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Numero do processo: 10640.721395/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-002.536
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.520, de 22 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10640.721213/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Aniello Miranda Aufiero Junior.
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.520, de 22 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10640.721213/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Aniello Miranda Aufiero Junior. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), referente a créditos de Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), decorrentes das vendas efetuadas pela interessada com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP. Posteriormente, com o objetivo de compensar débitos próprios (tributos/contribuições), a empresa vinculou ao citado PER Declaração de Compensação. Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio do Despacho Decisório, cientificado ao contribuinte por: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 21 39 5/ 20 11 -6 7 Fl. 375DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 a) reconhecer parcialmente o direito creditório ao ressarcimento do PIS não cumulativo, pleiteado pela empresa Laticínios Porto Alegre Ltda, CNPJ nº 66.301.334/0001-03; b) homologar a compensação do débito informado na Declaração de Compensação relacionada ao Pedido de Ressarcimento, com a utilização do crédito limitado ao valor do direito creditório reconhecido; c) ressarcir o saldo remanescente, porventura existente, após a compensação vinculada ao respectivo crédito. Inconformada com o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e não homologação das Compensações declaradas, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual expõe, após o relato da motivação adotada pela fiscalização como impeditiva do deferimento total do crédito, suas razões de contestação. 1. Das Glosas das Bases de Cálculo Correspondentes aos créditos que são rateados entre as receitas tributadas e as não tributadas. 1.1 - Aquisição de Leite de Pessoa Jurídica - redirecionados para créditos presumidos A contribuinte alega que não ignora que de acordo com o art 2o , inciso II, c/c art. 3o , inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 660/2006, fica suspensa a incidência de PIS/COFINS na venda de leite in natura, desde que efetuada por pessoa jurídica que exerça, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel deste produto; e que, nos termos do artigo 4o , inciso II, da IN SRF 660/2006, a aplicação da suspensão é obrigatória. Entretanto, defende que tal regra deverá ser interpretada em harmonia com aquela constante do artigo 7o da mesma Instrução Normativa, segundo a qual os produtos agropecuários que geram desconto de créditos são aqueles adquiridos de pessoas jurídica domiciliada no país, de pessoa física ou recebidos de cooperado, com suspensão da exigibilidade das contribuições. Prossegue sua análise expondo que o meio pelo qual o adquirente do leite in natura possui para classificar o crédito como integral ou presumido é a observação na nota fiscal, pois de acordo com o §2° do art. 2o da IN SRF n° 660/2006, sempre que houver a suspensão das contribuições, dever-se-á fazer constar na nota fiscal a observação pertinente, com a indicação do correspondente dispositivo legal. Não havendo tal observação, e, sobretudo, constando o efetivo destaque das contribuições, a conclusão lógica é a de que o fornecedor do insumo não preenche os requisitos do art. 3o, inciso II, da IN SRF n° 660/2006, razão pela qual a operação foi tributada. Defende que pela análise das notas fiscais que embasam o aproveitamento do crédito cuja glosa impugna, não há que se falar em suspensão de PIS e COFINS no leite adquirido, tendo sido o insumo tributado normalmente pelo PIS e pela COFINS. Que considerando a ausência de suspensão, é inegável o direito ao aproveitamento integral do crédito de PIS e COFINS sobre a compra do leite de pessoas jurídicas classificadas como agroindústria, sendo absurdo classificá-lo como presumido. Fl. 376DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 Refere que apresenta, por amostragem, notas fiscais das empresas fornecedoras de leite, mas que se necessário a totalidade das notas do período está a disposição, não tendo feito neste momento a juntada em razão do grande volume de documentos. Em outra linha argumentativa, alega que, considerando ser o leite um insumo na produção, mas apenas vinculado aos produtos não tributados -, o entendimento a ser aplicado poderá ser, inclusive, mais abrangente que aquele aplicado pela própria empresa, não havendo que se falar em rateio proporcional, posto estar totalmente vinculado aos produtos não tributados - tais como leite pasteurizado, queijos tipo mussarela, minas, prato, coalho, ricota, dentre outros, nos termos da legislação aplicável. Ou seja, o leite, não sendo utilizado na fabricação do soro em pó e da manteiga - os quais são os únicos produtos tributados produzidos pela empresa - será utilizado apenas na produção dos produtos não tributados, afastando a necessidade do rateio proporcional que foi realizado. Discorre sobre o conceito constitucional da não cumulatividade, e aduz que caso seja impedido de aproveitar seus créditos, decorrentes das aquisições destes insumos, haverá ofensa ao parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal. Cita precedentes jurisprudenciais dos Tribunais Regionais Federais que tratam da não cumulatividade do Pis e da Cofins e do direito ao creditamento dos valores efetivamente pagos nas operações anteriores. Com base nesta exposição, requer: deferido o direito à apropriação integral dos créditos de PIS e COFINS, sobre a compra de leite no período abarcado pela fiscalização, reconhecendo-se a impossibilidade de classificação dos mesmos como créditos presumidos, em todo o período autuado; os créditos deverão ser considerados como insumos e integralmente aproveitados, inclusive sem necessidade de efetivação do rateio, permitindo-se a sua utilização para compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. caso assim não se entenda, imperioso seja permitida a apropriação integral sem necessidade de classificação como presumido, dos créditos de todo o período da autuação, com a sua utilização na proporção do rateio previsto na legislação entre créditos vinculados a receita tributada e não tributada. caso não seja ampliado o conceito para utilização do crédito em 100%, requer seja INTEGRALMENTE HOMOLOGADA A COMPENSAÇÃO efetuada pelo contribuinte, nos meses objeto de autuação, mantendo-se a classificação feita e o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS na forma como declarada. 1.2 - Frete sobre Leite na Compra - redirecionados para créditos presumidos Argumenta a contribuinte que o valor do frete relativo ao transporte dos insumos do fornecedor para indústria não foi deduzido na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no artigo 3o das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, porque não está enquadrado nesta hipótese. Explica que o creditamento está embasado no artigo 3o, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, e não no inciso IX, por se tratar de serviço utilizado como insumo na industrialização de produtos destinados a venda. Fl. 377DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 Defende que no caso, o termo "insumo" deve ser analisado segundo o critério da essencialidade, levando-se em consideração que, sem que haja o deslocamento do leite in natura para a fábrica, a produção simplesmente não ocorrerá; ou seja, trata-se de serviço necessário à consecução da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, diretriz esta adotada em julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, numa interpretação mais extensiva ao art. artigo 3o, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 1.3 - Frete sobre transferência entre estabelecimentos - negado direito ao aproveitamento A manifestante discorda do entendimento adotado pela fiscalização para a glosa dos créditos relativos aos fretes sobre transferências entre os estabelecimentos da empresa, de que não há previsão legal para abatimento dessas despesas no cálculo do PIS e da COFINS, nem como crédito básico, nem como crédito presumido. Alega que este entendimento está em desacordo com recente entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou que o trecho entre a fábrica e o estabelecimento comercial faz parte da operação da venda. Diz que ainda que o precedente se refira especificamente às concessionárias de veículos, pode ser aplicado em casos análogos, como o presente. Cita que os próprios órgãos consultivos da Receita Federal admitem o crédito relativo aos gastos com transporte de bens entre estabelecimentos do mesmo contribuinte em duas situações: (1) quando o produto ainda esteja em fase de industrialização, caso em que o frete pode ser encarado como custo de produção; e (2) quando o ônus for suportado pelo adquirente e o produto acabado for destinado à venda, citando com o exemplo as Soluções de Consulta nº 09, de 20/05/2006 da 5a RF (DOU 07.07.2006) e n° 71, de 28 de fevereiro de 2005, da 9º RF. Defende, por fim, que as notas de transferência que apresenta com a impugnação discriminam os produtos acabados produzidos, não restando dúvidas no sentido de que são destinados à venda e, desta forma, poderá haver aproveitamento do crédito. O próprio manual da DACON permite tal aproveitamento na ficha 06A, linha 07. Além disso, as transferências são necessárias pela própria logística da empresa, pois a produção do estabelecimento em Mutum (principalmente queijos tipo parmesão, prato e mussarela) é transferida para a unidade de Ponte Nova a fim de atender às vendas efetuadas. Pugna, nestes termos, seja considerado como regular o aproveitamento de créditos em relação ao frete entre estabelecimentos, nos termos da argumentação apresentada e dos documentos que acompanham a manifestação de inconformidade. 2 - Glosas das bases de cálculo correspondentes aos créditos indevidamente utilizados como ressarcíveis - vinculados às receitas não tributadas - na devolução de bens que não sofreram incidência da contribuição, por ocasião da venda - Redirecionados para créditos vinculados às receitas tributadas. 2.1 - Devoluções de vendas sobre receita não tributada Fl. 378DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 Afirma a impugnante que os créditos nas devoluções apenas são considerados em se tratando de devoluções relativos a vendas tributadas, quando a empresa apropria-se do crédito através do critério da proporcionalidade, respeitando a legislação, que também determina que o contribuinte opte por uma das formas de apropriação do crédito, sendo elas a apropriação direta ou o rateio proporcional. No caso, a opção da empresa foi o rateio proporcional, o qual é feito inclusive nos casos de devolução de vendas tributadas, todavia, o Despacho Decisório adotou critério diverso, ao considerar que a totalidade dos créditos deveria ser direcionada apenas para a apuração dos créditos vinculados às receitas tributadas. Explica que a devolução de mercadoria tributada afeta a própria sistemática do rateio utilizado pelo contribuinte, influenciando diretamente nos créditos a serem auferidos - se passíveis de desconto para o próprio PIS e a COFINS ou passíveis de compensação com tributos e contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil. Desta forma, ao ocorrer a devolução, deve o contribuinte, respeitando o rateio efetuado quando da apropriação do crédito, efetuar o seu estorno proporcional na mesma proporção. Refere que a própria DACON, relativa à apuração dos créditos de PIS/PASEP - Aquisições no Mercado Interno Regime Não Cumulativo - traz inclusive as colunas para "Tributadas no Mercado Interno" e "Não tributadas no Mercado Interno" e que não há qualquer óbice à utilização da proporcionalidade nos casos de devolução. Por fim, face ao exposto, a interessada requer que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade e acatados todos os créditos na forma como utilizados pela empresa, considerando-se os fundamentos e documentos apresentados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, mediante Acórdão, julgou improcedente a manifestação de conformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. Fl. 379DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO INSUMO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 9º da nº 10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria- prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. O frete pago na aquisição do leite in natura compõe o seu custo e deverá ser utilizado para o cálculo do crédito presumido. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDA. PRODUTO SUJEITO A ALÍQUOTA ZERO. As vendas realizadas à alíquota zero não são hábeis a gerar crédito de PIS/Pasep e Cofins na eventualidade da sua devolução. Apenas as vendas que estavam obrigadas à tributação são hábeis a gerar creditamento na eventualidade da sua devolução Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O recorrente apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, no qual repisa os argumentos postos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo integral conhecimento. Cinge-se a controvérsia em três pilares argumentativos, quanto à glosa de créditos de PIS e Cofins: i) aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção industrial; ii) despesas com fretes na aquisição do Fl. 380DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 leite e entre estabelecimentos do mesmo contribuinte; e iii) devolução de vendas. A despeito da discussão meramente jurídica contida em alguns pontos da glosa realizada pela fiscalização, a exemplo da (im)possibilidade do aproveitamento de crédito de frete entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, entendo em outros haver necessidade de maior dilação probatória, para que tenhamos maior confiança no cotejo entre as alegações fincadas pela defesa e pela fiscalização. Um dos pontos, que enseja tal entendimento, pendente à conversão do julgamento em diligência, diz respeito à impossibilidade de fazer o cotejon da planlha de fls. 142, apresentada pelo contribuinte, para segregação das aquisições realizadas com suspensão e aquisições realizadas sem suspensão, de modo que, aquela dá o direito ao crédito presumido, ao passo que essa, dá direito ao crédito integral, nos termos do incido II, do artigo 3º, das Leis 10.833 e 10.637. Ademais, o contribuinte colaciona algumas notas fiscais, de forma amostral, na manifestação de inconformidade, com objetivo de demonstrar que as aquisições não foram realizadas sob a sistemática de suspensão, porque não preenchidos os requisitos necessários para enquadramento no artigo 8º, da Lei 10.925. Contudo, ainda resta dúbia a possibilidade de conceder ou negar o direito ao crédito quanto ao cotejo das operações de aquisição com suspensão e operações de aquisição sem suspensão, especialmente pela planilha elaborada pela fiscalização, notas fiscais juntadas pelo recorrente. Portanto, voto por converter o julgamento em diligência – a despeito das demais controvérsias estarem à espera do retorno para solução da lide (frete obre estabelecimentos do mesmo contribuinte, devolução de vendas, etc), para: i) O contribuinte apresente notas fiscais e demais provas, de todo período, que entender pertinentes a demostrar a diferença entre as operações de aquisição de leite com suspensão e as operações de aquisição de leite sem suspensão; ii) Sejam as fornecedoras discriminadas e devidamente enquadradas nos requisitos estabelecidos pelos incisos I a III, do artigo 7º, da IN SRF nº 660/2006; iii) Seja, finalmente, confeccionado relatório das provas colacionadas, com as condições normativas supramencionadas, e o valor efetivamente glosado quando do cruzamento de tais informações e já o direito ao crédito integral ou presumido estabelecido de acordo com a segregação das operações. Fl. 381DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3302-002.536 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721395/2011-67 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 382DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10950.001651/2007-16
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS e COFINS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002
Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. NOTAS CALÇADAS.
A decadência a que se sujeitam as contribuições sociais do PIS e
da COFINS observa o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei n°
5.172/66 (CTN), consoante súmula vinculante n° 08 editada pelo
Supremo Tribunal Federal. No caso do contribuinte autuado haver agido com dolo, ainda que nos tributos classificados como lançamento por homologação, a regra aplicável está estipulada no
artigo 173, inciso I, do CTN, por força do parágrafo 4° do artigo
150 do mesmo diploma legal.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE.
Constatado nos autos que a empresa dolosamente suprimiu tributos mediante a utilização do subterfúgio de calçar as Notas Fiscais, procede a qualificação da multa de oficio.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NATUREZA CONFISCATÓRIA E DESPROPORCIONAL.
Aplica-se a Súmula n° 02 desse Conselho de Contribuintes.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ILEGALIDADE.
Aplica-se a Súmula n° 04 desse Conselho de Contribuintes.
Numero da decisão: 191-00.018
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendo a exigência da multa qualificada de 150% sobre todos os tributos lançados, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ANA BARROS FERNANDES
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CCO I/T9 I Fls. 706 MINISTÉRIO DA FAZENDA 11/:-,1:4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES i-Illt14 PRIMEIRA TURMA ESPECIAL Processo n° 10950.001651/2007-16 Recurso n° 165.651 Voluntário Matéria PIS e COFINS - Decadência e outras Acórdão n° 191-00.018 Sessão de 20 de outubro de 2008 Recorrente SEDMAR SERVIÇOS ESPECIALIZADOS E TRANSPORTES MARINGÁ LTDA Recorrida 2. TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Assunto: PIS e COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. NOTAS CALÇADAS. A decadência a que se sujeitam as contribuições sociais do PIS e da COFINS observa o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei n° 5.172/66 (CTN), consoante súmula vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal. No caso do contribuinte autuado haver agido com dolo, ainda que nos tributos classificados como lançamento por homologação, a regra aplicável está estipulada no artigo 173, inciso I, do CTN, por força do parágrafo 4° do artigo 150 do mesmo diploma legal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. Constatado nos autos que a empresa dolosamente suprimiu tributos mediante a utilização do subterfúgio de calçar as Notas Fiscais, procede a qualificação da multa de oficio. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NATUREZA CONFISCATORIA E DESPROPORCIONAL. Aplica-se a Súmula n° 02 desse Conselho de Contribuintes. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. Aplica-se a Súmula n°04 desse Conselho de Contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendo a exigência da multa qualificada de 150% sobre Processo n° 10950.001651/2007-16 CCOI/T91 Acérdâo n.° 191-00.018 Fls. 707 todos os tributos lançados, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A ÔNIO PRAGA Presidente ANA DE BARROS FERNANDES Relatora FORMALIZADO EM: i23 DEZ 2008 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório A empresa, optante pelo Lucro Presumido, com apuração trimestral, foi autuada a recolher IRPJ e tributos reflexos relativos aos quatro trimestres de 2002, por haver omitido receita mediante a utilização de "Notas Calçadas". As Notas Fiscais e Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Cargas que o auditor fiscal juntou ao processo às fls. 143 a 206, 277, 278, 324, 324, 341, 343 a 408, 410 a 421 e 424 e 425, comprovam a prática do subterfúgio, demonstrando que as vias escrituradas eram preenchidas, em geral, por menos de 10% do valor real. Tudo conforme minuciosamente explicitado no Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativos elaborados pela fiscalização, juntados às fls. 30 a 48, partes integrantes do Auto de Infração IRPJ e reflexos, de fls. 04 a 29. Foram ainda apreendidos pela fiscalização as Notas Fiscais de Serviços, Conhecimentos de Transportes de Cargas, Livro Registro de Prestação de Serviços e os Livros de Registros de Saídas da matriz e da filial — 0003, explicitados no Termo de Apreensão de fls. 504. A empresa impugnou o feito fiscal às fls. 506 a 548, alegando em síntese: aplicação indevida da multa qualificada, tendo em vista que o fiscal aplicou a multa de oficio eçb Processo n° 10950.001651/2007-16 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.018 Fls. 708 prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 e que, no entender da impugnante, esta multa na data da lavratura do Auto está cominada em 50% e não 150%; segue discorrendo sobre a jurisprudência administrativa que orienta no sentido de serem incabíveis a aplicação concomitante de multas; discorre exaustivamente sobre a inconstitucionalidade da multa, por natureza confiscatória; ataca a aplicação dos juros moratórios calculados pela taxa Selic, entendendo ser multa moratória, alega que constitui enriquecimento ilícito do Estado; por fim, alega a decadência da tributação do PIS e COFINS, por serem tributos que se sujeitam à regra esculpida no §4° do artigo 150 do CTN — Código Tributário Nacional. Às fls. 628 a 639, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ Curitiba/PR exarou o acórdão n°06-15929 rejeitando as preliminares e mantendo integralmente a exigência fiscal. A contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 642 a 699, tempestivamente, reprisando os mesmo fundamentos da peça impugnatória. Em suma: a) da decadência dos valores referentes ao PIS e a COFINS — o prazo decadencial é qüinqüenal e não decendial como entendeu o juizo a quo, devendo o termo inicial ser contado a partir do fato gerador da obrigação tributária quando se trata dos denominados lançamentos por homologação, nos termos do artigo 150, § 4° do CTN; faz comparações entre os prazos fixados no MI para a contagem da decadência estipulados no retro mencionado parágrafo 4° do artigo 150 e no inciso I do art. 173, entendendo equivocadamente que um estipula cinco anos e o outro dispositivo dez anos; solicita que seja declarada a decadência dos períodos compreendidos entre janeiro e junho de 2002; b) das multas de mora e de oficio — entendeu que foram aplicadas as duas multas, concomitantemente, assemelhando os juros praticados à taxa Selic com a cominação de multa moratória; alega que a autuação se procedeu de forma presuntiva e que nesses casos incabível a aplicação de multa qualificada, pois inexiste a comprovação de dolo nos autos; diz que deve ser aplicado o princípio do não confisco às multas aplicadas. É o relatório. Passo a apreciar. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, e passo a analisá-lo estando o crédito tributário objeto do presente litígio administrativo, dentro do limite de alçada para apreciação por essa Turma Especial, de acordo com o definido no inciso I do artigo 2° da Portaria MF n°92/08. A peça recursal, assim como a impugnação interposta, limita-se a contestar a multa aplicada no percentual de 150%, os juros moratórios aplicados à taxa Selic e a invocar o artigo 150, § 4°, para argüir decadência dos lançamentos de PIS e COFINS no período compreendido entre janeiro e junho de 2002. 3 Processo n° 10950.001651/2007-16 CCOI/T91 Acórdão n." 191-00.018 Fls. 709 Possui notórios traços de ser meramente protelatória. Da decadência argüida. Não merece acolhida o pleito da recorrente. A despeito de estar correta quanto ao dispositivo a ser aplicado na contagem do prazo decadencial, esquece-se que a autuação se moveu por omissão de receitas com base na emissão de Notas Calçadas. Assim, o faturamento da empresa que foi omitido, o foi com a utilização de artificio doloso. Presente o dolo na ação, ou omissão, do contribuinte, não há como se aplicar o artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, pois esse dispositivo a si próprio se excepciona. Vale transcrever: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos não pertencem ao original) Dai que foge o prazo decadencial para a regra comum estabelecida no artigo 173 do mesmo Código Tributário, que também é fixado em cinco anos, porém não contados da ocorrência do fato gerador: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ora, o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento reporta o inicio do prazo para fluir a decadência a 01/01/2004, resguardado o direito da Fazenda em constituir os créditos tributários até o ano de 2009. Havendo sido os lançamentos dos tributos PIS e COFINS realizados em 16/07/07 não foram alcançados pela decadência. Rejeitada essa preliminar. Com relação às demais indignações da recorrente, passando a abordar a questão do juros aplicado ao crédito tributário, o qual equivocadamente entende a recorrente tratar-se de multa moratória, mister é lhe esclarecer que já está assente nesse colegiado o cabimento da aplicação dos juros moratórios à taxa Selic, conforme se depreende da Súmula n° 04 editada por esse Primeiro Conselho de Contribuintes. á 4 ./ • Processo n° 10950.001651/2007-16 CCO 1 /191 Acórdão n.° 191-00.018 Fls. 710 Súmula I CC n • 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. E a Súmula n° 02 dispõe sobre a legalidade e/ou constitucionalidade das leis da seguinte forma, já que essa matéria é de competência privativa do Poder Judiciário: Súmula 1°CC e 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tribuária. Não se confundindo, pois, juros com multa, passamos a abordar a aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n°9.430/96, em 150%. A meu ver, não faz o menor sentido as argumentações trazidas pela recorrente ao tentar defender tese de que a multa aplicada na autuação cujo enquadramento legal está acima, o foi de forma equivocada pois nova legislação tributária, vigente somente a partir de 2007, deu nova redação ao inciso II da norma tributária. Ora, dispõe o Código Tributário Nacional que a lei aplicável ao fato gerador é aquela vigente quando da ocorrência do fato, retroagindo somente no caso de cominar penalidade mais benéfica.— artigos 105 e 106 do CTN: Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A nova redação do artigo 44, alterada pela Lei n° 11.488/07, não é mais benigna aplicada como interpreta a contribuinte. É exatamente no mesmo sentido, no que respeita à cominação da multa em casos nos quais há fraude, conforme definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Diz, na redação anterior, o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 ( art. 957, inciso II, RIR/99): k • . Processo n° 10950.001651/2007-16 CCO I/T91 Acórdão n.° 191-00.018 Fls. 711 Ar!. 957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n2 9.430, de 1996, art. 44): [..] II- de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 2 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Na nova redação, o legislador apenas deslocou o inciso II para o parágrafo 1°, mas o percentual continua exatamente o mesmo — 150%. Diz a Lei n° 11.488/07, em seu art. 14: Art. 14. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneas a, b e c do § 2 nos incisos I, II e III: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 11- de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. Sla da Lei tr' 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § JQ O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n' 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] revogados (grifos não pertencem ao original) A despeito do entendimento esposado pela recorrente de que não houve dolo, ou fraude, esclareça-se que o legislador, a fim de evitar dissensões doutrinárias, definiu na própria lei o que entende por evidente intuito de fraude lançando mão às figuras descritas em outra norma: nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Portanto, a imposição da multa qualificada decorre de conceituação legal e desta não pode fugir da aplicação, o Auditor Fiscal. Considera-se, pela norma tributária, evidente intuito de fraude, lato sensu, as hipóteses descritas nos artigos a seguir transcritos: 6 • Processo n° 10950.001651/2007-16 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.018 As. 712 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da • obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Seguindo o raciocínio ora esposado, se a ação, ou omissão, do sujeito passivo se enquadrar numa das figuras descritas acima, por força de lei, o agente fiscal deve aplicar a qualificação da multa, não estando à sua escolha aplicar ou não a norma tributária. No presente caso, é patente a ocorrência de fraude, aliás, bem destacada no Termo de Verificação Fiscal, no item 3: 3. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EMISSÃO DE "NOTA CALÇADA" — JUSTIFICATIVA DA APLICAÇÃO DA MULTA AG RA VA DA Não resta qualquer dúvida que a prática recorrente de calçar as notas é a fraude descrita no artigo 72 supra mencionado e impõe a aplicação de multa na forma qualificada, seja pelo texto anterior ou novo do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Apenas para jogar a pá de cal sobre o assunto, constou acertadamente no bojo dos Autos de Infração no quadro "Enquadramento Legal", pertinente à multa, que para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/97 e 21/01/2007 o percentual é de 150%, conforme art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, sem as alterações advindas. CONCLUSÕES Rejeito a preliminar de decadência argüida, para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, votando pela manutenção da exigência fiscal dos tributos ora contestada, PIS e COFINS, e procedência total dos acréscimos legais sobre o crédito tributário, a saber, multa qualificada no percentual de 150% e juros moratórios na forma da lei. 7 Processo n° 10950.00165112007-16 CCO I/T91 Acórdão n.• 19140.018 Fls. 713 Saliento, ainda, que a autuação de IRPJ e CSLL, constantes desse processo, não foram matérias objetos de contestação por parte da contribuinte, devendo se prosseguir a cobrança do crédito tributário pertinente. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2008 J--- -L, ANA DE BARROS FERNANDES 8 Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13770.001186/2010-25
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
Somente cabe deduzir o valor de despesas referente às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 1003-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir o valor comprovado até o limite do cumprimento da obrigação a título de pensão alimentícia fixado em decisão judicial da base de cálculo do IRPF suplementar do ano-calendário de 2008.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Somente cabe deduzir o valor de despesas referente às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir o valor comprovado até o limite do cumprimento da obrigação a título de pensão alimentícia fixado em decisão judicial da base de cálculo do IRPF suplementar do ano-calendário de 2008. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Notificação de Lançamento Contra o Recorrente acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento, e-fls. 07-13, com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.680,57, a título Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) suplementar, juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao ano-calendário de 2008: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$ 19.360,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. [...] AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 11 86 /2 01 0- 25 Fl. 84DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.121 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.001186/2010-25 Enquadramento legal: Art. 8º, inciso II, “f”, da Lei nº 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 78 e 83 inciso II do Decreto nº 3.000/99 - RIR/99. [...] Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 1.720,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução [...]. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea “a” e §§ 2º e 3º da Lei nº 9.250/95, arts. 43 a 48 da Instrução Normativa nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. [...] Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificado, o Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado no Acórdão da 19ª Turma DRJ/RJO/RJ nº 12-82.389, de 15.07.2016, e-fls. 45-48: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a empresas domiciliadas no País, relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 19ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em R$ 3.106,31 o crédito tributário principal lançado, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora calculados de acordo com a legislação vigente. Recurso Voluntário Notificado em 12.07.2016, e-fl. 53, o Recorrente apresenta o recurso voluntário em 04.08.2016, e-fls. 55-56, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II — O Direito II.1 — PRELIMINAR II. 2 - MÉRITO Amparado pela Lei 9.250, art. 4°, inc. II e; art.8°, inc. II, alíneas a e f . Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.121 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.001186/2010-25 Decreto n° 3.000, art.78. e; Lei 10406, CÓDIGO CIVIL. Primordialmente em seus artigos: 112; 113; 320 e parágrafo único; 322; 327; e 329. Venho apresentar a vossa autoridade os seguintes documentos comprobatórios: a) 12 (doze) extratos bancários da genitora/credora, com o efetivo deposito em conta, em dinheiro. Peço-lhes a atenção para os valores similares e para o código da agencia de deposito, quase sempre o código 102041. b) 11 (onze) comprovantes de deposito provisórios. c) 12 (doze) recibos (comprobatórios) de deposito e de pagamento diretamente a genitora/credora. No que concerne ao pedido conclui que: III — A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pelo Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Delimitação da Lide Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da exigência do IRPF suplementar no valor de R$3.106,31 (R$3.575,18 – R$468,87) em relação à dedução indevida de pensão alimentícia do ano-calendário de 2008 objeto da lide no presente processo (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Sobre a dedução indevida de despesas médicas, consta no Acórdão da 19ª Turma DRJ/RJO/RJ nº 12-82.389, de 15.07.2016, e-fls. 45-48: Através do documento de fls. 14/15, o Interessado comprova a despesa própria com o plano de saúde Unimed Vitória no valor total de R$ 1.704,95. Desta forma, deve ser restabelecida a dedução do valor de R$ 1.704,95, por se tratar de despesa médica dedutível na declaração de rendimentos (art. 80, caput e § 1º, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999). Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.121 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.001186/2010-25 Por outro lado, deve ser mantida a parcela restante de R$ 15,05 da glosa de dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação (art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda). Cabe ressaltar que não há argumentos recursais referentes à dedução indevida de despesas médicas. Notificação de Lançamento O Recorrente discorda do procedimento de oficio. O Código Tributário Nacional determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O Decreto-Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, prescreve: Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. § 2° As despesas deduzidas numa cédula não o serão noutras. § 3° Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim estabelece: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, prevê: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.121 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.001186/2010-25 normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A Solução de Consulta Cosit nº 605, de 22 de dezembro de 2017, orienta: 13. Observa-se que os requisitos para que o contribuinte possa beneficiar-se das deduções em foco são: I) a existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública; II) a determinação na decisão judicial de que é do contribuinte a obrigação de arcar com despesas médicas do alimentando; e III) o pagamento da pensão alimentícia com recibos, depósitos ou comprovantes de rendimentos que consignem o efetivo desembolso destes valores. A Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5422/DF, de 2022, explicita: Ação direta da qual se conhece em parte, relativamente à qual ela é julgada procedente, de modo a dar ao art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88, ao arts. 4º e 46 do Anexo do Decreto nº 9.580/18 e aos arts. 3º, caput e § 1º; e 4º do Decreto-lei nº 1.301/73 interpretação conforme à Constituição Federal para se afastar a incidência do imposto de renda sobre valores decorrentes do direito de família percebidos pelos alimentados a título de alimentos ou de pensões alimentícias. Somente cabe deduzir o valor de despesas referente às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, atualmente, art. 733 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. As importâncias pagas relativas ao suprimento de alimentos, em face do Direito de Família, são aquelas em dinheiro e somente a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia e não alcança o provimento de alimentos decorrente de sentença arbitral, de que trata a Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996. A premissa é de que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção” (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Para fins de análise do litígio tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.121 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.001186/2010-25 Está registrado no Acórdão da 19ª Turma DRJ/RJO/RJ nº 12-82.389, de 15.07.2016, e-fls. 45-48: Através dos documentos de fls. 16/17, o Interessado logra comprovar a obrigação de pensionar os filhos em quatro salários-mínimos, conforme processo n° 024.030.049.118, que tramitou pela Quarta Vara de Família de Vitória (ES). Esta decisão judicial determinou expressamente que a pensão alimentícia deveria ser depositada mensalmente em conta corrente da ex-cônjuge no Bradesco (fls. 16 [...]). [...] Uma vez que a decisão judicial determinou que o pagamento da pensão alimentícia fosse efetuado através de depósitos bancários, o Interessado deveria ter apresentado documentos destes depósitos para comprovar tais pagamentos. Uma simples declaração da ex-cônjuge não é suficiente para comprovar os pagamentos, que deveriam ter sido feitos por depósitos bancários. Este raciocínio é válido tanto para a pensão alimentícia em si quanto para o plano de saúde dos alimentandos. [...] Uma vez não afastada a motivação para a glosa realizada e também que todas as deduções devem ser comprovadas a juízo da autoridade fiscal (art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), deve ser mantida a glosa do valor de R$ 19.360,00 a título de pensão alimentícia por falta de comprovação do seu efetivo pagamento. O Recorrente demonstra parte do implemento da condição legal de procedibilidade da dedução da base do cálculo de IRPF na Declaração de Ajuste Anual no sentido que os pagamentos decorrem de cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere a que se refere o Código de Processo Civil. Consta no Termo de Audiência de Ratificação de Separação Consensual nº 024.030.049.118 de 08.05.2003 da 4ª Vara de Família de Vitória/ES, e-fl. 16: Proposta a reconciliação, não foi a mesma aceita e manifestaram ao MM. Juiz a intenção de se separarem consensualmente, ratificando as cláusulas do acordo de fls. 03/07, com a retificação quanto à pensão alimentícia, item VI, cláusula a.2 da petição inicial, passando a constar que o separando contribuirá, a título de pensão alimentícia em favor de seus dois filhos, mensalmente, até o dia quinze de cada mês, com a importância equivalente a 04 (quatro) salários mínimos, a ser depositado na conta bancária constante da referida cláusula. Os valores do salário-mínimo no período de 2006 a 2010 são: Vigência Valor – R$ Base Legal Abril de 2006 R$350,00 Medida Provisória nº 288, de 30 de março de 2006 Abril de 2007 R$380,00 Lei nº 11.498, de 28 de junho de 2007 Março de 2008 R$415,00 Medida Provisória nº 421, de 29 de fevereiro de 2008 Fevereiro de 2009 R$465,00 Medida Provisória nº 456, de 30 de janeiro de 2009 Janeiro de 2010 R$510,00 Medida Provisória nº 474, de 23 de dezembro de 2009 Para comprovação dos efetivos pagamentos, o Recorrente apresenta recibos de certificação de crédito em conta corrente e os depósitos em conta corrente da ex-cônjuge de pensão alimentícia em favor de seus dois filhos, e-fls. 58-81. Conforme as determinações Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.121 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.001186/2010-25 judiciais, no ano-calendário de 2008, o Recorrente poderia deduzir até R$19.640,00 [(R$380,00 x 2 meses x 4) + (R$415,00 x 10 meses x 4)]. Cabe razão em parte ao Recorrente para deduzir o valor comprovado até o limite do cumprimento da obrigação a título de pensão alimentícia fixado em decisão judicial da base de cálculo do IRPF suplementar do ano-calendário de 2008. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimentos das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir o valor comprovado até o limite do cumprimento da obrigação a título de pensão alimentícia fixado em decisão judicial da base de cálculo do IRPF suplementar do ano-calendário de 2008. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 90DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732590/2018-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
MULTA ISOLADA APLICADA COMO PENALIDADE POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. RE nº 796.939/RS EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL.
Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea b, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, em sede de repercussão geral, que reconheceu a inconstitucionalidade da multa isolada exigida em decorrência de compensação não homologada de com deve ser cancelada.
Numero da decisão: 3301-013.252
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para a autoridade administrativa para cancelar o lançamento da multa isolada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.250, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 11080.732901/2018-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Wagner Mota Momesso de Oliveira (Suplente Convocado) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (Suplente Convocada).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 MULTA ISOLADA APLICADA COMO PENALIDADE POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. RE nº 796.939/RS EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea b, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, em sede de repercussão geral, que reconheceu a inconstitucionalidade da multa isolada exigida em decorrência de compensação não homologada de com deve ser cancelada.
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INCONSTITUCIONALIDADE. RE nº 796.939/RS EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, em sede de repercussão geral, que reconheceu a inconstitucionalidade da multa isolada exigida em decorrência de compensação não homologada de com deve ser cancelada. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para a autoridade administrativa para cancelar o lançamento da multa isolada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.250, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 11080.732901/2018-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Wagner Mota Momesso de Oliveira (Suplente Convocado) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (Suplente Convocada). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 90 /2 01 8- 44 Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.252 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732590/2018-44 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão da DRJ, que considerou improcedente a impugnação intentada contra o lançamento de multa isolada, formalizado por auto de infração. Por bem sintetizar os fatos, adoto o relatório constante do retrocitado Acórdão : Trata-se de Notificação de Lançamento de multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Da análise do PER nº [...], resultou Despacho Decisório (processo nº [...]), que não reconheceu o direito creditório pleiteado e deixou de homologar as compensações declaradas nas DCOMPs nº [...]. Diante disso, a Autoridade Fiscal promoveu o lançamento da multa pela não- homologação da compensação. Cientificada da autuação, a Impugnação foi protocolada às fls. [...], na qual o contribuinte apresenta, em síntese, as seguintes alegações: (...) I – PRELIMINARMENTE: CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (...) IV – DO ENTENDIMENTO DO CARF: No mesmo sentido, o CARF vem se manifestando que existe impossibilidade da aplicação da multa isolada nos casos onde houve aplicação da multa de ofício: (...) V – DA ILEGALIDADE DA MULTA ISOLADA NO PRESENTE CASO: Não satisfeito com as afirmações equivocadas no que diz respeito ao acúmulo do crédito de IPI por estabelecimento equiparado à industrial, a Autoridade Fiscal ainda abriu Auto de Infração para cada pedido de Compensação atribuindo Multa Isolada de 50% apenas pelo fato da não homologação de um pedido de compensação que é DIREITO do contribuinte. Como sabe-se o STF já apresentou proposta de tese sobre a ilegalidade da aplicação de multa isolada nas não homologações de compensação de créditos. Vejamos: (...) VI – DA EFEITO CONFISCATÓRIO (...) VII – DA INEXISTÊNCIA DE MÁ-FÉ: (...) VIII – DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO: (...) IX – DO DIREITO: (...) É como relato. Passo ao voto. A DRJ assim ementou seu Acórdão : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI (...) DISPENSA DE EMENTA. Ementa dispensada nos termos do inciso II do art. 2º da Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.252 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732590/2018-44 Ainda irresignada, a impugnante apresentou Recurso Voluntário, dirigido a este CARF, assim elaborado ; - DA DECISÃO A QUO (DRJ) - PRELIMINARMENTE – DA REUNIÃO E APRECIAÇÃO CONJUNTA DOS PROCESSOS: - DO ENTENDIMENTO DO CARF: - DA ILEGALIDADE DA MULTA ISOLADA NO PRESENTE CASO - DA EFEITO CONFISCATÓRIO - DA INEXISTÊNCIA DE MÁ-FÉ: - DO DIREITO DE COMPENSAÇÃO - DO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ: - DA VERDADE MATERIAL - DOS PEDIDOS: É o que bastava relatar. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário interposto atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF, portanto, deve ser aceito. - PRELIMINAR A recorrente solicita a junção dos processos que elenca em seu recurso voluntário. Há que se esclarecer que, nesta sessão, estão sendo julgados os processos de nº 11080.732901/2018-75 e 10920.724400/2015-71, por este Relator foram distribuídos. Os demais (11080.732590/2018-44, 11080.732060/201819 e 732604/2018-20), encontram-se na condição de repetitivos, com carga ao Sr. Presidente desta Turma, para repetição do decidido nestes autos. - MÉRITO Em face do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b”, do RICARF, deve ser adotada a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, em sede de repercussão geral No julgamento do referido RE, o STJ reconheceu a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa objeto do presente litígio, com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796.939/RS – MULTA ISOLADA/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.252 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732590/2018-44 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca a compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Por sua vez, o art. 62 do RICARF, assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.252 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732590/2018-44 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento da multa isolada, formalizado por auto de infração. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para a autoridade administrativa para cancelar o lançamento da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 107DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732741/2018-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2013
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796.939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-013.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.704, de 27 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 11080.732842/2018-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796.939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-12-29T17:42:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-12-29T17:42:00Z; Last-Modified: 2023-12-29T17:42:00Z; dcterms:modified: 2023-12-29T17:42:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-12-29T17:42:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-12-29T17:42:00Z; meta:save-date: 2023-12-29T17:42:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-12-29T17:42:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-12-29T17:42:00Z; created: 2023-12-29T17:42:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-12-29T17:42:00Z; pdf:charsPerPage: 2240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-12-29T17:42:00Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 11080.732741/2018-64 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3302-013.706 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 27 de setembro de 2023 RReeccoorrrreennttee MINERACAO APOENA S.A. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796.939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.704, de 27 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 11080.732842/2018-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito relacionado à Multa Isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 27 41 /2 01 8- 64 Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-013.706 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732741/2018-64 Contra a decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário requerendo, em síntese: a) o presente processo e o processo administrativo contencioso que discute a legitimidade da declaração de compensação cuja não-homologação dá origem à autuação ora impugnada sejam juntados por apensamento para serem julgados simultaneamente, ficando suspensa a exigibilidade da multa pretendida pelo lançamento combatido até julgamento definitivo deste processo. b) seja julgado totalmente procedente o presente Recurso Voluntário a fim de declarar a nulidade do lançamento impugnado, determinando-se o cancelamento integral da exigência fiscal veiculada pela Notificação de Lançamento e Acórdão combatidos, com o consequente arquivamento do processo administrativo, nos termos da lei. Este é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Não obstante os argumentos apresentados pela Recorrente, a questão está relacionada a uma matéria decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, com repercussão geral, que estabeleceu a inconstitucionalidade da multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, uma vez que não consiste em ato ilícito com capacidade para gerar automaticamente uma penalidade pecuniária. A seguir, apresenta-se a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-013.706 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732741/2018-64 em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. A C Ó R D à O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Virtual do Plenário de 10 a 17 de março de 2023, sob a Presidência da Senhora Ministra Rosa Weber, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, apreciando o tema 736 da repercussão geral, em conhecer do recurso extraordinário e negar- lhe provimento, na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantida, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Foi fixada a seguinte tese: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Tudo nos termos do voto reajustado do Relator. O Ministro Alexandre de Moraes acompanhou o Relator com ressalvas. Não votou o Ministro Nunes Marques, sucessor do Ministro Celso de Mello (que votara na sessão virtual em que houve o pedido de destaque, acompanhando o Relator). [Julgamento: 18/03/2023. Publicação: 23/05/2023] Nos termos do §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II da Portaria MF nº 343/2015: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-013.706 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732741/2018-64 O Recurso Extraordinário 796.939/RS transitou em julgado em 20/06/2023; assim, a questão foi decidida, e não cabe a aplicação da multa, devendo esta ser cancelada. Nesse sentido, fica prejudicada a análise das demais alegações apresentadas pela Recorrente. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 116DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10880.939479/2016-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. APRESENTAÇÃO. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO
O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Neste caso, o processo deve retornar à Receita Federal para reanálise do direito creditório vindicado e emissão de despacho decisório complementar.
Numero da decisão: 1201-006.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, nos termos do voto condutor, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.212, de 19 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.939477/2016-48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, José Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Alexandre Evaristo Pinto, Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. APRESENTAÇÃO. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Neste caso, o processo deve retornar à Receita Federal para reanálise do direito creditório vindicado e emissão de despacho decisório complementar. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, nos termos do voto condutor, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.212, de 19 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.939477/2016-48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, José Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Alexandre Evaristo Pinto, Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 94 79 /2 01 6- 37 Fl. 422DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-006.214 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939479/2016-37 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de primeira instância que julgou Manifestação de Inconformidade Improcedente cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório proferido pela unidade de origem, que homologou parcialmente compensações com utilização de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2013. O Despacho Decisório homologou parcialmente as compensações declaradas em razão de a retenção na fonte ter sido confirmada parcialmente. Os argumentos da manifestação de inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, o qual manteve a não homologação sob o fundamento de insuficiência probatória. Cientificada do acórdão recorrido, a recorrente interpôs recurso voluntário em que requer preliminarmente nulidade do despacho decisório e/ou decisão recorrida; no mérito, alega impossibilidade da não homologação do crédito por mera presunção; as receitas de prestação de serviço e de vendas foram informadas em conjunto. Por fim, requer a homologação das compensações declaradas. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Passo à análise. Cinge-se a controvérsia à parcela não homologada, no montante de R$ 4.803.661,28, referente à retenção de IR-Fonte (código 1708 - remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica) por várias fontes pagadoras, o qual compõe o saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário 2012. Preliminar Nulidade do despacho decisório e/ou da decisão recorrida Aduz a recorrente que “o fundamento para a não homologação do crédito foi a Fl. 423DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-006.214 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939479/2016-37 singela, e pouco elucidativa frase: “Receita correspondente não oferecida à tributação””. Ressalta, todavia, que apesar de a decisão recorrida “reconhecer a efetiva retenção dos valores pelas fontes pagadoras, apontou que, em verdade, o fundamento para a não homologação do crédito pretendido seria o suposto não oferecimento das receitas relativas às retenções pela Recorrente à tributação”. Nessa linha, defende que “a simples divergência da interpretação do fundamento de não homologação entre a Delegacia Julgadora a quo e a Recorrente deixa patente que a motivação do despacho e decisório não foi “explícita, clara e congruente” como prevê a legislação, o que, por si só, acarreta na nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa”. Aponta ainda como causa de nulidade do despacho decisório “a negativa de homologação em fundamento legais genéricos, sem a indicação de fundamento legal específico que possibilite o entendimento da Recorrente da infração que lhe está sendo imputada”. Adicionalmente requer a declaração de nulidade da decisão recorrida “em razão da utilização de fundamentação diversa daquela apontada no Despacho Decisório”. Sem razão a recorrente. Explico. Conforme consta do despacho decisório (e-fls. 200-201), a homologação foi parcial em razão de parcelas de retenções na fonte não terem sido confirmadas. Consta ainda nas informações complementares da análise do crédito demonstrativos que elencam as retenções na fonte nos códigos 3426 (Aplicações Financeiras de Renda Fixa - Pessoa Jurídica) e 924 (Fundos de investimento cultural e artístico (Ficart) e demais rendimentos do capital), as quais foram confirmadas. Por outro lado, as retenções de receitas referentes ao código 1708 (Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica) não foram confirmadas e consta como justificativa: “Receita correspondente não oferecida à tributação”. Tal justificativa está de acordo com informação prestada na Ficha 06A, linha 05, da DIPJ/2013, que não aponta nenhum valor para receita de prestação de serviço (e-fls. 39). Por fim, observa-se que o despacho decisório apresenta fundamentação legal compatível com a decisão proferida e explicita as razões da homologação parcial. Tanto é verdade que a recorrente, a despeito desta preliminar de nulidade, efetuou sua defesa de forma totalmente coerente com a decisão proferida, o que descaracteriza, no ponto, o alegado cerceamento de direito de defesa. Por fim, verifica-se que a decisão recorrida, após apontar as constatações acima, assentou que a recorrente não apresentou elemento probatório que corroborasse suas alegações; Logo não há falar-se em fundamentação diversa do despacho Fl. 424DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-006.214 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939479/2016-37 decisório. Veja-se (e-fls. 212): Já as retenções na fonte cujas deduções não foram confirmadas são todas do código de receita 1708, que corresponde a Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica. O fato gerador é o pagamento ou creditamento a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. A ficha 2 da DIPJ, Dados Cadastrais, informa como atividade da sociedade o Comércio atacadista de componentes eletrônicos e equipamentos de telefonia e comunicação. Analisando a mesma DIPJ, Ficha 06A, fls. 39 do processo, constatamos que a contribuinte não declarou ter auferido receitas decorrentes da prestação de serviços no anocalendário 2012. Dessa forma, por não ter computado as receitas da prestação de serviços na determinação do lucro real, não pode deduzir o IRRF correspondente. A interessada não trouxe ao processo comprovação da existência do direito creditório alegado, não juntando a sua manifestação documentação contábil e/ou fiscal que corroborasse sua alegação. Nestes termos afasto as preliminares. Mérito A decisão recorrida manteve a não homologação, na linha do Despacho Decisório, sob o fundamento de que a “interessada não trouxe ao processo comprovação da existência do direito creditório alegado, não juntando a sua manifestação documentação contábil e/ou fiscal que corroborasse sua alegação”. Vejamos a legislação sobre a matéria. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova Fl. 425DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-006.214 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939479/2016-37 incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, cabe ao contribuinte provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Assim, anexados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Por outro lado, a não apresentação de elementos probatórios prejudica a liquidez e certeza do crédito vindicado, o que inviabiliza a repetição do indébito. No caso em análise, com vistas a comprovar o crédito vindicado, a recorrente, aponta inicialmente, que além comercializar mercadorias também aufere receita pelo licenciamento de uso de software, conforme notas fiscais anexadas aos autos. Aduz que “o mero licenciamento de uso de software, sem seu suporte físico, não configura necessariamente a venda de mercadoria ou a prestação de um serviço, uma vez que não há circulação de mercadoria física e tampouco uma obrigação de fazer, mas sim uma obrigação de dar, de fornecer a licença ao destinatário. 38. Todavia, em razão de a Lei Complementar nº 116/03 elencar dentre as atividades sujeitas ao ISS o licenciamento do direito de uso de software, “de forma conservadora, mesmo nos casos envolvendo licença de uso de softwares, a Recorrente emite notas fiscais de serviços, recolhendo o ISS incidente sobre estas receitas”. Aduz que a receita decorrente dessa atividade é “informada em sua DIPJ em conjunto com aquela relativa à venda de mercadorias, notadamente em razão do fato de que não há em citada declaração campo específico para indicação de receitas decorrentes de operação relativa ao licenciamento de direitos de uso”. Aduz ainda que, em razão de a transferência de titularidade das soluções ocorrer somente após aceite do cliente, conforme Contrato de Fornecimento de Bens e Serviços para Rede 2G/3G e Termo de Aceitação, colacionados aos autos, a título ilustrativo, “a receita das soluções oferecidas pela Recorrente (que englobam os softwares cuja licença de uso é comercializada por meio de notas fiscais de serviço que ensejaram as retenções que deram origem ao crédito) são reconhecidas ao longo do período, e não necessariamente quando da emissão da nota fiscal”. E nos casos em que há emissão de nota fiscal, mas ainda não possui o Termo de Aceitação de seu cliente, “a receita relativa àquela nota é contabilizada como Receita Diferida”. Para comprovar o alegado a recorrente colaciona aos autos, a título ilustrativo, contrato e Termo de Aceitação (e-fls. 371, doc. 6; 407, doc. 7); balanço Fl. 426DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-006.214 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939479/2016-37 referente ao ano-calendário 2012, relação de notas fiscais, Lalur, IR diferido (e- fls. 413, doc. 5). Para esclarecer a sistemática adotada, cita o seguinte exemplo: 63. Em citado Balanço há, ainda, oito contas grifadas em amarelo, relativas às receitas reconhecidas em razão do recebimento do Termo de Aceite emitidos pelos clientes. São nestas contas nas quais são contabilizados os valores vinculados tanto de venda de produtos, como de licenciamento de software. 64. E a fim de comprovar que nas contas acima estão de fato incluídas as notas fiscais de serviço vinculadas a licenciamento de software, a Recorrente informa que abertura das informações destas contas grifadas está na Aba “Notas Maio” (Doc.05), a qual, em sua coluna “J”, linha 10108, demonstra o valor total de todas as notas que tiveram a receita reconhecida em Maio/2012 e montam R$135.660.246,26. E dentre as notas que compõe este valor total estão incluídas as notas fiscais de serviços emitidas quando da cessão de direito de uso de Software, a Recorrente cita as seguintes notas fiscais, a título ilustrativo: 4267, 4939, 4961, 4963 (Doc.05-A). Pois bem. Prevalece neste Carf o posicionamento de que a prova do imposto de renda retido na fonte pode ser feita por documentos diversos do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), tais como notas fiscais, faturas, documentos contábeis, dentre outros. Devido a Dirf ser uma obrigação acessória do contratante do serviço, pautar-se somente em informações dessa declaração pode prejudicar o prestador do serviço, porquanto o contratante pode descumprir tal obrigação acessória ou cumpri-la de forma equivocada. Tal raciocínio está alinhado ao enunciado da Súmula Carf nº 143: Súmula CARF nº 143: A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Acórdãos Precedentes: 9101-003.437, 9101-002.876, 9101-002.684, 9202- 006.006, 1101-001.236, 1201-001.889, 1301-002.212 e 1302-002.076. A meu ver, os elementos probatorios anexados aos autos, se por um lado não são suficientes para homologação do direito creditório em análise, têm força probante suficiente para demandar uma nova análise pela Receita Federal, ocasião em que poderá haver um aprofudamento probatório, bem como apresentação de novas provas. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela Fl. 427DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-006.214 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939479/2016-37 consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 428DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10920.001983/2007-58
Turma: Sexta Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO.
A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/ alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Os órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal não tem atribuição para julgar o mérito de pedidos de compensação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2806-000.180
Decisão: ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal não tem atribuição para julgar o mérito de pedidos de compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 6' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Processo n" 10920.001983/2007-58 S2-TE06 Acórdão n.° 2806-00.180 Fl. 221 ELIAS S AIO FREIRE - Presidente Vbik KLEBER FERREIRA DE A ' I.JJO —Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa e Rogério de Lellis Pinto. 2 Processo n° 10920.001983/2007-58 82-TE06 Acórdão n.° 2806-00.180 Fl. 222 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração n.° 37.060.768-6, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. O valor da multa aplicada é R$ 1.156,95 (um mil e cento e cinquenta seis reais e noventa e cinco centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04, a empresa deixou de incluir na folha de pagamento os diversos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço no período fiscalizado. Junta anexo onde consta a relação dos segurados omitidos A metodologia e fundamentação legal utilizadas no cálculo da penalidade encontram-se expostas no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 05. A autuada a apresentou impugnação, fls. 26/2 g, na qual afirma não concordar com a presente imposição fiscal, no entanto, pede que lhe seja deferida a compensação do valor lançado com créditos tributários já reconhecidos pela Fazenda Nacional. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau (SC) exarou a Decisão Notificação — DN n..° 20.421.4/0023/2007, fls. 94/96, declarando procedente a autuação. No referido decisório alega-se a incompetência do órgão de julgamento para analisar pedido de compensação. No mais, avalia que o AI foi lavrado com observância dos preceitos legais, devendo ser mantido. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual pede que esse processo seja reunidos com os demais lavrados na mesma ação fiscal para julgamento conjunto. Pede a realização de perícia contábil, de modo a demonstrar que sempre procedeu em conformidade com as determinações legais aplicáveis. Assevera que em processo judicial tratando de matéria semelhante foi determinada a realização de perícia. Mesmo não concordando com o lançamento, pede que a multa que lhe é imposta seja compensado com créditos que detém perante a Fazenda Nacional. Requer, por fim, a reforma da decisão a quo. É o relatório. • 4\)"3-1-3-3\ Processo n° 10920.001983/2007-58 S2-TE06 Acórdão n.' 2806-00.180 Fl. 223 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Os pressupostos de tempestividade e legitimidade foram cumpridos. Quanto ao depósito para garantia de instância, esse foi afastado por decisão judicial. Assim, merece conhecimento o presente recurso. Faço a ressalva, no entanto, que o conhecimento do recurso não pode abranger a totalidade das alegações, haja vista que as razões não aventadas na impugnação se encontrarem fulminadas pela preclusão, uma vez que não foram suscitadas em momento processual próprio, ou seja na fase de defesa, conforme preceitua o artigo 9°, § 6°, da Portaria n° 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5°, inciso "V", do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época da apresentação do recurso, c/c artigo 17, do Decreto n° 70.235/72, senão vejamos: "Panaria 1V• 520. Art. 9". A impugnação mencionará: 11.1. § 6". Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." "Portaria MPS Ar• 88— Regimento Interno CRPS. Art. 54. As decisões proferidas pelas Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos poderão ser: § 5". Constituem razões de não conhecimento do recurso: [..1. v- a precluslio processual:" "Decreto n • 70.235/72. An. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Nessa toada, não merece conhecimento a matéria levantada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, como é o caso do pedido de perícia e o requerimento para julgamento conjunto de processos, tendo em vista a ocorrência da preclusão temporal. Como bem afirmou o julgador monocrático, o pedido de quitação da multa aplicada com supostos créditos que a empresa teria com a Fazenda Nacional não pode ser reconhecido no processo administrativo fiscal. Aqui tem lugar tão somente a verificação da ars J\ Processo n° 10920.001983/2007-58 52-TE06 Acórdão n." 2806-00.180 9. 224 legalidade do procedimento do fisco, não sendo o foro próprio para decisão acerca de processo compensatório ou de restituição. Caso o objeto do lançamento fosse a glosa de compensações efetuadas pelo contribuinte, aí sim caberia ponderação sobre a operação de encontro de contas, mas não é o caso, posto que aqui o que deve ser decido é se efetivamente ocorreu a infração e se a multa foi aplicada conforme as prescrições legais. Além do mais, a compensação somente pode ser deferida quando o crédito fiscal estiver definitivamente constituído, o que não é o caso do lançamento sob discussão, posto que ainda não transitado em julgado na seara administrativa. Diante do exposto, voto por conhecer apenas das matérias suscitadas na impugnação e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 2 de junho de 2009 \LiUkh . 4nMA4 KLEBER FERREIRA DE JO — Relator Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10730.721657/2012-65
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
É de se restabelecer a dedução de despesa médica comprovada, por meio de documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2003-006.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.400,00.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. É de se restabelecer a dedução de despesa médica comprovada, por meio de documentos hábeis e idôneos.
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DESPESAS MÉDICAS. É de se restabelecer a dedução de despesa médica comprovada, por meio de documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.400,00. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2008, ano-calendário 2007, por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Niterói. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Demonstrativo do Crédito Tributário Cód. DARF Valores Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (sujeito à multa de ofício) 2904 4.094,20 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 16 57 /2 01 2- 65 Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-006.194 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721657/2012-65 Multa de Ofício (passível de redução) 3.070,65 Juros de Mora (calculado até 31/01/2012) 1.607,38 Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (sujeito à multa de mora) 0211 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros de Mora (calculado até 31/01/2012) 0,00 Valor do Crédito Tributário Apurado 8.772,23 O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 9.000,00, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação, conforme segue: 208.620.677-15 MARIA HELENA B. DE CARVALHO R$ 2.000,00 – recibo não possui identificação profissional; 926.413.267-87 DULCE FÁTIMA MOREIRA R$ 4.600,00 – recibo não possui a identificação profissional e nem a assinatura do mesmo; 728.324.607-04 LUCIA AMÉLIA MOREIRA R$ 2.400,00 - recibo não possui a identificação profissional e nem a assinatura do mesmo. Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física. Foram lançados rendimentos recebidos no valor de R$ 5.888,00, informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob). Na apuração da omissão foi considerado o valor líquido do aluguel, já deduzido da comissão correspondente. O enquadramento legal do lançamento encontra-se na referida Notificação. Cientificado da exigência em 17/01/2012 (fl. 14), o contribuinte apresentou, em 15/02/2012, impugnação acostada às fls. 2/3, em que concorda expressamente com a infração de omissão de rendimentos e discorda da glosa de despesas médicas efetuada, sob a alegação de que se trata de despesa própria e com dependente (Deboran Garrido Dias Max). Consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e esclarece que, quando do atendimento da intimação, estava Por fim, requer o acolhimento da impugnação. Tendo em vista a impugnação parcial, o crédito tributário não impugnado, no valor de R$ 1.619,20 (fls. 19/20), foi transferido para o processo nº 10730.728159/2012-43, para fins de cobrança. A decisão de piso foi desfavorável à pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Considera-se não impugnada, e portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. DEDUÇÃO INDEVIDA. DESPESAS MÉDICAS. Mantém-se o lançamento quando não resta comprovada, por meio de documentos hábeis e idôneos, a realização das despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-006.194 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721657/2012-65 Cientificado da decisão de primeira instância em 22/10/2013, o sujeito passivo interpôs, em 21/11/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) improcede a glosa referente as despesas médicas (Maria Helena Bandeira de Carvalho-CPF nº2320), pois tratar-se de despesas referente ao próprio contribuinte, no valor de R$2.000,00 (dois mil reais); b) improcede a glosa referente as despesas médicas (Lúcia Amélia Moreira-CRP- RJO05.6749), pois tratar-se de despesas referente a - dependente (Deborah Garrido Dias Max), no valor de R$2.400,00(dois mil e quatrocentos reais); c) foi recolhido o valor de R$8.170,31(oito mil cento e setenta reais e trinta e um centavos), referente ao processo nº10730-728.159/2012-43 conforme comprovante. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a regularidade da comprovação materializada nos recibos apresentados para dedução de despesas médicas. Na fl. 45, o recorrente anexa novo recibo de Lúcia Amélia Moreira, psicóloga (em substituição ao recibo de fl. 11), com a indicação do número de seu registro profissional e, nas fls. 46/47, apresenta comprovação de dependência de sua filha (Deborah Garrido Dias Max). O referido documento apresentado de forma extemporânea é aceito em homenagem ao Princípio da Verdade Real e formalismo moderado, conforme jurisprudência deste E. Tribunal. A decisão de piso assim se manifesta em relação à glosa da referida despesa: O recibo emitido por Lúcia Amélia Moreira, psicóloga (fl. 11), atesta a prestação de serviço a Deborah Garrido Dias Max, dependente do contribuinte, e o pagamento de R$ 2.400,00. No entanto, referido documento não apresenta o número do registro profissional da emitente. Em consequência, tal recibo é insuficiente para comprovar que o atendimento prestado foi feito por pessoa legalmente habilitada, de forma que deve ser mantida a respectiva glosa. Assim, considerando que o único ponto de controvérsia acerca da impossibilidade de dedução da despesa médica era a ausência do número do registro profissional da emitente, sendo esta comprovação saneada em grau recursal, é de se restabelecer a dedução da despesa em referência no valor de R$ 2.400,00. Por outro lado, na fl.44, há recibo emitido por Maria Helena Bandeira de Carvalho, fonoaudióloga, idêntico ao recibo de fl. 13, sem a identificação do beneficiário dos serviços prestados. Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-006.194 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721657/2012-65 Não ignoro a existência da Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2013, conquanto considero que a literalidade do art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 (vigente à época) deve ser respeitada, no sentido de se exigir que o recibo deva observar suas formalidade legais. Tendo em vista que o recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O art. 73 do RIR/99, por seu turno, preconiza que: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.(Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Do exposto, constata-se que, para que as despesas médicas constituam dedução, faz-se necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitando-se a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. O endereço deve ser aposto no recibo para que a Receita Federal, caso considere oportuno, possa intimar o profissional de saúde para prestar esclarecimentos. Destaque- se que o domicílio fiscal da pessoa física pode diferir de seu endereço profissional. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. No caso em tela, foram glosados pagamentos informados na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2008 a título de despesas médicas (Maria Helena Bandeira de Carvalho Fl. 58DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-006.194 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721657/2012-65 – R$ 2.000,00, Dulce Fátima Moreira – R$ 4.600,00, e Lúcia Amélia Moreira – R$ 2.400,00), por falta de comprovação. Em sua defesa, o contribuinte alega tratar-se de despesa própria e com dependente e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. (...) Já o recibo de fl. 13, emitido por Maria Helena Bandeira de Carvalho, fonoaudióloga, não pode ser aceito, pois não identifica o beneficiário dos serviços prestados. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.400,00. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 59DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002888/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
Tem a Fazenda Pública cinco anos para promover o lançamento de ofício, nos termos do artigo 173, I, do CTN, quando não foram declarados em GFIP, nem tampouco constam recolhimentos vinculados antes de iniciada a ação fiscal.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAT. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio-alimentação pago in natura, ainda que fornecido por empresa não inscrita no programa de alimentação aprovado pelos órgãos governamentais (Programa de Alimentação do Trabalhador PAT).
Numero da decisão: 2201-011.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernando Gomes Favacho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Luciana Matos Pereira Sanchez (suplente convocado(a)), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO
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NÃO OCORRÊNCIA. Tem a Fazenda Pública cinco anos para promover o lançamento de ofício, nos termos do artigo 173, I, do CTN, quando não foram declarados em GFIP, nem tampouco constam recolhimentos vinculados antes de iniciada a ação fiscal. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAT. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio-alimentação pago in natura, ainda que fornecido por empresa não inscrita no programa de alimentação aprovado pelos órgãos governamentais (Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Luciana Matos Pereira Sanchez (suplente convocado(a)), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o Auto de Infração DEBCAD 37.205.220-7 (fl. 03) de Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social, parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 88 /2 00 9- 90 Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.367 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002888/2009-90 riscos ambientais do trabalho (GILRAT); incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 92 a 106), não foram declarados em GFIP: (1) AUT — Autônomos na contabilidade: valores de remuneração paga aos prestadores de serviços extraídos de sua contabilidade e não declarados em GFIP, na competência 12/2004; (2) BAS — Base da empresa: diferenças da base de cálculo considerada pela empresa não declarada em GFIP, competências 01 e 02/2004 ; (3) CB — Cesta Básica: alimentação fornecida aos seus empregados sem inscrição no PAT, competências 01 e 02/2004, 07 a 09/2004 e 12/2004; (4) Z1 — Transferido do Lev AUT (75%); (5) Z2— transferido do Lev BAS (75%) e (6) Z3— Transferido do Lev CB (75%). Na Impugnação (fls. 113 a 130) o Contribuinte afirma: 1) Nulidade da autuação pela não inclusão de cestas básicas na base de cálculo do salário de contribuição, pois na maior parte do período fiscalizado a empresa participava do PAT. 2) Nulidade da autuação pelo suposto não recolhimento de contribuições por pagamento feito a contribuintes individuais. 3) Decadência, dado que só poderiam ser exigíveis os fatos geradores ocorridos até o final de julho de 2004, sendo, portanto ilegal a cobrança nos demais meses. 4) requer, ao final, concessão de prazo para completar a documentação da impugnação, tendo em vista que documentos se encontram em processos trabalhistas arquivados. O Acórdão 16-25.344, em Sessão de 18/05/2010 (fls. 210 a 225), julgou pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário. Entendeu-se, em suma, que a) O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do CTN; e b) O pagamento efetuado ao trabalhador a título de alimentação em desacordo com o PAT deve ser considerado como base de incidência de contribuições previdenciárias, e que o não recadastramento no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT no prazo estipulado, implicará no cancelamento automático do registro ou inscrição. Cientificado em 17/07/2012 (fls. 234), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 236 a 251), em que alega: a) Não ser necessária a inscrição no PAT para que a empresa deixe de incluir os valores pagos pelas cestas básicas no salário de contribuição; b) Decadência, pelo art. 150, §4º do CTN; c) Nulidade por suposto não recolhimento de contribuições por pagamentos feitos a contribuintes individuais, além de deficiência probatória nos lançamentos: Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.367 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002888/2009-90 (fls. 249-250) A Fiscalização localizou arquivos magnéticos da Recorrente em que constavam a descrição de pagamentos a terceiros. Ocorre que nenhum destes valores estava sujeito a incidência da contribuição sobre o pagamento de autônomos. Vejamos um a um: Os pagamentos relatados no Auto de Infração como de nos 8569 e 8571, de 20/05/2004, no valor de R$ 1571,66 cada, dizem respeito a pagamentos em processo judicial. Conforme consta do histórico relatado pela própria fiscalização, tais pagamentos se referem aos processos 90 e 91/2004. Ou seja, se tratam de pagamentos de acordo/despesa de processos judiciais e não de honorários por serviços prestados, portanto, não sofrem a incidência de contribuições sobre pagamento de autônomos, conforme ficou demonstrado pelos documentos juntados às fls. 170/201. Com relação aos valores pagos a advogados sob os nos 11961, 12179 e 12209, nos valores de R$ 400,00, R$ 400,00 e R$ 200,00, estes não estavam sujeitos a contribuição por não se tratarem de pagamentos feitos a pessoa física como contraprestação de serviços, conforme fls. 170/201 do processo em epígrafe. Com relação aos pagamentos de no 12005, 12203, 12445, de R$ 310,00 cada um, se referem a remuneração de oficina mecânica a qual, na época emitiu nota fiscal de pessoa jurídica, daí a desnecessidade de qualquer recolhimento de contribuinte autônomo. Ocorre que, como foi explicado aos fiscais, em enchente ocorrida na empresa em março de 2007 estas notas se perderam. Ainda que se considerasse o mecânico como contribuinte individual, o que se admite só para argumentar, não se pode sustentar que a integralidade dos pagamentos se refere a mão de obra. Mais da metade do valor destes pagamentos se referia as peças e não a prestação de serviços. Cumpre a Fiscalização provar que os pagamentos se referiam a serviços para que haja a incidência, não bastando a mera indicação de pagamentos efetuados para supor que tudo era contraprestação de serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. Admissibilidade. Atesto a tempestividade da peça recursal. Cientificado em 17/07/2012 (fls. 234), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16/08/2012 (fls. 236). Decadência. Tal como afirmado na decisão de 1ª instância, não cabe a aplicação do art. 150, §4º, mas sim o art. 173, I do CTN. (fl. 217) Ocorre que, o sujeito passivo tem a obrigação de declarar os fatos geradores, e recolher o tributo voluntariamente antes de qualquer procedimento administrativo; e em se tratando de lançamento por homologação, como é o caso das contribuições sociais, a lavratura do Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal poderá ser Fl. 277DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.367 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002888/2009-90 evitada, quando o contribuinte, adiantando-se ao fisco, declara, espontaneamente, o montante dos fatos geradores praticados, providenciando o recolhimento do tributo devido. Em outras palavras, na ausência da constituição do crédito tributário pelo sujeito passivo, o lançamento deve ser feito de ofício pelo fisco, Fornecimento de alimentação in natura sem adesão ao PAT (...) Considerando que a ciência da empresa ocorreu em 01/08/2009; que os levantamentos objeto deste Auto de Infração não foram declarados em GFIP, nem tampouco constam recolhimentos vinculados antes de iniciada a ação fiscal, tem a Fazenda Pública cinco anos para promover o lançamento de ofício nos termos do artigo 173, I, do CTN, devendo ser mantido o crédito apurado em relação ao período levantado. Programa de Alimentação ao Trabalhador. Cabe, de início, registrar que no Processo 19515.002889/2009-34, que trata de contribuições sociais previdenciárias no mesmo período de apuração deste, houve provimento do Recurso Voluntário quanto a não incidência de contribuição (Acórdão n. 2803-003.333, Sessão de 14/05/2014, Relator Conselheiro Oséas Coimbra): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. A Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 1.453/2014 alterou o inciso III do art. 58 da IN RFB nº 971/2009 para retirar o requisito de concordância com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para fins de tributação da alimentação in natura. Seção V. Das Parcelas Não-Integrantes da Base de Cálculo Art. 58. Não integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuições: III - a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; III - a parcela in natura do auxílio alimentação; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) III - o auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, observado o disposto no § 2º; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1867, de 25 de janeiro de 2019) Dado que o único argumento constante no Acórdão é que somente integram o salário de contribuição os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no programa oficial instituído pela Lei n 6.321/1976: PAT - Programa de Alimentação do Fl. 278DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.367 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002888/2009-90 Trabalhador, e que essa exigência não mais persiste a partir de 2014, cabe observar se é o caso de manter a exigência da inscrição no PAT por este Conselho. No Superior Tribunal de Justiça, a questão está pacificada. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio-alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificou-se no sentido de que o auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. A jurisprudência é pacífica quanto a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio-alimentação pago in natura, ainda que fornecido por empresa não inscrita no programa de alimentação aprovado pelos órgãos governamentais (Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT). Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou provimento. (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho Fl. 279DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10855.001942/00-45
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
EXERCÍCIO: 1996
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRODUÇÃO DE PROVAS
Para justificar o acréscimo e elidir a presunção de omissão de
rendimentos, não podem ser aceitos documentos que não contenham identidade razoável com as datas em que verificados os acréscimos, nem aqueles desprovidos de formalização documental mínima para a comprovação do ingresso dos valores.
Recurso negado.
Numero da decisão: 192-00.194
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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' IN SEGUNDA TURMA ESPECIAL Processo n° 10855.001942/00-45 Recurso n° 157.779 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 1996 Acórdão n° 192-00.194 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente ELIANA CONCEIÇÃO CÉSAR Recorrida r TURMA/DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF EXERCÍCIO: 1996 IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRODUÇÃO DE PROVAS Para justificar o acréscimo e elidir a presunção de omissão de rendimentos, não podem ser aceitos documentos que não contenham identidade razoável com as datas em que verificados os acréscimos, nem aqueles desprovidos de formalização documental mínima para a comprovação do ingresso dos valores. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. I M • LÁQ a SOA MONTEIRO Presi • -nte SIDNEY F RO : • • OS Relator FORMALIZADO EM: 411A' .0[19 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURÍCIO CARVALHO e SANDRO MACHADO DOS REIS. n Processo n° 10855.001942/00-45 CC0I/T92 Acórdão n.° 19240.194 Fls. 155 Relatório Com a finalidade de descrever os fatos sob foco neste processo, até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 90 a 94 da instância a quo, in verbis: "Eliana Conceição César, acima identificada, foi autuada (AI às f. 03 a 08), tendo em vista ter sido constatado omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de trabalho com vínculo empregatício, omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, acréscimo patrimonial a descoberto e falta de entrega de declaração de rendimentos, relativamente ao ano-calendário 1995, exercício 1995. O lançamento resultou em R$ 4.859,42 de imposto, R$ 3.644,56 de multa proporcional (75%) e R$ 4.918,21 de juros de mora calculados até 31 de agosto de 2000 e, ainda, R$ 971,87 relativos à multa regulamentar. 2.A contribuinte foi sistematicamente intimada (E 11 a 20) a apresentar comprovantes de aquisição, venda e cessão de bens, de dívidas e de rendimentos. 3.Em resposta às intimações, em 21 de dezembro de 1999, a contribuint, apresentou o documento de E 22, no qual consta que nada foi adquirido ou vendido em 1994, que não houve rendimentos, doações, pagamentos e movimentação financeira nesse mesmo ano. 4.Juntamente com o documento referido no item anterior, apresentou declaração de rendimentos, em atraso, na qual está consignado 5.213,63 UFIR de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, 1.200,00 UFIR recebidos de pessoas fisicas, totalizando 6.413,63 UFIR, bem como os bens e direitos em quadro pertinente. 5.Houve a intimação da empresa Autofer-Fercoi Veículos e Peças Ltda. (E 26), que apresentou a cópia da Nota Fiscal n. 095.832, relativa à aquisição, pela contribuinte em 19 de maio de 1994, de um veiculo pelo valor de CR$ 23.792.47,00 (E 27). 6.0correram novas intimações à contribuinte (E 28 a 45), para que esta informasse o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas mês a mês, tendo sido respondidas por meio do documento de E 46. Cópias de contratos sociais e alterações foram anexadas às f. 49 a 71. 7.Com base nas informações prestadas, foi elaborado o demonstrativo de evolução patrimonial de f. 09, no qual constatou-se o acréscimo patrimonial a descoberto de CR$ 22.681.103,77 no mês de maio de 1994. 8.A intimação quanto ao AI foi remetida por via postal, tendo sido recebida em 25 de setembro de 2000 (AR à f. 75). Em 25 de outubro de 2000, a contribuinte protocolou a impugnação (f. 79), acompanhada dos anexos de f. 80 a 87, na qual alega, em síntese, que: 8.1 — houve erro na declaração de rendimentos entregue em 21 de dezembro de 1999, solicitando seja efetuada uma retificação nessa declaração, conforme outra que junta (E 80 a 82); 8.2 — houve recursos não considerados pelo autuante, conforme documentação' que anexa, relativamente a saldos de contas bancárias e de investimentos (f. 83 e 84) e venda de um automóvel ocorrida em abril de 1994 (E 85 a 87). 2 1?Í".\ Processo re 10855.001942/00-45 CCOI/T92 Acórdão n.• 192-00.194 n& 156 9.É requerido, ao final, a revisão da declaração de rendimentos. 10.0 presente feito foi remetido a esta unidade em face do disposto na Portaria SRF n. 1.166/2005, que tratou da transferência de competência para julgamento." A decisão recorrida, salientando que não houve contestação quanto às omissões de rendimentos e à multa regulamentar, declarou parcialmente procedente o lançamento, apenas reduzindo o valor do acréscimo patrimonial de CR$ 22.681.103,77 para CR$ 22.534.007,25, por levar em consideração saldo bancário apresentado pela então impugnante, conforme explicitado à fl. 93. Às fls. 102/104 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a interessada afirma: 1. Que é profissional liberal e recebe seus honorários "aos picados", na maioria das vezes valores ínfimos, por isso não apresentou nenhum documento comprobatório desses rendimentos na impugnação; Que a soma de tais valores está dentro da faixa de isenção do IR; Que, com relação à declaração retificadora (fls. 79/84), foi recolhido o imposto (355,48 UFIR), portanto não há que se falar em imposto devido; IV. Que, com relação à venda do automóvel Fiat Uno placas DG-6420, em abril/1994, esta foi desconsiderada no julgamento da impugnação, não obstante os documentos de fls. 85/87. Mas, isso é fato e com o produto da venda foi adquirido outro veículo. Para comprovar, junta pesquisa feita no DETRAN/SP (fls. 105/109), onde, a seu entender, observa-se que em 02.08.1995, o veiculo adquirido pela Recorrente da empresa SAF Veículos Ltda. em 08.02.1991 foi por esta readquirido (em 02.08.1995); V. Que, quanto à declaração retificadora, o imposto foi recolhido e a única irregularidade foi a apresentação extemporânea. É o relatório. 3 Processo e 10855.001942/00-45 CO31/T92 Acórdão n.• 192-00.194 Fls. 157 Voto Conselheiro SIDNEY FERRO BARROS, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O fato de ser a Recorrente profissional liberal e de seus rendimentos estar dentro da faixa de isenção do IR, se assim for, mesmo, como afirma, é de pouco relevo. Filio-me à conclusão da decisão de primeira instância, segundo a qual: "15 .Pelo principio da verdade material, poder-se-ia considerar tais rendimentos como recursos, desde que também figurassem como rendimentos omitidos, eis que esgotado o prazo para a apresentação e retificação da declaração. Ocorre que não há nenhuma documentação hábil e idônea, além do declarado, de que tais rendimentos foram de fato auferidos nos referidos meses. Não havendo tal documentação, não há como se admitir a consideração deles como recursos." No pertinente à declaração retificadora (fls. 79/84), registro: é cediço que esta não produz efeitos se apresentada após o inicio de procedimento de oficio (DL n's 1.967/1982. art. 21; e DL no 1.968/1982, art. 6°). Acrescente-se que não se vê o comprovante de pagamento do saldo de imposto nesta apurado, como afirma a Recorrente. Então, a rigor, o que resta concluir é se houve a alienação do veículo a que alude a interessada. E se isto produziu valor suficiente para elidir, no todo ou em parte, o acréscimo patrimonial sem lastro no mês de maio/1994 que se verificou conforme demonstrativo de fl. 09. O veiculo em questão foi adquirido pela Recorrente em 08.02.1991, conforme NF de fl. 85 e docs. de fls. 86/87. Ora, mas a própria Recorrente afirma que a alegado recompra pela empresa SAF foi efetivada em 02.08.1995 (data que, de fato, se lê no documento de fl. 105). Como o produto da venda aparentemente ocorrida em agosto/1995 poderia dar suporte à variação patrimonial do mês de maio/1994? Por todo o ex sto, NEGO provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessõe -DF, em 03 de fevereiro de 2009. SIDNEY' R ARROS 4 Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1
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