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Numero do processo: 10845.008290/93-24
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 303-00.614
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e no mérito por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao Labana/Santos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30300614_108450082909324_199508; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-27T19:16:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30300614_108450082909324_199508; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30300614_108450082909324_199508; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-27T19:16:33Z; created: 2017-06-27T19:16:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-06-27T19:16:33Z; pdf:charsPerPage: 943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-27T19:16:33Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA • PROCESSON SESSÃO DE RESOLUÇÃO RECURSON RECORRENTE RECORRIDA 10845-008.290/93.24 23 de Agosto de 1995 303.614 117.247 KUKA PRODUTOS INFANTIS LIDA. ALF-PORTO DE SANTOS/SP RESOLUÇÃO Nojb3.614 'J Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. \~ RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e no mérito por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao Labana/Santos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, 23 de agosto de 1995 ===s~ ). ~ SANDRÂ MARIA FARONl Relatora • ~# .... Procuradoria da e a NiHii~ OL,oe' c:\O"a'o . 4- ",a VISTA EM 8"eI" faS.." J.~'£ ,roe",a4ot "a 'Cf6 MAR 19q~ .• Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROMEU BUENO DE CAMARGO, DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA, JORGE CLIMACO VIEIRA e MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. Ausentes os Conselheiros: SÉRGIO SILVEIRA MELO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO~ RECORRENTE RECORRlDA RELATORA 117.247 303.614 KUKA PRODUTOS INFANTIS LIDA. ALF-PORTO DE SANTOS/SP SANDRA MARIA FARONI . RELATÓRIO • • • Contra a empresa acima identificada foi lavrado auto de infração no qual foram exigidos, além das diferenças de 11e IPI, correção monetária, juros de mora, multa do art. 4°, I, da Lei 8.218/91 sobre o 1.1 e multa do art. 364, n, do RIPl Os fatos estão assim descritos no auto: " 0 contribuinte, no anverso identificado, desembaraçou o produto ELASTÔMERO DE VULCANIZAÇÃO PARA ADIÇÃO, MASSA NÃO COERENTE, classificando-o no código NBM/SH 3910.00.0400, com alíquotas de 15% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados, tendo subscrito Termo de Responsabilidade no Quadro 24 da aludida DI, comprometendo-se ao recolhimento de eventuais diferenças de tributos, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 14/85 e art. 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com o laudo nO3332/93, expedido pelo Laboratório de Análises desta Delegacia, trata-se de ELASTÔMERO DE SILICONE NA FORMA LIQUIDA, cuja classificação tarifária reside no código NBM/SH 3910.00.0400, com alíquotas de 30% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados, havendo,consequentemente, uma diferença de tributos a ser recolhida com os acréscimos legais a partir da data constante do demonstrativo anexo, além das penalidades previstas no inciso I do artigo 4° da Lei 8.218/91 e no inciso n do art. 364 do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nO87.981/82". A empresa apresentou impugnação, argumentando, em síntese: 1 - que o libelo acusatório, excessivamente lacunoso, não permite discernir com precisão a consistência do imputado; 2 - que é invocado o art. 364 do RIPI, o qual se refere a falta de pagamento do imposto por ocultação, nas notas fiscais emitidas, de parte do imposto devido. 3 - Que o libelo acusatório diz que foi desembaraçado Elastômero de Vulcanização para Adição, Massa não coerente, que pelo laudotratar-se-ia der 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO NO RESOLUÇÃO N° 117.247 303.614 • Elastômero de Silicone na Forma Líquida, e que a alíquota de 1.1 seria 30% e não 15%, como aplicado pelo importador; 4 - que o suposto fato infracional está divorciado do dispositivo dado como infringido; 5 - que o contribuinte ficou sem saber do que se defender, por não vislumbrar os critérios que nortearam a acusação, caracterizando-se cerceamento de defesa; 6 - que não houve divergência quanto à natureza do produto, parecendo haver dissenção quanto à alíquota, já que o importador aplicou 15% e o fisco entende ser 30%; 7 -que a alíquota foi reduzida de 30% para 15% pelo acordo GATT, conforme Dec. 83070, de 24/01/79. Em relação à multa do art. 364, que o contribuinte destaca como se referindo a lançamento em nota fiscaL o autuante, ao falar sobre a impugnação, esclarece que o ~ 4° do art. 364 estabelece a equiparação. Menciona, ainda, os artigos 55 e 107 do RIPI, que tratam da responsabilidade do sujeito passivo de lançar o imposto na DI no momento do desembaraço aduaneiro e da obrigação de recolhê~lo antes da saída do produto da repartição onde se processar o desembaraço. b Sobre a divergência de alíquota, diz o autuante que a redução para 15% conforme destaque ''EX'' é para o produto na forma massa não coerente entre outros, exceto na forma líquida. A autoridade singular julgou procedente a ação fiscal. Quanto à preliminar de inaplicabilidade da multa do art. 364, reporta-se aos argumentos expostos pelo autuante na réplica. Quanto ao mérito, fundamenta sua decisão principalmente nas seguintes afirmativas: 1 - Que o ''EX'' de que se trata abrange os elastômeros de silicone desde que se apresentem sob a forma de "pós) grândulos) escamas, pedaços irregulares, blocos, massas não coerentes e formas semelhantes", sem fazer menção à forma líquida; 2 - Que as massas não coerentes apresentam propriedades parecidas com os sólidos, e sendo as outras formas de apresentação mencionadas no ''Ex'' apresentadas sob a forma de sólidos, pode-se dizer que a expressão "formas semelhantes" ali utilizadas englobará apenas outras fOIDIaSsólidas; ~ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO~ RESOLUÇÃO N° 117.247 303.614 • • 3 - Que, por isso, o elastômero em forma liquida não está abrangido pela expressão "formas semelhantes" empregada no "EX". 4 - Que se deve dar interpretação restrita aos "EX" da tarifa. Recorrendo a este Colegiado, a empresa reedita a impugnação, inclusive quanto à preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Lembra que o ~.40 do art. 364, o art. 55 e o art. 107 do RIPI, mencionados na decisão singular, não constaram do Auto de Infração, e se houve fato novo, deveria ser feita pelo Fisco a retificação do libelo inicial. Aduz que a lista nO In do GATT, resultante das negociações com as Delegações dos Estados Unidos da América e das Comunidades Européias, conforme Protocolos bilaterais de 07/12/1978, arrola, entre outros produtos, SILICONES, em suas várias modalidades, tomadas em caráter genérico, e que massas não coerentes abrangem formas líquidas. Diz que, ainda que assim não fosse, não houve dolo, fraude ou simulação ou qualquer ardil sonegatório, e se trataria de erro escusáveis, resolúvel por notificação . Pede a nulidade do lançamento ou caso, vencida a preliminar, provimento do recurso. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ••• I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSON RESOLUÇÃO N° 117.247 303.614 VOTO Embora entenda que a descrição dos fatos no auto de infração não tenha sido redigida com a clareza desejável, não considero caracterizado o cerceamento de defesa. O contribuinte defendeu-se eficientemente da infração. Quanto à aplicabilidade de multa do art. 364, trata-se de questão de mérito, e não de preliminar. Rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. No mérito, trata-se de definir se o produto importado - ELASTÔMERO DE SILICONE NA FORMA LIQUIDA está abrangido pelo destaque "EX". A decisão singular entende que os elastômeros de silicone só estão abrangidos pelo "EX" e apresentados sob forma sólida, por entender que a expressão " formas semelhantes" mencionada no texto do destaque engloba apenas outras formas "sólidas". Trata-se de matéria de natureza técnica, razão pela qual voto pela conversão do julgamento em diligência ao LABANA, por intermédio da repartição de origem, a fim de que aquele órgão técnico ofereça os seguintes subsídios para deslinde da questão: 1 - Definir o que são "massas não coerentes". 2 - Esclarecer se um elastômero de silicone no estado líquido pode se caracterizar como "massa não coerente". 3 -Prestar outras informações que julge úteis ao esclarecimento da matéria. Sala das Sessões, em 23 de Agosto de 1995. --= :5rÀ ). ~ SANDRA ~F ARONI - RELATORA 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721810/2015-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador:24/10/2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CANCELAMENTO.
Uma vez declarada a nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento jurídico da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 3201-009.799
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.748, de 27 de setembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 16682.721714/2015-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente e Relator).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.748, de 27 de setembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 16682.721714/2015-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente e Relator).
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CANCELAMENTO. Uma vez declarada a nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento jurídico da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.748, de 27 de setembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 16682.721714/2015-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente e Relator). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou procedente em parte a Impugnação manejada pelo contribuinte acima identificado em decorrência do lançamento de multa isolada, exigida em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 18 10 /2 01 5- 04 Fl. 319DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.799 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721810/2015-04 razão da não homologação da compensação declarada no processo administrativo nº 16682.720030/2015-39, com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Na Impugnação, o contribuinte requereu (i) o reconhecimento da nulidade do auto de infração, aduzindo a falta de motivação válida, dada a inocorrência de conduta ilícita ou abusiva, (ii) a suspensão do processo até a prolação de decisão definitiva no julgamento do Recurso Extraordinário 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida pelo STF, (iii) a suspensão do processo até a prolação de decisão definitiva no processo em que se discute a compensação não homologada e (iv) o reconhecimento da ocorrência de bis in idem em razão da exigência da multa de mora sobre o débito não compensado cumulativamente com a multa destes autos. A DRJ manteve a exigência da multa, afastando-se todos os argumentos de defesa do contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seus pedidos, repisando os argumentos de defesa, sendo ainda requerida a apensação destes autos ao processo da compensação. Por meio da Resolução, esta turma ordinária converteu o julgamento do recurso em diligência, para que estes autos fossem apensados ao processo nº 16682.720030/2015-39, em razão de conexão. O contribuinte peticionou junto à repartição de origem aduzindo que o presente processo devia ser imediatamente extinto por perda de objeto, ante o seu caráter acessório ao processo de crédito, dada a prolação, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, declarando a nulidade do despacho decisório que dera origem aos presentes autos. O Presidente da 3ª Seção do CARF exarou despacho informando que, no julgamento do processo nº 16682.720030/2015-39, já havia sido prolatada decisão administrativa definitiva no sentido de se reconhecer a nulidade do despacho decisório, razão pela qual a resolução destes autos havia perdido o seu objeto. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme acima relatado, trata-se do lançamento de multa isolada, exigida em razão da não homologação da compensação declarada no processo administrativo nº 16682.720030/2015-39, com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 320DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.799 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721810/2015-04 Após a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem para que estes autos fossem apensados ao processo da compensação, em razão de conexão, o Presidente da 3ª Seção do CARF exarou despacho, no qual se destacam os seguintes trechos: O colegiado resolveu remeter os autos para a Unidade de Origem para que fosse realizada a apensação ao processo principal acima referido, a requerimento da parte, com posterior retorno para continuidade do julgamento. Ao que parece, o colegiado pretendeu que os autos fossem remetidos para julgamento em conjunto com o processo nº 16682.720030/2015-39, o que ocorreu na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Ocorre que o julgamento do processo principal ocorreu em 13/12/2018, antes do julgamento em que se prolatou a resolução, em 31/01/2019. No caso, a distribuição por decorrência poderia ocorrer antes do julgamento do processo principal, a teor do §2º do artigo 6º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: (...) Destaca-se ainda que o processo principal já possui decisão definitiva no âmbito administrativo e não mais retornará para pauta. Ao contrário, deverá retornar à Unidade de Origem para dar seguimento na apuração do direito creditório. Em consulta aos seus autos, verifico que o Acórdão de Embargos nº 3302-006.418 teve a seguinte decisão: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade do despacho decisório ora atacado; efetivar a apuração das contribuições e do direito creditório através dos arquivos digitais no leiaute do ADE nº 15/2001, independentemente da apresentação do ADE nº 25/2010; e para que DCOMP sejam separadas por processo.” Tomando ciência da decisão, a PGFN interpôs recurso especial, o qual, entretanto, não foi admitido, conforme despacho, cujo dispositivo transcrevo abaixo: “3 Conclusão Em cumprimento ao disposto no art. 18, inc. III, do Anexo II do RI-CARF, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contra este despacho cabe o recurso previsto no art. 71, do Anexo II, do RI-CARF. Encaminhe-se à PGFN, para ciência do presente despacho. Após, caso haja interposição do recurso previsto no art. 71 do RI-CARF, encaminhe- se ao CARF para apreciação. Caso não haja, encaminhe-se à Unidade Local da RFB, para cientificar o sujeito passivo do Acórdão nº 3302- 006.418, bem como para a adoção das demais providências de sua alçada.” Desse despacho a PGFN não interpôs agravo, tornando a decisão proferida no acórdão de embargos definitiva. Portanto, a resolução perdeu seu objeto. Fl. 321DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.799 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721810/2015-04 Destarte, devem os autos retornar para nova distribuição/sorteio no âmbito da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, uma vez que o relator original não mais pertence aos quadros de conselheiro do CARF. Salienta-se que o processo deve ser desapensado do processo principal nº 16682.720030/2015-39, que deve ser encaminhado à Unidade Preparadora para dar continuidade à apuração do direito creditório, não havendo mais litígio quanto ao despacho decisório que deu origem à não homologação das compensações. (g.n.) Considerando-se o acima exposto, conclui-se que, diante da declaração de nulidade do despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada, tem-se por afastado o fundamento de exigência da multa destes autos, razão pela qual deve ela ser cancelada. Diante do exposto, vota-se por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 322DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900477/2006-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 12/11/1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.244
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/11/1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório Staroi Distribuidora de Alimentos Ltda. transmitiu, em 6/27/2003, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 36803.03243.270603.1.3.040334, visando à compensação do débito próprio com direito creditório oriundo do pagamento a maior efetuado em 12/11/1999. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório 70246486, de 16/06/2008 (fl. 21), indeferiu o pleito de restituição porque o DARF aventado não foi localizado nos sistemas da Administração Tributária. Via de consequência, não homologou a compensação declarada. Sobreveio Manifestação de Inconformidade , fls. 1 a 11, por meio da qual alega: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 2 a) que os débitos opostos na compensação declarada já estão sendo analisados na representação nº 74/2003, consubstanciada no procedimento administrativo fiscal nº 16408.000831/200632, e que a lavratura deste novo procedimento implicará um segundo lançamento dos mesmos valores, razão pela qual caberá tãosomente a esta autoridade declarar a sua nulidade; b) a inconstitucionalidade, ilegalidade e invalidade da legislação vigente, ao instituir a incidência das contribuições PIS e Cofins sobre os valores recebidos e repassados ao Governo Estadual a título de ICMS, extrapolando a competência constitucional outorgada, tanto nos limites do conceito de aquisição de receita, como no de faturamento, e; c) seu direito à restituição dos valores de PIS e Cofins que recolheu, mensalmente, desde o início de suas operações mercantis; relativamente à incidência dessas contribuições sobre o ICMS devido, e ao seu aproveitamento em compensação de débitos próprios; A DRJ/CTA1ª Turma julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 06 26.305, de 22 de abril de 2010, fls. 30 a 33, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICM. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para excluir da base de cálculo do PIS o valor do ICMS, o qual está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10940.900477/200624 Acórdão n.º 380301.244 S3TE03 Fl. 53 3 processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/CTA. O arrazoado de fls. 37 a 43, depois de dispensarse do depósito prévio ou do arrolamento de bens e de protestar pela sua tempestividade, argui, em sede de preliminar, a nulidade formal do procedimento, porque os valores discutidos no presente processo já são objeto de cobrança em outro, o que redundará em cobrança dúplice. Esclarece, na continuação a gênese do indébito que busca repetir e aproveitar: o pagamento a maior a título de contribuição, na parcela da base de cálculo relativa aos valores recebidos e repassados ao erário estadual a título de ICMS. Discorre sobre a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre essa parcela. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Conclui, requerendo o provimento de seu recurso, reformando a decisão recorrida, para o efeito de se acolher a compensação declarada com os créditos decorrentes da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 37 a 43 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCTA1ª Turma nº 0626.305, de 22 de abril de 2010. Preliminar de nulidade Rejeito a preliminar. Não há o menor risco de que se efetue cobrança em dobro do(s) débito(s) confessado(s) na DCOMP ora sub judice, visto que de cobrança não se trata no presente procedimento. Ademais, como exaustivamente demonstrado na decisão recorrida, não houve qualquer infração ao art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF: o Despacho Decisório nº 70246486 foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em pleno exercício de suas atribuições, razão pela qual não há se falar em incompetência da autoridade fiscal. Tampouco ocorreu cerceamento do direito de defesa: o requerente (fl. 19) foi intimado a retificar os dados informados na Ficha DARF do PER/DCOMP e lhe facultada a apresentação de reclamação e de recurso voluntário, respectivamente, contra a nãohomologação da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 4 compensação declarada e contra a decisão que julgou improcedente a sua Manifestação de Inconformidade . Mérito – reconhecimento de indébito decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais O recorrente pede que sejam considerados os créditos apurados com base no recolhimento indevido, efetuado seja com base no regime da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, seja no regime da nãocumulatividade. Pergunto: que créditos? Que apuração? Penso ser até intuitivo, não basta a existência "em tese" de uma declaração de inconstitucionalidade de lei instituidora de um tributo para que surja um direito de crédito. Há de se verificar, primeiramente, se o pagamento reputado posteriormente como indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade da lei realmente existiu. O Despacho Decisório nº 70246486 dá conta de que o pagamento referido no PERDcomp não foi localizado. Contra essa constatação, o recorrente nada – absolutamente nada – opõe. Silencia solenemente. Ainda que existisse o referido DARF, haveria de comprovar o pagamento a maior, demonstrando cabalmente a base de cálculo correta, em síntese, quanto foi pago a maior. Ora, se o próprio fisco precisa instaurar um procedimento administrativo para que se reconheça a existência do fato gerador, por que poderia o particular ter um "crédito" em face do fisco apenas em razão de hipotéticos pagamentos? Essa é a pretensão do recorrente: restituirse de um indébito apenas em face de uma tese, sem ao menos comprovar que recolheu algo ao fisco. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10940.900477/200624 Acórdão n.º 380301.244 S3TE03 Fl. 54 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10940900477200624 Interessada: STAROI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.244, de 28 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 28 de fevereiro de 2011. [assinado digitalmente] _____________________________ Alexandre Kern Presidente da 3a Turma Especial da 3a Seção Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11065.908961/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.103
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Fl. 77DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Rangel Perrucci Fiorin, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Maurício Fedato. O Dr. Camilo de Oliveira Leipnitz – OAB/RS no 58.392 – fez sustentação oral. Relatório Centro Clínico Canoas Ltda. transmitiu, em 10/09/2005, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 30210.57638.100905.1.7.044093, visando a restituirse de indébito ocasionado pelo pagamento de no 1195205151 e a declarar a compensação do direito creditório daí emergente com débitos de PISdo período de apuração de out/2001. O Despacho Decisório no 842598992, fl. 1, não homologou a compensação porque o referido pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não resultando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/Dcomp para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 6, por meio da qual o requerente alega que: a) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Pagamento este comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; b) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; c) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de PIS, período de apuração: out/2001, que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, restará explícito o direito creditório que a empresa possui. A DRJ/POA2ª Turma julgou a reclamação improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O Acórdão no 1023.431, de 16 de dezembro de 2009, fls. 32 e 33, teve emente vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.908961/200972 Acórdão n.º 380301.103 S3TE03 Fl. 72 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2a Turma. O arrazoado de fls. 36 a 53, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida, que teria alterado a fundamentação do indeferimento de seu pleito, em violação aos arts. 2° e 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No mérito, sinteticamente, pede reforma, alegando que: a) a instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar os documentos contábeis e fiscais para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade; b) conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributo; c) o pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de PIS, na competência de out/2001; d) apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Conclui, pedindo anulação do acórdão ora recorrido e, alternativa e sucessivamente, sua reforma para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista a existência do DARF legitimador do direito creditório. Requer, por derradeiro, sejam, todas as intimações e comunicações do presente procedimento administrativo, inclusive para fins de sustentação oral, realizadas sempre em nome dos procuradores signatários. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 32 e 33 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1023.431, de 16 de dezembro de 2009. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Fl. 79DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente infirma a decisão de piso sob o argumento de que apresentou novo fundamento para o indeferimento do pleito, em infração ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. O argumento recursal é o de que, enquanto o Despacho Decisório no 842598992 considerou que não haveria direito creditório para realizar a compensação, porque o valor do DARF teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a ora recorrente deveria comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais que houve erro no preenchimento da DCTF. A argüição de nulidade não prosperará simplesmente porque inexistiu a alegada inovação. Com efeito, o fundamento fático para o indeferimento do pleito de restituição e para a nãohomologação da compensação declarada foi a integral utilização do pagamento no 1195205151 na extinção de débitos do próprio contribuinte. Tratandose de julgamento de reclamação formulada pelo requerente, fundada na alegação de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, a decisão recorrida julgoua improcedente porquanto inexistia, nos autos, qualquer prova do erro alegado. Não se trata pois de novo fundamento para o indeferimento do pleito, visàvis o motivo original, mas, tãosomente, de refutação expressa de argumento brandido na reclamação. Rejeito a preliminar. Mérito – A comprovação do indébito O recorrente está prenhe de razão: constatando que houve equívoco na apuração da base de cálculo de um tributo ou contribuição, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. É o que assegura o inc. I do art. 165 do CTN, transcrito em rodapé pelo recorrente, mas merecedor de maior destaque por caudalosa jurisprudência judicial, e.g.: “Ementa: .... I. Demonstrado o pagamento indevido de tributo, em razão de erro– depósito judicial feito por equívoco, mas convertido em renda da União – impõese a restituição (art. 165, II, do CTN). ....” (TRF1ª Região. AC 2000.01.00.0958800/MA. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 29/10/02. DJ de 13/12/02, p. 47.) “Ementa: .... É clara a autorização normativa à restituição de tributo recolhido indevidamente (art. 165, I, CTN). ....” (TRF2ª Região. AC 1999.02.01.0351647/RJ. Rel.: Des. Federal Ricardo Regueira. 1ª Turma. Decisão: 06/11/00. DJ de 07/12/00.) Fl. 80DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.908961/200972 Acórdão n.º 380301.103 S3TE03 Fl. 73 5 “Ementa: .... III. A restituição do tributo recolhido indevidamente encontra arrimo no art. 165, I, do CTN. ....” (TRF5ª Região. AC 2002.05.00.0177105/PE. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. Decisão: 17/12/02. DJ de 16/04/03, p. 407.) Tenho certeza, o relator da decisão recorrida jamais pretendeu oporse a esse direito. O recorrente, no entanto, articula argumento falacioso, ao pugnar por seu direito à restituição, bradando que o mesmo “.., consoante dispõe o art. 165, inc. I do CTN decorre da ‘cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ...", e não dos valores declarados pelo contribuinte em DIPJ, DCTF...”. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 30210.57638.100905.1.7.044093 comprova um recolhimento, de outro, como bem destacou a decisão recorrida, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento nº 1195205151 seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 1999, que o recorrente demonstrou bem conhecer. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), já referido pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 81DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 6 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ao contrário, em face da legislação tributária aplicável, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento nº 1195205151 não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 30210.57638.100905.1.7.044093 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria Fl. 82DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.908961/200972 Acórdão n.º 380301.103 S3TE03 Fl. 74 7 espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária confessada, como permite supor a sua insistência nos requerimentos de suspensão da exigibilidade do débito oposto na compensação do hipotético direito creditório, aventura jurídica corriqueira depois da edição da Medida Provisória no 66, de 2002. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065908961200972 Interessada: CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Encaminhemse, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.103, de 2 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 2 de fevereiro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 84DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10530.724459/2015-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2010
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (AGINT NO ARESP) Nº 786.109/RJ. RESP Nº 1.721.191/MG. APLICÁVEIS.
A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo.
CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO APURADO. PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. STJ. RESP Nº 973.733/SC. DECISÃO. SEDE. RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO. APLICÁVEL.
Tratando-se de lançamento por homologação, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando o contribuinte provar que houve antecipação de pagamento do imposto apurado, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido.
Numero da decisão: 2402-010.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando-se, de ofício, o crédito tributário controvertido, eis que atingido pela decadência, restando prejudicada a análise das demais razões de defesa apresentadas pelo Recorrente.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, Honório Albuquerque de Brito (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior e Vinícius Mauro Trevisan.
Nome do relator: Francisco Ibiapino Luz
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2010 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (AGINT NO ARESP) Nº 786.109/RJ. RESP Nº 1.721.191/MG. APLICÁVEIS. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo. CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO APURADO. PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. STJ. RESP Nº 973.733/SC. DECISÃO. SEDE. RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO. APLICÁVEL. Tratando-se de lançamento por homologação, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando o contribuinte provar que houve antecipação de pagamento do imposto apurado, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-27T00:53:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-27T00:53:15Z; Last-Modified: 2022-10-27T00:53:15Z; dcterms:modified: 2022-10-27T00:53:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-27T00:53:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-27T00:53:15Z; meta:save-date: 2022-10-27T00:53:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-27T00:53:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-27T00:53:15Z; created: 2022-10-27T00:53:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2022-10-27T00:53:15Z; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-27T00:53:15Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10530.724459/2015-52 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-010.840 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de outubro de 2022 Recorrente PAULO CESAR DE SOUZA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2010 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (AGINT NO ARESP) Nº 786.109/RJ. RESP Nº 1.721.191/MG. APLICÁVEIS. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo. CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO APURADO. PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. STJ. RESP Nº 973.733/SC. DECISÃO. SEDE. RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO. APLICÁVEL. Tratando-se de lançamento por homologação, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando o contribuinte provar que houve antecipação de pagamento do imposto apurado, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando-se, de ofício, o crédito tributário controvertido, eis que atingido pela decadência, restando prejudicada a análise das demais razões de defesa apresentadas pelo Recorrente. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 44 59 /2 01 5- 52 Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, Honório Albuquerque de Brito (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior e Vinícius Mauro Trevisan. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente da revisão de sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural referente ao exercício de 2010 - DITR/2010, correspondente ao imóvel rural “Fazenda Barra” – NIRF nº 6.017.662-8. Lançamento O Contribuinte declarou o valor da terra nua por hectare (VTN/ha) inferior àquele constante do Sistema de Preços de Terra (SIPT). Por conseguinte, dita valoração foi arbitrada, restando constituído reportado crédito tributário, consoante se vê no excerto da Notificação de Lançamento, que ora transcrevo (processo digital, fl. 4): Nesse sentido, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR revisada e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (processo digital, fl. 5): Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 24 Valor da Terra Nua (R$) 18.000,00 3.276.856,50 25 Valor da Terra Nua Tributável (R$) 11.446,20 2.083.753,04 27 Imposto Devido (R$) 183,13 33.340,04 Diferença de Imposto (Apurado – Declarado)..................................................... 33.156,91 Impugnação Inconformado, o Autuado apresentou contestação, assim resumida no relatório da decisão de primeira instância - Acórdão nº 03-092.493 - proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DRJ/BSB - de onde transcrevo o seguinte excerto (processo digital, fl. 108): Cientificado do lançamento em 18/09/2015 (fls. 03), o contribuinte apresentou em 16/10/2015 a impugnação de fls. 18, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 23/44, alegando erro na referida DITR/2010, conforme laudos técnicos de avaliação e de uso do solo, para contestar a área tributável e o pagamento de imposto indevido, cancelando-se a referida notificação, visto que toda a área do imóvel estava coberta com vegetação nativa; em 19/01/2016, foi apresentada a versão completa dos referidos laudos (fls. 50/103). (Destaque no original) Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou procedente em parte a contestação do Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 106 a 112): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2010 DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou de medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação a atos anteriores, para alterar dados da declaração do ITR que não sejam objeto da lide. DA REVISÃO DE OFÍCIO - ERRO DE FATO. A revisão de ofício dos dados informados pelo contribuinte, na DITR/2010, somente poderia ser aceita quando comprovada a hipótese de erro de fato com documentos hábeis, nos termos da legislação pertinente. DA ÁREA COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS. Para ser excluída da área tributável do ITR/2010, exige-se que essa área ambiental pretendida tenha sido objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. O VTN arbitrado pela autoridade fiscal deverá ser revisto, com base em laudo técnico com ART/CREA emitido por profissional habilitado, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado e suas peculiaridades, à época do fato gerador do imposto. Impugnação Procedente em Parte. A propósito, conforme excertos transcritos na sequência, o julgador de origem reconheceu parcial procedência da impugnação apresentada pelo Contribuinte, cancelando parcela do crédito constituído, nestes termos (processo digital, fls. 110 e 111): Do Valor da Terra Nua – VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2010, R$ 18.000,00 (R$ 7,18/ha) e arbitrou-o em R$ 3.276.856,50 (R$ 1.307,50/ha) com base no SIPT/RFB (fls. 09), instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, observados o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.8. da Norma de Execução COFIS nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. [...] Ao contribuinte reservou-se o direito de apresentar laudo técnico de avaliação, com as exigências apontadas nos termos de intimação e de constatação (fls. 08/09 e 13/16), demonstrando que o seu imóvel rural apresenta condições desfavoráveis que justificassem o VTN declarado para o seu imóvel, condizente com os preços de mercado praticados àquela época (01/01/2010), consoante o disposto no § 2º do art. 8º da Lei 9.393/1996. O requerente apresentou laudo técnico de avaliação com ART/CREA e anexos (fls. 53/103), elaborado por engenheiro agrônomo, que apontou para o ITR/2010 o VTN/ha de R$ 531,48/ha (fls. 90), equivalente a R$ 1.331.995,17 para a área total declarada (2.506,2 ha), a ser considerado para a finalidade a que se propõe, no teor da referida legislação. Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 O laudo técnico, elaborado por profissional habilitado, atende aos requisitos essenciais estabelecidos na NBR 14653-3 da ABNT, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, sendo considerado documento hábil para alterar o VTN arbitrado, nos termos da NE/Cofis nº 002/2010. Dessa forma, entendo que deva ser revisto o VTN arbitrado pela autoridade fiscal, para o imóvel rural "Fazenda Barra” (NIRF 6.017.662-8), e acatado o VTN de R$ 1.331.995,17 (R$ 531,48/ha) para o ITR/2010, de acordo com o referido laudo de avaliação. (Destaques no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, repisando os argumentando apresentados na impugnação, o qual, em síntese, traz de relevante para a solução da presente controvérsia (processo digital, fls. 118 a 127): 1. Requer suspensão da exigibilidade do referido crédito tributário enquanto não definitivamente constituído. 2. Manifesta que, além da APP e ARL, a área remanescente de 1.593,8 ha estava coberta por floresta nativa, consoante laudo apresentado. 3. Pleiteia a retificação da distribuição das áreas declaradas, independentemente da apresentação de ADA tempestivo. 4. Discorre acerca de suposta nulidade da decisão recorrida sob o fundamento genérico de que houve agressão a princípios constitucionais. 5.Transcreve jurisprudência perfilhada à sua pretensão. Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 18/9/2020 (processo digital, fl. 115), e a peça recursal foi interposta em 16/10/2020 (processo digital, fl. 118), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Matéria não impugnada nem recorrida Tanto na impugnação como no recurso interposto, o Contribuinte discorda da autuação em seu desfavor, mas neles não se insurge quanto ter se operado a decadência do direito que o Fisco detinha de constituir crédito tributário atinente ao exercício autuado. Por conseguinte, regra geral, este Conselho estaria impedido de se manifestar acerca do Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 reconhecimento da referida prejudicial, pois o julgador de origem não teve a oportunidade de a conhecer e sobre ela decidir, já que sequer constava na contestação sob sua análise. Ademais, ante a, também, ausente contestação recursal, dita matéria tornava-se incontroversa e definitiva administrativamente. No entanto, reportado objeto constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciado de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo. Trata-se de comando estabelecido pelo art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo Código de Processo Civil – CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, nestes termos: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: [...] II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição. Ademais, é pacífica a jurisprudência sedimentada acerca da reportado matéria, tanto na seara judicial como na administrativa, consoante se vê nos excertos que passo a transcrever: Decisões do STJ: AgInt no AREsp 786.109/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 06/03/2017: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. OFENSA AO ART. 32 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] REsp 1.721.191/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2018, DJe 02/08/2018: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA ARGUIDA NAS RAZÕES DA APELAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APENAS COM A INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO. PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL DE MODO EXTEMPORÂNEO. INADMISSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] Decisões do CARF: Acórdão nº 9202-009.552 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 26 de maio de 2021: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Acórdão nº 9202-008.676 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 17 de março de 2020: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, não podendo a autoridade julgadora dela conhecer, salvo nos casos expressamente previstos em lei. Tratando-se de matéria dita de ordem pública, pode a autoridade julgadora , considerada as circunstâncias do caso concreto, conhecer, ou não, de ofício. Acórdão nº 9101-004.256 - CSRF / 1ª Turma – Sessão de 9 de julho de 2019: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Pelo que está posto, descrita prejudicial de mérito deverá ser conhecida e apreciada de ofício, ainda que não suscitada na impugnação nem no recurso interposto. Conversão do julgamento em diligência Diante do cenário apontado, tratando-se de autuação decorrente de revisão da DITR/2010, cuja ciência ocorreu somente em 18/9/2015, era apropriado se ter informação precisa acerca da comprovação de pagamentos antecipados, eis que, se fosse o caso, o crédito atingido pela decadência teria de ser cancelado, ainda que de ofício. Afinal, tanto foi declarado o imposto apurado espontaneamente de R$ 183,13 como, na Notificação de Lançamento, restaram afastadas supostas hipóteses de fraude, dolo ou simulação (processo digital, fls. 3 e 5). Nesse pressuposto, quando manifestada controvérsia foi inicialmente apreciada na sessão do dia 7 de outubro de 2021, mencionado julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adotasse as providências solicitadas por meio da Resolução nº 2402-001.109, da qual extraio os seguintes excertos (processo digital, fls. 135 a 141): Dispositivo: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil instrua os autos com as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução. Voto: Nesse pressuposto, é razoável a Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil juntar aos autos a comprovação de supostos pagamentos antecipados do imposto objeto da autuação em análise - DIAT do exercício de 2010, Nirf nº 6.017.662-8 . Nestes termos, o resultado do reportado levantamento deverá ser consolidado em relatório fiscal conclusivo, nele constando, se confirmada a antecipação de pagamento, os valores e as respectivas datas de recolhimento. Conclusão: Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas na presente resolução. Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Informação fiscal da diligência A Unidade demandada anexou documentação comprobatória, restando confirmada a antecipação de pagamento questionada, já que o recolhimento espontâneo do imposto apurado se deu em 17/6/2011, anteriormente à ciência do Termo de Início de Fiscalização, ocorrida somente em 9/6/2015. Confira-se mediante os excertos transcritos na sequência: Ciência do Termo de Intimação Fiscal (processo digital, fl. 12): [...] [...] Informação Fiscal da Diligência (processo digital, fl. 145): Em atenção à diligência proposta pelo egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no âmbito da resolução retro identificada, informo que o imposto apurado na DITR 2010 (entregue em 17/06/2011) foi recolhido em 17/06/2011, em cota única, no valor total de R$ 234,40, sendo R$ 183,13 a título de valor principal (código 1070), R$ 36,62 a título de multa de mora e R$ 14,65 referente a juros de mora, conforme se vê no extrato anexado à e-fl. 144. (Destaque no original) Prejudicial de mérito - Prazo decadencial Na relação jurídico-tributária, a decadência se traduz fato extintivo do direito da Fazenda Pública apurar, de ofício, tributo que deveria ter sido pago espontaneamente pelo contribuinte, bem como penalidades decorrentes do descumprimento tanto da obrigação principal como daquela tida por acessória. Assim considerado, o Sujeito Ativo dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para constituir referido crédito tributário mediante lançamento (auto de infração ou notificação de lançamento), variando conforme as circunstâncias, apenas, a data de início da referida contagem. É o que se vê nos arts. 150, § 4º, e 173, incisos I, II e § único, do CTN, nestes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação [...] Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Cotejando os supracitados preceitos. deduz-se que o legislador dispensou tratamento diferenciado àquele contribuinte que pretendeu cumprir corretamente sua obrigação tributária, apurando e recolhendo o encargo que supostamente entendeu devido. No contexto, embora o CTN trate o instituto da decadência em quatro preceitos distintos, destacam-se (i) a regra especial, de aplicação exclusiva quando o lançamento se der por homologação (art. 150, § 4º) e (ii) a regra geral, aplicável a todos os tributos e penalidades, conforme as circunstâncias, independentemente da modalidade de lançamento (art. 173, incisos I, II e § único). Por pertinente, a compreensão do que está posto na citada regra geral (art. 173 do CTN) fica facilitada quando se vê as normas para elaboração, redação, alteração e consolidação de leis, presentes no art. 11, inciso III, alíneas “c” e “d” da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998, que passo a transcrever: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: [...] III - para a obtenção de ordem lógica: [...] c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Mais especificamente, segundo se infere do ato complementar ora transcrito, os incisos I e II do supracitado art. 173 do CTN trazem enumerações atinentes ao respectivo caput, enquanto, em seu § único, dito artigo estabelece exceção às regras nele elencadas. Por conseguinte, abstrai-se que o termo inicial do descrito prazo decadencial levará em conta - além da data de início do procedimento fiscal - tanto a forma de apuração do correspondente tributo e a antecipação do respectivo pagamento como as hipóteses de apropriação indébita de CSP, dolo, fraude, simulação e nulidade do lançamento por vício formal. Assim entendido, o prazo quinquenal em debate terá sua contagem iniciada consoante retratam os 4 (quatro) cenários expostos a seguir: 1. do respectivo fato gerador, nos tributos apurados por homologação, quando afastadas as hipóteses de apropriação indébita de CSP, dolo, fraude e simulação, e houver antecipação de pagamento do correspondente imposto ou contribuição, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido, aí se incluindo eventuais retenções na fonte – IRRF (CTN, art. 150, § 4º); 2. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quanto aos tributos suprimidos do cenário anterior (item 1) e as penalidades, Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 exceto nos contextos onde houve autuação previamente anulada por vício formal ou quando o respectivo procedimento fiscal tenha sido iniciado em data anterior, ambos dotados de regras próprias (CTN, art. 173, inciso I); 3. da ciência de início do procedimento fiscal, quanto aos tributos e penalidades tratados no cenário 2, quando a fiscalização for instaurada antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, § único); 4. da decisão administrativa irreformável de que trata o art. 156, inciso IX, do CTN, nos lançamentos destinados a, novamente, constituir crédito tributário objeto de autuação anulada por vício formal (CTN, art. 173, inciso II). Explicitada a contextualização abstrata da matéria, já sob a perspectiva de sua aplicação ao ITR, adentra-se propriamente na tipificação da manifestada prejudicial. Nessa circunstância, a Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 10, caput, traz, expressamente, que a apuração do ITR devido se dará mediante lançamento por homologação. Confira-se: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Sob dita perspectiva, cabível trazer considerações relevantes acerca de citadas regras especial e geral, as quais sinalizam a data de início da contagem do referido prazo decadencial. Tocante à primeira, destaca-se a antecipação de pagamento do imposto apurado; já na trilha da segunda, vêm as vinculações a ela obrigatórias e o momento em que o Sujeito Ativo poderá iniciar procedimento fiscal tendente a constituir suposto crédito tributário. Regra especial (art. 150, § 4º, do CTN) Cuidando-se de lançamento por homologação e ausentes as hipóteses de dolo, fraude e simulação, se houver pagamento antecipado do ITR concernente ao exercício autuado, aplica-se a contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Assim entendido, a fim de melhor captar aquilo que efetivamente diz reportada norma, como se passa o que ali está dito e, especialmente, de que modo as situações fáticas a ela se subsumem, torna-se relevante a exata caracterização do “pagamento antecipado” nela tratado, o que, necessariamente, passa pela delimitação do conteúdo semântico carregado na reportada expressão. Nesse propósito, a compreensão pretendida fica facilitada quando revelada expressão é analisada sob dois aspectos distintos, mas complementares, quais sejam: o valorativo e o temporal. O primeiro, versando acerca da conformidade entre a quantia devida e aquela efetivamente quitada pelo contribuinte; o outro, tratando do “time” de suposta preclusão temporal decorrente do pagamento a destempo. Adentrando na primeira vertente, oportuno consignar que este Conselho, mediante o Enunciado nº 99 de sua súmula, pacificou seu entendimento acerca do que seja “pagamento antecipado”, nestes termos: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (Destaquei) Não obstante dito pronunciamento referir-se às contribuições previdenciárias, o sentido e a extensão de suas expressões “considerado como devido pelo contribuinte” e “ainda que parcial” refletem, respectivamente, tratar-se de tributo lançado por homologação, bem como que anunciada antecipação não é afetada pelo recolhimento apenas parcial do valor efetivamente devido. Por conseguinte, tocante ao montante recolhido, citado entendimento é igualmente aplicável ao imposto ora contestado, vez que também de apuração e recolhimento a cargo do contribuinte, resultando extinção do respectivo crédito sob a condição resolutória de sua ulterior homologação. Tocante ao “time” do recolhimento, quando interpretados sistematicamente, os arts. 138, § único, e 150, § 1º, ambos do código em comento, de aplicação vinculante a todos os tributos, respondem a questão posta em sua inteireza, nestas palavras: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa [...] § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento (Destaquei) Como se vê, o pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 150, caput) não se restringe tão somente ao imposto devido, aí também se incluindo, quando for o caso, os juros de mora, acréscimos próprios de recolhimento em atraso (art. 138, caput). Isso já consubstancia que o fato do imposto ser pago após seu vencimento, por si só, não desvirtua a natureza da discutida antecipação. Ademais, o próprio mandamento legal expressa que a preclusão temporal da espontaneidade materializa-se pela ciência do início de procedimento fiscal relacionado à correspondente obrigação tributária (art. 138, § único). Disso, infere-se que a expressão “pagamento antecipado” denota espontaneidade, assim qualificada quando manifestado recolhimento ocorrer antes da ciência do início da fiscalização. Afinal de contas, por se tratar de texto claro, direto e em contexto único - como tal, inviabilizando entendimento diverso -, dita espontaneidade não é afetada pelo recolhimento apenas parcial do valor efetivamente devido nem quando manifestado pagamento ocorrer somente após o exercício fiscalizado, contanto que se dê antes da instauração do procedimento fiscal tendente a apurar a correspondente infração. Por fim, cabível destacar que, na aplicação desta regra especial, dita prejudicial terá seu prazo contado a partir de 1º de janeiro do respectivo ano, data de ocorrência do correspondente fato gerador, consoante prevê o art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Regra geral (art. 173, incisos I, II e § único do CTN) Trata-se de mandamento que deverá ser compulsoriamente aplicado quanto aos fatos não moldurados pela regra especial vista precedentemente (CTN, art.150, § 4º). Contudo, despiciendo arrazoar os contextos da fiscalização ser iniciada ainda no exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, § único) e da autuação previamente anulada por vício formal (CTN, art. 173, inciso II), pois não demandam esclarecimentos complementares. Afinal, em qualquer caso, explanado decurso temporal terá sua contagem inicial da ciência de início do procedimento fiscal e da decisão administrativa irreformável, respectivamente, exatamente como prevê as vertentes dispostas nos § único e inciso II, ambos do art. 173 em discussão. Nestas circunstâncias, a concepção remanescente aponta para a contagem de prazo iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I), de aplicação vinculada às penalidades e aos tributos excluídos da regra especial, exceto quanto aos cenários ressalvados no parágrafo anterior. Logo, nesse recorte, dito mandamento terá de ser compulsoriamente imposto aos seguintes cenários: 1. Nos lançamentos por homologação, ainda que ausentes as práticas de dolo, fraude e simulação, quando não houver recolhimento espontâneo do imposto apurado correspondente ao fato gerador autuado, admitida a mitigação de valor prevista no Enunciado nº 99 de súmula do CARF, transcrito no tópico anterior. Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, de cumprimento obrigatório pelos integrantes deste Conselho, consoante § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO [...] 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...] 2. É que a decadência [...], consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado [...] 3. O dies a quo [...] corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Destaquei) Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 2. Nos lançamentos por homologação, quando presentes as práticas de dolo, fraude e simulação, independentemente de haver recolhimento espontâneo do imposto apurado. Refere-se a entendimento já sumulado por este Conselho mediante o Enunciado nº 72 de sua jurisprudência, nestes termos: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 3. Nos lançamentos de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias, pois manifestada sanção administrativa é imposta tão somente por meio do lançamento de ofício, afastando-se, de pronto, o benefício estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, que é próprio do lançamento por homologação. Trata-se de entendimento também definido pelo CARF mediante o Enunciado nº 148 de sua súmula. Confira-se: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. A propósito, embora se referindo às contribuições previdenciárias, mencionada orientação ratifica o que acima está posto, pois, em qualquer caso e circunstância, a sanção administrativa pelo descumprimento de obrigação acessória é aplicável tão somente mediante lançamento de ofício. Nestes termos, por um lado, como já visto em transcrição precedente, o art. 150 do CTN refere-se exclusivamente a “tributos”, o que não se confunde com “penalidade”, instituto jurídico distinto; por outro, o art. 113, § 3º, do mencionado código assevera que a inobservância da obrigação acessória resulta na penalidade pecuniária correlacionada. Portanto, não seria razoável, ao menos, cogitar a viabilidade jurídica deste Conselho pacificar de modo diverso seu entendimento acerca do descumprimento das obrigações acessórias atinentes aos demais tributos. Confira-se: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Circunstanciadas as vinculações obrigatórias à presente “Regra”, adentraremos no delineamento das datas em que o Fisco poderá iniciar procedimento fiscal tendente a constituir supostos créditos tributários, demarcação indispensável para o início de contagem do supracitado lapso temporal. Em dita perspectiva, transcrevo excertos da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, delimitando os contornos da obrigatoriedade do contribuinte apurar o ITR devido e entregar o correspondente DIAT (arts. 8º, 10 e 12), bem como a condição para a fiscalização iniciar procedimento de ofício (art. 14), verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e Fl. 164DF CARF MF Original https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. [...] Art. 12. O imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega do DIAT. [...] 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto [...] Como se vê nos arts. 1º, transcrito no tópico anterior, e 12, acima retratado, embora o fato gerador do tributo em análise já tenha se aperfeiçoado em 1º de janeiro do respectivo ano, o contribuinte poderá recolher o imposto por ele apurado até o último dia útil do mês de entrega do correspondente DIAT respectivamente. Ademais, infere-se que o supracitado art. 14 assegura o direito do Sujeito Ativo iniciar procedimento fiscal tendente a apurar suposto descumprimento de obrigação tributária (principal ou acessória), imediatamente após a expiração do prazo final de apresentação da manifestada declaração. Fechando o entendimento posto, pode-se sintetizar que o prazo decadencial visto nesta regra geral (CTN, art. 173, inciso I) terá por termo inicial o dia 1º de janeiro do ano seguinte àquele em que a respectiva declaração foi ou deveria ter sido apresentada. Nessa esteira, estritamente dentro dos limites legais conferidos pelo art. 8º transcrito precedentemente, a Receita Federal do Brasil estabeleceu que a Declaração em análise (DITR/2010) deveria ser entregue entre 1º e 30 de setembro do citado ano, consoante art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 1.058, de 26 de julho de 2010, nestes termos: Art. 6º A DITR deve ser apresentada no período de 1º a 30 setembro de 2010: Posta assim a questão, passo propriamente ao enfrentamento da controvérsia. Como se vê nos tópicos preliminares “Conversão do julgamento em diligência” e “Informação fiscal da diligência”, há pagamento antecipado do imposto originariamente apurado, eis que dita arrecadação se deu em 17/6/2011, anteriormente à ciência do Termo de Início de Fiscalização ocorrida somente em 9/6/2015. Ademais, nos termos discriminados na notificação de lançamento, restaram afastadas supostas hipóteses de fraude, dolo ou simulação, as quais vinculariam a aplicação da regra geral presente no CTN, art. 173, inciso I (processo digital, fls. 6, 12, 144 e 145). Trata-se, portanto, de cenário que atrai, necessariamente, a reprodução do entendimento manifestado pelo STJ visto precedentemente, segundo o qual, no lançamento por homologação sem dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deverá ser aquele delimitado pela regra especial do CTN, art. 150, § 4º, quando provada a antecipação de pagamento do tributo devido. Assim entendido, o termo inicial do lapso temporal sob análise operou-se em 1º de janeiro de 2010, data de ocorrência do respectivo fato gerador, sucedendo seu término em 31/12/2014, anteriormente à ciência da autuação ora contestada, que se deu somente em 18/9/2015. Portanto, supracitado crédito deverá ser cancelado, já que atingido pela decadência (processo digital, fl. 3). Fl. 165DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-010.840 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724459/2015-52 Conclusão Ante o exposto, de ofício, voto por extinguir o crédito tributário controvertido, eis que atingido pela decadência, restando prejudicada a análise das razões de defesa apresentadas pelo Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 166DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10845.008636/92-86
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IPI.
Classificação de TIXOGEL EX 200 identificado como argila
montmorilonítica sódica tratada com sais de amônio quaternário, código 38.23.90.99.99 da TAB/SH.
Devidos os imposto. Excluídas as multas dos arts. 524 e 364 II do
RIPI.
Recurso provido, parcialmente.
Numero da decisão: 303-28.605
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o fim de classificar Tixogel EZ 200, no código TAB-SH 3823-90-9999 e excluir as multas dos art. 524 do RA e 364 II do RIPI, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES
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IPI. Classificação de TIXOGEL EZ 200 identificado como argila montmorilonítica sédica tratada com sais de amônio quaternário, código 3823-90-9999 da TAB-SH. Devidos os impostos. Excluídas as multas dos art. 524 do RA e 364 do RIPI. • Recurso provido, parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o fim de classificar Tixogel EZ 200, no código TAB-SH 3823-90-9999 e excluir as multas dos art. 524 do RA e 364 II do RIPI, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de março de 1.997 • J A OLANDA COSTA ç mies dg c5d (41:11,, èla;CP‘41 d N„iao RESIDENTE PrOGUraelOft oa faxen a 0 ./(4/<3 ‘*'72 OEL D'ASS ÇÃO FERRE? MES !. • t ift JUN 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: GUINÊS ALVAREZ FERNANDES, LELVI DAVET ALVES, NILTON LUIZ BARTOLI, ANELISE DAUDT PRIETO. Ausentes os Conselheiros SERGIO SILVEIRA MELO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. INICIAiS .. • , „ . MINISTÉRIO DA FAZENDA_ , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA- RECURSO 1n1° : 115.737 ACÓRDÃO N° : 303-28.605 RECORRENTE : TINTAS RENNER SÃO PAULO S/A RECORRIDA : DRF / SANTOS / SP RELATOR(A) : MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES RELATÓRIO --------------- — ---------- Retoma este processo, de diligência encaminhada ao LABANA/Santos com a Resolução 303-593, de 5 de julho de 1.994 e que leio em sessão. • Trata-se da importação de TIXOGEL EZ 200 que a importadora classificou no código 3802-90-0102, quando ao ver do Auditor-Fiscal a classificação seria no código 3823-90-9999 e lavrou auto de infração para exigir os impostos e as, _ multas previstas nos art. 364-11 do RIPI e 524 do Regulamento Aduaneiro. O Laudo de Análise n. 3411/91 do LAI3ANA diz que o produto examinado não uma argila ativada como diz a importadora mas sim argila montmorilonitica sódica (bentonita) tratada com sais de amônio quaternário em que, por um mecanismo de troca iônica, os íons sódio são substituídos por grupos orgânicos havendo perda de suas propriedades hidrofóbicas, o que confere ao produto final clispersabilidade em líquidos orgânicos (agente tixotiópico). O laudo 0101/92 (fl. 61), por sua vez, afirma que o produto é um comnplexo argilo-alquilamônico de um derivado orgânico artificial de argila, com composição e propriedades diferentes das argilas naturalmente ativadas por tratamentos diferentes técnico e/ou químico, apresentando como propriedade principal um caráter oleofilico/hidrófilo diferente das argilas ativadas que têm o poder adsortivo como a • propriedade mais importante. • Ademais a interessada alega que se trata de uma argila modificada por uma base orgânica (alquilamônio) de forma a inserir na estrutura superficial átomos de valência diferente que permitem diversificar sua atividade de permutação iônica, o que aparentemente se adequa à • definição de minerais ativados das NESH. Além disso, a finalidade do produto, segundo a recorrente, (agente de dispersão, emulsificante, etc.) também está de acordo com as argilas ativadas por agente ativado. Levando em conta estes aspectos da questão, houve por bem a ilustre Relatora propor a conversão do julgamento em diligência ao LABANA / SANTOS. Em resposta, o órgão técnico emitiu a Informação Técnica 094/94 em que ratifica que o TIXOGEL EZ 200 é uma argila alquilamônio de constituição química não definida, cujo uso deriva de sua principal propriedade, inchamento ou gelificação em sistemas orgânicos, relacionados à sua natureza tixotrópica e que atua sobre os I _ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° : 115.737 ACÓRDÃO N° : 303-28.605 fatores (deformação e fluência da matéria) com funções de espessamento, suspensão e estabilização do meio em que é empregado. O produto é argila montmorilonitica organo-modificada, utilizada como adensante e antissedimentante, nas indústrias de adesivos, mastigues e apresto, cosméticos e perfumes, tintas, lubrificantes, ceras, pinturas e vernizes. É o relatório. - • • 3 r MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO Ni' : 115.737 ACÓRDÃO /4° : 303-28.605 VOTO _ Ã vista das informaçõesprestadas.pelo LABANA-PSANTOS conclui-_ se,que a empresa não tem razão7Com efeito, o produto que importou não se caracteriza como uma argila ativada do código 3802-90-0102, por se tratar de argila montmorilitica sódica tratada com sais de amônio quaternário (alquilamônio), um complexo argilo- alquilamônio (organo-argiloso) cuja utilização deriva da sua principal propriedade - inchamento ou gelificação em sistemas orgânicos, conforme elucidado no curso do Relatório. • A este produto com tais características corresponde o código TAB-SH 3823-90-9999, razão pela qual, quanto à classificação fiscal, mantenho o ponto de vista da decisão ora recorrida. Com relação às multas, porém, entendo-as descabidas dado que a diferença de impostos a pagar era no momento da autuação ainda não líquida e certa uma vez que ainda dependia da definição do problema de classificação que demandou novas consultas ao órgão técnico para novos esclarecimentos, por não ser questão fácil. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para o fim de declarar o produto TIXOGEL EZ 200 classificado no código TAB-SH 3823-90-9999, sendo devidos os impostos, mas excluídas as parcelas das multas dos art. 524 do RA e 364-11 do RIPI. Sala das Sessões, em 18 arço de 1.997 • ,11011;' OEL D' S ÇÀO FERREMOMES RELA e • 4 Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10840.002797/2005-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 200.3
OMISSÃO DE RENDIMENTOS, REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE.
Tratando-se de rendimentos de reforma auferidos por portador de moléstia grave, que são isentos do imposto de renda, o lançamento por omissão deve ser cancelado, Além disso, a SÚMULA 43 também já considerava os proventos da reserva remunerada como isentos do imposto de renda.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS,
Os rendimentos que não sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão não são isentos, mesmo que recebidos a posteriori.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-000.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para tão somente considerar isento o valor de R$ 57,943,48.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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MOLÉSTIA GRAVE„ Tratando-se de rendimentos de reforma auferidos por portador de moléstia grave, que são isentos do imposto de renda, o lançamento por omissão deve ser cancelado, Além disso, a SUMULA 43 também já considerava os proventos da reserva remunerada como isentos do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS, Os rendimentos que não sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão não são isentos, mesmo que recebidos a posteriori. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para tão somente considerar isento o valor de R$ 57,943,48.. Valeria Pestana Marques- Presidente, 22 OUT 201U Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Carlos Nogueira Nicácio e Valéria Pestana Marques (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Paula Locoselli Erichsen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1" instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 42/50, que considerou procedente em parte o lançamento referente a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, glosa de deduções com Dependente e com Despesas Médicas A ciência de tal julgado se deu por via postal em 24/5/2007, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl 52-verso. À vista da decisão, foi protocolizado, em 22/06/2007, recurso voluntário de fls. 54, pelo espólio do recorrente, em que se informou que o contribuinte, portador de cardiopatia grave, falecera em 03/01/2006.. Na peça recursal, contestando a decisão, afirmam que : "foi mantido uni valor de crédito tributário, pois a Relatara considerou que o contribuinte ainda estava na Ativa da Policia Militar do Estado de São Paulo, pelo fato do mesmo estar na RESERVA, conforme documento que foi juntado na defesa administrativa. Ela cita o Decreto-Lei Estadual n ° 260 de maio de 1970, para diferenciar a situação de RESERVA e REFORMA, alegando que só tem direito à isenção quem se encontra REFORMADO Poi,s com base no mesmo Decreto-Lei, a partir de art. 25 atualizado pela Lei n. 0 561 de 03 de dezembro de 1974, fica claro que este contribuinte (Oficial Major Rel da PM 8901) já se encontrava REFORMADO — er-officio — pois o mesmo nasceu em 28 de março de 1926, e completou 62 anos em 1988, não podendo mais ser considerado Oficial da Reserva, pelo simples/ato de sua idade. Com relação aos rendimentos decorrentes do Processo n° 326/91, que se refere à correção salarial, que na época devida não fbram pagos, entendo que pelo fato de se tratar de competência posterior a 1988, também se enquaá-a na isenção de tributação. Juntamos cópia da publicação do D.O E de 03 de . janeiro de 2006, onde a Polícia Militar reconhece que a moléstia a qual o policial militar . fbi acometido se enquadra na legislação, como rendimento isento " (g n ) À vista do relatado, requerem o cancelamento do Crédito Tributário; ressaltando que o recurso se limita a questionar a decisão no tocante à manutenção do lançamento por omissão de rendimentos. 2 3 PI ()cesso e I 0840 002797/2005-64 S2-TE02 Acórdão ti" 2802-00.418 Fl. 67 Registre-se que na impugnação o contribuinte concordando com a dedução indevida com dependente e com despesas médicas, tenta-se utilizar do instituto da denúncia espontânea, afirmando ter efetuado declaração retificadora acatando esses erros. Fora a tentativa de se valer da denúncia espontânea apresentando declaração retificadora junto com a impugnação, em que excluiu uma dependente glosada e a despesa médica pleiteada, o contribuinte se insurgiu apenas em relação à omissão de rendimentos, por considerar estar ao abrigo da isenção por ser portador de moléstia grave A decisão de 1" instância rejeitou a declaração retificadora, apresentada junto com a impugnação, em que o contribuinte acatando a glosa com dependente e com despesa médica tentou excluir tais deduções, tentando-se eximir da responsabilidade por essas infrações. No tocante à matéria realmente impugnada, qual seja a omissão de rendimentos, a decisão a quo decidiu por manter o lançamento, por entender que não se tratava de rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, uma vez que considerou que o contribuinte fora transferido para a reserva e não estava reformado; além disso, relativamente aos rendimentos decorrentes do Processo n" 326/91, mesmo que fosse comprovada a condição de reformado do contribuinte, não se enquadrando no conceito de proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, os valores não estariam abrangidos pela mencionada isenção. É o relatório. Voto Conselheira Lucia Reiko Sakae, relatora. O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Como o recurso voluntário se limitou a questionar a omissão de rendimentos, principalmente a situação do sujeito passivo, ou seja de que à época estava reformado, passo a essa análise. As legislações pertinentes são as seguintes: 1. O Decreto-lei N" 260, de 29 de maio de 1970 que cuida sobre a inatividade dos componentes da Polícia Militar do Estado de São Paulo dispõe: "Artigo .25 - A idade-limite de permanência na reserva é: 1 - para Oficial superior - 6.5 anos; para Capitão e Oficial Subalterno - 60 anos; III - para Oficial Capelão - 70 anos. Da Refoilila Artigo 27 - Reforma é a situação do policial-militar definitivamente desligado do serviço ativo. Parágrafo único - O Oficial é relbrmado "ex-officio" e a Praça a pedido e "ex-olficio", Artigo 29 - A telim-ma "ex-officio" será aplicada.• - ao Oficial: a) condenado a pena de reforma por sentença passada em b) que atingir a idade-limite de permanência na reserva,. c) julgado incompatível ou indigno profissionalmente para com o oficialato, em processo regular, após sentença passada em julgado no Tribunal de Justiça Militar, ressalvado o caso de demissão previsto na Lei Federal n" 5.300, de 29 de junho de 1967; d) convocado na forma do artigo 26 e julgado inapto em inspeção de saúde_ "(g,n ) 2. a Lei N" 561, de 3 de dezembro de 1974, que fixava idades - limites para permanência no serviço ativo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, nos casos que especifica, e dá providências correlatas O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Artigo I"- Aos oficiais oriundos da extinta Guarda Civil de São Paulo e aos dos Quadros de Oficiais Auxiliares de Administração e de Especialistas de Policiamento Rodoviário que passaram, ou não, para o Quadro de Oficiais de Policia (Combatentes) ficam estabelecidas desde que manifestem opção para esse .fim, as seguintes idades - limites de permanência no serviço ativo da Policia Militar do Estado de São Paulo. 1- Oficiais. Superiores - 62 (sessenta e dois) anos; e" II - Capitães e Oficiais Subalternos - 58 (cinquenta e oito) anos. Parágrafo único - Os oficiais, de que trata este artigo, que deixarem de manifestar sua opçâo dentro do prazo fixado no artigo 3", continuarão sujeitos às idades - limites a que se refere o artigo 1" do Decreto - lei n"260, de 29 de maio de 1970 Artigo 2"- Poderão optar pela reversão à atividade, nos mesmos postos em que se encontravam quando em serviço ativo, os oficiais oriundos dos Quadros a que alude o artigo 1", transferidos (rex - officio» para a reserva por fbrça do disposto no artigo 19 do Decreto - lei n'260, de 29 de maio de 1970. Parágrafo único - Aplicam - se aos Oficiais que optarem nos termos deste artigo, as mesmas idades - limites de que tratam os incisos 1 e II do ((capta» do artigo anterior Artigo 3" - As opções mencionadas nos artigos anteriores deverão ser formuladas por escrito e apresentadas ao 4 Piocesso n" I 0840 002797/2005-64 S2-TE02 Acórdão n "2802-0048 Fl 68 Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Sôo Paulo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da vigência desta lei: 3, a Lei Complementar . N" 419, de 25 de outubro de 1985, que dispõe sobre a constituição do Quadro Auxiliar de Oficiais da Polícia Militar, estabelece nova sistemática ao acesso do Quadro de Oficiais Especialistas — Músicos e dá providências correlatas, a saber: " Artigo 18 — Aos Oficiais- oriundos do Quadro de Oficiais de Administração (0AOPM) e do Quadro Especial de Oficiais (OEOPM), bem como dos Oficiais de que cuida o artigo 14, .ficam fixadas as seguintes idades-limites para permanência no serviço ativo: 1— Oficiais Superiores — 62 anos; 11— Capitães e Oficiais Subalternos — .58 anos "(gm ) A certidão de óbito do Sr. Manoel Lopes (II 22) indica que o mesmo nascera em 28/03/1926, apresentando no ano-calendário em questão (2,002) setenta e seis anos, do que se conclui que o mesmo estava reformado.. Além disso, mesmo que a reforma não estivesse confirmada a questão da reserva remunerada já havia sido pacificada na CSRF entendendo que "os proventos recebidos por militar em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, que está contida no conceito de aposentadoria/reforma, são da mesma forma isentos porquanto presente a mesma natureza dos rendimentos, ou seja, decorrentes da inatividadeinatividade", o que resultou, inclusive, na edição da Súmula CARF n" 43 que dispõe: "Os proventos de aposentadoria, relbrina ou reserva remunerada motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional Ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, refornia ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda," (g. mm) Desta feita, no tocante à omissão de rendimentos tem-se: a) relativamente ao valor de R$ 57.943,48, tratando-se de rendimentos de reforma recebido por portador de moléstia grave, contraída em 1998, conforme laudo pericial oficial da prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (fi. 24) há que se cancelar tal lançamento; b) já em referência ao rendimento no valor de R$ 6,588,22, resultante do processo n° .326/91, não se cuidando de rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, mas como alegado no próprio recurso voluntário que se referia à correção salarial, que na época devida não foram pagos, tais rendimentos não são isentos, à medida que o simples fato de terem sido recebidos após 1988, quando .já era considerado reformado, não resta abrangido pela isenção, pois a teor de expressa disposição legal, inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/99, só são isentos os proventos de aposentadoria ou reforma quando percebidos por portador de moléstia grave, não qualquer outro rendimento recebido por ocasião 5 da sua condição de aposentado/reformado, mas referente, corno no caso, à correção salarial não recebida em época própria. Dispõe o artigo 39 do RIR/99 "Art 39 Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII - os proventos de aposentadoria ou rd:91 .mo, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseniase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropa tia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte delbrmante), contaminação por radiação, síndrome de inumodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n2 7 713, de 1988, art, g, inciso XIV, Lei a2 8.541, de 1992, ar!. 47, e Lei ri2 9250, de 1995, art. 30, § 29,- Conclusão, Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para tão somente considerar isento o valor de R$ 57,943,48, 6 Brasília/DF, 28 de outub Je 2010. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10840,002797/2005-64 Recurso n" : 160.330 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art, 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2802-00A18, E.VELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (.....,) Apenas com ciência Com Recurso Especial Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10783.006253/90-74
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 202-00.110
Decisão: RESOLVEM, por unanimidade de votos, os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, declinar competência
para julgamento do recurso em favor do Egrégio 3º Conselho de Contribuintes. Ausente o Conselheiro SEBASTIÃO BORGES TAQUARY.
Nome do relator: HELVIO ESCOVEDO BARCELLOS
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.004724/2002-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1997 a 01/06/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. EXTINÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Lei superveniente revogou a multa de ofício isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, com base no princípio da retroatividade benigna, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações (Súmula CARF nº 31).
Numero da decisão: 3803-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausência mometânea do Presidente. Sessão conduzida por seu substituto eventual, Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 01/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. EXTINÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Lei superveniente revogou a multa de ofício isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, com base no princípio da retroatividade benigna, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações (Súmula CARF nº 31).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 01/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. EXTINÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Lei superveniente revogou a multa de ofício isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, com base no princípio da retroatividade benigna, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações (Súmula CARF nº 31). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausência mometânea do Presidente. Sessão conduzida por seu substituto eventual, Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Assinado digitalmente BELCHIOR MELO DE SOUSA – Presidente Substituto. Assinado digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. EDITADO EM: 28/02/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 09/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente Substituto), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou procedente o lançamento de ofício relativo à exigência de multa isolada decorrente do recolhimento extemporâneo da Cofins declarada em DCTF, desacompanhado do pagamento da multa de mora (auto de infração às fls. 23 a 33). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1 a 12) e requereu o cancelamento do lançamento de ofício, alegando que recolhera o tributo declarado em DCTF antes de qualquer procedimento administrativo tendente à constituição do crédito tributário, em razão do que deveria serlhe assegurado o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). A DRJ Porto Alegre/RS decidiu pela procedência do lançamento (fls. 37 a 40), considerando que o pagamento efetuado fora do prazo, sem multa de mora, sujeita o contribuinte ao lançamento da multa isolada. Não resignado, o contribuinte recorre a este Colegiado (fls. 44 a 55) e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentada a alegação de nulidade da decisão a quo por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o não enfrentamento da questão relativa à não incidência de multa de ofício isolada sobre valores declarados em DCTF. Alega, também, que obteve junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) decisão reconhecendo seu direito à isenção da Cofins, o que afastaria qualquer pretensão de exigência de multa acrescida ao tributo que deixou de ser devido. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, devese ressaltar que a Lei nº 11.488/2007 deu nova redação ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, revogandose a multa de ofício isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. A redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 assim disciplinava a matéria: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 09/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11080.004724/200276 Acórdão n.º 380301.206 S3TE03 Fl. 79 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (grifei) A Lei nº 11.488/2007 alterou o artigo que passou a prever a penalidade nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Constatase dos excertos acima que a multa de ofício isolada relativa aos casos de pagamento de tributos em atraso sem a inclusão da multa de mora deixou de ser prevista pela lei, em razão do que referida multa deixou de ser aplicável aos casos da espécie, ainda que anteriores à vigência do novo dispositivo, em conformidade com a regra da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 09/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Além do mais, referida matéria já se encontra simulada neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF nº 31: Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de afastar a exigência da multa isolada na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora, tendose em conta a retroatividade benigna de lei posterior que revogou a penalidade anteriormente prevista. É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 09/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014272/2001-50
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF - DEDUÇÕES COMPROVAÇÃO.
Para o beneficio das deduções redutoras da base de cálculo do tributo, pleiteadas na declaração anual de ajuste exige-se a comprovação por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-000.252
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatado e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF - DEDUÇÕES COMPROVAÇÃO. Para o beneficio das deduções redutoras da base de cálculo do tributo, pleiteadas na declaração anual de ajuste exige-se a comprovação por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado.
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