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Numero do processo: 10283.907879/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 79 /2 00 9- 93 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10283.907879/200993 Acórdão n.º 1301003.593 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10283.907879/200993 Acórdão n.º 1301003.593 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10283.907879/200993 Acórdão n.º 1301003.593 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10283.907879/200993 Acórdão n.º 1301003.593 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10283.907879/200993 Acórdão n.º 1301003.593 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10283.907879/200993 Acórdão n.º 1301003.593 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723251/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.703 1 3.702 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.723251/201234 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1302000.653 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2018 Assunto COMPLEMENTO DE INSTRUÇÃO PROBATÓRIA Recorrentes M DIAS BRANCO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 23 25 1/ 20 12 -3 4 Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.704 2 Relatório Cuida o feito de autos de infração lavrados em desfavor do contribuinte a fim de se exigir créditos relativos ao IRPJ e, reflexamente, à CSLL, bem como em relação à contribuição para o PIS e a COFINS, todos apurados no anocalendário de 2008. De forma bastante resumida, as infrações concernentes ao IRPJ e à CSLL teriam por pressuposto a falta de adição, nas respectivas bases de cálculo, de valores concernentes à subvenções percebidas pela recorrente, consistentes no financiamento parcial do ICMS devido sobre suas operações, preconizados por quatro programas oriundos de diferentes Estados, a saber: a) PROVIN, concedido pelo Estado do Ceará; b) PROADI, concedido pelo Estado do Rio Grande do Norte; c) FAIN, concedido pelo Estado de Paraíba; d) Desenvolve, concedido pelo Estado da Bahia. A par do questionamento sobre eventual descumprimento das normas concernentes ao RTT, a discussão aqui travada, ao fim e ao cabo, se cingiu à natureza das subvenções acima descritas, mormente se de investimento, e portanto, abarcadas pela norma isentiva do art. 38 do Decretolei 1.598, ou de custeio, nesta esteira, tributáveis. Noutro giro, e exclusivamente quanto ao IRPJ, efetivouse, também, glosas de despesas incorridas pela empresa quanto ao aluguel de aeronave, fundadas, principalmente, na falta de demonstração de sua necessidade ao implemento das atividades econômicas do contribuinte. Por fim, quanto a contribuição para o PIS e a COFINS, lavrouse auto de infração específico para glosar créditos tomados pelo recorrente relativos à combustíveis pretensamente utilizados como insumos. O motivo determinante para a citada glosa, seria o fato destas contribuições incidirem sobre os combustíveis de forma monofásica, o que afastaria, aos olhos da fiscalização, a possibilidade de seu creditamento. Cientificado das autuações, o contribuinte ofereceu duas impugnações apartadas, uma para tratar tão só das exigências concernentes ao IRPJ e a CSLL e outra para se defender das pretensões fiscais relativas ao PIS e à COFINS. A DRJ de Fortaleza houve por bem dar parcial provimento apenas às razões concernentes à incidência do IRPJ e da CSLL sobre as subvenções, sem que, contudo, adentrasse no mérito do questionamento relativo à natureza destas subvenções. Em apertada síntese, o acórdão recorrido entendeu que, uma vez que sujeitas à condição resolutória, os valores dos benefícios aqui tratados somente seriam exigíveis a partir do não implemento da citada condição resolutória. Quanto mais, manteve, na integra as autuações, conforme se depreende da ementa abaixa reproduzida: INCENTIVOS. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. OPERAÇÕES DE MÚTUO. RENÚNCIA PARCIAL DO PRINCIPAL. CONDIÇÃO Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.705 3 SUSPENSIVA. RECEITA OPERACIONAL. RECONHECIMENTO NO IMPLEMENTO DA CONDIÇÃO. Os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes na renúncia parcial do valor emprestado, submetida à condição suspensiva, devem ser oferecidos à tributação no período em que implementada a condição, a título de receita operacional. DESPESAS COM AERONAVES. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com aeronaves não são dedutíveis quando não estão comprovadamente relacionadas com a produção ou comercialização dos bens produzidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS. INSUMOS SOB TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA À ALÍQUOTA DIFERENCIADA. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep NãoCumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Como a parcela do crédito exonerado ultrapassava o valor de alçada preconizado por norma do Ministério da Fazenda então vigente, recorreu de ofício à este Conselho. O recorrente, por sua vez, cientificado do resultado do julgamento acima em 19/10/12 (AR de efls. 339), interpôs dois recursos voluntários (assim como havia feito por ocasião da oposição de suas impugnações) em 19/11/12 (conforme se depreende dos carimbos apostos em efls. 341 e 392). A PGFN, outrossim, também apresentou suas contrarrazões à e fls 459 e ss. Esclareçase, por oportuno, que o segundo recurso foi endereçado à Terceira Seção de Julgamentos de Conselho. Este fato chamou a atenção do então Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, a quem estes autos foram originariamente distribuídos, que, por meio da Resolução de nº 1302000.277 (efls.487/489), determinou a formação de autos apartados, a fim de comportar os autos de infração relativos ao PIS e à COFINS, juntandose os documentos relativos à apuração do respectivo crédito tributário, e a remessa destes novos autos à Terceira Seção. Cumprida a diligência acima, e retirada desta Seção, a incumbência de se analisar os autos de infração relativos ao PIS e à COFINS, o processo retornou à este Conselho para julgamento, exclusivo, das autuações afeitas ao IRPJ e à CSLL. E, novamente sob a relatoria do Conselheiro Alberto, foram proferidas mais duas resoluções para melhor instruir o feito quanto a infração relativa às glosas de despesas afeitas ao aluguel de aeronave, bem como para se permitir concluir acerca da natureza das subvenções tratadas neste processo. Peço venia, neste ponto, para reproduzir o relatório contido na última resolução: Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.706 4 O recurso voluntário e contrarrazões, a fls. 341 e segs., apresenta as seguintes razões de defesa: a) que a DRJ entendeu por bem exonerar os lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL relacionados ao valor recebido pela Recorrente a título de subvenções para investimento concedidas por unidades da federação, com base na legislação estadual disciplinadora dos programas PROVIN/CE, PROADI/RN, FAIN/PB e DESENVOLVE/BA, obtidas pela M Dias Branco em contrapartida por investimentos na instalação de novos empreendimentos industriais nas respectivas unidades da federação, pois sustentou que os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes na renúncia parcial do valor emprestado, submetida à condição suspensiva, devem ser oferecidas à tributação no período em que implementada a condição, a título de receita operacional; b) que, ainda que tenha acertado em parte, o acórdão recorrido manteve os demais créditos fiscais, por entender que M Dias Branco não teria reunido as condições necessárias para deduzir os gastos com locação de aeronave da base de cálculo do IRPJ devido; c) que não concorda com as aludidas imputações remanescentes, uma vez que lastreadas em entendimentos equivocados quer seja sobre as operações da sociedade e os respectivos tratamentos contábil e fiscal, quer seja sobre as legislações aplicáveis; d) que houve erros no enquadramento legal, os quais eivaram de vício de nulidade a autuação levada a efeito, sendo que o relator do acórdão recorrido não analisou os argumentos levantados em impugnação, o que claramente viola o disposto no art. 50, I e II, da Lei 9.784/99; e) que a exigência de IRPJ quanto à dedução de despesas pela utilização de aeronave está equivocadamente fundamentada nos arts. 251, parágrafo único, e 300 do RIR/99, pois o art. 251 e seu parágrafo único disciplinam a necessidade das empresas manterem escrituração de todas as suas operações com estrita observação às leis comerciais e fiscais, sendo que não há qualquer menção de que a recorrente não tenha corretamente escriturado seus livros; f) que, no ano de 2008, quem estivesse submetido ao RTT estava desobrigado de seguir em sua escrituração quaisquer exigência (art. 17, §2º, MP 449/08); g) que o art. 300 também não tem qualquer relação com as despesas para com a aeronave arrendada pela recorrente, pois a Fiscalização não apontou infração consistente em não se observar as disposições sobre a dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros; h) que, embora a recorrente tenha comprovado regularmente a necessidade das referidas despesas para o desenvolvimento de suas atividades, a autoridade fiscal entendeu indevidamente que tal requisito não estaria suficientemente demonstrado, sendo que, ao invés de prosseguir na investigação, optou por apenas lavrar o auto de infração; i) que cabia o aprofundamento da fiscalização, com a oitiva de testemunhas, como mencionado no acórdão ora recorrido, ou até mesmo com a intimação das autoridades competentes por regular a aviação civil e a guarda dos documentos requisitados durante a fiscalização e não apenas proceder com uma equivocada autuação, razão pela qual deve ser declarado nulo o auto de infração; Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.707 5 j) que os gastos referentes ao arrendamento da aeronave são imprescindíveis para o regular desenvolvimento das atividades empresariais da recorrente, pois todas as origens e destinos dos voos guardam a mais perfeita relação com a atividade da recorrente; l) que as cidades de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Maceió, Recife, Fortaleza e Eusébio (CE) estão entre algumas das mais diversas localidades em que a recorrente possui parque industrial e unidades comerciais e elas apareceram no diário de bordo apresentado, quer como destino quer como origem; m) que da eventual insuficiência da prova a favor do contribuinte não decorre a presunção de suficiência da acusação – sem provas – que lhe é feita; n) que a atividade desenvolvida pela recorrente torna imprescindível a utilização de um meio de transporte ágil o suficiente para que esta possa realizar seu empreendimento e, muito embora possa se admitir que essa mera coincidência seja prova indiciária do direito da recorrente de deduzir as despesas; o) que caberia à Fiscalização comprovar tal incompatibilidade e não simplesmente presumila, como fez a autoridade fiscal; p) que a aeronave possibilitou a otimização de todo o processo industrial, tanto de comercialização, assessoramento, promoção, como a prestação de serviços, no que concerne aos produtos comercializados ou fabricados pela recorrente, razão pela qual a dedução das despesas do correspondente arredamento mercantil se mostrou completamente devida e regular. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (a fls. 459 e segs.), nas quais alega, em apertada síntese, o seguinte: Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, os termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. (...) Nesse sentido, inclusive, destacase que o contraditório e a ampla defesa da parte foram exercidos por meio da apresentação de impugnação e recurso voluntário, com a indicação de preliminares e contestação do mérito da autuação, demonstrandose, assim, que a contribuinte tinha total conhecimento das infrações que lhe foram imputadas, o que por si só já afastaria a alegação de ausência de fundamentação clara do ato de lançamento. Ora, se a motivação não tivesse sido expressamente apresentada pela fiscalização, como poderia ter a empresa ter apresentado tão longas razões de defesa? (...) Assim, o que se percebe no caso é que a autoridade autuante analisou os fatos segundo os elementos que tinha disponíveis, oferecidos pela autuada, razão pela qual ela não pode, neste momento processual, alegar que não teria havido a correta investigação em atenção à máxima do nemo venire contra factum próprio. Ademais, não se verifica ausência de dispositivo legal que fundamente o entendimento da autoridade fiscal, uma vez que no Termo de Verificação Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.708 6 Fiscal, assim como no próprio Auto de Infração encontrase clara indicação dos artigos que se entendeu terem sido ofendidos pela contribuinte. A mera discordância da recorrente quanto à interpretação dada pelo AFRB a um dispositivo legal não pode levar à conclusão de que o auto de infração seria nulo por falta de previsão legal que autorizasse o lançamento. (...) Mas ainda que assim não fosse, e mesmo que se pudesse falar no vício em questão, o que se admite apenas para argumentar, devese registrar que este Conselho tem entendimento no sentido de que “o erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa” (acórdão nº 10313.567). Nesse sentido, ainda, os acórdãos nº 10806.208 e 10417.253. (...) De inicio, devese considerar que, apesar de devidamente intimada a apresentar os documentos que pudessem comprovar as despesas e justificar sua origem, a empresa limitouse a entregar, à fiscalização, comprovantes de pagamentos e diários de bordo, que apenas indicavam a relação dos tripulantes da aeronave, as datas dos vôos e os deslocamentos, em códigos, deixando de informar, com isso, a relação de passageiros, o que impossibilitou a autoridade autuante de avaliar a efetiva utilização da aeronave para a realização de seus objetivos sociais, de forma a fundamentar a necessidade da despesa. Nesse sentido, a DRJ afirma que a empresa deixou de segregar as despesas com a aeronave, não efetuou controle sobre o custo de utilização da mesma para a produção, além de ter se recusado a apresentar elementos que pudessem levar a essa informação, não sendo possível, com isso, admitirse a dedução de qualquer despesa. (...) De modo idêntico ao que se deu nos processo em que proferidas tais decisões, observase que nos presentes autos, a recorrente limitase a justificar a utilização das aeronaves no desempenho de suas operações comerciais em todo o território nacional, informando manter clientes, fornecedores e filiais em diversos estados da Federação, o que demandaria a constante locomoção de dirigentes e funcionários da empresa sem, no entanto, apresentar qualquer documentação referente, por exemplo, a contratos de vendas firmados, pedidos de produtos ou quaisquer outros efetivados nas viagens ou que tivessem qualquer relação com elas, não havendo nos autos, portanto, prova cabal de que as viagens realmente ocorreram em benefício da empresa. Nos termos do que relatado outrora, a fiscalização identificou que o sujeito passivo é titular de incentivos fiscais referentes ao ICMS, concedidos por meio dos seguintes programas, que subvencionam parte do imposto devido pela empresa, sob condição resolutiva, por meio da renúncia fiscal destinada a capital de giro: Programa de Incentivo ao Funcionamento da Empresa (governo do estado do Ceará), Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte, Fundo de Apoio ao Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.709 7 Desenvolvimento Industrial da Paraíba, Projeto ao Programa de Promoção ao Desenvolvimento do Estado da Bahia. A DRJ, no entanto, exonerou esta parte do crédito tributário sob o argumento de que a autoridade fiscal teria considerado o incentivo da subvenção governamental como recuperação de despesa no período em que a empresa recebeu o valor do mútuo, quando o correto seria reconhecer tal montante como receita operacional no momento da satisfação do mútuo, com a redução contratada, caso a condição préestipulada seja atendida. (...) Nesse sentido, de imediato ressaltase que não há nos autos qualquer comprovante de que houve a efetiva e específica aplicação da subvenção por parte da contribuinte nos investimentos previstos na implantação dos empreendimentos econômicos projetados perante os Estados da Bahia, do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte, de modo a impossibilitar a caracterização do benefício recebido pela recorrente como sendo uma subvenção para investimento, não restando dúvida, portanto, que se tratam de subvenções para custeio. A impropriedade em classificar os valores em questão como subvenção de investimento, aliás, decorre da própria legislação que regulamenta tais incentivos, uma vez não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres dos Estadosmembros instituidores dos benefícios sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. Dessa forma, considerando que os recursos obtidos dos Estados Federados podem reforçar o capital de giro, como convier à beneficiária, sem a necessária aplicação em ativo imobilizado, não se pode, como pretende a empresa, classificar tais benefícios como subvenções para investimentos. (...) De fato, tomando como exemplo a legislação aplicável ao Programa DESENVOLVE, do Governo do Estado da Bahia, inexiste vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico: (...) Art. 3º Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. (...) Observese que a leitura do artigo 3º deixa claro que o incentivo em apreço destoa do conceito de subvenção para investimento na medida em que uma das suas finalidades é a redução de custos de produtos ou processo já existentes, admitindo, portanto, a fruição do benefício por empresa que já esteja devidamente instalada e em funcionamento, com o objetivo de reduzir Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.710 8 os seus custos de produção, diferentemente, inclusive, do que sustenta a recorrente em suas manifestações. Também a legislação referente aos outros Programas não impõe a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação ou expansão da indústria, assim como, também alcançam empresas já instaladas. Como exemplo, transcrevese a seguir a legislação do FAIN – Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba, que determina que: Art. 2º Os estímulos financeiros a que se refere o artigo anterior poderão ser concedidos através das seguintes operações: (...) IV financiamento direto para investimentos fixos e capital de giro essencial. Nesse rumo, os benefícios em tela enquadramse como subvenções para custeio.”. Em 29 de julho de 2014, esta Turma achou por bem converter novamente o julgamento em diligência (Resolução nº 1302000.325), para que, desta feita, fossem adotadas as seguintes providências: “Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam juntadas, aos autos, cópias dos seguintes documentos: a) instrumentos contratuais celebrados com os governos estaduais, referentes às subvenções para investimentos e seus aditivos de que trata o item 04 da resposta ao Termo de Intimação nº 01 (a fls.66); e b) diário de bordo e documentos de valores significativos de “locação e despesas com a aeronave” de que tratam o item 9 da resposta ao Termo de Intimação nº 5 (doc. a fls. 74).”. Em atendimento à diligência, foram juntados documentos a fls. 589 e segs., bem como, a recorrente se manifestou sobre a diligência requerida em resposta a fls. 573 e segs. , na qual basicamente repisa os argumentos já expendidos no seu recurso voluntário. Em resposta às intimações realizadas em decorrência da segunda resolução proposta (de nº 1302.000.325), a empresa recorrente trouxe os instrumentos contratuais preconizados pelo item "a" (contido na transcrição acima), bem como diário de bordo, contratos de câmbio e nota fiscal tratados no item "b" (efls. 572/687). Já na última resolução proferida por esta turma (da qual retirei o trecho do relatório anteriormente reproduzido), com o brilhantismo que lhe é peculiar, o, então, Conselheiro Alberto Pinto discorreu, primeiramente, sobre a natureza das subvenções (de investimento e de custeio). Em seguida, asseverou que a regra geral determina a incidência do IRPJ por entender haver, no caso das subvenções, ganho patrimonial; a regra encartada, destarte, no art. 38, § 2º, do Decreto 1.598/77 seria isentiva, sujeitandose, neste passo, às limitações hermenêuticas preconizadas pelo art. 111 do CTN (interpretação literal/gramatical). Neste Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.711 9 passo, sustentou que, para o gozo do beneficio em testilha, e, assim, para caracterizar como "de investimento" determinada subvenção, é imperiosa a demonstração de que os valores subvencionados foram integralmente aplicados no incremento dos ativos imobilizados da empresa, necessários à implementação dos projetos de instalação e/ou expansão. Nada obstante, concluiu que dada as especificidades dos empreendimentos, não seria desarrazoado considerar que o aproveitamento dos benefícios concedidos pelos Estados se protraiam no tempo, inclusive, para além do momento ou período de instalação. Propôs, então, esta última diligência, consignando as seguintes providências a serem tomados: a) a recorrente demonstre, com documentos idôneos, o valor do investimento realizados e das subvenções recebidas até 2008 nos programas PROVIN, FAIN, PROADI e Desenvolve, ressaltandose que devem ser consideradas subvenções apenas aqueles valores dos empréstimos que foram objetos de renúncia pelo Poder Público; e b) que a DRF/Fortaleza analise e se manifeste sobre a resposta da recorrente, dandolhe ciência sobre o relatório final de diligência e concedendolhe prazo para falar nos autos. À efls. 891/898, a Unidade de Origem apresentou relatório de diligência, concluindo a sua análise sobre os documentos esclarecimentos apresentados pelo contribuinte conforme abaixo reproduzido: Entretanto, diante dos esclarecimentos da Solução de Consulta nº 336, de 12 de dezembro de 2014, que analisa de forma minuciosa e bem fundamentada os efeitos contábeis das operações decorrentes de Incentivos Fiscais do ICMS, mas precisamente do PROVIN, a partir do Decreto 1.598, de 1977, mantemos o entendimento da Receita Federal do Brasil pela tributação das subvenções relativas à renúncia fiscal proveniente dos programas de incentivo à industrialização, pois não há como se determinar a destinação dos valores subvencionados, uma vez que sua aplicação é livre, tanto podendo destinarse a capital de giro como a investimentos, muito embora, a empresa no período de 1990 a 2008 tenha aplicado em investimento perto de um bilhão de reais, na construção de unidade fabris em diversos Estado (sic). O recorrente, de sua sorte, apresentou a sua manifestação ao termo de diligência supra, reafirmando a natureza das subvenções como sendo de investimento; mais que isso, noticia, outrossim, a edição da LC 160 e, por isso, o reconhecimento ex lege da não incidência do IRPJ sobre os benefícios tratados neste processo. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Conheço do recurso voluntário porque tempestivo, valendo lembrar, aqui, que analisaremos as razões de insurgência relativas, tão só, ao IRPJ, já que a análise da matéria concernente ao PIS e à COFINS foi transferida, por resolução, à Terceira Seção deste CARF. Conheço, também, do recurso de ofício já que, como se extrai da tabela constante de efls. 316, o valor total exonerado ultrapassa o montante de R$ 20.000.000,00, muito superior, pois, ao limite de alçada preconizado pela Portaria MF de nº 63/2017. Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.712 10 I Proposta de resolução De antemão entendo que, quanto a infração relativa à glosa de despesas afeitas à locação de aeronave, o processo se encontra suficientemente instruído, não demandando, destarte, quaisquer medidas adicionais para a sua solução. Quanto ao problema das subvenções, contudo, e a despeito da realização de duas diligências tendentes à apuração de fatos necessários à formação de um convencimento sobre a sua natureza, é inegável que a LC 160 pôs, por assim dizer, um freio em tais questionamentos. Com efeito, peço vênia, aqui, para transcrever o seguinte trecho do voto do Conselheiro Alberto Pinto, proferido por ocasião da prolação da Resolução 1302000.325, já por vezes citada: Quatro são os programas de incentivos fiscais em tela, quais sejam: PROVIN (CE); PROADI (RN), FAIN (PB) e o Desenvolve (BA). A questão sub examine, então, consiste inicialmente em saber se tais incentivos fiscais concedidos pelos referidos Estados da Federação à contribuinte se enquadra como subvenção para investimento ou para custeio. O cerne da questão, vejam bem, é esse, e apenas esse; seriam, ou não, subvenção para investimento os incentivos tratados nesta demanda? Com efeito, observase, que, dentre os requisitos elencados pelo Decretolei 1.598, somente a natureza das subvenções foi questionada pela fiscalização. Lembremos, no caso, o que diz o citado preceito de lei: § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: De fato, a conclusão fiscal, extraível do Termo de Constatação Fiscal de efls. 36/40, se calca, exclusivamente, na assertiva de que, como a renúncia relativa ao ICMS traz impactos no resultado da empresa, exigirseia "que o valor da subvenção seja adicionado ao lucro líquido (...) uma vez que não é destinada a investimento". Em linhas gerais, a celeuma ficou adstrita à caracterização das subvenções como sendo de investimento (as quais se subsumem à regra isentiva descrita no art. 38, § 2º, do Decreto 1.598) ou de custeio (regularmente tributada). E é neste ponto que a noviça Lei Complementar 160 terá, potencialmente, impacto determinante na solução desta contenda. I.1 Da aplicação dos efeitos do art. 30 da Lei 12.973, §§ 4º e 5º, com a redação dada pela LC 160/17. a) Os benefícios em testilha atendem ou não à CF88? Sobre o tema em análise, entendi, num primeiro momento, que a questão estivesse definitivamente superada, notadamente, com o advento da Lei Complementar 160/17. De fato, a partir do que se dessume do art. 9º da lei geral nacional supra, que deu nova redação ao art. 30 da Lei 12.973/2014, todos os benefícios fiscais ou financeiros fiscais Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.713 11 (ficando a margem deste preceito, apenas os incentivos de cunho eminentemente financeiros), serão considerados como "subvenção para investimento", sendo, inclusive, vedada a exigência de qualquer condicionante adicional; e, digase, o citado preceito, tem aplicação imediata, inclusive quanto aos processos administrativos e judiciais em curso. Vejase, neste particular, o que diz o preceptivo legal em comento: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados". Ou seja, a lei complementar poderia tornar inócuos questionamentos sobre a aplicação das receitas de subvenção aos projetos declinados nas normas estaduais concessivas, tornando, igualmente irrelevantes, ilações sobre o momento da percepção dos incentivos; todos os benefícios concedidos serão "considerados subvenções para investimento", proposição, inclusive, aplicada a todos os processos (judiciais ou administrativos) em curso. Entretanto, a aplicação da interpretação tratada no art. 30 da Lei 12.973, §§ 4º e 5º, se encontra condicionada à observância de dois pressupostos: a) que eventual incentivo tenha sido autorizado e/ou, quando menos, regulado por Convênio firmado como determina o art. 155, § 2º, XII, "g", da CF88 e na conformidade dos regramentos insertos na Lei Complementar 24; b) que, caso o incentivo não tenha atendido aos ditames do regramento constitucional tratado em "a", supra (e que, portanto, tenham sido concedidos unilateralmente), que os Estados os ratifiquem na forma do art. 3º, da norma complementar em análise. Tal conclusão, vejam bem, é extraída da própria Lei Complementar em estudo, cujo art. 10 assim preconiza: Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. Em resumo, se o benefício fiscal estiver, desde a sua concessão, contemplado por meio de Convênio (e, portanto, na forma da LC 24/75 e do art. 155, XII, "g", da CF88), a regra interpretativa do art. 30 da Lei 12.973 se aplicará irrestrita, imediata e/ou Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.714 12 retroativamente, sem que se observe qualquer ato, requisito ou condicionante adicional (como disposto no próprio § 4º do aludido art. 30); lado outro, tendo sido concedido unilateralmente pelo ente federado, e, portanto, apenas por lei estadual (sem o crivo do CONFAZ), os ditames do por vezes mencionado art. 30 somente se aplicarão se e quando cumpridos os requisitos tratados na LC 160/17. Nenhum dos benefícios aqui tratados, vejam bem, foram de convênio (na forma da LC 24/75, tendo sido concedidos unilateralmente através de leis estaduais de cada uma do entes federados respectivos: a) quanto ao Estado do Ceará (programa PROVIN), o benefício está vinculado ao Fundo a que alude a Lei 10.367, sendo concedido, outrossim, por decretos sucessivamente publicados desde a edição desta última norma (mencionados nos protocolos constantes e fls.589 ss); b) em relação ao programa DESENVOLVE, do Estado da Bahia, os benefícios encontramse previstos na Lei Estadual de nº 7.980 de 12 de dezembro de 2001 e respectivos decretos regulamentadores; c) o programa de incentivo promovido pelo Estado da Paraíba, FAIN, encontra se regrado pela Lei Estadual de nº 6.000/94, e respectivos decretos regulamentadores, (efls. 628 e ss); d) Por fim, os benefícios contemplados pelo programa PROADI, do Estado do Rio Grande do Norte, estão previstos na Lei Estadual de nº 7.075/97 e respectivos decretos concessivos (efls. 641 e ss). Ou seja, todas as subvenções analisadas no corpo destes autos foram concedidas unilateralmente pelos Estados do Ceará, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte de sorte que, para se observem as consequências descritas no art. 30, § 4º, da Lei 12.973, com a redação dada pela LC 160, é, efetiva e concretamente, imprescindível o cumprimento dos requisitos encartados no art. 3º da referida lei complementar e cujo teor reproduzo a seguir: Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. b) da necessária comprovação dos requisitos preconizados pelo art. 3º da LC 160 Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.715 13 Assentado que os benefícios em análise foram concedidos de forma unilateral, vejamos, agora, se os pressupostos tratados pelo por vezes mencionado art. 3º da LC 160 foram cumpridos pelos Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia. Neste passo, notem que o Estado do Ceará, pelo que pude apreender em pesquisa realizada na internet, publicou o Decreto de nº 32.563 de 26/03/2018, objetivando a convalidação dos benefícios unilateralmente concedidos, atendendo, inclusive, neste particular, ao prazo preconizado pela Cláusula Terceira, inciso I, do Convênio 190/17 (preconizado pelo art. 1º da LC 160), qual seja, 29 de março do ano corrente. Este Decreto, vale dizer, contempla, expressamente, a modalidade de benefício tratada pela Lei Estadual 10.367, como se extrai de seu art. 2º, § 1º, inciso X: § 1º Os atos normativos cujas informações são requeridas neste Edital correspondem a leis ou decretos que instituíram os seguintes benefícios fiscais, nos termos do § 4º da cláusula primeira do Convênio ICMS 190/2017: (...) X financiamento do imposto (...). Considerandose, outrossim, a relação contida no anexo único do predito decreto, em princípio o Estado do Ceará cumpriu o primeiro requisito descrito no inciso I do art. 3º da LC 160. O mesmo se observa quanto ao Estado da Bahia, que publicou em 16/03/2018 o Decreto 18.270 para relacionar os benefícios unilateralmente concedidos, cujo anexo único elenca, justamente, a Lei e respectivos decretos que tratam do programa Desenvolve. Igualmente, o Estado da Paraíba publicou, em 26/03/2018, o Decreto 38.179 abarcando, explicitamente, o seu programa de fomento, FAIN. Quanto ao Estado do Rio Grande do Norte, não localizei qualquer decreto relativo à convalidação dos benefícios por ele concedidos, não obstante ter encontrado uma nota, no sitio eletrônico da respectiva Secretaria da Fazenda dando conta da publicação de uma relação de atos concessivos de benefícios realizada, alegadamente, para atender aos ditames do Convênio 190. Vejase: Contribuintes com benefícios fiscais precisam conferir lista até 26 de março 21/03/2018 Para poder continuar usufruindo dos benefícios fiscais do ICMS do Rio Grande do Norte, os contribuintes potiguares deverão conferir no portal da Secretaria de Estado da Tributação (SETRN), através do endereço http://www.set.rn.gov.br/, a relação das isenções, incentivos, benefícios fiscais ou financeirofiscais ou regimes especiais. Caso o contribuinte não localize seu benefício na listagem disponibilizada, o mesmo deverá entrar em contato, através do email beneficios@set.rn.gov.br, até 26 de março de 2018. A Lei Complementar nº 160/2017 e, particularmente, o Convênio ICMS nº 190/17 exige a transparência da listagem de todos os benefícios concedidos pelo Estado. Por consequência, a SETRN, em atenção às empresas estabelecidas no Estado do Rio Grande do Norte, detentoras Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.716 14 de Benefícios Fiscais, publicou antecipadamente em seu Portal a referida relação, para ciência e conferência pelos contribuintes do RN. "Tratase de uma preocupação adicional do Governo do Estado do Rio Grande do Norte com as empresas que aqui geram empregos, renda, crescimento e desenvolvimento, para que o tratamento tributário diferenciado a elas concedido seja preservado, garantindo vantagem competitiva aos empreendimentos norteriograndenses", disse o secretário da Tributação do RN, André Horta. Os benefícios fiscais que não forem listados e devidamente publicados no Diário Oficial do Estado (DOE) passarão a ser considerados em desacordo com a legislação e perderão seus efeitos, nos termos do Convênio ICMS nº 190/17. 1 Não há, contudo, evidências, até segunda ordem, de que este Estado tenha porventura publicado no Diário Oficial a relação mencionada na nota acima reproduzida. Nada obstante, e ainda que se considere que o Estado do Rio Grande do Norte tenha cumprido o prerrequisito do art 3º, I, da LC 160, o fato é que inexistem quaisquer provas ou notícias de que este Estado, e os demais mencionados anteriormente, tenham cumprido a exigência preconizada pelo inciso II do prefalado preceptivo de lei complementar... isto porque, a despeito deste inciso mencionar que o CONFAZ instituiria um portal nacional para conferência do registro e depósito dos atos concessivos, até onde pude verificar o aludido órgão assim não procedeu (há, é verdade, um link que permite a qualquer cidadão obter cópias dos Certificados de Depósito que, contudo, não são descritivos, limitandose a reportar aos decretos concessivos sem descrever, efetiva, e concretamente, quais benefícios estariam ali abarcados). Até aqui, portanto, não nos é possível identificar o cumprimento, pelos Estados, do pressuposto tratado no aludido inciso II, supra. Tal prova, vejam bem, terá que ser produzida pelo próprio contribuinte (não nos cabendo, aqui, "advogar" em prol do postulante, limitando nossa atividade ao julgamento da causa com base nos documentos apresentados pela parte no processo) sendo, portanto, esta "a razão de ser" da presente proposta de resolução. II Conclusão. À luz do exposto, voto por converter em diligência o presente feito a fim de determinar à Unidade de Origem que intime o recorrente para: a) especificamente quanto PROADI (RN), que comprove a publicação, pelo respectivo Estado, da relação de benefícios tratada pelo inciso I do art. 3º da LC 160, dentro do prazo estabelecido pela Cláusula Terceira, inciso I, do Convênio/CONFAZ 190/17; b) que traga as provas de que os atos concessivos dos benefícios aqui tratados, a saber, PROVIN(CE); PROADI (RN), FAIN (PB) e o Desenvolve (BA), foram objeto de depósito e registro pelas respectivas Entidades Federativas na Secretaria Executiva do CONFAZ, na forma do inciso do II do art. 3º da Lei Complementar 160/17 e no prazo preconizado pela Cláusula Quarta do Convênio/CONFAZ 190/17. 1 http://www.set.rn.gov.br/contentProducao/aplicacao/set_v2/noticias/enviados/detalhe.asp?sTipoNoticia=&nCodig oNoticia=3991, acessado em 27/09/2018. Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10380.723251/201234 Resolução nº 1302000.653 S1C3T2 Fl. 3.717 15 Respondidas ou não as intimações acima, devolvamse os autos à este Conselho para que seja concluído o julgamento deste processo. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 3717DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910057/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.902770/2009-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.902770/2009-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa).
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CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE CSLL, PIS/PASEP E COFINS (CÓD. 5952). PAGAMENTO A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.902770/200962, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 10 05 7/ 20 09 -9 2 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.910057/200992 Resolução nº 1302000.641 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão da DRJ de Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos,julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrando a seguinte ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. O sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apresentação da DCOMP, logo, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido. A recorrente alega que teria recolhido indevidamente PIS/COFINS/CSLL SERVIÇOS (Código 5952 Contribuições Sociais Retidas na Fonte CSRF). Afirma que detectou as incorreções cometidas no recolhimento dos tributos retidos, quais sejam, o recolhimento em duplicidade de valores retidos uma única vez e a retenção e o recolhimento indevidos, com a correspondente devolução aos prestadores de serviços das quantias retidas indevidamente, mas deixou de promover a retificação da DCTF. Acrescenta que a ausência da DCTFretificadora, com a consequente alocação do DARF para débito, que não corresponde ao que era efetivamente devido pela Recorrente, não tem o condão de inviabilizar o reconhecimento do seu direito creditório e à compensação deste crédito. A DRJ não acolheu os argumentos da contribuinte por entender que, diante da constatação de que o alegado pagamento indevido estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, nada mais caberia a ser analisado. Se o pagamento estivesse disponível, ai sim a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito deveria verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. Devidamente intimada da decisão, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, por meio do qual reforçou seus argumento de que teria crédito de pagamento a maior de CSLL, PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.634, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.902770/2009 62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13819.910057/200992 Resolução nº 1302000.641 S1C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302 000.634): "Com a devida vênia ao entendimento externado pelo D. Relator, e entendendo a sua preocupação com a eficiência deste órgão na prestação jurisdicional administrativa, de fato a posição originariamente assumida pela 2ª da Turma Ordinária da 4ª Câmara estava, realmente, correta. Isto porque, não obstante consignar no DARF, origem pretensa do crédito postulado neste feito, código de receita que remete ao recolhimento, por retenção da CSLL, conjuntamente, com a contribuição para o PIS e para a COFINS, é inegável que o próprio contribuinte limite o seu direito creditório a um alegado indébito relativo, exclusivamente, às duas últimas exações. Nesta esteira, a teor dos preceitos do art. 4º, I, observase a competência exclusiva da 3ª Seção para o julgamento de feitos que revolvam as contribuições; como, no caso, não existe, no direito creditório pretendido, a concorrência de outras espécies tributárias, afeitas à competência das demais seções (repitase, a despeito de tratar das Contribuições retidas na fonte, a origem do crédito postulado cinge à contribuição para o PIS e à COFINS), não se aplicam à espécie a regra excepcional dos arts. 7º e 8º, prevalecendo a norma geral de competência preconizada pelo mencionado. art. 4º. É, portanto, inegável a incompetência desta turma para apreciação da matéria em testilha. A luz do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de, declinando a competência para a análise da matéria posta em exame, determinar a remessa dos autos à 3ª Seção de julgamentos deste CARF." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910579/2015-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/10/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910579/201557 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.266 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/10/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 79 /2 01 5- 57 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.910579/201557 Acórdão n.º 3301005.266 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.463. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.910579/201557 Acórdão n.º 3301005.266 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.910579/201557 Acórdão n.º 3301005.266 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.910579/201557 Acórdão n.º 3301005.266 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910579/201557 Acórdão n.º 3301005.266 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910579/201557 Acórdão n.º 3301005.266 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688666/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 12/12/2001
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 12/12/2001 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 86 66 /2 00 9- 18 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.688666/200918 Acórdão n.º 3302005.934 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1631.127. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.688666/200918 Acórdão n.º 3302005.934 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.688666/200918 Acórdão n.º 3302005.934 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916663/2008-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 138 1 137 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.916663/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.033 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente BOTÂNICO COM. DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 63 /2 00 8- 07 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) eletrônica n° 10469.77448.121103.1.3.027396 (efls. 10/16) e 02782.91593.1 30204.1.3.029482 (efls. 17/22) transmitidas em 12/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente, cujas formalizações visaram declarar a compensação de estimativas mensais de IRPJ com crédito proveniente de saldo negativo do mesmo tributo atinente ao anocalendário de 2002. A respeito a Autoridade Tributária expediu Termo de Intimação (efl. 04) Rastreamento n° 654.763.991, de 07/12/2006, cientificado por via postal em 15/12/2006 (fls. 9), através da qual antecipou ao contribuinte divergência entre o valor de saldo negativo e o somatório das parcelas consignadas para fins de demonstração da composição do crédito veiculado na primeira DCOMP. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 808.274.872, de 24/11/2008 (efl. 02), tendo em vista "a impossibilidade de confirmação da apuração do crédito, porquanto a importância informada na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não encontrar correspondência com o montante do saldo negativo informado na declaração de compensação que integra o demonstrativo de crédito". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alegou que fez constar de maneira errônea na PER/DCOMP n° 10469.77448.121103.1.3.027396, o valor de R$ 16.403,36, correspondente ao somatório dos importes dos débitos compensados na referida declaração, quando deveria transcrever um crédito no total de R$ 58.566,76. Conforme resumido no Relatório do acórdão recorrido (Acórdão 1626.474 7ª Turma da DRJ/SP1, efl. 87/94), alegou também o manifestante: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.916663/200807 Acórdão n.º 1001001.033 S1C0T1 Fl. 139 3 A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não apresentou as provas contábeis de seu alegado crédito de saldo negativo de IRPJ para o período de apuração anocalendário 2002; e que o interessado foi alertado e orientado a tomar as providências necessárias a sanear as eventuais irregularidades ligadas às divergências presentes entre as declarações transmitidas à RFB, consoante se observa pelo teor da intimação referida; porém, tal medida denotouse improfícua, porquanto o contribuinte manteve conduta de inércia quanto aos procedimentos a serem adotados no intuito de viabilizar a solução das dissonâncias certificadas pela autoridade administrativa. Asseverou aquela Decisão: No caso em apreço, o manifestante restringe o mérito da controvérsia no sentido de ratificar a existência da integralidade de saldo negativo de IRPJ, nos moldes do importe consignado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), atinente à apuração da contribuição no encerramento do anocalendário de 2002, todavia, desprovido do pertinente conjunto probatório essencial para a fiel demonstração da origem, composição e disponibilidade contábil do pretenso crédito. (...) o interessado foi alertado e orientado a tomar as providências necessárias a Sanear as eventuais irregularidades ligadas às divergências presentes entre as declarações transmitidas à RFB, consoante se observa pelo teor da referida intimação, porem, tal Fl. 140DF CARF MF 4 medida denotouse improficua, porquanto o contribuinte manteve conduta de inércia quanto aos procedimentos a serem adotados no intuito de viabilizar a solução das dissonâncias certificadas pela autoridade administrativa... Cientificada da decisão de primeira instância em 30/09/2010 (efl. 101) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/10/2010 (efl. 102), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e requer junção de provas contábeis. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório (concernente a saldo negativo de IRPJ atinente ao anocalendário de 2002) contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar (através dos demonstrativos contábeis) à autoridade tributária ou à autoridade julgadora de primeira instância julgadora a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que o interessado foi alertado e orientado (Termo de Intimação (efl. 04) Rastreamento n° 654.763.991, de 07/12/2006, cientificado por via postal em 15/12/2006 (fls. 9)) a tomar as providências necessárias a Sanear as eventuais irregularidades ligadas às divergências presentes entre as declarações transmitidas à RFB, mas mantevese inerte quanto aos procedimentos que deveriam ser adotados no intuito de viabilizar a solução das dissonâncias certificadas pela autoridade administrativa na fase inaugural da análise das referidas declarações de compensação, e mesmo após a devida ciência da nãoadmissão do processamento. Ou seja, o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 23/24) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.916663/200807 Acórdão n.º 1001001.033 S1C0T1 Fl. 140 5 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta segunda instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 142DF CARF MF 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.916663/200807 Acórdão n.º 1001001.033 S1C0T1 Fl. 141 7 Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722730/2012-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação.
Comprovado nos autos que as pessoas física e jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador.
Numero da decisão: 9101-003.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Caio César Nader Quintella (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas física e jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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SOLIDARIEDADE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CORDEIRO LOPES & CIA. LTDA., HUMBERTO VERRE, SANTA IZABEL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas física e jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 30 /2 01 2- 35 Fl. 4227DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 904 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 4.082/4.106), contra o acórdão de nº 2402005.619 (efls. 4.050/4.080) proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, em sessão realizada em 7/2/2017, pelo qual a turma, por maioria de votos, deu parcial provimento aos Recursos Voluntários apresentados pelos codevedores Humberto Verre, Casa Verre Indústria e Comércio EIRELI e Santa Izabel Administração e Participações Ltda para excluir do pólo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Fl. 4228DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 905 3 Constatando o fisco a existência de pagamentos sem que seja justificada a causa destes, cabível o lançamento contra a fonte pagadora na alíquota de 35%, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA BAIXADA DE OFÍCIO PELA RFB POR INEXISTÊNCIA DE FATO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que é perfeitamente possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa que se encontra com baixa de ofício no CNPJ por inexistência de fato, posto que esta providência administrativa não extingue a empresa, que pode inclusive readquirir a regularidade frente aos órgãos tributários. INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTO CONTRA ESTA. POSSIBILIDADE. Uma vez que o fisco considerou que os pagamentos sem causa foram efetuados pela empresa autuada, para a qual não houve a desconsideração da personalidade jurídica, cabível que figure no pólo passivo da autuação. COEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS COM DE IRRF. POSSIBILIDADE. São compatíveis os lançamentos formalizados na ação fiscal sob apreciação, posto que o IRPJ e reflexos alcança fenômeno tributário ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF. INTIMAÇÃO DAS SOLIDÁRIAS SOBRE A ORIGEM DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES DA AUTUADA. MATÉRIA ESTRANHA À DISCUSSÃO. Considerando que o lançamento sob apreciação não contempla incidência sobre entrada de recursos em contas correntes da autuada, não é cabível na presente lide a discussão acerca da necessidade de se intimar as devedoras com ela solidárias acerca da origem dos citados recursos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Tendo os devedores arrolados na condição de solidários tomado ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Termo de Verificação Fiscal, onde puderam visualizar os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento e da responsabilização que lhes foi imputada, incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa por desconhecimento de detalhes da acusação fiscal. Fl. 4229DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 906 4 IRREGULARIDADE NO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A falha apontada no recurso quanto ao MPF não se configurou, posto que a autoridade emissora detinha a competência para prática do ato, conforme delegação de competência prevista em ato normativo da RFB. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. A autoridade tributária responsável pela lavratura estava vinculada à Delegacia circunscricionante do estabelecimento matriz da empresa na data do lançamento, portanto, não há o que se falar de sua incompetência para prática do referido ato administrativo. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dos votos em conhecer dos recursos e, por maioria, darlhes provimento parcial para excluir do pólo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. Votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade de Humberto Verre, Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho, por entenderem cabível a responsabilização com base também no inciso I do art. 124 do CTN. Tratase de auto de infração que exige da pessoa jurídica CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, referente ao anocalendário 2008. Este processo tem por base os mesmos fatos apurados na mesma ação fiscal que culminou com a lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao anocalendário 2008, formalizados no processo nº 19515.722729/201219, cuja decisão unânime que negou provimento aos recursos voluntários dos sujeitos passivos (Acórdão 1402 001729, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF em 29 de julho de 2014) tem caráter definitivo por ausência de recurso especial. Por bem detalhar os fatos relevantes para a apreciação do litígio, adoto o relatório constante do acórdão recorrido: Nos termos da descrição constante no AI (fls. 3.421/3.426), o lançamento de ofício de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF se deu em decorrência da infração à legislação tributária consistente em pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal TVF de fls.3.282/3.308, o contribuinte é uma sociedade empresária limitada, constituída em 1996 e, no período fiscalizado, tinha a matriz localizada no Município de São José/SC, chegando a Fl. 4230DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 907 5 possuir sete filiais na capital e no interior do Estado de São Paulo. No momento da fiscalização, o domicílio da empresa se encontrava alterado para São Paulo/SP, todavia, já não mais funcionava de fato, motivo pelo qual o seu CNPJ foi baixado de ofício. No anocalendário fiscalizado os sócios da empresa eram Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva, ambos sócios administradores, todavia, em 05/05/2009, Rodrigo foi substituído no quadro social por Vilma Pereira de Araújo. Em visita ao suposto domicílio tributário do sujeito passivo, constatouse que o imóvel encontravase fechado. O fisco então intimou as sócias a apresentarem a documentação necessária à verificação da regularidade fiscal do contribuinte. Como não houve atendimento das intimações, a autoridade lançadora formalizou o Termo de Embaraço à Fiscalização e encaminhou Requisições de Movimentação FinanceiraRMF para as instituições bancárias onde o sujeito passivo era titular de contas corrente. As sócias foram intimadas a comprovar a origem dos depósitos que o fisco não conseguiu vincular a alguma causa justificável. Ambas apresentaram respostas por escrito, conforme se segue: Lúcia Aparecida afirmou que: a) é domiciliada na cidade catarinense de São José, onde estava sediada a pessoa jurídica até a 16.ª Alteração Contratual, a qual foi transferida para São Paulo em 04/12/2009; b) segundo tal alteração, a administração e representação da sociedade caberia unicamente à outra sócia Vilma Araújo, por esse motivo as notificações a ela endereçadas seriam nulas; c) o gerenciamento e administração das filiais do Estado de São Paulo, cujo objetivo era a execução de um contrato firmado com o DETRAN/SP, competia a Humberto Verre, que era o beneficiário dos recursos financeiros provenientes deste negócio, sendo Vilma Araújo a procuradora legalmente constituída para representar a empresa e Sônia Regina Perez Sandoval a administradora de fato; d) Seu marido, Valdemir Rodrigues da Silva, e o filho, Rodrigo Rodrigues da Silva, outrora sócios da empresa, não teriam qualquer ingerência sobre as filiais de São Paulo e tampouco eram beneficiários dos recursos movimentados por aqueles estabelecimentos; e) requer que toda a documentação relativa às filiais de São Paulo, da qual não tem posse, seja solicitada diretamente a Humberto Verre, Sônia Regina Sandoval ou Vilma Araújo; Fl. 4231DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 908 6 f) juntou cópia de documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", assinado pela própria e por Valdemir Rodrigues, Rodrigo Rodrigues, Humberto Verre e Vilma Araújo, onde em linhas gerais, acordaram que a empresa Cordeiro Lopes e Cia Ltda seria dividida em duas partes: a primeira, compreendida pelo estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficaria sob a responsabilidade de Valdemir Rodrigues e a segunda, integrada pelas demais filiais, todas localizadas em São Paulo, estariam sob o controle de Humberto Verre. De acordo com a avença (cláusulas 6 e 8), cada uma dessas pessoas ficaria responsável por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos. g) de acordo com a cláusula 8.1, Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender ao contrato com o DETRAN/SP edital n.º 20/2005, cujas obrigações e resultados a ele pertencem, desde a assinatura do instrumento, sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras; h) há ainda uma disposição na qual os subscritores declaram e assumem total responsabilidade pela não divulgação do conteúdo acordado a terceiros, sob pena de perdas e danos; i) foi juntada cópia de declaração prestada, por ela e pelo marido, a Agente do Fisco do Estado de São Paulo, onde é feito um histórico da empresa, relatandose inclusive o acordo realizado com Humberto Verre, acima mencionado; j) foi trazida ainda procuração concedida pelos então sócios da empresa fiscalizada para Vilma Araújo, outorgandolhe amplos poderes para administrar a Cordeiro Lopes Ltda; k) foram juntadas ações trabalhistas de exfuncionários da empresa em questão, as quais incluíram no polo passivo a empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. de propriedade de Humberto Verre; l) ao final, nega que tenha qualquer responsabilidade sobre a movimentação bancária apresentada pelo fisco, alegando que todos os depósitos seriam oriundos dos contratos firmados com o DETRAN/SP e, portanto, gerenciados exclusivamente por Humberto Verre, Sônia Regina Sandoval e Vilma Araújo. Em 31/10/2011, a agora sócia da empresa autuada, Vilma Araújo, foi intimada a justificar a movimentação financeira verificada pelo fisco, tendo respondido com as seguintes alegações: a) não poderia responder por atos realizados no ano de 2008, posto que somente ingressou no quadro social da empresa Cordeiro Lopes em 17/04/2009; Fl. 4232DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 909 7 b) que em virtude de desentendimentos com a sócia minoritária, que estaria se recusando a fornecer informações e documentos sobre a empresa, resolveu transferir a sede da empresa em questão para São Paulo; c) a sócia Lúcia Aparecida Silva, em razão dessa providência, ajuizou Ação Anulatória de Contrato Social, tentando reverter a última alteração contratual; d) mesmo sendo representante legal da empresa, não tem como apresentar documentos relativos ao período fiscalizado, posto que a sócia minoritária não lhe forneceu estes elementos, devendo, assim, o procedimento fiscal se voltar contra esta; e) menciona que na ação fiscal relativa ao anocalendário de 2007, a autoridade tributária teria aceitado os seus argumentos e direcionado a auditoria para Lúcia Aparecida. As alegações de Vilma Araújo não foram acatadas pelo fisco, sob a justificativa de que esta detinha procuração com amplos poderes para administrar a empresa desde 2006, além de que assinou diversos cheques no decorrer do ano de 2008. Nesse sentido, nova intimação dirigida para Vilma Araújo para apresentação de documentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos fiscais. Em resposta a esta intimação, foi afirmado que não teria sido possível reunir a documentação, pelos motivos já expostos. Atendendo a intimação do fisco, o Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo DETRAN/SP apresentou discriminativo contendo as datas e os valores pago à empresa fiscalizada no anocalendário de 2008, em decorrência de contratos de fornecimento de produtos e prestação de serviços firmados com o órgão. As informações obtidas das instituições bancárias, levaram o fisco a diligenciar juntos às empresas beneficiárias dos recursos provenientes de contas bancárias da empresa Cordeiro Lopes. Verificouse que as empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda, ambas controladas por Humberto Verre, eram as principais destinatárias dos recursos pagos pelo DETRAN/SP. Essas empresas foram instadas a comprovar a causa dos depósitos e apresentaram resposta única, na qual, segundo o fisco, os valores das notas fiscais não foram correlacionados aos repasses recebidos, sendo que a totalização das notas fiscais foi de R$ 2.518.225,75, enquanto que o total dos repasses para a Casa Verre foi de R$ 23.286.110,18 e para a Santa Izabel de R$ 11.805.000,00. Afirmase ainda que as notas fiscais apresentadas para justificar o repasse para ambas as empresas eram de emissão da Casa Verre, sem nenhuma referência à Santa Izabel, e sem qualquer observação sobre tal fato. Fl. 4233DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 910 8 Novos esclarecimentos foram solicitados pelo fisco, não tendo havido resposta das empresas. As demais empresas envolvidas também foram intimadas e se limitaram a afirmar que não haviam localizados nos seus arquivos e na escrituração contábil os registros dos depósitos provenientes da Cordeiro Lopes. Concluiu o fisco que a empresa autuada teria sido utilizada para encobrir a identidade dos reais beneficiários dos recursos financeiros oriundos dos contratos firmados com o DETRAN/SP, os quais seriam Humberto Verre e suas empresas Casa Verre e Santa Izabel. A autoridade lançadora mencionou ainda a ocorrência de dissolução irregular da autuada, constatada mediante diligência no local indicado como sua sede, onde se verificou a inexistência de atividade empresarial. Ressalta que a empresa se encontra baixada de ofício na RFB em razão de "inexistência de fato". Foi então lavrado o AI pela infração consistente em pagamento sem causa às seguintes empresas: Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Ecosena Oficina de Equipamentos Ltda, Tecnocom Negócios e Participações Ltda EPP e Inversora Moonlight Ltda, posto que não foram justificados os motivos das transações financeiras verificadas mediantes as informações dos bancos. Encontrase discriminada nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária de n.ºs 01 a 07, conforme conduta atribuída a cada um, a responsabilização tributária das seguintes pessoas físicas e jurídicas Humberto Verre, Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Vilma Pereira de Araújo, Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva. As impugnações apresentadas por Humberto Verre, Casa Verre e Santa Izabel foram julgadas improcedentes pela DRJ, que decidiu manter integralmente o lançamento. Contra essa decisão os mesmos codevedores interpuseram recursos voluntários. Nos recursos voluntários, os codevedores referidos apresentaram diversas alegações preliminares bem como alegações contra o mérito dos lançamentos. Reclamaram que o Fisco adotou como um dos pressupostos do lançamento a interposição da pessoa jurídica autuada para dissimular os reais beneficiários dos pagamentos feitos pelo DETRAN/SP. Nesse sentido, defenderam que a lavratura teria que ser efetuada em nome das pessoas que efetivamente foram favorecidas com os depósitos e não naquelas que apenas "emprestaram" suas contas bancárias para trânsito dos recursos. Acrescentaram não fazer sentido que os supostos pagamentos sejam a causa do lançamento e ao mesmo tempo sirvam para fundamentar a responsabilização das recorrentes. Ao apreciar as defesas, o colegiado a quo entendeu que estava caracterizada a responsabilidade tributária de Humberto Verre apenas com base no art. 135, III, do CTN, afastando aquela imputada com fundamento no art. 124, I, sob a seguinte justificativa: Fl. 4234DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 911 9 Explicando melhor, uma sociedade quando pratica o fato gerador faz nascer uma relação jurídica entre ela e a Fazenda, passando a ser sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. O mesmo não se pode dizer do sócio, posto que este não faz parte da relação tributária, portanto, não é correto afirmar que a pessoa física integrante do quadro social da empresa possua "interesse comum" na situação que configure o fato gerador. Percebese assim que, embora o sócio possua interesse econômico na consecução dos fins empresariais, não há de sua parte o interesse jurídico exigido para caracterizar a solidariedade tratada no inciso I do art. 124 do CTN. [...] Feitas essas considerações, entendo que deva ser afastada a responsabilidade solidária de Humberto Verre com base no inciso I do art. 124 do CTN. Passo agora a apreciar a outra fundamentação legal lançada no Termo de Sujeição Passiva, o inciso III do art. 135 do CTN: [...] O inciso III do art. 135 do CTN, que trata de responsabilidades de terceiros, vincula como responsáveis pelo crédito os diretores, gerentes ou representantes das empresas, quando a obrigação de pagar o tributo decorrer de atos praticados com excesso de poderes ou mediante infração à lei ou aos atos constitutivos da sociedade. No presente lançamento observase claramente que houve burla à lei comercial e à lei tributária no repasse ao recorrente da gestão de parte da empresa autuada. Embora esse fato seja negado com veemência, as provas indicam que Humberto Verre, no anocalendário de 2008, administrava a empresa Cordeiro Lopes nos negócios realizados no Estado de São Paulo, conforme fartamente demonstrado pelo fisco. Nesse sentido é evidente que a administração da empresa autuada era feita em evidente afronta ao seu contrato social da autuada, posto que Humberto Verre, que efetivamente geria o contrato com o DETRAN/SP e outros, era estranho ao seu quadro social. Observese que o acordo de cessão do nome da empresa autuada para participar de licitação em São Paulo foi subscrito por pessoa que sequer era sócio desta, em total afronta ao estatuto empresarial. No que se refere ao coobrigado Casa Verre Industria e Comércio, mantevese a responsabilização, pelos fundamentos abaixo: Pelos mesmos fatos narrados no TSPS lavrado contra seu sócio, a Casa Verre foi arrolada como devedora solidária, porém, com fundamento apenas no inciso I do art. 124 do CTN, em razão da existência de interesse comum na situação que configura o fato gerador. As razões do recurso desta solidária são idênticas a daquelas constantes no recurso do seu sócio, donde se conclui que não têm força para afastar as provas substanciosas trazidas pelo fisco. A colocação da pessoa jurídica na condição de devedora solidária me parece bastante plausível. Aí se nota um esforço conjunto na realização das condutas que deram ensejo à ocorrência do fato gerador. Fl. 4235DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 912 10 Observe que a Casa Verre é que mantinha relação com o DETRAN/SP, mediante seus funcionários, além de que estes representavam a autuada perante instituições bancárias, além de emitir as notas fiscais de prestação de serviços e venda de mercadorias. Não há dúvida que a Casa Verre funcionava não como prestadora de serviço da Cordeiro Lopes, mas representava uma verdadeira extensão dos negócios da autuada no Estado de São Paulo. Assim fico seguro para afirmar que neste caso o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador ocorreu, posto que Cordeiro Lopes e Casa Verre atuaram conjuntamente na consecução das atividades que geraram as receitas sobre as quais incidiram as autuações fiscais. Concluo que deve ser mantida no pólo passivo a empresa Casa Verre. Finalmente, foi exonerada a responsabilidade tributária do coobrigado Santa Izabel Administração e Participações porque a turma entendeu que a única forma de participação da Santa Izabel demonstrada nos autos foi o recebimento dos recursos repassados pela autuada, de forma que identificouse apenas um interesse econômico, e não o interesse jurídico exigido pelo inciso I do art. 124 do CTN. Contra essa decisão a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial apontando divergência jurisprudencial em relação aos seguinte tema: Exoneração da responsabilidade solidária de Humberto Verre e de Santa Izabel Administração e Participações, fundada no inciso I do art. 124 do CTN. Indicou como paradigmas o Acórdão nº 1402001.729 e o Acórdão nº 1301001.644, que deduziram as seguintes ementas: Acórdão nº 1402001.729 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA PARA EMISSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se Fl. 4236DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 913 11 deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, portaria da Secretaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil ampara plenamente a delegação de competência de titular da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização para Chefe de Divisão de Fiscalização da Delegacia para emissão de MPF. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os sócios e os administradores da empresa, bem como os mandatários, prepostos e empregados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas reais beneficiárias das receitas omitidas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. Fl. 4237DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 914 12 O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte, nos termos da legislação de regência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Acórdão nº 1301001.644 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e/ou jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI 9.430/96, ART.42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configuram omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ainda, inexistindo escrituração contábil, pela ausência de livros contábeis e fiscais, sobre a receita omitida apurada de ofício com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras impõese a Fl. 4238DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 915 13 aplicação de ofício do regime de apuração do lucro denominado lucro arbitrado. Nas razões meritórias, a recorrente, em síntese, observa que a co responsabilização dos sujeitos passivos, fundada no interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador tributário, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, restou demonstrada nos autos, em razão da constatação de que tanto a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda quanto Humberto Verre foram beneficiados com os repasses oriundos de atividades ilícitas realizadas no âmbito da empresa autuada, inclusive com a prática de atos simulados e envolvendo interpostas pessoas. Assinala que ambos os codevedores tinham plena consciência das atividades ilícitas perpetradas pela empresa autuada, eis que todas as empresas envolvidas estavam sob a direção do Sr. Humberto Verre que também era o administrador de fato da autuada. E conclui ser cabível sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, I, do CTN, por estar presente o “interesse comum”. Pede ao final pelo conhecimento e provimento do recurso com a reforma do acórdão recorrido, restabelecendose a responsabilidade integral das pessoas físicas e jurídicas arroladas como sujeitos passivos solidários. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido pelo despacho de admissibilidade de efls. 4.109/4.117. Todos os arrolados como coobrigados foram cientificados da admissibilidade e não apresentaram contrarrazões. Os coobrigados Casa Verre Comércio e Distribuição Eireli e Humberto Verre interpuseram, tempestivamente e em conjunto, Recurso Especial (efls. 4.142/4.194) visando rediscutir as seguintes matérias em relação às quais alegavam divergência jurisprudencial: i) Responsabilidade Solidária de Humberto Verre Artigo 135 do CTN. Indicou como paradigmas o Acórdão nº 1302001.322 e o Acórdão nº 2402004.843; ii) Responsabilidade Solidária de Casa Verre Artigo 124, inciso I do CTN. Indicou como paradigma o Acórdão nº 2401002.952. O Recurso Especial dos codevedores não foi admitido, como consignou o despacho de exame de admissibilidade de efl. 4.201/4.212. Esse despacho não foi agravado. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Preliminarmente Fl. 4239DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 916 14 Esclareçase que, atualmente, a competência para julgar litígios que versem sobre Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do que dispõe o art. 2º, III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria nº 329, de 2017: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF),quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, e por restar caracterizada a divergência jurisprudencial quanto ao tema responsabilidade solidária por interesse comum, o recurso é conhecido nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 4.109/4.117. Mérito Como relatado, a autuação por omissão de receita foi objeto de lavratura de autos de infração de IRPJ e reflexos no processo 19515.722729/201219. O crédito tributário lá constituído foi integralmente mantido, assim como a imputação da responsabilidade solidária a todos os coobrigados, com decisão definitiva na esfera administrativa e encaminhamento dos autos à PFN, que já ajuizou execução fiscal contra os devedores, conforme consulta ao sistema Comprot (www.comprot.fazenda.gov.br). Nos presentes autos, no mérito, tratase de reapreciar a procedência da imputação da responsabilidade tributária pelo crédito tributário aos coobrigados Humberto Verre e Santa Izabel Administração e Participações, por interesse comum, com base no art. 124, I, do CTN. Em relação ao primeiro coobrigado (Humberto Verre), foi mantida a imputação da responsabilidade tributária fundamentada no art. 135, III, do CTN, em caráter definitivo na esfera administrativa de julgamento, uma vez que o recurso especial contra esse tema não foi admitido e não houve interposição de agravo. Considerandose que não há como solucionar o litígio sem a descrição detalhada dos fatos que levaram à presente exigência, tomo por empréstimo alguns trechos do que foi exposto na decisão de primeira instância, sintetizados a seguir: Para dar cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em nome de CORDEIRO LOPES & CIA LTDA., os agentes fiscais compareceram ao endereço cadastral da empresa na cidade de São Paulo e encontraram o edifício vazio. Nos cadastros internos apurou se que o quadro societário da empresa era formado por Vilma Pereira de Araújo na condição de sócia administradora e representante legal e Lúcia Aparecida Lopes da Silva sócia. Mas, no período fiscalizado anocalendário 2008 o quadro societário era constituído por Lúcia Aparecida Lopes da Silva e por Rodrigo Rodrigues da Silva (filho de Lúcia). A modificação no quadro societário ocorreu em 5/2009 com a entrada de Vilma e a retirada de Rodrigo. Fl. 4240DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 917 15 As intimações lavradas em nome da sócia e administradora Vilma não foram atendidas. A auditoria fiscal obteve as seguintes informações de Lúcia Aparecida Lopes da Silva: É domiciliada na cidade de São José/SC, onde estava localizada a matriz da contribuinte fiscalizada até a 16a. Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social da empresa, datada de 04/12/2009, que alterou o endereço da matriz para São Paulo e encerrou as atividades do estabelecimento de Santa Catarina. Segundo a cláusula 22 dessa Alteração Contratual a administração e a representação da empresa caberia exclusivamente à outra sócia – Sra. Vilma Pereira de Araújo. O gerenciamento e administração das filiais do Estado de São Paulo, cujo objeto era um contrato firmado com o Detran/SP, competia ao Sr. Humberto Verre, que era o beneficiário dos recursos financeiros provenientes deste negócio, sendo, ainda, a Sra. Vilma Pereira de Araujo a procuradora legalmente constituída para representar a empresa, e a Sra. Sônia Regina Perez Sandoval a administradora de fato. Acostou cópia do documento denominado “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso” (fls. 318/323), de 26/03/2009, assinado por ela, Valdemir Rodrigues da Silva, Rodrigo Rodrigues da Silva, Humberto Verre e Vilma Pereira de Araujo, no qual em linhas gerais, acordaram que a empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda seria dividida em 2 partes: A primeira, compreendida pelo estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficaria sob responsabilidade de Valdemir Rodrigues da Silva e a segunda, integrada pelas demais filiais localizadas no Estado de São Paulo, estaria sob responsabilidade de Humberto Verre. Cada uma destas pessoas ficaria responsável por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos. Ainda no supracitado documento, em sua cláusula 8.1, o Sr. Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender o contrato com o Detran/SP Edital n° 20/2005, datado de 14/02/2006, cujas obrigações e resultados a ele pertenceriam, desde a assinatura desse mencionado contrato, sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras. O retrocitado documento, em sua cláusula 8.V, registra que os subscritores declaram e assumem total responsabilidade, sob perdas e danos, que o “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso” não poderá, em hipótese alguma, ser divulgado a terceiros, sejam eles quem forem, devendo ser mantido em sigilo comercial entre as partes. Procuração, de 14/02/2006, foi concedida pelo sócio Rodrigo Rodrigues da Silva à Sra. Vilma Pereira de Araújo, com outorga de amplos poderes para administrar a empresa, apresentada pelos bancos intimados por RMF (já que havia sido lavrado termo de embaraço à fiscalização em virtude da não localização da empresa e de seus sócios). Fl. 4241DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 918 16 Posteriormente localizada, a sócia Vilma Pereira de Araújo tentou eximirse de responsabilidade atribuindo à sócia Lúcia o encargo de apresentar os elementos solicitados pela fiscalização. Mas os autuantes não aceitaram os esclarecimentos e justificativas da Sra. Vilma Pereira de Araújo, de que não era sócia nem administradora da empresa fiscalizada à época dos fatos, e não estaria com a posse dos documentos até então solicitados, haja vista as informações e documentos até então obtidos, que contradizem os fatos relatados, tais como Procuração com outorga de amplos poderes à Sra. Vilma para administrar a empresa desde 2006 e a assinatura da Sra. Vilma Pereira de Araújo aposta em vários cheques emitidos pela Cordeiro Lopes no decorrer de 2008, bem como solicitações de transferências bancárias. Ofício foi enviado ao Diretor do Departamento de trânsito do Estado de São Paulo (Detran/SP – fl. 487 – ciência em 11/07/2012 – fl. 488), com solicitação de informações a respeito de datas e valores efetivamente pagos à empresa fiscalizada no decorrer do ano calendário 2008, em decorrência de contratos de fornecimento de produtos (placas, tarjetas) e de prestação de serviços (emplacamento, lacração, etc) celebrados com o Órgão. Em resposta, o Detran/SP encaminhou relação individualizada de todas as Notas Fiscais de venda de mercadorias e serviços emitidas pela Cordeiro Lopes & Cia Ltda em 2008. Os documentos fiscais estão distribuídos em 09 Contratos (n°s 01 a 09), todos oriundos do Pregão n° 20/2005 do Detran/SP, realizado em 04/01/2006, em cujo Anexo II do Edital era subdividido o escopo de fornecimento de materiais e serviços em 9 lotes/regiões que abrangem o interior do Estado de São Paulo Apurouse que o valor total da receita auferida pela CORDEIRO LOPES & CIA LTDA com esses contratos no anocalendário de 2008 foi de R$ 33.552.754,77, recebidos exclusivamente por meio do Banco Nossa Caixa, Agência 374, c/c 27961, sendo que os pagamentos eram realizados por meio do SIAFEM (Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios) e lançados nos respectivos extratos bancários. Em relação às demais contas bancárias sem vinculação de créditos com o Contrato/Detran/SP, a fiscalização constatou ingressos no montante de R$ 12.808.932,12 Uma vez que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes foram apresentados os valores creditados em contas bancárias da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. não comprovados foram considerados não escriturados, destacandose que a pessoa jurídica foi receptora de créditos bancários, no anocalendário 2008, no valor de R$ 46.361.686,89. Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário 2008 (exercício 2009) foi declarada receita bruta de R$ 12.698.500,62. Sobre as diligências nas empresas beneficiárias de repasses da Cordeiro Lopes: A partir da análise dos cheques, TED e transferências debitados das contas correntes da empresa fiscalizada, apresentados pelas instituições financeiras em atendimento às RMF, constatou a fiscalização o repasse de vultosas quantias a empresas beneficiárias de grande parte dos recursos provenientes das contascorrentes da autuada, dentre elas a Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda, ambas tendo o mesmo domicílio tributário e o mesmo sócio majoritário, o Sr. Humberto Verre. Fl. 4242DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 919 17 Os autuantes apuraram que para essas duas empresas fora repassada grande parte dos recursos pagos pelo Detran/SP à CORDEIRO LOPES. O Detran/SP efetuava o depósito dos valores na contacorrente do banco Nossa Caixa (Ag. 374 C/C 27961). No mesmo dia esses recursos eram transferidos para duas contascorrentes no Banco Bradesco de titularidade da própria Cordeiro Lopes (Ag.165 e C/Cs 98185 e 98200), e finalmente, na mesma data, eram transferidos para contascorrentes das empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda. Ambas as empresas foram intimadas a esclarecer a origem dos valores transferidos pela Cordeiro Lopes e Cia Ltda. para suas contascorrentes responderam informando que não fora possível encontrar toda a documentação solicitada e apresentaram algumas notas fiscais que somaram (juntas) o valor de R$ 2.518.225,75. Contudo, não foi efetuada a correlação entre essas notas fiscais apresentadas e os respectivos recebimentos, tornando impossível identificar as notas fiscais como origem dos pagamentos. Por outro lado, as transferências da Cordeiro Lopes totalizaram R$ 23.286.110,18 para a Casa Verre e R$ 11.805.000,00 para a Santa Izabel. Dada a declaração das empresas diligenciadas, que não esclareceram os motivos que justificassem os valores recebidos da Cordeiro Lopes, não foi possível à auditoria apurar a causa efetiva das operações que deram origem aos pagamentos feitos pela Cordeiro Lopes às outras duas empresas. A fiscalização, então, efetuou o lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com supedâneo no art. 674 do RIR/1999. A base de cálculo para apuração do tributo foi calculada tendo como parâmetro o valor dos repasses concretizados com reajustamento das bases, em consonância com o § 3º do art. 674 do RIR/1999. Referido crédito tributário encontrase definitivamente constituído em face da pessoa jurídica Cordeiro Lopes & Cia Ltda. Sobre o uso de interposta pessoa: Considerou a fiscalização que a empresa Cordeiro & Lopes Cia Ltda foi utilizada para encobrir a(s) identidade(s) do(s) real(ais) beneficiários dos recursos financeiros oriundos dos contratos firmados com o Detran/SP (001 a 009/2006), resultantes da licitação referente ao Pregão 20/2005. Esses beneficiários seriam o Sr. Humberto Verre e suas empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda. Isto porque no final de 2005 os sócios da Cordeiro & Lopes Cia Ltda celebraram um acordo com Humberto Verre, no qual seria cedido o nome da empresa para participação de licitação junto ao Detran/SP (edital de pregão presencial n° 20/2005, procedimentos n° 258.4816/2005 de 14/02/2006). Feito o acordo, foi outorgada procuração com poderes ilimitados à Sra. Vilma Pereira de Araújo (funcionária à época da Casa Verre) para administrar a Cordeiro Lopes. Vencido o processo licitatório firmaramse os contratos entre Cordeiro Lopes e o DETRAN/SP, sendo os atos destes contratos totalmente geridos pela Casa Verre. Vários imóveis, máquinas e equipamentos foram locados pelo Sr. Humberto Verre, em nome da Cordeiro Lopes, através da procuradora da empresa, a Sra. Vilma. Isto se deu em razão do acordo anteriormente firmado que estabeleceu que Humberto Verre ficaria responsável Fl. 4243DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 920 18 por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender o contrato com o Detran/SP edital n° 20/2005, cujas obrigações e resultados a ele pertenciam, desde a assinatura desse mencionado contrato, sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras. Corroborando os fatos, foi apresentada denúncia crime pelo Ministério Público Federal em São Paulo contra os Srs. Humberto Verre, Rodrigo Rodrigues da Silva, Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva, Vilma Pereira de Araújo entre outros, pelos crimes de Fraude em Licitação e Formação de Quadrilha (fls. 3257/3281). Resumidamente, esta peça denuncia que o grupo chefiado pelo Sr. Humberto Verre fraudou, mediante ajuste, o caráter competitivo do procedimento licitatório do Pregão n° 20/2005 do Detran/SP, fazendoo com o intuito de obter vantagem decorrente da adjudicação do objeto de licitação. Essa licitação visava a contratação de empresas para a fabricação, entrega, depósito, estocagem, guarda e fornecimento de placas e tarjetas identificatórias de veículos automotores e outros tracionados e prestação de serviços de mão de obra para emplacamento, lacração e relacração, abrangendo todas as unidades de trânsito do Estado de São Paulo. Consta que nessa licitação cinco empresas participantes, que incluíam a Casa Verre e a Maxi Placas, de propriedade do Sr. Humberto Verre, ajustaram os seus preços de forma a possibilitar a vitória, nesse processo, da empresa Centersystem Indústria e Comércio Ltda para o lote 10 (relativo à área da Capital), e da empresa Cordeiro Lopes para os lotes 01 a 09 (relativos às demais áreas do Estado de São Paulo). Consta, ainda, que a empresa Cordeiro Lopes, após sairse vencedora da licitação, "cedeu", no dia 10/01/2006, o objeto da licitação ao Sr. Humberto Verre e sua esposa Heloísa Verre, quando da celebração de um "pacto secreto" (apreendido em decorrência de Mandado de Busca e Apreensão na Casa Verre) com Rodrigo Rodrigues da Silva, Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Valdemir Rodrigues da Silva. Esse "pacto secreto" ao que tudo indica seria o já mencionado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso" apresentado a esta fiscalização pela própria Sra. Lúcia Aparecida. Esse grupo também foi denunciado por fraude na execução dos contratos n°s 01/06 a 09/06, decorrentes do Pregão n° 20/2005 do Detran/SP, devido ao superfaturamento no fornecimento de mercadorias e serviços consignados nos relatórios mensais elaborados pelo grupo e apresentados à Divisão de Administração do Detran. Finalmente esse grupo foi denunciado por se associar em quadrilha ou bando para o fim de cometer os crimes mencionados. Constatouse em diligências efetuadas nas empresas beneficiárias dos recursos transferidos pela Cordeiro Lopes, que no decorrer do ano 2008, que cerca de 80% de todos os créditos recebidos pela empresa fiscalizada, seja do Detran/SP ou de outros clientes, eram repassados às empresas Casa Verre e Santa Izabel. No caso dos créditos efetuados pelo Detran/SP, mais de 70% desses recursos eram transferidos para as duas empresas no mesmo dia do pagamento pelo Órgão Público Estadual, após transitarem por contascorrentes de titularidade da Cordeiro Lopes junto aos bancos Nossa Caixa e Bradesco. Nas diligências efetuadas nas duas empresas beneficiárias, dos R$ 35.091.110,18 repassados pela Cordeiro Lopes, aquelas justificaram apenas R$ 2.518.225,75, Fl. 4244DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 921 19 que seriam oriundos de vendas mercadorias da Casa Verre para esta última. Este valor foi comprovado através de apresentação de notas fiscais de emissão da Casa Verre. Em relação aos restantes R$ 32.572.884,43, nada foi esclarecido. Ambas empresas beneficiárias eram controladas por Humberto Verre e sua família, o primeiro como administrador. Outro indício da utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e suas empresas, seria o próprio endereço da empresa fiscalizada. O domicílio fiscal da Cordeiro Lopes seria a Rua Itanhaém, 513, Vila Prudente, São Paulo/SP. Já os endereços da Casa Verre e Santa Izabel seriam na mesma rua, porém no n° 538 (mais precisamente, o endereço da Santa Izabel seria na "sala 1" do n° 538). Os imóveis estão localizados um de frente ao outro. No próprio endereço residencial do Sr. Humberto Verre (Av. Salim Farah Maluf, 6236) está localizada a portaria principal da empresa Casa Verre, cujo terreno, ao fundo, alcança a Rua Itanhaém, 538. A auditoria entendeu que o conjunto probatório indica ocorrência de um esquema fraudulento de simulação. Este negócio simulado consistia na utilização da empresa Cordeiro Lopes para vencer licitações, realizar negócios com o Detran/SP e sonegar tributos, porém, o desenvolvimento das atividades era realizado com a estrutura (maquinário, imóveis), funcionários e exfuncionários da empresa Casa Verre. No esquema fraudulento, conforme documento assinado de próprio punho, os papéis de cada um seriam: o Sr. Humberto Verre, como mentor e principal beneficiário do esquema, Vilma Pereira de Araújo, como procuradora e administradora de fato da Cordeiro Lopes, e a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e família (Valdemir Rodrigues da Silva (marido) e Rodrigo Rodrigues da Silva (filho)) como "laranjas" (remunerados como se verá a seguir) e administradores do estabelecimento da Cordeiro Lopes de São José/SC. Este "acordo secreto", formalizado por meio do documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", seria o próprio negócio dissimulado, ou seja, o negócio efetivamente pretendido pela vontade de todas as partes envolvidas. Dessa forma ficou comprovada através de inúmeros elementos documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Além de tudo, a Cordeiro Lopes & Cia Ltda. foi baixada de ofício por dissolução irregular nos cadastros do CNPJ na RFB, porque não foi localizada em seu endereço cadastral e deixou de apresentar DIPJ a partir do anocalendário 2009, DCTF a partir de 03/2010 e DACON a partir de 04/2010. Estes foram os fatos. Como já consignado anteriormente, a imputação de responsabilidade tributária pessoal a Humberto Verre com base no art. 135, III, do CTN foi mantida por decisão já transitada em julgado nesta esfera administrativa de julgamento. Resta saber se, diante do quadro descrito, é cabível também a Humberto Verre a imputação de responsabilidade solidária com base no interesse comum, prevista no art. 124, I, do CTN, além de imputar a mesma responsabilidade à empresa de sua propriedade, Santa Izabel Administração e Participação Ltda. Fl. 4245DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 922 20 O tema "responsabilidade solidária por interesse comum" é bastante controvertido no âmbito da doutrina e também da jurisprudência, mormente a administrativa. Referida "solidariedade" é tratada no art. 124, I, do CTN, tomado como base legal para imputar a Humberto Verre e a Santa Izabel Administração e Participação Ltda. a responsabilidade solidária pelo implemento do crédito tributário constituído em face de Cordeiro Lopes & Cia Ltda., com base no "interesse comum". Há aqueles que defendem, inclusive, que o art. 124 sequer trataria de responsabilidade tributária, uma vez que não foi alocado no capítulo específico sobre o assunto, no Código Tributário Nacional. Com efeito, o art. 124, do CTN foi alocado no Capítulo IV, que trata do "Sujeito Passivo", e encontrase na "Seção II Solidariedade" Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. No âmbito civil, o Código Civil de 2002 já passou a identificar obrigações como solidárias, de modo que, a partir do surgimento de um vínculo externo à própria obrigação, os coobrigados unemse de modo a configurar um todo homogêneo, possibilitando a cobrança da dívida de qualquer um dos devedores. Observemse os seguintes dispositivos: Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Voltando à seara tributária, de acordo com a mais abalizada doutrina, a expressão “interesse comum” há de ser considerada somente nas situações em que se verifique existente a comunhão na posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária. É necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas, sim, jurídico Fl. 4246DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 923 21 O Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”. Confirase: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato, a copropriedade élhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo Fl. 4247DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 924 22 da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível (**). 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (REsp 884.845/SC (2006/02065654), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, DJe 18/02/2009 – grifos nossos). (*) destaques do original (**) destaques acrescidos Em face dessas premissas, passase a analisar o caso em concreto. É certo que, como se viu, o interesse comum não é representado pelo interesse econômico ou pelos ganhos financeiros com a situação que constitui o fato gerador. O interesse comum é o interesse jurídico, vinculado à atuação conjunta na situação configuradora do fato gerador. E, justamente nesse contexto, entendo que a auditoria comprovou à exaustão o interesse jurídico entre Humberto Verre e Santa Izabel Administração e Participação Ltda. na situação que constituiu o fato gerador do IRRF. A Cordeiro Lopes & Cia Ltda. foi interposta para ocultar que os verdadeiros intervenientes, participantes no negócio jurídico celebrado com o DETRAN/SP, eram Humberto Verre e suas as empresas a Casa Verre e a Santa Izabel Administração e Participação Ltda.. A primeira, a Casa Verre, a operacional fornecendo toda a estrutura necessária para a venda dos produtos e dos serviços ao DETRAN/SP, através da Cordeiro Lopes e a segunda, Santa Izabel, a patrimonial, destinada a acolher os frutos financeiros obtidos com toda a operação. Fl. 4248DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 925 23 Toda a atuação se deu em conjunto e os autos demonstram claramente que os sócios de fato valeramse de artifícios para se esquivar das obrigações tributárias, com utilização de elementos fictícios e ardilosos. Durante esse período o Sr. Humberto Verre e, por consequência, sua empresa patrimonial, a Santa Izabel Administração e Participação Ltda., foram os principais interessados e beneficiários das vendas de mercadorias e serviços da Cordeiro Lopes ao DETRAN/SP. Além disso, ficou demonstrado que o Sr. Humberto Verre, além de ter participação ativa na administração da Cordeiro Lopes no período fiscalizado, sendo a prova determinante o documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", em que há verdadeira confissão de Humberto Verre, a respeito de sua atuação central na idealização, implementação e gerenciamento de todo o esquema fraudulento de utilização da empresa Cordeiro Lopes como pessoa jurídica intermediária no entendimento da auditoria fiscal, verdadeira interposta pessoa para a realização de vendas de mercadorias e serviços ao DETRAN/SP. Nesse acordo "secreto" com Humberto Verre, ficou estabelecido que seria cedido o nome da empresa para participação de licitação junto ao DETRAN/SP. Com efeito, Humberto Verre e suas empresas eram, de fato, os efetivos gestores e beneficiários dos negócios da Cordeiro Lopes & Cia Ltda., no decorrer do ano de 2008. Dos fatos acima expostos restou evidenciado que Humberto Verre, muito além de atuar como sócio de fato da empresa autuada no que tange aos referidos contratos, engendrou esquema fraudulento para se locupletar (ele e suas empresas) com valores indevidos. Ora, o interesse jurídico resta caracterizado na medida em que a situação de fato revela que Humberto Verre, Santa Izabel Administração e Participações Ltda., além dos demais sócios e empresas envolvidos, em atuação coletiva, empreenderam atos que se subsumiram à norma tributária. Por coincidência, a situação narrada nos autos que constitui o fato gerador do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados é o próprio pagamento. E essa situação pagamento é exatamente o interesse jurídico, o liame que une a Cordeiro Lopes, Humberto Verre, Santa Izabel Administração e Participação Ltda. e os demais responsáveis. No presente caso foi imprescindível a participação de Humberto Verre e de Santa Izabel Administração e Participação Ltda. na situação que constituiu o fato gerador do IRRF. Sem essa participação ostensiva os fatos não teriam se desenrolado da mesma forma como aconteceram e talvez sequer tivesse ocorrido o fato gerador do IRRF. Restou comprovada nos autos, para além de qualquer dúvida, a participação ativa, individual e unida de todos os responsáveis solidários na prática dos ilícitos tributários descobertos no âmbito da ação fiscal, e criminais desbaratados pelo Ministério Público amplamente divulgados na mídia. Verificase, portanto, não somente a existência do interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa, como acontece em regra para qualquer sócio. Há aqui nitidamente o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador a receita, o lucro já que com essa estruturação toda, Humberto Verre auferiu receitas e rendimentos que o beneficiariam financeiramente, assim como a sua empresa patrimonial, a Santa Izabel uma vez que se locupletam dessas situações jurídicas, sem maiores formalidades. Fl. 4249DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 9101003.889 CSRFT1 Fl. 926 24 É dizer: todos os sujeitos realizaram conjuntamente a situação que constitui o fato gerador do IRRF sobre pagamentos sem causa. Conclusão Por todos estes fundamentos, entendo que deve ser reformada, em parte, a decisão do colegiado a quo, para restabelecer a imputação da responsabilidade solidária a Humberto Verre e a Santa Izabel Administração e Participação Ltda., ambas com base no interesse comum, prevista no art. 124, I, do CTN. Nesse sentido, voto por DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 4250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679825/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 14/12/2006
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/12/2006 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 25 /2 01 1- 16 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.679825/201116 Acórdão n.º 3302005.976 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.733, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679825/201116 Acórdão n.º 3302005.976 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.679825/201116 Acórdão n.º 3302005.976 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679825/201116 Acórdão n.º 3302005.976 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679825/201116 Acórdão n.º 3302005.976 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679825/201116 Acórdão n.º 3302005.976 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.729325/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ARBITRAMENTO. INVESTIGAÇÃO PARCIAL DOS CUSTOS/DESPESAS.
Restringindo-se a investigação fiscal a somente alguns itens de custos e despesas e que representam pouco mais de um sexto dos dispêndios informados em DIPJ e dos quais uma parte restou comprovada, descabe o arbitramento procedido Pelo Fisco, posto que não demonstrada a imprestabilidade da escrituração que pudesse levar à medida extrema.
Tendo a Autoridade Fiscal se limitado a aferir, apenas parcialmente, os custos/despesas escriturados pela contribuinte e em relação aos quais não encontrou documentação que lhes desse suporte, deveria ter mantido o regime de tributação adotado pela recorrente, no caso, o Lucro Real, e procedido à glosa de tais dispêndios.
ARBITRAMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELA AUTORIDADE FISCAL E AS RECEITAS CONTABILIZADAS/DECLARADAS. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA DA DIVERGÊNCIA.
A não apresentação de documentos visando esclarecer possível divergência constatada pela Autoridade Fiscal ao confrontar a receita de prestação de serviços apurada a partir de levantamento realizado junto à Prefeitura do Rio de Janeiro de notas fiscais de emissão do contribuinte, com a receita contabilizada/declarada, não autoriza, por si só, o arbitramento do lucro, mormente quando as notas fiscais levantadas constam da escrituração e a receita contabilizada/declarada é superior.
ARBITRAMENTO. RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
A falta de comprovação documental de receita de venda de imóveis registrada em contabilidade e tributada na DIPJ não justifica o arbitramento do lucro. Em havendo desconfiança de que as transações de vendas de imóveis teriam ocorrido em montante superior ao contabilizado/declarado, caberia à autoridade fiscal ter aprofundado a investigação junto aos cartórios, às instituições financeiras etc.
Não tendo adotado tal procedimento, incabível o arbitramento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento da CSLL as razões de decidir aplicadas ao lançamento do IRPJ, vez aquele é reflexo deste.
Numero da decisão: 1402-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 ARBITRAMENTO. INVESTIGAÇÃO PARCIAL DOS CUSTOS/DESPESAS. Restringindo-se a investigação fiscal a somente alguns itens de custos e despesas e que representam pouco mais de um sexto dos dispêndios informados em DIPJ e dos quais uma parte restou comprovada, descabe o arbitramento procedido Pelo Fisco, posto que não demonstrada a imprestabilidade da escrituração que pudesse levar à medida extrema. Tendo a Autoridade Fiscal se limitado a aferir, apenas parcialmente, os custos/despesas escriturados pela contribuinte e em relação aos quais não encontrou documentação que lhes desse suporte, deveria ter mantido o regime de tributação adotado pela recorrente, no caso, o Lucro Real, e procedido à glosa de tais dispêndios. ARBITRAMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELA AUTORIDADE FISCAL E AS RECEITAS CONTABILIZADAS/DECLARADAS. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA DA DIVERGÊNCIA. A não apresentação de documentos visando esclarecer possível divergência constatada pela Autoridade Fiscal ao confrontar a receita de prestação de serviços apurada a partir de levantamento realizado junto à Prefeitura do Rio de Janeiro de notas fiscais de emissão do contribuinte, com a receita contabilizada/declarada, não autoriza, por si só, o arbitramento do lucro, mormente quando as notas fiscais levantadas constam da escrituração e a receita contabilizada/declarada é superior. ARBITRAMENTO. RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A falta de comprovação documental de receita de venda de imóveis registrada em contabilidade e tributada na DIPJ não justifica o arbitramento do lucro. Em havendo desconfiança de que as transações de vendas de imóveis teriam ocorrido em montante superior ao contabilizado/declarado, caberia à autoridade fiscal ter aprofundado a investigação junto aos cartórios, às instituições financeiras etc. Não tendo adotado tal procedimento, incabível o arbitramento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao lançamento da CSLL as razões de decidir aplicadas ao lançamento do IRPJ, vez aquele é reflexo deste.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ARBITRAMENTO. INVESTIGAÇÃO PARCIAL DOS CUSTOS/DESPESAS. Restringindose a investigação fiscal a somente alguns itens de custos e despesas e que representam pouco mais de um sexto dos dispêndios informados em DIPJ e dos quais uma parte restou comprovada, descabe o arbitramento procedido Pelo Fisco, posto que não demonstrada a imprestabilidade da escrituração que pudesse levar à medida extrema. Tendo a Autoridade Fiscal se limitado a aferir, apenas parcialmente, os custos/despesas escriturados pela contribuinte e em relação aos quais não encontrou documentação que lhes desse suporte, deveria ter mantido o regime de tributação adotado pela recorrente, no caso, o Lucro Real, e procedido à glosa de tais dispêndios. ARBITRAMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELA AUTORIDADE FISCAL E AS RECEITAS CONTABILIZADAS/DECLARADAS. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA DA DIVERGÊNCIA. A não apresentação de documentos visando esclarecer possível divergência constatada pela Autoridade Fiscal ao confrontar a receita de prestação de serviços apurada a partir de levantamento realizado junto à Prefeitura do Rio de Janeiro de notas fiscais de emissão do contribuinte, com a receita contabilizada/declarada, não autoriza, por si só, o arbitramento do lucro, mormente quando as notas fiscais levantadas constam da escrituração e a receita contabilizada/declarada é superior. ARBITRAMENTO. RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A falta de comprovação documental de receita de venda de imóveis registrada em contabilidade e tributada na DIPJ não justifica o arbitramento do lucro. Em havendo desconfiança de que as transações de vendas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 93 25 /2 01 5- 91 Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.058 2 imóveis teriam ocorrido em montante superior ao contabilizado/declarado, caberia à autoridade fiscal ter aprofundado a investigação junto aos cartórios, às instituições financeiras etc. Não tendo adotado tal procedimento, incabível o arbitramento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento da CSLL as razões de decidir aplicadas ao lançamento do IRPJ, vez aquele é reflexo deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 4058DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.059 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela 4ª Turma da DRJ/REC em razão de decisão exarada no Acórdão nº 1153.999, sessão de 16 de setembro de 2016 (fls. 3994/4008)1, que exonerou crédito tributário acima do limite de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, exigindo, nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, o reexame necessário por este Colegiado. Os lançamentos de IRPJ e CSLL fixados nos autos de infração (fls. 278/312) reportamse ao anocalendário de 2011 e somam: Já as infrações foram assim descritas (AI de IRPJ fls. 283/284): 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.060 4 De acordo com o TVF (fls. 217/227), esta foi a acusação, conforme resumido pela decisão de 1º Piso: “2.1. foram apuradas divergências entre os valores da receita informados pelo contribuinte em sua contabilidade (SPED Contábil) e a totalização dos documentos fiscais obtidos junto à Prefeitura do Rio de Janeiro. Intimado a esclarecer tal fato, o contribuinte não apresentou resposta; 2.2. o contribuinte informou na DIPJ receita de R$ 3.076.009,95 relativa a venda de imóveis (conta 4101101001), porém, regularmente intimado a apresentar os contratos de compra e venda dos imóveis, as notas fiscais e documentos das venda ocorridas em 2011, não os apresentou, impossibilitando, inclusive, a apuração do custo do imóvel vendido; 2.3. em relação aos custos, o contribuinte informou na DIPJ o montante total de R$ 57.240.876,44, assim distribuídos: 2.4. intimado a apresentar a composição dos "outros custos", respondeu o que segue: 2.5. dos "Outros Custos", o contribuinte foi intimado a comprovar com notas fiscais, contratos e demais documentos de suporte os valores lançados a título de "Assistência Médica", "Cursos e Treinamentos", e "Vale Transporte". Em relação ao vale transporte, o contribuinte comprovou apenas R$ 854.252,80, não complementando os documentos mesmo após nova intimação. No que se refere aos custos de cursos e treinamentos e de assistência médica, os documentos apresentados foram satisfatórios; 2.6. em relação às contas Serviços Profissionais Contratados, 310200104 e 3201009001, correspondentes aos custos de "Serviços Prestados por Pessoa Fl. 4060DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.061 5 Jurídica", o contribuinte foi intimado por diversas vezes a apresentar notas fiscais de serviços emitidas por terceiros, contratos, pareceres, relatórios e demais documentos que comprovassem a efetividade da prestação dos serviços. O contribuinte apresentou somente o Razão das contas, bem assim contratos com a Préstimo Assistência Médica Ltda, cujo objeto é o serviço de exames ocupacionais, e com o Instituto Locus, para a formação de aprendizes. Não apresentou contratos firmados com demais prestadores de serviços, nem pareceres ou relatórios. As notas fiscais apresentadas trazem descrições genéricas do tipo: serviço de advocacia prestado (nota fiscal 00161 do Escritório de Advocacia Zveiter); serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (nota 006 da RJZ Engenharia); e serviços prestados referente a expert service (notas 86049, 87857 e 92874 da ADP Brasil Ltda). Por outro lado, no Razão das contas referidas, encontramse descrições dos serviços do tipo: "legais e cartoriais"; "advocatícios"; "assessoria e consultoria"; "buffet e eventos", dentre outros. Na descrição dos fornecedores dos serviços, encontramse cartórios, construtoras, prefeituras, pessoas jurídicas de outros ramos de atividade e diversas pessoas físicas. Assim, foi elaborada planilha anexa ao Termo de Intimação 7, para que o contribuinte apresentasse as notas fiscais (PJ) e recibos (PF), contratos de prestação de serviços, relatórios, pareceres e demais documentos para comprovar a efetividade dos serviços. Não foram apresentados quaisquer documentos; 2.7. para a conta 3102001007 "Programa de Alimentação do Trabalhador" , o contribuinte foi intimado a comprovar a adesão ao PAT e trazer os comprovantes de valores lançados, mas não apresentou qualquer documento; 2.8. além disso, o contribuinte foi intimado a trazer a documentação de suporte do lançamento de R$ 250.000,00 efetuado na conta 3201011001 "Despesas Gerais" em 28/02/2015. Também não apresentou documentação respectiva; 2.9. assim, por intermédio de diversos termos lavrados, o contribuinte foi intimado a apresentar notas fiscais por ele emitidas, os documentos de suporte dos lançamentos efetuados como custos e despesa, e a justificar divergências entre os valores de receitas constantes na contabilidade e os constantes dos documentos obtidos pela fiscalização. Em face da não apresentação de documentos da escrituração comercial e fiscal citados, impossibilitando a identificação do lucro real, não restou alternativa à fiscalização senão arbitrar o lucro nos termos do art. 530 do RIR/99 e dos arts. 47 da Lei nº 8.891, de 1995, e 1º da Lei nº 9.430, de 1996; 2.10. sobre esta receita bruta, obtida a partir das receitas de prestação de serviços lançadas na contabilidade, foi aplicado o percentual de 38,40% (= 32% + acréscimo de 20%) para determinar o lucro arbitrado na apuração do IRPJ, vez que a atividade principal da empresa constante de seu ato constitutivo se enquadra no inciso III do §1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995. Para a CSLL foi aplicado o percentual de 32% nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249/95, c/c o §1º, inciso III, do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995); 2.11. aos montantes acima obtidos foi somada a receita decorrente de venda de imóveis registrada em 31/12/2011, obtendose as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.062 6 2.12. foi aplicada multa agravada de 112,5%, na forma do inciso I do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, já que o contribuinte não atendeu intimação para prestar os esclarecimentos demandados. 3. Adicionalmente, baseado no disposto nos arts. 124 e 125 do Código Tributário Nacional (CTN), foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 275 a 277, onde a empresa Cyrela Brasil Realty S.A. Empreendimentos e Participações, CNPJ 73.178.600/000118, detentora de 99,99% do capital social do contribuinte Itaipava, foi conduzida à condição de sujeito passivo solidário”. Irresignada, a contribuinte acostou impugnação contestando o trabalho fiscal alegando, em preliminares, não ter recebido diversas intimações e sequer a cópia dos autos de infração e TVF, só conseguindo realizar sua defesa por ter sido alertada pelo sujeito passivo solidário arrolado. Também assentou preliminarmente ofensa ao artigo 142, do CTN. No mérito refuta cada item do TVF e pede provimento ao seu pedido. O Sujeito Passivo Solidário arrolado, Cyrela Brazil Realty S.A. Empreendimentos e Participações, igualmente apresentou impugnação requerendo sua exclusão do pólo passivo. Subindo os autos à apreciação da DRJ/REC a Turma julgadora, por unanimidade, deu provimento à impugnação, cancelando os lançamentos e, como consequência, afastou a responsabilização solidária, por perda de objeto. Excertos da decisão a quo mostram o quadro: “9. Conforme consta do auto de infração, o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal foi efetuado com base no disposto no art. 530, III do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; 10. Extraise do referido dispositivo que o contribuinte que, devidamente intimado, deixar de apresentar livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, estará sujeito à determinação da base de cálculo do IRPJ a partir do arbitramento do lucro. 11. Tratase de medida extrema que somente deve ser usada quando não for possível a apuração da base de cálculo pelo lucro real (ou presumido, conforme o caso), consoante jurisprudência consolidada na esfera administrativa: Fl. 4062DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.063 7 (...) Exatamente por se tratar de medida extrema, para que o arbitramento decorra da não apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, esta ausência deve ser capaz de impedir que a autoridade fiscal determine a base de cálculo do tributo pelo lucro real ou presumido, conforme o caso. 13. Na hipótese específica de não serem apresentados apenas os documentos em que se basearam a escrituração, tal omissão deve ser de tal monta a tornar imprestável a escrituração, pela falta de confiabilidade dos seus registros. 14. Assim, no presente caso tornase necessário analisar se foram atendidas os seguintes requisitos: (i) o contribuinte foi devidamente intimado; (ii) se efetivamente o contribuinte deixou de atender as intimações para apresentar livros e/ou documentos contábeis e fiscais, e (iii) se a ausência destes inviabilizou a apuração com base no lucro real (forma de tributação adotada pelo contribuinte). É o que se passa a fazer. 15. No que se refere às intimações, o contribuinte argumenta que ao mudar de intimação pessoal para por via postal, a autoridade fiscal preencheu o AR de forma incompleta, deixando de informar o nº da sala do edifício empresarial onde está localizado. Afirma que deixou de receber as intimações 5 a 8, que ficaram retidas na portaria, e que somente tomou ciência das intimações 3 e 4 por mero acaso. Informa, ainda, que também não recebeu os autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal, tomando conhecimento dos lançamentos apenas porque foi alertado pela empresa apontada como sujeito passivo solidário. Em razão disso, defende que não deu causa à ausência de comprovação de determinados custos e despesas e de justificação da diferença existente entre o montante das receitas de prestação de serviços contabilizado e o apurado pela autoridade fiscal. 16. Efetivamente nas intimações nºs 3 a 6 não foi indicado o nº da sala em que se localiza a sede do contribuinte, tendo sido as mesmas recebidas, por óbvio, por funcionário da portaria do condomínio empresarial. Todavia, o mencionado art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, com redação da Lei nº 9.532, de 1997, não exige que a ciência de recebimento da intimação seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço de seu domicílio tributário. (...) 23. Quanto à falta de apresentação de livros e/ou documentos solicitados nas intimações antes mencionadas, cabe esclarecer que a autoridade fiscal não apontou ausência de livros comercias e fiscais como fator justificador do arbitramento do lucro, até porque teve acesso à escrituração digital do contribuinte no SPED Contábil e ao Lalur apresentado em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 46 a 60). Na realidade, considerou que não foram apresentados os documentos que deram suporte a lançamentos efetuados como custos e despesas, e os documentos passíveis de justificar divergências apuradas entre as receitas de prestação de serviços registradas na contabilidade (e tributadas na DIPJ) e as informações obtidas junto à Prefeitura do Rio de Janeiro referentes às notas fiscais emitidas pelo contribuinte, bem assim a comprovar a receita escriturada a título de venda de imóveis. Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.064 8 24. Durante a fiscalização foi verificado que o contribuinte declarou o montante de R$ 57.240.876,44 a título de custos na DIPJ, assim distribuído: 25. Intimado a decompor os valores lançados como "Outros Custos" (Termo de Intimação nº 02), com indicação das respectivas contas contábeis, o contribuinte apresentou a composição abaixo. Destaquese, apenas como uma observação adicional, que a somatória do detalhamento (R$ 9.168.031,90) não corresponde exatamente ao montante declarado em "Outros custos", razão pela qual a somatória total dos custos desmembrados não coincide com a somatória dos custos declarados (acima indicados). Tal fato não foi apontado pela autoridade fiscal. 26. Conforme demonstrativo abaixo, do montante total registrado como custo, R$ 57.240.876,44, o contribuinte foi intimado a comprovar apenas algumas rubricas, no total de R$ 10.196.989,09 (coluna "Vlr investigado"), tendo atendido parcialmente as intimações: 27. Não resta dúvida de que o contribuinte não trouxe documentação que alicerçasse os registros contábeis relativos a alimentação do trabalhador, e não trouxe documentos suficientes para a comprovação dos registros de vale transporte e serviços prestados por pessoa jurídica ("serviços profissionais contratados"). Tal fato é reconhecido por ele em sua impugnação, em que pese apontar a falta de ciência das intimações como responsável por tal situação. 28. Além disso, o contribuinte declarou em sua DIPJ R$ 828.123,59 a título de despesas realizadas, tendo sido intimado a comprovar lançamento contábil na rubrica "despesas gerais" no valor de R$ 250.000,00 (Termo de intimação nº 07, item 2). Não apresentou qualquer documento, reputando novamente a falta de ciência da intimação como justificativa. Fl. 4064DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.065 9 29. Está claro, diante do exposto até aqui, que o contribuinte foi devidamente intimado a justificar documentalmente a divergência entre a receita de prestação de serviços contabilizada (declarada) e a apurada pela autoridade fiscal, a apresentar os documentos relativos ao registro de receita de venda de imóveis, e a comprovar determinados registros de custos e despesa, tendo, todavia, deixado de apresentar parte dos comprovantes solicitados. 30. Por outro lado, conforme já tratado, para concluir a análise quanto à subsunção do caso presente ao disposto no inciso III do art. 530 do RIR/99, falta apreciar se o último requisito foi atendido, ou seja, se a ausência destes documentos foi capaz de impedir que a autoridade fiscal determinasse a base de cálculo do tributo pelo lucro real ou presumido, conforme o caso, por tornar imprestável a escrituração pela falta de confiabilidade de seus registros. 31. Nesse ponto entendo que cabe razão ao contribuinte e permitome discordar da conclusão alcançada pela autoridade fiscal. 32. Consoante o demonstrativo antes elaborado, que resume o trabalho fiscal relativo à análise dos custos contabilizados/declarados, bem assim de acordo com as observações referentes ao registro de "despesas gerais", verificase que o contribuinte somente foi integralmente omisso na apresentação de documentos concernentes aos gastos com alimentação do trabalhador e com despesas gerais. No que se refere aos gastos com vale transporte e serviços profissionais contratados, foram carreados documentos pelo contribuinte, mas a autoridade fiscal entendeu que a comprovação foi apenas parcial, no primeiro caso, e que as provas foram insuficientes, no segundo caso. Além disso, o contribuinte logrou comprovar em sua totalidade os custos relativos a cursos e treinamentos e à assistência médica. 33. De um total de custos e despesas no montante de R$ 58.069.000,03 (=R$ 57.240.876,44 + R$ 828.123,59), a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar apenas a parcela de R$ 10.446.989,09 (17,99% do total), e este deixou de comprovar R$ 6.536.353,92 (11,26% do total). 34. Em suma, o contribuinte deixou de trazer documentos fiscais referentes a apenas 11,26% dos custos e das despesas gerais registrados na contabilidade/declarados, e, sob outro enfoque, deixou de comprovar integralmente apenas uma rubrica investigada e trouxe documentos, ora insuficientes, ora insatisfatórios, para outras duas rubricas. 35. Não vislumbro como a ausência de tais documentos podem justificar a conclusão pela falta de confiabilidade dos registros contábeis, e pela consequente impossibilidade de apuração do lucro real. Para tanto, seria necessário que a autoridade fiscal tivesse investigado mais rubricas que representassem uma parcela mais substancial dos custos e despesas deduzidos pelo contribuinte, e que para uma parcela considerável destes não fossem apresentados os documentos comprobatórios solicitados. 36. Não houve no presente caso qualquer fator impeditivo da recomposição da base de cálculo pelo lucro real, mediante a glosa das despesas e custos não comprovados. 37. Mesma conclusão se pode alcançar em relação à divergência entre as receitas contabilizadas e as apuradas pela autoridade fiscal. Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.066 10 38. Conforme averiguado durante a fiscalização, o contribuinte escriturou e tributou receitas de prestação de serviços (R$ 61.883.310,86) em montante superior àquele obtido a partir de circularização junto à Prefeitura do Rio de Janeiro. Comparandose, por amostragem, o Razão às fls. 228 a 270 e a listagem das notas fiscais emitidas pelo contribuinte obtidos junto à Prefeitura do Rio de Janeiro às fls. 192 a 213 (anexo ao Termo de Intimação nº 08), constatase que os valores presentes nesta listagem constam contabilizados, havendo, portanto, na escrituração, algumas receitas adicionais. 38. Ou seja, a autoridade fiscal não levantou rubricas de receitas mantidas à margem da escrituração; ao contrário, o contribuinte lançou mais receitas de prestação de serviços do que a apurada pela autoridade fiscal. Na espécie, os documentos que o contribuinte deixou de apresentar seriam para comprovar apenas as parcelas da receita de prestação de serviço escrituradas e declaradas adicionalmente àquelas levantadas pela autoridade fiscal (já contabilizadas e tributadas). 39. A meu ver, para desqualificar a contabilidade para fins de determinação do lucro real seria necessária a comprovação por parte da autoridade fiscal de que uma ou mais rubricas de receitas em montantes substanciais ficaram à margem da contabilidade, ou que, por exemplo, o contribuinte não manteve registros de sua movimentação financeira na sua escrituração. 40. Conforme visto, o presente caso é exatamente o oposto, não tendo havido omissão de receitas. Tanto é assim que a autoridade fiscal utilizou a receita contabilizada/declarada como receita bruta conhecida para fins de determinação do lucro arbitrado. Caso as receitas apuradas não integrassem o montante escriturado, ainda que parcialmente, estas teriam sido adicionadas ao montante contabilizado para apurarse a receita bruta; o que não ocorreu na espécie. 41. Por fim, no que se refere a receita de venda de imóveis registrada na contabilidade no montante de R$ 3.076.009,95, a autoridade fiscal não apurou a falta de tributação desta receita, vez que, ao contrário, esta integrou as receitas declaradas na Ficha 06A da DIPJ. Não se trata de receita mantida à margem da escrituração para não ser tributada. 42. Caso houvesse desconfiança de que as transações de vendas de imóveis teriam ocorrido em montante superior ao contabilizado/declarado, caberia à autoridade fiscal ter aprofundado a investigação junto aos cartórios, às instituições financeiras etc. Nesta hipótese, apurando falta de escrituração de parcela substancial de operações deste tipo, se analisadas em relação ao total das receitas auferidas, haveria uma justificativa para o arbitramento do lucro, haja vista a contabilidade não ser confiável para a determinação do lucro real. Porém não procedeu desta forma, não apontando qualquer receita omitida. 43. Conforme ressaltado no Termo de Verificação Fiscal, a ausência de comprovação das operações que deram causa a tal receita impediram a apuração do custo do(s) imóvel(is) vendido(s). Contudo, tal fato ensejaria, quando muito, a glosa dos referidos custos declarados e não o arbitramento do lucro. 44. Portanto, diante das considerações feitas, concluo ser indevido o arbitramento do lucro, para considerar improcedentes os lançamentos efetuados por erro na determinação das bases de cálculo. Fl. 4066DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.067 11 45. Em vista disso, os demais questionamentos presentes na impugnação do contribuinte, bem assim, os argumentos trazidos pelo sujeito passivo solidário quanto à sua responsabilização pelo crédito tributário, deixarão de ser apreciados neste voto, por terem perdido o objeto. 46. Estendese ao lançamento de CSLL as razões de decidir acima expostas em função deste ser reflexo do lançamento de IRPJ. 47. Voto, pois, pela procedência da manifestação de inconformidade para exonerar integralmente o crédito tributário constituído”. A decisão recorrida foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DE DESPESAS E CUSTOS. Por ser medida extrema, o arbitramento do lucro pela falta de apresentação de documentos fiscais que embasaram determinados registros contábeis de custos e despesas somente é aceitável quando os montantes não comprovados forem substanciais se comparados com o total deduzido na determinação do lucro líquido, acarretando falta de confiabilidade da escrituração e, por conseguinte, a impossibilidade de determinar com segurança a base de cálculo pelo lucro real. No presente caso, seria cabível apenas a glosa dos custos e despesas não comprovadas e a apuração do tributo a partir do lucro real. ARBITRAMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELA AUTORIDADE FISCAL E AS RECEITAS CONTABILIZADAS/DECLARADAS. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA DA DIVERGÊNCIA. A falta de apresentação de documentos para esclarecer divergência constatada pela autoridade fiscal ao confrontar a receita de prestação de serviços apurada a partir de levantamento realizado junto à Prefeitura do Rio de Janeiro de notas fiscais de emissão do contribuinte, com a receita contabilizada/declarada, não autoriza, por si só, o arbitramento do lucro, ademais quando as notas fiscais levantadas constam da escrituração e a receita contabilizada/declarada é superior. Tal situação não conduz a concluir pela falta de confiabilidade da escrituração e pela consequente impossibilidade de apuração do lucro real. ARBITRAMENTO. RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A falta de comprovação documental de receita de venda de imóveis registrada em contabilidade e tributada na DIPJ não justifica o arbitramento do lucro. Em havendo desconfiança de que as transações de vendas de imóveis teriam ocorrido em montante superior ao contabilizado/declarado, caberia à autoridade fiscal ter aprofundado a investigação junto aos cartórios, às instituições financeiras etc. Nesta hipótese, apurando falta de escrituração de parcela substancial de operações deste tipo, se analisadas em relação ao total das receitas Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.068 12 auferidas, haveria uma justificativa para o arbitramento do lucro, haja vista a contabilidade não ser confiável para a determinação do lucro real. Porém não procedeu desta forma, sendo incabível o arbitramento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento da CSLL as razões de decidir aplicadas ao lançamento do IRPJ, vez aquele é reflexo deste. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Embora tenha havido a desoneração integral dos valores lançados e, consequentemente, a exclusão do sujeito passivo solidário Cyrela Brasil Realty S.A. Empreendimentos e Participações do pólo passivo, este último apresentou peça nominada de “contrarrazões” (fls. 4038/4038) na qual pede a manutenção da decisão a quo e ressalta, caso isso não ocorra, que o processo retorne à 1ª Instância para julgamento das questões não apreciadas pelo acórdão de 1º Piso. É o relatório do essencial. Fl. 4068DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.069 13 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso de Ofício atende os requisitos fixados na Portaria MF nº 63, de 09/01/2017, pelo que o recebo e dele conheço. Como visto, a ação fiscal culminou com a lavratura de autos de infração de IRPJ e de CSLL na sistemática do arbitramento “Em face da não apresentação de documentos da escrituração comercial e fiscal citados no item anterior, impossibilitando a identificação do lucro real do período, não restou alternativa à fiscalização senão proceder a apuração do Imposto de Renda, devido trimestralmente no ano calendário de 2011, com base nos critérios do Lucro Arbitrado, conforme artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda e artigos 47 da lei 8.981/95 e 1° da lei 9430/96” (TVF fls. 223). De outro lado, a decisão a quo, que deu provimento à impugnação e afastou os lançamentos, realça que, pelo que consta dos autos, a medida do arbitramento não se sustenta posto que não comprovada a imprestabilidade da escrituração que pudesse levar a esta extrema medida. Consoante se vê na ementa acórdão de 1º Grau, “Por ser medida extrema, o arbitramento do lucro pela falta de apresentação de documentos fiscais que embasaram determinados registros contábeis de custos e despesas somente é aceitável quando os montantes não comprovados forem substanciais se comparados com o total deduzido na determinação do lucro líquido, acarretando falta de confiabilidade da escrituração e, por conseguinte, a impossibilidade de determinar com segurança a base de cálculo pelo lucro real. No presente caso, seria cabível apenas a glosa dos custos e despesas não comprovadas e a apuração do tributo a partir do lucro real”. Postos os fatos, passo ao voto. Como exaustivamente visto no relatório, a ação fiscal focou três pontos concretos: 1. Não comprovação de itens de custos, especificamente linha 47 Ficha 04A da DIPJ ex/2012 (anocalendário/2011), “Outros Custos”; 2. Conferência (cruzamento) do valor da receita constante na mesma DIPJ (Ficha 06A) com informações obtidas “junto à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (...) referentes às notas fiscais emitidas pelo contribuinte em 2011”. (TVF fls. 219); e, 3. Receita da venda de imóveis. Pois bem, em que pesem os argumentos desenvolvidos pela Autoridade Fiscal, penso que a razão está com a decisão a quo, com a qual perfilo e acompanho na argumentação, complementando com minha posição pessoal sobre a matéria aqui apreciada. Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.070 14 Preambularmente, cabe ver se a adoção do lucro arbitrado pelo Fisco em razão de uma possível “falta de apresentação de livros e documentos” (art. 530, III, do RIR/1999) se sustenta. Diz citado dispositivo regulamentar: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A literalidade gramatical dá a amplitude de levar ao arbitramento quando o contribuinte “deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal”, ou seja, não são apenas os livros que devem ser apresentados, sob pena de levar ao arbitramento, mas os documentos que dão suporte à escrituração, em suma, os que alimentam os registros que estão nos registros fiscais e contábeis. Em outras palavras, ainda tomando a oração gramatical em sua literalidade, a não apresentação ao Fisco de “documentos da escrituração comercial e fiscal” pode ser motivo para que o lucro seja arbitrado. Concretamente, só pode ter sido esta a motivação que levou ao arbitramento aqui tratado, posto que, inequivocamente (está comprovado nos autos), a contribuinte disponibilizou o livro Razão (além de outros documentos ) e o Fisco teve acesso ao SPED da pessoa jurídica, em última análise, à sua escrituração. Portanto, o fato que fez com que a Autoridade Fiscal determinasse os lançamentos com base no lucro arbitrado só pode ter sido a falta da apresentação de documentos que dão suporte aos registros fiscais e contábeis. Neste ponto, como bem pontuado pela decisão recorrida, imprescindível seja avaliado “se a ausência destes documentos foi capaz de impedir que a autoridade fiscal determinasse a base de cálculo do tributo pelo lucro real ou presumido, conforme o caso, por tornar imprestável a escrituração pela falta de confiabilidade de seus registros”. É sobre isso que se discorre a seguir. Principio pelo ponto em que o Fisco assenta ter havido “falta de apresentação de documentos”, qual seja, a “não comprovação de itens de custos, especificamente o que consta na linha 47 Ficha 04A da DIPJ ex/2012 (anocalendário/2011), “Outros Custos”. Vejo que em seu início a ação fiscal corretamente buscou aferir e atestar a regularidade documental de diversas rubricas presentes neste tópico (no total de R$ 9.266.816,82), tanto que intimou a contribuinte a “abrir” mencionado item, oportunidade em que foram expostas as seguintes contas contábeis e respectivos valores: Fl. 4070DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.071 15 Sequencialmente, fez uma série de questionamentos, alguns não respondidos, outros respondidos parcialmente (TVF fls. 220/222) e, a partir daí, à vista destas informações tabuladas pelo Auditor Fiscal, a Relatoria da DRJ elaborou quadro demonstrativo que bem reflete a posição fiscal final da auditoria neste item. Vejase o quadro elaborado pela decisão recorrida (Ac. DRJ. fls. 4005): Da rubrica “Outros Custos” (parcialmente investigada pelo Fisco, além do “PAT” rubrica própria), do total de R$ 10.196.989,09 (penúltima coluna, acima), restou comprovado o montante de R$ 3.910.635,17, ficando incomprovado o valor de R$ 6.286.353,92. A esse montante deve ser acrescido o valor de R$ 250.000,00 a título de “despesas gerais” em que a contribuinte, intimada pelo Termo de Intimação nº 07, item 2, não apresentou justificativa. Com isso, dos valores investigados pelo Fisco R$ 10.446.989,09 (R$ 10.196.989,09 + R$ 250.000,00) restaram sem comprovação R$ 6.536.353,92 (R$ 6.286.353,92 + R$ 250.000,00). Pois bem, tomado este valor isoladamente, o número relativo é alto 62,5% o que poderia, à primeira vista, justificar a desclassificação da escrita e levar ao arbitramento. Todavia e aí o procedimento fiscal equivocouse os custos/despesas da autuada não foram só estes, ao contrário foram substancialmente diferentes e maiores. Vejase a DIPJ do período, Ficha 04A (fls. 6) e Ficha 05A (fls. 8): Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.072 16 Exprimase, o total dos custos/despesas do anocalendário/2011 foi de R$ 58.069.000,03 (R$ 57.240.876,44 + 828.123,59). Deste valor, a Fiscalização só investigou R$ 10.446.989,09 (menos de 18,0%), restando incomprovados R$ 6.536.353,92, um percentual de 11,2%, obviamente INSUFICIENTE para justificar o arbitramento. Certo que o Fisco não investigou TODAS as contas, e, se pretendia partir para o arbitramento (como aconteceu), deveria têlo feito. Porém, ao invés de adotar este procedimento mais amplo, restringiu sua investigação a menos de 18,0%, deixando de lado 82,0% dos custos/despesas, o que, em última análise, terminou na validação e homologação dos demais dispêndios, até por não têlos investigado. Em suma, acompanhando a decisão recorrida, penso que o arbitramento, em relação a este tópico inicial, não tem a menor sustentação. Impende, ainda, uma breve ponderação: se o Fisco, investigando citados custos/despesas da contribuinte, não encontrou suporte documental para autenticar parte dos registros (situação claramente comprovada nos autos valor de R$ 6.536.353,92), deveria ter mantido a tributação pelo regime do Lucro Real e glosado tais custos, procedimento fiscal absolutamente coerente e formatado com a melhor técnica de auditoria fiscal. Neste caso, salvo provas robustas que a autuada pudesse trazer em sede de recurso, os lançamentos seriam quase inabaláveis. Como não foi esse o proceder, os lançamentos assentados em “arbitramento”, por tudo o que se expôs antes, não podem prosperar, devendo ser cancelados nesta rubrica. Melhor sorte não merece o tópico seguinte no qual a Fiscalização realizou cruzamento de informações obtidas junto à Prefeitura do Rio de Janeiro com a DIPJ Ficha 06A da contribuinte, entendendo haver divergências entre os números coletados. De fato, há divergências, mas estas favorecem à contribuinte. Conforme bem observado pela decisão recorrida, durante a fiscalização, o contribuinte escriturou e tributou receitas de prestação de serviços (R$ 61.883.310,86) em montante superior àquele obtido a partir de circularização junto à Prefeitura do Rio de Janeiro. Fl. 4072DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.073 17 Em outro dizer, o valor das receitas informadas na DIPJ Ficha 06A é MAIOR que o apurado pelo Fisco na circularização que realizou. Então perguntase: qual a irregularidade cometida, se a ação fiscal não apontou ter havido omissão de receitas nem que as notas fiscais obtidas junto à Prefeitura do Rio de Janeiro restassem não escrituradas, digase, não estivessem “dentro” da receita informada em DIPJ? Ao contrário, conforme voto condutor da decisão a quo, “comparandose, por amostragem, o Razão às fls. 228 a 270 e a listagem das notas fiscais emitidas pelo contribuinte obtidos junto à Prefeitura do Rio de Janeiro às fls. 192 a 213 (anexo ao Termo de Intimação nº 08), constatase que os valores presentes nesta listagem constam contabilizados”. (Ac. DRJ fls. 4007 negritouse). Cenário explicitamente reconhecido pela própria Fiscalização (TVF fls. 220): “26. Exemplificando, no mês de janeiro de 2011, os valores lançados na contabilidade como Receita da Prestação de Serviços e Imposto sobre Serviços foram respectivamente de R$ 3.514.393,16 e R$ 452.411,98. 27. Enquanto isso, para o mesmo mês de janeiro de 2011, a totalização das informações constantes das notas fiscais chega a R$ 2.498.768,79 para receita de prestação de serviços e R$ 74.963,06 para imposto sobre serviços. 28. Em fevereiro de 2011, os valores lançados na contabilidade como Receita da Prestação de Serviços e Imposto sobre Serviços foram de R$ 3.851.102,94 e R$ 3.852,15. Enquanto o somatório das notas fiscais chega a R$ 2.687.219,74 para receita de prestação de serviços e R$ 80.616,59 para o imposto sobre serviços. 29. Em março de 2011 os valores informados na contabilidade como Receita de Prestação de Serviços e de ISS foram de R$ 4.987.204,54 e R$ 104.060,95, respectivamente. 30. Já totalização das notas fiscais de março de 2011 nos fornece os valores de R$ 3.707.819,03 para as receitas e R$ 111.234,40 para o ISS”. Claramente, nas palavras do Fisco, os valores presentes na contabilidade são maiores que a somatória das notas fiscais obtidas junto à Prefeitura do Rio de Janeiro. Por óbvio, também neste tópico o arbitramento não pode ser mantido. Situação que se repete no derradeiro item (Receita da venda de imóveis), cujo montante informado em DIPJ foi de R$ 3.076.009,95 (Ficha 06A linha 7 fls. 10). Segundo o TVF, o que levou à sua descaracterização foi o fato de que, “Regularmente intimado, através dos termos de intimação 02, 03 e 04, a apresentar os contratos de compra e venda de imóveis, notas fiscais e documentos referentes as vendas de imóveis realizados em 2011, o contribuinte simplesmente não apresentou qualquer documento referente a venda, impossibilitando inclusive a apuração do custo do imóvel vendido”. (TVF fls. 220). Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.074 18 Vejase, o Fisco não contesta a receita obtida nem sua escrituração, contestando, sim, seu “custo”. Ora, nessa linha, deveria ter investigado mais a fundo (para isso a Fiscalização dispõe de inúmeras ferramentas e suporte legal) e buscado chegar à informação que desejava. Não o fez. Preferiu manter a simplicidade de afirmar que não houve prova documental que comprovasse o custo e, com fulcro nesse único parâmetro, procedeu ao arbitramento por “não apresentação de documentos”. Como bem alertado pela decisão a quo, havendo por parte do Fisco qualquer desconfiança (e para isso ele Fisco é investido de poderes investigativos) de que as transações de vendas de imóveis teriam ocorrido em montante superior ao contabilizado/declarado, caberia à autoridade fiscal ter aprofundado a investigação junto aos cartórios, às instituições financeiras etc. Nesta hipótese, apurando falta de escrituração de parcela substancial de operações deste tipo, se analisadas em relação ao total das receitas auferidas, haveria uma justificativa para o arbitramento do lucro, haja vista a contabilidade não ser confiável para a determinação do lucro real. Porém não procedeu desta forma, não apontando qualquer receita omitida. Nem em que tal operação de venda foi irregular. Mais ainda, em quê este valor (em torno de 5% da receita total do período) poderia ter levado à imprestabilidade da escrituração. Ademais, citese, o próprio Fisco, ao realizar os lançamentos por arbitramento, tomou exatamente este valor como base de cálculo e “receita conhecida”. Vejase o AI (fls. 284): Com isso, o trabalho fiscal se mostrou inócuo e os lançamentos feitos com fundamento no artigo 530, III, do RIR/1999 não se sustentam. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo, pelos seus próprios e escorreitos fundamentos, a decisão recorrida. Deixo de analisar os argumentos presentes na peça nominada de “contrarrazões” (fls. 4038/4038) apresentada pelo sujeito passivo solidário Cyrela Brasil Fl. 4074DF CARF MF Processo nº 18470.729325/201591 Acórdão n.º 1402003.424 S1C4T2 Fl. 4.075 19 Realty S.A. Empreendimentos e Participações. em razão da decisão ter sido integralmente favorável às partes e os fundamentos de mérito serem suficientes para cancelar as exigências, levando à perda de objeto em relação à imputação de solidariedade. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 4075DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.953413/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 120 1 119 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.953413/200921 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.534 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP (DDE) PIS Recorrente GINES SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA (atual denominação de GINES REPRESENTAÇÕES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 53 41 3/ 20 09 -2 1 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.953413/200921 Resolução nº 3401001.534 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de PIS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal de PIS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.953413/200921 Resolução nº 3401001.534 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.953413/200921 Resolução nº 3401001.534 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.953413/200921 Resolução nº 3401001.534 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.953413/200921 Resolução nº 3401001.534 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.953413/200921 Resolução nº 3401001.534 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 87DF CARF MF
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