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Numero do processo: 10314.005801/2011-42
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/06/2011, 10/06/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 58 01 /2 01 1- 42 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 183), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.549, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 05 a 30, cientificados em 31.10.2011, em que são exigidos os impostos de Importação e Sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, e as contribuições PISImportação e COFINS Importação, acrescidos dos juros de mora calculados até 30.09.2011, perfazendo um montante de R$ 44.014,63. Através da declaração de importação (DI) nº 11/10474360, registrada em 07.06.2011, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.4.03.6100, impetrado perante a 4ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005801/201142 Acórdão n.º 3802004.131 S3TE02 Fl. 185 3 A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO/SACAT/ALF/SPO nº 42, de 20/04/2011 (fls. 04). No item 1do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Nos termos da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.403.6100, da 4ª Vara Federal/SP, proposta pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, contra o Inspetor Alfandegário da Receita Federal em São Paulo, objetivando o desembaraço das mercadorias descritas na inicial, sem o recolhimento de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, o juízo assim se manifestou:”Isto posto, defiro a liminar requerida para determinar à autoridade impetrada que proceda à liberação das mercadorias citada as fls. 03/04 dos autos, independentemente do recolhimento do Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS”. Ainda, a autoridade lançadora salienta que: “(...), e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavramos o presente auto de infração para a constituição dos créditos tributários, que se encontram com suas exigibilidades suspensas, nos termos da liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000229259.2011.403.6100, em trâmite na 4ª Vara cível/SP, impetrado pelo importador. Em cumprimento à determinação judicial exarada nos autos do processo judicial citado, houve autorização, através do MEMO SACAT/ALF/SPO nº 042 de 20/04/2011, para que esta fiscalização procedesse ao desembaraço e a entrega da carga em questão. Em cumprimento ao disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, deixouse de exigir a multa de ofício,.” Dos autos se depreende também que a inicial que deu azo à citada ação mandamental foi protocolada, em 25.02.2011, perante a 4ª Vara Cível da Subseção Judiciária Federal de São Paulo – SP, ocasião que a impetrante assim se manifesta em seu pedido: “DO PEDIDO Uma vez demonstrado o direito líquido e certo do Impetrante de não ser compelido a recolher os tributos acima mencionados e presentes os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”, bem como a flagrante ilegalidade do ato coator atacado, requerse: 1 – a concessão de MEDIDA LIMINAR, inaldita altera pars, sem qualquer espécie de caução, para assegurar seu direito líquido e certo de, nos termos da Constituição Federal, proceder o desembaraço dos bens citados à pagina 02/03, sem o recolhimento dos tributos federais (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins). Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 2 – que seja oficiado o Ilmo. Sr. INSPETOR ALFANDEGÁRIO DA RECEITA FEDERAL DE SÃO PAULO (Rua Celso Garcia, nº 3580), para que realize o desembaraço dos bens abaixo mencionados, que aguardarão o início dos procedimentos aduaneiros no EADI/São Paulo – CNAGA (Av. das Nações Unidas, nº 22452 – Jurubatuba São Paulo/SP), sem a apresentação das guias comprobatórias de recolhimento dos tributos em questão. (...) 5 – por fim, que à época da prolação da sentença seja concedida DEFINITIVA SEGURANÇA, nos estritos termos constitucionais, ou seja, para que a Impetrante não seja obrigada a recolher os aludidos tributos e, por fim, para que a autoridades coatora indicada se abstenha da prática de qualquer ato tendente a restringir esse seu direito, tais como a lavratura de auto de infração e a conseqüente imposição de penalidades. (...)”. Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu defesa administrativa protocolada em 30.11.2011 para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força da liminar e sentença procedente, originário do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.403.6100, da 4ª Vara Cível da Subseção Judiciária Federal de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso IV do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por conta do deferimento de medida liminar não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita, em seu favor, doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/06/2011, 10/06/2011 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005801/201142 Acórdão n.º 3802004.131 S3TE02 Fl. 186 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/06/2011, 10/06/2011 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta do deferimento de medida liminar; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 183), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta do deferimento de medida liminar; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ , bem como cópia da Conclusão da Justiça Federal no Processo nº 000299259.2011.4.03.6100, originário da 4ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 46 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005801/201142 Acórdão n.º 3802004.131 S3TE02 Fl. 187 7 (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Voto da Decisão da DRJ às fls. 147/154, fica consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 000299259.2011.403.6100, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 4ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo SP, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio da DI nº 11/10474360, registrada em 07.06.2011, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação.. De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.4.03.6100, da 4ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária Federal em São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança. Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005801/201142 Acórdão n.º 3802004.131 S3TE02 Fl. 188 9 Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10120.002342/2002-21
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA
DIAS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta
dias contados da intimação da decisão recorrida.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 203-12.808
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE , por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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Numero do processo: 11020.721841/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PARTES E PEÇAS METÁLICAS. TRV.
As partes e peças metálicas, inclusive estruturais, destinadas, após montagem, a receber equipamentos de produção de frio, que compõem um Túnel de Retenção Variável (TRV), classificam-se na NCM 8418.91.00.
PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se os pedidos de perícia, por prescindíveis, quando a matéria técnica passível de análise em tal procedimento não interferir nas questões de direito que determinaram a convicção do julgador, bem como na formação de seu juízo valorativo acerca do litígio.
Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3402-002.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro, Thaís De Laurentis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PARTES E PEÇAS METÁLICAS. TRV. As partes e peças metálicas, inclusive estruturais, destinadas, após montagem, a receber equipamentos de produção de frio, que compõem um Túnel de Retenção Variável (TRV), classificam-se na NCM 8418.91.00. PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se os pedidos de perícia, por prescindíveis, quando a matéria técnica passível de análise em tal procedimento não interferir nas questões de direito que determinaram a convicção do julgador, bem como na formação de seu juízo valorativo acerca do litígio. Recurso Voluntário a que se nega provimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PARTES E PEÇAS METÁLICAS. TRV. As partes e peças metálicas, inclusive estruturais, destinadas, após montagem, a receber equipamentos de produção de frio, que compõem um Túnel de Retenção Variável (TRV), classificamse na NCM 8418.91.00. PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese os pedidos de perícia, por prescindíveis, quando a matéria técnica passível de análise em tal procedimento não interferir nas questões de direito que determinaram a convicção do julgador, bem como na formação de seu juízo valorativo acerca do litígio. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro, Thaís De Laurentis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 18 41 /2 01 2- 84 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.721841/201284 Acórdão n.º 3402002.949 S3C4T2 Fl. 249 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 220/227) contra Acórdão da 3ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 204/210), de 21/11/2014, que manteve o lançamento de IPI (fls. 02/15), lavrado em 18/05/2012. O referido AI originouse após a empresa ingressar com pedido de ressarcimento de IPI, cumulado com compensação dos créditos por ela apurados com débitos tributários. Ao examinar os documentos e contabilidade da empresa, a fiscalização concluiu, consoante Relatório Fiscal de fls. 16/27, que as operações de venda de produtos à York Internacional Ltda (à época, Johnson Controls Be do Brasil Ltda) foram realizadas com erro de classificação fiscal, o que resultou na aplicação de uma alíquota de 15%, superior à utilizada pelo contribuinte, 5%, e o consequente lançamento, uma vez refeita a escrita fiscal. Afirma o Fisco que aquela cliente da autuada "opera na área de refrigeração industrial, e declara o CNAE: 2823200 Fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação para uso industrial e comercial, peças e acessórios". Embora a cliente da fiscalizada seja a Johnson, os produtos destinaramse à Sadia e outras empresas que são produtoras e embaladoras de carnes resfriadas e ou congeladas (fl. 21). Em geral, a operação da recorrente envolve a compra de bobinas de aço junto à siderúrgicas (CSN e COSIPA), as quais são submetidas a corte e outros tipos de beneficiamento por terceiros (empresas Triches e Vulcano) por conta e ordem da autuada. Esta, por sua vez, envia ao local indicado pelo cliente, onde o material vendido será montado pela própria impugnante ou por terceiro a seu serviço, podendo passar por mais uma etapa de beneficiamento (galvanização ou outra). Embora tenha sido demonstrada alguma inconsistência entre os registros contábeis e fiscais com os registros feitos nas Notas Fiscais, em especial quanto à classificação fiscal adotada (NCM), originalmente NCM 8455.90.00 (Laminadores de metais e seus cilindros outras partes) e NCM 7308.20.00 (Construções e suas partes...Torres e Pórticos), posteriormente foi retificado pela impugnante para NCM 7308.90.90 (Construções e suas partes... Outros), cuja alíquota é de 5%. Desta forma, o AI foi levado a efeito considerando esta última classificação informada pela empresa. A fiscalização concluiu que as partes e peças, destacadas em diferentes itens nas notas fiscais, quando reunidas consistem em "Móveis concebidos para receber um equipamento para produção de frio", NCM 8418.91.00, cuja alíquota no período era de 15%. Mais especificamente, concluiu o Fisco que a Tibre fornece partes e peças que irão compor um TRV (Túnel de Retenção Variável). Assim, o lançamento foi realizado pela diferença de alíquotas (15% 5%) aplicável às operações de vendas da Tibre à Johnson, conforme relacionadas no próprio auto de infração e anexos. Em 06/06/2014, a DRJ baixou o processo em diligência (fls. 130/132) "para que a DRF/CXL providencie a juntada dos documentos citados no Relatório Fiscal (fl. 25), em especial os depoimentos, desenhos, croquis, fotos e similares, que embasaram as conclusões a que chegou, dando ciência à interessada e prazo de trinta dias para que possa se manifestar em Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.721841/201284 Acórdão n.º 3402002.949 S3C4T2 Fl. 250 3 relação aos elementos adicionados, e posterior devolução à esta DRJ, Terceira Turma, para julgamento". Os documentos, relatos de contribuintes e fotos das instalações nas quais foram utilizados os produtos encomendados à Tibre, e sobre os quais recai a presente discussão, foram juntados e constam às fls. 133 a 199, não tendo a empresa se manifestado sobre os mesmos. Não resignada com a r. decisão, a empresa interpôs o presente recurso voluntário (fls. 220/227), no qual, em síntese, alega em preliminar que a prova pericial postulada na impugnação "é elemento imprescindível para a correta classificação fiscal adotada", pelo que reitera o pedido negado pela decisão a quo por prescindível à solução da lide. No mérito alega que seu ramo de atividade é o de fabricação de estruturas metálicas e não o de móveis para receber um equipamento para produção de frio e que, portanto, as estruturas metalizadas que fornece "não são móveis, mas sim fixas, pois uma vez instaladas passam a fazer parte de um imóvel e ou de uma estrutura que não se enquadra no conceito de bem móvel". Acresce que o laudo técnico (fls. 107/118) que apresentou na impugnação "demonstra cabalmente o equívoco da fiscalização ao entender que os bens produzidos pela Recorrente deveriam ser classificados na NCM 8418.91.00", consignando que as estruturas metálicas negociadas com a York para TRV "em hipótese alguma podem se enquadrar como bens móveis para equipamentos de frios, mas se tratam de simples edificações, construções, com materiais de aço, formadas basicamente por pórticos de elementos de aço". Entende que a classificação fiscal por ela atodada, 7308.9090, "é a mais específica para os bens que produz e que foram fornecidos à Johnson", e que o pedido de industrialização de bens pela Johnson Controls foram de estruturas metálicas, sem qualquer característica de bem móvel. Alega, ainda, que as respostas dos clientes da Johnson "não apresentam a informação de que os bens produzidos pela Recorrente sejam móveis". Pede, alfim, a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Em preliminar a recorrente postula perícia técnica para a definição da correta classificação fiscal. Acostou laudo à peça impugnatória, o qual conclui no sentido de sua tese de mérito, qual seja, em suma, que os produtos que vendeu à York/Johnson, não podem se enquadrar como bens móveis, o que, por si só, os afastaria da posição 8418. É bom salientar que a fiscalização em seu relatório fiscal (fl. 17) averbou que para fins de análise quanto à correta classificação fiscal intimou a autuada a apresentar os projetos que pudessem identificar a qual produto final se destinavam as peças encaminhadas, o que a empresa negouse a fazer com o argumento de que se tratava de "propriedade de clientes". Como relatado, a empresa tem como matériaprima básica bobinas de aço adquiridas de grandes usinas siderúrgicas, as quais remete, por conta e ordem, para terceiro Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.721841/201284 Acórdão n.º 3402002.949 S3C4T2 Fl. 251 4 para fim de que sejam cortadas em chapas nos tamanhos necessários em função dos pedidos de seu clientes. Feita essa operação, a Tibre dobras as chapas para formação de perfis, solda destes e colocação de acessórios, furação de peças e quando se tratar de estruturas completas, a montagem final realizada no local da obra (o que pode ser terceirizado) devido ao peso e volume que as estruturas representam, como no caso da York/Johnson. Contudo, como salientado pela fiscalização, considerando que a recorrente inicia seu processo produtivo com as operações sobre as chapas de aço, é grande sua flexibilidade para execução de peças formatadas em aço, o que lhe permite atender uma ampla gama de clientes. Porém, afirma o Relatório Fiscal, a descrição da mercadoria fornecida a seus clientes é efetuada "de forma sintética, telegráfica mesmo", o que "dificulta em muito a possibilidade de avaliar a correção das NCM'S utilizadas". Pois bem, em que pese essa ampla gama de produtos finais que podem ser produzidos pela Tibre, o lançamento sob comento restringese ao fornecimento de produtos a um cliente específico, que é a empresa Johnson Controls Be do Brasil Ltda., que atua na "fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação para uso industrial e comercial, peças e acessório", conforme CNAE 2823200. Como relatado, o cliente da Tibre é a Johnson, mas os produtos, no caso concreto, destinaramse às empresa Sadia e outras que são produtoras e embaladoras de carnes resfriadas e/ou congeladas. O relatório fiscal (fls. 23/25), analisando as notas fiscais emitidas (fls. 34/37 NFs 16.484, 16.485, 16.486, 16.487, 16.488, 16.489 ) contra o cliente Johnson, concluiu que todos itens delas constantes têm o mesmo código de produto, 100296, e mesma observação "Mercadoria entregue atrvés de nossa nota fiscal (consta o número de uma nota fiscal) em (consta data) para Avenorte Avícola Cianorte Ltda. ...", concluindo que "todas notas fiscais fazem parte de um conjunto de equipamentos/máquinas", o TRV, que é composto das seguintes partes e peças: estrutura de sustentação dos ventiladores/evaporadores do TRV, estrutura de sustentação dos painéis do TRV, estrutura de sustentação dos transportadores de entrada e saída do TRV, fechamento do túnel TRV, plataforma e escada de acesso aos motores F1 e G1 TRV, contra peso túnel TRV Padrão TRV, calha coletora de gelo, calha coletora de gelo 1A e contra peso túnel TRV padrão Avenorte. Igualmente, a peça fiscal concluiu que o TRV tratase "de um equipamento que possui painéis com estrutura de sustentação, formando um túnel com fechamento interno, dispondo de estrutura de sustentação de ventiladores/evaporadores, transportadores de entrada e saída, motores com acesso por escada, calhas coletoras de gelo e contra peso". Essas conclusões fiscais não foram contestadas pela recorrente. Demais disso, afirmou o relatório fiscal que a NCM utilizada pela Johnson para a maior parte de seus produtos tem como posição o código 8418, que referese à refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos para produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de ar condicionado da posição 85.15. A NCM adotada era 8418.69.99, que tem o seguinte ex: Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos num corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30 m2 . Também acresce à conclusão fiscal, o fato de que todos clientes da Johnson responderam, à unanimidade (fls. 133/181), que os fornecimentos da Tibre são móveis em estrutura de aço para receber os equipamentos de frio. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.721841/201284 Acórdão n.º 3402002.949 S3C4T2 Fl. 252 5 A empresa em sua defesa restringese a dizer que tais componentes não são móveis e sim estruturas fixas, que uma vez instaladas não podem ser removidas. A matéria Classificação Fiscal tem como fundamento as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, suas Regras Gerais Complementares (RGC) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), e é nelas que iremos buscar o fundamento desta decisão. “A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes Regras:” REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. (sublinhei) Nota Explicativa à REGRA 2a (Artigos apresentados desmontados ou por montar) V) A segunda parte da Regra 2a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem (sublinhei), manipulação ou de transporte. VI) Esta regra de classificação aplicase, também, ao artigo incompleto ou inacabado apresentado desmontado ou por montar, desde que seja considerado como completo ou acabado em virtude das disposições da primeira parte desta Regra. VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Pois bem, de acordo com as regras transcritas, e considerando as respostas dos clientes da recorrente, não há dúvida que as partes e peças que constam nas notas fiscais a que se refere à exação destinamse à montagem de uma estrutura destinada a receber os equipamentos de refrigeração, mais especificamente o chamado Túnel de Retenção Variável (TRV). As fotos acostadas aos autos às fls. 182 a 199, não deixam margem a qualquer dúvida. Assim, correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização, qual seja NCM 8418.91.00, cuja alíquota no período era 15%. O fato desta classificação fiscal referirse ao termo móvel, ao qual apegouse a defesa tãosomente, está correto, pois não se tratam de galpões industriais que possam ser enquadradas na NCM de estruturas metálicas. E de fato são peças móveis, pois foram montados na empresa adquirente sob especificação desta. Talvez por Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.721841/201284 Acórdão n.º 3402002.949 S3C4T2 Fl. 253 6 isso a recorrente tenha se negado a fornecer os projetos de seus clientes, o que apenas dificultou a ação fiscal. Por fim, ante todo o exposto, tenho por prescindível o pedido de perícia técnica, já que com o que dos autos consta foi suficiente para formar meu juízo acerca do acerto do Fisco. Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 255DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13678.000141/00-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Inexistindo oposição estatal injustificada, não há incidência de atualização pela SELIC do crédito escritural de IPI.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Por intermédio do Despacho de fl. 719, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais incumbiu-me de formalizar o presente acórdão em virtude da renúncia do Conselheiro relator, Rodrigo Cardozo Miranda.
Ressalte-se que ele entregou à secretaria da Câmara Superior a ementa acima transcrita, bem como o relatório e voto que seguem, não tendo havido tempo hábil, contudo, para concluir a formalização da citada decisão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Por intermédio do Despacho de fl. 719, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais incumbiu-me de formalizar o presente acórdão em virtude da renúncia do Conselheiro relator, Rodrigo Cardozo Miranda. Ressalte-se que ele entregou à secretaria da Câmara Superior a ementa acima transcrita, bem como o relatório e voto que seguem, não tendo havido tempo hábil, contudo, para concluir a formalização da citada decisão.
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Inexistindo oposição estatal injustificada, não há incidência de atualização pela SELIC do crédito escritural de IPI. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 01 41 /0 0- 76 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000141/0076 Acórdão n.º 9303003.253 CSRFT3 Fl. 721 2 assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Por intermédio do Despacho de fl. 719, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais incumbiume de formalizar o presente acórdão em virtude da renúncia do Conselheiro relator, Rodrigo Cardozo Miranda. Ressaltese que ele entregou à secretaria da Câmara Superior a ementa acima transcrita, bem como o relatório e voto que seguem, não tendo havido tempo hábil, contudo, para concluir a formalização da citada decisão. Relatório Assim relatou o processo o Conselheiro Rodrigo: Cuidase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. (fls. 619 a 625) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 609 a 617) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso da VOTORANTIM METAIS NIQUEL S/A, atual denominação da empresa Mineração Serra da Fortaleza S.A., para determinar a incidência da taxa Selic, a partir da data da protocolização do pedido, sobre os ressarcimentos efetuados em espécie ou utilizados para compensação com débitos da recorrida, referentes ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto na Lei n° 9.363, de 16 de dezembro de 1996. Por bem descrever a controvérsia, adoto o relatório apresentado no v. acórdão recorrido: "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto na Lei n° 9.363, de 16 de dezembro de 1996, relativo ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999 e ao primeiro e segundo trimestre de 2000, acompanhado de pedido de compensação. A peticionária, cujo ramo de atividade é a extração e o beneficiamento de minérios, tendo como produtos finais "mates de níquel" e "ácido sulfúrico", apresentou demonstrativo de Fl. 721DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000141/0076 Acórdão n.º 9303003.253 CSRFT3 Fl. 722 3 crédito no valor de R$ 824.064,42 (oitocentos e vinte e quatro mil sessenta e quatro reais e quarenta e dois centavos) e, de pronto, a fiscalização propôs o indeferimento dos créditos relativos aos três trimestres de 1999, em virtude da suspensão do benefício operada pela Medida Provisória (MP) n° 1.8072, de 25 de março de 1999, e, após diligência no estabelecimento da contribuinte e verificação dos livros fiscais e contábeis, procedeu às glosas das aquisições de insumos no mercado externo e de insumos que, considerando o processo produtivo da contribuinte, não se caracterizariam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, à vista da interpretação consignada no Parecer Normativo CST n° 65, de 6 de novembro de 1979, além de aquisições destinadas ao ativo imobilizado da contribuinte. Feitas as referidas glosas, restou crédito no valor de R$ 237.681,06 (duzentos e trinta e sete mil seiscentos e oitenta c.tim reais e seis centavos), cujo ressarcimento, não obstante o reconhecimento pela fiscalização da materialidade do direito, foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/;MG (DRF/DIV), com os fundamentos expostos no Despacho Decisório de fls. 480 a 499, especialmente porque a contribuinte, por dar saída a produtos tributados à alíquota zero pelo IPI, não escriturava o Livro Registro de Apuração do IPI”. Foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da receita Federal de Julgamento em Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, nos termos do voto condutor do Acórdão de fls. 573 a 583, deferiu em parte a solicitação para reconhecer o direito ao crédito remanescente, após as glosas efetuadas pela fiscalização, e homologar a compensação declarada no Processo n° 13678.000081/200388, no valor de R$ 196.279,11 (cento e noventa e seis mil duzentos e setenta e nove reais e onze centavos), restando crédito no valor de R$ 41.401,95 (quarenta e um mil quatrocentos e um reais e noventa e cinco centavos) para ressarcimento em espécie. Contra, essa decisão a contribuinte interpôs o recurso de fls. 585 a 607, para alegar, em apertada síntese, que: I — não pode subsistir a negativa do crédito presumido nos trimestres de 1999 peticionados, pois a suspensão dos efeitos da Lei n° 9.363, de 1996, no período de 10 de abril de 1999 a 31 de dezembro de 1999, não poderia ser efetuada por meio de MP, pois o art. 2° do DecretoLei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), determina que, não se tratando de lei de vigência temporária, ela deve produzir efeitos enquanto outra LEI não a revogar e, embora à época da edição da LICC existisse o Decretolei, com contornos similares a. da MP, não se fez referência ao DecretoLei como ato capaz de alterar a vigência de lei; II — o princípio da irretroatividade da lei previsto no art. 44 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), afasta a possibilidade de aplicação da Emenda Fl. 722DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000141/0076 Acórdão n.º 9303003.253 CSRFT3 Fl. 723 4 Constitucional n° 32, de 2001, para indeferir o pleito da recorrente; III é ilegal a glosa dos valores de aquisições relativos a energia elétrica, comunicação, fretes, uso e consumo e ativo imobilizado, pois o art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, referese ao total das aquisições, sem fazer nenhuma restrição, não podendo atos normativos de hierarquia inferior fazer essa restrição, tampouco pode o intérprete distinguir onde a lei não distinguiu; IV — o crédito ressarcido deve ser acrescido da devida atualização monetária pela taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), pois tratase apenas de recomposição do poder aquisitivo da moeda; e V — a exigência do crédito tributário que propôs compensar com o crédito objeto deste pedido de ressarcimento só pode ter seguimento após o desfecho deste processo. Por fim, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso para reconhecer integralmente o seu pedido de ressarcimento com a devida incidência da taxa Selic." O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAPRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. RESTRIÇÃO. LEGALIDADE. Para integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI, é legítima a restrição feita às aquisições de matériaprima e produto intermediário relacionado ao consumo no processo de industrialização, nos termos do Parecer CST n° 65, de 1979. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre valor objeto de ressarcimento, incide a taxa Selic a partir da data da protocolização do pedido até o dia da efetiva satisfação da pretensão do contribuinte. Recurso provido em parte. Desta forma, a Fazenda Nacional apresentou o já citado Recurso Especial requerendo a não incidência da Taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI ou determinar a incidência deste índice em momento posterior à protocolização do pedido de ressarcimento. O Recurso Especial foi integralmente admitido (fls. 627). Contrarrazões do Contribuinte as fls. 633 a 643, requerendo a manutenção da aplicação da Taxa Selic nos moldes como já reconhecidos, ou seja, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Vale ressaltar, por fim, que o Contribuinte também interpôs Recurso Especial, no qual requereu o reconhecimento da energia elétrica como insumo para fins de cálculo do crédito de Fl. 723DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000141/0076 Acórdão n.º 9303003.253 CSRFT3 Fl. 724 5 IPI, que teve seu seguimento negado através do r. despacho de fls. 680. Contra esta r. decisão o Contribuinte interpôs Agravo (fls. 684 a 687), recurso que também foi rejeitado pelo r. despacho de fls. 701. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator ad doc Transcrevo, a seguir, o voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Miranda, que foi acompanhado pelos demais membros do colegiado: "Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial deve ser conhecido. No tocante ao mérito, referido recurso não merece ser acolhido. Com efeito, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela Taxa SELIC, veiculada no Recurso Especial da Fazenda Nacional, já foi objeto de apreciação pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000141/0076 Acórdão n.º 9303003.253 CSRFT3 Fl. 725 6 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, tratado pela Lei 9.363/1996, tendo restado consolidada a possibilidade de atualização, pela Taxa Selic, do ressarcimento de tais créditos. Referido entendimento pressupõe, no entanto, a ocorrência de oposição estatal injustificada. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000141/0076 Acórdão n.º 9303003.253 CSRFT3 Fl. 726 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF. Especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI. Por conseqüência, entendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não merece ser acolhido." Esse é o acórdão que me coube redigir. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos Relator ad doc Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10930.000318/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 18 /2 00 7- 28 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 37/40), a qual, por unanimidade de votos, e fundamentada em inexistência de previsão legal, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não reconheceu alegado direito à correção pela taxa SELIC de créditos do IPI outrora ressarcidos (artigo 11 da Lei nº 9.779/99). Cientificada da referida decisão em 30/01/2013 (vide AR de fls. 44), a interessada, em 01/03/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 45/50, onde aduz que teria direito à correção monetária sobres os créditos em tela com base em jurisprudência do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Diante do exposto, requer a interessada seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito de aplicação da correção monetária sobre os créditos em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O mérito da contenda envolve discussão concernente a pedido de correção monetária, pela taxa SELIC, de créditos do IPI outrora ressarcidos ao sujeito passivo, com base no artigo 11 da Lei nº 9.779/99. No entanto, como já destacado na decisão recorrida, não há previsão legal que autorize o deferimento de pleito nesse sentido. Tal entendimento, inclusive, está sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado em julgado em 03/03/2010), que, sob o regime do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual “a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal”. Vale lembrar que, por força do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, referida decisão deverá ser obrigatoriamente observada por este Conselho. Contudo, extraise da mesma decisão que o impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Referido acórdão ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10930.000318/200728 Acórdão n.º 3301002.669 S3C3T1 Fl. 72 3 POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Mas, concernente à hipótese em que se admite a atualização, tal não ocorreu no caso presente, posto que a própria petição que inaugurou o processo se restringe unicamente à discussão do alegado direito à correção monetária dos créditos escriturais do IPI (v. fls. 02/06). Assim, considerando o pacificado entendimento prolatado pelo STJ no RE nº 1.035.847/RS, e diante do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, deverá prevalecer o entendimento de que, por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária de créditos escriturais do IPI. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10850.722900/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000287/201011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 90 0/ 20 13 -8 7 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722900/201387 Resolução nº 3201000.556 S3C2T1 Fl. 211 2 Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000287/201011, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722900/201387 Resolução nº 3201000.556 S3C2T1 Fl. 212 3 III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000287/201011. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15169.000133/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Inexistindo antecipação de pagamento, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de cinco anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO INTEGRANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NATUREZA INFORMATIVA.
A relação de vínculos anexa ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas e não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal por ter finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF.
ILEGALIDADE DA CESSAÇÃO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. VALOR DEVIDO.
É devido o adicional de insalubridade aos trabalhadores que executam atividades nocivas à saúde ou à integridade física quando não observado o procedimento legal para supressão do referido adicional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência referente às competências 04/1999 a 11/1999 e 13/1999, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Murici, OAB/MG 87.168.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Inexistindo antecipação de pagamento, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de cinco anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO INTEGRANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NATUREZA INFORMATIVA. A relação de vínculos anexa ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas e não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal por ter finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. ILEGALIDADE DA CESSAÇÃO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. VALOR DEVIDO. É devido o adicional de insalubridade aos trabalhadores que executam atividades nocivas à saúde ou à integridade física quando não observado o procedimento legal para supressão do referido adicional. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência referente às competências 04/1999 a 11/1999 e 13/1999, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Murici, OAB/MG 87.168. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Inexistindo antecipação de pagamento, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de cinco anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO INTEGRANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NATUREZA INFORMATIVA. A relação de vínculos anexa ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas e não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal por ter finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. ILEGALIDADE DA CESSAÇÃO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. VALOR DEVIDO. É devido o adicional de insalubridade aos trabalhadores que executam atividades nocivas à saúde ou à integridade física quando não observado o procedimento legal para supressão do referido adicional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 01 33 /2 01 2- 82 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência referente às competências 04/1999 a 11/1999 e 13/1999, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Murici, OAB/MG 87.168. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 484 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da DecisãoNotificação n.º 11.425.4/0181/2005, da Delegacia da Receita Previdenciária em Juiz de Fora (MG), f. 246255, que julgou improcedente a impugnação à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad nº 35.513.1595, da qual o sujeito passivo teve ciência em 26/01/2005, fls. 169. De acordo com o relatório fiscal de fls. 105106, o lançamento trata de exigência de contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e a outras entidades e fundos (terceiros), correspondentes à contribuição do salárioeducação e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos, devidos ou creditados aos empregados da unidade Ouro Branco (estabelecimento matriz, CNPJ 17.227.422/000105), a título de adicional de insalubridade, no período de 04/1999 a 12/2003. Segundo a fiscalização, o adicional de insalubridade foi pago aos segurados empregados até a competência junho/2000. A partir dessa data, a empresa, embora reconhecesse, em seus levantamentos ambientais, a exposição dos trabalhadores a agentes nocivos que lhe conferem o direito ao adicional de insalubridade, deixou de efetuar o pagamento deste adicional com base em cláusula estipulada em acordo coletivo de trabalho. Até a competência 06/2000, a base de cálculo foi apurada com base nos valores das parcelas pagas a título de adicional de insalubridade, informados em folha de pagamento. A partir da competência 07/2000, o valor devido a título de adicional de insalubridade foi fornecido à fiscalização, pela autuada, por meio das planilhas eletrônicas às fls. 453 (arquivo não paginável). Inconformada, a autuada apresentou impugnação contendo os seguintes pontos controvertidos: a) ilegitimidade passiva dos diretores e exdiretores executivos; b) afirma que o adicional de insalubridade deixou de ser pago a partir do momento em que a insalubridade foi neutralizada pelo uso de EPI, e nos casos em que a insalubridade está descaracterizada por se mostrar inferior ao limite de tolerância, conforme estudo técnico elaborado por Engenheiro de Segurança do Trabalho registrado no CREA (Documento I); c) com a cessação da insalubridade, o acordo coletivo de trabalho assegurou ao trabalhador que teve cessado o pagamento do adicional, o recebimento do mesmo valor a título de "vantagem pessoal para insalubridade extinta (VPIE)"; d) a perícia, para fins de caracterização ou cessação do adicional do trabalho, compete ao médico ou engenheiro de segurança do trabalho, não havendo respaldo para se exigir sua realização por órgão oficial vinculado ao Ministério do Trabalho; e) possui convênio com terceiros, de modo que é indevida a contribuição exigida a este título. Juntos laudos, fls. 189213 e convênios firmados com outras entidades e fundos (terceiros), fls. 216233. Pediu o cancelamento do crédito tributário ou a exclusão dos diretores do rol de responsáveis. O julgamento foi convertido em diligência, fls. 243, com resposta às fls. 245. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Foi então proferida decisão de primeira instância, julgando o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) a cessação do pagamento do adicional de insalubridade somente é possível através de perícia a cargo de médico ou engenheiro de segurança do trabalho, devidamente registrado no Ministério do Trabalho e Emprego; b) as alíquotas utilizadas no cálculo das contribuições devidas aos terceiros estão corretas (2,5% salário educação, 0,7% INCRA e 0,6% SEBRAE). O sujeito passivo teve ciência da decisão de primeira instância em 14/12/2005, fls. 257. Em 12/01/2006, a interessada interpôs recurso voluntário, fls. 259275, apresentando suas razões, cujos pontos controvertidos são, em síntese: Em preliminar, alega ilegitimidade passiva dos diretores e exdiretores executivos, uma vez que não foi configurado excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, CTN. Ainda em preliminar, alega nulidade da autuação e da decisão administrativa por falta de prova técnica (perícia), a qual considera imprescindível para se aferir a eficácia das medidas protetivas por ela adotadas. No mérito, alega que desde 1985, com a publicação da Lei 7.410/85 e Decreto 92530/86, a competência para emissão de laudos técnicos, inclusive para fins de suspensão do pagamento do adicional de insalubridade, é do médico do trabalho registrado no Conselho Regional de Medicina ou ao engenheiro com especialidade em engenharia de segurança do trabalho, em nível de pós graduação, registrado do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura CREA. Afirma que o pagamento do adicional de insalubridade foi suspenso pela Recorrente em virtude de ações de neutralização dos riscos, conforme consta do Levantamento de Riscos Ambientais (LRA) elaborado por engenheiro de segurança do trabalho com registro no CREA. Argumenta que a efetividade dos EPI's para redução dos riscos ambientais do trabalho estão amparadas pelas suas demonstrações ambientais, se verifica pela estabilidade dos resultados dos exames de monitoração biológica, sendo que a eficácia dos equipamentos é atestada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado, e, eventualmente, a exclusão do nome dos diretores e exdiretores da Recorrente. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões às fls. 281 282. Após, o recurso foi apreciado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que converteu o julgamento em diligência, conforme decisão nº 123/2006, de 24/082006, fls. 283288, determinando a realização de prova pericial por parte da auditoria médica da Previdência Social, no ambiente de trabalho da Recorrente, cabendolhe verificar se os empregados discriminados pela autoridade lançadora estão submetidos aos efeitos da insalubridade, ou se esta foi neutralizada. Os autos foram encaminhados ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e, em 16/08/2010, a chefia da Seção de Saúde do Trabalhador da Gerência Executiva Fl. 487DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 485 5 de Barbacena devolveu o processo ao CRPS sem cumprir a diligência, sob o fundamento de que não havia disponibilidade de peritos médicos, fls. 292. Em 20/08/2012 os autos foram enviados a este Conselho, para julgamento. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminares Responsabilização dos Dirigentes do Sujeito Passivo Nessa fase administrativa, a responsabilidade pelo crédito tributário lançado restou configurada somente em face da sociedade empresária Gerdau Açominas S/A, na condição de sujeito passivo do lançamento. O anexo “Relação de Vínculos”, contendo a relação dos dirigentes do sujeito passivo no período do lançamento, possui caráter informativo, prestandose a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, nas hipóteses em que fique configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Este é o entendimento consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Eventual responsabilização dos dirigentes, com base no inciso III do art. 135 do CTN, poderá ocorrer em fase de execução, nos casos previstos na Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, e nas hipóteses previstas no seu art. 2o: Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: (Redação dada pela Portaria PGFN nº 904, de 3 de agosto de 2010). I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 486 7 Parágrafo único. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. Preliminar rejeitada. Perícia Técnica como condição para o lançamento A verificação fiscal consistiu em analisar, dentre outros documentos, as demonstrações ambientais produzidas pela Recorrente, em especial, o Levantamento de Riscos Ambientais (LRA), o qual corresponde ao Laudo Técnico de Condições Ambientais (LTCAT). A análise e interpretação desses documentos decorre da atividade de fiscalizar o cumprimento da legislação da Previdência Social, atribuída por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Previdência Social, art. 8º da Lei 10.593, de 06/12/2002, na redação vigente à época do lançamento1. 1 Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) I em caráter privativo: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) e) reconhecer o direito à restituição ou compensação de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) f) auditar a rede arrecadadora quanto ao recebimento e repasse das contribuições administradas pelo INSS; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) g) supervisionar as atividades de orientação ao contribuinte efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; e (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) h) proceder à auditoria e à fiscalização das entidades e dos fundos dos regimes próprios de previdência social, quando houver delegação do Ministério da Previdência e Assistência Social ao INSS para esse fim; e (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) II em caráter geral, as demais atividades inerentes às competências do INSS. (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) § 1º O Poder Executivo poderá, dentre as atividades de que trata o inciso II, cometer seu exercício, em caráter privativo, ao AuditorFiscal da Previdência Social. (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) § 2º O Poder Executivo, observado o disposto neste artigo, disporá sobre as atribuições dos cargos de Auditor Fiscal da Previdência Social. (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) (Revogado pela medida provisória nº 440, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.890, de 2008) Fl. 490DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Portanto, a realização de perícia por médico ou engenheiro de segurança do trabalho, como condição para o lançamento, constitui impedimento à atividade de fiscalização, afrontando a lei. Além disso, conforme será visto em capítulo próprio, a perícia, no caso, é prescindível. Adicional de Insalubridade É devido o pagamento de adicional de insalubridade aos trabalhadores que exercem trabalho em condições de insalubridade, assim consideradas as atividades ou operações que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos, conforme dispõe o art. 189 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): Art. . 189 Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977) É condição para o deferimento do adicional de insalubridade que a atividade insalubre esteja prevista na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Prestase a essa finalidade, a Norma Regulamentadora (NR) 15 do MTE, vigente no período do lançamento até os dias atuais. No caso em análise, a Recorrente não questiona o enquadramento das atividades como insalubres, mas argumenta que não é devido o adicional de insalubridade, tendo em vista que, no período do lançamento, havia sido eliminado o risco à saúde e à integridade física do trabalhador, conforme atestado em laudo técnico pericial. Argumenta, ainda, a Recorrente, que a cessação do pagamento do adicional de insalubridade foi negociada com o sindicato dos trabalhadores, e foi objeto de acordo coletivo de trabalho, datado de 1º de julho de 2000 (doc. às fls. 163164), tendo ficado estabelecido no acordo que as categorias de trabalhadores que recebiam o adicional continuariam a perceber o mesmo valor, mas a título de "vantagem pessoal decorrente de adicional extinto VPIE". Segundo a fiscalização, a Recorrente suprimiu o adicional de insalubridade em desacordo com a legislação, sob o fundamento de que "Acordo coletivo não é documento hábil para retirar direito de trabalhador estipulado em legislação própria". A autoridade lançadora não demonstra se ocorreu ou não a eliminação dos agentes nocivos, para fins de pagamento do adicional de insalubridade, o que seria competência dos órgãos de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A autoridade lançadora identificou o pagamento do adicional de insalubridade aos empregados da Recorrente até a competência junho/2000, parcela da remuneração do empregado sobre a qual incide contribuição previdenciária, e, na falta de autorização do órgão competente para cessação do adicional, considerou devido o seu Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 487 9 pagamento para todo o período do lançamento, uma vez que a habitualidade é inerente às verbas salariais. Pedido de Perícia e diligência Com base no que foi exposto no capítulo anterior, podese afirmar que o fundamento fáticojurídico do lançamento é a ilegalidade do procedimento adotado pela Recorrente para cessação do adicional de insalubridade. Tratase de questão de direito, que não requer, para sua solução, a realização de perícias ou diligências. Entretanto, cabe analisar alguns pontos do processo a respeito deste tema. O primeiro, referese à decisão datada de 2006, proferida em sede de recurso, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), determinando a realização de prova pericial por parte da auditoria médica da Previdência Social, no ambiente de trabalho da Recorrente. As perícias não foram realizadas, sob o fundamento de que não havia disponibilidade de peritos médicos, conforme despachos emitidos em 2010 pela chefia da Seção de Saúde do Trabalhador da Gerência Executiva de Barbacena. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), que passou a reger os processos previdenciários a partir de 2007, a realização de perícia por parte da auditoria médica da Previdência Social é inviável, considerando que o art. 20 do Decreto 70.235/72 determina que a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias deve recair sobre Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil2. Além disso, ao Perito Médico Previdenciário compete a análise que envolva a caracterização de atividade exercida em condições especiais somente para fins de concessão da aposentadoria especial (art. 297 da IN INSS/PRES nº 77, de 21 de janeiro de 2015). O segundo ponto é que, neste processo, o pedido de perícia não foi formulado de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/1972, pois faltam os motivos e a apresentação dos quesitos desejados para sua realização, o que contraria o art. 16 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) 2 Art. 20. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre AuditorFiscal do Tesouro Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 ... § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993). Portanto, indefiro o pedido de perícia ou diligência, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Mérito Decadência A decadência é matéria de ordem pública que cabe ser suscitada de ofício pelo julgador quando verificada a sua ocorrência. Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento da contribuição devida pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 488 11 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp n° 973.733, julgado em 12/08/2009, sob o rito dos recursos repetitivos, que, por força do § 2o do art. 62 do Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. De acordo com o Relatório de Documentos Apresentados (RDA), fls. 149, os pagamentos vinculados aos fatos geradores incluídos no presente lançamento tributário, ocorridos no estabelecimento sede Ouro Branco (CNPJ 0001), no período de 04/1999 a 12/1999, foram realizados em 30 de abril de 2004, após o início do procedimento fiscal que teve início em 19 de abril de 2004, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal às fls. 149. Portanto, inexistente o pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN, o que leva à incidência da regra do art. 173, inciso I, do CTN. Por conseguinte, em relação às competências com vencimento no ano de 1999 (04/1999 a 11/1999 e 13/1999), o prazo decadencial teve início em 1o de janeiro de 2000, encerrandose em 31 de dezembro de 2004. Como o sujeito passivo tomou ciência do lançamento após esse prazo, em 26 de janeiro de 2005, conforme aviso de recebimento dos correios às fls. 479, estão extintos os créditos tributários das competências 04/1999 a 11/1999 e 13/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN. Cessação do adicional de insalubridade Narra, a fiscalização, que o adicional de insalubridade foi pago aos segurados empregados até a competência junho de 2000, sendo que, a partir de julho de 2000, a Recorrente deixou de efetuar o pagamento do adicional. Portanto, é incontroverso o lançamento no período até junho/2000, que corresponde às competências 12/1999 e 01/2000 a 06/2000, já excluído o período decadente. Para o período posterior à competência 07/2000, cabe analisar se é legal o procedimento adotado pela Recorrente para cessação do adicional de insalubridade. 3 Art. 62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 De acordo com o art. 194 da CLT, a cessação do pagamento do adicional de insalubridade ou periculosidade ocorre com a eliminação do risco à saúde e integridade física do trabalhador: Art.194 O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou de periculosidade cessará com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física, nos termos desta Seção e das normas expedidas pelo Ministério do Trabalho. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977) Por força do art. 191 da CLT, o pagamento do adicional de insalubridade pode ser suprimido com a eliminação ou neutralização pelo uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI) desde que seja capaz de diminuir o risco a níveis abaixo dos limites de tolerância. Os procedimentos para caracterização da insalubridade, bem como para cessação do pagamento do adicional, estão previstos na NR 15 do MTE, que trata das atividades e operações insalubres, que dispõe que: 15.4 A eliminação ou neutralização da insalubridade determinará a cessação do pagamento do adicional respectivo. 15.4.1 A eliminação ou neutralização da insalubridade deverá ocorrer: a) com a adoção de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância; b) com a utilização de equipamento de proteção individual. 15.4.1.1 Cabe à autoridade regional competente em matéria de segurança e saúde do trabalhador, comprovada a insalubridade por laudo técnico de engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho, devidamente habilitado, fixar adicional devido aos empregados expostos à insalubridade quando impraticável sua eliminação ou neutralização. 15.4.1.2 A eliminação ou neutralização da insalubridade ficará caracterizada através de avaliação pericial por órgão competente, que comprove a inexistência de risco à saúde do trabalhador.(g.n.) Diz o "caput" do art. 195 da CLT, na redação da Lei 6.514, de 1977, que a caracterização da insalubridade deve ser feita através de perícia a cargo do Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho registrados no MTE: Art. . 195 A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, farseão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977) A partir da vigência da Lei 7.410, em 27 de novembro de 1985, a atribuição de engenheiro de segurança do trabalho passou a ser conferida por curso de especialização em nível de pósgraduação, com registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA): Fl. 495DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 489 13 Art. 1º O exercício da especialização de Engenheiro de Segurança do Trabalho será permitido exclusivamente: I ao Engenheiro ou Arquiteto, portador de certificado de conclusão de curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, a ser ministrado no País, em nível de pósgraduação; II ao portador de certificado de curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, realizado em caráter prioritário, pelo Ministério do Trabalho; III ao possuidor de registro de Engenheiro de Segurança do Trabalho, expedido pelo Ministério do Trabalho, até a data fixada na regulamentação desta Lei. Parágrafo único O curso previsto no inciso I deste artigo terá o currículo fixado pelo Conselho Federal de Educação, por proposta do Ministério do Trabalho, e seu funcionamento determinará a extinção dos cursos de que trata o inciso II, na forma da regulamentação a ser expedida. ... Art. 3º O exercício da atividade de Engenheiros e Arquitetos na especialização de Engenharia de Segurança do Trabalho dependerá de registro em Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, após a regulamentação desta Lei, e o de Técnico de Segurança do Trabalho, após o registro no Ministério do Trabalho. Por sua vez, diz o item 15.4.1.2 da NR15, acima transcrito, que a eliminação da insalubridade deve ser feita através de avaliação pericial por órgão competente. Ordinariamente a expressão órgão competente é utilizada para se referir a órgão público, unidade com atribuição específica dentro da organização do Estado. Neste mesmo sentido é o Enunciado 248 do TST, que dispõe que a reclassificação ou a descaracterização da insalubridade deve ser feita por ato de autoridade competente: A reclassificação ou a descaracterização da insalubridade, por ato da autoridade competente, repercute na satisfação do respectivo adicional, sem ofensa a direito adquirido ou ao princípio da irredutibilidade salarial. Assim, é possível concluir que a nova perícia que comprove a eliminação ou a neutralização da insalubridade pode ser realizada por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, mas a supressão do pagamento do adicional deve ser homologada pelo órgão competente, que é o Ministério do Trabalho e Emprego, cuja exigência não é suprida pela Convenção Coletiva de Trabalho, uma vez que as normas relativas à higiene e segurança do trabalho são indisponíveis e não podem ser flexibilizadas. Confira, neste sentido, a jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 14 EMENTA: ADICIONAL DE INSALUBRIDADE NÃO CONCESSÃO. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. INVALIDADE As convenções e acordos coletivos devem ser observados, como determina a Constituição Federal que, aderindo à tendência atual de flexibilização da regra jurídica, prestigiou as negociações coletivas. Também não é menos certo que a negociação coletiva implica concessões mútuas, por isso que deve ter e tem limites. Se se admite, em alguns casos, o sacrifício do interesse individual em benefício do interesse coletivo, este não pode, em hipótese alguma, prevalecer sobre o interesse público, como dispõe o artigo 8o.. da CLT. A flexibilização encontra limites na Constituição da República, que permitiu negociação quanto à redução do salário e aumento da jornada. Nestes casos, tem o sindicato representativo dos empregados condições de conhecer o que é melhor para a categoria profissional, concordando com a redução salarial ou com o aumento da jornada em troca de outros benefícios maiores como, v.g., garantia de emprego. Porém, as normas que tratam da medicina e segurança do trabalho, valorizando a saúde e a vida do trabalhador, considerado, principalmente, como ser humano, são de interesse público. Portanto, sendo irrenunciáveis os direitos nelas previstos, não podem ser flexibilizados em negociação coletiva. Assim, a supressão do adicional de insalubridade, mesmo que estabelecida em norma coletiva de trabalho, não é válida, por representar afronta direta ao disposto no artigo art. 7o., XXII, da CF.(g.n.) (TRT 3ª R., 4ª T., RO 1206200710303002, Rel. Des. Luiz Otávio Linhares Renaut DJ/MG 23.08.08) De acordo com Barreto Prado4, também é possível, nesses casos, que a empresa proponha ação judicial para proclamar a extinção da causa geradora do adicional de insalubridade. Na espécie, a cessação do pagamento do adicional de insalubridade não foi precedida de decisão judicial nem de autorização do MTE, sendo, portanto, devido o pagamento deste adicional aos empregados, bem como as contribuições aqui tratadas, nos termos do lançamento. 4 Citado por Valentin Carrion, Eduardo, Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho, São Paulo: ed. Saraiva, 2015. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15169.000133/201282 Acórdão n.º 2301004.414 S2C3T1 Fl. 490 15 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, darlhe provimento parcial, excluindo as competências 04/1999 a 11/1999 e 13/1999, em razão da decadência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 11516.002961/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observados todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos, somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada.
GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM BENS IMÓVEIS. TRANSFERÊNCIA POR VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE DA DECLARAÇÃO DE BENS.
A pessoa física pode transferir a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. Caso a transferência se faça por valor superior ao valor declarado, a diferença a maior será tributada como ganho de capital.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI 9430/96.
Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observados todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos, somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM BENS IMÓVEIS. TRANSFERÊNCIA POR VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE DA DECLARAÇÃO DE BENS. A pessoa física pode transferir a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 61 /2 01 0- 45 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 ou pelo valor de mercado. Caso a transferência se faça por valor superior ao valor declarado, a diferença a maior será tributada como ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI 9430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastála ou reduzila quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/FNS, nº 0725.412, constante em fls. 583/600 (pdf): "Por meio do Auto de Infração de folhas 465 a 492, foi efetuado o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, relativo aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, no valor de R$ 1.293.362,04, acrescido de multa proporcional e de juros de mora, totalizando o montante de R$ 2.478.925,76. Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", o auditor fiscal descreve o motivo ensejador da lavratura do auto de infração em apreço, qual seja a omissão de ganhos e capital na alienação de bens e direitos e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme detalhase a seguir: 1. Integralização do Capital social da empresa Neem Agropecuária e Florestadora Ltda., CNPJ 10.312.570/000170 Autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal no 0920100.2009.013562 (fl. 02), foi iniciado o trabalho para a verificação da Fl. 657DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 657 3 situação fiscal do contribuinte CARLOS ALBERTO KERBES, CPF 579.357.00982. Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física referente ao ano calendário de 2008, o contribuinte havia informado a participação de 50% do capital social da empresa NEEM AGROPECUÁRIA E FLORESTADORA LTDA., CNPJ 10.312.570/000170, com sede no município de AraguacemaTO (fl.14). O interessado foi intimado a apresentar o contrato social da empresa NEEM AGROPECUÁRIA E FLORESTADORA LTDA., CNPJ 10.312.570/000170, bem como a apresentar o documento de aquisição da fazenda informada na relação de bens e direitos (fls.43 a 45; 48 a 50). Em resposta foram apresentados os documentos de folhas 63 a 69 e 135 a 147. Conforme o contrato social, o capital subscrito é de R$ 3.000.000,00, integralizado em 28/08/2008 com a Fazenda São Paulo, localizada no município de AraguacemaTO (fl .136). Na declaração de bens e direitos referente ao ano calendário de 2008 a fazenda foi informada com o valor de R$ 2.100.000,00 (fl.14). Dessa forma, foi apurado ganho de capital na alienação do terreno, chegando, após a aplicação do redutor relativo ao ano de aquisição do imóvel (2006), ao montante de R$ 804.870,00, sendo a tributação realizada na proporção de 50% para cada cônjuge, por se constituir em bem comum do casal. 2 Integralização do capital social da empresa Neem Agropecuária e Florestadora Ltda., CNPJ 10.568.968/000172 Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física referente ao ano calendário de 2008, o contribuinte informou a participação de 50% do capital social da empresa NEEM AGROPECUÁRIA E FLORESTADORA LTDA., CNPJ 10.568.968/000172, com sede no município de Formosa do Rio PretoBA (fl. 14). O interessado foi intimado a apresentar o contrato social da empresa NEEM AGROPECUÁRIA E FLORESTADORA LTDA., CNPJ 10.568.968/000172, bem como a apresentar o documento de aquisição da fazenda informada na relação de bens e direitos Fazenda Graça Morena, com área 6.680 ha FormosaBA (fls. 43 a 45; 48 a 50). Em resposta foram apresentados os documentos de folhas 82 a 109 e 148 a 162. Conforme o contrato social, o capital subscrito é de R$ 10.000.000,00, integralizado com a Fazenda Graça Morena (fls. 149 e 158). Fl. 658DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Por outro lado, na declaração de bens e direitos da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano calendário de 2008, a fazenda foi informada com o valor de R$ 950.000, 00 (fl.14). Desse modo, como o valor pelo qual foi alienado o imóvel foi superior ao da aquisição, ficou caracterizado ganho de capital R$ 8.739.585,00, com a aplicação do redutor previsto para o ano de aquisição do bem, sendo tributado na proporção de 50% para cada cônjuge, por se tratar de bem comum do casal. Importante de destacar que o contribuinte apresentou a cópia do registro contábil da integralização do capital da empresa no qual consta que o imóvel foi lançado em 01/01/2009, com o valor de R$ 10.000.000,00 (fls157 e 158). 3 Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Conforme as informações obtidas em DIRF, o contribuinte obteve inúmeros rendimentos de aplicações financeiras nos anos calendário de 2007 e de 2008. Ocorre que os rendimentos obtidos não foram devidamente informados nas respectivas declarações de ajuste. Autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0920100.2009.013562, encaminhouse ao contribuinte, por via postal, o Termo de Inicio de Fiscalização n° 741/09, solicitando a apresentação dos extratos bancários e também a apresentação da comprovação da origem dos recursos movimentados no período de 01/01/2007 a 31/12/2008 (fls. 43 a 46). Como não houve resposta, o interessado foi reintimado Intimação n° 023/10 (fl.48 a 52). Dentro do prazo concedido para a resposta, o contribuinte apresentou diversos documentos, mas não foram apresentados os extratos bancários solicitados (fl. 53 a 165) . Assim, mais uma intimação foi enviada ao Sr. Carlos, reiterando a solicitação para a apresentação dos extratos bancários Intimação n° 198/10, de 19/04/2010 (fls.166 a 172; 175). O prazo concedido para resposta expirou, sem que houvesse qualquer manifestação por parte do contribuinte. Em face da omissão de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras e da negativa de atendimento As intimações realizadas, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), dirigidas aos Bancos Citibank, had, Amazônia e Safra. O mesmo procedimento foi adotado em relação ao cônjuge Laura, que deixou de apresentar os extratos bancários requisitados, o que resultou na emissão de RMF ao Banco Bradesco. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 658 5 A Sra. Laura e o Sr. Carlos foram intimados a esclarecer a origem dos recursos depositados em contabancária. Em resposta, a Sra. Laura informou que os depósitos eram provenientes da conta de seu marido. 0 Sr. Carlos, por seu turno, acostou a documentação de folhas 367 a 372. Com relação à movimentação em conta conjunta, garantiu que a movimentação lhe pertencia. . Além disso, também apresentou as justificativas quanto aos ingressos de recursos, sem, contudo, apresentar a documentação comprobatória. O contribuinte foi novamente intimado a comprovar referidas operações, não havendo, desta feita, manifestação do interessado. A fiscalização, entendeu que deveriam ser intimadas as empresas de quem o Sr. Carlos alegou ter recebido os numerários. Como resultado das solicitações feitas, a CK Controladoria e Tributos Ltda. não se pronunciou. A Siby Florestadora e Agropecuária Sociedade Limitada informou que o pagamento realizado no dia 08/10/2008, no valor de R$ 48.600,00, foi decorrente de pagamento de despesas relacionados ao registro de Area em processo de aquisição no Estado da Bahia em 2008, todavia nenhum documento foi enviado para dar suporte As informações prestadas. Por sua vez, a empresa Kryia Neem e Sustentabilidade Ltda informou que no ano de 2009 houve o pagamento de R$ 63.000,00 ao Sr. Carlos Alberto Kerbes, mas também não apresentou nenhum documento referente ao motivo do pagamento (fl.443). Considerando as informações disponíveis, foi efetuado o lançamento de omissão de rendimentos com base na presunção legal para os depósitos sem comprovação de origem. Inconformado com a lavratura do auto de infração o sujeito passivo apresentou instrumento de impugnação, por meio do qual apresenta as seguintes razões, em síntese: Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Primeiramente, informa que houve retificação da declaração de imposto de renda pessoa fisica do contribuinte, para adequar aos fatos demonstrados documentalmente. Em especial, relativamente a três questões: 1) Rendimentos bancários de aplicações financeiras, com tributação exclusiva na fonte, e não constante da DIRPF; 2) Lucros distribuídos pela CK Controladoria e Tributos; 3) O valor do imóvel rural escriturado em nome do contribuinte, a Fazenda Sao Paulo (atual Neem Brasil) em Araguacema, Tocantins, que deveria ter sido registrado pelo valor de R$ 550.000,00) e não R$ 2.100.000,00. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Argumenta que o capital social subscrito da empresa Neem Agropecuária e Florestadora Ltda, CNPJ 10.312.570/000170, ainda não foi integralizado. Para comprovar a situação informa que está anexando o Balanço de Abertura e demais balanços anuais. Assegura que houve, por falha da contabilidade contratada em Palmas, Tocantins, informação dispare da atual, a qual pede seja desconsiderada. Aduz que o mesmo ocorre com relação A. Fazenda Graça Morena, Neem Agropecuária e Florestadora Ltda, CNPJ 10.568.968/000172, com sede em Formosa do Rio Preto, estado da Bahia. Ademais, para evidenciar mais claramente tais fatos, informa que seguem também cópia da Primeira Alteração do Contrato Social da empresa, juntamente com ata de reuniões dos cotistas, onde ficou definida a redução do capital social para R$ 950.000,00, que representa o valor de aquisição da fazenda Graça Morena, conforme escritura acostada. Explica que o imóvel adquirido por R$ 950.000,00 será escriturado na contabilidade da Neem Agropecuária e Florestadora Ltda, CNPJ 10.568.968/000172, integralmente. A pessoa fisica do contribuinte, que integraliza o capital pelo valor da escritura, pagou a primeira parcela de 20%, restando ainda R$ 760.000,00. Relativamente à questão da reavaliação dos imóveis, tanto da Fazenda Neem Brasil (10.312.570/000170), para o valor de R$ 3 milhões, quanto da Graça Morena (10.568.968/000172), para R$ 10 milhões, que inicialmente justificaram a subscrição de capital nesses patamares, primeiramente, nada tem a ver com o valor de aquisição dos imóveis. O fato da solicitação da opinião de um avaliador tinha como fato motivador principal o melhoramento da argumentação financeira perante instituições financeiras que poderiam disponibilizar recursos para investimento no projeto. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Salienta que os valores inseridos como base tributável são valores tributados exclusivamente na fonte. Sendo assim, procedeu à retificação da DIRPF. Afirma que mesmo entendimento e procedimento se aplica às transferências de recursos recebidos da CK Controladoria e Tributos Ltda, como lucro distribuído. Conta o impugnante que realizou nos exercícios de 2007 e 2008, várias retiradas de lucros, distribuídos pela empresa onde atua, todavia, devido à ausência de um contador, e às constantes viagens de seu sócioadministrador, a empresa CK Controladoria e Tributos Ltda não manteve atualizados todos os registros contábeis, nem apresentou ao sócio os documentos necessários para tal comprovação, visto desnecessária quando da apresentação da DIRPF. A empresa deixou também de apresentar tempestivamente suas DIRPJ, o que, de certa forma, acabou dificultando a comprovação dos fatos pelo Fl. 661DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 659 7 senhor auditor, fatos devidamente demonstrados, informados e esclarecidos pelo ora impugnante. Ademais, os pretensos créditos tributários ora impugnados, são todos de estrita responsabilidade da empresa CK Controladoria e Tributos Ltda, e estão com a exigibilidade suspensa, pois a pessoa jurídica aderiu ao "REFIS da Crise". Da Indevida Comprovação da Existência do Fato Gerador do Tributo Ante a Análise Exclusiva dos Extratos Bancários Pondera que, se a entrada de numerários em conta bancária não se encontra elencada para fins de autuação de omissão de receita, eis que não há prova nos autos de que os valores foram pagos por pessoas físicas ou jurídicas como prestação de serviços. Na verdade, tratase de recebimentos de distribuição de lucros da pessoa jurídica, cuja tributação é exclusiva na fonte. Assevera que a falta de indicação correta sobre qual o dispositivo infringido caracteriza a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, sem, no entanto, especificar em qual situação isto ocorreu. No mesmo sentido, existe insuficiência da descrição dos fatos o que leva a nulidade da obrigação contida nos autos. Requerse a nulidade do presente auto de infração, eis que o fiscal somente se utilizou dos extratos bancários para realizar o lançamento de todas as obrigações. Da Inexistência da Obrigação Requer que seja reaberto prazo para que traga aos autos a documentação que comprove quais recebimentos foram realizados como distribuição de lucros da CK Controladoria, para que seja o lançamento refeito com base em parâmetros que reflitam a realidade. Da Inexistência da Fraude pela Ausência de Dolo Afirma que não agiu de forma intencional a criar embaraços para o fisco, eis que não houve qualquer intenção de fraudálo, mas apenas por um lapso, devido à ausência de um contador e as constantes viagens de seu sócioadministrador, a CK Controladoria e Tributos Ltda não providenciou a documentação completa relativa ao tema em comento. Da Multa Contesta a aplicação da multa de 75%, devendo a mesma ser reduzida para no máximo 20% do valor tributo devido. Questiona a inconstitucionalidade e ilegalidade da multa aplicada, por agredir os princípios constitucionais da proporcionalidade, da moral pública e dos que regem a atividade econômica. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Segundo o defendente, o crime de fraude não se presume, não pode se basear em indícios, deve ser provado. Sustenta que não houve sonegação ou fraude, pois todas as entradas de dinheiro estão acobertadas pelos recebimentos de lucros. Nesta linha, a aplicação da multa de oficio não encontra guarida, devendo ser prontamente aplicada a penalidade prevista no art.44, I, da Lei n° 9.430/96. Do Caráter de Devassa e Violação de Sigilo Bancário na Fiscalização sem Amparo de Medida Judicial Registra que a forma com que foi procedida a fiscalização, com expedição de requisição de informação 5. rede bancária, caracterizou verdadeira devassa no sigilo bancário do Impugnante sem qualquer amparo de medida judicial, o que enseja a nulidade do AI ora espancado. Segundo o interessado, a lamentável conduta caracteriza abuso de autoridade, verdadeira devassa e agressão ao direito de sigilo bancário do impugnante, o que é inconcebível em Estado de Direito. SELIC Inexigibilidade Argumenta que a utilização da taxa SELIC é totalmente inconstitucional, haja vista que se constitui em índice de remuneração e taxa de juros, além do que fere os princípios constitucionais, tais como: o da legalidade e o da hierarquia das leis. Do Controle de Constitucionalidade como Garantia da Efetividade da Constituição e Defesa da Regularidade Requer que seja declarada a inconstitucionalidade dos pontos questionados. Caso entenda não possuir competência para manifestarse sobre a matéria, sejam os presentes autos suspensos e encaminhados para a análise do Poder Judiciário, sob pena de tolher ao recorrente seu direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Produção de Provas Pugna, ao fim, pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada ulterior de novos documentos." A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007,2008,2009 CAPITAL SOCIAL. INTEGRALIZAÇÃO. Havendo deliberação dos sócios aceitando o bem imóvel subscrito e no valor por ele estipulado, incorporase o bem ao patrimônio da sociedade e considerase integralizado o capital social na parte que lhe corresponde. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 660 9 DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. A fim de não restar caracterizada a omissão de rendimentos, por se tratar de presunção legal, compete ao depositário dos recursos, demonstrar a origem dos valores creditados em sua contacorrente, e não ao fisco. CRIME. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ PARA JULGAR. As Delegacias de julgamento não são competentes para apreciar suposta ocorrência de crime. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de oficio de 75% é cabível nos casos que justifique o lançamento de oficio por parte da administração tributária. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. Este órgão de julgamento administrativo não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. JUROS SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, á. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. autorizada, nos termos da lei, a obtenção pela Fiscalização da movimentação financeira do contribuinte junto As instituições financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração a legislação tributária. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNAÇÃO. Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto n° 70.235/1972 para sua aceitação. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA SUSPENSÃO DO PROCESSO. As DRJs não são competentes para apreciar as argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei ou ato normativo, não cabendo a suspensão do processo para análise da questão pelo Judiciário, por falta de previsão legal. Impugnação Improcedente Fl. 664DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Crédito Tributário Mantido" O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0725.412 da 6ª Turma da DRJ/FNS em 10/11/2011 (fl. 605 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 09/12/2011 (fls. 606/627), no qual, o contribuinte, em suma, arguiu nulidade do Auto de Infração por descrição genérica dos fatos e enquadramento legal, bem como não omissão de rendimentos, inexistência de ganho de capital, aplicação desproporcional da multa e verdade material. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, requer o contribuinte a anulação do lançamento, sob a alegação de que a descrição dos fatos fora insuficiente, acarretando por consequência, cerceamento do seu direito de defesa. Contudo, entendo que o procedimento realizado pelos agentes fiscais foi efetuado dentro da estrita legalidade, com observância ao Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ausência dos requisitos formais, especialmente a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Inclusive, como bem assentou a decisão de primeira instância, o fiscal narrou, de forma detalhada, no auto de infração os procedimentos adotados durante a ação fiscal e os fatos que motivaram a lavratura do auto de infração, descrevendo a ocorrência dos fatos geradores do tributo e os elementos que os constituem, deixando claro quais operações foram alvo de tributação e como se chegou ao valor devido, por meio de demonstrativo de cálculos constantes no próprio corpo do relatório. Portanto, rejeito esta preliminar. Assim, passase à análise do mérito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Argumenta o recorrente que não houve omissão de rendimentos. Aduz que a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF, quanto aos rendimentos de aplicações financeiras é da instituição financeira, vez que esta figura como fonte pagadora do tributo. Por esta razão, afirma que inexiste a infração imposta pelo Fisco, pois o imposto de renda foi devidamente Fl. 665DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 661 11 retido, de forma definitiva na fonte, e caso a instituição financeira não tenha procedido ao recolhimento do tributo devido, esta é quem deve figurar como autuada da exação, sendo o sujeito passivo da referida obrigação. Não obstante tais argumentos, cabe esclarecer que, como bem asseverou a DRJ/FNS, os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, não foram objeto do presente Auto de Infração, conforme "Relação de depósitos sem origem", constante em fls. 427/430 (435/438 pdf). Ademais, o contribuinte não acostou aos autos documentação hábil e idônea que corroborasse suas afirmações e comprovasse que as importâncias ingressadas em conta bancária decorreram de aplicações financeiras, de modo que, tais alegações desprovidas de provas, não se sustentam. Aduz o contribuinte ainda, que, no caso da distribuição de dividendos aos acionistas, equivocouse a autoridade autuante, pois não estão sujeitos à incidência do IRRF e nem integram a base de cálculo do IRPF, os dividendos pagos ou creditados à pessoa física domiciliada no Brasil. No entanto, não merece guarida as alegações do recorrente, uma vez que no presente Auto de Infração não foram tributadas as supostas distribuições de dividendos recebidas pelo contribuinte. O Auditor Fiscal, munido da presunção legal, autuou o contribuinte por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com o qual, tentou o contribuinte alegar que tal omissão teve origem nas supostas distribuições de dividendos. Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cabe frisar que, tal omissão respaldase no art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas suas contas bancárias. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. Assim, a impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada Cabe frisar que, o objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Logo, não havendo qualquer comprovação por parte do contribuinte de que efetivamente recebera distribuição de dividendos nos valores indicados, face a ausência de qualquer documentação neste sentido, inclusive porque poderia ter acostado escrituração da contabilidade da empresa que evidenciasse a distribuição de dividendos, deve ser mantido o lançamento neste item. Por pertinente, transcrevo ainda, excertos da decisão a quo, a qual ratifico e utilizo como fundamentos para julgar: "[...] o contribuinte [...] deixou de juntar os papéis destinados a demonstrar a ocorrência de lucros na CK e a sua distribuição ao autuado, inclusive com documentos comprovando a saída dos recursos da conta da pessoa jurídica e conseqüente entrada na contacorrente da pessoa fisica do sócio. Ademais, dados da DIPJ da empresa referente ao anobase de 2007, acostada às folhas 25 a 33, confirmam a ausência de receitas auferidas naquele ano pela sociedade, o que, por si só, faz ruir toda a tese do impugnante. Em referência A. assertiva de que os créditos ora impugnados são de responsabilidade da CK Controladoria e Tributos Ltda., cabeme esclarecer que não há nenhum fundamento na citada afirmação. E básico que a pessoa jurídica não se confunde com a pessoa física do sócio, portanto, se há débitos da sociedade em relação a determinados tributos, não exime a pessoa física do sócio de ter que recolher os que lhe cabe. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 662 13 Os valores aqui tratados referemse a rendimentos auferidos pela pessoa física, Sr. Carlos Alberto Kerbes, logo este é o sujeito passivo da obrigação principal, que é o responsável legal pelo recolhimento do imposto de renda devido sobre os rendimentos que auferiu, jamais poderia ser atribuído tal encargo A. pessoa jurídica, que responde tão somente pelos passivos decorrentes de sua atividade empresarial. [...] OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL Alega o recorrente inexistência de ganho de capital na integralização do capital social das empresas Neem Agropecuária Florestadora Ltda., com a Fazenda Graça Morena e com a Fazenda São Paulo, por valores superiores aos constantes na DIRF. Neste item, utilizome dos fundamentos extraídos do acórdão nº 2202 002.177, em que fora julgado o recurso da então esposa do recorrente, Laura de Souza Ottoni Cardoso Menezes, face a alienação dos bens comuns, o que por consequência, autuouse em separado, na proporção de 50% o ganho de capital de cada cônjuge: "Em 28/09/2008, o casal constituiu a empresa Neem Agropecuária e Florestadora Ltda, com sede no Município de Araguacema, Estado do Tocantins, subscrevendo um capital social de R$ 3.000.000,00, integralizado com o imóvel denominado Fazenda São Paulo, com 1.452,0000 ha, de propriedade, única e exclusiva, dos sócios Laura de Souza Ottoni Cardoso de Menezes e Carlos Alberto Kerbes (vide cópia do contrato social às fls. 42 a 46). Além disso, de acordo com a declaração prestada pela própria contribuinte no curso da ação fiscal (fl. 75), a Fazenda São Paulo, atualmente denominada Fazenda Neem, foi adquirida por permuta com a fazenda anterior (Fazenda Triunfo) e, após sua aquisição, a propriedade foi transferida para a empresa Neem Agropecuária Ltda de Tocantins como integralização do capital. Como bem salientou o relator a quo, a quem peço vênia para transcrever parte de seu voto, “no momento em que foi assinado o contrato o social, sendo oferecido e aceito pelos sócios o imóvel rural lá especificado, pelo valor mencionado no instrumento de constituição da companhia, o bem incorpora ao patrimônio da sociedade, cabendo aos sócios apenas cumprirem as formalidades necessárias à respectiva transmissão da propriedade”, nos termos do art. 8º, §2º, da Lei no 6.404, de 1976 ( Lei das S.A.), e, portanto, “o que marcou a integralização do capital social da empresa foi a concordância dos sócios com a subscrição do bem no valor atribuído pelo subscritor e não a futura transmissão da propriedade com a inscrição do Registro de Imóveis, conforme pretende a autuada.” (fl. 742). Assim, firmado o contrato social, presumese que os bens nele indicados foram acatados por todos os sócios e a integralização consumada, independentemente da transferência da propriedade, pois não é admissível que os sócios integralizadores do capital social fiquem a mercê da vontade dos demais sócios para gozar dos direitos que lhe são próprios. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Em 08/10/2008, o casal constituiu outra empresa, a Neem Agropecuária e Florestadora Ltda, com sede no Município de Formosa do Rio Preto, Estado da Bahia, subscrevendo um capital social de R$ 10.000.000,00, integralizado com o imóvel denominado Fazenda Graça Morena I, com 6.680,0000 ha, de propriedade, única e exclusiva, dos sócios Laura de Souza Ottoni Cardoso de Menezes e Carlos Alberto Kerbes (vide cópia do contrato social às fls. 88 a 92). Ademais, conforme cópia do registro contábil da integralização do capital social Neem Agropecuária e Florestadora Ltda – Bahia de fl. 612, apresentado pelo cônjuge da contribuinte (vide fl. 611), a operação foi lançada em 01/01/2009 pelo valor de R$10.000.000,00, data acatada pela fiscalização. Outro ponto importante a se destacar é que, nos dois casos, as fazendas constituem o objeto de exploração da atividade empresarial, conforme consignado nos contratos sociais (fls. 42 a 46 e 88 a 92), ou seja, sem elas as empresas não existiriam. Destarte, entendo que as provas carreadas aos autos são suficientes para atestar a efetividade da integralização de capital social nas duas empresas." Assim, ratifico os fundamentos pertinentes ao ganho de capital do voto extraído do acórdão nº 2202002.177, e utilizo como fundamentos para julgar. Comprovada a efetiva integralização ao capital social das empresas pela pessoa física, dos bens e direitos, estes podem ser transferidos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. No caso, tendo ocorrido a transferência por valor superior ao valor declarado, a diferença a maior será tributada como ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO APLICADA No tange a insurgência do recorrente quanto à multa aplicada, alegando a sua desproporcionalidade face ao princípio da razoabilidade, não há quaisquer reparos a serem feitos no lançamento, uma vez que a multa está em consonância com o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. In verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.002961/201045 Acórdão n.º 2301004.435 S2C3T1 Fl. 663 15 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). No caso presente, conforme se verifica, tendo sido aplicada a penalidade de sua forma simples (75%), o que se tem, no caso, nada mais é que a exclusiva observância da expressa disposição legal. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 670DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10880.915930/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência a fim de que a DRF de origem do processo apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo nº 10880.915886/2008-49 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo se foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência a fim de que a DRF de origem do processo apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo nº 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo se foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 93 0/ 20 08 -1 1 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 102 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 100), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.841, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 28/02/2002). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 14.372,95 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 103 3 Data do fato gerador: 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/2002 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 57 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída em afirmações descuidadas, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 100), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 104 4 que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “(...) construído com base em afirmações descuidadas, "soltas, caracterizando verdadeiras ilações ...., sendo incapaz de apontar de maneira suficiente qual a fundamentação legal considerada para negar provimento (...)". O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; e b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 105 5 Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 106 6 exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP nº 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período posterior, é de se avançar o exame do mérito, passandose à materialidade do direito creditório pleiteado. A DRJ entendeu inaplicável a exoneração ao caso em tela, transcendendo a discussão acerca de haver, ou não, exoneração fiscal nas vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Isso é indiscutível, e como visto a própria DRJ não nega que ela exista (ainda que, como visto anteriormente, há uma importante cronologia a ser observada com relação à vigência dessa exoneração). O Acórdão se desencontra somente na tentativa de identificar a que instituto se trate – isenção, imunidade ou alíquota zero, e com base nisso entender que não poderia apreciar imunidade por ser questão constitucional. De todo modo, a decisão recorrida chega a ultrapassar esse aspecto mais formalista, e chega à investigação da documentação acostada pelo contribuinte, para tentar confirmar (i) que se tratam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e (ii) se tais vendas seriam enquadráveis nos incisos a que se refere a Solução de Divergência Cosit nº 07. Com relação ao aspecto acima, a ausência de documentação apresentada pelo contribuinte foi cabal para que a decisão concluísse pela ausência de direito creditório com demonstração de liquidez e certeza. Assim decidiu a DRJ: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 107 7 "(...) Com relação aos documentos que consubstanciariam o alegado recolhimento indevido, a defesa junta com a inconformidade tempestiva documentos da representação processual e societários. Por sua natureza, tais documentos não possuem o teor comprobatório buscado no mérito. Não se forma convicção de que o apontado pagamento contenha algum indébito. Assim, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior, gerador de crédito, ou eventuais erros nas apurações e recolhimentos das obrigações fiscais. Por esta via, falta amparo a pretensão. Conclusão Ao declarar que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, a Contribuinte assumiu a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza. Relativamente à liquidez e certeza do credito, o CTN estabelece: (...) Compete à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é requisito indispensável e é incumbência do suposto credor. Como visto, a defesa não logrou êxito ao pretender fazêlo. Com o pagamento em Darf integralmente utilizado e não sendo possível reconhecer o indébito (crédito) alegado, cabe manter a decisão que não homologa a Declaração de Compensação. A conclusão a que a DRJ chegou, decorre do fato de que o contribuinte, tendo solicitado a reunião de todos os seus 90 (noventa) processos de compensação em um único processo (fl. 10), efetuou a reunião de todo o material probante em um único processo, o PAF nº 10880.915886/200849, ora distribuído neste CARF para outro Conselheiro. Ocorre que aparentemente os processos não foram reunidos, dado que cada um deles possui um acórdão distinto. E de fato, a reunião de processos para julgamento é facultada à autoridade julgadora, de modo que, não tendo ocorrido, causou grande problema ao próprio contribuinte no que tange à comprovação da materialidade do crédito em primeiro grau. Resta saber se é possível, no âmbito do processo administrativo tributário, obter “prova emprestada” de outro processo correlato. Peculiarmente no caso em tela, houve juntada equivocada de prova, de iniciativa do próprio sujeito passivo, por ocasião da manifestação de inconformidade (dentro do prazo processual, portanto), basicamente pressupondo que haveria uma reunião de processos, em autos distintos dos julgados nesse momento. Destarte, objetivamente um dos processos contém prova desnecessária, e os demais encontramse carentes de prova. A questão me parece de solução razoável, especialmente diante do formalismo moderado ínsito ao processo administrativo tributário e ao prestígio à verdade material, bem como do art. 29 do Decreto nº 7.574, de 2011, o qual, regulamentando o Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915930/200811 Resolução nº 3802000.130 S3TE02 Fl. 108 8 Art. 29. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (Lei n o 9.784, de 1999, art. 37). Analisando, então, a prova constante do PAF nº 10880.915886/200849, verifiquei que, para o período objeto do presente processo, constam notas fiscais de vendas para contribuintes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, cujo total (excluindo o ICMS/ST) corresponde precisamente à base de cálculo sobre a qual, aplicada a alíquota da contribuição, chegase ao montante do crédito oferecido à compensação. Diante disso, o contribuinte juntou as provas que entendia necessárias à época, e, por um equívoco seu, de presumir que haveria uma reunião de seus processos, levou a DRJ a não apreciar tal material, concluindo pela inexistência de demonstração do direito creditório. Tais provas, no entanto, ao mesmo tempo em que indicam plausibilidade do crédito suscitado, não são absolutamente suficientes para se confirmar que o sujeito passivo tem direito ao reconhecimento do crédito. Isso porque é inviável para esta instância julgadora confirmar: (i) se o crédito em tela já não foi utilizado para outras compensações (até porque, como se vê dos autos, são noventa processos ao total), e/ou (ii) não foi objeto de exclusão nos próprios períodos de apuração. Conclusão Desse modo, entendo que o feito deve ser convertido em diligência, a fim de que a DRF de origem apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes às fls. 504 a 519 do PAF nº 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo se foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a este CARF/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16403.000146/2006-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Isabela Tralli, OAB/SP nº 198772.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Isabela Tralli, OAB/SP nº 198772. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 01 46 /2 00 6- 56 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação. Os créditos pleiteados pela Recorrente têm origem em contribuições de PIS e COFINS apurados na sistemática da não cumulatividade. A auditoria fiscal realizada pela Unidade de Origem concluiu pela não reconhecimento do direito creditório, por considerar que não foram comprovados documentalmente os créditos alegados. O relatório fiscal informa que foram realizados intimações para que a Recorrente apresentasse os documentos e esclarecimentos necessários a comprovação dos créditos, entretanto, apesar das prorrogações de prazos concedidas não foi entregue toda a documentação necessária, ensejando no indeferimento do pleito da Recorrente. Irresignada com a decisão da Receita Federal, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando a procedência dos créditos, que foram assim resumidas no relatório da primeira instância. No item “I Dos fatos”, esclarece que, entre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com 0 que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos no processo produtivo desse produto, levandoa a protocolizar pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, aqui em debate; comenta que 0 fisco intimoua a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.° 202/2008); agrega que em face do excessivo volume de documentos requeridos, apresentou pedido de dilação de prazo, requerendo mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, O qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.° 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a “longa” lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, o fisco emitiu o despacho decisório impugnado, com o que não concorda. Sob o titulo “Da ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa”, após citar o art. 2° da Lei n.° 9.784, de 1999, do qual destaca a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados, frisando que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pedindo um tempo maior atendêla; dessa forma, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo, e simplesmente Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000146/200656 Acórdão n.º 3201001.981 S3C2T1 Fl. 266 3 indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de compensação; registra ainda que os livros obrigatórios sempre estiveram a disposição da autoridade fiscal. Na sequência, faz comentários sobre os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, e mencionando o art. 5°, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; argumenta, ainda, que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito (verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito à alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, nos termos do art. 16 da Lei n.“ 11.ll6, de 2005, e poderiam ser utilizados na compensação, nos termos da legislação), entendendo que teria havido, assim, flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação; insiste que o alegado direito de crédito, no presente caso, decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito seria obrigatório 0 fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. No seguimento, requer o deferimento de perícia, posto que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito ã alíquota zero; quanto a isso, nomeia como assistente técnica a Contadora Ana Ribeiro Silva, CPF n.° 258.969.90855, com domicílio ã Rodovia SP 340, Km 171, CEP 13840970, Mogi Guaçu/SP, e formula quesitos a serem respondidos. ... Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, para declarar seu direito de compensar os alegados créditos de PIS e COFINS com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em face dos mesmos decorrerem da aquisição de insumos e demais bens utilizados na produção de papel cuja alíquota é zero; protesta pela realização de prova pericial, nos termos requeridos e requer, ainda, a juntada de CDRom que conteria toda a documentação solicitada pelo fisco, esclarecendo que a juntada dessa documentação em papel acarretaria um grande volume de documentos, o que dificultaria o manuseio do presente processo." Considerando a apresentação dos documentos e da juntada de CD, a Delegacia de Julgamento entendeu por bem, devolver em diligência o processo a DRF/Ponta Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Grossa para verificar se a documentação apresentada pela recorrente é suficiente para comprovar o direito creditório. Em atendimento a diligência determinada pela DRJ, a DRF/Ponta Grossa realizou intimações a Recorrente determinando a apresentação de documentos necessários a averiguação dos créditos. Foram feitos pedidos de prorrogação do prazo, em razão de alegada dificuldade da Recorrente em providenciar a documentação. A autoridade fiscal concedeu prorrogações ao prazo original, definindo a data final de 14/05/2010 para apresentação dos documentos. A recorrente ao final deste prazo pediu nova prorrogação. A fiscalização indeferiu o pedido e devolveu os autos a Delegacia de Julgamento, informando a impossibilidade de verificar o direito creditório, em razão de inconsistências e falta de apresentação integral dos documentos, que foi assim esclarecido no relatório de diligência. Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta de apresentação da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhado para a DRJCuritiba para prosseguimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “Assunto: CONTRIBUIÇAO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. , Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Reabrindose à interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito Creditório ao órgão originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇAO DE CREDITOS. INTIMAÇAO. NAO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000146/200656 Acórdão n.º 3201001.981 S3C2T1 Fl. 267 5 Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário alegando preliminarmente a nulidade da decisão, visto não ter sido intimada do resultado da diligência determinado pela Delegacia de Julgamento. Alega que a autoridade fiscal ao realizar a diligência deveria se ater unicamente aos documentos constantes do processo, quanto as demais questões de mérito suscitadas no recurso, repisa os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise a alegação de nulidade por falta de ciência do resultado da diligência determinada pela autoridade de piso. Nos termos determinados pela DRJ, o resultado da diligência deveria ser informado ao contribuinte e aberto prazo para sua manifestação, conforme se depreende do trecho abaixo, extraído do despacho que determinou a diligência. "Assim, tendo em vista que a interessada teria, em princípio, trazido aos autos os elementos que o órgão originariamente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de Cofins Não Cumulativa Exportação, relativos ao 2° trimestre de 2006, entendese ser necessário o retorno do processo a DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada Ó, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contrarrazões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento"(grifo nosso) Considerando que não foi realizada a ciência ao contribuinte do resultado da diligência fiscal, resta configurada o cerceamento de direito de defesa, o que implica na nulidade da decisão da primeira instância. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 A matéria já foi enfrentada neste conselho, no Acórdão 310201.060, na seção do dia 02/06/2011, de relatoria do Conselheiro Alvaro de Arthur Lopes de Almeida Filho. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA REJEITADA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para proferir a intimação da Recorrente sobre as conclusões da diligência fiscal, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias para suas contrarrazões, em seguida os autos deverão ser encaminhados à DRJ para novo julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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