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Numero do processo: 14033.000687/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 87 /2 01 0- 91 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 25/04/2011 (fl. 561), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 563 a 602) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.183, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 644 a 654), e Resolução CARF nº 2803000.280, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 890 a 892), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 904/906 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.895 a 902), nas matrículas CEI nº 38.720.05895/70 e 38.720.05896/72, bem como nos dados da Base Central do sistema RestWeb (fl.894). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 921DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000687/201091 Acórdão n.º 2402005.404 S2C4T2 Fl. 920 3 título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 06044.39678.181209.1.2.153400, referente à competência 07/2006, conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo(fl.903): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 06044.39678.181209.1.2.153400, referente à competência 07/2006, no valor originário de R$ 29.509,09 (vinte e nove mil quinhentos e nove um reais e nove centavos)." É o relatório. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000886/2007-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Não serão considerados, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. CONTAS -CONJUNTAS.
O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Vedada, porém, a exclusão, por co-titular de conta-conjunta, de rendimentos declarados pelos demais co-titulares, uma vez que o comando legal presente no art. 42 §6o., estabelece, in casu, a omissão atribuível a cada um dos co-titulares da conta, mas, de forma individualizada.
Numero da decisão: 9202-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reincluir, na base de cálculo dos depósitos bancários, o valor que ultrapassou os rendimentos da contribuinte no ano-calendário de 2003. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Não serão considerados, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. CONTAS -CONJUNTAS. O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Vedada, porém, a exclusão, por co-titular de conta-conjunta, de rendimentos declarados pelos demais co-titulares, uma vez que o comando legal presente no art. 42 §6o., estabelece, in casu, a omissão atribuível a cada um dos co-titulares da conta, mas, de forma individualizada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reincluir, na base de cálculo dos depósitos bancários, o valor que ultrapassou os rendimentos da contribuinte no ano-calendário de 2003. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Não serão considerados, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. CONTAS CONJUNTAS. O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo anocalendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Vedada, porém, a exclusão, por cotitular de contaconjunta, de rendimentos declarados pelos demais cotitulares, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 08 86 /2 00 7- 54 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 906 2 uma vez que o comando legal presente no art. 42 §6o., estabelece, in casu, a omissão atribuível a cada um dos cotitulares da conta, mas, de forma individualizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reincluir, na base de cálculo dos depósitos bancários, o valor que ultrapassou os rendimentos da contribuinte no anocalendário de 2003. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 220200.732, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de setembro de 2010 (efls. 703 a 716). Ali, por unanimidade de votos, foi rejeitada a arguição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento arguido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 907 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.ART1GO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS DECLARADOS ABATIMENTO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS D E ORIGEM NÃO COMPROVADA LIMITES. Os rendimentos declarados pelo contribuinte e cotitulares, se o caso, são hábeis para comprovar a origem dos; depósitos bancários, devendo ser observado o limite de titularidade das contas correntes, inclusive quanto aos rendimentos do contribuinte, para se evitar abatimento desproporcional ou em duplicidade de valores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL D E R$ 80.000,00. No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). Preliminar rejeitada. Recurso provido. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que proviam parcialmente o recurso para afastar a exigência relativo ao anocalendário de 2002. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior. Foram enviados os autos à PGFN em 08/02/2011 (efl. 718), tendo, ainda, restado cientificada pessoalmente aquela Procuradoria em 18/03/2011 (efl. 717). Insurgindo se contra aquela decisão, a Fazenda apresenta, em 21/03/2011 (efl. 719), Recurso Especial, com fulcro nos arts. 67 e 68 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 720 a 738 e anexos). Alegase, no pleito, divergência da jurisprudência dominante deste Conselho em duas matérias: a) consideração dos valores declarados pelo contribuinte autuado na Declaração de Ajuste Anual como aptos a comprovar a origem dos seus depósitos bancários, Fl. 907DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 908 4 independente da identificação entre as fontes e os depósitos; b) consideração dos valores declarados pelos cotitulares da conta conjunta na Declaração de Ajuste Anual aptos a justificar a origem dos depósitos bancários do autuado, independente da identificação entre as fontes e os depósitos. Quanto à primeira matéria, alegase divergência em relação ao decidido, em 26/06/2008, no Acórdão 10616.977, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como ao decidido pela 4a. Câmara, agora no Acórdão 10423.562, prolatado em 09 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10616.977 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE – CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO – INOCORRÊNCIA – INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO – EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF foi emitido e prorrogado por autoridade competente. Ainda, não houve caducidade do MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciar e encerrar o MPF. Ademais, o MPF constituise em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL – PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 HIPÓTESES DO DECRETO Nº 3.724/2001 – APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 POSSIBILIDADE O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, devese submeter à transferência Fl. 908DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 909 5 compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto nº 3.724/2001. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apurase o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoouse em 31/12 do anocalendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do anocalendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnêleão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 910 6 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE – EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO – Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – VACINAS – IMPOSSIBILIDADE – RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO GLOSA São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. DESPESA COM INSTRUÇÃO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – AUSÊNCIA DE DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE – CORREÇÃO DA GLOSA – Não havendo comprovação de despesa com o cônjuge dependente, devese manter a glosa perpetrada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – JUROS RECEBIDOS – RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE – ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS – DESCABIMENTO – Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, digase de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO – CARNÊLEÃO – INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO Fl. 910DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 911 7 RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO – IMPOSSIBILIDADE – Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA –ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC – POSSIBILIDADE – No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS – ÔNUS DO RECORRENTE – A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. (g.n.) Recurso voluntário parcialmente provido. Decisão: a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do anocalendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no ano calendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no ano calendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no anocalendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no anocalendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. ii) cancelar a multa isolada do carnê leão. Acórdão 10423.562 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 911DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 912 8 Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA Na modalidade de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (150, § 4°, do CTN). MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°.9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n°9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1°CC n°2). Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência, relativamente ao anocalendário de 2000, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 26.424,33 e R$ 16.008,00, nos anoscalendário de 2001 e 2002,respectivamente, e desqualificar as multas de oficio, reduzindoas ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Quanto à segunda matéria arguída (possiibilidade de exclusão dos rendimentos titularizados pelo cotitular de conta conjunta), alegase divergência em relação ao Fl. 912DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 913 9 decidido, em 06/03/2009, no Acórdão 3402000.049, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 3a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do citado diploma legal. Devendo ser excluídos os valores dos rendimentos declarados na DIRPF. Preliminares Rejeitadas. Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 63.280,17; R$ 13.251,50; R$ 25.917,73 e R$ 28.562,32, correspondente aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente. Resssalta a Fazenda que tal divergência de entendimento faz com que se tenha excluído, no âmbito do processo que deu origem ao Acórdão acima, o montante de R$ 67.731,55 (composto por R$ 13.251,50 no AC 2003, R$ 25.917,81 no AC 2004 e R$ 28.562,32 no AC de 2005), sendo que aqui se voltou a excluir 50% dos mesmos valores, consoante demonstrativo de efl. 715 do Acórdão recorrido. Ou seja, o mesmo rendimento declarado está sendo utilizado para justificar a origem de depósitos bancários diferentes. Necessário, assim, no entender da recorrente, que se faça a uniformização da jurisprudência para evitar o duplo aproveitamento do mesmo rendimento. Argumenta, ainda, a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) No voto condutor do recorrido, não é explicitado quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento na declaração de ajuste anual (DAA), não se podendo aceitar uma explicação genérica que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar, tal como fez o Colegiado a quo. Entende que, uma vez que se presume como renda omitida cada depósito, de forma individual, também a comprovação dos depósitos deva ser feita de maneira individualizada, em linha com a Súmula CARF no. 30. Entende que, desta forma, seria de se especificar os respectivos depósitos bancários que foram justificados pelo montante constante da Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte. Relembra que o ônus da demonstração da correlação entre os depósitos e os valores declarados é do contribuinte. Requer, assim, que sejam reincluídos os valores declarados na base de cálculo do tributo, que assim supera o limite de R$ 80.000,00 previsto no art. 42, 3o., II, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, devendo, daí, a tributação ser restabelecida. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 914 10 b) Ainda que não se concorde com a tese supra, repete que Colegiado diferente do recorrido, ao julgar a autuação referente ao cotitular de uma das contas (Sr. Patric Furlanetto), adotou entendimento diverso do recorrido, no sentido de só admitir a exclusão dos rendimentos tributados pelo próprio autuado (em sua totalidade) e não dos outros cotitulares, fazendo com que 50% dos rendimentos declarados pelo filho da autuada tenham sido utilizados em duplicidade para justificar a origem de depósitos bancários, naquele feito e no presente. Entende que, caso o Colegiado aceite a exclusão dos rendimentos declarados em DAA, fazse mister que esclareça o critério adequado para efetuála na hipótese de cotitularidade de contas, a fim de evitar duplo aproveitamento do mesmo rendimento. Entende a recorrente que a melhor solução para resolver a distorção apontada consiste na definição de que cada autuado só pode excluir da tributação os rendimentos declarados em sua própria DAA, tal como decidido no acórdão paradigma. Caso tal posição prevaleça, farseá necessário readicíonar à base de cálculo do IRPF os valores correspondentes aos rendimentos dos cotitulares das contas conjuntas (Patric Furlanetto e Deolino Furlanetto), indevidamente excluídos da tributação. Ressalta que caso seja adotada a outra solução teoricamente possível (definindose que os rendimentos declarados devem ser aproveitados proporcionalmente por cada cotitular), farseá necessário, no caso concreto, em razão de justiça fiscal, readicionarse à base de cálculo do tributo o valor correspondente a 50% dos rendimentos do Sr. Patrick Furlanetto, filho da autuada, tendo em vista tais rendimentos já terem sido integralmente utilizados para justificar a origem dos depósitos referentes no processo no. 11020.000915/2007 88. Assim, requer, aqui, que caso a tese principal de impossibilidade de exclusão dos rendimentos declarados não logre êxito, que, subsidiariamente, seja aplicado o entendimento do acórdão paradigma no. 3, segundo o qual cada contribuinte só pode utilizar os rendimentos declarados em sua própria declaração para justificar a origem dos depósitos bancários e, conseqüentemente, sejam readicionados à base de cálculo do IRPF os valores indevidamente excluídos da tributação, correspondentes aos rendimentos dos cotitulares das contas conjuntas. Caso assim não se entenda, requer, em razão de justiça fiscal, seja readicionado à base de cálculo do tributo o valor correspondente a 50% dos rendimentos do Sr. Patrick Furlanetto, filho da autuada, tendo em vista tais rendimentos já terem sido integralmente utilizados para justificar a origem dos depósitos referentes ao processo no. 11020.000915/200788. O recurso foi inicialmente admitido pelo despacho de efls. 814 a 822. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 07/06/2011 (efl. 825), a contribuinte apresentou, em 16 de julho de 2011 (efl. 826), contrarrazões ao Recurso Voluntário, onde (efls. 826 a 836): a) Inicialmente alega a intempestividade do recurso, considerando que a ciência de efl. 717 deve ser desconsiderada, uma vez que realizada quando o processo se encontrava em carga da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (desde 08/02/2011), não sendo crível que a Procuradora da Fazenda Nacional tenha elaborado o Recurso Especial no mesmo instante em que tomou ciência do Acórdão. Requer, assim, que seja considerada a data Fl. 914DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 915 11 consignada nos atos de Secretaria do Colegiado e não aquela constante da anotação de efl. 717. Quanto ao mérito do Recurso Especial, o contribuinte reforça, em contrarrazões a posição do vergastado de necessidade de exclusão dos valores declarados pelo contribuinte, entendendo ser este (e não o propugnado pela recorrente), o entendimento majoritário prevalecente neste Conselho, colacionando jurisprudência administrativa a respeito. Ressalta que entende comprovada a origem dos depósitos a partir da declaração da autuada, onde consta ter recebido valores a título de aluguel de pessoas físicas, estando comprovada, ainda, a propriedade dos imóveis. Menciona a desnecessidade de manutenção de contabilidade ou LivroDiário pela Pessoa Física, sendo que a análise individual a que se refere o §3o. do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, deve se dar por crédito e não por depósito. Ainda, quanto à consideração dos valores declarados pelos cotitulares das contas examinadas, entende que a mesma decorre de Lei, citando os §§ 5o. e 6o. do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, e , também, do respeito ao princípio da verdade real, evitandose assim a duplicidade da exigência. Requer assim, o não recebimento do Recurso Especial, por intempestivo, e, caso conhecido o recurso, que, no mérito, se mantenha o decidido no Acórdão guerreado. Posteriormente, verificouse, no âmbito desta Câmara de Recursos Fiscais a necessidade de complementação do exame de admissibilidade anteriormente realizado, por este ter se limitado a uma das matérias alegadas no âmbito do pleito fazendário (efls. 841 a 845). Complementado o exame de admissibilidade através de despacho de saneamento de efls. 847 a 850, deuse, ali, seguimento integral ao recurso fazendário. Novamente cientificada a autuada em 08 de junho de 2015 (efl. 853), esta apresentou novas contrarrazões de efls. 855 a 896, onde repisa os argumentos das anteriores contrarrazões e traz, como fatos novos, os julgamentos procedentes dos embargos de execução opostos pelos cotitulares das contascorrentes objeto de tributação no presente feito, tendo, ali, sido declaradas extintas as execuções fiscais correspondentes: a) em razão da inconsistência dos lançamentos e b) por não terem considerado como comprovação de origem os valores de rendimentos declarados pelos autuados. Ressalta que a Fazenda Nacional expressamente reconheceu a correção das sentenças e a nulidade dos autos de infração, não tendo apelado das decisões (cópias de efls. 864 a 896). Assim, considerando que os mesmos elementos e critérios de lançamento foram utilizados no presente feito, requer, subsidiariamente ao pedido deduzido em contrarrazões anteriores, o reconhecimento da nulidade e inconsistência do crédito tributário em questão, em homenagem ao princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Fl. 915DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 916 12 Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Faço notar, quanto á alegação de intempestividade trazida pela autuada em sede de contrarrazões, que, ainda que se desconsiderasse a ciência pessoal ocorrida em 18/03/2011 (constante de efl. 717), a partir do disposto no art. 23, §9o. do Decreto no. 70.235, de 1972, a ciência da Fazenda Nacional, levandose em conta os demais atos lavrados no âmbito do feito, teria ocorrido 30 dias após o efetivo recebimento dos autos pela PGFN, após envio pela Secretaria de Câmara, recebimento este ocorrido em 08/02/2011 (efl. 718), conforme, inclusive, muito bem relatado pela autuada. Mais especificamente, a partir de tal recebimento e contagem de prazo, a ciência da PGFN teria ocorrido em 10/03/2011, restando tempestivo assim o Recurso Especial recebido neste CARF em 21/03/2011 (efl. 719). Passo, assim, à análise de mérito. a) Quanto à consideração dos valores declarados pelo contribuinte autuado na Declaração de Ajuste Anual como aptos a comprovar a origem dos seus depósitos bancários, independente da identificação entre as fontes e os depósitos Em análise, o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 916DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 917 13 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6oNa hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, ainda que este Conselheiro adote posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção (a ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza), entendo que não se deva perder de vista que se está a tratar de presunção de omissão de rendimentos. Desta forma, com a devida vênia aos que se posicionam de forma diversa, cediço que, no caso específico de haver rendimentos declarados pelo autuado, passa a depender a correta aplicação da presunção, caso se opte por tributar a totalidade dos depósitos não comprovados sem qualquer exclusão dos rendimentos já oferecidos a tributação, de pressuposto adicional, qual seja, de não estarem os rendimentos declarados contidos em tais depósitos, ou, mais propriamente, dos rendimentos tributados não terem transitado por contas de depósito ou investimento, o que me parece pouco razoável. É este também o entendimento majoritário em vigor neste CARF, muito bem exposto, de forma resumida, pelo seguinte excerto do Acórdão CARF 10617.117, verbis: "(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada Fl. 917DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 918 14 cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente.(g.n.) Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231). (...)" Referendando tal posicionamento, de se citar, ainda, os Acórdãos CARF Acórdãos nºs 280102.085, de 30 de janeiro de 2011, 2102001.079, de 10 de fevereiro de 2011, 210202.220, de 14 de agosto de 2012, 2202 00.415, de 04 de fevereiro de 2010 e 2801 003.568, de 17 de julho de 2014 Rejeito, aqui, ainda a argumentação da recorrente no sentido de violação da Súmula CARF no. 30 quando da adoção de tal posicionamento, uma vez que, notese, o que se está a admitir é que, em determinados meses do anocalendário, os depósitos objeto de tributação pela presunção contemplavam, por adoção de razoabilidade, montantes posteriormente oferecidos à tributação pelo contribuinte em sua DAA, não havendo aqui que se falar de omissão de rendimentos quando da aplicação do art. 42 citado, vejase, independentemente de qualquer transferência de depósitos entre diferentes meses do ano calendário em questão. Assim, alinhome aos que entendem pela possibilidade de exclusão dos rendimentos tributáveis constantes da Declaração de Ajuste Anual, em linha com o entendimento esposado pelo recorrido e voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional quanto a esta primeira matéria. b) Quanto à consideração dos valores declarados pelos cotitulares da conta conjunta na Declaração de Ajuste Anual como aptos a justificar a origem dos depósitos bancários do autuado, independente da identificação entre as fontes e os depósitos. Ainda que rejeite a argumentação da recorrente quanto à primeira matéria objeto de seu pleito, entendo lhe assistir razão quanto à necessidade de adoção da exclusão individualizada dos valores declarados, no caso de tributação pela presunção sob análise de contas conjuntas, ou seja, cabendo tão somente a exclusão respectiva, no montante tributado junto a cada um dos autuados, dos valores tributáveis declarados através de sua Declaração de Ajuste Anual. Explico. Entendo que o já exaustivamente mencionado art. 42, estabelece em seu art. 6o. presunção de omissão de rendimentos aplicável a cada cotitular de conta conjunta, estabelecendose, assim, para cada um dos titulares, um determinado montante de rendimentos auferido pelo ano calendário que não foi objeto de tributação. Em linha com o já anteriormente exposto, o que se pode excluir de tal omissão, em meu entendimento (notese, omissão agora já definida de forma individual para cada um dos cotitulares) é o montante de rendimentos declarados, que se presume terem Fl. 918DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 919 15 transitado em contacorrente ou de investimento, sendo de se rejeitar que haja, na situação fática sob análise, qualquer tipo de rendimento declarado em conjunto, uma vez tendo todos os cotitulares entregues declarações individuais para todos os anoscalendário sob análise. Adotar posicionamento diverso, em meu entendimento, significaria interpretar que da omissão de rendimentos detectada como "um todo" no caso de contas conjuntas (instituto que não existe, a partir da individualização obrigatória estabelecida pelo §6o. do art. 42) poderia se excluir a totalidade dos rendimentos declarados em conjunto, proporcionalmente à imputação da omissão (o que também rechaço no caso, por vislumbrar tão somente rendimentos declarados de forma individual pela autuada e pelos Srs. Deolino Furlanetto e Patric Furlanetto). Entendo não ser esta a melhor interpretação do dispositivo, visto que permitiria, inclusive, por exemplo, que o contribuinte excluísse, dos valores tributados pela presunção, montantes além dos seus rendimentos declarados em sua DAA, tal como ocorreu no vergastado para todos os anoscalendário para a Sra. Mari Ivete Schvantes, o que rechaço. Daí alinharme ao entendimento do paradigma trazido pela recorrente, no sentido de cada um dos autuados fazer jus tão somente à exclusão dos seus rendimentos de forma individualizada, ou seja, dos rendimentos declarados em sua própria Declaração de Ajuste Anual, o que, assim, também evita, in casu, a duplicidade de cômputo de 50% dos rendimentos do Sr. Patric Furlanetto para fins de exclusão, levantada pela autuada. Finalmente, de se notar que não se trata aqui, porém, de simplesmente readicionar os valores correspondentes aos rendimentos de cotitulares das conta conjuntas excluídos pelo vergastado, mas, sim, de permitir que os rendimentos tributáveis declarados pela Sra. Mari Ivete Schvantes Furlanetto (efls. 431, 434, 440 e 444) sejam excluídos em sua totalidade, para cada anocalendário objeto de tributação, de forma a que a tabela de valores de efl. 715, passe a estar assim composta: Ano Dep < R$ 12.000 Exclusão Rend. Tributáveis DAA Depósitos Tributáveis 2002 R$ 79.398,01 R$ 27.418,91 R$ 51.979,10 2003 R$ 120.102,31 R$ 32.439,77 R$ 87.662,54 2004 R$ 103.232,28 R$ 26.238,52 R$ 76.993,76 2005 R$ 85.075,15 R$ 29.183,97 R$ 55.891,18 Com fulcro na tabela acima e, por fim, considerada a aplicação do inciso II do §3o. do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, de se restabelecer tão somente a tributação para o anocalendário de 2003, visto que superior a R$ 80..000,00, reduzindose, porém o total de rendimentos tributáveis de R$ 120.102,31 para R$ 87.662,54. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, admitindose a exclusão dos valores declarados individualmente pela contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual, restabelecer parcialmente o auto de infração para o anocalendário de 2003, estabelecendose como base de cálculo das infrações para aquele anocalendário o valor de R$ 87.662,54. ou seja, reincluindose, na base de cálculo dos depósitos bancários, o valor que ultrapassou os rendimentos da contribuinte no anocalendário de 2003. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11020.000886/200754 Acórdão n.º 9202003.824 CSRFT2 Fl. 920 16 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 920DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10930.002166/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
Ementa:
IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL NO PEDIDO. JUSTIFICATIVA. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Demandado o ressarcimento de IPI, bem assim sua compensação, a existência de erro formal no pedido não obsta o direito de crédito, se atendidas duas condições cumulativas: (a) seja justificado documentalmente que os créditos já eram contemplados no pedido efetuado (pois se nele não estavam contemplados tratar-se-ia de novo pedido); e (b) a unidade preparadora ateste a existência e a disponibilidade dos valores indicados como crédito.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária, e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Numero da decisão: 3401-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito no montante apurado na diligência (R$ 221.987,63), a ser utilizado nas compensações que foram apresentadas pela recorrente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL NO PEDIDO. JUSTIFICATIVA. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Demandado o ressarcimento de IPI, bem assim sua compensação, a existência de erro formal no pedido não obsta o direito de crédito, se atendidas duas condições cumulativas: (a) seja justificado documentalmente que os créditos já eram contemplados no pedido efetuado (pois se nele não estavam contemplados tratar-se-ia de novo pedido); e (b) a unidade preparadora ateste a existência e a disponibilidade dos valores indicados como crédito. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária, e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 606 1 605 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.002166/200374 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.187 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IPIRESSARCIMENTO Recorrente ADAMA DO BRASIL S.A. (atual denominação de MILENIA AGRO CIÊNCIAS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL NO PEDIDO. JUSTIFICATIVA. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Demandado o ressarcimento de IPI, bem assim sua compensação, a existência de erro formal no pedido não obsta o direito de crédito, se atendidas duas condições cumulativas: (a) seja justificado documentalmente que os créditos já eram contemplados no pedido efetuado (pois se nele não estavam contemplados tratarseia de novo pedido); e (b) a unidade preparadora ateste a existência e a disponibilidade dos valores indicados como crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 21 66 /2 00 3- 74 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito no montante apurado na diligência (R$ 221.987,63), a ser utilizado nas compensações que foram apresentadas pela recorrente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de IPI (fl. 461), no valor de R$ 1.074.610,14 (R$ 366.254,18 referentes a saldo credor art. 11 da Lei no 9.779/99, e R$ 708.392,08 relativos a crédito presumido Portaria MF no 38/1997), cumulado com declarações de compensação (fl. 4 e fls. 137 a 140). A unidade local, alicerçada no Parecer de fls. 164 a 166, emite o despacho decisório de fl. 167, em 14/05/2008, deferindo parcialmente o pedido (no montante de R$ 831.849,78), que é utilizado na compensação de fl. 4 (totalmente homologada), e na de fls. 137 a 141 (parcialmente homologada, indicandose restar débito de R$ 324.939,70). No Termo de Diligência Fiscal de fls. 141 a 150, informase que houve acolhida total dos créditos derivados da Lei no 9.779/99, e que, em relação aos demais, fundados na Lei no 9.363/1996, com opção e cálculo pela Lei no 10.276/2001, houve glosa de revendas, pois o crédito é para utilização em processo produtivo. Cientificada do despacho em 29/05/2008 (AR à fl. 236), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 30/06/2008 (fls. 237 a 246), alegando que informou de forma equivocada o período dos créditos (Lei no 10.276/2001) que acabaram indeferidos, que não eram do 1o Trimestre de 2003, mas do 4o Trimestre de 2002, e que devem ser observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não podendo o erro formal se sobrepor ao direito creditório. Por fim, tendo em conta que o pedido de ressarcimento foi efetuado em 16/06/2003, pede atualização pela Taxa SELIC “do período compreendido entre o direito ao crédito e a sua utilização”, invocando precedentes judiciais. O julgamento de primeira instância ocorre em 15/02/2012 (fls. 310 a 317), decidindo a DRJ unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade. Diante da ausência de impugnação sobre a glosa para operações de revenda, a DRJ considera a matéria incontroversa. No que se refere ao crédito presumido referente ao 4o Trimestre de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 607DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10930.002166/200374 Acórdão n.º 3401003.187 S3C4T1 Fl. 607 3 2002, afirma que somente o crédito presumido apurado e escriturado no trimestre pode ser ressarcido/compensado, e que não é possível saber se tal crédito já não foi objeto de outro pedido de ressarcimento / compensação (e, ainda que fosse permitido o aproveitamento, a empresa não trouxe documentos necessários à comprovação do direito creditório). Sobre a atualização, a DRJ sustenta que não se aplica a créditos escriturais, na linha adotada na Solução de Consulta COSIT no 19/2002 e nas últimas instruções normativas que disciplinaram a matéria (IN SRF no 900/2008, art. 72; e IN SRF no 600/2005, no 460/2004 e no 210/2002), e que mesmo as atualizações concedidas administrativa e judicialmente partem da data de protocolo dos pedidos, e não da data do crédito. Cientificada da decisão da DRJ (em 27/02/2012, conforme AR de fl. 320), a empresa apresenta recurso voluntário em 23/03/2012 (fls. 321 a 334, com os anexos de fls. 335 a 528), reiterando as considerações sobre o erro formal cometido, e agregando que: (a) é absurda a argumentação de que o fisco não tem como saber se foi feito outro pedido de ressarcimento, pois o próprio sistema da RFB permite a verificação; (b) o recurso tem por objeto o crédito presumido de IPI não reconhecido referente ao 4o Trimestre de 2002, no montante de R$ 232.812,29; (c) a escrituração do crédito no Livro Registro de Apuração só passou a ser exigida com o advento das IN SRF no 419, de 10/05/2004 (crédito da Lei no 9.363/1996) e no 420, de 10/05/2004 (crédito da Lei no 10.276/2001), não podendo a falta de escrituração motivar o indeferimento; (d) o DCP relativo ao 4o Trimestre de 2002 pode excepcionalmente ser entregue no prazo concedido para o 1o Trimestre de 2003 (IN SRF no 314/2003, art. 3o); (e) os documentos que comprovam o valor do crédito estão nos próprios sistemas da RFB, havendo solicitação de cópia pela empresa, sem sucesso; (f) houve erro no cálculo do crédito glosado no DARF que veio anexo ao acórdão da DRJ, restando o valor incompatível com os constantes no processo; e (g) cabe a atualização pela SELIC “sobre todos os créditos do pedido de ressarcimento/compensação, no período compreendido entre a apuração do crédito presumido e a data de protocolo do pedido”. Em 26/02/2014, o julgamento foi convertido em diligência, no CARF, por meio da Resolução no 3403000.536 (fls. 531 a 537), sob minha relatoria, com acolhida unânime do colegiado, para que a unidade local conclusivamente verificasse a existência de crédito presumido (Lei no 10.276/2001) em relação ao 4o Trimestre de 2002 que supedaneasse o ressarcimento, especificamente no que se refere ao montante de R$ 232.812,29 (pois a tomada em conta de valor que supere tal montante extrapolaria o pedido de ressarcimento de fl. 46, configurando um novo pedido, que não é passível de análise nessa fase processual), e sua eventual utilização em outra oportunidade (ou disponibilidade), permitindo a resposta à seguinte pergunta: "fosse o pedido, desde o início, desmembrado em 4o Trimestre de 2002 (R$ 232.812,29), e 1o Trimestre de 2003 (R$ 366.218,06 + R$ 475.579,79), o que parece ter sido o objetivo da recorrente (embora tenha se equivocado formalmente) faria a empresa jus ao ressarcimento de R$ 232.812,29?". Alertouse que a verificação deveria tomar em conta os mesmos critérios usados para a análise dos créditos referentes ao 1o Trimestre de 2003 (salvo determinação expressa decorrente de alteração legislativa no período). Por fim, deveria a unidade local detalhar matematicamente a motivação da diferença entre o valor a título de principal no DARF apresentado para pagamento e aquele indeferido no pedido de ressarcimento, agregando, ainda., outras considerações que entendesse necessárias, oportunizando a manifestação da recorrente sobre as conclusões da diligência. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 588 a 591, a fiscalização apurou que: (a) realmente não existia processo específico para ressarcimento em relação ao 4o Trimestre de 2002, embora houvesse para os três demais trimestres; (b) o cálculo do crédito Fl. 608DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 presumido relativo ao 4o Trimestre de 2002 resulta em R$ 221.987,63 (R$ 60.448,94 + R$ 161.538,69); e (c) nos novos cálculos efetuados (tendo em vista ter sido tomada em conta incorretamente a data do pedido), verificase a ocorrência de saldo devedor relativo à COFINS de maio de 2003. Cientificada do relatório em 11/03/2016 (fl. 593), a recorrente, já informando a nova denominação de "ADAMA BRASIL S.A.", apresenta manifestação em 12/04/2016 (fls. 600/601), informando que: (a) não se opõe à apuração de crédito referente ao 4o Trimestre de 2002, no valor de R$ 221.987,63, atualizados conforme fl. 590, mas nota que a glosa de R$ 10.824,66 trata de "serviço de industrialização remetidos ao exterior"(sic); (b) em relação ao débito de COFINS, de R$ 20.772,73, requer a expedição de DARF para pagamento, nos moldes do modelo de fl. 571; e (c) requer intimações em nome de procurador. O processo retorna ao CARF em 22/04/2016 (fl. 605), sendo distribuído a este relator. O processo foi pautado para as sessões de maio de 2016, sendo retirado de pauta por motivo de falta de tempo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Retomando a análise que já efetuamos sobre o processo, antes da conversão em diligência, cabe recordar que o Pedido de Ressarcimento, após sua retificação (fls. 46), se refere tanto a créditos do art. 11 da Lei no 9.779/1999 (R$ 366.254,18, que, deduzidos de R$ 36,12 referentes a operações tributadas, resultam em R$ 366.218,06, integralmente acatados pelo fisco, e que não são objeto de contencioso), quanto de créditos presumidos referenciados à Portaria MF no 38/1997 (dos R$ 708.392,08 demandados no pedido, foram acatados R$ 383.452,38, restando débito a compensar de R$ 324.939,70), indicandose, no canto superior direito, que se refere ao 1o Trimestre de 2003, No Termo de Diligência Fiscal de fls. 141 a 150, narrase que a empresa apresentou cópia de DCP, memórias de cálculos e ficha do razão referente aos períodos solicitados, juntandose ainda cópias do balancete do período analisado. E que no DCP indica se crédito presumido ao final do trimestre de R$ 475.579,79. São glosadas operações de R$ 568.483,17 indevidamente incluídas na conta Receita de Exportação, por estarem em desacordo com a Lei no 9.363/1996 (art. 1o), visto se tratarem de operações de revenda. A glosa fez com que o valor de R$ 475.579,79 resultasse em R$ 465.631,72), e não é objeto de contestação pela recorrente. Portanto, há ausência de litígio em relação à parcela de R$ 9.948,07. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10930.002166/200374 Acórdão n.º 3401003.187 S3C4T1 Fl. 608 5 O despacho decisório, assim, acata quase em sua plenitude as informações registradas pela empresa: dos R$ 366.218,06, acatase tudo, e dos R$ 475.579,79, acatase R$ 465.631,72. Contudo, somando os R$ 366.218,06 com os R$ 475.579,79, chegase a R$ 841.797,90, distante R$ 232.812,30 do valor de R$ 1.074.610,14, demandado no Pedido de Ressarcimento. O despacho decisório, então, foi corretamente emitido diante das informações prestadas pela postulante. Ocorre que seu pedido de ressarcimento excedeu em R$ 232.812,30 seus registros contábeis e fiscais. É somente na manifestação de inconformidade que se descobre o porquê da diferença. Vejase que na peça de defesa a recorrente discute somente a quantia de R$ 232.812,30, defendendo que: “...os créditos foram indicados como sendo todos do 1o Trimestre de 2003. Contudo, tal indicação foi efetuada de forma equivocada pela requerente, pois parte destes créditos referese ao 4o Trimestre de 2002, conforme se pode observar dos documentos anexos. Ou seja, a parte não reconhecida como Crédito Presumido de IPI referese, em verdade, ao 4o Trimestre de 2002, motivo pelo qual a Administração Fazendária não reconheceu o crédito pleiteado. Os documentos anexos ao presente demonstram com clareza solar a legitimidade e a origem do crédito presumido de IPI, oriundo do quarto trimestre de 2002. Outrossim, como se observa às fls. 130 a 134 do presente processo administrativo, o crédito tributário referente ao quarto trimestre vinha sendo apresentado para fins de compensação.” (grifo nosso) Há aqui duas informações relevantes. A primeira de que houve um erro no pedido já efetuado e não que se está emendando o pedido (o que seria incabível em tal fase processual). De fato, o valor indicado para o 4o Trimestre de 2002 pela empresa (R$ 232.812,29) difere em um centavo do excesso verificado no Pedido de Ressarcimento (R$ 232.819,30). E os documentos indicados como fls. 130 a 134 (fls. 152 a 156 na paginação eletrônica) mostram que o saldo de R$ 232.812,29 foi apresentado a compensação (embora também na DCOMP a indicação fosse de 1o Trimestre de 2003). A segunda é de que a documentação anexa demonstra a legitimidade e a origem do crédito presumido de IPI oriundo do 4o Trimestre de 2002. São anexados à manifestação de inconformidade (além das identificações e comprovações de representação) os seguintes documentos: (a) cópia recibo de entrega de DCOMP (fl. 306); e (b) cópia de extrato da ficha 07E do Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido de IPI (fl. 307). Não nos parece que as duas folhas de documentos apresentadas demonstrem, ainda mais com “clareza solar”, como alega a recorrente, a legitimidade e a origem do crédito. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Quando muito, servem para endossar a coincidência aritmética à qual chegamos anteriormente, no sentido de que deve a empresa ter realmente incluído indevidamente créditos do 4o Trimestre de 2002 no pedido que se referia a créditos do 1o Trimestre de 2003. E coincidência, aliada à verdade material, seria caracterizadora de situação a demandar diligência, para verificação do direito creditório, nos mesmos moldes da verificação efetuada para o 1o Trimestre de 2003. Mas não foi esse o entender do julgador de piso. A DRJ, relacionando dispositivos da IN SRF no 33/1999 (que trata de créditos derivados da Lei no 9.779/199), e as IN SRF no 21/1997, no 210/2002, no 460/2004 e no 600/2005 (que disciplinam em diferentes períodos o ressarcimento, em geral), conclui que apenas os créditos presumidos apurados no trimestrecalendário podem ser objeto de pedido de ressarcimento, e alicerça sua conclusão ainda no art. 11 da Lei no 9.779/1999, afirmando que “tratase de um caso onde a materialidade está subordinada à legislação, mormente a relativa ao período de apuração do IPI e ao próprio texto do artigo 11 da Lei no 9.779/99”. O equívoco agora é do julgador: os créditos derivados do art. 11 da Lei no 9.779/1999 não estão mais em discussão no presente processo. Restaram contenciosos somente os créditos presumidos derivados da Portaria MF no 38/1997 (em verdade, das Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001). O crédito presumido demandado pela empresa é o alternativo, da Lei no 10.276/2001 (art. 1o): “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (...)” (grifo nosso) E a Lei no 9.363/1996 dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas Fl. 611DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10930.002166/200374 Acórdão n.º 3401003.187 S3C4T1 Fl. 609 7 operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2o do art. 2o, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Art.6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (grifo nosso) Com a autorização expressa da Lei no 9.363/1996 foi editada a Portaria MF no 38/1997 (posteriormente revogada pela Portaria MF no 64/2003, que já contemplou o crédito presumido alternativo, da Lei no 10.276/2001, por sua vez revogada pela Portaria MF no 93/2004, que, alterada pela Portaria MF no 253/2011, atualmente disciplina a matéria), que consta na motivação do pedido de ressarcimento, datado de 13/06/2003 (fl. 46). Há confusão, assim, na argumentação do julgador de piso, quando mescla disposições referentes a créditos de natureza distinta. E, sobre as Instruções Normativas gerais que tratam de ressarcimento (essas sim abarcando ambos os tipos de crédito) não se encontra vedação à operação: os créditos apurados no trimestrecalendário (no caso, 4o Trimestre de 2002) podem ser objeto de ressarcimento se condizentes com as informações constantes em DCP e DCTF do trimestrecalendário de escrituração. A pergunta a ser efetuada, basicamente, é a seguinte: fosse o pedido, desde o início, desmembrado em 4o Trimestre de 2002 (R$ 232.812,29), e 1o Trimestre de 2003 (R$ 366.218,06 + R$ 475.579,79), o que parece ter sido o objetivo da recorrente (embora tenha se equivocado formalmente) faria a empresa jus ao ressarcimento de R$ 232.812,29? Tal pergunta foi expressamente efetuada à autoridade fiscal, com a conversão do julgamento em diligência. E a resposta veio no seguinte sentido: "o cálculo do crédito presumido relativo ao 4o trimestre de 2002 está demonstrado em fls 583/584, que resulta no crédito de R$ (60.448,94 + 161.538,69) = 221.987,63". Assim, temos que o direito creditório existe, e está sendo negado tão somente por erro formal no pedido. Em relação ao 1o Trimestre de 2003, é preciso recordar que resta incontroverso o direito ao crédito de R$ 366.218,06 e a parte do crédito de R$ 475.579,79 (no valor de R$ 465.631,72). No que se refere à contestação do valor do principal no DARF emitido para pagamento (R$ 324.939,70), referente ao saldo devedor não compensado, a unidade local, na diligência, refaz o cálculo, chegando a R$ 20.772,73. A recorrente, ao se manifestar sobre o resultado da diligência, dele não discorda, fazendo apenas observação desprovida de argumento ou prova (em relação ao valor de R$ 10.824,66), e requerendo a emissão de DARF de R$ 20.772,73, para pagamento, de acordo com o modelo que anexa à fl. 601. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Assim, no mérito, não restou muito a discutir no presente processo. Demandado o ressarcimento de IPI, bem assim sua compensação, a existência de erro formal no pedido não obsta o direito de crédito, se atendidas duas condições cumulativas: (a) seja justificado documentalmente que os créditos já eram contemplados no pedido efetuado (pois se nele não estavam contemplados tratarseia de novo pedido); e (b) a unidade preparadora ateste a existência e a disponibilidade dos valores indicados como crédito. No presente processo, ambas as situações se fazem presentes. Dos R$ 232.812,29 que a recorrente sustentava ter de crédito, a fiscalização atestou que, superado o erro formal, ela efetivamente tem direito a R$ 221.987,63, que devem ser utilizados nas homologações de compensações. É ainda incontroversa (pois a recorrente dispôsse a pagála) a diferença de R$ 20.772,73. Cabe, no entanto, esclarecer alguns tópicos em relação às alegações da recorrente. Sobre a utilização de Taxa SELIC, cabe atestar que os créditos em discussão já foram utilizados em compensações, sendo todos informados nos pedidos, de forma atualizada, de modo a promover o encontro de contas. Não há que se falar, assim, em atualização pela Taxa SELIC neste momento processual. A respeito do DARF apresentado à fl. 601, cabe destacar que o valor do principal (R$ 20.772,73) é consensual, neste processo, e o valor dos acréscimos não é matéria afeta ao presente contencioso, que trata de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação. Cabe à unidade local a cobrança de tal valor principal, com os acréscimos/multas previstos na legislação. Por fim, no que se refere à demanda para que correspondências sejam enviadas ao endereço do procurador/advogado, é de se recordar o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972 (com estatura reconhecidamente legal), que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” (grifo nosso) No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.187 (de 20/08/2014), no 3403 003.465 (de 11/12/2014), e no 3403003.626 (de 11/05/2015), de nossa relatoria, todos com acolhida unânime da turma do CARF. A matéria mereceria, a nosso ver, súmula específica, ou Fl. 613DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10930.002166/200374 Acórdão n.º 3401003.187 S3C4T1 Fl. 610 9 complemento da Súmula CARF no 9 , que dispõe que é "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito no montante apurado na diligência (R$ 221.987,63), a ser utilizado nas compensações que foram apresentadas pela recorrente. Rosaldo Trevisan Fl. 614DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15504.020233/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007
EMBARGOS.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2201-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2403-001.373, de 19/06/2012, manter a decisão original no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado: I) Decadência: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial até 11/2004, com base no Art. 150, § 4º, do CTN. Vencidos relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro; II) Reembolso De Passagem Levantamento L03 / Vale Transporte Em Pecúnia: Por maioria de voto, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães; III) Adiantamento de 13º salário: Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto; IV) Multa: Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 nos termos do Art. 61, da Lei no 9.430/96, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora".
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2403 001.373, de 19/06/2012, manter a decisão original no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado: I) Decadência: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial até 11/2004, com base no Art. 150, § 4º, do CTN. Vencidos relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro; II) Reembolso De Passagem Levantamento L03 / Vale Transporte Em Pecúnia: Por maioria de voto, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 02 33 /2 00 9- 71 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães; III) Adiantamento de 13º salário: Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto; IV) Multa: Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 nos termos do Art. 61, da Lei no 9.430/96, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora". assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15504.020233/200971 Acórdão n.º 2201003.067 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional interpõe embargos de declaração contra o Acórdão nº 2403001.373 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. O julgamento apresentou a seguinte ementa e decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 07/2004 a 12/2007, a ciência do AIOP ocorreu em 18.12.2009, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. VALE TRANSPORTE Vale transporte é instrumento onde o empregador antecipa para o empregado valor para cobrir despesa com deslocamento residênciatrabalhoresidência. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. VÍCIO MATERIAL. Vício material resulta em nulidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Decadência: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência parcial até 11/2004, com base no Art. 150, § 4º, do CTN. Vencidos relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro; II) Reembolso De Passagem Levantamento L03 / Vale Transporte Em Pecúnia: Por maioria de voto, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães; III) Adiantamento de 13º salário: Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto; IV) Multa: Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 nos termos do Art. 61, da Lei no 9.430/96, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. O fundamento do embargo é contradição, na questão da multa, entre a decisão do julgado (recálculo da multa) e a conclusão do voto do relator (nulidade da multa). Voto: MULTA ... Entendo que essas contradição presente no lançamento constitui vício material e enseja a nulidade da multa aplicada. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando, pela constatação do vício material, a nulidade da multa de mora aplicada. Foi reconhecida a contradição. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15504.020233/200971 Acórdão n.º 2201003.067 S2C2T1 Fl. 4 5 É o relatório. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Observo que o que se discute aqui é exclusivamente a questão da multa e que para as demais questões, os votos e a decisão permanecem inalterados. Conforme apresentado acima, a contradição foi reconhecida e o vício deve ser sanado. O voto deve ser ajustado conforme abaixo: Ajustes necessários no voto: MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15504.020233/200971 Acórdão n.º 2201003.067 S2C2T1 Fl. 5 7 Conclusão À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ajustes necessários na ementa: Na ementa deve ser excluída a citação ao "Vício Material" e incluído o texto abaixo: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto por acatar os embargos e para sanar a contradição, determinar os ajustes no voto e na ementa do acórdão 2403001.373. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10283.720037/2012-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE.
Somente deve ser conhecido o Recurso especial quanto à matéria cujo deslinde possa alterar a decisão recorrida.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso especial do Contribuinte não conhecido e da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9202-003.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra.
Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 17/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE. Somente deve ser conhecido o Recurso especial quanto à matéria cujo deslinde possa alterar a decisão recorrida. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas. Recurso especial do Contribuinte não conhecido e da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 37 /2 01 2- 24 Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.500 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 17/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 130, 181, 187, 222 e 224, com relatório fiscal às efls. 287 a 327, relativo às Contribuições Previdenciárias da empresa, parte patronal, incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais, referente a serviço de segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 01/2007 a 12/2007. O lançamento foi consolidado em 10/02/2012, com ciência à contribuinte em 13/02/2012. Em sua impugnação, às efls. 448 a 465, a empresa, uma sociedade por ações e subsidiária da ELETROBRAS, sociedade de economia mista com controle acionário da União, contestou o auto de infração. A 5ª Turma da DRJ/BEL considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0126.422 de 31/05/2013, às efls. 743 a 759, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 774 a 795, no qual traz argumentos atinentes a quatro pontos de discussão: exigência de contribuições sobre participação dos empregados nos resultados por descumprimento de regra administrativa; exigência de contribuições previdenciárias sobre participação dos diretores nos resultados, sendo eles também trabalhadores; incidência de contribuição previdenciária sobre valores de indenização compensatória aos segurados empregados por redução do percentual Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.501 3 dos adicionais por horas extras; exigência de contribuição previdenciária sobre auxílio educação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/02/2014, pelo acórdão 2402003.929, às efls. 1326 a 1361, que tem a seguinte ementa: I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPRESAS ESTATAIS. NECESSIDADE DE OBSERVAR DIRETRIZES ESPECÍFICAS FIXADAS PELO PODER EXECUTIVO. PREJUÍZO ACUMULADO QUE IMPEDE O DESFRUTE DA IMUNIDADE. DIRETRIZ MINISTERIAL QUE SUPRE A EXIGÊNCIA LEGAL. O art. 5º da Lei 11.101/2000 exige que o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados das Estatais obedeça diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. A resolução 10/1995 em seu art. 3º, inciso III, estabeleceu que as empresas estatais estão impedidas de distribuir lucros a seus empregados se tiver registrado prejuízos de períodos anteriores, ainda não totalmente amortizados por resultados posteriores. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. REMUNERAÇÃO DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e DA LEI 6.404/76. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária a previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Além disso, quando a verba paga aos diretores estatutários não empregados (contribuintes individuais) foi concedida em desacordo com a Lei 6.404/1976, possui natureza remuneratória e, por conseqüência, tais valores devem integrar o conceito de salário de contribuição. PARCELA COMPENSATÓRIA INDENIZATÓRIA. HORA EXTRA. NÃO CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. Não constitui hipótese de incidência da contribuição previdenciária a verba paga a título de indenização compensatória pela supressão das horas extras, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho, considerando que o art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91 não o enquadrou como rendimento. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.502 4 BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, inserese na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AI Debcad nº 37.359.4097 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão, por sua vez, teve a seguinte redação: Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.503 5 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos à indenização compensatória e auxílioeducação incluídos nos levantamentos de parte patronal e empregados e seus reflexos, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões, que votaram pela exclusão, inclusive, da participação nos lucros e resultados pagos aos empregados. Quanto à multa de ofício, por unanimidade de votos, que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, caso mais benéfica. Quanto às multas relativas à GFIP, por maioria de votos, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos à indenização compensatória e auxílioeducação, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões, que votaram pela exclusão, inclusive, da participação nos lucros e resultados pagos aos empregados; e, após, por unanimidade de votos, para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 1363 a 1374, em 14/04/2014, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelos acórdãos paradigmas: 2401002.453 e 920202.086. Em suma, a Fazenda defende a manutenção do lançamento das multas nos moldes realizados na autuação fiscal. Afirma que com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. E prosegue: Tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. (...) Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.504 6 Por fim, salienta ainda que, com base na IN RFB n° 971 de 13 de novembro de 2009, relativamente aos fatos ocorridos até 30/11/2008, época dos fatos geradores em análise, há que se comparar: a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212 de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941 de 2009, com as aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; com b) a multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/1991, acrescido pela Lei n° 11.941 de 2009. Pelas razões expostas, o Procurador pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão recorrido o acórdão recorrido. O Presidente da 4ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF, em 14/07/2014, através do Despacho n° 2400527/2014, às efls. 1377 a 1380, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade. Cientificada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário e do prosseguimento do RE da Fazenda em 20/08/2014 (efl. 1385), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 27/08/2014, às efls. 1387 a 1485. Naquele RE a contribuinte trata de dois pontos de divergência. No primeiro, volta a combater a exigência de contribuições relativas à remunerações por ela pagas a seus segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados (PLR) no ano de 2007. Volta a argumentar aqui que a validade da PLR não tributável tinha fulcro no resultado consolidado do Grupo Eletrobrás e não apenas das empresas componentes, individualmente. Salienta a existência de novo documento que suportaria seu entendimento, afastando o argumento da fiscalização. Apresentou como paradigmas para essa questão os acórdãos nº 2301002.771 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, prolatado em 15/05/2012 e nº 23002003.042, proferido em 18/03/2014, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da mesma Seção. Como segunda divergência, a recorrente enfrenta a incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR dos diretores, esgrimindo os acórdãos 230102.491, prolatado em 18/01/2012, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento e nº 2403002.336, proferido em 19/11/2013, pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da mesma Seção. Argumenta que nem a Lei nº 10.101/200 nem o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.112/1991 fazem qualquer a ressalva que permita diferenciar a remuneração de PLR dos diretores daquela dos empregados; ambos seriam trabalhadores. Por fim, relativamente a aplicação das multas, a recorrente, expressamente, à efl. 1400, entende como correta a posição da Fazenda Nacional em seu recurso especial, pleiteando igualmente a reforma do acórdão nesse ponto, ressalvando a garantia que o somatório das multas em qualquer estágio da cobrança não exceda 75%. O Presidente da 4ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF, em 09/12/2014, agora através do Despacho n° 2400999/2014, às efls. 1480 a 1485, apreciou o RE. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.505 7 Na análise da primeira divergência, negou seguimento ao recurso, por não vislumbrar similitude fática entre o recorrido e o acórdão paradigmático, haja vista eles terem contextos distintos de aplicação e, relativamente ao segundo paradigma, não houve demonstração analítica dos pontos de divergência. Relativamente à segunda divergência apontada, foi dado seguimento ao RE. Através do Despacho nº 2400 – 0003R/2015, à efl. 1486, em 17/03/2015, o Presidente da CSRF decidiu manter totalmente o despacho acima, que denegou a primeira divergência arguida. Em 07/04/2015, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões à divergência da contribuinte a qual foi dada prosseguimento, às efls. 1488 a 1496. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. Inicio meu voto pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional. Alinhome aqui integralmente ao ilustre voto vencedor da Conselheira Relatora Maria Helena Cotta Cardozo, no âmbito do Acórdão 9202003.039, proferido por esta mesma 2a. Turma na sessão de 12 de fevereiro de 2014 e que sentencia: “Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. Destarte, a despeito das alegações da Contribuinte, em sede de contrarrazões, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.506 8 Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” A partir do acima disposto, entendo, novamente em linha com a conclusão da relatora no âmbito do Acórdão acima, que em situações como a do presente feito, devase comparar, para fins de apuração da situação mais benéfica para a Contribuinte: a) a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996 com b) a soma das duas multas, aplicadas na NFLD e no Auto de Infração correspondente, respectivamente determinadas na forma dos arts. 35, inciso II e 32, inciso IV, ambos da antiga redação da Lei nº 8.212, de 1991 (antes da alteração trazida pela Lei nº 11.941, de 2009) e igualmente possuidoras de natureza de multa de ofício. Aliás, esta é a disposição do art. 476A da IN RFB n° 971 de 13 de novembro de 2009, com a redação dada pela IN RFB 1.027 de 22 de abril de 2010. Portanto, é de se dar provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que seja aplicada a multa conforme calculada no lançamento. RECURSO DO SUJEITO PASSIVO Entendo que, pelo que consta no processo, o recurso não atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele não conheço. Com efeito, não sendo possível o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados com o benefício do art. 28, § 9o da Lei n. 8212, de 1991, a qualquer dos empregados, conforme decisão do colegiado a quo, para a qual não houve admissibilidade do recurso quanto ao tema, não resta aproveitamento ao recorrente quanto ao pagamento dessa participação a diretores. Em outras palavras, o deslinde dessa questão não terá o condão de alterar a decisão recorrida quanto à matéria. Portanto, não conheço do recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial de divergência do Procurador da Fazenda Nacional e darlhe provimento e de não conhecer do Recurso Especial do Sujeito Passivo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10283.720037/201224 Acórdão n.º 9202003.838 CSRFT2 Fl. 1.507 9 Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10073.001136/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. RESTRIÇÕES. PN CST N. 65/1979.
Na legislação que rege o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), inclusive no que se refere a crédito presumido, consideram-se insumos apenas as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que sejam integrados ao produto industrializado, ou forem consumidos no processo de industrialização, excluindo-se os bens do ativo permanente, como detalha o Parecer Normativo CST no 65/1979.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa:
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. RESTRIÇÕES. PN CST N. 65/1979. Na legislação que rege o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), inclusive no que se refere a crédito presumido, consideramse insumos apenas as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que sejam integrados ao produto industrializado, ou forem consumidos no processo de industrialização, excluindose os bens do ativo permanente, como detalha o Parecer Normativo CST no 65/1979. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 11 36 /2 00 5- 50 Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). Relatório Versa o presente sobre a Declaração de Compensação (DCOMP) de no 36059.56302.281004.1.3.019553, transmitida em 28/10/2004 (fls. 2 a 952), invocando créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes ao 3o trimestre de 2004, em montante (saldo credor utilizado) de R$ 2.376.970,09, para compensar com débitos de IRPJ (R$ 1.730.162,62) e CSLL (R$ 646.807,47). No Relatório de Diligência de fls. 1108/1109, opinase pela homologação da DCOMP, no que se refere aos créditos básicos de IPI, enviandose o processo à SAORT/DRF/BRA, que inicia a fiscalização dos créditos presumidos em 18/09/2008, intimando a empresa a apresentar os documentos e arquivos especificados às fls. 1141/1142. A fiscalização do crédito presumido culmina no relatório fiscal de fls. 1565/1567, no qual se verifica que: (a) os valores declarados na DCOMP não se coadunam com os declarados em DCP, motivo pelo qual o próprio interessado promoveu os ajustes necessários no Livro de Apuração do IPI, adequando os registros ao DCP, o que implicou glosa de R$ 880.240,13 na compensação; (b) foram ainda glosados R$ 20.584,26 em decorrência da diferença entre o crédito presumido utilizado e o declarado como "saldo de 2003"; (c) as receitas de exportação declaradas em DCP são compatíveis com a soma das notas fiscais de exportação direta e com informações do "DW Aduaneiro", e os valores efetivos de exportação e de receita operacional bruta também condizem com os escriturados e declarados; (d) no que se refere à verificação efetuada em relação aos insumos utilizados no processo industrial, à luz do Parecer Normativo CST no 65/1979, foram glosadas aquisições de combustíveis, energia elétrica, gás, bens do ativo permanente, material de consumo e outros que não se incorporam aos produtos fabricados nem são consumidos no processo de industrialização mediante contato físico com os produtos fabricados (a lista completa de glosas se encontra na planilha de fls. 1613/1614); (e) a partir das glosas efetuadas, foram procedidos o rateio em relação à receita operacional bruta e os ajustes pertinentes em relação a saldos de períodos anteriores (que incluem os processos administrativos no 10073.001768/200432 e no 10073.001769/200487), chegandose a uma proposta de reconhecimento de crédito presumido no montante de R$ 1.509.603,06. Com fundamento nos relatórios é proferido o Despacho Decisório (DD) de fls. 1660/1662, em 10/07/2009, no qual se reconhece a integralidade dos créditos básicos pleiteados (R$ 1.015.204,77), e parte dos créditos presumidos (R$ 1.509.603,06), acolhendo a proposta da fiscalização. Assim, homologase totalmente a compensação de R$ 2.376.970,09, com o crédito de R$ 2.524.807,83. Em 27/09/2009 (fl. 1663) comunicase a alteração do nome da recorrente (de "THYSSENKRUPP Fundições LTDA" para "BR METALS Fundições LTDA"). Ciente do despacho decisório em 06/08/2009 (AR à fl. 1677), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 04/09/2009 (fls. 1751 a 1781), sustentando, em síntese, que: (a) a diligência inicialmente efetuada atestou a regularidade dos créditos Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.001136/200550 Acórdão n.º 3401003.147 S3C4T1 Fl. 1.979 3 (inclusive presumidos) da empresa; (b) os créditos declarados em DCP correspondem ao informado em DCOMP, havendo mero equívoco formal(informação incompleta) na DCOMP, o que não invalida o crédito, por força da verdade material; (c) o saldo de crédito de 2003 informado pela fiscalização não encontra qualquer correspondência com os valores informados nos documentos fiscais da recorrente; (d) a legislação do IPI (art. 25 da Lei no 4.502/1964 e art. 164 do Decreto no 4.544/2002 Regulamento do IPI à época vigente) determinam a manutenção do crédito de IPI sobre os insumos, negados pela fiscalização, fazendo referência a jurisprudência e laudo pericial em processo judicial; (e) todos os documentos que comprovam a existência do crédito estão colacionados ao processo, sendo de fácil aferição pelos julgadores, tendo sido violados o princípio da verdade material e o da inquisitoriedade; (f) há ainda afronta à seletividade e à nãocumulatividade com a negativa do crédito; (g) a Taxa SELIC, prevista na Lei no 9.065/1995, não pode ser aplicada porque afronta diversos princípios constitucionais (legalidade tributária, anterioridade, e indelegabilidade de competência tributária); e (h) a multa aplicada é incabível, e deve ser anulada ou reduzida ao patamar máximo de 2%. Ao final, demandase que seja totalmente homologada a compensação, tendo em vista a legitimidade e a adequação do crédito. Na decisão de primeira instância, proferida em 09/04/2010 (fls. 1876 a 1893), a DRJ acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) a DRJ não tem competência para se opor a atos normativos, e a jurisprudência apresentada não vincula o julgador administrativo, sendo a produção de provas regida pelos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235/1972; (b) a DRJ deve garantir à defesa o rito previsto em tal Decreto mesmo nas hipóteses de homologação integral da compensação (como o presente), caso haja discordância em relação a alguma glosa de crédito informado na DCOMP; (c) as diferenças entre DCP e DCOMP derivam de retificação posterior do DCP e do valor do crédito presumido anteriormente escriturado, e o fisco simplesmente utiliza os dados da própria recorrente, sendo a diferença de saldo detalhada na planilha de fl. 1887; (d) as conclusões das diligências não vinculam a decisão da autoridade competente para proferir o Despacho Decisório; (e) as glosas de insumos seguem a interpretação dada pelo Parecer Normativo CST no 65/1979, e houve ainda glosas sobre importações, igualmente corretas, porque a lei dirige o direito de crédito apenas a aquisições no mercado interno; e (f) sobre os materiais refratários, para os quais se apresenta argumentação específica, a glosa também decorre de expressa inadequação a atos normativos: o Parecer Normativo CST no 260/1971 e o Parecer Normativo CST no 181/1974. Sobre as considerações a respeito de Taxa SELI e multa, a DRJ informa que são matérias estranhas aos autos. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 1896) em 18/05/2010, apresentase o recurso voluntário de fls. 1897 a 1927 (em 17/06/2010), que se limita a reproduzir o teor da manifestação de inconformidade anteriormente interposta. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A recorrente, desde o princípio do contencioso, parece não ter dado a devida atenção à matéria que se está a discutir nestes autos. O presente processo, como relatado, trata de declaração de compensação que invoca crédito de R$ 2.376.970,09, e o valor do crédito reconhecido no despacho decisório é de R$ 2.524.807,83, o suficiente para a homologação integral da compensação pleiteada. Assim, absolutamente descontextualizado o início da Manifestação de Inconformidade (fl. 1752): Assim, ao que parece, a empresa não havia se dado conta de que, mesmo em face das glosas promovidas, a homologação da compensação efetuada foi efetivamente completa. A seguir, na folha 1753 da manifestação de inconformidade, a empresa passa a tratar de "cobrança", como se o processo fosse referente a uma autuação, em equívoco que a leva, às fls. 1768 a 1777, e 1777 a 1780, inserir tópicos referentes à aplicação de Taxa SELIC e a multas, respectivamente. Reparese, por fim, o próprio pedido feito na manifestação de inconformidade (fl. 1780): O pedido que a empresa faz (homologação total da compensação) já estava atendido desde o Despacho Decisório. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.001136/200550 Acórdão n.º 3401003.147 S3C4T1 Fl. 1.980 5 E a DRJ aponta algumas das impropriedades em seu julgamento (fls. 1885/1886 e 1891/1892), mas, ainda assim, assegura o prosseguimento do contencioso, por haver negativa de crédito no despacho decisório (em que pese tal negativa não prejudicar a homologação total da compensação): Se, aparentemente, a empresa não havia lido com atenção o despacho decisório, podese assegurar que ela certamente leu com menos atenção ainda a decisão de piso, porque todas as impropriedades da manifestação de inconformidade destacadas pela DRJ foram simplesmente reproduzidas no Recurso Voluntário, a começar pelas considerações iniciais fls. 1898/1899, transcritas abaixo, passando pelos tópicos que tratam de "cobrança", "Taxa SELIC" e "multa", temas ostensivamente inexistentes no processo, e culminando no pedido de fl. 1927, também transcrito abaixo, no qual a única mudança em relação à manifestação de inconformidade se refere ao título da peça recursal: Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Assim, desde já se afasta a discussão a respeito dos tópicos que tratam de "cobrança", "Taxa SELIC" e "multa", temas que efetivamente são estranhos ao presente processo de compensação, e se esclarece que o pedido, de início, já está atendido, ou seja, a compensação foi totalmente homologada. Endossese ainda que, no presente processo, que trata apenas de uma DCOMP, no valor de R$ 2.376.970,09, totalmente homologada, tendo em vista a existência de crédito suficiente (no valor de R$ 2.524.807,83, mesmo depois das glosas), não pode a recorrente ter assegurado nenhum valor mais. Como esclareceu a DRJ, ainda que fossem afastadas as glosas, tal afastamento não produziria nenhum efeito prático no montante em discussão no presente processo, visto que o ressarcimento do crédito não faz parte destes autos. É preciso ter em conta tais considerações, assim, previamente à análise que se empreende a seguir, movida pelo mesmo ímpeto que perseguiu o julgador de piso, de assegurar a defesa sobre o crédito demandado na compensação e que foi objeto de afastamento pelo fisco. Ainda em caráter prévio, há que se reiterar que a produção de provas e a apresentação de documentos no processo administrativo fiscal são regidas pelos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235/1972. Mas também aí parece decorrer o pedido de petiçãopadrão adotada pela recorrente, visto que ao mesmo tempo em que pede a produção de provas por diversos meios (fl. 1927), afirma que as provas já estão todas no processo (fl. 1909): Aliás, no que se refere à questão probatória, peca substancialmente a recorrente. Enquanto o fisco detalha a origem de cada divergência encontrada, em estrito Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.001136/200550 Acórdão n.º 3401003.147 S3C4T1 Fl. 1.981 7 cumprimento a seu dever legal, a recorrente se defende genericamente, afirmando que detém o direito ao crédito, que as provas estão nos autos, sequer se dignando a apontar especificamente qual o erro cometido pelo fisco, ou qual a prova constante dos autos que deixou de ser apreciada, e como ela afetaria o resultado. Nesse contexto, os excertos da defesa referentes a verdade material (ou até à chamada "inquisitoriedade") e a nãocumulatividade/seletividade trazem pouco vínculo concreto com o presente processo. Em relação à verdade material, porque quem deixa de colaborar na busca dela é a própria recorrente. No que se refere a descumprimento de princípios constitucionais, porque este tribunal administrativo não detém competência para o trato da matéria, conforme esclarece a Súmula CARF no 2. Diante do exposto, restam contenciosos no presente processo (embora sem nenhuma afetação em relação à homologação da compensação demandada) dois temas: (a) as diferenças entre DCP e DCOMP; e (b) as glosas de insumos que não se amoldam aos requisitos estabelecidos no Parecer Normativo CST no 65/1979, inclusive materiais refratários. Quanto ao primeiro tema, tanto a autoridade fiscal quanto o julgador de piso explicitam detalhadamente a matéria, debruçandose sobre as planilhas, em nome da verdade material. Percebese que as diferenças entre DCP e DCOMP surgem com as retificações efetuadas pela recorrente, conforme esclarece a DRJ, que aponta os erros e as causas (fl. 1886): Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Como a DRJ detalha, à luz da documentação constante no processo (que a recorrente alega lhe socorrer) que realmente houve divergências, esperavase que a recorrente, em seu recurso voluntário, esclarecesse o tema, apontando eventuais equívocos. Mas a argumentação da peça recursal é idêntica à manifestação de inconformidade, sequer dando importância ao fato de a DRJ já ter esclarecido a matéria. Assim, convicto de que as divergências existem, e que não são desmentidas pela documentação acostada aos autos, nem pela argumentação recursal da recorrente, permanece esta sem comprovar seu direito creditório, neste tópico. No que se refere às glosas de insumos que não se amoldam aos requisitos estabelecidos no Parecer Normativo CST no 65/1979, a recorrente apresenta novamente alegação genérica, discutindo especificamente apenas um item, referente a materiais refratários, e questionando o fato de não ter sido adotado o primeiro relatório de diligência, de fls. 1108/1109, que opinava pela homologação total da DCOMP, com o reconhecimento integral dos créditos. Sobre o relatório de diligência de fls. 1108/1109, cabe ressaltar que nada mais é do que um relatório de diligência. Não constitui parecer conclusivo, nem exame jurídico. É um posicionamento geral sobre o tema, que a autoridade encarregada entendeu merecer um melhor detalhamento, especificamente no que se refere a crédito presumido, aceitando a proposta no que se referia a créditos básicos. E não há nenhuma incorreção nesse procedimento. Afinal de contas, a autoridade que profere o Despacho Decisório ocupa hierarquia superior à da que faz a diligência, podendo perfeitamente entender que a matéria, para estar conclusa à sua decisão, mereça melhor detalhamento. Entender o contrário seria subverter a própria hierarquia, devendo a autoridade que profere o Despacho Decisório simplesmente cumprir o que seu subordinado sugeriu. Corretos, assim, os procedimentos adotados no presente caso. Sobre insumos, é bom recordar que estamos aqui a tratar de IPI, tributo para o qual a legislação, mesmo a citada pela recorrente, traz comandos mais restritivos. Vejase que o estabelece o art. 25 da Lei no 4.502/1964, em seu § 1o: "Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970)" (sic) (grifo nosso) Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.001136/200550 Acórdão n.º 3401003.147 S3C4T1 Fl. 1.982 9 E, disciplinando a lei, o RIPI vigente à época (Decreto no 4.544/2002), em seu art. 164, I, dispunha: "Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" (grifo nosso) A simples leitura dos comandos citados pela própria recorrente em sua defesa já permite saber que não geram créditos os bens do ativo permanente, ou os que não foram adquiridos para emprego na industrialização, ou ainda os que não forem integrados ao produto nem consumidos no processo de industrialização. E na lista completa de glosas de fls. 1613/1614, encontramos vários itens que se amoldam a tais vedações. Endossando o que já se percebe na análise dos dispositivos legais e regulamentares, o Parecer Normativo CST no 65/1979, utilizado pela fiscalização como parâmetro, contribui para a visualização das condições para que as MP, PI e ME possam ser geradoras de créditos. Assim, em geral, a fiscalização usou como fundamento para as glosas as restrições presentes nas próprias normas citadas pela recorrente em sua defesa, acrescidas do Parecer Normativo CST no 65/1979, que tem por finalidade principal esclarecer o conteúdo e possibilitar a aplicação de tais normas. E a defesa geral da recorrente é simplesmente no sentido de que (fl. 1903): Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Não acrescenta a defesa em seu favor nenhum elemento para contrapor os fundamentos usados na glosa, que resta mantida. Após a defesa geral em relação às glosas, passa a recorrente a tratar especificamente de materiais refratários (fls. 1903 a 1906), trazendo posicionamentos de diversos tribunais e laudo pericial em ação judicial de execução (especificamente sobre matrizes para fundição), mas pouco tratando do caso concreto (fls. 1906/1907): A recorrente, apesar de trazer precedentes de diversos tribunais, que não vinculam o presente julgamento, não se preocupa em detalhar o caso concreto, explicitando como os materiais glosados participam especificamente do processo produtivo. Neste CARF, e no antigo Conselho de Contribuintes, os precedentes são em sentido diverso, cabendo aqui mencionar, a título exemplificativo, o Acórdão no 29300.136: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PLEITO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.001136/200550 Acórdão n.º 3401003.147 S3C4T1 Fl. 1.983 11 PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS CUJAS AQUISIÇÕES ENSEJAM DIREITO AO CRÉDITO. Incluem se, na base de cálculo do beneficio, somente as aquisições de insumos que se subsumem ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem esposado pela legislação do imposto. Pasta de revestimento antracito a quente ou revestimento de carbono, utilizada como revestimento refratário das panelas, nas bicas e dentro dos fornos de fundição e nas caçambas de contaminados; "grafitap", utilizado para tamponar furos dos canais por onde passa o silício metálico; argamassa aluminosa, argamassa úmida "Intermix" ou concreto refratário, empregada no assentamento dos tijolos refratários dos fomos e panelas de fundição; tijolos refratários paralelos ou em arco, que compõem o revestimento das panelas de fundição, e; tubos de aço com rosca ou tubos de fluxação, empregados no insufiamento de oxigênio para desobstrução dos furos de corrida nos fornos fundição do silício metálico, não se incluem entre as matériasprimas e produtos intermediários, por compreendem se nos bens do Ativo Permanente. Recurso Negado." (Terceira Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 09.fev.2009) (grifo nosso) Os argumentos genéricos elencados pela defesa, em confronto com os fundamentos consistentes para a glosa, ancorados na legislação do IPI e em pareceres normativos (CST no 260/1971 e CST no 181/1974) que, no caso, explicitam o conteúdo da legislação do tributo, levam também à manutenção das glosas em relação a tal tópico. Recorde se que a comprovação do direito de crédito é dever da recorrente, que não se desincumbe desse ônus também no presente item. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, esclarecendo uma vez mais que a compensação objeto do presente processo já foi integralmente homologada. Rosaldo Trevisan Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 19515.005340/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
RECEITAS CONTABILIZADAS. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO SEM BASE LEGAL. GLOSA DEVIDA.
Deve ser glosada a exclusão de receita do lucro líquido, para fins de cálculo do lucro real e da base ajustada, se a exclusão não está autorizada pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1302-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO SEM BASE LEGAL. GLOSA DEVIDA. Deve ser glosada a exclusão de receita do lucro líquido, para fins de cálculo do lucro real e da base ajustada, se a exclusão não está autorizada pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 40 /2 00 9- 00 Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Versa o presente processo sobre recurso ofício interposto em face do Acórdão nº 1524.279 da 1ª Turma da DRJ/SDR. Vale salientar que, em face do referido acórdão, também foi interposto recurso voluntário, o qual já foi julgado por esta Turma, por meio do Acórdão nº 1302001.108 (a fls. 956 e segs.), sendo que, naquela assentada, o Relator à época, Conselheiro Márcio Frizzo, sequer relatou a existência do recurso de ofício interposto pelo Presidente da 1ª Turma da DRJ/SDR. Por essa razão os autos retornam a este Colegiado, para que seja julgado tão somente o recurso de ofício. O Termo de Constatação Fiscal a fls. 286, assim foi exarado no item 2.3: “Em 7 de outubro de 2009 lavramos o Termo de Constatação e de Intimação n° 35, solicitando do contribuinte a apresentação de documentos e justificativas as deduções efetuadas na Parte A, do Livro de Apuração do Lucro Real — IRPJ, bem como, na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL — A/C 2005, com as seguintes especificações: 2) No anocalendário 2005, o contribuinte excluiu do lucro liquido os valores R$ ... e RS 2.755.536,75 (período de novembro e dezembro), quando da apuração do lucro real (Parte A, do Livro LALUR), sob as rubricas "..." e "Reversão dos saldos das provisões não dedutiveis", respectivamente. Pedese informar a legislação que autoriza tal exclusão, bem como, anexar resposta os documentos que lhe deram origem. A justificativa deve ser estendida à CSLL, pois o valor também foi excluído na apuração da base de cálculo da referida contribuição. Nota CSLL: as exclusões citadas no 'item 2' estão inseridas no valor R$ 6.613.647,19, informado na DIPJ/06." O contribuinte apresentou resposta ao termo n° 35 em 29 de outubro de 2009, complementada em 18 de novembro de 2009. O contribuinte informa que a exclusão efetuada nas bases de cálculo de IRPJ/CSLL — A/C 2005, no valor de RS 2.755.536,75 (período de novembro e dezembro), é composta pelos seguintes valores: 1) RS 1.900.747,94 — "Receitas Diversas—Crédito Prêmio do IPI"; e 2) R$ ...". O contribuinte nos informou que a referida exclusão devese ao "entendimento da empresa, respaldado por seus consultores jurídicos" ..."no sentido de que tal receita não se enquadra no conceito de receitas tributáveis pelo IRPJ e CSLL.", e que este "... valor está sub judice, empresa interpôs Mandado de Segurança na Justiça Federal, o qual restou tombado sob o número 2003.72.08.0081996, visando o reconhecimento judicial do seu direito a utilização do créditoprêmio de IPI nos últimos 10 anos, a uma aliquota de 15% sobre as exportações. Processo em sede do Egrégio Superior Tribunal de Justiça aguardando apreciação de recurso interposto de decisões desfavoráveis ao contribuinte em instâncias inferiores." No decorrer dos trabalhos solicitamos informações sobre a existência de processos (administrativos e judiciais) relacionados a tributos Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.005340/200900 Acórdão n.º 1302001.899 S1C3T2 Fl. 1.066 3 administrados pela RFB. A época, foram apresentadas informações que tratam sobre ressarcimento de créditoprêmio de IPI e compensação de créditos, dos quais destacamos as decisões aqui mencionadas: (...) Como se percebe, pela leitura de alguns dos processos que tramitam (ou tramitaram) pela via administrativa (com citações à opção pela via judicial), bem como, pelos argumentos apresentados pelo contribuinte, este, até pouco tempo atrás, acreditava ter direito ao ressarcimento de créditoprêmio de IPI, pelo qual vem lutando nas esferas administrativa e judicial. Naturalmente, esta certeza refletiuse em sua escrituração comercial, pois, no decorrer do anocalendário 2005, registrou valores de créditopremio de IPI, que julga ser seu direito. Recentemente, o relator das ações que tramitaram no STF, ministro Ricardo Lewandowski, entendeu que o crédito prêmio IPI é um incentivo fiscal voltado para o setor exportador. Sendo assim, ele deveria ter sido confirmado por meio de lei especifica, como previsto na Constituição Federal. A regra previa que, após a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, todos os incentivos fiscais de caráter setorial deveriam ser revisados em dois anos e ter sua vigência confirmada em lei especifica, se fosse o caso. O créditoprêmio IPI não foi confirmado por nenhuma lei no prazo estabelecido. Devido a decisão promulgada do STF, e com a tramitação no Congresso Nacional de emenda à Medida Provisória n° 460/09, que estendia o beneficio até 2002, a expectativa era de que o presidente da República a vetasse. Esta expectativa foi confirmada com a publicação da Mensagem de Veto n° 684, transcrita parcialmente abaixo: (...) O contribuinte nos informou que o valor de R$ 1.900.747,94 " não foi utilizado para compensação de tributos, encontrase pendente na conta contábil 11061017, o mesmo deverá ser estornado na contabilidade em função da orientação hoje predominante nos Tribunais Superiores do ais. Onde a tese defendida pela Receita Federal do Brasil sagrou vitoriosa, sendo decretada a extinção pelo STF, do direito a este incentivo a partir de 05/10/1990." Muito embora o contribuinte alegue em sua resposta que o valor de R$ 1.900.747,9 registrado como receita no anocalendário 2005, será revertido neste ano de 2009, o fato ocorrido naquele ano esta incorporado ao resultado apurado no período. Não pode o contribuinte, valendose de 1 julgamento exarado pelo STF no ano 2009, adotar procedimentos que surtam efeitos retroativos ao ano calendário 2005. O lançamento do créditoprêmio de IPI foi efetuado a crédito da conta 35102001 — Receitas Diversas (Grupo Outras Receitas), em contrapartida a conta 11061017 — CréditoPremio de IPI (Grupo Realizável à Curto Prazo). Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 A receita com créditoprêmio de IPI, registrada pelo contribuinte, compõem o lucro liquido contábil do anocalendário 2005, que é ponto de partida para apuração da base de calculo do IRPJ — lucro real — e da base de cálculo da CSLL. Por definição legal, lucro real é o lucro liquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (art. 6° do DecretoLei n° 1.598/77, consolidado no art. 247, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99). Por determinação legal, aplicamse a apuração da base de calculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, da Lei n°9.430/96 (art. 28, da referida lei). O contribuinte foi intimado a informar a legislação que o autoriza a excluir das bases de cálculo de IRPJ/CSLL — A/C 2005 a receita de créditoprêmio de IPI, e não o fez. A exclusão efetuada na apuração das bases de cálculo de IRPJ/CSLL — A/C 2005, valor de R$ 1.900.747,94 (período de novembro e dezembro), sob a rubrica "Receitas Diversas — Crédito Prêmio do IPI", não está amparada por lei que a autorize, caracterizando, desta forma, infração aos dispositivos legais mencionados neste termo e nos autos de infração, lavrados nesta data. O referido valor foi adicionado às bases de cálculo de IRPJ/CSLL — A/C 2005 (período de novembro e dezembro). Nota: esta infração tem reflexos na apuração das bases de cálculo de PIS/COFINS — A/C 2005, no entanto, não foram lavrados autos de infração, apenas, reduzidos os valores dos créditos pleiteados pelo contribuinte em processos de compensação/ressarcimento (10909.002231/200509 e 10909.002351/200506 — PIS e 10909.002230/200556 e 10909.002350/200553 — COFINS).”. Por sua vez, o Relator do acórdão recorrido assim relatou e votou com relação ao item 2.3 do Termo de Constatação: “RELATÓRIO (...) Defesa — CréditoPrêmio do IPI Sobre o créditoprêmio do IPI, juntando extensa doutrina dos Tribunais Superiores, o contribuinte alega que "a Receita enquadrou como "receitas" algumas compensações com o "créditoprêmio de IPI".Entretanto, diante da orientação hoje predominante nos Tribunais Superiores do pais esses valores deverão ser estornados da contabilidade da empresa, inclusive com a cobrança do montante dos créditos tributários que eventualmente deixaram de ser pagos em função da compensação provisória". "Deste modo, a conclusão pode ser uma só: ou bem a Receita Federal cobra os créditos tributários compensados com o "créditoprêmio de IPI", ou bem ela cobra IRPJ sobre esses valores, pois proceder das duas Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.005340/200900 Acórdão n.º 1302001.899 S1C3T2 Fl. 1.067 5 formas importa em inaceitável bis in idem, bitributação incompatível com o texto constitucional". "Ou seja, esses valores compensados com créditoprêmio de IPI jamais podem ser enquadrados como receitas de empresa, e se assim constam, na pior das hipóteses, o contribuinte apenas cometeu um equivoco no preenchimento de suas declarações que presta perante a Receita Federal, tudo isto porque simplesmente aqueles valores lançados como "receita" de fato não são receitas, tratouse de um erro, reiterese, e mesmo que assim fosse, ou seja, tivesse o contribuinte auferido de fato aquelas verbas, ainda assim, a cobrança é de todo indevida". "Isto porque o créditoprêmio de IPI consiste em um beneficio fiscal exportação, que não vem sendo reconhecido administrativamente, sendo o contribuinte compelido a ingressar judicialmente para obter o direito a tais créditos". "A natureza indenizatório do créditoprêmio de IPI faz com que tais valores tenham o efeito na contabilidade da empresa de apenas recompor um patrimônio inicial, e como tal o próprio SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, em casos análogos, já tem deixado claro que não é devido o recolhimento de Imposto de Renda sobre verbas indenizat6rias, quanto ao mais em se tratando de CSLL, PIS e Cofins". "Além do que, é bom que se diga, a Jurisprudência retratada linhas atrás emitida pelo Egrégio SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA diz respeito ao "créditoprêmio de IPI" anterior a 1990, ou seja, aquele que foi reconhecido pelo Poder Judiciário e que foi efetivamente e de fato utilizado pelo contribuinte, gerando redução definitiva de sua carga tributária mediante procedimento de compensação que extinguiu o crédito tributário nos termos do artigo 156 do Código Tributário Nacional". "Notese que este não é o caso dos presentes autos administrativos, através do qual o contribuinte utilizou o "créditoprêmio de IPI" posterior a 1990 e, devido ao entendimento da Receita Federal que se sagrou vitorioso no âmbito do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, foilhe cobrado todo o crédito tributário que provisoriamente deixou de ser pago em função da compensação, a qual não chegou a provocar a extinção do crédito tributário compensado". "Tendose em vista que no presente caso o contribuinte não chegou a fazer uso definitivo do crédito, porque foi todo ele indeferido e o crédito tributário compensado está sendo devidamente cobrado, chega se até mesmo diante de ausência de base de cálculo que permita tal tributação". "O que acontece no presente caso, em síntese, foi isto: A utilização do créditoprêmio de IPI mediante compensação tributária provisória, a qual foi posteriormente indeferida, não gerou a extinção do crédito tributário, o qual já foi devidamente cobrado e está, inclusive, sendo pago mediante adesão da empresa ao novo REFIS." (...) Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 VOTO (...) DO CREDITOPRÉMIO DO IPI O créditoprêmio do IPI foi instituído como forma de se estimular as exportações. O Decretolei n° 491/69, no seu art. 1 0, dispunha que as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozariam de um crédito tributário advindo das vendas desses produtos para o exterior. De posse deste crédito, o beneficio era usufruído deduzindoo do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre operações no mercado interno. Se após tal dedução ainda restassem créditos, os mesmos poderiam ser compensados com os demais impostos federais devidos. Assim, dez anos após a instituição do créditoprêmio do IPI, a União edita o DecretoLei n° 1.658, de 24 de janeiro de 1979, a fim de extinguílo de forma gradual. No art. 1° do Decretolei n° 1.658/79 previase a redução gradual do créditoprêmio do IPI "até sua total extinção em 30 de junho de 1983". Posteriormente, foi editado o Decretolei n° 1.722, de 3 de dezembro de 1979, o qual, no seu art. 3°, deu nova redação ao § 2° do art. 10 do Decretolei n° 1.658/79, onde se inseriu a disposição de que o crédito prémio do IPI seria extinto em 30 de junho de 1983. Eis a redação desse art. 3° do Decretolei n° 1.722/79: Art. 3°. O parcigrafo 2° do artigo 1° do Decretolei n°1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: "§ 2° O estimulo será reduzido de vinte por cento em 1980, vinte por cento em 1981, vinte por cento em 1982 e de dez por cento até 30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda." Ocorre, entretanto, que no entendimento de alguns tributaristas, o citado beneficio fiscal, não teria sido extinto em 1983, uma vez que o art. 1° do Decretolei n° 1.658/79, que estipulava a referida extinção, foi revogado pelo art.1°, do DecretoLei no 1.894/81. Por sua vez, o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da norma que autorizava o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1° e 5°, ambos do Decretolei n° 491/69 (créditoprêmio de IPI), norma inserida no ordenamento jurídico pelo citado dispositivo normativo do art. 3 0, do DecretoLei n° 1.894/81. Com esta decisão, os contribuintes passaram a entender, que o beneficio fiscal teria vigência por tempo indeterminado. Com o advento da Constituição Federal de 1988, foi inserido no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o seguinte dispositivo: Art. 41 Os Poderes Executivos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.005340/200900 Acórdão n.º 1302001.899 S1C3T2 Fl. 1.068 7 natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. § 2° A revogação não prejudicará os direitos que já tiverem sido adquiridos, àquela data, em relação a incentivos concedidos sob condição e com prazo certo. § 3° Os incentivos concedidos por convênio entre Estados, celebrados nos termos do Art. 23, § 6°, da Constituição de 1967, com a redação da Emenda n° I, de 17 de outubro de 1969, também deverão ser reavaliados e reconfirmados nos prazos deste artigo. Assim, como o credito prêmio do IPI não confirmado por Lei posterior A nova Constituição, os tribunais superiores foram instados a decidir, sobre o termo final de vigência do citado beneficio. Em agosto de 2009, tendo como relator da matéria o Min. Ricardo Lewandowski, o STF pacificou a matéria, entendendo que incentivos ou estímulos fiscais são todas as normas jurídicas ditadas com finalidades extrafiscais de promoção do desenvolvimento econômico e social que excluem total ou parcialmente o crédito tributário, afirmando claramente a natureza de estimulo fiscal do créditoprêmio do IPI, fato evidenciado pela terminologia utilizada pelos sucessivos textos normativos que trataram do tema, desde o DecretoLei 491/69. Ressaltou, ainda em seu voto, o fato de o créditoprêmio ter sido criado com o objetivo de promover o desenvolvimento de um setor determinado da economia, qual sei a, o setor industrial, por meio do incentivo A exportação de produtos manufaturados, concluindo que, ao elaborar o art. 41 do ADCT, os legisladores constituintes teriam pretendido rever todos os incentivos fiscais vigentes A época, com exceção dos de natureza regional. Que, por ser um incentivo fiscal de cunho setorial, o créditopremio do IPI, para continuar vigorando, deveria ter sido confirmado, portanto, por lei superveniente no prazo de dois após a publicação da CF/88, e que, como isso não ocorreu, teria sido extinto, inexoravelmente, em 05/10/1990 (RE 561.485 e RE 577.348, Min. Ricardo Lewandowski). Com a decisão do STF, pacificase o entendimento de que a vigência do créditoprêmio do IPI ocorreu até 05/10/1990, conseqüentemente, à partir desta data, não há que se falar em tributação desta receita, especialmente no anocalendário de 2005, dada a inexistência do apontado fato gerador no período ora tributado. Portanto, o fato de a Impugnante registrar em sua contabilidade receita a título de créditoprêmio do IPI, por entender que a jurisprudência judicial dominante era no sentido de confirmar sua existência, e, quando da apuração do Lucro Real excluíla da tributação sob o entendimento de que teria natureza indenizatória, não implica que seria correto no anocalendário de 2005, Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 determinar a adição desta receita ao lucro líquido visando recompôlo e, assim tributála, pois, como já aqui visto, no ano calendário em questão não havia base legal a respaldar a existência da alegada receita. Em suma, para efeito de tributação do IRPJ o procedimento do contribuinte foi inócuo, uma vez que apropriou receita inexistente e posteriormente a excluiu, remanescendo como tributável a sua receita efetiva. 0 fisco s6 teria respaldo para agir desta forma, no período em que havia vigência legal do créditoprêmio do IPI, ou seja, até 05/10/1990. Assim, dada a inexistência do apontado fato gerador — a receita do créditoprêmio do IPI —, deve ser afastada a tributação do IRPJ sobre o valor de R$ 1.900.747,94, período de apuração de novembro e dezembro de 2005 (anocalendário de 2005), conforme demonstrado a seguir: (...) LANÇAMENTO REFLEXO CSLL No que diz respeito ao auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, observase que foi lavrados como conseqüência dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento do Imposto sobre a Renda, motivando as exigências tributárias já aqui descritas, conforme previsto na legislação de regência citada nos respectivos Autos. Assim, em sendo as matérias que serviram de base ao lançamento daquele tributo idênticas Aquelas que motivaram o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, como idêntica é a contestação, e, uma vez que tais matérias já foram aqui apreciadas, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação do Auto de Infração relativo ao lançamento do IRPJ Aquele relativo ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Dessa forma, relativamente à CSLL, período de apuração 31/12/2005, em razão da exclusão dos valores do Créditoprêmio IPI, teremos a seguinte alteração: (...) Diante do exposto, VOTO, por rejeitar as preliminares de nulidade bem como o pedido de diligência e perícia, e no mérito considerar a Impugnação Procedente em Parte para: manter o lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 7.511.668,36 (sete milhões, quinhentos e onze mil, seiscentos e sessenta e oito reais e trinta e seis centavos), e exonerar o valor de R$ 499.186,98 (quatrocentos e noventa e nove mil, cento e oitenta e seis reais e noventa e oito centavos); manter o lançamento relativo Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 2.712.840,60 (dois milhões, setecentos e doze mil, oitocentos e quarenta reais e sessenta centavos), e exonerar o valor R$ 171.067,31 (cento e setenta e um mil, sesse e sete reais e trinta e um centavos), conforme demonstrativo a seguir, juntamente com os acréscimos legais Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.005340/200900 Acórdão n.º 1302001.899 S1C3T2 Fl. 1.069 9 correspondentes, mantendo, inclusive, a Multa de Oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento).”. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. A decisão recorrida merece reforma, pois partiu de premissa totalmente equivocada, ou seja, não se discute, nestes autos, se a receita decorrente do registro do direito ao crédito prêmio devia ou não ser contabilizada, mas tãosomente, se, uma vez contabilizada como foi pela contribuinte, poderia ser excluída do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base ajustada. Conforme restou demonstrado, não havia previsão legal, para excluir tal receita do lucro líquido, para fins de cálculo do lucro real e da base ajustada. Ora, quando o contribuinte lançou a crédito da conta 35102001 — Receitas Diversas (Grupo Outras Receitas), em contrapartida a conta 11061017 — CréditoPremio de IPI (Grupo Realizável à Curto Prazo), a matéria ainda era discutida nos tribunais, logo, disse bem a Autoridade Fiscal quando sustentou que não se pode, com base em julgamento ocorrido no STF em 2009, justificar a exclusão da receita na apuração do lucro real do AC 2005, sob o argumento de que 4 anos após o fato gerador, pelo julgamento do STF, aquele valor não poderia ser considerado receita. Observo que, se em 2009 a contribuinte desse baixa na sua conta ativa conta 11061017 — CréditoPremio de IPI (Grupo Realizável à Curto Prazo), teria como contrapartida uma despesa dedutível, da mesma forma que a receita, em 2005, era tributável. Ademais, nada impedia que a contribuinte, até mesmo antes da decisão do STF, reconhecesse sponte propria que não havia fundamento sólido a sustentar o direito ao crédito prêmio no ano de 2005 e, consequentemente, promover a referida baixa antes de 2009, gerando assim uma despesa a reduzir os resultados contábil e fiscal. Vale ainda acrescentar que, ao reconhecer a receita em 2005, a contribuinte aumentou o seu lucro contábil e consequentemente, poderia até ter pago dividendos com tal valor, ou então, calculado o limite de dedutibilidade dos JCP levando em conta o acréscimo que tal receita gerou no lucro do exercício. Ademais, como JCP também leva em conta os lucros acumulados, tal receita esteve presente nos lucros acumulados da contribuinte desde 2005, impactando assim, de um forma direta ou não, o cálculo do limite de dedutibilidade dos JCP dos anos seguintes. Valeuse ou teve a oportunidade de se valer de tal receita, ao inflar seu resultado do período e/ou os lucros acumulados, logo, não se pode querer retroagir a decisão do STF, para que, em um passe de mágica, seja considerado que tal receita nunca impactou o resultado de 2005. Por todos esses motivos, voto por dar provimento ao recurso de ofício, restabelecendo os lançamentos do IRPJ e da CSLL sobre as receitas de que trata o item 2.3 do Termo de Constatação a fls. 286. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Alertese a Unidade Preparadora para a decisão do recurso voluntário a e fls. 956. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10120.011501/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COFINS. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA.
Havendo antecipação de pagamento do tributo e na inexistência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. (art. 150, § 4º do CTN).
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. Havendo antecipação de pagamento do tributo e na inexistência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. (art. 150, § 4º do CTN). Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 15 01 /2 00 8- 74 Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.011501/200874 Acórdão n.º 3301003.003 S3C3T1 Fl. 1.401 2 Relatório Tratase de autos de infração de PIS e de Cofins relativos aos períodos de apuração de 01/01/2003 a 31/10/2004, no valor total de R$ 25.929.572,89. Os lançamentos decorreram do batimento entre a receita bruta contábil com os valores confessados em DCTF ou pagos. Constatouse que o contribuinte deixou de apresentar declarações, ou as apresentou com valores inferiores ao devido. O contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos, efls. 908/931, na qual abordou os seguintes temas: 1) Imunidade recíproca aplicável ao contribuinte, pois trata se de Sociedade de Economia Mista, prestadora de serviços públicos essenciais; 2) Das ilegalidades na constituição e no lançamento dos supostos créditos tributários do PIS e da Cofins; 3) Da decadência parcial do lançamento; 4) Da prorrogação indevida do Mandado de Procedimento Fiscal; 5) Da aplicação do regime da cumulatividade; 6) Da desconsideração dos créditos na apuração do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade; 7) Da desproporcionalidade da multa aplicada e seu efeito confiscatório; e 8) Dos juros inaplicabilidade da Taxa Selic. Ao julgar referida impugnação, a 2ª Turma da DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0330.341, de 13/04/2009, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 IMUNIDADE RECÍPROCA. A imunidade recíproca prevista no no art. 150, VI, “a” e § 2° da CF/88 somente se aplica a impostos, além do que não é extensível às sociedades de economia mista. REGIME NAOCUMULATIVO. CREDITOS. Consoante documentação constante dos autos, todos os créditos previstos em lei a serem considerados na apuração da contribuição foram aproveitados no lançamento. O sujeito passivo não apontou especificamente quais os créditos que não teriam sido considerados, muitomenos trouxe documentação comprobatória que demonstrasse a existência de créditos adicionais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Haja vista a adequação da apuração fiscal aos registros contábeis presentes nos autos, bem assim a ausência de uma contestação mais específica dos créditos que deixaram de ser computados nos lançamentos, não há justificativa para a realização de diligência ou perícia contábil. MPF. PRORROGAÇÃO. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.011501/200874 Acórdão n.º 3301003.003 S3C3T1 Fl. 1.402 3 O art. 12 da Portaria RFB n° 1 1.371/2007 permite tantas prorrogações quantas necessárias para a realização do procedimento de fiscalização, sem impor qualquer outra condição. Ou seja, basta o procedimento fiscal não ter sido concluído para que seja possivel e devida a prorrogação do MPF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida na Constituição Federal. Lançamento Procedente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O F1NANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 IMUNIDADE RECÍPROCA. A imunidade recíproca prevista no no art. 150, VI, “a” e § 2° da CF/88 somente se aplica a impostos, além do que não é extensível às sociedades de economia mista. DECADÊNCIA. Consoante Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, mediante despacho datado de 18/08/2008, em caso de pagamento do tributo relativo a determinado fato gerador, independentemente do montante recolhido/confessado, aplicase o disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN) para fins de contagem do prazo decadencial, contudo, na falta de pagamento, deve ser utilizado o art. 173, I, do mesmo código. REGIME NAOCUMULATIVO. CRÉDITOS. Consoante documentação constante dos autos, todos os créditos previstos em lei a serem considerados na apuração da contribuição foram aproveitados no lançamento. O sujeito passivo não apontou especificamente quais os créditos que não teriam sido considerados, muito menos trouxe documentação comprobatória que demonstrasse a existência de créditos adicionais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Haja vista a adequação da apuração fiscal aos registros contábeis presentes nos autos, bem assim a ausência de uma contestação mais específica dos créditos que deixaram de ser computados nos lançamentos, não há justificativa para a realização de diligência ou perícia contábil. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.011501/200874 Acórdão n.º 3301003.003 S3C3T1 Fl. 1.403 4 MPF. PRORROGAÇÃO. O art. 12 da Portaria RFB n° 11.371/2007 permite tantas prorrogações quantas necessárias para a realização do procedimento de fiscalização, sem impor qualquer outra condição. Ou seja, basta o procedimento fiscal não ter sido concluído para que seja possível e devida a prorrogação do MPF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida na Constituição Federal. Lançamento Procedente em Parte Referida decisão manteve na íntegra o lançamento do PIS e acatou em parte a impugnação somente para reconhecer o transcurso do prazo decadencial em relação à Cofins, cancelando a autuação aos fatos geradores de janeiro/2003 a julho/2003. Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, efls. 1295/1315, por meio do qual aborda basicamente as mesmas questões constantes de sua impugnação. Posteriormente, efl 1380, em 1º/03/2010, o contribuinte apresenta desistência de seu recurso voluntário noticiando ter incluído os débitos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Secat da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia, por meio da Representação de efls. 1382/1383, excluiu os créditos parcelados do presente processo transferindoos para o processo nº 10120.003737/201051, efl. 1398, esclarecendo que permaneceram no presente somente os créditos tributários exonerados na decisão da DRJ/Brasília e que são objetos do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.011501/200874 Acórdão n.º 3301003.003 S3C3T1 Fl. 1.404 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso de ofício é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Como relatado o objeto do presente julgamento é restrito ao recurso de ofício, o qual acatou o transcurso do prazo decadencial dos lançamentos da Cofins relativo aos fatos geradores de janeiro a julho/2003. Utilizou para tanto o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não há reparos a ser feito na decisão recorrida. Como não consta do presente processo a acusação de dolo, fraude ou simulação e está confirmado pela fiscalização que houve antecipação de pagamentos da referida contribuição, correta a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Assim a decadência do lançamento ocorre em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. O auto de infração da Cofins foi cientificado ao contribuinte em 29/08/2008, efl. 890, portanto nessa data estavam decaídos os fatos geradores ocorridos antes de Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.011501/200874 Acórdão n.º 3301003.003 S3C3T1 Fl. 1.405 6 29/08/2003. Assim, os fatos geradores de janeiro a julho/2003 não poderiam ter sido objetos do lançamento tributário devendo ser canceladas as exigência tributárias correspondentes. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16682.721553/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
IPI- CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA.
Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumem-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente. Não se apresenta viável à Administração afastar a respectiva tutela jurídica sob a alegação de que, por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, não fora tomada em consideração disposição jurídica que já integrava, ao tempo da prolação da decisão, o ordenamento jurídico pátrio.
RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. COISA JULGADA MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO.
Enquanto não sobrevenha alteração no estado de fato ou de direito da relação jurídica continuada, há que ser observada a norma concreta individual conferida ao sujeito passivo por intermédio de sentença judicial passada em julgado.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO.
Numero da decisão: 3402-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto ficou vencido quanto à preliminar de não admissibilidade do recurso de ofício e apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA. Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumemse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente. Não se apresenta viável à Administração afastar a respectiva tutela jurídica sob a alegação de que, por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, não fora tomada em consideração disposição jurídica que já integrava, ao tempo da prolação da decisão, o ordenamento jurídico pátrio. RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. COISA JULGADA MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. Enquanto não sobrevenha alteração no estado de fato ou de direito da relação jurídica continuada, há que ser observada a norma concreta individual conferida ao sujeito passivo por intermédio de sentença judicial passada em julgado. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto ficou vencido quanto à preliminar de não admissibilidade do recurso de ofício e apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 15 53 /2 01 3- 31 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente processo está muito bem relatado em Relatório de fls. 411 a 415 dos autos emanados da decisão DRJ/BEL, por meio do voto do relator Clecivaldo Araújo da Silva nos seguintes termos: “Do Mérito Registrese, de logo, que o lançamento de ofício limitouse, exclusivamente, à glosa de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos (concentrados) provenientes da Zona Franca de Manaus, não alcançando qualquer outra matéria. Com efeito, não foi questionada a existência dos créditos de outra natureza apurados pelo contribuinte ou, ainda, o próprio montante dos créditos decorrentes de aquisições de concentrados oriundos da Zona Franca de Manaus. Delimitado o objeto da controvérsia, temse que o sujeito passivo impetrou perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, o Mandado de Segurança nº 91.00287245, com o fim de assegurar o seu direito à manutenção de crédito ficto de IPI relativo a aquisições de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, utilizados na industrialização de refrigerantes tributados pelo IPI, havendo obtido, em 09/07/1991, liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário questionado, a qual foi confirmada por intermédio de sentença que julgou procedente o pedido. Em 17/05/1999, o Recurso de Ofício (nº 92.02.091518/RJ) não foi provido pelo TRF/2ª Região e, em 13/03/2000, houve o trânsito em julgado do Acórdão correspondente, assim ementado: “Vez que a Constituição de 1988 não faz restrições ao direito de aproveitamento de crédito do IPI de produtos isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus, legislação infraconstitucional, não recepcionada pelos preceitos constitucionais vigentes, não poderá fazêlo. ” A autoridade fiscal, com fundamento no Parecer Demac/RJO nº 1/2012, entendeu pela ilegitimidade de tais créditos escriturados pelo sujeito passivo, sob os fundamentos principais de que a relação jurídica que a Impetrante pleiteara e alcançara em juízo é de índole continuativa e tem limites impostos pela causa de pedir fundada no artigo Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.721553/201331 Acórdão n.º 3402002.996 S3C4T2 Fl. 3 3 153, §3°, IV, da Constituição, motivo pelo qual os efeitos da interpretação dada pelo Tribunal ao dispositivo constitucional que fundamentara a pretensão deduzida na inicial não podem avançar ao tempo de vigência da EC nº 03/93, norma constitucional superveniente obstativa dos efeitos decorrentes do fundamento jurídico daquela pretensão. Isso porque, segundo a fiscalização, a cláusula rebus sic standibus traz consigo autorização para que se proceda, no futuro, à revisão do julgado, sempre que surgir fato apto a implicar efeitos distintos dos decorrentes da sentença determinante da norma individual e concreta a reger o caso julgado, conforme previsto no artigo 471, I, do Código de Processo Civil – CPC. Tenho, contudo, que não assiste razão à autoridade fiscal. Em primeiro plano, a intangibilidade da coisa julgada, como decorrência da exigência da segurança jurídica, é axioma do Estado Democrático de Direito do qual a Administração Pública não se pode afastar, encontrandose, antes, obrigada a observar e proteger. Assinalada esta necessária premissa, verificase que partindo do fato de se estar diante de uma relação jurídica de direito material continuativa, como efetivamente é a obrigação tributária sucessiva em análise, a autoridade fiscal concluiu que seria possível fazer incidir a cláusula rebus sic standibus para que fosse considerada superada a decisão passada em julgado, conforme autorização que derivaria do artigo 471, I, do CPC. Há, porém, sérias dificuldades na conclusão alcançada em conjunto pela unidade de origem. Nos termos do art. 471, I, do CPC1, nas relações jurídicas de trato continuado é a alteração no estado de fato ou de direito que autoriza a revisão da coisa julgada, em sendo o caso. Em outros dizeres, somente enquanto inalterados os suportes fáticos e jurídicos da relação jurídica material é que permanecerá imutável e eficaz a decisão transitada em julgado. Modificados quaisquer dos suportes em que prolatado o provimento judicial, a decisão deixa de produzir efeitos vinculantes. Por óbvio, não se trata na espécie, em verdade, de relativização da coisa julgada, mas simplesmente de reconhecerse que alterações “no estado de fato ou de direito” deram lugar a uma nova relação jurídica de direito material que não se encontra albergada nos limites objetivos da coisa julgada. Logo, as alterações fáticas e jurídicas que tenham ocorrido nas relações materiais continuativas projetarão, de forma necessária, efeitos futuros a tais modificações de estado, não podendo, por óbvio, retroagir para desconstituir atos jurídicos perfeitos praticados e que se exauriram sob o manto da coisa julgada. No caso concreto, a unidade de origem invoca a incidência da Emenda Constitucional nº 03/932, publicada no DOU de 18/03/1993 e que fez exigir lei específica para a concessão de crédito presumido, ao passo que o trânsito em julgado do MS 91.00287245 ocorreu em 13 de março de 2000. "Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I Se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença;" "§ 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g." Desta feita, como a disposição constitucional em tela já integrava o ordenamento jurídico pátrio por ocasião do desfecho da lide decorrente da pretensão deduzida pelo sujeito passivo perante o órgão jurisdicional, não se apresenta cabível a tese de superveniência de novo direito a disciplinar a relação material, simplesmente porque, conforme já referido, o direito suscitado é contemporâneo da decisão passada em julgado (no caso, o acórdão proferido pelo TRF/2ª Região, em decorrência do efeito devolutivo pleno e do efeito substitutivo, ambos apropriadamente explicitados pelo impugnante). E em já existindo a disposição jurídica por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, impõese reconhecer, como direta derivação do princípio geral de que “iura novit curia”, e inclusive por força do art. 462 do CPC3, que a disposição constitucional foi presumidamente considerada como razão de decidir. Com efeito, passada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumemse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente, à inteligência do art. 474 do CPC. Por outro lado, na hipótese de a Fazenda reputar que não fora levado em consideração o teor da Emenda Constitucional nº 03/93 (em que pese o respectivo acórdão haver assentado que a Constituição de 1988 não faz restrições ao direito de aproveitamento de crédito do IPI de produtos isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus”), a ela empunhasse lançar mão dos múltiplos instrumentos existentes no farto sistema recursal brasileiro, inclusive mediante a propositura de ação rescisória. Em sentido contrário, até que sobrevenha alteração no estado de fato ou de direito da relação jurídica continuada, há que ser observada a norma concreta individual conferida ao sujeito passivo. Registrese, neste ponto, que a única linha argumentativa compatível com a tese arguida pela unidade de origem (em síntese, julgamento em desacordo com a Constituição!) seria a de “relativização da coisa julgada inconstitucional”, a qual permitiria, dentre os campos de sua incidência e possibilidades, a revisão dos efeitos pretéritos da decisão transitada em julgado e que se revele contrária a posterior jurisprudência do STF. Tratase, porém, de tema não veiculado no Termo de Verificação Fiscal que fundamenta a exigência de ofício e que, ademais disso, também se faz inaplicável à espécie, haja vista as razões abaixo explicitadas. O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e publicado no DOU de 26/05/2011, abriga as seguintes conclusões: “(i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede 3 "Art. 462. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento da lide, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.721553/201331 Acórdão n.º 3402002.996 S3C4T2 Fl. 4 5 requerimento da parte, no momento de proferir a sentença. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) 4 "Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido." de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinte autor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. ” Extraise do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, no que é de interesse ao caso concreto, que possuem força para impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos de definitividade e objetividade, os precedentes do STF posteriores a 03/05/2007 formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC5. Isto é, tais precedentes do STF representam alteração no suporte jurídico existente ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas, aptos a fazerem cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado. Nesse sentido, impõese reconhecer que a hipótese em análise, objeto do lançamento de ofício, diz respeito à apuração de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (e não decorrentes da aquisição de outros insumos isentos quaisquer). E esta específica matéria encontrase discutida no RE 592.891/SP, colhido como representativo da controvérsia e em sede do qual foi reconhecida a existência de repercussão geral, conforme decisão publicada no Dje nº 226, publicado em 25/11/2010, nos termos do Voto da Relatora, Sra. Ministra Ellen Gracie, como segue: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 5 "Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006)" “No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, a União aponta violação ao art. 153, § 3º, II, pelo acórdão recorrido, o qual reconheceu o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Entende que a invocação da previsão constitucional de incentivos regionais constante do art. 43, § 1º, II, e § 2º, III, não justifica exceção ao regime da não cumulatividade, que, no entendimento desta Corte, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportados na entrada. A questão é relevante na medida em que o acórdão recorrido estabeleceu uma cláusula de exceção à orientação geral firmada por esta Corte quanto à não cumulatividade do IPI, o que precisa ser objeto de análise para que não restem dúvidas quanto ao seu alcance. Relevante, anda, porque a questão extrapola os interesses subjetivos da causa. ” Em tese, virtual alteração de suporte da relação jurídica material em tela somente terá lugar, enquanto circunstância nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao contribuinte, com o advento de precedente objetivo e definitivo do STF, representado pela terminativa interpretação do art. 153, § 3º, II, e do art. 43, 1º, II, e § 2º, III, todos da Constituição Federal, quando vertidos sobre hipóteses tais quais as constantes dos autos. E, ainda nos termos do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, advindo alteração no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão judicial em questão, o Fisco retomará, somente então, o direito de cobrar o tributo em relação a fatos geradores ocorridos daí para frente. Desta feita, impõese reconhecer a improcedência do lançamento de ofício, fundado que é em oposição a direito do contribuinte escorado em provimento jurisdicional eficaz. Conclusão Assim, voto no sentido de julgar procedente a impugnação, reconhecendo a integral improcedência do lançamento de ofício, devendo esta decisão ser submetida, mediante RECURSO DE OFÍCIO, ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em virtude de o crédito exonerado ultrapassar o limite de alçada. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0129.288 de fls. 410 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IPI. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA. Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumemse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente. Não se apresenta viável à Administração Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.721553/201331 Acórdão n.º 3402002.996 S3C4T2 Fl. 5 7 afastar a respectiva tutela jurídica sob a alegação de que, por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, não fora tomada em consideração disposição jurídica que já integrava, ao tempo da prolação da decisão, o ordenamento jurídico pátrio. RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. COISA JULGADA MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. Enquanto não sobrevenha alteração no estado de fato ou de direito da relação jurídica continuada, há que ser observada a norma concreta individual conferida ao sujeito passivo por intermédio de sentença judicial passada em julgado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O presente Recurso de Oficio foi submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Conforme o relatado o presente processo originouse da lavratura de Auto de Infração contra a contribuinte acima epigrafada, para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários no montante total de R$ 108.671.004,22. A decisão de fls. 410 a 419 é impecável e deve ser mantida, assim, como poderá ser lida em sessão se necessário. Na realidade, a questão versada nos autos, foi muito debatida nas sessões dessa 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção em fevereiro de 2016, das quais participei, inclusive com um outro processo do mesmo contribuinte na sessão de março de 2016 que mereceu uma excelente sustentação oral por parte do patrono do contribuinte, o que não deixou qualquer dúvida a respeito das questões tratadas nos autos. Assim, como nos presentes autos, a decisão recorrida aborda a questão de uma forma absolutamente pertinente aos autos é que entendo que não mereça reparos. Isto Posto, nego provimento ao Recurso de Ofício para mantêla em sua totalidade. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Versa o presente processo sobre Auto de Infração decorrente da tomada de créditos de IPI de saídas isentas da Zona Franca de Manaus, conforme de resto bem descrito no relatório que compõe este Acórdão. Na impugnação, o contribuinte informa que possui ordem judicial definitiva proferida nos autos do Mandado de Segurança Individual nº 91.00287245, transitada em julgado em 13.03.2000, que garante o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumo isento, utilizado na industrialização dos seus refrigerantes, adquirido de estabelecimento na Zona Franca de Manaus. Em reconhecendo este Colegiado a existência de coisa julgada individual, sequer há que ser admitido o Recurso de Ofício, pela presença de pressuposto processual negativo, que impede o exame de mérito no processo. Conforme lição histórica de Oskar Von Bülow: "os pressupostos processuais são os requisitos para a admissibilidade (die erfordenisse für die zulässigkeit), as condições prévias para a formação definitiva de tôda (sic) relação processual (die vorbedingungen für zustandekommen des ganzen prozessverhältiness), a condição de existência da relação processual, os requisitos para a válida formação definitiva da relação processual." (Teoria das exceções e dos pressupostos processuais. Tradução e notas de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003. P.10) A propositura de uma ação, ou a apresentação de uma impugnação, estabelece dois planos de relações: o direito material e o direito processual. O primeiro é discutido no processo, e o segundo é o continente em que se coloca a discussão sobre aquele. Sobre isso, frisa Von Bülow que a relação jurídica processual tem três aspectos específicos: os sujeitos, o objeto, e os pressupostos processuais, que evidenciam a autonomia da relação jurídica processual em relação ao direito material. Para Teresa Arruda Alvim Wambier, os pressupostos processuais são elementos cuja presença é imprescindível para a existência e para a validade da relação processual e, de outra parte, cuja inexistência é imperativa para que a relação processual exista validamente, nos casos dos pressupostos processuais negativos (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades da sentença. São Paulo: RT, 1990, p. 22.). Dela não discrepa Chiovenda, ao afirmar que os pressupostos processuais são as condições para obtenção de um pronunciamento qualquer, favorável ou desfavorável, sobre a demanda (CHIOVENDA, Giuseppe. Instituciones de derecho procesal civil. Tradução de E. Gómez Orbaneja. 2.ed. vol. 2. Madri: Revista do Derecho Privado, 1948, pp. 110111). Os pressupostos processuais negativos são aqueles elementos deverão estar ausentes para que o processo possa receber um pronunciamento de mérito é dizer, a presença de qualquer desses pressupostos negativos implica, no âmbito judicial, na sentença não resolutiva do mérito, que faz coisa jurídica apenas formal. Essa é a prescrição do Código de Processo Civil, em seu art.485, V: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; O Código de Processo Civil reconhece como pressupostos processuais negativos as figuras da perempção, litispendência e a coisa julgada, nesse caso devendo ser entendida a coisa julgada material, que resolveu o mérito, na linha do art.337, §4º, art.502 e 503 da Lei 13.105/2015 (NCPC): Art.337. (...) §4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.721553/201331 Acórdão n.º 3402002.996 S3C4T2 Fl. 6 9 Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. No âmbito do procedimento administrativo tributário não há a figura da sentença, mas isso não implica que esses pressupostos não tenham guarida neste âmbito. Pelo contrário, verificase que são tratados como requisitos de admissibilidade de recursos e reclamações no âmbito administrativo, a exemplo da Súmula CARF nº01, que determina: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, e qual seria o tratamento do CARF para os casos de ausência de pressuposto processual negativo? Corroborando a ilação que fizemos acima, e em breve consulta à jurisprudência desse órgão, através do sítio virtual do Conselho, verificase cerca de 161 (cento e sessenta e um) acórdãos nos quais a existência de litispendência (tratada como concomitância no âmbito administrativo) impede o conhecimento dos recursos voluntários. Vejase que não há óbice à aplicação da mesma sistemática aos Recursos de Ofício, vez que o Decreto 70.235 não discrimina duas espécies de recurso, mas apenas prescrevendo que nos casos do inc. I e II do art.34 desse diploma, o recurso será feito oficiosamente (art.34, caput), e será interposto mediante declaração na própria decisão (art.34, §1º). Não é de se causar espécie a presença de controle de requisitos de admissibilidade nos recursos de ofício, vez que eles estão sujeitos a um requisito adicional, qual seja o limite de alçada, que condiciona o seu conhecimento por este colegiado. Por outro lado, corrobora esse entendimento a verificação de que o Decreto 70.235, quando quis dar um tratamento específico a um dos pressupostos processuais negativos, seu trouxe regra expressa, como de resto se depreende do tratamento dado à perempção, em seu art.35, verbis " o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.". Contrário sensu, é de se entender que na presença dos demais pressupostos processuais negativos o processo não deve ser julgado, ergo não deverá ser conhecido pelo colegiado. Devese frisar aqui, também, que o expediente não viola de qualquer forma o direito de defesa de mérito do contribuinte, na tentativa de convalidar a decisão da DRJ no âmbito do CARF, haja vista que, havendo interesse da Fazenda, ela deve apresentar Recurso Especial para que a questão da admissibilidade seja discutida na CSRF e, em caso de reversão do entendimento naquela instância superior, deverá o processo retorna a esta turma para manifestação sobre o mérito do caso. Portanto, voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO, em razão do reconhecimento da existência de coisa julgada sobre a questão discutida, o que configura pressuposto processual negativo que inviabiliza a apreciação do mérito por este colegiado. Em sendo vencido quanto a ausência de condições de admissibilidade, acompanho a relatora no julgamento de mérito. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 13819.722564/2013-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARNÊ-LEÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo contribuinte recebido de pessoa física, não sendo verificado o pagamento de DARF, mantém-se o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARNÊ-LEÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo contribuinte recebido de pessoa física, não sendo verificado o pagamento de DARF, mantém-se o lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
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CARNÊLEÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo contribuinte recebido de pessoa física, não sendo verificado o pagamento de DARF, mantémse o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 25 64 /2 01 3- 57 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12893.720087/201330, em face do acórdão nº 0131.676, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Trata este processo administrativo de Notificação de Lançamento, nº 2011/851092938481438, expedida em 12/08/2013, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2011, anocalendário 2010, formalizando a exigência a seguir discriminada, com valores expressos em reais. IMPOSTO – 0211 26.202,80 MULTA DE MORA 5.240,56 JUROS DE MORA 5.484,24 TOTAL 36.927,60 Os valores apontados decorrem das seguintes infrações: I) Compensação indevida de IRRF. Conforme a autoridade fiscal, foi glosado o valor de R$ 26.202,80, relativo à diferença entre o declarado (43.051,22) e o comprovado (16.848,42) _ fls. 7 a 11. O enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento. Cientificado em 20/08/2013, fl. 48, o contribuinte apresentou, em 13/09/2013, a impugnação às fls. 2 a 6, lida integralmente nesta sessão de julgamento, acompanhada dos documentos às fls. 7 a 45 alegando em síntese que: • É advogado e funcionário aposentado da Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo/SP, da qual recebeu proventos de aposentaria no valor de R$ 97.701,12 com IRRF de R$ 16.848,42; • Como advogado, também auferiu honorários de terceiros (124.024,68 com IRRF de R$ 26.202,80), pessoas físicas, conforme demonstra, mas, por equivoco, foram declarados como se tivessem sido recebidos da aludida pessoa jurídica, do modo em que discrimina. Já pagou o valor de R$ 26.202,80; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.722564/201357 Acórdão n.º 2202003.451 S2C2T2 Fl. 123 3 • Assim, informou erroneamente que R$ 124.022,68 teriam sido recebidos daquela pessoa jurídica, sendo que foi recolhido carnêleão no valor de R$ 26.202,80, consoante documentos anexos; • Como advogado, também auferiu honorários de terceiros (48.075,29 com IRRF de R$ 19.167,98, este já quitado), pessoas físicas, conforme demonstra, que, embora não tenham tido os IR recolhidos na época própria, foram devidamente informados na Declaração de Ajuste Anual, de acordo com recibos juntados; • Notese que o IRRF glosado é exatamente aquele já pago sob o código 0190. Ao final, declara que não figura como parte ou substituído processual em ação judicial que discuta a matéria tratada na exigência, solicita prioridade na análise de sua impugnação com base no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003 (Estatuto do Idoso) e requer o cancelamento da exigência. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 72/77, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como anexado documentos às fls. 78/117. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em relação aos documentos juntados (fls. 78/117), por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado, receboos nesta fase processual. No presente caso, verificase que o contribuinte alega ter pago imposto de renda sobre os honorários advocatícios (R$ 26.202,80 sobre R$ 124.024,68). Ou seja, o imposto objeto desta autuação já teria sido recolhido, segundo o contribuinte. Asseverou o recorrente que, como advogado, auferiu honorários de terceiros (R$124.024,68 com IRRF de R$ 26.202,80), pessoas físicas, mas, por equívoco, esses foram declarados como se tivessem sido recebidos da Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo/SP, CNPJ nº 46.523.239/000147, o que se corrobora por consulta às referidas ações no sítio do Tribunal de Justiça de São Paulo, conforme exemplos às fls.57 a 62. Sendo assim, temse que os dados que constam das guias de recolhimento de IRRF em formulário da Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo/SP correspondem a Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 ações judiciais nas quais o autuado trabalhou como advogado de pessoas físicas, auferindo honorários advocatícios. Todavia, como bem asseverou o relator do acórdão da DRJ de origem, inexiste previsão legal para que essa remuneração por serviços prestados sem vínculo empregatício a pessoas físicas sujeitese à retenção de IRRF, de modo que o carnêleão deveria ter sido recolhido à União. E esse recolhimento deveria ter se dado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), no caso de pagamento efetuado no Brasil, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento do rendimento, com o código 0190. Isso, entretanto, não se fez. Todavia, o contribuinte realizou o recolhimento através de guias de recolhimento de IRRF em formulário da Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo/SP e não por meio de Darf. Em razão disso, nos sistemas à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil os recolhimentos suscitados não são confirmados (fl. 56). Esse equívoco na forma de realizar o pagamento do tributo, contudo, não afasta a obrigação do contribuinte de recolher aos cofres públicos da União o imposto devido na forma de carnêleão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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