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Numero do processo: 10831.720001/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/02/2006
Declínio de Competência para a 1º Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário para declinar competência a favor da Primeira Seção do CARF.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri.
Nome do relator: Relator Valdete Aparecida Marinheiro
1.0 = *:*
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COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/02/2006 Declínio de Competência para a 1º Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário para declinar competência a favor da Primeira Seção do CARF. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 72 00 01 /2 01 1- 14 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 3101001.571 S3C1T1 Fl. 4 2 Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 534 a 536 dos autos emanados da decisão DRJ/SP2, por meio do voto da relatora Francisca Aparecida de Almeida Serra Negra, que poderá ser lido em sessão se necessário: A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1754.554 de fls. 533 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2010 MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. INOBSERVÂNCIA DE FORMA E PRAZO. São aplicáveis as multas previstas na legislação em vigor quando restar configurado o descumprimento do prazo para apresentação de arquivos digitais requisitados pela autoridade fiscal, com observância dos preceitos legais; bem como quando os registros e respectivo arquivos não observarem a forma prescrita nos atos normativos. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF em onde apresenta basicamente as mesmas alegações de sua impugnação inicial. Finalmente requer seja provido o seu Recurso Voluntário para, em reforma do acórdão combatido: a) preliminarmente, declarar a nulidade do Auto de Infração com fundamento nos argumentos expedidos no subtópico 3.1; b) No mérito, cancelar as penalidades que lhe foram aplicadas com base nos arts.11 e 12, I e III, da Lei n 8.218/91, em razão dos argumentos alinhavados em todo o subtópico 3.2; e c) em caráter argumentativo, com supedâneo nos dois últimos parágrafos do subtópico 3.2.1, caso os pedidos anteriores não sejam acatados, o recálculo da multa por atraso (art. 12, III, da Lei n. 8.218/91, para considerar somente 06 (seis) dias de atraso ou a sua substituição pela multa de R$ 5.000,00 prevista no artigo 728 do Regulamento Aduaneiro. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo, mas a matéria para julgalo não é dessa Terceira Seção, por conta disso, dele não tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente às multas por apresentação de arquivos digitais com inobservância do prazo e da forma estabelecidos pela legislação de regência. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 3101001.571 S3C1T1 Fl. 5 3 Em consequência, aplicou a multa prevista no art. 12, inciso III, da Lei 8.218/91, equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica, no período de 2007 a 2010. Contudo, entendo que essa 3º seção do CARF não é competente para julgar especificamente esse processo, conforme dispõe o artigo 2 º do Regimento Interno do CARF, que dispõe: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Isto posto, não conheço do Recurso Voluntário, para declinar a competência para a 1º seção do CARF. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000063/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art: 59 do Decreto n° 70.235/72.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis.
ILEGALIDADE DE ATOS INFRALEGAIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a ilegalidade de atos infralegais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44. §1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71,' inciso I, da Lei n° 4.502/64.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. dada a relação que os vincula.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
Consta da Súmula do CARF a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia para Títulos Federais - SELIC, acumulada mensalmente.
Numero da decisão: 1202-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de acolhimento de razões aditivas por encontrarem-se preclusas, em INDEFERIR as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Relator e Presidente Substituto.
EDITADO EM: 20/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Marcelo Baeta Ippolito (suplente convocado), Ricardo Diefenthaler (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art: 59 do Decreto n° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis. ILEGALIDADE DE ATOS INFRALEGAIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a ilegalidade de atos infralegais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44. §1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71,' inciso I, da Lei n° 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. dada a relação que os vincula. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Consta da Súmula do CARF a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia para Títulos Federais - SELIC, acumulada mensalmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de acolhimento de razões aditivas por encontrarem-se preclusas, em INDEFERIR as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator e Presidente Substituto. EDITADO EM: 20/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Marcelo Baeta Ippolito (suplente convocado), Ricardo Diefenthaler (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno
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IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art: 59 do Decreto n° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis. ILEGALIDADE DE ATOS INFRALEGAIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a ilegalidade de atos infralegais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44. §1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71,' inciso I, da Lei n° 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. dada a relação que os vincula. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Consta da Súmula do CARF a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia para Títulos Federais SELIC, acumulada mensalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 63 /2 00 9- 55 Fl. 4913DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de acolhimento de razões aditivas por encontraremse preclusas, em INDEFERIR as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Relator e Presidente Substituto. EDITADO EM: 20/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Marcelo Baeta Ippolito (suplente convocado), Ricardo Diefenthaler (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Consta do Relatório do Acórdão n° 1434.365 – 5ª Turma da DRJ/RPO, de 28/06/2011 (Fls. 4.669 a 4.761): Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendário .2004 e 2005, nos seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 3.607.513,58 (fl. 01); e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), R$ 1.096.654,06; acrescidos de multa de oficio (qualificada) e juros de mora. totalizando crédito tributário no valor de R$ 14,131.282,46. A empresa em epígrafe foi autuada para exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL, mediante arbitramento do lucro, ante a não apresentação à Fiscalização dos Livros Diário e Razão, com fulcro nos artigos 258, 259, caput e § 2°, 260, inciso III e 264 do RIR/99, e nos artigos 13 e 14 da Lei n.° 8.218, de 1991, com a redação alterada pelo art. 62 da Lei n° 8.383, de 1991. No Relatório de Descrição dos Fatos, As fls. 45/57 e 71/83, a autoridade fiscal explicita os critérios adotados para arbitramento do lucro, nos anoscalendário de 2004 e 2005, demonstrando assim os valores que serviram de base à determinação do IRPJ e CSLL devidos. Com efeito, constatada a não apresentação dos Livros Diário e Razão, bem como a insuficiência das informações prestadas à RFB, pela contribuinte, em DIPJ e DCTF, a autoridade fiscal adotou como referencial informações sobre o faturamento da Fl. 4914DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 4 3 empresa. oriundas de demonstrativos de fls. 402 a 461 e 660 a 733, intitulados "Balancete de Verificação", do que resultou os demonstrativos de fls. 49 (a/c 2004) e 56 (a/c 2005), cujos totais mensais de receita apurada foram considerados para efeitos de apuração do lucro arbitrado (trimestral) e determinação do IRPJ e CSLL devidos. Ciente em 13/02/2009 (fls. 963), a interessada apresentou, em 13/03/2009, impugnação ao lançamento (fls. 904/962), alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que embora tenha sido adotado arbitramento do lucro para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a impugnante teria atendido a todas as intimações feitas pela fiscalização e entregue todos os documentos exigidos relativos aos períodos fiscalizados, tais como livros,de registro de notas fiscais de prestação de serviços, contratos de mútuo, balancetes mensais, balanço patrimonial e demonstrativo de resultados, Lalur, plano de contas, DCTF e DIPJ. Assim, não haveria razões suficientes a embasar a adoção do lançamento por arbitramento, já .que os documentos por si entregues permitiriam apuração do lucro real para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; que teria providenciado a entrega, em três oportunidades, de CDs contendo as informações contábeis e fiscais exigidas em formato eletrônico, tendo sido a gravação dos dados acompanhada pelo auditorfiscal. Ao desconsiderar os arquivos eletrônicos entregues sem conferir à impugnante a oportunidade de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa, não poderiam ser tomados como válidos e legítimos os fundamentos que justificaram o arbitramento do lucro (não entrega dos livros Diário e Razão), pelo que seria nulo o lançamento efetuado, por ausência de motivação' e ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa; que "a prova (insuficiência de dados) utilizada pela fiscalização, foi produzida de forma unilateral, sem qualquer comunicação ou ciência à impugnante, o que, indiscutivelmente, acaba por macular todo o procedimento do lançamento dos créditos tributários contidos no auto de infração"; que estariam caracterizadas ausência de motivação bem como ineficácia da prova (dados insuficientes), cujo acesso não teria ocorrido na presença da impugnante, redundando em inobservância dos princípios do contraditório e da ampla defesa e da vedação da produção de provas contra si mesmo (erros em arquivos eletrônicos); que a autoridade fiscal teria desconsiderado, no lançamento, retenções efetuadas em notas fiscais de prestação de serviços, a título de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, nos termos dos artigos 30 a 32 da Lei n.° 10.833, de 2003, implicando indevida majoração dos valores devidos. Caracterizadas tais antecipações como retenções, nos termos do artigo 34 da Lei n.° 10.833, de 2003, as respectivas empresas estariam autorizadas a compensar os Fl. 4915DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 5 4 valores retidos com tributos devidos a‘partir do mês da retenção; que o texto do art. 1° da Lei n.° 9.316. de 1996, ao prever a inclusão da CSLL na base de cálculo do IRPJ e em sua própria base de cálculo, estaria a afrontar preceitos legais e constitucionais, pelo que caberia desconsiderar sua aplicação; que requer seja determinada a realização de diligência para realização dos ajustes necessários à apuração do lucro real; que o arbitramento do lucro ofenderia b conceito de renda constitucionalmente estabelecido; que seria nulo o lançamento, por fundado em presunções ou indícios de omissão de receitas, e não apreciação de provas; . que a alegação de que a empresa não teria respondido intimação e reintimação não 'daria respaldo ao agravamento da multa; que seria ilegal e/ou inconstitucional a exigência de juros de mora com base na taxa Selic; que a aplicação de multa de oficio ao percentual de 75% caracterizaria confisco, contrariando dispositivos da Constituição Federal; que caberia redução da sanção pecuniária, por ausente qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da impugnante; que seria dever da Administração apreciar e deixar de aplicar conteúdo de lei com indicativos de inconstitucionalidade; que caberia anulação do Termo de Arrolamento de Bens, por constituir forma ilegal de vedação de disposição de bens, e por encontrarse suspensa a exigibilidade do crédito tributário; que inexistiriam razões para prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pelo que caberia a suspensão de seus efeitos. Ao final, requer o reconhecimento da .nulidade e improcedência do auto de infração, ou, alternativamente, a realização de diligência para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração, exclusão dos juros de mora e redução das multas aplicadas, e conseqüente reconhecimento da improcedência do lançamento. A decisão em primeira instância considerou procedentes em parte os lançamentos, excluídos do IRPJ e da CSLL apurados os valores retidos na fonte relacionados pela autoridade fiscal nos demonstrativos de fls. 4851 a 4607 (Volumes XXIII e XXIV), com síntese na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005 Fl. 4916DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 6 5 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade de leis, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005 ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. O artigo 47, III, da Lei n° 8.981195, estabelece que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal (ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o artigo 45, parágrafo único). TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO. São dedutíveis, para efeitos de calculo do IRPJ apurado pela sistemática do lucro arbitrado, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. dada a relação que os vincula. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada . de 150%. prevista no artigo 44. § 1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71,' inciso I, da Lei n° 4.502/64. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 4917DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 7 6 Intimada da referida decisão em 12/07/2012, sextafeira (Fls. 4.788), a Recorrente interpôs o presente recurso em 13/08/2012, segundafeira (Fls. 4.789 a 4.841), em síntese com os seguintes argumentos: Do vício da autuação ante a impossibilidade da adoção do lançamento por arbitramento, dada a ausência de concessão de nova oportunidade para apresentação dos dados requisitados; Da nulidade do lançamento ante a ofensa ao conceito constitucional de renda dada a indevida inclusão da CSLL na base de cálculo do IRPJ e da sua própria base, bem como pela não consideração dos prejuízos fiscais e demais deduções; Ausência de suporte fático capaz de caracterizar a omissão de receita, especialmente, ante as informações prestadas e os documentos fornecidos pela Contribuinte; e a indevida aplicação da inconstitucional taxa Selic, bem como o excessivo patamar em que foi fixada a multa, ensejando assim violação do princípio da isonomia tributária, do princípio da moralidade da administração pública fiscal e do princípio da capacidade contributiva, impondose assim, a redução da sanção pecuniária. Posteriormente à apresentação do presente recurso, a Recorrente requereu juntada e acolhimento de razões aditivas (Fls. 4.853 a 4.884). Os autos encontramse distribuídos a este Relator, por sorteio, desde 08/08/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de recurso contra a parcela do crédito tributário mantido por decisão em primeira instância referente a IRPJ (03/2004, 06/2004, 09/2004, 12/2004, 03/2005, 06/2005, 09/2005 e 12/2005) e reflexos com o lançamento tributário efetuado por arbitramento de lucro. Em relação à tempestividade, conforme consta do presente relatório, a Recorrente cumpriu o disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 4918DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 8 7 Quanto ao argumento do vício da autuação ante a impossibilidade da adoção do lançamento por arbitramento, dada a ausência de concessão de nova oportunidade para apresentação dos dados requisitados, segundo a Recorrente: Conforme já mencionado anteriormente, nas razões do arbitramento do lucro constante do relatório de descrição dos fatos, sustenta o sr. Auditor Fiscal que a empresa fiscalizada não entregou os Livros Diário e Razão dos anoscalendário 2004 e 2005, apesar de em duas ocasiões terem sido solicitados. Entretanto, tal afirmação não condiz com a realidade dos fatos. Conforme informado pela própria fiscalização, em 12/01/2009, a Recorrente entregou ao sr. Auditor Fiscal 2 (dois) CD's, bem como 26 (vinte e seis) caixas contendo diversos documentos, dentre eles, movimentos financeiros, registro de despesas e extratos bancários. No entanto, em razão da ausência de informações no CD Contabilidade 2004 e 2005, a Impugnante, em 13/01/2009, apresentou novo CD com os dados contábeis e fiscais exigidos. Porém, em 19/01/2009, a Recorrente foi novamente intimada sob a alegação de que o arquivo eletrônico (CD) por ela entregue revelouse imprestável para abertura dos dados contábeis e fiscais, em razão da necessária adoção do procedimento estabelecido pelas normas do SINCO Contábil. Diante disso, em 20/01/2009, a Recorrente entregou 5 (cinco) CD's contendo todas as informações contábeis e fiscais exigidas em formato eletrônico, cuja gravação destes dados foram acompanhados in loco pelo sr. Auditor Fiscal na própria sede da empresa fiscalizada. Neste sentido, causa estranheza a afirmação do sr. Auditor Fiscal no sentido de que a Impugnante, ora Recorrente, não entregou os Livros Razão e Diário, pois, como visto, mesmo após a constatação de erro na gravação dos respectivos arquivos, a Recorrente procedeu nova geração dos dados contábeis e fiscais (conforme relatório de validação dos arquivos do período abrangido pela fiscalização), cuja gravação, frisese, foi acompanhada pela fiscalização. Ora, caso houvesse algum erro nas informações contidas naqueles arquivos eletrônicos capaz de impedir a sua leitura e análise, deveria o sr. Auditor Fiscal, ao menos, cientificar a Recorrente sobre este fato e conferir nova oportunidade para apresentação dos arquivos eletrônicos exigidos, tudo, em respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o que, entretanto, não ocorreu. Ao agir assim, ou seja, ao desconsiderar os arquivos eletrônicos sem conferir à Impugnante, ora Recorrente, a oportunidade de exercer seus direitos constitucionalmente consagrados, os fundamentos que, em tese, consubstanciariam a adoção do lançamento por arbitramento do IRPJ e da CSLL, não podem ser Fl. 4919DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 9 8 tomados como válidos e legítimos, restando maculado, portanto, todo o procedimento de lançamento levado à efeito. (...) No caso em apreço, se a motivação exarada pelo sr. Auditor Fiscal para adotar o lançamento por arbitramento foi manifestada sem a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa (inerentes ao devido processo legal), então, concluise que o atonorma (motivo) inexiste, estando assim viciado todo o procedimento percorrido pela fiscalização para apuração e constituição do suposto crédito tributário. Acrescentese a isso o fato de que, no momento da suposta constatação de que os arquivos eletrônicos gerados não traziam em si dados suficientes para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (motivação), a Recorrente não estava presente, muito menos, qualquer representante seu. A relevância desta informação reside no fato de que a prova (insuficiência de dados) utilizada pela fiscalização, foi produzida de forma unilateral, sem qualquer comunicação ou ciência à Recorrente, o que, indiscutivelmente, acaba por macular todo o procedimento do lançamento dos créditos tributários contidos no auto de infração ora guerreado. (...) Neste ponto, esclareçase que a Impugnante, ora Recorrente, com tal argumento, não pretende atribuir à fiscalização a prática de adulteração dos dados eletrônicos por ela gerados. Na realidade, quer com isso demonstrar que, ainda que os arquivos eletrônicos tenham sido por ela gerados, eventuais erros existentes em tais arquivos não podem ser utilizados como fundamento para se atribuir uma penalidade à ela mesma, vale dizer, sem que ela tenha, ao menos, oportunidade de manifestação, ou, até mesmo, chance de corrigir tais dados. Nobres Julgadores, de tudo o quanto exposto acima, duas questões sobrelevam: i) ausência de motivo, em razão da motivação carecer de fundamento de validade; e ü) ineficácia da prova (dados supostamente insuficientes), cujo acesso não ocorreu na presença da Recorrente. Mas, ambas consubstanciadas na mesma violação: inobservância dos princípios do contraditório, da ampla defesa e da vedação da produção de provas contra si mesmo (utilização dos supostos erros como prova contra a própria Recorrente). (...) Neste norte, a Lei n° 9.784/99, que trata do processo administrativo em âmbito federal e de aplicação subsidiária ao Decreto n° 70.235/72, no inciso VII, do parágrafo único, do artigo 2°, assim estabelece: Fl. 4920DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 10 9 Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. § único Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; É evidente que todo procedimento de fiscalização deve estar fundamentado em fatos concretos que justificam sua expedição, cujas evidências, num primeiro momento, devem subsumir exatamente à hipótese legal autorizadora da sua emissão por se tratar, in casu, de um ato estritamente vinculado, preparador do lançamento tributário. (...) Por tais ponderações, considerando que os elementos motivo e motivação são pressupostos de todo ato administrativo, estando eles em verdadeiro confronto com as garantias individuais consagradas pela Constituição Federal, não há como considerar o respectivo ato administrativo (lançamento) válido e legítimo, sendo, portanto, nulo de pleno direito. Entendo não assistir razão à Recorrente, uma vez que o contraditório no Processo Administrativo Fiscal instaurase apenas após o lançamento de ofício, como cediço no Enunciado n° 46 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Os fundamentos da decisão em primeira instância esclarecem a correção do procedimento adotado pelo Fiscalização, os quais passo a adotálos e a transcrevêlos: Da preliminar de nulidade A impugnante pugna pela nulidade do auto de infração recorrido invocando ausência de motivação, ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa, e irregularidades quanto à instrução probatória (produção unilateral e ineficácia). Diante de tal alegação, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto n° 70.235/72, de 6 de março de 1972 (PAF), verbis: "Art. 59. Sao nulos; I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 4921DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 11 10 Tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, dentro da estrita legalidade, e assegurado o direito de defesa da contribuinte, não se há que se cogitar de nulidade da exação recorrida. Em relação ao tema. impõese, ainda, menção ao artigo 142 do Código Tributário Nacional (CNT), de cujo texto se depreende que o ato administrativo de lançamento, visando constituir crédito referente a tributos, contribuições ou acréscimos legais não recolhidos no prazo legal, se constitui em dever de ofício da Fiscalização, em relação ao qual não há qualquer margem de discricionariedade. Assim, uma vez constatada irregularidade da em procedimento de auditoria fiscal, e revelandose suficientes os elementos de prova a disposição da administração tributária, o agente do Fisco tem o dever de efetuar o lançamento de ofício dos tributos e contribuições não recolhidos. Vale ressaltar que tal disciplina legal não implica prejuízo ao amplo direito de defesa do contribuinte, princípio consagrado em nossa Carta Magna, ao qual ò Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, também se subordina. Toda e . qualquer discordância do sujeito passivo quanto ao lançamento de ofício poderá ser manifestada, administrativamente, por meio de peça impugnatória, cuja interposição tempestiva instaura a fase litigiosa do processo. Nessa fase, momento posterior ao do lançamento do crédito tributário, é que serão apreciadas as alegações do contribuinte, com a mais estrita observância de seu direito de defesa. Assim todas as iniciativas nas etapas anteriores prescindem da intervenção do sujeito passivo, tratandose de atos administrativos restritos à autoridade fiscal. Nada obstante, o relatado às fls. 26/37, com lastro em extensa documentação, evidencia que a autoridade, no curso da ação fiscal, adotou as cautelas necessárias à apuração dos fatos, em observância ao Princípio da Verdade Material. Com efeito, ao contribuinte foram dirigidos sucessivos pedidos de apresentação de documentos e esclarecimentos, mediante Termos de Intimação e Reintimação, tendo sido também acatados os pedidos de dilação de prazo formulados pela interessada. Insubsistente, portanto, a alegação de irregularidade de provas. Da análise dos autos verificase que . na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração, e no Relatório de Descrição dos Fatos, às fls. 26/111, houve descrição detalhada dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, bem como de seu enquadramento legal. A matéria, assim como a determinação da exigência tributária, estão identificadas: Observase, também, que o auto de infração está acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o lançamento atende todos os requisitos legais, não existindo, portanto, qualquer violação ao princípio da legalidade Concluise, portanto, que os fatos que motivaram a.autuação fiscal estão descritos nos autos, e permitiram à impugnante Fl. 4922DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 12 11 pleno exercício de seu direito de defesa quanto às irregularidades a si imputadas! Os demonstrativos de apuração do imposto foram elaborados de modo a discriminar a base de cálculo e a alíquota adotados, bem como respectivo enquadramento legal. O próprio teor da peça impugnatória evidencia ter a interessada pleno conhecimento e compreensão acerca do conteúdo da exação em foco, logrando assim questionar os pontos da autuação fiscal com os quais não concorda., afasta de vez a possibilidade de prejuízo ao direito de defesa. (...) Do arbitramento do lucro A autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que assim dispõe: Art. 530. O imposto; devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado corn base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981. de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III — o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, ha hipótese do parágrafo único do art. 527; No presente caso, a contribuinte, embora intimada em reiteradas oportunidades, deixou de apresentar, durante o procedimento fiscal, os livros contábeis e fiscais solicitadas pela fiscalização (Livros Diário e Razão), Avista do disposto nos artigos 251, 258 e 259 do RIR/99: Dever de Escriturar Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tribulação com base nO lucro real deve manter escrituração cont observância das leis comerciais e fisais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 7°). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). Livro Diário Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar . a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 5°)., § 1° Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações Fl. 4923DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 13 12 sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei n° 486, de 1969, art 5°, § 3°). § 2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas, em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3°A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 5°, § 1°). § 4° Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no §1°, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei n°3.470, de 1958, art 71, e DecretoLei n° 486, de 1969, art. 5°, § 2°). §4° Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no §1°, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei n° 3.470, de 1958, art 71, e DecretoLei n°486, de 1969, art. 5°, § 2°). §5° Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. §6° No caso de substituição do Livro, Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Art.259.A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, e Lei n° 8.383, de 1991, art: 62) O artigo 6° do Decreto n° 64.567, de 22 de maio de 1969, por seu turno, assim dispõe: Art. 6° Os livros deverão conter ,respectivamente, na primeira e na última página, tipograficamente numeradas, os termos de abertura e de encerramento. Também não foram adequadamente apresentados, pela autuada, os arquivos digitais contendo informações relativas a suas atividades, nos anoscalendário fiscalizados, na forma estabelecida pelo Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, de 23 de Outubro de 2001. Embora intimada em reiteradas Fl. 4924DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 14 13 oportunidades a apresentar tais arquivos digitais, e devidamente orientada sobre a forma de fazêlo, conforme Termos de Intimação Fiscal às fls. 117, 138, e 144, a contribuinte limitouse a apresentar CDs cujo conteúdo não foi identificado como "lançamento contábeis", tendo em vista a ausência dos Livros Diário e Razão, conforme relatado pela autoridade fiscal à fl. 44. Assim, pendente a apresentação dos Livros Diário e Razão contendo os lançamentos contábeis relativos aos períodos fiscalizados, não restou outra alternativa a autoridade fiscal sendo o arbitramento do lucro pela receita conhecida (depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada). Nesse diapasão, posicionase a jurisprudência administrativa, consoante demonstra as infratranscritas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes: "ARBITRAMENTO DO LUCRO — NÃO APRESENTAÇÃO DO DIÁRIO E RAZÃO A não apresentação dos livros Diáirio e Razão justifica o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que apresenta declaração. com base no lucro real. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente Provido." (Ac. 10806.223; sessão em 13/09/2000; DOU em 14/11/2000) "LUCRO ARBITRADO — NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO – PARA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS E DE LIVROS E DOCUMENTOS NECESSÁRIOS À APURAÇÃO .DO LUCRO REAL — A não apresentação da declaração de rendimentos, bem assim dos livros e da documentação contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável."(Ac.10706368; sessão em 21/08/2001, DOU em 08/11/2001) Como se vê, segundo a letra da lei, o arbitramento não é uma penalidade, e sim valoração, dentro dos estritos limites fixados em lei, do lucro tributável pelo imposto de renda, a única conseqüência possível a uma situação consumada, que foi a falta de apresentação dos citados documentos. Frisese que o arbitramento por períodos trimestrais, decorre de disposição expressa de Lei, nos termos do art. 530, caput, do RIR/99 acima transcrito, pelo que se considera correto o critério adotado pela Fiscalização. Por conseguinte, não se trata de uso de prova unilateral pelo Fisco, mas da constatação de descumprimento de uma exigência legal pela Recorrente, a apresentação dos Livros Diário e Razão. Em face do exposto, afasto a preliminar de nulidade por vício da autuação suscitada. Em relação ao argumento de nulidade do lançamento ante a ofensa ao conceito constitucional de renda, dada a indevida inclusão da CSLL na base de cálculo do IRPJ Fl. 4925DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 15 14 e da sua própria base, bem como pela não consideração dos prejuízos fiscais e demais deduções, informa a Recorrente: (...) Ocorre que o art. 1o da Lei n° 9.316/96 extrapolou os limites impostos pela Constituição e pelo Código Tributário Nacional, alargando indevidamente a base de cálculo do IRPJ. Eis o teor: Art. 1°. O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. A leitura desse comando legal permite observar facilmente que os valores a título de CSLL deveriam compor não só a base de cálculo da própria CSLL o que frisese já se encontra eivado de vícios, mas também devem ser incluídos na base de cálculo a ser apurada para fins de IRPJ A presente controvérsia, neste ponto, cingese a definir se os valores a título de CSLL são aptos a serem embutidos não só na sua própria base de cálculo, mas também no conceito de renda ou de proventos de qualquer natureza, o que ensejaria a sua pretensa inclusão na base imponível do IRPJ (...) No presente caso, percebese que a fundamentação é idêntica, posto que se deseja excluir da base de cálculo do IRPJ e da própria base de cálculo da CSLL os valores a título de CSLL na medida em que o conceito de renda não pode ser alargado o suficiente a fim de que se inclua nele o montante repassado ao Fisco relativo à CSLL. Destarte, a aplicação analógica entre os casos é patente. Por fim, concluise então que, por ser a obrigação tributária uma obrigação ex lege, na falta de um dos requisitos que ensejariam a imposição do tributo, restou desatendida a hipótese de incidência, especialmente os seus critérios material e quantitativo, pelo que é inexistente a relação jurídicotributária entre a Recorrente e a Recorrida, no tocante à indevida inclusão dos valores referentes à CSLL na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, bem como, da própria CSLL. (...) Conforme restou demonstrado no item precedente, ao incluir na base de cálculo do IRPJ os valores recolhidos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o legislador desbordou da hipótese de incidência prescrita na Constituição e Fl. 4926DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 16 15 no Código Tributário Nacional, uma vez que tal montante não constitui acréscimo patrimonial para a empresa, alargando, portanto, a base de cálculo da exação e ofendendo, por fim, o disposto no art. 146, III, "a" da CF/88. (...) Assim, verificase, de plano, a distorção do conceito de renda levada a efeito pelo Fisco, em clara ofensa ao art. 110 do Código Tributário Nacional. Logo, percebese claramente que o presente auto de infração encontrase eivado de ilegalidades, devendo assim ser considerado NULO e imprestável e, conseqüentemente, extinto Em que pese eventual entendimento em sentido contrário, ainda sim, o auto de infração carrega em si, os quais, deverão ser saneados por esta ilustre delegacia de julgamento. Isto porque, como cediço, para determinação do lucro real (regime a que estava submetida a empresaautuada à época da autuação), necessária seria a realização dos ajustes (deduções, inclusões e exclusões) para a apuração do lucro líquido no período, o que, entretanto, não ocorreu, fato este que, indubitavelmente, ofende o conceito de renda constitucionalmente pressuposto. Assim, caso Vossa Senhoria entenda pela subsistência da autuação em questão, nos termos do inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, requer seja determinada a realização de diligência para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração em questão. Sobre a inconstitucionalidade a que se refere a Recorrente, dispõe o art. 62, Anexo II, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Fl. 4927DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 17 16 Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Portanto, o CARF não detém competência para afastar lei sob o argumento de inconstitucionalidade. Por sua vez, sobre a legalidade de atos infralegais, o art. 16 da Lei nº 12.833, de 20.06.2013, inseriu o parágrafo único ao art. 48 da Lei nº 11.941/2009 com a seguinte redação: "Art. 48. (...) Parágrafo único. São prerrogativas do Conselheiro integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: I somente ser responsabilizado civilmente, em processo judicial ou administrativo, em razão de decisões proferidas em julgamento de processo no âmbito do CARF, quando proceder comprovadamente com dolo ou fraude no exercício de suas funções; e II emitir livremente juízo de legalidade de atos infralegais nos quais se fundamentam os lançamentos tributários em julgamento." Porém, ao sancionar a referida Lei, a Presidente da República vetou o inciso II do referido parágrafo, sob o seguinte fundamento: "Razões do veto: O CARF é órgão de natureza administrativa e, portanto, não tem competência para o exercício de controle de legalidade, sob pena de invasão das atribuições do Poder Judiciário." Portanto, não cabe ao CARF pronunciarse sobre a ilegalidade das normas aplicadas pela Fiscalização na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL Quanto ao pedido de diligência, não vislumbro como prosperar, uma vez que a Recorrente, desde a impugnação, não apresentou provas suficientes para tal providência, conforme dispõe o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 4928DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 18 17 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Em face do exposto, afasto a preliminar de nulidade suscitada e indefiro o pedido de diligência. Quanto ao argumento de ausência de suporte fático capaz de caracterizar a omissão de receita, especialmente, ante as informações prestadas e os documentos fornecidos pela Contribuinte, temse: Segundo o texto do auto de infração, há uma configuração de OMISSÃO DE RECEITA, por uma "suposta" insuficiência de oferta de receitas operacionais à Tributação do IRPJ e da CSLL, bem como a "ausência" de resposta de intimação e reintimação o que agravou a multa imposta. (...) Para que se legitime a lavratura do auto de infração, é necessário que a fiscalização aprofunde a investigação e colha elementos de prova, do contrário, o lançamento levado à efeito a título de omissão de receita carecerá de prova. (...) Ressaltese que a simples alegação de que a Empresa não respondeu a intimação e a reintimação não dá respaldo para AGRAVAR A MULTA. Ora, conforme já amplamente demonstrado, toda documentação foi apresentada à fiscalização, razão pela qual, não tendo sido comprovada a alegada omissão de receita, e tendo a fiscalização acesso a todos os documentos fiscais exigidos, deve ser ANULADO o lançamento ora impugnado, bem assim o agravamento da aplicação da multa exposta. Os argumentos recursais contra a omissão de receitas e a qualificação da multa de ofício não merecem prosperar. Esta não se deu apenas por ausência de resposta a intimações. O Relatório da Fiscalização (Fls. 26 a 111) demonstrou a omissão de receitas e a apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, conforme destacado a seguir, as quais retardaram o conhecimento do fato gerador, nos ditames do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Anocalendário 2004 Fl. 4929DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 19 18 I — Das declarações DIPJ e DCTF do anocalendário 2004 a) Da declaração DIPJ as fls. 270 a 293 Da análise da documentação ao dispor da fiscalização denotamos que o fiscalizado nada declarou de receita, segundo consta da fl. 272 verso da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica as fls. 270 a 293 do ano calendário 2004, tendo escolhido o Lucro Real anual como forma de tributação do I RPJ. Deixou o contribuinte em branco a ficha 06A a fl. 272 verso no que se refere ao preenchimento do valor dos serviços prestados, conforme obrigado pelas instruções do preenchimento dessa DIPJ, preenchendo tão somente as suas despesas operacionais. (...) b) das declarações DCTF as fls. 294 a 368 Verificamos que as DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais as fls. 294 a 368 não contêm valores declarados a titulo de I RPJ e de CSLL, apesar de o Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR a fl. 176 apontar a existência de lucro fiscal e, conseqüentemente, haver IRPJ e CSLL a recolher. (...) Ao levarmos a tributação do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica o montante total do efetivo faturamento do contribuinte, lançado nos livros de registro de notas fiscais de serviços prestados e em demonstrativos contábeis, denotamos não haver qualquer valor já declarado nas DCTF acima referidas para dedução. Pela alta expressão e significância dos valores enumerados na planilha de IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica a tributar, além de efetuarmos o lançamento para a constituição do crédito tributário, preparamos a Representação Fiscal para Fins Penais. Ressaltamos que a empresa fiscalizada entregou a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário 2004 as fls. 270 a 293, preenchendo o valor de faturamento anual tão somente para os meses de janeiro a agosto nas fichas 22A e 26A (fls. 278 verso a 290), não oferecendo à tributação os seus rendimentos, ao passo que deveria preencher o valor de seu faturamento na ficha 06A (fl. 272 verso) em desacordo, destarte, com a movimentação de receitas tributáveis escriturada pela própria empresa ora fiscalizada em seus livros de registro de notas fiscais de serviços prestados e nos demonstrativos contábeis. Fl. 4930DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 20 19 Anocalendário 2005 I — Das declarações DIPJ e DCTF do anocalendário 2005 a) Da declaração DI PJ as fls. 468 a 478 Da análise da documentação ao dispor da fiscalização denotamos que o fiscalizado nada declarou de receita, segundo consta da fl. 470 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica as fls. 468 a 478 do anocalendário 2005, tendo escolhido o Lucro Real anual como forma de tributação do IRPJ. Deixou o contribuinte em branco a ficha 06A a fl. 470 no que se refere ao preenchimento do valor dos serviços prestados, conforme obrigado pelas instruções do preenchimento dessa DIPJ, preenchendo tão somente as suas despesas operacionais. (...) b) das declarações DCTF as fls. 479 a 630 Verificamos que as DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais as fls. 479 a 630 não contêm valores declarados a titulo de I RPJ e de CSLL. (...) Ao levarmos à tributação do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica o montante total do efetivo faturamento do contribuinte, lançado nos livros de registro de notas fiscais de serviços prestados e em demonstrativos contábeis, denotamos não haver qualquer valor já declarado nas DCTF acima referidas para dedução. Pela alta expressão e significância dos valores enumerados na planilha de receitas a tributar, além de efetuarmos o lançamento para a constituição do crédito tributário, preparamos a Representação Fiscal para Fins Penais. Ressaltamos que a empresa fiscalizada entregou a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário 2004 as fls. 468 a 478, preenchendo o valor de faturamento anual na ficha 43 (fl. 477 verso), não oferecendo a tributação os seus rendimentos, ao passo que deveria preencher o valor de seu faturamento na ficha 06A (fl. 470) em desacordo, destarte, com a movimentação de receitas tributáveis escriturada pela própria empresa ora fiscalizada em seus livros de registro de notas fiscais de serviços prestados e nos demonstrativos contábeis. Fl. 4931DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 21 20 Destarte, não há reparos a fazer na decisão em primeira instância, a qual se destaca o seguinte excerto: Com efeito, restou nos autos comprovado que a autuada .deixou de contabilizar resultados de suas atividades em Livros Diário e Razão, obrigatórios por força da legislação de regência (artigos 251, 258 e 259 do RIR199), em reiterados períodos de apuração (trimestres) nos anoscalendário de 2004 e 2005, e abstevese de informar tais valores à RFB, em DIPJ e DCTF. caracterizando omissões de receitas por vultosas somas, nos totais de R$ 16.610.697,73 (anocalendário 2004, fls. 13) e R$ 21.467.569,64 (anocalendário 2005, fls. 15). Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso contra a omissão de receitas e contra a qualificação de multa de ofício. Em relação ao argumento recursal da indevida aplicação da inconstitucional taxa Selic, bem como o excessivo patamar em que foi fixada a multa, ensejando assim violação do princípio da isonomia tributária, do princípio da moralidade da administração pública fiscal e do princípio da capacidade contributiva, impondose assim, a redução da sanção pecuniária, nos termos supracitados deste voto, não compete ao CARF pronunciarse sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de normas, conforme as razões supracitadas neste voto. Quanto à aplicação da taxa SELIC, esta matéria encontrase consolidada no Enunciado n° 4 da súmula do CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso contra o efeito de confisco da multa de ofício e contra a aplicação da taxa SELIC. Em relação ao pedido para acolhimento de razões aditivas, indefiroo por encontraremse preclusas, nos termos do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Fl. 4932DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 1202001.204 S1C2T2 Fl. 22 21 Aplicase à CSLL, tributo reflexo, os mesmos fundamentos adotados em relação ao IRPJ. Em razão de todo o exposto, afasto o pedido para acolhimento de razões aditivas, as preliminares de nulidade suscitadas e nego provimento ao presente recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 4933DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004496/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
TONER. NOME COMERCIAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL VINCULADA À ESSÊNCIA DO PRODUTO.
O produto conhecido comercialmente como TONER, com as características do presente processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3707.90.21. Não se classifica produto apenas lendo os títulos da Seção, Capítulo e Subcapítulo, estes são apenas indicativos. É preciso analisar a composição do produto que se pretende classificar.
MULTA DE 75%. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO CST no 10. REVOGAÇÃO ADI SRF nº 13/2002.
O Ato Declaratório Normativo CST no 10 de 20/01/97 bem como o Parecer COSIT no 477/88, deixaram de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de 75%.
SELIC. APLICAÇÃO. SUMULA 4 CARF.
É devida a aplicação da SELIC nos termos da lei, conforme expressamente determina a Súmula 4 CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Deroulede, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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NOME COMERCIAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL VINCULADA À ESSÊNCIA DO PRODUTO. O produto conhecido comercialmente como TONER, com as características do presente processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3707.90.21. Não se classifica produto apenas lendo os títulos da Seção, Capítulo e Subcapítulo, estes são apenas indicativos. É preciso analisar a composição do produto que se pretende classificar. MULTA DE 75%. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO CST no 10. REVOGAÇÃO ADI SRF nº 13/2002. O Ato Declaratório Normativo CST no 10 de 20/01/97 bem como o Parecer COSIT no 477/88, deixaram de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de 75%. SELIC. APLICAÇÃO. SUMULA 4 CARF. É devida a aplicação da SELIC nos termos da lei, conforme expressamente determina a Súmula 4 CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 44 96 /2 00 8- 76 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 23/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Deroulede, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em procedimento de verificação fiscal para o fim de constituir débito de IPI, PISImportação, COFINSImportação, juros, multas de ofício e a Multa por classificação fiscal incorreta em virtude de a fiscalização entender que a classificação fiscal indicada pela contribuinte na importação de determinados produtos não condizia coma realidade dos fatos. Para melhor esclarecimento acerca dos fatos ocorridos, transcrevo a seguir o relatório contido no v. acórdão recorrido: “A impugnante promoveu o registro de declarações de importação nos anos de 2003 a 2008, submetendo a despacho as mercadorias descritas como “TONER”, “TINTA EM PÓ PARA IMPRESSÃO”, “DRY INK” ou “TINTA SECA”, classificando na NCM 3215.11.00, com alíquota do IPI de 0%. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para essas mercadorias é a NCM 3707.90.21 com alíquota do IPI de 15%. Baseouse a fiscalização nas NESH, em processo de Solução de Consulta e nas próprias descrições feitas pela impugnante em importações de toner, além de informações técnicas sobre os produtos. Foram lançadas pelo presente auto de infração as diferenças de IPI, PISImportação, COFINSImportação, juros, multas de ofício e a multa por classificação fiscal incorreta. A autuação totalizou R$ 855.821,15. Intimada do Auto de Infração em 26/05/2008 (fl. 284), a interessada apresentou impugnação e documentos em 24/06/2008, juntados às fls. 287 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.004496/200876 Acórdão n.º 3302002.837 S3C3T2 Fl. 11 3 1. Alega que não teve acesso ao inteiro teor da Solução de Consulta utilizada pela fiscalização como um dos fundamentos da reclassificação fiscal. 2. Alega que suas mercadorias são idênticas àquelas que foram analisadas no processo de Solução de Consulta SRRF 7ª RF nº 425 de 23 de dezembro de 2003. 3. Alega que o produto importado não é um “revelador” e que não possui materiais magnetizáveis. Cita parecer técnico privado sobre a classificação fiscal do produto. 4. Alega que há “um item específico” na TEC para tinta de impressão em pó. Alega que sua classificação fiscal está correta. 5. Requer que seja realizada diligência ao LABANA – Santos, para produção de prova técnica e indica quesitos. Alega que o não atendimento do requerimento seria hipótese de cerceamento de defesa nos termos do art. 59 do PAF (Decreto nº 70.235/72). 6. Alega que a autuação não poderia ocorrer sem a análise física dos produtos. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 7. Alega incabível a tipificação de declaração indevida/inexata nos termos do Parecer COSIT nº 477/88 e do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 8. Cita texto extraído da internet (site do “ICEX”) para justificar a não aplicação da multa por erro de classificação fiscal. 9. Alega incabível a multa de ofício nos termos do Ato Declaratório COSIT nº 10/97. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 10. Alega que a exigência de juros só poderia ser feita após decisão final do processo administrativo. Alega ainda a inconstitucionalidade da taxa SELIC. Cita jurisprudência judicial sobre o tema. 11. Requer, por fim, que seja julgada improcedente a presente autuação ou, alternativamente, seja convertido o julgamento em diligências de caráter técnico.” Após analisar as razões de impugnação apresentadas, a 24ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o acórdão no 1638.900, a qual restou da seguinte forma ementada: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TONER. O produto conhecido comercialmente como TONER, com as características do presente processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3707.90.21.” Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às efls. 435/460, por meio do qual reiterou suas razões de impugnação, discorrendo sobre o fato de que o procedimento de revisão aduaneira teve origem em Resposta à Consulta realizada por terceiros sobre o mesmo produto por ela importado. Em seu recurso a Recorrente (i) defendeu a classificação fiscal indicada para o produto “Toner”, (ii) requereu a realização de diligência com indicação de quesitos para comprovar a inexistência entre seus componentes de materiais magnetizáveis cujo uso seja transportar as partículas de tonalizador (tonner ou tinta em pó) para as áreas carregadas eletrostaticamente;(iii) alegou a impossibilidade de aplicação da multa de 1% em razão da classificação incorreta; (iv) bem como a impossibilidade de aplicação das multas de ofício (75%) em vista da descrição correta dos produtos nas notas fiscais e Declarações de Importação – DI’s – conforme determinam o Parecer no 477/88 e o Ato Declaratório Cosit no 10/97 e (v) alegou a ilegalidade da Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado tratase de processo de revisão aduaneira originado em decorrência de verificações fiscais originadas em razão de resposta à Consulta de contribuinte diverso do autuado (de acordo com descrito no Auto de Infração – efls. 48 processo de consulta 10768.100135/200579). A fiscalização procedeu à revisão das DI’s referentes à importação de “Toner” pela Recorrente do período de 2003 a 2008. A discussão referese a qual seria a correta classificação fiscal do produto importado: (i) NCM 3215.11.00 – contribuinte ou (ii) NCM 3707.90.21 fiscalização: “3215 TINTAS DE IMPRESSÃO, TINTAS DE ESCREVER OU DE DESENHAR E OUTRAS TINTAS, MESMO CONCENTRADAS OU NO ESTADO SÓLIDO. 3215.1 Tintas de impressão: 3215.11.00 Pretas” – destaquei “3707 PREPARAÇÕES QUÍMICAS PARA USOS FOTOGRÁFICOS, EXCETO VERNIZES, COLAS, ADESIVOS E PREPARAÇÕES SEMELHANTES; PRODUTOS NÃO MISTURADOS, QUER DOSADOS TENDO EM VISTA USOS FOTOGRÁFICOS, QUER ACONDICIONADOS PARA VENDA Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.004496/200876 Acórdão n.º 3302002.837 S3C3T2 Fl. 12 5 A RETALHO PARA ESSES MESMOS USOS E PRONTOS PARA UTILIZAÇÃO. 3707.90 Outros 3707.90.2 Reveladores 3707.90.21 À base de negro de carbono ou de um corante e resinas termoplásticas, para a reprodução de documentos por processo eletrostático” destaquei A Recorrente alega em seu favor à existência de consulta indicando exatamente a classificação fiscal pretendida (Solução Consulta SRRF 7a RF no 425/2003) enquanto a fiscalização esclarece que esta Consulta foi revertida após análise de Divergência (Solução de Divergência COANA no 15/2010). Passo a analisar a questão relativa à classificação fiscal. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que entendo despicienda a realização de diligência posto que não resta dúvida do produto importado “Toner”, indicado pela Recorrente como similar aquele objeto da Consulta SRRF 7a RF no 425/2003: “8. Importante destacar que em outro processo de consulta de classificação fiscal, a mesma mercadoria importada pela autuada foi alvo de solução de consulta (da mesma 7ª Região Fiscal) cujo resultado claramente beneficia a ora autuada. Vejamos: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 7ª REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 425 DE 23 DE dezembro de 2003 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TEC – 3215.11.00. Tinta de impressão em pó, cor preta, utilizada no enchimento (refil) da câmara de tinta dos cartuchos de tinta em pó para impressoras a laser, marca registrada VelvetoneLegend, tipo Velvetone Toner, modelosLexmark optra “T610” e “S” e “HP LaserJet400”, fabricada por Graphic Technologies EUA, apresentada em Sacos de Plástico de 10Kg e Tambores Cilíndricos de 50 a 200Kg e Francos de 250mL a 2,0 litros.” A despeito da tendência natural de classificar um produto comercialmente denominado como “Toner” como “Tintas para Impressão”, é cediço que a Regra no 1 de Classificação determina que “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos tem apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes.” Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Neste aspecto, não se classifica produto apenas lendo os títulos da Seção, Capítulo e Subcapítulo, estes são apenas indicativos. É preciso analisar a composição do produto que se pretende classificar. Após analisar a discussão travada nos autos, percebo que a divergência está pautada, especificamente, na interpretação das Notas Explicativas. Segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado a Posição 3215 compreende: “A) Tintas de impressão. São preparações de consistência mais ou menos gorda ou pastosa, que se obtêm misturandose um pigmento preto ou colorido, finamente triturado, com um excipiente. O pigmento utilizado que é geralmente o negro de carbono para as tintas de impressão pretas, pode ser orgânico ou inorgânico para tintas coloridas. O excipiente é constituído, por exemplo, por resinas naturais ou polímeros sintéticos, dispersos em óleos ou dissolvidos em solventes e uma pequena quantidade de aditivos destinados a darlhe as propriedades funcionais desejadas”. E acrescentam: “Estas tintas apresentamse geralmente líquidas ou em pastas. Contudo, esta posição abrange não só as tintas concentradas ainda líquidas, mas também as tintas sólidas (em pó, pastilhas, tabletes, bastões, etc.), suscetíveis de se utilizarem como tais por simples dissolução ou dispersão”. destaquei Enquanto as Notas Explicativas da Posição 37.07 diz: “essa posição compreende os produtos do gênero dos que se utilizam para obtenção direta de imagens fotográficas, os quais podem se apresentar puros ou sob a forma de misturas (preparações) de dois ou mais produtos que se destinem a usos fotográficos”. A questão é que, de acordo com o procedimento de impressão apresentado pela Recorrente e constatado pela fiscalização e autoridades administrativas quando da análise da mencionada Solução de Divergência, ao produto importado pela Recorrente não é adicionado nenhum componente na intenção de se promover à sua “dissolução” ou “dispersão”. O pó negro importado pela Recorrente é utilizado de forma direta para a reprodução que se pretende, sendo aplicado após ter sido aquecido, conforme esclarecido na decisão recorrida: “Por sua vez, impressoras a laser são equipamentos cujo processo de funcionamento é semelhante ao utilizado na reprodução eletrostática. Um cilindro de metal, fotossensível, apresenta variações de resistividade provocadas pela luz que incide nele, mudando sua polarização. Após a polarização, um outro cilindro repleto de “toner”, por processo eletrostático, transfere este produto para o cilindro metálico, revelando a imagem latente do que se vai imprimir. A etapa seguinte é feita por meio de um fusor aquecido que derrete o “toner” que está no cilindro, fundindoo com o papel.” destacamos Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.004496/200876 Acórdão n.º 3302002.837 S3C3T2 Fl. 13 7 Não há, neste caso, a dissolução ou dispersão do pó do Toner. Ademais, conforme bem lembrado pela decisão recorrida, a posição 37.07. referese expressamente ao processo eletrostático similar aquele utilizado pelas impressões a laser, verbis: “Corroborando tal assertiva, fazse referência novamente as NESH da posição 37.07 que, elencando os produtos abrangidos pela posição, cita as emulsões para sensibilização de superfícies, fixadores, produtos de viragem, reforçadores, bem como os reveladores, destinados a tornar visíveis as imagens fotográficas latentes, incluindo expressamente neste grupo os reveladores utilizados para a reprodução de documentos por processo eletrostático.” destaquei Atualmente, ainda é possível encontrar dentre as Notas NESH a seguinte Nota Excludente: “3215 Esta posição não compreende: a) Os reveladores constituídos por um toner (mistura de negro de carbono e de resinas termoplasmáticas) misturado a um veículo (grãos de areia envolvidos em etilcelulose) e utilizados em fotocopiadoras (posição 37.07) destaquei Ante o exposto, com razão a fiscalização em relação à classificação fiscal do produto importado pela Recorrente. Todavia, é preciso analisar as demais questões trazidas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, referente à (i) alegou a impossibilidade de aplicação da multa de 1% em razão da classificação incorreta; (ii) bem como a impossibilidade de aplicação das multas de ofício (75%) em vista da descrição correta dos produtos nas notas fiscais e Declarações de Importação – DI’s – conforme determinam o Parecer no 477/88 e o Ato Declaratório Cosit no 10/97 e (iii) alegou a ilegalidade da Taxa Selic. No que se refere à multa por erro de classificação fiscal, a Recorrente não trouxe em seu recurso qualquer fundamento que justifique a não aplicação da penalidade. A consulta citada pela Recorrente é de terceiros, portanto não lhe garante o procedimento de classificação adotado. Em relação à multa de 75% aplicável em razão do não recolhimento do tributo conforme a base correta requer a Recorrente a aplicação do Ato Declaratório Normativo CST no 10 de 20/01/97 bem como do Parecer COSIT no 477/88. O ADN nº 10/97 dispunha: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso 1, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. 3. Ficam revogados os Atos Declaratórios (Normativos) COSIT n°s 38, de 24 de junho de 1994, e 36, de 5 de outubro de 1995. PAULO BALTAZAR CARNEIRO – destacamos. Ocorre que o ato acima que validaria o comportamento da Recorrente foi revogado pela ADI SRF nº 13/2002, o qual passou a dispor: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, declara: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997.” Observase que o novo ato excluiu das hipóteses de exclusão da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9430/96 exatamente a expressão “bem assim a classificação tarifária errônea”. Registrase que era esta a redação do Ato Normativo que estava vigente quando da importação dos produtos pela Recorrente, uma vez que ocorridas entre 2003 e 2008. Assim, a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 é vinculada ao tributo devido e sua aplicação decorre da lei, não havendo ato normativo que exclua sua aplicação. Neste sentido, Acórdão 3302001.895, de lavra do ilustre Conselheiro Walber José da Silva, cuja ementa parcialmente transcrevese: MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I o artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/ 2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. [...] DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO. A falta de pagamento do tributo decorrente de declaração inexata prestada pelo ontribuinte enseja a aplicação da multa de ofício de 75%. A incidência da multa de Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.004496/200876 Acórdão n.º 3302002.837 S3C3T2 Fl. 14 9 fício não exclui a aplicação da multa por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84, I, da MP 2.15835/01. O Acórdão 3201001.037, embora exonerando a multa de ofício, evidencia a alteração promovida pelo ADI nº 13/2002, conforme excerto abaixo: “Entretanto, ao tempo em que ocorreu o fato gerador ora em discussão, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10 de 1997 estava em plena vigência e estabelecia uma regra de exclusão de multa, nos seguintes termos: ... não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Ora, como a referida regra somente foi revogada quando da publicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10.09.2002, e não tendo a Recorrente agido com dolo quando informou a classificação fiscal das mercadorias importadas na respectiva declaração de importação, as quais foram corretamente descritas, não merece prosperar a multa de ofício de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996.” Por derradeiro, cumpre analisar a alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. O art. 13 da Lei nº 9.065/1995, dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). No caso, a Lei dispôs de modo diverso, estando, também, em consonância com o CTN. Ademais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF firmou entendimento de que a Taxa Selic deve ser aplicada para atualização dos débitos federais, conforme dispõe a Súmula no 4, aprovada em Sessão Plenária e abaixo reproduzida: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fica claro, portanto, que não há qualquer ilegalidade no cálculo dos juros de mora efetuado com base na taxa SELIC. Ante o exposto, é o presente para conhecer do recurso voluntário apresentado para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003681/2007-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Da aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, deve ser observada a redação antiga do artigo 35 da Lei 8.212/91 com a limitação do percentual de 75% referido pelo artigo 35-A da Lei 8.212/91 por remissão ao artigo 44 de Lei 9.430/96.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Tereza Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator-Designado AD HOC para formalização do acórdão.
EDITADO EM: 26/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Da aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, deve ser observada a redação antiga do artigo 35 da Lei 8.212/91 com a limitação do percentual de 75% referido pelo artigo 35A da Lei 8.212/91 por remissão ao artigo 44 de Lei 9.430/96. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Tereza Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 36 81 /2 00 7- 67 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10950.003681/200767 Acórdão n.º 9202003.646 CSRFT2 Fl. 397 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. EDITADO EM: 26/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 327/335), em face do Acórdão n° 280300.402 (efls. 316/323), que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso da contribuinte, “para aplicar a multa do art. 35 da Lei n. 8.212/91 na redação da Lei n. 11.941/09”. Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 240200.233, que restou assim ementado: “... MULTA DE MORA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – RETROATIVIDADE BENIGNA – INOCORRÊNCIA. Havendo lançamento de ofício, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2° do art. 61 da Lei n° 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 347/348, não tendo apresentado a Recorrida contrarrazões. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10950.003681/200767 Acórdão n.º 9202003.646 CSRFT2 Fl. 398 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão Pelo fato de o ConselheiroRelator Alexandre Naoki Nishioka ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, nomeado para formalização reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 347/348. Discutese, no presente caso, se da aplicação da retroatividade benéfica prevista no artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, deve ser aplicada a redação antiga do artigo 35 da Lei 8.212/91 com a limitação de 20% prevista no artigo 61, §2o. da Lei n. 9.430/96, ou o percentual de 75% referido pelo artigo 35A da Lei 8.212/91 por remissão ao artigo 44 de Lei 9.430/96. A questão tem sido muito discutida no âmbito desta Câmara Superior, tendo sido firmado o entendimento majoritário segundo o qual, em casos como o presente, de lançamento de ofício de obrigação principal, deve ser aplicado o artigo 35 da Lei 8.212/91 com o limite de 75% previsto no artigo 35A, em virtude da natureza jurídica da multa aplicada, de ofício, e não simplesmente de mora. É o que se extrai, por exemplo, do Acórdão 9202003.409, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad em 21 de outubro de 2014, que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido.” Transcrevo da fundamentação do voto do ilustre Conselheiro o seguinte excerto: “No presente caso, considerando que o lançamento decorreu do não recolhimento das contribuições arrecadadas de segurados empregados e Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10950.003681/200767 Acórdão n.º 9202003.646 CSRFT2 Fl. 399 4 contribuintes individuais declaradas em GFIP, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212/1991 denominasse tal penalidade de mora, tem ela, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal, e não no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de tributo autolançado. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Esta conclusão também é a mesma para aqueles que acompanham meu voto neste julgamento pelas conclusões. No entendimento deles a multa pelo descumprimento da obrigação principal deve ser acrescida à multa por descumprimento da obrigação acessória eventualmente lançada em outros autos para fins de comparação com o limite de 75% previsto na Lei n. 11.941.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial para determinar a aplicação da multa prevista na redação antiga do artigo 35 de Lei n. 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%, se mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000091/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
NULIDADE - IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO - Por força do artigo 42, Parágrafo Único, inciso I, do RICARF, aprovado pela Portaria 256/2009, impõe-se a substituição do Redator Designado.
Numero da decisão: 1301-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto da qualidade, recurso provido para cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva e, por unanimidade de votos, recurso de ofício prejudicado. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FÔNSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI - Redator designado.
EDITADO EM: 24/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto da qualidade, recurso provido para cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva e, por unanimidade de votos, recurso de ofício prejudicado. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. (Assinado digitalmente) VALMAR FÔNSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. (Assinado digitalmente) VALMIR SANDRI - Redator designado. EDITADO EM: 24/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
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(SUCEDIDA / INCORPORADA POR SUZANO PETROQUÍMICA S.A. (CNPJ N° 04.705.090/000177) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: NULIDADE IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO Por força do artigo 42, Parágrafo Único, inciso I, do RICARF, aprovado pela Portaria 256/2009, impõese a substituição do Redator Designado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto da qualidade, recurso provido para cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva e, por unanimidade de votos, recurso de ofício prejudicado. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. (Assinado digitalmente) VALMAR FÔNSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Redator designado. EDITADO EM: 24/04/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 91 /2 00 6- 61 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Relatório Tratase, no caso, de recursos de ofício e voluntário interpostos – tanto pela Fazenda Nacional quanto pela Contribuinte , contra a decisão exarada pela 5a Turma da DRJ/SP1, que, em 01 de junho de 2010, restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 EMPRESA EXTINTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. Correta a indicação da empresa, ainda que extinta, como contribuinte, por ser ela a pessoa que praticou o fato gerador da obrigação tributária. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFICIO. RESPONSABILIDADE. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da incorporação, inclusive por eventual multa de oficio e demais encargos legais. EMPRESAS VINCULADAS. CONTRATO DE MÚTUO REGISTRADO NO BACEN. JUROS ATIVOS. No caso de mútuo com pessoa vinculada, com contratos registrados no BACEN, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada. Exigência exonerada. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. EMPRESAS VINCULADAS. Consideramse vinculadas à pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e, portanto, sujeitas ao controle dos preços de transferência, a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no Brasil estiverem sob controle administrativo comum ou quando pelo menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física ou jurídica. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. OPÇÃO PELO MÉTODO. Não havendo a contribuinte efetuado qualquer cálculo dos pregos de transferência em sua DIPJ, a fiscalização pode determinar os preçosparâmetro e os conseqüentes ajustes com base em qualquer um dos métodos previstos na legislação (no caso, o método PRL20 Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), não sendo obrigatória a apuração dos pregos de transferência por mais de um método e a escolha do mais favorável ao contribuinte. MÉTODO PRL20. EQUIVOCO NA APURAÇÃO DOS AJUSTES. EXIGÊNCIA EXONERADA EM PARTE. Exonerase em parte a exigência decorrente de ajustes de preços de transferência calculados com base no método PRL20, em face da constatação de equívocos na apuração da matéria tributável. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301001.307 S1C3T1 Fl. 3 3 O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende, mutatis mutandis, à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Da análise dos termos da decisão proferida, verificase que, a parte exonerada do crédito tributário se refere à imputação fiscal inicialmente realizada relativa ao lançamento dos valores apurados a título de “juros ativos”, decorrentes dos contratos de mútuos por ela realizadas com agentes no exterior, o que, após o resultado da diligência realizada, acabou rstar apontado pelo atendimento de todos os requisitos do Art. 22 da Lei 9.430/96 e, portanto, a inexistência de diferenças a ser então considerada. Além desse apontamento, verificase ainda – quanto à identificação do crédito exonerado e a interposição do conseqüente recurso de ofício , a referência quanto à redução do importe tributável em decorrência das considerações e análises desenvolvidas quando da diligência. Sobre esse ponto, é relevante destacar o apontamento contido na r. decisão de origem: Com relação aos erros apontados pela impugnante na apuração pela fiscalização dos ajustes pelo método PRL20 (erros na apuração dos pregosparâmetro e nas quantidades passíveis de ajuste), há que se observar que a Auditora Fiscal autuante reviu seus cálculos, apurando um ajuste total de R$ 556.339,78 (relativo aos produtos KF6190/P e KY6100/P), conforme demonstrado ás fls. 641 (Resumo Somatório de Vendas), 635/636 (Preço praticado corrigido), 637/639 (Pregoparâmetro PRL20 corrigido) e 640 (Total Ajustes PRL20). Com relação aos demais produtos objeto da autuação (LY6110/P, TS6500/P e SM 6100/P, fl. 82), não foram apurados ajustes após as correções efetuadas pela Auditora Fiscal autuante (fls. 637/638). A impugnante, apesar de haver contestado a utilização do método PRL20 (argumento afastado, conforme decidido no item anterior), concorda, em sua manifestação acerca da diligência (fl. 649), que esses novos cálculos estão corretos. Dessa forma, há que se manter a tributação, a titulo de ajuste de preços de transferência, do montante de R$ 556.339,78. Na demonstração do crédito constituído nestes autos, destaca ainda a r. decisão de origem: Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER 4 Em decorrência da relevante exoneração parcial noticiada, restou pois, então, registrada a oposição do indicado Recurso de Ofício, sendo então remetidos os autos à análise deste Conselho. Nada obstante, intimada a contribuinte dos termos da decisão exarada, foi então interposto o seu correspondente Recurso Voluntário (agora pela empresa QUATTOR PETROQUÍMICA S/A, sucessora de SUZANO PETROQUÍMICA S/A, que, por sua vez, é sucessora por incorporação de POLIBRASIL RESINAS S/A CNPJ no 59.682.583/000120), pretendendo a reforma da decisão com relação à parte mantida do lançamento impugnado, aduzindo, para tanto, as seguintes razões jurídicas: Preliminarmente A nulidade da autuação, tendo em vista que promoveu a imputação de multa de oficio sobre empresa que, por força da incorporação realizada, já havia sido regularmente extinta; A nulidade do lançamento ante a iliquidez e a incerteza dos lançamentos. Inobservância das “minúcias” das operações realizadas, não podendo ser aplicado o preço parâmetro sobre a totalidade das operações realizadas; A invalidade da alteração do critério jurídico da autuação pela Turma Julgadora; No mérito A inaplicabilidade das regras de preços de transferência às operações analisadas por não serem as empresas mencionadas “pessoas vinculadas” nos termos da legislação de regência; A nulidade do lançamento em face da ausência de comparação entre os métodos disponíveis para a apuração dos preços parâmetro A inaplicabilidade do método PRL 20 ao presente caso: operação com commodities; A impossibilidade da aplicação de multa de ofício na hipótese de responsabilidade por sucessão A ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC como índice de juros moratórios A ilegalidade da cobrança dos juros sobre a multa Por fora da interposição do Recurso Voluntário, foram, ainda, apresentadas Contrarazões ao recurso pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, destacando, em suas razões, as seguintes e específicas ponderações: Fl. 926DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301001.307 S1C3T1 Fl. 4 5 Da legitimidade passiva: Havendo, na autuação efetivada, a indicação da empresa que atuara na realização dos fatos analisados e, também, a indicação da respectiva sucessora, não se haveria falar em qualquer hipótese de nulidade, sobretudo ante a verificação da inexistência de óbices a sua defesa. Das demais nulidades apontadas: ausência de nulidade pelo acolhimento do resultado da diligência e na redução do tributo devido. A incidência das regras de Transfer Pricing: operações realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas a Basell International Holding B. V. é detentora de 50% do capital social da Petroken e, indiretamente (por meio de coligadas ou controladas), é dona de 48,83% do capital social da Polibrasil, temos que uma mesma pessoa possui mais de 10% do capital social de ambas as empresas. Portanto, as operações entre elas estão sujeitas ao controle de preços de transferência. A escolha do melhor método: Ausência de determinação legal e/ou regulamentar no sentido de que estaria a fiscalização obrigada a promover a análise por todos os métodos disponíveis para, a partir daí, adotar aquele que fosse mais adequado à contribuinte. Na verdade, o dispositivo invocado expressa uma faculdade/garantia conferida pela lei à contribuindo, sendo certo que, não fazendo ela a sua escolha, não estaria a fiscalização legitimada a fazêlo. Da perfeita aplicação do PRL20 às operações de commodities: a aplicação da margem de lucro de 20% (vinte por cento) é decorrente da presunção determinada pela Lei, não havendo, na específica legislação de regência, qualquer consideração ao tipo do produto comercializado. Da multa de ofício – responsabilidade por sucessão. A validade da incidência dos juros sobre a multa e também a aplicação da SELIC como taxa de juros moratórios. É o que se tem a relatar. Passo ao voto. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER 6 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. Do Recurso Voluntário A par da relevante exoneração tributária determinada pela r. decisão, insiste ainda a contribuinte nas razões de sua anterior impugnação, buscando, com o acolhimento de seu Recurso Voluntário, o reconhecimento da insubsistência do lançamento. Analisemos, então, as suas específicas razões: DAS PRELIMINARES ARGUIDAS Nulidade do Auto de Infração lavrado contra empresa já extinta por incorporação validamente realizada A primeira matéria sustentada pela recorrente diz respeito argüição de nulidade formal do lançamento, uma vez que teria sido ele lavrado contra empresa que já teria regularmente extinta, em decorrência da incorporação realizada. A r. decisão de primeira instância, a respeito desse específico apontamento, rejeita as razões da impugnação apresentada, destacando, entretanto, o frágil argumento de que, a empresa SUZANO PETROQUÍMICA S/A seria sucessora e, por isso, responsável pelos débitos da empresa POLIBRASIL RESINAS S/A, o que, segundo entende, seria pois suficiente para afastar a nulidade apontada. A par de todas as discussões possíveis a partir dos argumentos apresentados pela r. decisão de primeira instância, verificase que, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, o lançamento, quando efetivado, não desconhecia e não desconsiderou o fato da ocorrência da alteração societária apontada (incorporação), fazendo constar, desde a lavratura do auto de infração em questão, a expressa menção de que os fatos teriam sido praticados pela empresa POLIBRASI RESINAS S.A., mas quem sobre eles deveria responder era, de fato, a empresa sucessora SUZANO PETROQUÍMICA S.A., constando, expressamente, tais circunstâncias do próprio corpo da autuação efetivada. Logo, não se trata ao menos sob a minha ótica , de lançamento formalizado contra empresa que não mais existia, mas sim como ato de constituição do crédito tributário contra as empresas efetivamente relacionadas com a ocorrência do fato gerador, possibilitando, assim, integralmente, a discussão a respeito da validade do mérito do lançamento da forma como realizado. Em face dessas considerações, entendo, neste particular, pela inoponibilidade da nulidade apontada, tendo em vista que as circusntâncais específicas da realidade societária considerada não foram nunca desconsiderados pela fiscalização, não sendo possível, assim, o acolhimento da nulidade apontada. Da nulidade confirmada pela diligência realizada Fl. 928DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER Processo nº 16561.000091/200661 Acórdão n.º 1301001.307 S1C3T1 Fl. 5 7 Além da nulidade fundada na suposta ilegitimidade da empresa autuada, são ainda apresentados pela recorrente argüições de nulidade que, em síntese, podese ser aqui consideradas como nulidades decorrentes do resultado da diligência realizada, sobretudo porque, conforme ali se verifica, seriam referentes à suposta incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado, não se admitindo a simples aceitação e correção do lançamento, da forma como efetivado pela r. decisão de primeira instância, sendo, ao revés, fundamental o reconhecimento da nulidade da autuação, da forma como por ela especificamente apresentado. Como fundamento dessa pretensão, aduz a recorrente o fato de que a autoridade julgadora teria modificado o critério jurídico do lançamento efetivado, aperfeiçoandoo, o que, é bem verdade, é atividade vedada às instâncias julgadoras. Ocorre que, ao contrário do que afirma a recorrente, da análise das considerações apresentadas não se verifica a indigitada mudança de critério jurídico, mas apenas, e tão somente, a sua adequação quantitativa aos critérios então especificamente estabelecidos, o que, com toda a certeza, efetivamente não se mostra suficiente para o reconhecimento da apontada nulidade. Na verdade, ao analisar as razões e os elementos da impugnação e, a partir daí, promover a revisão dos cálculos do lançamento, o que fez a autoridade fiscalizadora – a partir de especifica determinação da Delegacia Regional de Julgamento , foi efetivamente adequar os resultados matemáticos aos critérios adotados, expressamente acolhendo, assim, as razões aduzidas pela impugnante e, no caso, apenas mantendo correspondente nos limites ali então especificamente estabelecidos. Nessa linha, não se trata, de forma alguma, de mudança do critério jurídico do auto de infração, nem tampouco de aperfeiçoamento da atividade da fiscalização pelas autoridades julgadoras, mas apenas, e tão somente, a necessária adequação do montante apurado aos termos ali especificamente apresentados, na esteira das expressas disposições do art. 145 do CTN, que, sobre o assunto, assim então especificamente destaca: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Nesses termos, completamente infundadas se apresentam as argüições relativas à suposta nulidade do lançamento em decorrência das alterações promovidas pela r. decisão de primeira instância, sobretudo porque, conforme se verifica, tal providência é então expressamente admitida em nosso ordenamento jurídico pátrio. Em face dessas considerações, rejeito, também, as argüições de nulidade relacionadas ao acolhimento, pela Turma Julgadora, dos resultados da diligência realizada, por entender, no caso, a sua perfeita adequação com o procedimento adotado. É como voto. (Assinado digitalmente) Fl. 929DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER 8 CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Voto Vencedor Conselheiro VALMIR SANDRI, redator designado. Tendo sido designado para proceder a redação do voto vencedor, foi que tomei conhecimento que a empresa recorrente Polibrasil Resinas S/A., foi incorporada inicialmente pela empresa Suzano Petroquímica S/A. e mais adiante pela empresa Quattor Petroquímica S/A., está última cliente do escritório do qual faço parte. Assim, estarei submetendo ao Presidente da Turma Julgadora, para apreciação, arguição de nulidade do julgamento, pelo fato de encontrarme impedido regimentalmente de participar do julgamento, ex vi do disposto no art. 42, parágrafo único, inciso I do RICARF, aprovado pela Portaria 256/2009, me abstendo, portanto, de proceder aqui anexação do voto vencedor para que não fique registrado minha opinião acerca da matéria constante nos autos. BrasíliaDF, 16 de fevereiro de 2014. Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 24/04/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUS TO DE ANDRADE JENIER
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Numero do processo: 10840.907186/2012-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO.
A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003.
ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Quando a defesa demonstra o entendimento do motivo da não homologação da compensação declarada, já expresso no Despacho Decisório, e a decisão recorrida esclarece que este fundamento fático consiste na verificação dos valores objeto de declaração anteriormente feita pelo próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3803-006.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 84 1 83 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.907186/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.850 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE PAPEL RIBEIRÃO PRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida a decisão que expressa a inexistência do credito utilizado na compensação, fundada na vinculação total do pagamento a débito anteriormente declarado pelo próprio interessado e na distinção entre o regime de incidência tributária previsto pela Lei nº 10.833/2003 e a regra geradora do suposto crédito contida na Lei nº 9.718/98. ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Quando a defesa demonstra o entendimento do motivo da não homologação da compensação declarada, já expresso no Despacho Decisório, e a decisão recorrida esclarece que este fundamento fático consiste na verificação dos valores objeto de declaração anteriormente feita pelo próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 86 /2 01 2- 33 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Despacho decisório da DRF/Ribeirão Preto não homologou a compensação declarada pela Contribuinte, por inexistência do crédito da Cofins perante a Fazenda Nacional, tendo consignado o ato administrativo que o DARF localizado estava integralmente utilizado em débito já informado pela Contribuinte. Em manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de motivação e por cerceamento de seu direito de defesa, pois não houve análise do mérito de seu direito creditório pela autoridade fiscal, e tampouco foramlhe explicitados os fundamentos da não homologação da compensação, sem esclarecimentos quanto à declarada indisponibilidade do DARF. Arguiu a inobservância aos princípios da legalidade, da motivação e da eficiência. No mérito, argumentou que ao calcular o débito da Cofins, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla, tendo, ainda, deixado de excluir da base de cálculo determinadas despesas. Referiu que tais razões, independentemente do entendimento da autoridade administrativa quanto à tese apresentada que pode ser contrário ou não , não foram objeto de análise. Em julgamento da lide, a DRJ/Ribeirão Preto esclareceu como se dá a operacionalidade de uma compensação, feita sob os auspícios exclusivos do contribuinte. Aduziu que o encontro de contas débito e crédito, ambos indicados na DComp é procedido eletronicamente pela verificação da disponibilidade do pagamento que o deve originar, em face de sua anterior e eventual alocação a débito a cuja quitação se destinara. Fixado o esclarecimento como premissa de que o encontro de contas é feito sobre dados informados pelo próprio contribuinte , sustentou não caber o argumento de defesa que alega desconhecimento quanto ao que está exarado no despacho decisório. Assim, afirmou a clareza do ato administrativo, ao referir que o DARF indicado fora localizado, porém integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Referiu que a manifestação de inconformidade embute solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior, sustentando que, nesse contexto, devia ela Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10840.907186/201233 Acórdão n.º 3803006.850 S3TE03 Fl. 85 3 atestar que o direito de crédito aproveitado na compensação tem apoio não só legal como documental. A despeito de a contribuinte mencionar genericamente que seu direito creditório decorreria de “utilização de teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, e sem se referir a ponto específico da legislação, ela afirmou a seguir que “é legítima a pretensão da Impugnante em verse restituída do que fora pago sobre a base de cálculo indevidamente ampliada”. Constatou que o fundamento real do suposto direito creditório pleiteado referiase ao alargamento da base de cálculo das contribuições promovida pelo parágrafo 1º do art. 3ºda Lei nº 9.718, de 1998, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso e com repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal. Afirmou, contudo, que a decisão do STF não é aplicável ao direito creditório em tela, por tratarse, aqui, de pagamento de Cofins não cumulativa (código de receita 5856 – conforme indicado no Despacho Decisório), contribuição esta instituída pela Lei nº 10.833, de 2003. Registrou, ao fim, que o DARF informado na DComp em tela foi também objeto de outras compensações (processos nºs 10840.907181/201219, 10840.907182/201255, 10840.907183/201208, 10840.907184/201244 e 10840.907185/201299), todos apreciados naquela sessão de julgamento). A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 30 de agosto de 2013, irresignada, a Interessada apresentou o recurso voluntário em 25 de setembro de 2013, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de nulidade A Recorrente argui novamente a falta de motivação e de esclarecimentos, agora da decisão recorrida, quanto ao porquê da indisponibilidade do valor utilizado como crédito na DComp. Não há cabimento para a irresignação da Recorrente. Arrazoa a Recorrente que o Despacho Decisório não apreciou o mérito do seu direito ao crédito, e que não foi esclarecido o motivo da indisponibilidade. Bem assim, deixou de fazêlo a decisão recorrida. Ora, sem o querer, a própria Recorrente aponta para a razão pela qual o mérito não chegou a ser analisado: a indisponibilidade do valor indicado como crédito, que tem origem no DARF apresentado na DComp. A legitimidade (disponibilidade) do crédito utilizado na compensação, uma vez constatada quando do encontro de contas eletrônico pelo sistema PERDCOMP, é fato bastante para a permanência da extinção do débito procedida unilateralmente por contribuinte. Isso, porque não compõe a prática da Administração Tributária da RFB a homologação expressa da compensação declarada. O mérito da disponibilidade do pagamento referenciado pelo DARF, mesmo se resultante de retificação de DCTF, ocorrida anteriormente à transmissão da DComp, não é questionado pela RFB no mencionado encontro de contas. Simetricamente, na via reversa, a indisponibilidade do valor utilizado na DComp não deve conduzir a Autoridade Administrativa a perquirir, via intimação ao contribuinte, onde e porque o crédito no DARF indicado quando ele se encontra integralmente alocado a débito anteriormente declarado pelo contribuinte. Justificase: a) a DComp é ato exclusivo do contribuinte, pelo qual extingue débito, fundado em crédito perante a RFB, por si próprio apurado, e que, portanto, deve se mostrar disponível tratandose de pagamento indevido ou a maior; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10840.907186/201233 Acórdão n.º 3803006.850 S3TE03 Fl. 86 5 b) a verificação eletrônica da procedência da compensação, pela RFB, se dá sobre os dados informados pelo próprio contribuinte; c) dadas as premissas acima, nada obsta que a decisão por meio de Despacho Decisório Eletrônico adote motivação tópica, focada tão só na circunstância como se apresenta, no sistema da RFB, o DARF de que se origina o crédito. Em virtude do padrão célere que este ato administrativo pode assumir, a não localização de um DARF, ou a sua insuficiência, total ou parcial, para compensar o débito declarado constituise legitimamente em prejudicial do mérito fundante (remoto ou mediato) do crédito. Um Despacho Decisório eletrônico sempre afirma (esclarece) se o DARF não for localizado, e, se localizado, quanto dele está disponível para a efetivação da compensação. Aí reside a motivação de eventual não homologação do débito constante da DComp. Fazer afirmação sobre uma dessas circunstâncias motivadoras da não homologação cabe dizer , também é mérito, em preliminar. Reitero, noutro dizer, que não deve ser imputado à Fazenda o ônus de buscar esclarecimento acerca de crédito informado pelo contribuinte e não localizado, em processo cujo interesse preponderante é do contribuinte. Este caráter do Despacho Decisório resulta em que o cerceamento do direito à ampla defesa somente pode se configurar a partir da instalação da lide, pela Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Quanto à decisão recorrida, ela foi hábil em esclarecer que a Manifestante bem entendera o motivo da não homologação da compensação, já informado no Despacho Decisório, quando expôs: Digase ainda que o Despacho Decisório é muito claro a respeito das razões que levaram à não homologação. Tanto é que em sua defesa a contribuinte afirma que os valores anteriormente declarados em DCTF podem ser eventualmente afetados por situações que lhe gerarão indébito tributário passível de restituição. Olvidouse, contudo, que tratandose a DCTF declaração constitutiva de dívida, indispensável que o eventual indébito esteja demonstrado nessa mesma declaração quando de sua compensação. A partir desta anotação caberia a Recorrente comprovar a legitimidade do crédito que utilizada na DComp, sendo de todo incabível sua mera alegação de nulidade do acórdão combatido. Logo, contendo a decisão todos os elementos que dão validade a um ato administrativo: competência, objeto, finalidade, motivo e forma, não se há de declarar a sua nulidade. Rejeito a preliminar. Mérito Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Aqui, temse em análise um crédito originado de um DARF referente à Cofins não cumulativa, de agosto de 2007, recolhido no código de receita 5856, sob a égide da Lei nº 10.833/2003. Segundo a norma de incidência introduzida pela Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. O argumento trazido à baila diz respeito à Cofins cumulativa, na vertente da ampliação da sua base de cálculo veiculada pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como se vê, o fato jurídico da real e ocorrida apuração da Cofins (não cumulativa) não se subsume à regra (art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98) sob a qual a Recorrente pretende ver amparado o direito pelo qual luta. Assim, não há qualquer pertinência jurídica no mérito suscitado para respaldar o crédito utilizado nas compensações. Noutro giro, registrese a grave conduta da Recorrente de utilizar valores parciais de um único DARF, de R$ 38.324,14, pago em 19/11/2007, em três DComps, (nºs 10123.05478.190912.1.3.042585, 13490.32476.190912.1.3.041027, 32271.25307.231012.1.3.04 5961, 41251.48606.231012.1.3.045472, 30551.38999.231012.1.3.040617 e nº 32549.38146.231012.1.3.040343), cuja soma chega a R$ 177.015,07 (R$ 24.357,68 + R$ 36.778,90 + R$ 21.894,81 + R$ 29.994,00 + R$ 33.810,16 + R$ 30.179,52). Estes valores quitam débitos que na data da transmissão somam R$ 265.245,58 (R$ 36.412,30 + R$ 54.980,78 + R$ 32.848,78 R$ 45.000,00+ R$ 50.725,38 + R$ 45.278,34). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13873.000574/2001-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/1998
EMENTA:
COFINS - AUDITORIA INTERNA DE DCTF- Confirmado pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário o direito creditório da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto Seção de Controle e Acompanhamento Tributário determinou a efetivação da compensação dos créditos com os débitos informados em DCTF. Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-003.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 05 74 /2 00 1- 40 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls. 150/156, admitido pelo Despacho nº 340000135 – 4ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento, datado de 08.08.2012, insurge a contribuinte contra o Acórdão 340200.313 (fls. 134/135), que negou provimento ao Recurso Voluntário por maioria de votos. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/1998 COFINS. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. PAGAMENTO NÃO CONFIRMADO. Quando o contribuinte declara em DCTF que o tributo foi pago por Darf, a constatação da falta de pagamento autoriza a exigência do tributo. Recurso Negado. A irresignação da contribuinte é no sentido de que o simples cometimento de erro de fato no preenchimento da DCTF, que informava inicialmente o pagamento direto e posteriormente foi retificado para informar a extinção do crédito tributário pela compensação, não pode ensejar a lavratura ou manutenção do Auto de Infração no qual também se impôs juros e multa de ofício no percentual de 75%. Relata que protocolou pedido de compensação de créditos de CSLL e IRPJ com os débitos discutidos nos autos em comento, o qual se encontrava à época pendente de julgamento no processo nº 13873.000078/9701, e seu desmembramento de nº 13873.000422/200147. Narra, ainda, que em momento posterior o pedido foi deferido, culminando na extinção do crédito tributário pela compensação. Utiliza como paradigma os acórdãos nºs. 20218.133, 20180.734 e 106 16.078, que reconheceram a improcedência de Autos de Infração lavrados por força de situações fáticas idênticas, admitindo que mero erro no cumprimento de obrigação acessória que não ensejou o não recolhimento do tributo devido, não pode ser motivo para o lançamento que busca cobrar a mesma exação. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13873.000574/200140 Acórdão n.º 9303003.278 CSRFT3 Fl. 229 3 Requer o provimento do recurso para que seja cancelada a cobrança. Contrarrazões fls. 662/669. Sustenta a Fazenda Nacional que ao contrário do que declara a recorrente, o lançamento em pauta aponta a não localização dos pagamentos consignados em DCTF. Isto porque, as razões de defesa modificaram a natureza dos pretendidos créditos afirmando que os pagamentos deixaram de ser diretos e passaram a ser objeto de compensação. Esclarece que a indicação de débitos em pedidos ou declarações de compensação, havidos anteriormente à MP nº 135/2003, não revela caráter de confissão de dívida, motivando o lançamento de ofício, consoante determinação do art. 90 da MP nº 2.158 35/2001. Pleiteia a manutenção do Acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Revela a ora Recorrente no segundo parágrafo da fl. 151 o cometimento de equívoco no ato da declaração em DCTF porque informou a quitação do débito tributário quando na verdade estava aguardando homologação de pedido de compensação. Portanto, as razões do presente litígio dizem respeito a ser ou não pertinentemente legal o procedimento do Fisco em autuar contribuinte que cometeu equívoco no cumprimento de obrigação acessória.. O trabalho de observação dos lançamentos levados a efeito em DCTF´s , como de todos sabido, consiste na verificação entre os valores de débitos e créditos que quando desse balanço resultar inconsistências, surgirá a formalização da exigência fiscal. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Nas fls. 27/28, Pedidos de Compensação com débitos da COFINS, competência de julho e agosto de 1998, protocolados em 10.09.98 e 17.08.98 respectivamente, proveniente de créditos de imposto sobre a renda dos exercícios de 1993 e 1996 e contribuição social sobre o lucro do ano de 1996, que fez surgir o processo administrativo nº 13873.000078/9701 tratando exatamente dos valores versados no auto de infração, cuja homologação está sob a regência de tutela judicial conforme decisão de fls.35/37. Verifico que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, concedeu exoneração da multa de ofício uma vez que a não homologação das compensações pleiteadas e ainda não solucionadas , não se deveu a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 e, bem como, no art. 18 da Lei nº 10.833/03, em homenagem ao princípio da retroatividade benigna do art. 106, II, “c” do CTN.(fl. 68) Fazendo o necessário cotejo dos valores envolvidos nestes autos, constato que o Auto de Infração contemplou a exigência de R$ 135.176,25, sendo que destes, R$ 57.090,75 correspondem ao valor do principal; R$ 42.818,06 à multa de ofício, a qual foi exonerada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto; e R$ 35.267,44 aos juros de mora. Em fls. 101/107, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário prestou informações sobre o Mandado de Segurança nº 2002.61.08.0053164 e esclareceu que após a impetração do mandamus, o processo administrativo nº 13873.000078/9701 retornou para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, que reconheceu o direito creditório da contribuinte e determinou a respectiva compensação do crédito com os débitos informados em DCTF. Em razão do exposto, voto pelo provimento do Recurso. Sala das Sessões, 05 de fevereiro de 2015. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 36624.000809/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2005
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a fiscalização, ao exercer o seu ônus-dever de efetuar o lançamento, deixou de trazer aos autos os elementos mínimos necessários a comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do crédito tributário constituído, em clara ofensa ao que dispõe o art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91, o lançamento deve ser tido como improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que rejeitavam a preliminar de decadência, b) no mérito, dar provimento ao recurso
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN. CESSÃO DE MÃODEOBRA. LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a fiscalização, ao exercer o seu ônusdever de efetuar o lançamento, deixou de trazer aos autos os elementos mínimos necessários a comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do crédito tributário constituído, em clara ofensa ao que dispõe o art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91, o lançamento deve ser tido como improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 09 /2 00 7- 26 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que rejeitavam a preliminar de decadência, b) no mérito, dar provimento ao recurso Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401003.870 S2C4T1 Fl. 944 3 Relatório Tratase de recurso voluntário por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL SA e a FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão de fls., que manteve parcialmente a NFLD N°. 37.065.6300, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes a retenção de 11%(onze por cento) sobre notes fiscais de serviço/faturas de cessão de mãoobra. Consta do relatório fiscal que constituem fatos geradores das contribuições lançadas fatos geradores das contribuições lançadas o valor da mãodeobra constante das notas fiscais de serviço/faturas de cessão de mãodeobra, nos termos da legislação em vigor. O lançamento compreende as competências de 01/2000 a 08/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). Às fls. 625 fora determinada a realização de diligência para que e fiscalização apontasse de forma minuciosa quais os elementos, documentos e razões consideradas para entender que os serviços descritos nas notas foram prestados mediante cessão de mãodeobra, fazendo a sua juntada aos autos. Sobreveio a resposta da diligência solicitada apontando o seguinte: Em atendimento ao despacho n° 08 14° Turma da DRJ/SPOI, fls. 632 A 634, informamos: 1. Juntamos a procuração nos termos do item 4.1, fls. 633. 2. Para a constituição do débito foram examinados os registros contábeis, as notas fiscais/faturas de serviço, guias de recolhimento da previdência social e contratos de empreitada/serviço fornecidos a fiscalização. Cabe salientar, entretanto, que à época da ação fiscal não tivemos acesso à maioria dos documentos ora apresentados pela impugnante, o que gerou a lavratura do Auto de Infra*. 37.065.6318, CFL 38. 3. Juntamos o relatório RL Relatório de Lançamentos (anexo 1), entregando cópia ao contribuinte, • conforme determinado no item 4.3, fls. 633. 4. Foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. Intimada, a recorrente não se manifestou quanto resultado da diligência, mas apenas reiterou os argumentos de impugnação e requereu a aplicação da Súmula 08 e o art. 150, 4o do CTN ao caso. Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas às competências de 01/2000 a 11/2000 em razão do Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 4 reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN, bem como retificado o lançamento em conformidade com as planilhas de fls. 685. Em seu recurso, a contribuinte sustenta a nulidade do lançamento, em razão da não demonstração da ocorrência do fato gerador. Acresce que não havia obrigatoriedade das retenções, pois as empresas das notas fiscais são optantes do SIMPLES. É o relatório. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401003.870 S2C4T1 Fl. 945 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. RECURSO VOLUNTÁRIO Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. E, no caso dos autos, o acórdão de primeira instância vislumbrou que não foram considerados pagamentos, a partir da análise do DAD – Discriminativo Analítico do Débito, de modo que, em seu entendimento, em não havendo pagamentos, fora determinada a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN. No entanto, a parte interessada aponta a existência de pagamentos, o que confirmo a partir da verificação do TEAF, onde foram apropriadas guias de pagamento. A propósito, cito jurisprudência deste conselho que ampara tal entendimento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, verificados no relatório termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF. Embargos Rejeitados. (Acórdão 2403001.890, Rel. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Sessão de 20/02/2013) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4o do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401003.870 S2C4T1 Fl. 946 7 Além disso, o resultado da diligência complementar aponta que no lançamento foram considerados pagamentos, o que inclusive levou à retificação dos valores lançados Vejamos: 2. Para a constituição do débito foram examinados os registros contábeis, as notas fiscais/faturas de serviço, guias de recolhimento da previdência social e contratos de empreitada/serviço fornecidos fiscalização. [...] Considerando os documentos apresentados pela impugnante nessa fase de defesa, retificamos o débito, em valores originários, de R$ 525.181,38 (quinhentos e vinte e cinco mil, cento e oitenta e um reais e trinta e oito centavos) para R$ 436.256,85 (quatrocentos e trinta e seis mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e cinco centavos), conforme demonstrado nos Anexos 1 e 2. 1 Para a retificação do débito não consideramos as GPS pagas após a lavratura da notificação, pois não compete ao auditor notificante a análise de tais documentos Logo, por tais motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. Nulidade do Lançamento Refiscalização Na oportunidade da sustentação oral, o patrono da recorrente argüiu a nulidade do lançamento em razão de que, diante das determinações da DRJ quanto aos motivos que ensejaram o lançamento, em verdade houve a formalização de novo lançamento e não a mera complementação do relatório fiscal original. E trouxe tal matéria, sob o argumento de tratarse de matéria de ordem pública, que poderia ser enfrentada por este colegiado, mesmo sem ter sido argüida no recurso. Todavia, sem qualquer manifestação acerca do pedido formulado, seja mesmo quanto a se tratar de matéria de ordem pública, valhome nesta oportunidade do disposto no art. 59, §3o do Decreto 70.235/72, a seguir, por entender que o mérito do recurso voluntário deve ser julgado em favor da recorrente. Confirase: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 8 Dessa forma, passo ao mérito. MÉRITO A recorrente sustenta que o lançamento não pode ser considerado como válido, pois da forma como realizado cerceou o seu direito de defesa, além de não ter o fiscal logrado êxito em demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. De modo a analisar tal argumento, transcrevo, inicialmente as palavras do fiscal quando da elaboração do relatório fiscal original, através das quais buscou demonstrar a ocorrência do fato gerador. Vejamos: 2 0 sujeito passivo identificado em epígrafe está sendo notificado, através da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, a recolher ao Instituto Nacional de Seguro Social INSS o débito no montante de R$ 952.909,18 (novecentos e cinqüenta e dois mil, novecentos e nove reais e dezoito centavos) consolidado em 22/12/2006, referente as contribuiçães sociais correspondentes el retenção de 11% (onze por cento) sobre notes fiscais de serviço/faturas de cessão de mãoobra. 3 0 lançamento do debito apurado corresponde ao período de 01/2000 a 08/2005. 4Constituem fatos geradores das contribuiçães lançadas o valor da mãodeobra constante das notas fiscais de serviço/faturas de cessão de mãodeobra, nos termos da legislação em vigor. Verificase que em tal oportunidade, o ilustre fiscal autuante sequer apontou mesmo que superficialmente a natureza dos serviços prestados pelas empresas contratadas pela recorrente, de sorte a caracterizar o emprego da cessão de mãodeobra na contratação. Em face do obscuro relatório fiscal, a própria DRJ já determinou a necessidade da realização de diligência, de modo a que fosse elaborado novo relatório, agora, apontando, de forma minuciosa as razões de fato e de direito que justificavam o lançamento e mesmo o entendimento do fiscal acerca da presença e caracterização, em cada caso, da cessão da mãodeobra. Assim fora requerido pela DRJ: 4.2. Quanto ao Relatório Fiscal entendo ser necessária a sua complementação, mediante a emissão de Relatório Fiscal complementar, indicando quais os documentos e elementos examinados pela Fiscalização (contratos, notas fiscais / faturas, recolhimentos, entre outros) que levou o Auditor a concluir tratarse de serviços prestados por meio de cessão de mãode obra, podendo juntar os respectivos contratos. Verificase, ainda, após análise das notas fiscais, que muitos dos serviços foram contratados por empreitada de mão de obra (no caso da construção civil), sendo necessário, também, constar tal informação no Relatório complementar. Solicitase também que seja informado se foi formalizada ou não a RFFP Representação Fiscal para Fins Penais (art. I68A do Código Penal). 4.3. Considerando, ainda, a alegação da impugnante quanto ao possível cerceamento do direito de defesa da empresa que não Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401003.870 S2C4T1 Fl. 947 9 teria conseguido identificar algumas notas fiscais que deram origem ao lançamento pelo fato do Relatório de Lançamentos de fls.62/73 estar incompleto frente ao DAD de fls. 04/44 sugerese que a Fiscalização emita o Relatório de Lançamentos de forma completa, em duas vias, uma para o contribuinte e outra a ser anexada aos autos. 4.4. Assim, após a emissão do Relatório Fiscal Complementar e do Relatório de Lançamentos o contribuinte deverá ser cientificado dos referidos relatórios bem como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias de defesa. Em resposta, fora lavrado relatório fiscal complementar através do qual assim restaram respondidos os quesitos formulados pela DRJ: Em atendimento ao despacho n° 08 14° Turma da DRJ/SPOI, fls. 632 A 634, informamos: 1. Juntamos a procuração nos termos do item 4.1, fls. 633. 2. Para a constituição do débito foram examinados os registros contábeis, as notas fiscais/faturas de serviço, guias de recolhimento da previdência social e contratos de empreitada/serviço fornecidos a fiscalização. Cabe salientar, entretanto, que à época da ação fiscal não tivemos acesso à maioria dos documentos ora apresentados pela impugnante, o que gerou a lavratura do Auto de Infra*. 37.065.6318, CFL 38. 3. Juntamos o relatório RL Relatório de Lançamentos (anexo 1), entregando cópia ao contribuinte, • conforme determinado no item 4.3, fls. 633. 4. Foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. A fiscalização, portanto, se resumiu tão somente a apontar quais os documentos que analisou para chegar à conclusão de que nas contratações objeto das notas fiscais objeto do lançamento havia a efetiva presença da cessãodemão de obra, sem , no entanto, apontar, na forma que bem fora descrita pela DRJ quais os motivos que o levaram a tal conclusão. Ao agir dessa forma, a fiscalização deixou de dar o devido cumprimento ao que disposto no art. 142 do CTN, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 10 Seja o relatório fiscal original, seja o complementar foram produzidos sem a clara e precisa descrição da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Tais documentos, a meu ver, encontramse totalmente desmotivados das razões que comprovam o nascimento da obrigação tributária, de modo a permitir ao contribuinte que exerça a tempo e modo o seu direito de defesa, garantia prevista na Constituição Federal de 1988. Ressalto que nem mesmo diante de expresso requerimento formulado pela DRJ, a fiscalização nem mesmo apontou qual era a natureza dos serviços prestados e que constavam nas notas fiscais. Além disso, em momento algum também se manifestou sobre qualquer das cláusulas contratuais que regulavam as condições do serviço prestado para a recorrente, de sorte a justificar a presença da cessão de mãodeobra pela colocação de funcionários da empresa contratada à disposição da recorrente. Ao revés, deveria a fiscalização apontar de forma clara, precisa e inteligível todos os motivos de fato e de direito que adotou como aptos a caracterizar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, fazendo alusão a toda a documentação que na oportunidade fora por ela analisada, garantindo, assim o respeito ao princípio do devido processo legal. Assim, tratase de lançamento que a meu ver vai ainda de encontro com o disposto no art. 59, II, do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, a meu ver, outra conclusão não há, senão pela necessidade de que o lançamento seja julgado improcedente. Ante todo o exposto, voto no sentido de voto no sentido de acolher a decadência, declarando extinto o lançamento até a competência de 11/2001, e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento das demais competências. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
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Numero do processo: 11030.002238/2005-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO § 11 DA LEI Nº 10.833/2003. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO PRESUMIDO.
Não tem direito ao crédito presumido de que trata o § 11 da Lei nº 10.833/2003 a empresa que venda produtos com fim específico de exportação por falta de amparo legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Castro Pontes.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO § 11 DA LEI Nº 10.833/2003. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO PRESUMIDO. Não tem direito ao crédito presumido de que trata o § 11 da Lei nº 10.833/2003 a empresa que venda produtos com fim específico de exportação por falta de amparo legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 22 38 /2 00 5- 51 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Santa Maria – RS: A contribuinte supra identificada teve indeferido o direito creditório referente a saldo credor de PIS do 1° trimestre de 2004 no valor de R$ 22.928,54, conforme Despacho Decisório DRF/PFO, de 18 de julho de 2006, que se encontra à fl. 30. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal que se encontra às fls. 27 e 28, que serviu de base ao Despacho Decisório, a contribuinte, que é cerealista, teve glosados os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal de pessoas físicas, que foram comercializados com fim específico de exportação, em virtude da inexistência de previsão legal que autorize a apuração de tais créditos. Inconformada com o referido Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a manifestação que se encontra às fls. 35 a 51, acompanhada dos documentos que se encontram às fls. 52 a 76, na qual encontramse os seus argumentos, que podem ser assim resumidos: Alegou a fiscalização, com base no art. 3°, parágrafos 5° e 11, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que o direito creditório não era passível de ressarcimento por causa de a venda dos produtos adquiridos de pessoas físicas ter sido efetuada com "fim específico de exportação". Em relação a essas vendas, são anexadas cópias, por amostragem, de notas fiscais de vendas de soja em grãos para cada urna das agroindústrias Bunge Alimentos S/A e ADM do Brasil Ltda., assim como os respectivos Memorandos de Exportação emitidos pelas mesmas onde estão relacionadas todas as demais notas fiscais. A contribuinte não concorda com o posicionamento da fiscalização, em razão da existência da autorização legal na hipótese em que os créditos legitimamente apurados na compra não foram passíveis de dedução na venda em face de comando isentivo quando os produtos são exportados. Os créditos foram apurados em sintonia com as prescrições contidas no preceito geral do art. 3°, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, segundo o qual, do valor apurado na forma do art. 2°, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, notadamente no que concerne às aquisições dos produtos de que trata o § 11, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, aplicável ao Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 12 3 PIS por força de seu artigo 15 e em obediência ao principio da não cumulatividade expressa no art. 195, § 12, da Constituição Federal de 1988 (CF), com a alteração da Emenda Constitucional n° 42, de 2003. Como não houve débitos nas operações de remessa das mercadorias da contribuinte para as empresas Bunge Alimentos e ADM do Brasil, com o fim especifico de exportação, em virtude dos dispositivos constitucionais e legais que afastam a incidência da contribuição, resulta claro que os créditos decorrentes das aquisições precedentes (compra de soja) permanecem incólumes, sendo inegavelmente passíveis de ressarcimento, nos termos do art. 5°, parágrafos 1° e 2°, da Lei n° 10.637, de 2002, que é a previsão legal que a fiscalização e o Delegado da DRF/Passo Fundo, em seu despacho, afirmaram não existir. No entendimento da fiscalização, o crédito presumido em exame somente poderia ter sido apurado e utilizado nos casos em que as aquisições dos produtos "in natura" de origem vegetal junto a pessoas físicas fossem, posteriormente, revendidas para as pessoas físicas residentes no País, teve vigência no período de 1o./02/2004 a 31/07/2004, visto que os §§ 5° e 6° do art. 3° da Lei no 10.833, de 2003, foram revogados pela MP no. 183, de 2004, posteriormente convertida na Lei n° 10.925, de 2004. Assim, a partir de 1°/08/2004, o crédito presumido decorrente da aquisição produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, passou a ser tratado pelo art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 11.051, de 2004 e art. 63 da Lei n° 11.196, de 2005). Analisando o litígio, a DRJ de Santa Maria entendeu por bem negar a solicitação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal de pessoas físicas somente podem ser calculados pelas empresas cerealistas sobre as vendas efetuadas a agroindústrias que os utilize como insumos. Solicitação Indeferida Consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente alega, em síntese que: 1. Embora não tenha havido débitos nas operações de remessa das mercadorias da Recorrente para as empresas BUNGE ALIMENTOS S/A e ADM DO BRASIL LTDA. para o que anotou a fiscalização tratarse de "fim especifico de exportação", Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 13 4 fundamentalmente porque o crédito tributário da União que seria devido na "saída" é excluído por sua própria vontade, os créditos resultantes das aquisições precedentes (compra de soia) permanecem incólumes, sendo inegavelmente passíveis de ressarcimento, nos termos dos §§ 1° e 2° do artigo 50 da citada Lei no. 10.637/02. Colaciona, nesta linha, pronunciamentos das Superintendências das 9° e 10a. Regiões Fiscais. 2. Mesmo que assim não se entenda, fato é que a intenção do legislador foi no sentido de permitir a fruição do crédito presumido pelas cerealistas quando a revenda de produtos in natura adquiridos das pessoas físicas sejam "realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5°" (ex vi § 11°), a saber, que "produzam mercadorias de origem animal ou vegetal" (ex vi § 5°). Dai deduzirse que o primeiro comando pede sejam identificadas, no segundo, as pessoas jurídicas pertinentes, isto é, as agroindustriais. E esta foi, justamente, a operação realizada pela Recorrente. Conjugando o §11 com o § 5°, não se poderá chegar à outra conclusão senão a de que são absolutamente independentes, mas que aproximam uma da outra quando pretende saber de quais pessoas jurídicas estáse a tratar (as adquirentes e revendedoras). Transcreve, neste sentido, Solução de Consulta da Superintendência da 6a. Região Fiscal. Requer seja dado provimento total a seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando o caso, verificase que a negativa do ressarcimento do crédito pretendido pela Recorrente, decorrente da aquisição de produtos (soja/grãos) diretamente de produtores rurais pessoas físicas, deuse em face de o agente fiscal entender que tais créditos não poderiam ser ressarcidos quando o destino da mercadoria for o mercado externo, ante à inexistência de previsão legal autorizativa. Baseiase nos §§ 11 e 5° do art. 3° da Lei n°. 10.833/03. De acordo com a decisão da Delegacia de Julgamento, o entendimento da fiscalização está correto, eis que a Recorrente não poderia calcular créditos presumidos sobre as aquisições de produtos de origem vegetal feitas de pessoas físicas, visto que tais créditos somente poderiam ser calculados sobre as vendas realizadas a estabelecimentos agroindustriais, e as empresas adquirentes dos produtos da Recorrente (soja), embora sejam agroindústrias, operavam nas aquisições tratadas nos autos como empresas exportadoras. A questão, portanto, cingese ao direito da Recorrente ao crédito presumido de PIS nas exportações. Pois bem. A manutenção de créditos dos tributos nãocumulativos, inclusive o PIS, incidente nas operações anteriores à exportação, é uma das formas que o legislador Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 14 5 nacional lança mão para garantir a neutralidade fiscal, de forma a evitar a exportação de tributos e a promover competitividade internacional. O chamado “princípio do destino”, que impõe a completa desoneração das exportações, foi adotado no ordenamento jurídico brasileiro. Assim, não basta que haja apenas a desoneração dos tributos incidentes sobre a exportação propriamente dita, mas, também de toda a cadeia produtiva, já que a tributação incidente em etapas anteriores, por óbvio, influencia no preço praticado junto ao mercado exterior. Não acatar tal premissa significaria admitir a indesejada “exportação de tributos”. Justamente por essa razão é que o direito à apuração de créditos do PIS acumulados em decorrência da exportação de produtos é medida imprescindível para garantir igualdade de tratamento fiscal para os produtos nacionais exportados para o exterior. E para que os efeitos da cumulatividade e da exportação de tributos sejam neutralizados, imprescindível haver a devolução dos créditos da nãocumulatividade que se acumulam quando da exportação, incluindose, nesse rol, os créditos presumidos. No caso da contribuição ao PIS/Pasep, o legislador não abandonou esse princípio. Vejase. São dois os regimes utilizados para a apuração dos créditos de tal contribuiçâo: (i) os descontos apurados a partir dos ingressos de insumos e outros, como prescrito em lei (regime geral) e (ii) a antecipação de crédito presumido, também definido em lei (regime especial). O regime especial de crédito presumido foi, inicialmente, atribuído para as indústrias de produtos alimentícios de origem vegetal e animal por meio do artigo 3o., parágrafos 5º e 6º, da Lei 10.833/2003, dispositivos que foram revogados pela Lei 10.925/2004, a qual dispôs acerca do regime em questão em seu artigo 8º. O que importa destacar é que o crédito presumido do PIS previsto inicialmente no artigo 3o., parágrafos 5º e 6º, da Lei 10.833/2003, e posteriormente no artigo 8º da Lei 10.925/2004, é instrumento complementar ao crédito ordinário do regime geral. Isto porque abrange situações nas quais o contribuinte não poderia aproveitar os créditos ordinários da sistemática nãocumulativa, em virtude da ausência de escrituração ou de qualquer outro impedimento, como é o caso da origem das mercadorias ocorrer a partir de pessoas físicas ou cooperativas. Justamente para buscar a tributação única sobre as receitas, descontandose o tributo “acumulado” na cadeia, é que o legislador criou o crédito presumido. Não se trata de benefício fiscal. Tratase, sim, de observância pura e legítima do princípio da não cumulatividade, cuja aplicação não pode ser vista como uma opção do legislador, mas sim como um comando inarredável. A apropriação do crédito de PIS nas exportações, seja este decorrente do regime geral ou do regime especial (crédito presumido) de apuração, busca justamente evitar a cumulatividade. E, havendo a exportação da mercadoria, independentemente do regime de apuração do crédito, o princípio da não cumulatividade deve imperar. No caso presente, a remessa das mercadorias da Recorrente para as agroindústrias apontadas, com fim específico de exportação, ensejou a não incidência do Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 15 6 tributo em tela por força do art. 5°, incisos I e III da Lei n° 10.637/02, e também em face da imunidade prevista no inciso I, § 2o., do artigo 149 da Carta Constitucional. Mas os créditos resultantes das aquisições precedentes (compra de soja) permanecem incólumes, sendo passíveis de ressarcimento, conforme previsto nos §§ 1° e 2° do artigo 5o. da Lei no. 10.637/2002: "Art. 5°. A contribuição para o PIS/PASEP não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...]. Ill vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o credito apurado na forma do art 3°, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o. poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Não há, no texto legal transcrito, qualquer óbice ou limitação à sua aplicação em face do regime de apuração do crédito (regime geral ou especial/presumido). E nem poderia haver, considerando que o dispositivo vem dispor sobre a observância ampla da não cumulatividade constitucionalmente assegurada nas operações de exportação. Não por outra razão esse entendimento foi adotado pela Superintendência Regional da Receita Federal, 9a. Região Fiscal, através da Solução de Consulta n°46 de 03 de fevereiro de 2006 e também pela 10a. Região Fiscal, através da Solução de Consulta n°59 de 27 de abril de 2005, ambas colacionadas pela Recorrente em suas defesas. Esta é a única interpretação conforme a Constituição e coerente com o sentido do crédito presumido na forma de regime especial, que só se justifica para alcançar aquelas operações que não geram créditos ordinários. O crédito presumido deve ser compreendido de acordo com sua finalidade, que é aquela de permitir a nãocumulatividade e a neutralidade fiscal dos produtos relativamente aos quais a apuração de créditos no regime de apuração geral é vedada. Vale citar aqui as preciosas lições do jurista Heleno Taveira Torres, que muito acertadamente dispôs sobre o tema: Ora, a finalidade do artigo 8º da Lei 10.925/2004 é garantir ao Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 16 7 adquirente o direito de exportar produtos com “acúmulo de créditos” de PIS/Cofins cuja funcionalidade do mecanismo de não cumulatividade adotado não tem como autorizar o aproveitamento dos créditos acumulados ao longo da cadeia produtiva, a colidir com os princípios da isonomia e da neutralidade concorrencial. Numa interpretação conforme à Constituição, não tem justificativa lógica e racional que se admitisse manter créditos acumulados de PIS/Cofins unicamente pela diferenciação das pessoas que vendem os produtos agrícolas: (i) impedimento para utilização de créditos ordinários da nãocumulatividade em relação à aquisição de pessoas físicas ou cooperativas de pessoas físicas e; (ii) autorização para aproveitamento de créditos ordinários, na aquisição de produtos agrícolas de pessoas jurídicas. Por conseguinte, a atribuição do crédito presumido de PIS/Cofins, conferida à aquisição de pessoas físicas ou cooperativas de pessoas físicas deve ser abrangente, por não se tratar de benefício fiscal, mas de típico caso de cumprimento do princípio de não cumulatividade e respeito à garantia de isonomia. Créditos presumidos de PIS e Cofins nas exportações. Revista Consultor Jurídico, 30 de maio de 2012 http://www.conjur.com.br/2012mai30/consultortributario creditospresumidospiscofinsexportacoes Por todo o exposto, julgo procedente o Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrida referente a saldo credor de PIS do 1° trimestre de 2004 no valor de R$ 22.928,54. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 17 8 Voto Vencedor Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. Ainda que respeitáveis as razões da ilustre relatora, discordase do seu entendimento. Esta controvérsia tem por objeto o crédito presumido decorrente de, em tese, atividades agroindustriais. A interessada alega que os créditos foram apurados e escriturados em sintonia com as prescrições contidas no preceito geral do art. 3° da Lei n°. 10.637/02, em especial em relação às aquisições dos produtos de que trata o § 11, art. 3° da Lei n°. 10.833/03, aplicável ao PIS por força de seu artigo 15. que em razão do princípio constitucional da não cumulatividade, os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal (soja) de pessoas físicas permanecem incólumes, portanto passíveis de ressarcimento nos termos dos §§ 1° e 2° do artigo 50 da Lei Ordinária 10.637/02. A solução deste conflito de interesses passa necessariamente pelo exame do disposto nos revogados §§ 5º e 11 da Lei 10.833/2003: § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 18 9 dos referidos produtos in natura.9grifouse) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) A questão central é identificar se a interessada exerce a atividade econômica de produção das mercadorias. De um lado, a recorrente insiste que em razão do princípio constitucional da nãocumulatividade, os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal (soja) de pessoas físicas permanecem incólumes, portanto passíveis de ressarcimento nos termos dos §§ 1° e 2° do artigo 50 da Lei Ordinária 10.637/02. De outro giro, a autoridade fiscal sustenta que a não faz jus ao crédito presumido sobre as aquisições em discussão, por falta de previsão legal. A propósito, confira se o teor da informação fiscal: Através do exame da documentação posta a disposição desta Fiscalização, constatamos que a contribuinte apurou os créditos, tanto do PIS quanto da COFINS, com base na sua escrituração contábil e fiscal, nas quais foram constatadas irregularidades nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, sendo objeto de glosa os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal_(soja) de pessoas físicas domiciliadas no país, que após as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar com fim especifico de exportação, deram origem a parte dos créditos pleiteados nos respectivos processos de apuração trimestral, conforme DACON anexa. Registrese que, o § 11 do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, somente autoriza o aproveitamento do crédito presumido pelas empresas Cerealistas, calculado a alíquota de 80% da prevista nos demais casos, relativamente as vendas efetuadas as pessoas jurídicas que produzam mercadoria de origem animal ou vegetal das posições especificadas no §5 do art.3°, destinados a alimentação humana, ou animal. (grifouse) Concordase com a posição da autoridade fiscal. O citado § 11 da Lei 10.833/2003 estabelece um requisito para os créditos presumidos em questão, que às vendas sejam realizadas as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em diversos códigos da NCM. Do exame da situação fática, verificase que as vendas foram realizadas pela contribuinte para outras empresas com o fim especifico de exportação e não passaram por um novo processo de industrialização como previsto na norma em comento. Assim sendo, temse, no caso vertente, que deve prevalecer a interpretação da fiscalização fededral. Insistase que se trata de adequação dos fatos à norma legal, portanto afasta se uma eventual interpretação sistêmica com o preceito geral do art. 3°, art. 5º e parágrafos da Lei n°. 10.637/02 e com o princípio da nãocumulatividade. Não se de trata de juízo superficial como quer fazer crer a interessada, mas sim da falta de previsão legal para o creditamento em discussão. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002238/200551 Acórdão n.º 3801004.877 S3TE01 Fl. 19 10 Em caso análogo da mesma contribuinte, o não reconhecimento dos créditos presumidos foi acolhida, de forma unânime, em outro julgado deste Conselho: CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. EMPRESA CEREALISTA. Os produtos de origem vegetal adquiridos de pessoa física só geram crédito da COFINS nãocumulativa se forem submetidos à secagem, lavagem, padronização, armazenagem e vendidos a empresas produtoras de alimentos destinados a consumo humano ou animal. (...) (Terceira Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, processo 11030.002244/200517, Acórdão nº 340100.907, de 28/07/2010). Em conclusão, a solicitação da interessada, não pode prosperar por falta de amparo legal. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10580.005339/2003-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS.
Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3102-01.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Paulo Sérgio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 06/2011, o acórdão formalizado como 3102-001.056 e na verdade é o 3102-001.058.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtorexportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas nãocontribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Paulo Sérgio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho – Redator Designado EDITADO EM: 13/07/2011 Fl. 179DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O interessado acima qualificado formulou, em 30.06.2003, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 140.580,29 (fl. 01), referente ao 2° trimestre de 1998, com fundamento no artigo 1° da Lei n° 9.363/1996. Também consta dos autos o pedido de compensação de fl. 02. 2. Em 20.06.2005, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 99100, a unidade de origem indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação pleiteada, por considerar incabível o reconhecimento do direito a ressarcimento de crédito presumido de aquisições de pessoa física, de acordo com o disposto no artigo 2°, § 2°, da IN SRF n° 23/1997. 3. O interessado apresentou, em 25.07.2005, a manifestação de inconformidade de fls. 105111, na qual alegou, em síntese: a) Há duas disciplinas para o crédito presumido: a Lei n° 9.363/1996 e a Lei n° 10.276/2001. Cabia ao contribuinte decidir por qual das sistemáticas acima ele pretendia apurar o seu beneficio fiscal. b) De acordo com a Lei n° 9.363/1996, o direito ao incentivo fiscal pressupunha somente duas condições, a saber: ser o contribuinte produtor e exportador de mercadorias nacionais; efetuar o cálculo com base nas aquisições, no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. c) A IN SRF n° 313/2003 extrapolou sua competência normativa ao estabelecer que o direito ao ressarcimento se resumia às aquisições de pessoas jurídicas, cujas receitas de venda estejam sujeitas às contribuições sociais sobre o faturamento. d) De maneira idêntica ocorreu com a Lei n° 10.276/2001, pois a IN SRF n° 315/2001 também reduziu o alcance da isenção. Sendo assim, concluise que qualquer custo de produção (elemento fixado na Lei n° 10.276/201) poderá ser considerado para o cálculo do incentivo fiscal em exame, inclusive aqueles que se refiram a fornecedores pessoas fisicas. e) Aduziu decisões administrativas. f) Quanto à tese fiscal de que só caberia pedido de restituição se houvesse pagamento indevido ou a maior de tributo, tal pedido visa, na realidade, apenas preparar o pedido de compensação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSOADMINISTRATIVOFISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 Fl. 180DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.005339/200323 Acórdão n.º 310201.056 S3C1T2 Fl. 2 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (PESSOAS Físicas). Incabível o ressarcimento do crédito presumido de IPI, a título de incentivo fiscal, em relação a produtos adquiridos de pessoas físicas, que não suportaram o pagamento do Pis/Pasep e da Cofins. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a Lei n° 9.363/1996 excluiu da base de cálculo do beneficio fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao Pis e à Cofins no fornecimento ao produtorexportador. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. DEPENDÊNCIA. A declaração de compensação só pode ser homologada em razão do deferimento dos correspondentes créditos em pedido de ressarcimento. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese a possibilidade de considerar, no cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições efetuadas a pessoas físicas. A Lei nº 9.363/96, em seu art. 1º, é muito clara ao dispor que a empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7/70; 8/70; e 70/91, “incidentes sobre as respectivas aquisições”, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ora, se não houve incidência das contribuições nas aquisições, como poderseia cogitar de ressarcimento? Embora a transparência do comando contido na norma legal, reproduzo, para melhor clareza, Parecer PGFN nº 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda, versando sobre o tema: Fl. 181DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 “21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não ‘incidiram’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional”. (...) “24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5º da Lei nº 9.363, de 1996, in verbis: ‘Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente’. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5º, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei nº 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebese que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduzse o art. 3º da multicitada Lei nº 9.363, de 1996: ‘Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador’ (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? Fl. 182DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.005339/200323 Acórdão n.º 310201.056 S3C1T2 Fl. 3 5 30. Toda a Lei nº 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei nº 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS.” Logo, ao contrário do que aduz a recorrente, não foram as Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal que limitaram a aplicação do Crédito Presumido. Na verdade, elas somente explicitaram aquilo que já estava definido pela Lei nº 9.363/96. Por outro lado, também não socorre à recorrente a jurisprudência citada no recurso voluntário dirigido a este colegiado. A uma, porque tais decisões não tem nenhuma força vinculante, a duas, porque existe jurisprudência administrativa e judicial manifestandose frontalmente contrária ao defendido, se não vejamos. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – I) INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS – Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS, no fornecimento de insumos ao produtor exportador.” (Acórdão nº 20212.303) “TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI IURES AO CREDITAMENTO. 1. Tratandose de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o benefício instituído pelo art. 1º da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida.” (TRF/5ª Região, AI nº 32.877, DJ de 2/2/2001, p. 337) Pelas razões expostas, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, de 02 de junho 2011 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Voto Vencedor Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Redator designado. Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o ressarcimento de crédito de IPI com base na lei nº 9.363/1997 teve seu pedido negado , apesar do valores glosados se referem às aquisições de pessoa física não contribuintes da COFINS e do PIS/PASEP, matéria sobre a qual se restringe nossa análise. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º1 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo com art. 6º da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria nº 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa nº 23/97, revogada pela nº 313/2003 posteriormente revogada pela nº 419/2004, restringindo a dedução do crédito presumido do IPI, às empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebese que a instrução normativa ao impor restrições a lei nº 9.363/96 ultrapassa seu limites, pois excluiu da base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. Sabese que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim, seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra “Norma Jurídica Produção e Controle”: 1 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.005339/200323 Acórdão n.º 310201.056 S3C1T2 Fl. 4 7 2.6.1.4 A revogação expressa e instrumentos normativos distintos. A revogação pode ocorrer entre instrumentos introdutores de normas diversos. Um instrumento normativo de hierarquia superior, que fundamente a validade do inferior, pode revogar uma espécie normativa que se encontre em patamar inferior. ...Assim, um instrumento superior pode modificar qualquer outra norma jurídica que emane de um instrumento normativo de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor de resistir em face de outros instrumentos de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por uma norma jurídica que emane de um instrumento normativo superior ou igual, em face do critério cronológico.2 Quanto ao tema o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 993.164 entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre 2 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas Fl. 186DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.005339/200323 Acórdão n.º 310201.056 S3C1T2 Fl. 5 9 jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." Fl. 187DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar, apesar da transcrição acima, o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, entretanto a decisão ainda não é definitiva. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos de IPI oriundos de aquisições a não contribuintes do PIS e da COFINS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Sala de sessões 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 188DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.005339/200323 Acórdão n.º 310201.056 S3C1T2 Fl. 6 11 Fl. 189DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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