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Numero do processo: 10680.935073/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Leonardo Varella Gianneti, OAB/MG nº 74.482.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Leonardo Varella Gianneti, OAB/MG nº 74.482. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 07 3/ 20 09 -1 1 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 187 2 Relator Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de fevereiro de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, unidade administrativa que primeiro apreciou o pedido formulado pela contribuinte, decidiu pela não homologação da compensação (Despacho Decisório de 07/10/2009 – fls. 30). No Despacho Decisório acima mencionado resta consignado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 09), momento em que argumentou: que apurou o IRPJ Estimativa Mensal no mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 14.566.562,50, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, mas, posteriormente, constatou erro na referida apuração; que apurou uma nova estimativa de IRPJ para o período em referência no valor de R$ 13.518.037,89, gerando, assim, um recolhimento indevido no montante de R$ 1.048.524,61; que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ; que o indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP; que o entendimento esposado no Despacho Decisório destoa dos pronunciamentos do então Conselho de Contribuintes sobre a matéria; que não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada; que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria Receita Federal em relação ao tema em questão. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 188 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0226.057, de 17 de março de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 88/108, em que, em apertada síntese, sustentou a nulidade do acórdão recorrido, em razão de uma suposta confusão sobre o período de ocorrência do fato gerador do tributo e erro na indicação da fundamentação, e a necessidade de reforma da decisão de primeira instância e o conseqüente cancelamento da cobrança, haja vista a regularidade da compensação efetuada. Esclarece que fez um pedido alternativo em sua manifestação de inconformidade com o intuito de preservar o seu direito à restituição do indébito, caso a compensação não fosse homologada, e que, por meio da peça recursal, reitera tal pedido. Em uma primeira apreciação, esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem, tomando por base documentos colhidos junto à contribuinte, informasse se efetivamente estarseia diante de erro na apuração da antecipação obrigatória recolhida. Em caso positivo, que fosse informado o montante que deveria ser considerado como PAGAMENTO INDEVIDO (Resolução nº 1301 000.226, de 24/09/2014). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte aportou ao processo a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 159/160, da qual releva reproduzir os seguintes fragmentos: [...] Tratase de análise de mérito quanto à procedência do crédito na declaração de compensação DCOMP 03178.51484.230307.1.3.041072 que informou pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ para o período de apuração PA Fevereiro/2005 no valor total de R$ 1.048.524,61, sendo R$ 943.018,82 utilizados na declaração referenciada. A Resolução 1301000.2263º Câmara/ 1º Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou o cumprimento de diligência junto ao contribuinte para verificação da procedência dos fatos contábeis que deram origem à diminuição do valor da estimativa relativa ao crédito de pagamento indevido. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 189 4 Todavia, tal crédito já fora analisado em despacho de mérito do Acórdão 1102 001.061 1º Câmara/ 2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, reconhecendo a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. O referido julgamento fez retornar o processo 10680.910.116/20947 à origem para análise de mérito quanto à existência, suficiência e disponibilidade do crédito informado na Declaração de Compensação DCOMP nº 08671.13717.080906.1.3.041764. ... Pesquisa aos sistemas da RFB confirmou a existência do pagamento de IRPJ de nº 49670536787, referente ao recolhimento de estimativa de IRPJ no período de apuração Fevereiro/2005 no total de R$14.566.562,50. Deste valor, R$ 13.518.037,89 foram alocados ao débito informado em DCTF retificadora, restando R$ 1.048.524,61 a favor do contribuinte. Consulta ao SIEF Documentos de Arrecadação confirma um saldo de R$ 705.874,89, após compensação nas demais declarações relacionadas ao crédito em análise. A diferença de pagamento a maior não foi aproveitada para abater o imposto de renda na apuração anual na DIPJ/ Exercício 2006, uma vez que a estimativa informada para a competência de Janeiro/2005 foi a mesma declarada na DCTF retificadora, ou seja, R$13.518.037,89. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 05/12/2011, entende que o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevido de estimativas, sendo preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O CARF deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, em conformidade com sua Súmula 84, segundo a qual o pagamento indevido ou a maior de estimativa é passível de restituição ou compensação. Conclusão: Com base no relatório e fundamentação acima, proponho: o reconhecimento de R$ 705.874,89 do crédito utilizado na compensação. a homologação total da compensação na DCOMP nº 3178.51484.230307.1.3.041072. Às fls. 165, consta um denominado TERMO DE CIÊNCIA, do qual releva reproduzir os seguintes fragmentos: Encaminhamos, para ciência, o(s) Despacho(s) de Mérito e da Resolução, relativo(s) ao(s) processo(s) acima referido(s). De acordo com o Despacho, DRF/BHEMG decidiu por homologar a(s) DCOMP(s) referente(s) ao processo, ressaltando que não há débitos remanescentes relativamente ao mesmo. Segue, em anexo, Extrato do processo de cobrança para comprovação de quitação dos débitos. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 190 5 Em razão do teor do TERMO DE CIÊNCIA acima referenciado, por meio do despacho de fls. 168, foi proposto o arquivamento do processo. Diante do inusitado TERMO DE CIÊNCIA e equivocado arquivamento do processo, a contribuinte apresentou petição requerendo o desarquivamento do feito e o seu encaminhamento a este Colegiado. Demonstrando, mais uma vez, o mais absoluto desconhecimento acerca do trâmite processual, o SEORT da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte proferiu o seguinte despacho: O direito creditório do contribuinte foi reconhecido e homologada a compensação respectiva, razão pela qual o processo não foi reencaminhado ao Carf, o que é feito nesta oportunidade por ser o desejo do sujeito passivo. É o Relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 191 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de fevereiro de 2005. Em atendimento a diligência requisitada por esta Turma Julgadora por meio da Resolução nº 1301000.226, de 24/09/2014, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, como se viu, equivocadamente: a) entendeu que o mérito do direito creditório apontado no presente processo para fins de compensação tributária já foi objeto de análise pela então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção, por meio do Acórdão 1102001.061 (processo administrativo nº 10680.910.116/20947); b) promoveu a homologação da compensação tributária objeto do presente processo; e c) arquivou o processo. Alertada pela própria contribuinte, eis que a apreciação do recurso voluntário por ela impetrado sequer havia sido concluída, foi efetuado o desarquivamento do feito. No encaminhamento a este Colegiado, mais uma impropriedade: o processo estaria sendo enviado a esta instância julgadora por "desejo do sujeito passivo". Diante de tal quadro, cabem as seguintes considerações: 1ª) a decisão prolatada nos autos do processo administrativo nº 10680.910.116/20947 pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção (acórdão 1102 001.061), não analisou o mérito do pedido ali formulado, apenas declinou o entendimento de que é possível a restituição de antecipações obrigatórias (estimativas) pagas a maior, nos termos da súmula CARF nº 84, conforme demonstram os fragmentos do voto condutor, abaixo reproduzidos; ...desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 192 7 a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de fevereiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. 2ª) tratandose de conversão do julgamento em diligência para colheita de informações, a unidade administrativa de origem jamais poderia adotar decisão terminativa e arquivar o processo, eis que não finalizada a apreciação nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, como bem destacado pela própria contribuinte. A questão a ser dirimida no presente processo já foi objeto de apreciação por este Colegiado em outros feitos administrativos de interesse da ora Recorrente, motivo pelo qual sirvome da proposição apresentada nos autos do processo administrativo 10680.932851/200910, em que foi redator do voto vencedor o Ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Nesse diapasão, conduzo meu voto no sentido de ANULAR A INFORMAÇÃO FISCAL/DESPACHO de fls. 159/160 e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) junte aos autos cópia integral da DIPJ, original, do anocalendário 2005 apresentada pela Recorrente; b) intime a recorrente a: b.1) informar o método de apuração da estimativa mensal (Receita Bruta x Balanço de Suspensão/Redução) do mês de fevereiro de 2005, utilizado nos cálculos dos valores originalmente declarados e dos valores retificados; b.2) demonstrar e comprovar o erro de fato cometido na apuração do valor devido a título de estimativas no período de apuração de fevereiro de 2005, com precisa indicação nos elementos documentais apresentados; b.3) apresentar outros elementos que entender cabíveis com vistas a comprovação do erro de fato alegado; e c) informe, se existentes, os números dos processos que têm por objeto o mesmo direito creditório pleiteado nos presentes autos. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.935073/200911 Resolução nº 1301000.315 S1C3T1 Fl. 193 8 A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal conclusivo, do qual deve ser cientificada a Recorrente para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Ao final, o presente processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento da apreciação da controvérsia. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10580.724214/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL.
Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado.
Numero da decisão: 2201-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 42 14 /2 00 9- 91 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 27/07/2009, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 14.841,22 referente à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Constou da referida notificação que de acordo com informações da Fonte Pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil o imposto retido na fonte no valor de R$ 14.841,22 foi depositado em juízo, não podendo ser objeto de restituição através de Declaração de Ajuste Anual. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2 e 51, alegando isenção do pagamento do imposto de renda referentes aos proventos de aposentadoria por ser portador de moléstia grave especificada em lei, conforme laudo médico de fl. 9 e 52. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) na declaração de ajuste anual retificadora (fls. 21/24), o contribuinte deixou em branco (zerado) o campo “rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica” e transferiu os rendimentos pagos pela Previ, de R$ 82.281,52, para o campo “rendimentos isentos e nãotributáveis – proventos de aposentadoria por moléstia grave”; b) os documentos anexados à impugnação comprovam um dos requisitos para a isenção: proventos de aposentadoria (fl. 10). Quanto ao segundo requisito, condição pessoal de portador de moléstia grave, o documento apresentado (fl. 52) – relatório emitido por médico servidor público federal em receituário do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgar Santos – não atende às exigências legais de laudo pericial emitido por serviço médico federal, caso do órgão emissor, autarquia federal, posto que, a Portaria da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) nº 797, de 22/03/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, institui o Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal, a ser adotado como referência nos procedimentos periciais em saúde na Administração Pública Federal. Nele está estabelecido que a avaliação para isenção de imposto de renda compete à junta Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724214/200991 Acórdão n.º 2201003.134 S2C2T1 Fl. 143 3 oficial em saúde ou a perito oficial em saúde, obrigatoriamente, designado em documento legal, o que não restou comprovado; c) não há infração quanto à omissão de rendimentos, mas sim a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pois na análise da declaração retificadora, ND 05/37.153.888, de 26/05/2009, detectouse que o imposto de renda retido na fonte declarado, de R$ 14.841,22, foi depositado em juízo, conforme informações na Dirf da fonte pagadora, Previ (fl. 53); d) o contribuinte não anexou à impugnação qualquer decisão judicial que identifique a destinação do IRRF depositado judicialmente, relativo ao ano calendário de 2005; e) o lançamento fiscal está de acordo com o contexto do questionamento judicial, pois o que está sendo exigido do contribuinte é a devolução do imposto não recolhido aos cofres públicos e que foi restituído indevidamente. Observase que a integralidade do IRRF declarado pelo contribuinte, no montante de R$ 14.841,22, foi depositada em juízo, portanto, não estava disponível para que fosse restituída. Qualquer restituição deste valor somente seria cabível se a União fosse vitoriosa na citada ação judicial, e somente a partir do momento em que o depósito judicial fosse convertido em renda da União. Caso contrário, ocorreria uma restituição em duplicidade ao contribuinte, pois ele já teria recebido uma restituição no valor de R$ 6.097,04, e quando obtivesse êxito na ação judicial, receberia a integridade do valor IRRF depositado judicialmente. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte aduz, em síntese, que: a) em cumprimento da determinação judicial, a fonte pagadora passou a realizar o depósito do IRRF perante a Caixa Econômica Federal na conta judicial n.º 975.635.0202.4406, procedimento que foi realizado desde o anocalendário 2001 até o anocalendário 2009,inclusive no anocalendário controvertido (2004), como pode ser observado no informe de Rendimento do recorrente, bem como no próprio acórdão objeto do presente recurso; b) em sua declaração de IRPF do exercício de 2006, o recorrente fez constar o valor que havia sido retido na fonte pela entidade pagadora, sendo que a RFB a processou e deferiu a restituição do IRPF recolhido a maior; c) após realizada a restituição, em 2009, a SRFB emitiu Notificação de Lançamento sob o argumento de que tal restituição teria sido indevida, em razão de o valor do IRRF depositado em juízo não ter sido até então convertido em renda em favor da União; d) o processo judicial proposto pelo contribuinte findouse em 05/12/2003 (consulta processual doc 2), momento no qual teve início o processo de execução de sentença proposto pela União Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 (vide consulta processual doc 3) que veio a encerrar em 10/02/2006; e) caberia a União prestar a informação relativa ao recebimento dos valores, uma vez que a execução da sentença relativa ao processo em que os depósitos judiciais foram realizados foi promovida pela própria União; f) caso o montante não tenha sido efetivamente devolvido aos cofres públicos por omissão ou mora, tal situação jamais poderia ser imputada ao contribuinte; g) nulidade da notificação de lançamento por vício formal decorrente da ausência de enquadramento legal correlacionado com a descrição dos fatos; h) embora a ação ordinária e sua execução tenham findado, respectivamente, em 2003 e 2006, nada impede que os depósitos judiciais tenham continuado a ocorrer, como efetivamente o foram; i) os depósitos realizados pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, perpetuaramse mesmo após o final do processo, provavelmente, em razão de a fonte pagadora, que não foi parte no processo judicial, não ter sido informada do término da ação, o que deveria ter sido determinado pelo juiz da causa ou mesmo solicitado pela PGFN na condição de representante da União, maio interessada no recebimento do valor correspondente ao IRRF; j) a realização dos depósitos judiciais estavam amparados por decisão de juiz competente para determinálos e não contaram com qualquer participação por parte do contribuinte; k) em que pese o coerente requisito da necessidade de a União ter sido vitoriosa na ação judicial, o mesmo não pode ser dito do requisito do depósito já ter sido convertido em renda, pois ocorrido o trânsito em julgado de sentença favorável para a União, o levantamento do valor depositado dependia exclusivamente da Procuradoria da Fazenda Nacional; l) o simples fato de a União ter promovido a execução de sentença já é suficiente para se aduzir que a mesma consagrou se vitoriosa no processo de origem, afastando a ilação da SRJ no sentido de que se o contribuinte obtivesse êxito na ação judicial, poderia obter a restituição em duplicidade; m) o contribuinte não fez prova de que a sentença foi favorável à União, porque, em razão dos vícios da notificação, desconhecia o teor das imputações que estavam lhe sendo feitas; n) o contribuinte não conseguiu obter a cópia dos autos do processo judicial, devido ao arquivamento e aos problemas estruturais da Seção de Arquivo e de Depósito Judicial; o) no que se refere à conversão do valor depositado em renda, ainda que o mesmo não tenha ocorrido integralmente, isto se deu pela simples inércia da fazenda Nacional que, de posse de título Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724214/200991 Acórdão n.º 2201003.134 S2C2T1 Fl. 144 5 executivo favorável a si não procedeu com a conversão do valor depositado em renda; p) considerando que a ação ordinária transitou em julgado em 05 de agosto de 2003 (doc 05), todos os depósitos judiciais que o sucederam eram por direito da União, podendo ser, a qualquer tempo levantados; q) o comportamento do contribuinte encontra guarida na IN n.º 1.216/2011, que constitui norma complementar à legislação tributária, cuja observância afasta a exigência de qualquer montante a título de multa e juros de mora; r) requer o contribuinte a conversão do julgamento em diligência para que seja oficiada a PGFN para que preste informações acerca dos processos judiciais de n.º 2001.34.00.0025136 e 2003.34.00.0124186 (Seção Judiciária de Brasília) informando sobre o conteúdo da sentença e sobre a conversão em renda dos valores depositados em favor da União e da existência de saldo remanescente passível de conversão complementar; s) requer também o recorrente que seja solicitada à PGFN que oficie a CEF no sentido de obter o saldo disponível da conta bancária dos depósitos judiciais, os quais permanecem pendentes de transferência para a conta da União, em decorrência da decisão transitada em julgado; t) demanda o contribuinte pela possibilidade de realizar a juntada de novos documentos como forma de fazer prevalecer o princípio do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Da ausência de nulidade da notificação de lançamento Aduz o recorrente a nulidade da notificação de lançamento por vício formal decorrente da ausência de enquadramento legal correlacionado com a descrição dos fatos. Tal vício suscitado, ainda fosse identificado, não seria capaz de ensejar a nulidade do auto de infração, pois, conforme consta dos autos, o contribuinte efetivamente se defendeu com base no objeto da notificação, que foi a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 15.499,25 depositado em juízo. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 O artigo 59 do Decreto 70.235/1972 assim dispõe sobre as nulidades: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O mesmo Decreto, em seu art. 60, esclarece que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Assim, ao contrário do sustentado pelo contribuinte, não houve cerceamento do direito de defesa, o que pode ser claramente observado em todas as fases do presente processo, e, ainda que eventualmente estivesse imprecisa a fundamentação legal, não restou demonstrado prejuízo ao contribuinte. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. Da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte Conforme relatado, em 27/07/2009, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 14.841,22 referente à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, tendo em vista que o citado valor foi depositado em juízo, não podendo ser objeto de restituição através de Declaração de Ajuste Anual. O contribuinte, em suas razões recursais, tece argumentações considerando que o processo judicial no qual figura com autor findouse em 05/12/2003 (processo n.º 2001.34.00.0025136, em trâmite na Seção Judiciária do Distrito Federal) e o processo de execução de sentença proposto pela União encerrouse em 10/02/2006 (processo n.º 2003.34.00.0124186). Desse modo, aduz o recorrente que, devido ao trânsito em julgado da ação no ano de 2003, todos os depósitos judiciais que o sucederam eram por direito da União, podendo serem, a qualquer tempo, levantados. Ademais, tendo em vista que o contribuinte não logrou êxito ao solicitar a cópia do processo judicial, em razão da suposta indisponibilidade para cópia no setor de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724214/200991 Acórdão n.º 2201003.134 S2C2T1 Fl. 145 7 arquivos, pugnou pela conversão em diligência para que seja oficiada a PGFN a prestar informações acerca dos processos judiciais em comento informando sobre o conteúdo da sentença; sobre a conversão em renda dos valores depositados em favor da União; e a existência de saldo remanescente passível de conversão complementar. Pleiteou também o recorrente a determinação à PGFN que oficie à CEF no sentido de obter o saldo disponível da conta bancária dos depósitos judiciais, os quais permanecem pendentes de transferência para a conta da União; bem como que seja aberta a possibilidade de realização da juntada de novos documentos como forma de fazer prevalecer o princípio do contraditório e da ampla defesa. Em consulta aos documentos anexados pelo recorrente, fls. 128 e 129, verificase que o saldo de depósitos referentes inclusive ao anocalendário em questão (2005) ainda encontravamse em conta judicial em 23/01/2013, ou seja, não haviam sido convertidos em renda para União, quando da realização do pedido de compensação. Além disso, em consulta realizada no sítio do Tribunal Regional Federal da 1º Região, foi possível identificar que a baixa ocorrida nas duas ações (ordinária e de execução) nos respectivos anos de 2003 e 2006 foram canceladas, sendo retomado o andamento processual, o que corrobora o fato de que os valores depositados em juízo não estavam disponíveis para a União, no período em que foi realizada a compensação, conforme andamento processual abaixo: a) Processo n.º 2001.34.00.0025136 Procedimento Ordinário Movimentação Data Cod Descrição Complemento 12/04/2016 12:42:35 123 BAIXA REMETIDOS PARA EXECUCAO SENTENCA ATUALIZAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃOALTERAÇÃO DE CLASSE PARA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA PROCESSO 20030424186 FLS630V NO DIA 05122003 20/10/2015 15:32:26 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO 15/09/2015 13:39:38 204 OFICIO EXPEDIDO 17/08/2015 15:37:02 204 OFICIO ORDENADA EXPEDICAO 17/08/2015 15:36:56 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 10/08/2015 15:23:33 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 10/08/2015 15:23:17 124 BAIXA CANCELADA RESTAURADA MOVIMENTACAO PROCESSUAL 05/12/2003 10:58:59 123 BAIXA REMETIDOS PARA EXECUCAO SENTENCA Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 b) Processo n.º 2003.34.00.0424186 Cumprimento de Sentença Movimentação Data Cod Descrição Complemento 15/04/2016 14:41:14 204 OFICIO ORDENADA EXPEDICAO 15/04/2016 14:41:08 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 13/04/2016 17:09:07 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 06/08/2015 14:22:08 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO PETIÇÃO REITERA PEDIDO DE FLS 704 06/08/2015 14:12:27 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA SEM PETIÇÃO 30/07/2015 12:45:31 126 CARGA RETIRADOS ADVOGADO REU RETIRADOS PELO FUNC UBIRAJARA EVANGELISTA DE AVILA RG 932315 SSPDF ADVGDF00002787 IVO EVANGELISTA DE AVILA TELEFONE3226980085501512 DATA DEVOLUÇÃO03082015 QTDE FOLHAS709 29/07/2015 11:55:02 185 INTIMACAO NOTIFICACAO VISTA ORDENADA REU OUTROS 29/07/2015 11:54:56 179 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA PUBLICADO DESPACHO 03/07/2015 17:28:00 178 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA PUBLICACAO REMETIDA IMPRENSA DESPACHO PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 290715 28/05/2015 15:04:06 176 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA ORDENADA PUBLICACAO DESPACHO 28/05/2015 15:03:46 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 26/05/2015 16:25:27 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 18/03/2015 13:10:48 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO 18/03/2015 12:38:58 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA 18/03/2015 12:38:53 124 BAIXA CANCELADA RESTAURADA MOVIMENTACAO PROCESSUAL 10/02/2006 11:16:27 123 BAIXA ARQUIVADOS Portanto, verificase que o trânsito em julgado da decisão, com baixa definitiva do processo n.º 2001.34.00.0025136 Procedimento Ordinário, ocorreu apenas em 12/04/2016, ocasião na qual foi remetido para a execução de sentença. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724214/200991 Acórdão n.º 2201003.134 S2C2T1 Fl. 146 9 Dessa forma, não se faz necessária a conversão em diligência pleiteada pelo contribuinte, tendo em vista que foram identificados todos os elementos necessários para o deslinde do litígio. Nesse contexto, tendo em vista a motivação da glosa, as alegações do contribuinte, bem como o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96 (Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão), deve ser mantida a glosa referente à compensação indevida, pois, quanto realizada a compensação, a ação judicial ainda encontravase em trâmite e os depósitos não haviam sido convertidos em renda para a União. Assim, diante da impossibilidade de compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, não assiste razão ao recorrente. Dos juros e da multa aplicados Sustenta o recorrente a sua fiel observância da legislação tributária sendo indevida a aplicação de juros e de multa. Não obstante as alegações acerca dos juros e da multa, conforme restou demonstrado anteriormente, houve de fato a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que enseja a correspondente aplicação de juros e multas nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei n.º 9.430/96, art. 18 da Lei n.º 10.833/2003. Assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10855.002732/98-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. EFEITOS INFRINGENTES PARA ALTERAR O ACÓRDÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma (artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015).
FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. IMUTABILIDADE DA COISA JULGADA.
Houve trânsito em julgado da ação judicial que pleiteava a restituição. A decisão declarou prescritos os créditos tributários recolhidos anteriormente ao quinquênio imediatamente anterior à propositura da ação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, acolhendo-os em vista da necessidade de saneamento da omissão e contradição contidas no acórdão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. EFEITOS INFRINGENTES PARA ALTERAR O ACÓRDÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma (artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. IMUTABILIDADE DA COISA JULGADA. Houve trânsito em julgado da ação judicial que pleiteava a restituição. A decisão declarou prescritos os créditos tributários recolhidos anteriormente ao quinquênio imediatamente anterior à propositura da ação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, acolhendoos em vista da necessidade de saneamento da omissão e contradição contidas no acórdão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 27 32 /9 8- 41 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 345 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 346 3 Relatório A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fulcro no nos artigos 64, inciso I, artigo 65 e seguintes, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe Embargos de Declaração com o objetivo de corrigir suposto vício de contradição e omissão no acórdão nº 3301002.619, proferido por este Colegiado, em que foi dado provimento ao recurso voluntário, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Provido. Alega que o acórdão deveria apreciar o conflito entre o provimento judicial transitado em julgado e o recurso extraordinário com repercussão geral. Diz que o acórdão passou ao largo da questão e adotou como fundamento o entendimento do STF no recurso extraordinário com repercussão geral nº 561.908, com amparo no RICARF, art. 62A. O Processo Administrativo em questão é referente à restituição e compensação apresentado pela empresa acima qualificada que teve o pedido de crédito indeferido em 03/12/1999 pela DRF/SOROCABA e não convertido em DCOMP pelo art. 49 da Lei n 10.637, de 30/12/2002, vigente à época. O indeferimento foi mantido pela DRJ/Campinas. No entanto, o recurso foi provido pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Paralelamente, o interessado impetrou mandado de segurança. Embora a ação judicial não tenha transitado em julgado até aquele momento, os cálculos foram efetuados com base na decisão do Segundo Conselho de Contribuintes restando saldo devedor para alguns débitos. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 347 4 Paralelamente à discussão administrativa, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, registrado sob o n° 1999.61.10.0026111, objetivando autorização judicial para compensar os recolhimentos efetuados a maior a título de FINSOCIAL, em face da inconstitucionalidade da majoração de alíquota do referido tributo. Referida Medida Judicial foi julgada procedente em Primeira Instância. No entanto, em sede de Apelação, o TRF 3ª Região deu provimento ao recurso da União e à remessa oficial declarando prescritos os créditos tributários recolhidos anteriormente ao quinquênio imediatamente anterior à propositura da Ação, tendo como termo a quo a data do reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade do dispositivo legal que majorou a alíquota do tributo discutido (FINSOCIAL), ou seja, o lapso prescricional passou a contar a partir de 02/04/1993. Como a Medida Judicial foi proposta somente em julho de 1999, os créditos tributários pretendidos pelo autor foram declarados prescritos. Contra essa decisão o autor interpôs Recurso Especial, o qual não foi admitido pelo TRF. O STJ, por sua vez, não conheceu do Agravo de Instrumento interposto contra o não recebimento do Recurso Especial, bem como negou provimento ao Agravo Regimental interposto pelo autor. Em 11/03/2005, ocorreu o trânsito em julgado da decisão judicial. No momento de cumprir a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes a DRF/Sorocaba não teve convicção para executar o julgado e formulou um questionamento. A Informação Fiscal foi emitida em 26/02/2010 pelo Seort da DRF/Sorocaba e cita, nos parágrafos 81 e 90, o seguinte (fls.285 e 286): Confrontando a decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes com a decisão final, transitada em julgado, prolatada na Medida Judicial citada, constatamos a existência de entendimentos divergentes entre as esferas administrativa e judiciária, ao tratar do mesmo assunto. Administrativamente, o Conselho de Contribuintes afastou a prescrição tomando como termo de contagem de início do lapso prescricional qüinqüenal, a data de 02/04/1993, e o termo final, a data de 16/09/1997, considerando esta como a data de protocolização do pedido de compensação. Ocorre que a data do primeiro protocolo de pedido de compensação é de 15/10/1998, conforme se verifica às fls. 01 destes autos. Considerando a mesma data de início de contagem do prazo prescricional (02/04/1993), o primeiro pedido de compensação foi efetuado depois de transcorridos mais de cinco anos da decisão do STF, portanto, de acordo com a tese que fundamentou a decisão do Conselho de Contribuinte, o indébito também estaria prescrito na seara administrativa, uma vez que, embora haja menção no corpo do Acórdão à possibilidade de se Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 348 5 considerar a prescrição decenal, a tese acolhida foi a da prescrição qüinqüenal ". Os embargos de declaração foram admitidos. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 349 6 Voto O acórdão embargado trouxe a discussão sobre a ação judicial que tratava do indébito de FINSOCIAL em questão: Paralelamente à discussão administrativa, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, registrado sob o n° 1999.61.10.0026111, objetivando autorização judicial para compensar os recolhimentos efetuados a maior a título de FINSOCIAL, em face da inconstitucionalidade da majoração de alíquota do referido tributo. Referida Medida Judicial foi julgada procedente em Primeira Instância. No entanto, em sede de Apelação, o TRF 3ª Região deu provimento ao recurso da União e à remessa oficial declarando prescritos os créditos tributários recolhidos anteriormente ao quinquênio imediatamente anterior à propositura da Ação, tendo como termo a quo a data do reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade do dispositivo legal que majorou a alíquota do tributo discutido (FINSOCIAL), ou seja, o lapso prescricional passou a contar a partir de 02/04/1993. Como a Medida Judicial foi proposta somente em julho/1999, os créditos tributários pretendidos pelo autor foram declarados prescritos. Contra essa decisão o Autor interpôs Recurso Especial, o qual não foi admitido pelo TRF. O STJ, por sua vez, não conheceu do Agravo de Instrumento interposto contra o não recebimento do Recurso Especial, bem como negou provimento ao Agravo Regimental interposto pelo autor. Em 11/03/2005 ocorreu o trânsito em julgado da decisão judicial. A embargante alega que caberia ao acórdão apreciar o conflito entre o provimento judicial transitado em julgado e o recurso extraordinário com repercussão geral. Alega também que o acórdão passou ao largo da questão e adotou como fundamento o entendimento do STF no recurso extraordinário com repercussão geral nº 561.908, com amparo no RICARF, art. 62A. Como fundamento, traz que o STF decidiu, no recurso extraordinário com repercussão geral nº 730462: Ementa: CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NEGADOS COM FUNDAMENTO EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 350 7 INCONSTITUCIONAL PELO STF. EFICÁCIA TEMPORAL DA SENTENÇA. REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. 1. Possui repercussão geral a questão relativa à eficácia temporal de sentença transitada em julgado fundada em norma supervenientemente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado. 2. Repercussão geral reconhecida. (...) Posteriormente, no julgamento de mérito, decidiu o STF: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 733 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso extraordinário. Fixada a tese com o seguinte teor: A decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das decisões anteriores que tenham adotado entendimento diferente. Para que tal ocorra, será indispensável a interposição de recurso próprio ou, se for o caso, a propositura de ação rescisória própria, nos termos do art. 485 do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (art. 495). (...) Assim, conforme decisão do STF no recurso extraordinário nº 730462, e por força do disposto no RICARF, art. 62A, caberia ao acórdão afastar a aplicação do RE nº 561.908 em detrimento da imutabilidade da coisa julgada. Além do referido leading case, a embargante traz que o STF analisou a imutabilidade da coisa julgada nos recursos extraordinários com repercussão geral nºs: 590880, 596663 e 611503: Processo Civil. Execução. Definição da competência para, após a instituição do regime jurídico único dos servidores públicos federais (Lei nº 8.112/90), julgar os efeitos de decisão anteriormente proferida pela Justiça do Trabalho. Inexigibilidade do título executivo judicial (artigo 884, § 5º, da CLT). Reajuste do Plano Collor a servidores públicos federais. Decisão do Supremo Tribunal Federal. Extensão do precedente aos casos com trânsito em julgado. Coisa julgada (artigo 5º, XXXVI, da Constituição Federal). Existência de repercussão geral, dada a relevância das questões versadas.(...) CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ADEQUAÇÃO DOS TÍTULOS JUDICIAIS EXEQÜENDOS ÀS DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. COISA JULGADA. PRESENÇA DA REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO CONSTITUCIONAL DISCUTIDA. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 351 8 Possui repercussão geral a questão constitucional atinente à compatibilidade entre a garantia constitucional da coisa julgada e o parágrafo único do art. 741 do Código de Processo Civil. (...) COISA JULGADA. PARÂMETROS. GARANTIA CONSTITUCIONAL. EXECUÇÃO. TEMPERAMENTO ADMITIDO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM – RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca do alcance da coisa julgada na hipótese em que limitado no tempo, em sede de execução do título judicial, o direito de incidência do percentual de 26,05%, relativo à URP de fevereiro, sobre os respectivos proventos, reconhecido mediante sentença.(...) Concordo com a embargante. Há contradição entre o voto condutor que analisou o trânsito em julgado da ação judicial e o resultado do julgamento. Entendo que o processo em tela restou pacificado pelo recurso extraordinário nº 730462, devendo, assim, prevalecer a imutabilidade da coisa julgada. Ao final da ação judicial, o Autor interpôs Recurso Especial, o qual não foi admitido pelo TRF. O STJ, por sua vez, não conheceu do Agravo de Instrumento interposto contra o não recebimento do Recurso Especial, bem como negou provimento ao Agravo Regimental interposto pelo autor. Assim, em 11/03/2005 ocorreu o trânsito em julgado da decisão judicial. Não seria possível utilizarse da tese "decenal" para o prazo de pleitear a restituição, se houve o trânsito em julgado da ação judicial do contribuinte em 11/03/2005. Considerando que os créditos se referem ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/03/1992 e como a medida judicial foi proposta somente em julho de 1999, os créditos tributários pretendidos pelo autor foram declarados prescritos. Enfim, o trânsito em julgado da ação reconheceu como prescritos os créditos tributários recolhidos anteriormente ao quinquênio imediatamente anterior à propositura da ação. Assim, voto por conhecer dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, acolhendoos em vista da necessidade de saneamento da contradição contida no acórdão. Portanto, por dar efeitos infringentes a decisão embargada para modificar o resultado para fins de negar provimento ao recurso voluntário considerando prescrito o prazo do contribuinte para pleitear a restituição. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10855.002732/9841 Acórdão n.º 3301002.904 S3C3T1 Fl. 352 9 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 16682.720698/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.954
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado) e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada).
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado) e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 98 /2 01 2- 33 Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16682.720698/201233 Acórdão n.º 2201002.954 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, Acórdão 1257.963 da 14ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Da autuação O presente processo foi identificado no sistema COMPROT pelo número 16682.720698/201233, e referese aos autos de infração identificados pelos DEBCAD 37.348.8432 e 37.365.1619. 2. O relatório fiscal foi juntado às fls. 2/26 dos autos. 3. Esclarece a Auditoria Fiscal que os lançamentos que integram o presente processo foram efetuados com o fim de prevenir a decadência da contribuição previdenciária prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876, de 26 de novembro de 1999, no período de 07/2007 a 12/2008. 4. Informa a Auditoria que integram o presente processo os seguintes autos de infração: 3.1. Compõem o processo COMPROT nº 16682.720698/201233 os seguintes AI: 3.1.1. AI nº 37.348.8432– Auto de Infração de Obrigação Principal que apura a contribuição prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999 (publicada no DOU de 29 de novembro de 1999), ou seja, 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto de Notas Fiscais ou Faturas relativas à prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, no período de 07/2007 a 07/2008. 3.1.2. AI nº 37.365.1619– Auto de Infração de Obrigação Principal que apura a contribuição prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 9.876/1999, no período de 08/2008 a 12/2008. 5. Informa a Auditoria que os lançamentos acima referenciados destinamse a prevenir a decadência, vez que a Autuada obteve judicialmente a suspensão da exigibilidade da contribuição prevista no inciso IV, do artigo 22, da Lei 8.212/1991. Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 6. No item 10 do relatório fiscal a Auditoria relaciona as cooperativas por intermédio das quais foram prestados serviços à RJR. 7. Com relação à ação judicial proposta pela Autuada, a Auditoria Fiscal prestou os seguintes esclarecimentos: A AÇÃO JUDICIAL 27. A empresa ora autuada impetrou Mandado de Segurança nº 2000.51.01.0150557, na 20ª VF/RJ, com o objetivo de não efetuar o recolhimento da contribuição previdenciária prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 9.876/1999. 28. Em 15/12/2000 o Juízo Federal concedeu a segurança pleiteada, garantindo à RJR o direito de não efetuar o recolhimento da contribuição previdenciária de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto das Notas Fiscais ou Faturas decorrentes da prestação de serviços por cooperados com intermediação de cooperativas de trabalho. 29. Posteriormente, o Tribunal Regional Federal – TRF, nos autos do processo 2001.02.01.0123477, deu provimento à apelação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS para reformar a sentença e denegar a segurança concedida no primeiro grau de jurisdição. 30. Em 10/12/2007 foi admitido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região o Recurso Especial interposto pela RJR, sem efeito suspensivo. 31. Inconformada, a RJR ajuizou Medida Cautelar perante o Supremo Tribunal Federal – STF (AC 19338), visando a conferir efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário que interpôs nos autos da apelação em Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0123477. Em 11/01/2008, a Ministra Ellen Gracie proferiu decisão deferindo a liminar apenas no tocante à suspensão da exigibilidade da contribuição social prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 9.876/1999. 32. Posteriormente, o Ministro Ricardo Lewandowski proferiu decisão julgando prejudicada a ação cautelar. 33. A requerente, então, interpôs agravo regimental, que foi acolhido, para reconhecer a incompetência superveniente daquela Corte para apreciar a ação. 34. Os autos retornaram, desse modo, ao Tribunal de origem – TRF – 2ª Região, tendo a Desembargadora Federal Vera Lúcia Lima, em 31/03/2011, proferido decisão mantendo os efeitos da decisão que deferiu “pedido de medida liminar para conceder efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido pela 3ª Turma do TRF da 2ª Região, nos autos do AMS nº 2001.02.01.0123477, até decisão de mérito, tão somente Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16682.720698/201233 Acórdão n.º 2201002.954 S2C2T1 Fl. 4 5 quanto à exigibilidade da contribuição social prevista no inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.876/99”. 35. O citado recurso extraordinário, interposto nos autos do AMS nº 2001.02.01.0123477 encontrase sobrestado até pronunciamento definitivo do STF a respeito da questão constitucional debatida, uma vez que foi reconhecida a existência de repercussão geral no RE nº 595.838RG/ SP. 8. Informa a Auditoria que na apuração do presente crédito tributário não foram aplicadas multa de ofício nem multa de mora, em conformidade com o disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9. Os documentos que serviram de base para a apuração do crédito fiscal foram relacionados pela Auditoria no item 38 do relatório fiscal. 10. Foi esclarecido pela Auditoria Fiscal que: 42.5. É importante frisar que o fato de não terem sido apresentadas algumas Notas Fiscais ou Faturas à fiscalização impediu que esta pudesse observar a existência, por exemplo, de fornecimento de materiais junto com a prestação dos serviços ou, como no caso da UNIMED Vitória, que pudesse ser verificada a base de cálculo informada pela cooperativa em suas Faturas. Por essa razão, os valores referentes a Notas Fiscais ou Faturas não apresentadas foram considerados como arbitramento da base de cálculo dos 15%, utilizando esta fiscalização a prerrogativa prevista no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991. 11. A Auditoria elaborou as seguintes planilhas: “Relação de GFIP Consideradas Nesta Fiscalização” (fls. 32/43); “Relação de Notas Fiscais Preparada pela Empresa” (fls. 44/72); “Relação de Contratos com Cooperativas Analisados na Ação Fiscal” (fls. 73/74); “Lançamentos Contábeis Relativos às Notas Fiscais ou Faturas Emitidas por Cooperativas de Trabalho” (fls. 75/377); “Contabilização de Notas Fiscais Não Relacionadas Nem Apresentadas à Fiscalização” (fls. 378/382); “Relação de Notas Fiscais ou Faturas Emitidas por Cooperativas” (fls. 382/419); Da impugnação Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 12. Intimado em 18/07/2012, conforme fls. 420 e 660 e, ainda, atestado no Sistema SICOB, como é possível verificar na fl. 2.696, o Contribuinte ingressou com a defesa de fls. 2.526/2.534, dentro do prazo de impugnação, conforme atestado nas fls. 2.696 e 2.698. Impugna o Contribuinte o lançamento identificado pelo DEBCAD 37.348.8432. 13. A Impugante alega, em síntese, que, por entender indevida a cobrança da contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, impetrou o Mandado de Segurança nº 2000.51.01.0150557, através do qual obteve a suspensão da exigibilidade da referida contribuição previdenciária, nos termos do artigo 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional. 14. Referindose à ação judicial minuciosamente descrita pela Auditora Fiscal em seu relatório a Impugnante assinala que foi deferida pelo TRF da 2ª Região liminar para suspender os efeitos do acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, o qual decidiu pela legitimidade da cobrança da contribuição previta no inciso IV, do artigo 22 da Lei 8.212/1991, estando assim suspensa a exigibilidade da contribuição em comento. 15. Assinala a Impugnante que atualmente, o Recurso Extraordinário interposto pela Impugnante nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0123477 encontrase sobrestado até que haja o pronunciamento definitivo do STF a respeito do tema, nos autos do RE paradigma nº 595.838/SP. 16. Em seguida a Impugnante alega que ao alterar a redação do inciso IV, do artigo 22 da Lei 8.212/1991, a Lei 9.876/1999 direcionou a obrigação tributária de recolhimento da contribuição previdenciária à empresa tomadora do serviço e não para a própria cooperativa. Além disso, alterouse substancialmente a base de cálculo da contribuição, que passou a ser o valor do serviço e não o montante efetivamente pago, distribuído ou creditado aos membros da cooperativa de trabalho. 16.1. Acrescenta a Impugnante que a Lei 9.876/1999 infringe o disposto no artigo 195, inciso I, alínea “a” da Constituição Federal, o qual estabelece que a Seguridade Social será financiada pela contribuição social, a cargo da empresa, incidente sobre “demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. 16.2. Aduz a Autuada que a base de cálculo eleita pelo legislador pátrio (artigo 1º da Lei nº 9.876/1999) não guarda qualquer relação com a base de cálculo da contribuição prevista pelo artigo 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal, na medida em que tributa o valor total da nota fiscal e/ou fatura paga à cooperativa de trabalho prestadora do serviço, e pelos critérios da Lei Maior, estabelecidos no dispositivo em comento, a base de cálculo das contribuições sociais só pode ser a folha de salários, o faturamento e o lucro. 16.3. Esclarece a Autuada que, por se tratar de instituto regulado pelo Direito Privado, o conceito de faturamento não Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16682.720698/201233 Acórdão n.º 2201002.954 S2C2T1 Fl. 5 7 pode ser modificado pelo legislador tributário, exatamente porque foi usado pela Constituição para estabelecer a competência atribuída à União para a exigência das contribuições, conforme o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional. 16.4. Conclui a Impugnante que o artigo 1º da Lei 9.876/1999 desvirtuou o conceito de pessoa física a pretexto de tributar serviços prestados por pessoa jurídica (cooperativas), alterando a definição, conteúdo e alcance de institutos de direito privado utilizados explicitamente para definir e delimitar competência tributária relativamente à contribuição social prevista no artigo 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal de 1988. 17. A Autuada apresentou também a impugnação de fls. 2.611/2.619, através da qual impugnou o lançamento identificado pelo DEBCAD 37.365.1619. Nessa última impugnação repete os argumentos apresentados na defesa acima referenciada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Ilegalidade e inconstitucionalidade da tributação em questão. · Suspensão da exigibilidade por decisão judicial. · Débito está sendo discutido judicialmente. · Processo deve permanecer sobrestado em obediência ao § 1º do artigo 62A do RICARF. É o relatório. Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo, Passo à análise das questões pertinentes. O Auto de Infração, em razão de ação judicial, foi lavrado com o fim de prevenir a decadência. O objeto da autuação foi a falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho prevista no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Registro que este CARF tem ciência da decisão tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, onde o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento ao recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16682.720698/201233 Acórdão n.º 2201002.954 S2C2T1 Fl. 6 9 contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Decisão O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Observo também que o Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver “mesmo objeto” sobre o qual versa o processo administrativo. Esse procedimento está padronizado pela Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 CONCLUSÃO Pelo exposto, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não conheço do recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 16561.720158/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S.A., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 132.743.093,11, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 1199, aí incluídos multa de ofício de 112,5% e 75%, conforme a infração, e juros moratórios até a data do lançamento. A autuação se fez para a constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fl. 1183) com reflexo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fl. 1192), por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008 e 2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 15 8/ 20 13 -1 5 Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.379 2 As infrações apuradas pelo Fisco foram: Adições não computadas na apuração do Lucro Real Lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas ou coligadas. Multa de 112,5%. Adições Preços de Transferência Não adição de parcela dos juros pagos ou creditados a pessoa vinculada no exterior. Multa de 112,5%. Omissão de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização de variação cambial ativa e passiva. Multa de 112,5%. Compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Multa de 75%. Esta infração é apenas para a CSLL. A descrição detalhada das infrações se encontra no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1200/1217). [...]. [...] Cientificada do lançamento e com ele irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1234/1358, [...]. [...] A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1658.601, de 11/06/2014 (fls. 1883/1941), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 LUCRO NO EXTERIOR. TRATADOS PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE COM O ART. 74 DA MP nº 2.15835, de 2001. Sobre Tratados para evitar dupla tributação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil já expôs sua interpretação a respeito na Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2013 (disponível no seu sítio eletrônico): não há incompatibilidade entre tais espécies normativas e o apregoado no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NO BRASIL. MONTANTE A SER ADICIONADO. A tributação dos lucros da sucursal/controlada sediada no exterior é realizada mediante a sua adição ao lucro líquido da pessoa jurídica matriz/controladora sediada no Brasil: integralmente, quando se tratar de sucursal; ou na proporção da participação da controladora no capital social da controlada, conforme o método da equivalência patrimonial. O montante a ser adicionado ao lucro líquido da matriz/controladora brasileira é o lucro auferido no exterior antes da incidência de tributação alienígena que seria equivalente ao IRPJ e à CSLL brasileiros. Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.380 3 LUCROS NO EXTERIOR. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ESTRANGEIRAS. ESTRUTURA INTERNA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. QUESTIONAMENTO. POSSIBILIDADE. Os demonstrativos financeiros em que estampada a formação do referido lucro (formado no exterior) são questionáveis de per si, bem como a documentação de suporte à sua confecção, pena de redução a nada d’um trabalho de fiscalização que se pretenda minimamente sério. Cabe cancelamento da parte da autuação cujo conjunto de elementos/instrumentos com pretensão probatória se encontra harmonizado com a versão defendida pelo Impugnante. TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. REQUISITOS. Para o tributo pago no exterior poder ser compensado no Brasil o Contribuinte deve apresentar a prova de pagamento reconhecido pela autoridade tributária local e pelo consulado brasileiro ou deve demonstrar que o comprovante de pagamento apresentado está previsto na legislação estrangeira. No presente caso, o contribuinte fez prova da primeira forma no caso da controlada sediada em Portugal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ausência de motivação não se confunde com discordância sobre a motivação apresentada. Presentes os motivos (textosdocumento) e uma sua mínima articulação com os comandos normativos que se crêem incidentes, eventual insuficiência do trabalho de subsunção se resolve no cancelamento da exigência, e não em reconhecimento de cerceamento do direito de defesa (rectius, declaração de nulidade do ato impugnado). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008, 2009 MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. “Não tendo de uma forma geral o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, nem ficado caracterizada a tentativa de obstaculizar a fiscalização, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispunha de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte que subsidiaram à apuração da matéria tributável.” (CARF, 1ª Sessão de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão 1401000.970, de 08/05/2013). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.381 4 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção do IRPJ impõese também à CSLL, naquilo que for cabível, uma vez que ambos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. Esclareço, por relevante, que o provimento parcial da impugnação se deveu ao afastamento: (i) das exigências de lucros auferidos no exterior por controladas/sucursais na Argélia (integral); Peru (Const. Panorama integral); Espanha (San Sebastian parcial); e Portugal (Zagope parcial); (ii) da multa agravada de 112,5%, reduzida para 75%. Com relação aos lucros auferidos no exterior por sucursal na Colômbia, há nos autos prova de que a interessada buscou extinguir parte da obrigação por compensação, cujo cômputo de efeitos o julgador em primeira instância considerou que compete à Unidade da RFB encarregada da execução da decisão final administrativa. No mais, o lançamento foi mantido. Recurso Voluntário Ciente da decisão de primeira instância em 10/07/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1954, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/08/2014 conforme carimbo de recepção à folha 1956. No recurso interposto (fls. 1956/2095), a interessada protesta por sua tempestividade e historia, sob sua ótica, os fatos, a autuação e a decisão de primeira instância. Seus argumentos podem ser resumidos como segue. Em preliminares (item III.1), a recorrente alega a nulidade parcial da decisão recorrida por preterição do direito de defesa. Isso teria ocorrido por ausência de análise de relevantes argumentos atinentes à liquidação de valores devidos a título de IRPJ e CSLL, mediante a transmissão de Declarações de Compensação durante o curso da fiscalização. Sustenta a recorrente, desde a impugnação, que os valores assim extintos não poderiam ter sido, como o foram, objeto de lançamento de ofício. A decisão de primeira instância não se teria pronunciado sobre este autônomo e específico argumento, aí residindo a nulidade alegada. Ainda em preliminares (item III.2), a recorrente alega que teria havido alteração da motivação original do lançamento, no que respeita aos lucros auferidos pela Controlada em Portugal – Zagope SGPS. Segundo afirma, o cerne da controvérsia, no lançamento, estaria relacionado à “baixa” do ágio registrado pela Zagope SGPS relativo à aquisição do investimento na Zagope Construções, no montante de E$ 46.048 mil, efetuada para adaptar as demonstrações financeiras da Zagope SGPS às regras contábeis brasileiras. O entendimento da autoridade lançadora teria sido de que, de acordo com o Regime Tributário de Transição (RTT, Lei nº 11.941/2009), a “baixa” do ágio não poderia afetar o resultado da Zagope SGPS, pois deveria se neutro do ponto de vista fiscal. No entanto, a decisão recorrida terseia afastado das motivações originais do lançamento e, além de não refutar os argumentos de impugnação, teria mantido a exigência, ao fundamento (diferente) de que o valor de E$ 46.048 mil não poderia ser classificado como despesa, tendo em vista a legislação comercial brasileira, e deveria ser, assim, desconsiderado. A inovação de razões na decisão seria causa de nulidade. A interessada colaciona jurisprudência e doutrina em suporte de sua tese. Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.382 5 Na sequência, a recorrente passa a demonstrar questões que, por sua ótica, seriam prejudiciais, impeditivas do julgamento do presente processo neste momento, até que se conclua o julgamento administrativo do processo nº 16561.720200/201217. São elas: · IV.1 – Saldos de Prejuízo Fiscal e Base Negativa de CSLL No processo administrativo nº 16561.720200/201217, a autuação ali formalizada, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007, absorveu, de ofício, parcela significativa do saldo de prejuízos fiscais e a integralidade do saldo de bases de cálculo negativas da CSLL, existentes em 31/12/2007. No presente lançamento, em que se discutem fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008 e 2009, a Autoridade Lançadora partiu do saldo reduzido (retificado), do que resultaram aqui exigências maiores do que aquelas a que se chegaria com os saldos originalmente apurados pelo contribuinte. Alerta a recorrente que o julgamento naquele processo ainda não é definitivo, tendo sido proferida decisão de primeira instância e estando pendente o julgamento do recurso voluntário interposto. Entende, assim, caracterizada a prejudicialidade entre os processos, e pede o sobrestamento do julgamento deste, até decisão definitiva naquele outro. · IV.2 – Tributos Liquidados no Exterior pela Controlada em Portugal (Zagope e suas Controladas) A recorrente afirma que a decisão de primeira instância proferida no processo administrativo nº 16561.720200/201217 (anocalendário 2007), teria sido reconhecido o direito da interessada à compensação dos tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas controladas). No entanto, esses tributos não foram abatidos dos autos de infração, “ao argumento de que, na apuração original, a Recorrente teria apurado prejuízo fiscal, o que [...] inviabilizaria a pretendida dedução [...]”. A recorrente prossegue: 51. De toda forma, e apesar de não reconhecer a dedução para o anocalendário de 2007, a 1ª Turma da DRJ/SPO consignou na r. decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720200/201217 que os tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas Controladas) poderiam ser deduzidos em anocalendário posteriores a 2007. Confirase: “(...) Assim, o que se reconhece oportunamente como tributo sobre a renda pago no exterior no ano de 2007, i.é, R$ 1.697.035,58, haverá de ser reservado para eventual compensação ‘com o que for devido nos anos calendário subsequentes a 2007”. (...)” A interessada lembra, mais uma vez, que o julgamento administrativo no outro processo se encontra ainda inconcluso e acrescenta que, “se os tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas Controladas) não forem abatidos nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720200/201217, deverão, então, ser deduzidos nos autos do processo administrativo em referência”. Da mesma forma que no item anterior, a recorrente entende caracterizada a prejudicialidade entre os processos, e pede o sobrestamento do julgamento deste, até decisão definitiva naquele outro. Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.383 6 No mérito, os argumentos recursais podem ser sintetizados como segue, na sequência dos tópicos que constam da peça recursal: · V.1 DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL A recorrente caracteriza os autos de infração como “mal lavrados”, e aponta as seguintes supostas violações ao art. 142 do CTN, diante do que postula pelo cancelamento integral das exigências fiscais: · V.1.1 — Ausência de juntada aos autos e análise conclusiva de documentos relevantes apresentados no curso da fiscalização A queixa da recorrente se refere, especialmente, aos documentos relacionados às despesas incorridas pela Sucursal de Angola e à liquidação de valores a título de IRPJ e CSLL · V.1.2 Ausência de motivação adequada e específica Aqui, a recorrente se refere à acusação fiscal de não oferecimento à tributação de supostos lucros auferidos no exterior por Sucursais e Controladas (especialmente no caso de Angola, Antigua, Argélia, Colômbia, Congo, Venezuela/Sucursal e Venezuela/Controlada). · V.1.3 Da Extrapolação dos Limites Legais aos Poderes de Fiscalização em Matéria de Lucros do Exterior O trabalho fiscal, nesse aspecto, terseia dedicado a “auditar” as demonstrações financeiras de Sucursais e Controladas no exterior e, ainda, a “revisar” as demonstrações de Controladas indiretas. A Fiscalização teria chegado ao extremo de glosar despesas da Sucursal de Angola. Afirma a recorrente que que “a legislação nacional não autoriza este tipo de ‘auditoria’, e muito menos a realização de ‘ajustes’ e glosas nas demonstrações financeiras das entidades estrangeiras”. · V.1.4 Do erro de critério na apuração da suposta omissão de receita financeira e do suposto ajuste a título de preço de transferência A recorrente reclama que teria sido apurada variação cambial sobre contrato firmado em Reais. Além disso, sustenta que a mera existência dos contratos de mútuo não significa que os respectivos valores tenham efetivamente entregues aos mutuários e naquele exato montante. O Fisco teria presumido a efetiva entrega dos valores. Com isso estariam integralmente comprometidas as acusações fiscais. · V.1.5 Desconsideração de créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL No lançamento, teriam sido desprezados créditos líquidos e certos de saldos negativos de IRPJ e CSLL, devidamente registrados nas DIPJs dos anoscalendário 2008 e 2009. · IV.1.5 Ausência de aprofundamento do trabalho fiscal Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.384 7 Tal aprofundamento seria “absolutamente necessário e imprescindível no caso concreto em função da complexidade das matérias investigadas e do volume de informações e documentos” · V.2 DA IMPROCEDÊNCIA DAS ACUSAÇÕES FISCAIS · V.2.1 Controlada sediada em Portugal (Zagope) Neste item, em extensa argumentação, a recorrente traz seu ponto de vista acerca: do Tratado entre Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação (aprovado pelo Decreto nº 4.012/2001); dos objetivos dos Tratados para Evitar a Dupla Tributação; da Dupla Tributação e do Mecanismo para Evitar a sua Ocorrência; da Interpretação Particularizada da Fiscalização e da r. Decisão Recorrida, da qual diverge, afirmando que o lucro tributado por meio do presente lançamento teria sido exatamente o mesmo já tributado em Portugal pela Zagope. A recorrente traz, também, seu entendimento acerca dos “Comentários da OCDE à Convenção Modelo e da Dupla Tributação Jurídica Internacional”, mencionados pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal. Na sequência, a interessada busca afastar a eventual caracterização da tributação aqui discutida como incidente sobre dividendos fictos, pois o Tratado BrasilPortugal apenas admite a tributação dos dividendos quando efetivamente pagos. Acerca da Solução de Consulta Interna COSIT n° 18, a recorrente considera falhas suas premissas e frágeis suas conclusões. A recorrente sustenta que a Zagope não teria auferido lucro no exterior. Traz argumentos contrários à desconsideração, pelo Fisco, do valor de E$ 46.048 mil a título de “despesas não operacionais”, lembra mais uma vez que a fundamentação para a autuação, quanto a esta matéria, teria sido alterada pela decisão de primeira instância, e conclui que a autuação não pode prosperar, por pretender tributar os resultados da Zagope SGPS apurados de acordo com critérios contábeis portugueses. Pede a recorrente que, na hipótese de ser mantido o lançamento, os tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas Controladas) sejam compensados com os montantes objeto dos autos de infração em discussão no presente processo. · V.2.2 Controlada Sediada na Espanha (San Sebastian) A recorrente argumenta que, independentemente do montante dos supostos lucros apurados nos anoscalendário de 2008 e 2009, os arts. 7º e 23 do Tratado entre Brasil e Espanha (aprovado pelo Decreto nº 76.975/1976) não autorizam sua tributação no Brasil. Os argumentos, nesse particular, são os mesmos aduzidos quanto ao Tratado entre Brasil e Portugal, no item anterior. · V.2.3 Sucursal de Angola A recorrente sustenta que teria comprovado a formação dos “Resultados Extraordinários”, a origem das despesas suportadas pela Sucursal de Angola (indenizações” e a ausência de lucro a ser tributado aqui no Brasil. Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.385 8 · V.3 QUESTÕES SUBSIDIÁRIAS · V.3.1 Da Tributação do Lucro da Investidora Brasileira Neste tópico, a recorrente retoma a argumentação acerca dos Tratados Internacionais para evitar a dupla tributação, e expõe seu entendimento de que, no caso concreto (Portugal e Espanha), estaria sendo tributado em duplicidade, no Brasil e em cada um daqueles países, um único e mesmo lucro. · V.3.2 Recalculo dos créditos tributários Na hipótese de manutenção dos lançamentos, a recorrente pede que sejam recalculadas as exigências, computandose os créditos provenientes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL, nos montantes de R$ 556.867,33 (fl. 839) e R$ 605.571,36 (fl. 991), respectivamente. · V.3.3 Não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A recorrente argumenta que os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício lançada, por falta de previsão legal. · V.4 Recurso de Ofício A recorrente repisa todos os argumentos de defesa constantes da impugnação, e pede o desprovimento do recurso de ofício. Recurso de Ofício Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multa) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. Contrarrazões da Fazenda Nacional A União (Fazenda Nacional), por seu Procurador, com base no § 2º do art. 48 do Anexo II do então vigente Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário e razões ao recurso de ofício (fls. 2287/2343). Seus argumentos podem ser sintetizados como segue: A Fazenda Nacional se manifesta contrariamente ao pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, até decisão final no processo administrativo nº 16561.720200/201217. Seu entendimento é de que as matérias aqui discutidas podem ser decididas de forma autônoma em relação àquele outro processo. A única consequência, por sua ótica, seria quanto à definição do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, o que diria respeito tão somente à fase de execusão da decisão administrativa proferida pelo CARF, e não à apreciação dos aspectos materiais do lançamento. 1 No mesmo sentido, as disposições do § 2º do art. 48 do Anexo II do RICARF atualmente em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.386 9 No que toca aos argumentos de violação ao art. 142 do CTN, a Fazenda Nacional busca, inicialmente, fazer distinções quanto à natureza de cada uma das reclamações, e passa a refutálos individualmente. A Fazenda Nacional se dedica a demonstrar a legalidade e correção da tributação dos lucros auferidos por intermédio da Controlada em Portugal, debruçandose sobre: a qualificação dos lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas ou coligadas; a classificação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 como norma CFC; a aplicabilidade do referido art. 74 frente ao Tratado para evidar a dupla tributação firmado entre Brasil e Portugal; e a interpretação que reputa correta desse Tratado. Na sequência, são abordados aspectos específicos quanto ao lucro tributável apurado na Zagope SGPS, buscando esclarecer a correção do procedimento fiscal. No que tange aos lucros auferidos por intermédio da controlada na Espanha, pede a extensão do raciocínio desenvolvido quanto ao Tratado entre Brasil e Portugal, pelo que também aqui o lançamento deve ser considerado procedente. Afinal, a Fazenda Nacional defende a legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, calculados à taxa SELIC, e conclui com o pedido de que seja negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. De igual modo, o recurso de ofício atende aos requisitos legais2 e também dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL, por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008 e 2009. As infrações apuradas pelo Fisco foram: Adições não computadas na apuração do Lucro Real Lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas ou coligadas. Adições Preços de Transferência Não adição de parcela dos juros pagos ou creditados a pessoa vinculada no exterior. Omissão de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização de variação cambial ativa e passiva. 2 Os valores correspondentes a tributo e multas afastados em primeira instância atingem exatos R$ 49.478.595,19, conforme item 84 e quadro 15, ao final do acórdão recorrido (fls. 1940/1941). Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.387 10 Compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Esta infração é apenas para a CSLL. Esclareço, por relevante, que, ao quantificar as exigências do IRPJ, o Fisco efetuou, de ofício, a compensação de saldos pretéritos de prejuízos fiscais acumulados, observada a limitação legal de 30% (trava). Alerta a contribuinte que, no processo administrativo nº 16561.720200/201217, a autuação ali formalizada, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007, absorveu, de ofício, parcela significativa do saldo de prejuízos fiscais e a integralidade do saldo de bases de cálculo negativas da CSLL, existentes em 31/12/2007. No presente lançamento, em que se discutem fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008 e 2009, a Autoridade Lançadora partiu do saldo reduzido (retificado), do que resultaram aqui exigências maiores do que aquelas a que se chegaria com os saldos originalmente apurados pelo contribuinte. Por relevante, informo, desde já, que o processo nº 16561.720200/201217 teve sua impugnação julgada em 11/06/2014, sendo proferido o acórdão nº 1658.600, dando provimento parcial às pretensões do contribuinte. Foram interpostos recursos voluntário e de ofício, ainda não julgados em segunda instância. Consulta realizada no sistema eprocesso revelou que, em 11/03/2016, o processo se encontrava no SEDIS/CECAP/CARF, atividade "distribuir/sortear". Como se observa, uma das infrações discutidas no presente processo (a glosa de compensação de bases de cálculo negativas da CSLL) tem sua origem em outro processo. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá. Se, por hipótese, vier a ser decidido no outro processo pela improcedência dos lançamentos feitos pelo Fisco e pela correção do quanto apurado pelo sujeito passivo, isso implicará diretamente o restabelecimento das bases de cálculo negativas de CSLL do anocalendário 2007, com efeitos sobre as glosas de compensações no ano calendário 2008, aqui discutidas. Caso, na hipótese contrária, lá vier a ser decidida a correção dos ajustes do Fisco, a decisão aqui deverá ser pela procedência das glosas em 2008. Raciocínio muito semelhante se pode fazer quanto ao IRPJ, apenas com a ressalva de que, no presente processo, não se cuida de glosa por compensações indevidas (visto que no outro processo os prejuízos fiscais foram apenas reduzidos, não completamente absorvidos), mas sim de qual deve ser o valor correto (maior ou menor) do saldo de prejuízos acumulados ao final do AC 2007, ponto de partida para que se possa determinar com precisão a exação deste processo. Ainda que a prejudicialidade acima não fosse suficiente, há que se ter em conta, também, que a decisão de primeira instância no outro processo consignou a existência de pagamentos de tributos no exterior (Portugal), que não seriam passíveis de aproveitamento naquele processo (por motivos pelos quais não cabe aqui discutir), mas que seriam, sim, passíveis de eventual compensação com o que viesse a ser devido nos anoscalendário subsequentes a 2007. Ora, também essa matéria se encontra pendente de decisão definitiva, decisão essa que virá a influenciar a decisão a ser proferida no presente processo. Com essas considerações, tenho por claro que não se há de examinar, neste processo, questões discutidas em outro processo, especificamente acerca da correção ou não dos ajustes feitos pelo Fisco na apuração do resultado do anocalendário 2007. A correção ou não de tais ajustes é objeto do processo nº 16561.720200/201217. Lá é que foi feita a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário 2007 e, por isso Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720158/201315 Resolução nº 1301000.322 S1C3T1 Fl. 2.388 11 mesmo, lá é o foro adequado para essa discussão. Tratase de matéria prejudicial àquela a ser discutida nos presentes autos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720200/2012 17. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720200/201217. 3. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o cumprimento da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720200/201217. Embora talvez desnecessário, alertase que o crédito tributário do presente processo permanece com sua exigibilidade suspensa, por força do art. 151, inciso III, da Lei nº 5.172/1966 (CTN), até que venha a ocorrer decisão administrativa definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972. Cumpridas as disposições acima, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10183.905478/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta e tempestiva.
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores de contribuições, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção) e, consequentemente, à obtenção do produto final.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero ou NT.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO
O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto aos itens "peças de reposição de máquinas e equipamentos", discriminados no item 8.1.3 do voto; óleo diesel e álcool combustível, conforme item 8.1.4 do voto; e crédito presumido das atividades agroindustriais. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento em maior extensão para reverter a glosa tratada no item 12 do voto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Durante o julgamento, proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta e tempestiva. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores de contribuições, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção) e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero ou NT. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto aos itens "peças de reposição de máquinas e equipamentos", discriminados no item 8.1.3 do voto; óleo diesel e álcool combustível, conforme item 8.1.4 do voto; e crédito presumido das atividades agroindustriais. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento em maior extensão para reverter a glosa tratada no item 12 do voto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Durante o julgamento, proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta e tempestiva. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores de contribuições, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção) e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero ou NT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 78 /2 01 1- 41 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto aos itens "peças de reposição de máquinas e equipamentos", discriminados no item 8.1.3 do voto; óleo diesel e álcool combustível, conforme item 8.1.4 do voto; e crédito presumido das atividades agroindustriais. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento em maior extensão para reverter a glosa tratada no item 12 do voto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.275 3 Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Durante o julgamento, proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório O presente litígio decorre de processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos do PIS/Pasep nº 13156.84093.270808.1.1.088915 (fls. 02 a 05), não cumulativa, transmitido em 27/08/2008, vinculados à receita de exportação, para o período de apuração do 1º trimestre de 2008. Na apreciação do Pedido de Ressarcimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC), manifestouse pelo seu indeferimento e não homologação das compensações, relacionadas no Despacho Decisório às fls. 801/835. Informa o Fisco que, relativos ao Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins e autos de infração do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2008, tramitam os seguintes processos, que devem ser levados a julgamento em conjunto, por trimestre, tendo em vista que tratam da mesma matéria fática: 10183.905478/201141, 11516.721881/201173, 11516.721876/201161, 11516.721884/201115, 11516.721875/201116, 11516.721882/2011 18, 11516.721877/201113, 11516.721883/201162 e o 11516.721009/201214, este último que trata de autos de infração lavrado em nome da Brasil Foods S.A. Informa que em pesquisa no sistema CNPJ confirmou a incorporação da Recorrente (Perdigão) pela Brasil Foods S.A, CNPJ 01.838.723/000127 (nova denominação de Perdigão S.A.), e conclui que, em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e informa que, por esse motivo, a BRF Brasil Foods S/A foi intimada de todos os atos de ofício. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Relatório Fiscal (...) Dos valores glosados da base de cálculo do crédito Em relação às glosas de valores das bases de cálculo dos créditos informados nos Dacon, está relatado que os valores nestes informados foram confrontados com os valores postos nas memórias de cálculo fornecidas pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal. As informações presentes nas memórias de cálculo foram cotejadas com as notas fiscais, por meio do cruzamento com os arquivos magnéticos, o que permitiu a validação dos arquivos: todas as notas fiscais foram confirmadas e consideradas no cálculo do crédito, com as eventuais inconsistências corrigidas de ofício. A fiscalização analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito; as notas Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido foram glosadas. Efetuadas essas glosas, obtevese o valor reconhecido. Por fim, o valor da diferença positiva apurada entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido foi glosado e quando a diferença apurada foi igual a zero ou negativa, não houve glosa. Consta que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis na listagem “Relação de Notas Fiscais Glosadas”, presente nos autos deste processo, de onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal glosou, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes a: 1. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 06A a. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; b. aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; c. notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; d. notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e Cofins, a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004. 2. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 06A Linha 03: a. as aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; b. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito; 3. Ficha 06A – Linha 04 – Despesas de Energia Elétrica: relata a autoridade fiscal que foram glosados os itens que deveriam ter sido incluídos na linha 02 e que os valores que poderiam lá figurar foram considerados corretos; 4. Ficha 06A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda – foram glosados os pagamentos relativos a SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO) e outros, que não se enquadram no prescrito pelo art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003; Também foram glosados os valores informados a título de: Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.276 5 5. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais – em relação aos insumos que não se classificam dentre aqueles previstos no inciso I do §3º do art. 8º da lei nº 10.925/2004, a alíquota aplicada no cálculo do crédito foi reduzida de 60% da alíquota normal da contribuição, utilizada pela interessada, para 50%, nos termos do inciso II do mesmo parágrafo (soja e derivados), ou para 35% de, nos termos do inciso III (demais insumos); a autoridade fiscal traz planilha os insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais estão devidamente individualizadas na planilha "Crédito Presumido – detalhe" presente nos autos. Dos valores incluídos na base de cálculo da contribuição – receitas de exportações e remessas com fim específico de exportação A autoridade fiscal relata que, como não houve qualquer exportação direta registrada no SISCOMEX e as vendas com fim específico de exportação não cumpriram a legislação de regência, não houve vendas para o mercado externo no período que pudessem ser afastadas da tributação do PIS/Pasep e da COFINS e que pudessem gerar créditos ressarcíveis dessas contribuições. Do relato do auditor fiscal verificase este, considerando as notas fiscais, a escrituração fiscal da fiscalizada, e as respostas à intimação fiscal concluiu, em síntese, que: (1)a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso entregava quase todas as mercadorias em estabelecimentos não alfandegados indicados pela Perdigão Agroindustrial S/A (as notas de saídas eram destinadas à filial 108 da adquirente, situada em Itajaí/SC) e que, portanto, não se configuraria o embarque direto para exportação ou o regime de entreposto aduaneiro; (2) que também não se configuraria o regime de entreposto aduaneiro extraordinário, mesmo que a Perdigão Agroindustrial S/A fosse trading company, pois, para tanto, os recintos teriam de ser de uso privativo, aos quais fosse concedido o regime de entreposto na exportação, o que não ocorreu no presente caso (em resposta à intimação fiscal a BRF Brasil Foods – enquanto sucessora da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso – informou que estabelecimentos não alfandegados eram de uso público); (3) que a Perdigão Agroindustrial S/A (adquirente), em seu próprio nome, "estufava" os contêineres e realizava as exportações, pelo que, as vendas da interessada para esta consistiram de vendas normais no mercado interno. Da apuração dos créditos do contribuinte e aproveitamento de ofício dos créditos de mercado interno Efetuadas as glosas das base de cálculo dos créditos, os montantes destes que são passíveis de utilização por meio de desconto e os passíveis de utilização via ressarcimento/compensação foram recalculados, considerando as novas proporções apuradas entre as receitas (auferidas no Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 mercado interno e no externo) e a receita bruta da empresa a serem considerados na apropriação dos custos comuns geradores de crédito (para desconto ou ressarcimento/compensação). Desse novo cálculo restou os saldos mensais de créditos decorrentes das receitas de mercado interno foram inteiramente descontados das contribuições devidas no próprio período de apuração, não remanescendo crédito passíveis de utilização em períodos posteriores. Do lançamento do crédito tributário O créditos tributários referente aos valores indevidamente excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins foram lançados por meio do auto de infração nº 11516.721009/201214, que está sendo movimentado em conjunto com este, por tratar dos mesmos fatos. Manifestação de Inconformidade Preliminar Nulidade do lançamento Argui a nulidade do lançamento, em relação à glosa de supostos créditos do regime não cumulativo de PIS e COFINS, por ausência de motivação "clara, explícita e congruente". Alega que "o termo de verificação fiscal vinculado ao lançamento de ofício NÃO TRAZ qualquer fundamentação jurídica e fática dos créditos glosados, valores e as razões de direito e de fato que permitiriam esta conduta em desfavor do contribuinte", mas apenas remete aos despachos decisórios dos pedidos de compensação/ressarcimento que objetivaram glosar os créditos de PIS/Cofins, o que, aduz, não configuraria "motivação", até porque consistiria de um procedimento (o despacho decisório indeferindo o pleito) posterior ao lançamento de ofício do que se considerasse devido. Em relação aos despachos decisórios, argumenta que, mesmo que admissível fosse motivar o lançamento com a simples remissão a estes, ainda assim este seria nulo pelo fato de também nos despacho decisório estar ausente a "fundamentação fática e jurídica clara, explícita e congruente"; alega que “alguns deles também nada explicitam acerca dos créditos e outros o fazem de forma singela desrespeitando, do mesmo modo, a motivação e dificuldade sobremaneira o direito de defesa da impugnante”. Ressalta, ainda, que juntamente a estes não houve a entrega de uma planilha com os bens, serviços e itens glosados e as justificativas fáticas e jurídicas. E acrescenta que mesmo que houvesse a entrega de uma planilha com os itens glosados, isto, por si só, não cumpriria o requisito de legalidade do ato administrativo, eis que lá não constaria expressamente a motivação (fática e jurídica) explícita, clara e congruente. Aponta, ainda como outros motivos de nulidade do lançamento de ofício: cerceamento de defesa e violação ao devido processo legal administrativo, isto em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação; não cumprimento do art. 9° do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que as notas fiscais dos itens glosados não foram juntadas aos autos e nem lhe foram Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.277 7 entregues junto ao auto de infração; ilegitimidade passiva, considerando que o lançamento deveria ter sido realizado em nome da compradora dos bens com fim específico de exportação, no caso a Perdigão Agroindustrial S/A, nos termos do art 7º da Lei nº 10.637/2002 e do art. 9º da Lei nº 10.833/2003. Das receitas de exportação A interessada inicia as questões de mérito trazendo dispositivos legais e constitucionais, além de excertos doutrinários, que julga suficientes e necessários em defesa da tese de que a não incidência das contribuições (desoneração) sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, estabelecida pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se trata de hipótese de simples isenção, mas da concretização da imunidade prevista o art. 149, § 2, I, da Constituição Federal; tese que traz para fundamentar o entendimento que firma no sentido de que "não é vedada a interpretação finalística e axiológica [da legislação que menciona], com o objetivo de analisar o caso concreto" e que "agir desta forma não é reconhecer inconstitucionalidade de lei, vedado ao CARF, mas tão somente interpretar a legislação e o caso concreto à luz de premissas constitucionais vinculadas à noção de imunidade e a finalidade que esta busca obter". Passa, então, a apontar "premissas" que diz consistirem de "aspectos não controvertidos no caso concreto" os quais seriam capazes de "conduzir à correta conclusão no sentido de que a impugnante realizou a exportação, mesmo que indireta, por meio da venda com fim específico". Como primeira premissa, coloca que a "veracidade das exportações dos produtos vendidos com esta finalidade específica pela impugnante para a Perdigão Agroindustrial S/A", considerando que: (i) inexiste qualquer informação ou documento em sentido contrário; (ii) – a fiscalização não alegou fraude ou mesmo imputou multa qualificada de 150%, o que seria natural e obrigatória caso tenha ocorrido algum procedimento com o objetivo de mascarar vendas no mercado interno por meio de inexistentes exportações. Como segunda premissa, aponta o fato de a Perdigão Agroindustrial S/A não ter tomado crédito em relação às aquisições de produtos destinados especificamente à exportação, o que demonstraria que "houve exportação e, conseqüentemente, venda com fim específico de exportação de forma adequada". Terceira premissa: o fato incontroverso de que as notas fiscais e a contabilização pela impugnante são de venda com fim específico de exportação. Quarta: a fiscalização reconhece possuir a compradora (Perdigão Agroindustrial S/A) todos os requisitos legais para exportar tais produtos. E como quinta e última premissa, ser a exigência de PIS e Cofins decorrente de supostas irregularidades formais e de responsabilidade da adquirente (Perdigão Agroindustrial S/A), em específico, o fato de parte dos produtos vendidos para a Perdigão Agroindustrial S/A terem sido armazenados em locais, não alfandegados. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Argumenta que, embora possa existir certa irregularidade, não há fundamento razoável para se sustentar, como objetiva fiscalização, que as vendas com fim específico de exportação se tratava de "vendas normais ao mercado interno" e que não se pode negar que tenha cumprido a legislação específica para o PIS e para a Cofins, no que concerne a desoneração das operações de vendas com fim específico de exportação. Nesse sentido, menciona que as Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003, respectivamente, nos artigos 5º e 6º, enunciam claramente a impossibilidade da tributação das vendas a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, artigos nos quais não existe a exigência no tocante às questões de armazenagem em recintos alfandegários; que, ao contrário, a intenção do legislador foi desonerar a exportação e, na hipótese de o adquirente não exportar mediante ausência de comprovação do embarque, caberá a este (adquirente) o recolhimento dos tributos, inclusive, no tocante à operação anterior, conforme art. 9º da Lei n. 10.833/2003. Conclui, então que, nos termos das referidas leis, não é relevante ao caso o desembarque em armazéns caracterizados como entrepostos aduaneiros, mas a venda ter sido realizada com fim específico de exportação e que o adquirente tenha exportado dentro do prazo de 180 dias, o que alega ter ocorrido "indubitavelmente" considerando "Tratase de fato incontroverso e não contestado pela fiscalização". Acrescenta que quem solicitou o depósito em tais armazéns foi a compradora, pelo que não agiu com culpa, cabendo a responsabilidade e a culpa por esta mera irregularidade ao exportador, a quem cabe avaliar tais exigências. Assevera, então que: o lançamento é improcedente, eis que houve exportação, de maneira que não há incidência de PIS e Cofins; há que se reverter todos os créditos do sistema não cumulativo utilizados pela fiscalização para o abatimento em tais operações, sendo de rigor a revisão de todos os despachos decisórios de PIS e Cofins quanto aos pedidos de ressarcimento/compensação. Inconstitucionalidade das leis e ilegalidade das IN que regem o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS e da Cofins Segue apontando a inconstitucionalidade das leis que regem o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS e da Cofins. Nesse sentido, em síntese: ressalta ser impossível, a partir da constitucionalização da não cumulatividade para o PIS e Cofins, pela Emenda Constitucional n. 42/2003, a restrição de créditos pelo legislador infraconstitucional, já que o papel do legislador perante a Constituição é de aplicador; aduz que, em sendo a matriz constitucional de tais contribuições a receita, a não cumulatividade e o sistema de abatimento de créditos necessariamente deve restar atrelado também a esta e como a noção de receita no regime não cumulativo é ampla, amplos serão também os reflexos de sua noção na não cumulatividade para o PIS e Cofins para o reconhecimento de créditos; e conclui que o postulado adotado diz respeito à supremacia da Constituição. Em razão disso, há de se entender que resta impossível à legislação infraconstitucional restringir, Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.278 9 sobremaneira, tal princípio e, por conseguinte, os créditos de PIS e Cofins. Passa, então, a alegação de ilegalidade das Instruções Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 ao restringir, tendo como fundamento a legislação de IPI, o conceito de insumo estabelecidas pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em síntese, discorre sobre a não cumulatividade no âmbito da tributação das contribuições para demonstrar que, nos termos das leis, o crédito deve ser considerado sobre os insumos em geral, sem as restrições postas pelas mencionadas IN, considerando como tal todos os “dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio ou serviços) visando à obtenção de receita”. Glosas de valores da base de cálculo do crédito Como razão de contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal, a interessada coloca que todas seriam improcedente por ter a autoridade fiscal se pautado em critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, sendo, todos legítimos, eis que contribuem de forma direta ou indireta visando o exercício da atividade econômica da impugnante a fim de obter receita. São inclusive necessários e inerentes à atividade. Menciona que exerce atividade econômica submetida a diversos tipos de controles e exigências de órgãos públicos, como, por exemplo, ANVISA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, o que reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo e que não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. Acrescenta que a noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente. Ficha 6A Linha 02 bens utilizados como insumos Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Inicialmente a recorrente alega que a glosa foi realizada de forma “genérica”, pelo que alega cerceamento de defesa e ausência de motivação. A recorrente afirma que os itens glosados – cita barbante e pallets dão direito a crédito por consistirem de produtos utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo. Em síntese, explica que o barbante é utilizado dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Ao tratar dos paletes diz: O pallet e demais produtos glosados e não identificados em relatório são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i)industrialização (emprego para movimentar as matérias primas a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. [...] Portanto, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (SIF). Acrescenta que, mesmo que não se acolha a interpretação de que se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem e transporte de mercadoria. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero Reclama de nulidade, ou “na pior da hipótese, fundamental perícia e diligência no presente caso concreto” pois não houve a identificação das operações. Aponta a obrigatoriedade da “juntada de todas as notas pelo Fisco e a entrega de cópias, com a notificação, ao contribuinte”. No mérito, a interessada, primeiro, alega que “diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas”; cita como “provável” item glosado indevidamente o manjericão. Defende, ser de rigor manter os créditos de todos os produtos glosados que não constam do mencionado art. 1º. Segundo, que, em se tratando de “aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, provavelmente glosado, entre outros)” que se enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei n. 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, impossível se torna excluir o crédito (mantendose pelo menos o presumido), pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925. Por fim, defende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito A recorrente alega nulidade argumentando que a fiscalização não fez menção a um item sequer, mesmo que forma exemplificativa, e não houve “a entrega junto com o lançamento da planilha e documentos onde se comprovam tais itens (em Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.279 11 especial as notas fiscais glosadas), permitindo o exercício da ampla defesa pela impugnante”. Assevera que, sem embargos disso, não resta dúvida quanto à legitimidade dos créditos, que “tendo em vista os critérios adotados pela impugnante,...são caracterizados pela utilidade, inerência e relevância no processo produtivo”. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins A recorrente, em síntese, defende que o crédito integral há de ser mantido uma vez que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma que a Lei nº 10.925/2005 somente é aplicável, nos condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que se pode concluir, da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última IN a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração) Alternativamente, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Ficha 06A Linha 03 serviços utilizados como insumos A recorrente contesta essa glosa remetendo "a todos os fundamentos ventilados até o momento" acerca da "noção de insumo no sistema não cumulativo de PIS e COFINS" e alega que o termo de verificação fiscal não menciona expressamente um item sequer glosado e a razão fática e jurídica. Ficha 06A – Linha 04 – Despesas de Energia Elétrica Defende que valores das despesas foram lançados em livros fiscais e se presume verdadeiros, pelo que requer diligência ou perícia com o objetivo de comprovar a diferença mediante ofício à concessionária. Ficha 06A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A recorrente novamente inicia alegando nulidade do feito fiscal em razão de não ter sido justificada a glosa, no sentido de “explicar e dizer quais seriam as hipótese de notas que não representam aquisição nem operação com direito de crédito..., especialmente, quando não se entregou juntamente com o lançamento eventual planilha e documentos comprobatórios”. Sustenta a legitimidade dos créditos relacionados “aos serviços portuários de carga e descarga (transbordo)" com base no art. 3°, inciso IX, das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002. Afirma que é incontroverso que (i) houve armazenagem e frete nas operações; (ii) os pagamentos foram realizados à pessoa Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 jurídica estabelecida no Brasil. E defende que o frete na venda e armazenagem “inclui o procedimento a fim de realizar a exportação do transbordo" por tratarse de "serviço natural e essencial ligado ao frete para a exportação do bem". Ficha 06A – Créditos Presumidos das Atividades Agroindustriais Em relação aos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais, a contribuinte afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60% ou 35% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é fabricado com o bem adquirido. Alega que, neste caso, não cabe se apegar a literalidade da lei uma vez que resultaria numa interpretação “totalmente incongruente e desconexa com a realidade e atividade que pretendeu proteger”, pelo que defende “ao intérprete, dentro dos limites do texto normativo, analisar e aplicar a lei de maneira lógica, sistemática e finalística.”. Argumenta: que a interpretação dada ao art. 8° da Lei n. 10.925/2004 está fundado na alteração sob pretexto de regulamentação dada pela IN RFB nº 660/2006; que a alteração realizada na IN 660/2006 para trocar a expressão "produto de origem animal" (art. 8º, § 3º , I, da Lei nº 10.925/2004) para "insumo de origem animal" (art. 8º, da IN RFB 660/2006), é ilegal pois inova a ordem jurídica e restringe indevidamente o crédito presumido; que a glosa parcial do crédito presumido, com a suposta readequação da alíquota, está fundamentada nesta instrução e não na Lei nº 10.925/2004. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Acrescenta como fundamento para a legitimidade do crédito o fato de que muitas vezes, embora pareça que existe a aquisição animal vivo, em verdade, a aquisição é somente da carne. Explica que isso significa que, o preço pago é pela carne e não pelo animal vivo, cuja classificação fiscal, independente da discussão acima descrita, permitiria o crédito presumido no percentual de 60% por cento. Multas e juros A recorrente contesta o lançamento dos juros calculados à taxa Selic defendendo que os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º , do Código Tributário Nacional. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.280 13 Em relação à multa de ofício alega: ser indevida a incidência de juros sobre esta ante a ausência de previsão legal; ser improcedência devido a seu caráter confiscatório; com fundamento nos artigos 132 e 133 do CTN, que não pode lhe ser exigida (BRF), enquanto sucessora da Perdigão Agroindustrial S/A, haja vista a multa não poder passar da pessoa do infrator. Pedido Requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade a fim de reconhecer a nulidade, ou, no mérito, total improcedência do indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme razões aduzidas. Ao final, pugna pela prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos, serviços e materiais adquiridos e glosados pela fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Requer, ainda: que seja realizada prova no sentido de confirmar se os produtos comercializados com fim específico de exportação foram vendidos ao exterior pela Perdigão Agroindustrial S/A; a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela DRJ em Florianópolis (SC) primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 984/1.025): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano Calendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessário e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuições para o PIS e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANO CALENDÁRIO: 2008 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.281 15 No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO.ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtor vendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 28/06/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 1.027). Inconformada, em 11/07/2013 (fl. 1.029), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 1.030/1.091), repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentando os abaixo resumidos; informa que é tradicional e importante empresa da agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Em seu recurso, reproduz uma relação de itens que foram objeto de glosa quando do Despacho Decisório, e por isso, começa pelas preliminares abaixo relacionadas: a) que ao se deparar com o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento percebese a nulidade do ato em decorrência da violação ao princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinada ato administrativo, baseado no art. 2º, inciso VII, do parágrafo único e inciso II, do art. 50, todos da Lei nº 9.784/99; e prossegue em seus argumentos que: "(...) Quando se trata de crédito ligado ao regime nãocumulativo é necessário que o Fisco justifique, por elementos fáticos e jurídicos, todo aquele que entenda indevido o aproveitamento. Daí porque não poderia a fiscalização remeter a fundamentação da glosa dos créditos de PIS/COFINS para eventuais justificativas descritas em despachos decisórios ligados aos pedidos de ressarcimento/compensação. Não houve, pois, a entrega juntamente com a notificação de qualquer relação dos itens glosados com a respectiva fundamentação fática e jurídica. Muito menos de eventual planilha e documento que dão suporte. Isto pode ser facilmente comprovado pelo TERMO DE CIÊNCIA a própria fiscalização informa que na notificação somente entregou à recorrente o termo de verificação fiscal, demonstrativo consolidado do crédito tributário e autos de infração. Nada mais. Era dever e ônus do Fisco entregar juntamente com o auto de infração, do termo de verificação fiscal e eventual planilha e documentos que davam suporte ao lançamento e glosa, sob pena de nulidade, principalmente, quando inexiste adequada fundamentação e justificativa dos itens e a razão da glosa". b) como acima exposto, constatase de forma clarividente que a fiscalização não descreveu e justificou plenamente todos os créditos que glosou; não houve, pois, a entrega juntamente com a notificação de qualquer relação dos itens glosados (planilhas) com a respectiva fundamentação fática e jurídica; que há cerceamento de defesa da Recorrente, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento de inúmeros créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da recorrente; c) se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando; d) em relação as "vendas com fins específico de exportação", alega a ilegitimidade passiva da Recorrente, uma vez que o lançamento de ofício e a presente glosa foi realizada em face da recorrente (PERDIGÃO MT LTDA) foi quem realizou as vendas para a PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A. Assim, possível reconhecer que a Recorrente não tem legitimidade em referida operação para sofrer o lançamento quanto às operações de exportação, uma vez que este deveria ter recaído sobre a PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A a comercial exportadora, sendo de rigor a nulidade do lançamento e glosa de compensação; e) que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Quanto ao MÉRITO: 1) das exportações: aduz sobre as diversas operações de vendas com fim específico de exportação, uma vez que em conformidade com o TVF Termo de Verificação Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.282 17 Fiscal, em breve síntese, inexistiu exportação pela Recorrente, atual BRF, antiga Perdigão MT nas vendas com esta finalidade específica para a Perdigão Agroindustrial S/A (habilitada no SISCOMEX) pelo fato de que, em tese, as mercadorias destinadas a esta empresa (ECE Empresa Comercial Exportadora, ficaram armazenadas em locais que não seriam entrepostos aduaneiros alfandegados, em especial, os armazéns ARFRIO e REFRIBRAS; 2) elabora uma contextualização sobre as Contribuições do PIS e da COFINS, da não cumulatividade, explorando seus aspectos legais e constitucionais; cita autores/juristas renomados que reportaram sobre o assunto e jurisprudências; 3) argumenta da problemática da restrição dos créditos de COFINS e do PIS por atos InfraLegais, como Instrução Normativas; da impossibilidade, conforme o Relatório Fiscal apresentado, a glosa de diversos créditos da recorrente se deu pelo fato de que o Fisco adota uma interpretação evidentemente rígida e com o intuito de mera arrecadação, fundada especificamente nas IN da SRF nºs 247, 358 e 404/04; essas IN e a própria fiscalização, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei e diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos. 4) dos Insumos Glosados informa ilegalidades, afirma que em uma primeira e genérica conclusão, o método utilizado pela fiscalização no sentido de que, como a glosa se pautou por critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, esta se torna improcedente, uma vez que todos os bens, produtos e serviços descritos em contabilidade, DACON e no pedido de ressarcimento são legítimos, a saber: Ficha 6A Linha 02 bens utilizados como INSUMOS: (a) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa pallets de madeira; (b) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/COFINS. Não descreve no termo qualquer item,mesmo que exemplificativamente, e (c) Notas fiscais cujo código de operação não concede crédito. Não descreve, mesmo que exemplificativamente, algum item glosado. Ficha 06A Linha 03 Serviços utilizados como INSUMOS: (a) aquisições de serviços que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003).Não descreve, mesmo que exemplificativamente, qualquer serviço; e (b) Notas fiscais cujo código de operação não concede crédito. Não descreve, mesmo que exemplificativamente, algum item glosado. Ficha 06A linha 04 Despesas com energia elétrica: valor de notas fiscais em valor inferior ao lançado em DACON. Ficha 06A Linha 07 Despesas com Armazenagem e Frete na operação de venda: serviço de carga e descarga (transbordo) e outros que não descreve; Ficha 16A Linhas 25 e 26 crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8° da Lei nº 10.925/2004): a. aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8o, § 3º, I, da Lei nº 10.925/2004). Discorre ainda sobre os itens nominalmente glosados solicitando a reversão dessas glosas e traz argumentações específicas sobre os seguintes casos concreto: Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 (i) glosa sob alegação de que não se enquadra na noção de insumo os citados pallets. Afirma que toda a matéria prima se queda estocada dentro do prédio em condições de higiene, limpeza e temperatura. São caixas, sacos, sacolas, recipientes, entre outros, que ficam em cima dos pallets. Tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (SIF); (ii) dos créditos de produtos com alíquota zero; (iii) das aquisições de Pessoas Jurídicas com suspensão crédito integral; (iv) do crédito com Energia Elétrica e afins; (v) das despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de venda, e (vi) da base de cálculo do crédito presumido na agroindústria. art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Do pedido Por fim, ressalta a relevância dos requerimentos de diligência ou perícia solicitados em impugnação e objeto do presente recurso, reiterando a importância de se realizar, ao menos, por diligência do próprio CARF e que seja conhecido e provido o presente recurso com a reforma da decisão a fim de reconhecer a nulidade, ou, no mérito, total improcedência da glosa realizada. Da remessa dos autos ao CARF Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso voluntário, entendeu pela conversão do processo em Diligência, conforme o contido na Resolução nº 3101 000.371, de 22/07/2014, com o seguinte teor (fl. 1.094/1.100): "(...) As glosas efetuadas pela fiscalização, relativas a aquisições de bens e serviços que, no entendimento fiscal, não se enquadravam no conceito de insumo, além das notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representaria a aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, também no entendimento fiscal, exigem sua confrontação com o processo produtivo da recorrente, e o conhecimento, por parte desse órgão julgador, das diversas etapas da produção. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, intime o contribuinte para que apresente, no prazo de 60 dias: (a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase da produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; (b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.283 19 ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Em 14/11/2014, a unidade de origem DRFFlorianópolisSC, através de sua projeção, ARF/Itajaí (SC), cumprindo o contido na Resolução intimou a Recorrente, conforme decorre do Termo de Intimação nº 477/2014 às fls. 1.102. Após ciência da intimação, na data de 19/01/2015 a Recorrente apresentou os documentos e informações solicitados (fls. 1.105), juntando aos autos: Memorial descritivo, fluxo do processo produtivo, Laudo Técnico e cópia de plantas da fábrica (fls. 1.105/1.264). Após concluído a Diligência, a DRF/Florianópolis encaminhou o processo a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à análise do processo de Pedido de Ressarcimento (PER), referente a créditos de Contribuição para o PIS, relativa ao período de apuração do 1º trimestre de 2008 e não de lançamento de ofício como argumenta em seu recurso a Recorrente (fls. 1.033 e ss), este que será tratado quando da análise do PAF nº 11516.721009/201214. 2 Do Conceito de INSUMOS O núcleo da questão em combate, além das vendas com fim específico de exportação, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.284 21 No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da Cofins nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Verificase no Estatuto Social e também informado pela Recorrente em seu recurso, que a empresa BRF é uma tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 3 Processo produtivo Descritivo dos Insumos Destacase que quando da efetivação da diligência a Recorrente apresentou documentos demonstrando o fluxo de Processo de Produção, Laudo Técnico (INT), os respectivos descritivo de utilização dos insumos, documentos de fls. 1.105/1.264. 4 Sistemática das DCOMP Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMP de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação, período de apuração 1º trimestre de 2008. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996, atribuiu à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Verificase, dessa forma, que com tal mudança de sistemática a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. 5 Preliminares 5.1 Das Nulidades apontadas (i) A Recorrente requer a nulidade do Despacho Decisório, da Decisão recorrida, do Lançamento e argumenta que houve cerceamento de defesa e violação do devido processo legal. Quanto ao Despacho Decisório, alega a nulidade em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da Recorrente. Aduz também que em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega que houve cerceamento de defesa, e, em consequência, a violação ao devido processo legal administrativo. Nesse sentido informa que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente. Segue alegando que cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela Recorrente e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo”. No entanto entendo que não assiste razão a Recorrente. Verificase que na Informação Fiscal, junto ao Despacho Decisório (fls. 801/832), o Fisco deixa consignado que em atendimento ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001/00242 (fls. 243/252), foram fornecidos os arquivos de notas fiscais previstos na legislação. Essas informações correspondentes foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS de cada filial. Veja que a Recorrente atendeu as solicitações contidas no Termo de Intimação conforme fls. 253 e seguintes. Assevera a fiscalização, de início, que incumbe ao sujeito passivo provar os fatos constitutivos dos créditos pleiteados, conforme determinado pelo art. 333 do Código de Processo Civil, Lei nº 5.869, de 11/01/1973, que se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, à época dos fatos. Com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente em atendimento ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001/0242. Notese que as memórias de cálculo são essenciais para a comprovação do crédito pedido, uma vez que é através das memórias de cálculo que o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais foram utilizadas para apurar os créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo declarados em Dacon. A segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “planilha matriz de glosas”. A fiscalização analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.285 23 cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito. A terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo. Com este procedimento, podese identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita. Os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte seqüência: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do DACON; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não dão direito a crédito; subtraindose o segundo do primeiro, chegase ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa. Em resumo e de forma sequencial, podese representar que os procedimentos foram desenvolvidos da seguinte forma: (1). Soma dos itens na memória de cálculo; (2). Resultado da aplicação da matriz de glosas; (3). Valor reconhecido, e (4). Valor glosado = diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido pelo Fisco. Ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido (pelo entendimento do Fisco) é que foram glosadas. Todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios, presentes neste processo nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. No que diz respeito aos créditos presumidos declarados nas linhas 25 e 26 do Dacon, os procedimentos de verificação também foram tratados detalhadamente. Da mesma maneira, informa que segundo os DACON, a contribuinte teria auferido em 2008 receitas de exportação ou de vendas com fim específico de exportação, que foram excluídas das bases de cálculo de PIS e da COFINS. No entanto, durante o procedimento de verificação, constatouse que não houve qualquer exportação direta para o exterior registrada no SISCOMEX no período em tela e que quase todas as vendas de mercadorias com fim específico de exportação destinaramse à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S/A, situada na rua Jorge Tzachel, 475, Itajaí/SC. Verificase, então, que o Fisco não só esclareceu os critérios e parâmetros adotados na análise das informações apresentadas pela contribuinte, como também em seu Relatório Fiscal: tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, o que, à evidência, já seria suficiente para a contribuinte identificar o seu fundamento legal; indicou a razão fática e/ou a razão legal para o não reconhecimento do direito. Ao final dos procedimentos resumidamente descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Todas as informações relativas às glosas estão disponíveis na Relação de Notas Fiscais Glosadas, presente neste processo às folhas 328/344 e Crédito presumido – detalhe, fls. 345/695, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 A Recorrente foi cientificada das glosas elencadas no Despacho Decisório e apresentou a sua manifestação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Ficou claro que as glosas teve sua origem e a motivação em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada na Informação Fiscal, onde detalhouse a motivação para o procedimento e as provas que conduziram a fiscalização a efetuar as glosas efetivadas. Como se vê, é totalmente improcedente a alegação da Recorrente de falta de motivação e de que teria sido cerceada em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento do motivo de cada item glosado. Tal fato se confirma em sua Manifestação de Inconformidade, no Recurso Voluntário e também quando da realização da Diligência, onde a Recorrente demonstra exatamente o contrário do que alega, quando contesta cada glosa, insurgindose contra os fatos e os fundamentos legais alegados pelo Fisco. Portanto, não assiste razão a Recorrente, uma vez que a autuação foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e do Decreto nº 70.235/1972, não existindo cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando todas essas imputações. Portanto, rejeitase essas preliminares de nulidade. 5.2 Nulidade do lançamento Quanto ao disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72, informa em seu recurso que se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Pois bem, também não assiste razão a Recorrente também neste caso. É cediço que o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, há que se ressaltar, que no caso dos presente autos, não estamos tratando de lançamento de ofício, e sim de caso de utilização de direito creditório pela Recorrente. A situação posta tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de créditos (PER) da Contribuição para Programa de Integração Social PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação. Quando se trata de desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do crédito pretendido. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Neste caso, foi exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.286 25 do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 (Revogada pela IN RFB nº 1.300/2012), que regia na época dos fatos os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressava em vários de seus dispositivos. Mesmo assim, o Fisco elaborou e foi juntado aos presentes autos, PLANILHAS relacionando todas as Notas Fiscais glosadas, identificando seus números, data de emissão, descrição do produto ou serviço, bem como com as respectivas justificativas legais (fls. 328/800). Portanto não há o que se falar em nulidade deste procedimento fiscal. 5.4 Da não entrega de documentos (Planilhas, etc) quando da ciência Alega a Recorrente em seu recurso à fl. 1.036, que: "(...) Não houve, pois, a entrega juntamente com a notificação, de qualquer relação dos itens glosados com a respectiva fundamentação fática e jurídica. Muito menos de eventual planilha e documento que dão suporte. Isto pode ser facilmente comprovado pelo TERMO DE CIÊNCIA a própria fiscalização informa que na notificação somente entregou à recorrente o termo de verificação fiscal, demonstrativo consolidado do crédito tributário e autos de infração. Nada mais. Era dever e ônus do Fisco entregar juntamente com o auto de infração, do termo de verificação fiscal e eventual planilha e documentos que davam suporte ao lançamento e glosa, sob pena de nulidade, principalmente, quando inexiste adequada fundamentação e justificativa dos itens e a razão da glosa". Verificase que o Fisco, após o encerramento do procedimento, fez constar da conclusão do Despacho Decisório a cientificação da referida decisão à Recorrente. Vejase trecho abaixo (fl. 835): "(...) Anotese e cientifiquese o sujeito passivo, sendolhe facultada, no prazo de 30 (trinta) dias contado da ciência do presente ato, a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, quanto à parcela não reconhecida do direito creditório". Portanto, entendo que também esse não é motivo para nulidade do procedimento ou que caracterize cerceamento de defesa, haja vista que, após ter sido cientificada, todos os documentos e relatórios integrantes do processo, permanecem a disposição da Recorrente e que podem e devem ser requisitados, mediante solicitação de cópia na repartição jurisdicionante da RFB (DRF de origem). E foi exatamente desta forma que procedeu a Recorrente, como pode ser comprovado, uma vez que após ter sido intimada da referida decisão às fls. 836/837, tal feito pode ser verificado nos autos pelo documento denominado Termo de Vista e cópia de processo e Solicitação de Cópia de Documentos às fls. 838 e 839, respectivamente. Assim, a Recorrente teve conhecimento de todas as peças processuais. Posto isto, não há que se falar em cerceamento defesa neste caso. 5.4 Do indeferimento Pedido de perícia nulidade da decisão Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Alega a Recorrente que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Argumenta a necessidade baseado no princípio da busca pela verdade material. Como relatado, a Recorrente infirma a decisão recorrida, que lhe teria cerceado o direito de defesa ao indeferir o pedido de perícia. A decisão recorrida trilhou bom caminho ao considerar não formulado o pedido de perícia, haja vista a omissão do atendimento aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do PAF, a teor do que determina o §1º do mesmo artigo. Tratandose, portanto, de recusa bem fundamentada, não se fale em cerceamento do direito de defesa. Portanto, rejeitase essa preliminar de nulidade. Ressaltese, contudo, que este CARF, quando da análise do presente recurso, aceitou o pedido e solicitou Diligência, conforme a Resolução nº 3101000.371 fls. 1.094/1.100, o que foi atendido pela DRF de origem e que após o cumprimento foi devidamente intimada a Recorrente para contrapor suas razões, conforme pode ser visto nos documentos juntados a esses autos às fls. 1.105/1.221 e 1.265/1.268 (laudo técnico, fluxograma, etc). 6 Ônus da Prova Por compartilhar do entendimento deduzido no voto condutor da decisão recorrida, reproduzi as considerações da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes a respeito da distribuição do ônus probatório nos processos administrativos fiscais, que deverão ser observadas para a inteligência deste voto: "Antes que se passe à análise das razões de contestação contra o feito fiscal, importa que se teçam algumas considerações acerca do ônus da prova do contribuinte, no âmbito dos processos administrativos em que se trate de direito de crédito por este utilizado pelos meios legalmente previstos. Coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; ao contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, entretanto, o quadro resta modificado. Quando a situação posta se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência deste. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Nos casos de pedido de restituição, reembolso ou ressarcimento e declaração de compensação de créditos é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.287 27 os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF no 900/2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...]§ 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [...]Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifouse) Assim, em entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou entendendo que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Neste caso, cabe ao contribuinte, em sua defesa ao crédito, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o crédito alegado. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito; a contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Assim sendo, salientese que, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, todas as declarações, informações e documentos e registros contábeis elaborados pelo contribuinte somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência do direito que declare, se calcados em documentos fiscais. Destarte, a efetiva comprovação da ocorrência, dos valores e da natureza das operações registradas e declaradas pela pessoa jurídica somente se dá por meio de documentos fiscais representativos destas. E a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Para a correta análise dos argumentos de contestação das glosas realizadas pela autoridade fiscal, é necessário ter claro a sistemática por esta adotada na aferição da procedência do crédito pleiteado pela contribuinte, conforme por ela apurado em Dacon. No arquivo digital contendo a memória de cálculo dos montantes informados em Dacon o auditor fiscal buscou identificar, dentre todas as operações de entrada registradas pela contribuinte adotando como critério de identificação o CFOP das respectivas notas e a descrição dos bens aquelas que não se referissem a uma operação de aquisição de insumo, na acepção firmada no item 2 deste voto. Identificadas essas operações, excluiu o montante mensal apurado dos valores informados na linha 02, para cada mês do trimestre. Notese, então, que as notas fiscais cujos valores foram glosados não foram trazidas aos autos pela autoridade fiscal; não teve a necessidade de as solicitar para efetuar as glosas, haja vista ser possível somente a partir dos registros da empresa verificar a improcedência dos créditos correspondentes. Das operações registradas, excluiu: os valores daquelas notas fiscais cujos CFOP e/ou descrição do bem não condiziam com operações de aquisição de insumo. Dentro deste quadro, firmese que, no presente caso, somente restará efetivamente comprovada a operação glosada que a contribuinte tenha trazido, em sede de manifestação de inconformidade, a cópia da respectiva nota fiscal." Posto isto, tanto para serviços quanto para bens utilizados na produção industrial em se tratando de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o direito invocado existe. Neste ponto, acresçase o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.288 29 Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, vejase: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da Recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização e também nesta fase de julgamento no CARF, uma vez que foi solicitado diligência a fim de elaboração de Laudo Técnico, com o fim de esclarecer dúvida do julgador, e também como complementação probatória. 7 Da Diligência realizada, Laudo técnico e fluxograma Esclareçase que a Recorrente, quando da intimação para cumprimento da diligência, juntamente com sua manifestação, fez a juntada dos seguintes documentos: (i) Laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde retrata tecnicamente o processo de produção e diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com respetiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma do processo produtivo com ilustrações; e (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos (fls. 1.105/1.268). De se passar, agora, à análise das questões concretas relacionadas com cada uma das matérias postas. 8 Das GLOSAS realizadas A fiscalização concluiu que o procedimento permitiu a validação dos arquivos com os dados e informações recebidos da empresa BRF Foods, sendo todas as notas fiscais confirmadas e consideradas no cálculo do crédito. Que, dessa forma, apenas as notas Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que as mesmas foram glosadas. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do DACON indicadas, os valores referentes relacionados na Informação Fiscal. Consta que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis na listagem/Planilha denominada “Relação de Notas Fiscais Glosadas” às fls. 328/344 deste processo, de onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. Repisese que é praticamente pacificado nesta Turma o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do Imposto de Renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Então vamos ao exame deles: 8.1 Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Conforme a memória de cálculo fornecida pela Recorrente a fiscalização glosou aquisições de bens cujas descrições não demonstram que o bem se refira a insumo, conforme conceito extraído do art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, bem como valores das notas fiscais cujo CFOP não se refere a operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. A recorrente, inicialmente, manifestase contra as glosas constante da Planilha de fls. 328/344, alegando que a autoridade fiscal as teria realizado de forma “genérica”, “exemplificativa” e “sem critério”. No entanto, verificase que o Fisco tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon e também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. Os itens devidamente nominados glosados, constam do relatório “Relação de Notas Fiscais Glosadas de 2008" às fls. 328/344. De outro turno, como veremos, a Recorrente não cuidou de identificar todas as operações de aquisição em relação às quais defende o direito e nem juntou as cópias das notas fiscais correspondentes. Salientase que a recorrente contesta as glosas partindo do entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuam, direta ou indiretamente, para a obtenção de receita geram créditos das contribuições. Neste caso, temse que a fiscalização, entendendo que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não se mostram suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou verificando que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, negoulhe o direito pretendido, explicitando claramente sua motivação. Em sua defesa ao crédito, cabe a Recorrente, provar o teor das alegações que contrapôs aos argumentos postos pelo Fisco para não acatar o crédito alegado, não bastando, todavia, apenas alegar possuir o direito, mas devendo comproválo cabalmente, individualizando e provando a ocorrência de cada operação cujo valor foi glosado, Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.289 31 demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência, o que não ocorreu no presente caso. Como já dito, o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas aqui tratados deve abranger os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. 8.1.1. Dos Pallets (de madeira) Alega a Recorrente em seu recurso que dos itens glosados citando especificamente os pallets, daria direito a crédito por consistirem de produtos utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo. Dentro deste contexto, houve glosa dos citados pallets sob alegação de que não se enquadra na noção de insumo. Afirma que toda a matéria prima se queda estocada dentro do prédio em condições de higiene, limpeza e temperatura. São caixas, sacos, sacolas, recipientes, entre outros, que ficam em cima de pallets. Tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (SIF). Entende que, mesmo que não se acolha a interpretação de que os pallets se tratem de produto vinculado à produção (insumo), o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003, que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem e transporte de mercadorias, destinadas à comercialização (exportação), o que possui expressa permissão legal para descontar créditos. Especificamente sobre este item, aduz a Recorrente em seu recurso que: "(...) ao se conhecer o processo produtivo da recorrente, o que somente se dá mediante visita à fábrica, será fácil identificar a relevância e essencialidade dos pallets. Não se trata de uma simples conveniência no modo de armazenagem e transporte dos produtos durante o ciclo produtivo até a venda. Toda a matéria prima se queda estocada dentro do prédio em condições de higiene, limpeza e temperatura. São caixas, sacos, sacolas, recipientes, entre outros, que ficam em cima de pallets. E por qual razão? Por imposição de normas de higiene e limpeza, uma vez que não podem ficar em contato com o chão, impedindo, assim, contaminação de todo tipo, além de dificultar a passagem por estes recipientes de pragas (como ratos, baratas, entre outros). E mais: existe toda uma linha de produção, de modo que durante todo este ciclo, os pallets são utilizados para estocar e deslocar tais matériasprimas, algumas produzidas dentro do próprio parque industrial (por exemplo, se faz a desossa do peito de frango, o qual é utilizado em outra linha de produção que elabora produtos empanados). O que se pode notar, claramente, é que são essenciais durante todo o processo produtivo, desempenhando função relevante de higiene e limpeza, evitando contato que possa ocasionar alguma contaminação capaz de gerar risco à saúde humana. Portanto, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA". Quando de sua manifestação na Diligência solicitada pelo Colegiado, acrescenta que (fls. 1.105/1.221): "(...) Os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerente, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 Conforme PARECER (laudo) do INT às fls. 42 há expressa menção no sentido de que os pallets são utilizados "sempre nas movimentações externas às linhas de produção", sendo que no ambiente interno "são utilizadas para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora". Ademais, principalmente, quanto aos pallets de madeira, ainda possuem a função indispensável dentro do processo produtivo de "transporte para área de estocagem, dentro da unidade produtora, expedição com carregamento em caminhões, viagem até o cliente, descarregamento do caminhão, movimentação interna no cliente...". Portanto, afirma que são insumos por participarem do processo produtivo como produto essencial e inerente à atividade econômica da recorrente, inclusive, visando cumprir exigências de higiene e limpeza para a produção de um bem de maior qualidade. Por outro lado, o Fisco, em sua Informação Fiscal na planilha de Relação das Glosas (fl. 328), informa que o motivo da glosa é: "Código Grupo Glosa NI (Não é insumo)", à luz da legislação, elaborando a descrição do Material e referenciando o numero de cada nota fiscal glosada. Já no Relatório Técnico nº 000.903/13 (laudo técnico do INT fls. 1.115/1.164), a partir do item 13 localizase a parte relativa aos "paletes", onde é verificado que são utilizados para diversos fins. Especificamente à folha 1.155, informa no item 15 que: (...) No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibradevidro [sic]. Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibradevidro [sic]. (...) (destaquei) Pois bem. Não resta dúvidas que tais materiais (pallets) objetivam também garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia as normas da ANVISA e do SIF (MARA). Na planilha de "insumos utilizados na produção" apresentado quando da diligência (fl. 266/1.268), consta na linha 1, que os pallets de madeira ficam no setor de palletização e "utilizado para paletizar as caixas produtos como embalagem secundária protegendo os insumos e materiais do contato direto com o solo". Portanto, segundo a descrição oferecida pela recorrente, concluise de imediato não se tratar de material de embalagem, já que o item não acompanha o produto acabado. Os pallets de madeira é mero equipamento de transporte de produto acabado, que não se incorpora ao produto, não é consumido na sua produção e não é material de embalagem do produto, sendo inclusive boa parcela retornável. O relatório técnico apresentado pela contribuinte informa que, nas linhas de produção são utilizados apenas 'paletes' de fibra de vidro, e nenhum destes foram glosados. Ressaltese que nunca foi questionada a utilidade dos pallets, a todos evidente. Conforme os esclarecimentos prestados pela Recorrente, os pallets não consistem de insumo, mas de material utilizado no armazenamento e transporte de insumos e produtos acabados. E é por conta disso que a recorrente, alternativamente, reclama que o crédito há de ser mantido pela “aplicação do art. 3º inciso IX, das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.290 33 10.833/2003 (COFINS), que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria”. Vejase o que asseverou a DRJ em sua decisão, sobre os pallets: "(...) Sem entrar no mérito da questão de direito, também não cabe acolher o crédito por esse motivo. Aqui, remetese ao item 4 deste voto para dizer à DRJ não cabe assentir com a inclusão, na base de cálculo do crédito pretendido (presumido), de custos e despesas, mesmo que supostamente hábeis de gerar créditos, não informados ou incorretamente informados no Dacon. Esse tipo de crédito, se existente, há que ser informado na linha 07 do Dacon e não na linha 02, a título de “aquisição de bem utilizado como insumo”. Entendo que a tomada de créditos, nestas condições, dependeria do critério adotado pela própria Recorrente para a contabilização desse bem. Se a aquisição dos pallets for lançada à conta de despesa operacional, em função do seu valor unitário e de sua vida útil, entendo que seria admissível o creditamento do gasto como insumo. No entanto, tratandose de bem de ativação obrigatória, como parece ser (observo que, entre os serviços contratados pelo contribuinte, há o de manutenção de pallets, o que induz à conclusão nesse sentido), o creditamento só seria possível como despesa de depreciação. O deslinde da controvérsia portanto leva em conta o sistema de distribuição do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tratandose de pedido de ressarcimento, como é o caso, a iniciativa é do contribuinte, e sobretudo, de insistência recursal de que o item seja considerado como insumo, a ele incumbe a prova de que deu a tal gasto a natureza de despesa operacional. A prova requerida (a forma que foi contabilizado), no entanto, não se encontra apenso nos autos. Não tendo a Recorrente se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter a glosa dos pallets. 8.1.2. Das Aquisições de bens a alíquota zero (NT) produtos químicos Da memória de cálculo fornecida pela Recorrente, o Fisco glosou as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 Alega a Recorrente em sua manifestação quando do retorno da Diligência que (fl. 1.111): "(...) Temos ainda produtos químicos, desinfetantes e afins que são bens utilizados especialmente no processo produtivo da recorrente, inclusive, em razão de normas que regulam a atividade e emitidas por órgãos reguladores e fiscalizadores, tais como ANVISA, MAPA, SIF, entre outros. Neste sentido foram glosados: Cale. Calcit. Pà 38 % Cálcilo, Desinfetante Hipoclorito Sódio, DL Metionina Pà 99%, Desinfetante Enilconazole, Desinfetante Glut 40%, Desinfetante TEK, Ceftiofur, Treonina 98,5%, Antibiótico Amoxicilina 50%, Sulfato de Beomicina 50%". "(...) não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. A noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade". Da Planilha "Relação De Notas Fiscais Glosadas" produzida pela fiscalização, verificase que para cada nota fiscal glosada, há a indicação do dispositivo legal que reduziu a zero a alíquota da contribuição: "NT Mercadoria sujeita a alíquota zero de PIS/PASEP e COFINS". Constam como submetidos à alíquota zero, por força do incisos do art. 1º da Lei nº 10.925/2004, os produtos identificados, na coluna “Motivo glosa”, com as seguintes legendas: Defensivo (inc II); FARMilho (Inciso IX); inc V (inc V); LEITE (inc. XI), P3002.30 (Inciso VII); Pinto (Inciso X); QUEIJO (inc.XII); Quimico (Decreto 5.821/06, art. 1º; SE (Semen), PINTO de 1 dia MATRIZ COBB Macho e Femea Pinto Lei nº 10.925/04, art. 1º, inciso X), etc. Como se vê, o Fisco glosou as aquisições desses bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar e listou na Planilha “Relação de notas fiscais Glosadas" (fl. 328/344), todos os itens glosados, indicando o dispositivo legal correspondente que reduziu a alíquota (NT); na primeira folha, traz um quadro onde indica as legendas para os motivos das glosas às fl. 328. Os argumentos trazidos pela Recorrente não merece ser acolhido haja vista que a alíquota incidente sobre tais produtos ter sido reduzida à zero, não pelo dispositivo alegado pela interessada, mas por força dos dispositivos da Lei nº 10.865/04, e que foram indicados na relação de cada item glosado. Em análise aos dispositivos mencionados na referida Planilha, verificase que os produtos mencionados pela Recorrente e os demais que foram glosados, pelos motivos identificados na Informação Fiscal, se enquadram aos tipos de bens lá previstos. Quanto ao argumento de que em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 01 dia, entre outros) que se enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, há que ser mantido o crédito presumido, pelo que “impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Como bem concluído pela decisão recorrida, também não procede esse argumento de defesa. Destarte, a Lei nº 10.925/2004 revogou os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, que tratavam do crédito presumido possível para as pessoas jurídicas que produziam mercadorias de origem animal ou Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.291 35 vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos NCM lá indicados, passando este tipo de crédito a ser regrado, a partir de então, pelo art. 8º da referida lei. Todavia, o inciso II do §2º do art. 3º, das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2003, que vedam a geração de créditos das contribuições em relação a aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, permaneceram plenamente vigentes e igualmente aplicáveis ao crédito presumido, não havendo qualquer conflito nos regramentos postos pelas mencionadas leis em relação a esta matéria. E é por conta dessa vedação expressa em lei que também é improcedente o argumento de que é totalmente viável a manutenção do crédito em relação a produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, treonina, ivermectina, entre outros”. Esses produtos, por se tratarem de bens sujeitos a alíquota zero, não houve tributação em sua aquisição, pelo que não há o alegado direito a crédito. Quanto ao argumento de que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório, não cabe aqui qualquer manifestação, pois, como visto, a vedação está prevista em lei, sendo este CARF incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Desta forma, improcedentes os argumentos da defesa e mantémse a glosa, dos insumos consignados na “Relação de notas fiscais Glosadas" (fl. 328/344), indicado o dispositivo legal correspondente (NT). 8.1.3. Das Peças, equipamentos, ferramentas em geral Na Informação Fiscal foram glosados os valores das notas fiscais, listadas na “Relação De Notas Fiscais Glosadas” (fls. 328/344), cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Em análise à listagem “Relação De Notas Fiscais Glosadas” vêse que as notas glosadas em razão de o CFOP "indicar operação sem direito de crédito" estão identificadas na coluna "Motivo glosa" com a informação "CFOP" ou "NI", que, conforme o quadro explicativo de legendas lá posto, significa "Código Fiscal da operação indica operação sem direito a crédito" e "Não é insumo". Para melhor esclarecer a questão, a decisão a quo, considerou o que segue: "(...) E, de fato, os CFOP de tais notas não representam operações que consistam de aquisição de bens ou outra operação que dê direito a crédito, tais como as representadas pelas notas com os seguintes: os CFOP 2.556 Compra de material para uso ou consumo e 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. De outro turno, tendo em conta a "Descrição do Material", verificase que os Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 36 bens claramente não consistem de insumo ou não há como afirmar que o sejam, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa". Pois bem. Ocorre que quando da realização da Diligência, a Recorrente em sua manifestação de fls. 1.105/1.114, trouxe para os autos a seguinte relação de itens relacionados à noção de insumos: Suporte Bronze Mordaça, Lateral Mordaça, Bucha Bronze, Anel vedante, Anel trava, Rolamento, Fuso, Gancho, Engrenagem, Mola, Bucha, Placa Sincronizadora, Retentor, Pistão Hidráulico, Arruela Lisa, Correias do carro, Espátula, Bloco alumínio, Bucha Inox, Módulo completo, Acoplamento, Mangueira, Chave bloco, chave segurança, Bloco Bronze, Anel elástico, Cilindro bomba, Reparo de Pistão, Conectores, Faca Inox, Esteira placa quente, Peneira Moinho, Filtro Ar, Filtro óleo, Frezas Sep. vísceras PM 300 e Navalha CW System. Alega em seu recurso, quando da manifestação de Diligência que tais itens: "(...) São peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo. A mais disso, o próprio Laudo técnico deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente, especialmente, diante de sua atividade e plantas industriais juntadas". Como já salientado, na oportunidade da Diligência, a Recorrente, por solicitação do Colegiado, apensou a este processos os seguintes documentos: (i) laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde retrata tecnicamente o processo de produção e diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com respectiva descrição do processo, assinado por engenheiro responsável; (iii) fluxograma do processo produtivo com ilustrações; (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos; (v) atos regulatórios (portarias, resoluções, etc) e (vi) planilha descritiva de diversos bens utilizados como insumo. Tais documentos concedem informações relevantes a respeito dos itens acima e sua utilização no processo produtivo. Ao se analisar a Planilha complementar referente aos insumos utilizados na produção (documento apresentado às fls. 1.266/1.268), é possível se fazer uma correlação entre os itens acima relacionados e o local em que se encontra no processo produtivo e um Descritivo de suas funções (utilização). Tiramos como exemplo o material "Suporte Bronze mordaça", onde é especificado que é utilizado no processo de abate de frango (embalagem inicial, final abate de frango, sala de cortes e paletização); no Descritivo indica seu uso na Plastificadora de caixas, seladora de pacotes e máquinas de embalar miúdos. Outro item, a "Peneira Moinho", utilizado na Fabrica de Ração FFG e apresenta como descritivo, Moinho FFG, moinho da fábrica de rações e Moinho de Milho. Neste sentido, existe evidência de que esses bens (muitos deles são partes e peças de máquinas e equipamentos), realmente são utilizados na atividade de “industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral”, ou seja, está enquadrado no custo de produção de bem destinado à venda. Efetuado uma análise do Laudo Técnico juntado aos autos deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente, especialmente, diante de sua atividade e plantas industriais juntadas (fls. 1.115/1.164). Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.292 37 É possível também chegar a esta conclusão, verificando a Planilha de funcionalidades por cada item glosado, juntada aos autos quando da diligência. Pelos motivos expostos acima e conforme entendimentos mantidos por este CARF, concluise que é possível reconhecer a legitimidade do crédito de peças de reposição e conserto de máquinas, equipamentos, ferramentas e afins, destinados à manutenção e consecução de bens ligados a produção, uma vez que os mesmos se enquadram, neste caso, como custo de produção. Desta feita, considerandose as comprovações trazidos nos autos, há que se reverter as glosas contestadas para os produtos relacionados neste tópico, constantes das notas fiscais relacionadas na Planilha denominada "Relação de Notas Fiscais Glosadas de 2008" (fls. 328/344), reputandose que tais aquisições são geradoras de crédito da contribuição, uma vez que os mesmos se enquadra, neste caso, como custo de produção. Portanto, correto o entendimento da Recorrente de que tais bens consistem de insumo. 8.1.4. Combustíveis em geral Alega a Recorrente em seu recurso que (fl. 1.111) "(...) Temos ainda, os combustíveis (Óleo Diesel), Álcool Combustível, Gasolina Combustível, etc),que além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado." Pode ser verificado na Planilha que houve compras com CFOP 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. Na decisão a DRJ deixa consignado que: "(...) E, de fato, os CFOP de tais notas não representam operações que consistam de aquisição de bens ou outra operação que dê direito a crédito, tais como as representadas pelas notas com os seguintes: os CFOP 2.556 Compra de material para uso ou consumo e 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. De outro turno, tendo em conta a "Descrição do Material", verificase que os bens claramente não consistem de insumo ou não há como afirmar que o sejam, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. De outro turno, tendo em conta a "Planilha complementar referente aos insumos utilizados na produção" apresentado pela Recorrente durante sua manifestação de Diligencia (fls. 1.266/1.268), verificase que quanto ao Óleo Diesel, o mesmo é utilizado no Gerador de energia do Frigorífico, gerador do encubatório e Caldeiras 1 e 2, portanto entendo que consistem de insumo. Da mesma forma o Álcool Combustível, que é utilizado na Embalagem final nos Túneis de congelamento (diminuição do gelo acumulado no frigorífico). Os dois itens, portanto, no caso, são custo de produção e podem descontar créditos. Já em relação aos itens, Gasolina comum Combustível (consumidos por veículos da empresa), Lubrificantes (Oleo Snebur 43) e Gás GLP, claramente não consistem de Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 38 insumo, haja vista não ser possível identificar sua real aplicação no processo produtivo da empresa. 8.1.5. Solvente Informa a Recorrente em sua manifestação quando da diligência às fl. 1.106, que: "Para o caso concreto podemos identificar a seguinte relação de itens (bens e serviços) relacionados à noção de insumo: (...) 21. Solvente. O Fisco, por sua vez, informa na Planilha de glosas que tal produto não se enquadra como insumo (NI). De outro turno, verificase na "Planilha complementar referente aos insumos utilizados na produção" apresentado pela Recorrente durante sua manifestação de Diligencia (fls. 1.266/1.268), onde verificase que quanto ao Solvente, o mesmo é utilizado na Embalagem inicial e na sala de cortes e nos Datadores de embalagens. Entendo que não ficou claro, por falta de melhor comprovação, que os solventes, no caso, são custo de produção e portanto, não podem descontar créditos. 8.1.6. Aluguel de imóvel residencial Informa a Recorrente em sua manifestação quando da diligência às fl. 1.106, que: "Para o caso concreto podemos identificar a seguinte relação de itens (bens e serviços) relacionados à noção de insumo: (...) 58. Aluguel de imóvel residencial Pois bem. Constatase que a autoridade fiscal NÃO glosou valor de Aluguel de imóvel residencial dentre os itens que se encontram listados na "Relação De Notas Fiscais Glosadas" (fls. 328/332), referente ao 1º trimestre de 2008. Houve sim, glosa, mas para o mês de outubro de 2008. Portanto não há que se falar em glosa deste item. 8.1.7. Pintos de 1 dia (Matriz) Informa a Recorrente em sua manifestação quando da diligência às fl. 1.106, que: "Para o caso concreto podemos identificar a seguinte relação de itens (bens e serviços) relacionados à noção de insumo: (...) 42. Pinto de 1 dia (Macho e Fêmea). Da memória de cálculo fornecida pela Recorrente, o Fisco glosou as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Desta forma, por sua vez, informa na Planilha de glosas que PINTO DE 1 DIA MATRIZ não gera direito a crédito, por ser produtos não tributados (NT), conforme definido pela Lei nº 10.925/04, art. 1º, Inciso X. Correta a glosa, portanto. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.293 39 9. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e Cofins. Verificase nos autos que da base de cálculo do crédito básico, linha 02 das fichas 06A e 16A do Dacon (art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002), o Fisco glosou os valores das aquisições de milho a granel, sorgo granel, frangos vivos e demais produtos agropecuários utilizados como insumos (fls. 817/819), aquisições estas que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e Cofins, a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004. A Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda, adquirente de tais produtos, preenche todos os requisitos elencados no art 4º da IN SRF 660/2006, configurando, então, a hipótese para qual a mencionada lei, artigos 8º e 9º, determina que não há incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. O Fisco alega por fim que, caso o vendedor tenha apurado e recolhido PIS e Cofins sobre estas vendas, ele incorreu em pagamento indevido. Informa que foram os seguintes os insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa fls. 817/819, totalizados por descrição em cada mês. As notas fiscais estão devidamente individualizadas na Planilha "Crédito Presumido Detalhe" às fls. 345 a 695. Pois bem. À presente matéria foi muito bem abordada pela decisão a quo, que adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a recorrente não apresentou qualquer defesa em face deles, apenas repisando os argumentos da manifestação. "(...) A recorrente, em síntese, defende que o crédito integral há de ser mantido uma vez que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma que a Lei nº 10.925/2005 somente é aplicável, nas condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que se pode concluir, da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última IN a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Alternativamente, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Notese, inicialmente, que o artigo 8º da Lei 10.925/2004 passou a tratar do crédito calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003 – , especificamente para o caso de estes serem adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Tal dispositivo passou a permitir que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos que indica, deduzam, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado pela aplicação de uma alíquota diferenciada ao montante das aquisições dos insumos adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Desta feita, claro está que para este tipo de insumo, não se aplica o crédito regular, calculado nos termos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, mas o crédito presumido, calculado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 40 A recorrente não nega tal fato, mas, ainda assim, defende o crédito argumentando que a suspensão de PIS e Cofins, à época dos fatos, a teor da IN 660/2006, era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração) e que, se as aquisições ocorreram mediante tributação, há direito ao crédito pelas alíquotas ordinárias, previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002. Como se verá, é improcedente a pretensão da recorrente. À presente matéria, além do artigo 8º, importa o art. 9º da Lei 10.925/2004. Através deste, a lei suspendeu a incidência de PIS e Cofins nas vendas de produtos in natura de origem vegetal, e de insumos para a produção de mercadorias mencionadas no caput do art 8º, conforme descrito acima, desde que as vendas fossem feitas pelas pessoas jurídicas e cooperativas mencionadas e destinadas a pessoas tributadas pelo lucro real: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (grifo nosso) Notese que, nos casos em que o adquirente tiver direito à apropriação do crédito presumido de que se trata, a aplicação da suspensão da incidência por parte do vendedor dos insumos é regra e não exceção, portanto tem cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabelece marco imperativo, ao dispor que: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda”. No que se refere aos tais “termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF”, temse que esses dispositivos da lei foram regulamentados, inicialmente, na IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, depois revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, com as alterações da IN SRF nº 977, de 14 de dezembro de 2009. Do texto da IN SRF nº 660/2006, anterior às alterações introduzidas pela IN SRF nº 977/2009, é oportuno transcrever os seguintes trechos, que disciplinaram a situação sob análise: Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.294 41 Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...]IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...]III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...]II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e II I utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 42 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...]Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos nossos) Posteriormente, a IN nº 977/2009 introduz alterações à IN 660/2004, deixando explícita a obrigatoriedade da suspensão em questão a partir de 4 de abril de 2006; observese que o §1º do art 4º, que prevê a exigência da Declaração do Anexo I, foi revogado expressamente: Da Aplicação da Suspensão (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente:(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) [...] Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.295 43 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (g.n.) No entanto, não foi esta alteração no caput do art 4º da IN nº 660/2004, introduzida pela IN 977/2009, que tornou a suspensão de que se trata obrigatória; em verdade, a suspensão das contribuições, como já dito, se impõe por força do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, quando todos os requisitos elencados nos incisos do art. 4º da IN SRF 660/2006, e somente eles, estejam presentes; observese, entretanto, que os incisos do §1º do art 4º não tratam de condições ou requisitos necessários para que a operação de venda se opere com suspensão das contribuições, mas de obrigações acessórias a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação assim realizada. É inequívoco, pois, que quando o adquirente dos bens preenchesse as condições previstas nos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006, ainda em sua redação anterior à dada pela IN nº 977/2009, suas aquisições seriam obrigatoriamente feitas com suspensão das contribuições na etapa anterior da operação independentemente de qualquer solicitação efetuada pelo fornecedor ou informação prestada pelo respectivo adquirente; havia, no entanto, para o vendedor a garantia de que a adquirente lhe prestasse as pertinentes informações, mediante a apresentação dos Anexos daquele diploma, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação. Resta claro que a venda com suspensão é direito do vendedor quando se verifique a hipótese legal para tanto. Com efeito, o fato de as vendas terem ocorrido sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente, por se tratar de procedimento contrário ao legalmente prescrito em relação ao setor agroindustrial. A interessada, portanto, pretende se aproveitar de um direito que não lhe cabe, pois o benefício fiscal em comento foi criado em favor do vendedor, que poderá vir a exercêlo enquanto não for decadente o seu direito de repetir a contribuição indevidamente recolhida". Portanto, devese manter a glosa efetuada pelo Fisco. 10. Energia Elétrica e afins Aduz a Recorrente em seu recurso que: O lançamento e o Despacho Decisório glosam ainda sob o tema da energia elétrica (art. 3°, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003) sob alegação de comprovação em menor valor. Os valores foram lançados em livros fiscais e se presume verdadeiros. Assim, requer diligência ou perícia com o objetivo de comprovar a diferença mediante ofício à concessionária de energia. Observase na Informação Fiscal que foram glosados os valores informados para linha 04 do Dacon que não se referiam a despesas com energia elétrica consumida. Já a Recorrente defende que valores das despesas com energia foram lançados em livros fiscais e se presume verdadeiros, pelo que requer diligência ou perícia com o objetivo de comprovar a diferença mediante ofício à concessionária de energia. Verificase no caso em concreto, que dos valores registrados na listagem “Relação De Notas Fiscais Glosadas” para a linha 04 do Dacon, tendo em conta a descrição das operações glosadas (tais como: PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO, CALC. CALCIT. Pà 38% CALCIO BAG 1300KG, PINTO 01 DIA MATRIZ COBB FEMEA, ANTIB AMOXICILINA 50% BALDE 5KG SC 200G) claramente não consistem de despesas com energia elétrica. Por outro lado, a Recorrente em sede de impugnação, em seu recurso, bem como quando da diligência efetuada, nada trouxe que comprove o contrário, como as faturas de Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 44 energia, por exemplo. Assim, incabível seria ao Fisco oficiar à concessionária de energia a fim de produzir uma prova que cabia à contribuinte apresentarlhe. Ante o exposto, deve ser mantida a glosa e indeferese o pedido de perícia ou diligência. 11. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 06A – Linha 07). Informa a Recorrente em seu recurso que: "(...) A fiscalização quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito neste item: serviço de carga e descarga (transbordo) e outros não identificados. "IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor." No presente caso, conforme fiscalização, algumas premissas ou questões incontroversas devem ser consignadas: (i) houve armazenagem e frete nas operações e (ii) os pagamentos foram realizados à pessoa jurídica estabelecida no Brasil. Ora, embora não saibamos exatamente o que foi glosado e as razões, é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem inclui o procedimento a fim de realizar a exportação do transbordo. Tratase de serviço natural e essencial ligado ao frete para a exportação do bem". Observase que em seu recurso, a Recorrente aborda somente o serviço de carga e descarga (transbordo) e ressalta em relação a "outros não identificados". Ora, todos os serviços glosados, estão nominados no parágrafo abaixo, e estão identificados na Planilha "Relação de Notas Fiscais Glosadas de 2008" fls. 328/344, constando o mês, Ficha e Linha do Dacon, grupo e o motivo da glosa, nº da Nota Fiscal, código, descrição do material e o valor glosado. Portanto, ao contrário do que alega a Recorrente, estão sim bem identificados os serviços glosados pelo Fisco. Tanto é verdade que quando de sua manifestação após realização da Diligência, a Recorrente acrescentou que: "(...) De outra parte, temos ainda serviços que com clareza meridiana são considerados insumos, em especial: Serviços de Expedição e Armazéns, Serviço Técnico Mecânico, Serviço de transporte de aves, Serviço de carga e descarga, entre outros. Conforme fluxograma e Laudo técnico, bem como atividade da requerente (recorrente): (i) serviço técnico: são aqueles prestados em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por exemplo, o serviço de monitoramento, serviço de recuperação de frigorífico; (ii) serviços de transporte de aves: estão totalmente relacionados ao processo produtivo, pois transportam o principal insumo aves; (iii) serviço de movimentação de carga: conforme fluxograma e laudos tais serviços ocorrem durante todo o processo produtivo mediante carga e descarga de insumos (frango, outras matériasprimas), durante a industrialização, bem como no momento da venda das mercadorias elaboradas; (iv) expedição e armazenagem: o processo produtivo é extremamente amplo e complexo, de tal maneira que há armazenagem de matériasprimas, como o caso de cereais, utilizados na elaboração de seus produtos. Além disso, produtos acabados cuja armazenagem se dá venda, sobretudo, nas operações de exportação. Pois bem. Verificase que o Fisco glosou valores de vários serviços incluídos na linha 07 do Dacon que se encontram listados na "Relação De Notas Fiscais Glosadas", Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.296 45 referente ao primeiro trimestre/2008 (fls. 328/332), objeto deste processo, que se encontram assim descritos: Serviço Mão de Obra, Serviço Expedição e Armazenagem de Cereais, Serviço Técnico Mecânico, todos por não se enquadrarem no conceito de insumo prescrito pelo art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003. No entanto, quando de sua impugnação, a Recorrente limitouse a contestar a glosa somente dos "serviços portuários de carga e descarga (transbordo)". Vejase conforme destacado no trecho abaixo da decisão a quo: "(...) A manifestação da recorrente, no entanto, limitouse aos "serviços portuários de carga e descarga (transbordo)", na qual defende que tais serviços estariam contemplados na hipótese legal de geração de crédito; a recorrente, como se vê, não tratou de contestar especificamente os serviços glosados, apenas mencionando que "houve armazenagem" e que este tipo de serviço "inclui o procedimento a fim de realizar a exportação do transbordo". Constatase, no entanto, que NÃO houve glosa para esse tipo de serviço (serviços portuários de carga e descarga (transbordo), no 1º trimestre/2008, como pode ser verificado na Relação das Glosas às fls. 328/332. Mesmo constatado esse fato, para análise dessa questão (serviços utilizados como insumos), inicialmente é de se trazer os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 e 10.637/02, que tratam desta hipótese de creditamento: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Como pode ser observado, o art. 3º, inciso IX c/c o art. 15, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, somente admite o desconto de crédito calculado em relação à armazenagem de Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 46 mercadoria e ao frete na operação de venda, porém determina expressamente que, neste caso, tal apuração pode se dar apenas em relação aos serviços referidos nos incisos I e II, daquele mesmo art. 3º, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assim, quaisquer outros valores que não se refiram estritamente à remuneração pela utilização do local de armazenagem da mercadoria não geram crédito por inexistir permissivo legal para tanto. Logo, por força da legislação de regência, não se pode aceitar a geração de crédito a partir de quaisquer despesas unicamente relacionadas a título de "serviços portuários de carga e descarga (transbordo)", há que se comprovar os dispêndios e a que título. Mesmo considerando que teria havido despesas com armazenagem, há que se ressaltar que, no caso, o ônus de comprovar a existência do crédito pleiteado, demonstrar e comprovar quais os valores, dentre os montantes glosados, lançados em seus registros como SERVIÇO de EXPEDICAO E ARMAZENAGEM de CEREAIS (ou Serviço Mão de Obra ou Serviço Técnico Mecânico), se referem unicamente a serviços de armazenagem, do tipo previsto no inciso IX, do art. 3º e art. 15, da Lei n° 10.833/2003. Por não haver constatado glosa neste item, correta a decisão a quo. 12. Serviços utilizados como insumos Ficha 06A, Linha 03 Em relação aos demais serviços glosados pela fiscalização, os mesmos são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores dos serviços prestados por pessoa jurídica, os aplicados na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda, assim considerados somente aqueles serviços que, por serem aplicados na cadeia produtiva da empresa, concorrem como custos no processo de transformação dos insumos e produtos intermediários em produto pronto e acabado para venda. Conforme decisão da DRJ, dos montantes informados a título de serviços utilizados como insumo, o Fisco glosou as aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo e os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. A recorrente contesta essas glosas remetendo a todos os fundamentos ventilados até o momento acerca da noção de insumo no sistema não cumulativo de PIS e COFINS e aduz que o termo de verificação fiscal não menciona expressamente um item sequer glosado e a razão fática e jurídica. Ora, todos os serviços glosados, se encontram nominados no parágrafo abaixo, e estão identificados na Planilha "Relação de Notas Fiscais Glosadas de 2008" fls. 328/344, constando o mês, Ficha e Linha do Dacon, grupo e o motivo da glosa, nº da Nota Fiscal, código, descrição do material e o valor glosado. Portanto, ao contrário do que alega a Recorrente, estão sim bem identificados os serviços glosados pelo Fisco. Tanto é verdade que quando de sua manifestação após realização da Diligência, a Recorrente acrescentou que: "(...) De outra parte, temos ainda serviços que com clareza meridiana são considerados insumos, em especial: Serviços de Expedição e Armazéns, Serviço Técnico Mecânico, Serviço de transporte de aves, Serviço de carga e descarga, entre outros. Conforme fluxograma e Laudo técnico, bem como atividade da requerente (recorrente): (i) serviço técnico: são aqueles prestados em máquinas e equipamentos Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.297 47 utilizados no processo produtivo, por exemplo, o serviço de monitoramento, serviço de recuperação de frigorífico; (ii) serviços de transporte de aves: estão totalmente relacionados ao processo produtivo, pois transportam o principal insumo aves; (iii) serviço de movimentação de carga: conforme fluxograma e laudos tais serviços ocorrem durante todo o processo produtivo mediante carga e descarga de insumos (frango, outras matériasprimas), durante a industrialização, bem como no momento da venda das mercadorias elaboradas; (iv) expedição e armazenagem: o processo produtivo é extremamente amplo e complexo, de tal maneira que há armazenagem de matériasprimas, como o caso de cereais, utilizados na elaboração de seus produtos. Além disso, produtos acabados cuja armazenagem se dá venda, sobretudo, nas operações de exportação. Pois bem. Verificase que o Fisco glosou valores de vários serviços incluídos na linha 07 do Dacon que se encontram listados na "Relação De Notas Fiscais Glosadas", referente ao primeiro trimestre/2008 (fls. 328/332), objeto deste processo, que se encontram assim descritos: Serviço Mão de Obra, Serviço Expedição e Armazenagem de Cereais, Serviço Técnico Mecânico, todos por não se enquadrarem no conceito de insumo prescrito pelo art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003. Ocorre porém que, da listagem "Relação De Notas Fiscais Glosadas" (fls. 328/334), bem como acima relacionados, tendo em conta a descrição das operações, conforme bem asseverado pela decisão recorrido, verificase que a maior parte dos serviços claramente não consistem de insumo (Serviço de MãodeObra e Serviço de Técnico Mecânico) e não há como afirmar que sejam insumo, pois somente pelas descrições não é possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da empresa. A Recorrente defende a legitimidade do crédito com base na sua relevância à atividade empresarial/industrial e conforme fluxograma e Laudo técnico apresentado. Mesmo quando se verifica as informações contidas no informativo de insumos utilizados, apresentado pela Recorrente quando da Diligência às fls. 1.266/1.268, constatase, por exemplo, que o Serviço de Mão de Obra é executado em "todas as áreas"; os Serviço Expedição e Armazenagem de Cereais é executado na "Produção de Rações"; já os serviços de Técnico Mecânico nada foi comentado. Como se vê, não há como atestar que estes serviços tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo. Faltamlhes elementos probatórios para isso. Por evidente, todos esses serviços são realizados nas unidades da empresa ou têm relação com as atividades da empresa. Porém, nenhum dos serviços glosados, entretanto, atende às condições definidas pela legislação, que tenha sido provado que se trata de custo de produção, qual seja, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do produto. Também, novamente rechaço a acusação recursal de cerceamento do direito de defesa. Como já dito, a fiscalização não se furtou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, e também as relacionou, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado em no demonstrativo. Concluo, portanto que os serviços glosados neste tópico, por falta de provas da pertinência e da essencialidade dos serviços no processo de produção, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 48 Já com relação as demais glosas de serviços alegadas pela Recorrente em sua manifestação quando da Diligência (fls. 1.106/1.107), sendo elas: Serviços Gerais, Serviço de Transporte de Passageiros, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de carga e descarga, verificase na "Relação das Glosas", que NÃO houve nenhuma glosas para tais serviços no trimestre objeto destes autos. 13. Créditos Presumidos das atividades agroindustriais (Ficha 06A – linhas 25 e 26) No corpo da Informação Fiscal (fls. 817/819), encontrase uma relação contendo os insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês, e na planilha "Crédito Presumido – Detalhe" encontramse individualizadas as notas fiscais correspondentes (fls. 345/695). Da referida Informação Fiscal, extraise que em relação aos insumos que não se classificam dentre aqueles previstos no inciso I do §3º do art. 8º da lei nº 10.925/2004, a alíquota aplicada no cálculo do crédito foi reduzida de 60% da alíquota normal da contribuição, percentual utilizada pela interessada, para 35% da alíquota normal, nos termos do inciso III do mesmo parágrafo. Pelo que se vê, o Fisco listou os produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido, em que o contribuinte tomou créditos a 60% da alíquota para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Segundo a Informação Fiscal, tal alíquota, prevista no inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, destinase apenas para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e de misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. A aquisição de insumos que não se classifiquem nos citados capítulos e posições fatalmente recai no inciso II, que admite a tomada de créditos a 35% da alíquota. Dá conta ainda que todos os animais vivos listados na planilha são classificados no capítulo 01 da NCM; milho e sorgo, no capítulo 10; soja, no capítulo 12, lenha, maravalha (aparas de madeira) e resíduos de madeira no capítulo 44 sêmen no capítulo 05, itens que não atendem às condições para creditamento à 60% da alíquota. Também não se admitiu crédito presumido no caso de aquisições para revenda. A Recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Para análise da questão, transcrevese ao artigo 8º e parágrafos da Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.298 49 classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 50 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) (grifo nosso). Verificase, portanto, que o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. De outro modo, sobressai que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne e derivados, para alimentação humana, p. ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Verificase que o Fisco trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (fls. 345/695). Nesta planilha, a fiscalização, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; frango vivo (macho/fêmea), milho granel, sorgo granel, etc., itens que não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. No entanto, conforme consta dos autos, tratamse de insumos adquiridos para produção de mercadorias de origem animal (derivados de proteína animal, carnes e seus derivados para consumo humano), que trata da atividade finalística da empresa. Posto isto, verificase que com as modificações introduzidas pela Lei nº 12.865, de 2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, é de 60% das aquisições realizadas. Ressaltese que o argumento definitivo em favor do quanto se afirmou, veio recentemente, com a promulgação da Lei nº 12.865/13, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao § 10, do artigo 8°, da Lei nº 10.925/04, com o seguinte teor: “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF nº 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004 define o montante do crédito presumido. Posto isto, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.299 51 equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no inciso II do artigo 3°, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 14. Dos Valores incluídos na BC da Contribuição 14.1 Das Vendas realizadas com fim específico de Exportação Aduz a Recorrente em seu recurso que: "(...) de conformidade com o termo de verificação fiscal, em breve síntese, inexistiu exportação pela recorrente (atual BRF, antiga Perdigão Mato Grosso) nas vendas com esta finalidade específica para a Perdigão Agroindustrial S/A (habilitada no SISCOMEX) pelo fato de que, em tese, as mercadorias destinadas a esta empresa (ECE) ficaram armazenadas em locais que não seriam entrepostos aduaneiros, em especial, os armazéns ARFRIO e REFRIBRAS". O lançamento de ofício e a presente glosa foi realizada em face da recorrente (PERDIGÃO MT LTDA) que realizou a venda com fim específico de exportação para a PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A. A Recorrente alega que "Há, portanto, nulidade no lançamento por ilegitimidade passiva, eis que o lançamento deveria ser realizado nas operações ligadas à exportação em face da compradora (PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A)". Informa que a desconsideração da exportação, implica na exigência do PIS e da COFINS, da Comercial Exportadora. Que isto decorre da mudança da legislação a partir do enunciado dos art. 7º da Lei nº 10.637/2002 e o art. 9º, da Lei nº 10.833/2003. A Recorrente aborda também em seu recurso, questões de mérito trazendo dispositivos legais e constitucionais, além de excertos doutrinários, que julga suficientes e necessários em defesa da tese de que a não incidência das contribuições (desoneração) sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, estabelecida pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se trata de hipótese de simples isenção, mas da concretização da imunidade prevista o art. 149, § 2, I, da Constituição Federal; defende que referido dispositivo constitucional consiste de uma imunidade tributária objetiva e não uma isenção, que objetiva “desonerar receitas vinculadas (direta ou indiretamente) à exportação”. Aponta "premissas" que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto" os quais seriam capazes de "conduzir à correta conclusão no sentido de que a impugnante realizou a exportação, mesmo que indireta, por meio da venda com fim específico. Como primeira premissa, coloca a veracidade das exportações dos produtos vendidos com esta finalidade específica pela impugnante para a Perdigão Agroindustrial S/A. Como segunda premissa, aponta o fato de a Perdigão Agroindustrial S/A não ter tomado crédito em relação às aquisições de produtos destinados especificamente à exportação, o que demonstraria que houve exportação e, conseqüentemente, venda com fim específico de exportação de forma adequada". Terceira premissa: o fato incontroverso de que as notas fiscais e a contabilização pela impugnante são de venda com fim específico de exportação. Quarta: a fiscalização reconhece possuir a compradora (Perdigão Agroindustrial S/A) todos os requisitos legais para exportar tais produtos. E como quinta e última premissa, ser a exigência de PIS e Cofins decorrente de supostas irregularidades formais e de responsabilidade da adquirente (Perdigão Agroindustrial S/A), em específico, o fato de parte dos produtos vendidos para a Perdigão Agroindustrial S/A terem sido armazenados em locais, não alfandegados. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 52 Arremata a Recorrente argumentando que: "(...)Dentro desta perspectiva não é licita qualquer alegação de que o tributo deve ser exigido da recorrente em razão de o depósito dos produtos ter sido realizado em armazém não alfandegário. Isto porque, quem realizou esta operação foi, em verdade, a comercial exportadora e, eventualmente, se existia alguma irregularidade em referida armazenagem, a responsabilidade não é da recorrente como comerciante vendedora com fim específico de exportação. Cabia à comerciante exportadora. Possível reconhecer, destarte, que a recorrente não tem legitimidade em referida operação para sofrer o lançamento quanto às operações de exportação, uma vez que este deveria ter recaído em face da comercial exportadora, ou seja, PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A, sendo de rigor a nulidade do lançamento e glosa de compensação". Por outro giro, relata o Fisco que, verificado e concluído que não houve qualquer exportação direta registrada no SISCOMEX durante o anocalendário de 2008 e que a maior parte das vendas com fim específico de exportação não cumpriram os requisitos da legislação de regência, conclui que não houve vendas para o mercado externo no período que pudessem ser afastadas da tributação do PIS/Pasep e da COFINS e que pudessem gerar créditos ressarcíveis dessas contribuições. Desta forma, se fez necessário recalcular as proporções entre vendas no mercado interno (tributadas e nãotributadas) e exportação. Assim, foram consideradas como receitas auferidas no mercado interno as receitas registradas pela Recorrente como decorrentes de vendas de mercadorias com fim específico de exportação, notas fiscais com CFOP 5501/6501 (fls. 696/800). Por conta disso, depois das glosas de valores efetuadas na base de cálculo dos créditos, estes foram recalculados tendo em conta os novos percentuais entre as receitas (auferidas no mercado interno e no externo) e a receita bruta da empresa a serem considerados na apropriação dos custos comuns geradores de crédito (para desconto ou ressarcimento/compensação). A relação das Notas Fiscais emitidas pela Recorrente à Perdigão Agroindustrail S/A, CNPJ nº 02.521.635/000160, estão consignadas na Planilha denominada "Listagem de locais de entrega das vendas com fim específico de exportação fornecida pelo contribuinte e formatada pela fiscalização", apensa aos autos às fls. 696 a 800. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtorvendedor” (Recorrente Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda) estão ou não cobertas pelo manto da isenção, há que se examinar as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Pois bem. O benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do art. 149, da CF) para as operações de exportação, como sugere a recorrente, mas o previsto em Lei para as operações de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao PIS (e à Cofins), contribuições tratadas nestes autos, temos, no âmbito da incidência cumulativa dessas contribuições, a disposição do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.300 53 VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; [...] §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. A legislação vigente, que instituiu as modalidades de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, prevê (grifei): Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 54 Art. 7º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2º No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. §3º A empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.301 55 vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 9º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2º No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, ou da COFINS, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. § 3º A empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). [...]. Para melhor deslinde desta questão, dentro desse contexto, manifestouse a Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit nº 8, de 25 de agosto de 2004, da qual transcrevemos na sequência vários excertos, que foram adaptados ao caso por este Conselheiro. Observase que, de todos os dispositivos legais citados, apenas o art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, ao falar em empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei no 1.248, de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos de lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do PIS e da Cofins, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso tudo, e da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre no art. 14, inc. VIII, da Medida Provisória no 2.15835, de 2001), a Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 56 alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum e (ii) a constituída nos termos do DecretoLei no 1.248, de 1972, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no art. 2º do citado DecretoLei no 1.248, de 1972, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria no 438, de 26 de maio de 1992, do MF; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução no 1.928, de 26 de maio de 1992, do Banco Central do Brasil. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeita se às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo nº 42, de 1975, reconhecia que o DecretoLei no 1.248, de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o seguinte: “[...] 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei no 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8o do Decreto no 64.833/69 e no artigo 7o, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra.” Repisandose, já vimos que o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, foi expresso em contemplar com isenção das contribuições as vendas feitas, com fim Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.302 57 específico de exportação, tanto às comerciais exportadoras comuns como às do DecretoLei nº 1.248, de 1972. No mais, falouse simplesmente em “empresas comerciais exportadoras”. A legislação aduaneira, por sua vez, e segundo entendo, têm um único reflexo no âmbito da isenção das contribuições (PIS e da COFINS) na operação de venda da indústria à comercial exportadora (trading): tratandose esta de pessoa jurídica constituída nos moldes do DecretoLei no 1.248, de 1972, por força do art. 1º, parágrafo único, b, deste, c/c art. 6º, §1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF no 241, de 2002, a remessa a local não alfandegado, de uso privativo, no qual foi autorizada a operação de regime de entreposto aduaneiro na exportação, nos termos dos arts. 14 e 15 da mesma Instrução Normativa, também se considera destinação com fim específico de exportação (tratase de norma especial em relação ao disposto no art. 39, §2º, da Lei no 9.532, de 1997). Assim sendo, se a indústria (no caso a Recorrente) estiver lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção das contribuições na operação de venda, deverá remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei no 1.248, de 1972, ela (a indústria) poderá enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o art. 14 da Instrução Normativa SRF no 241, de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, aqui, o “fim específico de exportação”, já que os arts. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, 5o da Lei no 10.637, de 2002, e 6o, da Lei no 10.833, de 2003, não dispõem a respeito. Entendo, contudo, que a definição dada pelo art. 39, §2o, da Lei no 9.532, de 1997, é plenamente aplicável ao caso. Vejase (grifei). Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...). § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Nesse sentido, o art. 45, §1º, do Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta o PIS e a Cofins, adotou expressamente o que fixado no art. 39, §2o, da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001. Em resumo, ante ao todo exposto, podese concluir que as vendas com fim específico de exportação, para serem beneficiadas pela isenção de PIS e da COFINS, deverão cumprir os seguintes requisitos: (i) nas vendas para empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 (trading companies) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum ou extraordinário; e (ii) nas vendas para demais empresas comerciais exportadoras (comuns) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 58 Neste ponto, considerando a legislação citada, é relevante ao caso o desembarque em armazéns caracterizados como entrepostos aduaneiros, já que este aspecto é exatamente o que determina que uma venda para uma empresa comercial exportadora se deu com fim específico de exportação ou não. Portanto, tal exigência não consiste de mera obrigação formal (formalismo desnecessário) ou de "uma simples irregularidade cometida pela adquirente (Perdigão Agroindustrial S/A) de solicitar à vendedora (Recorrente) o depósito em armazém que, supostamente, não constavam como alfandegários" como salientado pela Recorrente à fl. 1.051 e ss), mas que tal fato é de aspecto determinante na aferição do direito a isenção. À fl. 1.052 do recurso, a própria Recorrente admite que "Embora possa existir certa irregularidade, o caso concreto é peculiar, diante de todas as razões e elementos fáticos já descritos (...)". Permeando que houve a legalidade, transparência e boa fé. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, nesse sentido, das normas que definem e regulamentam as operações de comércio exterior há que se extrair o que caracteriza uma venda com "fim específico de exportação". Do art. 1° do DecretoLei n° 1.248/72, art. 10 do DecretoLei n° 1.455/76 e artigos do Regulamento Aduaneiro, reproduzidos na Informação Fiscal, extraise que: 1. consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: (a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; (b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento; 2. o regime especial de entreposto aduaneiro na exportação é o que permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação em local alfandegado de uso público (regime comum) ou de uso privativo (regime extraordinário); 3. as vendas do "produtorvendedor" para empresas comerciais exportadoras previstas no DecretoLei n° 1.248/72, as trading companies, terão fim específico de exportação quando forem entregues diretamente para exportação ou em depósito em entreposto aduaneiro, sob regime comum ou extraordinário; 4. nas vendas de mercadorias para empresas comerciais exportadoras em geral (não trading companies) o fim específico de exportação se caracteriza quando as mercadorias são remetidas para embarque de exportação ou entregues em recinto alfandegado de uso público. Assim, para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção de que se trata quer sejam os produtos vendidos a trading companies, quer o sejam a empresas exportadoras registradas na SECEX/MDIC , o produtorvendedor deve remetêlos diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa adquirente, ou para recinto alfandegado. Quanto ao argumento da Recorrente que "não é licita qualquer alegação de que o tributo deve ser exigido da recorrente em razão de o depósito dos produtos ter sido realizado em armazém não alfandegário. Isto porque, quem realizou esta operação foi, em verdade, a comercial exportadora e, eventualmente, se existia alguma irregularidade em referida armazenagem, a responsabilidade não é da recorrente como comerciante vendedora com fim específico de exportação. Cabia à comerciante exportadora. Possível reconhecer, destarte, que a recorrente não tem legitimidade em referida operação para sofrer o lançamento quanto às operações de exportação, uma vez que este Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.303 59 deveria ter recaído em face da comercial exportadora, ou seja, PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A, sendo de rigor a nulidade do lançamento e glosa de compensação". De outro lado, na Informação Fiscal elaborada pelo Fisco às fls. 826, podese observar a forma que ocorreu todas as Operações de venda da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso S/A à Perdigão Agroindustrial S/A (grifei): "(...) Ao examinar as notas fiscais e a escrituração fiscal da fiscalizada, constatamos, inicialmente, que as saídas “com fim específico de exportação” (CFOP 5501/6501) eram destinadas quase integralmente à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S/A, que pertencia ao mesmo grupo. Tendo em vista que a unidade 108 da Perdigão Agroindustrial S/A não é armazém alfandegado, foram tomadas duas providências: primeiro, foi intimada a Perdigão Agroindustrial S/A, a explicar o funcionamento da filial 108; depois, foi intimada a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda a prestar esclarecimentos e juntar documentos acerca das vendas com fim específico de exportação. Sinteticamente, a BRF Brasil Foods informou (fls. 321 a 327) que: (a) a Perdigão Agroindustrial depositava em oito armazéns as mercadorias recebidas de terceiros com fim específico de exportação e que, destes, três eram alfandegados (Brasfrigo, Martini e Ponta do Felix) e cinco não eram alfandegados (Arfrio (dois), Refribrás, Safrio e Itazem); (b) que a exportação era efetuada após o contêiner ser “estufado”; e (c) que estava autorizada por atos administrativos a proceder ao embarque antecipado da mercadoria destinada à exportação" (...). Como visto, a Recorrente foi intimada pelo Fisco a apresentar documentação referente suas vendas e ao apreciar a planilha que detalha as vendas com fim específico de exportação (doc. fls. 696 a 800), constatouse que a maior parte das operações não cumpriu os requisitos minuciosamente estudados acima porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. Concluiuse, a partir das informações prestadas e dos documentos apresentados pela Perdigão Agroindustrial S/A, que, na maior parte das vendas com CFOP 5501/6501, não se configurou o “fim específico de exportação”, conforme as normas que regem essa matéria detalhadamente apresentada acima. Arremata a fiscalização que: "(...) Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que “estufava” os contêineres e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda para a Perdigão agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno". Às fls. 696/800, o Fisco elaborou uma relação das Notas Fiscais emitidas, informando nas colunas o seguinte: CNPJ Emitente, Data da Emissão, numero, série, Valor total da NF, Razão Social do comprador, CNPJ, Endereço do adquirente, Cidade, NOME DO ARMAZENADOR, CNPJ do Armazenador, Endereço do Armazenador, Cidade do Armazenador e uma coluna definindo se o Local de Armazenamento é (sim) ou não ALFANDEGADO. Posto isto, temos que a responsabilidade da comercial exportadora pelos tributos devidos pela indústria e que foram suspensos, nos termos dos arts. 7º da Lei nº 10.637, de 2002, e 9º da Lei nº 10.833, de 2003, somente surge após a entrega dos produtos para embarque ou depósito em recinto alfandegado e se transcorrerem 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda pela indústria sem que se comprove o embarque para exportação. Portanto, é relevante destacar que somente cumprindo as condições expostas o “produtorvendedor” irá cumprir os requisitos necessários para configurar o “fim específico Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 60 de exportação”. Tanto é assim que, ao proceder conforme as normas descritas, a responsabilidade sobre quaisquer créditos tributários passa a ser da empresa comercial exportadora que adquiriu as mercadorias (conforme preconizado pelo art. 231 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 4.543/de 2002, vigente à época dos fatos). Ao contrário, caso não proceda da forma prescrita, o “produtorvendedor”, no caso a Perdigão MT Ltda, permanece responsável pelos créditos tributários relativos aos tributos que deixaram de ser apurados e recolhidos. E mais, cabe ao produtorvendedor, portanto à Recorrente, cuidar do cumprimento da exigência legal para que se caracterize o "fim específico de exportação", quando, somente então, deixa de ser responsável por quaisquer créditos tributários decorrentes de tais operações, mesmo que a exportação eventualmente não seja realizada pela adquirente/exportadora. Ou seja, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é da empresa (contribuinte) vendedora das mercadorias. Por todo o exposto, a Recorrente não faz jus à exclusão dos créditos tributários de PIS e COFINS nas saídas de mercadorias feitas em desacordo com as regras que outorgam a isenção às “vendas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação”. A responsabilidade pelos créditos é da Recorrente, uma vez que a isenção alcança somente aquelas vendas à comercial exportadora em que restou comprovado o “fim específico de exportação” de acordo com as normas legais vigentes no momento da ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Como os produtos vendidos pela interessada para a Perdigão Agroindustrial S/A, comprovadamente nos autos, não foram remetidos para local sob controle aduaneiro (recinto alfanfegado), resta descaracteriza a venda com "fim específico de exportação" e afastada a isenção pretendida. Correto, portanto, o procedimento fiscal. 15. Inconstitucionalidade das leis, ilegalidade das IN, conceito de insumo Em síntese, a Recorrente argumenta que as Instruções Normativas citadas nos autos e aplicadas pela fiscalização no presente procedimento, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei. "(...) Apesar das considerações aduzidas, é preciso, ainda, a fim de não restar dúvida, demonstrar que o critério utilizado pela Receita Federal e claramente utilizado no lançamento é de evidente equívoco, a ponto de ser caracterizado como ilegal. Isto porque, as Instruções Normativas da SRF. N. 358/2003 e 404/2004, ao buscar explicitar o que seria caracterizado como insumo, nos termos da lei, incorre em grave equívoco ao empregar como critério as noções advindas do regulamento de IPI, o qual traz em seu cerne a idéia de insumo no sentido físico". Tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10183.905478/201141 Acórdão n.º 3402003.153 S3C4T2 Fl. 1.304 61 16. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário apresentado e com base nos documentos acostados aos autos, reconhecendo se o direito ao crédito em relação ao seguintes bens: (i) relacionados no "item 8.1.3 Peças, equipamentos, ferramentas em geral", quais sejam: Suporte Bronze Mordaça, Lateral Mordaça, Bucha Bronze, Anel vedante, Anel trava, Rolamento, Fuso, Gancho, Engrenagem, Mola, Bucha, Placa Sincronizadora, Retentor, Pistão Hidráulico, Arruela Lisa, Correias do carro, Espátula, Bloco alumínio, Bucha Inox, Módulo completo, Acoplamento, Mangueira, Chave bloco, chave segurança, Bloco Bronze, Anel elástico, Cilindro bomba, Reparo de Pistão, Conectores, Faca Inox, Esteira placa quente, Peneira Moinho, Filtro Ar, Filtro óleo, Frezas Sep. vísceras PM 300 e Navalha CW System, por tratarse de peças de reposição e conserto de máquinas, equipamentos, ferramentas e afins, destinados à manutenção e consecução de bens ligados a produção, uma vez que os mesmos se enquadram, neste caso, como custo de produção. (ii) conforme contido no "item 8.1.4 Combustíveis em geral", sendo eles o Óleo Diesel (utilizado no Gerador de energia do Frigorífico) e do Álcool Combustível, que é utilizado na Embalagem final nos Túneis de congelamento, e (iii) reconheçase à recorrente, o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002, conforme item "13" do voto. Mantendose a decisão recorrida em TODOS os demais termos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13811.004351/2002-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRRF. COMPOSIÇÃO .
O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído.
Numero da decisão: 1401-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar o débito utilizado em duplicidade, no valor de R$ 1.502.755,82, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.004351/200267 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.486 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente PHILIPS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRRF. COMPOSIÇÃO . O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar o débito utilizado em duplicidade, no valor de R$ 1.502.755,82, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 43 51 /2 00 2- 67 Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 1502315028: Em 14/08/2002, a contribuinte protocolizou, junto à CAC/DRF/Santo Amaro, pedido de RESTITUIÇÃO (fl. 01), cumulado aos pleitos de COMPENSAÇÃO, objetivando o aproveitamento de créditos de IRRF, relativos a retenções efetuadas durante o anocalendário de 2001, no valor de R$27.098.296,81, com vistas à quitação de débitos diversos. Em 06/08/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 767/797), DEFERINDO EM PARTE o pedido da interessada. Os motivos do deferimento parcial, em síntese, são os seguintes: • O lucro real foi recalculado em virtude de falta de adições ao lucro líquido das diferenças de valores de compensações de PIS e COFINS além daqueles declarados em DCTF. Dessa forma, foram adicionados ao lucro líquido (linha 21, ficha 09 A), os montantes de R$ 74.394,41 na DIPJ/2001/2001 e R$ 29.907,74 na DIPJ 2002/2001 (fl.779); • Não foram registradas nas DIPJ 2001/2001 (fl.522) e 2002/2001 (fl.541) as reservas de reavaliação (art.35 do DL n° 1.598/77 e art.l° do DL n° 1.730/79), as quais foram acrescidas às respectivas declarações adicionandose ao lucro líquido os valores de R$ 401.144,38 e R$ 348.072,98, respectivamente (fl.780); • Não se constatou a adição ao lucro líquido (linha 14 da ficha 09 A), dos valores de R$ 3.574.647,20 na DIPJ 2001/2001 (fl.522) e de R$ 175.128,81 na DIPJ 2002/2001, as contrapartidas das baixas das contas de correção monetária das diferenças IPC/BTNF (fls.781/782); • O IRRF (código 5273), proveniente de rendimentos de SWAP, não foi considerado na apuração do saldo negativo do IRPJ pela impossibilidade de verificação de seu oferecimento à tributação (fl.789); • Apenas parte do IRRF, das demais aplicações, foi comprovada resultando, após a dedução das compensações sem processo de R$ 22.804,48, em saldo negativo de R$ 307.563,20 (fl.796). Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 4 3 A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 07/08/2007 (fl. 798) e dela recorreu a esta DRJ em 05/09/2007 (fls.916/942). Em suma, argumenta a seu favor o seguinte: • Quanto ao débito a compensar, o Fisco considerou em duplicidade o valor de R$ 1.502.755,82, o qual foi declarado no processo de n° 11831.001394/200371 (docs.4 e 5 fls.997/1001 e 1.005/1.031) e na DCOMP n° 41636.49900.230906.1.7.02 0550, por essa razão, os referidos débitos compensados totalizam R$ 34.158.646,94 e não R$ 35.751.500,47; • Da contribuição ao PIS e da COFINS adicionados ao Lucro Real: os valores das contribuições, objeto de liminar proferida nos autos de n° 1999.61.0.000185719, não foram recolhidos e nem provisionados, razão pela qual não deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido. Os referidos montantes foram oferecidos à tributação. Ademais, tratase de tributos retidos por órgãos públicos, os quais foram compensados nos termos do art.64 da Lei n° 9.430/96; • A RFB reconheceu apenas parte dos montantes das retenções efetuadas por venda de serviços e bens, considerando os valores de R$ 13.270,53 e R$ 5.340,73 de PIS e R$ 61.124,17 e R$ 24.626,75 de COFINS como de exigibilidade suspensa não levadas à tributação. Todos os referidos montantes poderiam ser compensados por se referirem a retenções efetuadas por órgãos públicos (doc.6 — fls.1.033/1.049). Caso não se aceite a argumentação levantada, as contribuições deveriam ser objeto de lançamento fiscal e não de ajustamento da base de cálculo do tributo; • Da Realização de Reservas de Reavaliação: As adições para realização da reserva de reavaliação foram contabilizadas em conta de resultado, neutralizando qualquer efeito (doc.7 — fls.1.050/1.096); • Da tributação da diferença de correção monetária IPC/BTNF: a) Na DIPJ/92, a requerente possuía contabilizado em conta de patrimônio líquido "Saldo da Conta de Correção Monetária diferença IPC/BTNF de Cz$ 31.505.266.847,00 (doc.08 — fls.1.097/1.101) não havendo qualquer registro na conta "Reserva Especial de Correção Monetária", ou seja, não há o que ser acrescido ao lucro real, pois não se utilizou da referida correção; b) Ofereceu à tributação a totalidade do saldo lançado na conta "Saldo da Conta de Correção Monetária — Diferença IPC/BTNF"em 31/01/1993 (doc.9 — fls.1.102/1.108); c) Apresenta o LALUR de 1991/1993 demonstrando que adicionou à base de cálculo do IRPJ os valores referentes à_ "baixa de bens do ativo fixo — diferença IPC/BTNF)", encargos de depreciação (fls.1.110/1.115); • Do IRRF: Todos os rendimentos em aplicações de SWAP foram oferecidos à tributação, no entanto, em linha diversa da indicada no MAJUR. Apurava os referidos ganhos/perdas na conta "92901 — Resultado positivo contratos futuros moeda estrangeira hedge (até o anocalendário de 2003)" e "9290000 Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 5 4 — Resultado positivo contratos futuros moeda estrangeira hedge (a partir do anocalendário de 2004)". Apresenta documentação com o objetivo de provar o alegado (fls.1.116 a 1.883); • Dos demais rendimentos financeiros: Apresentou documentação (fls.337/347) que comprova a retenção no valor de R$ 109.838,12 (códigos 6147, 6190 e 1708) tendo sido reconhecido apenas o montante de R$ 13.542,91 pela autoridade fiscal; • Das declarações retificadoras indeferidas: a) Com relação à DCOMP retificadora 11831113133/200322, cujo objetivo é retificar o débito IRRF, código 0561, PA de 29/03/03, de R$ 331.912,50 para R$ 327.653,85. A referida alteração de R$ 4.285,65 decorre do MS n° 2003.61.26.001.1681; b) A DCOMP 11831.003134/200377 não trata de inclusão de novo débito, mas sim de desmembramento do débito de IRRF (PA de 28/12/2002), no valor de R$ 664.602,05 (declaração original) para R$ 605.360,87 (PA de 28/12/2002) e R$ 59.241,18 (PA de 21/12/2002), conforme documento 12 (fls.1184/1940); • Enfim, pede pela procedência integral de seu pleito. A contribuinte apresentou documentação na manifestação de inconformidade de fls.944/1.940, a qual visa provar seu direito ao montante integral informado na DIPJ de saldo negativo para o anocalendário de 2001. Tendo em vista as divergências apontadas e a documentação apresentada tornouse necessário converter o presente processo em diligência fiscal visando esclarecer os seguintes pontos controversos: • Da tributação da diferença de correção monetária IPC/BTNF: • Verificar se ofereceu à tributação a totalidade do saldo lançado na conta "Saldo da Conta de Correção Monetária – Diferença IPC/BTNF" em 31/01/1993 (doc.08 – fls.1097/1101 e doc.9 – fls.1.102/1.108); • Averiguar, com base na documentação apresentada (fls.1.110/1.115), se os valores, referentes à "baixa de bens do ativo fixo – diferença IPC/BTNF)" encargos de depreciação, foram adicionados à base de cálculo do IRPJ; • Verificar com a base nos documentos apresentados (fls.1.116 a 1.883) se todos os rendimentos em aplicações de SWAP foram oferecidos à tributação. Cabe esclarecer que a contribuinte alega que apurava os ganhos/perdas na conta "92901 – Resultado positivo contratos futuros moeda estrangeira hedge (até o anocalendário de 2003)" e "9290000 – Resultado positivo contratos futuros moeda estrangeira hedge (a partir do ano calendário de 2004)"; • Das declarações retificadores indeferidas: Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 6 5 • Com relação à DCOMP retificadora 11831.113133/200322, verificar com base na documentação apresentada se existe comprovação de que houve, de fato, retificação do débito de IRRF, código 0561, PA de 29/03/03, de R$ 331.912,50 para R$ 327.653,85 e se a referida alteração de R$ 4.285,65 decorre do MS nº 2003.61.26.001.1681 (fls.1.184/1.940); • Averiguar pela documentação trazida aos autos (fls.1.184/1.940) se a DCOMP retificadora 11831.003134/2003 77, não trata de inclusão de novo débito, mas sim de desmembramento do débito de IRRF (PA de 28/12/2002), no valor de R$ 664.602,05 (declaração original) para R$ 605.360,87 (PA de 28/12/2002) e R$ 59.241,18 (PA de 21/12/2002); • Elabore relatório. conclusivo e.dê ciência a contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias pára manifestação, conforme art. 44 da Lei n° 9.784/99. Em resposta ao pedido de diligência, a Derat/SPO elaborou relatório conclusivo de fls.2.001/2.005 com o seguinte teor: • A consolidação dos resultados fiscais apurados entre janeiro e maio de 1993 (fl.1.973) foi devidamente tributada na DIRPJ entregue por ocasião da cisão parcial ocorrida em 31/05/1993 (fls.1.955/1.956), podendose afirmar que a contribuinte com base na Conta de Correção Monetária – a diferença IPC/BTNF foi integralmente tributada em 31/05/1993; • Com base nos documentos de fls.1.110/1.115 e os extratos IRPJ/CONS de fls.1.951 e 1.954, verificase que os valores relativos às "Baixas de Bens do Ativo Fixo", aos "Encargos de Depreciação" e à "Correção Monetária dos Encargos de Depreciação" todos relativos à diferença IPC/BTNF, apurados nos balanços levantados em 31/12/1991, 30/06/1992 e 31/12/1992, estão relacionados a fl.1.110 e foram adicionados ao lucro líquido do período a que correspondem (LALUR de fls. fls.1.112/1.115 e extratos de IRPJ/CONS de fls.1.951 e 1.954); • Em relação aos rendimentos de SWAP, os rendimentos correspondentes ao IRRF sob o código 5273, ao longo do lapso temporal compreendido entre 01/01/1998 e 31/12/2006, foram todos submetidos à tributação na DIPJ, haja vista o somatório dos rendimentos consignados no demonstrativo citado e o registrado nas DIRF respectivas, consolidados à fl.788 (fl.22 do Despacho Decisório); • DCOMP retificadora n° 11831.113.133/200322: A diferença de R$ 4.258,65 (R$ 331.912,50 — R$ 327.653,85) de débito de IRRF apurado na quinta semana de março de 2003, retificado pela DCOMP, mencionada acima, em virtude de liminar em MS n° 2003.61.26.001.1681 (fls.1.893/1.895), está lastreada pela 4' DCTF retificadora, relativa ao 1° trimestre de 2003, apresentada e processada em 02/12/2004 (fls.1.985/1.986); Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 7 6 • DCOMP retificadora n° 11831.003.134/200377: A declaração retificadora, referente ao processo citado acima, não incluiu novos débitos nos valores de R$ 59.241,18 (3ª semana, vencimento em 26/12/2002) e R$ 605.360,87 (4a semana, vencimento em 03/01/2003), apenas ajustou os valores à verdade fática. A 7ª Turma da DRJ SPO I, por unanimidade de votos, deferiu em parte a solicitação da contribuinte, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 15022: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRRF. COMPOSIÇÃO . O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Solicitação Deferida em Parte De acordo com o retrocitado Acórdão, foi reconhecido um saldo negativo de IRPJ de R$ RS 5.023.935,04 para o PA compreendido entre janeiro e junho e de RS 21.949.674,85 para o PA de julho a dezembro, homologandose os pedidos de compensação correlatos aos presentes créditos. A contribuinte foi cientificada desse Acórdão em 18/09/2009 (v. fls. 15041) e apresentou, em 15/10/2009, o recurso voluntário de fls. 1701717030, sustentando que o montante dos débitos compensados totalizam R$ 34.158.646,94 e não R$ 35.751.500,47, razão pela qual haveria crédito suficiente para homologar todas as compensações. Visando sustentar seu ponto de vista, apresentou os seguintes argumentos: Quanto à contribuição ao PIS e da COFINS adicionados ao Lucro Real: • Afirmou que, conforme art. 344, § 1º do RIR/99, os tributos com exigibilidade suspensa (por liminar) não são dedutíveis na apuração do lucro real. Reafirmou que os valores das contribuições, objeto de liminar proferida nos autos de n° 1999.61.0.000185719, não foram recolhidos e nem provisionados, razão pela qual não deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido, posto que foram oferecidos à tributação. Esclareceu, outrossim, que os valores que o Fisco considerou como excesso tratamse, na Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 8 7 verdade de contribuições retidos por órgãos públicos, que foram compensadas pela empresa, nos termos do art.64 da Lei n° 9.430/96; • A RFB reconheceu apenas parte dos montantes das retenções efetuadas por venda de serviços e bens, considerando os valores de R$ 13.270,53 e R$ 5.340,73 de PIS e R$ 61.124,17 e R$ 24.626,75 de COFINS como de exigibilidade suspensa não levadas à tributação. Todos os referidos montantes poderiam ser compensados por se referirem a retenções efetuadas por órgãos públicos (doc.6 — fls.1.033/1.049). Caso não se aceite a argumentação levantada, as contribuições deveriam ser objeto de lançamento fiscal e não de ajustamento da base de cálculo do tributo; Quanto ao IRRF sobre Rendimentos Financeiros • Reiterou que a documentação trazida aos autos (fls.337/348) é suficiente para comprovar as retenções nos valores de R$ 109.838,12 (códigos 6147, 6190 e 1708). Esclareceu que tais documentos indicam não apenas o valor do imposto retido, como também sua base de cálculo, a duplicata, o período e a pessoa jurídica responsável pela retenção. Afirmou que a Recorrente não pode ser prejudicada por eventual falta de terceiros, qual seja, a não apresentação de informe de rendimentos. Assim, requereu que seja reconhecida a retenção total de R$ 573.319,68, e não apenas R$ 477.024,47. É o relatório. Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Débitos a compensar considerados em duplicidade No tocante ao débito a compensar, a recorrente, desde a fase impugnatória, alegou que o Fisco considerou em duplicidade o valor de R$ 1.502.755,82, o qual teria sido declarado no processo de n° 11831.001394/200371 (docs. 4 e 5 fls.997/1001 e 1.005/1.031) e também na DCOMP n° 41636.49900.230906.1.7.020550. Por essa razão, os referidos débitos compensados totalizariam R$ 34.158.646,94 e não R$ 35.751.500,47. Em relação a este item, claramente assiste razão à recorrente. De fato, o citado débito a compensar, no valor de R$ 1.502.755,82, foi declarado pela contribuinte em duplicidade, tanto no processo nº 11831.001394 (fls. 9971011 e 10051031) quanto na DCOMP nº 41636.49900.230906.1.7.020550. Assim sendo, em relação ao presente item, devese dar provimento ao recurso voluntário, para excluir do montante dos débitos a compensar o valor de R$ 1.502.755,82, posto que efetivamente foi considerado em duplicidade. PIS e a COFINS adicionados ao Lucro Real Conforme relatado, o Fisco constatou a falta de adição ao lucro líquido das diferenças de valores de compensações de PIS e COFINS, além daqueles declarados em DCTF. Por essa razão, foram adicionados na linha 21, ficha 09 A, os montantes de R$ 74.394,41 na DIPJ/2001/2000 e R$ 29.907,74 na DIPJ 2002/2001 (fls. 779). A recorrente afirmou que, conforme art. 344, § 1º do RIR/99, os tributos com exigibilidade suspensa (por liminar) não são dedutíveis na apuração do lucro real. Reafirmou que os valores das contribuições, objeto de liminar proferida nos autos de n° 1999.61.0.000185719, não foram recolhidos e nem provisionados, razão pela qual não deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido, posto que foram oferecidos à tributação. Esclareceu, outrossim, que os valores que o Fisco considerou como excesso tratase, na verdade de contribuições retidos por órgãos públicos, que foram compensadas pela empresa, nos termos do art.64 da Lei n° 9.430/96. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, pronunciouse com muita propriedade a decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir (fls. 15030) : O motivo da adição ao lucro real das compensações efetuadas indevidamente decorre do disposto no §1° do art.41 da Lei Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 10 9 8.981/95, o qual veda a sua dedução na determinação do lucro real, conforme expressamente previsto no referido dispositivo legal: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Por essa razão, correto o procedimento de acréscimo dos referidos valores para a apuração do lucro real por estrita obediência à disposição expressa de lei. Os elementos constantes dos autos são insuficientes para comprovar a alegação da recorrente, no sentido de que o excesso de compensação detectada pelo Fisco corresponderia, na verdade, ao valor de contribuições retidos por órgãos públicos. Por derradeiro, a recorrente afirmou que as contribuições em apreço deveriam ser objeto de lançamento fiscal e não de ajustamento da base de cálculo do IRPJ. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Conforme bem apontado pela decisão de piso, fls. 15030, a análise do direito creditório deve obedecer ao estabelecido no art. 170 do CTN. A apuração do direito líquido e certo a favor da contribuinte é condição necessária para que a compensação tenha eficácia. Consequentemente, os ajustes na base de cálculo para a apuração do crédito constituem o procedimento adequado, visando a correta apuração dos tributos devidos. Assim sendo, considero que em relação ao presente tema o recurso voluntário não merece provimento. IRRF sobre Rendimentos Financeiros A contribuinte, em sua peça recursal, reiterou que a documentação trazida aos autos (fls.337347) é suficiente para comprovar as retenções nos valores de R$ 109.838,12 (códigos 6147, 6190 e 1708). Esclareceu que tais documentos indicam não apenas o valor do imposto retido, como também sua base de cálculo, a duplicata, o período e a pessoa jurídica responsável pela retenção. Afirmou, por fim, que a Recorrente não pode ser prejudicada por eventual falta de terceiros, qual seja, a não apresentação de informe de rendimentos. Assim, requereu que seja reconhecida a retenção total de R$ 573.319,68, e não apenas R$ 477.024,47. Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.004351/200267 Acórdão n.º 1401001.486 S1C4T1 Fl. 11 10 Esta alegação foi enfrentada com clareza e objetividade pela decisão recorrida, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 15036 (grifado): A documentação apresentada de fls. 337/347, por si só, não comprova a existência das referidas retenções e também que as referidas receitas foram oferecidas à tributação na DIPJ. Apenas a apresentação de demonstrativo, visando discriminar as mencionadas retenções, não basta para a comprovação do direito creditório uma vez que este deverá ser comprovada por meio de documentação hábil e idônea além da demonstração da tributação das correspondentes receitas vinculadas ao IRRF dedutível. De fato, não há nos autos nenhum elemento capaz de demonstrar que os rendimentos em apreço tenham sido oferecidos à tributação. Consequentemente, também em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar o débito utilizado em duplicidade, no valor de R$ 1.502.755,82. . (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.005895/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para, por maioria, converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informe de maneira individualizada, os fatos geradores ainda remanescentes (sem comprovação de pagamento) do lançamento tributário, dentre aqueles que foram exonerados pela decisão a quo, conforme a tabela constante no voto, inclusive juntando aos autos as guias de recolhimento relativas aos fatos geradores exonerados e que ainda não teriam sido juntadas. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para, por maioria, converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informe de maneira individualizada, os fatos geradores ainda remanescentes (sem comprovação de pagamento) do lançamento tributário, dentre aqueles que foram exonerados pela decisão a quo, conforme a tabela constante no voto, inclusive juntando aos autos as guias de recolhimento relativas aos fatos geradores exonerados e que ainda não teriam sido juntadas. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 89 5/ 20 08 -6 2 Fl. 10119DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.005895/200862 Resolução nº 2401000.512 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício sobre o Acórdão 1630.543 2a Turma da DRJ/SP1 (efls. 10052/10068), que exonerou crédito tributário do contribuinte, superior ao limite de alçada estipulado pela Portaria MF n. 3 de 03/01/2008, para os anoscalendário anos 2003, 2004, 2005, 2006, 2007. A autuação decorreu da constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados durante o procedimento de verificações obrigatórias, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 520/524. A seguir, excertos do acórdão analisado que demonstram os motivos da impugnação pelo contribuinte. os lançamentos contábeis efetuados em contas de provisões no passivo poderiam ser anulados por ajustes contábeis e/ou estornos supervenientes, o que demonstraria, por si só, que o método de apuração utilizado pela fiscalização seria equivocado. para os débitos dos anosbase de 2006 e 2007, a fiscalização teria se equivocado, pois não teria considerado os estornos registrados pelo contribuinte. para os débitos dos anos de 2003 a 2005, não teria conseguido identificar o procedimento adotado pela fiscalização na apuração do quantum debeatur. A DRJ solicitou diligência para que fossem identificados os lançamentos contábeis que embasaram a emissão da autuação para os anos 2003 a 2005 (fls. 2137 /2349). Para o período 2006 a 2007, foi solicitado que a autoridade fiscal esclarecesse se os lançamentos registrados a débito na conta IR SOBRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PJ, excetuados os registros dos DARF dos IRRF, foram considerados na confecção da autuação. Caso não tivesse sido considerados, explicar os motivos. Nessa diligência também foi questionada divergência substancial entre DARF considerado e os recolhimentos nos períodos 28/12/200303/01/2004 e 26/12/2004 e 01/01/2005. A resposta da diligência foi contestada pelo contribuinte, o que originou uma reiteração da diligência. A DRJ reforçou que não foram acostados aos autos elementos relativos ao momento da efetiva incidência do IRRF para os anoscalendário de 2003 a 2005, o que impede o julgamento sobre a procedência da autuação. Relativamente aos anoscalendário 2006 e 2007, ficou constatado, na diligência, que a fiscalização não demonstrou ter apreciado quaisquer dos documentos acostados à defesa, notadamente os que comprovariam a desconsideração de alguns lançamentos de ajuste (estornos e reclassificações), vez que é silente em relação aos mesmos. O acórdão objeto do recurso de ofício exonerou parte do tributo IRRF lançado de ofício, tendo em vista que a recorrente comprovou o pagamento dos valores à época, ou que o valor lançado deveria ter considerado os estornos registrados na contabilidade do Fl. 10120DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.005895/200862 Resolução nº 2401000.512 S2C4T1 Fl. 4 3 contribuinte. Entretanto, valores elevados foram anulados tendo em vista que a autoridade fiscal não informou individualmente os fatos geradores, indicando, nos registros contábeis, quais eram objeto de lançamento por não terem sido quitados. É o relatório. Fl. 10121DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.005895/200862 Resolução nº 2401000.512 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora Primeiramente constato que o contribuinte só apresentou documentos comprobatórios após a finalização dos trabalhos da autoridade fiscal. Desta forma, entendo que a autoridade fiscal efetuou o lançamento do crédito tributário com base nas informações disponíveis, até para que fosse evitada a decadência, sob pena de responsabilização (o procedimento fiscal teve início em 28/12/2007 efl. 8, com lançamentos relativos a fatos geradores de 2003). A principal alegação do recorrente referese a não discriminação dos valores lançados por fato gerador, o que dificulta o direito de defesa. Contudo, é dever do contribuinte agir com boafé. Entendo que não houve, por parte do recorrente, interesse em auxiliar os trabalhos de verificação dos deveres tributários a que está sujeito. Num sistema de registros contábeis complexos, é dever do contribuinte mostrar as informações de interesse do fisco, de forma clara e transparente, o que não ocorreu. É, no mínimo curioso que o recorrente use como argumentação recursal o pedido de diligência feito pela DRJ para que a autoridade fiscal aponte a data do efetivo pagamento das remunerações dos empregados da recorrente. Ora, a recorrente poderia ter esclarecido tais informações e indicado, na contabilidade, aonde estariam esses valores. Entretanto, não o fez. Apesar de informar têlo feito (efl. 10008). Não se trata de inverter o ônus da prova, mas de princípio de cooperação e de boafé. Mesmo a autoridade julgadora não foi capaz de entender os documentos acostados aos autos pela recorrente, uma vez que solicitou diligências. Ora, ao repassar informações de difícil entendimento ao fisco, o contribuinte prejudica os trabalhos da autoridade fiscal, tanto na verificação correta dos fatos ocorridos, quanto no excesso de tempo gasto no trabalho fiscal devido à dificuldade de entender e extrair as informações importantes de um conjunto de dados complexos recebidos. Conforme item 22 da impugnação, o recorrente informa que as autoridades fiscais alegam que "os mencionados registros não haviam sido considerados em função de não terem sido apresentados discriminadamente de forma a permitir a vinculação na época da lavratura do auto de infração. " Observo que, por exemplo, a conta 22064 IRRF S/FOLHA DE PAGAMENTO (efl.227) inclui como contrapartida despesas, no mínimo, interessantes, como por exemplo, depreciação de computadores e periféricos (dia 30/11/2003). Assim, é absolutamente indispensável que o contribuinte explique as informações do plano de contas e dos lançamentos efetuados para que a autoridade fiscal entenda e desenvolva as atividades de auditoria de forma producente. Como exemplo de situação que foi exonerada pela autoridade a quo, cito o lançamento referente ao fato gerador 28/12/2003 a 03/01/2004, IRRF ASSALARIADOS. Na efl. 2203 (vl. 10) existe um lançamento na contabilidade da recorrente, conta contábil 22064, no valor de R$ 166.511,81, data de 31/12/2003, referente à IRFIMP RENDA FONTE VALOR REFERENTE FOLHA DE PAGAMENTO N/MÊS DEZ 2003. O fato gerador relativo a 03/01/2004 (efl.10068), no entanto, teria sido exonerado pela decisão a quo. Observo que a decisão relacionou o fato gerador de 28/12/2003 a 03/01/2004, no valor de 316.730,15, com um saldo remanescente lançado de ofício no valor de R$ 268.871,41. Conforme a planilha de efl. 10036, o valor de R$ 47.858,74 teria sido justificado pelo recorrente através de DARF´s, após o lançamento fiscal, restando R$ 221.012,67 cuja quitação não fora comprovada. Contudo, todo o crédito fiscal fora exonerado. Esse é um exemplo analisado. É necessário Fl. 10122DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.005895/200862 Resolução nº 2401000.512 S2C4T1 Fl. 6 5 esclarecer a origem dos valores lançados, para que o contribuinte possa exercer o direito de defesa. Conforme exemplificado, existem créditos tributários, lançados na contabilidade do contribuinte, que foram exonerados pela decisão a quo, e cujo pagamento não fora comprovado na sua totalidade. Entendo que o contribuinte deve abrir as contas relativas ao IRRF e explicitar e individualizar os valores, tanto o que foi lançado em DCTF, quanto o que foi pago, de forma a possibilitar a compreensão dos registros pela autoridade fiscal. Não se pode aceitar que o lançamento seja anulado somente porque o contribuinte não providenciou as respostas aos termos de intimação de forma clara e objetiva. Ficou evidente, no processo, que o contribuinte não apresentou toda a documentação comprobatória quando do desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização. Mais ainda, não colaborou com os trabalhos, no sentido de esclarecer os valores registrados na contabilidade. Conforme informação em retorno de diligência à efl. 10034, a autoridade fiscal efetuou o lançamento com base nas informações de que dispunha. O contribuinte não teria apresentado documentos comprobatórios (ver item 10.4) discriminados, de forma a permitir a vinculação dos pagamentos aos tributos devidos à época da lavratura do auto de infração. Em atendimento ao item 10.9 da segunda diligência, a autoridade fiscal informou (efls. 10034) que foram elaboradas planilhas conclusivas da situação remanescente, relativamente aos tributos lançados. Contudo, tal situação ainda não é suficientemente esclarecedora. É necessário que a autoridade fiscal discrimine/individualize os valores ainda em aberto, por lançamento fiscal remanescente nas planilhas 10036/10046. Os totais ainda em aberto devem ter sido obtidos da base de dados utilizada para a confecção das planilhas. Tais valores devem ser individualizados, tendo em vista o direito de ampla defesa do contribuinte. O que não se pode aceitar é que, em decorrência de dificuldades operacionais de individualização dos fatos geradores lançados, opostos pela forma de registro da contabilidade do contribuinte, se possibilite a exoneração do tributo. Se o fato gerador existiu, deve ser individualizado para que seja contestado ou pago pelo recorrente. Observo ainda que o julgador a quo fez constar, no voto, a situação em que os créditos foram analisados e exonerados, conforme a seguir, e que demonstram o grau de incerteza sobre os dados utilizados no processo decisório. Na Informação Fiscal de fls. 9478/9480, a fiscalização taxativamente reconheceu que em todas as planilhas de totalização de IRRF (Assalariado) constatase que o total contabilizado para cada ano é inferior aos valores declarados em DCTF e aos DARFs recolhidos, acrescentando mais adiante .. podese inferir que o valor devido foi pago ... a documentação apresentada pelo contribuinte tem lançamentos de 4" fórmula com mais de 100 possíveis contrapartidas e o contribuinte não as discriminou, então não foi possível precisarse o recolhimento, ainda que efetuado, foi no período imediatamente anterior ou posterior concluindo que essa defasagem entre valores exigidos e pagamentos acontece em todos os itens das planilhas anuais de 2003, 2004 e 2005, referentes a retenção de fonte sobre salários, o que comprova o recolhimento do imposto devido. Desta forma, voto por transformar o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informe de maneira individualizada, os fatos geradores ainda remanescentes Fl. 10123DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.005895/200862 Resolução nº 2401000.512 S2C4T1 Fl. 7 6 (sem comprovação de pagamento) do lançamento tributário, mantidos na revisão, e que, embora exonerados pela decisão a quo, não possuem comprovantes de quitação, conforme a tabela a seguir. FATO GERADOR EXIGIDO (AI) FISCALIZAÇÃO (REVISÃO) MANTIDO DRJ 01/11/2003 10.280,90 10.280,90 03/01/2004 316.730,15 * 258.871,41 24/04/2004 9.480,74 9.480,74 24/04/2004 325,59 325,59 325,59 01/05/2004 1.815,55 1.815,55 1.815,55 06/11/2004 294,68 294,68 294,68 27/11/2004 228.865,94 228.865,94 01/01/2005 2.733,32 2.733,32 2.733,32 01/01/2005 354.039,51 22/01/2005 37.271,04 37.271,04 29/01/2005 167.673,29 167.673,29 31/01/2006 6.744,83 28/02/2006 68.818,40 19,27 19,27 31/03/2006 15.449,82 30/04/2006 7.618,99 31/05/2006 20.179,70 1.454,05 1.454,05 30/06/2006 8.631,91 31/07/2006 15.542,90 104,57 104,57 31/08/2006 17.910,54 30/09/2006 30.169,70 337,50 337,50 31/10/2006 17.393,34 30/11/2006 7.306,77 10/12/2006 395,35 100,29 100,29 20/12/2006 4.141,03 2.979,93 2.979,93 31/12/2006 2.719,30 31/01/2007 5.999,93 28/02/2007 7.544,92 31/03/2007 7.078,03 30/04/2007 4.794,02 34,33 34,33 31/05/2007 7.227,02 30/06/2007 13.918,77 7.068,04 7.068,04 31/07/2007 3.595,76 30/08/2007 9.351,07 530,60 530,60 31/10/2007 44.226,60 30/11/2007 42.261,94 31/12/2007 39.578,36 TOTAL 1.538.109,71 740.241,04 17.797,72 (* lançamento remanescente efl. 10036) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 10124DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10835.000828/95-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1994
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
O recurso voluntário deve atacar as razões da decisão recorrida.
Numero da decisão: 2202-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por preclusão da matéria
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
EDITADO EM: 24/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. O recurso voluntário deve atacar as razões da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por preclusão da matéria (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 24/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 08 28 /9 5- 05 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 8/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Contra o contribuinte acima mencionado, foi emitida a notificação de lançamento de fls.4. 'para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre Propriedade Territorial Rural ITR e contribuições à CONTAG, à CNA e ao SENAR, exercício de 1994, no montante de 437,71 UFIR, incidentes sobre imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob o registro nº 1582664.3, com área de 240, ha, denominado Fazenda Renascer, localizado no município de Angélica MS. De acordo com a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, a exigência fundamentase na Lei nº 8.847/94, Decretolei nº 1.146/70, art. 5º, c/c o Decretolei nº 1.166/71, art. 4º e §§, e Instrução Normativa SRF nº 16, de 27/03/95 Inconformado com a exigência da contribuição à CNA e à CONTAG, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 9, solicitando a retificação do lançamento para que fosse excluída a mencionada contribuição. Para instruir a petição juntou aos autos a cópia da notificação de lançamento impugnada e um DARF, por meio do qual comprova o pagamento do ITR e da contribuição ao SENAR. A Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 1011), julgou improcedente a impugnação por entender que o contribuinte, em sua impugnação, não apresentou qualquer razão que fundamentasse a exclusão das aludidas contribuições e que os lançamentos teriam sido realizado em conformidade com os dispositivos legais pertinentes, nestes termos: O interessado solicitou a exclusão das contribuições sindicais à CONTAG e à CNA, sem contudo, apresentar qualquer justificativa, razão ou documento fundamento a sua petição, conforme se verifica, às fls. 01. Simplesmente requereu a impugnação dessas contribuições e informou que recolheu os valores referentes ao ITR e ao SENAR. Os lançamentos das contribuições sindicais à CONTAG e à CNA foram feitos de conformidade com o Decretolei nº 1.166/71, artigo 4º, §§1º e 2º e com o artigo 580 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com a redação dada pela Lei nº 7.074/82. Cumpre ressaltar que o artigo 24 da Lei 8.847/94 manteve a cobrança dessas contribuições a cargo da Receita Federal até 31/12/96. Ainda de acordo com o disposto no parágrafo 2º do artigo 10 di Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988: "até ulterior disposição legal, a cobrança das contribuições para o custeio das atividades rurais dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do imposto territorial rural, pelo mesmo órgão arrecadador". Dessa forma, tendo sido o lançamento efetuado de acordo com a legislação de regência, não cabe qualquer retificação do mesmo. Cientificado da decisão, em 26/10/1998, conforme AR de fls. 18, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 20/21, no qual se limita a alegar que a contribuição à CNA teria sido aplicada uma alíquota de 0,28% sobre o valor da terra nua Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 8/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10835.000828/9505 Acórdão n.º 2202003.463 S2C2T2 Fl. 59 3 VTN quando o correto seria a aplicação da alíquota de 10%. Além disso, alega que a base de cálculo a ser utilizada deveria corresponder ao valor declarado que corresponderia à 389.52 ufir/ha que, em razão do tamanho do imóvel (240, ha), totalizaria 93.484,70. Junta ao recurso a notificação de lançamento e uma Declaração da Prefeitura Municipal de Angélica (fls. 23) de que: "Declaramos para que produza os devidos fins legais de direito que de acordo com o Decreto do Executivo de nº 486 (tabela de valores) o valor de Terra Nua para efeito de tributação do Bairro Piraveve encontrase nas seguintes referências: 121,00 UFRAS POR HECTARE UFRA (Unidade Fiscal de Referência de Angélica) O valor unitário da UFRA, no mês de novembro/98 é de 3,14, totalizando em 379,94 (trezentos e setenta e nove reais e noventa e quatro centavos) Em 12/03/1999, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentro do prazo de 30 dias, o depósito recursal exigido pelo artigo 33, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.62130 de 12/12/97, para que o seu recurso fosse remetido ao então Conselho de Contribuintes. (fls. 26). Na intimação de fls. 29 a Seção de Arrecadação da Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente SP no qual atesta que o contribuinte não teria realizado o depósito recursal, mas que a cobrança deveria permanecer suspensa, uma vez que os imóveis localizados no Estado do Mato Grosso do Sul MS, estavam sob liminar judicial em Ação Civil Pública. Em 11/04/2012 a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat da Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente SP, emitiu a carta cobrança nº 583/2012 ,uma vez que a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal para impedir a cobrança do ITR/94 no Estado do Mato Grosso teria sido julgada improcedente. (fls. 38) No despacho de encaminho fls. 52 atestase a existência de Recurso Voluntário tempestivo apresentado pelo contribuinte e a sua necessária remessa ao CARF. É o relatório Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Embora tempestivo, o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Isso porque, conforme visto no Relatório, a Recorrente não ataca os fundamentos da decisão recorrida se limitando a solicitar o cancelamento da exigência fiscal. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 8/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Embora o Decreto nº 70.235/73 não traga dispositivo legal sobre os requisitos do recurso voluntário, não deve ser conhecido o recurso interposto com base em negativa geral. O novo Código de Processo Civil, estabelece, em seu artigo 15º que "na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente" (grifamos) Sendo assim, aplicase aos requisitos do Recurso Voluntário as normas relativas aos requisitos do Recurso de Apelação. De acordo com o artigo 1010 do CPC/2015, são os seguintes os pressupostos do Recurso de Apelação: "Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I os nomes e a qualificação das partes; II a exposição do fato e do direito; III as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV o pedido de nova decisão".(grifamos) Dessa forma, é indispensável que o contribuinte traga a exposição do fato e do direito, bem como as razões do pedido de reforma ou de anulação da decisão recorrida, sob pena de não conhecimento. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio.. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 8/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730074/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/10/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. REJEITADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DA FAZENDA NACIONAL. ADMITIDOS. EXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO QUE LEVA A NULIDADE DAQUELA DECISÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECONHECIDA E DECLARADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2202-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para declarar nulo o Acórdão nº 2803-003.874, da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, devendo o processo ser distribuído para realização de um novo sorteio no âmbito da 2ª Seção de Julgamento.
(Assinatura Digital)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinatura Digital)
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/10/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. REJEITADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DA FAZENDA NACIONAL. ADMITIDOS. EXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO QUE LEVA A NULIDADE DAQUELA DECISÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECONHECIDA E DECLARADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para declarar nulo o Acórdão nº 2803-003.874, da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, devendo o processo ser distribuído para realização de um novo sorteio no âmbito da 2ª Seção de Julgamento. (Assinatura Digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinatura Digital) Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
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Embargante FAZENDA NACIONAL. Interessado THYSSENKRUPP ELEVADORES S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/10/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. REJEITADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DA FAZENDA NACIONAL. ADMITIDOS. EXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO QUE LEVA A NULIDADE DAQUELA DECISÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECONHECIDA E DECLARADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para declarar nulo o Acórdão nº 2803003.874, da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, devendo o processo ser distribuído para realização de um novo sorteio no âmbito da 2ª Seção de Julgamento. (Assinatura Digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinatura Digital) Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 74 /2 01 3- 71 Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730074/201371 Acórdão n.º 2202003.175 S2C2T2 Fl. 1.935 2 Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho. Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730074/201371 Acórdão n.º 2202003.175 S2C2T2 Fl. 1.936 3 Relatório Tratase no presente Processo Administrativo Fiscal – PAF de Autos de Infração de Obrigações Principais e Autos de Infrações de Obrigação Acessória, como abaixo exposto, sendo que o acórdão do recurso voluntário foi objetivo de Embargos de Declaração interposto pela contribuinte Thyssenkrupp Elevadores S.A, contudo tal embargos não foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou de ofício Embargos de Declaração, o qual será objeto dessa decisão. a) Debcad 51.047.0971: relativo às contribuições previdenciárias patronais, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) Debcad 51.047.0980: relativo às contribuições dos segurados empregados não descontadas de sua remuneração; c) Debcad 51.047.0998: relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE). d) Debcad 51.051.1805: relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, II, da Lei nº 8.212, de 1991; e) Debcad 51.051.1813: relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, prevista no art. 32A, I, da Lei nº 8.212, de 1991. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnações (fls. 810/824, 936/946, 1045/1055, 1152/1166 e 1276/1292) aos autos de infração, visando desconstituir as razões do lançamento fiscal, sustentando, para tanto, que os prêmios de incentivo não são contrapartida da prestação de serviços ou da disponibilidade do empregado e não compõem o núcleo oneroso do contrato de trabalho, que obriga o empregador a remunerar e cria a expectativa de ganho pelo empregado. O colegiado de primeira instância administrativa julgou procedente em parte as impugnações apresentadas em acordão lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/10/2009 HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. PRÊMIO. INCENTIVO À PRODUTIVIDADE. Os prêmios concedidos a título de incentivo à produtividade são parcelas de natureza retributiva, de natureza jurídica salarial, compondo a remuneração e integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. TERCEIROS. INCRA. SEBRAE. É legítima a cobrança da contribuição ao INCRA de empresas urbanas. A cobrança da contribuição ao SEBRAE é exigível, independentemente de serem micro, pequenas, médias ou grandes empresas, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessas entidades. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730074/201371 Acórdão n.º 2202003.175 S2C2T2 Fl. 1.937 4 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DISTINTAS. MULTAS APLICADAS. NÃO OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não caracteriza a ocorrência de bis in idem o lançamento de duas multas distintas, por descumprimento de obrigações acessórias distintas, previstas na legislação previdenciária. REINCIDÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DA MULTA. Não tendo sido caracterizada a reincidência, a multa elevada deve ser retificada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após ter sido cientificada do referido acórdão (fl. 1577), a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 1588/1609), no qual apresentou suas razões recursais. O recurso foi julgado na assentada, de 03/12/2014, sendo prolatado o Acórdão Nº 2803003.874, que teve o resultado abaixo transcrito. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Sustentação oral Advogado Dra Maria Raphaela Dadona Matthiesen, OAB/SP nº 346.026. O contribuinte foi cientificado do Acórdão do CARF, em 27/03/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem/Comunicado, de fls. 1.910. O sujeito passivo impetrou Embargos de Declaração, em 02/04/2015, fls. 1.912 a 1.922. Os Embargos foram rejeitados, conforme Despacho Nº 2803065, de fls. 1.927 a 1.931. A Fazenda Nacional por intermédio do Conselheiro Redator do voto vencedor no recurso voluntário apresentou de ofício Embargos de Declaração, Despacho s/n, de fls. 1.924 a 1.926. Os Embargos da Fazendo Nacional foram admitidos, conforme Despacho Nº 2803067, de fls. 1.932 a 1.933. É o relatório. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730074/201371 Acórdão n.º 2202003.175 S2C2T2 Fl. 1.938 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, recebidos e admitidos e assim merecem ser apreciados. O Acórdão do Recurso Voluntário encerra uma inexatidão material, que contamina o julgamento de nulidade, uma vez que os créditos lançados no autos que integram esse processo de COMPROT PROC: 11080.730074/201371 ostenta um valor da ordem de R$ 1.744.065,89, porém as turmas especiais do CARF não detém competência nos termos da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF para promover o julgamento de tal processo, conforme a seguir transcrito. Art. 2° Ficam criadas no CARF 21 (vinte e uma) turmas especiais temporárias. § 2° A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância. (realcei) Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). (destaquei). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Assim sendo, nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 12, do Decreto 7.574/2011 os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente são nulos. Decreto 70.235/72 CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730074/201371 Acórdão n.º 2202003.175 S2C2T2 Fl. 1.939 6 Decreto 7.574/2011 Seção IV Das Nulidades Art. 12. São nulos (Decreto no 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, o Acórdão nº 2803003.874 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF é nulo, pois viola norma cogente de proibição. Destarte com esses esclarecimentos acolho os Embargos de Declaração apresentado de ofício pela Fazenda Nacional e declaro nulo o acórdão do Recurso Voluntário que julgou a demanda. Alerto, ainda, que os presentes autos deve ser redistribuído para uma das turmas ordinárias com competência em razão da matéria para que essa possa promover a análise e julgamento do Recurso Voluntário impetrado pelo contribuinte. Contudo, para que tal evento seja possível necessário se faz desapensar os dois processos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher os Embargos de Declaração reconhecendo a inexatidão material, que acarreta em nulidade do Acórdão nº 2803003.874 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, dando aos presente Embargos de Declaração efeitos infringentes, declarando nulo o acórdão antes mencionado, devendo outro ser prolatado em substituição e por turma ordinária com competência em razão da matéria. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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