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Numero do processo: 13808.001919/85-94
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRF - INSUBSISTÊNCIA DE ACÓRDÃO - Não pode
subsistir o Acórdão n9 101-76.799, de 24.
09.86, prolatado na presunção de que não
houvera impugnação no feito principal.
IRF - DECORRÊNCIA-Mantida a tributação no
processo matriz, sobre parcelas que diminuiram
o lucro líquido do exercício, incide,
também, o art. 89 do Decreto-lei n° 2.065/83.
Numero da decisão: 101-73.039
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar insubsistente Acórdão n9 101-76.797, de 24.09.86, bem como negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Urgel Pereira Lopes
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ementa_s : IRF - INSUBSISTÊNCIA DE ACÓRDÃO - Não pode subsistir o Acórdão n9 101-76.799, de 24. 09.86, prolatado na presunção de que não houvera impugnação no feito principal. IRF - DECORRÊNCIA-Mantida a tributação no processo matriz, sobre parcelas que diminuiram o lucro líquido do exercício, incide, também, o art. 89 do Decreto-lei n° 2.065/83.
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Recorrid a. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO ( SP) IRF - INSUBSISTÊNCIA DE ACÓRDÃO - Não pode subsistir o Acórdão n9 101-76.799, de 24. 09.86, prolatado na presunção de que não houvera impugnação no feito principal. IRF - DECORRÊNCIA-Mantida a tributação no processo matriz, sobre parcelas que dimi- nuiram o lucro líquido do exercício, inci- de, também, o art. 89 do Decreto-lei n9... 2.065/83. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CIMENTO SANTA RITA S.A.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar insubsis- tente Acórdão n9 101-76.797, de 24.09.86, bem como negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF)., em 16 de agosto de 1989 - URGEÉ- irLOPE PRESIDENTE E RELATOR ( VISTO EM SO FE"'" ,IRA DE CANIPOS PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: I 7 AI( NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA,RAUL PIMENTEL, JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN e CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER. Ausente por_motivo justificado os Conselheiros FRANCISCO DE ASSIS MI- v.v. RANDA e CELSO ALVES FEITOSA. 2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-001.919/85-94 RECURSO N9: 47.451 ACORDÃON9: 101-79.039 RECORRENTE; CIMENTO SANTA RITA S/A. RELATÓRIO CIMENTO SANTA RITA S/A., empresa jurisdicionada ã D.R.F. em São Paulo (SP), recorre a este Conselho, pleiteando a re forma da decisão de primeiro grau. 2. Neste processo cobra-se imposto de renda na fonte, nos anos de 1981, 1982 e 1983, com base no art. 89 do Decreto-lei' n9 2.065/83, em decorrência áe omissões de receitas apuradas em ação fiscal direta, discutidas nbs processos n9s. 13808-001-920/85-73, e 13.808-001.921/85-36. 3. A matéria tributada nos processos principais e aqui repercutida tem a origem e os valores a seguir discriminados: Exercício 1 Processo 1 Processo ' Total ' Ano-base 13808-001.9-20/85-73 13808-001.921/85-36 82/81 _ _ _ 1.850.000 1.850.000 84/83 34.684.857 - - - 34.684.857 85/84 16.210.000 16.210.000 Foi aplicada a multa de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. 4. Ao que se apurou posteriormente, a contribuinte ' r impugnou, numa única peça, os lançamentos relativos aos três pro- cessos: (41 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-001.919/85-94 3 Acórdão n9 101-79.039 Processos h9s. 13808-001.919/85-94: IRFON, Anos 81, 83 e 84 13808-001.920/85-73: IRPJ, Exs. 84 e 85 13808-001.921/85-36: IRPJ, Exs. 81 e 82 5. Essa única impugnação não foi desdobrada na re- partição de origem. Em conseqüência, a decisão de primeiro grau, de n9 000325 (f is. 29/31), manteve o lançamento do IRFON relativa mente aos anos de 1983 e 1984, argumentando que o lançamento do processo matriz (13808-001.920/85-73) não fora impugnado. Relativamente ao IRFON do ano de 1981 excluiu-o' de oficio, por anterior ao advento do Decreto-lei n9 2.065/83. 6. Houve recurso voluntário e esta Câmara, em ses- são de 24-09-86, prolatou o Acórdão n9 101-76.799, negando-lhepro vimento, "à unanimidade de votos. (Cópia a fls. 46/53). Entretanto, louvou-se em que não houvera impugnação no processo principal. 7. Desmanchado o equívoco, vieram os dois processos principais a este Conselho. 8. O de n9 13880-001.920/85-73 foi julgado nesta Cã mara, em sessão de 25-10-88, tendo sido negado provimento ao res- pectivo recurso voluntário, consoante o Acórdão unanime número 101-78.093 (cópia a fls. 62/66). 9. 0 de n9 13808-001.921/85-36 foi julgado na 3 Cã - - mara, em sessão de 12-06-89. A unanimidade de votos, foi dado pro vimento, em parte, ao recurso, para excluir da tributação a impor tância de Cr$ 82.875.477, no exercício de 1981 (cópia a fls. 67/ 75). 2 o relatório. /9 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-001.919/85-94 4 Acórdão n9 101-79.039 VOTO Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, Relator: Entendo que não pode subsistir o Acórdão número 101-76.799, prolatado por esta Câmara em 24-09-86, na presunção de que não tinha havido impugnação nos processos matrizes. Temos que o IRFON inicialmente aqui exigido rela tivamente ao ano de 1981, e decorrente do processo número... 13808-001.921/85-36, foi excluído pela decisão de primeiro grau, uma vez que o fato gerador ocorrera antes do advento do Decreto— lei n9 2.065/83. Andou com acerto, a meu ver, o julgador singular, consoante várias decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como, por exemplo, o Acórdão n9 CSRF/01-0.735, de 19-06-87, de que fui Relator. Subsistindo, apenas, a tributação na fonte nos anos de 1983 e 1984, a decorrência restringe-se ao processo núme- ro 13808-001.920/85-73. Ora, no Acórdão referente a esse processo matriz, decidiu-se, conforme já mencionado, pelo improvimento do respecti- vo recurso voluntário. Conseqüentemente, este feito colhe igual sorte, uma vez que nele não foram alinhados fatos ou argumentos capazes de infirmar a tributação. Isto posto, voto no sentido de se declarar in- subsistente o Acórdão n9 101-76.799, de 24-09-86, e pela negativa de provimento do recurso voluntário. URGE / ARE RA. RELATOR ; Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002787/2002-71
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
Ementa: RECEITA FINANCEIRA.
A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim
compreendido a receita bruta da venda de
mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços,
afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº
9.718/98, nos termos da sentença proferida pelo
plenário do Supremo Tribunal Federal em
09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. No
caso das entidades de previdência privada abertas e
fechadas, a receita financeira corresponde à
transferência de valores do programa de
investimentos para o programa administrativo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-18.131
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da contribuição as transferências de valores do programa de investimentos para o programa administrativo (receitas financeiras). Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente).
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa: RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, nos termos da sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. No caso das entidades de previdência privada abertas e fechadas, a receita financeira corresponde à transferência de valores do programa de investimentos para o programa administrativo. Recurso provido em parte.
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A base de cálculo da Cotins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, nos termos da sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. No caso das entidades de previdência privada abertas e 1 fechadas, a receita financeira corresponde à transferência de valores do programa de investimentos para o programa administrativo. Recurso provido em parte. • — Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da contribuição as transferências de valores do e. • Procedo nf 14327.002787/2002-71 CCO2/CO2 Acórdão n.* 202-18.131 Fls. 2 • programa de investimentos para o programa administrativo (receitas financeiras). Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente). - \ - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERF. COM, O ORIGINAL ANTONIO CARLOS ATULIM Brasília. ia*J 04 i-D004 Presidente •kr Sueli Tolentino Mendes da Cruz Man. Siatu: 91751 / at-cot- 4d, rARIA CRISTINA ROZA DA OS Ç A Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Claudia Alves Lopes Bemardino, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López. 1 • Processo s.° 16327.002787,2002-71 CCOVCO2 Acórdão s.° 202-18.131Fls. 3 • liFeSECJ' CI:U4-7-n=jrUINTES Brasilia. _I Relatório _t.ratO Sueli Tolentino L 'tendes da Cruz Siarie 91751 • Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 32 Turma de Julgamento da DRJ em Campinas - SP. Relata a decisão recorrida que a entidade foi objeto de lavratura de auto de infração referente ao período compreendido entre fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, exigindo crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Informa a autoridade administrativa fiscal no Termo de Verificação fiscal que apurou ausência de recolhimento da referida contribuição no período identificado, Promovendo o lançamento de oficio, com a apuração da base de cálculo efetuada a partir da totalidade da receita auferida., composta pela soma —das contas: Programa Previdencial, Programa" Assistencial, Programa Administrativo e Programa de Investimento. Da- totalidade dessas receitas procedeu às exclusões estabelecidas em lei, correspondente às transferências interprogramas. A base de cálculo utilizada pela fiscalização está mais bem explicitada no anexo I, fl. 18, dos autos, onde estão identificadas as parcelas remanescentes das exclusões efetuadas, nos termos da legislação de regência albergada pelos atos expedidos pela fiscalização. Inaugurando a fase litigiosa, a autuada apresentou impugnação à exigência fiscal, alegando, em apertada síntese, que a legislação de regência aplicada ao caso é norma que não tem amparo na Constituição da República pela forma como foi editada; discorre sobre a finalidade e a origem das receita de cada programa visando demonstrar que as mesmas não se enquadram no conceito legal-tributário de base de cálculo da contribuição exigida e que as únicas receitas existentes são advindas dos patrocinadores, as quais possuem destinação específica conforme determina o inciso III, § 62, do art. 32 da Lei n2 9.718/98. Apreciando as razões postas na impugnação, a Turma Julgadora proferiu decisão veiculada pelo Acórdão n2 8.675/2005, no qual o lançamento, por unanimidade, foi julgado procedente. • Conhecendo da decisão em 04/04/2005, a interessada apresentou recurso . voluntário em 04/05/2005, basicamente com as mesmas razões de dissentir postas na impugnação, relativas à inconstitucionalidade da Lei n 2 9.718/98 e do equívoco no cálculo do crédito, pelo fato de a Lei n2 9.718/98 não lhe ser aplicável. Aduz que a premissa utilizada para os cálculos deveria ter considerado os dispositivos previstos pela LC n 2 07/70 (sic) e não a legislação adotada para a lavratura do auto de infração Alfim, concluindo que, enquanto a Administração entende aplicável a Lei n2 • 9.718/98, ela (a recorrente) sequer reconhece a legalidade e constitucionalidade do dispositivo contido nesta lei. e „. . • Processo n.°16327.00278%2002-71 CCO2/CO2 . Acórdão n.° 202-18.131 Fls. 4 • Encerra requerendo a reforma da decisão administrativa, determinando a improcedência to auto de infração, afastando a aplicação da inconstitucional Lei n 2 9.718/98, desconstituindo o auto de infração. É o Relatório. 1W. saturem CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE C, Or.?, O ORIGINP,L Brasília 624 É71 / Sueli Tolentino Mendes da Cruz t.1..t. Sia oc 91751 • • fitF SEG;;r: .... CCNit:2WWTES ' Processo ui' 16327.002787/2002-71 C;::: ; : CCO2/CO2 : 'Acórdão 202-18.131 Fls. 5 BrasIlia. ' ».200 Sueli To:cri:lho tendes da Cruz siufse 91751 Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos exigidos para sua admissibilidade e conhecimento. Trata-se de matéria já examinada por este Colegiado. Inicialmente, quanto à discussão acerca da constitucionalidade da Lei n2 9.718/98, ao tempo da elaboração deste voto, a matéria já se encontra pacificada, pois que examinada pelo Supremo Tribunal Federal que limitou a inconstinicionalidade ao § 1 2 do art. 32 da referida lei. Portanto, entendo que se trata de discussão superada, descabendo enfrentá-la em sede de julgamento administrativo, afastando-se, assim, tais argumentos. Quanto aos cálculos, único questionamento que restou presente no recurso voluntário, verifica-se pelo quadro denominado Anexo I pela fiscalização, à ti. 18, que os valores que formaram a base de cálculo da Cofins foram as transferências efetuadas para o programa administrativo, cuja origem foram as transferências recebidas dos programas previdencial (3.3.2-3.00.00) e de investimentos (6.3.2.3.00.00). Ou seja, as receitas consideradas na base de cálculo da Cofins no período lançado pela fiscalização foram aquelas receitas destinadas à administração da Entidade, somadas às receitas financeiras decorrentes de aplicações de valores do programa administrativo. No § 22 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 estão relacionadas as exclusões admitidas para apuração da base de cálculo da Cofins, as quais não aproveitam a recorrente, porém dispõe o § 52 do mesmo artigo: 1 "5 52 Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 12 do art. 21 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP."(destaque acrescido) Para apuração da base de cálculo da contribuição do PIS, a Lei n 2 9.701, de 17/11/1998, estabelece em seu art. 12: "Art. 1 2 - Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1 2 do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: V - no caso de entidades de previdência privada abertas e fechadas, a parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; r - 1,:v.:NCEt CtNTRICUINTES, Processo n.° 16327.002787/2002-71 ccr • CCO2/CO2 • Acórdão n.° 202- l 3.131 Bras;ha "2-11 Fls. 6f..20 o ictr. • &ICH TO:Cill i tiO Mendes da Cruz ra.,t S iar": 71I /g É vedada a dedução de prejuízos, de despesas incorridas na cessão de créditos e de qualquer despesa administrativa." Dessa forma, o que se infere é que os valores destinados ao programa administrativo constituem a totalidade da base de cálculo da Cofins, como calculado pela fiscalização. O entendimento perpassado pela norma ao considerar, in casu, os valores transferidos para o programa administrativo como sendo a receita bruta da entidade, prende-se ao fato de que qualquer organização, empresa ou entidade, para atingir os objetivos para os quais foi criada, necessita aportar recursos para fazer frente às despesas e custos que lhes são próprios. No caso das entidades de previdência privada, a parcela dos valores das contribuições vertidas que são alocadas para sua própria administração guarda correspondência com a receita bruta de qualquer outra modalidade de organização que, no cálculo da contribuição em tela pela sistemática cumulativa, não goza do direito de excluir qualquer parcela da base de cálculo. Dai decorre a regra do § 1 2 do art. 1 2 da Lei n2 9.701/98 que veda a dedução de qualquer despesa administrativa. Entretanto, a mesma decisão do Supremo Tribunal Federal acima citada para exaurir o conflito em tomo da inconstitucionalidade da Lei n2 9.718/98, também deve ser trazida ao contexto da base de cálculo apurada pela fiscalização. É que, pela decisão exarada pelo STF, a receita correspondente à transferência do programa de investimento para o programa administrativo não mais pode ser considerado como componente da base de cálculo, por ser receita estranha àquela admitida na decisão como sendo a base de cálculo da contribuição. Senão vejamos. O RE 390840/MG, apreciado na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal de 09/11/2005, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, foi julgado e decidido consoante a seguinte ementa: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3", § 1", DA LEI N° 9.718, DE 17 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÁO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONÁLJDADE DO § JO DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do • Processo n." 16327.002787,2002-71 . CCO2/CO2 • • Acórdão n.° 202-18.131 Fls. 7 artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada." Reproduz o § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 e sobre ele tece a seguinte consideração: "O passo mostrou-se demasiadamente largo, olvidando-se, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação destajá proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fez-se incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ángulo contábiL" . Mais adiante conclui: "A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Dai a inconstitucionalidade do I° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido iniciaL" Portanto, a receita financeira decorrente de aplicação de valores afeitos ao programa administrativo enquadra-se no conceito de "receita de natureza diversa", afastada pelo Ministro relator da composição da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. A decisão do STF, publicada, transitou em julgado em 29 de setembro de 2006,e foi enviada pelo Presidente do STF ao Presidente do Senado Federal em 03/1012006. Desse modo, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas financeiras constituídas pela conta de receita 6.3.2.3.00.00, auferidas pelo programa administrativo. À época da lavratura do auto de infração outra não podia ter sido a atuação do autuante. Também agora, à época do julgamento, outra não pode ser a posição do julgador que não exonerar a exigência constituída sobre tal parcela. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar da base de cálculo da Cofins a parcela relativa à conta de receita 6.3.2.3.00.00, correspondente às receitas transferidas do programa de investimentos para o programa administrativo. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2007. LIF • s=c;;Nr3c:N3W-10 DF. CONTRIBUINTES( 7;r:.:2:NAL Brasiha 02 404 7o'$ 7 _ rvfx , C /Z. A- •7 .."1" Sueli Tale:nino Mendes da Cruz RU Siam: 91751 RISTINA ROZA DÁ COSTA Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10183.000415/87-14
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 1988
Ementa: EMPRÉSTIMO DE DIRETOR - OMISSÃO DE RECEITA: - A presunção que milita a favor do FISCO nos casos de omissão de receita por
empréstimo em moeda feita por acionista' diretor à empresa, admite prova em contrario. Não sendo demonstrada a efetiva entrega e origem do humerario, coincidente em data e valor, é de ser mantida a tributação.
Numero da decisão: 101-77.676
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Celso Alves Feitosa
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Sessão de....12...de...ãbr.U.-de 19..n.... ACÓRDÃO N 2.1.(21=7.7..J7 6 Recomon2 92.169 - IRPJ - EXS: DE 1983 a 1986 Recorrente AGROPECUÁRIA SÃO LUCAS S.A. Recorrida: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM CUIABÁ (MT). c _ -- , 4-, f\ c l',, vtc-7,-, 5, ) / _ EMPRÉSTIMO DE DIRETOR - OMISSÃO DE RECEI TA: - A presunção que milita a favor d-o- FISCO nos casos de omissão de receita por empréstimo em moeda feita por acionista' diretor ã empresa, admite prova em con trãrio. Não sendo demonstrada a efetiv-a- entrega e origem do humerãrio, coinciden te em data e valor, é de ser mantida .5.. tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re_ curso interposto por AGROPECUÁRIA SÃO LUCAS S.A.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse_ lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar ar güida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relató_ rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess;es (DF), em 12 de abril de 1988. / URGEL - ? 'A , O w , , ' RESIDENTE f if. PY i!/}.4j1111 CEL go '#5;: - ' --'-'8,-,' - RELATOR á nW Unge!,.....-- -w VISTO EM i qw T 1 110 FIAI' S - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 14 AB • 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, ARY TORIBIO, RAUL PIMENTEL e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. _ 2 -14W SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10183- 000.415/87 -14 RECURSO N9: 92.169 ACÓRDÃO N9: 101-77.676 RECORRENTE : AGROPECUARIA SÃO LUCAS S/A. RELATÓRIO As fls. 115/118 apresenta a empresa Agropecuária São Lucas S/A, recurso voluntário contra a decisão proferida pelo Or gão julgador singular de fls. 108/112, que houve por bem manter a exigência constante do auto de infração de f1.2, que imputa 'a Re- çorrente a seguinte infração à legislação federal: "Omissão de receita face ã entrega de recursos clas sificados no passivo exigível a longo prazo, c/c em nome de sócio majoritário KARL H. W. GUSTAV SCHIMIDT de origem não comprovada, conforma razão anexo, com infração ao disposto nos artigos 157, 158, 181 e 387, II do RIR/80, aprovado pelo Decreto n9 85.450/80, co mo segue:" O período abrangido compreende os exercícios de 1983 a 1986. As fls. 63/65 foi impugnada a infração aos artigos in dicados no AI, pois a então Impugnante entendia sua escrita como regular, sem falsificação material ou ideológica, não tendo o Fis co detectado prova material de omissão de receita. Afirmou que o artigo 181 do RIR/80 exigia a prova da omissão de receita, paraque fosse possível arbitrá-la com base em recursos fornecidos ao caixa, nunca o caminho inverso. Argumentou no sentido de que as entregas dos vali g# se encontravam comprovadas por ordens de pagamentos, que anexou or DMF - DF /1 0 C-C - Secgraf - 1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10183-000.415/87-14 Acórdão n9 101-77.676 cópias, sendo certo que nenhum interesse teria em sonegar, pois bene ficiada por incentivos fiscais. Passou após, a questionar a legalidade da tributação reflexa de fonte, que não é objeto deste processo. O Fisco se manifestou ás fls. 103/104, no sentido de ser mantido o lançamento, alegando: a) que embora a empresa compro vasse a quase totalidade dos aportes de recursos, não conseguiu com provar a origem dos mesmos; b) que o Sr- KARL H. W. GUSTAV SCHIMIDT, portador do CPF 274.917.811-87, estrangeiro no país estava omisso com suas declarações de 1982 a 1985, sendo certo que o acionista majori tário era seu devedor pela participação no capital social, em seu to tal; c) que sendo de fato o controlador da sociedade o Sr. KARL, não tendo provado ingresso no país de recursos tributados ou isentos,por presunção, a origem dos mesmos deviam ser considerados como prove- nientes de. operações não contabilizadas da empresa fiscalizada. As fls. 106/107 encontram-se os fdrmulários de altera ção de prejuízo fiscal. As fls. 108/109 a decisão recorrida, após o relatório' manteve a tributação, uma vez que tendo a empresa sido corretamente intimada a explicar a origem efetiva entrega dos valores contabiliza dos no seu passivo exigível a longo prazo, entregues pelo acionista KARL H. W. GUSTAV SCHIMIDT, com características de suprimento de cai xa, só tinha feito a prova, em sua maior parte, da entrada de caixa, permanecendo improvada a origem. Assim, não provada a origem, violado estava o disposto no artigo 181 do RIR/80, pelo que válida a tributação. As fls. 115/118 alega a Recorrente (referindo-se aopro cesso matriz e tributação reflexa) que a decisão recorrida reconhe ceu a quase totalidade dos recursos fornecidos pelo acionista KARL, embora não assim quanto ' fla origem. Alegando cerceamento de defesa, esclarece que os"<idocu mentos necessários à prova de origem dos valores dados em suprimento (-)t-7 4 SERVIÇO PÚBLICO PROCESSO N9 10183-000.415/87-14 Acórdão n9 101-77.676 de caixa ã sociedade, foram entregues na DRF de Cuiabá em 12.06.87, muito antes da decisão recorrida, não anexadasaws autos, o que impe diu um julgamento justo. Diante do fato, classificado como grave, a nexou com o recurso voluntário "outra vez" a documentação. Consiste esta em balanços patrimoniais de empresa "AGRO Dr. SCHIMIDT GMBH & CO KG", com sede na República Federal da Alemanha, a qual tem parti cipação acionária na Recorrente. Que o acionista KARL, possuindo i númeras fontes de rendas na referida empresa e sendo proprietário de imóveis em seu país de nascimento, tinha origem para os recursos for necidos ã Recorrente, sendo certo que os mesmos já haviam sido tri butados na Alemanha, com o qual o Brasil mantém acordo de não bi- tributação. Estende-se ainda a Recorrente em seu recurso, negando a possibilidade de tributação reflexa, sendo que quanto ao PIS e FINSOCIAL confessava-se devedora, com exceção das parcelas tidas co mo omitidas. As fls. 120/236 anexou balanços traduzidos da empresa "AGRO Dr. SCHIMIDT GMBH & CO KG", onde em seu ativo permanente en contra-se lançada participação na Recorrente, no passivo participa ção do acionista KARL e, ainda, no permanente, empréstimo a sócio. A fl. 233 se vê tradução de correspondência, no senti do de que em 1985 foram efetuadas as seguintes remessas de marcos Alemão para o Brasil: 02.01 - 50.000,00; 14.01 - 50.000,00; 25.03 - 13.846,15; 16.07 - 100.000,00; 22.07 - 200.000,00, num total de 513.846,15. À fl. 238 se acha declaração de que o acionista KARL possuía em1982 rendimento anual na Alemanha de mais de Mp.- 500.000 ano e património superior a MD2-3.000.000 . É o relatório. (17 "flit 5 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10183-000.415/87-14 Acórdão n9 101-77.676 VOTO_ _ _ _ Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator: Preliminarmente O recurso é tempestivo, pelo que merece ser apreciado. Quanto ao cerceamento de defesa alegado pela Recorrente, constituí- do pela não juntada de documentos adicionais ã impugnação em 12 de junho de 1987, que teria sido entregue ã repartição de Cuiabá-MT, não procede, pois a petição correspondente, em sua primeira via, en contra-se nos autos "à f1.119, anexada que foi com o recurso voluntá rio, sem qualquer prova de entrega dos mesmos anteriormente. Assim, quanto a preliminar, nego provimento. No Mérito. A questão suprimento de caixa é tema por demais debati do neste Órgão Colegiado. É pacífico o entendimento de que para eli dir a presunção de não se constituírem os aportes de moeda, por em préstimo de sócio ou acionista, resultado de operações paralelas não contabilizadas pela empresa, necessário se faz provar as origens e entregas do numerário. No caso em julgamento, durante 4 anos de 1982 a 1985, o acionista KARL H. W. GUSTAV SCHIMIDT, tido como minoritário de di reito, mas credor pela totalidade do valor do capital integralizado pelo acionista dito majoritário, supriu as necessidades de caixa da empresa, nas quantias de Cr$ 127.017.372; 149.295.170; 54.067.500 e 1.902.542.291, anos de 1982, 1983, 1984 e 1985, respectivamente. Os valores reclamados foram diminuídos em 1982 e 1985, das quantias de Cr$ 15.874.615 e 94.234.571, resultado de prejuízo' fiscal. Devidamente intimada a Recorrente para explicar a ori gem e efetiva entrega dos valores, juntou aos autos com a impugna ção (fls. 66 a 83),. cópias de ordens de créditos por bancos, em sua (/? j M.< 6 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10183-000.415/87-14 Acórdão n9 101-77.676 grande maioria de São Paulo para Cuiabá-MT, realizados pelo acionis ta KARL. Sobre os documentos, disse o Fisco ter a Recorrente, em grande parte, comprovado as entregas dos valores, mas não feito a prova da origem dos mesmos. Afirmou a Recorrente, que o numerário teve origem em negócios mantidos pelo acionista KARL - na Alemanha, onde possuía inú meros bens imóveis e era acionista de uma empresa, com rendimento su perior a 500.000 MD anual. Segundo o seu entendimento, os balanços' juntados, da firma alemã e carta de remessas ao Brasil durante 1985 de 513.846,15 MD (fls.119/239), liquidariam com a questão da origem Ainda que relevante o fato de que tenham partido de São Paulo ou outras partes do país para Cuiabá-MT os valores, o que indica concentração de renda fora da sede da Recorrente, ainda que não se ponha em dúvida os bens possuídos pelo acionista-KARL na Ale manha, entendo não comprovada a origem do numerário entregue à Re corrente nos referidos exercícios. Assim decido., porque a forma cor • reta de se provar origem através de moeda estrangeira remetida para o Brasil, seria através de .registro junto ao Banco Central, na con formidade com a Lei 4131/63. A Recorrente não fez uma só comprovação de remessa regular, contentando-se, quanto ao ano de 1985, em tar tradução de carta, noticiando o envio de MD 513.846,15 (fls.233), mais nada. Nenhuma prova fez a Recorrente, mesmo que não via regis tro Banco Central, da entrada de dinheiro alemão no Brasil. Nem mes mo uma operação de casa de câmbio ou bancária neste sentido se en contra nos autos. Analisando o que mais consta, verifica--se que o acio- nista da Recorrente, quanto as suas obrigações fiscais no Brasil, sequer cuidava de mantê-las em dia, pois omisso para com o Imposto' de Renda de 1982 a 1985, embora com participação de direito minori- tário em uma S/A e credor da importância do capital integralizadope lo acionista de direito majoritário, conforme afirmação fiscal não contestada. As declarações de rendimentos do Sr- KARL, desde que in dicassem disponibilidade por recebimento de valores vindos do. 'exte ror, já seria um início de prova a favor da Recorrente. (;7 • "1" 7 sERmo PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10 183-0 0 . 415 / 87-14 Acórdão n9 101-77.676 Pelo exposto, entendo que a origem dos valores entre- gues ã Recorrente pelo acionista KARL, não tiveram suas origens de vidamente comprovadas, de forma a destruir a presunção de serem eles resultado de operações omitidas pela empresa. Quanto ao fato de que não possuir a Recorrente inte- resse em sonegar, por gozar de incentivos fiscais, é ele também in suficiente para ajudá-la, nos casos de lançamento de ofício, confor me estabelecido pelo artigo 486 do RIR/80. Nego provimento ao recurso. É o meu oto. //17 CELSO/ ES EITeSA - RELATOR. .dOir Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13888.002354/2007-87
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/07/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. INCOSNTITUCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 2.
A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário.
A inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte não encontra respaldo no processo administrativo fiscal, tendo em vista tratar-se de matéria afeta somente ao Poder Judiciário. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.626
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. INCOSNTITUCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 2. 1. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. 2. A inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte não encontra respaldo no processo administrativo fiscal, tendo em vista tratarse de matéria afeta somente ao Poder Judiciário. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 54 /2 00 7- 87 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em razão da não apresentação da documentação descrita no Relatório Fiscal da Infração (fls. 13 a 15), apesar de solicitada por intermédio do TIAD (fls. 08 a 10), situação que constitui infração às disposições dos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 13 de maio de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA. As contribuições sociais, não recolhidas nas épocas próprias, estão sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC, de caráter irrelevável, porém estes não incidem sobre multa pecuniária, no caso de descumprimento de obrigação acessória, com a lavratura do correspondente AI. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIADE DE ATENUAÇÃO / RELEVAÇÃO DA MULTA. A não correção da falta constitui óbice à concessão da atenuação/relevação da multa. Lançamento Procedente Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em preliminar, o contribuinte aduz que na cobrança de multa pela falta de cumprimento de obrigação acessória, a fiscalização está ferindo o princípio da capacidade contributiva e razoabilidade, pois tais consignatários legais (multas e juros Selic) estão embutidos no valor levantado nas demais NFLDS que acompanham o MPF, objeto dessa fiscalização. Existem competências prescritas que formam a base de cálculo para a infração da presente multa. A multa aplicada tem valor vultoso e é confiscatória. A multa é necessária para coibir a inexecução da obrigação tributária substancial para coibir fraude, mas é inadequada quando a sua grandeza, no sentido de que não atinge a finalidade perseguida, destruindo o bem do qual o fruto é desejada. Portanto, pelos princípios e fundamentos jurídicos aqui aventados é que cai por terra à alegação da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto / SP, sendo assim acredita a recorrente que somente este Tribunal Administrativo Federal restabelecerá o ajustamento dessa multa administrativa pelos motivos expostos, a correta aplicação de interpretação da legislação tributária e acolherá os referidos pleitos na sede das preliminares e do mérito do presente Recurso Voluntário, em respeito a mais pura Justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Rejeito as preliminares apresentadas, tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância à legislação em vigor à época do lançamento, nomeadamente o artigo 142 do CTN. Ademais, a autoridade administrativa também não desrespeitou os princípios da capacidade contributiva e razoabilidade e muito menos aplicou multa e juro em desacordo com a legislação de regência. O Auto de Infração em discussão decorre de descumprimento de obrigação acessória por parte do contribuinte. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13 e seguintes), durante o procedimento fiscalizatório na empresa, a autoridade administrativa solicitou, por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, a apresentação da inicial, sentença/acordo, GRPS/GPS e GFIP referentes aos processos trabalhistas do período de 01/1997 a 01/2007. A empresa apresentou parcialmente a inicial e acordo de processos. Ainda de acordo com relatório referido no parágrafo anterior, a lavratura do Auto de Infração se deu em razão de as bases de cálculos de contribuições previdenciárias referentes às ações trabalhistas não terem sido declaradas em GFIP. Conforme se pode observar, a empresa efetivamente infringiu os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 7 6 a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo de penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, apesar de regularmente intimada, a empresa feriu as disposições contidas no art. 33, §§ 2º e 3º, da lei nº 8.212/91 c/c/ os artigos 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Como é do conhecimento geral, a responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Assim, não resta qualquer dúvida de que o lançamento, bem como a decisão de primeira instância administrativa foi pautado em conformidade com as determinações contidas na legislação tributária, em especial aquelas previstas no art. 142 do CTN. Ademais, não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Na situação vertente, não há dúvida da ocorrência do fato imponível, tendo em vista que o recorrente não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 8 7 tampouco há dúvida quanto ao dispositivo legal a ser aplicado, no caso, o art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991. A apresentação de documentos de forma deficiente ou a sua não apresentação é motivo para a fiscalização efetivar o lançamento. Nestes autos, independentemente de as verbas terem ou não natureza tributária, a recorrente é obrigada a apresentar a documentação requisitada pela fiscalização. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei nº 8.212/91 está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando, pois, totalmente válida e devendo ser obedecida pelas autoridades administrativas. No que diz respeito à aplicação da multa, a regra utilizada pela autoridade administrativa está prevista no ordenamento jurídico pátrio, conforme se pode observar da capitulação descrita no acórdão recorrido, não havendo, portanto, espaço para discussão de inconstitucionalidade da norma. A inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte não encontra respaldo no processo administrativo fiscal, tendo em vista tratarse de matéria afeta somente ao Poder Judiciário. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Por último, a autuação objeto do presente recurso foi executada de acordo com os preceitos legais atinentes à matéria e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo ser mantido na sua integralidade, tendo em vista que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13888.002354/200787 Acórdão n.º 2803002.626 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002235/2003-14
Data da sessão: Fri Apr 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1998
Ementa: COMPENSAÇÃO
A existência de eventual direito creditório não impede o lançamento. Os
pedidos de compensação devem ser formalizados na forma da legislação de
regência, observando-se o prazo prescricional quinquenal.
Numero da decisão: 1401-000.217
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira,
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida 3" TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1998 Ementa: COMPENSAÇÃO A existência de eventual direito creditório não impede o lançamento. Os pedidos de compensação devem ser formalizados na forma da legislação de regência, observando-se o prazo prescricional quinquenal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Ananim Teixeira, 7- VIVIANE VIDAL WAGNER - Presidente , .1--GLI vl át:3 (,1-) - 1,' - FERNANDO LUIZGON4SS DE MATTOS - Relator EDITADO EM: 09 JUL 20U0 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Allanin Teixeira, Alexei Marcorin Vivan e Maurício Pereira Faro, 1 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração, fls. 12-26, lavrados pela DEFIC/RJO, para exigência de créditos tributários relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) — Simples no valor de R$ 240,22, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Simples no valor de R$ L201,12 e à Contribuição para a Seguridade Social — INSS — Simples no valor de R$ 960,90, todos com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$ 6,347,17. A autoridade lançadora descreveu da seguinte forma as irregularidades apuradas, que motivaram a lavratura dos presentes Autos de Infração (v. fls, 06): – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SIMPLES A interessada ingressou junto à Secretaria da Receita Federal pleiteando a restituição dos tributos pagos a maior, nos meses de fevereiro, março e abril de 1998 (Does de . fls. 07). Posteriormente, a interessada transformou seu pedido de restituição em compensação (Doc. de fls. 08). De acordo com o parecer da Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT (Doc. de fls. 09/11) dos pagamentos efetuados o resultado final da imputação acusou saldo de contribuição para o SIMPLES não recolhida, relativa ao mês de dezembro de 1998, no valor de R$ 2 402,24 (Dois mil, quatrocentos e dois reais e vonte e quatro centavos). Tomando por base o saldo a recolher supramencionado, foi ajustaduma base de cálculo que efetivamente expressasse o montante a ser exigido, conforme abaixo se discrimina... - Contribuição Social sobre o Lucro R$ 240,22 -Contribuição Financiamento da Seguridade Social R$ 1.201,12 - Contribuição Seguridade Social R$ 960,90 TOTAL R$ 2,402,24 O interessado foi cientificado das exigência em 28/11/2003 (fls., 19 e 23). Inconformado, apresentou a impugnação de fis, 33-35, em 18/12/2003. Em sua peça de defesa, alegou, em síntese, que pagou impostos a maior e que sofreu retenções na fonte, corno demonstra, possuindo créditos passíveis de compensação. Encerrou solicitando a compensação dos débitos lançados com os créditos demonstrados e o cancelamento do lançamento. A 3a Turma da DRJ Rio de Janeiro 1 julgou o lançamento procedente, por meio do Acórdão n° 12-13.255, assim ementado (v. fls., 91-92): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES 2 Processo n a 18471,002235/2003-14 SI-C4T1 Acórdão n. a 1401-00217 Fl 2 Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO A existência de eventual direito creditório não impede o lançamento. A compensação deve ser efetuada na forma da legislação de regência da matéria. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO, MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. O lançamento se consolida administrativamente no que se refere à matéria não impugnada, considerando-se como tal a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Lançamento procedente. Cientificado deste Acórdão em 27/04/2007 (fls. 80), o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 81-83, com as seguintes alegações: - Houve pagamento de Simples a maior, nos meses de fevereiro a abril de 1998, os quais teriam sido utilizados para compensar débitos de Simple referentes aos meses de setembro a dezembro de 1998. O contribuinte reconheceu ter compensado débitos em valor superior aos créditos de que dispunha, acusando uma diferença de R$ 2,488,79. - Todavia, alegou que possuía créditos compensáveis a título de IRPJ (no valor de R$ 1.019,67) e de CSLL (no valor de R$ 787,80), relativos a recolhimentos efetuados a maior nos meses de setembro a dezembro de 1997. - Alegou, também, que possuía valores compensáveis relativos à CSLL (R$ 154,98), COF1NS (R$ .314,73) e PIS (R$ 102,25), retidos na fonte por órgãos federais, nos meses de março de 1997 e maio, junho, setembro, outubro e dezembro de 1998. - Por fim, alegou que possuía valores compensáveis a título de IRRF (R$ 23,88), referentes à competência 10/1995. É o sucinto relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. No que tange à infração que lhe foi imputadas (insuficiência de recolhimento das contribuições para o Simples, referente ao mês de dezembro de 1998), o interessado não apresentou nenhuma alegação (nem na fase impugnatória, nem na fase recursal). 3 Sobre esta matéria, o Acórdão recorrido, com muita propriedade, declarou a definitividade da exigência na esfera administrativa, com fundamento no art. 17 do Decreto n° 70,235/72, com a redação dada pela Lei n° 9.532/97. Em sede de recurso voluntário, assim como já ocorrera na fase impugnatória, o contribuinte se limitou a alegar que possui créditos diversos, os quais seriam suficientes para compensar os valores lançados. Sobre o tema, o Acórdão recorrido também foi bastante objetivo e preciso, conforme se observa pelo seguinte trecho, extraído de fls. 92: A existência de eventual direito creditório passível de compensação não impede o lançamento A compensação deve ser efetuada na forma da legislação de regência da matéria Não compete a esta autoridade julgadora apreciar pedido de compensação Diante da ausência de novos argumentos de defesa, nada resta a acrescentar ao que já foi dito pelo colegiado julgador a quo. Apenas a título de esclarecimento, mencione-se que a compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II do CTN. O recorrente não juntou aos autos nenhuma prova de que tenha apresentado algum pedido de compensação anterior ao próprio lançamento, além daquele pedido que foi parcialmente deferido (servindo para compensar os débitos do SIMPLES relativos aos meses de setembro, novembro e parte de dezembro de 1998). Consequentemente, é forçoso concluir que o recorrente efetivamente não questionou as exigências fiscais constituídas por meio dos Autos de Infração de fls. 12-.26. O recorrente, em verdade, apenas manifestou sua intenção de extinguir estes débitos, mediante utilização de créditos compensáveis, que afirmou possuir. Cumpre, pois, esclarecer ao recorrente que os pedidos de compensação visando quitar débitos tributários federais de qualquer natureza (incluindo os débitos decorrentes de Autos de Inflação), devem ser formalizados mediante preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é possível formular pedidos de compensação em sede impugnatória ou recursal, por absoluta ausência de previsão legal. Em outras palavras: se o recorrente efetivamente possui créditos compensáveis e se efetivamente pretende utilizá-los para quitar os débitos constituídos por meio dos presentes Autos de Infração, poderá fazê-lo, desde que siga os procedimentos estabelecidos pela legislação de regência. Convém esclarecer, contudo, que é quinquenal o prazo para apresentação de pedidos de compensação, conforme previsto no art., 168 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, em princípio todos os créditos mencionados pelo interessado em seu recurso já estariam prescritos, posto que se referem a pagamentos indevidos e/ou retenções na fonte supostamente ocorridos entre os anos de 1995 e 1998. No que tange ao pleito de compensação de créditos relativos à CSLL (R$ 154,98), COFINS (R$ 314,73) e PIS (R$ 102,25), os quais teriam sido retidos na fonte nos 4 _.,. Processo n" 18471.002235/2003-14 S1-C4T1 Acárdâo n.° 1401-00217 Fl. 3 meses de março de 1997 e maio, junho, setembro, outubro e dezembro de 1988, tudo indica que tal pedido já foi apreciado e liminarmente indeferido pela Administração Tributária, conforme se verifica por meio do seguinte trecho da Informação Fiscal de fis. 09 (extraído por cópia do processo administrativo n° 10768.,02210/98-28): Esclareça-se, outrossim, que em novo pedido de compensação (fl• 56), o Contribuinte pede que sejam compensados valores, que alega terem sido retidos indevidamente (fls. 57-66), com débito do SIMPLES relativo ao período de apuração de dezembro de 1998 (..), Tal requerimento, vale registrar, já se encontra analisado pelo despacho de .17. 75 restando liminarmente indeferido. Diante de todo o exposto, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso. /.) , n1-) Lijni inkp FERNANDO LUIZ GpmEs DE MATTOS 5 MINISTERIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF 1° SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.002235/2003-14 Interessado(a) : EDITORA INTERCIÊNCIA LTDA. TERMO DE JUNTADA 10 Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1401-00.217, (fls., ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000210/99-40
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1989, 1991, 1992
FINSOCIAL.
Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo - edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.133
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora) que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Antonio Flora.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1989, 1991, 1992 FINSOCIAL. Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo - edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1989, 1991, 1992 FINSOCIAL. Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo - edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora) que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Antonio Flora. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luís Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330022 _________ 2 Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando e o redator designado, conselheiro Luis Antonio Flora, deixaram o colegiado antes da formalização do Acórdão. Para esse fim, adoto o relatório entregue pela relatora originária à secretaria da CSRF na época do julgamento, verbis: "Versa o presente processo sobre pedido de restituição/compensação do Finsocial referente aos pagamentos a maior do período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992, protocolado em 12 de maio de 1999. Adoto o relatório do julgado anterior: “Trata o presente processo de solicitação de restituição e compensação de valores recolhidos indevidamente a titulo de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), com débitos vencidos e vincendos, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, no montante de R$ 16.592,84. Referida solicitação decorreu do fato de o Supremo Tribunal Federal ter declarado a inconstitucionalidade dos artigos 9º da Lei nº 7.689, de 1988, 7º da Lei nº 7.787, de 1989, 1º da Lei nº 7.894, de 1989 e 1º da Lei nº 8.147, de 1990, sendo considerados indevidos os recolhimentos em valor superior à alíquota de 0,5%, exceto quanto aos fatos geradores ocorridos em 1988, ocasião em que a alíquota era de 0,6%. A Delegacia da Receita Federal em Marília proferiu, em 10/05/2002, o Parecer Saort nº 2002/343, no qual indeferiu a solicitação sob o fundamento de que o direito de a contribuinte pleitear a restituição estaria decaído, uma vez que o prazo para pleitear a restituição se extingue após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da extinção do pagamento, conforme Lei n.º 5.172, de 1966 (CTN), art. 165, I, e art. 168 c/c o disposto no Ato Declaratório SRF n.º 96, de 26 de novembro de 1999. Inconformada, a empresa apresentou, em 14 de junho de 2002, manifestação de inconformidade, assinada pelo representante da empresa, Sr. Valdomiro do Amaral Mello, na qual solicitou a homologação do pedido de compensação e o arquivamento do processo. Fez, em resumo, as seguintes considerações: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330033 _________ 3 O prazo para se reaver o imposto pago a maior é de prescrição e não de decadência. Prescrição e decadência são institutos jurídicos distintos no que diz respeito à obrigação tributária principal, e estão claramente colocados no Código Tributário Nacional (CTN), arts. 173 e 174. O primeiro cuida da extinção do direito de lançar o tributo e o segundo da extinção do direito de cobrá-lo. Tanto a prescrição como a decadência são causas extintivas de direitos e se destinam a evitar que se eternizem pendências nas quais a1guém tem direito, mas não o exercita. Mesmo assim, não se confundem, são institutos distintos. A decadência diz respeito apenas aos direitos potestativos enquanto a prescrição diz respeito aos direitos a uma prestação. Assim, a exemplo do que ocorreu com referência ao exercício das ações condenatórias, surgiu a necessidade de se estabelecer também um prazo para o exercício de alguns dos direitos potestativos, isto é, aqueles cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social. Seja como for, não se pode confundir a decadência com a prescrição. A empresa não pleiteou restituição e sim compensação de tributos pagos indevidamente. Não há restrições, na legislação, quanto a prazos para se efetivar a compensação, que é decorrência natural da garantia dos direitos de crédito. Se existentes créditos de recolhimentos indevidos ou a maior, a compensação destes valores, por iniciativa e efetivação do próprio contribuinte é medida que se impõe à luz do disposto na Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, e do Decreto n.º 2.138, de 29 de janeiro de 1997. Desta forma a empresa tem o direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente com créditos tributários de sua responsabilidade. A compensação de indébitos fiscais com créditos tributários é um direito garantido pela Constituição Federal, fundamentado nos princípios da cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade e, portanto, a denegação a esse direito afronta a Constituição.” Ao final, concluiu que seu direito material à repetição e/ou compensação dos indébitos reclamados não se extinguiu pelo tempo, como entendeu a Receita Federal, e por esta razão deve ser deferida a compensação pleiteada. O julgado a quo indeferiu a solicitação, em decisão cuja ementa transcrevo a seguir: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributos ou contribuições pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF extingue-se com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330044 _________ 4 crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.” Tempestivamente a contribuinte apresentou recurso voluntário, insistindo em seus ensinamentos sobre as diferenças existentes entre os institutos da compensação e da restituição, defendendo que o prazo prescricional da ação em pauta seria de dez anos e demonstrando o que, a seu ver, realmente seriam os institutos da decadência e da prescrição. A Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou a argüição de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição do Finsocial pago a maior, como observado na ementa do Acórdão n° 303-32.033, assim ementado: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Por meio do Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, foi vazado o entendimento de que, no caso da Contribuição para o Finsocial, o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota superior a 0,5% seria a data da edição da MP n° 1.110, em 31/05/95. Portanto, tendo em vista que até a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, era aquele o entendimento, os pleitos protocolados até essa data estavam por ele amparados. PAF. Considerando que foi reformada a decisão recorrida no que concerne à decadência, em obediência ao princípio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve a autoridade julgadora de primeiro grau apreciar o direito à restituição/compensação. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, Recurso Especial de Divergência requerendo a cassação do acórdão recorrido, para restaurar o inteiro teor da decisão de 1ª instância. O apelo da Fazenda Nacional apóia-se na divergência jurisprudencial apresentada no seguinte paradigma, oriundo da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: “FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330055 _________ 5 NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. (Acórdão 302-35.782, relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, sessão de 15 de outubro de 2003).” A Fazenda Nacional fundamenta-se, em síntese, nos seguintes argumentos para prestigiar o posicionamento do paradigma: - pela análise dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, constata-se que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário; - as decisões administrativas devem respeitar o disposto no AD SRF n° 96, de 1999, como norma integrante da legislação tributária; - não há nada que justifique ser considerada a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95 o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do FINSOCIAL; - se existe norma legal dispondo sobre a matéria, não tem cabimento este Conselho de Contribuintes negar-lhe vigência para, assumindo a função legislativa, usurpar de sua competência e criar um termo inicial para a contagem do prazo decadencial; - no momento que foi recolhido indevidamente o tributo, no outro dia, o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário para pleitear a restituição dos valores, não tendo que aguardar decisão da Colenda Suprema Corte para tal fim. Devidamente cientificada da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e tendo lhe sido facultada a apresentação de contra- razões recursais, a contribuinte compareceu aos autos, em 5 de dezembro de 2005, argumentando que o Acórdão em questão não merece ser reformado pelo exposto, em suma, a seguir: A decisão proferida não é contrária à lei; e O prazo é de cinco anos mais cinco, conforme pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça; O recurso é inepto pois não preenche os requisitos fundamentais de admissibilidade. Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 21/08/2006, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta Conselheira, em conformidade com o art. 16 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o Relatório." Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330066 _________ 6 Como fundamento do voto vencedor, embora discorde desses fundamentos, adoto as razões apresentadas pela relatora originária na minuta entregue à secretaria da CSRF na ocasião do julgamento, in verbis: "A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face de Decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes assim ementada: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Por meio do Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, foi vazado o entendimento de que, no caso da Contribuição para o Finsocial, o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota superior a 0,5% seria a data da edição da MP n° 1.110, em 31/05/95. Portanto, tendo em vista que até a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, era aquele o entendimento, os pleitos protocolados até essa data estavam por ele amparados. PAF. Considerando que foi reformada a decisão recorrida no que concerne à decadência, em obediência ao princípio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve a autoridade julgadora de primeiro grau apreciar o direito à restituição/compensação. Em seu arrazoado apresenta divergência jurisprudencial assentada no seguinte paradigma: “FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. (Ac. 302-35.782, Relator: Maria Helena Cotta Cardozo, Data da Sessão: 15/10/2003)”. Como visto no relatório, trata-se de pedido de restituição de valores recolhidos a título de Finsocial relativo período de setembro de 1989 a fevereiro de 1992, protocolado em 12 de maio de 1999. Para solucionar a divergência transcrevo, por economia processual outro voto de minha relatoria, com as necessárias adaptações ao caso aqui relatado: Contribuições sociais são instrumentos encontrados pela sociedade para assegurar a efetivação de ações destinadas a dar cumprimento às suas – as da sociedade – Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330077 _________ 7 determinações em matéria de direitos sociais. Tais ações fazem parte da cesta de bens públicos pontualmente indicados pela sociedade e que merecem tratamento diferenciado dos demais por sua natureza e pela priorização que lhes é atribuída pela própria sociedade. A forma mista de custeio do orçamento social, pela via de contribuições específicas e do orçamento fiscal ordinário é expressão da racionalidade do legislador e de sua determinação em fazer estável e independente o orçamento previdenciário. Chamo atenção aqui para os valores estável e independente posto que em minha conclusão vou me reportar, outra vez, a esses valores. O Decreto-lei nº. 1940/82, ao criar o FINSOCIAL o fez determinando que os recursos fossem destinados ao custeio de “investimentos de caráter assistencial em alimentação, habitação popular, saúde, educação e amparo ao pequeno agricultor”. Entendo que, adiantando-se aos ideais de uma nova expressão da cidadania, que seriam materializados na Constituição Federal de 1988, individualizou o legislador daquele então uma função específica do Estado que deveria ser apoiada por recursos específicos. Esse se adiantar à identificação de determinados bens públicos, digamos “notabilizados”, marcou de forma cristalina a passagem do Estado de Direito para o Estado Democrático de Direito. E nesse ponto atento para valores ligados aos direitos coletivos, uma vez que ao final vou novamente tratar desses direitos, em contraposição aos direitos individuais. Faço esta digressão introdutória de minhas reflexões sobre a questão da decadência porque entendo que ademais da intempestividade do pedido de restituição, à luz do que preceitua o Código Tributário Nacional, questão preliminar neste caso, outros marcos legais devem ser abordados, também em instância preliminar à decisão do mérito, e bem assim valores implícitos na Constituição Federal. Em primeiro lugar, peço licença para retomar debate já ocorrido neste colegiado, e externar de forma clara minha posição relativa à decadência do direito de pleitear a devolução de tributos: 5 anos a partir da data do pagamento, conforme determina o art. 168, II do CTN. A tese, muitas vezes utilizada, de que a presunção da constitucionalidade da lei faz com que o contribuinte deixe de questioná-la não me parece razoável. O próprio ordenamento jurídico nacional estabelece prazo para que os interessados possam questionar qualquer ato jurídico que, porventura, venha a lhes causar algum prejuízo. Assim, presunção de constitucionalidade não determina vedação ao exercício do direito de questionar. Valho-me de entendimento já acolhido anteriormente neste colegiado: “Dessa maneira, quando alguém entender que determinada lei é inconstitucional deve ser proposta uma ação. Afinal, a todo direito corresponde uma ação. E esta ação deve ser proposta, também, dentro do prazo que o próprio Direito também estabelece. É evidente que este Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330088 _________ 8 prazo varia de acordo com a matéria regulada pela lei em questão. No caso de uma lei tributária, em regra, o prazo seria o de cinco anos, ou seja, o mesmo prazo estipulado para o pedido de devolução de tributos pagos indevidamente Por isso, já diziam os romanos: dormientibus non succurrit jus. Portanto, quando da edição de uma nova lei, cabe aos estudiosos do Direito verificar se esta lei foi elaborada nos exatos termos do figurino constitucional. E isso, evidentemente, dentro do prazo legal. No entanto, na prática, isso não ocorre. Poucos estudam e exercem o seu Direito. Estes, após anos de debates e em decorrência do empenho conseguem um pronunciamento favorável. É de Direito estender está decisão isolada a toda sociedade? A resposta é negativa, pois, o Direito não socorre aos que dormem!!! Como já acima citado o Direito é segurança. E dentro desta segurança é que o mesmo Direito, através da Constituição Federal, outorga uma ação específica para esse fim, isto é, a ação direta de inconstitucionalidade, que da mesma forma deve ser proposta dentro de um determinado prazo. Esta sim, à luz de inconstitucionalidade, possui eficácia erga omnes, para proteger a sociedade como um todo. Em suma, uma lei, quando inconstitucional, já nasce inconstitucional. Não é um acórdão do STF que a torna inconstitucional. A inconstitucionalidade é preexistente, dependente, apenas, de uma sentença que a declare como tal, observado o prazo para a propositura da ação. Destarte, entendo que o efeito de uma declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso deve restringir a quem a postulou antecipadamente, não devendo produzir “efeito despertador” para que toda sociedade venha reclamar aquilo que lhe foi, outrora, de Direito.”. (extraído do PROCESSO Nº 13807.011547/00-71, SESSÃO DE 14 de setembro de 2004, ACÓRDÃO Nº 302-36.339, RECURSO Nº 126449). Mas, não admito o marco puramente legal, com sua ética e forma, como único condutor de um raciocínio lúcido sobre o direito de restituir ou compensar. Creio que a legislação deve ser referida a seu contexto, aos valores sociais de sua época, às circunstâncias econômicas e políticas que circundaram sua edição, e não pode ser trazida a julgamento posterior sem essas preciosas referências, sob o risco de produzir uma falsa justiça. Nesse sentido, valho-me também do conceito de sustentabilidade trazido da economia e da ecologia, para fundamentar o meu convencimento. Um sistema articulado e harmonizado, como é o do orçamento de receitas e gastos públicos, deve trabalhar com dados e variáveis em equilíbrio dinâmico e com conseqüências em perspectiva. O sistema social chamado de Orçamento Fiscal tem uma de suas partes constituída pelos contribuintes e outra pela Fazenda Pública. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 330099 _________ 9 Ora, muitos anos depois dos cinco estabelecidos no CTN, estão reconhecidos, julgados e acreditados os valores recebidos, e gastos nos bens para os quais foram estabelecidos. Sob esse aspecto é razoável supor que aqueles que não contestaram a majoração do gravame pelas vias legalmente autorizadas - administrativas ou judiciárias - deixaram de exercer um direito que lhes era garantido pelo prazo de 5 anos, conforme determina o CTN, e que a fazenda Pública já utilizou os recursos colocados a sua disposição. Ora, se estamos tratando de um sistema, as entropias se corrigem no curto prazo, sob risco de destruir o sistema, violando a estabilidade e independência a que me referi. E o curto prazo, para efeito de restituição de tributos é aquele em que a segurança jurídica não impeça a segurança social e econômica do sistema orçamentário fiscal, vale dizer os 5 anos eleitos pela sociedade e positivados no ordenamento jurídico. Em seqüência desejo tratar do mandamento do art. 166 do Código Tributário Nacional que determina: “A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la”. Tributos fazem parte da equação que determina o preço do produto. Em economia o custo de oportunidade determina a decisão de investir. Ora, para que seja determinado o custo de oportunidade é necessário que todos os custos de produção sejam orçados no momento da decisão de investir. Assim sendo, salvo se por razões do universo não econômico, o empresário deixou de repassar para os preços o custo da tributação ou de parte dela, essa realidade contábil deve estar registrada de forma clara. Permitam-me afirmar, essa é a única forma de bem identificar a matriz de insumo/produto, absolutamente indispensável em qualquer empreendimento econômico. Não é de se supor, por irracional do ponto de vista econômico, que todos os que pagaram o Finsocial com as alíquotas majoradas tenham levado em contabilidade apartada um custo de produção por eles suportado, em detrimento ou da remuneração do capital ou do lucro daquele momento econômico, em nome de uma crença absoluta que no futuro haveria de se considerar inconstitucional o tributo e lhes seria devolvido o montante, com a remuneração de capital do setor, acrescidos do lucro do investimento, e das devidas compensações pelos danos de terem sido expulsos do mercado. Aliás, em se supondo, seria inadmissível que deixassem de interpor demandas, administrativas ou judiciais. Neste processo em nenhum tempo está representada a contabilidade do empreendedor, aqui contribuinte, que permita afastar a racionalidade econômica e reconhecer o direito de restituição, nos termos do art. 166 do CTN. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 331100 _________ 10 Pelo exposto, neste ponto já me permitiria negar provimento ao pedido do contribuinte, convencida de que não há o que devolver a quem não provou ter pago e não repassado o ônus do pagamento. Na seqüência de meu raciocínio, creio que poderia o julgador, em instância não administrativa, entender que incautamente o contribuinte deixou de apresentar sua contabilidade e também não lhe foi nunca exigido, motivo pelo qual poderia ser que existisse o direito alegado. No campo das conjecturas é possível admitir que a instância judicial seja menos afeiçoada aos raciocínios marcados por parâmetros contábeis. Nesse ponto, é de evidencia solar, como se costuma dizer entre os juristas, que mesmo se admitindo, por amor ao debate, que haja um direito individual na questão da repetição do Finsocial, há também um direito coletivo, social, que deve ser posto em evidência e aquilatado para que se possa efetivamente fazer uma escolha razoável, no momento de julgar, em dúvida, pró – contribuinte. É evidente que para restituir o que é reclamado o fisco deixará de oferecer algum bem público a que tem direito a coletividade que hoje paga seus tributos. Ou deverá onerar com mais tributos essa mesma coletividade. Ou seja a sociedade deverá pagar, outra vez, os tributos que já pagou anteriormente, diretamente ao Estado e indiretamente pela via dos preços. Valho-me então do saber contido no RE 374981 relatado pelo Ministro Celso de Melo, que me permito descontextualizar: “É certo – consoante adverte a jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal - que não se reveste de natureza absoluta a liberdade de atividade empresarial, econômica, ou profissional, eis que inexistem, em nosso sistema jurídico, direitos e garantias impregnados de caráter absoluto: “OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÂO TÊM CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos e garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais , de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. O estatuto constitucional das liberdades públicas, ao delinear o regime jurídico a que estão sujeitas - e considerando o substrato ético que as informa – permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros” (RTJ 173/807-808 Rel. Min. Celso de Melo, Pleno). Para não me alongar maçantemente com outros argumentos menos expressivos finalizo: A legislação tributária determina que o pedido de restituição se faça dentro dos cinco anos que se seguem ao pagamento; A lei não socorre aos que dormem; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 331111 _________ 11 Os tributos são parte do custo dos produtos e serviços; Não foi comprovado que o contribuinte não repassou o custo do tributo aos compradores de seus produtos ou serviços; O direito individual não se sobrepõe ao direito coletivo; É certo que a sociedade pagará pela repetição do “indébito” ou na forma de novos tributos ou na substituição de bens públicos pelo pagamento em apreço. Tudo isso posto, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Exclusivamente para o fim de formalizar o voto vencedor, adoto os fundamentos lançados pelo redator designado no Acórdão CSRF nº 03/-05.135, in verbis: "A questão que me é proposta a decidir, cinge-se ao fato de saber se a contribuinte exerceu o direito de restituição do Finsocial dentro do prazo legal. Ao contrário do que diz a decisão recorrida, a Fazenda Nacional assevera que tal direito extingui-se com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário, ocorrida com o pagamento. De minha parte, entendo que a legitimação do pedido ocorreu com a edição da Medida Provisória 1.110/95, ocasião em que o próprio Poder Executivo reconheceu não serem devidas quaisquer quantias a título de Finsocial, dispensando os seus procuradores de promoverem quaisquer exigências quanto a essa contribuição. Esta, aliás, é a posição majoritária desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando-se, por exemplo os Acórdãos 03-04278 e 03-04298, que estampam a seguinte ementa: FINSOCIAL - Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo - edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso especial negado. Diante do exposto, tendo o prazo prescricional/decadencial se iniciado na data da publicação da referida Medida Provisória 1.110/95, é tempestivo o pedido de restituição/compensação formulado pela contribuinte. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000210/99-40 Acórdão n.º 03-005.133 CSRF/T03 Fls. 331122 _________ 12 No entanto, as autoridades preparadora e julgadora não entenderam dessa forma, razão pela qual, quando da decretação da prescrição/decadência, deixaram de apreciar outras questões relativamente ao pedido de devolução de quantia propriamente dito. Tal fato deve ser levado em consideração, como adiante será ressaltado. Ante o exposto, nego provimento ao apelo da Fazenda Nacional, confirmando a conclusão da decisão recorrida (que se baseia na MP 1.621-36/98), que a meu ver acertadamente afastou a prescrição/decadência, o que confere à contribuinte o direito de ver ressarcido (compensado e/ou restituído) os valores pagos indevidamente a título de Finsocial. Todavia, impõe-se a verificação do conteúdo probatório do recolhimento, além de outros elementos ligados ao pedido que deixaram de ser apreciados pelas autoridades preparadora e julgadora. Portanto, os autos devem ser remetidos à autoridade preparadora para análise de tais quesitos, procedendo-se como se não tivesse havido a decretação da prescrição/decadência. Feito isso, aplique-se os termos procedimentais estabelecidos pelo Decreto 70.235/72. Sala das Sessões - DF, em 07 de novembro de 2006. LUIS ANTONIO FLORA" Embora não concorde com esses fundamentos, adoto a tese do redator designado como fundamento deste julgado, pois foi esta a tese que angariou a maioria dos votos na assentada do dia 7 de novembro de 2006. Antonio Carlos Atulim Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000107/2003-70
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. REPRESENTANTE
LEGAL. VALIDADE. SÚMULA N° 6.
É válida a ciência da notificação por via postal
realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte,
confirmada com a assinatura do recebedor da
correspondência, ainda que este não seja o
representante legal do destinatário.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO
INSTAURADO.
A apresentação intempestiva de manifestação de
inconformidade com despacho decisório que não
homologou compensação declarada não instaura a
fase litigiosa no âmbito do processo administrativo
fiscal, impedindo o conhecimento de recurso
interposto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12.586
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Silvia de Brito Oliveira
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. REPRESENTANTE LEGAL. VALIDADE. SÚMULA N° 6. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. A apresentação intempestiva de manifestação de inconformidade com despacho decisório que não homologou compensação declarada não instaura a fase litigiosa no âmbito do processo administrativo fiscal, impedindo o conhecimento de recurso interposto. Recurso negado.
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. Acórdão n° 203-12.586 ao'cool ao Sessão de 21 de novembro de 2007 000,;r3t06° of213___a t • .segium3no roo 1 Recorrente JARI CELULOSE S/A e °vett.' ft 643.--va— vamo Recorrida DRJ em BELÉM-PA Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. REPRESENTANTE LEGAL. VALIDADE. SÚMULA N° 6. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. A apresentação intempestiva de manifestação de inconformidade com despacho decisório que não homologou compensação declarada não instaura a fase litigiosa no âmbito do processo administrativo fiscal, impedindo o conhecimento de recurso interposto. Recurso negado. , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 04 ‘4.." MF-SEGUNDO CONSEtti0 DE CONTRIBUINTES CONFERECOM O ORIGINAL Brasília j24" / 0—ad o 2 Matilde t d eMal. L' igt 9r c6 giveiraso _ Processo n.° 10247.000107/2003-70 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.586 Fls. 171 ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. DA è 2 • • s.! ! • - IRANDA Vice-Presidente c - _ IP$11. .111b,•11s • • Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Mauro Wasilewslci (Suplente), Luciano Pontes de Maya Gomes, Odassi Guerzoni Filho e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente). MB-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brunia op # Manias CU( • • oliveira Mal S' • 091660 PTOCCSSO n.° 10247.000107/2003-70 CCO2/CO3 Acórdão n.°20312.586 As. 172 Relatório A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo protocolizou em 21 de agosto de 2003 Declaração de Compensação (DCOMP) de débitos da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com créditos objeto dos processos administrativos n° 10247.000103/2003-91, n° 10247.000104/2003-36 e n° 10247.000105/2003- 81. O pedido foi indeferido e, portanto, não foi homologada a compensação, nos termos do Despacho Decisório às fls. 39 a 41, do qual a contribuinte teve ciência em 20 de outubro de 2003, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 42. Em 20 de novembro de 2003, foi apresentada manifestação de inconformidade com o referido Despacho Decisório e a 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém-PA, diante da intempestividade da manifestação de inconformidade, decidiu sela não conhecer, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 114 e 115. Contra essa decisão insurgiu-se a contribuinte, apresentando recurso a este Segundo Conselho de Contribuintes para alegar, em preliminar, que a decisão da instância recorrida configura cerceamento do seu direito de defesa, pois não se pode considerar válida a intimação por meio de correspondência entregue no endereço do destinatário, mas recebida por funcionário que não possui poderes para tanto. No mérito, aduziu a recorrente que os créditos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) a que se referem os processos administrativos citados estão sendo discutidos judicialmente na ação ordinária n° 2005.34.00.030045-2 e, por conseguinte, o deslinde destes autos está subordinado ao mérito do processo judicial. Ao final, solicitou a recorrente a reforma da decisão do colegiado de piso para que seja conhecida a manifestação de inconformidade anteriormente apresentada e determinada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto da compensação em tela até a solução definitiva do processo judicial. É o Relatório. fik *c-gr coNsaHc.. S aia CONPERE COM O ORiGINZBUINTE aMarlide d Mat. lupe 91650 3 Processo n.• 10247.000107/2003-70 ~LINDO CONSELHO LIE CONTRIBUINTES CuU2/CO3 Acórdão n.• 203-12.586 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 173 • Brunia. •L/ 4.2.2 / 19-2 Marlide Curse* OSvelra Slope OMS Voto Conselheira SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA, Relatora O recurso é tempestivo, por isso dele conheço. Preliminarmente, quanto à validade da intimação por via postal recebida no endereço do destinatário por pessoa que não seja representante legal da pessoa jurídica, ressalte-se que as disposições do Código Civil e do Código de Processo Civil suscitadas pela recorrente não são aplicáveis no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, que é regido por disposições legais específicas — Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com alterações posteriores. Nessa matéria, o referido Decreto dispõe: Art. 23. Far-se-á a intimação: II — por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; Destarte, o dispositivo legal aplicável ao caso, exige tão-somente que haja prova do recebimento da intimação no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não exigindo qualquer qualificação da pessoa para receber essa intimação por via postal. Essa matéria foi sumulada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão plenária de 18 de setembro e 2007, que aprovou a Súmula n° 6, cujo teor transcreve- se: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Diante disso, uma vez que é válida a intimação do despacho decisório proferido nestes autos, a manifestação de inconformidade apresentada é intempestiva, não estando, pois, apta a instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal e, não instaurado o litígio, não cabe a este Conselho apreciar as razões de mérito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das lssões, em 21 de novembro de 2007 kytai \413 SÍLSai RIT• 1LI Page 1 _0044500.PDF Page 1 _0044600.PDF Page 1 _0044700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10840.004661/92-31
Data da sessão: Thu Feb 29 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando -se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. ACRÉSCIMOS LEGAIS - Exclui-se da incidência da TRD o período compreendido entre fevereiro e agosto de 1991, anterior à vigência
da Lei N° 8.218/91.
Numero da decisão: 102-30.684
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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'.;-• PROCESSO N°. : 10840/004.661/92-31 RECURSO N°. : 89.253 MATÉRIA : FINSOCIAL/FATURAMENTO - EXS.: 1988 e 1989 RECORRENTE: PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL) RECORRIDA : DRJ - RIBEIRÃO PRETO - SP SESSÃO DE : 29 DE FEVEREIRO DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102-30.684 PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando -se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. ACRÉSCIMOS LEGAIS - Exclui-se da incidência da TRD o período compreendido entre fevereiro e agosto de 1991, anterior à vigência da Lei N° 8.218/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL). ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. XIAL ANTO O DE FREITAS DUTRA PRESI ENTE --, , fie------ / U'S1LkWANSEN ' NILL: TORA FORMALIZADO EM: 2 9 F E V 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: JOSÉ CLÓ VIS ALVES, MARTA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE e SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO. AUSENTE JUSTIFICADAMENTE O CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA. . MNS 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10840/004.661/92-31 ACÓRDÃO N°. : 102-30.684 RECURSO N°. : 89.253 RECORRENTE : PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO O presente processo trata do Auto de Infração, fls. 21 e anexos, lavrado contra PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL), CGC N° 44.230.795/0001-08, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto - SP, formalizando a exigência de FINSOCIAL/FATURAMENTO Exs.: 1988 e 1989, no valor de 67,00 UFIR e correspondentes acréscimos legais. O lançamento, com base no artigo 3°, Mima "b" da Lei complementar 7/70, do artigo 1°, parágrafo único da Lei complementar 17/73, Regulamento do PIS/PASEP, e artigo 1° do Decreto Lei N° 2.445/88 c/c artigo 1° do Decreto Lei N° 2.449/88, decorreu de procedimento de fiscalização e que foram apuradas irregularidades, conforme demonstrado no processo N° 10840/004.657/92-63. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, apresentou em 24/11/92, tempestivamente, sua impugnação de fls. 23/27, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de P Instância relativa ao presente processo, de número 458, foi proferida às fls. 36/37, em que em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente in 2 „,, I.'•,,• MINISTÉRIO DA FAZENDA• ..../i/ p,,,1-;: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10840/004.661/92-31 ACÓRDÃO N°. : 102-30.684 A autoridade julgadora "a quo” fundamentou sua decisão fato de que se trata de lançamento reflexivo que deve seguir o mesmo destino dado ao lançamento principal. Ciente da decisão singular em 23/07/93 (fls. 29), a contribuinte apresenta seu recurso voluntário em 23/08/93, conforme petição de folhas 42/46, reiterando todos os argumentos articulados em sua defesa oferecida perante a 1' Instância Administrativa. O recurso foi lido na integra em Plenário. É o relató .t>,/,, 3 :ã MINISTÉRIO DA FAZENDAlu/ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10840/004.661/92-31 ACÓRDÃO N°. : 102-30.684 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de N° 10840/004.657/92-63. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 08 de novembro de 1994, foi julgado parcialmente procedente, conforme faz certo o Acórdão N° 102-29.507. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal. Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso para excluir da incidência da TRD o período anterior à vigência da Lei N° 8.218/91. Brasília - DF, 29 de fevereiro de 1996. ' 4 J'SJL ANSEN • 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13855.720071/2007-06
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996.
AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR.
AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.
Numero da decisão: 2202-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2242; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 213 1 212 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.720071/200706 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.328 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria ITR Recorrente SILVIA JUNQUEIRA NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NOS DADOS DO SIPT. INOCORRÊNCIA. Sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado, legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas. Nesse caso, descabe a argüição de cerceamento de direito de defesa, uma vez que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria, mormente quando encontrase expressamente consignado no Auto de Infração a origem da informação e os valores considerados de VTN/ha de acordo com a aptidão agrícola para o município do imóvel rural sujeito ao arbitramento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 EXCLUSÃO DAS ÁREAS PROTEGIDAS AMBIENTALMENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir da área total tributável para fins de ITR as áreas de preservação permanente, de reserva legal e demais áreas protegidas ambientalmente, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 71 /2 00 7- 06 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 214 2 Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 215 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 5, pela qual se exige a importância de R$847.103,61, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2003, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Mata Chica, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 0.782.3452, localizado no município de Morro Agudo/SP. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2003 no qual foi solicitado à contribuinte apresentar (fls. 10 e 11): (a) cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama; (b) Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2o do Código Florestal; (c) certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o do Código Florestal, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; (d) cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal; (e) cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; (f) ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico; (g) Laudo de Avaliação do imóvel. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 2 e 3), verificase que foi apurada falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude das seguintes alterações efetuadas pelo autuante na DITR: Área de Utilização Limitada: glosa total, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a isenção da área declarada a título de utilização limitada no imóvel rural. Valor da Terra Nua: o valor arbitrado com base no Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal – SIPT (menor valor de aptidão agrícola), uma vez que não foi apresentado Laudo de Avaliação, observando o disposto nas normas da ABNT, comprovando o valor da terra nua declarado. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 20 a 27, instruída com os documentos de fls. 28 a 174, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 179 e 180): Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 216 4 3. A interessada apresentou impugnação, às fls. 20 a 27, onde, descreve sucintamente, nos parágrafos 01 e 02 da autuação e, em seguida, alega, que: 3.1 Cometeu erro no preenchimento da declaração informando a área ocupada com benfeitorias de 38,7 hectares, sendo que a área correta apurada em Laudo Técnico de é 87,6 ha; 3.2 Efetuou recolhimento da multa de 20% e dos juros com base na SELIC, sobre a diferença entre o VTN/ha declarado e o apurado; 3.3 O laudo emitido pelo engenheiro atende completamente as formalidades exigidas pela NE SRF COSAR COSIT no 12/96, reportandose à data anterior ao exercício de lançamento do tributo, por isso discorda da glosa da área de utilização limitada; 3.4 Transcreveu o parágrafo 1o incisos I e II, do art. 10; 3.5 O lançamento deve ser revisto para que seja considerada a área de utilização limitada mapeada em laudo elaborado pelo engenheiro agrônomo, para aplicar a alíquota de 0,30% sobre o valor da terra nua apurado; 3.6 A multa de 75% é aplicada somente nos casos de ausência de entrega da declaração; 3.7 Discorda do VTN com base no SIPT, uma vez que o sistema da Receita não é acessível aos contribuintes, por isso não há que se falar em declarações incorretas ou inexatas; 3.8 O Auto de Infração é nulo, porque não foram apresentados os critérios utilizados pela Receita Federal para apurar o VTN considerado no lançamento; 3.9 Por último, requer reformulação do Auto de Infração, face à apresentação de provas documentais e declarar extinto o crédito tributário pelo pagamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0416.777 (fls. 177 a 187), de 20/02/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE. São considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A exclusão da área declarada como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 217 5 Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. Por outro lado, essa área para ser aceita tem que estar averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, por determinação legal. VALOR DA TERRA NUA VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. JUROS DE MORA. DA MULTA LANÇADA. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. Não obstante a decisão recorrida tenha acolhido o pleito da interessada para retificar a área ocupada com benfeitorias para 87,6 ha, não houve alteração no crédito tributário, mantendose integralmente o valor lançado pela fiscalização (vide fl. 187). DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 13/03/2009 (vide AR de fl. 190), a contribuinte apresentou, em 13/04/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 192 a 211, no qual, após breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. Inicialmente, a contribuinte informa que, dentro do prazo para impugnação, efetuou o pagamento parcial do Auto de Infração, com base no VTN apurado, recolhendo o imposto acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora, sobre a diferença entre o VTN/ha declarado e o apurado, conforme DARF apresentado anteriormente. 2. A recorrente alega que o Laudo Técnico, apresentado junto com sua impugnação, foi elaborado por engenheiro agrônomo de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, atesta a existência de uma área de 962,87ha, coberta por remanescente de vegetação nativa, classificada como área de utilização limitada e, portanto, isenta do imposto. 3. Transcreve legislação que versa sobre ART e tece diversos comentários para concluir que (fl. 199): Contudo, face aos documentos juntados aos autos, em especial a Anotação de Responsabilidade Técnica e o próprio Laudo Técnico, não assiste razão à fundamentação do acórdão recorrido, especialmente porque o Laudo Técnico é de conteúdo Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 218 6 cuja qualidade técnica não assiste à Secretaria da Receita Federal, mas sim e somente profissional Engenheiro da mesma área de atuação, de modo que Fiscal de Renda nenhum tem capacidade técnica para avaliar qualquer laudo de avaliação emitido por Engenheiro Agrônomo devidamente credenciado pelas normas de responsabilidade técnica, sendo, portanto nulo qualquer decisão da SRF em sentido contrário ao laudo de avaliação emitido. 4. Com relação à exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA e da inscrição da reserva legal na matrícula do imóvel, alega tratarse se formalismo excessivo que foge completamente à realidade fática do imóvel, pois a área “totalmente coberta por vegetação nativa das mais variadas espécies, não poderia ser objeto de exploração agrícola, em vista de existir a mesma antes mesmo da propriedade agrícola, o que, de qualquer forma, impossibilitaria a recorrente de explorála, seja pela impossibilidade da Legislação Ambiental Federal, seja pela impossibilidade da Legislação do Estado de São Paulo.” (fls. 208 e 209). Transcreve precedentes administrativos e judiciais para reforçar sua defesa. 5. Por fim, questiona a multa de ofício de 75%, alegando que esta seria aplicada apenas nos casos de ausência de entrega da declaração do ITR, o que não ocorreu no presente caso. 6. Repisa que não houve declaração inexata, visto que o sistema SIPT não é acessível aos contribuintes e, portanto, não haveria como a recorrente ter acesso ao valor atribuído de VTN/ha à época do fato gerador do imposto. Aduz que a contribuinte estaria sendo penalizada por uma omissão da Receita Federal, considerando que o arbitramento se baseou em critérios subjetivos que sequer condizem com a realidade do Valor da Terra Nua dos imóveis. 7. Assim, não caberia a aplicação da multa de 75%, quando existe na legislação uma multa mais benéfica de 20%, considerando que houve apenas inadimplemento do imposto e não falta de entrega da declaração. 8. Entende, ainda, que o Auto de Infração seria nulo, pois não foi informado “em que base de dados a RFB se fundamentou para alimentação do seu sistema de preços da terra, o que deixa recorrente de mãos atadas, considerando que sequer tem condições de analisar quais os critérios apresentados pela RFB para apuração do VTN”(fl. 210). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 12/03/2012, veio numerado até à fl. 212 (última folha digitalizada) 1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 219 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio Importante destacar que a matéria a ser apreciada por este Colegiado restringese à glosa da reserva legal e a multa de ofício aplicada, visto que a contribuinte informa ter recolhido o imposto, acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora, sobre a diferença entre o VTN/ha declarado e o apurado. A recorrente argúi, também, a nulidade do Auto de Infração. 2 Nulidade do Auto de Infração Preliminarmente, a contribuinte argúi a nulidade do Auto de Infração, por cerceamento do direito de defesa, pois não teria sido informado “em que base de dados a RFB se fundamentou para alimentação do seu sistema de preços da terra, o que deixa recorrente de mãos atadas, considerando que sequer tem condições de analisar quais os critérios apresentados pela RFB para apuração do VTN” (fl. 210). É certo que cabe ao fisco ônus da prova da infração imputada ao contribuinte, demonstrando e comprovando a ocorrência do fato gerador diretamente vinculado à obrigação fiscal exigida. Não se pode olvidar, entretanto, que no caso de lançamento do ITR, tributo sujeito ao lançamento por homologação, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). Assim, as informações que serviram de base para apuração do imposto devido devem estar amparadas em documentação hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal solicitar os esclarecimentos que julgar necessários e exigir a apresentação dos mesmos, pois, muito embora a juntada de tais documentos seja dispensada quando da entrega da declaração, devem ser mantidos em boa guarda para sua apresentação quando solicitada (art. 40 do Decreto no 4.382, de 2002, que regulamentou a fiscalização do ITR). No que diz respeito à declaração do VTN, importa transcrever o art. 8o da Lei no 9.393, de 1996 (grifos nossos): Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 220 8 § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Como vê, é obrigação do contribuinte informar o valor do VTN do imóvel rural que será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Por outro lado, o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de subavaliação, a arbitrar o valor da terra nua (VTN) com base em sistema por ela instituído: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. [...] Por sua vez, cabe trazer a colação o art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, com a redação vigente à época da edição da Lei no 9.393, de 1996: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 221 9 [...] Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Muito embora o contribuinte alegue desconhecer os critérios adotados pelo fisco, verdade é que a própria legislação que rege a matéria já os fixou, conforme acima demonstrado. Entendo, assim, que a utilização dos valores constantes do SIPT são válidos para fins de arbitramento do VTN, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico capaz de comprovar o valor por ele declarado e desde que os dados que alimentaram o sistemas atendam aos requisitos exigidos pela legislação, como, por exemplo, o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, apurado nas avaliações realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, em que os preços de terras são determinados levandose em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc. No caso dos autos, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou Laudo Técnico para corroborar o valor por ela declarado, legítimo o arbitramento efetuado “com base no menor valor de aptidão agrícola do município do imóvel, constante nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da Receita Federal do Brasil – RFB” (fl. 2). Importa ressaltar que foi consignado expressamente na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 2, a origem da informação, qual seja, a Secretaria Estadual de Agricultura, bem como os valores considerados de VTN/ha de acordo com a aptidão agrícola para o município do imóvel em questão. Nesses termos, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa argüida pela recorrente. 3 Área de Utilização Limitada A recorrente entende, em síntese, que o Laudo Técnico apresentado junto com sua impugnação, por ter sido elaborado por engenheiro agrônomo de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, seria suficiente para comprovar a isenção em relação à área de reserva legal declarada, no valor 962,87ha, considerando a exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA e da inscrição da reserva legal na matrícula do imóvel formalismo excessivo, que foge completamente à realidade fática do imóvel. De se analisar a questão. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 222 10 Podem ser excluídas da área tributável, para fins de apuração do ITR, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada previstas no art.10, § 1o, inciso II, alíneas “a” a “f”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996. O Laudo apresentado pela contribuinte em sua impugnação (fls. 77 a 116) foi elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado da respectiva ART, no qual o profissional responsável atesta a existência de uma área de 962,87 ha “correspondente à Área de Utilização Limitada coberta por Remanescente de Vegetação Nativa” (fl. 114). De início, importa salientar que a exclusão das áreas “cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração” (art. 10, §1o, inciso II, alínea “e”, da Lei no 9.393, de 1996, aplicase somente a partir do exercício 2007, com o advento da Lei no 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que alterou o art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, o que não é o caso dos autos, pois foi lançado o exercício 2003. Para gozar da isenção, além de comprovar a existência das áreas ambientalmente protegidas, deve o contribuinte cumprir os requisitos formais que a lei assim determinar, bem como observar as condições de uso impostas pelas leis ambientais. Caso contrário, afastase o benefício fiscal sobre tais áreas, eis que não foram observados os pressupostos legais para sua exclusão da área tributável. Com a devida vencia dos que pensam em contrário, a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, emitido pelo IBAMA, é condição geral para a não incidência tributária sobre tais áreas, como a seguir se demonstrará. 3.1 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL A isenção para fins de isenção do ITR, está condicionada a apresentação do ADA informando as áreas que se pretende excluir, nos termos da legislação. Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 24 de agosto de 2001, não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 223 11 [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhandoo à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 224 12 novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. Retornando ao caso em concreto, a contribuinte menciona a existência de uma área de reserva legal, contudo tal área não foi informada no ADA entregue para o exercício fiscalizado (fl. 16), no qual há referência apenas de uma área de Reserva Particular do Patrimônio Natural de 962,87ha. 3.2 RESERVA LEGAL A exclusão das áreas de reserva legal, para fins de apuração do ITR, encontrase prevista no art. 10, § 1o, inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III): Art. 1o[...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 225 13 [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 226 14 aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Na situação em análise, a contribuinte não comprovou a averbação da reserva legal e tampouco apresentou o ADA correspondente, razão pela qual não pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável. 3.3 RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL A Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) já previa em seu art. 5o a criação de Parques e Reservas Biológicas com a finalidade de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com objetivos educacionais, recreativos e científicos. Da mesma forma, a Lei no 6.902, de 27 de abril de 1981, dispunha sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental. Posteriormente, a Constituição Federal, ao tratar do Meio Ambiente, autorizou o poder público a criar espaços territoriais a serem especialmente protegidos, visando obstar qualquer utilização que comprometesse a integridade dos atributos naturais que justifiquem sua proteção, conforme disposto em seu art. 225 (grifei): Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 227 15 § 1o Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; Regulamentando o dispositivo constitucional acima transcrito, foi editada a Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que prevê a criação, por ato do Poder Público, de diversas áreas de interesse ambiental denominadas unidades de conservação da natureza, as quais se dividem em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As primeiras visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com as exceções previstas na referida lei, enquanto que as segundas, compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Dentre as Unidade de Uso Sustentável, encontrase a Reserva Particular do Patrimônio Natural que “é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica” e que deve possuir “termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.” (art. 21, caput e §1o, da Lei no 9.985, de 2000). Nas áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural é permitido somente a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais (art. 21, §2o, inciso I e II, da Lei no 9.985, de 2000), ampliando, assim, as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Como se vê, a Reserva Particular do Patrimônio Natural, está inserida no conceito das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, sendo oportuno transcrever o art. 10, §1o, inciso II, alíneas “a” e “b”, da Lei no 9.393, de 1996 (grifos nossos): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. §1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 228 16 [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei no 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] Concluise, assim, que a Reserva Particular do Patrimônio Natural tem sua isenção condicionada a existência de um termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. No caso dos autos, apesar da informação contida no ADA, a contribuinte não comprovou a existência da Reserva de Patrimônio Particular Natural e, muito menos, a sua averbação, razão pela qual não pode excluída para fins de tributação do ITR. 4 Multa de ofício A recorrente alega que a multa de 75% aplicarseia apenas nos casos de ausência de entrega da declaração do ITR, o que não ocorreu, e que não houve declaração inexata, visto que o sistema SIPT não é acessível aos contribuintes. Em análise do argüido, observase que a contribuinte confunde a multa por atraso na entrega da DITR com a multa de ofício exigida sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício. Explicase. Como se sabe, o contribuinte do ITR está obrigado a entregar, anualmente, o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT – que junto com o Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR compõem a DITR, correspondente a cada imóvel de sua propriedade nas datas e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal (art. 8o da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996). De acordo com o art. 9o da Lei no 9.393, de 1996, a entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeita à multa prevista no art. 7o da mesma lei que dispõe in verbis (grifei): Art. 7o No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Assim, caracterizada a entrega intempestiva da DITR, antes do início do procedimento de ofício, é devida a multa por atraso, calculada sobre o imposto devido apurado pelo contribuinte sendolhe, exigido, apenas, se for o caso, a multa de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto declarado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 229 17 Por sua vez, eventuais diferenças de ITR apuradas em procedimento de ofício tem como fundamento legal o art. 14 da Lei no 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1o, inciso II da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. §2o As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. No caso de falta de entrega da DITR ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, apurada nos procedimentos de ofício, o dispositivo acima prevê tão somente o lançamento do imposto acrescido da multa de ofício aplicável aos demais tributos federais, ou seja, aquela prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Dessa forma, concluise que a multa por atraso na entrega da DITR aplicase apenas quando a declaração for entregue espontaneamente (antes do procedimento de ofício) e sobre o valor do imposto devido apurado pelo contribuinte. Outrossim, a multa de mora de 20% só poderia ser aplicada se o presente crédito tributário não decorresse de um lançamento de ofício, mas sim de um procedimento de iniciativa do próprio sujeito passivo, no qual a única infração cometida fosse o atraso de recolhimento. Destarte, mantémse o lançamento da multa de ofício. 5 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720071/200706 Acórdão n.º 2202002.328 S2C2T2 Fl. 230 18 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 18186.000104/2007-33
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
É permitido ao Fisco valer-se da apuração das contribuições por meio de aferição indireta quando o contribuinte, devidamente intimado, não apresenta a documentação contábil e fiscal pertinente.
MULTA. RETROATIVIDADE PREVISTA NO ARTIGO 106 DO CTN.
Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a Nota Fiscal citada no resultado da diligência fiscal, nos termos do voto do Relator; b) negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vice-presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. É permitido ao Fisco valer-se da apuração das contribuições por meio de aferição indireta quando o contribuinte, devidamente intimado, não apresenta a documentação contábil e fiscal pertinente. MULTA. RETROATIVIDADE PREVISTA NO ARTIGO 106 DO CTN. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
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POSSIBILIDADE. É permitido ao Fisco valerse da apuração das contribuições por meio de aferição indireta quando o contribuinte, devidamente intimado, não apresenta a documentação contábil e fiscal pertinente. MULTA. RETROATIVIDADE PREVISTA NO ARTIGO 106 DO CTN. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a Nota Fiscal citada no resultado da diligência fiscal, nos termos do voto do Relator; b) negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 04 /2 00 7- 33 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vicepresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.012.7021, a qual exige contribuições sociais a cargo da empresa e as contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 10/2001 a 12/2006) e as destinadas a outras Entidades e Fundos (SalárioEducação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal “O valor tributável foi apurado com base nos valores discriminados nas notas fiscais/faturas de serviços emitidas pelas empresas SIM – Incentive Marketing S/C LTDA. – CNPJ 03.745.219/000108 e EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA. – CNPJ 03.069.255/000107, cujos valores foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 10/2001 a 12/2006.” Além disso, descreve que “A empresa estabeleceu contrato de prestação de serviços com as prestadoras citadas, cujo objeto foi o fornecimento de cartões de premiação: utilizados como meio de pagamento de premiação, por meio do sistema SIM CLUB, que inclui saques, compras, desenvolvimento pessoal e profissional, conveniências e descontos, permitindo ao premiado sacar os valores em mais de 1.670 terminais eletrônicos de Banco 24 Horas, em mais de 1.1500 Agências do Unibanco S/A em todo o Brasil, Banco 30 SHOP e 40.000 estabelecimentos por meio da rede CHEQUE ELETRÔNICO. Cabe à Contratante dos serviços orientar os favorecidos dos cartões SIM CLUB quanto a sua correta utilização junto à Rede Bancária credenciada pelo SIM INCENTIVE; disponibilizados por meio do cartão Exchange CARD para pagamento e recebimento da premiação, com créditos prédefinidos a serem fornecidos pela contratante para os indicados como recebedores de prêmios, a título de incentivo profissional e como meio de publicidade interna da contratante.” A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, basicamente, que o lançamento do crédito tributário teria sido efetuado à margem da lei, uma vez que a lavratura do Auto de Infração foi realizada, no seu entender, somente com base na presunção. A DRJ de São Paulo I proferiu voto no sentido de dar parcial provimento ao lançamento do crédito tributário para reconhecer a ocorrência da decadência no período 10/2001 e 11/2001, mantendo, assim, os demais créditos lançados na NFLD, sob o fundamento de que o pagamento de valores por meio de cartão de premiação, em decorrência da produtividade, constitui base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autuada, devidamente intimada interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) erro no lançamento, uma vez que a D. Fiscalização teria equivocadamente lançado no Relatório de Lançamentos de fls. 28 a mesma Nota Fiscal nº 84.564 em duplicidade, sendo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18186.000104/200733 Acórdão n.º 2301003.525 S2C3T1 Fl. 211 3 um no montante de R$ 9.149,00, competência 01/2006, outro no valor de R$ 9.152,50, competência 02/2006; (ii) aferição indireta, já que a D. Fiscalização não teria observado todo o procedimento previsto no artigo 33, parágrafo 6º, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 231 e 135 do Decreto 3.048/99, haja vista que aferiu indiretamente a base de cálculo da contribuição previdenciária da Recorrente com base em presunção de que os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas são referentes a valores pagos aos trabalhadores da Recorrente. O julgamento foi convertido em diligência, para que fosse revista suposto lançamento de nota em duplicidade. Em procedimento de análise, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo — DEFIS/SP, verificou a existência de lançamento em duplicidade, pelo que determinou a exclusão da Nota Fiscal no valor de R$9.149,00, mantendo, portanto, a Nota Fiscal no valor de R$ 9.152,50. Respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa, o Recorrente fora devidamente intimado sobre o resultado da diligência, ocasião na qual o contribuinte apresentou manifestação requerendo o cancelamento da NFLD. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. A Recorrente em sede de recurso voluntário suscitou as seguintes questões: I – erro de lançamento – uma vez que a D. Fiscalização teria equivocadamente lançado no Relatório de Lançamentos de fls. 28 a mesma Nota Fiscal nº 84.564 em duplicidade, sendo um no montante de R$ 9.149,00, competência 01/2006, outro no valor de R$ 9.152,50, competência 02/2006; II – aferição indireta – já que a D. Fiscalização não teria observado todo o procedimento previsto no artigo 33, parágrafo 6º, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 231 e 135 do Decreto 3.048/99, haja vista que aferiu indiretamente a base de cálculo da contribuição previdenciária da Recorrente com base em presunção de que os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas são referentes a valores pagos aos trabalhadores da Recorrente. A questão relativa à duplicidade da Nota Fiscal nº 84.564 foi solucionada com a conversão do processo em diligência, reconhecendo a autoridade fiscal o equívoco e excluindo o montante indevido do lançamento. Assim, deve ser excluída a Nota Fiscal no valor de R$9.149,00, mantendo, portanto, a Nota Fiscal no valor de R$ 9.152,50. No que diz respeito à aferição indireta o relatório fiscal – por sua vez narra que a aplicação dessa sistemática de aferição indireta foi necessária em virtude da ausência de atendimento de intimação por parte do Recorrente, para que a D. Autoridade Fiscalizadora pudesse auditar a contabilidade com o propósito de averiguar a regularidade no recolhimento das contribuições. Citase, nesse sentido, trecho do referido relatório. Confira: “2.1.4. A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 01/03/2007, a apresentar Relação discriminando os Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 valores pagos, por segurado e competência, relativos às Notas Fiscais / Faturas emitidas pela empresa SIM Incentive Markefing S/C Ltda, e, da mesma forma, em 3010312007, para a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda, através de mesmo Termo. Como não atendeu â intimação, foi lavrado o competente Auto de Infração — AI (Debcad Nz. 37.012.7013), por deixar de prestar ao INSS todas as informações de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, solicitados através da citada Relação. Assim, os valores pagos através dos cartões foram lançados como base de Salário de Contribuição / Remuneração de segurados empregados, uma vez que a empresa não identificou as pessoas favorecidas com o recebimento de remuneração através dos cartões de premiação.” Como se nota do relatório fiscal, a Recorrente não apresentou à fiscalização toda a documentação contábil solicitada, necessária e adequada para a efetiva revisão correta e idônea do recolhimento da contribuição previdenciária, o que certamente acarretou obstáculo no procedimento fiscalizatório. Por conta disso, a D. Autoridade Fiscalizadora não teve outra solução, ao detectar ausência da inclusão do pagamento de prêmioincentivo na base de cálculo das contribuições, senão adotar o método da aferição indireta para tributar os respectivos valores. Diante desse cenário, não há com negar a necessidade e legitimidade da aplicação do sistema de aferição indireta nos termos do §6º do artigo 33, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que assim preceitua: “§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Outrossim, cabe deixar consignado que pagamentos efetuados aos seus empregados, mediante cartão de premiação fornecido pelas empresas SIM – Incentive Marketing S/C LTDA. – CNPJ 03.745.219/000108 e EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA. – CNPJ 03.069.255/000107, subsumemse ao conceito de remuneração, tampouco de gratificação ajustada. Como se extrai desses autos a ora recorrente efetuava pagamentos à empresa acima não só a título de prestação de serviços, mas em razão de programa de estímulo de produtividade ou mesmo de desempenho de funcionários. Ora, programas de estímulo a produtividade está inequivocamente ligado à produção da empresa contratante, ou melhor, à atuação dos seus trabalhadores. Por certo que, pela sistemática envolvida entre a autuada e a empresa citada, cabia a essa última, por meio de cartões de incentivo, premiar os trabalhadores da autuada. É nesse sentido que laborou a presente autuação. Verificando a fiscalização tratarse de remuneração paga, nos termo do artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançou as contribuições previdenciárias devidas. Verificase, ademais, que a habitualidade também está presente, pois houve pagamento, pela recorrente, por intermédio das empresas supra, pagamentos em todos os meses albergados pela autuação. Ou seja, em todos os meses aqui apurados os funcionários recebiam bônus pela via dos cartões de premiação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18186.000104/200733 Acórdão n.º 2301003.525 S2C3T1 Fl. 212 5 Nesse diapasão, os valores pagos aos funcionários subsumemse, a meu ver, no conceito de remuneração, haja vista que identificamos que os critérios da habitualidade e da retributividade. Não há dúvidas, portanto, da incidência do artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cuja redação é a seguinte: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Sendo, portanto, remuneração, competia à recorrente recolher as contribuições previdenciárias devidas. Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a Nota Fiscal no valor de R$9.149,00, mantendo, portanto, a Nota Fiscal no valor de R$ 9.152,50 e, se mais benéfico à Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 recorrente, aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação conferida pela Lei nº 11.941/09. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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