreria em 28/07/2007, tendo o lançamento fiscal ocorrido em 31/05 e a cientificação ao sujeito passivo em 04/06. Nesse mesmo sentido, manifestouse a autoridade julgadora às fls. 317, quando proferiu a decisão de 1. Instância. Senão vejamos: DO MPF — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 12. Equivocase a empresa ao ressaltar que a autuação esta eivada de nulidade na medida em que foi, segundo ela, lavrada após o término do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF. 12.1. A Portaria RFB n° 4.066 de 02 de maio de 2007, esclarece no art. 13°, quanto aos prazos do MPF, que: Art. 13. A prorroga cão do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligencia. § 12 A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 72, inciso VIII. Art. 7 O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: VIII o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. 12.2. Assim, além de ter sido disponibilizado à notificada, o código de acesso da internet, para controle das prorrogações do Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 MPF, estas também foram disponibilizadas, conforme se vê, através do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF da Auditoria Efetuada na Empresa (fls. 40), tornando sem efeito a alegação do item 18 da impugnação, de que não foi solicitada a prorrogação. Podese observar que a IN nº 03/2005, que estabelece normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação, dispõe sobre a extinção do MPF, bem como sobre a cientificação do sujeito passivo em relação a NFLD e AI, conforme segue: Art. 589. O MPF se extingue: I – pela conclusão do procedimento fiscal, com a emissão do Termo de encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (...) Art. 594. O termo de Encerramento de Auditoria Fiscal – TEAF é emitido pelo AFPS, quando do término da Auditoria Fiscal e destinase a cientificar o sujeito passivo da conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo Único. Constará do TEAF a expressa referência aos elementos examinados e aos créditos lançados. (...) Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I – pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante assinatura do representante legal ou do mandatário; II – por via postal ou por qualquer poutro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo, ou III – por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. (...) §3º Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, em até 3 dias após a lavratura da NFLD ou do AI, considerandose cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do recebimento, 15 dias após a data da expedição da intimação. §4º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do caput não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) Resta claro, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e durante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento. O manual do contencioso, aprovado pela OI nº 04 de 25/03/2004, dispõe na letra “c” do item 9.5.5 – VÍCIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF: O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original – embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 349 7 extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Dessa forma, havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento.” (grifo nosso) Face o exposto, entendo que não existe a nulidade avençada pelo recorrente quanto a cobertura de MPF. DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 350 9 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 351 11 pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 352 13 devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso ora em análise, observamos o lançamento de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, recolhimento de contribuições, inclusive sendo apropriadas contribuições para todo o período do lançamento, tendo sido lançadas diferenças conforme relatório fiscal. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado deuse em 31/05/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/06/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/2000 a 12/2003, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 05/2002, mantendose o lançamento de 01 a 03/2003, já que o lançamento envolve períodos descontínuos. DA FALTA DE CLAREZA DOS FATOS GERADORES APURADOS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando ainda nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se determinasse quais as diferenças foram apuradas, o que implica cerceamento do direito de defesa. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento conforme MPF mencionado na preliminar anterior. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 32 a 37, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 39, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura da NFLD ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a lavratura da NFLD, com a indicação das diferenças apuradas não lhe confiro razão, entendo que razão não assiste ao recorrente. Ao contrário do entendimento do recorrente, a autoridade fiscal realizou a devida identificação dos fatos geradores e de todas as diferenças apuradas, descrevendo no relatório fiscal fls. 44 a 50, itens do relatório 20 a 34, todos os fatos geradores. Indicou ainda a Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 autoridade fiscal por meio de planilhas as diferenças apuradas, fls. 53 a 69, razão porque entendo que razão não assiste ao recorrente, tendo em vista a possibilidade de identificar pontualmente se o lançamento apresentasse equívocos. Não trouxe o recorrente qualquer prova de que os lançamentos estavam equivocados, sendo que simples alegações não são capazes de afastar os levantamentos em questão. Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento GFIP, resumindose a alegar nulidades e erros na GFIP, sem demonstrar propriamente onde esses equívocos interferiram no relatório. Indicou a autoridade fiscal o confronto entre os valores declarados, os recolhidos e diferenças não incluídas como rubricas incidentes em folha e portanto não incluídas no conceito de salário de contribuição. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000973/200716 Acórdão n.º 240102.193 S2C4T1 Fl. 353 15 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG ou em lançamentos contábeis, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da referida Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade da NFLD, excluir do lançamento face a aplicação da decadência quinquenal as contribuições até 05/2002 e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000303/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES
Ano calendário:2003 a 2007
EXCLUSÃO AO SIMPLES. RECEITA BRUTA DECLARADA EM LIVRO DIÁRIO OU LIVRO RAZÃO.
Não tendo o contribuinte usufruído da opção estabelecida pela Lei n° 9.317/96, art. 7°, § 1°, no que concerne à dispensa da escrituração comercial, não se vislumbra qualquer transgressão ao comando contido no art. 18 da mesma lei o fato de a auditoria ter se baseado em informações contidas no Livro Razão, fornecido pelo contribuinte, para apurar a receita bruta auferida no período de 2003 a 2007.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA
A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio.
CORREÇÃO DOS VALORES DE RECEITA BRUTA PREVISTOS NA LEI QUE REGE O SIMPLES. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa é incompetente para manifestar-se
acerca de necessidade de correção dos valores estipulados como limite de receita bruta para efeitos de permanência no SIMPLES, sendo sua revisão atribuição exclusiva do Poder Legislativo.
Numero da decisão: 1802-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Ano calendário:2003 a 2007 EXCLUSÃO AO SIMPLES. RECEITA BRUTA DECLARADA EM LIVRO DIÁRIO OU LIVRO RAZÃO. Não tendo o contribuinte usufruído da opção estabelecida pela Lei n° 9.317/96, art. 7°, § 1°, no que concerne à dispensa da escrituração comercial, não se vislumbra qualquer transgressão ao comando contido no art. 18 da mesma lei o fato de a auditoria ter se baseado em informações contidas no Livro Razão, fornecido pelo contribuinte, para apurar a receita bruta auferida no período de 2003 a 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio. CORREÇÃO DOS VALORES DE RECEITA BRUTA PREVISTOS NA LEI QUE REGE O SIMPLES. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para manifestar-se acerca de necessidade de correção dos valores estipulados como limite de receita bruta para efeitos de permanência no SIMPLES, sendo sua revisão atribuição exclusiva do Poder Legislativo.
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RECEITA BRUTA DECLARADA EM LIVRO DIÁRIO OU LIVRO RAZÃO. Não tendo o contribuinte usufruído da opção estabelecida pela Lei n° 9.317/96, art. 7°, § 1°, no que concerne à dispensa da escrituração comercial, não se vislumbra qualquer transgressão ao comando contido no art. 18 da mesma lei o fato de a auditoria ter se baseado em informações contidas no Livro Razão, fornecido pelo contribuinte, para apurar a receita bruta auferida no período de 2003 a 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio. CORREÇÃO DOS VALORES DE RECEITA BRUTA PREVISTOS NA LEI QUE REGE O SIMPLES. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para manifestarse acerca de necessidade de correção dos valores estipulados como limite de receita bruta para efeitos de permanência no SIMPLES, sendo sua revisão atribuição exclusiva do Poder Legislativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 37 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Trata o presente processo de contestação pela contribuinte ao ato de sua exclusão do SIMPLES, pela DRF de Foz do Iguaçu, com efeitos retroativos à 1/1/2004, por excesso de receitas auferidas nos anoscalendários de 2003 a 2006 e no primeiro semestre de 2007. Concomitante ao ato de exclusão foi lavrado o auto de infração de fls. 61 a 66, onde se exige R$ 1.469,44 de multa isolada, com base no disposto na Lei n° 9.317/96, art. 13, II, “a”, ao argumento de que a interessada deixou de comunicar sua exclusão ao SIMPLES, o que segundo a norma é obrigatório. Regularmente cientificada, apresentou impugnação de fls. 74 e 75, onde alega em sede de preliminar que os fatos ocorridos no ano calendário de 2003 já teriam sido alcançados pela decadência o que torna impossível sua exclusão ao beneficio a partir de 01/01/2004. Em relação ao mérito alega que por ser optante do SIMPLES estava obrigada a manter apenas o Livro Caixa, de modo que os valores supostamente lançados a maior nos registros contábeis da empresa com base nos livros Diário/Razão, torna improcedente o ato declaratório de exclusão. Para isso argumenta que seria imprescindível que houvesse uma auditoria para este fim. Entende que os livros Diário/Razão são inexistentes perante a legislação do SIMPLES e que tais registros sem outros documentos são tidos como não escriturados, não se podendo falar em faturamento superior ao permitido na legislação. Aduz ainda a necessária correção dos valores de receita bruta previstos na Lei nº 9.317/96 e, mais uma vez pede que seja declarado improcedente o ato atacado. A DRJ de CuritibaPR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, através do acórdão nº 0626.036 (fls. 80 a 82v), em 1/04/2010, mantendo a integralidade do crédito tributário. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/05/2010, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 87 a 94, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação. Este é o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente aderiu a sistemática de apuração do SIMPLES em 01/01/2000, tendo sido excluida posteriormente por ter auferido receitas em montante superior àquele previsto na legislação que rege o benefício nos anoscalendários de 2003 a 2006 e no primeiro semestre de 2007. Em sua defesa a contribuinte afirma que os fatos ocorridos no ano de 2003 já teriam sido afetados pela decadência; que por estar desobrigada de manter Livro Razão os registros ali efetuado não poderiam dar suporte à sua exclusão da sistemática de apuração; que seria necessária a realização de uma auditoria; e, por fim, que os valores estipulados na norma como limite de receita anual deveriam ser corrigidos para contemplar os efeitos inflacionários. Com base nesta argumentação pediram pela improcedência do ato e pelo afastamento da exigência da multa isolada. A) PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O argumento de que o direito de a Fazenda Pública em efetuar sua exclusão do SIMPLES estava precluso, uma vez que já havia se passado mais de cinco anos do fato gerador quando o ato foi emitido, não pode e nem deve prosperar. Tratase de argumento totalmente infundado. Em primeiro lugar, a preclusão invocada pela Recorrente com fundamento no Decreto n° 70.235/72, art. 16, como já atacado pela DRJ, é impertinente matéria. Tal dispositivo é aplicável a questões probatórias e só diz respeito à forma como o contribuinte deve formular sua defesa por ocasião da impugnação. Não há relação alguma entre o direito, ou poderdever, do Fisco executar ato de oficio, que digase de passagem são irrenunciáveis, tendo em vista do principio da indisponibilidade e da legalidade que revestem os atos administrativos em geral e a alegação da contribuinte. Assim, uma vez que a lei tributária prevê o ato de exclusão de oficio na Lei n° 9.317/96, art. 14, não pode a autoridade renunciar ao ato, tendo sua atividade administrativa plenamente vinculada. Em sentido contrário temos a constituição do crédito tributário, dada através do lançamento, que tem previsão legal de extinção quando passados os cinco anos, em conformidade com o que dispõem os artigos 156 e 173 do CTN, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V a prescrição e a decadência;”, e, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 40 5 “Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Pelo exposto, decadência constituise num óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, eis que se refere à perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Não pode este instituto, como quer a Reclamante, ser suscitado para afastar constatação de situações configuradoras de vedação à permanência no SIMPLES. Sendo assim, julgo pelo afastamento da preliminar suscitada pela Reclamante. B) MÉRITO B.1) AUSÊNCIA DE PROVAS PARA A EXCLUSÃO O contribuinte argumenta que, não estando obrigada a manter escrituração regular, a autoridade fiscal não poderia tomar os valores escriturados no Livro Diário / Razão para apurar o montante da receita bruta auferida no período. Nesse aspecto a Lei n° 9.317/96 que dispõe sobre o regime tributário de microempresas e empresas de pequeno porte em seu artigo 7° determina que: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subsequ ente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° 0 disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 41 6 obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. Assim, de acordo com a Recorrente, a empresa de pequeno porte inscrita no Simples não estaria obrigada a escriturar o Livro Diário desde que escriturasse o Livro Caixa com toda a sua movimentação financeira. No caso em tela, após ser intimado a apresentar o Livro Diário ou o Livro Caixa, o contribuinte apresentou o Livro Diário, cuja cópia encontrase anexada às fls. 07 21 e 4160, o que não pode, nem deve, ser desconsiderado pela autoridade fiscal. Cabia a Recorrente se utilizar de sua faculdade de não escriturar o Livro, ou escriturando, não tratálo como documento oficial. Uma vez que foram apresentados os Livros Diários devidamente registrados na Junta Comercial do Paraná, a contribuinte constituiu espontaneamente prova contra si, documento este que não pode ser desconsiderado. B.2) NECESSIDADE DE AUDITORIA PARA FINS DE EXCLUSÃO Descabe a alegação da Recorrente que sua receita bruta deveria estar amparada por uma auditoria posto que as informações foram obtidas através da escrituração em livro oficial. A auditoria só seria pertinente e necessária caso houvesse alguma argumentação, por parte do sujeito passivo, que trouxesse indícios de que as informações lá contidas não seriam exatas. B.3) ATUALIZAÇÃO DOS VALORES DA RECEITA BRUTA CONTIDAS NA NORMA LEGAL Por fim, quanto a necessidade de revisão dos valores previsto na Lei nº 9.317/96, relativamente ao montante de receita bruta admitida para a permanência do contribuinte no SIMPLES, entendo que foge a competência do julgador administrativo, devendo este estar restrito aos limites ali previstos. É atribuição do Poder Legislativo a revisão dos valores estabelecidos através de lei em sentido estrito. C) CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de decadência e no mérito julgar improcedente o recurso voluntário contra o ato de exclusão emitido pela DRF e, por via de conseqüência, manter a exigência da multa isolada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 42 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001681/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2001
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena
validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando
esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de
capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos o montante de R$25.743,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos o montante de R$25.743,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva (Suplente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1327.449 – 3ª Turma da DRJ/RJ2 (fl. 329), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2001, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 280 a 282 e fls. 295 a 299. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$8.458,18, multa de oficio de 75%, no valor de R$6.343,63, e juros moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal As fls. 283 a 294, versando sobre as seguintes infrações: 001 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO; 002 — GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL DECORRENTES DA LIQUIDAÇÃO/CRÉDITO DE JUROS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA EM MOEDA ESTRANGEIRA. 4 O acréscimo patrimonial a descoberto foi apurado mediante fluxo financeiro mensal, tendo sido verificado excesso de dispêndios/aplicações em relação aos recursos/origens nos mês de dezembro de 2001 no valor de R$31.220,23, que após revisão e ajuste resultou em omissão de rendimentos de R$27.029,58. 5 A omissão de ganhos de capital decorrente da liquidação/crédito de juros de aplicação financeira em moeda estrangeira foi apurada com base nas cópias de extratos de conta corrente mantidas no exterior no Citibank — Miami, as quais foram apresentadas pelo contribuinte para o período de 07/03/2001, de 06/04 a 08/07/2001 e de 07/12/2001 a 07/01/2002, tendo sido elaborada planilha na qual demonstramse ganhos de capital nos meses de junho, no valor de 235,38, e de julho, no valor de R$789,67. Segundo a fiscalização, tais valores não foram declarados nem foi recolhido o respectivo imposto devido sobre os ganhos. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001681/200646 Acórdão n.º 210101.509 S2C1T1 Fl. 361 3 6 Cientificado do Auto de Infração em 11/12/2006 (fl. 280; procuração A fl. 297), o contribuinte protocolizou impugnação em 09/01/2007 (fls. 301 a 319), em que apresenta as seguintes razões. 7 Ressalta, inicialmente, que é tempestiva a impugnação e que está impugnando a totalidade do Auto de Infração, estando, portanto, suspenso todo o crédito tributário dele decorrente nos termos do art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional — CTN. 8 Com base nos ensinamentos de Hely Lopes Meireles, Hugo de Brito Machado, Geraldo Ataliba e Luiz Henrique de Barros Arruda, art. 52, inc. LV, e art. 37 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), art. 32 e art. 142 do CTN, art. 92 do Decreto nº 70.235 (PAF), de 6 de março de 1972, e princípios que o balizam, arts. 52 e 62 da Instrução Normativa SRF n 294/97 e acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes (CC), disserta acerca da necessidade da prova dos fatos geradores da obrigação, da determinação legal de as provas serem apresentadas juntamente com o Auto de Infração e da conseqüente nulidade por não observância das normas legais cogentes e por afronta ao principio da ampla defesa, concluindo pela nulidade do Auto de Infração impugnado. 9 Citando decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do 1º CC, reclama que o Fisco simplesmente inverteu ônus da prova, procurando lançar valores sem ter logrado comprovar e evidenciar sua natureza, nem mesmo diligenciar, ou levar em conta as reiteradas declarações do contribuinte e de seu representante. Conclui, assim, que o Fisco baseouse numa suposição e, em conseqüência, presumiu a ocorrência do fato gerador sem base legal, posto que, no seu entender, não haveria base legal para tal. 10 Partindo de ensinamentos de L. Eduardo Schoueri, Moacir Amaral Santos e Paulo Celso Bonilha, bem como princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade (art. 37 da CF/88), discorre sobre conceitos de indícios e presunções simples e legais, conclui que, se a Fiscalização não comprova de modo inconteste sua pretensão tributante e o contribuinte demonstra que o processo carece de prova que embase o lançamento, devese determinar o cancelamento do Auto de Infração. Do acréscimo patrimonial a descoberto 11 Especificamente tratando do Acréscimo patrimonial a descoberto, assevera que a imposição foi unilateralmente efetuada, carente de fundamentação dos elementos de convencimento da autoridade lançadora, sem a essencial prova ou evidência de motivo e sem base legal, como transpareceria na desconsideração dos recursos obtidos e declarados com a venda de objetos de arte de pequeno valor, por constarem de recibos da própria emissão do impugnante e que os valores foram recebidos em espécie. 12 Sobre a questão, afirma que, no mercado de arte, é praxe a comercialização em dinheiro de bens de pequeno valor, como foi no caso em questão que totalizou um lucro de R$19.957,63 no ano pela comercialização de seis peças, e questiona qual seria o seu interesse em declarar estas operações, quando apresentou um saldo em espécie muito superior em sua declaração de bens, posto que bastaria tãosomente ter lançado menor valor em espécie, que não haveria a suposta infração apontada. 13 Tratando da alegação do Fisco de que a única prova das vendas dos bens seriam recibos do próprio contribuinte e que as aquisições não foram declaradas pelos cinco adquirentes, alega que os bens poderiam ter sido revendidos no mesmo ano, ou serem isentos em suas declarações, não lhe competindo nenhuma participação ou responsabilidade. Caberia, assim, A autoridade lançadora, intimar os compradores a fim de colher a verdade dos fatos. 14 Nesse sentido, afirma que o 1º CC já decidiu que "a falta de entrega ao contribuinte de todos os demonstrativos, termos e esclarecimentos mencionados no lançamento, Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 que o impeça de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, caracteriza cerceamento do direito de defesa e implica na nulidade da decisão de primeira instância" (acórdão nº 104 12917/96 — DOU de 02/04/1997). Dos ganhos de capital em moeda estrangeira 15 O contribuinte alega que incorre novamente em equivoco o Fisco, pois os juros foram declarados e somaram o total de US$377,00. Nesse aspecto, reclama que estaria sendo computado englobadamente a variação cambial no período, a qual seria, todavia, isenta por força do disposto no art. 4' § único, art. 11, § 1 2, e art. 14 da Instrução Normativa SRF 118/2000 (Perguntas e Respostas SRF 2002, n" 409— Perguntas e Respostas 2005, n". 419, 516 e 566). 16 Afirma, ainda, com base nos arts. 3 2, 112, 142 e 204 do CTN, Decreto n" 70.235/72, arts. 923, 924 e 925do RIR199, Principio da Tipicidade em matéria tributária e ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, que, sendo a atividade do lançamento plenamente vinculada, não comporta incerteza, portanto, inexistindo outros elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário impugnado, o lançamento não pode prosperar; que todos os critérios necessários à descrição tanto do fato tributável como da relação jurídico tributária reclamam uma manifesta e esgotante previsão legal, de modo a assegurar ao crédito tributário a presunção de liquidez e certeza; que o lançamento não pode se valer de sua própria dúvida, já que a certeza e segurança jurídicas alcançadas pelo principio da reserva legal não comportam deslealdades nos lançamentos fiscais; que tendo à sua disposição todos os meios de instrução, não tem sentido haver dúvidas sobre a veracidade dos fatos, sendo, por isso, o Fisco responsável pela apresentação e produção das provas que deram ensejo ao lançamento; e que a prova constituise em elemento que não pode ser descuidado no processo administrativo fiscal. 17 Nesse aspecto, fazendo referência a decisões do 1º CC, alega que o Fisco não empreendeu os exames no nível de profundidade recomendado para uma ação fiscal, posto que deixou, por exemplo, de efetuar circularizações para o confronto dos rendimentos declarados, e não produziu a prova da inveracidade dos documentos apresentados, simplesmente glosando e lançando valores a seu talante, com justificativa desprovida de base legal ou fundamento jurídico. 18 Por fim, destaca que a ação fiscal se prolongou por meio ano e, mesmo assim, o Fisco não encontrou tempo para embasar suas conclusões de forma técnica e justa. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. 0 acréscimo patrimonial da pessoa fisica está sujeito h tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar, mediante documentação hábil e idônea, que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001681/200646 Acórdão n.º 210101.509 S2C1T1 Fl. 362 5 GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em Reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 337/355, o recorrente rediscute questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, pois este contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e também porque não ocorreram as hipóteses indicadas no artigo 59, do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal e os Demonstrativos que integram o Auto de Infração descrevem minuciosamente a matéria tributável, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa, sendo evidente a sua discordância do quanto às conclusões do trabalho fiscal. De fato, a substanciosa defesa apresentada pelo sujeito passivo evidencia claramente a plena compreensão das infrações que lhe foram imputadas. A omissão de rendimentos caracterizada pela ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto está prevista na Lei n°7.713/88, abaixo transcrito: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art.3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 [..] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Em consonância com o preceito legal citado, o Regulamento do Imposto sobre a Renda, editado pelo Decreto n.º 3.000/99, assim dispõe: Art. 55. São também tributáveis (...): XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...). Concluise, portanto, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens de recursos como os dispêndios e aplicações. Este é o ônus probatório do fisco. Ao contribuinte cabe o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial a descoberto encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva não considerados no demonstrativo. Diferentemente do entendimento esposado pela defesa, o lançamento tem suporte em presunção legal regularmente instituída pelo legislador ordinário, e não decorre do arbítrio da fiscalização. Com efeito, tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois, demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presumese a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção juris tantum de que provêm de fonte ou atividade não declaradas. Após esse breve intróito, analisando os elementos de prova nos autos, entendo que o Fluxo Financeiro Mensal, à fl. 292, deve sofrer o aporte dos recursos decorrentes das alienações das obras de arte, no valor total de R$25.743,00. Referidos valores foram regularmente informados na DIRPF do exercício de 2002 (fls. 04/10), conforme reconhece o Termo de Verificação Fiscal às fls. 287/289; foram apresentados tempestivamente, juntamente com a DIRPF, os respectivos Demonstrativos de Apuração dos Ganhos de Capital (fls. 11/16), que identificam os objetos, datas, valores e adquirentes, e os recibos emitidos pelo autuado para quitação dos pagamentos recebidos (fls. 51/56). Tratase de um conjunto probatório amplamente favorável às alegações do sujeito passivo, que não foram infirmados pela fiscalização através de circularizações nos adquirentes ou na instituição em que estavam expostos os objetos, mas se ateve apenas aos recibos de venda na sua avaliação. No que tange ao item 002 do lançamento, a isenção mencionada pelo recorrente não se aplica ao caso em exame, pois o ganho de capital referese a aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais. A isenção alcança apenas a variação cambial decorrente das alienações de bens e direitos adquiridos e das liquidações ou resgates de aplicações financeiras realizadas com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira (IN SRF nº 118/00, art. 14, II) ou o resgate Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001681/200646 Acórdão n.º 210101.509 S2C1T1 Fl. 363 7 de aplicações financeiras, adquiridos a qualquer título, na condição de nãoresidente (MP nº 2.15835, de 2001, art. 24, § 6º, I; IN SRF nº 118/00, art. 14, I). Com efeito, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2000, as operações que importem na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos adquiridos em moeda estrangeira, ações e outros ativos financeiros em bolsa de valores, de mercadorias, de futuros ou assemelhadas, ou em qualquer mercado do exterior e na liquidação ou resgate de aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira, por pessoa física na condição de residente no Brasil estão sujeitas à apuração de ganho de capital tributável, à alíquota de 15%. Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, o ganho de capital corresponde à diferença positiva, em reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação financeira. Diferentemente do que aduz a defesa, os rendimentos produzidos por aplicações financeiras em moeda estrangeira, bem como o ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, ainda que decorrentes de rendimentos auferidos originariamente em reais, serão considerados rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. Esta hipótese não alberga o pleito do recorrente, pois determina que mesmo havendo variação cambial negativa do dólar para o real, como o investimento foi feito originalmente em dólar, o rendimento será sempre tributado. Nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originalmente em reais, a variação cambial do período que decorrer entre a data aquisição/aplicação e a data da alienação/resgate integra o ganho de capital para fins de apuração da base de cálculo do IRPF. A isenção refere se ao acréscimo patrimonial decorrente da variação cambial ocorrida durante o anocalendário. Ou seja, o acréscimo patrimonial referente ao aumento do saldo em 31 de dezembro, dos depósitos em moeda estrangeira, informados na DIPF, não serão tributados. Quando houver o resgate, a variação cambial integrará o ganho de capital. Neste sentido é a jurisprudência colacionada pelo recorrente. A tributação deste ganho de capital é autônoma e definitiva. Os ganhos de capital decorrentes de liquidação ou resgate de aplicação financeira no exterior devem ser apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O recorrente alega, mas não há prova nos autos, quanto à tributação e inclusão dos rendimentos auferidos na DIRPF do anocalendário de 2001, como rendimentos de tributação exclusiva na fonte. A esse respeito, nada foi informado no item 3, quadro 4, da DIRPF do anocalendário de 2001 (fl. 05). Desta forma, inaplicável o prazo decadencial previsto no artigo 150 do CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos, o montante de R$25.743,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009572/2004-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário:2012
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo
Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em denúncia espontânea.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-001.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrente MATESC MATERIAL ESCOLAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em denúncia espontânea. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MATESC MATERIAL ESCOLAR LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face do indeferimento do pedido de restituição protocolizado em 30/04/2004 (fls. 03 a 06) e referente a valores recolhidos pelo interessado no montante de R$ 26.139,30, a título de multa de mora sobre parcelas da IRPJ, que, conforme planilha de fl. 10, teriam sido pagas no período entre 31/01/1995 e 31/10/2003. 2. Conforme se verifica às fls. 29/30, o pedido, apreciado pelo Seort da DRF em Curitiba, foi indeferido em 11/08/2004, com base nos seguintes fundamentos: 1) o dispositivo contido no art. 138 do CTN não exime o contribuinte da multa de mora prevista nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, visto que referida multa não apresenta caráter punitivo, mas sim indenizatório; 2) ademais disso, verificase prejudicado o pedido, na parte referente a pagamentos efetuados antes de 30/04/1999, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial concernente ao direito de o interessado pleitear a restituição. 3. Regularmente cientificado (por AR – fl. 32) em 17/08/2004, o contribuinte, por meio de seus procuradores legalmente constituídos (fl. 12), juntou aos autos os documentos de fls. 43 a 47 (DARF de IRRF) e impugnou o despacho decisório em 01/09/2004, conforme fls. 33 a 42, apresentando contrarazões onde, em síntese: 1) relativamente à decadência que teria prejudicado parte do pedido de restituição em exame, alega que os dispositivos legais aplicáveis à espécie são aqueles contidos no § 4º do art. 150 e no inciso VII do art. 156 ambos do CTN que, combinados com o disposto pelo inciso I do art. 168 do precitado diploma, esteiam o entendimento de que o contribuinte dispõe de um prazo de dez anos para requerer o reconhecimento do indébito. 2) em apoio à supracitada exegese, transcreve arestos coligidos junto aos Tribunais Regionais Federais da 1a. e da 4a. Regiões, e argumenta que a extinção do crédito tributário ocorre cinco anos após o pagamento do tributo ou contribuição com a respectiva homologação tácita, sendo que só a partir desta data é que, então, se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte pleiteie a restituição do tributo recolhido indevidamente. 3) quanto ao direito creditório vindicado, sustenta que os pagamentos feitos com atraso foram, todavia, efetuados antes de qualquer iniciativa do Fisco, acrescidos de juros de mora, razão pela qual entende estarem preenchidos, na espécie, os requisitos exigidos pelo art. 138 do CTN para que se exclua a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento das multas moratórias incidentes sobre os valores pagos “à vista”. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 3 4) argumenta que o propósito do referido art. 138 é justamente incentivar os contribuintes inadimplentes a regularizarem, por vontade própria, sua situação perante o Fisco, o que se concretiza pela exclusão da responsabilidade pela infração cometida pelo denunciante e, conseqüentemente, pela (não) imposição de qualquer tipo de penalidade. 5) em apoio à sua argumentação, transcreve arestos coligidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, da qual extrai a conclusão de que, uma vez efetuada a denúncia espontânea, não pode o Fisco aplicar ao contribuinte denunciante qualquer espécie de penalidade. 6) por último, traz à colação cópias de DARF de fls. 44 a 47, para contestar o despacho decisório ora hostilizado, também na parte referente à não confirmação pelos sistemas informatizados da Receita Federal (SINAL09) de pagamentos de multas moratórias alusivas a recolhimentos realizados a título de IRRF. Após a impugnação, dado o fato de que o pedido de restituição originalmente formalizado pelo contribuinte era referente a multas de mora pagas sobre diferentes tributos e contribuições federais, a matéria pertinente aos pagamentos realizados sobre o valor do IRPJ foi apartada do PAF n.º 10980.002777/200416, de molde a propiciar o seu adequado julgamento, razão pela qual foi constituído o presente processo administrativo. A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002, 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Indeferese o pedido de restituição de multa de mora paga juntamente com o tributo ou contribuição, uma vez que a sanção moratória está fundada em legislação tributária em plena vigência, não se podendo alegar, no caso, a denúncia espontânea. Solicitação indeferida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 4 Mediante resolução 140200.082 de 5/8/2011, o julgamento foi convertido em diligência para os seguintes fins: “(...) No recurso voluntário, fls. 62 e seguintes, o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória. Pois bem, não consta nos autos se os valores que o contribuinte pleiteia restituição foram objeto de declarações/confissões anteriores ao recolhimento. Em face da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, que deve ser aplicada neste Conselho, à luz do artigo 62A do Regimento Interno em vigor, proponho a conversão do julgamento em diligência para verificar se os tributos sobre os quais incidiram a multa moratório foram objeto de declaração em DCTF ou DIPJ. (...)” Consoante Informação Fiscal de fl. 101 foi verificado que o contribuinte informou os débitos nas DCTF de fls. 86 a 92. Ato continuo, o processo retornou ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição de multas de mora recolhidas pelo contribuinte nos pagamentos de tributos federais em atraso, discriminadas no relatório de fls. 8 a 10, que foi indeferido pela DRJ e DRF, com base nos seguintes fundamentos: 1) o dispositivo contido no art. 138 do CTN não exime o contribuinte da multa de mora prevista nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, visto que referida multa não apresenta caráter punitivo, mas sim indenizatório; 2) ademais disso, verificase prejudicado o pedido, na parte referente a pagamentos efetuados antes de 30/04/1999, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial concernente ao direito de o interessado pleitear a restituição. No recurso voluntário, o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória. Uma vez que não consta nos autos se os valores que o contribuinte pleiteia restituição foram objeto de declarações/confissões anteriores ao recolhimento e considerando a face da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, que deve ser aplicada neste Conselho, à luz do artigo 62A do Regimento Interno em vigor, o julgamento foi conversão do julgamento em diligência para verificar se os tributos sobre os quais incidiram a multa moratório foram objeto de declaração em DCTF ou DIPJ. Pois bem, consoante apurado na diligência fiscal, os valores pagos em atraso foram declarados pelo contribuinte tanto em DCTF quanto em DIPJ, conforme documentos de fls. 86 a 95, sendo assim, não há que se falar em denúncia espontânea, sendo cabível a exigência da multa de mora. Consultando os julgados do STJ em matéria repetitiva, verificase a seguinte decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 6 PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifei). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 11080.003126/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente
contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála.
DENUNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA.
A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão
da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por
homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de
vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer
procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. DENUNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. DENUNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa VENEZA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Multa de Mora Isolada incidente sobre o valor de débitos de Cofins, referente aos períodos de apuração de março e abril de 2003, declarados regularmente em DCTF e pagos após o prazo de vencimento sem a referida multa de mora. Tempestivamente a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal, alegando, em síntese, que a exigência de multa de mora no pagamento espontâneo em atraso de tributos e de contribuições já declarados em DCTF é descabida com base no artigo 138 do Código Tributário Nacional, e jurisprudência anexada nesse sentido, estando, dessa forma, excluída a sua responsabilidade. A DRJ em Porto alegre RS manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1033.161, de 20/07/2011, cuja ementa apresenta o seguinte teor: É DEVIDA MULTA E JUROS DE MORA RELATIVOS A PAGAMENTO APÓS O VENCIMENTO DO PRAZO, MESMO QUE JÁ DECLARADOS EM DCTF. São devidos a multa e os juros de mora cujo pagamento foi feito após o vencimento, ainda que já tenha ocorrido a denúncia espontânea do crédito tributário através de DCTF, não se aplicando a hipótese do art. 138 do Código Tributário Nacional Ciente da decisão de primeira instância em 15/08/11, conforme AR de fle. 24, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 23/08/11, no qual repisa o argumento da impugnação sobre a improcedência da multa em razão de ter ocorrido pagamento espontânea e, inovando nas razões do recurso, alega que o débito está remido por força do que dispõe o art. 14 da Lei nº 11.941/09, cuja aplicação é automática e independe de qualquer procedimento por parte do contribuinte. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.003126/200794 Acórdão n.º 330201.608 S3C3T2 Fl. 2 3 O recurso voluntário é tempestivo e, pelas razões abaixo, deve ser conhecido em parte. A empresa recorrente foi autuada para a Fazenda Nacional exigir o pagamento de multa de mora que deixou de ser paga em março de 2007 junto com o débito principal da Cofins, regularmente declarados em DCTF nos meses de maio e agosto de 2003. Na impugnação a empresa autuada defende, em síntese, que a multa de mora é indevida porque ocorreu denuncia espontânea (art. 138 do CTN). No recurso voluntário a empresa inova seus argumentos para acrescentar a preliminar de remissão do débito lançado, nos termos do art. 14 da Lei nº 11.941/09. A impugnação estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. A preliminar de remissão do débito suscitada no recurso voluntário não constava da impugnação. Conseqüentemente, sobre esta matéria não há litígio. Sem litígio, não há apreciação pelo julgador de primeira instância. Não tendo sido objeto de julgamento na primeira instância, por não constar como razão da impugnação, não há como este Conselho apreciar esta matéria, posto que preclusa. O préquestionamento, entendido como a necessidade de o tema objeto do recurso haver sido examinado pela decisão atacada, constitui exigência do Decreto nº 70.235/72 (arts. 17 e 37 c/c art. 1º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009), impondose como requisito inafastável ao conhecimento do recurso voluntário. Mais uma vez, não tendo sido contestada e examinada explicitamente pela instância ordinária a preliminar de remissão suscitada no presente recurso voluntário, dela não se conhece. Isto posto, voto no sentido de não conhecer da preliminar suscitada pela recorrente. Quanto ao mérito, não assiste razão à recorrente. O argumento da recorrente de que ocorreu a denúncia espontânea no presente caso está superado no âmbito do Poder Judiciário com a edição, pelo STJ, da Súmula nº 360, abaixo reproduzida: SÚMULA 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Para que não exista nenhuma dúvida sobre o alcance da referido Súmula nº 360, no dia 09/06/2010 o STJ julgou o REsp 1.149.022/SP, pelo rito do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (Recurso Repetitivo), para decidir que é devido a multa de mora quando o débito de tributo sujeito a lançamento por homologação for declarado regularmente e pago em data posterior à do vencimento, confirme ementa do respectivo acórdão, abaixo reproduzida. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.003126/200794 Acórdão n.º 330201.608 S3C3T2 Fl. 3 5 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (os grifos são do original) No presente caso os débitos de Cofins pagos sem a multa de mora, que ensejou o presente lançamento de ofício, foram regularmente declarados em DCTF nos dias 14/05/2003 e 14/08/2003 e os pagamentos dos mesmos foram realizados no dia 30/03/2007. Portanto, na data em que a recorrente efetuou os pagamentos os débitos estavam regularmente declarados em DCTF. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na parte conhecida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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