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Numero do processo: 13310.000099/2001-87
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. NULIDADE.
Deve ser declarada nula a decisão da repartição de origem, por violação ao direito à ampla defesa, devendo uma outra ser proferida, observando-se as informações contidas na escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, comprovadas em documentação hábil e idônea, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. A ocorrência de infrações à legislação tributária deve ser combatida com base nas normas jurídicas aplicáveis, o que, por si só, não inviabiliza o acolhimento do direito pleiteado devidamente comprovado.
Numero da decisão: 3803-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. NULIDADE. Deve ser declarada nula a decisão da repartição de origem, por violação ao direito à ampla defesa, devendo uma outra ser proferida, observando-se as informações contidas na escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, comprovadas em documentação hábil e idônea, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. A ocorrência de infrações à legislação tributária deve ser combatida com base nas normas jurídicas aplicáveis, o que, por si só, não inviabiliza o acolhimento do direito pleiteado devidamente comprovado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. O ressarcimento de crédito presumido de IPI vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária, devendo ser considerados em seu cálculo os dados efetivamente comprovados e excluídos aqueles que não se ajustam aos preceitos normativos de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. NULIDADE. Deve ser declarada nula a decisão da repartição de origem, por violação ao direito à ampla defesa, devendo uma outra ser proferida, observandose as informações contidas na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, comprovadas em documentação hábil e idônea, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. A ocorrência de infrações à legislação tributária deve ser combatida com base nas normas jurídicas aplicáveis, o que, por si só, não inviabiliza o acolhimento do direito pleiteado devidamente comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do despacho decisório. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 0. 00 00 99 /2 00 1- 87 Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 972 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 532 a 560) interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belém/PA (fls. 492 a 502) que, assim como já havia decidido a autoridade administrativa de origem (fl. 366), indeferira o direito creditório pleiteado pelo contribuinte supra identificado, consistente em crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/1997), formalizado, em 23 de outubro de 2001, por meio de Pedido de Ressarcimento (fl. 1), no valor de R$ 123.224,72. Submetido o Pedido de Ressarcimento à apreciação da Fiscalização, esta, após descrever minuciosamente os procedimentos adotados, propusera o seu indeferimento por ausência de prova hábil e idônea que confirmasse o direito pleiteado (fls. 141 a 170). Segundo a Fiscalização, contrapondose às alegações do contribuinte, o beneficiamento de couro consistiria, sim, em processo de industrialização, nos termos do art. 4º, inciso II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998), e que parte da matériaprima adquirida não seria recebida no almoxarifado do estabelecimento, dado que constavam de algumas notas fiscais como local de entrega o endereço de outra pessoa jurídica. Ainda segundo o agente fiscal, o contribuinte realizara no período operações de industrialização por encomenda, na condição de encomendante, listando como estabelecimento industrial a pessoa jurídica COCALQUI — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda., situada em um edifício em frente a sua sede, como se fora apenas mais um galpão da sociedade empresária. Intimado e reintimado mais de uma vez, o contribuinte alegou impossibilidade de identificar o caminho percorrido pela matériaprima durante a produção, em função da origem (fornecedor), bem como que, em razão do elevado número de documentos solicitados, não poderia apresentar toda a documentação requerida pela Fiscalização no prazo estipulado. Alegou, ainda, que não dispunha de sistema de Custos Coordenado e Integrado com a Escrituração Fiscal e nem escriturava o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, mas um Registro equivalente. Após a auditoria, a Fiscalização, com vistas a confirmar o direito pleiteado, valeuse dos livros e documentos fiscais disponibilizados para comprovar o processo industrial, que segundo o interessado consistiria, basicamente, em operações de industrialização por Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 973 3 encomenda, assim como da documentação e da escrituração da Cocalqui – Cooperativa de Calçados Quixeramobim, tendo sido constatado o seguinte: a) “diferentemente do declarado pelo Interessado, são vários os estabelecimentos que realizam industrialização por encomenda para a Calçados Aniger Nordeste Ltda, inclusive a Calçados Aniger Ltda, CNPJ 01.506.990/000369, com sede no Rio Grande dos Sul”; b) o interessado não estornava os créditos relativos às remessas efetuadas para Calçados Aniger Ltda, CNPJ 01.506.990/000369, decorrentes de operações de empréstimo, cujas aquisições seriam relativas a produtos tributados à alíquota de 5% e não 0%, conforme constava das notas fiscais; c) ausência de comprovação do processo industrial a que teriam sido submetidos os insumos considerados no Pedido de Ressarcimento, nem a sua aplicação na industrialização dos produtos finais saídos de seu estabelecimento industrial e posteriormente exportados; d) "relação íntima e informal que o interessado mantém com o industrializador por encomenda, especialmente a COCALQUI — COOPERATIVA DE CALÇADOS QUIXERAMOBIM, compromete a identificação e comprovação do processo industrial, haja vista a irregular emissão de Notas Fiscais, bem como seu registro, o que leva a situações absurdas, como: não haver produto industrial saído do industrializador por encomenda, haja vista a ANIGER considerálo apenas como um prestador de serviços; haver venda e exportação de produto não produzido" (fl. 151). Com base na auditoria fiscal, a autoridade administrativa de origem decidiu por indeferir o direito creditório e por não homologar eventuais compensações dele decorrentes (fl. 366). Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 369 a 397) e requereu o deferimento total do Pedido de Ressarcimento, a homologação das compensações declaradas e a atualização do crédito pela taxa Selic, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: 1. o crédito presumido deve ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais foram os insumos (quantidade e valores) aplicados nas exportações realizadas; 2. a Portaria MF nº 38/97 prevê, no parágrafo 7º do seu art. 3° que o contribuinte não é obrigado a manter sistema de custos integrado com a contabilidade para obter o valor base dos insumos, podendo o cálculo ser definido pela somatória do estoque inicial desses insumos, no início de um determinado período, com as aquisições, diminuídas as saídas não aplicadas na produção e o estoque final desse mesmo período; 3. os dados solicitados pela Fiscalização referemse a mais de três anos de produção, relativos a centena de produtos distintos, produtos esses fabricados com a utilização de dezenas de insumos diferentes, adquiridos de dezenas de fornecedores, nacionais e estrangeiros, envolvendo milhares de documentos fiscais, consubstanciandose, portanto, em algumas centenas de milhares de informações; Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 974 4 4. a “empresa atendeu, como diz o senhor Fiscal, de forma parcial a solicitação. Disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Contrato de Câmbio); os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviram de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado. Documentos esses mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção. A empresa cumpriu cem por cento do que determina a Lei n° 9.363/06.” (fl. 388); 5. os pedidos de ressarcimento anteriores a 2001 foram atendidos, o que denotaria conflito de interpretações a ser investigado. Por fim, o contribuinte requereu a realização de perícia, com a identificação da perita assistente e a apresentação de quesitos. A DRJ Belém/PA decidiu por não reconhecer o direito creditório (fls. 492 a 502), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. 0 ressarcimento autorizado pelo art. 10 da Lei n° 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 JUROS SELIC. RESSARCIMENTO. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e perícia quando prescindíveis para o deslinde da questão sob análise ou quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da convicção do julgador. Solicitação Indeferida Ressaltou o julgador de primeira instância que, “independentemente de qualquer normatização infralegal, sempre se fez presente o ônus, atribuído ao produtor exportador, de manter escrituração e controles fáticos que tornem possível demonstrar que os insumos (MP, PI e ME), cujos créditos derivados se pleiteiam, foram, de fato, empregados em seu processo produtivo em um dado período, haja vista a possibilidade de que seja dada destinação diversa a tais insumos.” (fl. 498) Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 975 5 Aduziu, ainda, que “o direito ao ressarcimento do crédito em questão, previsto em abstrato na lei, vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido e mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como exiba documentação que dê suporte a sua escrita.” (fl. 500) Às fls. 503 a 514, foram juntados aos autos Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação (PER/DCOMP) transmitidos em 30/12/2003 e 16/1/2004, em que o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento foi utilizado para compensar débitos da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão em 13 de fevereiro de 2009 (fl. 531), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de março do mesmo ano (fls. 532 a 560) e reiterou seus pedidos, ratificando todos os termos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Junto à peça recursal, o Recorrente trouxe aos autos cópias de (i) desenhos e planilhas relativos à produção de sapatos, (ii) balancete de 2001 e (iii) análise e avaliação contábilfiscalfinanceira realizadas pela pessoa jurídica Marpe Contadores Associados (fls. 561 a 969). É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que, apesar de o Pedido de Ressarcimento ter sido apresentado em 23/10/2001, as declarações de compensação somente foram transmitidas em 30/12/2003 e 16/1/2004, encontrandose, por conseguinte, a análise procedida pela repartição de origem, cientificada ao Recorrente em 28/11/2006, dentro do prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. De acordo com o contrato social do Recorrente, seu objeto social abrange (i) indústria, comércio, processamento de calçados, bolsas e confecções em geral, em suas diferentes modalidades, bem como de artefatos de couro e material plástico, sintético e similares; (ii) curtimento, acabamento, beneficiamento e comércio de couros; (iii) importação de máquinas, equipamentos e assessórios, matériaprima e materiais auxiliares necessários a tais fins, e outras atividades conexas e derivadas; (iv) exportação de seus produtos; e (v) participação em outros empreendimentos, inclusive como acionista ou quotista, em outras entidades de fins econômicos ou não. Verificase que, de acordo com o contrato social, o Recorrente atua tanto na área industrial quanto na comercial, sendo que, na DCTF, consta como atividade econômica da pessoa jurídica a “fabricação de calçados de couro” (fl. 17). Feitas essas considerações, registrese que o ressarcimento de IPI se configura um beneficio fiscal outorgado aos contribuintes, sendo que, nos casos de Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 976 6 industrialização por encomenda, o encomendante se torna contribuinte do IPI por equiparação, nos termos do inciso IV do art. 92 do RIPI/98 e do RIPI/20021. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei nº 9.363, de 19962, na condição de ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins incidentes nas aquisições de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, encontrandose sua fruição dependente de comprovação de sua efetiva existência, uma vez que, para que um crédito se torne exigível, ele deve se revestir dos atributos de liquidez e certeza (art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN). Para cumprir seus deveres de contribuinte e se beneficiar de incentivos fiscais, como o crédito presumido sob comento, a pessoa jurídica deve observar a legislação tributária de regência, nela incluído o Regulamento do IPI (Decretos nº 2.637/98 e 4.544/2002) e a Portaria MF nº 38, de 1997, sob pena de indeferimento de seus pleitos relativos ao tributo. De acordo com o § 5º e 7º do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 19973, o contribuinte, na apuração do crédito presumido, deve manter sistema de custos coordenado com a escrituração comercial ou, na ausência desse sistema, manter apuração de estoques, eventos esses que devem ser comprovados com documentação hábil e idônea, sem o que não se apura o quantum do crédito a ser ressarcido. De acordo com o § 14 do mesmo artigo, “[a] empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração.” (grifei) 1 Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 40, inciso III, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33ª); 2 Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 3 § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. (...) § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 977 7 Notese que, de acordo com os dispositivos supra, no caso de não haver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a empresa pode se valer de controle de estoques e de relações contendo quantidades e valores dos insumos, hipótese essa que se coaduna com os argumentos de defesa do Recorrente. De acordo com o relator do acórdão recorrido, na auditoria fiscal levada a efeito pela Fiscalização, constataramse incongruências insuperáveis na documentação apresentada, como (i) omissão na identificação dos estabelecimentos que realizam industrialização por encomenda, (ii) inexistência de vínculo entre as notas fiscais relativas aos retornos de produtos industrializados e as correspondentes remessas dos insumos, (iii) falta de estorno de créditos relativos às operações de empréstimo, bem como (iv) a ausência de comprovação do processo industrial a que teriam sido submetidos os insumos considerados no Pedido de Ressarcimento. Notese que o que mais comprometeu a defesa do Recorrente na análise da Delegacia de Julgamento foi a falta de comprovação da utilização dos insumos adquiridos em seu processo produtivo. De acordo com o julgador de piso, não bastaria haver a identificação das notas fiscais representativas das aquisições respectivas e, após a produção, da saída definitiva do estabelecimento de determinados produtos, sendo imprescindível a demonstração de que tais insumos foram de fato utilizados no processo produtivo. A meu ver, esse controle pode se realizar com base, dentre outros procedimentos, na apuração de estoques no início e no final do período, assim como nas notas fiscais de envio de insumos para industrialização por encomenda e nos demais livros contábeis e registros da pessoa jurídica, subtraindose, obviamente, as saídas não aplicadas na produção (como, por exemplo, as devoluções e as remessas para outros estabelecimentos da mesma empresa). A Fiscalização, por seu turno, destacou em seu relatório fiscal que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, parte dos insumos não seria recepcionada em seu almoxarifado, fato esse que comprometeria a vinculação necessária entre os insumos adquiridos e a produção final. No entanto, compulsando os autos, é possível constatar algumas incongruências entre as afirmativas da Fiscalização, corroboradas pela Delegacia de Julgamento, e os elementos probatórios presentes nos autos, muitos deles por amostragem, conforme se discrimina a seguir: 1º) segundo o agente fiscal, não foi apresentado prova de saída, do estabelecimento industrializador, do produto industrializado por encomenda, tendo em vista que o ora Recorrente teria considerado o industrializador como prestador de serviços. Aqui, merece registro que, durante a realização da diligência/auditoria fiscal, deuse forte peso às alegações do contribuinte, interpretandose os termos por ele utilizados de forma restrita, tendoos com balizadores da decisão então tomada. No entanto, a meu ver, as palavras utilizadas pelo contribuinte deveriam ser sopesadas com os dados constantes dos documentos então apresentados, assim como da escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 978 8 Conforme consta das notas fiscais emitidas pelo Recorrente, tendo como destinatário a Cocalqui (fls. 305 a 316), juntadas aos autos por amostragem, os insumos enviados para industrialização destinavamse a beneficiamento. Ora, a alegação do contribuinte de que a Cocalqui não seria uma empresa industrial, mas uma prestadora de serviços, encontrase plenamente afastada em razão da prova por ele mesmo apresentada, não se encontrando razão à relevância dada a essa afirmativa sem lastro na realidade. Além disso, constam dos autos cópias de notas fiscais emitidas pela Cocalqui, tendo como destinatário o Recorrente (fls. 290 a 300 e 331 a 335), em que se identifica em algumas delas a descrição do bem transacionado, qual seja, “serviços de industrialização” e “complemento de produção”. Aqui mais uma vez devese ressaltar que a descrição constante da nota fiscal, fazendo referência a serviços, não pode se sobrepor à informação que se extrai dessa mesma nota fiscal, qual seja, tratase da devolução de um produto industrializado, precipuamente em razão do fato de constar da mesma nota a identificação das notas fiscais dos insumos recebidos, sobre os quais se aplicou o beneficiamento. Essa última constatação desfavorece a afirmativa do agente fiscal de que não haveria a comprovação do envio de insumos para a empresa industrializadora. Por outro lado, havendo constatação de que o contribuinte tenha se valido de práticas destinadas a omitir o fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como a identificação da industrialização por encomenda como serviço, tal prática deve ser combatida com a exigência do imposto devido, assim como de outras medidas previstas na legislação, o que, a meu ver, não inviabiliza a apuração do crédito presumido de IPI, dado que este destinase à recuperação das contribuições sociais incidentes na aquisição de insumos. 2º) a Fiscalização argumenta que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, outras empresas teriam realizado industrialização por encomenda, e não apenas a Cocalqui, e que constaria de algumas notas fiscais a entrega do produto industrializado a terceiros. Mais uma vez, salientese que as palavras do Recorrente não podem suplantar as provas presentes nos autos, provas essas que foram fornecidas pelo próprio sujeito passivo em resposta às muitas intimações que lhe foram enviadas pela Fiscalização. Tendo sido comprovado que outras empresas industrializaram determinado produto a pedido do ora Recorrente, esse dado deve ser considerado na análise, sem que, com isso, deva cair por terra todo o resto que o contribuinte até então afirmara e comprovara. As notas fiscais emitidas pela empresa Shekinah (fls. 301 a 304) identificam o produto que estava sendo remetido ao Recorrente: “cortes de sapatos costurados”, havendo aqui também a identificação da nota fiscal de remessa dos insumos. Se determinados produtos adquiridos pelo Recorrente foram enviados diretamente a terceiros, e não tendo sido eles utilizados como insumos em industrialização encomendada pelo Recorrente, que se excluam esses produtos e os correspondentes insumos do cálculo do crédito presumido. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 979 9 3º) valese, ainda, a Fiscalização, para denegar o pedido do contribuinte, do fato de ele ter afirmado que a matériaprima seria recebida no almoxarifado, com seu devido registro, o que, segundo ela, não teria se confirmado em visita ao estabelecimento. Informa, também, que, no Livro de Inventário, não constaria a classificação fiscal dos produtos. Não me parece que essas constatações da Fiscalização possam, por si sós, suplantarem todos os demais elementos probatórios presentes nos autos, a saber: (i) Livro Registro de IPI, contendo dados relativos a “compras para industrialização”, “industrialização efetuada por outras pessoas jurídicas” etc., (ii) Livro Registro de Entradas (fl. 327 e 611 a 627) e (iii) relação de insumos adquiridos (fls. 426 a 483), com a identificação, dentre outros, do número das notas fiscais, data de aquisição, descrição do produto, NCM, valor etc.. Alega o Recorrente que os livros de entrada e saída foram apresentados à Fiscalização, mas que eles não foram juntados aos autos. 4º) por fim, aventa o agente fiscal a possibilidade de ter havido “exportação de produto não produzido”. Para se contrapor a essa alegação, têmse: (i) notas fiscais emitidas pelo Recorrente com identificação de produtos destinados à exportação (fls. 325 a 326), (ii) Razão Analítico (fls. 702 a 769) contendo informações sobre as vendas para o mercado externo, (iii) contratos de câmbio (fls. 896 a 936) e conhecimentos de embarque (fls. 937 e seguintes). Com base no acima exposto, é possível constatar que o Recorrente apresentara à Fiscalização um conjunto robusto de provas que, a meu ver, não foi considerado em toda a sua amplitude em razão, principalmente, de algumas afirmações do contribuinte que se encontravam em desacordo com os elementos probatórios juntados aos autos. Esse desencontro pode muito bem ser relevado, com preponderância das informações presentes nos elementos probatórios, pois, muitas vezes, os contribuintes, por desconhecimento técnico, fazem uso de uma linguagem generalizante que pode conduzir a entendimentos contrastantes com a realidade dos fatos. Se houvesse intuito de sonegar informações ou omitir determinadas operações, o contribuinte não teria apresentado todas as provas que constam dos autos por amostragem, provas essa que não se alinham totalmente com os seus argumentos. Conforme acima dito, os §§ 5º, 7º e 14 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, autorizam os contribuintes a utilizarem, em substituição ao sistema de custos coordenado com a escrituração comercial, um controle fundado no levantamento dos estoques iniciais e finais, dos insumos adquiridos no período, das saídas não aplicadas na produção e das transferências, assim como em memórias de cálculo e relações de quantidade e valores dos insumos, informações essas que podem ser extraídas dos documentos presentes nos autos. Logicamente que o que não estiver comprovado, nos termos disciplinados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal na esfera federal, deve ser afastado do cálculo do crédito presumido, o que não impede, a meu ver, que se considerem no mesmo cálculo as informações devidamente escrituradas e comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 980 10 Deve ser comprovada, sob pena de se revestir de mera especulação, a hipótese aventada pelo julgador de piso de que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem poderiam, ao invés de absorvidos no processo produtivo, serem revendidos pelo contribuinte. Sem a prova desse fato, não se pode têlo como prejudicial aos demais dados devidamente comprovados. Notese, também, que, nos termos do art. 2º, caput, e § 1º, da Lei nº 9.363, de 1996, para se apurar o crédito presumido de IPI, há a necessidade de se terem o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem e os valores da receita de exportação e da receita operacional bruta do produtor exportador”, dados esses que, conforme acima exposto, podem ser extraídos dos documentos que se encontram nos autos por amostragem. Em sede de recurso, o contribuinte apresenta de (i) desenhos e planilhas relativos à produção de sapatos, (ii) balancete de 2001 e (iii) análise e avaliação contábilfiscal financeira realizadas pela pessoa jurídica Marpe Contadores Associados (fls. 561 a 969), elementos esse que, a meu ver, não inovam em relação ao que já se encontrava comprovado, mas o robustece ainda mais. Nesse contexto, verificase que, ao não considerar o conjunto probatório trazido aos autos pelo sujeito passivo, restringindo a auditoria fiscal aos elementos a ele desfavoráveis, temse por configurada a nulidade do despacho decisório, por afronta ao princípio da ampla defesa, nos termos previstos no art. 59, inciso II, in fine, do Decreto nº 70.235, de 19724. Diante do exposto, com fundamento na autorização prevista no art. 61 do Decreto nº 70.235, de 19725, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do despacho decisório, devendo uma outra decisão ser proferida, considerandose os dados contidos na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como nos documentos fiscais que a lastreiam, em conformidade com a disciplina da Lei nº 9.363, de 1996, do Regulamento do IPI, naquilo que couber, e da Portaria MF nº 38, de 1997, observandose, em especial, o contido nos §§ 7º e 14 dessa mesma Portaria, com a exclusão das transferências e das saídas de insumos não aplicadas na produção, assim como dos elementos não devidamente comprovados. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. 4 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 5 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13310.000099/200187 Acórdão n.º 3803004.329 S3TE03 Fl. 981 11 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10850.000802/2003-13
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. REsp 993.164
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Este precedente fixou, ainda, o entendimento de que é devida a incidência da taxa Selic no ressarcimento do IPI, quando há oposição ilegítima do Fisco.
IPI. CRÉDITO BÁSICO.
Apenas os produtos que se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem dão direito ao crédito básico de IPI.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. REsp 993.164 Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Este precedente fixou, ainda, o entendimento de que é devida a incidência da taxa Selic no ressarcimento do IPI, quando há oposição ilegítima do Fisco. IPI. CRÉDITO BÁSICO. Apenas os produtos que se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem dão direito ao crédito básico de IPI. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. REsp 993.164 Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Este precedente fixou, ainda, o entendimento de que é devida a incidência da taxa Selic no ressarcimento do IPI, quando há oposição ilegítima do Fisco. IPI. CRÉDITO BÁSICO. Apenas os produtos que se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem dão direito ao crédito básico de IPI. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 08 02 /2 00 3- 13 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 11 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que as aquisições de não teria sido observado o prazo decadência de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A ora recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, relativo ao terceiro trimestre de 2001, com base na Portaria n° 38/97. A DRF de São José do Rio Preto indeferiu parcialmente o pleito, por entender que as compras de mercadorias de pessoas físicas não dão direito ao crédito presumido do imposto. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, que é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo. Acrescentou que a jurisprudência administrativa também reconhece o direito à atualização dos valores pleiteados. Por fim, solicitou perícia para demonstrar que o crédito pleiteado está baseado em aquisições imprescindíveis ao fluxo do processo industrial A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 12 3 Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cabe manifestação sobre o pedido de perícia. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição da possibilidade ou não de incluir na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor relativo aos insumos adquiridos de pessoas físicas e de demais produtos que entendem que geram direito ao crédito. Assim, a circunstância de os produtos serem ou não imprescindíveis ao processo produtivo não interfere no julgamento da questão. Ademais, todos os fatos necessários ao julgamento, constam dos autos. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. Afastada a questão preliminar, passemos a análise do mérito. Pois bem. O Superior Tribunal Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543C, do CPC, pacificou, no RE 993.164, o entendimento de que as a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 13 4 CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 14 5 revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 15 6 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 16 7 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) E o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente no precedente acima transcrito. Afinal, o contribuinte pleiteia justamente o crédito presumido na aquisição de matérias primas de pessoas físicas. Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos representativos de controvérsia: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, não resta dúvida de que, no caso sob análise, o contribuinte tem direito ao crédito presumido pleiteado. Por outro lado, vale esclarecer que este mesmo precedente fixou o entendimento de que deve incidir correção monetária, mediante aplicação da Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento quando a utilização do crédito é obstada por ato do Fisco, como ocorre no presente caso. Sendo assim é cabível a sua aplicação a partir da transmissão do pedido ressarcimento. Matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem Pleiteia, ainda, o ora Recorrente o reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96, relativamente à utilização dos seguintes produtos no seu processo produtivo: BAGAÇO DE CANA Combustível para geração de vapor, utilizado na caldeira; COMBUSTÍVEL Combustível utilizado em movimentações mercantis internas e externas, utilizado nos veículos dos compradores e fiscais de frutas; ÓLEO COMBUSTÍVEL Combustível para geração de vapor, utilizado nos geradores de vapor; ÓLEO LUBRIFICANTE Lubrificação de equipamentos industriais; ENERGIA ELÉTRICA Geração de vapor, utilizado na linha de produção; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 17 8 SERVIÇOS DE TRANSPORTE Transporte de insumos acabados; SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO Imprescindíveis à comercialização CÁUSTICA Limpeza de equipamentos industriais, ' essencial à manutenção do fluxo de produção; ANÉIS DE VEDAÇÃO, BOMBA DE ENZIMA, CORRENTE I3UPLEX, EXTRATORES, ROLAMENTOS, ROTORES E TELAS Produtos intermediários consumidos no fluxo do processo industrial, utilizados em máquinas da produção; Ocorre que, como bem colocado pela decisão recorrida, a legislação em referencia não assegura o direito ao crédito em relação aos insumos genericamente considerados, restringindo o direito de crédito apenas às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. É o que se depreende do texto do art. 1º, da Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Assim, verificando que nenhum dos produtos relacionados pelo contribuinte se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na medida em que não se tratam de produtos que integram o produto novo, tampouco que são consumidos no processo de industrialização, não há como reconhecer o direito ao crédito. Ademais, nos termos da Lei n° 9.363/96, a prestação de serviços não pode ser incluída nestes conceitos, ainda que haja incidência de PIS e Cofins na formação do preço cobrado pelo executante do beneficiamento, na medida em que prescreve que a empresa produtoraexportadora tem direito ao crédito presumido do IPI na forma de ressarcimento das aludidas contribuições incidentes apenas sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, pertinentes ao processo fabril dos produtos exportados: referido dispositivo não autoriza a inclusão da prestação de serviços de transportes ou telecomunicações. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido da Recorrente na aquisição de insumos de pessoas físicas, bem como assegurar a correção monetária desses créditos, mediante a aplicação da Taxa Selic, a partir da data da transmissão do pedido. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10850.000802/200313 Acórdão n.º 3102001.860 S3C1T2 Fl. 18 9 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10540.002474/2007-17
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE SUBSÍDIO DE EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO ANTES DO ADVENTO DA LEI N. 10.887/04 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO RE 351.717 E SUSPENSA EXECUÇÃO DE LEI PELA RESOLUÇÃO 26/2005 DO SENADO FEDERAL.
Não incide sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea h do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC.
A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA
Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2002, anteriores a 12/2002, nos termos do voto do Relator, pela aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir as contribuições referentes ao subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea "h" do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04, nos termos do voto do Relator.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE SUBSÍDIO DE EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO ANTES DO ADVENTO DA LEI N. 10.887/04 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO RE 351.717 E SUSPENSA EXECUÇÃO DE LEI PELA RESOLUÇÃO 26/2005 DO SENADO FEDERAL. Não incide sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea h do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2002, anteriores a 12/2002, nos termos do voto do Relator, pela aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir as contribuições referentes ao subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea "h" do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 08/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE SUBSÍDIO DE EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO ANTES DO ADVENTO DA LEI N. 10.887/04 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO RE 351.717 E SUSPENSA EXECUÇÃO DE LEI PELA RESOLUÇÃO 26/2005 DO SENADO FEDERAL. Não incide sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 24 74 /2 00 7- 17 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2002, anteriores a 12/2002, nos termos do voto do Relator, pela aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir as contribuições referentes ao subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea "h" do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 08/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), DEBCAD n° 37.091.0885, tendo como sujeito passivo Município de Ribeirão do Lago — Prefeitura Municipal, acima identificada, já qualificada nos autos, no montante de R$ 1.293.354,01 (um milhão, duzentos e noventa e três mil, trezentos e cinqüenta e quatro reais e um centavo), consolidado em 19 de dezembro de 2007. Conforme Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento do Débito (fls. 82/86), este lançamento corresponde a contribuições sociais, destinadas à Seguridade Social, Fl. 704DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301003.632 S2C3T1 Fl. 14 3 referentes aos pagamentos feitos a contribuintes individuais que prestaram serviço a Prefeitura Municipal de Ribeirão do Lago, assim como detentores de mandato eletivo (Prefeito e Vice Prefeito), estes a partir de 19 de setembro de 2004. Explicita o referido Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento do Débito que esta NFLD diz respeito as seguintes contribuições sociais: Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos detentores de mandato eletivo (conforme art. 22, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991); Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social para os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (conforme art. 22, inciso II, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991); Contribuições sociais devidas pelos segurados detentores de mandato eletivo (Prefeito e VicePrefeito) a serviço da referida Prefeitura Municipal a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos detentores de mandato eletivo (conforme art. 20 e art. 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 8.212, de 1991);Explicita o referido Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento do Débito que esta NFLD diz respeito às seguintes contribuições sociais: Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, incidente sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais (conforme art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991); Contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos, assim como a Outras Entidades e Fundos — Terceiros (SEST e SENAT), previstas no art. 94 da Lei n°8.212, de 1991. O mencionado relatório da NFLD explicita as siglas utilizadas para cada um dos levantamentos no item 3 (fls.83). Ressalta que o Município possui regime próprio de Previdência Social, conforme documentação apresentada (fls.82) e assevera ainda: Consta no referido Relatório Fiscal que as relações de pagamentos referentes ao período de agosto de 2002 a dezembro de 2004 foram fornecidas pelo 19a Inspetoria do Tribunal de Contas dos Municípios, em ItapetingaBA, em meio papel e referente ao período de janeiro de 2005 a abril de 2007 foram fornecidas pelo contribuinte, também em meio papel. No item três, explica, também, os fatos geradores objeto deste lançamento, esclarecendo que não foram apuradas contribuições sobre a remuneração de Prefeito e Vice Prefeito até 19 de setembro de 2004; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Não foram levantadas, também, contribuições dos segurados empregados, uma vez que não foram apresentadas folhas de pagamento relativas a estes segurados, que foram relacionados juntamente com os servidores públicos civis, vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social no mesmo elemento de despesa (3190.11). Ressalta o citado relatório que lid declaração de segurados empregados em GFIP com os respectivos recolhimentos e parcelamentos, concernentes as respectivas divergências de valores entre GFIP x GPS, sobre remuneração destes segurados e que os recolhimentos, bem como os créditos decorrentes das LDC referemse a contribuições declaradas em GFIP e como este lançamento não contempla contribuições declaradas em GFIP, foram consideradas apenas como crédito as diferenças de recolhimentos que excederam o total das contribuições declaradas nas GFIP. O Município foi cientificado da presente notificação em 20 de dezembro de 2007 (fls.01), 20 de dezembro de 2007 (fls.01), apresentando, em 21 de janeiro de 2008 (fls.288), impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese, o seguinte (fls.288/296): A notificada questiona nulidade deste lançamento, alegando que a ciência do lançamento foi dada após o prazo de validade do MPF, onde transcreve ementa de julgado da 4' CAJ que trata da matéria. No item seguinte o contribuinte alega ausência de fundamentação no "FLD —FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO", ressaltando que é nulo o lançamento quando há ausência de fundamentação, ressaltando que tal entendimento encontrase consubstanciado no Acórdão n° 000379/2007, juntando cópia aos autos. Alega que não consta na Notificação Fiscal de Lançamento do Débito (NFLD) fundamento legal para aferição dos valores, arbitramento que foi reconhecido não somente no Relatório Fiscal, mas também no próprio pedido de revisão. Recorrendo ao art. 33, parágrafo 3°, da Lei n° 8.212, de 14 de julho de 1991, o contribuinte afirma que a competência da autarquia é para fiscalizar, não para arbitrar. Transcrevendo diversos julgados, a empresa ressalta que é nulo lançamento por ausência de fundamentação legal, havendo flagrante violação do caput do art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991. A empresa notificada, contestando o lançamento referente a contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo alega serem inconstitucionais por declaração do STF e que este lançamento inclui contribuições sociais que diz respeito a competências alcançadas pela inconstitucionalidade da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991. Questiona, também, falta de fundamentação legal para este lançamento, posto que a Auditoria baseouse no art. 22, inciso I, Fl. 706DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301003.632 S2C3T1 Fl. 15 5 da mencionada Lei n° 8.212, de 1991, ressaltando que não ampara legalmente o lançamento. Afirma ter havido cerceamento do direito de defesa, afrontando o art. 5% inciso LV, da Constituição Federal, uma vez que o Discriminativo Analítico do Débito (DAD) não contém o total geral, dificultando assim para o Município auferir o total geral do lançamento. Em outro item, intitulado "AUTONOMIA FINANCEIRA DA CÂMARA • MUNICIPAL", a notificada alega que o débito ora impugnado é de responsabilidade da Câmara Municipal, que possui autonomia financeira, possui CNPJ próprio, não podendo o município responder por estes débitos, ressaltando os destaques dado pela Constituição Federal de 1988 ao Poder Executivo e ao Poder Legislativo. Prosseguindo seu arrazoado, a notificada, após citar doutrina, jurisprudência, legislação, afirma que não há que se falar em responsabilidade do município, esta é a Câmara Municipal. Solicita a nulidade deste lançamento por divergência de valores no Relatório da NFLD e nos relatórios Instruções para o Contribuinte (IPC) e Discriminativo Sintético do Débito (DSD), bem como divergência na numeração do DEBCAD. Por fim, requereu, além da nulidade acima solicitada que lhe seja concedido, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, prazo de trinta dias para juntada de documentos e o que o contraditório desejar. Em 14 de julho de 2008, foi prolatado Acórdão n. 1516.200 5a Turma da DRJ/SDR que julgou improcedente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007 CUSTEIO. EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO. SEGURADO OBRIGATÓRIO. DECADÊNCIA. CUSTEIO A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo. EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO SEGURADO OBRIGATÓRIO DA SEGURIDADE SOCIAL – O exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, é segurado obrigatório da Seguridade Social. Lançamento Procedente Fl. 707DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Irresignado, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário que repisa os argumentos dispostos na peça de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. DECADÊNCIA Já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual a Contribuição Previdenciária é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. No tocante à decadência é mister analisarmos o instituto à luz da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de Fl. 708DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301003.632 S2C3T1 Fl. 16 7 decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, Fl. 709DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, resta dirimir se houve ou não recolhimento da parte do contribuinte. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Considerando que a Interessada foi cientificada em 20 de dezembro de 2007 e que consta informação de recolhimento [fls. 80], entendo pela aplicação da regra disposta no §4º, do art. 150, do CTN, logo, pelo reconhecimento da decadência até a competência 11/2002. IIREGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Das contribuições incidentes sobre os valores pagos a detentores de mandatos eletivos assiste razão ao Recorrente quando afirma ser inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506, de 30/10/1997, dado que devido a tal vício essa norma já teve sua execução suspensa pelo Senado Federal. Primeiramente, cumpre esclarecer que apesar de se tratar de análise de matéria constitucional, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF (art. 62 do RICARF), a matéria já fora apreciada por decisão plenária e definitiva pelo Supremo Tribunal Federal, o que permite o enfrentamento da matéria por parte deste Colegiado, nos termos do inciso I do parágrafo único do citado artigo, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Quando do julgamento do RE 351.717, o STF decidiu pela inconstitucionalidade da alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei Fl. 710DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301003.632 S2C3T1 Fl. 17 9 n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, por desobedecer o disposto no art. 195, II e 154, I, ou seja, somente por meio de Lei Complementar, poderia ter sido instituída a citada contribuição, verbis. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL.Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc.I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. III. Inconstitucionalidade da alínea h do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R. E. conhecido e provido. (RE 351717, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2003, DJ 21112003 PP00010 EMENT VOL0213305 PP00875) (grifo nosso) Ademais, além de o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal ter sido em decisão plenária e definitiva, o Senado Federal, exercendo atribuição constitucionalmente a ele concedida, nos termos do art. 52, X, suspendeu a execução da norma, nos termos da decisão do STF, nos termos da Resolução SF n. 26/2005, abaixo colacionada: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Nesse sentido, o lançamento dessas contribuições abrangeu competências abarcadas pela declaração de inconstitucionalidade, logo, àquelas anteriores à nova redação dada a alínea "j" do mesmo inciso 1 do art. 12 da Lei n° 8.212191, acrescentada pela Lei n° Fl. 711DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 10.887, de 18/06/2004, que incluiu os detentores de mandatos eletivos no rol de segurados obrigatórios do RGPS, e não com base no dispositivo declarado inconstitucional. Dessa forma, Não incide sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04. Já em relação aos ocupantes de cargos em comissão e contribuintes individuais, os mesmos estariam vinculados ao RGPS ainda que o município dispusesse de RPPS, por conta do disposto no § 13 do art. 40 da Constituição, que veda a vinculação de tais servidores a regimes próprios: 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 15112/98) Ressaltese que alegação de que o citado § 13 necessitaria de regulamentação não tem embasamento nenhum: a Constituição determina a aplicação do RGPS sem ressalvas, deixando claro que todas as normas relacionadas a tal regime valem para os referidos servidores, não havendo motivo para se falar em nova regulamentação, até porque se fosse necessário emitir novas normas a Constituição estaria prevendo a vinculação de servidores a um regime especial, com regras próprias, e não ao geral. O simples fato de o Recorrente ter a opinião de que não poderiam ser aplicados ao mesmo os percentuais devidos pelos empregadores da iniciativa privada não faz com que isso se torne verdade. O Município até chega a dizer que não pode ser equiparado a empregador ou empresa, citando os artigos 2.° e 3.° da Consolidação das Leis do Trabalho, aparentemente esquecendo que o direito previdenciário é autônomo, estando tal assunto disciplinado no art. 15 da Lei 8.212/91, de forma a espancar qualquer dúvida: Art. 15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Tanto o direito previdenciário é autônomo que, por exemplo, os exercentes de mandato eletivo são enquadrados como empregados pela Lei 8.212/91, deixando claro que os conceitos da CLT — no caso, o art. 3.°, que define `empregado' — só se aplicam subsidiariamente ao direito previdenciário: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301003.632 S2C3T1 Fl. 18 11 (Incluído pela Lei n° 10.887, de 2004) No âmbito do RGPS a incidência das contribuições é ditada, basicamente, pelo art. 28 da Lei 8.212191,.que.traz o seguinte conceito de saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuiçdo: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a. qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo .de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10112/97) Vêse que o conceito de saláriodecontribuição abrange as quantias recebidas a título de função gratificada, dado que elas são sem dúvida rendimentos pagos em retribuição ao trabalho. As exceções ao enquadramento no conceito de saláriodecontribuição são apenas as trazidas no § 9.° do mesmo artigo, e dentre elas não se encontram valores recebidos a título de gratificação por exercício de função. IIIINCONSTITUCIONALIDADE E SELIC Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IVMULTA Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Fl. 713DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. VDISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar do lançamento: (i) a incidência sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04; (ii) decadência até competência 11/2002, inclusive; e (iii) aplicar, se mais benéfica ao contribuinte, a multa prevista no art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo que no mais fica mantida a r. decisão recorrida. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 714DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301003.632 S2C3T1 Fl. 19 13 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13133.000191/95-16
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
NULIDADE DO LANÇAMENTO. SÚMULA 21 DO CARF. ARTIGO 72 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF DISPONDO QUE AS DECISÕES CONSUBSTANCIADAS EM SÚMULA SÃO DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS MEMBROS DO CARF. APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO.
Verificado que o auto de infração não contém a identificação da autoridade que a expediu, incide o disposto na Súmula n.° 21 do CARF, que prevê que é nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Inteligência do artigo 53 da Lei n° 9.784, de 1996.
No caso concreto, em conformidade com o artigo 53 da Lei n° 9.784, de 1996, e artigo 72 do Regimento Interno do CARF, que prevê que as decisões consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF, aplica-se o disposto em tais normas para reconhecer a nulidade, por vício formal, do lançamento, resultando prejudicado o recurso da fazenda nacional.
Numero da decisão: 9202-000.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade do lançamento, nos termos da Súmula n.° 21 do CARF, julgando prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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SÚMULA 21 DO CARF. ARTIGO 72 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF DISPONDO QUE AS DECISÕES CONSUBSTANCIADAS EM SÚMULA SÃO DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS MEMBROS DO CARF. APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. Verificado que o auto de infração não contém a identificação da autoridade que a expediu, incide o disposto na Súmula n.° 21 do CARF, que prevê que é nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Inteligência do artigo 53 da Lei n° 9.784, de 1996. No caso concreto, em conformidade com o artigo 53 da Lei n° 9.784, de 1996, e artigo 72 do Regimento Interno do CARF, que prevê que as decisões consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF, aplica-se o disposto em tais normas para reconhecer a nulidade, por vicio formal, do lançamento, resultando prejudicado o recurso da fazenda nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade do lançamento, nos termos da Súmula n.° 21 do CARF, julgando prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 4114,k,,4if 1 SUS OMES J OFFMANN — Presidente em exercício MOI • COMELLI ES D • LVA - Relator EDITADO EM: 114 IAMI Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de notificação de malha relativa ao Imposto Territorial Rural - ITR, do ano de 1994, cuja causa está relacionada ao Valor da Terra Nua — VTN, declarada pelo contribuinte. De início, destaco que a notificação de lançamento de fls. 06 não contém a identificação da autoridade que a expediu, incidindo as disposições da Súmula n.° 21, do CARF, que assim dispõe: Súmula n.° 21 do CARF, é nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Quanto ao mérito, constata-se que, após ter entregue declaração de ITR às fl. 07, quando da impugnação, o recorrido alegou erro no preenchimento da declaração dizendo ter atribuído valor à terra nua fora da realidade da região. Justificou sua manifestação com base no Laudo Técnico de Avaliação de fls. 05, assinado pela Secretária da Fazenda do Município de Montividiu, em Goiás, local onde se encontra o imóvel em questão. O acórdão recorrido entendeu que o laudo antes referido não preenche os requisitos legais, todavia, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para aplicar no cálculo do ITR de 1994 o VTN mínimo previsto para o município de localização do imóvel. Regulaimente intimada às fls. 32, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial de fls. 34 e seguintes, alegando contrariedade ao artigo 147 do CTN sob o argumento de que, após o lançamento, incabível a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante. Sustenta, ainda, que o laudo técnico apresentado pelo recorrido não se presta para rever o VTN, conforme é facultado à Administração, por força do § 4 a, artigo 3°, da Lei n.° 8.847, de 1994. A correspondência de fls. 48, remetida ao recorrido, voltou com a informação de que não existe o número indicado. Apesar do tal registro, o documento de fls. 03 demonstra que os correios, em data anterior, já entregaram correspondência no citado endereço. Desta,—., 2 Processo n° 13133.000191/95-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.783 Fl. 3 forma, intimado por edital para contrarrazões, estas não foram apresentadas e os autos foram encaminhados para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Dados os fatos especificados no relatório o conheço para exame da legalidade do lançamento. A notificação de lançamento de fls. não contém a identificação da autoridade que a expediu, incidindo o disposto na súmula n° 21 do CARF, "in verbis": Súmula CARF n.° 21: É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Por sua vez, o artigo 72 do Regimento Interno do CARF, que prevê que as decisões consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, verificada nulidade, não pode o relator silenciar acerca da mesma. Soma-se a isto a determinação prevista no artigo 53, da Lei n° 9.784, de 1999, que prevê que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vícios de legalidade. Ademais, quando se analisa a legalidade do lançamento, há que se ter presente as disposições do artigo 10, do Decreto n.° 70.235, de 1972, que trata dos requisitos para a validade do auto de infração, assim dispondo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. A qualificação do autuado, a descrição do fato, a disposição legal infringida são requisitos essenciais para validade do lançamento. Sem tais requisitos, sequer é possível falar em lançamento válido, ainda que para fins de interrupção da decadência. Todavia, as questões relacionadas à identificação do local, da data e a assinatura da autoridade autuante, são requisitos necessários, mas que, se inexistentes, não -, 3 alteram a essência do lançamento, constituindo-se, apenas, em nulidades formais, nos teimos da Súmula n.° 21 do CARF, anterioimente transcrita. No caso dos autos, a falta de assinatura na notificação do lançamento se constitui em nulidade que deve ser declarada a qualquer tempo, uma vez que é requisito essencial ao regular desenvolvimento do processo. Quanto às questões de mérito articuladas no recurso da Fazenda Nacional, as mesmas resultam prejudicadas em decorrência da nulidade do lançamento. ISTO POSTO, voto no sentido de reconhecer a nulidade do lançamento, nos temos da Súmula n.° 21 do CARF, julgando prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Moisés Giacomelli Nunes da ilva 4
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Numero do processo: 10768.720214/2007-62
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA.
Nos termos da legislação de regência, é cabível a restituição de estimativa e o consequente emprego em compensação devidamente declarada, desde que presentes os requisitos da certeza e liquidez do crédito, providência a ser verificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Incidência da Súmula CARF nº 84 (Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.).
Numero da decisão: 1103-000.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRF de origem para verificação do crédito alegado, retomando-se, desde o início, o rito processual do Decreto nº 70.235/72, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. Nos termos da legislação de regência, é cabível a restituição de estimativa e o consequente emprego em compensação devidamente declarada, desde que presentes os requisitos da certeza e liquidez do crédito, providência a ser verificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Incidência da Súmula CARF nº 84 (“Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRF de origem para verificação do crédito alegado, retomandose, desde o início, o rito processual do Decreto nº 70.235/72, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 02 14 /2 00 7- 62 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 166 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de PER/DCOMP (fls.03/07), transmitido em 21/01/05, por meio do qual se declarou compensação de estimativa de IRPJ, relativa a dezembro/04, no valor de R$9.361.857,55. O direito creditório adviria de estimativa de IRPJ, no valor original de R$8.149.958,69, período de apuração 31/12/03, recolhida em 30/01/04. Por meio do Despacho Decisório (fl.29), lastreado no Parecer Conclusivo nº 501/08 (fls.26/28) e cientificado ao contribuinte em 17/12/08 (fl.36), decidiuse não homologar a compensação em razão de os recolhimentos de estimativa não poderem ser restituídos/compensados diretamente, mas apenas os saldos negativos apurados ao final dos respectivos períodos de apuração: “[...] Ocorre que, por determinação expressa contida no art. 10 da Instrução Normativa SRF 460/2005, vigente à época em que a Declaração de Compensação foi apresentada, mantida inclusive pelo art. 10 da IN SRF 600/2005, que lhe sucedeu, o crédito relativo a pagamento a maior de estimativa de IRPJ não pode ser compensado diretamente com outros tributos, mas sim levado como dedução ao final do anocalendário para liquidação do IRPJ anual devido ou, em sendo o caso, para composição do eventual crédito de saldo negativo de IRPJ, configurandose então neste último (o saldo negativo de IRPJ) o crédito passível de compensação, nos termos do inciso II do §1º do art.6º c/c o art. 28 da mesma Lei 9.430/96.” Houve apresentação de manifestação de inconformidade às fls.39/77, indeferida pela Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme decisão que recebeu a seguinte ementa (fls.99/107): PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do tributo devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Conforme o respectivo voto vencedor, as razões de decidir da unidade de origem da RFB foram adotadas na íntegra: “Ante o exposto, restame ratificar a posição emanada do Parecer Conclusivo n.° 227/08, para, em cumprimento do que estabelece o art. 10 da IN SRF n.° 460/04, NÃO HOMOLOGAR a compensação.” 1. 1 Muito provavelmente o Relator do voto vencedor equivocouse ao mencionar o número do Parecer Conclusivo, pois o que diz respeito a este processo, como posto no relatório do acórdão da DRJ, é o de nº 501/08 (fls.26/28). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 167 3 Devidamente cientificado da decisão em 28/10/09 (fl.116), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 06/11/09 (fls.117/131), valendose dos fundamentos abaixo: a) os artigos 2º, 4º e 11 da Instrução Normativa SRF nº 900/08 aplicarseiam retroativamente, sob pena de se contrariar o disposto no art.105 do Código Tributário Nacional (CTN); b) não obstante a transmissão do PER/DCOMP em 2005, a apreciação pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil ocorrera após a entrada em vigor da IN SRF nº 900/08; c) a respeito do crédito, a autoridade fazendária não teria oposto qualquer objeção; d) a restrição imposta pelo art.10 da IN SRF nº 600/05, de apenas permitir o emprego do pagamento indevido a título de estimativa na dedução do tributo apurado ao final do ano calendário ou na composição do saldo negativo, seria ilegal à vista do art.66 da Lei nº 8.383/91, art.39 da Lei nº 9.250/95 e art.74 da Lei nº 9.430/96. Violaria o “...princípio da hierarquia das normas posto que a lei, enquanto fonte primária da ordem jurídica, teve seu âmbito normativo mitigado em função das disposições inovadoras da instrução normativa em tela, ato de inquestionável hierarquia inferior, porquanto originário da função regulamentar do Executivo, e não da função legislativa, esta sim que detém legitimidade e competência para inovar no mundo jurídico”, como entende o Supremo Tribunal Federal; e) o despacho decisório que não homologou a compensação deveria ser anulado, por ser frontalmente contrário à lei; f) as únicas limitações ao direito à compensação seriam aquelas estampadas no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil: “(...) o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; o débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional com crédito de terceiro; o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; o saldo a restituir apurado na DIRPF; o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional reconhecido por decisão judicial que ainda não tenha transitado em julgado; o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à SRF, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 168 4 autoridade competente da SRF, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Esta vedação não se aplica ao débito consolidados no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, bem assim aos pedidos de compensação formalizados perante a SRF até 07 de abril de 2000; e outras hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição.” A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls.135/147) em que concluiu: “Em suma: sob a égide do regime de apuração anual do IRPJ, o ‘crédito passível de restituição’ de que trata o art.74 da Lei nº 9.430/96 corresponde ao saldo negativo do imposto, ou ao pagamento a maior do IRPJ apurado em definitivo no final do períodobase.” É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A principal questão a ser equacionada diz respeito à possibilidade de pagamento indevido de estimativa ser empregado na compensação de estimativa apurada no anocalendário subsequente. Na sistemática de apuração do lucro real anual, com a realização de antecipações mensais (estimativas), o recolhimento destas repercute na apuração ao final do anocalendário, seja para reduzir o valor do tributo devido ou para compor saldo negativo. No caso concreto, é até possível que a estimativa de IRPJ, relativa a dezembro de 2003, tenha contribuído para a apuração de eventual saldo negativo ao final daquele anocalendário, de forma que se poderia considerálo como a origem do direito creditório pleiteado, ainda que, reconheçase, com repercussões na atualização monetária. Em suma, fixada a premissa de preenchimento equivocado do PER/DCOMP, evitarseia a necessidade de renovação do pleito. Entretanto, da leitura da impugnação e do recurso voluntário, não há o mínimo indício a apontar para suposto cometimento de erro por parte do contribuinte, que, ao revés, reitera a sua pretensão de restituição e a efetivação da compensação conforme PER/DCOMP, de forma que deve ser apreciado como apresentado ao Fisco federal. É o que se passa a fazer. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 169 5 A restituição de valores pagos indevidamente tem assento no Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Em nível infralegal, especificamente a respeito da controvérsia, a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05, era clara ao expor o entendimento da Administração tributária federal, contrário à possibilidade de restituição direta de estimativas, mas tão somente do eventual saldo negativo apurado ao final do anocalendário. Vejamos: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaquei) Entretanto, com a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/08, tal restrição, vinculada ao aproveitamento dos recolhimentos das estimativas apenas ao final do período de apuração anual, deixou de existir, restando apenas o comando relacionado à retenção indevida ou a maior de IRPJ ou de CSLL, conforme redação do seu artigo 11: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Da leitura da decisão a quo, notase que o embate deuse exatamente quanto à produção dos efeitos desta alteração de entendimento. Para o voto vencido, o art.11 da IN RFB nº 900/08 “...foi, antes de tudo, um ato de recondução da Administração Pública à legalidade”. De acordo com o voto vencedor, por sua vez, não se poderia falar em retroatividade da norma, “...sob o risco de inobservância do art.2º da LICC, bem assim de desrespeito ao art.106 da Lei nº 5.172/66 (CTN). A propósito, posteriormente ao acórdão recorrido, precisamente em 05/12/2011, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil resolveu colocar luzes sobre a discussão. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 170 6 Por meio da Solução de Consulta Interna nº 19, expedida pela Coordenação Geral de Tributação, definiuse que a alteração de entendimento veiculada com a IN RFB nº 900/08 é aplicável aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009, quando pendentes de decisão administrativa. Tal Solução de Consulta recebeu a seguinte ementa: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Após discorrer sobre as duas correntes de interpretação, inclusive no âmbito deste Conselho, a Secretaria da Receita Federal do Brasil expôs o caráter interpretativo dos dispositivos das IN SRF nº 600/2005 e IN RFB nº 900/2008, outrora reproduzidos. In verbis: “(...) Existem, na doutrina e jurisprudência, duas correntes sobre o tratamento da estimativa paga a maior ou indevidamente. Segundo a primeira, o valor pago a esse título é passível de restituição, considerandose as regras aplicáveis ao regime opcional de pagamento, e, em decorrência dessa opção, a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos fica diferida para o ajuste anual. Em outras palavras, o pagamento a maior ou indevido de estimativas não poderá ser compensado ou restituído, via PER/DCOMP, mas poderá ser integralmente deduzido na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Isto porque o valor pago, enquanto se caracterizar apenas como pagamento por estimativa, não tem a natureza de indébito, que daria direito à restituição. E não havendo direito à restituição, não se aplica o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 171 7 utilização do crédito passível de restituição para compensação. Dessa forma, ainda que o contribuinte efetue pagamento estimado em determinado mês superior ao que estava obrigado por lei, a diferença não se caracteriza como tributo indevido, passível de restituição, uma vez que essa apuração só é possível mediante comparação com o lucro real anual. 9.1 Esse entendimento foi adotado pelas IN SRF nºs 460, de 2004, e 600, de 2005, conforme apontado no item 7 deste ato, tendo vigorado no período de vigência das referidas instruções normativas, compreendido entre 29 de outubro de 2004 e 31 de dezembro de 2008, e está consubstanciado no Acórdão nº 101 96044 do Primeiro Conselho de Contribuintes. 10. Para a segunda corrente, o débito por estimativa tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecidos pela legislação, de forma que o pagamento que superar o valor devido no período, apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996), configura, sim, pagamento indevido, passível de restituição ou compensação de imediato. Nesse sentido, transcrevese a ementa do Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO.ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão CARF nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) 10.1 A RFB aderiu a essa segunda corrente a partir da edição da IN RFB nº 900, de 2008. ..... 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 11. Quanto à natureza jurídica das instruções normativas, são atos que têm por função complementar e normatizar a legislação tributária, enquadrandose no art. 100, inciso I do CTN. Têm, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 172 8 também, esses atos, natureza interpretativa, explicitando o sentido e alcance dos atos legais. Nessa acepção, embora se enquadre na categoria de atos normativos, não possuem natureza de ato constitutivo, uma vez que não se revestem do poder de criar, modificar ou extinguir relações jurídico tributárias, em razão, precisamente, de seu caráter meramente interpretativo. 12. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). 12.1 Contudo, no presente caso, os arts. 10 das IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 13. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. ..... 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. ..... 19. Diante do exposto, solucionase a presente consulta interna respondendo à interessada que: a) o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 173 9 b) caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005; c) a nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa” Uma vez comprovado ter sido indevido o recolhimento da estimativa, ainda que parcial, e estando disponível, por exemplo, para compensação, à luz do disposto no art.165, I, do CTN, e do art.74 da Lei nº 9.430/96, é cabível a repetição, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Como visto, tal interpretação foi fixada pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse ponto, não pode prevalecer o acórdão recorrido. Outro não foi o entendimento desta Terceira Turma Ordinária em julgamentos anteriores (acórdãos nº 110300.735, 110300.736, 110300.737 e 110300.738) Acrescentese que, em 10/12/12, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou o Enunciado nº 84 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros2: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Tal conclusão, porém, não pode levar, automaticamente, ao reconhecimento do indébito, vez que a liquidez e certeza do crédito apontado não foram apreciadas nas instâncias inferiores. Significa, apenas, que a premissa por elas adotada não pode representar óbice ao deferimento da restituição/compensação. Percebese que a unidade de origem da RFB procedeu à uma análise superficial, a partir da definição de um critério objetivo estabelecido a priori. Identificado o direito creditório a lastrear a compensação declarada como oriundo de recolhimento de estimativa, considerou tal motivo como suficiente ao indeferimento do pleito, não tendo avançado na investigação. 2 Conforme art.72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, "As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF". Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 174 10 O fato de inexistir informação sobre a disponibilidade do valor do recolhimento que o contribuinte afirma ser indevido não autoriza concluir que teria sido aproveitado somente na compensação ora declarada. Os autos carecem de prova a respeito. Os requisitos da liquidez e certeza não se presumem do silêncio. Constituem a essência de um crédito passível de restituição/compensação. O CTN, ao tratar das modalidades de extinção de créditos tributários, estabeleceu a necessidade de a compensação apenas poder ser realizada com créditos líquidos e certos, inclusive com a vedação, quando se opta pela via judicial, de ser concedida antes do trânsito em julgado da respectiva decisão que a tenha autorizado. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio do enunciado nº 212, da súmula de sua jurisprudência, que tem a seguinte redação: “A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória”. Portanto, inevitável é a verificação da existência e disponibilidade do crédito pretendido, como aliás recentemente já se decidiu no âmbito deste Conselho: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. (1ª SJ, 1ª Turma Especial, Acórdão nº 180100.867, de 01/02/2012, Rel. Cons. Ana de Barros Fernandes) Pelo nível de detalhamento, com sugestões de providências a serem adotadas quando da análise do crédito, cabe reproduzir a conclusão de tal acórdão: “Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc.” Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.720214/200762 Acórdão n.º 1103000.913 S1C1T3 Fl. 175 11 Caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil entenda não estarem presentes os requisitos da certeza e liquidez do crédito apontado pelo contribuinte e, consequentemente, novamente deixe de homologar a compensação nos termos declarados, devese facultar ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade contra tal decisão, conforme previsto no art.74 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRF de origem para verificação do crédito alegado, retomandose, desde o início, o rito processual do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13052.000184/2001-33
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI.
Recurso Especial da Fazenda Nacional
BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda.
REP Provido.
Recurso Especial do Sujeito Passivo.
TAXA SELIC.
É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
REC Negado.
Recursos Especiais do Procurador Provido e do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.791
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à industrialização por encomenda. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento; e II) negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Recurso Especial da Fazenda Nacional BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. REP Provido. Recurso Especial do Sujeito Passivo. TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. REC Negado. Recursos Especiais do Procurador Provido e do Contribuinte Negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Recurso Especial da Fazenda Nacional BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. REP Provido. Recurso Especial do Sujeito Passivo. TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. REC Negado. Recursos Especiais do Procurador Provido e do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 01 84 /2 00 1- 33 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto à industrialização por encomenda. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento; e II) negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996. Duas são as matérias devolvidas a este Colegiado: industrialização por encomenda e incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI. O julgamento deste recurso tem como paradigmas os Recursos nºs 231.539 (industrialização por encomenda) e 228.964 (incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI), julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicadas as mesmas teses daqueles julgados, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Os recursos merecem ser conhecidos por serem tempestivos e atenderem aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto as teses prevalentes no julgamento dos Recursos nºs 231.539 (industrialização por encomenda) e 228.964 (incidência da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento de IPI). Recurso Especial da Fazenda Nacional Industrialização por encomenda A Fazenda Nacional assevera que o aresto recorrido desobedeceu o art. 1º da Lei nº 9.363/96, ao permitir a utilização do valor dos serviços prestados correspondentes à Fl. 398DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13052.000184/200133 Acórdão n.º 9303000.791 CSRFT3 Fl. 392 3 industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Fl. 400DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13052.000184/200133 Acórdão n.º 9303000.791 CSRFT3 Fl. 393 5 Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, nego o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Sujeito Passivo Incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI A questão da possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI passa necessariamente pela diferenciação dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo referese aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido devese dizer que o art. 39, § 4º, da Lei no 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Nos termos dos votos paradigmas transcritos linhas acima, dáse provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negase provimento ao especial do Sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11075.000210/2005-63
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.175
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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" MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS fr5gY ,,,og..A.tp.;,< TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11075.000210/2005-63 Recurso n° 142.748 Voluntário Acórdão n° 3102-00.175 — i a Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente ZAELI ALIMENTOS SUL LTDA. Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. Recurso Voluntário Negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. j1Ç3à4".4"—' °fQA")*\‘ M CIA HELENA TRA NO D'AMORIM - Presidente B ATRIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Contra a empresa supra identificada foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao período de 01/10/2001 a 30/09/2002, nos termos do § 30 do art. 113 e do art. 116 do CTN, dos arts. 40 .e 2° da IN SRF n° 73/96, arts. 2° e 6°, da IN SRF n° 126/98, item I da Portaria 118/84 do Ministério da Fazenda, art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124/84, e art. 7° da Lei n° 10.426/2002. Em sua impugnação o Contribuinte pediu, em síntese, que o auto de infração fosse cancelado ou anulado, ou reduzida a multa cobrada, porque a multa seria confiscatória. Remetidos os autos a exame da colenda Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS, o lançamento foi julgado procedente, porquanto a multa teria sido aplicada em conformidade com a legislação tributária. Contra a decisão da DRJ-Santa Maria/RS, o Contribuinte interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de trinta dias. É o Relatório. Decido. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA, Relatora. Entendo que não merece prosperar o recurso voluntário, na medida em que está correta a aplicação de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. O art. 113, §§ 2° e 3°, do CTN e Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118/84, que delegou competência ao Secretario da Receita Federal, através da Instrução Normativa n.° 126/1998, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, como obrigação acessória dos contribuintes prestarem mensalmente informações relativas à obrigação principal de tributos ou contribuições federais, por meio de formulário padrão. Em caso de inobservância de tal obrigação, a referida norma impõe a aplicação de multa, como é o caso concreto. Além disso, a multa em questão tem fundamento e suficiência legal no art. 11, §§ 2°, 3° e 4° do Decreto-Lei no 1.968/82, com a redação do art. 10 do Decreto-Lei no 2.065/83, e do art. 5 0, § 3°, do Decreto-Lei no 2.124/84. Por possuir amparo legal, o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo pela manutenção da multa por atraso de entrega de DCTF em hipóteses como a presente, como ocorreu nos julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LEGALIDADE. 1. É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes. 2 Processo n° 11075.000210/2005-63 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.175 Fl. 57 2. "Á par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um" (REsp. 243241/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, RI de 21.08.2000 p. 114). 3. Recurso Especial provido (REsp 591.726/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 21.5.2008). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL INADMITIDO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DCTF - ATRASO NA ENTREGA - MULTA - POSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO PACIFICADO - SÚMULA 83/STJ. - É pacifico na jurisprudência deste Tribunal Superior o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação de multa ao contribuinte pelo atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. Incide, à espécie, o enunciado 83/STJ, fundamento suficiente para se negar seguimento ao agravo de instrumento. • - Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 572.765/MG, ReL Min. Peçanha Martins, DJ de 24.3.2006). Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. - B ATRIZ VERÍSSIMO DE SENA 3
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Numero do processo: 16707.003445/2007-17
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
PREVIDENCIÁRIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO MULTA.
Constitui infração à legislação - previdenciária a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias de segurados obrigatórios da Previdência Social que lhe prestaram serviços.
RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO.DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIO.
Sem a tempestiva observação dos requisitos previstos na legislação previdenciária para a correção da falta, a penalidade não é relevada .
Desnecessário converter o julgamento em diligência em razão de que ainda que seu retorno comprove o vínculo do recolhimento, o feito não confere efetividade ao pleito em face da intempestividade na liquidação uma vez que a falta somente poderia ser corrigida até o termo final do prazo para impugnação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carolina Wanderley Landim.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 PREVIDENCIÁRIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. Constitui infração à legislação - previdenciária a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias de segurados obrigatórios da Previdência Social que lhe prestaram serviços. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO.DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIO. Sem a tempestiva observação dos requisitos previstos na legislação previdenciária para a correção da falta, a penalidade não é relevada . Desnecessário converter o julgamento em diligência em razão de que ainda que seu retorno comprove o vínculo do recolhimento, o feito não confere efetividade ao pleito em face da intempestividade na liquidação uma vez que a falta somente poderia ser corrigida até o termo final do prazo para impugnação. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.003445/200717 Recurso nº 159.832 Voluntário Acórdão nº 2403001.685 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente P&A EMPREENDIMENTOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 PREVIDENCIÁRIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias de segurados obrigatórios da Previdência Social que lhe prestaram serviços. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO.DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIO. Sem a tempestiva observação dos requisitos previstos na legislação previdenciária para a correção da falta, a penalidade não é relevada . Desnecessário converter o julgamento em diligência em razão de que ainda que seu retorno comprove o vínculo do recolhimento, o feito não confere efetividade ao pleito em face da intempestividade na liquidação uma vez que a falta somente poderia ser corrigida até o termo final do prazo para impugnação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 34 45 /2 00 7- 17 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carolina Wanderley Landim. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16707.003445/200717 Acórdão n.º 2403001.685 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância ad quod produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Durante a fiscalização na empresa em tela, foi identificado que a mesma deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre os valores pagos a titulo de prêmio na competência 07/2004. Assim procedendo, a empresa teria contrariado o artigo 30, inciso 'I', alínea 'a' da Lei 8.212/91 c/c os artigos 216, inciso 'I', alínea 'a' do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99. Diante de referida omissão, foi lavrado o presente AI n.° 37.100.5892, totalizando a importância de R.$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos) que, em decorrência da fusão dos fiscos da Receita Federal e Previdência Social, recebeu nova numeração no protocolo do Ministério da Fazenda, a saber: 16707.003445t2007 17. No Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (f. 12), a mesma foi quantificada em seu valor mínimo, nos termos do 283, I, alínea 'g' do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, levando em consideração que o autuado era primário e não incorreu em circunstâncias agravantes. Cientificado do referido Al, pessoalmente, consoante assinatura aposta nos autos, A fl. 01,0 contribuinte apresentou impugnação (f. 17), ocasião em que requer a relevação da penalidade, argüindo, em síntese, que: I a impugnação foi feita tempestivamente; H a empresa corrigiu a falha dentro do prazo permitido; III o infrator é primário e que não existem circunstâncias agravantes.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.29 a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Recife – (PE) DRJ/REC, em 11 de dezembro de 2007, exarou o Acórdão n° 1121.057, mantendo procedente o lançamento. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.38 colacionando alegações e documentação ausentes dos autos quando da decisão “ ad quod ”: “ Inicialmente, a empresa ora Recorrente, foi acusada de não apresentar documentos comprobatórios da correção da sua falha, tendo, como enfatizado no relatório supracitado, sido apresentado, mesmo que tempestivamente, apenas, cópia da GFIP. Neste sentido, segue em anexo as cópias do pagamento parcelado do débito resultante da GFIP em questão, com a primeira parcela referente ao mês de setembro de 2007 (doc. 05) no valor de R$ 4.929,70 (quatro mli, novecentos e vinte e nove reais e setenta centavos), a segunda referente a outubro de 2007 (docs. 06 e 07) no valor de R$ 4.978,96 (quatro mil, novecentos e setenta e oito reais e noventa e seis centavos), a terceira referente ao mês de novembro de 2007 (docs. 08 e 09) no valor de R$ 5.028,21 (cinco mil e vinte e oito reais e vinte e um centavos) e a quarta parcela, referente ao mês de dezembro de 2007 (docs. 10 el 1) no valor de R$ 5.066,14” É o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16707.003445/200717 Acórdão n.º 2403001.685 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registros de fls.63 e 65, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES O fato que deu origem ao lançamento foi a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados sobre os valores pagos a titulo de prêmio registrados em Folha de Pagamento na competência 07/2004. No recurso a empresa alega que parcelou o débito em questão e liquidou na forma da primeira parcela referente ao mês de setembro de 2007(doc.5). O documento apontado consta colacionado às fls. 46 e referese a recolhimento efetuado sob o código 4308 ( parcelamento) para competência 09/2007 em 05/09/2007. Cumpre ressaltar que embora a Recorrente se refira ao parcelamento, não juntou cópia do documento original onde se verificaria quais as rubricas, competências e respectivos valores foram pactuados de adimplir. A ciência do lançamento ocorreu em 17/07/07, fls. 01. Nos termos do caput do então vigente art. 291 do RPS/99, constituía circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação previsto para 16/08/2007. No caso presente, corrigir a falta seria providenciar o pagamento mediante efetivo recolhimento. Às fls.02, no relatório denominado IPC INSTRUÇÃO PARA 0 CONTRIBUINTE, o item 1 registra que o parcelamento seria uma das formas de regularização: “ 1. Regularização do Débito 0 contribuinte poderá pagar, parcelar o débito ou apresentar impugnação demonstrando ou não a correção da falta, conforme o item 2 a seguir, sob pena de, em sendo o mesmo julgado procedente definitivamente, sujeitarse a cobrança judicial. Para emissão de guia de recolhimento, apresentação de impugnação ou parcelamento, o contribuinte deverá dirigirse unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil.” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Desse modo, admitindose hipótese de que a empresa optara pelo parcelamento a ocorrência tornaria desnecessário interpor impugnação e mesmo que o fizesse teria trazido tal definitivo fato à colação. Desse modo é lícito concluir que o pedido de parcelamento, mesmo que vinculado, ocorreu intempestivo, posto que depois do prazo para impugnar. Entendo desnecessário converter o julgamento em diligência em razão de que ainda que seu retorno comprove que o recolhimento de parcelamento colacionado às fls. 46, realizado em 05/09/2007, de fato se refira à liquidação para a competência 08/2007, o feito não confere efetividade ao pleito em face da intempestividade na liquidação uma vez que a falta somente poderia ser corrigida até o termo final do prazo para impugnação previsto para 16/08/2007. Relevante ressaltar que em seu recurso a Recorrente não refuta a penalidade e requer tãosomente relevação da multa: “ Face ao exposto e diante da apresentação da documentação em anexo, restando comprovada a correção da falha que gerou a multa hora impugnada, vem a Recorrente, requerer que este Conselho reforme a decisão que manteve a condenação, no sentido de que seja relevada a r. multa no valor de R$ 1.195,13 (hum mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), por ser a medida legal mais equânime para este caso.” Tudo isto exposto, não dou provimento ao recurso CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR, NEGARLHE PROVIMENTO . É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900018/2008-72
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO.
Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo).
Numero da decisão: 1803-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 00 18 /2 00 8- 72 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 488 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 489 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 430verso a 433verso): A pessoa jurídica acima identificada apresentou a Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) nº 25588.18351.030204.1.3.024650, fls. 01 a 05, extinguindo, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, débito de estimativa do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do período de apuração dezembro de 2003, utilizandose de crédito, no valor de R$ 654.855,85 (seiscentos e cinquenta e quatro mil, oitocentos e cinquenta e cinco reais e oitenta e cinco centavos), decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000. Consoante o Despacho Decisório, nº de Rastreamento nº 749322963, à fl. 09, a compensação declarada não foi homologada em razão de divergência entre o valor do saldo negativo apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e o informado na DCOMP. Enquanto nesta, o saldo informado foi de R$ 654.855,85, naquela, o montante declarado foi de R$ 866.585,00. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade com o Despacho Decisório (fls. 12 a 23), alegando ser incompreensível a justificativa da autoridade fiscal de que não era possível confirmar a existência do direito creditório devido à divergência dos valores informados na DCOMP e na DIPJ, a despeito de toda a documentação entregue em cumprimento das inúmeras obrigações acessórias impostas pela legislação tributária, eximindose do seu dever de obediência ao Princípio da Verdade Material. Afirma que o valor de R$ 654.855,85, declarado na DCOMP, corresponde, de fato, a uma parte do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, que é no montante de R$ 866.585,00, tendo em vista que a outra parcela, no valor de R$ 211.729,15, foi compensada com tributos federais, por meio das Declarações de Compensação já homologadas nº 24522.80257.200204.1.3.049087, 05189.19559.090204.1.7.040400 e 15194.77981.240204.1.3.040455 (doc. 04), objetos dos processos administrativos nº 10510.900.334/200682 e 10510.720.207/200782 (doc. 05). Por meio do Despacho nº 181 – 2ª Turma da DRJ (fls. 257 e 258), o presente processo foi encaminhado à DRF/ARACAJU para realização de diligência, a fim de apurar o valor do saldo anual do IRPJ referente ao anocalendário de 2000, e verificar se ainda haveria crédito oriundo do saldo negativo do anocalendário de 2000 passível de ser compensado com o débito objeto da DCOMP em análise no presente processo. A realização da diligência resultou na documentação anexada às fls. 259 a 281, na qual se encontra o Relatório de Diligência, de fls. 280 e 281, em que o Auditor Fiscal responsável informa o seguinte: – examinando a Ficha 12B – Cálculo do IR sobre o Lucro Real (fl.225), da DIPJ/2001, verificase que o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000, ora pleiteado, tem como origem as deduções, feitas do IRPJ apurado sobre o Lucro Real, relativas ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, o Imposto de Renda Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 490 4 Retido na Fonte e os pagamentos de estimativas ocorridos no curso do ano calendário, conforme quadro a seguir: FICHA 12B CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 1.127.049,54 01. À ALÍQUOTA DE 15% 727.366,36 03. ADICIONAL DEDUÇÕES 04. () PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 90.163,96 09 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO 5.689,14 11. () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 2.625.147,80 13. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 866.585,00 – a adesão da pessoa jurídica ao PAT foi confirmada, consoante extratos de consultas ao sítio do Ministério do Trabalho e Emprego (fl. 279); – no que concerne às retenções na fonte, os extratos, à fl. 259, respaldam os valores declarados; – em relação ao imposto de renda pago por estimativa, cabe destacar que o valor informado não guarda qualquer relação com os dados das estimativas apuradas na ficha 11 da DIPJ/2001, às fls. 221/224, tampouco com os valores declarados em DCTF, fls. 260/265, cujas informações encontramse resumidas no quadro a seguir: Período de Apuração Estimativa IRPJ DIPJ Estimativa IRPJ DCTF Retificadora jan/00 126.287,47 0,00 fev/00 57.327,09 126.247,47 mar/00 833.451,07 907.018,20 abr/00 316.496,25 182.742,94 mai/00 100.935,88 133.753,31 jun/00 188.483,66 243.831,78 jul/00 126.919,79 306.013,48 ago/00 58.271,70 257.910,62 set/00 53.797,36 53.797,36 out/00 0,00 0,00 nov/00 0,00 0,00 dez/00 0,00 0,00 TOTAL 1.861.970,27 2.211.315,16 – por conta disso, optouse por desprezar tais informações e passouse então a levantar todos os dados referentes aos pagamentos e compensações passíveis de vinculação ao anocalendário de 2000; – quanto aos pagamentos em DARF, em consonância com os extratos às fls. 266/269, elaborouse o demonstrativo abaixo e apurouse que, embora o interessado tenha pagado um total de R$ 3.532.229,16, somente pode ser utilizado para compor o saldo negativo o montante de R$ 1.601.244,27, em razão de parte dos pagamentos Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 491 5 ter sido restituída no processo nº 10510.900334/200682, conforme pode ser verificado no Despacho Decisório DRF/AJU nº 726/2007, às fls. 76/82: Estimativa Paga Pagamento Restituído Período de Apuração Data do Pgtº Valor/Principal Sim/Não Valor Processo Valor a ser Utilizado Para Compensar o SN Janeiro 29/02/2000 317.105,15 Sim 317.105,15 10510.900334/200682 0,00 31/03/2000 325.220,34 Sim 299.970,85 10510.900334/200682 0,00 Fevereiro 29/11/2002 126.247,47 Não 126.247,47 28/04/2000 223.380,18 Não 223.380,18 29/11/2002 57.327,09 Não 57.327,09 Março 14/03/2008 16.240,04 Não 16.240,04 Abril 31/05/2000 182.742,94 Não 182.742,94 30/06/2000 257.905,50 Sim 257.905,50 10510.900334/200682 0,00 Maio 29/11/2002 133.753,31 Não 133.753,31 31/07/2000 301.201,48 Sim 158.905,50 10510.900334/200682 142.895,89 Junho 29/11/2002 100.935,89 Não 100.935,89 31/08/2000 260.425,72 Não 260.425,72 Julho 29/11/2002 45.587,76 Não 45.587,76 29/09/2000 251.284,77 Não 251.284,77 Agosto 14/03/2008 6.625,85 Não 6.625,85 Setembro 31/10/2000 311.344,23 Sim 257.546,87 10510.900334/200682 53.797,36 Outubro 04/12/2000 278.651,94 Sim 278.651,94 10510.900334/200682 0,00 Novembro 28/12/2000 211.729,15 Sim 211.729,15 10510.900334/200682 0,00 Dezembro 31/01/2001 124.520,35 Sim 124.520,35 10510.900334/200682 0,00 Total 3.532.229,16 1.906.335,31 1.601.244,27 – cabe esclarecer que, em relação ao pagamento efetuado em 31/03/2000, no valor de R$ 325.220,34, embora a restituição tenha sido parcial, a diferença, no valor de R$ 25.249,49, não pôde ser utilizada na composição do saldo negativo porque fora alocada para quitação da multa de mora relativa ao pagamento feito em 29/11/2002, no valor de R$ 126.247,47, situação esta que está consignada no Despacho Decisório referido (fl. 79) e extrato à fl. 270. Outrossim, registrese que não foram considerados, no demonstrativo em epígrafe, os pagamentos realizados em 20/12/2004, relativos aos períodos de apuração de março, maio, junho e julho, nos montantes de R$ 11.465,41; R$ 26.750,66; R$ 20.187,17 e R$ 9.117,55, nesta ordem (ver extrato à fl. 267), porque se referem, na verdade, à multa de mora de 20% não paga por ocasião dos recolhimentos realizados em 29/11/2002; – em relação às estimativas compensadas, inicialmente efetuamos consulta ao sistema SIEF/Perdcomp, com o fito de localizar declarações de compensação nas quais constassem débitos de estimativa referentes ao anocalendário de 2000, tendo sido localizadas DCOMP com a indicação de débitos dos meses de março, junho, julho e setembro de 2000, conforme abaixo demonstrado: PER/DCOMP Nº PROCESSO TRIBUTO RECEITA PA VENCIMENTO VALOR 02408.69361.250903.1.3.047244 10510.900347/200651 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 4.854,22 07854.57206.250903.1.3.040279 10510.900354/200653 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 23.763,10 26700.76429.250903.1.3.041640 10510.900355/200606 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 2.573,53 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 492 6 28391.84260.250903.1.3.045336 10510.900356/200642 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 189,31 34766.99635.250903.1.3.043098 10510.900357/200697 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 48.013,63 32737.75146.250903.1.3.045034 10510.900351/200610 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 272.751,29 41211.38023.250903.1.3.040797 10510.900350/200675 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 251.391,12 06946.01108.220404.1.7.042770 10510.900352/200664 IRPJ 2319 mar/00 28/04/2000 6.534,69 16178.60459.240903.1.3.046460 10510.900345/200661 IRPJ 2319 jun/00 31/07/2000 142.895,89 07638.71138.22404.1.7.023682 10510.900346/200615 IRPJ 2319 jul/00 31/08/2000 126.919,79 29561.62824.220404.1.7.040001 10510.900342/200629 IRPJ 2319 set/00 31/10/2000 1.922,16 – acerca do quadro acima, cabe, de início, observar que as compensações concernentes aos períodos de apuração de junho, julho e setembro foram desconsideradas porque os débitos já estavam quitados por pagamentos realizados anteriormente à apresentação das DCOMP, conforme Despachos Decisórios DRF/AJU nº 726/2007 (fl. 80), 768/2007 (fl. 271/verso) e 259/2009 (fl. 275). No tocante às compensações das estimativas de março/2000, que foram tratadas no processo nº 10510.900337/200616, da análise, nos termos do Despacho Decisório DRF/AJU nº 768/2007, fls. 271/283, resultou na homologação do valor de R$ 272.425,15, tendo o interessado pago a quantia de R$ 40.194,01, referente a parte das compensações não homologadas (ver extratos às fls. 276/278), na forma abaixo demonstrada, devendo ser considerado, portanto, o montante de R$ 312.619,16: NÚMERO DA DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR COMPENSADO COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA VALOR PAGO SALDO DEVEDOR 41211.38023.250903.1.3.040797 mar/00 251.391,12 235.574,66 15.816,46 0,00 07854.57206.250903.1.3.040279 mar/00 23.763,10 0,00 23.763,10 0,00 32737.75146.250903.1.3.045034 mar/00 272.751,29 32.421,41 0,00 240.329,88 06946.01108.220404.1.7.042770 mar/00 6.534,69 0,00 0,00 6.534,69 26700.76429.250903.1.3.041640 mar/00 2.573,53 0,00 0,00 2.573,53 34766.99635.250903.1.3.043098 mar/00 48.013,63 0,00 0,00 48.013,63 02408.69361.250903.1.3.047244 mar/00 4.854,22 4.429,08 425,14 0,00 28391.84260.250903.1.3.045336 mar/00 189,31 0,00 189,31 0,00 TOTAL 610.070,89 272.425,15 40.194,01 297.451,73 – à luz do exposto, feitas as considerações acerca das estimativas pagas pelo interessado relativamente ao anocalendário de 2000, cumpre recompor a Ficha 12B da DIPJ, nos termos a seguir demonstrados: FICHA 12B CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 1.127.049,54 01. À ALÍQUOTA DE 15% 727.366,36 03. ADICIONAL DEDUÇÕES 04. () PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 90.163,96 09 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO 5.689,14 11. () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 1.913.863,43 Estimativa paga em DARF: R$1.601.244,27 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 493 7 Estimativa compensada: R$312.619,16 13. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 155.300,63 – procedidos os devidos ajustes, o resultado apurado é de que para o ano calendário de 2000, o valor do saldo negativo de imposto de renda é de R$ 155.300,63, observandose que não foram localizadas outras compensações com a utilização do referido saldo, além das declaradas na DCOMP em apreço. Cientificada do Relatório de Diligência, a Contribuinte manifestase, às fls. 287 a 295, alegando que: – segundo o relatório de diligência o Requerente teria apurado e recolhido o montante de R$ 4.142.300,05, a título de estimativas no anocalendário de 2000, sendo que apenas parte deste valor, o equivalente a R$ 1.913.863,43, poderia ser utilizada para compor o saldo negativo, em razão de parte dos pagamentos ter sido restituída no processo 10510.900334/200682, conforme Despacho Decisório nº 726/2007. Ainda reduziu parte da estimativa apurada na competência de março sob o fundamento de que as compensações declaradas para a quitação de valores não foram integralmente homologadas; – a fiscalização não só analisou indevidamente valores a título de estimativas para as competências de janeiro, fevereiro (parte), maio (parte), outubro, novembro e dezembro de 2000, as quais não devem compor o saldo negativo de IRPJ para o respectivo período, porquanto representam apenas pagamento indevido, objeto de pedido de restituição diverso, como também não considerou correta e integralmente os valores das estimativas apuradas e recolhidas pela Requerente na competência de março de 2000; Do Equívoco da fiscalização nas conclusões relacionadas às estimativas apuradas nas competências de janeiro, fevereiro (parte), maio (parte), outubro, novembro e dezembro de 2000 – em relação aos citados períodos de apuração, o Relatório de Diligência, apesar de registrar a apuração de alguns valores a título de estimativas, ressalva a sua utilização na composição do saldo negativo de 2000, porquanto teriam sido restituídos nos autos do processo nº 10510.900334/200682: Período de Apuração Estimativa Compensada/Restituída Data do Recolhimento Valor/Principal Janeiro 29/02/2000 317.105,15 Fevereiro 31/03/2000 325.220,34 Maio 30/06/2000 257.905,50 Outubro 04/12/2000 278.651,91 Novembro 28/12/2000 211.729,15 Dezembro 31/01/2001 124.520,35 TOTAL Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 494 8 – ocorre que os valores destacados, considerados pela fiscalização a título de estimativas, efetivamente não devem compor o saldo negativo de IRPJ de 2000, porquanto representam apenas pagamento indevido de IRPJ, tendo sido, a este título, objeto de pedido de restituição, conforme a seguir esclarecido; – a fiscalização não observou as retificações realizadas pelo Requerente em sua escrita fiscal, que alteraram as estimativas originais e, por conseguinte, resultaram na consolidação de um novo saldo negativo de IRPJ para o ano calendário de 2000. Com efeito, em 2002, o Requerente reapurou sua escrita fiscal, vinculando novos débitos a novos recolhimentos e novas compensações, com exceção dos débitos de janeiro, outubro, novembro e dezembro/2000, que nas DCTF retificadoras foram zerados. Foi em razão desta retificação/nova apuração e novos pagamentos que as estimativas originalmente apuradas e recolhidas pelo Requerente tornaramse indevidos e objeto de restituição nos autos do Processo nº 10510.900334/200682, consoante razões expostas no Recurso Voluntário apresentado no respectivo processo e ainda pendente de apreciação (doc. 02); – assim, apenas como forma de demonstrar a sua boa fé, destaca que, em momento algum, pretendeu a inclusão dos valores acima destacados na apuração do saldo negativo aqui pleiteado, tendo desde a Manifestação de Inconformidade destacado a composição do saldo negativo apurado para o ano de 2000 (R$ 866.585,00), tendo esclarecido ainda que a suposta divergência apontada pela autoridade fiscal entre o valor de R$ 654.855,85 declarado na DCOMP e o valor declarado na DIPJ, de R$ 866.585,00), decorre simplesmente do procedimento adotado pelo Requerente de compensar parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, no valor de R$211.729,15, (relativa ao DARF de novembro), mediante DCOMP já homologadas nº 24522.80257.200204.1.3.049087, 05189.19559.090204.1.7.040400 e 15194.77981.240204.1.3.040455 (doc. 04), objetos dos processos administrativos nº 10510.900.334/200682 e 10510.720.207/200782 (doc. 05), e a outra parte, no valor de R$ 654.855,85, objeto dos presentes autos mediante entrega da DCOMP nº 25588.18351.030204.1.3.02 4650; – assim, os valores destacados efetivamente não compõem o saldo negativo do período; Do equívoco na apuração da estimativa de março de 2000 – não obstante o Relatório de Diligência reconheça a efetiva apuração e recolhimento da estimativa no montante de R$ 907.018,20, arbitrariamente reduziu o valor a compor o saldo negativo sob o suposto fundamento de que parte dos recolhimentos realizados, especificamente por meio das DCOMP abaixo destacadas, não foram integralmente homologadas, restando um suposto saldo devedor, consoante Despacho Decisório DRF/AJU nº 768/2007: PA NÚMERO DA DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR COMPENSADO COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA VALOR PAGO SALDO DEVEDOR mar/00 41211.38023.250903.1.3.040797 mar/00 251.391,12 235.574,66 15.816,46 251.391,12 mar/00 07854.57206.250903.1.3.040279 mar/00 23.763,10 0,00 23.763,10 23.763,10 mar/00 32737.75146.250903.1.3.045034 mar/00 272.751,29 32.421,41 0,00 32.421,41 mar/00 06946.01108.220404.1.7.042770 mar/00 6.534,69 0,00 0,00 0,00 mar/00 26700.76429.250903.1.3.041640 mar/00 2.573,53 0,00 0,00 0,00 mar/00 34766.99635.250903.1.3.043098 mar/00 48.013,63 0,00 0,00 0,00 mar/00 02408.69361.250903.1.3.047244 mar/00 4.854,22 4.429,08 425,14 4.854,22 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 495 9 mar/00 28391.84260.250903.1.3.045336 mar/00 189,31 0,00 189,31 189,31 TOTAL 610.070,89 272.425,15 40.194,01 312.619,16 – a referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo Requerente nos autos do Processo Administrativo nº 10510.900337/200616, pendente de julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (doc. 03) e, portanto, com a exigibilidade suspensa, ou seja, a decisão que não homologou a referida compensação é precária e não representa o entendimento final da Administração, que certamente reverá o seu posicionamento, garantindo as compensações apresentadas pelo Requerente; –ante o exposto, requer sejam plenamente acatadas as razões apresentadas na presente manifestação, para que seja dado provimento à Manifestação de Inconformidade, para reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado e homologar as compensações declaradas; caso entendam necessário, requer seja sobrestado o julgamento do presente processo até que seja concluído o julgamento do processo que tramita sob o nº 10510.900337/200616, evitandose a prolação de decisões conflitantes em relação ao recolhimento do montante de R$ 297.451,73 a título de estimativa do IRPJ de março de 2000. – requer seja notificada da juntada de qualquer documento ou de quaisquer outros fatos supervenientes que venham a ocorrer nos presentes autos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 85): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Em obediência ao Princípio da Oficialidade a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo tem o direito de compensar as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição, nas hipóteses de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 14/01/2011 (fls. 437), a tempo, em 11/02/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 438 a 458, instruído com os documentos de Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 496 10 fls. 459 a 485, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o ajuste realizado na escrita fiscal do Recorrente pela Fiscalização, que resultou em um saldo negativo inferior àquele apurado pelo Recorrente no respectivo período, encontra inconteste óbice preliminar quanto ao prazo de decadência, encerrado em 31/12/2005, conforme regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN; b) que, esgotado o lapso de tempo estabelecido sem manifestação da autoridade administrativa, decai definitivamente o direito de a autoridade administrativa formalizar eventual crédito tributário, sendo vedado à administração a alteração da forma de contagem do prazo decadencial e iniciálo apenas em 03/02/2004, em razão da declaração de compensação transmitida pelo Recorrente; c) que a primeira e única manifestação acerca de possível saldo a pagar a título de IR do ano de 2000 apenas ocorreu no relatório de diligência recebido pelo Recorrente em 18/10/2010, ou seja, (dez) anos depois da sua constituição; d) que, ainda que se desloque a contagem para data de transmissão da DIPJ retificadora, em 18/12/2002, que “constituiu” o saldo negativo ora pleiteado, o prazo decadencial teria ocorrido em 18/12/2007, 05 (cinco) anos após a sua transmissão; e) que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apenas poderia analisar o crédito pleiteado dentro dos critérios jurídicos já delimitados na decisão anterior, estando impedida de substituílos por novos fundamentos, de forma a tentar justificar que a decisão anterior que indeferiu a compensação estava correta; f) que a administração federal não poderia modificar seus critérios de julgamento apenas para tolher o direito do contribuinte, sob pena de instalar verdadeira insegurança jurídica, sempre banida pelo nosso ordenamento; g) que a nova alegação apresentada pela DRJ é matéria absolutamente estranha ao presente processo, jamais aventada por qualquer das instâncias administrativas competentes pelo exame do processo de compensação em questão; e h) que, tratandose de matéria absolutamente nova e estranha ao processo, trazida neste momento, quando já definidas as razões pelas quais a DRF denegou as compensações procedidas pelo Recorrente, deve ser afastada a sua apreciação por essa Corte Administrativa, reconhecendose o incontroverso direito do Recorrente de reaver o saldo negativo apurado no ano de 2000. Em mesa para julgamento. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 497 11 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Constou da decisão recorrida (fls. 430verso, 433verso, 434, 435 e 435 verso, grifouse): Consoante o Despacho Decisório, nº de Rastreamento nº 749322963, à fl. 09, a compensação declarada não foi homologada em razão de divergência entre o valor do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) e o informado na DCOMP. Enquanto nesta, o saldo informado foi de R$ 654.855,85, naquela, o montante declarado foi de R$ 866.585,00. [...]. Afastada a preliminar levantada, no mérito, passase à análise dos questionamentos suscitados acerca do crédito referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 apurado pela Autoridade Fiscal. [...]. Realizada a diligência solicitada por esta 2ª Turma da DRJ/SDR, que objetivava a demonstração do efetivo valor do saldo negativo do anocalendário de 2000 e a verificação do quanto daquele saldo seria passível de compensação na DCOMP em exame, a Autoridade Fiscal elaborou o Relatório de Diligência, em que está detalhada toda a composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, e sua utilização. [...]. [...]. Diante de todo o exposto, chegase à conclusão de que não assiste razão à Impugnante, ao insurgirse contra os ajustes efetuados, pela Autoridade Fiscal, por ocasião da diligência realizada, nos valores das estimativas relativas aos meses de janeiro, fevereiro, maio, junho, e setembro a dezembro a serem utilizados para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000. [...]. Dessa forma, está perfeitamente demonstrado nos autos que o saldo negativo do anocalendário de 2000, passível de compensação com o débito declarado na DCOMP em apreço, é aquele demonstrado no Relatório de Diligência, no montante de R$ 155.300,63. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 498 12 6. Verificase, de início, que como não poderia deixar de ser o fundamento para a não homologação, adotado pelo despacho decisório, por absolutamente aberrante, foi solenemente ignorado pela decisão recorrida (saldo negativo informado na DComp inferior ao apurado na DIPJ). 7. Porém, andou mal a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), ao avocar para si trabalho que seja por força de critérios de custobenefício, seja por força de parâmetros de análise foi delegado a sistemas eletrônicos de controle, sem tratamento manual, homologando apenas parcialmente, por outros motivos, a compensação pleiteada. 8. Observase, por oportuno, que tal negativa de homologação, procedida pela DRJ, ocorreu quando já transcorrido o prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (homologação tácita). 9. É que a decisão da DRJ, da forma como prolatada, possui, na realidade, a natureza jurídica de um “despacho decisório complementar”, sujeita, portanto, também, ao prazo homologatório acima citado. 10. Não se alegue que haja, por parte deste Voto, o afastamento da aplicação do art. 170 do CTN e do art. 74, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e do ônus da prova que competiria ao contribuinte. 11. Há, sim, o reconhecimento, por este Relator, de que o fundamento adotado pela decisão recorrida – em substituição àquele empregado pelo Despacho Decisório , o foi quando já transcorrido o prazo para a não homologação da compensação pleiteada (homologação tácita). 12. Há que se mencionar, por fim, a denominada “teoria dos motivos determinantes”, pela qual, uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). 13. Nesse sentido, bem assinalou a ora Recorrente (fls. 447): [...] a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apenas poderia analisar o crédito pleiteado dentro dos critérios jurídicos já delimitados na decisão anterior, estando impedida de substituílos por novos fundamentos, de forma a tentar justificar que a decisão anterior que indeferiu a compensação estava correta. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.900018/200872 Acórdão n.º 1803002.491 S1TE03 Fl. 499 13 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer a homologação tácita da compensação objeto da Dcomp nº 25588.18351.030204.1.3.024650. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001698/2007-67
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL.
O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não-Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 01/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL. O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não-Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 01/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL. O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 01/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 16 98 /2 00 7- 67 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Exportação (formulário instituído pela IN SRF nº 563, de 2005) relativo a trimestres de 2005 e 2006 (terceiro e quarto de 2005 e primeiro e segundo de 2006), totalizando o valor de R$ 372.921,41, conforme documento de fl. 01. Ao pedido de ressarcimento a contribuinte juntou extenso arrazoado (fls. 02/15) onde informa ter requerido ressarcimento de créditos em espécie, sendo atendida. No entanto, o montante solicitado lhe foi creditado pelo valor original, entendendo que o mesmo seria passível de atualização monetária. À fl. 05, tratando do objeto do presente processo, diz que há o locupletamento na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. Junto ao seu arrazoado a empresa apresentou os documentos de fls. 17/47. O Órgão de origem anexou os extratos de fls. 48/49, tendo emitido o Parecer DRF/SCS/Saort nº 031/09, de 18/02/2009 (fls. 50/57), constando, também, na fl. 58, o Despacho Decisório DRF/SCS nº 112/09, daquela data, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando a solução proposta no Parecer, resolveu não reconhecer o direito creditório pleiteado pela interessada e indeferir o pedido de correção pela SELIC do valor correspondente ao ressarcimento do PIS/PASEP nãocumulativo exportação alcançado nos processos nºs 13053.000270/200560, 13053.000029/200611, 13053.000131/200607 e 13053.000144/200696. Determinou fosse o sujeito passivo cientificado da decisão e intimado da possibilidade de apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra o despacho administrativo proferido. A contribuinte foi cientificada em 27/02/2009 (AR de fl. 60) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 11/03/2009 – fls. 61/76 – sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa protocolizou pedido de ressarcimento de crédito de PIS relativo ao 2º semestre de 2005 e 1º semestre de 2006, o qual foi atendido em momento bem posterior ao de seu protocolo, sem a devida correção monetária, donde a empresa teve seus créditos significativamente reduzidos, em montante equivalente à diferença da correção monetária computada desde a data da constituição até sua liberação; • os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001698/200767 Acórdão n.º 3102001.826 S3C1T2 Fl. 3 3 • a pessoa jurídica que efetuar exportações sujeitas à modalidade não cumulativa do PIS e da COFINS, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS nos termos das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • a demora no ressarcimento dos valores caracteriza um locupletamento duplo: a) em função da corrosão dos valores entre a data do pagamento do PIS pelos contribuintes das operações anteriores, valores que ficam nos cofres públicos até que seja constituído crédito do exportador, o qual se dá trimestralmente; b) aquele que é objeto do presente pedido, que ocorre na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. • a falta de correção dos créditos de natureza tributária expressa desigualdade de tratamento entre os contribuintes e o Fisco, em desfavor dos primeiros, eis que os débitos daqueles para com a Fazenda Nacional são sempre acrescidos de correção pela taxa SELIC (a partir de 1º/01/1996); • no presente caso, apenas parte do principal já foi ressarcida, restando uma parcela decorrente da não aplicação da correção, tendo a empresa apresentado pedido complementar (correção monetária pela taxa SELIC), o qual foi indeferido pela RFB; • as razões trazidas pela autoridade administrativa no Despacho ora atacado não merecem prosperar. DO DIREITO DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA • a autoridade administrativa afirma que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, assim como jamais o foi pela União Federal em instante algum, somente se prestando a ser empregada enquanto aquilo que é: uma taxa de juros, sendo uma das razões para o indeferimento do pedido, mas não a única; • tal afirmação não merece prevalecer, haja vista que a partir de 01/01/1996, em virtude da regra insculpida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250, de 1995, a compensação ou restituição/ressarcimento de créditos do contribuinte deve ser corrigida apenas pelos juros da taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partira da data do pagamento indevido ou a maior, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% no mês em que estiver sendo efetuada, excluindose qualquer indexador, por que a SELIC tem natureza mista; • considerandose que a Administração Pública se encontra vinculada aos preceitos normativos veiculados através de normas legais, em atenção ao princípio da legalidade (se refere à completa submissão da Administração às leis, devendo esta tãosomente obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática), deve ela aplicar as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, no sentido de aplicar a taxa SELIC sobre os créditos existentes em favor da empresa; • a jurisprudência do STJ é assente quanto à aplicação da taxa SELIC nos ressarcimentos de créditos existentes em favor dos contribuintes. Transcreve ementa de julgado daquela Corte, bem como de decisões do Conselho de Contribuintes, que entende sustentar a sua tese; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 • existindo lei que determine a utilização da SELIC como índice de correção monetária a partir de 1996, deve a Autoridade Administrativa, em respeito ao princípio da legalidade, dar o devido cumprimento às disposições legais trazidas pela Lei nº 9.250, de 1995. DO DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA • a correção monetária serve tãosomente para recompor determinado valor corroído pelo tempo, sem, no entanto, representar nenhum acréscimo ao valor principal. Registra posicionamento de doutrinador e discorre acerca de compensação, restituição e ressarcimento, entendendo que o legislador, ao garantir o direito à aplicação da taxa SELIC, objetivou estabelecer um equilíbrio, devolver, indenizar, compensar o contribuinte; • ressalta que a aplicação da sistemática não represente ônus para o devedor, ou vantagem para o credor, pois não retrata acréscimo patrimonial, mas manutenção do valor monetário defasado pelo decurso do tempo; • refere a entendimento adotado pelo Poder Judiciário – se o Fisco cobra os seus créditos acrescidos de SELIC, da mesma forma deve proceder quando a situação é inversa – citando a Súmula 46 do extinto TFR e posicionamento da Corte Superior, registrando parte de Parecer da Advocacia Geral da União e do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; • entende que aquele artigo dispõe expressamente sobre o seu caso, dizendo que os créditos relativos ao ressarcimento de PIS nãocumulativo, decorrentes de incentivo fiscal outorgado às exportadoras, e resultantes do pagamento de PIS em produtos exportados, representam direito líquido e certo da empresa; • o ressarcimento de créditos concedidos por lei, sem a devida correção monetária, prejudica em demasia as empresas exportadoras, visto a desvalorização da moeda no período compreendido entre a data da constituição do crédito e a compensação ou o ressarcimento em espécie; • é cristalino que a não aplicação da correção monetária dos créditos ressarcidos, desde a data da sua constituição, implica desnaturação da relação previamente ajustada entre as partes; • pagamento ou ressarcimento sem correção monetária equivale manter o desequilíbrio da prestação e provoca lesão intolerável para o credor, seja ele ente público ou privado. Registra ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, ressaltando que nos relatórios daqueles, além da manifestação favorável à correção monetária dos créditos de IPI, percebese a menção ao art. 108 do CTN, que dispõe que na ausência de disposição expressa em lei, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá valerse da analogia, ou seja, poderá usar as mesmas regras utilizadas para a restituição de impostos pagos a maior ou indevidamente. Como frisado, o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, prevê a correção monetária desses valores. Registra entendimentos doutrinário e da CSRF; • entende que no caso em tela se faz necessário o uso da analogia a fim de garantir o direito de ter ressarcido em espécie os crédito de PIS nãocumulativo oriundos de incentivo fiscal, acrescidos da devida correção monetária. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC • transcreve parte do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, cita posicionamento de doutrinador e entende que cumpre à autoridade fiscal aplicar a taxa SELIC sobre os créditos ressarcidos à empresa no período compreendido entre a sua constituição e o ressarcimento, eis que aquela taxa foi o instrumento disponibilizado aos Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001698/200767 Acórdão n.º 3102001.826 S3C1T2 Fl. 4 5 contribuintes credores da União Federal capaz de equiparar os créditos e débitos de natureza tributária, fazendo valer o princípio constitucional da isonomia; • refere à forma de ressarcimento de créditos de PIS decorrentes de incentivos legais, dizendo que não há previsão sancionatória para a demora nos ressarcimentos, levando à conduta protelatória por parte da SRF, em manifesto prejuízo dos contribuintes; • a empresa merece ter seus créditos restituídos de forma real, se fazendo necessária a incidência da taxa SELIC desde a respectiva constituição até o ressarcimento; • a taxa SELIC configura remuneração de valores por força do decurso do tempo, na forma com que instituída, ou seja, outra natureza não se pode atribuir àquela taxa senão a que manifesta conotação de correção monetária, a partir de 1º/01/1996. Registra julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário; • a empresa pugna pela reforma in totum da decisão combatida, ressaltando que a aplicação de dois pesos e de duas medias provoca insegurança no contribuinte, já que todo e qualquer débito (independente da denominação do mesmo) é exigido pela Fazenda Pública com correção monetária, pela taxa SELIC, dos valores já ressarcidos. DO PEDIDO • requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendose o direito ao ressarcimento integral dos valores relativos ao presente processo administrativo, referentes à SELIC, por todos os motivos expostos e comprovados anteriormente; • pede e espera deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou o documento de fl. 77. O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 78). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. De início, relevante destacar que, embora a Recorrente mencione direito previsto “nos art. 1º , da Lei n. 9.363/96, na Lei n. 10.276, de 10 de setembro de 2001 e nos arts. 1º e 2º da Portaria do Ministério da Fazenda n.° 38/97”, autorizando os “exportadores a recuperarem os valores pagos de PIS/COFINS incidentes nas operações de aquisição de insumos utilizados na fabricação dos produtos por si exportados, mediante a utilização de crédito presumido de IPI”, na verdade, o direito pleiteado na causa diz respeito ao crédito básico não cumulativo da Contribuição, estabelecido na Lei 10.637/02 em combinação com a Lei 10.833/03. Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, é das disposições contidas nas Leis acima mencionadas a impossibilidade de que, na data de ocorrência dos fatos geradores em epígrafe, fosse requerido direito previsto nas Leis 9.363/96 e 10.276/01. Art. 14. O disposto nas Leis nºs 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Esclarecido isso, entendo que não haja razão para reforma da decisão contraditada. Em face de decisões judiciais tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, temse admitido a correção do monetária pela aplicação da Taxa Selic para alguns tipos de créditos apurados pelo contribuinte. Inobstante, a jurisprudência dessa Turma tem sido firme Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001698/200767 Acórdão n.º 3102001.826 S3C1T2 Fl. 5 7 pela negativa ao direito de correção quando o assunto gira em torno da apuração de créditos básicos no Sistema da não cumulatividade. Isso porque, conforme já mencionado em primeira instância, há expressa disposição legal vedando esse direito. Reproduzo mais uma vez o contido na Lei 10.833/03. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13. Por outro lado, a decisão tomada em Regime de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça alcança os créditos básicos do Imposto sobre Produtos Industrializados e teve aplicação ampliada para os créditos presumidos, mas nunca aos créditos calculados pelo Sistema de apuração não cumulativo propriamente dito. RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847 RS (2008/00448972) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Quanto à jurisprudência veiculada nos autos, como é de sabença, apenas as decisões tomadas em Regime de Repercussão Geral, pelo Supremo Tribunal Federal, ou em Recursos Repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, devem ser obrigatoriamente observadas nos julgamentos processados neste Conselho. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Finalmente, no que se refere às normas que disciplinam pedido de restituição, ressarcimento e compensação de tributos, estabelecidas na leis próprias, de acordo com os fundamentos prescritos pelo Código Tributário Nacional, entendo que a decisão de piso foi didática na abordagem da questão. Reproduzoa a seguir e adoto seus fundamentos neste particular. No que tange à aplicação da taxa SELIC sobre o valor ressarcido, bem como da aplicação do instituto da analogia, se faz necessário esclarecer que a Lei nº 8.383, de 1991 (art. 66) e a Lei nº 9.250, de 1995 (art. 39, § 4º) se referem apenas aos casos de pagamento indevido de tributos e contribuições federais. O exame mais acurado do incentivo fiscal em epígrafe mostra que o ressarcimento do crédito apurado no regime da nãocumulatividade não se confunde com a restituição ou a compensação pelo pagamento indevido de tributos. Pelo contrário, a empresa, ao adquirir os insumos mediante operações tributadas, paga o PIS exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é um benefício fiscal que prevê a devolução dessas contribuições incidentes nas duas operações imediatamente anteriores à industrialização a título de incentivo, não havendo qualquer pagamento indevido. A União fica na posse de um montante recebido licitamente. O ressarcimento e a restituição são, portanto, institutos distintos, porquanto o primeiro é modalidade de aproveitamento de incentivo fiscal (um benefício), ao passo que a restituição (repetição de indébito) é a devolução ao contribuinte que tenha suportado o ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior do que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres da Fazenda Pública. Fossem institutos idênticos, a Lei não os teria tratado distintamente, ou seja, o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, inseriu no seu comando a aplicação daquele índice somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores que não têm origem em indébitos e que são passíveis de ressarcimento, por ser este um instituto jurídico que não guarda semelhança com os expressamente citados na norma legal e cujo direito surge de figura jurídica distinta do indébito. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001698/200767 Acórdão n.º 3102001.826 S3C1T2 Fl. 6 9 Ante tais considerações, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Sala de Sessões, 24 de abril de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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