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Numero do processo: 10880.901443/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE DIRF E INFORME DE RENDIMENTO. OUTROS MEIOS DE PROVA DA RETENÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. PROCEDÊNCIA.
Ainda que ausentes as DIRFs e os Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, a prova da efetiva retenção do IRRF que formou saldo negativo de IRPJ que lastreia crédito utilizado em compensação pode ser efetuada por outros meios documentais.
A prova da retenção do IRRF deve ser feita por documento hábil, de modo que expresse de forma cabal a quitação ou a constituição do débito, sua correlação direta com o rendimento creditado e ofertado à tributação, bem como a titularidade do contribuinte desse rendimento percebido, sujeito à sua incidência.
Numero da decisão: 1402-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito adicional no montante de R$ 629.549,96; homologando-se as compensações ainda pendentes até esse limite. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Demetrius Nichele Macei) e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE DIRF E INFORME DE RENDIMENTO. OUTROS MEIOS DE PROVA DA RETENÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. PROCEDÊNCIA. Ainda que ausentes as DIRFs e os Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, a prova da efetiva retenção do IRRF que formou saldo negativo de IRPJ que lastreia crédito utilizado em compensação pode ser efetuada por outros meios documentais. A prova da retenção do IRRF deve ser feita por documento hábil, de modo que expresse de forma cabal a quitação ou a constituição do débito, sua correlação direta com o rendimento creditado e ofertado à tributação, bem como a titularidade do contribuinte desse rendimento percebido, sujeito à sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito adicional no montante de R$ 629.549,96; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. Declarouse impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 14 43 /2 00 6- 17 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 239 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Demetrius Nichele Macei) e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 240 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 164 a 233) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 149 a 161) que julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 104 a 147), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 77 a 88), que homologou apenas parcialmente o crédito de IRPJ pleiteado pelo Contribuinte, por meio de DCOMPs. Em suma, as compensações sob análise são referentes a saldo negativo apurado no anocalendário de 2000 pela Recorrente, formado por IRRF, referente a juros sobre capital próprio, operações de SWAP e aplicações financeiras, bem como o recolhimento de estimativas mensais. Confirase nos quadros abaixo as DCOMPs objeto do presente processo: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 241 4 Doravante, adotase o preciso e completo relatório da DRJ a quo, que também pormenoriza o conteúdo do r. Despacho Decisório que inaugurou a contenda: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fls 76/87, mediante a qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO: reconheceu em favor da requerente o direito creditório no valor de R$ 13.776.940,14 (treze milhões, setecentos e setenta e seis mil e novecentos e quarenta reais e catorze centavos) a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, que havia sido apurado na DIPJ 2001 no valor de R$15.935.411,78; homologou as compensações declaradas em DCOMPS da Tabela 1 (fls. 76/77) até 0 limite do valor creditório reconhecido; e convalidou a compensação sem processo do débito de estimativa de IRPJ (abril/2000) com o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1997. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 242 5 A autoridade recorrida consignou, no despacho recorrido de fls. 76/87, no tocante a composição do crédito pleiteado (saldo de IR a pagar do anocalendário de 2000), as considerações abaixo destacadas: Tendo apurado que a contribuinte detinha como crédito a compensar/restituir o saldo negativo de IR do anocalendário de 1997 o valor de R$ 973.627,55, foi convalidada a sua compensação com o IR por estimativa referente a abril/2000, que compõe parte do crédito pleiteado no processo (saldo de IR a pagar do anocalendário de 2000). Quanto às retenções utilizadas para quitação de estimativas do ano de 2000 e também na apuração do saldo de IR a pagar do anocalendário de2000: “24. Em consulta do sistema SIEF/DIRF (fls. 19 a 51), foi verificada a existência de retenções de IR através dos códigos 3426, 5273, 5706 e 6800 no anocalendário de 2000, conforme tabela abaixo: Das retenções confirmadas no sistema SIEF/DIRF, os rendimentos de SWAP (código 5273) não foram oferecidos à tributação (Ficha 06A, a fl. 03). Assim, excluindose a retenção correspondente, no valor de R$ 86.372,71, o total de IRF dedutível na DIPJ 2001 equivale a R$13.681.632,83 (= R$ 13.767.735,54 R$ 86.372,71). Dos R$ 13.681.632,83 de IRF confirmados, R$ 5.066.198,78 foram utilizados para quitar as estimativas de janeiro a novembro. O restante, de R$ 8.615.164,05 (= R$ 13.681.632,83 R$ 5.066.198,78) é passível de dedução na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica a pagar (saldo de IR) do ano calendário de 2000, que teve que ser recalculado, alterando o saldo credor de IR apurado pela requerente, conforme quadro abaixo: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 243 6 Cientificada da decisão em 29/09/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 88, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a fls. 100/109, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, sustenta a decadência da possibilidade de glosa de parte do saldo credor de IRPJ apurado pela contribuinte na DIPJ 2001, no montante de R$ 2.158.471,64, que no seu entender teria sido ilegal, incorreta e indevida, visto que o artigo 899 do RIR/99 prevê a extinção decadencial do imposto sujeito a lançamento por homologação no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador; No mérito, no tocante à “Origem dos valores que compõem a glosa pela SRFB no valor de R$ 2.158.471,64”, argumenta que essa diferença do saldo negativo do anocalendário de 2000 seria composta da seguinte forma: a) IRRF no valor de R$ 86.372,71., código 5273 (SWAP), declarado pela manifestante nas fichas 43, linhas 41 e 52, e l2A , da DIPJ 2001; b) IRRF no valor de RS 2.094.903,78, que foi declarado pela manifestante nas fichas 43 e 12A , da DIPJ 2001, listadas a fl. 107, mas não constatado pelo sistema SIEF/DIRF da SRFB. A recorrente consigna que futuramente, em virtude da dificuldade em localizar a documentação comprobatória (informes de rendimentos) em seu volumoso “arquivo morto”, com fundamento no artigo 16, parágrafo 4°, do Decreto n° 70.235/72, irá apresentar tal documentação, bem como as informações necessárias para a comprovação inequívoca das referidas retenções; c) Como redutor da diferença pleiteada, admite não ter sido aproveitado quando da apuração do saldo negativo (credor) de IRPJ o IRRF no valor de R$ 22.804,85, que teria sido declarado na ficha 43, da DIPJ 2001, mas não aproveitado nem deduzido na ficha l2A, linha 13. Esse valor corresponderia à diferença Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 244 7 entre a soma (R$ 15.862.639,32) das retenções informadas na ficha 43 (fls. 12/18) e a soma (RS 15.839.834,47) do IRF (R$ 10.773.635,69) deduzido na apuração do saldo credor de IR com o IR estimativas pagos sem utilização de fonte (R$ 5.066.198,78). Em 03/12/2008, foi expedida a Comunicação n° 6361 (fl. 123) pela DERAT/SP, para (1) dar ciência à contribuinte do despacho decisório (fl. 76/87) que deferiu parcialmente o pedido objeto do processo; (2) informar a contribuinte que o valor do crédito reconhecido seria compensado com débitos cuja existência foi constatada quando das verificações preliminares para o pagamento do valor reconhecido; (3) facultar à contribuinte manifestarse, no prazo de 15 (quinze) dias, quanto à compensação noticiada, bem como apresentar manifestação de inconformidade em face da decisão de fls. 76/87 à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 (trinta) dias. Na mesma data, em 03/12/2008, foram apensados ao presente os autos do processo n° 10880.722179/200819 (fl. 115), referente aos débitos controlados pela PFN que foram compensados com o crédito reconhecido no presente processo, conforme Comunicado n° 6361 e despacho de fl. 125. Em 11/12/2008, a contribuinte tomou ciência dessa Comunicação, de n° 6361, e nela apôs sua discordância à compensação de oficio, reiterando sua discordância em 09/01/2009, em documento apresentado a fl. 130/131. É o relatório. A seguir, o voto. Devidamente encaminhado os autos à 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, foi proferido o v. Acórdão ora recorrido, rejeitando totalmente a Manifestação de Inconformidade apresentada, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE RENDIMENTOS DE SWAP. Para que o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre rendimentos de SWAP seja considerado como dedução na apuração do IRPJ a pagar, não basta a prova de que houve as retenções, sendo indispensável a prova de que as receitas correspondentes foram computadas na apuração do lucro líquido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE HOMOLOGAÇÃO. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 245 8 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; ou c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, basicamente repisando as mesmas alegações de sua primeira defesa, abrangendo as matérias referentes à improcedência da glosa do crédito referente ao IRRF glosado e trazendo nova documentação que comprovaria a efetiva retenção do tributo em questão. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 246 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Contribuinte, de forma sucinta e objetiva, terse operado a decadência do direito da Fazenda Pública glosar parte dos créditos informados em suas DCOMPs. Invocase o art. 899 do RIR/991 (que reproduz a prescrição normativa do art. 150, § do CTN), afirmandose que o não poderia em no ano de 2008, ter reduzido e glosado o saldo negativo (credor) de IRPJ do anocalendário de 2000, em virtude de já ter sido atingido pela decadência, desde 01/01/2006. Primeiro devese esclarecer que a regra de decadência contida no art. 150 § 4 do CTN, tem pertinência e aplicação direta a casos de compensação procedida por meio de DCOMP quando a rejeição do crédito implica na alteração do cálculo do imposto apurado, com alteração da sua base de cálculo, alíquota ou outro elemento material que demandaria lançamento de ofício para a sua cobrança. Assim, como defendido no v. Acórdão recorrido, incide ao caso a previsão específica do art. 74, § 5º2 da Lei nº 9.430/96, contandose o prazo para a homologação tácita da compensação manejada a partir da entrega da DCOMP. 1 Art. 899. Nos casos de lançamento do imposto por homologação, o disposto no artigo anterior extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, se a lei não fixar prazo para homologação, observado o disposto no art. 902 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º). 2 § 5 O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 247 10 In casu, as Declarações de Compensação foram transmitidas a partir de 22/10/2003 (vide fls. 77 e 78) e tomado a Contribuinte ciência da decisão recorrida em 28/09/2008 (vide fls. 90). Posto isso, ainda que o intervalo seja muito próximo do prazo quinquenal, não operouse a decadência alegada e não há que se falar em homologação tácita das DCOMPs transmitidas, devendo ser rejeitada tal arguição preliminar. Em relação ao mérito, como se observa, a controvérsia que permanece na presente contenda, correspondente a R$ 2.158.471,64 (R$ 15.935.411,78 R$ 13.776.940,14, reconhecidos pela DERAT/SP) resumese: 1) ao IRRF declarado na Ficha 43, da DIPJ do anocalendário 2000, não aproveitado e nem deduzido na Ficha 12A, Linha 13, da mesma DIPJ (R$ 22.804,85), que não encontrado no SIEF/DIRF e não utilizado na apuração do saldo de IR a pagar; 2) ao IRRF, código 5273 (operação SWAP), declarado pela Recorrente nas Fichas 43 e 12A, da DIPJ do anocalendário 2000 (R$ 86.372,71); e 3) ao IRRF declarado pela Recorrente nas Fichas 43 e 12A, da DIPJ do ano calendário 2000, não constatado pelo sistema SIEF/DIRF (R$ 2.094.903,78). No v. Acórdão recorrido da DRJ a quo, que manteve a não homologação parcial das DCOMPs, em relação ao valor de valor de R$ 22.804,85 assentouse que o cálculo apresentado pela Contribuinte, apontando que tal valor teria origem na diferente entre o IRRF declarado na Ficha 43 da DIPJ do anocalendário 2000 e o valor deduzido na Ficha 12A, Linha 13, mostrase absolutamente inconsistente porque fundado justamente em valores originais, que foram recalculados pela fiscalização a partir de dados obtidos no SIEF/DIRF e não infirmados pela contribuinte mediante documentação hábil. Em relação ao valores retidos em operações de SWAP, na monta de R$ 86.372,71, entendeu a DRJ que seria necessário não somente a comprovação da efetividade das retenções, provida, no caso, em consulta ao sistema SIEF; indispensável, também, a demonstração de que os rendimentos sobre os quais incidiram tais retenções integraram o resultado sobre o qual foi calculado o imposto devido. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 248 11 E concluiu que os rendimentos auferidos em operações de SWAP computados no lucro líquido devem ser informados tais rendimentos na linha 21 da Ficha 06 “ganhos líquidos auferidos no mercado de renda variável”. Tendo a contribuinte informado o valor “0,00” nesse campo (fl. 03), e à falta de prova em contrário, há que se concluir que esses rendimentos não integram a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de modo que as retenções que sobre eles tenham ocorrido não poderão ser objeto de dedução na apuração do saldo credor de IRPJ. No que tange às retenções na monta de R$ 2.094.903,78, reduzida do saldo do imposto devido, as quais não foram encontradas no sistema SIEF/DIRF, firmou a Instância a quo que não existe qualquer comprovação da sua ocorrência, limitandose a Contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade a afirmar que acostaria no futuro documentação probante. Posto isso, agora em sede de Recurso Voluntário, em relação ao valor de R$ 22.804,85, alega sucintamente a Contribuinte, em repetição literal à sua defesa original, que o fato do IRRF no valor de R$22.804,85 (parágrafo 19), não ter sido deduzido na Ficha 12A, Linha 13, da DIPJ do AC2000, representa um prejuízo para a Manifestante, pois se trata de um crédito Iegitimo não aproveitado quando da apuração do saldo negativo (credor) do IRPJ do anocalendário de 2000. Essa módica afirmação nada comprova e não corrobora a existência do direito creditório da Recorrente. Ainda que não tenha utilizado tal valor, como o cálculo apresentado pela própria DRF local dá a entender, não há qualquer prova de existência e confirmação da formação desse crédito, devendo ser mantida a sua glosa. Em relação aos valores supostamente originários de operações de SWAP, alegase que não procede a constatação de que estes não foram ofertados à tributação, e formaram a apuração do lucro real posto que informados em linha equivocada (linha 24, quando deveria ser a 21) da Ficha 6A da DIPJ do período. Da mesma forma, afirmase que nesta declaração apenas reduziuse do lucro real valores referentes a Lucros Divid. Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição e Ajuste por Aumento Valor de Invest. Aval. P/ PL, conforme estamparia a as linhas 27 e 28 da Ficha 9A. Acosta neste novo recurso cópias de tais folhas da obrigação acessória. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 249 12 Pois bem, ainda que a Contribuinte demonstre, com base na Ficha 9A da sua DIPJ do período (já presente nos autos, antes da apresentação de suas defesas), que apenas outros valores, certamente alheios às operações SWAP, foram excluídos do lucro real, tal fato isoladamente não confirma a inclusão dos valores na apuração da base de cálculo do IRPJ. Isso por que, a afirmação de que esses valores foram por engano incluídos na linha 24 da Ficha 6A (ao invés da linha própria, de número 21) não basta para comprovar, cabalmente, o corrido. Como se observa (fls. 04), a linha 24 da Ficha 6A trata de Outras Receitas Financeiras que não estejam especificamente indicadas nas linhas anteriores. No presente caso, na DIPJ referente ao anocalendário de 2000, foi informado o valor de R$ 40.566.930,69 e, de acordo com a Contribuinte, o valor de R$ 86.372,71 estaria lá contido. Ainda que seja possível, para comprovar definitivamente tal ocorrência seria necessária uma demonstração mais aprofundada e detalhada da formação do valor total informado nessa linha mais genérica e residual da Ficha 6A, não bastando a simples afirmação de um determinado valor ter sido erroneamente lá inserido. Não fora trazido quaisquer prova contábil da origem e formação de tal valor total de modo a ficar assegurada a presença de R$ 86.372,71 naquele lançamento e consequentemente que seria este referente a operações de SWAP. Assim, mantémse a não homologação em tela, por ausência de comprovação das alegações recursais. Em relação ao valor de retenções não constatadas pelo sistema SIEF/DIRF somando R$ 2.094.903,78, a Contribuinte em seu Recurso Voluntário divide a origem do valor do IRRF em duas categorias: a) retido por Instituições Financeiras e b) retidos por empresas ligadas à recorrente. Em relação à parcela do valor retido por Instituições Financeiras, equivalente a R$ 117.689,29, a Recorrente afirma não ter obtido documentação qualquer, mesmo depois de se corresponder com tais pessoas. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 250 13 Posto isso, deste já rejeitase a homologação de tal valor, por ausência de prova da retenção de tal montante. No que tange ao IRRF retido por empresas coligadas, primeiro vale aqui esclarecer que não foi questionado a sua oferta à tributação, mas apenas a inexistência de prova de retenção. Comprovando a afirmação, confirase trecho r. Despacho Decisório que textualmente afirma que apenas parte do valor dos rendimentos de aplicações financeiras não teriam composto o cálculo do IRPJ devido no período da formação do saldo credor: Assim, em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte, ainda que não tenha localizado informes de rendimento e DIRFs, traz outras novas provas visando comprovar a efetiva retenção de IRRF sobre os rendimento creditados por empresas a ela coligadas. Cabe previamente aqui versar sobre a aceitação da documentação acostada nessa segunda defesa. Temos que o caso em tela tem como única finalidade a homologação, a confirmação, da existência (e sua precisa quantificação) de um suposto direito já informado ao Fisco, diferente da relação litigiosa dos debates, muitas vezes de cunho jurídico, empreendidos sobre as exações lançadas por Auto de Infração. Até o interesse recursal da Fazenda Nacional é distinto em casos de restituição e compensação. Não seria adequado sob toda essa ótica acima apresentada o desprestígio de provas pertinentes, que trazem consigo potenciais elementos de desfecho da lide, em razão Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 251 14 de simplória e descabida homenagem à formalidade instrumental do processo, nesta esfera de jurisdição. No entendimento deste Conselheiro, o art. 16 do Decreto 70.235/72, considerando suas exceções, deve ser interpretado sistematicamente, à luz dos princípios da busca pela verdade material, da informalidade, da racionalidade e razoabilidade do processo administrativo. Ora, se com base nesse mesmo Decreto, o Julgador pode, espontaneamente, em momento posterior à Manifestação de Inconformidade determinar a realização de diligência, por entender ser necessários mais elementos para seu livre convencimento e motivação da sua decisão, porque não poderia aceitar provas, já acostadas aos autos por uma das partes, quando verifica serem estas pertinentes ao fundamento da sua decisão e propiciarão um desfecho da demanda mais próximo da verdade material e da realidade ontológica? Frisese, por fim, que esta C. Turma Ordinária vem, em sua jurisprudência. aceitando a juntada, posterior à Impugnação, de novas provas, procedendo ao seu conhecimento quando pertinentes ao convencimento dos Julgadores. No presente caso, frisese a Contribuinte trouxe provas de recolhimento de IRRF pelas fontes pagadoras e declarações que contextualizam tais pagamentos. Diante disso, aceitase a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário. Em relação às retenções efetuadas pela empresa COMPANHIA AUXILIAR DE VIAÇÃO E OBRAS CAVO, CNPJ nº 33.527.268/000135, a Recorrente afirma ter ocorrido a retenção de IRRF de R$103.716 62 (nenhum valor fora encontrado pela Fiscalização no sistema SIEF/DIRF). Tal informação confirmase às fls. 15 dos autos, na Ficha 43 da sua DIPJ 2001: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 252 15 Para provar a efetiva ocorrência de retenção, a Recorrente acostou Declaração da sua coligada, afirmando o pagamento de tais valores a título de rendimento financeiros e a sua correspondente retenção da seguinte forma (fls.197): Na sequência junta os 3 mencionados DARFs, nos precisos valores e datas constantes na tabela acima e cópias de folhas da sua DCTF do período, também atestando o informado (vide fls. 198 a 204). Frisese que tal meio de prova não é o mais corriqueiro na comprovação de créditos oriundos de retenções na fonte, mas considerando que não haveria interesse tributário das empresas simularem rendimentos, efetivamente incluindoos no cálculo de apuração do Lucro Real, aumentando, então a base de cálculo do período (ou reduzindo eventual prejuízo) apenas para aumentar o saldo credor na porcentagem do IRRF, não restam motivos para não aceitálo. Porém, ainda que haja o encontro entre os valores informados na Ficha 43 da DIPJ da Contribuinte com o valor e datas dos DARFs recolhidos pela sua coligada e, por sua vez, com aquilo informado na DCTF do período dessa fonte pagadora, não existem quaisquer documentos, de natureza fiscal, contábil, societário ou instrumentos particulares especificando a natureza de tais rendimentos financeiros, sua origem ou mesmo vinculando o recolhimento do IRRF à Recorrente (apesar da declaração trazida, cujo valor probante é desprezível). Inegavelmente tal conjunto probatório forma um forte indício. Mas considerando que em demandas referente a restituição e compensação o ônus da prova é integralmente do contribuinte, tal documentação isoladamente considerada não constitui a prova necessária para a demonstração da existência inequívoca do crédito. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 253 16 Desse modo, entendese que não fora satisfatoriamente comprovado o direito creditório da Recorrente na monta de R$ 103.716,62. Em relação às retenções efetuadas pela empresa ENESA ENGENHARIA S.A., CNPJ 48.785.828/000129, a Recorrente afirma ter ocorrido a retenção de IRRF na monta de R$ 64.769,94, sendo apenas R$ 41.769,94 encontrados no sistema SIEF/DIRF, restando R$23.000,00 não homologados. Tal informação confirmase às fls. 16 dos autos, na Ficha 43 da sua DIPJ 2001: Para provar a efetiva ocorrência de retenção, a Recorrente acostou um DARF da sua coligada, no valor total de R$ 75.000,00, sob o código da receita 5706, referente à incidência de IRRF sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio, bem como Ata de Assembléia dessa Companhia, de 28/04/2000 determinando o pagamento desse rendimentos e demonstrativo especificando a quota destinada a cada titular (fls.205 a 211): A Ata de Assembléia tem os sinais e selos de registro na JUCESP, ainda no próprio ano 2000. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 254 17 Contudo, o demonstrativo apresentado não possui qualquer sinal ou selo da JUCESP e nem outro signo de autenticidade, o que denota não fazer parte daquele documento societário arquivado na Junta Comercial paulista. Sequer está assinado por qualquer pessoa. Assim, seu valor probatório é de mera planilha. Ao seu turno, a Ata de Assembléia apenas fala na distribuição global de JCP aos seus sócios: Como se observa, não há qualquer menção à Contribuinte, sua participação no capital social e muito menos ao valor que efetivamente lhe fora pago. Também não se encontram tais informações em nenhum outro documento dos autos. Então, foi provado apenas que a empresa ENESA ENGENHARIA S.A. deliberou pelo pagamento de juros sobre o capital próprio a seus sócio e que recolheu IRRF correspondente ao valor global registrado no instrumento societário. Não há como imputar diretamente o recolhimento do valor de R$ 23.000,00 sobre os rendimentos próprios da Contribuinte. Dito isso, mais uma vez temse forte indício do direito alegado, mas não sua eficaz comprovação, como exigido no presente caso. Desse modo, entendese que não fora satisfatoriamente comprovado o direito creditório da Recorrente na monta de R$ 23.000,00. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 255 18 Em relação às retenções efetuadas pela Empresa CNEC ENGENHARIA S.A., CNPJ 61.564.639/000194, a Recorrente afirma ter ocorrido a retenção de IRRF de R$ 629.549,96 (nenhum valor fora encontrado pela Fiscalização no sistema SIEF/DIRF). Tal informação confirmase às fls. 16 dos autos, na Ficha 43 da sua DIPJ 2001: Para provar a efetiva ocorrência de retenção a Recorrente acostou Declaração da sua coligada, afirmando a existência do pagamento de tais valores a título de juros sobre capital próprio, Comprovante de Arrecadação e DARF físico correspondente, cópia da DCTF do período desta companhia, bem como da sua DIPJ, informando o creditamento de tal remuneração financeira à Contribuinte, e demonstrativo elaborado de distribuição dos JCP (fls. 212 a 219): Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 256 19 Diferentemente das demais retenções efetuadas por coligadas, o cenário probatório que se apresenta aqui é mais robusto. Principalmente porque, através da Ficha 42A da DIPJ 2001 da fonte pagadora, foi expressamente informado e atribuído o pagamento de JCP, com destaque do valor da retenção de IRRF, à Contribuinte. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 257 20 Diante de tais provas (Comprovante de Recolhimento, DARF, DCTF e DIPJ da fonte retentora) não só o valor da retenção sofrida como a direta imputação dos rendimentos correspondentes à Recorrente foram confirmados diante da consonância entre as informações expressas em tais documentos. Tal conjunto probatório excepcional supri a falta da DIRF e de Informe de Rendimento. Desse modo, entendese que houve a prova satisfatória da existência do crédito e do seu montante em R$ 629.549,96, conforme alegado pela Contribuinte, devendo ser homologada sua utilização. Em relação às retenções efetuadas pela empresa CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S.A., CNPJ 62.258.884/000136, a Recorrente afirma ter ocorrido a retenção de IRRF na monta de R$ 1.464.363,11, sendo apenas R$ 812.064,08 encontrados no sistema SIEF/DIRF, restando R$ 652.299,03 não homologados. Tal informação confirmase às fls. 19 dos autos, na Ficha 43 da sua DIPJ 2001: Para provar a efetiva ocorrência de retenção, a Recorrente acostou cópia do registro de ações da sua coligada, demonstrando o percentual de sua titularidade, Ata de Reunião do Conselho de Administração registrada na JUCESP determinando o pagamento de JCP aos acionistas, publicação das deliberações de AGE e AGO em periódico, relatório de partidas individuais de contas do Livro Razão, cópia de fichas da DIPJ, informando o creditamento de tal remuneração financeira à Contribuinte e declaração confirmando o pagamento dos JCP e o valor da retenção (fls. 220 a 229): Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 258 21 (...) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 259 22 A Recorrente afirma que o valor do IRRF fora compensado com IRRF retido sobre a aplicações financeiras, trazendo apenas cópia do Livro Razão para demonstrar tal abatimento: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 260 23 E igualmente informou na Ficha 42 da DIPJ 2001 o pagamento dos JCP à Contribuinte e correspondente retenção: Analisando tais documentos, ainda que exprimam a deliberação e o registro contábil do pagamento de JCP aos sócios, incluindo comprovadamente a Recorrente, supostamente beneficiada na proporção de sua participação, bem como da retenção do IRRF correspondente, não há prova hábil da sua quitação. O único documento que remete a satisfação do débito de IRRF sobre o pagamento de JCP é uma tela interna de sistema SAP, referente a documento do Livro Razão, indicando a compensação de valor no qual estaria engloba a retenção sob análise. Considerando a natureza meramente informativa da DIPJ e a ausência da presença de Comprovante de Arrecadação, DARF, Informe de Rendimento, DIRF ou DCTF da fonte pagadora declarando tal débito IRRF, entendese aqui não houve a formação da necessária de prova cabal da existência do crédito em questão. Ainda que como mencionada anteriormente configurese forte indício. O que ocorre é que não foi comprovada a efetiva quitação do débito de IRRF que formou o saldo negativo que deu margem ao crédito pretendido. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 261 24 Desse modo, entendese que não fora satisfatoriamente comprovado o direito creditório da Recorrente na monta de R$ 652.299,03. Em relação às retenções efetuadas pela empresa CAMARGO CORRÊA EQUIPAMENTOS E SISTEMAS S.A., CNPJ 78.230.182/000184 (atualmente denominada TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA.), a Recorrente afirma ter ocorrido a retenção de IRRF de R$ 614.999,73, (nenhum valor fora encontrado pela Fiscalização no sistema SIEF/DIRF). Tal informação confirmase às fls. 19 dos autos, na Ficha 43 da sua DIPJ 2001: Para provar a efetiva ocorrência de retenção, a Recorrente acostou declaração da fonte retentora confirmando o pagamento dos JCP e o valor da retenção, Comprovante de Arrecadação do IRRF, o DARF correspondente, e cópia da sua DIPJ informando o creditamento de tal remuneração financeira à Contribuinte (fls. 230 a 233): Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 262 25 (...) Friseise aqui que, ainda que o pagamento dos JCP tenha ocorrido efetivamente em janeiro de 2001, devese lembrar que a Contribuinte está sujeita ao regime de competência nos registros da sua apuração fiscal, justificando tal anacronismo. Porém, o que salta aos olhos é que o CNPJ informado na Ficha 42A da DIPJ 2001 da coligada da Recorrente é totalmente diverso de seu próprio registro, não aventandose um erro de sistema ou preenchimento. E não há qualquer menção ou justificativa para tal ocorrência. E, para todos os fins, devese considerar que teria sido outro o beneficário do pagamento informado na DIPJ, que não a Recorrente. Diante disso, a Ficha 42A da DIPJ de 2001 da fonte pagadora perde sua força probante além de gerar contraditoriedade e duvidas em relação às alegações trazidas. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.901443/200617 Acórdão n.º 1402002.914 S1C4T2 Fl. 263 26 Desse modo, diante apenas de declaração, Comprovante de Arrecadação e DARF do recolhimento do IRRF, não restou cabalmente provado o direito creditório pretendido pela da Recorrente, na monta de R$ 614.999,73. Por fim, em relação às compensações de ofício, que são trazidas às contendas sobre crédito do contribuinte, assim como firmado pelo v. Acórdão recorrido, este Conselheiro entende que não é da competência dessa C. Turma e nem mesmo desse E. CARF, conhecêlas e julgálas, cabendo à Unidade Local seu processamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 629.549,96; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000076/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO DA COFINS PELO REGIME CUMULATIVO. ÚNICO REGIME VIGENTE. POSSIBILIDADE.
A exclusão do contribuinte do Simples implica obrigatoriedade da adoção do regime cumulativo de apuração da Cofins, se no período de apuração das contribuições lançadas este era o único regime de apuração da contribuição, com base no faturamento, previsto na legislação.
VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, as vendas inadimplidas não podem ser excluídas da receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da Cofins.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO/RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído o valor do ICMS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). AFASTAMENTO DA MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O afastamento de multa, em razão de efeito confiscatório, implica apreciação da constitucionalidade da norma legal vigente e eficaz, que serviu de fundamento para a aplicação da multa exigida nos autos.
2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração lavrada por pessoa competente, com estrita observância das formalidades legais, devidamente motivado e instruído com os elementos probatórios suficientes à comprovação dos fatos e dos ilícitos tributários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO DA COFINS PELO REGIME CUMULATIVO. ÚNICO REGIME VIGENTE. POSSIBILIDADE. A exclusão do contribuinte do Simples implica obrigatoriedade da adoção do regime cumulativo de apuração da Cofins, se no período de apuração das contribuições lançadas este era o único regime de apuração da contribuição, com base no faturamento, previsto na legislação. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as vendas inadimplidas não podem ser excluídas da receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO/RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído o valor do ICMS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). AFASTAMENTO DA MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O afastamento de multa, em razão de efeito confiscatório, implica apreciação da constitucionalidade da norma legal vigente e eficaz, que serviu de fundamento para a aplicação da multa exigida nos autos. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração lavrada por pessoa competente, com estrita observância das formalidades legais, devidamente motivado e instruído com os elementos probatórios suficientes à comprovação dos fatos e dos ilícitos tributários. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO DA COFINS PELO REGIME CUMULATIVO. ÚNICO REGIME VIGENTE. POSSIBILIDADE. A exclusão do contribuinte do Simples implica obrigatoriedade da adoção do regime cumulativo de apuração da Cofins, se no período de apuração das contribuições lançadas este era o único regime de apuração da contribuição, com base no faturamento, previsto na legislação. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as vendas inadimplidas não podem ser excluídas da receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO/RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído o valor do ICMS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). AFASTAMENTO DA MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 76 /2 00 5- 91 Fl. 2548DF CARF MF 2 1. O afastamento de multa, em razão de efeito confiscatório, implica apreciação da constitucionalidade da norma legal vigente e eficaz, que serviu de fundamento para a aplicação da multa exigida nos autos. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração lavrada por pessoa competente, com estrita observância das formalidades legais, devidamente motivado e instruído com os elementos probatórios suficientes à comprovação dos fatos e dos ilícitos tributários. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 388/393. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre Janeiro/1999 Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.549 3 [julho/1999] e Maio/2004, resultou na constituição de crédito tributário no total de R$ 123.749,58, somados o principal, multa de ofício e juros de mora incorridos até o mês anterior ao da lavratura. No TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 374/376, a autoridade autuante assim contextualiza os fatos que motivaram o lançamento: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, concluímos ação fiscal (...) para verificação da regularidade fiscal do contribuinte supra quanto ao IRPJ, relativo ao período de apuração de MARÇO/1999 a DEZEMBRO/2003, e demais verificações obrigatórias quanto aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, referente ao período de apuração de JULHO/1999 a MAI0/2004. Salientamos que as infrações apuradas a titulo de IRPJ estão sendo tratadas no processo administrativo n° 10932.000076/200591 (sic). O presente processo referese tão somente das infrações apuradas decorrentes do procedimento de "verificações obrigatórias" relativas a COF1NS, conforme constatações a seguir relatadas: 1) O contribuinte foi excluído do SIMPLES, mediante Ato Declaratório n° 136.232, de 09/01/1999, por 'apresentar pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS e a PGFN', produzindo seus efeitos a partir de 01/03/1999 (fls. 6). Inconformado com este ato requereu a Revisão de Exclusão do Simples, objeto do processo administrativo n° 13819.001565/2003 92, a qual foi considerada improcedente (fl. 7). Em 04/12/2003 tomou ciência da intimação para, no prazo de 30 dias, 'entregar todas as declarações de Imposto de Renda ainda não prescritas, adotando o lucro presumido, real ou arbitrado...; entregar as DCTF em atraso; bem como foi informado que os pagamentos efetuados na forma do SIMPLES (cód. 6106) poderia ser objeto de pedido de restituição ou compensação pelo programa PER/DCOMP' (fls. 10 a 12). Em 20/01/2004, após o transcurso do prazo para cumprimento da intimação (30 dias), foi constatado que o contribuinte não procedeu à sua regularização quanto aos débitos, entrega das DIPJ e DCTF, motivo pelo qual foi considerado improcedente a Revisão de Exclusão do Simples; 2) Em 14/06/2004 iniciamos a fiscalização no contribuinte supra e, preliminarmente, constatamos que ainda não havia cumprido a intimação qual tomou ciência em 04/12/2003 nos autos do processo administrativo n° 13819.001565/200392, especialmente quanto à entrega das DIPJ e DCTF para os períodos posteriores a 01/03/1999 (fls. 17); 3) 0 contribuinte foi intimado em 08/07/2004 a apresentar as DIPJ, DCTF, Balanço Patrimonial, Livros Diário, Razão, Registro de Entradas/Saídas e Apuração do ICMS referentes aos anos calendário de 1999 a 2003 (fls. 14 e 15). Entretanto, em 29/07/2004 o contribuinte solicitou prazo até 23/08/2004 para dar cumprimento a esta intimação (fls. 25). Em 04/08/2004 procedemos a nova intimação sendolhe solicitado o preenchimento dos disquetes denominados ‘Informações à SRF’ (fis. 26). Em 13/09/2004, o contribuinte solicitou nova dilação de 30 dias para apresentação dos Fl. 2550DF CARF MF 4 livros contábeis/fiscais, pois alegou que os mesmos estavam sendo encadernados (lis. 27). Em 13/10/2004, após o transcurso do novo prazo solicitado, e em 20/10/2004, o contribuinte foi reintimado a cumprir as intimações lavradas em 08/07/2004 e 04/08/2004 (fls. 29 a 31), vindo a cumprilas parcialmente em 30/11/2004 (fls. 32). Destaco que até a presente data o contribuinte não entregou as DCTFs dos anos calendário de 2000 a 2004 (fl. 364). 4) Em consulta aos sistemas da SRF verificamos que o contribuinte efetuou pagamento de tributos somente sob a forma do SIMPLES e protocolizou pedido de compensação destes pagamentos no processo administrativo n°13819.002429/200409 (fls. 366 a 373). 5) Assim, considerando que o contribuinte optou e permaneceu indevidamente no regime de tributação SIMPLES e, em face de sua exclusão desse regime, não promoveu sua regularização, conforme determinado em intimação lavrada em 04/12/2003 nos autos do processo administrativo n° 13819.001565/200392 de Revisão de Exclusão do Simples e ainda, considerando a apuração efetuada relativa ao não pagamento da COF1NS escriturada e informada na DIPJ (fls. 42 a 316) e nos Demonstrativos de Resultados (fls. 317 a 363), porém não declarada em DCTF(fls. 364), constatamos que o contribuinte incorreu nas seguintes infrações: COF1NS Diferença apurada entre o valor escriturado e o pago (verificações obrigatórias): embora o contribuinte não tenha entregado suas DCTF's, parte das "Receitas de Vendas" foi escriturada no livro Razão e informada na DIPJ e DRE mensal, sendo que tais valores determinaram a apuração de base de cálculo da COF1NS devida, porém constatamos que não houve seu pagamento. Assim, em face dos artigos 247 e 841 do RIR/99, procedemos ao presente lançamento de ofício para exigibilidade da COF1NS dos períodos de apuração de Julho/1999 a Maio/2004. Em razão de seus objetivos, a presente ação fiscal se ateve a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas à COFINS, restritas ás "Verificações Obrigatórias" referentes ao período de JULHO/1999 a MAIO/2004, (...) Cientificada da autuação em 29/09/2005 (fl. 388), a autuada postou a impugnação de fls. 396/484 e documentação de paginas seguintes na qual alega em síntese e fundamentalmente: • Preliminarmente, a nulidade do auto de infração por conta do que entende ser a sua ilegal exclusão do universo do regime de tributação pelo SIMPLES. Relata a empresa, inicialmente, haver optado pelo SIMPLES em 01/01/1999, sendo desse sistema excluída em 01/03/1999. Irresignada com a exclusão, diz ter protocolado, em 05/03/1999, "Solicitação de Revisão de Vedação/Exclusão a opção pelo SIMPLES". Como decorrência desse ato, a seu ver, teria ocorrido a suspensão dos efeitos do ato de exclusão, na forma disposta no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Acrescenta que durante o mencionado período de suspensão, teria aderido ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS, parcelando os débitos existentes junto a União Federal e ao INSS, parcelamento que é causa suspensiva da exigibilidade dos débitos tributários. Com base nessa situação, conclui não mais existir a causa motivadora da exclusão da contribuinte do SIMPLES, restando nulo o ato de exclusão. Nessa ordem de idéias, se não existe a alegada causa de exclusão do SIMPLES, não pode a Impugnante dele ser Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.550 5 excluída, e não pode a mesma ser tributada pelo Lucro Real com base em tal exclusão, pelo que o Auto de Infração aqui hostilizado não pode subsistir, sob pena de estar subvertendo as disposições legais aplicáveis oi espécie, com todas as terríveis conseqüências que dai advêm. • Ainda em sede preliminar, [aponta] equívoco na apuração da base de cálculo pela inclusão de valores referentes a cheques depositados na conta corrente da autuada, mas que não foram compensados por insuficiência de fundos. Acrescenta que a autoridade autuante, erroneamente, considerou na base de cálculo ainda os lançamentos no crédito e no estorno, bem como na segunda apresentação, como estaria demonstrado em planilha. Assim, boa parte da base de cálculo adotada no que concerne à suposta omissão de receitas diz respeito a receitas que não se realizaram, pois se tratam de cheques depositados e não compensados. Argumenta, em resumo, pela nulidade do auto de infração por ofensa ao principio da legalidade que deve nortear os atos administrativos. Diz que o art. 849 do RIR/1999 estabelece expressamente que os depósitos bancários somente poderio ser caracterizados como omissão de receita quando o titular da conta de depósitos não comprovar a respectiva origem. Nesse contexto, afirma que a origem dos valores depositados na conta bancária da Impugnante está documentalmente comprovada, inclusive com ajuntada a estes autos de cheques que foram devolvidos e, como tal, não podem integrar a base de cálculo; • a nulidade do auto de infração também se evidenciaria pela ausência dos requisitos formais de validade. Entende não ser possível verificar de onde foram retiradas as informações que deram origem à peça atacada. Opina tratarse de documentos apócrifos, eis que desprovidos do rigor técnico indispensável à sua regularidade. Diz haver nos autos um mero Demonstrativo de Fiscalização, onde o Impugnado se limita a apresentar números sem, no entanto, ao menos indicar a origem dos mesmos. Argumenta ser indispensável, para a validade do ato administrativo, a prova da ocorrência dos fatos jurídico tributários alegados, situação que considera não configurada na espécie; • em uma outra vertente de sua defesa, a autuada contesta a autuação com base no lucro real argüindo, inicialmente, que, sendo ilegal sua exclusão do regime do SIMPLES, a autuação deveria ser pautada por esse regime. Depois, argúi que, fosse obedecido o regime de tributação pelo lucro presumido, a exação imposta seria bem menos gravosa. Insistir na exigência com base no lucro real seria, a seu ver, afrontar o principio vedação do confisco, violar o direito de propriedade e insultar as diretrizes da capacidade contributiva e da isonomia, garantidas pela Constituição. No caso dos autos, ressalta, a Impugnante fez a opção pelo lucro real sob muita pressão, pois havia sido excluída do SIMPLES e sofria, ao mesmo tempo, procedimento de fiscalização que resultou na autuação aqui Fl. 2552DF CARF MF 6 atacada. (...) A opção da Impugnante pelo regime tributário do Lucro Real que lhe é mais gravoso deve, pois, ser relativizada, sob pena de ferimento a um principio constitucional que, como visto a exaustão, é soberano; • Além da tributação mais gravosa pelo lucro real, a contribuinte ainda contesta que a autuação deixou de considerar a não cumulatividade do PIS/COFINS, instituída pela Lei no 10.833, de 2003, e pela Lei no 10.865, de 2004, devendose reconstruir a base de cálculo de acordo com o regime de créditos previsto em tais diplomas; • Deveria ser excluída da base de cálculo da COFINS a parcela referente ao ICMS, já que esta não representaria receita da impugnante, sob pena de afronta e negativa de vigência ao disposto no artigo 2° da Lei Complementar n° 70, de 1991, e ao artigo 110 do CTN; • em relação As bases de cálculo do PIS e da Cofins, argumenta a autuada que delas deveriam ser excluídos os valores das receitas não realizadas, notadamente, aquelas referentes aos pagamentos recebidos pela Impugnante em cheques que, quando apresentados, restaram não compensados, por insuficiência de fundos. Percorrendo a evolução legislativa dessas contribuições, argúi a autuada, partindo do disposto no § 2° do artigo 3° da Lei no 9.718, de 1998, que a inadimplência do adquirente é causa do cancelamento da venda para fins de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. Desenvolve raciocínio com o objetivo de investigar que a intenção legal do mencionado dispositivo foi a de eleger como base de cálculo das contribuições a receita líquida da empresa, assim entendida a receita bruta subtraída de determinadas parcelas despidas de conteúdo econômico, como, por exemplo, as vendas canceladas. Argumentando sobre as características da operação de compra e venda, alcança a conclusão de que o descumprimento do compromisso do comprador em pagar o preço da mercadoria, pela devolução dos cheques por este emitido, importaria no cancelamento da operação de venda, cuja conseqüência seria a exclusão dos valores correspondentes das bases de cálculo do PIS e da Cofins, como dispõe o art. 3°, § 2°, II da Lei n° 9.715, de 1998, sob pena de submeter a Impugnante a tributação confiscatória em ofensa ao art. 150, VI, da CF, de 1988. • no que se refere à imposição de multas, diz a autuada que a autuação em tela envolve a aplicação de multa punitiva e de multa moratória. Entende que somente a ocorrência de afronta à legislação tributária pode fundamentar a imposição de penalidades. No caso em tela, a contribuinte não teria violado lei tributária alguma, como teria ficado exaustivamente demonstrado. Diz que vinha recolhendo reiteradamente os tributos no âmbito do SIMPLES, fato que, tornandose costume, atestaria sua boafé, devendose afastar a aplicação das multas, sob pena de afronta ao inciso III, art. 100 do Código Tributário Nacional. Contesta o percentual das multas impostas, argüindo ainda não terem sido comprovados os requisitos necessários à aplicação da penalidade fixada em 75%, vislumbrando nesses índices ainda inconstitucionalidade por caracterização de confisco; Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.551 7 • do mesmo argumento acima se vale para ver afastada a aplicação dos juros de mora até 31/12/2005: nestas condições, atestada a boafé da impugnante que só veio a tomar conhecimento de que, supostamente, deveria recolher os tributos sob outra sistemática que não a do SIMPLES quando da sua intimação acerca do ato aqui hostilizado, de modo que os juros e a atualização monetária só podem passar a incidir a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do ato administrativo aqui atacado. Cita acórdão do STJ a apoiar sua tese. • contesta a fluência da taxa Selic a titulo de juros de mora, índice que considera inconstitucional por ter caráter de remuneração de capital, por não ter sido definida em lei, por resultar na prática de anatocismo. A seu ver os juros de mora deveriam ficar no patamar de 1% ao mês, nos termos do art. 161 do CTN. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2322/2338), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA._ Descabe cogitar da nulidade do lançamento quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do crédito tributário. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA. O controle da constitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal, sendo, assim, defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que fundamenta o lançamento. O julgamento administrativo é atividade que se limita a examinar a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. LANÇAMENTO. REGIME DE NÃOCUMULATIVIDADE. NÃO CONSIDERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Improcedente o lançamento que não considera, para o contribuinte submetido ao lucro real, o regime de tributação para a COFINS fundado na sistemática de nãocumulatividade. (a partir de 01/02/2004). COFINS. BASE DE CALCULO. ICMS. INCLUSÃO. Fl. 2554DF CARF MF 8 A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no prego da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO E CONFISSÃO. MULTA DE OFÍCIO. Correta a formalização de oficio, mediante auto de infração e com a penalidade especifica de 75%, do tributo não espontaneamente confessado e não recolhido. JUROS DE MORA TAXA SELIC É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente em Parte Em 17/12/2008, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformado, em 16/1/2009, protocolou o recurso voluntário de fls. 2356/2480, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou que o acórdão recorrido era incongruente, porque não havia analisado a matéria constitucional, o que não poderia ocorrer, uma vez que a atividade julgadora era inteiramente vinculada aos parâmetros da legalidade. Pela mesma razão, alegou que este Conselho deveria analisar a matéria constitucional. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, cabe esclarecer que, na decisão de primeira instância, foram cancelados a cobrança dos valores integrais dos débitos da Cofins dos meses (i) de julho de 1999 a agosto de 2000, por estarem extintos pela decadência e (ii) de fevereiro de 2004 a maio de 2004, em razão da utilização do regime cumulativo em vez do regime não cumulativo de apuração da contribuição. E como não houve interposição de recurso de ofício, por não ter ultrapassado o limite de alçado, essa parte da decisão tornouse definitiva. Em relação aos débitos remanescentes, a lide envolve questões preliminares e mérito. A recorrente alegou, em preliminar a nulidade da autuação e no mérito a sua improcedência. Da preliminar de nulidade do auto de infração. Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.552 9 Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da autuação baseada nos argumentos de que houvera (i) ilegalidade da sua exclusão do Simples, (ii) equivoco na apuração da base de cálculo e (iii) ausência dos requisitos formais de validade do ato. A exclusão da recorrente do Simples foi analisada no âmbito do processo nº 13819.001565/200392 e consumada por meio do Ato Declaratório n° 136.232, de 09/01/1999, por apresentar pendências junto ao INSS e a PGFN, produzindo seus efeitos a partir de 01/03/1999 (fls. 12). Inconformado com este ato requereu a Revisão de Exclusão do Simples, a qual foi considerada improcedente por meio do despacho decisório de fl. 7. Com base nesses esclarecimento, fica demonstrado que a exclusão do Simples já foi decida no âmbito do citado processo, portanto, tratase de matéria estranha aos presentes autos e que, dada o caráter definitivo da referida decisão de exclusão, certamente, tal fato em nada afeta a higidez do presente lançamento. No que tange ao equívoco na apuração da base de cálculo, em razão da inclusão de valores não efetivamente realizados (cheques não compensados e devolvidos), tratase de questão de evidente natureza meritória, que será analisada no tópico específico sobre tais questões. Também não procede o argumento de ausência dos requisitos formais de validade do auto de infração em apreço, porque a recorrente não se dignou apresentar qualquer vício formal do lançamento, mas apenas alegações genéricas sobre a não comprovação da “ocorrência do fato imponível”. Sabidamente, os requisitos formais do lançamento encontram se estabelecidos no art. 10 do Decreto 70.235/1972 e, no caso em tela, eles foram devidamente cumpridos. Por essas razões, resta evidenciado que, diferentemente do alegado pela recorrente, não há qualquer vicio de ilegalidade que possa conspurcar a higidez do presente auto de infração. Logo, rejeitase a presente preliminar de nulidade. Das Questões de Mérito. No mérito, a recorrente alegou que: a) se excluída do Simples a tributação a serlhe aplicada era do regime mais favorável, ou seja, com base no lucro presumido e não com base no lucro real, mais gravosa; b) a persistir a tributação da pelo regime do lucro real que fosse observada o regime da não cumulatividade para a determinação da base de cálculo; c) era necessária a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da Cofins; d) houve erro na apuração da base de cálculo com não a exclusão dos valores dos cheques devolvidos; e) os juros somente incidiriam a partir de janeiro de 2006, quando fora cientificada da sua exclusão definitiva do Simples; f) a multa de ofício aplicada era indevida, uma vez que a recorrente não cometera ato ilícito, tendo recolhido seus tributos conforme legislação vigente; e g) o cálculo dos juros moratórios com base na taxa Selic era ilegal e inconstitucional. Da exclusão do Simples e do regime de tributação a ser adotado A recorrente alegou que, se mantida exclusão do Simples, os novos tributos devidos deveria ser apurados com base no regime do lucro presumido, em vez do lucro real mais gravoso, adotado pela fiscalização. Fl. 2556DF CARF MF 10 Sem amparo legal a alegação da recorrente. Com efeito, com a exclusão do Simples, a recorrente foi assegurado o direito de optar pelo forma de tributação com base no lucro presumido, na forma e no prazo estabelecidos no art. 26 da Lei 9.430/1996. Entretanto, mesmo intimada a exercer tal opção, a recorrente permaneceu omissa. Nesse contexto, a autoridade fiscal poderia adotar a forma de tributação com base no lucro arbitrado ou o lucro real e optou por aplicar a forma de tributação pelo lucro real, porque a recorrente apresentara os elementos adequados para adoção deste último regime de tributação. Ademais, em relação às declarações apresentadas, a recorrente optara pelo lucro real, segundo os pertinentes esclarecimentos apresentados no trecho do voto condutor julgado recorrido, a seguir transcrito: Vale dizer que a contribuinte, ciente da decisão de exclusão do regime de tributação pelo Simples já em 1999 (fls. 6/7), não promoveu a opção pelo regime do lucro presumido em relação ao anocalendário subseqüente ao da exclusão, 2000, persistindo, mesmo estando excluída do SIMPLES, em se submeter à tributação por aquele regime. Acresça que em intimação copiada à fl. 10, a fiscalizada foi instada a apresentar as declarações de Imposto de Renda ainda não prescritas, adotando os regimes do Lucro Presumido, Real ou Arbitrado. Tais declarações foram reunidas a partir da fl. 42 e em todas elas, o regime de tributação escolhido é o do lucro real. Entretanto, para fins de tributação da Cofins, no caso em tela, não tem relevância a pretensão da recorrente de ser tributada pelo regime de lucro presumido, por lhe ser mais favorável. Ora, se o único regime de tributação da Cofins, vigente no período da autuação era o regime cumulativo não tem o menor sentido a pretensão da recorrente de ser tributada pelo regime não cumulativo ainda não instituído. Dada essa circunstância, em relação aos débitos remanescentes, o regime de apuração cumulativo foi corretamente adotado pela fiscalização, especialmente, porque, o regime não cumulativo de apuração da Cofins somente entrou em vigor a partir do mês de fevereiro de 2004 e não há mais litígio em relação aos débitos apurados a partir desse mês, uma vez que todos eles foram cancelados pela decisão definitiva. Assim, se foi corretamente aplicado o regime cumulativo na apuração dos débitos remanescentes da Cofins não merece reparo os lançamentos mantidos pela decisão de primeiro grau. Da exclusão do ICMS da base de cálculo A recorrente também alegou que, apesar de não haver previsão no art. 2º da Lei Complementar 70/1991, o valor do ICMS deveria ser excluído da base de cálculo da Cofins, por não representar receita ou faturamento. Previamente, cabe esclarecer que, no período da autuação, a base de cálculo da Cofins encontravase definida no art. 3º da Lei 9.718/1998 e as exclusões taxativamente elencadas no § 2º do referido preceito legal. Sabidamente, tratase de matéria que foi apreciada pelo pleno Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR, sob regime de repercussão geral e, no citado julgamento, foi reconhecida a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da Cofins, nos termos da ementa que segue reproduzida: Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.553 11 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS.1 Acontece que, até presente data, o referido acórdão ainda não transitou em julgado. A consulta realizado ao sítio do STF revelou que ainda se encontra pendente de julgamento os embargos da Fazenda Nacional. Dada essa condição, não se adota aqui o entendimento que fora explicitado no referido julgado, por não atender a condição determinada no art. 62, § 2º, do RICARF/2015, e não está em consonância com o entendimento deste Relator, exposto anteriormente em vários votos, pelas razões a seguir aduzidas. No período de apuração dos débitos remanescentes, a matéria encontravase disciplinada no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, a seguir transcrito: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide arts. 49 e 98 daMP nº 627, de 11 de novembro de 2013) [...] 1 BRASIL. STF. RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017. Fl. 2558DF CARF MF 12 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (Vide arts. 49 e 98 daMP nº 627, de 11 de novembro de 2013) [...] (grifos não originais) A leitura do preceito legal em destaque revela que somente o valor ICMS cobrados nas operações submetidas ao regime de substituição tributária podiam ser excluído da base de cálculo das citadas Contribuições. A contrário senso, o valor do ICMS cobrados nas demais modalidades de operações, situação em que se enquadra o caso em apreço, por falta de previsão legal, deveria compor a referida base cálculo. Deveras, o faturamento compreende o valor total da operação de venda, nele incluído, inequivocamente, o valor do ICMS. Aliás, a própria base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o valor do próprio do ICMS incidente na operação, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. Tratase da metodologia de cálculo, denominada de “método por dentro”, em que o imposto é incluído no valor da mercadoria, constituindo o destaque do valor do imposto mero controle escritural. Assim, se há previsão de incidência do ICMS sobre o valor do próprio imposto, com mais razão não há óbice legal para que também integre a base de cálculo de outros tributos calculados sobre a receita ou faturamento, a base de cálculo eleita para apuração da Cofins. Nesse sentido, o entendimento jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF2), reafirmada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 582.461/SP, sob o regime de repercussão geral, cujo trecho do enunciado ementa, pertinente ao assunto em apreço, segue transcrito: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. [...] 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei 2 O tema já foi apreciado pelo STF, no julgamento do RE nº 212.209, ementado nos seguintes termos: "Constitucional. Tributário. Base de cálculo do ICMS: inclusão no valor da operação ou da prestação de serviço somado ao próprio tributo. Constitucionalidade. Recurso desprovido." (RE 212209, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 23/06/1999, DJ 1402 2003 PP00060 EMENT VOL0209802 PP00303) Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.554 13 complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. [...] 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF. Tribunal Pleno. RE 582461/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/5/2011, DJe158 divulg 17082011) grifos não originais Cabe destacar ainda que, após a perda da eficácia da medida liminar prolatada no âmbito da citada ADC, o plenário do STF retomou o julgamento do RE nº 240.785/MG, que se encontrava suspenso. No julgado, realizado em 08/10/2014, por maioria, o plenário decidiu que o valor do ICMS não integrava a base de cálculo das referidas contribuições, conforme se infere nos enunciados das ementas que seguem transcritos: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15 122014 PUBLIC 16122014) A referida decisão se tornou definitiva em 23/2/2015, com seu trânsito em julgado, porém, por se tratar de decisão definitiva de mérito não submetida à sistemática de repercussão geral, definida no art. 1.035 do novo CPC (Lei 13.105/2015) e, portanto, por não atender os requisitos do art. 62, § 2º, do Anexo II do vigente Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), não há obrigatoriedade da sua reprodução nos julgamentos deste Conselho. Na esfera infraconstitucional, especialmente, no âmbito do STJ, a jurisprudência consolidouse no sentido de que o valor do ICMS integra sim a base de cálculo das referidas contribuições, conforme explicitado nos enunciados das Súmulas STJ 68 e 94, a seguir transcritos: SÚMULA 68: A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. SÚMULA 94: A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Fl. 2560DF CARF MF 14 Após a edição das referidas, a questão foi novamente analisada no julgamento REsp 1.144.469/PR, e o tribunal confirmou a referida jurisprudência, conforme explicitado nos enunciados da ementa que seguem reproduzidos: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.555 15 sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". Fl. 2562DF CARF MF 16 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.556 17 Assim, com base nessas considerações e por entender que o valor do ICMS integra a base de cálculo da Cofins, bem como por ainda não haver decisão definitiva de mérito, na sistemática de repercussão geral, proferida pelo STF, este Relator propugna pela manutenção da cobrança da Cofins calculada sobre o valor do ICMS. Do erro de apuração da base de cálculo em face da não exclusão dos créditos inadimplentes A recorrente também alegou equívoco na apuração da base de cálculo da contribuição, com base no argumento de que nela foram incluídos os valores de receitas não efetivamente realizados, decorrentes de cheques não compensados e devolvidos. Em consequência desse equívoco, asseverou a recorrente que o lançamento havia afrontado o princípio da estrita legalidade. Com base no art. 849 do RIR/1999, a recorrente alegou que os depósitos bancários somente poderão ser caracterizados como omissão de receita quando o titular da conta de depósitos não comprovar a origem dos mesmos. O preceito regulamentar em destaque referese a depósitos bancários sem origem lícita de comprovação, portanto, não se aplica ao caso em tela. No caso, a apuração do crédito tributário lançado foi feita com base no valor da receita bruta de venda declarado pela própria recorrente na DIPJ e na DRE, conforme esclarecido no excerto do voto condutor do julgado recorrido, que segue transcrito: A autuação tratada nos presentes autos, como sobressai da leitura do TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 374/376, decorre da simples confrontação entre os valores das bases de cálculo da COFINS apurados pela própria impugnante em sua DIPJ, não confessados em DCTF e não pagos. A apuração da base de cálculo foi elaborada pela própria contribuinte e consta das DIPJ juntadas a partir das fls. 42, sendo incompatível a argumentação de erro na apuração da base de cálculo por parte da autoridade administrativa ou ainda a alegação de que o autuante não teria reunido as provas da infração, eis que a apuração da base de cálculo competiu ao próprio sujeito passivo, não cabendo, também sob este aspecto, cogitarse de nulidade do auto de infração. E do referido valor da receita declarado, sem aparo legal, a recorrente alegou que era admitida a exclusão dos valores das receitas de venda não realizados financeiramente ou não recebidos, referentes a cheques não compensados e devolvidos. Sabidamente, tratase de exclusão sem previsão legal, uma vez que não se contemplada no rol taxativo do § 2º do art. 3º da Lei 9.718/1998, que assegura a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos, as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas. No citado preceito legal, não há previsão para dedução das perdas decorrentes da inadimplência ou não recebimento dos créditos decorrentes das vendas, que, sabidamente, é evento contábil diverso das vendas canceladas, dos descontos incondicionais, das reversões de provisões e recuperações de créditos, estes expressamente excluídos da base de cálculo. Fl. 2564DF CARF MF 18 Ressaltase ainda, a titulo de esclarecimento, que em razão do principio contábil da competência, a inadimplência decorrente da devolução de cheques depositados não desnatura a receita auferida e não desobriga o seu reconhecimento na escrituração. Pelo mesmo fundamento, também a devolução do cheque não corresponde, como alegou a recorrente, a cancelamento de vendas, mas a mera inadimplência, não tendo qualquer efeito sobre o montante das receitas a serem reconhecidas e utilizadas como base de cálculo da Cofins. Portanto, não merece qualquer reparo o valor da base de cálculo corretamente utilizado na apuração dos débitos remanescentes da contribuição que integram o presente auto de infração. O mesmo entendimento manifestou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.029.434/CE, cujos enunciados da ementa seguem transcritos: TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ARTIGO 3º, § 2º, I, DA LEI 9.718/98. HIGIDEZ CONSTITUCIONAL RECONHECIDA PELO STF EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. "VENDAS INADIMPLIDAS". ALEGADA EQUIPARAÇÃO COM "VENDAS CANCELADAS". ANALOGIA/EQÜIDADE. INAPLICABILIDADE. ARTIGOS 111 E 118, DO CTN. OBSERVÂNCIA. 1. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 2. Consectariamente, as deduções da base de cálculo das contribuições em tela, elencadas no § 2º, do mesmo artigo, tiveram sua higidez mantida, merecendo destaque, para deslinde da presente controvérsia, as exclusões insertas em seu inciso I: "§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;" 3. Insurgência especial que pugna pela exclusão, da base de cálculo da COFINS e do PIS, dos valores relativos ao fornecimento de energia elétrica que, embora faturados, não ingressaram efetivamente no caixa da empresa, devido à inadimplência dos consumidores. 4. Entrementes, o inadimplemento do consumidor não equivale ao cancelamento da compra e venda, no qual ocorre o Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.557 19 desfazimento do negócio jurídico, denotando a ausência de receita e, conseqüente, intributabilidade da operação. 5. Isto porque o cancelamento da venda caracterizase pela devolução da mercadoria vendida ante a rescisão ou resilição do negócio jurídico, em virtude da inadimplência do comprador ou sua desistência ou de ambos os contratantes, entre outros motivos, implicando na anulação dos valores registrados como receita de vendas e serviços. 6. Por outro lado, muito embora possa a inadimplência resultar no cancelamento da venda e conseqüente devolução da mercadoria, a "venda inadimplida", caso não seja efetivamente cancelada, importa em crédito a favor do vendedor, oponível ao comprador, subsistindo o fato imponível das contribuições em comento, vale dizer, o faturamento, que se configura quando a pessoa jurídica realiza uma operação e apura o valor desta como faturado. 7. Nada obstante, "o bem fornecido pela impetrante (energia elétrica) não é passível de devolução em nenhuma hipótese, pois o mesmo se exaure (é consumido) instantaneamente, ou concomitantemente, com o seu fornecimento, sendo impossível, portanto, falar em venda cancelada" (contrarazões da Fazenda Nacional fl. 276). 8. Ademais, o posterior inadimplemento de venda a prazo não constitui condição resolutiva da hipótese de incidência das exações em tela, uma vez que o Sistema Tributário Nacional estabeleceu o regime financeiro de competência como a regra geral para apuração dos resultados da gestão patrimonial das empresas. Mediante o aludido regime financeiro, o registro dos fatos contábeis é realizado a partir de seu comprometimento e não do efetivo desembolso ou ingresso da receita correspondente. 9. Os pactos privados não influem na relação tributária, pela sua finalidade plurissubjetiva de satisfação das necessidades coletivas, não sendo lícito ao contribuinte repassar o ônus da inadimplência de outrem ao Fisco. É nesse sentido que o artigo 118 dispõe "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10. Outrossim, a exclusão das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda da base de cálculo do PIS e da COFINS, ex vi do inciso II, do § 2º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, corrobora o entendimento de que as "vendas inadimplidas" não se encontram albergadas na expressão "vendas canceladas", não podendo, por analogia, implicar em exclusão do crédito tributário, tanto mais que a isso equivaleria afrontar o artigo 111, do CTN, verbis: Fl. 2566DF CARF MF 20 "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." 11. A analogia não pode implicar em exclusão do crédito tributário, porquanto criação ou extinção de tributo pertencem ao campo da legalidade. 12. No plano póspositivista da Justiça Tributária, muito embora receita inadimplida economicamente não devesse propiciar tributo, é cediço que o emprego da eqüidade não pode dispensar o pagamento do tributo devido (§ 2º, do artigo 108, do CTN). 13. Abalizada doutrina tributarista define a eqüidade como a "aplicação dos princípios derivados da idéia de justiça (capacidade contributiva e custo/benefício) ao caso concreto", não se podendo, entretanto, confundir a eqüidade com instrumento de "correção do Direito" ou de interpretação e suavização de penalidades fiscais: "O eqüitativo e o justo têm a mesma natureza. A diferença está em que o eqüitativo, sendo justo, não é o justo legal. A lei, pelo seu caráter de generalidade, não prevê todos os casos singulares a que se aplica; a falta não reside nem na lei nem no legislador que a dita, senão que decorre da própria natureza das coisas. A eqüidade, ainda segundo Aristóteles, autoriza a preencher a omissão com o que teria dito o legislador se ele tivesse conhecido o caso em questão." (Ricardo Lobo Torres, in Normas de Interpretação e Integração do Direito Tributário, 4ª ed., Editora Renovar, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, 2006, págs. 115/116). 14. Destarte, a opção legislativa em não inserir as "vendas inadimplidas" entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário atinente ao PIS e à COFINS não pode ser dirimida pelo intérprete, mesmo que a pretexto de aplicação do princípio da capacidade contributiva, notadamente em virtude da ausência de perfeita similaridade entre os eventos econômicos confrontados. 15. A violação eventual dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva encerram questões constitucionais insindicáveis pelo Eg. STJ. 16. Precedentes do STJ: REsp 751.368/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 17.05.2007, DJ 31.05.2007; REsp 953.011/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 25.09.2007, DJ 08.10.2007; e REsp 956.842/RS, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 20.11.2007, DJ 12.12.2007). 17. Recurso especial a que se nega provimento.3 (grifos não originais) 3 BRASIL. STJ. REsp 1029434/CE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/05/2008, DJe 18/06/2008. Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.558 21 Com base nesses fundamentos, fica demonstrado que não houve suscitado equívoco na apuração da base de cálculo. Do efeito confiscatório e indevida cobrança da multa de ofício aplicada A recorrente alegou que a multa de ofício aplicada era indevida, uma vez que a recorrente não cometera ato ilícito, tendo recolhido valores dos débitos do Simples, conforme legislação vigente. Sem razão a recorrente. Com a exclusão do Simples, os débitos da Cofins apurados segundo regime cumulativo não recolhidos, portanto, devida a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, que, na data dos fatos, tinha a seguinte redação, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] (grifos não originais) A recorrente alegou ainda que a multa de ofício aplicada tinha efeito confiscatório. Se a referida multa tem ou não efeito confiscatório, tratase de questão que envolve apreciação da constitucionalidade da norma veiculada no citado preceito legal, matéria que, sabidamente, foge da competência deste Colegiado julgador. Por essa razão, não se toma conhecimento dessa questão, que é vedado à instância administrativa de julgamento apreciála, conforme expressamente determinado no art. 26A4 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. 4 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 2568DF CARF MF 22 No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 625 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015, com as alterações posteriores, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da cobrança dos juros de mora Em relação aos juros de mora e a correção monetária, a recorrente alegou que eles somente deviam incidir somente a partir de 1° de janeiro de 2006, momento em que teria tomado conhecimento da decisão de exclusão definitiva do Simples, excluindose a incidência destes, portanto, das competências referente aos anos de 2000 a 2005, sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe o inciso III do artigo 100 do CTN. Mais uma alegação sem fundamento. A exclusão do Simples, nos termos da lei, é feita por meio de ato de natureza declaratória, cujos efeitos, sabidamente, emanam a partir da ocorrência do evento excludente e não quando o contribuinte excluído toma ciência da decisão definitiva na esfera administrativa, prolatada no âmbito do correspondente processo administrativo. Nesse sentido, expressamente dispunha a Lei 9.317/1996, na época vigente, que o momento a ser considerado para a exclusão do citado regime simplificado de tributação era a partir do mês subsequente ao em que incorrida a situação excludente. No caso específico, dispunha o artigo 15, II, que as situações excludentes previstas no art. 9°, XV, (débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, sem suspensão da exigibilidade), surtiriam efeitos no mês seguinte à sua ocorrência. Para que não reste dúvida a respeito, seguem transcritos os pertinentes preceitos legais extraídos do citado diploma legal: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 5 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.559 23 [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (grifos não originais) Assim, se os débitos remanescentes da Cofins, objeto da presente autuação, já se encontravam vencidos deste a data fixada na legislação para o pagamento tempestivo, por força do disposto no art. 161 do CTN, independentemente do motivo da falta do pagamento, eles estavam sujeitos aos acréscimos dos juros moratórios desde a data do vencimento, calculados com base na variação da taxa Selic, consoante estatuído no art. 13 da Lei 9.065/1995, e nos arts 6º, § 2º, e 61, § 3°, da Lei 9.430/1996. Da ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic Ainda sobre a incidência dos juros moratórios, a recorrente que, para a atualização dos débitos tributários lançados, percentual de juros de mora admitido era de 1% ao mês. Para a recorrente, a taxa Selic, que a lei pretende equiparar aos juros moratórios, possuía inequívoca natureza remuneratória e a sua utilização feria a regra contida no art. 161, § 1°, do CTN e no art. 192, § 3º, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988). Mais uma vez, sem razão a recorrente. A cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...). (grifos não originais) E em conformidade com disposto no transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei 9.430/1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 2570DF CARF MF 24 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sobre o assunto, já se pronunciou o STJ e, expressamente, reconheceu a constitucionalidade da cobrança do referido gravame com base variação da Selic, conforme exposto na enunciado da ementa do acórdão proferido no julgamento do REsp 803.707/PR (Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006), a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1º, DO CTN. 1. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da dívida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1º.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, restou derrogado. 4. Recurso especial improvido.6 Da mesma forma, decidiu o STF, no julgamento do RE 582.461/RG, sob regime de repercussão geral e adoção obrigatória pelos integrantes deste Conselho, cujos enunciados da ementa seguem reproduzidos: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 6 BRASIL. STJ. REsp 803.707/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/05/2006, DJ 14/08/2006, p. 273. Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.560 25 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.7 No mesmo sentido, firmouse a jurisprudência deste Conselho, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, resta demonstrado que o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, tem amparo legal e constitucional. Ademais, por se tratar de matéria decidida sob regime de repercussão geral pelo STF e sumulada por este Conselho, tal entendimento é de obrigatório observância por todos os seus Conselheiros. 7 BRASIL. STT. RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177. Fl. 2572DF CARF MF 26 Do processo da Contribuição para o PIS/Pasep A título de esclarecimento e em reforço aos fundamentos anteriormente apresentados, esclarecese que as mesmas questões foram apreciadas por este Colegiado (com outra composição) no julgamento do processo nº 10932.000078/200580, que trata do lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep, em que negado provimento ao recurso voluntário, por unanimidade, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados do Acórdão nº 330200.074, que seguem transcritos: ASSUNTO: PIS Anocalendário: 2003 ASPECTOS CONSTITUCIONAIS AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA MATÉRIA SUMULADA É defeso ao tribunal administrativo analisar os aspectos constitucionais do sistema normativo, tal competência é exclusiva do poder judiciário. SIMPLES INCLUSÃO MATÉRIA DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE O regime do SIMPLES, bem como a inclusão e exclusão de contribuintes deste sistema simplificado de tributação, deve ser analisado em procedimento próprio, sendo inadmissível a análise da matéria em sede de defesa de auto de infração. O auto que exige o tributo conforme o "novo" regime de tributação que foi aplicado ao contribuinte é conseqüência da exclusão do SIMPLES, não causa. ARTIGO 151 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL EXCLUSÃO DO SIMPLES INAPLICABILIDADE O SIMPLES é regime de tributação, a exclusão do contribuinte deste regime não representa a constituição de crédito tributário, portanto, a apresentação de recurso contra o ato de exclusão não significa recurso apresentado contra cobrança de tributo, razão pela qual não se aplica o artigo 151, C'TN, ou seja, não há efeito suspensivo, pois não há crédito para se suspender a exigibilidade. REGIME DE TRIBUTAÇÃO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO Respeitadas as limitações legais, o regime de tributação do imposto de renda (lucro presumido e real) é opção do contribuinte e não pode ser alterado pelo Agente Fiscal, quando do procedimento de fiscalização, por significar carga tributária menos onerosa ao contribuinte. VENDAS CANCELADAS INADIMPLÊNCIA EQUIPARAÇÃO DE CONCEITOS IMPOSSIBILIDADE. A inadimplência é evento contábil diverso da venda cancelada. As normas contábeis se importam com o momento da aquisição jurídica, independentemente dos efeitos financeiros. É o que distingue o regime de competência do regime de caixa. No caso de vendas canceladas, considerase não ocorrida a venda, Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 10932.000076/200591 Acórdão n.º 3302005.149 S3C3T2 Fl. 2.561 27 inclusive para fim de quantificação de mercadoria no estoque, enquanto na hipótese de inadimplência, considerase efetivada a venda, ainda que não recebido o valor a ela referente. MULTA 75% PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS A incidência da multa punitiva no patamar de 75% está prevista na Lei n° 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. As questões constitucionais que fulminam a validade de lei não estão no escopo deste tribunal administrativo. TAXA SELIC PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS O art. 13 da Lei n° 9.065/1995 dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento serão calculados com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês apenas se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1°). No caso, a Lei n° 9.065/1995 dispôs de modo diverso. As questões constitucionais não estão no escopo deste tribunal administrativo. Recurso Voluntário Negado. Da Conclusão Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.008110/2005-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente COMFER COMERCIO DE JUNTAS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 81 10 /2 00 5- 98 Fl. 70DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 63 e 64) interposto contra o Acórdão n° 1612.717, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (efls. 55 à 57), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), verbis: 1. A DCTF objeto do citado Auto, seria uma obrigação tributaria acessória ,se sua instituição fosse lastreada nos alicerces legais necessários, isto e, PREVISTA POR LEI, como determina o CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (artigo 113, parágrafo) 3.° combinado com o artigo 97, inciso V e em consonância com o que estabelece o artigo 5.° inciso II, da Constituição Federal, que prescreve { ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da lei } . 2. Por outro lado, a impugnante endente que criar uma obrigação tributaria acessória, através de INSTRUÇÃO NORMATIVA (IN 129 de 19/11/1986).(alterada pelas IN 73/96 e 255/2002), e este ato sendo infralegal, não se coaduna com o nosso ordenamento jurídico tributário constituindose face/ a isso, em uma ilegalidade. 3. lnferese portanto, que a exigência da DCTF, bem como, a previsão de MULTA por qualquer suposta Infração a forma ou prazo de sua apresentação, e completamente Ilegal e Inconstitucional, julgando a requerente que tem o Direito de postular o reconhecimento da não entrega, ou entrega fora do prazo da citada DCTF, bem como, não se submeter a imposição da também já citadas MULTAS; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 19679.008110/200598 Acórdão n.º 1002000.118 S1C0T2 Fl. 3 3 4. O artigo 95 inciso V do CTN, preceitua < Somente a lei pode estabelecer(....) a cominação de penalidade para as ações ou omissões contrarias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas >. Uma vez mais, não há que se falar em imposição de MULTA para uma exigência fiscal eivada de ilegalidade, conforme restou demonstrado nos itens 1 e 2 desta impugnação É o Relatório Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os argumentos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Contudo, não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: De início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. Fl. 72DF CARF MF 4 No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue e ter recolhido todos os impostos declarados nos prazos previstos em lei, não. exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Quanto aos questionamentos relativos a leis e atos regularmente inseridos no ordenamento jurídico, é de se registrar que exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada. Acrescese que o dever de observância das normas abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme expressa disposição da Portaria n° 258, de 24 de agosto de 2001, in verbis: Art. 7º. O julgador deve observar o disposto no art. 116, III da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. (...) Confirmando esse posicionamento, a Portaria MF n° 103, de 23 de abril de 2002, alterou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deles fazendo constar o art. 22A, estabelecendo que “no julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado” a ambos os órgãos “afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor”. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe Fl. 73DF CARF MF Processo nº 19679.008110/200598 Acórdão n.º 1002000.118 S1C0T2 Fl. 4 5 da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.003458/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. DÍVIDA. VEDAÇÃO.
É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.
(Súmula CARF nº 22).
Numero da decisão: 1402-000.934
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. DÍVIDA. VEDAÇÃO. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. (Súmula CARF nº 22).
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DÍVIDA. VEDAÇÃO. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. (Súmula CARF nº 22). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 11/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.003458/200874 Acórdão n.º 140200.934 S1C4T2 Fl. 70 2 Relatório Unibol Indústria, Comércio e Acabamentos de Confecções EsportivaS Ltda. – ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de insurgência contra Ato Declaratório Executivo que exclui o Contribuinte do Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006), com efeitos a partir de 01/01/2009, à razão de supostos "débitos com a Fazenda Pública Federal, com a exigibilidade não suspensa" (fls. 01/04, 13). O Contribuinte alega, breve síntese, que os débitos que lhe são imputados estariam com a exigibilidade suspensa. Pondera, ainda, que, como regular optante do Simples Federal (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996), e assim procedido aos devidos recolhimentos, não faria sentido suportar exigências isoladas de contribuições previdenciárias, certo que incluídas na sistemática em apreço.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 25.121 (fls. 5051) de 12/03/2009, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada. A decisão foi assim ementada. “SIMPLES NACIONAL. DÍVIDA. VEDAÇÃO. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa é circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 30/03/2009 (A.R. de fl. 54), a interessada interpôs recurso voluntário em 28/04/2009 (fls. 5560) onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 11/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.003458/200874 Acórdão n.º 140200.934 S1C4T2 Fl. 71 3 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente há que se esclarecer que o Ato Declaratório de Exclusão (ADE), fl. 13, alega a existência de débitos junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa sem, contudo, a explicitação dos aludidos débitos naquele Ato Declaratório. A matéria sob exame é recorrente e já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, cujo entendimento exarado para casos semelhantes tem se consubstanciado segundo o teor da Súmula CARF nº 22, DOU de 22/12/2009, in verbis: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Diante do exposto, voto por considerar nulo o Ato Declaratório Executivo de fl. 13 que excluía a Recorrente da sistemática do Simples Nacional. Sala das Sessões, em 16 de março de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 11/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938799/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.206
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 38 79 9/ 20 09 -1 2 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.938799/200912 Resolução nº 3402001.206 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.938799/200912 Resolução nº 3402001.206 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.938799/200912 Resolução nº 3402001.206 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720724/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Anos-calendário: 2001, 2002 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos, em que pese a patente intenção de deixar de recolher e declarar tributos devidos, não houve dolo por parte do contribuinte, que nada fez para impedir ou retardar o conhecimento das infrações por parte do Fisco, muito menos para desconfigurar a ocorrência dos fatos geradores, logo incabível a aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ, CSLL E IR-FONTE. Afastada a acusação de fraude. À luz do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manifestado em recurso repetitivo, havendo antecipação do pagamento dos tributos, o transcurso do prazo decadencial, ocorrerá em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN, nos períodos em que foi comprovado o efetivo pagamento dos tributos , ou a contar do ano seguinte, caso não tenha havido pagamentos. PRAZO DECADENCIAL. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Em se tratando de fato jurídico-tributário cuja tributação é condicionada a procedimento de ofício da autoridade fiscal, não há que se falar em atividade de lançamento por parte do contribuinte, sujeito a aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 150 do CTN, pelo qual se homologa a atividade, independentemente da natureza do tributo. Se o contribuinte contabiliza pagamentos que pela natureza não estariam sujeito à
retenção de IRFonte,
porém, a fiscalização logra comprovar que os valores
tiveram outra destinação, essa sim sujeita a tributação (pagamentos sem
causa), o lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art. 149 do CTN,
sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173I,
do mesmo Código.
PIS E COFINS. ANOSCALENDÁRIO
2001 E 2002. APURAÇÃO
MENSAL. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS. PRAZO
DECADENCIAL CONTADO MÊS A MÊS. MARCO INICIAL A PARTIR
DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. A decisão do Supremo Tribunal
Federal e a edição de Súmula Vinculante nº 8 reconhecendo que são
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, possui efeito vinculante em relação à Administração Pública direta e indireta.
Tendo a notificação do lançamento se efetivada em 24/12/2007, encontram-se decadentes as exigências do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2002, uma vez que o contribuinte efetivamente realizou pagamento desses tributos.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. OMISSÃO.
EXIGÊNCIA DO IMPOSTO COM MULTA DE 75%. A consequência de
pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é a exigência do imposto com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada. A realização de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é direito da pessoa jurídica, que tem como obrigação recolher o IRRF, mas que pode, por si só, não ser compreendido como ação, omissão ou conluio com a finalidade de
ocultar, retardar, suprimir ou reduzir tributo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS EM NOME PRÓPRIO. SITUAÇÕES PECULIARES QUANTO A ESTAS INFRAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A consequência da não comprovação da origem dos
depósitos creditados em conta bancária, em nome próprio, é a presunção de omissão de receitas, com lançamento de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), conforme previsto no artigo 42, combinado com o artigo 44, I, ambos da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. A falta de escrituração dos depósitos bancários não
se constitui em razão para, por si só, qualificar a multa.
A não contabilização da receita, cujos valores foram creditados em conta bancária em nome da empresa, não se constitui em causa que demonstre omissão com a intenção de ocultar a ocorrência de fato gerador. Situação bem diferente seria caso os valores tivessem sido depositados em conta de terceiros.
Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.770
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) em relação ao recurso voluntário, dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%; b) Por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência em relação à Contribuição para o PIS e COFINS, até os fatos geradores de 30.11.2002, e do IRPJ e CSLL, até os fatos geradores do segundo trimestre do ano-calendário de 2002; c) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre do ano-calendário de 2002, e do IRRF dos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002, vencidos, os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (relator), Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. d) Por unanimidade de votos, em relação à infração de pagamento sem causa, manter a incidência do IRRF, somente dos pagamentos 28.08.2002 e 02.12.2002, e negar provimento em relação às demais questões de mérito. Designado para fazer o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) em relação ao recurso voluntário, dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%; b) Por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência em relação à Contribuição para o PIS e COFINS, até os fatos geradores de 30.11.2002, e do IRPJ e CSLL, até os fatos geradores do segundo trimestre do ano-calendário de 2002; c) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre do ano-calendário de 2002, e do IRRF dos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002, vencidos, os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (relator), Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. d) Por unanimidade de votos, em relação à infração de pagamento sem causa, manter a incidência do IRRF, somente dos pagamentos 28.08.2002 e 02.12.2002, e negar provimento em relação às demais questões de mérito. Designado para fazer o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Anos-calendário: 2001, 2002 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos, em que pese a patente intenção de deixar de recolher e declarar tributos devidos, não houve dolo por parte do contribuinte, que nada fez para impedir ou retardar o conhecimento das infrações por parte do Fisco, muito menos para desconfigurar a ocorrência dos fatos geradores, logo incabível a aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ, CSLL E IR-FONTE. Afastada a acusação de fraude. À luz do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manifestado em recurso repetitivo, havendo antecipação do pagamento dos tributos, o transcurso do prazo decadencial, ocorrerá em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN, nos períodos em que foi comprovado o efetivo pagamento dos tributos , ou a contar do ano seguinte, caso não tenha havido pagamentos. PRAZO DECADENCIAL. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Em se tratando de fato jurídico-tributário cuja tributação é condicionada a procedimento de ofício da autoridade fiscal, não há que se falar em atividade de lançamento por parte do contribuinte, sujeito a aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 150 do CTN, pelo qual se homologa a atividade, independentemente da natureza do tributo. Se o contribuinte contabiliza pagamentos que pela natureza não estariam sujeito à retenção de IRFonte, porém, a fiscalização logra comprovar que os valores tiveram outra destinação, essa sim sujeita a tributação (pagamentos sem causa), o lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art. 149 do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173I, do mesmo Código. PIS E COFINS. ANOSCALENDÁRIO 2001 E 2002. APURAÇÃO MENSAL. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS. PRAZO DECADENCIAL CONTADO MÊS A MÊS. MARCO INICIAL A PARTIR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. A decisão do Supremo Tribunal Federal e a edição de Súmula Vinculante nº 8 reconhecendo que são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, possui efeito vinculante em relação à Administração Pública direta e indireta. Tendo a notificação do lançamento se efetivada em 24/12/2007, encontram-se decadentes as exigências do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2002, uma vez que o contribuinte efetivamente realizou pagamento desses tributos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. OMISSÃO. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO COM MULTA DE 75%. A consequência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é a exigência do imposto com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada. A realização de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é direito da pessoa jurídica, que tem como obrigação recolher o IRRF, mas que pode, por si só, não ser compreendido como ação, omissão ou conluio com a finalidade de ocultar, retardar, suprimir ou reduzir tributo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS EM NOME PRÓPRIO. SITUAÇÕES PECULIARES QUANTO A ESTAS INFRAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A consequência da não comprovação da origem dos depósitos creditados em conta bancária, em nome próprio, é a presunção de omissão de receitas, com lançamento de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), conforme previsto no artigo 42, combinado com o artigo 44, I, ambos da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. A falta de escrituração dos depósitos bancários não se constitui em razão para, por si só, qualificar a multa. A não contabilização da receita, cujos valores foram creditados em conta bancária em nome da empresa, não se constitui em causa que demonstre omissão com a intenção de ocultar a ocorrência de fato gerador. Situação bem diferente seria caso os valores tivessem sido depositados em conta de terceiros. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos, em que pese a patente intenção de deixar de recolher e declarar tributos devidos, não houve dolo por parte do contribuinte, que nada fez para impedir ou retardar o conhecimento das infrações por parte do Fisco, muito menos para desconfigurar a ocorrência dos fatos geradores, logo incabível a aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ, CSLL E IRFONTE. Afastada a acusação de fraude. À luz do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manifestado em recurso repetitivo, havendo antecipação do pagamento dos tributos, o transcurso do prazo decadencial, ocorrerá em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN, nos períodos em que foi comprovado o efetivo pagamento dos tributos , ou a contar do ano seguinte, caso não tenha havido pagamentos. PRAZO DECADENCIAL. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Em se tratando de fato jurídicotributário cuja tributação é condicionada a procedimento de ofício da autoridade fiscal, não há que se falar em atividade de lançamento por parte do contribuinte, sujeito a aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 150 do CTN, pelo qual se homologa a atividade, independentemente da natureza do tributo. Se o Fl. 1070DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 2 2 contribuinte contabiliza pagamentos que pela natureza não estariam sujeito à retenção de IRFonte, porém, a fiscalização logra comprovar que os valores tiveram outra destinação, essa sim sujeita a tributação (pagamentos sem causa), o lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art. 149 do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173I, do mesmo Código. PIS E COFINS. ANOSCALENDÁRIO 2001 E 2002. APURAÇÃO MENSAL. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS. PRAZO DECADENCIAL CONTADO MÊS A MÊS. MARCO INICIAL A PARTIR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. A decisão do Supremo Tribunal Federal e a edição de Súmula Vinculante nº 8 reconhecendo que são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, possui efeito vinculante em relação à Administração Pública direta e indireta. Tendo a notificação do lançamento se efetivada em 24/12/2007, encontram se decadentes as exigências do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2002, uma vez que o contribuinte efetivamente realizou pagamento desses tributos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. OMISSÃO. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO COM MULTA DE 75%. A consequência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é a exigência do imposto com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada. A realização de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado é direito da pessoa jurídica, que tem como obrigação recolher o IRRF, mas que pode, por si só, não ser compreendido como ação, omissão ou conluio com a finalidade de ocultar, retardar, suprimir ou reduzir tributo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS EM NOME PRÓPRIO. SITUAÇÕES PECULIARES QUANTO A ESTAS INFRAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A consequência da não comprovação da origem dos depósitos creditados em conta bancária, em nome próprio, é a presunção de omissão de receitas, com lançamento de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), conforme previsto no artigo 42, combinado com o artigo 44, I, ambos da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. A falta de escrituração dos depósitos bancários não se constitui em razão para, por si só, qualificar a multa. A não contabilização da receita, cujos valores foram creditados em conta bancária em nome da empresa, não se constitui em causa que demonstre omissão com a intenção de ocultar a ocorrência de fato gerador. Situação bem diferente seria caso os valores tivessem sido depositados em conta de terceiros. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1071DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) em relação ao recurso voluntário, dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%; b) Por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência em relação à Contribuição para o PIS e COFINS, até os fatos geradores de 30.11.2002, e do IRPJ e CSLL, até os fatos geradores do segundo trimestre do anocalendário de 2002; c) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre do anocalendário de 2002, e do IRRF dos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002, vencidos, os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (relator), Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. d) Por unanimidade de votos, em relação à infração de pagamento sem causa, manter a incidência do IRRF, somente dos pagamentos 28.08.2002 e 02.12.2002, e negar provimento em relação às demais questões de mérito. Designado para fazer o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório A recorrente é empresa tributada com base no lucro trimestral. O auto de infração de fls. 08/186 exige o pagamento de IRPJ, IRRF, CSLL, PIS e COFINS. O lançamento referese aos trimestres dos anoscalendário de 2001 e 2002 e foi cientificado à contribuinte em 24/12/2007 (fl. 09), imputandolhes as seguintes infrações: 1) omissão de receitas verificada pela constatação de depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 2001 e 2002; 2) omissão de receitas caracterizada pelas compras de mercadoria não contabilizadas, no 4° trimestre de 2001; Fl. 1072DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 4 4 3) omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamento de compras de cimento, nos anoscalendário de 2001 e 2002; 4) omissão de receitas verificada pela venda de mercadoria não contabilizada, no 4° trimestre de 2001; 5) glosa de custos indevidos, no 2°, 3° e 4° trimestre de 2002; 6) glosa de excesso de custos, no 1°, 2° e 3° trimestres de 2001 e 1° trimestre de 2002; 7) glosa de deduções da receita bruta, no 4° trimestre de 2001, e 1°, 2° e 3° trimestre s de 2002; 8) glosa de excesso de despesas, no 3° trimestre de 2002; 9) glosa de prejuízo de empresa controlada, no 4° trimestre de 2001; 10) recuperação de custos parcela excluída indevidamente do resultado do exercício, no 4° trimestre de 2001; 11) pagamento efetuados a beneficiários não identificados, nos anos calendário de 2001 e 2002. A autoridade fiscal qualificou a multa de ofício em 150% pois entendeu caracterizado o dolo na prática das infrações verificadas, ante a “profusão de omissões só explicáveis pela deliberada finalidade de lesar o erário”. A empresa recorrente apresentou impugnação (fls. 769/831), aduzindo em síntese: a) nulidade do lançamento pela ausência de notificação das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal; b) decadência da exigência tributária, com fulcro no artigo 150, § 4°, CTN; c) descabimento da aplicação da multa qualificada em face da ausência de dolo, fraude ou sonegação; d) ilegalidade da exigência de imposto com base apenas em depósitos bancários; e) que a fiscalização considerou como depósitos bancários a mera transferência de dinheiro entre contas do mesmo titular, resgates de aplicações, ordem de pagamento recebida e devoluções de cheques; f) que as compras não contabilizadas não representam omissão de receitas, pois não ficou comprovado o seu efetivo pagamento; g) requer diligências para constatar e atestar a regularidade de seus registros contábeis. Fl. 1073DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 5 5 Em 31/01/2008, a contribuinte protocolizou o requerimento de fls. 840/846, pleiteando a devolução do prazo para o oferecimento de impugnação, alegando que o Fisco teria retido seus documentos contábeis, impossibilitando exercício da ampla defesa. A DRJ de origem, às fls. 863/867, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo a decadência do direito à cobrança do IRPJ e do IRRF, cujos fatos geradores ocorreram até 30/12/2001. Igualmente, excluiu da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS o valor de R$ 1.885.758,99, referente à falta de escrituração de compras. A decisão recorrida está alicerçada nos seguintes fundamentos: “... As infrações compreendidas pelo presente lançamento são da competência dos anos de 2001 e 2002(...). (...) a falta da ciência das prorrogações automáticas quando do primeiro ato de oficio da autoridade fiscal junto ao sujeito passivo não tem o poder de invalidar o procedimento.... Afasto, assim, a preliminar de nulidade argüida. (...) O valor da presente exigência fiscal é expressivo (mais de trinta e oito milhões de reais); contudo, não é simplesmente pelo valor do lançamento de oficio que entendo presente o ânimo da empresa em se furtar da tributação. No caso vertente, a variedade de infrações a ela imputadas e contra as quais nem sequer foram apresentadas justificativas pela defendente impõem o reconhecimento de que não se tratou de um deslize na escrituração contábil. A conduta do sujeito passivo deixa claro uma política empresarial sistematicamente voltada para frustrar a arrecadação tributária, ilustrada pelos muitos exemplos coletados pela fiscalização, alguns dos quais merecem especial atenção: a) a existência de dezenas de depósitos sem justificativa, detectados após a necessidade de emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 199 a 205; b) compras decorrentes de atividades absolutamente estranhas ao objeto social da autuada (tratase de uma concessionária de veículos, mas que manteve atividade comercial de compra e venda de cimento), no montante de dois milhões de reais de compras não contabilizadas entre 2001 e 2002, nem os respectivos pagamentos e nem a receita da venda dessa mercadoria (fl. 20); c) constante descompasso entre a receita de vendas escriturada no Razão, que serviu de base para informar as DIPJs, e as receitas informadas no livro Registro de Apuração de ICMS (fls. 22 a 24); d) custos fictícios ou superavaliados; e) deduções indevidas de despesas; f) mais de sete milhões de reais pagos sem justificativa, boa parte deles movimentados em contas bancárias mantidas ao largo da contabilidade. Assim, por não se tratar de um fato isolado, ou um descuido na contabilidade do sujeito passivo, ou um deslize que guardasse proporção irrelevante confrontado a receita ou os custos e despesas escriturados, entendo que ficou bem caracterizado o Fl. 1074DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 6 6 dolo na prática das infrações apontadas pela fiscalização, o que autoriza a imposição da multa de oficio qualificada de 150% sobre o montante do tributo devido. (...) No que se refere ao IRPJ e ao IRRF, tratase de lançamentos sujeitos à homologação. O prazo para que a Administração homologue essa atividade é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme estabelecido pelo § 4° do citado artigo. Esse parágrafo, porém, traz uma ressalva quanto ao prazo para a homologação (...) (...) A ressalva contida nesse parágrafo diz respeito à ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como visto acima, sobejam nos autos as evidências do intuito da impugnante em sonegar os seus rendimentos à tributação. Assim, a contagem do prazo decadencial para o caso especifico da impugnante deixa de ser feita pelas normas do art. 150 da Lei n° 5.172/66 para seguir a regra geral insculpida no art. 173, inciso I, da mesma lei. Portanto, para os fatos geradores ocorridos até 30.12.2001, o lançamento poderia ter sido efetuado ainda naquele próprio ano. Assim, para esses fatos geradores, o termo de início da contagem do prazo decadencial se deu em 1°.1.2002, e o prazo se estendeu até 31.12.2006. Portanto, para todos os fatos geradores de IRPJ e de IRRF ocorridos até o dia 30.12.2001, o lançamento foi atingido pela decadência e, portanto, deverá ser anulado. Para os fatos geradores ocorridos do dia 31.12.2001 em diante, o termo de início da contagem do prazo decadencial passa a ser o dia 1.1.2003 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), sendo que o prazo decadencial se estendeu até o dia 31.12.2007. Como a ciência do lançamento se deu em 24.12.2007, não houve decadência nem do IRPJ e nem do IRRF referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 3.12.2001. Contudo, no que se refere às contribuições para a seguridade social, embora sejam também tributos sujeitos.... A Lei n° 8.212, de 24.7.1991, estabelece prazo decadencial .... após 10 (dez) anos. Quanto ao mérito, sustenta a impugnante que os depósitos bancários não podem ser considerados como receita. De fato, se considerados por si só, não representam receita. Porém, uma vez intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, o titular deverá se desincumbir dessa prova, caso contrário serão presumidos, por determinação legal, como receita omitida. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada é uma presunção legal prevista pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996. As presunções legais têm o condão de inverter o ônus da prova .... Tampouco vale para a defesa a alegação de que a fiscalização considerou como depósitos bancários a mera transferência de dinheiro entre contas do mesmo titular, resgates de aplicações, ordem de pagamento recebida e devoluções de cheques. Os lançamentos a crédito relacionados às fls. 10 a 12 dos autos referemse unicamente Fl. 1075DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 7 7 a depósito em numerário ou cheque, não se tratam de resgates e nem de transferência entre contas de mesma titularidade. ... Quanto à omissão de receitas derivada de omissão de compras, apontada pela fiscalização às fls. 17 e 18 dos autos, resultante do cotejo do Razão com o livro Registro de Apuração do ICMS, o lançamento não deve prosperar. A presunção legal trazida pela legislação referese aos casos de pagamentos não escriturados, o que não se confunde com a falta de escrituração de compras. Essas podem ter sido pagas à vista ou a prazo e, nesta última hipótese, seria necessário saber a data dos respectivos pagamentos para poder determinar a qual período de apuração iria se referir a receita omitida. Portanto, o valor de R$ 1.885.758,99 deve ser excluído da base de cálculo dos tributos referentes ao período de apuração de 31.12.2001. (....) Em conclusão, voto por declarar o lançamento procedente em parte, a fim de excluir as exigências de IRPJ e de IRRF cujos fatos geradores ocorreram até 30.12.2001 e de excluir da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins o valor de R$ 1.885.758,99, referente ao período de apuração de 31.12.2001....” O Quadro a seguir, apresenta os valores dos tributos devidos relativos ao período de apuração de 31.12.2001, em conformidade com o presente voto: PA (31/12/2001 Valor Lançado Valor Mantido IRPJ 2.159.995,54 1.688.555,79 CSLL 920.486,76 750.768,45 PIS 16.351,73 4.094,30 COFINS 75.469,54 18.896,77 Em face da decisão acima, que tem recurso de ofício, a autuada opôs embargos declaratórios, que restaram desacolhidos, conforme dispõe o acórdão às fls. 947/950. Intimada, a contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso voluntário de fls. 954 a 1004, alegando, em síntese: a) nulidade da decisão recorrida naquilo que não se subsume em matéria de ordem pública e no reconhecimento de ofício, devolvendose o prazo, para com base nos documentos retidos pelo Fisco até 10/07/2009, apresentar impugnação no tocante ao mérito; Quanto a este ponto, argumenta a recorrente que em 24/12/2007 recebeu a notificação e, em seguida, movimentouse no pedido de devolução dos livros contábeis e demais documentos que haviam sido apreendidos para apresentar impugnação. Não os tendo recebido em tempo hábil, ficou impossibilitada de adentrar nas questões fáticas relacionadas ao mérito (fl. 956), razão pela qual elaborou sua defesa apenas invocando questões “preliminares e preliminares meritórias.” Fl. 1076DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 8 8 Ainda em relação a este ponto, à fl. 962, transcrevendo petição anterior, a recorrente argumenta: (...) 4 — Em que pese O fato de constar do TERMO DE ENCERRAMENTO, que foram devolvidos todos os Livros (contábeis e fiscais), como também todos os documentos utilizados na ação fiscal, O AUDITORFISCAL — Sr. SÉRGIO L. A. MICHILES (MentuA 22.682) — comunicou o representante da REQUERENTE, e signatário do presente, o agendamento oportuno de data para a DEVOLUÇÃO dos livros contábeis e fiscais e os documentos requisitados/apreendidos no curso da ação fiscal. 5 — Durante a fluência do prazo para impugnação, diligente, o representante da REQUERENTE compareceu em diversas oportunidades ao SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO SEFIS, sem, contudo, obter êxito de encontrar os AUDITORESFISCAIS que conduziram o procedimento, em razão dos mesmos se encontrarem em gozo de férias. 6 — Ocorre, todavia, que até a presente data a REQUERENTE não obteve a DEVOLUÇÃO dos seus Livros e documentos requisitados / apreendidos no curso da ação fiscal, acarretando, via de conseqüência, prejuízo concreto à defesa, dada a impossibilidade de produção das provas demandadas. 7 — Como bem sabe Vossa Senhoria, o prazo para apresentação da IMPUGNAÇÃO é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que foi tomada 'ciência' da autuação. 8 Com efeito, o prazo final para apresentação tempestiva da IMPUGNAÇÃO transcorreu em 2410112008, tendo a REQUERENTE apresentado a 'defesa' em 23/01/2008, apenas com a argüição das "Preliminares de nulidade da autuação". b) decadência da exigência tributária, com fulcro no artigo 150, § 4°, do CTN, para os períodos anteriores a dezembro de 2002; c) descaracterização da multa qualificada em face da ausência de dolo, fraude ou sonegação; d) improcedência da decisão em face da inaplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91, por se tratar de evidente inconstitucionalidade sob o manto da súmula n° 08 do STF. É o relatório. Fl. 1077DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 9 9 Voto Vencido Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235, de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo. Quanto ao recurso de ofício, por ter excluído da exigência valor superior a um milhão de reais, também merece ser conhecido. Inicio a matéria pelo exame do recurso de ofício que reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2001, a exceção das contribuições previdenciárias e, também, afastou da base de a presunção de omissão de receitas caracterizada pelo não registro de compras. A decisão, quando ao recurso de ofício, quer em relação à decadência, quer em relação à presunção de omissão de receitas caracterizada pelo não registro de compras, se mantém por seus próprios fundamentos. A falta de escrituração de compras não se confunde com pagamentos não escriturados ou omissão de receita caracterizada por venda de mercadorias não contabilizadas. Neste sentido, necessário ter presente a definição de omissão de receita contida no artigo 2º da Lei nº 8.846 de 1992, repetida no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, a seguir transcrito: “Art. 2º. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação.” Da norma acima transcrita extraise os seguintes elementos cuja prova é necessária para que se caracterize a omissão de receita: (i) recebimento de um valor; (ii) não emissão de nota fiscal referente a este valor, ou a sua emissão por um valor inferior; (iii) não escrituração deste valor; (iv) não tributação deste valor. No caso dos autos não se está tributando o recebimento de um valor, mas sim se presumindo omissão de receita por compras não escrituradas de mercadorias que posteriormente foram vendidas. No caso concreto, a se manter a exigência caracterizada pelos depósitos bancários e pelos pagamentos sem causa, em conjunto com as compras não escrituradas, à toda evidência, além da presumível omissão de receita com base no artigo 283 Fl. 1078DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 10 10 do Regulamento do Imposto de Renda, estarseia tributando duas a mesma receita, isto é, a receita proveniente das compras não escrituradas que, quando das vendas, resultaram em depósitos de origem não comprovada, cujos recursos foram utilizados, em parte, para pagar ditas mercadorias. Ademais, para que pudéssemos caracterizar omissão de receita seria necessário descrever o período em que esta ocorreu, pois se anterior há cinco anos, contados do lançamento, na forma do artigo 150% § 4º, ou, do art. 173, I, do CTN, estaríamos diante de situação atingida pela decadência. Na realidade, o caso dos autos revela, entre outros detalhes, que a recorrente é empresa com atividade principal voltada ao comércio de veículos e que resolveu comprar e vender cimento, usando para tal recursos da empresa. Quando da venda do cimento a receita era creditada na própria conta da empresa, sem a devida contabilidade. Se considerarmos que o dinheiro da venda do cimento, creditado na conta da empresa, caracteriza omissão de receita, como efetivamente é, não podemos dizer que a utilização, novamente, deste dinheiro para compra de mais cimento caracteriza receita omitida, sob pena criarmos situação de tributação dupla. Explico melhor. Ao vender o cimento a empresa depositava estes recursos em sua conta bancária, o que caracteriza receita omitida. Ao utilizar estes recursos para comprar cimento para revender não se pode presumir nova receita omitida. A prova dos autos, conforme apontado durante os debates pelo Conselheiro Antônio Praga, que em sessão anterior havia pedido vista dos autos, dá conta de situação semelhante em relação a outros produtos. Quanto à decadência, em relação aos fatos geradores que ocorreram até 30/12/2001, tendo o lançamento se efetivado em 24/12/2007, não há o que reformar na decisão que, mesmo mantendo a exigência com multa qualificada, reconheceu a decadência para os fatos ocorridos até 30/12/2001, com exceção das contribuições sociais, para as quais aplicou prazo decenal. Com tais considerações, nego provimento ao recurso de ofício e passo ao exame do recurso voluntário que contém os seguintes pontos a serem enfrentados: a) nulidade da decisão recorrida por não devolução dos livros contábeis em tempo hábil para a impugnação de mérito devolvendose o prazo para, com base nos documentos retidos pelo Fisco até 10/07/2009, apresentar impugnação no tocante ao mérito; b) descaracterização da multa qualificada em face da ausência de dolo, fraude ou sonegação; c) decadência da exigência tributária, com fulcro no artigo 150, § 4°, do CTN, para os períodos anteriores a dezembro de 2002; d) reforma da decisão recorrida no ponto em que não aplicou a súmula vinculante n° 08 do STF. Da alegação de nulidade da decisão recorrida por não devolução dos livros contábeis em tempo hábil para a impugnação de mérito Argumenta a recorrente que em 24/12/2007 recebeu a notificação e, em seguida, movimentouse no pedido de devolução dos livros contábeis e demais documentos que haviam sido apreendidos para apresentar impugnação. Não os tendo recebido em tempo Fl. 1079DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 11 11 hábil, ficou impossibilitada de adentrar nas questões fáticas relacionadas ao mérito (fl. 956), razão pela qual elaborou sua defesa invocando apenas questões “preliminares e preliminares meritórias.” Ao apresentar a impugnação de fls. 769 e seguintes, a recorrente não alega cerceamento de defesa. No entanto, na semana seguinte, em 30/01/2008, apresenta a petição de fls. 840 a 846, requerendo a restituição dos Livros Contábeis e devolução do prazo para impugnação (fl. 846). Diante da petição acima referida, à fl. 837, foi lançada a seguinte informação: Os livros contábeis Razão e Diário referentes aos anos de 2001 e 2002, períodos referentes à fiscalização da qual resultaram os processos acima mencionados, foram retidos com fundamento no art. 915, § 1º, do RIR/1999, e deles foram entregues cópias integrais para o contribuinte, conforme comprovam os termos anexos. Estes termos estão incluídos nos processos. Não tem sentido, portanto, a alegação de que os livros não foram devolvidos. Além do mais, cópias das folhas do Razão ou do Diário foram anexadas aos processos como comprovantes dos ilícitos narrados no Auto de Infração. Ainda, em relação a esta matéria, há nos autos o termo de devolução de documentos de fls. 861, datado de 03/04/2008, tendo o procurador da parte, em tal data, recusado o recebimento. O termo de fl. 861 faz provar que até 03/04/2008 a autoridade fiscal não tinha restituído à contribuinte os aludidos livros. Se estes eram essenciais ou não ao exercício do direito de defesa somente a autuada é quem poderia avaliar. Não tivesse nos autos cópias dos livros apontados pela recorrente, eu não teria dúvida em reconhecer a nulidade, a partir do lançamento, para reabrir o prazo de defesa. No entanto, no momento em que existia cópia dos aludidos livros nos autos, e tendo a impugnante acesso aos autos, não é caso de nulidade. Com tais considerações, rejeito a alegação de nulidade invocada pela recorrente. Da alegação de inexistência de circunstâncias que caracterizam a multa qualificada em face da alegada ausência de dolo, fraude ou sonegação; Nos casos em que a autoridade fiscal sustenta a qualificação da multa em razão da existência de fraude, deve, necessariamente, comprovar o evidente intuito, ou dolo específico, o qual é exigido como condição sine qua non para a caracterização da fraude e a aplicação da multa de ofício qualificada. Há certas situações que a lei presume omissão de receitas. A título de exemplo citase o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que caracteriza como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1080DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 12 12 A consequência da não comprovação da origem dos depósitos creditados em conta bancária é a presunção de omissão de receitas, com lançamento de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), conforme previsto no artigo 42, combinado com o artigo 44, I, ambos da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. A aplicação da multa qualificada somente pode ser imputada ao sujeito passivo em casos de existência real e comprovada de fraude ou de comprovado intuito de fraude. A regra do artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, não comporta presunção de nenhuma espécie. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, como já foi dito, não autoriza a qualificação da multa de ofício. O dolo, a fraude e a simulação requerem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. Entendo eu, por exemplo, que na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, creditados em conta própria do sujeito passivo, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira, é preciso que se tenha presente as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: “Lei Complementar n° 105, de 2001. ... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços.” “Decreto nº 4.489, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringir seão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... Fl. 1081DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 13 13 § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira.” Se por força das disposições legais anteriormente transcritas, mais precisamente o art. 2°, § 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da Fiscalização. Dentre os argumentos usados pela fiscalização para qualificar a multa está o fato da recorrente, cujo objeto social é o comércio de veículos, manter atividade paralela de compra e venda de cimento, sem registros contábeis. Esta atividade paralela, sem registro, à luz do artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda, caracteriza omissão. O não registro de operação comercial, por si só, não é elemento suficiente para caracterizar a qualificadora da multa. O ato de alguém não registrar transação comercial não permite que se avalie a subjetividade de seu agente. Se alegar, por exemplo, que tal fato deuse por esquecimento ou por não poder registrar em concessionária de veículos operações com compra e venda de cimento, descaracterizada está a intenção dolosa. A não justificativa da origem dos depósitos bancários, creditados na conta corrente do próprio titular, caracteriza receita omitida. Contudo, tal fato, por si só, não caracteriza ação, omissão ou sonegação com a finalidade de omitir da autoridade fiscal a existência de um fato gerador. Ao contrário, o depósito dos recursos em conta bancária do próprio titular possibilita que a autoridade fiscal, a partir das disposições constantes no artigo 2º do Decreto 4.482, de 2002, tome conhecimento da existência destas operações. Quanto às compras decorrentes de atividades absolutamente estranhas ao objeto social da autuada (tratase de uma concessionária de veículos, mas que manteve atividade comercial de compra e venda de cimento), sem a devida contabilização, tal fato demonstra receita omitida, passível de tributação com multa de 75%. Se a atividade da compra e venda de cimento tivesse sido regularmente contabilizada não se estaria falando de receita omitida. A não contabilização desta receita, cujos valores foram creditados em conta bancária em nome da empresa, não se constitui em causa que demonstre omissão com a intenção de ocultar a ocorrência de fato gerador. Situação bem diferente seria caso os valores tivessem sido depositados em conta de terceiros. A propósito, caso a recorrente efetivamente estivesse agindo de forma deliberada para sonegar informação da autoridade fiscal, com certeza, não teria depositado os valores em conta bancária em seu próprio nome. No tocante à dedução indevida de despesas, custos ou descompasso entre a receita efetiva e a receita escriturada, observo que em relação a esta última, conforme já destaquei acima, a exigência deve se dar com multa de 75%. Relativamente à dedução de Fl. 1082DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 14 14 despesas que a autoridade fiscal entendeu indevidas ou superavaliadas, em inexistindo notas fiscais inidôneas quanto a estas despesas, estando elas devidamente contabilizadas, é possível a glosa por entender que não se tratam de despesas dedutíveis, mas não a imputação de fraude em relação ao que está devidamente contabilizado. Com tais considerações, afasto a multa qualificada em relação a todos os tributos e passo analisar as questões que dizem respeito à decadência. Da decadência No início do século passado, mais precisamente, 06 de fevereiro de 1905, em Conferência sobre a coisa julgada, na Universidade de Bolonha, Chiovenda iniciou sua fala dizendo que nada mais havia a ser dito sobre o tema que não fosse repetição de tudo quanto já havia sido falado e escrito. O tempo mostrou que o ilustre processualista italiano estava errado em sua avaliação. Nos cem anos seguintes rios de tinta e montanhas de papéis foram gastos no estudo do tema que até hoje não encontra consenso entre os processualistas. Observase, por exemplo, a tese dos que passaram a defender a relativização da coisa julgada ou o tratamento dado a esta, nas ações coletivas, no atual projeto de Código de Processo Civil. Faço tal registro porque em relação à decadência, apesar de tudo o que já foi dito, há divergências incontáveis. Controvérsia a ser decidida diz respeito ao alcance da decisão do STJ, em recurso repetitivo, acerca da decadência, para as situações em que não há imposto a pagar, como ocorre, por exemplo, nos casos de contribuinte imune1, nos casos em que a pessoa jurídica apura prejuízo fiscal ou, nas situações em que a pessoa física, produtor rural, por ter prejuízos acumulados de exercício anterior, não apura imposto a pagar no ano seguinte. A exigência de pagamento, em matéria tributária, só pode existir quando houver norma que incidiu sobre determinada situação fática e desta incidência resultou em imposto a pagar. Assim, só se pode exigir pagamento, para efeito de contagem de prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando houver imposto devido. Se a empresa apurou prejuízo fiscal, ainda que diante de tributo sujeito a lançamento por homologação, por não ser devido pagamento, este não pode ser exigido para fins de contagem do prazo decadencial. Poderseia argumentar que, em sendo constatado omissão, mesmo nos casos de pessoa física que exerce atividade rural e que pode compensar prejuízos anteriores, surge imposto a pagar. Tal tese, ao que nos parece, não se sustenta. Um único exemplo é capaz de minar sua credibilidade. Vejamos: Em ano anterior pessoa física, em relação à atividade rural, apurou prejuízo de R$ 100.000,00. No ano subsequente não declarou receita da atividade rural e a autoridade fiscal constata receita omitida, da atividade rural, no montante de R$ 60.000,00. Ainda assim temse prejuízo de R$ 40.000,00 e em tal situação não haverá imposto a pagar. O exemplo acima também se aplica à pessoa jurídica. No caso dos autos, por exemplo, no terceiro trimestre de 2002 a empresa apurou prejuízo. Tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação. Para efeito de contagem do prazo decadencial só seria possível exigir pagamento, para efeito de ato relevante para contagem do início do prazo decadencial, caso fosse devido pagamento. Ao se interpretar a decisão do STJ, quando ela fala em 1 O contribuinte imune pode estar obrigado a reter IRRF. Fl. 1083DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 15 15 pagamento, deve ser entendido como pagamento devido. Não se pode exigir pagamento em situação em que a empresa apura prejuízo. Na mesma linha, quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte, fazse as seguintes indagações: O IRRF decorrente de pagamento a beneficiário não identificado tem a mesma natureza jurídica do que pagamento sem causa? A retenção do IRRF em relação ao salário pago ao funcionário tem a mesma natureza jurídica do que o IRRF incidente sobre os valores pagos na prestação de serviços sem vínculo empregatício? Agora, pegase a situação contida na pergunta anterior, com a variável de que a empresa não identificou o prestador de serviços a quem pagou. Perguntase: A não identificação da pessoa que recebeu os recursos constituise em elemento que altera a natureza jurídica do IR que deve ser retido na fonte ou é causa de mudança apenas da alíquota? A retenção de juros sobre o capital próprio tem natureza jurídica distinta do pagamento de juros em caso de contratos de mútuo ou apenas se distinguem em face dos códigos que a Receita convencionou utilizar para identificar um e outro? E se tivessem sido utilizados os mesmos códigos, haveria elemento que alteraria a natureza jurídica ou esta ainda estaria relacionada à aferição de renda? O pagamento do IRRF como elemento relevante para contagem do prazo decadencial, como entendem alguns, deve dizer respeito a que fato gerador ou período de apuração (diário, semanal, mensal ou anual)? É possível apanhar o pagamento do IRRF em relação ao salário pago a funcionário, num determinado dia, para considerar como antecipação relacionada ao salário pago a outro funcionário, em dia distinto? Considerando que o IRRF diz respeito a fato gerador que pode ter período de apuração diário, semanal, mensal ou anual, o pagamento feito em relação a fato gerador ocorrido numa semana pode ser considerado para fins do marco inicial do prazo decadencial para fato gerador que ocorreu na semana ou no mês seguinte? É necessário que o pagamento do IRRF diga respeito à mesma situação fática ou pode dizer respeito à mesma natureza jurídica? Mais, a final, qual a natureza jurídica do IRRF? A natureza jurídica do imposto de renda retido na fonte; quer diga respeito a pagamento feito à pessoa com vínculo empregatício ou sem vínculo de emprego; quer diga respeito a pagamento de juros sobre o capital próprio ou pagamento de juros em contrato de mútuo; quer diga respeito a beneficiário não identificado ou a pagamento sem causa; quer diga respeito a fato gerador instantâneo ou complexivo; quer diga respeito à apuração diário, semanal, mensal, anual; quer a Receita Federal adote este ou aquele código para fins de controle interno, sempre a mesma, isto é a obtenção de riqueza nova auferida por quem recebeu a importância paga. Fl. 1084DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 16 16 As razões acima expostas demonstram o porquê os pagamentos feitos a título de IRRF, independentemente do fato ou do código adotado pela Receita, por guardarem a mesma natureza jurídica, devem ser considerados para efeito do início da contagem do prazo decadencial para todas as hipóteses relacionadas ao IRRF, ocorridas em determinado exercício (art. 150, § 4º, do CTN). Assim, por já ter decorrido, quando do lançamento, mais de cinco anos, reconheço a decadência em relação a todas as exigências do IRRF. Caso resulte vencido em relação ao IRRF passo a examinar o mérito relacionado aos pagamentos sem causa. Da questão relacionada aos pagamentos sem causa, no anocalendário de 2002 Determinadas empresas tributadas com base no lucro real, com a finalidade de reduzirem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contabilizam despesas não suportadas. Em tais situações estas despesas devem ser glosadas, aumentandose a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Todavia, não se pode exigir, de forma concomitante, IRRF como se ditos registros contábeis caracterizassem pagamento sem causa. Pagamento é ato concreto que decorre da efetiva entrega dos recursos. O registro contábil é ato formal que não prova pagamento. O caso dos autos, por exemplo, revela situação de registro contábil sem que o pagamento tenha ocorrido e, noutro momento, pagamento efetivamente realizado sem registro contábil. Isto demonstra que não é existência ou não do registro que irá definir a incidência do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, mas sim prova material da efetiva transferência dos recursos. Analisando cada uma das imputações, a partir da fl. 169 dos autos, a Fiscalização relacionou o que considerou pagamento sem causa nos anoscalendário de 2001 e 2002. Dado a decadência em relação aos fatos ocorridos até 30/12/2001, analisaremos somente as operações ocorridas após esta data, fazendo constar, em planilha que segue, o número da conta, a data, o valor e a fundamentação da autoridade fiscal. Após estes registros, o voto analisará as questões pertinentes relacionadas à materialidade da infração e à qualificação da multa. Conta: 078.2614 – Banco da Amazônia Razões da autoridade fiscal Data Valor 20/03/2002 348.500,00 fl. 170 O contribuinte justificou essa retirada de dinheiro como "Suprimento de Caixa". Como o movimento da conta bancária não foi escriturado não há registro do pagamento. Cópia do documento fornecida pelo banco mostra que o saque foi efetuado por meio de "saque avulso" e o beneficiário do pagamento não foi identificado. A conta "CAIXA" contábil desmente a afirmação do contribuinte; não há registro de entrada de dinheiro coincidente em data e valor, logo, este dinheiro também saiu do patrimônio da empresa, sem causa justificada. Fl. 1085DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 17 17 Conta: 100.2112 – Banco do Estado da Amazônia Razões da autoridade fiscal Data Valor 27/03/2002 100.000,00 fl. 171 Cheque de Caixa. Como se trata de conta bancária não escriturada não há registro do pagamento. O contribuinte justificou esse saque como "suprimento de caixa". Cópia do cheque fornecida pelo banco mostra que o cheque foi nominal a J. G. Rodrigues & Cia Ltda. e foi sacado no caixa. No entanto, a conta "Caixa" não registra entrada de dinheiro coincidente em data e valor, ou seja, mais uma vez expõese a informação falsa do contribuinte para dinheiro que saiu do patrimônio da empresa sem causa justificada. Conta: 4936 – Banco Bradesco Razões da autoridade fiscal Data Valor 28/08/2002 675.000,00 fl. 173 TED – Transferência Eletrônica Disponível O contribuinte não justificou esse pagamento. No entanto, o próprio histórico completo do extrato identifica o destinatário do pagamento: "TED Tran. Elet. Disponível Dest. Nice Veículos Ltda.". Na contabilidade este pagamento foi escriturado em 30/08/2002, com o seguinte registro: A débito da conta: 1.1.1.01.0001 CAIXA 675.000,00 A crédito da conta: 1.1.1.02.0013 BRADESCO AG:1999 675.000,00 Histórico: Vr. ch. comp. Bco. Bradesco n. 256.782 Esse registro significa que o dinheiro saiu do Bradesco e entrou no "Caixa" da empresa, o que representa uma flagrante inverdade, pois o beneficiário do pagamento foi a Nice Veículos Ltda. Logo, não há como negar a falta de causa para o pagamento. Conta: 48.4288 – Banco Bradesco Razões da autoridade Fiscal Data Valor 02/12/2002 146.000,00 fl. 173 Pagamento mediante autorização DBTP 02/12/2002 Pgto. Mediante Aut. DBTP R$ 146.000,00 Como se trata de conta bancária não escriturada não há registro do pagamento e o contribuinte não justificou a causa. São, portanto, condições mais que suficientes para considerálo pagamento sem causa Nas operações relacionadas aos pagamentos sem causa a autoridade qualificou a multa por entender que o sujeito passivo agiu mediante sonegação, fraude ou conluio com a intenção dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais. Quanto ao tema, cabe analisar a regramatriz de incidência tributária contida no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995, que assim dispõe: Fl. 1086DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 18 18 Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do artigo 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º. Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º. O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, tem por finalidade assegurar sigilo em relação a determinadas operações empresariais. Quis o legislador garantir que as pessoas jurídicas pudessem alcançar recursos a terceiros sem identificálos e sem mencionar a causa. A lei, ao usar as expressões “contabilizados ou não”, a primeira vista, poderia ensejar duas conclusões, a saber: a) o ato de não contabilizar o recurso entregue a terceiro, desde que recolhido o IRRF, não caracterizaria infração e teria por finalidade evitar que o registro contábil acabasse por revelar a identidade do beneficiário; b) ao usar a expressão “contabilizados ou não”, o legislador quis deixar claro que o imposto é devido mesmo nos casos em que não é contabilizado. No contexto, para que a norma tenha sentido, qual seja, garantir o sigilo, em relação à pessoa ou à causa, e ao mesmo tempo exigir o tributo devido, entendo que a expressão “contabilizado ou não”, contida no parágrafo primeiro, deve ser compreendida como possibilidade de registro contábil identificado apenas com as expressões “pagamento nos termos do artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981” ou algo similar. O ato de entregar dinheiro a alguém sempre está vinculado a uma causa subjetiva, seja por gratidão, fé, obrigação moral ou comercial. A lei, ao falar em pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado está regulando situações em que a empresa exerce direito de entregar dinheiro a terceiro sem exteriorizar o motivo ou identificálo. Isto é direito da pessoa jurídica e não pode ser compreendido como ação, omissão ou conluio com a finalidade de ocultar, retardar, suprimir ou reduzir tributo. A consequência dos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados é a exigência do imposto com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada, não cabendo a qualificação da multa como se pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado fosse atividade praticada mediante ação, fraude ou conluio com a intenção dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais. A consequência do não recolhimento do imposto é a multa no percentual de 75%, sem a qualificadora. Ademais, no caso dos autos, em relação aos valores depositados nas contas bancárias a autoridade fiscal, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, exigiu a Fl. 1087DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 19 19 tributação com multa qualificada. Desta forma, no momento em que o sujeito passivo usou tais recursos para efetuar pagamento, sem causa ou a beneficiário não identificado, não se pode dizer que agiu com dolo, fraude ou simulação com a finalidade de ocultar ou retardar a ocorrência de fato gerador, suprimir ou reduzir tributo. Se isto ocorre é no ingresso dos recursos e não na utilização dos mesmos em que a empresa exerceu a prerrogativa lhe assegurada no artigo 61, sendo lícita a exigência do imposto, com multa de 75% e não de 150%. Ainda, quanto ao mérito, por exemplo, ao que foi narrado pela fiscalização, a empresa tinha por finalidade o comércio de veículos. Sabidamente estas concessionárias, por contrato, ficam vinculadas à determinada montadora. Assim, se contabilizados os R$ 675.000,00 pagos à empresa Nice Veículos Ltda poderia resultar em prova de que a autuada estaria adquirindo veículos que não da montadora para comercializar em seu estabelecimento. Com tais fundamentos, também afasto a qualificadora da multa em relação às exigência tributárias relacionadas aos pagamentos sem causa e, por consequência, por se tratarem de fatos geradores diários, cujos lançamentos poderiam ter sido realizados no ano de 2002, mesmo para aqueles que contam o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte, quando do lançamento realizado em 24/12/20097, já havia decorrido mais de cinco anos, portanto, caracterizada a decadência. Ademais, caso superada a questão da inexistência de multa qualificada em relação aos pagamentos sem causa, pende analisar as questões materiais quanto a cada um dos alegados pagamentos: Conta: 078.2614 – Banco da Amazônia Razões da autoridade fiscal Data Valor 20/03/2002 348.500,00 O contribuinte justificou essa retirada de dinheiro como "Suprimento de Caixa". Como o movimento da conta bancária não foi escriturado não há registro do pagamento. Cópia do documento fornecida pelo banco mostra que o saque foi efetuado por meio de "Saque Avulso" e o beneficiário do pagamento não foi identificado. A conta "CAIXA" contábil desmente a afirmação do contribuinte; não há registro de entrada de dinheiro coincidente em data e valor, logo, este dinheiro também saiu do patrimônio da empresa, sem causa justificada. Em primeiro lugar cabe destacar que não se pode confundir registro contábil com o pagamento propriamente dito. Registro contábil não materializa pagamento. Este, o pagamento, ocorre mediante a entrega ou transferência dos recursos, estejam ou não contabilizados. A expressão contabilizados ou não está na própria regra de incidência. Conforme dito anteriormente, para que se materialize a situação fática de incidência da regramatriz do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é necessário prova material do pagamento, fato que não se demonstra com o registro contábil, pois registro contábil não prova pagamento. No caso concreto há um saque avulso no caixa da empresa. Saque avulso somente pode ser realizado pelo titular da conta. O fato da empresa ir ao caixa do Banco e fazer saque avulso, sem formalizar a entrada destes recursos na conta caixa, não materializa prova de pagamento a terceiro não identificado. Volto a repetir, não é o registro contábil que faz prova do pagamento, mas sim a efetiva entrega dos recursos. O que se tem em relação a Fl. 1088DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 20 20 este lançamento é a saída dos recursos da conta banco, mas não a materialidade de pagamento a alguém. Por tais razões, caso superadas as questões relacionadas à decadência, também por estes fundamentos, em relação ao valor acima, dou provimento ao recurso. Conta: 100.2112 – Banco do Estado da Amazônia Razões da autoridade fiscal Data Valor 27/03/2002 100.000,00 Cheque de Caixa. Como se trata de conta bancária não escriturada não há registro do pagamento. O contribuinte justificou esse saque como "suprimento de Caixa". Cópia do cheque fornecida pelo banco mostra que o cheque foi nominal a J. G. Rodrigues & Cia Ltda. e foi sacado no caixa. No entanto, a conta "Caixa" não registra entrada de dinheiro coincidente em data e valor, ou seja, mais uma vez expõese a informação falsa do contribuição para dinheiro que saiu do patrimônio da empresa sem causa justificada. Os fundamentos utilizados em relação ao lançamento anterior aplicamse ao presente caso. Se o cheque foi nominal a J. G. Rodrigues & Cia Ltda. e sacado no caixa, se tem a prova material de que esta sacou os recursos da conta bancária, mas o fato de não têlos lançado na conta caixa não caracteriza pagamento a terceiro. Registro contábil não é causa para incidência ou não da regra contida no artigo 61 da Lei nº 98.981, de 1995. Por tais razões, caso superadas as questões relacionadas à decadência, também por estes fundamentos, em relação ao valor acima, dou provimento ao recurso. Conta: 4936 – Banco Bradesco Razões da autoridade fiscal Data Valor 28/08/2002 675.000,00 TED – Transferência Eletrônica Disponível O contribuinte não justificou esse pagamento. No entanto, o próprio histórico completo do extrato identifica o destinatário do pagamento: "TED Tran. Elet. Disponível Dest. Nice Veículos Ltda.". Na contabilidade este pagamento foi escriturado em 30/08/2002, com o seguinte registro: A débito da conta: 1.1.1.01.0001 CAIXA 675.000,00 A crédito da conta: 1.1.1.02.0013 BRADESCO AG:1999 675.000,00 Histórico: Vr. ch. comp. Bco. Bradesco n. 256.782 Esse registro significa que o dinheiro saiu do Bradesco e entrou no "Caixa" da empresa, o que representa uma flagrante inverdade, pois o beneficiário do pagamento foi a Nice Veículos Ltda. Logo, não há como negar a falta de causa para o pagamento. Tudo o que foi dito em relação aos outros lançamentos, isto é, que registro contábil não é causa para incidência ou não da regra contida no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, de forma contrária, vale para o caso concreto. Nos casos anteriores tinhase o saque feito pela empresa e não se tinha o registro contábil. Aqui, temse o registro contábil apontando como recursos destinados à conta caixa, com prova de que a referida TED foi feita à empresa Fl. 1089DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 21 21 Nice Veículos Ltda, o que caracteriza o pagamento sem causa, só que sem exigência de multa qualificada. Conta: 48.4288 – Banco Bradesco Razões da autoridade Fiscal Data Valor 02/12/2002 146.000,00 Pagamento mediante autorização DBTP 02/12/2002 Pgto. Mediante Aut. DBTP R$ 146.000,00 Como se trata de conta bancária não escriturada não há registro do pagamento e o contribuinte não justificou a causa. São, portanto, condições mais que suficientes para considerálo pagamento sem causa Nos dois primeiros casos tínhamos saques bancários feitos pela própria empresa. O ato da empresa sacar recursos de suas contas, ainda que não contabilizados, não materializa pagamentos a terceiros. Aqui tem situação diversa, qual seja, a transferência de recursos a terceiros, o que demonstra prova material, razão pela qual, em relação a este ponto, se não acolhidos os demais fundamentos, mantémse a exigência, sem multa qualificada Das demais questões relacionadas à decadência Afastada a multa qualificada, cabe analisar a decadência que: a) em relação ao IRPJ e a CSLL tem fatos geradores trimestrais; b) em relação à COFINS e ao PIS tem fatos geradores mensais. A propósito, na tentativa de evitar controvérsias entre decisões proferidas na esfera administrativa e no judiciário, inseriuse no Regimento Interno do Carf o artigo 62A, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pois bem, para ficar no âmbito do STJ, nos termos do artigo 543C, do CPC, a admissibilidade, processamento, quorum e competência para julgamento de recursos repetitivos têm requisitos especiais, dentre os quais os que seguem: a) emissão de juízo valorativo pelo Ministro Relator propondo ao colegiado a matéria a ser submetida à sistemática dos recursos repetitivos; b) admissibilidade de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia (art. 543C, § 4º, do CPC); Fl. 1090DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 22 22 c) vista ao Ministério Público (art. 543C, § 5º, do CPC); d) possibilidade de sustentação oral dos interessados; e) julgamento pela seção ou na Corte Especial, conforme o caso, que decidirá com o quorum de que trata o art. 119 do Regimento Interno do STJ (art. 543C, §§ 6º e 9º, do CPC). Citei os requisitos acima para demonstrar que este Colegiado, na forma do artigo 62A, do Regimento Interno do Carf, deve aplicar as decisões do STJ aprovadas com observância dos requisitos contidos no artigo 543C, do CPC, e do Regimento Interno daquela Corte. Ainda que possamos compreender como absolutamente equivocado determinado julgamento submetido ao regime dos recursos repetitivos, enquanto o STJ não rever seu posicionamento, não há como deixar de observálo, sob pena de violação do disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do Carf. Aqui, para efeitos do artigo 62A, do Regimento Interno do Carf, não é possível sustentar o entendimento do STJ em julgado de Turma ou decisão monocrática. Existe a necessidade de seguir o quanto foi decidido no recurso repetitivo, com aplicação semelhante às Súmulas do Carf que por serem aprovadas com procedimento especial e quorum qualificado prevalecem em relação aos julgados dos demais colegiados que não dispõem de competência para editar súmula. Em relação à decadência, que a decisão do STJ, proferida no REsp 973733/SC, submetido ao regime de recurso repetitivo, tinha por objeto avaliar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, I, do CTN. Vejamos a ementa, nos pontos que interessam: Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.... (...) 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" Fl. 1091DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 23 23 corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (...)” Tenho por absolutamente equivocada a decisão do STJ, quando diz, em recurso repetitivo, que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Isto, por não refletir a jurisprudência da Corte, me conduz à conclusão de que se aplica somente à tese discutida no REsp 973733/SC, que tinha por objeto avaliar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, I, do CTN. A não ser este o entendimento, seguindo o que está dito no recurso repetitivo, chegarseia a conclusão de que mesmo nos casos de dolo, fraude ou simulação, com fatos geradores em 31 de dezembro, o prazo inicial da decadência iniciaria em 1º de janeiro do ano seguinte, o que destoa da interpretação feita pela doutrina e pela jurisprudência relacionada ao artigo 173, I, do CTN. A vigorar o entendimento de que os fundamentos do REsp 973733/SC, aplicamse de forma geral aos casos de decadência, tenha ou não ocorrido atividade do contribuinte, diante do que dispõe o artigo 62A do Regimento do Carf, a esperança é que seja corrigido o equívoco, à semelhança do que já se discute em relação à interpretação dada ao artigo 166 do CTN. Do contrário, enquanto permanecer a decisão do STJ e o artigo 62A, do Regimento do Carf, dizendo que, para efeitos do artigo 173, I, do CTN, o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”, não é possível buscar fundamentos em outras decisões, não submetidas ao regime dos recursos repetitivo, para construir entendimento diverso do que consta do RESP 973733/SCSC. A propósito da jurisprudência do STJ, antes mesmo do citado recurso repetitivo, sempre destaquei em meus votos o seguinte entendimento: O artigo 150, § 1º, do CTN, contém três expressões fundamentais. Vejamos: § 1º. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória de homologação do lançamento. A norma aqui transcrita deixa claro que o que se homologa é o lançamento. É isto que está dito na lei. Quando o § 4º fala em prazo para homologação ele está se referindo à homologação prevista no § 1º, que é a homologação do lançamento. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito. O que se homologa é o lançamento e não o pagamento2 feito 2 O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ser extinto. Fl. 1092DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 24 24 pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. (....). O pagamento do imposto devido é algo que se encontra fora do lançamento. É causa de extinção daquilo que foi validamente constituído. Para confirmar que a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada à necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese de o contribuinte, que embora cumpra o dever legal de apurar o quantum debeatur, concluir que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais e nas hipóteses de isenção e de imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IPI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei (como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso); ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4º do art. 150, do CTN. Igualmente existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. No caso do imposto de renda pessoa física, o sujeito passivo, ao término de cada anocalendário, apresenta Declaração de Ajuste Anual. Nos casos em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado3. (...) Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer tenha pago ou não o tributo apurado, salvo os casos de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CTN nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como ocorre na atividade agrícola. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física 3 ZUUDI SAKAKIHARA, ao comentar sobre o objeto da homologação, assim se posiciona: “Cumpre recordar, porém, que o objeto da homologação é a atividade do sujeito passivo no sentido de determinar e quantificar a prestação tributária. Assim, não será alcançada pelos efeitos da homologação, expressa ou ficta, a operação que não foi concluída nesse procedimento. Isso pode ocorrer em relação àqueles tributos, cuja apuração, para fins de antecipação do pagamento, abrange inúmeras operações, cada uma das quais constituem, por si, fato gerador do imposto, como no caso do ICMS e do IPI, por exemplo”. In “Código Tributário Nacional”, coordenador Vladimir Passos de Freitas,ed. RT, p. 150. Fl. 1093DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 25 25 apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Por fim, também não apresenta solução para os casos em que a pessoa jurídica apresenta prejuízo fiscal e, por consequência, não tem imposto a pagar. Ressalvado o meu ponto de vista cujos fundamentos acima declinei, em face ao que dispõe o artigo 62A do Regimento Interno do Carf, por entender que não é possível buscar fundamentos em outras decisões, não submetidas ao regime dos recursos repetitivo, para construir entendimento diverso do que consta do RESP 973733/SCSC, tenho que o prazo decadencial, no caso concreto, em tendo ocorrido antecipação de pagamento4 e afastado a qualificadora da multa, deve ser observado a seguinte forma: I) em relação ao IRPJ e a CSLL, com fatos geradores trimestrais, quando do lançamento em 24/12/2007, já se encontravam decadentes as exigências feitas com base em fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2002. II) quanto ao IRFonte cujos fatos geradores ocorrem no dia do pagamento, quando do lançamento que se deu em 24/02/2007, já se encontravam decadentes todos os fatos geradores, eis que ocorridos em data anterior a 24/12/2002. III) em ração ao PIS e a COFINS, com fatos geradores mensais, encontramse decadentes as exigências feitas com base em fatos geradores ocorridos até 30/11/2002, inclusive. Do pedido para aplicação da Súmula 08 do STF, em relação às contribuições previdenciárias, PIS e COFINS. Reconhecida a decadência do PIS e da COFINS para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2002, resta prejudicada a análise dos argumentos relacionados à aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Todavia, para que não se alegue omissão em relação a este ponto, registro os fundamentos que seguem nos parágrafos seguintes: Nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, o PIS e a COFINS têm fato gerador mensal e a decadência, em relação ao PIS e a COFINS, cujos fatos geradores ocorreram em 2001 e 2002, não foi afastada com base no 45, da Lei nº 8.212, de 1991, que fixa prazo decenal. Tal matéria, entretanto, foi enfrentada pelo STF levando em consideração as disposições do artigo 103A, da Constituição Federal, que assim dispõe: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 4 Durante o julgamento surgiu dúvidas quanto à existência de pagamentos relacionados ao PIS, COFINS, CSLL, IRPJ, CSLL e IRRF. Diante da dúvida, suspendeuse o julgamento (que foi retomado no dia seguinte) e o patrono da contrtibuinte apresentou memoriais complementares contendo comprovantes extraídos do próprio sítio da Receita, demonstrando pagamentos do PIS e da COFINS de todos os períodos e da CSLL e do IRPJ do 4º trimestre de 2001 e 1º e 2º trimeste de 2002. Em relação ao 3º trimestre de 2002 a empresa apurou prejuízo. Fl. 1094DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 26 26 § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. (artigo acrescentado pela Emenda Constitucional nº 45, de 08.12.2004, DOU 31.12.2004).” A Lei nº 11.417, de 2006, que regulamenta o art. 103A, da Constituição Federal, altera a Lei nº 9.784, de 1999 e disciplina a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências, em seu artigo 2º prevê que “o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Prosseguindo, tendo por norte o artigo 103A, da Constituição Federal, e a Lei nº 11.417, de 2006, observo que os artigos 4º, 5º 7º deste último instrumento normativo assim dispõem: “Art. 4º A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, mas o Supremo Tribunal Federal, por decisão de 2/3 (dois terços) dos seus membros, poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público. Art. 5º Revogada ou modificada a lei em que se fundou a edição de enunciado de súmula vinculante, o Supremo Tribunal Federal, de ofício ou por provocação, procederá à sua revisão ou cancelamento, conforme o caso. Art. 7º Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negarlhe vigência ou aplicálo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. Fl. 1095DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 27 27 § 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2º Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso.” Assim, tendo por norte as disposições contidas no artigo 103A, da Constituição Federal, e na Lei nº 11.417, de 2006, o Supremo Tribunal Federal, órgão que, nos termos da Constituição, tem a competência para decidir, em última instância, sobre a constitucionalidade das normas, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212, de 1990, editando a Súmula Vinculante número 8 (oito), nos seguintes termos: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Observo que em relação ao PIS e a COFINS, o aspecto temporal pode efetivarse: a) de forma instantânea, como ocorre na importação (art. 3º, da Lei 10.865, de 2004). b) de forma complexiva, com período de apuração mensal, como ocorre na hipótese prevista nos artigos 1º e 2º, da Lei Complementar nº 70, de 1991 e art. 1º, da Lei nº 10.833, de 2003. Na situação dos autos em que se verifica a existência de pagamentos antecipados, o fato gerador da obrigação tributária é o marco inicial do prazo decadencial. Desta forma, quando do lançamento que se deu em 24/12/2007 os créditos tributários, correspondentes ao PIS e a COFINS, com fatos geradores ocorridos antes de 24/12/2002, já se encontravam extintos pela decadência. No tocante ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrente de omissão de receita, caracterizada por questões não atacadas no recurso ou por depósitos bancários de origem não comprovada, não atingidos pela decadência, para os quais a recorrente não apresentou comprovação, nego provimento ao recurso. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, observado o quanto consta da fundamentação deste acórdão, voto por DAR PARCIAL provimento para: a) afastar a qualificadora da multa; Fl. 1096DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 28 28 b) reconhecer a decadência da exigência do IRRF em relação a todos os fatos geradores e do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2002; c) reconhecer a decadência do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2002. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva . Fl. 1097DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 29 29 Voto Vencedor Conselheiro Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Inicialmente, cabe destacar que o presente voto vencedor diz respeito somente à preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre do anocalendário de 2002, e do IRRF dos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002, matéria em que o relator e os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ficaram vencidos. De inicio, porém , destaco meu posicionamento quanto a inaplicabilidade da multa de oficio qualificada no presente caso. Nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito neste acórdão, a prática de fraude pressupõe o dolo. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. O dolo é “saber e querer a realização da conduta” e exige a consciência da ilicitude. Observase que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da contribuinte. O que se verifica são infrações e irregularidades diversas que convergem ao entendimento de que realmente o contribuinte buscava evadirse da tributação, mas repito em nenhuma delas há carga dolosa, seja para ocultar ao fisco o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, seja para modificar suas características. Tanto é assim que os principais valores tributados se deram por presunção legal. Passo então a tratar das questões objeto desse voto vencedor. Pois bem. Manifestei em dezenas de julgamento que pude participar neste Conselho, que em se tratando de fato jurídicotributário cuja tributação é condicionada a procedimento de ofício da autoridade fiscal, não há que se falar em atividade de lançamento por parte do contribuinte, sujeito a aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 150 do CTN, pelo qual se homologa a atividade, independentemente da natureza do tributo. Se o contribuinte contabiliza pagamentos que pela natureza não estariam sujeito à retenção de IR Fonte, porém, a fiscalização logra comprovar que os valores tiveram outra destinação, essa sim Fl. 1098DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 30 30 sujeita a tributação (pagamentos sem causa), o lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art. 149 do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173, inciso do mesmo Código. É sabido que o CTN estabelece 3 tipos de lançamento: i) por declaração (art. 147), de ofício (art. 149) e por homologação (art. 150). Algumas hipóteses de incidência, mormente relativas a infrações à legislação tributária, comportam apenas lançamento de ofício, pois, são absolutamente incompatíveis com à atividade atribuída ao contribuinte no caput do art. 150 do CTN: “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, (...)” Ora, para antecipar o pagamento, se devido, é preciso que, antes de mais nada, o contribuinte reconheça a ocorrência de um fato jurídicotributário passível de incidência de algum tributo. A seguir, determinar a base de cálculo sobre a qual incidirá determinada alíquota. O art. 61 da Lei 8.981 de 1994, e seu parágrafo 1º., estabelece que “sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais”, sendo que esse incidência “aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74. da Lei nº 8.383, de 1991”. É preciso ter cuidado quando ao usar expressões do tipo “sempre”, “jamais”, “toda vez” e outras do gênero, sob o risco de falsa premissa. Porém, no caso em comento, aplicação de ofício do art. 61 da 8.981/1994, pode se afirmar que a fonte pagadora jamais dá o tratamento de pagamento sem causa. O que se verifica é a contabilização de fatos não tributáveis, ou apenas sujeitos a IRFonte por antecipação, a exemplo de adiantamentos, pagamentos a fornecedores, a prestadores de serviço, pagamento de “aquisições de direitos”, aquisições de bens, “pagamentos de empréstimos”, etc. É possível até, que em algumas situações, a fonte pagadora necessite ocultar a causa de certos pagamentos, em face de razões contratuais, por exemplo. Mas essa não é uma hipótese de pagamento sem causa e sim de pagamento cuja causa não se quer, ou não se pode, revelar. Nessa hipótese, a fone pagadora realiza a retenção e o recolhimento sob a égide do art. 622 e parágrafo único, c/c art. 675 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Na situação versada nos autos, a contribuinte contabilizou os pagamentos a título de quitação de aquisições e despesas, ou seja, fatos que em princípio não estariam sujeitos a incidência do IRFonte. Enfim, o lançamento sobre a égide do art. 61 da Lei, não se subsume à modalidade tratada no art. 150 CTN (homologação) e sim ao art. 149, inciso I, que dispõe: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 1099DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 31 31 I quando a lei assim o determine; (...)” Disso decorre a conclusão que o prazo decadencial deva ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN, independentemente da acusação de dolo, fraude ou simulação. Portanto, no presente caso, não há que se falar em decadência dos pagamentos efetuados no ano 2002, haja vista que o auto de infração foi cientificado em dez/2007. Ademais, em recentes julgados o STJ têm decidido que não há que falar em homologação quando não forem realizados pagamentos, a exemplo da decisão unânime proferida em 03/08/2006 no Recurso Especial Nº 775.479 AL (2005/01386961), cuja ementa elucida (verbis): “EMENTA: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. NÃO OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. ART. 173, I, DO CTN. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO FINANCEIRO SEGUINTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, nas hipóteses em que não ocorre o pagamento antecipado do mesmo pelo contribuinte, impondo o poder dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Deveras, é assente na doutrina: ‘aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173, o que conduz a adicionar o prazo do artigo 173 cinco anos a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido praticado com o prazo do artigo 150, § 4º que define o prazo em que o lançamento poderia ter sido praticado como de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Desta adição resulta que o dies a quo do prazo do artigo 173 é, nesta interpretação, o primeiro dia do exercício seguinte ao do dies ad quem do prazo do artigo 150, § 4º. A solução é deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica. Ela é também juridicamente insustentável, pois as normas dos artigos 150, §4º e 173 não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação :o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa'; o art. 173, ao revés, aplicase aos tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento.(...) A ilogicidade da tese jurisprudencial no sentido da aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173 resulta ainda evidente da circunstância de o § 4º do art. 150 determinar que considerase 'definitivamente extinto o crédito' no término do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Qual seria pois o sentido de acrescer a este prazo um novo prazo de decadência do direito de lançar quando o lançamento já não poderá ser efetuado em razão de já se encontrar 'definitivamente extinto o crédito'? Verificada a morte do crédito no final do primeiro quinquênio, só por milagre poderia ocorrer sua ressurreição no segundo.’(Alberto Xavier, Do Lançamento. Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 1998, 2ª Edição, págs. 92 a 94). Fl. 1100DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.720724/200782 Acórdão n.º 140200.770 S1C4T2 Fl. 32 32 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte. 4. In casu, a NFLD foi lavrada em 23.04.1999, referente a fatos geradores ocorridos no período de 1991 a 1994. Desta forma, revelase inequívoca a impertinência de reforma do aresto que reconhecera a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos entre 1991 e 1993. 5. Recurso Especial parcialmente conhecido, e, nesta parte, desprovido”. (grifei e negritei). No que tange ao IRPJ e CSLL, com a devida vênia, discordo do ilustre relator quanto a decadência do 3o. Trimestre de 2002. Isso porque, ao contrário do PIS e Cofins, cujos pagamentos relativos aos fatos gerados até novembro/2001 foram comprovados na sessão, mediante apresentação dos comprovantes extraídos diretamente do “eCAC” (Central Online de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal), não há qualquer pagamento, muito menos retenção de fonte, relativos ao IRPJ e CSLL a partir de agosto/2002. É certo que o contribuinte apurou prejuízo fiscal no 3o. Trimestre de 2002, logo, não teria mesmo que realizar pagamentos. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, sofreu algumas alterações pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal FederalSTF, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Logo, à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, doravante ,há que se aplicar o entendimento do STJ quanto a essa matéria. Uma vez que aquele Tribunal não fez qualquer ressalva em sua interpretação da norma posta, em face da natureza do tributo, cumpre aplicar o entendimento expresso no Recurso Especial nº 973.733 SC(julgado em 12 de agosto de 2009, qual seja: inexistindo pagamento, aplicase o art. 173 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de: 1) negar provimento ao recurso de ofício; 2) em relação ao recurso voluntário, dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) rejeitar a preliminar de nulidade e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%; b) acolher a preliminar de decadência em relação à Contribuição para o PIS e COFINS, até os fatos geradores de 30.11.2002, e do IRPJ e CSLL, até os fatos geradores do segundo trimestre do anocalendário de 2002; c) rejeitar a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre do anocalendário de 2002, e do IRRF dos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1101DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10830.010668/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A obrigação acessória relaciona-se às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária.
As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada.
BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE
Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP deve-se destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte.
Numero da decisão: 2401-005.332
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A obrigação acessória relaciona-se às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP deve-se destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da “pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP” devese destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 06 68 /2 01 0- 26 Fl. 10DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 11DF CARF MF Processo nº 10830.010668/201026 Acórdão n.º 2401005.332 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, considerou IMPROCEDENTE a impugnação ao auto de infração AIOA n° 37.255.6213, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 05 33.751 (fls. 362/368): Assunto; Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 INFRAÇÃO. LIVROS. OBRIGAÇÃO DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à Legislação previdenciária a nãoexibição, pelo contribuinte, de documentos ou livros relacionados às contribuições previstas na Lei n° 8.212/91 ou a sua apresentação deficiente. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. Boletim de Ocorrência de furto de documentos não é causa de exclusão de crédito tributário, mormente quando não vem acompanhado de provas da publicidade do fato e comunicação às repartições competentes (na data da ocorrência do fato). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA. Não enseja nulidade a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. Entendese que o local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO. O princípio do contraditório não é assegurado quando do procedimento fiscal, mas quando do início do processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.255.6213 (fls. 252/255), lavrado contra o Contribuinte em 10/08/2010, referente a infração ao disposto no artigo 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, tendo em vista ter deixado de Fl. 12DF CARF MF 4 apresentar escrituração contábil, Livros Diário e Razão, Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, dentre outros documentos, referentes ao período de 2005/2006. De acordo com o Relatório Fiscal (fls.256/257), foram solicitados vários documentos mediante Termo de Início da Ação Fiscal, datado de 23/06/2008 (fls. 17/18) e em 30/07/2010 foi entregue o Termo de Intimação Fiscal n° 3 (fls. 28/29), solicitando os Livros Contábeis e de Registro de Notas Fiscais, no entanto o contribuinte não os apresentou no prazo fixado (06/08/2010), bem como não apresentou os demais ao longo da fiscalização. Contra a Contribuinte foi aplicada penalidade no valor de R$ 14.317,78, prevista no artigo 92 da Lei n° 8.212/91, c.c. artigo 283, inciso II, “j”, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, reajustado conforme artigo 102 da Lei n° 8.212/91, mediante a Portaria MF n° 333, de 29/06/2010. Não restou configurada nenhuma circunstância agravante. A Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 13/08/2010 (fl. 252) e, em 03/09/2010, apresentou sua impugnação de fls. 247 a 251. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0533.751, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CPS através da INTIMAÇÃO 728/2011 (fl. 377), via correio, em 06/06/2011 (AR fl. 378). Tempestivamente, em 06/07/2011, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 398 a 399, onde argumenta que: 1. Verificado erro no sistema de registro, lançamentos, apuração e confecção da folha de pagamento, ocasionando duplicidade de informações, todo resto estará errado, inclusive as obrigações acessórias; 2. O Boletim de Ocorrência não foi utilizado para justificar a falta de documentos, eximindo o Recorrente de suas obrigações. Segue no seu Recurso Voluntário dizendose injustiçada e que a fiscalização foi falha, sem austeridade, sem imparcialidade e sem dar a devida atenção aos procedimentos, ficando o fisco sem tempo hábil para uma efetiva e desejada fiscalização, tomando atitudes que visaram apenas a manutenção de prazos e não a real função da fiscalização. Finaliza requerendo a reforma da decisão que lhe foi desfavorável, cancelandose o débito fiscal reclamado. Alternativamente, solicita uma nova fiscalização com a devia auditoria para que se prove de todas as formas a veracidade das suas alegações. É o relatório Fl. 13DF CARF MF Processo nº 10830.010668/201026 Acórdão n.º 2401005.332 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O lançamento fiscal é referente à não exibição de vários documentos requeridos através do Termo de Início da Fiscalização e Termo de Intimação nº 03, quais sejam, a escrituração contábil, Livros Diário e Razão, Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, Notas Fiscais emitidas aos Clientes Tomadores do Serviço, entre outros documentos, relativos ao período de 2005/2006, conforme determina o art. 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, com penalidade prevista conforme art. 92 e art. 102 da Lei nº 8.212/91 e art. 283, II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99. Foi aplicada a multa no valor de R$14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos) Da análise do Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, em face da manutenção do lançamento em sua integralidade, alega a Recorrente que ocorreram erros no sistema de registro, lançamentos, apuração e confecção da folha, ocasionando a duplicidade de informações. Aduz que os documentos estavam à disposição do Fiscal na sede da empresa, e que, caso tivessem sido retirados pelo Fiscal não teria ocorrido a consequência noticiada no Boletim de Ocorrência nº 5124/2010 com relação ao furto das pastas que continham a documentação necessária à fiscalização. Alega ainda injustiça, pelos autos impostos, e afirma que a fiscalização foi falha, sem austeridade e imparcialidade, pois não foi dada a devida atenção aos procedimentos, ficando o Fisco sem tempo hábil para uma efetiva fiscalização. Pois bem. A obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. In casu, a contribuinte foi intimada para apresentar documentos relacionados aos arquivos digitais e não os apresentou no prazo estabelecido pela fiscalização, incorrendo nas infrações contidas nos artigos 33, 92, 102 da Lei nº 8.212/91, com aplicação de multa nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 do RPS, por não ter ocorrido circunstância agravante. Vejamos as normas de referência: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 14DF CARF MF 6 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Regulamento RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de Fl. 15DF CARF MF Processo nº 10830.010668/201026 Acórdão n.º 2401005.332 S2C4T1 Fl. 5 7 exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; § 3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; Ocorre que as alegações de defesa da contribuinte não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam ilidir o conteúdo da exigência fiscal em comento. Em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a fazer alegações genéricas quanto ao procedimento da fiscalização. Melhor sorte não favorece as alegações de que os documentos estavam à disposição da fiscalização na sede empresa e que foram ignorados pelo agente fiscal, tendo como consequência os fatos narrados no Boletim de Ocorrência, na medida em que no Termo de Intimação nº 03 foi concedido o prazo de cinco dias para a apresentação de documentos, o que não foi atendido pela Recorrente, sendo, portanto, descabidas as justificativas apresentadas na peça recursal para afastar a procedência da autuação. Assim, não assiste razão à recorrente quanto à insubsistência do levantamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 16DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13727.000639/2008-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA PARA A UNIÃO. AUSÊNCIA DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Desde o momento em que há a informação de que houve a conversão em renda para a União do crédito tributário alojado no processo, resta esvaziado o prosseguimento de qualquer discussão no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 1002-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.Votou pelas conclusões o conselheiro Ailton Neves da Silva.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 Ementa: DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA PARA A UNIÃO. AUSÊNCIA DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Desde o momento em que há a informação de que houve a conversão em renda para a União do crédito tributário alojado no processo, resta esvaziado o prosseguimento de qualquer discussão no âmbito administrativo.
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AUSÊNCIA DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Desde o momento em que há a informação de que houve a conversão em renda para a União do crédito tributário alojado no processo, resta esvaziado o prosseguimento de qualquer discussão no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.Votou pelas conclusões o conselheiro Ailton Neves da Silva. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 7. 00 06 39 /2 00 8- 15 Fl. 114DF CARF MF 2 Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao mês de junho de 2005, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 27.105,00 (vinte e sete mil cento e cinco reais) (efl. 6). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2/5), primeiramente, reconhecendo a entrega fora do prazo. Por outro lado, tomando o relatório apresentado pela Delegacia de Julgamento, são aduzidas as seguintes alegações: I que, conquanto tenha apresentado a referida DCTF fora do prazo fixado pela legislação, todos os tributos indicados na mesma foram recolhidos rigorosamente nos prazos legais; II que, se não houve descumprimento da obrigação tributária principal a multa não deveria ser tão gravosa a ponto de caracterizar confisco, o que é vedado constitucionalmente; III que tratouse de simples omissão de informação, não da direção da empresa autuada, mas sim de seus funcionários encarregados e responsáveis pelo cumprimento de suas obrigações tributárias acessórias; IV que a obrigação tributária acessória, como definida no parágrafo 2 do artigo 113 do CTN, tem por objeto as prestações positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, ou seja, obrigação de fazer ou não fazer, tratandose apenas, do dever de informar para que a autoridade administrativa possa controlar se o sujeito passivo da obrigação tributária principal cumpriu a obrigação de efetuar o pagamento dos tributos; V que a finalidade das obrigações acessórias é comprovar o pagamento dos tributos, a regularidade no cumprimento da obrigação tributária principal, tratandose meramente de deveres administrativos de fazer ou não fazer, sem cunho pecuniário; VI que não se pode perder de vista que o fato de a entrega ter sido fora do prazo não tenha causado dano patrimonial à Fazenda Pública e que não houve qualquer descontrole na arrecadação pois sequer houve intimação para o cumprimento desta obrigação posto que a entrega da DCTF se deu espontaneamente; VII que, não tendo causado nenhum transtorno para o controle da arrecadação deve ser aplicado o previsto no artigo 112 do CTN, ou seja, interpretar de maneira mais favorável ao contribuinte sempre que houver dúvida. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 9ª Turma da DRJ/RJ I proferise o Acórdão nº 1228.203 (efls. 47/54) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral da exigência. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 82/84) que, embora renove a consciência do atraso na entrega da declaração, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13727.000639/200815 Acórdão n.º 1002000.134 S1C0T2 Fl. 3 3 reitera as argumentações de desproporcionalidade da multa e espontaneidade na entrega da declaração. Oportuno acrescentar a juntada de despacho pela unidade de origem (efl. 107) no qual relatase a existência de ação judicial visando à adesão e inclusão do débito alojado neste processo no parcelamento regulado pela Lei nº 11.941/2009. Do mesmo conteúdo ainda se extrai que, diante de decisão desfavorável à contribuinte, os depósitos judiciais correspondentes foram parcialmente convertidos em renda da União, abrangendo, porém os créditos tributários controlados no fólio. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo. Preliminar Diante das questões trazidas pela unidade de origem, observo a existência de óbice intransponível ao prosseguimento do julgamento. Reproduzo, para tanto, o conteúdo do despacho de efl. 114: Tratase de autos de infração relativos a multa por atraso na entrega de DCTFs referentes aos meses de março a novembro do anocalendário de 2005. Os créditos tributários discutidos nos processos administrativos acima elencados foram objeto de depósitos judiciais vinculados ao Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0087420, ação judicial em que a interessada pleiteou ser reincluída no parcelamento da Lei nº 11941/2009 e proceder à consolidação dos débitos em comento no referido programa de parcelamento. A decisão final na ação judicial foi desfavorável ao contribuinte, tendo sido determinado a conversão em renda da União, mediante transformação em pagamento definitivo, dos valores depositados na conta judicial nº 0625.635.220040060, após definido o percentual de 0,3822606 a ser levantado pela interessada relativo à dedução dos valores de parcelas já pagas pela mesma antes do ajuizamento da ação. Esta DRF/RJOII foi cientificada da efetiva transformação em pagamento definitivo da União dos depósitos judiciais Fl. 116DF CARF MF 4 vinculados ao Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0087420, a qual abrange os créditos tributários dos processos administrativos acima mencionados, ficando no aguardo do retorno dos mesmos a esta Delegacia, após análise dos recursos voluntários pelo CARF, para devidas alocações. (negritei) Ou seja, pelos dizeres do expediente, a questão restou pacificada mediante pagamento via depósito judicial convertido em renda, afastando a litigiosidade até então existente. Tanto é assim que a unidade preparadora aguarda o retorno do processo administrativo, de modo que possam ser operacionalizadas as alocações correspondentes. Amparado pelo cenário em comento, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.999423/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.112
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 94 23 /2 01 2- 16 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.999423/201216 Acórdão n.º 3302005.112 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.506. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.999423/201216 Acórdão n.º 3302005.112 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.999423/201216 Acórdão n.º 3302005.112 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.999423/201216 Acórdão n.º 3302005.112 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.999423/201216 Acórdão n.º 3302005.112 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908752/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.110
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o pagamento indevido informado no Per/Dcomp decorrera da exclusão das receitas relativas à Conta de Consumo de Combustíveis – CCC e à Conta de Desenvolvimento Energético – CDE, destinadas, respectivamente, a reembolsar parte do custo total de geração para atendimento ao serviço público de energia elétrica nos Sistemas Isolados e à promoção de desenvolvimento energético dos estados, com projetos de universalização dos serviços de energia elétrica, programa de subvenção aos consumidores de baixa renda e expansão da malha de gás natural. Segundo o então Manifestante, esses ingressos não são considerados receitas do contribuinte, não podendo incidir sobre eles o PIS e a Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 75 2/ 20 12 -0 8 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.908752/201208 Resolução nº 3201001.110 S3C2T1 Fl. 71 2 Requereu, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na devida incidência da contribuição não cumulativa sobre referidas receitas e na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado, tendo sido negada a realização de diligência, por se controverter nos autos tão somente sobre questão de direito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores que foram oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.908752/201208 Resolução nº 3201001.110 S3C2T1 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.908752/201208 Resolução nº 3201001.110 S3C2T1 Fl. 73 4 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.908752/201208 Resolução nº 3201001.110 S3C2T1 Fl. 74 5 a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF
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